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COMUNIDADE CRISTO DE BETÂNEA

A pedido de um membro da Comunidade Cristo de Betânea, à qual, aliás, não


pertenço, fui ao respectivo site, para procurar a informação pretendida; durante essa
pesquisa, encontrei um texto do Sr. Rodrigo Portella sobre a Comunidade Cristo de
Betânea, única Comunidade Católica Portuguesa, que me chamou a atenção. Por
curiosidade, dado conhecer a sua líder e vários membros, iniciei a leitura do referido
texto, mas à medida que o lia, o meu interesse diminuía, pois constatava a sua falta de
enquadramento na realidade desta instituição, com prestígio em todo o universo
católico. Sei até que, fazendo parte da Associação das Novas Comunidades Católicas,
Associação de Direito Pontifício, foi com todas as outras comunidades membros
presentes, recebida pelo Papa Bento XVI, em momento oportuno de um encontro das
Novas Comunidades Católicas. Pelo que me é dado perceber, até sabendo da presença
do Arcebispo daquela Diocese, na celebração dos dez anos da entrega do seu Estatuto
que legaliza e a sua inserção oficial na Igreja Católica, concluo que também é da total
confiança da Diocese de Braga.
O prestígio da sua fundadora e líder, a Irmã Consagrada Dr.ª Hercília Pinto
(licenciada em Ciências Histórico -Filosóficas e tendo tirado ainda o curso superior de
Teologia), põe em causa grande parte das afirmações – conclusões do já referido Sr.
Portella, num estudo que se revela pouco sintonizado com a Comunidade Cristo de
Betânea e a própria Religião Católica.
A frequente suspeição das actividades e pessoas da Comunidade Cristo de
Betânea leva-o a muitas afirmações ligeiras e pouco apropriadas com a realidade
portuguesa, antes talvez próprias de outras culturas.
Recorrendo a muitas citações de terceiros, numa intelectualização complicada e
por vezes até de sentido difícil para a finalidade que pretendia atingir, parece pretender-
se tudo analisar com intenções pouco claras e pré-concebidas.
O texto torna-se profundamente gravoso com afirmações muitas vezes sibilinas
e falaciosas.
A minha formação de advogado, apesar de reformado, leva-me a poder mesmo
equacionar eventuais responsabilidades ao pôr em dúvida, por exemplo, as receitas que
fazem face às despesas com as publicações da Comunidade Cristo de Betânea,
dissertando sobre os custos respectivos e em que se insinua não serem as dádivas e
outras receitas suficientes para custear essas despesas. certamente elevadas, dada a
qualidade das mesmas. Levanta ainda o problema, que salvo melhor opinião, não lhe diz
respeito (“donde virão então essas receitas”?)
Afirmação grave e provocatória é da honra e seriedade da Comunidade Cristo de
Betânea, e sua fundadora, cuja honestidade ninguém poderá ou deverá levianamente pôr
em dúvida, sob pena de eventuais danos morais e de respeito religioso.
Houve ainda outros, que me chocaram, entre os quais, por exemplo, a questão do
uso de hábitos religiosos. Tema tão querido ao Papa João Paulo II, não é um atraso
medievo, mas, antes, o sinal de se mostrar aos outros como entidades Eclesiásticas
Católicas, e com o orgulho de o serem; e ainda, a dificuldade de conhecer os estatutos
da Instituição, quando segundo sei saber, estão referidos na Internet, para além das
necessárias obrigações da Legislação Eclesiástica Católica. Esse ponto serviu sim a
insinuação de um secretismo da Comunidade Cristo de Betânea, tudo o que afinal não é!
E sem considerar, portanto, como aliás o próprio confessou, ter sido recebido na
Comunidade, falando com quem quis e tendo recebido as informações solicitadas,
fornecidas de boa fé e sem reservas.
Afinal, hospitalidade retribuída com escusada deselegância.
Por tudo isto, tentei saber quem era Rodrigo Portella e como aparecera na
Comunidade Cristo de Betânea. Após os esclarecimentos que lhe foram prestados,
reafirme-se sem reservas, podia mesmo assim tirar tais intencionais conclusões num
estudo em que se diz pretender analisar as mais recentes tendências da Igreja Católica
na Europa e na modernidade, que julgamos deveriam, portanto como manda a ética
social, ser, tanto quanto possível, imparciais?
Deixei posteriormente, de ter quaisquer dúvidas sobre as conclusões
apresentadas ao saber pela própria Comunidade em questão, e por outros textos na
Internet, que se tratava de um Sr. Pastor Luterano que não se identificara então, como
tal (não se percebe a razão ou talvez agora se entenda).
Na antiguidade, quando Lutero se separou da Igreja Católica fê-lo por
divergências confeccionais e estruturais. Por isso, Rodrigo Portella teve logicamente,
como pano de fundo as mesmas razões e posições em relação à Comunidade Cristo de
Betânea. Daí as críticas reveladas e esclarecedoras.
Não será assim, quanto a nós, que se contribui para os esforços que se fazem
para o entendimento Ecuménico. Antes pelo contrário. E, consequentemente, a
manifesta intenção de criticar a Comunidade Cristo de Betânea fica clara, bem como a
incompreensível agressividade, ultrapassando o próprio âmbito desta Comunidade.
Por que razão? Precipitação, ligeireza, superficialidade, ou premeditação crítica?
Encerrado fica por mim o assunto, depois deste desabafo, sem segundas
intenções e como parte indirecta no tema, pois além disso defendo que o entendimento
Ecuménico será fundamental para o mundo cristão actual: sem guerras inúteis e de
pouco sentido. Antes procurando o que nos une, para uma modernidade Ecuménica
saudável e duradoura, no respeito entre todos.

J. A. Moniz