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CÁLCULO DE DANO AMBIENTAL DECORRENTE

DE UM DEPÓSITO DE LIXO

1 – APRESENTAÇÃO

Autor do Laudo: Eng.............................................................., CREA .................

Partes Envolvidas: Requerentes:................., Requeridas: Prefeitura Municipal .........

2 – PRELIMINARES

Descrição sintética sobre aterros sanitários, apresentando estrutura física e partes


que compõem o aterro, diagrama básico de engenharia, sistemática de operação do
aterro, sistemas de tratamento do “chorume” e dos gases emitidos (metano),
sistema de monitoramento do lençol freático. Estimativa do tempo de vida útil do
aterro e sistemática de encerramento das atividades. Descrição dos impactos
negativos e positivos da instalação de um aterro de resíduos urbanos.

3 – PERÍCIA

A perícia se caracteriza como uma vistoria no âmbito do direito legal com nível de
precisão normal.

4 – CRONOLOGIA DOS EVENTOS

- Em 12/10/1995: Movida ação ordinária de indenização por perda e dano


contra o Município....... Área avaliada: 20 ha (hectare), Registro de Imóvel 197722 à
197729, Comarca de ..............

Exposição de Motivos da Autora: O município de apossou de área de 15.000 m2,


mais 3.000 m2 por desapropriação indireta. O empreendimento frutícola (uva,
pêssego, ameixa, etc.) se tornou inviável, causando prejuízos irreparáveis.

Motivos:

ƒ Proliferação de moscas que se desenvolvem no lixão e atacam os pomares, e


abelhas não melíferas que estragam as uvas, quando prestes a amadurecer.

ƒ Proliferação de odores, moscas e ratos que alteram a qualidade de vida, a fauna e


a flora, no mínimo no entorno de 1.000 de distância do local em análise.

ƒ O Parecer do Eng.Agrônomo ........., concluiu que a implantação do pomar será


afetada, acarretando em custo maior devido à proximidade do depósito de lixo,
embora as condições de clima e solo sejam propícias para a atividade. O Parecer
desaconselhou a implantação do pomar devido à proximidade do lixão. Parecer
técnico e mapa em anexo.

ƒ As despesas para o cultivo da uva, pêssego, etc.., dobrou após a instalação do


lixão, tornando anti-econômico o seu cultivo.
ƒ O lixão contamina a vertente de água que nasce a 50 metros do local e abastece
a propriedade dos Autores há 50 anos, cruzando as terras destes, tornando
perigoso o consumo, mesmo para animais e para uso agrícola.

- Em 01/03/1996 : Contestação do Município de...............

Resumo:

ƒ A Prefeitura Municipal alega que parte do lote 12 da área de 90.000 m2


pertencente ao Senhor........, foi adquirida pelo Município, visando a implantação
da usina de reciclagem de lixo do município em 06/11/1991.

ƒ Em 1991, começou a instalação da usina de lixo, e segundo a PM de......, o


Sr. ......., sugeriu que este aumento fosse feito em um canto de suas terras para
não contaminar um riacho que passa perto de suas terras e evitaria que o lixão
ficasse na frente de sua residência.

ƒ A usina foi instalada em 29/12/1992, nas terras dos Requerentes.

ƒ Em 04/07/1994 foi desapropriada pelo Poder Executivo do Município outra área de


10.000 m2 de......, pela necessidade de aumento da usina de lixo.

Em suma, pede-se improcedência da ação quanto à pretendida indenização, tanto


quanto se refere à aludida desapropriação ou a título de perdas e danos, inclusive
danos emergentes, porque ocorreu na espécie a exclusão das condições da ação.
Rebate ainda a assertiva contida na inicial que o “lixão” contamina a água que nasce
no local, tendo em vista que os montes de lixo estão colocados de tal forma e
separados por valos que impedem a passagem de qualquer detrito ou líquido para os
outros imóveis, como pode ser visto no local.

- EM 13/05/1996: Manifestação dos Autores sobre a Contestação

Alega a Autora que a PM......., instalou a usina na propriedade dos autores, sem as
cautelas legais necessárias da desapropriação direta, resultando nas condições
descritas na peça inicial.

Alega que na referida usina nunca foi feita a reciclagem e a correta compostagem,
sendo o lixo depositado em valas positivas, ou seja, acima do nível da terra, gerando
um imenso depósito de lixo.

Alegam também a desvalorização das terras adjacentes o que seria inevitável,


independente em qual propriedade fosse instalada a usina.

Ratifica o pedido de nomeação de PERITO, indica o Assistente Técnico da Autora


e apresenta os Quesitos.

- EM 01/07/1996: É nomeado pela PM...... o assistente técnico e são formulados


os quesitos.

- EM 02/07/1996: É deferido os quesitos apresentados.


- EM 10/07/1996: São juntados ao processo os quesitos suplementares dos
Autores.

- EM 15/01/1998: É requisitado o RIMA, consoante manifestação dos demandantes.

- EM 04/05/1998: A ....... envia cópia sobre a necessidade ou não de elaboração


de RIMA dando o parecer dispensando a exigibilidade de EIA-RIMA.

5 – QUESITOS E RESPOSTAS

Da Ré

Quesito 01 – Quais as melhorias que proporcionará a instalação do aterro


sanitário, no local da usina?

Uma aterro sanitário bem projetado, conforme o projeto apresentado pela técnica
em saneamento ambiental Sra........na..... é uma das possibilidades de destino final
para o lixo urbano, embora como descrito acima nas preliminares, esta técnica está
sendo gradualmente abandonada devido ao fato do aterro ter uma vida útil curta, ser
de difícil operação e a resistência da população vizinha.

Quesito 02 – Após a instalação do aterro sanitário, sofrerão os Autores


algum tipo de poluição, em seus imóveis contíguos a usina de lixo?

Um aterro sanitário, por melhor operado que seja, sempre causa dano ao meio
ambiente. Logicamente que quando bem operado, o dano é tolerável. Mas o
levantamento de pó, certo odor e poluição sonora são impactos que não podem ser
de todo eliminados. Isto significa que em parte, a qualidade ambiental é diminuída
pela redução das amenidades ambientais, isto ocorre através da redução do bem
estar, um dos fatores de dano indireto na avaliação ambiental e de alguma
contaminação esporádica da água do lençol freático. Esta avaliação somente poderá
ser feita após a entrada definitiva em operação e deverá ficar entre 2 a 5% a queda
da qualidade ambiental dos parâmetros acima. Adiciona-se ao dano de pequena
monta acima, os danos ainda remanescentes do impacto intermitente que são os
danos continuados, mesmo após a eliminação do elemento fonte. Este dano ocorre
após muito anos (veja metodologia CATE).

Quesito 03 – Está sendo feito no local o aterro sanitário?

Até a data da primeira vistoria, em 17/08/2000, praticamente o aterro era um lixão


a céu aberto. Na segunda visita, em 19/12/2000, a situação continuava a mesma. Já
na última visita, em 08/02/2001, a situação era de construção de lagoas de
tratamento do “chorume”. As obras se encontravam concluídas. Existia no local, na
data de 08/02/2001, placa indicativa de financiamento através do ........ com
contrapartida da Prefeitura.
Quesito 04 – Trará alguma vantagem a coleta seletiva de lixo com relação às
alegações do Autor?

Sim muitas, pois a coleta seletiva serve para reduzir o volume de lixo e diminuir os
espaços onde possam as colônias de bactérias se instalar, com isto a carga orgânica
responsável pela formação do “churume’ e do odor diminui um pouco, pois as
bactérias levarão mais tempo para se multiplicarem. Isto será vantagem no caso de
uma camada de argila ser aplicada sobre a de lixo depositado diariamente. Cabe
salientar que este processo diminuirá em muito o risco de contaminação e redução
do bem estar da população. Por outro lado, a matéria orgânica degradada ocupará o
mesmo volume, portanto, se a coleta e tratamento do churume não for feita de
forma adequada, como está sendo feita agora, então para a água não trará nenhum
benefício. Saliento que o projeto apresentado à....... contempla a coleta e posterior
tratamento do “churume” em lagoas. A eficiência deste sistema somente será
avaliada quando em operação.

Quesito 05 – Para melhor avaliação dos fatos e uma análise mais apurada
não seria necessária, a realização de uma perícia feita por expert, mais
específico do assunto de meio ambiente?

Este laudo está sendo elaborado dentro do estado da técnica atual de meio ambiente
e com conceitos internacionais, ser ferir os diplomas legais a cerca do assunto no
Brasil, ou seja, CF art. 255, MP 1570-1.

Quesito 06 – Existe próximo ao local qualquer tipo de cultivo agrícola dos


Autores? Em caso positivo quais? E a que distância da sede da Usina de Lixo?

Sim existia próximo ao local da data da vistoria uma plantação de milho de mais ou
menos 30.000 m2 e um parreiral de aproximadamente 40.000 m2. O início das
plantações estavam a menos de 200 metros da sede da usina de lixo.

Quesito 07 – Explique o senhor perito como se processa a Reciclagem e


compostagem de lixo, método usado pelo município?

A reciclagem é fase inicial do processo de compostagem do lixo e basicamente é a


separação da parte passível de reaproveitamento. Esta fase é importante devido ao
fato de que além de reduzir o volume do lixo a ser enterrado,a reciclagem do lixo
reduz a área superficial do lixo e, portanto, a formação de colônias de bactérias e
reduzindo o processo de digestão anaeróbia. Atrasando o processo, o tempo para o
recobrimento com argila pode ser estendido, evitando muitos inconvenientes.
Normalmente, o recobrimento é feito ao fim da jornada de trabalho, ou seja, num
intervalo de 24 horas.

Quesito 08 – Como a usina operando dentro dos projetos de município,


causará ao meio ambiente, inclusive aos Autores algum dano?

Já respondido no quesito 02 acima.


Dos Autores

Quesito 01 – Qual a data que o Município instalou o depósito de lixo nas


terras dos Autores?

O depósito de lixo foi instalado em 29 de novembro de 1992, portanto, a oito anos,


três meses e dias.

Quesito 02 – Quando da instalação do referido depósito, o Município possuía


o devido licenciamento ambiental fornecido pela.........(órgão competente)
conforme Lei no 6938 de 31/08/81.

A Resolução CONAMA No 5 de 15 de junho de 1988 também regulamenta o


licenciamento de sistemas de limpeza urbana. Na data de instalação do depósito de
lixo da Prefeitura não havia nenhum tipo de licenciamento ambiental e nem
formalizado o pedido de Licenciamento Prévio. O primeiro licenciamento foi de
instalação, já que não cabia mais o licenciamento prévio, pois a degradação já
ocorria. A licença de instalação foi emitida em 24 de maio de 1996, com número LI
No 0161/96-DL, na área de 6.400 m2 para aterro e 3.000 m2 para pátio de cura e
compostagem.

Quesito 03 – O Município possui Licença de Operação, fornecida pelo......


(órgão competente)? Em caso positivo, desde que data?

Não, o que existiu foi a Licença de Instalação acima referida, emitida em 1996 e,
como não foram tomadas todas as medidas necessárias, inclusive o pedido de
Licença de Operação, a mesma caducou um ano depois. É de salientar que a Usina
só pode operar depois de ter o Licenciamento de Operação, o que não existe.

Em 23 de fevereiro de 2000, com a área já degradada, foi feito um Termo de


Compromisso Ambiental (TCA), processo No......., entre a Prefeitura de...... e,
a .........., para a implementação de medidas para a recuperação da área degradada
e uso para um Aterro Sanitário. A Prefeitura não cumpriu o prazo acordado e, em 13
de fevereiro de 2001 foi acertado um aditivo, com prazo final em 30 de maio de
2001. Todos os prazos deverão estar cumpridos conforme a aditivo nesta data.

Quesito 04 – Poderia, o perito, informar se a localização da área licenciada


conforme LI No 0161/96 – DL, corresponde à área dos Autores, mencionada
no mapa de fls. 23 ou a área matriculada sob o No 11453 (fls 43 dos autos e
mapa da fls.45)?

A área licenciada não é definida com clareza na Licença de Instalação da.......,


conforme informação da técnica............. Deveria ser definida com clareza no pedido
de Licenciamento, o que não aconteceu. Claro que o pedido de licenciamento inicial
foi para as terras da viúva......... e que as terras dos .......s, bem como as terras
de.....e esposa, compradas posteriormente pela Prefeitura, não fazem parte da
Licença de Instalação pedida, nem do TCA acordado. Portanto, a Prefeitura em
hipótese nenhuma poderia estar lançando lixo nestas áreas.
Quesito 05 – Elabore, o perito, mapa localizando as propriedades dos
Autores e a localização do depósito de lixo.

O mapa da figura 23 configura a situação atual, onde parte do depósito de lixo da


Prefeitura avança nas terras de........ e outros tomando uma área de 140 metros por
110 metros, na parte que faz fronteira com as terras de.......e Esposa, que foram
adquiridas pela Prefeitura posteriormente para expansão do depósito de lixo.

Quesito 06 – O Município obedeceu, corretamente, na seqüência prevista,


todos os requisitos exigidos em lei para a instalação e operação da usina de
lixo?

Não. A Prefeitura não seguiu a seqüência que deveria ser.

Pedido de Licença Prévia – LP ( importante indicar a área que realmente será usada);
Pedido de Licença de Instalação – LI (apresentar o projeto que será implementado);
Pedido de Licença de Operação – LO (entrar em operação só com a unidade
instalada).

A Prefeitura pediu licenciamento em 1996, como já jogava lixo no local, o


licenciamento foi de instalação. Como não cumpriu o prazo, a Licença de Isntalação
caducou. Continuou irregular até após muitos problemas, inclusive incêndios no local,
poluição, reclamações da comunidade, foi notificada pelo Ministério Público. Chegou
novamente a um acordo e assinou um TCA, que por sua vez também não cumpriu.
Novamente, em 13 de fevereiro de 2001, foi dado uma prorrogação com prazo final
em maio de 2001 para que todas às ações a serem tomadas sejam encerradas.

Quesito 07 – A falta de observância aos registros legais, mencionados na


questão anterior pode causar danos e prejuízos ao meio ambiente e aos
proprietários de imóveis contíguos e/ou próximos da área destinada ao
depósito de lixo?

A não observância aos requisitos legais sempre traz danos à natureza, alguns
irreversíveis, principalmente, os serviços ambientais afetados. As áreas contíguas ao
lixão são as mais afetadas pois a pluma de contaminação é mais intensa nas áreas
próximas, diminuindo a medida que nos afastamos da fonte de contaminação. A
água é mais afetada em propriedades de nível inferior a fonte e a contaminação
aérea pela direção predominante dos ventos.

Quesito 08 – Quanto tempo seria necessário para a recuperação da área


onde está o depósito de lixo seguindo o procedimento exigido pela......... ?

Varia de contaminante para contaminante e de quanto tempo o ambiente vem sendo


degradado. No caso de lixo depositado sem controle, caso do depósito analisado, a
recuperação da água do solo leva mais de 30 anos a partir do momento que o lixo
deixa de se depositado. Se o lixo é depositado em um Aterro Sanitário bem
controlado, o impacto existente é insignificante e portanto tolerável.
Quesito 09 – O cultivo de frutíferas foi prejudicado com a proximidade do
“aterro sanitário” às terras dos Autores? Em caso afirmativo, poderia
identificar e quantificar o prejuízo?

Todo o tipo de atividade agrícola é prejudicado com o depósito de lixo em sua


vizinhança, principalmente, se o depósito está localizado acima do nível da terra na
qual a cultura está sendo avaliada.

Quesito 10 – Houve maiores gastos no custeio da produção das frutíferas,


dada a proximidade do depósito de lixo? Especifique (devido à incidência de
moscas, ratos, odor, etc..)

Houve maiores gastos de custeio devido as pragas originadas pelo depósito de lixo,
isto está calculado no item 6.

Quesito 11 – Quais as variedades frutíferas cultivadas pelos Autores nas


terras próximas ao aterro?

Viníferas 4 ha, milho 3 ha e culturas variadas para consumo próprio.

Quesito 12 – Poderia, o perito, estimar em quanto a menor foram às


colheitas dos Autores, por força da instalação do aterro, face à eventual
presença de insetos ou outras pragas e moléstias dele oriundas?

O cálculo foi feito no item 6 e foi baseado no custo direto ambiental para os 4 ha
plantados de viníferas e o custo de oportunidade para os demais hectares plantados,
baseado no princípio que existe a oportunidade de rendimento no restante das terras
com a cultura da qual a família e a comunidade dos arredores tem maiores
conhecimentos. Este custo é recomendável no caso de desapropriações de áreas
florestais e danos ambientais. O proprietário perde a oportunidade de produzir por
externalidades, às quais lhe impõem prejuízos sem lhe dar nenhum benefício. Os
beneficiários são os moradores da cidade, que não tem relação difusa com a
propriedade.

Quesito 13 – As áreas dos Autores estão num plano mais alto que as
abrangidas pelo depósito de lixo?

Sim, a água da propriedade dos Autores sofre de contaminação devido ao depósito


de lixo conforme laudo do laboratório.........em anexo.

Quesito 14 – Existiria a possibilidade de através da força da gravidade, os


detritos e/ou líquidos (chorume) escorrerem para a propriedade dos
Autores? Em caso positivo, qual a extensão da área atingida?

Conforme literatura, a pluma de um depósito de lixo pode atingir até 1.500 metros
de distância da fonte na direção predominante. Como foi comprovada por análise, a
contaminação atinge inclusive a água corrente da propriedade dos Autores.
Quesito 15 – A que distância estão localizadas as áreas dos Autores em
relação à edificação central do depósito de lixo?

Num raio de 1.000 metros. Sendo que a edificação central não é o centro de
contaminação do depósito de lixo e sim a área localizada atrás do depósito de lixo,
ou seja as pilhas formadas.

Quesito 16 – Qual a profundidade até o nível de água existente no lençol


freático do subsolo? É passível de contaminação?

A água existente no lençol freático tem profundidade variada, dependendo da época.


Á água do lençol freático é passível de contaminação já que é alimentada pela
absorção da água da chuva pelo solo. Como a área do depósito de lixo está acima
das terras dos Autores, toda a lixívia resultante da pilha do depósito é infiltrada pelo
solo, contaminando a água do lençol freático que é o mais sensível à contaminação.

6 – CÁLCULO DO DANO AMBIENTAL

O dano ambiental foi dividido em Dano às Viníferas e Dano à Água. Para efeito de
desvalorização do terreno supõem-se que o dano ambiental calculado inclui as
Perdas de Desvalorização já que a propriedade perde em amenidades e produção.
Para efeito de produção foi considerado a perda de produção por oportunidade ou
Custo de Oportunidade, pelo fato de não poder fazer.

6.1 – METODOLOGIA

O método utilizado para o cálculo dos danos ambientais à produção agrícola foi feito
para o dano a produção vinífera existente e para o custo de oportunidade de
produção de viníferas. Salienta-se que o custo de oportunidade é passível de cálculo
neste caso, pois a região é de aptidão para o cultivo de viníferas.

O valor médio de produção é de 1.698,83 kg/ha, baseado nos dados do município. O


valor encontrado é a divisão de produção média de 43.300.000 kg/ano pela área do
município que é de 254,88 km2.

Para Danos Ambientais à água, o método usado é aproximações semi-quantitativas


ou também chamado de Lista de Verificação Ponderada. Neste método se avalia o
Índice de Qualidade Ambiental (I Q A) a partir das amostras coletadas. Os
parâmetros do CONAMA serão usados sempre que possível para o índice de
qualidade de 100% e, da bibliografia para 0%. Estes limites foram usados como
valores limites de interpolação. Com o valor do Dano estimado, é calculado o valor
dos Custos Ambientais Totais Esperados (CATE) para os danos intermitentes e
contínuos.
6.2 – CÁLCULO DO DANO AMBIENTAL NA PRODUÇÃO DE VINÍFERAS

6.2.1 Da plantação existente:

- Área plantada: 4 ha

- Produtividade média: 1698,83 kg/ano

- Valor de venda: 0,28 R$/kg (Fonte: Jornal Gazeta Mercantil)

- Caso sem o depósito de lixo:

• Custo de produção: 50% do preço de venda = 0,28 x 0,50 = 0,14 R$/kg


• Custo de formação: 50% do custo de produção = 0,14x0,50 = 0,07 R$/kg
• Custo de colheita:33% do custo de produção = 0,14 x 0,33= 0,047 R$/kg
• Lucro bruto: 50% do preço de venda = 0,28 x 0,50 = 0,14 R$/kg

- Caso com o depósito de lixo:

• Custo de produção: 50% do preço de venda + diferença pelo uso de mais


defensivo agrícola
• Custo de formação: 0,07 R$/kg x 1,4 (aumento de custo) = 0,098 R$/kg
(foi considerado um aumento de 40% no custo de formação pelo uso de
mais defensivos agrícolas e mão de obra na aplicação)
• Diferença entre o custo normal de formação e manutenção e o custo de
formação e manutenção após a instalação do aterro de lixo = 0,098 –
0,070 = 0,028 R$/kg

- Dano previsto na produção de viníferas:

Dano unitário: 0,028 R$/kg x 1698,83 kg/ha . ano = 47,56 R$/ ha . ano

6.2.2 Custo de Oportunidade (CO)

CO = 1698,33 kg/ha . ano x 0,14 R$/kg = 237,83 R$/ha . ano

Impostos = 23,78 R$/ha . ano


________________
Custo de Oportunidade Líquido = 214,05 R$/ha . ano

Não foram consideradas as outras culturas, devido ao fato de ter sido calculado o
Custo de Oportunidade para a área onde não existem viníferas plantadas. Observa-
se que o CO e o dano às viníferas foram calculados baseados em índices de
produtividade média por hectare, que normalmente é abaixo do que uma
propriedade produz. Isto se deve ao fato de que, da área do município, deveria ser
descontado a área urbana, estradas, galpões, residências rurais, florestas, etc.
Portanto, o valor é bastante conservativo.

- Dano Direto Total na Produção de Viníferas:

Cd viníferas + CO viníferas = 47,56 R$/ha.ano x 4 ha + 214,67 R$/ha.ano x


16 há (área plantada) = 3.624,96 R$/ano

6.3 – CÁLCULO DO DANO AMBIENTAL À ÁGUA

Método de aproximação semi-quantitativo – Lista de Verificação Ponderada.


Objetivo:Calcular o dano a partir do Índice de Qualidade Ambiental (I Q A)

- DETERMINAÇÃO DAS UNIDADEs PARAMÉTRICAS DE IMPORTÂNCIA (UPI)


Parâmetro Analisado Fim da Pilha (UPI) Córrego na Propriedade
(UPI)
pH 10 4
DBO5 2 4
Matéria Orgânica 2 4
Nitrogênio Amoniacal 2 4
Nitrito + Nitrato 2 4
Arsênio 20 10
Chumbo 15 10
Cromo Total 10 5
Cádmio 3 5
Mercúrio 20 20
Níquel 2 5
Vanádio 2 5
Coliformes Totais - -
Coliforme Fecais 10 20
TOTAL 100 100

- DETERMINAÇÃO DO (I Q A ) 0 – 100%, PARA ÁGUA POTÁVEL


Parâmetro Analisado I Q A = 0% Referência I Q A =100% Referência
pH 10<pH<4 VPM 7 Neutra
DBO5 10 VPM 3 mg/l Classe 1
Matéria Orgânica Ausente VPM Ausente
Nitrogênio Amoniacal 0,08 mg/l VPM 0,02 mg/l GWQ
Nitrito + Nitrato 10,5 mg/l VPM 10 mg/l Classe 1
Arsênio 0,10 mg/l VPM 0,05 mg/l Classe 1
Chumbo 0,10 mg/l VPM 0,03 mg/l Classe 1
Cromo Total 0,05 mg/l VPM 0,04 mg/l GWQ
Cádmio 0,10 mg/l VPM 0,01 mg/l Classe 1
Mercúrio 0,002 mg/l VPM 0,0002 mg/l Classe 1
Níquel 0,05 mg/l VPM 0,025 mg/l Classe 1
Vanádio 0,10 mg/l GWQ 0,1 mg/l Classe 1
Coliformes Totais 1000 CONAMA Ausente
Coliforme Fecais 200 CONAMA ausente

VPM – Valores máximos permissíveis; GWQ – A Guide to Water Quality – Agência


EPA Canadá, 1979; Classe 1 – RESOLUÇÃO CONAMA
- CÁLCULO DO ÍNDICE DE QUALIDADE DA ÁGUA POTÁVEL E PARA DESSEDENTAÇÃO
ANIMAL

Para Água Potável

Parâmetro Analisado I Q A = 0% I Q A =100% Existente


pH 10<pH<4 7 8,6
DBO5 10 mg/l 3 mg/l 4,0
Nitrogênio Amoniacal 0,08 mg/l 0,02 mg/l 1,1
Nitrito + Nitrato (N2 Total) 10,5 mg/l 10 mg/l 1,1
Arsênio 0,10 mg/l 0,05 mg/l ND*
Chumbo 0,10 mg/l 0,03 mg/l ND
Cromo Total 0,05 mg/l 0,04 mg/l ND
Cádmio 0,10 mg/l 0,01 mg/l ND
Mercúrio 0,002 mg/l 0,0002 mg/l ND
Níquel 0,05 mg/l 0,025 mg/l ND
Vanádio 0,10 mg/l 0,1 mg/l ND
Coliforme Fecais 200 ausente 930
ND* - Não detectado

Para Água de Dessedentação dos Animais

Parâmetro Analisado I Q A = 0% I Q A =100% Existente


pH 10<pH<4 7 8,6
DBO5 10 mg/l 3 mg/l 4,0
Nitrogênio Amoniacal 0,08 mg/l 0,02 mg/l 1,1
Nitrito + Nitrato (N2 Total) 10,5 mg/l 10 mg/l 1,1
Arsênio 0,10 mg/l 0,05 mg/l ND
Chumbo 0,10 mg/l 0,03 mg/l ND
Cromo Total 0,05 mg/l 0,04 mg/l ND
Cádmio 0,10 mg/l 0,01 mg/l ND
Mercúrio 0,002 mg/l 0,0002 mg/l ND
Níquel 0,05 mg/l 0,025 mg/l ND
Vanádio 0,10 mg/l 0,1 mg/l ND
Coliforme Fecais 200 ausente 930

- CÁLCULO DA QUALIDADE DA ÁGUA POTÁVEL

A partir das equações de função de qualidade ambiental associadas aos gráficos


mostrados na seção de valoração ambiental, temos para cada parâmetro:

- pH

Função: (I Q A)pH = 0,111 pH2 + 1,56 pH – 4,44

Para o valor de pH = 8,6, temos (I Q A)pH = 0,7156, ou seja, 71,56%


- DBO5

Função: (I Q A) DBO5 = - (1/22025,2) x e DBO5 + 1,00095

Para o valor de DBO5 = 4,0, temos (I Q A) DBO5 = 0,99847, ou seja, 99,84

- Nitrogênio Amonical (Namoniacal)

Função: (I Q A)N amoniacal = - 16,67 Namoniacal + 1,333

Para o valor de Namoniacal = 1,1 é > que 0,02 e 0,08, (I Q A)N amoniacal = 0, ou seja, 0%

- Nitrogênio Total (NT)

Função: (I Q A)NT = - 2 NT + 21

Para NT = 1,1 como é < que 20 e 12, (I Q A)NT = 1, ou seja, 100%

- Metais Pesados (Ar, PB, Cd, Cr, Hg, Ni, Va)

Não foram detectados, logo, (I Q A)METAIS = 100%

- Coliformes Fecais (CF)

Função: (I Q A)CF = - (1/8,984) x e – (CF) + 1,1113

Para CF = 930, como 930>200, logo (I Q A)CF = 0, ou seja, 0%

- CALCULO DO IMPACTO AMBIENTAL (UIA)

Por definição,

UIA = (UPI) x (I Q A)

Parâmetro Analisado UPI IQA UIA


pH 4 0,71568 2,86272
DBO5 4 0,99840 3,99360
Matéria Orgânica 4 0,00000 0,00000
Nitrogênio Amoniacal 4 1,00000 0,00000
Nitrito + Nitrato (N2 Total) 4 1,00000 4,00000
Arsênio 10 1,00000 10,00000
Chumbo 10 1,00000 10,00000
Cromo Total 5 1,00000 5,00000
Cádmio 5 1,00000 5,00000
Mercúrio 20 1,00000 20,00000
Níquel 2 1,00000 2,000000
Vanádio 3 1,00000 3,000000
Coliforme Fecais 25 0,00000 0,000000
TOTAL 100 65,8563
Logo, a qualidade da água para potabilidade encontrada acima é de 65,85%,
portanto, o dano a água é igual a,

DANO A ÁGUA: 1 – 0,6585 = 0,34144, ou seja, 34,141%

- CALCULO DO DANO A ÁGUA POTÁVEL

* No de pessoas que habitam a propriedade: 7


* Consumo de água por pessoa: 200 litros por dia = 0,2 m3 / dia
* Consumo diário: 7 pessoas x 0,2 m3 / dia = 1,4 m3 / dia
* Consumo anual: 1,4 m3 / dia x 365 dias = 511 m3 / ano

Como os índices de Nitrogênio amoniacal e de Coliformes Fecais foram maiores que


os valores máximos permitidos, a água é considerada não potável, embora, o seu
índice de qualidade tenha sido de 65,85%. Portanto, o dano neste caso é total pois a
propriedade não dispõe de sistema de tratamento da água contaminada.

Para a faixa de consumo de 42 m3 / mês, R$ 1,77 / m3, fonte Companhia de Água,


portanto o dano direto a água será de,

Dano Direto a Água Potável = 511 m3/ano x R$ 1,77 / m3 = 902,77 R$ / ano

Cd água potável = 902,77 R$ / ano

- CALCULO DO DANO A ÁGUA DE DESSEDENTAÇÃO E IRRIGAÇÃO

* No de animais: 15 cabeças de gado, 2 cavalos e 50 galinhas


* Quantidade de água para beber:
por cabeça de gado = 10 a 15 litros;
por cavalo = 10 a 15 litros;
por galinha = 0,12 a 1,2 litros.
* Consumo de água: (15 cabeças x 15 l /dia + 2 cavalos x 15 l / dia + 50 galinhas x
0,2 l / dia) = 265 litros / dia
*Consumo anual: 265 l / dia x 365 dias = 96,725 m3 / ano

* Limpeza de curral/ potreiro/galinheiro = 100 l / dia, neste caso não será


considerado como dano pois a qualidade da água se presta ao serviço de limpeza.
* Consumo de água sujeita ao dano: 96,725 m3 / ano

Dano Direto Água Dessedentação: 96,725 m3/ano x R$1,77/m3 = 171,20


R$/ano

Cd água dess. = 171,20 R$ / ano

Cd Total da Água = (902,77 + 171,20) R$ / ano = 1.073,97 R$ / ano


6.4 – CUSTOS DE DANOS JÁ EXISTENTES

Período considerado: de dezembro de 1992 à abril de 2001 = 8 anos e quatro meses.

Custo dano direto anual: Cd vinífera+CO viníferas+Cd água potável+Cd água dess.

Custo do dano direto anual = 47,56 R$ / ano x 4 + 214,67 R$ / ano x 16 + 902,77


R$ / ano + 171, 20 R$ / ano = R$ 4.698,93

CUSTO DO DANO DIRETO ANUAL = R$ 4.698,93

Custo do Dano Indireto: Conforme valores apresentados na Tabela 2.4.6 do método


CATES, (Fi/d) = 2 é um índice razoável, considerando a redução do bem estar da
população em relação apenas a custo de dano da água.

CUSTO AMBIENTAL ANUAL

Custo Ambiental Total = Custo do Dano Total às Viníferas + Custo Total Dano Água

Custo Ambiental Total = 3.624,96 R$ / ano + 1.073,93 R$ / ano x 2 = 5.772,82 R$


/ ano

Número de anos com degradação na propriedade: 8 anos e 3 meses

DANO AMBIENTAL À PROPRIEDADE ATÉ 29 DE MARÇO DE 2001

8 anos x 5.700,90 R$ / ano = R$ 47.032,42

6.5 - CUSTOS AMBIENTAIS TOTAIS ESPERADOS (CATES)

Os custos totais esperados são divididos em intermitentes e contínuos.

Caso 1 – Custos Intermitentes

Supondo que a partir de maio não haverá mais degradação significativa do sitio, ou
seja, a usina irá funcionar dentro dos padrões com impacto tolerável, com taxa de
juros 4% ao ano e n = 25 anos (uma geração) temos,

(Vd + C d ⋅ Fi / d ) × (1 + j ) n
CATE = =(5.772,90 R$ / ano x 2,6658)/1,6658=R$ 9.238,44
(1 + j ) n − 1
Caso 2 – Custo Contínuo: Supondo que a partir de maio não entre em operação a
usina de lixo, teremos,

(VC + C d ⋅ Fi / d )[(1 + j ) n − 1]
CATE = =(5.772,90R$/ano)x1,6658/0,1066=R$ 90.211,03
j ⋅ (1 + j ) n

7.0 – DANO AMBIENTAL TOTAL

A PM de .............. mantém em sua administração uma área degradada pela


disposição de lixo durante oito anos e quatro meses. O dano ambiental é muito
maior que o calculado conforme os quesitos acima. O balanço social não foi calculado
e incluído por não ter sido solicitado.

A propriedade avaliada sofreu uma externalidade ambiental, o que significa que


alguém tem um benefício e outro sofre um dano. No caso o benefício foi adquirido
pela comunidade e o dano foi imposto às pessoas que moram no entorno do aterro
de lixo. É importante salientar que este cálculo de dano ambiental foi realizado
exclusivamente para a propriedade dos Autores. O dano foi portanto tratado
tecnicamente de interesse individual homogêneo, e por isso passível de direito
ambiental com a formulação matemática para dano ambiental. Por isto todas as
desvalorizações da propriedade já estão inclusas.

Devido a este fato, conclui-se que o dano ambiental total de origem ambiental
causado à propriedade dos Autores é o seguinte:

Caso 1 – CATES (intermitente)

Dano Total = Dano Passado + CATES (intermitente)

Dano Total = R$ 47.032,42 + R$ 9.238, 44 = R$ 56.270,86

Caso 2 – CATES (contínuo)

Dano Total = Dano Passado + CATES (contínuo)

Dano Total = R$ 47.032,42 + R$ 90.211,03 = R$ 137.243,45

8.0 – CONCLUSÃO

O depósito de lixo da Prefeitura..... está trazendo um dano ambiental à área


localizada em........ Os benefícios auferidos pela comunidade de............. não foram
avaliados, mas sim o dano no caso existente à propriedade dos autores. A
metodologia usada é bastante conservadora, pois foi calculado o dano ambiental sem
considerar a valoração de bens de serviço ambiental realizados pela flora e fauna
local, que indiretamente beneficiam o ecossistema. Portanto, pode-se com certa
segurança afirmar que estes danos seriam os de menor custo. É importante afirmar
que o dano calculado à propriedade dos Autores é parte do dano total e não pode ser
usado como base para outras propriedades vizinhas e de diferentes variáveis
ambientais.