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Carlos Magno Sampaio

Estrutura da matéria

§1. Fases ou estados. As substâncias se apresentam, na natureza, em três


fases ou estados diferentes, denominado estado sólido, líquido e gasoso.
A fase na qual ela se apresenta é determinada pela pressão e temperatura a
que for submetida.

§2. Fase sólida. Neste estado as moléculas encontram-se muito próximas


umas das outras e com pouca agitação, as forças de adesão e coesão são
muito grandes. Em virtude disso, o estado sólido possui algumas
características , tais como o fato de apresentarem volume definido e
oferecerem certa resistência a deformações. Na natureza , os sólidos
podem apresentar os átomos organizados de maneira irregular, chamado
estado amorfo, ou como acontece com a maioria, apresentar uma
organização regular, que se repete ordenadamente ao longo do sólido,
denominado rede cristalina. A estrutura interna dos cristais pode
apresentar variações da rede cristalina, como é o caso do Carbono.

fig.1

§3. Fase líquida – Os átomos de uma substância líquida se apresentam


mais afastados uns dos outros e mais agitadas do que no estado sólido. As
forças de coesão são mais fracas. Assim, com maior liberdade, eles podem
sofrer pequenas translações no interior do líquido, facilitando o
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escoamento, oferecendo pouca resistência à penetração e tomam a forma


do recipiente em que são colocados.
Os átomos do líquido não estão distribuídos ordenadamente, portanto
quando um cristal passa para o estado líquido, a sua rede cristalina é
desfeita.

§ 4. Fase gasosa. A separação de átomos ou moléculas de uma substância


no estado gasoso é muito maior do que no estado líquido ou sólido, sendo
praticamente nula as forças de coesão. Isso permite que o movimento
ocorra livremente em todas as direções com grande agitação. Esta fase não
apresenta forma definida e ocupa o volume total do recipiente onde são
contidos.
O modelo cinético-molecular das estruturas internas de uma substância,
nos estados sólido, líquido e gasoso pode ser representado assim:

fig.2
§5. Cristais líquidos. Entretanto, alguns materiais apresentam algumas
propriedades de líquidos - como o fato de suas moléculas poderem se
deslocar livremente e ocuparem a forma do recipiente que os contém -
mas suas moléculas apresentam uma estrutura organizada, como os
cristais. Por isso esses materiais são chamados de cristal líquido (fig3).
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MODELOS PARA UM LÍQUIDO COMUM E O CRISTAL LÍQUIDO

Líquido isotrópico (comum): Não Cristal líquido: As moléculas apresentam


há ordenação das moléculas, certa ordenação. A estrutura é organizada,
estrutura desorganizada. apesar de não apresentar camadas
moleculares. Esta fase é chamada nemática.
Fig.3
O desenvolvimento tecnológico e aplicações do cristal líquido
iniciaram-se na década de 40 e 50 , quando foi observado em laboratório
que o benzoado de colesterol, ao ser aquecido até sua fusão a 145 °C,
tornou-se um líquido viscoso e turvo.
Continuando a elevar sua temperatura, ao atingir 178 °C, esse líquido
tornava-se então transparente e perdia a viscosidade. Ao resfriar, as
mesmas duas fases eram observadas até sua solidificação. As forças
moleculares dessa estrutura são muito fracas sendo, então facilmente
afetadas por campos eletromagnéticos, tensões mecânicas e temperaturas
aplicadas ao material. Atualmente, são conhecidas centenas de materiais
orgânicos sólidos, naturais ou sintéticos, que, ao se fundirem, apresentam
duas ou mais fases intermediárias. Essas fases são chamadas fases
mesomórficas e as substâncias que as apresentam são denominadas
cristais mesomórficos ou cristais líquidos.
Os cristais mesomórficos possuem moléculas em forma de bastão
alongado, que tendem a se colocar paralelamente entre si formando
camadas nas quais as moléculas podem se apresentar ordenada ou
desordenadamente. A agitação térmica tende a desorientar as moléculas e
assim, a estrutura real que o cristal líquido apresenta irá depender do
equilíbrio entre a tendência natural de ordenação e à desordem, provocada
pela agitação.
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A baixas temperaturas predomina a ordenação, característica dos cristais.


Quando a temperatura cresce, ou uma tensão é aplicada ao cristal, as
moléculas tendem à desordem, aproximando-se da estrutura líquida.
Enquanto esta mudança ocorre, várias fases intermediárias são percebidas.
Além das fases isotrópica e nemática, pode apresentar as fases esmética e
cristalina:

Fig.4

Fase esmética: Há ordem interna em Fase cristalina: Há acentuada ordem


camada molecular, mas as diversas entre as camadas moleculares no
camadas apresentam-se interior de cada camada.
desordenadamente.

APLICAÇÕES DO CRISTAL LÍQUIDO

§6. Termômetro. A orientação das moléculas do cristal líquido pode


variar com a temperatura. Quando a orientação das moléculas varia,
algumas propriedades óticas do cristal podem variar, como por exemplo
sua cor. Dessa forma, são construídos termômetros de cristal líquido, com
um conjunto de pequenas lâminas deste material, cada uma adquirindo
determinada cor, quando sua temperatura atinge um certo valor.
Existe um anel cuja pedra é feita de cristal líquido e muda de cor de
acordo com a temperatura, conhecido como anel medidor de “stress”.

§7. LCD - Liquid crystal display. Um dos usos mais difundidos dos
cristais líquidos são os mostradores (displays) de aparelhos digitais como
celulares, calculadoras, relógios e telas de televisores, controlados
eletricamente.
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A aplicação de um campo elétrico provoca uma mudança de orientação


das moléculas, o que afeta as propriedades óticas de uma camada de
material líquido cristalino.

Fig.5

Orientações modificadas das moléculas por aplicação de campo elétrico.


A estrutura típica desses mostradores é apresentada na figura a seguir.

Fig.6
O material líquido cristalino é colocado entre duas lâminas de vidro
cobertas por material transparente e condutor de eletricidade que receberá
uma voltagem de uma pilha ou bateria. A luz incide numa lâmina de vidro
protetora, passa por uma película de material polarizador, que permite a
passagem de raios de luz apenas num plano de oscilação, numa
determinada direção depois atinge a superfície do mostrador.
Quando não há voltagem aplicada, a luz polarizada passa através da
camada de cristal líquido, é refletida numa superfície refletora, e emerge
novamente através da lâmina de vidro. A superfície aparece então,
brilhante.

A aplicação de uma diferença de potencial elétrico (ddp) ao material


condutor faz com que áreas do mostrador fiquem escuras, por que a luz
polarizada não passou através da camada de cristal líquido.
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A aplicação da ddp às áreas apropriadas do


mostrador pode formar letras, números ou
figuras.
A figura 7 apresenta a estrutura de um
mostrador numérico, que é dividido em sete
áreas. A formação do algarismo 2, é resultado
da aplicação de voltagem apropriada nos
segmentos 7, 6, 5, 3 e 2.

Fig.7
Nos monitores convencionais, temos um tubo de raios catódicos que
bombardeia constantemente as células luminosas da tela formando a
imagem.

Num monitor LCD (liquid cristal display) é usada uma tecnologia


diferente, que consiste no uso de cristais líquidos para formar a imagem.
Tal como no display da fig. 7, nos monitores de LCD, a imagem é
formada por pequenas células de cristal líquido entre duas placas de vidro,
que são ativadas através de pequenos pulsos elétricos. As placas possuem
pequenos sulcos, isolados entre si, cada um com um eletrodo ligado a um
transistor. Cada um destes sulcos representa um dos pontos da imagem.
Este sanduíche por sua vez é colocado entre duas camadas de um
elemento polarizador. Atrás desta tela é instalada uma fonte de luz,
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geralmente composta de lâmpadas fluorescentes ou então LEDs,


responsáveis pela iluminação da tela.
Para os monitores coloridos, cada pixel da imagem é formado por um
grupo de 3 pontos, um verde, um vermelho e outro azul. Como nos
monitores CRT as cores são obtidas através de diferentes combinações de
tonalidades dos três pontos.
Ao contrário dos monitores CRT atuais, todos os monitores de cristal
líquido são digitais.

QUARTO ESTADO DA MATÉRIA

§ 8. Plasma. Plasma é o estado da matéria onde os átomos de um gás,


embora eletricamente neutro em seu conjunto, é constituído de partículas
dotadas de cargas elétricas de sinais opostos, ou seja, íons e elétrons. O
Universo é constituído, quase em sua totalidade, de plasmas, já que
estrelas, em conseqüência de suas elevadas temperaturas, são formadas
basicamente por íons atômicos e elétrons.
Os plasmas, porém, não existem somente nas estrelas. O vento solar e a
ionosfera terrestre são constituídos de plasmas. O mesmo ocorre nos raios
e auroras boreais e também no interior de um tubo com gás rarefeito ao
qual se aplica uma descarga elétrica.

§9. TV ou Monitor de Plasma. O monitor de plasma é uma superfície


plana e leve, coberta com milhões de pequeninas bolhas de vidro.
Displays de plasma utilizam substâncias gasosas (xenon e neon) contidas
em células minúsculas, que agem como lâmpadas fluorescentes
microscópicas, emitindo luz ao receberem energia elétrica. Cada célula é
revestida em sua base interna por uma substância (fósforo) que emite luz
ao ser estimulada por radiação ultravioleta.
Portanto, ao contrário do painel do tipo LCD para uso em displays, o
painel de plasma emite luz própria e não necessita iluminação por
trás(backlight).
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As células em um display de plasma são arranjadas em uma matriz de


milhares de pontos. O fósforo que recobre internamente cada célula é
colorido, em 3 tipos de cores, vermelho, verde e azul, as cores básicas do
sistema RGB . Cada conjunto de 3 dessas células emitindo luzes em cores
diferentes representa um pixel da imagem. Variando-se a intensidade da
corrente elétrica aplicada a determinada célula varia-se também a
intensidade do seu brilho, obtendo-se com isso todas as cores necessárias
para representar uma determinada imagem.
O microprocessador associado ao painel envia energia elétrica
individualmente a cada célula, fazendo isto milhares de vezes por
segundo, célula a célula para criar a imagem.
O diagrama abaixo mostra bem esta
estrutura. Temos pequenas cavidades feitas
na placa de vidro inferior, onde é depositada
uma camada de fósforo colorido. Além do
fósforo a cavidade contém gases como néon,
xenônio e hélio que ao receberem uma
descarga elétrica liberam radiação ultra-violeta que acende a camada de
fósforo, gerando a imagem.
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§ 10. Efeito termiônico. Nos metais, assim como acontece nos gases, o
aumento de temperatura aumenta a agitação térmica dos elétrons e um
grande número deles conseguirá escapar da atração dos íons positivos da
rede cristalina, formando uma nuvem eletrônica próxima ao corpo
metálico. A transmissão de elétrons pela superfície de um metal aquecido
é denominado emissão termiônica ou efeito Edison, por ter sido
observado, pela primeira vez, pelo inventor americano Thomas A.Edison.
A figura ao lado apresenta a
montagem com a qual Edison ,
por acaso, detectou o
fenômeno da emissão
termoiônica.
A lâmpada está ligada aos
pólos de bateria B’ que
provoca o efeito Joule no
filamento. Uma placa metálica
foi introduzida na parte superior de uma lâmpada comum, defronte ao
filamento. A placa está ligada ao pólo positivo de uma bateria B e o
filamento ao pólo negativo. Devido ao efeito Joule, a placa emite uma
grande quantidade de elétrons que são atraídos pela placa, estabelecendo
uma corrente elétrica no circuito da bateria B, detectada por um
amperímetro.
O efeito termoiônico tem a sua mais importante aplicação nas válvulas
eletrônicas (fig.12. A válvula mais simples consiste de um cilindro
metálico (cátodo), que é aquecido por um filamento existente em seu
interior, no qual passa uma corrente elétrica. Este cilindro é envolvido por
um outro, também metálico, que constitui o ânodo da válvula. Aplicando-
se uma ddp nos terminais desses eletrodos (positivo e negativo), os
elétrons são emitidos pelo catodo aquecido para o negativo. É necessário
que seja feito o vácuo no interior da válvula para permitir o deslocamento
dos elétrons.
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Essa válvula eletrônica, por possuir dois eletrodos


(cátodo e ânodo) é chamada de diodo (do grego dis,
dois + hodos, caminhos).
As válvulas diodo, desde sua invenção, passaram a
ser amplamente empregadas em circuitos eletrônicos.
Para entender sua principal aplicação em circuitos,
representamos o diodo por no circuito da
fig.13. Na fig.13.a vemos um circuito no qual a placa
de um diodo foi ligada ao pólo positivo de uma
bateria e o cátodo, ao pólo negativo. Nestas condições, os elétrons
emitidos pelo cátodo aquecido são atraídos pela placa e, então o
amperímetro acusa uma corrente elétrica estabelecida no circuito.
Entretanto, se considerarmos a ligação da fig.13.b, a placa ligada ao pólo
negativo da bateria e o cátodo ao pólo positivo, a bateria tende a
estabelecer uma corrente elétrica no sentido contrário ao da fig.13.a. Mas,
nessas, condições, os elétrons emitidos pelo cátodo são repelidos pela
placa, não estabelecendo passagem de corrente elétrica entre a placa e o
cátodo e o amperímetro não acusa corrente no circuito.
O diodo se comporta então, como uma
chave, permitido a passagem de corrente
em um determinado sentido e impedindo
que a corrente passe em sentido
contrário.
Assim, o diodo pode ser utilizado como retificador de corrente alternada,
transformando-a em corrente contínua.
Com o desenvolvimento da eletrônica surgiram, além do diodo, diversos
outros tipos de válvulas, destinadas a desempenhar as mais variadas
funções. Uma dessas válvulas, bem conhecida e encontrada
freqüentemente em nosso cotidiano é o tubo de TV ou canhão eletrônico
(fig.8a.).
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Essa válvula, denominada triodo (três eletrodos) , consiste essencialmente


de um cátodo, uma grade, um ânodo, dois pares de placas dispostas
paralelamente e perpendicularmente entre si e uma tela fluorescente.
No tubo de raios catódicos (CRT-TV) os elétrons emitidos pelo cátodo
são desviados horizontalmente e verticalmente pelo campo elétrico
existente entre as placa e atinge a tela, produzindo luminosidade. A
imagem de recepção é obtida, obedecendo aos sinais que chegam de uma
antena à grade e defletida por dois pares de bobinas paralelas, dispostas
perpendicularmente.
A válvula triodo é usada como amplificadora de sinais elétricos. Com o
triodo é possível tornar uma pequena voltagem ou corrente muitas vezes
maior. Pesquisas com materiais semicondutores impulsionaram a
tecnologia eletrônica, permitindo uma vasta aplicação dos dispositivos
eletrônicos.

Eletrônica digital

§1 Semicondutores. Os condutores elétricos normalmente são sólidos em


condições ambiente mas nem todos os sólidos são condutores. De acordo
com a resistividade elétrica à temperatura ambiente, os sólidos podem ser
classificados em três grupos: Condutores (metais), isolantes e
semicondutores. A resistividade de um condutor é da ordem de 10-8 Ω.m,
enquanto os isolantes têm 1016 Ω.m e os semicondutores , 103 Ω.m.
Semicondutores, portanto são materiais que apresentam resistividade
intermediária.
É importante saber que, enquanto a resistividade elétrica dos condutores
metálicos aumenta com a temperatura, a resistividade dos semicondutores
diminui com o aumento de temperatura, o que deve ser considerado pra
melhorar o desempenho dos semicondutores.
Devido ao tipo de ligação existente entre seus átomos, o silício é usado
como semicondutor. No retículo cristalino, ele se liga a quatro outros
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átomos do mesmo elemento. Em cada uma dessas ligações, um par de


elétrons é compartilhado entre dois átomos.
Num cristal de silício puro à baixa temperatura, praticamente todos
elétrons estão ligados aos átomos.
Os elétrons mais internos desses átomos
giram em torno do núcleo, enquanto os
quatro mais externos ficam saltando entre
dois átomos vizinhos, mantendo-os ligados.
Nessas condições, o silício é um ótimo
isolante. Quando aumentamos a temperatura
do cristal, alguns elétrons de ligação se
destacam de seu par de átomos e se põem a vagar através do retículo
cristalino. Quanto mais aquecermos o semicondutor, maior será o número
desses elétrons livres, e a resistividade diminuirá.
O processo que possibilita a utilização prática dos semicondutores na
condução de corrente elétrica é denominado “dopagem” ou
“contaminação”. Consiste em introduzir impurezas no interior de sua
estrutura cristalina.
Podemos introduzir, por exemplo, átomos de fósforo na estrutura
cristalina do silício.
Substituindo um átomo de silício por um de
fósforo, que possui 5 elétrons na camada de
valência, teremos um dos elétrons livre já que
não participa da ligação covalente. Esse elétron
constitui um portador de carga elétrica negativa
e nesse processo, o silício adquire propriedades
semelhantes aos condutores metálicos. O átomo
de fósforo é chamado de átomo doador e o
silício, semicondutor do tipo n (negativo).
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Em vez do fósforo, vamos agora introduzir


alumínio como impureza no cristal de silício.
Como os átomos de alumínio tendem a
estabelecer três ligações com os átomos
vizinhos, sobrará no cristal um lugar livre
para um elétron. Esse espaço é chamado
lacuna que se comporta como portador de
carga elétrica positiva. Um cristal assim
preparado é chamado semicondutor do tipo p (positivo) e nesse processo,
o silício adquire propriedades de condução elétrica, sendo a corrente
elétrica constituída de cargas elétricas positivas. O átomo de alumínio é
chamado de átomo aceitador.

§2. Diodo . A junção de dois cristais semicondutores do tipo p e n


constitui um dispositivo eletrônico fundamental chamado diodo.

Se o pólo positivo de uma bateria é ligado ao lado p da junção, o diodo se


comporta como uma chave fechada (resistência nula), permitindo a
passagem de corrente elétrica.
Se o pólo positivo da bateria for ligado ao lado n da junção, o diodo então,
se comporta como uma chave aberta (resistência infinita), não permitindo
a passagem de corrente elétrica.

O Diodo é usado como retificador, convertendo corrente alternada em


corrente contínua e como pode emitir luz, constitui o LED – Light
Emitting Diode (diodo emissor de luz) muito usado em displays de
aparelhos digitais.
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Como o próprio nome já diz, LED é um diodo que


emite luz monocromática que é produzida pelas
interações energéticas do elétron quando ligado a
uma fonte elétrica (fenômeno chamado
eletroluminescência).
Em qualquer junção p-n polarizada diretamente,
dentro da estrutura, próximo à junção, ocorrem recombinações de lacunas
e elétrons. Essa recombinação exige que a energia possuída por esse
elétron, que até então era livre, seja liberada, o que ocorre na forma de
calor ou fótons de luz.
No silício e no germânio, a maior parte da energia é liberada na forma de
calor, sendo insignificante a luz emitida, já em outros materiais, como o
arsenieto de gálio (GaAs) ou o fosfeto de gálio (GaP), o número de fótons
de luz emitido é suficiente para constituir fontes de luz bastante visíveis.
A luz emitida dependente do cristal e da impureza de dopagem com que o
componente é fabricado. O led que utiliza o arsenieto de gálio emite
radiações infra-vermelhas. Dopando-se com fósforo, a emissão pode ser
vermelha ou amarela, de acordo com a concentração. Utilizando-se
fosfeto de gálio com dopagem de nitrogênio, a luz emitida pode ser verde
ou amarela.
Como o diodo, o led não pode receber tensão diretamente entre seus
terminais,uma vez que a corrente deve ser limitada para que a junção não
seja danificada. Assim, o uso de um resistor limitador em série com o led
é comum nos circuitos que o utilizam.

§3. Transistor. Em 1948, três cientistas americanos descobriram que a


junção de cristais semicondutor n-p-n ou p-n-p, produziam amplificações
semelhantes àquelas obtidas com uma válvula triodo. Esse cristal,
denominado transistor, valeu, aos cientistas W. Shockley, W. Brattain e J.
Bardeen o prêmio Nobel de Física em 1956.
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Os cristais de junção que


formam o transistor estão
representados abaixo.
O elemento intermediário é
chamado de base B e os outros
dois, coletor C e emissor E.
O emissor E possui grande
número de portadores de carga e
baixa resistência elétrica. A base B é uma camada mais fina e fracamente
“dopada” assim como o coletor C, embora seja um cristal de maiores
dimensões.
O transistor consiste de dois diodos colocados em oposição, um permite a
passagem da corrente elétrica e o outro não.
A movimentação dos elétrons nesse dispositivo que possui três terminais
adquire propriedades muito especiais. Para entender o funcionamento
extraordinário do transistor, considere o esquema abaixo:
Os terminais do emissor e a base do
transistor p-n-p estão ligados à bateria
εe (força eletromotriz de entrada) e os
terminais do emissor e do coletor,
ligados à bateria εs (força eletromotriz
de saída).
Quando se estabelece uma corrente
elétrica, a força eletromotriz εe movimenta os elétrons portadores de carga
do emissor que passam para a base e voltam à fonte εe. No entanto, devido
a fonte εs, a maior parte deles passa pela base e permite o aparecimento de
outra corrente elétrica entre o emissor e o coletor.
A corrente elétrica entre E e B ( iB) possibilita o aparecimento de uma
outra corrente entre C e E (iC e iE). Observe que o movimento de elétrons
tem sentido oposto ao da corrente elétrica convencional.
Essa corrente é temporária. Ela aparece porque E tem uma “dopagem”
muito maior que B e C. Os elétrons mobilizados em E são tantos que a
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maior parte atravessa o coletor e em pouco tempo a corrente é


interrompida.
O transistor PNP representado na
figura abaixo possui seu
funcionamento análogo ao NPN.
Quando se estabelece uma corrente
elétrica, a força eletromotriz εe agora
movimenta os portadores de cargas
positivas (lacunas) do emissor que
passam para a base e voltam à fonte ε
e. Note que uma corrente de lacunas é semelhante e de mesmo sentido que

a corrente convencional, assim, temos uma corrente elétrica entre E e C


( iE e iC ).
A vantagem do transistor está na intensidade da corrente que atravessa
EB, que pode ser muito menor do que a intensidade da corrente que
atravessa EC. Dessa forma, um pequeno sinal elétrico, como o sinal
gerado pela radiação infravermelha de um controle remoto num sensor,
pode acionar o motor que abre o portão de uma garagem, por exemplo.
A grande aplicação do transistor é a ampliação de sinais. O fraco sinal de
um microfone, por exemplo, que é apenas uma pequena corrente elétrica
pulsante, pode ser ampliado, gerando uma outra corrente elétrica pulsante
de intensidade muito maior.

Exercícios
Carlos Magno Sampaio
1. A figura mostra um circuito elétrico constituído de uma bateria ideal de 12 V, três
diodos, D1, D2 e D3 e quatro lâmpadas, sendo as lâmpadas L1 e L2 de 12 V e 6 W e as
lâmpadasL3 e L4 de 6 V e 6W.

a) Qual (is) diodo (s) está(ão) funcionando como chave aberta (desligado) e qual(is)
está(ão) funcionando como chave fechada (ligado)?

b) Quais lâmpadas estão acesas? As lâmpadas acesas estão funcionando corretamente?

2. (Vunesp) A figura representa esquematicamente um diodo, dispositivo eletrônico


formado pela junção de dois cristais semicondutores, um com excesso de portadores de
carga positiva, denominado de p, e outro com excesso de cargas negativas, denominado de
n.

Junto da região de contato desses cristais, representada pela faixa sombreada, nota-se que,
por difusão, parte dos portadores de carga positiva do cristal p passa para o cristal n e parte
dos portadores de carga negativa passa para o cristal n para o cristal p. Liga-se esse diodo a
uma pilha, formando o circuito da figura a seguir.

Pode-se afirmar que, nessas condições, o diodo:


a) vai ser percorrido por uma corrente elétrica formada apor portadores de carga
negativa, no sentido de p para n, e de portadores de carga positiva, no sentido de n
para p.
b) vai ser percorrido por uma corrente elétrica formada de portadores de carga negativa,
no sentido de n para p, e de portadores de carga positiva, no sentido de p para n.
c) vai ser percorrido por uma corrente elétrica formada por portadores de cargas positiva
e negativa no sentido de n para p.
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d) vai ser percorrido por uma corrente elétrica formada por portadores de cargas positiva
e negativa no sentido de p para n.
e) não será percorrido por nenhuma corrente elétrica em qualquer sentido.
3. (Vunesp) Grande parte da tecnologia utilizada em informática e telecomunicação é
baseada em dispositivos semicondutores, que não obedecem à lei de Ohm. Entre eles está o
diodo, cujas características ideais são mostradas no gráfico a seguir:

O gráfico pode ser interpretado da seguinte forma: Se for aplicada uma tensão negativa
sobre o diodo (VD<0), não haverá corrente (ele se comporta como uma chave aberta). Caso
contrário(VD>0), ele se comporta como uma chave fechada. Considere o circuito seguinte:

a) Obtenha as resistências do diodo para U = +5V e U = -5V.


b) Determine os valores lidos no voltímetro e no amperímetro para U = +5V

4. (Fuvest) No circuito da figura, o componente D, ligado entre os pontos A e B, é um


diodo. Esse dispositivo se comporta, idealmente, como uma chave controlada pela
diferença de potencial entre seus terminais. Sejam VA e VB as tensões dos pontos A e B,
respectivamente. Se VA<VB, o diodo se comporta como uma chave aberta, não deixando
fluir nenhuma corrente através dele, e se VA ≥ VB , o diodo se comporta como uma chave
fechada, de resistência tão pequena que pode ser desprezada, ligando o ponto B ao ponto A
O resistor R tem uma resistência variável de 0 a 2 Ω. Nesse circuito, determine o valor da:

a) corrente i através do resistor R, quando sua resistência é 2Ω.


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b) corrente i0 através do resistor R, quando sua resistência é zero.


c) Resistência R para a qual o diodo passa para o estado de condução para o de não-
condução e vice-versa.

Respostas:
1. a) Os diodos D1 e D3 estão polarizados diretamente, portanto estão ligados,
funcionando como uma chave fechada. O diodo D 2 está polarizado inversamente,
funcionando como uma chave aberta.
d) As lâmpadas acesas são L1, L3 e L4 e estão funcionando normalmente. A lâmpada L 1
(em paralelo) está sob tensão de 12 V e as lâmpadas L 3 e L4 (em série), sob tensão de
6V.
2. alternativa b. A junção p-n do diodo apresenta um campo elétrico de n para p , que gera
uma barreira ao movimento de cargas. Como o sentido do campo elétrico produzido pelo
gerador é contrário ao campo elétrico local, surgirá uma corrente elétrica através da
junção, formada por portadores de carga negativa no sentido de n para p e de portadores de
carga positiva de p para n.
3. a) Para uma tensão U = 5V temos VD < 0, e o diodo se comporta como uma chave aberta
(resistência elétrica infinitamente grande). Para uma tensão U = -5V temos V D > 0, e o
diodo se comporta como uma chave fechada (resistência elétrica nula).
b) Para U = 5V, o circuito pode ser simplificado com:

U 5
A leitura do amperímetro será: i = R , logo i = ⇒ i = 1.10-3A
EQ 3.103 + 2.103
A leitura do voltímetro será: U’ = R.i ( i é constante, pois os resistores estão em série).
U’ = 2.10 .1.10 ⇒ U’ = 2 V
3 -3

Para U = -5V, o circuito pode ser simplificado por:


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U 5
As leituras do amperímetro será i’ = R ; logo i’ = ⇒ -3
i’ = 2,5.10 A
2.103
E a leitura do voltímetro será de 5V.

4. a) Supondo uma corrente iD no ramo AB, pelas leis de Kirchhoff teremos:

lei dos nós: i’ + iD = i (I)


malha α :
2.i’ + 8 – 20 = 0
i’ = 6 A (II)

malha β :
1.i + 2.i – 8 = 0
8
i= A (III)
3
substituindo II e III em I, temos
8 10
iD = -6 ⇒ iD = - A
3 3
a corrente portanto é no sentido oposto(A para B) e com i D < 0 o diodo se comporta como
uma chave aberta. Nessa condição, pelo enunciado, temos iD = 0, o que nos leva a concluir
que:
20 = (2 + 1 + 2).i ⇒ i = 4 A
b) para R = 0, na malha β temos:
1.i – 8 = 0
i= 8A
c) No estado de condução, a corrente iD sobre o diodo em função da resistência R é dada
por:
iD = i - i’ (I)
malha α:
2.i’ + 8 – 20 = 0
i’ = 6 A (II)
malha β:
i (1 + R) – 8 = 0
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8
i=
(1 + R ) (III)
A partir de R = 0, iD diminui com o aumento de R, até se anular, quando então o diodo
entra no estado de não-condução para o valor de R.
Fazendo iD = 0 em I e substituindo em II e III, vem:
8 8 1
=6 ⇒ R= -1 ⇒ R= Ω
(1 + R ) 6 3

O mesmo fenômeno que observamos quando ocorre uma descarga elétrica


de uma nuvem eletrizada passando pelo ar e o rarefaz foi reproduzido por
J.J. Thomson em seu tubo de raios catódicos.

As substâncias se apresentam, na natureza, em três fases ou estados


diferentes, denominado estado sólido, líquido e gasoso. A fase na qual
ela se apresenta é determinada pela:
a) Pressão e temperatura a que for submetida.
b) Temperatura apenas
c) Pressão apenas
d) Energia cinética das moléculas
e) Energia potencial e cinética das moléculas

Para o estado sólido :


I - As moléculas encontram-se muito próximas umas das outras e com
pouca agitação, as forças de adesão e coesão são muito grandes.
II - Apresentam volume definido e oferecerem certa resistência a
deformações.
III - Podem apresentar os átomos organizados de maneira irregular, ou
como acontece com a maioria, apresentar uma organização regular, que
se repete ordenadamente ao longo do sólido.
Podemos afirmar que está correto:
a) I apenas
b) II apenas
Carlos Magno Sampaio

c) I e III apenas
d) II e III apenas
e) I, II e III

Utilizado amplamente nos mais variados mostradores (displays) de


aparelhos digitais como celulares, calculadoras, relógios e telas de
televisores, o cristal líquido apresenta algumas propriedades de líquidos,
como o fato de suas moléculas poderem se deslocar livremente e
ocuparem a forma do recipiente que os contém. Porém suas moléculas
apresentam uma estrutura organizada, como os cristais.
Para mudar a orientação das moléculas de um cristal líquido é necessário
aplicar:
a) Um campo elétrico ou magnético
b) Um campo magnético apenas
c) Um campo elétrico ou uma variação de temperatura
d) Uma corrente elétrica.
e) Um pulso de luz

Num display de plasma estão arranjadas milhares de células recobertas


internamente por fósforo de 3 tipos de cores, vermelho, verde e azul, as
cores básicas do sistema RGB . Cada conjunto de 3 dessas células
emitindo luzes em cores diferentes representa um pixel da imagem.
O microprocessador associado ao painel envia energia elétrica
individualmente a cada célula. Variando-se a intensidade da corrente
elétrica aplicada a determinada célula varia-se também a intensidade do
seu brilho, obtendo-se com isso todas as cores necessárias para representar
uma determinada imagem.
Carlos Magno Sampaio

Na matéria o aumento de temperatura aumenta a agitação térmica dos


elétrons e um grande número deles conseguirá escapar da atração dos íons
positivos da rede cristalina. Explique a relação disso com o efeito
termoiônico e a válvula eletrônica.

O avanço da telecomunicação e informática foi possível através da


modernização da eletrônica pelos semicondutores. Explique o que é um
condutor elétrico e um cristal semicondutor.

A figura representa um circuito elétrico constituído de uma bateria de U =


12V, três resistores R iguais a 2 Ω, um amperímetro ideal e um diodo D.
Se for polarizado diretamente, o diodo se comporta como uma chave
fechada e se polarizado inversamente, como uma chave aberta.
Determine a leitura no amperímetro.

No circuito representado na figura, D é um diodo. Idealmente, esse


dispositivo se comporta como uma chave controlada pela diferença de
potencial entre seus terminais. Se for aplicada uma tensão negativa sobre
o diodo (VD<0), ele se comporta como uma chave aberta (resistência
elétrica infinitamente grande). Caso contrário(VD ≥ 0), ele se comporta
como uma chave fechada de resistência tão pequena que pode ser
desprezada. Determine a intensidade da corrente elétrica iD que
atravessa o diodo.
Carlos Magno Sampaio