®

ISSN 1664-5243
Ano 5 - Janeiro de 2014—Edição no. 27

Corsier, 2012
®
LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, inverno de 2014
Edição no 2! " #aneiro de 2014
VARALDOBRASILVARALDOBRASILVARALDOBRASILBRASILVARALDOBRASILVARALDOBRASILVARALDOBRASIL VARALDOBRASILVA-
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ISSN 1664-5243
EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASÌL
NO. 27 - Genebra - CH - ISSN 1664-5243
Copyright : Cada autor detém o direito sobre o
seu texto. Os direitos da revista pertencem a
Jacqueline Aisenman.
O VARAL DO BRASÌL é promovido, organizado
e realizado por Jacqueline Aisenman
Site do VARAL: www.varaldobrasil.com
Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com
Textos: Vários Autores
Ìlustrações: Vários Autores
Foto capa: © Anna Omelchenko - Fotolia
Foto contracapa: © phloxii - Fotolia
Muitas imagens encontramos na internet sem ter
o nome do autor citado. Se for uma foto ou um
desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente
e teremos o maior prazer em divulgar o seu ta-
lento. Agradecemos sua compreensão.
Revisão parcial de cada autor
Revisão geral VARAL DO BRASÌL
Composição e diagramação:
Jacqueline Aisenman
A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A
revista está gratuitamente para download em
seus site e blog.
Ìnformações sobre o 28o Salão Ìnternacional do
Livro e da Ìmprensa de Genebra e sobre o stand
do VARAL DOBRASÌL:
varaldobrasil@gmail.com
PARITICIPE DAS PRÓXIMAS EDIÇÕES:
• Até 25 de JANEÌRO você pode enviar
textos para nossa edição de março
que trará o tema ÌNFÌNÌTA MULHER e
onde falaremos da mulher em todos
os seus significados e expressões.
• As insri!"es #o$e% ser enerr&'
$&s &n(es se )% n*%ero i$e&+ $e
#&r(ii#&n(es ,or &(in-i$o.
BLOG DO VARAL
Você pode contribuir com arti-
gos, crônicas, contos, poemas,
versos, enfim!, você pode escre-
ver para nosso blog. Também
pode enviar convites, divulgação
de seus livros, pinturas, fotogra-
fias, desenhos, esculturas. ode
divulgar seus eventos, concur-
sos e muito mais. !o nosso
blog, como em tudo no Varal, a
cultura não tem frescuras!
"###.varaldobrasil.blogspot.co
m$ Toda contribuição é feita e
divulgada de forma gratuita e
deve ser enviada para o e-mail
varaldobrasil%gmail.com
A revista VARAL DO BRASIL circula no
Brasil do Amazonas ao Rio Grande do
Sul...
Também leva seus autores através dos
cinco continentes.
Quer divula!"o mel#or$
Ven#a %azer &arte do
VARAL DO BRASIL
'(mail) varaldobrasil*mail.com
Site) +++.varaldobrasil.com
Blo do Varal)
+++.varaldobrasil.blos&ot.com

,Toda &artici&a!"o é ratuita
Sal"o do Livro de Genebra- ./01
Quando iniciamos um novo ano, junto com ele
praticamente reiniciamos nossas vidas. Como
se um sinal nos fosse dado pelo universo de
que é possível recomeçar, apagar erros e pro-
blemas e seguir adiante com força renovada e
novos propósitos.
Cremos, mais do que nunca, que o universo
nos dará a energia necessária do recomeço e
deste recomeço faremos uma nova vida.
Assim, cada ano que chega traz em si as es-
peranças de milhares de seres que, juntos,
unem-se mesmo sem querer, numa oração
infinita de amor e esperança!
Agradecemos o ano de 2013 que para nós foi
um ano de muito sucesso e reconhecimento.
Realizamos várias edições de nossa revista e
temos, com ela, alcançado cada vez mais pes-
soas e indo a lugares nunca imaginados. Esta-
mos percorrendo caminhos novos e antigos
com a mesma alegria, a alegria de divulgar
nossa literatura.
Realizamos com brio nosso primeiro Prêmio
Varal do Brasil de Literatura e iniciamos as ins-
crições para o ÌÌ Prêmio que terá seus vence-
dores divulgados em 2014. Este ano, além de
contos, crônicas e poemas, teremos também
textos infantis.
Os lançamentos do Varal Antológico 3 foram
um sucesso. Lançamos em Genebra e em Flo-
rianópolis cercados de amigos. Foram momen-
tos muito especiais que não serão esquecidos.
E para o próximo ano já temos a lista de auto-
res de nosso novo livro, Varal Antológico 4, o
qual conta, além de escritores brasileiros resi-
dentes no Brasil e no exterior, com autores de
Portugal e de Angola.
Nossa participação no 27o Salão Ìnternacional
do Livro e da Ìmprensa de 2013 foi coroada de
grande sucesso. Com certeza, deste evento
organizado pelo Varal do Brasil, nasceram
muitos frutos que se espalharam pela Europa
e pelo Brasil, abrindo oportunidades antes im-
pensadas para os escritores participantes.
Por isto, para 2014 viremos ainda maiores,
ainda mais empreendedores, com mais garra
e força: traremos cinquenta metros quadrados
de muita emoção no Salão do Livro!
Pela primeira vez grandes nomes da literatura
brasileira estarão em Genebra, em nosso es-
tande, lado a lado com os valores de nossa
nova literatura: Alice Ruiz, Luiz Ruffato e Cín-
tia Moscovich nos darão o imenso prazer de
suas presenças durante o 28o Salão do Livro
e da Ìmprensa de Genebra. Teremos também
artes plásticas, artesanato, música, divulgação
de cidades brasileiras e, claro!, muita literatu-
ra!
Em 2014 pretendemos continuar nosso cami-
nho com você, leitor! E com você escritor!
Por isto agradecemos a confiança e o carinho
com o qual somos sempre recebidos.
Agradecemos cada participação!
Você que escreve, você que nos lê, é a faísca
de vida que anima o Varal do Brasil!
Obrigada!
Feliz Ano Novo, venha 2014 pleno de saúde,
alegrias e muito sucesso!


Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe
Varal do Brasil

• ADRÌANA SCHERNER
• ALÌCE LUCONÌ NASSÌF
• ANA ROSENROT
• ANGELA DELGADO
• ANTONÌO CABRAL FÌLHO
• ANTONÌO LAURENTÌNO SOBRÌNHO
• BASÌLÌNA DÌVÌNA PEREÌRA
• CLARA MACHADO
• CLÁUDÌO DE ALMEÌDA HERMÍNÌO
• DEÌDÌMAR ALVES BRÌSSÌ
• DÌLMA SCHMÌTZ LEÌTE
• EDÌANE SOUZA
• EDSON SANTOS
• ELÌANA MARÌA
• ELÌANE FERNANDES
• ELOÌSA MENEZES PEREÌRA
• EMANUEL MEDEÌROS VÌEÌRA
• EMÉRÌTA ANDRADE
• ESTHER ROGESSÌ
• EVELYN CÌESZYNSKÌ
• FELÌPE CATTAPAN
• GAÌÔ
• GEORGE DOS SANTOS PACHECO
• GERMANO MACHADO
• GÌLBERTO NOGUEÌRA DE OLÌVEÌRA
• GÌRLENE MONTEÌRO PORTO
• GLADÌS DEBLE
• HEBE C. BOA-VÌAGEM A. COSTA
• ÌSABEL C. S. VARGAS
• ÌVONÌTA DE CONCÌLÌO
• JACQUELÌNE AÌSENMAN
• JANÌA SOUZA
• JEREMÌAS FRANCÌS TORRES
• JÔ MENDONÇA ALCOFORADO
• JORGE LUÌS MARTÌNS
• JOSÉ CARLOS CAVALCANTÌ LEÌTE
• JOSÉ CARLOS PAÌVA BRUNO
• JULÌA REGO
• LANGE PÌNHEÌRO
• LAUDECY FERREÌRA
• LENÌVAL NUNES DE ANDRADE
• LOLA PRATA
• LUCÌANO PETROCELÌ
• LUÌZ CARLOS AMORÌM
• LUÌZ FLÁVÌO NASCÌMENTO
• MARÌA JOSÉ VÌTAL JUSTÌNÌANO
• MARÌA LUCÌA MENDES
• MARÌA MOREÌRA
• MARÌO REZENDE
• MARLY RONDAN
• NÌLZA AMARAL SOUZA
• NUBÌA STRASBACH
• ODENÌR FERRO
• OLÌVEÌRA CARUSO
• RAPHAEL ALBERTÌ
• RÌTA DE OLÌVEÌRA MEDEÌROS
• RÌTA VELOSA
• ROBERTO FERRARÌ
• ROBÌNSON SÌLVA ALVES
• ROGÉRÌO ARAÚJO (ROFA)
• ROZELENE FURTADO DE LÌMA
• RUBENS JARDÌM
• SELMA ANTUNES
• SONÌA NOGUEÌRA
• UNÌÃO BRASÌLEÌRA DE TROVADORES
• VARENKA DE FÁTÌMA ARAÚJO
• VÓ FÌA (MARÌA APARECÌDA FELÌCORÌ)
• WELBER ROCHA REGÌS
• YARA DARÌN
S/0 A 1ACE /2

Por 0&si+in& Di3in& Pereir&

Tu és o que pensas e não o que aparentas.
Guarda o delírio que te persegue
e na voragem da tua alma que vaga,
planta tua busca no veio da intuição.
Dela poderás colher o abismo ou a alvorada.
No abismo, verás o medo e a tua própria face,
aquela que se esconde do espelho.
No alvorecer, que desafia a esfera do homem,
verás o reflexo da luz,
os perigos do horizonte,
mas chegarás ao outro lado
onde a tua imagem não mais te negará.
E quando renasceres sobre teu próprio passo
serás a centelha
e a essência do que és e não vês.
D/ 4I5R/...

Por 6&i7

São tantos empilhados,
disputando momento esperado.
Tomado nos braços o escolhido,
em doce deleite ser sorvido
o livro,
na liquidez das horas,
silenciosas...
Sussurrantes palavras deglutidas,
amorosas,
murmura a alma
em cada célula faminta
de sonho e fantasia,
realidade em saídas.
Ìmaginação debruçada
no coração derrama,
em sensível espairecer, o conhecer.
...Sopram vozes interiores...
se espalham em vapor musical
volatizando o ser no imortal,
impregnando a matéria, o viver.
Semeadura germina
reinvenção...
Saber...



Arte by Sergio Niculitcheff.
Soneto de amor

Por Welber Rocha

Juro a minha eterna e lídima amada
Aproveitar a cada momento, apenas com sua presença
De tanto amor assim, meu coração não guarda
Pois ele espera com angústia a sua sentença.

Mesmo com sua indecisão, mantenho meu coração em chama
Tendo meu sangue como combustível minha alma in!lama
"entindo, por ti, muito amor e brandura
#m um passeio primaveril apagar$ minha amargura.

Temo, por debai%o de um con&unto de arvoredos
'ão contemplar seu semblante e sua imagem
(autelosamente guardarei todos os seus segredos.

Por prud)ncia não direi *ue meu amor ser$ eterno
(reio *ue !alar em eternidade + aludir a uma miragem
Mas en*uanto ele durar sempre ser$ blandícia e terno.
O HOMEM CAÇADOR DE AVENTURAS

Por Antonio Larentino Sobrinho

(erta ve, um homem chamado (larindo o caçador
de aventuras resolveu sair pelo mundo em busca de
umas aventuras di!erentes de todas *ue &$ tinha par-
ticipado antes. #le percorreu por v$rios países at+
chegar ao .rasil, partindo da sua terra natal. #m sua
incans$vel busca at+ chegar ao #stado do (ear$,
mais precisamente em Assar+, *uando !oi in!ormado
*ue em /ui%amubim tinha um lobisomem assom-
brando a população da*uele lugar. então !oi para
a*uele lugar imediatamente a procura do mes-
mo, 0ma das características mais marcantes são as
de !ormaç1es monolíticas nas mais diversos !or-
mas. "r (larindo !icou encantado com os monolíti-
cos, então resolveu !icar alguns dias na*uele lugar
di!erente de tudo *ue &$ tinha visto antes. #ra tudo
lindo e magistral, ele estava muito contente em co-
nhecer a*uele lugar belíssimo. #ntão resolveu logo
armar sua barraca para dormir, dei%ou tudo pronto e
!oi para cidade de /ui%amubim !a,er algumas com-
pras, !oi *uando encontrou uma mulher *uerendo
matar uma galinha cin,enta, ela era muito bonita.
/uando a galinha viu o homem, olhou !irme para ele
e começou a chorar, as lagrimas caíram em abun-
d2ncia. "r (larindo !alou3 Minha senhora não mate
esta galinha ela est$ chorando, /uanto a senhora
*uer por ela4 Pois eu gostaria de compr$-la. A se-
nhora !alou5 -- vou matar para os meus sete !ilhos
comer, eles estão com !ome."r (larindo caçador de
aventuras !alou5 -- #st$ a*ui o dinheiro *ue d$ para a
senhora comprar duas galinhas e mais algumas coi-
sas. A senhora responde5 – 6 senhor est$ de brinca-
deira comigo4 #ste dinheiro s7 pode ser !also. 'ão
acredito em !orasteiro. 6 caçador disse, não, eu não
sou um !orasteiro, eu moro em Assar+, estou indo
pra /ui%amubim, meu nome + "r (larindo o caçador
de aventura, pode con!erir o dinheiro senhora5 --
Tudo bem, não conheço dinheiro, vou perguntar pa-
ra algu+m, mas se o senhor estiver me enganando,
não vai prestar. #sta cidade vai !icar pe*uena para o
senhor. (açador5 -- #st$ bem minha senhora, pode
mandar con!erir o dinheiro.
(om toda esta con!usão a galinha *ue estava muito
cansada adormeceu em meus braços, daí a pouco a
mulher retornou toda alegre, com tr)s galinhas, um
pacote de arro,, e um de !ei&ão. e ainda lhe sobrou
um pouco de dinheiro. "r (larindo,- 8o caçador9 !a-
lou5 #u não !alei pra senhora *ue o dinheiro era
bom4 "im senhor, obrigado3 6 senhor + um An&o,
agora me diga, por *ue !e, isso4 6 *ue viu nesta ga-
linha de tão especial sr caçador4 -- 'ão gosto de ver
ningu+m matando animais, especialmente as gali-
nhas. #la tem nome4 (omo devo cham$-la dona
(lotilde4 (laro sr, o nome dela + (otinha. #st$ bem,
mas agora vou seguir minha viagem em para /ui%a-
mubim.
A (otinha continuava dormindo, era um sono tão
pesado, *ue o sr (larindo !icou com d7 de acord$-la.
"eguiu em !rente, &$ na saída encontrou uma !amília
trabalhando em um roçado de milho e !ei&ão bom
dia, bom dia-estou acampado pro alguns dias perti-
nho de voc)s--*ue mal lhes pergunte de onde o se-
nhor vem4 eu venho das banda de Assar+. vem de
lar mas &$ andei muito por est+ mundão a!ora a pro-
curando de aventuras,--#les riram $ vontade *ue
tipo de aventura o senhor procura4 Lobi!omem, m"
la !em cabe#a o $am%iro!& 6 menino Lciano
perguntou-lhe assustado. 6 "r &$ viu algum :ampi-
ro4 sim, sim, claro *ue sim &$ vi muitos. respondeu
o caçador. Aonde na previd)ncia social em .rasília
*uando o "r. 'o!( Serra era ministro da saúde4 #n-
tão + verdade *ue eles se alimentam de sangue4--sim
mais isto + outra hist7ria, vampiros brasileiros gos-
tam mesmo + de d)lare! americano* os :ampiros
*ue gostam de sangue isto era no passado, os do
leste #uropeu da Transilv2nia, o Dr$cula. esta bem
meu &ovem4 6ra "r. caçador o senhor esta no um
lugar certo, respondeu o pai do menino... A*ui tem
um grande açude *ue tem uma enorme galinha *ue
assusta os pescadores *ue sempre aparece pa-
ra eles em noites de lua clara--o senhor &$ viu4 cre-
do em cru,. 'ão mas muita gente &$ viu. (omo o
senhor se chama4 Meu nome + Manoel. "omos da
!amília dos Dantas e este + meu !ilho Lciano. "o-
mos de uma !amília tradicional dos lados de (a&a-
,eiras na Paraíba. cheguei a*ui ainda menino, meu
pai &$ !alecido chamava-se 'o!( Domin+o! Danta!*-
muito bem sr, e o seu !ilho est$ estudando4 sim,
*uando crescer *uer ir para "ão Paulo --est$ bem
!oi um grande pra,er, como !aço pra chegar ; este
lugar4 e s7 segui este riacho pedregoso, lar na !rente
encontra o açude do cedro pode armar a barraca
,%orem tome cidado com o tal de Antonio chico-
--
8"egue9
#u prometo *ue voltarei a*ui para desvendar o mis-
t+rio deste lobisomem, nem *ue tenha *ue cravar
uma bala de prata vigem em seu peito, mais isto +
outra hist7ria ,obrigado sai dali correndo !ui
a /ui%aramubim onde a barraca &$ estava armada.
(hegando, arrumei tudo rapidinho peguei
a (otinha + a barraca e partimos pra /ui%a-
d$ encontramos um bom lugar montamos a barraca
debai%o de um bonito p+ de &ua,eiro todo !lorido,
com suas belas e minúsculas !lores bran*uinhas, co-
mo + sua característica da*uele lugar, est$ super per-
!umado. (otinha vamos passar alguns dias a*ui3 #la
balançou a cabeça em um gesto a!irmativo, parecia
*ue estava entendendo tudo, parecia at+ uma pessoa3
Armou a barraca pr7%ima ao tronco do &ua,eiro, !oi
para uma nascente de $guas cristalinas, tome um
banho, aproveitei para tra,er $gua !resca pra cotinha
e deu-lhe comida. Prepare um &antar,inho b$sico. --
Agora &$ &antamos vamos contemplar a lua e da*ui a
pou*uinho vamos dormir, (otinha balançou a cabeça
a!irmando. 6 senhor (larindo !icou intrigado com a
atitude da galinha. A (otinha &$ tinha !eito a*uilo
v$rias ve,es, &$ era <<,horas + trinta minutos . --
:amos dormir (otinha4 – #la balançou a cabeça
a!irmando *ue sim, olhou pra mim, !oi pra um canto
da barraca e dormiu. #u estava muito cansado, não
demorei muito, dormi tamb+m um sono pro!undo,
era o sono *uase dos &ustos, a!inal de contas tinha
salvado a vida de uma galinha !alante especial, a
(otinha. /uando acordei, o sol &$ estava alto. -- .om
dia, *uerida (otinha tudo bem4 – "im, dormi como
uma pedra, ali$s, pedra era o *ue não !altava na*uele
lugar e%7tico, -- /ue horas são (otinha4 -- Meu
amor, &$ são nove horas. – 'ossa3 nove horas3 J$ !i,
um ca!e,inho delicioso e cuscu,, venha tomar ca!+
senhor (larindo, antes *ue es!rie. #u não tinha me
dado conta *ue a (otinha estava !alando comigo. --
(otinha voc) est$ !alando4 #u !i*uei perple%o. --
Minha *uerida voc) !ala4 – "im, sempre !alei. -- 6n-
tem *uando a senhora *ueria te matar voc) não !a-
lou4 -- = por*ue eu sei os segredos dela, ela tem sete
!ilhos, mas s7 dois + !ilho do marido dela, os outros
cinco são !ilhos de um compadre, por isso ela contou
toda a*uela hist7ria !antasiosa. "e eu tivesse !alado,
o senhor não tinha me salvado. /uem ia *uerer sair
por aí com uma galinha !alante4 -- #u !i*uei muito
contente, mas ao mesmo tempo pensando como seria
sair andado com uma galinha !alante4 "eria motivo
de muitas curiosidades no sertão cearense4
Tomamos o ca!+ e continuamos conversando como
duas pessoas normais, os passarinhos estavam todos
cantando, era um momento m$gico em minha vida
de caçador de aventuras. A*ueles sete dias !oram
m$gicos, durante o dia !ic$vamos pescando a noite,
conversamos um pouco, depois dormimos. Assim, se
passaram sete dias, na se%ta-!eira o dia estava di!e-
rente, !ui ao riacho tomar um banho em suas >guas
límpidas, depois voltei para o acampamento.
A*uele dia estava tudo di!erente, o sol estava com
um brilho di!erente, raios dourados, o vento sopran-
do de norte a sul, era um cen$rio magistral, único,
belíssimo, lindo e ines*uecível. /uando de repente o
tempo começou a mudar, o vento !icou intenso, os
p$ssaros pararam de cantar, o sol se escondeu, as
nuvens escureceram, de repente uma chuva torrenci-
al, parecia um dilúvio. 6 vento ímpeto oso, cruel,
assombrador, desesperador, A (otinha *ue er uma
galinha centrada, calma, começa !icar desesperada 5 -
- 'ão se preocupe, não vai acontecer nada com o
senhor. Tudo isso + por*ue eu contei o segredo para
o senhor. -- Por *ue voc) me contou seu segredo4 --
Ah3 6 senhor salvou minha vida, eu não tinha outro
&eito de agradecer o *ue !e,. Por isso eu *uis contar
tudo sobre meu segredo. -- Agora o *ue vai aconte-
cer com voc)4 -- Agora eu serei trans!ormada em
uma enorme galinha de pedra cin,enta, = começou a
crescer crescer crescer,--#0 !icarei petri!icada para
sempre neste monte. #ste ser$ o preço *ue terei *ue
pagar pela *uebra desse segredo. 6 vento arremes-
sar a (otinha de morro acima sem piedade, em um
piscar de olhos a cotinha !oi parar em cima do mor-
ro -- 'ão (otinha, não tem nada *ue eu possa !a,er
pra te a&udar4 -- 'ão meu amor, o senhor não pode
!a,er mais nada. Muito obrigada por estes sete dias,
*ue passamos &untos, !oram eternos, pois signi!icou
muito para mim. #u me trans!ormarei em um polo
turístico desta região do sertão (earense. De *ual-
*uer maneira serei !amosa entre estes povos so!redo-
res deste sertão so!rido, mas &$ est$ na minha hora. A
conversa est$ tão agrad$vel, mas não h$ mais tempo,
tenho *ue partir.
#stas !oram as ultimas palavras da (otinha, , o sol
sumiu, era s7 trovão e rel2mpago, de repente a terra
tremeu, meu coração disparou, a chuva continuava
intensa, as $guas continuavam subindo rapidamente.
#u pensava *ue ia morrer, chegou uma hora *ue eu
não vi mais nada, desmaiei, !ui trans!ormado em
uma est$tua de gelo durante sete dias, depois *uando
acordei olhei para o morro e l$ estava a (otinha no
8"egue9
no topo do morro, eu não aguente ver minha amiga cotinha petri!icada ,desmaiei novamente !i*ue desacor-
dado durante sete dias, *uando acordei olhei para o lado direito, e percebi *ue havia uma enorme pedra cin-
,enta em !orma de uma galinha choca, então gritei5 -- = voc) (otinha43 A*uela em enorme pedra balançou
a grande cabeça a!irmativamente.-- #u (otinha era voc) *ue nadava no açude as nas noites de se%tas-!eiras
assustando os pescadores não4--sim era #0 mesma--#0 não tive dúvida *ue era mesmo a (otinha, contem-
plando a A ma&estosa .aía do açude do cedro, eu !i*uei mais sete dias contemplando a bele,a da*uela pe-
dra em !orma de galinha, depois de sete dias embar*uei em uma maria-!umaça rumo ; ?ortale,a.
/uem *uiser conhecer a (otinha, ela est$ em /uei%ado no estado do (ear$. 0m belo lugar para *uem gos-
ta de aventuras + escalada em montanhas.

Lto (***


Mostramos nossa visão
sobre o luto ap7s a morte
com versos do coração
*ue &$ so!reu esse corte.


0nião .rasileira de Trovadores - 0.T
"eção empossada em @A de agosto de <BBC
.ragança Paulista "P <B@D
8% se-)n$o $e 9)%&ni$&$e
Por Di+%& S9%i(: 4ei(e

Um dia eu simplesmente não me sentia, como
se pairasse na tênue linha entre a realidade e
a loucura, não capaz de decidir o lado que de-
veria tomar, ininteligível para mim, estado mór-
bido e negro como a noite solitária de um inver-
no rigoroso, mas fazia sol lá fora e através das
vidraças eu via a felicidade nos olhos das ou-
tras pessoas, eu fechada na minha escuridão
só vislumbrava a vida que eu não tinha, mas
que a desejava, a vida simplesmente esvaiu-se
de mim, apenas o contorno do meu corpo me
fazia ainda humana; sim, para quem me olhas-
se eu era uma pessoa com tristezas e alegrias
como todas as outras, eu sabia que há muito a
penumbra foi tomando formas mais escuras, a
alegria já não existia e a tristeza por sua vez
também não, deixei de sentir todas as sensa-
ções humanas, passei a me identificar com as
coisas não com os seres, a penteadeira e seus
três espelhos refletiam minha imagem triplicada
por nada, eu era o nada, ela própria se espe-
lhava mais humana e vivaz e guardava com ela
todas as minhas imagens de quando ainda
existia, mesmo que fossem apenas reflexos de
reflexos de instantes vividos por mim, apesar
disso eram mais próximos da essência da mi-
nha existência e ainda mais ela guardava em
suas três gavetas todas as sutilezas clandesti-
nas que eu sentira, abri uma para ver se podia
senti-las, insuportável sentimento de perda, eu
desaparecera ainda estando presente, seus
adornos também continham segredos revela-
dos em sussurros, eu sabia que estavam lá,
não os podia mais ouvir, eu evaporei, queria ter
os mesmos quatro pés fincados no chão a
apoiar a minha estrutura assim como esse mó-
vel, ele está presente e ostenta toda a sua im-
ponência diante da vida, viro os espelhos late-
rais para dentro para ver se juntando as três
imagens de mim eu me vejo, só um esboço mal
elaborado com um lápis preto vislumbra de for-
ma bastante embaçada uma caricatura do que
já fui, irreconhecível para mim e para a pentea-
deira, até a banqueta de assento de veludo ver-
melho estranhou meu corpo, ela não sentiu
meu peso porque não existo, porque não peso,
não gravito, mais uma vez espio sorrateiramen-
te a vida lá fora, as crianças têm uma peculiari-
dade que são só delas, achar alegria nas pe-
quenas belezas e nas coisas que já não repa-
ramos, a simplicidade de como vivem intensa-
mente cada momento é invejável, qualquer tri-
vialidade parece um motivo para sorrir e a vida
explode nelas sem grandes motivos, o brilho
em seus olhos dizem mais do que todas as pa-
lavras reunidas poderiam exprimir, viro de novo
para a penteadeira e ela disfarçadamente ri de
mim porque sabe que sua existência é mais
preciosa do que a minha, invejo-a, ela não tem
que lutar com as frustrações que eu carrego,
apesar do sol faz frio, só que eu não sei se é
externo, eu me remexo toda diante da minha
indignação, os sulcos no meu rosto já não têm
sentido, eles já não contêm as nódoas deixa-
das pelos sofrimentos e felicidades sentidos,
eles estão ocos e desprovidos de razões, os
espelhos teimam em tentar esboçar alguma
imagem, mas eles não podem realizar o im-
possível, não há o que ser capturado, talvez
nas gavetas por estarem cerradas, ainda so-
breviva algum sopro de minha vida, não, não
falo das gavetas da penteadeira, mas as da al-
ma, tento desencravar alguma sensação, al-
gum sentimento de dentro delas, mas é em
vão, tão certo quanto a incerteza de todas as
coisas, não encontro nada, se meu corpo físico
desaparecesse eu me sentiria aliviada.
(Segue)
Tento uma das gavetas da penteadeira, quem sabe nessa eu consiga, lentamente vou puxando,
uma pequena luz metálica e gelada chama minha atenção um tanto quanto desatenta pela de-
sesperança, um crucifixo de prata com pedrinhas brilhosas, acho que brilhantes, que pertencera
a minha mãe, por um instante a doce lembrança dela me trouxe um pouco de sentimento, mas
tão fugidio que sequer o pude sentir de fato, aperto-o com força entre os dedos, quero capturar
outra vez aquele micro segundo de humanidade, já não posso mais, a fugacidade é a minha ar-
ma mais poderosa tanto para os outros quanto para mim mesma, por um lado boa porque não
me permite cair em profundo desespero; por outro, maldosa e sádica porque simplesmente me
mata ainda viva, coloco o crucifixo de onde nunca deveria ter tirado e fecho a gaveta para sem-
pre, a gaveta da penteadeira e a da alma também. Novamente estamos nos olhando, a pentea-
deira e eu, cada uma com suas dúvidas, tento desnudar meu ser de todas as mazelas e me tor-
nar humana, é inútil, ela venceu, tanta humanidade me fez mal, então pego uma colcha preta e
a cubro para que não mais me venha convidar a me encontrar, olho para trás e a vejo encolhida
no canto, ouço seu pranto, viro as costas e saio, tanta sentimentalidade me enoja.

.ra!il de Todo!

=s meu chão, dourado de amor
*ue me a*uece e engrandece
com sonhos e muita ação.

Abraças meu corpo com sol e estrelas
e deita-me na areia com co*ueiros sob esteiras
e !a,-me navegar em $guas mornas e cidades hist7ri-
cas
livros do meu saber e consci)ncia de amor.

=s grande, enorme, varonil
mestiço em sangue, cor, coração
lutas por liberdade e igualdade desde o início dos
tempos
*uando teu povo corria pelado e desconhecia a !úria
e gan2ncia do branco.

"obrevivestes a todo e *ual*uer ato cruel
e esperas *ue tua nação acorde realmente
para lutar dignamente com a espada da palavra
e reconstruir o progresso com a união *ue a tudo
precede.

=s meu .rasil, meu país, minha nação
meu berço, minha casa, meu torrão
*uero-te completo, por inteiro
com mulatos, negros, mestiços, brancos, amarelos
colorido como o teu pavilhão
amarelo, verde, branco, anil
sem viol)ncia, sem droga, sem crime
celeiro do meu vigoroso e protetor país
sede da minha venturosa nação.





















































Sant/rio da Vida

"antu$rio da vida
+s dilacerada pelas mãos do homem
homens dependentes do teu chão
da tua $gua, da tua !lora, do teu aconchego.

=s do 0niverso, as vestes de Maria
em v$rios tons de a,uis
coroa de sua luta por amor a Jesus.

=s a morada da vida
sacr$rio da Eu, Divina
tecida com amor
em bele,a e !ormosura.

Felic$rio de aves, orcas, pandas
tamandu$s, !ormigas e do bicho homem
alimentas com tuas raí,es
toda a raça humana.

Mereces amor, carinho, preservação
de crianças, &ovens, adultos
e da sabedoria dos anciãos.

(onhecer-te, + necess$rio
para te amar e conservar-te
tesouro maior da humanidade


Por 'ania So0a

O AMOR E O 1NVERNO***

Por MarlG Fondan

Podemos di,er *ue o H':#F'6 + a #stação *ue mais a&u-
da os enamorados. 6 !rio estimula o aconchego, !icar mais
tempo em casa, assistir um !ilme, ouvir música
e namorar, &untinho, abraçadinho.
Podemos di,er *ue o amor + o sentimento de maior valor
neste nosso caminhar, mas as emoç1es são mais numerosas e
inter!erem no nosso comportamento o tempo todo.
= raro uma pessoa, *ue est$ amando algu+m, não ter ciúmes,
medo de perder, medo
de *ue algo ruim aconteça ao outro, não + muito comum, mas
pode ter inve&a das *ualidades do outro e uma *uantidade de
emoç1es *ue vai inter!erir no relacionamento.
"eria ideal *ue pud+ssemos amar incondicionalmente, amar
pelo pra,er de amar, sem esperar nada da outra pessoa, sem cobranças...6 amor !a, bem somente ;*uele
*ue ama, *uem + amado, se não !or recíproco, ser$ um aborrecimento.
6 amor !a, suas c+lulas se renovarem de maneira acelerada, sua saúde melhora, sua pele re&uvenesce,
seus olhos t)m um brilho especial, sua alegria de viver aumenta, M>" as emoç1es ciúmes, medos, inve-
&a, preocupação, *ue acompanham os amantes, des!a,em esses bene!ícios do amor, e o relacionamento *ue
deveria ser s7 alegria, passa a ser um so!rimento.
Amar + preciso, mas aprenda a amar incondicionalmente, em bene!ício pr7prio. 'ão colo*ue sua !elici-
dade, sua alegria nas mãos da outra pessoa. Amar algu+m &$ + um privil+gio, se a outra pessoa retribuir o
seu amor, + m$gico3 'ão estrague essa e%peri)ncia com emoç1es negativas, viva seu amor com alegria,
especialmente no H':#F'63

Xi;i $e -&(o

Por <*+i& Re-o

Senti um cheiro estranho, porém não fiz ne-
nhum comentário. Sou muito observadora,
mas, ao mesmo tempo, muito reservada. Aliás,
acho que uma coisa está relacionada à outra,
não sei o que influencia o quê.
Encontramo-nos para irmos, juntas, ao traba-
lho. Enquanto esperávamos o ônibus que nos
levaria à Escola, conversávamos sobre as in-
quietações profissionais que, há muito, vem
nos angustiando.
Quando, finalmente, a condução chegou, entra-
mos e nos acomodamos em um banco próximo
ao cobrador. Continuamos a conversar, ela,
muito exaltada, expondo suas preocupações e
refletindo sobre as expectativas criadas em tor-
no da profissão e tal e coisa e coisa e tal.
Eu quase não prestava atenção ao que ela fala-
va, pois o cheiro forte que eu estava sentindo
vinha, justamente, da direção dela e me atingia
de tal forma, que eu já começava a ter confu-
são mental.
O vento que entrava pela janela arrastava
aquele aroma para minhas narinas, deixando-
me inebriada, não de prazer, mas de náusea,
tal era o incômodo que me causava.
A minha amiga estava com a corda toda naque-
le dia, falava pelos cotovelos, como a querer
me fazer desviar a atenção de algo que ela
mesma não estava suportando.
De repente, não aguentando mais, perguntou-
me se eu estava sentindo um cheiro estranho.
Eu tentei fazer cara de paisagem, mas diante
da insistência dela, deixei minha habitual discri-
ção e respondi que estava, sim, sentindo um
cheirinho diferente. Um perfume novo, talvez
tenha exagerado na dose, quem sabe...
Ela cheira daqui, cheira dali, como a buscar o
que ela, de fato, já desconfiava.
Enfim, diz "é minha blusa¨!
A essa altura, eu já estava pedindo a Deus o
milagre de encurtar o trajeto até o trabalho, an-
tes que eu desse com os burros n'água ali mes-
mo.
Percebi que minha companheira continuava a
se cheirar, tentando confirmar suas suspeitas e
justificar, para mim, o motivo de estar exalando
aquele perfuminho barato.
Eu disse perfuminho barato? Pois, sim!
Fiapo! Foi ele! Fez xixi na minha blusa!
Gato desgraçado!
Naquele momento, fiquei pasma com a desco-
berta do real motivo daquele cheiro, não menos
desgraçado, e, muda estava, muda fiquei, até
que ela tomou uma decisão.
Vou tirar a blusa agora! Não posso ir à sala de
aula impregnada desse cheiro.
Resolução tomada, foi para o fundo do ônibus
que, por acaso, estava vazio e, lá, se despiu,
voltando toda serelepe com a aprova do crime
nas mãos.
Sorte é que estava com outra blusa por baixo
daquela maldita.
E agora, perguntou ela, o que faço com isso?
Não jogue pela janela, gritei eu, numa postura
politicamente correta, quando, na verdade, o
que eu gostaria de dizer, mesmo, era que des-
se sumiço naquela coisa mal cheirosa ali mes-
mo. Guardou-a num saco, esperando um local
apropriado.
Seguimos viagem, mas quem disse que o chei-
ro tinha passado? Alias, tinha passado, sim,
para a outra blusa! E, o pior, é que não tinha
mais como dispensar essa, foi a única peça
que sobrou na parte de cima.
Nesse momento, ela já estava constrangida, e
eu também, só de pensar em qual seria a rea-
ção dos alunos diante da proximidade física
que, certamente, teria que enfrentar.
(Segue)



O cheiro não passava, antes, piorava, já misturada ao suor que transbordava com o calor e o
nervosismo da minha amiga. Numa atitude solidária, ofereci-lhe o frasco de perfume que carre-
go na bolsa para eventuais necessidades.
Acho que não foi uma boa ideia...
Entramos na escola, cada uma tomou o rumo da respectiva sala de aula e não tive mais conhe-
cimento do estrago que tão forte odor poderia estar provocando nos recintos educacionais.
Quando, mais tarde, nos encontramos nos corredores, achei por bem ficar calada, mas estava
ansiosa para saber o que tinha acontecido no período em que ficamos separadas.
Vi minha amiga caminhando em minha direção, contorcendo-se de tanto rir e, mesmo sem ima-
ginar o que tinha ocorrido, comecei a rir também.
Quanto mais ela ria, mas eu ria também, num transe biliteral envolvido em mistério.
Quando, finalmente, conseguiu s recuperar, respirou fundo e disse:
- Descobri a fórmula do Carolina Herrera!
Eu, entendendo menos ainda, e já farta de lembrar-me de aromas, odores, perfumes e afins, pe-
di-lhe que me contasse logo o que tinha acontecido.
Entre pausas para gargalhadas, soube que uma aluna dela, não só elogiou o cheiro que dela
exalava como perguntou, ainda, se se tratava do famoso perfume. Mais, muito convicta, ela res-
pondeu, sim, era o tal!
Estupefata com o que acabara de ouvir, calei-me por uns breves segundos para, em seguida,
olhando-nos olhos nos olhos, explodirmos em gargalhadas. E assim ficamos até chorarmos de
tanto rir.
Pois é, quem haveria de dizer que minha amiga, não só sairia ilesa do constrangimento a que
estaria exposta, como foi elogiada por estar usando um perfume de notas tão exóticas.
Já era noite quando fomos para casa juntas e cansadas. Agora o cheiro do perfume já estava
quase se dissipando, mas também que importava, afinal estávamos felizes por termos desco-
berto a fórmula do xixi de gato, ou melhor, de um perfume de griffe.

SA8DADES DE 8M RI/ DE S/N=/S

Por 4&n-e Pin9eiro

Rio de Janeiro, 1978. Pelos campinhos da bai-
xada lá ia o menino travesso, moleque suado
com a camisa rasgada e o short do lado aves-
so. A bola comprada com as vendas de
"sacolé¨ estava sempre debaixo do braço, só
pra ver se os meninos da pelada o deixavam
jogar e quem sabe marcar um golaço. Ele con-
tava seus gols pelos campos de terra batida.
22 até então contra 215 do Digão. Era goleada,
mas ele não ligava. Sabia que o pior estava em
casa, a truculência de um pai radical que acha-
va que futebol era coisa de marginal.
Pai mineiro, que foi para o Rio de Janeiro na
tentativa de enricar. É, só enricou seis filhos
cariocas e bateu com a cara na porta de tudo
quanto é lugar. Pai que amava seus filhos co-
mo tanta força que, por medo, lhes privava a
liberdade. Que achava que diversão e esporte
eram riscos e futilidades. Mas a sua mãe, por
sorte, assim não pensava. Esperava o marido
sair, colocava um ki-suco na bolsa e os seis
filhos num ônibus rumo à primeira praia.
Já o menino sonhador, que não era culpado de
nada, sentiu tudo na pele. A privação da rua,
das amizades e principalmente da tal pelada.
Em casa ele sempre escondia a bola. Mas toda
vez que nas mãos a pegava, como num conto
de história, a sua vida se encantava. Ah! Bola
amada! Mundo imaginário! Retirando o pobre
cenário onde até a comida lhe faltava, a vonta-
de pela boca saltava e mesmo num pequenino
corpo o menino num grito louco dizia que que-
ria ser um rei. O rei do futebol. Sonhos que se
tornavam reais à medida que o tempo passava.
Pouco talento, diga-se de passagem. Mas a
ânsia da sua vontade o fazia vibrar de felicida-
de a cada golzinho marcado. Gol de peito, de
barriga ou sentado. Não importava a qualidade,
apenas o número de sonhos que eles proporci-
onavam. Mas este não era o seu destino...

E foi num primeiro sinal que algo muito anormal
veio a acontecer. Um amiguinho de jogo mor-
reu no meio de um fogo num lote abandonado
e ninguém soube o porquê.








Uma semana depois outro colega seu caiu num
bueiro aberto e como se fosse um inseto sim-
plesmente desapareceu.
Outro aviso do destino aconteceu num jogo
emocionante, valia um troféu usado e dois litros
de refrigerante. Ele, que era esforçado, correu
mais do que os outros e de tanto que ficou can-
sado caiu no meio do campo. Debaixo de um
sol escaldante, ficou ali parado, com os olhos
semifechados e um sorriso meio maroto.
(Segue)
Nada grave ele teve, a não ser uma estranha visão: uma enorme bola falante que dizia para
aquele menino que futebol não era seu destino. Seria até motivo de graça se ele não tivesse fica-
do um mês inteiro em casa, triste e calado, sem falar uma palavra. Ele, que queria conquistar o
mundo, viu tudo desabar. A pelada por um tempo cessou e ele apenas estudou sem de nada re-
clamar.
Mas seu sonho era maior do que tudo e assim como ele veio ao mundo num belo dia ele também
renasceu pra jogar. Novamente driblou, sorriu e se encantou e com a bola nos pés voltou a mar-
car. Como o mundo não é perfeito, ali estava seu defeito: acreditar apenas na sua vontade e não
no que a vida lhe apontava como a mais pura verdade. Sonho novamente encerrado aos 13
anos de idade, quando o pai voltou pra Minas Gerais e o futebol ele não jogou mais.
Hoje o menino está aqui. Um carioca que não joga bola, não tem uma nega chamada Tereza,
mas torce pro Flamengo, com certeza. E agora só me restam os sonhos de que eu poderia estar
ai, brilhando. Ser um Ronaldinho Gaúcho, um Neymar ou um Fenômeno.
Mas eu sou apenas mais um na multidão. Troco os pés pelas mãos, escrevo letras que queriam
ser bolas, desilusões, lembranças, estórias e histórias. Dos contos de um Rio encantado que
nunca saiu de mim. Contos que agora conto, com início, meio e fim.

A4MA 4IMPA

Por <7 Men$on!& A+o,or&$o

Lavei minha vida
Com lágrimas salobras
Limpei a sujeira do caminho
Joguei os cacos quebrados no lixo
Envolvida por anos, deixei fluir a dor.
Cortes e cicatrizes no coração
Desesperada por algo roubado
Tirado abruptamente de mim
Senti o peso do vazio
E ao mesmo tempo, alívio!
A dor me fazia sorrir
Chorava de amor.

CULTíssimo
Por @n[ Ros_nrot

















Como primeiro tema do ano resolvi esco-
lher um filme que nos transporta literalmente a
um mundo de magia e ocultismo, onde a perso-
nagem principal é transportada para um mundo
místico e desconhecido, habitado por seres es-
tranhos... Aposto que eu sei exatamente em
que estão pensando, mas enganou-se quem
pensou em Mágico de Oz ou Alice no País das
Maravilhas, pois apesar dos dois serem inspira-
dores desta obra, como também foram as obras
M. C. Escher e principalmente "Outside Over
There" de Maurice Sendak (o rei da literatura
infantil) eu estou falando de um grande clássi-
co, considerado meio trash, perigoso de ser as-
sistido, amaldiçoado até, eu falo do incrível La-
birinto - A magia do tempo (Labyrinth, Estados
Unidos e Reino Unido – 1986), o último filme
produzido por Jim Henson, famoso criador dos
Muppets e estrelado por Jennifer Connelly
(jovem e linda) e David Bowie (psicodélico co-
mo sempre), conta a história da adolescente
Sarah (Jennifer Connelly) que é obrigada pelos
pais a ficar em casa cuidando do irmão mais
novo Toby (o nome do bebê seria Freddie, mas
foi alterado para Toby - nome real da criança -,
pois apenas assim ele reagia aos chamados) e
ela deseja (invocando duendes do mal) se livrar
da criança, que não para de chorar de forma
alguma. Atendendo seu pedido, o Rei dos Du-
endes (David Bowie), personagem de um dos
livros de Sarah, ganha vida e sequestra o bebê.
Arrependida, a menina terá de enfrentar um la-
birinto e resgatar o irmão antes da meia-noite
para evitar que ele seja transformado em um
duende.
Filme maravilhoso com tudo de legal que havia nos anos 80: sintetizadores, efeitos CGÌ
(simplórios e dos anos 80) e principalmente David Bowie com um penteado (ainda bem que nin-
guém usa mais) que alguns podem ver em antigas fotos e mães e tias (até tios) ou até mesmo
naquele retrato de formatura escondido a sete chaves.
Com um enredo cheio de fantasia que encanta adultos e crianças, esse filme CULT até
hoje é muito comentado e analisado, envolto em teorias da conspiração, pois alguns dizem que
ele é o retrato da tentativa de programação Monarca (técnica de controle da mente por hipnose,
neurociência, psicologia e ocultismo que cria escravos mentais) do governo americano.
Mas treinamento para escravos ou não, é um filme maravilhoso, com muitos simbolis-
mos,figuras lendárias, desafios de inteligência, figurinos extraordinários, que podem criar diferen-
tes impressões nos expectadores, a única coisa certa é que quem assistir vai viajar e sonhar
muito, tanto com as cenas lindas ( a cena do baile é de emocionar) do filme quanto com a trilha
sonora (que por si só é um show à parte) composta e interpretada pelo próprio David Bowie.
Se ainda não assistiu, está perdendo tempo, um pouco de fantasia não faz mal a ninguém
e se já viu, vale assistir para se embalar no romance e na aventura.
Até a próxima e obrigada por me aguentarem!


Para fazer um comentário ou deixar sua sugestão é só enviar um e-mail:
anarosenrot@yahoo.com.br
Premi!!a!

Por Eliane 2ernande!

Muitos por *u)s surgirão *uando nossas p$ginas começarem a ser !olheadas e nossa hist7ria ser per-
cebida. Provavelmente nossas entrelinhas serão es*uecidas, as di!erenças veementemente relembra-
das e nossas escolhas e decis1es altamente criticadas. Is ve,es, nos en%ergaremos pelo avesso. 6u-
tras ve,es nem nos olharemos. Mas, certamente, nossa cone%ão estar$ sintoni,ada, pois h$ muito en-
tre n7s, *ue não precisa ser dito para ser sentido. J$ incerte,as. "im. 'enhum !uturo + promessa de
per!eição e !elicidade plena. Mas, a gente se inventa. "em problemas.
J$ sintonia entre palavras, versos, tintas e cores. # tamb+m ainda h$ muito não vivido. Mas, reina a
esperança de um amanhã *ue venha breve na premissa de um dese&o reali,ado. # *uando se tornar
em agora *ue se danem as opini1es não solicitadas por*ue os passos serão nossos, os dese&os serão
nossos, as vontades serão nossas, os sonhos serão nossos.
# escrevendo me contento e relembro *ue contos de !adas são reais. #les e%istem numa intensidade
absurda dentro da gente. # navegando no mar de dese&os e sonhos internos 8lugar não dito, apenas
sentido e mantido em sigilo9 a gente vive !ora da realidade. Mas, chega uma hora *ue se percebe *ue
contos de !adas, apesar de terem um !inal !eli,, t)m !im. #mbora se&am eternos dentro de n7s. Mas
*ue não se&a apenas um conto, *ue se&a mais longo. #, *ual*uer coisa, eu reconto. #, se *uiseres ar-
ran&a uma princesa *ue eu encontro um tonto. Desde *ue se&a real e pode ser at+ *ue eu te escreva
um conto.
"ou louca por "haKespeare e adoro (am1es, mas *ue !a,er se me aventuro por outras p$ginas *ue
me atordoam. # eu insensatamente me apego e leio e releio num sil)ncio *ue me abraça brandamen-
te toda noite. # vem a minha realidade me aturdir, mas eu contorno o *ue parece estar !ora de con-
trole embora, ;s ve,es, estoure e perca a paci)ncia. Mas, constr7i-se ternamente uma atmos!era de
magia *ue evapora e cura os medos. #, ho&e, o tempo de medos !indou.
"e ante este emaranhado de vo,es descone%as e sentimentos interligados as coisas não !uncionarem
bem, oK. #u volto e reescrevo e tu pintas de outra cor.
by alegri
E;(r&io & #osi(i3i$&$e $o #&r&$o;o

Por R&#9&e+ A+>er(i

Correr na praia
é como viver a vida.
De um lado para o outro
Sem uma demarcada trilha.

Obstáculos mil:
as pessoas na frente,
o tempo,
o vento
e da água, o frio.

Mas tiro forças a todo momento:
das pessoas em frente,
do tempo,
do vento
e do frio líquido.

Como na vida,
ultrapasso barreiras
bem-intencionado
meu ponto de vista
E se s? %e res(&sse es(e $i&

Por An-e+& De+-&$o

O marido está almoçando na cozinha com a tevê ligada. Como hoje é um dia muito especial, fa-
ço o prato e, sem reclamações, vou almoçar, como mereço, ao ar livre, mas, com as malditas
cigarras. Disso, em outubro em Brasília, não há como escapar, nem em meu apocalipse particu-
lar. Diga-se literalmente de passagem, isso é segredo, pois não quis melindrar ninguém, passan-
do-o com uns em detrimento de outros. Como a Parca não me avisou com antecedência sobre
esta minha ida brusca e prematura, não posso pegar um avião e ir despedir-me de minha queri-
da irmã que mora na Ìnglaterra. Aliás, neste meu derradeiro dia, passando ela com a filha, genro
e duas netas, quinze dias, nas Canárias.
Fazer o quê, então? Deixar aqui o meu amor incondicional por toda a minha família e amigos
é uma despedida. Fajuta, mas não posso nem sair à francesa e nem espalhar o pânico: último
dia?! Mas, como? E a nossa viagem marcada para o ano que vem? É realmente uma pena,
mas, quem sabe, poderei me juntar a vocês? Darei uma soprada mais forte e estarei lá em espí-
rito, serve?
A caçula tão amada diria: - Mãe, o que vai ser de mim sem você?
É por esse e outros diálogos que tive que me calar e viver este dia mais ou menos normal-
mente. No momento, há dois netos aqui. Penso em, como última lembrança e contribuição, apre-
sentar o livro "Onde está Wally" ao netinho mais novo, grudado na telinha, vendo desenho...
Vou tentar mesmo assim. Não é que deu certo? Ele, com cinco anos, se encantou ao ver Wally,
aquela figurinha de camisa vermelha listrada incorporada ao cenário asteca de 200.000 anos,
com suas cordas e cavalos assustados. Virando a página, ei-lo no mundo das pirâmides em
meio a centenas de pessoinhas e sarcófagos, há 4.500 anos atrás. Em seguida, Wally se mistu-
ra aos romanos em um feriado no Coliseu, onde cristãos eram atirados aos leões (disso meu ne-
tinho não ficou sabendo). Depois viaja com os vikings e seus chapéus de chifre, em um mergu-
lho de mais de mil anos. Continuando sua trajetória, o desafio agora é encontrar o bonequinho
de camisa listrada, que está perdido no meio de catapultas e de uma multidão ao fim de uma
das Cruzadas, há mais de 800 anos. Daí para cair entre camponeses, malabaristas, trovadores
e bobos da corte na Ìdade Média é só um virar de folha. Mais uma, e, com certa dificuldade, o
encontramos, fugindo das espadas e flechadas dos samurais no Japão de 400 anos atrás; nos
barcos dos piratas com tapa-olhos há pouco mais de 250 anos; com um livro na mão em um bai-
le há 100 anos, em Paris, quando os homens usavam perucas e as mulheres dançavam Cancã;
ainda concentrado em seu livro, na Corrida do Ouro dos americanos, no final do século XÌX; e,
finalmente, no futuro, ao lado de naves, extraterrestres, robôs e mísseis...
Assim, meu último dia vai se escoando. Eu, aqui, escrevendo, imagine, quando sou desperta-
da pela campainha do telefone. É meu neto primogênito avisando que não vem almoçar e eu
lembro-lhe da aula de dança de salão, daqui a pouco, quando em vez de eu ir dançar, neste que
será meu último dia, vou bem-humorada, como "votorista¨, como bem lembrou uma "mãetorista¨,
que conheci outro dia.
Voltamos, ouvindo pelo som do carro músicas deliciosas e entre elas, algumas que eu costu-
mava ouvir nas festinhas da época de meus 15 anos, como "La mer", quando praticamente mi-
nha vida começava e que agora se encerra, justamente fechando o ciclo, com as mesmas músi-
cas.
No entanto, como o prazo para entregar esta crônica se esgotou, em vez de uma difícil sele-
ção em um concurso, ganhei uma bela prorrogação e, se tudo não passou de um pesadelo, pe-
lo menos caprichei neste dia a mais vivido. Não saí muito da rotina, porém ficou mais do que
provado de que gosto dela. Ainda tenho alguns minutos para conversar por e-mail com uns e ou-
tros e, de quebra, algumas horas para mergulhar no livro que estou lendo!
4A0IRINT/

Por C+@)$io $e A+%ei$& =er%Anio

Neste mundo alienado e confuso,
vivo o presente a um passo do futuro.

A vida nem sempre segue em linha
reta,
extravio ao escutar o apito do trem.

Todas as angústias e dores se
refazem
ao esquivar-se de minhas memórias.

Então,
escapam-me as inspirações e
limitações.

É possível sentir falta daquilo que não
vi?
Daquilo que não vivi?

As portas estão abertas
e não me levam a lugar algum.

O que falo ou o que penso
deixam de existir...

E eu sequer me atrevo a
puxar as rédeas do tempo.
miss you by ~jaychua on deian!AR"
Ano No3o

Por 6+&$is De>+e

Uma mão num aceno
despede o ano que parte.
Se o rei morreu. Viva o rei !

O ano novo que nasce
traz um rolo de promessas
num novelo volumoso.

Gera um elo de esperança
essa alegria fugaz
como bolhas de espumante.

Eu olho a taça em silêncio
e a textura frágil e invasora
me bebe misteriosamente...
Em março a revista Varal do Brasil será uma
edição especial sobre a mulher, venha partici-
par! Escreva seu texto, prosa ou verso, tendo a
mulher como tema e envie para o nosso e-mail
juntamente com o formulário de inscrição.
Ìnscrições até o dia 25 de janeiro!
48PA C84T8RA4
Por Ro-Brio Ar&*Co
DRo,&E
"O mundo está salvo!¨

Não é o que você está pensando ao ler
esse título. Não se trata de um texto sobre a
"salvação das almas¨ ou pregação religiosa,
mas algo muito interessante que ouvi e que
tem tudo a ver!
Uma jornalista entrou numa livraria e viu
uma cena, digamos assim, para lá de inusitada.
Uma criança pedindo aos seus pais um LÌVRO
de presente. E a querida colega disse para
amigos depois disso: "O mundo está salvo!¨
Numa época em que crianças podem
pedir "brinquedos tecnológicos¨ que já vem tu-
do pronto, não exigindo muito que se pense,
como num jogo de vídeo game com tito para
todo lado ou para computadores, dentre inúme-
ras opções, esta em especial chegou e, catego-
ricamente, pediu um livro.
Não existe nada melhor para ler, aumen-
tar vocabulário, viajar na imaginação e relaxar
e curtir do que ler um bom livro. É algo fasci-
nante! Quem tem preguiça de ler ou nem expe-
rimentou e diz que não gosta (bem parecido
com um alimento que se diz que não gosta sem
nunca tê-lo provado), não sabe o que está per-
dendo.
E ainda hoje em dia tem para todo tipo
de pessoas e gostos. Só não lê quem não quer.
A sua importância é tamanha que Carlos Drum-
mond de Andrade disse: “A leitura é uma fonte
inesgotável de prazer, mas por incrível que pa-
reça, a quase totalidade, não sente esta sede.”
É preciso o estimulo desta "sede¨ desde
a infância, caso contrário não haverá vontade
de "beber nesta fonte¨, costume e nem conti-
nuidade nesta prática tão benéfica para a vida
de qualquer um e que provoca grande cresci-
mento intelectual e de experiências mesmo.
Albert Einstein afirmou que “A leitura
aps certa idade distrai e!cessivamente o espí-
rito "umano das suas refle!#es criadoras. $odo
o "omem que l% de mais e usa o cére&ro de
menos adquire a preguiça de pensar.”
Ler é um exercício bem completo para o
cérebro. E uma vez iniciado desde criança,
imagine só que efeitos podem ter? Muitos e
sem precedentes. Quem lê sabe disso bem, já
quem não lê talvez não saiba a falta que lhe
faz.
“'ia(ar pela leitura)sem rumo, sem inten-
ção.)* para viver a aventura)que é ter um livro
nas mãos.)+ uma pena que s sai&a disso)
quem gosta de ler.),!perimente-)Assim sem
compromisso,)voc% vai me entender.).ergul"e
de ca&eça)na imaginação-” (Clarice Pacheco).
E quantas "viagens¨ podem ser feitas se cada
um começar desde a tenra idade, nos primeiros
anos, manuseando um livro, sendo seduzido
por sua bela apresentação? (Segue)
Um professor que trabalha a leitura com
seus alunos antes de entrar na produção de
textos pode ter grande surpresas com seus
efeitos. Jorge Luis Borges disse que “*empre
imaginei que o paraíso fosse uma espécie de
livraria.” E realmente um "paraíso¨ é algo que
nos faz bem, nos torna feliz e leve. Ìsso a leitu-
ra faz e muito bem! O mesmo autor desta frase
também disse “/reio que uma forma de felici-
dade é a leitura.” Está corretíssimo. Ler pode
trazer grande prazer e gerar uma série de mu-
danças positivas na vida de todos.
E Francis Bacon disse que “A leitura tor-
na o "omem completo0 a conversação torna-o
ágil0 e o escrever dá-l"e precisão.” Eis uma das
funções da leitura que talvez nunca ninguém
imagina: quem lê escreve melhor e até se inspi-
ra para isso. Alguns até despertam para ser um
escritor pelo estímulo da leitura de livros que os
levam até a imaginação de que isso é perfeita-
mente possível.
Ninguém deve privar crianças de ler por-
que elas serão cerceadas no seu direito de so-
nhar e levar esses sonhos pela vida afora para
um dia os realizar seja em que idade for. E es-
ses "sonhos¨ podem começar ou atender pelo
nome de "livros¨.
Quem acha bobagem ler ou mostrar esse
mundo às crianças desde cedo ou porque não
foi apresentado a esse "mundo imaginário¨ ou
porque é um frustrado na vida por não ter vivi-
do plenamente sua infância desde criança e,
por isso, foi "roubado¨ em seu viver.
E finalizo com a belíssima frase de
Stephen King: “/rianças, ficção é a verdade
dentro da mentira, e a verdade desta ficção é
&astante simples1 a magia e!iste.”

Um forte abraço do Rofa!

* Escritor, jornalista, autor do livro “.ídia, &%nção
ou maldição2” (Quártica Premium, 2011), lançado
na XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro (2011), Sa-
lão de Genebra, Suíça (2012), Expo Amperica, em
Nova York, EUA (2012) e na Feira de Frankfurt,
Alemanha (2013); dentre participações em diversas
antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios
literários e culturais; membro de várias academias
literárias brasileiras e mundiais; menção honrosa no
3r%mio 'aral do 4rasil de 5iteratura, com a crônica
"O amor... é cego, surdo e mudo?!¨; recebeu o Prê-
mio 6iamonds 7f Arts and ,ducation Austrian 89:;,
em Viena, Áustria (2013).

O que achou da coluna “5upa /ultural” e deste tex-
to? Contato: rofa.escritor@gmail.com
3P!i4iatra! e P!ic)lo+o!
trabalhando 5nto!6 !e+ndo a!
ideia!
de A+!to Cr78 m e!tdo de
ca!o9


Por Andr+ :al+rio "ales


Ls7 uma criança não tem consci)ncia das mis+rias
dos outrosM 8Augusto (urG, <BBN9.


:* 1ntrod#;o8

6 presente estudo de caso re!ere-se ; *ualida-
de do atendimento m+dico psi*ui$trico aos usu$rios
dos serviços ; saúde no município de Are,OF', .ra-
sil. At+ este momento da pes*uisa !oram contactados
DP m+dicos, en!ermeiros e odont7logos e cerca de DB
pacientes.
De início, para tratar do caso da necessidade
premente de m+dicos P!i4iatra! em Are,, cidade
*ue precisa de pelo menos doi! destes pro!issionais
para dar conta da grande demanda, a pes*uisa em-
preendida por n7s revelou tamb+m a necessidade da
e%ist)ncia de P!ic)lo+o! o P!icanali!ta! *ue a&u-
dem a acompanhar os casos mais leves, iniciados
pelos psi*uiatras e *ue se manteriam sob sua super-
visão. = preciso ressaltar *ue !oi contactada e depois
ouvida a então psi*uiatra do #"? A, no (entro de
"aúde Manuel da (osta "ou,a, Dra. "imone "alga-
do, e mais um psi*uiatra de 'atalOF', .rasil, com
d+cadas de e%peri)ncia, al+m das citadas DB pessoas
pertencentes ;s comunidades atendidas.
Dra. "imone "algado tamb+m !oi ouvida ao
!a,er duas consultas diretamente ao pes*uisador,
contribuindo en*uanto pes*uisada e en*uanto m+di-
ca em atendimento. 6 psi*uiatra natalense !oi ouvi-
do e tamb+m consultado en*uanto m+dico em aten-
dimento.
Fesultou dos re!eridos contatos5 não somente a
necessidade da urg)ncia de pelo menos doi! %!i4ia"
tra! atendendo ; população *ue os demanda em
Are, 8lembrando *ue a cidade est$ em processo de
desenvolvimento e *ue o número de habitantes vem
crescendo com o tempo9 mas tamb+m, por sugestão
dos m+dicos ouvidos, a import2ncia de *ue o muni-
cípio o!ereça psic7logos 8ou psicanalistas9 para os
usu$rios da psi*uiatria *ue possuem problemas me-
nos graves de distúrbios psicol7gicos, não necessari-
amente precisando tomar medicamentos, mas, paci-
entes *ue demandam apenas di/lo+o! – pois vive-
mos num tempo em *ue as pessoas são carentes de
atenção –, di$logos estes *ue podem ser levados a
cabo por psic7logos 8por e%emplo5 atendimentos psi-
col7gicos ou psicanalíticos como pr$ticas longas,
contínuas ou psicoterapia breve, dependendo do
caso9, sempre acompanhados pela supervisão de um
m+dico psi*uiatra.
























(Segue)
@Possui graduação 80#(#, @PP@9 e Mestrado em
"erviço "ocial 80?P., @PPQ9. Assistente "ocial
da $rea da "aúde na Pre!eitura de Are,OF', .ra-
sil, atualmente (oordena pes*uisa sobre LA qua-
lidade do atendimento ao usuário da saúde em
Arez/RN (2013-2014)M.

<Pode-se perguntar5 por *ue somente !oram en-
trevistadas formalmente DB pessoas4 A resposta
+5 de acordo com a metodologia de pes*uisa soci-
ol7gica atual, em se colhendo um certo número
de entrevistas, o pes*uisador começa a notar *ue,
a partir de um certo ponto, impossível de ser
mensurado antecipadamente, as respostas dos
entrevistados passam a se repetir, ve, ap7s ve,,
at+ atingirem a um saturamento qualitativo. De
acordo com os metod7logos Einda Rondim S
Jacob Eima5 L#studos qualitativos raramente po-
dem estabelecer, de antemo, quantas pessoas
serão pes*uisadas, uma ve, *ue tal número vai
depender da qualidade das informa!"es !orneci-
das pelos pr7prios in!ormantes. Hsto signi!ica *ue
s7 se vem a saber *ual a *uantidade de su&eitos a
serem ouvidos *uando se chega ; satura!o qua-
litativa, ou se&a, no momento em *ue as entrevis-
tas se repetem em conteúdo, nada mais acrescen-
tando ;s in!ormaç1es obtidasM 8<BB<5 p$g. NQ-
NC9. Acerca desta Lsaturação *ualitativaM, ver
tamb+m TaGlor S .ogdan5 #ntrodu$$%on a los
m&todos $ualitativos de investi'a$i(n 8@PPQ9. #
sobre os m+todos de pes*uisa contempor2neos
em "ociologia, ver JoTard ". .ecKer5 )&todos
de *esquisa em +i,n$ias -o$iais 8@PPA9 Pierre
.ourdieu et. al. A *rofisso de -o$i(lo'o/ *reli-
minares 01istemol('i$as 8@PPP9 e Uright Mills,
A #ma'ina!o -o$iol('i$a 8@PCN9.
2* E!clarecimento! do tema a %artir da! ideia! do
%!i4iatra A+!to Cr78

A Pre!eitura ao agir assim, unindo o traba-
lho de psi*uiatras ao de psic7logos ou psicanalistas,
a&udar$ a desa!ogar o grande número de atendimen-
tos necess$rios aos pacientes *ue lotam a procura
pela psi*uiatria na cidade.
'a verdade, a partir das ideias de Augusto
Jorge (urG, h/ %e!!oa! 4e %reci!am a%ena! !er o"
$ida! %or m %ro<i!!ional6 de!aba<ar !e! %ro"
blema! e receber m a%oio6 dialo+ar com m
%!ic)lo+o6 o com ele,a- a%render t(cnica! de
rela=amento o de con$i$>ncia !ocial, e não ne-
cessariamente de atendimento psi*ui$trico, nem de
uso de medicamentos de Ltar&a pretaM.
Augusto (urG assinala, em seu livro 2 )es-
tre dos )estres 8<BBQ9, *ue para um !uturo pr7%i-
mo, os psi*uiatras pro&etam *ue um e=celente m("
dico ser $ Lum pro!issional menos $vido por pedir
e%ames laboratoriais e prescrever medicamentos e
mais interessado em dialo+ar com seus pacientes,
Vser$W algu+m com habilidade para penetrar no
mundo deles, detectar seus níveis de an!iedade e
a&uda-los a superar as dores e%istenciaisM 8p$g. AP,
gri!ado por mim9. Ainda en!ati,a (urG *ue Lo di$-
logo em todos os níveis das relaç1es humanas est$
morrendo. As relaç1es m+dicoOpacienteO pro!essorO
aluno Vetc.W, 8...9 carecem !re*uentemente de pro-
!undidadeM 8idem5 p$g. QN9.
(urG ainda constata *ue muitas pessoas vão
ao psi*uiatra ou psic7logo Lnão por*ue estão doen-
tes, ou pelo menos seriamente doentes, mas por*ue
não t)m nin+(m para con$er!ar abertamente so-
bre suas crises e%istenciaisM. 'ão se discute *ue L+
di!ícil !alar de n7s mesmos. 6 medo de !alar siM
mesmo est$ ligado L; di!iculdade de encontrar al-
gu+m *ue tenha desenvolvido Ve se&a %re%arado pa-
raW a arte de ouvirM. #sta arte de o$ir +, dessa !or-
ma, Luma das mais ricas !unç1es da intelig)n-
ciaM 8idem5 p$g. @AN, gri!os meus9. Por isso a ur-
g)ncia de *ue a "ecretaria de "aúde de Are, promo-
va a complementação em seus *uadros com os pro-
!issionais desta $rea *ue a demanda populacional
re*uer.
6bservamos, portanto, *ue sem a a&uda de
outros pro!issionais da $rea, no caso de Are, espe-
ci!icamente, os psi*uiatras vem trabalhando so,i-
nhos, sem outros apoios possíveis, e t)m uma de-
manda sempre alta de usu$rios destes serviços,
acarretando uma superlotação de pacientes para os
m+dicos *ue poderia ser dividida com psic7logos,
presentes nas #scolas e nos Postos de #strat+gia de
"aúde da ?amília.
"abemos *ue o usu$rio da $rea da "aúde, e
principalmente os *ue padecem de transtornos psi-
col7gicos, esperam do atendimento m+dico5 gentile-
,a, calma durante os di$logos, simpatia e at+ mes-
mo, bom humor3 (omo no .rasil a situação do trato
com a demanda m+dica na $rea da saúde est$ mais
para ca7tico do *ue para modelo suíço ou sueco, &$
+ !eli, *uem consegue ser atendido por pro!issio-
nais calmos e gentis... Apesar de tudo, sabemos,
segundo o ditado popular, *ue 3abai=o de De!
$>m o! m(dico!9, e os usu$rios ouvidos pelo pes-
*uisador repetiram, implicitamente essa m$%ima,
ou se&a5 ao serem perguntados sobre a *ualidade da
atenção m+dica, nin'u&m reclamou de problemas.
6 psi*uiatra (urG a!irma, em seu livro 2 +(di'o da
#nteli',n$ia 8<BBX9, *ue em nosso país os m+dicos
são como Lde!e! tr atando de ser es huma-
nosM 8p$g. @<X, gri!o meu9.
6u ainda, acrescenta (urG 8idem5 p$g. @@N95
ao tratarmos com os outros, o di/lo+o nos proporci-
ona Lum sistema de interpretaçãoM *ue pode tanto
LdiminuirM o outro, desumani,ando-o, *uanto
LaumentarM nossa interpretação, 3di$ini0ando-o9.
= verdade *ue a maioria dos usu$rios da as-
sist)ncia ; saúde em Are, + de pessoas carentes, por
isso mesmo h$ a grande procura ao "istema Ynico
de "aúde 8"0"9. #sta maioria carente de doentes
est$ em busca de cura para suas dores, !ísicas ou
psí*uicas, ou ainda5 são %aciente! an!io!o!, estr es-
sados, por causa dessa procura aos serviços de saú-
de num país onde não se sabe ao certo se vai haver
atendimento m+dico 8e de *ualidade9 para o seu
problema3 Portanto, al+m da dor, da !alta de recur-
sos, e%iste a ansiedade, *ue toma conta dos usu$rios
dos serviços, *ue chegam aos Jospitais ou Postos
de "aúde sem a certe,a se irão ser atendidos, ou
não, e nem se esse atendimento vai demorar a ocor-
rer, ou ainda, se h$ ali pessoal treinado para diminu-
ir sua dor de imediato.
Para o atendimento satis!a,er as necessida-
des do paciente, h$ a necessidade da con!iança no
trabalho das e*uipes de pro!issionais e *ue ele se
sinta em segurança, como alerta o neurologista cari-
oca .ernardo Eiberato5 Lpara manter a con<ian#a no
m+dico, + importante *ue o paciente termine a con-
sulta :??@!e+roM 83e4a, <BOBCO<B@@, p$g. @<C9.
"egundo Augusto (urG escreve, em 2 5utu-
ro da 6umanidade 8<BBN9, na maioria das ve,es, o
paciente psi*ui$trico precisa Lcriticar sua postura
diante da vidaM, precisa Lreaprender a viverM, a ele-
var sua autoestima La sociedade moderna empobre-
ceu, perdeu a amabilidade e a a!abilidadeM, assim
como a toler2ncia, a sensibilidade, solidariedade,
*ue são valores necess$rios aos seres humanos para
a conviv)ncia em grupo 8idem5 p$g. @@X9.
8"egue9
A* A nece!!idade do atendimento ao! jovens6 na!
E!cola! do mnicB%io8

0ma ideia bastante rica *ue surgiu durante as
entrevistas com os m+dicos, &$ *ue os usu$rios não
opinaram acerca desse novo tipo de atendimento
8por psic7logos9, !oi a de *ue + preciso *ue os paci-
entes de Are, se&am ouvidos e acompanhados ainda
na !ase da adolesc)ncia, por e%emplo, durante seus
tempo nas #scolas 8ainda no #nsino ?undamental e
M+dio9. 6u se&a, o! m(dico! %edem, não apenas
sugerem, 4e a Secretaria de SaCde de Are0 o<ere#a
%!ic)lo+o! ao! !/rio! da !aCde ne!te mnicB%io
de!de a E!cola. Desse modo, par a cada #scola de
Porte M+dio do município, deve haver pelo menos
um psic7logo *ue ouça e dialogue com a &uventude
problem$tica e%istente na*uela instituição.
6 interesse maior desta ideia + *ue os pro-
blemas se&am detectados e iniciados em tratamento
dial7gico por pro!issionais da $rea, ainda na adoles-
c)ncia ou puberdade, intentando acompanhar os ca-
sos problem$ticos desde as raí,es dos transtornos,
antes *ue se chegue ; necessidade mais s+ria de
atendimento por um m+dico psi*uiatra, na idade
adulta. #m sendo assim, os psi*uiatras passariam a
cuidar principalmente dos casos mais graves, al+m
de supervisionar os atendimentos dos psic7logos.
A modernidade, a lu, el+trica, al+m do sur-
gimento de novas tecnologias *ue inundam os lares5
os aparelhos de T:, (D, D:D, computadores pes-
soais, ta7let, iPode, iPad, etc., trou%eram tamb+m o
!im do Lpra,er do di$logoM entre as pessoas, entre
pais e !ilhos, vi,inhos de bairro... A partir desta
constatação o *ue se nota + *ue os resultados dessa
invasão tecnol7gica para as emoç1es humanas, no
dia a dia, !oram cada ve, mais5 La solidão, a ansie-
dade e a insatis!açãoM 8(urG, <BBQ5 p$g. @NC9. 6u
ainda5 o mundo do trabalho nas sociedades moder-
nas caminha lado a lado com o estresse generali,a-
do. Poucas pessoas conseguem ser imunes aos ma-
les psicol7gicos da contemporaneidade.
J$ na atualidade verdadeiras batalhas 8de
6'Rs, por e%emplo9 para incutir nas pessoas, para
resgatar nelas, sentimentos de solidariedade, ami,a-
de, cooperação mútua, respeito ao meio ambiente,
preservação da nature,a, etc.
'outro livro seu, &$ citado, Augusto (urG
e%plica *ue não e%iste ningu+m no mundo, nenhum
humano Lisento de dorM. 6 *ue ocorre + *ue certas
pessoas se imp1em presas ao seu %a!!ado de incD"
modo! psicol7gicos, e a par tir dessas emoç1es
não resolvidas, tamb+m não sabem como viver seu
tempo %re!ente, no entanto, isso não + motivo de
alarde pois Ltodos somos re!+ns de algum período
do passadoM 8<BBN5 p$g. DQ9.
Por isso, + considerado normal, numa cidade
mesmo de pe*ueno porte, como Are,, encontrarmos
pessoas necessitadas de apoio da psi*uiatria ou psi-
cologia, sobretudo por*ue, em casa, não são enten-
didas pelos pr7prios !amiliares5 a*ueles *ue se dei-
%am abater pelas perdas 8de entes *ueridos, de um
emprego, etc.9 a*ueles *ue se enchem de culpas
por coisas miúdas do dia a dia... 'a realidade, estes
e muitos outros são pessoas *ue vivem com a sensa-
ção de de!am%aro, de !olid;o, desproteção, depres-
são, de não terem com *uem dialogar abertamente e
sem medos de repress1es. ?alta a essas pessoas5 es-
perança, autocon!iança, compreensão em casa, di$-
logo com os !amiliares e amigos, en!im, capacidade
de continuar as lutas da vida. 'as sociedades mo-
dernas, (urG 8<BBN5 p$g. PD9 adverte ainda *ue es-
tão morrendo virtudes importantes, como a humani-
dade e a LsensibilidadeM em relação aos problemas
do outro.
'este ponto, (urG nos ensina *ue essa soli-
dão e desamparo, não raro presentes &$ desde a &u-
ventude, Lessa L!olid;o r adical estimula a de%re!"
!;oM 8idem5 p$g. NN, gri!ado por mim9. # aí vem a
ocorrer com o ser humano algo bastante conhecido
pelos m+dicos5 o paciente ansioso, deprimido, hi-
persensível, etc., &ovem ou adulto, canali,a para seu
pr7prio corpo 8sintomati,a9 estes seus medos, o *ue
lhe causa, cada ve, mais, doenças psí*uicas mais
di!íceis de tratamento e cura 8idem5 p$g. @@@9.
Por tudo isso + *ue os psi*uiatras ouvidos
pelo pes*uisador sugerem, como importantíssimo,
*ue os &ovens em idade escolar possam ter acesso
aos pro!issionais de psicologia dentro &$ da pr7pria
escola, para *ue no !uturo não venham superlotar os
Jospitais em busca de tratamento psí*uico, *ue &$
poderia vir sendo prevenido desde a escola. #m ou-
tras palavras5 investindo em prevenção ; saúde psí-
*uica dos &ovens, !uturamente o município gastaria
muito menos com adultos psicologicamente incom-
preendidos, deprimidos, egoístas, ou dependentes
de medicamentos ou outros tipos de drogas para
continuar vivendo.
"endo assim, se como &$ citado Ls7 uma cri-
ança não tem consci)ncia das mis+rias dos outrosM,
o *ue vemos em nosso mundo moderno + a produ-
ção tamb+m de adultos infantilizados, egoístas, por
ve,es dependentes permanentes de seus pais, de
seus pro!essores e at+ mesmo das drogas ilícitas,
*ue al+m da !uga da realidade, proporcionam, geral-
mente, o sentimento de pertencimento a um grupo
de amigos ou de dependentes *uímicos
8normalmente composto por outras pessoas egoístas
tamb+m9.

8"egue9
#m outro de seus livros 8A -a7edoria Nossa
de +ada 8ia, de <BBC9, (urG alerta *ue + ineg$vel
*ue h$ um aumento dos transtornos psí*uicos nas
sociedades modernas, inclusive, para *uem se preo-
cupa com esse assunto, h$ tamb+m na atualidade um
Lamento da !r e*u)ncia da de%re!!;o na in<En"
ciaM, um !ato *ue + deveras %reoc%ante e *ue re-
*uer atitudes de prevenção por parte dos poderes
públicos 8idem5 p$g. C<-CD9.
Mais adiante, neste mesmo livro, o autor
acrescenta *ue L'ossas crian#a! se tornaram uma
plateia de pessoas a+itada!. = a geração mais irre-
*uieta e an!io!a *ue o planeta conheceuM. Para Au-
gusto (urG 8<BBC5 p$g. X@, gri!o meu9 não adianta
&ogar a culpa disso nos pais ou na #scola, e sim, no
sistema hiperestimulante em *ue os adultos tamb+m
convivem, como, por e%emplo o vício em estar plu-
gado na Hnternet, em assistir T: por muitas horas
di$rias, &ogar interminavelmente de!ronte ao micro-
computador, etc., al+m das necess$rias in!ormaç1es
apreendidas na #scola. 6u se&a, adultos e principal-
mente os &ovens na contemporaneidade estão indis-
soluvelmente ligados a um sistema de
Lhiperprodução de pensamentosM, esta e%posição
massiva desgasta o córtex cerebral e gera !adiga,
irritabilidade, es*uecimento, dentre outros transtor-
nos.
6 psi*uiatra em *uestão destaca *ue
Lin!eli,menteM os gestores da $rea da saúde
Linvestiram muito em tratamentos e pouco em %re"
$en#;o. #sper amos *ue as pessoas !i*uem doen-
tes para então trat$-lasM, e isso, para (urG, + muito
Lin5!toM 8idem5 p$g. @BP, gri!os meus9. Por isso a
preocupação dos m+dicos entrevistados nesta pes-
*uisa com a 1reven!o, com o o!erecimento de ser-
viços psicol7gicos aos alunos desde o #nsino ?un-
damental ao M+dio.
"obre as possíveis !alhas dos pais, e a !alta
de um trabalho preventivo nas #scolas, por meio de
atendimentos psicol7gicos, etc., Augusto (urG ensi-
na *ue desde cedo o ser humano de$eria a%render a
'erir o seu 1r(1rio 9eu:; assim $omo a1render a
ser tolerante $om os outros; des$o7rir o 1oder da
afetividade; do altru%smo; do amor; ale'ria; tran-
quilidade; do auto$on<e$imento; da auto$r%ti$a; au-
toestima; ser solidário; ter $om1ai=o; son<ar e
7us$ar realizar seus son<os; ela7orar 1ro4etos de
vida, etc. 'o entanto, tudo isso depende de um
Laprendi,ado comple%oM, e pelo visto, L'ossos &o-
vens !icarão @B ou <B anos nas escolas sem aprender
esses !enZmenos. (omo seria importanteM, en!ati,a
(urG, L*ue houvesse um grande número de 1si$(lo-
'os, 1eda'o'os e 1rofessores *ue !ossem mestres
em educar o eu como gestor psí*uico de!de a in<En"
ciaM 8(urG, <BBC5 p$g. @DN, gri!os meus9.
J$ no livro 2 3endedor de -on<os 8<BBXa9,
Augusto (urG demonstra seu desgosto a!irmando
*ue Langustia-me *ue o sistema este&a gerando cri"
an#a! insatis!eitas e an!io!a!. ?or tes candidata! a
!erem %aciente! %!i4i/trica! e não ser es huma-
nos !eli,es e livresM 8p$g. @DD, gri!os meus9. De mo-
do desalentador, (urG assinala *ue n7s L?ormamos
&ovens e!tre!!ado!, tensos, com instinto de predado-
res, an!io!o! para serem o número um, e n;o %aci<i"
cadore!6 tolerante!M 8idem5 p$g. <D@, gri!os meus9.

F* Sobre o 3!e%ltamento96 nece!!/rio6 do %a!!a"
do incômodo de cada m ,tal$e0 a %arte mai! im"
%ortante do! %roblema! %!B4ico! na! %e!!oa!
sem tran!torno! +ra$e!-8

(omo &$ citado, o psi*uiatra Augusto (urG
e%plica cienti!icamente, a partir de suas e%peri)n-
cias na $rea de medicina, *ue algumas pessoas im-
p1em a si mesmas uma LprisãoM ao seu %a!!ado de
incDmodo! psicol7gicos, e par tindo dessas emo-
ç1es no resolvidas em tempos anteriores, não con-
seguem viver com plenitude e !elicidade o seu tem-
po %re!ente, sendo este um problema talve, o mais
s+rio, entre os pacientes *ue no são portadores de
transtornos psí*uicos graves, ainda *ue, ressalve
(urG, independente de transtornos psicol7gicos
*uais*uer, Ltodo! Vn)!W somos re<(n! de algum
período do passadoM 8<BBN5 p$g. DQ, gri!os meus9.
"obre este tema, as palavras de (urG são
preciosas. Para o psi*uiatra citado5 L/uem não dia-
loga sobre seu passado não o sepulta com maturida-
deM, ou se&a, essa pessoa estar$ sempre perpetuando
as suas !eridas emocionais 8idem5 p$g. <@N9. #las
não conseguem se desligar de emoç1es incZmodas e
negativas *ue &$ passaram e *ue não eram para inco-
modarem mais a uma pessoa de emoç1es normais3
Hn!eli,mente, guardar com gosto estas emoç1es ne-
gativas do passado, possivelmente, se tornam des-
trutivas para a pr7pria pessoa.
# somente *uem pode a&udar este tipo de
pessoa, com di!iculdades ou transtornos psicol7gi-
cos, são os pro!issionais %re%arado! para este traba-
lho5 psi*uiatras, psic7logos ou psicanalistas. Mes-
mo, por e%emplo, um Assistente "ocial ou um Tera-
peuta 6cupacional, por mais cursos *ue !açam, n;o
são preparados para lidar com este tipo de paciente,
pois necessariamente + preciso *ue o pro!issional
tenha um !%er$i!or de seu trabalho – *ue como
veremos ; !rente, + angustiante e desgastante para o
pr7prio m+dico psi*uiatra ou neurologista, assim
como para os pr7prios psic7logos e psicanalistas
*ue, obrigatoriamente, t)m *ue possuir um outro
pro!issional da $rea como !%er$i!or %ermanente
de suas atividades –, pois lidam com a intimidade e
doenças de seres humanos e devem tamb+m serem
orientados em suas atividades. 8"egue9
6u se&a, este não + um trabalho psicol7gico
*ual*uer, ao contr$rio, lidar com emoç1es e trans-
tornos psí*uicos n;o são trabalhos !$ceis e nem
acessíveis a *ual*uer pro!issional bem intenciona-
do, como &$ citado.
J$ *ue se esclarecer, a*ui, algo sobre a pro-
!issão de psicanalista e a import2ncia atual da %!ica"
n/li!e. A psican$lise + um m+todo de atendimen-
to e busca de cura psicol7gica criado pelo m+dico
austríaco "igmund ?reud 8@XNQ-@PBP9. Por poder
ser reali,ada por *ual*uer estudioso, tendo passado
pela 0niversidade ou não, a psican$lise re*uer anos
de estudo e de acompanhamento por um supervisor,
al+m da obrigação de passar por provas e testes em
uma sociedade psicanalítica organi,ada e reconheci-
da pela comunidade psicanalítica. Ainda assim, o
m+todo !reudiano tem seu poder de tratamento e
cura *uestionados pelos pro!issionais *ue en!rentam
anos de academia at+ conseguirem chegar ao seu
consult7rio pr7prio, se&a como psi*uiatras, se&a co-
mo psic7logos, legali,ados pelos seus (onselhos
'acionais e Fegionais.
#m resumo5 não + *ual*uer um, independen-
te dos (ursos *ue possua, ou !eitos ap7s a acade-
mia, *ue se pode di,er clínicos capa,es de tratar e
curar os diversos transtornos psicol7gicos *ue as
sociedades modernas a&udam a criar e a desenvolver
nos seres humanos em geral.
A psican$lise recorre, especialmente, aos
transtornos criados, inventados ou en!rentados na
mais tenra in!2ncia, *ue segundo ?reud, !icariam
guardados no *ue ele chama de incon!ciente. A psi-
can$lise acredita *ue algumas pessoas não conse-
guem superar os seus traumas da vida, e apenas os
escondem num lugar da mem7ria *ue não visitam
nunca5 o inconsciente, ainda *ue em nosso agir coti-
diano !açamos muitas coisas de modo inconsciente,
e *ue ;s ve,es, não sabemos o por*u). A verdade +
*ue esses h$bitos ad*uiridos e utili,ados de !orma
não conscientes, estão vivos, presentes e mal resol-
vidos em nosso inconsciente.
Muitos discordam de tal abordagem, por+m,
e%istem psi*uiatras e psic7logos das mais di!erentes
correntes de pensamento *ue concordam com o au-
%ílio da teoria de ?reud. De *ual*uer maneira, a psi-
can$lise + ho&e utili,ada em todo o mundo como
uma teoria passível de tratamento e cura dos trans-
tornos psicol7gicos moderados 8ou se&a, nem a*ue-
les de origem gen+tica, ou reconhecidamente muito
graves, comprovadamente pela ci)ncia como não
havendo possibilidade de cura9.

G* O de!con<orto do! %r)%rio! %ro<i!!ionai! da
/rea8

#m se tratando do problema da !obrecar+a
do! m(dico! %!i4iatra!, a &or nalista Paola ?er -
nanda entrevistou o psi*uiatra Reraldo Araú&o para
a Fevista +ult 8em &ulho de <B@@, L(ho*ue Modera-
doM9, e em certo momento pergunta ao m+dico5 Lo
senhor sente-se pessoalmente a!etado por seu traba-
lho di$rio4M, e a resposta dele !oi5 – #ste Ltrabalho
desperta em voc) uma an+C!tia muito +rande. Eidar
com transtorno mental + algo e=tremamente de!+a!"
tante Vpar a o m+dicoW, por isso os pr o!issionais
da $rea !a,em Vtamb+mW terapia. #u !açoM. Araú&o
ainda recomenda *ue para o paciente, LJuntamente
com medicamento, de$e-!e <a0er tera%ia Vcom psi-
c7logos ou psicanalistasW. = a melhor combina#;o.
Por*ue voc) trata a *uestão biol7gica Vcom os me-
dicamentosW e a *uestão individual Vcom a terapia
psicol7gicaWM 8p$g. D@, gri!os meus9, o *ue vem a
corroborar com os resultados desta pes*uisa e com
as ideias de Augusto (urG.
:oltando ao caso dos pacientes psi*ui$tri-
cos, (urG 8<BBQ5 p$g. QN9 ensina *ue n7s, pro!issio-
nais da $rea da saúde, temos *ue entender *ue, nas
sociedades modernas, os seres humanos vivem
LilhadosM dentro de si mesmos, envolvidos Lnum
mar de solidãoM, no entanto, esta !olid;o +
LsilenciosaM. 6u mais ainda5 o ser humano moderno
Ltrabalha e convive com multid1es, mas ao mesmo
tempo, est$ isolado dentro de siM. Por isso a angús-
tia dos pr7prios m+dicos e psic7logos 8ou psicana-
listas9 *ue trabalham com esse tipo de distúrbio5 da
ansiedade, solidão e dor psí*uica do outro, do paci-
ente não preparado a ter a desenvoltura necess$ria
para lidar psicologicamente com seus problemas do
dia a dia.
Hsto signi!ica *ue Are, precisa não somente
de m+dicos psi*uiatras em seus *uadros de assist)n-
cia ; saúde da população, mas tamb+m do au%ílio
de pro!issionais da $rea psicol7gica, se&am %!ic)lo"
+o! ou %!icanali!ta!. (ur G ainda complementa
*ue Lnão h$ t+cnica psicoter$pica *ue resolva a !oli"
d;o Vdos pacientesW. N;o h/ antide%re!!i$o! e
tran4ili0ante! 4e ali$iem a dor *ue ela tr a,M.
Para ele, en*uanto o consumismo das sociedades
modernas e%alta o ter, o possuir bens materiais, de-
vemos nos voltar ; busca de *uem somos, de encon-
trar pra,er de viver pelo *ue somos, e não, pelo *ue
temos 8idem5 p$gs. QN-QQ, gri!os meus9. (om o im-
p+rio do individualismo atualmente, da competitivi-
dade acirrada e da e=$luso social ser bem maior
*ue a in$luso, a !olid;o tem se tornado um dos
maiores provocadores de transtornos psicol7gicos
8idem5 p$g. @AQ9.


8"egue9
Eembra o psi*uiatra citado *ue a medicina
contempor2nea Lme%e com as nossas mais dram$ti-
cas necessidades e%istenciaisM, numa Ltentativa de-
sesperada de superar a dorM, de alivi$-la, de
Lmelhorar a *ualidade de vida das pessoas e de pro-
longar a sua e%ist)nciaM, seu tempo de vida, de
Lsuperar o drama do envelhecimentoM, buscando
adiar o !im da e%ist)ncia 8(urG, <BBQ5 p$gs. P@-P<9.
"abemos tamb+m *ue o ser humano Lsempre procu-
rou a medicina como 2ncora do presente, com o ob-
&etivo de retardarM o envelhecimento e a morte
8idem5 p$g. PP9. Por isso mesmo (urG aconselha
*ue o tratamento psi*ui$trico, com medicamento! e
di/lo+o, se&a tamb+m acompanhado pela psicote-
rapia, pois psi*uiatras, psic7logos e psicanalistas
são estudiosos *ue se prepararam para ouvir seu
cliente e ensin$-los a pensar por si mesmos, na bus-
ca da solução para seus problemas e%istenciais
8idem5 p$g. @BA9.
Fea!irma ainda Augusto (urG *ue os pro!is-
sionais desta $rea *ue se reciclam, buscam aprender
sempre mais, *ue *uerem evoluir, ob&etivando aten-
der cada ve, melhor seus clientes, procura ouvi-los
com calma e ensinar-lhes a Lse interiori,arM, a me-
ditar, a Lse repensarM sempre, e a LgerenciarM, so,i-
nhos, os seus pensamentos, seus problemas e suas
vidas. Hsto signi!ica *ue o bom pro!issional deve
agir com delicade,a, especialmente, ob&etivando
Linclir e cidar da! %e!!oa! e=clBda! social-
menteM 8idem5 p$g. @N<-@NN9, por isso + *ue o autor
ressaltou antes *ue Ls7 uma criança não tem consci-
)ncia das mis+rias dos outrosM, ou se&a, uma criança
não est$ preocupada com as *uest1es adultas de e%-
clusão e inclusão social dos outros seres humanos
em di!iculdade 8(urG, <BBN5 p$g. PD9.
#m outro de seus livros, acima citado, Au-
gusto (urG observa, com ra,ão, tanto em relação
aos pacientes *uanto em relação aos pro!issionais
da $rea da saúde, *ue ho&e em dia n7s Lestamos di-
ante da geração mais insatis!eita, emocionalmente
super!icial e propensa aos mais variados transtornos
psí*uicosM 8(urG, <BBC5 p$g. CD9. #le ainda adverte
*ue os acad)micos da $rea da saúde, de modo geral,
se&am m+dicos, en!ermeiras, odont7logos, etc., Lse
preparam para o !ce!!oM, e tal como seus pacien-
tes, tamb+m são de!%re%arado! para serem os
Lautores de sua hist7riaM. 'ão são preparados Lpara
lidar com !rustraç1es, perdas, desa!ios e !racas-
sosM 8(urG, <BBN5 p$g. @B@9.

O Abri+o de 1do!o! mantido na cidade ,em Na!"
cen#a6 Are0HRN- %reci!a de P!ic)lo+o! e Tera"
%eta! Oc%acionai!8

'o livro de (urG 2 3endedor de -on<os
8<BBXa5 p$g. @DQ, gri!os meus9, o protagonista da
hist7ria ao visitar um asilo de idosos pergunta, es-
pantado ao ver onde est$5 L– 'um asilo4M, e conti-
nua5 L– #ssas pessoas estão a%/tica!, de%rimida!3
6 *ue mais pode anim$-las4M.
# eu responderia5 !alta aos idosos, essencial-
mente, algu+m *ue os ouça, mesmo *ue eles não
digam Lcoisa com coisaM, !alta diálogo com os *ue
t)m a mente sã e !alta, sobretudo, *ue a "ecretaria
de "aúde ou de Assist)ncia "ocial da Pre!eitura de
Are, o!ereça a estes idosos um Terapeuta 6cupaci-
onal e Psic7logos. "ão seres humanos *ue precisam
sair do imobilismo, da depressão, e da depend)ncia
de medicamentos para dormir3
Muitos deles ainda podem brincar de bola,
de %adre,, dama ou gamão, talve,, algumas senho-
ras possam aprender costura, bordado, tricZ, etc. 6
*ue importa, principalmente, + *ue ha&a diálogo e
*ue eles se sintam *ueridos, incluídos na sociedade
8*ue os pre!ere e%cluídos, trancados entre grades,
impostos a !icarem em Lseu cantoM, e, especialmen-
te, separados dos adultos LnormaisM39.
'as palavras de (urG5 Lnão h$ pessoas im-
prest$veis, mas pessoas mal valori,adasM 8idem5
p$g. @AB9. '7s es*uecemos *ue a*ueles idosos
guardam ainda muito de suas e%peri)ncias de vida,
suas habilidades, se&am manuais, se&a brincar, &ogar,
cantar, contar hist7rias, en!im, sentir-se pessoas não
e%cluídas socialmente... 6 psi*uiatra citado comple-
menta ainda *ue Lo !er hmano morre não *uan-
do o seu coração dei%a de pulsar, ma! 4ando de
alguma !orma dei=a de !e !entir im%ortanteM para
algu+m, para a !amília 8idem5 p$g. @A@, gri!o meu9.
Mesmo *ue não tenhamos Lsoluç1es m$gi-
casM para os problemas da vel<i$e, dem,n$ia, ou da
$e'ueira, debilidades presentes atualmente no Abri-
go de Hdosos de 'ascença, podemos, como prop1e
Augusto (urG, Lemprestar nossos ouvidosM 8<BBXa5
p$g. <@P9, para *ue a*uelas pessoas desaba!em suas
triste,as, m$goas, !alem de seu passado, etc., ainda
*ue eles não se&am pacientes psi*ui$tricos. (onti-
nua o psi*uiatra (urG alertando, em 2 5uturo da
6umanidade, *ue somente receitar antidepressivos,
não + a cura para as depress1es e Langústia da soli-
dãoM 8<BBN5 p$g. DX9.
Reralmente abandonados pelas !amílias num
asilo, ou ainda *ue desprovidos de parente algum, o
trabalho do Terapeuta 6cupacional, ou dos Psic7lo-
gos, + a&udar aos idosos ativos a entenderem *ue
me!mo 4ando !e %erde tdo6 ( %o!!B$el ainda
$i$er com di+nidade, com *ualidade de vida
8idem5 p$g. @AQ9.

8"egue9
.iblio+ra<ia Citada8

AFAYJ6 ?HEJ6, Reraldo. L(ho*ue Moderado – #ntrevista a Paola ?ernandaM. Clt. "ão Paulo, .r egan-
tini, n[ NP, &ulho de <B@@.
.#(\#F, JoTard ". M(todo! de Pe!4i!a em Ci>ncia! Sociai!. <] ed. "ão Paulo5 Jucitec, @PPA. 8trad.
Marco #stevão e Fenato Aguiar9.
.6FDH#0, Pierre S (JAM.6F#D6', Jean-(laude S PA""#F6', Jean-(laude. A Pro<i!!;o de So"
ci)lo+o8 Preliminare! E%i!temol)+ica!. Petr 7polis5 :o,es, @PPP. 8tr ad. Ruilher me J. ?. Tei%eir a9.
(0F^, Augusto Jorge. O C)di+o da 1nteli+>ncia. Fio de Janeiro5 #diouroOT'., <BBX.
_____. O Vendedor de Sonho!. "ão Paulo5 #AH, <BBXa.
_____. A Sabedoria No!!a de Cada Dia. Fio de Janeir o5 "e%tante, <BBC.
_____. O Me!tre do! Me!tre!. Fio de Janeir o5 "e%tante, <BBQ.
_____. O 2tro da Hmanidade. D] ed. Fio de Janeir o5 "e%tante, <BBN.
R6'DHM, Einda M. P. S EHMA, Jacob (. A %e!4i!a como arte!anato intelectal8 Con!idera#Ie! !obre
m(todo e bom !en!o. João Pessoa5 Manu!atura, <BB<.
EH.#FAT6, .ernardo. L(omo se tornar um paciente e!icienteM. Ve5a5 Abr il, semanal, <B de &ulho de
<B@@.
MHEE", (. Uright. A 1ma+ina#;o Sociol)+ica. A] ed. Fio de Janeiro5 `ahar, @PCN. 8trad. Ualtensir Dutra9.
TA^E6F, ". J. S .6RDA', F. 1ntrodccBon a lo! m(todo! calitati$o! de in$e!ti+aci)n. .arcelona5 Pai-
d7s, @PPQ.

Mon-e

Por 4)i&no Pe(roe+i


Acorrentado nessa mascara,
Que depressão,
Os invólucros,
Neles estão presos,
Berros aos altos,
Um eco tão distante,
Faz parar,
Tendência ou não,
Quero fisgar,
O absoluto, o irreal,
No arremesso,
Expandir a força,
Sentir livre,
Como voos dos pássaros,
Soltar as canções,
Devolver a vida a este escravo,
De alma partida.
Cris@+i$&

Por M&ri& 4*i& Men$es

Primeiro vou te amar na lua nova
Uma amor só de olhares e suspiros.
Na minguante, tecerei as vestes
Laços de seda, sob véus de organza,
Perfumarei meu corpo com aloés e sândalo,
Uma guirlanda de murtas e açucenas
Ornará meus cabelos
Desatados na crescente, a tua espera
Quando teus passos alçarem minha porta
E me disseres sorrindo:¨ eu vim Maria¨
Hei de apagar num sopro, a lua cheia.
Imagem by !e##an$%
MEMÓRIAS DE 8M 5IRA 4ATAS

Por 6i+>er(o no-)eir& $e /+i3eir&

Fiquei velho e fui expulso de casa
E fiquei abandonado
Nas ruas de uma grande cidade.
Sentia fome e sede
E acabei me tornando um vira latas.
Acabaram-se os banhos de cheiro
Em meus pelos perfumados.
Ficaram fétidos e eriçados.
Saí em busca de alimentos.
O primeiro saco de lixo
Só havia papel e vidro.
Ah! Humanos desleixados
Que nem pensam nos garis.
No segundo saco de lixo
Achei uma cabeça de frango.
O jeito foi traçar aquilo,
Mesmo sentindo náuseas
E saudades de minha ração.

Anoiteceu.
Fui procurar um abrigo.
Encontrei! Embaixo do viaduto.
Um pedinte muito pobre
Me convidou para morar com ele
Ali naquele lugar.
Me aceitou como sou.
Dividiu seu pão comigo
E fui dormir em seus braços.
8M 5ERDADEIR/ AM/R


Por 6ir+ene Mon(eiro Por(o

Um verdadeiro amor reconstrói uma vida,
Cola um coração quebrado,
Faz esquecer magoas passadas.
Ah! Um verdadeiro amor
Traz de volta aquele sorriso,
Faz acreditar no amor aquele que dele estava descrente
Faz a felicidade ficar evidente, estampada na cara.
Um eu te amo! É a frase mais linda do mundo.
Sabe aquele: E foram felizes para sempre!
Acredita-se piamente nele.
Um verdadeiro amor deixa a vida mais bonita, mais colorida.
E a eternidade é pouco tempo para viver um amor verdadeiro.
Imagem by Saman!ha &eglioli
Co%)niF)e-seG





Por <ogério Ara=(o ><ofa?

COMUNÌQUE-SE com a &>e!& e pense coisas positivas das pessoas, deixe pensa-
mentos negativos de lado;
COMUNÌQUE-SE com os o+9os e veja o lado bonito das pessoas, principalmente o
interior;
COMUNÌQUE-SE com os o)3i$os e ouça duas vezes mais do que fala, já que ouvir é
uma arte;
COMUNÌQUE-SE com a >o& e fale somente o que é bom para se ouvir, use pala-
vras que edificam;
COMUNÌQUE-SE com as %Hos e dê sinais de como você gosta dos outros, dê um
aperto de mão bem forte e sincero;
COMUNÌQUE-SE através do seu &n$&r e aproxime-se para perto de alguém que pre-
cise de você, não se afaste;
COMUNÌQUE-SE com o or&!Ho, demonstrando o seu amor e sentimentos em rela-
ção ao outro;
Enfim, COMUNÌQUE-SE com De)s, sintonizando-o como principal "meio de comuni-
cação¨ de sua vida, nunca deixando de lado o amor ao seu próximo como você ama si mes-
mo.
CONVERSANDO COM
CLARA MACHADO
Gratidão.


Olá, boa semana a todos, o tema que vou refletir com vocês hoje, será gratidão.
A nossa sociedade esta adoecendo com seus conflitos e suas neuroses, e um dos fatores que
tem desencadeado essas doenças psicossomáticas, esta relacionado a sua falta de gratidão,
sabem porque? Por que o homem esta cada vez mais voltado para uma corrida desenfreada do
ter e de aumentar cada vez mais as suas posses, e esta se tornando um escravo de si mesmo,
e quanto mais ele ficar preso a isso mais doente e insatisfeito ele vai ficando, porque quanto
mais se tem mais se quer ter.
Quando se chega nesse estagio e se você começa a se sentir angustiado, com um vazio dentro
de você, e insatisfeito com tudo o que você lutou para conquistar, esta na hora de você parar
para fazer uma reflexão sobre sua vida, e tirar algumas horas de silencio e de encontro com vo-
cê, mesmo, onde você vai parar tudo e se dedicar somente a seus pensamentos, e suas refle-
xões, e ai você vai poder identificar que o simples ato de estarmos respirando, de estarmos pen-
sando sobre a vida, e vivendo alguns minutos em silêncio é um profundo ato de gratidão que
temos que ter conosco por estarmos ali, realizando, essa reflexão.
Quando temos gratidão pelo simples ato de acordar de manhã com saúde e com uma sensação
de alegria e que aquele dia vai ser de muito paz, já estamos sendo gratos, a vida, ao universo e
para quem crê em Deus a Deus.
E quanto mais você se permitir ter pequenos gestos e pensamentos de gratidão com você, e
com as pessoas ao seu redor, mais saudável e feliz você vai estar, e isso independe da sua
quantidade de TER, mais sim da sua grande capacidade de SER.
Faça uma experiência por uma semana e seja grato a tudo o que lhe acontecer e você vai se
sentir uma pessoa muito mais feliz e saudável.
Se tiver vontade de fazer um comentário, será sempre bem vindo.
Um abraço
Maria Clara L Machado.
'''(mariaclara()sc(br
Nor$es(in&n$o [uma homenagem a Miguel Arraes de Alencar –
em seu período de exílio]


Por <osB C&r+os C&3&+&n(i 4ei(e

Chapéu de palha, palha de cana.
Semeia o homem a terra plana.
Mãos calejadas, submissão, subnutrido, inanição.
O latifúndio é seu patrão. Não tem sequer um torrão.
Assim padece o homem do sertão.
Esperando um dia a libertação.

MAN68E SEC/

Por E%Bri(& An$r&$e

Lá na areia vê-se
O brilho das ondas pequeninas
Que atropelam as gaivotas alegres a brincar
E a passarada corre, voa , canta,
E na areia de novo vêm buscar
O alimento que a vaga amiga
Traz das águas mais profundas...
Quer do rio, quer do mar,
As dunas correm na vastidão de areia
É mangue seco posto ao luar...
Uma canoa, uma jangada, um barco a remo...
O homem, este caboclo lá está,
Fazendo ordenhar a cabra arisca
Que o sustento lhe fez dominar...
Se pesca peixe, pesca também almas...
Mas a poesia eleva-se do vento,
Este enigma que deixa em tudo
Um doce-amargo, uma dor, uma canção...
Esta força secular que independe da vontade,
Ela, só ela, é força capaz de impor a todos
O desejo de viver para sonhar,
O contemplar do céu escuro sem estrelas,
o deserto sem flor, o canto sem lume,
o ar sem perfume, amar, tão somente amar...
/ 3en(o

Por Se+%& An()nes

E o vento insiste em ficar
Mais uma noite.
Ìnsiste em soprar este vazio,
Que paira em meu céu.

Mas por que o vento
Não leva este vazio?
Por que não o carrega,
Como faz com as nuvens,
Que aqui passam sem deixar rastros.

Ele insiste em ficar mais uma noite,
Ìnsiste em desmanchar meus pensamentos
Pelo ar...
Imagem by dreammys!yle
Me 4erido e!%o!o

Por Nil0a Amaral So0a

J$ muito não lhe escrevo. (ulpa da tecnologia, e
suas redes. Mas, súbito, me lembrei de nossos bilhe-
tinhos. Tempos da "ociedade (ultural Dante Alighi-
eri, na cidade do interior de nossa adolesc)ncia.
#u estudava italiano pela manhã, voc) tentava
aprender a língua de meus av7s, no período da tarde.
Tempos de inoc)ncia, de amor. Declarado atrav+s de
ing)nuas mensagens, dei%adas na carteira de uso co-
mum. # nos apai%onamos, crescemos e nos casamos.
#sta + a última mensagem *ue escrevo. Di,em *ue
última + uma palavra !atídica, sempre devemos di,er
penúltima. Mas este termo implicar$ em mais algu-
ma notícia, o *ue não + o caso.
Atrav+s desta, dispenso-o da minha companhia. Dis-
penso-o do horror de conviver com a velhice. Eivro
voc) da !aculdade da pena ou da gratidão em nome
de nossos anos de convívio. Eembro-me de seu me-
do da velhice.
6 tempo e o vento nos levam em seu galope. Dei%o-
lhe de *uebra a lembrança de meu corpo &ovem, da
pele sedosa, da ardente sedução da nossa &uventude.
Da ard)ncia de nosso dese&o. # !ico com a lembran-
ça de voc), &ovem guerreiro, *ue me atraiu na sua
brasileirice, na sua cultura de h$bitos tão di!erentes
dos meus. Agradeço ao in!inito pelos anos de trocas
com *ue nos brindou por tantos anos de casamento
!eli,, num tempo em *ue o respeito e o carinho co-
mandavam o mundo.
Dei%o-lhe de lembrança, a graça e a espontaneidade
do comportamento &ovem do inicio de nosso namo-
ro. # !ico com a saudade de voc), &ovem caçador de
meu a!eto, impetuoso e cora&oso *ue me dominou
pela emoção de sua sensibilidade. Feve&a em nossas
!ilhas a continuidade de minha personalidade. 'ão
sou mais a !resca rosa, mas a !orte or*uídea e!)mera
e !uga,. Ame-as e as prote&a como me amou e prote-
geu.
Festam-me as !otos de nossos passeios pelas !lores-
tas de nossa vida incipiente, pelos atalhos *ue desco-
brimos para construirmos o nosso amor. ?omos Fo-
meu e Julieta contempor2neos, de "haKespeare, o
Tristão e a Hsolda, de Jelena Romes, ou a Annabel
Eee de #dgar Allan Poe, ou simplesmente João e
Maria na versão prosaica das pessoas comuns. 6u
mesmo as personagens de Mor$via, o italiano *ue
sabia contar. "abemos, entretanto, *ue o nosso amor
não !oi comum, e não acabou. Por amar voc) com
todo o meu coração + *ue o dispenso do dragão de
horrores, de!inição de 'iet,sche sobre a velhice.
6lho-me no espelho e não me reconheço, mas perce-
bo o mesmo olhar de indagação *uando o apanho me
olhando. :e&o-me ali, na*uele re!le%o como uma
estranha intrometida invadindo meus aposentos, rou-
bando a minha bele,a e se imiscuindo na minha vi-
da. J$ !ases da vida de uma mulher em *ue seu pior
inimigo + o espelho. 6 espelho silencioso *ue a acu-
sa de não ser mais a &ovem de pernas grossas e cintu-
ra !ina, de cabelos esvoaçantes negros e sedosos, a
minha imagem de garota italiana, cheia de vida, neta
de imigrantes *ue !i,eram a vida no bairro paulista-
no, comerciali,ando alho, cebola, e especiarias con-
tribuindo para a ri*ue,a do pais *ue os acolheu.
'ão *ueira me procurar. "e ainda nosso amor perdu-
ra, dei%e-me livre para voar para o alto das monta-
nhas inatingíveis. /uero ser a $guia *ue perscruta e
tudo assiste de seu voo nas alturas. /uero ser a lua
*ue s7 se mostra a noite, ou a longín*ua estrela *ue
&$ dei%ou seu brilho. /uero ser imortal na minha
mortalidade. #sse + o meu último dese&o.
# + com toda a !orça *ue nosso amor me d$, *ue lhe
dedico o último bei&o, o bei&o de amor *ue derramo
do alto de minha emoção.
Adeus meu *uerido. At+ uma outra dimensão onde
nossos corpos não !eneçam e nossas mentes res-
plandeçam .At+ o !im do arco Hris.
"ua amada Deusa.

/uerida e amada Deusa.
Fespondo na sua pr7pria carta. Ruarde as duas.
:ou cumprir o seu dese&o. Mas, prometo *ue se voc)
se sentir desamparada e in!eli, nessa sua última de-
cisão, estarei a*ui, como sempre estive aguardando a
sua volta. :oc) me provocou l$grimas de saudade,
&unto com as de !elicidade e agradecimento pelo
nosso convívio. /uero lhe provocar l$grimas de !eli-
cidade pela certe,a *ue lhe dou, da esperança de *ue
esta se&a não a última ,mas a penúltima vontade.
Poucas palavras em resposta, mas coração disparan-
do de emoção.


"eu eterno amante, 6telo.
Terr& Noss& Terr&

Por M&ri& Moreir&

Terra de serras e montes altos
De solo fecundo e alimento do mundo
Terra de todos os povos
Sagrada mãe e pátria amada.
Terra amassada
Terra revirada
Terra de plantio
No cio
No fio
Terra de todos os matizes
De ternas raízes tenras!
Templos de minérios raros
Solo de riquezas mil
Terra fértil
Terra molhada
Terra alagada
No Brasil
No mundo
Terra que sempre serviu de abrigo
De chão de meus antepassados
Terra de futuros ainda vindouros
Solo pátria livre e democrática.
Triturados
Torrões
Terra solta.
Neste chão que um dia descansarei!
E;#eriIni&...

Por A+ie 4)oni N&ssi,


o ato da criação
traz alegria e paz
livra da profundidade
joga na superfície
anula a transitoriedade
aquela que sufoca
apertando o coração
lembrando da extinção.

quem quer encarar a morte?

que está sempre à espreita
esperando com serenidade
sabendo que a todos sujeita?

é como encarar o sol,
os olhos queimam, escurecem
é melhor desviar o olhar

"olhar¨ para outro lugar
onde, outra luz espera

vida! instante a experienciar

prêmio dos fortes,
aqueles que não temem a morte
aqueles que nunca esquecem,

sabem que viver é uma sorte...

o mundo é uma fraternidade
onde todos participam, mas sem olvidar
que a vida é só uma faísca, de verdade
do eterno que sempre existiu, existe , existirá

um rápido clarão, na escuridão da eternidade

um tempo mágico, um arco-íris, uma poesia

um 'ser' a experimentar... uma criatividade.















I%&-e% >J S&+e o,
+i,e>J iNee$C9e%i&+X
In$riso #e+&s +e(r&s

Por /+i3eir& C&r)so

Acordar antes do arrebol.
Muito antes, Deus do céu!
Nas letras eu tento viver...

Não vou dormir mui cedo,
porque às letras eu me entrego,
como delas um castelão.

Dou-lhes meu tra&esseiro.

Eu sigo ao computador.
N&si $e )%& &ne(&

Por N*>i& S(r&s>&9

Nasci de uma caneta, num papel branquinho, branquinho....
Fui criada a partir de uma inspiração divina, de um dom especial.
Cheia de intenções e malícia, fui imaginada de diversas maneiras
mas só uma ideia vingou.
Apareci de repente, primeiro na imaginação, depois veio a caneta, minha
concretizadora, que concretizou meu corpo, deu forma ao que hoje
eu sou.
Não parei por aí, andei de mão em mão, de olhar em olhar, e cai no gosto
do povo.
Hoje sou o que sou, devido a bem aventurada caneta, que me proporcionou
bailar no papel branquinho, que esperava algo inusitado.
E o inusitado aconteceu: surgiu a crônica, que com muito orgulho consta
neste papel branquinho;.

/ DEK/IT/ 0R8MLRI/ DE ART8R RIM0A8D

Por An(onio C&>r&+ 1i+9o

TENHO APENAS VÌNTE ANOS
A MAÌS QUE ARTUR RÌMBAUD
E NEM UM SEGUNDO NO ÌNFERNO,

NUNCA PROVEÌ A TAÇA DA AMARGURA
NEM QUEBREÌ A CARA NA ABÌSSÍNÌA
E CHEGUEÌ EM CASA PERNETA,

JAMAÌS RENEGUEÌ MEUS PAÌS
NEM MÌNHA QUERÌDA JAMPRUCA
POR SUA VÌDA PACATA,

E O FATO DE MOCHÌLAR POR AÍ
NÃO TORNOU-ME UM ANDARÌLHO
NEM ME FARÁ URBANÓÌDE.

SAÌR DA CASA PATERNA, PRA MÌM,
É O MESMO QUE ÌR AO TRABALHO
OU À HORTA COLHER ALFACES.

NÃO QUERO FAZER DO MUNDO
UM MONTE DAS MÌNHAS CÌNZAS
SÓ PORQUE EU NÃO ME AMO.

NÃO SOFRO DE "CAZUZÌSMO"
ACUSANDO A BURGUESÌA
POR FALTA DE ÌDEOLOGÌA.
PARA M8E SER5E A 1I4/S/1IA


Por 6er%&no M&9&$o


Para que serve a Filosofia? - Perguntava-me uma jovem que frequenta o Grupo de Estudos Filo-
sóficos ( GEF) do CEPA. Expliquei-lhe que, em principio, se poderá afirmar que, da filosofia, co-
mo raiz-mãe, tintura-mater essencial, nasceram as diversas ciências.
É uma Ciência? Como explicá-la se, como ponto central, nasce também de si, a Filosofia da Ci-
ência? A Filosofia, de um ponto de vista vertical, verifica-se na História humana e dos homens.
Daí a importância da Historia da Filosofia e da Filosofia da História, não é trocadilho ou jogo de
palavras. A filosofia é o pensador e o pensar inseridos, postos dentro da realidade humana.
Pensa, pois, certo, errado, lógico, desta ou daquela forma, o Filósofo pois exerce e exercita o
pensar, a capacidade do homem de razoar, logicizar, intuir, em suma, ver e medir.
Quando lemos os filósofos nos seus textos, entendendo as suas posições, ao sentirmos que são
fruto do seu período de existir, são epocais no dizer de Heidegger. O mesmo afirmava não po-
der de jeito algum ser - e - estar fora do que se passa na sociedade e nas comunidades no ho-
mem que pensa só ou com outros que procuram o ser - aí então percebe para que serve a filo-
sofia. Como citado filósofo germânico a filosofia é Ser - Tempo e o - aí quer dizer o Estar. A filo-
sofia é o Estar sendo no tempo onde o filósofo existe e existência.
Então começamos a perceber para que serve a Filosofia. Se o homem é um animal politico e
social por natureza ( Aristóteles), se é animal racional se diferencia dos demais em um lado,
porque tem em si anseios profundos de transcendência, igualmente pelo seu ser mesmo e por
ser assim filosofa e vai a filosofia.
Toda vez que penso e penso que penso, todos os instantes em que verifico e peso os atos, to-
talmente racional, estou simplesmente pensando/ filosofando ou filosofando/pensando. A Filoso-
fia é a mãe do pensar, segura o homem como uma criança e a razão do homem como um adul-
to para que, como ambos faça sua vida, intervenha na História e a modifique. Neste sentido, a
Filosofia é política, politiza, faz politica. O homem é um ser politico por natureza. Há assim uma
filosofia de cada ciência, Filosofia da Biologia, da Matemática Bertrand Russell e Wittgenstein e
assim em diante. O estudo e análise da filosofia em si mesmo exige que se saiba e se verifique
se posso pratica-la , se é eficaz e partícipe.
Assim entendendo, Marx estava certo quando afirmava, com razão, que a Filosofia hoje, mais
do que interpretar, há de transformar o mundo. Desta forma, poderá o jovem ou a jovem ver "
Para que serve a Filosofia" : para não se enganar, não ser alienado e nem se alienar, interpre-
tar, intervir e transformar seu país e o mundo a partir de sua casa ou de si próprio, do seu ser e
do seu tempo. A Filosofia, conquanto leve à reflexão, faz-se noção, exige participar, determina
um agir, assim como pode levar , e leva as maiores contemplações matemáticas e empurra o
homem ao seu íntimo. Hoje já se está falando " Esta é a Filosofia de nossa empresa" ou " Vere-
mos qual a Filosofia a utilizar nesse entendimento industrial".
Uma pergunta dolorosa : " Que nação mudou o mundo sem uma Filosofia para guiá-la e norteá-
la? A Europa é o que é pelo predomínio de sua Filosofia assim como em todas as partes do
mundo a educação leva a pensar / filosofar sendo, estando no seu tempo. Se alguém esbrave-
jar, estiver contra, há um consolo : esta é a sua filosofia e teremos de respeitá-lo... Então para
que serve a Filosofia? A Filosofia serve?
0RASI4 SEM 1R/NTEIRAS

Por I3oni(& Di Coni+io

O Brasil !em *ama de )rodu#ir o bin+mio ,arnaal e -u!ebol e essas duas a.idades s/o as mais
diulgadas no mundo0 como se o brasileiro s1 .esse os )2s )ara dan3ar o samba ou chu!ar uma bola(
4a &5sica0 )or e6em)lo0 !emos 7rias re*er8ncias0 desde Ary Barroso com sua A9uarela do Brasil :
!ocada in!ernacionalmen!e )or or9ues!ras *amosas e s;mbolo musical do Brasil : a!2 "om <obim e Vin;cius
de &oraes0 com sua =aro!a de I)anema0 en!re ou!ras( 4osso cancioneiro 2 rico nas le!ras e nas melodias e
carrega um roman.smo ;m)ar0 nascido nas !oadas ser!anejas e !ransmi.do )ara as demais !end8ncias
musicais0 9ue s/o mui!as(
>mbora o s;mbolo m76imo seja0 sem d5ida0 o ,ris!o Reden!or0 no Rio de <aneiro0 nos orgulhamos
em des)on!ar como o )a;s 9ue con!a com a Ar9ui!e!ura mais reolucion7ria da a!ualidade( "emos uma
Ar9ui!e!ura 4a.a inigual7el es)alhada )or !odo o e6!enso !erri!1rio brasileiro0 de nor!e a sul0 nos dier-
sos n5cleos ind;genas0 cada 9ual com carac!er;s.cas )r1)rias( &esmo as mal a*amadas *aelas cariocas0
com suas cons!ru3?es geralmen!e nas encos!as dos morros da cidade0 iraram ;cones e hoje s/o inclu;das
nos ro!eiros !ur;s.cos0 o 9ue0 de cer!a *orma as resga!a da marginalidade(
4o Sul0 es)eci@camen!e0 a inAu8ncia dos imigran!es de 7rias nacionalidades0 9ue chegaram ao
Baran70 San!a ,a!arina e Rio =rande do Sul0 no in;cio do S2culo CC0 marcou a ar9ui!e!ura : )rinci)almen!e
com as cons!ru3?es mis!as (alenaria e madeira) 9ue os i!alianos !rou6eram e os chal2s em en6aimel dos
alem/es( >sse .)o de ar9ui!e!ura ( mui!o )reserado e seguido) 2 mo.o de a!ra3/o !ur;s.ca : )asmem :
)ara i!alianos e alem/es em isi!a Ds res)ec.as col+nias0 )ois 9uase n/o e6is!em mais na9ueles )a;ses0
)ossielmen!e arrasados )elos bombardeios da Segunda =uerra(
>mbora o s;mbolo m76imo do Brasil seja0 sem d5ida0 o ,ris!o Reden!or0 no Rio de <aneiro0 nos or-
gulhamos em des)on!ar como o )a;s 9ue con!a com a Ar9ui!e!ura mais reolucion7ria da a!ualidade0 bem
como seu e6)oen!e m76imoE Oscar 4iemeyer : um dos maiores ar9ui!e!os mundiais modernis!as0 com
obras reconhecidas em 7rios )a;ses0 como -ran3a e >s!ados Fnidos(
De 4iemeyer 2 a seguin!e *raseE G4/o 2 o ângulo reto 9ue me a!rai0 nem a linha reta0 dura e inAe6;-
el0 criada )elo homem( O 9ue me a!rai 2 a curva lire e sensual0 a cura 9ue encon!ro nas mon!anhas do
meu Ba;s0 no curso sinuoso dos seus rios0 nas ondas do mar0 no cor)o da mulher )re*erida( De curas 2
*ei!o !odo o universo0 o unierso curo de EinsteinH(
Oscar 4iemeyer (IJKLMNKIN) morreu um m8s an!es de com)le!ar IKO anos de idade0 )lenamen!e
l5cido e0 ainda0 dando orien!a3?es sobre Ar9ui!e!ura( Sua *enomenal *a3anha *oi a de criar Gdo nadaH a
)rimeira cidade )lanejada e 9ue 20 hoje0 s;mbolo do &odernismoE Bras;lia0 a ,a)i!al do Brasil(
>s!e ilus!re brasileiro 2 uma )roa incon!es!e de 9ue n/o 2 s1 ,arnaal ou -u!ebol 9ue o Brasil e6-
)or!a(
C&>&re(


Por <osB C&r+os P&i3& 0r)no



Boca beca do corpo, sonho louco moço,
Esboço dum viajante solto, leve douto,
Sensual grito do calabouço; sei que ouço,
E a boca? Louca do esboço do moço...

Beijo é o silêncio do coito, ébrio oito,
Lábios enamorados, gemidos calados,
Fornicações mudas atriz cortesã durante,
E do moço galante, perto sendo distante...

Pétalas e batom, quebra da maldição...
Feitiço do luar em cílio postiço,
Muito antes castiço; agora viço...
Quase um deboche visgo, fetiche rosa.

Ritual maquiagem do amor, delírio sedutor,
Perfume sexo: Chanel feromônio nexo,
Balé do ósculo e amplexo, simples complexo,
Cópula, côncavo e convexo: corpos em anexo...

Espartilho negro gato, dupla cor do sapato,
Glamour dum caro ou barato, vitrola de moeda,
Música da ficha dela; liga clandestina bela,
Seda da meia-calça, sede tarantela...

Dúvida desta ou daquela: quem é mais linda?
Bela imagem ou a finta, deliciosa cinta...
Saudade pressinta: brincadeira vinte mais trinta,
Tempo não minta... Flerte da piteira e pinta...

Assim duma fome agora, me devora...
Assim decora meu ritmo, gozo rito infinito,
Assim neon de sonhos, letra casal...
Lençóis e taças, cristal das vidraças.


Gratidão

Por Ro0elene 2rtado de Lima

Pelo ventre *ue me acolheu
Aceitou conceber um novo ser
'a escuridão dei%ou-me crescer
(+lula por c+lula desenvolveu
"em saber como eu seria
#nrodilhou-me em seu coração
Produ,iu minha alimentação
Dei%ou-me crescer a cada dia
Trans!ormou seu corpo em leito
?oi meu sol, !ui seu sonho de ouro
?e,-me lu,, !i,-me tesouro
Pro&eto tão belo tão per!eito
"omos !eitos para viver em pa,
:iver !eli,es com dignidade
Mas h$ tanto preconceito
'as !endas, nas lendas, na maldade
Deveríamos ser todos iguais
Mas nem sempre + assim *ue acontece
"omos únicos, individuais, di!erentes
(ada *ual com seu ingrediente
(ada mãe com sua prece
(ada língua tem seu povo
Todo povo tem sua terra
Toda gente uma alma encerra
Toda alma vem de um renovo
.endigo o ventre *ue me deu !iliação
# a terra *ue me deu berço no universo
(omo poeta e%presso meu sentir em verso
Agradecendo ao (riador e a toda criação
CAT/4N TERRA M8ERIDA
Por 4eni3&+ $e An$r&$e

Catolé terra querida
Já fui embora tantas vezes
Mas sempre volto a minha terrinha

Nasci em Patu
Em Catolé cresci e me criei
Passaram-se coisas que nem notei
Não tem nem pra mim nem pra tu

Morei em Patos
A morada do sol
Mas por trás de um lençol
Vieram firmes pensamentos

Fui parar em João Pessoa
A nossa capital
Lá é o litoral
Terra onde o pensamento voa

No vestibular conheci Monteiro
Terra dos Magníficos e Flávio José
Lembrei-me até do filé
Mas ainda não me achei por inteiro

Andei por várias outras terras
Entre elas Brejo do Cruz
Terra do Zé Ramalho
Mas prefiro a terrinha do Chico César

Além do Ricardo Brilhante, Pedro Neto e Chico Farinha
Também morou aqui Rosinha
Antiga paixão minha
Da minha infância querida
Guardarei para toda a vida
Catolé terra querida
SEM ON1ASE

“As coisas. @ue tristes são as coisas consideradas sem %nfase.”
/arlos 6rummond de Andrade

Por R)>ens <&r$i%

Sem ênfase
As coisas permanecem
Sendo coisas.
O avião não levanta voo
E o gesto não sai do corpo
Se não houver ênfase.
É a ênfase que arruma
A louça na cristaleira
E o lenço bordado na gaveta.
Sem ênfase
Ninguém salva as flores
Do mal. Nem as Cinzas
Das Horas.
Caspar David Friedrich
Le Moine au bord de la mer
TA4=ERES

Por A$ri&n& S9erner


Certo dia um homem rico e uma moça pobre se conheceram.
Ele era um homem elegante, admirador da boa culinária. Conhecia vários países. Ìnteligente,
educado, belo e charmoso.
A moça pobre era simples, educada, gentil, delicada e muito observadora. Prestava atenção em
tudo o que ele lhe contava e procurava aprender com aquele homem que sabia um pouco de
tudo.
Quando saiam para almoçar ou jantar a moça tinha por hábito, após encerrar sua refeição, de-
positar o garfo e a faca separadamente no prato. Ela deixava sempre os talheres de frente um
para o outro.
O homem rico, com toda sua educação e carinho, ensinou à moça a maneira certa de como ela
deveria arrumar os talheres ao final da sua refeição e em seguida, esboçava um leve sorriso.
Olhava nos olhos da moça e colocava os talheres dela, lado a lado no canto direito do prato e
explicava com voz e olhar manso que assim o garçom entenderia que ela havia terminado e po-
deria então, recolher o prato.
O tempo passava rapidamente e com ele novos almoços e jantares foram surgindo entre os
dois. A moça algumas vezes ainda mantinha o antigo hábito de separar os talheres e o homem
rico, sem jamais repreende-la, apenas repetia o mesmo gesto.
Após várias refeições, a moça aprendeu a lição e sem falar palavra alguma, apenas olhou com
doçura nos olhos dele e o fez segui-la com os olhos até seu prato. Dessa vez, ela havia arruma-
do os talheres da forma como ele havia lhe ensinado. Ele lhe devolveu um olhar sereno e um
sorriso de satisfação.
Algumas vezes a moça propositalmente, ainda deixa os talheres desajeitados, só para apreciar
o homem à sua frente estender as mãos para arrumar seus talheres, sem nunca repreende-la.
Muito tempo se passou, algumas vezes a moça faz suas refeições sozinha e sempre ao término
delas, ela olha para seu prato e com um leve sorriso, arruma seus talheres do jeito como apren-
deu, mesmo que naquele momento não tenha nenhum garçom para recolher lhe o prato.
MI4A6RE...SERLP

Por M&ri& A#&rei$& 1e+iori D5? 1i&E



Laura era pobre, mas era uma mulher feliz, porque seu marido Antonio era um homem bom e
trabalhador que só vivia para cuidar de sua esposa e dos cinco filhos e aquelas crianças eram
bem educadas e gentis; Laura era uma boa dona de casa, mas nunca aprendeu a ganhar dinhei-
ro, porque seu marido com seu trabalho de mecânico, sustentava a todos.
A vida daquela família era tranquila e os dias passavam sempre em paz, Antonio trabalhando
em sua oficina, as crianças na escola e Laura em casa cuidando dos serviços domésticos com
carinho e eficiência e tudo naquela casa era muito limpo, as roupas limpas e cheirosas e a comi-
da era feita com sabedoria e era deliciosa, tudo naquela casa era felicidade.
Mas tudo que é bom tem pouca duração e numa manhã Antonio se despediu da esposa e dos
filhos e foi trabalhar, mas se sentiu mal na rua, foi socorrido, mas chegou morto no hospital; foi
um desastre, porque aquela família dependia do mecânico para tudo e nos primeiros dias Laura
não sabia o que fazer, mas os amigos levavam comida pronta e carinho.
Mas como é normal, passados os sete dias as visitas foram diminuindo e de repente Laura e
os filhos ficaram sós, foi ai que ela ficou desesperada, porque estava acostumada com os cuida-
dos do marido, mas vendeu a oficina mecânica e foi sobrevivendo com o dinheiro daquela ven-
da, mas onde se tira e não se põe, o resultado é que termina.
E quando o dinheiro se acabou, Laura foi olhar a dispensa e lá só restava um pacote com cin-
co quilos de açúcar, ela entrou em desespero, mas se ajoelhou e pediu com muita fé a ajuda de
Deus e foi dormir ao lado dos filhos, sem saber como alimenta-los no dia seguinte; durante a
madrugada ela sonhou com um homem de olhos meigos, que lhe disse: seu sustento está na
porta de sua cozinha.
O dia amanheceu, ela acordou, abriu a porta da cozinha e a primeira coisa que viu foi um ma-
moeiro carregado de mamões verdes, ai ela entendeu o significado de seu sonho, apanhou algu-
mas frutas e com o açúcar que lhe restava, preparou uma bandeja cheia de lindos doces, saiu
para a rua e em pouco tempo vendeu todos e com o dinheiro conseguido comprou mantimentos.
Voltou para sua casa e preparou um bom café da manhã para seus filhos e depois preparou
mais doces e saiu para vende-los e em poucos dias as pessoas vinham encomendar seus do-
ces e ela começou a preparar novos tipos de doces e bolos; seu talento culinário foi reconhecido
e ela passou a cuidar de seus filhos com todo conforto e suas preocupações se acabaram.
O tempo passou e Laura com seus filhos já adultos, continuou trabalhando na administração da
fabrica de doces que conseguiu levar ao sucesso, mas seus filhos formados, cuidavam de todos
os assuntos da fabrica e juntos trabalhavam unidos e felizes; Laura acreditava que Deus ouvira
suas preces e lhe mostrara o caminho a seguir. O nome da fabrica era: Doçaria do Antonio.
TROS MQES

Por Ro>inson Si+3& A+3es


MÃE ANGÊLÌCA,
MÌNHA VÌDA,
AMADA MÃE,
MÌNHA RAÌNHA
MÌNHA QUERÌDA

MÌNHA MÃEZÌNHA
MÌNHA MAÊ
GUERREÌRA HÌLDA

MÃE MADRÌNHA
CONSOLOU MEU PRANTO
NAS NOÌTES FRÌAS DE SOLÌDÃO
ONDE O ESPÌRÌTO SOFRE
E A ALMA TREME

MÌNHA MADRÌNHA
MÃE,
AVÓ,
MARLENE

MÃE PROFESSORA
TÌA AMADA DA ESCOLÌNHA

ONDE APRENDÌ O ABC
DO "NUNCA DESÌSTA¨
MÃE ALEGRÌA
MÃE PROFESSORA.
TÌA RÌTA.

MÌNHAS MÃES
MÌNHA MAGÌA

GRANDE ÌNSPÌRAÇÃO
Cr7ni& $o $i&

Por 4)i: 1+@3io N&si%en(o

No último final de semana participei de um Flohmarkt (mercado de usados) aqui
em Hamburgo. Ao meu lado esquerdo estava uma senhora que também participa-
va do mercado. Ela dirigindo-se a mim, disse:
-Eu poderia colocar estas roupas aqui?
E sem esperar pela resposta já foi colocando as tais roupas.- Eu assustado com a
invasão, respondi:
- Não a senhora não pode... a senhora me parece que reservou 3 metros também,
como eu. Se a senhora precisa de mais, por que não reservou mais? Ela meio in-
dignada respondeu: - Ìsso não é nada simpático da sua parte! - O que? respon-
di... a senhora tenta invadir meu território e eu é que não sou simpático.
E como havia percebido o sotaque dela ao falar em alemão, perguntei:
- De onde a senhora é mesmo? Ela respondeu como todo entusiasmo: - Sou fran-
cesa! Então, eu disse: - Está explicado a sua tentativa de invasão, assim são a
maioria de vocês franceses, invasores de territórios alheios e não é por menos
que vocês ainda hoje são possuidores de colônias no mundo. Diante deste co-
mentário, ela sem responder, voltou aos seus 3 metros. Ao final do dia ela me pe-
diu desculpas e me desejou ainda uma boa noite e me perguntou de onde eu era.
E eu com todo entusiasmo também, respondi: Sou brasileiro! Assim, acredito que
com diplomacia podemos evitar várias invasões de territórios! E viva nós!
Ar$e de
L%i& F'(vio
)a*+i,en$o
Me nome ( 'or+e

Por 'or+e Li! Martin!

6 livro Meu nome + Jorge + um e%emplo de resist)n-
cia e abnegação. 'ele, o autor nos mostra, na pr$ti-
ca, a*uilo *ue, em tese, os especialistas reiteram to-
dos os dias5 a import2ncia da !amília na !ormação
humana. #ssa + a principal mensagem do livro, mos-
trar ao leitor como a manutenção de vínculos !amili-
ares, em todas as circunst2ncias da vida, + !unda-
mental para vencer.

= comovente a insist)ncia de Jorge em manter os
vínculos !amiliares, mesmo diante da re&eição e do
clima de beliger2ncia en!rentados desde o nascimen-
to. #m seu livro, + relatada uma hist7ria de vida des-
de o primeiro berço em uma cai%a de sapatos at+ a
construção dos meios para uma sobreviv)ncia digna,
a $rdua construção de um pro&eto de vida, a !orma-
ção acad)mica. Tudo isso por caminhos nada trivi-
ais, especialmente nos atribulados anos da in!2ncia
como menino de rua, at+ o início da vida adulta. A
narrativa retoma o passado e chega ao presente, per-
mitindo passagens com as re!le%1es de um homem
maduro sobre a pr7pria e%ist)ncia construída a !erro
e !ogo.

Todas as portas *ue se abriram para Jorge o levariam
invariavelmente ; marginalidade e ao crime. Mas
outros elementos de sua personalidade, al+m do ape-
go ; !amília, a&udaram-no a superar todo tipo de obs-
t$culos *ue a ele se apresentaram &$ a partir da pri-
meira in!2ncia. #ntre eles, a valori,ação da ami,ade,
*ue ele tão bem sabe con*uistar e cultivar.

Jorge Martins nasceu em 'ovo Jamburgo. A mãe
tinha problemas mentais e o pai, homem violento, o
agredia. Diante dessa atmos!era nada propícia para o
início de uma construção de vida, !oi morar com a
av7, de *uem recebeu todo o carinho e a atenção ne-
cess$rias a sua sobreviv)ncia. Mas, *uando ainda
tinha apenas de, anos, a av7 morreu. Aí recomeçou
uma luta renhida para ocupar seu lugar ao sol. ?oi
para a rua, morou um tempo com o pai *ue o agredia
e o submetia a atividades incompatíveis com a idade,
mas não agaentou os maus tratos *ue se repetiam.
#ntão, retornou ; rua, onde perambulava dia e noite,
alimentando-se de restos de comida, de doaç1es,
dormindo em praças e at+ no cemit+rio da cidade.

Depois de perambular por 'ovo Jamburgo, veio
para Porto Alegre, tra,ido por uma pessoa *ue lhe
prometeu uma vida melhor. :iveu durante algum
tempo na praça da Al!2ndega, conviveu com pessoas
de bai%o valor moral e +tico, mas sempre com os
olhos voltados para algo *ue, tinha certe,a, o levaria
a um caminho de lu, e harmonia. (aiu em embosca-
das armadas por inimigos, esteve preso, mas, em
!unção de sua !ortale,a moral e da arte de cultivar
boas ami,ades, conseguiu vencer todas as adversida-
des.


Depois de duras batalhas contra o preconceito, con-
*uistou um emprego digno, ganhou con!iança dos
che!es, montou um neg7cio pr7prio, prosperou, cur-
sou t+cnico em Transaç1es imobili$rias 8(orretor9,
!ormou-se em Administração, !e, p7s-graduação em
Psicopedagogia, cursou Hngl)s, + #ditor e propriet$-
rio de uma locadora de autom7veis e ho&e atua tam-
b+m como ator, sendo um dos mais re*uisitados do
cinema e da televisão do Fio Rrande do "ul.

6utra singular virtude de Meu nome + Jorge +, ain-
da, a disposição do autor de não esconder o passado.
Jorge mostra-o em toda a sua dimensão - e contribui
com isso para *ue, a e%emplo dele, possamos tam-
b+m en!rentar os duros percalços da vida, tornando o
mundo melhor, mais solid$rio e mais humano.
---------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------


6 livro Meu 'ome + Jorge aborda *uest1es !unda-
mentais sobre abandono, viol)ncia, perda da !amília
e miserabilidade com todas as implicaç1es *ue isso
pode acarretar.

Mostra a luta incessante do autor pela suas pr7pria
sobreviv)ncia, a busca dos valores !amiliares o *ue
revela sensibilidade, e o perdão restaurador sobre a
dura vida de *uem conta com a sorte para permane-
cer vivo e íntegro.

0m livro para ler de um s7 !Zlego. 0ma hist7ria en-
volvente *ue nos !a, re!letir sobre as !r$geis relaç1es
sociais sobre pessoas *ue, na sua grande maioria,
acabam por percorrer os caminhos da criminalidade.

Parab+ns ao autor *ue desnudou a sua pr7pria vida,
sem preconceitos nem pudores, para nos dar uma
lição de vida , luta e perdão, onde a superação das
di!iculdades serve de motivação para sua pr7pria
vit7ria.

6bs.5 6 escritor est$ no pro&eto Ator Pre!ente, do
H#E – Hnstituto #stadual do Eivro – F", e tamb+m +
integrante do pro&eto do Minist+rio da cultura na
Cara$ana do! E!critore!5 &-martinsbvia-rs.net
ASSIM C/M /S CESARES R/MAN/S,
T/D/ P/4RTIC/ <L TEM 8M 486AR
6ARANTID/...

Por <ere%i&s 1r&nis Torres

Pois é, assim como al-
guns dos generais e comandantes romanos,
todo ou quase todo político, já possui um lugar
garantido no inferno quando morrer!
A todo ser humano, pelo me-
nos, resta o benefício da dúvida: vou ou não
vou? eis a questão!
Para o político não resta a míni-
ma possibilidade quanto a isso!
A eles, esse benefício, não po-
derá ser concedido! Nem há que se falar: "in
du&io pro reo” >Aa dúvida, pelo réu. A incerteza
sobre a prática de um delito ou sobre alguma
circunstância relativa a ele deve favorecer o
réu). Ao contrário, não haverá mais dúvida!
Eles serão condenados!
Ou você tem dúvida, quanto ao
destino futuro de um indivíduo, que mente des-
caradamente durante a vida, durante uma
campanha para se eleger e depois dá adeus
aos eleitores e nunca mais andam pelas ruas, a
não para angariar votos nas próximas elei-
ções?!
Veja-se por exemplo, tomando
por base, esse mais recente escândalo em São
Paulo, tanto na Prefeitura, quanto no Governo:
palavras vazias enganando a "povão¨ e desvio
de milhões de dólares dos cofres da população
em prol da satisfação de seus desejos pesso-
ais!
A grande diferença dos políti-
cos brasileiros para alguns dos CÉSARES, por
exemplo, NERO, CAÌO JULÌO CESAR e outros,
é que aqueles conseguiam ser desagradáveis
alguma parte do tempo e em outra parte, volta-
vam a fingir que eram bons para conquistar a
simpatia do povo. Ou seja, conseguiam ser sin-
ceros algum tempo, quando demonstravam
"quem realmente eram:' ditadores, executores,
malfeitores, dementes e esquizofrênicos
(CALÍGULA, HELÌOGÁBALO, por exemplo)¨.
Estes, (os políticos), aperfeiço-
aram o negócio: CONSEGUEM SER FÌNGÌ-
DOS DURANTE TODO O TEMPO E O TEMPO
TODO! Só perdendo o "rebolado¨, quando uma
"explosão¨ de denúncias documentadas e com-
provadas de corrupção, vem à tona, tisnar seu
aparente "cristalino¨ governo!
A mentira faz parte da vida desses homens,
assim como o trabalho faz parte da sua!
O cinismo, a hipocrisia, a men-
tira, a traição, o egoísmo, a ambição, etc., são
as únicas filosofias que conhecem individual-
mente ou em seu conjunto!
A única coisa que torna sua
maldita existência suportável, é justamente o
fato, de acreditarem em sua própria mentira e
baseados nisso, acharem que podem ao mes-
mo tempo enganar a si próprios, ao semelhante
e logicamente (no seu mísero entendimento) a
Deus!
Enfim, acreditando que possa haver um destino
diferente para sua alma, diferentemente do que
todo mundo sabe o que lhes advirá, quando
partirem dessa pra "melhor¨, diria, que vivem
tranquilamente, numa certa comodidade!
No entanto, um futuro tenebro-
so os aguarda!
Ou alguém aí consegue imagi-
nar um mentiroso, hipócrita, desonesto, dividin-
do o mesmo espaço com DEUS?


/ =o%e%

Por C+&r& M&9&$o

Quando Cristo veio a Terra há mais de dois mil
anos atrás, ele viveu um período de sua vida
como homem físico e inconsciente e a partir do
momento que ele ficou os 40 dias no deserto
ele teve o grande contato com a sua verdadei-
ra consciência e missão no nosso planeta que
era a de ajudar a nossa humanidade a enten-
der seu verdadeiro papel ao estar encarnado
fisicamente e ele utilizava as parábolas como
um meio de chegar aos homens e ao seu ver-
dadeiro entendimento e de como eles poderi-
am superar todas as suas dificuldades terrenas
acreditando no amor incondicional do Pai Eter-
no. e o mais incrível nessa história é que ele
foi incompreendido, preso, torturado em uma
cruz até sua morte física.
E hoje temos o seu grande legado os seus en-
sinamentos e o mais surpreendente é que até
hoje o homem continua com as mesmas difi-
culdades, ganância, poder, ciúmes, inveja, ma-
tando seu semelhante, por puro prazer e luxú-
ria e outros matando e dizendo que matam em
nome de Deus. Se Deus é puro Amor, como o
homem pode usar essa desculpa para matar
em seu nome ? não seria mais fácil o homem
admitir o quanto ele é ignorante nos seus argu-
mentos e na sua mesquinhes e se deparar
com esta realidade que esta dentro dele mes-
mo, e ter uma atitude de coragem. e dizer para
ele mesmo: " Sou eu que faço as maldades e
sou responsável por elas eu também tenho
dentro de mim a pureza e a santidade que pos-
so deixar aflorar e transformar a partir deste
exato momento, tudo o que fiz de ruim para
mim e para os meus semelhantes até o dia de
hoje e começar com um firme propósito de
transformação e mudar radicalmente a minha
vida e me transformar em um homem bom.
Capaz de mudar toda a minha inconsciência
em uma consciência plena de amor, por mim e
por meus semelhantes e encontrar aquilo que
Cristo veio nos ensinar que é encontrar o Rei-
no dos Céus". pois o Reino dos Céus esta na
nossa consciência, muito mais perto de você
do que você imagina, acredite nisso, acredite
em você, na sua capacidade de evolução e de
purificação e tem mais, só tem um caminho
para você chegar neste lugar é através de vo-
cê mesmo. Você que esta lendo esse texto
agora, comece a pensar que ele foi escrito pa-
ra você neste momento e faça uma reflexão de
tudo o que esta ruim na sua vida, hoje e acre-
dite que tudo isso esta assim porque você esta
permitindo que sua vida seja dessa forma,
mais agora você tem a chave da mudança e
da transformação, acabou de receber, e faça
bom uso dela.
E para terminar minha fala deixo uma parábola
de jesus para você.
"Jesus falou: O Semeador saiu para semear.
Enquanto semeava, algumas sementes caíram
à beira do caminho, e os passarinhos foram e
as semearam. Outras sementes caíram em ter-
renos pedregosos, onde não havia muita terra.
As sementes logo brotaram, porque a terra não
era profunda. Porem, o sol saiu, queimou as
plantas e elas secaram, porque não tinham
raiz. Outras sementes caíram no meio dos es-
pinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram
as plantas. Outras sementes, porém, caíram
em terra boa, e responderam cem, sessenta e
trinta frutos por um. Quem tem ouvidos, ouça!"
SIN1/NIA S 4I0ERDADE
Por Is&>e+ C S 5&r-&s

Orquestra de sons magistrais
Gratuita e diária
Fazem de meu amanhecer
Momento único e abençoado.
Sem ingresso e sem tempo definido,
Ouço os pássaros a cantar
Saudando o dia que amanhece
Recepcionando o sol ou a chuva
Com sabedoria louvando a ambos
Ìndispensáveis para a sobrevivência.
Alimento-os diariamente.
Livres descem ao solo
Para provar o alimento.
Como recompensa voos rasantes
Passeios ao solo, alegre cantar,
Colorida revoada.
Sem temor dividem o alimento
E espaço com meus cães.
O gato espreita do telhado em silenciosa visita,
Liberdade total.
Constante ir e vir
Sem medo de aprisionamento.
O amor não permite grilhões.
EU E O LAR

Por Ladec7 2erreira

Amigos vou lhe di,er
amigas vou lhe !alar
ter uma vida saud$vel
+ algo espetacular
mas ter *uem nos acolha
+ maravilha *ue s7 Jesus
pode nos recompensar.

?oi numa noite escura
*ue a notícia se deu
de um c2ncer ou sepultura
!oi a verdade *ue doeu .

#stando em desespero
e a !amília tamb+m
agora o *u) !a,er
se a condição !inanceira
não nos conv+m4

De repente chega um amigo
enviado por Jesus
di,endo *ue e%iste um Ear
chamado LEar Amigos de JesusM.

Acolhe branco, preto e pobre
*uem o c2ncer veio ter
pra o acolhimento !a,er
e vida nova devolver.

Hrmã (onceição, sua #*uipe e :olunt$rios
(om maior satis!ação
"e doam de coração
# pede a Jesus5
/ue nunca nos !alte o pão,
6 amor, a caridade,
# a alegria na doação.


Me %oema re$ela tri!te0a

Por Maria 'o!( Vital '!tiniano


Poesia sem alma
Poeta sem calma
Poema *ue grita
0ma dor escondida
Palavras sem graça
De uma vo, va,ia
"entimentos negros
(oração sem pulsação

Meu poema revela triste,a
de um dia perdido
de horas de trevas
de sonhos amarrados
de manhãs sem sol

Assim + meu poema
sem rosto
sem vo,
sem lu%o
sem nada.

Cltra

Por Emanel Medeiro! Vieira

?alarei sobre cultura. (ultura4 "im5 sem pretensão e
de maneira clara.
0m dos temais *ue mais problemati,aram a minha
geração !oi a discussão sobre Laltura culturaM ou
Lbai%a culturaM, arte LelitistaM ou arte LpopularM.
6 (P( da 0'#, &$ na d+cada de NB e tamb+m na de
QB, pensou o assunto em reuni1es, semin$rios, obras
de arte. # subiu o morro. E7gico, havia e*uívocos e
um mani*ueísmo ing)nuo *ue, dentro do conte%to da
+poca, at+ era possível entender.
Por *ue não gostar de .eethoven e de (arola, de
Mo,art e de Pi%inguinha, de .ach e de Eupicínio4

J$ + um lugar-comum ou LmantraM da indústria cul-
tural se &usti!icar a!irmando *ue o!erece o *ue públi-
co *uer.
.ia Abramo indaga5 LMas ser$ *ue, ao contr$rio, o
mecanismo + de tal !orma perverso *ue o público
passa a *uerer a*uilo *ue se imagina *ue deve ser
dado4M
6 gosto se discute sim3 # tem mecanismos comple-
%os e autZnomos.
A acusação *ue se !a, para des*uali!icar os *ue criti-
cam a programação da T: aberta, + cham$-los de
elitistas.
8"eria elitismo condenar a horrenda grade da T:
aberta, pelo menos aos domingos49
#litismo + dei%ar !ora da população pobre – *ue, ;s
ve,es se es!orça loucamente para construir bibliote-
cas nas !avelas – a*uilo *ue a humanidade produ,iu
de mais duradouro e inteligente.
#litismo – pondera outro observador – + !a,er da alta
cultura privil+gio de minorias, en*uanto se produ,
li%o para *uem não conhece nem tem tempo de co-
nhecer outra coisa.
L#litista + o sacrossanto mercado, *ue não ir$ arris-
car o lucro certo pela missão – *ue deveria caber a
uma emissora pública – de tornar sua audi)ncia
mais in!ormada, consciente e crítica.M
Pude perceber , em alguns morros deste país, a emo-
ção das pessoas mais humildes, mais pobres, mais
vulner$veis do .rasil, assistindo a uma or*uestra *ue
!oi se e%ibir para elas, com :illa Eobos, por e%em-
plo, no repert7rio.
"e s7 se o!erece li%o, viol)ncia, e se e%iste uma vo-
lúpia em e%ibir os mais bai%os instintos 8em progra-
mas policiais ou de audit7rio9, a! %e!!oa! !) ter;o
i!!o* N;o !aber;o de 4e e=i!te m otro mndo6
ma otra arte6 e %a!!ar;o o tem%o de !a! $ida!
!em %oder !<rir de 4al4er bele0a.

Precisava-se antigamente de v$rios dias, semanas ou
meses para leitura 8pro!unda, !eita com calma9 de
um romance. Eembro de LA Montanha M$gicaM, de
Thomas Mann. A gente !olheava, voltava para tr$s,
para !rente, lendo de novo, mais uma ve,, para gra-
var bem o nome de um personagem en!im, re!letia-
se sobre a mensagem.
Jo&e, como e%pectador, a gente consome o mesmo
romance, processado em imagens, no espaço de no-
venta minutos.
Mas com menores conse*u)ncias, pois, como obser-
va Ranter \unert, dei%a de e%istir o es!orço de tra-
du,ir na mente primeiramente o elemento abstrato
do te%to para algo visível.
(laro5 nesse ritmo, *uem est$ acostumado s7 com
T:, se pegar um livro sentir$ t+dio, pois Lsua e%pec-
tativa subliminar não + satis!eita, por*ue a*uilo *ue
lhe + o!erecido e%ige um outro m+todo de aborda-
gem.M
#le resume5 L/uem est$ acostumado a caminhos
curtos mostra relut2ncia diante dos mais longos.M

RFA(HA", M#F(#D#"
"erei at+ redundante5 Mercedes "osa marcou muito a
minha geração.
(om belíssima e impactante vo,, ela !alava de nos-
sas a!liç1es políticas, da morte dos sonhos, das dita-
duras, do so!rimento dos idealistas.
#la !oi a vo, da resist)ncia de nuestra Am+rica
Mercedes, atrav+s de uma música bela e pungente,
meditou sobre as angústias e esperanças de geraç1es
politi,adas *ue so!reram em suas vidas o impacto
das ditaduras brutais do cone sul re!letia sobre os
e%ílios internos e e%ternos em nossas vidas.
# – algo muito importante –, ela cantou a sensação
de desenrai,amento, e a percepção de ser estrangeiro
tamb+m em sua pr7pria terra..
Para muitos de n7s, o e%ílio !oi a p$tria soberana.
#m mais de AB $lbuns, compactos e participaç1es em
discos alheios, ela gravou os mais importantes com-
positores argentinos, como Ariel Famire,, Atahualpa
^upan*ui, Joracio RuaranG, (+sar H,ella, E+on
Rrieco, :ictor Jeredia e Rustavo Eegui,ado.

8"egue9
Trabalhou, igualmente, em parceria com o poeta ?eli% Euna.
Mercedes tamb+m registrou canç1es ines*uecíveis de compositores e poetas chilenos como :ictor Jar$ e
Pablo 'eruda.
(antou L6 (io da TerraM, de (hico .uar*ue e Milton 'ascimento.
?oi um dos pilares !undamentais da música popular argentina, ao lado de (arlos Rardel 8*ue est$ cantando
cada ve, melhor...9 e Astor Pia,,ola.
.astaria *ue tivesse sido a int+rprete de!initiva de LRracias a la vidaM e L:olver aos @CM, de :ioleta Parra.
#l citava nas entrevistas a letra de Maria Jelena Ualsh5 LTantas veces me mataron, tantas veces me mori G
a*ui estoG resuscitandoM..

D# RF60(J6 MAFc 8@XPB-@PCP95 L#sses são os meus princípios. "e voc) não gosta deles, eu tenho
outros.M

ESPERAND/ P/R E4A

Por M@rio Re:en$e


Na organização do pensamento, tudo é distribuído de acordo com a necessidade, o que
é determinado pela observação dos neurônios plantonistas nos sentidos da visão, da audição,
do olfato e do paladar, além dos que ficam na fronteira do corpo e trabalham no tato.
Naquele dia, na parte da tarde, eu tinha levado os meus neurônios operários para pas-
sear. Como meu objetivo principal estava bem definido, aliado ao lazer dos operários, só os es-
pecialistas em sexualidade estavam em plena atividade. Nessas situações, a maior parte da ca-
tegoria entra em ação e, naquele momento, os da seção LP (Luana Piovani) estavam cheios de
energia e disposição, uma quantidade de sinapses incrível.
Enquanto caminhava pelo circuito Leblon-Ìpanema, desde a Dias Ferreira até a General
Ozório, seguindo a calçada da direita da Ataulfo de Paiva. Dei uma paradinha de praxe em fren-
te ao Cine Leblon e continuei seguindo em direção à Visconde de Pirajá; senti saudade dele
quando atravessei a Vinícius de Moraes.
Estava voltando pela calçada oposta, olhando as modas, pensando que poderia ter a sor-
te de encontrar a Luana, para ver se ela se engraçava dando de cara comigo, deixasse de ficar
com esses lanchinhos e pegava logo um prato cheio de comida mineira, tipo galo com quiabo e
polenta. Não, não sou mineiro, sou carioca mesmo, da gema. Mas se eu quisesse usar uma
metáfora, o prato típico teria que ser feijoada acompanhada de caipirinha. Aí não iria dar, é mui-
to grosseiro, típico camelô carioca, que vai trabalhar de bermuda, camiseta e chinelo, muita bai-
xaria e falta de elegBncia. Não sei como algumas mulheres aguentam. Cada figura! Acho que
se eu fosse mulher, seria homossexual, porque tem homem que dá até nojo, não tem finesse,
educação, raciocina com a do pênis.
Voltando ao meu objetivo, ela, a Luana, minha deusa, poderia aproveitar, me conhecen-
do, para esquecer o lance com o Caetano, porque também sou poeta, pelo menos quero acredi-
tar que sim. Adivinhe... Pois é, não deu as caras. O máximo que encontrei do metier, foi o Ro-
drigo Santoro, de passagem por Ìpanema, já que ele, agora, é de Hollywood, com direito até a
algumas sílabas depois de ¨Lost¨. Ele está chegando lá, eu torço por ele porque é humilde e sa-
be dar tempo ao tempo, feito a Alice. Estou falando da Alice Braga, que desbancou muito cachê
alto por ser mulher bonita e boa atriz, também. Pelo menos a beleza do corpo teve a quem pu-
xar (à Gabriela Cravo e Canela que enfeitou a minha telinha, à dama do lotação que provocou
aumento de pulsação e à protagonista de "Eu te Amo¨, espetáculo que ficou na lembrança dos
marmanjos). Fico torcendo para que ele, o Rodrigo, seja percebido pela Jolie depois que o Brad
passar. Eu, por enquanto, continuo na esperança pela Luana, porque não foi daquela vez.
So+i(@rio

Por Ro>er(o 1err&ri

Muitas poesias te escrevi,
Mostrei a minha alma, e quis te entregar meu coração,
Vivi a vida de um louco apaixonado esperando pelo dia
Em que te beijaria e cantaria poemas para você
Gritei com a força do meu amor
Venha e me ame,
Se entregue aos meus carinhos

As poesias que eu te declamei
São como um eco dentro da tua alma
Como o som do vento
Sou o cavaleiro do nosso destino
Perdido de amor
Solitário na noite.

Tantas vezes procurei por emoções novas
E só tinha você no pensamento
Nas noites frias, de um silêncio profundo
Caminhava sozinho
Por vezes achava que meus olhos
Haviam te visto ao longe
Ìlusão da minha paixão.

As poesias que eu te declamei
São como um eco dentro da tua alma
Como o som do vento
Sou o cavaleiro do nosso destino
Perdido de amor
Solitário na noite.

Sim, hoje posso te ouvir
Declarar nosso amor pela noite
Sim, eu posso ouvir o som do vento
Pela noite
E te amar sob os raios prateados da Lua
Minha confidente
Sempre serei o cavaleiro do destino
Para te amar e proteger, meu amor!

M)&$ro - / 5&:io

Por 5&renT& $e 1@(i%& Ar&*Co

Sem imagem da radiografia
o contorno do quadro
onde a cor da imagem é a desmaterialização
e o raciocínio não acompanha a mão
cortante é o silêncio
o vazio do amor
do não procriar
em direção da morte
enfim o vazio
Vi$o! em mim

Por Rita Velo!a

"e (arlos estivesse vivo, diria5
:ai ,Fita, ser LgaucheM na vida3

"e /uintana estivesse vivo, diria5
#les passarão3 :oc), Fita, passarinho3

"e Uilliam estivesse vivo, diria5
=,Fita. "er ou não ser5 eis a *uestão3

"e (astro Alves estivesse vivo, diria5
Deus3 Deus3 6nde est$s *ue não respondes para a
Fita4

"e (am1es estivesse vivo, diria5
Pobre Fita3Amor + !ogo *ue arde sem se ver3

"e :inicios estivesse vivo, diria5
Fita, sua bele,a + !undamental3

"e 'elson estivesse vivo, diria5
Todo &ovem + um imbecil,
# voc), Fita, gosta de apanhar3

"e Augusto estivesse vivo, diria5
#scarra nesta boca *ue te bei&a, Fita3

"e "$ (arneiro estivesse vivo,diria5
:ai, Fita3 Perder-te dentro de ti,
Por*ue +s labirinto3

"e ?ernando estivesse vivo, diria5
:oc) + uma !ingidora3
?inge tão completamente,
/ue chega a !ingir *ue + dor,
A dor *ue deveras sente3

"e 6lavo estivesse vivo, diria5
Padeces, Fita3
/ue !a,er para ser boa4
Perdoa3

"e Faimundo estivesse vivo, diria5
Fita, vai-se a primeira pomba despertada3
Aos pombais, elas voltam.
Mas ao seu coração,
#las não voltam mais3

# :icente, o *ue diria4
Fita, a !elicidade e%iste sim.
Mas n7s não a alcançamos,
Por*ue est$ sempre apenas onde a pomos,
# nunca a pomos onde n7s estamos3

Ah3 # o eterno Paulo, o *ue diria4
Fita, ainda *ue voc) tivesse o dom da pro!ecia,
6 conhecimento de todos os mist+rios,
# de toda a ci)ncia,
Ainda *ue voc) tivesse toda a !+,
A ponto de transportar montanhas,
"e voc) não tivesse o amor,
:oc) nada seria3

# voc) , Fita 4
6 *ue voc) diria4
#u diria5
:ida, mist+rio in!indo3
Hnúmeras ilus1es3
6ra alegres, ora tristes.
'ada mais3
NEM T8D/ PASSA
Por Dei$i%&r A+3es 0rissi

Fama, poder, fortunas, passam...
Passam as ilusões da vida.
A fama também é esquecida.
Passam com os anos, passam...

Passa todo poder temporal.
Passa toda iniquidade,
Só vai ficando a bondade.
Passando tudo que é mal.

As lágrimas que nós secamos,
E as alegrias que damos
Ìsto nunca é esquecido.

Todo amor, toda verdade
Ficará para eternidade.
Não passará, meu amigo!
Re3e+&n$o o%o %e sin(o... o%o so)...

...-enerosos sHo os o+9os F)e 3ee%...

Por E$i&ne So):&
























Causa-me espanto quando me dizem o quanto sou extremamente generosa. Ouvi isto várias ve-
zes há dois anos, num período intensamente doloroso. Aqui, ali escuto novamente. Hoje, me
ocorre de receber tal adjetivo, vindo de alguém que me é bastante caro, cuja forma de me olhar,
esta, sim, é por demais generosa. Não... não sou generosa assim como acreditam. Eu procuro
dar o melhor que tenho, mas é puro egoísmo, não se iludam, já que fazer o bem ao outro me
promove recompensa ainda maior. Falam do quanto sou cuidadosa e carinhosa com o outro... E
não deveria ser esta a nossa missão neste mundo? Emocionei-me também quando li, dentre ou-
tras coisas, que as minhas palavras e a minha voz são um oásis encantado. Ah, meu amigo, se
as pessoas soubessem o que sinto, se conseguissem me enxergar por dentro, se alcançassem
as minhas aflições... Ah, se pudessem saber como me vejo impotente, especialmente agora, co-
mo são os meus lamentos noites adentro, se vislumbrassem o vazio que por vezes me ocorre, o
grito que silencio, o choro que preciso calar para que o outro possa escancarar a sua dor... Ah,
se por um instante percebessem a minha fragilidade... que nada sou... Se compreendessem que
é tão simples o que eu anseio viver e, ainda assim, me é quase impossível de alcançar... Se ain-
da não desisti, é porque o que carrego em mim não tem mais cura, não pode ser transmutado,
transferido, não servirá para mais ninguém... Se ainda não desisti, é porque meus pés vivem
saindo do chão, porque me vejo voando além, porque em meus delírios eu posso tudo e muito
mais. Mas tenho consciência do que sou: sou pequena, meu povo, meu cinto de utilidades vive
perdendo os apetrechos, minha capa é plástica, a heroína está só nos gibis. No mais, mentalizo
naquilo que é e sempre será meu lema de vida (tomando para mim os versos de Álvaro de Cam-
pos-FP): "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em
mim todos os sonhos do mundo¨. Esta sou eu... generosos, encantados são os olhos que me
veem...
/ s)s#iro $o in,e+i:

Por E3e+Jn Cies:JnsTi



Um cigarro acesso
de baixo das luzes neon
No chapéu caem as cinzas da noite
mas essas coisas minuciosas não me interessam hoje,
hoje quero fumar. Fumar em todas as encruzilhadas que estiverem em meu caminho

Porque hoje, ah hoje, hoje não tenho nome
não tenho rosto, sou inidentificável,
inexistente, inquieto

A casmurragem tem seu momento de aflição
E quem se importa?
a porta do bordel
fechada à luz do dia
estraga a visão
da cidade urbana

Quero mais é me encostar, e há quem o diga
Foram trabalhos, palavras, ensaios
Pra quê?
a sarjeta decora minha carnificina, aquela doce melodia aos ouvidos dos ratos
os restos não poderiam ser queimados, mas exilados, em vez disso, incinerados foram

os ratos
não fazem parte da história
Àqueles que sangraram, rastejaram, imploraram
agora sai da minha nicotina de carbono quando exalo de meus pulmões
a canção que suicidou as andorinhas em pleno verão, cai no chão; os restos

o coração que bombeia a bala de cobre, que resseca os órgãos de dentro pra fora
o excesso de perfeccionismo manda ao tapete de ossos algumas cabeças
ocas alienadas sem consciência da oniricidade do sonho
a metafísica de um corpo nu apaga
a chama ardente do coração frio
da experiência do magnífico
da morte em si como si
do sopro funesto da cruz
MJD1CO DA ALMA

Por Rita de Oli$eira Medeiro!


#m meados deste ano, uma grande amiga me conta
aos prantos, *ue seu netinho de tr)s anos, se encon-
tra hospitali,ado, mais uma ve,, ap7s D ou A interna-
ç1es, sem *ue os m+dicos consigam !a,er um diag-
n7stico, dei%ando a !amília e amigos em p2nico.
#ste relato me trou%e a lembrança uma situação se-
melhante *ue passamos com nosso !ilho mais novo.
(om D meses de idade ele passou a !a,er uma in!ec-
ção de @N em @N dias. Penamos por D longos anos,
idas e vindas a consult7rios, e%ames e mais e%ames,
cada uma mais assustador do *ue o outro, sem *ue
*ual*uer diagn7stico pr7%imo da realidade !osse
apresentado. At+ *ue um dia, ap7s D anos de muita
apreensão, !oi identi!icada a causa5 simplesmente
Amígdalas e Adenoides muito grandes, com a cirur-
gia reali,ada, problema resolvido3
# *uando !alava com esta amiga ao tele!one, me
veio a lembrança o Dr. Paulo (arneiro, m+dico *ue
conheci, nos meus tempos de in!2ncia, em Eaguna.
=poca em *ue, ainda sem o compromisso dos bancos
escolares, passava o tempo brincando, at+ *ue che-
gavam as *uatro horas da tarde, *uando invariavel-
mente, corria ao portão de madeira, na !rente de ca-
sa, e l$ !icava esperando meu pai voltar do trabalho,
no Porto de Eaguna o *ue acontecia, rigorosamente,
todos os dias pouco depois deste hor$rio.
#u sorria contente, *uando &$ conseguia avist$-lo,
vindo com seu andar cadenciado, !isionomia sempre
s+ria, a garra!a de ca!+ balançando na mão. #u abria
o portão e corria para os seus braços. 6 seu rosto
então se iluminava com um sorriso lindo. #le me
erguia do chão, dava um bei&o estalado na minha bo-
checha me rodopiava em seu colo, s7 um pou*uinho.
# vínhamos &untos, de mãos dadas, ;s ve,es eu lhe
contava algo, ;s ve,es ele. Mas tamb+m vínhamos
em silencio. (ontudo, numa certa tarde, percebi &$
de longe, *ue havia algo errado.
'a*uele dia, *uando !ui esper$-lo, notei *ue a garra-
!a vinha segura com !irme,a embai%o do braço e o
seu passo estava muito mais apressado, sua !isiono-
mia bem mais !echada e ele se*uer se abai%ou para
me rodopiar em seu colo, como sempre !a,ia.
#la nada !alou, apenas segurou a minha mão com
!irme,a e entrou portão adentro, chamando por mi-
nha mãe, e me levando *uase de arrasto5
-Maria, Maria3
- 6 *ue !oi meu velho4 6 *ue tens4
- Manda chamar o Doutor Paulo, pelo amor de Deus3
6 medo mostrou novamente sua cara em meu cora-
ção. 6 rebuliço !oi geral, não lembro *ual dos meus
irmãos !oi re*uisitado para tal tare!a, mas at+ pareci-
am baratas tontas, correndo para um lado e para o
outro.
?i*uei es*uecida na*uele turbilhão, e muito silencio-
samente, !ui at+ o *uarto espia-lo. #le rolava na ca-
ma de um lado para o outro di,endo desesperado,
com a mão na cabeça5
-Ai3 Ai Meu Deus, meu Pai, *ue dor3
A maioria das pessoas *ue eu conhecia e%clamava
Meu Deus. #le ainda acrescentava Meu Pai3 #u sem-
pre achei muito bonito e sentia uma coisa boa dentro
de mim. Is ve,es, esta e%clamação saia &unto com
um suspiro !undo.
Apro%imei-me p+ ante p+ e como sempre tivera carta
branca na*uela cama, nela me encarapitei e tentei
toc$-lo. Para meu espanto, !ui a!astada por sua mão
crispada e ele mandou *ue eu saísse. Minha mãe cor-
reu em meu socorro e disse5
-:ai pr$ l$ menina, o pai agora não pode3
Agora, &$ não era mais medo. #ra pavor3 6 meu pai,
sempre tão !orte, meu esteio e segurança, estava do-
ente3 (orri para perto de minha cachorrinha e !i*uei
sentada na calçada, entre apavorada e pensativa, co-
ração apertado e sem saber e%atamente o *ue !a,er3
Fesolvi voltar para dentro de casa e !i*uei na sala
*ue !icava ao lado do *uarto, sentada no so!$, ouvin-
do os seus gemidos, com o coração cada ve, mais
apertado. At+ *ue, !inalmente, ouvi as vo,es dos
meus irmãos chegando e a porta da !rente se abriu
com um estrondo.
6 vento nordeste pareceu entrar &unto com a*uele
personagem. A porta da sala, *ue dava para a co,i-
nha bateu, anunciando sua chegada.
8"egue9
#ra um senhor bai%inho careca e barrigudo, com
uma maleta de couro, típica dos m+dicos, balançando
pr$ l$ e pr$ c$, igual,inho ; garra!a de ca!+. #le en-
trou como se a casa !osse dele e e%clamou, com uma
vo, assa, anasalada5
- 6 *ue + Foldão4 /ue + *ue tu tais de manha em
cima desta cama homem4
-Ai Doutor Paulo3 'ão sei3 = muita dor3
6 resto do di$logo eu não pude ouvir. 'ovamente !ui
retirada do recinto.
/uando as coisas se acalmaram, a dor passara, eu &$
sentada em seu colo perguntei *uem era a*uele m+-
dico, e ele me disse sorrindo e aliviado5
-= o Doutor Paulo, minha !ilha3 /uando escutei sua
vo,, metade da dor sumiu3
#u !i*uei espantada com a a!irmação. Mas meu cora-
ção gravou a*uela !rase. (reio *ue !oi neste instante
*ue primeiro compreendi o *ue era a palavra con!i-
ança, sem o saber. Muitas hist7rias eu ouvi sobre
a*uele medico a*uela tarde, en*uanto ganhava o
meu colinho antes da &anta. "obre como ele era bom
para os pobres, como era e%celente político, como
tantas ve,es saíra de sua casa, ; noite, para ir ao mor-
ro do cemit+rio, onde mor$vamos atender um de n7s
ou nossa mãe em trabalho de parto, inclusive do
meu, *uando &$ mor$vamos na casa do Mar Rrosso3
?i*uei tão embevecida com a*ueles relatos *ue, de
imediato, tamb+m estabeleci com ele uma relação de
con!iança.
#ste m+dico, o Doutor Paulo (arneiro nesta +poca,
com a idade pr7%ima do meu pai, ainda me tratou
por um bom tempo. Adorava ele, pois sempre me
receitava um rem+dio com gosto de chocolate, o
Ambrasinto.
0m dia, não sei por *ue acordei na arca de 'o+ 8uma
cama enorme onde dormiam os meus irmãos *uando
eram pe*uenos9 muito !raca, sem conseguir me le-
vantar. #sta minha indisposição *ue no início !ora
tratada como normal, se estendeu at+ o hor$rio do
almoço. Por coincid)ncia, neste dia recebemos em
nossa casa a 'o)mia, uma visitante ilustre, !ilha do
(ompadre Joca, da (aputera. /uando chegou e sou-
be *ue eu não estava bem a 'o)mia prontamente !oi
at+ o *uarto me ver. Ap7s dirigir-me a*uele olhar
carinhoso costumeiro e me abraçar !orte 8como era
bom o seu abraço9 eu consegui ouvir, *uando ela co-
chichou no ouvido da minha mãe5
- "ão as regras dela *ue *uerem descer e não conse-
guem.
'ão sei por *ue, !i*uei mais con!iante depois de ou-
vir esta e%plicação. (om tr)s irmãs adultas, e muitas
amigas *ue &$ Leram mocinhasM eu &$ sabia *ue um
dia tamb+m sangraria como elas, todos os meses,
embora o assunto !osse tratado como em todas as
casas5 não era discutido, nem e%plicado, simples-
mente acontecia3
'o dia seguinte, !ui levada pelo meu Pai at+ a casa
do Doutor Paulo e l$, !ui recebida com muito cari-
nho, como se !osse uma visita ilustre. Dona Eudmila,
sua esposa, nos recebeu atenciosamente, eu me senti
a vontade.
/uando ele colocou o &aleco, dirigiu-se a mim sor-
rindo e disse, com sua vo, !anha, *ue eu &$ gostava5
-:em a*ui menina, *uero te ver.
6lhou para o meu pai e disse5
- 'ada *ue uma vitamina,inha A não resolva3
-= ambrasinto4 #u perguntei brincando.
6s dois riram muito e disseram *ue não3
Dali a algum tempo menstruei. A 'o)mia não era o
Doutor Paulo, mas tamb+m sabia das coisas3
Doutra !eita, bem mais tarde, comecei a !icar com
um vergão na pele, cada ve, *ue me coçava ou toca-
va. 'ovamente !ui atendida por ele, em sua casa,
com toda de!er)ncia. 'esta +poca ele !icava durante
o inverno no Fio de Janeiro e o verão em Eaguna.
Eembro muito bem da sua !isionomia bem mais ve-
lha, com os 7culos na ponta do nari,, chegou bem
perto do meu corpo, e riscou a minha barriga com o
dedo indicador. 6 vergão imediatamente se !ormou.
#le não disse nada. #screveu o nome do rem+dio no
!ormul$rio de receitas e nos !omos para casa.
?alando com Miriam, relembrando Hgor e Dr. Paulo,
!i*uei pensando ao colocar o !one no gancho5 - 6
*ue era ensinado na !aculdade de medicina *ue ele
cursou *ue ho&e não se ensina mais4 'ão e%istiam
tantos e%ames, m$*uinas superpoderosas, e ele con-
seguia dar o diagn7stico corretamente. "er$ por*ue
os m+dicos de ho&e tratam LpacientesM e não mais
LpessoasM4
6u ser$ *ue isto ocorre por*ue eles, os m+dicos, !o-
ram trans!ormados em meros vendedores de rem+-
dios4
Son9os, i+)s"es no()rn&s

Por U&r& D&rin


No fundo o universo
o mar é ilimitado
o céu é o infinito.

A ventania sacode os galhos
sinto medo e arrepios
no silêncio entre os rochedos
as ondas que se quebram na areia.

Cruzo os oceanos
deparo com sereias
banhando-se ao luar.

Ìgnoro os monstros
com suas presas colossais
por onde flutuo desafiando
as águas de um mar agitado.

Quero salvar o que restou
navego contra a corrente
escura noite que persiste
ilusões de sonhos na madrugada
decompondo-se na beira do cais.

CAMÌLA DE MOSSÌ QUADROS
CARLOS PEDRO
CARMEN DÌ MORAES
CAROLÌNE BAPTÌSTA AXELSSON
CÍNTÌA MEDEÌROS
CLEVANE PESSOA
DÌLMA SCHMÌTZ LEÌTE
DULCE AURÌEMO
DYANDREÌA PORTUGAL
EDÌANE SOUZA
FABÌANA DE ALMEÌDA
FLÁVÌA ASSAÌFE
FLÁVÌO BARRETO
GAÌÔ
GÌLMA LÌMONGÌ BATÌSTA
GÌRLENE MONTEÌRO PORTO
HEBE C. BOA-VÌAGEM A. COSTA
ÌRMA GALHARDO
ÌVANE LAURETE PEROTTÌ
ÌZABELLA PAVESÌ
JACQUELÌNE AÌSENMAN
JANÌA SOUZA
JOSÉ HÌLTON ROSA
LENÌ ANDRÉ
LENÌVAL NUNES DE ANDRADE
LÚCÌA AMÉLÌA BRULHARDT
LUÌZ CARLOS AMORÌM
MARCÌO BATALHA
MARCOS MAÌRTON
MARÌA DE FÁTÌMA B.MÌCHELS
MARÌA DE LOURDES ALBA
MARÌA JOÃO SARAÌVA
MARÌA (NÌLZA) DE CAMPOS LEPRE
MARÌLU F. QUEÌROZ
NORÁLÌA DE MELLO CASTRO
RAÌMUNDO CANDÌDO T. FÌLHO
RENATA CARONE SBORGÌA
ROBERTO FERRARÌ
ROGÉRÌO ARAÚJO (ROFA)
ROSE ROCHA
ROSELÌS BATÌSTAR
SANDRA NASCÌMENTO
SÌLVANA G. BRUGNÌ DA CRUZ
VAL BEAUCHAMP
VALDECK ALMEÌDA DE JESUS
VALQUÌRÌA ÌMPERÌANO
VERA LUCÌA ERTHAL (ANNA BACK)
WALNÉLÌA CORREA PEDERNEÌRAS
YARA DARÌN
YOLANDA CÌNTRÃO FORGHÌERÌ
O livro conta com:
A#resen(&!Ho $e
Sonia Nogueira
Pre,@io $e
Maria de Fátima B. Michels
/re+9&s $e
Basilina Divina Pereira e
Gladis Deble
Poe%& $e &>er()r& $e
Alex Monteiro
Pos,@io $e
Jania Souza
ALTOS NEKLC1OS

Por Odenir 2erro

Pelo suave deslanchar do meu viver, trilhando mui-
tas estradas, sonhador *ue !ui – e *ue a viver sonhan-
do ainda estou – vi des!ilarem por mim, inúmeras
pessoas travestidas dentro de si mesmas, represen-
tando as !unç1es do seu papel imposto pelo seu per-
sonagem real.
Personagem *ue muitas ve,es, dentro desse real, e%-
trapolavam-se em inúmeras !antasias e%istenciais. #
dentro dessas !antasias, muitas ve,es, acabavam por
rumarem-se at+ a um $pice rumoroso onde culmina-
va por incriminar ou vitimar algum pr7%imo5 pego
desatento, nas volúpias da surpresa, desprevenido.
"im, perante o meu viver, vi muitas pessoas !ra*ue-
&arem, se venderem, serem mes*uinhas, torpes, tara-
das, prostitutas, vulgares...
Mas, vi muitas pessoas de!endendo as causas dignas,
tamb+m. # nobres, consistentes pela !orça da bonda-
de, tamb+m.
Assim vim eu, !iel servidor de mim, carregando a
cru, *ue o nosso "enhor Jesus (risto me deu. #u não
me desvencilhei dela, &amais. #m nenhum momento,
se*uer. Atrav+s dela, !oi *ue pude ad*uirir uma ple-
na !orça para rir ou para chorar, de algumas 8muitas9
mes*uinharias humanas. "into muito orgulho e dig-
nidade pela cru, *ue tenho e carrego-a com a maes-
tria do talento. Muitas e muitas ve,es, eu vi a pobre-
,a estampada no rosto mascarado com o pseudZnimo
de grã-!ino. #, em muitas tantas outras ve,es, eu vi a
cena repetir-se e%atamente, em personagens inversos
e com posiç1es sociais opostas. #mbora as m$scaras
!ossem curiosamente semelhantes. #u vi os laços
cru+is da desumanidade, tecerem-se em dolorosos
ardis, na calada da noite, ;s escuras – para *ue nin-
gu+m soubesse – contra muitos &ustos, contra muita
gente de bem e do bem...
:i o mal ar*uitetar-se... 'as penumbras... 0tili,ando
-se como L!erramentas de trabalhoM, das mentes, *ue
socialmente, sendo tidas como brilhantes, ali, na*ue-
le momento, !oram vendendo-se, tornando-se o *ue
sempre !oram5 torpes, vulgares, doentias... (orroídas
pela inve&a, pela insensate, $vida, por uma estupide,
egoc)ntrica – *ue as levavam ao delírio ambicioso...
Por estarem em posição de desta*ue. (riando um
mundo !also, dentro de um !also e estúpido poder
*ue as desembaraçavam da lama *ue era, sutilmente,
colocada embai%o do tapete da sua nobre sala de vi-
sitas. #n*uanto ostentavam o brilho duvidoso nos
olhos, encenando transparecerem-se com uma alma
esplendorosa, magn+tica... #n*uanto, entretanto, a
realidade interior sempre era a de uma alma deca-
dente, amparando-se numa !ama !eita em ruínas es-
pirituais.
A vida se embriagava em vícios corrosivos. Provin-
dos dos estados amor!os ou rancorosos ddalma.
/uando o *ue imperava incisivo era a lei dos lucros.
Muitas e muitas ve,es, obtidos ; custa da opressão
ou da manipulação ardilosa de uns, contra muitos
pobres oprimidos3 6nde uns se bene!iciavam de lu-
cros geradores da nobre,a e, outros, muito se esbra-
ve&avam e se prague&avam contra este estúpido e de-
negrido sistema.
:i Lreis e rainhasM com títulos politicamente corre-
tos, serem destronados e sendo postos em situaç1es
embaraçosas. # *ue rapidamente eram es*uecidas –
pois a Lmídia da comunicaçãoM, logo se encarregava
de desviar a atenção do povo, do determinado esc2n-
dalo, para outro assunto mais breve, suave, banal,
corri*ueiro, e *ue !osse mais condi,ente com a
Linoc)ncia e aceitação popularM at+ *ue aparecesse
um novo esc2ndalo, e as est7rias da Jist7ria, pelas
!orças dantescas e canhestras de si pr7prias, se repe-
tissem... Dentro deste tapete voador ilus7rio e vulgar
*ue movimenta para aonde os !alsos e podres pode-
res se concentram...
#sta atenção era sempre desviada do !oco em si, pela
mídia comunicativa, pois sempre havia interesses
escusos ou ilícitos, *ue rolavam por Ldebai%o dos
panosM.
A vida *ue consiste dentro do mundo dos neg7cios,
nos altos e bai%os das perdas e dos ganhos. 6nde a
roleta russa da roda vida do meio dos neg7cios !a,
das Lcabeças pensantesM, os impulsos vibrarem-se
somente dentro dos acordes sonoros dos lucros so-
brepostos 8desviando-se dos impostos9, cada ve,
mais, somando-se aos altíssimos escusos lucros. 'u-
ma pir2mide sucessiva de sucessos cheios de pra,e-
res imediatos, onde a rotina consumista consiste ape-
nas em viver a realidade dos !atos5 o !ísico, o palp$-
vel e tudo o *ue aparentar ser real e crível aos olhos
carnais 8lúcidos, ou inebriados pelos alucin7genos
vis9. A mat+ria e o consumo e o lucro e o pra,er ime-
diato + tudo e tão somente o *ue conta5 nesse escalão
do poder. (omposto pelo culto ao alto lucro. Hmpos-
to pelo alto &ogo, onde a vit7ria consiste em saber
como ganhar, ganhar, ganhar...
Mesmo sabendo *ue o grande risco a correr poder$
ser o de perder, perder, perder...
#ssa + a m$*uina da vida *ue gira dentro do mundo
dos Altos 'eg7cios3

8"egue9
As atitudes *ue tomamos ou comportamentos *ue
ad*uirimos, ou posicionamentos em relação a algo
ou a algu+m, em situaç1es diversas, ou adversas, me-
diante aos momentos de vida. 6nde as ondas nave-
gantes do viver levam os nossos pro&etos ; deriva, a
margem, ;s encostas cheias de pedras... #%pondo-
nos aos altos riscos, devido ;s muitas nuanças aves-
sas *ue obriga-nos a ir de encontro ;s !orças e%is-
tentes no mais pro!undo 2mago do íntimo do nosso
ser interior. #, e%trair dali, as ess)ncias !undamentais
para encontrarmos as soluç1es para e*uacionarmos,
sanando de ve,, a gama de determinados problemas
*ue se assomam pelos percalços do viver. Ao virem
de encontro de n7s, num encalço insistente. Parecen-
do ser uma !úria esbrave&ante das *uebradas espu-
mantes das ondas bravias, vindas moment2neas e
sorrateiramente, at+ o encalço de onde estivermos...
Para arrebentarem-se de encontro das encostas ter-
restres, cheias de enormes, gigantescas pedras *ue se
encontram em nosso caminho.
A vida + um &ogo. # n7s vamos, e vamos n7s, nos
alimentando, atrav+s destes &ogos da vida. Ao ali-
mentarmo-nos, com as const2ncias mais interessan-
tes desse &ogo *ue se mescla com as !antasias e as
realidades do viver. # viver + um alto neg7cio, den-
tro de um alto &ogo de risco cheio de acertos e de
muitos desacertos... A vida + um estado de desassos-
sego, pois *ue ela + um alto est$gio de ensinamentos
– aonde n7s, humildes alunos – vamos aprendendo
com essa h$bil mestra, os subter!úgios *ue possibili-
ta-nos a ad*uirirmos o encontro potencial, dentro de
n7s mesmos. Dentro do *ue chamamos de sobrevi-
v)ncia. Para vivermos os altos neg7cios, dentro dos
L&ogos da vidaM, + necess$rio, antes de tudo, *ue sai-
bamos como sobreviver...
A partir da a*uisição !ilos7!ica *ue todos temos den-
tro de n7s – um conceito de sobreviv)ncia – + *ue
vamos ou podemos então, viver.
Para vivermos, precisamos de bem-estar *ue + gera-
do pelo e*uilíbrio composto por uma saúde per!eita,
Lou *uaseM, uma alimentação boa, um estado emoci-
onal satis!at7rio e uma mente e um espírito e um cor-
po sintoni,ado em emoç1es provenientes de um co-
ração pulsante !irme. "intoni,ado com todo esse
con&unto de atitudes comple%as, *ue !ormam um as-
pecto interno e est+tico, gerado por um per!eito e*ui-
líbrio, em harmonia sintoni,ada com o Amor plural.
Proveniente da atemporalidade espiritual, vinda do
"agrado *ue ampara todos n7s.
Para *ue tudo isso ocorra, + necess$rio acima de tu-
do, estarmos amando a n7s mesmos e ao nosso pr7-
%imo. #, estarmos em pa, conosco mesmos e com o
mundo *ue nos envolve e nos cerca de muitos e mui-
tos milh1es e milh1es de estímulos a tudo e a todos.
Hnclusive, aos inumer$veis apelos consumistas.



ATI5IDADES D/ 5ARA4

• Insri!"es &>er(&s #&r& & re3is(&
$e %&r!o F)e (r&r@ & M84=ER
o%o (e%&. A(B 25 $e C&neiroV
• Insri!"es &>er(&s #&r& o II PrI'
%io 5&r&+ $o 0r&si+ $e 4i(er&()'
r&. So+ii(e o re-)+&%en(o &(r&'
3Bs $e nosso e-%&i+ o) +ei& e%
nossos si(e e >+o-V
• Insri!"es &>er(&s #&r& o 2Wo
S&+Ho In(ern&ion&+ $o 4i3ro $e
6ene>r& D30 $e &>ri+ & 4 $e %&io
$e 2014E. 5oI #o$e se insre'
3er #&r& 3ir &)(o-r&,&r o) &#e'
n&s #&r& en3i&r se)s +i3ros e es'
(&r #resen(e e% nosso &(@+o-o.
Pe!& o $ossiI $o &)(or &(r&3Bs
$e nosso e-%&i+
3&r&+$o>r&si+X-%&i+.o%
O MAL DE SEPMLVEDA

Por Keor+e do! Santo! Pacheco

As coisas não iam nada bem em Abaruna,
uma pe*uena cidade encravada na serra !luminense.
0m lugar apra,ível, de clima ameno, com rios e ca-
choeiras onde muitos mergulhavam a !im de restabe-
lecer suas !orças. (om essas *ualidades, havia ga-
nhado o apelido de LPedaço do (+uM, e%ibido no
p7rtico da cidade. "ua economia girava em torno da
criação de bois, por+m, os mais pobres criavam ca-
bras. "epúlveda era um deles. Javia se mudado para
l$ h$ um ano com sua esposa, buscando uma vida
melhor.
Eevantava todos os dias ;s cinco da manhã.
6rdenhava algumas cabras, depois soltava todo o
rebanho para pastar, recolhendo-os ; tardinha. (om
o leite, sua dedicada esposa !abricava *uei&os *ue
eram vendidos na cidade. I noite costumava ir ;
venda tomar uma pinga, e &ogar sinuca, en*uanto
Margarete !icava em casa re,ando. 6 assunto da ve,
era o aparecimento de uma onça na região. De,enas
de animais estavam aparecendo mortos nos sítios,
com os corpos dilacerados. 'ão sobrava *uase nada.
– .ota mais uma, (hico3 – disse ele, seguran-
do o taco em uma das mãos.
– #ntão compadre, devemos !ormar um gru-
po para caçar essa onça. – disse "ebastião dando
uma golada na cachaça, dei%ando escorrer pelo canto
da boca, *ue ele eventualmente limpava com a man-
ga da camisa.
– De acordo compadre3 – disse o Dr. 'unes,
o único !a,endeiro presente. ?alava como se tamb+m
!osse integrar o grupo. 'ão iria. (om certe,a seria
um empregado seu...
– Devemos ter cuidado senhores... A!inal,
ningu+m viu ainda a tal onça... – disse `a*ueu, *ue
era !ilho de "ebastião.
– 'ão entendo o por*u) dessa sua inseguran-
ça... 6 compadre Moura viu a onça devorando uma
de suas cabras, não !oi Moura4 – disse o pai de `a-
*ueu.
– 'a verdade... não tenho certe,a se era uma
onça... – disse Moura abai%ando a cabeça. – Apesar
da lua cheia, o bicho estava longe e eu não pude ver
mais *ue seus olhos vermelhos. Mas era grande, do
tamanho de uma onça ou maior.
– :oc) disse Eua (heia4 – perguntou Dr. 'u-
nes.
– "im doutor... – respondeu Moura.
– Temo estarmos lidando com uma criatura
do mal... – disse ele limpando o suor da testa. – Hsso
*ue o compadre Moura viu, realmente não era uma
onça. #ra um lobisomem...
– Mas não + possível3 'unca tivemos isso
por a*ui... – reclamou "epúlveda.
– Tamb+m nunca tivemos onças... – disse
`a*ueu, um pouco descon!iado.
– Hsso não e%iste gente3 :oc)s estão malu-
cos4 – disse (hico, o dono da venda.
– "e não !i,ermos nada, um dia pode ser um
de n7s *ue amanhecer$ morto pela criatura, se&a ela
onça ou lobisomem... – disse Dr. 'unes seriamente.
#ra o único *ue parecia acreditar plenamente na
e%ist)ncia das tais criaturas.
– Para mim chega3 :oc)s estão todos b)ba-
dos, a começar pelo doutor,inho3 – disse "epúlveda,
ao sair do bar, cambaleante.
– Me respeite "epúlveda3 :olte a*ui seu bor-
ra botas3 – disse ele levantando-se. (uspia ao !alar, e
seu rosto havia corado.
– Acalme-se homem... – disse (hico.
– ?açamos o seguinte5 Hremos todos para casa
ho&e, e pensaremos no assunto. Amanhã nos reunire-
mos mais uma ve, e decidiremos o *ue !a,er... – dis-
se Dr. 'unes com uma autoridade *ue nenhum outro
tinha.
6s homens saíram um a um da venda, cala-
dos e preocupados. "uas casas !icavam a l+guas dali
e a noite ia alta. Por mais *ue não acreditassem na
hist7ria, os sons dos animais noturnos e o vento *ue
sibilava nas $rvores assustavam. Mas eles !ingiam
não se abater...
– #ntão pai... Acredita no doutor4 – pergun-
tou `a*ueu en*uanto caminhavam pela estrada em-
poeirada.
– 6lha !ilho, seu avZ contava essas hist7rias
desde *ue eu era mole*ue. Mas eu s7 vou acreditar
no dia em *ue eu vir um... – disse ele pegando uma
pe*uena trilha *ue dava em sua casa.
(aminharam em sil)ncio at+ *ue ouviram um
animal rosnando, *ue parecia enorme. Pararam de
caminhar, mas continuavam a ouvir o rosnado. Am-
bos sentiram um arrepio percorrer a espinha. A mor-
te parecia iminente. 6usaram dar mais passos, mas a
criatura rosnava mais. 'ão tiveram coragem de olhar
para tr$s.
Decidiram correr. As passadas do bicho bati-
am pesadas ao chão, ap7s eles, e mais velho !oi al-
cançado. A criatura de *uase dois metros, pelos mar-
rons e olhos vermelhos, *ue estava o!egante e baban-
do, deu-lhe um violento golpe, derrubando-o ao
chão. "ebastião lançou um olhar suplicante para o
!ilho *ue não pode !a,er nada.
8"egue9
6 lobisomem lançou-se sobre ele, *ue gritava
desesperadamente, mordendo-o diretamente no pes-
coço. "eu sangue *uente &orrava e a criatura parecia
se divertir com seu corpo, arrancando-lhe pedaços de
carne, uivando e rugindo.
– 6 "enhor + meu pastor, nada me !altar$... –
recitava o rapa, correndo e chorando.
"epúlveda cambaleava a caminho de casa,
com a roupa su&a e rasgada, provavelmente devido a
um tombo. 'ão temia nada. 'ão era bravura, apenas
o e!eito da bebida. Alguns !icam cora&osos com pou-
cos goles.
Abriu sua porta, *ue rangia sombriamente,
*uebrando o sil)ncio *ue insistia em permanecer ali.
Descalçou-se e entrou lentamente, temendo acordar
a mulher, *ue estava no *uartinho. 0ma semana por
m)s ela dormia separada do marido. (oisas de mu-
lher...
Pelo caminho vinha pensando na hist7ria do
Dr. 'unes. #ra melhor se precaver. (on!eriu as &ane-
las, e trancou a porta de seu *uarto, pegando uma
espingarda *ue havia atr$s dela. (olocou-a ao seu
lado na cama e dormiu.
'o dia seguinte, "epúlveda chegou da venda
com o pão debai%o do braço e com os olhos arrega-
lados.
– /ue cara + essa, bem4 – perguntou Marga-
rete. Tinha por volta de um metro e sessenta, pele
p$lida e olhos l2nguidos.
– 6 compadre "ebastião morreu3 – disse ele
com a vo, bai%a. 'em ele mesmo conseguia acredi-
tar no *ue di,ia.
– Ara3 Mas morreu de *u)4 – perguntou ela
tomando o pão de suas mãos.
– Ah mulher... 0m bicho atacou a ele o !ilho
no caminho de casa ontem ; noite. 6 `a*ueu disse
*ue !oi lobisomem...
– Mas *ue absurdo3 – disse ela levando as
mãos ao rosto. – 'ão acho *ue isso e%ista...
– Mas agora a coisa + s+ria... 6 compadre
Moura &$ havia visto a criatura, mas ningu+m tinha
morrido ainda. # eu mesmo não acreditava, mas de-
pois dessa... – disse ele saindo de casa. :oltou minu-
tos depois com algumas t$buas debai%o do braço,
um martelo e pregos.
– 6 *ue vai !a,er4 – perguntou ela, con!usa.
– :oc) não me abra as portas nem as &anelas
desta casa por nada esta noite3 – disse ele en*uanto
pregava as t$buas nas &anelas. – Jo&e vamos caçar a
criatura3
Depois de re!orçar as &anelas e portas, limpou
a espingarda, *ue não podia !alhar *uando !osse ne-
cess$ria. 6 sol &$ estava no hori,onte e "epúlveda
precisava estar pronto para a caçada. Apro%imou-se
da mulher, deu-lhe um bei&o e a abraçou.
– #u te amo3 "e algo me acontecer, saiba *ue
sempre te amei e para sempre te amarei3 – disse ele
com os olhos mare&ados.
– #u tamb+m te amo *uerido3 'ão h$ de te
acontecer nada3 – disse ela com ar tristonho.
6 grupo reuniu-se na venda, como combina-
do, e saiu com armas em punho. Hnclusive `a*ueu,
*ue havia perdido o pai recentemente, estava l$, pro-
metendo vingança. Dr. 'unes mandou avisar *ue
tinha um s+rio compromisso e *ue in!eli,mente não
poderia ir, mas mandou um de seus capata,es...
(aminharam mata adentro tendo somente a
lua como !arol. Preparavam uma armadilha para o
monstro. Prenderam uma cabra numa estaca !incada
ao chão, !icando ; espreita. Puderam perceber o mo-
vimento brusco dos arbustos, a respiração o!egante e
suas passadas *ue !icavam cada ve, mais !ortes e
pr7%imas. ?inalmente ele saltou sobre a cabra, mor-
dendo !ero,mente seu pescoço. Mal podiam acredi-
tar no *ue viam...
– Desgraçado3 – gritou `a*ueu saindo da to-
caia atirando na criatura, *ue deu um !orte rugido e
se embrenhou na mata novamente.
– 'ão `a*ueu3 – gritaram eles. A atitude do
moço estava pondo tudo a perder.
6 monstro agitava as !olhas ao redor do ra-
pa, e toda a e*uipe se apro%imou. Temiam pelo pior.
A criatura parecia estar se preparando para o ata*ue.
– :olte a*ui seu desgraçado3 – disse ele dis-
parando um tiro na direção da mata. 'ão ouviram
mais som nenhum. De repente, os outros, *ue esta-
vam a uma dist2ncia consider$vel de `a*ueu, avista-
ram o monstro *ue caminhava lentamente e silencio-
so.
– 'ão3 – gritou (hico, mas era tarde. `a*ueu
teve tempo apenas de virar-se e des!erir-lhe um tiro,
mas a criatura o devorou assim como !e, com seu
pai. 6s homens atiraram nela, mas o monstro !ugiu
para a mata.
– Minha casa !ica para l$3 – disse "epúlveda
preocupado com a mulher. #la podia estar correndo
perigo3
(orreram atr$s do bicho. Avistaram-no caído
&$ no *uintal da casa de "epúlveda e o primeiro a se
apro%imar !oi ele, *ue logo viu a &anela do *uarto de
sua mulher, completamente destruída. #le estava
o!egante e !erido, parecendo se arrastar para a casa.
"eus olhos lacrime&avam e ele rugia bai%inho, como
um !ilhote na presença da mãe.

8"egue9
– 6 *ue !e, com minha mulher4 – esbrave&ou
– :olte para as trevas, monstro3 – disse "epúlveda
atirando no lobisomem. #le deu um grande grito e
!icou encarando-o, com a respiração r$pida e curta.
A*uele olhar lhe era !amiliar...
A criatura !oi perdendo tamanho. "eus pelos
sumiam rapidamente. As !eiç1es !emininas não de-
moraram a surgir e o corpo esguio de Margarete &a-
,ia moribundo em !rente a seu marido. Tudo então
começou a !a,er sentido. As noites *ue ela pre!eria
passar so,inha, eram e%atamente as sete noites da
lua cheia...
– 'ão3 Margarete3 – disse ele &ogando a arma
ao chão e abraçando o corpo nu da esposa, chorando
copiosamente.
– Me perdoe... – disse ela, e%pirando em seus
braços.
– 6 *ue estão esperando4 – esbrave&ou ele
com o rosto banhado em l$grimas. - Terminem logo
com isso3 – disse ele, abraçando ainda mais o corpo
!l$cido da esposa. "ua vida agora não !a,ia mais sen-
tido.
6 capata, de Dr. 'unes tentou det)-lo, mas
(hico e Moura o impediram, pois entenderam a sú-
plica do amigo. "epúlveda não *ueria *ue sua mu-
lher !icasse conhecida como o monstro. #ntregou
então a sua vida, para *ue salvasse ao menos a repu-
tação dela. "eus amigos, com as armas, o livraram
do martírio e ele tomou o lugar de Margarete. ?icou
conhecido como o terrível lobisomem de Abaruna,
morto en*uanto devorava a pr7pria mulher.

Noi(es in)si(&$&s

Por E$son <osB $os S&n(os



E o problema do ar condicionado persistia por mais uma noite de trabalho... Cheguei ao
meu limite de tolerância; após sete anos no emprego, e como o técnico da manutenção solucio-
nara, pela primeira vez era necessário pela primeira vez fazer uma reclamação ao chefe.
Dotado de bom senso e simpatizante do trabalho em equipe; não faria uma reclamação co-
mum como às dos demais colegas, mas uma dissertação, descritiva e narrativa através da escri-
ta de um texto conforme as regras do português padrão e não padrão... Deveria ser um texto
que expressasse a minha indignação; algo de maneira tal, que meu jeito pacato outrora me ne-
gara; que mostrasse a minha desesperadora situação trabalhista; que sensibilizassem o chefe;
que fossem inteligíveis com argumentos convincentes e cômicos a ele e a quem o lesse; mas
que, sobretudo o texto deveria meio incomodativo por busca da solução do famigerado ar condi-
cionado. Então peguei o bloco de anotações, a caneta esferográfica azul e comecei escreven-
do... Como de práxis passei o cartão do relógio de ponto da clínica e caminhei pelo corredor cen-
tral indo em direção ao local de trabalho, à farmácia do centro cirúrgico. Cumprimentei a colega
que simultaneamente despedia-se dando a chave da porta e recomendações do chefe. Assim,
assumi mais um plantão de 12 horas...
Abri, entrei e fechei a porta do setor de trabalho e deparei-me com o equipamento de ar
ainda danificado e conseqüentemente um calor quase insuportável dentro do pequeno recinto.
Então pensei: - Meeeeeeeeeeeeeu Deus!... Como trabalhar em situação tão adversa?... E os
medicamentos em temperaturas inapropriadas?!... Nem um ventiladorzinho!... Verdadeiramente;
estou no sal!...
Numa atitude desesperadora e temendo uma eventual invasão de pragas, com mosca ou
algum inseto enxerido, baixei a pesada janela de vidro isolando provisoriamente o centro cirúrgi-
co de sua farmácia. Embora perante as solicitações necessárias dos técnicos de saúde, sempre
que necessário tinha que levantá-la... Depois sentei na cadeira defronte à porta, segurei-a e fiz
dela ora leque por improviso; ora aberta devido o cansaço do fatigado movimento de indo e vin-
do com o braço. Enfim, tudo isso na ânsia desesperadora e desenfreada por uma singela brisa.
Mas por ser uma situação atípica e por despertar a atenção de outros profissionais que por ali
passavam, fechei a porta e dai em diante foi suor, lenço e fadiga; fadiga, lenços e suor... Assim
passou a noite e amanheceu o dia e veio outra noite e o dia; noite e di... à noite e o d... a noite e
o... o dia e a noite... à noite... a noit... a noi... a no...
4ITERAT8RA IN1ANTI4 0RASI4EIRA

Por Es(9er Ro-essi

Esta abordagem objetiva, a explicitação da ne-
cessidade de publicações textuais, cu-
jos personagens infantis e infanto-juvenis se-
jam – também – representados por suas pró-
prias etnias, visto a escassez dos personagens
afros.
Por que um dos mais conhecidos, e populares
personagens infantis negros - "O Saci Pererê,"
denota o mal e retrata – o portador de deficiên-
cia física, como que, algo cômico?
Por que a Branca de Neve além de branca, ain-
da, é "Neve?¨
Por que as princesas e fadas são sempre bran-
cas?

Faz-se necessário haver mudanças na Literatu-
ra Ìnfantil Brasileira concernente, aos persona-
gens tradicionais da Literatura Ìnfantil e Ìnfanto
-juvenil. Às crianças afro-brasileiras necessi-
tam, também, de personagens afros, tanto
quanto, às crianças índias necessitam de per-
sonagens indígenas.
Uma criança falou para os seus pais:
" – Não posso ser a princesa na peça teatral da
minha escola... Às princesas são brancas...¨
Fez-se necessária uma exaustiva busca, nas
prateleiras das nossas livrarias, por livros que
tivessem personagens afro-brasileiros, na nos-
sa literatura infantil, para que àquela criança
tomasse consciência da beleza e importância
da sua negritude, sem que sofresse sequelas.
Tenho me interessado bastante em conhecer,
aprofundar-me, em tudo quanto diz respeito às
nossas raízes. O meu interesse em participar
de seminários, oficinas, palestras e cursos,
com abordagens na cultura afro-brasileira, afro-
indígena, África lusófona, tem crescido e acres-
cido o meu entendimento, concernente às nos-
sas raízes. Temos alcançado um relativo pro-
gresso concernente à educação antipreconcei-
tuosa do nosso povo, durante quase que trinta
anos, no tocante aos afros. Porém, não pode-
mos negar que às marcas dos seus sofridos
passados, persiste no âmago de muitos. Mar-
cas repassadas em forma de histórias conta-
das pelos griôts, aos seus descendentes, as
quais, hoje, temos conhecimento – o que res-
salta a importante tarefa desses sábios an-
ciãos.
Nesses anos à Literatura Ìnfantil e Ìnfanto-
juvenil brasileira, tem prosperado, isso é fato.
Porém, falta divulgação – o que objetivou essa
narrativa, sobre a dificuldade de se encontrar o
citado material literário.











Ìmagem: Brasil Cultura
Entre tantos autores maravilhosos temos a Ana
Maria Machado com "Menina bonita do laço de
fita¨ – bela literatura infantil, porém, trago à to-
na, as marcas do passado, anteriormente cita-
das, dessa feita, através do depoimento de
uma educadora que, quando lia em sala de au-
la, "Menina bonita do laço de fita¨ percebeu o
mal causado pelo preconceito e às marcas ori-
undas, desse preconceito, em uma aluna.
Ao estimular a sua turma à leitura falou para os
seus alunos: " – Gente, eu trouxe um livro que
gosto muito, e, quero ler para vocês: "Menina
bonita do laço de fita¨ da autoria de Ana Maria
Machado!













Comecei a fazer à leitura, a cada página que
eu lia tinha uma aluna que se contorcia, de-
monstrando seu desagrado diante da escolha
da leitura. Em um determinado momento, já
quase do meio para o fim da leitura, a aluna
falou: – "Oh professora, eu não gosto desse
livro!¨

Logo ela que amava todas às leituras feitas em
sala de aula; que estava descobrindo a leitura
naquele ano, representante dos afrodescen-
dentes, vir com aquela fala... Mas, eu não me
intimidei, não fiz o que me pedia, continuei a
ler até o fim, mesmo diante das caras e bocas
da menina. Quando terminei de ler, ela adorou,
não a história, mas o fato de não mais ouvir
aquela história – chata!¨

Depois desse relato, faço algumas observa-
ções, ou melhor, faço minhas leituras a respeito
do comportamento da criança diante da leitura
citada; acredito que grande parte do desconfor-
to da aluna ( 4º ano , 9 anos de idade) vem de
sua cor, pois o livro faz menção a uma criança
negra, e ela é a única criança negra da sala, ou
era, até o ano passado; recentemente recebe-
mos um garotinho negro.
Quando eu explicava os porquês de como o
personagem do livro ficar pretinho, automatica-
mente, às crianças a olhavam, e, os olhares
causava-lhe mal estar; não sentia representar
os negros, sentia ser a diferente da sala - a ne-
gra, inferiorizando-se, já que não assumia a
sua negritude.

Outra leitura que pode ser feita também é que
ela não se identificava como a menina bonita
pretinha, quando questionada sobre sua cor
nomeava-se, morena clara. Não se identificava
como afrodescendente; não se via representa-
da naquela narrativa, naquelas imagens...¨
(Segue)
Diante de todas às conquistas, das quais, te-
mos conhecimento nesses anos, podemos com
certeza aplaudir a iniciativa governamental,
quando no início do ano de 2003, o então presi-
dente da República Luiz Ìnácio Lula da Silva,
reconhecendo a importância das lutas antirra-
cistas dos movimentos sociais negros, reco-
nhecendo às injustiças e discriminações raci-
ais, contra os negros no Brasil e dando prosse-
guimento à construção de um ensino democrá-
tico que incorporasse a história e a dignidade
de todos os povos que participaram da constru-
ção do Brasil, contribuíram para a alteração da
Lei nº 9.394/96 - que estabelece às diretrizes e
bases da educação nacional -, sancionando a
Lei Nº 10.369/03. A Lei nº 9.394/96 passou a
vigorar acrescida de artigos que incluem as se-
guintes diretrizes:
· Art.26-A. Nos estabelecimentos de ensino
fundamental e médio, oficiais e particulares,
torna-se obrigatório o ensino sobre História e
Cultura Afro-brasileira.
· §1º. O conteúdo programático a que se refere
o caput deste artigo incluirá o
estudo da História da África e dos Africanos, a
luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasi-
leira e o negro na formação da sociedade naci-
onal, resgatando a contribuição do povo negro
nas áreas social, econômica e política pertinen-
te à
História do Brasil.
· §2º. Os conteúdos referentes à História e Cul-
tura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito
de todo o currículo escolar, em especial nas
áreas de Educação Artística e de Literatura e
História Brasileira.
· Art.79-B. O calendário escolar incluirá o dia
20 de novembro como "Dia Nacional da Cons-
ciência Negra".
A referida Lei propõe reflexões relevantes para
a implantação de ações educacionais que bus-
quem a superação do racismo e a valorização
da população afrodescendente. Acredita-se
que, uma vez alcançados os objetivos previstos
nesta legislação, seus efeitos poderão repercu-
tir em toda a sociedade, podendo transformá-la
em uma sociedade mais igualitária.


INSCRE5A / SE8 4I5R/
IN1ANTI4 N/ N/SS/
CATL4/6/ 2014 PARA / 2Wo
SA4Q/ INTERNACI/NA4 D/
4I5R/ E DA IMPRENSA DE
6ENE0RAG

Pe!& o $ossiI $o &)(or:

3&r&+$o>r&si+X-%&i+.o%
Se#&r&!Ho $e SA+&>&s

Por 1e+i#e C&((&#&n






lá - pi - de

sem canto nem preposição

resta a proporção

geométrica

(no centro da mensagem)

sobrevivendo à separação

que lapida a linguagem

numa imagem em decomposição
So) #ro,essorG

Por E+ois& Mene:es Pereir&

Professor ,mágico da informação
Persiste na História
Protagonizando a memória
Resgata a educação

Desmotivado, engatinha
Fortalecido pela esperança
Novos olhares mantinha
Na transformação da criança

A sociedade o reconhece
Degustas a evolução
Na aprendizagem amanhece
Aprimorando a construção

Agradecemos a ti, professor
Os cidadãos que formaste
Esculpindo o mentor
Homem o tornaste
E Venho

Por El i ane Mari a

Pr es t em at enção . . .
Pr epar em- s e 3
#s cut em3
6l hem e ve& am . . .
:e& am meus amados an& os
:e& am meus an& os guer r ei r os
:e& am meus an& os mens agei r os
:e& am meus an& os da cur a e do
per dão
:e& am,
#s t ão t odos a*ui . . .
"er a! i ns , /uer ubi ns , Pot es t ades ,
Tr onos , An& os , Ar can& os . . .
:e& am . . . s ão mi l har es . . . s ão
mi l h1es
H l umi nando e col or i ndo os c+us
com s uas Di vi nas Pr es enças
#nt oando os (2nt i cos (el es t i -
ai s . . .
Pr epar ando,
Anunci ando com & úbi l o a Mi nha
(hegada.

#u venho a t odos os l ugar es
#u venho a t odas as di r eç1es
Jo& e, eu venho a t odos voc)s 3

Jo& e, #u venho
#u venho abr açar - vos com meu
Di vi no Amor
#u venho abr açar - vos com meu
?l ame& ant e (or ação
#u venho abr açar - vos com a Pur e-
, a da mi nha Eu,
#u venho abr açar - vos com o #s -
pl endor da :er dade
#u venho abr açar - vos com a Pa,.
#u venho o! er ecer - l hes
a Ei ber dade.

Jo& e, eu venho abr i r o Por t al do
(ami nho do Fegr es s o . . .
. . . ao (or ação de Deus Pai - Mãe.

#u venho . . . #u venho . . .
Jo& e . . .
#u venho . . .
#u abr aço e per mei o t oda a Ter r a
com a pl eni t ude do Meu Amor e
da Mi nha Eu,.
#u abr aço, e per mei o t odas as
cr eat ur as , ! i l hos e ! i l has do
(r eador
#u abr aço e per mei o t odas as ! or -
mas de :i da
#u abr aço e per mei o t oda e *ual -
*uer par t í cul a de :i da
#u abr aço e per mei o t odos os es -
t ados de cons ci )nci a
#u abr aço e per mei o os *uat r o
r ei nos da nat ur e,a
#u vos abr aço com o anúnci o da
Fedenção3
#u vos abr aço com o Mi l agr e da
Fes s ur r ei ção3
Jo& e,
#u venho . . . s uave. . . por +m po-
t enci al ment e . . . .
#u venho par a t r i un! ar
#u venho par a r ei nar
#u venho em (ompai %ão
#u venho par a vos r edi mi r
#u venho par a vos l i ber t ar
#u venho par a vos gl or i ! i car
#u venho par a vos ar r ebat ar na
"upr ema Rl 7r i a da 0ni dade3

Des nudem s uas al mas . . .
Fendam- s e i nt ei r ament e . . .
Abr am- s e ver dadei r ament e . . .
Abr am- s e docement e . . .

8 "egue9
Abr am- s e del i cadament e . . .
As s i m como o ! a, em as ! l or es . . .
#nt r eguem- s e ao Abr aço (7s mi co
do meu Amor . . . 6 Amor do (r i s t o
Par a *ue #u , 6 (FH "T6 ,
"e& a :i vo, l at ent e e at uant e
#m cada uma das cr eat ur as do
(r eador
#m cada par t í cul a de :i da na Ter -
r a
#m cada um de v7s .
0namo- nos t odos no Abr aço (7s -
mi co do Amor do (r i s t o.
Abr acemo- nos . . . abr acemo- nos . . .
abr acemo- nos 3
'o (or ação do (r i s t o, s e& amos t o-
dos 0m.

Jo& e,
#u venho, eu venho, eu venho
Par a voc)s , por voc)s e em vo-
c)s . . .
#u venho,
Pr es t em at enção,
Pr epar em- s e 3
#u venho.
#u, o (r i s t o , venho ho& e, par a o
t ão es per ado Abr aço 3
#u venho, em Tr i un! o e Rl 7r i a
#u venho par a vi ver e r es pl ande-
cer no cor ação de cada um de v7s .
#u venho par a *ue bebam da "a-
gr ada Taça . . .
#u venho i ni ci ar a vos s a As cens ão
na Eu,.

:enham,
Tudo es t $ di vi nament e or *ues t r a-
do . . .
6 Por t al es t $ aber t o . . .
6 Por t al + o Meu Abr aço,
6 Meu Abr aço + o (ami nho do
Fegr es s o.

:enham meus *uer i dos ,
:enham t odos v7s
Todos vos es t amos es per ando.
:enham, venham, venham. . .
Mer gul hem i ncondi ci onal ment e no
Meu Abr aço. . .
#m abandono, abr acem o Por t al do
Meu Abr aço.

:enham.
=ISTÓRIA D/ 0RASI4 S/0 A
ÓTICA 1EMININA

=e>e C. 0o&-5i&-e% A. Cos(&














4o)ren!& Co)(in9o
SB)+o X5III
Cris(H - no3&, 3A(i%& $& InF)isi!Ho
Lourença nasceu no Rio de Janei-
ro e pertencia a uma família de cristãos - novos
radicados no Brasil há duas gerações. Todos
eles estavam em boa situação financeira, eram
cultos e nada sabiam do judaísmo que seus
avós professavam antes de virem para o Brasil.
Tornaram-se cristãos e viviam aqui dentro dos
preceitos da religião que adotaram.
Lourença era casada com o advo-
gado João Mendes da Silva. O casal tinha três
filhos: André, Baltazar e Antonio José, todos
eles batizados na Sé do Rio de Janeiro.
O simples fato de Lourença fazer
a limpeza de sua casa às sextas-feiras levou os
inquisidores a pensarem que era para ela poder
guardar o sábado, o Grande Dia, segundo os
costumes judaicos. Essa suspeita causou uma
reviravolta na família.
As denúncias do Tribunal do San-
to Ofício levaram D. João V a ordenar a presen-
ça em Lisboa de todos os adeptos do judaísmo
residentes no Brasil. Começa aí a terrível saga
que a família Silva iria percorrer.
Da confortável residência em que
viviam, os Silvas foram parar nos porões dos
navios abarrotados de outros cristãos novos.
Todos esses infelizes, espoliados de seus bens,
não tinham a menor idéia do que estava para
acontecer. Foi então que os filhos de Lourença
souberam que seus antepassados e eles mes-
mos eram judeus.
Ao chegar a Portugal, Lourença
foi presa e os filhos ficaram privados da presen-
ça da mãe. O caçula, Antonio José, tinha ape-
nas oito anos e não podia compreender a razão
dessa prisão. "Após sua regeneração¨, Louren-
ça foi absolvida e voltou para o lar. A sua vida e
dos seus familiares, nunca mais voltou a ser
como aquela que haviam desfrutado no Brasil.
(Segue)

Antonio José cresceu nesse am-
biente, estudou em Coimbra e logo se destacou
como comediógrafo, advogado e poeta luso-
brasileiro. Ìntelectuais se reuniam frequente-
mente na casa do conde de Ericeira e, num
desses encontros, Antonio José, Francisco Xa-
vier de Oliveira e o padre Álvares de Aguiar ri-
dicularizaram um livro infamante contra os ju-
deus. Esses comentários chegaram aos ouvi-
dos dos inquisidores e, dias depois, os três so-
freram as consequências dessa imprudência.
Antonio José foi preso e Lourença
também, ambos sob acusação de judaizantes.
Ao ser perguntado sobre qual era sua religião,
Antonio José disse não ter nenhuma, mas os
inquisidores acusaram-no de judaizante e por
isso estaria obrigado a denunciar todas as pes-
soas com quem comunicou as leis de .oisés,
fossem vivas ou mortas, parentes ou não. Co-
mo se mantivesse em silêncio foi encaminhado
para a prisão onde deveria procurar lembrar-se
de nomes e fatos, sem nada omitir. Ao ser no-
vamente interrogado, denunciou uma só pes-
soa já falecida, o que não foi considerado sufi-
ciente para absolvê-lo. Ainda havia uma agra-
vante, pois ele não citara nem uma vez o nome
de sua mãe, Lourença Coutinho. Ìsso determi-
nou que ele fosse posto a tormento e, sob jura-
mento, prometeu que nada diria sobre o que
visse, ouvisse ou sentisse. Quando foi absolvi-
do, depois de abjurar e de prometer jamais re-
cair em heresia, Antonio José ficou arredio com
medo de ser novamente preso e complicar a
situação da mãe que ainda estava encarcera-
da.
Lourença foi libertada três anos
depois e a vida parecia que voltava ao normal.
Dessa fase Antonio José escreveu:
Aa confusão da dor o &em perdi-
do ) nunca se encontra) ainda que
ac"ado.
Com o retorno da mãe Antonio
José se animou e escreveu uma ópera que
seria apresentada nos festejos do casamento
do príncipe D. José. Novamente desfrutava da
amizade dos nobres. Resolveu também escre-
ver peças para o povo em geral. Partindo da
obra de Cervantes e criando situações novas
escreveu 'ida do Crande 6. @ui!ote de 5a
.anc"a e obteve muito sucesso. Em 1733
apresentou ,sopaida ou a 'ida de ,sopo e o
resultado foi muito bom, ou até muito melhor,
do que o da primeira peça. O teatro popular
passou a atrair mais espectadores do que
aqueles freqüentados pelos nobres. As outras
companhias teatrais começaram a ver Antonio
José, o Judeu, como um concorrente que preci-
sava ser descartado.
Antonio José, em 1733, casou-se com Le-
onor, uma cristã - nova, que já havia sido per-
seguida pelo Santo Oficio. Os Ìnquisidores es-
tavam atentos e procuravam nas peças do
aplaudido comediógrafo, indiretas mordazes
que os censores não teriam percebido. A fama
de Antonio José atingiu o auge com a sétima
peça: 'ariedades de 3rometeu e já estava en-
saiando a oitava, 3recipícios de Daetone,
quando novamente começou o seu calvário.
Uma escrava, por vingança, foi ao Tribunal do
Santo Ofício levantar falsos testemun"os a An-
tonio Eosé e a toda a gente da casa. Assim, no
dia 5 de outubro de 1737, a família reuniu-se
para comemorar o segundo aniversário de
Lourencinha, a filha de Antonio José.
(Segue)
Era um sábado, dia sagrado para os judeus. A concorrência de tantos fatores pro-
piciou à Ìnquisição poder invadir a casa e prender Antonio José, Lourença e Leonor.
Poderosos tentaram interceder a seu favor, mas os Ìnquisidores foram inflexíveis.
Antonio José, o Judeu, como ficou conhecido, foi condenado à morte. Sendo acusado de judai-
zante, teve pena mais branda, isto é, não seria queimado vivo e sim depois de morto. Como era
costume na época, o rei, altos dignitários, os inquisidores e a população curiosa assistiram a sua
execução. Numa de suas peças Antonio José dizia:
*a&ei que (ustiça é coisa pintada. Eá sei infeliz que como és cega não verás da
sentença a iniquidade”
Condenada à prisão perpétua Lourença Coutinho, aos 61 anos de idade, assistiu
todo o martírio do filho e, pouco tempo depois, faleceu.

P&r& s&>er %&is
COSTA, H.Boa-Viagem A. Elas as pioneiras do Brasil – são Paulo, Ed. Scortecci, p.55. 2005

RE14EXÕES E PRLTICAS
6E/6RL1ICAS

Ri&r$o S&n(os $e A+%ei$&

Y/ sen(i$o $& CiIni& 6eo-r@,i& e & on(ri'
>)i!Ho $e es()$iososZ

A Geografia pode ser considerada a ci-
ência com história mais longa devido às ten-
dências dos povos antigos que migravam para
várias localidades na Terra deixando rastros,
enriquecendo a partir disso conhecimento sobre
as paisagens e seus obstáculos naturais, mes-
mo assim tornou-se ciência no final do Século
XVÌÌÌ na Alemanha e se consolida no início do
Século XÌX. Nos Séculos anteriores a ciência
geográfica ainda não era assim classificada,
pois os mitos, lendas e ainda a falta de um ob-
jeto de estudo especifico inviabilizavam a sua
consolidação.
Para Moraes (2003) as ideias geográfi-
cas surgiram com os povos antigos e se davam
através de conhecimentos de como se davam
as estações do ano, o comportamento dos rios
e áreas costeiras e que viabilizavam o acesso a
alimentos, possibilitando também a observação
sobre os componentes da fauna e flora. Contu-
do, viabilizava também como se davam as rela-
ções sociais e deslocamentos.
É necessário frisar que há uma subdivi-
são do conhecimento geográfico em antes e
posterior aos registros históricos principalmente
devido a pouca ou duvidosa quantidade de in-
formações sobre a pré-história, já no caso da
segunda divisão esta contém mais conteúdo,
no que se referem aos conhecimentos adquiri-
dos após as primeiras explorações do ser hu-
mano que viabilizou seu processo evolutivo e
em paralelo a isto, as questões agrárias estão
diretamente associadas, pois são neste mo-
mento que estão inseridas as técnicas que via-
bilizam a transformação da natureza, pois para
Moreira (1982, p. 1.) a natureza socializada é a
natureza original, transmutada.
A #ri%eir& n&()re:& permanece em es-
sência na se-)n$& n&()re:&, a natureza sociali-
zada, havendo entre as duas uma unidade dia-
lética: são e não são, a um só tempo, a mesma
coisa. É com o homem primitivo que as ques-
tões territoriais que remetem a disputa por po-
der de determinadas áreas para atender a seus
anseios surgem e para tal torna-se necessária
a transformação da primeira em segunda natu-
reza.
Moraes (2003) afirma que a ciência geo-
gráfica começa a ser reconhecida como ciência
a partir do alastramento das relações capitalis-
tas de produção pelo mundo com a Revolução
Burguesa na Ìnglaterra e o início do processo
efetivado na França nos fins do Século XVÌÌÌ.
(Segue)
O principal desafio da ciência geográfica
era sua ligação com a História pondo questões
de se a Geografia era ou não algo para ilustrá-
la e como se dariam os estudos entre natureza
e o homem.
Moraes (2003) destaca que é com os
povos orientais que se dá o desenvolvimento
empírico, a realização das observações e esta-
belecimento de estudos matemáticos dando
origem a estudos sistemáticos do mundo que
contribuíram significativamente para conhecer
outros lugares do mundo e suas especificida-
des. Quanto aos povos mesopotâmicos e egíp-
cios são atribuídos os estudos sobre a geome-
tria, agricultura e hidrografia que relacionados
possibilitaram o desenvolvimento daquela civili-
zação também através das relações comerciais
com outros povos.
O autor também frisa que os gregos acu-
mularam esses conhecimentos supracitados
para tornar sua civilização mais forte sendo pri-
vilegiada pela sua localização, além de contri-
buírem com os estudos sistêmicos que viabili-
zaram a compreensão de fenômenos sísmicos,
de como se desenvolveu a população mediante
o ambiente ao qual viviam dependendo de es-
tudos mais aprofundados sobre o solo e clima.
Já sobre os romanos, salienta a preocupação
de Pompônio, Mela e Plínio na descrição do
vasto império visando indicar a localização de
áreas prósperas que possibilitasse mais rique-
za a partir da comercialização de produtos,
contribuindo assim na construção das vias de
acesso as cidades, aquáticas ou rodoviárias.
Com a expansão do cristianismo há uma
espécie de retrocesso ao avanço da geografia,
pois é principalmente durante a Ìdade Média
que muito do que fora produzido sobre o espa-
ço geográfico foi simplesmente ignorado ou
confiscado. Mesmo assim, os árabes traduzi-
ram e apossaram-se de documentos e livros
que estavam nas bibliotecas de Alexandria e de
Ptolomeu e os possibilitaram o conhecimento
das obras fundamentais de Aristóteles e de
Ptolomeu, que mesmo não sendo geógrafos
possuem estudos que dependiam de descri-
ções dos lugares e seus contextos sociopolíti-
cos.
Com os povos árabes há mais estudos e
aplicações no que se refere aos processos de
urbanização, estudos sobre agricultura, cons-
truções e explorações navais contribuindo as-
sim em contatos com outros povos, línguas e
costumes sendo socializados também com os
povos dominados.
A Ìgreja Católica, sua influência, a cobiça, de-
sejos comerciais, a conversão dos povos e o
bloqueio da transmissão de ideias, hoje consi-
deradas verdadeiras, como a esfericidade ter-
restre, também contribuíram significativamente
para a construção da ciência geográfica, pois
em contradição dialética potencializou a expan-
são marítima inserindo em mapas simbologias
como monstros marinhos como significado para
as turbulências e demais fenômenos marítimos.
Além da descoberta de novos mundos, é atra-
vés desta contradição que foram divulgadas a
bussola, o astrolábio e a construção de embar-
cações mais sofisticadas para a época, como a
caravela e nau. Fomentou também a confecção
dos postulados ou mapas que descreviam rotas
marítimas inserindo nestes, informações sobre
clima, vegetação, vulcanismo e as formas de
ação do homem sobre a natureza e sua relação
com o meio ao qual vive.
(Segue)
A ciência geográfica para Moraes (2003)
se destaca por englobar uma variedade de fe-
nômenos estudados, cada um por diferentes
ciências não isolando um objeto especificamen-
te seu.
É através de fatores histórico-estruturais
que se observa a base material das socieda-
des, o modo de produção ao qual estão inseri-
dos e seu processo de desenvolvimento socio-
espacial possibilitando ao mundo a expandir-se
no aspecto econômico viabilizando a formula-
ção de postulados científicos e filosóficos como
exemplo, o conceito de espaço geográfico, pois

[...] o conceito de espaço geográfico se en-
riquece porque nele se introduz o homem
com sua história. Mais claramente, o espa-
ço geográfico é definido como sendo a su-
perfície da terra vista enquanto morada,
potencial ou de fato, do homem, sem o qual
tal espaço não poderia sequer ser pensado.
[...] espaço a&soluto o espaço torna-se uma
coisa em si mesma, [...] independente [...].
[...] espaço relativo este é entendido a partir
de relacionamentos entre objetos, e o espa-
ço relativo só existe porque os objetos exis-
tem e se relacionam mutuamente. [...] espa-
ço relacional este é visto como existindo
nos objetos, no sentido de que um objeto
somente pode existir na medida em que ele
contenha e represente dentro de si relações
com os outros objetos. (CORRÊA, 1982. p.
1-2).


E é neste espaço geográfico que segun-
do Moraes (2003), no final do Século XVÌÌÌ, na
Alemanha, Alexander Von Humboldt (1769-
1859) com boa origem social legitima a supera-
ção do determinismo considerando aspectos
naturais e humanos. Neste, não os dissocia uti-
lizando a valorização da estética, da lingua-
gem. Há também a ideia de unidade e enciclo-
pedismo que de modo descritivo articula a ob-
servação dos fenômenos e sua reflexão sobre
o que está sendo estudado demandariam o ob-
jeto da Geografia e com isso generalizavam-se
os fenômenos a partir das comparações e com-
binações.
Sob o pensamento iluminista Humboldt
elaborou propostas e articulações de raciocí-
nios que tornaram a fé na razão como ideário
para o desenvolvimento intelectual que levaria
a sociedade a melhorar seu estado e institui-
ções políticas. Pensou a história como um pro-
gressivo domínio da natureza pelo pensamen-
to, visando instaurar uma ordem social que re-
cuperasse os direitos naturais do homem iden-
tificados pela via da razão e do conhecimento
sendo contrario ao pensamento religioso.
Seus principais métodos eram a articula-
ção da observação dos fenômenos e sua des-
crição como reflexão e possibilidade teórica
que demanda seu objeto. Observava o levanta-
mento empírico e a filosofia da natureza na
busca de novos procedimentos metodológicos
e campos de investigação geográficos. Colocou
-se contra a especulação elaborando materiais
que não se detinham a impressões subjetivas.
Segundo Moraes (1990) devido a grande
importância do contexto social alemão que por
meio da busca por uma organização política e
de identidade no campo cientifico que Friedrich
Ratzel (1844-1904) dirige suas argumentações
utilizando conceitos fundamentais da Geogra-
fia, como o Território, sendo este uma porção
de terra com aglomerado humano sob posse
de alguém, e Espaço Vital, enquanto porção do
planeta necessária para a reprodução de uma
comunidade equilibrando a população e os re-
cursos contidos nela, gerando um caminho pa-
ra a reformulação destes conceitos.

(Segue)
Através desta formulação Ratzel analisa
como essenciais a defesa e o direito de um po-
vo a um território, observando-se fatores como
violência, guerra, conquistas, o embate entre as
sociedades, raças e nações como componen-
tes naturais, pois o contato entre outros povos
se dá através das relações comerciais, assimi-
lação ou guerra. Diferencia a guerra entre ou-
tros povos naturais ou cultos, ocorrendo primei-
ro a escravidão e posteriormente a real con-
quista do território.
Já na França, no Século XÌX, que Paul
Vidal de La Blache (1845-1918), fundador da
corrente majoritária do pensamento e escola
geográfica planeja uma Geografia Universal
que através do estudo da região potencializaria
a compreensão do meio físico. Utilizando-se
dos métodos naturalista, possibilista, positivista
e relativista sugere como objeto da Geografia: o
estudo das relações entre homem e natureza,
apenas na perspectiva da paisagem, sendo o
homem um ser ativo transformador do meio em
que vive estudando os gêneros de vida, seus
motivos e relação com os meios naturais sendo
os traços classificatórios e particulares que via-
bilizam a prática da indução e da observação
dos fenômenos por ele analisados nas paisa-
gens por ele pesquisadas especificamente na
França durante a Guerra Franco-Prussiana.
Para Ratzel o Estado, segundo Moraes
(1990) delimita o território contento patrimônio
cultural acumulado e a defesa do espaço vital
sendo esta a função da organização da socie-
dade viabilizando a defesa de seus anseios
movidos a partir de interesses próprios possuin-
do &#e(i(e (erri(ori&+ gerando atritos na essência
do Estado. Esses atritos a estratégia imperial
tornam relativas as inevitabilidades a guerras
no período bismarkiano, sendo estes os atribu-
tos que potencializam as concepções político-
sociais contidas nas propostas geográficas de
Ratzel.
As teorias de Ratzel, primeiro autor a
propor uma geografia mais voltada ao entendi-
mento do homem no espaço geográfico, são
retomadas por autores nazistas que buscavam
a unificação da Alemanha sintetizando a geo-
grafia como ciência que trabalha e aprende so-
bre fenômenos podendo adotar também posici-
onamentos. Já Karl Ritter (1779-1859) tratava o
homem como sujeito da natureza observando o
mundo diferenciando a natureza da Terra (esta
projetada por Deus para o desenvolvimento da
espécie humana) e os fatos sob uma ótica mais
prudente já como sendo religioso divergia na
defesa entre ideais racionais e a fé. Partia do
geral para o individual, sendo através do méto-
do redutor ou das conexões os caminhos para
a compreensão do contexto histórico para sa-
ber a evolução social e acelerava a subordina-
ção necessária da matéria à lei geral.

P)>+i&$o ori-in&+%en(e e%:

ALMEÌDA, Ricardo Santos. Moni(ori& $&
Disi#+in& 6eo-r&,i& A-r@ri&: Ìniciação à Do-
cência para a Formação Acadêmica em Nível
Superior. 2012. 98 f. Trabalho de Conclusão de
Curso (Especialização em Formação Para a
Docência do Ensino Superior) – Centro Univer-
sitário CESMAC, Alagoas. 2012.

*Ricardo Santos de Almeida é Graduando Geo-
grafia Licenciatura pela UFAL/ÌGDEMA, Especialista em
Formação para a Docência do Ensino Superior pelo Cen-
tro Universitário CESMAC e Educação do Campo pela
Universidade Cândido Mendes.
LITERATURA & ARTE

LUIZ CARLOS AMORIM
/ CRESCIMENT/ D/ 4I5R/ DI6ITA4 N/
0RASI4


A Câmara Brasileira do livro divulgou, recente-
mente, que a venda de livros digitais – e-books
– teve um incremento de 350%, entre 2011 e
2012, embora mesmo com todo este cresci-
mento, isso represente apenas um por cento do
faturamento do mercado livreiro.
Pouco mais da metade das editoras brasileiras
– que não são tantas assim, diga-se de passa-
gem – já aderiram ao livro digital e publicam
também nessa plataforma, vendendo os e-
books em lojas virtuais próprias ou em lojas tra-
dicionais deste tipo de publicação, que aporta-
ram no Brasil apostando nesta nova maneira de
ler, neste novo nicho.
Até porque o Brasil é um mercado em potencial
para o livro digital, uma vez que o formato está
começando a se popularizar. E se considerar-
mos que os smartfones e os ta&lests já são
muito populares – já existe mais de um bilhão
de telefones multimídia em uso no país, além
da grande quantidade de ta&lets e note&ooFs –
basta que apenas uma parte dos proprietários
desses aparelhos compre algum livro eletrônico
para ler neles que a venda dos mesmos dispa-
re.
É fato que a maioria das pessoas que têm um
ta&let ou um smartfone nem sabe que pode ler
um livro neles, tamanha é a quantidade de op-
ções de uso para eles, mas aí deve entrar o
marketing das editoras e dos livreiros.
A verdade é que os e-&ooFs brasileiros estão
muito caros. O livro impresso, tradicional, sem-
pre foi um produto caro. E livro digital, que dis-
pensa a impressão, deveria sair muito mais ba-
rato que a versão em papel, já que dispensa
todo um custo industrial – mão-de-obra, matéria
prima, equipamentos, logística de distribuição,
etc. No entanto, não é o que vem acontecendo,
aqui no Brasil. O preço de alguns livros digitais
se aproxima muito do preço da versão tradicio-
nal, impressa em papel.
A desculpa para a aproximação do preço do e-
&ooF brasileiro com o preço do livro impresso é
que o e-&ooF não traria apena o texto, ele pode
agregar sons, imagens, links para complemen-
tação da leitura. E a produção disso seria um
tanto elevada. Eu, particularmente, prefiro um
livro com o velho e bom texto, para que eu re-
crie um romance com a minha imaginação e
criatividade, partindo do que o autor me ofere-
ce. Não quero um monte de entulho e penduri-
calhos dentro do meu livro. Acho, sim, que o
recurso é muito bom para livros infantis, embo-
ra pense que também as crianças merecem
exercitar a sua imaginação na recriação de
uma fábula ou um conto. E nos livros didáticos
e técnicos, aí sim os complementos viriam bem
a calhar.
Então o livro digital pode crescer, sim, mas por
mais que cresça, o certo é que ele vai conviver
harmoniosamente com o livro impresso, pois
por muito e muito tempo aquele livro tradicional,
que a gente pode folhear, manusear, que não
exige nada para poder ser lido, a não ser a luz,
continuará soberano.


Por Luiz Carlos Amorim –Escritor – Http://
www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
F@L@NDO, DIZENDO E
CONT@NDO EM P@RTES, @
VERD@DE
J_r_mi[s fr[nis torr_s
0RASI4, AM8I NQ/ N C=INA...
A China hoje é uma potência
sob todos os aspectos, inclusive na fabricação
e exportação de tudo que existe na face da Ter-
ra. No entanto, a quantidade excessiva de pes-
soas e o consumo necessário de gêneros ali-
mentícios, fizeram os chineses primar pela
emergência, optando por passar a fio de facão
tudo que se move. À exceção dos seres huma-
nos, eles comem tudo. A necessidade do povo!
O desespero de se manter vivo!
Aqui no Brasil, no entanto, em
parte acontece o contrário: imensidão de terras
e rios, muita gente, porém, ainda pouco povoa-
do, entretanto, tem-se matado muitos animais
que deveriam ser preservados como é o caso
do cavalo, do burro e agora, sob o pretexto de
pesquisas, os cães!
A Ciência, para ser verdadeira-
mente merecedora de destaque no cenário in-
ternacional, nacional e aonde quer que seja,
deve ensejar pesquisas enobrecedoras para o
alívio das doenças dos seres humanos e mes-
mo dos animais com a devida cautela e discer-
nimento! Pois, tudo hoje pode ser sabido: redes
sociais, etc.
Violado alguns desses concei-
tos, os resultados podem ser até satisfatórios,
mas, o preço que se há de pagar pode ser mui-
to alto!
Em recente declaração, mais
precisamente do dia 23 de outubro, o Ministro
responsável pelo gerenciamento desse setor,
se manifestou de maneira clara, a desqualificar
a atitude dos ativistas que inconformados, ten-
do em vista a inamovibilidade das leis e demora
em sua aplicação e o pior, de qualquer refor-
mulação, adentraram à sede do Ìnstituto Royal
e libertaram os animais.
O que no meu mísero ponto de
vista, demonstra uma visão um pouco estereoti-
pada da realidade, haja vista serem duas ques-
tões completamente diferentes pautadas dentro
de um complexo mesmo assunto. São elas: a
libertação dos cães que culminou em infração a
lei e a inconformação com uma lei, que há mui-
to já deveria ter sido revista!
Ìnclusive, senhor Ministro, se-
melhante ponto de vista ao longo da história da
humanidade, dá sim, ensejo a outras interpreta-
ções, inclusive àquela que deixou Sócrates o
Filósofo Grego, pouco antes de sua morte, ao
ser acusado por opositores que corrompia a
juventude, quando pregava a sua Maiêutica:
"desobedeço sim, as leis, quando injustas, mas,
quem desobedece assim as leis, é melhor do
que elas!¨
(Segue)
Os medicamen!os de al!os cus!os 9ue com)ramos (9uando se di# al!o cus!o0 2 al!o cus!o mesmo)0 s/o
!odos de *1rmulas im)or!adas0 dos >FA0 >uro)a0 e!c0 a!2 mesmo os medicamen!os usados em animais0
basicamen!e !odas )ossuem )rinc;)io a!uan!e indo de *ora( >n!/o a )ergun!a 9ue se *a# 2 a seguin!eE
)or 9ue !an!os cachorros em ca.eiroP Se de uma 5nica e#0 *oram encon!rados NKK0 imagine-se ao lon-
go desses anos !odosQ

4o en!an!o0 onde es!/o os resul!ados das )es9uisasP 9ueremos erQ Rueremos en!en-
der )or 9ue somen!e nos c/es e mais )recisamen!e )or9ue em de!erminada ra3a de c/es !em 9ue se-
rem *ei!os esses !es!esP Res)ondidas D con!en!o0 a aalia3/o @ca com as crian3as e com os seres huma-
nos sens;eis a causa do amor ao )r16imo e o )r16imo senhores cien.s!as0 !amb2m 2 um c/oQ
Re3is(& 5&r&+ $o 0r&si+
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