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A história da Engenharia das comunicações e seus

aspectos tecnológicos
INTRODUÇÃO

Engenharia é a arte, a ciência e a técnica de bem


conjugar os conhecimentos especializados de uma dada área
do saber, com o apoio da viabilidade técnico-econômica, para
produzir novas utilidades e transformar a natureza, em
conformidade com idéias bem planejadas.
O avanço acelerado da tecnologia das comunicações é
conseqüência de uma história rica em personagens e fatos,
com marcos que constituem o resultado da curiosidade,
criatividade, sorte, empreendedorismo, conhecimento e
trabalho acumulados de muitas pessoas, bem como dos
interesses sociais, políticos e comerciais de cada época. À
medida que o homem evolui, evoluem também as suas formas
de comunicar-se.
Aspectos Tecnológicos e Organizacionais –
retrospectiva histórica

As telecomunicações nasceram com a invenção do


telégrafo em 1844, evoluíram com a criação do telefone em
1876 e do rádio em 1895. Na segunda metade do século
XX, o advento dos computadores contribuiu para
importantes mudanças tecnológicas na área, direcionando
as inovações mais recentes. A estrutura organizacional do
setor também evoluiu desde então.
Até meados da década de 80, o setor era
caracterizado pela monopolização nacional em serviços
(operação de telefonia), mas a produção de equipamentos
divergia em cada país, e surgiram tipos direfenciados de
fornecedores (Fransman, 2001), influenciados
principalmente pelas relações existentes entre as
operadoras e a demanda por mercado local. No extremo
dessas relações está o caso dos Estados Unidos, onde a
integração vertical era total e a própria operadora (AT&T)
fabricava os equipamentos para infra-estrutura e para rede
telefônica. No outro extremo estão os pequenos países
desenvolvidos, com um mercado pouco significativo e os
países em desenvolvimento. Nesse caso, as operadoras
nacionais (monopólios) compravam seus equipamentos de
fornecedores especializados, que competiam
mundialmente. No meio termo estão os países
industrializados, como Japão, Reino Unido, França e
Alemanha. Nesses
países, com maior ou menor sucesso, os monopólios
nacionais co-operavam com fornecedores locais,
fortalecendo assim a industria nacional. No caso do Japão, a
operadora NTT se relacionaca com os fornecedores NEC,
Fujitsu, Hitachi e Oki. No Reino Unido a relação de privilégio
entre a operadora (Post Office, mais tarde British Telecom) e
os fornecedores locais (GEC, Plessey, STC) não obteve tanto
êxito quanto no Japão. Na França e na Alemanha, as
relações entre as operadoras (France Telecom e Deutsche
Telecom) e as empresas fornecedoras nacionais foram
responsáveis pelo fortalecimento das gigantes Alcatel e
Siemens. No Brasil, as pesquisas da Telebrás eram feitas no
CPqD e os equipamentos fabricados nas empresas
nacionais: Promon, Elebra, STC e SID. Também estavam
presentes no mercado brasileiro como fabricantes: Ericsson,
Siemens e NEC.
As operadoras detinham os centros de pesquisa
responsáveis pelos desenvolvimentos tecnológicos do setor.
Os laboratórios ligados aos monopólios, como o Bell Lab da
AT&T, o CNET da France Telecom e o CPqD – um dos únicos
casos de sucesso em países não desenvolvidos (Hobday,
1986) – eram responsáveis pela pesquisa inicial, pelo
desenvolvimento e testes de protótipos, passando então
para os fabricantes, que desenvolviam para fabricação.
Mesmo sendo altamente inovativa, principalmente na área
de equipamentos para comutação fixa (Gaffard and Krafft,
2000), embora outras áreas também tenham recebido
grandes inovações, esse processo de inovação era lento, já
que envolvia duas - ou mais -estruras organizacionais (a
operadora e o fabricante de equipamento) em etapas
seqüenciais (Fransman, 2001).
Essa estrutura de desenvolvimento tecnológico
impunha barreiras ao processo de
inovação, já que o acesso às redes de telecomunicações era
restrito apenas às operadoras e seus parceiros na
fabricação de equipamentos. Além disso, a base de
conhecimento era fragmentada, uma vez que cada ‘par’
nacional tinha sua própria tecnologia (Fransman, 2001).
Com o tempo, os fornecedores passaram a deter
tecnologia e ter seus próprios centros de pesquisa. Além
disso, eles passaram a ter acesso a mercados de países do
terceiro mundo, onde as operadoras geralmente não tinham
os parceiros fornecedores. A competição existente nesses
mercados – e ausente nos países sede dessas empresas –
foram fundamentais para estimular desenvolvimento
tecnológico dos fabricantes (Fransman, 2001). Um exemplo
é o caso da canadense Nortel (ex subsidiária da AT&T), que,
por causa do sua participação nos mercados em
desenvolvimento, a partir dos anos 70, se tornou um dos
primeiros fabricantes a desenvolver as pequenas centrais
telefônicas (Fransman, 1995), tecnologia que só veio a
existir na AT&T no final dos anos 90, com a aquisição das
brasileiras Batik e Zetax pela Lucent (fabricante de
equipamentos originária da fragmentação da AT&T).
Essa estrutura industrial acaba a partir dos anos 90,
com o fim dos monopólios nos principais países
desenvolvidos – Japão, EUA e Reino Unido. Agora a indústria
de
telecomunicações não mais se restringe a operadoras e
fornecedores de equipamentos, também fazem parte dela,
empresas que detêm tecnologia em algumas áreas
responsáveis pela evolução do setor, como as de
semicondutores, software, internet e comércio eletrônico, e
multimídia (Gaffard and Krafft, 2000). Ainda segundo os
mesmos autores, muitos dos novos players não têm
competência específica em telecomunicações, então
entram no mercado a partir de acordos de joint-ventures
com operadoras, e, com o tempo, se tornam também
devolvedores de tecnologias para a indústria, contribuindo
para o seu crescimento.
As operadoras de telefonia passaram a transferir
gradativamente a responsabilidade pela pesquisa e
desenvolvimento de equipamentos de rede para os
fabricantes e a negociar com quaisquer dos fornecedores
disponíveis, se desvinculando assim, do seu ‘parceiro’. Os
investimentos em P&D passam então a ser mais intensos
entre os fornecedores e deixam de existir nas operadoras.
Uma comparação feita por Fransman (2000), mostra
claramente isso, empresas como Ericsson, Nortel, Cisco
investem um percentual bastante significativo de seu
faturamento em desenvolvimento tecnológico (em torno de
15%), comparado ao investimento feito pela indústria
farmaceutica. Por outro lado, as operadoras que foram
monopólio, como a
NTT, British Telecom e AT&T investem bem menos (cerca de
2%) e as novas operadoras, que entraram após abertura
dos mercados, não investem praticamente nada em P&D.
Ao invés, essas empresas preferem investir em inovações
mercadológicas.
Apesar do pouco investimento em desenvolvimento de
produtos, as operadoras são parceiras dos fornecedores em
muitas inovações tecnológicas. Essa integração é
importante tanto para as operadoras, que podem
acompanhar as evoluções da área e ter prioridade no uso
de novos equipamentos, quanto para os fabricantes de
equipamentos, que precisam de parceria para testes e
análise de mercados.

O telégrafo a fio

Representa a primeira aplicação prática da eletricidade


para a comunicação a longa distância, tendo como
elemento básico o eletroímã. Em 1837 foi realizada a
primeira patente de um telégrafo comercial por Wheatstone
e Cooke, seguido pelo surgimento do telégrafo de Morse em
1844 com apenas um fio, em detrimento de 5cinco usados
no modelo anterior. Estabeleceu o serviço comercial entre
Baltimore e Washington sendo empregado através de fios e
cabos submarinos.

(Telégrafo de Cooke e
Weathstone)

(Telégrafo de Morse)
(Chave transmissora) (Aparelho receptor)

O telefone

Através de Meucci surgiram as primeiras idéias em Cuba


(1840), motivado por um sistema telegráfico multiplexado e as
desvantagens do modelo anterior tais como: condutor (cobre
ou ferro), isolante (gutta-percha), a máxima velocidade de
transmissão atingida e os atrasos e distorções de informação.
Entretanto, somente em 1876 surgira a primeira patente
realizada por Graham Bell. Este objetivou transformar técnicas
pulsadas (telégrafo) em corrente ondulatória, adequadas para
transmissão de voz.
A primeira chamada de um telefone celular foi realizada em 3 de
abrir de 1973, em Nova York (EUA), por Martin Cooper, então
gerente geral da Motorola. O aparelho utilizado pesava cerca de
um quilo e média de 25cm de comprimento por 7cm de largura,
com uma bateria que se esgotava após 20 minutos de conversa.
Apesar de a comunicação móvel ser conhecida desde o início
do século XX, somente em 1947 passou a ser desenvolvida pelo
Laboratório Bell, nos Estados Unidos. No início, os aparelhos
pesavam meio quilo e os assinantes pagavam 20 mil dólares para
entrar no sistema. Entre 1970 e 1980, Suécia e Japão ativaram
suas próprias tecnologias. Na década de 80, a tecnologia já
estava sendo usada em quase todos os países. A nova revolução
do celular gerou a tecnologia do celular digital.
A evolução da telefonia móvel desdobrou-se em diferentes
tecnologias no que se refere à qualidade de operações e à
possibilidade de serviços. Os sistemas digitais que primeiro se
estabeleceram no mercado são o TDMA, o CDMA e o GSM.
A maior tecnologia digital utilizada no mundo é a GSM, porém,
no Brasil, ainda não é a maioria. Segundo pesquisas realizadas
em 2004, 52% dos celulares ainda usam o sistema TDMA, 30%
utilizam o CDMA, 17% GSM, e ainda há resquícios de aparelhos
analógicos, que somam um total de 1%.
O Brasil superou as expectativas da quantidade de celulares. A
previsão era de que, em 2005, o número de celulares atingiriam a
mesma quantidade dos telefones fixos, mas, esses números foram
ultrapassados. Em fevereiro de 2004 a Anatel registrou a
existência de 47.865.593 milhões de celulares, enquanto os
números de telefones fixos não passou de 40 milhões. Em 2006,
os números praticamente duplicaram. Já são mais de 90 milhões
de celulares em todo o território nacional.
A concorrência e a busca em atrair os consumidores, tornou as
empresas de telefonia, e as fabricantes de aparelhos celulares, as
maiores anunciantes do mercado publicitário.
Dos primeiros aparelhos analógicos, a tecnologia evoluiu para
a segunda geração, os sistemas digitais, e hoje está atingindo o
nível 3G, a terceira geração dos telefones celulares. O CDMA é a
tecnologia escolhida para a terceira geração de celulares pois
apresenta melhor performance entre as disponíveis para a
transmissão de dados via celular.
(Telefone de Graham Bell) (Telefone de Meucci -1850)

( Motorolla DynaTAC-primeiro celular do mundo)

O rádio

A invenção do rádio é creditada ao inventor e cientista


italiano Guglielmo Marconi.Foi o primeiro a dar explicação
prática aos resultados das experiências de laboratório
anteriormente realizadas por Heinrich Hertz, Augusto Righi e
outros. Pelos resultados dos estudos de Hertz, Marconi concluiu
que tais ondas poderiam transmitir mensagens, e, assim, em
1895, fez suas primeiras experiências.Conseguiu fazer chegar
alguns impulsos elétricos a mais de um quilômetro de distância.
Observou, também, que elevando a altura das antenas ,
alcançava maior distância. Não tendo apoio do governo italiano,
foi para Inglaterra, em 1896, onde obteve a primeira patente
para o seu telégrafo sem fio devido aos interesses comerciais
dos ingleses, já que através desse invento poderiam alcançar
navios cargueiros afastados da costa.

(Fone de ouvido utilizado para receber a primeira


mensagem transatlântica)

(Transmissor sintonizado)