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AMIRA AHMAD ABOU HAMIA MATHEUS RODRIGO DE PAULA BARROS OTÁVIO HENRIQUE DOS REIS JUSTINO VINICIUS DE

AMIRA AHMAD ABOU HAMIA MATHEUS RODRIGO DE PAULA BARROS OTÁVIO HENRIQUE DOS REIS JUSTINO VINICIUS DE CASTRO CELESTRIN

GESTÃO DE RISCOS ISO 31000

Guaratinguetá

2013

1 INTRODUÇÃO

Cada segmento do mercado possui riscos à saúde, segurança e ao meio ambiente, que devem ser identificados e solucionados de acordo com procedimentos adequados de gestão de riscos. A ISO 31000 permitiu que as organizações incorporassem padrões e processos de alto nível para avaliar e mitigar riscos em todas as suas operações.

A

ISO 31000 oferece princípios e diretrizes genéricas sobre o gerenciamento de

riscos. A norma não é destinada a um segmento ou setor específico, podendo ser usada por qualquer organização pública ou privada, aplicada a qualquer tipo de risco e em diferentes atividades e operações, seja em na quebra da cadeia financeira global, com o meio ambiente em relação a fome e a água, estrutura e energia e segurança contra o terrorismo. A ISO 31000 é a referência global para sistemas de gerenciamento de riscos e é considerado por alguns estudiosos como a ISO "guarda-chuva" por englobar as outras ISO.

No presente trabalho buscou-se exemplificar o uso da ISSO 31000, para solucionar os riscos de acidentes de trabalhos em máquinas de prensagens, manuseadas

por operadores de uma empresa fabricante de equipamentos eletrônicos de pequeno porte localizada na região sul de Minas Gerais.

2

O QUE É A ISO 31000?

A ISO 31000 é uma norma de gestão de riscos com reconhecimento internacional, não tem finalidade de certificação, porém é uma ferramenta que pode trazer maiores diferenciais competitivos para as empresas que utilizarem a seus conceitos. Nasceu da necessidade de uma padronização da terminologia e conceitos utilizados em gestão de risco, evitando que seja tratada de forma isolada por corporações reduzindo e/ou eliminando possíveis transtornos que poderiam acarretar e impedir os seus objetivos. Pode ser utilizada por qualquer empresa pública, privada, associação, grupo, pois, não é específica para nenhum tipo de indústria ou setor. Os princípios e as diretrizes contidas na norma podem ser aplicados ao longo da vida de uma organização e a uma ampla gama de atividades, incluindo estratégias, decisões, operações, processos, funções, projetos, produtos, serviços e ativos.

2.1

PRINCÍPIOS

A GESTÃO DE RISCOS CRIA E PROTEGE VALOR

A gestão de riscos contribui para a realização demonstrável dos objetivos e para a melhoria do desempenho referente, por exemplo, à segurança e saúde das pessoas, à segurança, à conformidade legal e regulatória, à aceitação pública, à proteção do meio ambiente, à qualidade do produto, ao gerenciamento de projetos, à eficiência nas operações, à governança e à reputação.

A GESTÃO DE RISCOS É PARTE INTEGRANTE DE TODOS OS PROCESSOS ORGANIZACIONAIS

A gestão de riscos não é uma atividade autônoma separada das principais atividades e processos da organização. A gestão de riscos faz parte das responsabilidades da administração e é parte integrante de todos os processos organizacionais, incluindo o planejamento estratégico e todos os processos de gestão de projetos e gestão de mudanças.

A GESTÃO DE RISCOS É PARTE DA TOMADA DE DECISÕES

A gestão de riscos auxilia os tomadores de decisões a fazer escolhas conscientes, priorizar ações e distinguir entre formas alternativas de ação.

A

GESTÃO

DE RISCOS ABORDA EXPLICITAMENTE AS

INCERTEZAS

A gestão de riscos leva em consideração a incerteza, a natureza dessa incerteza, e como ela pode ser tratada.

A

GESTÃO

DE

RISCOS

É

SISTEMÁTICA,

ESTRUTURA

E

OPORTUNA

 

Uma gestão sistemática, estruturada e oportuna de riscos contribui para a eficiência e para os resultados consistentes, comparáveis e confiáveis.

A GESTÃO DE RISCOS BASEIA-SE NAS MELHORES INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS

As entradas para o processo de gerenciar riscos são baseadas em fontes de informação, tais como dados históricos, experiências, retroalimentação das partes interessadas, observações, previsões, e opiniões de especialistas.

A GESTÃO DE RISCOS É FEITA SOB MEDIDA

 

A gestão de riscos está alinhada com o contexto interno e externo da organização e com o perfil do risco.

A

GESTÃO

DE

RISCOS

CONSIDERA

FATORES HUMANOS E

CULTURAIS

 

A gestão de riscos reconhece as capacidades, percepções e intenções do pessoal interno e externo que podem facilitar ou dificultar a realização dos objetivos da organização.

A GESTÃO DE RISCOS É TRANSPARENTE E INCLUSIVA

 

O envolvimento apropriado e oportuno de partes interessadas e, em particular, dos tomadores de decisão em todos os níveis da organização assegura que a gestão de riscos permaneça pertinente e atualizada. O envolvimento também permite que as partes interessadas sejam devidamente representadas e terem suas opiniões levadas em consideração na determinação dos critérios de risco.

A GESTÃO DE RISCOS É DINÂMICA, INTERATIVA E CAPAZ DE REAGIR A MUDANÇAS

A gestão de riscos continuamente percebe e reage às mudanças. Na medida em que acontecem eventos externos e internos, o contexto e o conhecimento modificam-se, o monitoramento e a análise crítica de riscos são realizados, novos riscos surgem, alguns se modificam e outros desaparecem.

A GESTÃO DE RISCOS FACILITA A MELHORIA CONTINUA DA ORGANIZAÇÃO

Convém que as organizações desenvolvam e implementem estratégias para melhorar a sua maturidade na gestão de riscos juntamente com todos os demais aspectos da sua organização.

2.2 ESTRUTURA

Possui um conjunto de componentes que fornecem os fundamentos e os arranjos organizacionais para a concepção, implementação, monitoramento, análise crítica e melhoria contínua da gestão de riscos através de toda a organização.

∑ A GESTÃO DE RISCOS FACILITA A MELHORIA CONTINUA DA ORGANIZAÇÃO Convém que as organizações desenvolvam

2.3 PROCESSO

Apresenta uma aplicação sistemática de políticas, procedimentos e práticas de gestão para as atividades de comunicação, consulta estabelecimento do contexto, e na identificação, análise, avaliação, tratamento, monitoramento e análise crítica dos riscos.

2.3 PROCESSO Apresenta uma aplicação sistemática de políticas, procedimentos e práticas de gestão para as atividades

O PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE RISCOS ESTÁ DIVIDIDO EM:

IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS

Nesta fase gera-se uma lista constando os possíveis riscos que possam de alguma forma prejudicar a realização dos objetivos.

ANÁLISE DE RISCOS

Baseada na lista feita na etapa anterior a organização percebe as possíveis causas e fontes de risco, suas consequências positivas e negativas, e também a probabilidade de que essas consequências possam ocorrer.

AVALIAÇÃO DE RISCOS

Após a avaliação dos riscos, definem-se nessa etapa quais riscos precisam de tratamento e a prioridade de tomadas de providências.

TRATAMENTO DE RISCOS

O tratamento de riscos envolve a seleção de uma ou mais opções para modificar os riscos e a implementação dessas opções. Uma vez implementado, o tratamento fornece novos controles ou modifica os existentes.

Os planos de ação para tratamento dos riscos que em geral, podem ser:

Redução da probabilidade de ocorrer;

Evitados, não realizar a atividade;

Remoção da fonte de risco;

Aumentados, quando eles forem uma oportunidade (risco positivo);

Compartilhados com terceiros (seguros, por exemplo);

Redução da conseqüência;

Retidos por uma decisão bem consciente e embasada.

MONITORAMENTO E ANÁLISE CRÍTICA

A melhoria contínua deverá acontecer ao longo do processo de gestão de riscos. Ao utilizar a metodologia os critérios de riscos poderão ser alterados, novas ocorrências poderão incrementar as listas de riscos e oportunidades poderão ser consideradas. O contexto interno e externo pode sofrer alterações e a organização aprender com seus sucessos e falhas.

REGISTROS DOS PROCESSOS DE GESTÃO DE RISCO

Os registros fornecem os fundamentos para a melhoria dos métodos e ferramentas. As atividades de gestão de riscos devem ser rastreáveis. Ou seja, deve haver registros, pois esses fornecem os fundamentos para a melhoria dos métodos e ferramentas, bem como de todo o processo.

3 MÉTODO DE PESQUISA E ANÁLISE DOS RESULTADOS

O método de pesquisa do presente trabalho consistiu em levantamento de dados

a partir da NBR ISO 31000, e também do estudo de alunos da universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em uma empresa do segmento eletromecânico fabricante de equipamentos eletrônicos de pequeno porte localizada na região sul de Minas Gerais.

Para o estudo primeiro levantou-se qual o problema (de segurança) tratado pelo estudo dos alunos da UFSC, em seguida fez-se a exemplificação do uso de dados de referência da ISO 31000 utilizados por eles, úteis para a eliminação dos agentes nocivos à integridade dos funcionários da empresa estudada.

  • 3.1 PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS

Empresa do segmento eletromecânico, fabricante de equipamentos eletrônicos de pequeno porte localizada na região sul de Minas Gerais. Dentro da empresa, foram

observados postos em que os colaboradores desenvolvem atividades relacionadas à montagem dos produtos eletromecânicos em geral. Os postos de trabalho observados

foram o de cravar terminais, prensar as bobinas, cravar as barras de alimentação e de pré- formar os componentes, nos quais os colaboradores realizam o trabalho sentado.

3.1.2

IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS

Foi detectado que nestes postos de trabalho não havia proteções nas máquinas de prensagem. Desta forma, os colaboradores tinham livre acesso às partes móveis das máquinas, enquanto as mesmas estavam em movimento, trazendo assim um grande risco de acidente de trabalho.

3.1.3

ANÁLISE DE RISCOS

Posto de trabalho de cravar terminais: Foi evidenciado que o trabalho era realizado manualmente onde o operador aplicava uma força com uma das mãos em uma alavanca da máquina e a outra mão ficava livre para acessar o dispositivo no qual a peça era prensada.

Posto de trabalho de prensar as bobinas: Foi evidenciado que o acionamento era feito pelo pé do colaborador, ficando com as mãos livres expostas ao risco de acidentes no dispositivo.

Posto de trabalho de prensar as barras de alimentação: Foi evidenciado que o acionamento era feito pelo pé do colaborador, ficando com as mãos livres expostas ao risco de acidentes no dispositivo.

Posto de trabalho de pré-formar os componentes: Foi evidenciado que o acionamento é realizado pelo pé do colaborador, ficando com as mãos livres expostas ao risco de acidentes. Não existiam proteções na máquina a fim de se evitar acidentes.

3.1.4

AVALIAÇÃO DE RISCOS

Verificou-se que era preciso eliminar o risco de acidentes de trabalho nas máquinas de prensagem, para isso foi preciso criar mecanismos acoplados aos equipamentos, que mantivessem as mãos do colaborador ocupadas, em posições seguras, no momento da realização de suas ocupações.

∑ Posto de trabalho de cravar: Foi feita a implantação de um sistema pneumático incluindo um
Posto de trabalho de cravar: Foi feita a implantação de um sistema
pneumático incluindo um comando bimanual onde o operador tem que
pressionar dois botões simultaneamente para haver a prensagem, tornando o
risco de acidente substancialmente menor.
Posto de trabalho de prensar as bobinas: Foi feita a implantação de um
comando bimanual na base da prensa onde o operador tem que pressionar dois
botões simultaneamente para haver a prensagem. Desta forma, o colaborador
estará com suas mãos ocupadas no acionamento da prensa, reduzindo o risco de
acidentes.
∑ Posto de trabalho de prensar as barras de alimentação: Foi feita a implantação de um

Posto de trabalho de prensar as barras de alimentação: Foi feita a implantação de um comando bimanual nas laterais da base da prensa. Este dispositivo exige a utilização simultânea das duas mãos do operador para acionamento da máquina, garantindo assim que suas mãos não estarão na área de riscos no momento da prensagem, tornando o risco de acidente substancialmente menor.

∑ Posto de trabalho de prensar as barras de alimentação: Foi feita a implantação de um

Posto de trabalho de pré-formar: Foi feita instalação de um dispositivo de policarbonato impedindo que as mãos do operador cheguem até o pistão de

prensagem do equipamento e a instalação de uma caixa de proteção no pedal contra acionamento acidental.

3.1.5 MONITORAMENTO E ANÁLISE CRÍTICA As mudanças sugeridas foram implantadas e após um período de 90

3.1.5 MONITORAMENTO E ANÁLISE CRÍTICA

As mudanças sugeridas foram implantadas e após um período de 90 dias do término das modificações, verificou-se que os colaboradores se sentiam muito mais seguros ao desempenhar suas obrigações. A maioria das máquinas de prensas utilizadas no processo de fabricação não possuíam proteções de segurança, nas quais os operadores realizavam seus trabalhos correndo grandes riscos de acidentes de trabalho.

  • 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ISO 31000 apresenta diretrizes para qualquer segmento do mercado, evitar e

extinguir riscos em suas operações. A NBR ISO 31000 de Gestão de Riscos cita que gestão de riscos contribui para a realização demonstrável dos objetos e a melhoria do desempenho referente: a segurança e saúde das pessoas; a conformidade legal e regulamentar; a aceitação pública; a proteção do meio ambiente; a qualidade do produto; ao gerenciamento de projetos; e a eficiência nas operações. Levando em conta os dados obtidos na norma, aplicamos o processo de verificação e eliminação de riscos em uma empresa do segmento eletromecânico, a qual expunha seus funcionários ao risco de acidentes de trabalhos, ao manusearem diversos tipos de equipamentos de prensagem. Foi realizado uma série de passos contidos na norma,e verificou-se a eliminação dos riscos ao acidentes de trabalho.

BATISTA GALDINO, Daniel et al.Avaliação de Riscos na Atividade de Trabalho em Prensas.Florianópolis: Iberoamerican Journal of Industrial

Engineering,2012,21 p.