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Primeira canção da estrada

( ou de como penso que conheci Sá & Guarabyra )

Esse é um caso verídico; pelo menos uma parte eu tenho certeza o


resto...sei lá afinal eram os loucos anos 70 e muita coisa se perdeu na fumaça, se
é que me entendem.
Eu tinha mês 12 ou 13 anos de idade, estudava (qua,qua..) no saudoso e
não menos louco Colégio Estadual do Santo Antonio em Belo Horizonte. Lugar
curioso que merece uma parte neste caso. Era para ser uma escola publica para
pessoas mais ou menos sem recursos mas do que me lembro da maioria dos
meus colegas, é que dividiam o Minas Tênis Clube, e o Estadual. Para vocês se
situarem melhor, o Minas Tênis era...deixa ver...no mínimo ....chique. Não era
chegar e comprar uma cota do clube, não você tinha de ser merecedor! Claro, isso
são águas passadas o Minas hoje é “ ó do borogodó” de tão bom, se você tiver
um pezinho de meia vai lá e compra uma cota. Minha filha trabalha lá e garante
que ainda é o melhor clube de Minas Gerais, sem desmerecer os outros, é claro.
Mas, voltando ao Estadual, com seus tipos pitorescos, quem não se lembra de
“madame” Dolores, professora de francês e seu Gardini carinhosamente chamado
por ela de “serve bem” ? E como esquecer o dia em que alguém, insatisfeito com
a reprovação talvez, pintou os vidros do carro com spray preto? Como esquecer
do Cidinho Jacaré, e o Vansan? Lugar estranho esse colégio Estadual, com suas
pessoas mais estranhas ainda, e me incluo nelas. Para quem como eu viveu
nessa época, tudo fica mais simples de entender, mas partindo do pressuposto
que tenho leitores menos, como direi...antigos, vale a pena descrever um pouco o
que era o ano de 1972. Plena ditadura militar. Na época, um texto despretensioso
deste me valeriam uma viagem a DOI-CODE com direito a muita pancada e sem
garantia de volta. Mas eu não era nenhum ativista político, nem pensar! Aliás
pensar era outra coisa que a gente não fazia muito. Pensa sim...muita besteira. Eu
começava a descobrir o mundo e as possibilidades de fazer exatamente o
contrario do que meus pais diziam que devia fazer. Afinal, em 72, ninguém queria
ser como seus pais. Era o tempo de ser (argh!) rebelde. Eu hoje fico meio
pensativo sobre o que eu iria me rebelar. Morava, no Santo Antonio, freqüentava o
Minas Tênis, tinha um dinheirinho. Que mais que eu queria?? Ser livre. A idéia de
ser livre para minha geração era mais ou menos do tipo, Easy Rider, eu pego uma
mochila e vou viajar e viver de musica...ou artesanato...ou sei lá de pedinte, mas o
que a gente queria era correr mundo. Na verdade, a maioria de nós apenas
pensava no caso, comentava no Jorobó ( barzinho da moda na época) o que
queria fazer, com quem queria namorar, mas era o tempo do agora. Quero já e
quero rápido, nós tínhamos mesmo muita pressa. Pra que seria mesmo tanta
pressa? Esqueci. Deve ser a idade. Enfim, enquanto uns falavam sobre coisas,
outros faziam coisas. Eu estava no meio desse ultimo grupo e queria mesmo fazer
alguma coisa para parar de perder tanto tempo indo a escola e ficando no pátio
com amigos matando aula. Tinha um mundo lá fora, eu tinha certeza porque já
tinha visto, afinal eu ia para praia duas vezes por ano e era lindo! Ninguém faz
nada na praia, só fica lá bestando, tomando cerveja e comendo peixinho frito!! Isso
é que era um ,vidão não é não? Pronto. É isso aí, eu já sabia o que ia ser quando
crescesse. Ia ser Hippie! Ué, porque não? Eu já tocava um violãozinho, dava pra
enganar, tinha até aprendido o começo de “ Bourré “ de Bach, que impressionava
bem os incautos, sabia umas musiquinhas dos mutantes, e se precisasse tocava
até sambinha. Ia dar certo, tinha de dar. Mas como é que eu ia fazer isso? Imagina
um pirralho de 13 anos virar pro pai e comunicar : Pai, Mãe, fui! De agora em
diante virei hippie, e vou viver na praia. Muito engraçado, não é? Pois é...também
achei que não ia funcionar e achei melhor optar pelo plano B , que era fugir de
casa. Gente, eu estava super motivado, tinha a trilha sonora ( fuga numero dois
dos Mutantes), era só pensar como fazer a coisa dar certo. Comentei o caso com
algumas colegas de sala que acharam...droga, não me lembro o que elas
acharam, vou perguntar um dia se tiver chance, mas eu tinha que adiar minha
fuga por um tempo, afinal as férias estavam chegando e fugir nas férias não ia dar.
Afinal a minha família ia viajar pra Salvador, na Bahia e lá pelo que eu sabia tinha
praia e outras cositas mas. Estava mais do que decido. Fugir só em época de
aula, de preferência nas provas. Bom, então tava combinado, fui para minhas
merecidíssimas férias em Salvador. Lá morava uma família amiga nossa que
tinham duas filhas que eu gostava muito. Mas ficava só nisso, porque como vocês
sabem muito bem entre uma menina de 13 anos e um menino de 13 anos a
diferença de idade é de mais ou menos 5 ou 6 anos. Nós somos bem mais
devagar mesmo.

• Mas vamos comigo pra Bahia, só um pouquinho, vai ser rápido e


indolor, enquanto isso vocês vão me conhecendo mais um
pouquinho. Sabe qual o carro que nos fomos pra lá? Uma Rural
Willys, 72 com tração nas 4 rodas. Era um carrão na época,
acreditem! E levamos só 2 dias para chegarmos lá. Fomos fazendo
paradas aqui e ali, entre elas uma em Feira de Santana pro meu pai
comprar chapéu, gibão, chicote e toda aquela besteirada que turista
não resiste e nós, eu e meu irmão no carro, observando aquele povo
estranho de lá, quando começou uma discussão bem do lado do
carro e seguiu mais adiante quando uma das partes cansou de gritar
e puxou um facão gigante, que depois me disseram por lá se chama
peixeira, e abriu a barriga do outro. Pronto. Fim de discussão. Povo
arretado, né? Bom, chegamos. Praia de Amaralina. Aquele povo
sabia viver. Tinha festa todo dia ou pelo menos pensava que tinha.
Mas minhas amigas tinham uma liberdade que eu nem sonhava.
Podiam ir e vir de qualquer lugar quando bem entendessem e
praticamente a qualquer hora, isso sim era além da imaginação!
Naquele dia já tinha resolvido, se era pra fugir, tinha de ser pra
Bahia, povo legal, gente bacana, meninas tão “dadas” ! Podia ser
1972 em BH mas lá já eram os anos 90 ! Eu realmente não estava
nem um pouco a fim de voltar para meus montes verdejantes
mineiros, estava mais para acarajé do que para torresmo. Mas um
mês passa em dois dias numa situação dessas. Voltei então. Escola,
Clube e variando clube e escola. Festinhas final de semana.
Naqueles dias comecei a fazer umas amizades que não eram muito
bem vistas lá em casa. Tinha uma revenda de instrumentos musicais
da Yamaha, na Savassi e eles deixavam que nós, pobres mortais,
tocássemos nos instrumentos recém chegados no Brasil. No meu
caso, uma guitarra acústica e um amplificador valvulado. Lá fiquei
conhecendo o hoje famoso Toninho Horta, na época, famoso
ninguém, que reencontrei depois no casarão da avenida Pasteur,
onde se reuniam pessoas que mais tarde seria o clube da esquina.
Tinha o Magrão, me lembro do Lô, e mais uns que hoje vocês ouvem
nas FM por aí. Me deixavam ficar por dois motivos: Um, eu era
amigo da “Brô” que na verdade se chamava Ambrosina, bonita e
extravagante com seu batom vermelho, me lembro bem dela e
outra, porque eu tinha comprado uma craviola, um instrumento
parecendo um violão de 12 cordas e que era novidade, poucas
pessoas conheciam, daí eu emprestava para que eles fizessem
arranjos musicais, desde que eu pudesse meio que participar da
turma. Era interessante, vez por outra aparecia um musico de um
lugar qualquer, mas a maioria era de lá de Santa Tereza, acho que
por causa do Beto Guedes.
E assim era a vida em 1972. A gente ia de nenhum lugar pra lugar nenhum.
Não havia preocupações muito serias, só as de costume bem adolescentes. Eu,
particularmente nunca gostei muito dessa palavra. Adolescente parece nome de
doença, tipo convalescente, sei lá eu não gostava. Hoje conheço adolescentes
com mais de 30 anos. Pobres dos pais. Mas com 13 anos, convenhamos, é
criança. Comecei a planejar minha fuga. Tinha de ser numa quinta feira. É que
toda quinta meu pai viajava para um lugar chamado Caeté a serviço, daí ficava
mais difícil eles me acharem em algum lugar por aí, afinal Belo Horizonte nem era
tão grande assim. Tudo descido, eu ia pra Bahia, viver na praia, tomar água de
coco, comer acarajé, e namorar muuuito. Bom, o que levar numa viajem dessas?
Claro que eu não ia voltar, então tinha de pensar direitinho...vejamos...umas duas
blusas, uma calça, blusão...não blusão não...lá é quente demais e a mochila
pequena demais...tênis também....é o tênis não cabe...vou levar uma bíblia pra
afastar mal olhado já que eu não lia mesmo...até que gostava de ler provérbios,
parecia muito inteligente...pronto! Eu estava totalmente preparado pra ir. O violão?
Não dava, era grande e todo mundo ia ver um menino com violão fugindo de casa,
de jeito nenhum, ele fica. Arrumei uma desculpa pra sair de casa. Não me lembro
qual. A mochila escondida no jardim. Fui, dei um tempo, voltei e peguei a mochila.
Oficialmente, um fugitivo. Agora sim, estava de acordo com a filosofia da época.
Paz e amor e thiau pra vocês. Não tinha mp3 para ir tendo um fundo musical mas
eu não ligava. Destino rodoviária. Eu tinha de sair rápido da cidade. O trem só
saía à noite, então vejamos; ônibus até Sabará. De lá podia esperar o trem até
Gov. Valadares, depois carona. Entrei no ônibus sem problema. E cheguei rápido
em Sabará, talvez mais rápido do que queria, porque o trem passava lá
exatamente as dez da noite. O jeito era esperar. Comprei a passagem, fui pra
plataforma e fiquei lá observando as pessoas que iam e vinham, e parecia que
nimguém ligava pra mim o que era bem ruim porque eu estava louco pra contar
pra alguém o que estava fazendo, afinal era uma aventura e tanto. Ta, não tinha
mesmo ninguém interessado em mim, então resolvi escrever uma cartinha para
uma amiga que sabia, mas não acreditava muito no que eu ia fazer. Escrevi e
contei o melhor que pude o que estava sentindo e tentei por a adrenalina no papel.
Nunca soube se surtiu algum efeito. Foram talvez as horas mais longas da minha
vida. Deitado no chão frio de cimento da plataforma de embarque ficava olhando o
grande relógio preso na viga e ele era muito , muito vagaroso. Que sono! Mas se
eu dormisse estragava tudo. E tinha o medo. Será que o povo lá em casa ligou os
pontos e descobriu pra onde eu ia? Pode ser, mas nunca iam pensar que eu
estivesse na estação de Sabará. Isso saiu da cabeça de um pirralho de 13 anos!!!
Caramba, que bad boy. Mas, enfim vi o farol do trem chegando. Parou
preguiçosamente na estação e eu comecei a chegar perto até que ele parou e o
cara da estação, (como será que se chama o cara que abre e fecha as portas?)
pegou uma escadinha e colocou na frente da porta e gritou alguma coisa que eu
deduzi que fosse algo tipo “ anda logo cambada, entra que eu já vou sair” então
entrei. Ninguém perguntou nada. Cadê seu responsável? Tem autorização para
viajar sozinho? É...parece que ninguém se importa...muito bom vou entrando e
procuro onde era a segunda classe. Claro! Vocês acham que eu tinha dinheiro pra
ir de primeira? Mas a segunda era dureza. Literalmente, era um banco de madeira
duro a bessa, mas e daí? Ia me levar onde eu queria e isso era tudo que
importava pra mim naquela hora. Procurei um lugar perto da janela que eu não
queria perder nada. Senti um tranco e um sacolejo fraco. Pronto. Agora começou
mesmo e não tinha mais volta, estava por minha conta. Foram horas de balanço e
barulho de trilho e dormentes passando. Mas de madrugada, quando o trem
começa a acompanhar o leito do rio, começou a esfriar. Esfriar muito. Foi quando
descobri que a sandália de couro aberta que eu usava podia ser bom na Bahia
mas ali um tênis seria muito útil. Me encolhi como pude até ficar doendo de frio. E
não podia ir até ao vagão restaurante porque esperto que eu era, não trouxe
dinheiro nenhum, tinha só o suficiente pra chegar até ali onde eu estava. Mas tudo
bem, até onde eu sabia, nenhum hippie se preocupa com o vil metal. Era só um
desconforto passageiro. Nunca tinha sentido frio, nem fome. Agora já conhecia os
dois e não tive nenhum prazer em conhecer. Cara, que noite comprida! O sol não
aparece nunca! Não me lembro se dormi. Talvez tenha dormido um pouco, porque
enfim, lá vem o sol! Pensei que não faltava muito. Tinha de descer em Valadares
para pegar a estrada, se bobeasse ia acabar indo para Vitória e o plano não era
esse. Perguntei ao condutor, bilheteiro, sei lá o nome onde era Valadares e ele me
disse pra relaxar que ia demorar mais umas horas. HORAS entendeu? Eu não
agüentava mais aquele barulhinho monótono e sem fim do trem. E hoje me
lembro de algo no mínimo estranho....porque não tinha mais ninguém no vagão? É
pode ser isso. Tinha que ser muito burro pra viajar de segunda quando a diferença
da primeira era uma merreca. Depois de uma eternidade anunciaram a estação de
Valadares!
• Que emoção! Nunca pensei em chegar tão longe...mas tinha um
problema. A estrada. Onde estava a rodovia? Droga, era longe a
bessa da estação. Pelo menos a pé era. Fui andando. Perguntava
onde era e geralmente me informavam errado, ou era eu que não
entendia, mas o fato é que eu comecei a duvidar que isso ia dar
certo. Estava com muita fome, cançado e desorientado, aí perguntei
para um velhinho numa camionete mais velha que ele e o bom
homem se ofereceu para me deixar no trevo, já que ele pra lá
mesmo. Oba! Começou a melhorar! Cara aquela camionete fedida
não ia conseguir chegar lá! Mas chegou...puxa minha primeira
carona! Que coisa mais hippie!
Meio dia. O sol em Valadares deve ser diferente do de Belo Horizonte, meu
Deus, era muito quente!! Horas se passaram e ninguém parecia muito disposto a
dar carona por ali. E minha cabeça doía. Muito. Frio, fome e calor me deixaram
com muita dor de cabeça e adivinhem! Eu não tinha remédio, não tinha dinheiro e
nem o que fazer pra resolver o drama. Deitei no meio do trevo, fechei os olhos e
pensei...quanto pior isso pode ficar? Uma hora tem de passar a dor...ou não. Mas
o fato era esse, tinha de dar um jeito de agüentar. Cansei de ficar deitado. Tinha
de seguir em frente. Ou para traz. Mas tinha de fazer alguma coisa. Me levantei e
comecei a andar pela estrada. As ondas de calor que subiam do asfalto quente
fazia com que eu visse a estrada meio que ondulando, igual aos filmes que a
gente vê , quando as pessoas estão no deserto. Depois de uma eternidade,
desceram duas pessoas de um caminhão, com mochilas, violão e uma tralha que
ainda hoje não sei direito o que era. Na hora fiquei meio nervoso, porque eles
vinham na minha direção e parecia que queriam falar comigo. Não me lembro
direito o que nós conversamos, mas eles ficaram bem espantados de saber o que
eu tinha feito e qual a minha idade. Ta certo, eu podia ter mentido quanto à idade
mas eu tinha cara de bebê, ninguém ia acreditar mesmo. Sei que daí em diante os
caras meio que me adotaram.Enquanto a gente esperava a carona, um deles
pegou o violão e mostrou umas musicas que tinha feito. Pareciam feitas sob
medida pra ocasião. Eu é que queria ter feito a letra. Era muito...”estrada”.
Pegamos a primeira carona. Pronto, aí estava. Todo mundo na carroceria do
caminhão, sentindo o vento na cara e indo a algum lugar enfim. Duas caronas
adiante paramos em um posto de gasolina, desses típicos do vale do
Jequitinhonha. Cheio de caminhões e prostitutas. Nunca tive tanta fome na minha
vida. Agora era meio que cada um por si e eu ainda não conhecia bem como era
aquele jogo de pedir comida e fiquei assentado no balcão olhando as pessoas
comerem. Um motorista perguntou se eu tinha dinheiro pra comer e se estava com
fome. Não tinha e estava. Então ele disse que eu podia pedir um churrasquinho,
que ele pagava. Tive medo. E se ele fosse um sacana? A fome foi maior, pedi o
churrasquinho e o motorista foi embora. Era um cara legal afinal de contas. Mas
eu resolvi por um pouco de farinha com pimenta pra melhorar o churrasco de gato.
Pimenta? Aquilo era uma coisa inenarrável. E agora? Eu TINHA
De comer aquilo de qualquer jeito. Peguei o churrasco e fui até um lugar onde
tinha uma torneira e resolvi tudo. Engolia inteiro e bebia água por cima. Mesmo
assim foi bem difícil comer aquilo. Mas consegui e os meus novos amigos estava
me procurando, porque tinham conseguido uma carona em um caminhão de
manteiga que ia direto para Recife! Era um pouquinho mais longe do eu pensava,
mas meus amigos me convenceram que era muito melhor e depois eu sempre
poderia voltar para Bahia, inclusive eles mesmos voltariam comigo. Parecia um
bom acordo. Vamos lá então! A gente se arrumou como pôde em cima da
carroceria com as latas de manteiga e fomos embora. A noite começou a chover.
Tudo bem uma chuvinha não mata ninguém. Mas aquilo era um dilúvio! Entramos
debaixo da lona do caminhão para fugir pelo menos um pouco do aguaceiro. Ainda
tínhamos uns pães da ultima parada. Abrimos a tampa de uma das latas e
começamos a comer . Não era pão com manteiga, era manteiga com pão! Nunca
comi tanta manteiga na minha vida! O dia amanheceu e a gente estava lá olhando
a paisagem mudando rápido.Deram-me um cigarro muito fedido pra fumar. Eu não
sabia como fazer isso e foi meio embaraçoso. Eu não estava me sentindo bem.
Não foi a manteiga, não...foi a chuva. Estava com muito frio e tremendo quando
chegamos no trevo perto de Salvador. O caminhão parou para abastecer e vi que
meus companheiros de estrada estavam mesmo muito preocupados comigo. Não
sei como arranjaram um comprimido de novalgina e um leite morno ( e cheio de
nata, argh!)
Meus amigos, tinham de ir. O caminhão estava pronto. Eu não estava.
Estava cansado. Com frio e cheio de ser hippie. Eles me perguntaram o que eu ia
fazer e eu não sabia. Então um deles disse que ia desistir de continuar e ficar
comigo até Salvador e o outro concordou. Eu então disse que não, estava tudo
bem, tinha amigos em Salvador e ia dar tudo certo. Então nos despedimos.
À propósito, me chamam de Sá, disse o Luis Carlos de Sá , e Guarabyra disse o
outro. Prazer em conhecer. Acredite se quiser.