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Comunicação não é tecnologia... é relacionamento!

Hoje, somos filhos reagentes à tecnologia. Somos cobrados, mesmo


inconscientemente, por três desafios: pelo nosso comprometimento, pela atenção aos
detalhes e por terminarmos o que começamos.
A sociedade imediatista transformou-nos em profissionais preocupados somente com o
futuro, questionando nossas potencialidades, virtudes e fraquezas. A cada caminhada
tecnológica, nos deparamos com um cenário de inovações, conhecimentos e práticas.
Será que estamos preparados para este presente?
A comunicação deixou de ser necessidade, para tornar-se um diferencial. Nossas
relações, sejam elas familiares, profissionais ou sociais, fazem de nós, indivíduos
cibernéticos e distantes. Seria essa a conseqüência esperada da chamada evolução
tecnológica? Em um mundo cada vez mais digital, o homem consagra-se com suas
inovações e, ao mesmo tempo, enlouquece tentando acompanhar o ritmo que ele mesmo
postulou.
Não há mais dúvida que a aceleração da sociedade moderna reinventou as formas
de relacionamento interpessoais, fazendo da distância física um mero detalhe. Às vezes,
até esquecemos dos Kms que nos separam e, por um instante, acreditamos estar lado a
lado. Entretanto, esta chamada instantaneidade de contatos, lugares e pessoas só
acontece porque entre nós, há uma ferramenta tecnológica intermediando e gerenciando
estas relações. Por um lado, a rapidez, o online; por outro, a impessoalidade.
Quando analisamos este fato no mundo corporativo, devemos pensar em alguns
pontos norteadores desse processo. O primeiro deles diz respeito à construção da
eficiência organizacional. O mercado corporativo, seja em que segmento, não sobrevive
mais às deficiências de processos, à falta de qualidade dos produtos e serviços e ao
desequilíbrio da sinergia produtiva de seu capital humano. Quando um destes itens entra
em colapso, sua imagem reflete-se no mercado como uma desvantagem competitiva. Se
percebermos que os três fatores só ocorrem se houver equilíbrio entre as redes
interpessoais de uma empresa, concluímos que a aliança entre a comunicação
empresarial e a eficiência corporativa é uma necessidade ímpar.
O segundo ponto refere-se à inovação no ambiente organizacional. Num mundo
competitivo como o que vivemos, sem esta habilidade funcional, nenhuma empresa tem
condições de diferenciar-se da concorrência, pautando-se estrategicamente no mercado.
Mas em que sentido os organismos empresariais buscam inovar? Somente no
desenvolvimento de novos produtos? Não tão somente. Buscando-se uma visão mais
inovadora... – perdão pela palavra, mas inovar não é somente inventar, mas refazer
melhor... -, modernizando-se o princípio, as empresas podem e devem inovar em várias
óticas, tais como: processos, relacionamento com clientes, novos mercados... e inclusive
no relacionamento com seu público interno. Sem este agente transformador, o potencial
criativo, mesmo existente em todos nós, não encontra oxigênio para a sua proliferação. O
que precisamos nas empresas é de um ambiente altamente propício à cultura da
inovação. E mais uma vez, percebemos que o fator comunicação é fundamental para esta
transformação. Precisamos de lideranças que estimulem a ação autônoma, a tomada de
decisões e a criatividade funcional para que a comunicação tenha uma conseqüência
macro e promova o processo inovador.
Um último fator deve ser acrescido a esta análise: a forma como lidamos com as
exigências deste novo mercado. Somos cobrados, a todo instante, em fazermos o melhor

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e em sermos o melhor. Hoje em dia, não basta ser bom, tem de parecer bom! Aos olhos
de tudo e de todos, o profissional acaba tendo maior relevância do que a própria essência
humana. O maior desafio deste século é encontrar o equilíbrio entre estes dois papéis e
perceber que a qualidade dos relacionamentos humanos é fundamental para a evolução
da sociedade, inclusive a organizacional. Cada vez mais o conviver, o compartilhar e o
pensar no todo são pontos indispensáveis para a sadia relação entre as pessoas e para a
produtividade dentro das esferas empresariais.
É preciso que o foco seja a comunicação e não os meios de comunicação. Talvez
tenhamos evoluído ao status tecnológico e deixado, em segundo plano, a emoção na
mais pura essência da palavra. Acredito que, no entanto, alguns grandes líderes e
entendedores de gente estejam percebendo esta grande parceria dentro das empresas. É
interessante lembrarmos que nos últimos fóruns nacionais e internacionais de Gestão de
Pessoas, a grande discussão volta-se ao lado humano como foco determinante da
estratégia organizacional. Será que estamos descobrindo a chave para o sucesso
empresarial ou talvez redesenhando o processo humano ? Fica a pergunta no ar e, talvez,
a certeza de que estamos caminhando para grandes mudanças!

Karine Bighelini é Relações Públicas, Palestrante, Consultora em Comunicação Organizacional e


Sócia–Diretora da Sharing Consultores Associados.

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