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É preciso sonhar...

Sonhar faz parte da existência humana. Mais do que nunca precisamos ser personagens
visionários em nossas vidas. Somos movidos, a todo instante, de motivações, desejos,
necessidades, motivos para permanecermos entusiasmados, não só com o presente,
mas, inclusive, com projeções futuras. Se perguntarmos para qualquer pessoa: o que lhe
motiva todas as manhãs acordar? Certamente, teremos respostas diversas,
respectivamente, de acordo com cada necessidade individual. Somos seres totalmente
distintos e o que nos diferencia é exatamente os nossos sonhos de conquista.

Aprendemos, desde pequenos, que para vencermos na vida, temos de estudar e trabalhar
para termos uma família feliz, um emprego estável e um rendimento interessante. O que
esquecem de nos dizer é que para vencermos na vida, precisamos sonhar... Pois só
através dos nossos sonhos é que poderemos idealizar, planejar e concretizar a nossa tão
esperada felicidade.

Augusto Cury, em seu livro Nunca desista de seus sonhos, expõe que: “A juventude
mundial está perdendo a capacidade de sonhar. Os jovens têm muitos desejos, mas
poucos sonhos. Desejos não resistem às dificuldades da vida, sonhos são projetos de
vida, sobrevivem ao caos”.

Podemos entender esse processo quando analisamos a mente humana e seu potencial
ilimitado. Temos aqui uma incongruência, pois apesar de possuirmos uma ferramenta
imensa, é cientificamente comprovado que utilizamos muito aquém de nosso potencial. O
índice de utilização de neurônios, em nosso dia-a-dia, varia, em média, de 1% a 10%
(algumas pesquisas alertam para o índice máximo de 7%). Sem dúvida nenhuma, o ser
humano possui uma fonte inesgotável de conhecimentos a ser descoberta e utilizada.

A nossa educação é permeada de mandatos negativos que oprimem nossa naturalidade,


capacidade de expressão e inteligência criativa. Crescemos imersos em uma “cultura do
não” e, aos poucos, construímos um comportamento baseado em padrões pré-definidos,
enraizando nosso desenvolvimento. Dentre os chamados “comportamentos não-naturais”,
produzidos ao longo de nossa infância, temos como uma das conseqüências a busca
exacerbada pelo perfeccionismo. O medo de errar, de não acertar na primeira vez, está
intimamente ligado ao receio de sermos criticados e rejeitados. Isso gera um padrão
inconsciente, onde precisamos nos condicionar ao erro zero, senão somos excluídos. A
cultura do descartável, juntamente, com a cultura do perfeccionismo são os propulsores
para o desenvolvimento de barreiras que impedem nossa intrínseca criatividade e
inovação.

Nesse desenvolvimento natural, acabamos crescendo e transpondo essa padronização


dentro do cenário corporativo. Ao chegarmos lá, nos deparamos com um grande
paradigma institucional: o discurso x a práxis. Ao mesmo tempo em que a criatividade é
exigida, a cultura e o ambiente organizacionais, juntamente com o poder (e aqui, abro um
espaço para dizer que alguns líderes acham que isso é o mesmo que autoridade),
impedem que a inovação tenha espaço na corporação.

Levantamentos científicos mostram que, ao longo dos anos, essa construção de cenários,
comportamentos não-naturais, modelos pré-definidos, refletem na saúde psicológica de
um número considerável de pessoas, produzindo reações psicossomáticas. Dentre elas,
destacamos a desmotivação, a apatia, a descrença em melhorias e, inclusive, a
incapacidade de viver o presente. Quero me ater a essa última consideração: a
incapacidade de viver o presente; para, então, voltarmos ao início de nossa conversa: é
preciso sonhar...

Temos de voltar a acreditar em nosso potencial imaginário e criativo. E para isto,


precisamos mergulhar em nossas mentes, fomentar nosso tão necessário
autoconhecimento, para descobrir o que nos move e para onde queremos chegar. Se não
entendemos o nosso presente, jamais conseguiremos construir o futuro. E essa tarefa
deve ser perene em nossas vidas. A mudança é o bem melhor que podemos ter, e sem
ela, perdemos nossa capacidade de sonhar e de realizar sempre e cada vez mais!

Karine Bighelini é Relações Públicas, Palestrante, Consultora em


Comunicação Organizacional e Sócia–Diretora da Sharing Consultores Associados.