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A HISTÓRIA DO MARANHÃO

Por : Klaus Roger B. Cunha

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

SÉCULO XVI

A C O L Ô N I A

Ano de 1500 – 22 de abril – Descobrimento do Brasil

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Assunto polêmico, que ainda hoje divide opiniões: acaso ou conhecimento prévio da

existência de terras para o ocidente? Cabral não mantinha ciosamente guardado o

manuscrito que lhe dera Vasco da Gama, em Lisboa, e não ouvira dele o conselho para que

navegasse mais para Oeste e escapasse das calmarias do golfo da Guiné? E Colombo já não

indicara o caminho, descobrira a América, embora pensando ter chegado às Índias? Há,

portanto, justificadas razões de suspeitas, reforçadas pelas velhas lendas da existência da

Atlântida, e de uma ilha misteriosa em meio do oceano, chamada Hy-Brasail. Por outro

lado,havia o interesse de tomar posse das terras que couberam a Portugal no “testamento de

Adão” (que era como Francisco I, de França, chamava ironicamente o Tratado de

Tordesilhas, de 1494), que dividia o mundo entre Portugal e Espanha. Assim, a 22 de abril

do ano de 1500, capitão e tripulantes da esquadra de Pedro Álvares Cabral, depois de 15

dias de viagem, pois partira de Lisboa a 8 de março, avistaram um monte muito alto e

redondo, a que deram o nome de Monte Pascoal. O Brasil havia sido “descoberto”.

Descobriu-se o já sabido; Cabral voltou a Portugal e deu seu recado ensaiado: - Terra à

vista! Vera Cruz! Santa Cruz! Brasil!

Ano de 1534 Donatarias ou Capitanias hereditárias e a cidade de Nazaré

Esquecendo as não infundadas notícias de que fenícios, tirrênios, egípcios e

cartagineses tenham visitado o Brasil em remotíssimas eras, é fora de dúvida que piratas de

várias procedências (nórdicos, genoveses, franceses, holandeses, e também portugueses,

freqüentavam nossas costas, fazendo o escambo regular com os índios, habitantes da

região, como Diogo de Teive (1452), Gonçalo Taveira e João Vogado (1453), João Coelho

(1493), Alonso de Ojeda, Juan de La Cosa e Américo Vespúcio (1497), além de Juan

Vergara e Garcia Ocampo (1449 e 1500). Vale a pena lembrar o que um tal Johan,

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bacharel, que ia na armada de Cabral, escreveu ao Rei: “Quanto, Senhor, ao sítio desta

terra, mande V. A. trazer um mapa-mundi que tem Pero Vaz Bisagudo e por aí poderá ver

que o sitio desta terra é MAPA-MUNDI ANTIGO.” (grifos nossos).

Durante três décadas ficou ela esquecida, empenhado o rei D. Manuel em dilatar

suas conquistas no Oriente. Seu sucessor, D. João II, compreendeu a urgência de promover

a colonização, visto como seria perigoso deixar o desguarnecido Brasil à cobiça de tantos

estrangeiros. Dividiu o território em 12 capitanias hereditárias, confiando as do norte (as

que aqui nos interessam) a João de Barros e Fernão Álvares de Andrade que, associando-se

a Aires da Cunha, intentaram apossar-se dela, sem resultado. Eram lotes enormes, de cerca

de 350 km de largura, até à linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, interior a dentro

até algum lugar desconhecido. “Dez anos depois de criadas, as desordens internas, as lutas

com os índios e a ameaçadora presença dos franceses acabaram provocando o colapso do

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sistema que o rei e seus conselheiros haviam optado por aplicar ao Brasil” (Eduardo Bueno,

“Capitães do Brasil”)

A capitania de João de Barros (intelectual, autor da “História da Índia” e“Décadas

da Ásia”) não foi adiante; na primeira tentativa toda a frota de 10 navios, segundo a

História, perdeu-se nos baixios do Boqueirão, defronte da ilha do Medo. Contrariando essa

versão, ficou-nos a notícia da existência de uma cidade, chamada Nazaré, fundada pelos

sobreviventes do naufrágio, gente “que logo contraiu amizade com seus tapuias seus

habitadores, assim refere o chantre da Sé de Évora, Manuel Severino de Faria, e o

comprova Antônio Galvão, nos seus “Descobrimentos do Mundo, no ano de 1531”,

segundo José de Souza Gaioso, em “Compêndio Histórico-político dos Princípios da

Lavoura do Maranhão”. Quanto à Nazaré, se de fato existiu, não vingou; Bernardo Pereira

de Berredo, nos “Anais Históricos do Estado do Maranhão”, estranha que, decorridos

apenas oitenta anos, a expedição de Jerônimo de Albuquerque não haja encontrado

vestígios desse sítio, o que não impede que estudiosos do assunto afirmem ainda ser

verídica sua existência, esposando a tese de ter São Luís origem lusa e não francesa.

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O segundo donatário do Maranhão, Luis de Melo e Silva, não foi mais feliz e,

enquanto isso, os franceses, ingleses e holandeses estabeleciam nas costas abandonadas

suas feitorias para o negócio do pau-brasil, âmbar, etc., com os índios.

Ano de 1549 Governo Geral do Brasil

É implantado o Governo Geral do Brasil e nomeado para exercê-lo Tomé de Souza,

que funda a cidade de Salvador - (BA) regime que vigorou até 1640, quando o Brasil foi

elevado à categoria de vice-reino.

Ano de 1565 Expulsão dos franceses do Rio de Janeiro

Men de Sá, Governador Geral de 1557 a 1572, expulsa os franceses de Villegaignon

da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, por ele fundada a 1o. de março de 1565.

SÉCULO XVII

Ano de 1612 – 8 de setembro – Fundação da França Equinocial

Desde 1594 Jacques Riffault estabelecera em Upaon-açu (ilha de São Luís) uma

feitoria, deixando-a a cargo de seu compatriota Charles dês Vaux, que havia conquistado a

amizade dos silvícolas, e tinha inclusive o domínio da língua nativa. Dês Vaux, indo à

França, provocou a vinda de Daniel de La Touche, mandado por Henrique IV numa viagem

de reconhecimento do terreno. Não obstante ter sido o rei assassinado nesse meio-tempo, e

entusiasmado La Touche com a terra, conseguiu com Maria de Medicis, regente na

menoridade de Luís XIII, concessão para estabelecer uma colônia ao sul do Equador, 50

léguas para cada lado do forte a ser construído.

Ano de 1612 - A 26 de julho chega ao Maranhão a expedição de Daniel de La Touche,

Senhor de La Ravardiére, fundeando em Upaon-mirim (futura ilha deSaint’Ánne, e depois,

Trindade, onde os sobreviventes do naufrágio de Aires da Cunha teriam fundado a cidade

de Nazaré).

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- 12 de agosto - Tendo os franceses passado à Ilha-grande, foi rezada a primeira

missa e erguida uma cruz.

8 de setembro - Solenemente, fundaram a colônia, a França Equinocial, com a

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colaboração espontânea dos índios, tendo à frente o cacique Japiaçu e iniciaram a

construção do forte, chamado de São Luís, em honra ao rei-menino, o qual “posto que feito

de estacadas é forte por arte de grandes terraplenos, com seus baluartes altos e casamatas

com fosso de quarenta palmos de largo e dez de alto. (Alexandre de Moura, “Relatório” de

1616).

Haviam-se associado à empresa o rico Barão de Molle e Gros-Bois, Senhor de

Sancy e François de Rasilly, Senhor de Aunelles e Rasilly, que financiaram a armação das

naus “Regente” e “Charlotte” e o patacho “Saint’Anne”.

-Integraram a expedição os padres franciscanos Yves d’Evreux, Claude

d’Abbeville, Arsene de Paris e Ambroise d’Amiens, dando início ao culto católico, muito

embora fosse La Ravardiére protestante, e à decantada catequese dos indígenas que

alcançaria seu paroxismo com os Jesuítas que, a serviço do poder real, apoiaria a escravidão

e, assassinando não só o corpo, mas a própria alma dos índios, implantaria o catolicismo

hipócrita do crê ou morre.

1o. de novembro – Ao lado da cruz colocaram as Armas da França e, diante de

todos, franceses e índios, especialmente convocados de todas as aldeias, juraram fidelidade

à Sua Majestade Cristianíssima, o Rei, dando-se à colônia recém-fundada uma constituição,

a segunda do Brasil (Regimento dado a Tomé de Souza, em 1549, quando da implantação

do Governo Geral) e a primeira do Maranhão, da qual destacamos os seguintes artigos:

- ordenamos a todos e a quem quer que seja, que honrem e respeitem os

reverendos padres capuchinhos, enviados por Sua Majestade a fim de

implantarem entre os índios a Religião Católica, Apostólica e Romana, sob

pena de serem punidos os infratores segundo o caso e a ofensa perpetrada;

- ordenamos, para manutenção desta companhia e da sociedade, que vivam todos

em paz e amizade, respeitem-se mutuamente, segundo as condições e qualidade

pessoais, e desculpem uns aos outros suas fraquezas, como Deus manda, e isso

sob pena de serem considerados perturbadores do sossego público;

- ordenamos que o autor de qualquer homicídio, a menos de perpetrado

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comprovadamente em legítima defesa, seja punido de morte para exemplo;

- ordenamos que quem quer que se encontre furtando, seja, pela primeira vez,

açoitado ao pé da forca, ao som da corneta, e sirva durante um ano nas obras

públicas, com perda, nesse espaço de tempo, de todas as dignidades, sal[ários e

proveitos; da segunda vez. seja o infrator enforcado. Em se tratando de criado

doméstico, seja já no primeiro roubo;

- depois de estabelecido o que diz respeito a esta companhia, tanto em referência

aos bons costumes, relações mútuas, proteção de suas vida e honra, como à

segurança de seus bens, ordenamos, para conservação dos índios entregues à

nossa proteção, e também para atraí-los pela doçura ao conhecimento de

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nossas leis humanas e divinas, que ninguém os espanque, injurie, ultraje ou

mate, sob pena de sofrer castigo idêntico à ofensa;

- ordenamos que não se cometa adultério, por amor ou violência, com as

mulheres dos índios, sob pena de morte, pois seria isso não só a ruína da alma

do criminoso, mas também da colônia; igualmente ordenamos, sob pena

idêntica, que não se violentem as mulheres solteiras;

- ordenamos que se não pratiquem quaisquer atos desonestos com as filhas dos

índios, sob pena, da primeira vez, de servir o delinqüente como escravo da

colônia por espaço de um mês; da segunda, de trazer ferros aos pés por dois

meses; da terceira, de ser conduzido à nossa presença para o castigo que

julgarmos justo;

- proibimos ainda quaisquer roubos contra os índios, seja de suas roças, seja de

outras coisas que lhes pertençam, sob as penas supramencionadas.

Frei Vicente do Salvador, na sua “História do Brasil”, diz que os portugueses, nas

arremetidas pelo território indígena, além de tomarem as terras e fazerem escravos,

destruírem as tabas e consumirem os alimentos encontrados, passavam a fazer novas

culturas muitas vezes usando as mesmas covas dos índios. E quanto à violação das

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mulheres e a carnificina feita nos índios

Que diferença!

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- Construção do forte, batizado de São Luís, em homenagem ao Rei-menino. O

nome de São Luís estendeu-se a toda a povoação; a ilha de Upaon-açu chamou-se

sucessivamente: Ilha dos Tupinambás, Ilha das Vacas, Ilha de Nazaré, Ilha do Ferro e Ilha

de Todos os Santos. Por ignoradas razões, ou força do Destino, só vingou o de São Luís,

aliás, a única lembrança que nos deixaram os franceses.

- Fundado o Conventinho de São Francisco, de folhas de palmeira, erguido “um

pouco acima de uma fonte de excelentes águas vivas e claras, cercada de árvores grandes

e copadas”.

Ano de 1613 – 16 de abril – A Colônia francesa

Segundo a maioria dos historiadores, coube aos franceses a primazia da colonização

do Maranhão, pois seu comércio, posto que incipiente, foi além dos produtos da indústria

extrativa do pau-brasil e do âmbar, com o cultivo do algodão e do fumo, além da descoberta

de minas de ouro, prata e enxofre. Por outro lado, foi essa ocupação do território que abriu

os olhos à Coroa para a necessidade de promover a efetiva posse da Capitania, até então

desprezada.

- Chegam ao Maranhão, com Du Pratz, 300 pessoas, oficiais de todos os ofícios

mecânicos (carpinteiros, alvanéis (pedreiros), tecelões, fundidores, serralheiros, canteiros,

sapateiros, alfaiates), inclusive gentis-homens, além dos astrólogos De Faus e Janet, e 10

capuchinhos, sob as ordens de frei Arcângelo de Pembroch.

Data dessa época a construção dos fortes de Itapari, Sardinha e Cahur, o Des Cahors dos

franceses, o nosso muito familiar Caúra, defronte de Ribamar.

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26 de outubro – Chegada dos portugueses

Jerônimo de Albuquerque e Diogo de Campos chegam a Guaxenduba, próximo da

foz do rio Munim e dão início à construção do forte de Santa Maria.

- 28 de outubro – É rezada a primeira missa pelos portugueses, os padres Miguel

Gomes e Diogo Nunes, vindos com Albuquerque na “Jornada Milagrosa”. Foram os

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primeiros religiosos portugueses a por os pés no Maranhão, muito embora seja provável a

chegada de outros padres nas expedições de João de Barros/Aires da Cunha e a de Luís de

Melo e Silva, como era de praxe. No entanto foi daqueles que a História fez registro.

19 de novembro – Batalha de Guaxenduba.

300 franceses e 2.000 índios, sob o comendo do próprio La Ravardiére,

entrincheiram-se no outeiro defronte do forte lusitano. Jerônimo de Albuquerque divide

suas forças em duas colunas, cada uma com 70 soldados e 40 índios, assumindo o comando

de uma, enquanto Diogo de Campos e Antônio de Albuquerque (filho de Jerônimo)

acometia os franceses, na praia. Apesar da inferioridade numérica, obtiveram os

portugueses retumbante vitória; romperam-se as linhas gaulesas com o ataque de Diogo de

Campos e a debandada foi geral. Quando os silvícolas, sob o comando do capitão Madeira,

atacaram, os franceses perderam seu comandante Du Pezieux e mais de 100 combatentes,

abatidos na luta, ou afogados na fuga, ou devorados pelos tubarões. Os cronistas

portugueses dão apenas 10 mortos e 30 feridos como baixas, e entre os últimos, Antônio de

Albuquerque, Estevão de Campos e Belchior Rangel.

Sobre a vitória portuguesa criou-se a lenda do Milagre de Guaxenduba, que o padre

José de Morais assim descreve: “Foi fama constante (e ainda hoje se conserva por

tradição) que a Virgem Senhora fora vista entre os nossos batalhões, animando os

soldados em todo o tempo de combate”; e Humberto de Campos imortalizou no magnífico

soneto “O Milagre de Guaxenduba”:

Minha terra natal, em Guaxenduba:

Na trincheira, em que o luso ainda trabalha,

A artilharia, que ao francês derruba,

Por três bocas letais pragueja e ralha.

O leão de França, arregaçando a juba,

Saltou. E o luso, como um tigre, o atalha.

Troveja a boca do arcabuz, e a tuba

Do índio corta o clamor e o medo espalha.

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Foi então que se viu, sagrando a guerra,

Nossa Senhora, com o Menino ao colo,

Surgir, lutando pela minha terra.

Foi-lhe vista na mão a espada em brilho

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(Pátria, se a Virgem quis assim teu solo,

Que por ti não fará quem for teu filho?)

27 de novembro Tratado de trégua

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Concordaram os adversários em suspender hostilidades e enviar representantes

dos dois lados à Europa, submetendo o litígio à decisão dos governantes de seus países,

devendo o vencido retirar-se do Estado dentro de dois meses.

24 de dezembro – Inauguração do Convento de São Francisco (Abbeville)

Ano de 1614 – 1o. de novembro – Expulsão dos franceses

Alexandre de Moura, à frente de uma expedição de 600 soldados, mandou

Albuquerque tomar o forte de São Luís. Jerônimo, com tal reforço de tropas, falando ao

trato do armistício, deu a La Ravardiére o ultimato de evacuar a ilha, dentro de cinco

meses.

Ano de 1615 - 31 de setembro – Rendição dos franceses

-200 franceses entregam, sem luta, o forte de São Luís. Há indícios de que La

Ravardiére, reagindo ao abandono que lhe votou o governo francês, haja negociado, por

2.000 cruzados, a entrega do sonho da França Equinocial aos portugueses. São dúvidas que

permanecem na História.

Ano de 1616 – 9 de janeiro – Primeiro capitão-mor do Maranhão

Assume o governo da colônia Jerônimo de Albuquerque Maranhão (como passou

a assinar) com o título de Capitão-mor da Conquista, retirando-se Alexandre de Moura. São

nomeados: Ouvidor e Auditor Geral, Luís Madureira; Sargento-mor,. Baltazar Álvares

Pestana; Capitão do mar, Salvador de Melo; Capitão das entradas, Bento Maciel Parente;

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Capitão de Cumã, Martin Soares Moreno; Ambrósio Soares, Comandante do forte de São

Felipe (o forte de São Luís teve o nome mudado para de São Felipe, em honra a Felipe II de

Espanha, a cujo reino estava sujeito Portugal, a partir de 1580, com a derrota do exército

lusitano do prior do Crato, D. Antônio); Álvaro da Câmara, Comandante do forte de São

Francisco e Antônio de Albuquerque, do forte de Itapari.

O Capitão-mor tratou da remodelação do forte principal, de acordo com a planta

do Engenheiro-mor do Brasil, capitão Francisco Frias de Mesquita, bem como da

disposição das ruas, segundo o plano do mesmo engenheiro, e outras providências,

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inclusive a construção da residência dos governadores. Daí a discussão acadêmica acerca

da cidade de São Luís, para alguns, fundada pelos portugueses e não pelos franceses.

Minúcias de especialistas.

Iniciou-se assim, com Jerônimo de Albuquerque, o governo dos Capitães-mores,

que se estendeu até 1824, com a nomeação de Miguel Inácio dos Santos Freire e Bruce,

primeiro presidente constitucional da Província do Maranhão, já no Brasil independente.

- Bento Maciel sobe o rio Pindaré à procura de minas, sem resultado, e aproveita a

viagem para mover guerra aos guajajaras.

11 de fevereiro - Construção da igreja de Nossa Senhora da Guia, na ponta do

Bonfim.

Ano de 1617 – 04 de maio – As capitanias gerais do Maranhão e Grão-Pará passam a fazer

parte do Brasil, conforme Carta Régia desta data. Compreendia o novo Estado, mais ou

menos, os atuais Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí e Ceará, os territórios de Rio Branco e

Amapá.

- Construção do Convento dos Carmelitas, no sítio de messieur Pineau, na rua do

Egito e conhecido como “Carmo Velho”.

Ano de 1618 – 11 de fevereiro – Antônio de Albuquerque

Falecendo Jerônimo de Albuquerque, sucede-o o filho, Antônio de Albuquerque,

tendo por assistentes Bento Maciel Parente e Diogo da Costa Machado.

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24 de agosto – Matias de Albuquerque (irmão do governador), depois de quatro

meses de perseguição, consegue a vitória sobre os tupinambás, sendo o líder indígena,

Amaro, executado à boca de um canhão.

Ano de 1619 – 7 de novembro – Pelo Alvará desta data é o Estado do Maranhão separado

do Estado do Brasil.

Assume o governo Diogo da Costa Machado, conforme carta que lhe passou o

Governador Geral do Brasil, D. Luís de Souza (1616-1621); e Bento Maciel Parente dá

continuidade à carnificina, matando os colonizadores, no espaço de três décadas, mais de

dois milhões de índios, de sorte que, segundo Roberto Simonsen, “em 1667 não havia mais

autóctones ao longo da costa, de Gurupá até o Maranhão.”

Ano de 1620 Colonos açoreanos

Estes colonos, que se supõe terem sido 200 casais, chegaram em duas levas: a

primeira, trazida por Manuel Correa de Melo; a segunda, no ano seguinte, por Antônio

Ferreira Bittencourt, para a instalação, na capitania, de dois engenhos de açúcar

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Por determinação do governador, é constituída uma Comissão de “homens bons”,

que elegeu o primeiro Senado da Câmara, assim constituído: Presidente - Simão Estácio da

Silveira; Juiz - Jorge da Costa Machado; Vereadores – Antônio Vaz Borba e Álvaro

Barbosa; Procurador – Antônio Simões.

Ano de 1621 - Instala-se a primeira Câmara de São Luís, da qual Simão Estácio da Silveira

foi nomeado juiz. Parece-nos, portanto, que nesta data é São Luís elevada à categoria de

vila, com sua representação regular.

- Por essa época “vagavam pelas proximidades da cidade e das costas marítimas do

Maranhão os indomáveis índios Taramambeses”, diz Marques.

- Epidemia de varíola - Terrível epidemia trazida por navio vindo de Pernambuco.

Para aplacar a ira de Deus, Diogo da Costa Machado levantou, à sua custa, a igreja matriz

(nas proximidades do futuro prédio do Hotel Central) e ajudou nas obras do convento do

Carmo, o chamado Carmo Velho, na rua do Egito.

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- Junho – É criado o Estado do Maranhão

Ano de 1622 Antônio Muniz Barreiros Filho.

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Diogo de Mendonça Furtado, novo Governador Geral do Brasil, nomeia Antônio

Muniz Barreiros Filho governador, a título provisório, e a pedido de seu pai Antônio

Muniz, dando-lhe como assistente o padre Luiz Figueira, indicação mal vista pelos colonos,

receosos da influência do jesuíta junto ao governador. Tendo chegado a pedirem a expulsão

dos padres, conseguiu, no entanto, Muniz Barreiros acalmar os ânimos e estabelecer um

modus vivendi razoável.

- Abertura da estrada ligando S. Luís a Belém.

- Introdução do gado vacum na Província.

- Aumento da cidade, reparos nos fortes e construção de um engenho de açúcar,

tudo à própria custa do governador.

- Fundação da missão de Uçagoiaba (Vinhais) e reconstrução do Convento de

SantoAntônio.

Ano de 1624 – 05 de agosto – frei Cristóvão de Lisboa

Chega o Visitador Eclesiástico e Comissário do Santo Ofício, frei Cristóvão de

Lisboa.

- Publicação do Alvará de 15 de março de 1624, tirando dos colonos a

administração dos índios.

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Fundação do Convento de Santo Antônio, no lugar do de São Francisco.

Ano de 1625 – Chegam ao Maranhão o padre Lopo do Couto e um irmão coadjutor que,

em 1641, irão assinar, com Bento Maciel Parente, a ata de rendição aos holandeses.

Ano de 1626 - 03 de setembro – Antônio Coelho de Carvalho.

Toma posse o primeiro governador do Estado do Maranhão, Francisco Coelho de

Carvalho.

- Construção de pedra e cal do forte de São Filipe, “que era de faxina, obra de pouca

duração” e ficou perfeito, até com residência dos governadores, segundo César Marques.

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Ano de 1627

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Dá início o padre Luís Figueira, com a instalação de uma fazenda no lugar

Anindibá, ao patrimônio dos jesuítas; “Nesse local se ergueu mais tarde o Colégio de Nossa

Senhora da Luz, e junto dele a igreja da Companhia” (igreja da Boa Morte), diz o padre

José Coelho de Souza, S.J.

12 de junho – A Capitania de Cumã

Francisco Coelho de Carvalho faz doação ao seu filho, Antônio Coelho de

Carvalho, de uma capitania na costa, “começando a medir da parte do rio Cumã para o

norte cinqüenta léguas, que é a repartição que Sua Majestade manda fazer das capitanias do

Estado do Brasil”.

Ano de 1635 - Levante geral dos tupinambá

- 15 de setembro - Falecimento de Antônio Coelho de Carvalho.

Ele foi acusado de desviar verbas públicas e de ser responsável pelo assassinato de

um dos frades do Convento de Santo Antônio.

Ano de 1636 Jácome Raimundo de Noronha. Eleito governador pelo Senado da Câmara,

Jácome Noronha manda o capitão Pedro Teixeira explorar o rio Amazonas.

Ano de 1638 – 27 de janeiro – Bento Maciel Parente

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Toma posse “o mais sanguinário perseguidor que jamais tiveram os índios do

Maranhão, Pará e Amazonas”.

Ano de 1640 – 01 de dezembro – Restauração de Portugal. O Duque de Bragança é feito rei

com o nome de D. João IV.

- Igreja de São José do Desterro (depois, de Nossa Senhora do Desterro), anterior a

1641.

Ano de 1641 - 25 de novembro – Invasão Holandesa

Dezoito navios, sob o comando do almirante Jan Cornelizoon Lichtardt e 2.000

soldados, às ordens do coronel Koin Anderson, aportaram no Desterro, profanaram a

igreja, saquearam a cidade e, rendendo o governador, tomaram os fortes de São Luís e o de

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Itapecuru, apossando-se dos cinco engenhos ali existentes.

Ano de 1642 – 4 de setembro de 1642 - Toma posse em Belém, como governador e

capitão-general do Estado do Maranhão, o pernambucano Pedro de Albuquerque. De

natureza fraca, sempre doente, veio a falecer em 6 de fevereiro.

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de setembro – Expulsão dos holandeses

O

ex-capitão-mor, Antônio Muniz Barreiros Filho, o sargento-mor, Antônio

Teixeira de Melo, o capitão Paulo Soares de Avelar e os índios Joaçaba Mitaguai e

Henrique de Albuquerque, insuflados pelos padres Lopo do Couto e Benedito Amodei,

tomam de surpresa os engenhos e o forte do Calvário.

21 de novembro – Batalha do Outeiro da Cruz

Tendo passado à ilha, Teixeira de Melo derrota os invasores no Outeiro da Cruz,

perdendo os holandeses o comandante escocês Sandalin. Muniz Barreiros instala-se na

colina do Convento de Nossa Senhora do Carmo, próximo aos muros da fortaleza de São

Filipe.

Ano de 1643 – 16 de janeiro – Falece Antônio Muniz Barreiros Filho

Em conseqüência de grave ferimento recebido em combate, morre Antônio

Muniz. Assume o comando Teixeira de Melo e, depois de várias escaramuças, sustenta

uma intensa troca de tiros entre o forte e a colina.

13 de julho – Pedro de Albuquerque

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Nomeado Governador, para expulsar os holandeses, chegou Pedro de

Albuquerque à barra do Maranhão e, para se comunicar com os seus compatriotas fez

disparar os canhões de bordo. Não obtendo resposta, dirigiu-se a Belém, onde naufragou,

conseguindo salvar-se alguns de sua comitiva, inclusive o pe. Luiz Figueira, Superior dos

Jesuítas. Assumiu então suas funções. Pede-lhe a Câmara que João Velho do Vale e Pedro

Maciel Parente, irmãos, fossem impedidos de exercer qualquer função na Capitania,

proibição que queriam que se estendesse a toda a geração do ex-Governador Bento Maciel,

por sua atitude covarde diante dos holandeses.

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Ano de 1644 – 6 de fevereiro – Falece Pedro de Albuquerque.

28 de fevereiro – Fuga dos holandeses

Vendo-se perdidos, fizeram-se ao largo, deixando a cidade praticamente em ruínas.

Posto que estragassem pouco, destruíram tudo, como diz João Lisboa.

Antônio Teixeira de Melo governou a capitania do Maranhão de 17 de janeiro de

1643 a começos de junho de 1646, quando faleceu, e Pedro de Albuquerque, o Estado do

Maranhão, de 13 de julho de 1643 até 6 de fevereiro de 1644.

Ano de 1646 – 17 de junho – Francisco Coelho de Carvalho, o Sardo

Sargento-mor do governador Pedro de Albuquerque, o novo nomeado recebeu o

governo do Senado da Câmara, que o exercia pela morte de Teixeira de Melo. Governava a

capitania do Pará (que, com a do Maranhão, compunha o Estado) o capitão-mor Sebastião

de Lucena de Azevedo, que expulsou os holandeses de Bandergus do sítio de Maricari,

próximo à foz do rio Amazonas.

Ano de 1648 – 15 de fevereiro – Falecimento do governador Francisco Coelho de Carvalho

Sentindo-se à morte, e para prevenir perturbações à administração do Estado,

determinou o governador que, ficando as duas capitanias independentes, seriam,

provisoriamente, governadas por Aires de Souza Chichorro, a do Pará, e Manuel Pita da

Veiga, a do Maranhão.

22 de dezembro - No governo despótico e arbitrário de Pita da Veiga, foi a aldeia

de Tapuitapera, cabeça da capitania de Cumã, elevada à categoria de vila, com o nome de

Alcântara, homenagem de seu Donatário ao ilustre taumaturgo Santo Antônio de Lisboa e

Pádua, e às boas lembranças que tinha de sua quinta real, nos arredores de Lisboa.

Ano de 1649 – 17 de fevereiro - Luís de Magalhães

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de agosto - Assumindo o governo, Luís de Magalhães ordenou ao capitão-mor

do Grão-Pará, Inácio do Rego Barreto, que fizesse partir de Belém uma expedição à

procura do famoso El-Dorado, fantástica região do rio do ouro ou do lago dourado, que

ensandecia portugueses e espanhóis.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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28 de agosto – Ataque dos índios tapuia uruati a um engenho do Itapecuru, com a

morte dos padres Manuel Muniz, Gaspar Fernandes e Francisco Pires.

Ano de 1651 – Chega à fortaleza de Santo Antônio do Gurupá (Pará) a bandeira do mestrede-

campo Antônio Raposo, vinda de São Paulo.

Ano de 1652 – 25 de fevereiro – Extinção do Estado do Maranhão

Pela carta régia desta data é extinto do Estado do Maranhão e criadas as capitanias

independentes do Grão-Pará e de São Luís. Vê-se, pois, como eram contraditórias as ordens

do Reino, ora reunindo as capitanias sob um só governo, ora tornando-as independentes e

autônomas.

17 de novembro – Assume o governo de São Luís o capitão-mor Baltazar de

Souza Pereira, e logo resolve fazer executar a ordem que trazia de por em liberdade todos e

quaisquer índios que até então fossem escravos, contando para isso com o apoio do padre

Antônio Vieira. Amotinou-se o povo, instigado pelo camarista Jorge de São Paio; o

governador pôs a tropa nas ruas e, afinal, por intercessão dos jesuítas, ficou acordado

mandar-se à Lisboa procuradores para tratar do assunto, junto à Coroa.

Ano de 1653 – 17 de janeiro – Chega ao Maranhão o Padre Antônio Vieira.

17 de outubro – Determinou o Rei que as Câmaras de Belém e de São Luís,

com a assistência do desembargador João Cabral de Barros, examinassem caso a caso para

apurar a legalidade do cativeiro, reconhecido como resultado de justa guerra, o que, na

prática, redundou na escravização em geral, com a autorização das entradas de resgate.

- Fundação da Irmandade da Misericórdia e, por iniciativa do pe. Vieira, início da

construção do Hospital.

Ano de 1654 - Junho – O padre Vieira prega em São Luís o célebre Sermão de Santo

Antônio, conhecido como o “Sermão aos Peixes”, no qual faz severas críticas aos

habitantes gananciosos, como neste trecho, referindo-se naturalmente à Praia Grande:

Vêdes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele subir e descer as

calçadas, vêdes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é

andarem buscando os homens como hão de comer, como se hão de comer”, e acrescenta,

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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falando aos peixes, mas dirigindo-se aos homens: “Não só vos comeis uns aos outros,

senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os

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pequenos comeram os grandes, bastará um grande para muitos pequenos; mas como os

grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.

- Os freis Marcos da Natividade e João da Silveira fundam o primeiro Convento das

Mercês, desaparecido.

25 de agosto – Pela Resolução Régia desta data são as duas capitanias reunidas

outra vez e restaurado o Estado do Maranhão e Grão-Pará, passando o Piauí a pertencer à

Bahia. O padre Vieira, consultado, respondeu ao Rei: “Digo que menos mal será um ladrão

que dois; e que mais dificuldades serão de achar dois homens de bem, que um. Sendo

propostos a Catão dois cidadãos romanos, para o provimento de duas praças, respondeu

que ambos lhe descontentavam, um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava.

Tais são os dois capitães-mores, em que se repartiu este governo. Baltazar de Souza não

tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a

necessidade, se a cobiça.

Ano de 1655 André Vidal de Negreiros

11 de maio - Assumindo o governo, faz André Vidal construir os fortins de

Mosqueiro (Belém) e da ilha de Itaparica, e uma atalaia em Salinas

- Construção do definitivo Convento das Mercês.

16 de maio - Chega a São Luís, vindo de Portugal, o padre Vieira, trazendo nova

Provisão Régia, datada de 9 de abril, que, modificando a anterior e restringindo vantagens

dos colonos, foi posta em execução sem grandes problemas.

- Manda o governador os capitães Agostinho Correa e Pedro da Costa Favela

guerrear os índios aruã que, anos antes, haviam devorado os náufragos da expedição de

Pedro de Albuquerque.

Ano de 1656 – 23 de setembro – Sendo nomeado governador de Pernambuco, Negreiros

viajou para lá, deixando o sargento-mor Agostinho Correa como governador interino da

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

Capitania Geral do Maranhão.

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- Foi por essa época que as Câmaras do Maranhão e Pará receberam a Provisão

Régia de 20 de julho de 1655, na qual a Coroa, em reconhecimento à reconquista do Estado

aos holandeses, concedeu aos maranhenses os privilégios de infanção, o mesmo de que

gozavam os cidadãos do Porto, muito embora o padre Vieira achasse que o território não

tivesse valido a pena o custo e o esforço da retomada. (Infanção – Título de nobreza

inferior ao de rico-homem, em Portugal, que conferia ao possuidor privilégios, direitos,

isenções, etc.)

6 de novembro – Falece D. João IV, passando a governar, como Regente, a rainha

D. Luísa Francisca de Gusmão, na menoridade do filho Afonso VI.

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Ano de 1658 – 16 de junho – D. Pedro de Melo

Durante o governo de D. Pedro fizeram-se muitas entradas para resgate e

descimento de índios, sob a direção do pe. Vieira. Reclamavam os colonos que as aldeias

dos jesuítas não eram missões e sim colônias, acusando os padres de serem donos de quase

todos os escravos resgatados nas missões e de não cumprirem a promessa “de que não

haviam de tirar lucro dos índios forros, nem com eles fabricar fazenda, nem canaviais, e só

tratariam da doutrina espiritual”. Mais uma vez os ânimos se exaltaram, o povo (sempre o

povo, este ser indefinido e sem rosto?!) “invadiu à força bruta o Colégio dos Jesuítas,

insultou-os e, arrancando-os dos seus próprios cubículos, lançou-os fora de sua habitação

usual.” Isto em São Luís, porque em Belém, após a procissão do Anjo Custódio, também o

povo invadiu o Colégio de Santo Alexandre, prendeu o padre Vieira e obrigou-o, com seus

irmãos, a embarcar para o Maranhão. Pedro de Melo, “governador apenas no nome”, nada

fez, e o procurador da Câmara de S. Luís, encarregado de prender os missionários

refugiados em Gurupá, acabou preso ele mesmo. Outra vez o povo libertou o procurador,

conduzindo os padres para Belém e mandou-os numa caravela para Portugal. Assim acabou

o governo de Pedro de Melo, “perdendo muito o Estado do Maranhão na docilidade de seu

gênio”, segundo Berredo.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Ano de 1662 – 26 de março – Toma posse no governo do Maranhão Rui Vaz de Siqueira.

Em Belém os padres são embarcados e desembarcados, o Ouvidor-geral Diogo de Souza

sentencia os presos (faz açoitar dois deles). Por fim mete-os todos num patacho com

destino a Lisboa. (Primeira expulsão dos Jesuítas)

29 de maio – Rui Vaz conseguiu, em Junta Geral, que os padres retornassem ao

Estado, com novo compromisso de exercitarem somente a jurisdição espiritual; concedeu,

em nome de El-Rei, perdão geral e particular a todos e a cada um.

Ano de 1663 Nova epidemia de varíola, que fez grandes estragos, principalmente entre os

índios indefesos. Os moradores se consolavam das perdas com a promessa de ressarci-las

com as próximas expedições de resgate, o que o governador apressou-se a fazer,

autorizando várias entradas nos rios e sertões do Amazonas. A que subiu o rio Urubu, sob

o comando de Antônio Arnau Vilela, acompanhado do frei Raimundo, das Mercês, deu-se

mal: os índios Caboquena e Guanevena deram cabo dela, só escapando o frade e mais uns

dois, o que deu motivo à vingança do governador: “tremendo foi o castigo infligido aos

bárbaros por este atentado”, diz C. Marques; e Berredo: “Ensoparam a terra com o sangue

de 700 selvagens mortos, aprisionaram 400, e fizeram baquear 300 aldeias envoltas em

turbilhões de labaredas!”

Os índios

Mas, quem eram estes índios tão selvagens? “Difícil é precisar-lhes as nações e

reparti-los em tribos.” (Mário M. Meireles); a prórpia bibliografia etnológica apresenta

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tantas lacunas que só para alguns poucos grupos indígenas seria possível distinguir com

precisão tribos de subtribos”. (Darcy Ribeiro) No Maranhão, a grosso modo, pertenciam ao

grupo tupi, além de outras, as seguintes: tupinambá, tabajara, caeté, etc., e ao tapuia: guaja,

guajajara, gamela, barbado, etc.

“Alguns autores classificam os tupinambá como dóceis e sociáveis, entendendo-se

bem com os “civilizados” (até que estes, atraiçoando-os e escravizando-os, despertassem

neles a “selvageria”), antepondo-lhes os tapuia como ferozes, vingativos e traiçoeiros”.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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D’Abbeville achou-os “isentos de trapaças e de fraudes, de roubos e de furtos, de excelente

gênio e tão viva inteligência; eram alegres e engenhosos, sóbrios no comer e bons

palradores; não têm espírito de propriedade particular e qualquer um pode aproveitar-se

de seus haveres livremente; distribuem entre si tudo o que possuem e não comem nada sem

oferecer aos seus vizinhos” e o pe. José de Morais: destros por natureza e valorosos por

indústria”. Moravam em aldeias, tinham incipiente agricultura, teciam o algodão,

acreditavam num Deus criador do universo e identificavam astros e estrelas. O mesmo

D’Abbeville acrescenta: “Ouvi de franceses, que com eles viveram durante dezoito e vinte

anos, que no passado eram muito mais liberais. O pouco que receberam dos franceses em

troca do que deram tornou-os finalmente avaros e desconfiados. E hoje nada fazem, nem

dão, sem antes ter recebido muito mais. Ainda assim é bem pouco o que desejam em troca

do que dão ou fazem. Por outro lado, nada se perde em ser liberal para com eles, pois não

deixam de reconhecer os favores recebidos e não são ingratos, nem gostam de ser

sobrexcedidos em liberalidade e cortezia”. Pertenciam ao tipo fundamental de produção

chamado “comuna primitiva”. Com respeito à antropofagia, demos a palavra ao padre

Bettendorf: “O gentio Aruaquiz não come carne humana e se mata os prisioneiros em o

terreiro é para ganhar nome

e Darcy Ribeiro: “tanto a guerra como a antropofagia

vitimavam exclusivamente homens.” Acreditavam que comendo a carne dos valentes

adquiriam suas virtudes de coragem e destemor. Aliás, conforme depoimento do próprio

D’Abbeville, não faziam a guerra de conquista, para estender os limites de seu país, nem

para enriquecer-se com os despojos de seus inimigos, mas unicamente pela honra e pela

vingança, ressalvando o caráter epopéico de suas lutas. Simonsen diz que em 1655 existia,

no Estado do Maranhão, 54 aldeias indígenas só a cargo dos jesuítas: 11 na capitania do

Maranhão, 2 no Gurupi, 6 no Pará, 7 no Tocantins e 28 no Rio Amazonas

puderam as

diferentes ordens religiosas concentrar, no Estado do Maranhão, 50 mil índios, em cerca de

80 aldeias.”

Perguntamos hoje o que deu à outrora enorme massa indígena a tão louvada

“civilização”? A primeira orda de conquistadores simplesmente matou grande parte; os

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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sobreviventes tornaram-se escravos, eternos fugitivos, ou se suicidaram; os padres, tirandoos

de seu habitat natural e confinando-os em aldeamentos, sujeitaram-nos, com a ameaça

de castigos terrenos e infernos após a morte, a um catolicismo falso, em nome de uma

moral cristã, mas comprometido com os poderosos e interessado em assegurar a posse de

bens terrenos em detrimento do reino dos céus, cuja promessa só servia para justificar os

sofrimentos impostos aos miseráveis escravos e sagrar o direito dos ricos pela graça de

Deus. José Vieira Couto de Magalhães, estadista mineiro, presidente das províncias de

Goiás, do Pará, de Mato Grosso e de São Paulo, em 1876 escreveu em o “Selvagem”:

Coitados! Eles não têm historiadores; os que lhes escrevem a história são aqueles que, a

pretexto da religião e civilização, querem viver à custa de seu suor, reduzir suas mulheres

a filhas e concubinas, ou são os que os encontram degradados por um sistema de

catequese, que com mui raras exceções é inspirada por móveis de ganância, o que dá em

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resultado uma espécie de escravidão que, fosse qual fosse a raça, havia forçosamente de

produzir a preguiça, a ignorância, a embriaguês, a devassidão e mais vícios que

infelizmente acompanham o homem quando se degrada. Os escravos gregos e romanos

eram de raça branca, e não sei que a história tenha conservado notícia de gente pior”.

Representação feita por ordem de Rui Vaz, dirigida ao Conselho Ultramarino

afirmou “que o governo do Maranhão e Grão-Pará constava de seis capitanias, em que

haveria até 700 moradores portugueses, cuja riqueza consistia em ter mais ou menos

escravos índios, acrescentando que só restavam índios pelo Amazonas acima e que pela

costa deste Maranhão até Pará já os não havia, por terem os portugueses dado cabo

deles”.

Assim terminou este governo “tão cheio de grandes perturbações” e destituído “de

princípios de moralidade e do sentimento de honra”.

Ano de 1665 – Rui Vaz manda construir a igreja de São João Batista dos Militares, como

penitência pelo que havia feito a uma mulher nobre, casada, da qual lhe nasceu uma filha.

Ano de 1667 Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, o Velho.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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22 de junho – Posse do novo governador, filho do primeiro governador do

Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho. A antiga questão afeta aos índios veio a

provocar novas perturbações, dado o caráter despótico do governador, sujeitando à sua

jurisdição a repartição dos índios feitas pelo juiz, as entradas unicamente decididas por ele,

acrescentando que “esta é e forma que se há de seguir e o estilo que convém se guarde

porque do contrário seguirá grande prejuízo a todos”. É fácil deduzir que logo haveria de

surgirem desentendimentos entre o governador e as Câmaras, que começaram com a atitude

de seu filho do mesmo nome que, na capitania de Cametá, dispunha a bel prazer de todos os

índios de serviço, fazendo entradas e descimentos ao arrepio da lei e “aproveitando-se

também da ocasião para fazer o negócio não menos lucrativo do cravo”. (Aliás, vale

lembrar que, apesar das proibições régias, vedando aos cabos de tropas fazerem resgates

por si mesmos, e a governadores e demais autoridades o comerciarem por conta própria, as

mesmas Câmaras [puxando a brasa para sua sardinha] que tais vantagens eram o único

estímulo e compensação aos primeiros, pelos muitos sacrifícios, despesas, trabalhos e

perigos a que se expunham nas entradas, e que aos últimos eram-lhes insuficientes os

ordenados para atender aos gastos da viagem, sustentação do decoro de suas casas, brindes

que faziam aos índios, esmolas ao culto divino,etc., motivo pelo qual, a fim de evitar que

recorressem a meios ilícitos, justificavam fosse permitido dar-lhes 10% dos escravos que se

resgatassem.) E como a Câmara se declarasse disposta a proceder com mesma severidade

que o governador claramente defendia, Antônio de Carvalho, não gostando da reclamação,

logo que viu findo o mandato dos vereadores, seguiu para Belém para vingar-se. Alertados,

porém, eles se esconderam nos sertões e o governador, frustrado, para não perder a viagem,

ordenou

duas grandes tropas de resgate.

Ano de 1668 Antônio de Albuquerque constrói a fortaleza de Macapá, sobre as ruínas da

de Camaú, que tempos depois seria ocupada pelos franceses de Caiena.

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Ano de 1671 – 9 de junho - Pedro César de Menezes

Ainda a sempre presente questão dos índios deu início aos desentendimentos: ia a

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Câmara de Belém publicar a lei de 1663 quando seu procurador, “obedecendo

provavelmente a secretas instruções”, conseguiu suspendê-la. O governador prendeu o

presidente da Câmara e um vereador, remetendo-os para Lisboa. A carta régia de 1673,

conquanto ordenasse o cumprimento das leis de 1663 e 1667, praticamente justificou todas

as manobras que, por 10 anos, protelaram sua execução, subordinando as entradas à

autorização do governador, o qual, aproveitando-se disso, logo mandou uma expedição ao

Tocantins em busca de minas de ouro, mas sem resultado.

Ano de 1676 - Chegam ao Maranhão mais 234 colonos dos Açores.

Ano de 1677 – 29 de agosto - Avisado por um padre jesuíta de que, na noite seguinte,

quando estivesse assistindo a uma comédia, no convento das Mercês, nobreza e povo,

conluiados, tentariam tirar-lhe a autoridade e a vida, o governador recolheu-se à fortaleza,

reuniu a tropa e, com bastante estardalhaço, mandou prender os sediciosos, remetendo-os,

uns a ferros para o Gurupá, outros desterrados para Portugal.

Pedro César foi o primeiro dos governadores a residir em Belém, desprezando São

Luís, sede natural do governo, “atraído pelas ganâncias do comércio muito mais

considerável então naquela cidade que em São Luís”, diz César Marques.

Neste ano foi estabelecido em São Luís o Estanco da Fazenda Real, aceito pelo

clero, nobreza e povo, convocados pelo governador em Junta Geral, pelo qual a Coroa

estancava o comércio, proibindo-o aos particulares, e faria, por sua conta, todo o negócio

de ferro, aço, facas e avelórios (miudezas), necessários ao Estado e o comércio de resgate,

recebendo em troca as drogas e produtos do País. Dois anos depois foi extinto, pois “só aos

assentistas era conveniente e à Real Fazenda, de muito prejuízo”.

3 de setembro - A bula do Papa Inocêncio XI cria a Diocese do Maranhão,

subordinada ao Bispado de Lisboa; a vila de São Luís é elevada à categoria de cidade,

atribuindo-se-lhe 2.000 habitantes, e a igreja de Nossa Senhora da Vitória é erigida em

catedral e Sé do Bispado. Frei Antônio de Santa Maria, capuchinho, eleito bispo, renuncia

ao cargo sem ao menos tomar posse.

Ano de 1678 – 17 de fevereiro - Inácio Coelho da Silva

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Deixando Vidal Maciel Parente (filho do ex-governador Bento Maciel) no

governo, seguiu para Belém.

Manoel Beckman, vereador desde 14 de janeiro de 1668, criticou publicamente tal

nomeação, “ou por ser ele bastardo e mameluco, ou por outros defeitos que lhe assacou”,

segundo César Marques, pelo que o governador prendeu-o e deportou-o para o forte de

Gurupá, tirando devassa e acusando-o de grande inquietador do povo, acostumado a

sedições e alvoroços.

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Ano de 1679

“Vagavam pelas proximidades da cidade e das costas marítimas do Maranhão os

indomáveis índios Taramambeses”, diz Marques, e conta que, “protegidos pelas sombras da

noite costumavam aproximar-se em silêncio das embarcações surtas junto à terra e,

picando-lhe as amarras, as faziam dar à costa, roubando depois a carga e matando e

comendo os naufragantes”. A fim de puni-los, instaurou-se processo, e “da condenação à

morte não escaparam nem as mulheres”, diz Bettendorff; à vista de que não lhes restassem

esperanças, batizou-os todos, “com o que escapariam do fogo do inferno e iriam gozar no

céu da bem-aventurança eterna”. (Como se já não experimentassem o inferno com os

mesmos portugueses

acrescentamos nós.) “Assim instruídos todos e aparelhados em bons

e famosos atos de fé, esperança e caridade, se mandaram, depois de batizados, cavalgar

sobre dois bancos, postos à boca de duas peças carregadas de bala, e pondo-se fogo a

ambas ao mesmo tempo voaram em um fechar de olhos pelos ares feitos em pedaços”. Não

satisfeitos ainda, a esta carnificina judiciária seguiu-se a guerra que lhes moveu Vital

Maciel Parente que, “fiel às tradições paternas, surpreendeu os Taramambeses

descuidados, sendo tal o furor dos assaltantes que não perdoavam a sexo nem a idade”.

Mas, a tropa, chegada a São Luís “foi logo à igreja matriz dar graças a Deus e à Virgem

Santíssima da Vitória pelo bom sucesso de sua empresa”, conclui o padre.

Todavia, Inácio Coelho deu execução às determinações régias que obrigava os

agricultores à plantação de cacau e baunilha e promover o cultivo e fabricação do anil.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Ano de 1679 – 11 de julho – Toma posse nosso primeiro bispo – D. Gregório dos Anjos,

cientista e letrado, doutor em Teologia e orador sacro.

Ano de 1680 – 24 de janeiro – Bequimão é solto.

Carta Régia desta data ordenava que, como da devassa não resultara culpa,

mandasse o governador soltar Bequimão, e repreendia a autoridade “pela curiosidade com

que se mostrou zeloso”.

Era, porém, Inácio Coelho dedicado aos melhoramentos materiais, animando as

pessoas abastadas a levantarem boas casas e concorrerem para o aformoseamento da

cidade. Não obstante isso, foi antipatizado por todos por seus modos ásperos, não

admitindo ser contrariado.

- Perde o Estado do Maranhão e Grão Pará a capitania do Ceará, que passa à

jurisdição de Pernambuco.

Ano de 1682 – 27 de maio – Toma posse no governo Francisco de Sá de Menezes.

Ainda a bordo, Sá de Meneses promoveu uma reunião com Pascoal Pereira Jansen

(que com ele viera), Antônio de Souza Soeiro, procurador da Câmara, Manuel Campelo de

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Andrade, juiz de órfãos e Jorge de Sampaio, vereador, para instalação do Estanco, sob a

presidência de Pascoal Jansen, o que foi feito no dia seguinte: reuniu-se a Câmara, e o

procurador, exibindo as respectivas provisões, estabeleceu o Estanco do Maranhão, pelo

qual se comprometia este a introduzir 10.000 escravos, melhorar a indústria e a lavoura e

garantir a freqüência dos navios, ao menos de um por ano. Se o primeiro foi mal recebido,

sendo oficial, quanto mais este, instituído em benefício de particulares e que, estendendo-se

a toda a sorte de gêneros, vinha matar de vez toda a iniciativa dos da terra. Ademais, que o

governador declarava “ter ordens de Sua Majestade para estabelecer o Estanco, quer

quisessem quer não”, ameaçando meter no mesmo navio em que viera alguém que, por

acaso, tivesse dúvidas a respeito. Foi a proposta prontamente aprovada, “sendo os

principais instigadores da aceitação galardoados pelo governador: o procurador Souza teve

a patente de Capitão-da-Infantaria paga, e Jorge de Sampaio recebeu um grande mino de

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

fazendas e outros objetos”, diz C. Marques.

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- Sá de Meneses ergue em Itapecuru uma casa forte que chamou de Santo Cristo da

Serra de Semide, no lugar da antiga fortaleza de Vera Cruz.

- “Os escravos não vieram, nem em número, nem pelo preço acertado; os gêneros

eram de má qualidade e até mesmo estragados; havia uma cotação para a venda e outra

para a compra; os navios escasseavam e a Companhia roubava nos preços, nos pesos e

nas medidas. O Governador, como já se esperava, entrava na tramóia, sócio de fato da

empresa. Por outro lado, se o poder executivo comerciava (e esta era prática constante

desde os primeiros tempos, apesar das reiteradas proibições), o eclesiástico não ficava

atrás e adiantou-se na pessoa do bispo D. Gregório dos Anjos que, juntamente com Sá de

Meneses, atirou-se, sofregamente, ao lucrativo comércio do cravo, não obstante ser isto

vedado a ambos.” (C.de Lima)

A sofrer sem remédio, o povo encontrou um representante de suas angústias em

Manuel Beckmam, português de nascimento mas, ligado, como vereador que fora, aos

negócios da terra, respeitado e estimado por suas atitudes corajosas que já lhe haviam

custado um desterro.

Escravidão Negra.

Embora Artur Ramos afirme existirem escravos negros no Brasil desde 1531, no

Maranhão sua importação começou com a primeira Companhia de Comércio, neste ano de

1682. Não obstante haver escravos negros nas lavouras de algodão, cana-de-açucar e arroz,

no Pindaré, Itapecuru e Mearim, foi o padre Vieira quem encareceu à Coroa a necessidade

de sua introdução em larga escala, propondo (para os colonos, que os padres continuaram

com os índios ainda por muito tempo) a troca do elemento autóctone pelo africano, “que já

fora escravo em todos os tempos e já o era entre os seus”.

Combustível humano” para Darcy Ribeiro, “não sendo propriamente

trabalhadores, mas apenas o trabalho”, segundo Marx, eram os escravos considerados

mercadoria (opinião desposada também pela Igreja, pela maldição de Caim condenados a

ser “o servidor dos servidores de seus irmãos”) e de cujo comércio muito lucrativo

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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participavam reis, nobres e até filósofos como Voltaire, constituindo “o mais importante

ramo do comércio marítimo, nos séculos XVII e XVIII”, conforme Simonsen.

Pode-se considerar, porém, que foi com a nova Companhia Geral do Comércio do

Grão Pará e Maranhão, em 1757, que se organizou a rota negra da Amazônia e que os

negros chegaram em considerável quantidade (25.365 escravos vieram para o Maranhão

e Pará, segundo Manuel Nunes Dias, e Roberto Simonsen calcula que 3 milhões e 300 mil

negros entraram no Brasil, do século XVII ao XIX).

Filhos de diversas nações, embarcados na Costa do Marfim, Costa do Ouro e

Costa dos Escravos e das ilhas portuguesas de São Tomé e Príncipe, aqui chegaram

angolas, congos, fanti-ahantis, nagôs, jejes, etc., englobados sob a denominação de minas

(as mulheres vindas principalmente do forte de São Jorge de Minas), para se tornarem os

principais artífices da riqueza maranhense no século XIX e contribuir generosamente na

formação de nossa identidade e nossa alma. Vinham, 300 a 500 fôlegos vivos, amontoados

no fundo dos porões infectos dos “tumbeiros” e, se na viagem a mortandade chegava a 25%

dos embarcados, sua vida últil e produtiva nos engenhos e fazendas, sujeitos a castigos e

torturas no tronco, nas gargalheiras, nas correntes, nas surras de chicotes de couro cru, etc.,

não ia além de 10 anos. Como disse o pe. Vieira: “Ah, fazendas do Maranhão, que se esses

mantos e essas capas se torcerem, haviam de lançar sangue”; Vicente Pires: “Sem a costa

da África o Brasil não teria negros, sem negros não se plantaria cana e faria açúcar e sem

açúcar não haveria Brasil” e Caio Prado Júnior: “O algodão, sendo branco, tornou preto o

Maranhão”.

“Sempre estive persuadido que a palavra escravidão desperta as idéias de todos os

vícios e crimes”, diz com razão o Arcebispo da Bahia; o corrompimento se dando pela

despersonalização abjeta do indivíduo, sujeito a outro – dono de sua pessoa e de seu

destino. Joaquim Nabuco reconhecia não ser o mau elemento da população a raça negra,

mas essa raça reduzida à escravidão.

Em São Luís, a Casa das Minas, fundada por Nan Agotimé, viúva do rei

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Agoingolo de Damomé e a casa das Nagôs, fundada por Josefa (ambas entradas no

Maranhão de contrabando, após a proibição da Lei Feijó, de 1831) constituíram-se nos

principais núcleos de resistência da religiosidade afro-maranhense.

Ano de 1684 – 23 de fevereiro – Revolução de Bequimão

A revolta partiu da cerca do Convento de Santo Antônio, depôs o governador,

prendeu o capitão-mor, comandante das armas, constituiu uma Junta Governativa e

expulsou os jesuítas, donos de outro monopólio: o dos índios. Vitória rápida e completa; o

preposto de Sá de Menezes (que transferira o governo para Belém), Baltazar Fernandes,

medroso e incapaz, não opôs resistência. “Oferecia o préstito o espetáculo de uma

verdadeira revolução popular, tanto nos seus intuitos, como na própria maneira como

estavam armados os revolucionários, trazendo cada um a arma que encontrara ou

possuía”, diz Barbosa de Godóis. Tratou Bequimão de obter o apoio de Tapuitapera e Pará,

sem resultado, tentando a Câmara de Belém até suborná-lo.

Mas, o ânimo dos revolucionários aos poucos foi arrefecendo, os chefes e

subordinados voltando às suas atividades rotineiras; o povo, desacostumado do serviço

militar, cansou-se e até Bequimão passou a preocupar-se infantilmente com pequenos

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assuntos como o de proibir mantas de seda às mamelucas; tão despreocupados que só dez

meses depois enviaram um representante à Corte. Jesuítas e assentistas já haviam preparado

o ambiente hostil e Tomás Beckman, irmão de Manuel, ao chegar a Lisboa foi posto a

ferros e enviado de volta, juntamente com o novo governador.

Ano de 1685 – março – Segunda expulsão dos padres da Companhia de Jesus.

15 de Maio – Gomes Freire de Andrade

Assumindo o governo, Gomes Freire repôs tudo como dantes: demitiu os

funcionários da revolução, reintegrando os antigo; chamou os jesuítas; reinstalou o Estanco.

A debandada foi tão grande que a cidade ficou deserta, dizem os cronistas. Gomes Freire

publicou um bando concedendo perdão aos revoltosos, com exceção dos chefes. Bequimão

escondeu-se mas, graças à traição de seu filho de criação, Lázaro de Melo, foi preso, e

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

condenado à morte.

- 29 -

2 de novembro – Execução de Bequimão - Na praia do Armazém , ou da

Trindade, morreram na forca o grande herói – Manuel Bechman, o Bequimão e Jorge

Sampaio. Francisco Dias Deiró sofreu a mesma pena, porém em efígie, isto é, em retrato,

por se encontrar foragido.

Foi ele (Bequimão) o proto-mártir da liberdade no Brasil. Pelo seu caráter,

abnegação e amor extremado pela causa pública, aparece na história dos nossos tempos

coloniais como um vulto gigantesco, que pasma ter vivido num tempo em que a tirania da

parte dos governantes e o servilismo da parte dos governados eram característicos da

sociedade”, exalta-o Barbosa de Godóis.

A Revolta de Bequimão foi a primeira insurreição anticolonialista em terras

brasileiras; anterior à de Filipe dos Santos (1720) e à Inconfidência Mineira (1789)

(Jorge de Sampaio é esquecido por ter, ao que se depreende, feito jogo duplo:

como vereador, apoiando Sá de Menezes; como revolucionário de última hora, aderindo ao

movimento).

Pascoal Jansen pouco aproveitou das riquezas ilicitamente adquiridas, sendo seus

bens confiscados, oito anos depois, pelos próprios colegas assentistas.

Ano de 1686 – 24 de novembro – Diante da ameaça de extinção, Carta Régia proibia o

corte de árvores novas de cravo por 10 anos, e que só se mandassem ao Reino três a quatro

mil arrobas por ano.

21 de dezembro - Carta Régia determinou que Gomes Freire de Andrade

permanecesse no governo “pelo tempo que vos for possível”, embora já estando nomeado

Artur de Sá de Meneses que, em conseqüência, deveria receber de seu antecessor instruções

e conselhos para o bom desempenho de seu encargo.

22

Ano de 1687 – 14 de julho – Toma posse no governo Artur de Sá de Meneses. No préstito

que em que foi à matriz, ouvir o Te-Deum, recusou-se Freire a ir sob o pálio, com o seu

sucessor, conforme a praxe, “sem ter ou querer distinção alguma”.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 30 -

Ano de 1688 – 12 de março – Carta Régia manda tomar severas medidas para impedir a

dilapidação, inclusive por religiosos, das salinas de Maracanã, no Pará. (C.R. de 12-3-

1688).

- 23 de março - Carta Régia determina a criação de uma fábrica de anil, no

Cametá, e proíbe a manufatura do ferro.

- 23 de agosto ordena que o governador tenha residência em São Luís.

Sempre atencioso, reto e assíduo no cumprimento do dever, “jamais usou da

autoridade para fazer o mal” (Baena, Compêndio das Eras), Sá de Meneses fez edificar

nova igreja na Capitania de Icatu,; uma entrada pelo Amazonas até o Rio Negro, que

resgatou grande quantidade de índios; também descobriram-se minas de ouro no rio Urubu

e de prata em Jatuna, pelo que foi criada em Belém uma fundição de metais.

Ano de 1690 Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, o Moço.

- 17 de maio – Capitão-mor do Pará, toma posse no governo do Maranhão, a 17 de

maio, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, chamado o Moço, para distingui-lo de

seu pai, de mesmo nome, governador de 1667 a 1671. Fez construir de pedra e cal a

fortaleza da Ponta de João Dias (Ponta d’Areia) e outras em Joanes e Gurupá, dada a

ameaça dos franceses de Monsieur de Ferrol, em Caiena.

Ano de 1692 – Carvalho fundou, em Marajó, o pesqueiro real e despachou as “entradas” a

terra dos tapajó e iruriz; e aos índios abacaxi até os rios Negro e Madeira.

- Chega ao Maranhão a bandeira paulista de Francisco Dias de Siqueira.

Ano de 1693 – 2 de novembro - Carta Régia ordena ao governador que só permita tais

“entradas” de estranhos quando expressamente autorizadas pelo governador do Estado do

Brasil.

- Jesuítas, mercedários e franciscanos de Belém negam-se a pagar os dízimos

reais, mandando a Coroa que sejam seqüestrados seus bens caso não justifiquem

convenientemente a recusa.

Ano de 1695 – 19 de abril – Chega à Bahia a expedição do sargento-mor Francisco dos

Santos para entregar ao governador, D. João de Lencastro, carta do governador do

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 31 -

Maranhão, datada de 15-12-1694, descobrindo, na aventura, esta estrada.

23

- Epidemia de varíola trazida por um navio negreiro e que se estendeu por todo o

Estado, fazendo mais de 200 vítimas, entre as quais o Provedor-mor Guilherme Rodrigues

Bravo.

Ano de 1696 – 6 de fevereiro – Carta Régia recomenda ao Governador o maior cuidado na

preservação de seus domínios, ante a descida dos castelhanos pelo Amazonas até as terras

dos índios cambeba.

Ano de 1697 – mês de maio – Os franceses de Caiena ocupam a fortaleza de Macapá e

arrasam a do Paru. Mandou o governador combatê-los o capitão Francisco de Souza

Fundão e, tendo obtido sucesso, ordenou a reconstrução do forte.

- 8 de maio – Chega a São Luís o novo bispo, D. Timóteo do Sacramento, homem

áspero e orgulhoso, que logo condenou à prisão, degredo e multa os acusados de

concubinato, hábito generalizado, sem atenção a posições ou privilégios.

Ano de 1698 – 10 de dezembro – Carta Régia ordenava ao Comissário dos Mercedários

que reprimisse as sátiras aos Ministros e ás autoridades, as quais ofendiam do púlpito com

palavras escandalosas.

Contra as violências de D. Timóteo levantou-se o Senado da Câmara, sem

resultado. O governador mandou, de Belém, o Ouvidor-mor a São Luís, para solicitar ao

bispo que soltasse os presos. Respondeu este com a leitura acintosa e todos os nomes dos

condenados, feita numa missa festiva na Sé. O Conselho da Coroa ordenou a soltura dos

presos e o bispo excomungou os Ouvidores. O Ouvidor mandou cercar o palácio do bispo,

que, sem criados, ia ele mesmo buscar água na fonte próxima, desde então apelidada “a

fonte do bispo”. Então mandou pregar-lhe portas e janelas. Seguiram-se atos de violência

de ambas as partes, o bispo excomungou o Capitão-mor e toda a cidade e até Prior do

Convento do Carmo, em Belém, por haver recorrido da sentença de interdição de sua igreja,

que o bispo dera por poluída por abrigar o corpo de seu desafeto, o Ouvidor-geral. O Juiz

Conservador Apostólico admoestou-o, recebendo em represália a excomunhão. Passaram

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 32 -

aos confrontos físicos através de bandos de cacetistas, que se enfrentavam nas ruas, com

escândalo público. Ao próprio Rei, que lhe condenara os atos, respondeu que o assunto não

lhe competia, sendo de natureza estritamente religiosa. Inconformado, viajou para Lisboa,

mas não foi recebido por D. Pedro II; tão constrangedora tornou-se sua presença que se

recolheu à sua quinta em Setúbal, sem sequer nomear procuradores para acompanhar o

processo.

Ano de 1699 - Sentindo-se doente, Antônio de Albuquerque pediu demissão, vindo para

São Luís Fernão Carrilho, seu lugar-tenente, mas que só alcançaria o governo no ano

seguinte.

Ano de 1700 – 4 de março – Pelo Tratado Provisional desta data têm fim as usurpações do

Marquês e Ferrol, de Caiena, esperando a solução definitiva da questão, o que só ocorreria

treze anos depois.

24

SÉCULO XVIII

Ano de 1701 – 30 de junho – Fernão Carrilho

Supondo que Antônio de Albuquerque já tivesse partido de Belém para Lisboa, a

Câmara de São Luís dá posse a Fernão Carrilho.

- 11 de julho – Parte para Portugal, licenciado, o ex-governador Antônio de

Albuquerque Coelho de Carvalho, o Moço.

- Um ano durou a interinidade de Fernão Carrilho, “limitado ao simples

expediente”, diz Marques.

- A Junta de Governadores Diocesanos levantou as excomunhões e interditos,

finalmente encerrando a questão provocada por D. Timóteo do Sacramento.

Ano de 1702 – 8 de julho – Toma posse D. Manuel Rolim de Moura como governador do

Maranhão.

- 10 de agosto – Segue para o Pará de onde se demora por três anos.

Ano de 1705 – Em virtude de seus desentendimentos com o Ouvidor-Geral e Provedor da

Fazenda, Miguel Monteiro Bravo, D. Catarina, Regente de Portugal, demite-o do governo.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 33 -

- 13 de setembro – Assume interinamente o governo João de Velasco Molina,

enquanto o ex-governador parte para São Luís a fim de retornar ao Reino. Intrigantes de

São Luís informam a Molina que Rolim articula um movimento para sua deposição; viaja

para São Luís com o Ouvidor-geral e manda-o abrir devassa contra os pretensos

conjurados.

Ano de 1707 – 12 de janeiro – Cristóvão da Costa Freire, Senhor de Pancas, é o novo

governador, recebendo o governo, por ordem expressa do Rei, diretamente das mãos de

Manuel Rolim de Moura. Costa Freire anula a devassa, solta os presos e demite Molina do

cargo de Capitão-mor do Pará; intenta por em execução a Carta Régia de 1705, que dava

liberdade aos índios, mas, diante da reação dos colonos, ao contrário, arma uma tropa de

resgate pelo Amazonas.

Ano de 1708 – 8 de junho – Ordena o governador que Inácio Corrêa de Oliveira, em

cumprimento da Ordem Régia, expulse os missionários castelhanos de Quito, que se

25

haviam estabelecido entre os índios Cambeba, no Amazonas, os quais, intimados,

retiraram-se sem resistência.

- 30 de setembro - O governo de Quito, no entanto, retomou a região de Solimões,

aprisionando os portugueses, inclusive Oliveira.

Ano de 1709 – 5 de março – A Câmara oficia à Metrópole dizendo “que o fim deste

capitão-mor (João Velasco de Molina) era destruir os privilégios dos cidadãos desta

Capitania, que eram iguais aos do Porto, pois mandou prender em pública e estreita

enxovia fechada os juizes ordinários, o juiz de órfãos e três capitães (

caprichos particulares”.

) tudo por ódio e

Ano de 1710 – 14 de janeiro – Carta Régia autoriza os nobres maranhenses a organizarem

uma Companhia de Privilegiados, à qual só poderiam pertencer os que pudessem integrar a

Câmara.

- abril – Recebe Cristóvão Freire a notícia do êxito da tropa que mandara em

outubro, sob o comando do sargento Antunes da Fonseca: vencera os castelhanos, senhores

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 34 -

do Distrito dos Cambeba, e fizera 15 prisioneiros, entre os quais o jesuíta João Batista

Sana, governador daquelas missões.

Ano de 1715 – Provisão do Conselho Ultramarino manda que a Capitania de São José do

Piauí, desligando-se da Bahia, volte a pertencer ao Estado do Grão-Pará e Maranhão.

- Enquanto isso, vai Costa Freire ordenando ao Sargento-mor Francisco

Cavalcanti de Albuquerque “entradas” e mais “entradas” resultando, entre outras cousas, a

dizimação dos índios Aranhi, no Piauí, e dos Iorá, no rio Madeira.

- O governo do Senhor de Pancas estende-se até 1718 por solicitação da Câmara,

desejosos os moradores da Capitania “de o querer sofrer por mais outro triênio”, conforme

disse ele em seu agradecimento.

- Data deste ano o célebre “Processo das Formigas”, movido pelos frades

capuchinhos contra as saúvas que lhe pilhavam a despensa e ameaçavam a estrutura do

convento. (Ver a descrição do episódio em “História do Maranhão”, de Carlos de Lima.)

Ano de 1716 – 26 de abril – Representação do Senado da Câmara acusa Costa Freire de

perseguir homens honrados e cercar-se de maus indivíduos e até de cristãos-novos.

Ano de 1717 – 12 de julho – É empossado na catedral, “com grande júbilo de suas

ovelhas”, o bispo D. José Delgarte.

26

Ano de 1718 – 18 de junho - Assume o governo Bernardo Pereira de Berredo e Castro

perante a Câmara de São Luís, recebendo-o de Cristóvão Freire, em Belém, em 1o. de

agosto.

- Não obstante ter-lhe, em 12 de junho de 1710, agradecido os bons serviços

prestados à Coroa, mandou o Rei que o Ouvidor-geral do Pará tirasse devassa da

administração de Freire de Andrade, conforme a representação, já citada, que fizera a

Câmara.

- Não obstante mereça os maiores encômios como intelectual, autor dos “Anais

Históricos do Estado do Maranhão”, como governante houve-se como os demais,

cometendo abusos e arbitrariedades: prendendo desafetos e fuzilando soldados, enquanto

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 35 -

agraciava amigo; usando de tropa na construção de seu engenho particular; exercendo

abertamente o comércio e fazendo guerra injusta ao gentio e em proveito próprio. Não só

Berredo como seus antecessores criavam inúmeros postos de coronéis, tenentes-coronéis,

sargentos-mores etc., em retribuição a favores ou serviços particulares, pelo que a Provisão

de 30 de abril de 1721 ordenou que se abstivessem desse procedimento, tornando sem

efeito os tais postos.

- É criada a Capitania de São José do Piauí, subordinada à do Maranhão.

- Frei Antônio de Sá, ex-Provincial da Ordem Carmelitana o Hospício do Bonfim ,

sobre uma colina, no cabo do mesmo nome, à margem esquerda do rio Bacanga, fronteiro a

São Luís.

Ano de 1719 – 4 de março – A Bula de Clemente XI eleva o Pará a Bispado, sendo seu

primeiro titular frei Bartolomeu do Pilar.

- Edificada a igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na ponta do Romeu.

Ano de 1720 – 13 de novembro – Por Bula Apostólica, o Grão-Pará é retirado da

jurisdição episcopal do Maranhão e constituído em bispado sufragâneo ao Patriarcado de

Lisboa.

Ano de 1722 – 19 de julho - João da Maia da Gama assume o governo e incumbe o

Sargento-mor Francisco de Melo Palheta de, “com todo o disfarce e com toda a cautela”,

roubar um par de grãos de café de algum jardim ou roça da Guiana Francesa, aonde fora em

missão especial na questão de limites.

- Logo nos primeiros dias de seu governo representou à Sua Majestade, dizendo

ser-lhe impossível o sustentar-se nesta Capitania com o soldo de seis mil cruzados,

27

necessitando valer-se dos gêneros do reino para com eles comprar o preciso ao seu

sustento, e de sua família”, razão por que pedia que lhe fosse permitido “mandar ir de

Portugal 300 a 400$000 empregados nestas drogas”, o que lhe foi deferido, obrigando-o,

porém, a apresentar ao Conselho Ultramarino a relação dos gêneros com seus respectivos

preços.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 36 -

-

20 de agosto – Carta Régia dá nova organização: apenas dois Estados: Grão-Pará

e

Maranhão, voltando o Piauí a pertencer a este último.

-

D. João V exige dos povos o donativo voluntário para aliviar o Erário dos

grandes empenhos contraídos com as despesas dos casamentos dos príncipes portugueses e

espanhóis”.

Ano de 1723 – O Capitão-mor José da Cunha d’Eça funda a povoação de Arari.

Ano de 1724 – 18 de agosto – O governador ordenou que, sob pena de prisão, só fosse

usado o fio em meada e trouxesse o pano o nome do tecelão, para evitar o costume já

generalizado da fraudação da moeda (que era o novelo de algodão) recheando-a com trapos

e pedaços de madeira. A Coroa, concomitantemente, estabeleceu que as varas de pano

valessem 200 e 400 réis, respectivamente as de 26 e mais cabrestilhos.

- Seguindo a praxe, também João Maia manda fazer “entradas” e restaurar a

estrada aberta por Pedro Teixeira, um século antes, e que ligava São Luís a Belém.

Também como de costume governador e bispo entram em divergência, por haver este

asilado soldados desertores no palácio episcopal.

Ano de 1727 - Palheta exorbitou a ordem de João da Maia, trazendo cinco pés da planta e

mais de mil frutos. Iniciou-se, pois, no Maranhão a cultura do café no Brasil, tornando-se

Palheta um dos primeiros fazendeiros.

Ano de 1728 – 14 de abril – Empossado no governo, Alexandre de Souza Freire manda

Pedro Teixeira explorar o rio Amazonas ate à foz do rio do Ouro.

Ano de 1729 – Determina que as canoas empregadas no transporte do sertão paguem

apenas 5% e manda arrecadar o dízimo e o imposto de 4% sobre o gado vacum e cavalar

estabelecido pela Prov. de 2 de junho do ano anterior.

Em Lisboa, já demitido, representou ao Rei, acusando o Conselho Ultramarino de

proteger ladrões.

Ano de 1731 – 11 de dezembro – Carta Régia desta data ordena que sejam pagas, em

cravo, cacau e salsa, côngruas (pensão) aos cônegos, para seu sustento, conforme haviam

pedido.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

28

- 37 -

Ano de 1732 – 16 de julho - José de Serra é, segundo Mário M. Meireles, o primeiro

governante que, desprezando as “entradas”, trata da moralização dos costumes, insistindo

com os pais pela melhoria da criação e educação das crianças, recomendando à Ouvidoria

fossem evitados “pleitos de origem e fins poucos confessáveis”; proibiu a flagelação dos

penitentes nas igrejas, quinta e sexta-feira santas, e o andarem pelas ruas cidadãos

acompanhados de escravos armados.

- 8 de agosto – Carta Régia mandava fosse muito estendida e abundante a cultura

de café e canela, que ficavam isentas do pagamento de direitos por 12 anos.

Ano de 1736 – 30 de março – Falecendo José de Serra, foi substituído pelo Capitão-mor

João Alves de Carvalho. Disputaram o cargo o Ouvidor-geral, Dr. José Monteiro de Souza

e o Secretário de Governo, Antônio da Rocha Machado, resultando disto ficar praticamente

acéfala a administração no Maranhão.

Ano de 1737 – Provisão Real de 13 de maio deste ano estabeleceu que, vagando-se a

governadoria, assumiria o cargo, em cada Capitania, o seu Capitão-mor.

29 de agosto – Toma posse João d’Abreu Castelo Branco e encontra em São Luís,

parece que, pela primeira vez, duas Câmaras, ambas em exercício: uma protegida do

Capitão-mor; outra, pelo Ouvidor-geral, costume que, no entanto, várias vezes se repetiria

no decorrer do tempo e da história. Determinou que somente uma turma de camaristas

estivesse presente à sua posse e exigiu fossem cumpridas suas ordens.

Ano de 1738 – 29 de junho – Toma posse do bispado do Maranhão D. Frei Manuel da

Cruz.

Ano de 1739 – 17 de abril – Alvará manda instalar o Cabido da Sé, constituído de

arcediago, arcipreste, chantre e mestre-escola, com 12 cônegos, 8 beneficiados, 16 capelões

e 2 mestres de cerimônia.

Desentendem-se bispo e camaristas: negando-se o vigário da Sé a oficiar missa de

ação de graças pela aclamação de D. João V ao trono português, foi apenado por seu

superior; este apelou para a Câmara que ficou a favor dele. D. Manuel responde que eles

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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camaristas cuidassem de suas obrigações e não interferissem no que não era de sua conta.

- No governo de Castelo Branco ocorreram conflitos no Tocantins entre

maranhenses e brasileiros por motivo da exploração de minas de ouro no hoje Estado de

Goiás, questão solucionada pela Coroa, que deu razão aos paulistas.

29

Ano de 1743 – A Irmandade de Nossa Senhora da Conceição inicia, num largo, na rua

Grande (Osvaldo Cruz) a construção da igreja de Nossa Senhora da Conceição dos

Mulatos, que somente seria concluída em 1662! Arruinada e reconstruída várias vezes,

reabriu em 1865 com as bênçãos do Bispo Diocesano, D. Luís da Conceição Saraiva.

Ano de 1744 – Messieur de La Condamine, juntamente com outros sábios franceses e

castelhanos, foram hóspedes de Castelo Branco, no regresso da viagem ao Amazonas com

objetivos científicos.

Ano de 1745 – O padre Gabriel Malagrida funda, no Pará, um seminário.

Ano de 1747 – 14 de julho – Toma posse o bispo D. frei Francisco de São Tiago.

– 14 de agosto – O novo governador do Maranhão é Francisco Pedro de

Mendonça Gurjão. Preocupou-se de início com o problema dos índios, recomendando tratálos

com muita brandura para chamá-los ao grêmio da igreja, o que contrariava os padrões

da época.

- João de Souza de Azevedo, partindo de Mato Grosso, descobre o curso do rio

Tapajós, alcança o Amazonas e chega a Belém, comunicando o feito às autoridades.

Ano de 1748 – 12 de junho -Provisão Real autoriza a circular no Estado o dinheiro

amoedado de ouro, prata e cobre, em substituição aos rolos de algodão e abate-se sobre a

Província a primeira e violenta epidemia de sarampo, sendo as maiores vítimas os índios e

os escravos.

Ano de 1749 – Realizam-se brilhantes festejos para comemorar o título de Fidelíssimo que,

em 23 de dezembro, o Papa Benedito XIV deu ao rei D. João V e aos seus sucessores.

Ano de 1750 – 31 de julho – Ascende ao trono português D. José I, tendo como Primeiro

Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, mais tarde o famoso Marquês de Pombal.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Instalou-se em Portugal o “Despotismo Esclarecido”; que os príncipes tivessem poderes

absolutos para atender o interesse dos povos, abolindo o prestígio, até então vigente, da

nobreza e do clero, que passaram a ser perseguidos. O Rei, pela mão de Pombal, extinguiu

a Inquisição (Tribunal eclesiástico, também chamado do Santo Ofício, encarregado de

julgar os crimes contra a fé, extirpar os herejes, os judeus e os infiéis, responsável por

15.000 pessoas queimadas vivas e 25.000 mortas nos cárceres, só em Portugal (e tudo em

nome de Deus!); empreendeu Pombal uma ampla reforma administrativa, a reorganização

das finanças e a disseminação e desenvolvimento da educação. Na América, reconquistou

para a Coroa as capitanias hereditárias ainda existentes; reforçou a defesa militar; cerceou o

comércio dos religiosos; incentivou a lavoura, as atividades mercantis e a indústria

extrativa; promoveu a emancipação do índio e a introdução da escravidão africana e

fundou a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, “que abriria para o

30

Estado a porta para um caminho de progresso que o levaria à fase áurea de toda a sua

existência, no império.” (Mário

M.

.Meireles)

Ano de 1751 –– 28 de julho – Assume o governo da Capitania Luís de Vasconcelos Lobo,

que logo vem a falecer, no dia 11 de dezembro de 1752.

- 31 de julho - A capital do Maranhão é transferida de São Luís para Belém e

mudado o nome para Estado do Grão-Pará e Maranhão.

- 24 de setembro – Francisco Xavier de Mendonça Furtado toma posse no governo

do Estado do Maranhão. Irmão do todo poderoso Marquês de Pombal, prestigiou a Justiça,

reconheceu e respeitou o direito das Câmaras e deixou assinaladas sua correção e

probidade, diz Meireles, citando Rocha Pombo. A Câmara , louvando muito o seu governo,

pediu ao Ministério um retrato dele “por ser esta a única maneira de patentear seu apreço

á pessoa do ex-governador”. César Marques, porém, transcreve em seu Dicionário

apreciações de Jacomme Ratton, de Londres, que o acusam de violento com as partes que o

procuravam, descomedido de palavras, deixando-se facilmente prevenir por terceiros, muito

embora confirme seu senso de justiça e o considere possuidor de um bom coração.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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- 28 de setembro – Perante a Câmara de São Luís assume o cargo de Capitão-mor

da Capitania do Maranhão, o Coronel Luís de Vasconcelos Lobo, que viria a falecer no ano

seguinte. Cumprindo a O. R. de 22 de maio de 1751, prendeu os cidadãos José Cardoso

Delgado, carioca, Faustino da Fonseca Freire e Melo, baiano, Silvestre da Silva Baldez e

José Serrão de Carvalho, maranhenses, e Manuel Lopo e Silva, pernambucano, remetendoos

para Lisboa, sob a acusação de que a Fazenda Real no Maranhão “se achava em poder

de cinco aves de rapina americanas que tinham nas unhas todo o seu veneno”. Faleceram

todos na prisão do Limoeiro, sem nada ficar provado, tudo por causa de uma denúncia de

um rábula de péssimos antecedentes, José Machado de Miranda – diz César Marques, ao

que contrapõe Rocha Pombo: a sindicância apurou o desfalque de 5.000 cruzados (apud

Mário M. Meireles).

Ano de 1752 – 22 de maio – O Capitão de Infantaria Severino de Faria é o novo Capitãomor,

que para Marques era homem virtuoso e de bons costumes, enquanto Ferreira dos Reis

diz que criou incidentes com o próprio Governador-Geral, não tendo o necessário equilíbrio

no cargo.

Ano de 1753 – 1o. de julho – Carta Régia desta data indefere o pedido dos habitantes do

Maranhão para serem dispensados do tal donativo voluntário, alegando serem os mais

miseráveis de toda a América, sob o fundamento de ainda não ter sido completada toda a

quantia pedida.

- O Estado do Maranhão é dividido em quatro capitanias subalternas: São José do

Rio Negro, Grão-Pará, Maranhão e Piauí , cada qual com seu governador, subordinados a

um Capitão-general e Governador-geral, residente em Belém.

31

- 30 de abril – Por carta Régia desta data é Mendonça Furtado nomeado

representante da Coroa para tratar da questão de limites com os Comissários espanhóis, na

forma do Tratado firmado entre o Ministro da Espanha e o Plenipotenciário de Portugal,

concluído em 16 de janeiro de 1750.

- 5 de agosto – O pe. Gabriel Malagrida faz seu Recolhimento de Nossa Senhora da

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

- 41 -

Anunciação e Remédios, a primeira escola feminina do Maranhão.

- 4 de outubro – Toma posse em Belém, perante o Governador-Geral Mendonça

Furtado, como Capitão-mor da subalterna Capitania do Maranhão, o Brigadeiro Gonçalo

Pereira Lobato e Souza. Entre outros atos do novo dirigente contam-se a abertura da

Estrada para a Estiva e o início do Canal de Arapapaí, obras que fez às suas custas; a

recuperação, por parte da Coroa, da Capitania de Cumã; a extinção da Companhia de

Privilegiados e incorporando seus elementos ao Corpo de Milícia; e a expulsão dos padres

jesuítas. Foi ele ainda, segundo César Marques, que mudou o nome da Capitania de Cumã

para o de Alcântara, com grande pesar dos moradores que queriam conservar o primitivo

como memória para sempre.

Ainda no governo de Lobato e Souza deu-se a transformação, em vilas, das aldeias

de Maracu, Carará, Uçagoiaba, Guarapiranga, Guanaré e Atotóia, agora chamadas,

respectivamente, Viana (8/7/55), Monção (16/7/55), Vinhais (1/8/55), São José de

Guimarães (19/1/56), Nossa Senhora da Tresidela (7/6/56) e Tutóia (1/8/56), além da

criação das de São José de Ribamar (5/8/55), São João de Côrtes (4/10/55), e Lapa e Pias

de São Miguel (25/4/56).

Ano de 1754 – 2 de outubro – Retirando-se Mendonça Furtado, interinamente assumiu o

governo geral o Bispo D. Miguel de Bulhões.

Ano de 1755 –Mais uma vez desentenderam-se Governador e Bispo por causa de um boato

sobre a descoberta de uma mina, obrigando a Corte a proibir que aqui se fizesse qualquer

descobrimento de minas sob pena de prisão e castigo.

– 11 de abril – Toma posse, por procuração, o bispo D. frei Antônio de São José.

– 30 de junho – Liberdade dos índios. Mendonça Furtado dá cumprimento à Bula

Pontifícia de 20 de dezembro de 1741 que declara livres todos os índios.

Ano de 1759 Terceira expulsão dos jesuítas, agora não só do Maranhão, mas do Brasil e

de todo o reino.

- 2 de março – Assume o governo do Estado como Capitão-General D. Manuel

Bernardo de Melo e Castro, que nada fez, segundo César Marques.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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- 42 -

Ano de 1760 – 14 de julho – Finalmente embarcam para o Pará os últimos jesuítas, 86

religiosos,e os bens da Companhia, móveis, imóveis e semoventes, em grande quantidade,

são postos à venda ou confiscados.

Ano de 1761- 16 de julho - Joaquim de Melo e Póvoas. Para completar o nepotismo,

Pombal, além de por no Governo-Geral do Estado seu irmão, Francisco Xavier de

Mendonça Furtado, nomeou ainda para Governador da Capitania do Maranhão seu

sobrinho Joaquim de Melo e Póvoas.

Deu-lhe o tio muitos conselhos, contidos numa carta que ficou célebre e entrou

para os anais da História, entre os quais: 1) engana-se quem entende que o temor com que

se faz obedecer é mais conveniente do que a benignidade com que se faz amar; 2) quem

governa, se não pode conservar a saúde do corpo misto da república, por causa de um

membro podre, justo é cortá-lo para não contaminar a saúde dos demais; 3) é injúria do

poder usar da espada da Justiça fora dos casos dela. (e aqui faz a ressalva: duvido se há

quem saiba executar estas virtudes.) 4) quase todos os que governam querem que os

lisonjeiem, e sempre ouvem com agrado os elogios que lhe fazem; desta espécie de

inimigos em toda a parte se encontram; aparte-os de si como veneno mortal; 5) não altere

cousa alguma com força, nem com violência, pois é preciso muito tempo, e muito jeito ,

para emendar costumes inveterados; contudo, quando a razão o permite, e é preciso

desterrar abusos, seja com muita prudência e moderação, que o modo vence mais do que o

poder; 6) observe estas três cousas: prudência para deliberar, destreza para dispor e

perseverança para acabar; 7) são os criados (que aqui podem ser tomados por secretários

de toda ordem) inimigos domésticos, quando são desleais; e companheiros estimáveis

quando são fiéis; se não são como devem ser, participam para fora o que sabem de dentro

e depois passam a dizer dentro o que se não sonha lá fora; 8) não aceite por mão deles

petição ou requerimento para que não aconteça que, à sombra da súplica, que vai despida

de favor, se introduza a que se acompanha de empenho e de interesse; 9) se a natureza deu

com previdência dois ouvidos, seja um para ouvir o ausente e o outro para o acusador; 10)

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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toda a república se faz mais de pobres e humildes que de ricos e opulentos; conheça antes

a maior parte do povo por pai, para o aclamarem defensor da piedade, do que a menor,

por protetor das suas temeridades para se gloriarem do seu rigor; o superior deve mandar

castigar, que para isso tem cadeias, ferros e oficiais que lhe obedeçam; mas nunca deve

injuriar com palavras e afrontas, porque os homens, se são honrados, sentem menos o peso

dos grilhões e a privação da liberdade, que a descompostura de palavras ignominiosas; e

se não o são, nenhum fruto se tira em proferir impropérios”.

Ano de 1763 – 14 de setembro – Fernando da Costa Ataíde Teive faz um governo sem

expressão.

Ano de 1772 – Carta Régia de 20 de agosto dividiu o Maranhão em dois Estados

autônomos: Grão-Pará, com a capitania de Rio Negro; Maranhão e Piauí, com São Luís.

21 de novembro – O Governo-Geral do Estado é transferido para o Coronel João

Pereira Caldas. Andavam por este tempo à matroca as repartições públicas, agindo os

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funcionários a esmo, por conta própria, a tal ponto de não haver, por vezes, nas colônias,

uma única cópia das leis em vigor; o que propiciava atitudes como a de Pereira Caldas, que

levou consigo todos os documentos de seu tempo a fim de que não ficasse vestígio de sua

passagem pelo governo.

Ano de 1773 – Posta fora da lei em Portugal, o Papa Clemente XIV, atendeu a instâncias

de vários príncipes e suprimiu oficialmente a Companhia de Jesus.

Ano de 1775 – 29 de julho –Toma posse Joaquim de Melo e Póvoas do governo do Estado

do Maranhão. De “gênio ativo, ordeiro e trabalhador”, nos seus dois governos mandou

construir os fortes de São Miguel (no lugar do de São Filipe), São Marcos e São Sebastião

(Alcântara) e consertar o de São Francisco. João Viera da Silva, administrador da

Companhia de Comércio, introduziu o chamado arroz de Carolina, em substituição ao

vermelho, da terra; José Carvalho inaugurou um pilador de arroz, que então se chamava

fábrica de soque”; e Melo e Póvoas fez vir de Lisboa maquinário para a instalação, no rio

Anil, de um fábrica de anil. Foi também Póvoas, neste segundo período, quem ordenou a

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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construção do prédio do atual palácio do governo, e promoveu, com a ajuda de Lourenço

Belfort, a cultura da amoreira para a criação do bicho da seda.

Ano de 1776 – Construída da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na rua do

Egito.

Ano de 1777 – 4 de fevereiro – Instalação da Junta de Justiça, composta do Ouvidor-

Relator, do Juiz de Fora e de dois vogais.

Ano de 1779 – 21 de setembro – Toma posse por procuração o bispo D. Jacinto Carlos de

Oliveira que, logo, em 8 de agosto de 1780, sem vir ao Maranhão, renuncia ao cargo.

6 de novembro – D. Antônio Sales de Noronha, Capitão-de Mar-e Guerra, é empossado

como o novo Governador. De gênio irascível, entrou em choque com a Câmara e a

Magistratura, mandando encarcerar camaristas e o Juiz de Fora. Tanto fez que a Rainha D.

Maria mandou o Ouvidor tirar devassa de seu procedimento, a qual, como as demais

devassas, não deu resultado algum. Mas, diga-se a seu favor, que aplicou o saldo de 29

contos de réis, do Canal do Arapapaí, com as obras paralisadas, na construção de um cais e

em melhorias da estrada da Estiva, ao invés de desviá-lo como tantos o faziam.

Ano de 1781 – 5 de junho – Toma posse o bispo D. frei José do Menino Jesus e, sem vir à

sua Diocese, vai transferido para o Bispado de Viseu (Pará).

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Ano de 1782 – D. Lourença da Cruz Pinheiro faz erigir, no Caminho Velho da Madre de

Deus a Eemida de Nossa Senhora das Barraquinhas, no bairro de Santiago.

- Pantaleão Rodrigues de Castro e Pedro da Cunha iniciam a construção da

Igreja de São José da Cidade, que depois se eternizaria como Igreja de São Pantaleão, mais

uma curiosidade deste curioso Maranhão. Inaugurada em 10 de março de 1817.

Ano de 1784 – 13 de fevereiro - José Teles da Silva – A primeira providência do novo

Governador foi comunicar para a Corte não haver encontrado nesta Capitania ordens,

avisos ou cartas régias anteriores ao governo de Luís de Vasconcelos Lobo (1751-1752).

- 31 de outubro – Toma posse o bispo D. Antônio de Pádua e Belas e mais uma

vez ocorre o desentendimento entre a autoridade eclesiástica e o governador,

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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desinteligência esta provocada e exacerbada pelo bispo, com os versos ferinos e sarcásticos

que despropositadamente dirigia aos que lhe eram adversos. Depois de agravos de parte a

parte, a Coroa repreendeu o bispo e mandou que o Ouvidor fizesse cumprir a lei. Foi ao

tempo em que houve novo surto de varíola e foi concluída a estrada da Estiva com a

construção de uma passagem no Estreito dos Mosquitos.

- A Câmara doa ao Cônego José Maciel Aranha o terreno onde se ergueria a

Capela de Santana da Sagrada Família, popularmente conhecida como Igreja de

Santaninha.

Ano de 1787 - 17 de dezembro – Fernando Pereira Leite de Foios, por apelido O “Cavalo

Velho”, toma posse do governo.

Ano de 1789 – O Capitão José Salgado de Sá Moscoso manda construir a Capela de

Santiago Maior, na rua das Crioulas (Cândido Ribeiro), num largo que, por isso, passou a

chamar-se de São Tiago.

Ano de 1790 – 1o. de novembro – O Regimento de Linha se rebela, reclamando a

substituição dos uniformes, reduzidos a molambos. Leite de Foios manda prender o cabeça

do movimento, o soldado Antônio José de Souza Gueco, que se refugiara no Convento de

Santo Antônio e como aquele ordenasse a invasão do convento, os padres o abandonaram,

abrigando-se no Convento dos Mercedários. E por aí afora se repetiram os desmandos, com

“temporalidades” ao bispo e prisões por parte do governador. (Temporalidades eram penas

que privavam o bispo de algumas regalias, como a apreensão de seu cavalo, proibição de

servi-lo seus criados, seqüestro de seus bens, etc. etc.)

- César Marques queixa-se de que Fernando de Foios “não deixou registro algum

de sua correspondência oficial, sendo impossível saber-se diretamente o que ele por aqui

fez”.

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Ano de 1791 – O Estado se divide em duas Capitanias autônomas: Maranhão, com capital

em São Luís; e Piauí , com capital em Oeiras (antiga vila da Mocha).

Ano de 1792 – 14 de setembro – D. Fernando Antônio de Noronha, que Barbosa de Godóis

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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considera “um dos mais imbecis governadores que teve o Maranhão” e César Marques

admira-se que “viesse de Portugal para presidir os destinos desta Capitania um homem tão

néscio, estúpido e pedante como este”. E para confirmar este conceito basta dizer que ele

foi, o mais ingenuamente possível, enganado pela lábia de um negro fugido, Nicolau,

acerca de uma fabulosa cidade toda de ouro, às margens da lagoa Caçó.

- Carta Régia manda excluir dos Senados das Câmaras os naturais de Portugal.

Ano de 1794 – 3 de agosto – Partem de São Luís 2.000 homens sob o comando do tal

Nicolau (a quem o Noronha dera logo a patente de capitão) na chamada Expedição ao

Achuí, que, depois de andar tontamente pelos matos, voltaram à capital, sem nada achar,

para escárnio do governador. De outra feita, negou-se a pagar os ordenados de um professor

de filosofia alegando que “estudos superiores só servem para nutrir o orgulho próprio dos

habitantes e destruir os laços de subordinação civil e política que devem ligar os

habitantes das colônias à metrópole”. Todavia teve bajuladores aqui e grandes protetores

em Lisboa: a Câmara pretendeu apor seu retrato na sala das sessões e a Coroa deu a isso o

seu beneplácito! Foi ele quem mandou construir o quartel do Campo de Ourique, no qual

tanto dinheiro foi gasto, que levou a rainha D. Maria I a perguntar se nele havia portas de

prata e pregos de ouro.

- O Chantre Agostinho Aranha manda construir na rua do Covão, entre as da

Cruz e de São João, a Igreja de Nossa senhora de Santana. (Não confundir coma Capela de

Santaninha. Ver Ano de 1784).

Ano de 1796 – 7 de fevereiro - Toma posse o bispo D. Joaquim Ferreira de Carvalho.

Ano de 1797 – Fernando de Noronha propõe à Corte a criação de uma repartição de

comércio no Estado.

Ano de 1798 – 13 de janeiro – Decreto desta data nomeia D. Diogo de Souza para governar

o Maranhão. (Mário Meireles nomeia-o, por extenso: D. Diogo Martin Afonso de Souza

Teles de Meneses).

- 30 de setembro – Carta Régia desta data designava o Desembargador

Joaquim Antônio de Araújo para proceder à devassa de D. Antônio de Noronha, pelo

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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governo, e do Ouvidor João Pedro de Abreu e o Coronel Anacleto Henrique Campos, pelas

excessivas despesas com a construção do quartel. Surpreendentemente a Coroa absolveuos,

considerando “mentirosa a acusação, fabricada temerariamente pela intriga”, pelo que

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autorizava-o a vir beijar a mão real; e ainda nomeou-o para Governador de Angola! Mais

uma vez valiam-no os seus patronos.

- Arrolamento geral contava 78.860 habitantes, dos quais metade escravos

ou, mais precisamente, 36.616.

Ano de 1799 – 8 de janeiro - Corsários franceses, que infestavam as águas do Maranhão,

disparando mais de 20 tiros sobre ela, aprisionam, na baía de São Marcos, a sumaca “Nossa

Senhora do Livramento”, mesmo estando sob a proteção do forte da Ponta d’Areia,

obrigando o governador Lobato a enviar para ali 4 peças de artilharia por mar e 30 soldados

por terra.

O governo de D. Diogo não foi nada tranqüilo, intrometendo-se em assuntos que

lhe não diziam respeito, como, desviando-se de suas obrigações, escrever para o reino para

menoscabar da invenção de um seu desafeto, a quem acoimava de ridículo e fátuo; e a um

sapateiro pobre, que faltara ao compromisso de entregar uns sapatos à sua amante em

determinado dia, mandou prender e açoitar sobre uma peça, no Baluarte. Pois, apesar disso

“O Censor”, jornal de Garcia de Abranches, disse que “durante a sua administração

viveram os governantes felizes e tranqüilos, e até quase livres de desmandos, pelo que lhe

chamou “mestre de governar”! como comenta César Marques. Verdade que Diogo de

Souza queixou-se do “aparecimento de uns sonetos com atrozes injúrias contra o

intendente”, pelo que ordenara ao Ouvidor abrisse devassa, “não só para o desafrontar

como também porque a História ensina que o primeiro indício das revoluções é o pouco

respeito que se presta às pessoas encarregadas dos cargos públicos”. Diga-se ainda a seu

favor que mandou abrir aulas de português, latim e gramática, em São Luís, e de latim, em

Alcântara; também a reconstrução do forte de São Sebastião, naquela localidade, além de

sugerir fosse feita vacinação contra a varíola, que de 1799 a 1802 havia vitimado 20% da

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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população, ou 20.000 pessoas. Também no seu governo, que se estendeu até 1804, foi

instalado o Arsenal de Marinha, sendo seu primeiro titular o Capitão-de-Mar-e-Guerra Pio

Antônio dos Santos e estabelecido um estaleiro “a fim de construir-s, com as madeiras do

país, um bergantim para o serviço da Armada Real.” (Marques).

- 30 de julho – O Coronel de Milícias Aires Carneiro Homem Souto Maior pediu

que o bispo D. Joaquim dispensasse dos banhos o casamento de sua filha com o exgovernador

Noronha, o que, naturalmente, lhe foi negado. O Coronel, sob algum pretexto,

chamou à sua casa o vigário e obrigou-o a realizar clandestinamente o casamento,

posteriormente considerado válido, apesar de devassa feita, indo a dama para Lisboa

juntarse ao seu consorte. (Sem trocadilho).

HISTÓRIA DO MARANHÃO 2a parte

SÉCULO XIX

Ano de 1801 – Epidemia de cólera morbo faz centenas de vítimas, inclusive o bispo D.

Joaquim Ferreira de Carvalho (1796-1801).

Ano de 1804 – 1o de junho - Toma posse do governo do Estado do Maranhão e Piauí

Antônio de Saldanha da Gama, em lugar de Aires Pinto de Souza, que não aceitou sua

nomeação. Saldanha da Gama disse ao Rei que D. Diogo de Souza havia “reduzido ao

estado de tranqüilidade e sossego a Capitania, por muito tempo assolada por faccões e

intrigas” (Fie-se nos testemunhos!) e de sua curta administração consta a construção do

Cemitério da Misericórdia e as “Barracas da Praça”, ou “Terreiro Público”na Praia Grande,

confiada a obra ao arrematante da cachaça , José da Costa Oliveira.

Ano de 1805 – Finalmente é inaugurado o “Barracão”, “Celeiro Público” ou “Casa das

Tulhas”, que, a partir de 1820, passou a existir como órgão público e erguida a “nova”

Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, na Ponta do Romeu, substituída pela atual.

Ano de 1806 – 7 de janeiro – D. Francisco de Melo Manuel da Câmara, por apelido “O

Cabrinha”.(note-se quão antigo é o preconceito na sociedade maranhense, o termo “cabra”

significando mestiço, mulato, a que o diminutivo não ameniza, antes reforça) foi mais um

governante atrabiliário, despótico e desonesto, associado ao comércio de carne através do

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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arrendatário José da Costa Oliveira, nada mais fazendo que “dar ouvidos a intrigas e

maledicências que ele próprio alimentava”, de comum acordo com a Câmara, conforme

provado pela devassa feita, que “excluiu da governança da capitania por inábeis para mais

servirem de vereadores ou alguns cargos dela”, Sebastião Gomes da Silva Belfort, José

Pereira da Silva, Joaquim Antônio de Lemos Velho e Eugênio Frazão Castelin.

D. Francisco mantinha um soldado para chicotear todo aquele que não se

descobrisse ao passar em frente do palácio e foi acusado de ser partidário de Napoleão, pois

seu sogro, o General João Forbes era amigo de Junot (que invadira Portugal obrigando a

fuga da Corte para o Brasil) pelo que desarmara os fortes e espalhara a artilharia pelo

interior, apesar de advertido para estar alerta contra possíveis incursões de franceses,

espanhóis e holandeses, agora inimigos. Além do mais, entretinha íntima amizade com

Dionísio Rodrigues Franco (“O Filosofia”) e Antônio José da Silva Pereira (“O Físico”)

tidos como simpatizantes da causa francesa, “sem nenhum rebuço”, diz Marques,

acrescentando que “ameaçava com prisão, ferros e extermínios e tinha por sistema político

enredar e inimizar a todos, e assanhá-los reciprocamente para poder aproveitar de uns,

quando queria perseguir os outros”. Por último intimou o Ouvidor José Patrício Diniz da

Silva e Seixas a embarcar para São Bernardo do Parnaíba, um lugar inóspito sem mesmo

dar-lhe tempo de prover-se do necessário a viagem tão longa. Registre-se, porém, que

autorizou a abertura de uma estrada de Mirador (MA) a Porto-Real (Goiás); a fundação do

Arraial do Príncipe Regente, na confluência do rio Alpercatas, pelo Tenente Francisco de

Paula Ribeiro; e ter sido o primeiro a promover a navegação no rio Itapecuru.

Ano de 1807 – 18 de novembro – Tropas francesas invadem Portugal.

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- 29 de novembro - Toda a Corte foge para o Brasil, chegando o General Junot,

de Lisboa, a atirar ainda sobre o último navio português. A mudança da Família Real teve

pouca repercussão em nosso Estado, estranhando D. Francisco de Paula e Silva, nos seus

Apontamentos para a História Eclesiástica do Maranhão” nem uma só nota haver

encontrado no arquivo da Diocese, com referência a tão grande acontecimento!

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Ano de 1808 – D. João VI declara abertos os portos brasileiros às nações amigas, o que

encobria os interesses da Inglaterra, então dominando completamente Portugal através do

General inglês Guilherme Beresford.

Ano de 1809 – 17 de outubro Assume o governo do Estado do Maranhão D. José Tomaz

de Menezes, “outro déspota”, na opinião de Ribeiro do Amaral, que mal aconselhado pelo

padre Leonardo, seu capelão, suspendeu e aprisionou o Governador do Piauí Carlos César

Burlamarque e tantas fez que acabou demitido em 24 de novembro de 1810, com ordem de

regressar à Lisboa.

– Chega ao Maranhão, não se sabe porquê, Joaquim Silvério dos Reis, o delator

da Inconfidência Mineira, que virá a falecer nesta cidade, em 17 de fevereiro de 1819,

sendo sepultado na igreja de São João. Reforma realizada por religiosos alheios à nossa

História destruiu o túmulo que ficava no ossuário, à esquerda de quem adentra o templo.

Ano de 1811 –24 de maio – Assume o governo uma Junta Provisória composta pelo Bispo

D. Luís de Brito Homem; Bernardo José da Gama, Juiz de Fora; e Felipe de Barros e

Vasconcelos, Intendente da Marinha, “a qual nada fez que mereça menção, a não ser a

muita moderação que sempre mostrou em todos os seus atos”.

- 10 de outubro – O Piauí separa-se do Maranhão, passando a constituir um

estado independente. Em contrapartida o Maranhão volta a ser apenas o “Estado do

Maranhão”, limitado ao território mais ou menos atual, sem a antiga ligação com o Pará.

Perde ainda o forte e velho vínculo com Lisboa, pois com a vinda da Família Real para o

Rio de Janeiro e elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, ficou submetido ao novo

Governo. Segundo estatísticas da época, a população era de cerca de 160.000 pessoas,

30.000 residentes na capital.

- 2 de dezembro – Paulo José da Silva Gama, “O General Lentilhas” ou “O

Curuba” (Permanece até hoje o costume, muito peculiar ao povo do Maranhão, de botar

apelido em todo mundo.) Este governador passou a ser assim chamado por sofrer de sarna

(escabiose). Advirta-se aqui que seria ele, no Império, o primeiro Barão de Bagé; o

segundo, seu filho, de mesmo nome, casado com Maria Luísa do Espírito Santo, filha de

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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José Gonçalves da Silva, “O Barateiro”, que para ela instituiu o Morgado das Laranjeiras,

depois conhecida como “A Quinta do Barão

Escrevendo ao Ministro, disse serem os maranhenses bons vassalos, sem

espírito de insubordinação e orgulho, e “residirem a maldade, o orgulho e a intriga

unicamente nas autoridades, principalmente os magistrados, que são quem formam os

partidos, unindo-se a alguma das principais pessoas do país, que por terem pleitos e

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demandas precisam da amizade dos magistrados”, insistindo na criação urgente da

Relação para administração da justiça e suspeitamente eximindo de culpa os Governadores,

ao mesmo tempo em que acoimava de “gênio incapaz de estar quieto, sempre propenso às

revoluções” o Ouvidor Dr. José da Mota; e “louco, imprudente e malcriado” Dr. Bernardo

José da Gama.

Foi em seu governo que o Capitão Francisco de Paula Ribeiro concluiu a

demarcação de limites com a Capitania de Goiás.

- Neste ano visitou o Maranhão o viajante inglês Henry Koster que, no livro que

publicou, “Viagens no Brasil”, escreveu: “As principais riquezas da região estão nas mãos

de poucos homens., possuidores de propriedades próprias, com extensões notáveis,grupos

de escravos e ainda são comerciantes. Fui apresentado a muitos dos mais prestigiosos

negociantes e plantadores, particularmente aos coronéis José Gonçalves da Silva e

Simplício Dias da Silva. São homens de grande riqueza e de espírito independente. O

primeiro é pessoa idosa e realizou imensa fortuna no comércio, ultimamente acrescida

pelo plantio de algodão. Possui 1.000 a 1.500 escravos.” Hóspede de respeitável família

de São Luís, ficou numa “tolerável sala, ornada com grande leito e três bonitas redes

armadas em várias direções, uma cômoda e diversas cadeiras.” E acrescenta: “O amor

pelo jogo pode ser facilmente explicado no pequeno ou nenhum gosto pela leitura e

grandes somas de dinheiro reunidas e os raros meios de despendê-las.”

Ano de 1812 – 24 de janeiro – Aldeias Altas é elevada à categoria de vila com o nome de

Caxias e verifica-se um grande levante de índios em Pastos Bons.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Ano de 1813 – 4 de novembro – É instalado, provisoriamente na Casa da Câmara, o

Tribunal da Relação, criado pela Carta Régia de 23 de agosto de 1811, em substituição à

antiga Junta de Justiça.

- Com a mudança da Corte para o Brasil, foi revogada a legislação que dava

aos brasileiros o privilégio de integrarem o Senado da Câmara.

Ano de 1814 O Papa Pio VII restaura a Companhia de Jesus em todos seus direitos e

privilégios.

- Porto das Chapadas, no rio Grajaú, é completamente destruído pelos índios

piocobojé.

Ano de 1815 Elevação da América Portuguesa a Reino Unido ao de Portugal e Algarves.

O Maranhão deixa de ser Estado Colonial e passa a ser Província, e só então passa a receber

ordens do Rio de Janeiro e não mais da Europa, conforme Varnhagem.

Ano de 1817 – Inaugurada a igreja de São José da Cidade, depois igreja de São Pantaleão,

no bairro do Gavião.

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Ano de 1818 – 6 de fevereiro – Falecendo a Raínha D. Maria I, D. João VI deixa de ser

Príncipe Regente e, no Rio de Janeiro, é coroado Rei de Portugal e do Brasil.

- Piratas espanhóis assaltam a ilha de Santana e a Ponte de Itacolomi.

Ano de 1819 –24 de agosto – Em virtude do falecimento do Marechal-de-Campo Francisco

Homem de Magalhães Quevedo Pizarro, nomeado Governador do Estado do Maranhão,

toma posse Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, que seria nosso último Governador e

Capitão-General. Conforme a praxe, foi apelidado de “O Dente de Alho”, por ter um dente

incisivo saliente.

Não foi nada auspiciosa a chegada do novo governante: a corveta que o trouxe,

apesar de chamar-se “Voador”, encalhou nos baixios da Coroa Grande, perdeu o leme, as

amarras, a artilharia, as munições de guerra e os mantimentos, navegando ao léu por três

dias e obrigando-o a desembarcar nas praias de Ribamar e entrar por terra na cidade.

Este general distinguiu-se pela sua ilustração e tino prudencial; e se em

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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alguma época empregou a severidade, parecendo talvez apaixonado, parcial e caprichoso,

deve-se atender às suas intenções, e à responsabilidade que pesava sobre seus ombros em

uma época difícil e longe como se achava do governo central. Não deixou de ter

detratores, como todos os homens de merecimento, e que se encarregam na difícil tarefa de

governar povos e empreendem reforma de abusos.” Em que pese esta opinião do

historiador Luís Antônio Vieira da Silva, os fatos não autorizam de todo o juízo, conforme

veremos a seguir.

O Governador, em Relatório que enviou ao Ministro, dizendo temer passar por

exagerado, descreve o estado em que encontrou a Capitania: as fortificações exóticas e

defeituosíssimas, nenhuma peça em estado de fazer fogo; o Regimento de Infantaria de

Linha e a Companhia de Cavalaria sem disciplina e os Corpos de Milícia, desorganizados;

os oficiais eram só nominais, pois pertenciam a corpos distantes 50, 100 e mais léguas

das residências deles e Capitães-mores com títulos apenas honoríficos”; toda a Capitania à

beira de “um incêndio espantoso” dada a existência de dois mil escravos armados com

espingardas, peças de artilharia e munição de guerra, que os proprietários do sertão

mantinham para sua defesa da invasão de cem mil índios que incomodavam; na Secretaria

não havia carta ou notícia topográfica; faltavam párocos, subalternos e polícia, na própria

Capital; o Hospital Regimental em estado deplorável, o armazém de pólvora arruinado, as

ruas sem calçamento, “a barra obstruindo-se em progressão espantosa”. Diz César

Marques que não receou tais embaraços e com a ajuda de particulares calçou ruas,

aformoseou a praça de Palácio, construiu e reparou vários edifícios, inclusive o Armazém

da Pólvora, aumentou o hospital, criou o Celeiro Público e deu outras providências.

- João Batista von Spix e Carlos Frederico Filipe von Martius, naturalistas

bávaros, visitaram o Maranhão em 1819, dizendo o segundo, no livro “Viagem ao Brasil”,

referindo-se aos dois grupos existentes na sociedade dominante: portugueses natos,

comerciantes ou ocupantes dos altos cargos administrativos, e nacionais, “nascidos na

fartura das necessidades físicas, criados entre escravos domésticos de pouca educação, e

na segunda posse dos bens herdados, mais inclinados ao gozo do que à atividade,

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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reconhecem a supremacia do imigrado, e abandonam-se com certa timidez, à atividade

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comercial que enriquece, preferindo retirar-se para as suas fazendas e gozar sua

prosperidade.” Aduz ainda: “Já desde muito é costume mandar educar em Portugal os

jovens das famílias opulentas; os rapazes não raro vão também formar-se na Inglaterra e

em França.” E estendem-se em largas considerações sobre a agricultura (algodão, arroz,

milho, mandioca, feijão, cana de açúcar; métodos de cultivo; técnicas de fabricação,

beneficiamento e prensagem; pecuária; indústria; artesanato; profissões; escravos; e

importação e exportação.

Ano de 1820 – 24 de agosto – Revolução Liberal do Porto. D. João, obrigado pelas

circunstâncias, aceita e jura a nova Constituição.

“A província do Maranhão, que Mendonça Furtado achou “reduzida à extrema

miséria e cujo povo era o mais pobre de toda a América, onde todos estavam devendo os

olhos da cara, passou a desfrutar de um período de felicidade e magnífico esplendor. A

capital era cidade bem situada, com boas ruas a rumo de corda, a maior parte calçada”,

elogia o pe. José de Moraes; a Praia Grande e adjacências cheia de edifícios nobres e

povoadas de mercadores opulentos. De urbe totalmente pervertida de costumes e sem uma

pessoa que possuísse ou usasse de estado algum dos que se praticam em terras civilizadas,

transformou-se com a abertura de ruas e urbanização de praças, por onde circulavam

cadeirinhas e seges, conduzindo damas educadas nos colégios de Lisboa e do Porto, numa

sociedade de costumes requintados à moda européia, onde era hábito mandar os filhos

graduarem-se nas universidades do velho mundo.” (Carlos de Lima)

- Spix e Martius, em visita ao Maranhão, dizem que São Luís “merece, à vista

de sua população e riqueza, o quarto lugar entre as cidades brasileiras.

Ano de 1821 - 26 de abril - Regresso de D. João VI a Portugal. – Restaurada

graças à ajuda dos ingleses a soberania de Portugal, com a expulsão dos franceses, regressa

D. João VI e toda a Corte à Europa, aqui deixando o príncipe D. Pedro como Regente.

Apesar da ocupação do Rio de Janeiro, quando os moradores foram obrigados a desocupar

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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suas casas sob o império do PR (Príncipe Regente, que o povo traduziu como Ponha-se na

rua) a permanência da Corte durante 14 anos trouxe, como não podia deixar de ser, muitos

melhoramentos ao Brasil:

- 9 de maio – É constituída em São Luís a Junta Consultiva composta de

Lourenço de Arrouchela Vieira de Almeida Malheiros e Joaquim Antônio Vieira Belfort,

Desembargadores; Agostinho Antônio de Faria, Marechal-de-Campo; Antônio Rodrigues

dos Santos, Coronel; Manuel de Souza Pinto de Magalhães, Tenente-Coronel; José

Demétrio de Abreu, Major; Manuel José Ribeiro da Cunha, Capitão; Patrício José de

Almeida e Silva, bacharel; e Antônio José Saturnino das Mercês, sob a presidência do

Bispo D. Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré.

- 13 de maio – Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca é reeleito Governador,

após haver mandado prender o Comendador Honório José Teixeira, o Major José Inácio de

Mesquita, o Brigadeiro Manuel José Xavier Palmeirim e o Capitão José Antônio dos Santos

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Monteiro, e exilar para Guimarães o Cônego José Constantino Gomes de Castro, que se

opuseram ao seu novo mandato.

- 17 de maio – Dividido em duas Comarcas (São Luís e Caxias) foram eleitos os

Deputados do Maranhão às Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação

Portuguesa, o Desembargador Joaquim Antônio Vieira Belfort e Dr. Raimundo de Brito

Magalhães e Cunha, substituído pelo suplente Cônego José João Beckmam Caldas.

- 19 de agosto – Juramento, na Catedral, em São Luís, da Constituição

Portuguesa, ainda a ser promulgada.

- 29 de setembro – Decreto Legislativo manda criar em todas as Províncias

Juntas Provisórias para o governo administrativo e civil.

- 31 de outubro – Chega ao Maranhão a primeira tipografia, instalada, a 1o. de

novembro, no prédio da rua do Norte, depois ocupado pela Santa Casa de Misericórdia.

O IMPÉRIO

Ano de 1820 – Pastos Bons é elevada à categoria de vila.

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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Ano de 1822 – 15 de fevereiro – Eleita a Junta Provisória integrada por: Brigadeiro

Sebastião Gomes da Silva Belfort, Chefe-de-Esquadra; Felipe de Barros e Vasconcelos,

Desembargador; João Francisco Leal, Coronel-de-Milícias; Antônio Rodrigues dos Santos,

Tenente-de-Milícias; Caetano José de Souza; e o Tesoureiro da Fazenda aposentado,

Tomaz Tavares da Silva.

- 7 de setembro – O Grito do Ipiranga! A Independência do Brasil! Podese

dizer que o sentimento nativista teve origem no momento em que o primeiro índio, a

princípio prestativo e dócil, compreendeu que desejavam sujeitá-lo ao trabalho por

obrigação. Nascia também aí a perseguição das entradas e descimentos, gerando,

conseqüentemente, a reação indígena dos ataques aos acampamentos e povoados do

estrangeiro intruso. À vida primitiva natural e comunitária sucede o trabalho forçado, o

silvícola “mãos e braços da colônia”, ao qual ele só se submete depois de corrompido pelos

vícios e doenças com que o contaminam os “civilizados”. Graças à miscigenação (e a

mulher índia teve aí preponderante papel) a que veio juntar-se o elemento negro,

reconheceu-se a nova raça diferente dos perós, gauleses e batavos, fundando um sentimento

nativista que explodirá na Revolução de Bequimão, de 1684 e na Inconfidência Mineira, de

1789, síntese dos muitos levantes de índios, de quilombolas e de caboclos brasileiros.

A retirada de D. João VI provocou um retrocesso no País: o comércio quase

paralisado, o Banco do Brasil na iminência de fechar, algumas Províncias recusando-se a

reconhecer a Regência do Príncipe D. Pedro, agravada a situação com o manifesto de

descontentamento das Cortes Portuguesas pela permanência de D. Pedro no Brasil, a quem

procuravam humilhar e que respondia com a desobediência às ordens reais. Em 3 de junho

43

de 1821 foi convocada uma Constituinte Brasileira o que provocou pronta reação da Coroa,

declarando nulo o decreto e intimando o imediato regresso do Príncipe a Portugal. No dia 7

de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, D.Pedro, que regressava de viagem a

São Paulo, recebeu a notícia do ultimato e os apelos de José Bonifácio ao gesto definitivo

de independência. Irritado, o Príncipe, desembainhando a espada e a arrancando o laço com

Apostila de Historia do Maranhão - Klaus Roger B. da Cunha

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as cores portuguesas da manga da túnica, gesto imitado pelos acompanhantes, com o grito

Independência ou Morte! proclamou a Independência do Brasil. Inusitadamente na História

o colonizador dava de mão beijada a liberdade ao colonizado; aliás, D. João ao retirar-se

aconselhara o filho a que pusesse a coroa antes que outro aventureiro o fizesse

A

Província Maranhense, umbilicamente ligada à antiga Metrópole durante séculos, e

governada política e economicamente pelos portugueses, custaria a aderir ao novo regime.

Todavia, o grito de liberdade ecoara por todo o País e a onda de subversão chegava até nós,

vinda do Ceará através do Piauí.

- 18 de outubro – A vila de São João da Parnaíba torna-se independente. A

rebelião se estende por todo o interior obrigando a Junta a urgentes providências, ora em

exaltadas proclamações prevenindo os maranhenses contra a enganosa demagogia dos que

desejavam arrastar-nos à ruína, e enaltecendo a vantagem de continuarmos na comunhão

lusitana; ora pedindo à Lisboa soldados e recursos para a defesa; ora enviando tropas para

Carnaubeira (defronte de Parnaíba) e para o Brejo e nomeando o Tenente-Coronel Manuel

e Souza Pinto de Magalhães Comandante-em-Chefe das forças reais, com quartel-general

em Caxias. Nem a prisão do chefe rebelde, Leonardo de Carvalho Branco, nem a vitória do