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Instrumentação em Ciências Térmicas

Laboratório de Meios Porosos e Propriedades Termofísicas de


Materiais
Departamento de Engenharia Mecânica
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis / SC Brasil
Fax: (55) 48 234-1519 Tel: (55) 48 331-9851

INSTRUMENTAÇÃO EM
CIÊNCIAS TÉRMICAS

Saulo Güths
Vicente de Paulo

1998

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Instrumentação em Ciências Térmicas

Sumário

1 - TEMPERATURA ................................................................................................................................. 5
1.1 - TERMÔMETROS DE LÍQUIDO EM VIDRO .............................................................................................. 5
1.2 - TERMÔMETROS DE PRESSÃO ............................................................................................................. 6
1.3 - TERMOPARES................................................................................................................................... 7
1.3.1 - Definição teórica ...................................................................................................................... 7
1.3.2 - Lei dos metais intermediários..................................................................................................... 8
1.3.3 - Junção de referência ................................................................................................................. 9
1.3.4 - Associação dos termopares ...................................................................................................... 10
1.3.5 - Dependência da temperatura................................................................................................... 11
1.3.6 - Característica dos termopares ................................................................................................. 13
1.3.7 - Limites de erro ........................................................................................................................ 14
1.3.8 - Fios de extensão...................................................................................................................... 14
1.3.9 - Método de fabricação.............................................................................................................. 14
1.3.10 - Termopares a eletrodo depositado (Esse item pode ser excluído sem perda de continuidade) ..... 15
1.4 - TERMORESISTÊNCIAS ..................................................................................................................... 19
1.4.1 - Introdução.............................................................................................................................. 19
1.4.2 - Termoresistências metálicas .................................................................................................... 19
1.4.3 - Termistores............................................................................................................................. 20
1.4.4 - Métodos de medição ................................................................................................................ 21
1.4.5 - Auto-aquecimento ................................................................................................................... 23
1.5 - PIRÔMETROS.................................................................................................................................. 24
1.5.1 - Introdução.............................................................................................................................. 24
1.5.2 - Pirômetros óticos .................................................................................................................... 24
1.5.3 - Pirômetros de radiação........................................................................................................... 25

2 - UMIDADE.......................................................................................................................................... 27
2.1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 27
2.2 - INSTRUMENTOS DE M EDIÇÃO ......................................................................................................... 28
2.2.1 - Psicrômetro de bulbo úmido e seco .......................................................................................... 28
2.2.2 - Higrômetro Capacitivo ............................................................................................................ 28
2.2.3 - Higrômetro de espelho ............................................................................................................ 29
2.3 - MÉTODOS DE CALIBRAÇÃO ............................................................................................................ 29
2.3.1 - Soluções Salinas ..................................................................................................................... 29
2.3.2 - O Sistema Saturador-Reaquecedor........................................................................................... 30

3 - FLUXO DE CALOR........................................................................................................................... 31

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3.1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 31


3.2 - TRANSDUTORES DE FLUXO DE C ALOR A GRADIENTE T RANSVERSAL ................................................. 31
3.2.1 - Transdutor a Termopilha Soldada ............................................................................................ 31
3.2.2 - Transdutor a termopar depositado ........................................................................................... 32
3.2.3 - Transdutor a furo metalizado................................................................................................... 32
3.3 - TRANSDUTORES DE FLUXO DE C ALOR A GRADIENTE T ANGENCIAL ................................................... 32
3.4 - MÉTODOS DE CALIBRAÇÃO DE T RANSDUTORES DE FLUXO DE CALOR............................................... 34
3.4.1 - Método Simultâneo.................................................................................................................. 34
3.4.2 - Método a Transdutor Auxiliar .................................................................................................. 35

4 - BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 36

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IN TRODUÇÃO

Após um período de latência durante os anos 70, onde a explosão dos métodos numéricos prometia a
solução da maioria dos problemas de engenharia, as técnicas experimentais ressurgem assegurando sua posição
não só na própria validação desses métodos, mas como ferramentas indispensáveis na pesquisa de base ou
aplicada. No meio industrial a automatização de processos passou a requerer um maior conhecimento das
variáveis envolvidas, exigindo uma instrumentação mais ampla e confiável.
No domínio de Ciências Térmicas a medição da temperatura tem papel fundamental. Visando uma
melhor formação do engenheiro, e do pesquisador, esse material foi preparado sem a ambição de esgotar o
assunto relativo à instrumentação, mas apresentar os princípios básicos dos instrumentos mais empregados no
campo da engenharia. Alguns dos itens foram adaptados e condensados a partir da obra de Kamal, 1986,
"Técnicas de Medidas e Instrumentação em Engenharia".

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1 - TEMPER ATURA

1.1 - Termômetro s de líqu id o em vidro

Trata-se do instrumento mais utilizado na medição da temperatura, devido a facilidade de operação,


baixo custo e grande variedade de aplicação. Seu princípio de funcionamento está baseado na expansão de um
líquido em função da temperatura. O líquido é contido em um bulbo, expandindo em um tubo capilar. O
mercúrio é o líquido mais comumente utilizado no intervalo de -38oC a 540oC, sendo que o intervalo inferior é
limitado pelo ponto de congelamento do mercúrio e o ponto superior pela resistência do vidro. Um gás inerte é
normalmente utilizado para preencher o espaço acima do mercúrio. Para temperaturas mais baixas outros
líquidos podem ser usados, como álcool (até -62 oC), pentano (até -200 oC) e mistura de propano (até -217 oC).
Basicamente existem dois tipos de termômetros:
Termômetros de imersão total - Nesse tipo de termômetro a coluna do líquido deve ser totalmente submersa
no fluido medido. Afim de facilitar a leitura, permite-se que uma pequena
porção da coluna sobressaia, apesar de gerar um pequeno erro.

Termômetros de imersão parcial - Os termômetros de imersão parcial são calibrados para leitura correta
quando imersos numa quantidade definida com a porção exposta numa
temperatura definida. Se a parte exposta estiver a uma temperatura diferente
da temperatura de calibração, uma correção deve ser aplicada. Eles são menos
precisos que o tipo de imersão completa, contudo mais fáceis de operar.

imersão parcial

imersão total

Figura 1 - Termômetros de líquido em vidro: imersão total e imersão parcial

A precisão obtida depende ainda da qualidade do instrumento e do intervalo de temperatura, chegando a


0.02oC para termômetros operando entre 0oC a 100oC.

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1.2 - Termômetro s de pre ssão

O principio de funcionamento desse tipo de instrumento também está baseado na expansão de um fluido
em função da temperatura, mas nesse caso em um ambiente confinado, tendo como resultado um aumento da
pressão. O sistema é geralmente composto de um bulbo, um tubo capilar para transmitir as pressões, um sensor
de pressão (tubo de Bourdon, fole, etc.) junto com um sistema de indicação adequado. Muitos podem apresentar
complexos sistemas de compensação de temperatura.

Figura 2 - Termômetro de pressão

Eles podem ser classificados em 4 classes, segundo o fluido que preenche o sistema:
Classe I - Sistemas de líquidos (excluindo mercúrio) - O sistema é totalmente preenchido com líquido. O
tolueno é normalmente utilizado, dado seu alto coeficiente de expansão, operando entre -40 oC e 400 oC . Éter e
álcool também são usados.
Classe II - Sistema de vapor - O sistema é parcialmente preenchido com líquido, onde a pressão de vapor,
segundo a lei de Dalton, é somente dependente da temperatura. A interface líquido/vapor deve obrigatoriamente
localizar-se no bulbo, que é o ponto onde deseja-se medir a temperatura. O tubo capilar e o tubo de Bourdon
devem estar completamente preenchidos de líquido, caso operem a uma temperatura mais baixa que o bulbo a
fim de evitar a condensação. Caso operem a uma temperatura mais alta, devem estar preenchidos somente com
vapor, a fim de garantir a interface líquid o/vapor no bulbo. Um artifício utilizado para eliminar possíveis erros
de operação consiste em introduzir um diafragma separador no bulbo. O tubo capilar e o de Bourdon são então
preenchidos com um líquido não volátil.
O sistema de vapor é o mais usado de todos os sistemas de pressão dado seu baixo custo e sua
confiabilidade. A faixa de operação vai de -30 a 120 oC para sistemas a dióxido de enxofre, e de 65 a 200oC
para sistemas preenchido com álcool.
Classe III - Sistemas a gás - Nesse sistema a operação é controlada pela lei de Boyle e Charles para gases
ideais, ou seja, a pressão absoluta do gás é proporcional à temperatura absoluta quando o volume é mantido
constante. Erros por causa da mudança da temperatura ambiental são graves e devem ser corrigidos. A faixa de
utilização vai de -240 a 550 oC para um gás inerte sob pressão moderada.
Classe IV - Sistemas de mercúrio - É idêntico à classe I, sendo que o sistema é preenchido com mercúrio. É
um sistema que apresenta resultados bastante satisfatórios, sendo comum a sua utilização. A faixa de operação
vai de -38 a 550 oC.

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1.3 - Termo pa re s

1.3.1 - Definição teórica

Nos metais e semicondutores, os processos


A B de transporte de carga (corrente elétrica) e de
energia, estão intimamente relacionados e se devem
ao deslocamento de portadores de corrente (elétrons
de condução) Quando os elétrons externos da
eletrosfera encontram-se fracamente ligados a seus
T T B respectivos núcleos constituintes de um material,
A
absorvem então energia suficiente de fontes externas,
podendo tornar-se livres de seu núcleo
(Hannay,.1959).
Figura 3 - Difusão de elétrons do material A para B à À temperatura constante, energia e
mesma temperatura densidades de elétrons livres em materiais diferentes
não são necessariamente as mesmas. Então quando
dois materiais diferentes em equilíbrio térmico entre
si são colocados em contato, existirá a tendência da
difusão de elétrons através da interface (
Figura 3).
+ - O potencial elétrico do material receptor
poderá tornar-se mais negativo na interface, enquanto
A B
que o material emissor de elétrons poderá tornar-se
+ - mais positivo. Quando a diferença no potencial através
da interface balancear a força termoelétrica (difusão),
o equilíbrio em relação a transferência de elétrons
T T B
A poderá ser estabelecido (
Figura 4).
Se dois materiais homogêneos diferentes estão
Figura 4 - Potencial elétrico em oposição ao formando um circuito fechado e as duas junções
processo de difusão mantidas a mesma temperatura, os campos elétricos
resultantes serão opostos e não existirá fluxo de
elétrons Figura 5.

Figura 5 - Circuito fechado a mesma temperatura

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Contudo, se as duas junções são


mantidas a diferentes temperaturas, uma
corrente de difusão líquida poderá ser
induzida, conforme mostrado na Figura
6. Se o circuito é interrompido em um
ponto qualquer, pode-se medir, através
de um voltímetro, uma diferença de
potencial (V) que é função da diferença
de temperatura das duas junções e do
tipo de material dos fios.

V = α AB (T1 − T2 ) ( 1)

onde α AB é a diferença de poder Figura 6 - Circuito fechado a temperaturas distintas


termoelétrico dos dois materiais.

Essa tensão é dita "tensão ou


f.e.m Seebeck", em homenagem a
Thomas Seebeck que em 1821
descobriu esse fenômeno (chamado
"Efeito Seebeck "). A medição da f.e.m
Seebeck é medida a corrente nula.
Dessa forma o voltímetro deve ter
baixa impedância (alta resistência
interna) a fim de assegurar essa
condição.

Figura 7 - O termopar

1.3.2 - Lei dos metais intermediários

" A soma algébrica das forças termoeletromotivas em um circuito composto de qualquer quantidade de
diferentes materiais é zero, se todo o circuito estiver a uma temperatura uniforme"
Assim, um terceiro material homogêneo
sempre pode ser adicionado em um circuito, não
afetando a f.e.m do mesmo, desde que suas
extremidades estejam a uma mesma temperatura. Ou
seja, o termopar formado pelos materiais A e B não
será afetado pelo material C, se T3 = T4 e T5 = T6 .

Figura 8 - Termopar com 3 metais diferentes

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1.3.3 - Junção de referência

O termopar não mede diretamente a temperatura, mas sim uma diferença de temperatura entre dois
corpos. Necessita-se então conhecer uma das temperaturas, chamada junção de referência (ou junta fria).
Uma das juntas de referência
mais utilizadas é o banho de gelo
fundente (0oC). Deve-se usar
preferencialmente água destilada, sendo
o banho fundente obtido através de gelo
com granulometria fina. Para trabalhos
mais precisos, a junção de referência
deve ser mantida num aparelho de ponto
triplo da água cuja temperatura é 0.01 ±
0.0005 oC. Recomenda-se imergir a junta
em banho de óleo ou mer cúrio. Uma
solução mais simples consiste em revestir
os fios com uma camada de verniz
sintético (esmalte de unhas).
A lei dos metais intermediários
permite a ligação de um termopar a junta
de referência aberta, conforme mostrado
Figura 9 - Termopar a junta de referência aberta na Figura 9 , sem que a f.e.m. fornecida
seja alterada. Essa é uma situação
bastante utilizada, pois preserva o
termopar, eliminando a necessidade de interromper o circuito.
Outra forma de ligação bastante utilizada, especialmente quando têm-se uma série de termopares,
consiste em manter a junção de referência a uma temperatura próxima do ambiente, medindo-a através de um
termômetro de bulbo, ou
através de uma
termoresistência. A junta
pode ser um banho líquido,
ou ainda um bloco
metálico com grande
inércia térmica, sendo os
termopares alojados em
orifícios preenchidos com
material condutor
(mercúrio, óleo mineral ou
"pasta térmica").
Existe ainda as
juntas de referência
eletrônicas que começam a
se tornar confiáveis. Trata- Figura 10 - Juntas de referência a temperatura ambiente
se de um circuito integrado
(por exemplo, AD 597) onde a leitura da temperatura de referência é realizada no próprio corpo do circuito.
Como saída, tem -se um sinal elétrico diretamente proporcional a temperatura.

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1.3.4 - Associação dos termopares

1.3.4.a - Associação em série

Esse tipo de associação, chamado de "termopilha", indica a soma das diferenças de temperatura.
Permite detectar pequenas diferenças de temperatura, pois o sinal é dependente do número de termopares em
série.
Caso todas as junções estejam à
temperatura T1 e T2 conforme indicado na
Figura 6, a tensão Seebeck (V) será igual a:

V = n α AB (T1 − T2 ) ( 2)
onde n é o número de termopares.

Figura 11 - Associação em série


1.3.4.b -Associação em paralelo

Esse tipo de associação indica uma


temperatura média do corpo. A tensão Seebeck
será igual a:

 ( T1 + T2 + T3 + ...+ Tn 
V = α AB  − Tref 
 n 

( 3)

onde T ref é a temperatura da junção de


referência dos "n" termopares. Figura 12 - Associação em paralelo

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1.3.5 - Dependência da temperatura

Os termopares são, na realidade, transdutores de temperatura não lineares: o poder termoelétrico varia
com a temperatura das junções. O termopar formado pelos metais Cobre / Constantan, possui um poder
termoelétrico α = 40 µV/oC a temperaturas próximas do ambiente, e α = 53 µV/oC a uma temperatura de 200
o
C. A Tabela 1 fornece os valores do poder termoelétrico (α) para diversos tipos de termopares em função da
temperatura.

Tabela 1 - Poder termoelétrico para diversos tipos de termopares em função da temperatura.


Poder termoelétrico "α" (µV/ oC )
Temperatura Cobre/ Cromel/ Ferro/ Cromel/ Platina/ Platina/
o
(C) Constantan Alumel Constantan Constantan 13%Ródio 10% Ródio
(Tipo T) (Tipo K) (Tipo J) (Tipo E) (Tipo R) (Tipo S)
-200 15.7 15.3 21.9 25.1 - -
-100 28.4 30.5 41.1 45.2 - -
0 38.7 39.7 50.4 58.7 5.3 5.4
25 40.5 40.5 52.0 61.0 6.0 5.8
100 46.8 41.3 54.3 67.5 7.5 7.3
200 53.1 40.0 55.5 74.0 8.8 8.5
300 58.1 41.4 55.4 77.9 9.7 9.1
400 61.8 42.2 55.1 80.0 10.4 9.6
500 - 42.6 56.0 80.9 10.9 9.9
600 - 42.5 58.5 80.7 11.3 10.2
700 - 41.9 62.2 79.8 11.8 10.5
800 - 41.0 - 78.4 12.3 10.9
900 - 40.0 - 76.7 12.8 11.2
1000 - 38.9 - 74.9 13.2 11.5

A Tabela 2 fornece os polinômios que expressam diretamente força eletromotriz em função da


temperatura (e vice-versa) para termopares Cobre/Constantan (tipo T) e a Tabela 3 para termopares
Cromel/Alumel (tipo K). Kamal, 1986, fornece relações para outros tipos de termopares.

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Tabela 2 - Expansão em séries para termopar tipo T (Cobre/Constantan), para junta de referência a 0oC
(T em oC, V em µV)
Intervalo de f.e.m (µV) Temperatura ( oC)
Temperatura
V = 39.011 x T T = -0,00843
o o 2
-10 C a 100 C + 0.0374 x T +0,0259 x V
-7,11663 10 -7 x V²
+2,85872 10 -11 x V³

V = 38.74077 x T T = -0,01334
-2 2
+ 3.31902 10 x T +0,02593 x V
-4 3
+ 2.07142 10 x T -7,37848 10 -7 x V²
-10 oC a 400 oC - 2.19458 10-6 x T 4 +3,3762 10-11 x V³
+ 1.10319 10-8 x T 5 +6,86583 10-16 x V4
- 3.09275 10 -11 x T 6 -2,68455 10 -19 x V5
+1,96528 10-23 x V6
-6,45578 10 -28 x V7
+8,20458 10-33 x V8

Tabela 3 - Expansão em séries para termopar tipo K (Cromel/Alumel) para junta de referência a 0 oC
(T em oC, V em µV)
Intervalo de f.e.m (µV) Temperatura ( oC)
Temperatura
-10 oC a 200 oC V = 40.938 x T T = 0.0244 x V
2
- 0.0008 x T + 1.123 10 -8 x V2

V = 38.9183 x T
+ 1.66451 10-2 x T 2 Não há nenhuma equação
- 7.87023 10-5 x T 3 inversa disponível para um
grau de acuracidade
-10 oC a 1100 oC + 2.28357 10-7 x T 4 razoável.
- 3.57002 10 -10 x T 5
+ 2.89329 10-13 x T6

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Entretanto a forma mais comum para determinar a temperatura a partir da f.e.m fornecida por um
termopar com junta de referência a 0oC é através das Tabelas de Equivalência, apresentadas no Apêndice 1.A
primeira coluna indica a temperatura, em década, e a primeira linha de cada seção a temperatura em unidade. A
f.e.m fornecida pelo termopar é indicada em milivolts. Uma interpolação linear pode ser empregada para obter
uma maior resolução da temperatura obtida.
Caso esteja sendo empregado junta de referência a temperatura diferente de 0oC, deve-se primeiramente
adicionar à f.e.m fornecida pelo termopar a tensão referente à temperatura da junção de referência.
O emprego de tabelas (ou relações) na conversão da f.e.m em temperatura implica que os materiais
utilizados na fabricação do termopar apresentam as mesmas características termofísicas daqueles utilizados na
compilação das mesmas. Mesmo com termopares com pureza elevada a incerteza é da ordem de 0.5 % ou
0.8 oC. Para reduzir essa incerteza, a solução é a calibração de cada termopar (ou do lote).

1.3.6 - Característica dos termopares

A escolha de um termopar para um determinada aplicação, deve ser feita considerando todas as
possíveis variáveis, normas exigidas pelo processo e possibilidade de obtenção do mesmo. A Tabela 4 relaciona
os tipos de termopares e a faixa de temperatura usual, com vantagens e restrições.

Tabela 4 - Características de termopares


Tipo Elemento Elemento Poder Faixa de Vantagens Restrições
positivo negativo Termoel temp. usual
a 25 oC
(µV/ oC )
T Cobre Constantan 40.5 -184 a - Resist e a atmosfera corrosiva - Oxidação do cobre acima de 310 oC
370 oC - Aplicável em atmosfera redutora ou
oxidante abaixo de 310 oC
- Sua estabilidade o torna útil a em
temperaturas abaixo de 0 oC
K Cromel Alumel 40.5 0a - Indicado para atmosfera oxidante - Vulnerável em atmosferas
1260 oC - Para faixa de temperatura mais elevada redutoras, sulfurosas e gases como
fornece rigidez mecânica melhor que os tipos SO 2 e H2S,
S ou R e vida mais longa do que o tipo J
J Ferro Constantan 52.0 0a - Baixo custo - Limite máximo de utilização em
760 oC - Indicado para serviços contínuos até 760 oC atmosfera oxidante de 760 oC
em atmosfera neutra ou redutora devido a rápida oxidação do ferro.
E Cromel Constantan 61.0 0a - Alta potência termoelétrica - Baixa estabilidade em atmosfera
870 oC - Os elementos são altamente resistentes a redutora
corrosão,
S Platina Platina 5.8 0 a 1480 oC - Indicado para atmosferas oxidastes - Vulnerável a contaminação em
10 % Ródio - Apresenta boa precisão a altas temperaturas atmosferas que não sejam oxidastes
- Para altas temperaturas, utilizar
isolamento de alumina
R Platina Platina 6.0 0 a 1480 oC idem anterior idem anterior
13 % Ródio
B Platina Platina 10 870 a - Melhor estabilidade que os tipos S ou R - Vulnerável a contaminação em
30 % Ródio 6 % Ródio a 1705 oC - Melhor resistência mecânica atmosferas que não sejam oxidantes
800 oC - Mais adequado para altas temperaturas do - Utilizar isoladores e tubos de
que os tipos S ou R proteção de alta alumina
- Não necessita de compensação de junta de
referência se esta não exceder a 50 oC

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Instrumentação em Ciências Térmicas

1.3.7 - Limites de erro

A Tabela 5 apresenta limites típicos de erro para termopares convencionais com junta de
referência a 0 oC , de acordo com a norma ASTM-E 230/77. Cabe ressaltar que os erros podem ser
reduzidos quando realizado uma calibração prévia.

Tabela 5 - Limites de erro para termopares convencionais


Tipo Limites de Erro
Padrão (escolher o maior) Especial (escolher o
maior)
T -200 a 0 oC ± 1 oC ou ± 1.5 % -
0 a 350 oC ± 1 oC ou ± 0.75 % ± 0.5 oC ou ± 0.4 %
K -200 a 0 oC ± 2.2 oC ou ± 2 % -
0 a 1250 oC ± 2.2 oC ou ± 0.75 % ± 1.1 oC ou ± 0.4 %
J 0 a 750 oC ± 2.2 oC ou ± 0.75 % ± 1.1 oC ou ± 0.4 %
E 0 a 900 oC ± 1.7 oC ou ± 0.5 % ± 1 oC ou ± 0.4 %
SeR 0 a 1450 oC ± 1.5 oC ou ± 0.25 % ± 0.6 oC ou ± 0.1 %
B 800 a 1700 oC ± 0.5 % -

1.3.8 - Fios de extensão

Trata-se de fios com grau de pureza inferior àqueles definidos por norma para fabricação de
termopares. São introduzidos entre o ponto de medição e a junção de referência, com o objetivo de reduzir
o custo da instalação. A presença desses fios pode introduzir incertezas de até 2 oC dependendo da
temperatura na extremidade do fio de extensão. Essas incertezas podem ser bastante reduzidas calibrando
o sistema com estes fios, e mantendo a mesma temperatura de calibração durante o uso.

1.3.9 - Método de fabricação


Um simples contato elétrico
entre os dois fios já é suficiente na
construção de um termopar, visto que a
corrente que nele circulará é de uma
intensidade bastante baixa. Contudo a
oxidação pode vir a prejudicar a
passagem dos elétrons. A baixas
temperaturas a brasagem com estanho
satisfaz na maior parte dos casos. Já a
temperaturas mais altas torna-se
Figura 13 - Erro de medição por curto circuito necessário a soldagem a acetileno ou

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Instrumentação em Ciências Térmicas

arco voltaico, de preferência sem material complementar.


Contudo o método de fabricação de um termopar difere em função da necessidade de utilização.
Quando se está interessado na medição de fenômenos transientes rápidos, o termopar deve ser fino, assim
como a junção deve ter a menor dimensão possível. Já quando deseja-se medir uma temperatura média,
essa integração pode ser realizada pela utilização de uma junta com maior dimensão, tendo-se em mente
uma possível influência das trocas radiantes.
O ponto de medição de temperatura de um termopar é a última região de contato entre os dois
materiais. Um curto circuito antes da junção de medição é fonte de erro nos resultados (Erro! A origem
da referência não foi encontrada.)

1.3.10 - Termopares a eletrodo depositado (Esse item pode ser excluído sem perda de continuidade)

A necessidade de simplificar o modo de fabricação de circuitos termoelétricos (eliminando a


soldagem) conduziu à utilização de circuitos bimetálicos, realizados por deposição eletrolítica (ou
química) de uma camada metálica de grande condutividade (material 2, Figura 14) sobre um suporte
metálico de condutividade inferior e poder termoelétrico diferente (material 1, Figura 14).
Para definir o poder
termoelétrico ao longo de um tal cir-
cuito, a definição de Hannay ,1959, será
utilizada: “o poder termoelétrico de um
material é a medida da tendência dos
portadores livres de se deslocar de
regiões quentes para regiões frias. Esse
Figura 14 - Circuito termoelétrico bimetálico deslocamento resulta na aparição de
uma diferença de potencial de Seebeck
de amplitude suficiente para anular a
corrente elétrica criada pelo deslocamento de cargas no circuito.”
Para calcular o poder termoelétrico num ponto qualquer de um circuito não-homogêneo deve-se,
então, estabecer a relação entre a corrente elétrica neste ponto e os gradientes de potencial e de
temperatura, e depois deduzir qual relação deve existir entre essas quantidades para anular a corrente
elétrica nesse ponto do circuito.

1.3.10.a - Regiões Metálicas Homogêneas

Nas partes não recobertas do circuito bimetálico em presença de um gradiente térmico, a lei de
Ohm local se generaliza sob a forma:

j = σ E - σ α ∇T ( 4)
onde j = vetor densidade de corrente (A/m), σ = condutividade elétrica (Siemens/m), α = poder
termoelétrico (V/K), E = vetor gradiente de potencial elétrico (V/m) e ∇T = vetor gradiente de temperatura
(K/m). Para anular a densidade de corrente local, o gradiente de potencial elétrico deve ser proporcional ao
gradiente de temperatura. A corrente elétrica será anulada se:

15
Instrumentação em Ciências Térmicas

E
α = ( 5)
∇T
o que corresponde à definição habitual do poder termoelétrico.

1.3.10.b -Regiões Recobertas pelo Depósito Metálico

O mesmo método pode ser utilizado para determinar o poder termoelétrico nas regiões recobertas
pelo depósito metálico. Considerando a temperatura constante segundo a direção transversal do circuito, a
corrente elétrica circulando segundo a direção axial deve ser nula.
As expressões das correntes I1 e I2
atravessando as superfícies transversais são
obtidas através das relações de definição:

I1 = ∫ ∫ S1 j1 dS1 e I2 = ∫ ∫ S2 j2 dS2
( 6)
onde S1 , S 2 = área da seções transversais
Figura 15 - Definição das superfícies de integração das 1 e 2. Quando as espessuras do depósito e
densidades de corrente do substrato são constantes e as linhas de
corrente plenamente desenvolvidas, as
equações precedentes se reduzem à:

I1 = S1 j1 e I2 = S2 j2 ( 7)
Por definição, a corrente atravessando a seção transversal da camada bimetálica segundo a direção
O-x deve ser nula, ou seja:

I = (σ1 S1 + σ2 S2) Ex - (α1 σ1 S1 + α2 σ2 S2) ∆ Tx = 0 ( 8)

Essa expressão pode ser identificada como a lei de Ohm generalizada aplicada aos condutores
apresentando uma condutividade elétrica equivalente (σ eq).

I = σeq (S1 + S2 ) Ex - σeq αeq (S1 + S2) ∆ Tx = 0 (9)

Por comparação das equações 7 e 8 obtêm-se que a condutividade linear pode ser expressa por:

σ eq (S1 + S2) = σ1S1 + σ 2 S2 ( 10)

ou seja

16
Instrumentação em Ciências Térmicas

σ 1 S1 + σ 2 S 2
σ eq = ( 11)
S1 + S2

o que conduz a um poder termoelétrico equivalente (α eq) dado pela relação:

α1 σ 1 S1 + α 2 σ 2 S2
α eq = ( 12)
σ 1 S1 + σ 2 S2

O poder termoelétrico equivalente (α eq) depende então não somente dos poderes termoelétricos
dos materiais envolvidos, mas igualmente das condutividades elétricas e das áreas da seções transversais.

1.3.10.c -Efeito Seebeck em Circuitos Bimetálicos

Um termopar realizado por metalização parcial de um fio ou filme metálico gera uma diferença de
potencial, por efeito Seebeck, proporcional à diferença de temperatura entre as extremidades dos eletrodos
depositados (junções termoelétricas).
A diferença de potencial entre os
pontos A e B do circuito (Figura 16) é
obtida por integração do gradiente de
potencial elétrico entre estes dois pontos.
Sendo

∂V ∂T
E = α ∆T ou = α
∂x ∂x
(13)

a integração de A a B conduz à:

Figura 16 - Termopar a eletrodo depositado: circuito


B
equivalente
V B - V A = ∫ α 1 dT ( 14)
A

Seguindo a mesma metodologia, a diferença de potencial medida por efeito Seebeck (V) é obtida pela
integração do gradiente de potencial sobre o caminho A-D.

B C D
V = ∫ α 1 dT + ∫ α eq dT + ∫ α 1 dT ( 15)
A B C

17
Instrumentação em Ciências Térmicas

e considerando que as temperaturas nas extremidades do circuito são iguais (T A=T D), então:

V = (α 1 - α eq ) ( TB - TC) ( 16)

Ou seja, a f.e.m. Seebeck é proporcional a diferença de poder termoelétrico entre o substrato e a


região com o depósito metálico. A Figura 17 mostra a diferença de poder termoelétrico de alguns pares de
materiais em função da relação de áreas (S 2/S 1) dos mesmos.
Nota-se que o bismuto depositado sobre uma base de Antimônio atinge uma grande diferença de
poder termoelétrico, mas requer uma grande espessura de depósito. A causa é a baixa diferença de
condutividade elétrica dos dois materiais. Na fabricação de termopilhas com pequenas dimensões essa
característica pode ser prejudicial, pois a alta condutância térmica provoca um “curto circuito” térmico
entre as junções, diminuindo a sensibilidade do dispositivo. O mesmo pode ser dito para o par
ferro/Constantan.
Já os pares cobre/Constantan e ouro/Constantan (sendo o Constantan o substrato), apesar de
apresentar uma diferença de poder termoelétrico apenas regular, não requerem um depósito muito espesso.
O motivo é o alto contraste de condutividade elétrica dos dois materiais. O par Chromel/Alumel não
apresenta grande interesse prático, pois a deposição desta liga é de difícil realização.

90
poder termoelétrico equivalente (µV / K)

bismuto / antimônio
80

70

60

50 ferro / constantan
cobre / constantan
40

30 ouro / constantan cromel / alumel

20

10

0
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0
S2 / S1

Figura 17 - Diferença do poder termoelétrico em função da relação de áreas (S 2/S 1) (índice 2 = depósito;
índice 1 = substrato)

18
Instrumentação em Ciências Térmicas

1.4 - Termo resistências

1.4.1 - Introdução

No mesmo ano que Thomas Seebeck descobriu a termoeletricidade,1821, Sir Humphrey Davy
anunciou que a resistividade dos metais apresentavam uma marcante dependência com a temperatura.
Quinze anos mais tarde Sir William Siemens apresentou a platina como elemento sensor em um
termômetro de resistência. Sua escolha mostrou-se acertada, visto que atualmente um termômetro de
resistência de platina é utilizado como padrão
de interpolação entre -180 oC e 630 oC.
Termoresistência, ou termômetros de
resistência, são nomes genéricos para sensores
que variam sua resistência elétrica com a
temperatura. Os materiais de uso prático
recaem em duas classes principais: condutores
e semicondutores. Os materiais condutores
apareceram primeiro, e historicamente são
chamados de termômetros de resistência ou
termoresistências. Os tipos a semicondutores
apareceram mais recentemente e receberam o
nome de termistores. A diferença básica é a
forma de variação da resistência elétrica com a
temperatura. Nos metais a resistência aumenta
Figura 18 - Resistência elétrica em função da quase que linearmente com a temperatura
temperatura enquanto que nos semicondutores ela varia de
maneira não-linear de forma positiva ou
negativa.

1.4.2 - Termoresistências metálicas

Termoresistências metálicas são construídas a partir de fios ou filmes de platina, cobre, níquel e
tungstênio para aplicações a alta temperatura. A variação da resistência elétrica de materiais metálicos
pode ser representada por uma equação da forma:

R = R0 (1 + a1.T + a2.T 2 + a2.T 3 + ...+ an.T n) ( 17)

onde Ro = resistência a T=0 oC


A termoresistência mais comum é a base de um fio de platina chamada PT100. Esse nome é
devido ao fato que ela apresenta uma resistência de 100 Ω a 0oC . Entre 0 a 100 oC a variação pode ser

19
Instrumentação em Ciências Térmicas

considerada linear, com a1= 0.00385 Ω /Ω / K. A Tabela 6 do Apêndice A fornece os valores da resistência
elétrica em função da temperatura para uma sonda PT100.

1.4.3 - Termistores

Os primeiros tipos de sensores de temperatura de resistência de semicondutores foram feitos de


óxido de manganês, níquel e cobalto, moídos e misturados em proporções apropriadas e prensados numa
forma desejada. A esta mistura foi dado o nome de termistor. Comparados com sensores de tipo condutor
(que têm coeficiente de temperatura positivo e pequeno), os termistores têm um coeficiente muito grande,
podendo ser negativo (dito NTC, Negative Temperature Dependence) ou positivo (PTC – Positive
Temperture Dependence). Enquanto alguns condutores (cobre, platina) são bastante lineares, os
termistores são altamente não lineares. Sua relação resistência/temperatura é geralmente da forma:

R = R 0 e β (1/T − 1/ T0 ) ( 18)

onde: R = resistência na temperatura T (Ω ),


R0 = resistência na temperatura T 0 (Ω ),
β = constante característica do material (K),
T,T 0 = temperaturas absolutas (K)

A temperatura de referência To é geralmente tomada como 298 K (25 oC) e a constante β = - 4.0
para um NTC. Isso implica num coeficiente de temperatura de -0.0450 comparado com + 0.0038 para a
platina. Uma técnica para reduzir a não linearidade de um termistor consiste em deriva-lo com um resistor
comum, conforme mostrado na Figura 19.
A estabilidade dos primeiros termistores era bastante inferior à das termoresistências metálicas,
mas atualmente eles vem apresentando uma estabilidade aceitável para muitas aplicações industriais e
científicas.

Figura 19 - Linearização de um termistor

20
Instrumentação em Ciências Térmicas

1.4.4 - Métodos de medição

1.4.4.a - Fonte de corrente

Trata-se da técnica aparentemente mais simples, mas que na verdade exige uma fonte de
corrente constante. Ela pode ser dividida em duas configurações básicas:

i) - Medição a dois fios - Conhecendo a Rf i o


intensidade da corrente, a resistência
do sensor(Rsensor ) é obtida através da termoresistência
medição da queda de tensão. Contudo
fonte de Rs e n s o r
nesse método o sinal é influenciado corrente
V
por variações da resistência elétrica do
cabo (representado por Rfio),
especialmente se ele é longo e sujeito a Rf i o
variações de temperatura.

Figura 20 - Ligação a dois fios


ii) - Medição a 4 fios - Nesse tipo de ligação
o efeito da variação da resistência
elétrica do cabo é compensado. A
queda de tensão é medida junto ao
sensor através de dois fios
complementares. Como a corrente
que circula pelo voltímetro é
praticamente nula, não ocorre, então,
queda de tensão nesses fios. O
desvantagem desse sistema é a
necessidade do cabo conter 4 fios,
aumentando o custo.
Figura 21 - Ligação a 4 fios

1.4.4.b - Ponte de Wheatstone

É a técnica mais utilizada pois necessita apenas de uma fonte de tensão, que é mais simples que
uma fonte de corrente.
i) - Ligação a dois fios - A tensão de saída (V) da ponte depende da relação entre os resistores e da tensão
de alimentação (U), conforme explicitado em termos de V ou de Rsensor .

21
Instrumentação em Ciências Térmicas

  R3 V R1 
  R3 −  + 1
V= U 
1

1  ; Rsensor =
U  R2  ( 19)
 R1 R3  R1 R 
1+ R 1+  + V  1 + 1
 2 Rsensor  R2  R2 

Essa configuração apresenta


uma não linearidade do sinal de saída
R3
(V) em função de Rsensor . Uma das
R1 formas de minimizar esse efeito
consiste em utilizar valores elevados
U da relação Rsensor /R3 e R2/R1 além de
V operar com a ponte próxima da
condição balanceada, isto é:
Rs e n s o r Rsensor R
R2
= 2 ( 20)
R3 R1
Tipicamente um elemento de platina
operando num intervalo de 0 a
Figura 22 - Ponte de Wheatstone a dois fios 100 oC, usando uma relação de
resistências de 10:1, dá uma não
linearidade de 0,5 oC.

A forma clássica de operação da ponte de Wheaststone elimina o problema da não linearidade.


Consiste em ajustar o valor do resistor R3 de forma que o sinal de saída (V) seja sempre nulo.
Nessas condições tem-se:
R2
Rsensor = R3
R1
O inconveniente do modo de operação balanceado é a necessidade de ajuste do resistor R3 ,
dificultando operação automatizada.

A ligação a dois fios apresenta ainda outro inconveniente: a variação da resistência elétrica dos
cabos de ligação do sensor influencia o sinal da medição. (fenômeno idêntico ao apresentado no item
anterior). A forma de minimizar esse problema é apresentada a seguir.

22
Instrumentação em Ciências Térmicas

ii) - Ligação a 3 fios - Nesse caso a


efeito da variação da resistência do
cabo é minimizado, com o custo de
um cabo adicional, conforme R3
R1
mostrado na Figura 23.
Com a ponte próxima de U
V
uma condição balanceada o efeito da
A
variação da resistência elétrica do
B
cabo A é minimizado pela variação
R2 Rs e n s o r
do cabo C. A corrente que circula C
pelo cabo B é próxima de zero
(devido a alta impedância do
voltímetro) não ocorrendo, então,
queda de tensão parasita.

1.4.5 - Auto-aquecimento

Pode-se dizer que esse é o


problema mais grave dos
termoresistores. A circulação de uma
corrente elétrica pelo sensor causa, por
efeito Joule, uma elevação de sua
temperatura, gerando um erro de
medição. O erro torna-se crítico em
medição em gases, a baixas a)
velocidades, podendo chegar a 2 oC.
A forma de minimizar esse
fenômeno é alimentar o sistema com
corrente pulsada, conforme mostrado
na Figura 24. Logicamente esse
artifício requer um tratamento mais
apurado, necessitando de um circuito b)
eletrônico de geração de pulsos e
linearização do sinal (Turnei, 1988)
Figura 24 - Minimização do efeito de auto-aquecimento: a)
corrente injetada b) sinal detectado

23
Instrumentação em Ciências Térmicas

1.5 - Pirômetro s

1.5.1 - Introdução

Pirômetros são sensores de temperatura que utilizam como informação a radiação eletromagnética
emitida pelo corpo a medir. Todo corpo,
com temperatura superior a 0oK, emite
radiação eletromagnética1 com uma
intensidade que depende de sua
temperatura. A intensidade também varia
com o comprimento de onda, conforme
visto na figura a seguir, sendo que a
principal parcela está entre os
comprimentos de onda de 0,1 a 100 µm.
Nessa faixa a radiação eletromagnética é
chamada radiação térmica. Dentro desse
espectro encontra-se a luz visível (de 0,3 a
0,72 µm) e o infravermelho (0,72 a 100
µm).
Os pirômetros são sensores que não
necessitam de contato físico, diferente dos
sensores apresentados anteriormente,
podendo ser divididos em duas classes
distintas:
i - os pirômetros óticos, que atuam dentro
do espectro visível, e
ii - os pirômetros de radiação, que atuam Figura 25 - Emitância espectral de um corpo negro a
numa faixa de comprimento de diferentes temperaturas
onda mais amplo (do visível ao
infravermelho curto)

1.5.2 - Pirômetros óticos

Os pirômetros óticos atuam dentro do espectro visível, sendo essencialmente um método comparativo. A
energia radiante é medida por comparação fotométrica da claridade do corpo a medir em relação à
claridade de uma fonte padrão, como um filamento de tungstênio de uma lâmpada elétrica projetada para
esse fim. A comparação de claridade é feita pelo observador e é dependente da sensibilidade do olho
humano em distinguir a diferença de claridade entre duas superfícies de mesma cor. Um filtro

1
Uma teoria vigente admite que a radiação seja a propagação de um conjunto de partículas denominadas
fótons. Em qualquer caso, se atribuem à radiação as propriedades típicas de uma onda.

24
Instrumentação em Ciências Térmicas

monocromático para comprimento de onda de


radiação vermelha (1.65 µm) auxilia a
operação A comparação de claridade é feita
por dois métodos:
i - variando-se a corrente através do filamnto
da fonte de claridade padrão até que sua
claridade se iguale àquela do objeto
medido,
ii - variando-se óticamente a claridade
observada da imagem do objeto, até que se
iguale à do filamento padrão, enquanto a
corrente através da lâmpada é mantida
constante.

O primeiro método é mostrado


esquematicamente na figura a seguir. São Figura 26 - Pirômetro ótico e imagens do
mostrados três imagens do filamento, onde a filamento
imagem central corresponde ao ajuste correto
da corrente.
Como esse tipo de pirômetro atua no espectro visível, é necessário que o corpo medido emita
nesse comprimento de onda. Como visto na curva de emitância espectral, o corpo deve estar a uma
temperatura de no mínimo 750 oC, limitando assim sua utilização a temperaturas mais baixas. A
temperatura máxima de medição é de 2900 oC, mas com anteparo absorvente pode chegar a 5500 oC.

1.5.3 - Pirômetros de radiação

Os pirômetros de
radiação são instrumentos
que medem a taxa de
emissão de energia por
unidade de área numa faixa
de comprimento de onda
relativamente grande,
utilizando um sistema que
coleta a energia visível e
infravermelho de um alvo e
a focaliza em um detetor, Figura 27 - Pirômetro de radiação
sendo convertida em um
sinal elétrico. Somente a
energia emitida entre 0.3 e
20 µm tem magnitude para ser útil, isto é, o visível e o infravermelho próximo.
A energia irradiada por um corpo depende, de fato, da emissividade (ε) de sua superfície. Ela é
máxima para um corpo negro (ε = 1), e próxima de zero para uma superfície polida. Os pirômetros de
radiação são calibrados em relação a um corpo negro, e um fator de correção deve ser empregado quando
a medição é realizada em um corpo com emissividade diferente. Para isso deve-se conhecer a
emissividade da superfície que está sendo medida, o que é um fator de incerteza, visto que a emissividade

25
Instrumentação em Ciências Térmicas

varia com o estado da superfície, temperatura, etc. Outro fator de incerteza na medição de corpos com
emissividade inferior a 1 diz respeito à influência dos corpos vizinhos: a radiação emitida por um corpo
vizinho pode vir a ser refletida na superfície de medição e atingir o sensor, falseando a medição.
Outro aspecto diz respeito ao material das lentes utilizado. Materiais como o vidro não transmitem
a radiação em comprimentos de onda superiores a 2.8 µm, o quartzo transmite somente até 4 µm, cálcio
fluorido até 10 µm, e iodeto brometo de tálio até 30 µm (Kaplan, 1989). Na medição de temperaturas mais
baixas deve-se ter em mente essas características na hora de escolher o pirômetro adequado.
Os pirômetros de radiação diferenciam-se pelo tipo de detector, sendo:

1.5.3.a - Detectores térmicos

Não dependem do comprimento de onda, pois respondem à energia de todo o espectro. São
elementos enegrecidos projetados para absorver o máximo de radiação incidente em todos os
comprimentos de onda. A radiação absorvida provoca aumento de temperatura do detetor até que se atinja
o equilíbrio com perdas de calor para o meio vizinho. Os detectores térmicos medem essa temperatura,
usando termômetros de resistência ou o princípio de termopares (termopilhas). Possuem um tempo de
resposta relativamente grande (1 a 2 segundos).

1.5.3.b - Detectores de fótons

A radiação incidente libera elétrons na estrutura do detetor e produz um efeito elétrico


mensurável. Apresentam uma constante de tempo da ordem de 1 ms. Podem ser dos tipos:
i) Fotocondutivos: apresentam uma resistência elétrica que muda com o nível de radiação incidente.
ii) Fotovoltaicos: ocorre uma diferença de potencial entre duas camadas de material condutor quando a
célula é exposta à radiação.
iii) Fotoeletromagnéticos: utilizando o efeito Hall, uma diferença de potencial é desenvolvida através das
extremidades de um cristal semicondutor sujeito a um intenso campo magnético.

26
Instrumentação em Ciências Térmicas

2 - UMIDADE

2.1 - Intro dução

Nessa seção serão apresentados alguns instrumentos de medição da umidade do ar, ou seja, de
determinação da quantidade de vapor d’água presente no ar atmosférico. O ar atmosférico é capaz de reter
uma certa quantidade de água na forma de vapor, sendo que essa quantidade é fortemente dependente da
temperatura: quanto maior a temperatura, maior a capacidade de retenção. Se a mistura é continuamente
resfriada, chega-se a um estado chamado "temperatura de saturação", ou "ponto de orvalho", onde
qualquer redução da temperatura provoca uma condensação do vapor d'água. A umidade absoluta (ω), ou
"umidade específica", é definido como a vazão entre as massas de vapor d'água (mv) e de ar seco (ma ).

mv
ω=
ma

Contudo a forma mais


usual de definir o teor de
umidade do ar é através da
umidade relativa (φ ).
Considerando a mistura como
sendo de gases ideais, ela pode
ser definida como a razão entre
a pressão parcial do vapor na
mistura (pv) e a pressão de
saturação do vapor (psat ) nessa
mesma temperatura,
pv
φ= Figura 28 - Modelo esquemático da carta psicrométrica
psat
ou seja, quando o ar está
completamente saturado a sua pressão de vapor é a própria pressão de saturação (φ = 1 ou 100 %).
A umidade relativa é obtida com a ajuda da carta psicrométrica, conforme mostrado
esquematicamente na Figura 28 e em detalhes no Anexo 2.
A ordenada representa a temperatura de bulbo seco, que é a temperatura medida por um
termômetro normal. Já as linhas inclinadas representam a temperatura de bulbo úmido, que será descrito
na seção seguinte. O ponto de cruzamento dessas linhas indicam o valor da umidade relativa e umidade
absoluta. Quando a temperatura de bulbo seco é igual a temperatura de bulbo úmido o ar encontra-se
saturado (linha curva de saturação).

27
Instrumentação em Ciências Térmicas

2.2 - Instrumento s de Medição

2.2.1 - Psicrômetro de bulbo úmido e seco

É o instrumento mais utilizado para medição da umidade, dado sua simplicidade e pelo fato de
que, a priori, dispensa calibração. Nesse equipamento a mistura escoa ao redor de dois termômetros: um
com o bulbo seco e outro com o bulbo úmido em água destilada. O termômetro de bulbo seco mede
simplesmente a temperatura do ar. Já no de bulbo úmido ocorre o fenômeno de evaporação superficial,
reduzindo a temperatura da mecha até a temperatura de saturação. Afim de garantir que a temperatura
atingida seja realmente a de saturação muitos parâmetros estão envolvidos: velocidade do ar
(recomendado entre 3 e 5 m/s, Norma ASHRAE Standart 41.6), dimensões e textura da mecha, trocas
radiantes, etc. A ventilação pode ser feita manualmente girando os termômetros (tipo reco-reco), ou por
forçada por ventilador conforme mostrado na
Figura 29.

Figura 29 - Psicrômetro de bulbo úmido e seco.

Apesar da simplicidade esse psicrômetro tem o inconveniente de necessitar uma constante


monitoração do nível d'água, o que dificulta a automatização do sistema.

2.2.2 - Higrômetro Capacitivo

O sensor de umidade uma cápsula porosa (normalmente metálica) que varia a capacitância com a
umidade relativa do ambiente. O sensor é excitado em frequência e a diferença de fase produzida pela
capacitância do sensor é relacionada com a umidade (apresentando dependência com a temperatura
ambiente). Trata-se de um método secundário, necessitando calibração prévia. A incerteza de medição é
superior a 1 %.
É o tipo de sensor mais utilizado a nível industrial. Contudo ele apresenta limitações na medição
de umidades relativas elevadas (> 95%). Um fenômeno chamado absorção secundária provoca uma
histerese de leitura, requerendo a exposição do sensor a ambientes com umidade inferior a 50 % por um
período de 24 horas.

28
Instrumentação em Ciências Térmicas

2.2.3 - Higrômetro de espelho

Com o auxílio de um módulo Peltier uma superfície espelhada é resfriada até o início da
condensação: é a temperatura de saturação (ou ponto de orvalho). O início da condensação é relacionado
com uma mudança da refletividade da superfície, detectada por sensores infravermelhos conforme
esquematizado na

Figura 30.

fotoemissor

fotodetector

superfície espelhada

corrente módulo Peltier


elétrica

dissipador de calor

Figura 30 - Higrômetro de espelho

Trata-se de um método que, a priori, não necessita de calibração. Contudo o sistema deve ser
capaz de detectar com precisão o momento exato de início da condensação. A incerteza prevista é da
ordem de 0.5 %.

2.3 - Méto do s de Calibração

2.3.1 - Soluções Salinas

A calibração de higrômetros é tradicionalmente realizada em soluções salinas super-saturadas que


mantém o ar a uma determinada umidade relativa. Os valores são mostrados na Tabela 6 em função da
temperatura.

29
Instrumentação em Ciências Térmicas

Tabela 6 - Umidade relativa para diferentes soluções saturadas em função da temperatura


Soluções salinas Umidade relativa (%) em função da temperatura
saturadas 5 0 15 20 25 30 35 40 50 60
Hidróxido de potássio 14 13 10 9 8 7 6 6 6
Cloreto de lítio 14 14 13 12 12 12 12 11 11 10
Acetato de potássio - 21 21 22 22 22 21 20 - -
Cloreto de magnésio 35 34 34 33 33 33 32 32 31 30
Carbonato de potássio - 47 44 44 43 43 43 42 - 35
Nitrato de magnésio 8 57 56 55 53 52 50 49 46 43
Bicarbonato de sódio 9 58 56 55 54 52 51 50 47 -
Nitrato de amônia - 73 69 65 62 59 55 53 47 42
Nitrato de sódio - - - 66 65 63 62 62 59 59
Cloreto de sódio 6 76 76 76 75 75 75 75 76 76
Sulfato de amônia 2 82 81 81 80 80 80 79 79 -
Cloreto de potássio 88 88 87 86 85 85 84 82 81 80
Nitrato de potássio 96 95 94 93 92 91 89 88 85 82
Sulfato de potássio 98 98 97 97 97 96 96 96 96 96

2.3.2 - O Sistema Saturador-Reaquecedor

Esse dispositivo permite a obtenção de qualquer umidade relativa dentro de uma ampla faixa de
temperaturas. Ela é baseada em leis termodinâmicas de saturação do ar, necessitando apenas de dois
banhos com temperatura controlada. O ar é inicialmente saturado a uma dada temperatura (T 1) sendo em
seguida aquecido a T2 num processo onde ele mantém o mesmo teor absoluto de umidade. A precisão do
sistema é diretamente dependente da estabilidade da temperatura dos banhos .

bomba de ar ar saturado a T1

T
T

recipiente de trabalho

elemento
cerâmico

Figura 31 - O sistema Saturador-Reaquecedor

30
Instrumentação em Ciências Térmicas

3 - FLUXO DE CALOR

3.1 - Intro dução

A medição do fluxo de calor é baseada na lei de Fourier, relacionando a densidade de fluxo de


calor (q&& ) que atravessa um corpo (chamado parede auxiliar) com a diferença de temperatura (∆T) entre as
faces conforme mostrado na
q
Figura 32.
∆T
q&& = k ( 21) T
L
onde k é a condutividade térmica e L a espessura
da parede auxiliar.
Pode-se distinguir dois tipos distintos de Figura 32 - Princípio de medição do fluxo de calor
transdutores quanto à forma de medição da
diferença de temperatura:
- transdutores a gradiente transversal e,
- transdutores a gradiente tangencial.

3.2 - Transduto res de Fluxo de Calo r a Gradiente Transversal

A diferença de temperatura é medida num plano transversal ao plano de medição do fluxo de


calor. As formas mais usuais de medição são apresentadas a seguir:

3.2.1 - Transdutor a Termopilha Soldada

Nessa configuração a diferença de


temperatura é medida por uma termopilha tendo
como parede auxiliar a resina de sustentação
conforme mostrado na Figura 33. Essa
configuração é pouco utilizada devido ao
fastidioso trabalho de soldagem dos termopares.
Outra causa é a grande espessura de parede
auxiliar requerida (em torno de 5 mm). O
dispositivo apresenta uma grande resistência
térmica perturbando de maneira significativa a Figura 33 – Transdutor a termopilha soldada
grandeza a medir.

31
Instrumentação em Ciências Térmicas

3.2.2 - Transdutor a termopar depositado

A construção da rede
termoelétrica pode ser simplificada
através da utilização do depósito
eletrolítico de uma camada de
cobre sobre um fio de constantan
(princípio descrito na seção
1.3.10), de modo a eliminar a
fabricação de um grande numero
de junções termoelétricas soldadas.
Mas o transdutor continua com
uma grande espessura (em torno de
2 mm), fonte de erro de medição.

3.2.3 - Transdutor a furo metalizado

Nessa configuração os
termopares são construídos por
técnica de fotogravura e deposição
em vácuo sobre uma parede
auxiliar de pouca espessura (100
µm). Contudo o alto custo e a
dificuldade de construção de
sensores com grandes superfícies
de medição limitam sua utilização.
Figura 35 – Transdutor a furo metalizado

3.3 - Transduto res de Fluxo de Calo r a Gradiente Tangencial

Seu princípio de funcionamento consiste a desviar as linhas de fluxo de calor de modo a gerar
uma diferença de temperatura num plano tangencial ao plano de medição (Güths, 1994). O desvio das
linhas de fluxo é causado pelo contato pontual entre a superfície isotérmica superior e a parede auxiliar,
segundo o esquema mostrado na Figura 36.

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Instrumentação em Ciências Térmicas

Figura 36 – Corte transversal de um transdutor de fluxo de calor a gradiente tangencial

Figura 37 - Vista aberta do transdutor de fluxo de calor a gradiente tangencial

As diferenças de temperaturas são medidas por termopares planares a eletrodos depositados


ligados em série. Cada um dos termopares converte a diferença de temperatura em f.e.m Seebeck. A f.e.m
produzida é diretamente proporcional ao número de termoelementos distribuídos sobre a superfície útil do
sensor. Essa técnica permite a realização de termopares desprovidos de soldas, facilitando a fabricação de
transdutores com grande superfície de medida, alta sensibilidade e espessura reduzida.

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Instrumentação em Ciências Térmicas

3.4 - Méto do s de Calibração de Transduto res de Fluxo de Calo r

3.4.1 - Método Simultâneo

A precisão de um transdutor de fluxo de calor depende diretamente da fiabilidade de sua


calibração. Uma das maneiras mais diretas de calibração, podendo ser chamada de calibração primária,
consiste na calibração simultânea
de dois transdutores utilizando
como padrão o fluxo de calor
dissipado por uma resistência
elétrica com dimensões idênticas
aos transdutores.
Num primeiro momento
dispomos os transdutores
conforme a configuração mostrada
na Figura 38. Um mesmo fluxo de
calor atravessa os dois
transdutores.
Figura 38 - 1a configuração para calibração
φA ' = φB ' ( 22)
O isolante térmico tem somente a função de minimizar as perdas de calor pela superfície superior
da resistência, não desempenhando nenhuma função ativa no processo. A placa isotérmica pode ter sua
temperatura mantida por circulação d'água.
Num segundo momento a
resistência aquecedora é colocada
entre os dois transdutores
conforme mostrado na
Figura 39. Um banho
termostatizado garante a
homogeneidade de temperatura
nas placas.
Considerando que todo o
fluxo de calor dissipado pela
resistência aquecedora (P)
atravessa a superfície ativa dos
dois transdutores, temos:
Figura 39 - 2a configuração para calibração
P=φ A +φ B ( 23)
Sendo cA e cB as constantes de proporcionalidade entre o fluxo de calor (φ ) e a tensão (V) em
cada um dos transdutores, obtemos a partir das relações precedentes,
P = cA VA + cB VB ( 24)

cA VA ′ = cB VB′ ( 25)
que reagrupadas conduzem a:

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Instrumentação em Ciências Térmicas

P P
cA = e cB = ( 26)
′ ′
VA VB
VA + VB VB + VA
′ ′
VB VA

onde,
cA, cB = constante de calibração dos transdutores A e B (W/V)
VA’,VB’= f.e.m. produzida pelos transdutores na primeira configuração (V)
VA ,VB = f.e.m. produzida pelos transdutores na segunda configuração (V)
P = potência elétrica dissipada pela resistência na primeira configuração (W)

A área do transdutor deve ser conhecida (A) para obter o fluxo de calor por unidade de
superfície ( q&& ).

cV
q&& = ( 27)
A

3.4.2 - Método a Transdutor Auxiliar

O fluxo de calor
perdido pelo isolante é
medido por um transdutor
previamente calibrado, sendo
subtraído do valor dissipado
pela resistência aquecedora.
Esse método é
particularmente interessante
para calibração "in situ".

Figura 3 - Sistema de calibração com transdutor auxiliar

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Instrumentação em Ciências Térmicas

4 - BIBLIOGRAFIA

• Incropera, F.P. e Witt D.P. Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. Ed. Guanabara, RJ,
1992.

• Doebelin, E. O. Measurement Systems. Application and Design. Ed. McGraw Hill, SP, 1990.

• Holman, J.P. Transferência de Calor. Ed. McGraw Hill, SP, 1983.

• Kakçac, S. Handbook of Single Phase Convection. Ed. John Willey & Sons, NY, 1987.

• dos Santos Júnior, M. e Irigoyen, E.R. Metrologia Dimensional. Ed. Universitária UFRG, RG, 1985.

• Ismail, K.A Técnicas de Medidas e Instrumentação em Engenharia Mecânica. Gráfica UNICAMP,


SP, 1986.

• Norma ASHRAE Standart 41.6 - Medição de Umidade

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Instrumentação em Ciências Térmicas

ANEXOS

* Outras tabelas para termopares estão disponíveis no LMPT

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