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Caracterização da Corrente Alternada

Formas de corrente eléctrica

A

corrente eléctrica existe sob diversas formas. Assim, podemos classifica-

la

globalmente em:

a) Corrente unidireccional Corrente com um só sentido, de valor constante ou não.

b) Corrente bidireccional Corrente com os dois sentidos (portanto, variável).

Quando a corrente unidireccional tem um valor constante diz-se que ela é contínua. Quanto à corrente bidireccional, podemos ainda subdividi-la em:

Corrente alternada Corrente com dois sentidos (alternadamente), periódica, de valor algébrico médio nulo.

Corrente “não alternada” Corrente com os dois sentidos, não periódica e de valor algébrico médio diferente de zero.

Notas: Uma corrente periódica, conforme veremos no seguimento, é uma corrente que repete periodicamente o mesmo tipo de gráfico. Numa corrente com valor algébrico médio nulo, os pontos positivos do gráfico são simétricos dos negativos.

Quanto à corrente alternada ( ), ela pode assumir diversas formas:

corrente alternada sinusoidal, corrente alternada em onda quadrada, corrente alternada em dente de serra, etc. Na figura 1 representa-se alguns dos tipos de correntes referidas.

quadrada, corrente alternada em dente de serra, etc. Na figura 1 representa-se alguns dos tipos de
Fig. 1 – Diferentes formas de corrente a) Corrente unidireccional (1 – contínua: 2 –

Fig. 1 Diferentes formas de corrente

a) Corrente unidireccional (1 contínua: 2 não contínua)

b) Corrente bidireccional não alternada

c), d), e) Correntes bidireccionais alternadas [c) onda quadrada, d) dente de serra, e) alternada

sinusoidal]

De entre os diferentes tipos de corrente alternada, temos como mais usuais a corrente alternada sinusoidal (na distribuição de energia) e a onda quadrada em electrónica. A corrente alternada sinusoidal é representada, matematicamente, pela função seno.

Efeitos da corrente alternada

Tal como acontece com a corrente contínua, a corrente alternada produz num circuito eléctrico um conjunto de efeitos que apresentam, no entanto, algumas diferenças em relação ao que acontece em corrente contínua. Recordando esses efeitos, temos: o efeito calorífico, o efeito electromagnético, e o efeito químico. Estudemos então cada um desses efeitos, em corrente alternada.

A) Efeito calorífico Em corrente contínua, a passagem da corrente eléctrica num condutor provoca a libertação de energia calorífica, devido ao choque entre os electrões em movimento e os átomos. Esse fenómeno é regido pela lei de Joule Em corrente alternada, também existe, evidentemente, libertação de energia calorífica. Com efeito, o choque entre electrões e átomos existe sempre, independentemente de a corrente ter o sentido A B ou o sentido contrário B A. A única questão que se

existe sempre, independentemente de a corrente ter o sentido A B ou o sentido contrário B
existe sempre, independentemente de a corrente ter o sentido A B ou o sentido contrário B

põe é a de saber se a energia calorífica libertada tem ou não o mesmo valor em corrente contínua e em corrente alternada. Conclui-se que uma resistência liberta calor quer em corrente contínua, quer em corrente alternada.

B) Efeito electromagnético Também em corrente contínua, ao alimentarmos uma bobina de núcleo ferromagnético, criam-se nos seus extremos dois polos magnéticos de nomes contrários ( e ). As polaridades magnéticas são fixas enquanto o forem as polaridades da alimentação da bobina. Em corrente alternada, visto que varia periodicamente de sentido (ora positivo, ora negativo), os polos magnéticos criados estão constantemente a mudar a sua polaridade nos extremos da bobina. Assim, em cada extremidade, ora temos um polo , ora temos um polo , sendo sempre contrários os polos das duas extremidades. A variação da polaridade é tanto mais rápida quanto maior for a frequência da corrente alternada. Esta diferença de comportamento conduz a que algumas das aplicações em corrente alternada sejam diferentes dos da corrente contínua, embora outras sejam iguais seja qual for o tipo de corrente. Na figura 2 representa-se a acção de um electroíman sobre um pedaço de ferro . Ao alimentarmos com a bobina do electroíman, os seus polos magnéticos, variáveis no tempo, vão induzir no pedaço de ferro polos de nomes contrários, atraindo-o. Deste modo, o ferro é sempre atraído quer a corrente seja contínua, quer seja alternada.

quer a corrente seja contínua, quer seja alternada. Fig. 2 – Efeito magnético da corrente alternada.

Fig. 2 Efeito magnético da corrente alternada. O pedaço de ferro é sempre atraído pelo electroíman E.

Se em vez do ferro, tivéssemos colocado uma agulha magnética perto do electroíman alimentado por , a agulha tenderia a vibrar, pois era solicitado o seu polo , ora o seu polo . Em corrente contínua, o polo da agulha era atraído pelo polo do electroíman, permanecendo nessa posição.

C) Efeito químico Um dos efeitos químicos em corrente contínua é o da electrólise da água. A corrente contínua decompõe a água em oxigénio e hidrogénio, os quais podem ser recolhidos separadamente em tubos de ensaio. Os iões positivos são atraídos pelo eléctrodo negativo, os iões negativos são atraídos pelo eléctrodo positivo. Junto a cada um dos eléctrodos, o oxigénio e o hidrogénio são recolhidos em tubos de ensaio, colocados na tina electrolítica voltados para baixo. Se alimentarmos a tina electrolítica com corrente alternada, em cada um dos eléctrodos forma-se uma mistura de oxigénio com hidrogénio, em virtude de os eléctrodos mudarem constantemente de polaridade. Esta mistura é explosiva. Concluímos portanto que a corrente alternada não serve para fazer a electrólise da água, nem para a generalidade das aplicações electroquímicas.

Produção da corrente alternada sinusoidal

Já foi referida a existência de diferentes tipos de corrente, nomeadamente

a corrente alternada sinusoidal. No entanto ainda não foi explicado como

é possível obter uma corrente variável de sentido e de forma periódica,

isto é, repetindo ciclicamente os mesmos valores, ora num sentido ora no

outro, tal como se sugere na figura 3. Esta corrente tem o nome de corrente alternada sinusoidal, conforme já referido. Vejamos então como obter uma corrente com a forma indicada na figura

Fig. 3 – Corrente alternada sinusoidal
Fig. 3 – Corrente alternada sinusoidal

Observe a figura 4, constituída por um núcleo ferromagnético (fechado) de um alternador, com duas extremidades polares envolvidas por um enrolamento com terminais e . A esta parte da máquina chamamos estator (fixo). No centro, apoiado num eixo, vamos colocar um íman que é posto a girar a uma velocidade angular constante. A esta parte da máquina chama-se rotor (móvel). Podemos verificar que, no seu movimento, o íman vai ocupar sucessivamente diferentes posições, das quais seleccionamos as quatro que se representa na figura (1;2;3 e 4).

as quatro que se representa na figura (1;2;3 e 4). Fig. 4 – Princípio de funcionamento

Fig. 4 Princípio de funcionamento de um alternador

Observe a posição do íman na figura 4. O fluxo magnético produzido pelo íman vai atravessar a bobina do estator. Visto que o íman gira, então o fluxo que atravessa a bobina vai variando no tempo. Deste modo, quando o íman está na posição 1, o fluxo através da bobina é máximo, pois os polos do íman encontram-se em frente da bobina. Quando o íman está na posição 2, o fluxo através da bobina é praticamente nulo, dada a sua posição. Recordemos agora as expressões matemáticas das leis de Faraday e de Lenz. A variação do fluxo através de uma bobina gera nesta uma f.e.m. induzida que é dada por:

Onde:

(1)

- f.e.m. induzida (Volts) - número de espiras da bobina - variação do fluxo na unidade de tempo - fluxos final e inicial, respectivamente - instantes final e inicial, respectivamente

Isto é, à medida que o íman vai rodando, vai-se criando uma f.e.m. aos terminais do enrolamento, cujo valor vai variando com a variação do fluxo. O sinal negativo que aparece na expressão anterior significa que a f.e.m. induzida tende a opor-se à causa que lhe deu origem, isto é, à variação incremental do fluxo.

Repare agora no seguinte: Quando o fluxo é máximo (posição 1), a um pequeno movimento do íman corresponde uma variação (do fluxo) praticamente nula, isto é, (ver expressão 1); quando o fluxo é praticamente nulo (posição 2), a um pequeno movimento do íman corresponde uma variação de fluxo elevada (máxima, pois o fluido passa de zero para um valor bastante diferente), isto é, (ver expressão 1). Na figura 5 representa-se estas duas situações (posições 1 e 2, respectivamente), bem como as restantes. Na posição 3, o fluxo volta a ser máximo (mas de sentido contrário) e a f.e.m. é nula, pois . Na posição 4, o fluxo volta a ser nulo e a f.e.m. é máxima (mas negativa), pois é máxima.

Deste modo, podemos traçar a evolução do fluxo e da f.e.m. induzida numa bobina fixa de um alternador, unindo entre si os pontos considerados (para e ) bem como os pontos intermédios, cujos valores se adivinham já.

como os pontos intermédios, cujos valores se adivinham já. Fig. 5 – Fluxo e f.e.m. alternados

Fig. 5 Fluxo e f.e.m. alternados sinusoidais produzidos no alternador

Demonstra-se que as curvas obtidas, tanto para o fluxo como para a f.e.m., são efectivamente a representação gráfica da função seno, as quais têm o nome de sinusoides. Ao aplicarmos a uma carga esta f.e.m. sinusoidal, ela será percorrida por uma corrente alternada sinusoidal. À corrente produzida pelo enrolamento do alternador monofásico dá-se o nome de corrente alternada monofásica (uma só fase).

Período e frequência

Diz-se que uma grandeza

ao fim de um determinado intervalo de tempo. A esse intervalo de tempo

dá-se o nome de período

é periódica quando repete os mesmos valores

, tal como se representa na figura 6.

os mesmos valores , tal como se representa na figura 6. Dá-se o nome de ciclo

Dá-se o nome de ciclo ao conjunto dos pontos assumidos pela grandeza, ao longo do período. Quer isto dizer que quando a grandeza completa um ciclo fá- lo durante um período . Cada ciclo (ou onda) é constituído por duas alternâncias (ou semi-ondas), uma positiva e outra negativa.

Define-se frequência de uma grandeza periódica como o número de ciclos efectuados pela grandeza na unidade de tempo. Deste modo, existe a seguinte relação entre a frequência e o período:

Onde:

- frequência (Hertz

)

- período (segundos

)

Os receptores de corrente alternada não funcionam todos com a mesma frequência. Assim, são usuais as seguintes frequências para as aplicações que indicamos:

Produção de energia 50

Electroacústica 16

Rádio e televisão 100

Radar e micro-ondas maior que 1

Ondas luminosas 300

(na Europa ou 60

a 1

a 700

a 16

nos EUA)

Conforme se pode constatar, as frequências utilizadas vão desde alguns Hertz até vários biliões de Hertz. São utilizados, por isso alguns múltiplos para as altas frequências.

De referir ainda que para as outras grandezas, cujos valores são geralmente baixos, são utilizados os seguintes submúltiplos.

As definições apresentadas no inicio deste capitulo são válidas para qualquer grandeza, seja uma corrente alternada, seja uma tensão ou f.e.m., seja um fluxo alternado ou outra qualquer grandeza representada por uma sinusoide.

Características de uma corrente alternada sinusoidal

Uma corrente sinusoidal é definida por um conjunto de grandezas características, as quais passo a referir: valor instantâneo, amplitude, valor algébrico médio, valor aritmético médio e valor eficaz. Analisemos então cada uma destas características.

a) Valor instantâneo É o valor que a grandeza assume em cada instante da sua evolução ( , etc fig. 7)

b) Amplitude É o valor máximo que a grandeza atinge durante a sua evolução no tempo. Na figura 7 representa-se a amplitude de uma corrente alternada sinusoidal.

, ) e amplitude de uma corrente
,
) e amplitude
de uma corrente

Fig. 7 Valores instantâneos ( sinusoidal

c) Valor algébrico médio - É o valor médio de um conjunto de valores positivos e negativos da grandeza. Visto que o meio-ciclo positivo é simétrico do meio-ciclo negativo, conclui-se facilmente que o valor algébrico médio de uma corrente sinusoidal é nulo.

d) Valor aritmético médio O valor aritmético médio ( ) de uma alternância (positiva ou negativa) é o valor que deverá ter uma corrente contínua para transportar, no mesmo tempo, a mesma quantidade de electricidade ( que a corrente alternada. Na figura 8 representa-se o valor de uma corrente alternada sinusoidal.

representa-se o valor de uma corrente alternada sinusoidal. Fig. 8 – Valor aritmético médio ( ).

Fig. 8 Valor aritmético médio (

).

Demonstra-se que existe a seguinte relação entre

e

Igualmente se demonstra, para tensões, que:

O valor aritmético médio é uma grandeza com bastante interesse, não só em electrónica mas também em electroquímica, utilizando apenas as alternâncias positivas da corrente alternada. Por exemplo, em electrólise, utilizando só alternâncias positivas (corrente unidireccional), é necessário conhecer o valor médio da corrente no circuito, para efeito de cálculos.

e) Valor eficaz (ou valor quadrático médio) Quando um receptor é percorrido por uma corrente (contínua ou alternada) há libertação de calor, por efeito de Joule. Em corrente contínua, a energia calorífica libertada por um receptor de resistência , percorrido por

uma corrente durante um espaço de tempo é dada pela

expressão

Ora, em corrente alternada, o valor da corrente vai variando ao

longo do tempo, não sendo por isso um valor constante.

A questão que se põe, por isso, é a de saber qual será o valor médio

desta corrente de modo a podermos calcular a energia calorífica libertada num receptor alimentado por corrente alternada sinusoidal. A esse valor médio dá-se o nome de valor eficaz da corrente alternada sinusoidal e define-se como “O valor que deverá ter uma corrente contínua para libertar a mesma quantidade de calor que a corrente alternada, no mesmo receptor, durante o mesmo intervalo de tempo”. Na figura 9 a) apresentamos um receptor alimentado por uma corrente alternada monofásica (~) produzida por uma fonte cujos terminais são (fase) e (neutro condutor de retorno). Visto que

a energia libertada é igual em qualquer um dos sentidos da corrente

alternada, podemos considerá-la como se tivesse apenas ciclos positivos, tal como sugere em b). Em b) representa-se também o valor eficaz (constante) que liberta a mesma quantidade de calor o conjunto das duas alternâncias da corrente .

de calor o conjunto das duas alternâncias da corrente . Demonstra-se assim que existe a seguinte

Demonstra-se assim que existe a seguinte relação entre o valor eficaz valor máximo

o

Da mesma forma, se demonstra que o valor eficaz da tensão é dado por:

se demonstra que o valor eficaz da tensão é dado por: Nota: Convenciona-se representar os valores

Nota: Convenciona-se representar os valores instantâneos por letras minúsculas ( etc) e os valores eficazes pelas letras maiúsculas correspondentes ( etc). O valor eficaz é, de entre as características da corrente alternada, aquela que maior importância tem e, por isso, a mais utilizada. Com efeito, tudo se passa como se a corrente alternada tivesse, não um conjunto de valores diferentes, mas um só valor que substituísse todos aqueles nos cálculos que é necessário efectuar. Assim, verifica-se que os aparelhos de medida (amperímetros, voltímetros, etc) medem valores eficazes; as diferentes tabelas para condutores referem-se sempre a valores eficazes; as “chapas de características” dos receptores indicam valores eficazes, etc. Alguns aparelhos de medida têm, nas suas escalas, as iniciais “rms” (do inglês root mean square) para indicar valores eficazes. As grandezas sinusoidais podem ser facilmente visualizadas no ecrã de um aparelho chamado osciloscópio. Através dele, podemos ainda calcular as grandezas características referidas anteriormente. Na figura 10 representa-se um dos diferentes modelos de osciloscópios.

Na figura 10 representa-se um dos diferentes modelos de osciloscópios. Fig. 10 – Fotografia de osciloscópio

Fig. 10 Fotografia de osciloscópio

Problemas

1) Uma instalação eléctrica é alimentada pela rede de distribuição em

e a frequência

baixa tensão, cuja tensão tem o valor eficaz de

de

. Calcule:

a)

O período de cada ciclo

b)

A amplitude da tensão

c)

O valor aritmético médio da tensão

a)

b)

c)

2) Uma lâmpada incandescente absorve da rede uma corrente cuja

.

amplitude é de Calcule:

a) A frequência da corrente

b) O valor eficaz da corrente

c) O valor aritmético da corrente

O período da

corrente é de

.

a)

b)

c)

3) Uma linha de alta tensão transporta energia, sob uma tensão de

. Calcule a amplitude dessa

valor eficaz igual a

tensão (

).

Resp:

4) Durante um ensaio num laboratório, o amperímetro indicou

voltímetro

a) Os valores eficazes da corrente ( ) e da tensão (

b) As amplitudes da corrente (

c) Os valores aritméticos da corrente (

. Determine:

).

e da tensão (

. ) e da tensão (

Resp: a)

e

b)

e

c)

e

e o

.

5) Uma resistência liberta energia calorífica no valor de , em 30 minutos, quando é percorrida por uma corrente contínua de . Sabendo que a energia calorífica libertada nesta resistência, durante o mesmo tempo, tem o mesmo valor quando a corrente é alternada, calcule:

a) O valor eficaz da corrente alternada ( ).

b) A amplitude da corrente alternada (

).

Resp: a)

, por definição de valor eficaz. b)

Construção de uma sinusoide

Observando uma sinusoide, parece fácil a sua construção. No entanto, o seu traçado correcto obedece a regras matemáticas bem precisas. Com efeito, ela é a representação gráfica da função seno, conforme já foi referido anteriormente. Vejamos então como podemos obter, com rigor, uma sinusoide. Observe a figura 11.

obter, com rigor, uma sinusoide. Observe a figura 11. Fig.11 – Construção de uma sinusoide, a

Fig.11 Construção de uma sinusoide, a partir de um vector girante.

Para traçar a sinusoide representada, começamos por desenhar uma circunferência de raio igual à amplitude da corrente . Dividimos a circunferência em 12 partes iguais (ou outro qualquer número quanto maior for o número, mais bem definida fica a sinusoide). Traçamos os vectores correspondentes (vectores de Fresnel ou vectores girantes), delimitando cada uma das partes em que a circunferência fica dividida. Os vectores fazem, entre si, ângulos de 30 o = 360 o /12. Escolhamos agora uma escala para o eixo dos tempos e outra para o eixo da corrente . Dividimos o intervalo (período da sinusoide) em 12 partes iguais, tal como se representa no eixo do gráfico. Seguidamente traçam-se as sucessivas paralelas horizontais, a partir das extremidades dos 12 vectores, até encontrarem as verticais correspondentes que partem de cada um dos 12 pontos do eixo . Do cruzamento de cada horizontal com cada vertical é definido um ponto, num total de doze. Unindo entre si os 12 pontos, fica definida a curva sinusoidal. À representação gráfica de uma grandeza, em função do tempo, dá-se o nome de representação temporal ou diagrama temporal.

Podemos constatar facilmente que a uma curva sinusoidal está associado um vector girante que roda 360 o (2 radianos) com uma velocidade constante (velocidade angular). No seguimento, veremos a importância desta identificação da curva sinusoidal com um vector girante.

Notas: 1 Define-se radiano como o ângulo ao centro, cujo arco tem um comprimento igual ao raio (tal como se sugere na figura 12). 2 Define-se velocidade angular como o número de radianos por segundo, descritos por um vector girante.

de radianos por segundo, descritos por um vector girante. Fig.12 – O arco tem um comprimento

Fig.12 O arco

tem um comprimento igual a

, logo o ângulo indicado vale 1 radiano.

Representação matemática de uma corrente alternada sinusoidal

Vejamos agora como obter a equação matemática que define uma corrente alternada sinusoidal. Para isso, vamos observar a figura 13, retirada da figura 11.

Por definição da função seno, temos:

Ora, se confrontarmos a figura 13 com a figura 11, podemos concluir que

(raio da circunferência) é

igual à amplitude da corrente. Temos portanto: e

é o valor instantâneo

da corrente e que

.

portanto: e é o valor instantâneo da corrente e que . Substituindo estas igualdades na expressão

Substituindo estas igualdades na expressão anterior, obtemos:

Para diferentes valores de , a corrente vai assumindo também diferentes valores, de acordo com a função seno. O valor máximo de é e obtém-se quando , ou seja, quando

.

A equação anterior pode, no entanto assumir outro aspecto. Vejamos como. Conforme foi referido, existe uma correspondência entre o vector girante e a curva sinusoidal. O vector roda a uma velocidade constante, percorrendo durante um período . A velocidade angular (ou

pulsação) deste vector, ou seja, o número de radianos efectuados por segundo, é obtido por uma regra de três simples.

Temos portanto:

Onde:

- velocidade angular (

- período ( - número de radianos

Visto que

Para a frequência industrial (portuguesa e europeia)

 

, obtém-se

 

x

.

Para

a

frequência

americana

, obtém-se

x

.

e expressemos o

ângulo genérico em função do tempo , utilizando novamente uma

Recordemos novamente a expressão

regra de três simples.

Como

Finalmente, substituindo

na expressão de

, vem:

De igual modo, vem para a tensão:

Equação generalizada de uma corrente alternada sinusoidal

Até aqui, temos representado apenas correntes alternadas cujas curvas passam pela origem, isto é, quando . No entanto, nem sempre isso acontece. Com efeito, em muitos casos a corrente não é nula no instante , tal como se representa na figura 14.

é nula no instante , tal como se representa na figura 14. Fig. 14 – Corrente

Fig.

14

Corrente

alternada

sinusoidal

que

não

passa

na

origem

quando

.

Deste modo, as equações anteriores já não podem representar curvas deste tipo. Qual será então a equação apropriada para estes casos? É isso que vamos ver de seguida. Observe então a figura 15.

Fig. 15 – Correspondência entre um diagrama vectorial e um diagrama temporal de uma CA

Fig. 15 Correspondência entre um diagrama vectorial e um diagrama temporal de uma CA sinusoidal.

Podemos verificar que quando , o vector girante desloca-se de um ângulo de modo a fazer corresponder a sua posição ao valor de corrente nesse instante. Assim, devemos à equação original o ângulo deslocado (em relação à

, de modo a obtermos a equação adequada.

origem dos vectores Temos, portanto:

Esta equação é válida qualquer que seja o valor do ângulo considerado, daí o nome que se lhe atribui de equação generalizada da corrente alternada sinusoidal.

No caso particular da curva representada na figura 15, em que

teremos a equação

).

Se considerarmos o instante

nesta ultima equação, teremos:

Ou

,

Tal como se representa na figura, o que vem considerar a validade desta equação para diferentes situações Deve-se confirmar a validade da equação generalizada para outros instantes e outros ângulos .

Ao ângulo formado pelo vector (genérico) e o vector (correspondente à origem do movimento do vector girante) chama-se fase. No caso indicado anteriormente, a fase é de (90 o ). A fase pode ser relacionada com o período , da seguinte forma, socorrendo-nos de uma regra de três simples.

Em que

O valor de

é o intervalo de tempo correspondente à fase

pode ser obtido a partir da ultima expressão:

Problemas

.

1) Uma corrente alternada sinusoidal, cuja frequência é de

uma amplitude de

a) Calcule a velocidade angular.

b) Calcule o período

c) Apresente a equação matemática desta corrente

d) Calcule o valor instantâneo da corrente

.

, no instante

.

, tem

e) Desenhe o diagrama temporal da corrente.

a)

b)

c)

d)

e)

b)   c)  d)   e) Fig. 16 – Diagrama temporal de uma

Fig. 16 Diagrama temporal de uma corrente sinusoidal

2) Resolva problema semelhante ao anterior, considerando agora uma

tensão de amplitude de

Resp: a)

b)

e frequência igual a

c)

.

d)

3) Na figura 17 apresentamos o diagrama temporal de uma corrente

. O valor eficaz

que não passa na origem, com o período da corrente é de .

valor eficaz que não passa na origem, com o período da corrente é de . Fig.

Fig. 17 Diagrama temporal de uma corrente

a)

Calcule a velocidade angular (

b)

Calcule a fase

da corrente

c)

Apresente a equação matemática respectiva

d)

Calcule o valor de

a)

b)

A fase da corrente é diferente de 0 0 , pois que a curva não passa pelo zero no instante . Vejamos qual o seu valor. Por análise do gráfico, concluímos que:

Pois está a duas quadrículas de quadrículas correspondentes ao período

c)

,

sendo

36 0

20

o

número

de

De notar que os valores dentro dos parenteses têm que vir ambos em radianos.

d)

0,01

4) Uma tensão tem a seguinte equação:

a) Calcule a velocidade angular

b) Indique o valor eficaz da tensão

c) Indique a fase da tensão

d) Calcule o valor de

correspondente à fase

Resp: a)

b)

c)

o

d)

5) Uma corrente apresenta os seguintes valores:

.

,

0 ,

a)

Calcule a amplitude

b)

Apresente a equação matemática respectiva

Resp: a)

b)