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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE OURO PRETO INSTRUMENTAÇÃO ELETRÔNICA Prof. Paulo R. Pinto USO

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE OURO PRETO

INSTRUMENTAÇÃO ELETRÔNICA

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE OURO PRETO INSTRUMENTAÇÃO ELETRÔNICA Prof. Paulo R. Pinto USO INTERNO

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Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos

S E N S O R E S

1) TRANSDUTORES / SENSORES

1.1) Introdução

2) SENSORES DE PROXIMIDADE

2.1) Indutivo

2.1.1) Modelos em corrente contínua

a) Distância nominal de comutação (Sn)

b) Freqüência de comutação (fs)

c) Esquema elétrico

2.1.2) Modelos em corrente alternada

a) Distância nominal de comutação (Sn)

b) Freqüência de comutação (fs)

c) Esquema elétrico

2.2) Capacitivo

2.2.1) Modelos em corrente contínua

a) Distância nominal de comutação (Sn)

b) Freqüência de comutação (fs)

c) Esquema elétrico

2.2.2) Modelos em corrente alternada

a) Distância nominal de comutação (Sn)

b) Freqüência de comutação (fs)

c) Esquema elétrico

2.3) Magnético

2.3.1) Reed switch 2.3.2) Sensor a efeito Hall 2.3.3) Pick-ups

3) SENSORES DE POSIÇÃO LINEAR

3.1) Resistivo 3.2) Indutivo 3.3) Capacitivo

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4) SENSORES DE POSIÇÃO ANGULAR

4.1) Resistivo 4.2) Indutivo 4.3) Capacitivo

5) SENSORES DE LUMINOSIDADE

5.1) LDR 5.2) FOTOTRANSISTOR

6) SENSORES ÓTICOS

6.1) Sistemas por óticas alinhadas 6.2) Sistemas por difusão 6.3) Sistema por reflexão

7) SENSORES DE TEMPERATURA

7.1) Introdução 7.2) Definição de temperatura 7.2.1) Escala de temperatura relativa 7.3) Sensores Resistivos 7.3.1) Detector RTD 7.3.2) Termistores

a)

Princípio de medição

b)

Termistores NTC e PTC

7.4) Termopar

7.4.1) Efeito Peltier e Efeito Thompson 7.4.2) Compensação da Temperatura Ambiente 7.4.3) Conversão de Tensão para Temperatura 7.4.4) Fios de ligação 7.4.5) União da Junção de Medição

7.5) Termômetro por radiação

8) SENSORES DE ESFORÇO

8.1) Sensores de esforço Metálico (Strain Gage) 8.2) Sensor de esforço Semicondutor 8.3) Sensor de esforço Piezoelétrico

9) SISTEMAS DIVERSOS 9.1) Técnicas de medição de Temperatura 9.2) Técnicas de medição de Nível 9.3) Técnicas de medição de Pressão 9.4) Técnicas de medição de Vazão

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10) Simbologia para instrumentação – Diagramas P&I

11) BIBLIOGRAFIA

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1) TRANSDUTORES / SENSORES

Um transdutor é um integrante do hardware que tem como função transformar (ou converter) uma informação de um sistema de energia ou unidade em outro sistema desejado.

O sensor é o meio pelo qual o transdutor recebe a leitura ou indicação inicial, para

alterar ou não a saída.

Fig. 1 – Sensor genérico

GRANDEZA

O diagrama de blocos genérico de

SENSOR

um sensor é mostrado na figura ao lado

GRANDEZA

de SENSOR um sensor é mostrado na figura ao lado GRANDEZA ELÉTRICA FÍSICA Geralmente a grandeza

ELÉTRICA

um sensor é mostrado na figura ao lado GRANDEZA ELÉTRICA FÍSICA Geralmente a grandeza elétrica de

FÍSICA

Geralmente a grandeza elétrica de saída de um sensor não é diretamente manipulável.

Por exemplo, a faixa da tensão de saída não é aquela desejada, a potência do sinal fornecido é muito pequena, o tipo de grandeza elétrica não é aquele que temos necessidade, etc. Por todos esses motivos, o sensor nunca é apresentado sozinho, mas acompanhado de um circuito eletrônico condicionador de sinal.

O condicionador de sinal é portanto um equipamento que converte uma grandeza

elétrica em outra, também elétrica, mas adaptada à aplicação específica. Na grande parte dos casos, a grandeza elétrica de saída é constituída por tensão. Variáveis analógicas, diferentes das digitais ( on - off, ligado - desligado, ativo - não ativo), são provenientes de transdutores que operam com sinais analógicos, ou seja, podem

assumir qualquer valor dentro de sua faixa de operação. Os transdutores das variáveis de entrada

e saída normalmente trabalham dentro de faixas de valores padronizados: 0 a 10 Volts, ou com correntes de 4 a 20 mA, ou ainda 0 a 10 mA.

2) SENSORES DE PROXIMIDADE

2.1) Indutivo – O sensor tem como parte principal um indutor e são elementos ativos capazes de efetuar um chaveamento elétrico sem que seja preciso algum corpo tocá-los de alguma forma.

“Indutor – A capacidade que um condutor possui de induzir tensão em si mesmo,

quando a corrente que circula por ele varia, é chamada indutância. O símbolo da indutância é L

e sua unidade e o Henry ( H ). Um Henry é a quantidade de indutância que permite uma indução

de um Volt quando a corrente varia um Ampér por segundo L = V L / ( i/t ). Um indutor é um componente eletromagnético composto de um núcleo envolto por uma

bobina de resistência R ( ohms - ) e indutância L ( Henrys – H ), sendo L dependente de como

o condutor é bobinado, do material do núcleo e do número de espiras que formam o

enrolamento L = µ r . (N 2 . A ) . 1,26x10 -6

Fig.2 - Campo magnético em um indutor

O indutor armazena a energia gerada pela bobina no seu núcleo, sendo assim, quando a corrente da bobina for interrompida, ainda teremos corrente na carga por algum tempo. Isso significa que o indutor opõem-se às variações de corrente.

l

onde µ r é a permeabilidade relativa do material de que é feito o núcleo, N é o número de espiras em torno do núcleo, A é área abrangida em cada espira (m 2 ) e l é o comprimento da bobina (m).

Fig.3 - Indutor em corrente contínua

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Em corrente alternada o indutor apresenta uma impedância X L chamada de reatância indutiva e é dada por X L = 2.π.f.L onde f é a frequência do sinal em Hertz (Hz) e L a indutância em Henrys (H).”

Como vimos a indutância depende do núcleo do indutor e conforme podemos ver na figura

a seguir, caso movamos o núcleo do indutor pelo corpo da bobina, sua impedância mudará e portanto, a corrente sobre R também. O sensor de proximidade indutivo utiliza essa característica como princípio de funcionamento.

Fig.4 - Mudança da tensão em R em função da posição do núcleo

Conforme podemos observar abaixo, o núcleo do sensor indutivo é aberto e o campo

magnético tem que passar pelo ar, portanto sua intensidade é menor. Quando uma peça metálica

é aproximada do núcleo do indutor, o campo magnético passa por ela e sua intensidade

aumenta. Ao ligarmos esse indutor em um circuito RL em corrente alternada (CA), podemos verificar a variação de tensão do resistor de acordo com a distância da peça.

Fig.5 - Alteração do campo magnético do sensor indutivo na aproximação de um corpo metálico

Normalmente os sensores comerciais possuem um circuito oscilador internamente, a fim de permitir sua utilização com tensões contínuas (CC). Outro método pode ser visto no diagrama de blocos na figura 6, no sensor a bobina compõe um oscilador de rádio freqüência. Esta oscilação é modificada quando se introduz um objeto metálico dentro do campo magnético formado pela boina, retornando ao normal quando se retira

o objeto. As modificações do comportamento do oscilador são demoduladas e interpretadas pelo

“trigger” de modo a obter-se uma saída ON-OFF com uma onda quadrada bem definida, capaz de excitar um circuito eletrônico de potência, tal como um transistor ou um tiristor, obtendo assim uma chave liga-desliga em estado sólido com condições de efetuar um chaveamento de reles, pequenos contatores, ou mesmo circuitos lógicos.

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SENSORES Prof. Paulo Pinto 3 Fig.6 – Composição básica do sensor de proximidade indutivo Todo este

Fig.6 – Composição básica do sensor de proximidade indutivo

Todo este conjunto eletrônico é montado em invólucros de plástico ou metálicos e encapsulados com resina epoxi de alta densidade, formando um bloco sólido à prova d’água, vibrações e intempéries.

a) Modelos em corrente contínua – São sensores construídos para funcionarem com alimentação em corrente contínua na faixa de 10 a 30 Vcc e comutarem cargas também em corrente contínua, sejam elas indutivas ou resistivas. Podem ter a configuração com uma saída NA, ou uma saída NF ou duas saídas reversíveis NA + NF.

NA, ou uma saída NF ou duas saídas reversíveis NA + NF. Fig.7 - Saída NPN

Fig.7 - Saída NPN – Configuração eletrônica básica

O estágio de saída é composto por um transistor NPN, para chaveamento do polo negativo da carga, com capacidade para atuar cargas indutivas (reles) ou cargas resistivas (circuitos eletrônicos, controladores programáveis, etc.). Obs.: Estes modelos possuem um circuito para detecção de sobre-corrente no transistor de saída. Quando a anormalidade é detectada, o circuito comanda o desligamento da saída, evitando que o transistor se danifique, retornando à posição normal quando cessar a sobre- corrente. Possuem também proteção contra curto circuito na saída.

Esquema elétrico Estes modelos podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios.

podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios. Fig 9 – três fios Fig
podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios. Fig 9 – três fios Fig

Fig 9 – três fios

Fig 8 – três fios

Fig 10 – quatro fios

9 – três fios Fig 8 – três fios Fig 10 – quatro fios Instrumentação Eletrônica

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Distância nominal de comutação ( Sn ) De acordo com a norma DIN EN 50.010, é a distância entre a face ativa do sensor e do

metal ativador, no momento em que ocorre o chaveamento elétrico.

ativador, no momento em que ocorre o chaveamento elétrico. Fig.11 – Distância sensora Freqüência de comutação

Fig.11 – Distância sensora

Freqüência de comutação ( fs ) É o limite máximo em freqüência que o sensor pode comutar sua(s) saída(s) com segurança. À medida desta freqüência pode ser feita tanto pelo método A, como pelo método B conforme mostram as figuras abaixo, segundo a norma EN 50.010. Onde L é definido como sendo igual ao lado da placa de medição.

é definido como sendo igual ao lado da placa de medição. Fig. 12 – Métodos de

Fig. 12 – Métodos de medição de fs

placa de medição. Fig. 12 – Métodos de medição de fs Fig 13 - Saída PNP

Fig 13 - Saída PNP – Configuração eletrônica básica

O estágio de saída é composto por um transistor PNP, para chaveamento do polo positivo da carga, com capacidade para atuar cargas indutivas e resistivas. Obs.: Estes modelos também, possuem um circuito para detecção de sobre-corrente no transistor de saída. Quando a anormalidade é detectada, o circuito comanda o desligamento da saída, evitando que o transistor se danifique, retornando à posição normal quando cessar a sobre-corrente. Possuem também proteção contra curto circuito na saída.

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Esquema elétrico Estes modelos podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios.

podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios. Fig 14 – três fios Fig
podem ser fornecidos em versões com três ou quatro fios. Fig 14 – três fios Fig

Fig 14 – três fios

em versões com três ou quatro fios. Fig 14 – três fios Fig 15 – três

Fig 15 – três fios

Fig 16 – quatro fios

Distância nominal de comutação ( Sn ) e Freqüência de comutação ( fs ) Possuem as mesmas observações do modelo NPN

Características Técnicas básicas

Distância Sensora

1

a 25 mm

Corrente de Saída

400mA

Tensão de Alimentação

10

a 30 V cc

Corrente de Consumo

10mA

b) Modelos em corrente alternada – Também com estado de saída em estado sólido, são construídos para funcionarem com alimentação em corrente alternada nas faixas de tensões de 20 a 250 Vca, 40 a 250 Vca e 90 a 250 Vca, que aciona diretamente reles, contadores, controladores lógicos, etc.

diretamente reles, contadores, controladores lógicos, etc. fig. 17 - Configuração eletrônica básica Esquema

fig. 17 - Configuração eletrônica básica

Esquema elétrico Estes modelos podem ser fornecidos em versões com dois, três ou quatro fios.

ser fornecidos em versões com dois, três ou quatro fios. Fig 19 – três fios Fig

Fig 19 – três fios

Fig 21 – dois fios

ou quatro fios. Fig 19 – três fios Fig 21 – dois fios Fig 18 –

Fig 18 – dois fios

Fig 20 – três fios

21 – dois fios Fig 18 – dois fios Fig 20 – três fios Instrumentação Eletrônica
21 – dois fios Fig 18 – dois fios Fig 20 – três fios Instrumentação Eletrônica

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2.2) Capacitivo – São sensores semelhantes aos de proximidade indutivo, porém sua diferença básica é exatamente no princípio de funcionamento, o qual baseia-se na mudança da capacitância da placa detectora na região denominada face sensível. “Capacitor – Esse componente é composto por duas placas metálicas isoladas eletricamente por um material chamado dielétrico. Quando essas placas metálicas são ligadas em uma bateria, a carga elétrica negativa da placa A é atraída para o terminal positivo da bateria, enquanto a carga elétrica positiva da placa B é atraída para o terminal negativo da bateria. Esse movimento de cargas continua até que a diferença de cargas entre as placas A e B seja igual à tensão elétrica da bateria. Agora o capacitor está carregado. Como praticamente nenhuma carga pode cruzar a região entre as placas, o capacitor permanece nesta condição mesmo que a bateria seja retirada”. Eletricamente, a capacitância é capacidade de armazenamento de carga elétrica, sendo igual á quantidade de carga que pode ser armazenada num capacitor dividida pela tensão aplicada às placas.

C = Q / V , onde C é a capacitância em Farad (F), Q é a quantidade de carga em Coulombs (C) e V é a tensão aplicada às placas. A capacitância de um capacitor depende da área das placas condutoras, da separação entre as placas e da constante dielétrica do material isolante. Alguns exemplos de materiais isolantes usados são o teflon, papel, baquelite e cerâmica. C = k . A . 8,85x10 -12 , onde C é a

d

Capacitância (F), k é constante dielétrica do material isolante, A é a área das placas (m 2 ) e d a distância entre as placas.

Fig.22 - Carga e descarga de um capacitor em CC

Fig.23 - Reatância capacitiva do Capacitor em CA

Em corrente contínua o capacitor carrega-se de forma exponencial segundo uma constante de tempo RC. Já em corrente alternada o capacitor apresenta uma impedância X C chamada de reatância capacitiva e é dada por X C = 1 / (2.π.f.C) onde f é a frequência do sinal em Hertz (Hz) e C a capacitância em Farads (F).”

A diferença básica entre o capacitor convencional e o do sensor de proximidade

capacitivo é que as placas são colocadas uma ao lado da outra e não uma sobre a outra (como no capacitor). No sensor capacitivo, portanto, o dielétrico é o ar, cuja constante é igual a 1. Quando qualquer objeto, que normalmente possui constante dielétrica maior que 1, é aproximado do sensor aumenta sua capacitância.

Fig.24 - Dinâmica do sensor capacitivo

O circuito de controle, então, baseia-se no princípio da mudança de freqüência de

oscilação de um circuito ressonante, com a alteração do valor da capacitância, que é formada pela placa sensível e o ambiente, devido à aproximação de um corpo qualquer. Esta capacitância

pode ser alterada praticamente por qualquer objeto que se aproxime do campo de atuação do sensor.

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A mudança da freqüência ocasionada pela alteração da capacitância da placa sensível, é enviada a um circuito detector que transforma a variação da freqüência em nível de tensão. O circuito trigger trata de receber o sinal de tensão gerado no detector, transformá-lo em onda quadrada adequada à excitar um circuito de comutação que finalmente poderá acionar circuitos externos.

que finalmente poderá acionar circuitos externos. Fig.25 - Composição básica do sensor de proximidade

Fig.25 - Composição básica do sensor de proximidade capacitivo

São sensores que executam chaveamento eletrônico quando um objeto de qualquer material, inclusive líquido, aproxima-se de sua parte sensível a uma distância pré-determinada para cada tamanho (diâmetro) de sensor. São fabricados em modelos para corrente contínua (NPN e PNP) e corrente alternada, de maneira similar aos sensores indutivos. Podem ser encontrados também, com ajuste da distância sensora.

Exemplos.:

Fig.26 Fig.27 Fig.28 Fig.29
Fig.26
Fig.27
Fig.28
Fig.29

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2.3) Magnético

a) Reed switch – Este sensor utiliza-se de um campo magnético de um imã permanente como meio de acionamento. Na presença de um imã permanente, os dois contatos elétricos se atraem, fechando um circuito qualquer. Disponível com um contato Na e pode ter contato reversível 1 NA + 1 NF. Sua vida útil está acima de 10 milhões de operações, freqüência de operação 600 Hz, corrente máxima de comutação 2300 mA.

operação 600 Hz, corrente máxima de comutação 2300 mA. Fig.30 – Aspecto físico Fig.31 – Montagem

Fig.30 – Aspecto físico

máxima de comutação 2300 mA. Fig.30 – Aspecto físico Fig.31 – Montagem em porta b) Sensor

Fig.31 – Montagem em porta

b) Sensor a efeito Hall – Segundo o experimento de Hall (1838), se através de uma superfície retangular constituída de material semicondutor passar uma corrente elétrica qualquer, sendo submetida a um determinado campo magnético perpendicular a esta corrente, uma diferença de potencial – chamada de tensão de Hall – será induzida nas bordas do material com uma direção perpendicular à direção da corrente alimentada e á direção do campo magnético, conforme as figuras abaixo :

direção do campo magnético, conforme as figuras abaixo : Fig 32 – Sensor em repouso Fig.33

Fig

32

– Sensor em repouso

conforme as figuras abaixo : Fig 32 – Sensor em repouso Fig.33 – Sensor sob a

Fig.33 – Sensor sob a ação do imã

Como uma outra conseqüência disso temos ainda que a corrente circulante pelo dispositivo se torna menor (aumenta a resistência).

* Exemplos :

Fig.34

se torna menor (aumenta a resistência). * Exemplos : Fig.34 Fig.35 F i g . 3

Fig.35

menor (aumenta a resistência). * Exemplos : Fig.34 Fig.35 F i g . 3 6 Instrumentação
menor (aumenta a resistência). * Exemplos : Fig.34 Fig.35 F i g . 3 6 Instrumentação

Fig.36

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c) Pick-ups – São geradores de tensão, os quais convertem um movimento mecânico em energia elétrica. Estes dispositivos são capazes de sentir descontinuidade em uma superfície ferromagnética, por exemplo, a superfície de uma engrenagem formada por dentes ou ressaltos . Cada vez que um desses dentes ou ressaltos, passa em frente da face ativa do sensor magnético, é gerado um impulso elétrico. Desta forma, estes sensores são largamente utilizados para a contagem de pulsos de alta freqüência, enviando sinais para tacômetros, contadores de pulsos, velocímetros,

controladores de velocidade, mesmo quando as condições do ambiente são extremamente desfavoráveis. Estes sensores produzem em sua saída uma tensão alternada senoidal, ocasionada pela passagem de dentes ou ressaltos de material ferromagnético em movimento perpendicular à face sensível do sensor. Neste caso, o valor de pico da senóide gerada depende de duas variáveis; a velocidade de passagem do dente pela face sensível e a distância entre a face sensível e o dente ou ressalto

Fig.37
Fig.37
entre a face sensível e o dente ou ressalto Fig.37 Fig.38 – Padrões para funcionamento A

Fig.38 – Padrões para funcionamento

A escolha não oferece problemas, devendo-se observar o seguinte:

F = 2 x D

A = 2 x D

C >= A

E <= 0,2 mm

* Exemplos :

A = 2 x D • C >= A • E <= 0,2 mm * Exemplos
A = 2 x D • C >= A • E <= 0,2 mm * Exemplos
A = 2 x D • C >= A • E <= 0,2 mm * Exemplos
A = 2 x D • C >= A • E <= 0,2 mm * Exemplos
A = 2 x D • C >= A • E <= 0,2 mm * Exemplos

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3) SENSORES DE POSIÇÃO LINEAR

3.1) Resistivo – Trata-se simplesmente de um potenciômetro linear. A saída elétrica (resistência variável) será proporcional a posição relativa entre o êmbolo e o corpo do sensor.

a posição relativa entre o êmbolo e o corpo do sensor. Fig. 47 – Diagrama esquemático

Fig. 47 – Diagrama esquemático

ÊMBOLO RESISTÊNCIA + - ALIMENTAÇÃO
ÊMBOLO
RESISTÊNCIA
+
-
ALIMENTAÇÃO

AO CIRC.

DE

CONTROLE

Fig. 48 – Montagem mecânica

3.2) Indutivo- O movimento do êmbolo, feito de material magnético, irá mudar a permebeabilidade relativa no núcleo da bobina, ocasionando a alteração da indutância L, que, por sua vez, ocasionará uma variação proporcional na corrente/tensão de saída.

CORPO DO SENSOR ÊMBOLO BOBINA
CORPO DO SENSOR
ÊMBOLO
BOBINA

Fig. 49 – Montagem mecânica

AO CIRC.

DE

CONTROLE

Exemplo ): LVDT (Linear Variable Diferenttial Transformer):

Exemplo ): LVDT (Linear Variable Diferenttial Transformer): Fig.50 – Esquema elétrico Instrumentação Eletrônica e

Fig.50 – Esquema elétrico

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Considerando uma tensão senoidal no primário e L 1 = L 2, R 1 = R 2 e D 1 = D 2 , teremos:

R 1 = R 2 e D 1 = D 2 , teremos: Fig.51 – Polarização

Fig.51 – Polarização para o semi ciclo positivo

A - Para o semiciclo positivo

Se o êmbolo estiver exatamente na posição central (entre L 1 e L 2 ), circularão as correntes i 1 e i 2 (diodos D1 e D2 polarizados diretamente). Como L 1 = L 2 , nesta posição central do êmbolo, as correntes geradas nos secundários serão iguais. Assim sendo as tensões em R1 e R2 também serão iguais, mas com polaridades opostas, tornando a tensão V ab = 0 Se o êmbolo estiver mais próximo de L 1 , L 1 > L 2 e VR 1 > VR 2 , isto explica que o ponto a será mais positivo do que o ponto b. Vab então, será positivo.

Instalando capacitores na saída Vab, teremos:

Êmbolo totalmente sobre L 1 .

Se o êmbolo estiver mais próximo a L 2 , VR 2 > VR 1 Vab < 0

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Instalando capacitores sobre a saída Vab, teremos:

*Êmbolo totalmente sobre L 2 .

B - Considerando o ciclo negativo da senóide :

Nesta situação os diodos (D 1 e D 2 ) não conduzirão, i 1 e i 2 = 0, VR 1 e VR 2 = 0 Vab = 0 para qualquer posição do êmbolo.

= 0 ⇒ Vab = 0 para qualquer posição do êmbolo. Fig.52 – Polarização para o

Fig.52 – Polarização para o semi ciclo negativo

Obs.: Se pudermos utilizar sinal alternado na saída, utiliza-se a ligação a seguir:

sinal alternado na saída, utiliza-se a ligação a seguir: Fig.53 – Diagrama elétrico para corrente alternada

Fig.53 – Diagrama elétrico para corrente alternada

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*Exemplo:

SENSORES Prof. Paulo Pinto 13 *Exemplo: Fig.54 – Medição da quantidade de líquido em um reservatório

Fig.54 – Medição da quantidade de líquido em um reservatório

3.3) Capacitivo :

Neste tipo de sensor a posição relativa entre a placa fixa e a móvel, é proporcional à variação da capacitância, visto que estaremos variando o dielétrico entre as placas.

visto que estaremos variando o dielétrico entre as placas. Obs.: Na prática os valores da capacitância

Obs.: Na prática os valores da capacitância entre as placas são muito pequenos e a variação desta em função da posição (movimento) são menores ainda. Isto faz com que os circuitos de controle se tornem mais complexos e mais caros.

Fig.55 – Componentes de um sensor de posição linear capacitivo

* Exemplo :

de um sensor de posição linear capacitivo * Exemplo : Fig.56 – Medição de pressão com

Fig.56 – Medição de pressão com sensor capacitivo

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4) SENSORES DE POSIÇÃO ANGULAR

4.1) Resistivo –Um resistor é disposto de maneira circular e, em assim sendo, uma variação na posição angular do cursor resultará em seus terminais de saída uma resistência proporcional.

Fig.57 – Sensor com resistor de fio RESISTÊNCIA RESISTÊNCIA
Fig.57 – Sensor com resistor de fio
RESISTÊNCIA
RESISTÊNCIA

Fig.58 – Sensor com resistor de filme

4.2) Indutivo – RVDT ( rotary variable differential transformer ) – Seu princípio de funcionamento é similar ao LVDT, diferenciando apenas na forma física do eixo que, no RVDT, movimentando-se em torno do seu eixo e com sua forma alongada, permite aproximações de L1 ou L2. Podem ser usados com os mesmos circuitos apresentados anteriormente para o LVDT e a faixa de movimentação angular normalmente é limitada em ± 45° a partir da posição central.

é limitada em ± 45° a partir da posição central. Fig.59 – Sensor com resistor de

Fig.59 – Sensor com resistor de fio

4.3) Capacitivo – Neste sensor a variação da capacitância é diretamente proporcional à posição angular, através da variação da área das placas do capacitor. É composto por vários capacitores e cada placa é formada por uma placa fixa e uma móvel, sendo esta última interligada mecanicamente às outras móveis de modo a girar juntas, conforme figura abaixo.

móveis de modo a girar juntas, conforme figura abaixo. PLACAS FIXAS PLACAS MÓVEIS Fig.60 – Sensor
PLACAS FIXAS PLACAS MÓVEIS Fig.60 – Sensor de posição angular capacitivo
PLACAS
FIXAS
PLACAS
MÓVEIS
Fig.60 – Sensor de posição angular capacitivo

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5) SENSORES DE LUMINOSIDADE: LDR e FOTOTRANSISTOR

A resistência elétrica de um semicondutor depende também da intensidade luminosa que incide sobre

o material. Portanto, a incidência de luz no semicondutor faz com que aumente o número de portadores, o que significa diminuição de resistência elétrica.

LDR – O sensor de luz mais simples é o LDR (do inglês Light Dependent Resistor ou Resistor Dependente de Luz), também denominado fotorresistor. São semicondutores obtidos por ligação iônica de metais como o antimoneto de índio ou o antimoneto de chumbo.

Fig. 61 – Estrutura física e símbolo

6) SENSORES ÓTICOS

O princípio de funcionamento baseia-se na interrupção ou incidência de um feixe luminoso sobre um

foto-receptor, o qual provoca uma comutação elétrica. A emissão nesses é de luz invisível proveniente da

emissão de raios infra vermelhos. Para conseguir-se máxima eficiência e potência, a emissão de luz infravermelha é modulada ou pulsada com uma freqüência em torno de 1,5 kHz, freqüência que será interpretada por um sensor ótico sintonizado nesta mesma freqüência, o que imuniza o sistema totalmente da recepção da iluminação ambiente ou raios luminosos estranhos ao sistema. Os sensores óticos estão disponíveis em três modelos:

Os sensores óticos estão disponíveis em três modelos: Fig.62 Fig.63 Fig.64 6.1) Sistemas por óticas alinhadas

Fig.62

óticos estão disponíveis em três modelos: Fig.62 Fig.63 Fig.64 6.1) Sistemas por óticas alinhadas – É

Fig.63

óticos estão disponíveis em três modelos: Fig.62 Fig.63 Fig.64 6.1) Sistemas por óticas alinhadas – É

Fig.64

6.1) Sistemas por óticas alinhadas – É um sistema onde o dispositivo emissor de luz (infra vermelha ) é colocado frontalmente e alinhado ao dispositivo receptor.

colocado frontalmente e alinhado ao dispositivo receptor. Fig.65 – Sistema por óticas alinhadas Este sistema

Fig.65 – Sistema por óticas alinhadas

Este sistema permite sua instalação em lances de até 120 m para ambientes internos e 60 m para ambientes externos, onde as condições de ambientais estão sujeitas a variáveis como sol, chuva e neblina.

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6.2) Sistemas por difusão – Este sistema detecta somente através de espelhos prismáticos. O sensor será instalado alinhado a um espelho prismático de 100 x 10mm, que tem como função refletir os raios de volta ao receptor. Atinge até 6m.

refletir os raios de volta ao receptor. Atinge até 6m. Fig.66 – Sistema por difusão O

Fig.66 – Sistema por difusão

O espelho prismático proporciona um alto nível de retorno de sinal, apresentando uma reflexividade de 2000 a 3000 vezes maior em relação ao papel branco (padrão). Os três lados adjacentes do prisma são defasados de 90° um em relação ao outro. Quando o feixe de luz emitida encontra uma destas superfícies (A), ele é refletido para uma Segunda (B), para uma terceira (C) e então, de volta ao sensor numa direção paralela em relação ao curso original.

6.3) Sistemas refletido – Neste sistema, o funcionamento é análogo ao “por difusão”, tendo como característica detectar os raios refletidos por qualquer superfície e cores. Atinge até 500mm.

por qualquer superfície e cores. Atinge até 500mm. Fig.67 – Sistema refletido Instrumentação Eletrônica e

Fig.67 – Sistema refletido

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Exemplos:

SENSORES Prof. Paulo Pinto 17 Exemplos: Fig.72 – Proteção p/ pontes rolante Fig.73 – Contagem de
SENSORES Prof. Paulo Pinto 17 Exemplos: Fig.72 – Proteção p/ pontes rolante Fig.73 – Contagem de
SENSORES Prof. Paulo Pinto 17 Exemplos: Fig.72 – Proteção p/ pontes rolante Fig.73 – Contagem de
SENSORES Prof. Paulo Pinto 17 Exemplos: Fig.72 – Proteção p/ pontes rolante Fig.73 – Contagem de

Fig.72 – Proteção p/ pontes rolante

Fig.73 – Contagem de produção

Fig.74 – Sistema separador

– Contagem de produção Fig.74 – Sistema separador Fig.75 – Detetor de presença Fig.76 – Verificação
– Contagem de produção Fig.74 – Sistema separador Fig.75 – Detetor de presença Fig.76 – Verificação
– Contagem de produção Fig.74 – Sistema separador Fig.75 – Detetor de presença Fig.76 – Verificação

Fig.75 – Detetor de presença

Fig.76 – Verificação de pintura

Fig.77 –Aplicação em fábrica de papel

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7) SENSORES DE TEMPERATURA

Com o desenvolvimento tecnológico diferente em diferentes países, criou-se uma série de normas e padronizações, cada uma atendendo uma dada região. As mais importantes sãoÇ ISA – Americana DIN – Alemã JIS – Japonesa BS – Inglesa UNI – Italiana Para atender as diferentes especificações técnicas na área de termometria, cada vez mais se somam os esforços com o objetivo de unificar estas normas. Para tanto, a Comissão Internacional Eletrotécnica – IEC, vem desenvolvendo trabalhos junto aos países envolvidos neste processo normativo. O Brasil através da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, está, também, diretamente envolvido em tal processo normativo.

7.1) Introdução

Sensores de temperatura são transdutores que alteram uma ou mais de suas características físicas ao entrarem em equilíbrio com o meio cuja temperatura se quer determinar. A maioria dos sensores assimila a energia do meio através da transmissão de calor por contato. Entre os instrumentos baseados nesse princípio, incluem-se os que sofrem:

a) Alterações mecânicas, como volume e pressão;

b) Alterações elétricas, como resistência e tensão.

Em alguns instrumentos como nos termômetros de radiação, a assimilação da energia do corpo se dá pela radiação emitida por esse corpo. Neste caso, o elemento de medição assumirá uma temperatura diferente daquela do corpo cuja temperatura se deseja determinar.

O Controle de Processo é o termo utilizado para descrever qualquer condição, natural ou artificial, pela qual uma quantidade física é regulada. Não existe uma evidência maior de tais controles do que aquela associada com temperatura e outros fenômenos térmicos. A regulação ou o controle de temperatura no meio industrial tem sempre sido de fundamental importância e se tornado ainda mais com o avanço da tecnologia disponível. Nas seções que seguem procuramos esclarecer os princípios da energia térmica e temperatura e logo adiante apresentaremos vários sensores térmicos para medida de temperatura.

7.2) Definição de temperatura

Sólido

Em qualquer material sólido, os átomos ou as moléculas estão fortemente ligados uns com os outros, de maneira que estes são incapazes de move-se ou afasta-se de sua posições de equilíbrio. Cada átomo, entretanto é capaz de vibrar em torno de sua posição particular. O conceito de energia térmica é considerado pela vibração das moléculas. Considere um material particular no qual as moléculas não apresentam nenhum

movimento, isto é, as moléculas estão em repouso. Tais materiais possuem energia térmica (Wter =0) nula. Se nós adicionarmos energia para este material colocando-o num aquecedor, esta energia faz com que suas moléculas comecem a vibrar. Nós dizemos agora que este material tem alguma energia térmica (Wter > 0).

Liquido

Se mais e mais energia é adicionada ao material, as vibrações se tornam, mais e mais violenta quando a energia térmica aumenta. Finalmente, quando uma certa condição é alcançada onde as ligações que mantêm as moléculas juntas se quebram e estas se movem ao longo do material. Quando isto ocorre, nós dizemos que o material fundiu e tornou-se líquido. A velocidade com que se movem é a medida da energia térmica.

Gás

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Um posterior aumento na energia térmica do material intensifica a velocidade das moléculas até que finalmente estas ganham energia suficiente para conseguir escapar complemente da atração das outras moléculas. Esta condição é manifestada pela ebulição do líquido. Quando um material consistido de tais moléculas movendo randomicamente através de um volume contido, nós chamamos este material de gás. A velocidade média das moléculas é novamente a medida da energia térmica do gás. O objetivo dos sensores térmicos está associado com a medida da energia térmica do material ou de um ambiente contendo diferentes materiais.

7.2.1) Escala de temperatura relativa

As escalas de temperatura relativas diferem da escala absoluta apenas no deslocamento do zero. Assim quando estas escalas indicam um zero na temperatura, não significa zero na energia térmica do material. Estas duas escalas são Celsius e Fahrenheit com as temperaturas indicadas por °C e °F respectivamente. A quantidade de energia representada por 1°C é a mesma que 1K, apenas com o zero deslocado na escala Celsius, de modo que:

T(°C) = T(K) - 273,15

Para transformar Celsius em Fahrenheit, utilizamos a expressão

T(°F) = 9/5 T(°C) + 32

Fahrenheit, utilizamos a expressão T(°F) = 9/5 T(°C) + 32 7.3) Sensores Resistivos Uma dos métodos

7.3) Sensores Resistivos

Uma dos métodos principais para medida elétrica de temperatura explora a mudança da resistência elétrica de certos tipos de materiais. Neste caso, o princípio da técnica de medida consiste em colocar o dispositivo sensível a temperatura em contato com o ambiente no qual se deseja medir a temperatura. Assim, a medida de sua resistência indica a temperatura do dispositivo e conseqüentemente do ambiente. O tempo de resposta neste caso é importante porque é necessário que o dispositivo atinja o equilíbrio térmico com o ambiente. Dois dispositivos básicos usados são:

1. Detetor RTD ( Resistance Temperature Detector)

2. Termistores

7.3.1) Detetor RTD

Os RTD são simples elementos resistivos formados de materiais como platina, níquel, ou uma liga níquel-cobre. Estes materiais exibem um coeficiente de resistividade positivo e são usados em RTD’s porque são estáveis e apresentam uma resposta à temperatura reprodutível por longo tempo.

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Um RTD típico exibe uma característica resistência x temperatura dada pela expressão:

onde

R = R0 ( 1 + µ1 T + µ2 T2 +

+ µN TN ) (7.3)

µ1 , µ2 ,

R0 = é a resistência do sensor na temperatura T0. (normalmente T0 = 0°C)

µN = são os coeficientes de resistividade de temperatura

O número de termos relacionados na equação acima para qualquer aplicação depende do material

usado no sensor, do intervalo de temperatura e da precisão desejada na medida. As características de dependência resistência x temperatura para platina, níquel e cobre são mostradas na figura 78. Para um intervalo pequeno de temperatura, a equação 7.3 adquire uma forma linear expressa por

R/R0 = µ1 (T - T0) (7.4)

uma forma linear expressa por R/R0 = µ1 (T - T0) (7.4) Figura 78 Se uma

Figura 78

Se uma precisão maior é exigida uma aproximação de segunda ordem é necessária, de maneira que a

equação 7.3 torna-se

R = R0 ( 1 + µ1 T + µ2 T2) (7.5).

A equação 7.5 é mais complicada de trabalhar, mas fornece uma maior precisão para maiores

intervalos de temperatura. Os elementos sensíveis disponíveis são muitos variados. Um dos sensores bastante utilizado consiste de fio de platina com pureza 4 noves (99,99) envolto e hermeticamente selado em uma capsula de cerâmica. O sensor de platina é utilizado pela sua precisão. Ele resiste a corrosão e contaminação, e suas propriedades mecânicas e elétricas são estáveis por um longo período. O “ drift ” é normalmente menor 0.1°C quando são utilizados no seu limite superior de temperatura. Os RDT de platina são construídos com tecnologia de filmes espessos ou filmes finos. Estes filmes são depositados em um substrato fino e plano de cerâmica e encapsulados com vidro ou cerâmica. Ambos estes métodos de fabricação de filmes finos permite que a resistência (típica 100 Ohms) do sensor com uma pequena massa e volume. Como resultado, o tempo de resposta de um RDT de filme seja reduzida de forma apreciável, como mostra a figura 1.2).

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SENSORES Prof. Paulo Pinto 21 Figura 79- Tempo de resposta para RTDs de fio e de

Figura 79- Tempo de resposta para RTDs de fio e de filme fino.

Os erros comumentes encontrados quando os RTDs são utilizados para medida de temperatura são:

1) Efeitos dos fios de ligação; 2) Estabilidade; 3) Auto aquecimento e, 4) Sensibilidade a pressão.

Efeitos dos fios podem ser minimizados fazendo os fios de ligação tão curtos quanto possíveis. Uma regra prática é usar uma fio de ligação que apresente uma resistência menor do 1 por cento da resistência do sensor. O efeito da resistência dos fios de ligação aparecia como um “offset” e uma redução na sensibilidade. Os erros causados pela variação das resistências dos fios de ligação por temperatura devem e podem ser eliminados por arranjo adequado do circuito condicionador.

7.3.2) Termistores

A resistência na maioria dos materiais aumenta, praticamente de forma linear, com a temperatura.

Em alguns casos ocorre a redução da resistência com o aumento da temperatura. De qualquer forma, admite-

se variação linear segundo a expressão:

R = R 0 ( 1 + α . t ) onde R é a resistência final, R 0 é a resistência inicial, α é o coeficiente térmico do material e t é a variação da temperatura t. Este tipo de sensor utiliza o efeito da variação da resistência com a temperatura, sendo confeccionados com fio altamente purificados de platina, níquel ou cobre. Suas principais características são

a alta estabilidade mecânica e térmica, resistência à contaminação, relação resistência/temperatura

praticamente linear, desvio com o uso e envelhecimento desprezíveis, além de alto sinal elétrico de saída. O termômetro de platina, modelo de laboratório, é o padrão mundial para medidas de temperaturas na faixa de

–270 °C a 962 °C. Na versão industrial é um sensor de inigualável precisão, sensibilidade e estabilidade.

O elemento primário é feito de um fio de alta pureza encapsulado num tubo de vidro ou cerâmico. Os

valores de resistência são padronizados a uma temperatura fixa, por exemplo, 100 ohms a 0 °C.

a uma temperatura fixa, por exemplo, 100 ohms a 0 ° C. Fig.80 – Elemento PT
a uma temperatura fixa, por exemplo, 100 ohms a 0 ° C. Fig.80 – Elemento PT

Fig.80 – Elemento PT 100

Fio de prata ou cobre prateado SENSOR OU BULBO ISOLADOR RESINA RABICHO
Fio de prata ou
cobre prateado
SENSOR OU BULBO
ISOLADOR
RESINA
RABICHO

Pó de óxido de magnésio

Fig.81 – Montagem final

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Princípio de medição – Antigamente a medição do termômetro de resistência era normalmente feita por um circuito tipo ponte de resistências, na qual a resistência elétrica do fio de ligação entre o sensor e o instrumento pode influir no resultado da leitura. Hoje com a advento dos circuitos microprocessados, a medição de um ou dois níveis de tensão é suficiente para que matematicamente, através de algumas operações, obtenha-se o resultado final que é a temperatura medida. Os termômetros de resistência podem ser ligados em três configurações, a saber:

Fig.82 - Ligação a dois fios

Fig.83 - Ligação a três fios

Fig.84 - Ligação a quatro fios

*Esta configuração fornece uma ligação para cada extremidade do sensor. É a construção mais simples, sendo satisfatória no caso de medição de menor precisão onde a resistência do cabo pode ser considerada como uma constante aditiva no circuito e particularmente quando mudanças na resistência do cabo devido a variações da temperatura ambiente podem ser ignoradas. É usada normalmente quando a distância entre o sensor e o instrumento é inferior a 10 m e a precisão necessária é modesta.

*Já esta configuração fornece uma ligação numa extremidade do sensor e duas na outra. Conectando a um instrumento projetado para aceitar entrada de três fios, obtêm-se a compensação da resistência do cabo e efeitos da variação de temperatura sobre ela. É a configuração mais utilizada.

*Finalmente esta configuração fornece duas ligações em cada extremidade do sensor. É usada em medições de alta precisão

Termistores NTC e PTC – São dispositivos que variam sua resistência ôhmica conforme a temperatura e são feitos de compostos semicondutores como os óxidos de ferro, magnésio e cromo.

O NTC ( do inglês coeficiente negativo de temperatura) o valor da resistência ôhmica diminui à

medida que sua temperatura se eleva, quer por seu aquecimento próprio ou por agentes externos.

Já o PTC, consequentemente, o valor da resistência ôhmica aumenta à medida que sua temperatura

se eleva, possuindo uma variação de resistência maior que a de um NTC, numa mesma faixa de temperatura. Seu uso é mais freqüente como sensor de sobre temperatura, em sistemas de proteção.

Devido a seu comportamento não linear, estes dispositivos são utilizados numa faixa pequena de temperaturas, em que a variação é mais linear (próxima a uma reta).

em que a variação é mais linear (próxima a uma reta). Fig.85 – Foto de um

Fig.85 – Foto de um NTC

Símbolo

Faixa de operação de 25° a 100°C;

Valor de resistência referida a 25°C (varia conforme o modelo ) de 2,2 a 33 .

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7.4) Termopar

O fenômeno da termoeletricidade foi descoberto em 1821 por T.J.Seebeck, quando ele notou que em

um circuito fechado por dois condutores metálicos distintos A e B, quando submetidos a um diferencial de temperatura entre as suas junções, ocorre uma circulação de corrente elétrica.

A existência de uma força eletromotriz (mV) é conhecida como Efeito Seebeck, e este se produz pelo

fato de que a densidade de elétrons livres num metal difere de um condutor para outro e depende da temperatura. Quando este circuito é interrompido, a tensão do circuito aberto (Tensão Seebeck) torna-se uma função das temperaturas das junções e da composição dos dois metais.

das junções e da composição dos dois metais. Fig.86 – Constituição do termopar Fig.87 – Foto

Fig.86 – Constituição do termopar

dos dois metais. Fig.86 – Constituição do termopar Fig.87 – Foto de um Termopar completo Denominamos

Fig.87 – Foto de um Termopar completo

Denominamos a junção que está submetida à temperatura a ser medida de Junção de Medição (ou junta quente) e a outra extremidade que vai ligar no instrumento medidor de Junção de Referência (ou junta fria).

A geração da tensão é devido ao efeito Seebeck, que é produzido pela difusão de elétrons através da

interface entre os dois materiais. O potencial do material aceitador de elétrons torna-se negativo na região de interface e o material doador torna-se positivo. Assim um campo elétrico é formado pelo fluxo de elétrons na interface. A difusão continua até que uma condição de equilíbrio seja alcançada pela ação do campo elétrico sobre os elétrons (mecanismo semelhante à formação do potencial de barreira na junção PN). Desde que as forças de difusão são dependentes da temperatura, o potencial elétrico desenvolvido na junção fornece uma medida desta temperatura. Além do efeito Seebeck, dois outros efeitos termoelétricos básicos ocorrem no circuito do termopar. Estes são:

1) Efeito Peltier 2) Efeito Thompson

O efeito Peltier ocorre quando passa um fluxo de corrente no circuito de termopar. Este efeito consiste na transferência de calor na presença da corrente i .Esta quantidade de calor, em Watts é dada por qP = ¶AB .i (1.14) onde qP é a quantidade de calor transferida em Watts

¶ AB é o coeficiente de Peltier da junção

O efeito Thompson é o efeito termoelétrico que afeta o circuito do termopar. Novamente este efeito

envolve a geração ou absorção de calor qT sempre que existe um gradiente de temperatura e há corrente num material.

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SENSORES Prof. Paulo Pinto 24 Tabela 7.1- Materiais empregados nos termopares padrão . A escolha de

Tabela 7.1- Materiais empregados nos termopares padrão.

A escolha de um termopar para um determinado serviço deve ser feita considerando todas as

possíveis variáveis e normas exigidas pelo processo, portanto a tabela do anexo 2 fornece alguns dados para a orientação na escolha correta dos mesmos. A tensão de saída em função da temperatura para os tipos de mais comuns de termopar é mostrado na figura 83. Como podemos observar na figura 83, o termopar tipo E (Cromel-Constantan) gera uma maior saída para uma dada temperatura; mais infelizmente, a sua maior temperatura de operação é de 1000 °C.

a sua maior temperatura de operação é de 1000 °C. Figura 88- Tensão de saída v

Figura 88- Tensão de saída v0 versus temperatura T

O intervalo de temperatura e as saídas de voltagem para os tipos mais comuns de termopar são

mostradas na tabela 7.2.

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SENSORES Prof. Paulo Pinto 25 Tabela 7.2- Intervalo de temperatura e tensão de saída para vários

Tabela 7.2- Intervalo de temperatura e tensão de saída para vários termopares.

A estabilidade de longo tempo (long-time stability) é uma propriedade importante do termopar se a temperatura deve ser monitorada por um longo tempo. Um tipo de termopar foi desenvolvido, tipo N

(nicrosil-nisil) que apresenta uma estabilidade termoelétrica muito elevada. Instabilidade térmica de vários

termopares padrão ocorre a partir de 100 a 1000 h de exposição a temperatura

O erro mais importante

introduzido pelos efeitos da instabilidade térmica é o gradual e acumulativo “drift” na tensão de saída durante a longa exposição do termopar à temperaturas elevadas. Este efeito é devido a mudança na

composição na junção causada pela oxidação interna e externa. O termopar tipo N foi desenvolvido para eliminar as oxidações internas e minimizar as oxidações externas.

oxidações internas e minimizar as oxidações externas. Fig.89 –Termopar completo em corte 7.4.1) Compensação da

Fig.89 –Termopar completo em corte

7.4.1) Compensação da Temperatura Ambiente

Para se usar o termopar como medidor de temperatura, é necessário conhecer a tensão gerada e a temperatura da Junção de Referência Tr (ou junta fria), para, finalmente, conhecer a temperatura de medição T 1.

V SAÍDA = V T1 – V Tr

Se não existir nenhuma compensação da temperatura ambiente, o sinal interpretado pelo sistema de

medição seria diferente (V T1 – V Tr ) daquele gerado em função da temperatura que se quer medir

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(V T1 ). Assim sendo, no sistema de medição deve ser incorporado uma compensação da temperatura ambiente, gerando um sinal (V Tr ) como se fosse um outro termopar.

V SAÍDA = V T1 – V Tr + V Tr

7.4.2) Conversão de Tensão para Temperatura

Como a relação entre tensão gerada e temperatura não é linear, o instrumento indicador deve de algum modo linearizar o sinal gerado pelo sensor. No caso de alguns instrumentos analógicos, como registradores, a escala gráfica do instrumento não é linear acompanhando a curva do termopar, e, em instrumentos digitais, usa-se ou a tabela de correlação, armazenada em memória ou uma equação matemática que descreve a curva do sensor. Equação genérica de um termopar:

Onde:

T = a0 + a1.X 1 + a2.X 2 + a3.X 3 + a4.X 4 +

T = temperatura

a = coeficiente de cada termopar X = milivolts gerados

n = ordem do polinômio

+ an.X n

Abaixo os coeficientes dos principais tipos de termopares:

 

TIPO E

TIPO J

TIPO K

TIPO R

TIPO S

TIPO T

 

Ni-Cr / Cu-Ni

Fé / Cu-Ni

Ni-Cr / Ni-Al

Pt 13%-Ro / Pt

Pt 10%-Ro / Pt

Cu / Cu-Ni

 

-100 a 1000 o C ±0,5 o C

0 a 760 o C ±0,1 o C

0 a 1370 o C ±0,7 o C

0 a 1000 o C ±0,5 o C

0 a 1750 o C ±1 o C

-160 a 400 o C ±0,5 o C

a0

0,104967248

-0,048868252

0,226584602

0,263632917

0,927763167

0,100860910

a1

17189,45282

19873,14503

24152,10900

179075,491

169526,5150

25727,94369

a2

-282639,0850

-218614,5353

67233,4248

-48840341,37

-31568363,94

-767345,8295

a3

12595339,5

11569199,78

2210340,682

1,90002e +10

8990730663

78025595,81

a4

-448703084,6

-264917531,4

-860963914,9

-4,82701 e+12

-1,63565 e+12

-9247486589

a5

1,10866 e+10

2018441314

4,83506 e+10

7,620991 e+14

1,88027 e+14

6,97688 e+11

a6

-1,76807 e+11

-----------------

-1,18452 e+12

-7,20026 e+16

-1,37241 e+16

-2,66192 e+13

a7

1,71842 e+12

-----------------

1,38690 e+13

3,71496 e+18

6,17501 e+17

3,94078 e+14

a8

-9,19278 e+12

-----------------

-6,33708 e+13

-8,03104 e+19

-1,56105 e+19

-----------------

a9

2,06132 e+13

-----------------

-----------------

-----------------

1,69535 e+20

-----------------

7.4.2) Fios de ligação

O material usado para fornecer isolação para os fios de ligação é determinado pela máxima temperatura que o termopar estará sujeito. Os tipos de isolação e seus limites de temperatura estão mostrados na tabela 1.4) Em aplicações de alta temperatura, os fios de ligação são disponíveis com uma isolação de cerâmica tendo de uma blindagem metálica. Em algumas aplicações faz-se necessário separar a medida e a junção fria por uma distancia apreciável. Nestas circunstâncias, fios especiais, conhecidos como fios de extensão (ou cabos de compensação), são inseridos entre a junção quente e a junção fria. Os fios de extensão são feitos do mesmo material da junção do termopar e, portanto, exibe aproximadamente as mesmas propriedades termoelétricas. A principal vantagem do fio de extensão é a melhora nas propriedades do fio. Por exemplo, agrupamentos de fios de menor diâmetro com isolação de PVC de fácil instalação podem ser usados em sistemas de baixo custo.

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7.4.2) União da Junção de Medição

A junção de medição (junta quente) de um termopar pode ser obtida por qualquer método que dê solidez necessária a um bom contato elétrico entre os dois fios, sem, contudo, alterar as características termoelétricas deste par. Entre as várias maneiras de se realizar um bom contato elétrico na junção de medição de um termopar, a solda é a mais utilizada, porque assegura uma ligação perfeita dos fios por fusão dos metais do termopar. Com exceção da solda prata, não é colocado nenhum outro material metálico para se realizar a solda, tendo somente a fusão dos metais.

7.5) Termômetro por radiação – Utilizam a radiação emitida por um corpo para medir sua temperatura.

Não necessita de contato direto com o corpo cuja temperatura se deseja determinar. São usados quando a aplicação de outros tipos de sensores é impossível ou muito dificultosa. Exemplos:

- Objetos em movimento;

- Temperatura acima do limite prático de aplicação de outros sensores (3500 °C);

- Ambientes agressivos;

- Ambientes de difícil acesso;

- Temperaturas médias de grandes superfícies; LIMITADOR DE CAMPO LENTE DETETOR FILTRO PARA O PROCESSADOR
- Temperaturas médias de grandes superfícies;
LIMITADOR DE CAMPO
LENTE
DETETOR
FILTRO
PARA O PROCESSADOR
DE SINAL

Fig.90 - Corte de um sensor de temperatura por radiação

Fig.90 - Corte de um sensor de temperatura por radiação Fig.91 - Exemplo de um pirômetro

Fig.91 - Exemplo de um pirômetro de radiação total (ARDONOX-SIEMENS)

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8) SENSORES DE ESFORÇO

8.1) Sensores de esforço Metálico (Strain Gage) - Em um metal sujeito

a uma força qualquer, ocorrem movimentos relativos de tração, compressão e torção. Os sensores de força estando acoplados a este metal, movem-se junto deste alterando, então, sua resistência ôhmica.

O componente principal (strain gage) consiste de um fio cuja

resistência ôhmica depende, além de outras coisas, do seu comprimento e da área de seção transversal. Um pedaço de fio mudará sua resistência

se esticado (seção diminuída e mais longo) ou comprimido (seção aumentada e mais curto) . Este fio condutor é montado em uma peça de plástico formando uma só peça que é, então, unida (através de fórmulas especiais) à coluna de carga, de maneira que se movimente junto a esta conforme esquemáticos a seguir.

se movimente junto a esta conforme esquemáticos a seguir. Fio condutor Corpo de plástico P/ circuito

Fio condutor

Corpo de

plástico

P/ circuito

de controle

Fig.92 – Aspecto de um strain gage

Os strain gauges metálicos são, basicamente, de três tipos: grade plana, grade bobinada e grade tipo folha.

Substrato Substrato
Substrato
Substrato

Grade Bobinada

Grade tipo folha

Lides(terminais colados na grade)

Grade Tipo Plana de fio

Os extensômetros tipo folha são os mais usados e são confeccionados com técnicas de circuito impresso, normalmente sobre substratos de plástico ou papel, principalmente, devido ao grande desenvolvimento que sofreram as técnicas de circuito impresso. O material resistivo (filme) possui alguns

micra de espessura e está depositado num material eletricamente isolado, chamado base. O desenho final da parte resistiva (filme) é obtido através de um processo fotográfico, esta operação de fotocorrosão (semelhante ao fotolito gráfico) é seguida pela operação de soldagem dos "lides" ao strain gauge.

O uso dos strain gauges é relativamente simples: eles são colocados no objeto cujas deformações se

pretende medir. Quando um "filme" metálico é deformado mecanicamente, entre outros aspectos, ocorre uma variação de comprimento, implicando numa mudança da resistência elétrica. Da 2ª Lei de Ohm, temos que

onde:

R =ρ×

L

A

R é a resistência elétrica,ρ é a resistividade do material,

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L é o comprimento do condutor,

A é a área da seção transversal do condutor.

Usando-se uma cola adequada de modo que a deformação da peça seja integralmente transmitida para o elemento resistivo (extensômetro), pode-se "calibrar" a variação relativa de resistência em função da deformação relativa (e) da peça (no regime elástico). Define-se o "gauge factor" (fator do extensômetro) da seguinte forma:

Fator do extensômetro =

ou,

8.2) Sensor de esforço Semicondutor

Variação relativa de resistência elástica

K =

Deformação relativa (

 ∆ R     R ∆ L   L 
 ∆ R 
R
L
 L 

ε )

Estes sensores empregam materiais semicondutores como elemento resistivo. Eles apresentam maiores vantagens sobre os extensômetros de fio ou folha por apresentarem alta sensibilidade. Sua operação é baseada no efeito piezoelétrico e podem ser conectados diretamente a um osciloscópio. O elemento resistivo mais utilizado, nesse caso, é o silício intrínseco ou extrínseco. A variação da resistência do silício é linear para deformações até 0,1% e torna-se não linear acima deste valor. Além disso, a resistência elétrica deste material apresenta uma alta dependência com as variações de temperatura. Pode- se minimizar esta dependência e aumentar a faixa de linearidade, adicionando quantidades controladas de impureza. Esta adição, no entanto, diminui a sensibilidade do extensômetro, devendo-se, portanto, buscar um equilíbrio entre estes efeitos opostos.

Fig.93 - Ponte resistiva + strain gage

Obs.: Normalmente o strain gage vem ligado em uma ponte resistiva, que, na ausência de deformação, está equilibrada

(tensão V=0). Uma vez alterada a resistência do strain gage, a ponte se desequilibra e uma pequena tensão aparece nos terminais de saída. Essa tensão é amplificada de modo a “medir” a deformação da superfície.

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Exemplos.:

Fig.94 – Medição por compressão

Pinto 30 Exemplos.: Fig.94 – Medição por compressão Fig.95 – Medição por tração Fig.98 – Medição

Fig.95 – Medição por tração

Medição por compressão Fig.95 – Medição por tração Fig.98 – Medição de pressão Fig.96 – Medição
Fig.98 – Medição de pressão
Fig.98 – Medição de
pressão

Fig.96 – Medição por torção

Fig.97 – Medição de pressão de gás

por torção Fig.97 – Medição de pressão de gás Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos CEFETOP

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8.3) Sensor de esforço Piezoelétrico É formado por um cristal (quartzo) que tem a particularidade de, sob uma pressão qualquer, produzir uma tensão elétrica interna. Quando o cristal é deformado a tensão elétrica gerada internamente e´ conduzida para duas placas metálicas permitindo, então, a utilização por um circuito de controle qualquer.

a utilização por um circuito de controle qualquer. Fig.99 – Estrutura de um cristal piezoelétrico A

Fig.99 – Estrutura de um cristal piezoelétrico

A tensão gerada pelo cristal sob pressão é de baixa potência e disponível por um tempo relativamente pequeno, sendo mais utilizado em aplicações específicas como medição de vibrações e fonógrafos, por exemplo.

como medição de vibrações e fonógrafos, por exemplo. Fig.100 – Foto de cristal piezoelétrico Modelo 721-6671

Fig.100 – Foto de cristal piezoelétrico

Modelo 721-6671

Alimentação – 10 Vcc

Faixa de uso – 1500 a 5500 gramas

Saída – 290 a 430 mV

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9) SISTEMAS DIVERSOS

SENSORES Prof. Paulo Pinto 32 9) SISTEMAS DIVERSOS F i g . 1 0 1 –

Fig.101 Acionamento via pressão

i o n a m e n t o v i a p r e s

Fig.103 – Medição de volume

i a p r e s s ã o Fig.103 – Medição de volume Fig.105 –

Fig.105 – Medição de volume

– Medição de volume Fig.105 – Medição de volume Fig.102 – Acionamento via diferença de pressão

Fig.102 – Acionamento via diferença de pressão

Sensor de Pressão
Sensor de
Pressão

Fig.104 – Medição de volume

Fig.106 – Medição de volume
Fig.106 – Medição de volume

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SENSORES Prof. Paulo Pinto 33 Fig.107 – Medição de volume Fig.108 – Medição de volume Fig.109

Fig.107 – Medição de volume

Prof. Paulo Pinto 33 Fig.107 – Medição de volume Fig.108 – Medição de volume Fig.109 –

Fig.108 – Medição de volume

– Medição de volume Fig.108 – Medição de volume Fig.109 – Medição de vazão Fig.110 –

Fig.109 – Medição de vazão

– Medição de volume Fig.109 – Medição de vazão Fig.110 – Medição de vazão Instrumentação Eletrônica

Fig.110 – Medição de vazão

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SENSORES DE PRESSÃO EWPA007 -EWPA030

CARACTERÍSTICAS

• Faixa de medição: EWPA007: - 0,5 a 7 bar. EWPA030: 0 a 30 bar.

• Alimentação: 8 a 28Vcc.

• Saída: 4 a 20 mA.

• Sobre-carga máxima: 50 bar.

• Precisão: ± 0,3% F.E.

Fig.111 – Foto de um sensor de pressão

± 0,3% F.E. Fig.111 – Foto de um sensor de pressão SENSORES DE UMIDADE EWHS 28,EWHS

SENSORES DE UMIDADE EWHS 28,EWHS 31

CARACTERÍSTICAS

EWHS28

• Faixa de Medição: 15 a 90% U.R;

• Alimentação: 9 a 20 Vcc;

• Saída: 3 a 18 mA;

• Temperatura de Operação: -10 a 70 °C;

• Precisão: ±5% F.E.

Fig.112 – Foto de um sensor de umidade
Fig.112 – Foto de um
sensor de umidade

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TÉCNICAS DE MEDIÇÃO MEDIÇÃO DE TEMPERATURA

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MEDIÇÃO DE TEMPERATURA

1.INTRODUÇÃO

Termometria significa "Medição de Temperatura", é o termo mais abrangente que inclui tanto a pirometria como a criometria que são casos particulares de medição. PIROMETRIA - Medição de altas temperaturas, na faixa onde os efeitos de radiação térmica passam a se manifestar. CRIOMETRIA - Medição de baixas temperaturas, ou seja, aquelas próximas ao zero absoluto de temperatura. Temperatura na Indústria A temperatura é uma das variáveis mais importantes na indústria de processamento. Praticamente todas características físico-químicas de qualquer substância alteram-se de uma forma bem definida com a temperatura.

Exemplificando:-

• Dimensões (Comprimento, Volume).

• Estado Físico (Sólido, Líquido, Gás).

• Densidade.

• Viscosidade.

• Radiação Térmica.

• Reatividade Química.

• Condutividade.

• PH.

• Resistência Mecânica.

• Maleabilidade, Ductilidade.

Assim, qualquer que seja o tipo de processo, a temperatura afeta diretamente o seu comportamento provocando por exemplo:-

- Uma aceleração ou desaceleração do ritmo de produção.

- Uma mudança na qualidade do produto.

- Um aumento ou diminuição na segurança do equipamento e/ou pessoal.

- Um maior ou menor consumo de energia.

1.1.CONCEITO DE TEMPERATURA Temperatura é uma propriedade da matéria, relacionada com o movimento de vibração e/ou deslocamento dos átomos de um corpo. Todas as substâncias são constituídas de átomos que por sua vez, se compõe de um núcleo e um envoltório de elétrons. Normalmente estes átomos possuem uma certa energia cinética que se traduz na forma de vibração ou mesmo deslocamento como no caso de líquidos e gases. A energia cinética de cada átomo em um corpo não é igual e constante, mudam de valor constantemente, num processo de intercâmbio de energia interna própria. Baseado nesta conceituação, pode-se definir a temperatura da seguinte

forma:

"Temperatura é a propriedade da matéria que reflete a média da energia cinética dos átomos de um corpo". Na prática, a temperatura é representada em uma escala numérica, onde, quanto maior o seu valor, maior é a energia cinética média dos átomos do corpo em questão.

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Outros conceitos que se confundem às vezes com o de temperatura são:

• Energia Térmica.

• Calor.

A Energia Térmica de um corpo é a somatória das energias cinéticas dos

seus átomos, e além de depender da temperatura, depende também da massa e do tipo de substância. O Calor é a energia que se transfere de um corpo para o outro por diferença de temperatura. A temperatura sob ponto de vista da

experiência do homem no seu cotidiano, introduz o uso dos termos quente e frio.

A

sensação de quente é o resultado do fluxo de calor de um corpo qualquer para

o

nosso próprio, decorrente de uma maior temperatura daquele corpo.A

sensação de frio aparece quando o nosso corpo cede calor para outro qualquer.

A superfície do corpo humano está coberta de sensores de temperatura que nos

informam a cada instante do estado térmico do ambiente que nos cerca. As sensações de quente e frio que sentimos são relativas, um corpo à mesma temperatura pode nos transmitir sensações diversas dependendo das condições físicas e psicológicas do nosso corpo. Os nossos sentidos não são adequados para medir temperatura com segurança, além de atuarem em uma faixa de temperatura bastante estreita, próxima à temperatura do próprio corpo, devido ao aparecimento da dor. Até o final do século XVI, quando foi desenvolvido o primeiro dispositivo para avaliar temperatura, os sentidos do nosso corpo foram os únicos elementos de que dispunham os homens para dizer se um certo corpo estava mais quente ou frio do que um outro, apesar da inadequadamente destes sentidos sob o ponto de vista científico.

Formas de transferência de calor Condução (sólidos):

Transferência de calor por contato físico. Um exemplo típico é o aquecimento de uma barra de metal. Convecção (líquidos e gases):

Transmissão ou transferência de calor de um lugar para o outro pelo deslocamento de material. Quando o material aquecido é forçado a se mover, existe uma convecção forçada. Quando o material aquecido se move por diferença de densidade, existe uma convecção natural ou livre. Radiação (sem contato físico):

Emissão contínua de energia de um corpo para outro, através do vácuo ou do ar (melhor no vácuo que no ar, pois no ar é parcialmente absorvida). A energia radiante possui a forma de ondas eletromagnéticas e propagam-se com

a velocidade da luz.

1.2.HISTÓRICO

O primeiro instrumento desenvolvido para avaliar temperaturas foi um

termoscópio fabricado por Galileu Galilei, sábio italiano, em 1592. Este instrumento permitia comparar as temperaturas de dois ambientes, sem atribuir valores numéricos às mesmas, donde provém o seu nome. Hoje sabe-se que a pressão atmosférica afetava as indicações deste termoscópio, limitando a precisão das indicações.

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Em 1654, Ferdinand II, Duque de Toscânia, fabricou termômetros na

forma usual, ou seja, um bulbo e capilar de vidro, cheios parcialmente de álcool

e totalmente selado da pressão atmosférica. Neste instrumento, a propriedade

usada para detectar variações de temperatura é a dilatação do álcool. Robert Hooke em 1664 estabeleceu o primeiro ponto de referência em termômetro, atribuindo o valor zero ao ponto onde se estabilizava a coluna de álcool, quando o termômetro era colocado no gelo fundente. Desde o início da termometria, os cientistas, pesquisadores e fabricantes

de termômetro, sentiam a dificuldade para atribuir valores de forma padronizada

à temperatura por meio de escalas reproduzíveis, como existia na época, para

Peso, Distância, Tempo. Era um dilema, que foi sendo resolvido gradativamente ao longo de muitos anos de evolução técnica. Por exemplo, em 1665 o cientista

e matemático holandês Christian Huygens escreveu:- "Seria bom existir um

padrão universal e determinado de calor e frio, fixando uma proporção definida

entre a capacidade do bulbo e do tubo, e então tomando para o começo o grau de frio no qual a água começa a congelar, ou melhor, a temperatura da água em ebulição " Foi somente em 1694 que Carlo Renaldini, ocupava a mesma cadeira de matemática na Universidade de Pádua que ocupava Galileu, sugeriu tomar o ponto de fusão do gelo e de ebulição da água como dois pontos fixos de temperatura em uma escala de termômetro. Ele dividiu o espaço entre eles, em

12 partes iguais. Infelizmente esta importante contribuição para a Termometria

foi esquecida. Newton, em 1701, definiu uma escala de temperatura baseada em dois pontos fixos reprodutíveis. Para um ponto fixo escolheu o ponto de fusão do

gelo, e o chamou de zero. Para o outro ponto fixo ele escolheu o número 12 a este ponto. Baseado no que Newton chamava de "Partes iguais de calor", a água fervia no número 34 desta escala. Em 1706 Daniel Gabriel Fahrenheit, fabricante de termômetros de

Amsterdã, definiu uma escala de temperatura, possuía 3 pontos de referência 0,

48 e 96. Números que representavam nas suas palavras o seguinte:- "48 no

meu termômetro é o meio entre o frio mais intenso produzido artificialmente por uma mistura de água, gelo e sal-amoníaco, ou mesmo sal comum, e aquela (Temperatura) que é encontrada no sangue de um homem saudável “. Fahrenheit encontrou que na sua escala o ponto de fusão do gelo valia 32 e o de ebulição da água 212 aproximadamente. Estes pontos, posteriormente forma

considerados mais reprodutíveis e foram definidos como exatos e adotados como referência. Em 1742, Anders Celsius, professor de Astronomia na Suécia, propôs uma escala com o zero no ponto de fusão do gelo e 100 no ponto de ebulição da água, no ano seguinte Christian de Lyons, independentemente sugeriu a familiar escala centígrada (atualmente chamada escala Celsius).

2.ESCALAS DE TEMPERATURA As escalas que ficaram consagradas pelo uso foram a Fahrenheit e a Celsius. A escala Fahrenheit é definida atualmente com o valor 32 no ponto de fusão do gelo e 212 no ponto de ebulição da água. O intervalo entre estes dois pontos é dividido em 180 partes iguais, e cada parte é um grau Fahrenheit.

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Toda temperatura na escala Fahrenheit é identificada com o símbolo "ºF" colocado após o número (Ex. 250ºF). A escala Celsius é definida atualmente com o valor zero no ponto de fusão do gelo e 100 no ponto de ebulição da água.

O intervalo entre os dois pontos está dividido em 100 partes iguais, e cada parte

é um grau Celsius. A denominação "grau centígrado" utilizada anteriormente no lugar de "Grau Celsius", não é mais recomendada.

A identificação de uma temperatura na escala Celsius é feita com o

símbolo "ºC" colocado após o número (Ex.: 160ºC). Tanto a escala Celsius como

a Fahrenheit, são relativas, ou seja, os seus valores numéricos de referência são totalmente arbitrários. Existe, entretanto escalas absolutas de temperatura, assim chamadas porque o zero delas é fixado no ponto teórico onde a temperatura atinge o seu valor mínimo, no ponto onde a energia cinética dos átomos se anula. Existem duas escalas absolutas atualmente em uso; a Escala Kelvin e Rankine. A Escala Kelvin possui a mesma divisão da Celsius, isto é, um grau Kelvin é igual à um grau Celsius, porém o seu zero se inicia no ponto de temperatura mais baixa possível, 273,15 graus abaixo do zero da Escala Celsius. A Escala Rankine possui obviamente o mesmo zero da escala Kelvin, porém sua divisão é idêntica à da Escala Fahrenheit. A representação das escalas absolutas é análoga às escalas relativas:- Kelvin 400K (sem o símbolo de grau "º"). Rankine 785 R. A Escala Fahrenheit é usada principalmente na Inglaterra e Estados Unidos da América, porém seu uso tem declinado a favor da Escala Celsius de aceitação universal. O sistema internacional de unidades adota (ºC) graus Celsius.

A Escala Kelvin é utilizada nos meios científicos no mundo inteiro e deve

substituir no futuro a escala Rankine quando estiver em desuso a Fahrenheit. Existe uma outra escala relativa, a Reaumur, hoje já praticamente em desuso. Esta escala adota como zero o ponto de fusão do gelo e 80 o ponto de ebulição da água. O intervalo é dividido em oitenta partes iguais. (Representação - ºRe).

2.1.CONVERSÃO DE ESCALAS

A figura 1 compara as escalas de temperatura existentes.

A figura 1 compara as escala s de temperatura existentes. Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos

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Desta comparação podemos retirar algumas relações básicas entre as escalas:

retirar algumas relações básicas entre as escalas: Outras relações podem ser obtidas co mbinando as
retirar algumas relações básicas entre as escalas: Outras relações podem ser obtidas co mbinando as

Outras relações podem ser obtidas combinando as apresentadas entre si. É importante observar a diferença entre, por exemplo, 1ºC e 1 grau Celsius. O primeiro significa uma determinada temperatura e o segundo significa um intervalo de temperatura. Se pretendermos passar para a escala Fahrenheit, teremos:-

Se pretendermos passar para a escala Fahrenheit, teremos:- (Utilizando a relação entre as dimensões do grau

(Utilizando a relação entre as dimensões do grau Celsius e o Grau Fahrenheit)

Exercícios Resolvidos 1. Qual a temperatura em ºC do zero original da escala Fahrenheit? E a temperatura do homem saudável?

da escala Fahrenheit? E a temperatura do homem saudável? Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos CEFETOP

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2. O ponto de ebulição do oxigênio é -182,86ºC. Exprimir esta temperatura em:

do oxig ênio é -182,86ºC. Exprimir esta temperatura em: Obs:- Dependendo da precisão do cálcul o,
do oxig ênio é -182,86ºC. Exprimir esta temperatura em: Obs:- Dependendo da precisão do cálcul o,

Obs:- Dependendo da precisão do cálculo, pode-se arredondar 273,15 para somente 273 sem cometer um erro muito grande. Também o fator 459,67, de conversão R para ºF, pode ser arredondado para 460. Assim as fórmulas ficariam:-

ser arredondado para 460. Assim as fórmulas ficariam:- 4. No interior do sol a temperatura é

4. No interior do sol a temperatura é cerca de 107K. Qual a temperatura:

a) Na escala Celsius; b) Na escala Rankine; c) Na escala Fahrenheit?

Celsius; b) Na escala Rankine; c) Na escala Fahrenheit? Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos CEFETOP

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5. Transformar a unidade de calor "Caloria” em "BTU". Sabendo-se que 1 caloria

é a quantidade de calor necessária para aquecer de 1 grau Celsius, 1 grama de água, e BTU é a quantidade de calor para aquecer de 1 grau Fahrenheit, 1 libra de água.

Dado:- 1 libra = 453,6 gramas

Fahrenheit, 1 libra de água. Dado:- 1 libra = 453,6 gramas Obs.: Notar que foi utilizada
Fahrenheit, 1 libra de água. Dado:- 1 libra = 453,6 gramas Obs.: Notar que foi utilizada

Obs.: Notar que foi utilizada a relação entre os valores do grau Celsius e Fahrenheit.

6. Supondo que a escala de Carlo Renaldini tivesse sido adotada, qual seria:

a) A fórmula de correspondência com a escala Celsius? b) Qual seria o valor do zero absoluto nesta escala?

Ponto Fusão

Ponto Ebulição

Gelo

água

0

100

0

12

a) CELSIUS (ºC) RENALDINI (ºRn)

0 100 0 12 a) CELSIUS (ºC) RENALDINI (ºRn) Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos CEFETOP

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2.2.PONTOS FIXOS DE TEMPERATURA

A temperatura interna do corpo humano pode ser considerada como um

ponto fixo de temperatura. Entretanto esta temperatura é afetada por vários fatores que diminuem a precisão deste padrão.

A mudança de estado de substâncias puras (fusão, ebulição) é

normalmente desenvolvida sem alteração na temperatura. Todo calor recebido ou cedido pela substância é utilizado pelo mecanismo de mudança de estado.

é utilizado pel o mecanismo de mudança de estado. Calor sensível: - é a quantidade de

Calor sensível: - é a quantidade de calor necessária para que uma substância mude a sua temperatura até que comece a sua mudança de estado, onde teremos o calor latente.

Calor latente: - a quantidade de calor que uma substância troca por grama durante a mudança de estado. Apesar do calor cedido a água ser constante durante toda a experiência, nota-se que durante a fusão do gelo, entre t1 e t2, e ebulição da água, entre t3 e t4 a temperatura permanece constante. Se mantivermos uma mistura de água e gelo em equilíbrio, a temperatura permanecerá constante apesar de existir fluxo de calor entre a mistura e o ambiente. Esta mistura de duas ou três fases (Vapor, Líquido e Sólido) em equilíbrio, gera o que se convencionou chamar de "Ponto Fixo de Temperatura". Visando uma simplificação nos processos de calibração, a Comissão Internacional de Pesos e Medidas, relacionou uma série de pontos fixos secundários de temperatura, conforme mostrado na tabela a seguir.

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PONTOS FIXOS

TEMPERATURA(ºC)

Ponto de Ebulição do Nitrogênio

-195,798

Ponto triplo do Hélio

-259,3467

Ponto triplo da água

0,010

Ponto de Solidificação do Estanho

231,928

Ponto de Solidificação do Alumínio

660,323

Ponto de Ebulição do Oxigênio

-182,954

Ponto de Solidificação da Prata

961,78

Ponto de Solidificação do Cobre

1084.62

Ponto de Solidificação da Platina

1064,180

2.3.ESCALA ABSOLUTA DE TEMPERATURA Não existe limite superior para a temperatura de uma substância qualquer. À medida que sobe a temperatura, ocorre uma série de transformações físico-químicas na substância, por exemplo:- Fusão, Evaporação, Decomposição Molecular, Ionização, Reações Nucleares, etc

usarmos a substância água como exemplo, teríamos as seguintes temperaturas na escala Celsius, associados a estas transformações:- Fusão - 0ºC (por definição). Evaporação - 100ºC (por definição). Decomposição (H2O em H2 e O2) entre 1000 e 3000ºC. Ionização - (perda de elétrons) - acima de 2000ºC. Reações nucleares (fusão de hidrogênio) - acima de 15.000.000ºC. Se abaixarmos a temperatura continuamente de uma substância, atingimos um ponto limite além do qual é impossível ultrapassar, pela própria definição de temperatura. Este ponto, onde cessa praticamente o movimento atômico, é o zero absoluto de temperatura.

Se

Zero absoluto: - é o estado em que praticamente cessa o movimento atômico. As escalas absolutas (Kelvin e Rankine) atribuem o valor zero à temperatura mais baixa possível.

A

escala Kelvin possui a graduação igual a da Celsius, portanto:-

0

K = -273,15ºC e 0 R = 273,15ºC

A

escala Rankine possui a graduação igual a da Fahrenheit, portanto:-

0

K = -459,67ºF e 0 R = 459,67ºF.

É

evidente que uma escala absoluta não pode ter temperaturas negativas.

2.4.ESCALA INTERNACIONAL TEMPERATURA (ITS90) Para melhor expressar as leis da termodinâmica, foi criada uma escala baseada em fenômenos de mudança de estado físico de substâncias puras, que ocorrem em condições únicas de temperatura e pressão, determinando os pontos fixos de temperatura. A IPTS- Escala prática Internacional de temperatura, foi a primeira escala prática internacional de temperatura e surgiu em 1927. Foi modificada em 1948(IPTS-48), em 1960 mais modificações foram feitas e em 1968 uma nova IPTS foi publicada (IPTS-68). Em 1990, a Comissão Internacional de Pesos e Medidas, homologou uma nova escala de temperatura,

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a ITS-90, definida a partir de vários pontos fixos de temperatura e com auxílio de instrumentos padrão de interpolação.

A ITS-90 foi definida através de fenômenos determinísticos de temperatura, isto

é, pontos fixos de determinadas temperaturas.

isto é, pontos fixos de determinadas temperaturas. Os valores numéricos dos pontos fixos de temperatura, s

Os valores numéricos dos pontos fixos de temperatura, são determinados pela termometria à gás, e os instrumentos de interpolação são:

- Na faixa de -259,34ºC a 630,74ºC é termômetro de resistência de platina.

- Na faixa de 630,74ºC a 1064,43ºC é o termopar de platina com 10% de ródio e

platina.

- Acima de 1064,43ºC é o pirômetro óptico. Existem várias equações que relacionam a temperatura e a propriedade termométrica utilizada nestes instrumentos (resistência elétrica, FEM termoelétrica e energia radiante). Através do uso destas equações pode-se determinar com precisão a temperatura em que se encontra um determinado corpo de prova. Esta escala de temperatura é transferida para outros instrumentos de utilização mais simples, mantendo-se o erro de faixas bastante estreitas. Em princípio, de uma forma indireta, todo termômetro usado na prática tem a sua calibração relacionada à Escala Internacional de Temperatura.

3.MEDIDORES DE TEMPERATURA - TIPOS E CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS Os instrumentos de medida da temperatura podem ser divididos em duas grandes classes:

1ª Classe Compreende os instrumentos naqueles em que o elemento sensível está em contato com o corpo cuja temperatura se quer medir. São eles:

A)Termômetros à dilatação de sólido.

B) Termômetros à par termo elétrico.

C) Termômetros à resistência elétrica.

D) Termômetros à dilatação de líquido.

E) Termômetros à dilatação de gás.

F) Termômetros à tensão de vapor saturante.

G) Pirâmides fusíveis e "crayons" coloridos.

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2ª Classe Compreende os instrumentos naqueles em que o elemento sensível não

está em contato com o corpo cuja temperatura se quer medir. São eles:

A) Pirômetros à radiação total.

B) Pirômetros à radiação parcial (monocromáticos).

A aplicação dos diversos tipos apresentados depende em cada caso de fatores

técnicos e econômicos. Como fatores técnicos podemos citar faixa de medição,

tempo de respostas, precisão, robustez, etc. A relação abaixo mostra a aplicação de cada tipo de medidor na indústria.

Ex.: 1ª Classe:

Termômetro à Dilatação de Sólido Sob a forma de termômetro bimetálico é atualmente o indicador de temperatura local mais usado na área industrial devendo isto a sua simplicidade, robustez e baixo preço.

Termômetro à Par Termoelétrico É atualmente o sistema de medição de temperatura mais utilizado na indústria para monitoria de processos nas salas de controle centrais.

É preciso, robusto, cobre uma ampla gama de temperaturas e possui

normalmente preço inferior ao de resistência.

Termômetro de resistência elétrica Pertence à categoria de instrumentos elétricos. Tem uso bastante difundido na indústria, sendo ao contrário dos termômetros anteriores, útil na transmissão à distância da temperatura medida. Seu uso deve-se ao fato de possuir boa precisão e ampla faixa de temperatura, apesar de ser de preço elevado.

Termômetros à Dilatação de Líquido Termômetros de vidro de mercúrio - amplamente usado em laboratórios, oficinas e quando protegido, na área industrial.

Termômetro metálico de mercúrio Bastante usado em áreas industriais como indicador local de temperatura.

Termômetro à dilatação de gás Não encontra muita aplicação na indústria. Normalmente é encontrado em aplicações como indicador local de temperatura.

Termômetro à Tensão de Vapor Tem uso bastante difundido na indústria e como monitor de temperatura em instrumentos industriais.

Pirâmides Fusíveis e "Crayons" coloridos Aplicação bastante limitada nas indústrias, restringindo seu emprego a algumas indústrias cerâmicas. "Crayons" coloridos, uso esporádico em testes

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nas indústrias e oficinas, sendo anualmente substituído por termômetros elétricos de contato.

Ex.: 2ª Classe Pirômetro de Radiação Total Grande aplicação na indústria nos casos de medição de altas temperaturas ou de objetos móveis, continuamente. Não possui concorrentes na sua faixa de aplicação.

Pirômetro Óptico Monocromático (Radiação Parcial) Bastante usado na indústria para medir esporadicamente altas temperaturas. É utilizado para calibração eventual do pirômetro de radiação total. Preço elevado.

3.1.TERMÔMETRO À DILATAÇÃO DE SÓLIDO OU TERMÔMETRO BIMETÁLICO

3.1.1.PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO A operação deste tipo de termômetro se baseia no fenômeno da dilatação linear dos metais com a temperatura. É sabido que o comprimento de uma barra metálica varia com a temperatura segundo a fórmula aproximada:

L = Lo (1 + αt) Onde: L = comprimento da barra à temperatura t. Lo = comprimento da barra à 0ºC. t = temperatura da barra. α= coeficiente de dilatação linear do metal utilizado Deste modo poder-se-ia construir um termômetro baseado medição das variações de comprimento de uma barra metálica. A figura mostra dois tipos de termômetros baseados diretamente neste fenômeno:

-O primeiro tipo consiste em uma barra metálica sustentada horizontalmente e um sistema mecânico para amplificação das pequenas variações de comprimento da barra. -O segundo tipo baseia-se na medição da diferença de dilatação entre um tubo feito de material de coeficiente de dilatação e uma haste interna de material de baixo coeficiente de dilatação.

interna de material de baixo coeficiente de dilatação. Instrumentação Eletrônica e Controle de Processos CEFETOP

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Estes termômetros apresentam dois graves inconvenientes:

-O elemento sensor possui uma grande massa, o que torna a resposta do termômetro lenta. -A variação do comprimento experimentada pela barra é muito pequena, necessitando de uma grande amplificação mecânica até o dispositivo de indicação. Este último fator pode ser evidenciado no seguinte exercício:

- Calcular a variação de comprimento sofrida por uma barra de ferro cujo

comprimento a 0ºC é de 300mm. Quando ela for submetida a uma temperatura de 100ºC.

Dado:

Coeficiente de dilatação linear de ferroαFe = 12.10 -6 .ºC -1

L

= 10.(1 + α.t)

L

= 300.(1 + 12 . 10 -6 . 100)

L

= 300.(1 + 0,0012)

L

= 300. (1,0012) = 300,36mm

Onde: L = comprimento à 100ºC. Lo = comprimento à 0ºC.

t = 100ºC.

Variação de comprimento:

L = L - Lo L = 300,36 - 300,00 L = 0,36mm Portanto uma variação de 100ºC em uma barra de ferro de 300mm, provoca uma variação de apenas 0,36 em seu comprimento.

3.2.O BIMETAL E O TERMÔMETRO BIMETÁLICO Fixando-se duas lâminas metálicas com coeficientes de dilatação diferentes de maneira indicada na figura, e submetendo o conjunto assim formado a uma variação de temperatura, observa-se um encurvamento que é proporcional à temperatura. O encurvamento é devido as diferentes coeficientes de dilatação dos dois metais, sendo o segmento de círculo a forma geométrica que comporta as duas lâminas com comprimentos diferentes. Evidentemente, fixando-se uma extremidade da lâmina bimetálica, o movimento da outra ponta representará a temperatura da mesma. A sensibilidade deste sistema é bem superior à do apresentado na figura anterior, sendo tanto maior quanto for o comprimento da lâmina e a diferença entre os dois coeficientes de dilatação dos metais.

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Um termômetro elementar baseado no efeito bimetálico é apresentado na figura a seguir.

no efeito bimetálico é apresentado na figura a seguir. 3.2.1.O TERMÔMET RO BIMETÁLICO Na prática a

3.2.1.O TERMÔMETRO BIMETÁLICO Na prática a lâmina bimetálica é enrolada em forma de espiral ou hélice, o que aumenta mais ainda a sensibilidade do sistema conforme a figura.

mais ainda a sensibilidade do sistema conforme a figura. O termômetro mais usado é o de

O termômetro mais usado é o de lâmina bimetálica helicoidal. E consiste de um tubo bom condutor de calor, do interior do qual é fixado um eixo, que por sua vez, recebe um ponteiro que se desloca sobre uma escala.

sua vez, recebe um ponteiro que se desloca sobre uma escala. Instrumentação Eletrônica e Controle de

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Normalmente o eixo gira de um ângulo de 270º para uma variação de temperatura que cubra toda a faixa do termômetro.

3.2.2.MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: FAIXA DE TRABALHO E PRECISÃO

A sensibilidade do termômetro depende das dimensões de hélice

bimetálica e de diferença de coeficiente de dilatação dos dois metais.

Normalmente usa-se 1 INVAR como metal de baixo coeficiente de dilatação. INVAR:- (Aço com aproximadamente 36% de níquel e que possui baixo coeficiente de dilatação, aproximadamente 1/20 dos dois metais comuns).

O latão é utilizado como material de alto coeficiente de dilatação e para

temperaturas mais elevadas usa-se ligas de níquel.

A faixa de trabalho dos termômetros bimetálicos vai aproximadamente de -50ºC

à 800ºC, sendo a escala sensivelmente linear. A precisão normalmente

garantida é de ± 2% do valor máximo da escala. Usualmente, as lâminas bimetálicas são submetidas a tratamentos térmicos e mecânicos após a confecção, usando a estabilização do conjunto (repetibilidade).

3.3.TERMÔMETROS DE DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA

3.3.1.PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO São baseados no fenômeno de dilatação aparente de um líquido dentro de um recipiente fechado.

Descrição de Diversos Tipos de Medidores

A seguir será apresentado uma descrição detalhada de cada tipo de

medidor de temperatura com exceção do tipo (Pirâmides Fusíveis e "Crayons"), tendo em vista a sua limitada aplicação na indústria de um modo geral. A lei que rege este fenômeno está representada matematicamente da seguinte forma:

V = Vo ( 1 + γat ) Onde: V = volume aparente à temperatura t. Vo = volume aparente à temperatura 0º.

γa = coeficiente de dilatação aparente do líquido.

t = temperatura do líquido.

O coeficiente de dilatação aparente de um líquido é calculado como segue:

γa = γ1 - γv

Onde: γa = coeficiente de dilatação aparente do líquido. γ1 = coeficiente de dilatação do líquido. γv = coeficiente de dilatação do vidro. Por exemplo:

- Para mercúrio γHG = 180 . 10 -6 ºC -1

- Para o vidro γv = 20 . 10 -6 ºC -1

Deste modo o coeficiente de dilatação aparente do mercúrio no vidro vale:

γa = γHG - γv γa = 180. 10 -6 - 20 . 10 -6 = 160 . 10 -6 ºC -1 Para o álcool temos:

γálcool = 1.200 . 10 -6 Portanto no vidro o coeficiente aparente será:

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γa - 1.200 . 10 -6 - 20 . 10 -6 = 1.180 . 10 -6 ºC -1

3.3.2.TIPOS DE CONSTRUÇÃO Podem ser:

- Tipo de Recipiente Transparente

- Tipo de Recipiente Metálico

3.3.3.TIPO DE RECIPIENTE TRANSPARENTE

O órgão indicado é a própria coluna de líquido visível através do

recipiente sendo seu copo a referência usada contra a escala que a acompanha.

3.3.4.TIPO DE RECIPIENTE METÁLICO

O órgão de indicação a um medidor volumétrico (fole, bourdon , etc.) que

aciona um ponteiro sobre uma escala normalmente circular.

3.4.TERMÔMETRO DE RECIPIENTE TRANSPARENTE

3.4.1.DESCRIÇÃO

Este tipo de termômetro é constituído de um reservatório, cujo tamanho depende da sensibilidade desejada, soldada a um tubo capilar de seção a mais uniforme possível fechado na parte superior. O reservatório e parte do capilar são preenchidos de um líquido. Na parte superior do capilar existe um alargamento que protege o termômetro no caso da temperatura ultrapassar seu limite máximo.

no ca so da temperatura ultrapassar seu limite máximo. Após a calibração a parede do tubo

Após a calibração a parede do tubo capilar é graduado em graus ou frações deste. A medição de temperatura se faz pela leitura da escala no ponto em que se tem o topo da coluna líquida. Em alguns casos ao invés de graduar o tubo capilar, fixa-se ao mesmo uma escala que receberá a graduação.

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3.4.2.TIPOS DE LÍQUIDOS UTILIZADOS

Entre os líquidos mais utilizados estão os abaixo relacionados:

Nota: Na tabela a seguir, cada letra corresponde às seguintes grandezas:

A - Tipo de líquido.

B - Calor Específico - Cal/GºC.

C - Ponto de Solidificação (ºC).

D - Ponto de Ebulição (ºC).

E - Coeficiente de dilatação (a 20ºC).

F - Faixa de Utilização (ºC).

de dilatação (a 20ºC). F - Faixa de Utilização (ºC). Notas: 1º) Para temperaturas superiores a

Notas:

1º) Para temperaturas superiores a 200ºC no caso do mercúrio, a parte superior do capilar é preenchido com um gás inerte, normalmente nitrogênio sob pressão. Esta precaução é indispensável para evitar a vaporização do mercúrio que poderia ocasionar rupturas na coluna do líquido. Esta pressão atinge valores de 1,20 a 70atm para termômetros graduados respectivamente em 350, 600 e

750ºC.

2º) No caso de se utilizar gás sob pressão, o termômetro prevê na parte superior um reservatório de grande capacidade, a fim de tornar a pressão interna o mais independente possível da posição da coluna de mercúrio.

3.4.3.TIPOS DE RECIPIENTES USADOS

A - Vidro (normal e especial) - Ponto de Fusão: 900 à 1200ºC, utilizado até

600ºC.

B - Quartzo fundido transparente - Ponto de Fusão: 1770ºC utilizado até 1050ºC.

Nota:- Todos os tipos de vidro quando aquecidos e resfriados não retornam às dimensões originais, fenômeno este conhecido como "histerese térmica dos sólidos". Este fenômeno tende desaparecer após o uso prolongado, isto é, aquecendo-se e resfriando-se o termômetro inúmeras vezes. Os bons termômetros têm seus invólucros de vidro pré-envelhecido na fábrica a fim de minimizar este efeito.

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3.4.4.PRECISÃO DOS TERMÔMETROS DE VIDRO A tabela abaixo mostra as faixas de utilização, intervalo de graduação e

desvios normalmente tolerados para termômetros comuns e para termômetros de calibração:

a) Termômetro Comum - Coluna A.

b) Termômetro de Calibração (padrão) - Coluna B.

A. b) Termômetro de Calibração (padrão) - Coluna B. De uma maneira geral pode-se resumi r
A. b) Termômetro de Calibração (padrão) - Coluna B. De uma maneira geral pode-se resumi r

De uma maneira geral pode-se resumir as faixas de precisão do modo seguinte:

- Termômetro Comum: 0,5% até ± 3% do valor do fim da faixa.

- Termômetro Padrão: 0,1% até ± 0,5% do valor do fim da faixa.

A aplicação dos diversos tipos em cada caso depende de fatores técnicos e econômicos. Como fator técnico podemos citar: - faixa de temperatura, tempo de resposta, precisão, robustez, etc. Dos diversos tipos apresentados, alguns tem aplicação limitada quanto outros são amplamente aplicados na indústria

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3.4.5.SENSIBILIDADE DOS TERMÔMETROS DE VIDRO

Em princípio a sensibilidade do termômetro pode ser tão grande quanto se queira, bastando utilizar em grande reservatório e um tubo capilar muito fino e portanto muito longo. Poder-se-ia alcançar desvios de 1mm da coluna para variações de 0,001º. Esta precisão é, porém, ilusória em razão da queda da fidelidade. Em síntese, a sensibilidade do termômetro depende:

a) Do coeficiente de dilatação da substância.

b) Do volume do bulbo.

c) Do diâmetro do capilar.

d) Do coeficiente de dilatação do recipiente usado.

Verificação dos Termômetros de Vidro A verificação e calibração de termômetros de vidro podem ser feitas de duas maneiras:

Por Comparação:- Consiste em se comparar ao longo de toda a faixa, a indicação do termômetro com a de um padrão de referência (outro termômetro de vidro, termoresistência, etc.). Neste tipo de calibração deve-se ter cuidado com os seguintes pontos:

a) O termômetro escolhido como padrão deve ser de boa qualidade

e ter sua escala aferida.

b) Durante a calibração os dois termômetros deverão estar à

mesma temperatura.

Por Meio de Pontos Fixos de Temperatura:- Consiste em se medir a temperatura em que ocorre mudança de estado de algumas substâncias escolhidas como referência. Os pontos fixos mais fáceis de serem reproduzidos são os pontos de ebulição e fusão da água. Erro de Paralaxe:- Como em todos os instrumentos de leitura, a conservação do nível deve ser feita corretamente para evitar erro de paralaxe. Em certos termômetros se usa escala a fim de minimizar o efeito do paralaxe.

Utilização dos Termômetros de Vidro Pelo fato de sua fragilidade e da impossibilidade de registrar sua indicação ou de transmiti-la à distância, o uso destes termômetros sem proteção é mais comum nos laboratórios da indústria como elemento de comparação para outros tipos de medidores, assim como para medições de precisão. Quando convenientemente protegido por um arcabouço metálico, encontra larga aplicação em medição de temperatura em unidades industriais.

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Tempo de Resposta dos Termômetros de Vidro Tempo de resposta de um instrumento de medição é o tempo transcorrido entre a sua colocação no meio e a estabilização de sua medição supondo a temperatura do meio invariável. No caso de um termômetro, o tempo de resposta será tanto mais curto se:

1. A temperatura do meio for mais elevada, o que se explica é pelo fato da

transmissão por radiação se efetuar com maior intensidade.

2. O meio for mais agitado.

3. A condutibilidade térmica do meio for grande (os sólidos e líquidos

possuem condutividade mais elevada do que os gases).

4. As dimensões do próprio instrumento forem reduzidas. Normalmente os

termômetros de vidro são utilizados com uma proteção metálica

aumentando sobremaneira seu tempo de resposta.

Tipos Especiais de Termômetros de Vidro

a) Termômetro Clínico:-

É um termômetro de mercúrio de máxima (fig. 11) graduado de 34 a 42ºC. Possui grande utilização nos hospitais, pois nesta faixa estão as temperaturas limites entre as quais pode variar o corpo humano. A fixação do valor máximo é obtida por meio de um estrangulamento no capilar logo acima do bulbo. Normalmente possui divisões de 0,1ºC.

b) Termômetro de Máxima e Mínima:-

Bastante usado em meteorologia para indicar as temperaturas máximas e mínimas do ambiente em um determinado período de tempo. O álcool é a substância termométrica (fig. 11). Como mostra a figura somente o álcool contido no ramo esquerdo do tubo em "U" opera como substância termométrica. A função do mercúrio é de arrastar os pequenos índices de ferro que deslizam na parte interna do tubo de vidro.

de ferro que deslizam na parte interna do tubo de vidro. Instrumentação Eletrônica e Controle de

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O mercúrio é mantido pressionado contra a coluna de álcool por meio de gás comprimido no ramo direito do tubo. O reposicionamento dos índices para uma nova jornada é feita por meio de um ímã manuseado externamente.

c) Termômetro de Vidro com Contato Elétrico:- Normalmente é usado o termômetro de mercúrio normal com a adição de (dois ou mais) pequenos eletrodos no interior do mercúrio, (bulbo e/ou capilar), a operação do mesmo se baseia na condutibilidade elétrica do mercúrio (fig.12).

3.5.TERMÔMETROS DE DILATAÇÃO DE LÍQUIDO DE RECIPIENTE

METÁLICO

DE DILATAÇÃO DE LÍQUIDO DE RECIPIENTE METÁLICO 3.5.1.PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO No termômetro de vidro,