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FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA – Facinter

KAREN ABREU DE OLIVEIRA

RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA: DO DOCUMENTO A EFETIVAÇÃO DO TRABALHO


INTEGRADO

CAXIAS DO SUL
2008
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KAREN ABREU DE OLIVEIRA

RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA: DO DOCUMENTO A EFETIVAÇÃO DO TRABALHO


INTEGRADO

Trabalho apresentado às disciplinas de Projeto Político


Pedagógico e Orientação e Supervisão Escolar do Curso
de Gestão do Trabalho Pedagógico, período 2008/02, da
da Faculdade Internacional de Curitiba – Facinter.

Profa. Me. Márcia Silva Di Palma


Profa. Sandra Terezinha Urbanetz

CAXIAS DO SUL
2008
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................ 4

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................. 5

3. CONCLUSÃO.........................................................................................10

4. REFERÊNCIAS......................................................................................11
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INTRODUÇÃO

Este trabalho propõe-se a estudar o tema Projeto Político Pedagógico, sua elaboração e
implicação na teoria e na prática de duas realidades escolares e também analisar como
este instrumento de trabalho, que indica um rumo e uma direção foi construído e
implantado pela comunidade escolar dos estabelecimentos de ensino que foram objetos
da pesquisa.
Pretende-se esclarecer ainda, se este documento enfatiza o trabalho coletivo da
comunidade destas unidades ou só de alguns membros da equipe de gestão
pedagógica.
Visa compreender a relevância do Projeto Político Pedagógico para o profissional
docente que atua na gestão do trabalho pedagógico, sendo que a construção deste
projeto deve estar fundamentada em concepções teóricas que supõe um
comprometimento de todos os envolvidos.
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FUNDAMENTAÇÂO TEÓRICA

“A nova lei abre possibilidades a maior descentralização e autonomia das instituições


educacionais” (BRZEZINSKI, 1998, p.135).
Nesse contexto em que a nova legislação estabelece a elaboração e execução de
proposta pedagógica pelas escolas e seus profissionais, com destaque para os
professores, com grau de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira
segundo o determinado nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei 9394/96 em
seus artigos 12, 13 e 15.

Art. 12 Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do


seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I- elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II- administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III- assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV- velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V- prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI- articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração
da sociedade com a escola;
VII- informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos
alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica;
Art. 13 Os docentes incumbir-se-ão de:
I- participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de
ensino;
II- elaborar e cumprir plano de trabalho segundo a proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino;
III- zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV- estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V- ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional;
VI- colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a
comunidade.
Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de
educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica
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e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito


financeiro público (Lei 9394/96, art 12.12.15).

Cabe a cada estabelecimento de ensino construir o seu projeto político pedagógico


visando a formação de um cidadão participativo, crítico e responsável preparado para as
incertezas e para superar as desigualdades do mundo globalizado. Essa construção
enfatiza o trabalho coletivo e deixa transparecer a importância de conhecer a realidade e
as características da comunidade onde a escola está inserida, suas dificuldades e
necessidades.
“Desta forma, este preceito legal responsabiliza a escola pelo seu plano de trabalho em
consonância com a sua especificidade” (FERREIRA, 2008, p.12).
Nesse sentido, constata-se que a construção do Projeto Político Pedagógico pela escola
e sua comunidade escolar dá a ela o direito e o dever de escrever seu próprio destino.
Logo, a construção da identidade da escola é tarefa de todos, principalmente do
profissional responsável pela gestão do trabalho pedagógico, pois ele é o responsável
direto pela organização de todo este processo.

Esses desafios têm exigido do pedagogo competências indissociavelmente


teóricas e práticas, que seriam refletir, antecipar, planificar, avaliar, reorientar,
tomar decisões diante de situações ambíguas, ter compromisso político
(URBANETZ, SILVA, 2008, p. 85).

A coordenação do trabalho pedagógico desse projeto que enfatiza o trabalho coletivo de


pensar, planejar, executar, avaliar e atualizar passa pela responsabilidade desse
profissional que é o principal articulador desta ação social.
Pretende-se apresentar essas questões à luz de pesquisa realizada com professores de
uma escola pública estadual que oferece a Educação Infantil, Ensino Fundamental e
Ensino Médio num bairro da cidade de Caxias do Sul. Além de depoimentos obtidos são
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aqui tomados também como focos de análise os conhecimentos abordados nas aulas de
Fundamentos da Gestão de Pessoas.
Os indivíduos pesquisados foram duas professoras que trabalham a mais de dez anos na
escola, sendo que uma delas é a responsável pela Coordenação Pedagógica e a outra
regente de classe do Ensino Médio.
A organização do Projeto Político pedagógico desta escola ocorreu no primeiro semestre
do ano de 2001. Quando da proposta da elaboração do projeto, a escola encontrava-se
em meio a um grande descontentamento com o processo de ensino-aprendizagem
vigente.

“Os professores faziam constantes reclamações dos alunos e da falta de


engajamento por parte destes no processo educacional. No inicio a proposta de
renovação dos conceitos e práticas foi bem recebida. Então, após algumas
reuniões administrativas deu-se a divisão de grupos por área de conhecimento e
promoveram-se encontros entre essas áreas.
Num primeiro momento, realizaram-se encontros semanais por um período de
quatro meses, com os professores das diversas áreas do conhecimento. A partir
de então cada área elegeu um coordenador que ficou encarregado de promover
os debates, de formar grupos de estudos e de realizar relatório final do que
havia sido proposto pelo grupo. Nesses encontros foram promovidas discussões
sobre como seria elaborado o Projeto Político Pedagógico, considerando
sempre as dimensões sociais, políticas e educacionais. Também foi discutido
sobre os conteúdos, a metodologia... enfim sobre toda estrutura do projeto que
melhor se adequasse à sua realidade.” (Profa. Cristina,2008)

O projeto pedagógico é um processo de reflexão, por toda comunidade, processo


democrático de decisões para a escola, pois a mesma e sua comunidade conhecem
mais suas diversidades, suas características, suas dificuldades e necessidades.

No cotidiano escolar, os educadores se deparam continuamente com tarefas e


desafios novos. Muitos surpreendem pela complexidade, outros surpreendem
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pela dificuldade e, outros ainda pela satisfação da inovação que possibilitam.


Uma tarefa que possui todos esses atributos é a construção e gestão colegiada
do projeto da escola, onde novas possibilidades são descortinadas
constantemente e, a partir dessas práticas pedagógicas, são construídas,
atualizadas e compartilhadas na construção coletiva da identidade da escola
(EYNG, 2002, p. 26).

Ao final dos quatro meses, após muita discussão, embates, resistências – visto
que muitos professores não se sentiam confortáveis em assumir um risco desse
porte sem que lhes fosse dado um suporte por parte da Coordenadoria Regional
– chegou-se a um “projeto-piloto” que foi submetido ao Conselho Estadual de
Educação para sua aprovação. Após serem feitos alguns ajustes sugeridos pelo
CEE o projeto foi aprovado. ( Profa. Nádia, 2008)

No que diz respeito à organização da coordenação pedagógica institucional o documento


prevê a autonomia dos setores, ou seja, o Serviço de Supervisão Escolar- SEE e a
Orientação Educacional – SOE serão desenvolvidos por profissionais com formação
específica, ainda que estes manterão entre si uma constante interação.

No movimento histórico por que passaram os especialistas da educação, desde


a formação e função fragmentada até a definição de papéis específicos e a
formação generalista (talvez uma tentativa de esvaziamento histórico, político e
teórico), chegou-se a um trabalho articulado...( URBANETZ, SILVA, 2008, p.45).

Os elementos fundantes dessa opção foram o aproveitamento e a experiência


profissional dos professores que já atuavam a bastante tempo na Supervisão e na
Orientação Educacional.
Esse modelo foi assim organizado para que houvesse uma espécie de desafogamento
dos setores, assim cada um desempenharia as funções que lhes são inerentes.
Não houve objeções à forma de organização dos setores e o maior desafio que, ainda
hoje, a escola enfrenta é a falta de recursos humanos – qualificados ou não – para
atuarem nos setores e a alta rotatividade dos mesmos, o que torna o processo menos
ágil e eficaz.
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Talvez tão grave quanto a rotatividade de professores seja a de cargos técnicos


da escola – que, favorecidos pelas mesmas normas de remoção,
comissionamentos, escolhas e/ou regras internas da própria coordenadoria,
também podem permanecer na escola menos tempo do que seria suficiente até
para aprender os nomes dos professores e funcionários (SILVA, 2000, p.4).

É nesse contexto que o Projeto Político Pedagógico foi elaborado por este
estabelecimento de ensino. Um contexto onde não houve participação efetiva de toda
comunidade escolar e onde ainda trabalha-se na gestão pedagógica de forma
fragmentada, onde ainda separa-se trabalho com aluno de trabalho com professor.
A segunda unidade escolar pesquisada é uma rede de oito escolas municipais, que
atendem a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, do município de Farroupilha.
Percebe-se ao dialogar com a coordenadora e com uma das professoras que a direção
enviou a cada coordenador um questionário sobre o Projeto Político Pedagógico. Já a
professora nem sabia do que se tratava. A coordenadora nos informou que este já está
pronto e encontra-se na Secretaria Municipal de Educação para aprovação.
Esta rede de escolas baseia-se na teoria Sócio Interacionista, que tem por base o
desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio histórico,
enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem. Sua questão central é a aquisição
de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. Tem como representante
principal Vygotsky.
Nota-se que a grande maioria das professoras e atendentes não possuem graduação,
algumas nem magistério. Também nota-se que não há coordenação pedagógica nem
supervisão escolar, isto é, algumas pessoas não qualificadas estão realizando, ou
tentando realizar, o trabalho desses profissionais sem mesmo saber que estes cargos
existem. Para as coordenadoras, este ano, foi “solicitado” o curso de Pedagogia para
garantirem sua permanência no cargo.
Neste caso, esta pessoa, com a qual conversamos deu inicio neste semestre, totalmente
contrariada, pois afirma que já faz o trabalho da maioria dos profissionais exigidos por lei,
e que não necessita de um “diploma só para ter”. Ela não vê expectativa e benefício
nenhum em fazer um curso que “não gosta”.
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CONCLUSÂO

Conclui-se que o Projeto Político Pedagógico é um instrumento de autonomia que


estabelece uma identidade própria a escola e que busca o trabalho coletivo, pois tem
compromisso com a formação de um cidadão participativo e crítico. É o guia de
orientação da escola que norteia todo o trabalho que nela é realizado.
Percebe-se, que estão ocorrendo singelas mudanças na legislação e estão surgindo
alguns resultados nas escolas. Agora já é pré-requisito ao candidato ter formação em
Pedagogia e para os atendentes o curso de magistério. Pensa-se ser um passo, por
pequeno que seja, para avanços na educação do Brasil. Cada pessoa estuda e sabe que
no final de sua graduação existirá um vasto campo de possibilidades a sua espera, e
consequentemente realizarão seus trabalhos com excelência. Assim, haverá mais
disposição, força de vontade, atitude para a construção e realização do Projeto Político
Pedagógico das escolas, e esta construção passará a ser considerada um momento
importante de renovação.
Assim sendo, o profissional da gestão do trabalho pedagógico deve organizar esse
trabalho junto aos seus gestores e criar um ambiente a serviço da transformação social
visando a articulação das relações humanas dentro da escola. Consegue-se fazer este
trabalho de forma consciente quando se tem uma boa fundamentação teórica. Deve-se
estar em constante atualização e principalmente tentar superar a fragmentação entre o
fazer e o pensar, é preciso ter um trabalho integrado que faça a vinculação de todos
esses elementos que aparecem no cotidiano da escola. Deve-se contribuir de maneira
efetiva no processo educativo. O profissional da gestão do trabalho pedagógico tem que
trabalhar junto com os professores, tem que haver um trabalho de coleguismo, de
cooperação; ter objetivos comuns, estar junto, formar uma equipe, ter flexibilidade.
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REFERÊNCIAS

BRZEZINSKI, I. LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo:


Cortez, 1998.
DIAS DA SILVA, M.H.G.F. Projeto Pedagógico e escola de periferia: sonho ou pesadelo?
Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.23, n.2, p. 1 – 16 jul. 2000.
EYNG, AM Projeto pedagógico: construção coletiva da identidade da escola – um
desafio permanente. Revista Educação em movimento. Champagnat – v.1 n.1 – p. 25
-32 – jan./abril 2002.
MORASTONI, J. ; MALINOSKY, M.G.S. Projeto Político Pedagógico: um contrato entre
gestores, professores e alunos. Gestão em Rede, Curitiba, p. 12 – 17 – set. 2006.
FERREIRA, N.S.C. Projeto Político Pedagógico. Curitiba: Ibpex, 2008.
SANTOS, G. R. C. M.; MOLINA, N.L.; DIAS, V.F. Orientações e dicas práticas para
trabalhos acadêmicos. Curitiba: Ibpex, 2005.
URBANETZ, S.T.; SILVA, S.Z. Orientação e Supervisão Escolar: caminhos e
perspectivas. Curitiba: Ibpex, 2008.