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FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA – Facinter

KAREN ABREU DE OLIVEIRA

A INCLUSÃO E SEUS DESAFIOS

CAXIAS DO SUL
2009

KAREN ABREU DE OLIVEIRA


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A INCLUSÃO E SEUS DESAFIOS

Trabalho apresentado às disciplinas de Currículo na


escola inclusiva: fundamentos e Currículo na escola
inclusiva: inovações tecnológicas em Educação
Especial do Curso de Educação Especial e
Educação Inclusiva, período 2008/08, da Faculdade
Internacional de Curitiba – Facinter.

Profa. Inge Suhr


Prof. Claudio Kleina

CAXIAS DO SUL
2009
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................ 4

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................... 5

3. CONCLUSÃO........................................................................................ 9

4. REFERÊNCIAS................................................................................... 10

5. APÊNDICE.............................................................................................. 11
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre a inclusão dos alunos com
necessidades educativas especiais na rede regular de ensino e os desafios e
impasses das práticas pedagógicas inclusivas. Aborda também, algumas
adaptações que são de responsabilidade da escola como instituição e do professor
como agente principal desse processo.
Entender a educação inclusiva no Brasil, suas diretrizes legais e como ela se
apresenta na prática é de extrema importância para os profissionais que estudam a
Educação Especial, pois esclarece vários aspectos da realidade das escolas
brasileiras que não condizem com o que está acordado em lei, principalmente
quanto ao oferecimento de condições que permitam as escolas e seus profissionais
se instrumentalizarem para oferecer as pessoas com necessidades educativas
especiais sua inclusão no sistema regular de ensino com verdadeiro sentido.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Cabem as escolas brasileiras de ensino regular a partir da Declaração Mundial de


Educação Para Todos, em 1990 e com a Declaração de Salamanca, Brasil -1997
garantir as pessoas com necessidades educativas especiais, sua inclusão, sem
distinção, assegurando a todos às condições de acesso, permanência e uma
educação de qualidade que respeite as diferenças.
Nossa Constituição deixa bem claro que não pode haver nenhum tipo de exclusão,
garante o direito de igualdade e educação para todos, portanto a educação inclusiva
garante o cumprimento do direito de acesso a escola, de qualquer criança. No Brasil
temos como fundamentos a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 1º,
inc.II e III), e como objetivo fundamental a promoção do bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação (art. 3º, inc IV).

Art.205 A educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art.206 O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
Art.208 O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a
garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
criação artística, segundo a capacidade de cada um (Constituição Federal,
art.205, 206, 208).

Cabe a escola reformular seu ensino, organizando seu currículo e sua metodologia
para receber esta nova clientela. Sabe-se que o processo de inclusão acarreta
muitas dificuldades para quem não está acostumado a essa nova dinâmica e
também não possui muitos esclarecimentos a respeito das necessidades educativas
especiais.
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Constata-se que o aluno considerado “diferente” até bem pouco tempo atrás era
atendido em diversas instituições que trabalhavam especificamente para garantir o
seu bem-estar e a sua integridade, hoje após o Decreto nº. 3956/2001 a escola não
tem mais como se omitir, pois o direito de acesso ao Ensino Fundamental é um
direito indisponível, por isso todas as crianças com deficiência, em idade de
freqüentá-lo não podem ficar a margem deste. Com os estudos realizados percebe-
se que a inclusão não acontece como a lei prevê, e, também que as escolas e seus
profissionais não estão preparados para receber essas pessoas com necessidades
especiais. O mais preocupante é que estes alunos estão cada vez mais chegando à
escola e as condições de atendimento não existem, nem mesmo a adequação dos
prédios, quanto mais à capacitação dos professores que é de suma importância
para que este aluno não seja simplesmente depositado na sala de aula.
Constata-se o quando esse aluno está sendo prejudicado e o quanto os professores
se sentem mal em não poder ajudá-lo a superar suas deficiências por
desconhecimento do trabalho que pode ser feito e pela falta de instrumentalização.
As escolas precisam adequar seu projeto político pedagógico, modificar seu
currículo, quanto à metodologia e quanto ao processo avaliativo. Nota-se que em
nosso país, o compromisso com as leis fica muito no papel e o modismo impéra, por
isso as políticas públicas não acontecem como deveriam e a realidade das escolas
continuam precárias, pois cabe ao poder público oferecer condições que permitam
as escolas e a seus profissionais a instrumentalização necessária para que a
inclusão aconteça como está previsto na lei.

“O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do


atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede
pública regular de ensino...” (Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, cap. V, art. 60, parágrafo único).

Os alunos atendidos na escola em turno oposto devem ser atendidos pelas


instituições especializadas que vão dar suporte ao trabalho da escola.
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A escola também não pode deixar de assumir seu papel includente, tem que dar
conta de todas as reformas educacionais propostas pelas leis mesmo sem ter o
apoio devido, pois está sendo pressionada para atender a todas estas pessoas.

“O princípio fundamental desta Linha de Ação é que as escolas devem


acolher todas as crianças independentemente de suas condições físicas,
intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras.” (Declaração de
Salamanca e Linha de Ação Sobre Necessidades Educativas Especiais,
1994, págs. 17-18).

Cria-se um novo paradigma onde à pessoa com necessidades educativas especiais


não é mais vista como a única responsável pela sua deficiência e que estas
necessidades não são imutáveis, pois já está comprovado que se forem bem
trabalhadas estas pessoas são possíveis de serem educadas, por que todos nós
podemos aprender, todos nós temos nossas deficiências. A escola deve trabalhar
com o paradigma da inclusão, onde ela também é convocada a dar respostas e
deixar de lado o paradigma da integração onde ela não se modifica, fica estática, só
depositando as pessoas que são consideradas como “problema”. A escola tem que
trabalhar com as potencialidades do aluno.
Quanto ao atendimento educacional especializado e sua instrumentalização nas
escolas ele deve ocorrer dentro das possibilidades das mesmas e se não dispuser
de pessoal qualificado a escola deve providenciar pessoal para esse fim, pois o
não–atendimento não é justificável.
Levando-se em conta que a inclusão, hoje, já é fato, não podemos ficar de braços
cruzados. Dentro deste processo o papel do professor é o mais importante, pois é
ele que vai introduzir as medidas que vão modificar o currículo, tornando-o flexível,
dando ênfase as potencialidades e não aos déficits dos alunos, mas nunca fugindo
do que diz o PPP da escola que já deve estar reformulado para atender essa
demanda.
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“Toda organização de estratégias educativas que ajudem, facilitem e


promovam a aprendizagem do aluno, por meio da flexibilização do
currículo.” (Minetto, 2008, p.64)

O trabalho do professor não deve ser um trabalho isolado, ele precisa envolver a
família do aluno, outros profissionais de apoio, e toda comunidade escolar para que
a inclusão tenha êxito. Há várias adaptações que podem e devem ser
contempladas na medida do possível:
Os alunos com deficiência auditiva devem ter um intérprete/ tradutor de língua de
Sinai se um instrutor de LIBRAS (de preferência surdo) que trabalhe em conjunto
com o professor de Português (educação bilíngüe) e também muitos estímulos
visuais na sala de aula. O diferencial é reconhecer o surdo como uma experiência
visual que precisa de uma língua visual.
Já os alunos com deficiência motora a escola precisa eliminar suas barreiras
arquitetônicas e também quando os alunos apresentam dificuldades de
comunicação ou dificuldades funcionais devem existir pranchas de comunicação,
vocalizadores, computadores adaptados e muitos outros recursos disponíveis, deve
haver adaptação curricular, ás vezes de pequeno porte (que dependem do
professor) e ás vezes de grande porte (que não dependem do professor). O
professor que trabalha com deficientes físicos tem que se movimentar pelo aluno.
A deficiência visual requer material didático especial como o soroban (ábaco) e
regletes, além disso, o aluno precisa aprender o código Braille e conhecer
detalhadamente o espaço físico da escola para poder se movimentar e deve ter
acesso a computadores com sintetizadores de voz adaptados.
O deficiente mental assim como o autista, é o mais discriminado na escola e é
encarado como o maior problema na inclusão. Para trabalhar com essas crianças é
importante o respaldo de especialistas.
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Além desses casos ainda encontramos nas escolas alunos que são tratados como
indisciplinados e na verdade são alunos superdotados ou apresentam TDAH e
infelizmente não temos capacitação adequada para reconhecer que o TDAH é um

problema de saúde e que precisa de atendimento especializado assim como o


superdotado precisa ser trabalhado e não só avançar na sua escolaridade.
Vê-se que o desafio da escola é muito grande, mas não temos como voltar atrás, à
lei nos impulsiona para frente, cada um tem que assumir o seu papel.

CONCLUSÂO
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Com este trabalho conclui-se, que a escola é o foco da inclusão, que tem que haver
flexibilidade curricular, apoio de profissionais qualificados que trabalhem junto aos
professores com esses atendimentos especializados, que a eliminação de barreiras
arquitetônicas devem dar acesso a muitos alunos com deficiência física. Que os
professores devem possuir capacitação para trabalhar com estes alunos.
A escola não deve se omitir do seu papel includente, por que como está na lei, todo
estabelecimento de ensino que tem alunos com deficiências educativas especiais
matriculados, tem direito de receber e cobrar do governo os subsídios para que a
inclusão aconteça, a escola não pode se acomodar e esperar que os recursos
cheguem a ela sem ir atrás.
Há ainda muito que fazer quando o assunto é inclusão, no Brasil, estamos apenas
engatinhando, mas mesmo assim estas pessoas já estão sendo tratadas como um
pouco mais de dignidade.

REFERÊNCIAS
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BRASIL. MEC. SSESP. Projeto Escola Viva – Garantindo o acesso e


permanência de todos os alunos na escola – Alunos com necessidades
educacionais especiais. Brasília: MEC, 2000.

BRASIL. Congresso Nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação


Nacional, nº. 9394, de 20/12/1996

________. BRASIL.Constituição(1988). Constituição da República Federativa do


Brasil. Brasília: Senado (1988).

BRZEZINSKI, I. LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo:


Cortez, 1998.

MINETTO, Maria de Fátima. Currículo na educação inclusiva entendendo esse


desafio. Curitiba: Ibpex, 2008.

SILVA, Tomaz T. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias de


currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades


educativas especiais. Brasília, CORDE, 1994.

http://dominiopublico.gov.br/download/texto/me000449.pd
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag4.pdf
http://acessibilidade.net/at/kit/computador.htm
www.defnet.org.br
www.entreamigos.com.br
www.expansão.com
www.mec.gov.br

APÊNDICE

O caso do João
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Um aluno com paralisia cerebral quando chega à escola deve-se investigar toda a
sua vida e conhecer a sua deficiência. Essa investigação deve ser feita com a
família e com os profissionais especializados que o tratam a mais tempo, essas
informações são muito importantes para vermos quais adaptações são possíveis de
se fazer para recebê-lo da melhor forma possível. A observação é muito importante
também, pois com ela vamos identificar os conhecimentos que esse aluno já
adquiriu até aqui.
Deve-se preparar a turma para receber o aluno. A turma deve tomar conhecimento
da deficiência que o aluno apresenta e como todos podem se ajudar, mutuamente.
Deve-se criar um clima de expectativas positivas quanto a sua chegada e também
quanto a sua aprendizagem. Torná-los cientes de que com a diversidade há
possibilidades de crescimento individual e coletivo.
Todos os profissionais da escola devem se sentir envolvidos, portanto o trabalho do
professor não deve ficar isolado ele deve trabalhar em conjunto com a equipe
pedagógica da escola. Deve haver envolvimento de toda comunidade educativa,
principalmente da família.
As barreiras arquitetônicas devem ser eliminadas para que o aluno adquira mais
autonomia ao explorar o ambiente escolar. No caso da deficiência física os grandes
obstáculos são as escadas, os degraus altos, as diferenças de nível, as portas
estreitas, a falta de rampas de acesso e os banheiros não-adaptados. A escola
pode dispor dos recursos do governo federal para fazer essas adaptações.
Quanto ao mobiliário da sala de aula ele deve ser adaptado para que o aluno se
sinta o mais confortável possível como usar cadeiras com faixas, almofadas, apoio
para os pés. Espaço para a cadeira de rodas também é muito importante quando
não se dispõe de outros recursos.
O aluno já está alfabetizado e é muito esforçado, mas mesmo assim devem ser
feitas algumas modificações necessárias que envolvem conteúdos, objetivos,
metodologia e avaliação.
A organização do espaço através da adaptação e utilização de equipamentos
devem favorecer a todos os alunos assim como a flexibilização da temporalidade.
O trabalho de alfabetização deve ser continuado contemplando as necessidades de
João e também a de seus colegas. O professor conhecendo o que já foi trabalhado
anteriormente deve dar sequência à aprendizagem. As adaptações de material
pedagógico que podem ser usadas com João são os jogos que podem sofrer
alterações para que o aluno consiga participar com autonomia. O quebra-cabeça
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pode ser confeccionado com papelão, rótulos, papel contact e velcro fixado na base
e no verso das peças. Já o computador pode ajudá-lo muito nas suas tarefas
educacionais e também na sua comunicação, devido a sua limitação de mobilidade
o computador pode dar acesso a lugares e conhecimentos de interesse do aluno e
se tornar uma ferramenta para transmitir idéias, sentimentos e necessidades.
A avaliação do aluno João deve ser diagnóstica e contínua e não é só ele que deve
ser avaliado. Os objetivos, os conteúdos adaptados, a metodologia, enfim todo o
processo e todos os envolvidos no processo devem ser avaliados, para ver se
houve melhoras e para se estabelecer mudanças em todos os âmbitos.