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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA CURSO: ENGENHARIA CIVIL

PATRICK DE ALMEIDA RODRIGUES

ESTUDO DA UTILIZAÇÃO DE ESTACA INJETADA DO TIPO MICROESTACA PARA REFORÇO DE FUNDAÇÃO

Feira de Santana-BAHIA

2008

ESTUDO DA UTILIZAÇÃO DE ESTACA INJETADA DO TIPO MICROESTACA PARA REFORÇO DE FUNDAÇÃO Feira de Santana-BAHIA

PATRICK DE ALMEIDA RODRIGUES

ESTUDO DA UTILIZAÇÃO DE ESTACA INJETADA DO TIPO MICROESTACA PARA REFORÇO DE FUNDAÇÃO

Monografia apresentada ao Curso de graduação em Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Areobaldo Oliveira Aflitos Co-Orientador: Prof. Carlos Henrique de A. Couto Medeiros

Feira de Santana-BAHIA

2008

TERMO DE APROVAÇÃO

PATRICK DE ALMEIDA RODRIGUES

ESTUDO DA UTILIZAÇÃO DE ESTACA INJETADA DO TIPO MICROESTACA PARA REFORÇO DE FUNDAÇÃO

Monografia aprovada como requisito para obtenção do grau em Bacharel em Engenharia Civil, Universidade Estadual de Feira de Santana, pela seguinte banca examinadora:

Prof. Areobaldo Oliveira Aflitos, M. Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba

Prof.ª Maria do Socorro C. S. Mateus, M. Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba

M. Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba Prof. Carlos César Uchoa de Lima,

Prof. Carlos César Uchoa de Lima, D. Sc. Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba

Feira de Santana, Abril de 2008.

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar a Deus por ter me dado força para conseguir superar todas as dificuldades enfrentadas durante o período do curso.

Aos meus pais, por nunca medirem os seus esforços para me darem tudo que estivesse ao seu alcance e sempre me alertarem da importância dos estudos na minha vida.

Agradecer aos meus irmãos Pablo Rodrigues, Paula Maine, Priscila Maiane, a minha namorada Ingrid Gondim e aos meus amigos de infância Alan Ferreira, Alex Ferreira, Ricardo Pereira, Eduardo Santana e Marcelo Santana por contar com eles em qualquer momento que precisei.

Aos professores do Curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana em especial aos professores Areobaldo Oliveira Aflitos, Carlos Henrique Medeiros, Elvio Antonino Guimarães e Carlos César Uchoa de Lima por darem uma grande contribuição para a elaboração do meu Trabalho de Conclusão de Curso.

Aos meus colegas e amigos da turma 2002-2, especialmente a Isabela Nunes, Lívia Chagas, Micheline Borges e a Francisco Cerqueira Júnior o meu grande parceiro e amigo.

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5

Se é fácil adquirirem-se conhecimentos teóricos é muito difícil transmitir-se a experiência vivida Milton Vargas, 1980

RESUMO

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ESTUDO DA UTILIZAÇÃO DE ESTACA INJETADA DO TIPO MICROESTACA PARA REFORÇO DE FUNDAÇÃO

PATRICK DE ALMEIDA RODRIGUES

Abril/2008

As fundações são o elo das obras de engenharia com o terreno e são importantes para construção de qualquer empreendimento, pois um projeto de engenharia por mais simples que seja necessita de um conhecimento prévio de onde ele será implantado. Este trabalho apresenta um estudo sobre fundações profundas em estaca com injeção, tipo estaca-raiz e microestacas, com ênfase em microestaca, apresentando uma revisão do assunto e um estudo de caso. A revisão tem como objetivo detalhar o método executivo, determinar a real função da microestaca, sua história, seu campo de utilização e analisar as vantagens e desvantagens das estacas injetadas. O estudo de caso foi realizado para efeito de comparação entre a teoria e a prática, para aceitação deste tipo de sistema como elemento de reforço de fundação. A realização do estudo verificou-se que as microestacas são altamente utilizadas para reforço de fundação devido as suas diversas vantagens que serão citadas no trabalho e que as investigações geotécnicas e a interpretação dos resultados são fatores determinantes para a escolha certa do tipo de fundação.

Palavras-Chave: Fundações - Reforço - Microestaca

ABSTRACT

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THE STUDY OF THE USE OF INJECTED MICROPILE FOR REINFORCEMENT OF FOUNDATION

PATRICK DE ALMEIDA RODRIGUES

April/2008

The foundations are the link between engineering works and the soil. They are important for construction of any building, because any engineering project needs a previous knowledge about its construction. This work presents a study about deep foundations in stake with injection such as stake-root and micropile, with emphasis in micropile, presenting a revision of this subject and a case study. The revision has as objective to detail the executive method and to determine the real function of the micropile, its history and utilization in field and to analyze the advantages and disadvantages of the injected stakes. The case study was accomplished for comparison between the theory and the practice, to accept this system as an element of foundation reinforcement. This study has verified that the micropile are frequently used for foundation reinforcement due several advantages such as, larger inclination and small vibration during the execution In addition to that, geotechnical investigations and the interpretation of the results are decisive for the right choice of the foundation.

Keywords: Foundations - Reinforcement - Micropile.

LISTA DE FIGURAS

8
8

Figura 2.1 - Interpretação de ensaios de campo (SCHNAID,

18

Figura 2.2 - Execução do Ensaio de SPT

19

Figura 2.3 - Amostras do ensaio de SPT após a sua retirada do terreno (TOURRUCO, 2004)

20

Figura 2.4 - Modelo de Boletim de Sondagem

21

Figura 2.5 - Relógios do Torquímetro (TOURRUCO, 2004)

22

Figura 2.6 - Execução do ensaio de SPP-T (TOURRUCO, 2004)

23

Figura 2.7 - Ensaio de CPT (http://www.insitu.com.br)

24

Figura 2.8 - Estaca Pré-Moldada de Concreto utilizada no Estudo de Caso

27

Figura 2.9 - Método executivo das Estacas Injetadas (http://www.benaton.com.br)

30

Figura 2.10 - Fase executiva da Estaca Raiz (http://www.exatafundações.com.br)

32

Figura 2.11 - Fluxograma Executivo Estaca tipo Raiz – Microestaca (SOLOTRAT,

33

Figura 2.12 - Microestacas (PRADO, FARIA, & VAZ)

34

Figura 2.13 - Fases de Execução da Microestaca (ABMS/ABEF, 2006)

36

Figura 2.14 - Execução do furo

37

Figura 2.15 - Instalação do tubo manchete

38

Figura 2.16 - Procedimento para iniciar a injeção da calda de cimento

39

Figura 2.17 - Injeção de calda de cimento

39

Figura 2.18 - Detalhe de obturador de Injeção (SOLOTRAT, 2007)

40

Figura 2.19 - Conclusão da Injeção

40

Figura 2.20 - Detalhe da Armação para Estaca-Raiz (SOLOTRAT,

43

Figura 2.21 - Lançamento da calda de cimento

44

Figura 2.22 - Obturador

44

Figura 2.23 - Preparo da cabeça Estaca-Raiz (SOLOTRAT,

46

Figura 2.24 - Arrasamento - quebra da cabeça da estaca

46

Figura 2.25 - Preparo da cabeça da Microestaca (SOLOTRAT, 2007)

47

Figura 2.26 - Transferência de carga de uma estaca isolada (VELLOSO & ALONSO,

48

Figura 2.27 - Reforço por estaca injetada (GOTLIEB, 2006)

61

Figura 3.1 - Estaca Pré-moldada de Concreto utilizada na construção – tipo SCAC

(http://www.benaton.com.br)

63

Figura 3.2 - Cravação das Estacas pré-moldadas de concreto

63

Figura 3.3 - Instante da perfuração de Matacão

64

Figura 3.4 – Locação dos Pontos de Sondagens Adicionais

65

9
9

Figura 3.5 - Detalhe do trecho engastado das estacas na rocha

67

Figura 3.6 - Corte Esquemático das Estacas

67

Figura 3.7 - Continuação da perfuração

68

Figura 3.8 - Corte representativo do reforço na estaca pré-moldada de concreto

69

Figura 3.9 - Tubo de Aço Schedule

69

Figura 3.10 - Detritos sólidos retirados após a limpeza

69

Figura 3.11 - Detalhe do sistema de injeção mediante válvulas ou manchete

70

(http://www.exatafundações.com.br)

LISTA DE TABELAS

10
10

Tabela 2.1 - Números de furos de sondagens necessários em função da área construída

17

Tabela 2.2 - Classificação dos principais tipos de estacas pelo método executivo (MAIA, et al.,

(NOGUEIRA, 1977)

2006)

26

Tabela 2.3 - Procedimento para avaliação dos serviços

42

Tabela 2.4 - Procedimento para avaliação dos serviços

43

Tabela 2.5 - Procedimento para avaliação dos serviços

45

Tabela 2.6 - Procedimento para avaliação dos serviços

45

Tabela 2.7 - Procedimento para avaliação dos serviços

47

Tabela 2.8 - Valores de K Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

49

Tabela 2.9 - Valores de α Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

50

Tabela 2.10 - Valores de β Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

50

Tabela 2.11 - Valores de F1 e F2 de Aoki- Velloso (GUSMÃO F., 2003)

52

Tabela 2.12 - Valores de K e α Aoki-Velloso (GUSMÃO F., 2003)

53

Tabela 2.13 - Pressões básicas para material rochoso (σo) (NBR6122, 1996)

55

Tabela 2.14 - Dimensionamento estrutural de Microestaca (SOLOTRAT,

59

SUMÁRIO

11
11

1 - INTRODUÇÃO -

1.1

Justificativa

13

14

1.2

- Objetivos

14

1.2.1 -

Objetivo Geral

14

1.2.2 - Objetivos Específicos

14

1.3

- Metodologia

15

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

16

2.1

- INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA

2.1.1

2.1.2 Ensaio SPT-T (Standard Penetration Test with Torque Measurements)

Standard Penetration Test – SPT

-

16

-

19

22

2.1.3 Ensaio de Penetração Estática Contínua (CPT)

-

23

2.2

- FUNDAÇÕES PROFUNDAS

2.2.1

2.2.2 Fundação em estaca

Tipos de fundação - Generalidades

-

25

-

25

26

2.2.3 Critérios para a utilização de fundação em estaca

-

28

2.3

- ESTACA ESCAVADA COM INJEÇÃO

29

2.3.1

- Breve Histórico

29

2.4

- TIPOS DE ESTACAS ESCAVADAS INJETADAS -

2.4.1

Evolução das Estacas Injetadas

31

31

2.4.2 -

Estaca Raiz

32

2.4.3 -

Microestaca

34

2.5

- MÉTODO EXECUTIVO DA MICROESTACA

36

Fase 1 - Perfuração auxiliada por circulação de água

36

Fase 2 - Instalação do tubo manchete

37

Fase 3 - Execução da “bainha”

38

Fase 4 - Injeção da calda de cimento

38

Fase 5 - Vedação do tubo manchete

40

2.6 - PROCEDIMENTO PARA AVALIAÇÃO E CONTROLE DOS SERVIÇOS EM

41

42

CAMPO

2.6.1 Perfuração:

2.6.2 Montagem e colocação da armadura

-

-

42

12
12

2.6.4 -

Retirada do revestimento:

45

2.6.5 - Preparo da cabeça da Estaca

46

2.7 -

MÉTODOS DE CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES

 

PROFUNDAS

48

2.7.1 -

Capacidade de Carga de Estaca Isolada

48

2.7.2 - Capacidade de Carga de Estacas em Rocha

2.8 -

54

CAPACIDADE DE CARGA ESTRUTURAL

57

2.9 - REFORÇO DE FUNDAÇÃO

ESTUDO DE CASO

60

3

-

63

CONCLUSÃO REFERÊNCIAS

4

-

71

72

ANEXO

75

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1 - INTRODUÇÃO

Um projeto de engenharia, por mais simples que seja, necessita de um conhecimento prévio de onde ele será implantado. A estrutura irá transmitir cargas para o terreno, que deverá suportar esta solicitação, transmitida através do elemento estrutural de fundação.

As fundações são, portanto, o elo de ligação das obras de engenharia com o terreno e são igualmente importantes em casas residenciais, pontes, barragens, estrutura de armazenamento de líquidos, etc. No desenvolvimento de projetos de fundações os requisitos básicos deverão ser atendidos como deformações aceitáveis sob as condições de trabalho, segurança adequada à ruptura do solo e dos elementos estruturais (MATTOS, 2003).

Durante a execução de qualquer obra de fundação, é essencial ter um adequado controle de campo para garantir qualidade e um bom funcionamento da mesma. A falta de conhecimento prévio dos parâmetros do solo poderá causar problemas específicos, dependendo do tipo de estrutura. A construção de muro de arrimo por exemplo, poderá apresentar problema de interação da estrutura com o solo adjacente, sendo necessário o conhecimento das características da superfície.

As fundações subdividem-se em fundações do tipo superficial (direta ou rasa) e fundações profundas (indiretas). As fundações superficiais representado por: sapatas, blocos, radier, sapata associada, vigas de fundação e as sapatas corridas são escolhidas considerando-se fatores importantes como características dos solos, tipo de fundação apropriado, custos, dentre outros. Para as fundações profundas (estacas, tubulões e caixão), os cuidados são os mesmos. As estacas são elementos de fundação profunda executadas inteiramente por equipamentos ou ferramentas (NBR6122, 1996).

As fundações estão sujeitas a recalques, que decorrem das deformações sofridas pelo solo. Os recalques podem provocar o aparecimento de trincas nas superestruturas e, dependendo da gravidade do problema será necessário o reforço das fundações. Os primeiros procedimentos de reforço de fundações e de melhoramento do terreno foram desenvolvidos através de execução de estacas escavadas injetadas.

14

1.1 - JUSTIFICATIVA

A Microestaca, no início da sua comercialização, era utilizada para melhoramento do solo e reforço de fundação e, com o avanço da tecnologia empregada na execução de estacas injetadas, elas passaram a ser utilizadas para qualquer condição (ALONSO, 2001). A microestaca vem sendo bastante utilizada pela sua elevada capacidade de suporte e dimensões reduzidas. Particularmente, no reforço de fundações, as estacas injetadas possuem grande facilidade de execução.

O trabalho foi desenvolvido em função da importância da estaca injetada (tipo microestaca) no reforço de fundações. O estudo de caso foi realizado para aplicação da teoria estudada na revisão bibliográfica.

1.2 - OBJETIVOS

1.2.1 - Objetivo Geral

Apresentar o estado da arte relativo à utilização de microestacas, como solução em estacas injetadas, descrevendo a sua origem, processo de evolução ao longo das últimas décadas, aplicação, além de relatar um caso de aplicação como opção para reforço de fundação profunda em estaca pré-moldada de concreto.

1.2.2 - Objetivos Específicos

Aprimorar os conhecimentos sobre Microestacas através de revisão bibliográfica e do estudo de caso de reforço de fundações.

Estudar os critérios adotados para a escolha da fundação em estaca.

Verificar a real função de uma Microestaca, sua história e o campo de utilização.

15

Analisar as vantagens e as desvantagens das estacas injetadas.

Detalhar o método executivo da Microestaca.

1.3 - METODOLOGIA

O trabalho foi iniciado com uma revisão bibliográfica sobre o tema, além de consultas a profissionais da área.

Realizou-se um estudo de caso para efeito de comparação entre a teoria e a prática e, como conseqüência, contribuir no processo de validação e aceitação desse tipo de sistema como elemento de reforço de fundação.

No estudo de caso, analisou-se a situação de um empreendimento construído com pé direito de 13 metros, na cidade do Salvador - Bahia, com fundações executadas em estacas pré- moldadas de concreto e que necessitaram de reforço.

Foram utilizados dados de campo obtidos de (relatórios fotográficos e escritos), além de projetos para resgatar informações e subsidiarem a reconstituição da situação estudada, pois a obra de reforço das fundações do empreendimento já havia sido concluída.

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2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA

A elaboração de projetos geotécnicos em geral e, de fundações em particular exige um

conhecimento adequado dos solos. É necessário realizar a identificação e a classificação das diversas camadas componentes do substrato a ser analisado, assim como avaliar as suas propriedades de engenharia (QUARESMA, DÉCOURT, QUARESMA FILHO, ALMEIDA, & DANZIGER, 2006)

A obtenção de amostras, associada à utilização de algum outro processo para

identificação e classificação dos solos que exige a execução de ensaios “in situ” como sondagens tipo Standard Penetration Test (SPT), Standard Penetration Test with Torque Measurements (SSPT-T) e Cone Penetration Test (CPT), determinam os parâmetros geotécnicos necessários ao dimensionamento de fundações. A retirada de amostras é realizada quando os ensaios de laboratórios são solicitados. Na prática, entretanto, há predominância quase que total dos ensaios “in situ”, ficando a investigação laboratorial restrita a alguns poucos casos especiais em solos

coesivos (QUARESMA, DÉCOURT, QUARESMA FILHO, ALMEIDA, & DANZIGER, 2006)

O tipo de investigação do subsolo e a profundidade a ser estudada dependem do porte da

obra, do subsolo local, das características do projeto, e devem ser acompanhados pelo

profissional responsável pelo projeto de fundações, visando segurança, adequação e gerenciamento de custos.

As sondagens são procedimentos de engenharia que têm por objetivo a obtenção de

informações de subsuperfície de uma área na terra, ou na água. Na ausência de investigação do subsolo, (típico de obras de pequenos e médios portes) mais de 80% dos casos de mau desempenho das fundações das obras têm como causa a ausência completa de investigação (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005).

As sondagens a percussão são o tipo de investigação “in situ” mais utilizados no Brasil, e

não requerem equipamentos sofisticados. O número de sondagens e a sua localização em planta dependem do tipo da estrutura, de suas características especiais e das condições geotécnicas do

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subsolo, e deve ser suficiente para fornecer um quadro, o melhor possível, da provável variação

das camadas do subsolo do local em estudo (NBR 8036, 1983). A tabela 2.1 apresenta o número

máximo de furos exigidos.

Tabela 2.1 - Números de furos de sondagens necessários em função da área construída (NOGUEIRA, 1977)

ÁREA CONSTRUIDA

MÚMERO MÍNIMO DE FUROS

(m²)

< 200

02

200-400

03

400-600

03

600-800

04

800-1000

05

1000-1200

06

1200-1600

07

1600-2000

08

2000-2400

09

>2400

CRITÉRIO

Cabe salientar que no Brasil o custo envolvido na execução de sondagens de simples

reconhecimento ou sondagens a percussão varia normalmente entre 0,2 a 0,5% do custo total da

obra, sendo as informações geotécnicas indispensáveis à previsão dos custos fixos associados ao

projeto e sua solução (SCHNAID, 2000).

Segundo Milititsky (2005), quando a investigação é insuficiente ela se torna inadequada a

identificação de aspectos que acabam comprometendo o comportamento da fundação projetada.

Casos típicos destes problemas são (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005):

Número insuficiente de sondagem ou ensaio para áreas extensas ou de subsolo variado

Profundidade de investigação insuficiente, não caracterizando camadas de

comportamento distinto, em geral de pior desempenho, também solicitadas pelo

carregamento

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Propriedades de comportamento não determinado, por necessitar de ensaios especiais (expansibilidade, colapsibilidade, etc.)

Situações de grande variação de propriedade, ocorrência localizada de anomalia ou situações não identificadas.

Segundo Schnaid (2000), o ensaio de sondagem a percussão, também chamado de SPT é reconhecidamente a mais popular, rotineira e econômica ferramenta de investigação em praticamente todo o mundo, permitindo uma indicação da densidade de solos granulares, também aplicado à identificação da consistência de solos coesivos e mesmo de rochas brandas.

A figura 2.1, apresenta um organograma de procedimentos adotados após a realização de ensaios “in situ”, de acordo com Schnaid (2000).

de ensaios “ in situ” , de acordo com Schnaid (2000). Figura 2.1 - Interpretação de

Figura 2.1 - Interpretação de ensaios de campo (SCHNAID, 2000).

19

Os ensaios de campo mais utilizados encontram-se descrito nos itens 2.1.1, 2.1.2, 2.1.3.

2.1.1 - Standard Penetration Test – SPT

No Brasil, o ensaio de SPT é muito utilizado para o reconhecimento do subsolo e está normatizado pela Associação Brasileira de Normas Técnica através da NBR6484/2001 (ABMS & ABEF, 2004).

O ensaio SPT (Figura 2.2) constitui-se em uma medida de resistência dinâmica conjugada a uma sondagem de simples reconhecimento. A perfuração é realizada por tradagem e circulação de água, utilizando-se um trépano de lavagem como ferramenta de escavação (SCHNAID, 2000).

A principal vantagem deste ensaio é o seu valor econômico relativamente baixo e o fato de ser um ensaio relativamente simples. Por outro lado, a principal desvantagem são os erros grosseiros por falta de manutenção do amostrador ou deficiência do técnico (TOURRUCO,

2004).

No ensaio, a determinação da resistência dinâmica (N SPT ) do solo à cravação de um amostrador - padrão, no fundo de um furo de escavação (revestida ou não) é feita por meio de golpes oriundos da queda livre de um peso (65 kg) a uma altura de 75 cm. O N SPT é número de golpes necessários para que o amostrador - padrão de 45 cm penetre a cada metro os últimos 30 cm (NSPT), após a cravação total de 45 cm, iniciando sempre em cotas de números inteiros (NBR 6484, 2001).

total de 45 cm, iniciando sempre em cotas de números inteiros (NBR 6484, 2001). Figura 2.2

Figura 2.2 - Execução do Ensaio de SPT

20

As informações obtidas com o ensaio de SPT de interesse para aplicações em Engenharia Civil são (NBR 6484, 2001):

A determinação dos tipos de solo em suas respectivas profundidades de ocorrência, com espessuras dos diversos horizontes;

A posição do nível d’água, com registro da data de realização do ensaio;

Os índices de resistência à penetração (N SPT ).

Estas sondagens são as mais freqüentes na engenharia e os seus resultados são utilizados para:

Obter perfil geológico das camadas do subsolo, com descrição dos horizontes e suas propriedades

Estimativa da capacidade de carga das diferentes camadas do subsolo

Coleta de amostras deformada das diversas camadas, para efeito de caracterização

Determinação da compacidade e consistência das camadas do subsolo em solos arenosos ou argilosos, respectivamente, e também para a determinação de eventuais linhas de ruptura que possam ocorrer em subsuperfície.

Na figura 2.3 o amostrador bi-partido no chão com a amostra de solo e outra parte da amostra sendo retirada do bico do amostrador.

outra parte da amostra sendo retirada do bico do amostrador. Figura 2.3 - Amostras do ensaio

Figura 2.3 - Amostras do ensaio de SPT após a sua retirada do terreno (TOURRUCO, 2004)

21

A figura 2.4 apresenta um modelo de Boletim de Sondagem, adotados por uma empresa de Salvador-Bahia.

um modelo de Boletim de Sondagem, adotados por uma empresa de Salvador-Bahia. Figura 2.4 - Modelo

Figura 2.4 - Modelo de Boletim de Sondagem

22

Na figura 2.4, na primeira coluna estão registrados os números de golpes necessários para penetrar os 30 cm iniciais dos 45 cm investigados em cada metro de profundidade. Para cada metro, mede-se o SPT nos 45 cm iniciais e os 55 cm restantes são escovados com trado manual ou por lavagem.

Os 45 cm de cada metro são divididos em 3 segmentos de 15 cm e o número de golpes para o amostrados padrão penetrar cada segmento é anotado. Ao final, soma-se o número de

golpes do primeiro e segundo segmentos (30 cm iniciais) e, do segundo e terceiro segmentos (30

cm finais).

2.1.2 - Ensaio SPT-T (Standard Penetration Test with Torque Measurements)

O ensaio de SPT-T deve ser realizado logo após o ensaio de penetração SPT. Só será executado quando o cliente solicitar, devendo para tanto constar explicitadamente da proposta de serviço (ABMS & ABEF, 2004).

O ensaio de SPT-T é realizado para medir o torque necessário para se vencer a aderência

do amostrador-padrão (cravado) com o solo que o envolve. O aparelho usado para tal ensaio é o

torquímetro (Figura 2.5), juntamente com todo o equipamento necessário ao SPT.

Após a cravação do amostrador-padrão e leitura do NSPT, acopla-se o torquímetro à haste e realiza-se um giro manualmente (Figura 2.6), movimentando assim todo o conjunto haste/amostrador (MIGUEL, GOMES, & PEDROLLI, 2005).

o conjunto haste/amostrador (MIGUEL, GOMES, & PEDROLLI, 2005). Figura 2.5 - Relógios do Torquímetro (TOURRUCO, 2004)

Figura 2.5 - Relógios do Torquímetro (TOURRUCO, 2004)

23

A leitura do Torques Máximo (Tmáx) é feita após a desestruturação do solo em torno do amostrador-padrão, ainda existe uma resistência residual por parte do solo, que é fornecida pelo torque residual.

por parte do solo, que é fornecida pelo torque residual. Figura 2.6 - Execução do ensaio

Figura 2.6 - Execução do ensaio de SPP-T (TOURRUCO, 2004)

2.1.3 - Ensaio de Penetração Estática Contínua (CPT)

O ensaio de penetração contínua (CPT) também denominado de Cone de Penetração Estática é um ensaio que consiste na cravação estática lenta de um cone mecânico ou elétrico que armazena em um computador os dados a cada 20 cm (TOURRUCO, 2004).

Ele é muito valioso, pois fornece dado como:

Resistência de ponta (qc)

Atrito lateral local (fs)

Correlação entre os dois (Fr, medida em %), que permite identificação do tipo de solo

24

Dedução das propriedades de engenharia do solo, tais como: densidade; ângulo de atrito e coesão

Alta precisão e boa repetibilidade

Em geral, as medidas são realizadas a cada 20 cm de profundidade.

Desvantagens

Necessidade de mão-de-obra especializada

Dificuldade para transportar o equipamento em regiões de difícil acesso

Pouco viável em solos pedregulhosos.

A figura 2.7 mostra o macaco hidráulico para cravação da haste com o cone na ponta e, o detalhe do cone.

para cravação da haste com o cone na ponta e, o detalhe do cone. Figura 2.7

Figura 2.7 - Ensaio de CPT (http://www.insitu.com.br)

25

2.2 - FUNDAÇÕES PROFUNDAS

2.2.1 - Tipos de fundação - Generalidades

As fundações profundas apresentam peculiaridades que as tornam diferentes dos demais elementos das edificações. A elaboração do projeto está diretamente relacionada às características de execução de cada sistema de fundações profundas, deixando de envolver apenas a adoção de perfil típico de solo e a análise, através de teoria ou métodos específicos de cálculo (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005).

As fundações profundas são elementos que transmitem a carga ao terreno pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas. Estão ausentes em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, e no mínimo 3m, salvo justificativa. Neste tipo de fundação incluem-se as estacas, os tubulões e os caixões (NBR6122, 1996), conforme mencionado na introdução.

Existe hoje uma variedade muito grande de estacas (Tabela 2.2) para fundações. Com certa freqüência, um novo tipo de estaca é introduzido no mercado e a técnica de execução está em permanente evolução. A execução de estacas é uma atividade especializada da Engenharia (MAIA, et al., 2006).

As fundações profundas são classificadas em dois grandes grupos, por condicionantes de espaço e objetividade (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005):

Estacas Escavadas, definidas como aquelas em que o processo executivo é realizado com retirada de solo;

Estacas Cravadas, com execução sem retirada do solo.

26

Tabela 2.2 - Classificação dos principais tipos de estacas pelo método executivo (MAIA, et al.,

2006)

tipos de estacas pelo método executivo (MAIA, et al., 2006) 2.2.2 - Fundação em estaca Define-se

2.2.2 -

Fundação em estaca

Define-se uma fundação em estaca como sendo um elemento de fundação profunda,

executado inteiramente por equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase de sua

execução, haja descida de operário. Os materiais empregados podem ser: madeira, aço, concreto

pré-moldado, concreto moldado “in situ” ou mistos (NBR6122, 1996).

Dentre os vários tipos de estacas têm-se: Broca, Strauss, Franki, pré-moldadas de

concreto (Figura 2.8), metálicas, de madeira, tipo mega, raiz, microestaca e as escavadas, entre

outras, cada uma possui característica própria, que atende às diferentes condições técnicas e

econômicas da obra (MAIA, et al., 2006). O presente trabalho estuda as estacas do tipo injetadas.

Quando as fundações profundas não são executadas de forma adequada apresentam

problemas, encontrados na prática de engenharia.

27

O uso de estacas se justifica quando não se encontram camadas superficiais resistentes, sendo necessário buscá-las em camadas mais profundas para que sirva de apoio à fundação. As estacas podem ser usadas, também, como contenção dos empuxos de terra ou de água através das estacas-prancha e ainda para se fazer a compactação de terrenos (GIONGO, 2000).

Fundações por estaca exigem uma comunicação eficiente entre o projetista e o executante, de forma a garantir que as reais condições construtivas sejam observadas e o projeto se adeqüe à realidade (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005).

Uma estaca nem sempre é executada conforme os requisitos definidos no projeto, pois depende da variabilidade das condições de campo. Além da possibilidade de variação das características do subsolo (identificadas na etapa de investigação), existem limitações de capacidade de equipamentos e de geometria (comprimentos e diâmetros, por exemplo), e as condições de campo, muitas vezes, obrigam a mudanças substanciais no projeto original (MILITITSKY, CONSOLI, & SCHNAID, 2005).

Em decorrência, da acirrada disputa comercial entre as empresas que executam estacas, tornou-se hábito, nos últimos anos, o conceito de que é necessário utilizar procedimentos executivos que permitam instalar as estacas em profundidades tais que se possa atingir a carga máxima estrutural (VELLOSO & ALONSO, 2000).

a carga máxima estrutural (VELLOSO & ALONSO, 2000). Figura 2.8 - Estaca Pré-Moldada de Concreto utilizada
a carga máxima estrutural (VELLOSO & ALONSO, 2000). Figura 2.8 - Estaca Pré-Moldada de Concreto utilizada

Figura 2.8 - Estaca Pré-Moldada de Concreto utilizada no Estudo de Caso

28

2.2.3 - Critérios para a utilização de fundação em estaca

Algumas características da obra podem impor certos tipos de fundação, permitindo uma variedade de soluções. Nesse caso é interessante realizar um estudo de alternativas e fazer a escolha com base em (ABMS/ABEF, 2006):

Oferta dos tipos de estacas disponíveis no mercado e na região onde a obra será construída

Menor custo

Menor prazo de execução.

O tipo de estaca a ser utilizado em uma determinada obra deve satisfazer condições técnicas e econômicas e, para tanto, são analisados os seguintes elementos (GIONGO, 2000):

Verificação do tipo e do estado das fundações

Levantamento da natureza e características do subsolo no local da obra em questão

Em particular, deve ser levada em conta a ocorrência de argila muito mole, que não fornece suporte às fundações

Solos com matacões, dificultando ou mesmo impedindo o emprego de estacas cravadas de qualquer tipo que seja, pois promovem a quebra da fundação durante a cravação

Determinação da grandeza das cargas a serem transmitidas à fundação.

29

2.3 - ESTACA ESCAVADA COM INJEÇÃO

2.3.1 - Breve Histórico

As estacas escavadas com injeção constituem um tipo de fundação profunda, executadas através de injeção sob pressão de produto aglutinante, normalmente calda de cimento ou argamassa de cimento e areia, onde se procura garantir a integridade do fuste ou aumentar a resistência de atrito lateral, de ponta ou ambas (Figura 2.9). Esta injeção pode ser feita durante ou após a instalação da estaca (NBR6122, 1996)

O desenvolvimento e a utilização das estacas injetadas ocorrem a partir da década de 50, quando o professor Fernando Lizzi solicitou na Itália as primeiras patentes. Inicialmente, as estacas injetadas foram desenvolvidas para reforço de fundações e melhoramento do solo (MAIA, et al., 2006).

Com o fim das patentes, várias empresas iniciaram a comercialização de estacas similares denominadas de estacas de “pequeno diâmetro” ou microestacas, onde eram executadas com a tecnologia de baixa ou alta pressão de injeção (ABMS/ABEF, 2006).

As microestacas ou pressoancoragem, que foram desenvolvidas no Brasil a partir de 1967 por Costa Nunes, na empresa Tecnosolo S/A, têm hoje difusão mundial e constituem uma modalidade de estaca escavada com injeção de calda de cimento (PRESA & POUSADA, 2001).

No início da comercialização, as estacas eram executadas com diâmetro de até 20 cm, mas com o passar dos anos, as empresas aumentaram cada vez mais o diâmetro, passando para 40 e até 50 cm, deixando de ser estaca de pequeno diâmetro.

Em virtude do aumento do diâmetro, a NBR 6122/96 adotou o nome de estaca escavada com injeção ou, também chamadas estacas escavadas injetadas.

O conceito inicial sugerido pelo professor Fernando Lizzi foi de criar com essas estacas um reticulado (pali radici), com estaca inclinada em várias direções de modo a transformar o solo em um “solo armado” (PRESA & POUSADA, 2001).

30

Na figura 2.10 mostra uma seqüência de execução de estacas injetadas.

mostra uma seqüência de execução de estacas injetadas. Figura 2.9 - Método executivo das Estacas Injetadas

Figura 2.9 - Método executivo das Estacas Injetadas (http://www.benaton.com.br)

31

2.4 - TIPOS DE ESTACAS ESCAVADAS INJETADAS

2.4.1 - Evolução das Estacas Injetadas

Sob a denominação genérica de estacas injetadas ou estacas escavadas injetadas englobam-se diversas variantes de estacas escavadas e moldadas in loco, mediante injeção de pasta ou argamassa de cimento que podem ser: estacas raiz e microestacas.

As estacas injetadas diferenciam-se das demais principalmente por três razões:

Podem ser executadas com maiores inclinações (0º a 90º)

Possuem maior densidade de armadura que as outras estacas de concreto

Sua carga admissível resulta basicamente da parcela resistente ao atrito lateral.

Este sistema apresenta fundamentalmente as seguintes vantagens:

Provoca reduzida descompressão do terreno durante a execução

Permite atingir grandes profundidades e atravessar terrenos de alta resistência (inclusive rocha), acima e abaixo

Possui elevada capacidade de carga, considerando suas pequenas seções

Não provoca praticamente vibrações durante a execução.

Por outro lado, possui os seguintes inconvenientes;

Custo relativamente elevado

Exige um maior número de provas de carga.

32

Com equipamentos de pequeno porte, usados em condições difíceis de reforço de

com

equipamentos de grande capacidade pode-se atingir excelentes profundidades de até 50 a

ordem

fundação,

alcançam-se

profundidades

da

de

10

a

30m/turno,

enquanto

que

100m/turno (PRESA,2001; POUSADA, 2001);

2.4.2 - Estaca Raiz

A Estaca Raiz é uma estaca armada e concretada com argamassa de cimento e areia, moldada ”in loco” executada através de perfuração rotativa ou roto-percussiva (Figura 2.10), revestida integralmente por meio de tubo metálico (tubo revestido) que garante a estabilidade da perfuração (ABMS & ABEF, 2004).

Uma vez escavada, armada e concretada, a estaca raiz recebe injeções de ar comprimido imediatamente após a moldagem do fuste e no topo do mesmo, concomitantemente com a remoção do revestimento. Usam-se baixas pressões (inferiores a 0,5 MPa), que visam apenas garantir a integridade da estaca (ABMS & ABEF, 2004).

garantir a integridade da estaca (ABMS & ABEF, 2004). Figura 2.10 - Fase executiva da Estaca

Figura 2.10 - Fase executiva da Estaca Raiz (http://www.exatafundações.com.br)

33

Nas estacas raiz, ocorrem apenas notáveis irregularidades ao longo do fuste, que favorecem a resistência por atrito lateral. Como as cargas adotadas foram aumentadas, ultrapassando 1000 kN, a NBR 6122 fixou a obrigatoriedade de realizar um número mais alto de provas de carga nesse tipo de estaca (TOURRUCO, 2004).

de provas de carga nesse tipo de estaca (TOURRUCO, 2004). Figura 2.11 - Fluxograma Executivo Estaca

Figura 2.11 - Fluxograma Executivo Estaca tipo Raiz – Microestaca (SOLOTRAT, 2007).

34

2.4.3 -

Microestaca

As microestacas (Figura 2.12) consistem em estacas de pequeno diâmetro moldadas “in loco”. O processo de perfuração do terreno é por rotação ou retopercussão em direção vertical ou inclinada, com um tubo de revestimento, munido na sua extremidade de uma coroa de perfuração (GEO-RIO, 2000).

extremidade de uma coroa de perfuração (GEO-RIO, 2000). Figura 2.12 - Microestacas (PRADO, FARIA, & VAZ)

Figura 2.12 - Microestacas (PRADO, FARIA, & VAZ)

As microestacas são executadas mediante a tecnologia de tirantes injetados em múltiplos estágios com o auxilio de um tubo-manchete de válvulas múltiplas, que impedem o retorno da calda de cimento. Na injeção da bainha e posterior injeção de cimento em cada estágio de abertura das válvulas ou manchetes, são usadas altas pressões (normalmente de 1 a 3 MPa) (PRESA & POUSADA, 2001).

Deve-se cuidar para não confundir as microestacas (pressoancoragens) com as estacas raiz. Esta última é feita mediante injeção de ar comprimido sobre a argamassa com baixas

35

pressões, enquanto as microestacas são executadas através de injeções de calda de cimento com pressões elevadas, em que no tubo-manchete há refluxo ou retorno de calda sob pressão, durante a execução (PRESA & POUSADA, 2001).

36

2.5 - MÉTODO EXECUTIVO DA MICROESTACA

O estudo de caso discutido neste trabalho, no item 3, envolve a utilização de microestaca no reforço de fundações inicialmente adotados. Sendo assim, a partir deste item, os aspectos referentes à microestacas serão aprofundados.

A

execução

de

uma

Microestaca

compreende

fundamentalmente

5

consecutivas, conforme apresentado na figura 2.13:

(cinco)

fases

conforme apresentado na figura 2.13: (cinco) fases Figura 2.13 - Fases de Execução da Microestaca (ABMS/ABEF,

Figura 2.13 - Fases de Execução da Microestaca (ABMS/ABEF, 2006)

Fase 1 - Perfuração auxiliada por circulação de água

A perfuração (Figura 2.14) no solo é realizada por rotação de tubos com o auxílio de circulação de água, que é injetada pelo interior deles e retorna à superfície pela fase externa. Esses tubos vão sendo emendados (por roscas) à medida que a perfuração avança, sendo

37

posteriormente recuperados após a instalação da armadura e preenchimento do furo com argamassa (MAIA, et al., 2006 e PRESA & POUSADA, 2001).

argamassa (MAIA, et al., 2006 e PRESA & POUSADA, 2001). Figura 2.14 - Execução do furo

Figura 2.14 - Execução do furo

Fase 2 - Instalação do tubo manchete

Após a perfuração atingir a cota de projeto, continua-se a injetar água, sem avançar a perfuração, para promover a limpeza do furo. A seguir ocorre a instalação de tubo manchete (Figura 2.15) de aço ou de PVC rígido, dotado de válvulas espaçadas de aproximadamente 1m;

38

38 Figura 2.15 - Instalação do tubo manchete Quando se usa tubo de PVC, o mesmo

Figura 2.15 - Instalação do tubo manchete

Quando se usa tubo de PVC, o mesmo é obrigatoriamente envolvido por armadura longitudinal, pois o PVC não contribui para resistência estrutural da estaca, ao contrário do que ocorre quando esse tubo é de aço (PRESA & POUSADA, 2001 e ABMS & ABEF, 2004).

Fase 3 - Execução da “bainha”

Após a instalação do tubo manchete, é confeccionada a bainha (espaço entre o tubo- manchete e o tubo de revestimento ou parede de furo), injetando-se calda de cimento pela válvula inferior até extravasar pela boca do furo; concomitante com essa operação, o tubo de revestimento vai sendo removido (PRESA & POUSADA, 2001).

Fase 4 - Injeção da calda de cimento

Injeção de pasta de cimento é feita após a bainha ter concluído a pega (cerca de 12h após a confecção da bainha), com o auxílio de um tubo dotado de obturador duplo (Figura 2.16), (Figura 2.17) acoplado a um misturador e bomba de injeção, permitindo aplicar pressões de 1 a 3 MPa, medidas num manômetro instalado na tubulação de injeção.

39

Para atender o consumo mínimo de cimento de 600 kg/m³, estipulado pela NBR 6122 o traço normalmente utilizado contém 80 litros de areia para 1 saco de cimento e 20 a 25 litros de água, o que confere à argamassa uma resistência característica elevada, superior a 20MPa (EXATA, 2005).

característica elevada, superior a 20MPa (EXATA, 2005). Figura 2.16 - Procedimento para iniciar a injeção da

Figura 2.16 - Procedimento para iniciar a injeção da calda de cimento

2005). Figura 2.16 - Procedimento para iniciar a injeção da calda de cimento Figura 2.17 -

Figura 2.17 - Injeção de calda de cimento

40

A injeção é feita no sentido ascendente através de cada uma das manchetes ou válvulas (do tubo manchete), (Figura 2.18) conferindo ao fuste da estaca múltiplos bulbos fortemente comprimidos contra o solo, que aumentam significativamente a resistência por atrito lateral (mais que nas estacas raiz) (PRESA & POUSADA, 2001).

(mais que nas estacas raiz) (PRESA & POUSADA, 2001). Figura 2.18 - Detalhe de obturador de

Figura 2.18 - Detalhe de obturador de Injeção (SOLOTRAT, 2007)

Fase 5 - Vedação do tubo manchete

A vedação da parte central do tubo-manchete é feita através do preenchimento com pasta de cimento ou argamassa, depois de concluídas as injeções; nesta fase, se for necessário, pode-se complementar a armadura instalando barras longitudinais junto ao tubo-manchete de aço (Figura 2.19); caso se use o tubo manchete de PVC rígido, é obrigatório o uso da armadura constituída por barras de aço, pois o PVC não tem função estrutural (PRESA & POUSADA, 2001).

barras de aço, pois o PVC não tem função estrutural (PRESA & POUSADA, 2001). Figura 2.19

Figura 2.19 - Conclusão da Injeção

41

2.6 - PROCEDIMENTO PARA AVALIAÇÃO E CONTROLE DOS SERVIÇOS EM CAMPO

A execução de qualquer fundação, superficial ou profunda, deve ser controlada. O controle implica, além do registro, na interpretação dos dados registrados de maneira rápida e objetiva, utilizando-se as premissas adotadas quando da elaboração do projeto. Se durante a execução, as premissas de projeto vão sendo confirmadas, nada deve ser mudado na execução; caso contrário, se ocorrerem diferenças, estas devem ser imediatamente comunicadas à equipe de projeto, para que se proceda à revisão da previsão, ou a novas investigações geotécnicas (VELLOSO & ALONSO, 2000).

É desejável que o comportamento da obra seja acompanhado ao longo de algum tempo após sua conclusão, resultando em ensinamentos valiosos para o futuro. Apesar de ser uma recomendação expressa na norma NBR 6122, ele é raramente feito (VELLOSO & ALONSO,

2000).

Em estacas escavadas, como estaca-raiz e microestaca, existe uma deficiência no controle de campo da capacidade de carga, pois o material escavado vem totalmente desagregado e misturado com o solo carregado pela água, durante a perfuração, dificultando a comparação com a sondagem mais próxima. As provas de carga exigidas pela norma, nesses tipos de estacas, nunca são realizadas e, se acontecer a substituição de prova de carga à compressão por tração, neste tipo de estacas, pode conduzir a resultados contra a segurança (VELLOSO & ALONSO,

2000).

Por esses motivos é que o controle deve ser feito não só sobre os dados de instalação das estacas, como também sobre os materiais que as compõem. A seguir serão listados alguns procedimentos de controle necessários para a estaca-raiz e microestaca, utilizados como procedimento padrão por várias empresas do ramo, tendo como referência o trabalho desenvolvido pela empresa SOLOTRAT – Engenharia Geotécnica.

42

2.6.1 - Perfuração:

Na perfuração em solo ou solo e rocha deve ser usada, ou perfuratriz rotativa ou roto -

percussiva, com a descida do tubo de revestimento. Caso haja dificuldade para o avanço do tubo

de revestimento, devem ser empregadas brocas de três asas, para a execução de pré-furo ou ainda

para limpeza do interior do furo. A tabela 2.3 os procedimentos para avaliação dos serviços após

a perfuração.

Tabela 2.3 - Procedimento para avaliação dos serviços

Número do serviço

Aspecto a ser verificado

Avaliação dos serviços

01 Dificuldades de avanço

Executar pré-furo com brocas três asas, ou tricone

02 Profundidade de descida do tubo

Comparar com o comprimento previsto

03 Medir a profundidade

Esta medida deve ser no mínimo, igual à do projeto. Quando houve diferenças entre as somas dos segmentos de revestimento introduzidos no solo e a profundidade medida, deve constar, no boletim executivo da estaca correspondente, a justificativa do processo decisório adotado para estes casos.

2.6.2 - Montagem e colocação da armadura

A montagem e colocação da armadura devem ser feitas após a limpeza interna do tubo de

revestimento. Em relação à montagem das armaduras deve-se garantir o recobrimento mínimo de

20 mm, e nas microestacas o tubo metálico deve ser amarrado e verificar suas roscas ou condição

das soldas.

A emenda das barras da estaca-raiz (Figura 2.20), quando necessário deve ser feita

conforme a NBR 6118, para os tubos de aço, devem ter garantida sua axialidade por meio de

gabaritos auxiliares.

43

43 Figura 2.20 - Detalhe da Armação para Estaca-Raiz (SOLOTRAT, 2007). A tabela 2.4 mostra os

Figura 2.20 - Detalhe da Armação para Estaca-Raiz (SOLOTRAT, 2007).

A tabela 2.4 mostra os procedimentos para avaliação dos serviços para montagem e

colocação da armadura.

Tabela 2.4 - Procedimento para avaliação dos serviços

Número do serviço

Aspecto a ser verificado

Avaliação dos serviços

01

Disposição e tipo da armadura, cobrimento

Conforme projeto, mínimo de 20 mm.

02

Emendas

Traspasse ou solda,

 

Conforme norma, ou de acordo com o projeto.

03

Limpeza

Água de retorno sem detritos sólidos.

04

Armadura

Profundidade alcançada.

44

2.6.3 - Injeção:

A injeção da argamassa deverá ser executada de baixo para cima, no caso de estaca-raiz; Para as microestacas, a injeção inicial deve preencher o espaço anelar entre o furo e o tubo. Isto pode ser obtido com o preenchimento do furo e a posterior introdução do tubo, ou pela injeção através de válvula inferior, após a instalação do tubo no furo, que é chamada de injeção de bainha.

Ao lançar a argamassa ou calda de cimento (Figura 2.21), deve-se usar a bomba injetora, através da composição de injeção, posicionando o tubo de injeção de argamassa no fundo do furo. No caso da microestaca, a calda de injeção também será introduzida com o auxílio de bomba injetora (Tabela 2.5), por meio do obturador duplo (Figura 2.22), na extremidade inferior da composição da injeção.

2.22), na extremidade inferior da composição da injeção. Figura 2.21 - Lançamento da calda de cimento

Figura 2.21 - Lançamento da calda de cimento

extremidade inferior da composição da injeção. Figura 2.21 - Lançamento da calda de cimento Figura 2.22

Figura 2.22 - Obturador

45

Tabela 2.5 - Procedimento para avaliação dos serviços

Número do serviço

Aspecto a ser verificado

Avaliação dos serviços

01

Lançamento da argamassa.

Posição da composição de injeção no fundo da estaca

02

Sentido da injeção

De baixo para cima

03

Interrupção da injeção

Até a argamassa sair limpa

2.6.4 - Retirada do revestimento:

Em estaca-raiz pode-se instalar um ou mais tubos de injeção de fase única, ao longo da

ferragem, para posterior injeção de calda de cimento com pressão e volume controlado; na

retirada do revestimento, a armadura não pode ser deslocada verticalmente. Em microestacas, o

revestimento deve ser retirado após a colocação do tubo de armação (Tabela 2.6).

Tabela 2.6 - Procedimento para avaliação dos serviços

Número do serviço

Aspecto a ser verificado

Avaliação dos serviços

01

Verificar o abatimento do nível da argamassa no interior do tubo

Complementar o volume de argamassa

02

A

cada 4,0 m ou, no

 

Colocação da cabeça do revestimento para a aplicação de ar comprimido

mínimo três vezes por

estaca, (na ponta inferior,

no

meio e a 2,0 m de

profundidade da superfície), para permitir a aplicação de ar comprimido

03

Alternativa para a utilização de bomba de injeção de argamassa com pressão de trabalho superior a 0.3 MPa

Complementação da argamassa, utilizando a cabeça do revestimento e pressão mínima de 0.3 MPa

04

Retirada do revestimento

Verificar o não deslocamento da armadura

05

Argamassa

Preenchimento até a superfície

46

2.6.5 - Preparo da cabeça da Estaca

No preparo da cabeça da estaca-raiz deve acontecer com o seu preenchimento até a superfície do terreno. O arrasamento da cabeça da estaca deve ser executado de modo a não causar danos à mesma (Figura 2.23) e (Figura 2.24).

a não causar danos à mesma (Figura 2.23) e (Figura 2.24). Figura 2.23 - Preparo da

Figura 2.23 - Preparo da cabeça Estaca-Raiz (SOLOTRAT, 2007).

2.23 - Preparo da cabeça Estaca-Raiz (SOLOTRAT, 2007). Figura 2.24 - Arrasamento - quebra da cabeça

Figura 2.24 - Arrasamento - quebra da cabeça da estaca

Em microestaca deve-se, seguir o detalhe do projeto (Tabela 2.7), que usualmente prevê a soldagem de chapa no topo do tubo ou o cobrimento do feixe de barras de aço em seu interior (Figura 2.25).

47

47 Figura 2.25 - Preparo da cabeça da Microestaca (SOLOTRAT, 2007). A tabela 2.7 apresenta os

Figura 2.25 - Preparo da cabeça da Microestaca (SOLOTRAT, 2007).

A tabela 2.7 apresenta os cuidados necessários para o preparo da cabeça da estaca.

Tabela 2.7 - Procedimento para avaliação dos serviços

Número do serviço

Aspecto a ser verificado

Avaliação dos serviços

01

Excesso de argamassa na parte superior terminal da estaca

Demolir e completar com pescoço, quando a demolição ficar em nível inferior ao da cota de arrasamento

02

Posição dos ponteiros

Pequena inclinação para cima

Seção do desmonte

Plana e horizontal

03

Topo da estaca

Embutimento de 5 cm dentro do bloco

Armadura

Ancoragem no bloco

48

2.7 - MÉTODOS

DE

CÁLCULO

DA

FUNDAÇÕES PROFUNDAS

2.7.1 - Capacidade de Carga de Estaca Isolada

CAPACIDADE

DE

CARGA

DE

A capacidade de carga PR (Figura 2.26) é definida como a soma das cargas máximas que podem ser suportadas pelo atrito lateral PL e pela ponta PP (VELLOSO & ALONSO, 2000).

lateral PL e pela ponta PP (VELLOSO & ALONSO, 2000). 1) Figura 2.26 - Transferência de

1)

lateral PL e pela ponta PP (VELLOSO & ALONSO, 2000). 1) Figura 2.26 - Transferência de

Figura 2.26 - Transferência de carga de uma estaca isolada (VELLOSO & ALONSO, 2000).

A capacidade de carga axial pode ser calculada por dois métodos semi-empíricos (Aoki- Velloso e Décourt-Quaresma), utilizando os resultados das sondagens à percussão (DÉCOURT, ALBIERO & CINTRA, 2006).

49

Método de Décourt-Quaresma:

Este método calcula a capacidade de carga de estaca a partir do N spt de sondagem próxima da estaca (GUSMÃO F., 2003).

Onde:

de sondagem próxima da estaca (GUSMÃO F., 2003). Onde: (2) Q u l t = Capacidade

(2)

Q ult = Capacidade de carga da estaca

A b = Área de base da estaca

q p = Resistência unitária na ponta da estaca τ L = Resistência unitária por atrito lateral

U e L são, respectivamente, o perímetro e o comprimento total da estaca.

A resistência de ponta é dada por:

total da estaca. A resistência de ponta é dada por: Segundo Gusmão Filho (2003), o valor

Segundo Gusmão Filho (2003), o valor de K é dado pela tabela 2.8 e Nspt é a média entre o valor da resistência dinâmica N correspondente à ponta da estaca, imediatamente anterior e posterior à referida cota.

Tabela 2.8 - Valores de K Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

TIPOS DE SOLO

K tf/m²

Argila

12

Siltes argilosos (solo residual)

20

Siltes arenoso (solo residual)

25

Areia

40

O atrito lateral é dado por:

25 Areia 40 O atrito lateral é dado por: ) N’= Valor médio de Nspt ao

)

N’= Valor médio de Nspt ao longo do fuste, independente do tipo de solo

50

Os valores de Nspt tanto podem ser os dados do SPT tradicional quanto os correspondentes

ao Neq com medição de torque, SPT-T. Segundo Décourt, Neq do SPT-T é definido como o

valor do torque T em Kgf.m dividido por 1,20 (DÉCOURT, ALBIERO, & CINTRA, 2006 e

GUSMÃO F., 2003):

(DÉCOURT, ALBIERO, & CINTRA, 2006 e GUSMÃO F., 2003): Para estacas escavadas, sugere-se que sejam considerados

Para estacas escavadas, sugere-se que sejam considerados os coeficientes α e β na

capacidade de carga da ponta e de atrito, aplicáveis na equação abaixo:

carga da ponta e de atrito, aplicáveis na equação abaixo: Os valores de α e β

Os valores de α e β os valores proposto por Décourt-Quaresma, estão apresentados nas

tabelas 2.9 e 2.10:

Tabela 2.9 - Valores de α Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

Estaca

Escavada

Escavada

Hélice

Raiz

Injetada sob

 

(betonita)

Contínua

altas pressões

Solo

α

α

α

α

α

Argila

0,85

0,85

0,30

0,85

1,00

Solo Interm.

0,60

0,60

0,30

0,60

1,00

Areia

0,50

0,50

0,30

0,50

1,00

Tabela 2.10 - Valores de β Décourt-Quaresma (GUSMÃO F., 2003)

Estaca

Escavada

Escavada

Hélice

Raiz

Injetada sob

 

(betonita)

Contínua

altas pressões

Solo

β

β

β

β

β

Argila

0,80

0,90

1,00

1,50

3,00

Solo Interm.

0,65

0,75

1,00

1,50

3,00

Areia

0,50

0,60

1,00

1,50

3,00

Método de Aoki-Velloso:

O método de Aoki e Velloso consta do estudo comparativo entre resultados de provas de

carga em estaca e de Nspt, e o valor de Nspt é obtido pelo ensaio de penetração continua (CPT)

(GUSMÃO F., 2003).

51

Este método estipula que a capacidade de carga da estaca é admitida igual à soma de duas parcelas, em que para estacas de seção constante com a profundidade (VELLOSO & ALONSO, 2000 e GUSMÃO F., 2003), tem-se:

(VELLOSO & ALONSO, 2000 e GUSMÃO F., 2003), tem-se: Onde: • Q u l t .

Onde:

Q ult. = capacidade de carga da estaca

A b = área da base da estaca

q p = resistência unitária na ponta da estaca

τ L = resistência unitária por atrito lateral da estaca

L= trecho do comprimento L da estaca, com τ L de mesmo valor

U= perímetro.

As resistências unitárias na ponta e nos lados da estaca podem ser relacionadas, respectivamente, com a resistência de ponta e a resistência lateral do cone holandês (CPT), pela equação (GUSMÃO F., 2003):

do cone holandês (CPT), pela equação (GUSMÃO F., 2003): Onde F1 e F2 apresentados na tabela
do cone holandês (CPT), pela equação (GUSMÃO F., 2003): Onde F1 e F2 apresentados na tabela

Onde F1 e F2 apresentados na tabela 2.11 são fatores de escala e execução.

52

Tabela 2.11 - Valores de F1 e F2 de Aoki- Velloso (GUSMÃO F., 2003)

TIPO DE ESTACA

F1

F2

Franki

2,50

5,00

Metálica

1,75

3,50

Pré Moldada de Concreto

1,75

3,50

Escavada

3,00

6,00

Raiz

2,00

4,00

Hélice

2,00

4,00

Omega

2,00

4,00

4,00 Hélice 2,00 4,00 Omega 2,00 4,00 A expressão de capacidade de carga de uma estaca
4,00 Hélice 2,00 4,00 Omega 2,00 4,00 A expressão de capacidade de carga de uma estaca

A expressão de capacidade de carga de uma estaca “Q ult segundo Aoki-Velloso resulta assim estimada:

estaca “Q u l t ” segundo Aoki-Velloso resulta assim estimada: α e β estão apresentados

α e β estão apresentados na tabela 2.12.

53

Tabela 2.12 - Valores de K e α Aoki-Velloso (GUSMÃO F., 2003)

SOLO

K

α

Areia

10,0

1,4

Areia Siltosa

8,0

2,0

Areia silto-argilosa

7,0

2,4

Areia Argilo-siltosa

5,0

2,8

Areia Argilosa

6,0

3,0

Silte arenoso

5,5

2,2

Silte areno-argiloso

4,5

2,8

Silte

4,0

3,0

Silte

2,5

3,0

Argilo-arenoso

2,3

3,4

Silte argiloso

3,5

2,4

Argila areno-siltosa

3,0

2,8

Argila silto-arenosa

3,3

3,0

Argila siltosa

2,2

4,0

Argila

2,0

6,0

54

2.7.2 - Capacidade de Carga de Estacas em Rocha

Segundo a NBR 6122(1996), para a fixação da pressão admissível de qualquer fundação sobre rocha, deve-se levar em conta a continuidade desta, sua inclinação e a influência da atitude da rocha sobre a estabilidade. Pode-se assentar fundação sobre rocha de superfície inclinada desde que se prepare, se necessário, esta superfície (por exemplo: chumbamentos, escalonamento em superfícies horizontais), de modo a evitar deslizamento da fundação.

A escolha da pressão admissível da rocha p adm pode ser feita por um dos processos abaixo (GUSMÃO F., 2003):

a) Normas e códigos de construção

b) Métodos empíricos

c) Métodos racionais com base na capacidade de carga

d) Prova de carga em escala real.

Segundo Gusmão F. (2003), a prova de carga em escala real é naturalmente o método mais indicado. As normas e códigos de construção fornecem pressões de valor conservador refletem em geral a experiência local. É o caso da norma brasileira NBR 6122/1996, que fornece os valores indicados na tabela 2.13, usualmente conservadores.

Entende-se que a rocha onde serão apoiadas as fundações não deverá ser intemperizada e deverá ter, em geral, alta resistência e baixa compressibilidade. O resultado é que se tenha uma fundação na rocha sem problemas de capacidade de carga ou recalque, pela natureza da rocha (GUSMÃO F., 2003).

55

Tabela 2.13 - Pressões básicas para material rochoso (σo) (NBR6122, 1996)

Classe

Descrição

Valores (MPa)

01 Rocha sã, maciça, sem laminação ou sinal de decomposição

3,0

02 Rochas laminadas, com pequenas fissuras, estratificadas

1,5

03 Rochas alteradas ou em decomposição

ver nota c

04 Solos granulares concrecionados - conglomerados

1,0

05 Solos pedregulhosos compactos a muito compactos

0,6

06 Solos pedregulhosos fofos

0,3

07 Areias muito compactas

0,5

08 Areias compactas

0,4

09 Areias medianamente compactas

0,2

10 Argilas duras

0,3

11 Argilas rijas

0,2

12 Argilas médias

0,1

13 Siltes duros (muito compactos)

0,3

14 Siltes rijos (compactos)

0,2

15 Siltes médios (medianamente compactos)

0,1

Notas:

a) Para a descrição dos diferentes tipos de solo, seguir as definições da NBR 6502.

b) No caso de calcário ou qualquer outra rocha cárstica, devem ser feitos estudos especiais.

c) Para rochas alteradas ou em decomposição, têm que ser levados em conta a natureza da rocha

matriz e o grau de decomposição ou alteração.

As estacas escavadas com injeção, quando não penetrarem em rocha, devem ser dimensionadas levando em conta apenas o atrito, utilizando-se alguns dos métodos consagrados na técnica. Este dimensionamento é válido tanto à compressão quanto à tração. No caso de estacas que penetram em rocha, é lícito somar a resistência de atrito à resistência de ponta na rocha, no caso de estacas de compressão, desde que se garanta um embutimento mínimo de três diâmetros” (NBR6122, 1996).

56

As Análises teóricas e experimentais sugerem que a capacidade de carga de ponta de estacas em rocha seja dada por (DÉCOURT, ALBIERO, & CINTRA, 2006):

Onde:

Teórica:

Prática:

ALBIERO, & CINTRA, 2006): Onde: Teórica: Prática: q p = capacidade de carga de ponta de
ALBIERO, & CINTRA, 2006): Onde: Teórica: Prática: q p = capacidade de carga de ponta de

q p = capacidade de carga de ponta de estaca em rocha q u = resistência à compressão simples da rocha.

2.7.2.1 - Capacidade de carga por atrito lateral em rocha:

Segundo Décourt, Albiero e Cintra (2006), o atrito lateral é proporcional à raiz quadrada da resistência à compressão simples da rocha. A expressão (15) fornece estimativas conservadoras do atrito lateral unitário q u :

conservadoras do atrito lateral unitário q u : Esta expressão deve, entretanto, ser usada nos casos
conservadoras do atrito lateral unitário q u : Esta expressão deve, entretanto, ser usada nos casos

Esta expressão deve, entretanto, ser usada nos casos onde a resistência à compressão simples da rocha seja superior a 500 kN/m². Em qualquer caso, q s não deve ser superior a 5% da resistência característica do concreto.

57

2.8 - CAPACIDADE DE CARGA ESTRUTURAL

A carga estrutural admissível de uma estaca é obtida de maneira análoga à de um pilar. Como na maioria das vezes a estaca se encontra enterrada, não há necessidade de verificar a flambagem e, portanto, essa carga é obtida por (VELLOSO & ALONSO, 2000):

essa carga é obtida por (VELLOSO & ALONSO, 2000): Em que os coeficientes de majoração da

Em que os coeficientes de majoração da carga gf e de minoração das resistências gc e gs são limitadas pela NBR 6122 em função do tipo de estaca.

Onde:

Ac: área efetiva do concreto (área da seção transversal menos a área ocupada pela armadura)

f ck : Resistência característica do concreto

As: área da armadura

f yk : Resistência Característica do aço.

A carga admissível máxima estrutural das estacas escavadas injetadas é fornecida pela resistência estrutural dos materiais que a compõem, de modo a garantir um coeficiente de segurança global à ruptura, mínimo de dois. Essa carga é a máxima possível a adotar para a estaca, devendo a carga admissível final ser calculada pelos métodos de transferência de carga para o solo (VELLOSO & ALONSO, 2000).

Para cálculo da capacidade de carga estrutural à compressão, a NBR 6122 separa as estacas escavadas injetadas em dois grupos:

a. As estacas que utilizam aço com resistência característica de até 500 MPa e percentagem de aço inferior a 6%. Neste caso, o dimensionamento será feito como pilar

58

de concreto armado, levando-se em conta a flambagem e considerando, para seção transversal da argamassa, a área da estaca reduzida da área da armadura (NBR6122,

1996).

b. As estacas que utilizam aço com resistência característica superior a 500 MPa ou percentagem de aço superior a 6%. Neste caso, despreza-se a contribuição da capacidade de carga da argamassa, sendo toda a carga, suportada pela armadura (NBR6122, 1996).

Com base nas considerações feitas anteriormente, foi desenvolvida uma tabela (Figura 2.14) que fornece as cargas admissíveis estruturais máximas para as estacas raiz e microestacas, baseada na expressão proposta por Alonso.

e microestacas, baseada na expressão proposta por Alonso. Onde: As= seção transversal da armadura (inferior a

Onde:

As= seção transversal da armadura (inferior a 6% da seção da estaca);

D= diâmetro da estaca;

N= carga de compressão;

fck= Resistência característica da argamassa (20MPa) ou da nata de cimento (25MPa);

fyk= Resistência do aço (para o aço CA 50ª fyk=500MPa).

fyk= Resistência do aço (para o aço CA 50ª fyk=500MPa). A expressão (18) é utilizada para

A expressão (18) é utilizada para fornecer as cargas admissíveis estruturais máximas quando as estacas injetadas utilizam aço com porcentagem superior a 6%, desprezando a contribuição da argamassa ou nata de cimento.

59

A tabela 2.14 apresenta dimensionamento estrutural de microestaca tubular.

Tabela 2.14 - Dimensionamento estrutural de Microestaca (SOLOTRAT, 2007).

estrutural de microestaca tubular. Tabela 2.14 - Dimensionamento estrutural de Microestaca (SOLOTRAT, 2007).

60

2.9 - REFORÇO DE FUNDAÇÃO

Os reforços de fundação representam uma intervenção no sistema solo-fundação-estrutura existente, visando modificar seu desempenho. Tal intervenção se faz necessária nos casos em que as fundações existentes se mostrem inadequadas para o suporte das cargas atuantes ou, ainda, quando ocorrer um aumento no carregamento e, este novo valor, não puder ser absorvido sem riscos e reduções consideráveis nos coeficientes de segurança. (GOTLIEB, 2006).

As causas prováveis para o mau despenho de uma fundação já existente são (SPECHT, 2002 e GOTLIEB, 2006):

Ausência, insuficiência, ou má qualidade da investigação geotécnica

Má interpretação dos resultados da investigação geotécnica

Avaliação errônea dos valores dos esforços provenientes da estrutura

Adoção inadequada da tensão admissível do solo ou da cota de apoio da fundação

Modificação no carregamento devido à mudança no tipo de utilização da estrutura, como no caso de transformação para armazenamento denso de produtos pesados.

A depender do tipo de reforço, ele pode ser classificado como:

Reforço Permanente: Aquele que se torna necessário em termos definitivos, em virtude do mau desempenho das fundações originais. Seria também o caso de um aumento no carregamento aplicado às fundações, em função de aplicações ou de modificações na utilização da edificação. Sua implantação visa complementar a capacidade de suporte das fundações existentes.

61

Reforço Provisório: Aqueles que são aplicados somente para permitir que sejam efetuados os serviços de reforço permanentes, ou para que uma fundação possa ser sobrecarregada provisoriamente para atender a uma condição especial de curta duração. Seriam os casos em que mesmo não sendo defeitos, os reforços não seriam necessários a partir de um determinado instante.

A escolha do tipo de reforço a ser adotada é função do diagnóstico alcançado e da

experiência e julgamento dos profissionais envolvidos no problema, sendo necessário considerar as diversas condicionantes para poder escolher o tipo de reforço.

As condicionantes técnicas são necessárias para que haja uma perfeita compatibilidade entre as condições do solo, da estrutura e do reforço. O tempo para execução do reforço deve ser compatível com a resposta da obra (GOTLIEB, 2006).

É necessário adequar a relação custo/benefício do reforço. Deve-se verificar se os custos

de reforço são compatíveis com o valor da construção no mercado.

O caso de reforço com estacas injetadas, denominadas Estaca Raiz e Microestaca, exige

equipamentos de pequeno porte, sendo recomendados para locais de difícil acesso e pequeno pé direito, como subsolo e edifícios. O principal cuidado na especificação e execução do reforço com esse sistema é evitar o aumento dos recalques no inicio dos trabalhos (LEAL, 2001).

As estacas injetadas (Figura2.27) podem ser instaladas inclinadas ou verticalmente ao lado da peça a ser reforçada ou, ainda, perfurando a sapata ou blocos de coroamento sendo incorporadas nestas peças (GOTLIEB, 2006).

de coroamento sendo incorporadas nestas peças (GOTLIEB, 2006). Figura 2.27 - Reforço por estaca injetada (GOTLIEB,

Figura 2.27 - Reforço por estaca injetada (GOTLIEB, 2006)

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Segundo Gotlieb (2006), as estacas injetadas têm a vantagem de não ocasionar vibrações durante sua implantação, as quais poderiam prejudicar ainda mais as condições de instabilidade das fundações. Por outro lado, deve-se considerar que a injeção e a circulação de água sob as fundações problemáticas podem instabilizar ainda mais as condições existentes.

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3 - ESTUDO DE CASO

O estudo de caso foi aplicado a uma obra construída na cidade do Salvador-Bahia, cujas fundações foram executadas com estacas pré-moldadas de concreto (Figura 3.1). A obra é um Hipermercado e apresentou problema durante a execução das fundações, necessitando de reforço das mesmas.

das fundações, necessitando de reforço das mesmas. Figura 3.1 - Estaca Pré-moldada de Concreto utilizada na

Figura 3.1 - Estaca Pré-moldada de Concreto utilizada na construção – tipo SCAC (http://www.benaton.com.br)

A empresa responsável pela construção do empreendimento, com base nos dos relatórios de sondagens a percussão viabilizou a cravação das estacas pré-moldadas de concreto (Figura 3.2), mas, no decorrer da cravação constatou que a estaca não avançava, não atingindo a cota prevista no projeto.

não avançava, não atingindo a cota prevista no projeto. Figura 3.2 - Cravação das Estacas pré-moldadas

Figura 3.2 - Cravação das Estacas pré-moldadas de concreto

64

O Engenheiro Geotécnico, consultor da empresa proprietária do empreendimento, verificou ausência de camada rochosa na cota de interrupção do estaqueamento das estacas pré- moldadas e definiu a necessidade de reforço, uma vez que houve má interpretação dos resultados de investigação geotécnica e do real topo rochoso. O reforço consiste em apresentar uma intervenção no sistema solo – fundação - estrutura existente visando modificar seu desempenho, aumentar sua capacidade portante.

Para executar o reforço das fundações, a construtora contratou uma empresa especializada, que fez um estudo da situação no campo e emitiu um parecer de alternativa de reforço a ser adotado.

O reforço desta estrutura deveria ser do tipo permanente em virtude do carregamento que iria atuar na fundação original em estaca pré-moldada de concreto.

Em reunião entre as empresas, ficou decidido continuar a sondagem a percussão, perfurando estaca por estaca em campo, até a detecção da profundidade real da camada rochosa. Ao mesmo tempo foi contratada uma empresa de sondagem para realização de sondagens adicionais (Figura 3.4). As sondagens adicionais (Anexo A) foram comparadas com as sondagens anteriores. Estas sondagens, realizadas por dentro das estacas instaladas, confirmaram, que durante a cravação diversas estacas de concreto, ficaram apoiadas em matacões (Figura 3.3), existentes em cota superior ao real topo rochoso. Esta situação não havia sido identificada no perfil geotécnico traçado anteriormente em função das sondagens iniciais.

geotécnico traçado anteriormente em função das sondagens iniciais. Figura 3.3 - Instante da perfuração de Matacão

Figura 3.3 - Instante da perfuração de Matacão

65

65 Figura 3.4 – Locação dos Pontos de Sondagens Adicionais

Figura 3.4 – Locação dos Pontos de Sondagens Adicionais

66

A solução proposta, pela empresa contratada para realizar o reforço, foi baseada no

estudo de alternativas que permitissem uma variedade de soluções, como menor custo e menor prazo de execução.

Nos pontos onde foram confirmados que as estacas de concreto SCAC cravadas estavam assente sobre o embasamento rochoso, não foi utilizado nenhum reforço. Essa verificação foi feita através de perfuração no eixo das estacas, que são vazadas ao longo de todo o comprimento.

Para as estacas que não foram cravadas até o embasamento rochoso, permaneceram dúvidas sobre a capacidade de suporte das mesmas; então, foi proposto o reforço.

Foram propostas duas soluções para resolução do problema, sendo que a solução escolhida teria de ser consensual entre as empresas, como sendo a melhor opção para reforço.

A primeira alternativa proposta foi a introdução de pinos formados por um feixe de três barras de aço CA-50 20 mm, fixadas a um tubo (tipo manchete) de PVC com diâmetro de 32 mm. Os pinos seriam instalados em furos executados com uma perfuratriz roto-pneumática no interior das estacas pré-moldadas de concreto a serem reforçados, perfurando 1m de profundidade na camada rochosa abaixo da cota de interrupção das cravações e o posterior engastamento dos pinos que seriam incorporados às estacas formando um único elemento de fundação.

Esta opção foi descartada porque após a conclusão da programação dos serviços de campo, foi verificado que abaixo da cota de interrupção do estaqueamento não havia uma camada rochosa para a instalação dos pinos.

A segunda alternativa consistia na introdução de tubo de aço Schedule e armadura

complementar com barras de aço CA-50 internamente nas estacas pré-moldadas de concreto. O tubo Schedule deveria estar compreendido entre um trecho que envolve o topo da estaca cravada até o engastamento na rocha, sendo preenchida através de injeção em alta pressão de nata/calda de cimento (fator a/c=0,5) no sentido ascendente (Figura 3.5) e (Figura 3.6). Esta solução em resumo consiste da execução de microestaca no “miolo” vazado das estacas SCAC.

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67 Figura 3.5 - Detalhe do trecho engastado das estacas na rocha Figura 3.6 - Corte

Figura 3.5 - Detalhe do trecho engastado das estacas na rocha

67 Figura 3.5 - Detalhe do trecho engastado das estacas na rocha Figura 3.6 - Corte

Figura 3.6 - Corte Esquemático das Estacas

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Os procedimentos de execução da microestaca sofreram variações quanto às etapas executivas, em virtude das adaptações necessárias às características construtivas da obra, bem como, da concepção geotécnica e estrutural da obra.

As etapas executivas realizadas no reforço da fundação com microestaca estão descritas a seguir, para melhor compreensão do processo.

A etapa de perfuração (Figura 3.7) foi executada por meio de perfuratrizes de avanço roto-pneumático, executando-se a operação de lavagem com circulação de água imediatamente após a perfuração, unicamente por fluxo de água abundante no sentido do fundo do furo para a superfície.

abundante no sentido do fundo do furo para a superfície. Figura 3.7 - Continuação da perfuração

Figura 3.7 - Continuação da perfuração

Alguns cuidados foram tomados durante a perfuração para que não houvesse problema na execução da microestaca. No caso da construção em questão, o cuidado foi à comparação do comprimento do tubo manchete até o comprimento de engastamento na rocha, onde a medida da profundidade do tubo deveria ser compreendida no mínimo a especificada em projeto de reforço.

Em outro momento, depois de verificar o comprimento do furo, iniciou-se a instalação das armaduras de reforço da estaca pré-moldada, no seu interior (Figura 3.8). Essas armaduras eram do tipo tubo manchete em aço SCH 60 · 2½” e foram complementadas por aço CA-50 para a absorção de esforços de compressão.

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69 Figura 3.8 - Corte representativo do reforço na estaca pré-moldada de concreto A figura 3.9

Figura 3.8 - Corte representativo do reforço na estaca pré-moldada de concreto

A figura 3.9 mostra os tipos de “Schedule”.

de concreto A figura 3.9 mostra os tipos de “Schedule”. Figura 3.9 - Tubo de Aço

Figura 3.9 - Tubo de Aço Schedule

A montagem e colocação da armadura só foram feitas após a limpeza completa do tubo

manchete, através da retirada de todos os detritos sólidos após a injeção de água (Figura 3.10).

os detritos sólidos após a injeção de água (Figura 3.10). Figura 3.10 - Detritos sólidos retirados

Figura 3.10 - Detritos sólidos retirados após a limpeza

70

Após a instalação da armadura complementar da estaca, foram executadas as injeções da

calda/nata em alta pressão no sentido de baixo para cima, para garantir que a água ou lama de

perfuração sejam substituídos pela calda, proporcionando resistência de ponta à microestaca.

A figura 3.11 mostra o detalhe das válvulas tipo manchete.

A figura 3.11 mostra o detalhe das válvulas tipo manchete. Figura 3.11 - Detalhe do sistema

Figura 3.11 - Detalhe do sistema de injeção mediante válvulas ou manchete (http://www.exatafundações.com.br)

O arrasamento da cabeça das estacas foi feito no nível da base do bloco de coroamento,

tendo-se o cuidado de remover a camada de argamassa excedente, e de cortar o tubo de tal modo

que o mesmo ficasse ancorado no bloco, de acordo com as especificações do projeto estrutural.

71

4 - CONCLUSÃO

A partir do estudo apresentado foi possível apresentar as seguintes conclusões:

As estacas injetadas são muito utilizadas como alternativa de reforço estrutural para fundações, possuindo diversas vantagens tais como possibilidade de maior inclinação, maior densidade de armadura, pequenas vibrações durante a execução e elevada capacidade de carga.

Atualmente, a microestaca pode ser utilizada como alternativa de fundação, deixando o posto de reforço e integrando, desde o processo de construção, o grupo de fundações.

Na engenharia, as condicionantes técnicas, econômicas e de segurança são fatores determinantes para a escolha de um reforço de fundação. Por atenderem a estes requisitos de forma satisfatória, as estacas injetadas são altamente utilizadas como forma de solução.

A execução da microestaca no interior das estacas pré-moldadas de concreto, com acréscimo de barras de aço CA 50, é uma alternativa técnica que aumenta a capacidade de carga da estaca pré-moldada, através da solideização do reforço com a estaca SCAC.

As investigações geotécnicas e a interpretação dos seus resultados são fatores determinantes na escolha do tipo de fundação e da sua cota de apoio.

A observação e a experiência de um profissional são importantes para nortear a tomada de decisão no projeto e na execução de fundações.

72

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Acesso

em

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de

Dezembro

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2007,

disponível

em

http://www.exatafundações.com.br. (s.d.). Acesso em 13 de Novembro de 2008, disponível em EXATAFUNDAÇÕES. http://www.insitu.com.br. (s.d.). Acesso em 19 de Janeiro de 2008, disponível em INSITU.

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75

ANEXO

75 ANEXO

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