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AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS RISCOS DE INCÊNDIO FÓRMULA DE MONTE ALEGRE E ANGSTRON

PARA O MUNICÍPIO DE TUNTUM (MA)

Michael Bezerra da Silva¹, Antônio do Nascimento Oliveira¹,


Juliana Hermsdorff Vellozo de Freitas¹, Célia Maria Paiva¹, Gutemberg Borges
França¹

¹Laboratório de Meteorologia Aplicada – Universidade Federal do Rio de Janeiro,


CCMN, Instituto de Geociências Departamento de Meteorologia
michael@lma.ufrj.br, antonio@lma.ufrj.br, juliana@lma.ufrj.br , celia@lma.ufrj.br,
gutemberg@lma.ufrj.br

.
RESUMO: A metodologia de estimativa de risco de incêndio é uma ferramenta
importante no auxilio e prevenção no combate de incêndios florestais. Neste
trabalho é realizada uma avaliação dos índices de risco de incêndios para o
município de Tuntum no estado do Maranhão (MA). Os índices utilizados são: Fórmula
de Monte Alegre Alterada (FMA+) (NUNES, 2007) e o índice de Angstron, ambos
calculados para a região em estudo. No cálculo dos índices foram utilizados dados
observados, obtidos da estação meteorológica automática de Tuntum. Para avaliação
dos resultados, foram feitas comparações entre os valores dos índices calculados e
os dados de focos de calor, oriundos dos satélites da série GOES. Os resultados
apresentados mostram que os valores do índice Angstron, considerando sugestão
neste trabalho, são mais correlacionados com aos focos de calor do que os obtidos
por índice FMA+.

ABSTRACT: The methodology of fire risk estimation is an important tool to prevent


forest fires. In this work is carried out an evaluation of fires indexes for the
countryside region of Tuntum town in the state of Maranhão. The indexes used were:
Formula of Monte Alegre+ (FMA +) (NUNES, 2005) and Angstron´s index. For the
calculation of fire risk indexes in situ data from automatic meteorological
station located at Tuntum region were used. Comparisons between the indexes values
and hot spots, detected via infrared channel from the GOES satellite, were done.
The results are discussed and showed that Angstron performance, after suggestion
in this work, is more correlated to hot spots than FMA+ values.

Palavras-Chave: Fogo, Risco de incêndio, Monitoramento.

1. INTRODUÇÃO

Devido ao aumento da interferência do homem, por meio de desmatamentos e


queimadas, os ecossistemas tropicais têm sofrido grandes mudanças, tornando-se
mais suscetíveis ao fogo, com esse aumento torna-se muito importante ter uma
ferramenta que permita conhecer os riscos de incêndios através de monitoramento
constante dos ecossistemas.
Os períodos mais suscetíveis ao surgimento de focos de incêndio em regiões
vegetadas ocorrem quando a cobertura vegetal está sob condições de estresse
hídrico acentuado. Os períodos de secas em uma determinada região e o estado da
vegetação podem ser identificados por meio da análise do balanço hídrico
climatológico.
Neste trabalho são usados dois índices: a FMA+ e o índice de Angstron (Soares,
1985, 1998). O objetivo deste trabalho é conseguir uma ferramenta que possibilite
o monitoramento do risco de incêndio para a área desejada, afim de que, possa ser
utilizada na prevenção e combate aos incêndios florestais.
2. MATERIAL E MÉTODOS

Para a realização deste estudo utilizaram-se dados meteorológicos de temperatura


do ar, umidade relativa do ar, intensidade do vento e precipitação acumulada
horariamente, tomados pela estação meteorológica automática de Tuntum, localizada
na coordenada de lat. -5º 20’ 46” e long. -44º 41’ 03”, durante o período de
junho de 2007 a março de 2008.
Para identificação dos períodos secos, foi feito um levantamento dos padrões
climatológicos de precipitação sobre a região de estudo, com o intuito de
verificar os locais mais susceptíveis a ocorrência de focos de incêndios. Para
tal, foram utilizados dados meteorológicos da estação de Barra do Corda, situada
nas proximidades do município de Tuntum. A partir do qual foi possível elaborar o
Balanço Hídrico utilizando a técnica de Thornthwaite, Mather (1955).
A seguir são descritos de forma sucintas os índices de risco de incêndio
utilizados durante este trabalho:

2.1. Formula de Monte Alegre+ (FMA+)

Este tem como variáveis a umidade relativa do ar e velocidade do vento


medida às 13 horas, conforme equação 1,

(1)

onde, H, n e v são umidade relativa do ar (%), medida às 13 horas, número de


dias sem chuva maior ou igual a 13,0 mm, velocidade do vento em m/s, medida às
13:00h. A tabela 1 é utilizada para correção para precipitação do valor obtido na
equação 1.

Precipitação (mm) Correção do FMA+


≤ 2,4 Nenhuma
2,5 a 2,9 Abater 30% na FMA calculada na véspera e somar (100/H) do dia
5,0 a 9,9 Abater 60% na FMA calculada na véspera e somar (100/H) do dia
10,0 a 12,9 Abater 80% na FMA calculada na véspera e somar (100/H) do dia
> 12,9 Interromper o cálculo (FMA =0) e recomeçar a somatória no dia seguinte

Tabela 1 – Correção do FMA+ para precipitação acumulada das 24h.

Os valores de criticidade do FMA+ são classificadas em nula, pequena, média,


alta e muito alta que correspondem aos intervalos de menor ou igual a 3,0, 3,1 a
8,0, 8,1 a 14,0, 14,1 a 24,0 e maior de 24,0, respectivamente.

2.2. Índice de Angstron;

Este se baseia fundamentalmente na temperatura e umidade relativa do ar obtidos,


diariamente, às 13 horas,

(2)

onde, B, H e T são índice de Angstron, umidade relativa do ar em % e temperatura


do ar em °C, respectivamente. A interpretação do grau de perigo estimado pelo
Angstron não tem escala. Convencionou-se, para região, que quando “B” for inferior
3,75 (aqui sugerido), haverá risco de incêndio, isto é, as condições atmosféricas
do dia estarão favoráveis à ocorrência de incêndios. È importante ressaltar que o
valor original de criticidade é inferior 2,5 para risco de incêndio (Soares,
1985).

Para avaliação dos resultados, foram construídas tabelas de contingência, com o


objetivo de verificar o desempenho dos índices analisados.

3. RESULTADOS

Na figura 1 e representada a variação mensal do campo de precipitação no período


de 1961 a 1990. Observa-se excedente hídrico com inicio no mês de janeiro indo ate
o mês de abril, com um valor máximo no mês de março. Em relação à deficiência
hídrica, esse período se inicia no mês de maio terminando em dezembro, com uma
deficiência hídrica mais acentuada no mês de setembro.

Figura 1 - Resultado do cálculo do balanço hídrico climatológico médio mensal do


período de 1961 a 1990 no município de Barra da Corda.

Para analisar do desempenho dos índices de risco de incêndio, foram geradas


tabelas de contingência, na qual são confrontados valores observados de focos de
calor com valores calculados pelos índices risco (FMA+ e Angstron). Na tabela 2 é
apresentado o cruzamento dos valores da FMA+ com os dados observados de focos de
calor. Dentre 266 eventos analisados (incluindo focos de calor e não focos de
calor), a FMA+ conseguiu identificar 156 registros de incêndio observados via
sensoriamento remoto, considerando para tal os valores do FMA+ superiores a 8,1,
que corresponde a faixa de criticidade de média a muito alta.
Tendo em vista que o risco de incêndio representa a o potencial de alastramento de
fogo quando há fagulha e que todo incêndio é de ação antrópica, observa-se
incêndio via sensoriamento remoto mesmo quando a criticidade a incêndio é baixa.
Portanto, baseando-se no descrito foi observado 15 de registro de foco calor
quando a criticidade obtida pela FMA+ apontaram serem baixas ou nulas. Caso típico
de incêndio com ação antrópica

Evento Observado Total Previsto


Incêndio Não Incêndio
Previsto Incêndio 156 39 195
Não Incêndio 15 56 71
Total Observado 171 95 266

Tabela 2 – Cruzamento dos cálculos obtidos com o FMA+ e os focos de calor


registrados via GOES

Repetindo o realizado com O FMA+, na Tabela 2 são apresentados os resultados para


o índice Angstron Dentre 266 eventos analisados (incluindo focos de calor e não
focos de calor), o índice Angstron conseguiu identificar 140 registros de
incêndio observados via sensoriamento remoto, considerando para tal o valor
crítico inferior 3,75.

Evento Observado Total Previsto


Incêndio Não Incêndio
Previsto Incêndio 140 18 158
Não Incêndio 30 78 108
Total Observado 170 96 266

Tabela 3 - Cruzamento dos cálculos obtidos com o Angstron e os focos de calor


registrados.

Os resultados da tabela 2 para FMA+, possível obter as seguintes estatísticas:


previsão correta total (ou sucesso), previsão correta do evento, previsão correta
do não evento e alarme falso são: 0,80, 0,91, 0,59 e 0,41, respectivamente. Por
outro lado, os resultados da tabela 3 para índice Angstron, a previsão correta
total (ou sucesso), previsão correta do evento, previsão correta do não-evento e
alarme falso são, respectivamente, 0,82, 0,82, 0,81 e 0,19, respectivamente.
Observas-se que a previsão correta total (precisão total) e previsão correta do
evento - para ambos os índices - são bastante similares. No entanto, previsão
correta do não evento (verdadeiro-negativo) e alarme falso (falso-positivo) do
índice Angstron é ligeiramente melhor o menos suscetíveis, as já mencionadas,
ações antrópicas de ocorrência de incêndios.

4. CONCLUSÕES

Neste trabalho foram analisado o desempenho dos índices de estimativa do risco de


incêndio Angstron e FMA+ para região do município de Tuntum durante o período de
junho de 2007 a março de 2008. Observou-se que com o desempenho em identificar
eventos de incêndio do índice Angstron com valores de crítico sugerido neste
trabalho de 3,75, em relação ao FMA+ é ligeiramente superior, ou melhor,
correlacionado aos eventos de foco de calor registrados via sensoriamento remoto.
Pretende-se , em futuros trabalhos, estender a série de dados e analisar a
influência da temperatura e umidade do combustível morto, coletados pela estação
meteorológica automática, na composição das variáveis que compõem a estimativa do
risco de incêndio.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NUNES, J.R. S. Ajuste da Fórmula de monte Alegre Alterada (FMA+) para o


estado do Paraná; Revista FLORESTA; Vol. 37, No 1 (2007)

SOARES, R. V. Incêndios Florestais - Controle e Uso do Fogo. Curitiba : FUPEF, 213


p, 1985.

SOARES, R. V. Desempenho da "Fórmula de Monte Alegre" Índice brasileiro de perigo


de incêndios florestais: Revista Cerne, v.4, n.1, p.87-98. 1998.

THORNTHWAITE, C.W.; MATHER, J.R., 1955, The water balance. Centerton, NJ: Drexel
Institute of Technology - Laboratory of Climatology, 104p. Climatology, vol. VIII,
n.1.