LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.

Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009
PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

7.

NOVO PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

Em relação ao novo procedimento comum ordinário que já nem é tão novo assim, já tem um ano de existência, mas muito do que está lá vai ser discutido por um bom tempo. 7.1. OFERECIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

A gente começa a análise desse novo procedimento comum falando do oferecimento da peça acusatória. No intensivo I vocês já tiveram aula de denúncia e queixa. Então, os pressupostos já foram bem fixados por vocês. Aqui vale apenas registrar que o número de testemunhas:  Procedimento ordinário – 8 testemunhas.  Procedimento sumário – 5 testemunhas. Lembrem-se de que apesar de haver alguma discussão, o ideal é você dizer que esse número seria por fato delituoso. Então, se eu tenho dois fatos delituosos no processo, o que me leva a concluir que esses dois fatos poderiam ser objeto de duas denúncias distintas, mas tendo sido reunidos pela conexão se tenha 8 testemunhas por fato delituoso. Último ponto importante aqui é o questionamento sobre o início do processo. Se você for questionado quanto a isso, é uma discussão eterna no processo penal. Discute-se quando se daria o início do processo. 1ª Corrente: O início do processo, segundo essa corrente mais tradicional, somente se daria com o início da peça acusatória. Essa corrente é pouco mencionada nos manuais, mas ganha um reforço da letra da lei. O art. 35, do Código de Processo Penal Militar, muitas vezes ignorado, esquecido. Mas se numa prova aberta você chega a mencionar isso, o examinador vai ficar bem interessado. O art. 35 é bem didático e claramente diz que o processo teria início com a: Relação Processual. Início e Extinção Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz, efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a sentença definitiva se torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer não. 2ª Corrente: Por outro lado, muitos doutrinadores sustentam que ao invés de o processo ter início com o recebimento da peça acusatória, na verdade, a partir do momento do oferecimento, o processo já teria início. Então, são duas correntes bem divididas, mas os mais modernos tem se filiado a essa segunda corrente, entendendo que, uma vez oferecida a peça acusatória, o processo já teria início, mesmo que porventura essa peça fosse rejeitada pelo juiz. E o argumento utilizado para tanto é o seguinte: mesmo que o juiz rejeite a peça acusatória, diante da interposição de um RESI (o MP não se conformou com a rejeição), quem é que vai apresentar contrarrazões? O acusado. Então, seria contraditório você dizer que o acusado é intimado para apresentar contrarrazões e ainda assim ainda não haveria processo. Por isso, alguns entendem que, oferecida a peça acusatória, o processo penal já teria tido início. Nucci, Gustavo Badaró. Aí vai depender do concurso. Se é magistratura de SP, por exemplo, um concurso mais tradicional, você pode defender a primeira corrente. Mas se é um concurso mais moderno, tipo MPF, MP/MG, você pode dizer que seria o oferecimento da peça acusatória. Oferecida a peça acusatória, qual seria o passo seguinte:

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

7.2.

REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA

O primeiro ponto importante sobre a rejeição da peça acusatória: antes das alterações da Lei 11.719/08, alguns doutrinadores, principalmente do RS, faziam distinção entre rejeição e não recebimento: o o Não recebimento – estaria ligado a aspectos processuais (falta de uma condição) - RESI Rejeição – estaria ligada a aspectos de direito material – Apelação.

Isso, na prática, só servia para cair em prova quanto ao recurso cabível porque diziam eles que, como o não recebimento estava ligado a aspectos de direito processual, o recurso correto seria o RESI. Então, você, contra o não recebimento, deveria ingressar com o RESI. Já a rejeição, que estaria ligada a aspectos de direito material, o recurso cabível seria a apelação. É importante que vocês fiquem atentos porque mesmo esses doutrinadores agora dizem que essa distinção acabou. O próprio Auri Lopes Jr., no seu manual de 2009 diz que essa distinção teria acabado. Então, a palavra rejeição deve ser compreendida como expressão sinônima de não recebimento. E aí, independentemente da palavra que venha a ser utilizada (rejeição ou não recebimento), o recurso cabível será sempre o RESI porque hoje todas as hipóteses são ligadas aspectos processuais. E quais seriam, então, as causas de rejeição da peça acusatória? Importante, para que você não seja induzido a erro, fazer um quadro comparativo das causas de rejeição antes da Lei 11.719/08. CAUSAS DE REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA ANTES da LEI 11.719/08 DEPOIS da LEI 11.719/08 Quando o fato narrado não constituir crime, cabe a Art. 395, I - Inépcia por inobservância da rejeição da peça acusatória. Agora, isso saiu da causa qualificação do acusado e exposição do fato de rejeição e hoje é causa de absolvição sumária delituoso. Quando o juiz verificasse a extinção da punibilidade. Art. 395, II – Ausência de pressupostos processuais Caso percebesse que o MP ofereceu denúncia em de existência e de validade relação a um fato delituoso cuja punibilidade estivesse extinta, caberia a ele rejeitar a peça Art. 395, II – Ausência de condições da ação acusatória Ausência das condições da ação – última hipótese Art. 395, III – Ausência de justa causa que daria ensejo à rejeição da peça acusatória. Antes, havia questões relacionadas ao direito processual (ausentes condições da ação), daí a expressão “não recebimento” e dos aspectos ligados mais ao mérito e, aí sim, rejeição da peça acusatória. Isso daí era o que se dava antes. E agora? Com a Lei 11.719, essas hipóteses, que estão no art. 395, do CPP, foram alteradas:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L011.719-2008) I - for manifestamente inepta; (Acrescentado pela L-011.719-2008) II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
a) Primeira hipótese de rejeição da peça acusatória

O que eu devo entender por inépcia da peça acusatória. Cuidado com isso porque na ânsia de dar uma resposta rápida, o aluno, ao ser questionado sobre a inépcia, vai dizer o seguinte: que inépcia da peça acusatória seria a inobservância dos requisitos da peça acusatória. Cuidado com isso porque, na verdade, a inépcia seria a inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Vamos dar uma olhada no art.41,

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO do CPP, para a gente esclarecer isso, vai nos trazer os requisitos da peça. Só que como vimos no semestre passado, nem todos eles são de observância obrigatória. O art. 41, do CPP, traz os requisitos da peça acusatória e ele vai trazer alguns requisitos cuja observância seria obrigatória. Mas alguns deles não são obrigatórios e o art. 41 não diz, mas você sabe isso. Está aí o art. 41:

Art. 41 - A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
Se você parar para pensar, o que há de importância na hora da denúncia é a exposição do fato e a qualificação do acusado. O resto é óbvio que você vai colocar. Na segunda fase do concurso não vai dizer que o resto é bobagem e que você não precisa se preocupar com isso. É óbvio que você tem que colocar a classificação do crime, o rol de testemunhas, tem que ser assinada e escrita em vernáculo. Mas cuidado, porque o que é importante mesmo, é a exposição do fato e a qualificação do acusado. Eu já comentei isso com vocês: no processo penal, o pedido é sempre genérico de condenação. Mesmo que por acaso na minha peça acusatória eu faça um pedido de aplicação de pena de morte, o juiz não deve rejeitar porque, afinal de contas, no processo penal o acusado defende-se da imputação e não da classificação que eu formulo. Aqui, por inépcia da peça acusatória você vai entender exatamente o quê? A inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Então, nesse caso, aí o juiz deve rejeitar. Basicamente, seriam apenas dois: a qualificação do acusado e a exposição do fato delituoso. Então, se você imaginar uma situação em que o promotor narre o fato de maneira precária, caberá ao juiz rejeitar. E uma outra observação importante: se, por acaso, a inépcia não for apreciada pelo juiz no momento da rejeição. Imaginem vocês o seguinte: o juiz não rejeita a peça acusatória pela inépcia. Ele pode apreciar isso depois? Entre nós, não precisa anotar: normalmente o recebimento, em galáxias bem longínquas, é feita por um carimbo. Geralmente, eles não lêem a peça acusatória lá nesses países do sudeste asiático. E aí vem o questionamento. É óbvio que, depois disso, a defesa vai trabalhar com isso. E eu pergunto: será que essa inépcia pode ser apreciada depois? Cuidado com isso. Essa inépcia da peça acusatória, a falta de exposição do fato criminoso, está ligada ao seu próprio exercício do direito de defesa. Mas cuidado! De acordo com a jurisprudência, apesar de alguns questionamentos doutrinários, essa inépcia só pode ser arguida pela defesa até o momento da sentença. De acordo com a jurisprudência, a inépcia da peça acusatória só pode ser arguida até o momento da sentença. Essa é a idéia da inépcia da peça acusatória: se você ficou calado até o momento da sentença, é porque você teria conseguido se defender. Então, em grau recursal você não poderia mais questionar essa inépcia. b) Segunda hipótese de rejeição da peça acusatória

Está no inciso II: ausência dos pressupostos processuais. Se pode dizer, apesar de muita discussão na doutrina, que esses pressupostos processuais seriam: Pressupostos de existência:  Existência de uma demanda, veiculada pela peça acusatória  Exercício da jurisdição caracterizada pela competência e imparcialidade do juízo  Existência de partes que possam estar em juízo. Insisto: esse tema, na doutrina processual penal, não tem tido um entendimento muito uniforme, mas para concurso, numa doutrina bem tradicional e para a gente ganhar uns pontos, vamos sustentar isso aí. Pressupostos processuais de validade:  Originalidade  Inexistência de litispendência e coisa julgada  Inexistência de vícios processuais.

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A idéia aqui estaria ligada à originalidade da demanda, esses pressupostos processuais estariam relacionados à originalidade da demanda. Leia-se, portanto, relacionados à inexistência de litispendência ou de coisa julgada. E alguns doutrinadores também acrescentam aqui a inexistência de vícios processuais. c) Terceira hipótese de rejeição da peça acusatória

A terceira hipótese de rejeição também está no inciso II. Além da ausência de pressupostos processuais, vem a ser a ausência das condições da ação. A ausência das condições da ação também dará ensejo à rejeição da peça acusatória. De acordo com uma corrente mais tradicional, seriam aquelas mesmas do processo civil:  Possibilidade jurídica do pedido  Legitimidade para agir  Interesse de agir. Eu não vou colocar aqui a justa causa porque o legislador deu a ela um inciso separado. Tradicionalmente a justa causa é uma condição, só que a lei colocou em um inciso separado. De acordo com a doutrina tradicional, com aquela que costuma dizer que haveria uma teoria geral do processo (basta ler o livro da professora Ada com o Cândido Rangel), você vai ver que essas seriam as condições da ação penal. Porém, hoje, cada vez mais ganha corpo uma doutrina que vem buscar condições autônomas da ação penal e vem dizer que eu não posso importar isso do processo civil. E aí, para alguns doutrinadores (hoje alguns manuais já trazem até as duas classificações), você teria condições próprias aqui:     1ª Condição: Fato aparentemente criminoso 2ª Condição: Punibilidade concreta 3ª Condição: Legitimidade para agir 4ª Condição: Justa causa

Essa corrente mais moderna vai dizer que essas são as condições. Eu confesso que ainda não vi essas condições serem cobradas em prova. As outras já. Essas não, mas o dia vai chegar e a gente já vai ter trabalhado com isso. d) Quarta hipótese de rejeição da peça acusatória

Ocorre quando não houver justa causa para a ação penal. É a última hipótese de rejeição da peça acusatória. A justa causa, tradicionalmente é trabalhada como condição da ação. Aí você pode pensar que pelo fato de ter sido colocada em um inciso a parte deixou de ser condição da ação. Mas não. Melhor você dizer que o legislador teria colocado em inciso separado porque quis dar uma importância ainda maior à justa causa e para evitar discussões de que a justa causa não seria uma condição. Lembrem-se que justa causa aqui, apesar de ser uma expressão com vários significados, aqui deve ser compreendida como um lastro probatório mínimo para o início de um processo. Foi exatamente o que o Supremo entendeu no caso Palocci. Ali entendeu que não haveria prova suficiente para dar início a um processo e aí a denúncia só foi recebida contra o gerente da Caixa. Quer dizer, o gerente da Caixa era quem teria interesse na quebra do sigilo bancário lá do caseiro. Para a gente concluir esse raciocínio, lembrem-se que a rejeição da peça acusatória agora somente está relacionada a aspectos de direito processual. O legislador, claramente, quis colocar aqui só aspectos processuais. Portanto, podemos dizer tranquilamente que a rejeição da peça acusatória só vai produzir coisa julgada formal. Uma pergunta incessante: se o juiz rejeita minha peça acusatória, o que eu, como promotor, faço? Cuidado com isso. Diante da rejeição da peça acusatória, é óbvio que o recurso correto seria o RESI. De acordo com o art. 581, I, o recurso correto seria o RESI. Só que eu chamo a atenção de vocês para o dia a dia porque às vezes não vale a pena entrar com o RESI, mas buscar corrigir o defeito processual que deu origem

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO à rejeição da peça acusatória. Por exemplo, o juiz pode ter rejeitado sua peça por conta da inépcia. Você pode entrar com o RESI e discutir no tribunal se sua peça acusatória seria ou não inepta. Mas aí eu acho que se você for olhar de maneira bem objetiva e pragmática, ao invés de você entrar com o RESI, que vai demorar dois anos para ser apreciado pelo tribunal, o melhor é deixar a vaidade de lado e corrigir essa eventual inépcia da sua peça acusatória. Corrigido o defeito processual, oferece nova denúncia, torcendo para o juiz dessa vez não rejeitar. Se rejeitar aí você entra no CNJ, chama a mãe dele, todo mundo. Então, o recurso seria o RESI, mas, a depender do caso concreto, talvez seja mais válido que você como promotor corrija o defeito se for possível. Depois da rejeição da peça acusatória, o que segue? Na verdade, oferecida a peça acusatória, na verdade, temos duas possibilidades. Ou o juiz rejeita ou ele vai receber a peça acusatória. Vamos falar agora sobre o recebimento da peça acusatória. 7.3. RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

Há alguns pontos a serem destacados. O primeiro deles diz respeito à chamada defesa preliminar. Cuidado com a defesa preliminar, também chamada por alguns chamada de resposta preliminar, não existe em todos os procedimentos. Na verdade, somente alguns procedimentos especiais irão tratar do assunto. E cuidado com isso para você não misturar as coisas. Uma coisa é essa defesa preliminar que não se confunde com a resposta à acusação, que foi trazida pelo novo procedimento que, por sua vez também não se confunde com a extinta defesa prévia. São coisas bem diferentes. Você pode colocar de maneira resumida: a defesa prévia não se confunde com defesa preliminar que, por sua vez também ano se confunde com a chamada resposta à acusação. Essas são três espécies de defesa absolutamente distintas, apresentadas em momentos diferentes e com conteúdo diferenciado.

a)

Defesa Prévia

Conforme eu comentei na aula passada, a defesa prévia já não existe mais. Acabou-se. Ela estava prevista no revogado art. 395. Qual era o momento para a sua apresentação? Após o interrogatório. Vejam que o processo já estava em andamento há muito tempo. E quem podia apresentá-la? Ao contrário das outras duas, a defesa prévia poderia ser apresentada tanto pelo acusado, quanto pelo defensor. E, por último, qual era a consequência de sua ausência? A ausência da defesa prévia não era causa de nulidade. Para quem atuou no dia a dia até o ano passado, em muitos casos, a defesa nem apresentava a defesa prévia porque não havia testemunhas a arrolar. Defesa prévia era uma folha de papel dizendo que o acusado era inocente e que provaria sua inocência durante o processo. Sua ausência não causava nulidade. A doutrina e a jurisprudência diziam era o seguinte: o que poderia dar ensejo à nulidade seria a ausência de intimação para apresentar a defesa prévia. Aí eu pergunto: você consegue visualizar isso? Quer dizer, a hipótese em que o acusado e seu advogado não fossem intimados? Cuidado porque a partir do ano de 2003 a presença do advogado no interrogatório tornou-se obrigatória. Então, a partir do momento em que você enxerga que o advogado deve estar presente ao interrogatório, e se você entendeu bem que a defesa prévia era apresentada após o interrogatório, todo mundo já saía intimado, tanto o acusado que acabou de ser interrogado, quanto o próprio advogado. Então, essa nulidade, na prática, dificilmente ocorreria. Isso é a defesa prévia que, insisto, acabou, não existe mais.

b)

Defesa preliminar ou resposta preliminar

A defesa preliminar não existe em todos os procedimentos. Quais seriam os procedimentos que vão exigir a defesa preliminar?

I. Crimes funcionais afiançáveis há defesa preliminar – Já cansou de cair em prova que no art. 514, do CPP tem procedimento especial para funcionários públicos. O Pacceli, na nova edição do livro dele, disse que isso aí estaria revogado. Para concurso, vamos aguardar um pouco e continuar sustentado.

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você vai tentar evitar que lides temerárias sejam instauradas. Lei de Imprensa – Art. Por isso.Nos crimes (funcionais) afiançáveis. pode esquecer que você não acha mesmo! III. Se você quiser anotar. nos juizados. 514 . IV. é óbvio que aquele carimbão que fica pronto não é usado. na hora da prova. 4º. Cuidado! Não existe no procedimento comum ordinário. que é a ausência da defesa preliminar. a depender do caso concreto. para responder por escrito.429/92. E aí vem o ponto mais tormentoso de todos. o caso mais comum é o do funcionário público e porque geralmente o funcionário vai parar na vara comum onde não se tem o cuidado de verificar o crime e qual o procedimento específico. Foi o que aconteceu com ele. você consegue formar no juiz a convicção de rejeitar a peça acusatória. ela está prevista no art. quem é que apresenta essa defesa preliminar? Só pode ser apresentada por advogado. O examinador pode perguntar: “o procedimento da defesa preliminar não foi observado. 17. E se é assim. A lei de imprensa foi embora para o espaço. senão. Depois. mas que não tem natureza criminal. Procedimento originário dos tribunais – Art.” 60 . Lei de Drogas: também há defesa preliminar –. Ou seja. é preferível citar. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. V. Qual é o momento para a sua apresentação? É aqui que o aluno tem que tomar cuidado. Percebam. Art. a defesa preliminar pode ser apresentada oralmente. vamos imaginar que você foi denunciado por tráfico. visando impedir a instauração de lides temerárias. da Lei 8. “A defesa preliminar é apresentada entre o oferecimento e o recebimento da peça acusatória. vai ter um carimbo de defesa preliminar de ‘notifique -se o acusado’. metem o carimbo normal mesmo do recebimento da peça acusatória. E.343.’ Na l ei de drogas é provável que haja vara especializada. da Lei 8038/90.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 55. § 7º. Tem natureza cível. II. Então. Aí. que foi exatamente isso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. E por quê? Pensem comigo: no caso de competência original dos tribunais. mostra que é artista da Globo. que o diga o caso Palocci. Lei de Improbidade Administrativa – É a última defesa preliminar. quem me garante que o examinador ficou sabendo disso? Na dúvida. Então. VI. e o juiz se convence que você é só um usuário de baladas de finais de semana. isso é uma beleza. 43. Eu insisto que vocês abram o código depois e marquem esse art. Só que o legislador não é trouxa e ele sabe dos efeitos dessa ação de improbidade. Qual é a consequência?” De todas as hipóteses que eu citei. § 1º. temos também na Lei de Imprensa. Como o procedimento é célere e preza pela oralidade. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. esse é o objetivo da defesa preliminar.” Então. da Lei 11. eu pergunto: qual delas não é observada? O mais comum de todos é o do funcionário público. Pergunto: qual a consequência? “Para o STJ. vai lá e faz sustentação oral e tenta evitar o recebimento da denúncia. Apresentou defesa preliminar. veja a importância. pelo momento da defesa preliminar. convenhamos. tem um outro carimbo que é ‘notifique-se o acusado para apresentar defesa preliminar. estando a denúncia ou queixa em devida forma. Juizados Especiais Criminais – Aqui também há defesa preliminar e nos Juizados é a única que pode ser apresentada oralmente. Mas. Ao invés de meter o carimbo de ‘recebo a denúncia’. A depender do caso concreto. o quanto isso é espetacular porque você como acusado vai ter a oportunidade de ser ouvido antes do juiz receber a peça acusatória. a ausência de notificação para apresentação de defesa preliminar seri a causa de mera nulidade relativa (HC 72306 e Súmula 330). aí você junta a carteira de trabalho. Às vezes. 55. colocou lá como defesa preliminar. então. você pode convencer o juiz que não seria tráfico.

se a ação estiver amparada em um IPL. sumulou o assunto. Mas e no caso de incompetência? Ou você acha que ao processar um desembargador o STJ vai dizer para o desembargador que é desnecessária a observância da defesa preliminar a que o desembargador faz jus? Concorde ou não. 396-A. sob pena de ensejar nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa. na ação penal instruída por inquérito policial. ainda não chegou aos tribunais.DJ 20. Por último. aqui vai se dar após o recebimento e após a citação do acusado. 514. E qual é a posição do Supremo em relação ao assunto? “Inicialmente. o que você tem que lembrar automaticamente? Que a nulidade relativa deve ser arguida no momento oportuno. Quem tem que apresentá-la? Essa resposta à acusação somente pode ser apresentada por advogado. no mínimo.” Já vimos. Porque esse tal de prejuízo que faltam por aí é algo muito imaginário e algo que você não consegue comprovar. Como a defesa preliminar se dá antes do recebimento. E o dá.09. vamos trabalhar com a resposta à acusação. Eu disse que alguns doutrinadores dizem que quando a lei/jurisprudência falam em prejuízo ter que ser comprovado. eu precisava falar de defesa preliminar. Mas ela fala só do pobre coitado do funcionário público. Art. você entende que é após o recebimento da peça acusatória. Ela só vai existir nos procedimentos que foram mencionados. a defesa prévia. leia-se. para acabar com isso. por que ela não ampliou a sua aplicação também para a competência originária dos tribunais? É engraçado. já vimos a defesa preliminar. Não! São coisas distintas. E se é assim. A defesa preliminar não existe no procedimento comum. E aí vai haver nulidade. apresentadas em momentos distintos. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. então. Algum problema com essa súmula? É um grande absurdo porque mesmo que você concorde com os dizeres dela. você não precisa observar o art. 396-A. o Supremo manifestou-se contrariamente à Súmula 330. que vai dizer exatamente isso: que seria uma nulidade relativa). (Acrescentado pela L-011. essa súmula. o prejuízo jamais será comprovado. no HC 85779.719-2008) Com isso. Porém. que a resposta à acusação. dizendo que é nulidade relativa. penso eu. O STJ. Cuidado para não usar. quando necessário. se estou dizendo que é após a citação. a palavra correta não seria citação. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. E a doutrina. O Supremo disse no obiter dictum que a inobservância da defesa preliminar daria ensejo a uma nulidade absoluta. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 330 . qualificando-as e requerendo sua intimação. E sempre que eu falo em nulidade relativa e em nulidade absoluta. isso é óbvio que é um tema novo. tem dito que seria uma nulidade relativa (HC 94011. Aqui teria que haver a notificação. Veja você.2006 . Qual é o momento para a sua apresentação? O momento é: após a citação do acusado. quando eu falo em citação é porque antes teria havido prévio recebimento. dá um tratamento diferenciado para o funcionário. E o prejuízo deve ser comprovado. Falando sobre o recebimento. Então. Então. Na resposta.. com objetivos distintos. portanto. tudo continua como antes e vida que segue. mas a doutrina tem dito que a apresentação dessa resposta seria obrigatória.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. em julgados mais recentes (e que confesso que esse tema no STF ainda não é muito tranquilo). c) Resposta à Acusação A resposta à acusação foi criada pela nova lei e está colocada no art. oferecer documentos e justificações. por conta das muitas nulidades que são arguidas em relação a isso. fizemos a comparação entre os institutos para que vocês não usem as expressões incorretas. o STJ entende que quando você for denunciar o funcionário por um crime afiançável e funcional.É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal. Obviamente.. 61 . Às vezes o aluno sai usando achando que é tudo a mesma coisa.

o juiz. recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. desde que não fosse caso de rejeição. Oferecida a defesa preliminar. vinha dizendo que deveria ser recebida após a apresentação da resposta à acusação. A primeira corrente diz o seguinte: o processo tem início com o oferecimento da peça acusatória. A primeira corrente teria se baseado no art. olhando para o art. 399. se você fosse perguntar quando se dá o recebimento da peça acusatória.719-2008) Alguns doutrinadores. Mais uma vez o doutrinador usa a palavra recebida. Art. o processo teria início com o oferecimento. se for o caso. o juiz designará dia e hora para a audiência. 396. Concorde você ou não é a que tem prevalecido. do Ministério Público e. (Alterado pela L-011. o examinador pode perguntar: “qual é o momento para o recebimento da peça acusatória?” Quanto ao tema. Nos procedimentos ordinário e sumário. 399. E pelos seguintes motivos: 62 . e desde que não fosse caso de absolvição sumária. 396 Art. qual foi o problema? O problema é que a lei em dois momentos distintos usou a palavra “recebimento”.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Haveria a possibilidade de absolvição sumária. isso deixa de ser uma resposta acusação e pode. surgiram basicamente duas correntes: 1ª Corrente: A peça acusatória deverá ser recebida logo após o oferecimento. o procedimento seria esse: o recebimento da peça acusatória vai se dar logo após o seu oferecimento (continua tudo como era antes). o juiz receberia a peça acusatória já designando audiência de instrução e julgamento. existe a possibilidade de absolvição sumária. chamar isso de espécie de defesa preliminar. se não a rejeitar liminarmente. Ele seria notificado para quê? Se ele está sendo notificado e se ainda não houve recebimento. E qual das duas tem prevalecido? A primeira. basicamente de acordo com a primeira corrente. claramente. ordenando a intimação do acusado. 396 diziam: o recebimento está se dando aí. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Voltando a falar do recebimento. Vejam comigo aqui a representação dessas duas correntes. PRIMEIRA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Recebimento da peça acusatória Citação Resposta Possibilidade de absolvição sumária SEGUNDA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Notificação Defesa Preliminar Possibilidade de absolvição sumária Recebimento da peça acusatória Vejam como as duas são bem antagônicas. Recebida a denúncia ou queixa. por escrito. o juiz poderia fazer o quê? De absolver sumariamente. no prazo de 10 (dez) dias. mas à época da lei do ano passado.719-2008) Então. do querelante e do assistente. Se o juiz não rejeitar. só para que você entenda abem como são bem antagônicas. se baseava na leitura do art. oferecida a denúncia ou queixa. 2ª Corrente: Essa segunda corrente. Então. ele vai recebê-la. Caso não absolvesse sumariamente. de seu defensor. Já para a segunda corrente. o acusado é citado para apresentar resposta à acusação. Depois da resposta à acusação. Oferecida a peça acusatória o acusado seria notificado. isso hoje já está um pouco mais tranquilo. Aí depois vem a citação. ( Alterado pela L-011. Já a segunda corrente. Agora havia a notificação do acusado.

Há dez ou doze páginas. salvo nas hipóteses em que haja defesa preliminar no procedimento. recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação.for manifestamente inepta.719-2008) A não ser que você me diga que o legislador aí usou a palavra citação equivocadamente. é impossível que o processo esteja completo sem que antes tenha ocorrido o recebimento da peça acusatória. a fim de que o recebimento se desse logo após o oferecimento da peça acusatória.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 395. se não a rejeitar liminarmente. Só que quando a agente vai estudar a lei. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. o recebimento não precisa ser fundamentado. 363.o último motivo interessante para você dizer que prevalece a segunda corrente é o seguinte: 3º Motivo: “Para a segunda corrente.719-2008) Se você combina esse artigo com o art. É que nesse caso houve defesa preliminar. Ora. eu só posso ser citado se antes ocorreu o recebimento. A depender de como você faz essa motivação. Ou seja. A não ser que você diga que aí a palavra citação foi usada erradamente. (Acrescentado pela L-011. por escrito. Essa é a dica para a prova da magistratura. a jurisprudência diz que isso poderia levar a um prejulgamento e violar a sua imparcialidade. a dica. nos moldes do que ocorre em outros procedimentos especiais. a peça acusatória vai ser recebida logo após o seu oferecimento. 63 .719-2008) I . na hora de receber a denúncia. quem vai fazer prova da magistratura. você leia o art. já que para absolver eu preciso entrar na análise do mérito. com a imediata interrupção da prescrição.719-2008) II . se assim acontece.” Então. dêem uma olhada no recebimento. E os argumentos esposados na defesa preliminar precisam ser rechaçados. você tem que interpretar o que foi aprovado e o que foi aprovado foi isso. (Alterado pela L011. se aí ele está usando citação. é que. moral da história: prevalece a primeira corrente. o projeto foi alterado no Congresso Nacional. 2º Motivo: “Apesar de a intenção dos autores do anteprojeto ter sido a criação de uma defesa preliminar. art. tudo como era antes.” Como é que eu posso absolver sumariamente alguém. no caso do inquérito do Mensalão. Ou seja. sendo o correto “notificação”. Para a prova da magistratura. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L-011. sem que antes tenha havido prévio recebimento da peça acusatória. ou III . Mas se ele usou citação e disse antes que o processo vai ter completada a sua formação quando realizada a citação. no prazo de 10 (dez) dias. o que a gente recomenda? Por que a jurisprudência diz que não precisa fundamentar para que o juiz não faça um prejulgamento. do CPP você vai perceber o seguinte: Art. o processo terá completada sua formação quando realizada a citação do acusado. 396. é porque antes ocorreu o recebimento. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1º Motivo: “De acordo com o art. não fica muito legal. a absolvição sumária ocorreria antes do recebimento da peça acusatória. o juiz.” Art. nas hipóteses que eu citei. 395. 395: Art. 396. (Alterado pela L-011. 363. Para a gente concluir: o recebimento da peça acusatória precisa ser motivado? Cuidado com isso! “De acordo com a jurisprudência (porque alguns doutrinadores questionam isso). Nos procedimentos ordinário e sumário. do CPP. daí você precisar fundamentar. Na prática. o que é um absurdo. ao invés de você usar aquele capitulo do carimbo (recebo a denúncia).faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. oferecida a denúncia ou queixa. Quando saiu a lei muitos autores do anteprojeto ficaram indignados.” Esse foi o motivo que levou senadores e deputados a alterar o projeto.faltar justa causa para o exercício da ação penal. Então.

embora declare que o faz para o único fim de argüi-la. Ficou mais bonito. Muito cuidado porque. que podemos dizer que a citação. na citação. mesmo que haja algum defeito na citação. A citação acaba estando ligada ao contraditório e à ampla defesa. Então. 570. caso o acusado compareça. do CPP. Parece que você analisou a denúncia. Qual é a forma usual de citação no processo penal? A regra no processo penal é que a citação seja feita sempre de modo pessoal. viu que ela está em ordem. por mais que tenha havido um defeito na citação. sem problema algum. (Intervalo) 7. Por isso. então. por conta do art. O juiz ordenará. a presença da justa causa. porque ela comunica o acusado acerca da existência do processo. Pela regra do art.A falta ou a nulidade da citação. as causas de nulidade absoluta não podem ser sanadas. quando a ampla defesa. dará ensejo a quê? Se a citação consagra esses dois princípios. um chamamento do acusado para que possa se defender. quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte. eu vou lembrar daquele princípio da instrumentalidade das formas. leia=se. Ou seja. presentes os pressupostos processuais e as condições da ação (inciso II). apesar de vício na hora da citação dar ensejo a nulidade absoluta. pode ser corrigida. parece que você viu a presença dos pressupostos e das condições e.” Esse é exatamente o conceito de citação. então. Mas cuidado. vício na citação. Ou seja. havendo justa causa para a ação penal (inciso III). Por que ela consagra o contraditório? Por conta da comunicação feita ao acusado. Ou seja. eventual vício na hora da citação. Quando eu falo isso. desde que o interessado compareça. também não se pode deixar de visualizar. o que há de importante? Primeiro vamos conceituar: “Citação é o ato processual pelo qual se leva ao conhecimento do acusado a notícia de que contra ele foi recebida peça acusatória. como o objetivo foi atingido. Aí você não estará fazendo nenhum prejulgamento. Há algumas exceções a essa regra. todavia. E como eu faço isso? Com o comparecimento do acusado. por último. da intimação ou notificação estará sanada. 570. 570 . CITAÇÃO DO ACUSADO Sobre citação. essa nulidade pode ser sanada. 395 a contrario sensu.4. recebo a peça acusatória. para que possa se defender. cuidado com isso. 64 . grosso modo. a suspensão ou o adiamento do ato. Você usa o art. ao mesmo tempo em que ele é comunicado disso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Interessante você visualizar que a citação acaba sendo um misto de dois princípios básicos do processo: o o Contraditório e Ampla defesa. Aí você começa a decisão dizendo assim: peça acusatória formalmente em ordem (aí você diz que não vai rejeitar por causa do inciso I). ele é convidado para se defender. desde que o acusado compareça. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Olha o raciocínio bem interessante que você pode fazer na hora de receber a denúncia. ao mesmo tempo que estará atendendo ao comando constitucional que demanda que toda decisão do Poder Judiciário seja fundamentada. 570. Por isso. apesar de causar nulidade absoluta. se tem que a citação consagra tanto o contraditório. essa nulidade absoluta pode ser sanada. Ao mesmo tempo em que é cientificado de que uma peça acusatória contra ele foi recebida. de acordo com essa regra do art. será causa de nulidade absoluta. A gente pode até sugerir a mudança do carimbo. antes de o ato consumar-se. Quando é. a citação é dita ser um misto de contraditório e ampla defesa. Pergunto a vocês: eventual vício relativo à citação. ou seja. E. Nós já vimos quais são as causas de rejeição. Mas aqui temos uma exceção importante. deverá ser cumprida por oficial de justiça por meio de mandado de citação. Art.

nos termos do disposto no Art. porque a citação seria feita na pessoa do seu representante legal. Antes era só para quem era citado pessoalmente. na sentença condenatória.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Você tem sempre que relacionar a revelia a quem é citado de maneira pessoal. Mas além dessas duas alguns doutrinadores citam outros exemplos de exceções: o o Citação do inimputável – Ele deve ser citado na pessoa do seu curador. ao ler o art. Na prática. sobre a revelia. perceba que ele apenas pode ser aplicado a quem foi citado por edital. mesmo o acusado revel precisa ser intimado e por quê? Por causa de sua capacidade autônoma de recorrer.Se o acusado. com a inserção da citação por hora certa. já não haveria mais a revelai? Cuidado porque quando você lê o art. podemos dizer que ela vai se aplicar tanto a quem é citado por hora certa. de maneira precipitada. 366 . não comparecer. não comparece injustificadamente. O aluno tem que raciocinar com isso porque lá no processo civil vocês não tem isso. citado ou intimado pessoalmente. Aqui no processo penal tem. portanto. O aluno. poderia chegar à conclusão de que não haveria revelia porque o processo sempre estaria suspenso. 366. Mas agora. Mas agora tem uma novidade interessante. 366 Art. já que estamos falando de citação: existe revelia no processo penal? Ou será que você me diz que diante do art. mesmo estando revel. na prática: “O único efeito da revelia no processo penal é a desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos demais atos processuais. Se o acusado citado por hora certa desaparece. ou muda de residência sem comunicar o ju ízo. tanto o acusado. O acusado também pode. Dá uma lida no início desse artigo (acusado citado por edital).” Da sentença condenatória. essa é a revelia. Agora. Leia-se. são as hipóteses seguintes: o o Citação por edital Citação por hora certa Essas duas últimas formas de citação são muito importantes. Pergunto: quais são os efeitos da revelia no processo penal? No processo civil a gente estuda a tal da presunção da veracidade dos fatos. Mas cuidado. se for o caso. “Revelia no processo penal ocorre quando o acusado. você pode também entender que o acusado citado por hora certa que desaparecer também será considerado revel. vamos fazer uma análise da citação por edital e por hora certa. não será pessoal? O aluno geralmente cita citação por edital e hora certa. a) REVELIA Mas antes queria perguntar. salvo na hipótese de sentença condenatória. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. vai existir revelia. que para quem não foi citado por edital e desaparece no mundo. quanto o seu advogado. hoje. O que há de importante mesmo. 312. Citação da pessoa jurídica – Eu acho que não seria uma exceção. também será considerado revel. Mas hoje também existe a citação por hora certa. Será que isso pode ser trazido para o processo penal? De modo algum. Os dois têm que ser intimados. 65 . Isso sem muita relevância. 366. que prevê a citação do acusado. quanto para quem também é citado pessoalmente. Então. decretar prisão preventiva. Mas alguns dizem que sim. Antigamente era só para quem é citado pessoalmente. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. nem constituir advogado. citado por edital. Não é só o advogado que pode recorrer. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO no processo penal.” Então. Então. Por isso ele tem que ser intimado.

A citação ainda será feita por edital: I . Então. mas o processo vai seguir o seu curso. O oficial de justiça certificou que o acusado morava em local inacessível. Se ele se evadiu é porque. você vai continuar exigindo a citação. Agora já está riscado.O processo seguirá sem a presença do acusado que. b) Citação por EDITAL Quem é citado por edital? Vejamos as hipóteses anteriores à Lei 11. de guerra ou por outro motivo de força maior. numa situação dessa. Guerra? Epidemia? Não! Ele morava numa favela.quando inacessível. por hora certa. Uma vez eu peguei uma certidão de um oficial de justiça querendo levantar a bola para isso aí. citado. o lugar em que estiver o réu. Acusado que se ocultava para não ser citado – também era citado por edital. Agora nós sabemos que essa pessoa que se oculta não é mais citada por edital e sim.719. Convenhamos. ou. deixar de comparecer sem motivo justificado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. desaparecido. Vamos ao art. Quem era citado por edital antes da Lei 11. Você tem que considerar as duas coisas. citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato. Art. 361 . de certa forma. (Revogado pela L-011. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A revelia no processo penal não acarreta a presunção de veracidade dos fatos. Então. o acusado também será considerado revel se. com o prazo de Perceba que esse artigo continua em pleno vigor. a citação farse-á por edital. Essas eram as quatro hipóteses de citação por edital.719? o o o o Acusado em lugar incerto e não sabido – se ele estava sumido. pelo fato de a pessoa ser moradora de uma favela. com o prazo de 5 (cinco) dias. mas não dá para entender que. era citado por edital. assume sua culpabilidade. Se acusado fosse pessoa incerta – qualificação incerta do acusado. será citado por edital. (Revogado pela L011.quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. que tem que ser citada por edital. também. não comunicar o novo endereço ao juízo. 363 . 362 . Uma vez eu vi uma sentença onde o juiz colocou assim: “o acusado está foragido. no caso de citação por hora certa. 362: Art. Vejamos isso no texto da lei: 15 (quinze) dias. 363: Art. que trata do local inacessível. 367 .” Tá maluco! Art. Acusado estava em local inacessível – o que o código dizia era se ele estava em local inacessível em virtude de guerra. Perceba que esse artigo não foi alterado pela reforma. mas agora deve ser relido com a citação por hora certa porque agora. Dá para citar por edital quem mora numa favela violenta? Não dá. em virtude de epidemia. você tem que ver a situação do oficial porque infelizmente há vários casos de oficiais que são mortos no exercício da função.719-2008) Cuidado com o inciso I. mas é óbvio que vai pedir que uma escolta seja providenciada para que o oficial possa se deslocar com segurança. um advogado vai ser nomeado. não comparecer.Se o réu não for encontrado.719-2008) II . 66 . E aí o local era extremamente violento e o oficial disse que o local era inacessível. epidemia. Art. no caso de mudança de residência.Verificando-se que o réu se oculta para não ser citado.

há como citá-lo. O oficial de justiça vai lá e é informado de que o Tício mudou. o Hoje. O que você. Finalmente. quando cometeu o crime. você vai ter que procurar dados quanto à qualificação. a classificação do crime e. Só que agora o Código revogou isso. você pode muito bem dizer que se já não cabe mais a citação por edital contra essa pessoa incerta. Ele como militar. antes de denunciá-la. A citação por edital para o acusado que está em local incerto e não sabido deve ser usada a título excepcional. o irmão é solto. Acusado que se oculta – será citado por hora certa. edital esse com prazo de 15 dias. Quando estudamos denúncia no semestre passado. como promotor. admitirmos o oferecimento de denúncia contra uma pessoa incerta. ao ser preso. ação de indenização contra o Estado. E as duas últimas hipóteses. cabelo sempre com gel. O Código agora. Conclui que o acusado está em local incerto e não sabido. por exemplo. Mas e se ele estiver numa guerra? Aí você pode entender como local incerto e pode ser citado por edital. deu um endereço. 361 está em pleno vigor: se a pessoa está em local incerto e não sabido será citada por edital. essa pessoa poderia ser denunciada e. Ofereço denúncia contra: “pessoa de pele clara. como vimos. a única hipótese de citação por edital ocorre quando o acusado tiver em local incerto e não sabido. essa pessoa incerta também não poderia ser denunciada. Então hoje. Será citado por hora certa. Na verdade. em 2008/2009. não está em local incerto. Mas aí. olhos claros. Eu só 67 . o rol das testemunhas. Ele quer que você dê uma porrada na bola pedindo a citação por edital. Mas o Código que diz isso é de 1941. E como eu vou citar essa pessoa? Então. local inacessível e pessoa incerta. Vê pega o manual de processo penal e lá na denúncia. antes. faz? Aí você tem que tomar cuidado porque o oficial de justiça faz isso para levantar a bola. o sentido é um só. Então. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. se eu dou essa descrição.719. cuidado porque antes de citar por edital. Eu se sou ele.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Ele perdeu o emprego e a gente bem sabe como vai ficar esse estigma para o resto da vida. Ele será citado pessoalmente. precisamos entender que é uma citação excepcional e que só será possível após o esgotamento dos meios de localização do acusado.719. foram revogadas.A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso. na década de 40. 41 . filiação? Teoricamente pode. vocês vão saber que eu estou me referindo a determinada pessoa. compareceu ao local indicado na denúncia e lá não encontrou o acuado. Então. Um militar servindo no Haiti. Pelo art. quando necessário. O processo correu como se ele fosse o irmão. Já não dá mais para. em 2009. foram revogadas pela Lei 11. Uma coisa é. você vê: “é possível denúncia contra pessoa incerta?” Teoricamente é. vejam que essas duas hipóteses. finalmente. mesmo que eu não tivesse o nome dele? Vamos ao art. baixa uma luz e resolvem juntar os dois. você oferecer denúncia contra alguém sem que você tivesse seus dados pessoais. não possui ombros e com uma voz parecida com a do Pato Donald e que está sempre com um livro na mão fazendo propaganda. Ele é encontrado e permanece preso por mais de 4 meses. Mas isso é hipótese que não acontece. 361) – essa hipótese continua. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Então. 41: Art. A pessoa incerta é aquela sobre a qual você tem alguns dados. mas posso lhes garantir que se um militar estiver respondendo a um processo penal dificilmente ele vai para o Haiti porque para o militar ir para o Haiti é muito importante e difícil. apresentou a documentação do outro irmão. O art. Mas vão procurar o irmão inocente. tamanho pequeno (máximo 1. por mais que não tenhamos sua qualificação. O que eu quero dizer com isso? Imaginem o seguinte exemplo: o acusado. você vai descrevê-la. Aí verificam que a denúncia teria sido oferecida contra a pessoa errada. 41. Só que aí parece que ele foge do presídio e aí vão procurar. E qual o sentido disso? A meu ver. Até que o outro e encontrado e é preso.” Alguém teria dúvida quanto a esse acusado. Caso do Paraná ontem: um irmão. Diante das alterações trazidas pela Lei 11. quais são hoje as hipóteses previstas na lei? o Acusado em lugar incerto e não sabido (art. seria ela citada por edital. RG. a gente falou o seguinte: posso oferecer denúncia contra alguém que eu não tenha os dados concretos? Sem ter nome. Como é que na cidade de São Paulo eu posso oferecer denúncia desse jeito? Não tem o menor cabimento. basicamente.60). data de nascimento. com todas as suas circunstâncias. Tanto era que você conciliava as duas coisas. está sendo muito claro. Aí ficam os dois presos. Ele certifica que no dia tal. Eu coloco isso na denúncia. quem se ocultar para não ser citado não é mais causa de citação por edital.

719 revogou os dois parágrafos do art. além disso. Esses ofícios demonstram que você esgotou os meios e se não derem resultado. 366. a depender da natureza jurídica. afinal de contas. Art. uma norma de direito material gravosa porque. 366. A citação ainda será feita por edital quando inacessível. eles saíram do mundo jurídico. A segunda norma (suspensão da prescrição) é. nem constituir advogado. 366 – Qual seria a natureza jurídica do art. a suspensão da prescrição é prejudicial ao acusado. 366. Moral da história: “O art. Mas eu os convido a pensar sobre o assunto: os §§ 1º e 2º foram revogados. foi essa a posição que prevaleceu? Não. surge o questionamento em relação ao crime ocorrido em 1995. Eu não posso jamais chegar a essa conclusão. 366 vai trazer como consequência a suspensão do processo o que. aí sim. 68 . telefone. além dos parágrafos terem sido revogados. além da suspensão do processo e de maneira umbilical. Antes de pedir a citação por edital. nos termos do disposto no Art. Art. o art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. você vai entender que como a norma penal é prejudicial. o lugar em que estiver o réu. quando ele tem natureza mista (reúne norma penal e norma processual). só se aplica aos crimes cometidos após a sua vigência.Se o acusado. somente sendo aplicável aos crimes cometidos após a entrada em vigor da Lei 9. Mas o aluno tem que ter cuidado porque essa nova redação do caput foi vetada pelo Presidente da República. (Alterado pela L011. a lei trouxe uma nova redação para o caput. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. você aplicaria ou não aos processos em andamento. 366. a pergunta: a primeira norma (suspensão do processo) é norma processual. 366 . se for o caso. 366. Se a nova redação foi vetada. mas a questão da prescrição. porque apesar do brilhantismo ímpar de tal posição. além de contemplar a suspensão do processo. o ideal é que você busque esse indivíduo através da expedição de ofício aos órgãos públicos de praxe. energia elétrica. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. como a antiga não foi revogada. 312. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO posso citar por edital após esgotados os meios de localização do acusado. a um crime cometido em 1995? Será que eu aplico o art. a lei também trouxe uma nova redação do caput. você aplica o critério do direito penal. a primeira vista se poderia levar a crer que se trata de norma processual (sobre a qual incide o princípio da aplicação imediata). 366. justificariam a citação por edital. Cuidado com um detalhe importante: a Lei 11. o que eu faço em relação. E. ou seja. O art. por motivo de força maior. 366 para ele? Então. citado por edital. li alguns artigos sobre isso e esses artigos começaram a dizer que o art. 366 tem natureza mista ou híbrida. Se é assim. já que o crime cometido por ele foi praticado antes do art. 366? Isso vai ter relevância porque à época. Mas o problema é que. A nova redação foi vetada. companhia de gás. contempla também a suspensão da prescrição. 366 também vai acarretar a suspensão da prescrição.719-2008) VETADO. concluo o seguinte: permanece em pleno vigor o caput do art. Natureza jurídica do art. Vejamos aqui vários aspectos em relação ao art. não. Alguns disseram isso. Se os parágrafos foram revogados. essa polemica surgiu e LFG foi um desses e entendeu que a suspensão do processo poderia ser aplicada. convenhamos. Aí vem a pergunta: diante dessa constatação. Vejamos o que nos diz o caput do art. 366 teria sido então revogado. não comparecer. Citada a pessoa por edital. mas não a suspensão da prescrição. À época. Quando isso aconteceu (há um ano). detalhe. 366 foi alterado em 1996). 366.” Ou seja. você aí o fazendo estaria criando uma terceira lei e estaria cindindo a suspensão da prescrição o que. ela permanece em pleno vigor. não foi a intenção do legislador. A proposta da lei à época é que a norma de suspensão processual poderia ser aplicada. E. Surge então. decretar prisão preventiva. O art. vou aplicar para ela o famoso art. Empresas de telefone celular.271.271/96. Então. nitidamente norma de direito material. 366. artigo esse que teve sua redação alterada pela Lei 9. por exemplo (lembre-se que o art.

o processo retoma o seu curso normal.” 69 . Então. a prescrição voltaria a correr novamente. É óbvio que ninguém lê o edital. é extremamente relevante e é assim porque a lei foi alterada em 1996 e lá se vão 13 anos e vocês não têm noção das pilhas que estão sendo acumuladas por causa desse art. se o acusado não fosse encontrado. não comparecer. quando foi aprovada. após o que. Aí fica aquela pergunta: interessa à sociedade e ao Estado retornar esse processo depois de 70 anos? De modo algum. 366. num caso concreto. então. Essa corrente sempre prevaleceu nos tribunais estaduais. chega a 8. que foi a resposta da magistratura. Mas o Supremo já em duas oportunidades disse que. Primeiro porque. Se ele for encontrado. 1996. ia consagrar a segunda corrente. 3ª Corrente: A suspensão do processo e da prescrição deve perdurar por prazo indeterminado (STF. ficou do jeito que estava. De acordo com o Supremo. na hora que o juiz aplica o art. se aos 90 anos você for encontrado. Isso. Então. com base no art. 366 prevê a suspensão do processo e da prescrição. RE 460971). daí a importância da segunda que vai usar a prescrição da pretensão punitiva abstrata. Essa corrente ainda nem foi aplicada. tanto é verdade. Findo o prazo de 8 anos. que causa uma certa perplexidade isso. 366. de maneira indireta você estaria criando novas hipóteses de imprescritibilidade. é ou na prova urgente? “Para o STJ. Então. citado por edital. Afinal. Então. 366. hoje. Então. agora vamos ficar com a posição do Supremo. o tempo de prescrição pela pena máxima em abstrato do crime previsto na denúncia. Nem o advogado e nem o acusado vão comparecer. deverá ser declarada a extinção da punibilidade. além do racismo e da ação de grupos armados contra a ordem constitucional. E aí. a depender da pena máxima prevista para o delito. o processo retoma seu curso normal. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O art. decretar prisão preventiva. passados os 20 anos sem que o acusado tenha sido encontrado. que você foi citado por edital aos 19 anos. A primeira corrente tem o grave defeito de dar tratamento igual a crimes diferentes. extinta a punibilidade. Apesar de o processo estar suspenso. Se esquecem rápido dos fatos. o processo vai seguir normalmente. a pena é de 1 a 4 anos. Para o furto. E o examinador pode perguntar o prazo de duração da suspensão. não é considerada urgente. Leia-se. Essa decisão causou uma certa perplexidade porque o Supremo hoje é tão bonzinho com o acusado. Os tribunais estaduais preferem a segunda corrente. joga no art. Curiosidade: a Lei 11. você estaria criando nova hipótese de imprescritibilidade. 366 Art. 8 anos seria o máximo de suspensão. a prescrição voltaria a correr novamente.719. mas como não passou a nova redação do art. findo o prazo prescricional. Você pega os 4. Promotores e procuradores. julga-se extinta a punibilidade ao final. por exemplo. então. Dois comentários: Produção antecipada de provas urgentes – Sobre esse assunto. 366 . esse seria o máximo de suspensão.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Agora. Pense. a prova testemunhal sob o simples argumento de que a testemunha pode se esquecer dos fatos. Ou seja. é melhor que essa testemunha seja prova urgente. se porventura comparecer o advogado constituído.Se o acusado. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. 2ª Corrente: Admite-se como tempo de suspensão de processo. 109. Voltando ao art. Aí vêm as correntes (caiu na penúltima prova da magistratura): 1ª Corrente: Admite-se como tempo máximo de suspensão de processo. a pergunta que poderia ser feita é a seguinte: prova testemunhal é prova urgente? Isso tem sido muito comum. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. citado por edital. tem trabalhado com o seguinte argumento: prova testemunhal acaba se esquecendo rapidamente das coisas. 312. se for o caso. o tempo máximo de prescrição previsto no Código Penal (20 anos) quando. o processo vai ficar suspenso e a prescrição no prazo determinado. nem constituir advogado. vai ficar com prazo indeterminado. nos termos do disposto no Art. quero realizar sua oitiva. Isso gera críticas.

nesse caso. 394 e seguintes deste Código. Enquanto isso não acontecer fica tudo suspenso.” Uma vez citado por edital.Se qualquer testemunha houver de ausentar-se. fundamentando à luz do art. em qualquer tempo. Por quê? Em muitos casos. Eu acho que você deveria ouvir essa testemunha. Para tanto 70 . manda prender. 366 é a decretação da preventiva. “Ah. O que não dá é para estabelecer uma presunção automática. é foragido. mas cuidado para não estabelecer esse raciocínio automaticamente. 366. vai ser aplicado logo após a citação por edital e antes da resposta à acusação. a prisão preventiva do acusado citado por edital que não compareceu e nem constitui advogado fica condicionada aos pressupostos do art. vamos ao art. art. Vamos ao CPP. não tem natureza urgente para o STJ. você vai decretar a prisão preventiva. Ou seja. Você pode pensar assim. A prisão preventiva no art. Hoje. sua testemunha for a Hebe Camargo. não comparecendo. Mas é a posição do STJ. ela já não lembra quase nada. por enfermidade ou por velhice. 363.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. essa é a citação por edital. 396. de certa forma ele tinha essa consciência. inspirar receio de que ao tempo da instrução criminal já não exista. se você ouvir uma testemunha um ano após o crime. a professora Hebe já não exista mais (usando as palavras do art. aquela resposta à acusação só vai ocorrer depois que o acusado for encontrado. ser considerada uma prisão automática. o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. 225 . só quando o acusado pessoalmente comparecer ou quando ele constituir um advogado que compareça perante o juízo. No caso de citação por edital. jamais. Decretação da Prisão Preventiva – Outro ponto importante relacionado ao art. E além desse. c) Citação por HORA CERTA Vejamos como vai funcionar a nova citação por hora certa no processo penal. tomar-lhe antecipadamente o depoimento. ou. § 4º: § 4º Comparecendo o acusado citado por edital. foi citado por edital. §único: Parágrafo único. Então. O aluno pode bem pensar que se o acusado foi citado por edital e está em local ignorado. sim. eu paro tudo. 225): Art. a situação é diferente. por si só. 312. o juiz poderá. Já é caso de aplicarmos o art. ao tempo da instrução criminal. O primeiro ponto importante é você visualizar que a citação por hora certa se aplica ao acusado que se oculta para não ser citado. Prova testemunhal. 312. (Alterado pela L-011. Lembre-se que mesmo na hipótese do art.719-2008) O prazo para apresentar resposta.” Não! Você vai ter que demonstrar que. 366 não pode. com a consequente suspensão do processo. provavelmente ele é um foragido. de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. Para concluir o raciocínio: quando vai ser dar a suspensão no novo procedimento? “O art. o processo observará o disposto nos arts. Vejam que o próprio Supremo está dizendo que o processo pode ficar suspenso por prazo indeterminado. Se a Hebe Camargo for testemunha de fato delituosos é prova de natureza urgente porque há o risco de. 366. Aí você já perdeu totalmente a prova testemunhal. Imagina daqui a dez anos. Aí. Interessante você tomar cuidado e entender a razão de ser disso aqui. 225. ele mudou de endereço e está em local incerto e não sabido por querer se furtar à aplicação da lei penal. você pega pessoas humildes que se mudam e não comunicam ao juiz simplesmente porque ignoram essa determinação. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Mas cuidado! Se porventura.

O parágrafo único é importante: Parágrafo único. 2. Olha lá para baixo e vê o oficial de justiça. provavelmente. ocorrerá. Quer dizer: como é que eu posso premiar essa torpeza com a suspensão do processo? Por isso. Completada a citação com hora certa. Não é isso. na visão do acusado isso é bom porque seria aplicado o art. (Acrescentado pela L011.719 – Imagine que você está na sua casa. ser-lhe-á nomeado defensor dativo. E olhe o detalhe: dessa manobra fraudulenta do acusado. terá o processo prosseguindo normalmente.719.869. provavelmente não vai aparecer (já que já estava se ocultando antes). Antes da Lei 11. o que acontece? Isso era sinônimo de impunidade. o juiz vai nomear advogado dativo com o prosseguimento do processo.   Citação por edital: processo e prescrição suspensos. impedia o Estado de exercer contra ele sua pretensão punitiva e o processo ficava suspenso. Que haja suspeita de ocultação. ele ia ser citado por edital. foi criada pela lei a citação por hora certa no processo penal. 362 traz a citação por hora certa: Art. Olha o questionamento interessante que pode ser feito: a lei 11. Outro ponto que merece ser destacado é o seguinte. na forma estabelecida nos arts. Cuidado para não confundir. 362. Queira ou não. Pressupostos da citação por hora certa: 1. você já liga lá pro porteiro e avisa para dizer que não está em casa. Agora. de 11 de janeiro de 1973 . vejam que antes da lei. E aí o aluno precisa entender o seguinte: àquele que é citado por hora certa. Deixou o que estava no CPC mesmo. de certa forma. O acusado que praticava um crime e se ocultava para não ser citado. de sua torpeza. (Alterado pela L-011. Antes da Lei 11.719. Ele não pensa na prescrição porque não sabe o que é isso. mas a suspensão do processo para ele é interessante. 366 e desse 366 ia resultar. se o acusado não comparecer.Código de Processo Civil.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Você vai precisar essa suspeita de ocultação e vai depender muito do trabalho do oficial de justiça. na varanda do seu apartamento. Antes dele tocar.719-2008) O não comparecimento é o que. Lembre-se que o processo dele está suspenso. você é capaz de entender porque foi criada a citação por hora certa. quem for citado por hora certa. que era a suspensão do processo e da prescrição. o CPP não disciplinou. depois da lei. um senhor benefício.719 –Agora você entende a razão de ser da citação por hora certa. Então. O aluno não pode achar que a citação por hora certa vai se tornar a regra do processo penal. quem se oculta para não ser citado. Será que eu posso citá-lo por hora certa? 71 . O que. será citado por hora certa. na cabeça dele. Agora. O art. Verificando que o réu se oculta para não ser citado. ele se ocultava. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO tem que olhar para o acusado que se oculta antes e depois da Lei 11. atento e diligente. na cabeça dele é um benefício porque não visualiza muito bem a suspensão da prescrição. o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com hora certa. 227 a 229 da Lei nº 5. Depois da Lei 11. era citado por edital e o processo seria suspenso. Citação por hora certa: advogado dativo é nomeado e processo terá o seu curso.719 entrou em vigor no dia 22/08/08.719-2008) Ou seja. Seria a citação por hora certa aplicável aos acusados que já foram citados por edital? O cara já foi citado por edital porque se ocultou. quando você pensa no quadro anterior. Visualizando esse quadro. Que o acusado seja procurado por três vezes em seu endereço e não seja encontrado (está tudo no CPC).

deixará de ocorrer a suspensão da prescrição. Essa é a posição por exemplo. b. eu cito quem está se ocultando para não ser citado. passo a passo. 2ª Corrente: “O art. você deixa de ter para ele a suspensão da prescrição. Ela é até bem interessante. Trata-se. toda pessoa tem direito. porque eu recebo citação pessoal com a cópia da denúncia. Aí vem o grande problema.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. só que. a norma do art. Diante desse caráter híbrido do art. eu tenho ciência prévia e pormenorizada da acusação. de ato perfeito e acabado que não pode ser substituída por nova citação. talvez. Você citou à época. por isso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1ª Corrente: “Não é possível a citação por hora certa aos acusados já citados por edital em momento anterior à vigência da lei (22/08/08). Isso porque. respeitando as normas vigentes à época. você tem que raciocinar no seguinte sentido: quando eu cito por hora certa. 8º. lindo. é isso que o examinador quer que você aborde. assegura a todos os acusados o direito à comunicação prévia e pormenorizada da acusação. 2. E o art. do Andrei Borges de Mendonça. mas ela sabe muito bem que o Estado está procurando por ela. Ou seja. creio eu que esse argumento não deverá prosperar. É a posição do professor Gustavo Badaró. quando o acusado se ocultou para não ser citado pessoalmente. Ou seja. Quem se oculta para não ser citado. no art. 362 seria benéfica para ele. às seguintes garantias mínimas: b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada. agora por hora certa. nesse aspecto material (de a prescrição voltar a correr normalmente). 8º . Sabe por quê? Pensa comigo o seguinte: antes. Então. se eu me ocultava. 72 .” Essa segunda corrente não é de todo absurda. 366. eu era citado por edital. que tem um livro sobre as reformas. de maneira indireta. espécie de citação presumida. e verificar. já complica um pouco. Quando se diz que a pessoa não tem ciência prévia da acusação. muito complicada porque você vai ter que pegar todos os processos suspensos pelo art. É óbvio que. tem conhecimento de que o Estado quer exercer contra ele a sua pretensão punitiva. para concurso seja melhor. pode permanecer suspensa por prazo indeterminado. você tem que ler isso em termos relativos. todo mundo que foi citado por edital. agora não tem como citá-lo por hora certa. você vai dizer que viola a Convenção de Direitos Humanos? Negativo! E negativo por quê? Porque por mais que a citação por hora certa seja conhecida como uma citação ficta. para o Supremo. sobretudo por ser benéfica ao acusado. quem foi citado por edital porque estava em local incerto e quem foi citado por edital porque estava se ocultando. que essa posição não é de todo irracional. Vejam então. basta pensar que. E aí fica a pergunta: não posso premiar essa manobra torpe com a suspensão do processo. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Então. é uma corrente bem legal. Mas não tem problema porque aplica-se o art. essa pessoa pode não conhecer o teor da denúncia.2. Art. para o acusado. Eu acho até bem racional. a citação anterior. na prova para MP e juiz. A citação por edital é compatível com isso? Se eu sou citado pessoalmente. talvez seja uma belíssima tese você responder que a citação de hora certa. 366. Se você visualiza que agora. Se cair esse tema na prova da defensoria. Não vai haver um grande prejuízo porque processo e prescrição ficarão suspensos. tecnicamente.” Essa é uma corrente que. haveria uma norma material porque ela retira a suspensão da prescrição. em plena igualdade. E então. Se eu sou citado por edital. 362 deve retroagir no tempo para alcançar os processos suspensos em virtude de citação por edital. se por um lado o prosseguimento do processo é mal. quem está se ocultando para não ser citado é alguém que. como premiá-la. Você vai entender que citação é uma só. O artigo então aplicado era o art. como a suspensão. deve a norma retroagir. E para quem é citado por hora certa? O seu processo continua? Será que essa continuidade do processo não violaria a Convenção de Direito Humanos? Para quem for fazer prova para a Defensoria. 366 previa a suspensão do processo e da prescrição. 366. Será que a citação por hora certa é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos? A Convenção Americana. Durante o processo. quem é citado por hora certa o processo segue.. de certa forma. na medida em que você visualiza que não mais vai haver s suspensão da prescrição e isso é benéfico ao réu. Então. 362. com a citação por hora certa. estaria a violar a Convenção Americana de Direitos Humanos. Agora. presumida. do plano pragmático.

LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Se você olhar. A Lei 12. não. 73 . (Acrescentado pela L-011. E agora. cor. Defesa preliminar – Prevista em alguns procedimentos (droga. só para facilitar a compreensão. 7. Na verdade.6. quando necessário. 396-A O que vem a ser isso? Cuidado para não usar a palavra errada. E caiu! Então. para que vocês percebam qual é o conteúdo da resposta à acusação: Art. Vejamos então. juizados). fiquem atentos ao art. fiquem atentos à Lei 12. a gente tem que entrar no site do Planalto.719-2008) Bem tranquilo. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. dispositivo aí semelhante ao que já acontece no processo civil. Antes de colocarmos as diferenças entre defesa prévia. Resposta à acusação não se confunde com a chamada defesa prévia que existia no antigo procedimento e também não se confunde com a defesa ou resposta preliminar. Então. resposta preliminar e resposta à acusação. ou se o acusado. nos termos dos arts. essa é a resposta à acusação. vai que domingo você vai fazer uma prova e cai isso. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. defesa preliminar e resposta à acusação. § 3º. procedimentos originários dos tribunais. a ação penal lá também ficou como regra a pública condicionada. 7. valendo-se de elementos referentes à raça. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. quando você ofende alguém em sua honra subjetiva. vamos dar uma olhada no CPP.5. sempre apresentada por advogado antes do recebimento da peça acusatória. – JÁ ESTUDAMOS TODAS ELAS § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal.033. aqui. até mesmo pela Lei dos Crimes Sexuais. 363. etnia. qual seria a diferença entre defesa prévia. por força dessa lei. Na resposta. mas agora é texto de lei também colocado para o processo penal. passou a ser pública condicionada à representação. FORMAÇÃO DO PROCESSO Esse é um aspecto que já foi comentado com vocês (só para cair em prova mesmo). 396-A. saiu depois do edital. oferecer documentos e justificações. religião ou procedência nacional.   Defesa prévia – Estava no antigo procedimento (ocorria depois do interrogatório) podia ser apresentada pelo advogado como também pelo acusado. a Lei dos Crimes Sexuais tinha saído havia pouco tempo e aí aquele aluno “Juninho” diz: “ah.719-2008) § 1º A exceção será processada em apartado. citado. 95 a 112 deste Código. fiquem atentos. não vai cair”.033 é de 29/09/09 e mudou a espécie de ação penal no crime de injúria racial. funcionário. prevista no art. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. Então. 140. qualificando-as e requerendo sua intimação. (Alterado pela L-011. é um estímulo para que a vítima represente deixando nas mãos do Estado a persecução penal do autor do delito. do CPP: Art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Hoje está engraçado porque antes de vir dar aula. Qual era a espécie de ação penal? Era privada. 363. Parece que na magistratura de Minas. o que é uma grande tendência hoje. RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. não constituir defensor.

especificar provas. no curso do inquérito policial. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  Resposta à Acusação – Foi a prevista no novo procedimento. Qual é a consequência da não apresentação do rol de testemunhas neste momento? Tecnicamente. Então. infelizmente. esse é o momento para fazê-lo. isso é justificação. Esse benefício do soldado da borracha foi trazido pelo ADCT e pago aos seringueiros que trabalharam na extração da borracha na Região Amazônica durante o período da II Guerra Mundial. Só que no processo penal. Então. é defensor público em SP. Então. se a defesa quiser ouvir uma testemunha de álibi é muito comum que o delegado indefira sob o argumento de que o inquérito é inquisitório e que ele vai ouvir as testemunhas que ele quer ouvir. Ele deveria fazê-lo porque. conversa no telefone. 3. com ela. na verdade. Ouvia-se lá um outro cidadão que havia trabalhado nesse período.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. na verdade. posteriormente. O que acontece se o meu cliente está preso em Presidente Prudente e eu estou em SP? Isso tem acontecido muito. Aí vem o seguinte problema que tem acontecido na prática. ele deveria colher os elementos que auxiliem na apuração do fato e não somente que digam respeito à acusação. caso haja uma outra prova que a defesa pretenda requerer. Imagine que o seu cliente esteja preso em Presidente Prudente. o juiz nomeia um dativo) e a gente vai falar agora sobre o conteúdo dela. Sempre apresentada por advogado. você vai lá senta com ele. ele é citado. Você. é obrigatória (se não apresentar. você possa ingressar em juízo. Seria essa a melhor posição? Não. hoje. Raciocina comigo. então. Se você tem advogado constituído. É até interessante mas. defensor. vem sempre aquele princípio salvar aquele que não cumpriu com os preceitos da lei. está acabando. Essa justificação a que se refere o art. 396-A é. por esse motivo. faça um apelo ao juiz invocando o princípio da busca da verdade de forma que aquelas testemunhas possam ser ouvidas como se fossem testemunhas do juízo. a) Conteúdo da Resposta à Acusação A resposta à acusação deve conter: 1. Era interessante porque as pessoas faziam essa justificação como prova pré-constituída. eu lembro muito daquela prova pré-constituída que você vai produzir em juízo. Veja o problema: imagine que você é advogado em SP. O advogado dativo ou defensor público 74 . vão ter aula sobre benefício previdenciário do soldado da borracha. como defensor e era muito comum a existência de justificações quanto a esse benefício que. Além de apresentar o rol de testemunhas. Então. nada impede que você. geralmente. apresentar o rol de testemunhas. se você não fizer. a gente sabe que o inquérito é produzido para a colheita de informações que auxiliem o órgão acusatório. O pessoal da região de Manaus conhece mais. colhe essa prova antecipadamente e vai apresentá-la nesse momento ao magistrado para que ele forme a sua convicção. Outro dia vi num doutrinador que essa justificação seria causa excludente da ilicitude. E por que você faz essa justificação? Basicamente para que você tenha uma prova pré-constituída e. Imagine a seguinte situação. Na verdade. 2. e sendo bem sincero com vocês. pensem em quantas pessoas ainda estão vivas. o chamado princípio da verdade real pelo juiz. imaginando que o advogado tenha se esquecido de apresentar o rol de testemunhas. E qual é a importância dela no processo penal? Por que ela existe no processo penal? Porque. Falo isso para vocês porque estive em Manaus durante 1 ano. Quando vocês tiverem aula de previdenciário. pelo fato de que geralmente a defesa tem dificuldade de ouvir suas testemunhas no curso do inquérito é que essa justificação se apresenta como um procedimento interessante. O acusado vai ser citado. Um problemaço para o defensor. Cuidado com isso. Está acabando porque é um benefício que só existe para quem trabalhou na época da II Guerra Mundial na Floresta Amazônica. preclusão. você. ele vai providenciar o seu deslocamento e coisa e tal. etc. se a lei diz que este é o momento para apresentar o rol. Juntada de Documentos Juntada de Justificações Apresentação do Rol de Testemunhas Arguição de Preliminares Cuidado com essa palavra “justificação” no processo penal. 4. aquele procedimento cautelar que vocês estudam com o Gajardoni. apresenta resposta a acusação: vai juntar documentos.

No processo penal. sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos. o juiz que tivesse um pouco mais de cautela. como promotor. O aluno costuma trazer do processo civil aquela ideia muito fixa de que o prazo só começaria a correr a partir da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória. Esse é um grade problema da lei porque antigamente. O art.7192008) É óbvio que você. se você como advogado resolve abandonar o seu cliente. não constituir defensor. fez carga do inquérito policial e não apresentou a resposta à acusação. Quer dizer. Então. contam-se os prazos da data da intimação. comunicado previamente o juiz. se vê impossibilitado de apresentar o rol de testemunhas. Advogados dativos e defensores públicos não têm o contato adequado com o cliente. no próprio art. Essa é uma solução que pode ser visualizada a fim de que o defensor público ou o advogado de defesa dativo possam ter uma noção de quem seriam essas testemunhas. do STF que vai nos dizer exatamente isso: STF Súmula nº 710 . por conta do rol de testemunhas) e você. então. para não errar em prova. b) Prazo da Resposta à Acusação É de 10 dias. que esse prazo é contado da efetiva citação. Ele tomou posse e esqueceu. sem prejuízo das demais sanções cabíveis. quem trouxe o leitinho dele para casa eram os clientes do tempo de dativo. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. durante o tempo em que ele estava estudando. Então. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO não tem condições de se deslocar a Presidente Prudente. 396-A. 265 agora foi atualizado e prevê a aplicação de uma pena de multa Art. Ele ficou tão feliz com a aprovação que esqueceu que. Lembrem-se. ou se o acusado. haja um cuidado na hora da citação. já não poderia mais ser punido pela OAB (“demais sanções cabíveis”). Qual? Vou contar o caso de um aluno que advogava e passou para promotor. Lembrem-se: foi citado hoje. O que acontece? O chamado abandono do processo pelo advogado. 265.DJ de 13/10/2003 . Qual é a consequência? Agora. Era bom porque no próprio interrogatório. ficando então sujeito apenas à multa. citado. Vamos à Súmula 710. por não ter contato com o seu cliente. e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. ele já fosse indagado quanto às possíveis testemunhas. de convênio que a gente tem aqui em SP. 75 . porque pensando buscar uma solução para esse problema. se não foi apresentada resposta à acusação. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso. seu prazo começa a fluir a partir de amanhã (se for dia útil). teremos um pequeno problema. cuidado com isso! O art. Esqueçam isso aqui no processo penal. Qual? Seu primeiro salário como promotor vai-se embora porque agora tem previsão de multa. 396-A. Atente para uma novidade trazida pela reforma. o ideal é que na hora que esse acusado fosse citado (porque aí mesmo estando preso ele vai ser citado por oficial de justiça). Qual é a consequência? Como vimos. vai ter que nomear o dativo que terá mais dez dias para apresentar essa resposta à acusação. no processo penal. nomeia-se defensor dativo. quando é que o rol de testemunhas era apresentado pela defesa? Depois do interrogatório. Você está com o seu prazo (e essa resposta é importante. deu uma olhada nos autos. no seu § 2º diz isso: § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal. Outro detalhe importante: e se meu advogado não apresentar? E se ele foi ao cartório. a única possibilidade é que a partir de agora. (Alterado pela L-011. já no interrogatório perguntava ao réu se ele tinha alguma testemunha a ser ouvida. § 2º. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias.

nada. isso era até interessante porque se antes das alterações o juiz já percebesse que seria caso de improcedência do pedido condenatório. desde já faço uma advertência: ela não está prevista de maneira expressa. em 5 (cinco) dias. Atente para o seguinte: hoje. antes das alterações.O juiz rejeitará a queixa ou denúncia. o juiz recebeu. logo em seguida. 6º. OITIVA DO MP Este é o próximo passo na análise do procedimento. citado o réu. o juiz ouvirá o Ministério Público ou o querelante sobre preliminares e documentos. veio a resposta à acusação. 516 . que fala sobre a competência originária dos tribunais. se convencido. “De modo a se observar o princípio do contraditório. do CPP (1º exemplo). Depois da resposta à acusação. A absolvição sumária sempre existiu no procedimento do júri. esse artigo está dentro do procedimento de funcionários públicos.038/90. É exatamente isso que o art. geralmente não está nos manuais.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Essa questão agora. o ideal é que ele preserve o contraditório. a absolvição sumária. Apresentada a defesa. A grande novidade trazida pela lei 11.7. você pode entender que se trata de julgamento antecipado da lide. Uma vez. Mesmíssima coisa que a gente acabou de ver em relação ao art. 7. Porém. da inexistência do crime ou da improcedência da ação. a depender do caso concreto. O art. pela resposta do acusado ou do seu defensor. no procedimento comum. pouco trabalhado.719 é que agora a absolvição sumária também passa a existir no procedimento comum. você não vai encontrar de maneira expressa.689-2008) O art. qual seria o exemplo de julgamento antecipado da lide? Havia dois exemplos e o problema é o aluno lembrar desses dois exemplos. perceba o porquê de a gente colocar aqui a oitiva do MP: o MP ofereceu denúncia. torna-se ridículo porque vai ser caso de absolvição sumária. 409 não está dentro do procedimento comum. 516. Alguns doutrinadores citavam isso aí (citavam e continua válido) como julgamento antecipado da lide. 409 vai dizer. talvez com base em uma prova da qual o MP não tinha ciência. era possível um julgamento antecipado da lide no art. caso ela apresente documentos e o juiz anteveja a possibilidade de absolvição. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 7. vamos ver que. mas olha o que ele diz: Art. Veja que essa oitiva do MP não será sempre obrigatória porque pode ser que a defesa não tenha apresentado documentos. O outro exemplo está na Lei 8. caiu em prova a seguinte questão: “existe julgamento antecipado da lide no processo penal?” lá no júri isso não é bem um julgamento antecipado porque vai ser dar no final da primeira fase. 409. caso a defesa apresente documentos dos quais o MP não tinha prévia ciência. 516. Em relação a essa oitiva do MP. antes de se falar nisso.8. Mas antes. Esse tipo de pergunta. Agora. Então. Agora. do CPP” Art. (Alterado pela L011. em despacho fundamentado. que ela seja realizada. Qual seria o problema se não existisse essa oitiva do MP? Seria possível que o juiz absolvesse sumariamente o acusado pondo fim ao processo. é interessante que. diante da absolvição sumária. 516. diz: 76 . 409. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA Essa absolvição sumária já vem sendo chamada por alguns doutrinadores de julgamento antecipado da lide. há muito tempo. É pouco lido. Se você procurar isso no texto da lei. da referida lei. aqui. nós vamos invocar a analogia possibilitando a aplicação do art. deve o magistrado aplicar por analogia o art. Só que. por ausência de previsão legal. está dentro do procedimento do Júri. Um deles está previsto no CPP só que ele é pouco lido. existe a possibilidade de absolvição sumária. Dá uma olhada no art. apesar de essa oitiva não estar prevista. 409. E alguns doutrinadores estão usando essa expressão “julgamento antecipado da lide”.

Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. e parágrafos. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude. IV. Cuidado com isso. No procedimento do júri a questão é bem diferente porque a absolvição sumária vai se dar ao final da primeira fase do procedimento do júri. Quando estiver extinta a punibilidade do agente. logo após a apresentação da resposta à acusação I. entre as causas da absolvição sumária no procedimento comum e as causas de absolvição sumária no procedimento do júri.719-2008) II . (Acrescentado pela L-011. II. Hipóteses: III. o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. salvo inimputabilidade. IV. ela se dá lá no início do processo. logo após a apresentação da resposta à acusação para ser chamada de julgamento antecipado da lide. Após o cumprimento do disposto no art. eu proponho o seguinte: façamos um quadro comparativo porque isso vai ser questão certa de prova. Essas são as quatro causas. Todo mundo há de saber que não é possível julgamento antecipado para condenar.que o fato narrado evidentemente não constitui crime. III. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO COMUM Momento: Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO DO JÚRI Ao final da primeira fase Art. no art. É óbvio que julgamento antecipado da lide é só para absolver. A diferença temporal de um momento para o outro é gigante. Se o tribunal perceber que já pode julgar improcedente de plano aquela pedido condenatório seria possível o julgamento antecipado da lide. citou. As hipóteses de absolvição sumária estão todas previstas no CPP. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Alterado pela L-011. ou a improcedência da acusação. 397. O fato não constituir infração penal. A doutrina vem entendendo que a absolvição sumária do júri somente pode se dar ao final da primeira fase. III .LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente.a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato. 397: Código.extinta a punibilidade do agente. Para a gente fazer algo melhor no seu caderno. mas no procedimento do júri. 396-A. Quanto tempo você acha que demora uma primeira fase do júri? Apesar de a lei falar em 120. no procedimento comum.719-2008) I . Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. se a decisão não depender de outras provas. praticamente porque eu ofereci a denúncia. ela se dá no início do processo. Então. Será que é possível essa absolvição sumária do procedimento comum no procedimento do júri? A doutrina tem entendido que não. deste Início do processo. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime. a rejeição da denúncia ou da queixa. você tem a absolvição sumária que só vale para o procedimento comum. o momento correto para essa absolvição sumária seria ao final da primeira fase. Em qual momento do procedimento vai se dar a absolvição sumária no procedimento comum e no procedimento do júri? No procedimento comum. ALÉM DAS PREVISTAS NO PROCEDIMENTO COMUM: I. veio a resposta e o juiz absolveu sumariamente. pode colocar aí um ano pra lá. ou IV . 6º A seguir. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato. o juiz aceitou. Quais são as hipóteses de absolvição sumária no procedimento comum? são quatro hipóteses: 77 . II.

o juiz pode absolver sumariamente. em que destaco o advérbio evidentemente. Verificando o juiz que a conduta seria atípica tanto no plano formal quanto material. No momento da sentença.690-2008) Então. resulta a imposição de medida de segurança. que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente. Lembre-se aqui de que quando se fala em fato não constituir crime estamos diante da atipicidade que. precisa estar convencido de que você praticou o crime em legítima defesa.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. ele deve ser processado. Outra coisa bem diferente é no momento da sentença.. é fácil você enxergar que o legislador. sem dúvida alguma. desde que reconheça: VI . Verificando o juiz que você teria praticado um delito sob o amparado da causa excludente da culpabilidade. pois. Por que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente? Porque da inimputabilidade. que vai confirmar o que eu acabei de colocar: Art. todos do Código Penal). Para que o juiz possa absolver sumariamente. a medida de segurança não deixa de ser espécie de sanção penal e. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO I. A extinção da punibilidade. VI. 26 e § 1º do art. qual é? Pancadaria na balada às 6 horas da manhã. o juiz deve ter um juízo de certeza. a dúvida quanto uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. ou seja. O art. Essa é a segunda hipótese de absolvição sumária. 61. todos sabemos. jogando no art. inexigibilidade de conduta diversa. II. 386. Não se sabe. que uma coisa é a absolvição sumária (certeza). uma pergunta boa de prova seria a seguinte: “qual é o grau de certeza que o juiz precisa ter para absolver você com base na legítima defesa? O juiz precisa estar absolutamente convicto de que você matou em legítima defesa ou ele pode ter dúvida?” cuidado com isso. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude . Essa é a segunda hipótese IV. O juiz está privando o MP do próprio desenvolvimento do processo para provar a culpabilidade daquela pessoa. o juiz. mas não precisava. o próprio legislador teve o cuidado d e falar em existência “manifesta”. 386. VI. olha que intrigante. Então. pode ele absolver sumariamente. 22. absolve todo mundo. o juiz precisa estar convencido de que o fato não constitui crime. Lembre-se que esse é um julgamento antecipado. 23. de absolvição sumária. quanto no plano material. Vejam. Reconhecida a tipicidade e a ilicitude de sua conduta. Verificando o juiz que está extinta a 78 . Quando estiver extinta a punibilidade do agente . Veja você que pela própria redação do art. Parece que colocaram esse inciso IV aí porque ficou bonito.existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. desde que reconhecido que sua conduta teria sido típica e ilícita. geralmente. ele deve ter um juízo de certeza. O melhor exemplo de dúvida. Por isso. como sanção penal que é. Ou seja. do CPC. a situação é diferente porque a dúvida quanto a uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. 386 . coação moral irresistível. Queira ou não. etc. na hora da absolvição sumária. Na hora da sentença. 21. pelas próprias palavras utilizadas (existência manifesta). 28. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. se caracterizada. estado de necessidade. basta a dúvida. o juiz vai absolvê-lo sumariamente. Estando convicto de que o crime foi praticado em legítima defesa. em todas as hipóteses. não. no que tange a essa última previsão teria sido redundante. 20. Neste ponto. do CPP nos diz claramente que a III. 397. pode ser tanto no plano formal. Qual é única causa excludente da culpabilidade que não autoriza a absolvição sumária? O inimputável. (Alterado pela L011. não havia necessidade do inciso IV por um motivo simples. pode o juiz absolver sumariamente. para absolver. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime . Aí.O juiz absolverá o réu. ao final do processo lhe será imposta a medida de segurança. pode ser declarada a qualquer momento. quem deu início e fica sempre aquela dúvida: quem agiu em legítima defesa? Quem deu início a tudo? Na dúvida. Vamos dar uma olhada no art. porque na hora da absolvição sumária. só pode ser imposta ao final do processo. mencionando a causa na parte dispositiva. mais uma vez. punibilidade.

Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO extinção da punibilidade. 61 . do querelante ou do réu. o grau de convencimento do juiz é muito maior do que no procedimento comum. O melhor exemplo são casos de suicídio. Exclusão do crime refere-se às excludentes da ilicitude. Ou seja. O fato não constituir infração penal. o juiz. Perceba você que III. já tivemos uma instrução e. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato . nesse momento. Parágrafo único . Essa seria a última hipótese de absolvição sumária. mas aqui iremos acrescentar mais algumas: I. vamos imaginar que eu contratei um perito que constatou que aquela vítima só pode ter sido vítima de suicídio. é possível. seja denunciado como autor desse homicídio (você teria empurrado a pessoa). Fato é que. É claro que houve uma morte. todas as anteriores também estão aqui. não só pode como deve ser declarada a qualquer momento.Em qualquer fase do processo. mas tecnicamente. Por que a lei fala em “provada”? porque aqui nós estamos ao final da primeira fase. refere-se o legislador à atipicidade que pode ser formal ou material. pelo perdão. aqui diz respeito à sua atuação. E quais seriam as causas de absolvição sumária no procedimento do júri? Aqui essas hipóteses serão diferenciadas.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. proferindo a decisão dentro de 5 (cinco) dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final. Imagine que você. 61. Para que a gente possa concluir a absolvição sumária no júri. ele pode declarar a qualquer momento. mesmo que não houvesse a previsão legal do inciso IV. eu pergunto: apesar disso. se o julgar conveniente. Porém. verificando o juiz que está extinta a punibilidade. É óbvio. se reconhecer extinta a punibilidade. mas o fato homicídio não ocorreu. O que ele faz? Me absolve sumariamente. o juiz mandará autuá-lo em apartado. fica o questionamento: pode o inimputável ser absolvido sumariamente no procedimento do júri? Cuidado com isso! 79 . O juiz convenceu-se da inexistência do fato. Basicamente. o caminho também será a absolvição IV. Então. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade ele pode declará-la? Pode. Fato não constituir infração. Nessa hipótese. Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. refere-se à excludente de culpabilidade. ela saltou do prédio. Já aconteceu um caso desse: a pessoa aparece morta na frente de um edifício e você foi visto no apartamento. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade pela prescrição. nessa primeira fase. ou seja. É interessante que o aluno perceba o seguinte: a causa extintiva da punibilidade foi aqui colocada? A extinção da punibilidade é causa de absolvição sumária no procedimento do júri? Não foi colocado no texto da lei que a extinção da punibilidade seria causa de absolvição sumária no júri. enquanto o primeiro diz respeito ao crime em si. Não foi prevista aqui expressamente como causa de absolvição sumária. II. concederá o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. de acordo com o art. fato “homicídio”. se o juiz ficar convencido de que você não teria atuado como autor ou como partícipe. Absolvição sumária. pela morte.No caso de requerimento do Ministério Público. Quando o legislador fala em causa de isenção de pena. Por que você vai levar adiante um processo em relação a um crime cuja punibilidade já estaria extinta? Art. Então. ouvirá a parte contrária e. mas é óbvio que. 61. sumária. fazendo isso com base no art. num primeiro momento. Ou seja. deverá declará-lo de ofício. ele vai extinguir a qualquer momento. Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime . Difícil você imaginar um caso de atipicidade material aqui.

IV. corre-se o risco de amanhã você ser até condenado pelo tribunal do júri. quando o juiz julga extinta a punibilidade. cabe ao magistrado fazer isso de maneira fundamentada. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo (QUE É A ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA) ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. o advogado do inimputável tem que ter muito cuidado e esse é um raciocínio bem complicado porque. 593 . 593.” Posso ser absolvido sumariamente? Não! Por que não? Pense: se eu. Então. é essa última hipótese: extinção da punibilidade. ele pode ser absolvido sumariamente.  Art. Na verdade. por acaso o fato não constituir crime. do STJ: 80 .848. 415.Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I . Só que na hora da primeira fase do júri. às vezes. inclusive. Quando o juiz diz que está prescrito ou houve o perdão. uma belíssima questão de prova. para ele. apelação. mas também pelas pegadinhas. também. de acordo com a jurisprudência. ele está apenas reconhecendo que o Estado não pode impor uma sanção. mesma coisa. O problema. é óbvio que você vai ter que dar uma olhada no CPP: art. eu viro para o juiz no interrogatório e digo: “juiz. que trata da absolvição sumária no júri: Parágrafo único. por conta da inimputabilidade. salvo quando esta for a única tese defensiva. ele não está absolvendo você. com esse quadro comparativo vocês têm aí. atendendo ao disposto no art. Só para ficar claro: o inimputável não pode ser absolvido sumariamente no procedimento comum. Façam aí algumas observações sobre a absolvição sumária no procedimento comum :  A decisão do juiz deve ser fundamentada – ao por fim ao processo de maneira prematura. essa é a tarefa difícil do advogado nesse momento. O problema. mas não fui eu que matei a vítima. § único. que dá a resposta à pergunta formulada.das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular. através do julgamento antecipado da lide. é o teor da Súmula 18. inimputável. tranquilo.” E por que essa exigência da lei? “Desde que seja sua única tese defensiva?” imagina que eu sou um inimputável. o inimputável pode ser absolvido sumariamente com a consequente imposição de medida de segurança. I. afinal de contas. advogado. como o resultado do júri é imprevisível. uma crítica feita pela doutrina porque. na verdade. 63. Se. Então. Mas é óbvio que nas outras hipóteses ele pode. no entanto.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. estamos diante de uma sentença definitiva absolutória proferida por juiz singular. O fato não constituir crime. eu sei que sou inimputável e sei que você já está pensando em me absolver sumariamente. Prova disso. Se o inimputável praticou o crime com manifesta causa excludente da ilicitude. o que é melhor? Que eu seja absolvido amanhã no júri com base na inexistência de autoria (os jurados dizendo que eu não matei). essa decisão tem natureza declaratória. não só pelas diferenças quanto ao momento. no entanto é o seguinte: quando o juiz absolve por conta de uma excludente da ilicitude. sem dúvida alguma. ele pode ser absolvido. de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “No procedimento do júri. Quando ele absolve por conta de uma excludente da culpabilidade. estou dizendo que não matei. qual seria a natureza jurídica dessa decisão? Aqui temos um sério problema e. Então. é melhor ficar ali na primeira fase porque. Ele só não pode ser absolvido sumariamente por conta da inimputabilidade no procedimento comum. Por quê? Quando o juiz declara extinta a punibilidade. mas desde que a inimputabilidade seja sua única tese defensiva. a decisão que julga extinta a punibilidade não é uma sentença absolutória. O recurso cabível seria a apelação. 26 do Decreto-Lei nº 2. Vamos olhar o art. inclusive. Qual seria o recurso cabível contra a absolvição sumária no procedimento comum? Para responder a essa pergunta. ou será que é melhor para mim ser absolvido sumariamente com imposição de medida de segurança? É óbvio que o melhor para mim é que eu vá a júri por mais que seja imprevisível.

7192008) Essa designação está prevista a partir do art. AUDIÊNCIA UNA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO a) Designação da audiência una Art. teoricamente. 399: Conjugue sempre isso com a videoconferência que a gente viu. Então. o ideal é você dizer o seguinte: O recurso na absolvição sumária nas hipóteses de extinção de punibilidade seria o RESI. no sentido estrito. pode ir embora para casa tranquilo porque significa que o Estado. 581. por outro modo. essa apresentação não será necessária. Só está reconhecendo que o Estado não poderá submetê-lo ao cumprimento de uma pena.Caberá recurso. nas hipóteses de absolvição sumária quando o juiz julga extinta a punibilidade? Tem doutrinador que não tem feito essa distinção.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. do Ministério Público e. tendo efeito somente declaratório. o juiz designará dia e hora para a audiência. devendo o poder público providenciar sua apresentação. 400. então. bem como aos 81 . se for o caso. 222 (CARTA PRECATÓRIA) deste Código.1990 . A depender do caso.  A decisão de absolvição sumária faz coisa julgada formal e material – sendo absolvido sumariamente. seria o RESI e não mais a apelação.9. você fala apelação mesmo.A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. Art. não mais poderá submetê-lo a qualquer processo. extinta a punibilidade. (Acrescentado pela L-011.que decretar a prescrição ou julgar.719-2008) § 1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório. Na audiência de instrução e julgamento. eu fui absolvido sumariamente. Aí vem o problema: qual seria. VIII: Art. acabou o processo. E aí você tem que ter cuidado na hora da prova. do querelante e do assistente. despacho ou sentença: VIII . se está falando que não subsiste qualquer efeito condenatório é porque não se trata de uma sentença propriamente dita. em relação àquela imputação. de seu defensor. 399. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 18 . proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido. Já comentamos: princípio da identidade física. Recebida a denúncia ou queixa. Se você percebe que o examinador está só copiando a lei e pergunta qual o recurso contra a absolvição sumária. não subsistindo qualquer efeito condenatório.11. traduzindo em miúdos. Aí vem o problema: a extinção da punibilidade. o recurso correto. Caso não seja hipótese de absolvição sumária o processo segue: 7. a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias. E o RESI seria o recurso correto com base no art. Se. sempre foi mal colocado na absolvição sumária porque. (Alterado pela L-011. da decisão. ele não está absolvendo você. nesta ordem. por acaso. Quando a absolvição sumária se der com base na presença de causa extintiva da punibilidade. à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. quando o juiz julga extinta a punibilidade. Se você percebe que é uma prova mais bem elaborada e que o examinador é um pouco mais maldoso. 581 . § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. ressalvado o disposto no art. então.DJ 28. ordenando a intimação do acusado. o recurso.

o acusado. transmissão ou difusão de publicidade. mas o engraçado é o seguinte: a depender do caso concreto. II . Como o próprio nome diz. Então. Você cumpre condições! Geralmente comparecimento mensal ao juízo. não poder praticar novos delitos. (Acrescentado pela L011. Antes mesmo de analisar a audiência. § 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das Então. tome cuidado porque 60 dias é o prazo previsto para o procedimento comum ordinário. (Alterado pela L-011. O primeiro ponto importante é que a lei diz que essa audiência deve se dar em até 60 dias. 89. 5º. ou multa. III .subordinar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de outro bem. interrogando-se. fica aguardando anos para acontecer a audiência. Qual o procedimento? Ordinário. impertinentes ou protelatórias. Pergunto: qual procedimento demora mais? O ordinário ou o sumário? Aí você vai dizer: “o ordinário.recusar-se. Crime de furto. está extinta a punibilidade. olha a pena mínima de 2 anos e diz: “2 anos. ou multa. Aí.sujeitar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de quantidade arbitrariamente determinada. Depois da obrigatoriedade de advogado no processo penal. Porém. Mas. Diz o art. Perceba que não é pena que você cumpre. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO esclarecimentos dos peritos. você vai ter o seu processo suspenso enquanto você cumpre algumas condições.137. ou ao uso de determinado serviço. administrador. às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas. Essa pergunta é meio ridícula. ridículo”. por exemplo.719-2008) § 1º As provas serão produzidas numa só audiência. vamos ver como é que funciona essa audiência una de instrução e julgamento. IV . 5. suspensão condicional do processo. nesse caso. nós não podemos nos esquecer da suspensão condicional do processo. em seguida. o que o juiz faz? Só faz audiência de réu preso e você que é sumário e está solto.detenção. está cominada de maneira alternativa. Isso vai cair em prova já já. mas o juiz sempre faz constar. a maioria dos acusados estão presos. Olha a pena desse delito: 2 a 5 anos. ao final desse período. Pena máxima de 4 anos. Constitui crime da mesma natureza: I . Você cumpre isso de 2 a 4 anos e. tem pena de 1 a 4 anos. Aqui. Ess a é uma ótima questão para cair em prova porque aquele aluno “Juninho”. mas não custa reforçar mais uma vez. se você estiver no procedimento sumário esse prazo desce a 30 dias. A suspensão condicional do processo. não poder frequentar casa de tavolagem. que ninguém sabe o que é. coloquem a seguinte observação: Art. Às vezes. Qual é o requisito para a suspensão? É o de pena mínima cominada igual ou inferior a 1 ano. Cuidado com a Lei 8. como a pena mínima é de 1 ano e imaginando que não seja um furto qualificado. no ordinário. o sumário demora mais. informação sobre o custo de produção ou preço de venda.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Eu acho até que chamei a atenção de vocês no intensivo I. O segundo ponto a ser analisado é a suspensão condicional do processo. seja a maior invenção para o acusado porque é uma maravilha a suspensão. Pena . de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. porém. de acordo com a lei.719-2008) partes.099 (Lei dos Juizados Especiais Criminais). O furto não vai parar no juizado. é isso: 60 dias e 30 dias.º da referida lei: em detrimento de concorrência. 82 . que iremos estudar com mais detalhes na aula de juizados. É julgado no juízo comum. sem justa causa. Caberia suspensão condicional do processo em relação a esse crime? Vejam: “ou multa”. o diretor. podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes. É uma verdadeira maravilha. ou gerente de empresa a prestar à autoridade competente ou prestá-la de modo inexato. claro”. Essa é a suspensão.exigir exclusividade de propaganda. essa. está prevista no art. da Lei 9. Só que ele se esquece que a multa. talvez.

Só para concluir: e se o promotor se recusar a conceder a suspensão? Imagine. 28. do CPP. Esse contato direto facilita a convicção.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.” Tem decisão do Supremo sobre assunto: se ao final. O art. Cuidado para não achar que o juiz poderia suprir de ofício.. não adianta nada você pensar em teoria da pena se você não trabalha com uma ideia de concentração. suspende o processo aqui. 132. É até interessante você olhar para o dia a dia porque você claramente percebe que em casos de maior repercussão. geralmente a resposta dada pelo Judiciário é rápida. foi mais 83 . qual é o caminho? Aplicação do art. mas na grande maioria dos casos. 28 do Código de Processo Penal. (Intervalo) . Quem atua ou já atuou na área criminal sabe o quanto essa ideia de concentração é importante porque quando você possibilita que o mesmo juiz que teve contato com a prova sentencie. Prova disso. Outrora previsto apenas no processo civil. o Juiz. pior vai ser a ideia de prevenção. era caso de suspensão. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la. o princípio da identidade física do juiz agora também faz parte do processo penal. E esse princípio da oralidade vai trazer três efeitos imediatos. vamos aplicar subsidiariamente o disposto no art. 399. quanto mais demorada a resposta estatal. O promotor vai dar suspensão? Não! Diante da recusa do MP. seria uma incongruência não dar para ele a suspensão condicional do processo. aplicando-se por analogia o art. será cabível a suspensão condicional do processo quando a pena de multa estiver cominada de maneira alternativa. ele pode pegar só uma multa. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “Mesmo que a pena mínima cominada seja superior a um ano. ou seja.” Essa é a ideia de imediatidade. Daí a importância de tentarmos diminuir o procedimento a fim de que a resposta estatal saia o mais rápido possível. E aí ficam as perguntas: e se o juiz for aposentado.  2º Efeito: Imediatidade – é a segunda ideia que deriva da oralidade. então. do CPP.” Quando vocês estudam Teoria da Pena (com o Rogério) e aquelas ideias de prevenção e prevenção geral pra lá e pra cá.  3º Efeito: Identidade Física do Juiz – é última consequência dessa audiência una. do CPC que. Detalhe interessante é você perceber que o legislador do CPP foi extremamente simples. você vai para a audiência com a camisa do Corinthians e o promotor é palmeirense. dissentindo. nosso próximo passo é analisarmos a audiência uma. Mas vamos imaginar que não seja caso de suspensão. agora também contempla o princípio da identidade física do juiz no processo penal: § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. os processos se arrastam anos e anos. consagra o princípio da oralidade no processo penal. promovido? Diante do silêncio da lei. isso facilita a formação do seu convencimento. Trouxe essa previsão e não trouxe nenhuma exceção. remeterá a questão ao Procurador-Geral. 28. São três os efeitos da adoção do princípio da oralidade na audiência uma:  1º Efeito: Concentração – “Redução do procedimento visando à proximidade entre o julgamento e a data do fato delituoso. § 2º. “Imediatidade consiste em obrigar o juiz a ficar em contato direto com as partes e com as provas.. Se por acaso. O caminho é aplicar o art. é a súmula 696 do Supremo: STF Súmula nº 696 – DJ de 13/10/2003 – Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo. Quando você lê um depoimento de uma testemunha ou o teor de um interrogatório é muito diferente do ato em si.

a audiência. salvo se estiver convocado. que depende da aquiescência da vítima. começará com a oitiva do ofendido. ele pode ser conduzido coercitivamente. Na prática. você não pode pretender que haja um contato físico. o juiz que proferir a sentença. Outro detalhe importante: deverá ser reservado um local separado para o ofendido na antessala para que fique separado do acusado. 84 . Quando se fala em princípio da identidade física. A lei foi alterada e a jurisprudência tem caminhado nesse sentido. as provas que possa indicar. o uso de meio eletrônico. ele disse que quando entraram em vigor essas alterações. ele é tão relativizado no processo civil que se questiona até que ponto ele seria eficaz. do CPP.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. com a oitiva do ofendido. Caso ele não compareça à audiência. (Alterado pela L-011. poderá ser conduzido coercitivamente. pois. tomando-se por termo as suas declarações. 132 subsidiariamente ao processo penal. Art. imediato. (Alterado pela L-008. então. 400. 201. sob pena de cercear o direito à prova. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO categórico.6371993) Parágrafo único . Será que diante da adoção desse princípio. Você pode conduzi-lo coercitivamente. Hoje. Entenda. Começamos. titular ou substituto.O juiz. promovido ou aposentado. b) Oitiva do Ofendido Essa audiência una de instrução e julgamento. de maneira coercitiva. quem seja ou presuma ser o seu autor. se entender necessário. afastado por qualquer motivo. poderá mandar repetir as provas já produzidas. vocês vão aplicar esse art. Hoje. dizem o seguinte: Art. É claro que há testemunhas que moram em outra comarca. do art. Os §§ 3º e 4º. É possível a condução coercitiva do ofendido? Perfeitamente possível. o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração. que concluir a audiência julgará a lide.Em qualquer hipótese. será reservado espaço separado para o ofendido. casos em que passará os autos ao seu sucessor. será que diante do princípio da identidade física continua sendo possível a expedição de carta precatória? É óbvio que sim. que o princípio da identidade física não inviabiliza a expedição de carta precatória. Atentem para isso é a previsão da lei. regulamentou melhor esse princípio. prevista no art. por opção do ofendido. é cabível a expedição de carta precatória? Conversando com Gajardoni. Nos demais casos. 201. num grupo de discussão entre os juízes em SP. 132 . como vimos.690-2008) § 3º As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele indicado. Bonito para Inglês ver. a expedição d carta rogatória demanda a comprovação de sua imprescindibilidade. obrigá-lo a se sujeitar a exame pericial. licenciado. Sempre que possível. O que você não pode é. admitindo-se. § 4º Antes do início da audiência e durante a sua realização. em outro Estado e é lógico que você vai ter que lançar mão da carta precatória.637-1993) Então. Lembrem-se que em relação à carta rogatória ( expedida para ouvir testemunha em outro país) havia muito problema porque as partes pediam a expedição de carta rogatória nitidamente para gerar procrastinação. Você tem que dizer qual é o seu objetivo com isso. fica todo mundo sentado junto aguardando a vez de ser chamado. Não basta você dizer que quer ouvir uma testemunha no Afeganistão. (Acrescentado pela L-008.

no dia a adia vai acontecer muito. marcar uma nova data para ouvir as cinco restantes e.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. Queria ou não. na hora da audiência. O que o tribunal mandou fazer? Anulou tudo. numa situação mais complicada. vale a pena conferir o teor do HC 121 216. somente depois. são 5 testemunhas. não tem jeito. também nesse momento. 312. E isso é ridículo! A pior coisa é perguntar para o juiz porque quebra qualquer sequência que você possa fazer de perguntas. Você vai ter que ouvir as três. O Código de Processo Penal passou a adotar. na ata de audiência: indagada às partes quanto à possibilidade de o juiz formular as perguntas. (Alterado pela L-011. A audiência ocorreu no dia 14/08 e o juiz não observou o art. Só veio uma testemunha de acusação e as oito de defesa estão lá! O juiz fica muito tentado a ouvi-las.” O juiz que teve esse cuidado já está se precavendo contra posterior alegaç ão de nulidade. ainda sobre a oitiva de testemunhas: a audiência. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha.” “Para a doutrina. do STJ.690-2008) Quem é que gosta do cross examination e quem é que não gosta? Juiz não gosta porque não gosta de abrir mão que ele tem de formular as perguntas e de as perguntas passarem pelo juiz. porque antigamente era só no júri o sistema do cross examination. Qual? Compareceram apenas 3 testemunhas de acusação (das 8) e já estão presentes as 8 testemunhas da defesa. Nesse primeiro julgado sobre o assunto (de junho de 2009). O que acontece se o juiz não observar esse sistema e ele mesmo formular as perguntas (“não to nem aí que foi alterado. Vejamos o teor do art. a depender do caso concreto. eu faço as perguntas primeiro. 85 . Se só estão presentes 3 testemunhas de acusação. o juiz. Outro ponto importante. já que pouparia muito esforço. Problema que vai cansar de acontecer no dia a dia. É uma situação que. E já temos um julgado pioneiro sobre o assunto. já com essas alterações. do CPP: Art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO c) Oitiva de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa Já foi dito mais de uma vez que esse número seria de 8 no procedimento ordinário e no procedimento sumário. é uma audiência una. cuidado com isso: a violação a esse sistema do cross examination vai caracterizar uma nulidade absoluta por violação ao princípio do devido processo legal. você vai conduzindo as perguntas de forma a buscar aquela resposta que você está querendo e induzir a testemunha a alguma contradição. como é comum que uma testemunha deixe de comparecer em juízo. o STJ anulou um processo. Essa é uma doutrina bem tradicional. aqui quem manda sou eu. como já disse. já que haverá anulação da sentença e tudo o mais.”). E nessa audiência temos que ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. mais nervosa. Anote o seguinte: defesa. Se você é um juiz esperto e não quer ter problemas amanhã. eventual inversão da ordem caracteriza nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla Para prova de concurso. ouvir as testemunhas de defesa. E o juiz que não foi esperto?então. E a gente sabe. não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta. Sobre isso. que é a inversão da ordem de oitiva das testemunhas. Só para que vocês tenham ideia? A lei entrou em vigor no dia 09/08. 212. As perguntas são formuladas primeiro pelas partes diretamente ás testemunhas e o juiz irá complementar a inquirição. Sem contar que quebra qualquer sequência. você pega uma doutrina tradicional e só vai ouvir isso. 212. Seria possível o juiz ouvir primeiro as 8 testemunhas de defesa e deixar pra ouvir depois as cinco que estão faltando? Esse é um ponto que está provocando muita discussão. responderam que não havia qualquer objeção. E aí imagine você a vantagem do réu no que tange à prescrição. o que vale a pena comentar? A gente pode começar destacando o sistema do Sistema do Cross Examination. Qual seria a consequência? Nulidade? Mera irregularidade? Olha só: a lei entrou em vigor no ano passado (09/08/09). E ninguém pode alegar nulidade quando lhe tenha dado causa. As partes formulam as perguntas e o juiz poderá complementar a inquirição. na hora de começar ele vira para as partes e pergunta se viram as alterações e pergunta se eles se importam de tocar a audiência do mesmo jeito que já se faz há setenta anos.

para esse fim. ele realiza a audiência dele. mas. o juiz deprecante não está ligado na data e vai realizar a audiência dele e ouve as testemunhas. Se terminou o prazo que eu marquei para a precatória e a precatória não foi devolvida com a oitiva da testemunha. *Carta Precatória Aqui você vai tomar um certo cuidado porque quando houver a necessidade de precatória. você não pode inverter porque obviamente. 222 . Convenhamos. se tiver uma testemunha de acusação com as oito de defesa presentes. Isso é o que é mais interessante.A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal. E aí? Pode ou não pode fazer o julgamento? Olha o parágrafo segundo: a todo tempo. aí a precatória pode alterar a ordem. a minha prova testemunhal vai ter que ser produzida depois da prova de acusação. provavelmente o advogado vai se opor.A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. com prazo razoável.” Você. faz o quê? Chama o advogado no canto e pergunta o que as testemunhas vão falar. a precatória. poderá realizar-se o julgamento. devendo ser comprovado o prejuízo. o que vai acontecer? Eu vou ser julgado sem que minha prova testemunhal seja colhida e é óbvio que disso vai resultar um enorme prejuízo. Então. que já está marcando audiência para setembro de 2010. Neste dado exemplo. Vamos dar uma olhada no art. intimadas as partes.Findo o prazo marcado. será junta aos autos. O que eu quero que vocês entendam? O juízo deprecante vai seguir adiante com a instrução. Aí vem o problema: 1º . Mas para concurso. não trouxe prejuízo. como juiz. 86 . O que acontece? O que você faz diante disso. a jurisprudência diria que não há nulidade. é óbvio que a oitiva dela é imprescindível para a defesa. como as testemunhas de defesa são meramente abonatórias. que nada sabem sobre o fato delituoso. Ele diz que são testemunhas beatificatórias. Tem juiz hoje. ouve as testemunhas que moram na comarca e vai ficar aguardando a devolução da precatória no prazo razoável que ele marcou. Por isso que alguns doutrinadores entendem que esse parágrafo 2º viola o direito à prova. No juízo deprecado esse prazo não é cumprido. numa hipótese em que a minha testemunha chave de defesa resida em outro lugar. sendo que eu tenho testemunhas que dizem que eu estava na festa. 222: Art. Neste caso. Mesmo assim. § 2º . a inversão da ordem. é óbvio que. uma vez devolvida. Coloquem a segunda observação: “Alguns doutrinadores sustenta (não são todos) que esse parágrafo segundo viola o direito à prova. Nesse caso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO E a jurisprudência? Como encara o assunto? Ela diz que “Para a jurisprudência. posso julgar. para dizer que o réu é gente-fina. Pelo fato de a precatória não ser ouvida no prazo legal porque o juiz não tem pauta para marcar audiência.” Se você parar para pensar num caso. você ouve a testemunha de acusação e aí na hora de ouvir as de defesa. em setembro de 2009. E se o prazo não for cumprido? Isso acontece! É muito comum! Você manda a precatória e concluiu a sua instrução. mas você já vai poder realizar a sua audiência com a oitiva das suas testemunhas. você resolve ouvir. eventual inversão da ordem é causa de nulidade relativa. juiz. etc. Se o meu álibi é que eu estava numa festa e você tem testemunhas de acusação que dizem que eu estava no local do crime. O juiz deprecante geralmente fixa um prazo de 3 a 6 meses. nesse caso. carta precatória. expedindo-se. Fica lá de braço cruzado esperando. A gente sabe que o deprecado comunica a data da audiência. o que o § 2º diz que eu.

uma vez instalada a sessão de julgamento. a defesa poderá arrolá-las. deve haver requerimento com dez dias de antecedência. E se você quiser ouvir o perito. desistência da oitiva é possível a qualquer momento. “No plenário do júri. desiste das testemunhas sob o argumento de que a prova testemunhal já é robusta. Pergunto: por quê? Exatamente pela possibilidade de desistência. E ai vai uma dica (entendam bem a dica!): procure sempre saber o que a testemunha sabe. I: § 5º Durante o curso do processo judicial. Art. inclusive durante a própria audiência no que se refere às testemunhas que serão ouvidas. ele irá terminar. concomitantemente. § 3º Na hipótese prevista no caput deste artigo. § 5º. ainda mais quando o advogado de defesa mantém esse contato muito imediato com o acusado. solicitar os esclarecimentos do perito. teoricamente. mas. d) Esclarecimentos do Perito Eu coloquei “perito” no singular. a senhora arrolaria como defensora pública as mesmas testemunhas que o MP arrolou?” A pergunta pode parecer boba. diante da oitiva de duas ou três. basta um. Portanto. você vai defender que o juiz precisa aguardar o retorno da precatória para somente aí realizar o julgamento. não seria nem aqui na audiência. Se for para defensoria. tem que ser antes. é permitido às partes. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO é aquele negócio: tem que ter maldade e saber qual a prova que você está fazendo. Isso que eu acabei de falar é razoavelmente comum. do juiz presidente e dos jurados. como promotor. a oitiva de testemunha poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. Mesma coisa para magistratura. inclusive. Você conversa com a testemunha para saber o grau de conhecimento que ela tem para não dar um tiro no pé e prejudicar o seu cliente. (Acrescentado pela L-011. você pode até deixar de oferecer a peça acusatória e pedir. é o momento para que você requeira os esclarecimentos do perito. razão pela qual o MP desiste da oitiva. A depender do caso concreto. Ele nem aparece na audiência. se você quiser o perito. É óbvio que se o depoimento já teve início. seis testemunhas. o juiz pode julgar. Caso isso ocorra. Se quiser desistir. a defesa arrolar as mesmas testemunhas que a acusação. em se tratando de perito oficial porque agora. pode? Sim. quanto à perícia: I . vai terminar. primeiro os esclarecimentos. É comum que o MP arrole cinco. desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas 87 . abrace o parágrafo 2º e vai dizer: terminou o prazo. Algumas observações importantes quanto a esse esclarecimento do perito. na hora do oferecimento da peça acusatória. a desistência de testemunhas arroladas depende da concordância da parte contrária. perito oficial. esse número será de dois.requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos. Ou você pode oferecer a peça acusatória e.” No júri você tem que ficar atento a isso. E a defesa? Na hora da resposta à acusação. às vezes já está de bom tamanho e você. 159. E qual é o momento para você pedir esses esclarecimentos para o perito? A acusação. Se você está fazendo prova para MP. Agora. Em se tratando de peritos não oficiais.900-2009) *Desistência da oitiva de testemunhas Pergunta de prova oral da Defensoria: “doutora. durante a própria audiência. Geralmente. permitida a presença do defensor e podendo ser realizada. os esclarecimentos do perito se dão por escrito. então. mas não é porque envolve exatamente este ponto. A parte pode desistir da testemunha a qualquer momento. Eu não estou dizendo que você vai orientar a testemunha. Começou. durante a realização da audiência de instrução e julgamento.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. convincente.

Antigamente. você contar uma versão diferente do fato delituoso. Agora.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. naquele momento. Agora. Estamos falando da audiência una! h) Pedido de diligências Quanto a esse ponto. e) Acareação Em relação à acareação. 229. Novo interrogatório precisa ser feito? Há muitos doutrinadores dizendo que sim. que ele vai materializar o seu direito de audiência.719 ainda não tivesse ocorrido o encerramento da instrução. aí você consegue visualizar o que é melhor: ficar calado. imagine que eu fui interrogado no dia 10/06/08. era complicado você ficar calado no primeiro ato. até para conseguir uma atenuante ou coisa assim ou. na redação original do CPP (art. Na antiga lei. o interrogatório era o primeiro ato. de acordo com o revogado art. Observação importante: “em relação aos processos cuja instrução criminal já estivesse concluída em 22/08/08 não será necessária a realização de novo interrogatório. Não muda nada. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias. O juiz marca oitiva de testemunhas para o dia 10/10/08. como o interrogatório era o primeiro ato. é importante que o aluno entenda que. podendo apresentar as respostas em laudo complementar. o seu silencio. Porém. testemunha e acusado. testemunhas. Vejam que antes. ele marca o final. só que a minha instrução não estava encerrada. Aí eles gostam de fazer. com o interrogatório do acusado ao final. a exemplo de Antonio Magalhães Gomes Filho. seu silencio é melhor porque. pelo menos em relação à prova oral. possibilitando que ele possa ser ouvido ao final. mas é o ato mais inútil de todos. Só serve para CPI. já que é uma norma que veio favorecer o status libertatis do agente. mas também é um meio de defesa. Por quê? Acarear é confrontar os depoimentos: testemunha e vítima. aí entra em vigor a nova lei que altera isso. Hoje. ” Isso é cada vez mais difícil porque a lei já está em vigor há um ano. Então. 499) a fase de 88 . f) g) Reconhecimento de Pessoas e Coisas Interrogatório do Acusado O último ato da instrução. O que acontece se quando entrou em vigor a lei no ano passado o meu interrogatório já tinha sido realizado. Já estudamos o interrogatório no Intensivo I. geralmente. Eu já disse a vocês que ele não é só meio de prova. basicamente. o direito ao silêncio atinge o seu ápice porque é hoje que você vai saber se você fica calado ou não. a pessoa limita-se a reiterar o que disse antes. diz respeito ao interrogatório do acusado. É óbvio que essa antecedência é importante até para que o perito possa esclarecer os fatos de maneira satisfatória. no art. 499. contar a verdade. A gente bem sabe que. a depender da prova que já foi colhida. novo interrogatório deve ser realizado por se tratar de norma processual material. a depender da dúvida do juiz em relação à prova testemunhal. no final. você vai ter que olhar o CPP. essa fase de diligencias era feita por escrito. mas a instrução criminal não tinha sido realizada? Até o ano passado. se após a entrada em vigor da Lei 11. o interrogatório era o início da instrução.

digo ao juiz: “essa testemunha não sabe nada sobre o fato. mesmo porque. no revogado art. comparando com a redação antiga. o juiz pode indeferir no caso de provas irrelevantes.” Esse. sim. na verdade. O artigo que fala sobre isso é o 403. O indeferimento pode se dar:  Provas irrelevantes – “Apesar de tratar do objeto da causa. Só que você tem que tomar cuidado porque os documentos. teoricamente. antes das alterações. Isso tem acontecido muito. Agora. (Alterado pela L-011. que você queria pedir. advogado. Mas em três casos. Eu dei o dinheiro à pessoa. se presta para quê? “Ela. na resposta à acusação. As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade. art.” Provas protelatórias – “Visam exclusivamente ao retardamento do processo. Num caso desse. Ela é só para dizer que o meu cliente é trabalhador”. impertinentes ou protelatórias.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. do CPP. (Acrescentado pela L-011. esse pedido de diligências será formulado na própria audiência. com as alterações trazidas pela Lei 11. Outro dia o juiz quis ouvir a testemunha por meio do oficial de justiça porque quando é uma testemunha abonatória dá até para digerir. mas nesse caso. Então. no oferecimento e defesa. Você tem direito de confrontar essa testemunha. Art. as aprovas. ” Tamanha é a pressa do juiz em julgar. Exemplo: vamos imaginar um crime em que a vítima diga: eu paguei. o momento correto é na primeira oportunidade que você teve: MP. o Ministério Público. pede uma declaração. Essa fase (pedido de diligências) agora está prevista no art.719-2008) Pergunto: juiz pode indeferir pedido de diligencias? A audiência é una. 402. O juiz diz que se for testemunha abonatória. o que você pede na hora dessas diligencias? Na prática. amanhã. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO diligencias era feita por escrito. você vai ter que cortar a audiência. dizerem que houve cerceamento de defesa. Não vai poder julgar ali. Ele não tem esse poder premonitório. Essa fase de diligencias. Na nova lei. confirmando a ideia de prova protelatória: Art. Absurdo isso. Se tem pedido de diligências. Eu falei sobre isso no Intensivo I. não possui aptidão de influenciar o julgamento da causa. ao final da audiência.719. que tem juiz que agora pede para substituírem a prova testemunhal por declarações. se o juiz verificar que você não tem interesse na carta rogatória. importante que você perceba.   Provas impertinentes – “Não dizem respeito à questão objeto de discussão no processo. ele lavrou a certidão de toda conversa que tinha tido com ela. 222-A. Não é dado ao juiz valer-se de poderes premonitórios para firmar a irrelevância da prova. o querelante e o assistente e. não há porque expedir a carta rogatória). 222-A (ou seja. essas alegações eram apresentadas por escrito. arcando a parte requerente com os custos de envio. o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. você tem direito ao confronto. Não é pedir qualquer coisa! Mas algo que se tornou necessário no curso do processo. diante da prova testemunhal.” O melhor exemplo. algum documento. pede-se qualquer coisa. Uma coisa é quando eu. você vai pedir que o juiz oficie o banco para verificar se houve esse pagamento. a regra é que sejam alegações orais. Outra coisa diferente é quando o juiz fica imaginando e tirando conclusões. 500. diz respeito a alguma diligencia cuja necessidade tenha surgido ao longo da instrução. é o verdadeiro objetivo desse pedido de diligencia. do CP> 89 . Aí eu pergunto. a seguir. Produzidas as provas. na verdade. é absurdo você imaginar que agora oficial de justiça vai ouvir. O juiz tem que ter muita cautela nesse momento porque ele tem medo de indeferir e.900-2009) i) Alegações Orais Aqui. ao invés de ouvi-la. Isso foi dito ao juiz. 402.

também. bem como imposição de multa de 10 a 100 salários mínimos. Não havendo requerimento de diligências. Não sendo possível sua realização de maneira imediata. Pluralidade de acusados – diversos acusados. Usa-se a expressão da lei “memoriais” que. de alegações orais. Nesse caso. Nem me diga que não deve ter. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Qual é o prazo das alegações orais?    Regra geral: prazo de 20 minutos para o MP e para a defesa. são alegações escritas. Até mesmo para o MP pode ser uma boa peça para cair. apresentados por escrito. Nesse caso. Mas essa não é a preocupação principal. nesse caso. tem mais 10. (Alterado pela L-011. a situação é complicada. Eu disse que diante da Lei 11. Mais de um acusado: tempo individual. o advogado de defesa. prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa. Para a defesa. Assistente da acusação (leia-se o advogado do assistente da acusação): tem direito a 10 minutos e. Apresentar oralmente as alegações (30 minutos para cada um) vai gerar um certo problema. Diante da complexidade da causa e/ou 3. Pergunto: esses memoriais. terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença. só que o advogado não apresentou. Sempre uma boa peça para cair em prova de defensoria pública. Pergunto: não apresentação de memoriais. o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. 403. A depender do exemplo. então. O ideal. respectivamente. o abandono do processo pode sujeitar o advogado a sanções disciplinares. você não sabe o que pedir. § 3º O juiz poderá. conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. A depender do caso concreto. é que o juiz conceda às partes o prazo para apresentar memoriais por escrito. que é inconstitucional. considerada a complexidade do caso ou o número de acusados. prorrogáveis por mais 10 minutos. sob pena de nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa . Pode o juiz levar adiante esse processo sem memoriais e sem alegações orais? Pode o juiz sentenciar sem alegações orais ou sem memorais? Lógico que não! Convenhamos. Cada advogado poderá ter até 30 minutos para alegações orais. prorrogáveis por mais 10 (dez). que viola a isonomia porque uma coisa é o MP apresentar alegações que é brincadeira de criança (pegando um caso comum. oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos. Quando você pode apresentar memoriais: 1.” Art. a exceção. pegar a materialidade e pedir a condenação). Em relação aos memoriais pode até acontecer porque às vezes o advogado não apresentou . cada um com advogados distintos. serão 90 . serão concedidos 10 (dez) minutos.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. ou sendo indeferido. lembrando sempre que defensores públicos e advogados dativos têm esse prazo em dobro. Quando houver o deferimento de pedido de diligências. proferindo o juiz. pela acusação e pela defesa.719-2008) § 1º Havendo mais de um acusado. Só para concluir. após a manifestação desse. o prazo será de 5 dias. e o juiz (“vai que o réu confesso”) já vai sentenciando. (Acrescentado pela L-011. Qual a consequência? A gente já comentou na aula de hoje: a depender do caso concreto. qual é a consequência? O juiz deu às partes o direito de apresentar memoriais. a seguir. basta olhar o caso. na verdade. E. julgar o acusado sem alegações orais é lógico que o juiz não vai fazer um negócio desses. 2. A preocupação principal é: pode o juiz levar o processo adiante sem memoriais? E aí quando eu falo em memoriais estou falando. “Não é dado ao juiz proferir sentença em a apresentação de alegações orais ou de memoriais por parte da defesa. sem dúvida alguma existe razão mais do que justificada para que esse prazo seja pedido em dobro.719-2008) § 2º Ao assistente do Ministério Público.719 a regra: alegações orais. sentença. vamos ser bem sinceros. a gente pode falar em abandono do processo. fiquem atentos à exceção. têm qual prazo? De acordo com a própria lei. Só que. no dia-a-dia é a regra. o juiz vai acabar tendo que dar o direito de apresentar memoriais.

atenuante genérica). Mas aí.” penal. 8. ainda bota uma citação bíblica. Essas alegações são importantíssimas para a defesa porque é nessa peça que o advogado vai fazer uma análise detalhada da prova colhida.” Errou! “Ante Alegações Tabajara ou não apresentação de memoriais.DJ de 12/12/1969 . O que o tribunal fez? Entendeu que aquelas alegações tabajara teriam deixado o réu indefeso e anula o processo a partir da apresentação dos memoriais. Geralmente traz expressões abertas: “o acusado é inocente”. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO É óbvio que o MP também tem que apresentar.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 28. tem que tomar cuidado. O que fazer? Cuidado com isso! Imagine que na comarca haja defensoria pública. O que o juiz faz se o advogado constituído não apresentou alegações.” Se isso acontecer.” A defesa não apresentou memoriais ou apresentou Memoriais Tabajara. caso ele seja confesso. alguma excludente. levando-se em conta que existe defensoria pública na comarca? É o erro que todo mundo comete: “manda pra defensoria pública e ela que se vire. vai demonstrar que seu cliente é inocente ou. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. diminuição de pena. do CPP. até contra o Sistema Financeiro Nacional. se o advogado do querelante não apresentou memorial. o juiz vai intimar o acusado. a que me refiro são memoriais que servem para qualquer crime: desde um processo criminal de crime ambiental. manda entrar com apelação e suscitar como preliminar que o acusado teria ficado indefeso. O que você faz diante de Memoriais Tabajara? Imagine você. é causa de perempção. caracterizaria uma nulidade absoluta. “o acusado não teve sua culpabilidade provada”. SENTENÇA 91 . E aí bota os três pontos de exclamação e. lídima e serena justiça”. pelo princípio da indisponibilidade o MP não pode desistir da ação E a não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante? “A não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante. Aí surge um ponto: Alegações Tabajara ou não apresentações de memoriais pelo advogado constituído. o que acontece? Prescrição! Então.No processo penal. sob pena de. ser-lhe nomeada a defensoria pública. se bobear. Então. portanto. Como isso não é possível. mas no caso da acusação dá para entender que caracteriza mera nulidade. E a não apresentação de memoriais pelo MP? São poucos os doutrinadores que abordam isso. Já vimos no Intensivo I que. o que você faz? LFG conta um caso interessante (de má-fé) em que um advogado apresentou alegações tabajaras. por exemplo. O que o juiz faz. não vai haver pedido de condenação e nós já vimos no Intensivo I que a não formulação do pedido de condenação pelo advogado do querelante é causa de perempção com a consequente extinção da punibilidade. Somente ante a inércia do acusado é que você pode nomear advogado dativo ou defensor público. Cuidado com isso! Você pode entender que a não apresentação de memoriais estaria deixando o réu indefeso e. não o fazendo. Súmula 523: STF Súmula nº 523 . vai tentar invocar alguma tese jurídica (princípio da insignificância. deve o juiz intimar o acusado para que constitua novo advogado. mas o ideal seria você dizer o seguinte: “Não apresentação de memoriais pelo MP seria uma tentativa de desistência da ação penal. O que o advogado faz? Chama um colega de escritório. O juiz sentenciou e condenou. Volta e aí apresenta as alegações normalmente. isso vai acabar gerando a extinção da punibilidade. deve o juiz aplicar o art. ou seja. Detalhe: e os “Memoriais Tabajara”? Os Memoriais Tabajara. como juiz. “deve ser feita a mais bela. a falta da defesa constitui nulidade absoluta.

015-2009) Art. não posso. não é trabalhar com a sentença em si. estão a emendatio libelli e a mutatio libelli. o acusado defende-se dos fatos que lhe são imputados. de acordo com os fatos narrados é que a defesa é arquitetada. porém. Imaginem o seguinte: o Rogério vai até o proctologista. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O meu objetivo na aula de hoje. O Rogério estava lá anestesiado. o acusado não se defende da classificação formulada. Por esse motivo. sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. não tinha como oferecer resistência. leve à rejeição da peça. a sentença deve guardar plena consonância com o fato descrito na peça acusatória. você tem aí uma ideia básica e importante sobre esse princípio que deve ser compreendido dessa forma. mas trabalhar com a sentença no procedimento e. Pergunto: tem crime nesse tipo de conduta? Seria um crime de estupro (art. amanhã ser condenado por peculato-furto porque essa condenação por um fato que não constou da peça acusatória seria uma surpresa indevida e essas surpresas são causas de violação ao contraditório e à ampla defesa. quando caem em prova. costumam confundir um pouco o aluno. 215)? Ou não é crime? O aluno poderia pensar: “para mim. A Lei 11.719. o fato teria sido essa violação sexual mediante fraude.1.” Então. 213. dois institutos bem interessantes que. Se eu fui denunciado por peculato-apropriação. Porém. sobretudo. 215. mas aqui ele ganha muita importância.015-2009) Para mim. CP)? Ou seria violação sexual mediante fraude (art. mas não é um requisito que. a) Emendatio Libelli Para entender esse ponto. o Rogério deu o consentimento dele. Na hora de narrar o fato delituoso. tanto a emendatio quanto a mutatio.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Vocês não vêem muito isso no processo civil. mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Alterado pela L-012. No processo penal. Vocês devem entender que esse princípio parte da seguinte premissa: “No processo penal. E o juiz precisa atuar em consonância com o fato descrito na peça acusatória. essa seria a conduta. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém. mas não se tratava de um exame. manda ver. O médico fingiu que estava fazendo o exame no pobre coitado. não podendo dele se afastar. O médico. na denúncia. as alterações trazidas pela Lei 11. na hora de formular a classificação. 92 .” O outro aluno pode dizer: “para mim foi estupro. RT. com algumas alterações. No Intensivo I falamos que a classificação formulada na peça acusatória é importante. 8. Relacionados a esse assunto. enfim. mas vocês vão perceber que são bem tranqüilos. pede ao Rogério para fazer movimentos circulares e. Há uma obra específica sobre o assunto (princípio da correlação entre acusação e sentença) do professor Gustavo Henrique Badaró. O que é importante são os fatos porque é partir deles que o acusado e seu advogado vão desenhar sua estratégia defensiva e aí.719 manteve. ao invés de fazer o exame. se eivado de eventual erro cometido pelo estagiário. Imaginem isso colocado no papel.” E poderia também o aluno pensar que o crime teria sido violação sexual mediante fraude. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO ENTRE ACUSAÇÃO E SENTENÇA É um princípio extremamente importante que somente é trabalhado no processo penal. E por quê? A violação sexual (antigamente era posse sexual) diz o seguinte: Violação Sexual Mediante Fraude (Alterado pela L-012. talvez o melhor seja começar com um exemplo.

89. Eu teria sido denunciado por furto qualificado pela fraude. E se na hora da emendatio libelli. cuidado: o juiz pode conceder a suspensão de ofício ou ele depende da proposta? Cuidado com isso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO teria havido um equívoco por órgão acusatório e lá foi colocado. no § 1º. a conduta descrita na peça acusatória teria sido estelionato. Veja que essa súmula. em conseqüência. 213.719-2008) Só para concluir o raciocínio da suspensão. porque o juiz não fica vinculado à classificação feita pelo MP. Tranquila a situação. súmula 337: STJ Súmula nº 337 -DJ 16. mas na hora da sentença. Conceito: “A emendatio libelli ocorre quando o juiz. Então. a suspensão condicional do processo? Cuidado com a sua resposta porque você pode pensar: “se já estamos no momento da sentença. O juiz poderia condenar pelo delito de estupro que. só para concluir o raciocínio. Chegamos ao final. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. em outras palavras. Existe súmula sobre isso: STJ. pode conceder a suspensão. deve observar o procedimento do art. afinal de contas. acabou sendo colocada no código. teria sido narrado e imputado ao acusado. nesse momento da sentença. a emendatio é bem mais simples que. não o art. 215. mas é o que a gente entende por emendatio libelli que. A emendatio libelli está prevista no caput do art. (Acrescentado pela L-011. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. então. nada mais é do que corrigir o equívoco na classificação. do art. cuja pena mínima é 1 ano. (Alterado pela L-011. na hora da sentença condenatória. ainda que. O juiz. na verdade. se o juiz reconhecer que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. que vai ocorrer pelo menos em tese no momento da sentença. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. o juiz chegar a um crime cuja pena mínima seja de 1 ano.2007 . se foi descrita a violação sexual mediante fraude. Veja que mesmo num momento avançado do processo. Diante disso (pena mínima de 1 ano). da Lei dos Juizados. poderia ser concedida de ofício pelo juiz. 93 . em conseqüência de definição jurídica diversa. o juiz verificou que. Aí.05. O magistrado pode fazer isso porque o que importa é a descrição do fato contido na peça acusatória. se eu tivesse descrito um estupro e classificado como violação sexual. Você não pode privar o acusado desse benefício por conta desse equívoco. Lembrem-se que a suspensão condicional do processo depende do oferecimento de proposta.” O juiz. em virtude da emendatio libelli. ou seja. não haverá problema e nem haver surpresa em condenar no art. alguns doutrinadores (Ada. Vejam que se o exemplo fosse inverso. o próprio LFG) sustentaram que a suspensão do processo seria um direito subjetivo do acusado. por que suspender o processo?” só que aí você tem que tomar cuidado porque a não suspensão do processo agora seria um absurdo porque você estaria privando o acusado de um benefício extremamente importante simplesmente porque houve um excesso ou erro da acusação. Portanto. 89. 215 e sim o art. nada mais é do que uma correção da classificação equivocada feita pelo MP. 383.É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva. seja pelo MP.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. ainda que em consequência tenha que aplicar pena mais grave.” Comparando-a com a mutatio libelli. 383.  1ª Observação: “Caso. Quando surgiu a Lei dos Juizados. É um exemplo bem simples e bem fácil. 215. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. para por aí e aplica o procedimento do art. o juiz pode conceder. reconheça o juiz que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. nada impede que o juiz condene o acusado à pena do art. 383: Art. Como direito subjetivo do acusado. também não haveria problema algum. sem modificar a descrição do fato contida na peça acusatória atribui-lhe definição jurídica diversa.719-2008) § 1º Se. Mas não é a posição que prevalece. tenha de aplicar pena mais grave.

Art. se fosse direito subjetivo do acusado. Cuidado porque apesar de entendimento doutrinário isolado de que poderia ser concedida de ofício. Mas aí você tem que tomar um certo cuidado porque. Restam dois pontos para que a gente possa concluir a emendatio libelli. 1º) 2º) A emendatio libelli é cabível na ação penal pública e privada ou somente na pública? Tribunal de Justiça (segunda instancia) pode fazer a emendatio libelli? A primeira pergunta é respondida pelo art. razoavelmente simples. O juiz. aplicando-se por analogia o art. na hora da sentença. entenda que o crime seria um crime doloso contra a vida. 383. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. pode fazer a alteração do fato delituoso? A resposta do aluno geralmente é de que pode. Então.DJ de 10/10/2003 .LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Essa pergunta. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la. o juiz reconhecer que a infração penal é da competência de outro juízo. § 2º: § 2º Tratando-se de infração da competência de outro juízo. inclusive. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. em conseqüência. O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juizado? E outra: se na hora de sentenciar. aplicando-se o princípio da perpetuatio. quanto à queixa (peça acusatória da ação penal privada). caput. E se por acaso também na hora de faze a emendatio libelli o juiz reconheça que o crime é uma infração de menor potencial ofensivo. a este serão remetidos os autos. é preciso 94 . Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seja pelo querelante. Ou seja. O segundo questionamento seria mais interessante. na hora da emendatio. na sentença. O que o juiz faz se reconhece na hora da sentença que a infração seria de menor potencial ofensivo? Será que ele mesmo pode julgar.719-2008) Lendo este dispositivo é fácil você perceber que a emendatio libelli pode acontecer tanto na ação penal pública. perpetuação de jurisdição ou ele se vê obrigado a remeter os autos ao Juizado? Esse mesmo raciocínio também é válido caso o juiz. ficou mesmo uma lesão corporal leve. 383. o juiz verificou que a hipótese que tornava a lesão grave não restou caracterizada. não pode. diante de uma apelação. e pudesse ser proposta de ofício. imagine o juiz singular. 28 do Código de Processo Penal.Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo. O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juízo competente? Manda para o juízo competente. em virtude da emendatio libelli. ele vê que não é lesão corporal seguida de morte. Será que o tribunal pode fazer a emendatio libelli? Será que o tribunal. remeterá a questão ao Procurador-Geral. Depois. É a mesma ideia. Então. 383 o legislador faz menção tanto à denúncia (peça acusatória da ação penal pública). Imagine: você estava respondendo por lesão corporal grave e.  2ª Observação: “Se. a este serão encaminhados os autos. dissentindo. se há é porque não se trata de um direito subjetivo. mas de uma discricionariedade regrada do órgão ministerial. ainda que. não haveria essa remessa ao procurador-geral. NO art. Prova disso. percebe que é lesão leve.” São dois exemplos que caem em prova: a remessa para o juizado ou para o juízo sumariante (verificando que é um crime doloso contra a vida). 383. (Alterado pela L-011. é a Súmula 696. Vamos ao art. a gente vai comentar com mais detalhes a proposta de suspensão na ação penal privada. como também na ação penal privada. Basta ler com atenção. mas hoje já vai se entendendo que também seria cabível. o Juiz. tenha de aplicar pena mais grave. Então. na verdade. do STF: STF Súmula nº 696 . mas é homicídio doloso consumado.

durante a instrução processual. Pode o tribunal fazer a emendatio libelli com um recurso exclusivo da defesa? Também pode.” Quando é que vai surgir a necessidade da mutatio libelli? Quando. aplica-se a mutatio libelli. porém. mas desde que não seja para prejudicar a defesa. Eu digo: defesa. o juiz não pode condenar por aquilo que foi apurado. Essa seria a sua resposta. Seria quase que um princípio constitucional desdobrando a ampla defesa. no art. Leva o dinheiro da aposentadoria embora. vamos à mutatio libelli. Nesse caso. Por isso. o MP que apele. ao aumentar de 1/3 até a metade. primeiro o MP adita a peça acusatória imputando esse novo fato delituoso e depois a defesa vai ser ouvida. não podendo. vários princípios estariam sendo violados porque o acusado se veria condenado por um crime que ele não foi acusado. Esse princípio está colocado no CPC. o cidadão poderá ser condenado e não haverá violação aos princípios. o juiz erra e soma menos. no que for aplicável. A classificação foi feita de maneira correta (art. porém. b) Mutatio Libelli Primeiro vamos definir mutatio libelli: “Ocorre mutatio libelli quando. 383. a situação do acusado não poderá ser agravada com a alteração da classificação do crime para uma pena mais grave. Vejamos um exemplo da mutatio libelli. Durante o 95 . não podendo. vem a mutatio. 383. Ele coloca o dinheiro no bolso da camisa e sai andando. a gente tem que se lembrar obediência ao princípio da non reformatio in pejus: “Pelo princípio da non reformatio in pejus. o tribunal tem que tomar o cuidado de não agravar a situação do acusado. em recurso exclusivo da defesa. o tribunal pode fazer. Se o acusado se visse condenado. é impossível que o magistrado condene o acusado pelos fatos apurados na instrução.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. quando somente o réu houver apelado da sentença. no recurso exclusivo da defesa. Ainda relacionado ao princípio da correlação entre acusação e sentença. Se o fizesse. Sempre que a gente fala em tribunal. só que há outros doutrinadores que é um mero dispositivo previsto no CPP. estaria ocorrendo violação aos seguintes princípios: ampla defesa e contraditório. não há problema algum. pois tais fatos não constaram da acusação e deles não teria se defendido o acusado. ser agravada a pena quando somente o réu houver apelado da sentença. surge prova de circunstância ou elementar não contida na peça acusatória. durante a instrução processual. no caso de recurso exclusivo da defesa. Esse ponto é mais interessante do que a emendatio. sob pena de violação ao princípio da non reformatio in pejus. Às vezes o juiz calcula errado na hora de somar a pena. Nesse caso. Vejam que o tribunal pode aplicar o art. ser agravada a pena. porém. Alguém vai lá e leva os 500 reais do vovô. Por exemplo. 617 . O vovô teve seus objetos furtados. a situação do acusado não poderá ser agravada. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. É preciso saber quem recorreu.” Então. 155). 386 e 387. Alguns doutrinadores entendem que esse princípio é um desdobramento da ampla defesa. O vovô é assaltado na frente do posto do INSS. Vamos dar um exemplo razoavelmente simples. O fato narrado na peça acusatória foi um furto. O tribunal pode fazer emendatio libelli? Vocês vão anotar o seguinte: “É possível que o tribunal aplique a emendatio libelli. Nesse caso. devendo o MP aditar a peça acusatória com posterior oitiva da defesa.” Já tem jurisprudência nesse sentido. só que aí tem um detalhe. Se houve um erro.O tribunal. Nessa hipótese. essa é a melhor posição: dizer que cabe a emendatio. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO conjugar as coisas. surge uma elementar ou circunstância não contida na peça acusatória. Então. mesmo em se tratando de erro material. só que. O raciocínio aqui é bem mais complexo. correlação entre acusação e sentença e ao próprio sistema acusatório. Art. 617.

§ 4º. Ótima questão de prova. não há dúvida que houve violência exercida contra a pessoa. veio esse cidadão. esse aditamento deve se dar quando? Qual o momento dele? Deve se dar por escrito ou de forma oral? Lembre-se que estamos tratando de uma audiência una de instrução e julgamento. E se houve violência. antes de o juiz sentenciar.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. teoricamente. Afinal de contas. Porém. os autos precisam ir para o MP. razão pela qual o recurso cabível seria o RESI (art. na própria audiência. veja você. o RESI será absorvido pela apelação. qual o recurso? RESI. E o que o MP vai fazer? Vai fazer o aditamento da peça acusatória. na audiência.Quando cabível a apelação. I). Então. 581. Sentenciando o juiz. já que surgiu uma elementar que não constava da peça acusatória.” § 4º . logo em seguida. puxou o dinheiro e levou o meu bolso junto. despacho ou sentença: I . É o chamado princípio da consunção. feito o aditamento e rejeitado. eu tomei uma trombada pelas costas e foi tão forte que eu caí no chão. ainda que somente de parte da decisão se recorra. vamos ouvir o vovô e vamos ouvir também as testemunhas. 581. Você entra com uma apelação só e lá. o órgão ministerial teria o prazo de 5 dias para fazer esse aditamento. 581 . ao momento da sentença condenatória. E o que a apelação faz com o RESI? Ela absorve. já não estamos mais diante do crime de furto. Uma belíssima questão de prova.” Não só o vovô diz isso. a rejeição do seu aditamento. Então. como também as testemunhas. poderia o juiz condenar pelo crime de roubo? Será que o juiz. imaginando que essa seja uma audiência una de instrução e julgamento. Então. Feito na audiência. Ou seja. Quando isso aconteceu. você não vai precisar entrar com o RESI contra a rejeição do aditamento e com uma apelação contra a sentença. Nesse momento.que não receber a denúncia ou a queixa. Chegamos então. 96 . Então. é óbvio que esse aditamento feito de maneira oral tem que ser reduzido a termo. É nesse exemplo que surge a mutatio libelli. da decisão. Não é que o acusado vai ter que ficar escutando com muita atenção porque se não escutar direito. nesse momento pode condenar pelo roubo? Cuidado com isso porque se o cidadão fosse condenado pelo crime de roubo. A apelação tem o condão de absorver o RESI. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO curso da instrução processual. Está aí no art. da rejeição contra o aditamento também vai caber RESI.593. aborda como preliminar. logo em seguida sentenciar. com base no art. Porém. em regra. Na verdade. caso essa rejeição ao aditamento ocorra na própria audiência. ele contou o que aconteceu: “eu saquei o dinheiro da agencia. não tivemos só a subtração porque houve também a trombada. acabou. Lembrem-se que o não recebimento hoje é a mesma coisa que rejeição. ele estava se defendendo de qual imputação? Da prática de furto. Em regra. E a rejeição do aditamento? Apesar de o código não dizer. recurso contra sentença é apelação e. Não é isso. Só que para que fique bem claro. Mas a gente sabe que na prática o aditamento acaba sendo feito por escrito e aí. a rejeição da peça acusatória dará ensejo ao RESI. qual o recurso cabível? Apelação. Porém. seria RESI porque é a mesma coisa que a rejeição da peça acusatória. podemos imaginar que o juiz vai. Pergunta boa de prova: “E se o juiz rejeitar esse aditamento? Qual seria o caminho possível? Qual seria o recurso cabível?” se cai na sua prova: rejeição contra aditamento. Então. olha o detalhe maravilhoso de prova: o aditamento deve ser feito. quando. Você tem que trabalhar com a ideia da correlação entre acusação e sentença. se essa rejeição se dá na audiência e se o juiz profere sentença em seguida. de repente. Você não pode condenar alguém simplesmente pelo que ficou provado. nesse caso. contra a rejeição desse aditamento. I: Art. caberia o RESI. eu vou poder entrar com o meu RESI contra a rejeição do aditamento? Não porque contra a sentença. da mesma forma que cabe RESI contra rejeição da peça acusatória. proferindo em seguida o juiz sentença. surge a prova de uma elementar do crime de roubo.Caberá recurso. “Rejeição do aditamento – Recurso cabível: a rejeição do aditamento à peça acusatória assemelha-se à rejeição da própria peça acusatória. entende-se que. não poderá ser usado o recurso em sentido estrito. de acordo com a regra do chamado princípio da consunção ou absorção. Diante da instrução processual. o aditamento deve ser feito de maneira oral. não pode ser usado o RESI. É óbvio que esse aditamento feito em audiência deve ser reduzido a termo. pelo menos em regra. ele estaria sendo condenado por um crime do qual ele não foi acusado. Durante a oitiva do vovô. quando o aditamento for rejeitado. quando cabível a apelação. teoricamente. no sentido estrito.

porém. essa mini-instrução. acusado. o juiz nada poderá fazer senão absolver o acusado caso entenda que a imputação originária não restou comprovada. Feito isso qual será o passo seguinte? Defesa. seja porque não concordou com o aditamento. se o procuradorgeral fizer o aditamento. Vamos dar uma olhada na nova redação do art. alguma diligência. se está sendo formulada uma nova imputação contra minha pessoa. alguns doutrinadores passam batido por isso. não só a defesa técnica seja ouvida. se as condições estão presentes. Não! Isso porque a coisa julgada fica delimitada pelos chamados limites objetivos. eu preciso ser ouvido em relação a essa nova imputação. 384. é óbvio que amanhã nada impede que o MP ofereça nova denúncia e nem me diga que essa nova denúncia pelo crime de roubo estaria protegida pelo manto da coisa julgada. por acaso. óbvio. Mas e se ele não fizer o aditamento? Qual a consequência? Se ele fizer. Estou convencido que ele praticou roubo. É a única solução que resta para ele. Então. aplica-se o art. mesmo que já tenha ocorrido o interrogatório. o que vai se seguir a isso? Depois de ouvida a defesa (vamos imaginar que isso não se deu em audiência). o Ministério Público deverá aditar a denúncia 97 . Eu. quem aqui é ouvido é a defesa técnica. é o advogado que está send o ouvido. A defesa será ouvida. ele coloca o art. seja porque comeu mosca. se há justa causa para esse aditamento. maravilhoso. Encerrada a instrução probatória. Fazendo o MP o aditamento. logo em seguida. O que você tem a dizer sobre isso?” agora eu possibilitei que. nada impede que o órgão ministerial ofereça nova denúncia pela imputação superveniente. Ele vai se ver obrigado a fazer o quê? Ele vai ter que absolver pelo crime de furto. Mas atente: o fato de o juiz estar absolvendo pelo crime de furto. etc. Então. E. se o furto foi imputado. Faço. como também o próprio acusado. eu vou ter que chamar o acusado: “acusado. Vamos providenciar a oitiva da defesa no prazo de 5 dias e. aplica-se aqui o famoso art. O aluno que me diz que depois de recebido o aditamento. ele estará diante de uma imputação de crime de furto. todos os princípios aos quais fizemos menção estariam sendo violados. E por que isso? Porque. eu preciso ser ouvido. olha a situação inusitada! Se o procurador não faz o aditamento. ora. o juiz olha para o caso e fala assim: “o cara praticou roubo. Será a oitiva da defesa. Todos sabemos que esse artigo leva à decisão da questão ao procurador-geral. (aquilo que a gente já viu na aula passada). 157. a qual não estará acobertada pelo manto da coisa julgada. Mas é óbvio que não impede que nova denúncia seja oferecida em relação à imputação de roubo. Mas e se ele não fizer o aditamento necessário que. 384. Pergunto: nesse caso. imaginando que já estivesse encerrada a instrução. se entender cabível nova definição jurídica do fato. se está sendo formulada uma nova imputação contra a minha pessoa. então. O juiz. recebido esse aditamento. no nosso exemplo. se é caso de aditamento. E se praticou roubo. essa nova instrução e aí nós vamos seguir o procedimento que vimos: alegações orais. Lembrem-se: no processo penal o acusado defende-se dos fatos! A gente começou a aula falando sobre isso e é uma premissa extremamente importante. eu fico me perguntando: o acusado não vai se defender dos fatos? E o aluno responde: “ora o acusado já se defendeu!” Gente. Mas veja. Então. A rejeição eu já comentei. ele recebe ou rejeita o aditamento. E quais são os limites objetivos? Aquilo que foi objeto de imputação. eu não posso condená-lo sem o aditamento. obviamente. Agora. os autos serão devolvidos à primeira instancia e vida segue normalmente. é o aditamento para imputar o crime de roubo? E se ele não fizer. vamos imaginar que o MP tenha feito o aditamento. Se o aditamento não for feito pelo órgão ministerial. o juiz sentencia. “Caso o procurador geral se recuse a fazer o aditamento. teoricamente. do CPP. mas os autos irão ao juiz para receber o aditamento. antes de receber ou de rejeitar o aditamento. O que acontece? Como de costume.” Para que a gente possa concluir a análise do art. será que o juiz pode condenar pelo crime de roubo? Cuidado com isso! Se o juiz condenasse pelo roubo. o órgão do MP não fizer o aditamento da peça acusatória. Se forem as mesmas testemunhas você pode aproveitar o depoimento. 384. gente pode dizer que as testemunhas serão reinquiridas. o que se segue? Nova instrução. o que o juiz vai fazer logo depois? Aqui é um ponto que você tem que tomar muito cuidado porque às vezes o aluno pensa em sentença. 28.” Nesse caso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. etc. agora. recebido esse aditamento. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Alguns questionamentos vão surgir: E se. o juiz pode proferir sentença. do CPP: Art. Então. Aqui ele vai verificar se o aditamento está em ordem. vai fazer o mesmo juízo que ele faz no momento de receber a peça acusatória. Nesse caso. a coisa julgada estará delimitada ao furto. Então. 28. foi feito um aditamento na peça acusatória e agora o MP está dizendo que você deu uma trombada na vítima. Então. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. novo interrogatório deve ser realizado.

383 também são aplicáveis aqui. podendo ser ouvidas até três testemunhas. ficando o juiz. Ou seja. (Alterado pela L-011. fale e. pode ser que essa nova audiência não seja necessária porque aí já ouve a oitiva do acusado em relação a isso. com inquirição de testemunhas. a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou a queixa. Estão lembrados? Um que fala da suspensão do processo e o outro que fala da remessa ao juízo competente. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. em conseqüência de elemento ou circunstância da infração penal não prova existente nos autos de circunstância contida na acusação. o processo prosseguirá. se o juiz já possibilita que o próprio acusado seja ouvido em relação à trombada. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. 384 . a requerimento de qualquer das partes. aqueles parágrafos do art. no prazo de 5 (cinco) implicitamente. Mas. realização de debates e julgamento. o interrogatório do acusado já é o último ato da instrução e que o primeiro ato é a oitiva do ofendido. 384 foi profundamente alterado e você tem que ficar atentos às alterações. aplica-se o art. (Acrescentado pela L-011. 383 ao caput deste artigo. na sentença. o Ministério Público deverá elementar. designará dia e hora para continuação da audiência. no prazo de 8 processo em crime de ação pública. Vamos colocar a redação antiga e a redação nova: ARTIGO 384. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO ou queixa. reduzindo-se a (oito) dias. A depender do caso concreto. a nova instrução deverá ocorrer?” Não. (Alterado pela L-011. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. o juiz. Encerrada a instrução probatória. § 5º Não recebido o aditamento. o que ele já pode fazer durante a instrução? Ele já pode conduzir a instrução de olho na trombada. 28 deste Código. a fim de que a defesa. quando o vovô disse pra ele que tomou uma trombada. se quiser. adstrito aos termos do aditamento.Se o juiz reconhecer a possibilidade de conseqüência de prova existente nos autos de nova definição jurídica do fato. o juiz baixará o processo. § 3º Aplicam-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. Aquela nova instrução que eu coloquei. É uma questão ótima para vocês ficarem atentos porque o art. explícita ou aditar a denúncia ou queixa. abrindo-se. pelo menos em tese ela deve ocorrer.719-2008) § 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. no prazo de 5 (cinco) dias. novo interrogatório do acusado. quando feito oralmente. se o examinador perguntar: “obrigatoriamente. em Art. 384.719-2008) Parágrafo único .719-2008) § 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. Aquele juiz que está mais atento à instrução. quando feito oralmente. se em virtude desta houver sido instaurado o o processo. Ficou clara a ideia da mutatio libelli para vocês? Agora. no prazo de 5 (cinco) dias. se entender cabível nova definição jurídica do fato. produza prova. E não por quê? Lembrese que agora. na denúncia ou na queixa. 384. eu quero fazer uma comparação entre a redação antiga e a redação nova do art. não contida. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL REDAÇAÕ ANTIGA REDAÇÃO NOVA Art.Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave. reduzindo-se a termo o aditamento. só para que fique bem claro na cabeça de vocês.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. § 4º Havendo aditamento. E aí ele já pode ir perguntando sobre essa trombada. termo o aditamento. baixará dias. em 98 .

Mas tecnicamente. Num primeiro momento. Mas olha o detalhe interessante: quem é que passava a bola para o MP? O juiz. deixa de ser prevista esta bola que o juiz está passando. aí pode!” Cuidado! Por quê? Vamos ao art. 384 . Pergunto a vocês: na hora da sentença condenatória. o prazo de 3 (três) dias à defesa. na denúncia ou na queixa. pode). Isso não existe! Por quê? Porque ou é uma circunstância ou é uma elementar. mas foi violado para beneficiar o acusado. convenhamos. não contida. Porque. Vamos dar um exemplo da Justiça Militar. No caput.” Ou seja. 384. Vamos imaginar que durante a instrução processual um outro militar.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. soldado. Lembre-se que o peculato-apropriação. produza prova. A pena dele será diminuída. pode o juiz condenar pelo peculato culposo? Nesse exemplo. Na redação nova. Geralmente o soldado “tira serviço” (fica na guarita) por duas horas. esse “implicitamente” era uma monstruosidade porque a partir do momento que a lei dizia “não contida explícita ou implícita”. Desapareceu. Qual crime? Peculato-culposo. E você pensa: “ah. Aí você entende o caput da antiga redação. se quiser. o que acontecia? Se houvesse a possibilidade de pena mais grave.Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato. Depois. Na nova redação não tem esse “implicitamente”. podendo ser ouvidas até três testemunhas. como Névio foi pego com a arma. os mesmos princípios estariam sendo violados. 99 . ao ser preso em flagrante. o aluno tende a dizer que pode porque agora pena que é para melhorar a situação dele (como é para beneficiar. veja que a própria lei diz: “o MP deverá aditar a denúncia. vamos trabalhar com um exemplo tranquilo. 384 antes. O soldado Tício sumiu com a pistola. mas veja que a situação dele será para melhor. caput). previsto no art. foi pego na rua com aquela pistola 9mm e. já antecipava qual seria o decreto condenatório (violação ao princípio da imparcialidade). Veja que na redação nova. para que você entenda melhor. Podemos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seguida. Durante a instrução processual. Mas por que falava somente em defesa? É só ler o § único. Então. tecnicamente. ele. dizia que a defesa seria ouvida e não estava prevista (no caput) a oitiva do MP e o aditamento. o código entendeu só ouvir a defesa. 384: Art. coloca ela em cima do beliche e vai dormir. Para que você entenda como funcionava o art. Vamos à redação antiga do art. Convenhamos. então. 312. Antigamente a lei usava a expressão “ circunstancia elementar”. caput. 384. Mas eu pergunto: Tício praticou algum crime? Você pega uma pistola para tirar serviço. o Névio diz que se aproveitou de um momento de descuido do Tício que dormiu e deixou a pistola em cima do beliche. Olha que legal! O acusado deveria se defender de algo que estava implícito na peça acusatória. fale e. a defesa era ouvida no caput porque do caput não ia ocorrer a aplicação de pena mais grave. de certa forma. o art. Já no §único. Só que durante a instrução processual. Névio. a lei não fala que “o juiz baixará os autos ao MP”. se você for parar para pensar nos mesmos princípios que estamos trabalhando. 312 tem pena prevista de 2 a 12 anos. Praticou crime? Sim. surge a ideia de que o Tício não teria se apropriado. vamos imaginar que a denúncia impute a ele a conduta (eu vou colocar o CP comum. peguei uma pistola 9mm para tirar serviço. baixará o processo. sem dúvida alguma concluir que o Tício teria sido negligente com a guarda da arma e ele teria dado causa à subtração pelo Névio. Sem dúvida alguma. ele vai para o alojamento onde ele fica descansando duas horas e depois volta para tirar mais duas horas. Olha que detalhe interessante: na redação antiga. Lembre-se que o peculato culposo tem pena prevista de 3 meses a 1 ano. mas ele praticou crime. que poderá oferecer prova. Então. no prazo de 8 (oito) dias . surge a prova categórica de que o Tício não teria pegado a pistola. mas como militar que é não seria o CP comum) de peculato-apropriação (art. quando o juiz baixava os autos ao MP. explícita ou implicitamente. que importe aplicação de pena mais grave. a fim de que a defesa. entendíamos aí que seria cabível uma imputação implícita. Olha o exemplo: eu. O § único dizia: se houver possibilidade de nova definição. Vamos demonstrar como funcionava antes. aí tínhamos que passar a bola para o MP. em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar. só era prevista a oitiva da defesa. arrolando até três testemunhas.

o problema do art. já que a defesa foi ouvida. (Intervalo) Lembrem-se que. já 10 0 . na redação antiga. Era como se o juiz dissesse: “levanta a bola para que eu possa cortar. o que ia acontecer? Antes de o juiz sentenciar. O juiz vai condenar pelo crime de peculato culposo (se ele achar que foi praticado). no meu exemplo. não seria necessário o aditamento por parte do MP. E aqui.” (na verdade é quase como se o juiz tivesse agindo de ofício). até para você saber o porquê das alterações. Bastava. ele deveria ter muita cautela porque a depender de como ele baixasse (“baixo os autos do MP. como também no parágrafo único). § 2º. ou seja. igual ou inferior à anterior. sempre deverá ocorrer o aditamento. tudo bem. que ocorresse a oitiva da defesa. vai ter que ocorrer o aditamento. quando baixava. por acaso. pela nova redação do art. independentemente se da nova imputação resultar pena mais grave. pode produzir prova e. é importante que você não deixe de fazer uma comparação. peculato culposo. se em decorrência da nova definição jurídica do fato a pena se mantivesse igual ou inferior à pena do fato descrito na denúncia. A defesa seria ouvida e. o que ele fazia? Ele ia providenciar a oitiva da defesa. Só a defesa. o aditamento deverá ser espontâneo. Hoje. mas tem problema sim e sabe qual é? Você estaria condenando alguém por um crime do qual ele não foi acusado. na medida em que o acusado se via condenado por crime do qual não havia sido acusado. para a defesa. sim. 28 porque aí.  2ª Diferença: Na redação antiga. o MP não precisava fazer nada. não. sempre deverá ocorrer o aditamento porque com isso você respeita o sistema acusatório. proferiria sentença condenatória em relação a qual delito? Art. E por quê? Vocês viram comigo o que. Independentemente se houver ou não majoração da pena. “Na nova redação do art. se. a gente faz a mesma coisa que fizemos antes. pois diante do depoimento das testemunhas.” O juiz não precisará mais baixar o processo para que o MP adite a peça acusatória. 384. 384. Hoje. haveria até uma surpresa da defesa ao ver o seu cliente condenado pelo peculato culposo. havia sempre a expressão ‘o juiz baixará o processo’ (isso estava previsto.” Percebam que agora já não existe mais essa expressão “o juiz baixará”. sempre deverá ocorrer o aditamento. Esse dispositivo era criticado pela doutrina por violar o sistema acusatório. o que vai ter que acontecer? Ao invés de ouvirmos a defesa. bastando que o juiz abrisse vista à defesa para que se manifestasse no prazo de 8 dias (art. já ficava ruim e nesse momento. caput – ‘o juiz baixará o processo a fim de que a defesa fale’.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. O problema era quando ele baixava o processo para que o MP aditasse. ele teria sido negligente na guarda da arma. o MP vai ter que fazer o aditamento e dizer: “na verdade o cidadão praticou. como vimos. tanto no art. Ele não foi acusado pelo peculato culposo. “Com. Vamos fazer um quadro comparativo com as diferenças entre a redação nova e a anterior:  1ª Diferença: “Na lei antiga. ou seja. 384. Agora. agora. o que vamos fazer? A defesa será ouvida e aí vai seguir aquele procedimento que comentei com vocês. o juiz. É óbvio que a defesa vai pedir essa desclassificação. Quando a pena fosse igual ou inferior. Então. Algum problema com essa condenação pelo peculato culposo? O aluno poderia até pensar que não. Fica. E depois da oitiva da defesa. 312.” Depois de feito o aditamento. inclusive. 384. O juiz vai falar sobre o recebimento do aditamento. convenhamos. então. antigamente. a nova redação do art. Qual é a crítica que recaía sobre essa conduta do juiz baixando o processo? Óbvio. quando surgir prova de elementar ou circunstância não cont ida na acusação. sentença condenatória. É só você olhar. já não acontece mais. mesmo que seja para pena menor. Por isso que isso que acontecia antes. sempre. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Ou seja. peculato culposo. caput). ouvir até três testemunhas. não mais. estou convencido de que o crime praticado teria sido de roubo e não o de furto como consta da denúncia” ). 384. houvesse uma diminuição da pena. depois pode ser necessária a audiência e caso não seja necessária. não haveria necessidade de aditamento. Mas se você imaginar que a defesa só tenha focado na não prática do peculato-apropriação. porém. o que o juiz poderia fazer? Proferir sentença condenatória.” Ao estudar esse procedimento. sempre que surgir uma elementar ou uma circunstancia. antigamente.

Olha que legal! Você tem que imaginar e descobrir o que está nas entrelinhas para que possa se defender. do art.” Mas o problema subsiste na nova redação em relação ao art. o acusado só poderia ser 10 1 . 384 não é preciso fazer menção a nada disso. o que ele nos leva a acreditar? Que. era aquele carimbo clássico: “diga o MP”. Na nova redação do art. 28 porque queria ou não quando não há o aditamento espontâneo por parte do MP e o magistrado não dá o chute na canela do promotor.” Para a doutrina. o juiz se vê obrigado a aplicar o 28. o juiz recebe o aditamento. você percebe que o §4º é novidade. 384. remetendo os autos ao procurador”. na sentença. 284: § 4º Havendo aditamento. no prazo de 5 (cinco) dias. teoricamente seria cabível a imputação implícita. 384.  5ª Diferença: Essa alteração e bastante interessante e agente vai ter que aguardar para ver no que vai dar. Geralmente. fazendo pré-julgamento. Tanto é que a gente viu no § 2º que. adstrito aos termos do aditamento. havendo o aditamento. enquanto que tudo o que está inserido no tipo penal vai ser considerado elementar. acusado. o legislador usava algo que ninguém até hoje sabe o que é. novo interrogatório.  3ª Diferença: “Na redação antiga. há uma melhora em relação a isso porque ele usa a palavra ‘elemento’ (que você deve compreender como sinônimo de elementar) e usa a palavra ‘circunstancia’. “Na antiga redação do art. ouvido o defensor e “admitido o aditamento” (significando que pode rejeitar). A mudança. diante do aditamento. Tanto pelo furto quanto pela imputação superveniente. defesa é ouvida.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. E já era de boa hora porque a doutrina já não admitia. não deixaria de haver uma certa imparcialidade e uma espécie de prejulgamento. recebido o aditamento. eu aditei. Por que eu fiz questão de fazer esse quadro comparativo e nem no semestre anterior eu havia feito? Porque com isso. o que a doutrina entendia? Que o acusado poderia ser condenado pelas duas imputações. era como se abríssemos um leque porque ele poderia ser condenado pela primeira ou pela segunda imputação e o acusado teria que se defender das duas imputações no momento derradeiro do processo. Na redação anterior. que não existia antes e ele diz de forma categórica que. Agora. ficando o juiz. Na hora de proferir sentença condenatória. Vocês estão lembrados do exemplo que eu dei do furto e do roubo do vovô? Vamos imaginar que tudo tenha acontecido bonitinho: eu ofereci denuncia por furto. Me recuso a explicar as duas porque já expliquei quando falei de questões prejudiciais. foi bem salutar. ouvimos novas testemunhas.  4ª Diferença: Na redação antiga. o legislador admitia uma imputação implícita. Lembrem-se que o juiz não precisa receber esse aditamento. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. você tem que entender que a imputação implícita viola a ampla defesa já que não há como o acusado se defender diante de uma imputação implícita. nesse ponto. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO estaria violando a imparcialidade. aplico o art. havendo o aditamento. 28. ele estaria dizendo que. Ele usava a expressão ‘circunstancia elementar’. o que também é criticado pela doutrina porque quando o juiz diz: “diante da inércia do MP. E às vezes ficava o promotor: “diga o MP sobre o quê? Tá tudo bonitinho. era possível que o acusado fosse condenado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente. Na redação nova. durante a instrução descobriu-se que houve violência. Aí você pode pensar que qualificadoras seriam circunstâncias. pela leitura do § 4º. Falei que elementar era o dado essencial da figura típica e circunstancia é o dado secundário. eu. A partir do momento em que ele dizia “contida implícita ou explicitamente na denúncia ou queixa”. posso ser condenado por qual delito? Pelo furto? Pelo roubo? Pelos dois? Cuidado com isso porque na redação antiga do art. significa dizer que agora. debates e sentença. Vamos ler o §4º. Ou seja. sem problema algum. já não existe mais menção a essa imputação implícita. Ele pode rejeitar. de acordo com a doutrina..

Então. 10 2 . não mais podendo condenar o acusado pelo fato inicialmente descrito na denúncia. o militar que. o que houve foi furto. afirmou (e também outras testemunhas) que o acusado não era o receptador do fardamento porque. 180. porque bastaria somar a violência. substituindo por completo a imputação originária. quanto ela superveniente. É como se a imputação originária tivesse sido afastada.” Não existe nada pior do que uma pergunta simples. sem prejuízo de oferecimento de nova peça acusatória pelo fato novo. o que eu faço? Aí surge o problema. na verdade. a gente acaba fazendo o aditamento.” Para concluir a mutatio libelli. a situação se complica porque é fato novo. com um acréscimo de algum elemento que o modifique. supostamente. “Diante do novo § 4º do art. do CP – vamos imaginar comparativamente. ele era um comparsa (“ele ficava do lado de fora do muro. Durante a instrução processual. na casa do cidadão foram encontradas várias peças de fardamento militar (e isso vai parar nas organizações criminosas). Mas. você já produziu a prova em relação ao mesmo acusado e o contraditório já foi respeitado. o MP pede a absolvição. diante da clareza do § 4º e a partir do momento que você entende como era antes. quando questionado sobre a origem dessas peças. Por não ter praticado a receptação. não há como fugir dessa compreensão. Estabeleçam aí uma conclusão importante. 384. Nesse caso. queira ou não. Ele acabou se vendo denunciado pelo crime de receptação (art. a partir do momento em que diante do aditamento eu poderia ser condenado tanto pela imputação originária. por mais que ele tenha sido encontrado com as fardas em casa. mas. Para vocês terem como exemplo de fato novo seria o receptação-furto. Quando se tratar de fato novo. sendo possível a utilização de prova emprestada. No dia-a-dia. Aqui. seria furtoroubo. Antigamente. isso trazia prejuízo ao acusado. diante de um fato novo. Complicou porque. na verdade. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO condenado ou absolvida em relação à imputação superveniente. Agora complicou. ele disse que teria comprado de um outro militar. Mas no exemplo agora. ele não era o receptador. deve o acusado ser absolvido da imputação originária. será possível usar a prova emprestada porque. eu queria tratar de dois temas: *Fato Novo x Fato Diverso O examinador pergunta: “diferencie fato novo e fato diverso. ” É bem interessante essa alteração. anotando o seguinte: “a mutatio libelli somente é cabível quando se tratar de fato diverso. porém. Ele trabalhou com a gente na subtração. aqui é algo novo. haverá necessidade de uma nova peça acusatória.”). Aproveitando o gancho da mutatio libelli. curta e grossa como essa. “O fato é novo quando os elementos de seu núcleo essencial constituem acontecimento criminoso inteiramente d iferente daquele resultante dos elementos do núcleo essencial da imputação.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. porque o caso concreto é crime militar). diante do fato novo. convenhamos. Então. qual seria o caminho técnico a seguir? É um só: virar para o juiz e falar: pedimos a absolvição. O fato é diverso quando os elementos de seu núcleo essencial correspondem parcialmente aos do fato da imputação. basta somar alguma coisa e aí dá para aproveitar a imputação anterior porque o roubo nada mais é do que o furto mais a violência ou grave ameaça. Daí a motivação dessa alteração. este estará adstrito aos seus termos. Você pede a absolvição em relação à receptação porque. eu acho que para prova de concurso. o juiz dá a absolvição e o MP entra com nova denúncia. vendeu para ele o fardamento. Resta saber se a jurisprudência vai caminhar nesse sentido. algo completamente diferente do anterior. recolhendo as fardas que eram jogadas em sacos plásticos de dentro do quartel. Nesse caso.” Olha o exemplo concreto que aconteceu: expedido o mandado de busca e apreensão. Lembra do exemplo do furto. resta tratar da chamada imputação alternativa. Fato diverso. tecnicamente. não. não é caso de mutatio libelli porque mutatio libelli é quando surge elementar ou circunstancia que irá se somar à imputação originária. em que eu saí do furto e fui para o roubo? Nesse caso. O inquérito foi mal conduzido e. nesse caso. há doutrinadores (porque tem gente que passa batido por isso e não percebe muito bem a relevância dessa alteração) dizendo que uma vez feito e recebido o aditamento pelo magistrado. da receptação a gente acabou indo para o fato completamente diferente. nesse exemplo.

E aí vem o promotor e coloca: “Renato praticou um homicídio. há dúvida quanto a quem começou.” E subdividese em: a) Imputação alternativa OBJETIVA AMPLA – “É aquela que incide sobre a ação principal. Não se sabe quem dá origem à pancadaria generalizada.” No primeiro exemplo. Essa imputação alternativa subdivide-se em: I. da briga. essa é a imputação alternativa objetiva porque refere-se a dados objetivos e ampla (porque recai sobre a conduta principal). Sempre colocam uma qualificadora. Diante da dúvida. como se dá quando os envolvidos se acusam reciprocamente. diante de uma proposta inequívoca. A coisa mais difícil é alguém ser denunciado por homicídio simples. o grande nome é o do professor Afrânio Silva Jardim. você imputa os dois (ou furto ou receptação). o sujeito ativo do delito. Mas aqui a gente aprofunda um pouco mais. mas foi de forma bem simples.” Nesse caso de imputação alternativa subjetiva simples. denuncia os dois agressores e. na mesma situação que a sua e vai ser ali mesmo.” Melhor exemplo: homicídio. É o melhor exemplo. Imputação Alternativa OBJETIVA – “Refere-se a dados objetivos do fato narrado. porque você se depara sempre com aquele dilema: teria sido ele o autor do crime antecedente ou será que ele é mero receptador? Na dúvida. poderia ser presa em flagrante. Qual é o melhor e único exemplo sempre citado: dúvida entre corrupção passiva praticada pelo funcionário público ou corrupção ativa praticada pelo particular. Imputação Alternativa SUBJETIVA – “Refere-se ao sujeito passivo da imputação. Mas tome cuidado porque a pessoa que é presa. há dúvida em relação ao autor e em relação ao crime praticado. eu tenho dúvida. Vamos imaginar que eu prendo alguém em flagrante contra b) Imputação Alternativa SUBJETIVA COMPLEXA – “É aquela que abrange. não só quanto a quem praticou o crime. II. Eu explico: amanhã quando você passar no concurso. É óbvio que. b) Imputação alternativa OBJETIVA ESTRITA – “É aquela que incide sobre uma qualificadora. você coloca várias qualificadoras.” Seria como se disséssemos: o cidadão praticou “ou” furto “ou” receptação. mas também em relação ao delito.” E subdividese em: a) Imputação Alternativa SUBJETIVA SIMPLES – “A alternatividade decorre de dúvida sobre a autoria do crime. toma uma primeira dose. não só 10 3 . mas o crime será o mesmo: lesão corporal para ambos. O cidadão vai para a balada. Final de noite. Então. tenta descobrir quem deu início à agressão e o outro vai ser absolvido por legítima defesa. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO *Imputação Alternativa Eu fiz menção a ela no Intensivo I. como também a própria infração penal. tome cuidado com a desgraça corrupção. O melhor exemplo disse é pancadaria no final da balada. É o exemplo clássico. Na complexa. ou seja. não conseguiu nada e só sobra o indivíduo que tromba com ele na porta do banheiro. você tem dúvida em relação a quem colocar no polo passivo da imputação. sempre de maneira alternativa. ou por motivo fútil ou por recurso que tornou impossível a defesa”. tenta inverter o jogo contra você. ou mediante motivo torpe. em relação ao assunto. lembrando sempre que. durante o processo. teoricamente a pessoa está praticada um crime. ou seja. Acontece muito quando você pega alguém no ferro-velho com objetos furtados.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. depois de dez doses.

” Para que fique bem claro: só cabe em crimes de ação penal pública. quando feito oralmente. adstrito aos termos do aditamento.” § 4º Havendo aditamento. Esse é o exemplo de imputação alternativa subjetiva complexa. teoricamente. caput. Então. se entender cabível nova definição  É possível mutatio libelli na segunda instância? 10 4 . Alguns doutrinadores vão dizer que há: I. só é possível a mutatio libelli em crimes de ação penal pública ou no caso de ação penal privada subsidiária da pública. uma imputação objetiva ampla e aí. II. Com o novo § 4º do art.719-2008) Essa redação não é das melhores. caput. para responder: jurídica do fato. para ele. o juiz ficará adstrito aos termos do aditamento. havendo aditamento e. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. Então. “se em virtude desta”. ficando o juiz. E por razões óbvias: viola o princípio e a garantia da ampla defesa. O que é o “desta” aí? A queixa. Ou seja. Acrescentem uma informação que já foi feita na aula de hoje: “antes da Lei 11. 384. uma primeira espécie ocorre quando você coloca as imputações alternativas na própria denúncia e a outra é quando você faz o aditamento no caso de mutatio libelli. Há ainda uma última classificação que também é feita pela doutrina. já não haveria mais uma imputação alternativa (porque ele só vai poder condenar ou absolver pela imputação superveniente). “De acordo com a redação do art. Imputação Alternativa SUPERVENIENTE – “É aquela que surge a partir do aditamento da peça acusatória nos casos de mutatio libelli . o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. reduzindo-se a termo o aditamento.” fácil. dizendo respeito ao momento em que se dá a imputação alternativa. (Alterado pela L-011. ou se foi ele. particular). o que ele vai dizer? Que fui eu que pedi dinheiro. Imputação Alternativa ORIGINÁRIA – “A alternatividade está contida na própria peça acusatória.” É como se na própria denúncia eu já fiz uma imputação alternativa. 384. No caso. corrupção ativa. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. qual é a conclusão? A depender do autor do crime (se fui eu.719. Doutrina e jurisprudência não admitem essa imputação alternativa originária. Art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Se o juiz vai ficar adstrito aos termos do aditamento. Para mim é corrupção passiva. no prazo de 5 (cinco) dias. qualquer espécie de imputação alternativa que você imaginar. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública.  É possível mutatio libelli na ação pública e privada? Vamos ao art. o delito vai ser diferente. só que pode se dar na queixa subsidiária que não deixa de ser um crime cuja origem é a de ação penal pública. mas que. por inércia do MP acabou havendo a propositura de queixa subsidiária pelo ofendido ou por seu representante legal. Atentem para essa distinção. quanto pela superveniente. no prazo de 5 (cinco) dias. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. diz o parágrafo 4º que. 384. recebido este aditamento. na sentença. funcionário público. Pergunto a vocês: é admitida? Não. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO corrupção. A imputação alternativa originária é aquela que já está na própria peça acusatória. 384. Encerrada a instrução probatória. o acusado poderia ser condenado tanto pela imputação originária.

Deliberadamente. E aí já surge um pequeno problema sobre quem faria o adiamento na segunda instancia. não é dizer muita coisa. O que eu vou fazer ao final da primeira instancia? Eu apelo e. 384. O que o tribunal. Então. portanto. Nesse caso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Daí. são cinco parágrafos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 617: O tribunal pode fazer mutatio libelli? Vamos a um artigo que já foi lido na aula de hoje.” A Súmula 453 diz: STF Súmula nº 453 DJ de 12/10/1964 . concluindo esse ponto com vocês (e é a ultima vez que falo em mutatio libelli na aula de hoje). no que for aplicável. Só que aí é que o aluno precisa tomar cuidado.O tribunal. 617 . ao apelar. Ao tribunal não é dado fazer a mutatio libelli. 384 na primeira instancia e o que poderá fazer? Anula o processo e devolve à primeira instancia para que lá seja aplicado o procedimento do art. “A justificativa para essa não aplicação é a observância do duplo grau de jurisdição.” Num recurso exclusivo da defesa. Resta pra gente um último ponto para fecharmos o procedimento comum. ser agravada a pena. por isso é que essa aplicação da mutatio estaria a demandar um recurso da acusação. 383. explícita ou implicitamente. é possível que o tribunal anule a sentença por error in procedendo. Mas e se por acaso o procedimento da mutatio na primeira instancia não foi observado pelo juiz? Imagine que eu tenha tentado fazer o aditamento. quando somente o réu houver apelado da sentença. o legislador fez questão de omitir daí a aplicação do art. você já seria condenado pelo tribunal e não teria direito ao duplo grau de jurisdição. Quem faria isso? O procurador? Mas esse não seria o principal problema. Agora. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal. devolvendo o feito à primeira instância para que seja aplicado o procedimento da mutatio libelli. que vão anotar o seguinte: “Apesar de não ser possível a mutatio libelli na segunda instância. mas o juiz rejeitou e criou uma zona na primeira instancia. percebam. Qual nulidade? Violação ao art. Isso caiu numa prova do Rio (não sei se MP ou magistratura). Art. em virtude de circunstância elementar não contida. INDENIZAÇÃO CIVIL 10 5 . E esse último ponto diz respeito à indenização civil. que leva à aplicação da não aplicação da mutatio na segunda instancia? O duplo grau de jurisdição.Não se aplicam à segunda instância o Art. 386 e 387. caso houvesse o aditamento na segunda instancia. antigamente. Dizer que não se aplica a mutatio libelli na segunda instancia. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. podemos concluir o quê? “Não é possível a aplicação do art. vou suscitar como preliminar uma nulidade. 384 na segunda instância. você decorou isso aí. 384. Por que não se aplica a mutatio na segunda instancia? Você tem que pensar o seguinte: a mutatio libelli exige que o MP faça o aditamento. Convenhamos. que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso. havia só o parágrafo único. ao julgar minha apelação vai fazer? Ele vai reconhecer a inobservância do art. que é o art. O principal problema. Parágrafo único porque. 384. 9. essa devolução para que fosse aplicada a mutatio não seria benéfica à defesa. Se você decorar a súmula. eu já seria condenado pelo tribunal e o meu duplo grau já estaria sendo suprimido. como vimos. na denúncia ou queixa. porém. não podendo.” Porque se houvesse a alteração da imputação lá em cima. deve haver recurso da acusação. Mas a gente precisa de algo mais para passar no concurso.

que era o valor devido.719-2008) Agora. não havia a fixação de valores.719? Antes da Lei 11. Porém. uns dez anos. toda essa questão foi alterada. Como não havia esse quantum debeatur.719 você precisava entender que a sentença condenatória. mas também porque precisava passar por uma liquidação. a partir do momento em que a questão penal está sedimentada. mas agora você precisa entender o sistema. IV. você acabava sendo obrigado a passar por um processo de liquidação e somente após o procedimento de liquidação era que você poderia. Daí a importância da habilitação do assistente que faz isso para adiantar o processo e conseguir uma sentença condenatória com transito em julgado porque aí não precisa ingressar com uma ação civil. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. é óbvio que eu posso entrar com uma ação civil. Transitada em julgado a sentença condenatória. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Em relação à indenização civil. Você ia esperar quantos anos para a sentença condenatória transitar em julgado? Sendo bem otimistas. efetivamente. I. pelo prejuízo causado pelo delito. do Código Penal Dos Efeitos da Condenação Efeitos Genéricos e Específicos Art. Qual é o detalhe à época? A partir do momento em que tínhamos a sentença condenatória com trânsito em julgado. resta mais fácil você entender a motivação das alterações. E aí você tinha um título executivo. no juízo cível. que tem uma nova redação: 10 6 . o ofendido. poderão promover-lhe a execução. Vejamos o que nos dizem os artigos em questão: Art. restava definirmos o quanto seria devido a título de indenização pelo prejuízo causado pelo crime. a Lei 11. 63 . 91. Agora. surge essa outra possibilidade do art. Ou seja.Transitada em julgado a sentença condenatória. receber os valores. 387. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. (Acrescentado pela L-011. Aqui. Ou seja. Só que eu também posso esperar a sentença penal condenatória. tornou-se certo o seu dever de indenizar o dano causado pelo delito. Essa é uma introdução necessária.tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime. havia o reconhecimento da dívida. Entendendo como funcionava antes. de que você tinha que indenizar pelo dano causado pelo delito. depois da Lei 11. eventual decisão condenatória com trânsito em julgado tem o condão de tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. o denominado quantum debeatur.719. funcionava como título executivo. Parágrafo único. seu representante legal ou seus herdeiros. obviamente com trânsito em julgado. só para vocês raciocinarem. Não só porque dependia do transito em julgado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Se você imaginar um pai de família que tenha sido vítima de um homicídio culposo. existe uma sentença condenatória com transito em julgado.719 produziu algumas alterações com relação a isso.São efeitos da condenação: I . Eu não preciso nem dizer o quanto que demoraria para alguém receber algo. para o efeito da reparação do dano. Reconhecia-se que você tinha que indenizar alguém pelo dano. 91 . apesar de haver o reconhecimento da dívida. Como é que funcionava essa questão da indenização civil antes da Lei 11. independentemente do plano criminal. O art. mas o primeiro passo importante é que o aluno entenda que um dos efeitos da condenação (está lá no Código Penal) é exatamente é tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. É a chamada ação civil ex delicto. como é que funciona essa indenização.

Eu fiz questão de ler: “transitada em julgado a sentença. tem dito que esse dano que tem que ser fixado pelo juiz penal é somente o dano material. Então. Depois da Lei 11. sensivelmente. vale mais a pena você ir lá levar alguns comprovantes. imagine que ele fixou 60 mil reais a título de danos materiais causados pelo delito. tem-se que transitada em julgado a sentença penal condenatória. o quadro que você tem sobre indenização civil.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Eu já posso ir diretamente para uma execução por quantia certa. na sua maioria dizem que pode porque na medida em que você entendeu que um dos efeitos da sentença é tornar certa a obrigação.719 foi abandonado? Continua válido? Continua válido. Olha que maravilha! Mas não passou. o juiz já pode fixar o valor mínimo. Os manuais de processo penal que saíram depois da lei. voltando para o art. O que essa novidade (fixação de valor mínimo) na prática vai trazer de benefício para a pessoa. Essa execução por quantia certa vai se dar no cível. a partir do momento que vai ter dinheiro. nesse caso. E. eu não preciso passar mais por aquela liquidação. § único. então. entrando em vigor a lei no ano passado. na própria sentença condenatória. é tudo isso que eu falei (sobre antes de depois da lei). É óbvio que na sentença condenatória nem sempre o juiz vai ter a capacidade de fixar o valor certinho. 10 7 . Para a gente concluir. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. a fixação de valor mínimo a título de indenização independe de pedido explícito. Ou seja. Esse 60 mil reais já poderão ser objeto de execução por quantia certa. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado (que é aquele valor mínimo que a gente viu) sem prejuízo da liquidação para apuração do dano sofrido. Vou receber na execução os 40 mil restantes. A lei usou a expressão “fixação de valor mínimo” por isso. a execução poderá se dar pelo valor fixado. obviamente compensados. por meio da liquidação. pois se trata de efeito automático de toda e qualquer sentença condenatória com trânsito em julgado. O que acontece? Já recebi 60 mil. o magistrado já irá fixar valor mínimo a titulo de reparação pelos danos causados pelo delito. já poderia fixar. sem prejuízo da liquida ção para apuração por dano efetivamente sofrido.” O que o aluno precisa entender? Que agora. hipótese em que os valores a receber serão. para o representante legal e seus sucessores? O benefício que deriva disso é um só: a partir do momento em que eu já tenho um valor mínimo.719. o que acontece? Agora. Leia-se. imagine que o delito tenha me dado um prejuízo de 100 mil reais. para a vítima.fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração. impede que eu passe por uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. passar por uma liquidação o que já abrevia. felizmente. considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. 63. é efeito automático da sentença tornar certo esse valor. Eu pergunto: será que isso que falamos sobre antes da Lei 11. Onde vai se dar essa execução? No juízo cível ou no penal? No Senado Federal houve uma proposta de emenda para que essa execução tramitasse no juízo criminal. 387 . o percurso trilhado pelo ofendido. Você tem que somar: agora. duas observações:  1ª Observação: “De acordo com a doutrina. Porém. essa execução por quantia certa (dos 60 mil). na verdade. (Acrescentado pela L-011. do dano efetivamente sofrido. de modo algum. querendo demonstrar que a fixação desse valor não impede que você corra atrás. Aqui vem um detalhe: esse dano que vai ser fixado será de qual espécie? Seria somente um dano material ou abrange também o moral e o chamado dano estético? Cuidado com isso porque a gente também não pode querer transformar o processo penal num processo cível de indenização. não preciso. ao proferir sentença condenatória: IV . Por isso que a doutrina. É fácil perceber que a lei está ressuscitando a participação da vítima no processo penal porque agora. Essa é a grande novidade.O juiz.” Me contaram que isso estava sendo questionado na prova oral da magistratura/SP: Se o juiz.719-2008) Agora. Eu faço uma liquidação e chegamos à conclusão que o dano real teria sido de 100 mil reais. na sentença.

” 10 8 . a execução da sentença condenatória (Art. Você pode até entender que o assistente não gostou do valor. pode recorrer? O juiz fixou 60 mil. pois tal execução pressupõe o trânsito em julgado de sentença condenatória. Mas não é de se assustar se amanhã a doutrina e a jurisprudência chegassem à conclusão de que não haveria interesse tanto por parte do MP quanto por parte da vítima porque esse valor que foi fixado não é um valor definitivo. 63) ou a ação civil (Art. convenhamos. O tribunal poderia dizer: “Ô meu filho. é só na doutrina mesmo porque.Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (Art.” E o MP? Tem interesse em recorrer? E o assistente? Têm ou não têm interesse? Aí já vem um problema pelo seguinte motivo: o MP pode recorrer só por conta do valor? O valor é interesse patrimonial. Da mesma forma que o MP. Art. o assistente da acusação (advogado) também. por um motivo até razoável: ela quer aumentar o valor. quando falamos do art. Como existe a possibilidade de posterior liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. Posso ou não? Alguns manuais têm dito que sim. 64) será promovida. Não é a ideia de que fixou e acabou e é isso mesmo. E daí o interesse dela. Há interesse em recorrer? O MP está no processo. 68 . 32. do CPP. a seu requerimento. “Se o acusado impugnar por mei o da apelação o capítulo referente à sua condenação. nada impede a expedição de guia definitiva de execução da pena privativa de liberdade.” É isso que alguns doutrinadores estão cogitamos o que. que ele é dotado de uma inconstitucionalidade progressiva. não será possível a execução por quantia certa do valor mínimo fixado pelo juiz. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  2ª Observação: “Interesse recursal contra a fixação desse valor mínimo” – Essa é uma outra discussão bastante interessante que alguns doutrinadores travam. você pode entender que a vítima não teria interesse no manejo desse recurso. que é a seguinte: vamos imaginar que numa sentença o juiz tenha condenado em 60 mil reais. E o assistente. acusado. Eu disse que esse artigo que fala que o MP pode ingressar com ação civil ex delicto em favor de vítima pobre. Eu acho que são 100 mil. pelo Ministério Público. 68.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Quem tem interesse em recorrer? Recurso do acusado: “Se o acusado recorre tão-somente contra o valor fixado a título de indenização. O MP vai apelar pedindo aumento do valor. nada vai nos assustar amanha se disserem que a vítima não teria interesse recursal. como é que o acusado ia se dar ao trabalho de recorrer somente contra o valor? Ridículo. Só que isso é preciso esperar um pouco mais para ver no que vai dar. por que você está recorrendo? Pega logo essa grana aí e depois você corre atrás do dano que você entende efetivamente devido. §§ 1º e 2º). O MP pode correr atrás de interesse patrimonial? A gente já viu isso no Intensivo I. mas como a vítima tem a possibilidade para entrar com uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. O Ministério Público somente pode recorrer em favor de vítima pobre nas comarcas em que não haja defensoria pública. E por quê? Porque nas comarcas em que não há defensoria pública. ele continua válido.

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