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Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009
PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

7.

NOVO PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

Em relação ao novo procedimento comum ordinário que já nem é tão novo assim, já tem um ano de existência, mas muito do que está lá vai ser discutido por um bom tempo. 7.1. OFERECIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

A gente começa a análise desse novo procedimento comum falando do oferecimento da peça acusatória. No intensivo I vocês já tiveram aula de denúncia e queixa. Então, os pressupostos já foram bem fixados por vocês. Aqui vale apenas registrar que o número de testemunhas:  Procedimento ordinário – 8 testemunhas.  Procedimento sumário – 5 testemunhas. Lembrem-se de que apesar de haver alguma discussão, o ideal é você dizer que esse número seria por fato delituoso. Então, se eu tenho dois fatos delituosos no processo, o que me leva a concluir que esses dois fatos poderiam ser objeto de duas denúncias distintas, mas tendo sido reunidos pela conexão se tenha 8 testemunhas por fato delituoso. Último ponto importante aqui é o questionamento sobre o início do processo. Se você for questionado quanto a isso, é uma discussão eterna no processo penal. Discute-se quando se daria o início do processo. 1ª Corrente: O início do processo, segundo essa corrente mais tradicional, somente se daria com o início da peça acusatória. Essa corrente é pouco mencionada nos manuais, mas ganha um reforço da letra da lei. O art. 35, do Código de Processo Penal Militar, muitas vezes ignorado, esquecido. Mas se numa prova aberta você chega a mencionar isso, o examinador vai ficar bem interessado. O art. 35 é bem didático e claramente diz que o processo teria início com a: Relação Processual. Início e Extinção Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz, efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a sentença definitiva se torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer não. 2ª Corrente: Por outro lado, muitos doutrinadores sustentam que ao invés de o processo ter início com o recebimento da peça acusatória, na verdade, a partir do momento do oferecimento, o processo já teria início. Então, são duas correntes bem divididas, mas os mais modernos tem se filiado a essa segunda corrente, entendendo que, uma vez oferecida a peça acusatória, o processo já teria início, mesmo que porventura essa peça fosse rejeitada pelo juiz. E o argumento utilizado para tanto é o seguinte: mesmo que o juiz rejeite a peça acusatória, diante da interposição de um RESI (o MP não se conformou com a rejeição), quem é que vai apresentar contrarrazões? O acusado. Então, seria contraditório você dizer que o acusado é intimado para apresentar contrarrazões e ainda assim ainda não haveria processo. Por isso, alguns entendem que, oferecida a peça acusatória, o processo penal já teria tido início. Nucci, Gustavo Badaró. Aí vai depender do concurso. Se é magistratura de SP, por exemplo, um concurso mais tradicional, você pode defender a primeira corrente. Mas se é um concurso mais moderno, tipo MPF, MP/MG, você pode dizer que seria o oferecimento da peça acusatória. Oferecida a peça acusatória, qual seria o passo seguinte:

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

7.2.

REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA

O primeiro ponto importante sobre a rejeição da peça acusatória: antes das alterações da Lei 11.719/08, alguns doutrinadores, principalmente do RS, faziam distinção entre rejeição e não recebimento: o o Não recebimento – estaria ligado a aspectos processuais (falta de uma condição) - RESI Rejeição – estaria ligada a aspectos de direito material – Apelação.

Isso, na prática, só servia para cair em prova quanto ao recurso cabível porque diziam eles que, como o não recebimento estava ligado a aspectos de direito processual, o recurso correto seria o RESI. Então, você, contra o não recebimento, deveria ingressar com o RESI. Já a rejeição, que estaria ligada a aspectos de direito material, o recurso cabível seria a apelação. É importante que vocês fiquem atentos porque mesmo esses doutrinadores agora dizem que essa distinção acabou. O próprio Auri Lopes Jr., no seu manual de 2009 diz que essa distinção teria acabado. Então, a palavra rejeição deve ser compreendida como expressão sinônima de não recebimento. E aí, independentemente da palavra que venha a ser utilizada (rejeição ou não recebimento), o recurso cabível será sempre o RESI porque hoje todas as hipóteses são ligadas aspectos processuais. E quais seriam, então, as causas de rejeição da peça acusatória? Importante, para que você não seja induzido a erro, fazer um quadro comparativo das causas de rejeição antes da Lei 11.719/08. CAUSAS DE REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA ANTES da LEI 11.719/08 DEPOIS da LEI 11.719/08 Quando o fato narrado não constituir crime, cabe a Art. 395, I - Inépcia por inobservância da rejeição da peça acusatória. Agora, isso saiu da causa qualificação do acusado e exposição do fato de rejeição e hoje é causa de absolvição sumária delituoso. Quando o juiz verificasse a extinção da punibilidade. Art. 395, II – Ausência de pressupostos processuais Caso percebesse que o MP ofereceu denúncia em de existência e de validade relação a um fato delituoso cuja punibilidade estivesse extinta, caberia a ele rejeitar a peça Art. 395, II – Ausência de condições da ação acusatória Ausência das condições da ação – última hipótese Art. 395, III – Ausência de justa causa que daria ensejo à rejeição da peça acusatória. Antes, havia questões relacionadas ao direito processual (ausentes condições da ação), daí a expressão “não recebimento” e dos aspectos ligados mais ao mérito e, aí sim, rejeição da peça acusatória. Isso daí era o que se dava antes. E agora? Com a Lei 11.719, essas hipóteses, que estão no art. 395, do CPP, foram alteradas:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L011.719-2008) I - for manifestamente inepta; (Acrescentado pela L-011.719-2008) II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
a) Primeira hipótese de rejeição da peça acusatória

O que eu devo entender por inépcia da peça acusatória. Cuidado com isso porque na ânsia de dar uma resposta rápida, o aluno, ao ser questionado sobre a inépcia, vai dizer o seguinte: que inépcia da peça acusatória seria a inobservância dos requisitos da peça acusatória. Cuidado com isso porque, na verdade, a inépcia seria a inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Vamos dar uma olhada no art.41,

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO do CPP, para a gente esclarecer isso, vai nos trazer os requisitos da peça. Só que como vimos no semestre passado, nem todos eles são de observância obrigatória. O art. 41, do CPP, traz os requisitos da peça acusatória e ele vai trazer alguns requisitos cuja observância seria obrigatória. Mas alguns deles não são obrigatórios e o art. 41 não diz, mas você sabe isso. Está aí o art. 41:

Art. 41 - A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
Se você parar para pensar, o que há de importância na hora da denúncia é a exposição do fato e a qualificação do acusado. O resto é óbvio que você vai colocar. Na segunda fase do concurso não vai dizer que o resto é bobagem e que você não precisa se preocupar com isso. É óbvio que você tem que colocar a classificação do crime, o rol de testemunhas, tem que ser assinada e escrita em vernáculo. Mas cuidado, porque o que é importante mesmo, é a exposição do fato e a qualificação do acusado. Eu já comentei isso com vocês: no processo penal, o pedido é sempre genérico de condenação. Mesmo que por acaso na minha peça acusatória eu faça um pedido de aplicação de pena de morte, o juiz não deve rejeitar porque, afinal de contas, no processo penal o acusado defende-se da imputação e não da classificação que eu formulo. Aqui, por inépcia da peça acusatória você vai entender exatamente o quê? A inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Então, nesse caso, aí o juiz deve rejeitar. Basicamente, seriam apenas dois: a qualificação do acusado e a exposição do fato delituoso. Então, se você imaginar uma situação em que o promotor narre o fato de maneira precária, caberá ao juiz rejeitar. E uma outra observação importante: se, por acaso, a inépcia não for apreciada pelo juiz no momento da rejeição. Imaginem vocês o seguinte: o juiz não rejeita a peça acusatória pela inépcia. Ele pode apreciar isso depois? Entre nós, não precisa anotar: normalmente o recebimento, em galáxias bem longínquas, é feita por um carimbo. Geralmente, eles não lêem a peça acusatória lá nesses países do sudeste asiático. E aí vem o questionamento. É óbvio que, depois disso, a defesa vai trabalhar com isso. E eu pergunto: será que essa inépcia pode ser apreciada depois? Cuidado com isso. Essa inépcia da peça acusatória, a falta de exposição do fato criminoso, está ligada ao seu próprio exercício do direito de defesa. Mas cuidado! De acordo com a jurisprudência, apesar de alguns questionamentos doutrinários, essa inépcia só pode ser arguida pela defesa até o momento da sentença. De acordo com a jurisprudência, a inépcia da peça acusatória só pode ser arguida até o momento da sentença. Essa é a idéia da inépcia da peça acusatória: se você ficou calado até o momento da sentença, é porque você teria conseguido se defender. Então, em grau recursal você não poderia mais questionar essa inépcia. b) Segunda hipótese de rejeição da peça acusatória

Está no inciso II: ausência dos pressupostos processuais. Se pode dizer, apesar de muita discussão na doutrina, que esses pressupostos processuais seriam: Pressupostos de existência:  Existência de uma demanda, veiculada pela peça acusatória  Exercício da jurisdição caracterizada pela competência e imparcialidade do juízo  Existência de partes que possam estar em juízo. Insisto: esse tema, na doutrina processual penal, não tem tido um entendimento muito uniforme, mas para concurso, numa doutrina bem tradicional e para a gente ganhar uns pontos, vamos sustentar isso aí. Pressupostos processuais de validade:  Originalidade  Inexistência de litispendência e coisa julgada  Inexistência de vícios processuais.

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A idéia aqui estaria ligada à originalidade da demanda, esses pressupostos processuais estariam relacionados à originalidade da demanda. Leia-se, portanto, relacionados à inexistência de litispendência ou de coisa julgada. E alguns doutrinadores também acrescentam aqui a inexistência de vícios processuais. c) Terceira hipótese de rejeição da peça acusatória

A terceira hipótese de rejeição também está no inciso II. Além da ausência de pressupostos processuais, vem a ser a ausência das condições da ação. A ausência das condições da ação também dará ensejo à rejeição da peça acusatória. De acordo com uma corrente mais tradicional, seriam aquelas mesmas do processo civil:  Possibilidade jurídica do pedido  Legitimidade para agir  Interesse de agir. Eu não vou colocar aqui a justa causa porque o legislador deu a ela um inciso separado. Tradicionalmente a justa causa é uma condição, só que a lei colocou em um inciso separado. De acordo com a doutrina tradicional, com aquela que costuma dizer que haveria uma teoria geral do processo (basta ler o livro da professora Ada com o Cândido Rangel), você vai ver que essas seriam as condições da ação penal. Porém, hoje, cada vez mais ganha corpo uma doutrina que vem buscar condições autônomas da ação penal e vem dizer que eu não posso importar isso do processo civil. E aí, para alguns doutrinadores (hoje alguns manuais já trazem até as duas classificações), você teria condições próprias aqui:     1ª Condição: Fato aparentemente criminoso 2ª Condição: Punibilidade concreta 3ª Condição: Legitimidade para agir 4ª Condição: Justa causa

Essa corrente mais moderna vai dizer que essas são as condições. Eu confesso que ainda não vi essas condições serem cobradas em prova. As outras já. Essas não, mas o dia vai chegar e a gente já vai ter trabalhado com isso. d) Quarta hipótese de rejeição da peça acusatória

Ocorre quando não houver justa causa para a ação penal. É a última hipótese de rejeição da peça acusatória. A justa causa, tradicionalmente é trabalhada como condição da ação. Aí você pode pensar que pelo fato de ter sido colocada em um inciso a parte deixou de ser condição da ação. Mas não. Melhor você dizer que o legislador teria colocado em inciso separado porque quis dar uma importância ainda maior à justa causa e para evitar discussões de que a justa causa não seria uma condição. Lembrem-se que justa causa aqui, apesar de ser uma expressão com vários significados, aqui deve ser compreendida como um lastro probatório mínimo para o início de um processo. Foi exatamente o que o Supremo entendeu no caso Palocci. Ali entendeu que não haveria prova suficiente para dar início a um processo e aí a denúncia só foi recebida contra o gerente da Caixa. Quer dizer, o gerente da Caixa era quem teria interesse na quebra do sigilo bancário lá do caseiro. Para a gente concluir esse raciocínio, lembrem-se que a rejeição da peça acusatória agora somente está relacionada a aspectos de direito processual. O legislador, claramente, quis colocar aqui só aspectos processuais. Portanto, podemos dizer tranquilamente que a rejeição da peça acusatória só vai produzir coisa julgada formal. Uma pergunta incessante: se o juiz rejeita minha peça acusatória, o que eu, como promotor, faço? Cuidado com isso. Diante da rejeição da peça acusatória, é óbvio que o recurso correto seria o RESI. De acordo com o art. 581, I, o recurso correto seria o RESI. Só que eu chamo a atenção de vocês para o dia a dia porque às vezes não vale a pena entrar com o RESI, mas buscar corrigir o defeito processual que deu origem

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO à rejeição da peça acusatória. Por exemplo, o juiz pode ter rejeitado sua peça por conta da inépcia. Você pode entrar com o RESI e discutir no tribunal se sua peça acusatória seria ou não inepta. Mas aí eu acho que se você for olhar de maneira bem objetiva e pragmática, ao invés de você entrar com o RESI, que vai demorar dois anos para ser apreciado pelo tribunal, o melhor é deixar a vaidade de lado e corrigir essa eventual inépcia da sua peça acusatória. Corrigido o defeito processual, oferece nova denúncia, torcendo para o juiz dessa vez não rejeitar. Se rejeitar aí você entra no CNJ, chama a mãe dele, todo mundo. Então, o recurso seria o RESI, mas, a depender do caso concreto, talvez seja mais válido que você como promotor corrija o defeito se for possível. Depois da rejeição da peça acusatória, o que segue? Na verdade, oferecida a peça acusatória, na verdade, temos duas possibilidades. Ou o juiz rejeita ou ele vai receber a peça acusatória. Vamos falar agora sobre o recebimento da peça acusatória. 7.3. RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

Há alguns pontos a serem destacados. O primeiro deles diz respeito à chamada defesa preliminar. Cuidado com a defesa preliminar, também chamada por alguns chamada de resposta preliminar, não existe em todos os procedimentos. Na verdade, somente alguns procedimentos especiais irão tratar do assunto. E cuidado com isso para você não misturar as coisas. Uma coisa é essa defesa preliminar que não se confunde com a resposta à acusação, que foi trazida pelo novo procedimento que, por sua vez também não se confunde com a extinta defesa prévia. São coisas bem diferentes. Você pode colocar de maneira resumida: a defesa prévia não se confunde com defesa preliminar que, por sua vez também ano se confunde com a chamada resposta à acusação. Essas são três espécies de defesa absolutamente distintas, apresentadas em momentos diferentes e com conteúdo diferenciado.

a)

Defesa Prévia

Conforme eu comentei na aula passada, a defesa prévia já não existe mais. Acabou-se. Ela estava prevista no revogado art. 395. Qual era o momento para a sua apresentação? Após o interrogatório. Vejam que o processo já estava em andamento há muito tempo. E quem podia apresentá-la? Ao contrário das outras duas, a defesa prévia poderia ser apresentada tanto pelo acusado, quanto pelo defensor. E, por último, qual era a consequência de sua ausência? A ausência da defesa prévia não era causa de nulidade. Para quem atuou no dia a dia até o ano passado, em muitos casos, a defesa nem apresentava a defesa prévia porque não havia testemunhas a arrolar. Defesa prévia era uma folha de papel dizendo que o acusado era inocente e que provaria sua inocência durante o processo. Sua ausência não causava nulidade. A doutrina e a jurisprudência diziam era o seguinte: o que poderia dar ensejo à nulidade seria a ausência de intimação para apresentar a defesa prévia. Aí eu pergunto: você consegue visualizar isso? Quer dizer, a hipótese em que o acusado e seu advogado não fossem intimados? Cuidado porque a partir do ano de 2003 a presença do advogado no interrogatório tornou-se obrigatória. Então, a partir do momento em que você enxerga que o advogado deve estar presente ao interrogatório, e se você entendeu bem que a defesa prévia era apresentada após o interrogatório, todo mundo já saía intimado, tanto o acusado que acabou de ser interrogado, quanto o próprio advogado. Então, essa nulidade, na prática, dificilmente ocorreria. Isso é a defesa prévia que, insisto, acabou, não existe mais.

b)

Defesa preliminar ou resposta preliminar

A defesa preliminar não existe em todos os procedimentos. Quais seriam os procedimentos que vão exigir a defesa preliminar?

I. Crimes funcionais afiançáveis há defesa preliminar – Já cansou de cair em prova que no art. 514, do CPP tem procedimento especial para funcionários públicos. O Pacceli, na nova edição do livro dele, disse que isso aí estaria revogado. Para concurso, vamos aguardar um pouco e continuar sustentado.

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a depender do caso concreto. Mas. E. isso é uma beleza. mas que não tem natureza criminal. o quanto isso é espetacular porque você como acusado vai ter a oportunidade de ser ouvido antes do juiz receber a peça acusatória. estando a denúncia ou queixa em devida forma. Então.343. Foi o que aconteceu com ele. 17. da Lei 8. E se é assim. E por quê? Pensem comigo: no caso de competência original dos tribunais. Qual é o momento para a sua apresentação? É aqui que o aluno tem que tomar cuidado. 55. então. da Lei 11. você pode convencer o juiz que não seria tráfico. Então. VI. visando impedir a instauração de lides temerárias. Lei de Imprensa – Art. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. metem o carimbo normal mesmo do recebimento da peça acusatória.” Então. O examinador pode perguntar: “o procedimento da defesa preliminar não foi observado. Cuidado! Não existe no procedimento comum ordinário. Ou seja. II. A depender do caso concreto. Lei de Drogas: também há defesa preliminar –. Só que o legislador não é trouxa e ele sabe dos efeitos dessa ação de improbidade. 55.Nos crimes (funcionais) afiançáveis. tem um outro carimbo que é ‘notifique-se o acusado para apresentar defesa preliminar. Como o procedimento é célere e preza pela oralidade. § 1º. Às vezes. A lei de imprensa foi embora para o espaço. Apresentou defesa preliminar. temos também na Lei de Imprensa. Procedimento originário dos tribunais – Art. Qual é a consequência?” De todas as hipóteses que eu citei. § 7º. ela está prevista no art. Lei de Improbidade Administrativa – É a última defesa preliminar. a ausência de notificação para apresentação de defesa preliminar seri a causa de mera nulidade relativa (HC 72306 e Súmula 330). que é a ausência da defesa preliminar. vamos imaginar que você foi denunciado por tráfico. 514 . aí você junta a carteira de trabalho. Tem natureza cível. eu pergunto: qual delas não é observada? O mais comum de todos é o do funcionário público. e o juiz se convence que você é só um usuário de baladas de finais de semana. vai ter um carimbo de defesa preliminar de ‘notifique -se o acusado’. senão. que o diga o caso Palocci. Depois. é preferível citar. “A defesa preliminar é apresentada entre o oferecimento e o recebimento da peça acusatória. que foi exatamente isso. IV. Aí. nos juizados. da Lei 8038/90. você vai tentar evitar que lides temerárias sejam instauradas. Juizados Especiais Criminais – Aqui também há defesa preliminar e nos Juizados é a única que pode ser apresentada oralmente. Eu insisto que vocês abram o código depois e marquem esse art. Pergunto: qual a consequência? “Para o STJ. E aí vem o ponto mais tormentoso de todos. Por isso. o caso mais comum é o do funcionário público e porque geralmente o funcionário vai parar na vara comum onde não se tem o cuidado de verificar o crime e qual o procedimento específico. Percebam. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado.429/92.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. veja a importância. pelo momento da defesa preliminar. mostra que é artista da Globo. para responder por escrito. 4º. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. esse é o objetivo da defesa preliminar. você consegue formar no juiz a convicção de rejeitar a peça acusatória. Se você quiser anotar. convenhamos. vai lá e faz sustentação oral e tenta evitar o recebimento da denúncia. quem me garante que o examinador ficou sabendo disso? Na dúvida. pode esquecer que você não acha mesmo! III. Ao invés de meter o carimbo de ‘recebo a denúncia’. Art. 43.” 60 . é óbvio que aquele carimbão que fica pronto não é usado. quem é que apresenta essa defesa preliminar? Só pode ser apresentada por advogado. a defesa preliminar pode ser apresentada oralmente. colocou lá como defesa preliminar. na hora da prova. V.’ Na l ei de drogas é provável que haja vara especializada.

LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. vamos trabalhar com a resposta à acusação. tudo continua como antes e vida que segue. portanto. o prejuízo jamais será comprovado. Veja você. dizendo que é nulidade relativa. a defesa prévia. Cuidado para não usar. 514. que vai dizer exatamente isso: que seria uma nulidade relativa). A defesa preliminar não existe no procedimento comum. E aí vai haver nulidade. Falando sobre o recebimento. se estou dizendo que é após a citação. aqui vai se dar após o recebimento e após a citação do acusado. Porém. no HC 85779. você não precisa observar o art. tem dito que seria uma nulidade relativa (HC 94011. quando necessário.. que a resposta à acusação. Mas e no caso de incompetência? Ou você acha que ao processar um desembargador o STJ vai dizer para o desembargador que é desnecessária a observância da defesa preliminar a que o desembargador faz jus? Concorde ou não. ainda não chegou aos tribunais.” Já vimos. apresentadas em momentos distintos. 396-A. Então. Aqui teria que haver a notificação.DJ 20. já vimos a defesa preliminar. E se é assim. Como a defesa preliminar se dá antes do recebimento. o Supremo manifestou-se contrariamente à Súmula 330. Quem tem que apresentá-la? Essa resposta à acusação somente pode ser apresentada por advogado. Qual é o momento para a sua apresentação? O momento é: após a citação do acusado. Ela só vai existir nos procedimentos que foram mencionados. 396-A. Art. O Supremo disse no obiter dictum que a inobservância da defesa preliminar daria ensejo a uma nulidade absoluta. por que ela não ampliou a sua aplicação também para a competência originária dos tribunais? É engraçado. Algum problema com essa súmula? É um grande absurdo porque mesmo que você concorde com os dizeres dela. sob pena de ensejar nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa. com objetivos distintos. Às vezes o aluno sai usando achando que é tudo a mesma coisa. leia-se. então. na ação penal instruída por inquérito policial. (Acrescentado pela L-011. O STJ.É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal. no mínimo. sumulou o assunto. c) Resposta à Acusação A resposta à acusação foi criada pela nova lei e está colocada no art. Na resposta. se a ação estiver amparada em um IPL. penso eu. o STJ entende que quando você for denunciar o funcionário por um crime afiançável e funcional.2006 . E sempre que eu falo em nulidade relativa e em nulidade absoluta. Por último. para acabar com isso. Mas ela fala só do pobre coitado do funcionário público. 61 . oferecer documentos e justificações. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 330 .09. o que você tem que lembrar automaticamente? Que a nulidade relativa deve ser arguida no momento oportuno. Obviamente. eu precisava falar de defesa preliminar. Eu disse que alguns doutrinadores dizem que quando a lei/jurisprudência falam em prejuízo ter que ser comprovado. Porque esse tal de prejuízo que faltam por aí é algo muito imaginário e algo que você não consegue comprovar. qualificando-as e requerendo sua intimação. por conta das muitas nulidades que são arguidas em relação a isso. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa.719-2008) Com isso. fizemos a comparação entre os institutos para que vocês não usem as expressões incorretas. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas.. dá um tratamento diferenciado para o funcionário. E a doutrina. você entende que é após o recebimento da peça acusatória. E qual é a posição do Supremo em relação ao assunto? “Inicialmente. Não! São coisas distintas. a palavra correta não seria citação. mas a doutrina tem dito que a apresentação dessa resposta seria obrigatória. quando eu falo em citação é porque antes teria havido prévio recebimento. E o dá. isso é óbvio que é um tema novo. Então. E o prejuízo deve ser comprovado. essa súmula. em julgados mais recentes (e que confesso que esse tema no STF ainda não é muito tranquilo).

Então. A primeira corrente diz o seguinte: o processo tem início com o oferecimento da peça acusatória. do querelante e do assistente. Mais uma vez o doutrinador usa a palavra recebida. Art. vinha dizendo que deveria ser recebida após a apresentação da resposta à acusação. se baseava na leitura do art. Haveria a possibilidade de absolvição sumária. no prazo de 10 (dez) dias. Nos procedimentos ordinário e sumário. de seu defensor. chamar isso de espécie de defesa preliminar. desde que não fosse caso de rejeição.719-2008) Alguns doutrinadores. Aí depois vem a citação. do Ministério Público e. se for o caso. 396 diziam: o recebimento está se dando aí. Caso não absolvesse sumariamente. olhando para o art. ( Alterado pela L-011. o processo teria início com o oferecimento. (Alterado pela L-011. só para que você entenda abem como são bem antagônicas. qual foi o problema? O problema é que a lei em dois momentos distintos usou a palavra “recebimento”. o juiz receberia a peça acusatória já designando audiência de instrução e julgamento. Depois da resposta à acusação. ele vai recebê-la. Já a segunda corrente. surgiram basicamente duas correntes: 1ª Corrente: A peça acusatória deverá ser recebida logo após o oferecimento. Agora havia a notificação do acusado. 399. oferecida a denúncia ou queixa. o juiz designará dia e hora para a audiência. Vejam comigo aqui a representação dessas duas correntes. Oferecida a defesa preliminar. por escrito. E qual das duas tem prevalecido? A primeira. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Voltando a falar do recebimento. mas à época da lei do ano passado.719-2008) Então. E pelos seguintes motivos: 62 . recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. Oferecida a peça acusatória o acusado seria notificado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 2ª Corrente: Essa segunda corrente. existe a possibilidade de absolvição sumária. o acusado é citado para apresentar resposta à acusação. Já para a segunda corrente. Recebida a denúncia ou queixa. se não a rejeitar liminarmente. se você fosse perguntar quando se dá o recebimento da peça acusatória. isso deixa de ser uma resposta acusação e pode. 396. 396 Art. ordenando a intimação do acusado. claramente. 399. basicamente de acordo com a primeira corrente. o procedimento seria esse: o recebimento da peça acusatória vai se dar logo após o seu oferecimento (continua tudo como era antes). Ele seria notificado para quê? Se ele está sendo notificado e se ainda não houve recebimento. PRIMEIRA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Recebimento da peça acusatória Citação Resposta Possibilidade de absolvição sumária SEGUNDA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Notificação Defesa Preliminar Possibilidade de absolvição sumária Recebimento da peça acusatória Vejam como as duas são bem antagônicas. A primeira corrente teria se baseado no art. Se o juiz não rejeitar. o juiz. e desde que não fosse caso de absolvição sumária. o examinador pode perguntar: “qual é o momento para o recebimento da peça acusatória?” Quanto ao tema. o juiz poderia fazer o quê? De absolver sumariamente. isso hoje já está um pouco mais tranquilo. Concorde você ou não é a que tem prevalecido.

a dica. é impossível que o processo esteja completo sem que antes tenha ocorrido o recebimento da peça acusatória. nas hipóteses que eu citei.faltar justa causa para o exercício da ação penal. Ora. salvo nas hipóteses em que haja defesa preliminar no procedimento.” Então.719-2008) A não ser que você me diga que o legislador aí usou a palavra citação equivocadamente. Para a gente concluir: o recebimento da peça acusatória precisa ser motivado? Cuidado com isso! “De acordo com a jurisprudência (porque alguns doutrinadores questionam isso). ao invés de você usar aquele capitulo do carimbo (recebo a denúncia). Essa é a dica para a prova da magistratura. moral da história: prevalece a primeira corrente.719-2008) II . 396. a fim de que o recebimento se desse logo após o oferecimento da peça acusatória. a peça acusatória vai ser recebida logo após o seu oferecimento. E os argumentos esposados na defesa preliminar precisam ser rechaçados. o recebimento não precisa ser fundamentado. 363. o processo terá completada sua formação quando realizada a citação do acusado. sem que antes tenha havido prévio recebimento da peça acusatória. Só que quando a agente vai estudar a lei.” Esse foi o motivo que levou senadores e deputados a alterar o projeto. sendo o correto “notificação”. dêem uma olhada no recebimento.faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. na hora de receber a denúncia. se não a rejeitar liminarmente. Para a prova da magistratura. já que para absolver eu preciso entrar na análise do mérito. A depender de como você faz essa motivação. o que a gente recomenda? Por que a jurisprudência diz que não precisa fundamentar para que o juiz não faça um prejulgamento.o último motivo interessante para você dizer que prevalece a segunda corrente é o seguinte: 3º Motivo: “Para a segunda corrente. ou III . É que nesse caso houve defesa preliminar. o projeto foi alterado no Congresso Nacional. Mas se ele usou citação e disse antes que o processo vai ter completada a sua formação quando realizada a citação.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Quando saiu a lei muitos autores do anteprojeto ficaram indignados. o juiz. Nos procedimentos ordinário e sumário. 63 . 395: Art. tudo como era antes. 2º Motivo: “Apesar de a intenção dos autores do anteprojeto ter sido a criação de uma defesa preliminar. no caso do inquérito do Mensalão. Há dez ou doze páginas. Então. com a imediata interrupção da prescrição.for manifestamente inepta. do CPP você vai perceber o seguinte: Art. é que. 395. você leia o art.719-2008) Se você combina esse artigo com o art. 395. Ou seja. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L-011. o que é um absurdo. art. a absolvição sumária ocorreria antes do recebimento da peça acusatória. 363. Na prática. no prazo de 10 (dez) dias. oferecida a denúncia ou queixa. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. eu só posso ser citado se antes ocorreu o recebimento. recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1º Motivo: “De acordo com o art. (Alterado pela L011. A não ser que você diga que aí a palavra citação foi usada erradamente. (Alterado pela L-011. daí você precisar fundamentar. se aí ele está usando citação.719-2008) I . a jurisprudência diz que isso poderia levar a um prejulgamento e violar a sua imparcialidade. é porque antes ocorreu o recebimento. se assim acontece. quem vai fazer prova da magistratura. você tem que interpretar o que foi aprovado e o que foi aprovado foi isso. nos moldes do que ocorre em outros procedimentos especiais.” Como é que eu posso absolver sumariamente alguém. (Acrescentado pela L-011. Ou seja.” Art. do CPP. não fica muito legal. por escrito. 396.

será causa de nulidade absoluta. também não se pode deixar de visualizar. Por isso.A falta ou a nulidade da citação. de acordo com essa regra do art. Você usa o art. então. presentes os pressupostos processuais e as condições da ação (inciso II). para que possa se defender. da intimação ou notificação estará sanada. 570 . porque ela comunica o acusado acerca da existência do processo. que podemos dizer que a citação. Muito cuidado porque. grosso modo. A citação acaba estando ligada ao contraditório e à ampla defesa. Pela regra do art. 570. antes de o ato consumar-se. Quando eu falo isso. um chamamento do acusado para que possa se defender. do CPP. apesar de vício na hora da citação dar ensejo a nulidade absoluta. ao mesmo tempo em que ele é comunicado disso. eventual vício na hora da citação. Art. apesar de causar nulidade absoluta. Então. dará ensejo a quê? Se a citação consagra esses dois princípios. Nós já vimos quais são as causas de rejeição. a presença da justa causa. então.” Esse é exatamente o conceito de citação. Interessante você visualizar que a citação acaba sendo um misto de dois princípios básicos do processo: o o Contraditório e Ampla defesa. o que há de importante? Primeiro vamos conceituar: “Citação é o ato processual pelo qual se leva ao conhecimento do acusado a notícia de que contra ele foi recebida peça acusatória. Aí você não estará fazendo nenhum prejulgamento. 570. leia=se. ele é convidado para se defender. Ou seja. quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte. quando a ampla defesa. Pergunto a vocês: eventual vício relativo à citação. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Olha o raciocínio bem interessante que você pode fazer na hora de receber a denúncia. vício na citação. a suspensão ou o adiamento do ato. viu que ela está em ordem. essa nulidade pode ser sanada. Parece que você analisou a denúncia. (Intervalo) 7. Ao mesmo tempo em que é cientificado de que uma peça acusatória contra ele foi recebida. ou seja. essa nulidade absoluta pode ser sanada. Mas aqui temos uma exceção importante. embora declare que o faz para o único fim de argüi-la. a citação é dita ser um misto de contraditório e ampla defesa. ao mesmo tempo que estará atendendo ao comando constitucional que demanda que toda decisão do Poder Judiciário seja fundamentada. CITAÇÃO DO ACUSADO Sobre citação. por conta do art. por último. como o objetivo foi atingido. todavia. se tem que a citação consagra tanto o contraditório. E como eu faço isso? Com o comparecimento do acusado. A gente pode até sugerir a mudança do carimbo. deverá ser cumprida por oficial de justiça por meio de mandado de citação. desde que o acusado compareça. caso o acusado compareça. E. Ou seja. cuidado com isso. Quando é.4. na citação. mesmo que haja algum defeito na citação. Por que ela consagra o contraditório? Por conta da comunicação feita ao acusado. havendo justa causa para a ação penal (inciso III). parece que você viu a presença dos pressupostos e das condições e. desde que o interessado compareça. recebo a peça acusatória. Há algumas exceções a essa regra. Ficou mais bonito. Por isso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Aí você começa a decisão dizendo assim: peça acusatória formalmente em ordem (aí você diz que não vai rejeitar por causa do inciso I). O juiz ordenará. Mas cuidado. eu vou lembrar daquele princípio da instrumentalidade das formas. as causas de nulidade absoluta não podem ser sanadas. Qual é a forma usual de citação no processo penal? A regra no processo penal é que a citação seja feita sempre de modo pessoal. 395 a contrario sensu. pode ser corrigida. 570. 64 . sem problema algum. Ou seja. por mais que tenha havido um defeito na citação.

O aluno. Antes era só para quem era citado pessoalmente. que prevê a citação do acusado. perceba que ele apenas pode ser aplicado a quem foi citado por edital. Mas agora tem uma novidade interessante. na sentença condenatória. 312. Se o acusado citado por hora certa desaparece. quanto o seu advogado. O acusado também pode. ao ler o art. Não é só o advogado que pode recorrer. Dá uma lida no início desse artigo (acusado citado por edital). 366 Art. 366. Mas cuidado. Isso sem muita relevância. 366 . que para quem não foi citado por edital e desaparece no mundo. “Revelia no processo penal ocorre quando o acusado. 65 . Agora. mesmo estando revel. quanto para quem também é citado pessoalmente. Mas agora. Na prática. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO no processo penal. salvo na hipótese de sentença condenatória.” Então. essa é a revelia. não será pessoal? O aluno geralmente cita citação por edital e hora certa. não comparecer. podemos dizer que ela vai se aplicar tanto a quem é citado por hora certa. Mas hoje também existe a citação por hora certa. já que estamos falando de citação: existe revelia no processo penal? Ou será que você me diz que diante do art. já não haveria mais a revelai? Cuidado porque quando você lê o art. decretar prisão preventiva. Então. Você tem sempre que relacionar a revelia a quem é citado de maneira pessoal. 366. ou muda de residência sem comunicar o ju ízo. Leia-se.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Pergunto: quais são os efeitos da revelia no processo penal? No processo civil a gente estuda a tal da presunção da veracidade dos fatos. O aluno tem que raciocinar com isso porque lá no processo civil vocês não tem isso. Antigamente era só para quem é citado pessoalmente. você pode também entender que o acusado citado por hora certa que desaparecer também será considerado revel. vamos fazer uma análise da citação por edital e por hora certa. poderia chegar à conclusão de que não haveria revelia porque o processo sempre estaria suspenso. na prática: “O único efeito da revelia no processo penal é a desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos demais atos processuais. Por isso ele tem que ser intimado. não comparece injustificadamente. vai existir revelia. nos termos do disposto no Art. Será que isso pode ser trazido para o processo penal? De modo algum. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. com a inserção da citação por hora certa.Se o acusado. nem constituir advogado. também será considerado revel. mesmo o acusado revel precisa ser intimado e por quê? Por causa de sua capacidade autônoma de recorrer. são as hipóteses seguintes: o o Citação por edital Citação por hora certa Essas duas últimas formas de citação são muito importantes. porque a citação seria feita na pessoa do seu representante legal. hoje. citado por edital. Mas além dessas duas alguns doutrinadores citam outros exemplos de exceções: o o Citação do inimputável – Ele deve ser citado na pessoa do seu curador. sobre a revelia.” Da sentença condenatória. O que há de importante mesmo. citado ou intimado pessoalmente. portanto. de maneira precipitada. Os dois têm que ser intimados. Aqui no processo penal tem. Citação da pessoa jurídica – Eu acho que não seria uma exceção. tanto o acusado. Então. se for o caso. Mas alguns dizem que sim. a) REVELIA Mas antes queria perguntar. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional.

Agora nós sabemos que essa pessoa que se oculta não é mais citada por edital e sim. Art. citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.” Tá maluco! Art. (Revogado pela L-011. a citação farse-á por edital.quando inacessível. de guerra ou por outro motivo de força maior. Uma vez eu vi uma sentença onde o juiz colocou assim: “o acusado está foragido. ou. com o prazo de Perceba que esse artigo continua em pleno vigor. assume sua culpabilidade. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A revelia no processo penal não acarreta a presunção de veracidade dos fatos.O processo seguirá sem a presença do acusado que. também. o lugar em que estiver o réu.719-2008) Cuidado com o inciso I. Então. você vai continuar exigindo a citação. O oficial de justiça certificou que o acusado morava em local inacessível.A citação ainda será feita por edital: I .quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. 66 . 361 . no caso de citação por hora certa. Vamos ao art. Você tem que considerar as duas coisas.Se o réu não for encontrado. desaparecido. Perceba que esse artigo não foi alterado pela reforma. que trata do local inacessível. Convenhamos. que tem que ser citada por edital. mas é óbvio que vai pedir que uma escolta seja providenciada para que o oficial possa se deslocar com segurança.719? o o o o Acusado em lugar incerto e não sabido – se ele estava sumido. não comunicar o novo endereço ao juízo.719. Essas eram as quatro hipóteses de citação por edital. Então. Acusado que se ocultava para não ser citado – também era citado por edital. (Revogado pela L011. numa situação dessa. 363: Art. E aí o local era extremamente violento e o oficial disse que o local era inacessível. Uma vez eu peguei uma certidão de um oficial de justiça querendo levantar a bola para isso aí. pelo fato de a pessoa ser moradora de uma favela. citado. 367 . Vejamos isso no texto da lei: 15 (quinze) dias. 362 . por hora certa.Verificando-se que o réu se oculta para não ser citado.719-2008) II . 363 . mas agora deve ser relido com a citação por hora certa porque agora. no caso de mudança de residência. era citado por edital. será citado por edital. Agora já está riscado. o acusado também será considerado revel se. Acusado estava em local inacessível – o que o código dizia era se ele estava em local inacessível em virtude de guerra. b) Citação por EDITAL Quem é citado por edital? Vejamos as hipóteses anteriores à Lei 11. não comparecer. Se acusado fosse pessoa incerta – qualificação incerta do acusado. Art. em virtude de epidemia. um advogado vai ser nomeado. de certa forma. 362: Art. mas o processo vai seguir o seu curso. Quem era citado por edital antes da Lei 11. mas não dá para entender que. deixar de comparecer sem motivo justificado. Se ele se evadiu é porque. com o prazo de 5 (cinco) dias. Dá para citar por edital quem mora numa favela violenta? Não dá. você tem que ver a situação do oficial porque infelizmente há vários casos de oficiais que são mortos no exercício da função. Guerra? Epidemia? Não! Ele morava numa favela. epidemia.

você pode muito bem dizer que se já não cabe mais a citação por edital contra essa pessoa incerta. você vai ter que procurar dados quanto à qualificação. cabelo sempre com gel. antes. ao ser preso. você oferecer denúncia contra alguém sem que você tivesse seus dados pessoais.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Quando estudamos denúncia no semestre passado. Ele perdeu o emprego e a gente bem sabe como vai ficar esse estigma para o resto da vida. Mas e se ele estiver numa guerra? Aí você pode entender como local incerto e pode ser citado por edital. não está em local incerto. precisamos entender que é uma citação excepcional e que só será possível após o esgotamento dos meios de localização do acusado. antes de denunciá-la. Uma coisa é. Acusado que se oculta – será citado por hora certa.719. data de nascimento. se eu dou essa descrição. Mas vão procurar o irmão inocente. mas posso lhes garantir que se um militar estiver respondendo a um processo penal dificilmente ele vai para o Haiti porque para o militar ir para o Haiti é muito importante e difícil. na década de 40. cuidado porque antes de citar por edital. Já não dá mais para. você vê: “é possível denúncia contra pessoa incerta?” Teoricamente é. o irmão é solto. Então. como vimos. Então. a gente falou o seguinte: posso oferecer denúncia contra alguém que eu não tenha os dados concretos? Sem ter nome. O Código agora. 41. Como é que na cidade de São Paulo eu posso oferecer denúncia desse jeito? Não tem o menor cabimento. Na verdade. Finalmente. Eu se sou ele. com todas as suas circunstâncias. baixa uma luz e resolvem juntar os dois. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Então. tamanho pequeno (máximo 1. 361) – essa hipótese continua. não possui ombros e com uma voz parecida com a do Pato Donald e que está sempre com um livro na mão fazendo propaganda. deu um endereço. Mas isso é hipótese que não acontece. o sentido é um só.” Alguém teria dúvida quanto a esse acusado. Mas aí. quando necessário. Conclui que o acusado está em local incerto e não sabido. Diante das alterações trazidas pela Lei 11. está sendo muito claro. A pessoa incerta é aquela sobre a qual você tem alguns dados. Então hoje. por mais que não tenhamos sua qualificação. o Hoje. vocês vão saber que eu estou me referindo a determinada pessoa. admitirmos o oferecimento de denúncia contra uma pessoa incerta. O oficial de justiça vai lá e é informado de que o Tício mudou. RG. Ele certifica que no dia tal.719.A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso. E como eu vou citar essa pessoa? Então. por exemplo. essa pessoa incerta também não poderia ser denunciada. A citação por edital para o acusado que está em local incerto e não sabido deve ser usada a título excepcional. apresentou a documentação do outro irmão. quem se ocultar para não ser citado não é mais causa de citação por edital. Ele quer que você dê uma porrada na bola pedindo a citação por edital. Só que agora o Código revogou isso. Eu só 67 . Aí ficam os dois presos. compareceu ao local indicado na denúncia e lá não encontrou o acuado. Mas o Código que diz isso é de 1941. quais são hoje as hipóteses previstas na lei? o Acusado em lugar incerto e não sabido (art. Ele como militar. E as duas últimas hipóteses. finalmente. Um militar servindo no Haiti. em 2009. Ele será citado pessoalmente. Aí verificam que a denúncia teria sido oferecida contra a pessoa errada. Eu coloco isso na denúncia. Será citado por hora certa. em 2008/2009. há como citá-lo. edital esse com prazo de 15 dias. Só que aí parece que ele foge do presídio e aí vão procurar. como promotor. local inacessível e pessoa incerta. ação de indenização contra o Estado. Caso do Paraná ontem: um irmão. essa pessoa poderia ser denunciada e. O que você. foram revogadas pela Lei 11. Até que o outro e encontrado e é preso. a única hipótese de citação por edital ocorre quando o acusado tiver em local incerto e não sabido. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. mesmo que eu não tivesse o nome dele? Vamos ao art. a classificação do crime e. Pelo art.60). quando cometeu o crime. Tanto era que você conciliava as duas coisas. olhos claros. O que eu quero dizer com isso? Imaginem o seguinte exemplo: o acusado. filiação? Teoricamente pode. O art. Ele é encontrado e permanece preso por mais de 4 meses. o rol das testemunhas. 361 está em pleno vigor: se a pessoa está em local incerto e não sabido será citada por edital. vejam que essas duas hipóteses. 41: Art. foram revogadas. você vai descrevê-la. 41 . E qual o sentido disso? A meu ver. O processo correu como se ele fosse o irmão. faz? Aí você tem que tomar cuidado porque o oficial de justiça faz isso para levantar a bola. Ofereço denúncia contra: “pessoa de pele clara. basicamente. seria ela citada por edital. Vê pega o manual de processo penal e lá na denúncia.

271.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. por motivo de força maior. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. você vai entender que como a norma penal é prejudicial. citado por edital. A citação ainda será feita por edital quando inacessível. eles saíram do mundo jurídico. só se aplica aos crimes cometidos após a sua vigência. ou seja.719 revogou os dois parágrafos do art. 366 – Qual seria a natureza jurídica do art. Vejamos aqui vários aspectos em relação ao art. nem constituir advogado. você aplica o critério do direito penal. Mas eu os convido a pensar sobre o assunto: os §§ 1º e 2º foram revogados. contempla também a suspensão da prescrição. telefone. já que o crime cometido por ele foi praticado antes do art. convenhamos. Cuidado com um detalhe importante: a Lei 11. Se é assim.Se o acusado. se for o caso. A proposta da lei à época é que a norma de suspensão processual poderia ser aplicada. 366 foi alterado em 1996). ela permanece em pleno vigor. Quando isso aconteceu (há um ano). Art. 366. não foi a intenção do legislador. Surge então. a lei trouxe uma nova redação para o caput. 312. a pergunta: a primeira norma (suspensão do processo) é norma processual. uma norma de direito material gravosa porque. Se a nova redação foi vetada. o que eu faço em relação. 366. decretar prisão preventiva. 366. Natureza jurídica do art. Mas o aluno tem que ter cuidado porque essa nova redação do caput foi vetada pelo Presidente da República. a lei também trouxe uma nova redação do caput. detalhe. a suspensão da prescrição é prejudicial ao acusado. surge o questionamento em relação ao crime ocorrido em 1995. concluo o seguinte: permanece em pleno vigor o caput do art. Empresas de telefone celular. 366. 366 para ele? Então. 366. além de contemplar a suspensão do processo. 366. Esses ofícios demonstram que você esgotou os meios e se não derem resultado. O art. Então. artigo esse que teve sua redação alterada pela Lei 9. além dos parágrafos terem sido revogados. A nova redação foi vetada. O art. 366 vai trazer como consequência a suspensão do processo o que. 68 . porque apesar do brilhantismo ímpar de tal posição. a primeira vista se poderia levar a crer que se trata de norma processual (sobre a qual incide o princípio da aplicação imediata). energia elétrica.719-2008) VETADO. não. 366 tem natureza mista ou híbrida. E. mas a questão da prescrição. 366. 366 . por exemplo (lembre-se que o art. Citada a pessoa por edital. como a antiga não foi revogada. (Alterado pela L011. companhia de gás. li alguns artigos sobre isso e esses artigos começaram a dizer que o art. 366. aí sim. afinal de contas. 366 também vai acarretar a suspensão da prescrição. Eu não posso jamais chegar a essa conclusão. somente sendo aplicável aos crimes cometidos após a entrada em vigor da Lei 9. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO posso citar por edital após esgotados os meios de localização do acusado. não comparecer. nitidamente norma de direito material. essa polemica surgiu e LFG foi um desses e entendeu que a suspensão do processo poderia ser aplicada. Mas o problema é que.” Ou seja. Art. Aí vem a pergunta: diante dessa constatação. Alguns disseram isso. Antes de pedir a citação por edital. além disso. você aí o fazendo estaria criando uma terceira lei e estaria cindindo a suspensão da prescrição o que. você aplicaria ou não aos processos em andamento. 366? Isso vai ter relevância porque à época. nos termos do disposto no Art. Se os parágrafos foram revogados. mas não a suspensão da prescrição. o art. justificariam a citação por edital. 366 teria sido então revogado. foi essa a posição que prevaleceu? Não. o ideal é que você busque esse indivíduo através da expedição de ofício aos órgãos públicos de praxe. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e.271/96. a um crime cometido em 1995? Será que eu aplico o art. quando ele tem natureza mista (reúne norma penal e norma processual). vou aplicar para ela o famoso art. Moral da história: “O art. além da suspensão do processo e de maneira umbilical. E. A segunda norma (suspensão da prescrição) é. o lugar em que estiver o réu. a depender da natureza jurídica. Vejamos o que nos diz o caput do art. À época.

Se ele for encontrado. Pense. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. se aos 90 anos você for encontrado. se o acusado não fosse encontrado. a prescrição voltaria a correr novamente. ia consagrar a segunda corrente. que causa uma certa perplexidade isso. Essa decisão causou uma certa perplexidade porque o Supremo hoje é tão bonzinho com o acusado. que você foi citado por edital aos 19 anos. Voltando ao art. chega a 8. extinta a punibilidade. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. é extremamente relevante e é assim porque a lei foi alterada em 1996 e lá se vão 13 anos e vocês não têm noção das pilhas que estão sendo acumuladas por causa desse art. 366 . De acordo com o Supremo. Então. não é considerada urgente. a pena é de 1 a 4 anos. 109. 2ª Corrente: Admite-se como tempo de suspensão de processo. 366. RE 460971). Para o furto. esse seria o máximo de suspensão. nos termos do disposto no Art. passados os 20 anos sem que o acusado tenha sido encontrado. E aí. que foi a resposta da magistratura. Mas o Supremo já em duas oportunidades disse que. citado por edital. o processo retoma seu curso normal. nem constituir advogado. E o examinador pode perguntar o prazo de duração da suspensão. Isso.” 69 . num caso concreto. 366 prevê a suspensão do processo e da prescrição. findo o prazo prescricional. Primeiro porque. é melhor que essa testemunha seja prova urgente. a pergunta que poderia ser feita é a seguinte: prova testemunhal é prova urgente? Isso tem sido muito comum. além do racismo e da ação de grupos armados contra a ordem constitucional.719. Os tribunais estaduais preferem a segunda corrente. 366. tanto é verdade. é ou na prova urgente? “Para o STJ. joga no art. Então. por exemplo. É óbvio que ninguém lê o edital. o tempo de prescrição pela pena máxima em abstrato do crime previsto na denúncia. A primeira corrente tem o grave defeito de dar tratamento igual a crimes diferentes. se for o caso. na hora que o juiz aplica o art. então. vai ficar com prazo indeterminado. de maneira indireta você estaria criando novas hipóteses de imprescritibilidade. Então. a depender da pena máxima prevista para o delito. decretar prisão preventiva. Promotores e procuradores. quando foi aprovada. o processo vai ficar suspenso e a prescrição no prazo determinado. não comparecer. Isso gera críticas. Nem o advogado e nem o acusado vão comparecer. Aí fica aquela pergunta: interessa à sociedade e ao Estado retornar esse processo depois de 70 anos? De modo algum. mas como não passou a nova redação do art. Curiosidade: a Lei 11. Você pega os 4. se porventura comparecer o advogado constituído. 366 Art. 3ª Corrente: A suspensão do processo e da prescrição deve perdurar por prazo indeterminado (STF. com base no art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O art. Agora. o tempo máximo de prescrição previsto no Código Penal (20 anos) quando. tem trabalhado com o seguinte argumento: prova testemunhal acaba se esquecendo rapidamente das coisas. Essa corrente ainda nem foi aplicada. ficou do jeito que estava. agora vamos ficar com a posição do Supremo. o processo vai seguir normalmente. julga-se extinta a punibilidade ao final. 366. então. 1996. a prova testemunhal sob o simples argumento de que a testemunha pode se esquecer dos fatos. Leia-se. Apesar de o processo estar suspenso. a prescrição voltaria a correr novamente. 8 anos seria o máximo de suspensão. após o que.Se o acusado. Essa corrente sempre prevaleceu nos tribunais estaduais. deverá ser declarada a extinção da punibilidade. 312. Então. Afinal. Findo o prazo de 8 anos. Aí vêm as correntes (caiu na penúltima prova da magistratura): 1ª Corrente: Admite-se como tempo máximo de suspensão de processo. quero realizar sua oitiva. Ou seja. o processo retoma o seu curso normal. hoje. daí a importância da segunda que vai usar a prescrição da pretensão punitiva abstrata. você estaria criando nova hipótese de imprescritibilidade. citado por edital.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Se esquecem rápido dos fatos. Então. Dois comentários: Produção antecipada de provas urgentes – Sobre esse assunto.

Aí você já perdeu totalmente a prova testemunhal. Vejam que o próprio Supremo está dizendo que o processo pode ficar suspenso por prazo indeterminado. a professora Hebe já não exista mais (usando as palavras do art. ou. 225 .” Não! Você vai ter que demonstrar que. ele mudou de endereço e está em local incerto e não sabido por querer se furtar à aplicação da lei penal. de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. só quando o acusado pessoalmente comparecer ou quando ele constituir um advogado que compareça perante o juízo. 366. 225. tomar-lhe antecipadamente o depoimento. Por quê? Em muitos casos. ela já não lembra quase nada. você vai decretar a prisão preventiva. sua testemunha for a Hebe Camargo. você pega pessoas humildes que se mudam e não comunicam ao juiz simplesmente porque ignoram essa determinação. com a consequente suspensão do processo. ser considerada uma prisão automática. c) Citação por HORA CERTA Vejamos como vai funcionar a nova citação por hora certa no processo penal. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Mas cuidado! Se porventura. sim. 396.” Uma vez citado por edital. não tem natureza urgente para o STJ. de certa forma ele tinha essa consciência. 394 e seguintes deste Código. se você ouvir uma testemunha um ano após o crime. Para tanto 70 . Aí. Eu acho que você deveria ouvir essa testemunha. Mas é a posição do STJ. art. (Alterado pela L-011. não comparecendo. aquela resposta à acusação só vai ocorrer depois que o acusado for encontrado. Ou seja. essa é a citação por edital.Se qualquer testemunha houver de ausentar-se. Decretação da Prisão Preventiva – Outro ponto importante relacionado ao art. 312. Você pode pensar assim. O que não dá é para estabelecer uma presunção automática. Imagina daqui a dez anos. 225): Art. ao tempo da instrução criminal. 363. Interessante você tomar cuidado e entender a razão de ser disso aqui. inspirar receio de que ao tempo da instrução criminal já não exista. “Ah. por enfermidade ou por velhice. Vamos ao CPP. mas cuidado para não estabelecer esse raciocínio automaticamente. Então.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. eu paro tudo. vai ser aplicado logo após a citação por edital e antes da resposta à acusação. jamais. Já é caso de aplicarmos o art. § 4º: § 4º Comparecendo o acusado citado por edital. manda prender. por si só. §único: Parágrafo único. O primeiro ponto importante é você visualizar que a citação por hora certa se aplica ao acusado que se oculta para não ser citado. O aluno pode bem pensar que se o acusado foi citado por edital e está em local ignorado. 312. a situação é diferente. Lembre-se que mesmo na hipótese do art. fundamentando à luz do art.719-2008) O prazo para apresentar resposta. No caso de citação por edital. Hoje. vamos ao art. o processo observará o disposto nos arts. 366 é a decretação da preventiva. foi citado por edital. Se a Hebe Camargo for testemunha de fato delituosos é prova de natureza urgente porque há o risco de. provavelmente ele é um foragido. a prisão preventiva do acusado citado por edital que não compareceu e nem constitui advogado fica condicionada aos pressupostos do art. 366. E além desse. Para concluir o raciocínio: quando vai ser dar a suspensão no novo procedimento? “O art. em qualquer tempo. 366 não pode. o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. Prova testemunhal. A prisão preventiva no art. o juiz poderá. Enquanto isso não acontecer fica tudo suspenso. nesse caso. é foragido.

366 e desse 366 ia resultar. o que acontece? Isso era sinônimo de impunidade. você é capaz de entender porque foi criada a citação por hora certa. Não é isso.719-2008) Ou seja.719 – Imagine que você está na sua casa. 2.869. Olha o questionamento interessante que pode ser feito: a lei 11. Agora. Queira ou não. na varanda do seu apartamento. será citado por hora certa. de sua torpeza. vejam que antes da lei. Antes da Lei 11. E aí o aluno precisa entender o seguinte: àquele que é citado por hora certa. Citação por hora certa: advogado dativo é nomeado e processo terá o seu curso. O art. impedia o Estado de exercer contra ele sua pretensão punitiva e o processo ficava suspenso. o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com hora certa.719 –Agora você entende a razão de ser da citação por hora certa. na cabeça dele é um benefício porque não visualiza muito bem a suspensão da prescrição. provavelmente não vai aparecer (já que já estava se ocultando antes). (Acrescentado pela L011. Pressupostos da citação por hora certa: 1. de 11 de janeiro de 1973 . quem for citado por hora certa. ocorrerá. Antes dele tocar. O que. (Alterado pela L-011. Cuidado para não confundir. Ele não pensa na prescrição porque não sabe o que é isso. Completada a citação com hora certa. Você vai precisar essa suspeita de ocultação e vai depender muito do trabalho do oficial de justiça. Será que eu posso citá-lo por hora certa? 71 . na forma estabelecida nos arts. ele se ocultava. Que o acusado seja procurado por três vezes em seu endereço e não seja encontrado (está tudo no CPC). Depois da Lei 11. Deixou o que estava no CPC mesmo. na cabeça dele. atento e diligente. Quer dizer: como é que eu posso premiar essa torpeza com a suspensão do processo? Por isso. O aluno não pode achar que a citação por hora certa vai se tornar a regra do processo penal. Agora. quando você pensa no quadro anterior. que era a suspensão do processo e da prescrição. ele ia ser citado por edital. E olhe o detalhe: dessa manobra fraudulenta do acusado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.719.   Citação por edital: processo e prescrição suspensos. você já liga lá pro porteiro e avisa para dizer que não está em casa. na visão do acusado isso é bom porque seria aplicado o art. Outro ponto que merece ser destacado é o seguinte.719 entrou em vigor no dia 22/08/08. de certa forma. O acusado que praticava um crime e se ocultava para não ser citado. Visualizando esse quadro. Verificando que o réu se oculta para não ser citado. um senhor benefício. era citado por edital e o processo seria suspenso.719. 227 a 229 da Lei nº 5. se o acusado não comparecer. Seria a citação por hora certa aplicável aos acusados que já foram citados por edital? O cara já foi citado por edital porque se ocultou. Então. 362.Código de Processo Civil. 362 traz a citação por hora certa: Art. o juiz vai nomear advogado dativo com o prosseguimento do processo. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO tem que olhar para o acusado que se oculta antes e depois da Lei 11. foi criada pela lei a citação por hora certa no processo penal. Antes da Lei 11. ser-lhe-á nomeado defensor dativo. o CPP não disciplinou. Que haja suspeita de ocultação.719-2008) O não comparecimento é o que. O parágrafo único é importante: Parágrafo único. Olha lá para baixo e vê o oficial de justiça. Lembre-se que o processo dele está suspenso. quem se oculta para não ser citado. provavelmente. terá o processo prosseguindo normalmente. depois da lei. mas a suspensão do processo para ele é interessante.

Se cair esse tema na prova da defensoria. respeitando as normas vigentes à época. É a posição do professor Gustavo Badaró. 366. é uma corrente bem legal. Sabe por quê? Pensa comigo o seguinte: antes.2. para o Supremo. E o art. em plena igualdade. nesse aspecto material (de a prescrição voltar a correr normalmente). se eu me ocultava. basta pensar que. talvez. você tem que ler isso em termos relativos. b. que tem um livro sobre as reformas. na prova para MP e juiz. lindo. Art. se por um lado o prosseguimento do processo é mal. de certa forma. E aí fica a pergunta: não posso premiar essa manobra torpe com a suspensão do processo. 362 seria benéfica para ele. Mas não tem problema porque aplica-se o art. Essa é a posição por exemplo. 366. E para quem é citado por hora certa? O seu processo continua? Será que essa continuidade do processo não violaria a Convenção de Direito Humanos? Para quem for fazer prova para a Defensoria. É óbvio que.. estaria a violar a Convenção Americana de Direitos Humanos. 366. porque eu recebo citação pessoal com a cópia da denúncia. talvez seja uma belíssima tese você responder que a citação de hora certa. por isso. às seguintes garantias mínimas: b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada. 2. só que. muito complicada porque você vai ter que pegar todos os processos suspensos pelo art. Diante desse caráter híbrido do art. para o acusado. Aí vem o grande problema. eu era citado por edital. presumida. Durante o processo. para concurso seja melhor. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. 8º . Ou seja. Então. creio eu que esse argumento não deverá prosperar. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1ª Corrente: “Não é possível a citação por hora certa aos acusados já citados por edital em momento anterior à vigência da lei (22/08/08). tem conhecimento de que o Estado quer exercer contra ele a sua pretensão punitiva. a citação anterior. pode permanecer suspensa por prazo indeterminado. espécie de citação presumida. Não vai haver um grande prejuízo porque processo e prescrição ficarão suspensos. na medida em que você visualiza que não mais vai haver s suspensão da prescrição e isso é benéfico ao réu. 362 deve retroagir no tempo para alcançar os processos suspensos em virtude de citação por edital. Então. Quando se diz que a pessoa não tem ciência prévia da acusação. quem foi citado por edital porque estava em local incerto e quem foi citado por edital porque estava se ocultando. você tem que raciocinar no seguinte sentido: quando eu cito por hora certa. mas ela sabe muito bem que o Estado está procurando por ela. todo mundo que foi citado por edital. como a suspensão. do Andrei Borges de Mendonça. Quem se oculta para não ser citado. de maneira indireta. essa pessoa pode não conhecer o teor da denúncia. Ou seja.” Essa é uma corrente que. como premiá-la. já complica um pouco. eu tenho ciência prévia e pormenorizada da acusação. quando o acusado se ocultou para não ser citado pessoalmente. quem é citado por hora certa o processo segue. é isso que o examinador quer que você aborde. Se eu sou citado por edital. assegura a todos os acusados o direito à comunicação prévia e pormenorizada da acusação. haveria uma norma material porque ela retira a suspensão da prescrição. 72 . do plano pragmático. tecnicamente. passo a passo. Trata-se. Vejam então.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Se você visualiza que agora. você vai dizer que viola a Convenção de Direitos Humanos? Negativo! E negativo por quê? Porque por mais que a citação por hora certa seja conhecida como uma citação ficta. agora não tem como citá-lo por hora certa. de ato perfeito e acabado que não pode ser substituída por nova citação. 362. toda pessoa tem direito. sobretudo por ser benéfica ao acusado. Você vai entender que citação é uma só. E então. Eu acho até bem racional. você deixa de ter para ele a suspensão da prescrição. A citação por edital é compatível com isso? Se eu sou citado pessoalmente. Então. com a citação por hora certa. 8º. deve a norma retroagir. no art. O artigo então aplicado era o art. Você citou à época. Agora. 2ª Corrente: “O art. eu cito quem está se ocultando para não ser citado. deixará de ocorrer a suspensão da prescrição. que essa posição não é de todo irracional. 366 previa a suspensão do processo e da prescrição.” Essa segunda corrente não é de todo absurda. e verificar. quem está se ocultando para não ser citado é alguém que. a norma do art. Será que a citação por hora certa é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos? A Convenção Americana. agora por hora certa. Ela é até bem interessante. Isso porque.

a ação penal lá também ficou como regra a pública condicionada. não vai cair”.6. religião ou procedência nacional. ou se o acusado. a gente tem que entrar no site do Planalto.   Defesa prévia – Estava no antigo procedimento (ocorria depois do interrogatório) podia ser apresentada pelo advogado como também pelo acusado. 140. 7. resposta preliminar e resposta à acusação. vai que domingo você vai fazer uma prova e cai isso. funcionário. juizados). é um estímulo para que a vítima represente deixando nas mãos do Estado a persecução penal do autor do delito. 363. Na verdade. 95 a 112 deste Código. quando necessário. 396-A O que vem a ser isso? Cuidado para não usar a palavra errada.033. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. Defesa preliminar – Prevista em alguns procedimentos (droga. dispositivo aí semelhante ao que já acontece no processo civil. sempre apresentada por advogado antes do recebimento da peça acusatória. citado. 7. para que vocês percebam qual é o conteúdo da resposta à acusação: Art. prevista no art. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. Resposta à acusação não se confunde com a chamada defesa prévia que existia no antigo procedimento e também não se confunde com a defesa ou resposta preliminar. essa é a resposta à acusação. defesa preliminar e resposta à acusação.033 é de 29/09/09 e mudou a espécie de ação penal no crime de injúria racial. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. A Lei 12. qual seria a diferença entre defesa prévia. fiquem atentos ao art. fiquem atentos. Então. do CPP: Art. vamos dar uma olhada no CPP. RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. até mesmo pela Lei dos Crimes Sexuais. fiquem atentos à Lei 12. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. Então. Na resposta. Parece que na magistratura de Minas. procedimentos originários dos tribunais. 73 . oferecer documentos e justificações.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. nos termos dos arts. a Lei dos Crimes Sexuais tinha saído havia pouco tempo e aí aquele aluno “Juninho” diz: “ah. não constituir defensor. – JÁ ESTUDAMOS TODAS ELAS § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal. mas agora é texto de lei também colocado para o processo penal. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Hoje está engraçado porque antes de vir dar aula. quando você ofende alguém em sua honra subjetiva. FORMAÇÃO DO PROCESSO Esse é um aspecto que já foi comentado com vocês (só para cair em prova mesmo). por força dessa lei. o que é uma grande tendência hoje.719-2008) § 1º A exceção será processada em apartado. Antes de colocarmos as diferenças entre defesa prévia. valendo-se de elementos referentes à raça.5. só para facilitar a compreensão. saiu depois do edital. 363. não. Vejamos então.719-2008) Bem tranquilo. Se você olhar. E caiu! Então. (Acrescentado pela L-011. E agora. passou a ser pública condicionada à representação. § 3º. (Alterado pela L-011. etnia. qualificando-as e requerendo sua intimação. aqui. 396-A. Qual era a espécie de ação penal? Era privada. cor.

etc. colhe essa prova antecipadamente e vai apresentá-la nesse momento ao magistrado para que ele forme a sua convicção. Esse benefício do soldado da borracha foi trazido pelo ADCT e pago aos seringueiros que trabalharam na extração da borracha na Região Amazônica durante o período da II Guerra Mundial. Aí vem o seguinte problema que tem acontecido na prática. Então. Você.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Além de apresentar o rol de testemunhas. eu lembro muito daquela prova pré-constituída que você vai produzir em juízo. Imagine que o seu cliente esteja preso em Presidente Prudente. está acabando. você possa ingressar em juízo. vão ter aula sobre benefício previdenciário do soldado da borracha. Um problemaço para o defensor. O que acontece se o meu cliente está preso em Presidente Prudente e eu estou em SP? Isso tem acontecido muito. se a defesa quiser ouvir uma testemunha de álibi é muito comum que o delegado indefira sob o argumento de que o inquérito é inquisitório e que ele vai ouvir as testemunhas que ele quer ouvir. Então. especificar provas. é defensor público em SP. na verdade. vem sempre aquele princípio salvar aquele que não cumpriu com os preceitos da lei. Essa justificação a que se refere o art. por esse motivo. O advogado dativo ou defensor público 74 . aquele procedimento cautelar que vocês estudam com o Gajardoni. caso haja uma outra prova que a defesa pretenda requerer. se a lei diz que este é o momento para apresentar o rol. a) Conteúdo da Resposta à Acusação A resposta à acusação deve conter: 1. Era interessante porque as pessoas faziam essa justificação como prova pré-constituída. apresentar o rol de testemunhas. Veja o problema: imagine que você é advogado em SP. Quando vocês tiverem aula de previdenciário. Na verdade. como defensor e era muito comum a existência de justificações quanto a esse benefício que. o juiz nomeia um dativo) e a gente vai falar agora sobre o conteúdo dela. conversa no telefone. ele deveria colher os elementos que auxiliem na apuração do fato e não somente que digam respeito à acusação. Ouvia-se lá um outro cidadão que havia trabalhado nesse período. defensor. O pessoal da região de Manaus conhece mais. Sempre apresentada por advogado. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  Resposta à Acusação – Foi a prevista no novo procedimento. é obrigatória (se não apresentar. isso é justificação. 3. Raciocina comigo. Qual é a consequência da não apresentação do rol de testemunhas neste momento? Tecnicamente. Só que no processo penal. ele vai providenciar o seu deslocamento e coisa e tal. você. infelizmente. 2. pensem em quantas pessoas ainda estão vivas. no curso do inquérito policial. a gente sabe que o inquérito é produzido para a colheita de informações que auxiliem o órgão acusatório. nada impede que você. se você não fizer. É até interessante mas. Então. Falo isso para vocês porque estive em Manaus durante 1 ano. 4. ele é citado. e sendo bem sincero com vocês. preclusão. o chamado princípio da verdade real pelo juiz. Ele deveria fazê-lo porque. apresenta resposta a acusação: vai juntar documentos. hoje. então. Se você tem advogado constituído. Outro dia vi num doutrinador que essa justificação seria causa excludente da ilicitude. 396-A é. geralmente. imaginando que o advogado tenha se esquecido de apresentar o rol de testemunhas. pelo fato de que geralmente a defesa tem dificuldade de ouvir suas testemunhas no curso do inquérito é que essa justificação se apresenta como um procedimento interessante. posteriormente. faça um apelo ao juiz invocando o princípio da busca da verdade de forma que aquelas testemunhas possam ser ouvidas como se fossem testemunhas do juízo. você vai lá senta com ele. Então. Cuidado com isso. Seria essa a melhor posição? Não. E por que você faz essa justificação? Basicamente para que você tenha uma prova pré-constituída e. Imagine a seguinte situação. Juntada de Documentos Juntada de Justificações Apresentação do Rol de Testemunhas Arguição de Preliminares Cuidado com essa palavra “justificação” no processo penal. E qual é a importância dela no processo penal? Por que ela existe no processo penal? Porque. Está acabando porque é um benefício que só existe para quem trabalhou na época da II Guerra Mundial na Floresta Amazônica. esse é o momento para fazê-lo. com ela. O acusado vai ser citado. na verdade.

Então. teremos um pequeno problema. Ele tomou posse e esqueceu. se vê impossibilitado de apresentar o rol de testemunhas. Qual? Seu primeiro salário como promotor vai-se embora porque agora tem previsão de multa. Então. 265 agora foi atualizado e prevê a aplicação de uma pena de multa Art. já não poderia mais ser punido pela OAB (“demais sanções cabíveis”). Qual é a consequência? Como vimos. se você como advogado resolve abandonar o seu cliente. Advogados dativos e defensores públicos não têm o contato adequado com o cliente. o juiz que tivesse um pouco mais de cautela. citado. ele já fosse indagado quanto às possíveis testemunhas. Outro detalhe importante: e se meu advogado não apresentar? E se ele foi ao cartório. b) Prazo da Resposta à Acusação É de 10 dias. como promotor. durante o tempo em que ele estava estudando. Quer dizer. ou se o acusado. nomeia-se defensor dativo. Você está com o seu prazo (e essa resposta é importante.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. se não foi apresentada resposta à acusação. ficando então sujeito apenas à multa. sem prejuízo das demais sanções cabíveis. 75 . seu prazo começa a fluir a partir de amanhã (se for dia útil). por conta do rol de testemunhas) e você. então. no seu § 2º diz isso: § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal. Esqueçam isso aqui no processo penal. quem trouxe o leitinho dele para casa eram os clientes do tempo de dativo. Qual é a consequência? Agora. cuidado com isso! O art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO não tem condições de se deslocar a Presidente Prudente. 396-A. Esse é um grade problema da lei porque antigamente.DJ de 13/10/2003 . 396-A. o ideal é que na hora que esse acusado fosse citado (porque aí mesmo estando preso ele vai ser citado por oficial de justiça). por não ter contato com o seu cliente. do STF que vai nos dizer exatamente isso: STF Súmula nº 710 . não constituir defensor. O que acontece? O chamado abandono do processo pelo advogado. O art. que esse prazo é contado da efetiva citação. haja um cuidado na hora da citação. quando é que o rol de testemunhas era apresentado pela defesa? Depois do interrogatório. deu uma olhada nos autos. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. no próprio art. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. Era bom porque no próprio interrogatório. Atente para uma novidade trazida pela reforma. já no interrogatório perguntava ao réu se ele tinha alguma testemunha a ser ouvida.No processo penal. § 2º. Essa é uma solução que pode ser visualizada a fim de que o defensor público ou o advogado de defesa dativo possam ter uma noção de quem seriam essas testemunhas. comunicado previamente o juiz. Lembrem-se. Lembrem-se: foi citado hoje. a única possibilidade é que a partir de agora.7192008) É óbvio que você. contam-se os prazos da data da intimação. (Alterado pela L-011. de convênio que a gente tem aqui em SP. Vamos à Súmula 710. e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso. 265. Ele ficou tão feliz com a aprovação que esqueceu que. fez carga do inquérito policial e não apresentou a resposta à acusação. porque pensando buscar uma solução para esse problema. O aluno costuma trazer do processo civil aquela ideia muito fixa de que o prazo só começaria a correr a partir da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória. no processo penal. vai ter que nomear o dativo que terá mais dez dias para apresentar essa resposta à acusação. Qual? Vou contar o caso de um aluno que advogava e passou para promotor. para não errar em prova. sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos.

Depois da resposta à acusação. que fala sobre a competência originária dos tribunais.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. geralmente não está nos manuais. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA Essa absolvição sumária já vem sendo chamada por alguns doutrinadores de julgamento antecipado da lide. Um deles está previsto no CPP só que ele é pouco lido. antes das alterações.7. 516. nós vamos invocar a analogia possibilitando a aplicação do art.719 é que agora a absolvição sumária também passa a existir no procedimento comum. aqui. existe a possibilidade de absolvição sumária. Mas antes. E alguns doutrinadores estão usando essa expressão “julgamento antecipado da lide”. 7. isso era até interessante porque se antes das alterações o juiz já percebesse que seria caso de improcedência do pedido condenatório. que ela seja realizada. Agora. em despacho fundamentado. É pouco lido. no procedimento comum. OITIVA DO MP Este é o próximo passo na análise do procedimento. apesar de essa oitiva não estar prevista. pela resposta do acusado ou do seu defensor. 516 . diante da absolvição sumária. caso ela apresente documentos e o juiz anteveja a possibilidade de absolvição. A absolvição sumária sempre existiu no procedimento do júri. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 7. esse artigo está dentro do procedimento de funcionários públicos. A grande novidade trazida pela lei 11. do CPP” Art. perceba o porquê de a gente colocar aqui a oitiva do MP: o MP ofereceu denúncia. veio a resposta à acusação. em 5 (cinco) dias. torna-se ridículo porque vai ser caso de absolvição sumária. há muito tempo. deve o magistrado aplicar por analogia o art.O juiz rejeitará a queixa ou denúncia. 409 vai dizer. Qual seria o problema se não existisse essa oitiva do MP? Seria possível que o juiz absolvesse sumariamente o acusado pondo fim ao processo. qual seria o exemplo de julgamento antecipado da lide? Havia dois exemplos e o problema é o aluno lembrar desses dois exemplos. o juiz ouvirá o Ministério Público ou o querelante sobre preliminares e documentos. Dá uma olhada no art. 6º. O outro exemplo está na Lei 8. (Alterado pela L011. 516.038/90. o juiz recebeu. vamos ver que. antes de se falar nisso. da inexistência do crime ou da improcedência da ação. Uma vez. É exatamente isso que o art. Essa questão agora. você não vai encontrar de maneira expressa. se convencido. Alguns doutrinadores citavam isso aí (citavam e continua válido) como julgamento antecipado da lide. Porém. Mesmíssima coisa que a gente acabou de ver em relação ao art. “De modo a se observar o princípio do contraditório. O art. desde já faço uma advertência: ela não está prevista de maneira expressa. está dentro do procedimento do Júri. é interessante que. Esse tipo de pergunta. você pode entender que se trata de julgamento antecipado da lide. nada. da referida lei. citado o réu. mas olha o que ele diz: Art. caiu em prova a seguinte questão: “existe julgamento antecipado da lide no processo penal?” lá no júri isso não é bem um julgamento antecipado porque vai ser dar no final da primeira fase. Apresentada a defesa.689-2008) O art. Veja que essa oitiva do MP não será sempre obrigatória porque pode ser que a defesa não tenha apresentado documentos. por ausência de previsão legal. 409. do CPP (1º exemplo). Então. talvez com base em uma prova da qual o MP não tinha ciência. caso a defesa apresente documentos dos quais o MP não tinha prévia ciência. 409. Atente para o seguinte: hoje.8. Agora. 409 não está dentro do procedimento comum. a absolvição sumária. 409. pouco trabalhado. 516. era possível um julgamento antecipado da lide no art. Em relação a essa oitiva do MP. Só que. diz: 76 . a depender do caso concreto. Se você procurar isso no texto da lei. logo em seguida. o ideal é que ele preserve o contraditório.

Existência manifesta de causa excludente da ilicitude. Hipóteses: III.extinta a punibilidade do agente. Após o cumprimento do disposto no art. Essas são as quatro causas. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. II. veio a resposta e o juiz absolveu sumariamente. logo após a apresentação da resposta à acusação para ser chamada de julgamento antecipado da lide. Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO COMUM Momento: Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO DO JÚRI Ao final da primeira fase Art. Em qual momento do procedimento vai se dar a absolvição sumária no procedimento comum e no procedimento do júri? No procedimento comum. II. A diferença temporal de um momento para o outro é gigante. O fato não constituir infração penal. o juiz aceitou. citou. eu proponho o seguinte: façamos um quadro comparativo porque isso vai ser questão certa de prova. e parágrafos. ou a improcedência da acusação. se a decisão não depender de outras provas. Quando estiver extinta a punibilidade do agente. ALÉM DAS PREVISTAS NO PROCEDIMENTO COMUM: I. ela se dá lá no início do processo. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime. Para a gente fazer algo melhor no seu caderno. 6º A seguir. pode colocar aí um ano pra lá. Se o tribunal perceber que já pode julgar improcedente de plano aquela pedido condenatório seria possível o julgamento antecipado da lide. As hipóteses de absolvição sumária estão todas previstas no CPP. Então. É óbvio que julgamento antecipado da lide é só para absolver. logo após a apresentação da resposta à acusação I.719-2008) I . no art. 396-A. você tem a absolvição sumária que só vale para o procedimento comum. deste Início do processo.a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente. entre as causas da absolvição sumária no procedimento comum e as causas de absolvição sumária no procedimento do júri.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 397: Código. mas no procedimento do júri.a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato. Quanto tempo você acha que demora uma primeira fase do júri? Apesar de a lei falar em 120. ela se dá no início do processo. 397. No procedimento do júri a questão é bem diferente porque a absolvição sumária vai se dar ao final da primeira fase do procedimento do júri. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato. praticamente porque eu ofereci a denúncia. a rejeição da denúncia ou da queixa. Quais são as hipóteses de absolvição sumária no procedimento comum? são quatro hipóteses: 77 . Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Alterado pela L-011. III. Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. A doutrina vem entendendo que a absolvição sumária do júri somente pode se dar ao final da primeira fase.que o fato narrado evidentemente não constitui crime. IV. o momento correto para essa absolvição sumária seria ao final da primeira fase. no procedimento comum. Será que é possível essa absolvição sumária do procedimento comum no procedimento do júri? A doutrina tem entendido que não. Todo mundo há de saber que não é possível julgamento antecipado para condenar. IV. ou IV . (Acrescentado pela L-011. o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. salvo inimputabilidade. III .719-2008) II . Cuidado com isso.

Quando estiver extinta a punibilidade do agente . resulta a imposição de medida de segurança. como sanção penal que é. Ou seja. se caracterizada. não. o juiz. uma pergunta boa de prova seria a seguinte: “qual é o grau de certeza que o juiz precisa ter para absolver você com base na legítima defesa? O juiz precisa estar absolutamente convicto de que você matou em legítima defesa ou ele pode ter dúvida?” cuidado com isso. ele deve ser processado. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. todos do Código Penal). Essa é a segunda hipótese de absolvição sumária. mencionando a causa na parte dispositiva. a situação é diferente porque a dúvida quanto a uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. o juiz deve ter um juízo de certeza. Não se sabe. pois. desde que reconheça: VI . 61. Reconhecida a tipicidade e a ilicitude de sua conduta. O melhor exemplo de dúvida. não havia necessidade do inciso IV por um motivo simples. precisa estar convencido de que você praticou o crime em legítima defesa. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude . Lembre-se que esse é um julgamento antecipado. o juiz precisa estar convencido de que o fato não constitui crime. pode ser tanto no plano formal. porque na hora da absolvição sumária. O art. Verificando o juiz que você teria praticado um delito sob o amparado da causa excludente da culpabilidade. a medida de segurança não deixa de ser espécie de sanção penal e. Vejam. pode ele absolver sumariamente. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime . que vai confirmar o que eu acabei de colocar: Art. II. sem dúvida alguma. mais uma vez. o próprio legislador teve o cuidado d e falar em existência “manifesta”. pode o juiz absolver sumariamente. O juiz está privando o MP do próprio desenvolvimento do processo para provar a culpabilidade daquela pessoa. inexigibilidade de conduta diversa. na hora da absolvição sumária. Então. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. A extinção da punibilidade.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. em que destaco o advérbio evidentemente. do CPP nos diz claramente que a III. VI. Lembre-se aqui de que quando se fala em fato não constituir crime estamos diante da atipicidade que.O juiz absolverá o réu.. pelas próprias palavras utilizadas (existência manifesta). mas não precisava. o juiz vai absolvê-lo sumariamente. a dúvida quanto uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. 386 . estado de necessidade. jogando no art. ao final do processo lhe será imposta a medida de segurança. Por isso. Outra coisa bem diferente é no momento da sentença. basta a dúvida. ou seja. Verificando o juiz que está extinta a 78 . Verificando o juiz que a conduta seria atípica tanto no plano formal quanto material. o juiz pode absolver sumariamente. geralmente. Aí. quanto no plano material. pode ser declarada a qualquer momento. que uma coisa é a absolvição sumária (certeza). ele deve ter um juízo de certeza. Vamos dar uma olhada no art. Qual é única causa excludente da culpabilidade que não autoriza a absolvição sumária? O inimputável. etc. qual é? Pancadaria na balada às 6 horas da manhã. coação moral irresistível. punibilidade. absolve todo mundo. que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente. Para que o juiz possa absolver sumariamente. 20. VI. Veja você que pela própria redação do art. 21. é fácil você enxergar que o legislador. Parece que colocaram esse inciso IV aí porque ficou bonito. Essa é a segunda hipótese IV. 23. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO I. só pode ser imposta ao final do processo. Neste ponto. olha que intrigante. 22. 386. desde que reconhecido que sua conduta teria sido típica e ilícita.existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. para absolver. No momento da sentença. 26 e § 1º do art. (Alterado pela L011. do CPC. Por que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente? Porque da inimputabilidade. no que tange a essa última previsão teria sido redundante. 386.690-2008) Então. Na hora da sentença. Queira ou não. 397. de absolvição sumária. em todas as hipóteses. 28. todos sabemos. Estando convicto de que o crime foi praticado em legítima defesa. quem deu início e fica sempre aquela dúvida: quem agiu em legítima defesa? Quem deu início a tudo? Na dúvida.

Parágrafo único . ele vai extinguir a qualquer momento. Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. É óbvio. Porém. seja denunciado como autor desse homicídio (você teria empurrado a pessoa).No caso de requerimento do Ministério Público. Imagine que você. 61 . nesse momento. mesmo que não houvesse a previsão legal do inciso IV. pelo perdão. Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime . proferindo a decisão dentro de 5 (cinco) dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final. fica o questionamento: pode o inimputável ser absolvido sumariamente no procedimento do júri? Cuidado com isso! 79 . é possível. de acordo com o art. num primeiro momento. ouvirá a parte contrária e. se o julgar conveniente. deverá declará-lo de ofício. o caminho também será a absolvição IV.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. enquanto o primeiro diz respeito ao crime em si. pela morte. aqui diz respeito à sua atuação. Fato não constituir infração. Difícil você imaginar um caso de atipicidade material aqui. do querelante ou do réu. o juiz mandará autuá-lo em apartado. Exclusão do crime refere-se às excludentes da ilicitude. Não foi prevista aqui expressamente como causa de absolvição sumária. mas o fato homicídio não ocorreu. Ou seja. Para que a gente possa concluir a absolvição sumária no júri. mas tecnicamente. Absolvição sumária. fazendo isso com base no art.Em qualquer fase do processo. mas é óbvio que. se o juiz ficar convencido de que você não teria atuado como autor ou como partícipe. eu pergunto: apesar disso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO extinção da punibilidade. o grau de convencimento do juiz é muito maior do que no procedimento comum. E quais seriam as causas de absolvição sumária no procedimento do júri? Aqui essas hipóteses serão diferenciadas. vamos imaginar que eu contratei um perito que constatou que aquela vítima só pode ter sido vítima de suicídio. verificando o juiz que está extinta a punibilidade. O juiz convenceu-se da inexistência do fato. sumária. 61. fato “homicídio”. o juiz. já tivemos uma instrução e. 61. se reconhecer extinta a punibilidade. O melhor exemplo são casos de suicídio. todas as anteriores também estão aqui. Fato é que. refere-se o legislador à atipicidade que pode ser formal ou material. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade pela prescrição. Perceba você que III. O fato não constituir infração penal. não só pode como deve ser declarada a qualquer momento. É interessante que o aluno perceba o seguinte: a causa extintiva da punibilidade foi aqui colocada? A extinção da punibilidade é causa de absolvição sumária no procedimento do júri? Não foi colocado no texto da lei que a extinção da punibilidade seria causa de absolvição sumária no júri. II. nessa primeira fase. ela saltou do prédio. Ou seja. O que ele faz? Me absolve sumariamente. Essa seria a última hipótese de absolvição sumária. Quando o legislador fala em causa de isenção de pena. refere-se à excludente de culpabilidade. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade ele pode declará-la? Pode. Já aconteceu um caso desse: a pessoa aparece morta na frente de um edifício e você foi visto no apartamento. É claro que houve uma morte. Por que você vai levar adiante um processo em relação a um crime cuja punibilidade já estaria extinta? Art. Por que a lei fala em “provada”? porque aqui nós estamos ao final da primeira fase. ou seja. Basicamente. Então. Nessa hipótese. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato . Então. concederá o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. ele pode declarar a qualquer momento. mas aqui iremos acrescentar mais algumas: I.

corre-se o risco de amanhã você ser até condenado pelo tribunal do júri. o advogado do inimputável tem que ter muito cuidado e esse é um raciocínio bem complicado porque. IV. ele pode ser absolvido. Então. estamos diante de uma sentença definitiva absolutória proferida por juiz singular. Quando o juiz diz que está prescrito ou houve o perdão. Mas é óbvio que nas outras hipóteses ele pode. quando o juiz julga extinta a punibilidade. O problema. essa decisão tem natureza declaratória. eu viro para o juiz no interrogatório e digo: “juiz. eu sei que sou inimputável e sei que você já está pensando em me absolver sumariamente. Por quê? Quando o juiz declara extinta a punibilidade. o que é melhor? Que eu seja absolvido amanhã no júri com base na inexistência de autoria (os jurados dizendo que eu não matei). ele não está absolvendo você. também. de acordo com a jurisprudência. atendendo ao disposto no art. no entanto. por acaso o fato não constituir crime. sem dúvida alguma.848. a decisão que julga extinta a punibilidade não é uma sentença absolutória. é o teor da Súmula 18. estou dizendo que não matei. mesma coisa. Então. uma crítica feita pela doutrina porque. é essa última hipótese: extinção da punibilidade. uma belíssima questão de prova. Então. Só que na hora da primeira fase do júri. Ele só não pode ser absolvido sumariamente por conta da inimputabilidade no procedimento comum. é melhor ficar ali na primeira fase porque. inimputável. inclusive. mas não fui eu que matei a vítima. Se o inimputável praticou o crime com manifesta causa excludente da ilicitude. na verdade. é óbvio que você vai ter que dar uma olhada no CPP: art. afinal de contas. § único. que dá a resposta à pergunta formulada. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo (QUE É A ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA) ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art.das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular. ou será que é melhor para mim ser absolvido sumariamente com imposição de medida de segurança? É óbvio que o melhor para mim é que eu vá a júri por mais que seja imprevisível.” Posso ser absolvido sumariamente? Não! Por que não? Pense: se eu. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “No procedimento do júri. O fato não constituir crime. cabe ao magistrado fazer isso de maneira fundamentada. o inimputável pode ser absolvido sumariamente com a consequente imposição de medida de segurança. 26 do Decreto-Lei nº 2. 593 . do STJ: 80 .LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. Se. com esse quadro comparativo vocês têm aí. por conta da inimputabilidade. Qual seria o recurso cabível contra a absolvição sumária no procedimento comum? Para responder a essa pergunta. Prova disso. ele está apenas reconhecendo que o Estado não pode impor uma sanção. que trata da absolvição sumária no júri: Parágrafo único.” E por que essa exigência da lei? “Desde que seja sua única tese defensiva?” imagina que eu sou um inimputável. Quando ele absolve por conta de uma excludente da culpabilidade. salvo quando esta for a única tese defensiva. O problema. essa é a tarefa difícil do advogado nesse momento. não só pelas diferenças quanto ao momento. no entanto é o seguinte: quando o juiz absolve por conta de uma excludente da ilicitude. I. Só para ficar claro: o inimputável não pode ser absolvido sumariamente no procedimento comum. como o resultado do júri é imprevisível. mas também pelas pegadinhas. qual seria a natureza jurídica dessa decisão? Aqui temos um sério problema e. advogado. 415. apelação.Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I . O recurso cabível seria a apelação.  Art. 63. ele pode ser absolvido sumariamente. às vezes. inclusive. Vamos olhar o art. tranquilo. 593. através do julgamento antecipado da lide. para ele. Façam aí algumas observações sobre a absolvição sumária no procedimento comum :  A decisão do juiz deve ser fundamentada – ao por fim ao processo de maneira prematura. Na verdade. mas desde que a inimputabilidade seja sua única tese defensiva.

então. devendo o poder público providenciar sua apresentação.A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. Quando a absolvição sumária se der com base na presença de causa extintiva da punibilidade. 399. sempre foi mal colocado na absolvição sumária porque. não mais poderá submetê-lo a qualquer processo. 400. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 18 . bem como aos 81 . Art. o juiz designará dia e hora para a audiência. E aí você tem que ter cuidado na hora da prova. nas hipóteses de absolvição sumária quando o juiz julga extinta a punibilidade? Tem doutrinador que não tem feito essa distinção. 399: Conjugue sempre isso com a videoconferência que a gente viu. 581. se for o caso. 222 (CARTA PRECATÓRIA) deste Código. Se você percebe que o examinador está só copiando a lei e pergunta qual o recurso contra a absolvição sumária. (Alterado pela L-011. Só está reconhecendo que o Estado não poderá submetê-lo ao cumprimento de uma pena. proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido. o recurso correto. extinta a punibilidade. pode ir embora para casa tranquilo porque significa que o Estado. Se você percebe que é uma prova mais bem elaborada e que o examinador é um pouco mais maldoso. Se. nesta ordem. à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. o ideal é você dizer o seguinte: O recurso na absolvição sumária nas hipóteses de extinção de punibilidade seria o RESI. você fala apelação mesmo. ressalvado o disposto no art. por acaso. Aí vem o problema: qual seria. despacho ou sentença: VIII . E o RESI seria o recurso correto com base no art.que decretar a prescrição ou julgar. tendo efeito somente declaratório. ordenando a intimação do acusado. § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. então.11. o recurso. da decisão. seria o RESI e não mais a apelação. em relação àquela imputação. teoricamente. (Acrescentado pela L-011. ele não está absolvendo você. de seu defensor. traduzindo em miúdos.Caberá recurso. essa apresentação não será necessária. Então.7192008) Essa designação está prevista a partir do art.DJ 28. quando o juiz julga extinta a punibilidade. Recebida a denúncia ou queixa. do querelante e do assistente. por outro modo. se está falando que não subsiste qualquer efeito condenatório é porque não se trata de uma sentença propriamente dita. 581 . VIII: Art. do Ministério Público e. acabou o processo. Já comentamos: princípio da identidade física. Caso não seja hipótese de absolvição sumária o processo segue: 7. AUDIÊNCIA UNA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO a) Designação da audiência una Art. não subsistindo qualquer efeito condenatório. Aí vem o problema: a extinção da punibilidade.719-2008) § 1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório. no sentido estrito.9. a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias. A depender do caso. Na audiência de instrução e julgamento.1990 .  A decisão de absolvição sumária faz coisa julgada formal e material – sendo absolvido sumariamente.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. eu fui absolvido sumariamente.

É julgado no juízo comum.719-2008) partes.º da referida lei: em detrimento de concorrência. tome cuidado porque 60 dias é o prazo previsto para o procedimento comum ordinário. Você cumpre isso de 2 a 4 anos e. Aqui.099 (Lei dos Juizados Especiais Criminais).sujeitar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de quantidade arbitrariamente determinada. Cuidado com a Lei 8. Pena máxima de 4 anos. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Então. III . o acusado. (Alterado pela L-011. Diz o art. Qual é o requisito para a suspensão? É o de pena mínima cominada igual ou inferior a 1 ano. podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes. nós não podemos nos esquecer da suspensão condicional do processo. Antes mesmo de analisar a audiência. talvez. 89. mas o engraçado é o seguinte: a depender do caso concreto. Caberia suspensão condicional do processo em relação a esse crime? Vejam: “ou multa”. Essa é a suspensão. coloquem a seguinte observação: Art. informação sobre o custo de produção ou preço de venda. suspensão condicional do processo.subordinar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de outro bem. não poder praticar novos delitos. É uma verdadeira maravilha. Você cumpre condições! Geralmente comparecimento mensal ao juízo. o diretor. ridículo”. Isso vai cair em prova já já. O furto não vai parar no juizado. Às vezes. 82 . O primeiro ponto importante é que a lei diz que essa audiência deve se dar em até 60 dias. ou multa. ou ao uso de determinado serviço. Ess a é uma ótima questão para cair em prova porque aquele aluno “Juninho”. Pena . A suspensão condicional do processo. a maioria dos acusados estão presos. impertinentes ou protelatórias. tem pena de 1 a 4 anos. O segundo ponto a ser analisado é a suspensão condicional do processo. olha a pena mínima de 2 anos e diz: “2 anos.recusar-se. em seguida. por exemplo.detenção. IV . ou multa. ao final desse período. que iremos estudar com mais detalhes na aula de juizados. Eu acho até que chamei a atenção de vocês no intensivo I. mas o juiz sempre faz constar.719-2008) § 1º As provas serão produzidas numa só audiência. Depois da obrigatoriedade de advogado no processo penal. é isso: 60 dias e 30 dias. seja a maior invenção para o acusado porque é uma maravilha a suspensão. sem justa causa. como a pena mínima é de 1 ano e imaginando que não seja um furto qualificado. Mas. Olha a pena desse delito: 2 a 5 anos. você vai ter o seu processo suspenso enquanto você cumpre algumas condições. está cominada de maneira alternativa. no ordinário. se você estiver no procedimento sumário esse prazo desce a 30 dias.137. não poder frequentar casa de tavolagem. às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas. (Acrescentado pela L011. Pergunto: qual procedimento demora mais? O ordinário ou o sumário? Aí você vai dizer: “o ordinário. vamos ver como é que funciona essa audiência una de instrução e julgamento. está prevista no art. Constitui crime da mesma natureza: I . Só que ele se esquece que a multa. Crime de furto. está extinta a punibilidade. transmissão ou difusão de publicidade. o sumário demora mais. Como o próprio nome diz.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Aí. Porém. da Lei 9. § 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das Então. II . 5º. porém. nesse caso. o que o juiz faz? Só faz audiência de réu preso e você que é sumário e está solto. Perceba que não é pena que você cumpre. 5. Essa pergunta é meio ridícula. de acordo com a lei. interrogando-se. Qual o procedimento? Ordinário. ou gerente de empresa a prestar à autoridade competente ou prestá-la de modo inexato. essa. fica aguardando anos para acontecer a audiência. administrador. mas não custa reforçar mais uma vez.exigir exclusividade de propaganda. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO esclarecimentos dos peritos. claro”. que ninguém sabe o que é.

remeterá a questão ao Procurador-Geral. Daí a importância de tentarmos diminuir o procedimento a fim de que a resposta estatal saia o mais rápido possível. Trouxe essa previsão e não trouxe nenhuma exceção. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “Mesmo que a pena mínima cominada seja superior a um ano.  3º Efeito: Identidade Física do Juiz – é última consequência dessa audiência una. quanto mais demorada a resposta estatal. aplicando-se por analogia o art.” Tem decisão do Supremo sobre assunto: se ao final. Só para concluir: e se o promotor se recusar a conceder a suspensão? Imagine. qual é o caminho? Aplicação do art. 399. do CPC que. do CPP. o Juiz. O promotor vai dar suspensão? Não! Diante da recusa do MP. seria uma incongruência não dar para ele a suspensão condicional do processo. É até interessante você olhar para o dia a dia porque você claramente percebe que em casos de maior repercussão. ou seja. Cuidado para não achar que o juiz poderia suprir de ofício. vamos aplicar subsidiariamente o disposto no art.. o princípio da identidade física do juiz agora também faz parte do processo penal. Se por acaso. 28 do Código de Processo Penal.  2º Efeito: Imediatidade – é a segunda ideia que deriva da oralidade. dissentindo. ele pode pegar só uma multa. isso facilita a formação do seu convencimento. pior vai ser a ideia de prevenção. geralmente a resposta dada pelo Judiciário é rápida. Quem atua ou já atuou na área criminal sabe o quanto essa ideia de concentração é importante porque quando você possibilita que o mesmo juiz que teve contato com a prova sentencie. 28. agora também contempla o princípio da identidade física do juiz no processo penal: § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.” Essa é a ideia de imediatidade. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la. Outrora previsto apenas no processo civil. Detalhe interessante é você perceber que o legislador do CPP foi extremamente simples. Quando você lê um depoimento de uma testemunha ou o teor de um interrogatório é muito diferente do ato em si. E aí ficam as perguntas: e se o juiz for aposentado. então.. suspende o processo aqui. 28. Esse contato direto facilita a convicção. foi mais 83 . nosso próximo passo é analisarmos a audiência uma.” Quando vocês estudam Teoria da Pena (com o Rogério) e aquelas ideias de prevenção e prevenção geral pra lá e pra cá. você vai para a audiência com a camisa do Corinthians e o promotor é palmeirense. é a súmula 696 do Supremo: STF Súmula nº 696 – DJ de 13/10/2003 – Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo. “Imediatidade consiste em obrigar o juiz a ficar em contato direto com as partes e com as provas. consagra o princípio da oralidade no processo penal. os processos se arrastam anos e anos. E esse princípio da oralidade vai trazer três efeitos imediatos. mas na grande maioria dos casos. O art. Prova disso. Mas vamos imaginar que não seja caso de suspensão. não adianta nada você pensar em teoria da pena se você não trabalha com uma ideia de concentração. (Intervalo) . era caso de suspensão. O caminho é aplicar o art. 132. será cabível a suspensão condicional do processo quando a pena de multa estiver cominada de maneira alternativa. do CPP. promovido? Diante do silêncio da lei. § 2º. São três os efeitos da adoção do princípio da oralidade na audiência uma:  1º Efeito: Concentração – “Redução do procedimento visando à proximidade entre o julgamento e a data do fato delituoso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.

é cabível a expedição de carta precatória? Conversando com Gajardoni. por opção do ofendido. Quando se fala em princípio da identidade física. o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração. É possível a condução coercitiva do ofendido? Perfeitamente possível. o juiz que proferir a sentença. Bonito para Inglês ver. promovido ou aposentado. ele pode ser conduzido coercitivamente. Art. b) Oitiva do Ofendido Essa audiência una de instrução e julgamento. afastado por qualquer motivo. a expedição d carta rogatória demanda a comprovação de sua imprescindibilidade. Você pode conduzi-lo coercitivamente. num grupo de discussão entre os juízes em SP. poderá mandar repetir as provas já produzidas. Na prática. poderá ser conduzido coercitivamente. as provas que possa indicar. Caso ele não compareça à audiência. Será que diante da adoção desse princípio. dizem o seguinte: Art. salvo se estiver convocado. Sempre que possível.O juiz. admitindo-se. que concluir a audiência julgará a lide. (Alterado pela L-008. a audiência. você não pode pretender que haja um contato físico. como vimos. em outro Estado e é lógico que você vai ter que lançar mão da carta precatória. (Alterado pela L-011. sob pena de cercear o direito à prova. titular ou substituto. pois. imediato. começará com a oitiva do ofendido. Não basta você dizer que quer ouvir uma testemunha no Afeganistão. obrigá-lo a se sujeitar a exame pericial. que depende da aquiescência da vítima.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Você tem que dizer qual é o seu objetivo com isso. Os §§ 3º e 4º. 84 . se entender necessário.Em qualquer hipótese. tomando-se por termo as suas declarações. O que você não pode é. § 4º Antes do início da audiência e durante a sua realização. licenciado. vocês vão aplicar esse art. será reservado espaço separado para o ofendido. Começamos. 201. 132 subsidiariamente ao processo penal. Outro detalhe importante: deverá ser reservado um local separado para o ofendido na antessala para que fique separado do acusado. Atentem para isso é a previsão da lei.6371993) Parágrafo único . 132 . Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO categórico. 400. Nos demais casos. regulamentou melhor esse princípio. 201. do CPP. É claro que há testemunhas que moram em outra comarca. com a oitiva do ofendido. A lei foi alterada e a jurisprudência tem caminhado nesse sentido. de maneira coercitiva. quem seja ou presuma ser o seu autor. o uso de meio eletrônico. casos em que passará os autos ao seu sucessor. Lembrem-se que em relação à carta rogatória ( expedida para ouvir testemunha em outro país) havia muito problema porque as partes pediam a expedição de carta rogatória nitidamente para gerar procrastinação. que o princípio da identidade física não inviabiliza a expedição de carta precatória. do art. prevista no art. ele disse que quando entraram em vigor essas alterações. Entenda. Hoje. ele é tão relativizado no processo civil que se questiona até que ponto ele seria eficaz. Hoje. será que diante do princípio da identidade física continua sendo possível a expedição de carta precatória? É óbvio que sim. fica todo mundo sentado junto aguardando a vez de ser chamado. (Acrescentado pela L-008. então.637-1993) Então.690-2008) § 3º As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele indicado.

eventual inversão da ordem caracteriza nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla Para prova de concurso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Essa é uma doutrina bem tradicional. eu faço as perguntas primeiro. Nesse primeiro julgado sobre o assunto (de junho de 2009). E isso é ridículo! A pior coisa é perguntar para o juiz porque quebra qualquer sequência que você possa fazer de perguntas. Qual? Compareceram apenas 3 testemunhas de acusação (das 8) e já estão presentes as 8 testemunhas da defesa. já que pouparia muito esforço. ainda sobre a oitiva de testemunhas: a audiência. no dia a adia vai acontecer muito.” O juiz que teve esse cuidado já está se precavendo contra posterior alegaç ão de nulidade. já que haverá anulação da sentença e tudo o mais. Vejamos o teor do art. 212. Sobre isso. do CPP: Art. Qual seria a consequência? Nulidade? Mera irregularidade? Olha só: a lei entrou em vigor no ano passado (09/08/09). são 5 testemunhas. ouvir as testemunhas de defesa. responderam que não havia qualquer objeção. Problema que vai cansar de acontecer no dia a dia. E o juiz que não foi esperto?então. O que o tribunal mandou fazer? Anulou tudo. também nesse momento. não tem jeito. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO c) Oitiva de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa Já foi dito mais de uma vez que esse número seria de 8 no procedimento ordinário e no procedimento sumário. E a gente sabe. do STJ. mais nervosa. na hora de começar ele vira para as partes e pergunta se viram as alterações e pergunta se eles se importam de tocar a audiência do mesmo jeito que já se faz há setenta anos. Seria possível o juiz ouvir primeiro as 8 testemunhas de defesa e deixar pra ouvir depois as cinco que estão faltando? Esse é um ponto que está provocando muita discussão. Outro ponto importante. como já disse. É uma situação que. 212. Queria ou não. não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. E ninguém pode alegar nulidade quando lhe tenha dado causa. Sem contar que quebra qualquer sequência. E já temos um julgado pioneiro sobre o assunto. o STJ anulou um processo. na hora da audiência. A audiência ocorreu no dia 14/08 e o juiz não observou o art. você pega uma doutrina tradicional e só vai ouvir isso. numa situação mais complicada. o que vale a pena comentar? A gente pode começar destacando o sistema do Sistema do Cross Examination. E nessa audiência temos que ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. o juiz. As partes formulam as perguntas e o juiz poderá complementar a inquirição. já com essas alterações. aqui quem manda sou eu. 85 .690-2008) Quem é que gosta do cross examination e quem é que não gosta? Juiz não gosta porque não gosta de abrir mão que ele tem de formular as perguntas e de as perguntas passarem pelo juiz. Você vai ter que ouvir as três. cuidado com isso: a violação a esse sistema do cross examination vai caracterizar uma nulidade absoluta por violação ao princípio do devido processo legal. Só veio uma testemunha de acusação e as oito de defesa estão lá! O juiz fica muito tentado a ouvi-las. Anote o seguinte: defesa. na ata de audiência: indagada às partes quanto à possibilidade de o juiz formular as perguntas. é uma audiência una. Se só estão presentes 3 testemunhas de acusação.”).” “Para a doutrina. vale a pena conferir o teor do HC 121 216. marcar uma nova data para ouvir as cinco restantes e. a depender do caso concreto. 312. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha. As perguntas são formuladas primeiro pelas partes diretamente ás testemunhas e o juiz irá complementar a inquirição. Se você é um juiz esperto e não quer ter problemas amanhã. porque antigamente era só no júri o sistema do cross examination. (Alterado pela L-011. você vai conduzindo as perguntas de forma a buscar aquela resposta que você está querendo e induzir a testemunha a alguma contradição. O que acontece se o juiz não observar esse sistema e ele mesmo formular as perguntas (“não to nem aí que foi alterado. E aí imagine você a vantagem do réu no que tange à prescrição. O Código de Processo Penal passou a adotar. somente depois. como é comum que uma testemunha deixe de comparecer em juízo. que é a inversão da ordem de oitiva das testemunhas. Só para que vocês tenham ideia? A lei entrou em vigor no dia 09/08. não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta.

mas você já vai poder realizar a sua audiência com a oitiva das suas testemunhas. Tem juiz hoje. numa hipótese em que a minha testemunha chave de defesa resida em outro lugar.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. carta precatória. você não pode inverter porque obviamente. que já está marcando audiência para setembro de 2010. 222: Art. devendo ser comprovado o prejuízo. é óbvio que a oitiva dela é imprescindível para a defesa. sendo que eu tenho testemunhas que dizem que eu estava na festa. a precatória. Coloquem a segunda observação: “Alguns doutrinadores sustenta (não são todos) que esse parágrafo segundo viola o direito à prova. o juiz deprecante não está ligado na data e vai realizar a audiência dele e ouve as testemunhas.A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência. aí a precatória pode alterar a ordem. Convenhamos. juiz. Isso é o que é mais interessante. Neste caso. se tiver uma testemunha de acusação com as oito de defesa presentes. será junta aos autos. Aí vem o problema: 1º . poderá realizar-se o julgamento. mas. você resolve ouvir. etc. A gente sabe que o deprecado comunica a data da audiência. O que acontece? O que você faz diante disso. provavelmente o advogado vai se opor. *Carta Precatória Aqui você vai tomar um certo cuidado porque quando houver a necessidade de precatória. Nesse caso. Ele diz que são testemunhas beatificatórias. em setembro de 2009. você ouve a testemunha de acusação e aí na hora de ouvir as de defesa. o que o § 2º diz que eu. Fica lá de braço cruzado esperando. como juiz. § 2º . que nada sabem sobre o fato delituoso. a minha prova testemunhal vai ter que ser produzida depois da prova de acusação. Pelo fato de a precatória não ser ouvida no prazo legal porque o juiz não tem pauta para marcar audiência. Se terminou o prazo que eu marquei para a precatória e a precatória não foi devolvida com a oitiva da testemunha. 86 . ouve as testemunhas que moram na comarca e vai ficar aguardando a devolução da precatória no prazo razoável que ele marcou. é óbvio que. Então. para esse fim.Findo o prazo marcado. uma vez devolvida. para dizer que o réu é gente-fina. Mas para concurso. faz o quê? Chama o advogado no canto e pergunta o que as testemunhas vão falar.” Se você parar para pensar num caso. ele realiza a audiência dele. Se o meu álibi é que eu estava numa festa e você tem testemunhas de acusação que dizem que eu estava no local do crime. com prazo razoável. E aí? Pode ou não pode fazer o julgamento? Olha o parágrafo segundo: a todo tempo. E se o prazo não for cumprido? Isso acontece! É muito comum! Você manda a precatória e concluiu a sua instrução. No juízo deprecado esse prazo não é cumprido. eventual inversão da ordem é causa de nulidade relativa. O que eu quero que vocês entendam? O juízo deprecante vai seguir adiante com a instrução. expedindo-se. 222 . intimadas as partes. Mesmo assim. posso julgar. como as testemunhas de defesa são meramente abonatórias. a inversão da ordem. Neste dado exemplo. nesse caso.A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal. O juiz deprecante geralmente fixa um prazo de 3 a 6 meses. Por isso que alguns doutrinadores entendem que esse parágrafo 2º viola o direito à prova. não trouxe prejuízo. Vamos dar uma olhada no art.” Você. a jurisprudência diria que não há nulidade. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO E a jurisprudência? Como encara o assunto? Ela diz que “Para a jurisprudência. o que vai acontecer? Eu vou ser julgado sem que minha prova testemunhal seja colhida e é óbvio que disso vai resultar um enorme prejuízo.

perito oficial. então. a desistência de testemunhas arroladas depende da concordância da parte contrária. a defesa poderá arrolá-las. I: § 5º Durante o curso do processo judicial.requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos. deve haver requerimento com dez dias de antecedência. tem que ser antes. Eu não estou dizendo que você vai orientar a testemunha. § 5º. § 3º Na hipótese prevista no caput deste artigo. solicitar os esclarecimentos do perito. é o momento para que você requeira os esclarecimentos do perito. quanto à perícia: I . desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas 87 . Pergunto: por quê? Exatamente pela possibilidade de desistência. 159. durante a realização da audiência de instrução e julgamento. “No plenário do júri. concomitantemente. a defesa arrolar as mesmas testemunhas que a acusação. ele irá terminar. vai terminar. não seria nem aqui na audiência. durante a própria audiência. E se você quiser ouvir o perito. se você quiser o perito. a oitiva de testemunha poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. Algumas observações importantes quanto a esse esclarecimento do perito. convincente. Geralmente. inclusive durante a própria audiência no que se refere às testemunhas que serão ouvidas. o juiz pode julgar. desiste das testemunhas sob o argumento de que a prova testemunhal já é robusta. você vai defender que o juiz precisa aguardar o retorno da precatória para somente aí realizar o julgamento. você pode até deixar de oferecer a peça acusatória e pedir. Você conversa com a testemunha para saber o grau de conhecimento que ela tem para não dar um tiro no pé e prejudicar o seu cliente. diante da oitiva de duas ou três. Começou. a senhora arrolaria como defensora pública as mesmas testemunhas que o MP arrolou?” A pergunta pode parecer boba. em se tratando de perito oficial porque agora. inclusive. E ai vai uma dica (entendam bem a dica!): procure sempre saber o que a testemunha sabe. ainda mais quando o advogado de defesa mantém esse contato muito imediato com o acusado. às vezes já está de bom tamanho e você. Agora. d) Esclarecimentos do Perito Eu coloquei “perito” no singular. Ou você pode oferecer a peça acusatória e. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO é aquele negócio: tem que ter maldade e saber qual a prova que você está fazendo. os esclarecimentos do perito se dão por escrito. Isso que eu acabei de falar é razoavelmente comum. Ele nem aparece na audiência. Se quiser desistir. Em se tratando de peritos não oficiais. permitida a presença do defensor e podendo ser realizada. mas não é porque envolve exatamente este ponto. Mesma coisa para magistratura. E a defesa? Na hora da resposta à acusação. esse número será de dois. Caso isso ocorra. A depender do caso concreto. é permitido às partes. na hora do oferecimento da peça acusatória. uma vez instalada a sessão de julgamento.900-2009) *Desistência da oitiva de testemunhas Pergunta de prova oral da Defensoria: “doutora. basta um. Portanto. É óbvio que se o depoimento já teve início. como promotor. teoricamente. do juiz presidente e dos jurados. mas. desistência da oitiva é possível a qualquer momento. E qual é o momento para você pedir esses esclarecimentos para o perito? A acusação. Se você está fazendo prova para MP. pode? Sim. Art. É comum que o MP arrole cinco. abrace o parágrafo 2º e vai dizer: terminou o prazo. Se for para defensoria. (Acrescentado pela L-011. razão pela qual o MP desiste da oitiva. seis testemunhas. primeiro os esclarecimentos.” No júri você tem que ficar atento a isso. A parte pode desistir da testemunha a qualquer momento.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.

a depender da prova que já foi colhida. se após a entrada em vigor da Lei 11. Novo interrogatório precisa ser feito? Há muitos doutrinadores dizendo que sim. O que acontece se quando entrou em vigor a lei no ano passado o meu interrogatório já tinha sido realizado. podendo apresentar as respostas em laudo complementar. mas é o ato mais inútil de todos. só que a minha instrução não estava encerrada. mas a instrução criminal não tinha sido realizada? Até o ano passado. já que é uma norma que veio favorecer o status libertatis do agente. Agora. a pessoa limita-se a reiterar o que disse antes. basicamente. naquele momento. Eu já disse a vocês que ele não é só meio de prova. Antigamente. ele marca o final. até para conseguir uma atenuante ou coisa assim ou. o interrogatório era o início da instrução. Vejam que antes. É óbvio que essa antecedência é importante até para que o perito possa esclarecer os fatos de maneira satisfatória. é importante que o aluno entenda que. na redação original do CPP (art. 229. que ele vai materializar o seu direito de audiência. Porém. novo interrogatório deve ser realizado por se tratar de norma processual material. Hoje. Agora. Então. de acordo com o revogado art. O juiz marca oitiva de testemunhas para o dia 10/10/08. a depender da dúvida do juiz em relação à prova testemunhal. o seu silencio.719 ainda não tivesse ocorrido o encerramento da instrução. com o interrogatório do acusado ao final. seu silencio é melhor porque. o interrogatório era o primeiro ato. ” Isso é cada vez mais difícil porque a lei já está em vigor há um ano. geralmente. A gente bem sabe que. era complicado você ficar calado no primeiro ato. Só serve para CPI. como o interrogatório era o primeiro ato. mas também é um meio de defesa. f) g) Reconhecimento de Pessoas e Coisas Interrogatório do Acusado O último ato da instrução. aí entra em vigor a nova lei que altera isso. essa fase de diligencias era feita por escrito. no final. Estamos falando da audiência una! h) Pedido de diligências Quanto a esse ponto. você vai ter que olhar o CPP. testemunha e acusado. Na antiga lei. aí você consegue visualizar o que é melhor: ficar calado. contar a verdade. imagine que eu fui interrogado no dia 10/06/08. Observação importante: “em relação aos processos cuja instrução criminal já estivesse concluída em 22/08/08 não será necessária a realização de novo interrogatório. 499) a fase de 88 . você contar uma versão diferente do fato delituoso. Já estudamos o interrogatório no Intensivo I. 499.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. possibilitando que ele possa ser ouvido ao final. no art. Por quê? Acarear é confrontar os depoimentos: testemunha e vítima. testemunhas. o direito ao silêncio atinge o seu ápice porque é hoje que você vai saber se você fica calado ou não. a exemplo de Antonio Magalhães Gomes Filho. pelo menos em relação à prova oral. Não muda nada. Aí eles gostam de fazer. e) Acareação Em relação à acareação. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias. diz respeito ao interrogatório do acusado.

222-A (ou seja. ele lavrou a certidão de toda conversa que tinha tido com ela. 500. na resposta à acusação. se o juiz verificar que você não tem interesse na carta rogatória. antes das alterações. do CP> 89 . é absurdo você imaginar que agora oficial de justiça vai ouvir. Eu dei o dinheiro à pessoa. art. o juiz pode indeferir no caso de provas irrelevantes. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO diligencias era feita por escrito. Art. Eu falei sobre isso no Intensivo I. ao final da audiência. ao invés de ouvi-la. o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. mesmo porque.” Esse. O indeferimento pode se dar:  Provas irrelevantes – “Apesar de tratar do objeto da causa. O juiz diz que se for testemunha abonatória. Ele não tem esse poder premonitório. essas alegações eram apresentadas por escrito. no oferecimento e defesa. Na nova lei. o que você pede na hora dessas diligencias? Na prática. Não vai poder julgar ali. impertinentes ou protelatórias.   Provas impertinentes – “Não dizem respeito à questão objeto de discussão no processo.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. o momento correto é na primeira oportunidade que você teve: MP. Produzidas as provas. confirmando a ideia de prova protelatória: Art. Essa fase de diligencias. do CPP. na verdade. pede-se qualquer coisa. Só que você tem que tomar cuidado porque os documentos.719-2008) Pergunto: juiz pode indeferir pedido de diligencias? A audiência é una. comparando com a redação antiga. advogado. diz respeito a alguma diligencia cuja necessidade tenha surgido ao longo da instrução. Outro dia o juiz quis ouvir a testemunha por meio do oficial de justiça porque quando é uma testemunha abonatória dá até para digerir. (Alterado pela L-011. 402. se presta para quê? “Ela. que você queria pedir. Uma coisa é quando eu. na verdade. Absurdo isso. Não é dado ao juiz valer-se de poderes premonitórios para firmar a irrelevância da prova. não há porque expedir a carta rogatória). Agora. ” Tamanha é a pressa do juiz em julgar. Outra coisa diferente é quando o juiz fica imaginando e tirando conclusões. teoricamente. que tem juiz que agora pede para substituírem a prova testemunhal por declarações. arcando a parte requerente com os custos de envio. a seguir. sim. As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade.900-2009) i) Alegações Orais Aqui. o querelante e o assistente e. 402.” O melhor exemplo. as aprovas. diante da prova testemunhal. Aí eu pergunto. (Acrescentado pela L-011. Num caso desse. a regra é que sejam alegações orais. você vai ter que cortar a audiência. com as alterações trazidas pela Lei 11. Isso foi dito ao juiz. Então. pede uma declaração. mas nesse caso. importante que você perceba. dizerem que houve cerceamento de defesa. Exemplo: vamos imaginar um crime em que a vítima diga: eu paguei. Essa fase (pedido de diligências) agora está prevista no art. Isso tem acontecido muito. amanhã. você tem direito ao confronto. não possui aptidão de influenciar o julgamento da causa. Você tem direito de confrontar essa testemunha. O juiz tem que ter muita cautela nesse momento porque ele tem medo de indeferir e. você vai pedir que o juiz oficie o banco para verificar se houve esse pagamento. O artigo que fala sobre isso é o 403. algum documento. Ela é só para dizer que o meu cliente é trabalhador”. esse pedido de diligências será formulado na própria audiência. digo ao juiz: “essa testemunha não sabe nada sobre o fato. Mas em três casos. no revogado art. o Ministério Público.” Provas protelatórias – “Visam exclusivamente ao retardamento do processo. Não é pedir qualquer coisa! Mas algo que se tornou necessário no curso do processo. 222-A. Se tem pedido de diligências.719. é o verdadeiro objetivo desse pedido de diligencia.

a situação é complicada. sob pena de nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa . Qual a consequência? A gente já comentou na aula de hoje: a depender do caso concreto. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Qual é o prazo das alegações orais?    Regra geral: prazo de 20 minutos para o MP e para a defesa. Não sendo possível sua realização de maneira imediata. sentença. vamos ser bem sinceros. 403. Quando houver o deferimento de pedido de diligências. a exceção.719-2008) § 1º Havendo mais de um acusado. Pergunto: esses memoriais. O ideal. Para a defesa. A depender do exemplo. Só para concluir. no dia-a-dia é a regra. E. que é inconstitucional. § 3º O juiz poderá. Só que. de alegações orais. e o juiz (“vai que o réu confesso”) já vai sentenciando. Mais de um acusado: tempo individual. Eu disse que diante da Lei 11. qual é a consequência? O juiz deu às partes o direito de apresentar memoriais. a gente pode falar em abandono do processo. pegar a materialidade e pedir a condenação). julgar o acusado sem alegações orais é lógico que o juiz não vai fazer um negócio desses. tem mais 10. Pluralidade de acusados – diversos acusados. prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. respectivamente. também. nesse caso. o juiz vai acabar tendo que dar o direito de apresentar memoriais. fiquem atentos à exceção. pela acusação e pela defesa. Sempre uma boa peça para cair em prova de defensoria pública. considerada a complexidade do caso ou o número de acusados. só que o advogado não apresentou. Quando você pode apresentar memoriais: 1. Até mesmo para o MP pode ser uma boa peça para cair. o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. após a manifestação desse. o abandono do processo pode sujeitar o advogado a sanções disciplinares. cada um com advogados distintos. serão 90 . bem como imposição de multa de 10 a 100 salários mínimos. Diante da complexidade da causa e/ou 3. Pergunto: não apresentação de memoriais. basta olhar o caso. prorrogáveis por mais 10 (dez). Não havendo requerimento de diligências. Apresentar oralmente as alegações (30 minutos para cada um) vai gerar um certo problema. são alegações escritas. (Acrescentado pela L-011. Nem me diga que não deve ter. serão concedidos 10 (dez) minutos.719 a regra: alegações orais. têm qual prazo? De acordo com a própria lei. 2. o prazo será de 5 dias. Cada advogado poderá ter até 30 minutos para alegações orais. então. “Não é dado ao juiz proferir sentença em a apresentação de alegações orais ou de memoriais por parte da defesa.” Art. que viola a isonomia porque uma coisa é o MP apresentar alegações que é brincadeira de criança (pegando um caso comum. prorrogáveis por mais 10 minutos. ou sendo indeferido. A depender do caso concreto. o advogado de defesa. Assistente da acusação (leia-se o advogado do assistente da acusação): tem direito a 10 minutos e. Em relação aos memoriais pode até acontecer porque às vezes o advogado não apresentou . Nesse caso. Nesse caso. você não sabe o que pedir. apresentados por escrito. a seguir. Mas essa não é a preocupação principal. lembrando sempre que defensores públicos e advogados dativos têm esse prazo em dobro. A preocupação principal é: pode o juiz levar o processo adiante sem memoriais? E aí quando eu falo em memoriais estou falando. terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença. oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos. proferindo o juiz. conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. é que o juiz conceda às partes o prazo para apresentar memoriais por escrito. Usa-se a expressão da lei “memoriais” que. (Alterado pela L-011. na verdade. Pode o juiz levar adiante esse processo sem memoriais e sem alegações orais? Pode o juiz sentenciar sem alegações orais ou sem memorais? Lógico que não! Convenhamos. sem dúvida alguma existe razão mais do que justificada para que esse prazo seja pedido em dobro.719-2008) § 2º Ao assistente do Ministério Público.

sob pena de. ainda bota uma citação bíblica. manda entrar com apelação e suscitar como preliminar que o acusado teria ficado indefeso. O juiz sentenciou e condenou. 28. o juiz vai intimar o acusado. E aí bota os três pontos de exclamação e. caso ele seja confesso.” Se isso acontecer. portanto. SENTENÇA 91 . deve o juiz aplicar o art. atenuante genérica). O que o juiz faz se o advogado constituído não apresentou alegações.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. como juiz. isso vai acabar gerando a extinção da punibilidade. O que fazer? Cuidado com isso! Imagine que na comarca haja defensoria pública. O que o advogado faz? Chama um colega de escritório. pelo princípio da indisponibilidade o MP não pode desistir da ação E a não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante? “A não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante. “deve ser feita a mais bela. Essas alegações são importantíssimas para a defesa porque é nessa peça que o advogado vai fazer uma análise detalhada da prova colhida. tem que tomar cuidado. 8.DJ de 12/12/1969 . Geralmente traz expressões abertas: “o acusado é inocente”. O que o juiz faz. alguma excludente. “o acusado não teve sua culpabilidade provada”. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO É óbvio que o MP também tem que apresentar. Súmula 523: STF Súmula nº 523 . é causa de perempção. vai tentar invocar alguma tese jurídica (princípio da insignificância. se bobear. lídima e serena justiça”. a que me refiro são memoriais que servem para qualquer crime: desde um processo criminal de crime ambiental. Detalhe: e os “Memoriais Tabajara”? Os Memoriais Tabajara. Somente ante a inércia do acusado é que você pode nomear advogado dativo ou defensor público. O que o tribunal fez? Entendeu que aquelas alegações tabajara teriam deixado o réu indefeso e anula o processo a partir da apresentação dos memoriais. Como isso não é possível. o que você faz? LFG conta um caso interessante (de má-fé) em que um advogado apresentou alegações tabajaras. O que você faz diante de Memoriais Tabajara? Imagine você. deve o juiz intimar o acusado para que constitua novo advogado. Cuidado com isso! Você pode entender que a não apresentação de memoriais estaria deixando o réu indefeso e. levando-se em conta que existe defensoria pública na comarca? É o erro que todo mundo comete: “manda pra defensoria pública e ela que se vire. a falta da defesa constitui nulidade absoluta. Aí surge um ponto: Alegações Tabajara ou não apresentações de memoriais pelo advogado constituído. ou seja. Mas aí.” Errou! “Ante Alegações Tabajara ou não apresentação de memoriais. do CPP. caracterizaria uma nulidade absoluta.” A defesa não apresentou memoriais ou apresentou Memoriais Tabajara. Já vimos no Intensivo I que. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Volta e aí apresenta as alegações normalmente. ser-lhe nomeada a defensoria pública. até contra o Sistema Financeiro Nacional. Então. E a não apresentação de memoriais pelo MP? São poucos os doutrinadores que abordam isso. não vai haver pedido de condenação e nós já vimos no Intensivo I que a não formulação do pedido de condenação pelo advogado do querelante é causa de perempção com a consequente extinção da punibilidade. por exemplo. mas no caso da acusação dá para entender que caracteriza mera nulidade. vai demonstrar que seu cliente é inocente ou.” penal. o que acontece? Prescrição! Então. mas o ideal seria você dizer o seguinte: “Não apresentação de memoriais pelo MP seria uma tentativa de desistência da ação penal. se o advogado do querelante não apresentou memorial.No processo penal. diminuição de pena. não o fazendo.

PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO ENTRE ACUSAÇÃO E SENTENÇA É um princípio extremamente importante que somente é trabalhado no processo penal. você tem aí uma ideia básica e importante sobre esse princípio que deve ser compreendido dessa forma. com algumas alterações. talvez o melhor seja começar com um exemplo. não tinha como oferecer resistência.719. tanto a emendatio quanto a mutatio. Pergunto: tem crime nesse tipo de conduta? Seria um crime de estupro (art. não podendo dele se afastar. o Rogério deu o consentimento dele. O que é importante são os fatos porque é partir deles que o acusado e seu advogado vão desenhar sua estratégia defensiva e aí.” O outro aluno pode dizer: “para mim foi estupro. CP)? Ou seria violação sexual mediante fraude (art. não é trabalhar com a sentença em si.015-2009) Para mim. Imaginem o seguinte: o Rogério vai até o proctologista. 215)? Ou não é crime? O aluno poderia pensar: “para mim. Relacionados a esse assunto. estão a emendatio libelli e a mutatio libelli. mas trabalhar com a sentença no procedimento e. o fato teria sido essa violação sexual mediante fraude.” E poderia também o aluno pensar que o crime teria sido violação sexual mediante fraude. sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Há uma obra específica sobre o assunto (princípio da correlação entre acusação e sentença) do professor Gustavo Henrique Badaró. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém. na denúncia. RT. O Rogério estava lá anestesiado. mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Alterado pela L-012. pede ao Rogério para fazer movimentos circulares e.015-2009) Art.1. O médico fingiu que estava fazendo o exame no pobre coitado. E por quê? A violação sexual (antigamente era posse sexual) diz o seguinte: Violação Sexual Mediante Fraude (Alterado pela L-012. quando caem em prova. se eivado de eventual erro cometido pelo estagiário. mas aqui ele ganha muita importância. a sentença deve guardar plena consonância com o fato descrito na peça acusatória. A Lei 11. o acusado defende-se dos fatos que lhe são imputados. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O meu objetivo na aula de hoje. amanhã ser condenado por peculato-furto porque essa condenação por um fato que não constou da peça acusatória seria uma surpresa indevida e essas surpresas são causas de violação ao contraditório e à ampla defesa. não posso. mas vocês vão perceber que são bem tranqüilos. 213. 215. Vocês não vêem muito isso no processo civil. dois institutos bem interessantes que.” Então. o acusado não se defende da classificação formulada. porém. as alterações trazidas pela Lei 11. a) Emendatio Libelli Para entender esse ponto. mas não é um requisito que. No processo penal. E o juiz precisa atuar em consonância com o fato descrito na peça acusatória. Porém. de acordo com os fatos narrados é que a defesa é arquitetada. 8.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. ao invés de fazer o exame. 92 . manda ver. leve à rejeição da peça. sobretudo. Imaginem isso colocado no papel. essa seria a conduta.719 manteve. Vocês devem entender que esse princípio parte da seguinte premissa: “No processo penal. costumam confundir um pouco o aluno. Na hora de narrar o fato delituoso. No Intensivo I falamos que a classificação formulada na peça acusatória é importante. na hora de formular a classificação. enfim. O médico. Por esse motivo. mas não se tratava de um exame. Se eu fui denunciado por peculato-apropriação.

383. Portanto. Vejam que se o exemplo fosse inverso. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. teria sido narrado e imputado ao acusado.” O juiz. se foi descrita a violação sexual mediante fraude. no § 1º. só para concluir o raciocínio. 215. Então. ou seja. Veja que mesmo num momento avançado do processo. Chegamos ao final. ainda que. a suspensão condicional do processo? Cuidado com a sua resposta porque você pode pensar: “se já estamos no momento da sentença. Tranquila a situação.05. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. O magistrado pode fazer isso porque o que importa é a descrição do fato contido na peça acusatória. cuja pena mínima é 1 ano. reconheça o juiz que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. súmula 337: STJ Súmula nº 337 -DJ 16. em conseqüência. também não haveria problema algum.É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva. (Alterado pela L-011. do art. Você não pode privar o acusado desse benefício por conta desse equívoco. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. Quando surgiu a Lei dos Juizados. tenha de aplicar pena mais grave. O juiz poderia condenar pelo delito de estupro que. a emendatio é bem mais simples que. não o art. acabou sendo colocada no código. nada mais é do que corrigir o equívoco na classificação. na verdade. pode conceder a suspensão. Aí. deve observar o procedimento do art. cuidado: o juiz pode conceder a suspensão de ofício ou ele depende da proposta? Cuidado com isso. (Acrescentado pela L-011. Existe súmula sobre isso: STJ. 383. em conseqüência de definição jurídica diversa. ainda que em consequência tenha que aplicar pena mais grave. 215. 215 e sim o art. afinal de contas. se o juiz reconhecer que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. nada mais é do que uma correção da classificação equivocada feita pelo MP. sem modificar a descrição do fato contida na peça acusatória atribui-lhe definição jurídica diversa. por que suspender o processo?” só que aí você tem que tomar cuidado porque a não suspensão do processo agora seria um absurdo porque você estaria privando o acusado de um benefício extremamente importante simplesmente porque houve um excesso ou erro da acusação. Lembrem-se que a suspensão condicional do processo depende do oferecimento de proposta. Conceito: “A emendatio libelli ocorre quando o juiz.719-2008) § 1º Se. que vai ocorrer pelo menos em tese no momento da sentença. nada impede que o juiz condene o acusado à pena do art.2007 . 89.719-2008) Só para concluir o raciocínio da suspensão. Como direito subjetivo do acusado. em outras palavras. na hora da sentença condenatória. porque o juiz não fica vinculado à classificação feita pelo MP. o juiz chegar a um crime cuja pena mínima seja de 1 ano. Diante disso (pena mínima de 1 ano). o juiz verificou que. Eu teria sido denunciado por furto qualificado pela fraude. Veja que essa súmula. o próprio LFG) sustentaram que a suspensão do processo seria um direito subjetivo do acusado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. seja pelo MP. se eu tivesse descrito um estupro e classificado como violação sexual. para por aí e aplica o procedimento do art. E se na hora da emendatio libelli. mas na hora da sentença. o juiz pode conceder. A emendatio libelli está prevista no caput do art. É um exemplo bem simples e bem fácil. 213. mas é o que a gente entende por emendatio libelli que.” Comparando-a com a mutatio libelli.  1ª Observação: “Caso. a conduta descrita na peça acusatória teria sido estelionato. 93 . alguns doutrinadores (Ada. então. Mas não é a posição que prevalece. 89. em virtude da emendatio libelli. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. da Lei dos Juizados. nesse momento da sentença. não haverá problema e nem haver surpresa em condenar no art. 383: Art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO teria havido um equívoco por órgão acusatório e lá foi colocado. poderia ser concedida de ofício pelo juiz. O juiz.

sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. Cuidado porque apesar de entendimento doutrinário isolado de que poderia ser concedida de ofício. em conseqüência. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. Basta ler com atenção. O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juízo competente? Manda para o juízo competente. 383.  2ª Observação: “Se. percebe que é lesão leve. pode fazer a alteração do fato delituoso? A resposta do aluno geralmente é de que pode. na hora da emendatio. na sentença. dissentindo. Mas aí você tem que tomar um certo cuidado porque. Restam dois pontos para que a gente possa concluir a emendatio libelli. diante de uma apelação. tenha de aplicar pena mais grave. o juiz reconhecer que a infração penal é da competência de outro juízo. a gente vai comentar com mais detalhes a proposta de suspensão na ação penal privada. é preciso 94 .DJ de 10/10/2003 . ainda que. § 2º: § 2º Tratando-se de infração da competência de outro juízo. Depois. caput. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seja pelo querelante. em virtude da emendatio libelli.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. (Alterado pela L-011. se fosse direito subjetivo do acusado. mas é homicídio doloso consumado. aplicando-se o princípio da perpetuatio. e pudesse ser proposta de ofício. Imagine: você estava respondendo por lesão corporal grave e. É a mesma ideia. 383. O segundo questionamento seria mais interessante. imagine o juiz singular. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la. Então. é a Súmula 696. Então. o Juiz. na hora da sentença. Essa pergunta. não haveria essa remessa ao procurador-geral. O que o juiz faz se reconhece na hora da sentença que a infração seria de menor potencial ofensivo? Será que ele mesmo pode julgar. mas hoje já vai se entendendo que também seria cabível. ficou mesmo uma lesão corporal leve. 1º) 2º) A emendatio libelli é cabível na ação penal pública e privada ou somente na pública? Tribunal de Justiça (segunda instancia) pode fazer a emendatio libelli? A primeira pergunta é respondida pelo art. aplicando-se por analogia o art.Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo. E se por acaso também na hora de faze a emendatio libelli o juiz reconheça que o crime é uma infração de menor potencial ofensivo. razoavelmente simples. perpetuação de jurisdição ou ele se vê obrigado a remeter os autos ao Juizado? Esse mesmo raciocínio também é válido caso o juiz. 383 o legislador faz menção tanto à denúncia (peça acusatória da ação penal pública). O juiz. ele vê que não é lesão corporal seguida de morte. Ou seja.” São dois exemplos que caem em prova: a remessa para o juizado ou para o juízo sumariante (verificando que é um crime doloso contra a vida). como também na ação penal privada. Prova disso. do STF: STF Súmula nº 696 . 383. Art. Vamos ao art. quanto à queixa (peça acusatória da ação penal privada). O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juizado? E outra: se na hora de sentenciar. na verdade. 28 do Código de Processo Penal. mas de uma discricionariedade regrada do órgão ministerial. inclusive. Então. NO art. a este serão encaminhados os autos. remeterá a questão ao Procurador-Geral. o juiz verificou que a hipótese que tornava a lesão grave não restou caracterizada. entenda que o crime seria um crime doloso contra a vida. Será que o tribunal pode fazer a emendatio libelli? Será que o tribunal. não pode. se há é porque não se trata de um direito subjetivo. a este serão remetidos os autos.719-2008) Lendo este dispositivo é fácil você perceber que a emendatio libelli pode acontecer tanto na ação penal pública.

A classificação foi feita de maneira correta (art. Nessa hipótese. porém. não podendo. a situação do acusado não poderá ser agravada. primeiro o MP adita a peça acusatória imputando esse novo fato delituoso e depois a defesa vai ser ouvida. Art. Nesse caso. O tribunal pode fazer emendatio libelli? Vocês vão anotar o seguinte: “É possível que o tribunal aplique a emendatio libelli. O vovô teve seus objetos furtados. o juiz não pode condenar por aquilo que foi apurado. mas desde que não seja para prejudicar a defesa. durante a instrução processual. a gente tem que se lembrar obediência ao princípio da non reformatio in pejus: “Pelo princípio da non reformatio in pejus. Por isso. o cidadão poderá ser condenado e não haverá violação aos princípios. não podendo. Ainda relacionado ao princípio da correlação entre acusação e sentença. quando somente o réu houver apelado da sentença. Se o acusado se visse condenado. Sempre que a gente fala em tribunal. É preciso saber quem recorreu. essa é a melhor posição: dizer que cabe a emendatio.” Já tem jurisprudência nesse sentido. 386 e 387. o juiz erra e soma menos. O raciocínio aqui é bem mais complexo. Vamos dar um exemplo razoavelmente simples. só que aí tem um detalhe. ao aumentar de 1/3 até a metade.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. surge prova de circunstância ou elementar não contida na peça acusatória. 617 . no caso de recurso exclusivo da defesa. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO conjugar as coisas. 383. Essa seria a sua resposta. Às vezes o juiz calcula errado na hora de somar a pena. Por exemplo. ser agravada a pena quando somente o réu houver apelado da sentença. Alguns doutrinadores entendem que esse princípio é um desdobramento da ampla defesa. Eu digo: defesa. Nesse caso. Vejamos um exemplo da mutatio libelli. vem a mutatio.” Quando é que vai surgir a necessidade da mutatio libelli? Quando. Esse princípio está colocado no CPC. durante a instrução processual. o tribunal pode fazer. correlação entre acusação e sentença e ao próprio sistema acusatório. Alguém vai lá e leva os 500 reais do vovô. Leva o dinheiro da aposentadoria embora. o MP que apele. sob pena de violação ao princípio da non reformatio in pejus. Vejam que o tribunal pode aplicar o art. só que. Então.O tribunal. pois tais fatos não constaram da acusação e deles não teria se defendido o acusado. Se houve um erro. o tribunal tem que tomar o cuidado de não agravar a situação do acusado. porém. mesmo em se tratando de erro material. 383. O vovô é assaltado na frente do posto do INSS. 617. Ele coloca o dinheiro no bolso da camisa e sai andando. aplica-se a mutatio libelli. é impossível que o magistrado condene o acusado pelos fatos apurados na instrução. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. no que for aplicável. no art. porém. b) Mutatio Libelli Primeiro vamos definir mutatio libelli: “Ocorre mutatio libelli quando. Nesse caso. estaria ocorrendo violação aos seguintes princípios: ampla defesa e contraditório. não há problema algum. só que há outros doutrinadores que é um mero dispositivo previsto no CPP. surge uma elementar ou circunstância não contida na peça acusatória. Seria quase que um princípio constitucional desdobrando a ampla defesa. Se o fizesse. 155). O fato narrado na peça acusatória foi um furto.” Então. devendo o MP aditar a peça acusatória com posterior oitiva da defesa. ser agravada a pena. Esse ponto é mais interessante do que a emendatio. Pode o tribunal fazer a emendatio libelli com um recurso exclusivo da defesa? Também pode. vamos à mutatio libelli. vários princípios estariam sendo violados porque o acusado se veria condenado por um crime que ele não foi acusado. em recurso exclusivo da defesa. Durante o 95 . a situação do acusado não poderá ser agravada com a alteração da classificação do crime para uma pena mais grave. no recurso exclusivo da defesa.

Afinal de contas. não há dúvida que houve violência exercida contra a pessoa. quando o aditamento for rejeitado. caberia o RESI. qual o recurso cabível? Apelação. Porém. teoricamente. E o que o MP vai fazer? Vai fazer o aditamento da peça acusatória. logo em seguida. pelo menos em regra. Porém. em regra. Não é que o acusado vai ter que ficar escutando com muita atenção porque se não escutar direito. É óbvio que esse aditamento feito em audiência deve ser reduzido a termo. Porém.que não receber a denúncia ou a queixa. com base no art. Então. imaginando que essa seja uma audiência una de instrução e julgamento. aborda como preliminar.593. da decisão. Então. nesse momento pode condenar pelo roubo? Cuidado com isso porque se o cidadão fosse condenado pelo crime de roubo. contra a rejeição desse aditamento. 96 . Ou seja. vamos ouvir o vovô e vamos ouvir também as testemunhas. Então. o RESI será absorvido pela apelação.Quando cabível a apelação. acabou. quando. ele estaria sendo condenado por um crime do qual ele não foi acusado. despacho ou sentença: I .” § 4º . Mas a gente sabe que na prática o aditamento acaba sendo feito por escrito e aí. os autos precisam ir para o MP. logo em seguida sentenciar. veja você. se essa rejeição se dá na audiência e se o juiz profere sentença em seguida. eu tomei uma trombada pelas costas e foi tão forte que eu caí no chão. de repente. É o chamado princípio da consunção. ele contou o que aconteceu: “eu saquei o dinheiro da agencia. Uma belíssima questão de prova. o aditamento deve ser feito de maneira oral. esse aditamento deve se dar quando? Qual o momento dele? Deve se dar por escrito ou de forma oral? Lembre-se que estamos tratando de uma audiência una de instrução e julgamento. olha o detalhe maravilhoso de prova: o aditamento deve ser feito. 581. ele estava se defendendo de qual imputação? Da prática de furto. como também as testemunhas. Quando isso aconteceu. a rejeição da peça acusatória dará ensejo ao RESI. seria RESI porque é a mesma coisa que a rejeição da peça acusatória. E o que a apelação faz com o RESI? Ela absorve. Só que para que fique bem claro. É nesse exemplo que surge a mutatio libelli. proferindo em seguida o juiz sentença. “Rejeição do aditamento – Recurso cabível: a rejeição do aditamento à peça acusatória assemelha-se à rejeição da própria peça acusatória. A apelação tem o condão de absorver o RESI. ao momento da sentença condenatória. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO curso da instrução processual. Você entra com uma apelação só e lá. não tivemos só a subtração porque houve também a trombada. no sentido estrito. I). antes de o juiz sentenciar. E se houve violência. nesse caso. recurso contra sentença é apelação e. Então. ainda que somente de parte da decisão se recorra. razão pela qual o recurso cabível seria o RESI (art. teoricamente. puxou o dinheiro e levou o meu bolso junto. Pergunta boa de prova: “E se o juiz rejeitar esse aditamento? Qual seria o caminho possível? Qual seria o recurso cabível?” se cai na sua prova: rejeição contra aditamento. a rejeição do seu aditamento. o órgão ministerial teria o prazo de 5 dias para fazer esse aditamento. feito o aditamento e rejeitado. Sentenciando o juiz. na audiência. E a rejeição do aditamento? Apesar de o código não dizer. de acordo com a regra do chamado princípio da consunção ou absorção. Durante a oitiva do vovô. Feito na audiência. na própria audiência. já que surgiu uma elementar que não constava da peça acusatória.” Não só o vovô diz isso. Ótima questão de prova. Lembrem-se que o não recebimento hoje é a mesma coisa que rejeição. Não é isso. é óbvio que esse aditamento feito de maneira oral tem que ser reduzido a termo. caso essa rejeição ao aditamento ocorra na própria audiência. você não vai precisar entrar com o RESI contra a rejeição do aditamento e com uma apelação contra a sentença. Você não pode condenar alguém simplesmente pelo que ficou provado. Está aí no art. da rejeição contra o aditamento também vai caber RESI. Chegamos então. poderia o juiz condenar pelo crime de roubo? Será que o juiz. já não estamos mais diante do crime de furto. § 4º. 581 . surge a prova de uma elementar do crime de roubo. Na verdade. podemos imaginar que o juiz vai. Em regra. não pode ser usado o RESI. Nesse momento. veio esse cidadão. Diante da instrução processual. entende-se que. 581. Você tem que trabalhar com a ideia da correlação entre acusação e sentença. não poderá ser usado o recurso em sentido estrito. Então. qual o recurso? RESI. I: Art. eu vou poder entrar com o meu RESI contra a rejeição do aditamento? Não porque contra a sentença. da mesma forma que cabe RESI contra rejeição da peça acusatória.Caberá recurso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. quando cabível a apelação.

essa mini-instrução. o Ministério Público deverá aditar a denúncia 97 . Então. o juiz sentencia. A rejeição eu já comentei. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Alguns questionamentos vão surgir: E se. se há justa causa para esse aditamento. Vamos providenciar a oitiva da defesa no prazo de 5 dias e. Feito isso qual será o passo seguinte? Defesa. 384. recebido esse aditamento. se está sendo formulada uma nova imputação contra a minha pessoa. todos os princípios aos quais fizemos menção estariam sendo violados.” Para que a gente possa concluir a análise do art. se entender cabível nova definição jurídica do fato. Então. ele estará diante de uma imputação de crime de furto. como também o próprio acusado. se está sendo formulada uma nova imputação contra minha pessoa. alguns doutrinadores passam batido por isso. novo interrogatório deve ser realizado. Se o aditamento não for feito pelo órgão ministerial. E quais são os limites objetivos? Aquilo que foi objeto de imputação. Fazendo o MP o aditamento. 157. o que vai se seguir a isso? Depois de ouvida a defesa (vamos imaginar que isso não se deu em audiência). o juiz pode proferir sentença. o que se segue? Nova instrução. E. Então. alguma diligência. E se praticou roubo. Nesse caso. vamos imaginar que o MP tenha feito o aditamento. A defesa será ouvida. Mas veja. porém. Mas é óbvio que não impede que nova denúncia seja oferecida em relação à imputação de roubo.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. eu fico me perguntando: o acusado não vai se defender dos fatos? E o aluno responde: “ora o acusado já se defendeu!” Gente.” Nesse caso. então. Encerrada a instrução probatória. maravilhoso. 384. O que você tem a dizer sobre isso?” agora eu possibilitei que. etc. o juiz olha para o caso e fala assim: “o cara praticou roubo. do CPP: Art. Será a oitiva da defesa. é óbvio que amanhã nada impede que o MP ofereça nova denúncia e nem me diga que essa nova denúncia pelo crime de roubo estaria protegida pelo manto da coisa julgada. Agora. aplica-se aqui o famoso art. etc. Mas e se ele não fizer o aditamento necessário que. imaginando que já estivesse encerrada a instrução. o juiz nada poderá fazer senão absolver o acusado caso entenda que a imputação originária não restou comprovada. acusado. mas os autos irão ao juiz para receber o aditamento. Então. ora. recebido esse aditamento. Ele vai se ver obrigado a fazer o quê? Ele vai ter que absolver pelo crime de furto. por acaso. os autos serão devolvidos à primeira instancia e vida segue normalmente. a qual não estará acobertada pelo manto da coisa julgada. 28. o que o juiz vai fazer logo depois? Aqui é um ponto que você tem que tomar muito cuidado porque às vezes o aluno pensa em sentença. O juiz. vai fazer o mesmo juízo que ele faz no momento de receber a peça acusatória. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. a coisa julgada estará delimitada ao furto. se é caso de aditamento. “Caso o procurador geral se recuse a fazer o aditamento. Não! Isso porque a coisa julgada fica delimitada pelos chamados limites objetivos. Mas atente: o fato de o juiz estar absolvendo pelo crime de furto. teoricamente. seja porque não concordou com o aditamento. é o aditamento para imputar o crime de roubo? E se ele não fizer. quem aqui é ouvido é a defesa técnica. O aluno que me diz que depois de recebido o aditamento. É a única solução que resta para ele. E por que isso? Porque. olha a situação inusitada! Se o procurador não faz o aditamento. não só a defesa técnica seja ouvida. nada impede que o órgão ministerial ofereça nova denúncia pela imputação superveniente. 28. Todos sabemos que esse artigo leva à decisão da questão ao procurador-geral. (aquilo que a gente já viu na aula passada). foi feito um aditamento na peça acusatória e agora o MP está dizendo que você deu uma trombada na vítima. 384. essa nova instrução e aí nós vamos seguir o procedimento que vimos: alegações orais. Mas e se ele não fizer o aditamento? Qual a consequência? Se ele fizer. agora. se o procuradorgeral fizer o aditamento. Vamos dar uma olhada na nova redação do art. Então. eu vou ter que chamar o acusado: “acusado. se o furto foi imputado. Aqui ele vai verificar se o aditamento está em ordem. aplica-se o art. ele recebe ou rejeita o aditamento. logo em seguida. Então. Pergunto: nesse caso. Se forem as mesmas testemunhas você pode aproveitar o depoimento. Lembrem-se: no processo penal o acusado defende-se dos fatos! A gente começou a aula falando sobre isso e é uma premissa extremamente importante. Eu. se as condições estão presentes. Estou convencido que ele praticou roubo. mesmo que já tenha ocorrido o interrogatório. óbvio. será que o juiz pode condenar pelo crime de roubo? Cuidado com isso! Se o juiz condenasse pelo roubo. eu não posso condená-lo sem o aditamento. o órgão do MP não fizer o aditamento da peça acusatória. é o advogado que está send o ouvido. O que acontece? Como de costume. seja porque comeu mosca. eu preciso ser ouvido em relação a essa nova imputação. antes de receber ou de rejeitar o aditamento. gente pode dizer que as testemunhas serão reinquiridas. obviamente. eu preciso ser ouvido. no nosso exemplo. Faço. ele coloca o art. do CPP.

a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou a queixa. 384. no prazo de 5 (cinco) implicitamente. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. na sentença. em conseqüência de elemento ou circunstância da infração penal não prova existente nos autos de circunstância contida na acusação.Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave. só para que fique bem claro na cabeça de vocês. na denúncia ou na queixa. § 4º Havendo aditamento. no prazo de 5 (cinco) dias. adstrito aos termos do aditamento. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. explícita ou aditar a denúncia ou queixa. produza prova. Mas. em Art. no prazo de 5 (cinco) dias. quando feito oralmente. Estão lembrados? Um que fala da suspensão do processo e o outro que fala da remessa ao juízo competente. a requerimento de qualquer das partes. podendo ser ouvidas até três testemunhas. 384. a fim de que a defesa. se o juiz já possibilita que o próprio acusado seja ouvido em relação à trombada. Ficou clara a ideia da mutatio libelli para vocês? Agora. aplica-se o art.719-2008) § 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. A depender do caso concreto. 383 também são aplicáveis aqui. eu quero fazer uma comparação entre a redação antiga e a redação nova do art.719-2008) § 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. § 5º Não recebido o aditamento. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL REDAÇAÕ ANTIGA REDAÇÃO NOVA Art. baixará dias. se o examinador perguntar: “obrigatoriamente. abrindo-se. E aí ele já pode ir perguntando sobre essa trombada. 28 deste Código. novo interrogatório do acusado. quando o vovô disse pra ele que tomou uma trombada. se entender cabível nova definição jurídica do fato. no prazo de 8 processo em crime de ação pública. 384 . termo o aditamento. se quiser. se em virtude desta houver sido instaurado o o processo. a nova instrução deverá ocorrer?” Não. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO ou queixa. o juiz. É uma questão ótima para vocês ficarem atentos porque o art.719-2008) Parágrafo único .Se o juiz reconhecer a possibilidade de conseqüência de prova existente nos autos de nova definição jurídica do fato. o Ministério Público deverá elementar. pode ser que essa nova audiência não seja necessária porque aí já ouve a oitiva do acusado em relação a isso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. em 98 . 384 foi profundamente alterado e você tem que ficar atentos às alterações. Aquele juiz que está mais atento à instrução. o juiz baixará o processo. aqueles parágrafos do art. (Alterado pela L-011. não contida. reduzindo-se a termo o aditamento. (Alterado pela L-011. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. (Acrescentado pela L-011. 383 ao caput deste artigo. Vamos colocar a redação antiga e a redação nova: ARTIGO 384. pelo menos em tese ela deve ocorrer. quando feito oralmente. realização de debates e julgamento. reduzindo-se a (oito) dias. designará dia e hora para continuação da audiência. ficando o juiz. § 3º Aplicam-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. o interrogatório do acusado já é o último ato da instrução e que o primeiro ato é a oitiva do ofendido. Aquela nova instrução que eu coloquei. Encerrada a instrução probatória. o que ele já pode fazer durante a instrução? Ele já pode conduzir a instrução de olho na trombada. com inquirição de testemunhas. o processo prosseguirá. Ou seja. fale e. E não por quê? Lembrese que agora.

384. Lembre-se que o peculato culposo tem pena prevista de 3 meses a 1 ano. Convenhamos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seguida. o código entendeu só ouvir a defesa. aí tínhamos que passar a bola para o MP. 312. pode o juiz condenar pelo peculato culposo? Nesse exemplo. Já no §único. a fim de que a defesa. Vamos dar um exemplo da Justiça Militar. caput). 384 . surge a ideia de que o Tício não teria se apropriado. entendíamos aí que seria cabível uma imputação implícita. o que acontecia? Se houvesse a possibilidade de pena mais grave. 384: Art. Olha que detalhe interessante: na redação antiga. surge a prova categórica de que o Tício não teria pegado a pistola. no prazo de 8 (oito) dias . Na nova redação não tem esse “implicitamente”. Podemos. veja que a própria lei diz: “o MP deverá aditar a denúncia. Olha o exemplo: eu. Só que durante a instrução processual. os mesmos princípios estariam sendo violados. podendo ser ouvidas até três testemunhas. então. na denúncia ou na queixa. Pergunto a vocês: na hora da sentença condenatória. baixará o processo. Isso não existe! Por quê? Porque ou é uma circunstância ou é uma elementar. Porque. foi pego na rua com aquela pistola 9mm e. Durante a instrução processual. Para que você entenda como funcionava o art. não contida. A pena dele será diminuída. mas ele praticou crime. E você pensa: “ah. Praticou crime? Sim. que importe aplicação de pena mais grave. Vamos à redação antiga do art. de certa forma. caput. soldado. Antigamente a lei usava a expressão “ circunstancia elementar”. a lei não fala que “o juiz baixará os autos ao MP”. dizia que a defesa seria ouvida e não estava prevista (no caput) a oitiva do MP e o aditamento. Mas olha o detalhe interessante: quem é que passava a bola para o MP? O juiz. deixa de ser prevista esta bola que o juiz está passando. ele vai para o alojamento onde ele fica descansando duas horas e depois volta para tirar mais duas horas. previsto no art. Vamos demonstrar como funcionava antes. convenhamos.Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato. Depois. Desapareceu. em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar. tecnicamente. Aí você entende o caput da antiga redação. Na redação nova. Então. Névio. já antecipava qual seria o decreto condenatório (violação ao princípio da imparcialidade). Lembre-se que o peculato-apropriação.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. mas como militar que é não seria o CP comum) de peculato-apropriação (art. Qual crime? Peculato-culposo. o Névio diz que se aproveitou de um momento de descuido do Tício que dormiu e deixou a pistola em cima do beliche. que poderá oferecer prova. Veja que na redação nova. 384. 99 . Olha que legal! O acusado deveria se defender de algo que estava implícito na peça acusatória. coloca ela em cima do beliche e vai dormir. Mas tecnicamente. vamos trabalhar com um exemplo tranquilo. quando o juiz baixava os autos ao MP. Num primeiro momento. como Névio foi pego com a arma. a defesa era ouvida no caput porque do caput não ia ocorrer a aplicação de pena mais grave. Mas por que falava somente em defesa? É só ler o § único. No caput. arrolando até três testemunhas. sem dúvida alguma concluir que o Tício teria sido negligente com a guarda da arma e ele teria dado causa à subtração pelo Névio. esse “implicitamente” era uma monstruosidade porque a partir do momento que a lei dizia “não contida explícita ou implícita”. o prazo de 3 (três) dias à defesa. Então. aí pode!” Cuidado! Por quê? Vamos ao art. Vamos imaginar que durante a instrução processual um outro militar. ao ser preso em flagrante. O soldado Tício sumiu com a pistola.” Ou seja. pode). mas foi violado para beneficiar o acusado. se você for parar para pensar nos mesmos princípios que estamos trabalhando. Geralmente o soldado “tira serviço” (fica na guarita) por duas horas. ele. só era prevista a oitiva da defesa. produza prova. para que você entenda melhor. O § único dizia: se houver possibilidade de nova definição. peguei uma pistola 9mm para tirar serviço. vamos imaginar que a denúncia impute a ele a conduta (eu vou colocar o CP comum. 384 antes. fale e. 312 tem pena prevista de 2 a 12 anos. o aluno tende a dizer que pode porque agora pena que é para melhorar a situação dele (como é para beneficiar. o art. mas veja que a situação dele será para melhor. explícita ou implicitamente. Mas eu pergunto: Tício praticou algum crime? Você pega uma pistola para tirar serviço. se quiser. Sem dúvida alguma.

o que ele fazia? Ele ia providenciar a oitiva da defesa. pois diante do depoimento das testemunhas. haveria até uma surpresa da defesa ao ver o seu cliente condenado pelo peculato culposo. quando baixava. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Ou seja. A defesa seria ouvida e. Só a defesa. vai ter que ocorrer o aditamento. por acaso. independentemente se da nova imputação resultar pena mais grave. O problema era quando ele baixava o processo para que o MP aditasse. pela nova redação do art. quando surgir prova de elementar ou circunstância não cont ida na acusação. Quando a pena fosse igual ou inferior.  2ª Diferença: Na redação antiga. para a defesa. Vamos fazer um quadro comparativo com as diferenças entre a redação nova e a anterior:  1ª Diferença: “Na lei antiga. inclusive. sempre deverá ocorrer o aditamento. É óbvio que a defesa vai pedir essa desclassificação. Bastava. não mais. a nova redação do art. é importante que você não deixe de fazer uma comparação. havia sempre a expressão ‘o juiz baixará o processo’ (isso estava previsto. já ficava ruim e nesse momento. porém. Então. como também no parágrafo único). sempre que surgir uma elementar ou uma circunstancia. Qual é a crítica que recaía sobre essa conduta do juiz baixando o processo? Óbvio. Agora. então. ou seja. mesmo que seja para pena menor. até para você saber o porquê das alterações. o que vamos fazer? A defesa será ouvida e aí vai seguir aquele procedimento que comentei com vocês. 384. pode produzir prova e. agora. sempre deverá ocorrer o aditamento porque com isso você respeita o sistema acusatório. É só você olhar. E aqui. “Na nova redação do art. convenhamos. 28 porque aí. E depois da oitiva da defesa. não. a gente faz a mesma coisa que fizemos antes. peculato culposo. o que o juiz poderia fazer? Proferir sentença condenatória. já que a defesa foi ouvida. 384. Por isso que isso que acontecia antes. 384.” O juiz não precisará mais baixar o processo para que o MP adite a peça acusatória. peculato culposo. “Com. sim. Ele não foi acusado pelo peculato culposo. o que ia acontecer? Antes de o juiz sentenciar. igual ou inferior à anterior. o juiz. Mas se você imaginar que a defesa só tenha focado na não prática do peculato-apropriação.” Ao estudar esse procedimento. 312.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 384. se. sempre. antigamente. Algum problema com essa condenação pelo peculato culposo? O aluno poderia até pensar que não. antigamente. ele deveria ter muita cautela porque a depender de como ele baixasse (“baixo os autos do MP. na medida em que o acusado se via condenado por crime do qual não havia sido acusado. sempre deverá ocorrer o aditamento. § 2º. proferiria sentença condenatória em relação a qual delito? Art.” Depois de feito o aditamento. tanto no art. o problema do art. (Intervalo) Lembrem-se que. sentença condenatória. estou convencido de que o crime praticado teria sido de roubo e não o de furto como consta da denúncia” ). O juiz vai condenar pelo crime de peculato culposo (se ele achar que foi praticado). bastando que o juiz abrisse vista à defesa para que se manifestasse no prazo de 8 dias (art. depois pode ser necessária a audiência e caso não seja necessária. 384.” (na verdade é quase como se o juiz tivesse agindo de ofício). no meu exemplo. Fica. se em decorrência da nova definição jurídica do fato a pena se mantivesse igual ou inferior à pena do fato descrito na denúncia. o aditamento deverá ser espontâneo.” Percebam que agora já não existe mais essa expressão “o juiz baixará”. Era como se o juiz dissesse: “levanta a bola para que eu possa cortar. na redação antiga. ou seja. já não acontece mais. houvesse uma diminuição da pena. ouvir até três testemunhas. não seria necessário o aditamento por parte do MP. Independentemente se houver ou não majoração da pena. Hoje. tudo bem. o MP não precisava fazer nada. caput). O juiz vai falar sobre o recebimento do aditamento. Hoje. não haveria necessidade de aditamento. já 10 0 . E por quê? Vocês viram comigo o que. o MP vai ter que fazer o aditamento e dizer: “na verdade o cidadão praticou. como vimos. ele teria sido negligente na guarda da arma. que ocorresse a oitiva da defesa. caput – ‘o juiz baixará o processo a fim de que a defesa fale’. Esse dispositivo era criticado pela doutrina por violar o sistema acusatório. mas tem problema sim e sabe qual é? Você estaria condenando alguém por um crime do qual ele não foi acusado. o que vai ter que acontecer? Ao invés de ouvirmos a defesa.

na sentença. Na redação nova. fazendo pré-julgamento. Lembrem-se que o juiz não precisa receber esse aditamento. E já era de boa hora porque a doutrina já não admitia. eu. ouvimos novas testemunhas. adstrito aos termos do aditamento. 28 porque queria ou não quando não há o aditamento espontâneo por parte do MP e o magistrado não dá o chute na canela do promotor. Ele usava a expressão ‘circunstancia elementar’. ficando o juiz. 28. “Na antiga redação do art. defesa é ouvida. Vamos ler o §4º. você percebe que o §4º é novidade.  5ª Diferença: Essa alteração e bastante interessante e agente vai ter que aguardar para ver no que vai dar. Vocês estão lembrados do exemplo que eu dei do furto e do roubo do vovô? Vamos imaginar que tudo tenha acontecido bonitinho: eu ofereci denuncia por furto. recebido o aditamento. Geralmente. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO estaria violando a imparcialidade. enquanto que tudo o que está inserido no tipo penal vai ser considerado elementar. o legislador admitia uma imputação implícita. Agora. Ele pode rejeitar. foi bem salutar. 384. eu aditei.” Mas o problema subsiste na nova redação em relação ao art. do art. o acusado só poderia ser 10 1 . 384. remetendo os autos ao procurador”. o juiz se vê obrigado a aplicar o 28. Por que eu fiz questão de fazer esse quadro comparativo e nem no semestre anterior eu havia feito? Porque com isso. posso ser condenado por qual delito? Pelo furto? Pelo roubo? Pelos dois? Cuidado com isso porque na redação antiga do art. nesse ponto. Falei que elementar era o dado essencial da figura típica e circunstancia é o dado secundário. Me recuso a explicar as duas porque já expliquei quando falei de questões prejudiciais. debates e sentença. Aí você pode pensar que qualificadoras seriam circunstâncias. no prazo de 5 (cinco) dias.  3ª Diferença: “Na redação antiga.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. aplico o art. A partir do momento em que ele dizia “contida implícita ou explicitamente na denúncia ou queixa”. o legislador usava algo que ninguém até hoje sabe o que é. Tanto pelo furto quanto pela imputação superveniente. não deixaria de haver uma certa imparcialidade e uma espécie de prejulgamento. havendo o aditamento. novo interrogatório. o que ele nos leva a acreditar? Que. acusado. Tanto é que a gente viu no § 2º que. pela leitura do § 4º. era aquele carimbo clássico: “diga o MP”. Ou seja. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. ele estaria dizendo que. era como se abríssemos um leque porque ele poderia ser condenado pela primeira ou pela segunda imputação e o acusado teria que se defender das duas imputações no momento derradeiro do processo. 384 não é preciso fazer menção a nada disso. já não existe mais menção a essa imputação implícita.  4ª Diferença: Na redação antiga. o juiz recebe o aditamento. teoricamente seria cabível a imputação implícita. sem problema algum.” Para a doutrina. durante a instrução descobriu-se que houve violência. 284: § 4º Havendo aditamento. de acordo com a doutrina. você tem que entender que a imputação implícita viola a ampla defesa já que não há como o acusado se defender diante de uma imputação implícita. Na hora de proferir sentença condenatória. E às vezes ficava o promotor: “diga o MP sobre o quê? Tá tudo bonitinho. que não existia antes e ele diz de forma categórica que. Na redação anterior. significa dizer que agora. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. havendo o aditamento. Na nova redação do art.. A mudança. o que também é criticado pela doutrina porque quando o juiz diz: “diante da inércia do MP. o que a doutrina entendia? Que o acusado poderia ser condenado pelas duas imputações. ouvido o defensor e “admitido o aditamento” (significando que pode rejeitar). há uma melhora em relação a isso porque ele usa a palavra ‘elemento’ (que você deve compreender como sinônimo de elementar) e usa a palavra ‘circunstancia’. Olha que legal! Você tem que imaginar e descobrir o que está nas entrelinhas para que possa se defender. diante do aditamento. era possível que o acusado fosse condenado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente.

Estabeleçam aí uma conclusão importante. resta tratar da chamada imputação alternativa. É como se a imputação originária tivesse sido afastada. sendo possível a utilização de prova emprestada. aqui é algo novo. curta e grossa como essa. No dia-a-dia. será possível usar a prova emprestada porque. anotando o seguinte: “a mutatio libelli somente é cabível quando se tratar de fato diverso. o MP pede a absolvição. 384. isso trazia prejuízo ao acusado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. “Diante do novo § 4º do art. Você pede a absolvição em relação à receptação porque. 10 2 . a partir do momento em que diante do aditamento eu poderia ser condenado tanto pela imputação originária. Agora complicou. Complicou porque. eu acho que para prova de concurso. o juiz dá a absolvição e o MP entra com nova denúncia. seria furtoroubo. Nesse caso. Por não ter praticado a receptação. mas. a situação se complica porque é fato novo. basta somar alguma coisa e aí dá para aproveitar a imputação anterior porque o roubo nada mais é do que o furto mais a violência ou grave ameaça. não há como fugir dessa compreensão. ele disse que teria comprado de um outro militar. qual seria o caminho técnico a seguir? É um só: virar para o juiz e falar: pedimos a absolvição. nesse caso. em que eu saí do furto e fui para o roubo? Nesse caso. 180. algo completamente diferente do anterior. quando questionado sobre a origem dessas peças. há doutrinadores (porque tem gente que passa batido por isso e não percebe muito bem a relevância dessa alteração) dizendo que uma vez feito e recebido o aditamento pelo magistrado. substituindo por completo a imputação originária. não é caso de mutatio libelli porque mutatio libelli é quando surge elementar ou circunstancia que irá se somar à imputação originária. Nesse caso. sem prejuízo de oferecimento de nova peça acusatória pelo fato novo. Para vocês terem como exemplo de fato novo seria o receptação-furto. supostamente. ” É bem interessante essa alteração. diante do fato novo. Mas no exemplo agora. porém. você já produziu a prova em relação ao mesmo acusado e o contraditório já foi respeitado. eu queria tratar de dois temas: *Fato Novo x Fato Diverso O examinador pergunta: “diferencie fato novo e fato diverso. com um acréscimo de algum elemento que o modifique. ele não era o receptador. diante da clareza do § 4º e a partir do momento que você entende como era antes. Quando se tratar de fato novo. o militar que. Durante a instrução processual. este estará adstrito aos seus termos. “O fato é novo quando os elementos de seu núcleo essencial constituem acontecimento criminoso inteiramente d iferente daquele resultante dos elementos do núcleo essencial da imputação. afirmou (e também outras testemunhas) que o acusado não era o receptador do fardamento porque. o que eu faço? Aí surge o problema. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO condenado ou absolvida em relação à imputação superveniente. Aqui. na verdade. da receptação a gente acabou indo para o fato completamente diferente. ele era um comparsa (“ele ficava do lado de fora do muro. Então. Daí a motivação dessa alteração. convenhamos. vendeu para ele o fardamento. recolhendo as fardas que eram jogadas em sacos plásticos de dentro do quartel. não. porque bastaria somar a violência. Resta saber se a jurisprudência vai caminhar nesse sentido. na verdade. Ele acabou se vendo denunciado pelo crime de receptação (art. nesse exemplo. na casa do cidadão foram encontradas várias peças de fardamento militar (e isso vai parar nas organizações criminosas).” Não existe nada pior do que uma pergunta simples.”). O inquérito foi mal conduzido e. Lembra do exemplo do furto. quanto ela superveniente. tecnicamente. por mais que ele tenha sido encontrado com as fardas em casa. Mas. queira ou não. Aproveitando o gancho da mutatio libelli. Então. Fato diverso.” Para concluir a mutatio libelli. Antigamente. não mais podendo condenar o acusado pelo fato inicialmente descrito na denúncia. porque o caso concreto é crime militar). a gente acaba fazendo o aditamento. O fato é diverso quando os elementos de seu núcleo essencial correspondem parcialmente aos do fato da imputação. deve o acusado ser absolvido da imputação originária. diante de um fato novo. do CP – vamos imaginar comparativamente. haverá necessidade de uma nova peça acusatória.” Olha o exemplo concreto que aconteceu: expedido o mandado de busca e apreensão. Ele trabalhou com a gente na subtração. o que houve foi furto.

O melhor exemplo disse é pancadaria no final da balada. mas também em relação ao delito. ou seja. É o melhor exemplo. você tem dúvida em relação a quem colocar no polo passivo da imputação. há dúvida quanto a quem começou. denuncia os dois agressores e. tenta descobrir quem deu início à agressão e o outro vai ser absolvido por legítima defesa.” E subdividese em: a) Imputação alternativa OBJETIVA AMPLA – “É aquela que incide sobre a ação principal. da briga.” Melhor exemplo: homicídio. E aí vem o promotor e coloca: “Renato praticou um homicídio. Sempre colocam uma qualificadora. tome cuidado com a desgraça corrupção.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Na complexa. essa é a imputação alternativa objetiva porque refere-se a dados objetivos e ampla (porque recai sobre a conduta principal). não só 10 3 . O cidadão vai para a balada. porque você se depara sempre com aquele dilema: teria sido ele o autor do crime antecedente ou será que ele é mero receptador? Na dúvida. como também a própria infração penal. na mesma situação que a sua e vai ser ali mesmo. depois de dez doses. você imputa os dois (ou furto ou receptação). em relação ao assunto. o grande nome é o do professor Afrânio Silva Jardim. A coisa mais difícil é alguém ser denunciado por homicídio simples. Não se sabe quem dá origem à pancadaria generalizada. Imputação Alternativa OBJETIVA – “Refere-se a dados objetivos do fato narrado. Diante da dúvida. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO *Imputação Alternativa Eu fiz menção a ela no Intensivo I. Então. poderia ser presa em flagrante. o sujeito ativo do delito. Acontece muito quando você pega alguém no ferro-velho com objetos furtados. sempre de maneira alternativa. Eu explico: amanhã quando você passar no concurso. tenta inverter o jogo contra você. Vamos imaginar que eu prendo alguém em flagrante contra b) Imputação Alternativa SUBJETIVA COMPLEXA – “É aquela que abrange. Final de noite. Qual é o melhor e único exemplo sempre citado: dúvida entre corrupção passiva praticada pelo funcionário público ou corrupção ativa praticada pelo particular. mas foi de forma bem simples. eu tenho dúvida.” E subdividese em: a) Imputação Alternativa SUBJETIVA SIMPLES – “A alternatividade decorre de dúvida sobre a autoria do crime. ou seja. não conseguiu nada e só sobra o indivíduo que tromba com ele na porta do banheiro. lembrando sempre que. Mas tome cuidado porque a pessoa que é presa. b) Imputação alternativa OBJETIVA ESTRITA – “É aquela que incide sobre uma qualificadora. não só quanto a quem praticou o crime. ou mediante motivo torpe. Imputação Alternativa SUBJETIVA – “Refere-se ao sujeito passivo da imputação. ou por motivo fútil ou por recurso que tornou impossível a defesa”. mas o crime será o mesmo: lesão corporal para ambos. durante o processo. É o exemplo clássico.” Nesse caso de imputação alternativa subjetiva simples. É óbvio que. Mas aqui a gente aprofunda um pouco mais. Essa imputação alternativa subdivide-se em: I. você coloca várias qualificadoras. diante de uma proposta inequívoca. II. como se dá quando os envolvidos se acusam reciprocamente.” Seria como se disséssemos: o cidadão praticou “ou” furto “ou” receptação. há dúvida em relação ao autor e em relação ao crime praticado. toma uma primeira dose.” No primeiro exemplo. teoricamente a pessoa está praticada um crime.

” Para que fique bem claro: só cabe em crimes de ação penal pública. para ele.” § 4º Havendo aditamento. caput. quando feito oralmente. por inércia do MP acabou havendo a propositura de queixa subsidiária pelo ofendido ou por seu representante legal. Então. Se o juiz vai ficar adstrito aos termos do aditamento. No caso. reduzindo-se a termo o aditamento. 384. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. A imputação alternativa originária é aquela que já está na própria peça acusatória. qualquer espécie de imputação alternativa que você imaginar. quanto pela superveniente. havendo aditamento e. “se em virtude desta”. Alguns doutrinadores vão dizer que há: I. Há ainda uma última classificação que também é feita pela doutrina. particular). o delito vai ser diferente. O que é o “desta” aí? A queixa. Atentem para essa distinção. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. na sentença.” fácil. Ou seja. 384. Para mim é corrupção passiva. qual é a conclusão? A depender do autor do crime (se fui eu. funcionário público. teoricamente. II. no prazo de 5 (cinco) dias. só é possível a mutatio libelli em crimes de ação penal pública ou no caso de ação penal privada subsidiária da pública. no prazo de 5 (cinco) dias. Doutrina e jurisprudência não admitem essa imputação alternativa originária. (Alterado pela L-011. E por razões óbvias: viola o princípio e a garantia da ampla defesa. Então. caput. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. dizendo respeito ao momento em que se dá a imputação alternativa. diz o parágrafo 4º que. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. o juiz ficará adstrito aos termos do aditamento. Imputação Alternativa SUPERVENIENTE – “É aquela que surge a partir do aditamento da peça acusatória nos casos de mutatio libelli . o que ele vai dizer? Que fui eu que pedi dinheiro. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO corrupção. recebido este aditamento. Art. ou se foi ele.  É possível mutatio libelli na ação pública e privada? Vamos ao art. já não haveria mais uma imputação alternativa (porque ele só vai poder condenar ou absolver pela imputação superveniente).LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. adstrito aos termos do aditamento. “De acordo com a redação do art. Encerrada a instrução probatória. uma primeira espécie ocorre quando você coloca as imputações alternativas na própria denúncia e a outra é quando você faz o aditamento no caso de mutatio libelli. Esse é o exemplo de imputação alternativa subjetiva complexa. 384. corrupção ativa.719. ficando o juiz.719-2008) Essa redação não é das melhores.” É como se na própria denúncia eu já fiz uma imputação alternativa. só que pode se dar na queixa subsidiária que não deixa de ser um crime cuja origem é a de ação penal pública. mas que. para responder: jurídica do fato. Acrescentem uma informação que já foi feita na aula de hoje: “antes da Lei 11. Pergunto a vocês: é admitida? Não. uma imputação objetiva ampla e aí. Imputação Alternativa ORIGINÁRIA – “A alternatividade está contida na própria peça acusatória. 384. se entender cabível nova definição  É possível mutatio libelli na segunda instância? 10 4 . o acusado poderia ser condenado tanto pela imputação originária. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. Com o novo § 4º do art.

Convenhamos.O tribunal. ao apelar. Deliberadamente. podemos concluir o quê? “Não é possível a aplicação do art. você decorou isso aí. O que eu vou fazer ao final da primeira instancia? Eu apelo e. devolvendo o feito à primeira instância para que seja aplicado o procedimento da mutatio libelli. como vimos.” Num recurso exclusivo da defesa. eu já seria condenado pelo tribunal e o meu duplo grau já estaria sendo suprimido. por isso é que essa aplicação da mutatio estaria a demandar um recurso da acusação. que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso. no que for aplicável. 617 . em virtude de circunstância elementar não contida. mas o juiz rejeitou e criou uma zona na primeira instancia. Dizer que não se aplica a mutatio libelli na segunda instancia. Ao tribunal não é dado fazer a mutatio libelli.Não se aplicam à segunda instância o Art. 386 e 387.” A Súmula 453 diz: STF Súmula nº 453 DJ de 12/10/1964 . Por que não se aplica a mutatio na segunda instancia? Você tem que pensar o seguinte: a mutatio libelli exige que o MP faça o aditamento. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal. Agora. na denúncia ou queixa. não é dizer muita coisa. não podendo. você já seria condenado pelo tribunal e não teria direito ao duplo grau de jurisdição. vou suscitar como preliminar uma nulidade.” Porque se houvesse a alteração da imputação lá em cima. havia só o parágrafo único. INDENIZAÇÃO CIVIL 10 5 . “A justificativa para essa não aplicação é a observância do duplo grau de jurisdição. Isso caiu numa prova do Rio (não sei se MP ou magistratura). concluindo esse ponto com vocês (e é a ultima vez que falo em mutatio libelli na aula de hoje). câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 617: O tribunal pode fazer mutatio libelli? Vamos a um artigo que já foi lido na aula de hoje. 9. Nesse caso. portanto. ao julgar minha apelação vai fazer? Ele vai reconhecer a inobservância do art. O que o tribunal. Quem faria isso? O procurador? Mas esse não seria o principal problema. Só que aí é que o aluno precisa tomar cuidado. porém. 384 na primeira instancia e o que poderá fazer? Anula o processo e devolve à primeira instancia para que lá seja aplicado o procedimento do art. que vão anotar o seguinte: “Apesar de não ser possível a mutatio libelli na segunda instância. Parágrafo único porque. que é o art. Mas e se por acaso o procedimento da mutatio na primeira instancia não foi observado pelo juiz? Imagine que eu tenha tentado fazer o aditamento. 384. antigamente. 384. 384 na segunda instância. Se você decorar a súmula. ser agravada a pena.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. essa devolução para que fosse aplicada a mutatio não seria benéfica à defesa. quando somente o réu houver apelado da sentença. 384. Mas a gente precisa de algo mais para passar no concurso. Qual nulidade? Violação ao art. E aí já surge um pequeno problema sobre quem faria o adiamento na segunda instancia. Resta pra gente um último ponto para fecharmos o procedimento comum. percebam. O principal problema. Então. são cinco parágrafos. explícita ou implicitamente. o legislador fez questão de omitir daí a aplicação do art. E esse último ponto diz respeito à indenização civil. é possível que o tribunal anule a sentença por error in procedendo. caso houvesse o aditamento na segunda instancia. 383. Art. que leva à aplicação da não aplicação da mutatio na segunda instancia? O duplo grau de jurisdição. Daí. deve haver recurso da acusação.

a partir do momento em que a questão penal está sedimentada. não havia a fixação de valores. no juízo cível. uns dez anos. independentemente do plano criminal. a Lei 11. IV. existe uma sentença condenatória com transito em julgado. poderão promover-lhe a execução. E aí você tinha um título executivo. eventual decisão condenatória com trânsito em julgado tem o condão de tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. do Código Penal Dos Efeitos da Condenação Efeitos Genéricos e Específicos Art. funcionava como título executivo. o ofendido. surge essa outra possibilidade do art. você acabava sendo obrigado a passar por um processo de liquidação e somente após o procedimento de liquidação era que você poderia. Transitada em julgado a sentença condenatória. é óbvio que eu posso entrar com uma ação civil. restava definirmos o quanto seria devido a título de indenização pelo prejuízo causado pelo crime. 387. Porém. efetivamente.tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime.719-2008) Agora. Aqui. Eu não preciso nem dizer o quanto que demoraria para alguém receber algo. (Acrescentado pela L-011. Agora. Ou seja. havia o reconhecimento da dívida. para o efeito da reparação do dano. Daí a importância da habilitação do assistente que faz isso para adiantar o processo e conseguir uma sentença condenatória com transito em julgado porque aí não precisa ingressar com uma ação civil. que era o valor devido. Entendendo como funcionava antes. 91 . toda essa questão foi alterada. Ou seja. Reconhecia-se que você tinha que indenizar alguém pelo dano. 63 .São efeitos da condenação: I . Como não havia esse quantum debeatur. depois da Lei 11. receber os valores. Só que eu também posso esperar a sentença penal condenatória. Se você imaginar um pai de família que tenha sido vítima de um homicídio culposo.719. mas o primeiro passo importante é que o aluno entenda que um dos efeitos da condenação (está lá no Código Penal) é exatamente é tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. resta mais fácil você entender a motivação das alterações.Transitada em julgado a sentença condenatória.719 você precisava entender que a sentença condenatória.719? Antes da Lei 11. Parágrafo único. É a chamada ação civil ex delicto. o denominado quantum debeatur.719 produziu algumas alterações com relação a isso. 91. Vejamos o que nos dizem os artigos em questão: Art. apesar de haver o reconhecimento da dívida. I. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. só para vocês raciocinarem. Não só porque dependia do transito em julgado. O art. Você ia esperar quantos anos para a sentença condenatória transitar em julgado? Sendo bem otimistas. mas agora você precisa entender o sistema. obviamente com trânsito em julgado. Essa é uma introdução necessária. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Em relação à indenização civil. tornou-se certo o seu dever de indenizar o dano causado pelo delito. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. como é que funciona essa indenização. seu representante legal ou seus herdeiros. mas também porque precisava passar por uma liquidação. de que você tinha que indenizar pelo dano causado pelo delito.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Qual é o detalhe à época? A partir do momento em que tínhamos a sentença condenatória com trânsito em julgado. pelo prejuízo causado pelo delito. Como é que funcionava essa questão da indenização civil antes da Lei 11. que tem uma nova redação: 10 6 .

é efeito automático da sentença tornar certo esse valor. já poderia fixar. E. entrando em vigor a lei no ano passado. tem-se que transitada em julgado a sentença penal condenatória. é tudo isso que eu falei (sobre antes de depois da lei). § único. imagine que o delito tenha me dado um prejuízo de 100 mil reais. Vou receber na execução os 40 mil restantes. É fácil perceber que a lei está ressuscitando a participação da vítima no processo penal porque agora. O que essa novidade (fixação de valor mínimo) na prática vai trazer de benefício para a pessoa. 387 . Eu já posso ir diretamente para uma execução por quantia certa. pois se trata de efeito automático de toda e qualquer sentença condenatória com trânsito em julgado. impede que eu passe por uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. tem dito que esse dano que tem que ser fixado pelo juiz penal é somente o dano material. Porém. eu não preciso passar mais por aquela liquidação. essa execução por quantia certa (dos 60 mil). a execução poderá se dar pelo valor fixado. hipótese em que os valores a receber serão. na sua maioria dizem que pode porque na medida em que você entendeu que um dos efeitos da sentença é tornar certa a obrigação. 10 7 . Eu fiz questão de ler: “transitada em julgado a sentença. o que acontece? Agora. o juiz já pode fixar o valor mínimo.719-2008) Agora. Depois da Lei 11. Então. Você tem que somar: agora. vale mais a pena você ir lá levar alguns comprovantes. o quadro que você tem sobre indenização civil. Essa é a grande novidade. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado (que é aquele valor mínimo que a gente viu) sem prejuízo da liquidação para apuração do dano sofrido.” Me contaram que isso estava sendo questionado na prova oral da magistratura/SP: Se o juiz. felizmente. Olha que maravilha! Mas não passou. do dano efetivamente sofrido. O que acontece? Já recebi 60 mil.719 foi abandonado? Continua válido? Continua válido. Eu pergunto: será que isso que falamos sobre antes da Lei 11. por meio da liquidação.719. então. É óbvio que na sentença condenatória nem sempre o juiz vai ter a capacidade de fixar o valor certinho. na própria sentença condenatória. a fixação de valor mínimo a título de indenização independe de pedido explícito.fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração.” O que o aluno precisa entender? Que agora. duas observações:  1ª Observação: “De acordo com a doutrina. o percurso trilhado pelo ofendido. Essa execução por quantia certa vai se dar no cível. A lei usou a expressão “fixação de valor mínimo” por isso. Eu faço uma liquidação e chegamos à conclusão que o dano real teria sido de 100 mil reais. obviamente compensados.O juiz. não preciso. 63. Para a gente concluir. para o representante legal e seus sucessores? O benefício que deriva disso é um só: a partir do momento em que eu já tenho um valor mínimo. o magistrado já irá fixar valor mínimo a titulo de reparação pelos danos causados pelo delito. na sentença. passar por uma liquidação o que já abrevia. sem prejuízo da liquida ção para apuração por dano efetivamente sofrido. querendo demonstrar que a fixação desse valor não impede que você corra atrás. Por isso que a doutrina. Onde vai se dar essa execução? No juízo cível ou no penal? No Senado Federal houve uma proposta de emenda para que essa execução tramitasse no juízo criminal. Esse 60 mil reais já poderão ser objeto de execução por quantia certa. Leia-se. para a vítima. nesse caso. ao proferir sentença condenatória: IV . Aqui vem um detalhe: esse dano que vai ser fixado será de qual espécie? Seria somente um dano material ou abrange também o moral e o chamado dano estético? Cuidado com isso porque a gente também não pode querer transformar o processo penal num processo cível de indenização. na verdade. Os manuais de processo penal que saíram depois da lei.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. de modo algum. sensivelmente. voltando para o art. (Acrescentado pela L-011. a partir do momento que vai ter dinheiro. Ou seja. considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. imagine que ele fixou 60 mil reais a título de danos materiais causados pelo delito. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art.

nada vai nos assustar amanha se disserem que a vítima não teria interesse recursal. 63) ou a ação civil (Art. Posso ou não? Alguns manuais têm dito que sim. 32. E daí o interesse dela. por que você está recorrendo? Pega logo essa grana aí e depois você corre atrás do dano que você entende efetivamente devido. Não é a ideia de que fixou e acabou e é isso mesmo. §§ 1º e 2º). Só que isso é preciso esperar um pouco mais para ver no que vai dar. acusado. a execução da sentença condenatória (Art. “Se o acusado impugnar por mei o da apelação o capítulo referente à sua condenação. 68. a seu requerimento. E o assistente. O MP pode correr atrás de interesse patrimonial? A gente já viu isso no Intensivo I.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (Art. mas como a vítima tem a possibilidade para entrar com uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. ele continua válido. o assistente da acusação (advogado) também. 64) será promovida. pois tal execução pressupõe o trânsito em julgado de sentença condenatória. Eu disse que esse artigo que fala que o MP pode ingressar com ação civil ex delicto em favor de vítima pobre. nada impede a expedição de guia definitiva de execução da pena privativa de liberdade. O Ministério Público somente pode recorrer em favor de vítima pobre nas comarcas em que não haja defensoria pública. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  2ª Observação: “Interesse recursal contra a fixação desse valor mínimo” – Essa é uma outra discussão bastante interessante que alguns doutrinadores travam. que ele é dotado de uma inconstitucionalidade progressiva. pode recorrer? O juiz fixou 60 mil. Como existe a possibilidade de posterior liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. não será possível a execução por quantia certa do valor mínimo fixado pelo juiz. é só na doutrina mesmo porque. convenhamos. Quem tem interesse em recorrer? Recurso do acusado: “Se o acusado recorre tão-somente contra o valor fixado a título de indenização. Há interesse em recorrer? O MP está no processo. Você pode até entender que o assistente não gostou do valor. Art. 68 . quando falamos do art.” É isso que alguns doutrinadores estão cogitamos o que. O tribunal poderia dizer: “Ô meu filho. por um motivo até razoável: ela quer aumentar o valor. O MP vai apelar pedindo aumento do valor.” 10 8 . Mas não é de se assustar se amanhã a doutrina e a jurisprudência chegassem à conclusão de que não haveria interesse tanto por parte do MP quanto por parte da vítima porque esse valor que foi fixado não é um valor definitivo. Eu acho que são 100 mil. que é a seguinte: vamos imaginar que numa sentença o juiz tenha condenado em 60 mil reais. como é que o acusado ia se dar ao trabalho de recorrer somente contra o valor? Ridículo.” E o MP? Tem interesse em recorrer? E o assistente? Têm ou não têm interesse? Aí já vem um problema pelo seguinte motivo: o MP pode recorrer só por conta do valor? O valor é interesse patrimonial. pelo Ministério Público. do CPP. você pode entender que a vítima não teria interesse no manejo desse recurso. Da mesma forma que o MP. E por quê? Porque nas comarcas em que não há defensoria pública.

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