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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL ESTUDO DA LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS VÍTREAS DE

ESTUDO DA LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS VÍTREAS DE MEDICAMENTOS FARMACÊUTICOS E SUA RECICLAGEM

MIGUEL AUGUSTO FINKLER

CANOAS

2012

MIGUEL AUGUSTO FINKLER

ESTUDO DA LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS VÍTREAS DE MEDICAMENTOS FARMACÊUTICOS E SUA RECICLAGEM

Trabalho de conclusão de curso de graduação apresentado no curso de Engenharia Ambiental, na Universidade Luterana do Brasil - ULBRA, Campus Canoas, como requisito parcial para a obtenção do título de Engenharia Ambiental.

ORIENTADOR: Prof°. Me. Reinaldo Augusto Gomes Simões CO-ORIENTADORA: Profª. Me. Dalva Verônica Mendonça Santana

CANOAS

2012

AGRADECIMENTOS

Primeiramente à Deus, pelo dom da vida Aos meus guias de luz, pela proteção Aos meus pais, familiares e amigos que me apóiam A Farmacêutica Cristine Sprenger de Freitas Tscheika por disponibilizar seu tempo e conhecimento e ceder o espaço da Farmácia Escola da ULBRA Aos meus Professores e Mestres pelo conhecimento transmitido e incentivos dados ao longo de toda a trajetória da graduação Aos demais que participaram dessa pesquisa, como as Farmácias e Drogarias que cederão seus espaços e tempo A Recividro por apresentar seu trabalho A Sindifars e Abividro por estar sempre disponível Obrigado a todos por se fazerem presentes

RESUMO

O presente estudo visa caracterizar o resíduo de medicamento das embalagens vítreas e

apresentar as conseqüências do seu descarte incorreto pela falta de informação e legislação direcionada a população, e com o uso da logística reversa propor uma cadeia de

retorno das embalagens vítreas de medicamentos após seu uso ou vigência da validade. Para isso, será utilizado como base a Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010 da Política Nacional de

através

da logística reversa das embalagens vítreas de medicamento, este estudo propõe que as mesmas

devam retornar as indústrias de medicamentos farmacêuticos, as quais tratariam os resíduos de medicamentos líquidos e fariam a descontaminação das embalagens com o desmembramento da

parte plástica e metálica do frasco, seguida do encaminhamento das embalagens vítreas para a reciclagem com a destinação à indústria vidreira que irá incorporar os resíduos de vidro ou cacos

de vidro no seu processo produtivo. As vantagens desse processo de logística reversa de bens de

pós-consumo são os ganhos ambientais, econômico e da saúde dos seres vivos. Na sugestão aos

empreendedores (indústria, importador, distribuidor, farmácia e drogaria) deve-se aderir à

proposta e diretrizes sugeridas no estudo da logística reversa, em que deve-se orientar e informar

ao consumidor o correto descarte do resíduo de medicamento, para então executar o retorno das

embalagens vítreas a indústria farmacêutica que tratara da química do resíduo e descontaminação deste e assim, devolverem as embalagens vítreas limpas e descontaminadas à indústria vidreira. Atualmente ocorre a reciclagem de embalagens vítreas de medicamento, no entanto sem o devido cuidado necessário, os quais são orientados nesse estudo.

Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto n° 7.404, de 23 de dezembro de 2010. E

Palavras-Chave: Resíduo consumo. Reciclagem.

de Medicamento.

Embalagens

Vítreas.

Logística Reversa.

Pós-

ABSTRACT

This study aims to characterize the drug residue packaging vitreous and present the consequences of their incorrect disposal by the lack of information and legislation targeted population, and using the reverse logistics propose a chain of return of vitreous drug packaging after use or duration of validity. For this, is used as the base Law n° 12.305, of August 2, 2010 of the National Solid Waste Politics, regulated by the Proclamation n° 7.404, of December 23, 2010. And through reverse logistics packaging vitreous medicament, this study suggests that they should return the medicinal pharmaceutical industries, which treat the waste liquid medications and would do the decontamination of packaging with the dismemberment of the plastic and metal bottle, then routing the packaging for recycling vitreous with allocations to the glass industry which will incorporate the waste glass or shards of glass in its production process. The advantages of this process of reverse logistics goods post-consumer gains are environmental, economic and health of living beings. At the suggestion to entrepreneurs (industry, importer, distributor, pharmacies and drugstores) must adhere to the guidelines suggested in the proposal and study of reverse logistics, that should guide and inform the consumer the correct disposal of waste product, then run for the return of packaging to the pharmaceutical industry that vitreous treated residue chemistry and decontaminating thereof and thereby, returning the packaging vitreous cleaned and decontaminated the glass industry. Currently occurs packaging recycling vitreous drug, however without due care required, which are targeted in this study.

Key-words: Drug Residue. Packaging vitreous. Reverse logistics. Post-consumer. Recycling.

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1: RESÍDUO SÓLIDO (EMBALAGENS DE MEDICAMENTOS VAZIAS)

16

FIGURA 2: RESÍDUO DE MEDICAMENTOS LÍQUIDOS CONTIDOS NAS EMBALAGENS PRIMÁRIAS

16

FIGURA 3: CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS – ABNT NBR 10.004/2004

17

FIGURA 4: ORIGENS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

18

FIGURA 5: DEFINIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

19

FIGURA 6: IDENTIFICAÇÕES DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE

22

FIGURA

7:

FORMAS FARMACÊUTICAS

 

24

FIGURA 8: SOLIDIFICADOR DE LÍQUIDOS – CDR

40

FIGURA 9: COMPOSIÇÃO DO RESÍDUO SÓLIDO

43

FIGURA 10: MINI-USINA DE BENEFICIAMENTO DE

46

FIGURA 11: ILUSTRAÇÃO SOBRE A LENDA DA DESCOBERTA DO VIDRO

52

FIGURA 12:AGREGAÇÃO DE CACO DE VIDRO NA COMPOSIÇÃO DO

55

FIGURA

13:

ELABORAÇÃO DO VIDRO.

 

56

FIGURA 14: FLUXOGRAMA DO PROCESSO DO VIDRO

57

FIGURA

15:

REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA

DOS

58

FIGURA 16: CASA DE MISTURA

58

FIGURA

17:

TRITURADOR DE

59

FIGURA 18: INTERIOR DO FORNO

59

FIGURA

19:

ALIMENTAÇÃO DO

60

FIGURA

20:

MECANISMOS

61

FIGURA 21: MATERIAL FUNDIDO E CORTADO EM GOTA

61

FIGURA 22: MÁQUINA DE

61

FIGURA 23: CICLO DE MOLDAGEM DO PROCESSO

62

FIGURA 24: CICLO DE MOLDAGEM DO PROCESSO PRENSA-SOPRO

63

FIGURA 25: ESTAÇÃO DE TRATAMENTO A

63

FIGURA 26: ARCA DE RECOZIMENTO (FORNO DE

64

FIGURA 27: EQUIPAMENTO DE TRATAMENTO SUPERFICIAL A FRIO

64

FIGURA 28: SISTEMA DE

65

FIGURA 29: LINHA DE INSPEÇÃO COM DIFERENTES EQUIPAMENTOS EM

65

FIGURA

30:

TRÊS EIXOS DA

 

67

FIGURA 31: LOGÍSTICA REVERSA E OS CICLOS DE MATERIAIS E

68

FIGURA 32: ESTRUTURA DA LOGÍSTICA SUSTENTÁVEL

69

FIGURA 33: ETAPAS DE ATUAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO

70

FIGURA 34: LOGÍSTICA DIRETA

71

FIGURA 35: PROCESSOS LOGÍSTICOS DIRETOS E REVERSOS

72

FIGURA 36: PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA DE BENS DE PÓS-CONSUMO

76

FIGURA 37: CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DIRETO E

77

FIGURA 38 FLUXOGRAMA LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS-VENDA

80

FIGURA 39: FLUXOGRAMA LOGÍSTICA REVERSA DO PÓS-CONSUMO

81

FIGURA 40: ATIVIDADES TÍPICAS DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA

81

FIGURA 41: FOCO DE ATUAÇÃO DA LOGÍSTICA

82

FIGURA 42: CICLO DE VIDA DO

85

FIGURA 43: CICLO DE VIDA DO PRODUTO E OS

90

FIGURA 44: PRAZOS DA

91

FIGURA 45: GRUPOS DE TRABALHO TEMÁTICOS

94

FIGURA 46:LOCALIZAÇÃO DE ALGUMAS FARMÁCIAS E DROGARIAS

99

FIGURA 47: COLETA DE RM DO MÊS DE

110

FIGURA 48: RM CONTIDOS NAS EMBALAGENS PRIMÁRIAS

111

FIGURA

49:

RM

CONTABILIZADOS

111

FIGURA 50: RM LÍQUIDO SOLIDIFICADO

 

113

FIGURA 51: EQUIPAMENTO

113

FIGURA 52: PESAGEM DO CACO DE VIDRO NO

117

FIGURA 53: ARMAZENAMENTO DO VIDRO

118

FIGURA 54: PRIMEIRA ETAPA - ALIMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO DE RECICLAGEM

118

FIGURA 55: SEGUNDA ETAPA DO

119

FIGURA 56: TERCEIRA ETAPA DO BENEFICIAMENTO

119

FIGURA 57: MATERIAIS CONTAMINANTES DO VIDRO

120

FIGURA 58: QUARTA E QUINTA ETAPAS DO BENEFICIAMENTO

120

FIGURA 59: SEXTA ETAPA DO

121

FIGURA 60: PRODUTO ACABADO E

121

FIGURA 61: SÉTIMA ETAPA - TRITURADOR DO VIDRO

122

FIGURA 62: RESÍDUO CONTAMINADO NÃO

122

FIGURA 63: AMOSTRAS DE EMBALAGENS VÍTREAS DE MEDICAMENTO NÃO

122

FIGURA 64: PROPOSTA DE LOGÍSTICA

126

FIGURA 65: EXEMPLO DE FRASCO-AMPOLA QUE PERMITE DESMEMBRAR

127

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1: TIPOS DE EMBALAGENS PRIMÁRIAS VÍTREAS

25

QUADRO 2: TIPOS DE EMBALAGENS SECUNDÁRIAS

26

QUADRO 3: TIPOS DE ACESSÓRIOS DOS

26

QUADRO 4: ASPECTOS, IMPACTOS E SOLUÇÕES DAS EMBALAGENS PRIMÁRIAS, SECUNDÁRIAS, ACESSÓRIOS E RM LÍQUIDOS

30

QUADRO 5: ESTATÍSTICA DE RECICLAGEM DO VIDRO EM 2010 DA FEVE

44

QUADRO 6: VALOR DO VIDRO INCOLOR EM DIFERENTES ESTADOS

45

QUADRO 7: UTILIZAÇÃO DE CACOS DE VIDRO RECICLADO NA PRODUÇÃO PARA A INDÚSTRIA DE EMBALAGENS FARMACÊUTICA E DE

47

QUADRO 8: CONTAMINANTES QUE LIMITAM A RECICLAGEM DO

50

QUADRO 9: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO VIDRO

53

QUADRO

10:

QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS.

99

QUADRO 11: INFORMAÇÃO DO DESCARTE DE RM POR ESTABELECIMENTO

100

QUADRO 12: INFORMAÇÃO DO DESCARTE DOS RM

101

QUADRO 13: CLIENTE DEMONSTRA PREOCUPAÇÃO

102

QUADRO 14: SISTEMA DE COLETA E DESCARTE

103

QUADRO 15: OPERAÇÃO DE DESCARTE DO RM

104

QUADRO 16: NÍVEL DE INSTRUÇÃO E FAIXA

104

QUADRO 17: EXEMPLOS DE MEDICAMENTOS CONSUMIDOS PELA

112

LISTA DE ABREVIATURAS

ABIVIDRO – Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de vidro ABRE - Associação Brasileira de Embalagem ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária ACV - Avaliação de Ciclo de Vida CEME – Central de Medicamentos CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem CDR – Canais de Distribuição Reverso CFF – Conselho Federal de Farmácia CLRB - Conselho de Logística Reversa do Brasil CLM - Council of Logistics Management (Conselho de Gestão da Logística) CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente CONSEMA - Conselho Estadual do Meio Ambiente CORI - Comitê Orientador CS – Cadeia de Suprimentos CSS - Cadeia de Suprimentos Sustentável CSV - Cadeia de Suprimentos verde CVP – Ciclo de Vida do Produto EPR – Extended Product Responsibility (Responsabilidade Estendida do Produto) IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística LR – Logística Reversa MMA – Ministério do Meio Ambiente MS – Ministério da Saúde NBR – Norma Brasileira de Regulamentação OMS – Organização Mundial de Saúde FENAFAR - Federação Nacional dos Farmacêuticos FEVE – The European Container Glass Federation (Federação Européia de Embalagem de Vidro)

GTA - Grupo Técnico Assessor

GTT - Grupos de Trabalho Temáticos PNSB - Pesquisa Nacional de Saneamento Básico PGRSS – Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde PNM – Política Nacional de Medicamentos PNAF – Política Nacional de Assistência Farmacêutica PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos PC – Pós-consumo POA - Processos Oxidativos Avançados PV – Pós-venda RDC – Resolução da Diretoria Colegiada RENAMA – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais RM - Resíduos de Medicamentos RSD – Resíduo Sólido Domiciliar RSS – Resíduos de Serviços de Saúde RSU – Resíduo Sólido Urbano SCM - Supply Chain Management (Cadeia de Gestão de Suprimentos) SC – Supply Chain (Cadeia de Suprimentos) SUS - Sistema Único de Saúde SINDIFARS - Sindicato dos Farmacêuticos no Estado do Rio Grande do Sul ULBRA – Universidade Luterana do Brasil UV - Irradiação Ultravioleta

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

12

2

OBJETIVOS

15

2.1

OBJETIVOS GERAIS

15

2.2

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

15

3

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

16

3.1

RESÍDUOS SÓLIDOS

16

3.2

ORIGENS DOS RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS

18

3.2.1

Resíduos Sólidos Domiciliares

18

3.2.2

Resíduos de Serviços de Saúde

19

3.3

MEDICAMENTOS

22

3.3.1

Popularização de medicamentos

22

3.3.2

Formas farmacêuticas

23

3.3.3

Embalagens farmacêuticas

24

3.4

RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS E OS IMPACTOS

27

3.4.1

Resíduos de medicamentos

27

3.4.2

Descarte de medicamentos e impactos ambientais

27

3.4.3

Resíduos Líquidos

31

3.4.4

Legislação Federal, Estadual e Municipal

33

3.4.4.1 Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n° 44

33

3.4.4.2 Resoluções do Conselho Federal de Farmácia - CFF

34

3.4.4.3 Leis Municipais

34

3.4.4.4 Lei Estadual

35

3.4.5

Comparativos da legislação nacional e internacional

35

3.5

TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS

37

3.5.1

Tipos de Tratamentos e disposição final

37

3.6

RECICLAGEM DO VIDRO

41

3.6.1

Reciclagem do Vidro

41

3.6.1.1 O vidro como matéria-prima

44

3.6.1.2 Processo de reciclagem

45

3.6.2

Incorporação do caco de Vidro

46

3.6.3

Reutilização do Vidro

48

3.6.4

Limitações da Reciclagem

49

3.7

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO VIDRO

52

3.7.1

História do vidro

52

3.7.2

Principais Matérias Primas usadas para a Fabricação do Vidro

53

3.7.3

Fabricação de Vidro de Embalagem

56

3.7.3.1 Mistura

58

3.7.3.2 Fusão

59

3.7.3.3 Moldagem

60

3.7.3.4 Tratamento superficial a quente

63

3.7.3.5 Recozimento

63

3.7.3.6 Tratamento superficial a frio

64

3.7.3.7 Inspeção

65

3.8

LOGÍSTICA REVERSA

65

3.8.1

Supply Chain sustentável e verde

65

3.8.2

Logística Reversa

71

3.8.2.1 Canais Reversos

77

3.8.2.2 Ciclo de Consumo do Produto

83

3.8.2.3 Vantagens da Logística Reversa

86

3.8.2.4 Logística Reversa e a Regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos

89

4

METODOLOGIA

96

5.1

RESULTADOS DA PESQUISA NAS FARMÁCIAS E DROGARIAS, SINDIFARS, IND.

FARMACÊUTICA E ECOPONTO

98

5.1.1

Farmácias e drogarias

98

5.1.2

SINDIFARS

106

5.1.3

Indústria de Medicamentos Farmacêuticos

108

5.1.4

Ecoponto

109

5.2

RESULTADOS DA PESQUISA NA ABIVIDRO E USINA DE RECICLAGEM DE VIDRO

114

5.2.1

ABIVIDRO

114

5.2.2

Usina de Reciclagem de vidro descartado

116

5.3

PROPOSTAS E DIRETRIZES

123

6

CONSIDERAÇÕES FINAIS

129

REFERÊNCIAS

131

 

GLOSSÁRIO

143

APÊNDICES

145

12

1

INTRODUÇÃO

O mercado de medicamentos movimenta bilhões de reais todo ano no Brasil, envolvendo

tanto a parte de produção, através das indústrias nacionais e internacionais, quanto à distribuição e o consumo desses medicamentos por toda a sociedade (BALBINO; BALBINO 2012). Contudo, parte desses medicamentos produzidos não chega a ser consumido pela população, gerando resíduos sólidos e efluentes líquidos sanitários, que contribuem para os impactos ambientais e aos danos a saúde dos seres vivos.

A incidência de danos ambientais resultantes de Resíduos de Medicamentos (RM) é

diretamente proporcional aos aspectos quantitativos da produção, bem como as políticas de gerenciamento de resíduos normalmente conduzidos de forma inadequada. Assim, os riscos associados a esse tipo de resíduo dependerão principalmente da atividade biológica ou reatividade química apresentado pelo(s) componente(s) químico do produto (BINIECKA; CAMPANA; IANNILLI, 2005). De acordo com a legislação brasileira, os serviços de saúde são responsáveis pelo gerenciamento de todos os seus resíduos dos serviços de saúde gerados, devendo atender às normas e exigências legais, desde o momento de sua geração até a destinação final (BRASIL,

2006).

Já o resíduo de medicamento proveniente da população ainda é um problema, pois não

existia uma alternativa legal em vigor no país até o momento. Sabe-se que, por falta de orientação e alternativa, o usuário descarta de forma inadequada o medicamento no meio ambiente, aumentado a carga poluidora. O descarte ocorre geralmente através do vaso sanitário ou resíduo doméstico (EICKHOFF; HEINECK; SEIXAS, 2009; PONEZI; DUARTE; CLAUDINO, 2008). Atualmente com a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - Lei

n.º 12.305, de 02 de agosto de 2010, esta situação será solucionada, pois a lei prevê a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes que devem recolher os resíduos remanescentes após o uso e proceder à destinação final ambientalmente adequada. A implementação dessa logística reversa deve ser subsidiada por estudo de viabilidade técnica, econômica e operacionalizada por meio de acordo setorial entre os entes relacionados ao ciclo de vida do produto, regulamentos ou termos de compromisso (SINDIFAR, 2012).

13

Logo, para diminuição dos riscos ambientais ao destinar Resíduos de Serviço de Saúde (RSS) e resíduos de medicamentos provenientes da população uma das soluções é a destinação para aterro de resíduo perigoso ou mesmo a incineração deste. Os descartes de medicamentos farmacêuticos que contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, estão classificados no grupo B (químicos) pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 306/04 da ANVISA como na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) n.º 358/05, onde aponta no Art. n° 21 que os RM quando não tratados devem ter sua disposição final realizada em aterros de resíduos perigosos – Classe I. Em relação ao gerenciamento dos resíduos, devem ser considerados os princípios: reduzir, segregar e reciclar. A primeira providência para um melhor gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde é a redução no momento da geração. A segregação correta dos resíduos garante o encaminhamento para coleta, tratamento e disposição final especial dos resíduos que realmente necessitam desses procedimentos, reduzindo as despesas com o tratamento ao mínimo necessário (OLIVEIRA, 2012). Dentro deste panorama, alternativas diferenciadas para estes produtos têm sido estudadas, dentre as quais o reaproveitamento das embalagens dos medicamentos pela reciclagem. Em que as embalagens vítreas de medicamentos, denominada por embalagem primária podem ter uma destinação diferenciada com a segregação e descontaminação de plásticos e metais contidos nas embalagens primárias, presentes na forma de tampas, argolas e pescoço de metal. Os materiais plásticos e metálicos são impurezas indesejadas no coprocessamento do vidro (embalagem primária), que na maioria das vezes inviabiliza a logística reversa (LR) de reuso deste como matéria-prima na incorporação do processo produtivo do vidro. Além disso, é preciso retirar o medicamento contido no recipiente vítreo, visto que o objeto do trabalho é o reaproveitamento das embalagens vítreas como matéria-prima. Quanto ao papel da bula, acessórios e a embalagem secundária, a caixa do medicamento, deve-se também considerar a possibilidade da reciclagem. O vidro é um material durável, inerte e tem alta taxa de aproveitamento nas residências, composto usualmente pela formulação: areia, calcário, barrilha e feldspato. Além disso, o material é de fácil reciclagem: pode voltar à produção de novas embalagens inúmeras vezes substituindo o produto virgem sem perda da qualidade. A inclusão do caco de vidro no processo convencional de produção reduz o gasto com energia. Para cada 10% de caco de vidro na mistura economiza-se 2,5% da energia para fusão nos fornos industriais (ABIVIDRO, 1999). Sabe-se que

14

o material vítreo é 100% reciclável e uma das ferramentas que auxilia nessa prática é a logística reversa (ARAUJO, 1997). Leite (2008), define logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós- venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Portanto, o estudo abordará a Logística Reversa pós-consumo de embalagens vítreas de medicamentos farmacêuticos adquiridos pela população. Dessa forma, será verificada a prática do retorno das embalagens vítreas para as farmácias e o que ocorre quando esse resíduo não é retornado para a mesma. Será necessário estudar a Logística Reversa de retorno do material vítreo ao co-processamento, identificando problemáticas e soluções para que ocorra a reciclagem do vidro. É fundamental a identificação do tratamento do resíduo líquido, o qual está contido na embalagem do medicamento, pois tratamentos convencionais não são eficazes na inibição da “composição do fármaco”, potencializando impactos ao meio ambiente e a saúde pública. Neste estudo não serão abordadas as emissões de contaminantes para o ar no processamento ou fabricação do vidro.

15

2

OBJETIVOS

2.1

OBJETIVOS GERAIS

Este trabalho tem como objetivo geral apresentar uma proposta do processo de logística reversa para resíduos de embalagens vítreas de medicamentos.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Os objetivos específicos deste estudo consistem em:

1) apresentar a situação atual, nos estabelecimentos comerciais das farmácias e drogarias quanto a coleta e descarte dos resíduos de medicamentos de pós-consumo;

2)

apresentar práticas de reciclagem de embalagens vítreas de medicamentos farmacêuticos e

3)

sua incorporação no processo produtivo do vidro; apresentar práticas de tratamento dos resíduos líquidos de medicamentos farmacêuticos;

4) elaborar proposta de diretrizes e recomendações para boas práticas de logística reversa das embalagens de medicamentos.

16

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 RESÍDUOS SÓLIDOS

No final da década de 70, por meio do Ministério do Estado do Interior, foi publicada a Portaria Minter n° 53, de 01/03/1979, que visou orientar o controle de resíduos sólidos no país, de natureza industrial, domiciliar, de serviços de saúde e demais resíduos gerados pelas diversas atividades humanas (BRASIL, 2006, p. 15). A ABNT NBR 10.004:2004 classifica Resíduos sólidos em: resíduos nos estados sólido (Figura 1) e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

Figura 1: Resíduo Sólido (embalagens de medicamentos vazias).

1: Resíduo Sólido (embalagens de medicamento s vazias). Fonte: ABNT, 2004. Ficam incluídos nesta definição os
1: Resíduo Sólido (embalagens de medicamento s vazias). Fonte: ABNT, 2004. Ficam incluídos nesta definição os

Fonte: ABNT, 2004.

Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos (Figura 2) cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água (ABNT, 2004). Logo, os resíduos de medicamentos estão incluídos nesta classificação da ABNT NBR 10.004:2004.

Figura 2: Resíduo de medicamentos líquidos contidos nas embalagens primárias.

NBR 10.004:2004. Figura 2: Resíduo de medicamentos líquidos contidos nas embalagens primárias. Fonte: ABNT, 2004.

Fonte: ABNT, 2004.

17

Conforme Brasil (2006, p. 20), as normas e resoluções existentes classificam os resíduos sólidos em função dos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde, bem como em função da natureza e origem. Com relação aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, a NBR 10.004:2004 classifica os resíduos sólidos em duas classes, apresentadas na Figura 3: Classe I ou Perigosos; e Classe II ou Não Perigosos.

Figura 3: Classificação de resíduos sólidos – ABNT NBR 10.004/2004.

de resíduos sólidos – ABNT NBR 10.004/2004. Fonte: ABNT, 2004. Resíduos sólidos perigosos: são

Fonte: ABNT, 2004.

Resíduos sólidos perigosos: são aqueles que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou biológicas, podem apresentar riscos à saúde e ao meio ambiente. Possuem uma ou mais das seguintes propriedades - inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenecidade. Resíduos sólidos não perigosos: são subdivididos em duas classes. Classe IIA ou Não Inertes (quando apresentam propriedades de biodegrabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água) e Classe IIB ou Inertes (quando não apresentam nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, com exceção dos aspectos cor, turbidez, dureza e sabor, não oferecendo assim, teoricamente, nenhum risco ao meio ambiente). Com relação à origem e natureza são vistas na Figura 4 as atividades que são geradoras dos resíduos sólidos, com destaque para a origem Domiciliar e de Serviços de Saúde, na qual encontra-se maior índice de geração de resíduos de medicamento.

18

Figura 4: Origens dos resíduos sólidos.

18 Figura 4: Origens dos resíduos sólidos. Fonte: ABNT, 2004. 3.2 ORIGENS DOS RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS

Fonte: ABNT, 2004.

3.2 ORIGENS DOS RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS

3.2.1 Resíduos Sólidos Domiciliares

Os Resíduos Sólidos Domiciliares (RSD) constituem parcela dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), já que são definidos como aqueles originados “na vida diária das residências, constituído por restos de alimentos, produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. Contêm ainda, alguns resíduos que podem ser tóxicos”, tais como frascos de aerossóis vazios, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, restos de medicamentos entre outros (D’ALMEIDA; VILHENA, 2000, p.8). Desta forma é representada a definição de Resíduos Sólidos Urbanos na Figura 5 com base na definição da ABNT (2004), os quais são constituídos por resíduos públicos, resíduos comerciais e por resíduos domésticos ou residenciais. Fazendo parte deste último as sobras de medicamentos não utilizados pela população.

19

Figura 5: Definição de resíduos sólidos urbanos.

19 Figura 5: Definição de resíduos sólidos urbanos. Fonte: ABNT, 2004. O país possui inúmeras realidades

Fonte: ABNT, 2004.

O país possui inúmeras realidades no que diz respeito ao manejo e disposição de Resíduos Sólidos Domiciliares (RSD), seja em termos de disponibilidade e características de locais de disposição, seja em termos de iniciativas de reaproveitamento. Ao contrário dos demais tipos de resíduos é de responsabilidade dos municípios a gestão integrada dos RSD gerados nos respectivos territórios. Isso não diminui a importância da população no processo logístico. E para regulamentar e garantir um processo de melhoria contínua dos serviços de coleta e disposição de RSD em todas as regiões do país, com mínimos impactos ambientais e sociais, o ambiente institucional e legal foi recentemente modificado. A aprovação da Política Nacional de Saneamento Básico, em 2007, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, são os avanços mais importantes em nível nacional, formando a base para a redução da geração de resíduos sólidos, através de um processo de conscientização do consumo responsável (BARTHOLOMEU; CAIXETA FILHO, 2011).

3.2.2 Resíduos de Serviços de Saúde

Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), entre os quais os medicamentos, representam apenas uma pequena parte, atingindo de 1% a 2% do total dos resíduos sólidos urbanos gerados no país. Desta parcela, entre 10 e 25% necessitam de cuidados especiais pelo potencial de riscos químicos, biológicos e radioativos. Nesse sentido, não é necessariamente a quantidade gerada, mas as características intrínsecas dos componentes dos RSS, que os tornam merecedores de atenção em toda sua cadeia logística, desde segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final, sendo objeto de legislação específica que busca

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regulamentar e garantir a segurança em todas as fases deste processo (BARTHOLOMEU; CAIXETA FILHO, 2011). Na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB (2000), do IBGE, apud Brasil (2006, p. 31), aponta a destinação de RSS, a qual na maioria dos municípios brasileiros não utiliza um sistema apropriado para efetuar a coleta, o tratamento e a disposição final dos RSS. De um total de 5.507 municípios brasileiros pesquisados, somente 63% realizam a coleta dos RSS. Os RSS vêm assumindo grande importância nos últimos anos. Tais desafios geram

políticas públicas e legislações voltadas para a orientação à sustentabilidade do meio ambiente e a preservação da saúde (BRASIL, 2006).

A Resolução RDC n°. 306/2004, dispõe sobre o Regulamento Técnico para o

gerenciamento de RSS, se constitui em um conjunto de procedimentos de gestão, planejados e implementados a partir de bases científicas e técnicas, normativas legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados, um encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando à proteção dos trabalhadores, a preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente (ALVARENGA; NICOLETTI, 2010). De acordo com BRASIL (2006) o gerenciamento de resíduos de serviço de saúde está fundamentado na Resolução CONAMA n°. 358/2005 e na RDC nº. 306/2004. Assim, cabendo ao estabelecimento de saúde o seu gerenciamento desde a geração até a sua disposição final. Os medicamentos contendo agentes químicos são classificados no grupo B, englobando as substâncias químicas que poderão apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Com relação às ampolas são classificados no grupo E por ser um material que oferece risco a cortes, denominados materiais perfuro-cortantes ou escarificantes, tais como lâminas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas, espátulas e outros similares.

Os RSS são aqueles gerados por estabelecimentos de assistência à saúde humana ou

animal, englobando os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo. Dentre esses estabelecimentos, incluem-se: hospitais, drogarias, farmácias, clínicas; clínicas veterinárias entre outros. A classificação dos RSS é em função de suas características e riscos ao meio ambiente e também à saúde. Esses resíduos representam um potencial de risco para a saúde daqueles que os

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manipulam e também para o meio ambiente, através da contaminação do solo, das águas superficiais e subterrâneas e do ar (BARTHOLOMEU; CAIXETA FILHO, 2011). O mesmo vem sofrendo um processo de evolução contínuo quanto à classificação, que visa estabelecer uma gestão segura com base nos princípios da avaliação e gerenciamento dos riscos envolvidos na sua manipulação. Essa evolução ocorre na medida em que são introduzidos novos tipos de resíduos nas unidades de saúde e com o resultado do conhecimento e comportamento do RSS perante o meio ambiente e a saúde (BRASIL, 2006, p. 27). Logo, pode se verificar os grupos de RSS, que são classificados de acordo com BRASIL (2006), pela RDC ANVISA nº 306/2004 que dispõem sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde e a Resolução CONAMA nº 358/2005 que

dispõem sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e das outras providências. Os RSS são classificados em cinco grupos:

Grupo A - resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção;

Grupo B - resíduos químicos;

Grupo C - rejeitos radioativos;

Grupo D - resíduos comuns;

Grupo E - materiais perfurocortantes.

Os mesmos cincos grupos são abordados abaixo com maiores detalhes e são ilustradas as identificações de cada grupo na Figura 6. Grupo A - engloba os componentes com possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Exemplos: placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas (membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras (BRASIL, 2006, p. 29). Grupo B - contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Ex: medicamentos apreendidos, reagentes de laboratório, resíduos contendo metais

pesados, dentre outros (BRASIL, 2006, p. 29). Grupo C - quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da

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Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), como, por exemplo, serviços de medicina nuclear e radioterapia entre outros (BRASIL, 2006, p. 29). Grupo D - não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Exemplo são sobras de alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das áreas administrativas (BRASIL, 2006, p. 29). Podem ser destinados à reciclagem ou à reutilização (BRASIL, 2006, p. 43). Grupo E - materiais perfuro-cortantes ou escarificantes, tais como lâminas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas, espátulas e outros similares (BRASIL, 2006, p. 29).

Figura 6: Identificações dos Resíduos de Serviços de Saúde.

6: Identificações dos Resíduos de Serviços de Saúde. Fonte: BRASIL, 2006, p. 43. 3.3 MEDICAMENTOS 3.3.1

Fonte: BRASIL, 2006, p. 43.

3.3 MEDICAMENTOS

3.3.1 Popularização de medicamentos

Rodrigues (2009) retrata a Central de Medicamentos (CEME), criada em 1971, que teve como política de medicamentos atuar de forma a acomodar os interesses das indústrias, e propiciar a expansão do consumo de medicamentos para a população de baixo poder aquisitivo. E em 1964 foi elaborada a primeira lista de medicamentos essenciais, denominada Relação Básica e Prioritária de Produtos Biológicos e Matérias para Uso Farmacêutico Humano e Veterinário,

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já em 2008, após 08 revisões, passou a se chamar de Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), a qual continua a ser revisada a cada dois anos, sendo a última em 27 de setembro de 2012. E uma das prioridades segundo BRASIL (1998, 2004 apud RENAME, 2010) da Política Nacional de Medicamentos (PNM), reafirmada pela Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), é a revisão da RENAME. O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de medicamentos e com a sua economia estável agregada ao maior acesso a medicamentos, estabelecido pelas políticas governamentais adotadas, contribuem para o aumento do consumo. De acordo com a RDC n° 80, de 11 de maio de 2006, as farmácias e drogarias podem fracionar medicamentos a partir das embalagens especialmente desenvolvidas para essas finalidades, de modo que possam ser dispensados em quantidades individualizadas para atender as necessidades terapêuticas de usuários de medicamentos, considerando as exigências legais envolvidas para tal prática. Essa medida foi criada considerando, principalmente, o desperdício de medicamentos e as conseqüências de utilização decorrente das sobras pela prática da automedicação (OLIVEIRA,

2012).

Para que os medicamentos tenham sua plena ação, devem estar em condições adequadas de uso e dentro do prazo de validade. Medicamentos vencidos devem ser inutilizados e descartados de forma adequada, para evitar o aumento da carga poluidora no meio ambiente (ROCHA, 2009).

3.3.2 Formas farmacêuticas

Segundo BRASIL (2011) a forma farmacêutica é o estado final apresentado após a substância ser submetida às transformações para obter o resultado terapêutico desejado. As formas farmacêuticas podem ser sólidas, líquidas, semi-sólidas e gasosas. Na Figura 7 é representado de acordo com BRASIL (2011), os exemplos de formas farmacêuticas líquidas com suas definições, os quais podem ser na forma de: emulsão, líquida, solução, suspensão e xarope.

24

Figura 7: Formas farmacêuticas Liquidas.

24 Figura 7: Formas farmacêuticas Liquidas. Fonte: Baseada em Prista; Fonseca, 1993; BRASIL, 2011; 3.3.3 Embalagens

Fonte: Baseada em Prista; Fonseca, 1993; BRASIL, 2011;

3.3.3 Embalagens farmacêuticas

A embalagem tem o papel e as funções básicas de conter, proteger e viabilizar o transporte dos produtos. No desenvolvimento das embalagens deve-se considerar a analise do ciclo de vida do produto, o qual consiste no estudo completo dos impactos gerados na sua produção, chamado de “pegada ambiental”. Para isso, são feitos estudos da Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) do produto, que abrangem desde a extração da matéria-prima até sua destinação final. Objetiva conhecer melhor o produto e sua influência sobre o meio ambiente, levando em conta os aspectos ambientais e os impactos associados ao ciclo de vida dos produtos. Identificando na ACV oportunidades de melhoria dos aspectos ambientais ao considerar as várias fases de um sistema de produção e ajuda a reduzir o consumo de recursos naturais e a geração de resíduo (ABRE,

2012).

BRASIL (2011) apresenta as definições de embalagens utilizadas para medicamentos, que correspondem às embalagens primárias e secundárias e seu acessório:

a) Embalagens Primárias - embalagem que mantém contato direto com o medicamento,

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é ilustrado conforme informações do BRASIL (2011) os tipos de embalagens primárias vítreas

utilizadas para o armazenamento de medicamentos.

Quadro 1: Tipos de embalagens primárias vítreas.

Ampola Recipiente fechado hermeticamente, destinado ao armazenamento de líquidos estéreis para uso por via parenteral
Ampola Recipiente fechado hermeticamente, destinado ao armazenamento de líquidos estéreis para uso por via parenteral
Ampola Recipiente fechado hermeticamente, destinado ao armazenamento de líquidos estéreis para uso por via parenteral

Ampola Recipiente fechado hermeticamente, destinado ao armazenamento de líquidos estéreis para uso por via parenteral e cujo conteúdo é utilizado em dose única. Formas:

Ampola de vidro âmbar e Ampola de vidro transparente.
Ampola de vidro âmbar e Ampola de vidro transparente.

Ampola de vidro âmbar e Ampola de vidro transparente.

Ampola de vidro âmbar e Ampola de vidro transparente. Frasco Recipiente normalmente de formato tubular, com
Frasco Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou
Frasco Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou
Frasco Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou

Frasco Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou côncavo. Formas:

Frasco de vidro transparente.

âmbar,

Frasco de vidro opaco e

Frasco de vidro

Frasco-ampola Recipiente normalmente de formato tubular, para o acondicionamento de medicamentos administrados por via
Frasco-ampola Recipiente normalmente de formato tubular, para o acondicionamento de medicamentos administrados por via
Frasco-ampola Recipiente normalmente de formato tubular, para o acondicionamento de medicamentos administrados por via

Frasco-ampola Recipiente normalmente de formato tubular, para o acondicionamento de medicamentos administrados por via parenteral, lacrado com material flexível que deve ser perfurado para a administração do medicamento. Formas:

Frasco-ampola de vidro âmbar e Frasco-ampola de vidro transparente.
Frasco-ampola de vidro âmbar e Frasco-ampola de vidro transparente.

Frasco-ampola de vidro âmbar e Frasco-ampola de vidro transparente.

Frasco-ampola de vidro âmbar e Frasco-ampola de vidro transparente.
Frasco gotejador Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano
Frasco gotejador Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano
Frasco gotejador Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano

Frasco gotejador Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou côncavo. Possui um dispositivo especificamente destinado para a aplicação de um líquido na forma de gota. Formas:

Frasco gotejador de vidro âmbar, Frasco gotejador de vidro opaco e Frasco gotejador de vidro
Frasco gotejador de vidro âmbar, Frasco gotejador de vidro opaco e Frasco gotejador de vidro
Frasco gotejador de vidro âmbar, Frasco gotejador de vidro opaco e Frasco gotejador de vidro

Frasco gotejador de vidro âmbar, Frasco gotejador de vidro opaco e Frasco gotejador de vidro transparente.

Frasco spray Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano
Frasco spray Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano
Frasco spray Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano

Frasco spray Recipiente normalmente de formato tubular, com um gargalo estreito e de fundo plano ou côncavo. Possui um atomizador ou um dispositivo que expele o medicamento finamente dividido e carreado pelo ar. Não é utilizado para acondicionar aerossóis, pois para o acondicionamento desta forma farmacêutica é utilizado o frasco de alumínio. Formas:

Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray de vidro
Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray de vidro
Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray de vidro

Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray de vidro transparente.

de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray
de alumínio. Formas: Frasco spray de vidro âmbar, Frasco spray de vidro opaco e Frasco spray

Fonte: BRASIL, 2011.

b) Embalagens Secundárias - embalagem externa do produto, que está em contato com a

embalagem primária ou envoltório intermediário, podendo conter uma ou mais embalagens

primárias (BRASIL, 2011). No Quadro 2 é ilustrado conforme informações BRASIL (2011) os

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tipos e formas de embalagens secundárias, podendo ser caixas de medicamento (papelão) e caixas

térmicas (isopor ou outro material térmico).

Quadro 2: Tipos de embalagens secundárias

Caixa

Caixa
Caixa Caixa térmica

Caixa

térmica

Caixa Caixa térmica

Fonte:BRASIL, 2011.

c) Acessórios - são complementos destinados a dosar, conduzir ou executar a administração

da forma farmacêutica ao paciente (BRASIL, 2011). No Quadro 3 é ilustrado conforme

informações do BRASIL (2011) os principais acessórios utilizados para a dosagem, condução e

execução dos medicamentos contidos nas embalagens primárias vítreas.

Quadro 3: Tipos de acessórios dos medicamentos.

Agulha

Agulha

Colher-medida

Colher-medida

Conta-gotas

Conta-gotas

Copo dosador

Copo dosador

Seringa,

Seringa,

Seringa dosadora

e Válvula indicadora de dose

Fonte: BRASIL, 2011.

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3.4 RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS E OS IMPACTOS

3.4.1 Resíduos de medicamentos

Grande parte da população brasileira possui medicamentos em sua residência, acumulando-os de forma a constituir o que pode-se denominar de farmácia caseira (um estoque domiciliar de medicamentos), da qual também fazem parte outros instrumentos relacionados à saúde (FERNANDES; PETROVICK, 2004). O resultado dos medicamentos que sobram de tratamentos finalizados e dos que são comprados em quantidades desnecessárias são guardados para serem utilizados novamente pela população nesta farmácia caseira (OLIVEIRA, 2012). O profissional farmacêutico deve orientar quanto ao armazenamento e descarte, capacitando os Agentes Comunitários de Saúde, visando evitar a exposição da população a riscos, assim como a contaminação do meio ambiente (BUENO; WEBER; OLIVEIRA, 2009). Esses acúmulos de medicamentos nas residências acabam por gerar resíduos indesejados. O tema “Resíduos sólidos de origem farmacêutica” é de interesse para a saúde pública e recebe atenção por parte do Ministério da Saúde (MS) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os órgãos de vigilância sanitária e ambiental são responsáveis pelos instrumentos legais, pelo fomento de pesquisas e pela fiscalização, para garantir que as atividades geradoras de resíduos dessa natureza lhes dêem a destinação adequada (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010). Uma das ferramentas utilizadas no gerenciamento de RM segundo ANVISA (2004 apud Rodrigues 2009, p. 48) é o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), sendo um documento integrante do processo de licenciamento ambiental, que aponta e descrevem as ações relativas ao manejo de resíduos sólidos, no âmbito dos estabelecimentos de saúde, contemplando os aspectos referentes à geração, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final, bem como a proteção à saúde pública.

3.4.2 Descarte de medicamentos e impactos ambientais

Após expirar o prazo de validade os medicamentos vencidos devem ser inutilizados e descartados para evitar problemas relacionados com medicamentos, como intoxicações, uso sem necessidade ou sem indicação, falta de efetividade, reações adversas, entre outros (ROCHA,

2009).

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Sabe-se que, por falta de orientação e alternativa, o usuário descarta de forma inadequada o medicamento no meio ambiente, aumentado a carga poluidora. O descarte ocorre geralmente

através do vaso sanitário ou do resíduo doméstico. Deve-se ressaltar ainda a problemática de medicamentos como quimioterápicos, antibióticos, hormônios, entre outros, cujo impacto no meio ambiente é maior (EICKHOFF; HEINECK; SEIXAS, 2009; PONEZI; DUARTE; CLAUDINO, 2008).

O sistema de esgoto brasileiro não esta preparado para fazer o tratamento adequado de

resíduos tóxicos provenientes de medicamentos que são descartados na pia ou no vaso sanitário (OLIVEIRA, 2012). Ressalta Gasparini e Frigieri (2010, p. 42) “o descarte inadequado é feito pela maioria das pessoas por falta de informação e divulgação sobre os danos causados pelos

medicamentos ao meio ambiente e por carência de pontos de coleta”. Neste sentido, é relevante verificar os procedimentos realizados por determinada população, pois possibilita a descrição de seus hábitos e a reflexão sobre medidas que possam torná-los mais adequados dentro da realidade em que se encontram. Como não há um sistema organizado para descarte de medicamentos nos domicílios em nosso país (FERNANDES; PETROVICK, 2004), não havendo separação de medicamentos e sendo os mesmos descartados

conforme a consciência de cada indivíduo, também é importante avaliar em que condições este descarte ocorre, visando à orientação da população quanto à forma adequada de armazenamento e descarte dos mesmos (BUENO; WEBER; OLIVEIRA, 2009).

A segregação dos resíduos na fonte geradora é determinante no processo de tratamento de

resíduos, pois possibilita que sejam classificados conforme normas técnicas e conforme preconizado pela legislação. Evitando a contaminação de resíduos que são recicláveis, como exemplo material de embalagem. Trata-se do material de acondicionamento, das quais as embalagens secundárias que se não tiveram contato com o produto devem ser descaracterizadas e acondicionadas como resíduo comum, podendo ser inclusive encaminhadas para reciclagem.

Porém, as embalagens secundárias e os materiais que estiverem contaminados com alguma substância devem ser tratados como resíduos contaminados. O tratamento e o descarte adequados dos resíduos gerados são obrigatórios de acordo com as regulamentações citadas, no entanto faltam recomendações mais aprofundadas (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010).

O correto descarte dos resíduos sólidos de origem farmacêutica é normatizado pelo

Ministério da Saúde e pelo do Meio Ambiente, que devem fornecer instrumentos para que os

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atores envolvidos em atividades que geram resíduos desta natureza possam dar-lhes a disposição final adequada. No entanto, existem dificuldades a serem superadas. Com o princípio do poluidor pagador, que é bastante complexo e sujeito a diversas interpretações. No setor farmacêutico há divergências quanto à responsabilidade do descarte, pois os laboratórios farmacêuticos declaram

a responsabilidade à indústria química e esta repassa aos laboratórios. Portanto, constatou-se que o descarte de fármacos está sendo realizado pelas farmácias, o ator mais fraco da cadeia de distribuição. Assim, não se aplicando o princípio do poluidor pagador e o consumidor final, realiza o descarte de forma inadequada (RODRIGUES, 2009). Deve-se atribuir também a sociedade uma parcela de responsabilidade, que diz respeito à vigilância da qualidade dos medicamentos, o que inclui data de vencimento, aspecto do medicamento e integridade da embalagem. Essa atenção se justifica pelo fato de que medicamentos em suas formas intactas podem ser usados indevidamente, e mesmo que não utilizados por outras pessoas, ao serem dispersos no ambiente podem se tornar disponíveis ao homem através da água, do solo, e do ar e, consequentemente, causar impactos sobre a natureza e

a saúde pública (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010). Práticas inadequadas de descarte podem originar danos ambientais e à saúde pública. O descarte casual de medicamentos vencidos pode ter como consequências impactos ambientais proeminentes, afetando diversos ecossistemas (MELO et al., 2005 apud BUENO; WEBER; OLIVEIRA, 2009) e gerar risco a saúde de crianças ou pessoas carentes que possam reutilizá-los pelo fácil acesso dos mesmos. Outro ponto importante acerca da exposição ambiental por RM é que estes são idealmente planejados para que tenha boa estabilidade ou meia vida prolongada. Tal fato, somado a outras propriedades físico-químicas ótimas conferem a este grupo elevada tendência a bioacumulação. Em verdade 30% de todos os fármacos desenvolvidos são lipofílicos com hidrosolubilidade menor que 10%, sedimentando-se em ambientes aquáticos ou transferindo-se para fase biótica (SORENSEN, et al., 1998 apud RODRIGUES, 2009). Estima-se que, entre as principais classes de fármacos, as mais impactantes sejam:

antibióticos (76,6%), hormônios (73,6%) e antidepressivos (69,4%), sendo que os respectivos valores correspondem aos percentuais de fármacos de cada classe com inerente risco ambiental (BOUND, et al., 2005 apud RODRIGUES, 2009).

30

Também antibióticos como penicilinas, estreptomicina, ou alguns antiparazitários como invermectina, podem em um primeiro momento interferir diretamente no ciclo biológico, por inibição do crescimento, mas num segundo momento exercer efeitos genotóxicos, seja causando dano ao DNA, seja interferindo nos mecanismos de trandução (KLEINJANS; SCHOOTEN, 2002; WATERS et al., 2003 apud RODRIGUES, 2009). Outro problema ambiental de relevância em saúde pública, relacionado aos resíduos de fármacos é o desenvolvimento da resistência. Estima-se que 55% de todos os microrganismos apresentem resistência a pelo menos um antibiótico. Tomando-se os antibióticos beta-lactâmicos, grupo das penicilinas como exemplos mais comuns (BERGER, et al., 1986 apud RODRIGUES,

2009).

Representa-se no Quadro 4 a planilha resumida de aspectos, impactos e possíveis soluções para o tratamento e destinação dos resíduos de medicamentos descartados incorretamente pela população.

Quadro 4: Aspectos, impactos e soluções das embalagens primárias, secundárias, acessórios e RM líquidos.

Aspectos

 

Impactos

 

Soluções

 

contaminação do solo e recursos hídricos;

orientar a população quanto ao descarte correto das embalagens;

causar ferimentos provocado por corte;

oferecer coleta das embalagens;

Descarte de Embalagens primárias vítreas:

ampola, frasco, frasco-ampola, frascos gotejador, frasco spray.

poluição visual;

segregar as embalagens vítreas;

verificar quais podem ser recicladas após prévio tratamento de

passivo ambiental.

descontaminação e limpeza da embalagem;

 

em caso de não reciclar destinar para local ambientalmente adequado.

 

contaminação do solo e recursos hídricos caso esteja contaminado com RM;

segregar as embalagens secundárias das primárias;

Descarte de Embalagens secundárias:

caixas, caixa térmica.

poluição visual;

evitar contaminação da embalagem secundária com o

medicamento;

desperdício de recurso natural.

enviar à reciclagem para o reprocessamento;

verificar o tratamento das caixas térmicas ou destinação adequada.

   

as agulhas devem ser segregadas separadamente dos outros

tramissão de doenças;

acessorios tendo um tratamento especial;

Descarte de Acessórios dos medicamentos:

caso contenha medicamento causar

acessórios que contenham medicamento devem ser limpos para

agulha, colher, conta-gotas, copo dosador, seringa, válvula indicadora de dose.

contaminação do solo e recurso hídrico;

encaminhar para reciclagem ou destinar para local ambientalmente

adequado.

poluição visual;

passivo ambiental.

 

contaminação do solo e recurso hídrico;

verificar a possiveis tratamentos para a inibição do farmáco;

Descarte de Resíduos de medicamentos Líquidos

causar doenças

destinar para local ambientalmente adequado.

passivo ambiental.

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A destinação final dos resíduos de medicamentos ainda se resume na adoção de soluções

imediatas, em que quase sempre são fundamentadas no simples descarte, predominando o descarte no resíduo comum, pois conforme Silva (2005 apud Oliveira, 2012), “resíduo comum nada mais é do que o reflexo da sociedade que o produz, quanto mais industrializada, tem-se mais resíduos pelo fato de consumir mais” (2005, p.15), e assim contribuindo na contaminação do meio ambiente.

3.4.3 Resíduos Líquidos

A principal forma de contaminação de resíduos de medicamentos no meio ambiente é por

meio do lançamento direto na rede de esgotos domésticos, tratados ou não, em cursos de água. No entanto, também devem ser considerados os efluentes de indústrias farmacêuticas, efluentes

rurais, a presença de fármacos no esterco animal utilizado para adubação de solo e a disposição inadequada de fármacos após a expiração do prazo de validade (MELO et al.,2009). Assim, os resíduos de medicamentos seguem para o esgoto bruto, chegam às estações de tratamento de esgotos (ETE), onde são submetidos a processos de tratamento convencionais, que não são eficientes para a completa remoção de fármacos residuais. Isso ocorre em decorrência dos medicamentos possuírem ação biocida ou estruturas químicas complexas não passíveis de biodegradação, fatos comprovados por estudos que evidenciam a presença desse tipo de contaminante em efluente de ETE (RODRIGUES, 2009). Para Melo et al. (2009) o nível de concentração dos fármacos encontrados em ambientes aquáticos está relacionado com o padrão de consumo dos mesmos, pela taxa de remoção nas ETE, pelo tipo de efluente e a sazonalidade.

É importante ressaltar que no Brasil há uma maior expectativa de ocorrência de fármaco

em águas residuais em decorrência da carência de estrutura sanitária de tratamento de esgoto. Dados do IBGE (2008), revelam que apenas 52,2% dos municípios brasileiros têm serviço de coleta de esgoto e 33,5% dos domicílios são atendidos por rede geral de esgoto (RODRIGUES, 2009). A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2010) revela que apenas 68,8% do esgoto coletado é tratado, e que menos de um terço dos municípios (28,5%) faz esse tratamento, existindo acentuada diferença regional nesse percentual (BEZERRA; SILVA, 2011). Segundo Melo, et al. (2009) a presença de RM em efluentes de ETE é reflexo da baixa eficiência de remoção dos mesmos pelos processos convencionais de tratamento o que e leva à

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contaminação de águas superficiais. A remoção dos RM em ETE depende das características físico-químicas de cada composto, por exemplo, para o anticonvulsivante carbamazepina uma

remoção de 7% foi observada, enquanto que para o analgésico ácido acetil salicílico (AAS) 99% foi obtida em uma ETE na Alemanha (MELO et al., 2009). Eficiência de remoção afluente e efluente de alguns fármacos em unidades de tratamento de esgotos é bastante variável. Os principais sítios de ocorrência ambiental de fármacos podem ser divididos em cinco grupos principais (SORENSEN, et al., 1998; BOUND, et al., 2005; COMORETTO, et al., 2005 apud RODRIGUES 2009):

a) águas de lençóis freáticos: por infiltração de linhas de esgoto ou efluentes;

b) águas de rios: por despejo de esgoto doméstico ou industrial ou de rural quando

transportadas do solo pelas chuvas;

c) águas oceânicas: por despejo de esgoto doméstico ou dos próprios rios;

d) sedimentos: pela deposição de espécies ativas insolúveis;

e) solo: pelo despejo urbano inadequado ou do uso rural.

Quanto às possíveis vias de contaminação ambiental por RM e seus metabólitos, nota-se nas zonas urbana e rural. Segundo Gil e Mathias (2005) a via urbana, principalmente associada a medicamentos de uso humano, pode decorrer principalmente: da excreção urinária ou fecal, com consequente contaminação de esgotos por fármacos ou seus metabólitos; ou do descarte de medicamentos vencidos em resíduos domésticos. Por sua vez, a zona rural, segundo os mesmos autores está associada predominantemente, a medicamentos de uso veterinário, os quais podem ser utilizados para fins diversos. Como exemplo, destaca-se o uso de antibióticos para promoção do crescimento, a adição de hormônios em rações e agentes antiparasitários. Os fármacos biologicamente ativos presentes no ambiente, interagem com a biota do meio (DIETRICH et al., 2002 apud BELISÁRIO et al., 2009), interferindo significativamente na fisiologia, no metabolismo e no comportamento das espécies. Alguns ocasionam efeitos

secundários como, por exemplo, alteração na defesa imunológica de organismos tornando-os mais suscetíveis a doenças (REIS FILHO et al., 2007). O antidepressivo fluoxetina através do esgoto contamina a água, que transporta para rios e mares as secreções humanas contendo a substância. Aparentemente as populações de camarões quando em contato com a fluoxetina, desenvolvem tendências suicidas se expostos à droga conhecida como fluoxetina (KAISER, 2010).

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Em relação aos humanos, os efeitos toxicológicos de fármacos no ambiente, ainda não estão bem compreendidos (CONLEY et al., 2008 apud BELISÁRIO et al., 2009). Porém, alguns estudos demonstraram que hormônios, presentes no meio ambiente, são responsáveis por disfunções no sistema endócrino (BILA; DEZOTTI, 2006), cânceres de testículo, mama, próstata e ovário, além de produção de espermatozóides defeituosos (HARRISON et al., 1997 apud BELISÁRIO et al., 2009). Dessa forma, a preocupação com os resíduos de fármacos presentes no meio aquático é de extrema relevância, uma vez que, chegando a estações de tratamento de água podem prejudicar diretamente a população (WILLIAMS et al., 2006 apud BELISÁRIO et al., 2009). Este fato torna imperativo o controle e remoção desses compostos farmacêuticos do meio aquático (AL- RIFAI et al., 2007; KASPRZYK-HORDERN et al., 2007 apud BELISÁRIO et al., 2009), principalmente tratando-se de águas para o consumo humano.

3.4.4 Legislação Federal, Estadual e Municipal

Nos próximos itens é apresentada a Resolução do Conselho Federal de Farmácia, o qual determina as atribuições do Farmacêutico e Resolução da Diretoria Colegiada que dispõe sobre as boas práticas do Farmacêutico. E também seguem a Lei Municipal e Estadual, quando ao descarte de medicamento e disposição de urnas ou coletores nos estabelecimentos farmacêuticos.

3.4.4.1 Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n° 44

RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009, dispõe sobre boas práticas farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da comercialização de produtos e da prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias e dá outras providências. Art. 93. Fica permitido às farmácias e drogarias participar de programa de coleta de medicamentos a serem descartados pela comunidade, com vistas a preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente, considerando os princípios da biossegurança de empregar medidas técnicas, administrativas e normativas para prevenir acidentes, preservando a saúde pública e o meio ambiente.

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3.4.4.2 Resoluções do Conselho Federal de Farmácia - CFF

A Resolução do CFF n° 386, de 12 de novembro de 2002, dispõe sobre as atribuições do

farmacêutico no âmbito da assistência domiciliar em equipes multidisciplinares. Consta no Art. 1º - São atribuições do farmacêutico no exercício da sua profissão em assistência domiciliar atuando em equipe multidisciplinar ou não: (a) prestar orientações quanto ao uso, à guarda,

administração e descarte de medicamentos e correlatos, com vistas à promoção do uso racional de medicamentos.

A Resolução nº 415, de 29 de junho de 2004, dispõe sobre as atribuições do farmacêutico

no Gerenciamento dos Resíduos dos Serviços de Saúde. Consta no Art. 1º - É atribuição do farmacêutico a responsabilidade pela consultoria para elaboração do plano de gerenciamento de resíduos de serviço de saúde, pela elaboração, implantação, execução, treinamento e gerenciamento dos Resíduos de Serviço de Saúde, desde a geração até a disposição final, de forma a atender aos requisitos ambientais e de saúde coletiva, sem prejuízo da responsabilidade civil solidária, penal e administrativa de outros sujeitos envolvidos.

3.4.4.3 Leis Municipais

Porto Alegre - A lei nº 11.329, de 3 de agosto de 2012, estabelece procedimentos a serem adotados para o descarte de medicamentos vencidos e de suas embalagens no Município de Porto Alegre. Segundo o Art. 1º Os medicamentos vencidos e suas respectivas embalagens deverão ser descartados por seus usuários em quaisquer farmácias, no Município de Porto Alegre. Art. 2º Ficam as farmácias obrigadas a receber e acondicionar os medicamentos e as embalagens referidos no art. 1º desta Lei, bem como a providenciar-lhes destino ambientalmente adequado. Art. 3º O não cumprimento ao disposto nesta Lei sujeitará o estabelecimento infrator às seguintes penalidades: I – advertência, por escrito; II – multa de 2.000 (duas mil) UFMs (Unidades Financeiras Municipais); III – multa de 4.000 (quatro mil) UFMs; IV – suspensão do alvará de funcionamento; e V – cassação do alvará de funcionamento. Passo Fundo – A Lei nº 4.462, de 28 de dezembro de 2007. Dispõe sobre a obrigatoriedade das farmácias manterem urnas para a coleta de medicamentos, insumos farmacêuticos, correlatos, cosméticos deteriorados ou com prazo de validade expirado e dá outras providências. Segundo o Art. 1º Fica instituída a obrigatoriedade das farmácias manterem urnas

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para a coleta de medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos, correlatos, cosméticos deteriorados ou com prazo de validade expirado. Art. 2º A urna deverá ser colocada a vista dos clientes, devendo ser afixados cartazes descrevendo a importância do destino correto dos materiais em questão. Art. 3º Os resíduos recolhidos na urna que trata o artigo 1º da presente lei, deverão ser acondicionados em caixas, com lacre assinado pelo farmacêutico que responde como responsável técnico pelo estabelecimento, ficando guardado em local seguro, longe das prateleiras até o encaminhamento ao destino final. Art. 4º Fica autorizado o Poder executivo a regulamentar e fiscalizar o objeto da presente lei.

3.4.4.4 Lei Estadual

Rio Grande do Sul - A lei n° 13.905, de 10 de janeiro de 2012, dispõe sobre obrigatoriedade das farmácias e drogarias manterem recipientes para coleta de medicamentos, cosméticos, insumos farmacêuticos e correlatos, deteriorados ou com prazo de validade expirado no Estado do RS. Os recipientes deverão: (a) Constituir-se de invólucros lacrados, de material impermeável e com abertura superior, a fim de que seja realizado o depósito dos referidos materiais; (b) Ficar em local visível e de fácil acesso acompanhados de cartazes explicativos que descrevam a importância do destino correto dos medicamentos, cosméticos, insumos farmacêuticos e correlatos, deteriorados ou com prazo de validade expirado. Os resíduos recolhidos deverão ser acondicionados em caixas, também impermeáveis, resistentes à punctura, com lacre assinado pelo farmacêutico responsável pelo estabelecimento, permanecendo guardadas em local seguro, afastadas das prateleiras e dos clientes. As referidas embalagens deverão estar acompanhadas de um relatório, contendo nome fantasia dos produtos, o nome técnico, a quantidade, o lote, o fabricante e o motivo pelo qual não podem ser utilizados. Vigência - 01/12/2012 - pode ser regulamentada.

3.4.5 Comparativos da legislação nacional e internacional

De acordo com a legislação brasileira, os serviços de saúde são responsáveis pelo gerenciamento de todos os resíduos dos serviços de saúde por eles gerados, devendo atender às normas e exigências legais, desde o momento de sua geração até a destinação final. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da RDC n° 306, de dezembro de 2004,

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dispõe sobre o gerenciamento de resíduos de saúde, e a resolução n° 358 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), dispõe sobre o tratamento e disposição final dos resíduos de serviços de saúde, entre outros (BRASIL, 2006). Vale lembrar que os resíduos de medicamentos que pertencem ao Grupo B deverão ser submetidos às condições de tratamento térmico para resíduos industriais, ou ser dispostos em aterros de resíduos perigosos, devidamente licenciados pelos órgãos ambientais (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010). A destinação final dos resíduos de origem farmacêutica é um tema relevante para a saúde pública decorrente das diferentes propriedades farmacológicas dos medicamentos que, inevitavelmente, se tornarão resíduos (ALVARENGA; NICOLETTI, 2010). Comparando as legislações francesas e brasileiras, Groszek diz que não há grandes diferenças. Tanto a legislação brasileira quanto a francesa tem os mesmos princípios da responsabilidade, que é do gerador de resíduos. Na França e no Brasil, o gerador tem a responsabilidade, por exemplo, de escolher um centro de tratamento que seja adequado, legal e ambientalmente, e também um transportador que seja credenciado. O operador, por sua vez, tem a responsabilidade de cumprir as obrigações legais em geral e aquelas decorrentes da licença que possui, em particular. A legislação francesa estabelece que a empresa deva, em primeiro lugar, evitar a geração de resíduo; recuperando a matéria-prima, no caso do tratamento fora da usina, deve-se antes buscar um tratamento que possibilite uma valorização térmica, e em último lugar

utilizar o aterro. Verifica-se ainda uma ausência de orientação técnico-científica consolidada nos aparatos legais existentes no Brasil, caracterizada por uma escassa disponibilidade de dados e informações com rigor científico no que tange às possibilidades de manejo e tratamento desses resíduos (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010).

A legislação existente é direcionada aos estabelecimentos de saúde e não engloba a

população no geral o que dificulta o entendimento sobre os impactos decorrentes do descarte

doméstico de medicamentos (ALVARENGA; NICOLETTI, 2010).

A legislação sanitária apresenta uma brecha quanto ao tratamento de resíduos de

medicamentos no item 11.18.3 da Portaria nº 306, de 7 de dezembro de 2004, tratando-se de resíduos químicos que não apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente. Orienta que se estiverem no estado líquido poderão ser lançados na rede coletora de esgoto ou em corpo receptor, desde que atendam às diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, gestores de

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recursos hídricos e de saneamento. Apesar de estabelecido que esse procedimento deva ser feito atendendo às diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, é contraditório aos princípios da preservação da saúde pública, pois a ausência de informações poderá inserir nesse grupo substâncias que apresentam de fato risco à saúde e ao meio ambiente (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010). Para que isso não ocorra devem ser observadas as resoluções que tratam sobre toxicidade. Segundo a FIERGS (2011), toxicidade refere-se à capacidade de determinada substância, produto ou conjunto de substâncias de provocar efeitos danosos aos organismos com os quais entra em contato. Estes efeitos podem ser desde alterações comportamentais, alteração de crescimento ou reprodução até a morte dos organismos. Mesmo efluentes perfeitamente enquadrados nos padrões químicos de lançamento de efluentes podem apresentar toxicidade. A Resolução CONSEMA nº 129/2006 dispõe sobre a definição de Critérios e Padrões de Emissão para Toxicidade de Efluentes Líquidos lançados em águas superficiais do Estado do Rio Grande do Sul. No entanto essa Resolução CONSEMA nº 129/2006 foi prorrogada pela Resolução CONSEMA nº 251, de 16 de dezembro de 2010, o artigo 1º prorroga por dois anos, a partir de dezembro de 2010, os prazos estabelecidos para o atendimento aos padrões de emissão para toxicidade definidos no artigo 9° da Resolução CONSEMA nº 129/2006.

3.5 TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS

3.5.1 Tipos de Tratamentos e disposição final

A destinação dos resíduos químicos perigosos depende de aprovação do órgão regulador que atende a região onde está localizado o estabelecimento. Na solicitação, além das informações de caracterização qualitativa e estimativa de geração anual de cada resíduo, deve ser indicada a destinação pretendida e a forma de tratamento externo pretendido: para recuperação, para descarte, incineração ou aterros industriais (BRASIL, 2006). A segregação dos resíduos na fonte geradora é determinante no processo de tratamento de resíduos, pois possibilita que sejam classificados conforme normas técnicas e conforme preconizado pela legislação. A segregação dos resíduos em diferentes correntes ou categorias tem como principal objetivo o de facilitar o seu tratamento e disposição final (FALQUETO, E.; KLIGERMAN, D.; ASSUMPÇÃO, 2010).

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Logo, devem ser submetidos ao tratamento mais adequado ou disposição final específicos. Para isso, são apresentados a seguir algumas das formas de tratamento e disposição final dos resíduos de medicamentos:

a) Incineração: a incineração dos RM, maneira atualmente indicada para a diminuição do

volume e destino final dos medicamentos vencidos ou não mais utilizados. Esse método evita que os resíduos sejam descartados indevidamente no solo ou na água, pode resultar na emissão de gases tóxicos à atmosfera (ARAÚJO e SCHOR, 2008; CARVALHO et al., 2009; ALVARENGA e NICOLETTI, 2011 apud BEZERRA; SILVA, 2011). Segundo Bidone (2005) a incineração é um processo de oxidação à alta temperatura que destrói ou reduz o volume ou recupera materiais ou substâncias, ou seja, transformar os rejeitos

em materiais inertes, reduzindo peso e volume. De acordo com Alvarenga e Nicoletti (2010), a incineração é atualmente a maneira indicada para destino e diminuição do volume dos medicamentos inutilizados, como método de evitar que estes sejam descartados indevidamente no ambiente, trazendo como conseqüências a poluição de água e solo, devendo considerar que a incineração por sua vez não é o método ideal, uma vez que pode gerar emissão de gases tóxicos à atmosfera. A incineração é um tratamento muito utilizado e é um processo de redução do peso, volume e das características de periculosidade. Um processo de incineração deve existir interconectado a um sistema de depuração de gases e de tratamento e recirculação dos líquidos de processo. Os gases efluentes de um incinerador carregam grandes quantidades de substâncias em concentrações muito acima dos limites das emissões legalmente permitidas e necessitam de tratamento físico-químico para remover e neutralizar poluentes provenientes do processo térmico (FALQUETO; KLIGERMAN; ASSUMPÇÃO, 2010). Na incineração, o vidro não é um material combustível e se funde a uma temperatura de 1.200°C, transformando-se em uma escória vítrea. Dependendo da quantidade de vidro presentes na incineração, a escória vítrea formada pode encapsular substâncias perigosas (AZEVEDO,

2002).

b)

Estação de Tratamento de Efluente: Atualmente, vários métodos de tratamento são

utilizados tanto em estações de tratamento de água (LÖFFLER et al., 2005) como em estações de

tratamento de esgoto (ANDREOZZI et al., 2003), tais como coagulação, floculação, sedimentação, filtração (CRISAFULLY et al., 2008), processos de troca iônica, adsorção com

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carvão ativado, separação por membrana, biodegradação, processos eletroquímicos (TARLEY; ARRUDA, 2003) e fotodegradação (ZANAROTTO et al, 2007). Tais tratamentos objetivam a obtenção de um produto final adequado para o consumo humano e reinserção no ambiente. Entretanto, a maioria desses métodos não é capaz de eliminar completamente os fármacos presentes na água (LÖFFLER et al., 2005).

c) Adsorção: tem se destacado como uma técnica de separação principalmente por ser um

processo de alta seletividade, a nível molecular, demonstrando-se eficaz e econômica (MALL et al., 2005 apud BELISÁRIO, 2009).

A utilização de bioadsorventes para o tratamento de efluentes contaminados com fármacos, quando comparado aos demais métodos de descontaminação, apresenta-se como uma proposta promissora (BILA; DEZOTTI, 2007 apud BELISÁRIO, 2009), eficiente, economicamente viável e ecologicamente sustentável. A grande disponibilidade e o baixo custo dos resíduos agrícolas e industriais desperta interesses quanto ao seu melhor aproveitamento, podendo dessa forma serem utilizados para a adsorção de fármacos contaminantes (ALBERTINI et al., 2007 apud BELISÁRIO, 2009). Dentre os bioadsorventes mais utilizados e estudados destacam-se: mesocarpo do coco

verde, serragem de madeira (SANTOS et al., 2007), bagaço de cana-de-açúcar (RAYMUNDO et al., 2008; SILVA et al., 2007; Gupta et al., 2002), sabugo de milho (SANTOS et al., 2007), palha ou casca de café (REIS et al., 2005) e casca de banana (RAYMUNDO et al., 2008).

O bagaço da cana de açúcar representa um resíduo com possibilidades de emprego como

bioadsorvente em larga escala. Em relação ao bagaço de cana são produzidos cerca de 5 a 12 milhões de toneladas por ano, sendo este o resíduo agroindustrial mais abundante no Brasil (SILVA et al., 2007).

d) Processos oxidativos avançados (POA): são processos químicos utilizados para

degradação acelerada de compostos orgânicos de difícil biodegradação. Diversas indústrias

geram grandes quantidades de efluentes desse tipo, como é o caso da indústria farmacêutica que contêm hormônios, antibióticos e outros produtos não biodegradáveis da indústria química que contêm resíduos de agrotóxicos e outros contaminantes persistentes) e a indústria de papel e celulose, que gera efluentes com elevada carga orgânica (VERTI, 2012).

A oxidação química é o processo no qual elétrons são removidos de uma substância,

aumentando o seu estado de oxidação. As reações envolvendo agentes oxidantes, tais como

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Peróxido de Hidrogênio (H 2 O 2) ou Ozônio (O 3 ) são, geralmente, termodinamicamente espontâneas. Entretanto, são cineticamente lentas. Na presença de radicais livres altamente

oxidantes como o radical hidroxil, •OH, podem ser obtidas taxas de reação de 1 milhão a 1 bilhão de vezes mais rápidas do que as encontradas com oxidantes químicos (RAJESHWAR; IBANEZ, 1997; DEZOTTI, 1998 apud PUC, 2012).

Os POA são baseados na geração do radical hidroxil (OH) que tem alto poder oxidante e

podem promover a degradação de vários compostos poluentes de maneira rápida e não-seletiva, conduzindo à mineralização parcial ou completa do contaminante (ANDREOZZI et al., 1999

apud TAMBOSI, 2012).

O aumento da eficiência dos radicais hidroxilas pode ocorrer pela combinação com

irradiação ultravioleta (UV) ou visível ou catalisadores (íons metálicos, semicondutores). Sob o ponto de vista operacional, os POA podem ser aplicados à degradação de resíduos de fármacos, tanto na saída das ETE quanto em etapas finais do processo de tratamento de água. O POA têm sido extensivamente estudados devido ao seu potencial como alternativas ou complementos aos processos convencionais de tratamento de efluentes, uma vez que os radicais hidroxila gerados são altamente reativos e pouco seletivos, podendo atuar na oxidação química de uma vasta gama de substâncias (MELO, et al., 2009).

e) Solidificador de Líquidos: é um produto que esta sendo utilizado para alterar o estado

físico de resíduos líquidos, como no caso dos resíduos de medicamentos líquidos. Este esta sendo

tratado comercialmente como CDR, o que possibilita destinar o resíduo líquido no estado sólido para aterros de resíduo perigoso e não ser lançado no recurso hídrico. Porém não são todos os tipos de resíduos líquidos que tem uma boa reação com o CDR (Figura 8).

Figura 8: Solidificador de líquidos – CDR.

líquidos que tem uma boa reação com o CDR (Figura 8). Figura 8: Solidificador de líquidos

Fonte: Pio, 2012

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O processo de solidificação ocorre em duas etapas denominadas de nucleação e crescimento. Inicialmente forma-se um pequeno núcleo sólido, no seio do liquido, que posteriormente cresce. Isto sucede com vários núcleos simultaneamente até que todo o material adquira forma sólida. A evolução do processo de solidificação depende em uma primeira instância da composição química do material (UFPR, 2012). O CDR solidifica e retém líquidos com alta resistência mecânica, sem alterar a natureza química desses mesmos líquidos. Possui ainda uma substância que funciona como uma “cola”, agregando as partículas dos resíduos solidificados e uma fibra especial, que auxilia na solidificação e na sustentação do resíduo. O material solidificado não retorna mais à forma líquida. Na verdade, o resíduo acaba se decompondo juntamente com o CDR, em um prazo

médio de dois anos. O rendimento do produto é grande, com 1 kg é possível solidificar em média 100 litros de resíduos (G &R, 2012).

f) Aterro de resíduos perigosos - classe I - aterro industrial: é uma técnica de disposição

final de resíduos químicos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública, minimizando os impactos ambientais e utilizando procedimentos específicos de engenharia para o confinamento destes (BRASIL, 2006). Resíduos químicos que apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente, quando não forem submetidos a processo de reutilização, recuperação ou reciclagem, devem ser submetidos a tratamento ou disposição final específicos. Os resíduos químicos no estado sólido, quando não tratados, devem ser dispostos em aterro de resíduos perigosos - Classe I ou outra forma de tratamento adequada e os resíduos químicos no estado líquido devem ser submetidos a tratamento específico (NARDY, 2007).

3.6 RECICLAGEM DO VIDRO

3.6.1 Reciclagem do Vidro

No Brasil a primeira iniciativa organizada surgiu em 1986, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Naquele ano, a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro, a ABIVIDRO, lançou um programa nacional de coleta que está em operação até hoje e já conta com a participação de mais 7 milhões de pessoas em 25 cidades. Segundo a ABIVIDRO, atualmente encontram-se em operação no Brasil 24 indústrias automáticas de vidro. Todas, sem

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exceção, localizam-se na faixa litorânea ou em cidades próximas a ela. A razão para as indústrias de vidro terem se instalado próximo ao acesso Atlântico explica-se, principalmente, pela logística de importação e transporte de insumos necessários à produção do vidro (SALATA, 2008).

A incorporação de vidro às matérias-primas naturais também adquiriu grande importância

no processo de fabricação das embalagens de vidro, devido às questões ambientais e econômicas. Sob o aspecto ecológico, com a adição de cacos de vidro reduz-se a quantidade de resíduos descartados, além de reduzir a extração e utilização dos minerais que constituem as matérias- primas do vidro. Também é possível reduzir o consumo de combustível para a geração de energia, reduzido os problemas de poluição ambiental. O caco de vidro recuperado e tratado pode ser proveniente de rejeito de fabricação ou de outras fontes, constitui uma matéria-prima que

apresenta vantagens tecnológicas, pois melhora sensivelmente o processo de fusão, gerando economia no consumo de energia, além de possibilitar um aumento de produtividade (JAIME,

2007).

Logo, pode ser definida reciclagem como a reintrodução de resíduos em um processo produtivo, ou seja, o que até então era resíduo passa a ser matéria-prima. É uma solução pretendida, pois envolve questões ambientais, a necessidade de preservar os recursos minerais

(BARDINI; MARCHIORO, 2007). Na relação da embalagem de vidro com o meio ambiente pode-se afirmar que, a partir do momento que o vidro é reciclado, há uma situação de equilíbrio, de sustentabilidade econômica e ambiental. Afirma-se que o vidro pode ser reciclado infinitamente, sem perda da qualidade ou de pureza do produto (SALATA, 2008).

O Brasil produz em média 980 mil toneladas de embalagens de vidro por ano, usando

cerca de 45% de matéria-prima reciclada na forma de cacos. Parte deles foi gerado como refugo nas fábricas e parte retornou por meio da coleta seletiva. O principal mercado para recipientes de vidros usados é formado pelas vidrarias, que compram o material de sucateiros na forma de cacos ou recebem diretamente de suas campanhas de reciclagem. Além de voltar à produção de

embalagens, a sucata pode ser aplicada na composição de asfalto e pavimentação de estradas, construção de sistemas de drenagem contra enchentes, produção de espuma e fibra de vidro, bijuterias e tintas reflexivas. No Brasil, todos os produtos feitos com vidros correspondem em média a 3% dos resíduos urbanos, representado na Figura 9. E somente as embalagens de vidro correspondem a 1% (CEMPRE, 2012).

43

Figura 9: Composição do Resíduo Sólido Urbano.

43 Figura 9: Composição do Resíduo Sólido Urbano. Fonte: Recividro, 2012. Portando, a ABIVIDRO realiza ação

Fonte: Recividro, 2012.

Portando, a ABIVIDRO realiza ação com incentivo a reciclagem do vidro, visto notável resultados de acordo com as estatísticas coletadas em seu site, indicando um valor de 15% de em 1991 da reciclagem do vidro, havendo crescimento até 2007, atingindo-se o valor 47% em 2010. Esse índice indica que ainda há muito trabalho a ser realizado junto a ações como da ABIVIDRO. Entretanto, é perceptível o ganho de números de reciclagem de vidro no Brasil no período de 17 anos, conforme estatística apresentada. As estatísticas nacionais apontadas pela CEMPRE (2012) indicam valores de 47 % de reciclagem, onde desse total 470mil ton/ano são de embalagens de vidro as quais foram reciclados no Brasil em 2010. É desse total, 40% é oriundo da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10% do "canal frio", que inclui bares, restaurantes, hotéis, e 10 % do refugo da indústria. Nos EUA, o índice de reciclagem foi de 40%, correspondendo a 2,5 milhões de toneladas. Já em relação aos países europeus apresenta-se no Quadro 5 as estatísticas da FEVE (The European Container Glass Federation) de 2010, destacando-se os valores acima de 70% de coleta e reciclagem.

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Quadro 5: Estatística de Reciclagem do vidro em 2010 da FEVE.

Reciclagem de vidro 2010

Grécia

24%

República Checa

34%

Hungria

34%

Estônia

41%

Luxemburgo

44%

Finlândia

45%

Portugal

57%

Espanha

57%

França

68%

Itália

74%

Irlanda

75%

Bulgária

78%

Alemanha

81%

Áustria

85%

Dinamarca

88%

Bélgica

96%

Fonte: Adapatado FEVE, 2012.

3.6.1.1 O vidro como matéria-prima

As vidrarias não compram caco de vidro ou sucata e sim matéria prima que deverá atender determinadas especificações quanto à qualidade e condições de fornecimento. É recomendável sempre consultar o departamento de compra da vidraria antes de iniciar o trabalho. Em função do mercado, os vidros são valorizados de acordo com sua cor. Normalmente, o vidro incolor é o que possui maior valor de mercado, seguido pelo âmbar e verde, do misto e do plano. As diferenças de preço do vidro incolor em relação às outras cores ocorrendo devido às condições de pureza do material e a questão de oferta e demanda de mercado. Também é muito importante estabelecer com a vidraria as especificações do caco em relação aos contaminantes, que constituem um fator de risco para a fabricação do vidro para embalagem. Os contaminantes atrapalham o processo normal de fabricação, danificando os equipamentos de produção, principalmente fornos, produzindo embalagens com defeitos ou impurezas (ABIVIDRO, 2004). No Quadro 6 é apresentado segundo a CEMPRE (2012) o valor de mercado do resíduo de vidro beneficiado de alguns estados do Brasil. Pode se perceber a diferença de valor de mercado na matéria-prima em cada local.

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Quadro 6: Valor do vidro incolor em diferentes estados.

3.6.1.2 Processo de reciclagem

Estado

Cidade

 

R$/ton

 

Canoas

110

 

RS

Porto Alegre

45

L

 

Guarujá

100

P

SP

São Bernardo

130

 

São Paulo

190

L

 

Mesquita

200

L

RJ

Rio de Janeiro

140

PL

 

Londrina

120

PL

PR

Nova Esperança

60

L

 

Itabira

265

L

MG

Lavras

190

L

AC

Rio Branco

130

P

Legenda:

P

- prensado

L

- limpo

PL - prensado e limpo

Fonte: Adapatado CEMPRE, 2012.

O vidro como resíduo sólido é 100% reciclável. Com 1.000 kg de vidro triturado são

produzidos praticamente 1.000 kg de vidro novo. Uma tonelada de caco de viro economiza cerca

de 290,00 kg de petróleo e 1.200 kg de matéria-prima virgem que seriam gastos em sua fundição.

A extração de matéria-prima virgem agride a natureza e o meio ambiente. Além das economias

mencionadas, a produção de vidro a partir de material reciclado significa redução no consumo de

energia e na emissão de resíduos particulados e CO 2 na atmosfera (SALATA, 2008). Nos sistemas de reciclagem mais completos, o vidro bruto estocado em tambores é submetido a um eletroímã para separação dos metais contaminantes.

O material é lavado em tanque com água, que após o processo precisa ser tratada e recuperada

para evitar desperdício e contaminação de cursos d'água. Depois, o material passa por uma esteira ou mesa destinada à catação de impurezas, como restos de metais, pedras, plásticos e vidros

indesejáveis que não tenham sido retirados. Um triturador com motor de 2 HP transforma as embalagens em cacos de tamanho homogêneo que são encaminhados para uma peneira

vibratória. Outra esteira leva o material para um segundo eletroímã, que separa metais ainda existentes nos cacos. O vidro é armazenado em silo ou tambores para abastecimento da vidraria, que usa o material na composição de novas embalagens (CEMPRE, 2012).

O mesmo processo pode ser observado na Figura 10, representando uma mini-usina de

beneficiamento de vidro (ABIVIDRO, 2004) com capacidade de 4ton/hora.

46

Figura 10: Mini-usina de beneficiamento de vidro.

46 Figura 10: Mini-usina de beneficiamento de vidro. FONTE: ABIVDRO, 2004b. Outra característica do vidro é

FONTE: ABIVDRO, 2004b.

Outra característica do vidro é sua resistência mecânica, resistência química e resistência ao choque térmico, características que permitem vários tratamentos de pré-embalagem. O vidro oferece grande resistência à tração, entre 4 e 10 kgf/mm², além de ser resistente a quase todos os agentes químicos em temperaturas normais, com exceção do ácido fluorídrico usado para fosqueação. Também é higiênico, asséptico e proporciona alta inércia química, ou seja, as reações químicas levam muito tempo para acontecer, o que garante maior preservação das características originais do conteúdo embalado. A grande versatilidade da embalagem de vidro também é uma vantagem desse material podendo ter inúmeras formas, cores, tamanhos e efeitos como opacidade, metalização e fosqueamento (SALATA, 2008).

3.6.2 Incorporação do caco de Vidro

Segundo Rodrigues (2000) a reciclagem de vidros desperta interesse tanto da comunidade

vidreira quanto de organizações preocupadas com o meio ambiente. Apresentando no estudo algumas práticas da incorporação de cacos de vidro internos e externo no processo produtivo vítreo. Assim, descreve-se a seguir a prática de duas indústrias vidreiras de embalagens.

a) Indústria de embalagens (todas as áreas da vidraria exceto a cristaleria): essa indústria

produz aproximadamente 1.000 ton/dia de embalagens, empregando cacos de origem interna e externa na produção de vidro colorido, e na produção de vidro incolor apenas o uso dos cacos internos. O caco externo é fornecido pela usina de beneficiamento de vidro. O principal problema da qualidade do caco de origem da coleta seletiva são as impurezas, como tampas de

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metal e pedras. Após recebimento, o caco externo é submetido a um controle de qualidade, no qual é feita uma análise química e também são determinada as quantidades de impurezas infusíveis, metais ferrosos, metais não ferroso e material orgânico e de vidro coloridos na amostragem. A tendência é de aumentar a utilização do cacos de vidro, impulsionado por fatores

econômicos e de marketing verde, para isso a indústria vidreira deve de fato reciclar o vidro e não apenas divulgar que a matéria é reciclável.

b) Indústria de embalagens farmacêuticas e de cosméticos: a empresa trabalha na produção

exclusiva de embalagens de frascos para indústria farmacêutica e de cosméticos, marcada pela enorme variedade de geometria de frascos produzidos. São utilizados poucos cacos de origens externas em sua produção, apenas 4ton/dia, que representam 2% da sua produção total. Não há controle de qualidade no caco comprado. Entretanto, sua especificação é rígida, empregando somente cacos com origem conhecia de determinados vasilhames, que não alteram seu processo produtivo. Com este tipo de especificação o custo do caco se torna muito alto em relação à matéria prima virgem, atingindo praticamente o mesmo valor da matéria prima virgem (U$ 87,5/ton contra U$ 91,6/ton). Esta especificação rígida é um reflexo direto das normas para embalagens de produtos farmacêuticos tais como: antibióticos, xaropes e soluções aquosas das mais diversas. O emprego do caco de vidro pode ser verificado no Quadro 7, para o caco externo somente é empregado na produção do vidro âmbar ou colorido, nunca para o incolor e representa 5% do total dos coloridos.

Quadro 7: Utilização de cacos de vidro reciclado na produção para a indústria de embalagens farmacêutica e de cosméticos.

Tipo vidro Produção Caco Interno Percentagem (ton/dia) Caco Externo Decorado % Sim Não Colorido 75
Tipo vidro
Produção
Caco Interno
Percentagem
(ton/dia)
Caco Externo
Decorado
%
Sim
Não
Colorido
75
4
7,5
11
30
Incolor
125
37,5
30
Total
200
4
7,5
48,5
30

Fonte: Rodrigues, 2000.

Já no uso do caco interno (Quadro 7), é realizada a reciclagem de sua quebra de produção e de seu rejeito de controle de qualidade. O caco interno é empregado tanto para produção do vidro incolor como dos coloridos. Nos vidros coloridos, que representam 75ton/dia, é utilizado 15% (11 ton/dia) de caco interno, onde 10% (7,5 ton/dia) é proveniente dos frascos que recebem

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decoração e podem ser incolores ou coloridos. Enquanto que para o vidro incolor é empregado 30% de caco (37,5 ton/dia). Além das vantagens normais já apresentadas pela indústria, destaca que não há problema com defeitos devido à utilização de vidros reciclados, já que somente são empregados cacos de elevada qualidade. Como desvantagens são considerados o preço elevado do caco externo de alta qualidade que é o fato limitante no seu emprego. Os cacos disponíveis no mercado a preço mais acessível apresentam grandes quantidades de impurezas e composição variáveis devido as suas diversas origens tais como: mistura com vidro temperado, plano. Portanto a indústria percebe falta de regulamentação do setor através de normalização da qualidade desta importante matéria prima.

3.6.3 Reutilização do Vidro

A reciclagem de qualquer material surge num contexto de preservação ecológica, viabilizando um equilíbrio entre as atividades produtivas e os ecossistemas que as abrigam. Como definição, reciclagem é a re-introdução de resíduos ou rejeitos em um processo produtivo. Os resíduos de qualquer processo produtivo não reciclado são depositados em áreas que ocupam espaços cada vez mais valorizados, especialmente aqueles próximos aos grandes centros urbanos. Estes depósitos de resíduos, muitos deles nocivos, significam risco de acidentes ambientais, mesmo que tomadas todas as medidas técnicas de segurança. Os desafios desta nova visão de desenvolvimento é o crescimento econômico, com a preservação da natureza e justiça social (BARDINI; MARCHIORO, 2007). A preocupação em buscar alternativas para a utilização do vidro de embalagens, a partir do momento que não há possibilidade de reciclá-lo, se faz presente na cabeça de alguns pesquisadores e profissionais que já tiveram algum contato com o problema. Se não é possível recuperar todas as embalagens de vidro para reutilizá-las ou para reciclar o vidro, então é necessário repensar o uso desse material nobre que está sendo descartado, principalmente nas pequenas e mais longínquas cidades desse país. Todas essas embalagens chegam, mesmo que enfrentando enormes dificuldades de transporte, ao seu destino. Para o retorno desse vidro, na forma de caco ou mesmo de embalagem, o cálculo dos fabricantes dos produtos embalados em vidro é diferente, o que a embalagem continha já foi consumido, restou somente a embalagem vazia. Para o fabricante do cosmético, do alimento, da bebida ou do medicamento, os

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investimentos já foram feitos no processo de distribuição, a recuperação da embalagem somente terá interesse na compra do caco ou as embalagens se a equação financeira lhe for favorável, caso contrario optará por produzir a partir de matéria-prima virgem. Sem nenhuma preocupação como desperdício e com o comprometimento ambiental. Considerando a enorme quantidade de vidro de embalagens que não retorna aos centros de produção na forma de matéria reciclável ou reutilizável, pode se desenvolver uma proposta de um tipo de concreto que utiliza o vidro moído em substituição aos agregados convencionais que são areia e o pedrisco (SALATA, 2008).

3.6.4 Limitações da Reciclagem

Apesar da indústria vidreira afirmar que está preparada para reciclar todo o vidro produzido, destaca-se que isto é impossível. Não porque a indústria não possua capacidade instalada suficiente para tal compromisso. O problema, no caso brasileiro, é que os fabricantes de embalagens de vidro estão localizados principalmente na faixa litorânea e os consumidores distribuídos por toda a extensão territorial. A equação econômica que viabiliza a compra de caco ou a recuperação das embalagens de vidro, conforme a própria ABIVIDRO, estabelece que as distâncias a serem percorridas entre o fornecedor do caco e a indústria não devam ser superiores a 500 km, através do transporte por carretas com capacidade de carga entre 25 e 30 toneladas. O Brasil tem dimensões continentais e populações por todo o seu território, são milhares de municípios pequenos, médios e grandes que consomem alimentos, bebidas, cosméticos e medicamentos embalados em vidro. Os consumidores de embalagens de vidro que se encontram fora do raio de abrangência das indústrias fabricantes não tem condições de garantir a recuperação da embalagem ou a reciclagem do vidro. Trata-se de um problema de difícil solução, particularmente se enfrentado a partir dos modelos atualmente em operação. No caso do Brasil é necessário repensar o modelo de reciclagem e de recuperação de embalagens de vidro em função de características, geográficas e de ocupação de território, muito particulares. Os modelos utilizados na Europa não nos servem por completo. As distâncias são menores e os sistemas de transporte de carga, baseados no trem, são mais econômicos (SALATA, 2008). Devido aos efeitos das impurezas sobre a qualidade do vidro, principalmente sobre a estrutura, as recicladoras de vidro impõem restrições à qualidade do material a reciclar. Existem também restrições à quantidade mínima a ser comercializada. Assim, os cacos de vidro encaminhados para a reciclagem não podem conter pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas e

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vidro plano utilizados em automóveis e na construção civil. Por ter composição química diferente, esses tipos de vidro causam trincas e defeitos nas embalagens. O mesmo ocorre se os cacos estiverem misturados com terra, cerâmica e louças. Como estes materiais não são fundidos junto com o vidro, acabam formando pedras no produto final, provocando quebra espontânea do vidro. Plástico em excesso pode gerar bolhas e alterar a cor da embalagem. Igual problema se verifica quando há contaminação por metais, além de bolhas e manchas, o material danifica o forno. Frascos de medicamentos só podem ser reciclados, se coletados separadamente do resíduo hospitalar (AZEVEDO, 2002). Desta forma os frascos de medicamento proveniente da população podem ser reciclados desde que sejam descartados corretamente pela população em farmácias e drogarias que disponham de coletores próprios para os RM. Assim, possibilitando o tratamento do resíduo com a descontaminação das impurezas contidos no fraco e o tratamento do resíduo de medicamento líquido, ao final é obtido um material descontaminado e tratado, com possibilidade de reciclagem. Da mesma forma como descrito acima dos limites da reciclagem do vidro, são exemplificados os tipos de contaminantes que podem comprometer o processo produtivo do vidro no Quadro 8.

Quadro 8: Contaminantes que limitam a reciclagem do vidro.

Pedras, cerâmicas, concreto, louça e cristal - são impurezas, produtos inorgânicos estranhos à formulação do vidro soda-cal, difíceis a serem fundidos nas temperaturas do forno de fusão e consequentemente geram falhas ou defeitos no produto final. O exemplo da imagem mostra o defeito causado pela contaminação de cerâmica.

geram falhas ou defeitos no produto final. O exemplo da imagem mostra o defeito causado pela

Material orgânico (plástico, papel e terra) - em princípio volatizam a altas temperaturas, porém em excesso podem alterar a atmosfera do forno, resultando em reações químicas que alteram a cor ou criam bolhas. O exemplo da imagem mostra a bolha causada pelo super aquecimento.

reações químicas que alteram a cor ou criam bolhas. O exemplo da imagem mostra a bolha

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Metais ferrosos e não ferrosos - contaminam o vidro, provocando manchas de cor totalmente diferentes do vidro de base. Provocam bolhas ou aparecem no produto final na forma de defeitos metálicos ou pontos pretos, manchas, nuvens de bolhas etc. O ferro metálico reage com o material refratário do forno de fusão, podendo chegar a furar a sola e as paredes do forno, interrompendo a fabricação ou no mínimo, diminuindo a sua vida útil. O exemplo da imagem mostra o defeito devido à presença de uma partícula de metal.

o defeito devido à presença de uma partícula de metal. Vidros farmacêuticos /laboratório - embalagens de

Vidros farmacêuticos /laboratório - embalagens de vidro que contenham elementos químicos, nocivos a saúde ou corrosivos (classe I) devem ser descontaminados antes de ir para a reciclagem.

Fonte: ABIVIDRO, 2004b.

Apesar de alguns pesquisadores atribuírem ao vidro uma característica de material não contaminante e perfeitamente integrado à natureza devida a sua semelhança com a composição química da crosta terrestre, vale destacar que se o vidro for descartado diretamente na natureza, sem qualquer tratamento ou cuidado, certamente se transformará um material poluente. Sabe-se que o vidro necessita de milhares de anos para voltar a sua condição original de minerais de vidro, de maneira que descartado diretamente sobre o solo estar-se, portanto, poluindo o meio ambiente (SALATA, 2008). Portanto, o vidro não é biodegradável e dificulta a operação das usinas de compostagem, que necessitam separa-ló por processos manuais ou mecânicos. Na incineração, o vidro não é um material combustível e se funde a uma temperatura de 1.200°C, transformando-se em uma escória vítrea. Dependendo da quantidade de vidro presente na incineração, a escória vítrea formada pode encapsular substâncias perigosas, diminuindo a sua disponibilidade para processos de dissolução e extração por meio da água. O efeito abrasivo do vidro pode causar problemas aos fornos, atacando os materiais refratários e danificando equipamentos de transporte (AZEVEDO,

2002).

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3.7 PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO VIDRO

3.7.1 História do vidro

Peças de vidro foram descobertas no antigo Egito que datam de 3.000 a.C. Não obstante, há indícios de que a descoberta e manufatura do vidro provém da Mesopotâmia há aproximadamente 4.500 a.C. Esses vidros eram basicamente constituídos de óxidos de Sódio, Cálcio e Silício na forma de Na 2 CaO-SiO 2 , composição que ainda hoje é usada nos vidros industriais. A aplicabilidade do vidro é a mais diversificada possível (ARAUJO, 1997). A história relatada da descoberta do vidro segundo a ABRAVIDRO (2011), diz respeito a uma lenda que afirma que alguns fenícios (Figura 11), ao desembarcar na costa da Síria, montaram acampamento e fizeram uma fogueira sobre areia, ossos e salitre. Pouco tempo depois, um líquido brilhante escorria do fogo e se solidificava rapidamente, porém mesmo com essa história, os fenícios não devem ser os únicos a receber a glória, visto que no Egito Antigo, arqueólogos encontraram o material nas formas de contas de vidro colorido, colares, brincos e frascos soprados.

Figura 11: Ilustração sobre a lenda da descoberta do vidro.

11: Ilustração sobre a lenda da descoberta do vidro. Fonte: Starr, 1998. Por volta de 300

Fonte: Starr, 1998.

Por volta de 300 a.C., uma grande descoberta revolucionou o vidro: o sopro, que consiste em colher uma pequena porção do material em fusão com a ponta de um tubo pois o vidro fundido é viscoso como o mel e soprar pela outra extremidade, de maneira a se produzir uma bolha no interior da massa que passará a ser a parte interna da embalagem. A partir daí ficou mais fácil a obtenção de frascos e recipientes em geral. A da importância desta descoberta, mais de 2.000 anos depois, confirma-se pela utilização do princípio do sopro para moldar embalagens mesmo nos mais modernos equipamentos (CETEV, 2000).

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3.7.2 Principais Matérias Primas usadas para a Fabricação do Vidro

O vidro é fabricado a partir de algumas das matérias primas mais abundante na face da terra. As principais matérias primas são: areia, barrilha, bórax, calcáreo, dolomita, feldspato, nefelina sienito, sulfato de sódio, silicato de chumbo entre outros, além do próprio caco de vidro. As matérias primas são misturadas a seco e depois transferidas a um forno de fusão, revestido de refratários especiais, onde são fundidas em altas temperaturas, da ordem de 1.500°C. A indústria do vidro se expandiu ao longo dos últimos anos, tentando, através da diversificação dos seus produtos, recuperar parte da participação perdida e conquistar novos mercados, pois um exemplo desta diversificação é na de material composto com o plástico para usos na área de segurança de blindagem. Os vidros mais fabricados são os vidros silicatados. Quase 90% de todo o vidro fabricado no mundo inteiro são do tipo denominado “vidro soda-cal” (vidro comum). O principal componente de todos os vidros silicatos é a sílica (SiO 2 ). Aliás, os elementos Silício e Oxigênio são os dois elementos mais abundantes na terra e fazem com que haja uma ampla disponibilidade de matérias-primas para fabricação dos vidros silicatos (AZEVEDO, 2002). Os insumos utilizados na fabricação de vidro são, de modo geral, relativamente abundantes e podem ser obtidos sem maiores problemas (BNDES, 2007). Conforme observa-se no Quadro 9 a composição química do vidro é muito parecida com a composição química média da crosta terrestre.

Quadro 9: Composição química do vidro.

Óxido

% na crosta terrestre

% nos vidros comuns

SiO 2 (sílica)

60

74

Al2O 3 (alumina)

15

2

Fe 2 O 3 (Óxido de Ferro)

7

0,1

CaO (cálcio)

5

9

MgO (magnésio)

3

2

Na 2 O (sódio)

4

12

K 2 O (potássio)

3

1

Fonte: ABIVIDRO, 2011.

As matérias-primas utilizadas na fabricação de vidro silicato podem ser divididas em duas grandes áreas: os minerais industriais e os produtos químicos. Normalmente, é dada preferência para o uso de minerais industriais, devido à maior disponibilidade e baixo custo. Em geral, as

54

matérias-primas para a produção de vidro são classificadas como componentes principais, tais como que são os vitrificantes, fundentes e estabilizantes e componentes secundários tais como os afinantes e redutores (SILVA, 2004). Os vitrificantes são aquelas passíveis de se transformar em vidro (CETEV, 2000). A sílica (SiO 2 ) que é a principal formadora de vidros, quando fundida em altas temperaturas, atingem mais de 2000°C e resfriada, forma um vidro de alta importância tecnológica (SILVA, 2004). A sílica sozinha produz um vidro de ótima qualidade, porém com um inconveniente: necessita de temperaturas extremamente altas para fundir, próxima de 2500°C e para poder ser conformado, tornando-se o vidro extremamente caro. Para contornar o problema de reduzir a temperatura de fusão do vidro adicionam-se matérias-primas fundentes, que apresentam características de se fundirem a temperaturas muito inferiores à sílica (CETEV, 2000). O principal material fundente do vidro silicato soda cal é o óxido de sódio (Na 2 O), que em geral, é adicionado ao vidro na forma de barrilha (carbonato de sódio – Na 2 CO 3 ) ou soda cáustica (hidróxido de sódio - NaOH). A utilização destes reagentes é motivada pela disponibilidade e baixo custo (SILVA, 2004). Portanto, a barrilha (carbonato de sódio), usada para reduzir o ponto de fusão do vidro, e que corresponde a 60% do custo dos materiais, apesar de representar apenas 12% em peso. A barrilha é normalmente fabricada com base no calcário e no sal marinho (cloreto de sódio). É um insumo importante, que ainda é importado e chega ao Brasil via marítima. Além desta matéria-prima básica, podem ser adicionados outros componentes de acordo com a qualidade que se queira para o vidro, como o óxido de ferro, cobalto, cromo e manganês (BNDES, 2007). Os estabilizantes são uma mistura de barrilha e areia que produz vidro a temperaturas razoáveis, porém com uma desvantagem: são vidros solúveis, isto é, se dissolvem em contato com a água. Para evitar isto, se acrescentam óxidos estabilizantes (CETEV, 2000). O componente estabilizante pode ser o óxido de cálcio (CaO) é promotor do aumento da estabilidade mecânica e química do vidro. Na ausência deste, o sistema SiO 2 -Na 2 O é solúvel em água. Entretanto como o cálcio é um modificador da matriz, quando em excesso pode promover a devitrificação (SILVA,

2004).

Com os três grupos anteriores dos componentes principais, vitrificantes, fundentes e estabilizantes, já se produz vidro a temperaturas razoáveis e estável ao longo do tempo. Porém, como o vidro é um material viscoso, mesmo em altas temperaturas as matérias-primas geram grande quantidade de gases durante a fusão denominada descarbonatação, o primeiro estágio da

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fusão dá origem a uma massa vítrea repleta de bolhas que não conseguem sair do seu interior devido à alta viscosidade. Para afinar, isto é, retirar as bolhas da massa, se acrescenta à composição pequenas quantidades de sulfato de sódio que possui a propriedade de se liqüefazer, mas não se misturar ao vidro, ficando acumulado em torno das bolhas. Quando se atinge um determinado valor de temperatura o sulfato se decompõe violentamente, gerando gás em grande quantidade que entra nas bolhas e as fazem crescer e desta maneira ter força suficiente para subir à superfície, arrastando consigo outras menores que se encontrem no seu caminho (CETEV,

2000).

Com relação aos colorantes, o vidro sem contaminantes é incolor e para conseguir que ele se apresente em cores, determinados óxidos ou elementos metálicos são acrescidos à composição para ficarem dissolvidos na massa, interferindo com a luz e produzindo cores. Os colorantes mais comuns são: cobalto (azul), selênio (rosa), manganês (vinho), ferro (verde - vidro plano automóvel), cromo (verde-vidro garrafa vinho). Estes e outros colorantes podem ser utilizados sós ou em conjunto dependendo do resultado esperado (CETEV, 2000). Além das matérias primas citadas acima também é agregado a composição do vidro, o caco de vidro, como se observa na Figura 12, fato que favorece na economia de matéria prima e gastos energéticos. Segundo a CETEV (2000) o caco de vidro tem também um papel estratégico, pois pode ser enfornado em substituição às matérias-primas, quer seja na falta delas, ou durante uma pane no sistema de produção da composição. O vidro é um material 100% reciclável, portanto tudo que não é aproveitado como produto, seja por razões de processo, ou por algum defeito ou quebra, retorna ao forno para ser refundido. Da mesma forma vidro de outros fornos ou produções podem ser adicionados à composição desde que sua análise seja compatível com a análise do vidro em produção.

Figura 12:Agregação de caco de vidro na composição do vidro.

análise do vidro em produção. Figura 12:Agregação de caco de vidro na composição do vidro. Fonte:

Fonte: ABIVIDRO, 2014b.

56

3.7.3 Fabricação de Vidro de Embalagem

Um dos materiais utilizados para a fabricação de embalagem é o vidro, correspondendo a um dos materiais mais antigos usados na fabricação de embalagens (ABRE, 2012). Na fabrica de certos produtos específicos como frascos para produtos farmacêuticos e cosméticos, esta composição é modificada pela adição de outras matérias a fim de obter propriedades específicas, obtendo-se vidro neutro a vidro opalino, que trata-se dos vidros opacos com coloração branco- leitosos. São adicionados a esta mistura vidro calcinado, detritos de vidros provenientes da fabrica. A utilização de cacos de vidro é uma forma de valorizá-los, bem como economizar energia e matéria-prima (VERALLIA, 2012). A elaboração do vidro é uma fase do processo de produção vidreiro que termina quando o vidro é entregue à máquina, ou ao artesão encarregado de conformar a massa de vidro. O processo em uma vidraria é contínuo e diferente de outros processos não pode estocar lotes de matérias-primas. Tudo o que entra no forno de fusão faz parte do produto final. Qualquer impureza enfornada junto com as matérias-primas em um forno de fusão contamina e como conseqüência toneladas produzidas deverão ser descartadas (CETEV, 2000). Ilustra-se o fluxograma do processo de elaboração do vidro na Figura 13, o qual inicia no recebimento das matérias-primas na fábrica, passando pela estocagem, dosagem, mistura, incorporação de cacos de vidro e finalmente fusão.

Figura 13: Elaboração do vidro.

mistura, incorporação de cacos de vidro e finalmente fusão. Figura 13: Elaboração do vidro. Fonte: Verallia,

Fonte: Verallia, 2012.

57

No diagrama da Figura 14 é apresentado o fluxograma típico das operações que ocorrem em uma vidraria, independente do artigo a ser produzido (CETEV, 2000).

Figura 14: Fluxograma do Processo do Vidro.

(CETEV, 2000). Figura 14: Fluxograma do Processo do Vidro. Fonte: CETEV, 2000. O processo de fabricação

Fonte: CETEV, 2000.

O processo de fabricação do vidro é constituído por etapas conforme visto na Figura 14, que correspondem a: mistura, fusão, moldagem, tratamento superficial a quente, recozimento, tratamento superficial a frio e a ultima que é a inspeção. Desta forma são descritos a seguir nos próximos itens.

58

3.7.3.1 Mistura

A primeira etapa do processo de fabricação de embalagens inicia com a aquisição das matérias-primas, que incluem basicamente areia (sílica), com função vitrificante, calcário (cálcio), dolomita (cálcio e magnésio) e feldspato (alumina, sódio e potássio), que atuam como estabilizantes, e barrilha (carbonato de sódio), exercendo a função de fundente. Quando da introdução de produtos para a indústria farmacêutica, os corantes serão utilizados na obtenção do vidro âmbar ou outras colorações desejadas. As matérias-primas devem ser inspecionadas no ato do recebimento, para avaliar aspectos como granulometria, densidade e umidade, e como forma de garantir que o processo seja reprodutivo, considerando que a mistura é uma das etapas mais importantes do processo de fabricação do vidro. Depois de inspecionadas e aprovadas, as matérias-primas são armazenadas em silos, conforme a Figura 15 para facilitar a etapa seguinte de dosagem e mistura e evitar a absorção de umidade e emissão de partículas para a atmosfera. Toda a etapa de armazenagem, pesagem e mistura de matérias-primas é feita na casa de mistura,conforme a Figura 16, antes de seguir para a outra etapa (FUNDAÇÂO CERTI, 2008).

Figura 15: Representação esquemática dos silos.

2008). Figura 15: Representação esquemática dos silos. Fonte: Zippe, apud Fundação Certi, 2008. Figura 16: Casa

Fonte: Zippe, apud Fundação Certi, 2008.

Figura 16: Casa de mistura.

Fonte: Zippe, apud Fundação Certi, 2008. Figura 16: Casa de mistura. Fonte: Zippe apud Fundação Certi,

Fonte: Zippe apud Fundação Certi, 2008.

59

Para se obter uma mistura homogênea, uma quantidade específica de água deve ser adicionada ao misturador. Isto é feito por meio de um jato fino. A adição de caco pode ser feita diretamente ao material após sair do misturador. A utilização de caco requer cuidados especiais. Quando da utilização de vidro reciclado interno, o caco deve ser triturado para que o material possa obter uma granulometria adequada antes de ser reintegrado à composição. Para isso se utiliza um triturador, ilustrado na Figura 17, normalmente do tipo martelo, que promove a quebra do vidro em partes pequenas por meio de impacto (FUNDAÇÃO CERTI, 2008).

Figura 17: Triturador de vidro.

(FUNDAÇÃO CERTI, 2008). Figura 17: Triturador de vidro. Fonte: Zippe, apud Fundação Certi, 2008. 3.7.3.2 Fusão

Fonte: Zippe, apud Fundação Certi, 2008.

3.7.3.2 Fusão

A mistura de matérias-primas e de cacos de vidro é continuamente fundida em fornos, a uma temperatura de cerca de 1.500°C conforme a Figura 18.

Figura 18: Interior do forno.

de cerca de 1.500°C conforme a Figura 18. Figura 18: Interior do forno. Fonte: Horn, apud

Fonte: Horn, apud Fundação Certi, 2008.

60

Estes fornos funcionam 24horas por dia, 7dias por semana. Têm uma vida útil que varia entre 8 e 10 anos. Entre a introdução das matérias-primas e a saída do vidro em fusão decorrem cerca de 24horas. O vidro em fusão é em seguida transportado por canais de distribuição, denominados alimentadores, até as máquinas de moldagem (VERALLIA, 2012). O forno é alimentado com o material. Existem diferentes mecanismos de carregamento do forno, sendo o empurrador, ou pusher como é chamado, um dos mais utilizados. Neste sistema, a mistura fica armazenada em um silo sobre a entrada de material, ilustrado na Figura 19, que consiste em uma abertura na lateral do forno por onde o material é introduzido (FUNDAÇÃO CERTI, 2008).

3.7.3.3 Moldagem

Figura 19: Alimentação do forno.

2008). 3.7.3.3 Moldagem Figura 19: Alimentação do forno. Fonte: Horn apud Fundação Certi, 2008. A moldagem

Fonte: Horn apud Fundação Certi, 2008.

A moldagem consiste em dar forma a um objeto de vidro oco, com a ajuda de um punção metálico ou de ar comprimido (VERALLIA, 2012). A moldagem de vidros acontece na máquina de moldagem, chamada de I.S. (Individual Section), ilustrada na Figura 22. Os mecanismos alimentadores, conhecido como feeders, conforme a Figura 20 são responsáveis por formar as gotas ou porção de vidro fundido e através de “tesouras” conforme a Figura 21 que cortam a massa fundida com o peso desejado, e transferi-las às máquinas de conformação de vidro, por meio de ação da gravidade (FUNDAÇÃO CERTI, 2008).

61

Figura 20: Mecanismos alimentadores.

61 Figura 20: Mecanismos alimentadores. Fonte: Viton apud Fundação Certi, 2008. Figura 21: Material fundido e

Fonte: Viton apud Fundação Certi, 2008.

Figura 21: Material fundido e cortado em gota.

Certi, 2008. Figura 21: Material fundido e cortado em gota. Fonte: Verallia, 2012. A gota é

Fonte: Verallia, 2012.

A gota é transferida por meio de canais à máquina I.S. (Figura 22), a qual pode ser

eletrônica ou mecânica. A máquina I.S. (Figura 22), é o equipamento que realiza a moldagem do

vidro, que pode ser através de dois processos: sopro-sopro ou prensa-sopro (FUNDAÇÃO CERTI, 2008).

Figura 22: Máquina de moldagem.

(FUNDAÇÃO CERTI, 2008). Figura 22: Máquina de moldagem. Fonte: Fundação Certi, 2008. O ciclo de moldagem

Fonte: Fundação Certi, 2008.

O ciclo de moldagem do processo sopro-sopro ilustrado na Figura 23, é dividido em seis

etapas (a, b, c, d, e, f). (a) A gota cai dentro do pré-molde para inicio da conformação, acontece à formação quase completa do gargalo. (b) O ar comprimido injetado dentro do pré-molde

completa a formação do gargalo e garante sua estabilização dimensional. (c) O ar comprimido é

62

injetado para dentro da massa de vidro abrigando-o a ocupar o espaço interno do pré-molde, formando o parison (pré-formato), que é a primeira etapa da conformação. (d) O parison preso pelo gargalo é transferido desde o pré-molde até o molde, onde a conformação final será realizada. (e) Injeta-se ar comprimido dentro do parison forçando-o a tomar a formato final dentro de uma forma. (f) Após o assopro final e a abertura da forma, um mecanismo de garras pega a peça pelo gargalo e o coloca sobre uma placa de ventilação onde a peça será resfriado (VERALLIA, 2012).

Figura 23: Ciclo de moldagem do processo sopro-sopro.

2012). Figura 23: Ciclo de moldagem do processo sopro-sopro. Fonte: Verallia, 2012. O ciclo de moldagem

Fonte: Verallia, 2012.

O ciclo de moldagem do processo prensa-sopro, conforme a Figura 24, é dividido em cinco etapas (a, b, c, d, e). (a) A gosta de vidro chega dentro do pré-molde e se deposita sobre um pino de prensagem. (b) O vidro, prensado contra o fundo do pré-molde, é forçado a escoar entre o pino de prensagem e as paredes do pré-molde, até a formação do gargalo. Neste processo o gargalo é ultima região do parison a ser conformada. (c) O parison preso pelo gargalo pré- transferido desde o pré-molde até o molde, onde a conformação final será realizada. (d) Injeta-se ar comprimido dentro do parison forçando-o a tomar o formato final dentro de uma forma. (e) Após o assopro final e a abertura da forma, um mecanismo de garras pega a peça pelo gargalo e o coloca sobre uma placa de ventilação onde a peça será resfriada (VERALLIA, 2012).

63

Figura 24: Ciclo de moldagem do processo prensa-sopro

63 Figura 24: Ciclo de moldagem do processo prensa-sopro Fonte: Verallia, 2012. 3.7.3.4 Tratamento superficial a

Fonte: Verallia, 2012.

3.7.3.4 Tratamento superficial a quente

Depois de obtidos os produtos conformados, os mesmos são transportados através de esteiras e passam por uma etapa de tratamento superficial a quente conforme a Figura 25, que consiste na aplicação de um recobrimento à base de cloreto de estanho ou de titânio, na forma de vapor, e tem como função aumentar a resistência à pressão interna e a choques mecânicos (FUNDAÇÃO CERTI, 2008)

Figura 25: Estação de tratamento a quente.

CERTI, 2008) Figura 25: Estação de tratamento a quente. 3.7.3.5 Recozimento Fonte: Horn, apud Fundação Certi,

3.7.3.5 Recozimento

Fonte: Horn, apud Fundação Certi, 2008

Para garantir a solidez das embalagens de vidro esta devem ser reaquecidas, em torno de 500 a 600°C, e em seguida resfriadas progressivamente em um forno-túnel denominado arca de recozimento, conforme a Figura 26. Este processo dura entre 30 minutos e 2 horas. A fim de

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adquirir maior resistência aos frascos recebem geralmente, assim que saem um tratamento de superfície aplicado a quente e a frio (VERALLIA, 2012).

Figura 26: Arca de recozimento (forno de recozimento).

Figura 26: Arca de recozimento (forno de recozimento). Fonte: Horn apud FUndação Certi, 2008. 3.7.3.6

Fonte: Horn apud FUndação Certi, 2008.

3.7.3.6 Tratamento superficial a frio

O processo segue com uma etapa de tratamento superficial a frio, conforme Figura 27, que pode ser realizado para promover a lubrificação da superfície do produto, conferindo-lhe resistência a riscos que possam ser causados durante manuseio nas linhas de enchimento das embalagens. A combinação entre os dois tipos de tratamentos a quente e a frio resulta em maior resistência ao risco, maior lubricidade, menores taxas de quebra, maior velocidade na linha de enchimento e melhor performace dos produtos (FUNDAÇÃO CERTI, 2008).

Figura 27: Equipamento de tratamento superficial a frio.

CERTI, 2008). Figura 27: Equipamento de tratamento superficial a frio. Fonte: Horn apud Fundação Certi, 2008.

Fonte: Horn apud Fundação Certi, 2008.

65

3.7.3.7 Inspeção

Ao final do processo produtivo, os produtos são automaticamente inspecionados através de um sistema ótico, ilustrados nas Figura 28 e 29, e as peças com defeitos são descartadas no que se chama de processo de selecionamento. Os produtos aprovados seguem para paletização e embalagem, enquanto que os produtos rejeitados são eliminados da linha e encaminhados ao triturador para que o material possa ser reintegrado ao processo na forma de caco (FUNDAÇÃO CERTI, 2008). Certos frascos destinados a indústria farmacêutica são submetidos a operações de controle, embalagem e acondicionamento em sala especificas com rigor de classe de limpeza 100% (VERALLIA, 2012).

Figura 28: Sistema de inspeção.

100% (VERALLIA, 2012). Figura 28: Sistema de inspeção. Fonte: Viton apud Fundação Certi, 2008. Figura 29:

Fonte: Viton apud Fundação Certi, 2008.

Figura 29: Linha de inspeção com diferentes equipamentos em seqüência.

de inspeção com diferentes equipamentos em seqüência. Fonte: MSC apud Fundação Certi, 2008. 3.8 LOGÍSTICA

Fonte: MSC apud Fundação Certi, 2008.

3.8 LOGÍSTICA REVERSA

3.8.1 Supply Chain sustentável e verde

O conceito de Supply Chain Management (SCM) trouxe uma visão de complexidade e de

integração para as cadeias de produto, [

produção e redes de distribuição (D’ELIA; ARANTES, 2012).

]

considerando-se: cadeias de suprimento, plantas de

66

O SCM abrange todas as atividades relacionadas com o fluxo e com a transformação de

mercadorias desde o estágio da matéria-prima (extração) até o usuário final, bem como os respectivos fluxos de informação (BALLOU; RONALD, 2004). Logo, supply chain é todo esforço envolvido nos diferentes processos e atividades empresariais que criam valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final (CHING,

2010).

Recentemente o campo da gestão de cadeia de suprimentos direcionou a sua atenção para o papel da cadeia de suprimentos quanto aos impactos ao meio ambiente natural e na geração de mudança de desempenho ambiental. Essa mudança na cadeia de suprimentos tem surgido a partir de uma crescente pressão social e alterações legislativas (SAMSON, 2008). Onde, consumidores e governos têm pressionado as empresas a reduzirem o impacto ambiental de seus produtos e processos (FROTA NETO et al., 2008 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Diante deste contexto ambiental, o foco da sociedade e das empresas está direcionado para soluções que reduzam impactos ambientais e que sejam, ao mesmo tempo, economicamente sustentáveis.

descoberta e implementação continuada de soluções ambientalmente amigáveis de

cadeias de suprimento baseadas na nossa crescente compreensão da importância de impacto ambiental líquido igual a zero” (BOWERSOX, 2007, p. 1 apud BRAGA, 2007). Com o surgimento destas preocupações e até mesmo de novas atividades relacionadas à logística, paralelamente, os conceitos também emergiram para identificar e classificar a prática empresarial. A geração de conceitos está intimamente ligada à relação cíclica que ocorre entre os avanços da teoria e da prática. A logística, apesar de uma atividade econômica antiga, é uma atividade gerencial recente que vem gradativamente ganhando importância no mercado globalizado (BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Que passou a ser vista como uma ferramenta competitiva nas empresas, agregando valor aos produtos (RUTNER; LANGLEY JR., 2000 apud

BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Quando se menciona “sustentabilidade” ou usa-se o termo “verde” relacionado à logística ou à cadeia de suprimentos,ocorrem frequentes confusões etimológicas. Os termos “verde” e “sustentável” passaram a ser usados com frequência pelas empresas nos últimos anos, normalmente para classificar suas operações e até mesmo obter vantagem competitiva aliando sua marca à responsabilidade socioambiental (BOUZON; RODRIGUEZ, 2012).

A

“[

]

67

Nessa linha, a sustentabilidade, no contexto empresarial, significa que as atividades do negócio devem proteger os recursos naturais e o meio ambiente, servir o bem comum para a sociedade e ser sustentáveis economicamente (ELKINGTON, 1998 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Logo, a sustentabilidade é ilustrada na Figura 30, que está liga a economia, sociedade e meio ambiente o qual forma os três eixos para a sustentabilidade de determinada atividade.

Figura 30: Três eixos da sustentabilidade.

atividade. Figura 30: Três eixos da sustentabilidade. Fonte: Bouzon; Rodriguez, 2012. Conceitua-se a logística

Fonte: Bouzon; Rodriguez, 2012.

Conceitua-se a logística sustentável como o processo de planejamento, execução e controle do fluxo de materiais e informações desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às necessidades de todos os stakeholders tais como: agências governamentais, grupos ativistas, consumidores e empregados, a partir do desenvolvimento sustentável, fundamentado na responsabilidade social, na preservação do meio ambiente e na eficiência econômica dos processos (BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Nesse sentido, a logística verde representa o pilar ambiental da logística sustentável. Que, define-se logística verde como a logística com o objetivo de atingir benefícios econômicos e, ao mesmo tempo, preocupar-se com a preservação dos recursos naturais, protegendo o meio ambiente (PING, 2009). A Logística Verde é o sistema logístico responsável pelo meio ambiente, que inclui não somente os processos da logística direta (aquisição de materiais, produção, embalagem, transporte, estocagem, até as mãos dos clientes finais), mas também inclui os

68

processos reversos (CHUNGUANG et al., 2008 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012) ou logística reversa, lidando com reúso, remanufatura, reciclagem e disposição final. Desta forma, na Figura 31 é identificado a logística reversa que faz parte da logística verde, em um ciclo fechado. Visto que a logística reversa no ciclo fechado pode atuar como suprimento industrial, e quando ciclo é aberto os suprimentos são perdidos e desperdiçados.

Figura 31: Logística reversa e os ciclos de materiais e produtos.

31: Logística reversa e os ciclos de materiais e produtos. Fonte:Adaptado de Kumar e Putnam, 2008.

Fonte:Adaptado de Kumar e Putnam, 2008.apud Bouzon; Bodriguez, 2012.

Nota-se, portanto, que a logística reversa tem importante função no fluxo reverso das cadeias de suprimentos com ciclo fechado (closed loop supply chain), que possuem foco no retorno de produtos de consumidores e na recuperação do valor agregado, por meio do reúso do produto como um todo, seus módulos ou peças (GUIDE JR.; WASSENHOVE, 2009 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). No diagrama da Figura 32 são sintetizados os conceitos que foram abordados de logística sustentável, logística verde e etc.

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Figura 32: Estrutura da Logística Sustentável.

69 Figura 32: Estrutura da Logística Sustentável. Fonte: Bouzon; Rodriguez, 2012. Usando o mesmo raciocínio do

Fonte: Bouzon; Rodriguez, 2012.

Usando o mesmo raciocínio do tópico anterior, pode-se afirmar que uma Cadeia de Suprimentos Sustentável (CSS) é aquela que considera na coordenação e colaboração com seus parceiros do canal os três pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. Desta forma, a distinção da logística sustentável da CSS reside na abrangência, sendo a primeira limitada às operações e processos de uma empresa, e a segunda relacionada à sustentabilidade em uma cadeia de empresas (BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Por isso, uma vez que o conceito de CSS envolve fornecedores e clientes sustentáveis, pode-se afirmar que a sustentabilidade de uma empresa não necessariamente determina o mesmo para sua cadeia (BÜYÜKÖZKAN; BERKOL, 2011 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). Desta forma, a Cadeia de Suprimentos funciona como uma rede de parcerias entre diversas empresas, sejam elas fabricantes, fornecedoras de matéria-prima, transportadoras, varejistas ou de qualquer outra categoria. Essas empresas fazem alianças de parcerias que as permitem não apenas reduzir custos operacionais como também oferecer melhor nível de serviço aos seus clientes e criar cada vez mais oportunidades de negócios. O conceito de parceria e oportunidade estende-se à Cadeia de Suprimentos Verde. É impossível negar a necessidade de investimentos para tornar sustentável cada elo da cadeia, o que deve ser compensado com a redução de custos como o de energia, água, combustível, não pagamento de multas e

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indenizações entre outros. Inúmeras são as ações que culminarão na redução desses custos (GOMES, 2010). Como um pilar da CSS, a cadeia de suprimentos verde (CSV) pode ser definida como a integração do pensamento ambiental na gestão da CS, incluindo projeto do produto, seleção e suprimento de materiais, processos de manufatura, entrega dos produtos finais para os consumidores e gerenciamento do fim de vida (SRIVASTAVA, 2007 apud BOUZON; RODRIGUEZ, 2012). A Figura 33 apresenta um esquema que interliga os subsistemas da logística verde em âmbito de cadeia.

Figura 33: Etapas de atuação da cadeia de suprimento verde.

33: Etapas de atuação da cadeia de suprimento verde. Fonte: Adaptados DE Chunguang et al ,

Fonte: Adaptados DE Chunguang et al , 2008. apud Bouzon; Rodriguez, 2012

A estratégia mais simples de gestão da cadeia de suprimento verde em relação ao inter- empresarias do desenvolvimento de recursos de investimento é a redução de risco. As empresas que adotam esta estratégia são propostas para fazê-lo em resposta ostensivamente aos requisitos das partes interessadas. Tal estratégia é ideal para a organização que mantém o mínimo de recursos internos de gestão ambiental ou só recentemente começou a considerar a introdução de um programa de cadeia de suprimento verde. Sendo, baseado no envolvimento inter-empresarias mínima. Esses esforços podem envolver a inclusão de cláusulas básicas na compra de contratos de fornecedores para atender a todos os requisitos regulamentares aplicáveis (SAMSON, 2008).

71

Entretanto, é importante mencionar que a logística reversa nem sempre está ligada a preocupações ambientais e à logística verde. Por este ângulo de análise, afirma-se que nem sempre as atividades da logística reversa são ambientalmente amigáveis (BOUZON; RODRIGUEZ, 2012).

3.8.2 Logística Reversa

Atualmente, a logística empresarial é um ramo deslumbrante e em desenvolvimento. A logística exerce a função de responder por toda a movimentação de materiais, dentro do ambiente interno e externo da empresa, iniciando pela chegada da matéria-prima até a entrega do produto final ao cliente. Suas atividades podem ser divididas da seguinte forma: atividades primárias (transporte, gestão de estoques e processamento de pedidos) e atividades secundárias (armazenagem, manuseio de materiais, embalagem de proteção, programação de produtos e manutenção de informação). O conceito básico da logística é a integração das áreas e processos da empresa a fim de obter melhor desempenho que seus concorrentes. Onde a logística pode atuar em diversas áreas, sendo ilustrando na Figura 34, entre as quais correspondem as áreas de suprimentos, produção e distribuição (CHING, 2010).

Figura 34: Logística Direta.

distribuição (CHING, 2010). Figura 34: Logística Direta. Fonte: Adaptado de Lacerda, 2009. Logo, a logística

Fonte: Adaptado de Lacerda, 2009.

Logo, a logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável (BALLOU 1995 apud BRAGA, 2007). A logística reversa envolve os mesmos elementos encontrados na logística direta (armazenagem, transporte, estoques, fluxo de materiais, nível de serviço, sistemas de informação

72

etc.), portanto, o seu serviço logístico deve ser bem estruturado, pois falhas no processo podem acarretar custos de ordem financeira e de imagem corporativa. Antes da abordagem referente aos fatores críticos para o bom desempenho da logística reversa, as empresas devem evitar a ocorrência de retornos não planejados. Para que se tenha algum controle sobre retornos não planejados, muitas medidas podem ser tomadas, desde testes para garantir a qualidade dos produtos, passando por uma estrutura mais avançada de serviço de atendimento ao cliente, como call centers, até mesmo o estabelecimento de políticas de retorno com os distribuidores (CAMPOS, 2006). Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso conforme a Figura 35, que retorna do ponto de consumo até o ponto de origem e precisa ser gerenciado (LACERDA, 2009).

Figura 35: Processos Logísticos Diretos e Reversos.

2009). Figura 35: Processos Logísticos Diretos e Reversos. Fonte: Lacerda, 2009. O processo de logística reversa

Fonte: Lacerda, 2009.

O processo de logística reversa gera materiais reaproveitados que retornam ao processo tradicional de suprimento, produção e distribuição, conforme indicado na Figura 35 (LACERDA,

2009).

Entretanto, o termo logística reversa não possui uma definição ‘universal’. É considerado bastante apropriado o conceito apresentado pelo Reverse Logistics Executive Council (2004), que define a logística reversa como o “processo do planejamento, implementação e controle da eficiência e custo do fluxo de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e as

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informações correlacionadas do ponto do consumo ao ponto de origem com o propósito de recapturar valor ou para uma disposição apropriada” (SOUZA; FONSECA, 2008). Conforme descrito por Campos (2006) a Logística Reversa é um termo bastante genérico. Onde, as diversas definições e conceitos de Logística Reversa seguem em evolução, as quais são apresentadas a seguir:

Os primeiros relatos sobre a atenção dada ao retorno de produtos, porém ainda sem se referir a ele como logística reversa, datam do inicio do século XX (BECKELEY e LOGAN, 1948, TERRY, 1869, GIULTIAN E NWOKOYE, 1975 apud FERNÁNDEZ, 2003). Uma das referências mais antigas encontrada sobre o tema é de Willian G. Zikmund e Willian J. Stanton (1971), que utilizaram sobre o termo “distribuição reversa” como sendo o fluxo físico de produtos no sentido reverso ao tradicional, aplicado à necessidade de recolhimento de materiais sólidos provenientes do usuário para reutilização pelo produtor, com a finalidade de reciclagem. Peter M. Ginter e Jack. Starling (1978) utilizaram o termo “canais de distribuição reversos” para retratar a importância desses canais na questão da reciclagem, apresentando suas vantagens econômicas e ecológicas. Já naquele ano os autores também salientaram a necessidade de se estabelecerem leis ambientais, federais e estaduais, para o desenvolvimento dos canais de distribuição reversos. Uma das primeiras descrições especificas de logística reversa foi dada por Lambert e Stock (1981), que descreveram como seguir na contramão de uma rua de mão única, pois a maioria do fluxo dos produtos vai na outra direção. Murphy e Poist (1989) definiram logística reversa como “o movimento de mercadorias do consumidor ao produtor no canal de distribuição”. Durante toda a década de 80, a logística reversa foi limitada ao fluxo de material no sentido contrário ao original, ou seja, o fluxo de retorno dos produtos do consumidor ao produtor (ROGER e TIBBEN-LEMBKE, 2001). Murphy (1986), no artigo “A preliminary study of transportion and warehousing aspects of reverse distrbution”, salientou a falta de atenção que a distribuição reversa, na literatura sobre distribuição física de produtos, estava recebendo. Nesse artigo o autor define distribuição reversa como a movimentação de retorno dos produtos do consumidor para o produtor em um canal de distribuição.

74

Para Giuntini e Andel (1995, parte 1), a logística reversa pode ser pensada como a administração de recursos materiais obtidos dos clientes por uma empresa. Essa definição possui uma característica especial, que é a origem. A partir dessa conceituação qualquer ação vinda do cliente para a empresa passa a ser logística reversa. O Council of Logistics Management (CLM) publicou a primeira definição de logística reversa, no começo dos anos 90, como sendo um termo comumente usado para se referir a toda a logística de reciclagem, depois de resíduo e administração de materiais perigosos; uma perspectiva mais ampla inclui todas as atividades logísticas realizadas para redução, reciclagem, substituição, reuso e disposição de material, relacionadas (STOCK, 1992, apud BRITO et al.

2002).

Para Byrne e Deed (1993), logística reversa é o processo contínuo de “tomar de volta” produtos ou materiais de embalagem para evitar mais disposição de resíduo comum em aterros ou alto consumo de energia em processos de incineração. Para eles a logística reversa é resultado do aumento de exigências do consumidor, quanto à necessidade de produtos ambientalmente corretos de fruto das leis governamentais, esses autores não consideram a logística reversa uma questão econômica. Para Kroon e Vrijen (1995), logística reversa refere-se às habilidades de administração logística e das atividades envolvidas na redução, administração e disposição de resíduo tóxico e não tóxico desde produtos até embalagens. Nessa definição fica clara a orientação ambiental que a logística reversa recebeu em seus primórdios. Stock (2001) definiu logística reversa como a logística na função de retorno de produtos, originados na redução, reciclagem, substituição e reuso de materiais, disposição final, reparo e remanufatura. Rogers e Tibben-Lembke (1998) conceituam logística reversa como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processamento e produtos acabados, com os respectivos fluxos de informação, do ponto de consumo até o pronto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar descarte adequado. Dowlatshashi (2000) define logística reversa como o processo no qual o produtor aceita sistematicamente materiais ou partes deles previamente enviados, do ponto de consumo, para possível reciclagem, remanufatura ou disposição final.

75

Leite (2002) define logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós- venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo. Esse processo ocorre pelos canais de distribuição reverso e agrega a esses bens valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Para Fernández (2003), logística reversa é a administração de qualquer tipo de item (usado ou não, produto acabado ou apenas componentes, parte ou materiais) que, por diferentes razões, é enviados, na cadeia de suprimentos, por algum membro para qualquer outro anterior na mesma cadeia. Além disso, fluxos ocorridos fora da cadeia original, mas cuja origem é localizada nessa cadeia de suprimentos original, estão também inclusos, desde que envolvam atividades de reparo e recuperação que adicionam valor ou material.

O conceito de logística reversa foi evoluído ao longo das últimas décadas, não só

enquanto definição, como também no que diz respeito às atitudes e à sua abrangência; de seu início quando era vista apenas como uma distribuição, passou a ganhar importância e a se fazer

presente com mais responsabilidade em todas as atividades logísticas relacionadas aos retornos de produtos (CAMPOS, 2006).

As definições de logística reversa dependem da companhia, ou do segmento da indústria

que define esse conceito. Nas últimas décadas, a atenção dada à logística reversa cresceu bastante pelos mais variados motivos. Inicialmente a atenção provinha de preocupações com meio

ambiente e reciclagem, e com o passar do tempo, razões econômicas expressas pela competição e pelo marketing tornaram-se grandes responsáveis pelo desenvolvimento da logística reversa (SOUZA; FONSECA, 2008). Pode-se perceber que a definição sobre logística reversa foi se moldando no decorrer dos anos, onde não existe um consenso único para se adequar a todas as áreas empresariais, devendo esse ser adequado aos diferentes segmentos existentes. Para esse trabalho será adotada o conceito de Leite, por se tratar do conceito que englobam os bens de pós-venda e pós-consumo e seus valores quanto à natureza, etc.

A natureza do processo de Logística Reversa, ou seja, quais as atividades que serão

realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema

(OLIVEIRA; SILVA, 2005).

76

Desta forma, entende-se por logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo conforme a Figura 36. Portanto, a logística reversa, por meio de sistemas operacionais diferentes em ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa cada categoria de fluxos reversos, objetiva tornar possíveis o retorno dos bens ou seus materiais constituintes ao ciclo produtivo ou de negócios. Agrega valor econômico, ecológico, legal e de localização ao planejar as redes reversas e as respectivas informações e ao operacionalizar o fluxo desde a coleta dos bens de pós-consumo ou de pós- venda, por meio dos processamentos logísticos de consolidação, separação e seleção, até a reintegração ao ciclo (LEITE, 2008).

Figura 36: Processo de Logística Reversa de bens de pós-consumo.

ao ciclo (LEITE, 2008). Figura 36: Processo de Logística Reversa de bens de pós-consumo. Fonte: Leite,

Fonte: Leite, 2008.

77

3.8.2.1 Canais Reversos

A importância econômica da distribuição, seja sob o aspecto conceitual mercadológico ou sob o aspecto concreto operacional da distribuição física, revela-se cada vez mais determinante para as empresas, tendo em vista os crescentes volumes transacionados para as empresas, decorrentes da globalização dos produtos e das fusões de empresas, e a necessidade de se ter o produto certo, no tempo certo, atendendo a padrões de níveis de serviço diferenciados ao cliente e garantindo seu posicionamento competitivo no mercado (LEITE, 2008). Os canais de distribuição diretos, ou simplesmente canais de distribuição, são constituídos pelas diversas etapas pelas quais os bens produzidos são comercializados até chegar ao consumidor final, seja uma empresa ou uma pessoa física. A distribuição física dos bens é a atividade que realiza a movimentação e disponibiliza esses produtos ao consumidor final (Kotler, 1996 apud Leite, 2008). Na Figura 37 é representado o fluxo de produtos nos canais de distribuição diretos, desde as matérias-primas virgens, também denominadas primárias, até o mercado, entendido aqui como o mercado primário dos produtos (LEITE, 2008).

Figura 37: Canais de distribuição direto e reversos.

produtos (LEITE, 2008). Figura 37: Canais de distribuição direto e reversos. Fonte: LEITE, 2003 apud CAVALLAZZI,

Fonte: LEITE, 2003 apud CAVALLAZZI, 2010.

78

Na mesma Figura 37, além da representação dos canais de distribuição diretos, é visto os canais de distribuição reversa, pós-venda (PV) e pós-consumo (PC). Os canais de distribuição reversos de PV e PC são definidos por Leite (2008), como:

Os canais de distribuição reversos de pós-venda (CDR-PV): são constituídos por diferentes formas e possibilidades de retorno de uma parcela de produtos, com pouco ou nenhum uso, que fluem no sentido inverso, do consumidor ao varejista ou ao fabricante, do varejista aos fabricantes, entra as empresas, motivados por problemas relacionados à qualidade em geral ou a processos comerciais entre empresas retornando ao ciclo de negócios de alguma maneira. Ex. E- commerce - nível alto de devoluções por não-conformidade às expectativas do consumidor (25 a 30%). Produtos com embalagens individuais, clientes desconhecidos e demanda pouco previsível. Os canais de distribuição reversos de pós-consumo (CDR-PC): são constituídos pelo fluxo reverso de uma parcela de produtos e de materiais constituintes originados no descarte dos produtos após a sua utilização pelo usuário original e que retorna ao ciclo produtivo. Dois são os subsistemas reversos: os canais reversos de reciclagem e os canais reversos de reuso. Ex. Embalagens Descartáveis - segmento dos mais importantes de canais reversos. Revalorização pelo sistema de reciclagem dos materiais que o constituem. Alta “visibilidade ecológica”. Em geral são dispostos impropriamente, gerando poluição. Logo, a vida útil de um bem é entendida como o tempo decorrido desde a sua produção original até o momento em que o primeiro possuidor se desembaraça dele. Apresentando durações de vida útil desde alguns dias até algumas décadas. Existem três grandes categorias de bens produzidos dos canais de distribuição reverso de pós-consumo: os bens descartáveis, bens duráveis e os bens semiduráveis classificados de acordo com a sua vida útil. Leite (2008) adota as seguintes características gerais desses bens:

Bens descartáveis: São bens que apresentam vida útil de algumas semanas, raramente meses. Essa categoria de bens produzidos constitui tipicamente de produtos de embalagens (por exemplo, as embalagens de medicamentos), pilhas e equipamentos eletrônicos, fraldas, jornais etc. Bens duráveis: São bens que apresentam vida média útil variando de alguns anos a algumas décadas. Constituem bens produzidos para satisfação de necessidades da vida social e incluem os bens de capital em geral. Fazem parte dessa categoria

79

os automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, máquinas, equipamentos industriais, aviões, navios e etc. Bens semiduráveis: São bens que apresentam duração média de vida útil de alguns meses, raramente superiores a dois anos. Trata-se de uma categoria intermediária que, sob o enfoque de CDR dos materiais, apresentam características ora de bens durável, ora de bens descartáveis. Trata-se de bens como baterias de veículos, óleos lubrificantes, computadores e seus periféricos, baterias de celulares e etc.

A logística reversa pode ser ainda dividida em duas áreas de atuação: logística reversa de

pós-venda e logística reversa de pós-consumo. A primeira pode ser entendida como a área da logística reversa que trata do planejamento, do controle e da destinação dos bens sem uso ou com pouco uso, que retornam à cadeia de distribuição por diversos motivos: devoluções por

problemas de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques, prazo de validade expirado, entre outros. Já a logística reversa de pós-consumo pode ser vista como a área da logística reversa que trata dos bens no final de sua vida útil, dos bens usados com possibilidade de reutilização e os resíduos industriais (GUARNIERI, 2005).

A partir do entendimento das três características de bens produzidos é apresentado a

seguir as definições de logística reversa de bens de PV e PC:

Logística reversa de bens pós-venda: Constitui-se como a área específica que se encarrega com o fluxo logístico de produtos de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam à cadeia de distribuição direta. Seu objetivo é agregar valor a um produto devolvido por razões comerciais, onde nesta categoria incluem-se erros nos processamentos de pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas do produto, pontas de estoques (LEITE, 2008). Outros fatores deste retorno são: erros de expedição, produtos consignados, excesso de estoque, giro baixo, produtos sazonais, defeituosos, recall de produtos, validade expirada e danificação de transito (MUELLER, 2005). Logo, pode ser visualizado na Figura 38 o fluxo da logística reversa de pós-venda, onde o produto é coletado e retorna através do canal de distribuição reversa, o qual é selecionado para um dos mercados secundários (varejos de reuso, fabricação, reciclagem e etc). Esse produto pode ser de natureza durável, semidurável ou descartável.

80

Figura 38 Fluxograma Logística Reversa de Pós-venda.

80 Figura 38 Fluxograma Logística Reversa de Pós-venda. Fonte: Leite, apud Mueller, 2005. Logística reversa de

Fonte: Leite, apud Mueller, 2005.

Logística reversa de bens de pós-consumo: Resume-se como bens de pós-consumo, todo aquele produto descartado pela sociedade, que não possui nenhuma utilidade. Logo, logística reversa de bens de pós-consumo é entendida como o fluxo físico e as informações correspondentes de produtos descartados pela sociedade ao fim de sua vida útil ou usados com possibilidade de recuperação, e os resíduos industriais que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específicos (LEITE, 2008). A logística reversa de pós-consumo se caracteriza pelo planejamento, controle e disposição final dos bens de pós-consumo, que são aqueles bens que estão no final de sua vida útil, devido ao uso. Essa vida útil pode ser prolongada se outras pessoas virem neste mesmo bem, outras utilidades o mantendo em uso por um determinado tempo, após isso esse bem é destinado (GUARNIERI, 2005). O perfil do novo consumidor é de preocupação com o meio-ambiente, pois ele tem consciência dos danos que dejetos podem causar em um futuro próximo. A Logística Reversa de pós-consumo vem trazendo o conceito de se administrar não somente a entrega do produto ao cliente, mas também o seu retorno, direcionando-o para ser descartado ou reutilizado. O produto pode seguir em três destinos diferentes: ir para um local seguro de descarte, como aterros sanitários e depósitos específicos, um destino não seguro, sendo descartado na natureza, poluindo o ambiente, ou por fim, voltar a uma cadeia de distribuição reversa (MUELLER, 2005).

81

Assim, o fluxo da logística reversa de pós-consumo é identificado na Figura 39, onde o produto de pós-consumo pode ter um destino seguro, coleta pelo canal de distribuição reversa, ou o destino não seguro. Normalmente a coleta pelo canal de distribuição reversa é melhor forma de se tratar esse resíduo, pois ele será tratado por quem detém conhecimento sobre o mesmo.

Figura 39: Fluxograma Logística Reversa do Pós-consumo.

Figura 39: Fluxograma Logística Reversa do Pós-consumo. Fonte: Leite apud Mueller, 2005. O fluxo da logística

Fonte: Leite apud Mueller, 2005.

O fluxo da logística reversa pós-consumo, transforma o resíduo de embalagem considerado perigoso como material em matéria-prima secundária ou mesmo realiza o descarte de forma segura, visto na Figura 40.

Figura 40: Atividades típicas do processo de logística reversa

40: Atividades típicas do processo de logística reversa Fonte: Lacerda, 2002. O objetivo de negócio desta

Fonte: Lacerda, 2002.

O objetivo de negócio desta área da logística é agregar valor a um produto logístico constituído por bens sem interesse de uso ao proprietário original ou que ainda possuam

82

condições de utilização, por produtos descartados no final de sua vida útil e por resíduos industriais (CAVALLAZZI, 2010).

Visto as três características dos bens produzidos (descartáveis, duráveis e semiduráveis) e a logística reversa dos bens de pós-venda e pós-consumo, onde pode ser visto de forma resumida

na Figura 41

o campo de atuação da logística reversa dos bens PV e PC.

Figura 41: Foco de atuação da logística reversa.

PV e PC. Figura 41: Foco de atuação da logística reversa. Fonte: Leite, 2003 apud Cavallazzi,

Fonte: Leite, 2003 apud Cavallazzi, 2010.

Um dos fatores mais importante para a implantação de uma logística reversa é a responsabilidade estendida do produtor (REP, Extended Producer Responsibility-EPR) definida como a ideia de que a cadeia industrial produtora, ou o próprio produtor, deve ser responsável pelo seu produto até a decisão correta do seu destino após o uso original (FRANCO, 2008 apud PEREIRA, 2011).

O termo responsabilidade estendida tem sido usado principalmente para descrever a

responsabilidade dos produtos “pós-consumo”, ou seja, depois que os produtos tenham sido

devolvidos no final da sua vida útil (PEREIRA, 2011).

O crescimento do setor farmacêutico, conhecido por sua grande complexidade de

regulamentação, está contribuindo para uma corrida de empresas prestadoras de serviços de

83

uma responsabilidade solidária em caso de problemas. Para evitar que toda a cadeia seja penalizada as próprias empresas se auditam”, ou seja, as empresas que participam desse mercado não atum isoladamente e isso se reflete no mercado, pois todos respondem legalmente pela falha de um (SANTO, 2012). Grupos, como a DHL, que tem 80% de seus negócios dedicados ao setor fármaco, podem desenvolver uma rede de logística reversa que gerencia a devolução do seu produto do ponto de origem até a redistribuição. Logo, a DHL tem procurado desenvolver soluções de logística reversa para seus clientes contribuindo com estes para um bom planejamento, implementação das diretrizes reversas, controle do fluxo de materiais, gerenciamento das informações correlatas, e apoiando de forma permanente a cadeia de suprimentos. A logística reversa como ferramenta estratégica vem

despertando interesse dentro do contexto organizacional, [

Neste caso, a empresa assistida

recaptura os valores antes despendidos na comercialização dos seus produtos e consequentemente possibilita a estas empresas assegurarem o conserto confiável dos produtos, bem como reciclá-lo ou descartá-lo se houver necessidade (CARRERA, 2008). Porém, é necessário um domínio mais eficaz das organizações do canal reverso.

].

3.8.2.2 Ciclo de Consumo do Produto

Alguns canais reversos se organizam por se mostrarem rentáveis economicamente pela natureza do produto logístico, suas condições tecnológicas de reutilização ou transformação. Assim quando alguns desses canais apresentam um desequilíbrio com impacto ambiental entre o fluxo direto e o reverso ocorre uma intervenção governamental em forma de leis, muitas vezes exigida pela sociedade. A legislação ecológica / ambiental encontra-se em diferentes estágios nos diversos países e envolvem diferentes aspectos do ciclo de vida útil de um produto, desde a fabricação e o uso de matérias-primas até sua disposição final ou dos produtos que o constituem (CAVALLAZZI; VALENTE, 2010). Ao mesmo tempo em que a competição em cadeias de suprimento torna-se mais acirrada, consolida-se um modelo em que as mercadorias se tornam obsoletas mais rapidamente, ou seja, apresentam um ciclo de vida mais curto, ampliando-se a intensidade de consumo material e energético, e a quantidade de resíduos pós-consumo na economia global (HANDFIELD et al.,

1997).

84

A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente.

Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e deve retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados (LACERDA, 2009). Ao se falar sobre o ciclo de vida do produto (CVP) e a Logística Reversa, relatam a importância de, ainda na fase de desenvolvimento, ser levado em consideração o modo como se dará o descarte ou o reaproveitamento de peças e partes ao final do ciclo (TIBBEN-LEMBKE,2002; DE BRITTO et al. 2002). Portanto, esse cenário demanda maior ênfase em se pensar o impacto ambiental das mercadorias já na etapa de design, buscando-se torná-las mais reutilizáveis pós-consumo, o que também impõe o desenvolvimento de fluxos reversos que permitam a reinserção de mercadorias

ou de seus componentes nos ciclos de produção e consumo (HANDFIELD et al., 1997).

O CVP não termina mais ao chegar no consumidor final. Parte dos produtos necessita

retornar aos fornecedores por razões comerciais, garantias dadas pelos fabricantes, erros no processamento de pedidos e falhas de funcionamento (MUELLER, 2005). Os ciclos de produção e consumo equivalem, na prática, às cadeias globais de atividade humana, nas quais “o tema crítico é encontrar procedimentos de produção que atendam as demandas de consumo de produtos, num mercado global crescente, promovendo ao mesmo tempo impactos ambientais e sociais positivos ao longo da cadeia de valor” (VERMEULEN; RAS, 2006, p. 246).

O acelerado desenvolvimento tecnológico vivenciado pela sociedade nas últimas décadas,

a introdução de novos materiais que têm substituído outros com melhoria de desempenho técnico do produto e de sua embalagem e redução de custos dos produtos, associados ao acirramento da competitividade, como conseqüência da globalização e da própria tecnologia, têm feito que empresas passem a se diferenciar pela constante inovação, reduzindo drasticamente o ciclo de vida dos produtos causando um alto grau de obsolescência e assim sendo uma alta tendência à descartabilidade. Esta tendência têm causado modificações nos hábitos mercadológicos e logísticos das empresas modernas, exigindo alta velocidade no fluxo de distribuição física dos produtos (CAVALLAZZI, 2010). O aumento do descarte é proporcional a diminuição do ciclo de vida dos produtos. O crescimento do poder de consumo, gerado pelas novas tecnologias de fabricação que barateiam o custo de venda, sistemas logísticos que buscam cada vez mais a qualidade do serviço garantindo

85

a acessibilidade dos consumidores e o Marketing acirrado em função das vendas são fatores que acarretam ao problema (MUELLER, 2005). Uma das consequências é a redução do ciclo de compra, observando-se um aumento das quantidades de produtos devolvidos nas cadeias reversas de pós-venda, exigindo um sistema de logística reversa mais eficiente. Por outro lado, com os ciclos de vida cada vez menores, os produtos ditos duráveis serão descartados mais rapidamente transformando-se em semiduráveis. Da mesma forma, os produtos semiduráveis se tornarão descartáveis. Assim sendo, os produtos de pós-consumo aumentam e exaurem os meios de disposição final, tornando-se necessário equacionar o problema de retorno dos bens de pós-consumo (CAVALLAZZI, 2010). Logo, o CVP (Figura 42) é dividido em quatro estágios, sendo o primeiro a introdução, o segundo crescimento, o terceiro maturidade, e o quarto declínio. A Introdução é um período de baixo crescimento em vendas, uma vez que o produto está sendo introduzido no mercado. Não há lucros nesse estágio, devido às pesadas despesas com a introdução do produto. O Crescimento é um período de rápida aceitação do mercado e melhoria substancial dos lucros. A Maturidade é um período de baixa no crescimento de vendas. Isso porque o produto já conquistou a aceitação da maioria dos compradores potenciais. Os lucros se estabilizam ou declinam, devido à competição acirrada. O Declínio é o período em que as vendas mostram uma queda vertiginosa e os lucros desaparecem (OLIVEIRA; SILVA 2005).

Figura 42: Ciclo de vida do produto.

(OLIVEIRA; SILVA 2005). Figura 42: Ciclo de vida do produto. Fonte: Buchmann, 2012. Do ponto de

Fonte: Buchmann, 2012.

Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria- prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de

86

vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Esta abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos (LACERDA, 2009). O perfil do novo consumidor é de preocupação com o meio-ambiente, pois ele tem consciência dos danos que dejetos podem causar em um futuro próximo. A falta de aterros sanitários e o constante aumento de emissões de poluentes, inclusive nos países mais desenvolvidos, geram polemicas discussões em âmbito mundial. Esta preocupação se reflete nas empresas e indústrias, que são responsabilizadas pelo aumento destes resíduos. E é pensando nestes fatores que surgem políticas de processos que contribuem para um desenvolvimento sustentável. Desta forma, a Logística Reversa de pós-consumo vem (MUELLER, 2005) fornecendo a ideia de “Apoio ao Ciclo de Vida do Produto” como um dos objetivos operacionais da logística moderna, que se refere ao prolongamento da logística que vai além do fluxo direto dos materiais, sendo necessário considerar os fluxos reversos de produtos em geral (BOWERSOX, 1986). Em relação ao sistema de custeio deverá ter uma abordagem bastante ampla, que é o caso do Custeio do Ciclo de Vida Total. Segundo Horngreen et al. (2000), o ciclo de vida do produto abrange o tempo desde o início até o término de suporte ao cliente e para tal deve-se haver a elaboração de um relatório de ciclo de vida do produto, que dará suporte a sistematizando do custeio.

3.8.2.3 Vantagens da Logística Reversa

Nos últimos anos, a logística reversa está recebendo um cunho mais econômico, além do ecológico: as empresas vêm investindo nessa área como um diferencial competitivo para aumentar os lucros (diminuindo prejuízos) e garantindo a fidelidade de clientes. Por esses motivos, as políticas de retorno das empresas estão cada vez mais generosas, isto é, tornam-se mais flexíveis quanto à aceitação de devolução e trocas (CAMPOS, 2006). No caso das indústrias vidreiras do país possuem interesse em incrementar o uso de caco de vidro em seu processo produtivo, visto que o processo apresenta inúmeras vantagens, entre as quais, de acordo com Souza (1998), destacam-se as seguintes: proteção do meio ambiente,

87

economia de energia, possibilidade de aumento da vida útil do forno, economia no transporte de matérias-primas, aumento da produtividade e custo menor do produto acabado Ainda que se tratar de assuntos relativamente recentes no cenário econômico, há uma crescente valorização pelos consumidores e pela sociedade das empresas que adotam medidas compensatórias para minimizar os impactos ambientais. A redução da utilização dos recursos naturais por meio da reutilização e reciclagem associa vantagens econômicas com preservação ambiental (FERREIRA, 2012). Logo, os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Esta é uma vantagem percebida onde os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isto envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados (LACERDA, 2009). Conforme Leite (2003) a aplicação da Logística Reversa de pós-consumo gera vantagens econômicas, tendo em vista a utilização de matérias- primas secundárias ou recicladas reintegradas ao ciclo produtivo, que geralmente apresentam preços menores em relação às matérias-primas virgens. Consequentemente também gera uma redução no consumo de insumos energéticos, como economia de energia elétrica, energia térmica, dentre outros, atentando ao fator sustentabilidade, ou seja, menor custo produtivo com menor utilização de recursos naturais. Com isso, beneficia a empresa de forma econômica, preservando o meio ambiente, com menor utilização de recursos naturais e garantindo assim melhor qualidade de vida à sociedade (FERREIRA, 2012). Um processo de logística reversa de pós-venda bem gerenciado nas empresas constitui uma fonte de vantagem competitiva através da diferenciação no atendimento, que agrega valor perceptível aos clientes e, em longo prazo, os fideliza. Percebe-se que empresas líderes no mercado procuram assumir tal atitude, focalizadas em um relacionamento de parceria entre clientes e fornecedores, que contribui para a empresa na redução de impactos ambientais e na construção de uma imagem corporativa positiva perante o mercado (GUARNIERI, 2005) O emprego estratégico da logística reversa aumenta os custos de mudança de fornecedores. O aumento no nível de serviço proporcionado por esta atividade fortalece a cadeia de valor de uma empresa que, quando bem configurada, reforça sua vantagem competitiva (CHAVES E BATALHA, 2008,apud CHAVES, 2005).

88

Chaves e Batalha (2008) destacam como sendo quatro as vantagens empresariais através da logística reversa:

Restrições ambientais: Foco na conscientização sobre a conservação ambiental, gerando uma reorientação duradoura da produção e do consumo que tenha entres suas premissas o crescimento sustentável. Minimizando o impacto ambiental, não só dos resíduos originários dos processos produtivos e do pós-consumo, mas de todo ciclo de vida dos produtos;

Redução de custo: O reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens retornáveis fornecem ganhos que estimulam novas ações e empenhos para o desenvolvimento e melhoria dos processos de logística reversa;

Razões competitivas: Utilização de políticas que possibilitem o estreitamento com o cliente, facilitando a troca de produto e que possam fidelizar os clientes e se diferenciar dos concorrentes;

Diferenciação da imagem corporativa: Utilizar a logística reversa estrategicamente

de forma a se posicionar como empresa-cidadã, contribuindo com a sociedade. Portanto Mueller (2005) apresenta as principais razões que levam as empresas a atuarem em Logística Reversa, provocada pela Legislação Ambiental que força as empresas a retornarem

seus produtos e cuidar do tratamento necessário e dentre algumas das razões a seguir é apresentado:

a) Benefícios econômicos do uso de produtos que retornam ao processo de produção, ao invés dos altos custos do correto descarte do resíduo doméstico;

b) A crescente conscientização ambiental dos consumidores;

c) Razões competitivas – Diferenciação por serviço;

d) Limpeza do canal de distribuição;

e) Proteção de Margem de Lucro;

f) Recaptura de valor e recuperação de ativos.

Outro fator importante a ser considerado trata das penalidades legais a que estão sujeitas as empresas que não tem políticas ambientais definidas. O desenvolvimento de legislações pertinentes exige um posicionamento das empresas no que tange à logística reversa, em suas áreas de atuação pós-consumo e pós-venda.

89

A logística reversa e a aplicação de ações de sustentabilidade têm se tornado ferramentas

essenciais para que, cada vez mais, as empresas consigam vantagens econômicas em relação aos

seus concorrentes, além de agregarem valor aos seus clientes (FERREIRA, 2012).

3.8.2.4 Logística Reversa e a Regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos

A Logística Reversa (LR) não é mais a área desconhecida de alguns anos atrás, “saltando

aos olhos” de qualquer um que observar sua crescente importância para o mundo dos negócios em geral. De acordo com a pesquisa elaborada pelo Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB), apenas 10% de todos os produtos comercializados no País são coletados pelas fábricas a fim de realizar o caminho reverso após o consumo. Para ajudar a elevar esse número, o Congresso Nacional aprovou, em agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tem como um dos principais objetivos a regulamentação da logística reversa (CLRB, 2012). Que por si, foi institucionalizada a LR no Brasil pela Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010, a qual institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para o poder público, o setor empresarial e a coletividade. O Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, regulamenta a Lei n° 12.305 e cria o comitê interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação do Sistema de Logística Reversa, e da outras providências. Esta lei dispõem de instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Sendo assim, considerada o marco histórico da gestão ambiental no Brasil, onde a Lei 12.305/2010 lança uma visão moderna na luta contra um dos maiores problemas do planeta: o resíduo urbano. Tendo como princípio a responsabilidade compartilhada (pelo ciclo de vida do

produto) entre governo, empresas e população (CEMPRE, 2012).

Quanto à logística reversa esta descrita no Art. 33. desta Lei (12.305), a obrigatoriedade

de estruturar e implementar os sistemas de logística reversa (LR) dos fabricantes, importadores,

distribuidores dos produtos. Visto que a LR de retorno do produto

após o uso pelo consumidor,

deve se dar de forma ambientalmente adequada e independente do serviço público de limpeza

urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Também estão inseridos nessa logística, consumidores e comerciantes os quais são tão responsáveis quanto às indústrias, sujeitos às penalidades de multas que variam de R$ 50,00 a R$

90

500,00. Logo, quem consumir produtos com impacto ambiental deve retorná-los a centros de distribuição ou pontos de dispensação, quando disponíveis (CLRB, 2012). Portanto, a lei define a logística reversa como o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. E com a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto (Figura 43) base no contexto da logística reversa, é formada uma cadeia de responsabilidade entre diversos autores, os quais pertencem os: fabricantes, distribuidores, fornecedores, comerciantes (farmácias/drogarias), consumidores e etc. Desta forma para a implementação da Logística Reversa é preciso firma o acordo setorial entre as partes, que define no Art. 3 da Lei que o acordo setorial é o ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.

Figura 43: Ciclo de vida do produto e os autores.

produto. Figura 43: Ciclo de vida do produto e os autores. Fonte: ANVISA, 2012b. Tomando como

Fonte: ANVISA, 2012b.

Tomando como base todas estas responsabilidades compartilhadas entre produtores/fabricantes, comerciantes e distribuidores, e consumidores, a PNRS prevê uma série de planos setoriais de resíduos no seu art. 14 em que a ideia básica desse sistema de planejamento setorial é formar uma rede harmônica e articulada de gestão de resíduos em todo o território brasileiro (PEREIRA, 2011). Na Lei 12.305/2010 é destacada a importância de uma infra-estrutura eficiente na logística reversa dos resíduos, havendo uma elaboração cuidadosa dos planos setoriais de resíduos, ao contrario os prejuízos ambientais e socioeconômicos continuarão a representar um ônus à sociedade e ao ambiente.

91

Logo, os resíduos de medicamentos e embalagens em geral apesar de não estarem definidos como objetos obrigatórios da logística, podem ser objetos da cadeia da logística reversa. Onde os medicamento e embalagens destes são definidos no Art. 13 dessa política como resíduos de serviços de saúde (RSS) que são aqueles gerados nos serviços de saúde. Visto, que esta em andamento as discussões sobre a elaboração dos acordos setoriais e posterior determinação da cadeia de logística reversa para os resíduos como embalagens (em geral), medicamentos e lâmpadas [ ] Vale mencionar, também, que a PNRS estabelece o prazo de quatro anos conforme a Figura 44, ou seja, 02 de agosto de 2014, para que sejam destinados os resíduos de medicamentos (e os demais estabelecidos na Lei Nº. 12.305/2010) para reutilização, reciclagem e tratamento e já os rejeitos deverão ser destinados com disposição adequada.

Figura 44: Prazos da PNRS.

com disposição adequada. Figura 44: Prazos da PNRS. Fonte: ANVISA, 2012b. Portanto como previstos no art.

Fonte: ANVISA, 2012b.

Portanto como previstos no art. 14 com esses planos pode-se por em prática as previsões legais da gestão integrada dos resíduos, e consequentemente, das responsabilidades diferenciadas de cada interveniente (produtor e/ou fabricante, comerciante e consumidor) (PEREIRA, 2011). Quanto à iniciativa do acordo setorial poderá ser iniciada conforme o Art. 20 do Decreto 7.404/2010, pelo Poder Público ou pelos fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes dos produtos e embalagens. No caso dos procedimentos de iniciativa dos fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, as propostas de acordo setorial serão avaliadas pelo Ministério do Meio Ambiente,

92

que as enviará ao Comitê Orientador. Devendo assim conter os requisitos do Art. 23 para o acordo setorial, sendo os seguintes requisitos:

I - indicação dos produtos e embalagens objeto do acordo setorial; II - descrição das etapas do ciclo de vida em que o sistema de logística reversa se insere, observado o disposto no inciso IV do art. 3º da Lei Nº. 12.305, de 2010;

III - descrição da forma de operacionalização da logística reversa;

IV - possibilidade de contratação de entidades, cooperativas ou outras formas de

associação de catadores de materiais recicláveis ou reutilizáveis, para execução das

ações propostas no sistema a ser implantado;

V - participação de órgãos públicos nas ações propostas, quando estes se

encarregarem de alguma etapa da logística a ser implantada;

VI - definição das formas de participação do consumidor;

VII - mecanismos para a divulgação de informações relativas aos métodos existentes

para evitar, reciclar e eliminar os resíduos sólidos associados a seus respectivos

produtos e embalagens;

VIII - metas a serem alcançadas no âmbito do sistema de logística reversa a ser

implantado;

IX - cronograma para a implantação da logística reversa, contendo a previsão de

evolução até o cumprimento da meta final estabelecida;

X - informações sobre a possibilidade ou a viabilidade de aproveitamento dos

resíduos gerados, alertando para os riscos decorrentes do seu manuseio;

XI - identificação dos resíduos perigosos presentes nas várias ações propostas e os

cuidados e procedimentos previstos para minimizar ou eliminar seus riscos e

impactos à saúde humana e ao meio ambiente;

XII - avaliação dos impactos sociais e econômicos da implantação da logística

reversa;

XIII - descrição do conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos

participantes do sistema de logística reversa no processo de recolhimento, armazenamento, transporte dos resíduos e embalagens vazias, com vistas à reutilização, reciclagem ou disposição final ambientalmente adequada, contendo o fluxo reverso de resíduos, a discriminação das várias etapas da logística reversa e a destinação dos caso, das sobras do produto, devendo incluir:

a) recomendações técnicas a serem observadas em cada etapa da logística, inclusive pelos consumidores e recicladores; b) formas de coleta ou de entrega adotadas, identificando os responsáveis e respectivas responsabilidades;

93

c) ações necessárias e critérios para a implantação, operação e atribuição de

responsabilidades pelos pontos de coleta;

d) operações de transporte entre os empreendimentos ou atividades participantes,

identificando as responsabilidades; e

e) procedimentos e responsáveis pelas ações de reutilização, de reciclagem e de

tratamento, inclusive triagem, dos resíduos, bem como pela disposiçãofinal

ambientalmente adequada dos rejeitos; e

XIV - cláusulas prevendo as penalidades aplicáveis no caso de descumprimento das

obrigações previstas no acordo.

Parágrafo único. As metas referidas no inciso VIII do caput poderão ser fixadas com

base em critérios quantitativos, qualitativos ou regionais.

Já para o caso da iniciativa do poder público (União) para o acordo setorial, será publicado editais de chamamento pelo Ministério do Meio Ambiente, e aprovado pelo Comitê Orientador (CORI), com base na avaliação do grupo técnico de viabilidade técnica e econômica de implantar o Sistema de LR. Portanto, o Decreto n° 7.404/2010 cria os comitês, onde no Art. 3 é instituído o Comitê Interministerial da PNRS, com a finalidade de apoiar a estruturação e implementação da PNRS, de modo a possibilitar o cumprimento das metas previstas na Lei no 12.305, de 2010. Logo o Governo Federal instalou, no dia 17 de março de 2011, o Comitê Interministerial da PNRS. Em relação ao Comitê Orientador (CORI) para Implementação de Sistemas de Logística Reversa instituído pelo Art. 33 do Decreto n° 7.404/2010, foi aprovado pelo Ministério do Meio ambiente (MMA) pela portaria n° 113, de 8 de abril de 2011. Quanto à organização e funcionamento desse Comitê Orientador (CORI) no Art. 4° da Portaria 113/2011 é retratado o Comitê que será composto por uma Secretaria-Executiva e por um Grupo Técnico de Assessoramento (GTA). Logo poderá também o GTA ser constituído por Grupos de Trabalho Temáticos (GTT) onde no Art. 16. o GTA poderá, mediante prévio entendimento entre seus integrantes, criar Grupos de Trabalho Temáticos, para analisar, estudar e apresentar propostas sobre matérias específicas, por ele definidas. Desta forma o GTA ilustrado na Figura 45 é composto por cinco Grupos de Trabalho Temáticos (GTT), tendo como coordenação para os respectivos resíduos: Anvisa e MS (Medicamentos); MMA (Embalagens em Geral); MAPA (Óleo Lubrificante, seus Resíduos e

94

Embalagens); MMA (Lâmpadas Fluorescentes, de Vapor de Sódio e Mercúrio e de Luz Mista); MDIC (Eletroeletrônico) (ANVISA, 2012a).

Figura 45: Grupos de Trabalho Temáticos.

(ANVISA, 2012a). Figura 45: Grupos de Trabalho Temáticos. Fonte: ANVISA, 2012b. Portanto, para o Grupo de

Fonte: ANVISA, 2012b.

Portanto, para o Grupo de Trabalho Temático (GTT) de Medicamentos foi criado em 16

de março

de 2011,

pelo

Grupo

Técnico

Assessor (GTA) do

Comitê Orientador para a

implantação da Logística Reversa no País, no âmbito da PNRS. O GTT de Medicamentos é

coordenado pelo Ministério da Saúde com o apoio da Anvisa, constituído por representantes do

Poder Público, do setor empresarial da cadeia farmacêutica, das entidades de classe e da

sociedade civil. O GTT tem caráter provisório, com data de término do trabalho em seis meses,

podendo ser prorrogado por mais seis meses. O objetivo do GTT de medicamentos é Elaborar

proposta de logística reversa de resíduos de medicamentos, dentro dos parâmetros estabelecidos

pela PNRS, subsidiando a elaboração do Edital de chamamento para Acordo Setorial, dando

embasamento ao GTA e ao Comitê Orientador na tomada de decisões pertinentes ao tema. Os

objetivos dos estudos do GTT Medicamentos é o estudos de viabilidade técnica e econômica da

implantação da logística reversa, como a avaliação dos impactos sociais e econômicos da

Logística Reversa de Medicamentos e o edital do chamamento para o Acordo Setorial. Assim, a

ANVISA está promovendo ações relacionadas ao tema de descarte de medicamentos, que tenham

impacto significativo para a implementação da PNRS e para a proteção da saúde da população e

do meio ambiente (ANVISA, 2012a).

95

É fundamental que nos serviços de saúde ocorra a gestão integrada dos resíduos, de modo a abarcar todos os resíduos gerados, a responsabilidade de cada funcionário, bem como contribuir para a gestão compartilhada dos resíduos. Desta forma, é fundamental que haja capacitação de colaboradores e funcionários, adaptação de procedimentos e implantação de indicadores de monitoramento para avaliar a gestão dos resíduos de serviços de saúde, de modo a contemplar as estratégias apontadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos para sustentabilidade no país. Um exemplo que pode ser citado na logística reversa de medicamentos é o projeto de lei do estado do Paraná, que torna fabricantes, distribuidores e consumidores de medicamentos responsáveis pelo recolhimento e destinação adequada de medicamentos em desuso. Para isso, o consumidor deverá entregar os medicamentos aos estabelecimentos que os comercializam ou distribuem, como farmácias e postos de saúde, que terão um espaço especial para o armazenamento destes produtos. Fabricantes e importadoras de medicamentos ficarão responsáveis pelo recolhimento dos medicamentos e destinação final. A proposta também prevê multa para quem descartar os medicamentos em local inadequado. O projeto envolve a participação de todos os atores envolvidos. “Cada um tem sua parcela de responsabilidade: o consumidor, as farmácias, os fabricantes e os importadores (CLRB, 2012). Ainda devem ser dados à exigência da segregação obrigatória a serem seguidos pelos programas de Logística Reversa a serem implantados para alguns resíduos, principalmente quanto aos eletroeletrônicos, medicamentos, lâmpadas fluorescentes, embalagens em geral e recipientes e sobras de óleo lubrificantes, que já estão sendo discutidos no momento, pelo Comitê Orientador da Logística Reversa, coordenado pelo MMA.

96

4

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, realizada por meio de atividades de questionários e trabalho de campo, em que as empresas relacionadas são farmácias e drogarias comerciais, usina de reciclagem de vidro e indústria de medicamentos. Também fazem parte da pesquisa a Farmácia Escola da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA-Canoas, RS), associações e sindicatos coligados ao produto do vidro e farmacêuticos. Quanto à natureza da pesquisa, trata-se de uma pesquisa aplicada, com abordagem qualitativa, visando às características e problema a ser estudado. O método utilizado para a pesquisa é descrito abaixo, em forma de tópicos e logo após é descrito brevemente a forma conduzida da pesquisa. 1) Para apresentar a situação atual dos estabelecimentos comerciais das farmácias e drogarias quanto à coleta dos resíduos de medicamentos da população após o consumo foi realizada pesquisa por meio dos questionários apresentados nos apêndices A e B e visitas a Farmácia Escola da ULBRA Canoas, RS. 2) Para apresentar as práticas de reciclagem de embalagens vítreas de medicamentos farmacêuticos e sua incorporação no processo produtivo do vidro foram realizadas pesquisas por meio dos questionários apresentados nos apêndices D e E, juntamente a uma visita a campo. 3) Para apresentar as práticas de tratamento dos resíduos líquidos de medicamentos farmacêuticos foi abordado por meio do questionário apresentado no apêndice F. 4) Descrição da proposta da cadeia de logística reversa de vidros a partir da bibliografia e das visitas e entrevistas realizadas, através da elaboração de fluxograma e relato descritivo. 5) Elaboração da proposta de diretrizes e recomendações para boas práticas de logística reversa de outros componentes e materiais no segmento por meio da elaboração de um guia de diretrizes e recomendações. Para analisar a possível realização de um trabalho de logística reversa das embalagens vítreas de medicamento é primordial identificar-se a compreensão das farmácias e drogarias de dispensação de medicamentos, sendo este o primeiro contato entre o consumidor e estabelecimento comercial. Outro ponto importante é a visão da indústria farmacêutica e do

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Sindicato dos Farmacêuticos no Estado do Rio Grande do Sul (SINDIFARS) quanto à questão de logística reversa pós-consumo, da sua inexistência e os possíveis impactos. Nessa mesma linha, é importante o trabalho de campo em usinas de reciclagem de vidro, as quais recebem o material vítreo descartado pela população, que posteriormente abastece a produção da indústria vidreira. É onde podem ser identificados os fornecedores das usinas de vidro descartado. Logo, a pesquisa compreenderá entrevistas em forma de questionário objetivo e descritivo, para identificar a compreensão em relação à distribuição de medicamentos no comércio farmacêutico e quais as informações que são fornecidas para o consumidor, quanto ao descarte de medicamentos após seu consumo, juntamente às providências da indústria farmacêutica para o atendimento às exigências legais, e ao trabalho desenvolvido de conscientização do SINDIFARS e do Grupo de Trabalho Temático (GTT) do Comitê Orientado (CORI) da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ao qual a representante deste sindicato está coligada, através da Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR). Também são apontados pontos de coleta e descarte dos medicamentos vencidos e não consumidos, chamados nesse trabalho de ecopontos. Outro aspecto é a pesquisa de campo na usina de reciclagem de vidro descartado, que será o exemplo da existência de alguma preocupação quanto ao descarte de vidros de medicamentos, para a indústria vidreira, do poder público e também da população. Essa pesquisa também pesquisou o entendimento da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (ABIVIDRO), na definição de quem é a responsabilidade pelo resíduo das embalagens de medicamentos.

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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesse capítulo serão apresentados os resultados coletados ao longo do estudo da logística

reversa de embalagens vítreas de medicamentos farmacêuticos e de que forma ocorre essa

reciclagem.

5.1 RESULTADOS DA PESQUISA NAS FARMÁCIAS E DROGARIAS, SINDIFARS, IND. FARMACÊUTICA E ECOPONTO

5.1.1 Farmácias e drogarias

O local escolhido para realizar a pesquisa nas farmácias e drogarias, é o município de

Canoas-RS, o qual esta situado na Região Metropolitana de Porto Alegre, estado do Rio Grande

do Sul. Segundo dados da Prefeitura de Canoas do ano de 2012, o município é o mais populoso

da Região Metropolitana, com 329.174 habitantes situando-se atrás no estado das cidades de

Porto Alegre, Pelotas e Caxias do Sul.

Segundo a lista da Campanha Saúde Não Tem Preço (2012), foram localizados 29

farmácias e drogarias de dispensação de medicamentos neste município, nos quais foram

contatadas 18 farmácias e drogarias, destas, apenas 5 se dispuseram a responder à pesquisa do

questionário objetivo e descritivo. Os mesmos não foram identificados, pois a intenção dessa

parte da pesquisa é captar a compreensão dos estabelecimentos e as informações que estão sendo

transmitidas aos seus clientes. Na Figura 46 consta a localização de algumas farmácias e

drogarias de Canoas-RS.

Vale ressaltar, como informação posterior, o município de Canoas consta com

aproximadamente 86 farmácias e drogaria de dispensação de medicamentos, conforme a lista

atualizada da vigilância sanitária de Canoas de 2012, que foi obtida no término da pesquisa.

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Figura 46:Localização de algumas Farmácias e Drogarias.

99 Figura 46:Localização de algumas Farmácias e Drogarias. Apesar de ter sido informado as farmácias e

Apesar de ter sido informado as farmácias e drogarias que se tratava de uma pesquisa em que as fontes seriam preservadas, observou-se certo receio em fornecer as respostas com relação ao resíduo que são gerados após seu consumo, e em geral quem custeia o preço da destinação é o estabelecimento comercial. A pesquisa realizada com as cinco farmácias e drogarias totalizou onze questionários respondidos. Destes cinco estabelecimentos, três foram respondidos apenas por farmacêuticos e os outros dois por atendentes e farmacêuticos, que se subdividiram em dois grupos de quatro profissionais conforme o Quadro 10. Considerando que existem dois tipos de grupos identificados na pesquisa, os quais possibilitam realizar uma abordagem diferenciada, em que um é individual e o outro em grupo de quatro profissionais, nos quais pode haver diferença de opiniões, apesar de serem do mesmo local de trabalho.

Quadro 10: Questionários respondidos.

PESQUISA

Quantidade

Pesquisa - farmácias e drogarias

5

Participação apenas dos farmacêuticos

3

Atendentes e farmacêuticos

2 X 4 = 8

Questionários respondido

11

100

Logo no Quadro 11, pode se verificar que em apenas um caso o estabelecimento fornece informação aos clientes quanto ao correto descarte dos resíduos de medicamentos após seu consumo ou quando expirado o prazo de validade. Já os demais (quatro) não oferecem este tipo

de informação ao consumidor, caracterizando a falta da atuação do farmacêutico nesta atividade. Lembrando que uma das atribuições do farmacêutico segundo a Resolução do CFF n° 386/2002,

Art. 1° é a de prestar orientações quanto [

]

ao descarte de medicamentos.

Quadro 11: Informação do descarte de RM por estabelecimento.

RESULTADO

NÚMERO DE

RESPOSTAS

1

1

Não informam o descarte dos RM

Informam o descarte dos RM

4

4

1

11

Total de questionários respondidos

A justificativa dos quatro estabelecimentos em não informar o consumidor sobre o descarte dos resíduos de medicamentos após seu consumo esta apresentada no Quadro 12. Sendo

que em dois estabelecimentos a falta do fornecimento da informação foi associada à rotina do estabelecimento. Cabe ressaltar que, desses dois casos, um é relativo apenas ao grupo individual e

o outro ao grupo de quatro profissionais, dos quais três apontaram a mesma resposta. Outra justificativa apresentada por um destes estabelecimentos, em que ambos profissionais dizem que apenas são repassadas as informações ao cliente sobre o descarte caso o estabelecimento seja questionado, ao contrário não menciona-se o assunto do descarte de resíduos de medicamentos (RM). Algo semelhante é visto em outra resposta, onde foi apontado que o cliente não solicita a informação, sinalizando também a falta de interesse ou de conscientização dos mesmos, alegando que querem ser atendidos o mais rápido possível. Ainda na mesma questão (1), foi declarado que nunca se teve anteriormente esse trabalho de informar ao consumidor pois falta orientação sobre o assunto. Outro estabelecimento afirma que normalmente

o medicamento é consumido por completo, restando ao final apenas a embalagem.

101

Desta forma é possível identificar que, por falta de informação, o cliente acaba por descartar o resíduo indevidamente. Portanto, não se observou iniciativa das farmácias e drogarias em orientar o consumidor em relação ao descarte correto de medicamentos pois isto implicaria em custos para as mesmas. Também sendo perceptível que em alguns casos os profissionais farmacêuticos estão despreparados para dar informações relacionadas ao ris