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Periodização táctica: porquê? Durante anos, a periodização nos desportos colectivos, nomeadamente no futebol, baseou-se no desenvolvimento das capacidades físicas do atleta, trabalhando por picos de forma. Cargas, volume, improviso táctico… eram algumas das palavras-chave que caracterizavam uma metodologia nascida para os desportos individuais, mas clonada para o treino dos desportos de equipa.

Como é óbvio, a diferença entre um e outro tipo de desportos era demasiado grande para que a mesma metodologia os pudesse servir de forma completa e eficaz. Planear, operacionalizar e coordenar o desempenho de um só atleta nada tem a ver com preparar uma equipa para a competição. Vejamos o que Mourinho nos tem a dizer sobre este tema: “Quando entrei para o Instituto Superior de Educação Física (ISEF), para me licenciar precisamente em Educação Física, houve um livro que me marcou pela negativa – mas que fui obrigado a estudar - e que é visto como a “Bíblia” da metodologia da educação física e do desporto. É uma obra de um tal Matveyev, que foi – e ainda é – um marco no ensino relativamente aos desportos individuais. Porém, em meu entender, uma coisa é um desporto individual com um homem a ser preparado para um determinado objectivo e outra é um desporto colectivo onde um homem, por si só, nada vale. As qualidades que se podem trabalhar num desporto individual com um só atleta não têm nada a ver com as qualidades que se trabalham num desporto colectivo, ainda por cima num desporto como o futebol, com onze futebolistas – para não dizer vinte e tal. Ora eu revelei-me completamente discordante, como estudante minimamente atento e talvez até facilitista – já que só pretendia acabar o meu curso porque sabia que a minha pesquisa posterior iria ser bem mais importante do que aqueles cinco anos de licenciatura. Fui obrigado, em simultâneo, a debitar a minha sabedoria sobre algo com que não concordava e a tentar desenvolver ideias sobre as quais estava em completo desacordo. O livro de Matveyev é, de facto, uma “bíblia” para os desportos individuais, mas de pouco vale para os colectivos. Acredito, hoje, que vai haver – e já está a haver – um corte com aquele passado porque o homem é um ser complexo e, onze homens à procura de um objectivo é completamente diferente de um homem à procura de um objectivo. Assim, a minha metodologia foi toda virada para nesse sentido. Depois recebi influências diversas baseadas na minha própria experiência. Manuel Sérgio, filósofo e meu professor no antigo ISEF, também foi fundamental na minha aprendizagem, porque nem me apresentou caminhos rígidos que eu teria de trilhar nem verdades feitas às quais me deveria agarrar e sim pistas para novos entendimentos. Mas, para responder directamente à pergunta, depois de tudo o que me começaram a ensinar tive a

necessidade interior de escolher outro caminho, e escolhi o da complexidade.” (José Mourinho, cit. por Lourenço, 2010: 39).

O trabalho em equipa contempla relações, cooperação, solidariedade, gestão de ambições e objectivos, interacção… O grupo tem de vir antes de tudo, mas as partes não podem ser ignoradas. Todos os elementos precisam ser sintonizados para trabalharem como uma unidade, rumo a um objectivo comum e, para que isso aconteça, torna-se necessário fornecer à equipa um modelo de acção – o modelo de jogo.

Sendo o modelo de jogo uma espécie de guia de acção, algo que prepara a equipa para os confrontos com os adversários e lhe confere uma dinâmica comum, e com a evolução que o futebol sofreu nas últimas décadas, tornou-se necessário transformar a táctica numa supradimensão. Assim o microciclo passou a ser ordenado tendo em conta o desenvolvimento de sub-sub-princípios, sub-princípios e princípios de jogo, não desprezando, contudo, o tipo de trabalho muscular mais indicado em cada momento da semana, de maneira a controlar a ocorrência de fadiga exagerada ou lesões.

Da periodização tradicional à periodização táctica: o “físico” como um ponto de partida comum na operacionalização do treino

Chegámos à Era da Periodização Táctica! Uma Era onde se coloca o “trabalho físico” ao

serviço da táctica e onde cada capacidade condicionante tem um valor. Se não vejamos por exemplo:

Resistência aeróbia: mobilidade em organização, contenção, trocas posicionais, ocupação do espaço…

Força: arranques, travagens, mudanças de direcção, saltos, remates, passes longos, dribles, pressing, contacto físico…

Velocidade: existem vários tipos de velocidade – de reacção, de deslocamento, de

raciocínio (leitura de jogo)… Aqui podemos considerar as seguintes acções: sprints, “entradas” no espaço, recuperações no terreno, passes de primeira…

Todas estas capacidades físicas podem ser contextualizadas com o jogo. Podem ser trabalhadas de forma específica e em interacção com o modelo de jogo. Assim, cada dia do morfociclo padrão utilizado na periodização táctica é também caracterizado por um determinado padrão de contracções musculares e de desgaste.

A definição de um padrão de contracção muscular para cada unidade do morfociclo permite gerir

A definição de um padrão de contracção muscular para cada unidade do morfociclo permite gerir o esforço muscular, cumprindo o princípio da Alternância Horizontal em Especificidade1, mas ao mesmo tempo facilita a definição dos conceitos tácticos a desenvolver em cada dia. Atentemos nas seguintes palavras de Mourinho: “Qual é, para mim, o significado de “força” no futebol? É ter a capacidade de arrancar, de travar, de mudar de direcção, de saltar para cabecear… Temos de a contextualizar em função daquilo que são as acções específicas dos nossos jogadores no jogo. Temos, portanto, de trabalhar de acordo com a especificidade do nosso jogo. Se queremos que na unidade de treino haja uma predominância de acções táctico-técnicas em regime de “força técnica”, aquilo que fazemos é procurar um conjunto de situações de jogo onde isso esteja presente. Agora não temos é a preocupação de quantificar se o jogador faz 10 ou 15 mudanças de direcção. A nossa preocupação é que a

situação em si arraste consigo uma dominância dessas acções.” (Mourinho,J. in Oliveira et al.

(2006):113).

Fica assim bem clara a forma como as componentes fisiológica e táctica se ligam na planificação e construção do morfociclo semanal. De seguida, e com a ajuda das declarações do Professor Mourinho, vamos explorar de forma mais profunda o tipo de trabalho levado a

morfociclo:

cabo

em

cada

dia

do

Terça-feira: Recuperação Activa. “O facto de a sessão de treino ser dedicada à recuperação não implica que eu não trabalhe aspectos do meu modelo de jogo. Em vez de fazer corrida lenta contínua, aplico o mesmo princípio, mas inserido em regime táctico-técnico. Faço jogos de posição em que os únicos jogadores que estão em movimento efectivo são os que procuram a posse de bola, e fazem-no sem ser nos limites. Os outros, os que não têm a bola, fazem apenas pequenos movimentos de aproximação e afastamento, o suficiente para haver “oxigenação”. Para mim, o treino tem de estar condicionado àquilo que é a minha forma de jogar. Tenho de ir à procura no treino daquilo que eu quero que se atinja no jogo. Mesmo num treino recuperativo puro, eu incido sobre aspectos da nossa forma de jogar. Por exemplo, no 7x3 que

vocês viram, eu dizia aos 3 jogadores em situação defensiva “não quero que corram… vocês estão em recuperação. O que eu quero é que a bola corra e que os sete que estão em posse de bola a conservem, abram linhas de passe, comuniquem entre eles”. O que é que eu pedi aos 3 jogadores que estavam em situação defensiva? Pedi-lhes comunicação e interacção. Não queria que fizessem um sprint para fazer um desarme, não queria que fizessem 7 intercepções num minuto e meio, não queria sequer que roubassem a bola. Queria apenas que simulassem uma pressão e que a simulassem de uma forma conjunta, com interligação. Quando um fosse pressionar, se os outros vissem que não havia condições para aquela pressão individual, queria que comunicassem, queria que o fossem “buscar”:”Não vás, fica aqui connosco na cobertura de um determinado espaço”.” (Mourinho, J. in Oliveira et al. (2006):134) Portanto, daqui retiramos, que a recuperação concebida pela periodização táctica, e operacionalizada por Mourinho, inclui exercícios de baixo carácter aquisitivo, baseados em jogos de posição e movimentos pequenos que permitam a oxigenação tecidular. No fundo, este é o tipo de actividade muscular concebida pela recuperação activa tradicional (conseguida através de corridas lentas e contínuas). Contudo, a forma como os padrões de contracção muscular são conseguidos, nesta metodologia, estão totalmente relacionados com o modelo de jogo. Aí está a grande diferença! A constante relação com o “jogar” pretendido permite um desenvolvimento específico da equipa, rentabilizando ao máximo o tempo de treino. Esta concepção de recuperação permite ainda aos jogadores perceber quais os momentos do jogo mais adequado para “descansar” (gerir o esforço).

Quarta-feira: “Força Técnica” Como direccionar os exercícios para o regime de elevada tensão específica pretendido? Bem, a resposta é simples: manipulando as variáveis espaço, duração e número de jogadores, de maneira a assegurar uma grande densidade do padrão de contracção muscular desejado. Sabendo-se que as contracções musculares se caracterizam pela velocidade e duração da contracção e pela tensão manifestada, Mourinho cria, para este dia, exercícios que contemplem uma velocidade de contracção significativa, curta duração e tensão elevada. Estes exercícios comportam uma elevada densidade de contracções excêntricas, incluindo, por isso, bastantes travagens, acelerações, saltos, quedas, mudanças de direcção, contactos físicos, etc. É importante referir que, apesar da definição deste regime de contracção muscular, os objectivos inerentes a cada exercício prendem-se com a sua forma de jogar. As contracções excêntricas são apenas “um meio” para superar certas dificuldades associadas ao seu jogar.

Neste contexto, as prioridades deste dia incidem, essencialmente, sobre sub-sub- princípios e sub-princípios. Isto é, as preocupações recaem sobre um nível menos complexo do jogar – subdinâmicas do Modelo de Jogo – devido à existência de resíduos de fadiga (que impedem os jogadores de se concentrarem totalmente na aquisição e vivenciação dos grandes princípios e suas articulações) e à necessidade de terminar a recuperação, sobretudo, “mental”. Tendo em conta esta preocupação de gerir a fadiga ainda existente neste dia, e a elevada tensão específica associada a esta unidade de treino, revela-se essencial a existência de sucessivos períodos de recuperação intercalados com as acções planeadas. Desta forma, este dia é caracterizado por uma descontinuidade acentuada. Para sintetizar tudo aquilo que foi dito, passo a citar Rui Faria, adjunto/”preparador físico” de Mourinho no Real de Madrid: “A melhor adaptação é aquela que se consegue a partir daquilo que vai perspectivar uma determinada competição. Ao pretendermos jogar de uma determinada forma e ao trabalharmos, semanalmente, num contexto todo ele direccionado para isso, toda a estrutura fisiológica se adapta concretamente e de forma específica. Já o trabalho com máquinas de musculação levanta uma série de questões. Por exemplo, até que ponto o desenvolvimento muscular que se consegue dessa forma se identifica com as sinergias musculares que a modalidade e o nosso modelo de jogo requerem? Para nós, a adaptação concreta a partir das situações de jogo permite direccionar muito melhor a preparação do jogador, tendo em vista a competição. A questão é esta: cada um opta pelo caminho que está mais direccionado para o seu objectivo final. O nosso é colocar a equipa a jogar segundo o nosso modelo de jogo.”

Quinta-feira: Dinâmica Específica A quinta-feira, sendo o dia “mais distante” da competição, e tendo em conta o Princípio da Alternância Horizontal em Especificidade, passa para um regime de descontinuidade inferior (atenção, embora esta seja a unidade de treino mais contínua, isso não implica que Mourinho não dinamize a duração do exercício em fracções de maneira a garantir a qualidade do desempenho. Por exemplo, se um exercício tem uma duração de 30’, Mourinho pode dividir esse período em 3 fracções de 10’, com intervalos cuidadosamente calculados entre cada para garantir a recuperação desejada). Devido a este facto, o padrão de contracção muscular dominante caracteriza-se, neste dia, por um aumento de duração, velocidade da contracção e tensão. Os exercícios pensados para esta unidade de treino acontecem, por isso, em espaços mais amplos, durante mais tempo e envolvendo um maior número de atletas, o que

proporciona a vivenciação dos grandes princípios do modelo de jogo por parte da equipa, tendo em atenção as “nuances” tácticas inerentes ao próximo adversário. É esta semelhança com o contexto competitivo e o “debruçar” sobre as grandes dinâmicas associadas ao “jogar” preconizado que permite designar este regime como regime de Dinâmica Específica. Sendo uma espécie de aproximação do contexto de jogo (aumento da complexidade decisional e da duração das acções), compreende-se que este seja o regime mais desgastante incluído no morfociclo. Por esse motivo, percebe-se facilmente o porquê de Mourinho não pôr em prática este regime nos 2 dias que antecedem a competição. Para resumir o que acontece no treino de quinta-feira, atente-se nas seguintes palavras de Mourinho: “O treino de quinta-feira acontece em espaços largos, com mais deslocamentos e, nesta medida, posso dizer que se aproxima de algo que, para ajudar ao entendimento, posso chamar “resistência específica”, mas que nada tem a ver com a ideia tradicional de resistência. Eu não faço treinos de resistência! Para mim, resistir é estar-se adaptado a um conceito de jogo, é ser-se capaz de realizar as acções colectivas e individuais implícitas na nossa forma de jogar. Portanto, a única coisa que nós fazemos é treinar aquilo que fazemos em jogo em espaços mais alargados, mais próximos de uma situação real. Ou seja, a nossa preocupação é encontrar contextos tácticos, situações de jogo, que permitam uma adaptação específica à nossa forma de jogar. O que eu não faço é utilizar o espaço total de jogo, mas isso já tem a ver com os contextos de propensão, com a necessidade de aumentar a densidade de determinadas coisas.”

Sexta-feira: Regime de elevada velocidade de contracção Neste dia, Mourinho procura criar exercícios que promovam um padrão de contracção muscular caracterizado pela presença de elevada velocidade de contracção, curta duração e tensão não máxima. É este padrão que permite designar o regime deste dia como regime de elevada velocidade de contracção. Para permitir aos atletas recuperarem fisiologicamente do desgaste do dia anterior, cumprindo o princípio da Alternância Horizontal em Especificidade, Mourinho procura reduzir significativamente a quantidade de contracções excêntricas presentes no treino. Como é que o consegue fazer? Retirando aos exercícios tudo aquilo que cause estorvo e que implique saltos, quedas, mudanças de direcção, travagens… É certo que um regime de velocidade máxima pressupõe máxima tensão inicial, contudo, o que importa é o padrão de contracção muscular e a densidade de exigências de tensão máxima.

Em termos de descontinuidade, esta sessão manifesta-a claramente, ainda que não de forma tão marcada como a de quarta-feira. Isto porque, devido à proximidade com o jogo seguinte, esta secção pressupõe acções muito intensas no que diz respeito à locomoção, que requerem um tempo significativo de recuperação, e cuja densidade deve ser menor que na unidade de treino operacionalizada na quarta-feira. Esta densidade controlada através do número de repetições permite a Mourinho “antecipar” os efeitos que as exigências do jogo podem ter sobre os seus atletas. Por tudo isto, esta sessão de treino é caracterizada por um menor desgaste global, relativamente aos 3 dias de carácter aquisitivo do morfociclo (quarta, quinta e sexta). Sobre o “treino de velocidade” realizado na sexta feira, Mourinho diz-nos o seguinte:

“Não encarámos a “velocidade” da forma tradicional, ou seja, de um ponto de vista estritamente fisiológico. Temos de considerar a “velocidade” como a análise ou o tratamento da informação e a execução. A nossa preocupação, em termos de “velocidade de execução”, é a “velocidade” contextualizada, ou seja, aquela que a nossa forma de jogar requisita. Esta é a nossa grande preocupação. No treino, o que fazemos é ir à procura de situações de jogo que arrastem consigo uma dominância dessa necessidade fisiológica, mas uma necessidade para a nossa organização de jogo.” “A velocidade tem dois aspectos que são completamente diferentes: a velocidade da bola e a velocidade dos jogadores. A velocidade da bola tem a ver com um bom jogo posicional, uma boa leitura de jogo, grande capacidade de usar indistintamente os dois pés, um bom primeiro toque, um bom controlo e uma boa qualidade de passe. Isto é fundamental na nossa filosofia. Mais importante do que a velocidade dos jogadores sem bola é a velocidade de circulação de bola. Fazer 7 ou 8 segundos aos 60 metros é, para mim, pouco importante. Importante é ter velocidade de circulação da bola nesse espaço. O modo de se operacionalizar esta velocidade da bola não passa por situações analíticas. Eu vou muito mais por um bom jogo posicional, pela segurança que todos os jogadores têm ao saber que em determinada posição há um jogador, que sob o ponto de vista geométrico há algo construído no terreno de jogo que lhes permite antecipar a acção.”

Sábado: Predisposição para o Jogo Neste dia, a principal preocupação passa por “afinar” os jogadores para a competição do dia seguinte, reforçando as ideias principais e evitando situações de grande desgaste. Assim, o regime concebido para este dia contempla uma regime de força e velocidade moderadamente baixas e elevada descontinuidade.

Os exercícios pensados para este dia são exercícios que reflectem, sobretudo, contextos posicionais baseados nos grandes princípios, de baixa intensidade e curta duração. O objectivo é que os atletas consolidem os hábitos2 adquiridos ao longo das semanas de treino e que os “armazenem” na sua “memória recente”, de maneira a que, perante contextos semelhantes no jogo, sejam capazes de decidir mais rapidamente. Como a aquisição dos princípios já foi realizada nas 3 sessões anteriores do morfociclo, neste dia o carácter aquisitivo é quase nulo.

CONCLUSÃO

Concluímos assim, a revisão da construção do morfociclo padrão tendo em conta as suas componentes “fisiológica” e “táctica”. Por todos os dados apresentados, percebemos que, embora a periodização táctica tenha revolucionado o mundo do treino nos desportos colectivos, a sua base advém da periodização tradicional. O “regime de contracção muscular” trabalhado em cada dia baseia-se na ordenação tradicional das capacidades condicionais em cada unidade de treino do microciclo. Contudo, as semelhanças entre estas metodologias ficam-se por aqui, visto que a forma como as “capacidades condicionais” são trabalhadas pela Periodização Táctica está totalmente relacionada com aquilo que são as exigências do jogo.

Enfim, resumidamente, a Periodização Tradicional trabalha o físico para alcançar a “forma ideal” e vencer o jogo, enquanto que a Periodização Táctica trabalha “o jogar” desejado para melhor adaptar a equipa às “surpresas” do jogo e poder ter sucesso no actual mundo competitivo do Futebol!