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CPAD

Um a Jo rn a d a de FÉ
a w Moisés , o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida

Um a Jornada de FÉ
M o isés , o Êxodo e o C am inho à Terra Prometida
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Ia edição

C B© Rio de Janeiro
2013

Todos os direitos reservados. Copyright © 2013 para a língua portu­ guesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação dos originais: Daniele Pereira Capa: Flamir Ambrósio Projeto gráfico e editoração: Elisangela Santos C D D : 22 2.12 - Êxodo ISBN : 9 7 8 -8 5 -2 6 3 -1 0 9 2 -6 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Cor­ rigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 I a edição: Outubro/ 2013 Tiragem: 30.000

........159 ........................ 102 11................................ 16 3........................................... A Celebração da Primeira Páscoa....... 78 9. A Liderança de Moisés e seus Auxiliares..... O Legado de M oisés..... Os Dez M andam entos... 24 4.. As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó....................... A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai......35 5.. 138 13.................. Um Lugar de Adoração no D eserto ...............................1....................... O Nascimento e a Chamada de um Libertador.146 Bibliografia.45 6............................................. A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio................................................... A Partida do Egito e a Travessia do M ar Verm elho........................................ 58 7............................ 67 8... Um Libertador para Israel.... As Revolucionárias Leis Entregues por Moisés aos Israelitas...................................................................... A Consagração para o Sacerdócio Levítico.................5 2......................... 88 10............................... 128 12............

foi atribuído pelos ju­ deus à máo de Moisés. [.. Este capítulo trata da origem de Moisés. mais precisamente.31-35). O livro do Êxodo. E isso não é sem motivo. a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida. Levemos em conta que Deus costuma se utilizar de instrumentos humanos para que a sua glória seja manifesta. desde o tempo de Josué (Js 8. pois não se pode imaginar um estu­ do sério da Palavra de Deus sem que se examine o Pentateuco. De acordo com o D icionário Wycliffe. homem de Deus. e por isso podemos estudar os exemplos de homens e mulhe­ res usados por Deus para grandes feitos ao longo da Bíblia Sagrada.1 O N a sc im e n t o e a de um C h a m a d a Lib e r t a Alexandre Coelho dor salvação.. e. A história do êxodo de Israel tem figurado por séculos na his­ tória dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da O Livro de Êxodo Autoria A autoria do livro de Êxodo é atribuída a Moisés. o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel.] O . como parte do Pentateuco.

O livro recebe esse nome.37).U m a J o r n a d a de fé Senhor Jesus Cristo fez citações do livro do Êxodo (3. As Dez Pragas mandadas contra o Egi to (Êx 5— 11) A Páscoa (Êx 12— 13) A saída dos israelitas do Egito (Êx 14— 19) A entrega da Lei de Deus (Êx 2 0 — 24) A construção do Tabernáculo (Êx 2 5 — 40) Esse esboço é apenas exemplificativo. Êxodo. o livro de Êxodo pode assim ser dividido para fins didáticos: c® " O povo de Deus é escravizado (Êx 1) Moisés é chamado para libertar o povo (Êx 2— 4) Moisés fala com Faraó. O texto indica que seu autor participou dos eventos descritos. O êxodo é o acontecimento crucial na história de Israel. Esboço do livro de Êxodo De forma sintética.26. para trazer todo o povo de 6 .6) e chamou-o especificamente de “livro de Moisés” (Mc 12. e a pessoa realmente mais indicada e mais aceita no tocante à autoria do texto tem sido Moisés. Conforme o Dicionário Wyclijfe. Foi a po­ derosa libertação realizada pelo Senhor. “partida”. cf Lc 20. a escolha de Moisés como libertador e a forma como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. O propósito do livro de Êxodo A palavra “êxodo” traz a ideia de “saída”. por mostrar o início da escravidão dos hebreus pelos egíp­ cios. pois pode ser ampliado de acordo com o estudo de outros acontecimentos dentro do próprio livro.

. o livro de Êxodo mostra a escravidão dos hebreus no Egito e a libertação divina por intermédio de Moisés. Tendo em vista os avanços na esfera social que o homem moderno obteve por meios demo­ cráticos. O fim do livro de Gênesis fala sobre José. apesar de ele existir em muitos lugares no mundo. a lei sacrificial e o trabalho no Tabernáculo.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e u m L ib e r t a d o r Israel da escravidão no Egito e levá-lo à Terra Prometida. filho de Jacó. Rio de Janeiro: CPAD. para que tenham um lugar mais tranquilo para viver. Um olhar panorâmico no Pentateuco nos mostra que em Gêne­ sis Deus cria o mundo. O livro de Levítico se encarrega de ensinar ao povo o valor da comunhão com Deus. o Êxodo faz uma ligação para que a história dos hebreus seja encadeada de forma que haja continuidade na narrativa mosaica. O livro de Números aborda a peregrinação dos israelitas no deserto. 2006. Essa expressão traz para nós a ideia de uma pessoa que está sob controle absoluto de outra por meio da força. Esta sa­ ída do Egito e a consequente migração em direção a Canaã. A seguir. A escravidão O livro de êxodo fala de escravidão. sob a liderança de Moisés. um personagem que vai figurar nos demais livros do Pentateuco. Howard F. José traz seus irmãos e seu pai para o Egito. Charles F. nem se pode imaginar pessoas trabalhando sem hora de descanso e ainda sendo 1 PFEIFFER. D icionário Wycliffe. que era seu próprio governador teocrático. e resultou no estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus. que vai para o Egito como escravo e se torna governador. Não se pode pensar em um trabalho que não seja remunerado (exceto o voluntário). falar em trabalho escravo em nossos dias é uma coisa absurda. John. REA. a humanidade. p. e para essa pessoa trabalha sem qualquer direito. com uma administração pautada no temor a Deus e no bom senso. 7 . 735. promete um Salvador e conduz Abraão. e o livro de Deuteronômio mostra os discursos de Moisés ao povo antes de entrarem na Terra Prometida. pois Deus os visitaria e os tiraria de lá. foi marcada por muitos milagres.1 Dentro do Pentateuco. Isaque e Jacó a um relacionamento com Ele. VO S. e o livro é encerrado com o pedido de José para que os israelitas tirassem os seus ossos daquelas terras.

se fosse um menino. criança recém-nascida. mas de forma geral essa é a tendência huma­ na: esquecemo-nos das bondades de Deus e nos âeria entrar nas casas dos israelitas. a escravidão era uma prática bem difundida. O livro de Êxodo narra o princípio da escravidão do povo hebreu pelas mãos dos egípcios. conferir-lhe o sexo e. filho de Jacó. descartáveis. ou mesmo se não pudesse pagar dívidas. Essa foi uma forma muito ruim de demonstrar gra­ tidão. 8 .U m a J o r n a d a de fé tolhidas de direitos como o descanso e alimentação adequada. o Egito provavelmente não subsistiria. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê. O certo é que era uma situação constrangedora e humilhante para homens e mu­ lheres que se viam envolvidos por ela.8. Um rei se levantou no Egito. pegar a \ dioso para com os egíp­ cios. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. dando-lhes um ad­ ministrador como José. Uma pessoa poderia cair nessa situação caso fosse vendida por familiares ou se fosse uma presa de guerra. e essa expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema prova­ ção. A expressão “poder” mostra o grau de opressão com que os egípcios tratavam os hebreus." tornamos senhores das bênçãos que Ele nos tem dado graciosamente. o Egito decide retribuir o livramento dado por José usando os hebreus como mão de obra escrava. e esse monarca não tinha prazer em recordar a história daquela nação. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Êx 3. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por \ crocodilos. considerando-os como se fossem nada. quando os alimentos se tornaram escassos. Ele não conhe­ ceu a José. Deus fora misericor­ / "Qualquer egípcio ou egípcia po pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. Mas no mundo antigo. N T L H ). E muito tempo depois.

Aqui cabe uma observação: apesar de o povo de Deus passar por aquela tribulação. Esse cenário nos parece bastante favorável à existência de um povo. Deus usaria Moisés como o instrumento não apenas de libertação. 9 . e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.23-25) O rei que decretou a escravidão falecera. Reter os israelitas no Egito como escravos se mostrou caríssi­ mo para Faraó e a nação egípcia. Os israelitas podiam se casar. a fim de que o povo pudesse seguir regras adequadas para sua existência na nova terra. Quem está preso deseja ser livre. e estes cresciam. morrendo o rei do Egito.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r Clamor por libertação A busca pela liberdade também é um dos temas descritos no livro de Êxodo. tinham seus filhos e os criavam. (Êx 2. depois de muitos destes dias. mas seu sucessor manteria aquele sistema até que Deus visitasse o seu povo e o libertasse daquela situação. ter filhos e criá-los. e aumentaram muito” (Êx 1. O Nascimento de Moisés Os israelitas no Egito Moisés nasceu em um momento desfavorável aos filhos de Abraão no Egito. Ele apenas estava esperando o momento certo para agir. tendo em vista que as re­ lações sociais entre os hebreus são descritas como propícias à expansão demográfica. Não foi à toa que Moisés escreveu: E aconteceu. e o mesmo ocorre para com aqueles que estão sendo submetidos à escravidão. E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão. mas também como um legislador. que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram. a Bíblia nos diz que Deus manteve o seu plano de levar seu povo a uma terra onde poderiam viver como uma nação. e assim sucessivamente. Para isso. Deus não perdeu o controle da história. com Isaque e com Jacó. O livro de Êxodo começa indicando que “os filhos de Israel frutificaram. e atentou Deus para os filhos de Israel e conhe­ ceu-os Deus.7).

11. os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios. e ao que tudo indica. Um bebê é salvo da morte Como foi dito. Mas a Bíblia declara que os pensamentos de Faraó esta­ vam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. Os hebreus tinham seus afazeres. Mas não foi isso que o novo rei do Egito viu. Este verso mostra o que eu chamo de “princípio das dores” para os hebreus que mora­ vam no Egito. Faraó acreditou que poderia contar com a obediência dessas mulheres. os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”). Conforme Êxodo 1. para que matassem os meninos recém-nascidos. era um sinal claro da bênção de Deus. o que traria uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional. Ele assumiu o poder e entendeu que três situações poderiam ocorrer. mais se multiplicavam. e vai convencer a si mesmo e aos que o cercam.U m a J o rn a d a de fé Mas no versículo 8. sendo posteriormente recom­ pensadas por Deus. disseram ao rei que as mulheres hebreias eram “vivas”. Podemos extrair dessas observações que o homem sem Deus vai buscar razões malignas para justificar seus feitos. que náo conhecera a José”. estava crescendo bastante. como um grande grupo de pessoas. a) os israelitas. não há registros de que Israel tivesse intenções de se associar a outras nações em uma guerra futura contra os egípcios. A Versão Atualizada da Bíblia usa a 10 . Sifrá e Puá. Quanto mais os israelitas eram afli­ gidos. c) ele também entendeu que no caso de uma guerra. Moisés não veio ao mundo em um período propício ao nascimento de um menino hebreu. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo. Até esse momento. não há indicação de que eles eram vistos como uma massa de trabalho escravo pronta para satisfazer os desejos de reformas e construção de novas estruturas no Egito. Além disso. Quando chamadas para prestar contas. a ponto de o rei dar ordens às parteiras das hebreias. b) ele imaginou que em um caso de guerra futura. “Depois. não influenciavam negativamente em qualquer fato social dos egípcios. levantou-se um novo rei no Egito. a história nos mostra uma mudança no cenário político do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. mas estas temeram a Deus e não obedeceram ao rei.

ordenou Faraó a todo o seu povo. ordenou que uma de suas criadas o fosse pegar. conferir-lhe o sexo e. Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas. Outra coisa a se observar é o fato de que a maldade humana cria métodos malignos para conseguir seus feitos. uma construção bem frágil para proteger uma criança. não podendo mais escondê-lo. A filha de Faraó se compadeceu do menino. os textos mostram que as parteiras foram inquiridas por Faraó e deram a ele uma resposta que as isentou de sujarem as máos com sangue inocente. escravidão e morte contra os hebreus. decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés. Ela teve um menino. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio. e. a não compactuar com o que está errado. E exatamente naquele lu­ gar a filha de Faraó foi se banhar. e tentou escondê-lo por três meses.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r expressão “vigorosas”. a ordem agora passou para o povo egípcio: “Então. mas a todas as filhas guardareis com vida” (Ex 1. pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Abraão. Mas se Satanás tinha um plano de opressão. Independentemente das versões utilizadas. mas de livramento. A mãe de M oisés A Bíblia apresenta a mãe de Moisés como uma mulher que descendia de Levi. Se as parteiras hebreias não cumpriam as ordens dadas. e vendo o cesto. usando a filha de Faraó para tal livramento. A nossa fé em Deus deve sempre nos motivar a fazer o que é certo e justo. e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz que as mulheres hebreias “dão à luz com facilidade”. um dos irmãos de José. pegar a criança recém-nascida. A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino.22). dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio. colocou-o em um cesto de juácos. se fosse um menino. Os planos de Satanás eram cruéis. Mas os planos de Faraó não pararam. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. e acima de tudo. Precisamos concordar que esse foi realmente um grande II . libertação e de vida para os seus filhos. Deus também tinha um plano. entre as plantas. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê.

sugere que Moisés não era o primeiro filho do casal. Nm 26.59).U ma J o r n a d a de fé feito. o irmão de Moisés. mas cita o de Miriã." • ria a filha do Faraó para preservar em vida o me­ nino que seria.20. 144. Foi um ato de fé. essa mulher arriscou-se muito para preservar em vida o fruto do seu ventre. O Se­ nhor não apenas guardou a vida do menino. p. comentarista do livro de Êxodo no Comentário Beacon. Quase nada é fa­ lado acerca dessa mulher. Os segundos quarenta anos. anos mais tarde. A filha de Faraó A filha de Faraó entra em cena na história do povo hebreu. 1. 12 . Observe que a Palavra de Deus não cita o nome dos pais de Moisés nesse momento. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Deus tem um senso de humor interessante: Se o rei do Egito ordenara a mor­ te dos meninos hebreus. Nm 26. v. Parece que o édito do rei entrou em vigor depois do nasci­ mento de Arão. pois a irmã Miriã tinha idade suficiente para cuidar do irmão (4. 2005.59). George Herbert et all. Arão. e pela fé viu a vida de seu filho ser preservada por Deus. Léo G. o libertador dos is­ raelitas. pois em uma época em que os egípcios caçavam bebês meninos dos hebreus. Além disso. era três anos mais velho que ele (6. Moodij comentou sabiamente que ‘A íoisés passou seus primeiros quarenta anos pensan­ do que era alguém. mas fez com que a mãe de Moisés fosse remunerada para cuidar do próprio filho. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos quarenta anos ele os passou desco­ brindo o que Deus pode fazer com ^ um ninguém'. sendo Moisés o primeiro filho deste casal cuja vida estava em perigo por causa da proclamação do rei. Rio de Janeiro: CPAD. Deus graciosamente usa­ “ Dwight L.2 O certo é que essa mulher colocou seu filho em um cesto de juncos pela fé. mas o que temos aqui é suficiente para entender que a providência divina 2 LIVINGSTON.

casando-se com a filha de Reuel. obrigado”. Aparentemente. que significa “o Deus de meu pai foi minha ajuda e me livrou da espada de Faraó” (Ex 18. Moisés fugiu para essa região. Nessa época. Foi um período em que a própria Bíblia nada fala sobre Moisés. Moisés habitava com os midianitas. que significa “peregrino fui em terra estranha”. Ela guardou o menino em vida. Depois de matar um egípcio. mas também era conhecido como Jetro. onde encontrou abrigo e formou uma família. Moisés desvencilhou-se de quem era. o monte de Deus. uma elevação de aproximadamente 2. Saulo estava a cargo de procurar pessoas que falavam em nome de Jesus. descen­ dentes de Abraão com Quetura. Zípora deu-lhe dois filhos: Gérson. e que nem mesmo têm o mesmo temor a Deus que nós. e apesar de haver uma ordem para que os egípcios jogassem os bebês do sexo masculino do rio. E Moisés estava “muito bem. nesse período de sua vida. pastoreando as ovelhas de seu sogro próximo ao Horebe. para trazê -las presas. quando se encontrou com o Senhor na estrada para Damasco. nos dias de Jesus. Mateus era um fiscal da receita em Israel. a filha de Faraó decidiu não obedecer.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r pode utilizar pessoas que desconhecemos. até o seu encontro com Deus no deserto.300 metros. Deus chama seus escolhidos nas mais diversas funções. de sua origem e de sua educação no Egito. para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos. e Eliézer. Não há referências na Palavra de Deus que indiquem que Ele despreza talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Deus prepara o seu escolhido Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer a sua obra? Com certeza. cujo nome significa “amigo de Deus”.2-4). Ela soube imediatamente que aquele bebê era dos hebreus. A filha de Faraó não apenas se sentiu comovida com a situação da­ quele menino colocado no cesto de juncos. Saulo era 13 . A Chamada e o Preparo de Moisés Deus chama o seu escolhido De forma mui peculiar.

Há uma frase que cir­ cula em adesivos de carros que diz: “Deus não cha­ ma os capacitados. estudos e demais recursos que adquirimos ao longo da vida para 14 . e utilizou seus conhecimentos para escrever seu Evangelho. ao menos em minha ótica. mas ao longo do texto bíblico Ele chama pessoas capacitadas. filho de Jacó." nada em nossa existência prestasse. Davi era um comba­ tente. foi direcionado por Deus para ficar uma temporada sendo mantido por uma viúva pobre em Sarepta. e essa V clui buscar uma formação sólida e coerente. ressuscitou um menino morto. Ninguém pode dizer que está totalmente pronto para dar passos definitivos na caminhada com Deus. Como cristãos. ainda que limitadamente. Elias. e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens missionárias. uma localidade de Sidom. O mesmo se deu com Moisés: sua formação no Egito e o tempo no deserto. Deus pode usar qualquer pessoa em sua obra. mas também era um poeta que compôs diversos cânticos de ado­ ração ao Senhor. Deus utiliza nossos dons.________ -A/ "Ele não conheceu a José. e isso in­ . somos desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus. sendo mantido por corvos.U m a J o r n a d a de fé versado em três línguas diferentes. Deus capacita pessoas para a sua obra? Com certeza. É uma frase estranha. Mateus era um cobrador de impostos. mas também era um estadista. mas para isso teve de passar uma temporada no anonimato em Querite. pois Deus não costuma desprezar a nossa expe­ riência de vida. Na prática. quando os alimentos se tornaram escassos. como se expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito an­ teriormente passara por um período < de extrema provação. fizeram dele o homem escolhido por Deus para uma obra sem igual. o Egito provavelmente não subsistiria. terra natal de Jezabel. entenda que Deus utiliza nossos recursos em prol do seu Reino. Daniel era um profeta. e depois que o ribeiro secou. Ele foi capacitado por Deus para os desafios que enfrentaria. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. pastoreando as ovelhas de seu sogro. Portanto. para servi-lo. mas capacita os escolhidos”. o tisbita.

O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L ib e r t a d o r serem utilizados em prol do seu Reino. Ele precisava agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma jornada que duraria anos. quanto mais recursos obtemos ao longo da vida. Moisés foge do Egito por ter matado um egípcio. como aconteceu com Moisés. nunca estaremos sempre prontos para atender à voz de Deus. Moody comentou sabiamente que “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. 2008. 3 SW IN DO LL. Ainda assim. Portanto. Moisés estava apascentando as ovelhas de seu sogro. M oisés. São Paulo: Mundo Cristão. e não que acumulemos a bagagem de conhe­ cimento e experiência antes para depois decidir que vamos obedecer. Série Heróis da Fé. mais eles poderão ser usados no serviço do Mestre. em sua paciência. 15 . 31. tendo recebido uma educação própria de sua classe social. Os segundos qua­ renta anos. a forma como so­ breviver nele. E é nossa função estar capacitados dentro de nossas forças para prestar o melhor ao Senhor. Ele complementará o que nos falta. Em sua sabedoria.3 Guarde isso em seu coração. Sempre faltará alguma atitude da qual só teremos ciência quando estivermos no meio da jornada. 0 preparo de M oisés Deus sempre tem um objetivo quando chama um de seus servos para que exerça alguma função ou ministério e tem sua forma própria de preparar seus escolhidos. Deus nos pede que andemos confiando nEle. Quando foi chamado por Deus. Após ter passado quarenta anos no Egito como membro da corte de Faraó. Charles. Na prática. Eram questões simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito. A sabedoria dos egípcios ele já possuía. mas foi dessa forma que Deus preparou Moisés. onde aprendeu os caminhos do deserto. os tipos de animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. Ele passou a próxima tem­ porada de quarenta anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica. Dwight L. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos qua­ renta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém” (citado por Charles Swindoll). p.

Ele chegara a Midiã aos 40 anos. fugido do Egito. poderia se aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restariam sem se aborrecer. tem um encontro com Deus. Neste capítulo veremos de que forma Deus tratou com Moisés pessoalmente. aos 80 anos. chamando-o para que fosse uma das grandes figuras do Antigo Testamento. quando cuidava das ovelhas do sogro. Mas aqui reside um principio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a ser úteis .Um Lib e r t a dor pa ra Is r a e l Alexandre Coelho D eus tinha um plano de libertação para Israel. com seu sogro Jetro. Moisés — Sua Chamada e seu Preparo Um líder não surge no cenário bíblico sem que tenha uma história por trás de sua vida. e iria usar um ho­ mem chamado Moisés para tal feito. aos olhos humanos. Moisés foi chamado por Deus em uma fase da vida em que. Deus chama o seu escolhido Moisés foi chamado por Deus quando estava vivendo em Midiã. Vejamos como Deus vocacionou Moisés para a tarefa que lhe foi confiada. e agora.

filha de Jetro. mas não atendeu à voz divina ime­ diatamente. As Desculpas de Moisés e a sua Volta para o Egito 0 receio de M oisés e suas desculpas Moisés foi chamado por Deus. Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente. De que adianta ser escolhido por Deus e não ser informa­ do dessa chamada? Como Deus faz tudo de forma perfeita.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l para Ele. Deus não apenas escolhe as pessoas para determinadas obras. Nesse local ele foi ensinado no que o Egito tinha de melhor em tecnologia e conhecimen­ to. 17 . o lar em que foi criado por seus pais. e mesmo que ele não o soubesse. Moisés constituiu uma família com Zípora. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a fa­ zer o que Moisés faria. O terceiro foi o deserto. Portanto. A esse lugar Moisés se dirigiu quando matou um egípcio e foi perseguido. mas Deus escolheu Moisés para aquela missáo. Em Midiã. Deus o estava preparando como instrumento para uma grande missão. Analisemos os textos que se seguem. o preparo de Moisés durou muitos anos. construindo uma vida acadêmica e preparando-se para um futuro brilhante na liderança egípcia. Ele passou por pelo menos três grandes ambientes em sua vida. 0 preparo de M oisés Deus se utiliza de diversos recursos para treinar aqueles a quem escolheu. onde fora colocado por Deus para exercer seu ministério futuro como libertador. legislador e líder de um grupo de pessoas que deixaria uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornarem uma nação. O primeiro grande ambiente pelo qual Moisés passou foi. sem dú­ vida. Lá ele foi instruído sobre seu povo e sua cultura. mas tam­ bém as convoca. e certamente aprendeu algo acerca de Deus. Com Moisés não foi diferente. O segundo grande ambiente foi a corte do Egito. Não há indícios de que Moisés tenha se casado no Egito.

6). poderemos observar: “Então. e já ouvira Deus convocando-o para a missão que ocuparia uma parte importante de sua vida. e isto te será por sinal de que eu te enviei: quando houveres tirado este povo do Egito.12). tirando-os da escravidão e levando-os a uma terra nova e frutífera. É curioso que Deus diz a Moisés que vai tirar seu povo do Egito. uma clara referência de que Ele era reverenciado pelos antepassados de Moisés. Deus tinha de usar Moisés para tal feito. Após se identificar (Êx 3. Por que Ele mesmo não aparecia a Faraó e ordenava que o povo fosse solto? Ele tinha de usar alguém para tal função? Sim. Moisés já tinha visto a sarça ardendo no deserto. para depois dizer a Moisés que ele havia sido escolhido para ir diante de Faraó e convencer o rei a libertar o povo. que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E Deus disse: Certamente eu serei contigo. mas em diversas situações Ele se utiliza de pessoas como eu e você. 18 .7. É provável que ele estivesse pensando em seu passado. o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de Deus.5. para cumprir seus propósitos. Analisando de forma mais acurada o texto que narra a conversa de Deus com seu servo. precisamos aprender que Deus pode fazer grandes coisas sem utilizar ninguém. limitadas.10). Deus deixa claro que viu a aflição do seu povo e que ia livrá-lo. no prejuízo que teria se retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. do Egito” (Êx 3. Deus fala com o pastor M oi­ sés para que tenha temor ao se aproximar. para que tires o meu povo.8). Como Moisés. e eu te enviarei a Faraó. Mesmo se essa possibilidade fosse remota. de Isaque e Jacó. Moisés trouxe seu primeiro questionamento ao Senhor: “Quem sou eu para falar com Faraó e tirar o povo do Egito?” Aos próprios olhos. Moisés não tinha tal capacidade. Moisés disse a Deus: Quem sou eu. e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó. pois.11. servireis a Deus neste monte” (Êx 3. os filhos de Israel.U m a J o r n a d a de fé Em um primeiro momento (Êx 3 . “Vem agora. Mas nem sempre pessoas que serão grandemente utilizadas por Deus estarão de imediato prontas para obedecer à sua voz quando cha­ madas. e de imediato se identifica como sendo o Deus de Abraão. no crime que havia cometido.

e este é meu memorial de geração em geração.13-15) Moisés fez um segundo questionamento ao Senhor: Qual era o nome daquele que o estava comissionando? Deuses deveriam ter no­ mes. me enviou a vós. Deus ordena que Moisés procure os anciãos e diga que o Deus dos pais deles tinha aparecido e ordenado a ele que fosse falar com Faraó. pessoal e tempo. por mais escassos. de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. E do que realmente precisamos? Da companhia de Deus. mas havia 19 . o Deus de Abraão. Se Deus tem um nome. Observe que Deus não apenas trata de falar com Moisés. como recursos. o Deus de vossos pais. nossos recursos. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. mas de dar a ele ordens bem direcionadas e específicas. porque Moisés não poderia sabe-lo? A resposta divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SO U está mandando você para libertá-los. Isaque e Jacó”.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l Observe que Deus disse a Moisés que seria com ele. mas garantiu-lhe que o acompanharia. por mais que se mostrem abundantes. Então. disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós. este é meu nome eternamente. e eles me dis­ serem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. tornam-se instrumentos de abundância e de milagres diariamente. Ele deveria falar com Faraó que Deus estava ordenando que o rei deixasse o seu povo ir. Essa é uma promessa que nos deve fazer refletir. Os do Egito tinham suas nomenclaturas. (Êx 3. Deus deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas. Sem ela. e o nome das divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia daquele povo. Com a presença de Deus. o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR. Lembre-os de que sou o Deus de Abraão. O Deus de Abraão. pois não raro. dependemos de muitos fatores para nos sentirmos seguros para fazer a obra de Deus. Deus sabia das limitações daquele homem. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. os recursos. serão insuficientes.

transformando a água do rio em sangue. Deus tinha outra forma de mostrar seu poder a Moisés: E disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a mão no peito. crerão a voz do derradeiro sinal. Moisés apresentou outra desculpa para não obedecer àquilo que Deus estava mandando: os israelitas não acreditariam nele.6-9).U ma J o r n a d a de fé a orientação para que Moisés procurasse os anciãos do povo e comuni­ casse que Deus tinha visto o que os egípcios fizeram com os israelitas. Deus já conversara com Moisés. Se Moisés não se convenceu imedia­ tamente de sua chamada. Por isso. Deus feriria o Egito e no fim os israelitas seriam libertos e ainda pediriam aos seus vizinhos egípcios bens em roupas e metais preciosos (Ex 3. disse que confirmaria um terceiro si­ nal. como convenceria os israelitas de que ele era um enviado de Deus? A resposta de Deus foi imediata. tirando-a. Deus diz a Moisés que Faraó não era uma pessoa de fácil relacionamento. e ela se transformou em uma serpente.16-18). que Ele os tiraria do Egito e que eles prestariam culto ao Senhor (Ex 13. E tornou a meter a mão no peito. Mas Moisés permaneceu na defensiva: desta vez ele alegou que não era uma pessoa hábil para realizar discursos que con­ vencessem as pessoas. por meio de sinais. mas isto não indicava que as coisas seriam fáceis para Moisés. 20 . E acontecerá que. nem ouçam a tua voz. branca como a neve. O que Moisés queria mais? Ele já tinha visto dois sinais. ela se transformou em uma vara novamente. tomarás das águas do rio e as derramarás na terra seca. Depois de tantas demonstrações. eis que sua mão estava leprosa. nem ouvirem a voz do primeiro sinal. Mas se este sinal foi pouco. E disse: Torna a meter a mão no peito. e se isso fosse pouco. e eis que se tornara como a sua outra carne. e. depois. Moisés lançou no chão a vara com que liderava as ovelhas de seu sogro. se acontecer que ainda não creiam a estes dois si­ nais. E. e que não deixaria o povo sair. tirou-a do peito. se eles te não crerem. e ainda diriam que Deus não havia aparecido a Moisés.19-22). Quando Moisés pegou a serpente pela cauda. um terceiro sinal Deus faria. e as águas que tomarás do rio tornar-se-ão em sangue sobre a terra seca (Ex 4. e lhe mostrou sinais de seu poder. A mensagem foi dada.

e que Arão falaria ao povo por Moisés. mas ainda precisava ter sua própria experiência com o Senhor. ele não teria mais alternativas a não ser obedecer (Êx 4. mas deulhe poderes específicos para que o representasse. pegar a água do rio e lançá-la na terra. Moisés.1 0 -1 2 ). Para não ficar tão mal aos olhos de Deus. Essas desculpas podem parecer irreais a nós hoje. Deus concede poderes a M oisés Deus não apenas convocou Moisés para aquela empreitada. mas tinha também outro para fazer na frente deles. ele sugeriu: “ Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar. portanto. e antes de ir ao Egito. Moisés já chegara ao seu limite. e não poderia mais protelar sua obe­ diência ao Senhor.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l O tom de voz de Deus começou a mudar naquela conversa. Ele pode ter sido criado por uma família piedosa. Desta vez. E ele o fez. E por não ter ainda essa experiência. E evidente que Moisés não saiu de Midiã sem a anuência de seu sogro. não tivera ainda um contato com Deus. Os sinais que Moisés presenciou eram um prenúncio do que Deus haveria de fazer no Egito. e deu-lhe sua filha em casamento. Ele já tinha a chamada. Deus disse-lhe que Arão seria um companheiro ade­ quado para aquela missão. menos a mim” (Êx 4. Jetro recebeu Moisés de bom grado. para que se tornasse em sangue. caso não acreditassem na sua palavra. mas o que disse 21 . provavelmente não estava disposto a obedecer. É evidente que Moisés não disse tudo. 0 retorno de M oisés Moisés recebe a ordem para retornar ao Egito e falar com Faraó com uma certeza: Deus estaria com ele. tinha não apenas os sinais para contar aos hebreus. ao que parece. Deus disse que Moisés fosse fazer seu trabalho que Ele o ensinaria como de­ veria falar (Êx 4 . ARA). Faltava agora obedecer. Moisés tinha laços afetivos com a família de Jetro. e também os sinais.13-17).13. deveria. Ele deveria contar aos hebreus o que presenciara e. deveria dizer ao sogro para onde iria e o que faria. mas nos lembremos de que Moisés até aquele momento. mais que isso. Moisés apenas deveria aprender a confiar no Senhor. por recomendação divina.

U m a J o r n a d a de fé foi suficiente para obter a permissão para se ausentar daquela região e dar prosseguimento ao plano de Deus... disse a Moisés: “Vai. falando com Faraó para que o povo fosse liberto. Esta deve ter sido uma prova dura para Moisés. Ele tinha um crime em sua “ficha”. Por que obedecer a um que não conheço. Deus já avisara a Moisés que os diálogos com Faraó mostrariam o quanto o coração do rei era duro.19). e que acha que pode me ordenar a libertar minha mão de obra escrava? Esse Deus do deserto não tem uma forma definida. Porém Moisés ainda tinha uma pendência a resolver. eles não sabiam que Moisés estava ali obedecendo a Deus. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor. nem tampouco deixarei ir Israel” (Êx 5. Moisés teve de fugir. A lógica de Faraó era a seguinte: Há vários deuses no Egito. A queixa dos israelitas O povo de Israel sentiu-se prejudicado pela intervenção de M oi­ sés junto a Faraó. e ainda me manda um representante pastor. cuja voz eu ouvirei. porque todos os que buscavam a tua alma morre­ ram” (Ex 4. e que apenas pela forte mão de Deus os hebreus sairiam daquela nação. quando pertencia à corte egípcia e matou um egípcio quando este açoitava um hebreu. Na verdade. e como consequência o rei ordena que os hebreus trabalhem 22 . Como Deus não faz nada de forma incompleta. e certamente seu coração não estava esquecido desse detalhe. Moisés poderia levar a cabo sua missão sem se preocu­ par com aquela mácula. volta para o Egito. o encontro de Moisés com Faraó não foi nada promissor. Por esse crime. Moisés se Apresenta a Faraó M oisés diante de Faraó Como era de se esperar. Isso vemos da resposta que o rei deu a Moisés: “Quem é o Senhor. e que ele não tinha o desejo de fazer com que o sofrimento dos seus irmãos fosse aumentado. Ele estava no Egito obedecendo à voz de Deus.2).

os líderes devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas atitudes. E evidente que levou um tempo até que o que Deus falou se cum­ prisse.1). por mão poderosa. O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que as coisas que se seguirão não serão alvo de investidas de Satanás. Além disso. os deixará ir. os lançará de sua terra” (Ex 6. porque. 23 . As dez pragas enviadas contra o Egito mostraram o quanto Deus é poderoso. Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiaram nEle. Deus cumpriu o que prometeu. mas não veem de imediato um fruto positivo de sua obediência. e o quanto Ele deu oportunidade para que Faraó voltasse atrás e libertasse o povo de Israel sem que a nação egípcia sofresse tan­ tos danos e mortes. Ele vai se responsabilizar por nos honrar no devido tempo. no devido tempo ele cumprirá o que prometeu. D e­ pois do encontro com Faraó e das reclamações dos hebreus. Entretanto. Moisés. Deus diz a Moisés: “ Agora verás o que hei de fazer a Faraó. Lembremo-nos de que a chamada que Deus tem para cada um deve ser obedecida. mas que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de Deus. diante de seus inimigos e diante do seu próprio povo. Uma palavra de Deus em meio às adversidades e correntes contrárias é suficiente para que tenhamos a certeza de que Ele está co­ nosco.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l mais. sim. Não é incomum que líderes se vejam nessa mesma situação: obe­ decem a Deus. e que se aguardarmos nEle. e que no devido tempo. por mão poderosa. Deus promete livrar seu povo A promessa divina para com Israel não foi esquecida por Deus. e no devido tempo trouxe a libertação tão esperada àquela nação e honrou seu servo.

somos tentados a imaginar que Deus realmente precisa muito de nós para a sua obra. prefere se valer de instrumentos humanos para executar sua vontade. por meio de Moisés e Arão. Deus havia dito a Faraó.3 As P r a g a s A e as P ropostas r d il o sa s de Fa r a ó Alexandre Coelho este capítulo examinaremos duas situações que ocorreram por ocasião da presença dos israelitas no Egito: as pragas enviadas por Deus e as propostas de Faraó no sentido de manter os is­ raelitas cativos. Isso nos deve fazer lembrar de que Deus tem todo o poder. mas preferiu usar Moisés como ins­ trumento para aquela obra. Ele pode usar quem quiser para fazer a sua vontade. Na verdade. que deixasse seu povo ir embora daquela terra. e opera apesar de nós. mas ainda assim. Que isso nos sirva de lição. em mui­ tas situações. Faraó fora advertido de que deveria libertar os . não raro. e pode fazer o que desejar. e que sem nós Ele não faria nada. O Encontro de Faraó e Moisés E curioso observar a capacidade que certas pessoas possuem de ten­ tar negociar com Deus. Deus poderia simplesmente retirar Ele mesmo o povo da escravidão. tendo em vista que. e não apenas por nossa causa.

A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó israelitas. nem tampouco deixarei ir Israel. Primeiro o Senhor falou através de A io isés Deus prioriza advertir Faraó por meio de Moisés. Faraó percebe que está lidando com um Deus que escolhe bem seus enviados. Se analisarmos a forma com que Deus se utilizou para falar àquele monarca. Quem é o Senhor? Não o conheço. não deixarei os hebreus saírem livres. (Ex 5. depois.2) Essa foi a resposta de Faraó. e que não se permite ser ridicularizado por ninguém. mas preferiu resistir à voz de Deus. Como já nos é sabido. Não raro. Mas Faraó disse: Quem é o Senhor. Deus utiliza pragas para convencer Faraó A palavra de Moisés e os sinais que ele fez por orientação divina não foram suficientes para tirar de Faraó sua dureza de coração. para mostrar com mão forte que a permanência de Israel naquelas terras seria extremamente custosa aos súditos de Faraó.1. Deus enviaria pragas por toda a terra do Egito. para que me celebre uma festa no deserto. veremos que foi dada a ele oportunidade de reconhecer o poder de Deus antes que ma­ les terríveis assolassem o Egito. E. o rei não acreditou nas palavras do libertador. Deus de Israel: Deixa ir o meu povo. foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Se­ nhor. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. cuja voz eu ouvirei. Mas à medida que o texto se desenrola. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor. 25 . Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época? Esse Deus poderia ter embaixadores melhores para representá-lo. o octagenário pas­ tor do deserto. e como não o conheço. essa tem sido uma resposta comum da própria humanidade: Porque devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em con­ sideração que o Egito tinha vários deuses.

Após essa praga.. Deus trouxe a primeira praga àquela nação: o Nilo se transformou em sangue.9. Moisés deu a oportunidade ao rei.. Veio a segunda praga: as rãs encheram o Egito. segundo o Comentário D evocional da Bíblia. para tirar as rãs de ti e das suas casas. de que não conhecia a Deus e não deixaria o povo de Israel sair do Egito.. Por que não agora?” Mas Faraó não estava realmente interessado em receber uma oração. Mas o Rio Nilo não era um deus... pois em uma região dependente do rio. E foi isso que Deus mostrou aos egípcios. e por teu povo.. O rei tinha a oportunidade de se livrar da praga das rãs naquele mesmo dia. Quando orarei por ti. ~ ~ — .. na sua cama e em todos os cômodos da casa. sem dúvida ele era uma bênção para as colheitas e para a vida como um todo. para que saibas que ninguém há como o Senhor. Uma coisa é reverenciar um animal na beira do rio. Outra coisa é ver centenas desses animais na sua casa. a responsável pela y "r "” "" . aconteceu à à geração que saiu do Egito eeque que ficou ficou enterrada enterrada no no Egito v. veja o que J y s .U m a J o r n a d a de fé Depois dessa resposta direta de Faraó. E Moisés disse: Seja conforme a tua palavra... Na dúvida.10) Quando questionado por Moisés acerca de quando iria orar por ele. Moisés então é chamado por Faraó para que termine com ela: E Moisés disse a Faraó: Tu tenhas glórias sobre mim. Ele queria mesmo é que 26 . espalhados na cozinha. "Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a pago quando desobedecemos a Deus.. O Nilo era considera­ do uma divindade para os egípcios. Heqt... Quando quer que ore por você e por seu povo? Pode ser hoje. í como desculpas deserto. (Ex 8. Deus estava julgando outra “divindade” egípcia. de sorte que somente fiquem no rio? E ele disse: Amanhã. deserto. mas preferiu esperar até o dia seguinte.. Não dê Não comode desculpas seus filhos seus filhos para quepara você que não você não sirva siiva a Deus" Deus. Faraó disse “amanhã”.." ----. e pelos teus servos..— J natalidade. nosso Deus. e este preferiu protelar o livramento do seu próprio povo! É como se Moisés estivesse dizendo a Faraó: “ A prioridade de acertar as coisas é sua.

se 27 . Ao que parece. e apenas precisamos dizer que a queremos nesse momento. A Primeira Proposta de Faraó Deus enviou mais duas pragas ao Egito: a dos piolhos e das mos­ cas. Deus pretendia receber culto e dar de presente aos filhos de Abraão uma nova terra para viverem. Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo que Deus está de bra­ ços abertos para nos oferecer hoje? Isso pode significar deixar para ama­ nhã o serviço a Deus. sem problemas. Há momentos em que a resposta de Deus está diante de nós. Muitos bebês meninos foram lançados ao Nilo para morrerem afogados ou comidos por crocodilos. isso era cômodo para o rei. eis que. Faraó foi convencido pelos piolhos e moscas enviados por Deus. Naquelas terras muitos israelitas morreram em sofri­ mento. Quem quisesse sacrificar poderia fazê-lo. mas a escolha do local do sacrifício pertencia a Faraó. porque sacrificarí­ amos ao Senhor. restos de pele ou secreções expelidas pelo corpo. Piolhos são parasitas que se alimentam de sangue. A vida dos egípcios se tornou um inferno. a abominação dos egípcios. As moscas são tão inconvenientes que costumam nos dar nojo quando se aproximam de nós ou pousam em algum objeto que nos está próximo. ou tomar uma decisão da qual já fomos orienta­ dos por Ele. e fez uma concessão aos israelitas. A adoração pretendida por Deus não foi planejada para ser feita em terras egípcias. A força de trabalho escravo não iria muito longe. A Segunda Proposta de Faraó E Moisés disse: Não convém que façamos assim. e dificilmente saem de seus hospedeiros.25). Faraó chama Moisés e Arão e lhes diz: “Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra” (Êx 8. O Egito estava realmente em maus lençóis. Naquelas terras os filhos de Deus haviam perdido sua liberdade. Multiplicam-se com facilidade. Mas esse não era o plano de Deus. desde que fosse feito no Egito. O sacrifício poderia ser feito. Com essas pragas. De certa forma. nosso Deus. não a Deus.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó a praga das rás sumisse e que Moisés desistisse de pedir que seus irmáos fossem libertos da escravidão.

Mas Faraó não está certo de que essa distância é segura para manter o povo escravo. Esse era o pla­ no divino. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias x de nossa renda (Pv 3. disse Faraó: Deixar-vos-ei ir. Então. nosso Deus. (Ex 8. mais que bens.. que estes enxames de moscas se retirem amanhã de Faraó. orai tam­ bém por mim. Eles sairiam da escravidão. Não bastava serem escravos: eles teriam de passar pela humilhação de ver pedras voando por suas cabeças no momento do culto ao Senhor? Deus não tinha esse plano para seus filhos. não vades longe. somente que Faraó não mais me engane. como ele nos dirá. e diz a Moisés que não vá muito longe.U m a J o r n a d a de fé sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos. para que sacrifiquemos ao Senhor. no deserto. Por que 28 “ A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado.E Moisés disse: Eis que saio de ti e orarei ao Senhor. e um coração não jixado nas riquezas deste mundo. Trabalhariam para se manter e prosperar em uma nova terra. somente que indo. Criariam seus .” .. Moisés indica que o local adequado à adoração se­ ria a três dias de distância do Egito. para que sacrifiqueis ao Senhor. não nos apedrejariam eles? Deixa-nos ir caminho de três dias ao deserto. vosso Deus. Porém. Eles certa­ mente apedrejariam os israelitas quando estes fossem oferecer seu culto. Além disso.. por que oferecer sacrifícios em um lugar onde eles eram motivo de deboche? Os egípcios detestavam pastores de ovelhas e qualquer pessoa que cuidasse de gado.9).26-29) Pensemos agora no diálogo entre Moisés e Faraó: O libertador não concorda com o rei quando ele propõe que o culto seja em um lugar inadequado à presença de Deus. Eis aqui a diferença. Tão importante quanto o culto que eles prestariam era a liberdade que receberiam. Ele deseja nossa inteireza de coração. ■ — ii— i filhos longe da sombra do trabalho escravo e dos acoi­ tes com que estavam sendo submetidos. não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor. dos seus servos e do seu povo. Seriam protegidos por Deus e seriam uma nação.

para que me sirva. Faraó não pareceu entender que estava lidando com um poder pes­ soal sobrenatural. des­ de o dia em que eles foram sobre a terra até o dia de hoje.3-6) Deus enviou outra praga ao Egito: os gafanhotos. e as casas de todos os egípcios. eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos. como nunca viram teus pais. Os prejuízos materiais no Egito estavam se avolumando. “E os servos de Faraó disseram-lhe: Até quando este nos dá de ser por laço? Deixa ir os homens. mas não parece um daqueles pedidos sinceros de oração. e as casas de todos os teus servos. A última praga enviada por Deus neste momento foi uma chuva de pedras em toda a nação. o que ficou da saraiva. Faraó chega a pedir que Moisés ore por ele também. Depois mandou piolhos e moscas. (Êx 10. também comerão toda árvore que vos cresce no campo. Depois os animais fo­ ram atacados e tumores cobriram os egípcios. para que sirvam ao Senhor. Deus transformou o Nilo em sangue e depois mandou uma infestação de rãs àquela nação. 29 . Ele estava lidan­ do com o próprio Deus. que estava dando ao rei oportunidades para que voltasse atrás em seus pensamentos e libertasse Israel. seu Deus. Faraó aparentemen­ te não aprendeu a lição dos sinais de Deus. e eles comerão o resto do que escapou. Charles Swindoll disse que os sinais que Deus mandou ao Egito eram “pragas que pregam”. foram Moisés e Aráo a Faraó e disseram-lhe: Assim diz o Senhor. que a terra não se poderá ver. e cobrirão a face da terra. tornando insuportável a permanência dos israelitas em solo egípcio. se ainda recusares deixar ir o meu povo. o Deus dos hebreus: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? Deixa ir o meu povo. Porque. e encherão as tuas casas. nem os pais de teus pais. A Terceira Proposta de Faraó Assim.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó essa preocupação do rei com um grupo de escravos? Para mantê-los no Egito e impedir-lhes a liberdade. e sim a finalização de um discurso que não tem por objetivo ser realizado. sem precedentes na história do Egito. E virou-se e saiu da presença de Faraó.

da mesma forma que preten­ de abençoar toda a família.8-10) Deus não nos chama para que o sirvamos sem que nossas famílias estejam incluídas tanto na adoração quando na recepção de bênçãos. Então. Quais são os que hão de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com nossos meninos e com os nossos velhos. Sabemos que há cônjuges que intercedem por seus consortes.]. Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó. a herança do Senhor não participaria do culto com seus pais. varões.. e Deus ouve essas orações. como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos [. e ele disselhes: Ide. pois isso é o que pedistes. com os nossos filhos. (Êx 10. e não apenas parte dela. e deixa claro que as crianças não iriam. pois há pais cujos filhos estão longe do Senhor. e com as nossas filhas.. ele lhes disse: Seja o Senhor assim convosco.] olhai que há mal diante da vossa face. Então.. O rei manda lançar fora de sua presença Moisés e Arão. a proposta dos egípcios era uma proposta cruel. E os lançaram da face de Faraó” (Êx 10. Depois de concordar com a ida das crianças. e com os nossos bois havemos de ir. Eles perceberam que enquanto o Deus de Moisés não recebesse seu culto.7) Os servos de Faraó decidiram envolver-se na questão. Mesmo assim. andai agora vós. Sabemos que há filhos que aceitaram a Jesus e estão orando por seus pais. porque festa do Senhor temos. O coração de Faraó ainda não estava amadurecido para entender que não se poderia brincar com o poder de Deus. pois obrigaria os israelitas a separarem-se de seus filhos para que Deus fosse adorado. O plano divino para a salvação inclui toda a família. e servi ao Senhor. Se fosse pela opinião dos egípcios.U m a J o r n a d a de fé ainda não sabes que o Egito está destruído?” (Êx 10. 30 . Isso garantiria a próxi­ ma geração de escravos no Egito. somente os homens.10. Não será assim. Sabemos que em nossas igrejas nem todas as famílias estão completas.. os egípcios sofreriam terri­ velmente as consequências. servi ao Senhor. ele volta atrás em sua decisão: “[. vosso Deus.11). e com as nossas ovelhas. Ele deseja ser adorado por toda a família.

Por que levá-los à igreja? Por que ler a Bíblia em casa com eles? Por que passar um tempo investindo no culto domés­ tico? Por que passar tempo com nossos filhos mostrando-lhes o exemplo de adoração que Deus espera que tenhamos? Cada geração precisa ter sua própria experiência com Deus. que murmura contra mim? Tenho ouvi­ do as murmurações dos filhos de Israel. O deserto pode não ser o melhor lugar do mundo para onde viajar e passar férias com crianças. O culto a Deus foi a base da resposta de Faraó: Para que levar as crianças ao deserto e lá oferecerem um culto a Deus? O lugar é péssimo. que. como falastes aos meus ouvidos. mas se Deus está lá. filho de Jefoné. como também todos os que de vós foram con­ tados segundo toda a vossa conta. sem lugar para se acomodarem. tudo muda. Dize-lhes: Assim como eu vivo. Confiemos a Deus nossos filhos. Mas pensemos nessa passa­ gem: O interesse de Faraó pelas crianças corresponde ao mesmo interesse de Satanás por nossos filhos. com que murmuram contra mim. salvo Calebe. e Josué. Neste deserto cairá o vosso cadáver. pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela. e essa experiência pode ser apresentada aos nossos filhos e crianças com o nosso exemplo. não entrareis na terra. Muitas vezes achamos que nossos filhos não conseguirão a matu­ ridade necessária para viverem uma vida com Deus. Não façamos como os israelitas fize­ ram antes de entrar na Terra Prometida. assim farei a vós outros. falou o Senhor a Moisés e a Arão. Porém. de vinte anos para cima. meterei nela. e eles saberão da terra que vós desprezastes. beberem água. E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades. Mas os vossos filhos. dizendo: Até quando so­ frerei esta má congregação. quanto a vós. até que o vosso cadáver se consuma 31 . filho de Num.As P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó Deus se importa com nossos filhos? Sim. descansarem de uma longa jornada e não tem nada para se fazer lá. o vosso cadáver cairá neste deser­ to. os que dentre vós contra mim murmurastes. diz o SENHOR. de que dizeis: Por presa serão. Mas foi isso que Deus disse? Não. ficaram com medo das batalhas que travariam e alegaram que seus filhos seriam presa de guerra: Depois.

Na prática. e. eles não queriam confiar no Senhor. e por isso Deus mandou outra praga: a escuridão. o Mar Vermelho se abrindo. E assim farei a toda esta má congregação. ainda assim. Isso pode nos soar como que primitivo. (Êx 10. e ninguém se levantou do seu lugar por três dias. o Senhor. Aqueles israelitas alegaram que seus filhos seriam pre­ sas de guerra. neste deserto. elas entrarão na Terra Prometida. mas em uma época em que não havia luz elétrica e as pessoas dependiam de ou­ tros recursos para poderem iluminar seus caminhos. quarenta dias. levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e conhecereis o meu afastamen­ to. mas de dia não.U m a J o r n a d a de fé neste deserto. e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações.26-35) Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a Deus. falei. Não viu um ao outro. Tinham visto as pragas no Egito. Como o Egito ficou sem luz? O certo é que se no último encontro Moisés e Arão foram lançados da presença de Faraó. e virão trevas sobre a terra do Egito. foram incrédulos. que se levantou contra mim. que tiveram medo de obedecer ao Senhor. Não dê como desculpas seus filhos para que você não sirva a Deus. mas não os seus pais. E Moisés estendeu a sua mão para o céu. disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu. Por três dias os egípcios convi­ veram com a escuridão. E Deus resolveu atender à sua reivindicação: já que as crianças são o “temor” dos pais e a desculpa para não cumprirem o que Deus mandou. desta vez foram chamados com a seguinte resposta: 32 .21-23) As pragas anteriores não ensinaram o Egito e seu monarca. trevas de noite eram aceitáveis. Segundo o número dos dias em que espiastes esta ter­ ra. veja o que aconteceu à geração que saiu do Egito e que ficou enterrada no deserto. A Última Proposta de Faraó Então. trevas que se apalpem. cada dia representando um ano. se consumirão e aí falecerão. Eu. Na dúvida. (Nm 14.

Quando entendemos que tudo o que te­ mos — quer pouco. mas desejavam-lhes os bens. porém. Os bens que temos em mãos são do Senhor. Poderia ir com todos os adultos. servi ao Senhor. as crianças poderiam ir também. (Êx 10. O curioso é que os egípcios despreza­ vam a atividade pastoril dos israelitas. quer muito — é do Senhor. Deus seria adorado com tudo o que o povo de Israel possuía. Porém. que ofereçamos ao Senhor. Israel pode­ ria ir aonde quisesse para oferecer seus sacrifícios. Mas o gado não. Que isso nos sirva de lição. desta vez. A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. rejeitar aquilo que o mundo tenta 33 . Elas são presentes que Deus nos dá. Moisés. nosso Deus. Como se não bastassem os anos de escravidão. Os bens a serem oferecidos não fariam parte do acordo. e a Ele devem ser oferecidos.25) Um grande avanço nas negociações estava acontecendo. não nos prendemos a eles. e um coração não fixado nas riquezas deste mundo. Essa proposta de Faraó não está longe de nossos dias. Estou me referindo ao fato de o Diabo tenta nos fazer crer que os bens que temos em nosso poder são nossos. mas não para que nos fixemos nelas. so­ mente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas. Que tenhamos o discernimen­ to adequado para. Não podemos ser reféns das bênçãos de Deus. vão também convosco as vossas crianças. Ele deseja nossa inteireza de coração. disse: Tu também darás em nos­ sas mãos sacrifícios e holocaustos. Ah. Para quê gado no deserto? Deus não ia se preocupar com animais sendo oferecidos.A s P r a g a s e a s P r o p o s t a s A r d ilo s a s de F a r a ó Então. e isso incluía os animais para o sacrifício. Faraó chamou a Moisés e disse: Ide.9). Eis aqui a diferença. mais que bens. Quando digo isso não estou me referindo a todos os dias dar uma oferta no santuário ou colaborar com a ajuda a pessoas necessitadas. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias de nossa renda (Pv 3. Faraó queria impedir que aquilo que eles tinham conseguido com trabalho fosse negado a Deus. Cada proposta de Faraó foi rejeitada. pois já receberia todas as pessoas. e não do Senhor.24. da mesma forma. Somos desa­ fiados diariamente a oferecer nossos bens ao Senhor.

Faraó fez suas propostas. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época?" 34 . "Por que devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em considera­ ção que o Egito tinha vários deuses. e Moisés as rejeitou. Façamos o mesmo.U ma J o r n a d a de fé nos impor como correto. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade.

A Páscoa foi um duro julgamento de Deus para com as atrocida­ des cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel. Não podemos . pois na noite em que foi instituída. um julgamento tal que aquela nação en­ traria em prantos: a morte dos primeiros filhos de cada família egípcia.A C elebração d a P r im e ir a Pá sco a Alexandre Coelho K — este capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do povo de Israel. A Páscoa e seus Significados Para os egípcios Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egíp­ cios. mas a seguir ocorreu a libertação prometida por Deus para os seus filhos. Entretanto. Deus ainda tinha mais um julgamento contra o Egito. houve lamento no Egito. mesmo com o envio de pragas assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. mas o rei não cedeu. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios. é preciso que recordemos o que ocorreu nos últimos dias antes de ela acontecer.

" \ _______ . Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes. ver se ali havia algum menino e. caso o encontrasse. . e assinou a ordem divina para a morte dos primogênitos. Havia uma ordem para que os judeus matassem um cordeiro. Como r r elas não o fizeram. poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jo ­ gado no Rio Nilo. morrerás” (Êx 10. Por essa resposta. Ele não quis obedecer às ordens de Deus. no dia em que vires o meu rosto. Faraó ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos. e a última resposta do rei para Moisés. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. antes da Páscoa. dei­ xando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse). comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento. foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto. seus súditos pagaram um alto preço. Naquela noite. e não se esquecessem de colocar o sangue daquele animal nas ombreiras 36 . Isso significa que qual­ quer egípcio poderia entrar numa casa hebreia. Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas.28). Mas por causa da dureza de coração do rei. Para os israelitas Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça. e isso lhe custaria a vida do próprio filho. onde se ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. a ordem "Deus tem dado muitas foi dada a qualquer egíp­ cio. na Pás­ coa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos. pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o manda­ do de Deus. para os hebreus a noite era de expectativa em relação ao que Deus dissera por intermédio de Moisés. porque. afogaria ou seria alimento para os crocodilos. entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com Deus.U m a J o r n a d a de fé nos esquecer de que. no início do livro de Êxodo.

Deus preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência. Se você acha que obedecer a Deus não faz muita diferença. Char­ les Swindoll comenta acerca das ordens de Deus em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta: Pare e pense um momento sobre essas instruções. mas a cada ordem recebida de Deus. Todavia. desejo relembrar-lhe o caso de Saul. Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos con­ frontando nossas atitudes. Para eles. quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a e na verga da porta. em sua sabedoria insondável. porém. Deus tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. passarei por cima de vós” (Êx 12. obedecer ao mandamento de Deus foi um ato de fé. o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12. Naquela noite. Em uma dessas ordens dadas a Saul. Nesse ponto. Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. Saul foi escolhido por Deus para ser o primeiro governante da nação. obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. resolvia fazer do seu próprio jeito. mas espera que saibamos obedecer a Ele inte­ gralmente.13). o primeiro rei de Israel. Sabemos também que Deus espera que não apenas saibamos como proceder em nossa vida. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o sangue do cordeiro? Você diz: “Deus mandou fazer isso”. Essa é a resposta. o que acarretava em desobediência completa ao que Deus lhe havia dito. E essa ordem era seguida de uma promessa: “ven­ do eu sangue.23). Não raro. E verdade. sabemos como obedecer a Deus. essa era a única razão de que precisavam. O que Deus espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência. Deus lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito contra os israelitas quando estavam 37 .

mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu gado. para as oferecer ao Senhor. 11).U m a J o r n a d a de fé no deserto. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor. seu reino foi rejeitado porque ele não estava mais seguindo ao Senhor. veja o que aconteceu: Veio.22. A ordem dada não fora cumprida integralmente. não foi o que aconteceu: “Então. 23) A obediência tem um preço. (1 Sm 15. de ovelhas é este nos meus ouvidos. e ainda acreditou que estava obedecendo ao que Deus disse acerca dessa situação. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos amalequitas. porém. pois. temos destruído totalmente. A ordem foi dada. No caso de Saul. executei a palavra do Senhor. teu Deus. ele também te rejeitou a ti. veio a palavra do Senhor a Samuel. Então. Como Deus disse que Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o rei e o gado.13-15) Deus havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a Deus: se ele fosse obediente. porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas. Todavia. dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei. pois. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15. e o porfiar é como iniquidade e idolatria. (1 Sm 15. e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor. Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar. disse Samuel: Que balido. e isso para Deus foi uma desobediência completa. e a desobediência também. e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram. seu reino seria confirmado para sempre. Samuel a Saul. para que não sejas rei. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obedi­ ência de seus servos. e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. o resto.10. O nome dele entraria para a história como o grande rei 38 . que seriam destruídos por Saul.

Para os israelitas.1 Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fos­ sem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Ele disse. Sáo Paulo: Mundo Cristão. Obedecer faz a dife­ rença tanto quanto desobedecer. Ele seria lembrado como 0 homem que obedeceu a Deus e que jamais teria sua memória apagada de Israel. Ele pode receber nossa obediência por um ato de fé. pois isso seria ilógico. 39 . a obediência pre­ servou a vida do filho mais velho de cada família israelita. Nunca pediu que con­ versassem sobre a ordem. Para Saul. Nunca pediu que considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela. obedecer parcialmente ao que Deus mandara lhe custou o reino. obedecer integralmente ao que Deus mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos. e a sua desobediência lhe custasse seu primogênito? Charles Swindoll continua seu pensamento: Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. Charles. Deus não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Série Heróis da Fé.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a que Deus escolheu para ser coluna em Israel. Já pensou se sua obediência a Deus preservasse seu filho. Para os israelitas no Egito. como assim é chamada. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o aces­ so a Deus. disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens. Fé e obediência precisam caminhar juntas. nosso Cordeiro Pascal. Além disso. Para nós A Páscoa do Senhor. 1 SWINDOLL. Moisés. Obedecer faz diferença. se você é pai ou mãe. 2008. tem um grande significa­ do para nós. ninguém disse a Saul que Deus preferia receber sacri­ fícios a obediência. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte. p. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira vai ser deixada de lado”. É o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a Deus completamente. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e quando. Ela deve nos fazer recordar de Jesus. A seguir. 226.

A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos. As ervas amargas As ervas amargas. conforme se entende.U m a J o r n a d a de fé É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro as­ sado. com pães asmos e ervas amargas. seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta. o pão deveria ser sem fermen­ to. Além disso. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posterior­ mente sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre Deus e sobre o que Ele havia feito. mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito. para que se lembrassem do quanto Deus operou grandemente em prol dos filhos de Israel. Para nós. Cada um deles tinha uma representação para os hebreus. pois ela deveria ser comemorada em homenagem ao Deus de Israel. ou seja. ervas amargas e do próprio cordeiro. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e colocassem o sangue dele na entrada da casa. Deus os pre­ parou para uma saída repentina. Os Elem entos da Páscoa Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito. cristãos. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas. pois logo sairiam para uma grande jornada. 0 pão De acordo com a descrição bíblica. dão a entender que eram uma representação da amargura com que os israelitas foram tratados 40 . sem ter de esperar para crescer. mas também para que se alimentassem de pão sem fermento. mas não sem se alimentarem. a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12.11). A massa não deveria passar pelo processo de fermentação. esses elementos fazem parte da cultura judaica. e que serviriam por todas as gerações de israelitas como uma lembrança da libertação do Egito. que deve­ ria ser passada de geração a geração.

Aprenda que quando Deus dá detalhes para que sigamos em uma empreitada. Não era o tipo de iguaria que provavelmente trazia alegria em uma mesa. perdesse seu primeiro filho? Portanto. Pode ser mais leve ou mais pesado. os israelitas levaram a sério essa ordem divina. Pode ser barato ou caro. quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12. Mas sua função mais importante é saciar a fome. Por que Cristo é considerado o pão da vida? 41 . esses detalhes devem ser seguidos com rigor. de um ano. Essa ordem era de pouca valia? Pense você mesmo: Se fosse pai ou mãe judeu com vários filhos e.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a no Egito. ao se esquecer desse pequeno detalhe. O sangue do cordeiro deveria estar na porta das casas.13). sem manchas no corpo e sem defeitos físicos. coisa que. mas sua utilização naquela refeição mostrava aos israelitas o sofrimento pelo qual haviam passado. Observe que obedecer à ordem de Deus integralmente fez a diferença na Páscoa. o pão da vida Um pão pode ter mais de um sabor. prepara­ rem-no como uma refeição que deveria ser comida nos moldes designa­ dos e simplesmente se esquecerem de que o sangue vertido do cordeiro deveria ser colocado na porta da casa. se dependesse dos planos de Deus. sob pena de perdermos algo muito custoso para nós mesmos. Pode ser feito com diversos ingredientes. nossa Páscoa Jesus. Pode ter mais de uma forma. vendo eu sangue. Ele impediria a morte no lar da família que temia ao Senhor. Esses eram requisitos para a celebração da Páscoa. De nada adiantaria separarem o cordeiro perfeito. É para isso que eles são feitos. Cristo. jamais se repetiria. mas a colocação do sangue nos umbrais da porta é que foi eficaz para que o anjo da morte não passasse nas casas dos israelitas: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes. passarei por cima de vós. e não haverá entre vós praga de mortandade. 0 cordeiro Deveria ser um animal macho.

Jesus Cristo se ofereceu para esse sacrifício: Eu sou o bom Pastor. Pode ser mais leve ou mais pesado. (Jo 10. entre o cordeiro oferecido no Egito e o Senhor Jesus Cristo. Ele promete saciar a necessidade humana no que concer.U m a J o r n a d a de fé Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida. e conheço as minhas ovelhas. A diferença é que o sacrifício de Cristo oferece vida não apenas aos filhos mais velhos de cada família. se arrependerem de seus pecados e nascerem de novo. A fome que temos de Deus y y ___________ / (' ^ \ "jjm pão pão pode pode ter ler mais mais de de um um "Um sabor. no estudo da Páscoa. dientes. e haverá um rebanho e um Pastor. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. e das minhas sou conhecido.< ne às questões da vida e à relação com Deus. Pode Pode ler ter mais mais de de uma uma forma. mas eu de mim mesmo a dou. Ninguém ma tira de mim. da mesma forma que o sacri­ fício do cordeiro no Egito preservou a existência dos primogênitos israe­ litas. porque dou a minha vida para tomar a tomá -la. M as sua função mais importante c saciar a fome. nosso Cordeiro Pascal. Pode ser barato ou caro. Por isso. e elas ouvirão a minha voz. aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6. também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas. Assim como o Pai me conhece a mim. Da mesma forma que o cordeiro pascal foi sacrificado. ao perdão dos pecados e à vida eterna. Esse mandamento recebi de meu Pai. Pode ser barato ou caro. mas a todos que aceitarem pela fé o sacrifício de Cristo. o Pai me ama." fom e” 1 J é saciada em Cristo Jesus. tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la.35). A diferença reside no fato de que o cordeiro de Êxodo não foi voluntário para verter seu próprio sangue. o Senhor Je­ sus Cristo também o foi. 42 . também me convém agregar es­ tas. sabor Pode ser feito com diversos ingrePode ser feito com diversos ingre­ dientes. 0 sangue de Cristo Há uma semelhança clara. forma.14-18) O sacrifício de Cristo nos trouxe vida.

e a Ceia do Senhor era um desses motivos. Ele sabia que em pouco tempo seria morto. Aquela refeição mostrou o traidor. em Coríntios Paulo descreve sua tristeza para com os crentes daquela igreja sobre vários aspectos. em que somos motivados a lembrar da morte do Senhor até 43 . or­ denando que esperassem uns pelos outros. foi necessário que Paulo corrigisse os desvios na Ceia do Senhor.21). Lucas 22 mostra Jesus ceando com seus discípulos antes de ser en­ tregue nas mãos daqueles que o haviam de matar. Eles não sabiam dividir seus recursos para que to­ dos comessem juntos e na mesma medida. Foi um momento reservado aos que eram próximos do Senhor. e o outro embriaga-se” (1 Co 11. mas mostrou também a im­ portância que o Senhor deu em falar que o Reino de Deus não termina­ ria com sua morte. porventura. Esses alimentos deveriam ser reu­ nidos para que todos pudessem ter uma refeição em conjunto. e o mesmo o faziam os que tinham levado pouca comida. em comunhão. O versículo 22 dá a entender que essa atitude partia dos crentes mais abastados: “Não tendes. casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?” De qualquer forma. mas fez questão de ter um momento de comunhão com aqueles que iriam dar prosseguimento à sua obra na terra. Paulo diz que “assim um tem fome. Os que tinham levado mais comida pegavam antecipadamente o que ti­ nham levado e o comiam. menos recursos. “Desejei muito co­ mer convosco esta Páscoa. antes que padeça” (Lc 22. mas esse sentimento era desconhecido naquela igreja. Se em Lucas nos é mostrado o momento do Senhor com seus dis­ cípulos antes de sua morte.15). e os mais pobres. Os coríntios deveriam aprender que a Ceia do Senhor é um momen­ to sublime.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a A Santa Ceia Recordemos um pouco sobre a Santa Ceia. Ela é citada em pelo menos dois textos centrais: no Evangelho de Lucas e na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. Há indícios de que os crentes que tinham mais posse levaram evidentemente mais recursos para a ceia.

Mais que isso. sacrifício e comunhão.U m a J o r n a d a de fé o seu retorno. sem ter em mente que o sangue de um inocente foi dado em nosso lugar. A Páscoa nos traz di­ versas lições espirituais. é um momento de anún­ cio do sacrifício de Cristo até que Ele retorne. Que possamos atentar para essas lições e ter em mente que Deus preza por todos eles hoje. "Que atitudes dos pais isra­ elitas fez com que seus primo­ gênitos fossem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Deus disse.— -------------- 44 . Fé e obediência precisam caminhar juntas. para que tivés­ semos vida. como obediência. e nin­ guém pode participar dela J -------------------. Não é um momento de manifestação de egoísmo." -----------.A ------------------de forma indevida.

quando Faraó . saíram do Egito cerca de 600 mil ho­ mens a pé.). sem dúvida alguma. que já havia libertado o povo com braço forte enviando as Dez Pragas. Uma vez confirmada a saída. já podemos notar o cui­ dado de Deus para com o seu povo: “E aconteceu que. na maior parte desse tempo. depois de 43 0 anos nos quais. O Cuidado de Deus com o Ânimo do Povo No começo do percurso de saída do Egito.37). se dedicaria agora a cuidar dele também durante todo o trajeto rumo à Terra Prometida.5 -7 . Não por acaso. o relato da saída dos hebreus do Egito e da travessia miraculosa do Mar Verme­ lho. esses episódios extraordinários da vida do povo judeu são relembrados constantemente pelos profetas e salmistas do Antigo Testamento para enfatizar o cuidado divino para com Israel (Js 2 4 . prova­ velmente 2 milhões de pessoas. o Senhor Deus. E desde o início dessa caminhada se vê esse cuidado. como constataremos a seguir. Foi um momento de grande celebração.A Pa r t id a d o Eg it o e a TR A V ESSIA D O M A R VERM ELH O Silas Daniel U "m dos textos bíblicos que mais denotam o cuidado de Deus para com o seu povo é. Ne 9 . O u seja. Imagine a celebração na saída. sem contar mulheres e crianças (Êx 12. etc. SI 1 3 6 . SI 1 06. ao todo.7-9. A Bíblia diz que.1 3 -1 5 .9 -1 2 . os judeus viveram como escravos dos egípcios.

so­ JT < veria passar por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. Às vezes. Os egípcios guardavam fortemente suas fronteiras e. o povo não se arrependa. razão por que constantemente está a nos animar pela sua Palavra. O “caminho da terra dos filisteus” era uma estrada internacional bem fortificada pelo exército egípcio. mas pelo caminho mais lon­ go. esse trecho mais concorrido de entrada e saída de suas terras. geralmente na parte introdutória das 46 .1). Deus o faz sair não pelo caminho mais perto. em outros momentos. Logo. arrepender-se-ia e "Inicialmente.U m a J o r n a d a de fé deixou ir o povo. em especial. Mas. porque Deus disse: Para que. e Deus sabe muito bem disso. o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída. o povo não de­ voltaria para o Egito. o povo não passasse por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. porventura. seres humanos. a caçada e a matança que poderia sofrer — e. esfriando. Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus. que era este. Nós. mas sem deixar de nos animar em todo esse assustador percurso por meio da certeza latente em nosso coração de que Ele está conosco (SI 23. assim. dali em diante. o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída.42). a imaginarmos o pior diante do mínimo sinal de dificuldade. assim. pela instrumentalidade de irmãos em Cristo que se permitem ser usados por Ele. e tornem ao Egito ” (Ex 13. esfriando.17 —grifo meu). Deus se preocupa com o ânimo do seu povo. Deus permite que andemos pelo “vale da sombra da mor­ te”." \_____________ __ ~ v ---------- mos. onde havia um grande exército de prontidão. veria o grande exército egípcio e já imaginaria o pior — a guerra. infelizmente. sa­ bendo que se o povo passasse por ali. por isso o cuidado divino para que. inicialmente. a qual. deveria ser rememorada e comemorada todos os anos (Ex 12. assim. muito tendentes ao desânimo. Ou seja. que evitaria essa visão de perigo. e através de circunstâncias e experiências que Ele nos proporciona. que estava mais perto. Eis o cuidado divino quanto aos detalhes! A saída do Egito era um momento de festa. vendo a guerra.

C.C. 2 LIV IN G STO N . Sobre "o Caminho da Terra dos Filisteus" Uma curiosidade sobre essa passagem de Êxodo 13. eles poderiam se arrepender quando vissem a guerra [isto é. e um bom resumo de toda essa discussão pode ser encontrado nas páginas 121 a 127 da obra Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. e 1190 a. p.A P a r t id a d o E g it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m e l h o estradas que trilhamos com Ele por sua graça.1 Ora. Deus prefere nos dirigir por caminhos menos desanimadores. v. v. mas em que sentido o texto de Êxodo 13. George Herbert. 1. as expressões “o caminho da terra dos filisteus” e “vendo a guerra” signifi­ cam. George Herbert. ou cerca de 1300 a. para só depois nos conduzir em vitória por situações mais nevrálgicas. 1. Político e Cultural (CPAD). quando finalmente foram derrotados por Ramsés III e se estabeleceram no sudoeste de Canaã.17 envolve a questão da data exata da saída do povo judeu do Egito.C.3 1LIVIN G STO N . Palestina.C. quando encontrassem os beligerantes filisteus no trajeto] e voltar para o Egito”. Uma vez que “os filhos de Israel não eram treinados para a batalha e a fé em Deus ainda era fraca. Chipre e Síria no final do século X IV e iní­ cio do século X III. que calejarão a nossa alma e nos ensinarão a confiar totalmente nEle. Ecrom. v. As duas maiores batalhas contra os egípcios aconteceram por volta de 1230 a. Rio de Janeiro: CPAD. Há duas datas em disputa: 1441 a. como afirma o Comentário Bíblico Beacon. empreendendo várias batalhas contras essas nações. 169.. os 2filisteus e os demais “Povos do Mar” chegaram à região do Egito. 2005. Bem. 169. Rio de 47 .. 3 LIVIN GSTON . C o m en tário B íblico Beacon. George Herbert. Rio de Janei­ ro: CPAD. fundando as cidades de Asdod.17 tem a ver com essa questão? É que se considerarmos como data do êxodo cerca de 1300 a. As duas são defendidas com argumentos plausíveis. que Deus levou o povo “por um percurso mais longo a fim de evitar o encontro com os filisteus bélicos”. mais estressantes. C o m en tário B íblico Beacon. 1. C om entário Bíblico Beacon. Gaza e Gate.C. 2005. p.

14 é que a distância de anos não era de quase mil. preferiram. preferir. 169.C.18. seja por acréscimo ou por diminuição do conteúdo da mensagem (Dt 4. mais precisamente algumas décadas depois da saída dos judeus do Egito. em vez de você dizer que o guerreiro Vercingetórix (72 a. para ser mais bem entendido. Janeiro: CPAD. ainda não haviam chegado àquela região do mundo. porque a Gália Transalpina ficava onde hoje é o território da França. 12. clara­ mente. o que está em foco. sob a inspiração divina. é como se hoje. e não uma atualização de linguagem ou paráfrases fieis ao sentido original.32. Essa possível atualização dos escribas posteriores a Moisés não fere o texto bíblico. mesmo assim haveria uma explicação lógica para o uso dessas expressões nessas passagens do li­ vro de Êxodo: os escribas posteriores. se a segunda data hipotética da saída do povo do Egito for a correta (e ainda não sabemos se é ou não).. Tal alteração não fere as Sagradas Escrituras.6. 48 . quando os filisteus. depois. Pv 30. que as Escrituras não podem ser alteradas. ao fazerem cópias das Sagradas Escrituras.14). pois o que está se querendo dizer com isso é simplesmente que ele nasceu no território onde hoje é a França. considerando essa segunda hipótese. ainda se referir àquela região como a “Filístia” em seu cântico (Êx 15.17 e 15. mas afirmar que ele nasceu na França não é errado. Ap 22. O que a Bíblia condena é a distorção do sentido do texto.C. 2005. mas de décadas. chamá-la pelo nome que era mais conhecida em seus dias: “o caminho da terra dos filisteus”.) nasceu na Gália Transalpina. a fidelidade ao sentido do que está sendo dito. é a fidelidade à mensagem bíblica. uma vez que quando os autores bíblicos asseveram. provenientes de Creta. afirmar que ele nasceu na França. A nação França pode ter surgi­ do quase mil anos depois de Vercingetórix. p. A única diferença desse exemplo para o caso bíblico de Êxodo 13. se considerarmos a data do Êxodo 1441 a.C.U m a J o r n a d a de fé Entretanto. para que as pessoas de seu tempo entendessem melhor a que estrada Moisés estava se referindo. Bem. seria um anacronismo Moisés escrever “pelo caminho da terra dos filisteus” e.5. já que a mensagem não fora alterada — apenas a linguagem usada fora atualizada.2. Eles chegariam pouco tempo depois. e não uma atualização de linguagem.19). Grosso modo. estamos fa­ lando do século XV. Então. a 46 a.

8. mas só até o versículo 29 do capítulo 33. essas traduções -explicações em aramaico foram escritas. Neemias. porém. em Êxodo 3. 11. Outro detalhe é que o próprio texto bíblico mostra que o trabalho dos escribas judeus no período em que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não estava fechado era muito sério e aceito por todos. e o segundo é o Targum de Jônatas. A mesma coisa acontece com o sânscrito no hinduísmo.29. 16. por isso não entendiam a Lei e os Profetas quando lidos. nenhuma tradu­ ção da Bíblia seria inspirada. Com o passar dos anos. porque o texto lido estava em hebraico. que contém o Pentateuco. não ensina isso.5). Eles creem que a inspiração só se encontra na língua original em que o Alcorão foi escrito — o árabe — e que.17. nenhuma tradução do Alcorão é inspirada. e que era.4. Isso mostra que as várias formas. não tiram a sua inspiração. só o texto em hebraico do Antigo Testamen­ to ou o grego neotestamentário. que nada mais são do que traduções parafraseadas do Antigo Testamento hebraico para o aramaico. quando totalmente fieis ao que está consignado no texto bíblico. É que esses judeus vindos do cativeiro falavam aramaico.8). Os muçulmanos é que têm esse conceito distorcido de inspiração. o Targum de Ônquelos parafraseou a expressão “Eu Sou” da seguinte maneira: “ Aquele que é. e que há de vir”. uma vez que Moisés não poderia escrever sobre a sua própria morte depois da sua morte. O capítulo 34 foi acrescido logo após a sua morte. por exemplo. 4. O primeiro Targum é o de Ônquelos. justa­ mente por isso. razão por que ensinam que o muçulmano deve aprender o árabe para ler o Alcorão em árabe. que era a língua oficial do Império Babiló­ nico. Ora.14 e em Deuteronômio 32.8. criando os “Targumim”. Esse acréscimo foi feito por algum escriba do período em 49 isto é. essa mesma paráfrase aparece nada menos que cinco vezes em Apocalipse (Ap 1. Se não fosse assim. conta que a geração de judeus que retornou do cativeiro babilónico precisava de explicações orais para entender o texto bíblico que lhes era lido (Ne 8. contanto que o conteúdo do texto — seu sentido original — não seja de forma alguma corrompido. estilos e construções gramaticais são válidas. A Bíblia. a não ser o texto na língua original.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Paráfrases. que contém os Profetas. Por exemplo: Moisés escreveu Deuteronômio. . Pois bem.

C.18-20.44. 2003. vemos que o cuidado de Deus manifestado desde o início da caminhada dos hebreus para fora do Egi­ to marcou também todo o restante do percurso. em seus três primeiros versículos. que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescen­ tar. até o versículo 64 do capítulo 51 do seu li­ vro. foi o sacerdote Esdras quem organizou o Cânon do Antigo Testamento. quase exatamente igual. já idoso.30. porque ele traz alguns cumprimentos de profecias de Jere­ mias que ele não viveu o suficiente para ver cumpridas. Quem escreveu esse capítulo ou foi Baruque. seja de uma época posterior. Outro exemplo: Jeremias morreu sem ver o cumprimento de todas as suas profecias. Ao final desse versículo.U ma J o r n a d a de fé que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não havia sido fecha­ do — seja um escriba da época de Josué. o escriba Baruque. ou algum outro escriba que. 50 . e pelos quais temos tal respeito. inclusive. falou da seguinte maneira sobre o Cânon do Antigo Testamento em seus dias: “.39). com a ajuda de seu secretário. não foi escrito por Jeremias — e nem poderia. encontramos o próprio Jesus considerando a organização do Cânon do Antigo Testamento pelos escri­ bas pós-exílio como sendo a Palavra de Deus (Lc 24. A Presença de Deus durante todo o Percurso Voltando à saída do povo do Egito.. Suas profecias foram registradas. Aliás. ainda no exílio ou logo após o exílio. a 2 Reis 24. um escriba escreveu: “ Até aqui as palavras de Jeremias”.. Esse capítulo é. História dos Hebreus. p. Um dos símbolos desse 4 JOSEFO. Nós os consideramos como divinos”.. Flávio Josefo. Todo o capítulo 52. Rio de Janeiro: CPAD. Jo 5. e o restante do capítulo repete a história dos reis de Judá até 2 Reis 25. portanto. acrescentou esse capítulo para mostrar o cumprimento das profecias de Jeremias. ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. historiador judeu e contemporâneo do apóstolo Paulo. O trabalho desses escribas — dentre eles o próprio sacerdote Esdras. Flávio. 741. que é autor do livro que leva o seu nome no Cânon do Antigo Testamento — foi valioso e totalmente inspirado. não houve mais alterações.4 Também no primeiro século d. E logo quando o Cânon Sa­ grado foi encerrado.

Felizes são aquele e aquela que se deixam condu­ zir pela vontade de Deus. Foi ele quem a registrou para a posteridade no livro de Gênesis. Êx 13. e não poderia. de noite” (Êx 13.25. parando. como nuvem. E ele sabia. para o povo 51 . mas também a sua orientação. durante todo o percurso. Moisés conhecia muito bem a história de José. o próprio Moisés. uma vez que a Bíblia diz que o povo parava quando a coluna parava e prosseguia quando a coluna se levantava (Êx 40. por meio da coluna de nuvem e fogo. como fogo para aquecê-los no frio desse mesmo deserto”. em respeito ao pedido.3 6 -3 8 ). e de noite numa coluna de fogo. Os ossos de José eram uma lembrança. levai convosco os meus ossos” (Gn 50. para que caminhassem de dia e de noite. para os alumiar.19. de dia. de dia numa coluna de nuvem. ao juramento.21. O Exemplo de Fé de José Um dado tocante do relato da saída do povo do Egito é o registro de que “Moisés levou consigo os ossos de José” (Êx 13. para refrescá-los no sol causticante do deserto. à fé e à vida do patriarca. Moisés conhecia a história e o exemplo de fé de José. A promessa feita pelos filhos de Israel na época em que o patriarca ainda era vivo. como também registrou. nem a coluna de fogo. de retroceder ou de avançar.A Pa r t id a d o Ec it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m el h o cuidado constante é a coluna de nuvem e fogo: “E o Senhor ia adiante deles. Deus estava dizen­ do: “Eu estou com vocês durante todo o caminho! Durante o dia. do pedido de José havia feito aos filhos de Israel para que jurassem so­ lenemente: “Certamente Deus vos visitará. e não só para Moisés. daqui. pois. encarregou-se de cumprir. A presença real e visível de Deus estava ali. Mas aquele gesto também tinha um significado para todo o povo. instrumento de Deus para levar os hebreus ao cumprimento da promessa divina de uma Terra Prometida. Por meio dela. ARA). para os guiar pelo caminho.22). Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nu­ vem. A coluna de nuvem e fogo representava a presença e o cuidado di­ vinos.19). aban­ donar os seus ossos. Era Deus quem determinava o momento de parar e de prosseguir. retrocedendo ou avançando quando a Palavra de Deus diz que é hora de parar. e à noite.

18).. ana­ lisando a situação pelos olhos naturais. Se não. como um testemunho público do início do cumprimento da promessa divina. quando tudo pa­ recia em paz. a não ser que tivessem muitas embarcações para atravessar o Mar Vermelho. Deus os orientou a subirem “o caminho do deserto” em direção ao M ar Vermelho (Ex 13. pela ação divina. saíram de Ramsés para Sucote (Ex 12.37). não havia razão alguma para o povo ir por ali.U m a J o r n a d a de fé de Israel. guiando-os em todo esse processo e percurso.17. 52 . porque Deus disse a Moisés que o povo. uma vez que Deus colocou o povo hebreu em uma situação que dava a Faraó a oportunidade de atacar com êxito os judeus. os hebreus só poderiam prosseguir a viagem se saíssem do estreito onde se meteram. onde não havia fortificação nenhuma dos egípcios por uma razão lógica: quem fugisse do Egito por aquele caminho ainda teria de passar pelo Mar Vermelho. cercados de montanhas pelos lados e tendo o mar à sua frente. onde provavelmente passaram a primeira noite. que havia uma Terra Prometida e que eles poderiam confiar no cumprimento das promessas de Deus. Inclusive. diante de Baal-Zefom. Sim. de que seu lugar não era ali. em vez de seguirem em frente. e Deus estava com eles. a sua saída do Egito. orientados por Deus. retrocedesse e acampasse “entre Migdol e o mar.] junto ao mar” (Êx 14. Os hebreus. f.. em vez de seguir adiante. Nem muito menos o fato de termos saído recentemente de uma grande vitória que Deus nos concedeu significa que outros desafios não surgirão logo. Isso significa que os hebreus estavam acampados em um estreito desfi­ ladeiro. A Perseguição de Faraó O fato de estarmos sob a direção de Deus não significa que não enfrentaremos perseguições. literalmente um estreito.6). a Bíblia diz que Deus criou as condições para que Faraó revelasse mais uma vez a insinceridade e maldade do seu coração perseguindo o povo. assim como o patriarca José confiou e tinha agora os seus ossos levados por Moisés. vejamos. De lá. Faraó se levantou para caçar o povo (Ex 14.5. e Deus o permitiu para a própria desgraça do tirano egípcio. porém. O povo hebreu havia conquis­ tado. porque.2). con­ tornando à distância o Mar Vermelho. Aliás.

Havia dois caminhos do Egito até Canaã./ ^ . Um era um atalho do norte do Egito até o sul de Canaã.-----------— J encurralado.17.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Esse era o cenário ideal para um ataque: o povo . 1 < percurso. confiemos em sua provi­ provinos.9). era morte na certa para todos. como fora Deus que o orientara a ficar ali. ficaram encurralados sozinhos” — e. as montanhas ou o exército de Faraó.18).^ estó fazm d (l" está fazendo. . e este foi o caminho 53 . o povo hebreu só tinha três alternativas: o mar. partisse ao encalço dos judeus. Essa passagem nos ensina que devemos confiar na orientação divina. foi logo tentado a voltar atrás em sua decisão e atacar os hebreus. mesmo quando não a entendemos à primeira vista. O homem propõe. porém Deus dispõe. e desta vez também sobre todo o seu exército com seus carros e cavaleiros (Ex 14. . preparando-nos para seguir a providência.3. comentando esse episódio. ARA) — isto é. a situação era tão . o deserto os encerrou” (Ex 14. porém. seja qual fosse o caminho tomado. Diante de si.5-7) e fazendo com que Deus exaltasse o seu nome mais uma vez sobre o arrogante Faraó. dência em nosso favor quando a T / dencia cômica que Faraó. Era tudo um plano de Deus. aos olhos humanos. apesar de tudo. uma viagem de cerca de quatro ou cinco dias. L ■ v -------------------. Ele pode deli­ near o seu caminho e projetá-lo. O outro era muito mais longo. “Estão malucos. Como diz Matthew Henry. O homem não é dono do seu próprio caminho (Jr 10. dificuldade chegar. fieis fieis à a sua orientação orientaçao em todo o Aos olhos huma. Ou seja. não sabem nem para onde estão indo. tentado pela maldade do seu próprio coração. > A Bíblia diz que Deus deu essa orientação “absurda” para o povo exa­ tamente para que Faraó dissesse: “Estão desorientados na terra. estava completamente _f _____________ y _____________ "Se í é Deus quem nos guia a uma determinada situação situaçao e somos . quebran­ do a sua promessa (Ex 14. Deus sabe sahe o que quando soube do tra. Porém. é Deus quem lhe dirige os passos (Pv 16." jeto tomado pelo povo. através do deserto. e à sua disposição devemos obedecer. seria Ele quem daria o esca­ pe.23).

p. Note o que dizem os hebreus amedrontados a Moisés: “Será.14). mas tu o saberás depois” (Jo 13.10). O Livramento Divino A Bíblia nos diz que logo quando o povo viu o exército de Faraó. Foi a primeira das muitas murmurações do povo em sua peregrinação rumo a Canaã. Como disse Jesus a Pedro: “O que eu faço.U m a J o r n a d a de fé pelo qual Deus decidiu conduzir o seu povo Israel (Êx 13. mas a mentalidade de escravos ainda estava dentro deles. Rio de Janeiro: CPAD. A verdadeira fé deve ser seguida de ação. O servo de Deus responde dizendo. foram centenas de anos vivendo como es­ cravos no Egito. C o m en tário Bíblico do A ntigo T estam ento — Deuteronômio. 54 Gênesis a . A resposta de Moisés é uma das mais belas da Bíblia (Êx 14. o povo não ficou só no clamor: começou a murmurar também (Êx 14. Afinal. não o sabes tu. que quem atende ao chamado de Deus deve confiar nEle. Só que. porque o Senhor cuida dos seus filhos. Deus diz a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14.5 Se é Deus quem nos guia a uma determinada situação e somos fiéis à sua orientação em todo o percurso. Os israelitas deveriam ser humilhados e tentados no deserto (D t 8 . E em seguida a essa resposta. em outras palavras.11 —ARA. para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim. por não haver sepulcros no Egito. Ou seja. Matthew.2). 267. já empalideceu de medo e clamou ao Senhor (Êx 14. grifo meu). que nos tiraste de lá. agora. Essa mentalidade já estava enraizada em seus corações. confiemos em sua providência em nosso favor quando a dificuldade chegar. deve 5 HENRY.15). infeliz­ mente.11). 2010. Os egípcios deveriam ser afogados no mar Vermelho.18). Deus sabe o que está fazendo.7). não basta ter uma fé meramente teórica. e todas revelando a mesma coisa: os he­ breus haviam saído da escravidão. p a ra que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fo r a servir aos egípcios do que morrermos no deserto ” (Êx 14. Houve muitas razões pelas quais Deus os conduziu pelo caminho do deserto do mar Vermelho. fazendo-nos sair do Egitol Não é isso o que te dissemos no Egito: Deixa-nos.13.

enquanto onde o povo de Israel estava perma­ necia a luz.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o nos levar a uma atitude concreta.19. O Cântico de Moisés O cântico de Moisés é o cântico mais antigo da Bíblia. ainda permaneceu claro onde estavam os hebreus (Êx 14. Ele enviou seu Anjo. sem ação. perecendo todo o exército naquele dia. Note: não foi um milagre de secamento do mar.21. emperrou-lhes as rodas dos carros para que andassem dificultosamente (Ex 14. milagrosamente. ARA). quase que estagnados. que saiu da frente do povo para a retaguarda. e quando anoiteceu. Esta é uma das principais funções de um milagre: produzir acréscimo de fé. mulheres e crianças (Ex 14. com dois muros de água de ambos os lados do imenso corredor seco (Êx 14. Foi quando Deus falou a Moisés para tocar o mar novamente com sua vara e o mar se fechou sobre os egípcios. de ambos os lados desse imenso corredor pelo qual atra­ vessaram milhões de pessoas — considerando homens.21) formando milagrosamente um largo caminho seco no meio do Mar Vermelho. Deus permitiu que os hebreus vissem os corpos dos egípcios mortos boiando nas margens do Mar Vermelho (Êx 14. todo o povo “temeu ao Senhor e confiou no Senhor e em Moisés. é morta (Tg 2. seu servo” (Êx 14. Não é isso que a Bíblia diz. 55 .25) até que estivessem lentos.20). Ela afirma que Deus “dividiu as águas”. a Bíblia diz que Deus enviou um vento oriental “que soprou toda aquela noite” (Êx 14. E para que o povo não tivesse dú­ vidas. Assim. A fé sem obras. Primeiro.22.30). Todo o povo poderia atravessar o Mar Vermelho sem embarcações: a pés enxutos. no meio do mar.22. sem atitude correspondente ao que se crê. Quando Deus permitiu que finalmente os egípcios vissem os hebreus e saíssem ao seu encalço. “Marchem!” O que Deus fez foi extraordinário do começo ao fim.29).31. Trata-se de um hino de gratidão a Deus pelo livramento milagroso que Ele proporcionou.17). sendo acompanhado pela coluna de nuvem. Na sequência. formando “muros” de água. sem atos.29). que produziu uma escuridão que desnorteou os egípcios.

A razão de ser de todo o cântico. uma manifestação sincera de gratidão ao Senhor pelo seu cuidado para com o seu povo.1-3).11. O bviam ente. um pandeiro. Deus é chamado por Moisés nesse cântico de “minha força”.U m a J o r n a d a de fé É uma celebração da intervenção divina em favor do seu povo. Aliás. onde vemos Deus como o Herói do seu povo (Ex 15. quer não.3. irmã de Arão e Moisés. Deus deseja que sejamos gratos a Ele e que o reconheçamos como Senhor da nossa vida. como a razão do nosso viver. ou seja. aparece na Bíblia mais associada a Arão do que a Moisés. e cantando e dançando com as mulheres. libertando -o e derrotando aqueles que oprimiam e perseguiam o povo de Deus.18). não está se referindo a nenhum m ovimento corporal escandaloso. livrando-nos do mal. temos a antífona de M iriã e das mulheres. num m omento de grande alegria pelo que Deus fizera. “meu cântico” (isto é. o seu resumo. além de incomparável e único Deus e aquEle que reinará para sempre (Ex 15. O cântico de Moisés nada mais é do que um reconhecimento da graça e do amor de Deus diante de uma intervenção espetacular de sua parte. M iriã. Não é todo dia que vemos uma intervenção desse porte. “Deus de meu pai”.4-12) e o Rei de Israel (15. M iriã. Nessa passagem. era profetisa. está no versículo 19. “homem de guerra” e “Senhor”. A Antífona de Miriã Em seguida ao cântico de Moisés.2. está querendo dizer que ela cantava as palavras 56 . quer per­ cebamos. fisicamente falando. “salvação”.13-19). Provavelmente. quando o texto bíblico diz que M iriã “respon­ dia” (Ex 1 5 . apesar de também irmã de Moisés. mas todos os dias Deus está agindo em nosso favor. quando o texto bíblico diz que elas dançavam. Devemos agradecer a Deus pelas suas intervenções visíveis e invisíveis sobre as nossas vidas. ela aparece to­ cando um tam boril. mas a atos e gestos alegres e solenes de louvor e adoração. Esse cântico pode ser dividido em três partes. motivo do seu louvor).2 1 ). ela é a primeira profetisa mencionada na Bíblia. o Senhor supremo sobre todos (15.

de quatro a cinco dias por uma única pessoa. Seja qual for o caminho pelo qual Deus o está í I r " " " li— 1 — — i 1— ------ 1 -------—. se é Ele mesmo quem está conduzindo você. E Ele o faz porque quer nos levar a experiências extraordinárias com Ele. v.. muitas vezes. . 2005." v ^ J V _____________ _ _ ______ ~~V' * levando hoje. ARA).” Ele. 174. nos leva a “caminhos mais longos . p.. como se tratava de uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas. Porém. —^ J J V eus.. muitas vezes. o que é com um também em outras partes do A nti­ go Testamento. vai dar tudo certo. que a 'caminhos mais longos'. nos leva "Deus. que 1](w atendem os. em duas semanas. Comentário Bíblico Beacon. 1. creia e espere. até. O caminho mais curto. só poderia ser percorrido em pouco mais de uma semana. o povo prosseguiu sua peregri­ nação rumo à Terra Prometida.. nos leva1 fl 'caminJws mais longos'. daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8. e sim pelo mais longo. George Herbert. 57 . Rio de Janeiro: CPAD. no final. com muitas mulheres e crianças entre elas.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o do seu refrão “como resposta a cada uma das partes do Cântico de Moisés”. que não entendemos.6 O utro detalhe aqui é que vemos a profecia relacionada com a adoração. faz por| que quer nos quer levar nos a experiências I 1 que levar a experiências jI extraordinárias extraordináriascom comEle. na melhor das hipóteses. no máximo. Lembre-se: “To­ das as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. sobre o qual já falamos (do norte do Egito ao sul de Canaã). Deus. então con­ fie. E EleE o Ele jaz o pornão entendemos. como aponta Matthew Henry. Não pelo caminho mais curto.1 . Na Direção de Deus Após essa experiência extraordinária.28. muitas vezes. porque. 6 LIVINGSTON. tinha aproximadamente 320 quilômetros de extensão — um percurso que poderia ser percorrido. com o nos Salmos e no registro de 1 Crônicas 2 5 .

encontram apenas águas amargas em Mara. 2 LIV IN G STO N . teve início (Ex 15. milagres não são su­ ficientes.2 1 LIVENGSTON.25). não encontraram água para beber (Ex 15. Isso nos mostra que “grandes experiências com Deus não curam ne­ cessariamente o coração duro e queixoso”.6 A Per D e g r in a ç ã o de eserto até o Silas Daniel Is r a e l Sin a i n o A primeira jornada dos israelitas após a abertura do Mar Ver­ melho levou-os em direção ao sul. “crucificarmos 0 eu e entronizarmos Cristo somente (E f 4 . C om entário Bíblico Beacon. 175- . e após esses três dias de peregrinação.' Às vezes. Estimulados por milagres ou não. Apesar do grande milagre que experimentaram três dias antes. águas impróprias e impotáveis. como afirma o N ovo Testam ento. são necessários um arrepen­ dimento e um quebrantamento sinceros> seguidos de uma submissão total a Deus. Rio de Janeiro: CPAD. que não podiam ser bebidas (Êx 15. sua fé era provada mais uma vez. 1. Nesse percurso. C om entário Bíblico Beacon. 175. p. 2005.22). então. A murmuração. após três dias de caminhada. passaram primeiro pelo Deserto de Sur. 1. v.3 2 )”. Rio de Janeiro: CPAD. v. ao longo do chamado Gol­ fo de Suez.24). Desta feita. George Herbert. p.3 1 . os israelitas estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto. 2005. George Herbert. onde. O u.

E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor. o S in a i Lições do Milagre de Mara Diante da murmuração do povo. purificando-as.26). o que ocorre imediatamente (Êx 15.. Logo. Portanto.. O lenho nas águas. Aleluia! Nas nossas provações. A experiência foi sucedida por uma admoestação e promessa: “. ne­ nhuma das enfermidades porei sobre ti. as águas de Mara simbolizam a murmuração. e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos. a cruz de Jesus. 3. Águas amargas levaram o povo à amargura. e fizeres o que é reto diante de seus olhos. se formos fiéis a Ele em meio às provações. grandes experiências com Deus podem ser imediatamente sucedidas por novas provas de fé. No deserto. sete: 1. Ou seja. Deus nos ensina no deserto a obediência. Moisés clama a Deus e Ele lhe mostra uma árvore cujo lenho deveria ser jogado nas águas para a sua purificação. e como “O Senhor que te sara”. ali lhes deu estatutos e uma ordenação. Esse episódio ocorreu havia apenas três dias da grandiosa experiência da abertura do Mar Vermelho. e é ali também que Ele promete e manifesta a sua bênção sobre a nossa vida. porque Eu sou o Senhor. e guardares todos os seus estatutos. a amargura e a descrença pelas quais eventualmente seremos tentados em nossa peregrinação nos desertos desta vida. e ali os provou. que te sara” (Êx 15. que pus sobre o Egito. 4. Ele quer sarar as nossas enfermidades! Ele cura física e espiritualmente.25a).A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t f . o Senhor se revela mais uma vez.25b. Deus quer se revelar de forma nova e poderosa. 2. que nos resgata das águas amargas para águas purificadas. simboliza o madeiro. teu Deus. As lições desse episódio são. pelo menos. 59 . 5.

Comentário Bíblico Beacon.1). A grande lição aqui é que “tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara. Mais Provisão no Deserto Após Elim. inclinado ao erro. 3 L IV IN G ST O N . R. 4 H A R R ISO N . Rio de Janeiro: CPAD. Rio de Janeiro: CPA D.5 que era muito instável. p. “este local é hoje identificado como Debbet er-Ramleh. Político e Cultural. Ao seguirem para Elim. embora tenha sido sugerida uma outra localização situada na planície costeira de El-Markhah”.1-21).4 Como destacam as notas da B íblia de Estudo Aplicação Pessoal.27). p. encontraram “doze fontes de água e setenta palmeiras. p. Segundo R.U m a J o r n a d a de i í 6. uma região arenosa que se estende abaixo de Jebel etTih na região sudoeste da Península do Sinai. v. as águas de Elim simbolizam a provisão plena de Deus para o seu povo. A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre» . logo estaria festejando em Elim. situado aos pés do planalto do Sinai. e ali se acamparam junto às águas” (Ex 15. e foi onde os israelitas vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16. Isto é. pelo Deserto de Sim (Ex 16. Enquanto as águas de Mara sim­ bolizam amargura. 2 0 1 0 . George Herbert. Harrison. 131. K. Ou seja. Rio de Janeiro: CPAD. que estava logo adiante. havia sombra e água fresca. K. esse deserto ficava entre Elim e o Sinai. vejamos: eram doze fontes para doze tribos. 2 0 0 5 . A analogia aqui é clara: as águas de Mara se con­ trapõem às fontes de Elim. logo à frente.3 7. “o Deserto de Sim era um ambiente vasto e hostil. 132. no qual só havia areia e pedra. 2 0 0 3 . fala de provisão plena de Deus. ou seja. uma para cada tribo de Israel. Se não. 106. o povo seguiu ainda mais ao sul. 175. Esse espaço estéril proveu o lugar perfeito para Deus testar e for­ mar o caráter do seu povo”. Elim. descrença e murmuração. 60 . como mencionamos de passagem no tópico anterior. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. 5Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1.

não é porque os israelitas eram justos que iriam entrar na terra de Canaã. prová-los. de diante de ti. e Deus queria usar Israel para julgá-los. burilá-los. E era também porque Ele prometera aquela terra a Abraão. mas porque os moradores dessa terra eram muito ím­ pios." V com mentalidade ainda do tempo de escravos do Egito e. de diante de ti. teu Deus. porque “todas as coisas contribuem juntamente para o 61 . Deus diz ao povo: Quando. de diante de ti. Isaque e Jacó. pela impiedade destas nações [os cananeus]. se mostrando obstinados em seus erros.4. teu Deus.5. não poucas vezes. e queria tratá-los. as lança fora. o povo de Israel não era fácil. Esse processo. di­ zendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir. os lançar fora [os cananeus]. é que o Senhor as lança fora. não vai faltar < I maná. acabou durando muito tempo: quarenta anos. aperfeiçoá-los por meio das provações no deserto para que pudessem ter forjado o caráter que Deus desejava para ele como seu povo. O u seja. que ficava ao norte (Ex 13. Enfim. Foi Deus quem os guiou ao deserto. Isaque e Jacó. Isso significa que mesmo quando seguimos o caminho que Deus estabelece para a nossa vida. 0 m aná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. Lembremo-nos de que o povo se dirigiu por esse caminho porque Deus. jurou a teus pais. expressamente determinou que não seguissem “o caminho dos filisteus”. o Senhor. Em Deuteronômio 9. pela impiedade destas nações. mas. Não é por causa da tua justiça. enfrentamos provações. mas para o nosso próprio bem. Abraão. o Senhor. desde a saída do povo do Egito. não fales no teu coração. mas Deus amava os descen­ dentes de Abraão. nem pela reti­ dão do teu coração que entras a possuir a sua terra. pois. por causa da dureza do coração do povo.17). a Isaque e a Jacó visando ao seu plano salvífico para a humanidade por meio de Cristo.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o S in a i J "Enquanto houver deserto. porque. teu Deus. e pra confirmar a palavra que o Senhor.

Ou seja. Jetro.35). enquanto houver deserto. por outro lado. onde o povo ficaria por cerca de um ano. daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8. porque. Foi após essa batalha que o sogro de Moisés. Era preciso todo dia sair ao arraial para pegar maná fresco.13-27). O maná era como pequenos flocos que amanheciam todas as ma­ nhãs caídos ao chão do arraial dos hebreus.4). Além disso.20).31). Isso nos fala da necessidade que temos de todos os dias nos abastecer­ mos na presença de Deus. trouxe final­ mente a sua filha. os israelitas vivenciaram o milagre da água que saiu da rocha e batalharam contra os amalequitas (Ex 17. Diz o texto bíblico que “comeram os filhos de Israel maná quarenta anos. O maná representava Cristo. E preciso buscar a Deus todos os dias da semana para podermos enfrentar as tentações e adversidades diárias que nos sobrevenham durante toda a semana.1-12). protegendo-nos e en­ viando-nos o maná diário.51). tirando o povo de Israel do Egito (Êx 18. chegando ao pé do monte Sinai (Êx 19. sob a inspiração divina. isto é. 62 .116). também significa que Deus estará conosco em todos os momentos difíceis. O Povo Chega ao M onte Sinai Finalmente. após três meses da saída do povo do Egito. até que entraram em terra habitada. e congratulou-se com ele pelo que o Senhor tinha feito.19. que é o “pão vivo que desceu do céu” (Jo 6. Ainda mais ao sul. deu conselhos importantes a Moisés (Êx 18. Não basta buscar a Deus um único dia para valer por uma semana.28). mas. Chovia “pão dos céus” todos os dias para alimentar o povo (Ex 16. comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã” (Êx 16. não vai faltar maná! O maná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. já em Refidim. o maná estocado apodrecia (Ex 16. suprindo cotidianamente as nossas necessidades.2). Jetro. “como semente de coentro” e “o seu sabor era como bolos de mel” (Ex 16. com seus dois netos para o genro. esposa de Moisés. o acampa­ mento israelita se moveu mais uma vez. Ele era “branco”.1. no dia seguinte.U m a J o r n a d a de fé bem daqueles que amam a Deus. Um detalhe interessante é que não adiantava fazer esto­ que de maná.

19) a ponto de ele quebrar as Tábuas da Lei. sua ira se acendeu (Ex 32. esse mes­ mo povo.7) como um dos maiores exem­ plos de apostasia da história. estava. só então. na prática. fazendo com que Deus os tratasse com mão firme no deserto.20-22).1). Israel pudesse entrar na terra de Canaã (D t 2.14). a ponto de alguns dias longe do seu líder Moisés serem o suficiente para que voltassem ao velho hábito. E é sobre ele que falaremos a seguir. o episódio mais marcante e emblemático da transgressão israelita em sua peregrinação no deserto. é o que envolve a criação do bezerro de ouro. porque foi ali que Deus se revelou a Moisés tremendamente. O Bezerro de Ouro Quando Moisés chegou ao arraial e constatou pessoalmente o pe­ cado do povo de Israel.Sin a i O Sinai é um lugar especial. enquanto Deus estava dando os Dez Mandamentos para o povo de Israel no alto do monte Sinai. ao quebrar as Tábuas. como a porca lavada que volta para o lamaçal (2 Pe 2. pressionar Arão di­ zendo: “Faze-nos deuses!” (Êx 32. e que seria lem­ brado no Novo Testamento (1 Co 10. Moisés estava materializando as consequências práticas do pecado do povo: estavam agindo como indignos do Concerto que Deus estava fazendo com eles. Ora. justamente porque o povo se portou de forma rebelde. 63 . E por falar em rebeldia. A Bíblia diz que Deus esperou que toda aquela geração rebelde passasse para. ao pé do monte. Como Pedro diria daqueles que abandonam Cristo para voltarem aos velhos pecados. Portanto. dando os Dez Mandamentos e todas as leis que haveriam de guiar o povo de Israel dali para frente. A distância do Sinai para a terra de Canaã era de 500 quilômetros e poderia ter sido percorrida por um período curto de tempo. quebrando todos os man­ damentos do Decálogo. podemos dizer dos israelitas aqui: eles estavam agindo como cães que voltavam para o seu próprio vômito. O hábito da idolatria que haviam aprendido no Egito ainda era muito forte entre os israelitas. porém acabou durando 38 anos.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o . depois de tudo que viram Deus fazer pela instrumentalidade de seu servo Moisés. É impressionante ouvir o povo.

na verdade. mas o líder israelita intercedeu pelo povo para que Deus não tomasse essa medida (Êx 32. há muita falsa teologia popularizada por aí. Deus propôs destruir todo o ^ 'v" ç ____________yy_. Ainda hoje. mas despido de respaldo bíblico (o que acontece na maioria dos casos). a continuidade da promessa dada a Abraão." j povo e estabelecer. da teolo­ gia da prosperidade. enquanto o verdadeiro culto a Deus instituído por Moisés evocava arrependimento. no capítulo 9.30-35. o culto apóstata levava o povo à licenciosidade (Êx 32. uma concepção equivocada de quem é Deus. por exemplo. < humildade e conclamava à santidade. "Mesmo 'Mesmo quando quando stgu[mos seguimos 0 o cammho caminho que que /)eus tsia jjc[ece j)ara as I)eus estabelece para as n0SSflS vidas. a partir de Moisés. uma fantasia cons­ truída pela sua própria imaginação.10). uma vez que 64 . apesar de serem tratados como se fossem representações fidedignas do verdadeiro Deus. Que Deus nos livre dessas versões deturpadas dEle! Conheçamos e prossigamos em conhecer o Deus da Bíblia (Os 6.11-14. Afinal de contas..4). Sua relação não é com o Deus vivo e verdadeiro. em vez do Deus da Bíblia. por assim dizer.U m a J o r n a d a de té Perceba que o povo não estava negando os milagres que haviam acon­ tecido.3).1217). etc. vldaS/ enfrentaremos enfrentaremos nossas provações. pois somente assim poderemos ter um relacionamento saudável e realmente edificante com o Senhor. o “bezerro de ouro” do evangelho da autoajuda. mas com uma caricatura do divino. construídos por aí e que nada têm a ver com o Deus da Bíblia. da teologia da libertação. o juízo de Deus não deixou de ser exercido. uma mera su­ gestão mental. isso acontece: muita gente que pensa estar se aproximando de Deus está. se relacionando com uma imagem que criou dEle. mas para o nosso próprio b em " próprio bem. Há muitos “bezerros de ouro”. Essa concepção pode ter advindo absolutamente de sua própria cabeça (“achismo”) ou ter sido importada de algum discurso bonito. quebrantamento. mas estavam atribuindo-o a esse deus criado por sua imaginação e representado por aquele bezerro de ouro (Êx 32. como destacaremos mais à frente. Entretanto.6. atra­ ente. Isaque e Jacó (Êx 32. do liberalismo. 33-1-5. Perceba que. do ecumenismo. Há. do teísmo aberto.25).

outra bastante diferente é “endeusar”. a primeira ordenança do Decálogo. toda glória. idolatrar. quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter. Logo. porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o pró­ prio Deus. todo louvor e toda adoração. A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia.21. guardai-vos dos ídolos. obviamente.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o . E triste dizer. este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. o primeiro mandamento de Deus no Sinai. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida. mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que. depois de anos vivendo no idólatra Egito. admirar e respeitar.18-21).Sin a i três mil rebeldes idólatras foram punidos imediatamente com a morte (Êx 32. em 1 João 5. apenas Josué e Calebe. foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). O Pecado da Idolatria Curiosamente. Uma coisa é gostar.28) e toda aquela geração acabou morrendo no deserto. que se mantiveram fiéis a Deus. A idolatria a coisas também. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes. apesar de tão claro. Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração? Qual foi a última vez que abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a sua edificação espiritual? Qual foi a última vez que 65 . Entretanto. não devem receber a nossa adoração. contra o pecado da idolatria: “Filhinhos. segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. barro ou metal.14. entrando na Terra Prometida apenas os filhos dela e. Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra. As Sagradas Escrituras nos advertem. Deus conhecia o coração do povo e sabia o quanto era propen­ so à idolatria. E o apóstolo Pau­ lo adverte o mesmo à igreja em Corinto. o único que é digno de toda honra. da antiga geração. Amém!”. citando como exemplo negativo justamente o pecado do povo de Israel no deserto (1 Co 10.

conforme registrado em 1 Samuel 15.. a impureza..4)... Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual. quando também não adora a si mesmo. perdendo a visão espi­ ritual e. o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer. ou “afeição desordenada”. e o porfiar é como iniquidade e idolatria. afirma Samuel é pecado de idolatria. Ora.. Estamos longe de Deus.\ “0 "0 cristão cristão não não deve deve ser ser | I > dominado dominadoou ouescravizado escravizado por nada.. infelizmente. a vil concu­ piscência e a avareza.. es­ pírito de competição dentro da igreja.. e que é pró­ pria do espírito do Anticristo. O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. querendo parecer Deus” (2 Ts 2.. no templo de Deus... mas possui um coração idólatra. Não se engane: há muita gente que começa bem." .”. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano vida. esta­ mos de cabeça para baixo espiritualmente. “insistir”. Você já parou para pensar nisso? Paulo afirma que uma das características do Anticristo. por isso. .' " I I j ——. 66 f í I < " " ^ .. J 1 . tudo isso. “teimar”.v . Ele também te rejeitou a ti.U m a J o r n a d a de fé você evangelizou alguém? Qual foi a última vez que dedicou tempo para ajudar as pessoas? Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades? O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3. Avareza é apego às coisas materiais. repleto de “deuses”. tem o seu coração cheio de altares. Paulo se refere ao “apetite desordenado”.23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida.. pois.” de sua vida. Disse ele. disputa entre irmãos. insubordinação. “competir” e “disputar”. os vossos membros que estáo sobre a terra: a prostituição. É gente que afirma que serve a um único Deus. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Se­ nhor. O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria su­ til no meio dos crentes.5: “Mortificai. segundo o Dicio­ nário Aurélio da Língua Portuguesa. arrogância. contenda. teimosia. Ou seja. ao apetite desordenado. e chama a “avareza” ciaramente de “idolatria”..a m rr ■’. é se levantar “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” e querer “se [assentar] como Deus. que é idolatria”. mas acaba. “discutir com calor”.

Mas antes de chegar nessa nova terra. Os Propósitos da Lei Quando Deus libertou Israel do Egito. mais especificamente. com seu pró­ ximo e consigo mesmos. que pode­ riam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes. Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. Os Dez Mandamentos. trabalhar. Eles não seriam pessoas sem regras. adorar a Deus. sem rumo. Por isso. teriam seu espaço para viver. como são co­ nhecidos. a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria. acima de tudo. eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida. Essa lei foi dada por Deus. eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus. Nela eles seriam uma nação regida pelo próprio Deus. Deus os enviou para uma terra abençoada. Neste capítulo analisaremos a importância do Decálogo para o povo de Israel e os princípios que Deus espera que sigamos em sua lei. foram dados ao povo de Israel pelo Senhor. que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. os Dez Mandamentos. . e. comemorar datas festivas e. não os deixou vagando inde­ finidamente.7 Os D e z M a n d a m e n to s Alexandre Coelho U m dos temas mais conhecidos do mundo é sem dúvida a lei de Moisés.

percebeu-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador. e eles são expostos na regra “não furtarás”. “Pela lei vem o conheci­ mento do pecado” (Rm 3. Princípios são ordenações gerais que têm por objetivo regular determinadas situações. Regras podem variar com o passar do tempo. é preciso fazer aqui uma observação: princí­ pios e regras devem ser analisados em nosso estudo. A lei mostra ainda a santidade de Deus. e não pode tolerar o pecado. Apenas por Ele podemos nos . Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho.12). com o local e o povo. isto é.20: “Veio. or­ denou que não se furtasse. quan­ do Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas. o conhecimento pleno dele.20). podemos pensar que a abrangência dessa lei refere-se apenas aos judeus.7). Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados. mas mostra o quanto ele é inclinado a deso­ bedecer às regras e princípios que Deus determinou. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. porém. os princípios estão no topo. inicialmente: Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcança­ do. Ela não faz do homem um pecador. na base. Rm 7. a lei para que a ofensa abun­ dasse”. A lei de Deus também mostra o pecado do homem. seu Filho Jesus Cristo. Entretanto. Ou seja. Com o passar do tempo. Ela não os cria. “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7. a quem Deus enviou ao mundo. e as regras. fosse devidamente conhecida. Esses princípios são expostos em regras. mas os denuncia. ou seja.U ma J o r n a d a de fé Objetivos Divinos Os objetivos de Deus com a Lei foram. mas os princípios não (D t 4.8. ou seja. Quando pensamos que Deus deu sua lei ao povo de Israel. Portanto. Deus é santo. Paulo comenta isso em Romanos 5.

pas­ semos a ver os mandamentos dados por Deus. Nem anjos nem 69 . não poderiam ter outros deuses. Nenhum dos deuses do Egito pôde livrar aquela nação dos juízos divinos que Deus enviara.3) Deus começa o Decálogo deixando claro aos israelitas que Ele é o Se­ nhor que os tirou da terra do Egito. pois os israelitas deveriam ter um coração agradecido a Deus pelo que Ele lhes fizera. Os israelitas certamente tiveram contato com cultos às divindades egípcias no período em que foram escravos. 0 primeiro mandamento Não terás outros deuses diante de mim. e que nenhuma das chamadas “divindades” do Egito ou das terras vizinhas se compadeceu de­ les. mas apenas o Senhor foi responsável por tirar seus filhos da escravidão. Sua exclusividade se baseava também no fato de que Ele demonstrou misericórdia para com os descendentes de Abraão. A exclusividade de Jeová como Deus em Israel baseava-se primeira­ mente em sua superioridade como Deus poderoso. Os Dez M andam entos Tendo iniciado mostrando a diferença entre princípios e regras. tirando-os da escra­ vidão. Por isso. A lei que Ele lhes dava orientaria os passos de todo o povo em todos os aspectos. mas deixa explícito que os israelitas. Isso deveria fazer com que os israelitas se lembrassem de que tinham sido escravos no Egito. Nenhum outro “deus” deveria ser aceito pelos israelitas. inclusive no quesito adoração. (Êx 20. isso poderia contami­ nar a adoração a Deus e a relação com Ele. e caso um deles tivesse abri­ gado algum desses tipos de culto em seu coração.O s D ez M a n d a m e n to s aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído. começando por tê-lo como seu único Deus. e prometendo-lhes também uma terra para que pudessem viver em segurança e sem serem molestados por seus inimigos. livres. Deus não apenas diz que a iniciativa de libertá-los do Egito fora dEle. Essa ordem era mais que justa.

e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. muito menos servi-las. Não te encurvarás a elas nem as servirás.U m a J o r n a d a de fé homens deveriam receber a adoração que estava reservada apenas para Deus. usado por Deus. também faz um deus e se prostra diante dele.4) Deus apresenta o segundo mandamento: não fazer imagens de es­ cultura. e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. pode parecer estranho uma pessoa se curvar diante de uma imagem de es­ cultura como se elas fossem realmente um deus. servirão ao hom em para queimar. descreve o que seus contemporâ­ neos faziam no tocante à criação de imagens de escultura: Então. Há formas de cria­ turas nos céus (anjos). O profeta Isaías. o Senhor. Atribuir uma forma de qualquer ser a Deus foi considerado uma quebra de mandamento. nem nas águas debaixo da terra. teu Deus. Para os que conhecem a Palavra de Deus. que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. pois são igualmente seres criados. assa-a 70 . Metade queima. sou Deus zeloso. nem alguma semelhança do que há em cima nos céus.5) Esse mandamento traz outra informação importante: os israelitas não poderiam fazer imagens de esculturas nem se curvar diante delas. com isso. se aquenta e coze o pão. nem em baixo na terra. Isso foi necessário porque Deus não tinha o objetivo de ser representado por qualquer forma conhecida pelos israelitas. O Deus Criador não pode ser confundido com sua criação. fabrica uma imagem de escultura e ajoelha diante dela. porque eu. seres humanos) e nas águas (peixes e baleias). Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória. mas foi isso que os israelitas fizeram quando chegaram à Terra Prometida. pois reduz a sua glória eterna àquilo que é mortal. com a outra metade come carne. (Ex 20. na terra (animais. 0 segundo mandamento Não farás para ti imagem de escultura. (Ex 20.

aos que amam ao Senhor e guardam seus manda­ mentos veem sua misericórdia de forma infinita.12). Lembremo-nos do que disse o apóstolo João: “Filhinhos. o segundo mandamento é atual e necessário para que possamos conduzir pessoas a Deus e manter-nos focados no serviço ao próprio Senhor. nem entendem. e o coração. 0 terceiro mandamento Não tomarás o nome do Senhor. e eles se corrom­ pem.7) O que identifica cada pessoa. e lhe dirige a sua oração. Seu nome não poderia ser utilizado de forma indevi­ da. em vão. em que a humanidade faz seus próprios deuses. Entretanto. porque o espírito de luxúria os engana. para que não entendam. já me aquentei.1 5 -1 8 ) Oseias. como se não representasse o Deus que os tirou da escravidão. uma imagem de escultura. também se aquenta e diz: Ora. não deveria ser usado de forma leviana. ajoelha-se diante dela. é o nome que cada um tem. Deus conde­ na os ídolos porque eles desejam ocupar o espaço dEle em nosso cora­ ção. Deus adverte neste mandamento que julga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. também tratou desse assunto quando mostrou o que o seu povo fazia: “O meu povo consulta a sua madeira. Então. Nossos documentos co­ meçam identificando o nosso nome. para que não vejam. porque se lhe untaram os olhos. e diz: Livra-me. e se inclina. de forma individual. Deus não deixou de observar que o nome dEle deveria ser reveren­ ciado e honrado. Em dias como os nossos. porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Podemos ser parecidos com outras pessoas. já vi o fogo. mas a nossa distinção começa pelo nome que recebemos. apartando-se da sujeição do seu Deus” (Os 4. (Is 4 4 . guar­ dai-vos dos ídolos” (1 Jo 5. o profeta. teu Deus.O s D ez M a n d a m e n t o s e farta-se. Essa informação pode significar que Deus pode julgar a idolatria de algumas pessoas nos seus descen­ dentes. e este traz muito de nosso caráter e reputação. porquanto tu és o meu deus. 71 . do resto faz um deus.21). Nada sabem. A idolatria é um problema muito sério para o homem. e a sua vara lhe responde. (Êx 20.

ou juramos falsamente. trabalhando sem 72 . desta vez referente ao tra­ balho. Ele seguiu com o “santificado seja o teu nome”. o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou. Jesus mesmo santificou o nome do Pai. (Lv 19. Esse mandamento nos traz outra lição. Deus mostra nesse mandamento que os israelitas poderiam trabalhar o quanto quisessem nos seis primeiros dias da semana. mas o sétimo dia é o sábado do Senhor. A ordem era para o chefe de família. para o santificar. deveriam descansar.U m a J o r n a d a de fé O nome de Deus é tão santo que quando Jesus ensinou seus discípulos a orar. teu Deus. O nome do Senhor é desonrado quando nossas vidas não correspondem com a fé que alegamos ter. como se Ele fosse responsável por nossos atos. deveria ser um dia santo. Eu sou o Senhor. fazia-o com respeito e temor. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra.12) O preceito aqui é que Deus deseja que seu nome seja respeitado. não o tomando de forma irresponsável nem desrespeitosa. após pronunciar a frase “Pai nosso que estás no céu”. interromper”. nem o teu servo. nem o teu animal. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. O sábado. portanto. nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos em brincadeiras e piadas. não farás nenhuma obra. (Ex 20. nem jurareis falso pelo meu nome. para os judeus. que em hebraico significa “cessar. pois profanaríeis o nome do vosso Deus. O termo sábado vem de shabbath. mas extensiva a todos que estivessem na casa.8 -1 0 ) O dia do sábado é apresentado na Bíblia como um dia reservado à adoração a Deus e ao descanso. nem tu. não sendo alvo de blasfêmias nem do nosso mau comportamento. 0 quarto mandamento Lembra-te do dia do sábado. O homem não pode ser escravo do trabalho. mas no sétimo dia. inclusive o estrangeiro. nem a tua filha. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos para con­ cretizar negócios que não temos a pretensão de honrar. nem o teu filho. nem a tua serva. Quando se referia ao pai.

(Lc 13. temos por hábito nos reunirmos em nossas igrejas para adorar ao Senhor e passar um tempo a mais com nossos familiares. pelo fato de que os judeus mais radicais acusavam Jesus de não cumpri-lo. no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água? E não convinha soltar desta prisão. porém. havia outros seis dias para que Deus curasse as pessoas. no Novo Testamento. Nesse momento. e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele. pois além de não trabalharmos. mas preferiu lembrar aos que o ouviam que havia outros dias para trazerem enfermos ao local do culto. todos os seus adversários fica­ ram envergonhados. A guarda do sábado. E aqui cabe uma palavra. Como cristãos. o chefe da sinagoga reclamou com os presentes que não trouxessem pessoas para serem curadas no sábado.10-17 traz o relato de Jesus ensi­ nando numa sinagoga no sábado. curava pessoas enfermas. que andava encurvada. esta filha de Abraão. guardamos o dia do domingo. Lucas 13. o Senhor e disse: Hipócrita. O Senhor honra o trabalho. que por sinal. no dia de sábado. a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa? E.15-17) Lembre-se de que o dia é santificado quando eu o guardo para o Senhor. restaurou-lhe a posição correta e a mulher começou a glorificar a Deus. mas honra também o descanso. Aquele homem deveria estar grato por presenciar uma cura diante de seus olhos. dia em que lá havia uma mulher com um espírito de enfermidade há 18 anos. tornou-se um dos man­ damentos mais citados nos Evangelhos. é um mandamento dEle também. permitia que seus discípulos pegassem espigas nos campos para comerem. Na mente daquele líder. Aqui. como a Igreja Primitiva o fazia. para honrar o dia da ressur­ reição do Senhor. dizendo ele isso. o princípio do descanso também é respeitado. curou-a. Jesus a chamou. 73 . Jesus não esperou para dar ao homem e a nós uma grande lição: Respondeu-lhe.O s D ez M a n d a m e n to s descansar ou sem reservar um espaço de sua vida produtiva a servir a Deus. No sábado Jesus ensinava.

observando-se os casos em que eram aplicados na cultura judaica. O sexto mandamento Não matarás. Tais pessoas prestarão contas a Deus por seus atos. A cultura judaica previa exceções apresentadas na Bíblia Sagrada. Infelizmente. Esta é dom de Deus. Infelizmente. teu Deus. (Êx 20. vestimentas e um nome. quando honramos nossos pais. há filhos que náo seguem esse mandamento. ajudam a tomar conta deles na terceira idade e quando ouvem seus pais para a tomada de decisões para a vida. e cremos que são atos de covardia e assassinato o aborto e a eutanásia. a his­ tória da humanidade apresenta um número imenso de pessoas que as­ sassinaram outras. e não pode ser retirada por outros homens. e Ele ordenou que os filhos honrassem seus pais. Como cristãos. Deus deixa claro que aprendemos a usar a honra dentro de nossa própria casa. não podemos deixar de defender a vida humana em todos os seus aspectos. quer por motivos fúteis. Lembremo-nos de que esse é o primeiro man­ damento com promessa.14) 74 . matar uma pessoa é crime tanto quanto o era no Antigo Testamento.13) Este mandamento refere-se ao respeito pela vida. para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor. Isso pode ser feito quando os filhos obedecem a seus pais. alimento. mas cada caso deve ser analisado realmente como exceção. te dá. Estáo desrespeitando o quinto mandamento e não terão uma vida abençoada por Deus. quer por motivos políticos. desobede­ cendo àqueles que os criaram.U m a J o r n a d a de fé O quinto mandamento Honra a teu pai e a tua mãe. Em nossas leis. (Êx 20. deram educaçáo. (Êx 20. que mostra a extensão de vida dos que honram seus genitores. como a legítima defesa e a morte acidental.12) As relações familiares náo foram esquecidas por Deus. O sétimo mandamento Não adulterarás. e não como uma regra.

Deus ordenou que tivéssemos duas atitudes: não mentir nem falar falsamente das pessoas que nos estão 75 . tanto quanto há perdão para os demais pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo).16) Por meio deste mandamento. geralmente. Se desejamos ter bens. tem o emprego da intimidação ou da violência. e para isso proíbe o furto e o roubo. mas desejar sexual­ mente uma pessoa que não o cônjuge é o começo do adultério. O desejo sexual dentro do casamento é licito. Não podemos tirar vantagens de outras pessoas. Ele está deixando claro que somos responsáveis por controlar nossos desejos. Jesus deixou claro que o adultério começa no coração da pessoa.15) Deus abençoa uma vida produtiva de trabalho. pois isso é também é uma forma de furto. O nono mandamento Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. e não no ato da conjunção carnal apenas. Há perdão para os adúlteros? Sim. permitida por Deus e debaixo da sua bênção. e abençoa os bens trazidos para casa de forma justa. 0 oitavo mandamento Não furtarás. Por isso. O furto é a retirada furtiva dos bens de uma pessoa. (Êx 20. buscando a pureza sexual dentro do casamento. Para que estejamos livres desse pecado. (Ex 20. e isso se aplica a todos os demais pecados na esfera sexual. que sejam adquiridos de forma lícita. mas lem­ bremo-nos de que o adultério traz consequências que podem perdurar pelo tempo. o sétimo mandamento traz um princípio que reflete a proteção à família e à fidelidade entre os côn­ juges. é preciso ter uma vida sexual saudável com nossos cônjuges. Deus condena os bens adquiridos por meios ilícitos.O s D ez M a n d a m e n to s Muito conhecido em todas as épocas. Quando Deus diz que não se pode adulterar. Em ambos os casos. como o fim do casamento e a ruptura dos laços familiares. e o roubo. principal­ mente os pecaminosos. Ele espera que a propriedade seja preservada de ataques.

U m a J o r n a d a de fé

próximas. Esse mandamento afeta diretamente os hábitos de pessoas que não controlam o que falam, que falam sem pensar e, pior, pessoas que sempre caluniam seu próximo. Caluniar é atribuir falsamente a outra pessoa a prática de um ato que a lei considera crime. Se Roberto diz que Mário roubou um carro, sem que Mário o tenha feito, Roberto está caluniando Mário. Injuriar é atribuir a outra pessoa fato que pode ofender sua reputação. Se Ricardo diz que Jorge foi à igreja bêbado, sem que isso tenha ocorrido, está ofendendo sua moral e sua dignidade. Difamar é falar mal de outra pessoa a uma terceira ou mais pessoas, dando-lhes uma notícia que fira a moral ou a honra de quem se fala. Todas essas formas de falso testemunho são passíveis de condenação penal e são igualmente condenadas por Deus.

0 décimo mandamento
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu pró­ ximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Ex 20 .1 7 )

A cobiça é uma das formas mais tristes de tratarmos aquilo que os outros têm. O cobiçoso sempre vai desejar aquilo que não possui e será consumido por esse tipo de sentimento, pois vai se achar sempre infe­ rior aos outros. Nunca estará contente com o que já possui. Este mandamento geralmente é citado em nossos dias como “não cobiçarás a mulher do teu próximo”, mas Deus também condena: Cobiçar a casa —a habitação da pessoa que me é próxima. \ cS" Cobiçar o servo e a serva —pessoas que trabalham para o meu próximo. Cobiçar o boi e o jumento —instrumentos de trabalho ou posse do meu próximo. Cobiçar coisa alguma —qualquer outra coisa que meu próximo possua.
76

Os D e z

M a n d a m e n to s

O que Deus ordena abrange todas as coisas que o próximo possui. Não é meu dever cobiçar o que meu próximo tem, pois isso nos induz a querer retirar dele o que ele tem. A cobiça é o princípio de uma vida insatisfeita, que esquece o que já recebeu de Deus e fixa seu olhar na­ quilo que ainda não se tem. Esses mandamentos foram dados para serem seguidos. Ressalvandose as particularidades da cultura judaica, os princípios dos Dez Man­ damentos não foram revogados. Portanto, tenhamos cuidado em dar testemunho nesses quesitos.

77

8
A Lid
e r a n ç a de

M

o isé s e

seus

A

u x il ia r e s

Alexandre Coelho

K

’este capítulo abordaremos de forma breve o estilo de liderança de Moisés. Ele não foi apenas um homem usado por Deus para fazer com que o povo de Israel saísse do Egito. Foi também um

grande líder, que demonstrou ouvir sábios conselhos e colocá-los em

prática para o bem da obra do Senhor e pelo bem do povo.

O Trabalho do Senhor e os seus Obreiros
Despenseiro, e não dono
Uma das características essenciais à liderança na obra de Deus é sa­ ber que o líder é despenseiro ou administrador dos recursos e das pesso­ as, e não dono de todas essas coisas. Nenhum ministro é ordenado para pensar que a igreja que Deus depositou em suas mãos é dele. Quando escreveu sua carta à igreja em Éfeso, Paulo disse que ... ele mesmo [o Senhor] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. (E f4.11,12, ARA) Essa passagem fala que Deus escolheu algumas pessoas para deter­ minadas vocações no corpo de Cristo, com o objetivo de fazer com

tentando acalmar ânimos e motivar pessoas ao serviço cristão.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e se u s A u x il ia r e s que os santos sejam aperfeiçoados no serviço cristão e para que o corpo de Cristo seja edificado. podemos entendem que Deus deu pastores às igrejas. analisando o texto bíblico. Vendo certo dia que Moisés ia atender ao povo. 79 . veremos que o servo de Deus. precisou de ajuda em sua liderança para poder desempe­ nhar melhor o seu papel de líder e condutor do povo de Deus. Moisés já havia saído do Egito com o povo de Israel quando recebeu a visita de seu sogro. tendem até mesmo a nos afastar da comunhão com Deus. Jetro. No estudo em questão. Ele estava atendendo todas as pessoas que lhe traziam questões. e. Há momentos em que a quantidade demasiada de afazeres nos impede de ver as coisas à nossa volta como elas são. e não igrejas a pastores. Os líderes têm diversas obrigações no dia a dia. e que Ele vai cobrar a administração de seus ministros. Este era um homem aparentemente mais velho e experiente em questões de liderança e administração do tempo. que trazia demandas para que pudessem ser resolvidas. e espera que nos lembremos de que a Igreja é dEle. a quem prestará contas por suas atitudes. Deus deposita em nossas mãos o cuidado para com a sua Igreja. Um dos desafios da liderança cristã é ter esse alvo em mente. Eles precisam avaliar situações e tomar decisões. deve ser respeitado e ouvido. Como líder. não raro. Ele tinha sabedoria? Certamente que sim. mas não deve se esquecer de que a obra é do Senhor. Ele era ungido do Senhor? Com certeza. O pastor é um presente de Deus à congregação. deve o ministro cuidar com zelo da obra do Senhor. Fazia suas atividades com boa vontade? Com certeza. consumindo o tempo delas e o seu próprio. Portanto. E precisam ter também a habilidade de líder com pessoas de todos os tipos. Por isso. e isso faz parte da tarefa que lhes foi confiada. Falta de percepção do líder Um dos maiores perigos com que o líder se depara em seu dia a dia é o excesso de atividades. percebeu que alguns procedimentos do libertador não eram os mais adequados àquela situação. além de provocar em Moisés o cansaço que o impediria de tomar decisões corretas. e não o contrário. Moisés.

assim tu como este povo que está contigo. Delegar autoridade para que outros nos ajudem a realizar o trabalho faz com que haja mais pessoas traba­ lhando para o mesmo Senhor. e Deus será contigo. O problema não residia em Moisés atender ao povo. Isso não retiraria de Moisés sua autoridade. O povo ficava em torno de Moisés e trazia a ele as questões relevantes sobre dificulda­ des que estavam enfrentando. mas o próprio povo se sentia cansado de esperar por uma solução da parte de Moisés. Foi preciso que ele escutasse essas observações de seu sogro. a intervir na forma como Moisés liderava o povo? “E aconteceu que. da mesma forma que ele. atendessem ao povo e resolvessem conflitos comuns. porque este negócio é mui difícil para ti. um homem mais experiente e amadurecido nas questões relacionadas a gestão. Totalmente desfalecerás. (Ex 18. e não se esquecer de que precisa ter seus momentos com Deus e com sua própria família. Muitos momentos em que o líder se sente desestimulado e cansado são originados na falta de descanso apropria­ do.13). Moisés assentou-se para julgar o povo. eu te aconselharei. Ele precisava delegar autoridade a outros homens para que. descansar e pensar em suas atividades. Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus. mas em tentar resolver as questões sem a ajuda de outras pessoas. 80 . Jetro viu que o modelo de administração seguido por Moisés era cansativo tanto para ele quanto para o povo. Essas atitudes fortalecem a pessoa do líder. pois não apenas Moisés se cansava atendendo o povo. tu só não o podes fazer. Isso traz a perda de concentração. pedindo a orientação do espírito de Deus para cada etapa. e Moisés ficava resolvendo essas questões sozinho.18. Ele deve planejar seu dia. implica tomada de decisões pre­ cipitadas e torna desgastantes as tarefas diárias. e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde” (Ex 18. e faz também com que tenhamos mais tempo para pensar em outras coisas importantes e treinar pessoas para o ministério.U ma J o r n a d a de fé Mas o que aconteceu que inspirou seu sogro. Esse versículo mostra o que acontecia. Mas isso não ficou claro para Moisés no início da narrativa. ao outro dia.19) O líder precisa de um tempo para se recompor. Jetro. Ouve agora a minha voz.

pôde exercer melhor seu ministério e partilhar sua autoridade com ho­ mens dignos de confiança e que honrariam o nome do Senhor. e põe-nos sobre eles por maiorais de mil. Jetro disse a Moisés: E tu. 0 líder precisa de ajudantes Uma das lições que Jetro ensinou a Moisés é que ele precisava de outras pessoas para partilhar responsabilidades. Se isto fizeres. vários líderes são necessários na empreitada. para que julguem este povo em todo o tempo. poderás. e seja que todo negócio grave tragam a ti. que aborreçam a avareza. Essa foi a lição que Moisés aprendeu: Não se pode fazer tudo sozinho. acabaria desfalecendo por causa de seu excesso de atividades.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e s e u s A u x il ia r e s Jetro recomendou que Moisés fosse um intercessor pelo povo. Ninguém que trabalha em posi­ ção de liderança consegue fazer todas as suas atividades sem ajuda. Ele recomendou que Moisés selecionasse 81 . o legislador es­ tava sobrecarregado resolvendo questões do povo. Todo trabalho que exige coletividade exige liderança. procura homens capazes. Mas por seguir o conselho de seu sogro. Na verdade. essa era a função que Deus pretendia para Moisés. e eles a levarão contigo. mas até aquele momento. então. maiorais de cinquenta e maiorais de dez. homens de verdade. e Deus to mandar. Caso Moisés não seguisse o conselho de Jetro. tementes a Deus. (Êx 18. além de não ter tempo para interceder pelo povo a Deus. Deve orientá-los no sentido de seguirem os parâmetros estabelecidos e cuida­ rem daquilo que foi proposto. dentre todo o povo.21-23) A recomendação de Jetro sobre os auxiliares de Moisés não pode ser esquecida em nosso estudo. e dependendo da complexidade do trabalho. O líder deve treinar seus auxiliares e aprender a confiar neles. assim. sem a ajuda de auxi­ liares idôneos. mas todo negócio pequeno eles o julguem. maiorais de cem. assim também todo este povo em paz virá ao seu lugar. Há tra­ balhos que dependem de apenas uma pessoa. a ti mesmo te aliviarás da carga. mas boa parte dos trabalhos precisa ser executada por um grupo de pessoas. e que levasse as questões do povo a Deus. subsistir.

Conhecer princípios de liderança e como aplicá-los faz a diferença entre um bom e um mau líder. visto que se uma pessoa for trazer pareceres vinculados ao dinheiro. não poderá liderar. Portanto. e os mais complexos deveriam ser levados a Moisés. e não tomariam o lugar dele. que terão o próprio ministério. sobre grupos de pessoas. Aqui cabe uma observação aos que estão sendo chamados a ajudar líderes. e deveriam resolver os pro­ blemas mais simples. tementes a Deus (um requisito bá­ sico para se lidar com o povo de Deus. Eles seriam colo­ cados. ouvir e resolver problemas). conforme suas capacidades. o conselho de Jetro é válido para os nossos dias. i f. Há pessoas que nesse sentido logo se rebelam contra seus líderes e fazem o que podem para dividir o rebanho do Senhor. Começam a pensar que logo estarão no topo do comando. Eles levariam o peso do traba­ lho de Moisés com ele. que agirão de acordo com sua própria vontade e que não prestarão contas a ninguém. mas para ajudá-lo a exercer de forma efetiva sua liderança. que aborrecessem a avareza (essa característica não poderia passar em branco. e cujas ações demonstrassem sua res­ peitabilidade). Quando uma pessoa é escolhida para ajudar em um ministério. para cooperar. Lembremo-nos de que aqueles homens não foram chamados para tomar o lugar de Moisés na liderança do povo.U m a J o r n a d a df. com certeza seu parecer será tendencioso). pois estariam julgando o povo de acordo com a vontade de Deus). não para comandar ou dar um golpe no seu próprio líder. Líderes precisam conhecer a lei de Deus e os princípios pelos quais tomarão suas decisões. homens de verdade (homens sobre os quais não poderia recair suspeitas. maiores ou menores conforme a quantidade designada. homens capazes (pessoas que tinham habilidade de lidar com outras pessoas. Há pessoas em nossas igrejas que se deixam enganar quando escolhi­ das para ajudar em uma determinada função. Se um líder não conhece as regras pelas quais deve se pautar para tomar decisões. Ninguém exerce a liderança sem ter em mente princípios norteadores pelos quais agir. ou para decidir entre pessoas. ela está sendo chamada para auxiliar. Eles deveriam ser ensinados nos estatutos e nas leis para que pudes­ sem julgar o povo de Deus de forma correta. 82 .

Conhecer os procedimentos normais de nossas atividades na obra do Senhor faz parte de nossas obrigações diante dEle. o negócio árduo traziam a Moisés. E com essa obediência poderão ser escolhidos por Deus para desafios maiores. e escolheu Moisés homens capazes. Quando Jesus disse que a seara era grande e que havia poucos ceifeiros para trabalharem nela. O líder precisa estar sempre pronto a aprender. Moisés não apenas deveria partilhar com homens esco­ lhidos sua autoridade. de todo o Israel. Os Auxiliares no Ministério Deus levanta auxiliares Os recursos humanos dos céus sempre estão cheios de pessoas para que venham trabalhar na obra do Senhor. inclusive liderando outros até no rebanho do Senhor. ao qual devem prestar obediência. recomendou que ele ensinasse os esta­ tutos e as leis ao povo. como líder. Ou seja. Futuros líderes podem ser ensinados Quando Jetro falou com Moisés. E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro e fez tudo quanto tinha dito.24-26) 83 . os auxiliares do legislador deveriam ser instruídos para serem úteis ao trabalho que lhes seria confiado. Um líder não pode cobrar de seus liderados atitudes que não lhes foram ensinadas. é preciso lembrar que foi responsabili­ dade de Moisés ensinar-lhes a Lei de Deus e seus estatutos. (Êx 18. e todo negócio pequeno julgavam eles. Por­ tanto. E Deus levantou ajudantes para Moisés. não ordenou aos seus discípulos que fosse atrás de obreiros. mas também ensiná-los a exercerem suas funções. Se por um lado aqueles líderes deveriam conhecer a lei de Deus para poderem exercer seus julgamentos. em outras esferas. maiorais de cinquenta e maiorais de dez. antes de escolher as pessoas que iriam ajudá-lo. mas que oras­ sem a fim de que o Senhor da seara enviasse ceifeiros para a sua seara.A L id e r a n ç a d e M o is é s e s e i is A u x il ia r e s Aqui reside grandeza dos líderes auxiliares: eles sabem que estão servindo a Deus sob a liderança de outro líder escolhido por Deus. E eles julgaram o povo em todo tempo. e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem.

cheios do Espírito Santo e de sabedoria. irmãos. e Felipe foi poderosamente usado para falar de Jesus ao mordomo de Candace. atendendo as viúvas no tocante a ajudas ofe­ recidas pelo grupo.3).U m a J o r n a d a de fé Deus deu a orientação para que Moisés escolhesse homens para ajudá -lo. rainha dos etíopes. No Novo Testamento. sete varões de boa reputação. Moisés pôde exercer sua liderança com a ajuda de pessoas escolhidas por Deus. Quando a igreja em Jerusalém preci­ sou de pessoas para ajudarem os apóstolos em afazeres especificamente voltados à questão social. pois. Estêvão foi o primeiro mártir. S er ch eio s d o E sp írito S an to. Aqui está a origem dos diáconos. ou seja. Foram selecionados homens de todo o Israel. dentre vós. mas por um bom testemunho na igreja. Ser cheio do Espírito de Deus é um requisito para quem cuida de questões simples na igreja hoje. Entretanto. O bom tes­ temunho faria a diferença no ministério diaconal. Não podemos imaginar que não houvesse diáconos cujos feitos fo­ ram registrados de forma marcante. Uma pessoa que vai lidar com questões materiais na igreja não pode perder de vista que seu serviço é dedicado ao Senhor. representantes de cada tribo. O s diáconos não deveriam ser conhecidos por más atitudes. vemos que Deus levanta auxiliares e cooperadores nas atividades em sua obra. divididos de acordo com a quantidade de pessoas que deveriam ajudar a cuidar. aos quais constituamos sobre este importante ne­ gócio” (At 6. 84 . Eles deveriam ter como características: B o a rep u tação. a recomendação dos apóstolos foi: “Escolhei. esses homens iriam ajudar a assistência social da igreja. sendo apedrejado por seus compatriotas. Dessa forma. Enquanto os discípulos se dedica­ riam à oração e à Palavra. Eles se responsabilizaram por tratar com o povo acerca das coisas de menor complexidade. e traziam a Moisés as causas de maior complexidade. que foram tidos por capazes. e realmente ajudaram Moisés em seu trabalho. esses homens tinham a nobre função de auxiliar os apóstolos na esfera social da igreja.

podemos destacar: Miriã. a nação já possuía homens que poderiam ser escolhidos para ajudá-lo. Pessoas néscias não teriam oportunidade naquela função. era profetisa e entoava louvores ao Se­ nhor. foram pesso­ as que muito auxiliaram Moisés em sua liderança na condução do povo à Terra Prometida. Ter sabedoria era um diferencial para ser escolhido para aquele ministério. mostrou ser uma pessoa sábia e experiente. que as pessoas de mais idade estejam aptas a ser bons conselheiros aos líderes mais novos. A igreja deveria saber quem eram e respeitá-los. por esse exemplo. no caso de Moisés. Mesmo não sendo israelita. con­ cedeu abrigo a Moisés e lhe deu uma de suas filhas como esposa quando Moisés fugiu do Egito. Os auxiliares de M oisés Dentre os diversos auxiliares de Moisés. Ele muito ajudou Moisés em seu ministério. Os anciãos. Jetro. Arão. 85 . mas só foram escolhidos após a orientação de Jetro e fizeram a diferença no ministério de Moisés. Irmão de Moisés. Lembremo-nos de que. Pessoas de mais idade entre o povo. pois tinham o aval dos apóstolos para aquelas atividades. Espera-se. S er con stitu íd os p a r a a q u e la ju n ç ã o . Irmã de Moisés.A L i d e r a n ç a d e M o is és e seus A u x i l i a r e s C h eios d e s a b e d o r ia . Jetro era um midianita. acompanhou sua história desde o Egito e foi escolhido por Deus para ser sacerdote em Israel. permitindo que no período em que esteve em Midiã aprendesse a pastorear ovelhas e conhecesse os caminhos do deserto. Era preciso que fossem apresentados publicamente para prestarem seus serviços. Pelas palavras que disse a Moisés. Foi uma coluna na história de Moisés.

Mas Moisés tinha também suas qualidades. Por não perceber que estava sozinho na lide­ rança do povo. um homem de ar­ mas. como todos nós. e o mesmo ocorre quando um líder deixa a desejar com seu comportamento. e Moisés atendeu à voz de seu sogro. “E era o varão Moisés mui manso. que poderiam ser resolvidos por outras pessoas. mas depois obedeceu à ordem divina. ini­ cialmente resistiu à voz de Deus quando foi chamado para libertar Is­ rael. Esse deve ser um marco em nossas vidas. Qualidades de Moisés com o Líder Não é incomum as pessoas buscarem qualidades em seus líderes. Este foi um servo de Moisés que é apresentado na Bíblia como aquele que seria o seu substituto na condução do povo à Terra Prometida. e entendeu que era prudente seguir tal conselho. Moisés tinha suas limitações. falou-lhe com brandura. destacamos: Mansidão A Palavra de Deus apresenta Moisés como uma pessoa de co­ ração manso. acabava sendo cercado de problemas de todos os tipos.U m a J o r n a d a de fé As palavras de Jetro para com Moisés e a atenção que Moisés deu ao sogro mostram o quanto havia respeito entre eles. logo é visto como uma pessoa indigna de crédito por divorciar suas palavras de sua vida prática. Quando Jetro viu o que acontecia com Moisés. sendo posteriormente abençoado por Deus. até receber a orientação de seu sogro. É claro que Moisés ponderou o que foi falado. Josué. Bons líderes servem como bons exemplos. Como homem. pois há famílias em que a har­ monia do lar é quebrada com comentários críticos e desprovidos de sabedoria. vimos que ele dedicava-se mais ao trabalho que à sua vida familiar. Josué era um combatente. mais do que 86 . Entre elas. e foi usado por Deus para abrir o caminho das conquistas ordenadas por Deus. Neste capítulo.

mas a ter o respeito por Deus e por sua obra.18).A L i d e r a n ç a d e M o is é s e seu s A u x il ia r e s todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12. Ele aceitou com humil­ dade o conselho de Jetro. estava recomendando ao legislador que ensinasse a Lei de Deus com a ajuda de outros homens. Hum ildade Moisés não era um líder soberbo. pessoas que podem ser ensinadas nos estatutos e leis do Senhor. Essa foi a atitude de Moisés quando atacado por Miriã e Arão. que despreza a Deus e não trata sua Palavra de forma respeitosa. Ele não perdeu a calma naquela situação e deixou que Deus resolvesse o problema de rebeldia que seus próprios irmãos trouxeram. Mansidão é a capacidade de enfrentar problemas sem que se perca a calma. que o auxiliariam na condução do povo. com procedimentos administrativos ade­ quados para a condução do povo e preservando a si mesmo de uma vida estafante e de pouca praticidade. e que poderão ampliar o campo de atuação de Deus em nossos dias. Ser piedoso é o contrário de ser uma pessoa ímpia. no deserto. Ele não aconselhou Moisés a empurrar os problemas para que outros resolvessem. “A soberba precede a ruína. Ele não temeu partilhar sua autoridade com seus auxiliares a fim de que o povo pudesse ser mais bem atendido em suas demandas. seus irmãos. Jetro sabia que Moisés era o líder escolhido por Deus e que era im­ portante que estivesse bem. Piedade não se refere a fazer boas obras e caridade. Podemos confiar em Deus para rece­ bermos ajuda de pessoas comprometidas com o seu Reino.3). Piedade Moisés era um homem temente a Deus. 87 . Que isso nos sirva de lição. e viu como acatar aquele conselho permitiu que ele focasse sua liderança onde ela era mais impor­ tante: conduzir o povo de acordo com os planos de Deus. e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.

uma adoração equivocada (Êx 32.1 Ou seja.9 Um Lu g a r de A d o ra çã o n o D eserto Silas Daniel que as repassa ao povo. mas também de orientações voltadas para a liturgia do culto a Deus. Como afirma o Comentário Bíblico Beacon.1— 34.1-8). e elas consistem não só de orientação quanto à confecção de objetos a serem usados na organização dessa adoração. em meio a essa série de orientações sobre a montagem do santuário e a liturgia a ser adotada. George Herbert. . 1. a misericórdia de Deus e a 1 LIVINGSTON. encontramos a instituição dos métodos de adoração a Deus entre o povo de Israel. As instruções divinas para o culto são dadas a Moisés. v. principalmente.35). Notemos que essa apostasia envolvia. o qual só foi res­ taurado após o arrependimento dos israelitas e a intercessão de Moisés em favor deles (Êx 32. Rio de janeiro: D o capítulo 25 ao capítulo 40 do livro de Êxodo. o que chama muito a atenção nesses capítulos é que. Entretanto. “esta seção final do Livro do Êxodo revela a paciência de Deus em lidar com seu povo rebelde e mostra os detalhes minuciosos que são requisitos para o povo adorá-lo”. Comentário Bíblico Beacon. a adoração equivocada. Moisés também narra a apostasia do povo no deserto. quando os israelitas tiveram que ser fortemente confrontados e ocorre a quebra do concerto de Deus com seu povo.

6.25). 206. porque. claro. 2005. o culto apóstata leva o povo à licenciosidade (Ex 32. humildade e conclamava à santidade. e notemos como elas refletem verdades neotestamentárias sobre a verdadeira adoração. É chocante ver que enquanto Deus estava manifestando a Moisés o desejo de habitar no meio dos israelitas e dava-lhe as instruções para que houvesse um maior relacionamento dEle com o povo por meio da instituição de um santuário. através do ritual dos sacrifícios e do significado dos símbolos que ele carregava. porque evidenciam o tremendo contraste entre a verdadeira e a falsa adoração.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o c— — —■ — . vejamos e analisemos as orientações divinas dadas a M oi­ sés para uma verdadeira adoração a Ele. seu próprio culto e se chafurdando no pecado. os judeus estavam envolvidos em um projeto pessoal de religião. Afinal. criando seus próprios símbolos de adoração. eles só poderiam estar aqui. 89 . Sim. a ado­ ração a Deus no Antigo Testamento pode se diferenciar externamente da adoração no Novo Testamento — além. e hoje não é diferente: Ele \ deseja o mesmo conosco através do Seu Santo Espírito. As instruções para "Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. adoração correta são os assuntos que. do fato de contarmos hoje com um acesso maior a Deus por meio do sacrifício perfeito e CPAD. não por aca­ so. A seguir. na verdade. evoca arre­ pendimento. que habita em nós desde o dia em que entreqamos nossa vida a Cristo" X ~ ~ v o Tabernáculo e a aposta­ sia do povo de Israel no deserto são episódios que estão entrelaçados não apenas cronologicamente. quebrantamento. entre os frutos e o espírito do verdadeiro culto a Deus e os do falso culto. E a suma desse contraste é: enquanto o verdadeiro culto a Deus. p. não por acaso es­ ses assuntos se encontram aqui. mas também tematicamente. Esses capítulos mostram o contraste entre a verdadeira e a falsa adoração. perpassam os capítulos que compreendem a últi­ ma seção do livro de Êxo­ do. Eis a grande lição desses últimos capítulos do livro de Exodo.

impactado pela visão dos raios projetados lá de cima. representada por e habitando um santuário erguido sob sua orientação. habita em nós desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo: “E eu rogarei 2 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 2003. “o padrão para o Tabernáculo construído por Moisés foi dado por Deus. [.. que.. e habitarei no meio deles” (Ex 25. O homem de Deus estava já há algum tempo na presença divina no alto do monte. porém. tudo que envolvia o ritual de adoração a Deus no Antigo Testamento era “sombra” das verdades celestiais evidenciadas no Novo Testamento por meio de Cris­ to (Hb 8. mas os princípios que subjazem na adoração a Deus no Antigo Testamento são os mesmos no Novo Testamento.8).] O Tabernáculo terrestre era uma expressão dos princípios eternos e teológicos”.U m a J o r n a d a de fé definitivo de Cristo — . e hoje não é diferente: Ele deseja o mesmo conosco por meio do seu Santo Espírito. portanto. antecipava a realidade futura.. “Habitarei no meio deles. Rio de Janeiro: CPAD. Ou. "E Habitarei no Meio Deles" Depois da entrega da Lei. as primeiras instruções de Deus a Moisés para a construção do Ta­ bernáculo. Era um padrão da realidade espiritual do sacrifício de Cristo e. estaria permanentemente no meio do arraial. bem no início do capítulo 25. quando o Senhor começa a transmitir-lhe o projeto de um santuário a ser erguido entre o povo e o propósito de sua construção: “. como bem resume a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal ao comentar essa passagem de Hebreus. Como afirma o escritor da Epístola aos Hebreus.” Até aquele momento. como asseverou Jesus. Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. o povo as­ sistia a distância. 1740. Deus está dizendo que a sua presença. um pouco mais sobre a verdadeira adora­ ção com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas para a construção do Tabernáculo. encontramos. que os assistira até ali. mas não fora visto ainda “no meio deles”. deste modo. Enfim. Quando Deus falava a Moisés no monte. Deus já havia se manifestado várias vezes em favor de Israel.2 Aprendamos. 90 . Agora.5). p..

2 Co 9. Não! O Tabernaculo deveria ser construído se­ guindo as minuciosas diretrizes divinas: “Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis. ainda que tenhamos um tem­ plo belo e o sacrifício que levemos ao altar seja perfeito.7). Deus não habitaria no meio do povo em um Tabernáculo construído como o povo queria. Isso nos ensina que o princípio basilar para encetar qualquer relação mais íntima do homem com Deus é a disposição sincera do coração. ó Deus” (SI 51. porque. Seus detalhes não foram entregues ao gosto de Moisés ou do povo. E justamente por causa desse modelo preestabelecido. p a ra que fiq u e convosco para sempre. As ofertas deveriam ser voluntárias. sensível e voltado para Deus.17 —grifo meu). que o mundo não pode receber. O primeiro deles é que esse santuário. porque não o vê. antes de tudo. e os capítulos 35 a 40. Alguns pontos chamam a atenção nessas instruções divinas. a um coração quebrantado e contrito não desprezarás. Ele vem antes de qualquer “tijolo” a ser colocado e permanece durante todo o processo.17). a execução dessas diretrizes. 91 . o Espírito da verdade.Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o ao Pai. esse coração aberto.16. assim mesmo o fareis” (Êx 25. O segundo ponto é que o Tabernáculo também não poderia ser feito de qualquer jeito. deveria ser construído com ofertas espontâneas (Êx 25-2). nem o conhece. como bem disse Davi. Essa mesma orientação é vista em outras passagens bíblicas relativas a ofertas alçadas (1 Cr 29. não adianta nada: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado.17. O modelo tanto do santuário como de seus utensílios foi dado pelo próprio Deus. onde Deus estaria habitando no meio do seu povo. Os Recursos e o M odelo para a Construção do Tabernáculo Os capítulos 25 a 31 apresentam as diretrizes para a construção do Tabernáculo. e ele vos dará outro Consolador. porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14. Não se pode construir um relacionamento com Deus sem esse item inicial.9). mas em um Tabernáculo construído como Ele queria. se não há. mas vós o conheceis.

33).14).2). mas ofertar porque você quer. o culto público deve ter louvor. O povo deveria ofertar espontaneamente. que está dentro de sua von­ tade. devemos viver uma vida de santi­ dade (Hb 12. devemos fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10. o nosso culto deve ser racional (Rm 12. nosso zelo diante de Deus deve ser com entendimento (Rm 10. mas ofertar porque você quer” ___________ ____________ / estabelecidos por Ele para as nossas vidas. a ver­ dadeira adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4. mas não poderia ofertar qualquer coisa.1).1-3.40). tudo deve ser feito “com decência e or­ dem” (1 Co 14. 92 .3 -7 ). mas segundo os parâmetros "0 povo deveria ofertar espontaneamente. devemos envolver todo o nosso ser na adoração a Ele (SI 103.6). mas não poderia ofertar qualquer coisa. Isso nos ensina que não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos. O u seja. em tudo o que fizermos deve haver uma intenção pura e genuína norteada pelo verdadeiro amor (1 Co 13. mas só aquilo que lhe agrada. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer. Rm 12. devemos pedir a Deus somente o que está dentro da sua vontade (1 Jo 5-14).1. os quais nos são expressos pela sua Palavra. Palavra e manifestação sadia de dons (1 Co 14. etc. Não pode­ mos apresentar ao altar de Deus qualquer coisa.31). 10. tudo que ocorrer no culto público deve ser “para edificação” (1 Co 14.1-3).1-7).1). Por exem­ plo: só podemos chegar a Deus por meio de Cristo (Jo 14.23).U m a J o r n a d a de fé as ofertas alçadas também teriam que se enquadrar dentro de uma lista predeterminada pelo Senhor (Ex 2 5 .26). Mais à frente. devemos colocar em primeiro plano em nossas vidas o Reino de Deus e a sua justiça (M t 6 . a verdadeira adoração se dá segundo os parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer. vemos Deus afirmando que não receberia sacrifícios com animais imperfeitos nem aceitaria fogo estranho no seu altar (Lv 1.26).

Era ali que os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados. 2010.35 metro de altura (Ex 27. e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos (SI 100.18). Rio de janeiro: CPAD.4 Donald Stamps acrescenta que simbolizavam.2.8). por­ tanto.Gênesis a Deuteronômio.7).51 e 2. Matthew.6). O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele.4)”. Como bem explica Matthew Henry. fechada com o linho limpo.2. fe­ chada e separada do resto do mundo. que é a úni­ ca Porta de acesso a Deus.2). p. Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. 162. 316. Rio de Janeiro: CPAD. v. 93 . conforme o costume da época. George Herbert. p. 1. A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o pátio era o Altar dos Holocaustos. o Altar dos Holocaustos e a Pia de Bronze Deus ordenara que o Tabernáculo deveria ter um pátio (Ex 27. “o pátio era um tipo da igreja. 213.50. 5 B íblia de Estudo Pentecostal. Esse pátio tinha formato retangular e media cerca de 22 metros de largura por 45 metros de comprimento (Ex 27. 2005. 1996. o que fazia deles. Com entário Bíblico do A ntigo Testam ento ---. que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2. indicando a estabilidade da igreja.5 Matthew Henry lembra que tanto os animais sacrificados sobre o altar como a própria constituição do altar com madeira coberta de 3 HENRY.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o O Pátio do Tabernáculo.1. C om entário Bíblico Beacon.10). conforme pode ser visto nas passagens de 1 Reis 1. p. O Comentário Bíblico Beacon afirma que as pontas projetadas nos quatro cantos do altar “tinham provavelmente a forma de chifre de animal”. O pátio cercado por cor­ tinas simbolizava a separação que deve haver para a adoração a Deus. o único Caminho para o céu (Jo 10. “o poder e a proteção através do sacrifício”.25 metros de cada lado por 1. Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (SI 84. derramado na sua base (Lv 4.28.9).9. encerrada por colunas. e Salmos 18. Rio de Janeiro: CPAD.3 A porta única de entrada para o pátio representava Cristo. que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19. 14. 4 L1VIN GSTON . “símbolos de poder e proteção”.

não o farás de pedras lavradas. 2010.2 4 -2 6 sobre a construção de altares é bastante interessante. se me fizeres um altar de pedras. C om entário Bíblico do Antigo Testamento ---.10).Gênesis a Deuteronômio.] [e] virei a ti e te abençoarei.24. 213. Matthew.7 As instruções de Êxodo 20 .. pois ali servem como sacer­ dotes espirituais. 7 LIVIN GSTO N . p. Cristo santificou-se pela sua Igreja.. 1. E.6.. E a natureza humana de Cristo não teria suportado a ira de Deus. p. se sobre ele levantares o teu buril. 6 HENRY. assim como o seu altar (Jo 17. George Herbert. profaná-lo-ás. para que a tua nudez não seja descoberta diante deles. 94 .U m a J o r n a d a de fé cobre (ou bronze. 2005. 316. com toda a sua estrutura desmontável.7). em virtude do sacrifício ali oferecido. se não tivesse sido protegida pelo co­ bre. Rio de janeiro: CPAD.. [. Não subirás também por degraus ao meu altar. Diz Deus: Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos. jul­ gamos que este altar semelhante a caixa era cheio de terra sempre que Israel assentava acampamento” e que “os animais sacrificiais eram co­ locados em cima da terra que enchia a armação de madeira e bronze”. Rio de Janeiro: CPAD. que também tem o direito de comer deste altar (Hb 13. E pela sua media­ ção Ele santifica os serviços diários do seu povo. Às pontas deste altar. que era móvel. quando a justiça os persegue.] A madeira teria sido consumida pelo fogo do céu. O altar era oco (Êx 27.6 Varas colocadas em argolas na estrutura do altar tinham a finalida­ de de propiciar o seu transporte pelos levitas (Ex 27.25). sem uso de instrumentos de ferro (Ex 20. como frisa o Beacon . [. os pobres pecadores fogem em busca de refúgio.8) e. “considerando que Israel só devia fazer altares de terra ou com pedras naturais. C o m en tário Bíblico Beacon.9). e ali estão a salvo. assim como acontecia com toda a mobília do Tabernáculo. se não fosse sustentada pelo poder divino. v. que nada mais é do que a liga de cobre e estanho) apontam para Cristo: Este altar de cobre era um tipo de Cristo.

A questão aqui são a compostura e a decência na Casa de Deus. pois desejava controlar o modo de oferecer os sacrifícios. Também não permitiu que o povo construísse um altar em qualquer lugar. formal e — devido à importante função que exerciam -— tinha também. não há como não pensar nos dias de hoje. mesmo que de modo involuntário. 113. além dos simbolismos (Ex 28. a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal traz uma importante reflexão: [Deus] [. p.] [E] o uso de pedras em sua forma natural impedia que..Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o Sobre esse final. mas Ele não admite que criemos a nossa própria religião. a sua imponência. Deus não é contra a criatividade. claro. mesmo com roupas que revelam a sua nudez. nesta épo­ ca. Diante desse cuidado divino. Aliás. Para evitar que a idolatria pervertesse a adoração. Rio de Janeiro: CPAD. a sua nudez. provavelmente por causa 8 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. [. Israel fizesse embelezamentos artísticos. quando muitos acham que podem cultuar a Deus em público (não estamos falando aqui do privado) de qualquer maneira. Quanto aos demais detalhes dessa instrução sobre os altares em Êxo­ do 20. é curioso ver o cuidado de Deus com os detalhes. especificamente aqui. Tal atitude visava a impedir que iniciassem suas próprias religiões ou mudassem o modo como Deus desejava que as coisas fossem feitas..] concedeu-lhes instruções específicas sobre construção de altares. 2003.4-43)... 95 . esse cuidado pode ser visto até na roupa dos sacerdo­ tes. que mui­ tas vezes são esquecidas. Ninguém está dizendo aqui que as pessoas devem ir para a igreja agora com as vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento ou somente com roupas extremamente formais. “a sim­ plicidade do altar [de terra] fazia o hom em tirar a atenção de si mesmo e das coisas materiais para [voltar-se para] o Deus Exaltado.8 Como observa também o C om entário B íblico Beacon. o cuidado para que alguém não se apresentasse diante dEle e do povo mostrando. que era extremamente composta. Deus não per­ mitiu que as pedras do altar fossem de alguma forma cortadas ou modeladas.

U ma J ornada de fé

do perigo de idolatria”.9 Ou seja, o princípio aqui é claro: Deus não é contra a criatividade, mas é preciso ter cuidado para que, em nome da nossa criatividade, não percamos a simplicidade ou mesmo subver­ tamos o modelo bíblico do culto a Deus. Quando Deus permitiu que Israel tivesse altares mais elaborados, que foram justamente o Altar dos Holocaustos e o Altar do Incenso, estes foram burilados conforme a determinação divina (Ex 27.1-8; 30.1-5). Mas, finalmente, havia ainda no Pátio do Tabernáculo a Pia de Bronze. Ela era utilizada para o sacrifício de purificação (Ex 30.17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substitu­ ída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas naquela época nem algo parecido com isso é mencionado no texto bíblico. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nele antes de ministrarem no interior do Ta­ bernáculo ou no Altar dos Holocaustos. Ora, a água fala de pureza e santificação, e é símbolo da ação pu­ rificadora da Palavra de Deus (Jo 15.3; 17.17; E f 5.26,27) e do Espí­ rito Santo (T t 3.4-6; 1 Co 6.11) em nossos corações (Hb 10.22; 1 Pe 1.22,23). Pode simbolizar também a purificação pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), uma vez que o sacrifício de Cristo nos purifica de todo peca­ do e nos dá acesso à constante ação purificadora do Espírito Santo e da Palavra de Deus em nossas vidas.

O Lugar da Habitação de Deus
Dentro do chamado “Lugar da Habitação de Deus”, que era a parte interior da tenda do Tabernáculo, havia dois ambientes: o primeiro é o Lugar Santo, onde ficavam o castiçal de ouro, a mesa dos pães da propo­ sição e o altar do incenso; e o segundo é o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, única peça desse ambiente. Estima-se que o Lugar Santo media 9 metros de extensão, e o Santo dos Santos, 4,5 metros.1 0 O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e
5 LIVIN G STO N , George Herbert. C om entário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 193.

1 0 LIVINGSTON, George Herbert. Comentário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 211.
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Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o

seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamen­ te, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia com­ parado a Igreja a uma lâmpada
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"Não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos, mas segundo os parâmetros estabelecidos por Ele para as nossas vidas"

acesa e também a chamado de “luz do mundo” (M t 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15. O azeite, por sua vez, é sím­ bolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse reno­

vado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando. A mesa dos pães da proposição tinha 90 centímetros de compri­ mento, 75 centímetros de altura e 45 centímetros de largura (Êx 25.2330), e falava de Cristo como o Pão da Vida, o Pão vivo que desceu do céu (Jo 6.35). Eram sempre doze pães, um para cada tribo de Israel, e eles eram sempre trocados aos sábados e protegidos ao redor da mesa por uma beira de ouro, para que não escorregassem até o chão pela borda da mesa. Doze pães, um para cada tribo, trocados semanalmente e cercados por uma beira dourada falam da suficiência, permanência e garantia de Cristo para todo o seu povo como o Pão da Vida. O altar do incenso (Êx 30.1-10) era um lugar destinado à adoração e à oração. Ele tinha o mesmo formato do altar dos holocaustos, só que era menor, medindo 45 centímetros quadrados por 90 centímetros de altura. Também era de madeira de cetim (acácia), só que revestida com puro ouro em vez de bronze. Seu transporte também era feito com varas encaixadas em argolas de ouro nas laterais do altar (Êx 30.4,5).

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U m a J o r n a d a de fé

O altar menor, como também era chamado, era a peça que ficava mais próxima da entrada do Santo dos Santos, separando-se da Arca da Aliança apenas pelo véu de entrada para esse último ambiente. O incenso deveria ser queimado diariamente (Ex 30.7). Deus costumava se manifestar àqueles que lhe ofereciam incenso nesse altar de ouro, como aconteceu com Zacarias, pai de João Batista, que recebeu do anjo Gabriel, mensageiro de Deus manifestado diante desse altar, o anúncio divino da concepção do seu filho João no ventre de Isabel, sua esposa, e da importantíssima missão que seu filho teria (Lc 1.8-17). O incenso simboliza a adoração, o louvor e a oração, como podemos ver clara­ mente em Salmos 141.2 e Apocalipse 5.8 e 8.3,4. Finalmente, no Santo dos Santos, chamado também de Lugar San­ tíssimo, estava a Arca da Aliança (Ex 25.10-22), a peça mais importan­ te de todo o Tabernáculo. No Santos dos Santos, só o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez ao ano (Hb 9.7), para aspergir sobre o propiciatório — isto é, a tampa da Arca — o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (Lv 16.14,15; 17.11). Hoje, tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na pre­ sença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação defini­ tiva pelos nossos pecados (Rm 3.24,25; Hb 9.11-15; 10.10,12), de ma­ neira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre acesso à presença de Deus (Hb 10.19-23). A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo, de maneira que os israelitas, em determinado momento de sua história, chegaram até mesmo a usá-la como se fosse um amuleto, no episódio em que ela foi levada pelos filisteus após uma batalha em que Israel, por causa dos seus pecados, teve que fugir de diante de seus inimigos (1 Sm 4 .1-22). A Arca era chamada de “ Arca do Testemunho” (Ex 25.22), “ Arca do Concerto do Senhor” (D t 10.8), “ Arca de Deus” (1 Sm 3.3) e “ Arca do Senhor” (1 Sm 4.6). Sua designação “ Arca do Testemunho” se devia ao fato de que carregava “O Testemunho” (Ex 25.16), que era o nome
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Deus mencionou essas tábuas a Moisés logo quando ordenou a ele para que subisse ao monte (Êx 24. 99 .9).19). Ou seja. A Arca da Aliança só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9. onde estava simbolizada a misericórdia”. C o m en tário Bíblico Beacon. George Herbert.32.4). 1. Rio de janeiro: CPAD. O propiciatório recebia esse nome porque “era o lugar da expiação. O texto bíblico é bem claro em afirmar que as inscrições nas tábuas eram uma obra direta do próprio Deus — tanto nas primeiras tábuas (Êx 32.1517. A tampa da Arca — o propiciató­ rio — era feita de ouro puro (Êx 25. como havia sido ordenado. que fala de autoridade.20. assim como faziam com todas as peças do santuário (Nm 7. aos olhos de Moisés. e que fala da provisão divina (Êx 16. os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus (Êx 31.18). confirmação e autoridade.4). 2 Sm 6. as suas Palavras. sim. como ocorreu na Babilônia nos dias de Daniel (Dn 5. entende­ mos que ela não significa necessariamente que Deus se manifestou em forma de uma mão de homem.1. Hb 9. 207. A mensagem é clara: na presença de Deus.1.7-11. mas.4).1 1 1 1 LIVINGSTON.16) quanto nas segundas (Êx 34. de qualquer forma. que a carregavam nos ombros.16). mas Deus fez outras tábuas (Êx 34. 2005.4). nesse caso. foi uma ação sobrenatural de Deus.6 litros (“um ômer”) do maná que Deus enviara ao seu povo no deserto diariamente. e também a vara de Arão.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o dado às duas tábuas de pedra contendo o Decálogo. há provisão. À luz do uso que Jesus faz da expressão “dedo de Deus” em Lucas 11. além das Tábuas da Lei.5). chamada e confirmação — a Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm 17. chamado. para escrever. Posteriormente.33. p.1-15). v. Hb 9.17) e suas dimensões em extensão eram as mesmas da Arca. Moisés quebrou essas tábuas em sua ira diante da apostasia do povo (Êx 32.20). fisicamente nas tábuas de pedra. que uma ação sobrenatural de Deus fez gravar dire­ tamente nas pedras. a Arca abrigou um pote de ouro contendo uma amostra de 3. que foram colocadas devidamente na Arca (Êx 40.12) e avisou em seguida que seu lugar seria dentro da Arca (Êx 25. isto é.

em nome da nossa criatividade. 157. Outro detalhe é que assim como na parte mais importante do Ta­ bernáculo — a Arca da Aliança — . passaria a conversar com Moisés dentro do Santo dos Santos. Dois querubins de ouro ficavam em ambas as extremidades do pro­ piciatório (Ex 25. logo que o Ta­ bernáculo estivesse pronto. Rio de Janeiro: CPAD. 100 . os querubins e as argolas para ajudar a levá-la eram de ouro maciço. Moisés entrava no Lugar Santíssimo constantemente. 1 2 Bíblia de Estudo Pentecostal. estavam colocadas as Tábuas da Lei. o seu substituto. Nem o Tabernáculo nem o Templo. 2 Co 3. inclu­ sive as varas para carregá-la.16). encontramos Deus dizendo-lhe que. existem mais.2. o propi­ ciatório. 2 Rs 19. estejam gravados os seus mandamentos (SI 119. Como lembra Stamps. era coberto de ouro (Êx 2 5. nas tábuas do âmago do nosso coração. 2 Sm 6. uma exceção: Moisés. durante um período de cerca de quarenta anos.8). “eles representavam serei celestiais que assistem junto "Deus não í contra a criatividade.11. Ela era coberta de ouro por dentro e por fora. não percamos a simplicidade ou mesmo subvertamos o modelo bíblico do culto a Deus" ao trono de Deus no céu (Hb 8.U ma J ornada d e fé Como já dissemos. Simbolizavam presença de Deus e a sua so­ berania entre o seu povo na Terra (1 Sm 4.11-13). contendo os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus.18).4. 1996. Ao contrário do sumo sacerdote. O restante da Arca. da mesma maneira o Senhor deseja que no fundo do nosso ser.6.2 2 . mas é preciso ter cuidado para que. onde Ele se manifestaria em cima do propiciatório.5. p.12 Não por acaso. Ap 4 . somente o sumo sacerdote podia entrar no San­ to dos Santos e uma vez por ano. a beira de ouro ao redor da Arca. para simbolizar a pureza ea preciosidade da presença deDeus.15)”.3) e a sua presença possa se manifestar diariamente (2 Co 4. já que. em Êxodo 25. no recôndito da nossa alma. porém a Bíblia diz que. passamos a ser templos do Espírito Santo — tabernáculos. mas houve. desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo.

O véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (M t 27.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o por assim dizer. desde o dia em que aceitamos a Cristo.19. que onde estejamos. ambulantes do Senhor sobre a Terra (1 Co 6. Portanto. que passou a habitar o nosso ser.20).17). peregrinando no deserto desta vida aguardando o dia em que seremos transportados para a Pátria Celestial. carreguemos e manifestemos a glória de Deus em nossa vida. e para que isso se torne uma realidade. que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso ser.51) e hoje temos livre acesso à presença de Deus. pela açáo inconfundível do Espírito Santo em nossa vida (Jo 14. Amém. .

2 2 — 2 3 . Neste capítulo. .117) e no chamado “Livro do Concerto”.3 3 . e que estão registradas em Êxodo 2 0 . que repetem muitas coisas. apresentaremos resumidamente alguns aspectos mais marcantes dessas leis. séculos depois. que são as leis estabelecidas por Deus para reger a sociedade israelita e seu culto a Deus. no Decálogo (Êx 2 0. antes de analisarmos essas leis de modo específico. penal e afins registradas em outras partes da lei mosaica — sobretudo em Levítico e Deuteronômio. outras orde­ nanças de caráter civil.10 As R e v o l u c i o n á r i a s Isra e lita s Silas Daniel L eis E n t r e g u e s p o r M o isé s a o s U m dos maiores legados do ministério de Moisés para a hu­ manidade é o conjunto de leis civis. penais. principalmente. em que essas leis se situam historicamente. é preciso frisar o seu aspecto revolucionário diante do contexto social e jurídico do mundo antigo. normas e avanços legais que temos hoje registrados em nossas legislações. mas acrescentam outras — também serão aqui men­ cionadas. trabalhistas e de mudança da relação senhor-servo que Deus transmitiu a ele para entregar ao povo de Israel e que serviriam. Entretanto. Nossa referência estará. Entretanto. de ins­ piração para muitos dos conceitos.

C. pela primeira vez.C. a distinção entre homicídio acidental. muito raramente apresentavam alguma equidade na aplicação 103 / . Tanto o Código de Urukagina (2350 a. usados na região da Mesopotâmia. aos contextos social e cultural e à mentalidade diferentes do que temos hoje." mais detidamente so­ bre as razões pelas quais nos advém esse estra­ nhamento em relação a algumas normas da lei mosaica e por que algu­ mas delas tinham penas que.). um maior uso de penas proporcionais aos cri­ mes cometidos.A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s O Contraste entre as Leis Hebraicas e as que lhes Antecederam Mesmo que. e muitas outras medidas legais pioneiras.) Nas leis dadas por Deus a Moisés. constata-se. a figura do dano moral. usado pelos sumérios e encontrado em 1952 em uma placa de argila. desculpável e justificável. a figura do dano moral. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima. um maior uso de penas proporcionais aos crimes cometidos. desculpável e justificável.C. (Mais à frente falaremos “ Na lei mosaica constata-se. nos dias de hoje.C.). a dis­ tinção entre homicídio acidental.) e o Código de Lipit-Ishtar (1870 a. bem como o Código de Eshnunna (1930 a. quanto o Código de Ur-Nammu (2100 a. à primeira vista. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima. e muitas outras medidas legais pioneiras que estabeleciam um abismo de qualidade entre a lei mosaica e as demais legislações que a antecederam.). se­ riam consideradas muito pesadas. do qual só se conhece hoje trechos que são citados em outros textos antigos. pela primeira vez. antecipando muitas das saudáveis inovações legais que se veriam sécu­ los depois no Ocidente. é inegável e contundente o fato de que essas leis foram um avanço extraordinário para aquela época. achemos estranhas algumas dessas de­ terminações mosaicas devido aos costumes.

como veremos mais adiante. 3 6 5 0 . n. Acesso em 8 de setembro de 2013.com. Teresina. Mesmo no Código de Hammurabi havia casos de desproporção. 24.22). tinha também o defeito de ser eivado de supersticiosidade e não defender a propriedade privada. essa ausência de equidade se tornava ainda mais comum. por sua vez. Jus Navigandi.15. que consistia em dobrar o valor a ser restituído (Ex 22. Na Lei de Moisés. por exemplo. deveria ser morto.4). israelitas ou estrangeiros (Lv 19. Rosângela.1 O Código de Hammurabi (1700 a.2 9 de junho de 2013. 3 6 5 0 . Disponível em http://jus. Na lei mosaica.U ma J ornada d e fé da pena ao crime. Já o artigo 2 do Código de Ur-Nammu estabelecia que o homem que roubasse. 29 de junho de 2013. O Código de Urukagina. O Código de Hammurabi e a maioria 1 Z IZ L E R .2 enquanto a Lei de Moisés enfatizava a propriedade privada.C. 104 . cuja pena a ser aplicada independia da classe social tanto do criminoso quanto da vítima. 2 ZIZLER. dente por dente”).com. n. ano 18.1). Jus Navigandi. mas mesmo assim em uma quantidade de casos ainda muito aquém do que se vê na lei mosaica. Rosângela. um ladrão simplesmente teria de devolver o seu roubo e pagar uma multa. e no caso de a coisa roubada já ter sido desfeita ou passada adiante. não importa 0 que fosse. através da aplicação do que ficou conhecido como “Lei de Talião” (“olho por olho.br/artigos/24834. quintuplicava-se o valor a ser restituído (Êx 22. Disponível em http://jus.) é onde mais encontramos alguma proporcionalidade entre deli­ to e pena. Principalmente quando havia diferença de classe social entre a vítima e o agressor. se o vigia fosse negligente na guarda de uma casa e esta fosse arrombada por um la­ drão. o que não se vê na lei mosaica. como a pena de morte para quem fizesse um buraco na casa de outra pessoa (artigo 22) ou para qualquer mero furto (artigo 23).br/artigos/24834. A terra era considerada “uma propriedade dos deuses”. Acesso em 8 de setembro de 2013. ano 18. simplesmente o vigia deveria ser morto. No artigo 60 do Código de Esnhunna. a sanção quanto ao crime come­ tido era a mesma para pobres ou ricos. Teresina. A sanção neles “era quase sempre desproporcional ao delito ou infração normativa”. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade.

13 reforça a ideia. pois se trata de homicídio intencional. Deveria haver juizes instituídos em todas as cidades e aldeias das tribos de Israel para julgarem as causas do povo segundo a lei mosaica. Rio de Janeiro: CPAD. a começar do seu Decálogo — os Dez Mandamentos (Ex 2 0 . O texto traduzido por “Não matarás” no Decálogo é. Merril F. William. a lei mosaica prevê. no original hebraico. que significa “matar com premeditação”.13). de matar com intenção de matar (Ex 20.30). a pessoa 3 VIN E. veremos as principais normas civis e penais da lei mosaica.12. 180.3 Ou seja. Nas cidades de refugio.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s dos que o antecederam tinham o conceito de propriedade privada suben­ tendido em alguns de seus artigos. E. cidades de refugio para aqueles que mataram sem querer. deliberado. que não aceitaria decidir o caso com base no depoimento de uma única testemunha (Nm 35. As Principais Leis Penais e Civis Mosaicas 1. e nelas você poderá notar algumas antecipações pioneiras em relação a avan­ ços legais que só viriam a acontecer muito tempo depois.. W H IT E JR . honestos ao julgar cada causa (Dt 16. os acusados ficariam esperando que sua questão fosse julgada e a verdade determinada por um tribunal apropriado (Nm 35. Deveriam seguir “apenas a justiça”. 105 .1 5 . Caso fosse considerada desculpável. Eles eram proibidos de aceitar subornos e de fazer acepção de pessoas. 2.1 7 ). 2002. deveriam ser corretos em seus julgamentos. A seguir. D icionário Vine. U N G ER. referindo-se claramente ao homicídio premeditado como o único tipo de homicídio passível de pena de morte — no versícu­ lo 13. rãsah. A lei mosaica previa o crime de assassinato.. W. mas o primeiro código legal a ser mais enfático quanto ao princípio da propriedade privada foi a lei mosaica. isto é.18-20). a melhor tradução ali é “Não assassinarás”. p. Êxodo 21. isto é. inclusive.24).

intencionalmente.U m a J o r n a d a de fé permaneceria na cidade de refúgio até a morte do sumo sa­ cerdote. do mesmo tamanho do agravo — no caso. ela deve ser. mas apenas salientando que a Bí­ blia. “vida por vida” (Êx 21. perfeita — para que a terra não seja “profanada” diante de 106 . no caso em que alguém matas­ se o ladrão quando este tentasse invadir a sua casa à noite (Êx 2 2. apoia claramente a pena de morte como medida ideal — isto é. Entretanto. como pode ser visto. no mínimo. posto que era inocente (Nm 35. somente a pena de morte poderia ser consi­ derada uma punição ideal para tal crime (Gn 9. o vingador de sangue poderia matá-lo sem ser-lhe imputada alguma culpa por isso (Nm 35. Não estamos dizendo aqui que os crentes que pedem penas alternativas (que sejam também pesadas) para o crime de ho­ micídio estejam pecando.6). e que. mais correta. não é tão sério assim.4). se saísse da cidade de refúgio antes da morte do sumo sacerdote. premeditadamente. A pena de morte é bíblica e o argumento divino usado para justificá-la é que a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido.28). A Bíblia afirma que quando aquele que ceifa deliberadamente uma vida paga pelo seu crime com a própria vida. Deus disse a Noé que assassinar um homem é mui­ to grave. melhor.23). a mensagem que se passa à sociedade é que esse crime não foi tão bárbaro assim.6. premeditadamente.27). Rm 13. Quando alguém deliberadamente. intencionalmente.33). portanto.2). quando então poderia sair da cidade sem que nin­ guém pudesse castigá-la pelo ocorrido. porque Ele fizera “o homem conforme a sua imagem”. Havia ainda a previsáo do homicídio justificável. por exemplo.26. mata outra pessoa e recebe por isso uma retribuição menor que o crime que cometeu. nesse tipo de crime. há perfeita equidade no juízo (Nm 35. tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Gn 9. que matar uma vida deli­ beradamente.

amaldiçoá-los em público também (Êx 21.34).15).17).23).1 2 diz que honrar os pais faz com que “se prolonguem teus dias na ter­ ra”.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s . para que a terra náo seja amaldiçoada em con­ sequência da não compensação dessa gravíssima injustiça co­ metida (Nm 35. Com entário Bíblico do Antigo Testamento — Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD. A lei mosaica previa o crime de falso testemunho (Êx 20. o oposto resulta em Deus abreviar a vida. 3. 'vida por vida' (Êx 21. que mesmo depois de vários casti­ gos continuasse em sua rebeldia. Matthew. de maneira que “se os homens não o punirem. 107 Gênesis a . 4 HENRY.31. Como frisa Matthew Henry. A lei mosaica previa o crime de agredir fisicamente os pais. “ A pena de morte é bíblica e o argu­ mento divino usado para justificá-la é que J ^ I a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido. que era também passível de pena de morte (Êx 21. do mes­ mo tamanho do agravo — no caso. “o comportamento desrespeitoso dos filhos em relação aos seus pais é uma provocação muito grande a Deus. tornando-se incontrolável. 4.16." Deus. 5. A lei mosaica previa o crime de sequestro.4 (Lembremo-nos que se Êxodo 2 0 . no mínimo. p. ela deve ser. ou seja.1). 2010. 299. Mas não só agredir os pais dava pena de morte.33. 23.) Outro deta­ lhe é que a Lei de Moisés previa que se os pais tivessem um filho rebelde e contumaz.16). nosso Pai comum”. Deus o fará”. que era passível de pena de morte (Êx 21.

U m a J o r n a d a de fé

eles poderiam denunciá-lo aos juizes que, avaliando o caso e confirmando o que os pais diziam, condenariam o filho rebelde à morte (D t 21.18-21). 6. A Lei de Moisés previa, em caso de agressão que levasse a vítima a passar algum tempo sem trabalhar, que o agressor pagasse uma indenização correspondente a todos os dias de trabalho em que o agredido ficasse inativo e o custeio de todo o tratamento da vítima até esta ser completamente res­ tabelecida (Êx 21.19). 7. A lei mosaica estabelecia o respeito à criança no ventre e o cui­ dado com a mulher grávida. Em Êxodo 21.22,23, vemos que havia obrigação de indenização para alguém que, em meio a uma briga, mesmo que involuntariamente, ferisse uma mu­ lher grávida provocando-lhe aborto, e o valor da indenização não era definido pelo juiz, mas pelos pais (Êx 2 1 .22b); e havia a pena de morte para quem, além de provocar o aborto em uma mulher, levasse-a à morte nesse processo. Esse é o único caso em que a lei mosaica estabelece pena de morte para um homicídio acidental, uma vez que os homens deveriam ser mais prudentes e cuidadosos com a mulher grávida e a vida que ela carrega dentro de si. 8. As sanções eram rigidamente proporcionais às penas nas chamadas “Leis da Vingança” do código mosaico: “... vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Êx 2 1.23-25). Nas leis pagãs anteriores e da mesma época de Moisés, a desproporcionalidade entre sanção e pena era imensa. Lembrando ainda que, na lei mo­ saica, ninguém poderia, de si mesmo, vingar a lesão sofrida, porque poderia muito bem ir além da conta. O magistrado é que julgava a causa e acompanhava a aplicação correta da
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A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s

sançáo. Outro detalhe é que “por ser difícil administrar a exigência de o ofensor sofrer dano equivalente ao causado, mais tarde a lei [da vingança] foi comutada por multa em dinheiro [isto é, indenização], exceto para assassinato”,5 quando ainda prevalecia o “vida por vida” (Êx 21.23). Jesus não condenou a “Lei de Talião” mosaica, mas indicou um caminho muito mais nobre: o da prevalência do perdão e do amor (M t 5.38-48). Aliás, na própria Lei de Moisés, Deus, ao condenar a vingança com as próprias mãos — isto é, sem julgamento — , também recomenda à vítima que ela prefira o caminho mais nobre do perdão e do amor em vez de re­ correr aos juizes para a aplicação da “Lei de Talião” mosaica (Lv 19.18). 9. A Lei de Moisés previa a obrigatoriedade de indenização a ser paga pelo dono de um animal que por meio dele tivesse pro­ vocado algum dano e também o crime de deliberadamente deixar solto um animal feroz para colocar em risco a vida das pessoas — se houvesse morte de alguém em um caso com­ provado de negligência deliberada do dono, tanto o animal quanto o dono eram mortos (Ex 21.28-32). 10. A Lei de Moisés previa indenização no caso de danos causa­ dos pela morte de animais que caíam em covas não tampa­ das, que naquela época eram abertas para armazenar água ou cereais (Êx 2 1.33-36). 11. A Lei previa restituições e multas por roubo ou danos causa­ dos direta e indiretamente, bem como o conceito de respon­ sabilidade civil (Êx 22.1-15).
5 LIVIN GSTO N , George Herbert. Com entário Bíblico Beacon, v. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 195; e CONNELL, J. Clement. Exodus — The New Bible Com m entary. Editado por R. Davidson. Grand Rapids: W illiam B. Eerdmans Publishing Company, 1954, p. 121.
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12. Ela previa o crime de propina e corrupção (Êx 23.1-3,6-8). 13- Previa o crime de negligência (Êx 23.4,5). 14. Previa o crime de desacato à autoridade pública (Êx 22.28). 15. A lei mosaica condenava a discriminação xenófoba (Êx 22.2 3 ; 2 3.9); o estrangeiro deveria ser recebido e tratado como qualquer cidadão hebreu (Lv 19.18,33,34). 16. Ela exigia proteção aos menos favorecidos (Êx 22.22). 17. Ela proibia emprestar dinheiro a juros para o pobre e tomar como penhor um bem essencial à sobrevivência da pessoa (Êx 22.25-27). 18. Nenhuma pena poderia ultrapassar o criminoso: os pais não pagam pelos crimes dos filhos e vice-versa (Dt 24.16). 19. A Lei previa a condenação de fraude em negócios (Lv 19.11). 20. A Lei estabelecia que o julgamento não deveria privilegiar nem os ricos e nem os pobres (Lv 19.15). 21. Previa o crime de levar a própria filha para a prostituição (Lv 19.29). 22. Proibia transações desonestas (Lv 19.35,36). 23. Estabelecia pena de morte para o infanticídio (Lv 20.2). 24. Ordenava o respeito, a honra e a preferência aos idosos (Lv 19.32). 25. Proibia a improbidade administrativa (D t 17.16-20). 26. Exigia pelo menos três testemunhas para qualquer julga­ mento ou negócio a ser celebrado (D t 19.15-21).

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2 3 ). imoral e vergonhosa da mulher — que seria o significado da expressão “coisa feia” (Dt 24. que era a principal. A lei mosaica tolerava o divórcio. ensinando equivocadamente que o homem poderia divorciar-se “por qualquer motivo”. Se um homem seduzisse uma moça levando-a para cama.14-16). O direito de herança para o filho rejeitado ou preterido era pre­ servado: se o filho mais velho fosse o filho da aborrecida. iria para o filho da aborrecida (Êx 21.2 2 .16).8). na época de Cristo.3). uma vez que os adúlteros eram punidos com a morte (Lv 20. ainda havia uma corrente judaica que flexibilizava o sentido da expressão “coisa feia”. No Novo Testamento. Como disse Jesus. o divórcio só é permiti­ do em caso de adultério (Mt 19. 30. 31. a Lei concedia o divórcio em caso de incontinência pré-nupcial ou conduta indecente. Jesus fala da possibilidade de divórcio em caso de adultério justamente . Além da possibilidade de novo casamento em caso de adultério. Previa a pena de morte para estupro (D t 2 2.1-4). a herança da primogenitura. que na época da graça não mais é punido com a morte (Jo 8.1-11) — inclusive. 29. mas lemos também no Anti­ go Testamento que Deus odiava o divórcio (Ml 2.1). E como se não bastasse isso. 32. como faziam muitos povos na­ quela época.8).15-17).A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 27. discussão que foi levada até Jesus (M t 19. e não da amada. Ele deveria ser enterrado no mesmo dia (Dt 21.10). 28. seria obrigado a pagar um dote aos pais dela e a se casar com a moça (Êx 22. A Lei exortava contra a omissão (D t 22. a permissão mosaica nesse caso já era uma condes­ cendência “por causa da dureza do coração” do povo (Mt 19.25-27). Nenhum condenado à morte deveria ter o seu corpo vá­ rios dias sem ser enterrado.

deveriam ter parapeitos para evitar quedas (D t 2 2 .13).15). 33.18).U m a J o r n a d a de fé por não aceitar mais pena de morte nesses casos — . O israelita recém-casado que exercia serviço público tinha di­ reito a um ano de lua de mel sem trabalhar (Dt 24. 2. 5. Ninguém podia invadir ou mudar os marcos da propriedade do próximo (D t 27. As construções deveriam observar critérios de segurança. 34. 4.12. O salário não poderia ser atrasado (D t 24. 3 5. Os telhados das casas. Sanitárias e de Guerra 1. na lei mosaica. 3. os israeli­ tas não faziam suas necessidades fisiológicas no arraial. que eram muito usados pelos mo­ radores naquela época. 112 .1-9). Arquitetônicas. e também em caso de abandono do cônjuge (1 Co 7. a he­ As Leis Trabalhistas. Enquanto no resto do mundo antigo dos dias deMoisés a herança era garantida exclusivamente aos homens.8 ). no caso de não haver descendente homem.l4.15). O direito ao salário devido (D t 24. Ninguém podia tratar mal o deficiente físico (Lv 19. Feita a necessidade. Principalmente quando em acampamentos de guerra. Cada um deveria sair do arraial com uma pá para cavar um buraco onde depositaria seus dejetos.D t27. Ecológicas. A proibição de o empregador oprimir o empregado (D t 24.15).5).14). rança iria para as mulheres (Nm 36. 6. o buraco deveria ser imediatamente fechado (Dt 23.19).

eram liberados para não ir à peleja os soldados que tivessem edifica­ do uma casa.12). George Herbert. C om entário Bíblico Beacon. Quando um israelita encontrava um ninho. 11. 461. deveria antes negociar a paz com ele (D t 20. p.7). uma vez que “os pássaros na Palestina são importantes para o controle de pestes”. ainda assim não devemos maltratá-las”. Como frisa o C om entário B íblico B ea co n .9). Se Israel tives­ se que sair à guerra.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 7.5-8). comenta Matthew Henry: “Essa lei nos proíbe de sermos cruéis com os animais ou de ter prazer em ex­ terminá-los. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. preferindo a paz. mas também “o equilíbrio da natureza”. mas apenas sementes de um mesmo tipo de planta em cada área (D t 22.5). não se poderia misturar vários tipos de se­ mentes em uma mesma área. mas não tivessem ainda usufruído dela. 8. v.11). 6 HENRY. Se o inimigo de­ sistisse da peleja. O serviço militar em Israel não era obrigatório. não poderia tomar a mãe com toda a ninhada para si. Somente em caso de não aceitar a paz. Rio de Janeiro: CPAD.20). os que tivessem plantado. Embora Deus nos tenha feito mais sábios do que as aves do céu. e os que se confessassem covardes (Dt 20. 1. passaria a ser tributário de Israel (D t 20. Rio de Janeiro: CPAD.6. dentre os alistados para a batalha.10). estava em foco aqui “a bondade” para com os animais. Matthew. Nas plantações. mas ainda não colhido a nova safra. 113 . 10. e nos concedido domínio sobre elas. os que estivessem noivos ou em lua de mel. mas apenas os filhotes (Dt 22. 2010.6 9. 2005. A lua de mel do soldado durava um ano (D t 24.19. p. e LIV IN G STO N . Israel sitiaria a cidade (D t 20. 627. Se Israel tivesse que sair à guerra contra um inimigo. Sobre a bondade para com os animais. Israel não poderia derrubar árvores frutíferas (D t 20.

em seu formato original. a escravidão era algo “maravilhoso”. Entretanto.17). humilhação.9-14). faziam maldades contra outros povos e não aceitavam a presença do povo judeu na região. no pas­ sado. não estou querendo dizer que. fé 12. as coisas não eram bem assim no início. da escravidão negreira durante a Era Moderna.31. Israel não poderia matar em uma guerra mulheres. a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. abusos e injustiças no trato de servos na Antiguidade. ameaçando destruí-lo (Lv 20. E ao constatar isso. chibatadas. exaltavam a prostituição e se entregavam a ela em seus cultos. que Deus ordenou que deveriam ser todos exterminados pela sua impiedade (D t 2 0. mas. tudo aquilo que nos vem à mente hoje quando ouvimos alguém pronunciar a palavra “escravidão”.15-18). tudo aquilo que lemos e ouvimos acerca. apenas no caso dos cananeus. no geral.U m a J o r n a d a df. seres humanos tratados como animais ou abaixo de bichos — enfim. D t 12. D t 20. as relações entre senhores e servos não eram abusivas.1-23. Deus disse ao povo de Israel que. Ao ouvirmos a expressão “escravidão”. Leis Concernentes à Escravidão É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possível que no passado as pessoas achassem normal a escravidão. não poupassem ninguém (Nm 33. o que vem à nossa mente imediatamente são as ideias de prisão.50-53. 18. surras. principalmente entre 114 . A expressão “escravidão” tem um peso negativo tão grande que mes­ mo o seu sinônimo “servidão” não tem metade da carga emocional nega­ tiva que ela carrega. Claro que também havia casos de excessos. Claro que nunca foi. Os cananeus eram feiticeiros. sacrificavam crianças e praticavam bestialismo. depois de séculos de tantos abusos ocorridos durante a sua prática. Só que ela também não era. Por essas razões. sobretudo. praticavam a sodomia e todos os tipos de imoralidades sexuais.1 4 ). Só que. exploração. ser forçado a ser e a fazer o que não se quer. A única exceção era para os cananeus.16. crianças e animais (D t 20. na An­ tiguidade. privação de direitos.

é uma necessidade inerente à instituição. é uma prática que consideramos ainda hoje “apropriada e legíti­ ma”. E sabemos muito bem que isso não significa violação do 7RU SHDOON Y. R. 22. o que.18-25 e Fm 8-21). As vezes. 115 . um grande número de cidadãos são compelidos. E não podemos ser ingênuos de pensar que podemos abstrair o nosso trabalho das nossas pessoas. há um ponto em que — ou um aspecto no qual — isso deve ser considerado como propriedade sobre nossas pessoas. Nesse caso. 1970.2. Cl 3. só que. propriedade sobre o nosso trabalho por parte de outros é [ainda hoje] um fato da nossa estrutura social. Politics o f G uilt an d Pity. no mundo antigo. não é por contrato. Portanto. J. p.22-4. o trabalhador está obrigado a realizar o trabalho como con­ tratado. só que “sob certas condições”7 — isto é. e envolvendo muito mais riscos à vida e à pro­ priedade que as condições em que os escravos podiam ser chamados a servir aos seus senhores. 1 Tm 6. a ideia original era de “propriedade do ho­ mem sobre o trabalho de outro homem”. Em nossos dias. O Estado tem propriedade pelo trabalho dos cidadãos. Rushdoony lembra que o conceito de escravidão no passado era bem diferente do que temos hoje.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 0 povo hebreu e os primeiros cristãos (Ef 6. quando sob um contrato de trabalho firmado entre as partes e com uma legislação trabalhista que garanta determinados direitos.1. a presença de contrato não elimina esse fato. Uma vez que o contrato é celebrado. Se ou­ tro tem propriedade sobre o nosso trabalho.1. como lembra Rush­ doony. Califórnia: Ross House Books. O empregador tem propriedade sobre o trabalho dos seus empregados. a prestar serviço e tempo integral ao Estado sob condições muito mais rigorosas. durante muito tempo. Não é necessário multiplicar os exemplos.5-9. O filósofo R. citado por Rushdoony: A propriedade de alguns homens sobre o trabalho de outros e a pro­ priedade de instituições sobre o trabalho daqueles que estão associa­ dos a elas é algo do qual [ainda hoje] não podemos nos livrar. J. 1 Pe 2. Como explica John Murray. defini­ mos escravidão como “a propriedade do homem sobre outro homem”.

isso acontecia. O número de pobres sempre foi muito grande na Antiguidade. e somos capazes de ver o limite que o Novo Testamento dá. a escravidão na Antigui­ dade teve início em virtude de três fatores. mas havia outros que se ofereciam à servidão. divórcio." . inclusive. .. 1957.U m a J o r n a d a de fé nosso ser. 2. Havia até casos de pobres que nem tentavam se esforçar para conseguir a sua independên­ cia.8).. personalidade..14-16). se darem como escravas.14-16). no Livro I de sua obra Política. pudessem sobreviver. que não tinham como se susten­ tar de jeito algum. j ^ melhor V é preciso vermos o que levou as pessoas no passado a. assim. sobre a pessoa envolvida nessa relação de serviço seja uma violação do que é intrínseco à personalidade. Havia pobres que preferiam a mendicância à servidão. 116 . É uma necessidade da nos­ sa natureza e da organização social da raça humana. estaria na natureza delas. Como Como disse disseJesus. Principies o f C onduct. aa (Ml permissão permissãomosaica mosaicanesse nessecaso casoera erauma uma condescendência condescendência 'por 'porcausa causa da da dureza dureza do do coração' do povo (Ml 19. era co­ mum pessoas que eram muito pobres. Infelizmente. afirmar que algumas pessoas já nasciam para serem escravas. preferindo partir logo para uma vida à custa e ao serviço de pessoas mais abastadas. Jesus. Em primeiro lugar.. p. John. Aliás. nesse ponto. Pois bem. se oferecerem como escravas de outras pessoas bem aquinhoadas para que. infelizmente. Michigan: Eerdmans. ditada pelos princípios dos quais as Escrituras são o guia” 8 f* I I “ A lei lei mosaica mosaica tolerava tolerava oo divórcio. a pobreza. Ela foi o primeiro — e também o principal — fator gerador da escravidão. Aspects o f Biblical Ethics. essa era a razão de o filósofo grego Aristóteles. 'A mas km kmos os também também no noAntigo AntigoTes Tes­ mas tamento que Deus odiava o divórcio (Ml2. 8 MURRAY. e as pessoas da Antiguidade acha­ vam esta última atitude uma medida legítima. direito ou privilégio.. 97-99. Segundo ele.. f S J Para mos entenderisso. razão por que. Náo há necessidade de pensar que a propriedade de outro sobre o nosso trabalho ou. Grand Rapids.

muitos dos futuros senhores dos sobreviventes dessas viagens não tratavam esses escravos de guerra estrangeiros com a dignida­ de devida. Inclusive. que nasceu o famoso comércio de escravos. E por fim. Muitos morriam na viagem. Ou seja. os filhos. por causa das dívidas dos pais. Foi esse tipo de escravidão que Aristóteles condenou. desse último caso. vemos que os ne­ gros que eram vendidos aos europeus e americanos (do norte. se oferecia para servi-la até conseguir pagar a dívida.1. que estavam em franco crescimento econômico naquele período. do caso registrado em 1 Reis 4. Lembremo-nos. 117 . dimensões internacionais. Foi daí. mas pela força. trabalhavam também como servos do credor até que o restante da dívida paterna fosse paga. centro e sul) nada mais eram do que prisioneiros de guerra de tribos de negros da África que eram vendidos pelos seus conquistadores aos brancos. em terceiro lugar. Sem dúvida.7.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s Em segundo lugar. que ganharia. mas ficava de­ vendo tanto a outra pessoa que. porque considerava uma escravidão não por nature­ za. após o falecimento destes. inclusive manifestavam-lhes forte preconceito racial. uma das páginas mais terríveis da história. Aliás. o grande número de guerras acabou inflando ainda mais essa situação. não tendo como pagá-la. se o grande número de pobres já favorecia a prática da servidão. Todos consideravam mais do que justo. já na Era Moderna. As crueldades dessa época se tornaram famosas. havia aqueles escravos que eram frutos de guerra. como seres humanos que eram. Ademais. Povos conquistados tinham geralmente parte de sua população poupada para servir como escrava à gente da nação vencedora. Ninguém considerava im­ próprio o credor ter propriedade sobre o trabalho do devedor até que a dívida daquele fosse paga. de maneira que esse comércio ganhou proporções internacionais enormes naqueles dias. com grande volume de escravos levados em longas viagens em navios da pior qualidade e com um tratamento dentro deles da pior espécie possível. às vezes a pessoa não era pobre. Devido à grande demanda de mão de obra nas nações da Europa e da América. as tribos e os reinos africanos viram na venda de seus escravos de guerra uma gran­ de oportunidade de enriquecer. com o passar dos anos. milhares de anos depois. por exemplo.

na Antiguidade. e o cristianismo foi o responsável por isso. William Wilberforce e o célebre “Grupo de Clapham”. E só lembrar que en­ quanto grandes nomes do Iluminismo sequer moveram uma palha para acabar com a escravidão. como havia senhores extremamente maus. esse costume foi abo­ lido. a maioria dos pregadores pregava contra o pecado da escravidão na América e pelo fim da escravatura. No contexto do mundo antigo. não só maçons. oprimiam-nos e cometiam várias injustiças contra eles. tendo como principais nomes desse movimento John Wesley. era um fator cultural. E nos Estados Unidos. seguidos por congregacionais e presbiterianos. W olf conta detalhes dessa história em seu livro The Religion o f Abraham Lincoln. Por exemplo: a Bíblia diz que Abraão e Jó eram senhores que cuidavam bem e com dignidade de seus 118 . cujos servos eram tratados com muita dignidade. promoveram um movi­ mento no século X V III que culminou no fim do tráfico de escravos e na abolição da escravatura na Inglaterra no início do século X IX . que antecedeu a Guerra de Se­ cessão (1861-1865). Essa história é narrada nas páginas 243 a 250 do meu livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD). que no início era a favor da escravidão. conhecido como “Os Santos”. após abandonar o deísmo que havia abra­ çado no início da sua fase adulta e se voltado para Cristo pouco antes de assumir a presidência do seu país. Lembrando que essa mudança na Inglaterra. mas evangélicos também participaram do movimento abolicionista. Mas voltemos ao mundo antigo. O historiador William J. que abusavam de seus servos. que era a principal potência mundial na época. no Segundo Grande Despertamento Evangélico (1820-1860). tornando-se o carro-chefe do movimento abolicionista norte-americano.U m a J o r n a d a de fé Pela graça de Deus. forçou todos os demais países do Ocidente que praticavam a escravidão a fazer o mes­ mo nas décadas seguintes. os metodistas. teve sua mente mudada sobre o assunto e se tornou um abolicionista. No nosso país. inclusive o Brasil. A escravidão. John Newton. mas não tinha a mesma dimensão da já mencionada escravidão negreira que marcou a Era Moderna. com o passar dos séculos. havia tanto senhores bons. fazendo parte da família e se tornando grandes amigos de seus senhores. os quakers e muitos anglicanos. Abraham Lincoln.

O igualmente muito rico Jó afirma que. na Antiguidade. já que essa situação era uma realidade por causa dos problemas sociais pre­ valecentes em todo o mundo antigo. depois de séculos de tantos abusos oconidos durante a sua prática. / ■ seria que não existisse "É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possí­ vel que no passado as pessoas achassem normal a escravidão. no caso de alguns. A pessoa só se tornava serva de outra quando era tão pobre que não tinha condições de manter-se como cidadã indepen­ dente (Lv 25. quando não tinha condições de pagar dívi­ das ou ainda. Lembrando que era proibido emprestar com usura aos necessitados e eram 119 . vejamos. que era tratado com respeito. depois veremos para os servos estrangeiros. Só \ que.A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s muitos servos.12).3).13. nunca desprezara o direito de um servo ou serva quando lhe cobravam alguma coisa (Jó 3 1. Deus instituiu algumas regras salutares para dar o mínimo de dignidade e oportunidades de independência para o servo. veremos as normas válidas para os servos israelitas. na verdade. Abraão colocava a administração sobre tudo o que pos­ suía nas mãos de um de seus servos. Deus regulou essa prática para que não houvesse abusos por parte dos senhores. quando não tinha condições de pagar indenizações por roubo (Êx 22.39).14). Se não. Eis as normas para os servos israelitas: 1.7-9. em toda a sua vida. O ideal.14-16). a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. honra e amizade. e seguia a mesma fé de seu senhor (Gn 24. A Bíblia também diz que as centenas de servos de Abraão lutavam em guerras com o seu senhor e disputavam em favor dos negócios dele (Gn 13." . servidão.2. Para isso. Porém. que muitas vezes eram tentados a se aproveitar do direito que tinham sobre o tra­ balho de seus servos. 14. Primeiro.

3. devendo receber um salário como qualquer empregado (Lv 25. Ao final dos seis anos de trabalho. 4. O servo hebreu não poderia receber dos seus senhores ape­ nas roupas. ainda não havia sido paga.19-22). seria liber­ to mesmo assim. para que não fossem tentados a apelar à servidão (D t 24. ele teria que escolher se queria a liberdade ou se ficaria com ela e os eventuais filhos frutos dessa união (Ex 21. O tempo de serviço de um escravo só poderia durar até seis anos.13-15. Nesse caso. 5. Lv 25.54). ele deveria ser tratado como um funcionário.14. a não ser que ela fosse uma serva do seu senhor com quem ele tinha se casado durante o período de seis anos de servidão. 2. e mesmo se ele fosse escravo não por ter se vendido em sua pobreza. por isso eram chamados de “jornaleiros”.U m a J o r n a d a de fé incentivadas algumas medidas para a sobrevivência e o man­ timento do pobre. isto é. Mesmo sen­ do escravo. diaristas. Naquela época. os empregados recebiam seu pagamento por dia trabalhado. sua mulher e seus filhos também sairiam da servidão juntamente com ele (Ex 21.3 9 . após aqueles seis anos.4 0 ). sem precisar pagar nada (Ex 21. comida e local para dormir. Os seis anos eram suficientes. o seu senhor era obrigado a lhe dar uma compensação que o auxiliasse a começar sua liberdade com alguma posse e sus­ tento (D t 15.2). A pessoa não era forçada a viver como serva de outra pelo resto da vida por causa de uma dívida ou do que quer que fosse. como acontecia com a maioria dos escravos das outras nações.18). 3.4). 120 .13. Quando a pessoa recebia sua liberdade após os seis anos. mas por causa de uma dívida específica que.

teria que ter os mesmos direitos de uma filha do seu senhor. Ou seja. Como acrescenta o Comentário Bíblico Beacon.23). havia liberdade de escolha. Rio de Janeiro: CPAD. Quando um senhor. que. a qual já nos referimos.7-11). 121 . Se o senhor. A prova pública e definitiva dessa decisão livre do servo era dada quando o seu senhor furava a orelha dele. E se ele não cumprisse isso.5 . A mulher solteira em situação de escravidão poderia sair livre como qualquer escravo ao final de seis anos (D t 15. desagradasse dela e resolvesse não a desposar. o servo seria “vingado” (Ex 21. George Herbert. 1. seu se­ nhor deveria ir aos juizes. conforme a chamada “Lei da Vingança” (“vida por vida”. então seria casti­ gado —. p.17).A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 6. Ex 21. confirmando a situação. ao castigar seu servo por algum mal que este lhe cometera. o que seria uma referência à aplicação da pena de morte ao senhor. e se seu senhor quisesse se casar com ela. ela seria comprada de volta. ra­ tificariam o desejo desse servo (Ex 2 1 . 2005. 7. nem a veste. 194. Se o servo amasse tanto a família que ele constituíra na casa de seu senhor ou gostasse tanto do seu senhor que quisesse continuar sendo servo dele por toda a vida. maltratando a moça”. Esse era o sinal de que ele ser-lhe-ia escravo para sempre. E se ela se casasse com o filho do seu senhor.20).9 8. Comentário Bíblico Beacon.12. Ela nunca poderia ser oferecida a um estrangeiro. ela poderia se descasar dele sem devolver ou pagar nada (Ex 21. No caso 9 LIVINGSTON.6 ). “essas nor­ mas impediam que o senhor se aproveitasse da família po­ bre. após pagar o dote. levasse-o à morte. nem a obrigação marital que tinha para com ela. v. teria que pagar ao pai dela pelo casamento e este era livre para aceitar ou não a proposta. E mesmo se seu mari­ do depois se casasse com outra. ele não poderia diminuir o mantimento.no original hebraico.

A sanção para quem quebrasse essa norma era a pena de morte (D t 24. se este quisesse fugir por se sentir oprimido por seu senhor.7). 2005.43). 10. Em relação aos servos estrangeiros.4 7 -5 5 ). seja arrancando o que era considerado o bem mais simples de um ser humano — um dente — . seja afetando-lhe o que era considerado o bem mais precioso de um homem — o seu olho — . seu servo receberia automaticamente a liberdade sem dever mais nada a seu senhor (Êx 21. Se um senhor ferisse o seu servo.26. O senhor não poderia tratar mal a seu servo (Lv 25. 195. Como explica o C om en tário B íb lic o B ea c o n . 1. a so­ brevivência por alguns dias comprovava que o senhor não desejara matar o escravo. Rio de Janeiro: CPAD.15. 122 . 11. pagar pela sua libertação — tinha a obrigação de fazê-lo (Lv 2 5 . A casa onde ele fosse procurar esconderijo era obrigada a recebê-lo e o servo ficaria livre (D t 2 3.1 0 9. Nenhuma pessoa que já não fosse escrava poderia ser vendi­ da como escrava.27). George Herbert. não seria aplicada pena nenhuma ao senhor. Um parente do escravo que tivesse condições financeiras de resgatá-lo — isto é.21). não poderia ser devolvido a seu senhor. 12. porque este já sofreria com a perda econômica de não ter mais o trabalho do servo e com a extinção da dívida financeira deste para com seu senhor ao morrer (Êx 21. Comentário Bíblico Beacon. Inclusive.U ma J o r n a d a de fé de o servo sobreviver dias. v. encontramos na lei mosaica que: 10 LIVINGSTON. p. mas apenas se excedera no castigo para corrigi-lo.16).

1 7 . Eles eram presos de guerra (D t 21.12). Lv 2 5 . J. estrangeiros pobres que se ofereciam como servos ou então servos estrangeiros comprados de outros povos (Lv 25. 2 7 .grifo meu). 1957.10). primeiro deveria dar-lhe um mês para chorar o seu luto (D t 21.As R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s 1. apregoareis liberdade na terra a to­ dos os seus moradores " . E uma vez que depois disso ela passaria a ser a sua mulher. Fairbain’s Im perial Standard Bible Encyclopedia v.44) para que os israelitas evi­ tassem o máximo possível ter servos entre seus irmãos. Por todos esses fatores.1 1 "R U SH D O O N Y . e LINDSAY.1 0 . Slavery”. Politics o f G uilt an d Pity. como foram os hebreus quando escravos no Egito (Êx 22. ou de tê-los como servos por toda a vida (Lv 2 5 . 190-193..14). Michigan: Zondervan.2 2 . e não de escravidão”. o que al­ guns faziam. “Slave.4 4 -4 6 ). porquanto ago­ ra era a sua esposa (D t 2 1.45). 123 . p. In: FAIRBAIN. Rushdoony e William Lindsay afirmam que seria mais conveniente chamar a escravidão sob a lei mosaica “de serviço obrigatório.13. que é o que significa “rapar a cabeça” e “cortar as unhas” (D t 21. R. Também não deveria vestir mais roupas de escrava e não poderia nunca ser vendida.13). 6. Califórnia: Ross House Books. Seus senhores tinham a opção de ou libertá-los após seis anos de serviço (“. 2. a estrangeira deveria romper com o pa­ ganismo. p. Um servo estrangeiro não poderia ser oprimido. Grand Rapids. D t 2 4 . Se um israelita quisesse se casar com uma das prisioneiras de guerra. 3. todos os demais direitos que um servo israelita tinha um servo estrangeiro também tinha (Lv 2 4 . J. 25. William.44. Excetuando essa não obrigatoriedade de libertação dos escravos estrangei­ ros após seis anos de trabalho. que era a opção da maioria.21). Patrick (editor).. R. 1970. Deus autorizou que fossem comprados (Lv 25.1 9 ).

\ Hoje. o ser humano não é muito melhor do que naqueles dias. em sua sabedo­ ria.9. que a revelação da vontade e do plano de Deus ao homem após a Queda não pôde ser feita de uma vez só. obedecendo a um roteiro 124 .26). Ela precisou acontecer de forma progressiva. Em primeiro lugar. O povo não poderia receber algo melhor do que aquilo e. as quais precisou aprender a duras penas com o passar dos séculos. Ele continua sendo o mes­ mo pecador que sempre foi. como já afirmamos no capítulo 9. pèlas próprias Escrituras. naquela época.8). mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação. não concorde com o tipo cie pena aplicada nos dias de Moisés / para determinado delito. essa era a razão. em pleno século XXI. e que lhes serviriam de pedagogo provisório. três coisas devem ser ditas. ao referir-se à condes­ cendência em relação ao -------. explica que ela se deveu à “dureza do coração” do povo (Mt 19. Lembremo-nos de que a Bíblia classifica os israelitas daquele período de povo “obstinado” e “inclinado ao mal” (Êx 32. concedeu leis dentro do que o povo de Israel poderia receber naquela época. o que receberam já era extraordinário e revolucionário para os padrões da época. inclusive.- divórcio na lei mosaica.22). Todos sabemos. A diferença é que." ------------------ ainda não estava preparado para absorver a plenitude de algumas verda­ des. mesmo assim. Israel 'Talvez você. de muitas verdades espirituais que são evidenciadas no Novo Testamento serem apresentadas apenas de forma alegorizada no Antigo Testamento. e o próprio Jesus.U m a J o r n a d a de eé Sobre os Aparentes Exageros da Lei Mosaica na Aplicação de algumas Penas Sobre os aparentes exageros que a lei mosaica aparentava na aplica­ ção de algumas penas. como figuras e sombras dessas verda­ des eternas que seriam totalmente descortinadas após a primeira vinda de Cristo (Cl 1. devemos nos lembrar de que Deus. e que é válido ainda hoje.----------- -------------------. Aliás.

Antes. Isso fica ainda mais claro. mesmo estando no Antigo Testamento. Talvez você.1 6 . Em segundo lugar.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s e a um período de preparo estabelecidos pelo próprio Deus. quando Paulo afirma que Jesus só pôde encarnar quando chegou “a plenitude dos tempos” (G14. tanto no passado como hoje. no que concerne às leis civis mosaicas.1-4). a dificuldade de se adequar às verdades do evangelho expostas na Palavra de Deus.1 7 ). Não poucas vezes. e o mesmo se deu. Por outro lado. por questões pessoais e culturais. complicam a honesta interpretação dela. durante esses 20 séculos. nos séculos passados. pela graça divi­ na. aquela era a hora certa no tempo perfeito de Deus. Po­ rém. Ou seja. não concorde com o tipo de pena 125 . mas humanamente lida. com Habacuque (Hc 2.4). ainda é preciso fazer uma observação: mesmo as penas que hoje soam mais estranhas trazem princípios morais subjacentes que são válidos até hoje. sempre houve muitos cristãos que conseguiram transcender essas influências e absorver as verdades do evangelho como se apresentam — e se nem sempre em sua inteireza. muitos cristãos ainda tiveram. Davi. Jesus não po­ deria ter vindo nem antes nem depois da época em que Ele veio. conseguiu vislumbrar verdades que vão além das sombras da tipologia veterotestamentária (SI 5 1 . tenta reinterpretar e reinventar o evangelho à luz dos princípios da pós-modernidade. os homens. depois. Mesmo depois de a revelação divina acerca de tudo quanto pre­ cisamos para a nossa salvação e a nossa vida aqui na Terra ter sido encerrada há cerca de dois mil anos. interpretar equivocadamente ou até mesmo distorcer de forma deliberada verdades do evangelho por causa da sua visão cultural. razão por que. questões culturais chegaram a levar muitos cristãos a igno­ rar. em pleno século X X I. Aquele era o mo­ mento exato. E ainda hoje isso acontece: muita gente em nossos dias. seria prematuro demais. por exemplo. por exemplo. como prova de que é possível. às vezes. transcender o espírito do nosso tempo e entender as verdades de Deus. estaria muito atrasado. desrespeitando os princípios básicos de interpretação da Bíblia. A Bíblia é divi­ namente inspirada. pelo menos no que é essencial para as nossas vidas.

E náo andeis nos estatutos da gente que eu lanço 126 . não por acaso. de sobrevivência em Canaã. adultério.1820. alerta o povo de Israel con­ tra as práticas dos cananeus. determino pena má­ xima para quem praticá-las em Israel”. 22. e que é válido ainda hoje. Lv 2 0 . 2 4 . Logo. Deus ainda enfatiza: “ Abominação é” ou “Imundície é”. mas com a morte (Êx 2 1 . Ele conclui dizen­ do: “Guardai.” ---------------- Dessa forma. para deixar isso bem claro a vocês. e ainda os exorta a não pouparem os ímpios ^00 cananeus em sua batalha "Não é à toa que todos os crimes relacionados às abo­ mináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação. multas ou qualquer outro tipo de pena.1 8 -2 1 . para deixar isso bem claro a vocês. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os.1 -2 1 . pois. E ao listar praticamente todas elas em Levítico 20. determino pena máxima para quem praticá -las em Israel'. em terceiro lugar.1 0 -1 6 . tinham como sanção a morte — eram. ) Deus está sendo enfático: 'Eu odeio veementemente essas coisas e.5). para a qual eu vos levo para habitar nela. E finalmente. 22.1 5 . náo é à toa que todos os crimes relaciona­ dos às abomináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. para que vos não vomite a terra. mesmo não sendo crimes contra a santidade da vida. Deus está sendo enfático: “Eu odeio vee­ mentemente essas coisas e. Deus. sodomia e rebeldia contumaz deveriam ser punidos não com açoites. D t 2 1 .1 7 . reiteradamente. bestialismo. feitiçaria. contra a imitação dos pecados dos ca­ naneus e contra o relacionarem-se com os cananeus. incesto. devemos nos lembrar que as penas que se mostram mais rígidas na lei mosaica — aquelas que. Na lei mosaica.U m a Jo r n a d a df ff aplicada nos dias de Moisés para determinado delito. as que diziam respeito a abominações praticadas pelos cananeus. Ao final de muitas dessas penas.

Amém! 127 . Deus não muda (Ml 3. portanto. não se engane: tudo isso ainda é tremendamente abominável ao Santo Deus.21).9 .9-11. A diferença é que.2 3 ). 22.10. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os.15). O mundo de hoje já não deve nada em impiedade a Sodoma.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s fora de diante da vossa face.] E não andeis nos estatutos dessa gente”. não devemos estranhar o grande juízo que virá sobre esse mundo (Ap 6.. A ordem de Deus ainda é a mesma para nós hoje: “Guardai. [. Portanto. G1 5.8. no Novo Testamento.1 4 .2 2 . Gomorra e os cananeus.6). Deus não mais exige a pena de morte para tais abominações. mas. Ap 21. isso só mostra em que nível de degrada­ ção a sociedade em nossos dias chegou. a Bíblia diz que a visão de Deus em relação a essas coisas não mudou: tudo isso ainda é abominação ao Senhor (1 Co 6..6 — 16.8 . Ainda hoje. pois. Se muitas dessas coisas hoje são consideradas normais e até incen­ tivadas em nossa sociedade. porque fizeram todas estas coisas. 1 Tm 1.19-21. fui enfadado deles” (Lv 2 0 .

quem tinha essa função exclusiva era Moisés. quando das suas instruções para a construção do Tabernáculo. A seguir. é contado. Ali. O Sacerdócio Levítico: O Sumo Sacerdote. vemos Deus escolhendo e separando para si os homens da tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o sacerdócio. os Sacerdotes e os Levitas No início do capítulo 28 de Êxodo. que. O capítulo 28 do livro de Êxodo trata exatamente desse chamado divi­ no para a formação de um corpo sacerdotal. Até antes de Deus fazer isso. Mais detalhes sobre esse ministério são dados também no livro de Levítico. veremos alguns detalhes e características desse importante ministério e que lições ele nos traz para os dias de hoje. inclusive.6). Todos os que . como sacerdote do Senhor perante Israel (SI 99. que incluía o ensino do povo no Livro da Lei. Ele também le­ vantou homens que se dedicariam diária e exclusivamente à obra do Tabernáculo e teriam a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração. vemos Deus ordenando a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para o serviço sacerdotal. vimos como Deus estabeleceu as normas relati­ vas à adoração. ao lado de Arão. Mas o Senhor foi mais além.11 A E s c o lh a de A rão e seus F ilh o s p a r a o S a c e r d ó c io Silas Daniel N o capítulo 9.

o principal tribunal de Israel. notadamente 129 . ofereciam incenso ao Senhor. mas que. os sacerdotes foram divididos em 24 turmas. ele era responsável por fazer a ex­ piação anual em favor de todo o povo e também pelos sacrifícios nos dias de descanso estabelecidos por Deus. mas os sacerdotes responsáveis pela liturgia diária deveriam pertencer exclusivamente à descendência de Arão. Era ainda o supervisor geral de todo o Tabernáculo e do trabalho exercido pelos sacerdotes. lograram conhecê-las de tal modo que passaram a interpretá-las.29-32). havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote. a qual pertenciam Moisés e sua família.20-28). para ordenar melhor o serviço de cada um no Santuário (1 Cr 24).5-31). “com o transcorrer do tempo.6-10).10. aben­ çoavam o povo. os sacerdotes e os levi­ tas (Nm 3. Como já vimos no capítulo 9. ensinavam a Lei de Deus (Lv 10. e os levitas passaram a exercer trabalhos ainda mais especializados. nos dias de hoje.18). seriam comparados. "No ministério do Taber­ náculo. O sumo sacerdote era também o presidente do Sinédrio. com os que exercem o ministério diaconal na igreja. por sua vez. os sacerdotes e os levitas.1-19). Os sacerdotes.11) e julgavam as causas civis entre a população (Nm 5. cuidavam da mesa dos pães da proposição. faziam os sacrifícios diários. guardas dos tesouros e zeladores do Templo (1 Cr 26.A E s c o lh a de A rão e seu s F i l h o s p a r a o S a c e r d ó c io trabalhariam no Tabernáculo deveriam pertencer à tribo de Levi (Dt 18." O sumo sacerdote era a mais alta função da religião judaica. oficiais e juizes (1 Cr 26. que inicialmente eram “escreventes. seu irmáo. surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. Na época de Davi. porteiros (1 Cr 26. que seria o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28.1-3). De certa forma. Com o passar dos séculos. Já os levitas serviam de auxiliares dos sacerdotes e eram responsáveis por trabalhos menores dentro do Tabernáculo. como os de cantores e músicos (1 Cr 25). No ministério do Tabernáculo. havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote. cuja principal função era copiar as Escrituras”.

3 O ministério sacerdotal era.1 Na época de Jesus. a qual fixou o cânon das Escrituras do Antigo Testamento”.2 O mais notório escriba da história de Israel foi.1 -2 9 . 1 Tm 2. 529. que seria hoje “o equivalente a eruditos bíblicos”.1-3).1-31). e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo. como “sacerdote do Senhor” (Gn 14.5). uma vez que a Bíblia menciona o rei de Salém. 3B íblia de E studo Pentecostal.17). 1995. Hb 7. Segun­ do a tradição judaica. Melquisedeque. 130 .1-23. instituiu a liturgia do culto na sinagoga e fundou a Grande Sinagoga em Jerusalém. Para que Apontava o Ministério Sacerdotal Levítico? O sacerdócio de Arão apontava para Cristo.U m a J o r n a d a de fé a Lei de Moisés”. sobre o qual falaremos mais adiante. eles eram chamados de “mestres da Lei” (Lc 5. Esdras.6. um ministério de inter­ cessão. não há mais linhagens de sumo sacerdotes. porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo. Era responsabilidade do sacerdote também ensinar a Lei de Deus para a população (Êx 28 . 2 Bíblia de E studo Pentecostal. No Novo Testamento. 1995. 529. Rio de Janeiro: CPAD. 1995. Em síntese. 708. O sacerdote era o mediador entre o povo e Deus. p. o sacerdote deveria ministrar no Santuário perante Deus e ensinar ao povo a guardar a Lei de Deus. Lv 2 1. É importante lembrar que o ministério sacerdotal não começou com Arão. essencialmente. justamente por causa desse co­ nhecimento profundo da Lei. foi ele quem “coligiu todos os livros do Antigo Testamento e os reuniu numa só obra. que era sacerdote e autor do livro bíblico que leva o seu nome. Rio de Janeiro: CPAD. sem dúvida alguma. p. mas também no sentido mais comum. E.4 5 . ele também tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis por meio da consulta ao Urim e Tumim. o único mediador entre Deus e os homens e que intercede diante do Pai por nós (Jo 14. p. 1 Cr 24. eventualmente. Rio de Janeiro: CPAD. de orar em favor do povo. que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios 1 B íblia de E studo Pentecostal.18.

e ela deveria ser ou virgem ou viúva de outro sacerdote (Lv 21). que < inicialmente eram escreven­ tes. O sacerdócio universal dos santos envolvendo todo o povo de Israel terá o seu cumprimento no milênio.9.12-15.6. Aliás.1.12). devido ao comportamento da nação.9 ). e vos chamarão ministros de nosso Deus”. submissão (Lv 8.6 .10) — esta é uma das doutrinas bíbli­ cas que os primeiros protestantes ressaltaram na época da Reforma e que se chama Sacerdócio Universal dos Santos. As características gerais do ministério sacerdotal “Com o passar dos séculos. todos pertencentes ao povo de Deus podem se apresentar dire­ tamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10.5. pois estava sujeito às leis divinas especiais para ministrar (Lv 10. Não há dúvida de que o ministro do Senhor nos dias de hoje também deve observar o chamado divino para sua vida.4 ).4).24-27) e vestes santas para glória e ornamento (Êx 28.40).8).19-23. cuja principal função era copiar as Escrituras.5. unção e santifi­ cação (Lv 8. Ele escolheu a família de Arão como linhagem sacerdotal (Êx 28. Não se pode comparar. Outra característica importante: o sacerdote não podia ministrar como ele queria.2. 2 9 . surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. sem dúvida algu­ ma.6). E mais: todos os cristãos hoje são sacerdotes diante de Deus (1 Pe 2. Nm 6. Ademais. certas características do ministério sacerdotal que são. 5.5.6: “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor. em um reino sacerdotal (Êx 19.A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o (Hb 7. como um todo. Ela nos ensina que.1-8. a Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel. porém há.13). purificação (Êx 2 9 . conforme Isaías 61. 40. de forma geral. princípios vá­ lidos para todo ministro do Senhor em nossos dias." são: chamado divino (Hb 5. em Cristo. o sacerdote só poderia tomar mulher de sua própria nação. o princípio da submissão no seu 131 . 13. entretanto. a função do sacerdote -A - levítico com a do ministro do evangelho dos dias de hoje. sob vários aspectos. a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério.15). Ap 1.9.

3). A Indumentária do Sacerdote Duas coisas chamam a atenção de início no texto bíblico que fala das ves­ tes dos sacerdotes. beleza e glória diante do povo. O texto bíblico afirma que foram homens “sábios de coração”.12. honrar os sumos sacerdotes. que criou a beleza. quem confeccionou essas vestimentas não foram quaisquer alfaiates em Israel. 5 LIVIN GSTO N . dar-lhes ornamentação. “o Autor de tudo o que é bom e bonito. Estas gloriosas vestes foram indicadas: (1) para que os próprios sacerdotes pudessem ser lembrados da dignidade da sua função e pudessem comportar-se com o devido decoro. George Herbert. 6. 1 Pe 5.5 Como observa Matthew Henry. Como frisa o Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD. Suas vestes foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. deseja que seu povo seja formoso e que haja beleza nos procedimentos de adoração”. p. Em primeiro lugar. isto é. 2005. 28. Com entário Bíblico Beacon. 2005. mas a verdadeira arte é de Deus”. Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Ex 2 6 .3 1 .1 . o sacerdote não poderia ministrar “com roupas simples e sem brilho” em um Tabernáculo que era “graciosamente colorido”. 214. 132 .U m a J o r n a d a de fé dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (1 Tm 3. destacar.7-9. “Deus. George Herbert. v. C om entário Bíblico Beacon. o propósito da indumentária sacerdotal era “san­ tificar”. enfim. a quem Deus havia “enchido do Espírito de Sabedoria” (Ex 28.1-4). 1.6). Rio de Janeiro: CPAD. 1. dá ao homem a apreciação divina pela beleza e a aptidão di­ vina para criá-la.5. O u seja. p. (2) para que o povo pudesse ser imbuído de uma santa reverência com relação ao Deus cujos ministros se apresentavam com tal grandeza. Deus.4 Em segundo lugar. (3) para que os 4 LIVIN G STO N . v. T t 1. 214.11.1-7. Certas produções que o mundo chama arte não passam de imoralidade.3 2 . enfatizar o signi­ ficado e a importância do seu ofício perante todos. distinguir.

A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

sacerdotes pudessem ser um exemplo de Cristo, que se ofereceu imaculado a Deus, e de todos os cristãos, que têm a beleza da santi­ dade conferida a si, na qual são consagrados a Deus.6 Henry lembra ainda que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça (Is 61.10; SI 132.9,16)”.7 Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc 3.3,4), as vestes santas dos su­ mos sacerdotes representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb 7.26). Havia quatro vestes que eram comuns aos sacerdotes e ao sumo sacerdote: Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx 28.42); O manto ou túnica de linho (Êx 28.39,40); rír O cinturão de linho, com bordados e usado para prender as roupas (Êx 28.39,40); As tiras para a cabeça, isto é, para o turbante (Êx 28.37,40). O linho fino utilizado na confecção dessas peças era um símbolo de pureza. Mas, além dessas quatro peças básicas, havia outras quatro que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote: 1. O éfode com um cinturão diferenciado (Êx 28.6-14). Ele con­ sistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por

6 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317. 7 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317.

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U m a J o r n a d a de fé

tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Esse cinturão era colorido e habilmente tecido (“De obra esmerada”, Êx 28.6) conforme a criatividade que Deus dera aos sábios que confeccionariam as vestes (Êx 28.3). Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardónicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel — seis nomes em uma pedra e os outros seis nomes na outra (Êx 28.9,10). O texto bíblico diz que a or­ dem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx 28.10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos. Esses nomes deveriam ser engastados — isto é, encra­ vados — em ouro nas pedras e esses filigranas de ouro deveriam ser colocados, mais precisamente, ao redor das pedras, em seu entorno (Êx 28.11). Finalmente, havia ainda os engastes de ouro (fechos ou prendedores) e as correntes de ouro, que provavelmen­ te serviam para firmar o peitoral ao éfode (Êx 2 8.13,14,22-26). O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: o sumo sacerdote, como in­ tercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros o povo. Essa grande responsabilidade, que era a essência do seu ofício, ele não deveria nunca esquecer (Êx 28.12). O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o éfode, se lem­ brasse disso. 2. O peitoral do juízo (Êx 28.15-30), que era feito do mesmo material do éfode. Também era “obra esmerada” (Êx 28.15). A designação “do juízo” dada ao peitoral era uma referência, sem dúvida, ao “Urim e Tumim”, uma peça muito importante dessa indumentária. Essas palavras significam “luz e perfeição” e, pro­ vavelmente, era o nome dado a dois objetos, talvez duas pedras, que eram trazidas pelo sumo sacerdote no peitoral de sua roupa cerimonial (Êx 28.30). Através da consulta ao “Urim e Tumim”, o sumo sacerdote tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis (Êx 29.10; Nm 16.40; 27.21; Ed 2.63).

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A

Es c o l h a de

A rã o

e seus

F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

Havia ainda no peitoral quatro fileiras de pedras preciosas con­ tendo três pedras cada uma (doze pedras ao todo). O nome das doze tribos de Israel também era gravado nessas pedras, sendo uma pedra para cada nome (Êx 28.21). O significado aqui tam­ bém é claro: o intercessor deveria ter em seu coração o povo por quem intercedia (Ex 28.29). Isso fala de compaixão e amor do intercessor pelos intercedidos. Cristo, o nosso Sumo Sacerdote e perfeito intercessor entre Deus e os homens, nos amou até o fim (1 Tm 2.5; Jo 13.1; 17.9,20-26). O peitoral era unido ao éfode por peças de ouro (engastes e anéis) na parte de cima, conectadas às tiras dos ombros do éfo­ de, e na parte de baixo, conectadas ao cinturão do éfode (Ex 28.13,1 4 ,2 2 -2 8 ). 3. O manto do éfode, com suas campainhas e com romãs nas bordas (Ex 28.31-35). Esse manto, diferente do manto de linho, ia até os joelhos e tinha nas bordas um material que se supõe ser uma espécie de “cota de malha” para não se romper (Ex 28.32). Ele era uma peça única, sem emendas e com abertura para a cabeça. Não tinha mangas, era de cor azul (Ex 28.31) e usado debaixo do éfode e do peitoral. Nas bordas, alternavam-se romãs bordadas e com cores di­ ferentes cada uma e campainhas de ouro — uma romã, depois uma campainha; outra romã, depois outra campainha, e assim sucessiva­ mente (Êx 28.33,34). As romãs significavam alimento, fertilidade e alegria, provavel­ mente alegria no serviço a Deus. Já os sinos eram para que se ou­ visse o sonido do sumo sacerdote quando andava. Elas chamavam a atenção das pessoas para a atividade do sumo sacerdote lá den­ tro, que deveria sempre estar movimentando as campainhas. O texto bíblico afirma que se o sumo sacerdote não movimentasse as campainhas enquanto estivesse lá dentro, perante o Senhor, ele morreria (Êx 28.35). Ou seja, quando o som parava, era porque o sumo sacerdote, achado em falta diante do Senhor, havia mor­ rido lá dentro. O sonido constante dessas campainhas, chamando

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e que devemos viver uma vida santa.44). Jo 4. enfim. executar a expiação pela culpa do povo (Êx 28. destacar. Quando entrarmos na presença de Deus. isto é. no Santuário.17. enfatizar o significado e a importân­ cia do seu ofício perante todos. falam que a verdadeira adoração não deveria se tornar uma mera formalidade para o povo. Suas vesles foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício.15. “desligados” do culto.1.37). 4. o nosso Sumo Sacerdote. 136 . o que era evidenciado to­ beleza e glória diante do povo. Hb 10.” das as vezes que o sacerdote adentrava o Santuário para levar “a iniquidade das coisas santas”.38). O significado da esses lâmina com dizeres é explicita­ do no texto bíblico: Deus queria que o povo se lembrasse dos seus pecados e da necessidade de serem santos. que podemos entrar com confiança na presença do Senhor.1.36-38) era usada na frente da mitra sacerdotal. Os israelitas deveriam estar atentos e voltados para tudo que estava acontecendo ali. devemos nos lem­ brar que somos pecadores e Ele é Santo. honrar os sumos sacerdotes. Não poderiam es­ tar. 13. estava gravado: “Santidade ao Se­ “0 propósito da indumentária sacerdotal era 'santificar'. Ora. como dizemos hoje. do turbante (Êx 2 8. 51. \ nhor” (Êx 28. Rm 12. Nessa lâmi­ na.9. isto é. distinguir.U m a J o r n a d a de fé a atenção do povo para o que estava acontecendo. dar-lhes ornamentação.24. que é pelo sacrifício de Cristo. Sede santos “em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1. Lv 11. mas “sintonizados” e envolvidos com tudo o que está acontecendo. isto é.16.15). 103. A lâmina de ouro à sua testa (Êx 2 8 .19-23.36). ainda hoje Deus deseja o nosso envolvimento total no culto de adoração a Ele (SI 29.

uma atitude de temor e amor.24). Isso nos mostra como Deus leva a sério a reverência e a adoração em sua presença. que essa ordenan­ ça seria “estatuto perpétuo” — isto é. Entre­ mos pelas suas portas com verdadeira adoração (SI 100.1. desa­ tenção ou mero formalismo. mas de adoração sincera.4 3 ).A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o Temor e Amor A Bíblia diz que essas vestimentas sacerdotais deveriam ser usadas tanto no pátio quanto na tenda do Tabernáculo. 137 . envolvimento por inteiro. A presença de Deus não é lugar de irreverência. desrespeito. Jo 4. quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5. duraria enquanto o Santuário existisse — e que a não observância dessa ordem faria com que Deus matasse o desobediente (Ex 2 8 . “guarda o teu pé. fervor.1). atenção. Portanto.

objeti­ vando o seu amadurecimento espiritual no serviço do Mestre. o que significa que ele era imutável e deveria ocorrer enquanto o San­ tuário existisse. ao final das orienta­ ções referentes à cerimônia.12 A C Sa o n sa g r a ç ã o pa ra o c e r d ó c io L e v ít ic o Silas Daniel A cerimônia de consagração para o sacerdócio levítico evidenciava a grande responsabilidade e a importância desse ministério tanto para quem haveria de exercê-lo quanto para o seu beneficiado direto — o povo.1-46 e incluíam uma cerimô­ nia de santificação do altar para o sacrifício. Para aqueles que iriam exercer esse ministério. A expressão hebraica traduzida por “perpétuo” nessa passagem traz a ideia de “imutável”. Ele também promete estar conosco e nos abençoar em tudo o que precisamos fazer para a sua glória e a bênção do seu povo. Deus estabeleceu o sacerdócio como “estatuto perpétuo” (Êx 29. Eles estão registrados em Êxodo 29. que assistia a essa solenidade. Vejamos a seguir alguns aspectos dessa cerimônia e como ela aponta para princípios que todo obreiro do Senhor não deve olvidar. que Deus deu a Moisés todos os detalhes de como ela deveria ocorrer. Deus promete abençoar todas as obras do seu ofício. . O Senhor é assim: Ele não apenas nos cobra responsabilida­ des. Essa cerimônia tinha tanta relevância.9).

1. para se fazer sumo sacerdote. depois que fossem santificados. um norte determi­ nado. Esse propósito é asseverado não só na introdução das orientações para a cerimônia.44). como diz o texto. Elas não eram pessoas que estavam ali simplesmente porque queriam ou porque se achavam competentes para tal. A sua vida ganha uma direção específica. escolhidas. 139 / . mas também no seu final (Êx 29.4. toda a sua vida í preenchida. Como ressaltamos na abertura deste capítulo. hoje te gerei” (Hb 5. e essa santificação ocorreria jus­ tamente através dessa cerimônia. como Arão. Arão e seus filhos só poderiam começar a “administrar o sacerdócio”. também Cristo não se glorificou a sim mesmo. mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho. Assim.5). afetada e envolvida pelo seu chamado.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o As Mensagens Expressas na Consagração de Arão e seus Filhos Em Êxodo 29. já nos é apresentada na introdução a razão por que esse cerimonial precisava ser feito: “para os santificar”. Estavam ali porque Deus as chamara. como afirma o escritor da Epístola aos He­ breus. um rumo estabelecido. Esse era o significado primordial da consagração. que também ressalta a ligação do sacerdócio levítico com o ministério de Cristo: “E ninguém toma para si essa honra." / meio dessa cerimônia. A grande mensagem inicial desse cerimonial era sublinhar o fato de que as pessoas que estavam ali para serem apresentadas para aquele ser­ viço especial eram chamadas. o povo era cientificado e rememorado de que aquelas pessoas que es­ tavam ali eram chamadas por Deus. essa consagração ser­ via para colocar em relevo a responsabilidade e a importância do minisj\^ tério sacerdotal levítico. o trabalho de Deus o consome. Por A "Quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas. eleitas pelo próprio Deus para aquela tarefa. senão o que é chamado por Deus.

Por meio de vocês. Homens! E como homens. 2010. Deus estava dizendo: “Eu estarei com vocês! Eu estou capacitando-os. em quinto lugar. Meu Espírito estará sobre a sua vida em todas as obras deste importante trabalho para mim e em favor deste povo. o trabalho de Deus o conso­ me. Em terceiro lugar. Eu abençoarei o povo de Deus”.26) significa também “o carneiro posto nas mãos” de Arão e seus filhos. a consagração fala de capacitação di­ vina para o serviço. 140 . Eles estavam preparados. Em vez de “sagrarás a Arão e seus filhos”. através daquela consagração. exclusiva­ mente. Mas. a consagração de Arão e seus filhos falava tam­ bém de aperfeiçoamento. como ressalta o escritor da Epístola aos Hebreus (Hb 7. Ele é consagrado. essa cerimônia dizia a todos que aqueles homens não se dedicariam a outra coisa: eles se dedicariam tão somente. a expressão em he­ braico para “consagrar” em Êxodo 29-9 é “encher as mãos”..28). Da mesma maneira. portanto. Era só a partir da consagração que eles es­ tavam finalmente autorizados a iniciar seu ofício conforme lhes havia sido ensinado. eles poderiam começar o seu trabalho. Sim.U m a li ir n a d a df.22. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. p. fracos. E finalmente. podemos colocar também “tudo porás nas mãos de Arão e nas mãos de seus filhos”. um norte determinado. afetada e envolvida pelo seu chamado. Rio de Janeiro: CPAD. Em quarto lugar. Matthew. pois já estavam preparados para o serviço. A sua vida ganha uma direção específica. O seu preparo estava concluído e a consagração era o sinal verde de Deus para que começassem. como lembra Matthew Henry. e quem é consagrado é alguém ocupado. eram. Esses homens eram. A partir daquele momento.. Essa é a mensagem que Deus transmite ao final das orientações para essa 1 HENRY. “o carneiro das consa­ grações” (Êx 29. que é uma tradução correta para o final desse versículo. i í Em segundo lugar. toda a sua vida é preenchida. O trabalho da sua vida é definido pelo seu chamado. 320. àquele serviço para o qual estavam sendo apresentados. um rumo estabelecido.1 Esse significado “mãos cheias” fala-nos de mãos ocupadas. quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas. Era hora de arregaçar as mangas e trabalhar.

é que ninguém pode se apresentar ao serviço do Senhor sem santificação. eu. utilizando a água da pia de bronze (Êx 3 0. seu Deus.9).17).7. Ela nos fala de purificação. Essa lavagem com água simboliza a purifica­ ção pelo sangue de Jesus e a Palavra de Deus (1 Jo 1. próprias e específicas para o trabalho que exerceriam. Matthew. que os tenho tirado da terra do Egito. E deveriam ser vestidos e coroados. eles estavam prontos para colocar suas novas vestimentas. mas também “deveriam vestir as graças do Espírito. como homens que considera­ vam o seu trabalho e as suas funções uma verdadeira honra”. como homens preparados e fortalecidos para o seu trabalho. 2010. 320. seu Deus” (Êx 29. pureza.8. Rio de Janeiro: CPAD. vestirem-se de justiça (SI 132.3.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o cerimônia. Sobre o significado dessa indumentária. 141 . enfim. C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----. o Senhor. em seguida. A mensa­ gem aqui.4). Jo 15.14). e saberão que Eu sou o Senhor.2 2 HENRY. “Por minha glória serão santificados”. para que me administrem o sacerdócio”. “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.6. A Cerimônia de Consagração Eis alguns aspectos importantes dessa cerimônia de consagração: A lavagem com água (Êx 29. sem procurar viver uma vida de santidade. já falamos bastante no capítulo anterior.9). Após a lavagem. e que está expressa nos dizeres “Vos encontrarei para falar”.5. “E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus. Eles deveriam ser cingidos. “Santificarei a Arão e seus filhos. 17. perfeição. para habitar no meio deles. Colocação. O escritor da Epístola aos Hebreus nos lembra que sem santificação.42-46).Gênesis a Deuteronômio. p. das vestes especiais para o ofício (Êx 29. A mensagem aqui é que “não era suficiente que removessem a corrupção do pecado [pela lavagem da água]”.17-21). santi­ ficação.

7). da sua vida espiritual. Entretanto. isto é. A unção simboliza a presença e o poder do Espírito Santo. O azeite da unção deve­ ria ser derramado sobre a cabeça de Arão e de seus filhos. Deus não aceita mistura.1-6).18).2 2 -2 5 ). desde o dia em que aceitou Jesus como Se­ nhor e Salvador de sua vida. além de buscarmos ser sempre cheios do Espírito Santo (Ef 5.22-33). não podendo ser usada para outro fim nem aplicada em es­ tranhos. Eles deveriam colocar a mão na cabeça do animal a ser sacrificado (Êx 29. nem com composição diferente.31-33). Cristo é a expiação pelos nossos pecados (Jo 3. Também Jesus. como confissão de que eram pecadores e pelos seus pecados de­ veriam morrer.22).19. recebeu o Espírito Santo como penhor da nossa salvação (2 Co 1. Primeiro. para depois levar a salvação 142 . O sacrifício (Êx 29.3.18.21. mas só para o serviço na obra de Deus (Êx 30.38).10). foi ungido pelo Espírito Santo (Lc 4.1-4). da sua pró­ pria salvação.8. o nosso Sumo Sacerdote. Tanto o sumo sacerdote como os demais sacerdotes eram ungi­ dos (Êx 2 9 .49. Não há concórdia entre a luz e as trevas (1 Co 6.30). 30. At 1.8.U m a J o r n a d a de fé ®’ A unção com azeite (Êx 29. Cada crente em Cristo. não poderia ser mistura­ do. Quem serve na obra de Deus deve se lembrar de que é um pecador e se apoiar totalmente nos méri­ tos de Cristo para sua salvação. O azeite tinha que ser especial (Êx 30. 19. o obreiro de Deus deve cuidar primeiro de si mesmo.7.5. é preciso que busque­ mos o batismo no Espírito Santo para dinamizar mais ainda o nosso serviço a Deus (At 1. Ora.16. bem como os seus discípulos (Lc 24.7 . Sua unção não poderá ser misturada com fórmulas mundanas. 1 Co 15.10-14).14-18). 30. era feita uma oferta pelos pecados dos próprios sacerdotes (Êx 29.10-18). do poder do Espírito Santo sobre suas vidas para realizarem com excelência a obra que o Senhor confiou em suas mãos para fazer. Todos aqueles que são chamados para o serviço de Deus precisam da unção de Deus. Sua fórmula era exclusiva. Como Paulo disse a Timóteo. 2. 1 Jo 1. At 10.

Isso tudo era para santificação de todos eles (Êx 29. do perdão e do poder purificadores. Como alguém poderá ajudar perfeitamente aqueles que se encontram doentes enquanto ele mesmo ainda se encontra doente? Em seguida.16).A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o e a bênção e Deus aos outros: “Tem cuidado de ti mesmo [. sobre a ponta da orelha direita. para a obra de Cristo na cruz. te salvarás. do seu trabalho (mão direita) e de seu andar. A oferta pacífica vinha depois. simbolizando a dedicação total daqueles homens ao serviço do Senhor (Ex 2 9 . Matthew. o sangue da vítima inocente deveria ser aspergido tanto sobre o altar quanto sobre as vestes e o corpo dos sacerdotes — no caso. Todos esses sacrifícios apontavam para o Calvário. mas especificamente em honra a Deus. Nesse sacrifício em especial. Aliás..Gênesis a Deuteronômio.1 5 -1 8 ). O azeite também era espargido sobre eles e suas vestes. 321. 143 . seu proceder (pé direito).7). C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----. e o sangue e o azeite juntos falam do sangue de Cristo e do Espírito Santo. p. tanto a ti mesmo como aos que te ou­ vem” (1 Tm 4. da justificação e da santificação. o chamado “carneiro das con­ sagrações” (Êx 29.. Significava santificação de sua atenção (orelha direita).20. o Espírito Santo é quem aplica a obra de Cristo em nossa vida. deveria haver ainda um holocausto não de expia­ ção de culpas. E o fato de essa oferta só poder ser apresen­ tada após a oferta pela expiação dos pecados desses sacerdotes significa que “até que a iniquidade seja retirada.3 o que nos lembra da purifi­ cação de Isaías para poder servir no ministério profético como Deus queria (Is 6. operando a santificação.] fazendo isto.19-37) ou “sacrifício da posse”. 3 HENRY.21). Rio de Janeiro: CPAD. e a ofer­ ta sobre ele deveria ser totalmente queimada. o dedo polegar da mão direita e o dedo do pé direito de todos eles. nenhum ser­ viço aceitável pode ser realizado”. 2010. O fogo consumindo toda a oferta fala de entrega total ao serviço.

purificadores.24). Moisés queimava a porção de Deus no altar (v. bolos e coscorões que estavam na cesta (Ex 2 9 . Santo. L . Rio de Janeiro: CPAD. / r da justificação e da santifi­ \ cação. Depois. Arão e seus filhos cozinhavam e comiam juntamente com o que sobrava do cesto do pão e as porções de carne não queimadas do altar ou que haviam sido dadas a Moisés.24). a parte que normalmente ia para o sacerdote que oficiava a oferta do peito do movimento." \ f ^*------_ _— _ _ ^_ - ^ . Retinha o peito do carneiro das consagrações para si (v. os sacerdotes tinham de apresentá-los como oferta ritualmente removida.28) — eram porções habituais para o sacerdote (v. junto com porções do pão.29 .2). cuja carne era simbolizada t. é muito bem sintetizado pelo Comentário Bíblico Beacon: Moisés poria nas mãos dos sacerdotes partes deste carneiro das con­ sagrações. do do perdão perdão eedo do poder poder cação. vestes do sumo sacerdote eram passadas para o seu filho por ocasião da consagração deste como novo sumo sacerdote (Ex 29. simbolizando entrega a Deus (v.U m a J o r n a d a de fé O restante do ritual. Comentário Bíblico Beacon.. T ~ no Novo 1estamento pelo pao da Santa Ceia (M t 2 6 . Por um movimento horizontal em direção ao altar. p.2 2 . . 218.25) por cheiro agra­ dável ao Senhor. 2005. 1 Co 11.2 6 . Um detalhe interessante e que as . que era o tempo que durava a cerimônia de posse do novo sacerdote.4 As ofertas diárias se seguiam durante sete dias. j C. O novo sumo sacerdote deveria passar pelo 4 LIVINGSTON.2 3 . TT . 1. O mesmo também ocorria no caso da oferta pacífica. Esse pão e essa carne dos quais os sacerdotes participavam.------------------------- A "0 sangue e eo o azeite azeite ^ sangue juntos falam do sanque sangue de ’ 1 Cristo e do Espírito Santo. George Herbert. 144 J" -----.26).30 ). e que os santificavam. u ■ .27). O peito era movido em movimento horizontal e o ombro era alçado (ou erguido) em movimento vertical em atos simbólicos de dá-los a Deus. 219. ver v. representavam o corpo de n ■ ■ . conforme descrito no texto sagrado. O peito e o ombro dos sacrifícios pacíficos — como pode ser chamado este tipo de oferta (v.nsto.. v.

representadas aqui pela indumentária. O novo ministro tem que ter a sua própria experiência de confirmação e capacitação para o ofício dadas por Deus... não.10.. Aleluia! 145 .A C o n s a g r a ç ã o p a r a o ... que nos deu livre acesso à presen­ ça de Deus por meio do seu ministério peifeito e definitivo.25b). imutável.Sa c e r d ó c i o L e v í t i c o mesmo cerimonial de consagração de seu pai. . pelo “grande número” de seus sacerdotes que se sucediam com o Só que o “sacerdócio perpétuo” de Jesus é muito mais podero­ so.. Cristo. se transferem.. A indumentária não seria nova — seria a mesma usada por seu pai — . Isso fala que as responsabilidades. nosso Sum o Sacerdote Perfeito e Eterno A ordem sacerdotal de Cristo não era a de Levi.. mas a experiência seria nova para o novo sumo sacerdote. com o azeite sendo der­ ramado sobre aquelas vestes mais uma vez — e sobre ele. Ele era perfeito. isto é.. A perpetuidade do sacerdócio levítico era garantida por meio da con­ tinuação da linhagem levítica.-A . por isso seu sacrifício e serviço foram perfeitos (Hb 7.. 7.6... mas a de Melquisedeque (Hb 5. pela primeira vez.26-28).._____________ "Louvemos a Cristo. pois se assenta na sua eterni­ dade..24-27).. e a Bíblia nos apresenta Jesus como aquEle que tem um “sacerdócio perpétuo” (Hb 7. mas a consagração e a unção.... além da perfeição e do ca­ . que nos deu livre acesso à presença de Deus por meio do seu ministério perfeito e definitivo. no qual Ele está “sempre vivendo para interceder por todos” nós (Hb 7.24). um ministério perpétuo em nosso favor" ráter definitivo de seu sacrifício (Hb 7...1-28). um ministério perpétuo em nosso favor. Louvemos a Cristo.

O seu lega­ do para o povo de Israel. em segui­ da.5-8. 28. 2 6 . uma das maiores personalidades e um dos maiores heróis da fé de todos os tempos. uma nação. 35. Isaqueejacó (Gn 15. e mais atentamente.3 .7.13-15. Neste capítulo. e. por fim.13 O Legado de M o is é s Silas Daniel M oisés foi. dentro do que nossa proposta sintética permite. queremos apresentar alguns pontos importantíssimos desse legado. conforme Ele havia prometido aos patriarcas Abraão. sem dúvida alguma. O Legado de Moisés para o Povo Judeu A form ação de uma nação Moisés foi o instrumento que Deus usou para que Israel se tornas­ se. falaremos do legado de Moisés para o povo judeu.4. para a humanidade como um todo e para a Igreja até os dias de hoje é enorme. destacando os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a importância do exemplo de Moisés para os crentes em Cristo de todos os tempos. Primeiro.9- . de sua importância para a humanidade como um todo. relembrando aspectos especiais e inspira­ dores da vida e da obra desse homem de Deus.5. enfim.2 4 . analisaremos os exemplos instigantes de sua vida e ministério para a vida do crente.4 . 17.

.. de uma cultura própria. fazendo dele o povo eleito. de valores. Israel uma nação. que são os temas dos capítulos 9 a 11 de Romanos. a língua hebraica ganhou o seu primeiro grande texto — a Torá (o Pentateuco) — que lhe daria perpetuidade e ser-lhe-ia referência na história dos povos. Jesus (Rm 9. até que Deus os estruturou. Israel continuou J a ser reconhecido como uma _ •/. 11 e 12 deste livro. . repartiu com eles um pouco da sua glória... Em Romanos 9. . Toda nação precisa de uma identidade. fez-lhes uma aliança e deu-lhes os patriarcas (Abraão. houve a rejeição de Israel à vontade de Deus e.Sa c e r d ó c i o 13). de uma língua.A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o . naçao. durante séculos. os quais terminam 147 . Tudo isso é o que distinguia Israel das outras nações. por intermédio de Moisés. de leis pelas quais serão regidos.. e ainda.5). o culto e as promessas. sem a sua presença maciça ou o seu governo. j _f ----------------^ --------------"Moisés foi o o instmmeninstrumen­ M oisés foi to que to que 4“ Deus D als usou usou para Pam V lc Israelsc se tornasse. Por meio de seu ministério.5. conforme Ele uma naíão' coní ormí Ele havia prometido aos patriar­ patriarr r Jacó” cas Abraão. Isaque e Jacó. um novo povo. o Messias.. tornasse. . Isaque e Jacó). . conquanto seu territorio ." "^ 1 \ „„ . porém a fé e o culto hebreus ainda careciam de uma normatização e organização. a identidade religiosa e os valores que deveriam pautar e guiar o povo foram definidos em detalhes. .4. podiam se perceber e ser reconhecidos como uma nação. e uma legislação revolucionária e um completo sistema de organização social foram concedidos aos israelitas. Porém. tenha passado. por meio deles. enfim. agora. Mesmo quando sofreu o exílio e a diáspora. finalmente. enfim.. como sabemos. e Moisés foi usado por Deus para dar tudo isso a Israel. Isaque e Jacó. . como vimos detidamente nos capítulos 9. que. a rejeição divina a Israel. diferente em muitos aspectos da cultura das nações vizinhas. o apóstolo Paulo lembra que Deus deu a Israel sete coisas: tornou os isra­ elitas seus filhos por adoção.v ---------- 1 Uma fé e uma religião estruturadas O Deus de Israel era o Deus de Abraão. a legislação. . consequentemente. uma cul­ tura nova foi formada.

Êxodo. Rio de Janeiro: CPAD. tempos depois. mas que. por exemplo. um salm o e.25-28). A riqueza e a importância histórica. costuma-se chamar os valores tradicionais do Ocidente. o mais antigo salmo de Israel) e provavelmente também o be­ líssimo Livro de Jó. As Escrituras Sagradas do Pentateuco. portanto. o Livro de Jó O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atraves­ saram séculos. a demonstrar alguns dos mui­ tos aspectos revolucionários da legislação hebraica para a história do Direito no mundo. provavelmente. que foram responsáveis pela sua formação e se constituem a base de 1 H A R R ISO N . chegando até os nossos dias e formando parte significati­ va e basilar do cânone veterotestamentário.U m a J o r n a d a de fé revelando que a rejeição de Israel não é final e que Deus haverá de res­ taurar Israel no fim dos tempos (Rm 11. 149. São de Moisés o Pentateuco (Gênesis. K. 148 . Números e Deuteronômio). no capítulo 10.1 Mais detalhes no já referido capítulo 10. “atribuía um grande valor à vida humana. O Legado de Moisés para a Humanidade A legislação hebraica Já nos dedicamos. 2 0 1 0 . Ela foi revolucionária para a sua época e. a legislação hebraica. Dentre seus muitos aspectos revolucionários. Levítico. se constituíam uma grande inovação. p. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. o Salmo 90 (que é. Político e Cultural. Os valores judaicos Não à toa. social. exigia um grande respeito para com a honra da mulher e conferia mais dignidade à posição do escravo do que poderíamos encontrar em qualquer um dos códigos legais das outras nações do Oriente Próximo”. R. espiritual e literária dessas obras para o mundo revelam a grandeza do ministério desse grande homem de Deus para o seu povo e para toda a humanidade. serviria de inspiração para muitos avanços legais saudáveis com os quais já estamos muito habituados em nossos dias. na épo­ ca de Moisés.

O Legado de Moisés para a Igreja Seu exemplo de fé Ao elaborar uma “Galeria de Heróis da Fé” do Antigo Testamento. como vendo o invisível. como náo poderia deixar de ser. deixou o Egito. Pela fé. Chama a atenção. tendo. ajudaram a moldar todos os va­ lores do Ocidente. A Bíblia diz que Moisés des­ prezou completamente “a ira do rei”. Os princípios do Decálogo (Ex 20. recusou ser chamado filho da filha de Faraó. 149 . não esmorece diante dos poderosos e das circunstâncias prementes que o pressionam a abandonar a vontade divina. porque tinha em vista a recompensa. Moisés. por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito. ser maltratado com o povo de Deus do que. porque ficou firme. ter o gozo do pecado. Ele via além do que poderia perceber a m aioria das pessoas do seu tempo.23-29). mas tinha em vista a importância histórica e espiritual do que estava fazendo e “a recompensa” que receberia do seu Senhor pela sua fidelidade ao seu chamado. pre­ ferindo sofrer fazendo a obra do Senhor. porque ele via “o invisível”. principalmente o que lemos nos versículos 24 a 27: Pela fé. somente um homem que ama e serve a Deus com uma fé robusta não empalidece diante das adversidades mais intensas. Ademais. escolhendo. na descrição que ele faz do grande líder hebreu. porque está “vendo o invisível”.O L e g a d o d e M o is é s todas as suas conquistas. o escritor da Epístola aos Hebreus coloca entre os seus destaques. antes. e “ficou firme”. por exemplo. sendo já grande. juntamente com o cristianismo. Moisés (Hb 11.1-17). Som ente um homem que ama e serve a Deus com uma fé ro­ busta rejeita com pletamente as riquezas e a glória do mundo. não temendo a ira do rei. por um pouco de tempo. a oposição dos grandes e podero­ sos deste mundo. Moisés não tomava as suas decisões baseado simplesmente no que a lógica humana e os seus cinco sentidos lhe diziam. de valores judaico-cristãos.

não ter entrado na Terra Prometida com o povo justamente porque pecou ao perder 2VIN E. p. chegando até os nossos dias e formando parte significativa e basilar do cânone veterotestamentário.1). soube superar os momentos de crise. William. E.3 nos lembra que “era o varão Moisés mui manso. Jetro. a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11. Aliás. que aguentou o que pouquíssimos — ou nin­ guém — em sua época aguentaria.13-27) e preparou muito bem o seu sucessor — Josué. W H IT E JR . mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. No sentido em que ele é usado aqui. segundo o D icionário Vine.11-13). O termo hebraico traduzido por “manso” em Números 12. levou o povo ao arrependimento várias vezes. Dicionário Vine. isso mostra quão poderosa foi a transformação que Deus fez em Moisés. Merril F. 2002. resistiu à oposiçáo com firmeza.' rança Moisés foi um líder no­ tável. “simples”. 150 . U NGER.2 O fato de Moisés. que antes fora precipitado e assassino (Êx 2. soube ouvir os con­ selhos de seu sogro.U m a J o r n a d a de fé “Ora. E era preciso ser mui­ to temperante mesmo para suportar todas as adversidades e pressões que ele enfrentou. Rio de Janeiro: CPAD. “pobre”. que significa “humilde”. tensão. W. deu a eles uma identidade como nação." ^ — m — m •* > Seu exemplo de lide. organizou aqueles ex-escravos como uma sociedade. Ele guiou brilhantemente milhões de pessoas pelo deserto.. descreve. Seu exemplo de paciência Números 12.3 é anãw. (Ex 18. yy "O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atravessaram séculos.. “a condição objetiva e também a postura subjetiva de Moisés” como um homem “completa­ mente dependente de Deus” e que “via o que era”. mesmo tendo tanto autocontrole que Deus lhe dava. 234. desânimo e revolta.

O L e g a d o d e M o is é s o controle. sejam quais forem as circunstâncias. tirando o episódio das águas de Meribá (Nm 20. quando nos entregamos à ação dEle em nossa vida (G1 5. Seu exemplo de persistência Apesar de tantos momentos difíceis que Moisés vivenciou em sua tra­ jetória espiritual. porque estava “vendo o invisível” 151 . que. ele permaneceu firme.7-12). Ele intercedeu decisivamente pelo povo de Israel em mo­ mentos de enorme crise (Êx 15. humildes e temperantes. nada fez “por contenda ou por vanglória.13-25). sendo fiel ao seu chamado (Hb 11.6).1-17. em virtude da graça transformadora de Deus. Seu exemplo de integridade Moisés teve muitas oportunidades de corromper a sua integridade. tanto para desenvolvermos a temperança quanto para mantermo-nos no centro da vontade de Deus. como aconteceu com Moisés. quarenta anos depois.22. isto é. Não por acaso.24-26). só evidencia o quanto somos dependentes da graça de Deus.25. fazendo algo diferente do que Deus lhe determinara (Nm 20. Mesmo um homem impetuoso e assassino como o jovem Moisés pode se tornar. preferiu sofrer com o povo de Israel a gozar a glória e os prazeres do Egito.3) e zelo ardente pela obra de Deus. Súmula da história: somos dependentes da graça divina. e mesmo o homem mais humilde e manso da Terra pela graça de Deus pode ter momentos de fraqueza e perder seu autocontrole se não tiver cuidado. e primeiro que ele (SI 99. a temperança é apresentada na Bíblia como um dos gomos do fruto do Espírito. durante seus quarenta anos de ministério. 33.7-13). um homem extremamente manso e hu­ milde. Seu exemplo como intercessor Moisés foi grande sacerdote do povo juntamente com Arão. mas escolheu manter-se íntegro. por exemplo. mas por humildade” (Fp 1. Que Deus nos dê graça para seguirmos o bom exemplo desse homem de Deus. Ele. Nm 14. que se chama fruto do Espírito exatamente porque é produzido em nós pela ação do Espírito Santo de Deus.23). do poder do Espírito Santo.

4 Deus também quer ter hoje um relacionamento íntimo conosco! Como destaca a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. para que possamos enxergar os valores eternos do Reino de Deus”. 2 0 0 3 . Você confiaria nEle como fez Moisés?”. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Jesus chamou seus discípulos — e. ela não é inalcançável para nós.5 0 Cântico de M oisés A Bíblia afirma que quando o povo estava para entrar em Canaã.11). Como frisa Matthew Henry. Por sua vez. e estava [nesse nível] fora do alcance dos hebreus. e ficar cego em relação aos benefícios de longo prazo do Reino de Deus. 128. Moisés confiou inteiramente na sabedoria e direção de Deus. mas também com expressões particulares e ainda maiores de bondade e graça.27).15). Ele o chamou para ser seu amigo. A amizade com Deus era um verdadeiro privilégio para Moisés. como qualquer fala com o seu amigo” (Ex 33. C om entário Bíblico do Antigo Testamento — Gênesis a Deuteronômio. 4HENRY. mas porque Deus o escolheu. A fé nos ajuda a olhar além do sistema de valores do mundo. hoje. p. Como sublinha a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.U m a J o r n a d a de fé (Hb 11. 1745. 2 0 0 3 . Rio de Janeiro: CPAD. p.3 Seu exemplo de comunhão com Deus A Bíblia nos mostra que Moisés cultivava uma vida de oração. por extensão. mas como qualquer fala com o seu amigo. Ele fala não como um príncipe a um súdito. manten­ do um relacionamento muito íntimo com Deus: “Falava o Senhor a Moi­ sés face a face. a quem ama”. Rio de Janeiro: CPA D. Rio de Janeiro: CPAD. “isto sugere que Deus se revelou a Moisés. Sua persistência era derivada diretamente de sua fé em Deus. Deus deu ordem a Moisés para que compusesse um cântico contendo ’ Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Mas. 339. da popularidade. 152 . p. todos os seus seguidores — de amigos (Jo 15. não só com clareza e evidências maiores da luz divina do que a qualquer outro dos profetas. “Moisés desfru­ tou tal favor de Deus não porque era perfeito. Matthew. genial ou poderoso. da posição social e da conquista. 2 0 1 0 . “é fácil ser enganado pelos benefícios temporários da riqueza.

por assim di­ zer. pequenas cápsulas de vida condensada. Assim como.4 7 . para que as reco­ mendeis a vossos filhos.15. sendo cantada. pois. a ele ouvi­ reis”.O I . a vida condensada em um hino. quando uma canção é eivada de conteúdo maligno. referindo-se a Ele como “um profeta do meio de ti. Deus sabia que os cânticos podem ser aprendidos e transmi­ tidos com facilidade. aquecer corações arrefecidos e liquefazer almas empedernidas. Depois de apresentá-lo a Israel. é a vossa vida (D t 3 2. durante séculos. Ainda hoje. de teus irmãos.. em seu discurso diante 15 3 .40.15-22 fala implicitamente de mais de um profeta — ou seja. em alusão a uma sucessão de profetas que Deus levantaria para tratar com Israel. primeiro mártir da Igreja. em alguns momen­ tos. os judeus estiveram a procurar esse “O Profeta” pós-Moisés. o termo “profeta” ali aparece. Porque esta palavra não vos é vã. hinos. estaria “na boca do povo” (“ensinai-o [.1-43. por isso os viu como um meio perfeito para que a sua exortação fosse gravada na mente do seu povo. o versículo 15 parece se referir a um profeta especial.. tendo o poder de renovar corações mortificados. são. como eu. O texto de Deuteronômio 18. O apóstolo Pedro. é uma cápsula de veneno e morte condensados. de maneira que. Moisés disse: “ Aplicai o vosso co­ ração a todas as palavras que hoje testifico entre vós. Moisés profetizou sobre Jesus. como destacam textos como João 1.19). quando os judeus se perguntavam se João Batista ou Jesus seriam esse “O Profeta”. grifo meu). As Profecias de Moisés Profecia sobre Jesus Em Deuteronômio 18.] ponde-o na sua boca”). antes. Porém.e g a d o d e M o is é s um resumo de sua exortação ao povo e o ensinasse aos filhos de Israel (Dt 31. para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei. em sua pregação no Dia de Pentecostes. quando inspirados por Deus. Deus sabia que a sua exortação seria mais eficientemente ensinada e lembrada dessa forma. Esse cântico está registrado em Deuteronômio 32.21 e 7. “É a vossa vida!” Verdades vitais condensadas em um hino. e o diácono Estêvão.4 6 .

mas a verdade é que “Deus distribui talentos únicos às pessoas. seus dois filhos (Dt 33.1-29). sob a orientação do Espírito Santo. 154 . “os seus olhos nunca se escureceram. Ele deu a melhor terra. Olhe para o que Deus tem dado a você e cumpra as tarefas que Ele o qualificou de maneira única para realizar”. o que chama mais a atenção nessas bênçãos de Moisés sobre as doze tribos é “a dife­ rença entre as bênçãos que Deus deu a cada tribo: para uma. é a vez das tribos correspondentes aos filhos de Israel com suas servas Bila e Zilpa. p. abençoou os filhos de Is­ rael antes de falecer (D t 33. Como ressalta a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.17). força ou segurança”. Não obstante. 2 0 0 3 . 2 7 2 .2-9).21). que seria absorvida pela tribo de Judá (Js 19. “não tenha inveja dos dons ou presentes que as pessoas recebem de Deus. As primeiras tribos a serem abençoadas são as correspondentes aos filhos de Jacó com suas esposas Leia e Raquel. O detalhe é que. pensa que “Deus deve amar aquela pessoa mais do que outra”. ao invocar as bênçãos conforme as tribos de Israel. com frequência. mas isso tem uma razão de ser: Gade “obedeceu a Deus punindo os malignos inimigos de Israel”. Profecias sobre o destino de cada uma das doze tribos de Israel Como Isaque e Jacó abençoaram seus respectivos filhos antes de mor­ rer.37).UM A Jt )R N A I >A DF: FÉ de seus algozes em Jerusalém.20. Moisés omite Simeão. 6B íb lia de E stu d o A p licação Pessoal. ele estava com 120 anos. ao ver alguém com uma bênção es­ pecífica. Moisés. Portan­ to.6 A Morte de M oisés A Bíblia diz que quando Moisés faleceu. e para outra. Outro detalhe é que a tribo de Gade recebeu a melhor parte da terra (D t 33.10). conforme depoimento do próprio Moisés (SI 90.7). nem perdeu ele o seu vigor” (D t 34. que era uma idade já bem longeva para os padrões da época. Isso nos faz lembrar que muita gente. em seguida. Todos esses talentos são necessários para que seu plano seja realizado”. mas o número 12 é preservado contan­ do-se José como sendo dois — Efraim e Manassés. R io de Janeiro: C P A D . mencionaram essa profecia como tendo o seu cumprimento em Jesus (At 7.

O relato que Flávio Josefo. lamentavam sua infelicidade por tão grande perda. historiador judeu do primeiro século d. Claro que. Nada. para obedecer. pode haver um ou outro exagero aqui e acolá nesse relato. As pessoas sensatas. nas campinas de Moabe” (D t 34. não houve nem mesmo criança que não derramasse lágrimas. o reconhecimento e o amor do povo era tão grande por ele que “os filhos de Israel prantearam a Moisés trinta dias. ficou tão comovido pelas lágrimas de todo o povo que ele mesmo não pôde deixar de chorar. é extremamente tocante. Vale a pena lê-la: Depois que Moisés assim lhes falou. predisse a cada uma das tribos o que lhes deveria acontecer e desejou-lhes mil bênçãos. registra que. Assim. Toda essa enorme multidão não pôde por mais tempo reter as lágrimas. ho­ mens e mulheres. pois ela vem por vontade de Deus e por uma lei indispensável da natureza. Pois ainda que ele estivesse persuadido de que não era necessário chorar à hora da morte.C. no entanto. 155 . juntamente. mas não se pode duvidar que muito dessa narrativa. demonstrou até que ponto chegava sua aflição como o que aconteceu a esse grande legislador. sua eminente virtude não po­ dia ser ignorada nem mesmo pelos dessa idade.O L e g a d o d e M o is é s O último capítulo de Deuteronômio. que é o único capítulo do Pentateuco que não foi escrito por Moisés. ele. conforme a tradição que havia sido passada aos ju ­ deus até os dias do célebre historiador. eles pararam e todos. que repro­ duzimos a seguir e que atravessou gerações. eventualmente. porém. após a morte do legislador de Israel. é carregado de verdade.8). faz das reações do povo de Israel e do próprio Moisés por ocasião de sua despedida. Caminhou depois para onde deveria terminar a vida e todos seguiram-no gemendo. Ele fez sinal com a mão aos que estavam mais afastados para que parassem e rogou aos que es­ tavam mais próximos que não o afligissem mais ainda seguindo-o com tantas demonstrações de afeto. umas deploravam a gravidade de sua perda para o futuro e outras queixavam-se de não terem compreendido bastante que felicidade era para ele ter um tal chefe e guia e serem privados dele quando o começavam a conhecer. demonstraram igualmente sua pena por perder um chefe tão ilustre. grandes e pequenos..

tomar sempre as melhores resolu­ ções e tão bem pô-las em prática. Ele morreu no primeiro dia do último mês do ano. governá-lo e persu­ adido. O povo chorou-o durante trinta dias e nenhuma outra perda lhe foi jamais tão sensível. 126. porque a santidade que nelas se nota não pode permitir dúvidas sobre a eminente virtude do legislador.6b) até hoje. cuja direção Deus lhe havia confiado. abraçou a Eleazar e Josué. tão alto que de lá se vê todo o país de Canaã. Flávio. Falta­ va somente um mês para que. mas também por aqueles que conhe­ ceram as leis admiráveis que ele nos deixou.7 Não sabemos onde a sepultura de Moisés se encontra — aliás. Antiguidades Ju d aicas. jamais alguém soube. foram os únicos que o acom­ panharam. o comandante do exército. volume I. Mas ele não foi chorado somente por aqueles que tive­ ram a felicidade de o conhecer. ninguém sabe. jamais algum outro se lhe pôde comparar na maneira de tratar com um povo. e Josué. ele passasse quarenta no governo de todo esse grande povo. Eleazar. Ainda ele falava quando uma nuvem o rodeou e ele foi levado a um vale. arrebatado ao céu. Adar.UMA JORNAI lADEFÉ O s senadores [anciãos]. dos cento e vinte anos que viveu. por causa da sua eminente santidade. capítulo 8. 156 . História dos Hebreus. pela força de suas palavras. Jamais homem algum igualou em sabedoria a este ilustre legislador. Sua ciência na guerra pôde dar-lhe um lugar entre os maiores generais e nenhum outro teve o dom de profecia em tão alto grau. 127. e deu-lhes seu último adeus. desde aquela época (D t 34. Rio de Janeiro: CPAD. Sempre foi tão senhor de suas paixões que parecia até que delas havia sido isento e que as conhecia apenas pelos efeitos que via nos outros. 2003. livro IV. suas palavras eram outros tantos oráculos. o grão-sacrificador [sumo sacerdo­ te]. Flávio. como ele. Ou: JOSEFO. Quando ele chegou ao monte Nebo. que os macedônios chamam Dystros e os hebreus. Os livros santos que ele nos deixou dizem que morreu porque temia que não se acreditasse que ele ainda estaria vivo. p. despediu-se dos senadores [anciãos]. § 179. A única informação é que Deus mesmo 7 JOSEFO. e parecia que o próprio Deus falava por sua boca. que está em frente a Jericó.

autor e consumador da fé” (Hb 12. por ter sido um homicida em sua juventude (Ex 2.1. não se criasse uma idolatria e romaria em torno do túmulo de seu servo. sabedoria. sabedoria. seriedade. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor. pois. paciência. vida de santidade. vida de santidade. Com o escreveu o autor da Epístola aos Hebreus. dentre eles Moisés (H b 1 1 . ainda mais feito pelo próprio Deus. defronte de Bete-Peor” (D t 34. Não sabemos o porquê do interesse de Satanás pelo corpo de Moisés. O exemplo de Moisés “ 'Moisés será sempre um exemplo de fé. seriedade. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor" como líder e homem de Deus nunca será esquecido. com paciência. que esta­ mos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas [os heróis da fé do Antigo Testamento]. Sobre­ tudo pelos últimos quarenta anos de sua vida.2 3 -2 9 ). liderança. ele sempre será lembrado como um exemplo de fé. O apóstolo Judas nos fala da altercação do arcanjo Miguel com Satanás sobre o corpo de Moisés (Jd 9). Deus fez com que sua sepultura nunca fosse encontrada para que. olhan­ do para Jesus. deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos. mas a tradição judaica afirma que tal altercação se deu porque Satanás sustentava que Moisés não era digno de um sepultamento decente. na terra de Moabe.O L e g a d o d e M o is é s o sepultou “num vale. Miguel. liderança. provavel­ mente. apenas lhe respon­ deu: “O Senhor te repreenda”. a carreira que nos está proposta.2).12). paciência. “nós também. que guardava o corpo de Moisés.6a). Amém! 157 . referindo-se à nossa res­ ponsabilidade hoje diante do que fizeram os grandes heróis da fé do Antigo Testamento.11.

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Novo Testamento e Exegese na FAECAD. lançados pela CPAD. a figura de Moisés ocupa um lugar central. chefe de Jornalismo da CPAD e es­ critor. Os Profetas M enores e Vencendo as Aflições da Vida. Autor dos livros R eflexão sobre a alm a e o tem po. Nesta obra. A lexandre Coelho É ministro do evangelho. jornalista. o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel. É gerente de Publicações da CPAD. tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008. E nele. licenciado em Letras e Teologia e bacharel em Direito.O livro do Êxodo é universalmente famoso por m ostrar a escravidão do povo hebreu no Egito. H abacu que a vitória d a f é em m eio a o caos. H istória da C onvenção G eral das A ssem bleias de D eus no Brasil. ministra aula de Grego. Silas D aniel É pastor. Professor universitário. todos títulos da CPAD. A História dos Hinos que A m am os e A Sedução das N ovas Teologias. e co-autor dos livros Davi . acompanharemos a história de Moisés no Êxodo. a escolha de Moisés como libertador e a forma miraculosa como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. C om o Vencer a Frustração espiritual. destacam os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a im portância do exemplo de M oisés para os crentes em Cristo de todos os tempos. Relem­ brando aspectos especiais e inspiradores da vida e da obra desse grande homem de Deus.as vitórias e derrotas d e um hom em de Deus. até pontos importantíssimos de seu legado. ''H • W Lã I : I .

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