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ESCATOLOGIA

HENRIQUE “MORCEGO” SANTOS

CONSIDERAÇÕES

Este Netbook é um conto que narra uma possível situação de Apocalipse no cenário de Trevas. Muito do que é utilizado como informação mitológica foi retirado do Tópico “Trevas: Campanha Épica”, no Fórum da Daemon.

Espero que seja do gosto de todos que tiverem a chance de ler este material. Qualquer sugestão, elogio ou crítica é muito bem vindo, sendo que o Fórum da Editora Daemon é acessado diariamente por mim, e poderei responder e comentar qualquer coisa sobre este Netbook ou mesmo conversar sobre todo assunto voltado ao RPG Trevas. Toda sugestão ou crítica serão levados em consideração para consertar este Netbook e também para os próximos Netbooks.

Tenha uma boa leitura!

O Autor

AGRADECIMENTOS

- Aos meus pais, que sempre me incentivaram ao prazer da leitura e nunca condenaram minha curiosidade extrema

- Aos meus queridos Jogadores, que me aguentam como Mestre desde 1996 (em especial o

Tico, o Rodrigo “Chuck Norris”, o Rafael “Feijão”, o Ruffles, o Dalton, o Renato, os primos Luiz, William e Gabriel e principalmente meu irmão César).

- Às Musas que inspiraram Marcelo Del Debbio a criar um cenário tão vasto e rico, digno da admiração de todo RPGista e leitor (que saiu ganhando com tantos contos derivados deste cenário).

- À galera do Fórum da Editora Daemon, que sempre busca ajudar quem tem dúvidas quanto

ao cenário, e me deram inúmeras sugestões para este e os próximos Netbooks (em especial Padre Judas, Darkchet, Grigori Semjaza, O Satânico Dr. H, Lord Baphomet e Lord Metatron).

Castelo Júpiter, Cidade de Prata

Eriel percorre o corredor que leva à sala do Conselho, um corredor de proporções gigantescas, “onde Falanges inteiras poderiam voar juntas sem se esbarrarem”, como costuma dizer seu superior, Miguel, senhor dos Arcanjos. Os detalhes em ouro

e marfim em estilo bizantino, ordenados nas paredes

de dezenas de metros de altura, só não são mais incríveis que o teto todo pintado em afrescos renascentistas, e nem assim Eriel se desvia de sua missão: informar Miguel semanalmente dos principais acontecimentos na Terra. E, desta vez, não são notícias rotineiras Após percorrer voando quilômetros que separam o Hall do Castelo Júpiter da Sala do Conselho em minutos, Eriel se depara com a colossal porta dupla, cuja entrada só é permitida

aos Anjos mais influentes, o que não é seu caso. Mas mesmo assim, o mensageiro precisa avisar seu superior dos eventos recém-ocorridos. Com a simples força do pensamento, Eriel abre as portas do Conselho e encontra seu mestre sentado frente a frente com Gabriel, outro dos mais proeminentes celestiais da Cidade de Prata. A luz que emana das auras dos Anjos privilegiados do Conselho seria capaz de iluminar todo o Universo,

e sua beleza poderia enlouquecer qualquer ser vivo.

Miguel, ao perceber seu subordinado dentro da sala

reservada aos puros da Cidade Prateada, perde parte de seu brilho, adquirindo uma luminosidade mais branda, ainda assim como um Sol em dia de calor. O Príncipe dos Arcanjos levanta-se da mesa e dirige- se ao acanhado Anjo.

- Meu querido Eriel, o que seria capaz de obrigá-lo a entrar sem permissão na sala dos veneráveis?

- Mestre, preciso informar-lhe das

– responde o Anjo

novas

envergonhado.

- São importantes o suficiente para interromper uma importante reunião?

- Sim, meu mestre, considero que o que venho lhe contar é suficiente para interromper QUALQUER conversa – Eriel diz, com voz mais confiante.

- Acompanhe-me, meu amado pupilo, até o Jardim de Madalena. Miguel volta-se aos membros do Conselho, faz uma reverência com a cabeça e sai da sala, levantando vôo com seus 4 pares de asas de pura luz. Enquanto os 2 celestiais voam para fora do Castelo Júpiter, Eriel começa a contar os acontecimentos banais da Terra a Miguel. Miguel o escuta com a mesma atenção que uma mãe dá a seu

filho que aprende a falar. Suas asas são tão graciosas que nem mesmo parece que ele as move para voar

– é como se o próprio Demiurge movesse os ventos

a favor de seu orgulhoso guerreiro. Seus traços

faciais são tão carinhosos que Eriel desvia o olhar de seu mestre, considerando-se uma criatura que não merece tanta ternura, já que está para contar- lhe algo que poderá mudar toda a Cidade de Prata. Logo chegam ao Jardim de Madalena, dedicado à mais devota das mortais. Seu formato de cruz foi feito para honrar a morte do Ungido, e há exatamente uma flor para cada dia de vida na Terra do Salvador das Almas Terrenas. Cada uma com uma cor diferente.

- Eu agradeço, meu querido Eriel, por me informar dos eventos corriqueiros da Terra. Agora, já podes me falar qual é a preocupação.

- Senhor, três mausoléus ao redor do Fosso de Metrópolis estão abertos O imponente general dos Arcanjos perde todo o seu majestoso brilho.

- Quantos morreram? – pergunta Miguel.

- Não foi dada falta de nenhuma criatura em Metrópolis, meu senhor.

- Quem abriu os mausoléus? Ninguém estava vigiando? Como os Cenobitas reagiram? – Miguel começa a pensar em todos os acontecimentos possíveis para algo desta magnitude ter acontecido.

- Desculpe, meu mestre, mas nenhum Cenobita notou a abertura dos mausoléus. Quando se deram conta, já estavam abertos. Um grupo de Chezas embrenhou-se em um dos 3 mausoléus, e nada encontrou além de milhares de ossos e pedaços de corpos apodrecidos espalhados, e havia um altar. Em cima do altar, os Chezas encontraram isto – Eriel retira de um bolso de sua túnica um pergaminho – , mas os símbolos escritos são completamente desconhecidos.

- Meu filho, os Chezas lhe entregaram este objeto? O que lhe disseram? – Miguel questiona, assustado.

- Eu peço perdão, meu amado mestre, mas considerei que o senhor deveria examinar este pertence antes que Pinhead o guardasse na cidade dos anjos corrompidos, e nunca mais

– Eriel tenta

pudesse ser encontrado

se explicar.

- Eriel, você ROUBOU ?

- Não, senhor, eu somente peguei emprestado para mostrar ao senhor – Eriel diz, um pouco envergonhado. Miguel sorri um sorriso disfarçado, e olha rigidamente para o mensageiro, com um olhar que

mistura desaprovação e compreensão. Eriel entende que, para o bem da Cidade de Prata, certos Mandamentos podem ser burlados – ou quebrados.

- Está bem, meu querido Eriel, já pode voltar à Terra

- Senhor, ainda não terminei de lhe

– Eriel diz, e

percebe a feição sempre perfeita de Miguel mudando para o rosto de um homem sério, preocupado.

- Conte-me então o que resta a contar, meu jovem.

- Amduat está sem 2 almas

- Questões espirituais estão fora de minha alçada, meu amado! Se quiser, eu convocarei alguns Recíperes e

- Estas 2 almas REENCARNARAM!

- Como assim?! É impossível 2 almas

saírem de Amduat e viajarem sem ajuda até a saída do Inferno! Sem mencionar a capacidade de reencarnarem sem um psicopompo!

- Nosso embaixador da Cidade Dourada de Rá me informou extra-oficialmente que Anúbis foi o psicopompo das 2 almas. O próprio deus dos mortos

ajudou-lhes a reentrar em seus antigos

– os olhos de Miguel

contar os eventos

corpos

adquirem uma chama visível.

- Como assim?! Quem eram estas almas?

- Eram 2 faraós do Antigo Império

- Eriel, pretendes me dizer que eles voltaram a seus corpos mumificados? Temos 2 múmias despertas na Terra?

- Sim senhor.

- Quais os seus nomes?

- Darahv e Teptet.

- Os únicos faraós que se envolveram com Infernun e Tenebras?

- Estes mesmos, senhor. – Eriel nota que a presença antes angelical de Miguel dava lugar a um comportamento sério, guerreiro, preocupado.

- Mais alguma notícia, mensageiro? – Miguel deixa de tratá-lo com o carinho de sempre.

- Mais nenhuma, amado Príncipe dos Arcanjos! – o Anjo tenta mostrar respeito ao guerreiro milenar.

- Eriel, chame Yviel e seu esquadrão. Peça que me encontrem no Deserto de

Dudael, próximo à tenda de Sara.

- Senhor, a Cidade de Prata não utiliza os serviços deste grupo de renegados

- Este é o motivo para nos encontrarmos fora da Cidade! – Miguel ergue a voz de modo que suas palavras pareçam

trovões em uma sinfonia apocalíptica. – Agora vá e encontre-os! Não podemos perder tempo! – e Miguel sai (sem dar a benção de sempre ao pupilo) diretamente ao Solarium.

- Imediatamente, senhor! – Eriel responde, dirigindo-se à Capela das Lágrimas do Distrito de Mercúrio, onde geralmente os Corpores dirigem- se à Terra.

Deserto Saudita, 700 anos atrás

Próximos às ruínas de uma antiga cidade perdida dos Djinns, um grupo de homens em pesados mantos negros conversa em voz baixa ao

redor de uma fogueira. As estrelas iluminam toda a superfície do deserto, delineando a areia como um véu sensual cor de prata. O vento uiva pelas dunas

e acompanha os minúsculos grãos cintilantes que

se erguem com a brisa noturna. “Pó de estrelas”, é como os nômades do sul chamam estes cristais de

areia que refletem a lua e viajam com os ventos. “Poeira celestial”, é seu nome para os Magos das ordens árabes, sinal de que um ser divino está próximo. O som dos ventos macabros é interrompido de vez em quando pelos sons que 6 camelos deitados perto da fogueira emitem, como

se estivessem conversando. Sem emitir um único ruído, a figura translúcida surge flutuando acima da fogueira, com sua forma humanóide preenchida pela “poeira celestial”. Pode-se notar 2 pares de asas na figura sinistra. Os homens ao redor da fogueira reagem como se esperassem pela figura, e um deles levanta-

se:

- Demônio das estrelas, trouxemos aqui

– o homem mostra um

gigantesco remo de barco, feito de madeira, mas uma madeira nunca vista na Terra.

- Onde está o resto do meu pedido? – a

criatura pergunta, com uma voz trovejante e ao mesmo tempo imponente.

- Logo no salão de entrada da cidade à nossa frente. Deixamos lá para que ninguém sentisse sua presença e viesse tirá-lo de nós. A figura translúcida toma o remo nas mãos

e desce até seus pés tocarem a areia. O ser retira um tubo feito de pele humana e larga no chão, ao lado da fogueira.

É melhor tirarem de perto da fogueira,

ou terão mais 3 mil anos para aguardar

o que procuram há tantos séculos. – a

o que pediu

-

figura diz, flutuando em direção às ruínas. – Agora vão embora, antes que eu tome a alma de vocês! As 6 figuras encapuzadas correm pelo deserto em seus camelos, em direção a Bagdá. Ao ver-se sozinha no deserto sem fim, a figura sobe a escadaria da cidade dos Djinns com o remo nas mãos, ansiando pelo restante de seu escambo com aqueles necromantes. Logo que os degraus terminam, pode-se ver a barca. Feita com a mesma madeira que o remo, a barca comportaria cerca de

20 pessoas, mas percebe-se em sua estrutura interna que a barca fora feita para somente três. O eixo central, com mais de 15m, é entalhado com hieróglifos egípcios sobre a batalha diária de Amon

e seu assecla, Set, contra a serpente da noite, Apophis. Depois do primeiro passo em direção à

barca, a figura percebe que a cidade podia estar em ruínas, mas nem por isso estava desabitada. Um Djinn com pele vermelha, dentes de javali e portando uma cimitarra dourada com símbolos que brilham como fogo, surge de trás de uma coluna. A figura já sabe que o Djinn não estaria ali com a intenção de confraternizar. Os malditos necromantes montaram uma armadilha a ele, na esperança de que

o Djinn pudesse matá-lo. A criatura translúcida fica feliz por manter sua natureza incógnita, assim os necromantes podem enviar um Djinn de terceira

categoria para que ele não perca a forma. Mal dirigiu-se contra o ser translúcido, o Djinn é paralisado no ar. A figura translúcida estica sua mão direita e penetra o peito do Djinn. Os gritos de dor do demônio árabe são ouvidos em dezenas de quilômetros, sua voz como uma mescla de hiena

e abutre, e isto seria suficiente para os necromantes descobrirem que seu estratagema falhara e terem uma semana de pesadelos com tal voz. A pele vermelha do Djinn começa a secar e enrugar-se, como se estivesse envelhecendo rapidamente. Seus olhos de pupilas amarelas derretem ante o grande poder da criatura translúcida. A energia avermelhada pulsa do corpo do

Djinn para o ser sinistro, até o que sobrar não passar de um cadáver que não reflete em nada o poder que

o Djinn possuía, embora fosse como uma formiga

em frente a um chacal se comparado com o ser translúcido. A criatura sinistra toma a cimitarra do Djinn, senta-se na barca, e a barca levanta vôo em direção aos confins do deserto, sumindo no horizonte.

Nice, Itália

Em um pequeno porém aconchegante bistrô frente à praça San Giuseppe, 5 jovens conversam enquanto bebem uma garrafa de champanhe, muito alegres e satisfeitos. Qualquer pessoa passando por

eles os consideraria um simples bando de adultos que esqueceu de sair da adolescência, e nunca daria valor a eles pelo que realmente são: o melhor grupo de extermínio de Demônios do norte da Itália. Neste mesmo momento, o motivo da comemoração é a destruição permanente de uma cabal de seguidoras de Luvithy, que utilizava três Daemons como

guarda-costas. A alegria em seus corações consegue ser maior que sua indignação pela expulsão do grupo da maravilhosa Cidade de Prata 20 anos atrás, quando desobedeceram ordens diretas do superior

e exterminaram um grupo de Hellspawns, quando

um destes infernais pretendia revelar informações aos Anjos em troca de redenção.

A única mulher do grupo, Cibele, ergue sua taça e faz um brinde à vitória. Seu vestido confortável branco com desenhos floridos balança ao vento junto de seus cabelos negros com mechas alaranjadas em suas pontas. Sua beleza é comparável à das melhores modelos italianas e atrai qualquer mortal que depara-se com ela. Sua pele alva e delicada reflete o tímido Sol que busca aparecer entre as nuvens. Da Casta Protetore, Cibele pertence à antiga Falange das Potências ligadas às tempestades, atualmente com pouquíssimos membros. A razão desta baixa quantidade de Anjos na Falange é simples: são a única Falange que persegue seus inimigos até no Inferno (literalmente; muitos morreram tentando passar pelos portões demoníacos e tendo de enfrentar dezenas de demônios de uma única vez). À esquerda de Cibele está Ubeel, um Ophanim Caído, ou de acordo com ele, “Ophanim Derrubado”: seu único erro foi seguir com convicção seu código de justiça e atacar os Hellspawns com quem a Cidade de Prata queria negociar informações. Ubeel sabe que nada cometera de errado, e tem plena certeza que o Hellspawn em busca de redenção não pretendia revelar informações verdadeiras. Infelizmente, os grandes iluminados da Cidade de Prata não viram o fato sob este ângulo. Apesar de possuir uma aparência esguia de um garoto de 16 anos, Ubeel prefere assim enquanto está entre os humanos, pois sua verdadeira aparência chamaria muita atenção:

um homem de 2 metros e tantos de altura, bíceps do tamanho de melões e rosto de um assassino sem piedade. “Cara do Exterminador do Futuro”, como costuma dizer seu companheiro de caça, Heluel, o mais irreverente do grupo. Não só irreverente, mas um piadista por vezes inconveniente com incrível capacidade de fazer um comentário sem propósito mesmo no meio de um combate. De acordo com Cibele, este comportamento é uma fuga pela tristeza de ter sido expulso da Cidade de Prata por simplesmente fazer

o que foi treinado para fazer: caçar inimigos dos descendentes de Demiurge. Desde que sua alma

chegou à Cidade de Prata no fim da década de 70, os Recíperes sabiam que Heluel seria um grande Captare. Só não contavam com toda a fé que ele tem na cultura Rastafari, e por isso mesmo sua aparência causa estranhamento em tantos Anjos. Sua pele negra e ao mesmo tempo brilhante contrasta com suas tranças rastafari terminadas em presilhas prateadas com o formato de cruz. Costuma usar roupas sociais muito elegantes, sempre com tons avermelhados, esverdeados e amarelados. Mesmo pertencendo a um grupo cristão tão ignorado na Cidade de Prata, Heluel sempre foi muito bem considerado e respeitado por seu líder de campo, o Hayyoth Yviel. Aliás, nada nem ninguém é desconsiderado ou desrespeitado por Yviel, e por isso ninguém duvida de sua retidão e senso de justiça. Um Hayyoth de 4 séculos de idade, Yviel sempre foi

admirado desde que elegeu a cidade italiana de Nice como seu lar. Até mesmo os mafiosos da região eram mais pacíficos e serenos que os de outras regiões, tudo devido ao poder influente de Yviel. Mesmo expulso da Cidade de Prata, Yviel nunca desistiu de dar paz e segurança aos humanos e a seguir tudo

o que Demiurge determinou a ser seguido pelos

Anjos. Constantemente, alguns Captares que já se

encontraram com Yviel tentam levar seu caso ao Conselho Venerável, sempre com a mesma resposta negativa. Yviel sabe perdoar mais que qualquer outra Casta, e segue liderando o grupo de Anjos expulsos com a mesma fé de quando eram bem vindos.

O último integrante, também o mais recente,

é o Corpore Mevosiah. Sempre vestido como um

turista, Mevosiah considera que, uma vez expulsos da Cidade Prateada, ele poderia aproveitar sua eternidade como um humano, sem nunca se desviar de seu destino junto a seus companheiros exterminadores de Demônios. Assim, bebe, fuma, vai ao cinema, invade festas de celebridades e, mais que tudo, tira fotografias. Um verdadeiro amante da arte da fotografia, Mevosiah quer provas físicas

de sua existência na Terra, para que seu futuro filho (que ele pretende ter com uma mortal de nome Paola) sempre possa vê-lo. Seu romance com Paola

é desconhecido por seus amigos.

- Heluel, pede mais uma garrafa! – exclama Cibele. – Hoje é um dia de glória!

- Garçom, mais uma garrafa, por favor! – Heluel dirige-se ao garçom. – Yviel, aquelas crianças possuídas irão se curar por completo? Aquelas velhas horríveis pareciam conhecer rituais bem poderosos

- Não precisa se preocupar, Heluel! – responde o líder. – A benção que lhes dei as deixará imunes a influência

demoníaca por uma semana. E sim, a possessão daquelas crianças realmente era potente! Só foi preciso um raio nos olhos daquela Fúria para me dar uma ajudinha, não é, Cibele?

- Claro, chefinho! Mas esta não foi a melhor cena: eu adorei ver o Ubeel brincando de boxeador contra aquele Daemon! Hilário! Não, não! Melhor ainda foi logo após, quando Ubeel decidiu finalmente sacar a espada e cortar em um só ataque os dois chifres do monstro! Viram a cara dele quando Heluel o chamou de Hellboy?!

- Hahahaha! – Mevosiah se diverte. – Vou contar um segredo

- Não é necessário! – interrompe Yviel, ruborizado. – Certos segredos precisam continuar secretos

- Ah, Yviel, deixa disso! – exclamam Cibele e Heluel. – Conta logo,

Mevosiah!

- Quando eu estava para enfiar minha Lança Celestial no coração de uma das Fúrias, perguntei se ela tinha um último pedido. Sabem o que ela me respondeu? Que queria pelo menos um beijo do bonitão, apontando para Yviel! – conta Mevosiah, segurando o riso. – Coitada, ela parecia bem desiludida quando lhe disse que este desejo nunca seria realizado

- Nossa, Yviel, que fresco você é! – debocha Ubeel. – Você não sabe que

o que importa é a beleza interna, e não

a externa?

Enquanto todos gargalham e bebem o champanhe, o garçom aproxima-se da mesa redonda

ornamentada em motivos orgânicos com uma nova garrafa fechada. Quando Heluel estica sua mão para segurar a garrafa, o Captare renegado nota que o garçom está com os olhos inteiros brancos.

- Precisamos de vocês! – diz o garçom, com uma voz duplicada.

- Ei, amigo, não vamos lavar pratos!

– comenta

Temos dinheiro aqui

Cibele.

- Não é disso que ele está falando! – interrompe Heluel. – Quem é você? – dirigindo-se ao garçom.

- Sou Eriel, Arcanjo a serviço direto do Príncipe Altíssimo dos Arcanjos!

- O que Miguel quer conosco? – o líder Yviel assume a liderança da conversa.

- Não tenho permissão para revelar- lhes. Miguel intenta confabular convosco no Deserto de Dudael, próximo à tenda de Sara.

- Ah sim, fora da Cidade de Prata! – comenta Mevosiah. – Então receberemos algo pelo serviço, não é?

- Por favor, Mevosiah! – repreende

Yviel. – Eriel, diga-lhe que estaremos lá em 6 horas.

- Nobre Hayyoth, espero que sua presença e de seus companheiros rebeldes não nos causem uma Terceira

A simples

presença de suas carcaças infiéis macula o sagrado solo do plano superior

Rebelião em Paradísia

Palácio dos Imortais, Neokósmos

Seus olhos fitam a porta dupla que permite sair da sala real. A qualquer momento, AQUILO

estará abrindo estas portas e nada estará entre eles. Em tantos milênios de vida, o olimpiano só sentiu a aproximação de um poder tão grande em sua juventude, antes da Gigantomaquia. Aquela monstruosidade passou por todas as defesas do palácio do senhor dos deuses olímpicos sem recuar um único segundo. Quando Hermes chegou durante

- Amigo, você quer levar um na fuça? – enfurece-se Cibele.

- Não é necessário demonstrar a

levou à total extinção! Não há porque

- Galera, discrição! Olhem quanta gente

banquete para avisar a aproximação daquela

aberração pelas brumas de Spiritum, os olimpianos não fizeram nada além de comemorar. Uma chance

o

intemperança de sua Falange, Potestade, pois é ela que quase os

batalhar como nos velhos tempos, como não

faziam desde o fim dos problemas com a Cidade de Prata.

de

haver suicidas na Cidade de Prata,

O

som dos imortais sendo derrubados no

bastava dizerem a seu amigo Satã que gostariam de viver no Bosque dos

chão, gritando de dor, faz com que o olimpiano prepare-se para o combate. Da fonte oracular, o

Suicidas A raiva de Cibele faz com que pequenas correntes elétricas percorram seus olhos azuis como

olimpiano pôde observar, um a um, os deuses do eterno Monte Olimpo tombarem como se não passassem de mortais desafiando deuses supremos.

um céu raramente visto em uma Terra tão poluída

O

olimpiano começa a pensar qual seria a intenção

Suas mãos tocam a mesa e a eletricidade estática

de

um ser aberrante como aquele em entrar em

faz as cadeiras balançarem e se aproximarem da mesa. Os talheres, impecavelmente arrumados na mesa uma vez que os Anjos nada comeram,

Neokósmos, derrubar todos os olímpicos em seu caminho (sem matar nem sequer um), sem desviar um milímetro do caminho que leva à sala do filho

começam a se contorcerem e emitirem faíscas e estalidos. Mevosiah prepara-se segurando o

de Chronos. Então, a batalha chega à porta da sala real.

escapulário de São Pedro para livrar o garçom da influência mediúnica do Protetore Eriel. O Hayyoth ergue a mão direita e concentra-se, acalmando seus amigos de missões.

está aqui à volta! Senhor Eriel, como já lhe disse, avise seu mestre que estaremos lá dentro de 6 horas. Agora

A preferida do pai dos deuses, Athena, enfrenta

aquela abominação com toda a determinação de uma guerreira intrépida. Por um breve momento, ela conseguiu fazer aquilo recuar, mas foi arremessada com tanta força contra a porta que a quebra. Uma porta feita com o metal divino paradisiano, considerado quase indestrutível (mesmo para os padrões dos filhos do Edhen), foi quebrada como

parta, antes que dêem pela falta do

se

fosse uma simples divisória de papelão terreno.

garçom na cozinha!

O

olimpiano observa a deusa da guerra e da

- Como de praxe, o célebre Yviel mostra-se o mais ponderado do grupo! – diz Eriel. – Irei imediatamente, mas peço-lhes que não desperdicem a chance que Miguel lhes dá neste momento. Vocês podem estar acostumados a conviver diariamente com fracassos no mundo dos mortais, mas na imaculada Cidade Prateada erros não são admitidos! – O garçom possuído encara com rigidez os Anjos

renegados, e percebe seus olhares furiosos sobre ele. – Antes de partir, onde coloco esta garrafa?

- Eu vou dizer onde você pode enfiar a

garrafa, seu

– resmunga Ubeel.

sabedoria cair no centro da sala, desacordada e muito ferida.

O olimpiano abaixa-se para consolar e

agradecer à deusa por quase morrer por ele, e levanta-se, encarando o monstro. A criatura se parece com um guerreiro troiano, portando uma espada curta que secreta sem parar uma substância líquida semitransparente, mas com resquícios de algo negro, fazendo parecer água suja. Em seu tronco, uma cota de malha; quando observada com mais atenção, percebe-se que em vez de anéis de ferro, a matéria-prima para tal proteção são diminutas pessoas, cuja alma foi moldada para que seus braços e pernas fossem fundidos uns aos outros, em um tecido macabro de energia cármica. A pele do monstro é muito pálida, com veias azuladas

saltando. O resto da armadura é de um metal negro que emana uma aura amarronzada de podridão e mal absoluto, com detalhes vindos dos piores pesadelos que seu ferreiro poderia ter ao forjar tais peças de armadura. Seu elmo, aberto em estilo grego, tem o bizarro formato de duas Súcubos fazendo amor. Seu rosto é medonho, com deformações que um mutilado seria incapaz de vislumbrar em um espelho. Este ser não possui

olhos, mas suas cavidades oculares se parecem com

fora de toda a burocracia e política hierárquica da Cidade de Prata. Do alto do Monte Aramesh, os 6 Anjos renegados vêem a aproximação de um Anjo com 4 pares de asas de luz, iluminando o céu com tanta intensidade que mais parece um segundo Sol na abóbada. Graciosamente, o Anjo se aproxima da tenda de Sara e o grupo reconhece-o como Miguel, o Príncipe supremo dos Arcanjos e um dos mais

- Fico muito grato pela solicitude,

bocas de lampreias, circundadas por pequenos dentes afiados, formando 2 pequenas bocas onde

fortes guerreiros do Demiurge.

minhas crianças! – Miguel dirige-se ao grupo, com o carinho de costume.

deveriam ser os olhos. Sua boca, com um maquiavélico sorriso de boca aberta, tem seus lábios superiores e inferiores unidos em certos pontos, como se houvesse uma grade de carne labial. A criatura caminha com passos lentos na direção do olimpiano, quando ele sorri e pega o

-

- Excelentíssimo mestre Arcanjo, viemos aqui atendendo à sua convocação. – Yviel diz – Existe gravidade suficiente para a Cidade de Prata aceitar nossos serviços, meu

poderoso escudo de Athena no chão, olhando para

senhor?

seu lado esquerdo. Do canto da sala onde o olimpiano fitava, surge uma forma humanóide quase impossível de se descrever; afinal, como explicar

- Por enquanto, manteremos entre nós, está bem? – Miguel fala carinhosamente, continuando após

sobre um ser que na verdade são 50 guerreiros, todos ocupando o mesmo lugar no espaço? Todos se movem independentemente, mas suas mentes são

perceber a aprovação dos renegados com relação à discrição. – Para não perdermos tempo, contarei logo o caso

compartilhadas em uma espécie de consciência

a

vocês. Fui informado que os três

coletiva. Este ser é Briaréu, um dos Hecatonquiros. O olimpiano olha com satisfação para Briaréu e, com o escudo de Athena consigo, vira-se com fúria para o monstro grotesco:

mausoléus ao redor do Fosso de Metrópolis estão abertos, mas ninguém conseguiu descobrir se eles abriram sozinhos, se alguém os abriu por fora, que tipo de ser havia dentro,

infernitas e tenebritas, principalmente

 

Invasor, hoje você teve uma chance da qual nunca poderá se esquecer – diz o olimpiano –; sem grande esforço, derrotou os maiores guerreiros do Monte Olimpo: Hércules, Ares, Ártemis, Apolo e Athena. Nenhum foi

o

Hecatonquiro. – Enfrente e caia ante

nem para onde dirigiu-se. Além deste caso, há duas múmias milenares de faraós que durante a vida devotaram- se a cultos secretos a entidades

páreo para seu poder. Mas agora, você

o

adormecido Dagon. O Conselho da

enfrentará 51 seres divinos de uma única vez. Briaréu é meu guarda- costas, e ninguém invade meu reino impunemente! – o olimpiano cria uma lança de raios em sua mão direita, investindo contra o monstro junto com

Cidade de Prata já sabe das múmias, mas os Cenobitas isolaram sua cidade de modo que ninguém mais saiba dos mausoléus. Preciso saber o que aconteceu em Metrópolis, mas não posso enviar ninguém da própria Cidade Prateada, para que as notícias

o

poder infinito de Zeus!

não corram. Também não posso

Deserto de Dudael, Paradísia, 6 horas depois

utilizar os serviços de seres de pouca fé e compromisso com os planos do Criador. Este é o motivo de convocar

Yviel e seus parceiros já estavam há quase 1 hora na tenda de Sara, a esposa do patriarca Abraão. Sara, uma senhora de idade e muito caridosa, conversava com o esquadrão sobre a vida na Terra, suas vantagens e desvantagens relativas à vida em Paradísia. Sua voz é tão angelical que mesmo os Anjos se sentem mais próximos do Demiurge. Sua tenda, mesmo tão simples, é capaz de comportar milhares de almas fiéis em busca de descanso eterno

vocês. Aceitam auxiliar a Cidade de

Prata?

- Sem dúvida alguma, altíssimo Miguel!

– responde Yviel.

Do oeste, outro Anjo voa em direção à tenda de Sara. À medida em que se aproxima, pode-se identificar o Anjo como sendo Eriel, mensageiro de Miguel. Devido à sua luz angelical, não puderam ser vistas de longe 3 figuras que o seguem de perto. Uma jovem de cabelos ruivos e trajes gregos, um

guerreiro de pele morena, três cabeças e oito braços, e uma loira em trajes vickings de combate. Os três muito feridos, mas ainda resistindo bravamente à dor.

descansem um pouco na tenda de Sara, que logo seus ferimentos sumirão. Sara, a senhora poderia tratar estes 2 Anjos?

-

Mestre, tenho novos fatos para lhe

- Mas é claro, meu lindo Anjo! –

informar

– diz Eriel, mas interrompe

responde Sara. – Venham, crianças,

o

que dizia ao ver a presença de Yviel

logo, logo não sentirão dor alguma

e

seu grupo. – Vejo que, pelo menos

tentações de Belzebu os perseguir

- Obrigado, senhora – responde Aruhiga

- Sim, guerreiro de Katmaran. – diz

com relação a compromissos, Yviel sabe manter a palavra! Veremos o quanto sua palavra durará quando as –

comenta, sarcasticamente.

–, mas se Njall me permite, eu a acompanharei até Aasgard.

Njall. – Gostaria de companhia durante o trajeto. Gostaria de me

-

Meu querido pupilo, isto são modos?

acompanhar também, Andrômeda?

repreende Miguel. – Me diga as

-

Gostaria sim, Valkíria Njall! – afirma

novas, Eriel!

Andrômeda.

partem em direção a Aasgard, Yviel e seu esquadrão

-

Estes três Anjos são: Andrômeda, semideusa olimpiana neta de Hércules;

Aruhiga, Gandharva arauto dos

Assim que os 3 Anjos das cidades atacadas

planejam que ações tomar:

Marûts; e Njall, Valkíria responsável

-

Chefinho – diz Cibele –, múmias

por defender a entrada para a caverna

despertas, 3 mausoléus abertos, 3

onde o deus das trapaças Loki está

cidades paradisianas atacadas

Você

enclausurado. Os três foram atacados

vê alguma ligação?

por monstruosidades poderosas o suficiente para vencer todas as defesas das 3 cidades paradisianas e completarem suas missões.

-

Olha, Cibele – responde Yviel –, não sei o que essas múmias têm a ver, mas acho muito provável que os 3 “bichos” que saíram dos mausoléus são os

-

E

quais eram suas missões? – pergunta

mesmos “bichos” que atacaram as

Mevosiah.

cidades. Precisamos saber quem eram

-

As piores possíveis

– responde

esses 3 deuses mortos, e não é em

relutantemente Eriel. – A criatura que invadiu Neokósmos raptou o próprio senhor dos deuses, Zeus, e Briaréu está

Katmaran raptou todos os 60 Marûts.

-

Metrópolis que conseguiremos esta informação facilmente!

desaparecido. A criatura que invadiu

Talvez com um antigo morador da cidade dos anjos corrompidos divaga Mevosiah.

Por fim, a criatura que invadiu a caverna nas proximidades de Aasgard

-

De quem estais falando, impuros? – pergunta Eriel.

soltou Loki.

-

E o quê te interessa, almofadinha? –

-

Como isto é possível? – berrou

responde Heluel. – Temos Miguel

Miguel, com a voz de mil trovões. – que ser maligno conseguiria planejar algo tão terrível? – suas asas passam

-

como nosso empregador, e você como um reles capacho impertinente!

seu brilho de algo solar e glorioso para chamas incessantes. – A fuga do deus trapaceiro é o anúncio do Ragnaröck! Bela Valkíria, deves retornar a Aasgard e avisar o pai dos Aesir que

Já sei de quem está falando, Heluel! – comenta Yviel, observando Eriel voar em direção à Cidade de Prata sem nem mesmo despedir-se deles. – Mevosiah, próxima parada, Kuala Lumpur!

o

fim pode estar próximo! Por favor,

minhas crianças, partam

em seus corações! – Miguel se

Jerusalém

imediatamente para Metrópolis e descubram o que eram as 3 criaturas! Vão em paz, e que Demiurge esteja

Durante a alvorada, todos os Corpores de Jerusalém sobem ao monte em que Christos foi crucificado, para escutarem a sinfonia celestial da

despede, partindo com a velocidade da luz em direção ao Solarium.

criação. Além deles, ainda há um outro grupo de Anjos no alto do monte, que está lá dia e noite, todos

-

Escutastes o Príncipe Arcanjo! Sumam daqui e cumpram sua missão!

os dias desde que assumiram suas funções no Firmamento: aguardarem o sinal dos céus para o

exclama Eriel. – Njall e Aruhiga,

combate derradeiro entre as forças de Lúcifer e de

Christos, na planície de Megiddo. Diferente de todos os outros dias, o Sol nasceu com um ponto escuro em seu centro, que depois subiu a abóbada com mais velocidade que o astro-rei e, aos olhos treinados, pôde-se ver uma forma angelical no ponto escuro. Um local tão sagrado aos Anjos cristãos não poderia nunca parecer comum ou simples: enquanto alguns poucos Anjos deste grupo pré-apocalíptico permanecem sempre de pé olhando para o Leste, outras dezenas voam sem nunca parar à volta do monte. Suas asas luminosas, movendo-se em alta velocidade ao redor do monte deixa o acidente geográfico sacro sempre iluminado para quem pode enxergar os Anjos. Nenhuma criatura sobrenatural de pouca fé seria capaz de aproximar-se a menos de 100 metros do monte, arriscando-se a sofrer combustão espontânea com o fogo penitente destes Anjos vingadores. Enquanto se aproximava, o ponto tornava- se mais humano, e adquiria a luz característica dos Anjos. Assim que chegou ao monte, o Anjo pousa diante de Gideão, o líder deste grupo de Anjos que aguarda o sinal do fim dos dias: os Anjos do Armageddon.

- Meu irmão celeste, venho trazer-lhe o que vós aguardais há séculos! – comenta o Anjo, entregando na mão de Gideão um Turíbulo. – Pode seguir a Megiddo, pois logo chegará a hora da purificação divina!

- Goghiel – comenta Gideão, satisfeito –, finalmente nos vemos, após tanto tempo! Será mesmo este o momento de mostrarmos aos infiéis o fogo penitente de Demiurge?

- Sim, meu caro portador do Apocalipse! Este Turíbulo é a prova de que o fim da era dos homens finalmente chegou! Deves seguir com seus Anjos do Armageddon para Megiddo o mais rápido que puder, e posicionar-se com todo o seu poder, e não aguarde por nenhuma outra revelação divina, a não ser a que lhe trago! Lembre-se que Satã tentará enganá-lo e fazê-lo retroceder em seu caminho triunfante sobre as forças inferiores!

- Sim, Goghiel, finalmente o poder infinito dos Serafins e Malachim será empregado na destruição do Mal! Vamos, mirmidões apocalípticos, prostrar-nos no terreno da batalha final! – exclama Gideão a todo fôlego, levantando vôo junto a seus 100 soldados.

Castelo Júpiter, Cidade de Prata

Na torre da Sabedoria de Jeová, Miguel voa com olhos determinados, capazes de intimidar qualquer Anjo que estivesse em seu caminho. No alto desta torre, fica a alcova de Isherel, o mais antigo Seraphim da Cidade de Prata. Sua idade avançada permitiu-lhe ter sido o primeiro coletor das almas dos primeiros descendentes de Abraão, e também amigo eterno de Miguel. Suas 4 asas são enormes, mesmo comparadas às já grandes asas dos Seraphim: esticando todas, teria uma envergadura de mais de 20 metros. Seu manto repleto de runas em língua angelical pulsam uma luz verde no mesmo ritmo em que o Seraphim respira (hábito adquirido em seu tempo como psicopompo dos hebreus). Atualmente, não coleta mais almas, agindo como o bibliotecário dos veneráveis do Conselho, e detentor das informações inimagináveis a outros seres. Sua atenção quanto a um dos inúmeros pergaminhos em

seu quarto só é interrompida pela entrada de Miguel. Seu rosto preocupado atrai a atenção do velho Seraphim.

- Por Demiurge, Miguel, por que está com esta feição apreensiva?

- Meu querido amigo, pressinto que chegou o momento da Roda girar

- Por que agora? Nada consta nos

arquivos apocalípticos de que seria

Daqui desta janela, posso

enxergar o Ancião dos Dias, ali no alto, vê? Ele está na mesma posição

que sempre esteve há milênios! Ele é

o responsável por avisar o fim dos

dias. Diga-me, meu amigo, que sinais

agora

tu possuis para me dizer algo assim?

- Amado Isherel, Loki está solto! O Ragnaröck aasgardiano se iniciou!

- De acordo com todos os calendários apocalípticos que tenho, há muitas datas diferentes que anunciam este evento! Pode ser que Aasgard deve tombar antes que todas as outras regiões de Satânia, meu amigo!

- Darahv e Teptet voltaram à Terra em seus corpos mumificados! E se desta vez eles conseguirem abrir a brecha para Infernun, como tentaram há 3 milênios? Provavelmente os gigantes de fogo de Muspellsheim já devem estar se aprontando

- Acalme-se, Miguel! Que outras ocorrências vislumbrou?

- Os três mausoléus ao redor do Fosso de Metrópolis estão abertos e vazios. Zeus foi raptado por uma criatura desconhecida, assim como os 60 Marûts de Katmaran.

- Nada foi encontrado dentro dos 3 mausoléus?

- Encontraram isto. – Miguel entrega o

pergaminho a Isherel. Isherel é antigo

o suficiente para conhecer todos os

idiomas conhecidos, alguns pouco conhecidos, e ainda é capaz de compreender os idiomas desconhecidos por ele.

- Miguel, pelos traços e o material, este pergaminho é tenebrita, e vem com profecias sobre a criação de todas as cidades paradisianas, bem como um único Apocalipse para todas. De acordo com isto, os três mausoléus guardam deuses mortos infernitas condenados a dormir até o dia do giro da Roda dos Mundos. Meu amigo Miguel, pode ser que seus receios possam ser reais Subitamente, a porta do aposento de Isherel

se abre, e o novo visitante revela-se Eriel.

- Meu amado mensageiro, rezo para que

– diz Miguel.

- Sim, digo, não, digo, não sei ao certo, senhor! – hesita Eriel. – Olá, venerável

Isherel. Peço desculpas por invadir seu aposento sem permissão, mas preciso falar com meu mestre Miguel.

- Fique à vontade, jovem! – responde, com o máximo de cordialidade possível, o Elohim Isherel.

- Eriel, conte-me o que tens a contar! Não se preocupe com Isherel, ele pode ouvir.

- Senhor, 7 Thuata Dé Danann dirigem-

se para Cidade de Prata, e, através de

um arauto, avisaram que precisam reunir-se com os generais dos exércitos celestiais!

- Entende como tudo está se tornando cada vez mais estranho, meu querido Isherel? Agora, 7 deuses celtas querem falar de guerra conosco! Está bem, Eriel, apronte a sala de guerra para a chegada deles, e peça que os recebam muito bem e os levem até a sala. – Miguel começa a falar cada vez mais tenso e apressado. – Meu amado Isherel, tenho de ir agora, mas depois conversaremos mais! Fique com o pergaminho e analise quem são as

me traga boas notícias

criaturas dos mausoléus!

- Claro, meu milenar amásio! Assim que descobrir algo novo, eu lhe avisarei! Vá com a luz de Demiurge!

- Obrigado, Isherel! Que o Altíssimo o abençoe. – Miguel diz, antes de sair

da alcova em direção a seus próprios aposentos, enquanto Eriel dirige-se aos guardiões das entradas da Cidade de Prata.

Pirâmide Amduat, Inferno, 1 ano atrás

Em uma sala maravilhosa decorada com objetos egípcios, a figura sombria aguarda sentada sobre uma cadeira ricamente ornamentada com hieróglifos. Pela janela da pirâmide de pedra negra, pode-se observar as areias escaldantes do Terceiro Compartimento no Sétimo Círculo, repleta de pássaros com cabeça humana sobrevoando almas condenadas que rastejam sobre os grãos incandescentes de areia. Vez ou outra um grupo de 3 ou 4 ciclopes portando árvores retorcidas como clavas passam pelo deserto, espancando até a morte toda alma que encontram. E este é um dos problemas de um condenado ao Inferno: mesmo morrendo, ele volta à “vida” segundos depois, sofrendo eternamente seu castigo imposto pela Forma- Pensamento dos fiéis terrenos.

Ainda um pouco impaciente, a figura sombria tenta distrair-se examinando alguns objetos da sala, como punhais, taças, pergaminhos, estatuetas e moedas. Seu manto negro é grande o suficiente para ocultar todo o seu corpo, e ainda lhe fornecer penumbra ao rosto, mantendo a identidade

a salvo de qualquer intrometido que tenha lhe

seguido. O último objeto que examinava com as

mãos era uma estatueta de Horus, o deus vingador

e atual regente da Cidade Dourada de Rá.

- Linda estatueta, não é, meu visitante misterioso? – o poderoso juiz dos mortos Anúbis surge da porta dourada que contém a forma do próprio deus da morte egípcio, em alto-relevo.

- Concordo, juiz dos mortos! – acede o ser sombrio de manto negro. – Seu meio-irmão parece estar fazendo um bom serviço como sucessor de Osíris.

Se pelo menos ele permitisse sua volta

– e a figura

começa a destilar seu veneno nas palavras que profere ao descendente

à Cidade Dourada

de Kephera.

- Sim, mas não há modo de sair daqui e entrar na Cidade sem meu antigo

transporte

de iluminar os céus do Antigo Egito como seu substituto, mas as malditas legiões espirituais romanas o tomaram de mim

Rá me concedeu a honra

- Por acaso o juiz dos mortos sabe que seu presente de Rá perdeu-se do

 

domínio do Arkanun Arcanorum

quando Mithras foi vencido pelas falanges da Cidade de Prata?

- Está bem, conquistador! Negócio fechado! Onde está meu presente?

- Ali embaixo, vê? – a criatura envolta

-

É

claro que sei! – exalta-se Anúbis. –

em trevas olha pela janela para a

Como ousa duvidar de minha ciência

entrada da pirâmide de rocha negra,

nos fatos terrenos, se nem ao menos conheço-te?

uma longa barca de madeira enegrecida e um remo sobre ela, e em

-

É claro que me conheces, deus-chacal!

volta da barca alguns demônios com

– a figura ergue a cabeça, eliminando

cabeça de chacal, servos de Anúbis.

a penumbra que lhe ocultava a face.

- Sim! Sim! A barca solar de Rá!

-

Ah, você

Desta vez tens algo a me

Finalmente a terei de volta!

oferecer para que nossa troca pareça justa?

- Bom para você, juiz dos mortos! Voltemos às condições de entrega de

-

Sim, tenho, e desta vez meu pedido

meu pedido

aumentou proporcionalmente ao valor do que tenho a lhe dar

- Tem alguma ordem de chegada?

- Na verdade, tenho sim. – responde a

-

Ah é? E desta vez seu pedido seria o quê? Todos eles de uma vez só?

figura sombria, apontando para alguns símbolos da tabuleta de Anúbis. –

-

Exatamente

Estes dois demonologistas primeiro,

O mestre da morte não esperava por esta

depois todos juntos! É imprescindível

resposta. Ele pensa por instantes o que aquele ser pretende com tal pedido radical. Será que ele não teme as cidades paradisianas? Os grandes senhores de Spiritum? Ou mesmo os nobres do Inferno?

que haja uma diferença de exatamente 4 dias entre estes 2 e todos os outros! Consegue realizar esta entrega sob estas circunstâncias, mestre da morte?

-

E

qual seria o meu pagamento por um

- Sem dúvida! Quer embalados para

serviço que me tomará todo o tempo

 

presente?

por

– Anúbis examina uma tabuleta

um

 

de barro com vários hieróglifos. -

ano inteiro?

Costa litorânea de Mônaco, Terra, 20 anos atrás

-

Que tal a chance de navegar de volta

à

morada do deus das lágrimas?

As ondas chocando-se na linda praia nesta

-

Você

– o deus-chacal parece não

noite estrelada são quase hipnóticas para os casais

o

dia de São Valentim, o padroeiro dos amantes e

 

acreditar no que ouve. – Você conseguiu encontrá-lo?

de jovens que sentam-se na areia para comemorar

- Foi difícil, tenho de confessar! Realizei esta busca há mais de meio século, e o tenho guardado todo este tempo, para que sua sentida falta e a busca por sua devolução fossem desencorajadas. O que me diz, juiz das almas? Nosso trato está feito? Anúbis nem se preocupa com as

conseqüências de seus atos. Tudo o que lhe importa

é voltar à Cidade Dourada de Rá e negociar

pessoalmente com Horus por sua aceitação de volta

à cidade dos grandes deuses egípcios. De onde

nunca deveria ter saído, se não fosse pelas artimanhas de Set. O trabalho seria duro, por um ano inteiro. Anúbis sabe que está negociando com

um ser muito poderoso, talvez até capaz de rivalizar

o poder do deus-chacal, de modo que ele deverá

cumprir o trato sem um único erro, pois um ínfimo

erro implicaria na vingança desta figura envolta em um manto de energia negra, juntamente com o ódio das cidades paradisianas e do próprio Inferno, que

o caçariam e destruiriam sua existência assim que soubesse o que ocorrerá.

namorados. Mas de pouco importa este fenômeno da natureza para o esquadrão de Anjos que posiciona-se sobre um rochedo, banhados pela luz da lua cheia, chamada pelos italianos de Luna del Caccadore, a “lua do caçador”. E é exatamente isto

o que farão nesta noite: caçarão. O grupo de 4 Anjos posiciona-se para um ataque veloz e certeiro contra um provável inimigo, que um contato deles revelou possuir informações importantes sobre um Anjo Caído que movia peças no Xadrez Celestial sem o consentimento dos

Nimbus. A simples menção de um Anjo Caído inflama os olhos do Ophanim Ubeel, que não admite nem mesmo a possibilidade de um ser feito de

energia celestial agir contra as ordens de Demiurge. Há tempos que estes Anjos vêm acompanhando o grupo de Hellspawns que freqüenta Mônaco sem nunca causar problemas com

a comunidade sobrenatural do local, sempre

discretos e pacíficos. Péssimo sinal, por se tratarem dos melhores assassinos do Inferno. O contato deste grupo de Anjos, um cigano chamado Raul, lhes informou que um dos Hellspawns pretende inclusive parar com as matanças desenfreadas que fazem a

mando dos lordes infernais, e purificar-se de tal

forma que se torne um Redentor, a exata contraparte dos Hellspawns na Cidade de Prata. O líder dos 4 Anjos, Yviel, pretende interrogá-lo caso surja a chance. Assim que duas ondas se chocam no canto leste da praia, o grupo de Hellspawns surge em meio às águas ainda espumantes devido ao choque.

- Chegou a hora. Meus parceiros, preparem-se para o que vier a

acontecer. Eu descerei e conversarei com um deles! De acordo com Raul,

o Hellspawn em busca de redenção se

sentará no primeiro quiosque à esquerda. Vigiem os outros, por favor!

- Sim senhor! – respondem o Ophanim Ubeel, a Potência Cibele e o Captare Heluel, observando o Hayyoth que os lidera planar invisível do rochedo até

o quiosque onde o Hellspawn

disfarçado se posicionara.

- Você quer poder sentir a energia de Deus, demônio? – Yviel pergunta ao Hellspawn.

- Sim

em minha existência, estou disposto a

revelar informações importantes sobre

a Guerra entre o Céu e o Inferno.

- Por que você não me conta algo e eu mesmo verifico sua relevância na Cidade de Prata? Sou um Hayyoth, e você mesmo sabe que isso basta para

que confie em mim. – Yviel toca a mão

do Hellspawn e lhe permite ver sua

verdadeira forma angelical por

segundos, para provar sua veracidade.

- Está bem. Em uma de minhas missões

E para conseguir a luz divina

no Inferno, me deparei com um grupo de seguidores de Dagon, que

planejavam a volta datada de seu deus

Felizmente, um

tenebrita à Terra

destes seguidores era meu alvo, e pude adquirir todas as informações sobre a

volta de Dagon à Terra enquanto o

torturava, retirando dedo a dedo, depois destrinchando seus membros

de modo que se desfizessem em carne,

sangue podre e nervuras, depois

- Me poupe dos detalhes da tortura,

criatura infernal! – interrompe Yviel, enojado. – e quando será a volta de

Dagon?

- Isto eu só conto na Cidade de Prata!

- Então aguarde aqui mesmo, que logo voltarei com outros Anjos para lhe levar até a cidade dos altíssimos! Assim que chega ao rochedo, Yviel percebe que há companhia com seus companheiros.

- Senhor Goghiel, tenho grande satisfação em dizer-lhe que aquele Hellspawn está arrependido de sua

existência corrompida e deseja voltar

à Luz! Ele também tem informações

importantes sobre a volta de tenebritas

à Terra

- Chega, Hayyoth! – grita Goghiel. – Vejo que a inocência em sua Casta realmente pode tornar-se perigosa Tens idéia da gravidade que é a volta de um tenebrita? Por acaso achas que um Hellspawn baixo como este saberia de uma informação tão importante e passaria esta informação aos

guerreiros puros da Cidade de Prata? É claro que não! Ele a negociaria em troca de almas, de terrenos no Inferno, de favores aos grandes lordes infernais, uma noite com Ereshkigal, ou qualquer blasfêmia semelhante!

- Mas senhor

- Não, jovens! Demônios vêm à Terra para corromper humanos e levá-los ao caminho do Mal! Um segundo a mais de existência de um demônio na Terra é mais uma alma que perde a chance de ir ao paraíso. Sou um antigo Elim, um Portador da Fúria Divina, e sei exatamente o que fazer com estes monstros dos planos inferiores! Se

– Yviel tenta se explicar.

vocês não são capazes de seguir as leis de Demiurge, eu lhes mostrarei como!

– o Anjo retira seu manto cerimonial

branco e saca duas espadas com lâminas flamejantes. Seus braços são repletos de pelugem listrada, como se fossem os braços de um tigre humanóide.

- Por favor, não, senhor! – suplica Yviel. – Entendo perfeitamente o que disseste, e sei o que fazer. Amigos, vamos exterminar estes Hellspawns!

– virando-se aos 3 Anjos.

Goghiel vê o imenso poder que os 4 Anjos têm, mesmo com alguns sendo tão jovens. Os 7 Hellspawns que aguardavam à sombra do rochedo

pela volta do líder são interceptados pelo Ophanim,

o Captare e a Potência, que os extermina em poucos minutos; se não fossem recém-recrutados, talvez

dessem mais trabalho aos 3 Anjos. Yviel aproxima- se novamente do Hellspawn em busca da redenção

e pede que lhe acompanhe até o rochedo, utilizando

seus poderes de influência mental. Assim que chega

à sombra, o Hellspawn depara-se com as 7 carcaças

destruídas de seus companheiros infernais e nem sequer tem tempo para defender-se dos 3 Anjos

atacando ao mesmo tempo. O elemento surpresa foi suficiente para matar um Hellspawn de 200 anos. O Elim Goghiel sorri satisfeito com o resultado do ataque e parte voando em direção à Cidade de Prata, deixando como recompensa pelo heroísmo dos 5 Anjos um grande machado mágico com símbolos astecas.

Kuala Lumpur, Malásia

Abaixo das Petronas Towers, as maiores torres gêmeas do mundo, fica a Praça de Recreação

da capital malaia. Um grande centro de alimentação

e eventos ao vivo diariamente, repleto de altos

executivos de empresas multinacionais e turistas.

O Sol recém-saído de seu zênite inicia a formação

das sombras das torres que logo encobrirão a praça.

Em meio a quiosques e balcões de vendedores de lanches e doces, dezenas de pessoas andam

apressadas, em sua maioria preocupadas com o vil metal que suja a alma dos mortais gananciosos. Nesta praça, um grupo de 5 Anjos disfarçados em humanos observa os arranha-céus gêmeos.

- Será que ele virá? – Heluel pergunta a Yviel.

- É claro que virá, Heluel! Ele sabe que ainda nos deve um favor! Nada mais oportuno que utilizar as capacidades dele para verificarmos o que ocorre em Metrópolis.

O que Miguel faria se

- Sim, mas

soubesse? – preocupa-se Mevosiah.

- Ele pediu pelos serviços de Anjos expulsos da Cidade de Prata. Ele sabe que utilizaremos métodos raros ou mesmo proibidos pelos habitantes da

cidade celestial. – explica Yviel. Enquanto questionam seus métodos de investigação, Heluel nota o executivo que sai da torre Petrona direita e segue tranqüilamente em direção aos Anjos.

- Boa tarde, amigos! Pensei que nunca mais nos veríamos! – diz o homem.

- Você costuma almoçar nesta praça, Xheol? Nunca comi uma comida

oriental tão deliciosa! E este saquê com licor? Hum, divino! – comenta Mevosiah.

- Não, Corpore, eu como na praça de alimentação dentro das torres

Mas então: o que os traz à

Malásia? Falem logo, porque estou na hora do almoço e daqui a pouco tenho uma reunião

- Como assim? Quer dizer que o Cheza rebelde, transportador de almas dos maiores negociadores de Metrópolis,

gêmeas

agora segue horários e se veste todo engomadinho? – debocha Cibele.

- Ossos do ofício

dentro destas torres existem cultistas tão valiosos para os meus empregadores?

- Chega de falar de seus crimes contra

o Demiurge! – enfurece-se Yviel. –

Viemos aqui para coletar informações

sobre os mausoléus de Metrópolis, e sabemos que você tem os Manuscritos de Ravena! Queremos negociar pelas informações que existirem neste documento!

Quem diria que

- Yviel, você sabe que a simples leitura deste documento seria capaz de enlouquecer um humano, e corromper Anjos, não sabe? Eu até permito que

se arrisquem, mas depois não venham

reclamar comigo que seus corações estão gelados, que só enxergam o mundo com decadência, que ouvem

lamentos dia e noite

- Sabemos de nossos riscos, mas estamos agora a serviço do próprio Demiurge! Qual é seu preço?

Eu estava precisando me

livrar destas chagas horríveis que adquiri com aquele exorcista mês

Pelo que sei, elas piorarão

com o tempo, até que eu nunca mais possa assumir essa forma humana, e seja sugado direto para o Inferno! É, acho que acabar com esta maldição está de bom tamanho!

- Está bem, Cheza! – concorda Yviel. – Precisamos de um local consagrado. Você conhece algum por aqui?

- Claro, prezado Hayyoth! Por coincidência, possuo um local consagrado no museu que patrocino. Aliás, é lá que estão escondidos os Manuscritos de Ravena! – Xheol olha seu relógio – Meu tempo de almoço acabou! Encontrem-me no Museu Nacional, na ala de História Antiga, à meia-noite!

- Quer dizer que deveremos invadir o lugar? – pergunta Ubeel.

- Vocês não querem também que eu lhes facilite tudo, querem? Até à noite, amigos! – o Cheza Xheol se despede, rumando em direção à torre direita. À meia-noite do mesmo dia, os 5 Anjos já estavam dentro do saguão do museu, empregando seus poderes ilusórios para afastarem as atenções dos cães vigias e seus donos, os guardas do local. Ao subirem a escadaria principal do museu, o grupo

- Vamos ver

passado

segue para a ala de História Antiga. Por sorte, a habilidade inata de Mevosiah em lidar com os humanos lhe garante a capacidade de compreender

quase todos os idiomas dos mortais, o que lhe ajudou

a traduzir as placas. Entrando na ala de História Antiga, os 5 amigos rumam para a última sala, onde provavelmente estaria Xheol. Ao penetrarem o aposento, a sala de Ritos Ancestrais, os Anjos encontram Xheol já em sua forma verdadeira: um

homem careca, de pele muito pálida, trajes de couro negro brilhante, arame farpado enroscado em todas

as suas articulações (como pescoço, cotovelos e

joelhos), uma única asa mecânica de bronze alaranjado repleta de pontos de ferrugem concentrada, o antebraço esquerdo envolto por uma corrente de metal negro, e um arpão de aço enegrecido atravessado em seu tórax.

Por um instante, os Anjos pensam ser uma péssima idéia negociarem com tal ser grotesco, embora ele seja também um paradisiano. Depois, a

necessidade e o histórico de alianças já feitas com

ele os forçam a aceitar barganhar com o Cheza. Ele

nunca descumpriu um trato, e sabe do valor que “agentes desligados da agência” têm e sempre tiveram neste giro da Roda dos Mundos. Desde que se conheceram, nas guerras civis chinesas da década de 80, os Anjos percebiam uma boa intenção nas más ações do Cheza. A primeira

vez que se viram, Xheol estava em um hospital, capturando as almas de crianças moribundas baleadas. Yviel, ponderado como sempre, questionou os atos de Xheol, que lhe explicou a razão de estar capturando as almas de tais crianças:

todas elas tinham suas almas vendidas a mercadores

de almas da Cidade de Prata, e perderiam para

sempre a chance de reencarnar assim que

morressem. Assim, seria preferível entregar as almas

a escravistas de Metrópolis, na esperança de um dia

estas almas serem libertas, a permitir que estas crianças se tornassem parte da energia corrompida dos Obscuri Recíperes. Por dois anos, Xheol tornou-

se um integrante do grupo de Anjos, enquanto

executava em paralelo sua coleta de almas aos mercadores de Metrópolis. Um certo dia, os 6

paradisianos tiveram de enfrentar invocadores de animais demoníacos, quando perceberam que o vilão do caso era um dos empregadores de Xheol.

O Cheza recusou-se a continuar a missão, e

refugiou-se em uma vila no Camboja, passando a mudar-se de país em país da região até então.

- Ah, chegaram! – Xheol se alegra ao ver o grupo. – Estão prontos para me livrarem da maldição? Esta sala está consagrada!

- Os Manuscritos estão aqui? – pergunta Ubeel.

- Sim, estão nesta vitrine, dentro deste tudo de cerâmica. – Xheol aponta a uma coleção de itens egípcios. Na vitrine, há vários outros artefatos arqueológicos, como punhais, estatuetas e ornamentos corporais.

- Sim, Xheol! – afirma Yviel, com convicção. – Permita-me antes guardar os Manuscritos de modo a evitar

Enquanto Cibele

toma os Manuscritos, nós iniciaremos o ritual. O corpo de Cibele vai adquirindo uma luminescência fantasmagórica, enquanto seus traços vão se tornando cada vez mais translúcidos, ao mesmo tempo em que os outros quatro Anjos se posicionam à volta de Xheol como num círculo perfeito, com as distâncias milimetricamente calculadas, o pó prateado jogado por Mevosiah sobre o Cheza, Ubeel erguendo sua espada curta romana para o alto em um ângulo perfeito de 45 graus, inflamando-a e revelando nas proximidades vultos fantasmais percorrendo a área à volta e em meio aos paradisianos. Cibele atravessa o vidro que separa os itens que estão junto aos Manuscritos de Ravena, como se o vidro nunca tivesse existido. Suas mãos alcançam o rolo de papiros escritos em uma língua cenobita antiga, e logo o rolo adquire a essência translúcida de sua captora. Enquanto a Potência guarda consigo o valioso item de Metrópolis, ela nota um gato mumificado ao canto da sala movendo- se lentamente, como se voltasse aos sentidos após um estado catatônico milenar. Yviel entoa as palavras cabalísticas para retirar a maldição imposta sobre Xheol, levantando sua voz em trechos estratégicos, enquanto Mevosiah mantém o controle da redoma mística criada com o pó prateado, e Heluel segura com firmeza uma serpente empalhada com os braços esticados para frente. Ubeel realiza um ritual paralelo, preparando- se para o combate que se seguirá após a retirada da maldição: uma infeliz conseqüência do ritual pagão que estão realizando. Cibele volta à sua forma tangível, perdendo a aparência translúcida, enquanto observa o gato mumificado dirigir-se para fora da sala em que se encontram, intrigada. No momento em que Yviel grita os trechos finais do ritual, Ubeel adquire sua forma verdadeira de guerreiro descomunal trajando sua armadura de guerra, agora com uma espada de duas mãos inacreditavelmente grande mesmo para alguém do porte dele, com uma lâmina da largura de seu próprio tronco. Faíscas e filetes de chamas percorrem esporadicamente o corpo do Ophanim, neste momento pronto para a ameaça. Após a última palavra de Yviel, Xheol berra de dor, enquanto uma energia luminosa repleta de faíscas vermelhas e

futuros problemas

amarelas sai do corpo do Cheza e penetra na serpente empalhada. Yviel junta-se a Mevosiah na manutenção da redoma mística e puxa Xheol para fora do círculo. Heluel arremessa a cobra para o centro e posiciona- se ao lado de Ubeel. A serpente rapidamente adquire vida com a essência que foi retirada de Xheol, metamorfoseando-se em uma colossal serpente de madeira, cujas ranhuras permitem que seu interior

seja visto: pura energia branca com faíscas, a mesma energia que fora retirada de Xheol. Com um simples, porém muito bem calculado, golpe de sua espada, Ubeel corta a cabeça da serpente, acabando com a energia maligna, e consequentemente com a maldição do Cheza.

- Está feito, Xheol. – Yviel diz, aliviado por não ocorrer nenhum problema no ritual.

- Eu agradeço a vocês, Anjos da Cidade de Prata! – alegra-se Xheol. – Como percebo, vocês já se encontram com os Manuscritos de Ravena, e poderão identificar o que procuram! Mas Onde está o gato mumificado que ficava ali? – Xheol aponta para o pedestal de onde o gato empalhado observado por Cibele saíra. – Além

Percebem o que está

acontecendo aqui? As almas estão em alerta! – Xheol acende seu isqueiro, realizando um pequeno ritual para tornar os espíritos visíveis. À volta deles, diversas formas semelhantes a brumas humanóides voam pelo aposento, com rostos transparecendo desespero e temor. Assim que o Cheza termina de falar, os cães de guarda começam a latir e ganir de dor, fazendo com que os 6 paradisianos dirijam-se ao saguão. Cibele continua olhando apreensiva para a porta por onde o gato mumificado saiu. O próprio ar dentro do museu tornou-se mais frio e começa a criar ventos que sussurram a morte aos seres vivos. As luzes perdem seu verdadeiro brilho e sombras passam a preencher as paredes, em formas malignas de males adormecidos nas areias do tempo e do esquecimento. Os paradisianos percebem que há um grande mal a ser combatido no museu, e todos se apressam para atingir o saguão. A visão que têm ao chegarem no saguão seria capaz de enlouquecer um mortal comum, embora sejam exatamente os mortais no recinto que estejam

sendo alvos desta visão estarrecedora: 3 múmias, cada uma erguendo pelo pescoço um guarda do museu, utilizando a outra mão para sugar magicamente as entranhas dos guardas, de modo que os órgãos internos são drenados das barrigas estouradas e se dirigem às mãos das múmias,

disso

servindo-lhes de alimento para uma aparência

diferente da de um cadáver mumificado. Com isto,

o grupo de Anjos não vê outra saída senão atacar

os 3 seres milenares e puni-los pelo mal que causam no mundo dos vivos. Assim que descem do andar superior voando diretamente em direção aos mortos-vivos, as múmias percebem a ameaça e largam os corpos ensangüentados dos guardas, criando magicamente armas para o combate. Ubeel é o primeiro Anjo a se aproximar de uma das múmias, chocando sua espada curta (já com seu tamanho normal após a transformação durante o ritual de remoção da maldição de Xheol) com a espada egípcia da múmia,

e o Ophanim percebe que sua força não foi suficiente

nem mesmo para forçar a múmia a sair do lugar. A espada do Ophanim é então girada em arco, com o objetivo de acertar a cintura da múmia, mas a espada parece atravessar uma parede de areia, sem ferir o monstro. A espada da múmia, entretanto, atinge o ombro direito de Ubeel com a força de uma guilhotina, e labaredas são expelidas do ombro

ferido, incendiando as faixas usadas para embalsamar a múmia. Outra múmia, detectando os Anjos menos voltados ao combate, torna-se uma tempestade de

areia e envolve Yviel, esperando atrapalhar seu vôo

e forçá-lo a chocar-se contra o chão ou uma parede. Enquanto o Hayyoth se debate, Heluel se joga para dentro da tempestade para salvar seu líder, ao mesmo tempo em que Xheol usa sua única asa mecânica para atacar a tempestade, passando as lâminas de bronze que preenchem sua asa. Logo que as lâminas de metal passam pela tempestade, ouve-se um urro de dor da múmia e sangue podre jorrando da tempestade para o chão. Logo que a tempestade perde sai intensidade, Heluel consegue sair com Yviel agarrado em seu pescoço, e a múmia volta à sua forma humanóide.

A terceira múmia, munida de um tridente,

salta na direção de Mevosiah e Cibele, logo tendo

sua arma aparada pela maça prateada de Mevosiah. Cibele aproveita o momento e descarrega sobre a múmia uma rajada de eletricidade, que afasta a múmia e a obriga a criar um campo de proteção em

volta de si. Mevosiah percebe a hesitação da múmia

e utiliza seus poderes dimensionais para atravessar

a barreira mística que o milenar faraó criara,

acertando-lhe com a maça no rosto, marcando a face pútrida da múmia com os espinhos de prata. O campo de proteção cai e Cibele aproveita a ocasião para criar um arco de pura luz, a marca registrada

das Potências, e apontar uma flecha de energia para

a múmia, enquanto sussurra palavras cabalísticas para impor uma punição à múmia.

A múmia que enfrenta Ubeel grita palavras

de guerra, de modo que seu corpo arenoso se petrifique, transformando-o em um monstro de

pedra de vários pés de altura, o que não é suficiente para intimidar Ubeel. O Ophanim prepara-se para mais um ataque, e é surpreendido por um encontrão do monstro de pedra, que o arremessa contra a parede oposta do museu. Ubeel ergue-se muito ferido e percebe a necessidade de usar o poder máximo dos elohim Ophanim: a transformação em rodas de fogo. Seu corpo torna-se discos flamejantes

o

perigo e tenta tornar-se uma tempestade de areia.

 

somente você seria capaz de vencer um mago que foi capaz de voltar da própria Amduat? Em meu reinado todos os demônios babilônicos foram destruídos, quando eu ainda era vivo! Agora que estou ainda mais forte, nenhum paradisiano de segunda categoria como você poderá nos deter!

em giro vertical, todas no mesmo sentido, e voam

-

“Nos” deter? – pergunta Xheol. – Seus

Não me refiro a eles, tolo arrogante!

em alta velocidade em direção à múmia, que percebe

coleguinhas acabaram de ser exterminados, você está sozinho aqui!

Logo que as rodas penetram na tempestade, todos

-

ouvem os gritos de extrema dor da múmia, que após alguns segundos volta a ser um cadáver embalsamado inerte no chão.

Os dias finais chegaram! Todos os faraós receberão o reino que nos foi prometido por Osíris! Nós, antigos

A

múmia que enfrenta Cibele e Mevosiah

faraós, reinaremos sobre o que restar

transforma-se em um grande leão de areia, correndo atrás dos Anjos para devorar-lhes. Cibele termina

 

da Terra quando todos os outros deuses morrerem!

em voz alta as palavras cabalísticas que sussurrava

-

E

esse negócio de deuses morrerem?

e

aponta o arco para o leão. Ao fim de seu mantra

Você está querendo dizer que este é o

Finalmente entendeu, inseto de

místico, o leão começa a voltar à forma da múmia, tornando-se enfraquecida pelo poder de punição dos

controle do gelo para congelar a criatura em

sua energia em intensidade máxima. A Potência

-

fim do mundo?

magos que os Anjos Potências são capazes de realizar. Mevosiah usa seus poderes mágicos de

transformação no lugar, e a flecha de Cibele adquire

Paradísia! Prepare-se, pois será o primeiro dos paradisianos a morrer pelas mãos de um faraó do novo

mundo! – A múmia dispara contra Xheol, com sua lança apontada para o

dispara a flecha, que corta o vento diretamente para

Cheza.

a

Xheol esquiva-se do ataque da múmia,

cabeça do morto-vivo, enviando sua alma de volta para o mundo dos mortos.

- Anjos, afastem-se desta múmia, pois eu mesmo darei cabo dela! – exclama Xheol.

- Xheol, não há necessidade para heroísmos agora! – discorda Yviel. – Esta criatura maligna é uma ameaça à Terra, e temos o dever de impedi-la de cumprir seus planos!

- Já falei para se afastarem! – o Cheza grita, com uma ira nunca vista antes por seus antigos companheiros paradisianos. – Monstro amaldiçoado, você será enviado de volta a seu deus Anúbis logo, então não poupe esforços para me matar! Venha! – O Cheza desenrola do braço sua corrente negra, girando-a como uma arma.

A múmia começa a emitir gritos de dor e a

arremessando a corrente negra nas pernas da múmia, fazendo-a cair no chão e largar a lança devido ao impacto da queda.

- Maldito Cheza! – urra a múmia. – Como esta corrente é capaz de me segurar? Ela devia ter me atravessado como se eu fosse areia pura!

- Parece que não sou realmente um inseto paradisiano, não é, defunto egípcio? – zomba Xheol. – Você por acaso acha que eu, patrocinando um museu com 3 múmias dentro, não entro sempre preparado para um evento destes? Experimente agora um pouco de ferrugem na cara! – o Cheza ataca a múmia com sua asa mecânica, ferindo-a no braço esquerdo. A

múmia, também muito rápida, joga-se para mais perto de sua lança, pegando-

chorar sobre sua arma, com gotas de um líquido que não pode ser considerado como lágrimas comuns: este líquido que sai dos olhos mortos da criatura é na verdade água morta, uma poderosa arma contra os paradisianos. Todos os Anjos começam a gemer de dor e ajoelham-se, tapando os ouvidos.

- Hahahahaha! – ri a múmia após suas lágrimas serem derramadas sobre sua lança. – Cheza idiota, pensa que

a nas mãos e livrando-se da corrente

negra. A múmia gira a lança em volta de si com grande destreza, demonstrando ao Cheza que será uma dura batalha corpo-a-corpo. Xheol gira sua corrente negra, preparando-se para atacar. Quando Xheol arremessa sua corrente negra, a múmia reage com uma rapidez inacreditável, desviando da linha reta que a corrente forma no ataque, e a lança

alcança as vísceras de Xheol, com a lâmina molhada de lágrimas da múmia penetrando seu corpo. Xheol sente uma dor muito forte, e perde a força para o próximo ataque. A múmia percebe o dano que causara e retira a lâmina do ferimento, agravando-o, enquanto a múmia gira no próprio eixo para que a ponta da lança desta vez fira o rosto de Xheol. Xheol tem sua face rasgada pela lança, e a dor o obriga a recuar. A múmia grita para Xheol de modo a machucar seus ouvidos, mas Xheol rapidamente joga sua corrente negra contra a múmia, desta vez envolvendo seu torso. A múmia percebe que desta vez foi atingida e que deve livrar-se da corrente logo, para que nada pior o aflija. Porém, Xheol puxa a corrente com força, dando um comando de voz à arma mágica, que torna-se incandescente e começa a queimar o corpo da múmia, que se debate, grita e chora, até que depois de alguns segundos não sobra nada além de um cadáver carbonizado no chão.

- Xheol, você está bem? – pergunta

Yviel, dirigindo-se a ele para curá-lo.

- Sim, somente duas cicatrizes a mais

– ironiza o Cheza. –

Vamos, saiam daqui e deixem que eu encubro as provas! Tentem descobrir sobre esta volta das múmias, pois, se o que esta múmia disse for verdade, estamos com um problema muito pior que qualquer coisa que Miguel possa se preocupar! Procurem por Nimeoq na ilha de Milos! Ele poderá ajudá- los com relação a Metrópolis e a Amduat, no Inferno! Os Anjos deixam Xheol se recuperando, afastando-se o suficiente para Mevosiah teleportá- los para um lugar seguro.

desta vez

Proximidades de Aasgard, Paradísia

Os três seres divinos das cidades paradisianas de Olympus, Aasgard e Katmaran se aproximam de grandiosa Aasgard. Já é possível ver os detalhes das muralhas que cercam o gigantesco reinado dos Aesir, bem como a grandiosa águia que vigia a entrada por Paradísia. Seu tamanho é suficiente para agarrar com as patas um elefante terreno, e seu bico e garras são feitos de um metal prateado muito resistente e capaz de furar qualquer material, de acordo com os mitos dos aasgardianos. As muralhas, feitas de pedras de uma brancura sem

igual, são altíssimas e muito decoradas com estátuas dos 12 deuses que regem o Conselho de Aasgard. Indo de encontro à enorme águia guardiã, um outro ser alado segue à frente dos 3 jovens celestiais.

- Njall, você conhece o Anjo à nossa frente? – pergunta Aruhiga.

- Não, nunca o vi aqui em Aasgard. Mas não posso dizer muito sobre os atuais moradores de Aasgard, uma vez que não saio de meu posto de vigia há um século. Estou revendo minha amada pátria após muitos anos confinada nos arredores do palácio de Hel, divisa entre Infernun e o próprio Inferno. Vamos nos aproximar dele para dar- lhe as boas vindas e descobrir o que faz aqui. Ao se aproximarem do ser alado, os 3 jovens celestiais percebem sua origem: Vahishta, o complexo das 5 cidades de Ahura-Mazda. Sua longa

barba, patas de leão e a coroa característica dos Anjos persas identificam-no. O estranho mesmo é

o que ele faz em Aasgard, pois Vahishta é a única

cidade paradisiana que não possui relações diplomáticas com nenhuma outra cidade, e seu líder, Ahura-Mazda, é um poderosíssimo paradisiano que já vivia em Paradísia antes da chegada dos edhênicos. Enfrentou as primeiras tentativas de

escravização dos Anjos de Demiurge, bem como a dura batalha contra os edhênicos Indra e Vishnu. Resistiu bravamente e refugiou-se na mesma

fortaleza onde vivia, levando consigo todos os Asuras que restaram do ataque devastador de Indra. Diferente de Varuna, o Asura que estabeleceu trégua com os Devas descendentes de Indra e Vishnu, Ahura-Mazda declarou Vahishta como o último ponto de resistência contra os invasores edhênicos

a seu plano original. Assim, um Anjo persa é sempre mau sinal.

- Saudações, jovens celestiais! Venho em paz buscar boas relações com o soberano de Aasgard, Odin! – diz o Anjo persa.

- Como se chama, Anjo de Vahishta? – desconfia Njall.

- Sou Khsathra, o Amesha Spenta guardião da guerra, dos metais e do

céu cristalino! – ele responde, gerando surpresa absoluta para os 3 celestiais.

Amesha Spenta? –

gagueja Andrômeda. – Um dos 7 defensores supremos de Ahura- Mazda?

- Sim, sou o Amesha Spenta responsável pelo céu e pelo metal, o guardião das guerras. – ele completa, causando mais espanto entre os jovens. – Desejo me encontrar com o Conselho, e estabelecer um círculo de relações com Aasgard.

- Aruhiga, verifique se ele está falando a verdade. – Andrômeda sussurra ao Gandharva.

- Um Amesha

- Está bem. – diz Aruhiga, fechando os olhos e concentrando-se na aura celestial do Anjo persa. Já em sintonia com o plano de Spiritum, Aruhiga abre seus olhos e enxerga uma realidade muito diferente da que os paradisianos costumam enxergar. Feixes de energia

astral viajam pelos céus e pelo ar entre eles, pulsando várias cores diferentes e ligando-se a itens físicos, como

e Anjos. Aruhiga fita

as linhas que envolvem o Anjo persa com muita atenção, analisando cada tonalidade e textura de sua aura celestial. As linhas de Ley, que lidam com o fluxo da Forma-Pensamento na Orbe, liga todos os itens físicos e as outras linhas astrais. Este plano

espiritual também permite enxergar a forma verdadeira dos seres, e a do Anjo persa deixa o Anjo katmaraniano assustado.

– sussurra Aruhiga. –

- Andrômeda

Ele não é um Amesha Spenta. Ele é O Gandharva não teve tempo de terminar a frase, sendo atacado pelo sabre de chamas brancas do suposto Anjo persa. A potência do golpe foi suficiente para projetar o katmaraniano dezenas de metros para longe. Andrômeda e Njall mal têm

tempo de se defenderem da onda de chamas que saiu da boca do inimigo. Njall consegue envolver a si e Andrômeda em um campo de energia esverdeada, minimizando as queimaduras devastadoras do ataque flamejante.

- Agora que sabem que não sou quem disse, deverão morrer antes que eu escravize toda Aasgard para o Ragnaröck! Preparem-se para voltarem ao Caldo Primordial!

pedras, plantas

Castelo Júpiter, Paradísia

Na lendária sala de armas, onde Lúcifer cometeu o maior de todos os pecados (desafiar o Demiurge), Miguel espera pela entrada de 7 Thuata Dé Danann, os reclusos Anjos das lendas celtas, habitantes da distante cidade paradisiana de Tir Na Nog, “a terra das maçãs”. É neste mesmo local onde ficam expostas as indescritíveis armaduras dos Anjos, adornadas como se uma estrela fosse retirada do firmamento somente para dar seu brilho à vestimenta protetora. Além de armaduras para Anjos em geral, ainda há em pedestais as armaduras dos mais poderosos servos do Criador: as armaduras de Miguel, Metraton, Gabriel, Rafael, os Anjos Apócrifos, entre outras figuras que intimidariam

grandes deuses das outras cidades. Até mesmo um Thuata Dé Danann. As gigantescas portas se abrem e revelam 7 guerreiros celtas, prontos para um combate. Esta visão preocupa ainda mais Miguel, que já espera pelo pior em sua querida Orbe. Quem os está liderando nesta comitiva é Dagda, o poderoso rei dos Thuata Dé Danann, que rege com grande sabedoria a cidade e o portal para Arcádia, utilizando não um cetro qualquer, mas seu bastão mágico com o poder de eliminar a força vital de um ser com uma ponta, e ressuscitar com a outra ponta. A seu lado está sua esposa, Morrigan, a deusa da morte. Muito sensual e trajando sob a armadura um vestido negro, pode-se ver garras de uma ave

de rapina em suas mãos. Longas asas negras saem de suas costas. Ela fita Miguel com intensidade tamanha que faz o Arcanjo imaginar o que esta deusa estaria fazendo ali. Talvez para avisá-lo de que morreria enquanto busca um meio de impedir os atuais fatos que surgem descontroladamente? Atrás da deusa da morte está a conhecida Epona, a deusa dos cavaleiros e amazonas adorada também pelos romanos, e portanto combatida pelos Anjos da Cidade de Prata durante a expansão do Cristianismo em Roma. Sua expressão séria não indica nenhum rancor. A seu lado estão Gwydion, o deus da magia celta e Belatu-Cadros, o deus da guerra e destruição. Ao fundo, ainda restam dois personagens, que são o bravo Lugh, deus dos heróis e bastião da resistência irlandesa às influências cristãs e às perseguições às fadas, e a seu lado o poderoso Cernunnos, o deus-cornudo perseguido incessantemente pela Inquisição durante a Idade Média. Os dois ainda parecem possuir ressentimentos com relação aos conturbados fatos ocorridos entre eles e os servos de Demiurge.

- Honoráveis Thuata Dé Danann, a que devo a honra desta visita inesperada? – Miguel tenta usar da hospitalidade para minimizar os sentimentos ruins prestes a serem liberados no local.

- Nós o saudamos, Príncipe dos Arcanjos! – saúda Dagda. – Viemos à Cidade de Prata sem a intenção de resolver problemas do passado, mas

para garantir que tenhamos um futuro!

Então vocês também estão

vendo os acontecimentos estranhos que assolam a Terra e outros planos de nossa Orbe, não é?

- Na verdade, Arcanjo, não sabemos. – responde Belatu-Cadros. – Mas ESTE é o acontecimento estranho que presenciamos em Tir Na Nog. – o deus da destruição larga de sua mão esquerda uma cabeça com um elmo

- Entendo

finamente decorado, em metal negro, que logo o mestre dos Arcanjos reconhece.

– Miguel indaga.

- Sim, Príncipe Arcanjo! – Lugh toma

a palavra. – Esta é a cabeça do senhor

- Esta é a cabeça de

de Mordor, Sauron.

- Como isto é possível? Se ele existe fisicamente, é porque fugiu do Sonhar ou de Arcádia. E, para isso, é necessário possuir consciência. Como ele tornou-se consciente? – Miguel desespera-se.

- Forças externas percorreram os confins mais perigosos de Spiritum para obterem sucesso na empreitada de descobrirem uma entrada para o Vale Espiritual da Terra-Média. Estas forças externas infundiram na forma- pensamento manifestada de Sauron energia espiritual suficiente para despertá-lo, e, pelo que tudo indica, realizaram uma barganha com ele. – Gwydion explica calmamente, com a certeza de um sábio de muitos séculos de idade.

- Que tipo de barganha seria possível com um ser que se desfaz com a velocidade do pensamento? Assim que ele saiu de seu Vale Espiritual, um

novo Sauron lá surgiu, e este condenou

a própria existência! Em que ele sairia beneficiado? E seus negociantes? – Miguel vai tornando-se cada vez mais confuso.

- Sauron em nada se beneficiaria, mas as forças externas tinham um claro objetivo. – Dagda diz firmemente.

- E o que seria?

- Completar em Paradísia o que Sauron fez na Terra-Média. – Lugh diz, abrindo a palma da mão e mostrando

a Miguel um grosso anel dourado. O

Um Anel, feito para a todos os outros 19 anéis governar.

- O Um Anel? Mas este anel é falso! Seu poder é quase nulo fora da Terra- Média! – Miguel busca entender.

- Como bem disseste, Miguel, é QUASE nulo. – Gwydion diz. – Pude ver de quantos seres as forças externas que tiraram Sauron de seu lar eram.

Seu número era 7. E cada um deles

estava com um anel amaldiçoado.

- Sim, mago celta! – Miguel se exalta.

– E onde estão estes 7 seres?

- Um deles está enfrentando uma Semideusa de Olympus, e dois Anjos

de Katmaran e Aasgard. Os outros 6 estão a caminhos das cidades de Amaterasu, a Cidade Dourada de Rá, Olympus, Katmaran, Shang-Qing, Vahishta e o último está se aproximando do Monte Aramesh, em

direção a esta Cidade Prateada. Todos tencionam entregar os anéis amigavelmente aos senhores das cidades sagradas e ludibriá-los pelo tempo suficiente em que os anéis continuarem existindo, para retardar

a reação das cidades quanto a outros

eventos fora de meu alcance. – explica

Gwydion. Enquanto Gwydion explicava, Isherel entra na sala e mostra-se para Miguel, pedindo sua permissão para entrar, que Miguel aceita sem problemas. Isherel está segurando vários pergaminhos enrolados e livros, com uma fisionomia mais confiante quanto ao que foi designado a fazer para Miguel.

- Soberbos senhores de Tir Na Nog, gostaria de lhes apresentar o mestre dos Anjos sábios da Cidade de Prata, Isherel. Talvez ele tenha algumas respostas para tantas questões.

- Peço desculpas por nós, Miguel – interrompe Lugh –, mas iremos pessoalmente caçar estes 7 seres, que nos desonraram utilizando nosso portal à Arcádia para fugirem para Paradísia junto de Sauron. É nosso dever reparar esta brecha de segurança que poderá ainda gerar conseqüências mais graves. – Lugh afirma com firmeza, voltando-se à porta da sala e retirando-se com os outros Thuata Dé Danann. Assim que aproximam-se

para abrirem as portas, elas se abrem,

e os 7 deuses celtas notam que foi

aberta devido à entrada de Goghiel, o poderoso Elim. Goghiel, juntamente de outros grandes elohim, caçou e perseguiu todos os deuses pagãos antropozoomórficos, sendo as vítimas celtas Cernunnos e Epona. Logo que Goghiel vê os Thuata Dé Danann

à sua frente, seus olhos se inflamam de ódio e ele se prepara para atacá-los, enquanto os celtas percebem sua intenção e sacam suas armas para defenderem- se. Miguel e Isherel se surpreendem, e sentem que Goghiel está prestes a atacá-los.

- Goghiel, deixe-os saírem da Cidade de Prata em paz e venha aqui para discutirmos alguns assuntos que possam ser de seu interesse. – Miguel ordena, buscando evitar problemas

que se acumulariam aos já inúmeros que estão surgindo. Enquanto saem, Morrigan olha mais uma vez fixamente para Miguel e sussurra de maneira que o que ela disse só seja recebido na mente de Miguel: não se formam palavras, e sim a imagem dos

olhos de um animal felino envoltos em círculos de fogo, e Miguel sendo dilacerado por estes círculos. Como Miguel, receava, Morrigan viera para contar-lhe sobre sua morte

- Sim senhor. – Goghiel afasta-se dos Thuata Dé Danann, dando-lhes passagem livre e ajoelhando-se frente

a Miguel e Isherel.

- Pode se levantar, Elim! Meu amigo Isherel, descobriu algo?

- Sim, querido Príncipe Arcanjo! Os nomes dos 3 deuses mortos são Kalimargh, Utttaruttt e Jxidfaf,

respectivamente o Devorador da Luz,

o Tecedor das Almas e o Carnívoro

da Lua Sangrenta, no idioma tenebrita pré-giro. Este documento é na verdade uma espécie de pacto por escrito entre

3 grandes deuses-monstros temidos por viverem nos mares de Tenebras.

despertaram em pontos diferentes da Terra! Setenta delas já foram exterminadas de um modo ou outro, sendo 3 delas destruídas pelo grupo de Yviel.

- Sim, o grupo de Yviel é digno de total confiança quanto ao extermínio de criaturas indesejadas na Terra! – comenta Goghiel, com satisfação.

- Este não é o caso, Goghiel! – interrompe Miguel. – Atualmente, eles estão realizando um serviço para mim,

e não podem ser atrapalhados por

Mais alguma

qualquer problema

notícia, querido Eriel?

- Sim senhor! Fui informado de que Jerusalém e suas proximidades estão com grande movimento de criaturas sobrenaturais! Os Anjos do Armageddon estão posicionados na planície de Megiddo, e novos Anjos, Malaks e Elohim juntam-se a eles,

como se a batalha final do Bem contra

o Mal já tivesse sido anunciada! Além de todos os filhos de Demiurge posicionados em Megiddo, foram notificadas pelo menos 5 cabais de membros da Sagrada Ordem dos

- Por acaso poderiam ser Dagon e

Magos percorrendo as ruas da cidade

Kthulhu? – pergunta Goghiel. – Acho

santa!

que estes são o que há de mais próximo

- Por Demiurge! – exalta-se Miguel. –

de tenebritas marinhos. Mas isto é

A

Terra está ficando caótica! Como é

impossível, pois eles estão

possível que os Anjos do Armageddon

adormecidos há muito tempo, e não

tenham ido a Megiddo sem receberem

sei de nada que esteja acontecendo que

o

Turíbulo? Meu caro Goghiel, tu és

possa ser obra deles

o

guardião do Turíbulo; por acaso

- Pois engana-te, Elim! – diz Miguel, triste. – O Ragnaröck foi desencadeado, Zeus raptado, Sauron foge da Terra-Média em Arcádia, o seqüestro dos 60 Marûts de

Estes eventos devem estar

interligados, e o quanto antes descobrirmos de que se trata, antes poderemos impedir que a Roda dos Mundos gire antes de seu tempo! Quando Miguel termina a frase, Eriel abre

Katmaran

as portas e apresenta-se, pondo-se de joelhos.

- Meu querido mensageiro, levanta-te e conte-me as novas! – Miguel ordena.

- Grande e amado mestre Arcanjo, tenho novas notícias que infelizmente

o alarmarão!

- Pois diga logo, já que desta vez temos

a companhia de um grande Elim e do mestre dos Seraphim.

- Sim senhor! Acabo de receber a notícia de que duzentas múmias

entregaste o Turíbulo a Gideão?

- Mas é óbvio que não, grande Príncipe Arcanjo! – ofende-se Goghiel. – Eu nunca faria algo assim sem que toda a Cidade de Prata fosse antes avisada! Além disso, o Turíbulo está guardado na vila de São Teodósio, no Distrito de Mercúrio! Se quiseres, posso ir agora mesmo buscar o artefato e entregá-lo ao senhor!

- Não, querido Elim! Não há esta necessidade, pois acredito em tuas

palavras. Isherel, o que acha deste despertar coletivo de antigos faraós? Será que têm ligação com os faraós Darahv e Teptet, que despertaram 4 dias atrás?

- Com toda a certeza, Príncipe Arcanjo!

– confirma Isherel. – Inclusive, tenho

uma teoria alarmante que gostaria de

dividir com todos vocês

- Pois diga de uma vez, Isherel! – apressa Miguel. – Não podemos perder tempo! Eriel, envie uma falange de Anjos para seguir e auxiliar os Thuata Dé Danann no que eles pedirem! Diga aos Anjos que eles só voltarão quando forem dispensados pessoalmente por Dagda! – Quando termina a frase, Eriel cumprimenta os veneráveis Anjos e sai do aposento.

- Está bem! – diz Isherel. – A volta das múmias é um pacto estabelecido por Osíris com as almas de todos os faraós, que aliás são todos filhos seus. Na mitologia egípcia, esta volta dos reinos dos faraós é uma lenda, assim como o próprio Ragnaröck para os povos nórdicos. De acordo com todas as mitologias politeístas, o reinado celeste sempre é modificado de maneira radical quando o rei atual perde seu posto para seu próprio filho, como foi o caso de Zeus; Zeus engoliu sua primeira esposa, Métis, grávida, pois sabia através de um oráculo que, caso Métis tivesse uma filha, o próximo filho seria capaz de destronar Zeus. Pouco tempo depois de engolir Métis, Zeus teve uma grande enxaqueca, que acabou por na verdade ser Athena, uma mulher. Assim, o próximo filho de Métis seria o próximo senhor do Olympus, assim como o filho de Indra seria o novo senhor de Katmaran, mas Indra também impediu seu filho de nascer, arremessando um raio contra o ventre grávido de sua esposa, de modo que o feto fragmentou-se e tornou-se 60 deuses menores, os Marûts seqüestrados.

- Meu amado Isherel – Miguel confunde-se –, a que ponto quer chegar?

- Todas as lendas que lhes contei falam sobre a mudança dos líderes das cidades paradisianas, e também do Juízo Final. Creio que tudo o que está acontecendo são eventos de diferentes mitologias convergindo para um único acontecimento: o fim de tudo!

- Como assim? – Goghiel pergunta, intrigado e ao mesmo tempo com grande interesse.

- Todos os mitos que lhes relatei são chamados de Mitos Escatológicos, que narram o fim dos tempos e para quê o homem existe. Parece que agora não

estamos mais lidando com conceitos restritivos como Apocalipse,

O

evento agora é a Escatologia, o fim de todos os mundos! – e continua. – O mito escatológico nórdico é o próprio Ragnaröck, o dos indianos é o filho de Indra, dos gregos é o filho de Zeus, dos egípcios é a volta à vida dos

Armageddon ou Ragnaröck

faraós, e ainda há muitos outros mitos, que deveremos estar prontos para

detectar!

- Miguel – Goghiel apressa-se –, você poderia me dar a permissão de liderar

a falange que auxiliará os Thuata Dé

Danann?

- Desculpe, Goghiel, mas não lhe dou esta permissão! Sei de sua rixa com os deuses antigos, e acredito que sua presença só irá atrapalhá-los. Além disso, dou agora a ti a missão de encontrar-se com Gideão e seus Anjos do Armageddon e desfazer o mal- entendido! Tente descobrir também se não foi algum ser disfarçado com sua aparência que enganou o líder dos Anjos do Armageddon!

- Sim, venerável Protetore! – Goghiel desiste da idéia. – Se me dão licença, vou tratar deste assunto com o máximo de urgência, mas estou à disposição caso precisem de mim!

- Até logo, Goghiel! – Miguel despede-

se. – Mas por favor: este assunto aqui discutido fica entre nós, está bem?

- Claro! Até logo! – o Elim parte e deixa Miguel e Isherel a sós.

- Isherel, meu caro, como poderemos impedir que o fim de tudo aconteça?

- Miguel, meu querido, se for a vontade do Demiurge, nada poderemos fazer,

a não ser nos preparar para o combate final contra a Luz da Manhã

- Lúcifer? Será que ATÉ ELE será envolvido pelos fatos que estamos

presenciando?

- Não sei, mas considero sábio estar pronto para qualquer coisa! Irei ao

meu quarto compilar outros mitos escatológicos para facilitar na

detecção de novas evidências! Que a luz de Demiurge esteja contigo,

Miguel!

- Igualmente, Isherel! – Miguel se despede, e fica novamente solitário na sala de armas do Palácio Júpiter.

Proximidades de Aasgard, Paradísia

Aruhiga se recupera do impacto de ser

jogado dezenas de metros contra o chão, devido à força descomunal do falso Amesha Spenta. Enquanto levanta-se e prepara-se para o combate,

o Gandharva observa a semideusa olimpiana e a

Valkíria investindo contra o inimigo alado e seu sabre de chamas alvas. O Anjo de Katmaran põe

suas 8 mãos nas costas e de seu manto ele retira um chakram para cada mão. Suas armas-disco se incendeiam com sua simples vontade e ele levanta vôo a toda velocidade em direção ao inimigo.

- Pela força de Hércules! – exclama Andrômeda enquanto seu punho direito de enche de energia celestial, finalmente liberado como uma rajada de milhares de raios de energia

azulada. Njall começa a recuar lentamente, preparando-se para um ataque único e mortal, ao mesmo tempo em que Aruhiga surge a seu lado para protegê-la contra qualquer ataque do inimigo. E é nesse exato momento que o falso anjo persa enche novamente os pulmões e expele uma baforada de fogo poderosíssima contra os 2 anjos, mas os 8 chakrans sagrados de Aruhiga absorvem o fogo. Com os braços esticados, o oponente barra os meteoros de energia azulada criados por Andrômeda, dando a ela tempo para adquirir sua forma guerreira: uma armadura dourada muito ornamentada surge em seu corpo, claramente uma armadura que faz referência a um unicórnio. Para continuar atrasando o oponente, Aruhiga arremessa suas 8 armas-disco, tornando-

as quase como cometas de fogo puro. “Ataque dos Sessenta Marûts” é como o Gandharva grita,

multiplicando suas 8 armas para o exato número de 60, todas tomando direções diferentes do falso enviado de Vahishta. Quando Aruhiga concentra- se e fecha suas 8 mãos à frente de seu peito, os 60 cometas flamejantes convergem para atacarem ao mesmo tempo o Amesha Spenta. Pego de surpresa,

o suposto anjo persa tenta se defender de alguns

com uma velocidade inacreditável, assim conseguindo aparar 40 dos 60 cometas de fogo. Ao mesmo tempo em que os 20 restantes o ferem um por um com as tentativas frustradas de defender-se delas, Aruhiga e Andrômeda olham para a Valkíria, como se dessem o sinal para que dê seu derradeiro ataque.

Percebendo que o momento é propício, Njall invoca os ventos gelados de Jotunheim com seu assobio, que a levam na velocidade do som contra

o inimigo. Ela então posiciona a ponta de sua lança

à sua frente, rasgando o ar paradisiano com potência suficiente para intimidar mesmo o mais bravo anjo da guerra. A poucos metros do oponente, a Valkíria

grita “Lança Berserker” e a intensidade dos ventos aumenta drasticamente, tornando-a como um raio de luz contra seu alvo. Então o raio de luz choca-se com o anjo persa falso, com o impacto dos cometas de fogo restantes. Uma grande explosão acontece e o Gandharva e a semideusa fitam com atenção o ponto da explosão, esperando encontrar Njall inteira. No instante em que a fumaça começa a se dissipar, pode-se ver o vulto da Valkíria e sua lança fincada no tórax do falso Amesha Spenta. A explosão foi suficiente para chamar a atenção de Aasgard, com a trombeta de Heimdall sendo tocada para avisar da tentativa de invasão. Aruhiga ainda evita invocar suas 8 armas-

disco de volta, pois haveria o perigo de ferir Njall, devido à proximidade. Andrômeda concentra-se para enviar novos meteoros de energia, caso o ataque de Njall tenha sido fraco demais. Com a dissipação total da fumaça da explosão, percebe-se que o ataque de Njall não foi fraco, realmente ferindo gravemente o inimigo. O falso Amesha Spenta segura com os 2 palmos a lâmina já com sua metade dentro do tórax dele, e Njall ainda esforça-se para que sua lâmina penetre por completo no coração do inimigo. Com desespero, o falso anjo persa prepara-se para mais uma baforada de fogo, mas na hora em que as chamas começam a sair de sua boca, elas são imediatamente absorvidas pelos 8 chakrans fincados em sua pele, aumentando sua dor e anulando qualquer dano à Valkíria. E neste momento o falso filho de Ahura-Mazda (o senhor de Vahishta) sorri sinistramente. Suas asas vão se fechando em volta de si e da Valkíria, tornando-se metálica e completamente repleta de grandes espinhos de ferro por dentro.

- Já ouviu falar da Dama de Ferro, Valkíria? – o falso anjo persa pergunta,

e logo depois responde. – Era um

instrumento de tortura da Idade Média, constituído por uma espécie de sarcófago cujo interior era forrado de espinhos e espigões, que faziam a vítima sangrar até morrer dentro dela. Minhas asas se fecharão como a Dama de Ferro, e você será eliminada de sua existência! Morte da Dama de Ferro!

- Voltem! – ao mesmo tempo em que as asas metálicas assassinas começam a

se fechar à volta de Njall, este é o grito de Aruhiga. Quando ele grita esta ordem, os 8 chakrans se desprendem do corpo do falso Amesha Spenta em fortes chamas, ferindo-o ainda mais e dilacerando suas asas para chegarem ao encontro das 8 mãos do Gandharva. Como conseqüência, as armas-disco ignoraram a existência de Njall,

ferindo-a em sua trajetória de volta às mãos do anjo de Katmaran.

- Malditos! Ainda nos encontraremos! – exclama o falso anjo persa, tornando-se luz pura e sumindo no ar.

– concentra-se Njall, usando

a habilidade intrínseca das Valkírias em rastrear seus inimigos, mesmo tão ferida. – Sinto resquícios de sua energia celestial. Ele está se dirigindo para sudeste, e nesta direção fica a Cidade de Prata. Como pista deixada por ele, vejo aqui um símbolo que ele usava: é semelhante a 3 linhas sinuosas paralelas, com certeza um símbolo ligado à água. Aruhiga, o que você viu quando olhou a essência do Amesha Spenta?

- Hmm

- Eu conto em nosso caminho para a Cidade Prateada! Vamos, não temos tempo a perder! – os 3 novos amigos voam em direção à Cidade de Prata para revelarem informações incríveis.

Ilha de Milos, Grécia

O Sol se põe atrás das escarpas à beira do mar, formando miríades de cores com o reflexo de sua luz já tênue com as águas lançadas ao alto com as ondas que se chocam nos rochedos. O som do mar é a melodia do Demiurge para o fim do dia, onde seus olhos deixar de vigiar diretamente os mortais e deixa esta tarefa a seus anjos da guarda, que vigiarão seus adorados humanos até a manhã seguinte, onde uma nova melodia iniciará a volta da vigília do Grande Arquiteto. Neste crepúsculo, junto às dezenas de Anjos que olham o horizonte maravilhados, ainda há um grupo isolado de cinco membros, vislumbrando o pôr do Sol com os mesmos olhos maravilhados, mas também uma ferida em seus corações. Uma ferida que não é física, mas que dói todos os dias. Esta é a dor do abandono do reino dos céus. Ubeel se entristece a ponto de quase chorar, pois um Ophanim é criado com a essência máxima da obediência e temor ao Altíssimo, e mesmo assim ele foi considerado ofensivo à Cidade de Prata. Tudo porque cumprira ordens de outro representante do Senhor. Já Cibele e Mevosiah possuem uma certa indiferença, acreditando no Demiurge, mas convictos que ainda receberão sua recompensa Dele, mesmo que não seja dentro da Cidade Prateada. Já Yviel não pode se dar ao luxo de entristecer-se ou ter qualquer pensamento negativo, pois sua presença é que mantém este grupo ainda motivado a agir a serviço dos planos superiores. Seus sentimentos são sumariamente reprimidos,

para que nunca lhe falte o brilho nos olhos que um líder nato deve possuir, e a voz serena e ao mesmo tempo decidida. Seu companheiro Heluel pensa bem diferente, esperando ansiosamente pelo dia em que

seus iguais da crença rastafari dentro da Cidade de Prata decidirão expandir sua influência, tornando- se tão importantes quanto os judeus, os ortodoxos e os evangélicos. Ou até separarem-se, como fizeram os servos de Alá, se necessário. De qualquer modo, ele ainda sente os raios do Sol poente como um afago paterno em sua cabeça, de um Pai que deseja ver seus filhos crescerem e ganharem a independência, ainda que mantenham sua servidão

a Demiurge. Yviel gosta da companhia constante

de todos, com tantas ideologias diferentes, mas ainda uma amizade forte o suficiente para minimizar diferenças em prol de uma missão mais nobre. E, desta vez, a missão inclui conversar com um habitante do próprio Inferno. E pior, sem poder enviá-lo de volta para lá contra sua vontade. Quando o astro-rei se põe por completo, os cinco caçadores de monstros se dirigem às ruas

estreitas de paralelepípedos da ilha, nas áreas que ficam mais densas à noite, lar de pessoas que vivem

somente para a morte, o jogo, o roubo

é exatamente em uma casa de prazeres que deverão

entrar para contatar um Íncubo, um demônio dos prazeres. Após percorrerem meia dúzia de ruas estreitas com tantas elevações e depressões que veículo algum conseguiria mover-se por elas, os Anjos chegam a seu destino: um bordel em uma casa antiga, de dois andares, em modelo geminado (pois, unida com as outras casas, é mais fácil disfarçá-la com a aproximação de agentes da lei), que em cada janela esvoaçam cortinas de renda vermelha, na brisa marítima que refresca o clima mediterrâneo. Cibele entra primeiro, já com a intenção de

e o sexo. E

dar uma lição inesquecível ao primeiro bêbado que tentar pagá-la em troca de favores na cama. E não é nenhum bêbado que a aborda. Pelo menos não um HUMANO bêbado

- Oi, gracinha

quase incompreensível pela

embriaguez. – Eu sinto que sua beleza

Você é uma Bruja? Ou

uma Súcubo? Se quiser subir comigo, eu posso descobrir por conta própria

- Pois você vai descobrir agora, demônio – Cibele segura fortemente a boca do Death Knight, com pequenas faíscas de eletricidade em seus dedos –, que eu sou uma Potência, e com muito gosto lhe farei sentir o prazer de um raio atravessando sua espinha por dentro!

- Deixe-o, Cibele – Yviel pousa ternamente sua mão no braço tenso de

– ele diz, em grego

não é comum

Cibele –, você sabe que, infelizmente,

o equilíbrio desta ilha não pode ser desfeito. Não por enquanto.

- Ah, mas que ironia! – um homem

muito belo e calmo desce as escadas de madeira decorada, deixando o Death Knight passar por ele desesperado para o andar de cima. – Então o Demiurge precisa do Inferno para resolver seus próprios problemas? O que eu não daria para poder dizer um “ Não” de boca cheia para aquele esclerosado do Miguel ! Mas, como ele nunca age por conta própria, eu digo a vocês mesmo:

Não!!!

- Espere, Nimeoq! Foi Xheol que nos enviou até você! – diz Yviel.

- Não me interessa quem lhes enviou!

Não devo nada àquele Cheza, e muito menos a vocês e à Cidade de Prata! Vivo muito bem aqui, e nada vai mudar enquanto eu continuar fazendo

o que faço agora! Então, se me dão

licença, tenho de corromper alguns clientes

- Pode parar aí mesmo, infernal! – Heluel aponta sua Lança Celestial na direção do Íncubo, silenciando todas

as prostitutas e os clientes no hall. – Estamos há horas tentando encontrar você, e dias fazendo um serviço para alguém que talvez nunca nos aceite de volta à Cidade de Prata! Se você não nos ajudar, então sua vida não tem

valor algum para nós

apronta-se para arremessar sua arma.

- Aceite de volta? Vocês foram expulsos

– o Captare já

da linda, maravilhosa e misericordiosa Cidade de Prata? O que vocês

fizeram?

- Cumprimos as ordens da própria

demônios, então deixe-me fritar você

e todos os demônios aqui e a gente

resolve tudo

- Espere, Cibele! – Yviel fala, sempre apartando animosidades. – Nimeoq, acredito que, por ser um homem de negócios, as informações que você

possa nos passar tenha um preço, não é? Pois nos diga, e veremos o que

fazer!

- Ah, agora sim estamos falando minha língua! Bem, então me digam o que querem saber exatamente, e eu lhes dou meu preço!

- Está bem, demônio! – Yviel concorda. – Queremos saber sobre os acontecimentos mais recentes na Pirâmide de Amduat, no Inferno. Estão todos alvoroçados com a quantidade de múmias que despertaram, e querem saber porque suas almas voltaram para a Terra, e qual a posição do poderoso Anúbis nesta questão.

- Meu preço é a pureza de um de vocês! Eu quero uma noite com um verdadeiro Anjo de Paradísia, não aqueles Caídos e suas asas apodrecidas! Quem se habilita? – o Íncubo deixa a todos boquiabertos e sem reação nenhuma.

- Mas, mas – Ubeel busca forças para falar. –, você é um HOMEM! Suponho que então seu desejo seja possuir Cibele, não é?

- É óbvio que não! Sou um demônio dos prazeres! Homens, mulheres, animais, demônios, mortos-vivos, Chezas, todos eles já me forneceram novas sensações. Já um Anjo puro de Paradísia, nunca tive a oportunidade

– Heluel toma a palavra. –

-

Chezas

?

Cidade

– responde Ubeel, com

Podemos conversar só um minuto,

desgosto.

infernal?

- Então vocês não podem ir à Cidade de Prata e avisarem sobre mim? – o Íncubo pergunta, sendo prontamente respondido com o movimento negativo das cabeças dos Anjos. – Bem, se é assim, podemos negociar ! Sempre é bom ter clientes que sejam Anjos Caídos! Assim eu consigo

talvez uns contatos com Lúcifer ou

Chorozon

- Não somos Anjos Caídos, seu maldito!

– Cibele se enraivece. – Fomos

expulsos da cidade mas ainda agimos para ela! Se você só aceita falar com

- Claro, à vontade! Alguém quer beber alguma coisa?

- Um alambique de vodka, por favor! – Cibele comenta sarcasticamente, tentando disfarçar o asco que sente ao se imaginar tento relações físicas com um Íncubo.

- Bem, amigos, isso vai ser difícil! – Mevosiah comenta.

- Seja quem for, ele vai nos pagar! Após

a noite de amor, ele vai direto para o quinto dos Infernos! Ou seja lá em qual Círculo ele vá parar! – afirma Ubeel.

- Vamos nos acalmar, amigos! – serena Mevosiah. – Temos de pensar assim:

quem aqui está disposto ao que for necessário para que cumpramos a missão e obtenhamos a aceitação de

Miguel? – ele pergunta, já levantando sua mão e observando todos os outros quatro também de mãos erguidas. – Pois bem, um de nós irá com ele para a cama e fará o que for necessário

Para descobrirmos quem vai,

vamos girar o Machado Matador de Demônios e ver em quem a chama termina!

- Ótima idéia! – concorda Yviel, retirando de suas costas a poderosa arma dada a eles por Goghiel, anos atrás. Assim que Yviel ergue à sua frente o poderoso machado, a arma adquire fortes chamas

celestiais, feitas exatamente para queimar a pele de demônios de todo tipo. Yviel abre suas mãos e solta a arma no ar, que flutua no centro da roda formada pelos cinco Anjos.

- Façamos o seguinte pacto:

independente de quem for escolhido, nunca mais em toda a nossa existência comentaremos sobre o ocorrido esta noite! – Yviel propõe, sendo aceito por todos os seus companheiros. Então Yviel ergue sua palma direita e dá um forte tapa na lateral da lâmina dupla do machado, fazendo-o girar no próprio eixo em grande velocidade. Enquanto a arma sagrada gira, o Íncubo Nimeoq se aproxima para ver o resultado, ver quem iria pela primeira vez experimentar os prazeres carnais com o próprio representante dos demônios dos prazeres. As chamas mágicas começam a se apagar, e o machado inicia a desaceleração de seu giro. Os Anjos, desesperados, mal podem se agüentar, torcendo para que um milagre dos céus aconteça e eles não precisem de tal ato. Mas nada

acontece, a não ser o giro final e a extinção da chama matadora de demônios no ser escolhido.

- Ahahahahahah!!! – comemora Nimeoq. – Vamos então, criatura celeste, pois temos poucas horas! Aos que restaram, amanhã pela manhã saberão o que irei contar durante minha noite de prazeres paradisíacos! Se quiserem, podem usar qualquer quarto vago para descansarem, e a comida é por minha conta! – o Íncubo termina, subindo com a entidade expulsa da Cidade de Prata, para experimentar algo impensável pelos Anjos que ainda vivem em Paradísia (exceto em Metrópolis). Os restantes

fazer

se dirigem silenciosamente para os quartos vagos, para que o sono dos humanos logo os abata e o dia seguinte chegue.

A informação de Nimeoq, passada durante a noite

e aos restantes pela manhã

- Ao que parece, a Pirâmide Amduat está vazia. Correm boatos de que Anúbis retirou-se do Inferno, para reconquistar uma posição na própria Cidade Dourada de Rá. Seu exército de demônios com cabeça de chacal ainda está no Inferno, mais precisamente no Sétimo Círculo do Inferno, no local chamado Reich. É no Reich que ficam os antigos exércitos nazistas que morreram com o fim da Segunda Grande Guerra, aguardando pelo portal que finalmente os trará de volta para o 4º Reich. E é exatamente como estão agora: silenciosos, imóveis, em formação, aguardando por algo. Como uma unidade militar separada, está o poderoso exército de homens-chacal de Anúbis, na retaguarda. Os dois exércitos ouvem atenciosamente cada grito que a fênix negra Hitler profere, como se ele estivesse discursando antes de uma guerra. Tudo indica que Anúbis e Hitler se tornaram aliados, e que de alguma forma os Magos nazistas, ou mesmo os Magos seguidores da tradição hermética egípcia, trarão estes exércitos de volta à Terra.

Deserto de Dudael, 45 séculos atrás

As falanges restantes da Segunda Rebelião

na Cidade de Prata sobrevoam as areias sem fim do

deserto de Dudael, afastando-se de seus companheiros acorrentados, tudo isso porque estes servos de Demiurge enamoraram-se com as mortais da Terra. Enquanto eles tentam fugir, são logo surpreendidos por ataques poderosos, vindos como fachos de luz, dos Anjos que os caçam. Quase em Metrópolis, os oito Anjos renegados pairam a algumas centenas de metros da última falange de caçadores que os perseguiu até tal ponto. O líder dos caçadores, um soldado da Primeira Rebelião, reúne seus subordinados para definir o plano de ação, pois, dependendo do modo como invadem o território dos metropolitanos, podem não voltar com vida para a Cidade de Prata.

- Meus soldados, teremos de ser rápidos e precisos, para capturá-los e nem mesmo precisarmos ser detectados pelos Keepers! Proponho que dois grupos ataquem pelos flancos, enquanto o grupos dos batedores ataca por baixo deles, como um raio, para afastá-los de Metrópolis e jogá-los em minha direção, e assim eu e o grupo que me seguirá os capturará. Todos de acordo? – diz o líder com seus lindos olhos que iluminariam uma noite terrestre. Todos os soldados gritam mostrando que concordam com o plano de seu poderoso comandante. Como se a própria vontade Dele estivesse atuando, os Anjos se dividem em absoluta harmonia, sem a necessidade de ordens do grande líder dos

língua vermelha-arroxeada com um palmo de comprimento, com um nariz quase inexistente e olhos recobertos por uma membrana nictante

branca. Sua pele, de tão albina, é semitransparente, mostrando seus órgãos internos pulsando, além de não possuírem pêlos em local algum do corpo.

O comandante conclui ser necessário, para

alcançar sua caça, impedir a atuação dos Anjos corrompidos de Metrópolis. Assim, quando chegam ao alcance dos 2 Anjos da Cidade de Prata, o comandante explode sua aura, tornando-se quase um Sol, mostrando seu nível de poder e a incapacidade dos Keepers em vencê-lo se tentarem um combate direto. Com tal mostra de poder, os

Keepers afastam-se lentamente, ainda

acompanhando de longe os dois Anjos.

O Anjo se mostra muito corajoso, por se

dirigir diretamente ao Fosso, o local mais sagrado

Anjos. Os grupos dos flancos e os batedores tomam

e

também o mais corrompido de toda Paradísia,

suas posições, em que os Anjos dos flancos já se aproximam dos Anjos renegados, enquanto os

onde Leviathan repousa até o dia do Juízo Final. Mas este comandante, que atuou diretamente junto

batedores preparam-se para voarem na velocidade da luz alguns metros abaixo dos renegados. Com o levantar da espada de duas mãos, os flancos atacam com todas as forças, e os batedores surgem quase que instantaneamente abaixo dos Anjos renegados.

tropas durante a Primeira Rebelião (embora fosse

somente um cadete recém-treinado), era tão ou mais corajoso que um reles traidor. E então acontece o impensável por qualquer paradisiano: o Anjo traidor entra no Fosso! Seu perseguidor sabe que o Anjo

às

necessário, invadiria o Palácio de Oostegor e

a

poucos metros à sua frente (na verdade, abaixo) o

O

líder começa a enxergar a vitória, mas vê que ela

renegado pode estar escondido quase na superfície

se

torna mais difícil quando um dos renegados voa

do Fosso, e poderia facilmente se salvar da

com uma velocidade igual à dos batedores para a

cidade de Metrópolis. A harmonia nos Anjos os faz agirem de acordo com os planos do líder, enquanto

perseguição se o comandante desistisse de segui- lo. Mas este comandante nunca faria algo assim: se

próprio líder segue o renegado em Metrópolis. Enquanto o comandante segue o Anjo renegado que safou-se de sua estratégia, ele pensa nos motivos quem levariam um Anjo a desobedecer

o

enfrentaria o próprio Lúcifer se esta fosse a vontade de Demiurge. E então o comandante entra no Fosso. Após algumas centenas de metros voando em um mergulho só, o Anjo caçador se sente

a

Cidade de Prata, e, por conseqüência, o próprio

sozinho, como se a essência de Demiurge não

Demiurge. Para ele, é simplesmente impossível não enxergar a justiça e a verdade que envolvem o modo como o Demiurge criou todo o Firmamento, e os próprios seres humanos naquele plano atrasado, a Terra. Tudo o que envolve o Demiurge é certo e o

pequenas e atrofiadas, impossíveis de serem usadas

alcançasse o interior do Fosso. O Anjo nem mesmo consegue enxergar as paredes deste local, com sua iluminação natural suficiente apenas para enxergar

Anjo que persegue. Como uma vela acesa em meio

único modo de agir, e qualquer forma de

a

um continente inteiro de escuridão absoluta, é

desobedecê-lo (como Lúcifer fez na Primeira Rebelião) é simplesmente a obra de um louco que não vê a harmonia na natureza. O renegado parece não se importar em estar entrando em espaço metropolitano. Já ao longe, pode-se ver uma pequena unidade de Keepers

assim que o caçador se sente; seu fugitivo parece ainda determinado. Ele precisa capturá-lo logo, pois pode ser que nunca mais saia do Fosso E o comandante usa um dom somente usado em casos de extrema necessidade: o Raio de Demiurge, em que ele é envolto por uma luz

voando em direção ao blasfemador e a seu perseguidor. Estes Anjos corrompidos são horríveis, grandes humanóides grotescamente gordos com dois metros de altura aproximadamente. Suas asas são

potentíssima de absoluta pureza, e sua capacidade de vôo atinge um grau insuperável, em que a própria velocidade da luz move-se como uma tartaruga perto do comandante. A luz é forte o suficiente para revelar um pouco das bordas do Fosso: o

para voar, e por isso mesmo estes Anjos aprenderam os segredos do vôo sem asas, da mesma forma que a maioria dos paradisianos de Olympus. Suas faces são monstruosas, uma vez que suas bocarras nunca

comandante pode enxergar vultos escalando o desfiladeiro, embora não se possa identificar sua aparência. Com esta velocidade, o comandante alcança facilmente o fugitivo e ambos iniciam um

se

fecham, revelando seus dentes de tubarão e uma

combate, em que as duas espadas de chamas brancas

do comandante chocam-se com a lança de luz do

fugitivo, enquanto seu mergulho em direção ao próprio Leviathan continua.

O comandante nem mesmo precisa esforçar-

E você é o veículo que trará os novos tempos!

- Como assim? Eu nunca iria auxiliar monstros como você!

se muito para superar o poder de combate do fugitivo, e então uma voz ecoa pelo Fosso:

de combate do fugitivo, e então uma voz ecoa pelo Fosso: “Chega!”. Uma forte rajada de
“Chega!”. Uma forte rajada de vento vem do fundo, desequilibrando os dois Anjos e separando-os,

“Chega!”. Uma forte rajada de vento vem do fundo, desequilibrando os dois Anjos e separando-os, quando ambos vêem um colossal tentáculo verde surgindo do fundo do Fosso e envolvendo a ambos.

O

de

simples toque do tentáculo nos seres da Cidade

Prata os desacorda.

- Você não precisa fazer isto por vontade própria! Olhe à sua frente! Zeus olha mais à frente e percebe que o centro do aposento onde está possui uma lâmina espelhada, onde uma mulher aparece dormindo recolhida em si mesma. Uma mulher conhecida por Zeus: sua primeira esposa, Métis, engolida por ele logo após sua vitória contra seu pai, Cronos.

mulher conhecida por Zeus: sua primeira esposa, Métis, engolida por ele logo após sua vitória contra
mulher conhecida por Zeus: sua primeira esposa, Métis, engolida por ele logo após sua vitória contra
mulher conhecida por Zeus: sua primeira esposa, Métis, engolida por ele logo após sua vitória contra

Algum local perdido em meio a Spiritum

O pai dos olimpianos acorda acorrentado à

parede do que se assemelha a uma masmorra de torturas medievais, do mesmo tipo que era normalmente utilizado pelos Inquisidores para manter seus servos de demônios e bruxas. Alguns

metros à sua frente, está preso seu guarda-costas, o Hecatonquiro Briaréu, preso por centenas de correntes em cada um de seus 100 braços. O deus dos Olímpicos olha à volta para tentar localizar-se, mas não encontra indício nenhum de onde esteja. À sua direita, uma cortina vermelha esconde algo que nem mesmo seus vastos poderes lhe permitem identificar. Após alguns minutos, surge aquela aberração que o venceu em combate e a seu guarda-costas. Seu aspecto bizarro e pútrido ainda consegue causar a repulsa de Zeus e Briaréu.

- Quem é você, monstro? Por que me capturou?

- Não importa quem eu seja! – o monstro responde, com uma voz que fere os ouvidos de Zeus, como se cada palavra que a aberração proferisse já fosse um ataque à própria existência sagrada do senhor dos olimpianos. – Você já governou o Monte Olimpo por tempo suficiente! Esta Orbe já teve seu tempo, e agora a Roda dos Mundos deverá girar!

A abominação puxa a cortina vermelha, e

revela a Zeus todos os 60 Marûts, acorrentados como ele mesmo está, formando um círculo, cujo ponto central possui uma espécie de escultura de um feto, feito de barro. Cada um dos Marûts, desacordados, tem um tubo que os liga ao feto de barro, tubo este que está enxertado em seus

pescoços, e a outra ponta ligada a um altar onde o feto está colocado.

O quê você fez com os

- O que

Marûts, maldito?! – Zeus assusta-se.

- Eles são a nova liderança de Paradísia, e você tem de aceitar isto, olimpiano!

- Vocês a tiraram de dentro de mim?

- Não, este espelho tem a única função de revelar o plano que existe dentro de sua essência, o plano que você utilizou para aprisionar a deusa da sabedoria! Com este espelho, acompanharemos toda a gestação do novo governante da Orbe! Zeus não sabe como reagir. O oráculo disse que o próximo filho de Métis seria o novo senhor de Olympus, assim como um oráculo também disse que o filho de Indra seria o novo senhor de Katmaran! Agora ele entendeu o plano sinistro: o feto terá as essências dos Marûts (que nada mais são que os fragmentos do feto que cresceria e se tornaria o filho de Indra, explodido por seu próprio pai, para impedir seu nascimento) e será inserido no ventre de Métis, tornando-se deste modo filho de Zeus e Métis, cumprindo assim duas profecias com um único ato.

Algum local em Metrópolis, Paradísia, 45 séculos

atrás

O grande comandante dos caçadores que

perseguiam alguns fugitivos da Segunda Rebelião acorda em um aposento escuro, onde as únicas luzes são de sua própria essência e a fraca aura do Anjo que perseguia. O renegado ainda está desacordado,

e o comandante começa a traçar um plano para como

agir, caso tenha se tornado um prisioneiro de guerra. Subitamente, a mesma voz que ecoara no Fosso ecoa novamente no aposento: “Desperte, Hagadiel!”, e o Anjo desperta imediatamente, sem saber onde está. A simples visão do comandante

mais corajoso da Segunda Rebelião já o faz levantar

e levantar vôo, para onde quer que ele vá, desde

que seja longe de seu perseguidor. Assim que suas asas se movem para levitá-lo, elas automaticamente são dobradas em sentido contrário, quebrando-se em milhares de pontos, som horrível de ser ouvido por um Anjo, mas não tão horrível quanto o grito de dor que o Anjo fugitivo soltou. O bravo Anjo perseguidor percebe que qualquer movimento suspeito causará a ele o mesmo destino.

- Quem é você, maldito?! – o fugitivo

Hagadiel pergunta, em meio a gemidos de dor.

- Sou o dragão-baleia, o engolidor de

Tenho

inúmeros nomes e pseudônimos,

– ecoa

mundos, o portador do fim

escolha o que bem lhe convier

a voz imponente.

- Leviathan! – o comandante exclama.

– Estamos no fundo do Fosso?

- Você sabe meu nome edhênico, mas está errado quanto ao local onde

– diz Leviathan. – Eu

também conheço seus nomes:

Hagadiel é o fugitivo, e Goghiel seu perseguidor!

- Sim, Leviathan. – o comandante Goghiel concorda. – Devo me desculpar por invadir Metrópolis sem permissão e entrar no Fosso, mas tenho a missão de capturar este fugitivo para que ele receba a punição que o Conselho da Cidade de Prata decidir!

- Que seria ficar acorrentado no Deserto de Dudael até o fim dos tempos?! – Hagadiel debocha. – Não, obrigado, prefiro fugir e levá-lo junto até o próprio Lúcifer!!

- Vil Hagadiel – Leviathan diz –, seus atos vão completamente contra a vontade de Demiurge, e sem propósito algum para o própria Orbe! Você é um erro na etapa da Criação, assim como seus companheiros traidores! Sua essência deve ser desfeita para que ela coopere com as leis cósmicas, sem criar outro erro no Firmamento! Sua existência termina hoje, Anjo da Cidade de Prata, pois cuidarei pessoalmente para que sua essência seja espalhada em toda a Orbe, e quem sabe um dia tenha uma utilidade! Até nunca mais! – E Hagadiel torna-se luz pura, seguida de um grito de desespero. Segundos depois, toda a essência do Anjo deixa de existir.

- Este também será meu destino, engolidor de mundos?

- Não, pois você cumpre com fidelidade o propósito para o qual foi criado! Noto em você uma energia que há em poucos Anjos! A energia do idealismo, do verdadeiro poder que move as coisas animadas e inanimadas! Assim como eu, você tem um propósito simples e definido!

estamos

- Sim, meu propósito é servir ao Demiurge em cada ordem, simples ou complexa, corriqueira ou perigosa, aparentemente justa ou injusta!

- Não pense assim, Goghiel! Qual é a visão que vocês Anjos têm de mim?

- Você é a Besta do Apocalipse, e sairá deste Fosso na data determinada pelo Ancião dos Dias! Você é a criatura que age para destruir todo o sonho que o Demiurge realizou!

- Pois engana-se, Anjo! Minha existência e meu propósito nada têm a ver com o Demiurge, nem qualquer outro edhênico ou paradisiano Realmente sou a Besta do Apocalipse, e engolirei todo o plano da Terra quando eu sentir que é chegada a hora! Mas isto não faz de mim alguém malévolo! A morte não é má, apesar de causar sofrimento.

- Você está querendo me dizer que o que você fará é inevitável? Este é o destino?

- Exato! Farei o que nasci para fazer! Desde quando nasci em Edhen, já sabia meu propósito, e agora é sua vez de procurar seu propósito! Feche seus olhos e quando abri-los estará no Deserto de Dudael, em frente a Metrópolis! Tudo o que foi conversado com um ser de

poder imensurável e idade incontável ia contra tudo

o que foi ensinado aos Anjos pelo Demiurge!

Satânia não é propriedade de Demiurge, e o que tiver de acontecer, irá acontecer, independente da

vontade do Grande Arquiteto da Cidade de Prata.

E então o poderoso Anjo fechou seus olhos, sem

saber mais no que acreditar.

Dhaka, Bangladesh

O pequeno Maitreya levanta-se da rua, dá alguns tapas para tirar a sujeira do chão em suas roupas e continua seu caminho tranqüilamente, sem rancor algum do carreiro que o empurrou para a calçada daquela forma rude. Afinal, o carreiro tem clientes em sua liteira, e ele próprio a puxa, sem o auxílio de nenhum boi ou cavalo; um garoto distraído à sua frente só representa um empecilho para que ele chegue a seu destino com os clientes em perfeito estado. As ruas superlotadas de Dhaka neste horário, antes de o Sol se pôr por completo, fazem o garoto imaginar-se como em um formigueiro. Basta ele errar um passo, que não há mais espaço para ele colocar seu pé de volta ao chão. Para todo lugar

que olha, são só pessoas o que ele pode enxergar:

altos, magros, gordos, faquires, muçulmanos, budistas, homens, mulheres, crianças, idosos, enfim, não há diferença neste oceano de pessoas. Nas milhares de tendas nas ruas, tudo pode ser comprado, do mais corriqueiro ao mais exótico:

bolas de gude, gatos, punhais, jóias, churrascos de porco e gafanhoto, tecidos e tapeçaria, computadores e celulares, leite e café. Maitreya até chega a olhar mais fixamente para uma garrafa de leite de cabra, para ele uma das mais deliciosas bebidas no mundo. Ele se sente um pouco mal, pois nem mesmo uma garrafa destas ele é capaz de pagar. No fim da multidão, a cidade começa a tornar-se ainda mais rural, e o menino toma o caminho de terra que leva à modesta vila onde mora com seus pais, sua avó e seus treze irmãos. Tudo o que ele queria ver neste dia era o sagrado elefante branco de Vishnu, mas os monges estavam tratando

e enfeitando o animal para a festa que ainda se

iniciará à noite. Durante a festa, o barulho não lhe permitirá ouvir o que o elefante estiver dizendo a ele, aliás, um dom seu que somente sua avó sabe. Nenhum outro animal conversa com Maitreya; nestes 8 anos que o garoto tem, o elefante branco é

o único que o compreende e conversa com ele. O garoto olha o céu estrelado, com estrelas que nunca poderiam ser enxergadas em uma daquelas cidades poluídas. Aquela lua crescente

enorme no alto do céu o faz se lembrar que era sua vez de pegar as galinhas no galinheiro para o jantar do dia. É nestas horas que ele desejava possuir uma bicicleta, como a que se pai usa para carregar lenha nas entregas aos fazendeiros e comerciantes de Dhaka e proximidades. Maitreya aperta o passo, embora perceba que subitamente o céu perdeu um pouco de seu brilho,

e até mesmo a lua parece mais encoberta. Parece

que muitas estrelas sumiram do céu no lado oeste, mas o menino não precisa pensar sobre isto no momento. Ele tem 3 galinhas que precisam de sua atenção completa. Então, ele vê o que ele nunca imaginaria ver em sua vida: não uma estrela cadente, mas uma chuva de estrelas cadentes, percorrendo o céu na mesma direção onde fica sua vila. Talvez seja o sinal de que é bom se apressar ainda mais, pois tantas pessoas com fome não é algo muito bom para a pele ! Nem mesmo a fumaça e a luz distante de tanto fogo o fazem perceber o que acontecera. É somente na hora em que chega à vila que o menino percebe o ocorrido: fumaça em todo lugar, gritos

de dor espalhados por todas as 20 casas da vila, fogo em toda a área, e no centro da vila, o monumento da vila. Feito com a madeira das árvores da floresta próxima, dizem que a madeira é sagrada, que tem espíritos que protegem quem as utiliza para honrá-los. Por isso mesmo, os moradores da vila

fizeram o tal monumento na forma de um altar, para entregarem toda semana uma prenda aos espíritos, em forma de pequenas refeições. Desta vez, não há um tacho com uma refeição comum. O corpo de Rasharid, um grande amigo de Maitreya, de somente 5 anos, está deitado no altar. Sobre ele, um humanóide de pele negra como a própria escuridão da noite, com pinturas em um branco muito puro. A criatura é extremamente magra e esquálida, mas com uma cabeça ligeiramente maior que o normal. Ela parece estar olhando a barriga de Rasharid, mas o barulho e o sangue que escorre pelo altar lembra Maitreya de quando seu pai comia pés de galinha, e fazia o mesmo som nojento de estar chupando o caldo e ao mesmo tempo tentando mastigar aquelas patas

galináceas. Quando a criatura interrompe o que fazia

e olha diretamente nos olhos de Maitreya, restos de

vísceras entre os dentes daquele monstro com face de um esqueleto provam que o que ele fazia com seu amigo era se alimentar, e Maitreya seria o próximo. O monstro lentamente desce do altar, com as várias jóias que porta emitindo sons de penduricalhos. Os penduricalhos chamam a atenção dos outros monstros que estavam espalhados pela vila. Antes de ultrapassar a contagem de 30 deles,

Maitreya corre como nunca correu antes, em direção

a Dhaka.

Pé do Monte Aramesh, Paradísia

Próximos da entrada da Cidade de Prata, os três amigos de cidades paradisianas tão diferentes tentam sentir a presença de seu poderoso inimigo, o falso Amesha Spenta. Andrômeda, Aruhiga e Njall, embora feridos e fatigados pela batalha, sabem que devem caçar seu inimigo onde for necessário, pois a ameaça que ele representa é muito grande. Então, como se fosse tudo parte de um plano, o Amesha Spenta aparece algumas dezenas de metros à frente deles preparado para combater novamente. Quando Njall olha ao longe, sua apurada visão de Valkíria enxerga os outros 6 Amesha Spentas, voando em direção aonde estão. Mais ao longe, outros 7 seres perseguindo-os em uma velocidade que nem mesmo ela seria capaz de empreender em um vôo. O falso Amesha Spenta olha na mesma direção em que Njall olhava, e sorri de maneira macabra.

- Vocês conseguiram conjuntamente me vencer em um combate, mas quero ver se conseguem o mesmo com meus outros companheiros, malditos! – o falso anjo de Vahishta brada, com uma alegria sádica.

- Acho que você não olhou atrás

– debocha Njall. – Me parece

que nós teremos reforços! Assim que os outros Amesha Spentas falsos juntam-se ao falso Khsathra, os três amigos paradisianos percebem que os 7 perseguidores são na verdade 7 Thuata Dé Danann. Lugh, Belatu- Cadros e Epona chegam primeiro, prostrando-se perto dos 7 Amesha Spentas, enquanto Dagda, Gwydion e Morrigan pousam próximos de Aruhiga, Njall e Andrômeda. Cernunnos mergulha dos céus em grande velocidade na direção dos falsos Amesha Spentas. Enquanto Cernunnos desce sobre seus inimigos, seu corpo parece gerar por brotamento vários animais diferentes, como um leão, uma águia, um tubarão, um javali, um urso, uma serpente, em um ritmo suficiente para que houvessem 20 animais diferentes para cada Amesha Spenta no momento da queda. Os animais atacam em harmonia, cada um auxiliando para distrair ou forçar uma defesa do inimigo, para que outro animal possa atacar com eficácia, enquanto outros se posicionam para servirem de escudo para os animais mais mortíferos. Enquanto os falsos anjos de Vahishta lutam com 140 animais diferentes, Cernunnos, utilizando um garfo-rastelo como arma, ataca com a mesma ferocidade das piores bestas que invocara, causando ferimentos distribuídos em todos os seus inimigos. Bastaram alguns minutos de combate para os Amesha Spentas aprenderem como vencer todos os animais, e iniciarem seus melhores ataques. Segundos depois, toda a área da batalha estava repleta de carcaças de animais dilacerados, sobrando somente Cernunnos e os 7 falsos anjos persas. Cernunnos percebe o perigo em que se encontra, mas não desiste da batalha. Seus companheiros concluem que não será fácil para ele enfrentá-los sozinho, então partem para auxiliá-lo. A batalha que Andrômeda, Aruhiga e Njall presenciam é extraordinária, digna de ser contada e recontada pela eternidade. Ninguém nunca teve o privilégio de ver até onde vai o poder máximo do rei de Tir Na Nog, Dagda, somente os três paradisianos. A habilidade com que Dagda manejava seu bastão mágico só se equiparava à habilidade do Amesha Spenta que o enfrentava com uma espada. Todos os Thuata Dé Danann usaram de todo seu poder para vencerem seus inimigos. Epona lutava usando uma lança, montada em um belo cavalo místico que ela invocara. Gwydion usa seus poderes ilusórios para enganar seu inimigo, que por vezes é atingido de surpresa, embora todos os golpes de Gwydion não estivessem ferindo o inimigo com a força necessária. Morrigan, com a ajuda de dezenas de morcegos do tamanho de um grande cão, atacava seu inimigo também com seu toque da morte, capaz

deles

!

de aumentar as possibilidades de alguém morrer em combate. Lugh, o Mão Longa, luta com o mesmo nível de poder de seu inimigo, chegando por vezes a superá-lo, embora logo após a batalha volta a se equiparar para ambos os lados. Belatu-Cadros luta multiplicando-se em várias cópias de si mesmo, tornando-se um pequeno exército e atacando seu inimigo, que mesmo assim consegue enfrentá-los todos ao mesmo tempo. Cernunnos voltou a invocar vários animais selvagens para auxiliá-lo na batalha contra o sétimo Amesha Spenta. Os três amigos observam com uma atenção sem igual, admirando o poder e bravura dos Thuata Dé Danann. A batalha durou um certo tempo, mantendo-se empatada grande parte do tempo. Mas, quando Dagda é desarmado e derrubado ao chão,

os anjos celtas recuam, sabendo que tal batalha traria baixas inaceitáveis.

- Por favor, deixem-nos ajudar! – Andrômeda grita aos anjos de Tir Na Nog.

- Não, criança! – Morrigan diz. – Nem mesmo o poder conjunto de 7 Thuata Dé Danann foi suficiente para intimidar estes inimigos. Vocês,

infelizmente, não têm poder para representar um fator decisivo. Precisamos de ajuda MAIOR!

- Deusa pagã, eu atenderei à sua necessidade! – surge voando no alto o poderoso Goghiel. – Estes invasores já causaram problemas demais em toda Paradísia, e agora receberão a punição do grande Demiurge!

- Antes, Elim da Cidade de Prata, lhe revelarei a verdadeira identidade de nossos inimigos! – Gwydion diz, esticando a mão e agarrando o ar de Paradísia como se fosse uma cortina,

e magicamente puxando-o. Assim que

ergue o véu da ilusão, a aparência

verdadeira dos falsos Amesha Spentas

é revelada: todos são anjos da Cidade

de Prata! Assim que percebem que seu disfarce

ilusório foi desfeito, e se vêem frente a Goghiel, os 7 anjos demonstram vergonha do que fizeram.

- Mestre Goghiel, pedimos perdão! Estávamos seguindo ordens

superiores

– diz um dos anjos.

- Cale-se, traidor! – grita Goghiel, furioso. – Demiurge nunca ordenaria que seus filhos se disfarçassem de

anjos de outra cidade paradisiana! Não vejo punição melhor do que a destruição completa de suas almas, para que voltem ao Caldo Primordial

e possam ter utilidade em uma nova

alma! Preparem-se para a morte, Caídos! – Goghiel voa em uma velocidade inconcebível para os três amigos, que observam os 7 anjos traidores preparando-se para se defenderem do ataque de Goghiel, que será devastador. “Goghiel precisará de ajuda”, pensa Andrômeda, concentrando sua energia cósmica nas mãos para atacar assim que o Elim precisar de

auxílio. Aruhiga faz o mesmo, ateando fogo em seus

8 chakrans, e Njall prepara sua lança. Os 7 Thuata Dé Danann dão as costas e recuam, com uma tranqüilidade que demonstra que eles confiam no poder de Goghiel. Onde 7 dos mais poderosos Thuata Dé Danann falharam, este único Elim terá sucesso, acreditam eles. E eles estavam certos. Goghiel desce como

um cometa de luz celestial, atingindo o chão de Paradísia e formando uma grande cratera, em que os 7 anjos traidores ainda se encontram, somente assustados com o poder do primeiro Elim da Cidade de Prata. Goghiel joga seu manto ao chão, revelando seus braços de homem-tigre, e ele então saca suas duas espadas longas de chamas que queimariam o mais resistente dos materiais. O próximo ataque de Goghiel mostra-se suficiente: um colossal anel de fogo, que parte do milenar Elim e expande-se à sua volta, cortando ao meio seus inimigos como se nada fossem. A energia do fogo que os corta ao meio é forte o suficiente para incendiá-los e reduzir seus corpos a cinzas no chão. O poderoso anjo Elim nota então que um dos

7 anjos se teleportara, não sendo atingido pelo

devastador anel de fogo. Ele sabe que não pode fugir, pois Goghiel facilmente o alcançaria, mas também não poderá sobreviver a um único ataque

dele. Então o anjo simplesmente aceita o fim e espera pelo ataque de Goghiel. Goghiel aproxima-se lentamente do último dos anjos traidores, ciente de sua vitória, e então gira suas duas espadas de fogo, criando uma roda de fogo, que corta verticalmente o anjo traidor, reduzindo suas duas metades a cinzas, assim como aconteceu aos outros. Goghiel então vira-se para a Cidade de Prata, pronto para voar até ela.

- Por favor, anjo da Cidade de Prata! – Njall o chama. – Poderíamos saber seu nome? Temos importantes notícias a dar ao senhor sobre estes anjos que o senhor venceu!

- Não há nada que vocês saibam que eu já não saiba! – Goghiel a despreza. – Tenho muito o que fazer! Se quiserem, falem com seus amigos pagãos! – e ele levanta vôo, em uma velocidade muito alta em direção à Cidade de Prata.

- Não se preocupem, jovens! – Lugh os acalma. – Goghiel é o mais poderoso dos anjos da Casta Elim, surgido antes mesmo que a própria Casta tivesse sido definida na Cidade de Prata. Mesmo que tenhamos saído da Cidade de Prata para caçar os 7 falsos anjos com um pequeno exército de poderosos anjos da Cidade de Prata, bastou um único para eliminá-los; todos os anjos que nos seguiram morreram nas mãos dos 7 anjos que traíram a Cidade Prateada. Ele não aceita a existência de nenhum outro edhênico ou cidade paradisiana: ele possui uma fé cega no Demiurge e na Cidade de Prata! Pelo menos, hoje, ele esteve como nosso aliado, contra estes traidores; nunca saberemos quando ele decidirá eliminar todos os seres que não seguem seu Grande Arquiteto. Mas nos diga: qual é a informação que possuem de importante sobre os traidores?

- Bem – Aruhiga diz, encabulado –, uma delas é que os Amesha Spentas na verdade eram anjos, mas isto todos já sabem! Outro fato importante é que todos fazem parte de um grupo especial que possui isto – ele traça as 3 linhas sinuosas paralelas no ar, que aparecem magicamente – como símbolo.

- Este é o símbolo da Ordem da Era de Aquário! – explica Gwydion. – Ela foi criada logo que Christos desceu à Terra, gerando a Era de Peixes, que duraria 2000 anos. Agora que já estamos no século XXI, a Era de Aquário chegou, e estes anjos se preparam desde o início da era anterior para defenderem o mundo contra as ameaças do Juízo Final que envolvem a mudança destas eras. Me parece que agora a Ordem da Era de Aquário quer CAUSAR o Juízo Final, não combatê- lo!

- Mas então nos diga quem é o líder desta Ordem! – Andrômeda desespera-se.

- Ninguém sabe, nem mesmo os anjos da Cidade de Prata. Os anjos que fazem parte dela são secretamente selecionados e treinados, para que não haja chance alguma de serem destruídos antes do momento de agir.

- Um dos anjos, ao avistar Goghiel, o chamou de mestre. Por quê? – pergunta Njall.

- Goghiel é um dos principais treinadores de Captares, Protetores, Elim e Ophanim da Cidade de Prata, juntos com alguns outros anjos. Pela habilidade de lutarem, é muito provável que Goghiel tenha sido mestre deles em alguma etapa de seu treinamento! O poderoso Arcanjo Miguel está dizendo que os mundos estão em grande risco, então voltaremos a Tir Na Nog para defendermos nossa cidade contra eventuais ameaças. Até algum dia, e boa sorte em suas empreitadas! Dagda entrega a cada um deles uma linda maçã vermelha. “Para se curarem”, ele explica, e parte junto a Belatu-Cadros, Lugh e Cernunnos. Morrigan hesita um pouco, olhando em direção à Cidade de Prata, pensando nas visões que teve e

que passou a Miguel, mas depois decide ir com seus companheiros. Epona se aproxima dos três amigos.

- Um Gandharva, uma Semideusa e uma Valkíria, que combinação peculiar Vocês demonstraram grande coragem hoje, e merecem receber uma recompensa! – De lugar nenhum, surgem três lindos cavalos, aparecendo ao lado de Epona. – Tomem estas montarias, elas os ajudarão a se movimentarem por Paradísia, ou onde mais precisarem ir! Adeus!

- Crianças – Gwydion aproxima-se dos três amigos logo que Epona vai embora com os outros Thuata Dé Danann. –, tenho uma missão a vocês, se puderem realizá-la com toda a vontade!

- Claro, Gwydion! É só falar! – diz Aruhiga.

- Vocês devem se dirigir à Terra, onde este olho indicar! – Gwydion solta no ar um olho flutuante de cristal vermelho. – Este artefato sempre estará olhando na direção em que devem seguir. Quando ele avistar o alvo, ele deixará de flutuar e cairá no chão.

- Está bem, mago celta! – diz Andrômeda. – Mas temos um “pequeno” obstáculo: não temos a habilidade de nos movermos através dos planos!

- Não se preocupem, estes cavalos de Epona realizam viagens planares entre

Paradísia, a Terra e a Arcádia, desde que sejam cavalgados por paradisianos. Ou filhos de

– ele diz, olhando com

ternura para Andrômeda. – Agora vão, pois têm pouco tempo! Assim que encontrarem o alvo do olho, descubram se ele é amigo ou inimigo:

se for amigo, protejam-no! Se for inimigo, eliminem-no! Adeus! Os Thuata Dé Danann voam em direção a Tir Na Nog. E os três amigos cavalgam seus cavalos mágicos para o alto do céu de Paradísia, entrando em um portal colorido em direção à Terra.

paradisianos

Palácio Júpiter, Cidade de Prata

Miguel não entende como todos os acontecimentos puderam acontecer sem que ninguém desconfiasse, de modo que tudo ocorresse em um ritmo rápido demais para que os próximos passos pudessem ser previstos. O Príncipe Arcanjo não consegue acreditar que o momento do Juízo Final tenha chegado, e sem que o próprio Conselho do Solarium pudesse ser avisado, ou mesmo que não tenha sido o próprio Conselho que tenha decidido o momento do Apocalipse. O que isto significaria? O Conselho não é perfeito? Ou tudo seria a vontade do próprio Demiurge, que age independentemente das decisões do Conselho? O senhor dos Arcanjos passeia pelo Distrito de Vênus, em um discreto porém lindíssimo bosque, com seus subordinados: Nemamiah, Ieiael, Harahel, Mitzrael, Umabel, Iah-Hel, Anauel e Mehiel. É

necessário deixá-los de prontidão caso precisem se

Enquanto ensina a seus

asseclas os procedimentos de como agir no caso de

encaminhar para Megiddo

uma iminente guerra na Terra, seu fiel mensageiro Eriel chega ao seu lado, vindo dos ares.

- Senhor, tenho mais notícias!

- Então conte-me, meu amado mensageiro! – Miguel diz a Eriel, afastando-se um pouco de seus asseclas celestiais.

- A Falange que acompanhara os Thuata Dé Danann na caçada aos conspiradores foi destruída pelo inimigo! Entretanto, os conspiradores foram mortos em um esforço conjunto dos paradisianos Aruhiga, Andrômeda, Njall, os 7 Thuata Dé Danann e o Elim Goghiel!

- Goghiel? – interrompe Miguel. – Mas eu lhe ordenei que fosse à Terra falar com Gideão e sua Ordem apocalíptica! Como ele ousa desobedecer-me?

- – Eriel receia qual será a reação de Miguel – Megiddo está com dezenas de vezes mais Anjos que a última vez que eu verifiquei e contei ao senhor! Além dos Anjos da Cidade de Prata e dos Jardins de Alá, foram confirmadas as presenças de uma grande quantidade de Anjos de Aasgard, que alegam que um oráculo em Aasgard revelou Megiddo como Vigrith, o local da batalha do Ragnaröck.

E por falar na Ordem de Gideão

- Meu Senhor! – Miguel exclama. – Se estes aasgardianos também estão preparando-se para a batalha final, então realmente o fim está próximo! Querido Eriel, temos máxima urgência em descobrir quem está causando tudo

isso!

- Senhor, com relação a pistas novas, estou ciente de que o grupo de Yviel descobriu novas informações de importância vital sobre a situação em Metrópolis e inclusive no Inferno! Eles já combinaram de se encontrarem com o senhor amanhã ao nascer do sol no mesmo bistrô em Nice onde os conheci!

! Terei de

- Estes jovens impertinentes

sair de Paradísia somente para falar com eles! Tudo bem, meu Anjo Eriel, amanhã estaremos lá!

- Sobre os inimigos vencidos por Goghiel, Gwydion enviou uma mensagem diretamente a mim revelando que os 7 guerreiros são Anjos da Ordem da Era de Aquário, ou seja, a conspiração do fim dos tempos está sendo arquitetada dentro da Cidade de Prata!

- Como isto é possível? – Miguel se espanta. – Depois de Lúcifer e Samyaza, teremos uma Terceira Rebelião? E pelos Anjos que juraram proteger a Terra quando o Redentor novamente descesse à Terra!

- Aliás, tenho uma última notícia com relação a este fato, senhor! E esta talvez seja a notícia mais importante em dois milênios

- Como assim? Diga logo, meu mensageiro!

- ELE está na Terra

- Como assim “ELE”? Você está

querendo dizer

o “nosso” Ele?

- Exatamente! Nosso contato no Japão, Mihael, detectou a emanação mística

de nosso Redentor nas imediações do Sudeste Asiático!

- Com esta informação, não há mais dúvidas de que o momento chegou! Só precisamos saber a idade do Redentor

e verificar se ele já está pronto para

cumprir seu papel no Universo! – Miguel dirige-se a seus asseclas. – Meus fiéis guerreiros, o dia da batalha final está chegando! Preparem suas tropas e fiquem em prontidão para meu sinal! Dispensados! Assim que os oito asseclas de Miguel partem, o poderoso Goghiel aparece para Miguel e Eriel, sem seu manto cerimonial. Seu físico musculoso de um guerreiro com milênios de idade quase não condiz com sua bela face e seus cabelos que de tão loiros parecem emitir luz dourada. Seus braços de homem-tigre ainda portam nas mãos as duas espadas longas.

- Goghiel! – Miguel o aborda, apreensivo. – Como foste capaz de desobedecer uma ordem direta vinda de mim?

- Meu senhor Miguel – Goghiel ajoelha- se perante o Príncipe Arcanjo –, eu obedeci suas ordens à risca, mas Gideão confirmou que o Turíbulo que possui é o verdadeiro! Irei até a vila de São Teodósio e verificar se o Turíbulo lá guardado é falso!

- Soube que tu destruíste os inimigos que utilizaram o portal de Tir Na Nog

- Sim, Miguel! Quando voltei da Terra, utilizei um portal para os Portões Prateados de São Pedro, e quando lá cheguei, encontrei os Thuata Dé Danann e outros três paradisianos combatendo os 7 invasores!

- Que na verdade não eram invasores, e sim puros Anjos desta Cidade de Prata, não é?

- Sim, Miguel, são membros da secreta Ordem da Era de Aquário! Suspeito que Gideão tenha ciência de quem seja

o líder desta misteriosa Ordem, e por

isso viajarei à Terra novamente, assim que verificar se o Turíbulo da vila de São Teodósio é genuíno!

- Goghiel, como tens boas relações com Yviel e seu grupo, eu o convido para ir à Terra acompanhando Eriel e a mim, amanhã! Podes me fazer esta

gentileza?

- Claro, mestre Protetore! Estarei pronto amanhã! Que Demiurge o ilumine! –

Goghiel parte, com a impetuosidade que lhe é característica.

- Igualmente, Elim! Meu querido Eriel, irei imediatamente ao Solarium me atualizar quanto à situação do Redentor na Terra, e amanhã conversaremos! Enquanto isso, peço- lhe que descubra a localização exata do Redentor, bem como onde estão e o que estão fazendo as múmias Darahv e Teptet. Até amanhã, e que o Demiurge o abençoe!

- Ao senhor também, meu amado mestre! – Eriel se despede, encaminhando-se para o Distrito de Mercúrio.

Nepal, 1000 anos atrás

As montanhas nevadas deste local revelam grandes segredos, conhecidos por poucos na Terra. Foi em uma das mais antigas vilas deste lugar que surgiu ainda no início da existência do Homem a primeira múmia, Ganaviti, que vagou por séculos pelas montanhas, enlouquecendo e recebendo o convite do demônio Abracax para tornar-se seu servo e líder de uma ordem de Magos que lidam com a loucura. Em meio a este terreno ainda vivem os Vanaras, os licantropos-gorila, conhecidos em tantas lendas como os Yetis, guardiões furtivos e ferozes das montanhas do Himalaia. Uma varredura completa neste terreno ainda revelará diversos outros segredos, entre eles um grandioso templo budista, apropriado dos xamãs tibetanos. Construído sobre um poderoso Node, tal templo possui uma ligação muito forte com o plano de Spiritum e, principalmente, com o Sonhar. O templo, antes repleto de fetiches xamânicos de proteção e aprisionamento de espíritos, agora somente possui duas estátuas de Shishios, os cães leoninos que despertam para proteger o lugar de guarda. Entre as duas portas duplas que existem em cada canto da frente do templo, foi construída uma gigantesca estátua de Buda, esculpida diretamente de um monolito de cristal que havia em frente ao templo. Ao lado deste enorme templo, há uma caverna, cuja entrada foi primorosamente decorada, com avisos para qualquer um que tenha a intenção de entrar no local. Os avisos incluem “Riscos de Morte”, “Somente para as almas mais puras”, “Danação eterna aos infiéis”, entre outros piores. É

atravessando tal entrada que localiza-se a Biblioteca dos Registros Akashicos, onde ficam armazenados todos os pensamentos, idéias e concepções que todas as almas que já habitaram a Terra tiveram,

inclusive dos Médiuns, Oráculos e Sibilas

Ou seja,

neste local ainda estão guardadas todas as profecias ditas e não ditas por todos os mortais com capacidade para isso. Segundo certas teorias, os Registros Akashicos são muito mais que um banco de dados que se atualiza: ele seria na verdade O BANCO DE DADOS do pensamento humano, um local atemporal onde todo o conhecimento do que foi e do que será pensado está guardado. Dois monges guardam a entrada, portando ambos um bastão de madeira sagrada; seus trajes cerimoniais lhes dão um ar de nobreza e poder, suas cabeças raspadas revelam símbolos arcanos pintados sobre o couro cabeludo. Sabe-se que seu poder de combate é muito alto, e poucos seres

“inferiores” (isto é, que não sejam de Edhen, Infernun ou Tenebras, nem entidades primordiais dos outros planos) seriam capazes de durar mais que poucos minutos em uma batalha contra um único deles. Mas, neste dia, os dois guardas se mostraram insuficientes para o ataque fatal da criatura sombria, cujo sopro de energia entrópica foi suficiente para eliminar a existência de ambos, enviando-os diretamente para Spiritum. A sombra alada pousa sobre os corpos inertes dos monges desencarnados e dirige-se para

a entrada da caverna. Após cinco passos, os dois

Shishios adquirem vida, urrando como se avisassem do combate aos outros monges, de modo que quatro deles saem do interior da caverna e preparam-se para o combate com espadas, chicotes, nunchakus

e tonfas. A sombra translúcida dirige-se aos seus

oponentes com a mesma confiança que tinha ao matar os dois monges agora desencarnados. Os Shishios e os quatro monges saltam contra a criatura sombria.

Dhaka, Bangladesh

Maitreya corre com todas as suas forças pela estrada de terra envolta em plantações de arroz, incapaz de conceber a atrocidade que ocorreu em sua vila. Seus vizinhos, amigos, familiares, todos mortos e devorados por aqueles monstros esqueléticos. E agora ele será o prato principal de todos os mais de vinte monstros! Enquanto penetra na cidade de Dhaka, o menino olha para trás e percebe que não há mais nenhum daqueles monstros perseguindo-o, mas há somente um homem vestindo uma espécie de traje cerimonial, portando as mesmas jóias que os monstros, e olhando fixamente para ele. Então o garoto percebe: eles conseguem se disfarçar como humanos, e poderão pegá-lo em qualquer lugar da cidade sem que ninguém possa desconfiar de suas verdadeiras identidades. Maitreya então decide correr para o templo onde seu mais novo amigo, o elefante branco, se encontra.

Bem no cruzamento entre duas ruas, está havendo uma competição improvisada de sumô, com dois verdadeiros sumotoris em busca de dinheiro fácil de apostas. O menino lembra-se de que o sal jogado no local de uma partida de sumô serve para purificar o local, e então tenta ficar o mais próximo do círculo que limita o ringue dos sumotoris. Ao longe, um dos monstros disfarçados

o identifica e vira-se para avisar a seus comparsas.

A criatura mal percebe a gigantesca cauda boídea

que enrosca-se em sua cintura e o draga para a escuridão de um beco. Maitreya, após procurar pelo desfile que exibirá publicamente o sagrado elefante branco, símbolo de Vishnu, finalmente o localiza, puxado por um dos monges brâmanes. O garoto tenta penetrar na multidão de fiéis e de turistas, mas acaba agarrado pelo pescoço por um dos monstros

disfarçados, que o arrasta para longe da multidão. Os gritos desesperados do menino mal são ouvidos em meio a tantos aplausos, ovações e orações ao elefante branco. O monstro, ainda em forma humana, se reúne a outros trinta de sua espécie, amordaçando e prendendo as mãos e pés do menino. Quando um dos monstros dá o último nó nos pés do garoto, uma enorme cobra constritora surge das sombras e abocanha o tronco inteiro do monstro com sua boca enorme, sobrando nos lados da boca

as pernas e a cabeça do monstro. Após um som de

estalo muito forte, as pernas e a cabeça do monstro caem no chão, voltando à forma verdadeira, e a cobra volta a sumir nas sombras. Os monstros voltam todos às suas formas monstruosas, prontos para se defenderem da ameaça, e notam que no beco em que se encontram eles podem ver cobras e serpentes por todo o lugar:

pequenas áspides se arrastando no chão, corpos de anacondas no alto entre uma sombra e outra, caudas de cascavéis agitando seus chocalhos em pontos diversos, várias pequenas serpentes escalando as

paredes

Os monstros sabem que algo muito

estranho encontra-se no local. Antes que pudessem concluir o que seria, um dos monstros é surpreendido por um humanóide de 8 braços e cauda ofídia no lugar de pernas que vem

do alto, o agarra, e o leva de volta para o local onde encontra-se a outra ponta de sua cauda, assustando

os outros esqueléticos, que mal perceberam o ataque

furtivo da criatura com características de serpente, mas perceberam o sumiço de um deles. Todos eles, desesperados, começam a atacar todas as cobras do local, buscando identificar o autor destes ataques

contra eles. Sem que percebessem, a criatura de 8 braços aparece perto de Maitreya e solta duas pequenas serpentes sobre as amarras do menino.

- Ei, garoto, você está bem? – pergunta a criatura de 8 braços.

amordaçado, responde, indicando que sim com a cabeça.

- Espera um minuto que eu já elimino estes monstros! Assim que ele termina sua frase, os monstros esqueléticos o notam e investem contra ele, que utiliza inúmeras caudas para se defender e atacar seus inimigos. O som do desfile já acabou, e o elefante provavelmente já foi posto de volta à sua área no templo. Maitreya retira a mordaça logo que suas mãos são soltas pela serpente que a criatura ofídia soltou sobre suas amarras da mão; logo que suas amarras nos pés também são eliminadas, o menino levanta-se num pulo e corre com todas as forças em direção ao templo do elefante branco, sendo seguido por um grupo de dez monstros esqueléticos.

- Menino, espere! – a criatura de 8 braços grita a Maitreya. – Não posso protegê-lo se você fugir de mim! – ele diz, enquanto se esquiva de alguns golpes dos monstros.

- Preocupe-se conosco, monstro-cobra! – um dos monstros esqueléticos diz, com uma voz imponente que indica ser ele o líder dos monstros. O menino sai do beco correndo desesperadamente, chocando-se com o próprio elefante branco, parado à sua frente, com uma fisionomia serena que o observa.

- Elefante, me proteja! Vários monstros estão no beco, e eles mataram a minha vila inteira! Tem um outro monstro que está enfrentando todos eles, e eu não sei se ele também quer me matar!

- Não há necessidade de se preocupar, Maitreya! – o elefante responde, sem mover seus lábios, de um modo que somente o garoto pode ouvir. – O seu momento chegou, e estou aqui precisamente para garantir que você nunca seja ameaçado! – neste momento, todo o corpo do elefante vai adquirindo a aparência de mármore branco. – Vou garantir pessoalmente que nenhuma ameaça atente contra sua vida! – o elefante rochoso corre para dentro do beco, ocupando todo o corredor com sua largura. Nenhum dos monstros esqueléticos tem tempo de se esquivar da trombada, enquanto o homem-serpente volta para as sombras do alto do beco, uma vez que sua cauda ainda estava no alto, e pôde puxá-lo com rapidez. Os esqueletos monstruosos vão se recuperando e atacando o elefante de mármore, que nada sofre com os ataques, até que seu corpo paquiderme é envolvido por uma

garoto,

-

Mmmmmmm

o

cauda de serpente colossal que o comprime no beco, causando algumas rachaduras em seu corpo de pedra.

- Ei, adiposo! – o homem-serpente atiça o elefante de pedra. – Se você também quer matar o menino, vou lhe dar a mesma lição que estes magrelos feiosos estão recebendo!

- Não, sua cobra idiota! – o elefante se enfurece. – Estou aqui desde que ele nasceu para garantir que nenhuma ameaça possa feri-lo! Agora saia daqui ou eu lhe enviarei a seu plano de origem, assim como estes monstros assassinos! Enquanto os dois protetores do menino discutem, os monstros esqueléticos saem do beco e tentam atacar Maitreya, que grita em desespero, chamando a atenção de algumas pessoas que andavam por perto. Os monstros agarram o menino e o levam para dentro do beco novamente, mas percebem que seus oponentes já se entenderam, piorando sua intenção de matar o menino.

O elefante vai perdendo sua aparência

rochosa, enquanto um ser espiritual sai de sua nuca; quando o elefante volta ao normal, está exausto e

deita-se onde está, e a forma espiritual aparece montada no pescoço do paquiderme. Um homem forte, portando uma linda espada com detalhes em ouro e jade, pele avermelhada, grandes dentes de javali na boca e usando uma armadura com uma armação semelhante a um círculo em suas costas. Seus olhos se tornam inteiramente brancos, e ele grita, erguendo um muro na frente do beco, para impedir que qualquer pessoa possa vê-los. O alto dos 4 muros do beco se fecha, gerando escuridão total e assustando os monstros esquálidos. Uma gigantesca anaconda envolve Maitreya, mas para protegê-lo de qualquer dano. Quando a escuridão se torna completa, só pode-se ouvir os gritos de dor e desespero dos monstros, atacados com areia movediça, estacas de terra, víboras peçonhentas, abraços constritores de grandes

cobras, a espada do espírito que possuía o elefante branco e as adagas Sai do homem-serpente. Após alguns minutos, todos os monstros são destruídos e suas essências voltam a seu plano de origem.

A redoma se abre e o muro desaparece,

permitindo ao menino sair do beco, uma vez que não há mais nenhuma cobra protegendo-o.

- Agora que não temos mais inimigos, vamos às apresentações! – o guardião do elefante branco sugere. – Sou Tai- Ling, da Casta dos Yashas, representante pessoal da cidade paradisiana de Shang-Qing em Bangladesh. Desde o nascimento deste menino sou seu espírito guardião,

usando o sagrado elefante branco como veículo para me comunicar com ele. E você, quem é?

- Meu nome é Kushimaru, da Casta Hibakara! Venho em nome da cidade

de Amaterasu verificar o estado deste menino e zelar por sua vida, mas não recebi nenhuma instrução de que encontraria outros protetores, nem mesmo inimigos sobrenaturais. Qual

é a importância deste menino para nossas cidades?

- Talvez nada para sua cidade, mas ele

é a mais recente encarnação do

poderoso Vishnu, e o último Buda na Terra! Devo prepará-lo para enfrentar todo tipo de inimigo tanto do Oriente quanto do Ocidente, pois haverão várias formas em que o Juízo Final se apresentará a este mundo! Ele deve ficar vivo até completar 33 anos! Enquanto caminham pela madrugada nas ruas superlotadas de Dhaka, Maitreya nota que, embora ele os enxergue, parece que mais ninguém os vê, pois passam por eles e não se surpreendem com suas aparências, nem mesmo dirigem o olhar a

eles. E o pequeno Maitreya não entende tudo o que conversam sobre Escolhido, cidades de Paradísia, e outros tantos termos que nunca chegaram a seu

Mas mesmo assim ele presta uma

atenção excepcional aos dois celestiais:

conhecimento

- Kushimaru, foi o próprio Conselho de Amaterasu que te enviou para cá? – pergunta Tai Ling.

- Sim, Tai Ling, meus Hibakaras superiores me enviaram com esta missão de agir como guarda-costas

Mas nenhuma outra

informação me foi dada, somente que

ele com certeza precisaria de minha

E você, o protege desde que

deste garotinho

proteção

ele nasceu?

- Na verdade, quando ele fez 3 anos, os Monges Chuu de Shang-Qing detectaram um potencial místico imenso neste garoto, e me enviaram com a missão de guiá-lo quando ele

Mas

preferiram me enviar em vez de enviar um verdadeiro Chuu, e isso eu nunca entendi

Mas eu não gosto muito destes

- Certo

serviços “secretos” que recebo de Amaterasu, pois nunca sei quando o serviço acaba, quem serão meus aliados e quem serão inimigos! Você mesmo foi atacado por mim, apesar

tivesse conhecimento de quem é

 

de estarmos com missões tão

-

Como assim? Você sabe do paradeiro

similares!

de nosso Führer? – espanta-se

Enquanto conversam de modo mais descontraído, os dois paradisianos mal percebem

Oppengutz. – Como podemos trazê- lo de volta?

-

A

proposta que tenho é de uma chance

os cavalos que surgem de um portal nos céus e rumam voando em sua direção

San Miguel de Tucumán, Argentina, 50 anos atrás

A sala pequena e mal iluminada deste prédio pode mantê-los livres de suspeitas de qualquer um que passe pela porta e desconfia de quem sejam. A

de ouro, de um evento que só ocorrerá em um breve instante, e depois levará mais dois mil anos para voltar! Estão dispostos a trazer Hitler de volta à Terra? – a astuta criatura sombria pergunta, já prevendo a resposta que se segue com um “sim” recatado de todos os Magos.

única janela é pequena e mostra a paisagem da praça San Martin, a maior da cidade. Poucas pessoas passeiam pelas ruas neste domingo, todas protegidas contra o vento frio do inverno argentino; o estilo europeu das pessoas e da arquitetura da cidade deixa

-

Mas queremos saber o que você deseja por esta barganha. – interrompe Khaotz. – Temos a ciência de que um ser como você nunca faria isto sem pedir algo em troca!

os

homens na sala mais confortáveis. Ainda assim,

-

Muito bem dito, Mago do Vácuo! –

morreram pela causa! Mas lhes aviso:

todos se sentem apreensivos com relação a quem os convocou à tal sala, logo o gabinete de um dos

responde a criatura sombria, com ar de deboche. – Só o que lhes peço é

secretários municipais. Por sorte, o secretário que possui a sala é sobrinho de um dos homens na sala,

que posicionem quantas cabais forem necessárias para realizar este ritual –

também membro da Ordem à qual todos pertencem. Sem que nenhum dos homens pudesse

e

entregando um pergaminho a Hosenfeld – na data e no local perfeitamente estipulados no mesmo

perceber, a criatura entra na sala pela porta, sem dar importância alguma à chance de serem todos percebidos por algum membro do Arcanorum que

pergaminho! Ele trará seu amado líder de volta, com todos os soldados que

esteja nas proximidades. “Risco demais”, pensa um deles. A Grande Guerra mal acabou, e eles já foram reunidos novamente. “Algo muito errado está acontecendo ”

logo que ele voltar, será necessário que enfrentem uma grande quantidade de soldados celestiais, de diversas cidades de Paradísia! Caso ele vença,

- Hosenfeld, Heimfüll, Khaotz,

o

novo Reich estará ao nascer do Sol

 

Schneiner, Oppengutz, Itrick

Saúdo

seguinte à batalha!

a

todos nesta pequena sala! – diz a

-

Sim, mas

– estranha Hosenfeld – De

criatura em forma de sombras. – Sei que todos estão foragidos, e por isso

acordo com a data, provavelmente estaremos mortos!

 

-

E

qual é o problema, senhores? Vocês,

mesmo os convoquei para este local tão isolado. Também sei que estão com pressa e temerosos de alguém do Arcanorum, mas o único Mago que vi aqui é o dono da joalheria, que já está neste momento com a alma vagando em Spiritum

- Antes de mais nada, paradisiano, nos diga quem é você e o que deseja conosco! – diz Schneiner. – Nosso grande líder está morto, junto a um grande contingente! Nossa Ordem está em ruínas, e nosso tempo é precioso!

se serviram bem ao Führer, irão para junto dele quando morrerem, e voltarão com ele nesta exata data! Assim, preparem sua Ordem e os eduquem para que nada dê errado no dia e no lugar! Até logo! Mal se dão conta da complexidade do ritual, os seis Magos da Thule vêem a figura sombria sumir nas sombras do canto mais escuro da sala, deixando a todos estarrecidos com a reunião, e sobre como agir a partir deste dia. “Se somente assim Hitler pode voltar à Terra para dominá-la, então é assim que

Nice, Itália

- Acalme-se, Mago! Venho aqui lhes dar

deverá ser feito”, é o que todos afirmam com

 

a

chance de trazerem seu amado

convicção, se dirigindo cada um para sua base e

senhor do abismo onde ele e seu exército se encontra, para finalmente estabelecerem o Terceiro Reich que tanto anseiam!

começar já os preparativos para o dia fatídico

Os 5 caçadores de demônios se reúnem para discutir tudo o que descobriram dentro da sala do

- Er

Se não for ruim para vocês,

gostaria de caminhar um pouco e ler

sino, na Catedral ao centro da cidade. Dentro deste

 

isto em outro lugar

– Mevosiah diz,

acanhado.

local eles se sentem mais próximos da Cidade de Prata, o ponto mais alto da cidade e também o mais sagrado: o próprio sino que se encontra no centro

da sala foi tocado por Gabriel, e é uma verdadeira fonte de energia benigna na cidade.

- Fique à vontade, amigo! – diz Yviel. – Só tente estar aqui no crepúsculo, está bem?

-

- Galera – chama Yviel –, vamos então discutir tudo o que presenciamos até agora: algo muito importante está

Sim, eu estarei! – Mevosiah diz, já descendo as escadas da torre do sino. Após alguns minutos caminhando, Mevosiah pára frente à vitrine de uma loja de objetos de arte,

acontecendo, e os Anjos da Cidade de

local de trabalho de sua amada Paola. Através do

Prata não podem saber

É de

gravidade tal que podemos usar os

métodos nem um pouco ortodoxos que

vidro, ele a observa com carinho, enquanto ela descreve tudo o que é possível sobre um quadro

fauvista. Todas aquelas cores fortes, o vermelho,

os Anjos costumam usar

múmias servas de Dagon voltaram à vida, três mausoléus de Metrópolis

estão abertos sem motivo algum, os 60 Marûts de Katmaran foram raptados, assim como Zeus, e o deus da trapaça Loki foi solto! O exército da região do Reich no Inferno está pronta para a batalha, e ainda fez aliança com o exército de homens-chacal de Anúbis!

E a única pista que ainda podemos

Duas

examinar são estes Manuscritos de Ravena, que talvez nos fale algo de importância sobre Metrópolis!

- Chefinho – diz Cibele –, vamos todos

ler cada um uma página disto e vermos

quem encontra alguma coisa! Assim poupamos tempo!

- Sim, mas há o risco de sermos tocados

pelas energias de Mal absoluto de Leviathan ao lermos estes Manuscritos! Não posso permitir que

todos vocês tenham este destino; prefiro ler sozinho! – diz Yviel.

- Nem pensar, amigão! – exalta-se Heluel. – Estamos juntos há anos, e iremos todos juntos onde tivermos de

ir!

Após todos concordarem, Yviel sente-se

muito feliz por liderar um grupo com fidelidade tão alta, com Anjos capazes de segui-lo mesmo frente

a frente com o próprio Lucibel

folha dos Manuscritos a cada um

Assim, ele dá uma

- Companheiros, usem o dia para descansarem e depois nos encontramos aqui! – sugere Yviel.

- Não vou permitir que fique aqui

sozinho, Hayyoth! – discorda Ubeel,

e logo depois Cibele e Heluel

aproximam de Yviel. Mevosiah mostra uma face pouco disposta a permanecer com todos.

amarelo, azul, tão intensos contrastantes, o fazem lembrar de quando ainda não podia enxergar as cores, durante seus serviços banais como Corpore. Agora, ele pode enxergar cores, sentir cheiros e gostos diferentes das flores, mas não enxerga mais seu Criador, ou sente a melodia celeste, nem mesmo

os cheiros de flores tão perfumadas cada vez que se aproximava de outro Anjo. Mas isto será

compensado quando ele puder criar uma nova vida Paola o nota na vitrine e faz sinal de que já sairia para o almoço. Ela está tão elegante e com um semblante alegre, que Mevosiah lamenta ter esquecido a máquina fotográfica na sala do sino. Poucos minutos depois, Paola sai e o beija, e Mevosiah se esquece de tudo o que pensava antes.

O toque físico humano realmente é algo que faria

Se eles

soubessem o que é fazer amor, então

muitos Anjos tornarem-se Caídos

- Angelo, estava agora mesmo pensando em você! – exclama Paola, chamando Mevosiah por seu nome terreno, que ele usa para que não haja desconfianças sobre sua existência celestial. – Queria muito te contar uma coisa! Mas antes, me conte como foi seu dia: fotografou muito?

- Sim, amor! – responde Mevosiah, usando da perseverança para não sentir-se mal por mentir sobre sua identidade e sua profissão. – Foi só

Sabe como

é, né? Só tirei algumas fotos da

paisagem daqui, uns pontos turísticos,

gente característica, essas coisas

E

um trabalhinho rotineiro

seu dia, como foi?

- Ah, estou muito feliz! Até agora já vendi dois quadros e ainda tenho umas cinco negociações para o período da tarde! Poderemos até sair para comemorar, o que acha?

- Bem, não sei ainda se poderei sair Acho que terei de usar a noite para revelar todas as fotos que eu tirar

hoje

amanhã pela manhã!

Afinal, tenho de entregá-las

- Oh, entendo

– Paola mostra-se

desapontada. – E bem hoje que

teríamos tanto para comemorar

- Como assim? Há mais alguma novidade?

Daqui a nove

meses, você terá um lindo bebê para fotografar!

Que

– Mevosiah

gagueja sem parar, quase não acreditando na notícia que acabara de receber.

- Isso mesmo, Angelo! Estou grávida, e nós teremos um filho! Mevosiah grita de felicidade, mas logo depois lembra-se de seu grupo, sua missão, e sua existência. Como a Cidade de Prata reagiria com ele, mesmo com a missão cumprida? Será que ainda o aceitariam de volta? Seu filho seria morto antes mesmo de tornar-se um feto, para não condenar uma alma à maldição dos Nephalins? E Paola, como seria tratada pelo Conselho da Cidade de Prata? Se ele for condenado, isto trará conseqüências piores para seus companheiros de caça? Com tanto a pensar, Mevosiah desespera-se. Beija Paola e afirma ter um compromisso que esquecera, correndo o máximo que pode, e deixando Paola sozinha no restaurante, sem entender o que aconteceu. Mevosiah corre em direção à torre do sino, para confessar seu amor secreto ao grupo. De repente, ele olha para o alto e enxerga uma forma

alada aproximando-se dele, alguém que ele nunca imaginou que veria tão cedo. O medo já corre por toda a sua pele, sob o receio de a Cidade de Prata já ter detectado o surgimento de um potencial Nephalim.

- Mevosiah, podemos conversar um pouco, sobre seu filho? – diz a voz angelical, porém séria. E Mevosiah segue com o Anjo invisível aos humanos comuns, em direção a um parque.

- Sim, meu querido

- Você quer dizer

você está

Que o bebê

Que nós

Dhaka, Bangladesh

Enquanto Kushimaru e Tai Ling conversam para tentar compreender em que consiste suas missões com o menino Maitreya, o pequeno percebe um pequeno ponto vermelho brilhante vindo do céu em sua direção. A confiança que ele agora possui nos dois poderosos Mitsukai a seu lado o impede de correr na direção contrária. Ele também nota que atrás do ponto brilhante há três silhuetas humanóides ou táuricas voando de modo a seguir o ponto brilhante.

Somente no momento em que o ponto

brilhante pára sua trajetória a poucos centímetros da face de Maitreya, é que os dois Mitsukai notam

a existência do tal ponto brilhante, revelado a todos agora como um globo ocular de cristal vermelho. Ao ficar de frente para Maitreya, o cristal redondo cai no chão, como se nunca tivesse saído de lá.

- Vocês dois, afastem-se do menino imediatamente! – grita Aruhiga, um dos vultos que Maitreya vira, cavalgando um dos corcéis de Epona. Assim que ouvem o grito vindo dos céus, Tai Ling começa a levitar e petrificar seu próprio corpo, e as serpentes começam a surgir das sombras

à volta de Maitreya e de Kushimaru. Njall aponta

sua lança na direção de Tai Ling, e invoca os ventos aasgardianos, aumentando a velocidade de cavalgada do corcel. Vendo que Maitreya está envolvido pelas caudas de Kushimaru, Tai Ling percebe que seu dever será atacar os três celestiais. Assim que Andrômeda pousa seu corcel no chão próximo a

Kushimaru, o Yasha invoca um terremoto concentrado no ponto exato da semideusa, de modo

a desequilibrá-la. Aruhiga salta de seu cavalo e cai em cima do Yasha, acertando socos de seus vários braços em todo o corpo rochoso do Mitsukai de Shang-Qing, sem causar nenhuma reação em Tai Ling.

Njall aproxima-se em grande velocidade contra Tai Ling, penetrando parte da lâmina no Yasha; Andrômeda, buscando o equilíbrio devido ao tremor de terra, é acertada no rosto por uma enorme cauda ofídia, caindo ao chão. Quando Kushimaru prepara um dos arpões que possui nas caudas, é agarrado pela mesma cauda por Aruhiga, que levanta vôo carregando os dois Mitsukai. Quando Njall percebe Maitreya levado junto por estar envolvido por uma das caudas de Kushimaru, ataca a mesma cauda com sua lança e solta o menino, segurando-o nos ombros e levando-

o ao chão. O fato de perderem o garoto para os três Anjos enfurece Tai Ling, que invoca uma chuva de

pedras na direção precisa de Aruhiga, que é acertado

e cai inconsciente.

- Vocês três não levarão nosso protegido! – grita Kushimaru, desesperado.

- Protegido? – surpreende-se Njall. – Vocês não estão tentando raptá-lo, torturá-lo, matá-lo ou devorar sua alma?

- É claro que não, moça! – Kushimaru explica. – Eu sou um enviado de Amaterasu, e este Yasha é o protetor desta região, servo de Shang-Qing. Estamos aqui para impedir que mais invasores apareçam e tentem causar

todos estes males que você gritou! E vocês, quem são?

- Nós três somos das cidades paradisianas de Olympus, Aasgard e Katmaran! Fomos enviados para proteger ou matar o alvo do olho vermelho, e pelo que vejo, estamos aqui mesmo é para proteger!

– diz Kushimaru – Será

- Bem, então

que este Gandharva poderia soltar a minha cauda?

- Ah, sim, claro! – Aruhiga fica encabulado. – Desculpa aí pela violência! Não tínhamos como saber que vocês são benignos!

- E por que não? – estranha Tai Ling.

- Caramba, você tem estes dentes demoníacos, olhos amedrontadores e

E o outro parece

mais com a Medusa! – diz Andrômeda.

- Bem, temos esta aparência para afugentar o Mal! – Kushimaru tenta amenizar suas aparências. – Está bem, agora temos tudo acertado e nós cinco somos os defensores deste menino!

Como é possível este garotinho

ser tão importante para cinco cidades diferentes, e nenhum de nós ter a menor idéia da razão para isso? Ninguém teve tempo para criar conjecturas quanto ao assunto, pois todos observam uma quantidade imensa de estrelas cadentes caindo no solo e formando explosões. Quando a fumaça se

dispersa, nota-se que cada pequena cratera contém um guerreiro esquelético, com corpo negro cujos ossos são pintados sobre eles, e jóias astecas ornam todo o corpo como roupas.

- De novo as caveiras astecas?! – grita Kushimaru, fazendo os Anjos ocidentais entenderem o que vem a seguir: batalha!

essa pele vermelha

Mas

Castelo Júpiter, Cidade de Prata

Miguel observa o trono de Christos, um trono vazio há muito tempo. Nem mesmo o Demiurge se faz presente neste local, e sua presença deixou de ser percebida pelos grandes generais há muito tempo também. Gabriel, um dos mais independentes dos generais, já realizou grandes reviravoltas desde o desaparecimento dos grandes governantes, e Miguel? O que o Príncipe Arcanjo fez que o tenha diferenciado? Se as visões que Morrigan incutiu em sua mente são sua morte, o que fazer para que ele seja lembrado pelas eras adiante? E será que ele está agindo corretamente com relação aos sinais da

Escatologia, ou está cooperando involuntariamente para seu desfecho? Tantas dúvidas e preocupações o mantém fitando o trono sem mover-se, e nem mesmo a aproximação de Eriel o tira de tais pensamentos.

– Eriel

- Com licença, meu mestre

busca o máximo de sutileza.

- Ah, meu amado mensageiro! – Miguel sai de seu transe. – Imagino que tenha mais informações para mim

- Sim, meu senhor! Já foi localizado o paradeiro das múmias Darahv e Teptet: ambas estão em Jerusalém, e aliaram-se a uma cabal de Magos

Aquos que chegou à região há poucas

horas, esta cabal tendo vindo do Irã.

- Então estas múmias têm o propósito de realmente invocar alguma coisa

E como está a situação dos celestiais

em Jerusalém?

- Cada vez mais Anjos da Cidade de Prata, Jardins de Allah e Aasgard se reúnem no local. Todos os grupos, por mais exóticos que sejam uns aos outros, estão se organizando com um

nível harmônico inacreditável. E as adições mais importantes para este exército são o próprio Thor, o Mujahid Maziel e o Serafim Sitael, sendo estes três os maiores líderes, coordenando a tudo com perfeição.

- Até mesmo Maziel e Sitael estão lá ?

– Miguel pensa alto. – Meu querido

Eriel, como estão os Demônios da

região?

- Os Daemons Malfas e Abadon estão prostrados na frente do exército paradisiano, liderando mais de 600 infernais, com grande concentração de Death Knights, Hellspawns e Anjos Caídos. E eles ainda gritam blasfêmias

de modo a atiçar a fúria celestial, com

os Daemons anunciando a chegada de

Tiamat, Agaures e Orcus, e os Anjos

Caídos já estarem gritando a vitória da chegada das legiões de Lúcifer. Meu senhor, eles estão prontos para

Meu senhor,

disseram ter ouvido que está próxima

a chegada de Surt e os Gigantes do

fazer a Terra tremer

Fogo de Muspellsheim!

- Não é hora para cairmos em desespero, meu querido Eriel! Assim que a guerra for declarada, todos partiremos para nosso destino! E Christos já está na Terra, sua presença garantirá a derrota de todos!

-

Outra notícia, meu senhor: embora

-

Jardins de Allah, Aasgard e a Cidade

ocorrência da Escatologia nas cidades

Metrópolis esteja fechada contra a entrada e a saída de qualquer criatura, fui informado sobre um som muito peculiar vindo de dentro do Fosso, e

Dourada. Há indícios para a

de Olympus, a Cidade Dourada e Katmaran

dizem ser a voz do próprio Leviathan!

E

também Metrópolis, Isherel! –

Se ele estiver desperto, ele virá para

Miguel interrompe o Seraphim. –

engolir todo o plano da Terra!

Acredita-se que Leviathan está saindo

Miguel percebe que é necessário verificar o

do Fosso

Meu mensageiro Eriel

que Yviel e seu grupo já descobriram. Desmascarar

-

acaba de me revelar esta notícia!

o novo traidor da Vontade Divina, os membros da Ordem da Era de Aquário, e descobrir quem são

Se é assim, há somente Vahishta, Amaterasu e Shang-Qing como

seus aliados, para vencê-los um a um, e impedir a

cidades restantes

Como os mitos

carnificina que será a batalha em Megiddo.

escatológicos de Vahishta são tão

- Amado Eriel, rastreie o grupo de Yviel

similares aos da Cidade de Prata,

e

traga-os para a capela de Santo

acredito que também aconteçam

Expedito, nos Campos de Marte!

Outros panteões de importância são o

- Mas, meu senhor, eles não têm permissão para adentrar a Cidade de Prata

-

celta, o eslavo, o iorubá, o asteca e o babilônico

- EU estou dando a eles esta permissão!

Será que Marduk ousaria finalmente aparecer, com seus seguidores dos

enfurece-se Miguel. – Chame dois

Céus de Anshar?

Corpores e peça-lhes que teleportem

-

Miguel, considero tudo agora como

Yviel e seu grupo diretamente para a

uma possibilidade

Ele pode se

capela, sem precisarem percorrer

aproveitar da situação para massacrar

nenhum ponto da Cidade de Prata!

nossa raça, aquele aberrante

- Está bem, meu senhor

– Eriel mostra-

-

E

com relação aos panteões celta,

se indignado com a decisão de seu

-

eslavo, iorubá e asteca?

mestre.

Acredito eu que os celtas e os eslavos

Não fique assim, minha criança

- –

irão se unir aos aasgardianos muito em

Miguel busca confortá-lo. – Se tudo o

breve, pois têm muito de sua culturas

que é anunciado for verdadeiro, você

parecidas

Já os iorubás, como

realmente acha que fará diferença

“parceiros” da Cidade de Prata, talvez

estes cinco jovens entrarem na Cidade

se

abstenham ou tomem partido após

de Prata? E não se esqueça, eles estão

um pedido de socorro de nós

E mito

fora da hierarquia de nossa cidade,

o

asteca consiste na destruição da

mas ainda assim sabemos que eles morreriam por Demiurge assim que Ele pedisse

Terra através dos Tzitzimime, os demônios esqueléticos que surgem das estrelas do Oeste

Sim, senhor! Partirei imediatamente! Que o Demiurge te ilumine, meu mestre! – despede-se Eriel, partindo em seu gracioso vôo. Assim, que Eriel sai, Miguel volta a seu “transe” preocupado, buscando respostas. Logo

-

-

Então considero necessário entrar em contato novamente com Dagda, e também falar com Olorun e Perun Perun será mais fácil, devido às boas relações com os Ortodoxos! Meu Deus, nos relacionar com seres de

depois, o Seraphim Isherel entra na sala do trono.

Ark-a-nun e Spiritum

- Amigo Miguel, tenho algumas informações a discutir com você

-

talvez seja nossa única saída! – Isherel completa a frase de seu amigo.

- Querido Isherel, venha e conte-me o que tens em mente!

- Estive estudando as cidades paradisianas e elaborei algumas possibilidades de mitos escatológicos

-

Se estas duas cidades estiverem

dispostas a apoiar Aasgard e a Cidade de Prata, teremos então grandes aliados que farão grande diferença nesta batalha final!

que possam estar acontecendo, e

Sim, você pode estar certo

– Miguel

outros cuja possibilidade de surgirem ainda existe. Até o momento, realizaram-se as profecias da Escatologia para a Cidade de Prata, os

aceita a probabilidade. – Só tenho medo que eles passem a exigir coisas que a Cidade de Prata não estará

disposta a aceitar, quando eles também saírem vitoriosos junto a nós.

- Mas me diga, Miguel: sobre esta informação do despertar de Leviathan, alguém já sabe algo sobre a volta de Bel-Meridath? A profecia afirma que quando Leviathan despertar, Bel- Meridath surgirá para enfrentá-lo novamente, e desta vez para exterminá-lo de uma vez por todas!

- Bem, Eriel não me informou nada

Ele pode estar

aguardando o momento certo para aparecer. Isto, claro, se Leviathan realmente despertar

sobre Bel-Meridath

Nice, Itália

Cada um em um canto da sala do sino, os 4 Anjos lêem os Manuscritos de Ravena, em busca de qualquer informação sobre Metrópolis e sua situação. Cibele parece ser a mais impaciente,

seguida de perto por Heluel. Já Yviel e Ubeel, lêem cada palavra com grande minúcia, buscando algum código que possa estar escondendo os verdadeiros fatos. Mevosiah entra na sala, com uma fisionomia serena, mas também desiludida. A conversa que ele acabara de ter mostrou ao Corpore o quanto é perigoso saber e fazer mais do que os Mandamentos da Cidade de Prata permitem. E, agora, ele sabe que “a ignorância é uma bênção”.

- Ei, Mevosiah, achou alguma coisa? – pergunta Heluel.

- Nada, por enquanto! – o Corpore mente, pois não teve tempo de ler nada. – E vocês, alguma informação?

- Por enquanto, nada! – responde Yviel. – Deve haver uma codificação, pois aqui não há nenhuma informação relevante, somente um monte de frases desconexas, provérbios e

Ravena escreveu estes

Manuscritos logo após ser transformada em uma Cenobita, e

pode ser que isso afetou sua mente

Ou

então, tudo isto serve para esconder o que os Manuscritos realmente significam Da janela da sala do sino, surge Eriel, que senta-se confortavelmente à beira da mesma janela. Ele vê os cinco Anjos renegados buscando com tanto afinco algo que não lhes interessa nem um pouco, e só o fazem por amor a Miguel, à Cidade de Prata e o próprio Demiurgo. Com isso, o Protetore compreende o motivo de Miguel aceitá- los e tratá-los com tanto carinho e respeito: Anjos

lamentações

muito mais do que se imaginava

expulsos que mesmo assim não abandonaram sua fé.

- Boa tarde, Anjos! – Eriel os cumprimenta, surpreendendo a todos.

- Ei, seu emplumadinho arrogante! – Ubeel o fita com raiva. – Por pouco eu não corto sua cabeça com minha espada! Como se atreve a aparecer em nosso refúgio sem um convite?

- É exatamente sobre isso que vim falar- lhes, renegados! Meu grande e misericordioso mestre Miguel está convidando a todos para encontrarem- se com ele na Capela de Santo Expedito. Basta a aceitação de vocês para o teleporte se realizar!

- Mas, nessa Capela? – estranha Yviel.

– Ela fica dentro da Cidade de Prata!

Não podemos entrar na Cidade de Prata!

- Meu mestre tem poder para isso! Se ele os convida a entrar na Cidade de

Prata, não pode haver temor ou dúvida em suas almas!

- Sim, claro! – concorda Ubeel, muito alegre. – Vamos logo então, pois preciso rever meus irmãos de Casta!

- Espere, Ophanim! – interrompe Eriel.

– A presença de vocês não deverá ser

percebida por mais nenhum outro Anjo! Acabem com seus afazeres e sigam comigo à cidade do Altíssimo!

- Mas precisamos retirar destes Manuscritos as informações sobre Metrópolis! – explica Yviel. – E há somente rabiscos e blasfêmias sem conexão alguma!

- Esperem um minuto, Hayyoth. – fala Eriel. – Eu conheço alguns arquivos de Metrópolis e sei como decifrá-los. Pode ser que este eu consiga, mesmo que com certa dificuldade

- Como é que é? – Cibele engasga. – VOCÊ está se oferecendo para nos ajudar? Gente, cuidado, ele pode estar querendo nos excomungar!

- Potestade insolente! Faço o que faço pois esta é a vontade de meu mestre Miguel! Agora, dêem-me todas as folhas e eu tentarei encontrar o padrão! O Protetore examina atentamente folha por folha, e também o rolo de couro negro que envolvia

as folhas. Após alguns minutos, Eriel olha os cinco renegados e lhes sorri.

- Já decifrei o código! – ele diz, deixando a todos de queixo caído. – Este Manuscrito, assim como a maioria dos documentos escritos por

Ravena, é TRIDIMENSIONAL: as letras devem ser “esticadas” para fora da folha, formando “prédios” para quem enxerga as folhas de lado. Não há nada de importância escrito aqui, a imagem tridimensional que se forma é a verdadeira mensagem. Aproximem-se de mim, pois usarei os poderes da Luz para revelar a mensagem! Eriel dispõe as folhas como em um círculo à volta de todos. Com gestos cabalísticos feitos com as mãos e uma oração em antigo enochiano, Eriel faz com que as letras se iluminem, e as folhas comecem a girar à volta deles. Quando as folhas alcançam uma velocidade constante de rotação na altura da cintura dos Anjos, as letras emitem “luz sólida”, formando algo muito semelhante a hologramas. E Eriel começa a narrar:

- Os Manuscritos falam de uma parte da história de Leviathan e de Metrópolis, com tudo o que aconteceu antes do nascimento do primeiro Humano. Leviathan era um fugitivo de Edhen, por seus crimes contra a harmonia daquele plano. Seu perseguidor, Bel- Meridath, descobriu a aliança de Leviathan com dois monstros do plano destruído de Tenebras, e os três monstros marinhos planejaram o fim da Orbe e sua reconstrução sob seus cuidados. Leviathan conhecia os planos imperialistas de outros edhênicos, que pretendiam formar colônias no plano de Paradísia, com propósitos não contados aqui. Leviathan os traiu e tentou fugir para criar sua própria colônia. Após sua derrota para Bel-Meridath, Leviathan escondeu-se em um semiplano dentro do Fosso, esperando o momento certo para causar a ruína de todos os edhênicos, obrigando o Juízo Final a acontecer antes do previsto. Os três deuses mortos nos mausoléus mais próximos ao Fosso são dos servos mais fiéis aos deuses tenebritas, vencidos por Bel-Meridath. Nenhum dos seis Anjos pode acreditar no que descobriram. Tudo o que ocorre atualmente é obra de Leviathan e dois tenebritas marinhos, possivelmente Dagon e Kthulhu. Com o fim do feitiço de Eriel, as folhas caem no chão, sendo recolhidas pelos Anjos e envolvidas pela capa de couro negro. Após guardarem consigo os Manuscritos de Ravena, dois seres de luz pura surgem.

- Crianças, estes dois Corpores são Illyah e Antares, e nos levarão diretamente ao lado de Miguel, na Capela de Santo Expedito

- Não, Eriel. – interrompe Yviel. – Precisamos ainda ir a um último

De acordo com o que aquela

Valkíria nos disse na tenda de Sara, Loki foi solto da caverna onde estava preso, certo?

- Sim, Yviel! E o que esta informação tem de relevante neste momento?

- Eriel, você sabe muito bem que Loki soltou-se desta caverna durante a Idade Média, há mais de meio milênio!

Sendo assim, o que é que saiu da caverna? Por que ainda existem guardiões da tal caverna, e o que será que feriu aquela Valkíria, se Loki já não estava lá?

– Eriel se confunde. –

Sim, mas pode ser que ele ainda vivia lá, e seus atos eram espionados por

aquela Valkíria

- Não tente se enganar, Eriel! – diz

Ubeel. – As Valkírias são guerreiras,

e não espiãs. Se ela realmente estava

- Bem, bem

lugar

lá, então havia a chance de um combate naquela caverna!

- Discutiremos este assunto na presença de Miguel! Vamos logo que meu mestre nos espera

- Já disse que não, Eriel! – diz Yviel, decidido. – Temos um último lugar para ir! Vá você e avise a Miguel que

já estamos a caminho! Mevosiah pode

nos teleportar para lá sem problemas!

- Vocês sabem que seu poder de viagem planar não vale mais para a Cidade de Prata! Se é assim, façamos melhor:

Yviel, ponha este anel – entregando ao Hayyoth um anel de prata com uma

pedra de um azul nunca visto – e retire-

o quando estiverem prontos para falar com Miguel. Assim que você retirá- lo, eu saberei e iremos buscá-los!

- Muito obrigado, Eriel! – agradece Yviel. – Mevosiah, vamos! Próxima parada: Estocolmo!

Dhaka, Bangladesh

O exército de monstros esqueléticos avança dos céus na direção dos cinco paradisianos e de Maitreya, decididos a destruírem os seis. Maitreya vai tornando-se cada vez mais confuso com tudo o que vê em uma única noite: o massacre de sua vila,

monstros do mal que desejam matá-lo, e outros

o equilíbrio de todos, e finalmente fazendo surgir

cinco seres bizarros decididos a protegê-lo de toda

uma colossal fissura. Quando a fissura surge e os

punhal de jade.

e

qualquer ameaça. O menino sente dentro de sua

monstros começam a cair às dezenas, ele grita

alma algo oculto, adormecido, como se até este dia ele estivesse em um mundo de sonhos. Agora, parece que chegou o momento de despertar.

“Inferno da Esfolação!”, e lâminas infernais surgem do abismo formado, destruindo quase todo o exército, mas também atingindo Aruhiga,

 

-

Amigos, estes monstros não têm o menor senso de trabalho em grupo! – diz Tai Ling. – Se nós cinco nos organizarmos, poderemos vencê-los com facilidade!

Andrômeda e Kushimaru. Njall percebe seus três companheiros tragados pelo abismo, e perde a percepção do combate, sendo assim acertada em um ponto vital pelo líder dos monstros. Njall cai de joelhos, sem

a

-

Está bem! – concorda Aruhiga. –

chance de poder defender-se de todos. Sua única

mais forças para combater. O líder dos monstros

Posso ver que um único monstro entre todos está portando jóias maiores e não possui a atitude descomedida dos

nem mesmo se importa com a Valkíria, saltando na direção de Tai Ling, pronto para cravar-lhe seu

outros: ele deve ser o líder! Eis meu plano: como eu, Kushimaru e Andrômeda possuímos os melhores

Estocolmo, Suécia

 

ataques que afetam a área, seremos nós que nos infiltraremos bem no meio do

As noites geladas de Estocolmo não refletem

exército; Njall, como ótima

a

agitação que os jovens transbordam pelas ruas e

combatente corpo-a-corpo, enfrentará o líder e o afugentará, de modo a dispersar o exército e facilitar para nós. Quanto a Tai Ling, fique junto de Maitreya e proteja-o contra qualquer monstro que vaze nossa defesa!

bares. Os cinco Anjos renegados adorariam estas noites, para se divertirem muito com os Humanos que eles já se acostumaram a conviver diariamente. No céu, uma aurora boreal clareia os olhos de todos os observadores, com todas as cores em uma dança frenética para que todos os tons e matizes possam

Todos os quatro paradisianos concordam com o plano de Aruhiga e se posicionam. Tai Ling ergue pilastras de rocha à sua volta e de Maitreya, enquanto Njall voa em alta velocidade de encontro ao líder dos monstros. Kushimaru, Andrômeda e

mostrar um pouco de sua beleza. Infelizmente, os Anjos renegados não têm tempo suficiente para admirar tudo o que a cidade de a oferecer. Andando pelas ruas, os cinco Anjos percebem facilmente a movimentação do Mal:

Aruhiga voam para pontos distantes no meio do exército. O líder dos monstros mostra-se muito fraco

vampiros, demônios e fantasmas são uma infestação na cidade, e para a infelicidade dos cinco, estas criaturas malévolas sabem que eles são Anjos. Cada

para ferir Njall, mas mesmo assim é um adversário duro de se vencer: suas feridas se curam com a velocidade do pensamento, e assim ele poderá talvez vencer Njall pelo cansaço. Já Aruhiga usa o “Ataque dos Sessenta Marûts”, Andrômeda usa o ataque “Pela Força de Hércules”, e por fim Kushimaru grita

criatura inferior que passa pelos Anjos, os olha com desprezo, raiva, indiferença debochada, asco. Todos eles têm motivos para tanto: os Anjos da Cidade de Prata se dedicam a aniquilar a todos os seres que não ajam de acordo com os grilhões restritos de Demiurge e seus servos.

“Golpe Esplêndido” ao mesmo tempo em que agita suas várias caudas com arpões à sua volta. Os três

- Nossa, chefinho! – diz Cibele. – Acho que a gente bem que podia vir morar

ataques são letais contra os monstros, realizando

 

aqui

Imagina só o quanto nós iríamos

uma verdadeira chacina. Mesmo assim, o estrago

nos divertir todo dia!

parece pouco, perto da enxurrada de monstros que parece não ter fim, e os três paradisianos são engolfados pela onda monstruosa.

- Ou então, a cidade inteira nos caçaria na primeira semana de mudança! – ironiza Heluel.

Njall começa a perder suas forças e realizar ataques imprecisos, enquanto seu adversário finalmente começa a demonstrar seu poder de batalha, atacando-a em locais incapacitantes e muito dolorosos. Por mais que se esforce, Njall parece cooperar mais com os ataques do monstro,

- Não consigo entender como a Cidade de Prata não tenha atuação pesada nesta cidade amaldiçoada! – reclama Ubeel. – Como é possível ver tantos seres inferiores maculando a Terra, o lar dos amados de Demiurge?

condenando-se a cada ataque. Tai Ling percebe a chegada do exército, sem

- Ubeel, meu amigo – fala Mevosiah –, acho que nossos conceitos sobre o Grande Arquiteto são um pouco

saída é criar um poderoso terremoto, atrapalhando

 

diferentes da própria realidade

Se

 

nossa crença fosse real, ainda seríamos

que no canto direito do andar inferior há uma

estrutura imensa deitada, e eles conseguiram notar

aceitos na Cidade de Prata! Já que não

é

assim, temos de viver entre humanos,

vampiros, demônios, e tantos outros seres odiados pelos Anjos, convivendo com eles como se nós mesmos fôssemos da laia deles

Amigos – repreende Yviel –, o

que é na verdade um Jotun, um Gigante do Gelo, com provavelmente vinte metros de altura. Após vislumbrarem um local tão profano, os cinco Anjos partem diretamente para o escritório, afim de encontrarem-se com o dono, que já sabia

segurança barra sua entrada, pois já foram avisados

 

-

de suas presenças em sua danceteria. Nenhum

 

Demiurge tem seus próprios afazeres,

e

se esta cidade está perdida, é serviço

dos próprios humanos. Afinal, este é o plano deles, não nosso ou dos demônios e fantasmas! Vamos parar com esta discussão e nos concentrar em encontrar o Valhalla! Após meia hora de caminhada pelas ruas movimentadas de Estocolmo, os Anjos encontram

sobre a chegada de Anjos da Cidade de Prata. Entrando no recinto, pode-se ver champanhe, sofás de couro vermelho bordeaux, uma linda mesa de mármore branco, vários gibis do personagem Thor, machados e elmos decorando as paredes, e uma estatueta de um homem-lobo sobre a mesa, feita de um metal azulado desconhecido no plano terrestre.

O dono está de costas para eles, olhando de pé sua

o

Valhalla, uma das casas noturnas mais badaladas

da região. Um dos principais pontos de encontro das criaturas sobrenaturais neutras, é o melhor lugar para se encontrar um místico em busca de diversão. Lá também está localizado o maior Mercado de

danceteria através do extenso vidro de sua janela panorâmica. Ao notar a aproximação dos Anjos para dentro de sua sala, o homem vira-se:

Marionetes de Demiurge, estava esperando por vocês há horas! Por que demoraram, Yviel?

-

Almas da Escandinávia, controlado por um grupo de seis sócios, sendo eles um Obscuri Nimbus, um demônio de Hel, um Rakshasa, um Obsessor, um Sckahai (híbrido de Elfo e Vrikolakas) e um Dragão Negro. Estas seis criaturas são temidas como as seis

-

Fomos informados há pouco tempo de sua “saída” da caverna, e queremos saber o que havia lá em seu lugar! – diz Yviel.

criaturas mais poderosas e influentes da Suécia.

-

Espera um pouquinho

– Heluel

Nesta noite, nenhum deles está no Valhalla, mas seu obscuro dono está, aguardando pela visita de agentes da Cidade de Prata. Os Anjos aproximam-se do segurança da

sente-se confuso. – Yviel, você está falando da caverna daquela Valkíria que Eriel nos apresentou? A caverna de Loki, o deus da trapaça?

entrada do Valhalla, e notam que ele é um ser amaldiçoado, um humano que vendera sua alma. A aproximação dos Anjos causa desconforto ao segurança, que sente a aproximação da chama

-

Oh, criança! – diz Loki, o aasgardiano deus da trapaça, e dono da danceteria Valhalla. – Esta caverna não é minha há séculos!

penitente pela qual ele recusou ao vender a própria alma. Dos cinco Anjos, Ubeel e Cibele se mostram os mais coléricos com o fato de um humano vender

-

Yviel – cochicha Cibele –, como você sabia que encontraríamos o próprio Loki aqui?

a

alma. Se não fosse por Yviel, já teriam dilacerado

-

Linda paradisiana, não é necessário

OUTRA coisa de lá de dentro

o

corpo do segurança sem pensar duas vezes. Os

murmurar quando um deus é

Anjos então são obrigados a pagar pela entrada, uma

onisciente dentro de seu escritório!

vez que seus poderes de influência não funcionam em seres Desalmados. Ao adentrarem a conhecida danceteria, os cinco renegados encontram vários tipos de seres sobrenaturais, sendo os mais surpreendentes as Fadas, foragidas da Arcádia através da Floresta Negra germânica. Elfos, Anões, Pixies e Orcs se

Yviel e eu já tivemos um encontro séculos atrás, mas este encontro passado é irrelevante! A Cidade de Prata e Aasgard sempre souberam que eu não estava lá! Se invadiram minha antiga prisão, é porque queriam

concentram nesta danceteria, apesar de não

-

E

isso seria

– Ubeel incentiva a uma

passarem de uma dezena a soma de todas as Fadas.

resposta.

Mais à frente, o piso em que encontram revela-se o andar mezanino, que acaba em uma grade que

-

Os chifres de ouro que ornamentam minha cabeça quando vou a uma

mostra o andar de baixo funcionando como a pista

batalha

sem eles, meus poderes são

de dança, e acima, dois camarotes laterais (onde

reduzidos a nada, e o Ragnaröck está

acontecem as vendas do Mercado de Almas) e o

à

nossa frente! Preciso estar em

escritório do dono do estabelecimento logo acima

condições de guiar os demônios de Hel

dos Anjos. Observando melhor, os Anjos percebem

e

os Jotuns em seus drakkares para

Vigrith, e nem mesmo fui capaz de libertar meu filho Fenris!

- Mas explique: porque você está nos passando tantas revelações, sem temor de que contemos ao Conselho da Cidade de Prata? – interroga Mevosiah.

- Simplesmente porque vocês não têm poder suficiente para vencer nem a mim sozinho, e muito menos meus

servos e parceiros desta danceteria! A única maneira de saírem daqui inteiros

é pacificamente! Há eras espero o

momento de destruir Aasgard e todos aqueles tradicionalistas, e agora isso será possível provando que eu e meus servos merecem sobreviver ao fim de tudo! A Era de Aquário está se

consolidando, e vou fazer o possível para viver nesta nova era!

- Era de Aquário? – surpreende-se Yviel. – Você possui contatos com a Ordem da Era de Aquário?

- Sim, com o MESTRE da Ordem! Conheço o segredo que trará a ruína dos mundos desta Orbe, e sairei

triunfante da batalha final com o Mestre da Ordem da Era de Aquário! Bem, acho que já sabem o suficiente,

Nos

encontraremos em Vigrith, e será um prazer eliminar a vida de cada um de vocês! Yviel, desejo boa sorte, e que sobreviva até Vigrith! – Loki termina,

e podem ir embora em paz