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Paulo Hartung Governador do eSTado do eSPÍ r ITo SanTo Anselmo Tozi Secre Tár Io de
Paulo Hartung Governador do eSTado do eSPÍ r ITo SanTo Anselmo Tozi Secre Tár Io de

Paulo Hartung

Governador do eSTado do eSPÍ r ITo SanTo

Anselmo Tozi

Secre Tár Io de eSTado da SaÚ de

Francisco José Dias da Silva

Sub Secre Tár I o de eSTado da SaÚ de Para aSSun ToS de reGulação e aT enção À SaÚ de

Anselmo Dantas

Geren T e de reGulação aSSIST encI al

Luiz Cláudio Oliveira da Silva

Geren T e de v IGI l  ncI a e M SaÚ de

vITór I a, 2008.

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DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL 1ª Edição SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO Diretrizes da
DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL 1ª Edição SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO Diretrizes da

DIRETRIZES DA SAÚDE MENTAL

1ª Edição

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO

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Vitória, 2008.

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PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E INFORMAÇÕES: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO Gerência de Regulação e
PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E INFORMAÇÕES: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO Gerência de Regulação e

PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E INFORMAÇÕES:

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO ESPÍRITO SANTO

Gerência de Regulação e Assistência à Saúde Gerência de Vigilância em Saúde

Endereço:

Av. Marechal Mascarenhas de Morais, 2025 Bento Ferreira, Vitória/ES - CEP 29051-121; Telefone (27) 3137-2365 - FAX (27) 3137-2430 E-mail: gera@saude.es.gov.br e gevs@saude.es.gov.br Site: www.saude.es.gov.br

1ª Edição. 2008

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SUMÁRIO I. o Sistema Único de Saúde 9 1.1 Atenção Primária à Saúde 9 II. a
SUMÁRIO
I. o Sistema Único de Saúde
9
1.1
Atenção Primária à Saúde
9
II. a política nacional de saúde mental
15
21
I v. Pontos de atenção da rede de saúde mental
2
5
4.1
A rede de atenção psicossocial
.............................................................................
25
4.2
Atribuição dos profissionais de saúde mental
3
0
v. a rede de saúde no atendimento aos transtornos mentais
39
v I. atribuições dos pontos de atenção no atendimento às situações de urgência e
emergência
4
3
6.1
Unidades Básicas de Saúde (US e USF)
3
6.2
Pronto-atendimento ...............................................................................................
4
4
6.3
Pronto-socorro
.......................................................................................................
4 5
v II. Grandes áreas clínicas
47
7.1
Patologias
................................................................................................................
47
7.2
Psicoses
..................................................................................................................4
8
7.3
Depressão
...............................................................................................................6
0
v III. atenção a usuários de álcool e outras drogas
6
5
8.1
Classificação quanto ao consumo
6
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8.2 O acolhimento ........................................................................................................ 6 6 8.3 Evento agudo ......................................................................................................... 67 8.4 Risco por overdose 6
8.2
O acolhimento
........................................................................................................
6 6
8.3
Evento agudo
.........................................................................................................
67
8.4
Risco por overdose
6
9
8.5
Evento Crítico
........................................................................................................
71
8.6
Outras drogas e seus efeitos mais importantes
72
IX. Crianças e adolescentes
8
7
9.1. Atenção à criança e ao adolescente
87
8
8
X. Pessoa idosa
93
10.1
Modelo de atenção à saúde mental do idoso
4
10.2
Direitos e legislação – estatuto da pessoa idosa
101
XI. Situações específicas
103
11.1
Agitação psicomotora
10
3
11.2
Transtorno mental
10
5
11.3
Psicoses
10
6
11.4
Suicídio................................................................................................................
110
XII. Direitos das pessoas com transtornos mentais
121
12.1
Cidadania e direitos humanos
121
Anexos
Lista de siglas e abreviaturas
Referências bibliográficas
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APRESENTAÇÃO a Secretaria de Estado da Saúde, a fim de estabelecer estratégias e diretrizes para a
APRESENTAÇÃO
a Secretaria de Estado da Saúde, a fim de estabelecer estratégias e
diretrizes para a melhoria das condições de saúde da população ca -
pixaba, apresenta coletânea intitulada “Coleção uma nova saúde”,
composta por linhas-guia e manuais que orientam a organização das redes de
atenção à saúde.
Compõem a primeira etapa da coletânea as linhas-guia Hipertensão e Diabetes,
Saúde do Idoso, Saúde Mental, Saúde Bucal, DST/Aids, Hanseníase e os manu -
ais da Atenção Primária e do Prontuário da Família.
As linhas-guia são a base para a organização sistêmica dos serviços e um meio
para se alcançar a racionalização dos recursos, a otimização do trabalho, a ma -
nutenção e melhoria da qualidade do atendimento.
Todas as linhas-guia foram elaboradas por especialistas e avalizadas por socie -
dades de especialidades afins e seu conteúdo orienta os profissionais quanto
à gestão da clínica, conforme a complexidade de cada ponto de atenção, e
quanto ao fluxo de atendimento aos usuários desses serviços.
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Acreditamos que, ao fortalecermos a Atenção Primária como eixo estruturan - te da rede de atenção,
Acreditamos que, ao fortalecermos a Atenção Primária como eixo estruturan - te da rede de atenção,

Acreditamos que, ao fortalecermos a Atenção Primária como eixo estruturan - te da rede de atenção, estaremos avançando no propósito de consolidação e aprimoramento do sistema estadual de saúde, possibilitando maior acesso do usuário e melhorando a integralidade da atenção almejada pela população ..

Anselmo Tozi

Secretário de Estado da Saúde

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I. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE o Sistema Único de Saúde (SUS), fruto do Movimento da
I. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
o Sistema Único de Saúde (SUS), fruto do Movimento da Reforma Sa -
nitária iniciado na década de 80, tem em seus princípios e diretrizes
buscando construir a atenção integral à saúde da população brasilei -
ra. Nesse processo, expresso em Normas Operacionais Básicas e da Assistên -
cia, portarias e construção de consensos entre gestores e a sociedade brasi -
leira, é que se busca a reorientação do modelo assistencial e a estruturação de
sistemas de serviços de saúde.
1.1 ATENÇÃO PRIMÁRIA à SAÚDE
O manejo e tratamento de transtornos mentais no contexto da atenção
primária é um passo fundamental que possibilita ao maior número pos -
sível de pessoas ter acesso mais fácil e rápido aos serviços (
...
)
Isso não
só proporciona uma atenção melhor como também reduz o desperdício
resultante de exames supérfluos e tratamentos impróprios ou não-espe -
cíficos (OPAS/OMS, p. 148, 2001).
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A atenção primária à saúde (APS), do ponto de vista conceitual, é concebida como organizadora do
A atenção primária à saúde (APS), do ponto de vista conceitual, é concebida como organizadora do

A atenção primária à saúde (APS), do ponto de vista conceitual, é concebida

como organizadora do sistema de serviços de saúde e não apenas como nível

de atenção.

Para Mendes (2002), “[

]

a Atenção Primária da Saúde vem sendo adotada, na

história recente de diversos países, para organizar e ordenar os recursos do sis -

tema de saúde para que respondam de maneira apropriada às necessidades de

suas populações” (ibidem, p. 7). Já para o Conselho Nacional de Secretários de

Saúde (CONASS. 2004) “[

]

é um conjunto de intervenções de saúde no âmbito

individual e coletivo que envolve: promoção, prevenção, diagnóstico, tratamen -

to e reabilitação” (ibidem, p.7).

O Manual da Atenção Primária (Espírito Santo, 2007) destaca que os sistemas

de saúde estruturados a partir dos princípios ordenadores da APS são mais efi -

cazes e de melhor qualidade e que a Estratégia Saúde da Família, adotada para

reorganizar o modelo de atenção brasileiro, propõe novas práticas sanitárias

centradas no estabelecimento de vínculos, na criação de laços de compromis -

so e co-responsabilidade entre profissionais e população.

A base conceitual da Estratégia Saúde da Família é o princípio da vigilância à

saúde concebida a partir dos seguintes pilares: a territorialização - não só como

espaço geofísico, mas como produto de uma dinâmica política, cultural e social,

onde se tensionam conflitos de interesses, projetos e sonhos; o enfoque por

problema - representação social de necessidades sanitárias, decorrentes das

condições de vida; e a intersetorialidade - onde o enfrentamento dos problemas

em um território requer ações que transcendam a responsabilidade única do

setor saúde.

Para o Ministério da Saúde (2005), as ações de saúde mental na APS, funda -

mentadas nos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, devem obedecer

o modelo de redes de cuidado, de base territorial e atuação transversal com

outras políticas específicas e que busquem o estabelecimento de vínculos e

acolhimento. Essa articulação entre saúde mental e atenção primária à saúde

pode ser sintetizada nos seguintes princípios fundamentais entre:

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‰ noção de território; ‰ organização da atenção à saúde mental em rede; ‰ intersetorialidade; ‰
‰ noção de território; ‰ organização da atenção à saúde mental em rede; ‰ intersetorialidade; ‰
  • ‰ noção de território;

  • ‰ organização da atenção à saúde mental em rede;

  • ‰ intersetorialidade;

  • ‰ reabilitação psicossocial;

  • ‰ multiprofissionalidade / interdisciplinaridade;

  • ‰ desinstitucionalização;

  • ‰ promoção da cidadania;

  • ‰ construção da autonomia possível de usuários e familiares.

apoio matricial da saúdE mEntal às EquipEs da atEnção primária a saúdE

A articulação das ações de saúde mental na atenção primária deve se constituir

a partir do apoio matricial que se constitui como “[

]

um arranjo organizacional

que visa outorgar suporte técnico em áreas específicas às equipes responsá -

veis pelo desenvolvimento de ações básicas de saúde para a população” (BRA -

SIL, p. 36, 2005).

Nesse arranjo, as equipes de saúde mental e da APS compartilham as situações

encontradas no território numa atitude de co-responsabilização pelos casos,

que podem se efetivar através de discussões conjuntas de caso, intervenções

junto às famílias e comunidades ou em atendimentos unificasos.

A responsabilização compartilhada exclui a lógica do encaminhamento, pois

visa a aumentar a capacidade resolutiva de problemas de saúde pela equipe

local. Assim, ao longo do tempo e gradativamente, também estimula a interdis -

ciplinaridade e a ampliação da clínica na equipe. A ampliação da clínica significa

o resgate e a valorização de outras dimensões, que não somente a biológica e a

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dos sintomas, na análise singular de cada caso. Assim, riscos 1 como os sociais e outros
dos sintomas, na análise singular de cada caso. Assim, riscos 1 como os sociais
e outros se incorporam à avaliação clínica (BRASIL, 2005).
rEsponsabilidadEs compartilhadas EntrE as EquipEs dE
saúdE mEntal E atEnção primária à saúdE
O texto a seguir foi produzido pela Área Técnica de Saúde Mental do Ministério
da Saúde (2001) e foi reproduzido na íntegra, tendo em vista sua relevância e
contribuição. São apresentadas as ações que devem ser compartilhadas entre
as equipes:
a)
Desenvolver ações conjuntas, priorizando casos de transtornos mentais se -
veros e persistentes, uso abusivo de álcool e outras drogas, egressos de
internações psiquiátricas, pacientes atendidos nos CAPS, tentativas de sui -
cídio, vítimas de violência doméstica intradomiciliar;
b)
Discutir casos identificados pelas equipes da atenção básica que necessi -
tem de uma ampliação da clínica em relação às questões subjetivas;
c)
Criar estratégias comuns para abordagem de problemas vinculados à vio -
lência, ao abuso de álcool e outras drogas, às estratégias de redução de
danos, etc. nos grupos de risco e nas populações em geral;
1
Exemplos de situações de risco:
Exclusão social (pacientes egressos de hospital psiquiátrico, em prisão domiciliar, em situação de rua,
idoso em abandono, crianças e adolescentes em risco pessoal e social etc.);
Transtornos mentais severos e persistentes (graves);
Suicídios e tentativas de suicídio em adolescentes e adultos jovens;
Violência intrafamiliar;
Problemas clínicos relacionados ao uso e abuso de álcool e outras drogas;
Abuso e dependência de benzodiazepínicos.
Fonte: Oficina de trabalho para discussão do Plano Nacional de Inclusão das Ações de Saúde Mental na
Atenção Básica. Brasília, março de 2001.
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d) Evitar práticas que levem à psiquiatrização e medicalização de situações individuais e sociais, comuns à
d) Evitar práticas que levem à psiquiatrização e medicalização de situações individuais e sociais, comuns à
  • d) Evitar práticas que levem à psiquiatrização e medicalização de situações individuais e sociais, comuns à vida cotidiana;

  • e) Fomentar ações que visem à difusão de uma cultura de assistência não ma - nicomial, diminuindo o preconceito e a segregação com a loucura;

  • f) Desenvolver ações de mobilização de recursos comunitários, buscando construir espaços de reabilitação psicossocial na comunidade, como ofi - cinas comunitárias, e destacando a relevância da articulação intersetorial (conselhos tutelares, associações de bairro, grupos de auto-ajuda, etc);

  • g) Priorizar abordagens coletivas e de grupos como estratégias para atenção em saúde mental, que podem ser desenvolvidas nas unidades de saúde, bem como na comunidade;

  • h) Adotar a estratégia de redução de danos nos grupos de maior vulnerabilida - de, no manejo das situações envolvendo consumo de álcool e outras dro - gas. Avaliar a possibilidade de integração dos agentes redutores de danos a essa equipe de saúde mental;

  • i) Trabalhar o vínculo com as famílias, tomando-a como parceira no tratamen - to, e buscar constituir redes de apoio e integração.

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II. A POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL a Política de Saúde Mental no Brasil, até a
II. A POLÍTICA NACIONAL DE
SAÚDE MENTAL
a Política de Saúde Mental no Brasil, até a década de 70, era essencial -
mente privatizante, hospitalocêntrica e cronificadora do sofrimento
psíquico. Essa forma de assistência acentuava a deterioração psíqui -
ca e dificultava a participação do paciente na vida coletiva. Os extensos perío -
dos de internação traziam, como conseqüência, a perda dos vínculos sociais e
familiares, chegando a uma situação em que uma imensa população passou a
residir nos hospitais psiquiátricos.
Em conseqüência de tal situação, os profissionais de saúde mental passaram
a questionar essa realidade assistencial, numa série de eventos do campo da
saúde mental que se sucederam nos anos 70 e 80, consolidando o movimento
da reforma psiquiátrica e influenciando a definição de uma nova Política de Saú -
de Mental em implantação no país.
Uma das discussões importantes ocorreu em 1987, na “I Conferência Nacional
de Saúde Mental”, com o estabelecimento do consenso sobre a necessidade
de mudança do modelo assistencial e de que o melhor modo de tratamento era
o realizado em serviços extra-hospitalares de base comunitária.
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Várias discussões sucederam-se na década de 90, sendo que as decisões polí - ticas mais importantes
Várias discussões sucederam-se na década de 90, sendo que as decisões polí - ticas mais importantes

Várias discussões sucederam-se na década de 90, sendo que as decisões polí -

ticas mais importantes foram:

  • ‰ a divulgação, na sociedade, do diagnóstico da assistência em que os indi - cadores demonstravam e justificavam a necessidade premente de mudan - ça do modelo assistencial;

  • ‰ a “Declaração de Caracas” como documento que refletiu uma discussão ampliada sobre a situação da assistência, resultando numa “carta de inten - ções” clara e facilitando, nesse sentido, a negociação com os gestores;

  • ‰ a pactuação social estabelecida na “II Conferência Nacional de Saúde Men - tal”, em 1992;

  • ‰ a decisão do Ministério da Saúde de assumir a condução do processo de reformulação da assistência com o estabelecimento das portarias.

Podemos considerar esses marcos, como os que efetivamente respaldaram a

definição dos rumos da Política de Saúde Mental, ou seja, a definição norteado -

ra a ser seguida, a substituição progressiva dos hospitais.

A partir desse ponto, o Ministério da Saúde toma, então, para si a responsabi -

lidade e a tarefa de conduzir o processo de implantação da Política de Saúde

Mental, no contexto da construção do Sistema Único de Saúde que tinha sido

aprovado em dezembro de 1990.

Assim, no início da década de 90 foi tomada uma importante decisão política

pelo Ministério da Saúde, que colocou a público o diagnóstico da situação da

assistência psiquiátrica no Brasil.

Esse diagnóstico permitiu trazer à luz várias distorções, indicadores precisos

da má qualidade da assistência psiquiátrica, sob o ponto de vista da política

pública no Brasil.

Dentre os principais, estava uma taxa de 19,9% de ocupação dos leitos do Sis -

tema Único de Saúde (SUS) por internações psiquiátricas. Um outro indicador

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referia-se à proporção de leitos por habitantes que era de 0,56 por mil habi - tantes,
referia-se à proporção de leitos por habitantes que era de 0,56 por mil habi - tantes,

referia-se à proporção de leitos por habitantes que era de 0,56 por mil habi -

tantes, superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Por fim, o gasto com a internação psiquiátrica era o segundo maior do SUS, só

superado pelas de clínica médica, fato que demonstrava a utilização de apenas

um tipo de recurso para a assistência psiquiátrica.

Essa situação da assistência auxiliou a sensibilização dos gestores para o tema

saúde mental, na medida em que era impossível a um gestor não se compro -

meter diante de indicadores tão claros da má qualidade. Permitiu, também,

trazer a sociedade para o debate desse grave problema de saúde pública.

Outra contribuição importante para a implantação da Política Nacional de Saú -

de Mental a partir da década de 90 foi o investimento do Ministério da Saúde

(MS) em normatizações, que permitiram avanços visíveis e conquistas concre -

tas para essa política pública, possibilitando aos municípios a implantação de

ações e serviços de saúde mental.

Sabemos que é essencial, para a consolidação de uma política pública, estar

munida dos recursos financeiros para a sua efetivação. Nessa direção, o Minis -

tério da Saúde tem trabalhado na instituição de “normatizações” que viabilizem

o incentivo financeiro adequado à estruturação de serviços e à re-alocação dos

recursos centralizados nos hospitais, para a implantação das moradias e a cria -

ção de bolsas de incentivo, tendo em vista a ressocialização da clientela de

longa permanência.

O estabelecimento inicial das portarias SNAS/MS189/1991 e SAS/MS224/1992

permitiram respectivamente a remuneração dos procedimentos necessários à

implantação das ações de saúde mental e o estabelecimento do padrão míni -

mo necessário ao funcionamento dos serviços ambulatoriais e hospitalares de

saúde mental no país.

A discussão sobre a implantação da política pública específica para a área de

saúde mental, a definição do norte a ser seguido e a pactuação das diretrizes da

política encontraram, na década de 90, o contexto necessário ao seu desenvol -

vimento e consolidação. As “normatizações” lançadas nessa época e as experi -

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ências pioneiras que se concretizaram no Brasil ainda nos anos 80 provaram ser possível a efetivação
ências pioneiras que se concretizaram no Brasil ainda nos anos 80 provaram ser
possível a efetivação de ações para a conversão do modelo hospitalocêntrico.
Em 2001, a aprovação da Lei Federal da Reforma Psiquiátrica 1 traz o processo
para um novo estágio, colocando-o definitivamente na luz do debate sobre a
cidadania e as políticas públicas e selando com isso uma das mais importantes
conquistas políticas da reforma psiquiátrica.
Podemos dizer que a implantação da Política de Saúde Mental foi possível por-
que se apoiou essencialmente nas “normatizações” do Ministério da Saúde, no
consenso estabelecido entre gestores técnicos e sociedade e no sucesso das
experiências nos novos serviços.
Progressivamente, as novas práticas foram se expandindo pelo país, passando
a serem respaldadas por legislações específicas de iniciativas estadual, federal
e municipal, que trouxeram o respaldo legal e viabilizaram a sua consolidação.
Hoje, a inclusão da saúde mental nos cuidados prestados pela Atenção Básica
tem sido discutida no sentido de se conquistar a integralidade no cuidado e
levando-se em conta também a abrangência do cuidado prestado pela rede
de Atenção Básica. Segundo dados da Organização Pan-americana de Saúde
(OPAS) de 2001, os transtornos mentais têm alta prevalência na população ge -
ral, estando situados dentre as dez principais causas de incapacitação .2 . O Mi -
nistério da Saúde estima que 1/5 das pessoas são de alguma forma afetadas,
ao longo de sua vida, por problemas mentais, psicológicos ou neurológicos, e
que 10% da população geral necessitam de alguma forma de acompanhamen -
to, mesmo que eventual.
Um outro motivo para que a atenção às pessoas em situação de sofrimento
Lei 10.216, de 4 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
1
2
Segundo dado apresentado no “Relatório Sobre a Saúde Mental no Mundo” da Organização Pan-ame -
ricana de Saúde (OPAS)/Organização Mundial da Saúde, de 2001, os transtornos mentais já representam
quatro das dez principais causas de incapacitação em todo o mundo.
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mental possam ter acesso e acolhimento adequado na atenção básica é que os dados nos indicam
mental possam ter acesso e acolhimento adequado na atenção básica é que os dados nos indicam

mental possam ter acesso e acolhimento adequado na atenção básica é que

os dados nos indicam que as unidades básicas de saúde são responsáveis por

suprir 80% das necessidades de saúde da população, incluído aí a mental. A

necessidade de inserir a atenção aos transtornos mentais na Atenção Primária

à Saúde, apresenta-se também em consonância com a diretriz da integralidade

prevista no SUS.

Diante dessa realidade e tendo em vista as diretrizes da política que discute as

formas para inclusão da saúde mental na atenção básica, o Ministério da Saúde

afirma que o ponto atual de desenvolvimento do SUS coloca o imperativo de os

campos da Saúde Mental e da Atenção Primária se entrecruzarem e se poten -

cializarem um ao outro.

Por fim, tendo em vista a necessidade de ampliação dos cuidados em saúde

mental, podemos concluir que a atenção em saúde mental deve ser feita dentro

de uma rede de cuidados. Estão incluídos aí a atenção primária, os serviços re -

sidenciais terapêuticos, os ambulatórios, os leitos em Hospital Geral, os centros

de convivência, os clubes de lazer, entre outros. Além disso, a rede de saúde

mental deverá extrapolar a de saúde. Ela é complexa e deve ser intersetorial, se

pretende dar conta da complexidade da assistência proposta.

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III. A POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL E O PLANO DIRETOR DE REGIONALIZAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO a
III. A POLÍTICA DE SAÚDE
MENTAL E O PLANO DIRETOR
DE REGIONALIZAÇÃO DO
ESPÍRITO SANTO
a s Normas Operacionais de Saúde e, em especial Norma Operacional
da Assistência à Saúde (NOAS) de 2002, reforça a importância da im -
plantação de serviços regionalizados que atendam a uma população
adstrita. Portanto, trabalha-se numa perspectiva de uma assistência territoriali -
zada que extrapole exclusivamente o aspecto geográfico e inclua os aspectos e
as referências socioculturais, afetivas e econômicas.
A NOAS – 2002, ao ampliar as responsabilidades dos municípios na garantia de
acesso a serviços na Atenção Básica e definir o processo de regionalização da
assistência, torna-se, segundo o Ministério da Saúde, o elemento central para
o avanço do processo de implementação do SUS.
O processo de regionalização da assistência é uma estratégia de hierarquização
dos serviços de saúde e “(
)
deverá contemplar uma lógica de planejamen -
to integrado, compreendendo as noções de territorialidade na identificação de
prioridades de intervenção (
...
)”
Brasil, (2002), que visa a garantir o acesso dos
cidadãos aos serviços que atendam aos problemas de saúde de uma determi -
nada população.
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O Plano Diretor de Regionalização, no Espírito Santo (PDR/ES) foi elaborado e coordenado pela equipe técnica
O Plano Diretor de Regionalização, no Espírito Santo (PDR/ES) foi elaborado e coordenado pela equipe técnica

O Plano Diretor de Regionalização, no Espírito Santo (PDR/ES) foi elaborado e

coordenado pela equipe técnica da Secretaria de Estado da Saúde com a parti -

cipação dos gestores e a aprovação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB),

em consonância com o Plano Estadual de Saúde, objetivando:

(

)

promover a descentralização de ações e serviços de saúde e reduzir

as desigualdades mediante criteriosa alocação de recursos, garantindo

o acesso da população a serviços e ações de saúde com integralidade e

resolubilidade (Espírito Santo, 2003).

O desenho das regiões no Estado passou a constitui-se de 16 módulos assis -

tenciais, com base populacional acima de 30 mil habitantes, oito microrregiões

com população acima de 150 mil habitantes e três macrorregiões, com popula -

ção acima de 500 mil habitantes.

O PDR define um conjunto de ações e serviços que deverá ser oferecido aos cida -

dãos o mais próximo de sua residência. Em saúde mental esse conjunto é descrito

como o tratamento dos distúrbios mentais e psicossociais mais freqüentes.

O desenho da rede de atenção em saúde mental - CAPS, Serviço Residencial

Terapêutico e leitos psiquiátricos em hospital geral seguiram os parâmetros es -

tabelecidos através de um conjunto de fatores que se entrecruzaram com os já

definidos no PDR: a cobertura populacional, o coeficiente de internação psiquiá -

trica, os dados epidemiológicos disponíveis, a existência de serviço ambulatorial

e de recursos humanos disponíveis, e a existência de hospital geral público ou

conveniado ao SUS. Foram previstos CAPS por cada módulo assistencial, leitos

em hospital geral por microrregião e CAPS ad (Caps ad - para usuários de álcool e

outras drogas) e i (Caps i - para infância e adolescência) por macrorregião.

Essa rede de atenção em saúde mental vem se delineando a partir da absorção

das diretrizes da política, de forma compartilhada com novos atores, gestores,

profissionais de saúde, usuários e familiares.

O canal de comunicação entre esses novos atores tem se constituído a partir

de espaços deliberativos, como nas Conferências Macrorregionais e Estadual

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de Saúde Mental, em 2001, e em colegiados locais, como o Fórum Estadual de Saúde Mental
de Saúde Mental, em 2001, e em colegiados locais, como o Fórum Estadual de Saúde Mental

de Saúde Mental, em 2001, e em colegiados locais, como o Fórum Estadual

de Saúde Mental e o Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial, que se conso -

lidaram como espaços de veiculação de informações, troca de experiências,

pactuação, planejamento, socialização e reivindicação.

O desenho proposto no PDR por si só não garante a implementação e efetiva -

ção da atenção integral aos cidadãos, demandando um processo contínuo de

reflexão e articulação. Para tanto, o plano diretor deverá ser sensível, contínuo,

dinâmico e reconstruído sempre que necessário, para atender à demanda, se -

guindo a racionalidade política descrita por Rivera (1989) segundo o qual “(

)

o

planejamento responde a pressões políticas que se fazem sentir na direção da

legitimidade e da mudança (

...

)”.

Portanto, a consolidação do PDR deve “captu -

rar” as condições subjetivas da realidade e considerar a correlação de forças e

os interesses dos distintos segmentos constantes no campo da saúde coletiva.

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IV. PONTOS DE ATENÇÃO DA REDE DE SAÚDE MENTAL 4.1 A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL c
IV. PONTOS DE ATENÇÃO DA
REDE DE SAÚDE MENTAL
4.1 A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
c onsideramos que a rede de atenção à saúde mental é constituída pe -
las Unidades Básicas de Saúde com a equipe de saúde mental, pe -
los Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Ambulatórios de Saúde
Mental, Pronto-socorro Psiquiátrico, Leitos Psiquiátricos em Hospitais Gerais,
Serviço Hospitalar de Referência em Atenção Integral a Usuários de Álcool e
Outras Drogas (SHR-ad), Hospital Especializado em Psiquiatria e Serviços Resi -
denciais Terapêuticos (SRT).
As características gerais dos serviços são fundamentadas no documento
“PRINCÍPIOS PARA A PROTEÇÃO DE PESSOAS COM PROBLEMAS MENTAIS
E PARA MELHORIA DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL” 1 .
1
O documento “PRINCÍPIOS PARA A PROTEÇÃO DE PESSOAS COM PROBLEMAS MENTAIS E PARA
MELHORIA DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL” pode ser encontrado na íntegra nos ANEXOS deste
Protocolo.
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A assistência em Saúde Mental abrange não só a Psiquiatria, mas também assistência médica, odontológica, social,
A assistência em Saúde Mental abrange não só a Psiquiatria, mas também
assistência médica, odontológica, social, jurídica, reabilitação, educação e ga -
rantia de trabalho protegido ou não. A atenção em Saúde Mental não deve
ser realizada em manicômios (instituição fechada), mas em serviços abertos, o
menos restrito possível, tais como: Hospital Geral, Centro e Núcleos de Aten -
ção Psicossocial, Centros de Convivência, Cooperativas, Grupos de Trabalho,
Micro-empresas, Hospitais - Dia e Noite, Lares e Pensões Abrigados, Associa -
ções Comunitárias, Grupos de Auto-ajuda, Oficinas Abrigadas, etc 2 .
Os serviços de saúde devem permitir e incentivar os usuários a se organizarem
em grupos, conselhos populares, associações de usuários, familiares, traba -
lhadores de saúde mental e comunidade, que objetivem a transformação do
preconceito sobre a loucura, na sociedade em geral, nas leis, na organização e
na fiscalização.
Além disso, devem ser o mais próximo possível do local de moradia dos usuá -
rios, de forma descentralizada, garantindo-se o direito de escolha pelos profis -
sionais de sua preferência.
Também deverá garantir o bem-estar físico, mental e emocional de seus usu -
ários e as exigências mínimas de higiene, segurança, condições ecológicas e
ambientais, conforto, privacidade e alimentação de qualidade com supervisão
profissional.
Todo usuário terá direito ao meio de transporte que garanta o acesso gratuito
ao serviço, bem como a sua medicação, sem com isso induzir a discriminação
ou preconceito.
As crianças e os adolescentes não poderão ser tratados em serviços que não
garantam os direitos reconhecidos pelo Estatuto dos Direitos da Criança e do
Adolescente.
A partir da portaria GM nº 336/2002, os serviços que se consolidaram no país foram os Centros de
Atenção Psicossocial (CAPS). A Portaria GM nº106/2000 institui os Serviços Residenciais Terapêuticos
(SRT). Outros serviços previstos são os Centros de Convivência e as Cooperativas de Trabalho para a
geração de renda.
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Os serviços especializados devem ser adequados ao atendimento de crianças, adolescentes, adultos e idosos, que apresentem
Os serviços especializados devem ser adequados ao atendimento de crianças,
adolescentes, adultos e idosos, que apresentem problemas relacionados a al -
coolismo, autismo, toxicomania, deficiência, HIV positivo, dentre outros.
Todo serviço de Saúde Mental deve oferecer orientação, suporte e terapêutica
para os familiares dos usuários, bem como mecanismos de participação nas
decisões e fiscalização dos serviços.
os dispositiVos dE cuidado
Consideramos que a rede de atenção à saúde mental é constituída pelas Uni -
dades Básicas de Saúde com equipe de saúde mental, CAPS, Ambulatórios
de Saúde Mental, Pronto-socorro Psiquiátrico, leitos psiquiátricos em Hospital
Geral, SRT, Serviço Hospitalar de Referência para Atenção Integral aos Usuários
de Álcool e outras drogas (SHR-ad), Hospital Especializado em Psiquiatria.
unidadEs básicas com EquipE dE saúdE mEntal – ubs
São Unidades de Saúde onde estão localizadas equipes de saúde mental cons -
tituídas por médico psiquiatra ou clínico e dois outros profissionais de nível
superior, cuja função é implantar as ações dos Programas Municipais de Saúde
Mental.
O Estado possui atualmente 39 municípios com equipes de saúde mental e 44
com algum serviço de saúde mental em funcionamento.
Em 2000, a definição do indicador estadual na Programação Pactuada Inte -
grada da Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI-ECD), pela Sesa, criou a
possibilidade para a composição das equipes de saúde mental nos municípios
independente de sua base populacional 3 .
3
Considerando a característica dos municípios do Estado, onde 74,3% são de pequeno porte (abaixo
de 30 mil habitantes), a previsão de uma equipe mínima por município, sem o requisito do tamanho da
população, é uma conquista da política local.
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cEntros dE atEnção psicossocial (caps) São serviços abertos de base comunitária e caracterizam-se por ofertar cuida
cEntros dE atEnção psicossocial (caps)
São serviços abertos de base comunitária e caracterizam-se por ofertar cuida -
do intensivo à clientela com transtornos mentais graves.
Desenvolvem atividades de grupos, oficinas, atendimento à família, e atendi -
mento médico e psicológico, através de equipe multidisciplinar.
Devem estar inseridos na comunidade e trabalhar em parceria com a atenção
primária e recursos comunitários.
As formas de inserção no serviço deverão ser definidas de acordo com o perfil
de cada usuário e poderão se dar em regime intensivo, semi-intensivo e não-
intensivo.
Funcionam de segunda a sextas-feiras em horário integral 4 .
ambulatórios dE saúdE mEntal
São unidades ambulatoriais específicas para o atendimento em saúde mental.
Compostas por equipe multidisciplinar podem desenvolver atividades de gru -
pos, oficinas, atendimento à família, e atendimento médico e psicológico.
Funcionam de segundas a sextas-feiras em horário integral.
pronto-socorro psiquiátrico
Serviço específico para o atendimento das urgências e emergências em saúde
mental com funcionamento 24 horas.
4
A Portaria GM nº336/2002 prevê a criação dos CAPS III. Trata-se de serviço de maior complexidade,
com funcionamento 24 horas e leitos para internação. No Estado ainda não houve a criação desses servi-
ços, embora esteja previsto no planejamento da Política Estadual de Saúde Mental.
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Constituído por equipe com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfer- meiros e outros profissionais necessários ao desenvolvimento
Constituído por equipe com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfer- meiros e outros profissionais necessários ao desenvolvimento

Constituído por equipe com psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfer-

meiros e outros profissionais necessários ao desenvolvimento das atividades.

Deve possuir leitos de apoio para internação que são de observação de até 72

horas como suporte para estabilização das crises, reduzindo o fluxo para as

internações em hospital psiquiátrico.

É regido pela Portaria SNAS nº 224/1992, que prevê o padrão mínimo para o

funcionamento desses serviços.

lEitos psiquiátricos Em hospital GEral

Leitos especializados em psiquiatria e que devem obrigatoriamente funcionar

em hospital geral. Destinam-se ao atendimento de curta permanência dos ca -

sos de internações em psiquiatria, devendo funcionar com equipe específica.

São dispositivos importantes para a descentralização do atendimento para as

microrregiões do Estado, evitando a concentração das internações nos hospi -

tais psiquiátricos, muitas vezes distantes do local de residência dos usuários,

levando à quebra dos vínculos familiares e sociais.

sErViço hospitalar dE rEfErência na atEnção intEGral a usuários dE álcool E outras droGas (shr - ad)

O Serviço Hospitalar de Referência em hospital geral para atenção em urgência

e outros procedimentos relacionados ao uso excessivo de álcool e/ou outras dro -

gas constitui-se de quatro a 16 leitos clínicos em período de internação de até 15

dias, para usuários nas faixas etárias de 12 a 16 anos e de 17 anos acima.

Destina-se ao atendimento de pessoas que apresentam síndrome de abstinên -

cia, dependência do álcool ou de outras drogas, intoxicação aguda, e síndrome

de abstinência grave com complicações clínicas e/ou psiquiátricas.

O SHR-ad, composto por equipe multidisciplinar, deverá trabalhar com a huma -

nização do cuidado e da convivência nas lógicas da atenção psicossocial e da

redução de danos.

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O serviço é regido pela Portaria do Ministério da Saúde Nº. 1612 de setembro de 2005.
O serviço é regido pela Portaria do Ministério da Saúde Nº. 1612 de setembro de 2005.

O serviço é regido pela Portaria do Ministério da Saúde Nº. 1612 de setembro

de 2005.

A implantação progressiva de SHR’s - ad em municípios com CAPS ad e cober-

tura por microrregiões no ES consistirá em um dispositivo inovador na assistên -

cia hospitalar.

hospital EspEcializado Em psiquiatria

Deve funcionar de acordo com as normas definidas pela Portaria GM nº 251/2002,

que estabelece as diretrizes e normas para o funcionamento dos leitos psi -

quiátricos, instituindo o processo sistemático de avaliações da rede hospitalar

psiquiátrica, efetuadas pelo Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hos -

pitalares/Psiquiatria (PNASH). A condução do processo de avaliação tem sido

efetuada de forma gradativa e prima pelo cuidado e pela não-desassistência.

O objetivo é reconfigurar a rede hospitalar, atingindo a meta de substituição dos

macro-hospitais por outros de pequeno porte com maior qualidade no atendi -

mento.

sErViços rEsidEnciais tErapêuticos (srt)

Destinados à moradia de pacientes egressos de hospitais psiquiátricos com

tempo de permanência na hospitalização de no mínimo dois anos. São conside -

rados, por unanimidade, dispositivos imprescindíveis para a política de desins -

titucionalização.

A Portaria GM nº. 106/2000 oferece os instrumentos para a criação dos Servi -

ços Residenciais Terapêuticos, garantindo a desinstitucionalização da clientela

internada, sem causar desassistência.

4.2 ATRIBUIÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL

Busca-se ênfase na hierarquização da assistência para garantia de complemen -

tariedade entre os serviços, desenvolvendo um trabalho em rede. A perspecti -

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va do trabalho em rede introduz a idéia de cuidados progressivos, ininterruptos, passando de um âmbito
va do trabalho em rede introduz a idéia de cuidados progressivos, ininterruptos, passando de um âmbito

va do trabalho em rede introduz a idéia de cuidados progressivos, ininterruptos,

passando de um âmbito para outro, conforme complexidade de resposta de

cada caso face às necessidades. A rede básica de saúde (atenção primária)

ocupa lugar estratégico e complexo de atribuições, tanto mais resolutivas para

conjuntos cada vez maiores de problemas.

À rede de atenção à saúde mental, indica-se a incorporação do conceito de in -

tegralidade, investindo no acolhimento e nas concepções de responsabilidade

e resolutividade.

Considerando os preceitos da Reforma Psiquiátrica e as políticas da desospi -

talização e desinstitucionalização que norteiam os serviços de saúde mental

atuais, cabe às equipes multiprofissionais de saúde mental organizadas com

perspectiva de atuação interdisciplinar, dentro de um modelo de atenção psi -

cossocial nas respectivas UBS’s, CAPS-ad, CAPS i e CAPS transtornos, prioriza -

rem o atendimento às seguintes demandas:

  • ‰ Egressos de internação psiquiátrica;

  • ‰ Pessoas com transtornos mentais graves (psicoses e neuroses graves);

  • ‰ Usuários abusivos e dependentes de substâncias psicoativas (álcool e ou - tras drogas);

  • ‰ Pacientes em situação de risco e vítimas de violência (agressão sofrida ou auto-infringida: abuso sexual, tentativas de suicídio, etc).

Psiquiatra:

  • ‰ Participação nos Grupos de Acolhimento;

  • ‰ Atendimento psiquiátrico individual/ familiar/ grupal;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade;

  • ‰ Fornecer laudos psiquiátricos à demanda que está no serviço.

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Clinico Geral: Participação nos Grupos de Acolhimentos; ‰ Atendimento ambulatorial na clinica médica diária individual/ familiar/

Clinico Geral:

  • ‰ Participação nos Grupos de Acolhimentos;

Clinico Geral: Participação nos Grupos de Acolhimentos; ‰ Atendimento ambulatorial na clinica médica diária individual/ familiar/
  • ‰ Atendimento ambulatorial na clinica médica diária individual/ familiar/ grupal;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade.

Psicólogo:

  • ‰ Realizar atendimento psicoterapêutico individual, grupal e educativo, se - guindo prioridade estabelecida neste protocolo;

  • ‰ Realizar grupos terapêuticos e de atenção psicossocial com os demais pro - fissionais da equipe, de acordo com a necessidade e perfil da clientela;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade;

  • ‰ Elaborar relatórios específicos do acompanhamento quando necessário.

Assistente Social:

  • ‰ Realizar atendimento social individual, grupal e de educação em saúde, se - guindo prioridade estabelecida neste protocolo;

  • ‰ Realizar atendimento grupal, participar de grupos terapêuticos e de aten - ção psicossocial com os demais profissionais da equipe, de acordo com a necessidade e perfil da clientela;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade;

  • ‰ Orientar e viabilizar o acesso aos recursos sociais e comunitários necessá - rios, visando a promover a inclusão social;

  • ‰ Elaborar relatórios, realizar estudo social e emitir parecer e laudo social quando verificada a necessidade.

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Terapeuta Ocupacional Atender o paciente individualmente e em grupos; ‰ Realizar atendimento domiciliar; ‰ Realizar atividades
Terapeuta Ocupacional Atender o paciente individualmente e em grupos; ‰ Realizar atendimento domiciliar; ‰ Realizar atividades

Terapeuta Ocupacional

  • ‰ Atender o paciente individualmente e em grupos;

  • ‰ Realizar atendimento domiciliar;

  • ‰ Realizar atividades sociais, culturais e artesanais com cunho terapêutico;

  • ‰ Participar das reuniões de equipe, atendimento à família e acolhimento dos usuários;

  • ‰ Realizar oficinas terapêuticas;

  • ‰ Realizar atendimento externo: procedimento desenvolvido fora do espaço terapêutico institucional;

  • ‰ Orientar atendimentos das atividades da vida diária, prática, de trabalho, e lazer;

  • ‰ Participar do processo de alta da Terapia Ocupacional e da Instituição.

Enfermeiro / Técnico de Enfermagem:

  • ‰ Atender o paciente e/ ou familiar para orientação e administração (quando necessária) da medicação psicotrópica prescrita;

  • ‰ Promover orientação sobre os cuidados geral e integral à saúde e ativida - des da vida diária aos pacientes e familiares;

  • ‰ Realizar grupos terapêuticos e de atenção biopsicossocial com os demais profissionais da equipe, de acordo com a necessidade e perfil da clientela;

  • ‰ Participar dos grupos de acolhimento com equipe multidisciplinar;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade.

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Farmacêutico: Encaminhar periodicamente à equipe de saúde mental informação sobre a medicação psicotrópica disponível (uso do

Farmacêutico:

Farmacêutico: Encaminhar periodicamente à equipe de saúde mental informação sobre a medicação psicotrópica disponível (uso do
  • ‰ Encaminhar periodicamente à equipe de saúde mental informação sobre a medicação psicotrópica disponível (uso do formulário);

  • ‰ Dispensar medicação conforme prescrição médica do Programa de Saúde Mental / Estratégia de Saúde da Família;

  • ‰ Orientar e/ ou estimular o paciente e a família sobre a importância da conti - nuidade do acompanhamento/tratamento;

  • ‰ Utilizar e atualizar o cadastro dos pacientes em acompanhamento para con - trole da medicação em uso, sua dispensação e o retorno;

  • ‰ Fornecer periodicamente para a Gerência de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado da Saúde o número de pacientes em acompanhamen - to /tratamento medicamentoso e o consumo mensal de psicotrópicos;

  • ‰ Realizar grupos terapêuticos e de atenção biopsicossocial com os demais profissionais da equipe de acordo com a necessidade e perfil da clientela.

Auxiliar administrativo:

  • ‰ Assessorar a equipe multidisciplinar em cada período de trabalho;

  • ‰ Orientar e acompanhar o fluxo de pacientes;

  • ‰ Ajudar a organizar o espaço físico;

  • ‰ Agendar e marcar retorno às consultas dos pacientes ou reforçar a neces - sidade do reagendamento no setor específico;

  • ‰ Atualizar diariamente os dados de atendimento dos pacientes cadastrados;

  • ‰ Realizar visita institucional quando verificada a necessidade.

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Coordenador de Saúde Mental: Realizar planejamento e avaliações constantes das ações desenvolvidas; ‰ Conhecer os níveis

Coordenador de Saúde Mental:

Coordenador de Saúde Mental: Realizar planejamento e avaliações constantes das ações desenvolvidas; ‰ Conhecer os níveis
  • ‰ Realizar planejamento e avaliações constantes das ações desenvolvidas;

  • ‰ Conhecer os níveis de complexidade dos serviços e práticas de saúde;

  • ‰ Desenvolver habilidades técnicas e políticas em Saúde Mental/ Transtorno Mental;

  • ‰ Promover capacitação das equipes do Programa de Saúde Mental;

  • ‰ Organizar reuniões periódicas com a equipe multidisciplinar;

  • ‰ Estimular nos profissionais das equipes a utilização de maior coeficiente de autonomia para a construção de projetos terapêuticos eficientes e eficazes;

  • ‰ Acompanhar a organização do trabalho de equipe através de discussões democráticas;

  • ‰ Promover discussões intersetoriais.

Atribuições comuns à equipe multidisciplinar:

  • ‰ Acolher a demanda;

  • ‰ Avaliar a demanda dos outros programas de saúde existentes nas unidades com vistas a um possível atendimento;

  • ‰ Desenvolver intervenções diárias diversificadas para os pacientes e seus familiares;

  • ‰ Realizar o cadastramento dos pacientes com psicoses e neuroses graves para sistematizar o acompanhamento biopsicosocial, garantindo o recebi - mento da medicação, conforme a necessidade;

  • ‰ Conscientizar e/ou estimular sobre a importância da continuidade do acom - panhamento/tratamento;

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‰ Organizar cronograma para reunião técnica da equipe; ‰ Participar efetivamente das reuniões técnicas conforme cronograma;
‰ Organizar cronograma para reunião técnica da equipe; ‰ Participar efetivamente das reuniões técnicas conforme cronograma;
  • ‰ Organizar cronograma para reunião técnica da equipe;

  • ‰ Participar efetivamente das reuniões técnicas conforme cronograma;

  • ‰ Realizar visitas domiciliares em equipe, quando solicitadas e/ ou verificada a necessidade;

  • ‰ Programar atividades/intervenções prioritariamente coletivas, atendendo a necessidade da área de abrangência;

  • ‰ Incluir e reagendar os pacientes assegurando o acompanhamento sempre que necessário, de acordo com a organização do serviço;

  • ‰ Identificar e relacionar os pacientes mais graves e egressos de internação psiquiátrica, viabilizando o encaminhamento para nível de assistência de maior complexidade (CAPS - ad / CAPS Transtorno e Urgência Psiquiátrica);

  • ‰ Fornecer dados precisos sobre os diagnósticos dos pacientes atendidos de modo a subsidiar planejamento estratégico em saúde;

  • ‰ Organizar plano de ação anual em saúde mental.

Atribuições da Equipe de Saúde Mental:

  • ‰ Divulgar a noção de saúde mental como qualidade de vida e direito do ci - dadão;

  • ‰ Atuar segundo o enfoque comunitário, priorizando a família e os recursos saudáveis da comunidade;

  • ‰ Viabilizar o acesso ao serviço de saúde mental, quando necessário;

  • ‰ Sensibilizar para a não existência de preconceitos aos portadores de trans - tornos mentais;

  • ‰ Realizar atendimento em conjunto com as equipes da Estratégia de Saúde da Família, quando verificada a necessidade;

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‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰ Instrumentalizar, de forma contínua, as equipes da
‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade; ‰ Instrumentalizar, de forma contínua, as equipes da
  • ‰ Realizar visitas domiciliares quando verificada a necessidade;

  • ‰ Instrumentalizar, de forma contínua, as equipes da Estratégia de Saúde da Família, com vistas a uma maior resolutividade dos casos de transtornos mentais;

  • ‰ Divulgar a política nacional, Estadual e Municipal de Saúde Mental junto aos atores sociais (conselheiros tutelares, professores, pedagogos, admi - nistradores de escolas e de unidades de saúde etc.), objetivando o funcio - namento em rede.

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V. A REDE DE SAÚDE NO ATENDIMENTO AOS TRANSTORNOS MENTAIS a s pessoas com transtornos mentais
V. A REDE DE SAÚDE
NO ATENDIMENTO AOS
TRANSTORNOS MENTAIS
a s pessoas com transtornos mentais deverão ter acesso ao atendi -
mento em todos os pontos de atenção da rede de saúde, ou seja, nas
Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, Pronto
Atendimentos, Pronto-socorros e leitos em Hospital Geral.
Para tanto, os profissionais desses serviços deverão ser capacitados e ampa -
rados por recursos materiais e humanos dos serviços de referência em saúde
mental municipal e microrregional.
Os serviços da rede de saúde, por exemplo, os Hospitais Gerais e os Pronto-
socorros, poderão também investir na contratação de recurso humano especia -
lizado (psiquiatras, psicólogos) ou capacitar a equipe de clínicos, enfermeiros e
assistentes sociais etc. para o atendimento da população.
EVEntos aGudos
Nos eventos agudos os profissionais das US/USF, PA e PS deverão, prestar o
atendimento aos usuários.
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Após, os usuários deverão ser referenciados para os pontos de atenção ade - quados a cada
Após, os usuários deverão ser referenciados para os pontos de atenção ade -
quados a cada situação, estabelecidos neste protocolo, ou permanecer no ser-
viço caso seja indicado 1 .
Os municípios que possuem equipes de saúde mental (matriciais ou não), loca -
lizadas em Unidades Básicas de Saúde, ou então, serviços específicos da rede
de saúde mental, poderão acionar essas equipes para apoio e orientação.
Caso necessário poderá ser acionado o Serviço Móvel de Urgência (SAMU) ou a
intervenção das Centrais de Regulação de Vagas. Nos casos de necessidade de
internação, essa deverá ser feita preferencialmente em leitos de hospital geral.
EVEntos crônicos
O acompanhamento dos casos estabilizados poderá ser feito pela equipe das
US/USF capacitadas e com a supervisão e o apoio das Equipes de Saúde Men -
tal localizadas em UBS e/ou pelas equipes dos CAPS.
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Observar os agravos e os pontos de atenção definidos e pactuados neste Protocolo Clínico.
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alGorITMo de reFerÊncIa e conTra-reFerÊncIa eM SaÚde MenTal PACS PSF PRD UBS/USF PERMANECE EM USB/USF SIM
alGorITMo de reFerÊncIa e conTra-reFerÊncIa
eM SaÚde MenTal
PACS
PSF
PRD
UBS/USF
PERMANECE EM USB/USF
SIM
NÃO
UBS/USF
EMERGÊNCIA?
NÃO
SIM
CAPS
SAMU
UBS/US
CRE
P. A./
PRONTO-SOCORRO
INTERNAÇÃO?
NÃO
SIM
CENTRAL DE
UBS/US
AGENDAMENTO
LEITO EM
HG/HP
SRT
RECURSOS SOCIAIS, COMUNITÁRIOS, GRUPOS DE MÚTUA AJUDA
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VI. ATRIBUIÇÕES DOS PONTOS DE ATENÇÃO NO ATENDIMENTO àS SITUAÇÕES DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 6.1 UNIDADES
VI. ATRIBUIÇÕES DOS
PONTOS DE ATENÇÃO NO
ATENDIMENTO àS SITUAÇÕES
DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
6.1 UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (US E USF)
a s atribuições e prerrogativas das unidades básicas de saúde e das
unidades de saúde da família em relação ao acolhimento/atendimento
das urgências de baixa gravidade/complexidade devem ser desem -
penhadas por todos os municípios brasileiros, independentemente de estarem
qualificados para atenção básica (PAB) ou básica ampliada (Paba), conforme
Portaria GM nº. 2048/2002.
Nesse sentido, os agravos da saúde mental que deverão ser atendidos nas US
são os descritos abaixo:
‰
Síndromes extra-piramidais (parkinsonismo, acatisia, distonia); 1
‰
Fugas do lar e deambulação excessiva e vaga, sem agitação psicomotora;
1
Definições e outras informações consultar a página 57.
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‰ Crise convulsiva em paciente com transtorno mental associado (epiléptica); ‰ Crise histérica (epileptiformes); ‰ Estados
‰ Crise convulsiva em paciente com transtorno mental associado (epiléptica); ‰ Crise histérica (epileptiformes); ‰ Estados
  • ‰ Crise convulsiva em paciente com transtorno mental associado (epiléptica);

  • ‰ Crise histérica (epileptiformes);

  • ‰ Estados de embriaguez;

  • ‰ Situações de risco psicossocial sem quadro agudo (pessoa incapaz de cui - dar de si mesma, desestruturação familiar, recusa do tratamento, popula - ção de rua, deambulação);

  • ‰ Vítimas de maus tratos e abuso sexual;

  • ‰ Crise de ansiedade;

  • ‰ Transtornos depressivos leve e moderado.

    • 6.2 PRONTO - ATENDIMENTO

Trata-se de unidade não-hospitalar de atendimento às urgências e emergências.

Essas deverão funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo

assistência e dispondo de leitos de observação de até 24 horas.

Deverá dispor minimamente de equipe de saúde composta por médico e enfer-

meiro nas 24 horas, para atendimento contínuo de clínica médica e clínica pedi -

átrica.

Os agravos da área de saúde mental que deverão ser atendidos nessas Unida -

des estão discriminados abaixo:

  • ‰ Comportamento histriônico com ingestão moderada de substâncias psico - ativas;

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‰ Transtorno mental com condições clínicas associadas (sem risco de vida); ‰ Intoxicações/abstinência por álcool e/ou
‰
Transtorno mental com condições clínicas associadas (sem risco de vida);
‰
Intoxicações/abstinência por álcool e/ou drogas (comprometimento mode -
rado e leve);
‰
Agitação psicomotora por quadro de uso prejudicial de álcool e outras dro -
gas;
‰
Agitação psicomotora leve e moderada por quadro de transtorno mental 2 .
6.3
PRONTO - SOCORRO
São serviços que funcionam exclusivamente para a assistência às urgências.
Abertos nas 24 horas do dia, acabam por funcionar como “porta de entrada” do
sistema de saúde, acolhendo as urgências propriamente dita, quadros percebi -
dos como urgências, pacientes desgarrados da atenção primária e especializa -
da e urgências sociais.
Essas unidades devem estar habilitadas a prestar assistência correspondente
ao primeiro nível de assistência da média complexidade.
Devem estar aptas a prestar atendimento resolutivo aos pacientes acometidos
por quadros agudos ou crônicos agudizados. São estruturas de complexidade
intermediária entre as unidades básicas de saúde e de saúde da família e as
Unidades Hospitalares de Atendimento às Urgências e Emergências (Portaria
GM nº 2.048).
2
Os três últimos agravos descritos (relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas) deverão
ser atendidos preferencialmente nos Centros de Atenção Psicossocial onde houver a presença desses
serviços. Lembramos que os serviços específicos para essa clientela são os CAPSad e os CAPS I. Nas
microrregiões com menor capacidade instalada em saúde (inclusive saúde mental) e sem a presença dos
CAPS deverá ser adotado como ponto de atenção de referência o PA ou o PS.
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Essas unidades devem contar, no mínimo, com equipe de saúde composta por médico e enfermeiro nas
Essas unidades devem contar, no mínimo, com equipe de saúde composta por
médico e enfermeiro nas 24 horas para atendimento contínuo de clínica médica
e pediátrica. Essa equipe deverá ser capacitada para o atendimento dos agra -
vos em saúde mental.
No caso dos transtornos mentais agudos, essas unidades deverão possuir pro -
fissional treinado ou especializado com o objetivo de interromper o fluxo de
internação em leitos psiquiátricos.
Devem ainda possuir retaguarda de maior complexidade previamente pactua -
da, com fluxo e mecanismos de transferência claros, mediados pela Central de
Regulação, a fim de garantir o encaminhamento dos casos que extrapolem sua
complexidade (Portaria GM nº 2.048).
Dentre os agravos da saúde mental, os abaixo discriminados deverão ser refe -
renciados para esse ponto de atenção:
‰
Intoxicações/abstinência por álcool e outras drogas (comprometimento
grave) 3 ;
‰
Overdose;
‰
Risco de suicídio;
‰
Auto e heteroagressividade (com risco de vida para si mesmo ou para ou -
trem);
‰
Síndrome neuroléptica maligna;
‰
Condições clínicas associadas que levem a situação de risco de vida.
3
Conforme definido no Protocolo Clínico da Saúde Mental. Caso necessário a equipe da ES deverá referen-
ciar para serviço de urgência de maior complexidade ou para leito psiquiátrico (Micro ou Macrorregional).
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VII. GRANDES ÁREAS CLÍNICAS 7.1 PATOLOGIAS a s doenças mentais não são “entidades anátomo-clínicas”, mas formas
VII. GRANDES ÁREAS CLÍNICAS
7.1 PATOLOGIAS
a s doenças mentais não são “entidades anátomo-clínicas”, mas formas
de existência ou consciência patológica que se distinguem e diferem
por sua fisionomia clínica, estrutura e evolução.
As psicoses se definem, geralmente, pelo caráter grave dos distúrbios psíqui -
cos (e, sobretudo, pelo Delírio ou pelos Distúrbios do Humor) e pelas circuns -
tâncias de seu aparecimento, tanto “endógenas” quanto “exógenas”.
Designam-se por:
Neuroses, as doenças mentais que desorganizam menos profundamente a
consciência e a personalidade;
Demências, as que acarretam uma deteriorização profunda da atividade psíquica;
Estados de retardo mental ou oligofrenias, as formas congênitas de insuficiên -
cia do desenvolvimento intelectual.
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7.2 PSICOSES dEfinição E sintomas mais caractErísticos A descrição a seguir tem como finalidade instrumentar o

7.2 PSICOSES

7.2 PSICOSES dEfinição E sintomas mais caractErísticos A descrição a seguir tem como finalidade instrumentar o

dEfinição E sintomas mais caractErísticos

A descrição a seguir tem como finalidade instrumentar o clínico para o diagnós -

tico sindrômico desse transtorno.

O clínico deverá estar atento para a possibilidade de causas orgânicas que jus -

tifiquem os sintomas e também para a existência de doenças clínicas associa -

das. Dessa forma, os transtornos psicóticos caracterizam-se pela presença de

alucinações e/ou delírios:

  • ‰ Alucinações: são alterações do senso-percepção, nas quais o paciente apre - senta percepções falsas (na ausência de um estímulo real), que podem ocor- rer nas diferentes modalidades sensoriais (auditiva, gustativa, visual e tátil).

  • ‰ Delírios: são alterações do conteúdo do pensamento, geralmente envol - vendo interpretação incorreta dos fatos.

Também podem ocorrer alterações do curso do pensamento, o que reflete no

discurso que se torna desorganizado.

O paciente com psicose pode apresentar comportamento desorganizado, even -

tualmente com agitação importante ou catatonia, e alterações do afeto, que

pode estar embotado (menos intenso do que o esperado) ou incongruente com

o estímulo.

Vários transtornos mentais podem apresentar sintomas psicóticos, descritos

acima: a esquizofrenia, o mais grave deles, a depressão grave e o transtorno

bipolar, a demência e o dellirium tremens.

acolhimEnto

Espera-se dos profissionais de saúde uma constante postura de acolhida ao

receber usuários com transtornos mentais em serviços de saúde. Sendo assim,

é importante:

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‰ Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o paciente; ‰ Buscar
‰ Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o paciente; ‰ Buscar
  • ‰ Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o paciente;

  • ‰ Buscar estabelecer um vínculo, o que será essencial para sua adesão ao tratamento e confiança na equipe;

  • ‰ Abordar a família no sentido da importância da adesão ao tratamento;

  • ‰ Atenção aos pontos de vulnerabilidade e quebra de vínculos familiares e sociais;

  • ‰ Estreitamento dos vínculos entre a equipe e familiares de portadores de transtorno mental;

  • ‰ Escuta cuidadosa e atenta para a identificação das demandas;

  • ‰ Orientações quanto ao convívio familiar com o portador de transtorno men - tal;

  • ‰ Orientação em relação aos procedimentos adotados;

  • ‰ Discutir com a família sobre o encaminhamento para outro serviço de refe - rência mais adequado à situação, inclusive, a possibilidade de internação hospitalar.

EVEnto aGudo

Avaliação:

  • ‰ Agitação psicomotora;

  • ‰ Risco de suicídio;

  • ‰ Risco psicossocial (pessoa incapaz de cuidar de si mesma, desestrutura - ção familiar, recusa de tratamento);

  • ‰ Transtornos graves com resposta insatisfatória à medicação usual;

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‰ Todos os pacientes com quadro psicótico, mesmo com história anterior de psicose devem ser submetidos
‰ Todos os pacientes com quadro psicótico, mesmo com história anterior de psicose devem ser submetidos
  • ‰ Todos os pacientes com quadro psicótico, mesmo com história anterior de psicose devem ser submetidos a uma avaliação clínica geral, afastando-se causas orgânicas e identificando co-morbidades clínicas;

  • ‰ O diagnóstico de transtornos psicóticos deve ser firmado pelo especialista, quando o indivíduo, com quadro agudo, em geral está agitado, incoerente e incapaz de informar sua história adequadamente;

  • ‰ Quadros decorrentes de efeitos colaterais dos antipsicóticos (extra-pirami - dais).

Procedimentos:

  • ‰ Seguir protocolo geral caso tenha agitação ou risco de suicídio (contenção mecânica e/ou medicamentosa);

  • ‰ Efetuar diagnóstico diferencial com quadros orgânicos cerebrais e outras doenças;

  • ‰ Os principais efeitos colaterais dos antipsicóticos, que podem caracterizar evento agudo, estão descritos no quadro 2, juntamente com o seu manejo. Nesses casos não esquecer de explicar ao paciente e seus familiares o que está acontecendo;

  • ‰ Há necessidade de diferenciar quadros orgânicos cerebrais e outras doen - ças, como intoxicações medicamentosas, que podem cursar com sintomas de psicose.

Contenção física:

  • ‰ É um método seguro, eficiente e reversível, não afetando o nível de consci - ência do paciente;

  • ‰ Havendo risco da integridade dos profissionais, poderá ser solicitada ajuda da polícia militar para fazer a contenção;

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‰ É necessária a participação de, no mínimo, quatro profissionais; ‰ O material para a contenção
‰
É necessária a participação de, no mínimo, quatro profissionais;
‰
O material para a contenção é constituído de quatro faixas (uma para cada
membro), de aproximadamente 12 metros de comprimento por 40 cm de
largura, com tiras finas em uma das extremidades (figura 1).
técnica da contEnção
1.
O paciente deverá ser deitado sobre uma cama, maca ou colchão e três ou
mais pessoas devem segurar os membros do paciente, estendidos (nos
ossos longos; não fazer pressão sobre as articulações);
2.
Retirar do paciente: cinto, pulseiras, relógios, anéis, colares, objetos nos
bolsos, chaves ou outros que possam machucá-lo;
3.
Desenrolar cerca de 1 metro da faixa, juntar as duas partes fazendo uma
alça e colocar a mão direita pelo espaço da alça (figura 2);
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4. Dobrar a laçada que ficou sobre a mão, colocando-a por cima da junção das faixas
4.
Dobrar a laçada que ficou sobre a mão, colocando-a por cima da junção das
faixas (figura3);
5.
Firmar o laço que se formou com a mão esquerda, deixando a mão direita
dentro da laçada (figura 4);
6.
Cada uma das quatro faixas deverá ser colocada em um dos punhos e tor-
nozelos do paciente (por um dos quatro profissionais envolvidos), utilizando-
se a mesma laçada (figura 5);
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7. Introduzir, a seguir, a ponta mais curta da faixa dentro da laçada, o que evi
7.
Introduzir, a seguir, a ponta mais curta da faixa dentro da laçada, o que evi -
ta que ela aperte o paciente que está sendo contido, mantendo sempre a
mesma tensão (pode-se verificar se a tensão está adequada introduzindo os
dedos indicador e médio entre a faixa e o corpo do paciente);
8.
O restante da ponta mais curta deve ser amarrado à estrutura da cama,
imobilizando o paciente (o ideal é que a pessoa mais treinada faça as quatro
laçadas, enquanto as outras contêm o paciente);
9.
Com a parte da faixa que estava enrolada envolver por três vezes o membro
que já está imobilizado pela laçada, sempre no sentido distal-proximal 1 , de
forma a envolver joelhos e cotovelos;
10.
A seguir, quatro pessoas, duas de cada lado da cama, farão a contenção
propriamente dita, passando as faixas (duas pessoas para superiores e duas
para inferiores) sobre o paciente e por baixo da cama (figura 6);
11.
As faixas que prendem os membros superiores devem vir dos ombros até
o abdome e as que prendem os membros inferiores dos tornozelos até a
cintura (figura 7);
1
A imobilização acontece das extremidades para o tronco.
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12. As faixas deverão ser colocadas na horizontal ou com pequenas inclinações, o que dificulta que
12. As faixas deverão ser colocadas na horizontal ou com pequenas inclinações,
o que dificulta que o paciente afrouxe a contenção (figura 8);
13. É fundamental que as faixas fiquem bem esticadas. Para tanto, sempre que
uma volta for concluída puxar a faixa para dar a tensão necessária (nem
muito apertada nem frouxa), e firmar os membros estendidos (nos ossos
longos; não fazer pressão sobre as articulações);
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14. No caso de pacientes que necessitem soroterapia ou medicação endove - nosa, após a imobilização
14. No caso de pacientes que necessitem soroterapia ou medicação endove - nosa, após a imobilização

14. No caso de pacientes que necessitem soroterapia ou medicação endove -

nosa, após a imobilização dos braços com a laçada, as faixas são passadas

por cima de um dos braços, do ombro até a cintura, e por baixo do outro, de

modo a deixar livre parte do mesmo, permitido o acesso venoso (figura IV.9).

cuidados com o paciEntE contido

  • ‰ Nunca deixá-lo sozinho − a presença de cuidadores junto ao paciente con - tribui para acalmar;

  • ‰ Observá-lo constantemente em relação à segurança e ao conforto da con - tenção (observar a pressão da faixa sobre a região contida);

  • ‰ Manter tronco e cabeça levemente elevados;

  • ‰ Monitorar sinais vitais e o nível de consciência, a cada 15 minutos e anotá- los na ficha de contenção (anexo 3);

  • ‰ Caso a contenção seja mantida por mais de 1 hora, o paciente deverá ser reavaliado pelo médico de hora em hora (ou com maior freqüência);

  • ‰ Não permitir que seja alimentado ou fume nesse período;

  • ‰ Em caso de sede, molhar o algodão e passar nos seus lábios;

  • ‰ Não administrar medicação por via oral nesse período;

  • ‰ Não desfazer a contenção em situações de necessidades fisiológicas;

  • ‰ Desfazer a contenção imediatamente em casos de emergência clínica, como dificuldades respiratórias, crises convulsivas e outras;

  • ‰ Ao transportar o paciente para outro local, deixá-lo contido com faixa de segurança e explicar que esse procedimento é rotina;

  • ‰ Caso a contenção física não seja suficiente para o controle da situação de crise, pode ser indicada a química.

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conTenção MedIcaMenToSa PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NA CONTENÇÃO QUÍMICA: PRINCIPAIS INDICAÇÕES E INCONVENIENTES PSICOFÁRMACO POSOLOGIA INDICAÇÕES INCONVENIENTES Primeira
conTenção MedIcaMenToSa
PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NA CONTENÇÃO QUÍMICA:
PRINCIPAIS INDICAÇÕES E INCONVENIENTES
PSICOFÁRMACO
POSOLOGIA
INDICAÇÕES
INCONVENIENTES
Primeira escolha:
9
Sintomas extrapirami -
dais;
HALOPERIDOL
9
Quadros psicóti -
cos;
9
Contra-indicado em into -
(Antipsicótico de
alta potência)
5 mg, IM, cada
30 minutos, até
a diminuição dos
sintomas
x icações por inalantes.
9
Máximo: 6 doses
Episódios manía -
cos.
Segunda escolha:
9
Maior poder de sedação;
9
Quadros Psicóti -
cos.
9
CLORPROMAZINA
(Antipsicótico de
baixa potência)
Risco aumentado de
formação de abscessos e
reações granulomatosas;
25 mg, IM
9
Causa hipotensão e efei -
tos anticolinérgicos;
9
Contra-indicado em into -
x icações por inalantes.
9
Primeira escolha:
9
Intoxicação alcoóli -
ca aguda;
Início da ação não é
rápido;
9
Efeito sedativo;
9
9
Risco de depressão res -
piratória;
DIAZEPAM
(Ansiolítico)
10 a 20 mg, VO
Dose máxima,
VO: 120 mg ao
dia
Abstinência de ál -
cool ou de drogas
hipnótico sedati -
vas;
9
Efeito paradoxal eventual;
9
Intoxicação por
cocaína, alucinó -
genos inalantes,
maconha e antico -
linérgicos;
9
Não usar via IM em
intoxicações por alucinó -
genos, maconha,cocaína
e anticolinérgicos.
9
Quadros não-psi -
cóticos; tratamen -
to das convulsões.
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EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIPSICÓTICOS E SEU TRATAMENTO SÍNDROME PARKINSONISMO DISTONIA ACATISIA NEUROLÉPTICA MALIGNA 9 Desejo subjeti
EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIPSICÓTICOS E SEU TRATAMENTO
SÍNDROME
PARKINSONISMO
DISTONIA
ACATISIA
NEUROLÉPTICA
MALIGNA
9
Desejo subjeti -
vo de estar em
constante movi -
9
9
Alterações de
marcha (marcha à
petitpas)
Desenvolvimen -
to súbito de con -
trações breves
ou prolongadas
9
Delirium
mento
9
Febre
9
Dificuldade em
permanecer
9
Hipertensão
9
Bradicinesia
dos músculos
parado: caminha,
arterial
9
Facies em máscara
agonistas e
antagonistas,
mexe os pés,
cruza e descruza
9
Rigidez muscular
9
Rigidez tipo roda
denteada
produzindo
posturas anor-
os braços, etc
9
Sudorese
9
Sensação interna
9
9
Salivação excessiva
9
Tremor de repouso
mais da cabeça,
pescoço, tronco
ou membros
de inquietação
pode ser confun -
dida como piora
da agitação ou
ansiedade
Fatal em cerca
de 20% dos
casos
9
Antipsicóticos
de alta potência,
especialmente
9
9
Primeira semana
de tratamento
3 primeiros
meses de tra -
tamento com
na forma depot
9
Aumento rápido
da dose
9
Aumento da
dosagem do
antipsicótico
antipsicóticos de
alta potência (ex.
haloperidol)
9
Desidratação
9
Desnutrição
9
Outras intercor-
rências clínicas
Substituir o antipsicótico em uso, ou
reduzir a dose pela metade
Biperideno 2 mg, 1 ampola via
intramuscular, visando ao alívio rápido
(antes de uma hora) da sintomatologia;
Substituir o
antipsicótico em
uso, ou reduzir a
dose pela metade
Propanolol 40 mg 2
a 3 vezes ao dia
Emergência clínica
– transferir para UTI
(suspender o uso
de antipsicóticos)
Biperideno 2 mg, 1 comp. via oral 2 a 3
vezes ao dia, por 14 a 21 dias.
Encaminhar para o
ambulatório.
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Manejo da
Manutenção
Fatores/ Período de Risco
Quadro Clínico
Crise
EncaminhamEntos: ‰ Identificação dos casos pela equipe PACS/ESF/ESM; ‰ Encaminhamento para avaliação por ESM; ‰ Após
EncaminhamEntos:
‰
Identificação dos casos pela equipe PACS/ESF/ESM;
‰
Encaminhamento para avaliação por ESM;
‰
Após avaliação na U.S., encaminhar, caso necessário, para atendimento no
PA/Urgência em Hospital Geral local, microrregional ou macrorregional;
‰
Encaminhamento pela ESM da U.S., caso necessário, para o Centro de
Atenção Psicossocial (CAPS) para avaliação e elaboração de PTI 2 (Projeto
Terapêutico Individual) e seguimento por equipe multidisciplinar (ESM ou
CAPS);
‰
Seguimento em serviço extra-hospitalar (CAPS), caso necessário, munici -
pal ou microrregional, por indicação da Equipe de Saúde Mental (ESM);
‰
Atendimento e internação para tratamento em Pronto Atendimento/Pronto-
socorro local 3 ;
‰
Internação prioritariamente em leito psiquiátrico em Hospital Geral (HG),
municipal, regional ou microrregional;
‰
Internação em hospital psiquiátrico se esgotadas todas as possibilidades
de tratamento em leito psiquiátrico em HG local, micro ou macrorregional;
‰
Internação em hospital clínico no caso de doenças orgânicas;
‰
Atendimento e orientação à família pela equipe da U.S. sobre aspectos da
doença, incentivando sua participação na continuidade do cuidado;
2
O Projeto Terapêutico Individual (PTI) é um conjunto de atendimentos que respeite a particularidade,
personalize o atendimento de cada pessoa e proponha atividades durante a permanência no serviço se -
gundo suas necessidades.
3
O atendimento em Pronto-socorro psiquiátrico deverá ser feito nos casos em que a rede não conseguir
a remissão do quadro de pacientes da região metropolitana.
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‰ Utilização de recursos comunitários e intersetoriais como parte do PTI (pro - jetos de diferentes
‰ Utilização de recursos comunitários e intersetoriais como parte do PTI (pro - jetos de diferentes
  • ‰ Utilização de recursos comunitários e intersetoriais como parte do PTI (pro -

jetos de diferentes áreas que possam auxiliar na reinserção social).

EVEnto crônico

Avaliação:

  • ‰ Paciente com quadro estabilizado;

  • ‰ Aceita medicação;

  • ‰ Com suporte familiar ou social.

Procedimentos:

  • ‰ Avaliação especializada por ESM em U. S. para diagnóstico;

  • ‰ Avaliação clínica para afastar possíveis causas orgânicas ou doença clínica associada.

Encaminhamentos:

  • ‰ Acompanhamento por Equipe de Saúde Mental (ESM) multidisciplinar com elaboração de PTI voltado para reabilitação psicossocial;

  • ‰ Utilização de recursos comunitários e intersetoriais (projetos de diferentes áreas que possam auxiliar o trabalho de inserção social);

  • ‰ Caso não haja no município profissional especializado ou capacitado, o pa - ciente deverá primeiramente ser avaliado em serviço/equipe especializada, micro ou macrorregional, para diagnóstico e orientação sobre a continuida - de do tratamento, com revisões periódicas por esse serviço/equipe;

  • ‰ Na situação acima o paciente deverá ser acompanhado por equipe da ESF com atendimento regular e visitas domiciliares com freqüência programada para cada caso.

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7.3 DEPRESSÃO dEfinição, tipos E sintomas mais caractErísticos ‰ Os transtornos do humor caracterizam-se por rebaixamento

7.3 DEPRESSÃO

7.3 DEPRESSÃO dEfinição, tipos E sintomas mais caractErísticos ‰ Os transtornos do humor caracterizam-se por rebaixamento

dEfinição, tipos E sintomas mais caractErísticos

  • ‰ Os transtornos do humor caracterizam-se por rebaixamento ou elevação do humor, que também pode ser irritável. Eles interferem intensa e negativa - mente na qualidade de vida dos indivíduos;

  • ‰ O transtorno depressivo maior se caracteriza por um ou mais episódios depressivos maiores;

  • ‰ A distimia é um transtorno com sintomas menos intensos, porém com du - ração de pelo menos dois anos, quando ocorrem episódios de elevação do humor, ou mania (período com aumento da atividade, gastos excessivos, aumento da libido, euforia ou irritabilidade). Em geral, associados a outros de humor depressivo, temos os transtornos bipolares;

  • ‰ O risco de um adulto apresentar transtorno depressivo maior é de 10 a 25% em mulheres e 5 a 12% em homens, durante a vida (American Psychiatric Association, 1994);

  • ‰ Cerca de 15% dos indivíduos com transtorno depressivo maior morrem por suicídio;

  • ‰ 80% dos indivíduos que receberam tratamento para um episódio terão um segundo episódio na vida, sendo quatro a média ao longo da vida;

  • ‰ A duração de um episódio é de seis meses ou mais;

  • ‰ 12% dos pacientes têm um curso crônico sem remissão dos sintomas;

  • ‰ A depressão é a quarta causa específica de incapacitação.

EVEnto aGudo

Avaliação:

  • ‰ Idéias e/ou comportamento suicida;

  • ‰ Transtornos Graves (pacientes não sai do leito, não se alimenta, não se cuida);

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‰ Risco psicossocial (pessoa incapaz de cuidar de si mesma, desestrutura - ção familiar, recusa de
‰
Risco psicossocial (pessoa incapaz de cuidar de si mesma, desestrutura -
ção familiar, recusa de tratamento);
‰
Agitação, ansiedade, pânico;
‰
Efeitos colaterais graves da medicação (vide quadro de sintomatologia de -
corrente da intoxicação por medicamentos antidepressivos).
Procedimentos:
‰
Avaliação especializada por ESM e encaminhamento para tratamento no PA;
‰
É fundamental afastar causas orgânicas, por isso torna-se imprescindível
efetuar diagnóstico diferencial com quadros orgânicos cerebrais e outras
doenças.
Encaminhamentos:
‰
Identificação dos casos pelas equipes PACS/ESF/ESM;
‰
Avaliação por ESM;
‰
Após avaliação, a ESM deverá encaminhar, caso necessário, para atendi -
mento no PA/Urgência em Hospital Geral local, micro ou macrorregional;
‰
Encaminhamento pela ESM da U.S., caso necessário, para o Centro de
Atenção Psicossocial (CAPS) para avaliação e elaboração de PTI 4 (Projeto
Terapêutico Individual) e seguimento por equipe multidisciplinar (ESM ou
CAPS);
‰
Seguimento em serviço extra-hospitalar (CAPS), caso necessário, munici -
pal ou microrregional, por indicação da Equipe de Saúde Mental (ESM);
4
O Projeto Terapêutico Individual (PTI) é um conjunto de atendimentos que respeita a particularidade,
personaliza o atendimento de cada pessoa e propõe atividades durante a permanência no serviço segun-
do suas necessidades.
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‰ Atendimento e internação para tratamento em Pronto Atendimento/Pronto- socorro local 5 ; ‰ Internação prioritariamente
‰
Atendimento e internação para tratamento em Pronto Atendimento/Pronto-
socorro local 5 ;
‰
Internação prioritariamente em leito psiquiátrico em Hospital Geral (HG),
municipal, regional ou microrregional;
‰
Internação em hospital psiquiátrico se esgotadas todas as possibilidades
de tratamento em leito psiquiátrico em HG local, microrregional ou macror-
regional;
‰
Internação em hospital clínico no caso de doenças orgânicas;
‰
Atendimento e orientação à família, pela equipe da U.S. sobre aspectos da
doença, incentivando sua participação na continuidade do cuidado;
‰
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais deverão fazer parte do
PTI (projetos de diferentes áreas que possam auxiliar na reinserção social).
EVEnto crônico
Avaliação:
‰
Paciente com quadro estabilizado;
‰
Aceita medicação;
‰
Com suporte familiar ou social.
Procedimentos:
‰
Avaliação especializada por ESM em U. S. para diagnóstico;
‰
Avaliação clínica para afastar possíveis causas orgânicas ou doença clínica
associada.
5
O atendimento em pronto-socorro psiquiátrico deverá ser feito nos casos em que a rede não conseguir
a remissão do quadro de pacientes da região metropolitana.
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Encaminhamentos: ‰ Acompanhamento por Equipe de Saúde Mental (ESM) multidisciplinar, com elaboração de PTI voltado para
Encaminhamentos:
‰
Acompanhamento por Equipe de Saúde Mental (ESM) multidisciplinar, com
elaboração de PTI voltado para reabilitação psicossocial;
‰
Utilização de recursos comunitários e intersetoriais (projetos de diferentes
áreas que possam auxiliar o trabalho de inserção social);
‰
Caso não haja no município profissional especializado ou capacitado, o pacien -
te deverá primeiramente ser avaliado em serviço/equipe especializada, micro
ou macrorregional, para diagnóstico e orientação sobre a continuidade do tra -
tamento, com revisões periódicas determinadas por esse serviço/equipe;
‰
Na situação acima o paciente deverá ser acompanhado por equipe da ESF
do município, com atendimento regular e visitas domiciliares com freqüên -
cia programada para cada caso.
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE OS PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NO
TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS DO HUMOR
Categoria
Droga
Apresentação
Dose diária
Cloridrato de
25
mg cápsula
50-300 mg
Amitriptilina
Antidepressivos
10 mg cápsula
Cloridrato de
tricíclicos
50-300 mg
Clomipramina
25
mg cápsula
Nortriptilina
50 mg compr
50 – 300 mg
Carbamazepina
200 mg compr
400-1600 mg
Carbonato de Lítio 1
300 mg compr
900-2100 mg*
Estabilizadores
do humor
Ácido Valpróico
250 mg cápsula
400-1600 mg
0,5 mg compr
Clonazepam
0,5 – 6 mg
2 mg compr
Cloridrato de
ISRS
20
mg cápsula
20 – 80 mg
Fluoxetina
*1 – A dosagem laboratorial da litemia é indispensável, devido ao risco de intoxicação. No tratamento da
fase aguda, o nível sérico de lítio deve ser de 0,9 a 1,2 mEq/l, e na manutenção, de 0,6 a 0,9 mEq/l.
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VIII. ATENÇÃO A USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS ‰ 15 a 30% da população adulta,
VIII. ATENÇÃO A USUÁRIOS DE
ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
‰
15 a 30% da população adulta, em algum momento da vida, tem problemas
associados ao uso de álcool;
‰
12,3% da população brasileira de 12 a 65 anos apresentam dependência do
álcool (CEBRID, 2006);
‰
Constam 20.472 registros de alcoolismo referido no Sistema de Informação
da Atenção Básica (SIAB), em 2006;
‰
Das internações psiquiátricas no ES de 2002 a 2006, 13.444 foram por ál -
cool e outras drogas;
‰
Com relação às outras drogas (exceto álcool e tabaco), o uso entre estudan -
tes de 1º e 2º graus, em dez capitais brasileiras, variou de 18 a 23%;
‰
Cada dependente químico afeta diretamente a vida de pelo menos quatro
ou mais pessoas;
‰
Aproximadamente 20% dos pacientes tratados na rede primária fazem uso
de bebida alcoólica, um nível considerado de alto risco;
‰
No caso de mulheres grávidas ou que estão amamentando, o abuso do
álcool pode provocar malformações no bebê.
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8.1 C LASSIFICAÇÃO qUANTO AO CONSUMO É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo
8.1 C LASSIFICAÇÃO qUANTO AO CONSUMO É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo

8.1 C LASSIFICAÇÃO qUANTO AO CONSUMO

É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo critérios científicos,

para desfazer o preconceito de que todos sejam “viciados”, “marginais” ou “ma -

conheiro”. Assim, a Unesco distingue quatro tipos:

  • ‰ Experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, em geral, por curiosidade, sem dar continuidade ao uso;

  • ‰ Usuário ocasional: utiliza uma ou várias substâncias, quando disponível ou em ambiente favorável, sem rupturas nas relações afetivas, sociais ou profissionais;

  • ‰ Usuário habitual: faz uso freqüente, ainda controlado, mas já se observam sinais de rupturas nas relações;

  • ‰ Usuário dependente (toxicômano, drogadito, dependente químico): faz uso intenso, vivendo pela droga e para a droga, descontroladamente, com rupturas em seus vínculos sociais, com marginalização e isolamento.

8.2 O ACOLhIMENTO

Orienta-se aos profissionais de saúde uma constante “postura” de acolhida ao

receber usuários de álcool e outras drogas em serviços de saúde. Sendo assim,

é importante:

  • ‰ Ter respeito às diferenças, pois o que se busca é conhecer o nosso paciente;

  • ‰ Levantar dados sobre sua personalidade, e sócio-culturais;

  • ‰ Investigar o lugar que a droga ocupa em sua vida, as dificuldades trazidas pelo uso, as razões que levaram ao uso e as que fizeram continuar usan - do;

  • ‰ Abordar as perdas sofridas, os recursos internos e externos que podem au - xiliar no tratamento, entre outros, para podermos melhor traçar seu plano de tratamento;

  • 66 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

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‰ Buscar estabelecer um vínculo com o paciente, o que será essencial para sua adesão ao
‰ Buscar estabelecer um vínculo com o paciente, o que será essencial para sua adesão ao
  • ‰ Buscar estabelecer um vínculo com o paciente, o que será essencial para sua adesão ao tratamento e confiança na equipe.

8.3 E VENTO AGUDO

  • ‰ Estados de intoxicação;

  • ‰ Estados de abstinência;

  • ‰ Psicose alcoólica;

  • ‰ Síndrome de abstinência alcoólica (SAA) - ver Anexo III.

Avaliação:

Principais sinais e sintomas:

  • ‰ Taquicardia

  • ‰ Hipertensão Arterial

  • ‰ Náuseas/Vômitos

  • ‰ Tremores

  • ‰ Aumento da temperatura corporal

  • ‰ Sudorese

  • ‰ Inquietação

  • ‰ Insônia

  • ‰ Ansiedade

  • ‰ Depressão

  • ‰ Confusão mental

  • ‰ Alucinações

  • ‰ Convulsões

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PRINCIPAIS CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE DEVEM SER LEVADAS EM CONSIDERAÇÃO COMO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE SAA Ö Infecções
PRINCIPAIS CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE DEVEM SER LEVADAS EM
CONSIDERAÇÃO COMO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE SAA
Ö
Infecções (pneumonia, meningite, encefalite)
Ö
Traumatismo crânio-encefálico, hematoma subdural
Ö
Encefalopatia hepática, má nutrição
Ö
Efeitos adversos de outros medicamentos
Ö
Convulsões: tumor, alterações minerais ou hidroeletrolíticas
Ö
Delirium Tremens: outras causas de Delirium
Procedimentos:
Avaliação laboratorial:
‰
Hemograma
‰
Enzimas hepáticas
‰
Magnésio, sódio e potássio
Tratamento não-farmacológico:
‰
Esclarecimento sobre a SAA (ver Anexo III)
‰
Monitoramento freqüente do paciente
‰
Ambiente tranqüilo
‰
Limitação de contatos pessoais
‰
Hidratação
‰
Cuidados com a nutrição
‰
Tratamento farmacológico:

Reposição de Tiamina – 300mg/dia intramuscular

Benzodiazepínico – dose adequada para a intensidade de sintomas de
cada paciente, sendo utilizados, em média, de 30 a 120 mg de Diaze -
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pam no primeiro dia, com retirada de 20% da dose diariamente, termi - nando seu uso
pam no primeiro dia, com retirada de 20% da dose diariamente, termi - nando seu uso

pam no primeiro dia, com retirada de 20% da dose diariamente, termi -

nando seu uso em cerca de sete dias.

  • ‰ Casos graves – reposição de Magnésio (Haloperidol, 5mg por dia).

O que não fazer:

  • ‰ Não administrar glicose, indiscriminadamente, por risco de ser precipitada a Síndrome de Wernicke. Só deve ser aplicada parenteralmente após a ad - ministração de tiamina;

  • ‰ Não fazer uso rotineiro de difenil-hidantoína (fenitoína) parenteral;

  • ‰ Não aplicar Diazepam endovenoso sem os recursos para reverter uma pos - sível parada cardíaca;

  • ‰ Não hidratar indiscriminadamente;

  • ‰ Não utilizar a clorpromazina e outros neurolépticos sedativos de baixa po - tência para controle de agitação, uma vez que podem induzir convulsões. O haloperidol é a indicação mais adequada;

  • ‰ Contenção física inadequada e indiscriminada, que provoque lesões nos pacientes.

    • 8.4 R ISCO POR OVERDOSE

Uma dimensão muito importante quando se discute o uso de drogas (ver anexo

IV) é o problema da overdose, entendendo essa como situação na qual o uso

agudo produziu conseqüências graves, requerendo cuidados médicos e não

raro levando à morte.

Sob esse aspecto, o risco é grande tanto para a heroína como para a cocaína:

ambas desencadeiam alterações profundas do sistema nervoso central que po -

dem matar.

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Avaliação: Conheça os sintomas: Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo; ‰ Respiração lenta

Avaliação:

Conheça os sintomas:

Avaliação: Conheça os sintomas: Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo; ‰ Respiração lenta
  • ‰ Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo;

  • ‰ Respiração lenta ou curta ou parada da respiração;

  • ‰ Sem pulso ou pulso fraco;

  • ‰ Lábios roxos;

  • ‰ Convulsões, movimentos involuntários, desmaios;

  • ‰ Palpitação, taquicardia, dor no peito.

Procedimentos:

Chame o resgate ou ajuda médica para emergências, imediatamente;

  • ‰ Nunca deixe a pessoa sozinha;

  • ‰ Deite a pessoa de lado, tenha certeza de não haver comida ou vômito na garganta;

  • ‰ Afaste o queixo do peito;

  • ‰ Nunca dê outra droga para combater o efeito;

  • ‰ Nunca ponha nada na boca da pessoa, incluindo água ou medicamentos;

  • ‰ Se a pessoa estiver tendo uma convulsão segure a sua cabeça com cuida - do para não bater no chão ou em algum móvel.

Encaminhamentos:

Serão feitos de acordo com a avaliação do nível de comprometimento e com o

diagnóstico clínico e psiquiátrico:

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COMPROMETIMENTOS PONTOS DE ATENÇÃO Pronto-socorro; Hospital Geral; UTI; Leito Grave (usuário habitual e ou psiquiátrico em
COMPROMETIMENTOS
PONTOS DE ATENÇÃO
Pronto-socorro; Hospital Geral; UTI; Leito
Grave (usuário habitual e ou
psiquiátrico em Hospital Geral; CAPS ad;
dependente)
Programa de Redução de Danos
8.5
E VENTO C RÍTICO
Avaliação:
Diretrizes diagnósticas da dependência:
‰
Forte desejo de consumir;
‰
Dificuldade de controlar o consumo;
‰
Uso persistente apesar de conseqüências nocivas;
‰
Prioridade do uso da droga;
‰
Tolerância;
‰
História de Síndrome de Abstinência.
Procedimentos:
‰
Avaliar eventuais co-morbidades clínicas e/ou psiquiátricas;
‰
Buscar informações básicas sobre o padrão de consumo dos últimos anos,
avaliando a quantidade e a freqüência do beber. O último consumo ou dimi -
nuição são dados importantes a serem avaliados;
‰
Levando em consideração a complexidade do diagnóstico, é possível clas -
sificar o comprometimento do usuário crônico de álcool em três níveis:
leve, moderado e grave (vide classificação a seguir);
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‰ O paciente deve ser informado com clareza sobre o diagnóstico, receben - do orientações sobre
‰
O paciente deve ser informado com clareza sobre o diagnóstico, receben -
do orientações sobre a dependência e a síndrome de abstinência, além
de tratamento específico para a fase de privação aguda de acordo com a
necessidade. O encaminhamento será direcionado para o tratamento am -
bulatorial;
‰
Buscar a vinculação e o engajamento do paciente no tratamento da depen -
dência, prevenindo as síndromes de abstinência mais graves no futuro;
‰
Informar ao paciente e à família. Deve-se esclarecer à família e, sempre que
possível, ao próprio paciente sobre os sintomas apresentados, os procedi -
mentos a serem adotados e as possíveis evoluções do quadro.
Encaminhamentos:
Serão feitos de acordo com a avaliação do nível de comprometimento e com o
diagnóstico clínico e psiquiátrico:
COMPROMETIMENTOS
PONTOS DE ATENÇÃO
Unidade Básica de Saúde/ Saúde da Família;
Leve
Ambulatório de Especialidades; Programa de
Redução de Danos e Recursos Comunitários
Unidade Básica de Saúde/ Saúde da Família;
CAPS ad; Programa de Redução de Danos,
Moderado/Grave
Pronto Atendimento / Pronto-socorro (Local,
Microrregional, Macrorregional)
8.6 OUTRAS DROGAS E SEUS EFEITOS MAIS IMPORTANTES
alucinóGEnos
Os alucinógenos (drogas psicodélicas) são substâncias químicas que possuem
a propriedade de produzir distúrbios alucinatórios (percepção de objetos que
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não existem na realidade) e delírios (crenças incompatíveis com a nossa realida - de), resultando numa
não existem na realidade) e delírios (crenças incompatíveis com a nossa realida - de), resultando numa

não existem na realidade) e delírios (crenças incompatíveis com a nossa realida -

de), resultando numa perturbação mais ampla do sistema nervoso central.

Diversos alucinógenos são extraídos de plantas e cogumelos (naturais). Outras

substâncias desse grupo são produzidas sinteticamente em laboratório.

Principais produtos

Naturais: cogumelos Psilocybe cubensis e Paneoulus (psilocibina), vinho de Ju -

rema preparado à base da planta Mimosa hostilis (dimetiltriptamina – DMT),

cacto Mescal (mescalina), Ayahuasca preparada à base das plantas Caapi e

Chacrona e utilizada nos rituais do Santo Daime (DMT) e a Trombeteira ou Chá

de Lírio (anticolinérgico atropina e escopolamina);

Sintéticos: LSD 25 (dietilamina do ácido lisérgico), ecstasy (MDMA – metilenodioxi -

metanfetamina, Artane (Triexifenidila), Akineton (Biperideno) e Bentyl (Diciclomina).

Efeitos psíquicos

Já foi assinalado que os alucinógenos induzem a alucinações e delírios. É im -

portante ressaltar que esses efeitos variam de acordo com a substância e a

dose utilizadas, a sensibilidade e personalidade de cada indivíduo, a expectativa

que a pessoa tem sobre os efeitos, o ambiente, a presença de outras pessoas

e associação com outras drogas. As reações psíquicas podem ser agradáveis

(“boa viagem”) e a pessoa experimentará uma sensação prazeroza, sentindo-

se recompensada pelas alterações da percepção vivenciadas (cores brilhantes,

alucinações visuais e melhor sonoridade). Em outras ocasiões, são desagradá -

veis (“má viagem”), como visões terrificantes, sensações de deformação do

próprio corpo, distorções da realidade, delírios persecutórios, sensação iminen -

te de morte etc.

anfEtaminas

As anfetaminas são substâncias sintéticas que aumentam a atividade do sis -

tema nervoso central, fazendo com que o cérebro trabalhe mais rapidamente.

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Dessa forma, inibem a sensação de fome, cansaço e sono. Por esse motivo, são muito usadas
Dessa forma, inibem a sensação de fome, cansaço e sono. Por esse motivo, são muito usadas

Dessa forma, inibem a sensação de fome, cansaço e sono. Por esse motivo, são

muito usadas para o emagrecimento e para aumentar a capacidade de traba -

lho. As pessoas obesas são as que mais freqüentemente fazem uso, buscando

perder peso bem como os motoristas de caminhões e ônibus, que necessitam

dirigir durante varias horas ininterruptas.

Principais produtos

Dietilpropiona (Anfepramona), Fenproporex, Manindol, Metanfetamina e Metil -

fenidato.

Efeitos físicos

Pupilas dilatadas, aumento da freqüência cardíaca (taquicardia) e da pressão

sanguínea. Com doses muito altas, pode-se observar aumento da temperatura

(hipertermia), palidez cutânea e convulsões. Alguns casos evoluem para compli -

cações cardio-circulatórias (derrame cerebral e infarto do miocárdio).

Efeitos psíquicos

Insônia, perda do apetite, aumento da disposição e do ânimo, hiperatividade, lo -

quacidade (tagarelice) e sensação de euforia. Em alguns casos, ocorre aumen -

to da ansiedade, irritabilidade fácil e comportamentos agressivos. Doses altas

podem determinar os delírios paranóides (psicose anfetamínica), caracterizados

por excessiva desconfiança e idéia persistente de perseguição.

Uso crônico

O principal problema relacionado ao consumo crônico é a síndrome de depen -

dência. Quanto maior o tempo de uso, maior será a possibilidade de desenvol -

vimento da tolerância, motivo pelos quais alguns indivíduos consomem uma

enorme quantidade de comprimidos por dia.

Estudos em laboratório mostram que o uso de anfetaminas pode levar a dege -

neração irreversível de determinadas células do cérebro.

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Abstinência Existem dúvidas sobre a ocorrência de uma síndrome de abstinência para es - tas substâncias.

Abstinência

Abstinência Existem dúvidas sobre a ocorrência de uma síndrome de abstinência para es - tas substâncias.

Existem dúvidas sobre a ocorrência de uma síndrome de abstinência para es -

tas substâncias. Entretanto, alguns indivíduos apresentam, após a interrupção,

quadro caracterizado por intensa ansiedade, tristeza, desânimo e forte compul -

são, difícil de ser suportada.

bEnzodiazEpínicos

Também chamados de tranqüilizantes ou ansiolíticos, são os medicamentos

psicoativos mais prescritos no mundo. Quando usados por alguns meses se -

guidos, podem determinar estados de dependência.

Principais produtos

Diazepan (Valium, Dienpax, Ansilive, Kiatrium), Bromazepan (Lexotan Somalium),

Lorazepan (Lorax), Clobazan (Urbanil, Frisium), Clonazepan (Rivotril ), Cloxazolan

(Olcadil, Clozal ), Alprazolan (Frontal, Apraz), Midazolan (Dormonid ), Flunitraze -

pan (Rohypnol ), Flurazepan (Dalmadorm), Clordiazepóxido (Psicosedin, Meno -

tensil ), Clorazepato (Tranxilene), Nitrazepan (Sonebon) etc.

Efeitos psíquicos

Os benzodiazepínicos diminuem a atividade ds sitema nervoso central, promo -

vendo os seguintes efeitos:

  • a) redução da ansiedade;

  • b) indução do sono (efeito hipnótico);

  • c) relaxamento muscular;

  • d) redução do estado de alerta;

  • e) diminuem a freqüência de convulsões em alguns casos de epilepsia;

  • f) podem causar excitação e estados de agitação (reação paradoxal), principal - mente em crianças e idosos.

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Intoxicação Pode ocorrer sedação acentuada, além de arritmias cardíacas e depressão res - piratória. Abstinência Após

Intoxicação

Intoxicação Pode ocorrer sedação acentuada, além de arritmias cardíacas e depressão res - piratória. Abstinência Após

Pode ocorrer sedação acentuada, além de arritmias cardíacas e depressão res -

piratória.

Abstinência

Após a redução ou retirada dos benzodiazepínicos, pode ocorrer intenso dese -

jo pela droga, ansiedade, insônia, tremores, fraqueza, náuseas, vômitos, câim -

bras, hipotensão e hiperreflexia; após 24 horas, pode haver convulsões e delírio

(confusão mental).

Complicações psiquiátricas

Alterações da memória de fixação, redução da capacidade de julgamento e ra -

ciocínio, comportamento agressivo, estado depressivo, além da diminuição da

performance motora por sedação.

cocaína

A cocaína é a mais potente substância estimulante do SNC. Os efeitos sobre o

organismo dependem da via de administração (nasal, endovenosa e pulmonar)

e do produto ingerido. É uma droga ilícita e apresenta grande potencial para

determinar estados de dependência.

Principais produtos

Cocaína em pó (branquinha), “crack”, merla, melado, pasta-base, chás.

Efeitos físicos

Aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial e da temperatura; pupilas

dilatadas, suor excessivo, tremores excessivo, tremores de extremidades, con -

tração muscular e vaso-constricção.

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Efeitos psíquicos Sensação de bem-estar, euforia, poder, excitação e hiperatividade, inibição da sensação de fome, cansaço

Efeitos psíquicos

Efeitos psíquicos Sensação de bem-estar, euforia, poder, excitação e hiperatividade, inibição da sensação de fome, cansaço

Sensação de bem-estar, euforia, poder, excitação e hiperatividade, inibição da

sensação de fome, cansaço e sono. Com doses mais altas, observa-se ansieda -

de, irritabilidade, desconfiança e apreensão, que podem aumentar até o apare -

cimento da paranóia (idéia de perseguição) e alucinações; pode ainda provocar

ataques de pânico.

Abstinência

Observa-se em usuários crônicos, após episódios de uso compulsivo continu -

ado por varias horas. Caracteriza-se por apatia, sonolência excessiva, aumento

do apetite, irritabilidade e humor depressivo. Durante a abstinência, nota-se

presença de irresistível compulsão pelo uso da droga, o que aumenta o risco

de recaída.

Complicações psíquicas

Os principais problemas relacionados ao uso freqüente de cocaína são a de -

pendência propriamente dita e os estados psicóticos induzidos pelo seu uso.

Já existem evidências de alterações na irrigação sanguínea cerebral, o que de -

terminaria, progressivamente, modificações do seu funcionamento.

Complicações clínicas

Arritmias cardíacas, acidente vascular encefálico, convulsões, perfurações do

septo nasal, rabdomiólise (degeneração irreversível dos músculos esqueléticos)

e infecções das vias respiratórias. No uso por via endovenosa, observam-se

flebites, abscessos subcutâneos, endocardites bacterianas, hepatites virais (B

e C em particular), sífilis e infecção pelo HIV (SIDA/AIDS).

EstEróidEs anabolizantEs

Embora não sejam consideradas substâncias psicoativas, essas drogas tem as -

sumido uma importância muito grande em nossa cultura, em virtude do uso abu -

sivo, sem orientação médica, feito por esportistas, para melhorar o desempenho

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físico, e por adolescentes, para melhorar a aparência visual (estética), com o au - mento da
físico, e por adolescentes, para melhorar a aparência visual (estética), com o au - mento da

físico, e por adolescentes, para melhorar a aparência visual (estética), com o au -

mento da massa muscular. Algumas causas relacionadas com o abuso incluem

insatisfação com a aparência física, baixa auto-estima, pressão social e culto pelo

corpo que a sociedade contemporânea tanto valoriza.

Principais produtos

Durateston, Androxon e Deca-Durabolin.

Efeitos físicos

Em razão do uso abusivo de esteróides: tremores, acne grave, dores nas ar-

ticulações, aumento da pressão sangüínea e risco de doenças coronarianas,

alterações da função hepática (hepatites instantâneas), deficiência imunológica

e tumores no fígado.

Outros efeitos

No homem: diminuição ou atrofia do volume testicular, redução da quantida -

de de espermatozóides, impotência, infertilidade, calvície, desenvolvimento de

mamas, dificuldade ou dor para urinar, aumento da próstata e ginecomastia

(desenvolvimento da glândula mamária no homem), nem sempre reversível;

Na mulher: crescimento de pêlos com distribuição masculina, alterações ou

ausência do ciclo menstrual, voz grossa, aumento do clitóris e diminuição dos

seios;

No adolescente: amadurecimento esquelético precoce com baixa estatura e

puberdade acelerada.

Efeitos psíquicos

O abuso de anabolizantes pode determinar alterações do humor, resultando em

agressividade e raiva incontroláveis, o que leva a comportamentos violentos,

como suicídios e homicídios. Observa-se, ainda, com maior freqüência de sin -

tomas depressivos, aumento da irritabilidade, distorções do julgamento (senti -

mentos de invencibilidade), confusão mental e esquecimentos.

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inalantEs Os solventes ou inalantes são substâncias que reduzem a atividade do sistema nervoso central. Chama

inalantEs

inalantEs Os solventes ou inalantes são substâncias que reduzem a atividade do sistema nervoso central. Chama

Os solventes ou inalantes são substâncias que reduzem a atividade do sistema

nervoso central. Chama a atenção o fato de ser uma das quatro substâncias

mais consumidas entre os adolescentes e adultos jovens. Vale assinalar, ainda,

a alta prevalência de consumo dessas entre meninos e meninas em situação

de risco. As principais substâncias químicas presentes nesses produtos são os

hidrocarbonetos: tolueno, xilol, acetona, acetato de etila etc.

Principais produtos

Aerossóis, tintas, vernizes, colas, esmaltes, removedores de tinta e esmalte,

thinners. Episodicamente, no período do carnaval, observa-se consumo abusi -

vo e em larga escala de dois inalantes em particular: lança-perfume e “cheirinho

da loló” (mistura de inalantes).

Efeitos físicos

Irritação das mucosas do nariz e da boca, tosse, hiperemia conjuntival, fotofo -

bia (maior sensibilidade dos olhos à luz), diplopia (visão dupla) e zumbido nos

ouvidos. Podem ocorrer, ainda, náuseas, vômitos, diarréia, e dores torácicas,

musculares e articulares.

Efeitos psíquicos

Sensação de euforia (inicial e passageira), e de estar flutuando, desinibição, ver-

tigem, ilusões, tonturas e sonolência. Ocasionalmente, pode ocorrer amnésia

(esquecimento completo).

Intoxicação

Eventualmente, observam-se convulsões. Em altas doses, pode haver depres -

são respiratória e arritmias cardíacas, levando à perda de consciência e morte

súbita.

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Abstinência Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo. Complicações clínicas Arritmias cardíacas, hepatite, insuficiência

Abstinência

Abstinência Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo. Complicações clínicas Arritmias cardíacas, hepatite, insuficiência

Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo.

Complicações clínicas

Arritmias cardíacas, hepatite, insuficiência renal, anemia, miastenia, perturba -

ções gastrointestinais e doenças dos nervos periféricos.

Prejuízos pelo uso crônico

Déficit de memória, menor destreza manual, cansaço, cefaléia, confusão men -

tal, descoordenação motora, fraqueza muscular e paralisia dos membros infe -

riores (degeneração dos nervos periféricos). O uso continuado pode resultar em

lesão irreversível do SNC, com tremor grosseiro, ataxia (perda da coordenação

dos movimentos) e distúrbio do pensamento.

maconha

Denominação dada às folhas e flores da Cannabis sativa. As substâncias psico -

trópicas encontradas na maconha são os canabinóides, das quais a principal é

o delta-9-tetrahidrocabinol (THC). A concentração de THC presente na maconha

pode variar de acordo com o tipo de solo, clima, estação do ano, época da co -

lheita, e o tempo decorrido entre a colheita e o consumo. Os efeitos em cada

pessoa dependem de sua experiência pessoal e de outros fatores, tais como:

a concentração de THC (potencia da maconha), a expectativa que a pessoa

tem quando usa, o ambiente onde é usada, a forma de uso e a associação com

outras substâncias psicoativas. Das drogas ilícitas é a que apresenta a maior

prevalência de consumo.

Principais produtos

Maconha, também conhecida como erva, beck, marijuana, baseado etc., o ha -

xixe, o óleo de haxixe, o skank e a sinsemilla (sem semente) são variações mais

potentes da Cannabis sativa.

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Efeitos físicos Taquicardia, hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos), boca seca, tremores nas mãos, prejuízo da coordenação

Efeitos físicos

Efeitos físicos Taquicardia, hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos), boca seca, tremores nas mãos, prejuízo da coordenação

Taquicardia, hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos), boca seca, tremores

nas mãos, prejuízo da coordenação motora e diminuição da força muscular e

aumento do apetite.

Efeitos psíquicos

Em geral, promovem sensação de relaxamento, diminuição da ansiedade, eu -

foria, vontade de rir e alteração da percepção do tempo e do espaço. Com

doses mais altas, podem ocorrer alterações da memória, atenção e pensamen -

to, medo, ansiedade, sensação de estar sendo perseguido, alucinações e mal-

estar difuso (“má viagem”).

Abstinência

Não há síndrome de abstinência descrita para esse grupo.

Complicações clínicas

Maior incidência de infecção nas vias pulmonares e de bronquite crônica; dimi -

nuição da capacidade pulmonar (a maconha contém um teor de alcatrão maior

que o cigarro comum). Discute-se muito sobre o aumento na incidência de cân -

cer pulmonar. Outro efeito indesejável é a diminuição da fertilidade masculina,

por diminuição da produção de espermatozóides.

Complicações psiquiátricas

Pelo uso crônico, entre os prejuízos destaca-se o déficit da memória de fixa -

ção (para fatos recentes). Sabe-se, ainda, que o uso freqüente compromete a

capacidade de aprendizagem e pode induzir a um estado de desmotivação e

desinteresse para as atividades do cotidiano – síndrome amotivacional.

opiácEos ou opióidEs

Denominação dada às substâncias extraídas da Papoula (Papaver somniferum).

O ópio é o primeiro produto retirado da papuola. Nele existem várias outras

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substâncias com grande atividade analgésica e hipnótica. As mais conhecidas são a morfina e a codeína
substâncias com grande atividade analgésica e hipnótica. As mais conhecidas são a morfina e a codeína

substâncias com grande atividade analgésica e hipnótica. As mais conhecidas

são a morfina e a codeína (opiáceos naturais). Através de uma pequena mudan -

ça na fórmula química da morfina, obtém-se a heroína (opiáceo semi-sintético),

importante pela alta prevalência de consumo nos países da Europa. Existem,

ainda, substâncias totalmente sintéticas (produzidas em laboratório), com ação

semelhante à dos opiáceos, que são chamados de opióides: a meperidina, a

metadona, o propoxifeno, e o tramadol são alguns exemplos. Todos os opiáce -

os e opióides diminuem a atividade do SNC.

Efeitos físicos

Provocam significativa diminuição na freqüência cardíaca (bradicardia), na fre -

qüência respiratória (bradipnéia), e na pressão sangüínea (hipotensão); obsti -

pação intestinal, supressão da tosse, miose (fechamento das pupilas) e tremo -

res.

Efeitos psíquicos

Produzem uma sensação rápida e intensa de prazer, seguida de bem-estar e

sonolência, além de determinarem um potente efeito analgésico. Ainda podem

ocorrer alterações de humor, sensação de estar flutuando, euforia e estados

confusionais.

Intoxicação

Em doses mais altas, ocorrem reações tóxicas e sérios problemas clínicos, po -

dendo resultar, inclusive, em morte. Tais reações variam de acordo com a droga

utilizada, o estado geral do paciente e o tempo de uso. Tais sintomas incluem

depressão respiratória, edema pulmonar e cerebral, cianose (extremidades ro -

xas), arritmias cardíacas e convulsões.

Abstinência

A retirada abrupta dessas substâncias provoca uma síndrome de abstinência gra -

ve e dolorosa, com náuseas e vômitos, diarréia, câimbras musculares, cólicas

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intestinais, lacrimejamento, coriza, aumento da freqüência cardíaca e da pressão sangüínea, desejo intenso pela droga, irritabilidade,
intestinais, lacrimejamento, coriza, aumento da freqüência cardíaca e da pressão sangüínea, desejo intenso pela droga, irritabilidade,

intestinais, lacrimejamento, coriza, aumento da freqüência cardíaca e da pressão

sangüínea, desejo intenso pela droga, irritabilidade, fraqueza e insônia, merecen -

do, quase sempre, a atenção por parte de profissionais especializados.

Complicações clínicas

Além dos graves efeitos da intoxicação por altas doses, e do fato de serem uti -

lizadas quase que exclusivamente pela via venosa, constatam-se complicações

resultantes do uso de agulhas e equipamentos contaminados, tais como: abs -

cessos de pele e tecido subcutâneo, endocardites bacterianas (inflamação das

válvulas cardíacas), septicemias (infecções generalizadas, disseminadas pela

via sangüínea), infecções pulmonares, hepatites virais, sífilis e AIDS.

tabaco (nicotina)

A nicotina é a segunda substância mais consumida em todo mundo. É prova -

velmente a maior (embora não seja a única) produtora de reforço no consumo

do tabaco. Além da nicotina, os principais componentes do tabaco são o alca -

trão, que contém aminas aromáticas possivelmente causadoras de câncer, e o

monóxido de carbono, responsável pela redução na capacidade do sangue em

transportar oxigênio e pelo desenvolvimento de doença cardíaca.

A nicotina é rapidamente absorvida através dos pulmões e do trato digestivo;

uma tragada de fumaça resulta em níveis detectáveis de nicotina no cérebro,

dentro de segundos. Constitui-se, hoje, num grave problema de saúde pública,

sendo responsável por altas taxas de morbidade e mortalidade.

Principais produtos

Cigarros, charutos, fumo de rolo (de mascar), rapé e chicletes (gomas de mascar).

Efeitos físicos

A nicotina produz aumento da freqüência cardíaca, na pressão sangüínea, na

freqüência respiratória e na atividade motora. No sistema digestivo reduz as

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contrações estomacais, o que dificulta a digestão. Podem ocorrer, ainda, náu - seas, vômitos, dores abdominais
contrações estomacais, o que dificulta a digestão. Podem ocorrer, ainda, náu - seas, vômitos, dores abdominais

contrações estomacais, o que dificulta a digestão. Podem ocorrer, ainda, náu -

seas, vômitos, dores abdominais e diarréia. Os efeitos sobre o aparelho respira -

tório incluem irritação local, depósito de substância carcinogêncicas e diminui -

ção da capacidade vital pulmonar.

Efeitos psíquicos

No sistema nervoso central observa-se um estado de alerta aumentado, junto

com uma sensação de estímulo inicial, que pode ser seguido por uma sensação

de calma, elevação leve no humor e diminuição do apetite.

Abstinência

Os sintomas de abstinência tendem a se iniciar após as primeiras horas da

interrupção do uso, aumentando durante as primeiras 12 horas. Os sintomas

mais prevalentes são: compulsão, irritabilidade, ansiedade, agitação, dificulda -

de de concentração e atenção. Reações adicionais incluem uma sensação de

sonolência ou embotamento, sentimentos de hostilidade, cefaléia e problemas

no sono.

Problemas clínicos

Com exceção do álcool, o tabaco possui o mais alto custo social dentre as subs -

tâncias psicoativas. O uso intenso e constante aumenta a probabilidade da ocor-

rência de algumas doenças, como, a pneumonia, câncer, infarto do miocárdio,

bronquite crônica, efisema pulmonar, derrames cerebrais, úlceras digestivas etc.

O consumo, durante a gravidez pode resultar em significativa redução do peso

do recém-nascido, menor estatura, além de alterações neurológicas importan -

tes. Está relacionado também a um maior risco de abortamento espontâneo.

Vale lembrar que, durante a amamentação, as substâncias tóxicas do tabaco são

transmitidas também através do leite materno.

X antinas (cafEína)

O consumo de xantinas data, provavelmente, dos tempos pré-históricos, quando

os nossos antepassados parecem ter reconhecido que essas substâncias pode -

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riam funcionar como estimulantes, elevando o humor e aumentando a capacidade de trabalho. São substâncias que
riam funcionar como estimulantes, elevando o humor e aumentando a capacidade de trabalho. São substâncias que

riam funcionar como estimulantes, elevando o humor e aumentando a capacidade

de trabalho. São substâncias que apresentam efeitos psicoativos relativamente

leves e benignos. As três xantinas mais conhecidas são a cafeína (encontrada no

chá, café, cacau, refrigerantes colas, bebidas energéticas e chocolates), a teobro -

mina (encontrada primariamente no chocolate) e a teofilia (encontrada na maioria

dessas bebidas e, também, comercializada como um agente antiasmático). Entre

as bebidas, o nível mais elevado de cafeína é encontrado nas energéticas, no café

expresso e no café passado em coador. Encontramos uma quantidade menor de

cafeína nos chás e ainda menos nos refrigerantes colas e chocolates.

Efeitos físicos

Os efeitos físicos da cafeína estão relacionados com a dose utilizada. No apa -

relho cardiovascular, tende a acentuar a contratilidade cardíaca, e a aumentar

resistência vascular, resultando em elevação da pressão sangüínea. Com doses

menores, observa-se a diminuição da resistência vascular. Os efeitos sobre o

aparelho digestivo estão relacionados ao aumento da secreção gástrica ácida,

bem como a uma irritação direta da mucosa; os mais observados são diarréia,

dor epigástrica e sensação de queimor (pirose ou azia). Efeitos adicionais in -

cluem um aumento na tensão muscular.

Efeitos psíquicos

As ações sobre o sistema nervoso central provavelmente são importantes na

sedução que estas substâncias exercem. Parece haver uma estimulação direta

do córtex cerebral, com uma inibição da sensação do sono e um fluxo aumenta -

do de pensamento. Em virtude do seu efeito vasoconstritcor, a cafeína e alguns

derivados das xantinas podem ser úteis no tratamento de cefaléias (dores de

cabeça). Doses mais altas podem resultar em insônia, agitação, tremor e ansie -

dade. As bebidas cafeinadas podem induzir a um quadro clássico de pânico e

agravar as síndromes de ansiedade pré-existentes.

Intoxicação

Uma superdosagem tende a ser relativamente leve e a morte é excepcional -

mente rara. A maioria dos pacientes com esses quadro apresentam um quadro

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clínico caracterizado por hiperestimulaçao, altos níveis de ansiedade, tonturas, zumbidos e sentimentos de irrealidade, que podem
clínico caracterizado por hiperestimulaçao, altos níveis de ansiedade, tonturas, zumbidos e sentimentos de irrealidade, que podem

clínico caracterizado por hiperestimulaçao, altos níveis de ansiedade, tonturas,

zumbidos e sentimentos de irrealidade, que podem progredir para confusão e

alucinações visuais. Os efeitos cardiovasculares podem determinar um aumen -

to súbito da pressão sangüínea, taquicardia e possíveis extrassístoles. Com

doses de cafeína de 500-600 mg diárias, os sintomas de “cafeinismo” lembram

aqueles dos ataques de pânico.

Abstinência

A interrupção rápida da ingestão pesada tem sido associada a uma série de sinto -

mas leves, porém perturbadores. A maioria dos pacientes queixa-se de cefaléia,

associada a níveis aumentados de tensão muscular, irritabilidade, ansiedade e fadi -

ga; esses sintomas têm início poucas horas após a interrupção do consumo.

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IX. CRIANÇAS E ADOLESCENTES 9.1. ATENÇÃO à C RIANÇA E AO A DOLESCENTE H istoricamente no
IX. CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
9.1. ATENÇÃO à C RIANÇA E AO A DOLESCENTE
H istoricamente no Brasil, a partir do movimento da Reforma Psiquiá -
trica, as políticas públicas relacionadas à atenção às pessoas com
sofrimentos psíquicos estão progressivamente redirecionando a as -
sistência. A construção de uma política de atenção em saúde mental inclusiva
para a criança e o adolescente segue as determinações da lei nº. 10.216, o
relatório final da III Conferência Nacional de Saúde Mental e as conclusões do
Fórum Nacional de Saúde Mental Infanto-juvenil de 2005.
Esses orientam sua implementação em base territorial, inter e intra-setorial,
com atenção integral e garantia da equidade, que reverta à tendência institucio -
nalizante e agregue na sua operacionalização os esforços coletivos de profissio -
nais das múltiplas áreas: saúde, direito, educação, assistência social, esporte,
cultura e familiares.
A constituição dessa política tem o Estatuto da Criança e do Adolescente como
princípio e considera os sujeitos com direitos e responsabilidades. A singulari -
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dade de cada sujeito e o respeito às diferenças devem demarcar a abordagem na perspectiva clínica.
dade de cada sujeito e o respeito às diferenças devem demarcar a abordagem na perspectiva clínica.

dade de cada sujeito e o respeito às diferenças devem demarcar a abordagem

na perspectiva clínica.

9.2. PRIORIDADES PARA A ATENÇÃO à SAÚDE MENTAL

DA C RIANÇA E DO A DOLESCENTE

Indicadores de prioridades clínicas:

  • ‰ Neuroses graves

  • ‰ Psicoses

  • ‰ Autismo

  • ‰ Tentativas de auto-extermínio

  • ‰ Uso de álcool e/ou de outras drogas

  • ‰ Envolvimento em situações graves: violência doméstica, abuso sexual, maus tratos, abandono, perda, rompimento ou ausência de vínculos fami - liares próximos e outras situações que estejam causando danos à sanidade mental da criança e do adolescente.

aValiação clínica:

Na avaliação clínica, levando-se em conta sua história pessoal, familiar e o exa -

me da criança e do adolescente, devem ser considerados os impactos do sofri -

mento psíquico em sua subjetividade.

A anamnese deve conter o maior número de dados que contribuam na identi -

ficação do problema. Devem ser levantados também aspectos relacionados à

socialização da criança e do adolescente, bem como fatores que indiquem sua

exposição a riscos e sua vulnerabilidade social.

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Ressalta-se observar: Constituição familiar e história de vida, como gestação, nascimento e ama - mentação; ‰

Ressalta-se observar:

Ressalta-se observar: Constituição familiar e história de vida, como gestação, nascimento e ama - mentação; ‰
  • ‰ Constituição familiar e história de vida, como gestação, nascimento e ama - mentação;

  • ‰ Controle dos esfíncteres;

  • ‰ Aspectos que possam ter ocasionado atraso de desenvolvimento;

  • ‰ Dificuldades e crises familiares;

  • ‰ Desempenho escolar, déficit de atenção;

  • ‰ Dificuldades no sono;

  • ‰ Dificuldades alimentares;

  • ‰ Alterações de humor (irritabilidade, medo, insegurança, tristeza excessiva);

  • ‰ Alterações de comportamento (isolamento, hiperatividade, agressividade, timidez);

  • ‰ História familiar de doenças e outros agravos.

Frente à presença de alguns dos sintomas descritos acima, investigar:

  • ‰ Início e duração;

  • ‰ Freqüência;

  • ‰ Intensidade;

  • ‰ Circunstâncias em que ocorrem;

  • ‰ Manejo familiar;

  • ‰ Fatores que amenizam e exacerbam os sintomas;

  • ‰ Tratamentos anteriores;

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‰ Intercorrências orgânicas; ‰ Doenças crônicas. Do Adolescente: Além do descrito acima, considerar especialmente: Os relacionamentos
‰ Intercorrências orgânicas; ‰ Doenças crônicas. Do Adolescente: Além do descrito acima, considerar especialmente: Os relacionamentos
  • ‰ Intercorrências orgânicas;

  • ‰ Doenças crônicas.

Do Adolescente:

Além do descrito acima, considerar especialmente:

  • ‰ Os relacionamentos familiares, escolares, com o grupo de pares, afetivos e comunitários;

  • ‰ Relação com o próprio corpo, sexualidade e autocuidado;

  • ‰ A presença de dispnéia, vômitos e outras queixas somáticas;

  • ‰ O uso e abuso de álcool e/ou de outras drogas;

  • ‰ A investigação de sinais e sintomas de transtornos mentais, especialmente depressão, distúrbios de conduta, psicoses.

alGuns critérios para o EncaminhamEnto da criança E do adolEscEntE ao atEndimEnto Em saúdE mEntal

  • ‰ Crianças que possuam algum tipo de deficiência (auditiva, física, mental, visual ou múltipla) devem ser acolhidas e avaliadas pelas Equipes de Saú - de Mental quando apresentam uma questão ou um sintoma relacionado a distúrbio psíquico;

  • ‰ Crianças vítimas de violência podem apresentar sinais de sofrimento psí - quico que exijam cuidados em saúde mental;

  • ‰ Crianças e adolescentes com problemas na escola - dificuldades de apren - dizagem, comportamento e atenção - não devem ser encaminhadas de for- ma imediata para a Equipe de Saúde Mental das Unidades de Saúde, e sim, quando esses problemas forem realmente significativos de um sofrimento psíquico;

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‰ Crianças e adolescentes que apresentam problemas relacionados ao uso de álcool e/ou outras drogas devem
‰ Crianças e adolescentes que apresentam problemas relacionados ao uso de álcool e/ou outras drogas devem
  • ‰ Crianças e adolescentes que apresentam problemas relacionados ao uso de álcool e/ou outras drogas devem ser acolhidos, avaliados e atendidos pelas Equipes de Saúde Mental nas unidades de saúde da atenção primá - ria. As crianças e os adolescentes avaliados com indicação no padrão de uso de drogas com risco moderado a grave devem ser encaminhados para atendimento em Centros de Atenção Psicossocial:

  • - CAPS i - específico para atendimento de crianças e adolescentes. A Portaria

SAS MS Nº. 189/2002 considera a atenção em saúde mental para crianças e

adolescentes com transtornos mentais, como autismo, retardo mental leve e

moderado, psicoses, neuroses graves e os relacionados ao uso de álcool e ou -

tras drogas nas três modalidades.

  • - CAPS ad - específico para atendimento de usuários de álcool e outras drogas,

mas há CAPS ad que inclui atendimento a crianças e adolescentes usuárias de

álcool e outras drogas.

  • ‰ Todas tentativas de auto-extermínio indicam uma condição de gravidade.

Devem ser acolhidas e avaliadas pelas Equipes de Saúde Mental em qual -

quer nível de estruturação, seja nas unidades da atenção primária, nos Cen -

tros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenis - os CAPS i - ou outros;

  • ‰ Crianças e adolescentes em situações de crise devem ser acolhidos ime - diatamente em qualquer nível de organização do serviço de Saúde Mental mais próximo, mobilizando-se os recursos necessários e disponíveis como: Clínica Médica, Urgência Psiquiátrica, Serviço Hospitalar de Referência para Atenção a Crianças e Adolescentes Usuários de Álcool e Outras Drogas – SHR – ad, recursos comunitários, familiares, de acordo com o que requerer cada situação apresentada.

O encaminhamento para serviço de atenção psicossocial como o CAPS i ou ad

deve ser feito, sempre que possível, por um profissional da Saúde Mental.

o pErcurso da criança E do adolEscEntE na rEdE

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O atendimento de criança e adolescente deve ser feito pelo profissional da equipe de saúde mental
O atendimento de criança e adolescente deve ser feito pelo profissional da equipe de saúde mental

O atendimento de criança e adolescente deve ser feito pelo profissional da

equipe de saúde mental na unidade de saúde da família ou na unidade bási -

ca existente, sobretudo para aqueles quadros menos graves, que respondam

bem ao tratamento. uma oferta possível nas unidades de saúde com Equipe

de Saúde Mental, além de atendimentos individuais, é proporcionar atividades

coletivas, oficinas e outros serviços, incluindo a família.

Contudo, serviços com outros padrões e níveis diferenciados de intervenção

devem ser disponibilizados. Os CAPS i são serviços de atenção diária destina -

dos ao atendimento de crianças e adolescentes com grave comprometimento

psíquico. Estão incluídos nessa categoria os portadores de autismo, psicoses,

neuroses graves, usuários de álcool e outras drogas, retardo mental leve e mo -

derado e todas aquelas crianças e adolescentes que, por sua condição psíquica

num dado momento, apresentem dificuldades de manter ou estabelecer laços

sociais.

Os casos em acompanhamento pelas equipes de saúde mental nas unidades

de saúde, quando necessário, serão encaminhados para profissionais de outras

especialidades (neurologista, otorrinolaringologista, etc).

Objetivando a inserção cidadã e a construção de projetos de vida, crianças e

adolescentes em tratamento com equipe de saúde mental poderão ser enca -

minhadas para programas - da rede pública do município, de ONG’s ou da rede

privada conveniada - nas áreas de cultura, esporte, educação, lazer, dentre ou -

tros.

Assim, demonstra-se que proporcionar atenção integral a crianças e adolescen -

tes é também considerar redes de atenção amplamente articuláveis, comple -

mentares e potenciais na construção de novas e efetivas parcerias.

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X. PESSOA IDOSA o aumento da população idosa verificada nas últimas décadas em nú - meros
X. PESSOA IDOSA
o aumento da população idosa verificada nas últimas décadas em nú -
meros relativos e absolutos, sobretudo nos países em desenvolvi -
mento, aponta para a necessidade de se organizar a atenção ao ido -
so e incluí-la em planos geral e específico.
A dilatação do tempo de vida do idoso oferece oportunidades de realização e
bem-estar, mas ao mesmo tempo potencializa condições que afetam a saúde e
a adaptação da pessoa às várias condições de sua vida em contínua mudança.
As mudanças, muitas vezes rápidas, que ocorrem na vida do idoso e que podem
levar à inadaptação e à doença, podem de maneira simplificada (superficial e
artificial) ser classificadas em dois grupos.
fatorEs psicossociais:
São aqueles relacionados à dinâmica da pessoa, seu modo de vida e de enfren -
tar os problemas, seus mecanismos de defesa, sua visão de mundo; a forma
como o ambiente, as situações e conhecimentos afetam a sua vida, etc.
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Exemplos desses fatores que influenciam de forma especial o idoso são: a perda do seu papel
Exemplos desses fatores que influenciam de forma especial o idoso são: a perda do seu papel

Exemplos desses fatores que influenciam de forma especial o idoso são: a

perda do seu papel na família e na sociedade em função do reordenamento

familiar (casamento de filhos, mudanças de casa), aposentadoria, incapacidade

física etc, perda de suas relações sociais por falecimento de seus conhecidos

coetâneos, sentimento de solidão e dificuldade de comunicação decorrente do

que foi anotado anteriormente; dificuldade de construção de novas relações;

sentimento de rejeição etc; sentimento de fracasso, consciência de ser explo -

rado e desconsiderado.

fatorEs biolóGicos:

O idoso está sujeito a fatores biológicos gerais associados às doenças e condi -

ções comuns e, portanto deve estar incluído nas medidas gerais preventivas e

curativas destinadas à população. No entanto, está também submetido à atu -

ação de fatores biológicos associados ao envelhecimento, que podem deter-

minar patologias mais típicas, como demências não podemos dizer que são

determinadas pelo envelhecimento, mais são mais comuns nessa faixa etária).

É claro que a consideração de distinguir e classificar os fatores que contribuem

para a produção da doença ou condição de incapacidade no idoso só tem sentido

se servir para ajudar a compreender a sua situação, e atuar de forma resolutiva no

seu problema e não ser meramente uma informação racionalizante da questão.

10.1 MODELO DE ATENÇÃO à SAÚDE MENTAL DO IDOSO

Considerando o que foi exposto na introdução, a atenção ao idoso precisa ser

abrangente e estrategicamente multidisciplinar, no sentido de oferecer trata -

mento e atenção integral e resolutiva.

O idoso tem suas peculiaridades, mas tem também muitas similaridades com

a população geral, de forma que, a eficácia e resolutividade da atenção dada ao

idoso devem contemplar o aspecto geral e o específico.

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