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FUNDAÇÃO MARIO COVAS

em revista
ano 1 - março 2009 - n º 2
Em revista

visitas
internacionais
editorial

Pompa e simpatia
Recepções, jantares de gala, regras diplomáticas. Nada disso agradava a
Mario Covas, um homem que gostava de ser simples e informal. Mesmo assim,
cumpria seu papel, recebendo os visitantes internacionais com muita simpatia
e respeito às normas. Austero na liberação de recursos para o cerimonial, ele
discutia os custos de tudo, mas ficava muito satisfeito com o resultado. Tanto
no comando da Prefeitura de São Paulo quanto no do governo do Estado, Mario
Covas queria que a cidade e o Estado estivessem representados à altura.

Quase toda personalidade internacional política importante dos cinco


continentes passou por São Paulo nas gestões Covas. Marcaram presença no
Palácio dos Bandeirantes, os presidentes Bill Clinton, dos Estados Unidos,
Jacques Chirac, da França, Oscar Luigi Scalfaro, da Itália, Eduardo Frei, do Chile,
e Václav Havel, da República Tcheca. Entre os primeiros-ministros, só Antonio
Guterres, de Portugal, esteve em São Paulo em três ocasiões.

A realeza também veio conversar e trocar presentes diplomáticos com o


governador. A visita mais longa e que exigiu mais do cerimonial foi a de Akihito
e Michiko, o casal imperial do Japão. Da Espanha, país de origem dos avós de
Mario Covas, vieram o rei Juan Carlos I e a rainha Sofia, antecedidos por seu
filho, o príncipe Felipe de Astúrias. Mônaco se fez representar pelo príncipe
Albert, e a Dinamarca, pela rainha Margrethe II.

Receber tantas personalidades até que não foi problema. Complicado, para
Covas, era sair do Estado. Durante seus seis anos de mandato, viajou apenas
uma vez ao exterior, em busca de investimentos na Inglaterra e de inspiração
para a desestatização na França e na Turquia. Nas próximas páginas, contamos
um pouco da história das visitas, dos bastidores do cerimonial e da única
viagem internacional de um homem que gostava mesmo era de governar.

Antonio Carlos Rizeque Malufe


Presidente da Fundação Mario Covas

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Índice
Fotoclip 6
Brasília sem cerimônia 8
Cris, a arquiteta dos eventos 11
Salles, o homem por trás do discurso 12
Américas 15
Bill Clinton: tecnologia, web e comércio 16
Kissinger de olho nas telefônicas 17
Alberto Fujimori, o nissei do Peru 18
Eduardo Frei discute Mercosul e cultura 20
Escobar busca cooperação tecnológica 21
Zamora testa seu prestígio 22
Jesse Jackson celebra Zumbi dos Palmares 23
Desestatização na agenda de investidores dos EUA 23
George Bush pai faz visita de cortesia 24
IFC oferece assessoria em infraestrutura 24
Um Guggenheim em São Paulo 25
Canadá: governo e empresários juntos 26
Fox Quesada em missão política 28
Mais visitas 30
Europa 31
Em São Paulo, Scalfaro sente-se em casa 32
Negócios e ecologia na rota do duque de Kent 34
Um futuro de parcerias com Herzog 36
O Reino Unido aposta no ajuste fiscal paulista 38
A França quer recuperar espaço 38
Delegação portuguesa chega para investir 39
Da Polônia, o estímulo ao intercâmbio acadêmico 39
Tecnologia francesa à disposição 40
Desestatização na mira dos britânicos 40
Brazauskas reata laços diplomáticos 41
Brasil, a prioridade de Antonio Guterres 42
Prodi, Covas e as reformas 43
Václav Havel no papel de presidente 44
Martti Ahtisaari, o pacificador 46
Jacques Chirac e a balança 48

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Árpád Göncz e o símbolo da integração 50
E a Espanha quer mais 52
Niels Helveg segue o protocolo 53
Jorge Coelho festeja o Dia de Portugal 53
Português com e sem sotaque 54
O Príncipe de Orange e o IPT 56
Empresários holandeses de olho em São Paulo 57
Albert, um príncipe em São Paulo 58
Um encontro de amigos 60
Da Galícia, lembranças e protocolo 61
Carlo Ciampi vai à Pinacoteca 62
Aos reis da Espanha, com carinho 64
Mais visitas 66
Ásia 67
Elias Hraoui no Pequeno Líbano 68
A luta de Rafic Hariri 70
Obuchi celebra 90 anos de imigração 70
Li Lanqing, o terceiro homem da China 71
Princesa Sayako, delicadeza e tradição 72
A cerimônia do chá 73
Da terra do sol nascente chega o casal imperial 74
LG e Hyundai na bagagem coreana 76
Kocheril Narayanan vem em missão política 78
Xanana Gusmão agradece aos brasileiros 80
Taiwan abre as portas para o mundo 82
Vietnamitas na Embraer 83
Cingapurianos na Fiesp 83
Japan Bank financia projeto do rio Tietê 84
Keidanren e Fiesp, encontro de gigantes 84
Mais visitas 85
África 87
Angolanos buscam investimentos 88
Navios e aves na conversa com o presidente da Namíbia 90
Saúde e educação na pauta de Cabo Verde 92
Mais visitas 93
Três países numa tacada só 94
Alckmin recebe 98
Créditos 102

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fotoclip

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Brasília
sem cerimônia
A chefe do cerimonial fala da
adaptação de Mario Covas ao
protocolo e conta histórias
saborosas das recepções

Traquejada na arte do bem receber,


Brasília de Arruda Botelho chefiou
o cerimonial de Mario Covas na
Prefeitura e no governo do Estado
de São Paulo. Sua primeira missão
– e a mais complicada – foi
convencer um homem de estilo
despojado a encontrar valor nas
regras diplomáticas. Foi duro,
mas conseguiu. Nos anos em que
acompanhou Covas nas visitas
internacionais, Brasília acumulou
histórias de bastidor. Aqui, ela
compartilha algumas das melhores.

FMC – Como Covas encarava o cerimonial Paulo no hall da Prefeitura, que ainda era no
na Prefeitura? Ibirapuera. O protocolo exigia que o prefeito
Brasília – No princípio, ele não dava a menor recebesse o embaixador assim que ele
importância. Na área internacional, a frase chegasse. Ele acostumou-se com esse ritual e
mais constante dele era: “Ah, mais? Cônsul aprendeu a dar valor. Algumas vezes ele dizia:
não dá voto, embaixador não dá voto”. E eu “Mas como? Quando a conversa começa a ficar
ponderava: “Atrás do embaixador e do cônsul interessante você olha no relógio e a visita vai
vem uma comunidade, um número muito embora”. Essas visitas têm tempo protocolar,
expressivo de pessoas com toda uma cultura”. duram de 20 minutos a meia hora.
Fizemos um acordo e ele começou a receber os
embaixadores em visita oficial, que, naquele FMC – E no governo do Estado, como foi
tempo (1983 a 1985), era muito protocolar. fazer as coisas acontecerem?
O governo do Estado organizava e colocava Brasília – O tempo da Prefeitura foi uma
na agenda uma visita ao prefeito. Qualquer preparação. Na época, toda vez que um
embaixador que viesse pela primeira vez a presidente da República viesse a São Paulo
São Paulo fazia uma visita oficial ao prefeito, tinham de estar no aeroporto o governador,
ao presidente da Assembléia Legislativa, ao o vice-governador, os presidentes da
presidente do Tribunal de Justiça e ao governo Assembléia e do Tribunal de Justiça, o prefeito
do Estado. E era acompanhado de batedores, e os comandantes militares. O Covas percebeu
a banda tocava o hino do país e o hino de São que, se não houvesse o protocolo, ele não

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estaria colocado no lugar certo, então passou ainda eram príncipes e eu trabalhava com
a dar valor a esse trabalho. Quando chegou o governador Paulo Egydio Martins. Nessa
ao governo do Estado, ele já gostava dessas época, a princesa tinha um ipê florido num
oportunidades. Alguns chefes de Estado broche que ela mandara fazer para a viagem
tinham uma conversa interessante, outros ao Brasil. Eu sabia também que a imperatriz
ficavam mais no protocolo, mas era um gostava de harpa, tocava esse instrumento
momento de relacionamento, de mostrar. quando era jovem. Colocamos uma harpista
Cerimonial na área internacional trabalha para tocar durante o almoço. Ela ficou muito
com imagem, e era a imagem de São Paulo
emocionada, porque a harpista executou as
que aparecia de uma forma correta. Com todas
músicas que ela tocava para o pai. São esses
as dificuldades, ele era um parceiro desses
pequenos detalhes que mudam o contexto de
eventos, fazia questão de que o roteiro todo
uma visita e deixam uma marca especial.
estivesse muito bem explicado e o seguia.

FMC – A imperatriz percebeu que era


FMC – Às vezes ele criava dificuldades,
intencional?
mas, na hora do evento, cumpria todas
as suas determinações? Brasília – Mesmo com todo o formalismo
Brasília – Um dos pouquíssimos elogios japonês, antes de subir no avião que a levaria
que eu ouvi dele foi na visita do imperador embora, ela virou-se, inclinou a cabeça e
do Japão. Era uma visita longa, com muitos agradeceu a organização da visita. Foi um
detalhes. A recepção no Palácio (dos gesto totalmente fora do protocolo japonês,
Bandeirantes) tinha de ser importante porque que é muito rígido. Colaborou também a
a comunidade japonesa em São Paulo é muito interação boa com o Itamaraty. Na chegada
grande. Eu queria que ele decretasse feriado do imperador, chovia muito, a Marginal
para a gente poder fazer o almoço no hall estava com problemas, a ponte dos Remédios,
principal sem ter tantos funcionários por ali. quebrada, nós precisávamos ter certeza de
Ele concordou porque a dona Lila apoiou, que o imperador conseguiria ir pela Marginal
perguntando a ele: “Quantos imperadores até o hotel com batedores. Nós conseguimos
existem no mundo, Mario?” Ele teve de dizer que a Presidência da República mandasse
que só tinha o do Japão. “Quantas vezes o avião do presidente, se fosse necessário
você vai receber o imperador?” Ele também o imperador se deslocar do aeroporto de
concluiu que era uma única vez. Então os Guarulhos para o de Congonhas. O presidente
funcionários só foram trabalhar após as 15 ter mandado o avião dele foi emocionante.
horas, permitindo que organizássemos um
grande e bem-sucedido almoço. Quando FMC – Quais eram as outras atividades
nós nos despedimos do imperador, o Mario do cerimonial, além da recepção às
Covas disse: “Foi tudo muito bom, muito bem visitas internacionais?
organizado, muito bonito, meus parabéns!”. Brasília – A ação do cerimonial envolve
toda a agenda do governador, todo o trabalho
FMC – Nessas recepções, você sempre de apoio. O nosso dia-a-dia era bem corrido.
buscava algo diferente, criativo... Aprendi com Mario Covas que era importante
Brasília – É porque eu não sou diplomata tanto receber chefe de Estado quanto uma
de carreira, não fiz o Itamaraty, a minha ação bem coordenada. Dávamos apoio a ele
formação é mais na área de relações públicas desde as ações de Prefeitura na periferia até
e de organização de eventos. Sempre achei as do interior do Estado. Ele ia de helicóptero
que uma recepção trabalha com imagem e e fazia quatro cidades no mesmo dia. O
que a linguagem simbólica pode ser colocada cerimonial e a imprensa iam correndo por
na mesa, no cardápio, na música. A recepção terra com duas, três equipes para cobrir todos
era um contexto que mostrava, em pouco os compromissos da agenda do dia.
tempo, um pouco da nossa cultura e da
gentileza com que queríamos homenagear o FMC – Em compensação, Covas só fez
visitante. Quando o imperador do Japão veio, uma viagem internacional.
nós colocamos na capa do cardápio a imagem Brasília – Ele achava que a ação dele à
do ipê amarelo. Escolhi essa árvore porque eu frente do governo era mais importante do
já havia recebido os imperadores quando eles que visitas ao exterior. Na única viagem

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que ele fez, eu o acompanhei. Começou por FMC – Como era feita a montagem das
Londres, numa rodada de negócios com mesas, a decoração das recepções e a
o apoio do embaixador brasileiro Rubens distribuição de pessoas?
Barbosa. Depois fomos para Istambul, onde Brasília – A decoração das mesas devia
estava se realizando um evento da ONU, o ser muito expressiva, geradora de assunto
Habitat 2. Antes de viajar, eu soube no último para a conversa. Colocávamos sempre uma
momento que o Mario Covas tinha resolvido decoração simbólica, de arte brasileira ou
levar mais pessoas, como o Junqueira, de algo que tinha a ver com a visita ou o
ajudante de ordens, e o Perosa, fotógrafo. O visitante. Adotávamos o modelo da mesa
Junqueira resolveu ir armado e me criou uma principal no centro do salão e as outras em
enorme dificuldade. Pela norma do Habitat, volta. Como essa mesa tinha uma superfície
só poderiam entrar dois seguranças armados
muito grande, exigia uma decoração especial.
por país, e a dona Ruth Cardoso, mulher do
Usávamos livros antigos, peças de cristal,
presidente Fernando Henrique, estava lá com
porcelanas, candelabros. A distribuição
dois. Logo, não podia ter um terceiro. Covas
das pessoas dependia de vários fatores.
estava aflito, e não havia como resolver rápido
Era preciso colocar as pessoas de forma
porque tinha um procedimento. Aí a dona
que a foto oficial mostrasse o governador
Lila falou: “Mario, senta aí e fica quieto! Tem
e a dona Lila. As pessoas mais importantes
quem resolva, isso não é função sua”. E ela
tinham de estar do mesmo lado. Havia uma
calmamente sentou e folheou um livro. Nós
resolvemos a situação com um certa rapidez, preocupação também com a língua. Por
porque o problema era o credenciamento das mais que o intérprete seja necessário, é uma
pessoas que não estavam previstas. figura incômoda. Eu procurava intercalar
pessoas que não falavam a língua com outras
FMC – E depois de Istambul? que tivessem uma conversação mais fácil,
Brasília – Nós fomos à França, e antes de forma que não era necessário ter tantos
houve um mal-entendido. Isso porque era intérpretes na mesma mesa. Nas mesas
uma dificuldade conversar e conseguir a auxiliares, ficam os secretários de Estado.
aprovação de Mario Covas para os eventos. Procurávamos reunir as pessoas da comitiva
Durante a preparação da viagem, um dia eu do visitante com outras de áreas afins. Por
perguntei: “A dona Lila vai a Bordeaux?” E ele exemplo, artistas ficavam na mesma mesa
respondeu: “A minha mulher vai onde eu for”. que o secretário da Cultura.
Perguntei porque o programa em Bordeaux
era muito curto e talvez ela quisesse ficar FMC – Iam pessoas da comunidade?
em Paris. Mas ele achou que a gente tinha Brasília – Sim, sempre procurando nomes
programado de ela não ir a Bordeaux. Foi originais, como a artista japonesa Tomie
uma calamidade. Bateram na porta do meu Ohtake na recepção ao imperador do Japão.
quarto uma e tanto da manhã. Abri e lá Quando veio o presidente da Itália, faltou
estava o governador e uma porção de gente. uma pessoa na mesa principal. Depois de
Ele queria saber porque a dona Lila não ia a pensar um pouco, convidei dona Filomena
Bordeaux. Eu falei: “Isso é um engano. Ela irá Matarazzo, mãe do senador Eduardo Suplicy,
sim, com certeza”. Aí ele se acalmou. que é italiana. Resolveu um problema
protocolar, porque ela não tinha cargo
FMC – Como ele ficava nas viagens?
público. Até o último minuto é uma grande
Brasília – Muito tenso. Tanto que nunca
complicação, porque nosso público não é
mais fez outra viagem ao exterior. Embora
disciplinado. Uns dizem que vêm e não vêm,
ele soubesse que o vice-governador estava
outros nem respondem.
à frente de tudo, não ficava sossegado. O
senso de responsabilidade dele foi marcante.
FMC – Que marca fica para você dessa
Mesmo muito doente, o que o segurou mais
experiência com Covas?
tempo vivo foi a vontade de terminar o
Brasília – Ficou a marca muito boa de
mandato. Achava que era um compromisso
assumido com os eleitores. Daí o esforço dele
alguém que entendeu a importância de
em participar de cerimônias, com muita dor. trabalhar a imagem e prezava as visitas.

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Cris, a arquiteta
dos eventos
Covas preferia que tudo fosse simples, mas
obedecias às regras da coordenadora de
visitas internacionais
Cristine Starr, há anos na área internacional do cerimonial do
Palácio dos Bandeirantes, coordenava as visitas estrangeiras
na gestão Covas, era o contato do governo estadual com as
embaixadas e consulados. Depois de marcado o encontro
com o governador, todos os detalhes dos eventos ficavam sob
sua responsabilidade, fosse uma simples audiência ou um
grande jantar. Veja o que ela conta da época.

FMC – Mesmo cumprindo protocolo, FMC – Quais são as dificuldades na


Covas mantinha o bom humor ou recepção de presidentes E reis?
prevalecia o lado turrão? Cris – Essas visitas envolvem muitos detalhes.
Cris – O governador Mario Covas tinha Um dos grandes problemas é a interpretação.
aquele lado implicante, mas sempre A gente tem de tomar muito cuidado para que
recebia bem, as pessoas o achavam muito a pessoa venha acompanhada de intérprete.
simpático. Numa visita de um governador Se não vier, temos de contratar um muito bom,
japonês, os integrantes da comitiva queriam porque o intérprete tem papel preponderante.
convidar Covas para um jogo de futebol e ele Outro problema é o orçamento apertado.
perguntou: “Mas não é para jogar, é?”, e os Nós tínhamos muitas dificuldades para dar
japoneses se mataram de dar risada. presentes à altura dos visitantes. Ficávamos
constrangidos porque dávamos o nosso
FMC – Você se lembra de outro caso? presente simbólico, e eles vinham com coisas
Cris – Uma vez ele não pôde receber um grupo maravilhosas, principalmente os árabes.
de religiosos porque teria uma audiência no
mesmo horário. Quem fez as honras foi o FMC – Como era o presente paulista?
Geraldo Alckmin, no Salão dos Despachos. Cris – Como Mario Covas era do PSDB, o partido
Depois de um tempo de audiência, o Covas saiu dos tucanos, o presente era um tucano feito
da sala. Por coincidência, eu estava na ante- de pedras brasileiras e prata. Há fornecedores
sala, telefonando. Quando ele ia passando, que fazem esses bichos de pedras semi-
eu perguntei: “Governador, o senhor não vai preciosas, como cristal de rocha, ametista
atravessar o salão, vai?” Ele: “Por que não?” e sodalita, com prata. Convencionou-se dar
Eu: “Porque os bispos estão ali, aqueles que tucanos porque Covas podia explicar seu
o senhor não pôde receber.” Ele respondeu: significado. Com eles não corríamos o risco de
“Ah, o inimigo está do outro lado”. E voltou dar uma coisa que a pessoa já tinha. Demos
para o gabinete. Ele tinha essas tiradas. muitos tucanos, lindos, por sinal.

FMC – E a história do jantar? FMC – Como foi trabalhar com Covas?


Cris – Não presenciei, mas foi um jantar Cris – Foi um período rico. Ele entendia a
oficial no mezanino, o salão mais importante importância das visitas e do Estado de São
do Palácio dos Bandeirantes. Após ter sido Paulo no Brasil e no contexto internacional.
servido o prato principal, uma senhora que Fazia questão de receber. Nas raras vezes em
estava na mesa de Covas levantou-se para que não pôde, por motivo de agenda ou de
ir ao banheiro. Ele, educado, também se doença, delegava para o vice-governador,
levantou. Mas quando ele fez isso, a mesa Geraldo Alckmin. Recebia com simpatia
dele inteira dele se levantou. E como a mesa e pontualidade, respeitando as regras
principal estava em pé, todas as demais do cerimonial. Nós trabalhávamos com o
se levantaram. Ninguém mais podia dizer Itamaraty, porque não existia escritório de
“pessoal, senta, ela foi ao banheiro, ainda representação do Ministério das Relações
tem a sobremesa”. Eles passaram para outra Exteriores em São Paulo. Então, a coordenação
sala para tomar café e não teve mais jantar. toda da visita ficava a cargo do cerimonial.

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Autor dos
roteiros para as
falas de Mario
Covas diz que
o governador
deu utilidade ao
conhecimento
acumulado

Salles, o homem por trás do discurso


O advogado José Salles dos Santos Cruz respondia cartas de eleitores de Mario Covas quando herdou a tarefa de redigir
roteiros para os discursos do então governador de São Paulo. E que tarefa. Covas lia, revisava, chamava o envergonhado
escriba para apontar correções e, à revelia do cerimonial, mandava-o encompridar textos destinados aos chefes de Estado.
Não deixava passar letra sobrando ou faltando. Em contrapartida, era um bom companheiro nas longas discussões sobre
mitologia. Essas e outras histórias Salles conta na entrevista a seguir.

FMC – Como você começou a escrever – o governador lia um trecho, o tradutor


discursos para o Mario Covas? traduzia – e duplicava os tempos. Já o Mario
Salles – Caí nisso por acaso. No começo de Covas brigava para que fosse mais extenso.
1996, eu respondia cartas dos eleitores. Quem Obviamente, eu seguia o dono da casa.
fazia os roteiros de discursos e informativos
era o Robert Henry Srour. Como ele não FMC – Dizia-se que o Mario Covas não
podia continuar, porque presidia a CPOS era muito ligado aos protocolos, ele
(Companhia Paulista de Obras e Serviços), a até se incomodava com isso. Mas, com
Lúcia Maria Dal Médico, assessora especial do os chefes de Estado, ele tinha um
governador, me convidou para o posto. Como cuidado ESPECIAL...
eu não era jornalista nem escritor, comecei a Salles – Acho que ele sentia que a dignidade
fazer descompromissadamente. Do primeiro de São Paulo estava em questão. Um exemplo
discurso, ele não falou nada. No segundo, disso foi a inauguração do quadro do Fleury
troquei o nome do reitor da Unesp, e ele leu. (Luiz Antônio Fleury Filho, governador de
No dia seguinte, o jornal noticiou que Covas São Paulo de 1991 a 1995) no Palácio dos
havia trocado o nome do reitor. Eu estava Bandeirantes. Pela tradição, o governador
esperando uma bronca, mas só veio uma que sai tem um retrato dele pintado e
recomendação: é melhor não trocar o nome. entronizado numa cerimônia reservada, e o
Fleury era adversário político do Covas. No dia
FMC – Como era o processo? da inauguração, veio o Fleury, a mulher dele,
Salles – Eu recebia a agenda do Covas. A alguns assessores da época. Quando estava
partir dela, das informações que o pessoal começando a cerimônia, Covas apareceu e
do Palácio preparava e de alguma pesquisa prestou homenagem não ao cidadão Fleury,
minha, eu redigia o discurso e mandava. Se mas ao governador do Estado de São Paulo.
ele topasse, falava. Quando eram discursos
para chefes de Estado, mandava encompridar FMC – E quando se tratava de alguém
– ele achava que o governo de São Paulo da Espanha?
tinha que ter uma boa manifestação. Mas Salles – Ele tinha um prazer especial.
isso criava uma tensão. O cerimonial brigava Quando o príncipe Felipe das Astúrias estava
comigo para fazer um discurso curto, por para chegar, Covas achou o informativo e o
causa da tradução, que não era simultânea discurso ruins e pediu a Enciclopédia Britânica

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para ele mesmo se informar e redigir o que os companheiros do partido que tinham
roteiro. Foi uma grande confusão no Palácio: menos contato com ele pudessem estar mais
não havia enciclopédia, nenhum material de próximos. Ele gostava muito disso e abraçava
consulta, e ele não tinha familiaridade com todo mundo, perguntava da família, era uma
a internet. Covas informatizou o Estado mas, coisa afetiva. Depois, ele foi para o palco e eu
curiosamente, não era praticante disso. No fiquei no fundão do auditório.
fim, ele usou o discurso que eu fiz.
FMC – Com a sua timidez...
FMC – As sugestões que ele fazia Salles – É. De repente, ele começou a
tinham algum viés político? gritar do palco: “Salles, Salles”. Ouvi aquilo
Salles – Não para os chefes de Estado. Ele e não entendi. E ele: “Cadê o Salles? Vocês
podia tocar em dignidade, direitos humanos, conhecem o Salles?”, perguntou ao público.
alguma coisa política, mas sempre bastante “Vocês sabem essas historinhas que eu conto?
ampla. O diálogo político era atribuição do O Salles é que inventa, porque é ele quem
Ministério das Relações Exteriores, e Mario escreve os meus discursos.” Começou a falar
Covas respeitava muito isso. de mim, disse que eu era rápido. Quando eu
ouvi aquilo, fiquei morrendo de vergonha e
FMC – Ele fazia revisão DOS TEXTOS? fugi para mais longe ainda no escuro. Mas
Salles – Fazia, mas era um pouco para me foi uma coisa muito legal. O Covas tinha
provocar. Ele nunca reclamou de nada, mas segurança, sabia no que ele era importante.
gostava que eu o visse fazer as correções.
Nos textos para chefes de Estado, ele sempre FMC – Mario Covas era um político que
me chamava para ler junto, pegava uma as pessoas paravam para ouvir o que
canetinha e ia corrigindo erros de digitação, tinha a dizer. Isso aumentava a sua
tirava letra a mais, punha a que faltou. responsabilidade ao escrever os
discursos DELE?
FMC – Além do humor, você sempre Salles – Covas era o melhor com as palavras.
incluía nos discursos histórias, Então, eu fazia o melhor que podia, mas sem
relatos, personagens, tradições. De ansiedade. Com o tempo e a confiança dele,
qual baú vinha isso? fui me sentindo mais seguro. Se eu fizesse
Salles – Eram coisas que estavam na minha algo ruim, ele saberia dar a volta por cima
cabeça, e o Mario Covas deu utilidade a elas, e transformar aquilo numa coisa ótima. Foi
ele tinha prazer nisso. Muitos o apontavam uma boa parceria. A Lúcia (Dal Médico) sempre
como o cara que não ligava para a cultura, dizia que havia um respeito muito grande dele
e isso não é verdade. Além do que ele fez por mim, talvez pela minha lealdade. Havia
como governador, reformando a Pinacoteca momentos em que Mario Covas absorvia de
do Estado, por exemplo, ele adorava discutir tal maneira as coisas que eram escritas por
mitologia. Tanto que, no aniversário dele, eu mim que chegava a vir me contar as histórias
dei três livros importantes sobre o assunto, que eu tinha contado para ele.
que ele levou para o hospital quando ficou
doente. Inúmeras vezes Mario Covas me FMC – Valeu a pena ter sido um ghost
recomendou exposições para visitar. writer do governador?
Salles – Claro que sim. Mario Covas deu
FMC – Políticos costumam ter vaidades, significado à minha vida. Sempre gostei
e uma delas é o próprio discurso. Mas muito desse mundo da leitura, mas era uma
o MARIO Covas tornou público que era coisa da qual só eu usufruía, não tinha como
você quem escrevia os DISCURSOS dele. compartilhar, e ele me fez compartilhar o
Como ACONTECEU isso? idioma, a História, tudo o que eu cultivei
Salles – Covas foi fazer uma palestra numa durante anos a fio. O legal é que eu sentia
associação alemã em Santo Amaro, e eu fui nele o mesmo prazer. Algumas vezes ele
junto, para cuidar dos slides. Terminada a discutia o sentido de algumas palavras, como
palestra, eu tentei escapar de uma festa empregá-las, se preocupava com isso. Tudo
do PSDB, mas ele não deixou. Pegamos o isso foi muito bom. Covas foi o meu caminho
helicóptero e pousamos no Palace, em Moema, para fazer o bem. Ele fazia o bem, e eu,
lugar da festa. Ao chegar, me afastei para ajudando-o, me sentia representado.

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Mario Covas dá as boas-vindas a Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos, na chegada ao Memorial da América Latina

Bill Clinton:
tecnologia, WEB e COMÉRCIO
Intercâmbio entre professores e alunos brasileiros e
norte-americanos foi assunto do encontro do presidente
dos estados unidos com Covas
Cooperação tecnológica foram as palavras- brasileiras e norte-americanas, possibilitando
chaves do encontro entre o presidente dos a criação de um banco de informações e de
Estados Unidos Bill Clinton e o governador Mario experiências didáticas compartilhadas e de fácil
Covas, em 15 de outubro de 1997, em São Paulo. acesso a todos os interessados. Previu-se também
As duas autoridades trocaram idéias durante um o intercâmbio de professores e graduandos em
evento sobre parcerias, realizado no Memorial diversas áreas acadêmicas, inclusive as ligadas à
da América Latina. Promovido pela Câmara de engenharia e à tecnologia.
Comércio Brasil – EUA, o seminário contou com
a presença de 1.600 pessoas, entre empresários
brasileiros e norte-americanos. Liberdade e igualdade

O ponto central do encontro foi a proposta de Durante o pronunciamento realizado durante


um amplo acordo de cooperação entre o Brasil o evento, o governador do Estado de São Paulo
e os Estados Unidos, visando o emprego de alta destacou as “várias razões históricas e políticas
tecnologia, como o uso de computadores e da que aumentam o júbilo de ter o presidente
internet, para fins educacionais. Pretendia-se dos Estados Unidos da América entre nós: a
com isso tornar mais fácil o intercâmbio bilateral contribuição americana às idéias da modernidade;
entre os professores, os estudantes e as escolas sua presença na arrancada do progresso material

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dos povos; seu sistema educacional; a múltipla
e complexa convivência de povos e etnias em
seu vasto território e a admirável capacidade de Alca, o real interesse
autocrítica da sua cultura.” dos Estados Unidos
Em decorrência disso, assinalou Mario Covas “a
liberdade tem sido valor consagrado pela prática
A proposta de integração comercial na Alca
de uma organização social aberta e plural”; por
- Área de Livre Comércio das Américas, um
isso,... “a busca da igualdade, para os vários
grande mercado comum sem barreiras, que
povos e minorias que coexistem em seu grande
país, vem-se acelerando e se objetivando, cada
abrangeria todo o continente até 2005, era,
vez mais, em conquistas inestimáveis.” na verdade, o tema número um da pauta de
encontros de Clinton com o governador Mario
Acrescentou ainda que o grande progresso da Covas, o presidente Fernando Henrique
nação americana se respalda “na capacidade de Cardoso, empresários e representantes de
trabalho e na inventividade de seu povo”, que entidades. Com esse acordo, os Estados
geram “positivos avanços materiais e de uma Unidos poderiam ampliar ainda mais o
renda cada vez mais bem distribuída, tornando- acesso de seus produtos e serviços ao
se marcos exemplares para os demais países”. mercado latino-americano, principalmente
ao brasileiro. O bloco da Alca teria então mais
Destacaram-se no encontro temas como a Alca
de 700 milhões de consumidores e abarcaria
(leia texto ao lado), a proteção ambiental,
uma riqueza da ordem de 9 milhões de
com enfoque na Amazônia, e o combate ao
dólares. Para o desapontamento de Clinton,
narcotráfico. Da agenda também constaram
assuntos como reforma da Organização das
o Brasil se mostrou resistente em assinar
Nações Unidas e ampliação do Conselho de o acordo, avaliando que seria um desastre
Segurança (Brasil e Argentina disputavam um expor os setores produtivos nacionais à
assento no conselho), cooperação aeroespacial, competitividade do gigante americano.
acordos de cooperação em tecnologia, reforma
do Estado e globalização, entre outros.

Kissinger de olho nas telefônicas


Em 1995, o secretário de Estado norte-americano, Henry
Kissinger veio ao Brasil para conhecer os programas
de privatização e estudar as possibilidades de futuros
investimentos no país. A passagem por São Paulo era
inevitável. No dia 4 de setembro, Kissinger foi recebido pelo
governador Mario Covas, numa recepção no Palácio dos
Bandeirantes. Seus acompanhantes eram Michael Masin,
presidente internacional da GTE Corporation, então a maior
companhia de telefonia fixa e um dos principais fornecedores
de serviços celulares dos Estados Unidos, e Paulo Villares,
presidente do conselho de administração das empresas
Villares e do conselho da Gevisa, joint-venture entre a Villares
e a GE. Da agenda do secretário de Estado norte-americano
constaram várias reuniões com intelectuais e empresários.

Henry Kissinger e Mario Covas em conversa de gabinete

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 17


O presidente do Peru, Alberto Fujimori, entrega presente diplomático para o governador Mario Covas no Palácio dos Bandeirantes

Alberto Fujimori, o nissei do Peru


Recém-reeleito, o controvertido presidente peruano veio ao Brasil
tratar de comércio, cultura, Amazônia e saídas para o mar

Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Cobre vem, tratores vão
Paulo integraram o roteiro do presidente do
Peru, Alberto Fujimori, em sua visita oficial ao Até 1996, o Brasil foi, entre os membros da Aladi
Brasil no mês de fevereiro de 1996. Reeleito no – Associação Latino-americana de Integração, o
ano anterior, o peruano de origem japonesa principal cliente dos produtos peruanos. No ano
procurava estreitar as relações políticas e anterior, o comércio entre os dois países somou
comerciais entre os dois países. Em São Paulo, 551,5 milhões de dólares – desse montante,
foi recebido em audiência pelo governador Mario 365,9 milhões de dólares corresponderam às
Covas e participou de uma reunião de trabalho exportações realizadas por empresas brasileiras.
com gestores do governo paulista. O Peru vendeu ao Brasil cobre, zinco e farinha
de pescado e comprou, principalmente, ônibus,
Brasil e Peru assinaram um comunicado em que tratores e caminhões da Volvo.
se destacaram interesses bilaterais relevantes,
como a integração viária e o desenvolvimento na As construtoras brasileiras Odebrecht e Andrade
fronteira de ambos os países, além de um acordo Gutierrez estavam presentes no Peru há 15
cultural. As principais conversações giraram em anos, e a Camargo Corrêa e a OAS mostravam-
torno da proteção da Amazônia e da integração se interessadas em participar de alguns projetos
física de ambos os países. A idéia era formar um no país vizinho. Investiram no Peru empresas
corredor bi-oceânico, que permitisse ao Brasil ter instaladas no Brasil, como a White Martins, na
acesso ao oceano Pacífico, e desse ao Peru uma produção de oxigênio, e a Alcoa, na fabricação de
porta de entrada para o Atlântico. garrafas plásticas para refrigerantes.

18 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Mario Covas fala com o
presidente Fujimori sobre
trocas comerciais entre o Peru
e empresas paulistas

Do poder à prisão
Quase um ano antes de sua visita ao Brasil, evidente. Sob o pretexto de combater o terrorismo
Alberto Fujimori foi reeleito presidente do e a corrupção, com o apoio dos militares, fechou
Peru, com 64% dos votos. O filho de imigrantes o Congresso, interveio no Judiciário e suspendeu
japoneses conquistou a maioria no Congresso e as garantias constitucionais. Falava-se numa
arrasou os partidos tradicionais que dominaram “fujimorização” da América Latina, sugerindo um
a política durante décadas. Sua reeleição deveu- renascimento de ditaduras em vários países. Em
se, principalmente, à volta da tranquilidade no 2000, no turbilhão de um escândalo, renunciou à
país, ao dominar os grupos guerrilheiros Sendero presidência e pediu asilo político no Japão.
Luminoso e o Movimento Revolucionário Tupac
Amaru, que desestabilizavam o poder instituído. Em 2005, Fujimori mudou-se para o Chile na
condição de exilado político. Em setembro
No segundo mandato, Fujimori vendeu empresas de 2007, a Justiça chilena atendeu pedido do
estatais, que renderam cerca de 8 bilhões de governo peruano de extradição do ex-presidente,
dólares e alimentaram o crescimento econômico para ser levado a julgamento por corrupção,
de 12% em 1994, o maior do mundo até aquele enriquecimento ilícito, evasão de divisas e
momento. Mas, em 1995, mais de 85% da genocídio, este pela morte de 25 peruanos
população economicamente ativa não tinha durante manifestação contra seu governo.
carteira assinada e vivia da economia informal.
O julgamento por abuso dos direitos humanos e
Segundo analistas, os resultados da sequestro iniciou-se no final de 2007, em Lima.
administração de Fujimori não foram tão Fujimori foi condenado a seis anos de prisão
positivos como aparentavam. Ele governou um pela revista ilegal da casa da mulher de seu ex-
país economicamente pobre, com 23,8 milhões assessor Vladimiro Montesinos. Na sentença, o
de habitantes e um PIB de 22,1 bilhões de dólares, juiz o obrigou a pagar 400 mil novos sóis (133.000
segundo dados de 1992. Nesse ano, sua maneira dólares) como reparação civil ao Estado e o
autoritária de conduzir o poder ficou mais impediu de exercer cargos públicos por dois anos.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 19


Eduardo Frei discute
Mercosul e cultura
Mario Covas recebe em São Paulo o presidente do Chile, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, que o condecorou

Presidente do Chile condecora Mario Covas e trata de


investimentos com empresários paulistas

Em 27 de março de 1996, o governador Mario presidente apenas uma agenda econômica,


Covas recebeu em São Paulo o presidente voltada meramente para a integração material
do Chile, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, e foi entre as duas nações, mas nos traz ainda
condecorado com a insígnia Ordem de mais: a possibilidade do estreitamento de
Bernardo O’Higgins. Destinada a recompensar nossa fraternidade espiritual pelo acesso à
os cidadãos estrangeiros que se distinguem por produção cultural chilena, seja a de caráter
sua participação extraordinária nas artes, na mais artesanal e popular, ...seja a de artistas
educação, indústria, comércio ou cooperação contemporâneos, que fazem do Chile um dos
humanitária e social, a comenda chilena principais pólos culturais do nosso continente”.
revela, por si, a importância que o presidente
do país vizinho deu ao encontro. Além do encontro no Palácio dos Bandeirantes,
Mario Covas e Eduardo Frei participaram, com
As excelentes relações entre os governos o presidente Fernando Henrique Cardoso, de
do Chile e do Brasil foram reiteradas pelo um encontro com empresários brasileiros na
governador Mario Covas em discurso de Federação das Indústrias do Estado de São
recepção ao presidente Eduardo Frei, na capital Paulo - Fiesp. Na pauta do encontro, temas
paulista: “Se os indicadores econômicos e os relevantes, como as negociações do Chile
resultados comerciais fossem as condições com o Mercosul e o papel do Brasil nesse
indispensáveis para a amizade entre as nações, processo, além dos investimentos recíprocos,
o Chile e o Brasil já teriam aí uma aliança sólida da ampliação do comércio bilateral, da criação
e próspera”. Prosseguindo, disse o governador: de corredores terrestres bi-oceânicos e do
“Em sua visita, não nos traz o senhor aumento da cooperação cultural.

20 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


O governador Mario Covas explica o significado do tucano para o presidente chileno Ricardo Lagos Escobar

Escobar busca cooperação tecnológica


Sucessor de Eduardo Frei Ruiz-Tagle na presidência do Chile, Ricardo Lagos Escobar não demorou
a vir a São Paulo. No dia 14 de junho de 2000, ele e sua esposa foram recebidos no Palácio
dos Bandeirantes pelo governador Mario Covas e dona Lila Covas. Nessa primeira visita a São
Paulo depois de ter assumido a presidência, em 16 de janeiro do mesmo ano, Escobar veio
acompanhado por ministros, embaixadores, empresários, parlamentares, personalidades da
cultura e da comunidade científica de seu país.

Durante os dois dias de permanência na capital paulista, o presidente chileno visitou o campus
da Universidade de São Paulo, a Embraer, a Mostra do Redescobrimento, comemorativa dos 500
anos do Brasil, e participou da cerimônia de abertura do encontro empresarial Brasil-Chile, na
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O aprofundamento da cooperação científica e tecnológica esteve entre os principais objetivos


da visita do presidente Escobar ao Brasil. Os temas prioritários indicados para a elaboração
da declaração sobre a cooperação em ciência e tecnologia foram: biotecnologia, astrofísica,
tecnologia de informação, climatologia e meteorologia, desenvolvimento tecnológico, ciência e
tecnologia para a Antártica, ciência e tecnologia marinha, matemática, ciências dos materiais,
energia, ciências sociais e comunicações.

Em relação ao comércio bilateral, verificou-se nos primeiros meses do ano 2000 acentuada
recuperação na movimentação de mercadorias entre Brasil e Chile, afetadas nos dois anos
anteriores pelos efeitos negativos da crise asiática na economia mundial. Apesar da retração do
mercado, o Brasil manteve saldo positivo no intercâmbio comercial com o Chile em 1998 e 1999,
de 200 milhões de dólares e 182 milhões de dólares, respectivamente.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 21


Mario Covas observa o presente que acaba de receber do ex-presidente da Bolívia, Jaime Paz Zamora, em visita a São Paulo

Zamora testa seu prestígio


Candidato ao segundo mandato, ex-presidente da Bolívia faz
contato com políticos e empresários paulistas

Em 19 de setembro de 1996, o ex-presidente da Victor Paz Estenssoro, dada a quantidade de


Bolívia, Jaime Paz Zamora, esteve em São Paulo, golpes que seu país sofrera até então.
em visita de cortesia ao governador Mario Covas.
Novamente candidato à presidência de seu Na gestão Zamora, a Bolívia firmou vários acordos
país, para as eleições do ano seguinte, Jaime comerciais com o Brasil e outros países da América
Paz Zamora aproveitou a viagem ao Brasil para Latina. Trocou 300 milhões de dólares de sua
contatar políticos e empresários nas áreas da dívida por títulos da dívida externa brasileira,
construção civil e da saúde. adquiridos no mercado secundário. Assinou
acordos de cooperação e estimulou projetos,
Zamora foi presidente da Bolívia de 1989 a 1993, como o do corredor ferroviário entre a Bolívia,
eleito pelo Congresso a partir de um pacto entre o Peru e a Argentina. Em agosto de 1992, Zamora
o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária, de assinou com o então presidente Fernando Collor
inspiração marxista), seu partido, e a ADN (Ação de Mello o acordo para o fornecimento de gás
Democrática Nacional), partido da direita. Foi o boliviano ao Brasil. Em 1993, a concessionária
primeiro presidente boliviano, depois de 25 anos, paulista Comgás e a Petrobrás selaram acordo
a receber a faixa presidencial de seu antecessor, para a compra do gás boliviano.

Covas expande oferta com gás boliviano

Com base no projeto de importação de gás da Bolívia, em junho de 1996, o governador Mario Covas reuniu-se com o
presidente da Petrobrás, Joel Mendes Rennó, o secretário de Energia, David Zylbersztajn, e a presidente da Comgás, Iêda
Correia Gomes, para definir os pontos de negociação para a expansão do abastecimento de gás encanado no Estado de
São Paulo. Com o início das operações marcado para 1998, o plano de expansão contemplou a região metropolitana de São
Paulo, municípios do Vale do Paraíba e outras regiões do Estado na rota do gasoduto Brasil-Bolívia.

22 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Jesse Jackson encontra-se com Covas durante viagem ao Brasil para a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra

Jesse Jackson celebra Zumbi dos Palmares


Ativista dos direitos civis, o reverendo norte-americano conversou com
autoridades, ONGs e líderes da comunidade negra
O reverendo batista norte-americano e ativista
dos direitos civis Jesse Louis Jackson esteve no
Brasil para as celebrações do Dia Nacional da Desestatização na agenda de
Consciência Negra, em 20 de novembro de 1996. investidores dos EUA
A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares, o Empresários americanos escolhem São
maior ícone da resistência negra ao escravismo Paulo para ampliar negócios na área de
no Brasil, último país do mundo a aboli-lo. geração de energia

Com uma agenda organizada pelo Conselho de


Robert MacFarlane, líder de um grupo de
Participação e Desenvolvimento da Comunidade
investidores americanos, foi recebido pelo
Negra e pela Fundação Cultural Palmares, Jesse governador Mario Covas em 10 de abril de 1996.
Jackson esteve em Brasília com o presidente Os empresários estavam interessados em ampliar
Fernando Henrique Cardoso, visitou Mario Covas, seus negócios na área de geração de energia, na
almoçou na Universidade de São Paulo, conheceu América Latina, e apostavam que o Brasil, São
Paulo especificamente, seria o lugar propício
a Pinacoteca e manteve encontros com ONGs.
para novos investimentos.

Fundador da Rainbow/PUSH, organização de Em sua visita de uma semana, MacFarlane fez


defesa dos direitos civis, Jesse Jackson é uma das contatos com autoridades, empresários e bancos
mais importantes figuras públicas dos Estados para identificar oportunidades de transações
Unidos. Destacou-se por sua participação em e parceiros para investimentos de curto prazo.
Conhecia o Programa Estadual de Desestatização
movimentos pela autodeterminação, a paz, a
e Parcerias com a Iniciativa Privada, do governo
igualdade de direitos entre os sexos e a justiça paulista, demonstrando vontade em desenvolver
social e econômica. Luta pelo estabelecimento de projetos com aporte de recursos e gestão privada.
prioridades justas e humanas e pela união das Estendeu seu interesse também por usinas já
pessoas em uma base comum, sem distinção de existentes, que pudessem ser recuperadas ou
ampliadas pelo setor privado.
raça, classe social, sexo e crença.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 23


George Bush e Mario Covas
conversam com o apoio da
intérprete Cecília Malzoni

George Bush pai faz visita de cortesia


Ex-presidente americano participa de conferência para
empresários e professores e encontra-se com Covas

Quatro anos após deixar a presidência dos Estados Unidos, George Bush veio ao Brasil, em novembro
de 1996, para participar de uma conferência a convite do Fórum das Américas. Com o apoio da Câmara
Americana de Comércio e do Instituto Latino Americano, Bush pai falou para 300 empresários e professores.
No dia 22, acompanhado pelo empresário Mário Garnero e o advogado Eugênio Montoro, o ex-presidente
americano foi recebido pelo governador Mario Covas no Palácio dos Bandeirantes.

George Bush foi o quadragésimo-primeiro presidente dos EUA. Eleito em 1988, assistiu ao desmantelamento
do mundo comunista, negociou a redução de armamentos na ex-URSS e atuou na América Latina,
invadindo o Panamá para depor o ditador Manuel Noriega. Quando as tropas iraquianas de Saddam Hussein
invadiram o Kuwait, em 1990, enviou soldados à Arábia Saudita, liderando uma aliança internacional que
expulsou o invasor. A aprovação dos americanos a seu governo atingiu 90%, mas a recessão econômica
que veio em seguida impediu sua reeleição em 1992, quando foi derrotado pelo democrata Bill Clinton.

IFC oferece assessoria em infraestrutura

Em 22 de outubro de 1997, o governador Mario Covas recebeu Assaad Jabre, vice-presidente de gestão de
carteira e operações de consultoria da International Finance Corporation (IFC). Agência ligada ao Banco
Mundial, com sede em Washington, Estados Unidos, a IFC fornece capital de risco a países membros, para
estimular o crescimento da produtividade no setor privado e dar consultoria ao setor público, como em
projetos de implantação de linhas de metrô.

Durante o encontro, Assaad Jabre e Mario Covas conversaram sobre o contexto econômico brasileiro e as
áreas em que a International Finance Corporation poderia prestar assistência ao setor privado paulista,
principalmente em infraestrutura. O vice-presidente da IFC prontificou-se a estabelecer contatos com
empresários interessados nos programas de privatizações e concessões.

24 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Um Guggenheim em São Paulo
O Complexo Cultural Villa Lobos era um dos endereços
cotados para abrigar a filial do museu nova-iorquino

Contando com a possibilidade de a cidade de São Paulo sediar o primeiro museu Guggenheim na América
Latina, o governador Mario Covas recebeu em audiência o presidente da Fundação Guggenheim, Thomas
Krens, em 18 de outubro de 1999. Na época, o Complexo Cultural Villa Lobos era considerado um bom
endereço para abrigar a construção da sede brasileira do museu, oportunidade disputada também por
outros Estados brasileiros e países como a Argentina e o Chile.

Integravam a comitiva de Krens: Marifé Hernandez, ex-chefe do cerimonial da Casa Branca, Lisa Denison,
curadora-chefe do Museu Guggenheim de Nova Iorque, e Newton Simões Filho, da Racional Engenharia
Ltda., presidente da Associação Novo Teatro de São Paulo.

Krens (segundo à direita de Covas), conversa com o governador sobre uma filial paulista do Guggenheim

Colecionar, preservar e expor


A Fundação Guggenheim foi criada em 1937, na cidade de Nova Iorque, pelo milionário, filantropo e
colecionador de arte Solomon R. Guggenheim. Seu objetivo era colecionar, preservar e expor objetos
característicos da cultura visual do século XX e, desde a origem, reuniu grandes nomes da arte de
vanguarda americana e internacional. O primeiro museu Guggenheim foi aberto em Nova Iorque.
Depois vieram os de Veneza, na Itália, Bilbao, na Espanha, Berlim, na Alemanha, e, com inauguração
prevista para 2011, o de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 25


Canadá: governo e empresários juntos

LeBlanc, governador-geral do Canadá, acompanha Covas pelos corredores do Palácio dos Bandeirantes

Missão comercial canadense traz a São Paulo o primeiro-ministro,


o governador-geral, dezenas de autoridades e 389
representantes do setor privado

O governador Mario Covas e a primeira dama Lila Covas receberam, no dia 15 de janeiro de 1998, Roméo
LeBlanc, governador-geral do Canadá, e esposa, para um jantar no Palácio dos Bandeirantes. Em seu
discurso de boas-vindas, Covas destacou que a grandeza da nação canadense não se deve apenas à sua
vastidão territorial, “mas sim a valores que a identificam profundamente com as aspirações do mundo
moderno: a democracia, a liberdade econômica, os direitos humanos”. Afirmou também que um dos
importantes feitos do governo do Canadá reside “no desenvolvimento de políticas públicas concretas
...que tem resultado em uma qualidade de vida já reconhecida como a segunda melhor do mundo, pelo
Banco Mundial, e como a primeira, pela ONU”.

No dia seguinte, Mario Covas e o presidente Fernando Henrique Cardoso encontraram-se com Jean
Chrétien, primeiro-ministro do Canadá, no World Trade Center, em São Paulo, para um almoço com toda a
comitiva canadense e empresários brasileiros. Chrétien também chefiava a Equipe Canadá, uma missão
comercial que reuniu ministros federais, os dez chefes de governos provinciais canadenses, dois líderes
de territórios, prefeitos e algumas centenas de empresários. Ao todo, o encontro contou com cerca de
700 empresários – 389 deles canadenses –, que celebraram uma série de contratos entre os dois países.

26 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Os objetivos da Equipe Canadá
A delegação encabeçada pelo primeiro-ministro
Chrétien foi resultado de um esforço de parceria entre a
administração pública e o setor privado canadense. Seu
objetivo era intensificar os negócios com os mercados
emergentes, por meio do apoio a empresas estreantes
em comércio exterior e a exportadores que desejavam
explorar novos mercados. Entre os setores prioritários
da Equipe Canadá destacam-se: telecomunicações,
tecnologia da informação, transportes, meio ambiente,
energia e recursos naturais, agricultura e agroindústria,
indústrias nas áreas de educação e cultura, manufaturas
avançadas e serviços especializados. Embora o país
seja altamente industrializado, os canadenses levam
a sério o conceito de desenvolvimento sustentado, a
possibilidade de crescimento econômico associado à
proteção do meio ambiente.

Roméo LeBlanc deixa sua mensagem no Livro de Tombo, de registro dos


visitantes do governo paulista

Sob domínio britânico

Localizado entre os Estados Unidos e o oceano Ártico, o Canadá é o segundo maior país do mundo,
formado por dez províncias e três territórios. Colonizado pela França, desde 1763 é controlado pela
Grã-Bretanha. A população, composta por franceses, britânicos e povos de origens múltiplas, tem o
francês e o inglês como idiomas oficiais. Dono de reservas importantes de petróleo, lidera a produção
mundial de zinco e urânio e possui solo rico em potássio, gás natural, níquel e alumínio. Sua economia
é uma das dez maiores do mundo, concentrada nos setores industrial e de serviços. Adota a monarquia
parlamentarista, tendo como chefe de Estado a rainha Elisabeth II, do Reino Unido, representada pelo
governador-geral, e como chefe de governo, o primeiro-ministro. O Poder Legislativo é bicameral. O
Senado conta com 104 senadores, indicados pelo governador-geral para mandato até a idade de 75 anos,
e a Câmara dos Comuns, com 295 membros, eleitos por voto direto, para mandatos de cinco anos.

Em defesa dos interesses do Brasil


Às vésperas da viagem do primeiro-ministro Jean Chrétien ao Brasil, surge uma saia justa
diplomática. A tentativa da Bombardier, empresa do setor aeronáutico canadense, de afetar
negócios da Embraer para o fornecimento de aeronaves a companhias norte-americanas,
provocou reação do governo brasileiro, que ameaçou suspender as negociações para um
convênio de cooperação comercial entre o Canadá e o Mercosul e anunciou que reveria todos
os projetos de interesse canadense no país, nessa área. Venceram o Brasil e a Embraer.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 27


Vicente Fox Quesada, presidente do México, troca presentes diplomáticos com o governador Mario Covas

Fox Quesada em missão política


Presidente do México traz dirigentes dos três principais partidos
de seu país para encontro com o governador de São Paulo

Recém-eleito presidente do México, Vicente Fox política; Porfírio Muñoz Ledo, coordenador da
Quesada esteve em São Paulo no dia 10 de agosto mesa de estudos sobre a reforma do Estado;
de 2000, em visita de cortesia, e foi recebido Luís Felipe de Macedo Soares Guimarães, futuro
no Palácio dos Bandeirantes pelo governador embaixador do Brasil no México, e Luiz Cabrera,
Mario Covas. Três anos antes, quando ainda cônsul-geral do México em São Paulo.
era governador do Estado de Guanajuato, Fox
Quesada fizera uma primeira visita a Covas. As relações bilaterais entre o Brasil e o
México, segundo o Itamaraty, desenvolvem-
No segundo encontro, de acentuado caráter se habitualmente em clima de cordialidade e
político, o novo chefe do Executivo mexicano cooperação. Os acordos são facilitados pelo fato
estava acompanhado de Luís Felipe Bravo Mena, de ambos os países não abrigarem qualquer tipo
presidente do Comitê Executivo Nacional do de ressentimento histórico entre si e de possuírem
Partido de Ação Nacional (PAN); Sérgio Garcia interesses convergentes em ampla gama de
Ramires, secretário-geral do Comitê Executivo temas da agenda regional e internacional.
Nacional do Partido Revolucionário Institucional
(PRI); Jesús Zambrano, secretário-geral do Comitê Os dois países mantêm aberto um canal de
Executivo do Partido da Revolução Democrática diálogo de alto nível, de que foram exemplos as
(PRD); Santiago Creel, coordenador da área visitas do presidente Fernando Henrique Cardoso

28 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


O presidente mexicano Vicente Fox expõe ao governador paulista detalhes do cenário político de seu país

ao México, em 1996, e do presidente Ernesto durante a Cimeira entre América Latina, Caribe e
Zedillo ao Brasil, em 1999. Além das visitas, houve União Européia, em junho de 1999.
o encontro dos dois mandatários no contexto
das cúpulas do Grupo do Rio (ou Mecanismo No Brasil, residiam aproximadamente 2.000
Permanente de Consulta e Concertação Política mexicanos na época da visita de Fox, dos quais
da América Latina e Caribe), Ibero-Americanas e 1.200 estavam no Estado de São Paulo.

Dos maias ao “dedazo” presidencial


Banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico, o adotadas em 1996, no pleito do ano seguinte,
México possui belas praias e balneários famosos, pela primeira vez, 32 dos 128 membros do Senado
como Acapulco, Tampico e Cancún. Antes da foram eleitos por meio de listas partidárias, com
invasão espanhola, em 1519, e dos turistas, quem mandato de três anos de duração. Os principais
desfrutava do paraíso mexicano eram os povos partidos são atualmente: Partido Revolucionário
autóctones maias, toltecas e astecas. Em 1999, a Institucional (PRI), Partido da Revolução
população somava 97,4 milhões de habitantes. Democrática (PRD) e Partido de Ação Nacional
O idioma oficial é o castelhano, que convive com (PAN), pelo qual Fox foi eleito.
línguas nativas, como o náhuati.
O PAN, fundado em 1939, representa o
Os Estados Unidos do México dividem-se em pensamento neoliberal, tendo como importante
31 Estados e Distrito Federal. A capital, Cidade base política o empresariado dos Estados
do México, é uma das maiores metrópoles do próximos à fronteira com os Estados Unidos.
mundo. O país é regido pelos princípios da Fox conseguiu popularizar o partido e trazê-lo
Constituição de 1917. O Congresso é bicameral, mais ao centro. O PAN consolidou seu espaço na
composto pela Câmara Federal dos Deputados, contenda eleitoral de agosto de 1994, quando
com 500 membros, e pelo Senado, com 128. seu candidato presidencial situou-se em
Todos são eleitos por voto direto para mandatos segundo lugar na preferência do eleitorado.
de três a seis anos, respectivamente.
Vale ressaltar o papel de Zedillo, que, ao reformar
Em 1995, o então presidente Ernesto Zedillo viu- o sistema judiciário e influenciar seu partido, o
se confrontado com uma grave crise econômica PRI (no poder há sete décadas), a adotar novas
e com forças opositoras, sobretudo do Exército regras para a escolha do candidato presidencial,
Zapatista de Libertação Nacional, fatos que pôs fim à prática de o presidente da República
levaram a reformas políticas e eleitorais. Em indicar o candidato do partido, conhecida
decorrência das mudanças constitucionais informalmente como “dedazo” presidencial.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 29


Américas
Do continente americano, Mario Covas recebeu ainda as seguintes visitas:

1995 1998
• Tommy G. Thompson, • Pedro Rosselló, governador
governador de Wisconsin, EUA de Porto Rico, EUA
• E. Benjamin Nelson, governador • Melvin Carnahan, governador
de Nebrasca, EUA do Missouri, EUA
• Alejandro Gordillo Fernández, • Ricardo Marquez, primeiro
embaixador do Peru no Brasil vice-presidente do Peru

1996 1999
• Heraldo Muñoz, embaixador • Christine Todd Whitman,
do Chile no Brasil governadora de New Jersey, EUA
• Bill Gates, presidente da Microsoft • Adolfo Rodrigues Saá, governador
• Warren Christopher, secretário de San Luis, Argentina
de Estado dos Estados Unidos • Juan Antonio Martabit,
• Diego Ramiro Guelar, embaixador embaixador do Chile no Brasil
da Argentina no Brasil • Arturo Pedro Lafalla, governador
• Lincoln Almond, governador de Mendoza, Argentina
de Rhode Island, EUA • James Hunt, governador da
• Buddy MacKay, vice- Carolina do Norte, EUA
governador da Flórida, EUA • Gobind T. Nankani, vice-
presidente do Banco Mundial
1997 • Graciela Meijide, deputada
• Robert Murray Torry, embaixador federal e líder da delegação de
de Trinidad e Tobago no Brasil parlamentares da Argentina
• Zell Miller, governador da Geórgia, EUA
• Joseph E. Kernan, vice- 2000
governador de Indiana, EUA • Anthony Harrington, embaixador
• Juan Carlos Romero, governador dos Estados Unidos no Brasil
de Salta, Argentina • Jorge Omar Sobisch, governador
• Jorge Hugo Herrera Vegas, de Neuquén, Argentina
embaixador da Argentina no Brasil • Carlos Federico Ruckauf, governador
• Julie Norris, diretora do Office de Buenos Aires, Argentina
of Sponsored, do Massachusetts
Institute of Technology – MIT, EUA

30 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Em São Paulo, Scalfaro
sente-se em casa
Presidente da Itália assina acordo de intercâmbio com pequenas
empresas e visita a colônia italiana paulista

Oscar Luigi Scalfaro, presidente da Itália, cumprimenta Covas sob os olhares das respectivas esposas

Foram seis dias de visita oficial do presidente Italianas). Na pauta de negociações constaram
da Itália ao Brasil, em junho de 1995. Oscar Luigi as propostas de adoção de um programa de
Scalfaro veio intensificar as relações comerciais intercâmbio para micro e pequenas empresas,
entre os dois países e quebrar um antigo jejum: além da integração da América Latina com a
encontrou-se com a numerosa colônia italiana União Européia por intermédio do Mercosul.
paulista, gentileza que os dirigentes de seu país
não faziam há 30 anos. Mario Covas, ao receber o presidente, no dia 28,
assinalou em seu pronunciamento a importância
Em sua comitiva, Scalfaro trouxe uma delegação da imigração italiana para o processo de
de empresários filiados à Confisdustria transformação da “economia latifundiária e
(Confederação das Federações das Indústrias escravista paulista numa economia urbana e

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assalariada. A ela se devem muitas oficinas
artesanais e muitas manufaturas, além da base
de um operariado habilidoso”. Lembrou também
que dos imigrantes italianos nasceram “as raízes
de associações e movimentos cooperativos e
sindicais”. Deles também herdamos vários aspectos
culturais, tais como “costumes, paladares, muitos
linguajares e parte característica do gestual”.

Ainda em São Paulo, o presidente Scalfaro


acompanhou a assinatura de um acordo entre
a Confisdustria e a brasileira CNI (Confederação
Nacional das Indústrias). Segundo Roberto
Ricupero, embaixador do Brasil, o acordo previa
associações entre pequenas e médias empresas
italianas e brasileiras, além do financiamento
de um milhão de ECUs (a unidade monetária dos
países europeus, na época), pela União Européia,
para compra e instalação de equipamentos.

Católico, advogado e antifascista

Oscar Luigi Scalfaro nasceu em 1919, em Novara, Itália.


Formou-se em Direito pela Universidade Católica do
Covas e Scalfaro caminham pelo
Sagrado Coração, em Milão, ingressando na magistratura.
Foi presidente da Ação Católica da diocese de Novara e, Palácio dos Bandeirantes seguidos de
durante o fascismo, ajudou os antifascistas encarcerados. intérpretes e assessores

Após 1945, foi promotor público nos Tribunais Superiores


especiais de Novara e Alessandria e eleito para a Assembléia Constituinte, em 1946. Popular, desde 1948 Scalfaro é
reeleito deputado ininterruptamente e sempre o mais votado do Partido Democrata-Cristão, em seu colégio eleitoral.

Em 1954, tornou-se vice-ministro do Trabalho e Previdência Social e, de 1954 a 1955, vice-ministro da Previdência
do Conselho de Ministros. Entre 1955 e 1962, ocupou os cargos de vice-ministro da Justiça e do Interior. Após 1966,
assumiu o Ministério dos Transportes e da Aviação, da Educação e do Interior. Elegeu-se presidente em maio de 1992.

O sistema de governo italiano é parlamentarista. O presidente é eleito para um mandato de sete anos. Escolhe o
primeiro-ministro e tem o poder de dissolver o Senado e a Câmara, exceto nos últimos seis meses de mandato.

A economia italiana
A República Italiana, um dos pilares da civilização européia, sabe aproveitar sua condição. Sua economia
baseia-se em serviços, categoria em que se destaca o turismo, e nas indústrias de base, equipamentos
de transporte, têxteis, vestuário e produtos químicos. Exporta principalmente máquinas industriais e
equipamentos de transporte, vestuário e calçado, manufaturas básicas, produtos químicos e alimentos.
Seus principais parceiros comerciais são a Alemanha, a França, os EUA, o Reino Unido e a Holanda.

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O príncipe britânico Edward, duque de Kent,
cumprimenta Mario Covas em São Paulo

Negócios e ecologia
na rota do duque de Kent
Visita do nobre inglês incluiu seminário em São Paulo, encontro
das águas de rios amazônicos e Jardim Botânico carioca

A visita ao Brasil do príncipe Edward, duque de Kent, da Inglaterra, incluiu várias atividades em São
Paulo. No dia 7 de novembro de 1995, o nobre foi recebido pelo governador Mario Covas, no Palácio dos
Bandeirantes. Em seguida, presidiu a abertura do seminário “Londres – um parceiro global para o Brasil”,
promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para empresários brasileiros.
Edward visitou o Autódromo de Interlagos, palco das corridas de Fórmula 1, e a Câmara de Comércio
Britânica, onde manteve encontros com empresários ingleses.

A agenda do duque de Kent não parou por aí. Edward fez questão de ir a São José dos Campos, interior
de São Paulo, para conhecer a Embraer, fábrica dos aviões brasileiros que fazem sucesso no mundo, e
o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Em seu giro pelo país, manteve contato com o governador
Amazonino Mendes, do Amazonas, e conheceu o encontro das águas dos rios Negro e Amazonas. No
Paraná, visitou as Cataratas do Iguaçu, e, no Rio de Janeiro, o Jardim Botânico e a Shell.

A comitiva do duque de Kent contou com empresários de peso: Simon Sayer, do Lloyds Bank; Robert
Andrewartha, da Matra Marconi; David Mortimer, da British Gas do Brasil; Alan Sinclair, da Rolls Royce do
Brasil; Keith Haskell, embaixador da Grã-Bretanha no Brasil; Roger Brown, cônsul-geral em São Paulo e
Mike Mecham, do departamento da indústria de Londres.

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O primo da rainha

Edward George Nicholas Patrick Paul, duque de Kent, é primo da rainha Elisabeth II e neto do rei
George V. Estudou em Eton, na Inglaterra, em Le Rosey, na Suíça, e na Academia Militar Real, em
Sandhurst, onde se formou em 1955. Nomeado segundo-tenente no Royal Scots Greys, serviu no
Reino Unido e em Chipre, como integrante da força das Nações Unidas. Reformado como general-
de-brigada em 1982, assumiu a presidência da Junta Britânica de Comércio Exterior. Em 1959,
assumiu cargo na Câmara dos Lordes e foi conselheiro de Estado durante a ausência da rainha.

O duque de Kent é presidente de diversas instituições não-governamentais filantrópicas, incluindo


o Instituto Real de Barcos Salva-vidas, a Comissão Britânica de Sepulturas de Ex-combatentes,
a Associação de Automóveis, a Associação de Escoteiros e a Orquestra Filarmônica de Londres.
Foi nomeado chanceler da Universidade de Surrey, em 1977. É diretor não-executivo da BICC Plc
(corporação do setor de cabos e telecomunicações) e da Vickers Plc (grande empresa de engenharia).

Acompanhado de integrantes de sua comitiva, o duque de Kent ouve a exposição de Mario Covas

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Um futuro de parcerias com Herzog
Presidente da Alemanha participa de feira de tecnologia e trata
de cooperação com o governador Mario Covas

Roman Herzog, presidente da Alemanha, entrega a Covas a comenda Ordem do Mérito de seu país

Em seu discurso na recepção ao presidente da Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes, Covas


República Federal da Alemanha, Roman Herzog, destacou que as relações entre o Brasil e a
no dia 26 de novembro de 1995, o governador Alemanha “não se alicerçam apenas num passado
Mario Covas aproveitou a ocasião para definir as de realizações. Mas abrigam pela frente um futuro
novas relações estratégicas que se estabeleciam dos mais promissores. Contamos com a efetiva
e se reafirmavam entre os dois países: “Hoje, participação das empresas alemãs nos programas
governar consiste em articular os interesses de concessão e parceria com a iniciativa privada
da sociedade, induzir o desenvolvimento para que o Estado de São Paulo lançou recentemente”.
gerar riquezas e empregos, sem o que não se
tem progresso social. Queremos contribuir para O governador Mario Covas concluiu seu discurso,
reverter uma distribuição de renda cuja curva é citando a feira de tecnologia da indústria
perversa. Queremos aparelhar o Estado para que alemã, que seria inaugurada no dia seguinte
possa desempenhar suas funções sociais”. com a presença de Herzog, “como signo de uma
cooperação efetiva entre Brasil e Alemanha,
Para uma platéia de empresários brasileiros não em termos de ‘ajuda’, mas em termos de
e alemães, que lotavam o auditório Ulisses ‘negócios’, bons para ambas as partes”.

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Herzog e Covas (ao centro)
participam do lançamento
e da entrega do prêmio
Personalidade do Ano

Personalidades premiadas

No dia seguinte ao encontro de Herzog e Covas no Palácio dos Bandeirantes, foi aberto o evento de
lançamento e entrega do Prêmio Personalidade do Ano, instituído pela Câmara de Comércio e Indústria
Brasil-Alemanha e a Confederação das Câmaras Alemãs. O prêmio fez parte da programação da Feira
Brasil-Alemanha de Tecnologia para o Mercosul (Ferbral’95), e se inseriu no quadro das atividades do
Encontro Empresarial Brasil-Alemanha e da reunião da Comissão Mista de Cooperação Econômica.

Com o prêmio, pretende-se reconhecer publicamente as contribuições pessoais e profissionais de


personalidades brasileiras e alemãs, em favor das relações de amizade e dos laços culturais, políticos e
econômicos entre ambos os países. Uma placa e um diploma – que distinguem o agraciado como um amigo
do Brasil e da Alemanha – são entregues anualmente a um brasileiro e a um alemão, alternadamente
nos dois países. Nessa primeira edição, foram agraciados o brasileiro Elieser Batista da Silva e o alemão
Hans L. Merkle, escolhidos com base em ampla pesquisa da qual participaram os associados da Câmara
de Comércio Brasil-Alemanha de São Paulo.

O governador Mario Covas rendeu homenagens aos ganhadores do prêmio e, em seu pronunciamento,
disse: “Sabemos que este prêmio constitui o ponto de partida de uma família de prêmios que virão
incentivar personalidades cuja competência lhes confere destaque e admiração. E, assim, muito nos
orgulha poder colaborar, ao acolher no Palácio dos Bandeirantes o digníssimo presidente da Alemanha,
Roman Herzog, bem como sua comitiva. Muito nos alegra saber, além do mais, que a Alemanha elegeu o
Brasil como um parceiro preferencial na América Latina”.

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Covas recebe Kenneth Clarke, observado pelo embaixador Rubens Barbosa, secretários e assessores

O Reino Unido aposta no ajuste


fiscal paulista
Ministro da Fazenda conversa com Covas sobre oportunidades de
negócios em eletricidade, gás e água

O ministro britânico da Fazenda, Kenneth Clarke, como parceiro estratégico, devido às reformas
chegou a São Paulo com vontade de conversar. econômicas e o ajuste fiscal promovido por Mario
Acompanhado por um grupo de empresários Covas no Estado de São Paulo.
ingleses do setor financeiro, reuniu-se com o
governador Mario Covas, no dia 10 de janeiro de Até então, o Reino Unido vendia para o mercado
1996, para discutir a cooperação entre empresas brasileiro produtos químicos, farmacêuticos,
dos dois países e as oportunidades oferecidas equipamentos para geração de energia,
por São Paulo, principalmente nos segmentos maquinários, material de transporte e uísque.
de eletricidade, gás e água. A disposição do Do Brasil comprava, principalmente, alimentos,
ministro foi bem recebida pelo governo paulista. derivados de papel, maquinários, calçados,
Naquele período, a Grã-Bretanha elegeu o Brasil produtos químicos e tabaco.

A França quer recuperar espaço


Ministro das Finanças traz missão empresarial francesa para
reunião com o governo paulista

Em janeiro de 1996, veio ao Brasil o ministro das Finanças e do Comércio Exterior da França, Yves
Galland, chefiando uma missão com 35 representantes das maiores empresas de seu país, entre elas a
AGF, Aérospatiale, Renault, Thomson, Société Generale e CCF. Integravam a delegação de Galland, altos
funcionários dos ministérios da Fazenda, Infraestrutura, Indústria, Correios e Telecomunicações, Habitação,
Relações Exteriores e Transportes e Turismo. Na reunião de trabalho realizada com representantes de
vários setores do governo paulista, a comitiva demonstrou forte disposição da França de recuperar a
posição de relevância que, no passado, ocupara no mercado brasileiro.

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Delegação portuguesa
chega para investir
Missão de 30 empresários de Portugal reúne-se com o governador
e secretários de Estado
Esteve no Brasil, em janeiro de 1996, uma missão de empresários portugueses chefiada pela empresa
Antônio Vilar & Associados. O objetivo era aproveitar o momento de abertura do país ao exterior para
investir no Brasil. A Antônio Vilar & Associados é especializada em consultoria de investimentos, e contou
com o apoio do Consulado Geral do Brasil e do Porto. A visita foi resultado do seminário Como investir no
Brasil, realizado em 1995 na cidade do Porto, e organizado pelo ICEP – Investimentos, Comércio e Turismo
de Portugal. A delegação, composta por 30 empresários, esteve em São Paulo no dia 18 de janeiro de 1996,
quando foi recebida pelo governador Covas e vários secretários de Estado.

Da Polônia, o estímulo ao
intercâmbio acadêmico
Delegação polonesa trata com Covas da troca de experiências nas
áreas científica, econômica e educacional

Aleksander Luczak, ministro do Comitê de Pesquisas Científicas da Polônia, entrega presente a Covas

O ministro do Comitê de Pesquisas Científicas aberta uma cátedra polonesa na Universidade


da Polônia, Aleksander Luczak, e o primeiro de São Paulo e uma cátedra brasileira na cidade
vice-ministro de Relações Exteriores, Eugeniusz polonesa de Lodz, com o objetivo de estimular
Wyzner, integraram uma delegação polonesa que o intercâmbio de estudantes e professores, em
visitou o Brasil, em março de 1996. diversas áreas, entre elas, economia e ciências.

No dia 8, o governador Mario Covas recebeu em A delegação participou do 2º Congresso da


audiência os poloneses para discutir assuntos Comunidade Polonesa da América Latina, de
ligados à cooperação e a troca de experiências 13 a 16 de março, em Curitiba, cuja intenção foi
nas áreas científica, econômica e educacional. discutir a situação da colônia polonesa no Brasil,
No dia 3 de maio, data nacional da Polônia, foi envolvendo temas como folclore e idioma.

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Mario Covas cumprimenta Bernard Pons, ministro francês responsável pela infraestrutura e transporte

Tecnologia francesa à disposição


Cooperação nas áreas técnicas foi tema da conversa do ministro
francês Bernard Pons com o governador
Bernard Pons, ministro do governo francês responsável pela infraestrutura, habitação, transporte e
turismo, veio ao Brasil em março de 1996 para discutir possibilidades de cooperação entre a França e o
nosso país, principalmente nas áreas técnicas a que estão vinculadas empresas francesas reconhecidas
pela excelência de seu trabalho. No dia 25, foi recebido pelo governador Mario Covas para discutir acordos
bilaterais e uma exposição tecnológica francesa, marcada para outubro de 2000, na capital paulista.

Os 361 empreendimentos franceses então instalados no Brasil realizavam negócios de mais de 10 bilhões
de dólares e empregavam cem mil pessoas. A França era o quinto maior investidor no Brasil. Tais
investimentos se concentraram em cinco grandes grupos: Accor, Michelin, Carrefour, Rhodia e Saint-
Gobain, dos quais os três últimos figuram entre os 20 maiores grupos estrangeiros instalados no Brasil.

Desestatização na mira dos britânicos


Malcolm Rifkind, chanceler do Reino Unido, vem examinar
oportunidades nos setores de eletricidade, água e gás

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Malcolm Rifkind, chegou a São Paulo interessado no
programa privatizações do governo paulista. Foi recebido por Mario Covas, no dia 12 de abril de 1996,
em uma reunião de trabalho para discutir a ampliação das exportações e dos investimentos britânicos
no país. O ministro Rifkind trouxe consigo um grupo de empresários da área financeira para examinar
as oportunidades oferecidas pelo governo de São Paulo, particularmente nos setores de gás, água e
eletricidade. Cerca de 40 das 100 maiores empresas britânicas já estavam presentes no Brasil, em 1996.
Era grande o empenho dos britânicos em fomentar negócios com toda a América Latina - seu objetivo era
dobrar o volume de exportações para a região.

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Brazauskas reata
laços diplomáticos
Primeiro presidente da Lituânia como república independente
busca reconhecimento no Brasil
Na primeira visita de um chefe de
Estado da Lituânia ao Brasil, São Paulo
era uma parada obrigatória. Assim, o
presidente Algirdas Mykolas Brazauskas
foi recebido por Mario Covas no Palácio
dos Bandeirantes no dia 18 de março de
1996. A principal intenção da comitiva
presidencial, composta por ministros
e chanceleres, era restabelecer laços
diplomáticos e buscar reconhecimento
para o recente estado político da nova
república independente, após 50 anos
de ocupação soviética.

Localizada no centro da Europa, a


nordeste da Polônia, a Lituânia, cuja
capital é Vilnus, foi o primeiro dos
Estados bálticos (Lituânia, Letônia e
Estônia) a efetivar sua independência,
no ano de 1991. Tornou-se uma
república parlamentarista, dividida
em onze cidades e 44 distritos rurais.
Em seus 65.200 quilômetros quadrados
- quase quatro vezes menor do que o
Estado de São Paulo – abrigava uma
Mario Covas posa com Algirdas Mykolas Brazauskas, população, na época, composta de 3,7
presidente da Lituânia, vestindo a faixa do país milhões de habitantes.

Em decorrência de guerras, muitos lituanos imigraram para o Brasil. As primeiras cem famílias que
chegaram aqui fixaram residência em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Em 1996, o país tinha a maior
comunidade lituana da América Latina, e a maior colônia estava concentrada em São Paulo.

Privatizar com prudência


Ao assumir a presidência da Lituânia, Brazauskas, adepto da economia de mercado, imprimiu um ritmo prudente
às privatizações, para não desorganizar bruscamente o sistema produtivo. Em janeiro de 1994, assinou um acordo
para o ingresso do país na Parceria para a Paz, estrutura criada pela Otan para a cooperação militar com os países
do Leste Europeu. No início de 1995, 78% das antigas empresas estatais já estavam privatizadas. Em maio, o país fez
acordo de livre-comércio com a União Européia. Nesse mesmo ano, o Brasil exportou para a Lituânia 385.516 dólares
em mercadorias, com destaque para café solúvel, cacau, cigarros, máquinas e ferramentas. No mesmo período,
importou 1.875.570 dólares em tubos para aparelhos de TV, couro bovino e fios de acetato de celulose.

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Brasil, a prioridade
de Antonio Guterres
Primeiro-ministro de Portugal encontra-se com o governador de
São Paulo pela terceira vez em três anos

Durante sua gestão à frente do governo paulista,


Mario Covas recebeu Antonio Manuel de Oliveira
Guterres em três momentos distintos. A primeira
vez foi em janeiro de 1995, primeiro mês de
mandato, quando Guterres era ainda secretário-
geral do Partido Socialista português. A segunda,
em abril de 1996, seis meses após Guterres
tornar-se primeiro-ministro de Portugal, em
uma visita de cortesia. Em 24 de junho de 1997,
Covas recebeu em audiência o primeiro-ministro
português, desta vez cumprindo extensa agenda
de trabalho por países da América Latina.

No Brasil, ele esteve em Brasília, Rio de Janeiro


e São Paulo, sempre acompanhado por sua
comitiva de ministros de Estado: dos Negócios
Estrangeiros, Jaime Gama; da Educação, Marçal
Grilo; da Administração Interna, Alberto Costa;
da Economia, Augusto Mateus; e o assessor de
Comércio, Indústria e Turismo, Luís Nazaré.

Antonio Manuel de Oliveira Guterres elegeu o


Brasil como prioridade em política externa,
para negócios bilaterais e para servir de ponte
entre Portugal, a União Européia e o Mercosul.
Embora fosse favorável à integração européia,
o primeiro-ministro acreditava que Portugal
não poderia virar suas costas aos outros países
Mario Covas mostra o material sobre o programa de e blocos econômicos, e que seu país precisava
desestatização de São Paulo a Antonio Guterres encontrar novos mercados.

O que vem e o que vai

Em 1995, Portugal exportara para o Brasil mercadorias no valor de 168,8 milhões de dólares e importara
o equivalente a 453,2 milhões de dólares. No ano seguinte, vendeu um pouco mais – 225,8 milhões de
dólares – e comprou de empresas brasileiras um pouco menos – 427,9 milhões de dólares. Os principais
produtos vindos de Portugal eram: azeite de oliva, minério de cobre, combustíveis minerais, vinhos,
aparelhos e dispositivos elétricos, moldes, partes de motores, livros, brochuras, frutas e produtos
hortículas. Os produtos brasileiros mais exportados para Portugal: couros e peles, soja, bagaço e
resíduos de óleo de soja, madeira bruta, café, madeira serrada, madeira perfilada, sisal e fibras têxteis,
bagaços de extração de gorduras e chapas de ferro.

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Prodi, Covas e as reformas
Em visita inédita, o primeiro-ministro da Itália trata de pontos
coincidentes na agenda dos dois países

Mario Covas entrega presente diplomático paulista a Romano Prodi, primeiro-ministro da Itália

O governador Mario Covas recebeu em audiência Segundo o Conselho Geral de Italianos no Exterior,
o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, no a comunidade de descendentes de italianos no
dia 3 de março de 1998. Era a primeira visita de Brasil constituía-se, na época, de cerca de 23
um primeiro-ministro italiano ao Brasil. Prodi milhões de pessoas, e estimava-se que 5 milhões
veio a São Paulo acompanhado por uma comitiva residiam no Estado de São Paulo.
de ministros, conselheiros, parlamentares,
embaixadores e 110 empresários dos mais
variados setores, que mantiveram contato com O sexto mercado
industriais brasileiros na sede da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Até a chegada de Prodi, a Itália detinha o sexto lugar no
ranking de mercados mais importantes para as exportações
A conversa entre Mario Covas e Romano Prodi, no brasileiras. O intercâmbio comercial entre os dois países
Salão dos Despachos do Palácio dos Bandeirantes, expandia-se, passando de 2,75 bilhões de dólares, em
girou em torno de elementos coincidentes da 1990, para 5,2 bilhões de dólares, em 1995. Tal aumento
agenda interna de ambos os países: reformas devia-se às importações brasileiras, que passaram de 798
constitucionais, reestruturação da previdência milhões de dólares, em 1990, para 3,16 bilhões de dólares,
social, avanços no processo de privatização e a em 1995. A Itália, nesse período, era a quarta maior fonte
importância do controle do déficit público. de investimento estrangeiro direto no Brasil. Entre as
empresas italianas que mais investiram no país, boa parte
Brasil e Itália guardam profunda identificação delas instalada em São Paulo, estavam: Fiat, Iveco, Pirelli,
cultural e sentimentos de simpatia recíprocos, Stet, Parmalat, Grupo Círio, De Longhi, Polti e Candy.
favorecidos pela contribuição da imigração
italiana à formação da população brasileira.

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O chefe da Casa Militar, Cel. PM Lourival Costa Ramos, observa o cumprimento de Václav Havel e Covas

Václav Havel no papel de presidente


Primeiro chefe de Estado da República Tcheca, o dramaturgo vem
divulgar aspectos do novo país

Em setembro de 1996, o escritor e dramaturgo Covas abriu seu discurso com bom humor: “A
tcheco Václav Havel chega ao Brasil em seu história da República Tcheca nos deu muitos
papel mais importante: primeiro presidente da exemplos e uma complicação. A complicação veio
República Tcheca, nascida da divisão da antiga do povo de Praga, que, em 1618, ao atirar por
Tchecoslováquia, em 1993. Havel e sua comitiva uma janela os emissários do imperador, trouxe
vieram para uma visita oficial de cinco dias, com para a língua portuguesa uma de suas palavras
o objetivo de dar a conhecer os aspectos políticos, mais difíceis de pronunciar: o substantivo
econômicos e culturais da recente república e ‘defenestração’, ou seja, o ato de jogar alguém
verificar as possibilidades de negócios bilaterais janela abaixo, expressão com freqüência utilizada
com o Brasil. O presidente veio também agradecer metaforicamente na vida política brasileira”.
a solidariedade do povo brasileiro durante a
Segunda Guerra Mundial, por manter-se do lado Covas brincou ainda com os visitantes dizendo que
dos aliados, contra a ditadura fascista. “aos tchecos, também, devemos uma de nossas
paixões nacionais: a cerveja Pilsen, originária da
Defenestração e cerveja cidade de mesmo nome”. Destacou a seguir a
tenacidade e a coragem do povo tcheco na defesa
Ao recepcionar Václav Havel e comitiva em São de sua pátria e na manutenção de sua identidade
Paulo, em 19 de setembro, o governador Mario ao longo do tempo. “Essa identidade nós

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conhecemos muito bem. Alegre e jovial, dinâmica os absurdos do totalitarismo e da burocracia,
e empreendedora, a reencontramos em um dos nas obras O Castelo e O Processo. Mario Covas
nossos maiores presidentes: Juscelino Kubitschek encerrou seu discurso manifestando o carinho do
de Oliveira, de origem tcheca pelo lado materno povo paulista ao presidente Havel: “Que seja o
e, como todos os tchecos, também preocupado portador da nossa certeza de que o totalitarismo,
com o desenvolvimento e a industrialização”. desta vez, foi definitivamente defenestrado da
República Tcheca, isto é, que o autoritarismo saiu
O governador citou o escritor tcheco Franz Kafka, de cena para sempre, como se diria na linguagem
que anteviu “o ovo da serpente”, ao denunciar tão cara ao dramaturgo Václav Havel”.

Václav Havel e Mario


Covas conversam
com o auxílio de
uma intérprete

As relações com o Brasil

Em 1994, foi fundada em São Paulo a Câmara Internacional de Comércio, Indústria e Cultura
Brasil-República Tcheca. No ano seguinte, o Brasil exportou para os tchecos ferro, manganês,
soja, frutas, couro, tabaco e café; e importou artigos para consumo, máquinas, produtos
agrícolas, lúpulo e leite em pó. O Brasil também era tradicional comprador de maquinaria
tcheca. Em São Paulo estavam sediadas as empresas tchecas Skoda (montadora e produtora
de caminhões para fins civis e militares e plataformas de ônibus para venda no Brasil e na
América Latina) e Omnipol Brasileira S/A (produtora e distribuidora de rolamentos).

A República Tcheca
Em 1º de janeiro de 1993, a Tchecoslováquia dividiu-se em dois Estados: a República Eslovaca e a
República Tcheca, imediatamente reconhecidos pelo Brasil. País de elevado padrão econômico e cultural,
a República Tcheca localiza-se na Europa Central, sua capital é Praga e divide-se administrativamente
em oito regiões subdivididas em municipalidades. Em 1998, sua população somava 10,3 milhões de
habitantes. Industrializado desde o século XIX, destaca-se na fabricação de máquinas e equipamentos,
produz cereais e explora recursos naturais. O sistema de governo tcheco é parlamentarista, com chefe
de Estado forte. O legislativo é bicameral: o Senado conta com 81 membros, e a Câmara dos Deputados,
com 200. O voto é direto, para mandatos de seis e quatro anos, respectivamente.

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Martti Ahtisaari, o pacificador
Conhecido por sua atuação diplomática em regiões de conflito, o
presidente da Finlândia busca intercâmbio comercial no Brasil

Décimo presidente da República da Finlândia - e o um merecido Nobel da Paz


primeiro a ser eleito por voto direto -, Martti Oiva
Kalevi Ahtisaari esteve em São Paulo em fevereiro A história política do presidente Martti Ahtisaari
de 1997. Veio em missão comercial, acompanhado começa com um convite da Direção de Cooperação
de uma delegação composta por cerca de 20 da Suécia para atuar num projeto educacional no
empresários, com o objetivo de incrementar o Paquistão. Depois, foi representante diplomático
intercâmbio econômico bilateral. em Moçambique, Tanzânia, Somália, Zâmbia e
Namíbia, desempenhando importante papel no
Mario Covas e a primeira dama Lila receberam processo de independência. Em 1992, presidiu
o presidente finlandês em jantar no Palácio o grupo de trabalho da Bósnia-Herzegóvina na
dos Bandeirantes, no dia 26. O governador de Conferência Internacional sobre a ex-Iugoslávia.
São Paulo abriu seu discurso saudando “no
presidente Martti Ahtisaari, todos aqueles que, Na volta a seu país, os cidadãos da cidade de
como ele, estão empenhados na construção da Oulu propuseram sua candidatura a presidente.
paz. Sua atuação na presidência do grupo de Ganhou as eleições por larga maioria, para
trabalho da Bósnia-Herzegóvina o fez credor grande surpresa dos analistas políticos locais. A
do reconhecimento não apenas dos povos política econômica que propôs para a Finlândia
envolvidos no conflito, mas, também, de toda a foi o sustentáculo para o forte apoio popular que
comunidade internacional”, destacando, assim, desfrutou em seu país. Por seu trabalho na busca
e, em primeiro lugar, “a índole pacífica do povo de solução para a Guerra do Kosovo, em 1999,
finlandês que se assemelha à do povo brasileiro”. Ahtisaari recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2008.

Observado por Mario e Lila Covas, Martti Oiva Kalevi Ahtisaari deixa mensagem no Livro de Tombo

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Mario Covas despede-se do presidente finlandês, após o jantar realizado no Palácio dos Bandeirantes

Renda per capita reforçada

A República da Finlândia, cuja capital é Helsinque, política econômica de austeridade. O Produto Interno
ocupa território de 338 mil quilômetros quadrados. As Bruto cresceu 4,4%, em 1995, mas o país, como o
línguas oficiais são o finlandês e o sueco. É dividida restante da União Européia, teve problemas com o
em 12 províncias e tem um Parlamento unicameral, desemprego, na ordem de 17%.
composto de 200 membros eleitos por voto direto,
para mandato de quatro anos. A Finlândia entrou na União Européia como uma das
principais parceiras comerciais dos demais países
O chefe de Estado é o presidente da República, que a compõem. A pauta de importações finlandesa
com mandato de seis anos. O chefe de governo incluía reatores nucleares, equipamentos elétricos,
é o primeiro-ministro. O presidente tem poderes combustíveis, óleos, automóveis e bicicletas, plásticos
constitucionais para dirigir as relações exteriores, e derivados, ferro e aço.
escolher o primeiro-ministro e dissolver o Parlamento.
Em 1997, as 200 cadeiras do Parlamento estavam Segundo estatísticas finlandesas, em 1994, o Brasil
distribuídas entre dez partidos. Dos parlamentares, ocupava a 23ª posição entre os maiores exportadores e
67 eram mulheres. o 39º lugar entre os maiores importadores de produtos
da Finlândia. Em 1997, o Itamaraty recomendou
As mudanças impostas ao mundo pelo esfacelamento intensificação das informações sobre a abertura da
da União Soviética também chegaram à Finlândia. economia brasileira e do processo de privatizações
Por manter posição de neutralidade durante a Guerra para atrair os investimentos finlandeses, fortemente
Fria, o país arcou com a redução de sua capacidade concentrados no Chile. Sugeriu ainda a realização
de poupança interna, mas manteve uma renda per de seminários sobre investimentos e a visita de uma
capita invejável - 24.700 dólares -, graças a uma missão comercial a Helsinque.

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O presidente da França, Jacques Chirac, cumprimenta o governador Covas no encontro em São Paulo

Jacques Chirac e a balança


Disposto a ampliar o comércio bilateral, o presidente da França e
sua comitiva de empresários encontram-se com Covas

A balança comercial do Brasil com a França estava Mario Covas estava preparado para virar o jogo.
desequilibrada quando Jacques Chirac chegou ao Chirac e empresários franceses reuniram-se com
país para uma visita de três dias, em março de Covas e o presidente Fernando Henrique Cardoso,
1997. No ano anterior, os brasileiros compraram no dia 13 de março, no Hotel Mofarrej-Sheraton.
438 milhões de dólares a mais em mercadorias Integravam a audiência 17 executivos de empresas
francesas do que venderam. Mas o presidente importantes, como Carrefour, Accor e Saint-
francês não estava satisfeito. Gobain, além do milionário Jean-Luc Lagardère,
controlador da Airbus, dono do império editorial
Chirac queria desbancar os Estados Unidos do Hachette e marido da mineira Betty Lagardère.
posto de principal parceiro comercial do Brasil
e estreitar relações entre Mercosul e União A seleta platéia ouviu do governador sua visão
Européia. Por isso, trouxe em sua comitiva quase sobre a conjuntura econômica mundial, marcada
cem empresários, dispostos a fazer negócios por pela globalização, e sua esperança de que os
aqui. O que ele não sabia é que o governador problemas históricos de desequilíbrio entre Norte

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e Sul do planeta conseguissem resposta. Pelo 57% acima da média nacional, e era responsável
menos, o Brasil estava fazendo a lição de casa, por 40% do volume total de venda a varejo do
esforçando-se para tornar a democracia genuína, país. Sobre o esforço de seu governo, Covas
inclusiva, tratando de trazer mais gente para o afirmou que o Estado tratou de eliminar o déficit
consumo, manter a estabilização monetária e público, reduziu o quadro de pessoal e renegociou
consolidar a abertura externa. débitos de forma a restaurar as condições de
investir em habitação popular, saúde e educação.
A cara de São Paulo
Por fim, o governador Mario Covas discorreu sobre
De São Paulo, Covas exibiu o melhor retrato. “O o programa de desestatização e de parcerias com a
Estado responde por um Produto Interno Bruto iniciativa privada como meio de eliminar gargalos
de 200 bilhões de dólares, cerca de um terço do de transportes, telecomunicações e energia. “As
PIB nacional. Nele está contida a mais completa políticas públicas em São Paulo continuarão a
rede urbana da América Latina. Suas cidades estimular as mudanças. Essa diretriz favorecerá
médias combinam qualidade de vida com infra- a redução dos custos adicionais de produção
estrutura moderna e mão-de-obra qualificada”, criados por ineficiências de qualquer natureza e
disse, ressaltando a boa rede de transportes e o promoverá a intensificação de relações comerciais
aparato tecnológico, entre outros itens favoráveis com o resto do mundo.”
à atração de novos investimentos.
Naquele mesmo dia, Daniel Bernard, diretor
Disse aos franceses que a população paulista, do grupo Carrefour, anunciou que aceleraria os
então de 33 milhões de habitantes, contava com investimentos no país, com a abertura de seis
renda per capita anual de 6 mil dólares, cerca de novas lojas só no ano da visita de Chirac.

O prefeito Celso Pitta,


Chirac, o presidente
Fernando Henrique e
Covas descerram placa
c0memorativa

Empresários de peso

A comitiva de Jacques Chirac era composta por presidentes de importantes companhias: Edmond Alphandery, da
Electricité de France; Daniel Bernard, do Carrefour; Françoise David, da Compagnie Française d’Assurance pour le
Commerce Extérieur; Jérôme Le Carpentier, da Société Anonyme A.C.C.M.; Jérôme Monod, da Lyonnaise des Eaux; Jean-
Pierre Savare, do Groupe François-Charles Oberthur; Jean-Paulo Bailly, da Régie Autonôme de Transports Parisiens;
Pierre Bilger, do Grupo GEC-Alsthom; Paul Dubrule, da Accor; Pierre Lescure, do Canal Plus; Jean-Louis Beffa, da Saint-
Gobain; Charles de Croisset, do Crédit Commercial da França; Jean-Luc Lagardère, da Matra Hachette; Yves Michot, da
Aérospatiale; Alain de Pouzilhac, da Havas-Advertising, e Guy Vicente, diretor-geral da Société ETA.

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Mario Covas e dona Lila cumprimentam Árpád Göncz e esposa na chegada ao Palácio dos Bandeirantes

Árpád Göncz e o símbolo da integração


Ministros, banqueiros e industriais acompanham o presidente da
Hungria em almoço com Covas e Lila

O presidente da Hungria Árpád Göncz veio ao No discurso de recepção ao presidente, Mario


Brasil em 1997 com dois objetivos: fortalecer os Covas destacou: “Encravada no centro da Europa,
laços de amizade entre os dois países e constituir a Hungria tem sido o elo entre dois mundos,
relações comerciais bilaterais mais expressivas. mostrando, através da união das cidades de Buda
Em 4 de abril, o governador Mario Covas e a e de Peste, a possibilidade da confluência de vários
primeira dama Lila Covas ofereceram um almoço interesses em um só. Simbolicamente, Budapeste
em homenagem ao presidente húngaro e sua (a capital do país) parece sinalizar à comunidade
esposa, Maria Zsuzsanna Göntér, no Palácio internacional o caminho da integração”.
dos Bandeirantes. A comitiva húngara era
composta por ministros de Estado, dirigentes de
instituições financeiras e empresários dos setores Polidos e politizados
alimentício, de equipamentos petrolíferos e
agrícolas, artigos de couro, eletrodomésticos, Os cidadãos húngaros desfrutam de um dos
produtos farmacêuticos e informática. mais altos padrões de vida dos países do Leste

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Europeu. A maioria da população é de classe dos quais 386 eleitos por voto direto, para
média, bastante politizada e manifesta elevado mandatos de quatro anos. Exporta máquinas
grau de cidadania. Descendem principalmente de e equipamentos de transporte, alimentos,
tribos magiares e ocupam um território de 93.031 produtos químicos, vestuário, metais não-
quilômetros quadrados no centro-sul da Europa. ferrosos, ferro e aço, combustíveis minerais e
metais manufaturados, e importa máquinas e
A Hungria é administrativamente dividida em equipamentos, produtos químicos, petróleo e
19 condados. O Parlamento é unicameral, e a derivados, fios têxteis, roupas e manufaturas,
Assembléia Nacional é formada por 394 membros, alimentos, gás natural e metais manufaturados.

De encanador a presidente

Ao nascer em Budapeste, em
1922, Árpád Göncz recebeu o
nome do primeiro governante da
Hungria, o príncipe magiar Árpád.
Era um prenúncio do futuro que o
aguradava. Graduado em Direito,
Artes e Ciências, foi membro ativo
da resistência armada contra a
ocupação alemã. Com o fim da
Segunda Guerra Mundial, seu
país ficou sob a tutela de Moscou,
adotando o comunismo. Sob o novo
sistema político, Göncz trabalhou
como soldador e encanador.
Árpád Göncz faz uma observação a Mario Covas antes de sentar-se
para o almoço oficial no Salão dos Pratos
Em 1953, morre o ditador Josef
Stálin, alterando o rumo político da
Hungria e de Árpád Göncz. O país leva ao poder o reformista Imre Nagy, deposto pouco depois pelas forças
soviéticas. Em 1956, Göncz participa da rebelião popular, apoiada pelo Exército, que conduz Nagy novamente ao
poder. Os soviéticos reagem. Instalam János Kádár no poder (1956-1988), prendem e executam Nagy.

Durante o longo governo Kádár, o país experimentou a estabilidade e o crescimento muito antes de Gorbatchev
implementar a perestroika (reestruturação econômica) e a glasnost (abertura) no mundo comunista. Foi nessa
época que a Hungria passou a viver a plenitude da economia de mercado, abrindo suas fronteiras ao comércio
global e ao turismo, destoando assim dos demais países pertencentes à União Soviética.

Nesse período, Göncz amargou as penas dos cárceres comunistas por ter participado ativamente da Revolução
Húngara, trabalhando na Federação dos Agricultores e unindo-se aos resistentes contra a ocupação soviética.
Foi preso e, em 1958, condenado à prisão perpétua. Em 1963, Göncz ganhou a liberdade pela Lei da Anistia. Na
segunda metade dos anos de 1980, participou da criação de entidades civis e de partidos políticos. Em 1990,
elegeu-se deputado, liderando a Aliança de Democratas Livres, e foi porta-voz do Parlamento em sua sessão
de instalação. Elegeu-se presidente da República em 3 de agosto de 1990.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 51


E a Espanha quer mais
José Maria Aznár, primeiro-ministro espanhol, traz trinta
empresários para ampliar negócios no Brasil

“Safarad, para os judeus, al Andaluz, para


os árabes, Espanha, para os cristãos: são
três nomes que designam um só país. Três
nomes que demonstram que é na tolerância
que se fundamenta toda grande civilização.”
Tais palavras fizeram parte do discurso
de saudação de Mario Covas ao primeiro-
ministro da Espanha, José Maria Aznár, em
16 de abril de 1997. Naquele dia, o chefe do
Executivo espanhol esteve no Palácio dos
Bandeirantes, participando de um jantar com
empresários paulistas e com representantes
da comunidade espanhola de São Paulo.

Aznár, que acreditava nas possibilidades


de negócio no Brasil, principalmente em
São Paulo, trouxe uma delegação com vinte
representantes de grandes companhias e dez
de pequenas e médias empresas, para fazer
contato com o empresariado brasileiro. Já
estavam por aqui os hotéis Sol Meliá, os bancos
Santander, Bilbao-Vizcaya e Central Hispano e
as empresas Carbonell, Gamesa Automotiva
Ltda., GTD do Brasil e a CAF-Construção e
Auxiliar de Estradas de Ferro.

Trens com ar condicionado

Logo após a posse como governador de São


Paulo, em 1995, Mario Covas firmou acordo
entre o governo do Estado e um consórcio de
empresas européias, incluindo as espanholas,
para a compra de trinta trens com ar
condicionado e música ambiente para a CPTM.
Mario Covas e o primeiro-ministro espanhol, José Maria
Covas queria conforto e segurança para o
Aznár, em corredor do Palácio dos Bandeirantes transporte público da periferia da capital.

Diversidade cultural

Ladeada pelo mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, a Espanha ocupa uma área de 505.954 quilômetros
quadrados, a sudoeste da Europa. Convivem ali mais de 46 milhões de habitantes, entre eles bascos,
catalães e galegos, donos de línguas e culturas próprias. Esses povos vivem em três das 17 regiões
autônomas da Espanha. O sistema de governo é a monarquia parlamentarista, que possui um Legislativo
bicameral com 256 senadores e 350 deputados. As principais cidades são: Madri, a capital, Barcelona,
Valença, Sevilha e Saragoza. O turismo é uma importante fonte de divisas do país, dadas as praias,
as touradas, os tesouros arquitetônicos de Gaudi e as pinturas de Goya, Picasso, Miró e Salvador Dali.

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Niels Helveg Petersen, ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, em audiência com Covas

Niels Helveg segue o protocolo


Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca é recebido em
audiência pelo governador de São Paulo

A visita do ministro das Relações Exteriores da Dinamarca ao Brasil, Niels Helveg Petersen, no início de
1997, foi protocolar. Procedente de Santiago, capital do Chile, ele esteve no país a convite do chanceler
brasileiro Luís Felipe Lampreia. Em Brasília, o ministro encontrou-se com o presidente Fernando Henrique
Cardoso e com ministros da área econômica. Petersen visitou Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo, onde
foi recebido em audiência pelo governador Mario Covas, no dia 8 de janeiro.

O Brasil, na época, era o maior parceiro comercial da Dinamarca na América Latina. Segundo dados do
Itamaraty, as relações entre os dois países eram boas e construtivas, e a cooperação bilateral poderia
desenvolver-se de modo mais positivo à medida que as expectativas dos dinamarqueses quanto à
evolução da economia brasileira fossem se ajustando às novas realidades de mercado. Em 1995, o Brasil
importou cerca de 177 milhões de dólares da Dinamarca e exportou 250 milhões de dólares.

Jorge Coelho festeja o Dia de Portugal


Ministro português da Administração Interna participa de
comemorações lusitanas em São Paulo

Foi de cortesia a visita do ministro da Administração Interna de Portugal, Jorge Coelho, recebido pelo
governador Mario Covas no dia 9 de junho de 1998, no Palácio dos Bandeirantes. O ministro veio a São
Paulo para participar, no dia 10, das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Portuguesas. Integravam a comitiva do ministro o embaixador de Portugal, o chefe de gabinete do
ministro e o cônsul-geral de Portugal em São Paulo.

Portugal ocupa uma área de 91.986 quilômetros quadrados a oeste da Península Ibérica. Sua economia
destaca-se pela agricultura, pecuária, pesca, extração de minérios, indústrias de vestuário, calçados,
cortiça, química, aparelhos elétricos, cerâmica e polpa de papel. O país produz ainda vinhos e
azeitonas, de qualidade reconhecida internacionalmente. Destaca-se como centro turístico graças ao
clima mediterrâneo, aos vestígios da presença romana e árabe na região e aos palácios, conventos e
monumentos que testemunham seu passado de potência marítima.

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Mario Covas e Jorge Sampaio exibem suas condecorações sob os olhares das esposas Lila e Maria José

Português com e sem sotaque


Na recepção a Jorge Sampaio, presidente de Portugal, Covas
expressa com humor a amizade entre brasileiros e lusitanos

Ao oferecer um jantar de recepção ao presidente eu falo é português’”, disse Covas, provocando


de Portugal, Jorge Sampaio, e sua esposa, Maria gargalhadas na audiência. “Que nos perdoe o
José Ritta, em 9 de setembro de 1997, o governador senhor Jorge Sampaio se falamos português
Mario Covas iniciou seu pronunciamento com sotaque. Mas o fato é que, nestas terras –
expressando a amizade, o humor e a união que tão distantes de Lisboa, mas tão próximas do
mesclam as relações de portugueses e brasileiros coração lusitano –, nos legaram os colonizadores
desde os tempos da colonização: o patrimônio cosmopolita, o espírito universal e
a pluralidade cultural da sociedade portuguesa,
“Um amigo português contou-me certa vez que viabilizaram a expansão por cinco oceanos.”
que, após fazer compras numa loja, quando já
estava indo embora, a vendedora – uma jovem “E assim construímos uma nação múltipla
bonita e simpática – comentou: ‘que sotaque racialmente, mas una na identidade e na
bonito o senhor tem’. Não sem alguma irritação, preservação da cultura herdada dos portugueses”,
retrucou o amigo: ‘sotaque tens tu, menina, prosseguiu o governador. “Uma nação que

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sintetizou a linguagem dos primeiros povoadores qualquer maneira, estamos aqui comemorando
com a dos primeiros americanos e a dos novos exatamente essa união.” Depois de afirmar que
brasileiros trazidos da África.” “quando se saúda um presidente, se homenageia
aquilo que há de mais nobre em uma nação: o
“Oswald de Andrade, um irreverente homem de seu povo”, Mario Covas citou como exemplo
letras paulista, apontava como ato inaugural da da excelência do povo português algumas das
cultura brasileira a deglutição do bispo Afonso personalidades famosas mais conhecidas, desde
Sardinha, português devorado pelos índios grandes navegadores até eminentes homens
caetés, em 1556. Esse evento radical simbolizaria, de letras, como Fernando Pessoa, Camões e
da maneira mais íntima, a união entre as duas José Saramago. Encerrou sua fala, destacando a
culturas, entre os dois continentes. Muitos, trajetória do presidente Jorge Sampaio, marcada
porém, contestam a tese, ressaltando que, com pelo esforço em restaurar os valores democráticos,
índios bravos como aqueles, um bispo com aquele necessários à modernização de seu país.
nome não poderia ter destino diferente. De

Troca de honrarias

Para renovar e reafirmar os


laços de amizade entre São
Paulo e Portugal, Mario Covas
e Jorge Sampaio condecoraram
um ao outro, com as mais altas
honrarias de seus governos.

Covas recebeu a Ordem do


Infante Dom Henrique, no grau
de Grã-Cruz, e Sampaio, a Ordem
do Ipiranga, também no mais
alto grau, de Grã-Cruz. As duas
comendas são utilizadas para
homenagear aqueles que, com
seus méritos pessoais, prestaram
relevantes serviços ao país.

Homem de esquerda
Jorge Fernando Branco de Sampaio nasceu em Lisboa, em 1939. Participou de movimento estudantil
e, como advogado, defendeu presos políticos. Após a Revolução dos Cravos, que pôs fim ao regime
ditatorial salazarista em abril de 1974, foi um impulsionador da criação do Movimento de Esquerda
Socialista. Em 1978, aderiu ao Partido Socialista e elegeu-se deputado à Assembléia da República por
cinco legislaturas. Em 1996, foi eleito presidente de Portugal, no primeiro turno, com 53% dos votos. É
autor dos livros A festa de um sonho, publicado em 1991, e Um olhar sobre Portugal, editado em 1995.

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O Príncipe de Orange e o IPT
Herdeiro do trono holandês compromete-se a ampliar a
colaboração tecnológica com o instituto

Mario Covas recebe Willem-Alexander Claus


George Ferdinand, príncipe holandês O governador Mario Covas recebeu no Palácio dos
Bandeirantes Willem-Alexander Claus George
Ferdinand, o Príncipe de Orange, herdeiro do
trono do Reino dos Países Baixos, nome oficial da
Holanda, no dia 12 de março de 1998. Durante a
nobre visita, foi assinada uma carta de intenção
entre a Universidade Tecnológica de Delft e o IPT
(Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado
de São Paulo), com o objetivo de aprofundar a
colaboração entre as duas instituições.

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Willem-Alexander, nascido em 27 de abril de 1967, Dotado de espírito renovador, Maurício de
em Utrecht, é filho primogênito da rainha Beatrix Nassau ganhou a simpatia de parte dos senhores
e do príncipe Claus de Amsberg. Graduou-se em de terras, implantando medidas de estímulo à
História pela Universidade de Leiden, concluindo recuperação de engenhos de açúcar e plantações.
mestrado em 1993. É capitão-tenente da Realizou obras de urbanização no Recife, ampliou
Marinha, tenente-coronel do Exército e da Força a lavoura açucareira, desenvolveu fazendas de
Aérea e representa a Casa Real Holandesa em gado e assegurou a liberdade de culto.
eventos oficiais. O príncipe é membro de diversas
entidades beneficentes e esportivas dos Países Trouxe como colaboradores uma equipe de
Baixos e patrono do Comitê Olímpico Holandês. cientistas e promoveu estudos de História
Natural, Astronomia, Meteorologia e Medicina.
É também responsável pela vinda de artistas,
Namoro antigo como os pintores Frans Post e Albert Eckhout, os
primeiros a retratar cenas do cotidiano brasileiro.
A origem das relações entre o Brasil e o Reino dos
Países Baixos remonta ao século XVII, quando A administração de Maurício de Nassau terminou
os holandeses realizaram duas tentativas de em 1654, quando os colonos portugueses,
se estabelecer na região Nordeste. A primeira, apoiados por Portugal e a Inglaterra, conseguiram
na Bahia, em 1624, o domínio durou pouco. Em expulsar os holandeses do Brasil. A partir de
Pernambuco, em 1630, levou 24 anos. 1950, grupos holandeses se instalaram no Brasil
e se dedicaram à floricultura, à suinocultura, à
As invasões eram um empreendimento ligado produção de laticínios, à avicultura e à citricultura
aos interesses do capitalismo mercantil europeu com notável sucesso. No Estado de São Paulo, o
na América, com o objetivo de recuperar para município de Holambra destaca-se como um dos
a Holanda o comércio de açúcar e de escravos, redutos importantes de população holandesa
fortemente prejudicados no decorrer do domínio no Brasil. Localiza-se na região de Campinas
espanhol (1580-1640). Durante esse período, a e é conhecido por sua rica produção de flores
Holanda enviou seu príncipe Maurício de Nassau e plantas. O nome Holambra é um anagrama,
ao Brasil para administrar as terras conquistadas. formado de Holanda, América e Brasil.

Empresários holandeses de olho em São Paulo

Meses depois da visita do Príncipe de Orange, Mario Covas recebeu o primeiro-ministro do Reino dos
Países Baixos, Wim Kok, para uma reunião de trabalho. Em 26 de novembro e 1998, o staff governamental
chegou com uma comitiva de 80 empresários, conferindo relevante dimensão econômica ao encontro.
A visita do primeiro-ministro refletiu o interesse do governo holandês em dinamizar as relações entre
os dois países e contribuiu para reforçar a imagem positiva do Brasil nos planos político, econômico e
cultural, com a implantação de uma cátedra de estudos brasileiros na Universidade de Leiden.

Países muito baixos


Metade dos 41.526 quilômetros quadrados do território da Holanda, no oeste da Europa, fica abaixo do
nível do mar. Por isso, foi construído um complexo sistema de diques, aterros e canais para aumentar a
área do país, avançando-o sobre o Mar do Norte. Bastante industrializada, a Holanda destaca-se como
quarto país produtor de gás natural e é famosa por seus moinhos, que trabalham impulsionados pelos
ventos fortes da região. Tem 70% de seu território cultivado, mas importa matérias-primas industriais.

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Mario Covas e o príncipe Albert, de Mônaco, trocam presentes diplomáticos em São Paulo

Albert, um príncipe em São Paulo


Então herdeiro do trono de Mônaco, sua alteza veio tratar da
construção de uma indústria em Taubaté

Como primeira missão destinada a promover Faixa preta no trono


a aproximação sócio-econômica entre Brasil e
Principado de Mônaco, o governador Mario Covas O príncipe Albert Alexandre Luis Pierre nasceu em
recebeu, em 11 de novembro de 1998, a visita de 14 de março de 1958, filho do príncipe Rainier III
sua Alteza Sereníssima, o príncipe Albert, então e da bela princesa e ex-atriz norte-americana
herdeiro do trono de Mônaco. O nobre chefiava Grace Kelly, protagonista de Disque M para
uma comitiva de ministros e embaixadores, Matar, filme clássico de Hitchcock. Formado em
cuja principal agenda foi a assinatura de Ciências Políticas pela Universidade de Amherst,
um contrato para a construção da indústria Massachusetts (EUA), é um aficionado por esportes
Mecaplast do Brasil, de capital monegasco, em e faixa preta de judô. Recebeu várias medalhas
Taubaté, interior paulista. A fábrica, altamente por participação em competições como atletismo,
mecanizada, fornece tecnologia para a produção futebol, handebol, judô, natação, tênis, esqui,
de componentes de plástico injetado para a squash e esgrima, entre outros. É presidente
indústria automobilística do Mercosul. da Cruz Vermelha monegasca, vice-presidente
da Fundação Princesa Grace – EUA, que concede
O príncipe Albert também participou de um bolsas de estudos a jovens talentos no campo das
seminário na Federação do Comércio do Estado artes, membro de honra do Instituto Internacional
de São Paulo, voltado para aspectos econômicos, de Direito Humanitário, com sede em Genebra, e
comerciais, culturais e turísticos de Mônaco e do comitê de apoio ao World Life Fund, da França.
cumpriu intensa agenda, com vários encontros Com a morte de Rainier III, em 2005, assumiu o
de negócios e compromissos sociais. trono como soberano de Mônaco.

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Acompanhado de secretários de Estado, Covas realiza reunião de trabalho com o príncipe de Mônaco

O segundo menor Estado do mundo


Pequeno, o Principado de Mônaco tem apenas o primeiro-ministro Jean-Paul Proust. O turismo
1,95 quilômetro quadrado de território e é o e o setor imobiliário são as grandes forças que
segundo menor Estado do mundo – só perde em movem a economia local. No ano da visita do
tamanho para o minúsculo Vaticano. A capital do príncipe Albert a Covas, o orçamento de Mônaco
país é Mônaco Ville. Por acordo fechado em 1891, era superavitário há dez anos.
a França controla a moeda, a defesa e representa
os interesses internacionais de Mônaco. A língua No Principado de Mônaco, não há incidência
oficial é o francês, embora a população também de impostos diretos sobre pessoas físicas. Os
fale o monegasco, uma mistura do provençal com recursos do Estado provêm de taxas sobre
o dialeto italiano da Ligúria. negócios, rendas aduaneiras, fabricação de
cigarros, fósforos, perfumaria, cerâmica e
Monarquia parlamentarista, Mônaco tem como indústrias alimentícias. Mônaco não tem dívida
chefe de Estado o príncipe Albert II, da família pública e, segundo o consulado no Brasil, jamais
Grimaldi, desde 2005, e como chefe de governo, um príncipe recorreu a um empréstimo.

Curiosidades monegascas
• A família Grimaldi reina há 700 anos.
• A data nacional é 19 de novembro, dia de Santo Rainier.
• Em 1967, o príncipe Rainier III encampou a Societé Bains de Mer, que controlava o
cassino de Monte Carlo, pertencente ao armador grego Aristóteles Onassis.
• Segundo o Consulado Geral de Mônaco, no principado não existem pobres.
• O príncipe Albert I, pai de Rainier III, foi pioneiro nas pesquisas oceanográficas.
• Santos Dumont realizou algumas experiências com o “mais pesado que o ar” em Mônaco.
Certa noite, ao tentar um vôo, o aparelho caiu na baía e Santos Dumont foi socorrido
pessoalmente pelo príncipe Albert I, seu amigo, que acompanhava o evento.
• A Academia Internacional de Turismo nasceu em Mônaco. O principado detém a secretaria da instituição
em caráter permanente. Ali é editado, em diversas línguas, o Dicionário Internacional do Turismo.
• O Principado possui um time de futebol, o Mônaco.
• Nas ruas de Monte Carlo é realizado anualmente o Grande Prêmio de Fórmula 1, o mais
famoso evento do país. Os pilotos brasileiros Ayrton Senna e Nélson Piquet, quando
atuavam na Fórmula 1, viviam em Mônaco como cidadãos monegascos.

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Um encontro de amigos

Mario Covas e Mario Soares conversam animadamente na sala vip do Parlatino Americano, em 1999

Dois Marios... A admiração de um pelo outro era recíproca.


O Covas, da década de 1930, um brasileiro Mario Covas e Mario Soares gostavam de política,
de Santos, engenheiro civil, líder partidário, respeitavam a democracia, lutavam pela
deputado federal, prefeito de São Paulo, senador liberdade e viviam pelo bem comum.
da República e governador de São Paulo.
No último encontro havido entre os dois, no dia
O Soares, dos anos 1920, um português de Lisboa, 2 de dezembro de 1999, na sala vip do Parlatino
advogado, líder partidário, primeiro-ministro Americano, para a solenidade de abertura
(1976 a 1978 e 1983 a 1985) e presidente da da 1° Sessão da Comissão Internacional pelos
República (1986 a 1996) de seu país. Direitos da Juventude e da Adolescência, da
qual Mario Soares foi presidente de honra, o
O Covas foi preso, teve o mandato cassado e então governador paulista e o ex-presidente
os direitos políticos suspensos por dez anos. O português conversaram, como sempre, muito
Soares foi preso, deportado e exilado na França. animadamente. O que disseram...

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Mario Covas e Manuel Fraga Iribarne assinam protocolo de cooperação entre a Galícia e São Paulo

Da Galícia, lembranças e protocolo


O presidente Iribarne, galego como os antepassados de Covas,
fortalece os intercâmbios universitários

Expressiva, a comunidade espanhola em São Durante o encontro, foi assinado um protocolo


Paulo contava com cerca de 90 mil pessoas, entre de cooperação entre a Junta de Governo da
imigrantes e seus descendentes, em 1999. Mario Galícia e o governo do Estado de São Paulo,
Covas, neto de espanhóis galegos da cidade de visando promover a assistência mútua no
Pontevedra, era um deles. Com emoção, Covas desenvolvimento de atividades relacionadas à
recebeu o presidente da Junta de Governo da União Européia e ao Mercosul. A intenção era a
Região Autônoma da Galícia, Manuel Fraga de estimular as relações econômicas bilaterais,
Iribarne, no dia 23 de novembro de 1999. fortalecer os intercâmbios universitários e
culturais, organizar seminários sobre os temas
A comitiva, composta por integrantes do governo constantes do protocolo e implantar um
e empresários, apresentou os cumprimentos do programa de formação de bolsistas, destinando-
povo galego ao governador paulista, oferecendo- os a órgãos do governo paulista, da Galícia e de
lhe a medalha de ouro da Galícia. suas representações no Mercosul.

Na rota dos peregrinos


A Galícia, uma das 17 regiões autônomas da Espanha, situa-se no extremo noroeste da península Ibérica e limita-se
com Portugal. Montanhosa e úmida, com litoral recortado por rios, estuários rochosos e amplos, ricos em mariscos,
possui uma cultura original, folclore diversificado e língua própria: o galego, que se assemelha ao português.
Foi célebre durante a Idade Média devido ao Caminho de Santiago, principal rota de peregrinação européia, entre
os séculos XI e XVIII. A região está dividida em quatro províncias: Pontevedra, La Coruña, Lugo e Ourense. Suas
construções e espaços mais representativos ficam no interior ou nas imediações da zona que, desde a Baixa Idade
Média, esteve delimitada por muralhas: praças, igrejas góticas dos séculos XIV e XV, a Basílica de Santa Maria e o
templo de San Bartolomé, que pertenceu à Companhia de Jesus.

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Francisco Weffort, ministro da Cultura, aplaude o cumprimento de Mario Covas e Carlo Azeglio Ciampi

Carlo Ciampi vai à Pinacoteca


Presidente da Itália inaugura exposição do pintor Giacomo Balla e
lança edição brasileira de jornal de seu país

O governador Mario Covas e dona Lila, presidente técnico da pintura futurista, feitos em 1910.
do Fundo Social de Solidariedade, receberam o Giacomo Balla teve forte influência na Semana
presidente da República Italiana, Carlo Azeglio da Arte Moderna de 1922 no Brasil.
Ciampi e comitiva, em almoço no Palácio dos
Bandeirantes, no dia 13 de maio de 2000. Durante a visita, o governador Covas e o
presidente Ciampi também participaram do
À noite, na Pinacoteca do Estado, inauguraram lançamento da edição brasileira do jornal Corriere
a exposição do pintor Giacomo Balla (1871-1958), della Sera, jornal italiano fundado em 1876 e líder
um dos fundadores do futurismo e signatário do de tiragem naquele país, que seria publicado, em
Manifesto da pintura futurista e do Manifesto língua italiana, pelo O Estado de São Paulo.

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O intercâmbio cultural entre Brasil e Itália era exportavam para o Brasil, enquanto 5,5 mil
expressivo, mas não maior do que as trocas empresas brasileiras vendiam para a Itália.
comerciais. A Itália manteve-se como o sexto Segundo o Instituto Italiano para o Comércio
mercado mais importante para as exportações Exterior, o Brasil assumiu crescente importância
brasileiras nos anos que antecederam a visita para as operações de grandes grupos empresariais
de Ciampi. Em 2000, 10 mil empresas italianas italianos como Fiat, Pirelli e Parmalat.

São Paulo: um pedaço da Itália no Brasil

Em seu pronunciamento, o governador Mario Covas disse ao presidente Carlo Azeglio Ciampi que o recebia com
alegria “no ano em que o Brasil comemora o seu quinto centenário” e que sua visita iria “estreitar a fraternidade
entre países que há muito possuem laços comuns...”, uma vez que “a Itália teve a generosidade de ceder-nos o mais
precioso bem de qualquer nação: os seus filhos”. Estimava-se, na ocasião, que residissem no Estado de São Paulo
cerca de 5 milhões de italianos e descendentes, somando 23 milhões em todo o Brasil.

“Talvez sem qualquer modéstia – e certamente com muito orgulho – nossa capital se considera a maior cidade
italiana em todo o mundo. E também a que faz a melhor pizza...”, brincou Covas. Em seguida, assinalou que a cidade
de São Paulo “está profundamente marcada pela cultura italiana”, do trabalho às artes. E agradeceu: “Somos
especialmente reconhecidos aos capitães de indústria e aos milhares de operários italianos que aqui chegaram para
construir o nosso desenvolvimento. E também a seus filhos. Juntos enriqueceram para sempre a cultura brasileira:
de Anita Malfatti a Portinari e Volpi, de Camargo Guarnieri a Francisco Mignone, de Lívio a Cláudio Abramo, de
Franco Zampari a Adolfo Celli. Pintores, escultores, gente de teatro, arquitetos, intelectuais e cientistas que, a
exemplo de Lina Bó e Pietro Maria Bardi, fizeram desta terra a terra nostra, a pátria de todos nós”.

Mario Covas destacou a “eloqüência” da democracia italiana pela escolha de Carlo Azeglio Ciampi para a Presidência
da República que, não sendo parlamentar e “não alinhado a qualquer partido, foi eleito em primeira votação”. Com
uma declaração de amizade entre os dois países, encerrou seu discurso: “Todos os caminhos levam a Roma, porém,
o mais seguro, o melhor deles, é o que une a Itália ao Brasil”.

O saneador das finanças


Carlo Azeglio Ciampi nasceu em 9 de dezembro de 1920, em Livorno. Formou-se em Literatura em 1941,
na Escola Normal de Pisa. Cinco anos depois, graduou-se em Direito, pela Universidade de Pisa. Iniciou
sua carreira pública em 1946, na Banca d’Italia (Banco Central italiano), instituição financeira que
presidiu entre os anos de 1979 e 1993. De abril de 1993 a maio de 1994, foi primeiro-ministro na transição
entre os governos de Giuliano Amato e Silvio Berlusconi.

Antes de assumir a Presidência da República, em 1999, exerceu o cargo de Ministro do Tesouro, Orçamento
e Programação. Foi um dos principais responsáveis pelo saneamento das finanças públicas e pela
adesão da Itália ao euro. Primeiro não-parlamentar eleito a presidente em cinco décadas, Ciampi foi
o décimo chefe do Executivo italiano, cargo que exerceu de 13 de maio de 1999 a 15 de maio de 2006.

A Constituição italiana de 1948 estabeleceu um parlamento bicameral, que é formado por uma Câmara
de Deputados e de um Senado. O sistema executivo é composto de um Conselho de Ministros, encabeçado
pelo primeiro-ministro. O presidente da República tem direito a um mandato de sete anos, escolhe o
primeiro-ministro, e este propõe os outros ministros, que são aprovados pelo presidente.

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Aos reis da Espanha, com carinho
Brasileiro de sangue espanhol, Mario Covas recebe o rei Juan
Carlos I e a rainha Sofia com um discurso emocionado

O rei Juan Carlos I, Mario Covas, Lila Covas e a rainha Sofia em recepção no Palácio dos Bandeirantes

No dia 12 de setembro de 2000, o governador Mario pela ousadia dos versos ou se pelo atrevimento
Covas e sua esposa, dona Lila Covas, receberam em verter para o castelhano um trecho das
o rei Juan Carlos I e a rainha Sofia da Espanha. Sagradas Escrituras. Mas conta-se que, no século
O casal real permaneceu em São Paulo durante XVI, frei Luís de Leon – após traduzir o Cântico
dois dias. Nesse curto período, os monarcas dos Cânticos, de Salomão – foi despojado de sua
visitaram a Mostra do Redescobrimento, evento cátedra em Salamanca e preso. Libertado após
das comemorações dos 500 anos do Brasil, e a cinco anos de confinamento, imediatamente
Estação Especial da Lapa. Compunham a comitiva retornou à famosa universidade. Logo em
membros do governo e séquito de 24 pessoas. sua primeira aula, foi falando com toda a
naturalidade: Conforme dizíamos ontem...”
Em seu discurso de saudação, Mario Covas falou
do povo espanhol, deixando transparecer traços “Talvez nada revele melhor o caráter espanhol
de sua própria identidade e o carinho dedicado do que estas palavras. Pois aos ibéricos não
aos seus ascendentes que, junto com outras intimidam as adversidades. Enfrentam-nas,
etnias, constituíram a mescla de culturas que antes, com destemor e galhardia. E, vencida a
compôs a nação brasileira: “Não se sabe bem se tribulação, as encaram até mesmo com altivez.”

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“É uma grande honra para todos nós receber a “Conhecimento e trabalho: estes foram os valores
visita de Suas Majestades, o rei Juan Carlos I e a que os espanhóis, mesmo os mais modestos,
rainha Sofia, pois os laços que nos unem são tão trouxeram consigo. O saber técnico multiplicado
antigos quanto a própria história de São Paulo. nas fábricas, na agricultura, nos escritórios, nas
Foi o trabalho de Anchieta, espanhol das Ilhas artes e nas ciências.”
Canárias, que pacificou os índios do planalto e
fez crescer a cidade em torno do modesto colégio No fecho de seu discurso, agradece a contribuição
dos jesuítas”, disse Covas, emocionado. do rei Juan Carlos I à democracia: “Senhor Dom
Juan Carlos, não só a Espanha, mas também o
“Eram espanhóis, igualmente, muitos dos nosso continente têm um débito para com Vossa
primeiros povoadores... Talvez fidalgos uns, Majestade. Seu firme empenho na defesa da
trabalhadores, outros. Tal como fidalgos e democracia espanhola e na liberdade, este bem
trabalhadores se reencontrariam aqui, muitos que não tem substituto, esta palavra que não tem
séculos mais tarde, para, junto com outros povos sinônimo, foi decisivo para que os povos latino-
do mundo, construir uma grande nação.” americanos caminhassem no mesmo sentido,
ampliando seus direitos e sua prosperidade.”
“Se a linha de Tordesilhas separou um dia as
terras de Portugal e de Espanha, em São Paulo E deixa também sua mensagem de esperança:
ela riscou o traço de união do continente. Pois “Aguarda-nos o século XXI. Nele reencontraremos
nossa gente não conheceu fronteira para cumprir a Espanha e o Brasil cada vez mais unidos. Não
a vocação cosmopolita.” para viver a luta vã contra os moinhos de vento,
mas sim para concretizar o sonho definitivo de
“Constrange-me falar da Espanha. Mas, ao Dom Quixote, que é o da preservação dos bons
mesmo tempo – num sentimento bem espanhol princípios da cortesia, da coragem e da justiça.”
–, muito me orgulha. Porque me honram avós
nascidos ali onde a Espanha acaba e o oceano
começa. Na Galícia. Em Pontevedra, vizinha a
Compostela, onde repousa o discípulo de Cristo
e apóstolo da Ibéria – término da jornada de
peregrinos que, em todos os tempos, com os pés
firmes sobre a terra, mas com os olhos voltados
para os céus, para a Via Láctea, buscavam
o caminho de Santiago. E o encontravam.”

O sonho de Dom Quixote

Mario Covas segue em seu discurso discorrendo


com paixão os muitos feitos do povo espanhol
durante séculos, suas conquistas, suas produções
artísticas, sua criatividade em todas as áreas do
saber e no trabalho cotidiano.

O rei Juan Carlos I e o governador Mario Covas conversam


enquanto aguardam o início da cerimônia oficial
O monarca tem poder

A Espanha é regida por uma monarquia parlamentarista em que o soberano não é apenas uma figura
decorativa. O rei é o chefe de Estado, arbitra e modera o funcionamento das instituições democráticas,
representa o país nas relações internacionais, sanciona e promulga leis e detém o comando supremo
das Forças Armadas. Pode convocar e dissolver Cortes Gerais e convocar eleições. É o rei que propõe o
candidato a primeiro-ministro ao Parlamento. Se for aprovado, o monarca o nomeia e pode destituí-lo.
O primeiro-ministro chefia o Conselho de Ministros, que exerce o poder executivo.

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Europa
Do continente europeu, Mario Covas recebeu ainda as seguintes visitas:

1995 • José Antônio Ardanza Garro,


• Jean-Pascal Delamuraz, vice-presidente presidente do País Basco, Espanha
e ministro da Economia da Suíça • Hiroshi Nagajima, diretor geral da
• Philippe Lecourtier, embaixador Organização Mundial de Saúde, Suíça
da França no Brasil • Antônio de Sousa Franco, ministro
das Finanças de Portugal
1996
• Marco Formentini, prefeito 1999
de Milão, Itália • Frederik Korthals Altes,
• Artur João Lourenço Vaz, senador e chefe da delegação de
governador de Vila Real, Portugal parlamentares da Holanda
• Felipe de Borbón y Grecia, príncipe de • Roberto de Sousa Rocha
Astúrias e herdeiro do trono espanhol Amaral, vice-presidente do
• Anthony Nelson, ministro do governo dos Açores, Portugal
Comércio da Grã-Bretanha • Angelo Capodicasa, presidente
da Sicília, Itália
1997 • Patrizia Toia, vice-ministra de
• Oscar Knapp, embaixador Relações Exteriores da Itália
da Suíça no Brasil • Francisco José Laço Treichler Knopfli,
• Claus-Jürgen Duisberg, embaixador embaixador de Portugal no Brasil
da Alemanha no Brasil • Danilo Türk, embaixador
• Paul Dijoud, embaixador da Eslovênia no Brasil
extraordinário da França • Roger Bridgland Bone, embaixador
• Per Christer Magnus Manhusen, da Grã-Bretanha no Brasil
embaixador da Suécia no Brasil
• Edmund Stoiber, ministro- 2000
presidente da Baviera, Alemanha • Piero Franco Rodolfo Fassino, ministro
• Erhard Rittershaus, vice-prefeito do Comércio Exterior da Itália
de Hamburgo, Alemanha • John Prescott, vice-primeiro-
• César Alba, embaixador ministro da Grã-Bretanha
da Espanha no Brasil • Jozef Adamec, embaixador da
• Miguel Sanz Sesma, presidente República Eslovaca no Brasil
de Navarra, Espanha • Vartan Oskanian, ministro das
• Michelangelo Jacobucci, Relações Exteriores da Armênia
embaixador da Itália no Brasil • John Campbell, embaixador da
• Bohdan Jastrzebski, governador Irlanda em Portugal e no Brasil
de Varsóvia, Polônia • Emil Constantinescu,
• Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim, presidente da Romênia
presidente da Ilha da Madeira, Portugal • Juan José Lucas Giménes, presidente
de Castilla y León, Espanha
1998
• Ignacio González, vice-ministro da
Educação e Cultura da Espanha
• Zdenka Kramplová, ministra
dos Negócios Estrangeiros
da República Eslovaca

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Elias Hraoui no Pequeno Líbano
Presidente do Líbano, esposa e filha são recebidos em jantar com
a comunidade libanesa de São Paulo

Lila Covas, Elias Hraoui e intérprete, Mario Covas e Mouna Elias Hraoui em jantar no Clube Monte Líbano

O governador Mario Covas e sua esposa dona Lila deram à formação da sua nacionalidade. Uma
receberam o presidente do Líbano, Elias Hraoui, comunidade que, pelo seu número, e em que
sua mulher, Mouna Elias Hraoui, e a filha do pese a vastidão do nosso território, “pode nos
casal, Reina Hraoui Hajjal, no dia 4 de setembro levar a ser chamados de Pequeno Líbano. Porque
de 1997, em jantar de confraternização no Clube Grande Líbano é aquele que, confinado entre as
Monte Líbano, com a presença de representantes altas montanhas e o Mediterrâneo, conquistou o
da comunidade libanesa radicada em São Paulo. mundo pelo comércio, pela cultura, pelo valor de
seu povo”, assinalou o governador.
Em seu discurso, o governador Mario Covas saudou
o presidente Hraoui e o povo do Líbano, afirmando “Brasileiros e libaneses estavam mesmo
que o Brasil muito se orgulha da contribuição que condenados a firmar uma grande amizade.
cerca de 6 milhões de libaneses e descendentes Afinal, aqui, como no Líbano, em São Paulo como

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em Zahle, encontramos a mesma sociabilidade, com a paz mundial. Solidariedade, tolerância e
o mesmo espírito cordial, a mesma alegria e paz: estes são anseios de todos os povos. Estes
doçura de viver. Até mesmo quando os tempos são o fundamento da prosperidade das nações.
se apresentam amargos. E foi com sonhos, com Estas são as marcas que o presidente Elias Hraoui
muitos sonhos e o firme desejo de concretizá- gravou na história de seu país”.
los, que aqui aportaram aqueles que, talvez
considerando-se os últimos, mostraram estar O governador citou em sua fala um dos grandes
entre os primeiros de sua nova pátria.” pensadores libaneses, Kalil Gibran Kalil (1888-
1931). “‘Grande cantor é aquele que canta os
Um homem de paz nossos silêncios’. Este pensamento, que contém
uma sabedoria milenar, nos remete à nossa
Prosseguindo seu discurso, Mario Covas mostrou própria subjetividade. Mas evoca também a
seu contentamento em receber o presidente daqueles que nos precederam e que o tempo
do Líbano: “É uma satisfação, também, porque calou. Mas tem um lado pragmático, também,
o presidente Hraoui é uma personalidade pois alerta para o fato de que muitas vezes o
forjada na experiência solidária do movimento silêncio é mais eloqüente do que o discurso.”
cooperativista. Uma personalidade temperada
pelo espírito de tolerância, que o fez um Ao encerrar seu pronunciamento, o governador
destacado articulador da ampla participação Mario Covas disse: “Na lembrança de todos os
política das 18 comunidades religiosas que que trabalharam e trabalham pela amizade entre
compõem a nação libanesa. Uma personalidade, o Brasil e o Líbano, manifestamos, em nome
enfim, profundamente comprometida com o do povo de São Paulo, a alegria de ter vossas
processo de construção da paz em seu país e excelências entre nós, desejando-lhes que aqui
no Oriente, e, por isso mesmo, comprometido tenham uma boa estada”.

A Ordem do Cedro

No encontro com Elias Hraoui, o governador Mario Covas foi agraciado com a Ordem do Cedro, uma
honraria outorgada àqueles que prestam relevantes serviços por longo período ao país, a grandes
instituições nele existentes e a autoridades julgadas dignas da distinção. É a mais alta condecoração
do governo libanês, concedida apenas por seu presidente.

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A luta de Rafic Hariri
Primeiro-ministro do Líbano busca apoio em São Paulo para a
reconstrução de seu país
O primeiro-ministro do Líbano, Rafic
Hariri, esteve em visita a São Paulo no dia
13 de junho de 1995. Em seu discurso de
boas-vindas a Hariri, o governador Mario
Covas falou da luta pela reconstrução
daquele país e a obstinação de seu povo
radicado em terras paulistas.

“A reconstrução do Líbano, após quinze


anos de guerra, luta que o ministro Hariri
persegue com determinação, certamente
encontrará os apoios necessários numa
colônia que já conta com mais de seis
milhões de pessoas. E mais ainda:
encontrará simpatias, entre os inúmeros
empresários que saberão reconhecer no
Líbano – tradicional centro comercial e
financeiro do Oriente Médio – um país
empreendedor”, disse o governador.
O primeiro-ministro do Líbano, Rafic Hariri, e o governador Mario
Covas cumprimentam-se no Hall Monumental do Palácio A participação do Brasil no projeto de
reconstrução do Líbano, segundo Covas,
poderia se estender aos setores de eletricidade, do petróleo, do transporte urbano, do metrô, das
rodovias, da engenharia de trânsito, do asfaltamento, da instalação de redes elétricas, da telefonia e do
saneamento básico. “Vale dizer, Brasil e Líbano têm tudo para serem excelentes parceiros, apoiando-se
mutuamente em arrojadas empreitadas. Por isso mesmo, quero saudar, na figura do primeiro-ministro
Rafic Hariri, a obstinação dos estadistas que dão tudo de si para que seu país prospere”, completou.

Obuchi celebra 90 anos de imigração


Ministro japonês participa das comemorações da comunidade
nipo-brasileira em São Paulo
Governadores e deputados japoneses fizeram parte da comitiva do governo do Japão, acompanhando
o ministro dos Negócios Estrangeiros, Keizo Obuchi, ao Brasil, para as comemorações dos 90 anos da
imigração japonesa. Em 21 de junho de 1998, o governador Mario Covas e dona Lila receberam a delegação
para um almoço no Palácio dos Bandeirantes, além de representantes da comunidade nipo-brasileira.

Mario Covas saudou o ministro e comitiva, registrando “um triplo agradecimento” ao governo japonês.
“Em primeiro lugar, à generosidade com que o Japão abriu mão de pessoas que, há noventa anos, para
cá vieram. E que aqui ajudaram a construir uma grande nação”. Agradeceu depois “à verdadeira parceria
que o governo e as empresas japonesas estabeleceram com o desenvolvimento do nosso Estado e do
nosso país, nele investindo mais de cinco bilhões de dólares”. E finalizou, brincando com os convidados:
“Quero cumprimentar o Japão por estar participando, pela primeira vez, da Copa do Mundo. Por aqui,
futebol é uma paixão nacional, e como todos sabem, sou torcedor do Santos Futebol Clube, time que já
contou com o craque japonês Kazu ...E por ele, registro o terceiro agradecimento.”

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Li Lanqing, o terceiro
homem da China
Vice-primeiro-ministro chinês veio a São Paulo em busca de novos
negócios com os brasileiros

Uma comitiva de 68 pessoas, incluindo autoridades


governamentais e 37 representantes de setores
econômicos e empresariais, acompanhou o vice-
primeiro-ministro do Conselho de Estado da
República Popular da China, Li Lanqing, e esposa,
em visita oficial ao Brasil. Em São Paulo, foram
todos recebidos pelo governador Mario Covas, em
7 de maio de 1997, no Palácio dos Bandeirantes.

O objetivo do encontro era manter contato com


autoridades e empresários brasileiros, visando
estreitar as relações comerciais. Na ocasião,
Lanqing era o terceiro homem na hierarquia
chinesa, responsável pelo comércio nacional e
internacional e pelo setor de educação. Era um
dos seis vice-ministros de Estado, encarregado da
administração pública chinesa, cujos interesses
passam pelo comércio exterior, comércio interno
e engenharia, promoção de investimentos,
metalurgia e siderurgia, farmacologia, indústrias
automotiva e leve, transporte marítimo,
equipamentos agrícolas e indústria florestal.

Na época, considerando o interesse dos chineses


pelo Brasil, o governo paulista elaborou um
estudo com o objetivo de promover uma missão
comercial prospectiva à China, liderada pela
Secretaria de Ciência e Tecnologia, e integrada
por membros da Federação das Indústrias e da
Federação do Comércio do Estado de São Paulo. A
intenção primordial consistia em ampliar a pauta
Li Lanqing, vice-primeiro-ministro do Conselho
de exportações brasileiras, concentrada em
de Estado da China, cumprimenta Mario Covas
matérias-primas, para produtos manufaturados.

Os negócios bilaterais

Nos anos que antecederam a visita de Li Lanqing, houve forte crescimento do comércio entre Brasil e China.
Em 1992, por exemplo, o volume total negociado foi de 557 milhões de dólares, passando, em 1995, para 2,243
bilhões. Os dados parciais de 1996 mostravam um aumento de 21,27% nas exportações brasileiras para a China
e redução de 2,1% nas importações, em relação a 1995. Desde o comunicado conjunto sobre o estabelecimento
das relações diplomáticas, de 1974, o Brasil e a China assinaram dezenas de acordos bilaterais nas áreas
econômica, científica, tecnológica, cultural e educacional, entre outras.

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Princesa Sayako,
delicadeza e tradição
Única filha mulher de Akihito, imperador do Japão, a jovem
princesa participou das comemorações do Tratado de Amizade

A princesa Sayako brinda com Covas durante comemoração do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão

Simpatia e simplicidade, combinando delicadeza Em cerimônia de boas-vindas, o governador


e tradições de um povo milenar. Essa poderia paulista saudou a jovem princesa, sua pátria e
ser a síntese da passagem da princesa Sayako seu povo: “Gostaria de saudar, na pessoa de Sua
pelo Estado de São Paulo, representando a Casa Alteza Imperial, Princesa Sayako, o extraordinário
Imperial do Japão, nos eventos comemorativos povo japonês. Um povo que revolucionou o
do centenário do Tratado de Amizade, Comércio modo de produzir contemporâneo e converteu
e Navegação entre Brasil e Japão. A princesa a ‘civilização do desperdício’ dos anos 1970 em
Sayako, única filha mulher do imperador Akihito e uma ética da qualidade e da parcimônia. Não é
a caçula do casal imperial, tinha 26 anos quando sem razão que conceitos como o do toyotismo
foi recebida, no dia 8 de novembro de 1995, pelo e o do controle da qualidade total entraram no
governador Mario Covas. vocabulário mundial.”

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A cerimônia do chá

Como parte dos eventos comemorativos do


centenário do Tratado de Amizade, Comércio e
Navegação entre Brasil e Japão, vieram ao país
Sen Sôshi, mestre em chadô (cerimônia do chá), e a
A presença japonesa em São Paulo foi um dos
princesa Masako, sua esposa. Masako é a segunda
destaques da fala de Covas. “Aprendemos a filha do príncipe Takahito Mikasa, tio de Akihito,
reverenciar a cultura japonesa, não somente imperador japonês, e formou-se em Direito. Sen
em função de seus êxitos reconhecidos Sôshi preside a Fundação Urasenke do Japão,
mundialmente, mas também em função das guardiã e promotora da cultura japonesa.
cinco gerações de descendentes de imigrantes
japoneses aqui radicados. Dos 240.000 que A cerimônia do chá foi escolhida para a
imigraram nesses exatos cem anos, seus comemoração do centenário porque, dentro das
descendentes hoje somam cerca de 1.400.000 milenares tradições do país, eleva o sentimento
pessoas – a maior população nipônica fora do cultural dos japoneses. Além disso, o momento
coincidia com a campanha de fraternidade
Japão. Esta última referência, aliás, basta para
universal instituída no Japão, cujo lema era: “A
demonstrar o quão correto e visionário foi o
paz mundial, a partir de uma xícara de chá”, que
Tratado de Amizade, Comércio e Navegação,
mobilizou os membros do Centro de Chadô Urasenke
firmado em Paris, pelo Japão e o Brasil.” (Arte do Chá Urasenke) do Brasil. A cerimônia foi
realizada em Brasília, no Senado Federal, e em São
Ao encerrar seu pronunciamento, o governador Paulo, no MASP - Museu de Arte de São Paulo e no
manifestou o desejo de ver intensificadas as Palácio dos Bandeirantes.
trocas comerciais com o Japão. “Acredito que a
comemoração do centenário do Tratado pode No dia 27 de outubro de 1995, o governador Mario
constituir-se num marco para uma virada nas Covas conheceu e participou do ritual do chadô e
relações econômicas nipo-brasileiras. Pois o foi agraciado com um vaso de estanho e uma peça
volume atual de intercâmbio ainda é modesto.”... em porcelana, ambos utilizados na cerimônia do
chá. Durante as festividades, houve o lançamento
“O estreitamento dos laços entre os dois países
de um livro e uma exposição sobre a Arte do Chá,
encontra razões na própria complementaridade
que assinala a expansão do Chadô no Brasil,
das duas economias. Ademais, assenta-se
graças ao professor Sokei Hayashi, o primeiro
na velha parceria que o Tratado centenário professor residente em nosso país, enviado pela
inaugurou, gerando frutos de longa maturação.” Urasenke Foundation, em 1978.

Sen Sôshi realiza a cerimônia do chá com a atenção da esposa, princesa Masako, e de Mario Covas

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Da terra do sol nascente
chega o Casal Imperial
O imperador Akihito e a imperatriz Michiko, do Japão, almoçam ao
som de harpa com Mario e Lila Covas

Michiko e Akihito, Mario e Lila Covas posam para a foto oficial da visita imperial no Salão dos Despachos

O casal imperial do Japão, Akihito e Michiko,


Uma singela homenagem
visitou o Brasil em junho de 1997. Era a primeira
visita de um imperador japonês ao país, uma
Em 5 de junho de 1997, Mario Covas e dona Lila
vez que, nas duas vezes anteriores em que
receberam o casal imperial para um almoço no
aqui esteve, em 1967 e 1978, Akihito ainda era o
hall monumental do Palácio dos Bandeirantes.
príncipe herdeiro, aspirante ao trono.
Durante a refeição, o som ambiente vinha de
uma harpa. No repertório, músicas japonesas,
A visita imperial foi um sinal da importância que
executadas por uma jovem brasileira, que foi
o Japão dá a seu relacionamento com o Brasil.
buscar na memória da imperatriz seus dias de
Mesmo sem uma agenda de compromissos
infância e juventude. Michiko, emocionada e
comerciais, Akihito e Michiko representaram o
agradecida, pediu bis.
interesse do governo e dos empresários japoneses
pelo país. Em sua passagem por Belém, no Pará,
o casal imperial revelou sua preocupação com Não menos emocionante foi o discurso do
a ecologia, chegando a expressar seu desejo de governador paulista, que, com certeza, ficou
que a região amazônica possa se desenvolver em na memória de todos que lá estavam. No
harmonia com o meio ambiente. pronunciamento, Mario Covas saudou os

74 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Peixes e piano no cotidiano real

O imperador Akihito nasceu em Tóquio, em 23 de


dezembro de 1933. Ascendeu ao trono em janeiro
imperadores: “Estão aqui, majestades, os de 1989, com a morte de seu pai, o imperador
descendentes daqueles corajosos homens e Hiroito. Estudou no Departamento de Política e
mulheres que cruzaram oceanos, e, espalhando- Economia da Universidade de Gakushuin e, em
se pelos mais remotos rincões do seu novo país, 1953, realizou uma viagem de conhecimento por
desbravaram sertões e abriram cidades...” 14 países da Europa Ocidental e pela América do
Norte. O imperador é um estudioso de ictiologia,
“Estão aqui os filhos, os netos e os netos dos parte da zoologia dedicada aos peixes. Em 1959,
netos daquelas pessoas determinadas que, com casou-se com Michiko Shoda, filha mais velha do
o arado e a enxada, com os conhecimentos industrial Hidesaburo Shoda.
acumulados em milhares de anos de cultura e
civilização, criaram tantas riquezas neste novo A imperatriz Michiko nasceu em Tóquio, em
mundo, desenvolvendo nossos campos e nossas 20 de outubro de 1934. Em 1953, entrou para a
cidades, fazendo prosperar as empresas, as artes, Universidade do Sagrado Coração, instituição de
a universidade...” ensino superior católica japonesa para mulheres,
onde formou-se bacharel em literatura inglesa.
“Que desta manhã brasileira, em que tantas Em 1959, o Conselho da Casa Imperial deu o
emoções se encontram, chegue ao outro lado do consentimento unânime para a realização do seu
mundo, ao Japão, o eco dos votos de boas-vindas casamento com o então príncipe Akihito. Michiko
de todos os brasileiros ao imperador Akihito e à acompanha o imperador em todas as suas
imperatriz Michiko.” viagens. Tem por hobbies tocar piano e harpa,
bordar, tecer e executar trabalhos manuais.
Aprecia especialmente flores e literatura.

Contrariando as tradições, Akihito e Michiko


cuidaram da criação dos três filhos pessoalmente,
para manter mais estreitos os laços familiares.

Covas e os imperadores do Japão assistem à


final do campeonato paulista no Morumbi

A pedido do imperador
Apaixonado por futebol, principalmente pelo futebol brasileiro, o imperador Akihito pediu apenas uma
coisa. Queria conhecer um estádio em dia de jogo. Pois bem, lá foi sua majestade, acompanhado
pela imperatriz e o casal Mario e Lila Covas ao estádio do Morumbi. O programa não poderia ter sido
melhor: casa cheia com Corinthians e São Paulo na final do campeonato paulista. Além do futebol, os
imperadores apreciaram o espetáculo das torcidas.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 75


LG e Hyundai na bagagem coreana
Empresas anunciam investimentos no Brasil durante a visita
de Kim Young Sam, presidente da Coréia

O presidente da República da Coréia, Kim Young Nessa data, a LG planejava também investir 100
Sam, foi recebido pelo governador Mario Covas, milhões de dólares em São Paulo, até 2003, na
em 10 de setembro de 1996. Veio acompanhado de implantação de uma indústria com produção
uma comitiva de 41 empresários, todos dispostos anual de 1,5 milhão de televisores, 400 mil
a fechar negócios bilaterais. A melhor notícia videocassetes e 400 mil fornos de microondas.
dessa visita foram os investimentos de peso que Segundo seu porta-voz, Chung Jae Yup, o Brasil
duas grandes empresas coreanas, a LG Electronics estava destinado a ser o centro de todas as
e a Hyundai, anunciaram para o Brasil. operações da empresa na América Latina.

A LG declarou que pretendia construir uma A Hyundai, segundo maior grupo industrial
subsidiária em São Paulo, em terreno oferecido coreano, programava naquele momento
pelo governo paulista. Os primeiros 85 milhões empregar no Brasil metade dos 3,38 bilhões de
de dólares de investimento destinavam-se dólares que pretendia investir na América Latina
à instalação de uma fábrica de monitores de na construção de fábricas, usinas de energia
TV, com sede em Taubaté, já no ano seguinte. e obras de infra-estrutura, como estradas e
Projetava-se empregar cerca de 400 pessoas e gasodutos. Uma das suas intenções era comprar
produzir inicialmente 400 mil unidades, devendo 5% das ações da Companhia Vale do Rio Doce e
chegar a 3 milhões de unidades até o ano 2000. construir uma fábrica com parceiro local.

O governador Mario Covas cumprimenta o presidente da República da Coréia, Kim Young Sam

76 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


As garras do tigre asiático

Localizada no nordeste da Ásia, a


República da Coréia (ou Coréia do
Sul) nasceu da divisão da península
coreana, depois da Segunda
Guerra Mundial. Até então, tinha
compartilhado dois mil anos de
história com a República Democrática
Popular da Coréia (Coréia do Norte),
uma república parlamentarista de
modelo socialista. A República da
Coréia é um dos chamados tigres
asiáticos, países que tiveram grande
crescimento econômico de 1960 a 1990,
graças à agressividade de sua política
de atração de capitais e à aliança de
interesses entre governo e grandes
grupos industriais. Os conglomerados
dividiam entre si os contratos estatais
e contavam com o socorro do governo
para detonar concorrentes incômodos.
Em 1997, a Coréia controlava 45% do
mercado mundial de construção naval,
era o segundo maior fabricante de
microprocessadores para computador
e usufruía de uma renda per capita
anual de 10 mil dólares.

A intérprete coreana assegura o bom humor na conversa entre o presidente Kim Young Sam e Mario Covas

Um recordista no poder
Kim Young Sam nasceu em Koje-gun, em 1927. Formou-se em Filosofia e Ciência Política pela Universidade
Nacional de Seul. Em 1954, filiado ao Partido Liberal, foi eleito para a Assembléia Nacional. Nesse mesmo
ano, quando o presidente Syngman Rhee começou a recorrer a táticas escusas para que a Constituição fosse
revisada e ele pudesse concorrer a um terceiro mandato, Kim Young deixou o partido do governo e passou
para a oposição, lutando pela democratização da Coréia. Sam bateu alguns recordes na área política: foi
a pessoa mais jovem a ser eleita para a Assembléia Nacional, a que se elegeu mais vezes (nove) para a
Assembléia e como presidente de um partido de oposição.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 77


O presidente da Índia, Kocheril Narayanan, e
Mario Covas cumprimentam-se efusivamente

Kocheril Narayanan
vem em missão política
O governador de São Paulo recepciona o presidente da Índia,
ressaltando a visão humanista de seus líderes

Mario e Lila Covas ofereceram um jantar ao Segundo o Itamaraty, a visita do presidente


presidente da Índia, Kocheril Raman Narayanan, indiano teve conotação nitidamente política. Dois
no dia 7 de maio de 1998, no Salão dos Pratos do anos depois de receber o presidente Fernando
Palácio dos Bandeirantes. O presidente indiano Henrique Cardoso - em janeiro de 1996 -, a Índia
estava acompanhado por sua esposa, Usha, pela respondeu ao interesse que o Brasil finalmente
filha, Chitra, e comitiva oficial. demonstrou em elevar as relações entre os dois
países a um novo patamar. O comércio bilateral
Na ocasião, o governador de São Paulo fez um entre Brasil e Índia registrou importantes
discurso em que ressaltou a importância da Índia transformações, especialmente a partir de 1991.
pela espiritualidade com que influencia o mundo
e pela visão humanista e profunda de seus As importações de produtos indianos passaram
grandes líderes. Valorizou também a amizade de 2,69 milhões de dólares, em 1987, para 227,8
entre os dois países, destacando a convergência milhões de dólares, em 1997. Em contrapartida,
de ideais apresentados em foros internacionais, a Índia importou cada vez menos do Brasil
e propôs a expansão das relações comerciais nesse mesmo período. Uma das razões desse
bilaterais. Em seguida, Mario Covas abriu as movimento era que a Índia beneficiava ao
portas da capital paulista para um comércio mais máximo sua indústria de transformação. Por
intenso e mais equilibrado com os indianos. isso, tornou-se importadora basicamente de

78 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Palavras de Covas a Narayanan

“Barhat para o seu povo. Índia, para todos nós... Mãe


pátria das grandes religiões e de ilustres pensadores
como Gandhi, Tagore e Jawaharlal Nehru, que marcaram
profundamente este século.
matérias-primas, insumos e bens de capital, e
exportadora de produtos manufaturados e semi-
Apóstolo da não violência, Gandhi afirmava a precedência
manufaturados. Outro fator importante era que
da verdade e dos princípios éticos em todas as ações
o mercado brasileiro conhecia pouco o mercado humanas, inclusive na atividade política... De Nehru veio
indiano para atuar em melhores condições. o modelo de um líder verdadeiramente democrático que,
consolidando a independência do seu país, defendeu a
O governo e os empresários indianos dedicaram política de não alinhamento, denunciando a Guerra Fria
grandes esforços para colocar seus produtos no e a polarização do planeta entre as grandes potências.
Brasil. Promoveram encontros empresariais,
criaram eventos, participaram de feiras, como Rabindranath Tagore marcou profundamente a poesia
a Fenasoft, e instituíram uma política agressiva moderna. Prêmio Nobel de Literatura de 1913, destinou
de exportações, empreendidas pelo Consulado- os recursos recebidos à escola que criou e na qual se
mesclavam métodos de ensino indianos e ocidentais.
Geral da Índia, criado em abril de 1996, em São
Paulo, com a finalidade de gerar negócios.
A Índia está presente no Brasil desde o seu descobrimento
pelos portugueses. Um feliz engano desviou a frota de
Pedro Álvares Cabral do seu rumo. E cá viemos nós.

Mas a amizade entre nossas nações vai mais longe. E


se manifesta na identidade de pontos de vista em foros
internacionais, como a ONU e o GATT e, também, em
expressivo intercâmbio comercial.”

Dona Lila, Kocheril Narayanan, Covas e Usha Narayanan brindam antes do jantar no Palácio dos Bandeirantes

Um pária na Presidência
O presidente Kocheril Raman Narayanan foi o primeiro membro da casta dos intocáveis ou párias - a
mais baixa na milenar escala social hinduísta - a ocupar a chefia de Estado da Índia. Elegeu-se em 1997
com 95% dos votos dos quase cinco mil membros dos legislativos federal e estaduais. Sua ascensão à
Presidência foi o acontecimento histórico que marcou a natureza laica do Estado indiano.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 79


Xanana Gusmão
agradece aos brasileiros
Líder de Timor Leste participa de reunião de trabalho com Covas e
secretários de Estado de São Paulo

Xanana Gusmão (no centro à esq.) e Mario Covas em reunião com secretários de Estado e parlamentares

A convite do governo brasileiro, o líder timorense Na ocasião da visita feita a São Paulo, José
Xanana Gusmão esteve no país, em abril de 2000. Alexandre de Xanana Gusmão presidia o Conselho
Nessa primeira visita, Xanana veio agradecer os Nacional de Resistência Timorense (CNRT),
esforços das autoridades do Brasil na ajuda à entidade que governou o território antes da
viabilização social e econômica do futuro Estado formalização do Estado timorense, e era membro
do Timor Leste. No dia 3, visitou Mario Covas do Conselho Consultivo Nacional da Administração
no Palácio dos Bandeirantes, onde participou Transitória das Nações Unidas em Timor Leste
de uma reunião de trabalho com a presença de (Untaet), que aprovou a independência do país
secretários de Estado e parlamentares paulistas. do domínio da Indonésia.

80 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


O Brasil estava vinculado ao Timor Leste por Libertação Nacional de Timor Leste (Falintil),
afinidades de caráter cultural, histórico e membro da Comissão Política Nacional do CNRT,
lingüístico. Segundo o Itamaraty, na época, e do Conselho Consultivo Nacional/Untaet; Roque
essas afinidades conferiam legitimidade à ação Rodrigues, embaixador e chefe de gabinete de
diplomática brasileira, orientada para a obtenção Xanana Gusmão, membro da comissão executiva
de uma solução internacionalmente aceitável do CNRT e embaixador de Timor Leste em Angola;
para a questão do território. senhora Paulo Pinto, assistente-executiva do
gabinete de Xanana Gusmão.
Fizeram parte da comitiva timorense Taur Matan
Ruak, vice-comandante das Forças Armadas de

De colônia a Estado independente

Timor Leste, cuja capital é Dili, ocupa a parte oriental da ilha


de Timor, na Ásia. A ilha tornou-se colônia de Portugal em
1514 e permaneceu assim até que os holandeses, em 1651,
conquistassem Kupang, no extremo ocidental do Timor,
dividindo a ilha. Em 1945, as Índias Orientais Holandesas
declararam unilateralmente sua independência e tornaram-
se a República da Indonésia. O Timor Ocidental, então,
passou a fazer parte integrante do novo Estado.

O Timor Leste ficou sob jurisdição de Portugal e, em 1960,


foi considerado pela ONU território não-autônomo sob
administração portuguesa. Mas a revolução de abril de
1974, que restaurou a democracia em Portugal, reconheceu
o direito à autodeterminação das colônias. A liberdade
durou até a invasão pela Indonésia, em dezembro de 1975.

Depois de várias negociações entre Portugal e Indonésia, Brasília de Arruda Botelho e o Cel. PM Olavo Sant’Anna
em maio de 1999 firmaram-se acordos para a consulta Filho recebem o timorense Xanana Gusmão
popular sobre o futuro político do país. A população aprovou
a independência da região, com 78,5% dos votos, que foi
aceita por Jacarta, em setembro. A violência na ilha, porém, não pôde ser coibida. A reorganização de Timor
Leste passou a ser administrada pela ONU, dirigida pelo diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Melo. O Brasil
participou ativamente do processo de votação, enviando peritos eleitorais, observadores policiais e oficiais de
ligação. Também colaborou indicando profissionais e técnicos para a estruturação da administração pública
e do sistema judiciário do novo país. Em 20 de maio de 2002, Timor Leste tornou-se totalmente independente.

Namoro na cadeia

José Alexandre Xanana de Gusmão nasceu no Timor Leste, em 1946. Prestou serviço militar e, depois da retirada
de Portugal da ilha, em 1975, aderiu à Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin). Entrou para
a clandestinidade quando a Indonésia invadiu a ilha, foi preso e condenado. Na prisão, conheceu a australiana
Kirsty Sword, com quem viria a se casar mais tarde. Foi libertado em 1999. Quando visitou o Brasil, era responsável
pela Comissão Política Nacional e Comandante das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor Leste (Falintil),
entre outros cargos. Em dezembro de 1999, Xanana Gusmão recebeu o Prêmio Sakharov por sua luta em defesa dos
direitos humanos. Foi eleito presidente de seu país em 2002.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 81


Taiwan abre as portas para o mundo
O Estado de São Paulo foi escolhido para a realização de
encontros comerciais, industriais e de investidores

Chen Ruey-Long, representante de negócios estrangeiros de Taiwan, troca presentes com Mario Covas

O ano de 1999 foi especialmente importante para Paulo e realizar a reunião conjunta Brasil-
o estreitamento das relações entre o Brasil e Taiwan, da qual participaram representantes
Taiwan. Em São Paulo, foram realizados eventos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e
comerciais relevantes, como o Encontro da Câmara de sua congênere taiwanesa, a Chinese National
Mundial Taiwanesa de Comércio e o 22º Encontro Association of Industry and Commerce.
de Empresários Chineses, do qual participaram
comerciantes, industriais e investidores de
origem chinesa residentes nas principais cidades
da América do Norte, Europa e Ásia.
Uma relação delicada
Taiwan ou República da China, de economia capitalista,
Em março de 2000, o governador Mario Covas se considera um Estado independente. Mas a República
recebeu os integrantes da missão comercial de Popular da China, comunista, a reivindica como um
Taiwan, liderados por Chen Ruey-Long, diretor- território rebelde. Em 1974, o Brasil rompeu relações
geral do escritório de negócios estrangeiros do diplomáticas com Taiwan, reconhecendo a República
Ministério da Economia e Negócios da Ilha de Popular da China como único governo.
Taiwan, ex-Formosa. A missão foi organizada
pelo China External Trade Development Council Taiwan não é membro da ONU ou de qualquer organização
(Cetra), organização semi-governamental, sem internacional reservada a Estados. Entretanto, poderá
fins lucrativos, constituída para a promoção do ser admitida na Organização Mundial de Comércio
como uma economia, sob a denominação de Chinese
comércio de Taiwan com o resto do mundo.
Taipei. Brasília e Taipé, capital de Taiwan, mantêm um
Escritório Econômico e Cultural, sem status diplomático.
O grupo esteve no Brasil para incrementar
negócios e investimentos industriais em São

82 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Vietnamitas na Embraer
Acompanhado de uma comitiva de 70 pessoas, Le Duc Anh,
presidente do Vietnã, visIta São José dos Campos

Le Duc Anh, presidente do Vietnã, foi recebido Le Duc Anh e Mario Covas, dona Lila e Vo Thi Le
pelo governador Mario Covas e a primeira dama trocam presentes diplomáticos
Lila Covas no dia 11 de outubro de 1995. Além
da esposa, Vo Thi Le, o presidente trouxe uma
delegação de 70 pessoas, incluindo o ministro Sempre na luta
dos Negócios Estrangeiros, o Chefe da Casa Civil, Localizada no sudeste da Ásia, a República Socialista do Vietnã
o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, o faz divisa com a China, o mar da China Meridional, o Camboja
vice-ministro do Interior, o vice-presidente e o Laos. Sua história caracteriza-se por lutas constantes,
da Comissão Estatal de Planejamento e o vice- como os dez anos de guerra com os Estados Unidos, na busca
ministro de Comércio. Em São José dos Campos, da identidade nacional e da independência. O processo de
o presidente e sua comitiva visitaram a Empresa abertura econômica começou com a promulgação de uma
Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer) e o Centro nova Constituição, em 1992.
Técnico Aeroespacial (CTA).

Cingapurianos na Fiesp
Goh Chok Tong, primeiro-ministro da República de Cingapura,
encontra-se com empresários paulistas
Em 12 de setembro de 2000, o governador Mario Covas recebeu o primeiro-ministro da República de
Cingapura, Goh Chok Tong. Na companhia do presidente estavam o ministro das Relações Exteriores,
o ministro da Justiça e o embaixador de Cingapura no Brasil. No mesmo dia, a delegação cingapuriana
esteve com o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, e
almoçou com empresários paulistas na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Cingapura, cuja capital tem o mesmo nome, é um país insular, situado no sudeste asiático, na extremidade
meridional da península Malaia. Compõe o grupo dos tigres asiáticos, países da região cujas economias
têm obtido um rápido desenvolvimento com políticas agressivas. É uma república parlamentarista e um
dos principais centros financeiros internacionais.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 83


Japan Bank financia
projeto do rio Tietê
Mario Covas reúne-se com representante da instituição para
prestar contas e ampliar a parceria

Representantes do Japan Bank posam para foto com Covas, após acerto de contas de financiamento

Em 12 de novembro de 1999, o governador Mario milhões de dólares) para a realização da fase I


Covas recebeu em audiência o representante, no do projeto – alargamento e aprofundamento
Brasil, do Japan Bank for International Cooperation do leito do rio, canalização e construção de
(JBIC), Noriaki Kishimoto, acompanhado pelo barragens – restavam 33 bilhões de ienes. Esses
cônsul-geral do Japão em São Paulo, Takaaki recursos foram pleiteados para a realização da
Kojima. Discutiu-se a utilização do saldo fase II do projeto: ampliação e rebaixamento da
remanescente do empréstimo relativo ao projeto calha do rio Tietê. Mario Covas prestou contas e
do rio Tietê. Dos 49,4 bilhões de ienes (559,48 apresentou novos projetos para financiamento.

Keidanren e Fiesp, encontro de gigantes


Altos executivos das maiores empresas japonesas visitam o
governador e empresários paulistas

No dia 24 de março de 1997, membros da Keidanren, entidade de classe que reúne a maior parte das
empresas do Japão e representa 70% do Produto Interno Bruto do país, avaliado, em 1996, em mais de
4 trilhões de dólares, estiveram em São Paulo. Almoçaram na Fiesp, visitaram a Câmara de Comércio
Japonesa e foram recebidos em audiência por Mario Covas.

O presidente da Keidanren, Shoichiro Toyoda, liderava a missão de 15 empresários, entre eles, Norio Ohga,
o principal executivo da Sony; Minoru Murofushi, presidente da Itochu Corporation; Rokuro Suehiro,
vice-presidente da Nippon Steel Corporation; Tokuji Nagaoka, diretor-presidente da Toyota do Brasil S.A.;
Yasuyoshi Ohta, presidente da Itochu Brasil S.A., acompanhado por Shigeki Tsutsui, principal executivo da
empresa, e Taichiro Ohsumi, diretor-geral da Nippon Steel Corporation.

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Ásia
Do continente asiático, Mario Covas recebeu ainda as seguintes visitas:

1995 1998
• Isamu Imoto, governador da • Yoon-Mo Kang, vice-ministro
Província de Saga, Japão da Construção da Coréia do Sul
• Yutaka Nakaoki, governador • Cong Fukui, vice-governador
de Toyama, Japão de Hebei, China
• Yuzan Fujita, governador
de Hiroshima, Japão 1999
• Ehud Olmert, prefeito • Muthal Puredath Muralidhar Menon,
de Jerusalém, Israel embaixador da Índia no Brasil
• Muhammad Tawfik Juhani,
1996 embaixador da Síria no Brasil
• Yaacov Keinan, embaixador • Chuan Leekpai, primeiro-
de Israel no Brasil ministro da Tailândia
• Adian Silalahi, embaixador da • Tatsuya Hori, governador
Indonésia para o Brasil, a Bolívia e o Peru de Hokkaido, Japão
• Masayasu Kitagawa, • Sutadi Djajakusuma, embaixador
governador de Mie, Japão extraordinário da Indonésia
• Chihiro Tsukada, embaixador • Itamar Rabinovitch, presidente da
do Japão no Brasil Universidade de Tel Aviv, Israel
• Sam-Hoon Kim, embaixador • Li Changehun chefe da delegação
da Coréia do Sul do Partido Comunista Chinês
• Yoshihico Tsuchiya, governador • Goro Yoshimura, governador
de Saitama, Japão de Nagano, Japão
• Li Peng, primeiro-ministro da China
• Amsa Amin, embaixador de 2000
Bangladesh no Brasil • Faris Mufti, embaixador
da Jordânia no Brasil
1997 • Nasser Sabeeh Al-Sabeeh,
• Li Zhaoxing, vice-ministro de embaixador do Kuaite no Brasil
Negócios Estrangeiros da China • Wu Guanzheng, líder da delegação
• Bahman Taherian Mobarakeh, do Partido Comunista Chinês
embaixador do Irã no Brasil • Mansour Moazami, embaixador
• Takeshi Numata, governador do Irã no Brasil
de Chiba, Japão
• Sekinari Nii, governador
de Yamaguchi, Japão
• Morihiko Hiramatsu,
governador de Oita, Japão
• Sota Iwamoto, governador
de Ishikawa, Japão
• Eisaku Sato, governador
de Fukushima, Japão

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 85


Angolanos buscam investimentos
O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, pede apoio a
Covas e renegocia dívida com o Brasil

O presidente angolano José Eduardo dos Santos e a mulher, Ana Paula, em visita a Mario e Lila Covas

Foi de cortesia a visita que o presidente da em Angola, Alexandre Ador, e de empresários


República de Angola, José Eduardo dos Santos, angolanos. Em visita à Universidade de São Paulo
fez a São Paulo, onde foi recebido no Palácio (USP), foi recebido pelo reitor Flávio Fava de
dos Bandeirantes por Mario e Lila Covas, no dia Moraes, almoçou na Federação das Indústrias do
17 de agosto de 1995. No encontro, solicitou Estado de São Paulo e participou de sessão solene
apoio do governador e de empresários paulistas na Assembléia Legislativa.
para a ampliação de investimentos em seu país,
devastado por décadas de guerra. A visita de José Eduardo dos Santos ao Brasil
teve também como missão a assinatura de um
Santos veio acompanhado de sua mulher, Ana acordo de reescalonamento da dívida de Angola
Paula Lemos dos Santos, dos quatro filhos, com o nosso país. Naquele momento, o governo
dos ministros Venâncio de Moura, de Relações brasileiro já estava retomando os investimentos
Exteriores, e Augusto da Silva Tomás, da Economia; no setor energético em Angola e enviando uma
do embaixador de Angola no Brasil, Osvaldo de missão de cerca de mil homens para integrar as
Jesus Sierra Van-Dunen; do embaixador do Brasil forças de paz da ONU no país.

88 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Diversidade étnica e mineração

Com mais de 10 milhões de habitantes


pertencentes a 90 grupos étnicos
distintos, Angola é um país independente
desde 11 de novembro de 1975. Depois de
submetida por cinco séculos ao domínio
de Portugal, a República de Angola
ainda se empenha em reconstruir seu
território devastado por uma das mais
sangrentas guerras de guerrilha do
mundo. O conflito, iniciado na década
de 1960, só terminou com o acordo de
paz, assinado em novembro de 1994.
Antes da independência, Angola tinha
uma comunidade de cerca de 400 mil
portugueses, dos quais 90% voltaram
para seu país de origem. A língua
oficial de Angola é o português, porém,
mais de 90% da população fala línguas
bantu. O forte da economia angolana é a
mineração – petróleo, diamantes, minério
de ferro, cobre, zinco, ouro, manganês,
chumbo, fosfato, sal e urânio –, que
representava 58,2% do PIB em 1991. Os
principais países parceiros comerciais
são Portugal, Estados Unidos, Brasil,
Holanda e França.

O governador Mario Covas acompanha o presidente de Angola,


José Eduardo dos Santos, pelo Palácio dos Bandeirantes

Da luta armada à Presidência da República


José Eduardo dos Santos nasceu em 1942, em Sambizanga. Com a mudança do cenário político na África,
na década de 1950, após a independência de vários países, e em consequência da cruel repressão e
da segregação racial, Santos abandonou seu país. Ingressou no Movimento Popular de Libertação de
Angola (MPLA), juntando-se aos guerrilheiros sediados em Kinshasa, capital do Zaire.

Em 1963, foi para a ex-União Soviética, fazer um curso superior de Engenharia de Petróleo. Lá também
especializou-se em telecomunicações, em 1970, voltando em seguida para Angola, onde continuou na
luta armada. Em 1975, foi eleito para o Comitê Central e para o Bureau Político do MPLA e indicado para
a coordenação das relações exteriores do movimento. Em novembro desse ano, com a proclamação da
independência de Angola, foi nomeado ministro das Relações Exteriores e, depois, primeiro-ministro.

Após a morte do presidente Agostinho Neto, em 1979, Santos assumiu o posto e o comando das Forças
Armadas, aos 35 anos. Em novembro de 1980, elegeu-se presidente da Assembléia do Povo, órgão
máximo do poder de Estado. Ciente das dificuldades do processo de reconstrução nacional e da guerra
que assolava o país, Santos dedicou-se à reabilitação da infra-estrutura destruída, com ênfase na
defesa do território angolano, no fim do racismo e na formação tecnocientífica da população.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 89


Sam Nujoma, presidente da Namíbia, recebe presente de Mario Covas, que ouve tradução de Cecília Malzoni

Navios e aves na conversa


com o presidente da Namíbia
Sam Nujoma discute com Mario Covas a possibilidade de adquirir
embarcações e grãos a preço de custo

Acompanhado pelos secretários de Governo e custo e a colaboração técnica paulista para o


da Agricultura e Abastecimento, Mario Covas desenvolvimento de um projeto avícola.
recebeu em seu gabinete particular, no dia 1º de
novembro de 1995, o presidente da República da Em 1987, Nujoma fizera sua primeira visita
Namíbia, Sam Nujoma. ao Brasil, ainda como líder do movimento
guerrilheiro Organização dos Povos do Sudoeste
Da pauta constavam discussões sobre a da África (Swapo), de linha marxista. Na época, o
possibilidade de um financiamento para a objetivo da visita era agradecer o apoio do governo
compra de navios brasileiros, o estabelecimento brasileiro ao movimento pela independência da
de um termo de cooperação aeronáutica Namíbia, invadida pela África do Sul, em 1915,
para a formação da Força Aérea Namibiana, durante a Primeira Guerra Mundial. A Namíbia só
o pedido de fornecimento de grãos a preço de se tornou independente em março de 1990.

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Covas conversa com Nujoma,
acompanhado dos secretários Antonio
Angarita e Antonio Cabrera

Décadas de luta pela independência

Sam Nujoma nasceu na Namíbia em 1929 e foi educado na Escola Missionária Finlandesa de Okahao. Nos
anos de 1940, foi para a capital, Windhoek, trabalhar na South African Railways. Terminou sua educação
secundária cursando, por correspondência, a Transafrica Correspondence College, sediada na África do Sul.

Em meados da década de 1950, já estava envolvido em atividades políticas contra o domínio colonial sul-
africano. Enviava petições à ONU, pleiteando o apoio da comunidade internacional para o término do mandato
sul-africano sobre a Namíbia. Preso pela polícia sul-africana em 1959, escapou do país em fevereiro de 1960.
Foi para os Estados Unidos e lá solicitou à Quarta Comissão da ONU o fim da administração colonial na
Namíbia. Em abril de 1960, a Swapo foi fundada em Windhoek e teve Nujoma como presidente.

Seis anos depois, Sam voltou a Windhoek para testar a afirmação sul-africana de que os membros da Swapo
estavam em exílio voluntário e podiam retornar livremente ao país. Ao chegar, foi detido e deportado para
a Zâmbia. Em agosto de 1966, transportou as primeiras armas da Argélia para a Namíbia e começou o
movimento armado. Foi o primeiro líder de um movimento nacionalista africano, durante a campanha para a
independência, a falar perante o Conselho de Segurança da ONU, em 1971.

Em 1978, assinou o acordo de cessar fogo com a África do Sul. Elegeu-se membro da Assembléia Constituinte,
após a vitória da Swapo nas eleições de 1989, e presidente da República da Namíbia, por unanimidade, em
fevereiro de 1990. Reelegeu-se com expressiva margem nas eleições gerais de dezembro de 1994.

Os diamantes brotam do deserto


A Namíbia é um vasto território desértico, rico em diamantes, urânio, cobre, zinco e chumbo. A mineração responde
por 20% do PIB, mas o país também desenvolve a pecuária e da agricultura de subsistência. A população, de mais
de 1,5 milhão de habitantes, é composta por 86% de negros, 6,5% de brancos e 7,5% de mestiços. O país exporta,
principalmente, diamantes, urânio e gado de corte. Compra no exterior produtos químicos, derivados de petróleo,
alimentos, equipamentos industriais e de transporte. Seu principal parceiro comercial é a África do Sul.

Constituiu-se como uma república presidencialista, com chefe de Estado forte. A Constituição namibiana pode
ser vista como um modelo para outros países africanos, pois é fundamentada numa sociedade multirracial e
multipartidária, embasada em um sistema econômico misto, em que a propriedade privada e a presença do Estado
na economia convivem harmonicamente. Com cerca de 60% de analfabetos, as línguas oficiais do país são o inglês,
o africâner e o alemão. Cada grupo étnico africano fala sua própria língua.

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Saúde e educação
na pauta de Cabo Verde
Alberto Wahnon de Carvalho Veiga, primeiro-ministro
cabo-verdiano, encontra-se com Covas, empresários e acadêmicos

O cabo-verdiano Alberto Veiga entrega presente a Covas, acompanhado pela mulher, Maria Epifânia

Comércio exterior, saúde, educação e turismo com a comunidade cabo-verdiana, em Santo


foram as áreas de interesse na pauta da visita André. Segundo o Consulado Geral de Cabo Verde,
do primeiro-ministro de Cabo Verde, Alberto havia 800 estudantes cabo-verdianos no Brasil,
Wahnon de Carvalho Veiga, a São Paulo, no dia dos quais cerca de 120 em São Paulo.
8 de abril de 1998. Recebido pelo governador
Mario Covas e a primeira dama Lila Covas,
presidente do Fundo Social de Solidariedade, o
primeiro-ministro estava acompanhado de sua Relações de amizade e cooperação
esposa, Maria Epifânia Cruz Almeida, e de vários
membros de seu governo, entre eles o ministro O Brasil reconheceu a independência da República
da Educação, Ciência e Cultura; o secretário dos de Cabo Verde no dia de sua proclamação, em 5 de
Negócios Estrangeiros e Cooperação; o diretor- julho de 1975. No dia 28 do mesmo mês, estabeleceu
geral de Cooperação Internacional; o presidente embaixada na capital, a cidade de Praia. Nas relações
do Instituto de Apoio ao Imigrante; o presidente bilaterais entre os dois países, destacam-se os laços
de amizade e de cooperação em vários setores. No
da Federação Nacional da Juventude; e o diretor
campo educacional, o Programa de Estudantes-
de Investimento e das Exportações (Promex).
Convênio (PEC) é uma das mais bem-sucedidas
modalidades de cooperação brasileira no país. Na
A visita ao Brasil tinha como objetivo reforçar área cultural, foi criado em 1984 o Centro de Estudos
os laços entre os dois países, sobretudo nos Brasileiros na cidade de Praia, o primeiro a funcionar
setores de saúde, comércio exterior, turismo na África, com o objetivo de divulgar a literatura e a
e educação. Em São Paulo, visitou também a cultura brasileiras. Os dois países já trocaram várias
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo visitas oficiais de presidentes, vice-presidentes e
(Fiesp), a Pontifícia Universidade Católica (PUC), a ministros, desde a independência.
Universidade de São Paulo (USP) e se encontrou

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África e Oceania
Do continente africano e da Oceania, Mario Covas recebeu ainda as seguintes visitas:

1995
• Francisca Pereira, primeira vice-presidente da Assembléia Nacional Popular
da Guiné-Bissau, chefiando uma delegação de parlamentares de seu país

1997
• Amílcar Fernandes Spencer Lopes, ministro dos Negócios
Estrangeiros e das Comunidades de Cabo Verde

1998
• Don McKinnon, ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Nova Zelândia

1999
• Robert Gabriel Mugabe, presidente do Zimbábue

2000
• Mbulelo Rakwena, embaixador da África do Sul no Brasil
• Thaddeus Daniel Hart, embaixador da Nigéria no Brasil
• David Hawker, deputado e chefe da delegação parlamentar da Austrália
• Alhaji Atiku Abubakar, vice-presidente da Nigéria

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 93


Três países numa tacada só
O GOVERNADOR MARIO Covas tratou de parcerias na Inglaterra,
de megacidades na Turquia e de água na França

De voar, até que ele gostava. Viajar, também. Sair de São Paulo é que era o
problema. Cioso de seus deveres no comando do governo estadual, Mario Covas
não gostava de se afastar. Queria estar à frente de tudo, sempre, e o telefone não
era instrumento suficiente para pilotar a equipe nem para aplacar a ansiedade que
o tomava quando se ausentava do Estado, muito menos do país. Em seis anos, o
governador fez uma única viagem oficial ao exterior, em junho de 1996, visitando
Inglaterra, França e Turquia. Acompanhe o roteiro e as atividades.

O embaixador Rubens Barbosa acompanha Covas


no encontro com empresários ingleses Em Londres, a busca
de investimentos
O governador Mario Covas e sua comitiva
desembarcaram em Londres no dia 5 de junho
pela manhã. Nos três dias de visita oficial ao
Reino Unido, encontraram-se com autoridades
britânicas, visitaram o porto de Tilbury e o metrô
e participaram do seminário Parceria com São
Paulo, sua principal missão. Realizado no dia 6, no
Hotel Savoy, o seminário contou com a presença
de representantes de mais de 150 empresas e
propiciou a divulgação das possibilidades de
cooperação, contatos diretos e reuniões para o
exame de projetos com empresas britânicas.

94 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


André Montoro, Rubens Barbosa, Covas, Emerson Kapaz e Plínio Assmann, em seminário em Londres

Na abertura do evento, Covas fez um discurso, na infraestrutura de transportes, manter o


convidando as empresas e instituições britânicas déficit público sob controle, desinchar a máquina
a investir em São Paulo, integrando-se ao administrativa e explorar os ativos existentes.
projeto destinado a impulsionar um novo ciclo
de crescimento do Estado mais moderno e Do que estava em andamento, Covas destacou o
desenvolvido do Brasil. Para criar as condições, Programa Estadual de Desestatização e Parcerias,
o país estava fazendo a sua parte, mantendo com as reestruturações do setor elétrico e
a moeda estável, dando continuidade ao de saneamento, as concessões rodoviárias,
crescimento e consolidando a abertura externa. a modernização das relações de trabalho e a
melhoria do porto de Santos, entre outras. Para
Covas retratou São Paulo com seus melhores estimular o cenário de mudanças, o governador
indicadores. O Estado respondia por um PIB anunciou um programa de incentivos fiscais
de 149 bilhões de dólares, cerca de um terço para fomentar as atividades industriais e gerar
do PIB nacional, era o mais moderno dos empregos nas regiões mais pobres do Estado.
26 Estados, continha a rede urbana mais
complexa, infraestrutura moderna e mão-de- Covas finalizou seu discurso exortando o
obra qualificada. A população, estimada em 33 empresariado local a visitar São Paulo. “Uma
milhões de habitantes em 1994, possuía renda atmosfera de confiança marca nossas relações
per capita anual de 4.400 dólares e respondia por com investidores nacionais e estrangeiros desde
40% do volume total de venda a varejo do Brasil, o início de nosso governo , em 1995, levando-os
um mercado e tanto. Falou do diversificado a comprometer, até agora, inversões de capital
mercado manufatureiro, do elevado nível técnico no montante de 13,2 bilhões de reais – relativos a
da agricultura, da qualificação da mão-de-obra 91 novos investimentos – em território paulista.
e da capacitação científica e tecnológica. Queremos expandir esse processo.”

Para que São Paulo pudesse manter o crescimento, Após a fala do governador, os secretários Émerson
o governo estadual deveria apoiar “a inserção Kapaz, da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
do setor produtivo na economia globalizada Econômico, André Franco Montoro Filho, de
e promover a superação das carências sociais Economia e Planejamento, Plinio Assmann, dos
de parte de sua população”, disse Covas. Com Transportes, Claudio de Senna Frederico, de
essa intenção, o governo estava reduzindo sua Transportes Metropolitanos e David Zylsberstajn,
presença na produção de produtos e serviços, de Energia, falaram dos planos para suas áreas.
reforçando a capacidade de estabelecer políticas O encontro rendeu conversações concretas sobre
públicas, estruturar regiões e exercer sua função gás natural, portos de São Sebastião e Santos,
regulatória. Era seu compromisso limar gargalos linha 4 do metrô e centrais hidrelétricas.

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David Zylsberstajn, secretário de Energia, e Mario Covas visitam stand do Brasil na Habitat, em Istambul

Em Istambul, o drama otimista, as megacidades seriam fontes de


das megacidades riquezas. Afinal, é nelas que se concentram as
oportunidades de emprego, educação, lazer e
de acesso à assistência médica. São espelhos da
Será que as megacidades têm futuro? As possíveis
economia, gerando as maiores fatias do PIB.
respostas a essa questão levaram Mario Covas de
Londres à populosa Istambul, cidade turca que
Apesar do inchaço populacional, constatou-
sediava a conferência da Organização das Nações
se que a qualidade de vida nas megacidades
Unidas sobre Assentamentos Urbanos, a Habitat
melhorou desde a Habitat 1, realizada 20 anos
2. O governador esteve presente ao evento nos
antes, oferecendo, por exemplo, mais água
dias 9 e 10 de junho, acompanhado de dona
encanada e esgotos. Mas como a urbanização é
Lila, David Zylsberstajn, secretário de Energia, e
rápida e caótica, estimava-se que mais da metade
Antonio de Pádua Perosa, secretário-adjunto de
da população mundial estaria vivendo em áreas
Recursos Hídricos, Saneamento e Obras.
urbanas na virada do século, com um número
maior de sem-teto. Em 1996, mais de 600 milhões
A Habitat 2 reuniu 20.000 representantes de 150 de pessoas viviam em condições precárias nas
países em feira, palestras e várias exposições cidades, inclusive com risco de vida.
de agências da ONU e de outras organizações
internacionais, fórum de vídeos e a mostra A experiência compartilhada na Habitat 2 mostrou
“Construindo para o Futuro”. Foi a primeira vez que é a falta de regulamentações apropriadas
que as ONGs participaram. que inviabiliza as habitações populares. Um
programa de gestão integrada entre prefeitura e
Durante as várias atividades, muitas cidades favelados em Fortaleza, por exemplo, permitiu a
provaram que os problemas urbanos podem reurbanização de 400 favelas na capital cearense.
ser resolvidos com crescimento econômico e Esse projeto foi um dos doze premiados como as
administração competente. Numa perspectiva melhores práticas urbanas recentes.

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Covas recebe informações de representantes da Lyonnaise des Eaux na visita às instalações de Bordeaux

Carlos Nogueira, diretor para a América Latina


Em Paris, o jeito de da Lyonnaise des Eaux, falou de sistemas de
gerir as águas participação da iniciativa privada, especificando
as diferenças entre privatização e concessão.
O modelo francês de lidar com a água era algo
Segundo ele, para a implantação de uma
que Mario Covas há muito queria conhecer. Com
concessão era necessária uma montagem jurídica
essa intenção, ele e dona Lila deixaram Istambul
prévia, a verificação e o estabelecimento de
com destino a Paris no dia 11, acompanhados leis sobre águas, contratos com o Estado e
do secretário David Zylsberstajn, de Energia. Na sobre concessões, além de características dos
capital francesa, Hugo Vinícius Marques Rosa, organismos de controle. Outros representantes da
secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e empresa falaram sobre os elementos técnicos da
Obras, juntou-se à comitiva. concorrência, como a definição dos objetivos de
qualidade e a montagem financeira do projeto.
No dia 12, em Bordeaux, o governador foi conhecer
o método de gerenciamento de recursos hídricos No dia seguinte, Covas visitou a Lyonnaise des
em área urbana da Lyonnaise des Eaux, companhia Eaux em Nanterre, onde realizou uma reunião de
similar à paulista Sabesp. Nas visitas técnicas, trabalho e almoçou com a diretoria da empresa.
conheceu as estratégias que permitem gestão em À tarde, em Paris, participou de um encontro
tempo real e a forma como a Comunidade Urbana sobre autoestradas, organizado pela Cofiroute,
de Bordeaux montou seu programa de controle em que se discutiram os benefícios obtidos
de enchentes e equacionou o problema. Chamou pela França nas concessões, custos de pedágio
a atenção de Covas o cimento poroso, que absorve e de manutenção, serviços de ajuda ao usuário,
a água das chuvas. À tarde, voltou a Paris. Lá, entre outras questões. Em seguida, teve uma
foram apresentados os pontos críticos em um reunião sobre gás, montada pela Gaz de France.
processo de concessão, como organismos de Foi exposto o modelo de gestão e a experiência
controle, equação financeira, montagem jurídica francesa no exterior. À noite, o governador
e avaliação do atual momento brasileiro. embarcou para São Paulo, satisfeito.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 97


Alckmin recebe
Compartilhando com Covas a agenda de visitas, o vice-governador
fez as honras da casa em várias ocasiões

O fluxo de visitantes internacionais a São Paulo foi enorme na gestão Covas,


impulsionado pela possibilidade de ampliar negócios no Estado na esteira da
privatização de empresas públicas. Como a agenda do governador estava sempre
carregada, seu vice, Geraldo Alckmin, compartilhava a carga, recepcionando dezenas
de personalidades estrangeiras. Aqui, destacamos algumas das mais importantes.

Geraldo Alckmin recebe presente diplomático de Kofi e Nane Annan, observado por Lu Alckmin

que diz respeito à definição de padrões e normas


Kofi Annan técnicas. Acompanhavam Annan nessa viagem
secretário-geral da ONU o embaixador Celso Amorim, representante do
Brasil na ONU, e José Antonio Ocampo, secretário
Com um almoço no Palácio dos Bandeirantes, executivo da Cepal, entre outros.
Geraldo Alckmin e Maria Lúcia Alckmin
recepcionaram o secretário-geral da Organização Sétimo secretário-geral da ONU, o ganense Annan
das Nações Unidas, Kofi Annan, e sua mulher, é um homem bem preparado. Formou-se em
Nane Annan, no dia 14 de julho de 1998. O casal Ciência e Tecnologia em seu país e pós-graduou-
visitava o Brasil a convite do governo federal, se em Economia em Genebra, Suíça. Titulou-se
que ratificou, naquela ocasião, o tratado de não- mestre em Gestão no incensado MIT e é doutor
proliferação de armas nucleares. em Serviço Público pelo Cedar Crest College,
ambos nos Estados Unidos. Sua mulher é sueca,
Em São Paulo, Kofi Annan inaugurou a Associação juíza e artista plástica. Na ONU, antes de assumir
das Nações Unidas-Brasil - Anubra, em parceria o mais alto cargo administrativo, diplomático e
com o Fórum das Américas, presidido por Mario de conciliação, Annan cuidava das operações de
Garnero. A Anubra tem a missão de aproximar o paz, atuando firmemente para a assinatura do
empresariado brasileiro da ONU, especialmente no acordo que pôs fim à guerra da Bósnia.

98 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Emil Constantinescu,
presidente da Romênia

A lista de encontros de Emil Constantinescu


em São Paulo no dia 26 de julho de 2000 era
extensa. Acompanhado de sua mulher, Nadia
Ileana Constantinescu, o presidente romeno
reuniu-se com Geraldo Alckmin no Palácio dos
Bandeirantes. Depois iria encontrar-se com Yves
Marcovitch, reitor da USP, e Horácio Lafer Piva,
presidente da Fiesp. Por fim, visitaria a Mostra
do Redescobrimento, em comemoração aos 500
anos da descoberta do Brasil pelos portugueses.

Chuan Leekpai, primeiro-ministro da Tailândia, admira o Integravam a comitiva do presidente Mircea


tucano que acaba de receber do vice-governador Ciumara, ministro de Estado e presidente do
Conselho de Cooperação Econômica e Financeira,
Ioan Avram Muresan, ministro da Agricultura e
Chuan Leekpai, da Alimentação, Constantin Degeratu, general
primeiro-ministro da Tailândia de Exército e conselheiro presidencial, e mais 19
pessoas, entre parlamentares, representantes
A Tailândia, um dos tigres asiáticos, enviou a do Executivo, personalidades da cultura e da
São Paulo seu primeiro-ministro, Chuan Leekpai, comunidade científica.
chefiando uma comitiva de 51 pessoas dispostas
a fazer negócios. Alckmin o recebeu em audiência Emil Constantinescu seguiu carreira acadêmica em
no dia 31 de maio de 1999, acompanhado de Direito na Universidade de Bucareste até tornar-
empresários e representantes do governo se reitor, nos anos 1990. Fundou a Aliança Cívica,
tailandês, entre eles três ministros: Supachai organização civil dedicada à democratização. Em
Panitchpakdi, do Comércio, Surin Pitsuwan, das 1992, presidiu uma coalização de partidos que
Relações Exteriores, e Khunying Supatra Masdil, o lançou candidato à Presidência, após o fim
dos Assuntos Comerciais. da ditadura de Nicolau Ceausescu, mas perdeu.
Em 1996, candidatou-se de novo e venceu,
O advogado Chuan Leekpai é versado também prometendo a reestruturação do país. Em 2000,
em pintura e escultura. Político desde 1960, foi a Romênia tinha inflação superior a 40% e previa
ministro de Estado durante vários governos. fechar o ano com 12% de desemprego.
Foi primeiro-ministro pela primeira vez em
1992, após a renúncia de um militar acusado de
envolvimento com o narcotráfico. Para o segundo
mandato, foi eleito em 1997.

Até destacar-se economicamente, a Tailândia


passou por poucas e boas. Sua história começa
quando o povo thai foi expulso da China no
século XI, refugiou-se no Sudeste da Ásia e
formou o Reino de Sião. A monarquia tornou-
se parlamentarista em 1932 e, sete anos depois,
mudou para o nome atual. Na Segunda Guerra
Mundial, foi ocupada pelo Japão. Depois, os
militares controlaram o país, alinhando-se
com os Estados Unidos. A estratégia rendeu
um bom fluxo de investimentos para o país,
que, nos anos 1980, promoveu a abertura
comercial e experimentou grande crescimento
econômico. Politicamente, a Tailândia conviveu Emil Constantinescu, presidente da Romênia, oferece um
com sucessivos golpes de Estado, até atingir a livro ao vice-governador Geraldo Alckmin
estabilidade nos anos de 1990.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 99


Roberto Formigoni mostra Medalha da
Roberto Formigoni
Lombardia a Geraldo Alckmin
presidente da região da
Lombardia, Itália

O ano 2000 estava no fim quando Roberto


Formigoni veio a São Paulo. No dia 5 de
Ramón Bautista Mestre
dezembro de 2000, o presidente da Lombardia
governador de Córdoba,
foi recepcionado por Geraldo Alckmin. Mais
rica, desenvolvida e populosa região da Itália, a
Argentina
Lombardia possuía na ocasião 21 pólos industriais
No dia 2 de dezembro de 1996, Alckmin recebeu
e 25 mil empresas que atuavam no comércio
Ramón Bautista Mestre, governador da Província
internacional. Desde 1996, o Estado de São
de Córdoba, Argentina. Mestre fazia uma visita de
Paulo e a Lombardia mantinham um protocolo
cortesia, chefiando uma comitiva composta por
de intenções com o objetivo de promover o
José Porta, ministro da Produção e Trabalho, Maria
intercâmbio de conhecimentos e colaboração
Teresa Panetta de Martinez Marull, subsecretária
econômica por meio do desenvolvimento de novos
de Comércio Exterior, Eduardo Silvestre, secretário
produtos e serviços, transferência de tecnologia
de Turismo, Guilhermo Hunt, cônsul-geral, e
e capacitação profissional, entre outros itens.
Gabriel Martinez, cônsul-adjunto.

Durante sua visita a São Paulo, Formigoni


Ramón Bautista Mestre combinava duas carreiras:
agraciou o governador Mario Covas com a
a acadêmica e a política. Nos anos 1960, enquanto
Medalha da Junta Regional da Lombardia. Depois,
estudava Odontologia na Universidade Nacional
na Faculdade de Economia, Administração e
de Córdoba, era também líder estudantil. Depois
Contabilidade (FEA) da USP, fez uma palestra
fez mestrado, doutorado e lecionou para futuros
defendendo a implementação do federalismo
dentistas, ao mesmo tempo em que exercia cargos
em oposição ao centralismo, como forma de
públicos, como subsecretário de Saúde Pública
modernizar o Estado. Por fim, foi à Fiesp contar
e secretário-geral de governo. Foi deputado
aos empresários paulistas como funcionam os
estadual e prefeito da cidade de Córdoba antes
consórcios de exportação das pequenas e micro-
de assumir o governo da Província.
indústrias italianas.

100 F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais


Cong Fukui, vice-governador da Província chinesa de Hebei,
em audiência com Alckmin
Cong Fukui
vice-governador da
Província de Hebei, China

Representando uma das maiores Províncias


chinesas, Cong Fukui, vice-governador de Hebei,
foi recebido em audiência por Geraldo Alckmin
em 17 de junho de 1998. Fukui chefiava uma
delegação de cooperação econômica e comercial
que buscava entrar em contato com empresários
brasileiros de São Paulo e Goiás. Participaram do
encontro os diretores-adjuntos de departamentos
provinciais Lai Jiuman (Assuntos Exteriores), Cui
Jiangsui (Economia e Comércio Exterior) e Ning
Jingbiao (Finanças), entre outros.

Como Mario Covas, Fukui formara-se engenheiro


e passara para a carreira política. Foi prefeito de
três cidades e vice-governador de Heilongjiang
antes de assumir o mesmo posto em Hebei.
Sexta em importância econômica para a
China, a província de Hebei possui área de 188
mil quilômetros quadrados e uma população
estimada na época em 64,9 milhões de pessoas,
quase meio Brasil. Banhada pelo mar Amarelo,
Hebei conta com vastos recursos naturais, grande
produção de cereais, algodão e óleos vegetais,
além de uma brilhante cultura. É nela que fica
Pequim, a capital do país.

Depois de São Paulo, Fukui iria a Goiás visitar o


governador Luiz Alberto Maguito Vilela e projetos
Ramón Bautista Mestre, governador de Córdoba, entrega agropecuários. Seguiria em seguida para o Rio de
presente diplomático ao vice-governador paulista Janeiro e, dali, para a Argentina.

F UN DAÇ ÃO M A R IO C OVA S E M R E V I S TA visitas i n ter n a c i o n ais 101


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