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PROJETO DE LAJES MACIÇAS – CAPÍTULO 12

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos.

17 maio 2003

PROJETO DE LAJES MACIÇAS

12.1 DADOS INICIAIS

A planta do tabuleiro, com as dimensões das lajes e das vigas, encontra-se


no Desenho 1, no final do capítulo. A partir dessa planta, obtém-se os vãos teóricos
das lajes, considerados até os eixos dos apoios e indicados na Figura 1.

Outros dados: concreto C25, aços CA-50 (φ ≥ 6,3 mm) e CA-60 (φ = 5 mm) e
cobrimento c = 2 cm .

Figura 1 – Vãos teóricos

12.2 VINCULAÇÃO

No vínculo L1-L2, há continuidade entre as lajes e elas são de portes


semelhantes: ambas serão consideradas engastadas.

Já no vínculo L1-L3, a laje L1 é bem maior que L3. Esta deve ser
considerada engastada, mas aquela não deveria ser. Resultaria para a L1 a
vinculação indicada na Figura 2.
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2
l2x = l1y
3

Figura 2 – Vínculos L1-L2 e L1-L3 (dimensões em centímetros)

2
Porém, como se verifica a condição l 2 x ≥ l y , a laje L1 será considerada
3
engastada ao longo de toda essa borda.

No vínculo L2-L3, a laje L2 é bem maior que a L3. Esta será considerada
engastada e aquela apoiada.

A laje L4 encontra-se em balanço e não há equilíbrio se ela não for


engastada. Porém, ela não tem condições de receber momentos adicionais,
provenientes das lajes vizinhas. Portanto, as lajes L2 e L3 devem ser admitidas
simplesmente apoiadas nos seus vínculos com a L4.

Em conseqüência do que foi exposto, resultam os vínculos indicados na


Figura 3 e os tipos das lajes L1, L2 e L3 são, respectivamente: 2A, 2B e 3.

Figura 3 – Vínculos das lajes

12.2
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12.3 PRÉ-DIMENSIONAMENTO

Para as lajes L1, L2 e L3, a altura útil d será estimada por meio da
expressão:

dest = (2,5 - 0,1n) l / 100 *

n é o número de bordas engastadas

l* é o menor valor entre lx (menor vão) e 0,7ly

A altura h será adotada considerando o valor aproximado:

h = (d + c + 0,5) cm c = 2,0 cm
h = (d + 2,5) cm

O pré-dimensionamento das lajes L1, L2 e L3 está indicado na Tabela 1.

Tabela 1 – Pré-dimensionamento das lajes L1, L2 e L3.

L1 L2 L3
l x (cm) 380 460 230
l y (cm) 690 500 500
0,7l y (cm) 483 350 350
l* 380 350 230
n 1 1 2
dest (cm) 9,1 8,4 5,3
hest (cm) 11,6 10,9 7,8
h (cm) 11 11 11

Para a Laje L4 em balanço, pode ser adotado o critério da NBR 6118 (1978),
com Ψ2 = 0,5 e Ψ3 = 25 , resultando:

lx 110
dest = = = 8,8 cm
ψ 2 ψ 3 0,5 25

Será adotada a espessura h = 11 cm para todas as lajes.

12.3
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12.4 AÇÕES, REAÇÕES E MOMENTOS

O cálculo de L1, L2 e L3 está indicado na Tabela 2. No cálculo das reações


de apoio e dos momentos fletores, foram utilizadas as tabelas de PINHEIRO (1993).

Importante:

Neste projeto, foi considerada uma carga de paredes divisórias de


1,0 kN/m2, atuando em todas as lajes L1, L2 e L3. Quando a posição das paredes
for conhecida, e principalmente quando elas forem de alvenaria, seus efeitos devem
ser cuidadosamente considerados, nos elementos que as suportam.

O cálculo da laje L4 é feito conforme o esquema indicado na Figura 4.

g1 + q1
g+q

Figura 4 – Esquema da laje L4

As cargas uniformemente distribuídas são:

g = gpp + gp + r = 2,75 + 1,00 = 3,75 kN/m 2 q = 3,00 kN/m 2


p = g + q = 3,75 + 3,00 = 6,75 kN/m 2

Na extremidade, será considerada uma mureta de ½ tijolo cerâmico


(1,9 kN/m2), com 1,10 m de altura, e uma carga variável de 2,0 kN/m.

g1 = 1,9 ⋅ 1,10 = 2,09 kN/m q1 = 2,00 kN/m


p1 = g1 + q1 = 2,09 + 2,00 = 4,09 kN/m

Reações de apoio:

r = pl + p1 = 6,75 ⋅ 1,10 + 4,09 = 11,52 kN/m

Momento fletor:

pl 2 6,75 ⋅ 1,10 2
m= + p1 ⋅ l = + 4,09 ⋅ 1,10 = 8,58 kNm/m
2 2

12.4
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Tabela 2 - Esforços nas lajes L1, L2 e L3

Lajes L1 L2 L3

Tipo 2B 2A 3
lx (cm) 380 460 230
Características
ly (cm) 690 500 500
ly/lx 1,82 1,09 2,17
Peso Próprio 2,75 2,75 2,75
Piso + Revestimento 1,00 1,00 1,00
Paredes 1,00 1,00 1,00
Ações (kN/m2) Carga de uso 3,00 3,00 3,00
g 4,75 4,75 4,75
q 3,00 3,00 3,00
p 7,75 7,75 7,75
νx 3,46 2,01 4,38
ν'x 5,07 - 6,25

νy 1,83 2,85 2,17

Reações de ν'y - 4,17 3,17


Apoio (kN/m) rx 10,19 7,17 7,81
r'x 14,93 - 11,14
ry 5,39 10,16 3,87
r'y - 14,87 5,65

µx 5,78 3,61 7,03

µ'x 11,89 - 12,50


µy 1,66 3,74 1,60

Momentos µ'y - 9,18 8,20


Fletores (kNm/m) mx 6,47 5,92 2,88
m'x 13,31 - 5,12
my 1,86 6,13 0,66
m'y - 15,05 3,36

12.5
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As reações de apoio das lajes (dentro dos semicírculos) e os momentos


fletores estão indicados na Figura 5, na qual encontram-se, também, os momentos
fletores compatibilizados (dentro dos retângulos).

5,39 7,17

10,16
14,93
14,87
10,19

5,92
6,57 8,58
0 8,58
1,86

6,13

14,18
13,31 15,05
6,47
0
7,17
5,12

11,14
5,12

11,52
3,87
5,65

2,88

3,36 8,58
0 3,36 0,66 0 8,58
5,39 7,81

Figura 5 – Reações (semicírculos, kN/m) e momentos (retângulos, kNm/m)

12.5 DIMENSIONAMENTO DAS ARMADURAS

O dimensionamento das armaduras está indicado na Tabela 3. Inicia-se


pelos momentos nos apoios, em geral os de maior valor, em ordem decrescente.

Em função dos diâmetros e dos espaçamentos obtidos para essas


armaduras, pode ser conveniente modificar a espessura das lajes, situação em que
os cálculos precisam ser alterados.

Em seguida, são calculadas as armaduras de vão. Foi admitido d = 8,5 cm.

12.6
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Tabela 3 - Dimensionamento das armaduras (momentos em kNcm/m)

Vínculo
Momento mk md kc ks
as,nec φ
e as,e
ou laje (cm /m) espaçamento (cm2/m)
2

L1/L2 8 c/ 8 6,25
m' 1418 1985 3,6 0,026 6,07
L1/L3 10 c/ 13 6,15

L2/L4 8 c/ 14 3,57
m' 858 1201 6,0 0,025 3,53
L3/L4 6,3 c/ 8,5 3,71

L2/L3 m' 512 717 10,1 0,024 2,02 6,3 c/ 15 2,10

6,3 c/ 12 2,62
mx 647 906 8,0 0,024 2,56
L1 8 c/ 19 2,63
l = 1,82
my 186 260 27,8 0,023 0,85 (b) 6,3 c/ 33 0,95

6,3 c/ 13 2,42
mx 592 829 8,7 0,024 2,34
L2 8 c/ 20 2,50
l = 1,09 6,3 c/ 12 2,62
my 657 920 7,9 0,024 2,60
8 c/ 19 2,63

mx 288 403 17,9 0,024 1,28 (a) 6,3 c/ 20 1,58


L3
l = 2,17
my 66 92 78,5 0,023 0,90 (c) 6,3 c/ 33 0,95

(a)
Armadura mínima para ρ smin = 0,15% (C25)
(b)
Armadura mínima para 0,67 ρsmin
(c)
Armadura de distribuição: 0,2 as,princ; 0,5 asmin ou 0,90 cm2/m

12.5.1 Armadura mínima

Para concreto C25, ρsmin = 0,15%

a) Armadura negativa e armadura principal para λ > 2

0,15
a s1,min = ρmin ⋅ bd = 100 8,5 = 1,28 cm 2 /m
100
12.7
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b) Laje com λ U 2

a s2,min = 0,67ρ min ⋅ bd = 0,67 1,28 = 0,85 cm 2 /m (nas duas direções)

c) Armadura de distribuição e armadura secundária para λ > 2

0,2 a s,princ

a s3,min ≥ 0,5ρ min b d = 0,5 1,28 = 0,64 cm 2 /m
 2
0,90 cm /m

Nos vínculos L1-L2 e L1-L3, tem-se:

a s3,min = 0,2 6,07 = 1,21 cm 2 /m (φ6,3 c/ 26 cm; ase = 1,21 cm2/m)

Nos demais vínculos e na direção x da L3:

a s3,min = 0,90 cm 2 /m (φ6,3 c/ 33 cm; ase = 0,95 cm2/m)

12.5.2 Diâmetro máximo

h 110
φmax = = = 13,8 mm ≤ 12,5 mm ⇒ φmax = 12,5 mm
8 8

12.5.3 Espaçamento máximo

a) Armadura principal para λ > 2 e nas duas direções para λ U 2

2h = 2 11 = 22 cm
smax ≤  ⇒ smax = 20 cm
20 cm

b) Armadura de distribuição e armadura secundária para λ > 2

smax = 33 cm

12.8
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12.6 FLECHA NA LAJE L2

Será verificada a flecha na laje L2, na qual deverá ocorrer a maior flecha.

12.6.1 Verificação se há fissuras

A verificação da existência de fissuras será feita comparando o maior


momento positivo, em serviço, para combinação rara ( md,rara = m y,k = 657 kN cm/m ),

com o momento de fissuração mr, dado por:

α fct I0
mr =
yt

α =1,5 para seção retangular

23
fct = 0,3 f ck = 0,3 ⋅ 25 2 3 = 2,565 MPa = 0,2565 kN/cm 2

b h 3 100 ⋅ 113
I0 = = = 11092 cm 4
12 12

h 11
yt = = = 5,5 cm
2 2

Resulta:

α fct I0 1,5 ⋅ 0,2565 ⋅ 11092


mr = = = 776 kN cm/m
yt 5,5

Como md,rara < mr, não há fissuras.

12.6.2 Flecha imediata

A flecha imediata pode ser obtida por meio da Tabela 2.2a de PINHEIRO
(1993), com a expressão adaptada:

α b pl 4x
ai = ⋅ ⋅
100 12 E c I0

12.9
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α = 4,02 (Laje tipo 2A, λ = 1,09)


b = 100 cm
p = g + ψ 2 q = 4,75 + 0,3 ⋅ 3,00 = 5,65 kN/m 2 = 5,65 ⋅ 10 - 4 kN/cm 2
l x = 460 cm = 4,6 ⋅ 10 2 cm
E c = 0,85 ⋅ 5600 fck = 0,85 ⋅ 5600 25 = 23800 MPa = 2380 kN/cm 2
I0 = 11092 cm 4 = 1,1092 ⋅ 10 4 cm 4

Resulta:

α b pl 4x 4,02 100 5,65 4,6 4 10 8


ai = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ 4 ⋅ = 0,32 cm
100 12 E c I0 100 12 10 2380 ⋅ 1,1092 ⋅ 10 4
a i = 0,32 cm

12.6.3 Flecha total

A flecha total é dada pela flecha inicial mais a flecha diferida. Pode ser
obtida multiplicando-se a inicial pelo coeficiente 1 + α f , com:

∆ξ
αf =
1 + 50ρ'

Para um tempo infinito (t ≥ 70 meses) e carregamento aplicado em


t0 = 1 mês, obtém-se:

∆ξ = ξ( t ) − ξ( t 0 ) = 2 − 0,68 = 1,32 (tabela 5 do capítulo anterior)

ρ' = 0 (taxa de armadura de compressão)

Resulta a flecha total:

a t = ai (1 + α f ) = 0,32 (1 + 1,32)
a t = 0,74 cm

12.10
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12.6.4 Flecha limite

Flecha limite admitida pela NBR 6118 (2001):

lx 460
= = 1,84 cm
250 250

lx
Como a t < , a flecha atende as especificações da citada Norma.
250

Fazendo um cálculo análogo para a laje L1, ter-se-ia: tipo 2B, λ =1,82,
mxk = 6,47 kN.m/m, α = 5,49, lx = 380 cm, ai = 0,204 cm e

lx
a t = 0,47 cm < = 1,52 cm
250

Portanto, com relação às flechas, poderia ser adotada uma espessura menor
para as lajes.

12.7 CISALHAMENTO

Será verificada a resistência sem armadura transversal (estribos), para o


maior valor da força cortante, indicado na Figura 5. Esse valor refere-se à laje L1,
v ' x = 14,93 kN/m .

Deverá ser verificada a condição:

v ' xd ≤ v Rd1
VRd1
v Rd1 = = d τRd1
bw
τRd1 = 3 fck (1 + 50ρl ) (1,6 − d) α q com (1,6 − d) ≥ 1

l 3,80
Para cargas distribuídas e d = 0,085 m < = = 0,19 m ,
20 20
tem-se α q = 0,17 .

12.11
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Considerando-se asx = 2,63 cm2 / m (φ8 c/ 19) :

As 2,63 0,3094
ρ= = =
b d 100 ⋅ 8,5 100
ρ = 0,3094 %

0,3094
τRd1 = 3 25 (1 + 50 3,80) (1,6 − 0,085 ) 0,17 = 1,20 MPa
100
τRd1 = 0,120 kN/cm 2

v Rd1 = 8,5 ⋅ 0,120 ⋅ 100 = 102,0 kN/m

Portanto:

v ' xd = 1,4 ⋅ 14,93 = 20,9 kN/m < < v Rd1 = 102,0 kN/m

Não há necessidade de estribos.

12.8 COMPRIMENTO DAS BARRAS SOBRE OS APOIOS

A armação das lajes encontra-se no Desenho 2A, no final deste capítulo. O


cálculo dos comprimentos das barras sobre os apoios internos é diferente do relativo
à laje L4 em balanço.

12.8.1 Apoios internos

Podem ser adotadas barras alternadas com comprimentos horizontais dados


pela expressão:

3
a= lxmax + 20 φ + 0,75 d
8

Nos vínculos L1-L2 e L1-L3 serão adotadas barras de mesmo comprimento,


calculado com lxmax = 460 cm (laje L2).

12.12
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No vínculo L2-L3 considera-se lxmax = 230 cm , da laje L3, pois a L2 foi

admitida simplesmente apoiada nesse vínculo.

O cálculo dos comprimentos das barras para os apoios internos está


indicado na Tabela 4 (ver também Desenho 2A).

Tabela 4 - Comprimentos dos trechos horizontais das barras (em centímetros)

Vínculo l x max φ d 3/8l x max 20φ 0,75 d a a/3 (a) 2a/3 (a) aadot

L1-L2
460 1,0 8,5 172,5 20 6,4 199 65 135 200
L1-L3

L2-L3 230 0,63 8,5 86,3 12,6 6,4 105 35 70 105

(a)
valor inteiro mais próximo, múltiplo de 5 cm.

12.8.2 Laje L4 em balanço

Sendo l o comprimento da barra no balanço, adota-se o comprimento total


do trecho horizontal igual a 2,5 l (ver Figura 6 e Desenho 2A).

a = 2,5 l = 2,5 (110 - 2) = 270 cm

14,18

8,58

7,09

6,57

14,18

8,58

13,66

1,5

Figura 6 – Comprimento total do trecho horizontal

12.13
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12.9 COMPRIMENTO DAS BARRAS POSITIVAS

O comprimento das barras positivas pode ser calculado conforme indicado


na Figura 7 e no Desenho 1.

Figura 7 – Comprimento das barras positivas

Nos apoios de extremidade, serão adotadas barras com ganchos de 90º,


prolongados até a face externa, respeitando-se o cobrimento.

Nos apoios internos com lajes adjacentes, serão adotadas barras sem
ganchos, prolongadas de pelo menos 10φ a partir da face do apoio.

O cálculo dos comprimentos das barras positivas está indicado na Tabela 5,


na qual:

x é a direção do menor vão

y é a direção do maior vão

φ é o diâmetro da barra

l0 é o vão livre

∆l e e ∆l d são os acréscimos de comprimento à esquerda e à direita, de

valor (t − c) ou 10φ; para φ ≤ 10 m , pode-se adotar 10 cm no lugar de 10φ

t é a largura do apoio

c é o cobrimento da armadura

lh,nec = l0 + ∆le + ∆ld


12.14
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lh,adot é o valor adotado do trecho horizontal da barra

ltot = lh,adot + ∆lg

ltot é o comprimento total da barra

∆lg é o acréscimo de comprimento de um ou de dois ganchos, se houver

(Tabela 1.7a, PINHEIRO, 1993)

T abela 5 - Comprimento das barras positivas (em centímetros)

Laje Direção φ l0 ∆ le ∆ ld l h,nec l h,adot ∆ lg l tot


x 0,8 360 18 8 386 390 8,0 398
L1
y 0,63 670 18 18 706 705 6+6 717
x 0,63 440 6,3 18 464 470 6,0 476
L2
y 0,8 480 8 18 506 510 8,0 518
x 0,63 210 18 6,3 234 240 6,0 246
L3
y 0,63 480 6,3 6,3 493 500 - 500

Para a laje L1, na direção y, o comprimento lh,nec = 706 cm é o valor

máximo para que seja respeitado o cobrimento, nas duas extremidades da barra.

Em geral, os valores adotados lh,adot são múltiplos de 5 cm ou de 10 cm .0

Os comprimentos adotados estão indicados no Desenho 2A.

12.10 ARMADURAS DE CANTO

Na laje L1, nos dois cantos esquerdos, e na laje L2, canto superior direito,
não há armadura negativa. Nessas posições serão colocadas armaduras superiores
de canto, conforme o detalhe 2 indicado no Desenho 2A, válido para os três cantos.

Para as lajes L1 e L2, os maiores valores de lx e da armadura positiva são:

lx = 460 cm
as = 2,60 cm2 / m

12.15
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Então, o comprimento do trecho horizontal das barras de canto, sua área por
unidade de largura e as quantidades serão:

lx 460
lh = + t - 2 = + 20 − 2 = 92 + 18 = 110 cm
5 5
as 2,60
a sc = = = 1,30 cm 2 /m (Adotado φ6,3 c/ 24; a se = 1,31 cm 2 /m)
2 2

O detalhe das armaduras de canto encontra-se no Desenho 2B.

12.11 NÚMERO DAS BARRAS

Há várias maneiras de numerar as barras. Como as primeiras a serem


posicionadas nas formas são as barras positivas, recomenda-se começar por elas e,
em seguida, numerar as negativas.

12.11.1 Numeração das barras positivas

O procedimento ora sugerido consiste em numerar primeiro as barras


positivas da laje L1, considerando N1 a de maior área por unidade de largura, N2 a
da outra direção, N3 a de maior área por unidade de largura da L2, e assim
sucessivamente.

Com essa numeração, as barras relativas aos maiores momentos positivos


têm número ímpar e devem ser colocadas por baixo das de números pares. Dessa
maneira, as barras que resistem aos maiores esforços terão o maior braço de
alavanca, sendo portanto mais eficientes.

Para garantir o correto posicionamento das barras, deve ser colocado de


forma clara, nos desenhos de armação das lajes:

BARRAS POSITIVAS DE NÚMERO ÍMPAR (N1, N3 ETC.) DEVEM SER


COLOCADAS POR BAIXO DAS DE NÚMERO PAR (N2, N4 ETC.).

A numeração das barras inferiores está indicada no Desenho 2A. Essas


barras são as seguintes: N1, N2, ...N6.

12.16
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12.11.2 Numeração das barras negativas

Terminada a numeração das barras positivas, inicia-se a numeração das


barras negativas, com os números subseqüentes (N7, N8 etc.). Elas podem ser
numeradas da esquerda para a direita, de cima para baixo, com o desenho na
posição normal, e em seguida, procedendo da mesma forma, com o desenho
sofrendo uma rotação de 90º no sentido horário, o que equivale ao observador
posicionado à direita do desenho. Obtém-se dessa maneira as barras N7, N8, N9 e
N10, indicadas no Desenho 2A já citado.

Na seqüência, são numeradas as barras de distribuição da armadura


negativa e outras barras eventualmente necessárias.

12.11.3 Barras de distribuição

As barras N10 já citadas são de distribuição, nos vínculos L2-L4 e L3-L4.


Outras barras de distribuição relativas às armaduras negativas são: N11, nos
vínculos L1-L2 e L1-L3, e N12, no vínculo L2-L3 (ver Desenho 2A).

12.11.4 Barras de canto

As barras de canto serão as N13 (Desenho 2B).

12.12 QUANTIDADE DE BARRAS

A quantidade ni de barras Ni pode ser obtida pela equação:

bj
ni =
si

bj é a largura livre, na direção perpendicular à das barras

si é o espaçamento das barras Ni

Poucas vezes ni vai resultar um número inteiro. Mesmo nesses casos, e nos
demais, deve-se arredondar ni para o número inteiro imediatamente inferior ao valor
obtido, conforme está indicado na Tabela 6. Somente para as barras de canto,
recomenda-se adotar o número inteiro mais próximo (barra N13 na Tabela 6).
12.17
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Tabela 6 - Quantidade das barras (bj e si em cm)

Barra bj si ni,calc ni,adot


N1 670 19 35,3 35
N2 360 33 10,9 10
N3 440 19 23,2 23
N4 480 13 36,9 36
N5 480 20 24,0 23
N6 210 33 6,4 6
N7 670 13 51,5 51
N8 470 14 33,6 33
N9 480 15 32,0 31
N10 (e) 150 33 4,5 4
N10 (d) 100 33 3,0 2
N11 130 26 5,0 4
N12 70 33 2,1 2
N13 92 24 3,8 4

12.13 DESENHO DE ARMAÇÃO

A armação das lajes encontra-se nos desenhos 2A e 2B, nos quais estão
também a lista das barras, com diâmetros, quantidades e comprimentos, e o resumo
do consumo de aço, com comprimento total e massa total por bitola e a soma
dessas massas.

12.18