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Aula: 10

Temática: Características dos Elétrons e Configurações Eletrônicas

 

Para uma melhor compreensão de certas propriedades dos elementos químicos expressas pela tabela periódica, vamos estudar mais profundamente o átomo, tomando como prio- ridade a configuração do elétron. A teoria é complexa e, portanto, requer muita atenção na leitura.

como prio- ridade a configuração do elétron. A teoria é complexa e, portanto, requer muita atenção

O átomo moderno está fundamentado no de Rutherford. Ele demonstrou a existência de uma partícula que tem uma massa muito maior que o elétron e com igual carga, mas de sinal oposto, sugerindo que a carga positiva do núcleo atômico deve-se à presença destas partículas, os prótons. Neste modelo, o núcleo carrega os prótons e os nêutrons, estando os elétrons distribuídos na região extranuclear. O tamanho da região extranuclear é extremamente maior que o tamanho do núcleo.

Por convenção, expressamos assim as cargas dessas partículas: um pró- ton tem uma carga de +1, um elétron, de –1, e um nêutron, de 0. O átomo como um todo não tem carga devido ao número de prótons ser igual ao de elétrons.

Com o propósito de descobrir o estado dos elétrons no átomo, parados ou em movimento (e que tipo de movimento), Bohr, em 1913, deduziu que um elétron em um átomo pode ter somente certas quantidades específicas de energia, isto é, sua energia é quantizada. Ele descreveu que um átomo tem um conjunto de energias quantizadas, ou níveis de energia, disponível para seus elétrons, além disso, cada nível tem uma “população” máxima de elétrons e cada elétron pode ter somente um valor de energia. Um átomo está normalmente em seu estado fundamental, o estado no qual todos os seus elétrons estão nos níveis de energia disponíveis mais baixos. Quando um átomo absorve energia de uma chama ou descarga elétrica, alguns de seus elétrons ganham energia e se elevam a um nível de energia maior. O átomo é agora dito estar em um estado excitado. Alguns dos níveis de energia mais baixos ficam livres e um elétron pode cair de um nível mais alto para um mais baixo. Energia é, então, liberada do átomo, segundo Bohr, na forma de quantum.

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Em 1926, Schrödinger aplicou a matemática para investigar as ondas es- tacionárias no átomo de hidrogênio e abriu um campo de estudo chamado mecânica quântica. Ele resolveu a equação de onda, obtendo um conjun-

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to de funções matemáticas, as funções de onda (φ), que descrevem as formas e as energias das ondas eletrônicas. Cada uma dessas diferentes ondas é dita como um orbital, o qual possui uma energia característica

 

é visto como uma descrição da região em torno do núcleo onde está o elétron. Cada orbital no átomo acomoda no máximo dois elétrons.

e

Uma maneira de designar um elétron é usando os quatro números quânti- cos. Os níveis de energia num átomo estão arranjados em camadas, deter-

minados pelo número quântico principal, n. Os valores permitidos para n

são números inteiros positivos (1, 2, 3,

).

Freqüentemente, são também

associadas letras a estas camadas: n = 1 é a camada K; n = 2, a L; n =

3, a M; e assim por diante.

A

mecânica quântica prevê que cada camada é composta de subcamadas,

cada uma das quais especificada por um número quântico azimutal, l . Este pode apresentar valores inteiros de zero até n – 1, logo l = 0 quando

n = 1, indicando que a camada K possui apenas uma subcamada. Em átomos no seu estado fundamental, 4 tipos de subcamadas são ocupadas por elétrons, designadas por s , p , d e f . Por exemplo, a subcamada s da segunda camada (n = 2, l = 0) seria designada como 2 s (valor de n para

a

camada e a letra indicativa da subcamada).

Cada subcamada é composta por um ou mais orbitais. Um orbital é carac- terizado por seu valor de m l , o número quântico magnético, que serve para determinar sua orientação no espaço em relação aos outros orbitais. Tal número possui valores inteiros que variam entre –l e + l . Quando l = 0, existe apenas um valor de m l (zero), portanto uma subcamada s consiste apenas de um orbital. De maneira similar constatamos que uma subcama- da p ( l = 1) contém três orbitais (–1, 0 e +1), uma subcamada d ( l = 2), cinco e uma subcamada f ( l = 3), sete.

O número quântico spin, m S , surgiu em decorrência de o elétron compor-

tar-se como se estivesse girando, em torno de seu eixo. O spin do elétron

responsável pela maioria das propriedades magnéticas que estão asso- ciadas aos átomos e moléculas. Uma vez que pode girar apenas em duas direções, m S só pode ter dois valores: +1/2 e –1/2.

é

Constatamos, então, que a cada elétron em um átomo, pode ser associado um conjunto de valores que determinam o orbital no qual o elétron está situado e a direção na qual está girando. O princípio de exclusão de Pauli diz que dois elétrons num dado átomo não podem ter o mesmo conjunto de números quânticos. Esta restrição indica que podem existir apenas dois elétrons por orbital e em direções opostas (m S = +1/2 e m S = –1/2). Desta forma, também podem ser determinados os números máximos de elétrons em cada subcamada (Tabela 2.1).

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UNIMES VIRTUAL 46 Tabela 2.1. Subcamadas, seus orbitais e número máximo de elétrons Subcamada Número de

Tabela 2.1. Subcamadas, seus orbitais e número máximo de elétrons

Subcamada

Número de orbitais

Número máximo de elétrons

s

1

2

p

3

6

d

5

10

f

7

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Para indicar um elétron disposto em uma das subcamadas, usamos um ín- dice superior. Para o hidrogênio, por exemplo, que possui número atômico igual a 1 (número de prótons = número de elétrons), ocupa-se apenas a primeira subcamada: 1s 1 . No caso do hélio, que possui número atômico igual a 2, apenas a subcamada 1s é também ocupada (1 s 2 ), no entanto, para diferenciar os dois elétrons simbolizamos os spins através de setas apontando para cima ou para baixo.

Pela regra de Hund, os elétrons numa mesma subcamada tendem a per- manecer em orbitais separados, com spins paralelos.

Exemplos (configurações eletrônicas): (configurações eletrônicas):

spins paralelos. Exemplos (configurações eletrônicas): He( Z =2): 1 s He( Z =2): 1 s 2

He( Z=2): 1 s

He( Z=2): 1 s 2

eletrônicas): He( Z =2): 1 s He( Z =2): 1 s 2 2 s 2 2

2 s 2

2

p 2

C( Z=6): 1 s 2

C( Z=6): 1 s 2 2s 2 2 p 2

A teoria apresentada é um pouco complicada, mas necessá- A teoria apresentada é um pouco complicada, mas necessá ria para prosseguirmos com o curso. Para ria para prosseguirmos com o curso. Para facilitar o trabalho de configuração dos átomos, através dos elétrons, como feito nos exemplos acima, pode ser usado o diagrama de Pauling (ver in- dicações de leitura no fim desta Unidade). A partir da próxima aula iremos estudar a tabela periódica e conceitos sobre os elétrons. Qualquer dúvida, não deixe de nos perguntar. Participe!

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tabela periódica e conceitos sobre os elétrons. Qualquer dúvida, não deixe de nos perguntar. Participe! QUÍMICA