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Ensaio para determinação do rendimento e regulação de um transformador trifásico

1- Objetivo

Este ensaio tem por finalidade verificar o rendimento e a regulação de um


transformador através da variação da carga conectada nos terminais do secundário.

2- Introdução Teórica

O grande número de transformadores presentes numa rede elétrica (desde a geração


até o ponto de utilização da energia elétrica) determina que os mesmos devam, se possível,
apresentar rendimentos próximos ao valor 100%.
De fato, os esforços do passado tanto no que se refere a materiais como projeto e
construção, resultaram em dispositivos atuais que apresentam rendimentos próximos a 98 ou
99%.
Adicionalmente, há ainda a se considerar dois tipos de aplicações:

I – Trafo de Distribuição (potência nominal até em torno de 500 KVA)

Observamos que o transformador de distribuição opera a maior parte do dia com


aproximadamente 50% de sua potência nominal e somente na faixa de tempo compreendida
entre 17 e 22 horas opera à plena carga.

II – Trafo de Força (potência nominal maior que 500 KVA)

O transformador de força opera 24 horas à plena carga.

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Estas características operacionais distintas implicam diferentes critérios de projeto


para os dois tipos de transformadores. Enquanto que para o primeiro é interessante que o
rendimento máximo ocorra para, talvez, 40% Sn; o caso do trafo de força impõe que o
rendimento máximo deve ocorrer em torno de Sn.
Um problema de grande importância operacional está vinculado com a variação da
tensão secundária (V2) com a carga. Esta variação define a regulação de um trafo e mede a
variação da tensão em relação à tensão secundária a vazio (E2).
A regulação positiva determina uma redução da magnitude de V2 em relação a E2, e o
fenômeno está associado ao suprimento de cargas indutivas ou fracamente capacitivas. No
caso de uma carga fortemente capacitiva podemos ter uma regulação negativa e neste caso V 2
> E2.

2.1– Rendimento

Durante a operação de um transformador, a transferência de energia elétrica do


primário para o secundário se faz acompanhada de perdas, ou seja, a potência útil no
secundário é menor que no primário. Essas perdas se manifestam sob a forma de calor e tem
origem tanto nos enrolamentos (Perdas Joule), como no material do núcleo magnético
(histerese e Foucault). Define-se rendimento como sendo a relação entre a potência ativa de
saída (secundário) e a potência ativa de entrada (primário).

Matematicamente, o rendimento é expresso por:

P2 P2
η= η% = x 100
P1 P1

É importante determinar o ponto de operação do transformador no qual ocorre o


rendimento máximo. Tal ponto, estabelecido no projeto, é função das perdas no trafo e é
dado por:

1,2 Po
fc(η% max) =
Pjn

onde:

I2
fc = = fator de carga; sendo I2n a corrente nominal para o secundário do transformador.
I 2n
Po = perdas no núcleo
Pjn = perda joule nominal

Graficamente, temos o seguinte:

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De acordo com a ABNT, o rendimento nominal de um transformador é calculado ou


medido sob as seguintes condições:
• Tensão nominal (Vn)
• Corrente nominal (In)
• Fator de potência da carga unitário (cos φc = 1)

2.2– Regulação

Entendendo o transformador como uma impedância série entre fonte e carga,


verifica-se que a circulação de corrente sobre esta impedância levará a uma queda de tensão
(∆V). Define-se a regulação de tensão para transformadores como sendo a variação da
tensão nos terminais do secundário, quando a este é conectada uma carga. Como
transformador a vazio, no secundário tem-se E2, que passa para um valor V2 ao se ligar uma
carga. Se a variação é pequena diz-se que a regulação é boa.
A regulação de tensão é expressa por:

E 2 − V2 E 2 − V2
Re g = Reg% = x 100
V2 V2

E pode também ser dada por:

Reg% = R% . cos φc . fc + X% . sen φc . fc

onde:

R% = resistência percentual
X% = reatância percentual
cos φc = fator de potência da carga
I2
fc = fator de carga =
I2n

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3- Preparação

3.1- Equipamento

Será utilizado, para a realização do ensaio, um transformador trifásico com as


seguintes características:
Potência nominal (Pn): 1.5KVA
Frequência (f): 60Hz
Tensão (AT): 220Volts Ligação: Y
Tensão (BT): 110Volts Ligação: Y

Preparar portanto o seguinte material:


• 1 transformador trifásico;
• 3 amperímetros com escalas apropriadas;
• 2 voltímetros com escalas apropriadas;
• 4 wattímetros de escalas apropriadas;
• 1 varivolt trifásico.

3.2- Material

• Fios para ligação;

3.3- Segurança

• Ligar o transformador com carga conectada ao secundário;


• Observar as escalas do amperímetro e do voltímetro para verificar se estão
adequadas aos valores de corrente e tensão;
• Aumentar a tensão no varivolt gradativamente até a obtermos corrente
nominal;
• Verificar a tensão de alimentação dos equipamentos;
• Cuidado ao manusear os fios para não provocar nenhum curto-circuito.

4- Experiência Prática

4.1- Esquema de ligação

Ligar o transformador de acordo com o esquema a seguir:

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4.2- Dados coletados

I2 V1 I1 V2 W1 W2 P1 W3 W4 P2 Reg η
[A] [V] [A] [V] [W] [W] [W] [W] [W] [W] [%] [%]
1,3 220 0,8 105,8 250 50 300 120 125 245 3,9304610 81,6667
4 7
1,8 220 1,0 104,2 300 80 380 170 160 330 5,5257099 86,8421
4
2,5 220 1,4 102 320 150 470 240 220 460 7,8431372 97,8723
5
3,0 220 1,6 100,4 340 210 550 200 290 490 9,5617529 89,0909
9
3,7 220 2,0 98,16 490 260 750 360 350 710 12,061939 94,6667
7

Para os cálculos de P1, P2, Reg, e η, utilizou-se as seguintes fórmulas:

P1 = W1 + W2 → Potência de entrada;
P2 = W3 + W4 → Potência de saída;
E − V2
Re g % = 2 ⋅ 100 → E2 = Tensão a vazio = 110V
V2
P
η % = 2 ⋅ 100%
P1

5- Discussões

Com os dados da tabela acima podemos traçar os gráficos η% x I2 e η% x fc.

Rendimento x Fator de Carga

100
Rendimento [%]

95

90

85

80
0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Fator de carga

De acordo com o gráfico acima podemos definir o transformador como sendo de


distribuição, já que ele possui seu rendimento máximo em torno de 50% da carga.
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Supondo um transformador com os dados representados na tabela abaixo, podemos


traçar sua curva de carga diária e calcular o rendimento médio diário em energia fornecida
pelo transformador pela fórmula:

Eu
ηd = ⋅ 100%
E u + E pc + E pf
Período Hs fc fp Pj Epc P0 Epf Eu
00-06 6 0,2 0,90 73,32 439,92 440 2640 162000
06-09 3 0,5 0,88 458,25 1374,75 440 1320 198000
09-11 2 0,7 0,94 898,17 1796,34 440 880 197400
11-13 2 0,5 0,92 458,25 916,5 440 880 138000
13-16 3 0,8 0,95 1173,12 3519,36 440 1320 342000
16-20 4 1,2 0,93 2639,52 10558,0 440 1760 669600
8
20-24 4 0,2 0,90 73,32 293,28 440 1760 108000
Totais 24 - - - 18898,2 - 10560 1815000
3

Curva Diária do Transformador

1,4
1,2
Fator de Carga

1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
Tempo [horas]

1815000
ηd = ⋅ 100% ⇒ η d = 98,403%
1815000 + 18898,23 + 10560

Os valores de X2 e R2 foram previamente determinados no ensaio em curto-circuito do


transformador em questão, sendo eles: R2 = 0,2Ω e X2 = 2,6Ω.
Com esses valores podemos calcular a regulação pelos métodos analítico e gráfico.

Método analítico

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R 2 ⋅ I 2 fn ⋅ cos φ c + X 2 ⋅ I 2 fn ⋅ sen φ c
Re g % = ⋅ 100%
V2 f
0,2 ⋅ 4,54 ⋅ 1 + 2,6 ⋅ 4,54 ⋅ 0
Re g % = ⋅ 100%
110
3
Re g % = 1,4297%

Método gráfico

O método gráfico para determinação da regulação do transformador é chamado


diagrama de Kapp e está representado abaixo de maneira simplificada.

6- Conclusão

Os transformadores são máquinas elétricas estáticas, cujo rendimento é bastante alto,


se comparado com as demais máquinas elétricas rotativas, motores e geradores, já que não
apresentam perdas mecânicas por atrito e ventilação.
Os transformadores usados nos circuitos de distribuição, isto é, aqueles que alimentam
diretamente os consumidores com a tensão de consumo, apresentam um ciclo de carga
bastante variável, trabalhando a maior parte do dia à meia carga, portanto tendo seu
rendimento máximo caracterizado quando ele está com 50% da carga.
Os transformadores ditos de força possuem um ciclo de carga pouco variável e,
portanto são projetados para ter seu melhor rendimento para cargas próximas da sua potência
nominal.
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A melhor regulação se dá quando o ângulo (φi - φc) for igual a 90º. Nesse caso a carga
é de natureza capacitiva. A pior regulação ocorre para cargas cujo ângulo (φi - φc) for igual a

7- Referências Bibliográficas

• AGUIAR, Adalton Lima de; CAMACHO, José Roberto - “Apostila de Laboratório de


Transformadores” – UFU – Março de 2000;
• CAMACHO, José Roberto – “Tratado sobre Transformadores de Potência” – UFU –
Março de 2000;
• PEREIRA, Renato Alves; DELAIBA, Antônio Carlos – “Apostila de Conversão de
Energia – UFU – Fevereiro de 2001.

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