Você está na página 1de 3

“O desemprego do homem deve ser tratado como tragédia e não como

estatística económica”

“O número de inscritos nos centros de emprego aumentou 27,3% em Abril


em relação a 2008” (sic.aeiou.pt/.../2009/.../desemprego-em-portugal.htm)
A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 9,3%, em Abril, um nível
que supera a média da Zona Euro (9,2%) e que corresponde à oitava mais
elevada entre os membros da União Europeia. (Sara Antunes)

O Eurostat revelou ainda que 10% das mulheres portuguesas estão


desempregadas. A taxa de desemprego entre os homens também aumentou
para os 8,7%. As taxas de desemprego têm aumentado um pouco por todo o
mundo, a reflectir a crise económica que se vive actualmente. Portugal
encontra-se entre os países com taxas de desemprego mais elevadas na União
Europeia, mas longe dos 18,1% registados por Espanha e dos 17,4% da
Letónia (www.o-informador-fiscal.pt/?nav).
Através da pesquisa na net, considero que estamos muito bem
informados, através dos mass média, sobre o desemprego no nosso país e no
mundo.
Estamos a viver uma catástrofe mundial, por isso não devemos ser
tratados como estatística económica, como dizia João Paulo II, mas sim como
tragédia!
Na minha opinião, a grandeza da tragédia, através da estatística, é muito
mais elucidativa. Quanto maiores forem as percentagens de desempregados
maior é a tragédia!
No contexto social, económico, político e cultural, para simplificar
exprimiria numa só palavra, no contexto da VIDA, o facto de se estar
desempregado influencia a nossa forma de pensar e agir, de sentir! Deixamos
de ter qualidade de vida, tudo nos é restringindo, inclusivamente o acesso à
cultura. Raramente me desloco para ir a um cinema, a um teatro, a um
concerto. As minhas prioridades passaram a ser ter o mínimo para assegurar
uma boa alimentação ao meu filho, ou ter um dinheiro extra para uma consulta
particular, dentista ou outro que considere necessariamente imprescindível.
Devido à crise que se faz sentir a nível económico, o governo corta na
assistência médica. Se estiver verdadeiramente doente não tenho coragem
para me pôr à porta do centro de saúde a que pertenço às quatro da manhã
para apanhar uma consulta! O meu médico de família ficou sobrecarregado de
trabalho com a drástica redução horária do colega médico que repartia com
ele, no centro de saúde, as famílias abrangentes de várias aldeias.
O orçamento do estado reduziu, o pagamento de impostos deixou de dar
entrada nos cofres, muitas empresas faliram ou optaram por se deslocarem
para outros países fora da União Europeia onde a mão-de-obra é mais barata!
Desenvolvo assim uma certa revolta em relação à politica praticada no
nosso país. Não vamos acabar com os ricos pois são os que investem, os que
nos criam a possibilidade de arranjar um emprego, mesmo que precário, para
termos uma vida condigna! Mas os “donos do capital” deveriam ser controlados
e fiscalizados. Por experiência própria sei que enchem os bolsos à conta do
necessitado, do trabalho ilegal, da declaração no recibo de metade do
vencimento, do abuso e da falta de escrúpulos!

Dulce Vera

Azambuja, 5 de Julho de 2009