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A IMPORTÂNCIA DO PERFIL DO ENFERMEIRO-LÍDER ASSISTENCIAL

Angela Valeski 1 Euzanir Menezes de Souza 1 Eunice K. Nakamura 2

Resumo A liderança envolve influenciar as atitudes, crenças, comportamentos, e sentimentos de outras pessoas. A maior parte do comportamento humano é motivada por uma meta que o indivíduo deseja alcançar. A identificação das metas dos funcionários e o estímulo à sua obtenção permitem que o líder motive os funcionários para alcançar metas pessoais e organizacionais. O líder deve ser ouvinte, apoiador ou elemento estimulador dos funcionários desmotivados. Como método de estudo foi utilizado consulta a referencial bibliográfico, reconhecendo a liderança como é, a partir da atribuição do significado dos lideres dos liderados, tem por finalidade, despertar a reflexão sobre o conceito de liderança na assistência de enfermagem, subsidiar o enfermeiro com atuação no atendimento hospitalar na análise da função gerencial, buscando melhoria na capacidade de atuação.

Abstract The leadership involves to influence the attitudes, beliefs, behaviors, and feelings of other people. Most of the human behavior is motivated by a goal that the individual desires to reach. The identification of the goals of the employees and the stimulaton to its attainment allow that the leader motivates the employees to reach personal and organizacionais goals. The leader must be listener, apoiador or estimulador element of the not motivated employees. As study method he was used consults the bibliographical referencial, recognizing the leadership as he is, from the attribution of the meaning of you lead them of the led ones, you have for purpose, to awake the reflection on the concept of leadership in the nursing assistance, to subsidize the nurse with performance in the hospital attendance in the analysis of the managemental function, searching improvement in the performance capacity.

PALAVRAS CHAVES: Líder, Liderança, Enfermeiro.

KEY WORDS: Leader, Leadership, Nurse.

Introdução

Os pressupostos da Teoria Clássica de Fayol segundo os quais o

homem era um ser naturalmente preguiçoso, irresponsável e avesso ao

trabalho necessitando, portanto, de controles rígidos por parte da organização,

revelavam-se, na prática do gerenciamento do pessoal de enfermagem, por

uma função supervisora enfaticamente fiscalizadora e punitiva.(KURCGANT. P. et. al, 1996). Na proposta de Fayol a divisão do trabalho visava a produção, o

resultado, o lucro, o que determinava uma forma de trabalho que permitisse a redução do número de objetivos para os quais estariam voltados a atenção e o esforço. (KURCGANT. P. et. al, 1996) Frederick W. Taylor acreditava que se os trabalhadores pudessem ser instruídos sobre a melhor maneira de realizar uma tarefa, a produtividade aumentaria. (MARQUIS & HUSTON, 1999).

A reforma da enfermagem iniciada por Florence Nightingale na Inglaterra

emergiu de problemas sociais, sendo uma das conseqüências da Revolução Industrial e se constituiu parte integrante de um movimento geral, com o propósito de melhorar as condições da vida humana. Este modelo previa para as ladies o exercício da liderança. (TREVIZAN,1993)

Liderança Liderança é a arte de influenciar as pessoas por meio de idéias e ações.

A liderança é uma qualidade tão marcante, impulsionadora de alterações

tão profundas na história, que se pode julgar ser inata a certas pessoas que naturalmente se destacam das demais. Ao nascer, já trariam esse poder, essa aptidão em sua personalidade. Ë também uma qualidade marcante pelo poder de mexer com os dons das outras pessoas.(NIVERSINDO, 1998) Abaham H. Maslow cita a liderança organizacional dos índios Blackfoot, onde não tendem a terem líderes gerais com poder total, mas ao contrário tinham diferentes líderes para diferentes funções e o líder não tinha nenhum poder que não tenha sido delegado a ele deliberada ou voluntariamente pelas pessoas envolvidas na situação em particular. (BENNIS, 2000) Para Terry, apud TREVIZAN (1993, p.34) liderança é a atividade de influenciar pessoas fazendo-as empenhar-se voluntariamente em objetivos de grupos, Tannenbaum, Weschler & Massarik, definem liderança como influência interpessoal exercida numa situação e dirigida, através do processo de comunicação, para consecução de objetivos específicos. Segundo Koontz &

O’Donnell, liderança consiste em influenciar pessoas para a realização de objetivos comuns. Knickerbocker entende que liderança é função das necessidades existentes numa dada situação e consiste numa relação entre um indivíduo e um grupo. Hersey & Blanchard definem liderança como o processo de influenciar as atividades de indivíduos ou grupos para a consecução de um objetivo numa dada situação. Em essência, a liderança envolve a realização de objetivos com e através de pessoas. Um líder precisa preocupar-se com tarefas e relações humanas, consiste num processo de exercício de influência por um indivíduo sobre outros no grupo. KURCGANT (1991, p.165) define liderança, como um dos processos que concretiza a administração de pessoal nas organizações, trata basicamente da condução ou coordenação de grupos. Segundo AGUIAR, apud KURCGANT(1991,p.166) o termo liderança é também objeto de controvérsias e permite o desenvolvimento de duas abordagens antagônicas, a liderança como característica de um indivíduo e a liderança como propriedade do grupo. Esta pesquisa, realizada através de consulta a referencial bibliográfico, tem o objetivo de despertar a reflexão sobre o conceito de liderança na assistência de enfermagem. Líder

Segundo a Hildegard e. Peplau, apud Fish (1999) líder é a pessoa que realiza o processo de iniciação e de manutenção das metas de um grupo através da interação. Bennis e Nanus definem o líder como o indivíduo que influencia, guia e direciona curso de ações. (MARQUIS & HUSTON, 1999). Bennis descrimina as atitudes de um líder: o líder inova, é original, desenvolve, prioriza pessoas, inspira confiança, tem perspectiva de longo prazo, pergunta o que e por quê, tem os olhos voltados para o horizonte, inventa, desafia, é seu próprio comandante e faz as coisas certas.(Bergamini & Coda, 1997)

Liderar Liderar é influenciar pessoas a mudar e, na enfermagem, como em qualquer outra área, a mudança não deve ser sinônimo de modificações profundas, mas deve ser encarada como algum grau de melhoria da prática de enfermagem. É necessário que conheça cada pessoa identificando suas necessidades e diferenças individuais.(TREVISAN, 1993)

Estilos de Liderança As teorias sobre estilos de liderança estudam os tipos de comportamento do líder em relação aos seus liderados evidenciando três estilos diferentes: o autocrático, que explora e estimula a dependência mediante a satisfação de necessidades evidenciadas pelos liderados; democrático, que envolve a determinação, a responsabilidade e a criatividade dos membros do grupo; liberal onde os membros do grupo desenvolvem o individualismo, a produtividade é alta mais de baixa qualidade. (GALVÃO,

1997)

Ao discorrer sobre tipos de líderes, Zuanetti et al (2001, p. 45) refere que nas organizações há pelo menos dois tipos de poder: o poder institucional, que também é conhecido como poder legítimo ou a autoridade formal, baseia-se no entendimento de que as pessoas e grupos específicos, devido à posição que ocupam na empresa, têm o direito de exercer influência; e, o poder institucional ou legítimo existe quando um subordinado (ou não) reconhece que o influenciador tem o direito ou está legalmente habilitado a exercer influência, sempre dentro de certos limites. Para MARQUIS & HUSTON as características do líder autocrático se definem por: forte controle sobre o grupo de trabalho, as pessoas são motivadas por coerção, dirigidas com comandos, a comunicação flui de cima para baixo, a tomada de decisões não envolve as pessoas, a critica é passível de punição, a ênfase está na diferença de status “eu” e “você”; do líder democrático : há menos controle, as pessoas são coordenadas por meio de sugestão e orientação, a comunicação flui para cima e para baixo, a tomada de decisões envolve as pessoas, prêmios econômicos e pessoais são utilizados

para motivar, a critica é construtiva, a ênfase dada em “nós” em vez do “eu” e “você”; e o liberal é permissivo com pouco ou nenhum controle, motiva por meio do apoio quando requerido pelo grupo ou indivíduos, existe pouca ou nenhuma coordenação, a comunicação ocorre entre os membros do grupo, para cima e para baixo, a tomada de decisão é dispersa para todo o grupo, não existe critica, a ênfase é no grupo. Para os pesquisadores da Universidade de Ohio, os líderes poderiam, ser classificados como possuidores de estilos voltados para o início da ”estrutura” quando a preocupação era conseguir que o trabalho fosse feito, e, voltados para a “consideração”, centrados principalmente no incremento do relacionamento entre as pessoas. ( BERGAMINI & CODA, 1997)

Funções do Líder Ao líder cabe encarar a atividade a ele confiada em toda sua composição como início de uma nova realização. Saberá enriquecê-la com iniciativas inovadoras, aperfeiçoá-la em seu desempenho e obter resultados duradouros. Ao líder cabe confiar aos subordinados os instrumentos adequados para a realização correta das atividades, devendo ensiná-los em seu uso. O líder expressa sempre seu reconhecimento e agradece com sinceridade aos que contribuem para seu êxito, que sabe não ser apenas seu, mas de todos. É consciente de que todo o resultado colhido é proporcional a uma vontade coletiva, à disposição e interesse das pessoas que lidera. Sabe que sem isso nada obterá. Ser grato, portanto, é ao mesmo tempo reconhecer, retribuir e semear. (NIVESINDO, 1998) Ao enfermeiro líder compete assumir o cuidado de um grupo de pacientes, bem como se responsabilizar pelo trabalho de seus colaboradores:

auxiliares e técnico de enfermagem. (TREVISAN, 1993) Para KURCGANT (1996) as principais funções do líder de equipe consistem em planejar os cuidados que deveriam ser dados aos pacientes dirigindo e supervisionando esses cuidados. O enfermeiro na liderança deve desenvolver capacidade de comunicação e adequada relação interpessoal, ter disponibilidade e capacidade para redimir dúvida do grupo, para avaliar cada

elemento integrante da equipe e proporcionar condições e ambiente adequados ao trabalho. Para RIBEIRO (1977) o líder deve saber: planejar, organizar, controlar, medir, sistematizar, fazer regras, fazer orçamentos, escrever descrição de trabalho, ditar políticas, ditar definições e disciplinar. Considerações que lhes é indispensável receber de todos, e dar a cada um: comunicar, construir moral, promover a integração, encorajar o crescimento, construir bom clima, desenvolver a responsabilidade, dar liberdade, estabelecer valores, reconhecer as estruturas, serem sensíveis e adaptáveis, aconselhar, encorajar e participar. Alguns princípios para governar o cotidiano: lidar com o colaborador honestamente, com respeito pela sua dignidade humana, tratar cada colaborador como uma pessoa importante na organização, reconhecer que cada membro da equipe contribui para, e depende da realização de todo grupo, providenciar ambiente de trabalho sadio e agradável, desenvolver os colaboradores de acordo com suas capacidades naturais e formar uma equipe treinada e eficiente e proporcionar oportunidade de promoção baseadas no mérito de cada um.

O Enfermeiro Líder e a Equipe de Enfermagem O enfermeiro líder reconhece cada funcionário como um indivíduo único, motivado por diferentes fatores, identifica os sistemas de valores individuais e coletivos da unidade, implementa um sistema de recompensas coerente com esses valores, manter uma imagem positiva e entusiasmada como modelo ou exemplo a ser seguido pelos subordinados, no local de trabalho.(MARQUIS,

1999)

TREVIZAN (1993) refere que integrar as pessoas que compõem o grupo da enfermagem aos serviços necessários aos pacientes, de forma que o envolvimento, a participação e o comprometimento estejam presentes nas ações de todos, se constitui no grande desafio, ao mesmo tempo que expressa o sentido da expectativa de comportamento do enfermeiro- líder.

Liderados Bergamini & Coda (1997) citam a Teoria de Bass, que menciona os liderados como seguidores, e, que os mesmos sentem confiança, admiração, lealdade e respeito em relação ao líder, estando motivados para fazer por ele mais do que originalmente é esperado. Um líder pode transformar os seguidores das seguintes formas: tornando-os mais conscientes a respeito da importância e do valor dos resultados do trabalho, levando-os a ultrapassar os seus próprios interesses em benefício da organização ou do grupo e ativando as necessidades de mais alto nível que os seguidores possuem. Uma busca constante do enfermeiro para que todos estejam dispostos a se envolver e se comprometer com propósitos relacionados à excelência do trabalho- o esforço comum para alcançar o melhor em termos de assistência de enfermagem é resultante da participação pessoal estimulada pelo enfermeiro, provocando em todos o interesse pelo sucesso do serviço. (TREVIZAN, 1993) O conteúdo principal do papel do membro é claramente estabelecido pelo protocolo organizacional, pelas características da situação suscetíveis de observação e pelas instruções dos líderes.(KATZ & KAHN, 1975 Nogueira (1994), Adami e Maranhão (1995), apud Kurcgant (et al.2005), afirmam que, sem a participação e o envolvimento dos profissionais da instituição, não haverá efetivação da qualidade, por isso as pessoas necessitam ser motivadas e capacitadas para otimizarem o processo produtivo, objetivando a qualidade, uma vez que esta depende de esforços individual e coletivo.

Considerações Finais Pode-se considerar a estrutura administrativa como um agente facilitador do sucesso, no caso assistencial. Sempre que buscamos uma assistência qualitativa, visamos à prontidão e o recurso humano. Então, faz-se necessário, desenvolver uma visão geral e ampla acerca do serviço a ser prestado e atentar às questões essenciais, disposição de aprendizagem, maleabilidade para mudar e adaptar novos conceitos, utilizando indicadores de qualidade próprios às metas desta fase do atendimento. Portanto, cabe-nos atuar como

líderes estrategistas, com participação, dinâmica, desempenho, preparo técnico, criatividade, sociabilidade, maturidade e direcionamento sendo estas importantes características do perfil do enfermeiro-líder assistencial. Outro significado de essencialidade na liderança que emerge das descrições é a relação de poder que se oculta nessa interação. Assim a capacidade do líder de influenciar pessoas conduzindo-as ou induzindo-as é revelado, pelas enfermeiras líderes, como poder intrínseco à liderança. Portanto, é preciso estudar formas criativas e partilhar as decisões com a equipe, fazer uma revisão diária de nossas ações e o papel assumido. Os enfermeiros, na maioria, são concordantes em relação a se sentirem seguras, fazendo parte de uma equipe multidisciplinar e identificando um adequado reconhecimento profissional. Entretanto, são discordantes na abordagem dos aspectos emocionais e comportamentais, como ansiedade, introjeção de valores externos, autoridade e receio, influenciando sua imagem profissional. O enfermeiro tem consciência de que sua decisão é subsidiada por conhecimento científico, capacidade de trabalhar em equipe e capacidade de discernir qual é o papel.

REFERÊNCIAS

BERGAMINI, C; CODA, R. Psicodinâmica da vida organizacional. Motivação e liderança. 2.ª ed. São Paulo: Ed. Atlas, 1997.

GALVÃO, C. M. et al. Liderança situacional: um modelo para aplicação na enfermagem brasileira. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo. Vol. 31. n. 2. agosto, 1997.

KATZ, D; KAHN. R. L. Psicologia social das organizações. 2.ª ed. São Paulo: Ed. Atlas, 1975.

KURCGANT, P. Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

MARQUIS, B; HUSTON, C. J. Administração e Liderança em Enfermagem:

Teoria e Aplicação. 2.ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

MASLOW. A. H. Maslow no Gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark,

2000.

NIVERSINDO. A. C. Administrador Hospitalar: Um Compromisso com a Ciência e a Arte. São Paulo: Ed. Loyola, 1998.

KURCGANT, P. et al. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo Ed. Novalunar. Vol. 30. n.3. dez. 1996.

MALVESTIO. M. A. A. Revista De Administração Em Saúde. São Paulo: Ed. Redprint Ltda. Vol 04, n. 14. jan./mar. 2002.

SENAC. DN. Qualidade em prestação de serviços. 2.ª ed. Rio de Janeiro:

Ed. Senac Nacional, 2001.

SENAC. DN. Ética e trabalho. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1987.

TREVIZAN, M. A. Liderança de Enfermeiro: O ideal e o real no contexto hospitalar. São Paulo: Ed. Sarvier, 1993.