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Manuel de Arriaga

(1911-1915)

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira cidade da Horta em 8 de Julho de 1840.

nasceu na

Foi durante o período em que estudava na Universidade

de Coimbra para se "formar em leis", no contacto com

outros estudantes e professores e na leitura de outras

formas de pensamento, que aderiu ao ideário

republicano. Para este jovem loiro e de

olhos azuis a

quem nada faltava, a opção política veio privá-lo de tudo aquilo que leva tantos outros a seguirem o mesmo

caminho: ascensão social, prestígio e fortuna. Manuel

de Arriaga perdeu tudo isso. O pai deixou de lhe pagar

os estudos e deserdou-o. Manuel de Arriaga teve então

de trabalhar, dando lições de inglês para poder

continuar Era um orador admirado. Fizera comícios ainda durante a monarquia, como muitos outros, pugnando por uma

o

curso.

sociedade mais justa, com menos privilégios e mais

acesso ao ensino. Mais tarde, o Governo Provisório nomeou-o Procurador-Geral da República, "premiando assim um dos paladinos da propaganda republicana e que fora também um dos maiores causídicos portugueses" (J. Veríssimo Senão, "História de Portugal" vol. XII , p.l46).

Morre

em Lisboa com

76 anos

e

vai

a

enterrar

no

Cemitério

dos

Prazeres,

em

Lisboa.

Manuel de Arriaga (1911-1915) Manuel José de Arriaga Brum da Silveira cidade da Horta em 8
Manuel de Arriaga (1911-1915) Manuel José de Arriaga Brum da Silveira cidade da Horta em 8

Teófilo de Braga

(1915)

Joaquim Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de

Fevereiro de

1843, filho de Joaquim Manuel Fernandes

Braga,

provavelmente

bisneto

de

um

dos

"meninos

de

Palhavã", (os célebres três filhos bastardos do rei D. João V,

cada um

de

sua

mãe,

que o monarca

viria

a

perfilhar e

educar). É uma ironia do destino este republicano, laico e

anti-monárquico

ter

uma

tal

descendência,

que

muitos

aristocratas

 

não

enjeitariam

 

poder ostentar.

No entanto, Rocha Martins (revista "Arquivo Nacional", nº

113, de Março de 1934) fala numa entrevista que fizera a

Teófilo, em 1916, e onde é visível uma grande admiração pelo escritor e presidente, que lhe falou da sua vida e das dificuldades que passara em Coimbra. A entrevista termina

com um comentário filosófico sobre povo português " "O português está destinado a viver sempre. Se não, que visse eu o feitio deste povo. Nos cataclismos não se rende, nas aflições não perece. O filho do português fora de Portugal aumenta de resistência.

Num discurso perante o Congresso, afirma que o Presidente da República deveria ser um simples magistrado que assiste ao funcionamento do regime democrático parlamentar”.

Teófilo Braga morre em Lisboa aos 80 anos e os seus restos

mortais encontram-se no Panteão Nacional.

Teófilo de Braga (1915) Joaquim Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de Fevereiro de
Teófilo de Braga (1915) Joaquim Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de Fevereiro de

Bernardino Machado

(1915-1917)1ªVez

(1925-1926) 2ª Vez

Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1851, filho de pai português António Luís Machado Guimarães e de mãe brasileira, Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães.

Bernardino Machado foi sempre um lutador, sem deixar de ser galante, tirava o chapéu a toda a gente que o cumprimentava.

Deputado do Partido Regenerador entre 1882 e 1886 e Par do Reino em 1890, Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, desde Fevereiro a Dezembro de

1893, teve uma acção muito positiva na reformulação do

ensino profissional e inovou os sectores da agricultura, comércio e indústria (escreveu mesmo "A Agricultura", em 1899). Desiludido com a Monarquia aderiu ao

Partido Republicano Português, em 1903. É a partir desta

fase que no seu Partido luta para que este "seja um partido republicano profundamente socialista".

O período em que Bernardino Machado foi Presidente da

República foi de grande agitação social. Desde o início da Guerra, em 1914, que começaram a escassear produtos

de primeira necessidade. Quase não havia farinha, nem carvão. Lisboa ficou sem eléctricos, sem luz e sem polícia nas ruas depois das 11 horas da noite.

Vai a enterrar

no Cemitério de Moço Morto, no túmulo

dos Barões de Joane, em Vila Nova de Famalicão.

Bernardino Machado (1915-1917)1ªVez (1925-1926) 2ª Vez Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de
Bernardino Machado (1915-1917)1ªVez (1925-1926) 2ª Vez Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de

Sidónio Pais

(1917-1918)

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, nasceu em Coimbra em 1 de Maio de 1872.

Não é demais repetir que o ambiente de pobreza e

desemprego no nosso País era visível. Mas Sidónio Pais já preparara o golpe e, no dia 5 de Dezembro de 1917, o

movimento revolucionário estala. Triunfará a 8 de

Dezembro. No "Diário do Governo", Sidónio manda

publicar um texto que termina assim: "Cidadãos! A Revolução é feita em nome da Liberdade contra a tirania e a verdadeira liberdade exige calma nos espíritos, respeito

por a vida e propriedade alheia e confiança na autoridade. Viva a Pátria! Viva a República".

Em prol dos mais necessitados, criou a chamada "sopa do

Sidónio", que consistia na distribuição de refeições baratas à população de Lisboa.

Na noite de 14 de Dezembro de 1918, dirigia-se ele para a

estação do Rossio a fim de apanhar um comboio para o

Porto. Quando a multidão que sempre o esperava o vê surgir, ovaciona-o como sempre. Entretanto a banda da Guarda Nacional Republicana começara a tocar o hino nacional. Sidónio vaidoso, ao ver tamanha multidão terá dito "Que quantidade de gente! Parece que esperam o imperador da Rússia!". É então baleado à queima-roupa,

por balas vindas de duas direcções. Apercebendo-se do

sucedido, terá dito: "Mataram-me! Morro, mas morro

bem! Salvem a

Pátria...".

Morreu aos 46 anos.

Sidónio Pais (1917-1918) Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, nasceu em Coimbra em 1 de Maio
Sidónio Pais (1917-1918) Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, nasceu em Coimbra em 1 de Maio

Canto e Castro (1918- 1919)

João de Canto e Castro nasceu em 19 de Maio de 1862.

Canto e Castro começa a sua carreira militar na Marinha como

aspirante na Real Escola Naval. Em 1912 pretende abandonar a

Marinha e monta um negócio de comissões e consignações, mas sem êxito. No ano seguinte recebe a missão para se deslocar a

Macau e aí assumir o comando do cruzador Adamastor.

Em Dezembro de 1917, após ocupar o cargo de director dos

Serviços de Estado Maior Naval, é designado para elaborar um plano de melhoramento da defesa do litoral português de ataques dos submarinos alemães.

Apesar de monárquico convicto e assumido, a eleição de Canto e Castro processa-se de acordo com as regras da Constituição de 1911, repostas após a rotura sidonista. O seu mandato é

marcado por constantes revoltas e tentativas de restauração

monárquicas, bem como pela atribuição do poder de dissolução do Congresso ao Presidente da República.

João de Canto e Castro Silva Antunes era monárquico, mas no

espaço de tempo em que exerceu as funções de Presidente da

República - 16 de Dezembro de 1918 a 5 de Outubro de 1919 - não o fez nem como militar nem como monárquico. É curioso como este homem que, à partida tinha dois "defeitos"

impossíveis de conciliar (monárquico e militar) com o exercício da Presidência da República, o fez de um modo que os historiadores mais tarde consideram como justo e isento.

Sofrendo desde cedo de angina de peito, morre a 14 de Março de 1934 e vai a enterrar no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Canto e Castro (1918- 1919) João de Canto e Castro nasceu em 19 de Maio de
Canto e Castro (1918- 1919) João de Canto e Castro nasceu em 19 de Maio de

António José de Almeida

(1919-1923)

Nascido em 17 de Julho de 1866, em Vale da Vinha, concelho de Penacova, António José de Almeida estudou no liceu de Coimbra e depois na Faculdade de Medicina da mesma

cidade. Está, desde jovem, ligado ao ideário da República.

Eleito Presidente em 5 de Outubro de 1919, foi o único a cumprir integralmente e sem interrupções o seu mandato de 4 anos. Com ele, Portugal retorna a uma presidência civil.

Em 23 de Novembro de 1914, fez um discurso no Congresso defendendo a entrada de Portugal na 1ª Grande Guerra, caso

a Inglaterra o desejasse:

"(...)

entendemos sempre que, caso

a Inglaterra não carecesse do nosso auxílio, nos devíamos dispensar de colaborar com eles nos feitos de guerra, mas entendemos também, e desde a primeira hora, que caso a

Inglaterra precisasse de nós, expeditamente, sem relutância

e sem desgosto, deveríamos ir ocupar a seu lado o lugar de

combatentes efectivos." E apresentava uma fórmula: "Vamos até onde for preciso, mas sendo preciso !“

Após terminar o seu mandato, em 1923, António José de Almeida retira-se devido a uma doença que o impedia de

andar. Um médico de hoje disse-me que ele sofria de gota,

uma doença causada apenas pela ingestão de certos alimentos que provocam ácido úrico, que se aloja nas articulações o que provoca dores horríveis impossibilitando

de andar.

Deixou este mundo em a 31 de Outubro de 1929.

António José de Almeida (1919-1923) Nascido em 17 de Julho de 1866, em Vale da Vinha,
António José de Almeida (1919-1923) Nascido em 17 de Julho de 1866, em Vale da Vinha,

Teixeira Gomes

(1923-1925)

Manuel Teixeira Gomes nasceu em

Vila

Nova

de

Portimão, em 27 de Maio de 1862.

Como Teófilo, também Teixeira Gomes marcou mais a literatura do que a política. Fazer com que a nossa velha aliada reconhecesse a jovem e ainda pouco estável República não era tarefa fácil, mesmo para um homem de grande cultura como Manuel Teixeira Gomes. Isto porque a família real britânica se encontrava ligada por

laços familiares e amizade à última rainha portuguesa, D. Amélia, e o último rei, seu filho, D. Manuel II, então exilados no palácio de Richmond.

Mas a simpatia e "charme" de Teixeira Gomes eram tais

que, ao fim de muitos anos em Londres, já a família real o convidava para o palácio com toda a naturalidade. Esteve no Palácio de Balmoral, na Escócia, e sabe-se

que a rainha Alexandra o convidou para lhe decorar o

gabinete oriental do Palácio de Buckingham.

Manuel Teixeira Gomes é uma excepção no panorama dos presidentes da 1ª República. Todas as noites jogava

às cartas com o seu secretário. Diria "A política longe de

me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus

livros." (Do Prefácio do livro de Joaquim António Nunes

"Da Vida e da Obra de Teixeira", 1976)

Morreu na Argélia em 1941 e só em Maio de 1950 os

seus restos mortais voltaram à pátria.

Teixeira Gomes (1923-1925) Manuel Teixeira Gomes nasceu em Vila Nova de Portimão, em 27 de Maio
Teixeira Gomes (1923-1925) Manuel Teixeira Gomes nasceu em Vila Nova de Portimão, em 27 de Maio

Mendes Cabeçadas

(1926)

José

Mendes

Cabeçadas

Júnior

nasce

em

Lagoa

de

Momprolé, Loulé, a 19 de Agosto de 1883.

Líder militar de uma das facções do golpe de 28 de Maio de 1926, assume a chefia do Estado por escassos dias. Recebe poderes do anterior Presidente da República, Bernardino

Machado, que por essa via pretendia conferir legitimidade e

margem de manobra à corrente político-militar do 28 de Maio. Apesar de dispor de vastos apoios, Mendes Cabeçadas evita confrontos armados com as forças de Gomes da Costa

e assina o decreto da sua demissão. Depois da Presidência

regressa às suas funções na Marinha, participando também activamente em várias conspirações militares contra o Estado Novo.

Na manhã do dia 4 de Outubro de 1910 Mendes Cabeçadas revolta a tripulação do cruzador Adamastor, responsável

pelos disparos contra o Palácio das Necessidades. No ano

seguinte, depois de iniciado na Maçonaria, é deputado às Constituintes por Silves como representante da Marinha, e mais tarde, logo no início do sidonismo, nomeado

Governador Civil do distrito de Faro, cargo que ocupará de

novo em 1919.

Morre a 11 de Junho de 1965 e vai a enterrar no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Mendes Cabeçadas (1926) José Mendes Cabeçadas Júnior nasce em Lagoa de Momprolé, Loulé, a 19 de
Mendes Cabeçadas (1926) José Mendes Cabeçadas Júnior nasce em Lagoa de Momprolé, Loulé, a 19 de

Óscar Carmona

(1926-1951)

António Óscar de Fragoso Carmona nasce em Lisboa a 24 de Novembro de 1869.

Terminado o curso de Cavalaria, é colocado na Escola Prática de Equitação em Vila Viçosa, sendo sucessivamente promovido até Marechal, o que acontece em 1947. Até ao

golpe de 28 de Maio de 1926, ocupa a pasta da Guerra e

participa também como Promotor de Justiça em vários julgamentos militares resultantes de revoltas do final da I República.

Com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, decide intervir para pôr fim à I República, rapidamente assumindo a

liderança dos acontecimentos. Presidente da República

eleito por decreto de 1926, recorre às urnas dois anos depois para legitimar o seu poder. Após criar condições e

permitir a ascensão de Oliveira Salazar nos governos da

Ditadura, vê-se por este ultrapassado. Em 1935 é eleito

Presidente da República de acordo com as regras da nova Constituição, cumprindo mandatos sucessivos e acabando mesmo por morrer durante o exercício das suas funções.

Morre a 18 de Abril de 1951 na sua casa do Lumiar em

Lisboa, ainda no exercício das suas funções. Os seus restos

mortais encontram-se no Panteão Nacional.

Óscar Carmona (1926-1951) António Óscar de Fragoso Carmona nasce em Lisboa a 24 de Novembro de
Óscar Carmona (1926-1951) António Óscar de Fragoso Carmona nasce em Lisboa a 24 de Novembro de

Craveiro Lopes

(1951-1958)

Francisco Higino Craveiro Lopes nasce em Lisboa a 12 de

Abril de 1894.

É sobretudo na década de 30 que começa por envolver-se na política, ocupando vários cargos na administração da Índia portuguesa. Em 1944, regressado a Portugal, é nomeado Comandante-geral da Legião Portuguesa e no ano

seguinte eleito deputado à Assembleia Nacional pelo distrito de Coimbra. Ao abandonar a Presidência da República torna-se crítico do regime, participando no “Golpe da Sé” e na “Abrilada” de 1961. Das suas últimas intervenções políticas destaca-se o seu prefácio ao

opúsculo de Manuel José Homem de Mello, Portugal o Ultramar e o Futuro, de 1963, no qual luta por uma “solução verdadeiramente nacional” que promova a “livre discussão”.

Com a morte de Óscar Carmona coloca-se pela primeira vez

ao regime salazarista o problema da escolha de um

candidato presidencial. A oposição avança com os nomes de Manuel Carlos Quintão Meireles e de Ruy Luís Gomes, mas é Craveiro Lopes que sai vencedor, sendo investido a 9

de Agosto de 1951. Os crescentes contactos com sectores

da oposição ao regime acabam por conduzi-lo ao seu

afastamento nas eleições presidenciais de 1958, cumprindo apenas um mandato.

Vítima de ataque cardíaco, morre em sua casa na Avenida Roma a 2 de Setembro de 1964 e vai a enterrar no

Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Craveiro Lopes (1951-1958) Francisco Higino Craveiro Lopes nasce em Lisboa a 12 de Abril de 1894.
Craveiro Lopes (1951-1958) Francisco Higino Craveiro Lopes nasce em Lisboa a 12 de Abril de 1894.

Américo Tomás

(1958-1974)

Américo de Deus Rodrigues Tomás nasce em Lisboa a 19 de Novembro de 1894.

Em 1914 ingressa na Escola Naval e, logo após a entrada de Portugal na I Guerra Mundial, é colocado na Escola de Torpedos. Pouco tempo depois é mobilizado para escoltar os

comboios marítimos que se dirigiam ao norte de França e a

Inglaterra e, em Outubro de 1919, entra para os Serviços Hidrográficos do Ministério da Marinha.

Durante os cerca de 16 anos na Presidência da República, destacam-se dois momentos em que a sua intervenção é decisiva: a “Abrilada” de 1961 e a substituição de Oliveira Salazar por Marcelo Caetano em 1968. Nos últimos anos da

Ditadura assume a prossecução da política ultramarina e do esforço de guerra.

É destituído do cargo com Revolução de 25 de Abril de 1974,

tendo de se refugiar com a família e alguns elementos da sua

Casa Militar no Forte da Giribita, em Caxias. No dia seguinte segue para a Ilha da Madeira, partindo depois para o exílio no Rio de Janeiro. Em Maio de 1978 é-lhe permitido regressar a Portugal.

Morre em Cascais aos 92 anos e vai a enterrar no Cemitério

da Ajuda, em Lisboa.

Américo Tomás (1958-1974) Américo de Deus Rodrigues Tomás nasce em Lisboa a 19 de Novembro de
Américo Tomás (1958-1974) Américo de Deus Rodrigues Tomás nasce em Lisboa a 19 de Novembro de

António Spínola

(1974)

António Sebastião Ribeiro de Spínola nasce em Santo André,

Estremoz, a 11 de Abril de 1910.

Em 1933 conclui o curso de Cavalaria e é colocado no Regimento

de Cavalaria n.º 7 como instrutor, sendo sucessivamente

promovido até chegar ao topo da carreira militar. Com a eclosão

da guerra em Angola, oferece-se como voluntário para aquela província, embarcando no navio Angola a 24 de Novembro de

1961 à frente do grupo de Cavalaria n.º 345.

Após ser nomeado em 1968 Comandante-chefe e Governador da Guiné, cargo que o catapulta em termos políticos, regressa à metrópole no Verão de 1973, sendo reintegrado no regime como

vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. António

de Spínola acabará por acelerar o processo conspirativo do movimento dos capitães ao publicar o seu livro Portugal e o

Futuro, no qual sugere uma solução federativa de tipo

referendário e uma transição de cunho presidencialista, mas sem

sobressaltos no domínio económico-social.

António de Spínola toma posse no Palácio de Queluz a 15 de Maio de 1974, logo após o golpe militar de 25 de Abril. O seu mandato

revela-se bastante complexo e atribulado, visível no permanente

braço de ferro com a Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas, que crescentemente se fortalece com a aceleração do processo de descolonização. Cada vez mais isolado no aparelho de Estado e militar, apela à “maioria silenciosa” que se manifeste a seu favor para poder decretar o estado de sítio e concentrar os poderes nas suas mãos. Goradas as suas várias tentativas, renuncia perante as câmaras de televisão a 30 de

Setembro de 1974 em Conselho de Estado.

Morre aos 86 anos e vai a enterrar no Cemitério do Alto de S. João, na Cripta dos Combatentes - Sala dos Marechais, em Lisboa.

António Spínola (1974) António Sebastião Ribeiro de Spínola nasce em Santo André, Estremoz, a 11 de
António Spínola (1974) António Sebastião Ribeiro de Spínola nasce em Santo André, Estremoz, a 11 de

Costa Gomes

(1974 - 1976)

Francisco da Costa Gomes nasce em Vila Real, Chaves, a 30 de

Junho de 1915.

Em 1931 alista-se no exército e rapidamente progride na carreira militar, chegando a Marechal em 1981.

Em Agosto de 1958 é convidado por Botelho Moniz, Ministro da Defesa, para subsecretário de Estado do Exército, iniciando

assim uma carreira política que o projectará ao mais alto

cargo de Estado.

No ano seguinte, com o apoio de António de Spínola, decide não comparecer a uma cerimónia de apoio à política do governo de Marcelo Caetano e é exonerado, mas reocupando o cargo a 30 de Abril.

Costa Gomes toma posse a 30 de Setembro de 1974, na

sequência da renúncia do seu antecessor. O seu mandato

revelar-se-á difícil, marcado pela urgência do reconhecimento internacional e obtenção de apoios externos e, simultaneamente, na definição do rumo da economia

nacional e do novo regime político e institucional. Num

contexto em que a esquerda radical e o P.C.P. ganham terreno, procura o equilíbrio entre as várias facções, conseguindo evitar a guerra civil. Em Janeiro de 1975 está presente na

assinatura do Acordo de Alvor, entre o governo e os

movimentos de libertação angolanos. Depois do seu mandato, mantém uma actividade discreta mas intensa. Não será chamado a desempenhar qualquer cargo político, escolhendo

o Conselho Mundial da Paz como terreno de intervenção.

Após doença prologada, morre a 31 de Julho de 2001 e vai a enterrar no Talhão dos Combatentes do Cemitério do Alto de

S. João, em Lisboa.

Costa Gomes (1974 - 1976) Francisco da Costa Gomes nasce em Vila Real, Chaves, a 30
Costa Gomes (1974 - 1976) Francisco da Costa Gomes nasce em Vila Real, Chaves, a 30

Ramalho Eanes

(1976 - 1986)

António dos Santos Ramalho Eanes nasce em Alcains a 25 de

Janeiro de 1935.

Ingressa na Escola do Exército em 1953 e é sucessivamente promovido até chegar a General em 1978. Na sua folha de serviços sobressaem as comissões de serviço que presta na Índia, Macau, Moçambique, Guiné e Angola.

Em 1973 tem a sua primeira intervenção política, quando juntamente com outros oficiais organiza um protesto contra o I Congresso dos Combatentes do Ultramar. Dois anos depois, no Verão de 1975, envolve-se numa conspiração desenvolvida pelo chamado Grupo dos Nove, encabeçado por Ernesto Melo Antunes, ficando Ramalho Eanes encarregue de organizar um plano militar, posto em prática a 25 de Novembro de 1975. Depois da Presidência da República, é eleito Presidente do Partido Renovador Democrático, cargo que ocupa de 21 de Agosto de 1986 a 5

de Agosto de 1987.

Ramalho Eanes, figura central do processo de consolidação da democracia portuguesa, é o primeiro Presidente da

República eleito por sufrágio directo e universal. Como Chefe

de Estado-maior General das Forças Armadas, implementa um plano de reestruturação que as reconduz às suas missões tradicionais. Será também durante os seus mandatos que se

procede à primeira revisão constitucional, levando à

extinção do próprio Conselho da Revolução.

Ramalho Eanes (1976 - 1986) António dos Santos Ramalho Eanes nasce em Alcains a 25 de
Ramalho Eanes (1976 - 1986) António dos Santos Ramalho Eanes nasce em Alcains a 25 de

Mário Soares

(1986 - 1996)

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasce em Lisboa a 7 de

Dezembro de 1924.

Apesar da sua carreira profissional se confundir com a política, a partir dos anos 50 é administrador e professor do Colégio Moderno. Começando a exercer advocacia em 1957, assumem particular relevância as defesas que faz em

julgamentos de presos políticos em tribunais plenários. Em

1965 oferece os seus préstimos de advogado à família de Humberto Delgado, que acaba por ser assassinado nesse mesmo ano.

Político de profissão e vocação, Mário Soares é uma figura

incontornável da história contemporânea portuguesa. Primeiro pela luta antifascista desenvolvida durante a Ditadura, que lhe vale várias prisões pela Polícia Internacional

e de Defesa do Estado, a deportação e o exílio; depois pela

sua participação no processo de transição, enquanto ministro de alguns dos governos provisórios e como líder partidário; finalmente pelo seu desempenho enquanto ministro dos I, II e IX governos constitucionais.

Ao ser eleito Presidente da República em 1986 auto-intitula- se como o “Presidente de todos os portugueses” e no seu discurso de tomada de posse, proferido perante a Assembleia da República a 9 de Março de 1986, sublinha a conciliação e unidade nacionais. “Unir os Portugueses, Servir Portugal” será o mote para um mandato presidencial, renovado cinco anos

depois, e que marca indiscutivelmente um novo estilo presidencial.

Mário Soares (1986 - 1996) Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasce em Lisboa a 7 de
Mário Soares (1986 - 1996) Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasce em Lisboa a 7 de

Jorge Sampaio

(1996 - 2006)

Jorge Fernando Branco de Sampaio nasce em Lisboa a 10 de

Setembro de 1939.

A carreira profissional de Jorge Sampaio raramente se separa da sua intensa actividade política. Concluídos os estudos secundários nos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel em Lisboa entre 1949 e 1956, frequenta a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa entre 1956 e 1961. Terminado o curso superior, começa de imediato a exercer advocacia, adquirindo particular relevo a sua defesa de presos políticos em Tribunal Plenário.

Da longa carreira política antes de chegar à Presidência da

República, destaca-se a sua actividade no movimento estudantil

no início dos anos 60 e a sua candidatura nas eleições de 1969

pela Comissão Democrática Eleitoral. Já depois do 25 de Abril de 1974, está presente na criação da Intervenção Socialista,

destacando-se também a sua acção enquanto deputado e

secretário-geral do Partido Socialista. Mais tarde cumprirá dois mandatos como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Com a sua eleição concretiza-se pela primeira vez desde o 25 de

Abril de 1974 um cenário político marcado por uma maioria governamental e um Presidente da República da mesma família política. Consciente de que “ser eleito Presidente da República representa uma responsabilidade e uma honra incomparáveis na vida de um político”, ao tomar posse a 9 de Março de 1996, Jorge Sampaio anuncia o seu propósito de “ser um presidente próximo das pessoas. Farei dessa minha intenção o timbre do

meu mandato. Ouvirei atentamente os Portugueses. Ouvirei

todos. Mas estarei, naturalmente, atento aos excluídos do sistema ou das políticas, remetidos, tantas vezes, a um estatuto

de dispensáveis. Não há portugueses dispensáveis. Essa é uma ideia intolerável”.

Jorge Sampaio (1996 - 2006) Jorge Fernando Branco de Sampaio nasce em Lisboa a 10 de
Jorge Sampaio (1996 - 2006) Jorge Fernando Branco de Sampaio nasce em Lisboa a 10 de

Cavaco Silva

(2006 - 2016)

Aníbal António Cavaco Silva nasce a 15 de Julho de 1939 em Boliqueime, Loulé.

Aníbal Cavaco Silva licencia-se em Finanças

em 1964

no

ISCEF, actual

Instituto

Superior

de

Economia

e

Gestão,

exercendo também o cargo de professor no mesmo instituto

desde 1966. Posteriormente, em 1974, conclui o

doutoramento em Economia na Universidade de York, no

Reino Unido. Ao regressar a Portugal, trabalha

sucessivamente

no

Instituto

de

Ciências

Económicas

e

Financeiras, na Universidade Nova de Lisboa,

na

Universidade Católica e no Banco de Portugal, neste último como director do Departamento de Estudos Económicos.

Depois da passagem em 1980 pelo Ministério das Finanças e Plano do Governo de Francisco Sá Carneiro, é eleito presidente do Partido Social Democrata a 2 de Junho de

1985 no congresso da Figueira da Foz. A 23 de Janeiro de

1995, após dez anos como primeiro-ministro, apresenta ao Congresso do PSD uma declaração de não recandidatura à presidência do partido, excluindo-se das eleições legislativas

desse mesmo ano. As suas funções de chefe do Governo

terminam a 28 de Outubro de 1995. Até à presente data, foi

o único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas e o Primeiro-ministro português que mais tempo

permaneceu em funções na história da democracia

portuguesa.

Cavaco Silva (2006 - 2016) Aníbal António Cavaco Silva nasce a 15 de Julho de 1939

Presidente da República em funções, em Outubro de 2005, anuncia oficialmente a sua candidatura, justificando essa decisão "por um imperativo de

consciência" em ajudar a superar o ambiente de "descrença e de pessimismo" da sociedade portuguesa. No discurso de tomada de posse lança vários desafios à

sociedade portuguesa: criação de condições para o

combate ao desemprego; crescimento da economia portuguesa; qualificação dos recursos humanos; credibilidade e eficiência do sistema de justiça;

sustentabilidade do sistema de segurança social e

credibilização do sistema político.

Presidentes da República (1910/2010)

Em 2010 comemora-se o Centenário da Implantação da República em Portugal.

Durante cem anos, a República teve momentos de maior pujança e momentos de algum declínio que com maior ou menor dificuldade, temos sabido ultrapassar, o que estou certo, irá acontecer com o momento actual.

O GICAV não podia deixar passar em claro esta data e

convidou Carlos Cruchinho, um colaborador do Gicav, licenciado no Ensino da História, para organizar um

trabalho que culminou nesta exposição/publicação.

Pretende-se que seja pedagógica e que se desloque a Escolas, Associações, Autarquias e outros locais, que se

predisponham a recebê-la.

Não são biografias exaustivas de cada Presidente, mas antes uma abordagem que poderá ser aprofundada no

âmbito de outros espaços e momentos.

O GICAV entende ser este mais um contributo para a cidadania, tema que deve cada vez mais ser debatido e

interiorizado pelos jovens e comunidade em geral, no

sentido de ser mais eficaz e actuante.

O Presidente do GICAV

Luís Filipe Martins de Almeida Mendes

Presidentes da República (1910/2010) Em 2010 comemora-se o Centenário da Implantação da República em Portugal. Durantehttp://www.leme.pt/sociedade/eleicoes-presidenciais- 2006/ • Museu da Presidência da República; http://www.museu.presidencia.pt/presidentes.php# Organização: GICAV Apoios: Instituto da Juventude. Câmara Municipal de Viseu Governo Civil de Viseu " id="pdf-obj-17-32" src="pdf-obj-17-32.jpg">

Este trabalho sobre os Presidentes da I República, Presidentes da República durante o Estado Novo e Presidentes da Democracia após a Revolução dos Cravos, destina-se a uma exposição no âmbito das Comemorações

do Centenário da Implantação da I República em 5 de

Outubro de 1910.

Estas breves biografias dos Chefes de Estado Portugueses encontram-se organizadas cronologicamente, tendo sido consultadas para a sua elaboração as seguintes fontes:

Oito Presidentes para a História (1910-1926) Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo.

Museu da Presidência da República; http://www.museu.presidencia.pt/presidentes.php#

Organização: GICAV

Apoios:

Instituto da Juventude. Câmara Municipal de Viseu

Governo Civil de Viseu

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