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20 o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

LIXO NAS PRAIAS, UM PROBLEMA AMBIENTAL

Maria de Fátima Morais Morosine (1) Química Industrial. Pós-graduada em Engenharia Sanitária e Ambiental (UFPB). Especialista em Gestão Ambiental (ENAP - Brasília). Técnica da SUDEMA - Superintendência de Administração do Meio Ambiente. Membro do Conselho de Proteção Ambiental. Membro do Conselho Técnico Científico da UNIECO - Universidade Livre do Meio Ambiente. Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPB). Coordenadora de Educação Ambiental da SUDEMA (Superintendência de Administração do Meio Ambiente). Marcia Toscano de Brito Aquino Bacharel em Biologia. Especialização em Educação Ambiental (UFPB). Ana Lúcia Queiroz Espínola Bacharel em Biologia. Especialização em Educação Ambiental (UFPB).

Biologia. Especialização em Educação Ambiental (UFPB). Endereço ( 1 ) : Avenida Nossa Senhora dos

Endereço (1) : Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 205 - apto. 1203 - Tambaú - João Pessoa - PB - CEP: 58039-110 - Brasil - Tel: (083) 226-2320 e 983-5277 - Fax: (083) 241-6977 - e-mail: jamorosine@zaitec.com.br ou famorosine@hotmail.com.br

RESUMO

Um dos mais graves problemas urbanos contemporâneos é a falta saneamento básico. A disposição de lixo próximo aos corpos d’água, lançamento de esgoto in natura, além do mau uso do solo vem favorecendo a degradação e contaminação dos recursos hídricos costeiros tais como praias, estuários e baías que tem recebido cargas significativas desses poluentes, com repercussões negativas na saúde, turismo, pesca e sobretudo no equilíbrio dos ecossistemas costeiros.

Nos últimos anos, a zona costeira paraibana vem sendo palco de vários tipos de agressões ambientais causadas pela ação antrópica, podendo-se destacar: a ocupação desordenada das margens dos rios que ao longo do seu percurso é ladeado por favelas, fazendo-os receberem lançamentos de esgoto a céu aberto, resíduos sólidos e, os próprios esgotos da rede oficial.

Os impactos causados pelos usuários das praias podem ser mensurados de diferentes formas de pressões destes sobre os ambientes costeiros. Destaca-se dentre as causas que contribui para a queda da qualidade ambiental da zona litorânea, o mal hábito dos banhistas descartarem o lixo nas areias e nos recurso hídricos litorâneos, comprometendo a qualidade sanitária e em especial a beleza cênica da paisagem.

O resultado das ações educativas adotadas através das medidas preventivas e todo aporte legislativo utilizado como medida corretiva, para punir os infratores quando do não atendimento aos condicionamentos exigidos pela SUDEMA, já podem ser sentidos através das denuncias que são encaminhadas ao órgão, postura adotada pelos próprios moradores da região, quando na suspeita e ou constatação do descarte de lixo nas praias, nas margens dos rios litorâneos.

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VI - 002 20 o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL O cidadão comum começa

20 o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

O cidadão comum começa a perceber as implicações negativas de se viver num ambiente

poluído e degradado, começando a cobrar e exercer a sua cidadania, a partir do momento em que ele passa a ser um fiscal do ambiente em que vive.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, Campanha, Divulgação, Ação, Implantação.

INTRODUÇÃO

A faixa litorânea do Estado da Paraíba constitui uma das principais fontes de turismo da

região, e que nos últimos tempos vem-se registrando um aumento significativo dessa atividade. O turismo vê-se favorecido pelo clima tropical quente e úmido que oferece ao visitante uma temperatura média anual de 26ºC e uma longa estação seca.

Ao mesmo tempo, e em parte como conseqüência verifica-se um acelerado processo de crescimento urbano, associado com a construção de hotéis, restaurantes, centros comerciais e de lazer

Um dos mais graves problemas urbanos contemporâneos é a falta saneamento básico. A disposição de lixo próximo aos corpos d’água, lançamento de esgoto in natura, além do mau uso do solo vem favorecendo a degradação e contaminação dos recursos hídricos costeiros tais como praias, estuários e baías que tem recebido cargas significativas desses poluentes, com repercussões negativas na saúde, turismo, pesca e sobretudo no equilíbrio dos ecossistemas.

Nos últimos anos, a zona costeira paraibana vem sendo palco de vários tipos de agressões ambientais causadas pela ação antrópica, podendo-se destacar: a ocupação desordenada das margens dos rios que ao longo do seu percurso é ladeado por favelas, fazendo-os receberem lançamentos de esgoto a céu aberto, resíduos sólidos e, os próprios esgotos da rede oficial.

O aumento populacional tem como uma das vítimas principais o meio ambiente. Áreas

verdes, encostas, vales de rios, mangues, rios e praias, são constantemente degradados e contaminados, para dar vazão ao crescimento urbano.

Atualmente, alguns trechos de praias e rios apresentam crescente contaminação de origem fecal; áreas protegidas pela legislação ambiental como mangues e matas, diariamente estão devastados e ocupados desordenadamente fazendo desses recursos naturais palco da destruição ambiental, bem como, de recepção de esgotos domésticos, industriais, lixos e todo tipo de detritos.

CARACTERIZAÇÃO SÓCIO AMBIENTAL DA ZONA COSTEIRA DA PARAÍBA

A presente pesquisa foi desenvolvida na zona costeira do estado da Paraíba localizado na

região nordeste do Brasil na faixa litorânea mais oriental das Américas. O litoral Paraibano possui 138 Km de extensão banhando oito município distribuídos entre o litoral norte e sul (QUADRO1), limita-se ao norte com o estuário do rio Guajú e ao sul com o estuário do rio Goiana, estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco respectivamente.

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VI - 002 20 o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL É uma região de

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É uma região de grande expansão urbana, densamente povoada, com sua população

representando 24% dos habitantes do estado da Paraíba . Ocupa uma área superficial de

2640 Km 2 representando 5% do território estadual (QUADRO 1).

Apresenta uma diversidade de paisagens composta por: praias, falésias, estuários, mangues, restingas e remanescentes de mata atlântica. O clima da região litorânea é quente e úmido, temperatura média anual de 26ºC, com máxima de 33ºC e mínima de 21ºC e precipitação pluviométrica variando entre 600 e 800mm ao ano.

No domínio da zona costeira existem oito Unidades de Conservação(UC), áreas protegidas pela legislação ambiental totalizando 179 Km 2 , 7% da superfície regional e 15% da superfície da região litorânea norte onde estão localizadas 90% dessas áreas.

O peso desses valores se acercam da própria situação da região onde está localizada a

capital do Estado, João Pessoa, centro político administrativo e maior polo industrial da Paraíba.

O setor costeiro norte está alicerçada numa área de intenso cultivo da mono cultura de

cana de açúcar, atividades extrativistas de minerais não metálicos, exploração de recursos

pesqueiro e concentra o parque sucro alcooleiro do Estado.

QUADRO 1 - CARACTERIZAÇÃO DO SETOR COSTEIRO.

CARACTERIZAÇÃO

LITORAL

LITORAL SUL

TOTAL

NORTE

SUPERFÍCIE / EXTENSÃO

1.101Km 2 / 63Km

1539Km 2 / 75Km

2640Km 2 / 138Km

POPULAÇÃO

45.184 Habitantes

745.029 habitantes

791.861 hab

DENSIDADE EMOGRÁFICA

41

Habitantes/Km 2

485

habitantes/Km 2

300 hab/ Km 2

MUNICÍPIOS

MATARACA, BAÍA DA TRAIÇÃO, MARCAÇÃO, RIO TINTO E UCENA

CABEDELO, JOÃO PESSOA,CONDE e PITIMBÚ (ALHANDRA, BAYEUX, SANTA RITA e CAAPORÃ)*

13 Municípios

* Municípios que não são banhados pelo Oceano Atlântico

AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Várias ações estão sendo adotadas e fazendo parte da rotina da SUDEMA- Superintendência de Administração do Meio Ambiente, órgão encarregado pela gestão e execução da política ambiental no estado da Paraíba.

Como forma de minorar e combater as agressões ao meio ambiente, pode-se citar a

OPERAÇÃO VERÃO, OPERACÃO PRAIA LIMPA e OPERAÇÃO SILÊNCIO respaldada com campanhas e programas de educação ambiental como forte instrumento

de controle e gestão ambiental.

A OPERAÇÃO PRAIA LIMPA objeto deste estudo, foi implantada pioneiramente no

estado da Paraíba pela SUDEMA – Superintendência de Administração do Meio Ambiente em 1992, com o SLOGAN “NÃO DEIXE A SUJEIRA INVADIR A SUA PRAIA”. Ë realizada anualmente em todos os municípios litorâneos, no período de verão, dezembro a março, através de campanhas e ações de Educação Ambiental.

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METODOLOGIA DE AÇÃO

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Campanha corpo a corpo com distribuição de material educativo junto aos banhistas, informando os perigos e riscos que estavam sendo submetidas face a contaminação e deposição de lixo nas praias ;

Distribuição de sacolas e folhetos informativos;

Palestras nas escolas enfocando a importância da proteção do meio ambiente, como melhoria na qualidade de vida;

Palestras nas associações de bairros enfocando a importância do envolvimento da comunidade para com o sucesso da campanha;

Apresentação de vídeos na rede hoteleira;

Apresentação de vídeos e palestras nas marinas enfocando a importância da colocação de coletores de lixo nas embarcações e distribuição de sacos de lixo com os usuários dos barcos;

Fixação de cartazes da campanha nas atividades comerciais situadas na faixa litorânea, transporte coletivos, terminais de ônibus;

Implantação de coletores de lixo nas praias;

Ampla divulgação através da mídia, informando a população a importância da campanha, bem como, convidando-a a ser parceira na defesa do meio ambiente.

CONCLUSÕES

Os impactos causados pelos usuários das praias podem ser mensurados de diferentes formas de pressões destes sobre os ambientes costeiros. Destaca-se dentre as causas que contribui para a queda da qualidade ambiental da zona litorânea, o mal hábito dos banhistas descartarem o lixo nas areias e nos recurso hídricos litorâneos, comprometendo a qualidade sanitária e em especial a beleza cênica da paisagem.

O resultado das ações educativas adotadas através das medidas preventivas citadas e todo aporte legislativo foi utilizado como medida corretiva, para punir os infratores quando do não atendimento aos condicionamentos exigidos pela SUDEMA, já podem ser sentidos através das denuncias que são encaminhadas ao órgão, postura adotada pelos próprios moradores da região, quando na suspeita e ou constatação do descarte de lixo nas praias, nas margens dos rios litorâneos.

O cidadão comum começa a perceber as implicações negativas de se viver num ambiente poluído e degradado, começando a cobrar e exercer a sua cidadania, a partir do momento em que ele passa a ser um fiscal do ambiente em que vive.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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3. CABELLI, V. J., DUFOUR, A .P., & McCABE, L. J., 1983 - A marine recreational water quality criterion consistent wich indicator conceps and risk analisis.

4. COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DA PARAÍBA. Relatório de dados operacionais. João Pessoa: CAGEPA, João Pessoa, 1995.

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VI - 002 20 o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL 5. CONSELHO NACIONAL DO

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5. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Nº 20- 18 de junho de 1986. In:

Coletânea de Legislação Ambiental Federal e Estadual, Curitiba, 1990.

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7. MIDAGLIA, C. L; - Turismo e Meio Ambiente no Litoral Paulista : Dinâmica da Balneabilidade nas Praias. In: Turismo Impactos Socio-Ambientais, Ed Hucitec, São Paulo, 1996.

8. MOROSINE, M.M.F . Rio Jaguaribe Poluído e Degrado. In: Anais 6º Congresso Nordestino de

9. Ecologia, João Pessoa, 1995.

10. MOROSINE, M.M.F.(a) Impactos Ambientais na Zona Litorânea da Grande João Pessoa. ANAIS do VI Encontro regional de Estudos Geográficos: Nordeste, Turismo e Meio Ambiente e Globalização, João Pessoa, julho de 1997.

11. MOROSINE, M.M.F. Gestão E Controle dos Impactos Ambientais na zona Costeira da Grande João Pessoa, ANAIS, Vol. II do VIII SILUBESA- Simpósio Luso brasileiro de Engenharia sanitária e Ambiental, 199o, João Pessoa- PB

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13. SUDEMA. Macro Zoneamento Costeiro do Litoral Sul do Estado da Paraíba, 1996.

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15. SANTOS, Milton. Pobreza Urbana. São Paulo: HUCITEC, 1979.

16. SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. São Paulo: HUCITEC, 1996.

17. SUDEMA. Balneabilidade das Praias do Litoral Paraibano- do Governo do Estado da Paraíba. 1989.

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