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XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO 2ª FASE – Penal 2ª FASE DIREITO PENAL - XII

XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

2ª FASE – Penal

2ª FASE DIREITO PENAL - XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

Disciplina

Prática Penal

Aula

Memoriais no Júri

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA DO JÚRI DA CAPITAL

, que lhe move a

Justiça Pública vem, respeitosamente, por meio de seu advogado, dentro do prazo legal, apresentar seus memoriais, com fundamento no artigo 403, parágrafo 3 cumulado com o artigo 394, parágrafo 5º, ambos do Código de Processo Penal.

Fátima, já qualificada nos autos do processo crime nº

Dos Fatos

Segundo a acusação, Fátima fez com que Leila ingerisse remédio para úlcera. Desta ingestão resultou o aborto sofrido por Leila.

O fato foi narrado para a autoridade policial que instaurou o competente

inquérito.

Foi feito exame de corpo de delito em Leila pelo Instituto Médico Legal de São Paulo, que não restou conclusivo para a ocorrência de aborto.

Foi feita audiência de instrução, não tendo sido ouvida Leila pois não foi encontrada.

Do Direito

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XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO 2ª FASE – Penal Excelência, em que pese o esforço

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2ª FASE – Penal

Excelência, em que pese o esforço do combativo membro do Ministério Público, o fato é que Fátima deve ser absolvida sumariamente por atipicidade da conduta, nos termos do artigo 415, inciso III, do Código de Processo Penal.

Vejamos.

O fato é que incide no presente caso o chamado erro de tipo, previsto no artigo 20 do Código Penal:

A acusada não tinha ciência de que Leila estava grávida.

 

Ora,

nesta

situação,

como

pode

ser

imputado

à

acusada

a

conduta

abortiva?

 

A

resposta

é

uma

só:

não

pode

ser

imputado

a

ela

esta

conduta,

simplesmente pois não sabia que se tratava de pessoa grávida.

Ainda que assim não fosse, e apenas pelo amor ao debate, a acusada deve ser impronunciada por ausência e materialidade.

Ora Excelência, para a pronúncia deve haver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade.

Conforme se verifica dos autos, não há na perícia conclusão alguma sobre a ocorrência do aborto.

Diante desta situação, não pode ser a acusada pronunciada pois falta elemento fundamental para a pronúncia, qual seja, a prova da materialidade, devendo ser impronunciada nos termos do artigo 414 do Código de Processo Penal.

Do pedido

Ante o exposto, requer seja julgado improcedente o pedido da acusação, absolvendo-se sumariamente a acusada com fundamento no artigo 415, inciso III do Código de Processo Penal ou, caso não seja este o entendimento, requer-se a

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XII EXAME DE ORDEM UNIFICADO 2ª FASE – Penal impronúncia com fundamento no artigo 414

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impronúncia com fundamento no artigo 414 do Código de Processo Penal. Na remota hipótese de ser pronunciada, requer seja reconhecido o direito de recorrer em liberdade, nos termos do artigo 413, parágrafo 3 do Código de Processo Penal.

Termos em que, pede deferimento,

São Paulo, 17.07.2010

Advogado

OAB nº

17.07.10

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