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Terceira Igreja Batista do Plano Piloto // EBD: Visão certa, mundo incerto // 27 setembro 2009 1

Visão certa, mundo incerto


Aula 06: Uma economia redentiva

“O cristão é chamado para uma tarefa de domínio, trazendo toda área da vida em
submissão a Jesus Cristo e seus mandamentos. Essa tarefa não pode ser realizada sem
envolvimento em nosso mundo, incluindo seus assuntos econômicos. Como os bens podem
ser permutados quando não existe nenhum conceito de valor?” (Gary DeMar)

Talvez muitos crentes observem o tema tratado nesse estudo e se perguntem “o que tenho a ver com esse assunto?”. Para
outros, o fato de Jesus estar voltando já mostra quão inútil deve ser falar de economia.

A Bíblia, entretanto, dedica muitos de seus capítulos a questões relacionadas a dinheiro, riquezas e recursos. Para o cristão,
portanto, esse assuntos devem ser levados em consideração, pois o próprio Deus se ocupou deles em sua Palavra. Não
devem ser tratados como algo distante, mas como outro campo no qual o Senhor nos chama para exaltar seu nome.

Da abundância à escassez

“ Economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação

a usos alternativos. (Lionel Robbins)


existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam

Como podemos ver nessa definição clássica, diferente de outros assuntos que tratamos anteriormente, a economia só passa
a ter razão de existir após a Queda. Por quê? Porque antes do pecado, a humanidade vivia uma realidade bastante diferente
da que vivemos hoje. Adão e Eva desfrutavam de abundância, trabalhavam em cooperação e estavam numa situação de
equilíbrio.

Abundância – Tudo o que o homem e a mulher precisavam estava disponíveis a eles, de maneira farta, sem que eles passassem
qualquer necessidade. Por meio do cultivo da terra e da providência de Deus, não havia falta para os dois (Gn 1.29).

Cooperação – Adão e Eva não concorriam entre si por causa dos recursos disponíveis. Não havia pecado para que alguém
cobiçasse o que era do outro. A mulher foi colocada no jardim como ajudadora do homem, e colaborava com seu trabalho.

Equilíbrio – Como resultado dos dois pontos anteriores e da harmonia entre a humanidade e a Criação, Adão e Eva
desconheciam qualquer fator de desequilíbrio, como alguém mais rico que o outro, ou imprevistos como desastres naturais.
Não havia necessidade de um estudo sobre necessidades não-satisfeitas ou luta por recursos escassos.
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Depois da Queda, essa situação ideal se altera. Os recursos tornam-se difíceis de serem alcançados após a maldição sobre
a Criação, o homem e a mulher passam a competir até pela liderança de sua relação e o equilíbrio se desfaz, por conta das
lutas trazidas pelo pecado e a “rebeldia” da natureza contra seus vice-gerentes.

À mulher, ele declarou: “Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez;


com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a
dominará. E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e
[ Gênesis 3.16-19 ] comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a
terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua
vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das
plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à
terra, visto que dela foi tirado;porque você é pó, e ao pó voltará”.

Combatendo a escassez
Um dos propósitos de Deus ao enviar seu Filho à Terra é restaurar a humanidade e a Criação aos rumos originais que
ele propôs antes do pecado. Assim, os crentes, como pessoas que experimentam desde já parte dessa restauração, têm
responsabilidades em relação a esse quadro de escassez em que nos encontramos.

Existem algumas soluções que a Bíblia propõe para o estado decaído do mundo. Um deles é o trabalho. Já estudamos
esse assunto na aula anterior, por isso, não dedicaremos tanto espaço a ele. Mas, é importante que nos lembremos que
é a forma principal para que não nos faltem recursos.

Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: Se alguém não
[ 2 Tessalonicenses 3.10 ] quiser trabalhar, também não coma.

Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não
[ Provérbios 6.6-8 ] tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas
provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.

O exemplo da formiga também nos mostra outro princípio importante: devemos nos lembrar de guardarmos parte
dos nossos recursos, pois não se sabe como será o dia de amanhã. A Bíblia sempre ensina que existem tempos de vacas
magras, como a história de José no Egito (de onde vem essa expressão) nos mostra. O crente não deve ser irresponsável
no gasto de seus bens.

Ao mesmo tempo, o cristão não deve se tornar alguém que estoca suas riquezas de maneira egoísta. Paulo nos ensina que
um dos propósitos do trabalho é repartir com aquele que nada tem. Esta é a maneira de combater a escassez na vida de
pessoas que não podem adquirir seus próprios recursos, como nos lembra Tiago ao falar do órfão e da viúva.

[ Efésios 4.28 ] O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos,
para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.

[ Tiago 1.27 ] A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos
órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.
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“ Deus nos deu um dom, a morte de seu Filho, para que não perecêssemos eternamente. Nós, em


reação a isso, daremos ao fraco, assim como Deus nos deu. Deus é glorificado quando damos. Isso
é como deveria ser, pois Deus nos deu o dom inefável com alegria. (Gary North)

O que devemos entender é que nem o trabalho, nem o acúmulo de bens são fins em si mesmos. Deus entrega esses bens
nas mãos dos homens para que eles cooperem entre si. A família aqui tem um papel fundamental, pois é onde as pessoas
aprendem a não competir entre si, a ajudarem, e mesmo o mais egoísta dos homens acaba dividindo os seus bens.

As propostas humanas
Falamos sobre princípios individuais ou familiares, mas o que dizer dos dois grandes sistemas que foram propostos
por muito tempo – capitalismo e socialismo? Para muitos cristãos, a Bíblia defende idéias socialistas e muitos acham
que o princípio de Cristo (“mais vale dar que receber”) fundamenta essa visão. Outros, em especial, norte-americanos,
vêem o capitalismo como uma proposta quase divina, por recompensar aquele que trabalha muito. Como devemos nos
posicionar?

Em primeiro lugar, é importante lembrarmos que essas duas propostas são tentativas humanas de resolver o problema
da distribuição de recursos. Portanto, nenhuma das duas deve ser usada como guia para o cristão. Pelo contrário, devem
ser analisadas à luz da Palavra. O autor R.W. Mackey nos apresenta um quadro comparativo entre essas duas visões.

Socialismo Capitalismo
• É mais nobre, pois depende da • Leva em conta o egoísmo natural do
bondade do homem. homem, não abraçando um idealismo.

• Aqueles que não “têm” passarão a • Cria regras para as trocas.


“ter”.
• Nas negociações ambas as partes
• Caso a igualdade não seja alcançada, recebem certo tipo de lucro.
a classe pobre lutará para dar fim ao
• Permite que as pessoas acumulem
desequilíbrio.
muitos recursos.
• Compaixão pelos menos • Motiva os trabalhadores, pois estes
afortunados. têm liberdade para usufruir seus frutos.

• Comunidade acima do indivíduo • Possui um fator de auto-correção:


Quem erra, tem prejuízo; quem acerta,
• É contrário à avareza capitalista lucra.

• Aparentemente, não falhou de forma


tão desastrosa como o socialismo.

A Bíblia defende claramente a idéia de propriedade privada (Êx 20.15; 22.1-5) e, como vimos, ensina que o trabalhador
é digno de seu salário e deve desfrutar dele. Ela não condena a riqueza em si, mas a idolatria ao dinheiro. Por outro lado,
a Palavra condena aqueles que desprezam os pobres, e vemos no Antigo Testamento leis que procuravam equilibrar uma
situação desvantajosa. O crente não deveria colher tudo o que cultivou e deveria pensar naqueles que nada tinham.
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Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham até as extremidades da sua
[ Levítico 19.9,10 ] lavoura, nem ajuntem as espigas caídas de sua colheita. Não passem duas vezes
pela sua vinha, nem apanhem as uvas que tiverem caído. Deixem-nas para o
necessitado e para o estrangeiro. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês.

Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas


[ Atos 2.44,45 ] propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade.

O exemplo da igreja primitiva é muitas vezes mal utilizado para defender princípios socialistas. No entanto, o que se ensina
em Atos (e em outros texto da Bíblia) é que a ajuda aos desfavorecidos deve ser voluntária, não algo imposto pelo governo


ou mesmo pelos líderes da igreja.

Essa é a razão pela qual é impossível provar a validade do socialismo pela prática da igreja
em Jerusalém. Havia um compromisso fundamental com a igualdade econômica por meio da


caridade voluntária, mas isso não tinha nada a ver com socialismo. Voluntarismo não tem nada
a ver com socialismo. (Gary North)

Mordomia
Embora a Bíblia seja clara ao defender a propriedade de cada um, o cristão nunca deve esquecer-se que, no final das
contas, ele é apenas um administrador daquilo que Deus entregou em suas mãos. Quando nos esquecemos disso, corremos
o risco de valorizar mais os dons que o Doador, nos preocupamos mais com o que é transitório que com o eterno. Como
já dissemos acima, nem trabalho, nem bens são fins em si mesmos. Eles devem ser usados para glorificar a Deus.

O cristão deve estar satisfeito com aquilo que foi entregue para ele administrar. Paulo, em sua carta a Timóteo, nos diz


que a piedade com contentamento é fonte de lucro. Isto é, a maior riqueza para o crente devem ser os valores do Reino.


Muitos cristãos acreditam que: Deus + riqueza = contentamento. A Bíblia ensina que: Deus +
contentamento = riqueza. (R.W. Mackey)

Nossa visão de economia deve se basear na idéia bíblica de mordomia, pois ela evita o extremo de acumularmos recursos
para nós mesmos ou o contrário: a idéia de que somos obrigados a entregar qualquer bem que temos em nome de uma
justiça humana. Aquele que entende o princípio do contentamento terá em Deus sua maior riqueza.

Duas coisas peço que me dês antes que eu morra: Mantém longe de mim a
falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o
[ Provérbios 30.7-9 ] alimento necessário. Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria:
‘Quem é o Senhor?’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o
nome do meu Deus
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Economia Bíblica por Gary DeMar


Leitura complementar

Pode a economia ser estudada a partir de uma perspectiva cristã? Existe uma Economia distintivamente Bíblica, ou a
abordagem bíblica das questões econômicas é uma entre muitas outras abordagens? Alguns poderiam manter que a
economia é um empreendimento “neutro”, onde a religião em geral e o Cristianismo em particular são irrelevantes. Essa,
contudo, não é a visão cristã. Economia lida com relações, permuta de mercadorias, pesos e medidas justas, negócios
justos, contratos, investimentos, planejamento futuro e caridade. Como o indivíduo, a família, a igreja, o estabelecimento
comercial ou o governo civil é capaz de determinar como cada um governará seus assuntos financeiros? Deve existir um
padrão. Esse padrão será de acordo com o homem e sua palavra, ou de acordo com Deus e sua Palavra? Não há nenhuma
terceira opção. Dizer, portanto, que as questões econômicas deveriam ser avaliadas a partir de uma premissa neutra é dizer
que Deus não está preocupado com a ordem econômica da sociedade.

Embora o humanista tenha reservas sobre o envolvimento cristão na economia, mui freqüentemente até mesmo cristãos
têm reservas sobre cristãos trazendo a Bíblia para tratar com questões econômicas. O humanista não quer ser confrontado
com absolutos. Seu sistema econômico é designado para servir a si mesmo.

Para o cristão, o assunto da economia freqüentemente é visto como somente “secular” ou “material” e, portanto, fora da
esfera espiritual, e assim, de considerações bíblicas. O resultado é uma dicotomia entre aspectos espirituais (religiosos) e
materiais (seculares) da realidade, como se a Bíblia não falasse de ambos. Tal pensamento exclui eficazmente os cristãos
de esforços terrenos importantes. A Bíblia, contudo, não faz tal distinção. As coisas materiais não são más em si mesmas.
Quando Deus finalizou sua obra criadora, ele olhou para o que tinha feito e a avaliou: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis
que era muito bom” (Gênesis 1:31). Gary North, comentando sobre a bondade da ordem criada, escreve:

O primeiro capítulo de Gênesis repete esta frase, “e viu Deus que isso era bom”, cinco vezes (vv. 10, 12, 18, 21, 25), em
adição ao resumo final no versículo 31. Os atos criativos de Deus foram avaliados por Deus e achados como bons. Eles
refletiam sua própria bondade e a correspondência entre seu plano, seus padrões de julgamento, sua palavra fiat, e os
resultados de sua Palavra, a criação. A criação foi totalmente boa porque era unicamente o produto da palavra soberana
de Deus. Portanto, Deus imputou valor positivo à sua criação, pois a criou perfeita (The Dominion Covenant: Gênesis,
p. 37).

O apóstolo Paulo reitera a avaliação de Deus sobre a ordem criada com o seguinte juízo de valor: “pois tudo que Deus criou
é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado” (1 Timóteo
4:4, 5). Declarar que a matéria (a constituição das coisas físicas) é de alguma forma má, é chamar a criação de Deus
de algo menos que bom. Deus e sua criação são desonrados por aqueles que dizem que os cristãos não deveriam estar
preocupados com questões materiais (seculares) tais como economia.

Existiam aqueles na igreja em Colosso que estavam persuadidos que evitando coisas materiais eles evitariam o pecado.
As palavras de Paulo trouxeram o assunto à perspectiva correta: “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por
que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo
os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de
sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade”
(Colossenses 2:20-23). As coisas materiais não são más. Antes, o uso pecaminoso do homem do que é criado pode ser
pecaminoso. Por exemplo, o dinheiro não é mal, mas o amor ao dinheiro sim (1 Timóteo 6:10). Portanto, fazer um voto
de pobreza não erradicará de forma alguma o amor por possessões materiais, pois o pecado não está nas coisas deste
mundo, mas nas atitudes que o homem mantém para com elas e o seu uso (cf. Marcos 7:15, 20-13).

O cristão é chamado para uma tarefa de domínio, trazendo toda área da vida em submissão a Jesus Cristo e seus
mandamentos (cf. Gênesis 1:26-28; Mateus 28:18-20; 2 Coríntios 10:5, 6). Essa tarefa não pode ser realizada sem
envolvimento em nosso mundo, incluindo seus assuntos econômicos. Como os bens podem ser permutados quando
não existe nenhum conceito de valor?:“Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer
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o bem” (Mateus 12:12). Como um indivíduo pode alegar posse e administração de seus bens, sem leis para proteger a
propriedade? “Não furtarás” (Êxodo 20:15). Como pode os governos civis ser impedidos de inflacionar o suprimento de
dinheiro, sem leis para proteger contra a degradação da moeda corrente?: “Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him
tereis” (Levítico 19:36). Como um comércio pode ser justo, se não existem leis para proteger o pobre, o consumidor e o
comerciante se, à vontade, “o efa [pode ser] diminuído, o siclo aumentado” (Amós 8:5)? Como pode o governo civil de hoje,
em nome da “justiça social”, ser proibido de roubar do rico para suprir as necessidades do pobre?: “Não farás injustiça no
juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico 19:15).

Um sistema econômico de algum tipo prevalecerá numa sociedade. O domínio econômico será instituído e seguido de
acordo com algum padrão. Quando um sistema econômico é formulado, baseado em certas pressuposições religiosas, o
próximo passo é a implementação desse sistema. Se o sistema está fundamentado na lei imutável de Deus, o processo
de implementação deve ser baseado biblicamente também. Conformidade ao sistema bíblico vem de dentro, baseado
na regeneração do coração (autogoverno sob Deus). Conformidade a um sistema econômico humanista vem de fora,
usualmente em termos de revolução violenta e eventual tirania governamental.

Os homens sempre tiveram que escolher entre dois métodos de mudança social: regeneração e revolução. O cristão primeiro
busca disciplinar a si mesmo ao padrão de Deus. Ele então publica o evangelho e tenta implementar pacificamente as
leis de Deus para a vida de sua cultura, confiando no Espírito de Deus para o sucesso de seus esforços. Ele sabe que não
existe, e nunca existirá, uma sociedade perfeita nesta vida. Ele sabe que o Reino de Deus se espalha como fermento no pão
– não por explosões massivas e destruidoras, mas por permeação gradual. Ele sabe que a justiça, retidão e paz resultam
do derramamento do Espírito no coração do homem (Isaías 33:15-18); a estrutura legal de uma nação é, portanto, um
indicador, não uma causa, do caráter nacional. A lei não salva! (David Chilton, Productive Christians in an Age of
Guilt-Manipulators, p. 100).

Os princípios econômicos derivam sua autoridade de princípios religiosos. Sistemas econômicos socialistas vêem o
Estado como messiânico, e, portanto, dão autoridade para romper qualquer ordem social “desigual” pelos meios que
considerarem necessários. Isso usualmente ocorre por meio da posse dos meios de produção pelo Estado. Quando esse
processo é visto como muito lento, geralmente segue-se uma revolução violenta. Contrário ao Socialismo, um sistema
econômico bíblico coloca o poder de fazer decisões econômicas nas mãos de indivíduos que fazem milhões de decisões
econômicas todos os dias. A troca de mercadorias acontece livremente. Se um homem deseja comprar um automóvel,
ele pode fazê-lo. O fornecedor do automóvel troca livremente seu produto com o dinheiro do consumidor. Cada um
crê que fez o melhor negócio. Não há coerção para comprar ou vender. O poder econômico permanece com os muitos.
Se o consumidor não gosta do negócio, pode procurar em outro lugar. Uma economia livre permite a competição entre
manufatores automobilísticos. Num sistema socialista há pouca, se é que alguma competição.

Os cristãos, contudo, devem estar cientes daqueles que desejam criar um mercado “livre” sem as leis econômicas imutáveis
de Deus, que governam de fato a nossa liberdade. Qualquer sistema econômico que omita Deus, não somente como um
fator na produção e prosperidade econômica, mas também como a chave para a economia e a prosperidade econômica, é
um sistema falso, não importa quão anti-estatista possa ser. A adoção da liberdade carrega com ela certas responsabilidades.
Por exemplo, nossa Constituição garante liberdade de expressão, mas não garante liberdade para perjurar ou gritar “Fogo!”
num teatro lotado. Não existe tal coisa como liberdade irrestrita e autônoma, todo o mundo fazendo o que é correto
aos seus olhos, conquanto a ação não injurie a outros (cf. Juízes 17:6). Embora o cristão deva se opor a toda forma de
Socialismo e Marxismo por causa de suas políticas coletivistas (fazendo do Estado soberano), ele deve evitar também a
liberdade licenciosa onde o relativismo individual reina (fazendo do indivíduo soberano). A Bíblia é o padrão do cristão,
não a voz independente do indivíduo ou a voz coletiva da maioria.

Gary DeMar cresceu nos subúrbios de Pittsburgh, Pensilvânia. Ele é graduado no Western Michigan University (1973) e recebeu seu M.Div. do
Reformed Theological Seminary em1979. DeMar tem vivido na área de Atlanta desde 1979 com sua esposa Carol. Eles têm dois filhos já grandes.
Gary e Carol são membros da Midway Presbyterian Church (PCA). É também um escritor prolífico, tendo escrito mais de vinte livros cobrindo uma
grande gama de assuntos, de economia e política à escatologia e eclesiologia.

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