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Figuras de Linguagem

figuras de palavras, de pensamento e de construção

figuras de palavras, de pensamento e de construção Figuras de palavras As figuras de palavras caracterizam-se
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Figuras de palavras

As figuras de palavras caracterizam-se por apresentarem sempre dois elementos: um termo real e outro ideal. Vejamos alguns dos casos em que estes elementos podem aparecer com freqüência:

1. Comparação ou símile: estabelece uma comparação entre os dois elementos por meio de uma qualidade que é comum aos dois, ou seja, quando os dois elementos aparecem ligados pela conjunção como;

Exemplo:

A bola entrou como um raio.

2. Metáfora: consiste em comparar dois seres por intermédio de uma qualidade atribuída a ambos. Vem a ser uma comparação, mas sem a presença da conjunção como;

Exemplo:

A vida é como um combate. (comparação)

A vida é um combate. (metáfora)

3. Catacrese: consiste em dar um novo sentido a um termo já existente, fazendo com que ele passe a designar um outro ser semelhante. Não deixa de ser o emprego abusivo ou indevido de um termo. Catacrese quer dizer abuso;

Exemplo:

4.

Metonímia (e sinédoque): consiste em substituir o sentido de uma palavra pelo sentido de outra com a qual ela apresente relação constante;

Exemplo:

•Ganhar o pão com o suor do rosto. (suor em vez de trabalho) Neste caso, houve o emprego do efeito pela causa.

•Ele completou quinze primaveras. ( primaveras em vez de anos)

Neste caso, houve o emprego da parte pelo todo.

“Andava com o peito entreaberto na blusa.” (Rachel de

Queiroz).

Neste caso, o continente foi tomado pelo conteúdo.

Vejo que leu José de Alencar, mas nunca Machado de Assis. Neste caso, o autor é tomado pela obra.

“Acendeu um goiano.” (Alcântara Machado)

Neste caso, a marca é tomada pelo produto.

As batinas civilizaram o Brasil.

Neste caso, a coisa possuída é tomada pelo possuidor.

O marfim de teus dentes.

Neste caso, o concreto é substituído pelo abstrato.

5. Perífrase (ou autonomásia): é uma espécie de metonímia, porque consiste na substituição de um nome próprio por uma circunstância ou qualidade a qual ele se refere;

Exemplos:

O Genovês será herói ou vilão? (Genovês = Colombo)

A Cidade-Luz continua bela e majestosa. (Cidade-Luz = Paris)

6. Sinestesia: consiste em se misturar numa mesma expressão sensações percebidas por diferentes sentidos ao mesmo tempo.

Exemplos:

Figuras de pensamento

Representam operações do pensamento, com muita emoção, paixão e imaginação.

1.

Apóstrofe :

consiste na interpelação a alguém em meio ao

discurso;

Exemplos:

Ó espíritos errantes sobre a terra!

Ó velas enfunadas sobre os mares! Vós bem que sabeis quanto sois efêmeros.” ( Castro Alves)

2. Antítese (ou contraste): consiste na oposição de duas ou mais idéias ou pensamentos. Quando a oposição é extrema, ela é chamada de paradoxo;

Exemplos:

“Desculpem-me por ter sido longo porque não tive tempo de ser breve”. (Pe. Vieira) (antítese) “Eles diziam mais do que os estóicos:

Dor – tu és um prazer! Grelha – és um leito! Brasa, -- és uma gema!” (Castro Alves) (paradoxo)

3. Hipérbole: consiste no exagero da expressão para reforçar uma idéia;

Exemplos:

“ Vida que eterna, ainda seria pouca.”(Alphonsus de Guimaraens) “Sabia de cor mil e trezentas orações.”(Antônio Nobre)

4. Prosopopéia (ou personificação): consiste no fato de se atribuir características de seres vivos a seres inanimados;

5. Ironia:

ocorre

pensamos;

Exemplos:

quando

dizemos

o

contrário

do

que

Eis o grande esforço que fizeste: tiraste nota dois na prova.

6. Eufemismo: consiste no abrandamento de Expressões duras e rudes;

Exemplos:

Ele sofria do mal de Hansen. ( = lepra) Ela passou desta pra melhor vida. ( = morreu) “Todos os antigos foram estudar a geologia dos campos santos.” (Machado de Assis) ( = morreram)

7. Amplificação: consiste em enumerar as qualidades de um ser de tal modo que elas vão se ampliando e se somando;

Exemplos:

“A vida é o dia de hoje,

A vida é ai que mal soa,

A vida é a sombra que foge’

A vida é a nuvem que voa.” (João de Deus)

8. Gradação (ou clímax): consiste na apresentação de idéias em progressão ascendente ou descendente.

Exemplos:

“Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta tudo digere, tudo acaba.” (Pe. Vieira)

“Vive só para mim, só para minha vida Só para o meu amor!” (Olavo Bilac)

Gradação em Gêneros Literários:

Canção do vento e da minha vida

O

vento varria as folhas,

O

vento varria os frutos,

O

vento varria as flores

E

a minha vida ficava

Cada vez mais cheia De frutos, de flores, de folha

O

vento varria as luzes

O

vento varria as músicas,

O

vento varria os aromas

E

a minha vida ficava

Cada vez mais cheia De aromas, de estrelas,

de cânticos.

O

vento varria os sonhos,

E

varria as amizades

O

vento varria as mulheres

E

a minha vida ficava

Cada vez mais cheia De afetos e mulheres.

O

vento varria os meses

E

varria os teus sorrisos

O

vento varria tudo!

E

a minha vida ficava

Cada vez mais cheia De tudo.

BANDEIRA, Manuel. Canção do vento

inteira. Rio de Janeiro: 5. ed., José Olympio, 1974. pp. 165-6.

In:

Estrela da vida

Figuras de construção

As figuras de construção ou de sintaxe são as que alteram a estrutura normal da frase, quer em concordância, regência ou colocação. Vejamos algumas delas:

1. Anáfora: consiste na repetição de palavras ou frase no início de versos ou de frases;

Exemplo:

“É preciso casar João, é preciso suportar Antônio é preciso odiar Melquíades,

é preciso substituir nós todos.” ( Carlos Drummond de Andrade)

2. Inversão: consiste na alteração da ordem normal dos termos na oração, ou da alteração das orações do período. Chama-se também anástrofe. Quando a inversão é violenta, forma-se hipérbato;

Exemplos:

“ imitar era o meio indicado; fingida era a inspiração, e artificial o entusiasmo.” (Gonçalves de Magalhães) “A grita se levanta aos céus da gente.” (Camões) (hipérbato)

3. Pleonasmo: é a palavra ou expressão redundante para tornar a frase mais vigorosa e enfática. Não se trata, neste caso, de pleonasmo vicioso;

Exemplos:

“Vi claramente visto, o nume vivo que a marítima gente tem por santo.” (Camões)

“Quero converter-vos a vós

(Pe. Vieira)

4. Polissíndeto: consiste na repetição intencional e enfática da conjunção e;

Exemplo:

“Tudo lânguido, e vazio, e descampado e deserto.” (Graça Aranha)

5. Assíndeto: é a omissão da conjunção e ou conectivos adjetivos;

Exemplos:

“É o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal.” (Rui Barbosa) ”

“Eu tinha a fama, a palavra, a carreira política

(Joaquim Nabuco)

6. Elipse: consiste na omissão de palavras ou expressões facilmente subentendidas. Quando omitimos um termo anteriormente expresso, no mesmo período, a elipse passa a ser chamada de zeugma;

“O mar – lago sereno, O céu (é) – um manto azulado” (Casimiro de Abreu) “Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida (tem) mais amores.”(Gonçalves Dias)

7. Anacoluto: ocorre em frase interrompida, quando então se inicia um outro pensamento sem ligação alguma com o anterior. O anacoluto mais exato e expressivo é sempre o seguinte, causado pela emoção;

Exemplo:

“Trago-te flores, -- restos arrancados Da terra que nos viu passar unidos e ora mortos nos deixa e separados. Que eu, se tenho nos olhos malferidos Pensamentos de vida formulados, São pensamentos idos e vividos.” (Machado de Assis)

8. Silepse: consiste em se fazer a concordância com a idéia subentendida e não com a palavra expressa. A silepse pode ocorrer nos seguintes casos:

a)no gênero: Vossa Alteza parece cansado. b)no número: Grande parte dos alunos saíram. c)e na pessoa: Todos os homens somos iguais.