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CURSO ON-LINE – CONHECIMENTOS GERAIS P/ SENADO FEDERAL

PROFESSORES: RICARDO VALE E VIRGÍNIA GUIMARÃES

AULA 00 – GLOBALIZAÇÃO

Olá, amigos, tudo bem?

É uma grande satisfação estar com vocês nesse caminho rumo à aprovação! Hoje iniciamos mais um curso on-line no site do Ponto dos Concursos, voltado agora para o tão aguardado concurso do Senado Federal

Antes de mais nada, permitam que nos apresentemos!

Meu nome é Ricardo Vale e posso dizer que a minha relação com os concursos públicos começou bem cedo. No ano de 2001, fui aprovado na EsPCEx, onde concluí em 1 o lugar o curso preparatório de cadetes do Exército. No ano de 2002, ingressei na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), onde concluí em 2 o lugar minha formação em Ciências Militares. Em 2008, fui aprovado em 3º lugar no concurso de Analista de Comércio Exterior do MDIC, cargo em que atualmente exerço minhas atribuições. Desde o início de 2009, também dou aulas on-line aqui no site do Ponto, nas disciplinas de Comércio Internacional, Direito Internacional e Atualidades. Sou, ainda, autor do livro “Comércio Internacional – Questões Comentadas, Ed. Método, 2010”.

Meu nome é Virgínia Guimarães e, ao contrário do Ricardo, a única relação que tive com concursos públicos foi quando fiz vestibular para a Universidade Federal e depois quando busquei o mestrado, em História, também numa Federal. Atualmente, dou aulas nas disciplinas de Atualidades e Geografia aqui no site do Ponto e em alguns cursinhos preparatórios.

Bem, amigos, um dos concursos mais esperados para 2011 é o do Senado Federal, que deverá abrir vagas para os cargos de Técnico Legislativo, Analista Legislativo e, ainda, de Consultor. Sem dúvida alguma, a remuneração e as condições de trabalho de qualquer um desses cargos são excelentes, bem acima da média dos outros cargos públicos. Após a aprovação de novo plano de

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carreira dos servidores do Senado Federal, esses cargos se tornaram ainda mais atraentes.

O último concurso do Senado Federal ocorreu em 2008, tendo como banca examinadora a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nesse concurso, também foram abertas vagas para Técnicos, Analistas e Consultores, tendo sido cobrada a matéria de “Conhecimentos Gerais” para todos os cargos. Vamos dar uma olhada em como foi o edital elaborado pela FGV no que diz respeito a essa disciplina?

Conhecimentos Gerais / Atualidades: Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira. Cultura internacional. Cultura e sociedade brasileira: música, literatura, artes, arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e televisão. Descobertas e inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade contemporânea. O desenvolvimento urbano brasileiro. Meio ambiente e sociedade: problemas, políticas públicas, organizações não governamentais, aspectos locais e aspectos globais. Elementos de economia internacional contemporânea. Panorama da economia nacional.

Como vocês podem verificar, o edital é bastante amplo! Quando se fala em “Conhecimentos Gerais”, não é mesmo? Isso porque, praticamente, qualquer coisa pode ser cobrada e é aí que entra nossa participação!

Vocês terão inúmeras disciplinas para estudar para um concurso de alto nível, como o do Senado e, portanto, precisam estudar as matérias da forma mais objetiva possível, não é mesmo? E como poderemos ajudar? Bem, apesar da amplitude dos tópicos que o edital propõe alguns assuntos são muito mais prováveis de serem cobrados do que outros e é, exatamente, em cima desses que nosso curso trabalhará!

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Nossa proposta nesse curso é, portanto, permitir com que vocês estudem de forma mais objetiva a disciplina de Conhecimentos Gerais, abrangendo todo o edital do concurso anterior. Assim, vocês não perderão tempo procurando informações aqui e acolá, pois terão tudo aglomerado num só curso.

Sabemos que isso não é tarefa fácil, já que o assunto é amplo e se trata de processos com embasamentos históricos inclusive, mas também não impossível! Se fôssemos aprofundar em todos os assuntos, era melhor comprar um livro sobre cada tópico do edital. Pois bem, aqueles que já conhecem o site do Ponto sabem que a proposta não é aprofundar e sim fornecer subsídios suficientes para que os concurseiros possam fazer uma boa prova. Dessa forma, nos deteremos apenas na medida do necessário e naqueles pontos em que acharmos que têm maior probabilidade de serem cobrados. Como faremos isso?

A estratégia para obter o melhor desempenho possível será, além de apresentar toda a teoria, resolver inúmeras questões de concursos anteriores e outras inéditas. Quanto a esse ponto, gostaríamos de deixar claro duas coisas importantes:

1) Nós vasculhamos as últimas provas elaboradas pela FGV(banca que realizou o ultimo concurso do senado) e encontramos várias questões de Conhecimentos Gerais que são muito interessantes. Todavia, devido à amplitude da nossa disciplina, as questões da FGV não serão suficientes para a abordagem completa do assunto. Assim, utilizaremos também questões de outras bancas examinadoras que possuem estilo semelhante ao da FGV.

2)

Tendo

em

vista

o

dinamismo

da

matéria

de

Conhecimentos

Gerais/Atualidades, achamos fundamental a resolução de questões inéditas,

já que os assuntos que estão “na moda” podem nunca ter sido cobrados em qualquer prova anterior.

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Pelo que pudemos observar em outras provas elaboradas pela FGV, a nossa disciplina costuma ser cobrada em um nível, consideravelmente, alto e a expectativa é que assim também o seja na prova do Senado Federal. Portanto, não basta ler jornais e revistas! É necessário um aprofundamento maior nos temas relacionados à economia, política, meio ambiente, sociedade, etc.

Para que possamos cumprir nosso objetivo e, ao final, todos estejam em plenas condições de acertas todas as questões da prova de Conhecimentos Gerais/Atualidades da Prova do Senado, nós dividimos nosso curso em 8 aulas, de forma mais didática que o edital. Assim, seguiremos o seguinte cronograma em nossa disciplina:

- Aula 00: Globalização

- Aula 01- Panorama Político-Econômico Mundial do século XX (01/10/2010)

- Aula 02- Organizações Internacionais e Blocos Regionais (08/10/2010)

- Aula 03- Conflitos Geopolíticos e Conflitos Étnicos (15/10/2010)

- Aula 04- A inserção do Brasil no Cenário Internacional (22/10/2010)

-Aula 05-Economia Brasileira: Agricultura, Industrialização e Desenvolvimento Urbano (29/10/2010)

- Aula 06- Aspectos Demográficos – Brasil e Mundo (05/11/2010)

- Aula 07- Meio Ambiente, Energia e Tecnologia (12/11/2010)

- Aula 08- Cultura Internacional / Cultura e sociedade brasileira (19/11/2010)

Nas nossas aulas, iremos explanar todo o assunto e, ao mesmo tempo, mostrar como ele já foi cobrado em provas anteriores. Podem ficar tranqüilos, serão muitas questões de concursos anteriores! Aliás, acreditamos que isso pode ser um

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grande diferencial em sua preparação. Assim como o atleta que acorda cedo para correr, o concurseiro tem que acordar cedo para resolver questões! Mas fiquem tranqüilos, isso é passageiro! Depois da nomeação, tudo melhora e vocês terão muito mais tempo para aproveitar a vida!

Todos preparados? Então chega de conversa e vamos logo para a nossa

aula!

1-Conceitos Iniciais

x

GLOBALIZAÇÃO

Apesar de todos nós já termos ouvido falar sobre esse termo, nem sempre nos damos conta da proporção e influência da globalização nas situações políticas, econômicas e sociais que vivemos atualmente. Para felicidade de uns e tristeza de outros, é graças à globalização que temos tanta facilidade em encontrar um Mc Donalds a cada esquina, ouvir Paul McCartney, Jack Johnson ou Beyoncé com tanta freqüência. É por causa dela que nos sentimos tão à vontade para opinar sobre decisões políticas tomadas pelos chefes de Estado da Inglaterra ou dos EUA, discutir a legitimidade da ocupação do Iraque ou julgar o comportamento e a cultura de povos que nem saberíamos da existência se não fosse a globalização. Pois bem, os efeitos decorrentes da globalização nós já conhecemos, mas afinal, o que é a globalização e por que ela acarretou tantas mudanças na nossa vida?

Devemos ter bem claro em nossas mentes que a globalização é um processo e, como todo processo, não ocorreu do dia pra noite e possui implicações

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positivas e negativas que acarretaram mudanças em todos os aspectos mundiais, sejam econômicos, sociais, culturais ou políticos.

Ao ouvirmos a palavra globalidade, nos remetemos imediatamente a uma noção de conjunto, de integralidade ou de totalidade. O termo “globalização” carrega consigo esse mesmo sentido de conjunto, transmitindo a idéia de algo inteiro, completo, sugerindo uma integração. Desta maneira, globalizar seria o oposto de dividir, marginalizar, expulsar ou excluir. A exclusão é justamente o principal argumento dos opositores da globalização, já que presenciamos cotidianamente o ressurgimento, em vários locais do planeta, de diversas manifestações fundamentalistas, racistas e terroristas que a humanidade considerava praticamente superadas. Globalização e exclusão são conceitos que definem duas realidades interligadas, sendo que o primeiro sinaliza as características atuais do processo de desenvolvimento do capitalismo em nível mundial e o segundo trata de sua conseqüência mais visível e imediata.

“Mas, professores, como poderíamos conceituar esse fenômeno?”

Ótima pergunta! Definir globalização não é algo simples e tampouco há consenso sobre isso entre os estudiosos, mas poderíamos, a grosso modo, dizer o seguinte:

Globalização é um fenômeno de aprofundamento do intercâmbio político, econômico, social e cultural entre as diversas nações do planeta atualmente intensificado pelas profundas transformações e inovações científicas e tecnológicas na área da comunicação e nos transportes.

Por meio dessa definição, percebemos que a globalização se manifesta nos campos do comércio, das finanças e da produção internacional, aprofundando a interdependência entre os países. Dessa forma, a globalização pode ser entendida como um fenômeno com importantes desdobramentos políticos, econômicos e socioculturais.

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A globalização, portanto, não pode ser compreendida como um processo

eminentemente comercial ou ainda um fenômeno puramente econômico-financeiro.

A abrangência da globalização é muito ampla, evidenciando-se no campo

econômico, político, social e cultural. Logicamente, ela é também um processo ligado ao aprofundamento do intercâmbio comercial, mas não se restringe a isso.

Com a globalização, os mercados se tornam mais abertos e aumenta o intercâmbio comercial. Isso é resultado da redução das práticas protecionistas, as quais passam a ser menos acentuadas hoje do que se compararmos com o início

do século XX. O desenvolvimento dos meios de transporte e das comunicações

também foi um fator que causou aumento do fluxo comercial.

O aprofundamento do comércio internacional, apesar de contribuir para o

crescimento e desenvolvimento econômico dos países e melhoria da qualidade de vida das populações, não o faz de forma equitativa. Assim não podemos dizer que o crescimento e desenvolvimento econômico promovidos pela globalização sejam iguais para todos os países. Alguns deles se mantêm à margem ou excluídos desse processo. Podemos dizer, inclusive, que uma das características do processo de

globalização é a assimetria de oportunidades de desenvolvimento.

Da mesma forma que impulsionou o aumento dos fluxos comerciais, a globalização causou impacto nas finanças. Com os meios de comunicação cada vez mais desenvolvidos, é possível que capitais cruzem fronteiras em questão de segundos. Assim, um investidor estrangeiro pode aplicar na BOVESPA e, de uma hora para outra, retirar todo o seu dinheiro.

Também podemos dizer que a globalização gerou um outro tipo de empresas: as multinacionais. Com isso, surge o fenômeno da internacionalização da produção. As empresas buscam se instalar em países onde o custo da mão-de- obra é mais barato, o que aumenta seus lucros. É só pensarmos na China que teremos uma noção bem exata disso! Imaginem quantas empresas multinacionais

se instalaram neste país buscando reduzir seus custos! Muitas, não é mesmo?

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Vejamos como esses conceitos iniciais já foram cobrados em provas

anteriores:

x

1- (ESAF/AFRF-2002-1)- A respeito do processo de globalização, é correto afirmar que:

a) alcança indistintamente a todos os países, a despeito de seus respectivos níveis

de desenvolvimento econômico, tornando-os mais homogêneos política,

econômica, social e culturalmente.

b) é um processo eminentemente comercial associado à liberalização das trocas e

à expansão dos mercados nacionais em escala global, o qual aprofunda diferenças

econômicas entre os países.

c) se manifesta no entrelaçamento dos campos do comércio, das finanças e da

produção internacional e no aprofundamento da interdependência entre os países e

com importantes desdobramentos políticos, econômicos e socioculturais.

d) tem como cerne o crescimento e a aceleração dos fluxos financeiros internacionais em virtude do movimento de capitais especulativos em escala global.

e) é um fenômeno fundamentalmente associado às estratégias das corporações

transnacionais objetivando expandir e consolidar sua presença nos mercados dos

países emergentes.

COMENTÁRIOS

A letra A está errada. Uma das principais características da globalização é justamente evidenciar as heterogeneidades mundiais. Dentre elas, a

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desigualdade social é uma das mais evidentes, além da cultural, política e econômica.

A letra B está errada. A globalização não é apenas um processo

comercial, abrangendo todas as áreas da sociedade.

A letra

C

está

correta.

O

processo

da

globalização

se

explicita,

justamente, no entrelaçamento de vários campos: comercial, financeiro, cultural etc.

A letra D está errada. O cerne da globalização não é somente o

crescimento e a aceleração dos fluxos financeiros internacionais, mas também a

liberalização das trocas e a expansão dos mercados nacionais em escala global.

A letra E está errada. O fenômeno está muito mais ligado a iniciativas governamentais de abertura dos mercados do que a estratégias das corporações transnacionais para se instalarem nos países emergentes. Todavia, é evidente que em um cenário em que os mercados estão mais abertos, as empresas têm buscado se instalar em países onde a mão-de-obra é mais barata.

2- (FGV / Técnico Legislativo – Senado Federal -2008)- “Sobretudo a partir da década de 60 começou a surgir uma economia cada vez mais transnacional, ou seja, um sistema de atividades econômicas para as quais os territórios e fronteiras de Estados não constituem o esquema operatório básico.”

(Hobsbawm, Eric. Era dos extremos – o breve século XX: 1914-1991, 1995.)

Entre os principais aspectos, diretos ou indiretos, dessa transnacionalização não se destaca:

a) a nova divisão internacional do trabalho.

b) o crescimento de financiamento offshore.

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c) a formação de cadeias produtivas internacionais.

d) o aumento generalizado da remuneração do trabalho.

e) a maior eficiência nos setores de transporte e de comunicação.

COMENTÁRIOS

A letra A está errada. A nova divisão do trabalho é um dos grandes

destaques da transnacionalização das economias. Deste modo, um automóvel que

era produzido integralmente nos EUA, agora tem sua produção desmembrada por diversos lugares do mundo a fim de baratear seu custo final.

A letra B está errada. Offshore é o nome dado à prática de registrar a

empresa em um “zona livre”, isto é constituir sociedades comerciais fora do país, Nessas áreas , há, dentre outras coisas, isenções fiscais ou impostos reduzidos sobre os rendimentos e acesso a certos tipos de financiamento internacional, a

uma

juros baixos. Assim, segundo Eric Hobsbawm, o financiamento offshore foi

das primeiras formas de transnacionalização a desenvolver-se, mas também uma das que demonstraram mais vividamente a maneira como a economia

capitalista escapava do controle nacional.”

A letra C está errada. A mudança na forma de produção internacional, ou seja, a formação de cadeias produtivas internacionais é uma das características deste tipo de economia. Como exemplo, basta pensarmos no desmembramento da montagem de um automóvel em diversos países, conforme comentamos acima.

aumento

remuneração do trabalho não foi um dos efeitos da globalização.

A

letra

D

está

correta.

Infelizmente,

o

generalizado

da

A letra E está errada. O destacado desenvolvimento econômico que ora

vislumbramos no mundo só pôde se concretizar devido ao salto de eficiência nos

setores de transporte e de comunicações.

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3- (FUNVERSA-CEB-2010)

RICARDO VALE E VIRGÍNIA GUIMARÃES 3- (FUNVERSA-CEB-2010) A disseminação do McMundo Em seu livro Jihad versus

A disseminação do McMundo

Em seu livro Jihad versus McWorld, publicado em 1995, Benjamin Barber foi incrivelmente profético ao descrever nosso mundo complicado, em que dois cenários aparentemente contraditórios desenrolam-se simultaneamente: um onde “cultura é lançada contra cultura, pessoas contra pessoas, tribos contra tribos”, e outro onde “o ímpeto de forças econômicas, tecnológicas e ecológicas” exigem integração e uniformidade e hipnotizam as pessoas em todo o planeta com o universo fast de música, computador, comida, um McMundo unido pela comunicação, informação, entretenimento e comércio.

(Worldwatch Institute. Citado em Conexões. Lygia Terra, Regina Araújo e Raul Borges Guimarães. São Paulo: Moderna, 2008.)

A partir das idéias expressas no texto e na figura, assinale a alternativa

incorreta.

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a) A intensificação dos fluxos globais de tecnologias, capitais, pessoas e serviços

podem ser entendidos como uma das características da globalização.

b) Benjamin Barber estabelece, no título de seu livro, uma relação entre a fé

islâmica e o modo de vida das sociedades ocidentais.

c) Uma importante rede de lanchonetes é citada, ainda que de forma indireta, no

texto.

d) O texto menciona apenas aspectos negativos da globalização.

e) A figura que acompanha o texto remete ao extraordinário avanço das

comunicações no mundo atual.

COMENTÁRIOS

A letra A está correta. A globalização é responsável pela intensificação

dos fluxos globais de tecnologias, capitais, pessoas e serviços. Com a globalização,

a sociedade internacional tornou-se muito mais interdependente.

A letra B está correta. O título do livro – Jihad x McWorld- indica um

choque de culturas, mais especificamente entre a cultura islâmica e a cultura

ocidental. Jihad é um conceito da região islâmica que significa a busca pessoal pela perfeita. Já no que diz respeito a Mc World, a referência a que a autor faz é a rede

Mc Donalds, que acabou se tornando um símbolo do capitalismo e da globalização

devido à sua grande expansão pelo mundo.

A letra C está correta. Conforme comentamos, quando o autor fala em

Mc World, a referência é à rede de lanchonetes Mc Donalds, que se tornou um

verdadeiro símbolo da globalização.

A letra D está errada. O texto faz alusão a aspectos positivos e negativos

da globalização. Fica fácil de visualizarmos isso quando é feita referência a dois

cenários aparentemente contraditórios. O primeiro cenário (negativo) é onde ocorre

o choque de culturas e “pessoas são lançadas contra pessoas”. O segundo cenário

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(positivo), por sua vez, é o que une as pessoas por meio da comunicação, informação, entretenimento e comércio

A letra E está correta. A figura que acompanha o texto mostra duas pessoas em lados opostos do globo apertando as mãos, o que simboliza o estreitamento das distâncias e a facilidade de comunicação decorrentes da globalização.

4- (FUNVERSA- HFA-2009)- O sítio eletrônico http://pt.wikipedia.org conceitua

o termo globalização da seguinte maneira:

“É um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social,

cultural, política, com o barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX e início do século XXI. É um fenômeno gerado pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar uma aldeia global que permita maiores mercados internos já estão saturados.

O processo de globalização diz respeito à forma como os países interagem e

aproximam pessoas, ou seja, interliga o mundo, levando em consideração, aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos. Tomando esse conceito como referência, assinale a alternativa correta acerca da globalização e suas consequências:

a) Um dos aspectos atuais da globalização é a união entre grandes grupos empresariais, que buscam, com essa estratégia, redução de custos, maior eficiência e, consequentemente, maior competitividade global. São exemplos desse fenômeno as uniões Renault-Nissan e Itaú-Unibanco. b) Em função da redução dos custos de produção, a globalização gerou, ao longo do tempo, grande produção de riquezas, significativa melhoria nas condições de vida e redução substancial da miséria na maior parte dos países do mundo, em especial dos países mais pobres. c) Com base no texto, é correto afirmar que a integração econômica global teve início no final do século XX.

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d) Países que adotam regimes fechados, como Cuba e Coréia do Norte, não participam, nem mesmo de maneira periférica, do processo de globalização; e) Qualquer análise acerca da globalização só terá valor se se prender unicamente a seus aspectos econômicos, uma vez que são irrelevantes os impactos provocados por esse processo nas áreas culturais, sociais e do comportamento humano.

COMENTÁRIOS

A letra A está correta. A fusão entre empresas é um fenômeno bastante

comum nos dias atuais, podendo ser encarado como um dos aspectos da globalização. A união de grandes grupos empresariais proporciona aumento da eficiência e da competitividade em escala global.

Muitas vezes, empresas concorrentes se unem como forma de evitar que sejam literalmente “engolidas” por um concorrente. No Brasil, destacamos como exemplo desse fenômeno a fusão entre Brahma e Antarctica, donde se originou a AMBEV.

A letra B está errada. De fato, a globalização permitiu maior desenvolvimento e crescimento econômico aos países, mas não o fez de forma equitativa. Dessa forma, os países mais pobres não auferiram os benefícios da globalização na mesma medida dos países desenvolvidos.

A letra C está errada. A integração econômica é um processo que teve

início após a Segunda Guerra Mundial, ou seja, na metade do século XX, quando

começaram a surgir os primeiros blocos econômicos.

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A letra D está errada. A globalização é um fenômeno que engloba todos

os países do mundo, inclusive aqueles que possuem regimes mais fechados, como Cuba e Coréia do Norte.

A letra E está errada. A globalização é um fenômeno que se evidencia no

campo econômico, político, social e cultural. Logicamente, ela é um processo intrinsecamente ligado ao aprofundamento do intercâmbio comercial e financeiro, mas não se limita a isso. Assim, uma análise sobre a globalização não pode se restringir aos aspectos econômicos.

x

2- A globalização e a nova ordem mundial:

A globalização é um fenômeno que se aprofundou no período após a

Segunda Guerra Mundial, o que foi motivado, preponderantemente, pelo processo de mundialização do capitalismo. Esse processo tem início em virtude da necessidade da reconstrução da Europa e do Japão. Por meio do plano Marshall (programa de reconstrução da Europa) e das fusões entre as empresas industriais americanas e européias, iniciam-se os movimentos internacionais de capitais. Passamos, então, a assistir capitais e empresas americanas se deslocando para diferentes partes do mundo. Esse processo teve como personagens principais a emergência dos Estados Unidos como potência econômica e a transformação interna das empresas americanas que se tornavam multinacionais. Assim, as multinacionais se tornaram a expressão mais avançada de um sistema econômico (capitalismo) que moldou as novas formas de organização interna e de relações de

trabalho.

A globalização não pode ser entendida também sem um outro importante

contraponto histórico: o surgimento, a expansão e a crise do sistema socialista, que

acarretou inúmeras conseqüências para seu opositor capitalismo.

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Após a Segunda Guerra Mundial, a humanidade passou por um período conhecido como Guerra Fria. Durante esse período, os países se dividiram em dois blocos econômicos distintos. De um lado, liderados pelos E.U.A, estavam os países capitalistas; de outro, liderados pela URSS, estavam os países socialistas. Esses dois grupos se lançaram numa disputa armamentista e geopolítica, buscando cada um aumentar sua área de influência ao redor do mundo. Com arsenais nucleares capazes de destruir a Terra em instantes, Estados Unidos e União Soviética, não podiam, todavia, agredir-se diretamente. Era uma questão de sobrevivência!

Segundo o jornalista José Arbex Jr., a Guerra Fria foi muito além de uma disputa armamentista ou geopolítica. Ela teve uma importante dimensão cultural, que colocou em movimento um jogo simbólico do Bem contra o Mal. Ela mexeu com a imaginação das pessoas, criando e reforçando preconceitos, ódios e ansiedades. Temos certeza de que muitos de vocês já ouviram falar que comunistas comiam criancinhas, não é mesmo? Pois bem, essa é apenas uma das várias idéias anti-socialistas que perduraram até os dias atuais, pois ainda hoje meu avô pode jurar que eles comiam sim, que eram perigosos e maus!

A Guerra Fria representou, nesse sentido, a oposição entre dois ideais: o socialista e o capitalista. O objetivo dos socialistas era a constituição de uma sociedade igualitária, na qual o Estado teria o controle dos bancos, das fábricas, do sistema de crédito e das terras e, além disso, seria o responsável por distribuir riquezas e garantir uma vida decente a todos os cidadãos. Já para os capitalistas, o raciocínio era inverso. No ideal capitalista, a felicidade individual era o principal. O Estado justo seria aquele que garantisse a cada indivíduo as condições de procurar livremente o seu lucro e a sua própria felicidade. Segundo essa lógica, a solução dos problemas sociais viria depois, ou seja, estava em segundo plano.

Nesse contexto, alguns acordos foram firmados entre diferentes países que decidiam se alinhar a uma filosofia ou outra como, por exemplo, o Pacto de Varsóvia e a OTAN. Considerando que o mundo estava dividido, a essa época, em

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dois

bipolaridade.

grandes

pólos,

podemos

dizer

que

a

ordem

mundial

era

ditada

pela

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criada em 1949, em pleno contexto da Guerra Fria. Também denominado Tratado de Washington, o acordo que a instituiu estabelecia a manutenção de uma defesa coletiva pelas partes. Assim, os Estados-membros da OTAN se comprometiam a assegurar defesa mútua, firmando o compromisso de que uma agressão a um ou mais aliados seria considerada uma agressão a todos.

Assinado em 14 de maio de 1955, o Pacto de Varsóvia firmava uma aliança militar entre os países do Leste Europeu e a URSS, tornando real a divisão do mundo em dois blocos. Assim como a OTAN, havia no âmbito do Pacto de Varsóvia o compromisso de ajuda mútua em caso de agressão armada de outras nações. Dessa forma, esse foi o principal instrumento da hegemonia militar da URSS, sendo constituído por União Soviética, Alemanha Oriental, Bulgária, Hungria, Polônia, Tchecoslováquia e Romênia.

É, amigos, como podemos perceber, eram dois blocos muito diferentes e é por causa de tamanha oposição entre seus princípios que a implantação de um deles só seria possível mediante o desaparecimento do outro. Nenhum país poderia ser ao mesmo tempo capitalista e comunista. Então, para conquistar adeptos de suas idéias, passou a ser utilizado, por ambos os blocos, o maior instrumento ideológico da Guerra Fria: a propaganda! Foi por meio dela que o mundo foi inundado com as mais diversas imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema.

Como vimos, a Guerra Fria permeou os principais fatos políticos e sociais no mundo inteiro, desde o término da Segunda Guerra até o final dos anos 80. Assim, a lógica que dominou o mundo do século XX foi ditada pela expansão geográfica do socialismo, que se contrapunha à formação dos monopólios capitalistas. Com a decadência dos regimes socialistas, que perderam espaço para

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o capitalismo no final do século XX e início do século XXI, a globalização se torna mais profunda.

Nos anos 80, começava a se configurar o quadro político internacional que viria a culminar no fim da Guerra Fria, simbolizado, mormente, pela queda do Muro de Berlim, em 1989 - resultado do intenso processo de reformas na União Soviética, iniciado em 1985 pelo dirigente Mikhail Gorbatchev.

Em meio às muitas reformas propostas pelo presidente da União Soviética, podemos destacar primeiramente as mudanças pretendidas por Gorbatchev no plano econômico. Ao instituir a Perestroika (reestruturação da economia), ele admitia a necessidade de se buscar novas formas de conduzir a economia daquele país.

No plano político, Gorbatchev retomou negociações para dar fim à corrida armamentista. No plano interno, libertou opositores do regime, viabilizou o abrandamento da censura e permitiu que os problemas fossem discutidos abertamente pela população. As reformas iniciadas na URSS logo se refletiram na Europa socialista, onde os movimentos democráticos ganharam força para mudar o panorama político do antigo bloco comunista.

Esse processo iniciado por Gorbatchev culminou no fim da própria União Soviética, em 1991. Os Estados Unidos tornaram-se, assim, a única superpotência mundial, tendo a bipolaridade chegado ao fim. Atualmente, pode-se dizer que o mundo é multipolar, com a organização da economia girando em torno de blocos econômicos.

Mas vocês podem estar pensando: “será que eu preciso saber tudo isso pra fazer uma prova de Conhecimentos Gerais / Atualidades?” Na verdade, é importante relembrarmos esses acontecimentos para que vocês possam entender o mundo em que vivemos agora, compreender as reportagens que lêem e, como consequência disso, fazer uma boa prova.

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Quando ainda estávamos no colégio, decorávamos que o estudo da História tinha como objetivo “compreender o passado para melhorar o futuro”. Apesar de durante a graduação em História (Virgínia falando!) eu ter mudado muito minha compreensão, a frase que a professora me fez decorar no primário cabe perfeitamente agora! Porque se vocês tiverem uma boa compreensão do passado, certamente o SEU futuro melhorará. Isso porque, além de fazer uma ótima prova, vocês também estarão aptos a compreender os mais diversos temas atuais.

Continuando, o fim do período de Guerra Fria foi impulsionado principalmente por diversos movimentos pela democratização e pacificação que pipocaram por todo mundo. Dentre esses movimentos, alguns são bastante conhecidos por nós, como o Festival de Woodstock, ocorrido em agosto de 1969 no EUA e os movimentos pelas “Diretas-Já”, que tiveram início em 1983 no Brasil e em outros países sul-americanos, como o Paraguai, o Chile, o Uruguai e a Argentina.

A partir da década de 90, os países emergentes vivenciaram um período de abertura de suas economias, integrando-as de maneira mais intensa ao cenário global. A China tornou-se um dos gigantes econômicos da atualidade, evidenciando alto grau de abertura econômica e conduzindo uma política comercial baseada na competitividade das exportações. A Índia, por sua vez, começou a registrar forte crescimento econômico a partir de 1991, quando o Estado deu início a amplo processo de liberalização econômica, incentivando o investimento estrangeiro e reduzindo barreiras comerciais.

Ainda em relação à Ásia, os países denominados “Tigres Asiáticos” também devem ser citados como exemplos de alto nível de integração à economia mundial. Esses países conseguiram ascender a altos níveis de desenvolvimento econômico, por meio de um modelo de industrialização voltado para as exportações, o qual incentiva o aperfeiçoamento tecnológico e competitividade dos produtos. Na década de 90, o Brasil também experimentou um processo de

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abertura comercial, o qual teve início no governo do Presidente Fernando Collor de Mello.

Se durante a Guerra Fria, nós tínhamos o mundo dividido em dois blocos econômicos antagônicos, um capitalista e outro socialista, o que se vê na nova ordem é uma grande segmentação do espaço econômico mundial, expressa na constituição de diversas comunidades. Assim, é correto afirmar que, junto com a globalização, ocorreu uma forte tendência entre os países da mesma região a se organizarem em blocos, derrubando fronteiras econômicas para negociar seus produtos e serviços entre si. Dessa forma, ocorre um fortalecimento dos mercados regionais.

Esses mercados nada mais são do que "mega-blocos", que se formaram em torno dos novos pólos de poder econômico mundial: um europeu, sob o comando da CEE; outro asiático, liderado pelo Japão; e, na América do Norte, um terceiro formado pelo Canadá e o México em volta dos Estados Unidos. Pra ficar mais claro ainda

Blocos Econômicos são reuniões de países que têm como objetivo principal a obtenção de crescimento econômico conjunto.

Em uma aula posterior, falaremos de forma mais aprofundada sobre os principais blocos econômicos. Por hora, basta sabermos que estes surgiram como uma das conseqüências da liberalização e representam a principal característica da nova ordem mundial.

No cenário da globalização, há uma política econômica dominante em escala mundial chamada neoliberalismo, também conhecida por Consenso de Washington. Trata-se de medidas destinadas a promover o reajustamento macroeconômico de países em desenvolvimento que estivessem atravessando dificuldades. Segundo o entendimento dos neoliberalistas, o Estado deveria reduzir os gastos públicos e permitir a abertura comercial por meio da liberalização

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comercial e da eliminação das restrições aos investimentos estrangeiros diretos. O governo deveria intervir o mínimo possível, sendo estimuladas as privatizações e a redução dos gastos sociais. O FMI adota o ideal neoliberal, impondo tais medidas aos países aos quais concede empréstimos.

Se forçarmos um pouco a memória, nos lembraremos que, até alguns anos atrás, a esquerda política brasileira fazia duras críticas ao governo em razão de algumas medidas que estavam sendo tomadas, como a privatização de empresas estatais. Essas medidas adotadas pelo governo nada mais eram do que o aceite às políticas impositivas do FMI para realizar empréstimos ao Brasil

Sintetizando, o neoliberalismo tem como principais características:

1)- Amplas privatizações;

2)- Redução de subsídios e gastos sociais por parte do governos;

3)- Abertura da economia e eliminação de restrições aos investimentos estrangeiros

4)- Desregulamentação do mercado de trabalho, permitindo formas de contratação que reduzam custos das empresas

Vejamos mais algumas questões de prova a respeito da globalização!

X

5- (FGV / Professor de Geografia – Campinas 2008)- A globalização teve um forte impulso, a partir dos anos 90, com a integração da China, Índia e outros países emergentes ao processo produtivo global.

Assinale a alternativa que não apresente uma conseqüência dessa integração.

a) Aumentou a demanda por commodities agrícolas e minerais.

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b) Estimulou os investimentos diretos externos (IDEs) entre países.

c) Provocou uma queda expressiva no custo de produção de bens industrializados.

d) Promoveu a expansão da terceirização internacional como a dos call centers.

e) Desarticulou as cadeias produtivas de bens materiais e serviços.

COMENTÁRIOS

A letra A está errada, pois a integração de outros países ao processo

produtivo global aumentou a demanda por commodities agrícolas e minerais para sustento de suas indústrias. Esse novo processo industrial em que mais países passam a participar ativamente do comércio mundial faz com que esses novos “atores” necessitem de mais produtos agrícolas e minerais, aumentando assim, a demanda por estes produtos.

A letra B está errada. No processo de integração promovido pela globalização, investimentos externos são imprescindíveis para que esses outros países possam entrar no “jogo” e participar ativamente do comercio internacional.

A letra C está errada. Com o aumento do numero de produtores de bens

industrializados pelo mundo, houve uma queda expressiva no custo de produção de

bens industrializados.

A letra D está errada. Devido aos baixos preços de mão de obra nesses

outros países, houve um significativo aumento da terceirização internacional de

serviços, como a dos call centers. A Índia é o país que mais se destaca na prestação de serviços de call centers, fornecendo-os para diversas empresas ao redor do mundo.

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A letra E esta correta. Não foi uma conseqüência da integração desses países à economia mundial a desarticulação nas cadeias produtivas. Pelo contrário, foi a partir dela que bens materiais e serviços adquiriram um novo formato como o que vemos hoje.

6- (Questão adaptada - CESPE) – Acerca da globalização e suas repercussões na ordem política e econômica internacional, analise os itens a seguir e atribua a letra (V) para as assertivas verdadeiras e a letra (F) para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta:

I) A OTAN e o Pacto de Varsóvia constituem, atualmente, instrumentos para

as políticas externas dos Estados Unidos da América e Rússia.

II)- A globalização econômica contemporânea caracteriza-se pelo caráter simétrico das oportunidades de desenvolvimento e de inserção no mercado mundial.

III)- Contraditoriamente ao que se poderia supor, a globalização econômica produziu a segmentação do espaço econômico mundial, expressa por meio da formação de blocos econômicos regionais.

IV)- A globalização econômica permitiu que países emergentes como Taiwan e Coréia do Sul alcançassem altos níveis de desenvolvimento, enquanto outros países permanecem à margem da economia mundial.

a) FFVV

b) FVFV

c) FFVF

d) VVVF

e) VVFF

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COMENTÁRIOS

A assertiva I está errada. As funções da OTAN e do Pacto de Varsóvia

eram se contrapor, um ao outro, na defesa de seus interesses na política externa mundial, durante a Guerra fria

Com o fim da URSS e de suas ameaças à soberania americana e capitalista no mundo, o papel da OTAN se redefiniu na nova ordem internacional, já que o principal motivo de sua criação não existia mais. Assim, foi criado um novo papel para a OTAN, que se tornou a base da política de segurança de toda a Europa, (inclusive de seus ex-rivais do leste europeu) e da América do Norte.

Os países que integram a OTAN atualmente são: Alemanha Ocidental, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polônia, República Checa, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovênia. Além desses, em abril de 2009, passaram a fazer parte da OTAN a Croácia e a Albânia.

A assertiva II está errada. Como podemos perceber, o mundo hoje não

está mais dividido em apenas dois blocos. O que temos hoje é uma multipolaridade, possibilitada, sobretudo, pela globalização. Entretanto, esse processo não oferece oportunidades iguais de desenvolvimento econômico e social para os países. O que podemos verificar é que a globalização cria um cenário em que há assimetria de

oportunidades de desenvolvimento.

A assertiva III está correta. Ao contrario do que o nome sugere, a globalização não torna o mundo integrado e com homogeneidade de perspectivas. Ao contrario, o que vemos é uma forte segmentação do espaço econômico mundial, expressa por meio da formação de blocos econômicos regionais como o MERCOSUL, UE etc.

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A assertiva IV está correta. A globalização econômica permitiu o surgimento no cenário econômico mundial de novos protagonistas como China, Taiwan e Coréia do Sul que alcançaram altos níveis de desenvolvimento. Em contrapartida, outros países permanecem à margem da economia mundial com muitos países africanos que não conseguem sequer estabelecer um governo político que possa lhe dar a estabilidade mínima necessária.

7-(Questão adaptada- CESPE)- Assinale a alternativa incorreta a respeito da nova ordem mundial:

a) A globalização econômica produziu a segmentação do espaço econômico mundial, expressa por meio da formação de blocos econômicos regionais como o MERCOSUL.

b) No atual estágio da economia mundial, comumente denominado globalização, a formação de blocos tende a responder a determinados desafios, entre os quais se destaca a busca por melhor inserção em um mercado bastante amplo e competitivo.

c) Uma das principais razões que explicam a formação dos atuais blocos

econômicos, entre os quais se situam a União Européia e o Mercado Comum do Sul, é o fato de oferecerem aos seus integrantes condições mais

favoráveis de inserção no competitivo mercado global.

d) Os blocos econômicos são reuniões de países que têm como objetivo a

obtenção de crescimento econômico conjunto.

e)- É observada a formação de uniões econômicas regionais pela reunião de países geograficamente limítrofes ou não, onde perduram políticas de resistência à globalização da economia, impedindo o comércio com outros blocos econômicos e países para concentrar o aumento de riqueza dos países pertencentes ao próprio bloco.

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COMENTÁRIOS

A letra A está correta. Conforme apontamos, a nova ordem mundial se

baseia justamente em deixar de lado a bipolaridade para se fragmentar em vários blocos econômicos como, por exemplo, o MERCOSUL, a ALCA ou a União

Européia.

A letra B está correta. Após a queda do muro de Berlim, que simbolizou a

derrocada do socialismo, o capitalismo ganhou sobreforça no mundo. O crescimento do capitalismo impulsionou a competição por inserção em um mercado que se ampliava a cada dia.

A letra C está correta. A formação de blocos econômicos permitiu

condições mais favoráveis de inserção no competitivo mercado global. Assim, a integração regional gera o aumento da oferta de produtos; a redução dos preços e a obtenção de ganhos de escala em razão do aumento do mercado consumidor. Além disso, há incentivo à inovação tecnológica em razão da exposição à

concorrência em âmbito regional e a complementaridade entre as economias.

A letra D está correta. De fato, os países integrantes dos blocos

econômicos têm como principal objetivo obter crescimento econômico conjunto. Ressalte-se, todavia, que este não é o único objetivo desses países. Com efeito,

também há objetivos de cunho político na constituição de blocos regionais.

A letra E está errada. O objetivo dos blocos econômicos não é erigir

barreiras em relação a terceiros países, mas sim liberalizar o comércio entre seus

integrantes. Dessa maneira, a formação de blocos econômicos não tem como objetivo impedir o comércio com outros blocos econômicos e países. Não se trata de insular esses países do mercado internacional, mas somente de aprofundar os fluxos comerciais a nível regional.

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3- Efeitos da Globalização:

Segundo Oliveira (2009), a globalização engendra três importantes processos, os quais seriam os movimentos internacionais de capitais, a produção capitalista internacionalizada e as ações internacionais de governo.

O primeiro deles possui um nome auto-explicativo. Esses movimentos

internacionais de capitais dizem respeito aos investimentos feitos por grandes empresas em suas filiais nacionais e internacionais, se tornando a base de uma superestrutura de absorção de capitais em todas as partes do mundo. Esse movimento estimula o crescimento das finanças internacionais, dos depósitos em

bancos estrangeiros e dos investimentos em outros mercados.

O segundo processo, de internacionalização da produção capitalista,

incorporou a sua estrutura produtiva a admissão de mão-de-obra de outros países, integrando deste modo mundialmente as empresas. Para termos uma idéia, só entre as empresas multinacionais americanas, de 30 a 50 % de sua mão-de-obra está fora dos Estados Unidos. Além disso, uma vez internacionalizada a produção capitalista, abrem- se as comportas para que determinados produtos, anteriormente monopolizados por poucos países, sejam internacionalizados - como conhecimentos científicos e tecnologia - contribuindo ainda mais para aproximação das economias nacionais.

O terceiro processo –ações internacionais de governo- é conseqüência

dos dois anteriores somados à necessidade de intervenção do Estado na economia e em projetos de cooperação internacional. Deste modo, uma vez que os capitais estão se movimentando pelo mundo e empresas estão se internacionalizando, torna-se necessário o surgimento de organizações internacionais, que se tornam

uma realidade no pós Segunda Guerra mundial.

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ONU, OMC, FMI, BIRD. Se não fosse pela globalização, talvez essas siglas não significassem nada pra nós. Entretanto, temos certeza de que todos já ouviram falar delas, seja lendo um jornal ou assistindo a um noticiário.

A ONU – Organização das Nações Unidas – foi criada em 1945, após o

fim da Segunda Guerra Mundial, sempre tendo como foco principal a manutenção da paz e da segurança internacionais. É uma organização que parte do princípio de que diversos problemas mundiais podem ser mais facilmente combatidos por meio de uma cooperação internacional. Não é raro ligarmos a TV e ouvirmos essa sigla atrelada a problemas mundiais como pobreza, desemprego, degradação ambiental, criminalidade, AIDS, migração ou tráfico de drogas.

Atualmente, as Nações Unidas e suas agências investem, em forma de empréstimo ou doações, cerca de US$ 25 bilhões por ano em países em desenvolvimento. Esses recursos destinam-se à proteção de refugiados, fornecimento de auxílio alimentar - como vemos na África - , superação de efeitos causados por catástrofes naturais – como vemos nos recentes exemplos do Haiti e Chile. Além disso, auxiliam no combate a doenças, e reforçam o regime democrático em várias regiões do mundo, já tendo apoiado mais de 70 eleições nacionais.

A Organização Mundial do Comércio (OMC), por sua vez, é uma organização internacional que tem como objetivo o crescimento e desenvolvimento econômico por meio da liberalização do comércio internacional. Para isso, busca uma melhor regulamentação do comércio internacional e a progressiva redução das barreiras tarifárias. Para cumprir os objetivos a que se propõe, a OMC exerce certas funções, quais sejam:

1- Administrar os acordos internacionais entre seus membros.

comércio.

2-Servir

como

um

fórum

para

as

negociações

internacionais

de

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3-

Solucionar controvérsias comerciais entre seus membros.

4-

Proceder à revisão das políticas comerciais dos países-membros.

5- Alcançar maior coerência global na formulação de políticas econômicas em escala global, incluindo cooperação como o FMI e o Banco Mundial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização internacional

que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial e se define como uma organização de 185 países, trabalhando por uma cooperação monetária global para assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, promover altos níveis de emprego e desenvolvimento econômico sustentável, além de reduzir a pobreza. Dentre os seus principais

objetivos estão:

1)- Ajuda aos problemas financeiros que países membros venham a ter

(através do empréstimo de recursos com prazos limitados);

2)- Favorecimento da expansão equilibrada do comércio internacional.

3)-

Contribuir

para

a

instituição

de

um

sistema

multilateral

de

pagamentos e promover a estabilidade dos câmbios.

Poderíamos falar abundantemente sobre cada uma das ações internacionais de governo, pois elas deram origens a verdadeiros estados internacionais. Todavia, o importante é termos bem claro que a unificação do capital mundial com a força de trabalho mundial resultou num sistema que exigia a formação de instituições supranacionais para regular suas ações.

A essa altura do campeonato, acho que todos concordamos que a

globalização trouxe uma indiscutível integração da sociedade, cultura e políticas mundiais. Não queremos parecer um propagandista liberal levantando aqui uma

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bandeira pró-globalização, mas o fato é que junto com ela surgiram sim alguns avanços que não podem ser ignorados.

A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, que permite um fluxo de troca de idéias e informações jamais visto na história da humanidade. Um bom exemplo disso somos nós que estamos nesse momento nos relacionando com pessoas das mais diversas regiões do Brasil. Em outro momento, quando é que uma pessoa do interior de Minas Gerais teria aula com um professor de Brasília? Mas com o advento da internet, cá estamos nós interagindo e aprendendo além de, obviamente, desfrutar da tecnologia. Assim, é correto afirmar que o processo de globalização diz respeito à forma como os países interagem e aproximam pessoas, ou seja, interliga o mundo, levando em consideração os aspectos que falamos acima.

Vejamos como os efeitos da globalização foram cobrados em provas

anteriores:

8- (Questão adaptada- CESPE) Refletindo sobre os inúmeros aspectos da globalização analise as assertivas que seguem e atribua a letra (V) para as assertivas verdadeiras e a letra (F) para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta:

I- A atuação de organismos internacionais como o FMI e a OMC têm eliminado as concentrações e os desequilíbrios nas atividades econômicas, provocados pelo avanço da globalização.

II- Uma das inovações trazidas pela globalização é o caráter autônomo da economia, ou seja, instabilidades políticas ou confrontações bélicas deixaram de exercer influência sobre os mecanismos de produção, circulação e fixação de preços das mercadorias.

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III- Em relação ao Brasil, o processo de globalização diminuiu a concorrência entre produtos agrícolas no mercado internacional, o que impulsionou a modernização da agricultura no país.

IV- O atual estágio da economia mundial, comumente identificado como globalização, tem nas inovações tecnológicas que se processam no campo das comunicações um de seus instrumentos fundamentais, pois elas permitem, entre outros importantes aspectos, a rápida circulação de informações e de capitais.

a) VVFF

b) VFVF

c) FFVV

d) FFFV

e)VVVF

COMENTÁRIOS:

A assertiva I está errada. A atuação do FMI e da OMC não tem sido

suficientes para eliminar concentrações e desequilíbrios nas atividades econômicas. O que se percebe atualmente é que a globalização tem causado um aumento da concentração e do desequilíbrio nas atividades econômicos. Conforme dissemos anteriormente, a globalização é marcada pela assimetria de oportunidades. Dessa

forma, a questão está errada!

A assertiva II está errada. É exatamente o contrário! Um dos principais

efeitos da globalização é justamente a grande instabilidade que ela causa na economia. Com o avanço dos meios de comunicação, as notícias se alastram na velocidade de seus acontecimentos, influenciando decisivamente nas decisões dos investidores mundiais. Os grandes investidores internacionais podem agora, com o

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simples acesso a um computador, retirar milhões de dólares de nações em que se vislumbram problemas econômicos. Assim, o atual estágio das finanças internacionais dá ensejo a movimentos especulativos de capitais e, ainda, faz com que uma crise em um país se alastre rapidamente a vários outros.

A assertiva III está errada. A globalização tem como um de seus efeitos o maior intercâmbio comercial entre os países por meio da liberalização do comércio internacional. Assim, é natural que os produtos agrícolas brasileiros sofram uma maior concorrência internacional, ao contrário do que afirma a questão. Com o aprofundamento da concorrência, há necessidade de se modernizar a agricultura a fim de reduzir custos e aumentar a produtividade.

A assertiva IV está correta. Se antes uma pessoa estava limitada à imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro em relação a qualquer assunto que ela se interesse, tendo apenas como limitação a barreira lingüística. O mesmo ocorre com os capitais, a cultura e as empresas que constroem filiais em vários lugares do mundo. Lembram do que falamos anteriormente sobre um empresário poder mover milhões

com o simples apertar de uma tecla no computador? Então

tudo isso só é

possível graças às inovações tecnológicas que se processaram no campo das comunicações. Portanto, estas inovações são um dos instrumentos fundamentais

para o estágio atual da economia.

9- (CESPE/INMETRO-2009) Nove jovens de 17 a 23 anos de idade, integrantes de um grupo neonazista, foram responsabilizados por soltar uma bomba caseira que feriu participantes da última Parada Gay de São Paulo. Eles são de uma gangue que prega a intolerância contra homossexuais. (Folha de S.Paulo, 5/12/2009, p. C3 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema por ele abordado, assinale a opção correta.

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a) a Intolerância como a noticiada no texto é própria de países emergentes,

nos quais os níveis de educação formal e de cultura política de grande parte da população ainda estão longe de atingir os padrões clássicos de civilização.

b) Os grupos neonazistas, apesar da denominação que recebem, não seguem

as ideias de Adolf Hitler, já que não querem ser associados à derrota sofrida pelo regime após a Segunda Guerra Mundial.

c) O fato citado no texto traduz uma das marcas da contemporaneidade, isto

é, as manifestações de intolerância que costumam atingir, entre outros grupos, imigrantes e diversas minorias, como as étnicas e as religiosas.

d) Os países integrantes da UE — França, Itália e Alemanha à frente — esforçam-se por produzir legislação que, a ser seguida em todo o bloco, estimule a vinda de imigrantes para atuar em determinados setores da economia.

e) No mundo contemporâneo, práticas de intolerância costumam fundamentar-se em um nacionalismo xenófobo, razão pela qual não se verificam em atividades que fogem ao padrão clássico da política, como nas competições esportivas.

COMENTÁRIOS

Segundo alguns dos ideólogos da globalização, esta é percebida como um novo patamar civilizatório e como um processo inexorável, representando uma nova forma de organização das sociedades, capaz de superar as identidades nacionais e os particularismos, religiosos, étnicos e regionais.

No entanto, como já dissemos anteriormente, apesar do intuito de integração, contraditoriamente, ressurgem em vários locais do planeta manifestações fundamentalistas, racistas e terroristas que a humanidade considerava quase superadas.

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A letra A está errada. A intolerância, ao contrário do que afirma a

questão, não é própria de países emergentes, existindo também em países desenvolvidos.

A letra B está errada. O neonazismo está associado ao resgate do

nazismo criada por Adolf Hitler, portanto, esta totalmente conectado às suas idéias. O movimento neonazista se baseia em preceitos racistas, primando sempre pela "raça pura ariana". Os seguidores desse movimento promovem preconceito contra grupos específicos, como homossexuais, negros, índios, judeus e comunistas. Apesar de algumas correntes defenderem apenas a segregação da "raça pura ariana" das demais "raças" (condenando agressões físicas contra tais grupos),

outras promovem explicitamente o ataque físico aos “impuros”.

A letra C está correta. Se você leu com atenção nossa aula já matou a

charada não é? Apesar do intuito de integração da globalização, ressurgiram, em vários locais do planeta, diversas manifestações fundamentalistas, racistas e

terroristas que a humanidade já considerava quase superados.

A letra D está errada. Na União Européia, as leis sobre imigração e asilo

político variam muito de país para país. No entanto, há uma tentativa de uniformização por meio do Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo. O objetivo, de forma alguma, é estimular a vinda de imigrantes para o país para atuar em

determinados setores da economia. Pelo contrário, há grande preocupação em restringir a entrada de imigrantes.

A maioria dos países desenvolvidos estabelece um sistema de "cotas" e

realizam um processo de seleção dos imigrantes, medindo conhecimento da língua e cultura do país que em que desejam morar. A intenção dessa seleção é criar um

sistema seletivo que privilegie a imigração de mão-de-obra qualificada.

ou

Temos certeza de que muitos de vocês conhecem alguma universitária

que foi morar nos Estado Unidos para trabalhar de baby-sitter para

graduada

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aprender inglês. No Brasil, qual o preço que teríamos que pagar para ter uma babá com curso superior completo e carteira de motorista, como é exigido nos EUA? Não pretendemos, de forma alguma, desmerecer esse trabalho - que é tão importante quanto qualquer outro! Esse exemplo serve apenas para mostrar que os imigrantes que entrarem nesses países não serão aproveitados em suas profissões originais, isto é, não serão médicos, advogados ou professores de suas escolas e certamente terão subaproveitadas as suas capacidades intelectuais.

A letra E está errada. No mundo contemporâneo, práticas de intolerância estão presentes nos mais diversos seguimentos da sociedade e não se restringem ao nacionalismo xenófobo. Assim, elas vão além de atividades que fogem ao padrão clássico da política, evidenciando-se inclusive em competições desportivas. Ano após ano temos notícia, por exemplo, de que um jogador de futebol sofre discriminações racistas em gramados europeus.

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BIBLIOGRAFIA

ROSS, Jurandir Sanches (org). Geografia do Brasil. - 6ª- edição - São Paulo:

Editora da Universidade de São Paulo, 2009.

GREGORY, Derek, et alli. Geografia Humana. Sociedade, Espaço e Ciência Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

MAGNOLI, Demétrio. Geografia para o Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2008.

SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

SILVEIRA, Maria Laura (org.). Continente em Chamas. Globalização e território na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

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LISTA DE QUESTÕES APRESENTADAS NESTA AULA

1 (ESAF/AFRF-2002-1) A respeito do processo de globalização, é correto afirmar que:

a) alcança indistintamente a todos os países, a despeito de seus respectivos níveis

de desenvolvimento econômico, tornando-os mais homogêneos política, econômica, social e culturalmente.

b) é um processo eminentemente comercial associado à liberalização das trocas e

à expansão dos mercados nacionais em escala global, o qual aprofunda diferenças econômicas entre os países.

c) se manifesta no entrelaçamento dos campos do comércio, das finanças e da

produção internacional e no aprofundamento da interdependência entre os países e

com importantes desdobramentos políticos, econômicos e socioculturais.

d) tem como cerne o crescimento e a aceleração dos fluxos financeiros internacionais em virtude do movimento de capitais especulativos em escala global.

e) é um fenômeno fundamentalmente associado às estratégias das corporações

transnacionais objetivando expandir e consolidar sua presença nos mercados dos

países emergentes.

2- (FGV / Técnico Legislativo – Senado Federal -2008)- “Sobretudo a partir da década de 60 começou a surgir uma economia cada vez mais transnacional, ou seja, um sistema de atividades econômicas para as quais os territórios e fronteiras de Estados não constituem o esquema operatório básico.”

(Hobsbawm, Eric. Era dos extremos – o breve século XX: 1914-1991, 1995.)

Entre os principais aspectos, diretos ou indiretos, dessa transnacionalização não se destaca:

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a)

a nova divisão internacional do trabalho.

b)

o crescimento de financiamento offshore.

c)

a formação de cadeias produtivas internacionais.

d)

o aumento generalizado da remuneração do trabalho.

e)

a maior eficiência nos setores de transporte e de comunicação.

3-

(FUNVERSA-CEB-2010)

a maior eficiência nos setores de transporte e de comunicação. 3- (FUNVERSA-CEB-2010) A disseminação do McMundo

A

disseminação do McMundo

Em seu livro Jihad versus McWorld, publicado em 1995, Benjamin Barber foi incrivelmente profético ao descrever nosso mundo complicado, em que dois cenários aparentemente contraditórios desenrolam-se simultaneamente: um onde “cultura é lançada contra cultura, pessoas contra pessoas, tribos contra tribos”, e outro onde “o ímpeto de forças econômicas, tecnológicas e ecológicas” exigem integração e uniformidade e hipnotizam as pessoas em todo o planeta com o universo fast de música, computador, comida, um McMundo unido pela comunicação, informação, entretenimento e comércio.

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(Worldwatch Institute. Citado em Conexões. Lygia Terra, Regina Araújo e Raul Borges Guimarães. São Paulo: Moderna, 2008.)

A partir das idéias expressas no texto e na figura, assinale a alternativa

incorreta.

a) A intensificação dos fluxos globais de tecnologias, capitais, pessoas e serviços

podem ser entendidos como uma das características da globalização.

b) Benjamin Barber estabelece, no título de seu livro, uma relação entre a fé

islâmica e o modo de vida das sociedades ocidentais.

c) Uma importante rede de lanchonetes é citada, ainda que de forma indireta, no

texto.

d) O texto menciona apenas aspectos negativos da globalização.

e) A

comunicações no mundo atual.

figura

que

acompanha

o

texto

remete

ao

extraordinário

avanço

das

4- (FUNVERSA- HFA-2009)O sítio eletrônico http://pt.wikipedia.org conceitua o

termo globalização da seguinte maneira:

“É um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural, política, com o barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX e início do século XXI. É um fenômeno gerado pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar uma aldeia global que permita maiores mercados internos já estão saturados.

O processo de globalização diz respeito à forma como os países interagem e

aproximam pessoas, ou seja, interliga o mundo, levando em consideração, aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos.

Tomando esse conceito como referência, assinale a alternativa correta acerca

da globalização e suas consequências:

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a) Um dos aspectos atuais da globalização é a união entre grandes grupos

empresariais, que buscam, com essa estratégia, redução de custos, maior eficiência e, consequentemente, maior competitividade global. São exemplos desse

fenômeno as uniões Renault-Nissan e Itaú-Unibanco.

b) Em função da redução dos custos de produção, a globalização gerou, ao longo

do tempo, grande produção de riquezas, significativa melhoria nas condições de

vida e redução substancial da miséria na maior parte dos países do mundo, em especial dos países mais pobres.

c) Com base no texto, é correto afirmar que a integração econômica global teve

início no final do século XX.

d) Países que adotam regimes fechados, como Cuba e Coréia do Norte, não

participam, nem mesmo de maneira periférica, do processo de globalização;

e) Qualquer análise acerca da globalização só terá valor se se prender unicamente

a seus aspectos econômicos, uma vez que são irrelevantes os impactos provocados por esse processo nas áreas culturais, sociais e do comportamento humano.

5 (FGV / Professor de Geografia – Campinas 2008) A globalização teve um forte impulso, a partir dos anos 90, com a integração da China, Índia e outros países emergentes ao processo produtivo global.

Assinale a alternativa que não apresente uma conseqüência dessa integração.

a) Aumentou a demanda por commodities agrícolas e minerais.

b) Estimulou os investimentos diretos externos (IDEs) entre países.

c) Provocou uma queda expressiva no custo de produção de bens industrializados.

d) Promoveu a expansão da terceirização internacional como a dos call centers.

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e) Desarticulou as cadeias produtivas de bens materiais e serviços.

6- (Questão adaptada- CESPE) – Acerca da globalização e suas repercussões na ordem política e econômica internacional, analise os itens a seguir e atribua a letra (V) para as assertivas verdadeiras e a letra (F) para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta:

I) A OTAN e o Pacto de Varsóvia constituem, atualmente, instrumentos para as políticas externas dos Estados Unidos da América e Rússia.

II)- A globalização econômica contemporânea caracteriza-se pelo caráter simétrico das oportunidades de desenvolvimento e de inserção no mercado mundial.

III)- Contraditoriamente ao que se poderia supor, a globalização econômica produziu a segmentação do espaço econômico mundial, expressa por meio da formação de blocos econômicos regionais.

IV)- A globalização econômica permitiu que países emergentes como Taiwan e Coréia do Sul alcançassem altos níveis de desenvolvimento, enquanto outros países permanecem à margem da economia mundial.

a) FFVV

b) FVFV

c) FFVF

d) VVVF

e) VVFF

7-(Questão adaptada- CESPE)- Assinale a alternativa incorreta a respeito da nova ordem mundial:

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a) A globalização econômica produziu a segmentação do espaço econômico mundial, expressa por meio da formação de blocos econômicos regionais como o MERCOSUL.

b) No atual estágio da economia mundial, comumente denominado globalização, a

formação de blocos tende a responder a determinados desafios, entre os quais se destaca a busca por melhor inserção em um mercado bastante amplo e

competitivo.

c) Uma das principais razões que explicam a formação dos atuais blocos econômicos, entre os quais se situam a União Européia e o Mercado Comum do Sul, é o fato de oferecerem aos seus integrantes condições mais favoráveis de inserção no competitivo mercado global.

d) Os blocos econômicos são reuniões de países que têm como objetivo a obtenção

de crescimento econômico conjunto.

e)- É observada a formação de uniões econômicas regionais pela reunião de países geograficamente limítrofes ou não, onde perduram políticas de resistência à globalização da economia, impedindo o comércio com outros blocos econômicos e países para concentrar o aumento de riqueza dos países pertencentes ao próprio bloco.

8- (Questão adaptada-CESPE)- Considerando os inúmeros aspectos da globalização, analise as assertivas que seguem e atribua a letra (V) para as assertivas verdadeiras e a letra (F) para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta:

I- A atuação de organismos internacionais como o FMI e a OMC têm eliminado as concentrações e os desequilíbrios nas atividades econômicas, provocados pelo avanço da globalização.

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II- Uma das inovações trazidas pela globalização é o caráter autônomo da economia, ou seja, instabilidades políticas ou confrontações bélicas deixaram de exercer influência sobre os mecanismos de produção, circulação e fixação de preços das mercadorias.

III- Em relação ao Brasil, o processo de globalização diminuiu a concorrência entre produtos agrícolas no mercado internacional, o que impulsionou a modernização da agricultura no país.

IV- O atual estágio da economia mundial, comumente identificado como globalização, tem nas inovações tecnológicas que se processam no campo das comunicações um de seus instrumentos fundamentais, pois elas permitem, entre outros importantes aspectos, a rápida circulação de informações e de capitais.

a)

B)

C)

D)

VVFF

VFVF

FFVV

FFFV

E)VVVF

9- (CESPE/INMETRO-2009) Nove jovens de 17 a 23 anos de idade, integrantes de um grupo neonazista, foram responsabilizados por soltar uma bomba caseira que feriu participantes da última Parada Gay de São Paulo. Eles são de uma gangue que prega a intolerância contra homossexuais. (Folha de S.Paulo, 5/12/2009, p. C3 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema por ele abordado, assinale a opção correta.

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a) a Intolerância como a noticiada no texto é própria de países emergentes, nos

quais os níveis de educação formal e de cultura política de grande parte da população ainda estão longe de atingir os padrões clássicos de civilização.

b) Os grupos neonazistas, apesar da denominação que recebem, não seguem as

ideias de Adolf Hitler, já que não querem ser associados à derrota sofrida pelo regime após a Segunda Guerra Mundial.

c) O fato citado no texto traduz uma das marcas da contemporaneidade, isto é, as

manifestações de intolerância que costumam atingir, entre outros grupos, imigrantes e diversas minorias, como as étnicas e as religiosas.

d) Os países integrantes da UE — França, Itália e Alemanha à frente — esforçam-

se por produzir legislação que, a ser seguida em todo o bloco, estimule a vinda de

imigrantes para atuar em determinados setores da economia.

e) No mundo contemporâneo, práticas de intolerância costumam fundamentar-se

em um nacionalismo xenófobo, razão pela qual não se verificam em atividades que

fogem ao padrão clássico da política, como nas competições esportivas.

GABARITO

1. C

2. D

3. D

4. A

5. E

6. A

7. E

8. D

9. C

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AULA 01- PANORAMA POLÍTICO-ECONÔMICO MUNDIAL DO SÉCULO XX

Olá pessoal, tudo bem?

Alguns de vocês podem estar se perguntando qual a finalidade de haver

uma aula inteira sobre o panorama político-econômico mundial do século XX em um

curso como esse! No entanto, amigos, temos que pensar que todas,

absolutamente todas as situações políticas, econômicas, sociais e ambientais

pelas quais passamos na atualidade tiveram origem em algum momento, não é

mesmo?

Por isso, a aula é muito importante para o nosso aprendizado. A partir

dela, compreenderemos melhor as transformações que vemos hoje à nossa volta,

ou seja, para compreender a dinâmica do processo, é imprescindível que

conheçamos o próprio processo, suas origens e aí então poderemos entender

suas conseqüências.

Um exemplo disso que estamos dizendo é o “recente” ataque de Israel

ao comboio humanitário ocorrido no dia 31 de maio de 2010. Como

compreenderíamos tal fato se não tivermos o entendimento acerca das disputas

nas quais esse país está inserido?

Ou ainda, como entenderemos a atual estrutura institucional da ONU e

suas assimetrias de poder se não soubermos o contexto político-econômico em que

ela surgiu?

Deixaremos estes assuntos para aulas futuras, mas os exemplos são

importantes para ilustrarmos o quão conectados estão os acontecimentos!

Portanto, pessoal, prestem atenção, ok?

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1- SISTEMAS POLÍTICO-ECONÔMICOS MUNDIAIS

Há basicamente dois sistemas econômicos no mundo atual: o

Capitalismo e o Socialismo. Mas qual a importância, ou qual a finalidade desses

sistemas econômicos existirem? Bem, são esses sistemas econômicos que

oferecem certa unidade aos diferentes países do mundo - que passam a buscar

mais ou menos a mesma coisa no setor econômico e político. Apesar disso, não é

tentativa de uniformização que faz com que esses sistemas sejam tão importantes

de serem estudados. Como se diz por aí: o buraco é mais embaixo!

Quando nos referimos a esses sistemas políticos e econômicos,

estamos, na verdade, nos referindo à divisão que houve no mundo durante a

Guerra Fria entre países capitalistas e socialistas. Estudar isso pode até parecer

meio sem graça, uma vez que já sabemos quem mata e quem morre no final, não é

mesmo? Entretanto, é importante termos uma compreensão mais aprofundada do

funcionamento de cada um desses sistemas, o que os caracteriza e,

principalmente, o que os opõem.

Para compreendermos tanto um quanto o outro, é necessário analisar

um mesmo episódio histórico: a Revolução Industrial, ocorrida na Grã-Bretanha do

século XVIII. Foi a partir desse acontecimento que a sociedade passou a ser

dividida em duas classes basilares à sustentação do capitalismo: burguesia e

proletariado. A existência e as discrepâncias entre essas classes sociais tornaram-

se o alvo principal das críticas dos intelectuais, que formularam, a partir daí, um

regime opositor ao capitalismo: o socialismo.

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1.1 Capitalismo

Sem a existência desse sistema, jamais estaríamos no estágio em que

nos encontramos: com uma economia tão integrada e com “tentáculos” nos mais

diversos lugares do mundo. Dentre os dois sistemas existentes, podemos afirmar,

com toda certeza, que o capitalismo foi o grande personagem dentro da Nova

Ordem Mundial. Isso porque obteve um relevante crescimento de sua importância

no mundo após a Segunda Guerra mundial e um solavanco maior ainda após a

queda do muro de Berlim, resultando na globalização que falamos na aula

demonstrativa.

A grande pergunta que fica depois de ter lido tudo isso é de onde vem

então essa essência da globalização chamada capitalismo. Calma, pessoal, não

vamos transformar isso aqui em uma aula de História! Porém, é importante

lembrarmos que, antes de chegar no estágio em que estamos, houve outros que

solidificaram e contribuíram para que o sistema capitalista assumisse a

configuração atual. Bem, ao longo de seu processo histórico, o capitalismo

apresentou três períodos principais, conhecidos como capitalismo comercial,

industrial e financeiro.

O Capitalismo comercial teve início nos séculos XVI e XVII com as

grandes navegações e se baseou, principalmente, na circulação de mercadorias.

Alguns estudiosos chegam a afirmar que foi com o início das grandes navegações,

que surgiu a abertura dos mercados, já “preparando o terreno” para a globalização.

Essa idéia ganha força quando pensamos que foi a partir dessas navegações que

os europeus passaram a ter contato com outras economias, mercados e produtos.

Todavia, como já vimos na aula anterior, a globalização é muito mais do que uma

simples competição econômica, não é mesmo? Ela engloba a difusão de valores e

estilos de vida ocidentais e a formação de blocos de poder que desafiam a

soberania do Estado. Além disso, ela traz ao palco novos atores principais, como as

corporações e as empresas transnacionais.

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Após o capitalismo comercial, temos a fase do capitalismo industrial.

Este possui um nome auto-explicativo! De qualquer modo, vale lembrar que no

Século XIX, a Inglaterra e a Europa Ocidental foram envolvidas pelo processo de

industrialização e uma nova divisão internacional do trabalho foi gerada. Assim,

temos que lembrar que este período foi marcado pelas transformações nas técnicas

e no modo de produção. Passou-se, então, a utilizar as máquinas em larga escala,

tornando ultrapassados os procedimentos artesanais utilizados no modelo de

produção anterior.

Por fim, e mais importante para resolvermos as questões na prova,

temos o capitalismo financeiro, que se baseia principalmente em um tipo de

economia em que o grande comércio e a grande indústria são controlados pelos

bancos comerciais e outras instituições financeiras. Porém, para compreendermos

bem como chegamos a esse estágio, é preciso voltarmos ao panorama político e

econômico mundial do século XX.

Passados os estágios do capitalismo comercial e industrial, chegamos

ao século XX, na fase do capitalismo monopolista-financeiro. Nessa etapa, os

grandes propulsores do desenvolvimento econômico são o sistema bancário, as

grandes corporações financeiras e o mercado globalizado. Foi nesta fase que o

capitalismo travou suas batalhas mais difíceis com o socialismo, que se

apresentava bem mais sólido em algumas regiões do mundo do que no século

passado.

E é exatamente no século XX que manteremos nossa atenção para

compreender como se formaram as áreas de influência capitalista e socialista. Mas

afinal, o que é o capitalismo?

A definição mais comum de capitalismo é a de que ele é um sistema

econômico que se baseia na propriedade privada dos meios de produção.

Contudo, o capitalismo possui outra e mais complexa definição, que confunde a

grande maioria das pessoas.

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“Capitalismo é a organização econômica que resulta do sistema

político de direitos individuais à vida, propriedade e liberdade.”

Por exemplo, imagine que nós perguntássemos a vocês qual país do

mundo é capitalista hoje em dia. A grande maioria responderia que quase todos,

não é mesmo? E por quê? Porque a tendência mundial é que haja respeito aos

direitos individuais, à vida e à propriedade – ainda que nem sempre isso ocorra na

intensidade que deveria. É claro que alguns países se aproximam muito mais do

ideal de capitalismo do que outros que ainda possuem tantas dificuldades de

respeitar os direitos individuais (como os países mais pobres do mundo).

E

porque

falamos,

a

todo

o

momento,

de

expansão

capitalista,

classificando os próprios sistemas políticos de capitalistas?

Chamamos o sistema político de Capitalismo por ser ele intrínseco aos

efeitos econômicos conhecidos por este nome, ou seja, classificamos como

capitalistas países onde há existência de bancos, empresários, indústrias, dinheiro,

trabalho assalariado e juros.

Nesse sentido, os Estados Unidos da América são a grande potência

defensora da organização capitalista, sendo, inclusive, um dos países que mais se

aproximam de seu ideal. Na medida em que a hegemonia americana vai

disseminando pelo mundo, seu “American Way of Life”, todos passam a ter contato

com as pretensões capitalistas e, ao se alinhar às suas idéias, os países passam a

ser classificados assim também.

De qualquer modo, a consolidação do capitalismo revelou, no fim do

século XX, a crescente interdependência entre os países e uma relativa

padronização das condições de existência das sociedades humanas.

“Como assim, professores? Vocês querem me convencer de que todos

no mundo vivem igualmente?”

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Com toda certeza não!

A diversidade fica, a cada dia, mais clara diante dos nossos olhos e a

qualidade de vida de um morador dos EUA não passa nem perto da de um

habitante do norte da África. Entretanto, quando falamos de padronização, é

preciso lembrar que ela se refere muito mais às modalidades de produção,

distribuição e consumo de bens do que efetivamente à qualidade de vida das

pessoas. Assim, não seria exagero dizer que a maior parte dos países do mundo

conhecem, produzem e consomem Cola-Cola e Mac Donalds.

Em razão dessa padronização e interdependência, é comum ouvirmos

dizer que o mundo se tornou o paraíso para as multinacionais. Essas empresas

estão sempre buscando compor novas organizações, cadeias de auxílio e alianças

– com parceiros de diferentes países, que atuem em setores afins, complementares

ou diversos aos seus. Tudo isso tem o objetivo principal de monopolizar ou

cartelizar os mercados e é em função disso, alianças e fusões, que megaempresas

foram formadas. Como exemplo, citamos o caso das 6 maiores empresas de pneus

do mundo, que atualmente controlam 80 % de todo o mercado mundial.

Se por um lado a mundialização do capital trouxe uma crescente

integração de mercados e capitais, ela também mostrou um problema mundial

básico ainda hoje não resolvido: a fome.

Depois da Primeira Guerra Mundial, o capitalismo sofreu várias

mudanças e uma das mais significativas diz respeito ao seu principal representante.

Se antes a Inglaterra e a França despontavam como defensores do sistema, com a

guerra, os EUA alcançaram uma posição de destaque no cenário capitalista,

sobretudo devido ao comércio de armas com os países envolvidos no conflito. E

por que isso ocorreu? Porque foi durante e nos anos imediatamente posteriores à

Primeira Guerra que o comércio estadunidense teve seu ápice de vendas. Durante

o desenrolar da Primeira Guerra Mundial, as indústrias dos EUA produziam e

exportavam em grandes quantidades, principalmente para os países que não

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tinham como produzir o que necessitavam devido à turbulência militar pela qual

estavam passando. Dessa forma, os EUA assumiram o papel de grande

abastecedor mundial, o que levou sua produção industrial ao auge.

É no século XX que este sistema atinge uma outra fase chamada de

capitalismo monopolista! Essa fase é marcada por algumas características como

_ forte concentração dos capitais, criando os monopólios;

_ fusão do capital bancário com o capital industrial;

_ exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;

_ surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo

entre si.

Pois é, pessoal, as características dessa fase do capitalismo são

importantíssimas para que compreendamos como o sistema deixou de ser

competitivo para ser monopolista.

Se observarmos à nossa volta, perceberemos, ainda hoje, essas

características em nossa realidade, já que a maior parte dos lucros e do capital do

mundo cruza o sistema financeiro, não é mesmo? Pois bem, praticamente todas as

empresas inseridas em uma economia de mercado vendem seus produtos a

diferentes países, mantendo o que foi classificado como monopólio internacional de

algumas empresas. Quem arrisca questionar que a Coca-Cola monopoliza o

mercado?

Tudo bem, nós sabemos que existem vários outros refrigerantes “cola”

por aí! Entretanto, de Xangai à Montevidéu, sempre se encontrará a tal da Coca-

Cola. E por quê? Porque ela monopoliza, juntamente com outras poucas empresas,

o comércio mundial, mantendo ativo um comércio de grandes proporções.

Outro ponto é o que a informatização dos sistemas foi capaz de fazer, já

que a movimentação e transferência de valores passaram a ser feitas quase em

tempo real. Isso gerou uma fusão entre o capital bancário e o industrial, uma vez

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que todas as operações financeiras passam pelo sistema bancário! É claro,

pessoal, que as indústrias e o comércio têm lucros estrondosos, porém os sistemas

bancário e financeiro são os que mais lucram e acumulam capitais dentro deste

contexto econômico atual.

E por que estamos falando tudo isso agora? Porque foi a partir desse

novo estágio capitalista, que tinha como lideranças representativas os EUA e a

Inglaterra, que novas teorias foram desenvolvidas e disseminadas pelo mundo. Foi

na metade do século XX, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, que

aconteceu a Conferência de Bretton Woods. Idealizada pelos Estados Unidos, ela

estabeleceu pela primeira vez na história uma ordem monetária totalmente

negociada entre Estados para governar as relações monetárias ente eles.

Bretton Woods foi o nome dado a uma conferência realizada em 1944

entre 45 países, que se reuniram com o objetivo de conduzir a política econômica

mundial. Ora, mas como se daria essa condução? Como o sistema Bretton Woods

foi o primeiro modelo de uma ordem econômica totalmente negociada para reger as

relações entre Estados, era necessário criar-se instituições que regulassem seus

objetivos.

Ainda que muitos de vocês nunca tenham ouvido falar de Bretton Woods,

temos certeza de que já se cansaram de ouvir a respeito de suas instituições: FMI e

BIRD. Essas duas instituições foram criadas justamente para definir e regular os

procedimentos da política econômica internacional. Haverá uma aula em que

trataremos detalhadamente de cada uma delas, mas pra ninguém ficar “boiando”

vamos a uma passada rápida, ok?

O BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento)

tinha como tarefa inicial financiar a reconstrução dos países europeus destruídos

durante a Segunda Guerra Mundial, mas atualmente, sua incumbência fundamental

é o incentivo ao desenvolvimento de projetos de infraestrutura em países em

desenvolvimento. Essa tarefa é desempenhada por meio de financiamento e

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empréstimos aos países em desenvolvimento que apresentem rendas médias e

possuam bons antecedentes de crédito.

Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) almejava zelar pela

estabilidade e garantir o bom funcionamento do sistema financeiro mundial por meio

do monitoramento das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, o que é feito

com amparo técnico e financeiro. Mas o que seria exatamente esse

monitoramento?

Bem, o FMI fiscaliza a taxa de câmbio dos países na intenção de evitar

que eles a desvalorizem intencionalmente. Isso mesmo: desvalorizem, nós não

escrevemos errado!!

Os estados intervêm em suas economias desvalorizando suas próprias

moedas a fim de importar menos e exportar mais, contribuindo para geração de um

superávit na balança comercial, entenderam? Porém, isso é uma medida

protecionista chamada de “desvalorização competitiva”, que o FMI busca impedir

para que os países não prejudiquem um suposto livre funcionamento do mercado

Foi a partir dessa conferência que o Capitalismo foi reconhecido como o

melhor sistema econômico a ser utilizado na contemporaneidade e teve difundidos

os seus conceitos pelo mundo, adquirindo significativas zonas de influência política.

Para estabelecer uma efetiva influência sobre os países da Europa que

foram arrasados pela guerra, os EUA lançaram o Plano Marshall, a fim de

reconstruir o que a guerra havia destruído. Assim, a partir de 1947, a nova potência

do pós-guerra passou a injetar bilhões de dólares no velho continente,

impulsionando a sua reconstrução.

Pois é, amigos, com diz a música, “tudo muda no mundo o tempo todo”.

Se antes da Primeira Guerra Mundial, o nosso “tempo” era influenciado pelo grupo

de cinco potências formadas por Reino Unido, França, Alemanha, Império Austro-

Húngaro e Rússia, a partir da Segunda, não são mais eles que determinam os

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rumos de outras nações. Deste modo, o quadro de forças internacionais, no qual a

Europa reinava soberana, foi dissolvido, dando origem a um “novo reinado”: o dos

Estados Unidos da América.

E foi assim que tudo fluiu para que se consolidasse o sistema capitalista

que temos hoje, caracterizado pelo crescente avanço da Globalização e do poder

das classes empresárias dominantes, ou seja, das multinacionais.

Bem, amigos, agora seria o momento de falarmos das áreas que foram

influenciadas pelo capitalismo. Porém, como o domínio desse sistema foi bastante

extenso, é mais fácil enumerarmos os socialistas do que os capitalistas.

Porém, antes de elencar os países sob a influência comunista,

precisamos saber o que é esse regime? Onde surgiu? O que ele defende e por

quê? Nesse sentido, uma vez que já entendemos a lógica dominante no

capitalismo, certamente será mais fácil compreendermos a doutrina socialista, que

foi constituída para combatê-lo, não é mesmo?

Vamos ver como a Fundação Getúlio Vargas já cobrou a respeito do

capitalismo em prova!

1- (FGV / Professor de Geografia – Campinas 2008)- A expansão financeira

global ocorrida nos últimos anos levou à atual crise do sistema capitalista

iniciada nos Estados Unidos e na Europa. Entre as idéias levantadas para

enfrentá-la, encontram-se as do economista inglês John Maynard Keynes

(1883/1946), que tiveram forte influência para a saída da crise iniciada em

1929.

Assinale a afirmativa que resume uma das idéias básicas do pensamento

keynesiano, aplicável tanto na crise de 29 quanto na crise atual.

a) O Estado deve intervir nos momentos de crise para salvar a economia de

mercado.

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b) O mercado é o único elemento que tem os recursos para enfrentar as crises

cíclicas.

c) O Estado deve punir os grupos financeiros que não honraram seus

compromissos.

d) O mercado é livre e nesse caso as crises são resolvidas pela lógica da oferta e

da procura.

e) O Estado deve utilizar as verbas que seriam gastas com o bem-estar social para

auxiliar os bancos falidos.

COMENTÁRIOS:

A letra A está correta. O pensamento ou doutrina keynesiana é uma

teoria econômica que ganhou destaque no início da década de 1930, quando o

capitalismo, regido por princípios liberais, viveu uma de suas mais graves crises. As

ideias keynesianas surgem apontando, justamente, a importância da intervenção do

Estado na economia.

A letra B está errada. Keynes afirmava que o Estado deveria buscar

formas para se conter o desequilíbrio da economia, portanto, era ele quem possuía

recursos para enfrentar as crises cíclicas.

A letra C está errada. Segundo esta doutrina, dentre outras medidas, era

visto como de fundamental importância que o governo concedesse linhas de crédito

a baixo custo para o setor privado. Dessa forma, a economia se reaqueceria de

modo geral.

A letra D está errada. O pensamento proposto por Keynes transformou

radicalmente o papel do Estado frente à economia, e deixou em total descrédito as

velhas crenças liberais do “laissez faire”, ou seja, não acredita na capacidade do

mercado se autorregular.

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A letra E esta errada. Em nenhum momento, a doutrina Keynesiana

defende a idéia de utilização de verbas que seriam gastas com o bem-estar social

para auxiliar os bancos falidos.

1.2 Socialismo

O sistema socialista pode ser entendido como:

“Um conjunto de teorias socioeconômicas, ideologias e políticas,

que postulam a abolição das desigualdades entre as classes sociais. "

Apesar de ter surgido na França, em contraposição a uma realidade

específica, o socialismo desenvolveu-se para além do seu lugar de origem e foi se

moldando de acordo com as necessidades do local onde era veiculado. Portanto,

muitas configurações desse sistema foram cunhadas para dar vazão a toda

angústia das classes menos favorecidas e, por isso, essas teorias começaram a

ganhar influência, sobretudo, entre estas.

Muito embora existam diferentes linhas socialistas, a base de todas elas

abarcava, como principais símbolos, a defesa da limitação do direito à

propriedade privada e o controle dos principais recursos econômicos pelos

poderes públicos - para, a partir daí, promover a igualdade social, política e

jurídica.

A maior parte dos defensores do socialismo acredita que o seu opositor

capitalismo incita a concentração de riquezas e poder nas mãos de uma minoria.

Segundo eles, toda essa opulência só se mantém às custas da exploração do

trabalho alheio, criando assim uma sociedade injusta e desigual. Portanto, os

críticos do capitalismo sempre ressaltam que esse sistema não oferece

oportunidades iguais para todos, dificultando com que todos maximizem suas

potencialidades.

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Ora, é claro que essas idéias de igualdade foram muito bem aceitas,

principalmente naquelas regiões onde a industrialização era menos desenvolvida e

a pobreza era crescente, como no caso da URSS. Foi nesse país que, após uma

forte crise política e econômica, apareceu a primeira concretização das teorias

socialistas. Nesse sentido, foi no governo de Lênin que a sociedade soviética viveu

a primeira experiência socialista do mundo, materializando conceitos como a

Reforma Agrária e a estatização de bancos e fábricas como principais métodos

para se acabar com as desigualdades sociais existentes.

Até agora nós só temos utilizado o termo socialismo, não é mesmo?

Muitos de vocês devem ter dúvidas a respeito da diferença entre socialismo e

comunismo, não é? Até porque esses dois conceitos são utilizados com muita

frequência como sendo uma coisa só. Todavia, eles não o são!

Como vimos, as ideias socialistas surgiram na França em contraposição

à nova realidade que a Europa vivia com a Revolução Industrial. Já as ideias

comunistas passaram a existir somente após a Revolução Russa. Assim, embora

ambas as teorias caminhem para o mesmo objetivo - luta contra a desigualdade

social -, existem certas diferenças conceituais entre as duas palavras.

O socialismo parte do pressuposto de que os problemas sociais só

existem porque existem desigualdades entre os indivíduos. Como assim? Os meios

de produção são o que diferenciam um individuo do outro e, portanto, a

socialização dos meios de produção resolveria o problema. Por isso, o sistema

socialista visa à extinção da propriedade privada.

Para tanto, o governo se encarregaria de cuidar do cidadão desde seu

nascimento e, posteriormente, esse indivíduo seria obrigado a seguir regras rígidas

e a trabalhar para todos, sempre sob a coordenação do Estado. Deste modo, a

existência do Estado para coordenar a socialização dos meios de produção e

defender os interesses da coletividade ainda é necessária.

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Do mesmo modo, no comunismo também não existem classes sociais e

propriedade privada, mas também não existe a figura do Estado regulador e

protetor do bem comum, e essa é a grande diferença! Como costumam dizer, é

como se o Comunismo fosse uma evolução do socialismo, em que não há mais a

obrigação de existência de um Estado para tomar as decisões políticas, que seriam

assumidas pelo povo. Nenhum país do mundo atingiu essa etapa, pois nenhuma

sociedade moderna nunca foi regida sem um Estado.

A primeira experiência socialista vivida no mundo só foi possível após a

Revolução Russa, ou seja, ela se materializou no momento em que se formulavam

conceitos comunistas, fazendo com que o senso comum tratasse os dois conceitos

como sendo a mesma coisa!

Pessoal, como geralmente é um ponto obscuro, acho bom esclarecermos

aqui que a formação da URSS ocorreu em 1922, portanto, após o socialismo já ter

sido implantado na Rússia. Especialmente nesse país, o sistema foi modificado

através de um movimento revolucionário que resultou na detenção do poder político

por defensores do socialismo.

Assim, a URSS foi formada a partir da junção da antiga Rússia com

várias pequenas nações, o que conferiu um pioneirismo a esse país, que se tornou

o principal e mais forte representante do socialismo no mundo. Apesar dessas

pequenas nações terem aceitado se vincular à Rússia, a grande maioria dos países

que compuseram o bloco socialista tiveram o novo sistema imposto ao final da

Segunda Guerra Mundial.

Após esse episódio, a URSS se fortaleceu e polarizou no cenário

mundial uma ferrenha disputa com os EUA, que também buscava ampliar sua

influência no mundo. Deste modo, enquanto a Europa Ocidental se beneficiava do

Plano Marshall - principalmente Reino Unido, França, Alemanha Ocidental, Bélgica

e Holanda- o socialismo se alastrava pelo Leste europeu. Com exceção da

Iugoslávia, que se insurgiu em 1948, todas as democracias populares dessa região

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foram forçadas a admitir a interferência de Stalin, que não hesitou em usar a força

repressora para ter o controle político e econômico desses países.

E foi por meio de coação e investimentos que a URSS dominou a região

oriental da Europa e deu força política aos partidos stalinistas na Albânia, Bulgária,

Romênia, Hungria, Tchecoslováquia e Polônia. Além desses, temos como símbolos

socialistas a China, Cuba, Laos, Coréia do Norte e Vietnã.

Em novembro de 2009, o mundo comemorou o aniversário de 20 anos

da queda do muro de Berlim, vocês se lembram?

Pois é, pessoal, vinte anos atrás, quando o muro veio abaixo, era claro e

notório o descontentamento popular dentro dos países onde reinava o modelo

socialista. Esse sentimento tinha como origem principal as inúmeras propagandas

que o bloco capitalista fazia de si mesmo como um sistema quase perfeito, com

liberdade e boas condições de vida para todos. E por que estamos falando desse

tal muro agora? Porque a sua queda é o grande símbolo do início das mudanças no

espaço socialista.

Se, outrora, o muro “escondia” as belezas e monstruosidades do mundo

capitalista, após sua queda os habitantes do outro lado puderam conhecer de perto

as inúmeras mudanças pelas quais o mundo havia passado nas duas últimas

décadas em que o muro os isolava.

Assim, em 9 de novembro de 1989, o mundo abandonou a polarização

que viveu durante a Guerra Fria entre comunismo e capitalismo e adentrou numa

nova fase, em que o sistema capitalista era o grande vitorioso.

Porém, pessoal, uma vez em contato com os “mistérios” do mundo

capitalista, muitas pessoas que acreditavam ser possível usufruir apenas do lado

bom desse sistema ou o enxergavam como um modelo de sistema equilibrado,

começaram, em pouco tempo, a sentir os problemas do desemprego, do

desequilíbrio social e da frustração profissional. Com o declínio do stalinismo na ex-

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URSS, houve uma deterioração das condições de vida da grande maioria da

população. Do dia para a noite, a economia socialista, que antes era conduzida e

protegida de forma quase paternalista pelo Estado, foi colocada diante das

turbulências do mercado. Essa exposição teve como principal conseqüência uma

forte instabilidade nas áreas da educação, saúde, habitação e principalmente,

emprego. Além disso, todas as transformações que ocorreram no Leste europeu

fizeram com que o mapa político desse continente fosse modificado em decorrência

do nascimento de um grande número de novos Estados nacionais

Assim, a desintegração da URSS e o fim da política de bipolaridade

trouxe profundas mudanças econômicas para aqueles países que haviam optado

por uma economia planificada. Com a reunificação da Alemanha, novos paradigmas

foram firmados e a mundialização da economia capitalista levou também ao Leste

europeu integração pela interdependência e uma relativa uniformização das

condições de existência das sociedades humanas. Como assim? Empresas

multinacionais foram para o centro da produção material daqueles países, houve

uma mudança na estrutura de produção, distribuição e consumo dos bens e

serviços, etc.

Mas, afinal, o que levou à derrocada do comunismo?

Nos anos 80, a URSS vivia uma situação econômica muito complicada,

em que a população e os movimentos sociais e trabalhistas estavam à beira de um

verdadeiro colapso. Os níveis de produção caiam a cada ano e o desemprego

aumentava cada vez mais – apesar do governo não divulgar. Assim, a qualidade de

vida tornava-se cada vez pior para a maior parte da população. Tanto a falta de

alimentos e produtos básicos quanto a precariedade da prestação de serviços (luz,

água, telefone) atingiram a URSS, evidenciando que algo precisava ser mudado

pelo governo antes que os movimentos sociais ganhassem ainda mais força. Por

isso, as mudanças ocorreram!

Vocês já ouviram falar da glasnost e da perestroika?

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A glasnost (transparência) e a perestroika (restauração da economia)

foram reformas lançadas pelo presidente da URSS Mikhail Gorbatchev em 1985.

Dentre as principais medidas levadas a cabo, destacamos a redução dos gastos

com defesa, o fim do monopólio do partido comunista e maior liberdade de

expressão à população. Tais reformas levaram ao desfacelamento da URSS, sendo

que as repúblicas que a constituíam, juntamente com a Federação Russa,

formaram a CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

“Mas, professores, então quer dizer que o socialismo não mais existe

hoje em dia?”

Ótima pergunta, amigo! Atualmente, existem algumas controvérsias em

como considerar os casos do socialismo de Cuba, China, Coréia do Norte e Vietnã,

por exemplo. É preciso uma análise cuidadosa de cada um deles, por terem

características peculiares, como a indústria do turismo em Cuba ou a existência de

salário e lucro na China.

Mas, afinal, por que precisamos saber que houve essa polarização do

mundo em dois sistemas e que essa disputa se acirrou ainda mais depois da

Segunda Guerra Mundial?

Bem, para compreendermos os conflitos geopolíticos atuais será

fundamental que tudo o que lemos até aqui esteja bem claro para, a partir disso,

compreendermos melhor o cerne das disputas que ainda hoje fazem parte da nossa

realidade. Além disso, há questões em provas onde esses conhecimentos são

exigidos. Vamos dar uma olhada!

2- (Questão adaptada- CESPE)- A geografia política das relações

internacionais foi nitidamente alterada, no século XXI, por uma série de

mudanças nos eixos do poder mundial. Com relação a essas mudanças

podemos afirmar que:

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I) Houve um declínio relativo dos Estados hegemônicos do Atlântico Norte e a

transferência do eixo de poder para países do Pacífico e do Índico.

II) Os países do Atlântico Norte são o grupo formado por Japão, China, Índia e os

Tigres Asiáticos.

III) Com o fim da multipolaridade vivenciada pelo mundo durante o período da

Guerra Fria, houve a possibilidade do surgimento de novos atores com relevância

no cenário internacional.

IV) Apesar de ter auferido grande desenvolvimento, países como a China e o Japão

não conseguem interferir significativamente no mercado mundial.

V) A economia voltada para o aumento das importações foi o modelo adotado pelo

Brasil e outros países da América Latina, que pretendiam ganhar mais mercado em

todo o mundo.

Marque a alternativa:

a) se somente os itens I e II estiverem corretos.

b) se somente os itens III e IV estiverem corretos.

c) se somente os itens II, III e IV estiverem corretos.

d) se somente os itens I, II e IV estiverem corretos.

e) se somente o item I estiver correto.

COMENTÁRIOS

A assertiva I está correta. Houve mesmo um declínio relativo desses

países, já que outros passaram a ter visibilidade no cenário internacional. Assim, há

uma nova tendência das relações internacionais, que é a transferência de poder

dos Estados hegemônicos do Atlântico Norte para os países do Pacífico e do

Índico.

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A assertiva II está errada. Os países do Atlântico Norte são o grupo

formado por EUA e os países europeus, os quais constituíam, durante o período de

Guerra Fria, o bloco capitalista. Já os países do Pacífico que vêm ganhando espaço

no cenário econômico internacional são Japão, China, Índia e os Tigres Asiáticos.

A assertiva III está errada. Foi com o fim da bipolaridade vivenciada

pelo mundo durante o período da Guerra Fria, que instaurou-se uma ordem

multipolar, possibilitando o surgimento de novos atores com relevância no cenário

internacional. Assim, surgiram os blocos regionais, havendo uma fragmentação de

poder no campo econômico.

Ainda nesse contexto, surgiram também os chamados Tigres Asiáticos,

países que implementam um modelo de industrialização voltado para exportações –

Hong Kong, Singapura, Coréia do Sul e Taiwan.

A assertiva IV está errada. Nos últimos anos, pudemos notar uma grande

ascensão da China e da Índia, países dotados de população numerosa e com

elevado potencial exportador. Estes dois países integram o grupo conhecido como

BRIC’s e, além de seu poder econômico, também podem ser considerados

potências militares. O Japão, por sua vez, é também uma das maiores economias

do mundo, sendo um líder mundial no desenvolvimento de tecnologia e pesquisas

científicas.

A assertiva V está errada. Tanto no Brasil, quanto em outros países

latino-americanos, a substituição de importações foi o grande “lema” dos governos,

que se empenharam em propiciar o desenvolvimento de uma industrialização que

pudesse favorecer essa meta.

3- (Questão adaptada- CESPE) - A ONU, criada em um momento bastante

distinto do de hoje, vem sofrendo forte pressão por reforma institucional para

agregar mais legitimidade política ao sistema multilateral de segurança

coletiva. Com base nessa afirmação podemos afirmar que:

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I) A ONU foi criada em 1945, num momento em que havia uma sutil diferença na

ordem internacional se comparado ao que é hoje em dia. Assim, fica difícil entender

o

porquê da necessidade de mudanças no sistema que a rege.

II)

O Conselho de Segurança da ONU é órgão responsável pela manutenção da paz

e

segurança internacionais e possui 15 membros, sendo 5 membros permanentes e

10 membros temporários.

III) Para que a ONU tome uma decisão importante, como o envolvimento em um

conflito internacional, é necessário que pelo menos metade dos seus membros

estejam de acordo.

IV) São membros permanentes da Organização das Nações Unidas EUA, China,

Rússia, França e Reino Unido .

V) A atual estrutura institucional das Nações Unidas reflete, exatamente, seus

ideais de simetria de poder entre os países, deixando visível o direito e a igualdade

de opiniões.

Marque a opção:

a) se somente a afirmativa I estiver correta.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

COMENTÁRIOS:

A assertiva I está errada. Quando a ONU foi criada em 1945, a ordem

internacional era completamente diferente do que é hoje em dia, já que estávamos

acabando de sair de um período turbulento como a Segunda Guerra Mundial.

Assim, toda sua estrutura institucional reflete um cenário ultrapassado e, portanto,

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dá margem e explica os

funcionamento.

pedidos de mudanças em todo o seu sistema de

A assertiva II está correta. Sobre esse órgão, é importante sabermos que

ele possui 15 membros, sendo 5 membros permanentes e 10 membros

temporários, conforme afirma a questão.

A assertiva III está errada. Para que uma decisão importante seja tomada

por esse órgão é preciso que haja quórum de 9 votos, incluindo, necessariamente,

votos afirmativos de todos os seus membros permanentes, que possuem o

chamado “poder de veto”. Assim, se 14 membros do Conselho de Segurança da

ONU votarem a favor de uma questão, mas um membro permanente votar

negativamente, a decisão não será adotada.

A assertiva IV está certa. São membros permanentes da ONU apenas

EUA, China, Rússia, França e Reino Unido.

A assertiva V está errada. Como podemos ver, o que a estrutura

institucional das Nações Unidas reflete, na verdade, é uma forte assimetria de

poder entre os países, deixando visível uma desigualdade de fato. É justamente por

isso que se reclama por uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Objetiva-

se estruturar, dessa forma, um sistema multilateral que evidencie a nova ordem

internacional.

Nesse sentido, há países que pleiteiam um assento permanente no

Conselho de Segurança da ONU, particularmente Alemanha, Japão, Brasil e Índia.

Vejam só que interessante: Japão e Alemanha são duas das maiores economias do

mundo, mas por terem perdido a 2ª Guerra Mundial, ficaram de fora da estrutura do

Conselho de Segurança!

Todavia, apesar dessas intenções, há algumas resistências regionais: o

Paquistão se opõe à entrada da Índia; a Itália se opõe à Alemanha; Argentina e

México se opõem ao Brasil; e China e Coréia do Sul se opõem ao Japão.

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2- PANORAMA POLÍTICO-ECONÔMICO MUNDIAL DO SÉCULO XX.

Iniciado em 1901, o século XX surgiu cheio de expectativas da sociedade

mundial. No século passado, territórios distantes haviam sido colonizados, a fome

vinha diminuindo, as pessoas viviam mais e os conflitos entre as principais nações

da Europa pareciam estar bem perto da extinção. Por essas e outras se esperava

mais desse período do que jamais se havia esperado de qualquer outro. Tanto

havia sido conquistado no século anterior que parecia sensato acreditar que dali em

diante os êxitos do mundo em muito superariam os desastres.

Ledo engano! Foi neste século que a humanidade viu bem diante de

seus olhos a mais real possibilidade de extermínio ao passar por duas guerras

mundiais e se deparar com a temida bomba atômica. Sobretudo a Segunda Guerra

Mundial, que apresentou esse novo ator à cena histórica, assume a característica

de divisor de águas. Isso acontece porque foi a partir dela que surgiram as

principais organizações internacionais e o gérmen para produzir os eventos

econômicos e políticos atuais.

Então, amigos, por tudo isso é preciso ter claro qual foi o rumo que o

mundo tomou no século XX, sobretudo a partir da guerra, para que possamos

compreender a dinâmica dos processos mundiais, ou seja, atualidades. Como foi

que os EUA deixaram de ser um país mediano e se tornaram essa grande potência

econômica? Como conseguiram tanto poder para mandar e desmandar

praticamente no mundo todo como vemos hoje? Por que a palavra final sobre os

assuntos mundiais mais importantes acaba sendo deles? Por que eles decidem

quem pode e quem não pode ter armas nucleares?

Bem, para compreender a maior parte dessas questões que permeiam

nosso cotidiano, precisamos nos lembrar do evento mais importante de toda a

história da humanidade ocorrido no século 20: a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de ter começado como um conflito europeu, ela terminou como

um confronto mundial em que se erigiram dois pólos de poder rivais: EUA x URSS.

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O período posterior à Segunda Guerra Mundial ficou conhecido como Guerra Fria,

tendo durado até o ano de 1989, quando ocorreu a queda do Muro de Berlim.

“Mas professores, calminha ai! Como é que o mundo se polarizou entre

EUA e URSS se antes da guerra todo o poder internacional estava concentrado na

Europa? Vocês não acabaram de dizer que a Europa tinha inúmeras expectativas

pro próximo século? O que houve com essas expectativas?”

Pois bem, apesar de ter sido um conflito mundial, as batalhas em si

ocorreram pelos países da Europa, África e Ásia, ou seja, foram esses países que

tiveram que assumir todo o prejuízo material que a guerra trouxe. Apesar de

envolvido no conflito com tropas, equipamentos e diversos tipos de apoio, os

Estados Unidos desfrutavam de uma posição muito privilegiada, já que a guerra

estava bem distante de seu território e de suas riquezas. Assim, com larga

vantagem sobre os países europeus (ricos até aquele acontecimento), os EUA

consolidaram sua hegemonia no mundo pelo fornecimento de empréstimos para

reconstrução dos que haviam sido destruídos pela guerra.

Após a Segunda Guerra Mundial, a união entre o capital bancário,

sobretudo dos EUA, e a indústria proporcionou uma espetacular expansão

econômica e a dilatação dos mercados em escala mundial. Essa expansão foi

segurada um pouco, em sua proporção e velocidade, exclusivamente pela

existência do regime socialista. Todavia, após sua derrocada, ele deixou o caminho

livre para que o capitalismo conquistasse todas as outras regiões do mundo e se

firmasse como principal sistema econômico.

No contexto de Guerra Fria, a Europa perdeu a condição de centro do

poder internacional, mas continuou sendo o principal cenário de confronto das

superpotências que disputavam a hegemonia mundial. Isso porque o mapa político

da Europa deixava claro a bipartição geopolítica que se configurou durante todo o

período da Guerra Fria, como podemos notar na figura abaixo:

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GERAIS P/ SENADO FEDERAL RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES FONTE: www.bielleite.wordpress.com/2009/11/14/guerra-fria O

FONTE: www.bielleite.wordpress.com/2009/11/14/guerra-fria

O bloco formado pelos países localizados na esquerda do mapa, na cor

azul, são aqueles que se alinharam aos Estados Unidos. Já os que estão na parte

oposta do mapa, na cor vermelha, são os que se aliaram ao bloco soviético. Bem,

afinal de contas, que diferença fazia se um país estava alinhado ao bloco socialista

ou ao bloco capitalista?

A diferença seria “quase” a mesma entre estar na torcida do Brasil ou da

rs)

Risadinhas à parte, pessoal, essa diferença refletia uma enorme rivalidade e

disputa de poder entre os países de um ou de outro bloco e se fazia sentir em todos

os aspectos possíveis da sociedade, fosse o econômico, político, militar ou social.

Argentina numa final de Copa do Mundo! (Não deu pra fugir desse exemplo

Como os EUA era o grande “primo rico” da história toda, ele acabou

tomando frente nos inúmeros acordos e organizações internacionais criados no

pós-guerra, como a OTAN, o FMI, o Banco Mundial etc. Enfim, ele esteve envolvido

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no desenvolvimento de praticamente todas as organizações que estudaremos com

calma em outra aula.

Mas como era o confronto entre os países durante a Guerra Fria?

Bem, amigos, durante a Guerra Fria não havia um confronto direto entre

o bloco capitalista e o bloco socialista! Na verdade, durante esse período, EUA e

URSS disputavam áreas de influência mundo afora e o faziam sem atacar-se

diretamente. Assim, não ocorria uma guerra generalizada, mas “pipocavam”

conflitos ao redor do mundo.

Nessa disputa por áreas de influência, EUA e URSS desencadearam

uma corrida armamentista jamais antes vista, cada um querendo se tornar mais

poderoso que o outro. O arsenal nuclear desses países tornou-se tão grande que

era capaz de destruir o mundo todo por diversas vezes! E aí ninguém queria apertar

o botão primeiro, pois isso precipitaria uma grande catástrofe mundial. Assim, as

armas nucleares se tornaram, de certa forma, responsáveis, pela paz mundial

devido ao seu poder dissuasório. Havia, nesta época, o que Demétrio Magnoli

chama de “equilíbrio do terror”.

Segundo o referido autor, “o equilíbrio do terror evitou a guerra geral,

mas não a ocorrência de guerras indiretas entre as superpotências.” Com

efeito, durante a Guerra Fria ocorreram conflitos no Oriente Médio, África, Ásia e

América Latina, ou seja, ao redor de todo o mundo, no qual se percebe a influência

indireta de EUA e URSS. Falaremos mais sobre esses conflitos em aula posterior!

Durante a Guerra Fria, podemos identificar também um movimento que

se decidiu ficar de fora da “briga” entre as potências hegemônicas dos EUA e

URSS. Foi o que chamamos de “Movimentos dos Países Não-Alinhados”,

iniciativa que congregou dezenas de países, dentre os quais Iugoslávia, Índia e

Egito. Esses países buscavam sustentar uma posição de neutralidade no contexto

da Guerra Fria e trouxeram ao debate internacional questões importantes, tais

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como os problemas do subdesenvolvimento, a pobreza e as relações econômicas

Norte-Sul (desenvolvidos x subdesenvolvidos).

Foi nesse contexto de disputa entre blocos antagônicos que se

desenrolou a expansão do liberalismo e de mundialização das economias. As

empresas tinham cada vez mais necessidade de ampliar seus mercados produtores

e consumidores, o que resultou, em um primeiro momento, na integração de

economias, empresas e mercados e, posteriormente, na globalização.

Pois bem, a expansão geográfica das multinacionais é um dos fatos mais

importantes da economia capitalista, pois funcionou como o germe da globalização

que assistimos hoje. E por quê? Tendo se iniciado ainda no século XIX, o

desenvolvimento e ampliação das multinacionais pelo mundo tiveram continuidade

e sobreforça após a Segunda Guerra. Nesse período, elas se estenderam para toda

Europa Ocidental e Ásia, resultando na concretização daquilo que chamamos de

mundialização da economia capitalista. Até aqui nada de novo, não é?

Porém, essa mundialização da economia apresentou como característica

fundamental uma nova divisão internacional do trabalho. Se antes o mundo estava

divido entre os países produtores de bens industrializados e outros fornecedores de

matéria prima, a globalização modifica completamente essa lógica e clama pela

descentralização das atividades.

Tenho certeza que todos vocês se lembram que, na época colonial, o

Brasil seguia uma lógica muito semelhante à existente antes da globalização. As

colônias forneciam matérias primas para suas metrópoles, como madeira, minerais

e produtos agrícolas, e compravam destas produtos manufaturados. Pois bem,

essa concepção que determinava que alguns países fossem apenas fornecedores

de matéria prima se manteve por muitos anos, ou seja, a antiga divisão era feita por

setores em que os países mais pobres forneciam produtos agrícolas e minerais e

os países desenvolvidos forneciam produtos industriais.

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Bem, é importante entendermos algo fundamental naquele momento:

como era a divisão do trabalho!

Pois então, fornecer matéria prima era uma característica totalmente

vinculada aos países que durante muitos anos foram colônia de países europeus e

hoje são menos desenvolvidos. Justamente por terem tido essa condição de colônia

por séculos, a implementação de indústrias em seu território é um fenômeno muito

recente! Se pensarmos na nossa realidade, nos lembraremos que foi na década de

60, ou seja, a pouco mais de 50 anos, que as grandes indústrias se instalaram no

Brasil. Deste modo, pessoal, o fornecimento de produtos primários era a única

forma que esses países “colonizados” tinham de participar da economia global.

Entretanto, com os investimentos europeus nesses outros territórios,

esse processo de mundialização do mercado, iniciado ainda no século XV com as

grandes navegações, se ampliou e atingiu seu ápice depois da Segunda Guerra. A

partir desse acontecimento, as indústrias multinacionais se propagaram pelos mais

diversos países do mundo, seja por meio de filiais, da realização de fusões com

outras empresas, associações ou mesmo franquias.

Enfim, a mundialização da economia foi a grande responsável pela

criação das bases para a produção industrial em países anteriormente

considerados meros fornecedores de matéria prima, como Brasil, Argentina, Taiwan

ou Indonésia.

Vamos observar o mapa seguinte:

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GERAIS P/ SENADO FEDERAL RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES Fornecedores de matéria prima Fabricantes de produtos

Fornecedores de matéria primaGERAIS P/ SENADO FEDERAL RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES Fabricantes de produtos industrializados Pelo mapa, podemos

Fabricantes de produtos industrializadosVALE E VIRGINIA GUIMARÃES Fornecedores de matéria prima Pelo mapa, podemos perceber que há uma mudança

Pelo mapa, podemos perceber que há uma mudança no papel

desempenhado pela maioria dos países, que passam a assumir funções distintas

das que assumiam antes. Assim, sem deixar de lado o fornecimento de matérias-

primas, os países mais pobres também foram se industrializando. Não, nós não

estamos falando aqui que a divisão internacional do trabalho ocasionou igualdade

entre os países. Muito pelo contrário, o que a nova divisão fez foi proporcionar um

tipo de especialização global na produção. Como assim? Cada país do mundo, seja

lá onde for sua localização, passou a ser responsável pela produção de um

determinado produto ou de partes de um produto, dependendo exclusivamente dos

incentivos oferecidos em cada país às multinacionais.

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Para compreendermos ainda melhor, vamos pensar num carro sendo

fabricado há 65 anos, antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, os

países menos desenvolvidos exportavam as mais diferentes matérias primas e

produtos agrícolas, certo? Em contrapartida, se quisessem um carro teriam que

comprá-lo de países mais desenvolvidos.

Agora pensemos na fabricação de um veículo hoje! Com a nova divisão

internacional do trabalho, vários países em desenvolvimento, como o Brasil e

Argentina, possuem montadoras em seu território. Porém, esses países não

centralizam todas as etapas de fabricação do automóvel como ocorria outrora. Não!

A montagem do automóvel pode ser realizada na Brasil, porém com

componentes oriundos de diferentes países, como parte elétrica e eletrônica de

Taiwan, as borrachas da Indonésia e assim por diante.

Então, amigos, esse seria o melhor retrato da nova Divisão Internacional

do Trabalho: descentralização. Mas vocês podem pensar: não é muito trabalhoso

produzir peças em diferentes lugares do mundo? Não era mais fácil antes quando

se centralizava todo o processo industrial em um único país?

Certamente que sim! Entretanto, era tão prático quanto caro! Nessa nova

lógica de trabalho, as empresas e indústrias se instalam no país que oferece

maiores atrativos, como matéria prima e mão de obra barata, facilidade de

escoamento da produção, infra-estrutura etc. Dessa forma, o custo do produto final

será bem menor e os lucros maiores. Afinal, esse é o maior objetivo do capitalismo,

não é mesmo? O lucro!

Os países emergentes ou em desenvolvimento acabaram tendo uma

industrialização tardia, o que, de certo modo, fragiliza sua economia, deixando-a

mais propícia a crises econômicas. É na tentativa de sanar essa “deficiência”

industrial que a maioria desses países oferece um leque de benefícios e incentivos

para a instalação de indústrias em seu território. Dentre os principais benefícios

concedidos estão a isenção parcial ou total de impostos, mão-de-obra abundante e

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facilidade de empréstimos. Assim, amigos, é inegável que é economicamente mais

viável, portanto mais lucrativo, que um automóvel seja construído em diferentes

partes do mundo e depois montado em seu território.

E

por que é tão importante compreendermos essa Nova Divisão

Internacional do Trabalho?

Em primeiro lugar, é importante porque foi essa modificação das relações

de trabalho que alterou todas as relações comerciais que predominavam até então.

Conforme já dissemos, muitos países subdesenvolvidos, que eram considerados

meros produtores primários, agora se transformam também em exportadores de

produtos industrializados. E isso altera toda a ordem das coisas, pois países que

nunca tiveram a mínima voz ativa em assuntos econômicos internacionais

passam a ser ouvidos agora em importantes foros internacionais, como é o

caso do G-20.

Pessoal, como vimos, é um fato que as relações de trabalho ficaram bem

diferentes em vários aspectos, mas vamos com calma! Apesar de toda modificação

apresentada na configuração econômica mundial, os países da América Latina,

Ásia e África ainda ocupam destaque na produção de produtos primários. Assim, é

absolutamente incomparável o grau de industrialização entre os países que até

poucas décadas eram meros fornecedores de matéria prima com aqueles que

convivem com a industrialização desde o século XIX. Isso ocorre por dois motivos.

Primeiro, porque grande parte das companhias e indústrias existentes nos países

menos desenvolvidos é oriunda de nações desenvolvidas e ricas, para onde enviam

a maior parte dos lucros adquiridos durante o ano. Segundo, porque essa

industrialização, na grande maioria das vezes, teve um custo social muito grande

para os países que assumiram sérios compromissos em nome do desenvolvimento

industrial.

Pois bem, amigos, nós falamos bastante sobre esse processo de

mundialização da economia e da mudança da divisão internacional do trabalho. No

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entanto, é preciso termos em mente que todo esse processo se aprofundou ainda

mais com o fim da Guerra Fria.

Ao final da Guerra Fria, surge uma nova ordem internacional, marcada

pela globalização e pela multipolaridade. Os EUA, embora tenham uma enorme

supremacia no campo militar, têm seu hegemonia limitada devido à existência de

vários pólos de poder econômico.

Vamos enumerar a seguir algumas idéias importantes sobre como se

articula a nova ordem internacional:

1)- A União Européia é um bloco econômico que congrega boa parte dos

países da Europa e que atingiu um elevado estágio de integração. Possui um

elevado poder econômico, negociando em conjunto no campo do comércio

internacional. No campo militar todavia, ainda não foi possível definir uma política

de segurança comum, o que limita um pouco sua voz no cenário internacional.

2)- O grupo dos BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China) desponta como um

novo pólo de poder econômico mundial. Esses países são dotados de grandes

riquezas naturais, população numerosa e território extenso.

3)- A China é, atualmente, um “gigante” no comércio internacional, sendo

atualmente o principal exportador mundial. Em 2009, o valor total de suas

exportações chegou a U$1,2 trilhões. Ainda sobre a China, ela possui, atualmente,

o

3º maior PIB mundial (U$4,9 trilhões), só perdendo para os EUA (U$14,3 trilhões)

e

Japão (U$5,1 trilhões). No campo militar, todavia, a China, embora detenha armas

nucleares, é tão somente uma potência regional.

4)- O Japão é, nas palavras de Demétrio Magnoli, um “gigante

econômico, mas um anão geopolítico”. Isso porque, embora seja a 2ª economia do

mundo, é dependente no campo energético e, no campo militar, não possui armas

nucleares.

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5)- A Rússia não tem mais o poder econômico do período da Guerra Fria.

Todavia, é ainda muito respeitada no campo militar e em termos estratégicos. Tem

como principal renda as exportações de petróleo e gás natural e seu arsenal

nuclear é considerável, herdado do período da Guerra Fria. Não podemos nos

esquecer de que a Rússia é membro permanente do Conselho de Segurança da

ONU.

6)- A Índia é um país com características semelhantes à China, com

grande potencial exportador e com uma população extremamente numerosa. No

campo militar, é dotada de armas nucleares, o que a coloca numa posição de

potência regional.

7)- O Brasil é uma liderança regional na América do Sul e um grande

exportador mundial de produtos agrícolas. Possui riquezas naturais significativas e

busca aumentar sua participação no cenário internacional, fazendo-se presente nas

negociações multilaterais sobre os mais variados temas: meio ambiente, comércio

internacional, questões nucleares. Um dos objetivos mais significativos de sua

política externa é alcançar a condição de membro permanente do Conselho de

Segurança da ONU.

Pronto! Agora nós já temos uma noção de como está estruturada a nova

ordem internacional. Com efeito, ela não foi construída da noite para o dia! Muito

pelo contrário, ela foi se estruturando aos poucos. É aí que chamamos sua atenção

para aquilo que ficou conhecido por Consenso de Washington!

O Consenso de Washington teve como finalidade original definir políticas

públicas necessárias para o desenvolvimento da América Latina. Todavia, ele

representou muito mais do que isso, tendo sido o grande criador das reformas

neoliberais, políticas e econômicas que regem a nova ordem mundial.

Mas o que foi o Consenso de Washington?

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O Consenso de Washington foi um conjunto de medidas econômicas de

ideologia liberal consideradas como necessárias para dar impulsão ao

desenvolvimento econômico. Assim, o Consenso de Washington pregava:

Diminuição dos gastos públicos,

Privatização das estatais

Afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas

Abertura comercial

Reforma tributária

Disciplina fiscal

Câmbio e Juros de mercado

Seguindo o Consenso de Washington, os países que quisessem dinheiro

emprestado do FMI, tinham que se submeter às regras impostas, as quais geravam

polêmica, por colocar o social em segundo plano. Países como Brasil, México e

Argentina tiveram que se submeter a tais programas justamente devido às

exigências do FMI para a concessão de empréstimos.

Dentre tantas exigências que se estabeleceram a partir do Consenso de

Washington, uma coisa deve ficar muito claro pra todos nós: se quisessem

conseguir empréstimos, os países teriam que mudar suas regras e condutas

internas e externas.

Mas afinal, como esses conhecimentos podem ser cobrados em prova?

Vejamos um exemplo de questão sobre este assunto logo abaixo:

4- (Questão adaptada - CESPE) “Apesar da ampliação dos mercados, a

globalização da economia e o crescimento dos fluxos de mercadorias

reafirmam a desuniformidade do espaço terrestre e dão visibilidade à sua

heterogeneidade e à sua diversificação pela ação das sociedades que o

modelam.” (Iná E. Castro. Geografia política, território, escalas de ação e

instituições. Bertrand Brasil, 2006, p. 234.)

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Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os assuntos por

ele suscitados, julgue os seguintes itens.

I- Em função da busca da competitividade e da heterogeneidade do espaço, as

empresas se dirigem para locais onde haja mão-de-obra qualificada e barata e

infraestrutura adequada.

II- O atual estágio do capitalismo, marcado pela globalização, tem como uma de

suas características a internacionalização da produção.

III- A reforma do Estado, condição das organizações financeiras para concessão de

empréstimos internacionais, é um processo ligado às idéias neoliberalistas, que

buscam atribuir um novo papel ao Estado.

IV – Dentre as exigências feitas pelo FMI para conceder empréstimo aos países

está a ampliação da autonomia do Estado e a garantia do crescimento econômico

por meio da centralização da tomada de decisão.

V- Para a inserção de países como o Brasil, o México e a Argentina na nova

realidade econômica mundial, as organizações financeiras internacionais exigiram a

autonomia do Estado.

Estão corretas as assertivas:

a) I e II

b) I, II, e III

c) II, IV e V

d) IV e V

e) todas estão corretas

COMENTÁRIOS:

O item I está correto. As grandes empresas buscam se instalar em outros

países, preferencialmente naqueles em que a mão-de-obra seja mais barata, com o

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objetivo de aumentar a competitividade, conseguindo uma significativa redução de

custos. É claro que a mão-de-obra é mais barata nos países em desenvolvimento

e, justamente por isso, podemos dizer que eles são hoje um grande atrativo à

instalação de empresas multinacionais.

O item II está correto. O atual estágio do capitalismo é marcado pela

globalização e tem como uma de suas características a internacionalização da

produção como vimos na questão acima. O surgimento e expansão de

multinacionais e transnacionais, e um exemplo de empresas que não ficam restritas

em sua atuação ao país de sua nacionalidade.

O item III está correto. Em contraposição ao intervencionismo, o que os

neoliberalistas pregavam era um Estado mínimo, sem influência direta na

economia. Vocês se lembram das inúmeras privatizações ocorridas no Brasil na

década de 90? Pois bem, elas estavam diretamente ligadas a essa ideia de retirar

das mãos do Estado empresas com grande capacidade econômico-financeira.

Portanto, a reforma do Estado foi uma exigência para a plena inserção desses

países na realidade econômica mundial e, inclusive, para a concessão de

empréstimos por instituições financeiras internacionais.

O item IV está errado. Essa assertiva esta errada pelo simples fato de ter

dito que ampliação da autonomia do Estado estava entre as principais exigências

do FMI para concessão de empréstimos.

O item V está errado. As exigências feitas nunca visaram aumentar a

autonomia do Estado, mas sim reduzí-la, descentralizando também a tomada de

decisões.

5- (FGV / Professor de Geografia – Campinas 2008)- O sistema econômico

mundial manifesta-se pelos intensos fluxos de bens, de serviços, de capitais e

de pessoas. Entre os principais agentes desse sistema não se incluem:

a) As organizações ilícitas que participam dos fluxos monetários internacionais.

b) As organizações internacionais que fiscalizam os fluxos comerciais e financeiros.

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c) Os Estados nacionais que permitem a liberação das trocas comerciais

internacionais.

d) Os grupos financeiros que operam segundo as regulamentações restritivas

internacionais.

e) As empresas transnacionais que distribuem suas unidades produtivas em

diferentes países.

COMENTÁRIOS:

A letra A está correta. Por mais que tenhamos a tendência de achar que,

por serem ilícitas, essas organizações não participariam no fluxo monetário

internacional, elas participam sim. Com efeito, o crime organizado e o tráfico

internacional de drogas movimentam grandes quantias por todo o mundo.

A letra B está correta. É fato que o sistema econômico mundial tem

seus fluxos fiscalizados por algumas organizações internacionais, as quais

participam, portanto, como agentes desse sistema.

A letra C está correta. Ao permitirem a liberação das trocas comerciais

internacionais, os Estados também atuam como agente do sistema financeiro

internacional.

A letra D está errada. Como a própria assertiva afirma, os grupos

financeiros funcionam segundo regulamentações restritivas internacionais, não se

configurando, portanto, em agentes do sistema econômico mundial.

A letra E está correta. Ao distribuir filiais produtivas em diferentes países,

as empresas transnacionais contribuem significativamente para o fluxo internacional

financeiro, já que há constantes remessas de lucros ao país de origem da empresa.

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6- (CESPE/ Delegado da PF- 2004- adaptada) Nos últimos 13 anos, a América

Latina cumpriu grande parte de suas tarefas econômicas. Mesmo assim, a

desigualdade e a pobreza aumentaram na região. O diagnóstico é da

Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que propõe

para a região uma nova estratégia de desenvolvimento produtivo. Para o

secretário executivo do órgão das Nações Unidas, a maior integração da

região foi um ganho dos últimos anos. Sua aposta para reduzir a forte

desigualdade que ainda existe é a união decrescimento econômico com

proteção social. Ele propôs a substituição do conceito de mais mercado e

menos Estado por uma visão que aponta para “mercados que funcionem bem

e governos de melhor qualidade”. América Latina cresceu sem dividir. In:

Jornal do Brasil, 25/6/2004, p. 19A (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do

tema por ele abordado, julgue os itens subseqüentes.

I Ao relatar que os países latino-americanos cumpriram “grande parte de suas

tarefas econômicas” nos últimos anos, o texto permite supor a existência de algum

tipo de receituário que a região deveria seguir para se modernizar e se desenvolver.

II No período aludido pelo texto, ainda que possa ter ostentado números positivos

de

crescimento econômico, a América Latina fracassou quanto aos índices sociais,

de

modo a não conseguir romper com a histórica concentração de renda, matriz da

enorme desigualdade existente na região.

III Ao propor uma nova estratégia de desenvolvimento produtivo para a região, a

CEPAL implicitamente reconhece os equívocos da política econômica que, de

maneira praticamente generalizada, a América Latina adotou especialmente na

última década do século passado.

IV O Brasil foi uma exceção no cenário latino-americano retratado pelo texto.

Particularmente nos dois períodos governamentais de Fernando Henrique Cardoso,

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o país optou por um modelo autônomo de desenvolvimento que prescindia da

inserção internacional de sua economia.

V É provável ter sido o Chile o exemplo mais notório — e dramático — de fracasso

da adoção da política econômica preconizada pelo neoliberalismo: além de ter

crescimento quase nulo, o país sucumbiu ante a dimensão de uma crise social sem

precedentes em sua história.

VI A expressão “mais mercado e menos Estado”, citada no texto, traduz à perfeição

o espírito que norteou a trajetória econômica do mundo pós-Segunda Guerra e caiu

em desuso ao final do século XX, fustigada pelo ideário nascido do chamado

Consenso de Washington.

VII O esforço integracionista verificado na América Latina contemporânea, que o

texto reconhece, tem no Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) constituído por

Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — um de seus mais expressivos símbolos,

apesar das indiscutíveis dificuldades para a sua efetiva consolidação

Marque a alternativa:

a) se todos os itens estiverem corretos.

b) se todos os itens estiverem errados.

c) se somente os itens I, II, III e VII estiverem corretos.

d) se somente os itens I, II e IV estiverem corretos.

e) se somente o item I estiver correto.

COMENTÁRIOS:

A primeira assertiva está correta. Ao ponderar sobre as tarefas

econômicas exigidas dos países latino-americanos, a questão aborda diretamente

as exigências que são feitas pelos organismos internacionais para conceder

créditos, como FMI e BIRD. Esses organismos financiam a dívida desses países,

porém interferem em suas políticas econômicas, independente das conseqüências

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sociais que suas exigências possam causar. Dentre estas, podemos citar as

privatizações e os cortes dos gastos do governo com assistência social.

A segunda assertiva está correta. O texto aborda exatamente o período

relativo ao início do neoliberalismo, que com suas políticas de privatizações, acabou

gerando milhares de demissões, o que influenciou o prosseguimento da

desigualdade social e da concentração de renda nessas regiões.

A terceira assertiva está correta. Primeiramente, seria interessante saber

o significado de CEPAL, não é mesmo? Afinal de contas, ela não é um organismo

internacional tão reconhecido como o FMI ou BIRD. Pois bem, a Comissão

Econômica para a América Latina e o Caribe, assim como a grande maioria das

organizações internacionais, foi criada pouco tempo depois do fim da Segunda

Guerra Mundial, em 1948.

Essa comissão tinha como objetivo principal incentivar a cooperação

econômica entre os seus membros e à medida que novas políticas surgiam, essa

comissão se moldava às novas necessidades da realidade econômica mundial. A

princípio, ela se propunha a formular teorias e políticas econômicas que levassem

em conta as peculiaridades de cada região, ou seja, ela possuía uma proposta

política diferente da que era adotada pelos países centrais.

Pois bem, a política formulada pela CEPAL para a América Latina,

resultante das idéias neoliberais do Consenso de Washington, não deu muito certo.

A maior prova disso é que não houve diminuição da concentração de renda e os

índices sociais continuaram demasiadamente baixos na região. Por isso, quando o

texto fala em nova estratégia de desenvolvimento produtivo, a referência que se faz

é à tentativa de modificar as políticas econômicas para a região, que não foram

bem-sucedidos. Faz-se mister desenvolver uma estratégia de crescimento

econômico que venha acompanhada de melhoria nas condições de vida da

população. Dessa forma, ao reconhecer a necessidade de formulação de novas

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políticas econômicas para a América, a CEPAL reconhece implicitamente seus

erros.

A quarta assertiva está errada. O seu grande erro está em afirmar que o

presidente Fernando Henrique Cardoso escolheu um modelo autônomo de

desenvolvimento, diferente dos outros países da America Latina. Se forçarmos um

pouco nossa memória, nos lembraremos das privatizações ocorridas durante o

governo do referido presidente. E, como já lembramos aqui, as privatizações era

uma das principais exigências do FMI. Portanto, os dois mandatos de FHC se

caracterizaram pelo cumprimento de exigências que demonstravam a dependência

do Estado brasileiro em relação aos organismos internacionais e não autonomia,

como sugere a questão.

A quinta assertiva está errada. Ao contrário do que ela afirma, o Chile

apresentou bons desempenhos econômicos com a política neoliberal. Além disso, o

exemplo mais notório de fracasso dessa política foi a Argentina, nos governos de

Carlos Menem. Nesse período, o presidente passou o controle de setores

específicos de bens e serviços básicos às mãos de investidores estrangeiros. A

mineração, eletricidade, gás, água, transporte e comunicações, enfim, a maior

parcela da geração de riqueza da Argentina foi privatizada, deixando a economia

do país com crescimento quase nulo. Ainda hoje, pode-se verificar que a Argentina

apresenta graves problemas econômicos, sociais e políticos.

A sexta assertiva está errada. Aqui mais uma vez é importante que

estejamos antenados com o Consenso de Washington, que resultou na criação de

políticas neoliberais. E o que mesmo pregavam essas políticas? Privatizações,

cortes de gastos com setores sociais e busca incessante por novos mercados, ou

seja, “mais mercado e menos estado”.

A sétima assertiva está correta. Mais à frente abordaremos com calma

sobre o MERCOSUL. Porém, não custa nada adiantar que ele é mesmo composto

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por Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, os quais buscam promover um maior

intercâmbio comercial, unidade alfandegária e fronteira livre.

2.1- DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO NO SÉCULO XX

Bem, pessoal, não é possível entender o século XX sem falar no

antagonismo de realidades que parece ter ficado ainda mais explícito no mundo

globalizado! Se antes da globalização, grande parte da população dos países ricos

não tinha muita idéia de como era a realidade num país subdesenvolvido, hoje isso

não é verdade. Nós já falamos em vários momentos de países desenvolvidos,

países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Mas, afinal, o que determina que

classifiquemos cada país em um patamar diferente? Pierre Salama possui uma

definição sobre este assunto, que vale a pena lermos cuidadosamente, na qual ele

afirma:

“O subdesenvolvimento não pode ser explicado por si mesmo.

Qualquer tentativa de estudo do subdesenvolvimento sob um prisma

automático, separado da evolução da economia mundial, das necessidades

dos seus centros dominantes, está destinada a fracasso porque afasta o

problema essencial: o da gênese do subdesenvolvimento.”

Em outras palavras, o conceito de subdesenvolvido só existe se

pensarmos no seu opositor. O mesmo acontece quando pensamos o que é a

escuridão! A idéia de escuridão só existe em razão de conhecermos o que é a

claridade, não é mesmo? Da mesma forma, o conceito de subdesenvolvimento só

existe diante do conceito de desenvolvimento! Mas será que estamos certos de

que sabemos identificar o que é um e o que é outro? Vamos ver! Observemos as

figuras que seguem:

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GERAIS P/ SENADO FEDERAL RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO Figura
GERAIS P/ SENADO FEDERAL RICARDO VALE E VIRGINIA GUIMARÃES Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO Figura

Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO

E VIRGINIA GUIMARÃES Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO Figura 2- PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO 42
E VIRGINIA GUIMARÃES Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO Figura 2- PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO 42

Figura 2- PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO

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Exclusão, precariedade e pobreza aparecem sempre em oposição às

oportunidades, à fartura e ao desenvolvimento, não é mesmo? Bem, o fato é que

quando observamos certas situações que são muito mais comuns num tipo do que

no outro, imediatamente, associamos a realidade vista com a de um país

desenvolvido e um subdesenvolvido. Mas, afinal, como classificamos esses países?

O que determina, formalmente, que eles sejam enquadrados como um ou outro

tipo?

Mais uma vez, vamos ter que lembrar daqueles mapinhas que vimos

anteriormente sobre os fornecedores de matéria prima! Geralmente, são

considerados países em desenvolvimento aqueles que outrora foram colônia ou

dependentes de outros. Com um desenvolvimento econômico débil, se comparado

ao de países capitalistas altamente industrializados, eles ainda estão engatinhando

para, quem sabe no futuro, andarem lado a lado com as grandes potências

mundiais.

Apesar desse contínuo esforço para se desenvolverem, a destruição e

desestabilização gerada pela constante exploração do sistema colonial nesses

países ainda apresenta profundas marcas econômicas e sociais. São vários os

fatores que caracterizam um país como subdesenvolvido, mas duas palavras

sempre estarão presentes: deficiência e dependência.

Deficiência de redes de transportes, meios de comunicação, tecnologia,

conhecimento científico, de empregos e indústrias são marcas de países

subdesenvolvidos. Do mesmo modo, também são indicativos de

subdesenvolvimento a dependência econômica, política e cultural em relação às

nações desenvolvidas, o crescimento populacional elevado, a baixa expectativa de

vida e a elevada taxa de natalidade e mortalidade infantil.

Na contramão dessa lógica, os países mais ricos do mundo- os

desenvolvidos - apresentam uma estrutura industrial completa, produzindo todos os

tipos de bens. Aqueles países que no nosso mapa tinha setas vermelhas,além das

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indústrias, são marcados pela eficiência e desenvolvimento da agropecuária, dos

conhecimentos científicos e tecnológicos, dos meios de transporte e comunicação

etc. Pois é, amigos, ao contrário dos países subdesenvolvidos, estes outros têm

sucesso com seu sistema político-econômico capitalista.

A tendência de mostrar essa nova realidade social mundial como uma

divisão simplista entre pobres e ricos pode servir como uma nova camuflagem para

esconder as contradições que estão na base da sociedade capitalista, uma vez que

capitalismo e exclusão são conceitos diferentes, mas que definem uma realidade

interligada. O primeiro conceito assinala as características atuais do processo de

desenvolvimento do mundo; o segundo, sua conseqüência mais aparente e

imediata.

Um mundo cada vez mais unificado economicamente não significa

necessariamente um mundo mais igualitário ou empenhado na resolução de

problemas básicos. Assim, pessoal, temos como uma importante característica do

estágio atual do capitalismo o fato de sua expansão estar diretamente ligada ao

crescimento de empresas privadas internacionais – verdadeiras detentoras do

poder econômico, político e militar atualmente. Outra "novidade" é que a

modernização tecnológica acarretou inúmeros impactos sobre os sistemas

produtivos, os serviços e os meios de comunicação, tornando-os mais eficientes e

dinâmicos, como a internet. Quando falamos de novidade, temos a tendência de

pensar em alguma coisa boa, não é? Ledo engano! No nosso caso, a “novidade”

vem acompanhada de coisas boas, mas também apresenta alguns efeitos

negativos.

Ocorre que tamanha integração de economias atrela uma à outra de tal

forma que o resvalo em uma pode significar grande abalo em outra. Isso porque

com o desenvolvimento dos meios de comunicação sabemos tudo praticamente em

tempo real.

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3 - CRISES MUNDIAIS

3.1- QUEBRA DA BOLSA DE NOVA YORK EM 1929

O ano de 1929 pode ser considerado o marco de uma das maiores crises