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Núcleos de preenchimento

Diversos materiais vêem sendo utilizados na confecção de núcleos de


preenchimentos ao longo dos anos devido à necessidade de reconstrução da
anatomia e recondicionamento do tecido para receber próteses e pinos. Os
principais usados são os amálgamas, os Ionômeros de vidro, os Ionômeros de
vidro modificados por resina e as resinas compostas. Outras materiais mais novos
ainda necessitam estudos como os núcleos pré-fabricados de fibra de vidro e
zircônia.
Com o estudo da literatura e a experiência clinica empírica, muitos
pesquisadores chegaram a conclusão de que quando o remanescente dental tem
hígido menos do que ½ da sua coroa, devemos fazer o uso de núcleos de
preenchimento e pinos, principalmente se for um paciente com hábitos
parafuncionais como o bruxismo. Já o núcleo de preenchimento pode ser feito em
qualquer situação onde se quer o restabelecimento da anatomia e função perdida
de modo que o remanescente possa proporcionar resistência e retenção
adequadas para receber uma prótese ou restauração. Morgano e Brackett (1999)
citaram quais seriam as propriedades desejadas de um material de preenchimento
que incluem adequada resistência para resistir aos esforços mastigatórios,
suficiente força flexural, biocompatibilidade, resistência à infiltração de fluidos orais
para a interface dente-núcleo, facilidade de manipulação, adesão com o
remanescente dental, coeficiente de expansão térmica e contração similar à
estrutura dental, estabilidade dimensional, mínimo potencial para absorção de
água e inibição da doença cárie. Analisando as características citadas acima,
podemos ver que o material de preenchimento prefeito ainda não existe, mas,
alguns materiais possuem características mais favoráveis e outros menos
favoráveis para serem usados como núcleo de preenchimento.
A grande maioria dos profissionais opta por usar as resinas compostas
como material de preenchimento devido às suas propriedades estéticas, facilidade
de manipulação, boa resistência e baixa solubilidade. Toda resina usada como
material de preenchimento deveria ser radiopaca, ter em sua composição uma
grande porcentagem de carga para conferir resistência e ser pigmentada para
mostar o tamanho e limites do preenchimento. Como principais limitações das
resinas podemos citar a contração de polimerização, expansão higroscópica e a
formação de bolhas e falhas no momento de sua inserção. Outro ponto importante
é a incompatibilidade das resinas com os cimentos de óxido de zinco e eugenol
que são amplamente utilizados em dentes tratados endodonticamente. Outros
materiais são utilizados para preenchimento como os amálgamas, que vêem
caindo em desuso devido às suas limitações e dificuldade para uso com essa
finalidade, os cimentos de ionômero de vidro puros e os modificados por resinas,
que são excelentes materiais para preenchimento mas devem ser utilizados com
cautela e somente em áreas de pouco esforço mastigatório, pois não possuem
uma resistência muito grande. Um estudo feito por Pilo R et al (2002) mostrou que
não existem muitas diferenças na fratura e falhas quando comparou-se resinas
com ouro e amálgama. Por outro lado, o cimento de ionômero de vidro mostrou
ser fraco para suportar forças de tensão e compressão e no estudo de Millstein PL
(1991) mostrou não ter resistência à fratura para ser um material de preechimento,
portanto, deve-se usar com cautela e em áreas de pouco ou nenhum esforço
mastigatório. Mannocci F et al (2005) fez um estudo comparando dentes com
lesão de classe II restaurados com amálgama e pinos de fibra + compósitos
mostrando resultados de 5 anos. Como conclusão o autor viu que o pino +
compósito foi mais eficiente em evitar fraturas no dente, enquanto o amálgama foi
mais eficiente evitando cáries secundárias.
Uma opção interessante de material foi relatada por Mcardle BF (2000) no
JADA, onde ele diz usar uma resina flow, devido a sua viscosidade e fluidez, para
preencher os espaços entre os pinos e o dente, com isso, consegue-se uma
estrutura com pouco ou nenhum espaço entre o dente e o pino. Além de conseguir
uma melhor resistência devido à ausência de espaços vazios também é
conseguida uma melhor adaptação da resina de preenchimento. Ainda nas
pesquisas sobre resinas do tipo flow, mas dando ênfase à adesividade, que é o
assunto mais pesquisado quando falamos de núcleos de preenchimento, Ferrari M
et al (2006) investigou a força de adesão de 2 resinas para preenchimento, uma
flow e uma densa, somadas à 3 tipos diferentes de adesivos. A conclusão foi que
o tipo da resina não influencia a adesão com o pino ou com a dentina. Por outro
lado, o adesivo tem influência direta sobre a força de adesão com o pino e a
dentina. Salameh Z et al (2006) estudando a adesão resina-pino com diferentes
tipos de resinas usadas para preenchimento, chegou a conclusão de que resinas
de polimerização dual são mais indicadas na confecção desses núcleos. A resina
MultiCore flow obteve melhores resultados do que as resinas Filtek Flow, Tetric
Ceram, e Filtek Z250. Sendo que a Tetric Flow obteve resultados bem melhores
do que a Filtek Z-250. Aksornmuang J et al (2006) estudou forças de adesão de
uma resina dual sobre a superfície de de um pino de fibra de quartzo. Nos
resultados pode-se observar que o grupo que era silanizado obteve os melhores
resultados e que a aplicação de adesivo no pino aumentou significativamente a
adesão quando comparado com o grupo controle, sendo que nas porções mais
apicais do pino a resistência era diminuída, fato que não aconteceu com o grupo
sinalizado. Wrbas KT et al (2006) afirma que a força de adesão entre o material de
preenchimento resinoso e o pino de fibra é diretamente influenciado pelo desenho
do pino e pela própria resina. A combinação de materiais de preenchimento com o
tipo do pino em fibra tem uma grande influência na força de tensão adesiva desta
interface. Outras opiniões são encontradas na literatura como Sadek FT et al
(2007) que como conclusão do seu estudo sobre força de adesão de diferentes
compósitos usados como núcleo de preenchimento ao redor de pinos de fibra, diz
que resinas modificadas para preenchimentos e resinas híbridas são melhores do
que resinas flow para se fazer um núcleo de preenchimento. E, todos os grupos
tiveram resultados semelhantes com exceção do grupo das resinas flow que
obtiveram resultados bem inferiores, sendo que todos adaptaram bem ao pino e
todos mostraram pequenos espaços não preenchidos quando analisados no
microscópio eletrônico. Por outro lado, Monticelli F (2005) comparou 11 marcas e
tipos de resinas: Z100, Light-Core, Lumiglass, Gradia Direct, Build-It!, Tetric
Ceram, Biscore self-curing, Unifil Flow, Definite Flow, Tetric Flow e AEliteFlo. Os
espécimes foram seccionados e por meio da análise das bolhas e falhas nos
compósitos em microscópio eletrônico, gerou-se um score. As resinas do tipo flow
geraram a melhor integridade e adaptação ao redor do pino.
Uma pesquisa interessante foi feita por Tachibana K el al (2004), onde foi
avaliado o stress de contração gerado pela técnica incremental de polimerização
em vários tipos diferentes de resinas usadas para preenchimento. Como
resultado, o autor observou que o tipo da resina e o modo em que era feito o
incremento tem influência direta sobre o stress de contração das resinas.
Construções incrementais, com resinas de baixo modo de elasticidade, não
reduziram a intensidade do stress de contração quando comparadas com técnicas
de incremento único.
Chutinan S et al (2004) em sua pesquisa sobre mudanças de dimensão
volumétrica em 6 diferentes materiais para núcleo de preenchimento pode ver que
todos os materiais exibiram mudanças dimensionais. O Ketac-Silver foi o que
apresentou o maior encolhimento em óleo de silicone e o Fuji II LC foi o que
apresentou a maior expansão em água destilada. Os materiais à base de
ionômero de vidro mostraram uma maior diferença na expansão e contração
quando comparados com os materiais resinosos.
Referências

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