Você está na página 1de 11

Sumário

Capítulo A
O EMPREENDIMENTO
1 – Introdução..............................................................................................................................11
2 – Definição da Tecnologia.........................................................................................................12
3 – Estudo de Viabilidade . ..........................................................................................................14
4 – Tomada de Decisão e Aprovação...........................................................................................19
5 – Definição das Fontes de Recursos e sua Disponibilidade.....................................................20

Capítulo B
O Gerenciamento e o Gerente
1 – Introdução..............................................................................................................................23
2 – Conceituação de Gerenciamento...........................................................................................23
3 – Níveis de Gerenciamento.......................................................................................................24
4 – O Gerente - Perfil...................................................................................................................27
5 – Funções e Responsabilidades...............................................................................................30
6 – O Gerente – Da Empresa ou de Terceiros.............................................................................31

Capítulo C
O Proprietário – Tomando Decisões
1 – Introdução..............................................................................................................................39
2 – O Proprietário – Sua Posição e Funções...............................................................................39
3 – Dando Prosseguimento – O Que Fazer?...............................................................................42
4 – Dando Prosseguimento – Como Fazer?................................................................................43
5 – Dando Prosseguimento – Com Quem Fazer?......................................................................46
6 – A Que Preço?.........................................................................................................................48

Capítulo D....................................................................................................................................59
Planejamento do Empreendimento
1 – Introdução..............................................................................................................................59
2 – Objetivo do Planejamento......................................................................................................60
3 – Atividades Básicas do Planejamento.....................................................................................61
4 – Planejamento Preliminar – Diretrizes.....................................................................................62
5 – Procedimentos Administrativos..............................................................................................64
6 – Procedimentos Técnicos........................................................................................................74
7 – Procedimentos Operacionais...............................................................................................102
8 – Gestão de Documentos........................................................................................................113
9 – Livro do Empreendimento....................................................................................................116

Capítulo E
Custos e Preço do Empreendimento
1 – Introdução............................................................................................................................137
2 – Definições.............................................................................................................................137
3 – Objetivos das Estimativas....................................................................................................138
4 – Tipos de Estimativas e Orçamentos.....................................................................................139
5 – Níveis de Precisão...............................................................................................................140
6 – Planejamento dos Trabalhos................................................................................................141
Capítulo F
GARANTIA DE QUALIDADE
1 – Histórico...............................................................................................................................171
2 – Sumário da ANSI 45.2 (USA) para Usinas Nucleares..........................................................172
3 – Aplicação em Outras Atividades...........................................................................................176
4 – Norma Internacional ISO 9000.............................................................................................177
5 – ECE – Garantia de Qualidade..............................................................................................178

Capítulo G
PROJETO EXECUTIVO DETALHADO
1 – Gerenciamento Inicial...........................................................................................................181
2 – Gerenciamento do Projeto Executivo...................................................................................185
3 – Controle de Quantitativos.....................................................................................................203
4 – Desvios nos Projetos............................................................................................................205
Apêndice ao Capítulo G – Processamento por computador......................................................212

Capítulo H
SUPRIMENTOS
1 – Introdução............................................................................................................................243
2 – Definição de Responsabilidades..........................................................................................243
3 – Equipe de Gerenciamento de Suprimentos.........................................................................244
4 – Plano de Compras................................................................................................................245
5 – Início de Atividades..............................................................................................................245
6 – Requisições – RQ................................................................................................................247
7 – Coletas de Preços – CP.......................................................................................................248
8 – Diligenciamento, Inspeção e Testes.....................................................................................252
9 – Métodos de Controle............................................................................................................255
Anexo A – Instruções aos Proponentes.....................................................................................257
Anexo B – Condições Gerais de Fornecimento.........................................................................259
Anexo C – Procedimentos de Cobrança....................................................................................267
Anexo D – Requisitos de Inspeção............................................................................................270

Capitulo J
LICITAÇÕES E CONTRATOS
1 – Introdução............................................................................................................................297
2 – Área Privada e Governo.......................................................................................................298
3 – Premissas – Carta-Convite ou Edital ..................................................................................300
4 – Ato Legal - Observação .......................................................................................................300
5 – Edital (AG) ou Carta-Convite (AP).......................................................................................301
Anexo I – Condições Gerais do Contrato...................................................................................306

Capítulo K
CONSTRUÇÃO E MONTAGEM
1 – Introdução............................................................................................................................335
2 – Ação das Empreiteiras.........................................................................................................336
3 – Estrutura Organizacional do Gerenciamento da Supervisão da Construção (GSC)............337
4 – Início das Atividades.............................................................................................................338
5 – Funções e Responsabilidades da Equipe............................................................................342
6 – Término do Gerenciamento ECE.........................................................................................365
Capítulo A

O EMPREENDIMENTO

1 – Introdução

Empreendimento (Project). Este termo, que não devemos confundir com o termo “projeto”,
que em nossa língua, profissionalmente, define os documentos (desenhos e especificações) do
Empreendimento, será empregado neste livro como sendo tudo o que se relaciona com a concre-
tização física de um ou vários edifícios, com seus equipamentos operacionais e suas instalações
auxiliares de qualquer tipo, para qualquer objetivo ou finalidade. Estão incluídos no termo EM­­­PRE­
EN­­DIMENTO inclusive a propriedade que os recebe e os acabamentos que nela são implantados,
como pavimentação, paisagismo, etc. Sintetizando:

TERRENO + EDIFICAÇÕES + EQUIPAMENTOS = EMPREENDIMENTO

As atividades desenvolvidas por uma pessoa ou um grupo delas com o fito de chegar à reali-
zação de um Empreendimento são o que denominaremos como atividades de Gerenciamento do
Empreendimento, objetivo e escopo deste livro.
Empreender é qualquer ato de realizar fisicamente alguma coisa que se deseja pôr em prática
para um determinado fim.
Neste trabalho, o “Empreender” vamos subentender como realizar qualquer Empreendimento
e sua implantação, no sentido de edificações de qualquer grandeza e complexidade, cuja realização
deva ser feita sob uma qualidade apropriada, num prazo determinado, a um custo previsto, além de
outras características específicas.
Uma vez fixado qual o objetivo, teremos definido o Empreendimento.
No sentido de fornecer o máximo de informações ao leitor, as quais possa utilizar em sua tota-
lidade ou parcialmente, a seu critério, iremos ao longo deste trabalho apresentar as características
e ações para o gerenciamento de um Empreendimento de grande complexidade, tal como side-
rúrgicas, refinarias, indústrias químicas ou petroquí­micas, papel, cimento, laboratórios espaciais,
complexos de abastecimento, ferrovias, estradas e obras de arte, shoppings, hospitais, usinas hidro
ou termoelétricas, mineração, aeroportos, etc.
Os Empreendimentos podem ser pequenos, médios ou grandes no seu porte, tanto em custo
como em complexidade, e os mesmos podem ser classificados da seguinte forma:
Pequenos até US$15 milhões.
Médios até US$100 milhões.
Grandes acima de US$100 milhões.
12 Sylvio Pessoa

A classificação acima pode ser bastante relativa em face da complexidade do Empreendimento


(tecnologia) e não do volume da construção civil simplesmente.
Quanto maior a complexidade tecnológica do Empreendimento, maior a necessidade de serem
observados os procedimentos de um gerenciamento formal, desde o início, durante as fases de estudo
de viabilidade, projeto básico, projeto executivo, licitações, contratações e construção.

2 – Definição da Tecnologia
Naturalmente, quando se pensa nos aspectos tecnológicos do Empreendimento, já passamos
pelos seguintes fatores e já os definimos de forma adequada:
* Disponibilidade de dinheiro;
* Prazo do retorno do investimento;
* Taxa de retorno;
* Qual o produto que se vai produzir;
* Qual a área do terreno necessária;
* Importação ou uso de produtos nacionais;
* Qual a embalagem a usar;
* Características do Empreendimento;
* Restrições ao Empreendimento;
* Patentes a vencer;
* Mão-de-obra especializada;
* Se a demanda é maior que a produção atual do mercado.
A tecnologia a ser desenvolvida está sempre ligada aos aspectos de pesquisa e desenvolvimento,
de engenharia e também de gerenciamento de marketing.
Nem o presidente de uma empresa, ou seus auxiliares imediatos, estão aptos a definir o problema.
Normalmente, dois métodos poderão ser usados como efetiva coordenação do assunto:
* Um comitê de especialistas é indicado, ou
* Um novo departamento é estabelecido para assumir a responsabilidade da tecnologia a ser apli-
cada no Empreendimento.
Antes da implantação de qualquer um destes órgãos é necessário definir claramente sua auto-
ridade, responsabilidade e atribuição de suas funções, bem como a quem se reportar para a decisão
final.
A pesquisa da tecnologia envolve o conhecimento do mercado de equipamentos nacionais e de
eventuais importadores nacionais.
Outras informações poderão ser obtidas de órgãos de comércio nacionais ou estrangeiros, ou
mesmo de empresas de consultoria que detenham a tecnologia e detalhes de seu processo.
A escolha deve passar sempre pelos estágios seguintes:
Capítulo B

O Gerenciamento e o Gerente

1 – Introdução

O gerenciamento foi introduzido nos trabalhos dos homens como meio de maximizar a produ-
tividade total do trabalho, propriedade e capital.
O gerenciamento moderno é um produto que teve origem na década de 1920, mas foi mais
desenvolvido no meio ambiente fértil da década de 1970.
Obviamente, tudo o que se fala aqui sobre gerenciamento estará definitivamente relacionado a
empreendimentos – não a aspectos gerenciais de empresas, de mercados, finanças, produção ou outros
aspectos administrativos – e tão-somente a atividades dirigidas para empreendimentos físicos e sua
implantação, desde a sua concepção até a fase de conclusão para suas finalidades operacionais.
Gerenciar é pensar e agir adequadamente, no tempo certo, com a finalidade de uma qualidade
específica, a um custo pré-planejado.
Inicialmente, começou-se a desenvolver o gerenciamento científico, em seguida, nos anos 30-40,
cresceram os estudos sobre uma melhor organização e administração do trabalho, foram desenvol-
vidos os aspectos das relações industriais, começando a aparecer e se desenvolver nos anos 50 o
interesse pela teoria da decisão comportamental, em discussão até os dias de hoje.
As atividades de gerenciamento dependem de muita tecnologia e criatividade associadas, in-
gredientes que só a experiência de pessoal altamente qualificado pode dosar.
A aplicação criativa de princípios científicos e administrativos no desenvolvimento de estru-
turas e acabamentos, máquinas, instrumentos ou processos de produção e construção ou trabalhos,
utilizando-os em separado ou em combinação, construí-los ou operá-los com o completo conheci-
mento de seus projetos e especificações, ou programar suas limitações sob específicas condições de
operação, a segurança da vida e da propriedade são as metas do gerenciamento como um todo.
Resumidamente, no item a seguir procuramos, de alguma forma, identificar as atividades prin-
cipais desenvolvidas em gerenciamento de empreendimentos.

2 – Conceituação de Gerenciamento

2.1 – Gerenciamento Moderno


Gerenciamento é a realização de uma atividade pessoal ou um conjunto delas, relacionadas
entre si, com outra pessoa, um grupo de pessoas ou até com diversas entidades intervenientes, com
o objetivo final de fazer com que a execução de um Empreendimento determinado venha a ser
uma realidade, segundo as características planejadas e programadas. Dentre essas atividades, para
24 Sylvio Pessoa

identificar alguns exemplos, podemos citar:


* Definir objetivos.
* Concluir sobre sua viabilidade.
* Definir e aprovar procedimentos administrativos e de arquivo.
* Definir políticas de contratações.
* Definir procedimentos de comunicação.
* Acompanhar desenvolvimento dos projetos e aprová-los.
* Definir custos e mantê-los.
* Aprovar e acompanhar planejamento e controles.
* Definir e aprovar níveis de garantia de qualidade.
* Elaborar, licitar, administrando os contratos.
* Escolher e obter informações adequadas de consultores especializados.
* Acompanhar resultados de testes de controles tecnológicos e de performance de materiais e
equipamentos.
* Acompanhar o desenvolvimento de suprimentos e aprová-los.
* Acompanhar desenvolvimento da obra, aprová-la e recebê-la.
* Acompanhar desenvolvimento de treinamento e o início da operação (start-up).
* Dar garantias de sigilo quanto aos dados e detalhes do Empreendimento ao Proprietário.

2.2 – Explicitação
Quando se informa a alguém que se vai gerenciar um projeto, poderá eventualmente entender
que vai se desenvolver atividades de elaboração explícita do projeto: cálculos, desenhos, especi-
ficações, etc.
Entretanto, não é bem isso, gerenciar (segundo nosso Aurélio) “é o que ou quem gera (ou rege)
ou administra negócios, bens ou serviços”.
Gerenciar, portanto, é fazer com que alguém faça ou exerça alguma coisa necessária à conclusão
do Empreendimento. Sua necessidade principal se caracteriza pelo fato de o Proprie­tário ter uma
maior certeza de que o seu Empreendimento virá a se concretizar de forma a ter a qualidade que
esperava no tempo certo, ao preço previsto.
O gerente e sua equipe, que exercem o gerenciamento do Empreendimento, não assumem
responsabilidades financeiras, nem de custos de execução, mas assumem principalmente uma
responsabilidade ética e moral. Na verdade a necessidade do gerente é melhor identificada quando
ele não existe.

3 – Níveis de Gerenciamento
3.1 – Aplicação
O gerenciamento aplica-se, proporcionalmente, a qualquer tipo de Empreendimento, mesmo
até as atividades de ir à feira fazer compras.
Aplica-se gerenciamento a qualquer somatória de decisões e ações em direção a concretizar,
física e operacionalmente, um Empreendimento. Seja ele de relativa ou grande complexidade, de
pouco custo ou envolvendo muitos milhões de dólares, a ser realizado em poucos meses ou ao
Capítulo D

PLANEJAMENTO DO EMPREENDIMENTO

1 – Introdução

Neste capítulo abordaremos os diversos assuntos principais que nos levarão a entender a situ-
ação do planejamento no contexto geral do gerenciamento de Empreendimentos – sua validade,
contribuição e identificação das atividades necessárias para alcançar os objetivos estabelecidos.

Na maioria das grandes organizações internacionais de consultoria e engenharia, os serviços


abaixo relacionados fazem parte das atividades de planejamento:

* Planejamento e programações detalhadas e seu controle de desenvolvimento;


* Estimativas de custos e atividades de controle de custos em todas as fases do Empreendimento;
* Avaliações de resultados e informações ao Gerente do Empreendimento, traduzindo-as em rela-
tórios específicos;
* Licitações e Contratos, segundo programação prévia de Cartas-Convite e assessorando o Pro-
prietário, Gerente do Empreendimento e empresas de construção nos contratos específicos pela
preparação de documentos das licitações, julgamento de propostas e preparação dos diversos
contratos, com assessoria do Departamento Jurídico da ECE;
* Arquivo Principal de Documentos do Empreendimento.
Entretanto, o Autor, apesar de concordar plenamente com o acima exposto, julgou por melhor
separar os aspectos de custos, licitações e contratos em capítulos à parte para melhor exposição dos
assuntos, sem estender em demasia o capítulo sobre planejamento.
O planejamento é o principal instrumento de trabalho do Gerente do Empreendimento, face suas
responsabilidades para com o Proprietário. O setor de planejamento é os olhos, pernas, bra­­­­ços e
ouvidos do Gerente do Empreendimento, retendo este a capacidade de análise e ações con­­­­­­­se­qüentes.
Abrange todas as áreas do Empreendimento e em todas elas deverá estar presente.
Se o planejamento estiver errado, falho, superficial ou não condizente com a realidade, com toda
certeza os problemas surgirão. Somente com um planejamento sério, adequado, com um sistema
integrado, com uma perfeita verificação dos detalhes, em todos os seus aspectos, absolutamente
corretos, obedecendo todos os dados das diretrizes originais é que o Gerente do Empreendimento
poderá ter sucesso. Senão, será o caos.
60 Sylvio Pessoa

2 – Objetivo do Planejamento

2.1 – Generalidades
A elaboração do escopo do Empreendimento, em todas suas particularidades e dados, em forma
de síntese, é recomendada antes do início dos trabalhos do planejamento geral, a fim de termos o
objetivo plenamente delineado.
Este documento (Scop of Work), que conterá os dados e informações principais sobre o Em­
preendimento, incluindo a síntese do estudo de viabilidade e do projeto básico, é de grande valor
como forma de comunicação junto às organizações envolvidas no Empreendimento, bem como a
fonte de controle de eventuais modificações. Poderá inclusive caracterizar os diversos en­­vol­­vidos
fornecendo, nomes, endereços, telefones, fax, responsáveis e, naturalmente, a carac­te­­rização dos
limites de suas responsabilidades e obrigações, que são discutidas nas fases de contratos.
Os anexos deste capítulo, bem definem as prováveis atividades básicas a serem gerenciadas,
bem como o seu inter-relacionamento.
O gerenciamento, para bem funcionar, necessita de uma boa infra-estrutura técnico-adminis-
trativa, com procedimentos aprovados por todas as partes envolvidas, bem como uma gestão de
documentos que serão elaborados e manuseados por um centro de arquivo e informações, com
técnicas específicas, a fim de que todos saibam tudo o que for necessário saber, cada um em seu
próprio nível.

2.2 – O Processo do Planejamento


Somente através de objetivos definidos é que são determinadas as atividades necessárias con-
cernentes.
O planejamento é o trabalho de determinar e especificar objetivos, políticas, programas, inter-
relacionamento organizacional administrativo, procedimentos, tempos, atividades, diretrizes e
instrumentos de controle, arquivo e distribuição de informações.
O planejamento divide-se em três principais tipos de atividades: administrativas, técnicas e
operacionais. A administrativa está ligada com a determinação de bases de ação, em período de
tempo, para a organização e seus vários elementos.
No Empreendimento, em geral, a fase administrativa tem uma duração bem maior que a ope­­­
racional, alongando-se, às vezes, muito mais tempo que as outras atividades, até sua conclusão.
Como a precisão da previsão do planejamento tende a variar inversamente com o espaço de
tempo coberto pelo Empreendimento, o plano administrativo tem que ser estabelecido em termos
gerais e passíveis de modificações se houver alterações de condições.

2.3 – Planejamento Eficaz


Planejamento eficaz está ligado com a determinação de bases de ação para a realização de
projetos específicos ou de Empreendimentos completos.
Planos eficazes detalhados, que suportam planos administrativos, podem ser desenvolvidos
por grupos de assessores que são especialistas em fases particulares de uma ação requerida. Como
exemplo, um plano de comunicações internas entre as pessoas envolvidas.
É natural que um planejamento envolva um trabalho mental. Um executivo que está de má
vontade ou incapaz de realizar este tipo de trabalho não pode preencher satisfatoriamente suas
funções.
Capítulo E
CUSTOS E PREÇO DO EMPREENDIMENTO

1– Introdução
O assunto é muito complexo e é uma das mais importantes fases do planejamento geral e o Autor
recomenda fortemente que as pessoas ligadas aos aspectos de custos sejam pessoas familiarizadas,
também, com aspectos de planejamento, trabalhando nessa mesma equipe de planejamento.
Mais ainda, o pessoal de custos, estimativas ou orçamentos, seja trabalhando nos escritórios
ou na área de construção, deve estar integrado na mesma empresa que desenvolve ou desenvolveu
o detalhamento dos projetos do Empreendimento, em razão de que no caminhar de suas ativida-
des necessitará com certeza estar sempre a par do que ocorre com detalhamento ou alterações dos
projetos.
Uma estimativa ou um orçamento completo funciona como sinais de uma estrada a ser per-
corrida, rota a ser corrigida quando houver desvios, e estabelecendo as metas finais dos recursos a
serem aplicados ao longo do Empreendimento.
Os trabalhos de definição de estimativas ou orçamentos completos são como uma via que se
desenvolve progressivamente face às suas características, tendo um início, desenvolvimento e meta
final.
Se for uma rota, necessita de controle constante e sendo uma atividade bem manuseada serve
como boa ferramenta para o desenvolvimento econômico dos projetos e do gerenciamento como
um todo.
O custo destas atividades para o Proprietário varia entre 0,2 a 0,8% do valor total do Empre-
endimento.

2 – Definições
Para melhor compreendermos do que estamos falando, necessário se torna definir algumas
expressões utilizadas, tais como:
* Valor: Importância monetária com a qual podemos adquirir equipamentos, materiais ou
serviços a custos e preço, negociados e ajustados.
* Custo: É a acumulação de valores diversos, representando materiais diversos, mão-de-obra,
equipamentos de produção, ferramentas, etc., sem, entretanto incluir as despesas indiretas ou
lucros. É o que podemos chamar de “Preço de custo”.
* Preço: Quando a uma unidade de custo são adicionados despesas indiretas e lucro, é consi-
derado um “Preço unitário”. O preço unitário pode ser um “Preço de venda” quando envolve
valores monetários.
* Estimativa ou uma avaliação: É quando temos um valor ou preço, representando uma
somatória de itens (preços), elaborada para composição de um “ponto de partida”, composto
138 Sylvio Pessoa

de análises comparativas quanto à capacidade, potência, etc., se se tratar de equipamento ou


tomando como referência índices de custos informados em revistas especializadas por técnicos
supervisores ou analistas de valores já incorridos em outros Empreendimentos. Informações
que poderão ser obtidas em revistas americanas como a Engineering News Record, Chemical
Engineering, ou nacionais como a revista Construção, da Editora Pini, entre outras.
* Orçamento: É uma estimativa composta de um conjunto de valores, considerados como
preços, envolvendo despesas indiretas, lucros e contingências globais.
* Despesas indiretas: Conjunto de valores normalmente incluídos nos orçamentos do
Empreendimento, mas que não pertencem aos custos diretos do mesmo. Pertencem ao grupo
de despesas indiretas os custos das atividades de engenharia (ECE), estudo de viabilidade,
projeto básico, consultorias, maquetes, projeto piloto, canteiro de obras e pessoal administrativo
e operacional de almoxarifados, manutenção de equipamentos de obras, transportes, viagens,
estadias, impostos, seguros, comunicações, impressos temporários, relatórios, despesas finan-
ceiras para obtenção de recursos, condução, fiscalização do cliente, etc. que serão, a critério
do Proprietário, rateados no orçamento geral do Empreendimento.
* Despesas Diretas: Conjunto de valores compostos de preços de terrenos (inclusive lega-
lização), equipamentos de processo ou não, material permanente de montagem ou construção,
mão-de-obra para execução, acrescidos nos seus custos das despesas indiretas e lucros.
* Contingência: Valor incluído nos orçamentos, para cobertura de itens que eventualmente
tenham sido esquecidos, ou reclamações pertinentes das Empreiteiras (Imprevistos).
* Lucro: Ganho legítimo da Empreiteira ou fornecedor deve ser real e compatível com o
capital da empresa. Em média, é da ordem de 10%. (Benefício).
* BDI: Benefício e Despesas Indiretas.
Em geral da ordem de 25% a 45% incide sobre os custos das despesas diretas, conforme as
características da empresa fornecedora ou Empreiteira e tipo de trabalho.
* Capital de Giro: Quantia monetária que o Proprietário deve tornar sempre disponível,
segundo um cronograma de desembolso que propicia uma programação de caixa para prover
os recursos necessários nos meses onde os pagamentos vão ocorrer.

3 – Objetivos das Estimativas


A fim de permitir uma documentação explícita do preço do Empreendimento e a incorporação
das unidades de capital de forma comprovada ao patrimônio da empresa, conforme exigências le-
gais, é implantado um sistema de estimativas e orçamentos criteriosamente elaborados através de
um sistema operacional progressivo desde o início dos acontecimentos (Ordem de Grandeza), até
o final da execução do Empreendimento, através do gerenciamento do último orçamento elaborado
(Orçamento Legal).
O objetivo formal do gerenciamento de valores imputáveis ao Empreendimento é seguir a
regra áurea de obter-se o Empreendimento na qualidade desejada, pelo menor preço, no tempo
planejado.
Outro objetivo de se ter o controle monetário do Empreendimento é o de podermos ter um valor
determinado para cada conta e centro de apuração de valores.
As estimativas e/ou orçamentos de valores representam instrumentos imprescindíveis de apoio
às decisões, qualquer que seja a fase de implantação do Empreendimento.
Seu objetivo genérico é o de prever, com relativa precisão, o preço do Empreendimento ou
qualquer parte dele.
Dentre as finalidades das estimativas para as quais são utilizadas, podemos citar: