Caminhos e Verdades

Leonel Bartoski

Caminhos e Verdades – Leonel Bartoski

- Prefácio .....................................................................................................................3 Capítulo I – (eu) - Parte I – Eu ...............................................................................................................4 - Parte II – Viajantes ...................................................................................................8 - Parte III - Meu universo interior ...............................................................................12 - Parte IV - Minhas verdades, meu caminho, minha vida ..........................................15 - Parte V - O diálogo (quantas vezes?) (por que?) ...................................................19 - Parte VI - Eu e o outro (me colocar no lugar do outro) ...........................................22 Capítulo II – (meu Pai e sua criação) - Parte I - Deus ou meu Pai? .....................................................................................26 - Parte II - O universo ................................................................................................30 - Parte III - Teu filho, Tua criação ..............................................................................33 - Parte IV - O carinho de meu Pai, o diálogo com meu Pai .......................................37 - Parte V - Eu e a natureza ........................................................................................41 - Parte VI - A perfeição ..............................................................................................45 - Parte VII - A divindade ............................................................................................49 Capítulo III – (energia, pensamento e valores) - Parte I - Energia e pensamento .............................................................................53 - Parte II - A boa vida ...............................................................................................56 - Parte III - O peso que carrego ...............................................................................60 - Parte IV - Minhas dores, minhas mágoas .............................................................64 - Parte V - Valores, meus valores, valores que importo, valores que importam, valores impostos ......................................................................................................67 Capítulo IV – (sentimentos) - Parte I - O egoísmo, o individualismo ...................................................................70 - Parte II - O escudo ................................................................................................72 - Parte III - As belezas do dia a dia, a beleza da vida ...........................................75 - Parte IV - Alegrias e prazeres ..............................................................................77 - Parte V - Meus desejos ........................................................................................81 - Parte VI - Perdoar e perdoar-se ...........................................................................83 - Parte VII- O amor .................................................................................................86 Capítulo V – (o caminho e o caminhar) - Parte I - O ontem ainda hoje ................................................................................89 - Parte II - O hoje ...................................................................................................92

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- Parte III - O amanhã ............................................................................................95 - Parte IV - O silêncio .............................................................................................98 - Parte V – Ouvir ...................................................................................................102 - Parte VI – Lamentações .....................................................................................105 - Parte VII - Minha paz ..........................................................................................108 - Parte VIII - O despertar, a libertação ..................................................................111 - Parte IX - A solução ...........................................................................................115 Capítulo VI – livre-arbítrio - Parte I - O bem e o mal ......................................................................................118 - Parte II - O ato de doar .......................................................................................121 - Parte III - O certo e o errado (fazer o certo sempre) ..........................................125 - Parte IV - O auxílio como forma de minimizar minhas dores .............................128 - Parte V - Culpado ou Inocente? .........................................................................131 - Parte VI – Nossos erros e os erros dos demais ................................................135 - Parte VII - As disputas diárias e a contaminação que sofremos no dia a dia ...137 Capítulo VII – (um novo dia) - Parte I - A suavidade ..........................................................................................139 - Parte II - Generosidade e Justiça ........................................................................142 - Parte III – Paraíso ...............................................................................................144 - Parte IV - Fazer ao outro como gostaríamos que nos fosse feito .......................147 - Parte V - Meu amigo, meu coração .....................................................................150 - Parte VI - Caminhar com os olhos fechados .......................................................152 - Parte VII - Meu irmão, o sol, minha irmã, a lua, minhas irmãs, as estrelas ........155 - Parte VIII - Somos tantos, Somos um ……………………………………………...157 - Parte IX - Fazer, por que fazer? ...........................................................................159

- Epílogo .................................................................................................................161

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Prefácio Em determinado ponto, iniciamos nossa história e seguiremos adiante até atingirmos um determinado objetivo e também é verdade que a cada dia que vivemos, escrevemos uma página de nossa história. Passados muitos dias, nos acomodamos na poltrona para ler o somatório de páginas que até então escrevemos. Percebemos nestas páginas a presença de dificuldades, de alegrias, amigos, familiares, de emoções e também de algumas frustrações. Do início da jornada até o ponto atual, passamos por muitos caminhos e caminhos mais ou menos difíceis e realizamos estas jornadas muitas vezes ao lado de outros seres e em outros momentos estivemos sozinhos. Olho adiante e procuro imaginar quais caminhos estarei percorrendo amanhã? Procuro imaginar quais são as minhas opções; se elas existem. Procuro imaginar uma forma de ter ao meu lado, sempre e somente, pessoas que me auxiliem em minhas experiências de vida. Ainda em meu momento de reflexão, inevitavelmente comparo minha caminhada com a jornada de outras pessoas e percebo algumas semelhanças e diferenças entre experiências vividas. Que razão faz com que estas jornadas sejam diferentes em alguns pontos e em outros sejam iguais? Tenho caminhado há algum tempo, meus pés manifestam a dificuldade da jornada, apresentando as marcas do esforço realizado. Por alguns momentos sinto-me cansado das exigências a que sou exposto ao longo desta experiência; de modo automático deixo-me conduzir ao campo de minhas emoções e ao lado de minhas emoções percebo outro campo, o campo de minhas verdades. Percebo que iniciei minha jornada trazendo comigo verdades e estas me mostravam um mundo a minha volta e ao mesmo tempo em meu interior. Com o avanço da caminhada, minhas verdades, meus valores modificaram-se e com a mudança também o mundo exterior modificou-se. Para melhor ou para pior? Existem realmente dois mundos, o de ontem e o de hoje? E se existem dois mundos, podem existir outros mais? Se minhas verdades modificaram-se do ontem até aqui, como elas estarão amanhã? Sinto que necessito prosseguir em minha caminhada, mas enfim, qual a razão desta jornada e onde a mesma me conduzirá?

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Capítulo I – Parte I - Eu Eu sei, eu sinto, eu acho, eu estou, eu sou, tenho um nome, tenho um documento de identidade, tenho um lar, tenho uma família, seja ela do modo tradicional de compreensão de família ou não; mas, enfim, quem sou eu? Onde começa o meu eu e onde termina este ser? Será que conheço este ser, este indivíduo? De que partes ele é composto? De onde vem e para onde irá? Estamos inseridos numa sociedade que busca novas descobertas dia a dia. A ciência avança, viagens à lua foram realizadas, viagens a Marte são estudadas, os átomos são quebrados, novas energias são encontradas, doenças e curas surgem. É comum ao ser humano buscar fatos e situações além de analisarmos situações conflituosas em locais distantes do mundo. Analisamos, julgamos, emitimos nosso parecer, formamos nossa opinião a cada dia, mas ... e o meu ser? Observamos a nossa volta e notamos os fatos que ali estão, mas neste ato, não olhamos para o ser que está no centro do círculo de observação, não olhamos para o nosso próprio ser; deixamos de existir enquanto objeto de avaliação. Um ser que nasceu e antes disso, passou alguns meses no ventre de uma amável senhora ..., pequeninos, frágeis, indefesos, carentes de atenção e cuidados. Nossos corpos se desenvolvem, nossas emoções e verdades modificam-se com o crescimento, a fase de brincadeiras aos poucos deixa de existir, não vemos a hora de sermos adultos, de podermos fazer coisas de adultos, os namoros, descobertas vêm e ficam para trás e mantendo-se em nossa memória. E com o avanço do tempo somos chamados as nossas necessidades evolutivas. Dificuldades surgem, frustrações, medos, pressões, a vida torna-se mais exigente e de dificuldade em dificuldade, seguimos adiante, o tempo passa, nossos corpos dão sinais da passagem do tempo, seguimos adiante por anos e anos, mas ... o que sou eu? Ao longo de nossa jornada encontramos e analisamos muitas pessoas, procuramos compreender, julgamos muitas vezes, mas neste tempo todo, quantos foram os momentos dedicados a alguém muito importante em nossas vidas, o nosso eu? Minhas verdades. Não aprecio determinada cor ou determinada situação ou determinado odor. Quando sento para tomar meu café, sento-me sempre em determinado lugar e sempre com a mesma xícara. E os anos vão passando, o hoje como o ontem e o amanhã como o hoje. Nas férias viajamos para este ou aquele lugar; nos feriados, fazemos aquele prato específico, assistimos aos mesmos programas na televisão.

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Não importa a idade que tenhamos, existe em nós um aspecto de sermos sempre crianças em busca de conhecimento, descobrindo novas verdades dia a dia. Devemos deixar que este lado manifeste-se ao longo de toda a jornada que empreendemos. E nesta jornada é importante que façamos paradas para reflexão, para nos avaliar, para avaliar a situação que vivemos naquele momento, para avaliar nossa condição. Meu eu é composto de um corpo físico, de pensamentos, de sentimentos, de um espírito, alma ou energia, seja como nós a chamemos. Estamos situados num mundo composto de muitas diferenças e semelhanças, de muitos interesses individuais e coletivos, estamos situados em meio a muitos outros seres iguais a nós em concepção, mas diferentes em suas próprias existências, em suas experiências, e cada indivíduo é um universo a ser descoberto. Estamos envolvidos por uma massa de pensamentos e sentimentos que nos são impostos diariamente sem trégua e por vários meios. Somos conduzidos, verdades nos são mostradas, vendidas diariamente. Neste turbilhão, somos levados como se estivéssemos caídos num riacho cujas águas nos conduzem correnteza abaixo. Chorar, sorrir, caminhar na contramão, almoçar no café da manhã e tomar o café da manhã no jantar, descobrir nossas verdades, viver nossas verdades, fazer o que nossa mente diz o que deve ser feito. Fazer o que nosso coração diz que devemos fazer, sem nos deixar levar por verdades de outros, verdades da sociedade de interesses. Estas palavras não vêm no sentido de pregar o contra, mas vêm afirmando que necessitamos viver nossas verdades, caminhar por nossas próprias pernas, nos questionar. Devemos caminhar conscientes do fato que cairemos ao longo da jornada, que iremos nos ferir e ferir pessoas ao nosso lado, erraremos muitas vezes, choraremos muitas vezes e que muitas vezes desejaríamos ter tomado outro caminho, mas apesar destas dificuldades, devemos viver nossas verdades e nossas experiências e crescer com estas experiências. O eu, nosso eu interior é às vezes algo ou alguém difícil de encontrar, se esconde bem no fundo de nosso ser. Para chegar até este indivíduo, necessitamos percorrer o caminho interior e este caminho é difícil; podemos encontrar situações desconfortáveis, mas necessitamos nos descobrir, pois somente assim atingiremos o patamar da libertação, conseguiremos respirar com um sentimento de dever cumprido, com liberdade. Acima de minha cabeça existe um céu, algumas vezes belo, outras vezes nebuloso e ameaçador, mas o “ser” céu está lá. Sob meus pés um solo que do mesmo modo pode ser belo ou ameaçador, fértil ou estéril, mas acima disso um “ser” que tem vida própria. Ao meu redor, existem as plantas, as florestas, os rios, os mares e todos os seres que compartilham e compõem esta realidade. O ser que está em mim, o ser

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que sou, faz parte deste contexto, é influenciado, modificado por estes seres ao mesmo tempo em que modifica a cada um deles e a todos eles. Que ser sou eu que sou capaz de modificar tantos outros seres e ao mesmo tempo ser modificado por eles? Como conhecer meus limites, minha capacidade de transformação? Como me situo neste universo de seres que interagem com intensidade? Quem sou eu? O que sou eu? Sou liberto ou vivo em condição de escravidão? Quem é ou quem são meus captores, se existirem? Sou um ser capaz de tanto amor, capaz de aquecer até o mais frio dos invernos e corações, posso mover montanhas e transformar o deserto em um lindo campo florido; consigo cultivar em meu coração as mais belas flores, posso ofertar a todos meus irmãos uma bela flor, mas também posso provocar muita dor, consigo levar luz à mais escura das noites ou transformo o dia na mais escura das noites. Sou um ser capaz de doar muito e perceber que quanto mais doo, mais recebo; ou sou alguém capaz de extrair todo o possível de cada um dos seres que estão ao meu redor, sem nada ofertar em troca, ou sou capaz de negar sempre e uma vez mais quando alguém vem a mim em busca de auxílio. Que ser sou eu? Sou um ser que caminha, e caminha, e caminha, e trabalha, e luta, mas para onde caminho? Onde o caminho que percorro me conduzirá? Se interrompo por alguns instantes minha caminhada e olho à frente, que horizonte vejo? Quando olho meu interior, o que percebo? Quando olho para o baú onde guardo meus valores, minhas riquezas, que riquezas percebo? Quando me faço perguntas, que perguntas me faço e/ou que respostas obtenho? Eu, um indivíduo importante; a este indivíduo confio a construção da residência que habitarei amanhã; a este indivíduo, confio o mundo que habitarei amanhã, a este individuo confio o planejamento da caminhada que farei amanhã, seja esta caminhada por um caminho de espinhos ou por um caminho florido, este indivíduo construirá o céu a formar-se sobre minha cabeça amanhã. Este indivíduo, como o tenho tratado? Como é meu relacionamento com ele? Quantas vezes encontro-me com este ser? Quantas vezes paramos para trocar idéias, pensamentos? Que verdades este ser tem me ofertado? Tenho buscado este ser? É importante que cada um descubra a si próprio, sua realidade e suas verdades. É importante que cada ser descubra seu caminho, um melhor caminho, que cada ser percorra o caminho interior e para esta tarefa não existem modos mais ou menos

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certos, pois cada indivíduo possui o seu tempo, a sua necessidade, a sua verdade. Cada um percorrerá o caminho a sua maneira e a seu próprio tempo, seja hoje, seja amanhã, com avanço rápido ou lento, não importa; o importante é a decisão de iniciar e percorrer o caminho da descoberta do eu interior, o importante é procurar sempre a resposta para a questão de quem somos. Somos filhos de um Pai de muito amor e luz; somos amor e luz. Somos deuses em processo de lapidação e necessitamos acreditar que assim somos e que modificamos nosso mundo exterior e interior com nossos pensamentos e nossas ações. Em nosso interior existe um sol de imenso brilho, com luz muito intensa. Em nosso interior existe o mais belo dos campos floridos, em nosso interior existe a mais bela das praias onde o mar acaricia a areia da praia. Estes ambientes estão em nós, fazem parte de nossa constituição; só necessitamos descobri-los para que nos libertemos de tantos pesos que estão em nós e a nossa volta. Confiar, acreditar, ter fé, confiar em si mesmo, confiar em nossa capacidade, confiar no fato que somos filhos de nosso Pai; confiar que por mais difícil que seja o caminho, possuímos em nós a capacidade de vencê-lo e aprender com ele. Acreditar, acreditar que descobrindo-me, descobrirei a vida, descobrirei um grande amigo, meu eu interior; acreditar que posso fazer do amanhã um amanhã melhor, acreditar que melhorando a mim mesmo através da melhor compreensão de meu ser, estarei melhorando o mundo e auxiliando a todos aqueles que estiverem próximos. Ter fé em nosso Pai, acreditar que Ele nos conhece melhor que nós nos conhecemos. Ter fé que tenho o que necessito, ou ainda ou tenho o que fiz por merecer. Ter fé que, por maior que sejam minhas dificuldades hoje, se vencê-las, se conseguir melhorar o conhecimento de mim mesmo, se eu procurar caminhar com consciência, meu Pai sempre me auxiliará na travessia de qualquer deserto que surja a minha frente. Meu Pai sempre estenderá Sua mão em auxílio; cabe a mim aceitar este auxílio através da melhoria de meu ser, da confiança em mim, da confiança que tenho neste Pai.

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Capítulo I – Parte II – Viajantes.

Chegamos ao mundo num determinado dia, encontramos nossos familiares, pessoas com as quais compartilharemos uma boa parte de nossas experiências; viveremos juntos estas experiências, pois estaremos atrelados uns aos outros ou de outra forma, estaremos juntos no veículo que nos conduzirá rumo ao amanhã, e este veículo é a vida. Decidimos realizar uma viagem. Compramos nossa passagem, embarcamos no ônibus, e nele encontramos outros seres que empreenderão a viagem conosco, senão toda ela, ao menos uma parte dela. Através da janela do ônibus percebemos muitos quadros que passam, muitas realidades; percebemos campos, cidades, trechos de mata, trechos de campos que se sucedem. Fazemos nossas paradas ao longo da viagem. Conhecemos pessoas com as quais interagimos, conversamos, realizamos nossa leitura, e completamos nossa jornada chegando ao nosso destino. E nossa vida não pode ser comparada a uma jornada, a uma viagem? Num determinado dia, chegamos à vida e a partir deste ponto muitas experiências acontecem, por nossos olhos passam paisagens, campos, experiências sendo vividas por outras pessoas, ou neste caso, outros viajantes. Encontramos pessoas com as quais interagimos e destas pessoas nos aproximamos mais ou nos aproximamos menos, com algumas poderemos compartilhar um bom trecho do caminho até que nós ou nossos companheiros de viagem chegam ao seu destino e descem do ônibus. Podemos afirmar que nossa vida é composta por um conjunto de experiências, de vivências ou de viagens que realizamos. Chegamos ao ponto de partida, tomamos o “transporte” e realizamos nossa jornada até atingirmos nosso ponto de chegada.

No exemplo da viagem de ônibus, podemos afirmar que chegamos ao local de destino com o mesmo conhecimento que possuíamos quando deixamos nosso local de origem? É provável que não, pois ao longo da viagem acrescentamos a própria experiência, o conhecimento de novos locais, o conhecimento da experiência de outras pessoas com as quais compartilhamos nossas vivências e assim por diante. O nascimento é o início de um ciclo, o início de uma jornada, jornada esta que se conclui no palco em que nos encontramos, na morte do corpo físico. O caminho que se apresenta a nossa frente será o caminho necessário a ser percorrido de modo que o viajante realize as modificações necessárias em seu ser.

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Em nossa jornada diária e a cada amanhecer vivemos novas experiências e novos quadros formam-se a nossa frente, assim como sob nossos pés diversos tipos de terrenos se sucedem. Os quadros que vêm a nós, procuram nos propiciar as oportunidades de aprendizado que necessitamos para que possamos nos desenvolver enquanto seres, espírito e energia. E as jornadas são constituídas por um somatório de decisões que tomamos e a cada decisão tomada, uma conseqüência mais à frente se constitui. A soma de decisões e conseqüências é que possibilita a melhora do ser. Em um determinado ponto do caminho, frente a uma dificuldade, observamos a situação em que nos encontramos e as decisões tomadas que nos conduziram até aquele ponto e neste momento refletimos: “Será que se tivéssemos tomado outra decisão, o caminho teria sido melhor?” Algumas vezes, em nossa jornada, necessitaremos retroceder num determinado trecho ou rever determinada decisão, de modo que experimentemos as alternativas que a vida nos provê. O caminhar, o refletir sobre decisões tomadas, o retroceder ou refazer o caminho nos fortalece e nos leva à verdade. Noutro trecho do caminho, outro viajante, aparentemente mais cansado e desgastado que nós, se apresenta com um pedido de auxílio, seja de alimentos, seja por um pouco de água fresca, seja por uma nova vestimenta, e mais uma vez somos conduzidos a uma tomada de decisão. Seguindo adiante, encontramos um grupo de viajantes que se põe a discutir acaloradamente determinado assunto, e uma vez mais somos envolvidos pela situação e convidados a refletir e optar. E seguindo nosso caminho, um pouco mais além, pisamos numa pedra, ferindo-nos; passamos a caminhar com dificuldades e repentinamente, encontramos outro viajante com problemática semelhante e percebemos que se caminharmos juntos podemos nos apoiar um no outro e a jornada fica mais fácil. Com a caminhada colaborativa, percebemos que o novo companheiro de jornada não possui as mesmas opiniões que nós, ao contrário, em alguns momentos possuímos opiniões completamente contraditórias, mas somos forçados a continuar caminhando juntos, pois assim a jornada torna-se mais fácil. E com o caminhar, passamos a tentar nos compreender mutuamente ou ao menos nos aceitar, e eis que mais um aprendizado é realizado, mais uma verdade é modificada, mais uma pedra é fixada na estrutura que servirá como minha casa, a casa que me servirá de morada no amanhã. Somos todos viajantes, cada um em seu próprio caminho e muitas vezes estes caminhos se entrecortam ou seguem em paralelo por um período. Aprendemos percorrendo estes caminhos, aprendemos com outros viajantes que são colocados em nossos caminhos, temos oportunidade de auxiliar nossos colegas de viagens em

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seu processo de aprendizado e sermos auxiliados por eles; assim se faz o processo de crescimento, tanto individual quanto coletivo, assim são constituídos os caminhos que viveremos ou os caminhos que percorreremos amanhã. Em determinados trechos do caminho, paro e observo o ambiente ao meu redor ... se vejo flores, se percebo pássaros em seus afazeres diários, se vejo árvores frutíferas, ou árvores frondosas ofertando proteção contra o calor do sol ou se ao contrário disso, vejo aridez, pedras e espinhos, sinto ferimentos em meu corpo, ou percebo um grande desgaste em mim, enfim, seja o que for que perceba em mim, o ato de observar representa uma oportunidade de aprendizado, pois se eu procurar visualizar o caminho que fiz até atingir o ponto onde me encontro, poderei aprender com as decisões tomadas. Se olho as marcas deixadas ao longo do caminho, se volto em meus passos, se eu conseguir avaliar cada passo, cada decisão tomada no ontem, se eu conseguir fazer a avaliação com isenção, justiça e vontade de aprender, poderei ter as respostas aos questionamentos que porventura eu possa fazer e aí sim, consolidar meu aprendizado e melhorar minha caminhada de hoje e de amanhã. Nossos caminhos, todos os caminhos são e serão sempre proveitosos, produtivos, eles sempre estarão nos ofertando as lições que necessitamos absorver e por mais que diferentes viajantes façam o mesmo caminho, as lições de cada um serão sempre de acordo com a necessidade pontual de cada um naquele instante. Mas para que a produtividade aconteça, necessitamos estar abertos ao aprendizado, necessitamos sempre nos vestir de humildade, de compreensão, necessitamos sempre ter ao nosso lado a sabedoria para compreender que muito ainda temos a aprender e que muitos caminhos necessitaremos ainda percorrer. Se empreendermos a jornada com nossos olhos e corações fechados às realidades e ensinamentos que passam em frente a nossa face, ao final da jornada estaremos tal qual a iniciamos, senão pior, mais desgastados e comprometidos. No plano em que nos encontramos, os caminhos tendem a ser difíceis, cheios de espinhos e rochas. As dificuldades são uma realidade, mas existem também outras duas realidades de suma importância. A primeira é que o caminho nunca é tão duro e difícil a ponto do viajante não conseguir realizá-lo; a segunda é que mesmo nos caminhos mais difíceis, se tivermos em nós os olhos certos, se possuirmos um coração rico e iluminado, poderemos perceber as inúmeras belezas ao nosso redor e que nos fazem tão bem. Estas belezas podem ser, e normalmente são, muito singelas, passariam despercebidas sem dúvida a aquele que não esteja preparado para avistá-las. Cansado da jornada, sentado, com os pés doloridos, percebo uma pequena família de pássaros. Eu os observo, sua luta, seu vai e vem em busca de alimentos, a dedicação dos pais a seus pequenos e dependentes seres, a suavidade da cena,

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uma energia muito boa, uma renovação acontece em meu ser, meu cansaço ainda se faz presente, mas agora também se faz presente um novo ânimo, uma alegria, um sentido para a vida, uma compreensão, ou uma sombra da compreensão da realidade de meu Pai. Cabe a cada um de nós viajantes tornar a jornada mais leve; podemos sem dúvida nenhuma torná-la muito mais difícil, mas também é fato que podemos nos vestir dos trajes que farão com que ela seja mais facilmente percorrida. Nossas dificuldades não deixarão de existir, nossas provações continuarão as mesmas, mas a forma com que encaramos estas provas se modificará consideravelmente quando possuímos em nós o olhar apropriado. A vida, o caminho, pode ser comparado ao espelho d’água de um lago: se do alto nos jogarmos n’água, o impacto contra a superfície da água será violento com possibilidades de ferimento, mas se ao contrário, entrarmos neste lago com suavidade, não sentiremos o impacto, ao contrário, sentiremos prazer no ato. Assim é a vida, se a enfrentarmos com violência e energia, assim ela retornará, se a vivermos com suavidade, ela tornar-se-á melhor.

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Capítulo I – Parte III – Meu universo interior Quando falamos em universo, o que nos vem à mente é a imagem das estrelas, dos planetas ou do céu estrelado à noite e imaginamos de onde vem este universo, qual a sua composição, como percorrê-lo ou como compreendê-lo, se é finito ou infinito, ou ainda quantos outros planetas podem suportar vida, ou ainda o que compreendemos por forma de vida ou podemos ainda nos perguntar qual o significado deste universo. Outro universo existe muito mais próximo de nós, bem ao nosso alcance, mas do mesmo modo que o anterior, muito difícil de ser percorrido e compreendido. Um universo desconhecido, não sabemos de que ele se compõe ou de onde vem. Este é o universo que existe no interior de todos os homens. Nossas emoções, medos, nossas verdades, desejos, alegrias, frustrações e tristezas, nossas aspirações, nossa capacidade de amar, a capacidade de odiar, de buscar a vingança, de doar-se, de admirar uma pequenina família de pássaros ou uma flor, de ouvir o vento ou de conversar com a chuva ou ainda conversar com as estrelas; nossa capacidade de ser o sol d’alguém, nossa luz ou a ausência dela, enfim, existem muitos caminhos em nosso universo interior, existem muitos corpos celestes neste universo. A jornada que empreendemos, ou as jornadas que empreendemos se fazem para que, cuidadosamente, possamos descobrir as faces de cada um destes corpos celestes. Com o avanço em nossa jornada, vamos nos conhecendo, conhecendo nossos limites, nossa capacidade e vamos conhecendo cada uma de nossas faces, valores e verdades. Com o avanço em nossa jornada e conhecimentos de nossas faces, vamos passo a passo, construindo nossa morada, nosso ver, nossa imagem e realidade. Tal qual crianças em fase de aprendizado do ato de caminhar, nossa jornada se faz percorrendo uma fase de cada vez, sem pular nenhuma fase, passo após passo até que um dia poderemos andar livres e já sem a proteção de nossos pais, caminharemos com nossas próprias pernas. É comum a todo ser observar seu exterior, observar as pessoas que estão a sua volta, observar as falhas e defeitos destes e daqueles, observar as verdades que nos são impostas diariamente. Acordamos pela manhã, vestimos nossos trajes, trajes estes que a sociedade afirmou serem os trajes adequados, adotamos o comportamento que a sociedade diz ser adequado, vamos ao trabalho e neste ambiente nossa postura é a postura que se exige face ao ambiente competitivo. E assim vivemos nosso dia, retornamos aos nossos lares. Nas esquinas, quando os sinais se fecham, quando encontramos nossos irmãos a pedir, seguimos as regras que a sociedade nos diz serem as

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corretas. À noite assistimos aos programas que a sociedade diz serem os adequados, mas, e nossa verdade? E a nossa vontade? O que nos dizem? Possuímos uma capacidade imensa de realizar, possuímos em nosso interior um ser divino a ser lapidado, a ser descoberto, ser este que está ávido por vir à tona e se deixar mostrar e assim será. Em algum momento de nossas jornadas este ver virá à tona, mas para facilitar o desabrochar deste divino ser; necessitamos caminhar com sabedoria, com senso critico, sem nos transformarmos em revolucionários, mas caminhar pelos caminhos que nossas verdades nos conduzem e não pelos caminhos de outros ou pelas verdades de outros. Nosso Pai está em nosso interior neste instante e estará em nosso interior no instante seguinte, mas onde se encontra este Pai? Como ele pode ser encontrado? São caminhos, são verdades que devemos descobrir ou construir e cada indivíduo possuirá sua própria verdade. Meu Pai está em meu coração, meu Pai está em cada partícula de energia de meu ser; enfim, meu Pai está em todo meu pensamento, em todo meu ser, e vosso Pai, onde está? Em nosso interior existe um sol que é capaz de aquecer a todo coração carente de amor, um sol capaz de aquecer todo aquele viajante que caminha sob chuva ou no frio do inverno; em nosso interior existe um sol capaz de gerar vida, de alimentar a vida. Este sol está guardado por uma porta que necessita ser aberta, que está trancada à chave e cabe a nós e somente a nós encontrar a chave e fazer com que ela seja aberta. Ao fazer isso, ou antes mesmo disso, ao caminharmos por nossos caminhos em busca dessa chave, já estaremos sentindo o calor deste sol, sentindo sua energia a nos renovar, passaremos a sentir a necessidade de auxiliar e mais que isso, sentiremos a grande alegria que virá quando conseguirmos doar um pouco de nosso calor a um companheiro viajante carente deste calor, e assim, a luz se faz, e assim o amor se apresenta, e assim a elevação acontece, e assim a libertação se realiza. Em nosso universo interior pode ser encontrado um armário, ou um baú onde guardamos nossas emoções, valores e verdades. Este lugar deve ser constantemente avaliado no sentido de validar os bens ali armazenados ou substituílos se julgarmos pertinente. Cada uma das emoções armazenadas neste armário é portadora de uma grande energia. Nos momentos em que perdemos o controle por algum motivo, abrimos este armário e liberamos energias que nos conduzem a situações ou lugares que nos fazem muitas vezes ficar envergonhados no momento seguinte. Neste mesmo armário podem ser encontradas as emoções que nos fazem chorar frente a uma cena emocionante. Neste armário podem ser encontradas as emoções que nos fazer sorrir, podem ser encontradas as emoções que nos fazem compreender a beleza da vida e agradecer a nosso Pai por nossa existência.

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A realidade de quem somos está neste armário, somos o que sentimos e ali se encontram nossos sentimentos. Nossa jornada vem no sentido de fazer com que neste armário existam mais emoções construtivas que destrutivas e assim será quando compreendermos que o viver com suavidade nos traz mais benefícios que tentar vencer a vida à força. Nosso universo interior é um universo difícil de ser percorrido. Existem ao longo deste universo, muitos caminhos e despenhadeiros, muitos espinheiros que nos ferem; em função destes perigos é que muitas vezes evitamos percorrer estes caminhos ao mesmo tempo em que por inércia, continuamos a observar o mundo exterior. Mas, caros viajantes, são importantes as questões como: Quem sou eu? O que sinto? Ou mesmo, será que meu sentimento vem de mim? De onde vim? Para onde vou? Qual é meu caminho? Qual é minha verdade? Onde está meu Pai? Onde está o amor? O que o amor significa para mim? Porque estes ou aqueles sentimentos? Nem sempre conseguiremos as respostas a todas as perguntas ou até mesmo algumas perguntas podem parecer uma volta ao passado; mas elas têm fundamento, são adequadas e devem ser vividas com serenidade, honestidade e com o coração aberto. Enfim, caro viajante, perguntas simples mas importantes: De onde viestes? Para onde vai? O que possuís vós em vosso armário? Quem é você? Qual seu caminho? Qual sua verdade?

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Capítulo I – Parte IV – Minhas verdades, meu caminho, minha vida

Encontro-me numa planície, olho a minha volta e vejo campos com flores, arbustos noutra direção, pequenos picos, ao longe alguns animais a alimentar-se e diretamente a minha frente, avisto uma cadeia de montanhas. Venho caminhando de incontáveis jornadas e, neste momento, esta é minha visão, este é meu horizonte, esta é minha verdade. No amanhecer do dia de ontem, encontrava-me noutro ponto do caminho, o aspecto do terreno era diferente, pedregoso e perigoso, ao contrário do horizonte de hoje. Ontem, minha verdade era outra. Reinicío minha caminhada indo ao encontro da cadeia de montanhas, o dia a minha frente se faz por inteiro, há muito a caminhar, que horizonte terei ao amanhecer de amanhã? Dependerá da minha caminhada de hoje, dependerá de onde meus pés me conduzirem, dependerá de onde minha vontade me conduzir. Assim são nossas verdades, a cada ponto do caminho possuímos uma opinião, um pensamento que podemos afirmar com a mais absoluta convicção, é a verdade. Ao avançar em nosso caminho mais alguns passos, talvez nosso horizonte, nossa verdade já não seja mais a mesma, tenha se modificado completamente. Comparamos o horizonte nosso de todos os dias às nossas verdades, no sentido que diariamente evoluímos, crescemos, aprendemos, avançamos e quando avançamos, se tivermos em nós os olhos adequados, iremos perceber que os horizontes e verdades se modificam. Ao viajante é comum que os olhos nos enganem, que nossa mente nos pregue peças, que sejamos conduzidos por nossas vontades e desejos de ver determinada situação ou verdade. Algumas vezes nos convencemos que estamos vendo um horizonte e fazemos tudo para convencer nossos companheiros de viagem daquela mesma verdade. E muitas vezes, passamos por inúmeros amanhecer de novos dias com as mesmas verdades, outras vezes, olhamos para o mesmo ponto que outro companheiro viajante e avistamos verdades diferentes, e faz-se a discussão quanto qual das duas verdades estaria correta, e nem sempre estas discussões acabam placidamente. Verdades ou inverdades, pontos de vista, opiniões, temos que compreender que não possuímos a verdade absoluta, que estamos em processo de mudança, de melhoria constante, que a cada passo do caminho absorveremos novos ensinamentos. Devemos compreender o sentido de verdade e de erro ou inverdade, devemos compreender que vemos as coisas de determinado ângulo, que naquele instante é a

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verdade. Se hoje observamos o mesmo ponto, poderemos vê-lo de modo diferente; o ponto é o mesmo, mas nossos olhos, nossa forma de ver aquele ponto é que se modificou. Um ou dois amanheceres depois, voltamos e nossa verdade já é diferente. Observamos então, ao nosso lado, outro viajante, outro observador que observa aquele mesmo ponto. Numa troca de palavras, de opiniões, percebemos que nosso companheiro viajante possui naquele instante, a mesma verdade que carregávamos há poucos dias. Por um instante vejo-me tentado a expor ao companheiro viajante que hoje vejo aquele ponto, aquela verdade, diferentemente do que via no passado e diferente do que o companheiro vê neste instante, mas minha nova verdade me diz que, se hoje vejo o ponto diferente de ontem, se hoje minha verdade se modificou, foi porque passei por experiências no espaço de tempo entre o ontem e o hoje que propiciaram a capacidade de ver, de observar de modo diferente. Penso, então, se deveria eu conduzir o meu companheiro viajante ou deixar que o avanço da jornada se encarregue do aperfeiçoamento, deixar que a vida faça seu trabalho de lapidação. E penso ainda sobre minhas duas verdades sobre aquele mesmo ponto. Ontem, poderia eu afirmar categoricamente que a verdade de ontem era absoluta? Hoje, afirmo que não, que a de hoje é absoluta. E mais adiante? Será que amanhã terei uma terceira verdade deste mesmo ponto? Enfim, qual é a verdade sobre este fatídico ponto? Posso eu alertar meu companheiro de viagem e dizer-lhe que a verdade dele não é boa? Ou mais ainda, será que minha verdade de hoje é a correta ou no intervalo de tempo entre o ontem e o hoje, minhas experiências prejudicaram minha verdade a ponto de hoje ela estar distorcida? Caminhar, refletir, pensar, olhar sob vários ângulos e pensar novamente. Esta é correta e aquela é verdadeira ou seria o contrário. Ontem eu estava errado, ontem tomei a decisão errada? Compreensão e amor em nossos corações, honestidade para conosco e para com a vida. Compreensão que a vida é nosso juiz e se encarregará das ações necessárias em cada momento, de modo que possamos sempre aperfeiçoar nosso próprio ser. Se a compreensão atual nos diz que decisões de ontem poderiam ser mais adequadas, melhores, isso se deve a melhoria de nossa capacidade de compreender ou mesmo a melhoria de nossa verdade. Devemos compreender que hoje possuímos uma visão e se esta compreensão nos diz que nossos passos de ontem poderiam ser melhores, isso só acontece porque naquele espaço de tempo evoluímos, o que não invalida as decisões de ontem porque tais decisões aconteceram conforme a compreensão que possuíamos no tempo passado.

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Sim, é claro que a cada passo que damos, a cada decisão que tomamos, corresponderá uma conseqüência, haverá uma resposta da vida, nosso eterno julgador, mas devemos refletir com muito carinho e atenção para verdades e inverdades, fatos de ontem e fatos de hoje. Devemos lembrar que, se formos vencidos pelo desejo de julgar o ontem sob os olhos de hoje, amanhã poderemos estar sendo julgados sob os olhos de amanhã e estes novos olhos de amanhã poderão não ser os mesmos de hoje e nem tão generosos. Devemos lembrar de nos perguntar sempre: será que possuímos a verdade necessária para julgar, julgar a nós mesmos ou ainda mais, julgar a outrem? Será que possuímos a verdade maior, a ponto de nos colocar no ponto exato em que o outro viajante estava ao tomar a decisão, ontem, com as mesmas condições emocionais, de modo a compreender exatamente como aquela verdade (do companheiro viajante) foi formada? No escritório, sentado a minha mesa de trabalho, me encontro absorvido por meus afazeres quando sou chamado por alguém que está a minha frente e começa a relatar uma experiência vivida e daquela experiência brotam opiniões, afirmações, lamentações e julgamentos. Num processo natural, ouço o relato e formo minha opinião, tanto a respeito do que é relatado quanto a respeito daquele que faz o relato. Não deixei minha cadeira, não deixei minha mesa nem ao menos deixei o lápis à mesa, analisei e julguei, mas estaria eu observando aquele ponto sob o mesmo olhar e sob as mesmas condições que o narrador? Tenho eu condições de avaliar a situação narrada? Devo frear meu ímpeto de julgar à primeira vista, tenho que compreender que, para chegar a uma conclusão, devo me esforçar ao máximo para sair de minha posição e me colocar na posição daquele que faz o relato à minha frente e mais ainda, tenho que procurar compreender toda à situação, o ponto de vista emocional, as experiências individuais passadas, os pesos transportados e uma gama de fatores que podem influenciar na visão do horizonte ou na formação da verdade. Minhas verdades constroem meu caminho ou meu caminho constrói minhas verdades; minha vida é a somatória ou a conseqüência de minhas verdades e de meus caminhos. Caminhamos por onde construímos, construímos o que pensamos, vemos o que desejamos ver, o que trazemos em nós. Por mais que alguém chegue a nós e nos mostre que a nossa frente existe uma bela e formosa macieira, continuaremos a ver um abacateiro se assim decidirmos.

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Nosso coração constrói nosso caminho e nossas verdades, constrói nosso desejo de melhorar a cada dia e o desejo que o próximo amanhecer seja mais belo que o de hoje. Nosso caminho será sempre o que levamos conosco, somos nossa vida, construímos nossa vida e assim é: o hoje conseqüência do ontem e o amanhã conseqüência do hoje. Meu Pai coloca a minha frente dois caminhos: um caminho com espinheiros, rochoso e árido e outro caminho com belas e generosas árvores a sua margem, com pássaros que entoam suas canções nos incentivando e nos renovando a cada passo. Paro no início destes dois caminhos, observo-os e tomo a decisão por seguir um dos caminhos. Meu Pai estará comigo seja qual for minha decisão, mas a decisão é e será sempre minha. Assim se fazem nossos caminhos, nossas verdades e nossa vida. A cada pensamento, a cada gesto de generosidade, a cada gesto de boa vontade de melhorar a nós mesmos, a cada gesto de auxiliar meu companheiro viajante respeitando a necessidade dele e ao seu livre arbítrio, estarei construindo meu caminho, estarei fazendo a opção pelo melhor caminho. Podemos, a cada instante, plantar uma flor, regar uma flor facilitando seu desabrochar. Podemos, a cada instante, lançar a semente que alimentará nosso ser, podemos semear a generosidade que encontraremos amanhã; podemos, a cada instante, estender a mão e saber que no amanhã encontraremos uma mão estendida em nossa direção em auxílio ou em agradecimento, podemos hoje, semear o amor que colheremos amanhã. Podemos, a cada instante, regar nosso coração com o mais belo dos sentimentos, o amor, o carinho, a suavidade e devemos ter a certeza, que se assim for, amanhã estaremos colhendo os mais prazerosos frutos.

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Capítulo I – Parte V – O diálogo Caminhamos constantemente e sem paradas, o tempo não para; a cada instante nasce um novo ser em nós, novos passos dados, novas experiências vividas ... tivemos a oportunidade de fixar novos aprendizados e de auxiliar outros companheiros viajantes em seus processos de aprendizado. Fatos se sucedem com muita rapidez nos dias atuais, fruto talvez de uma sociedade interligada, conectada completamente. Vivemos os fatos sem muito refletir, sem pensar ou sem sentir, os vivemos de modo impulsivo. Pessoas vêm a nós diariamente, nos fazem bem, nos deixam incomodados, nos deixam perplexos. Estamos mergulhados em energias que fluem, somos afetados por estas energias e geramos energia ao mesmo tempo. Na escola a professora passa a matéria diariamente, os alunos a recebem, estudam, fazem suas lições e em intervalos de tempos programados, a professora faz a prova, onde a fixação dos ensinamentos é medida. Nossa jornada ocorre do mesmo modo, diariamente estamos em contato com novas matérias e vivemos nossas lições. E de tempos em tempos realizamos nossa prova, basta que olhemos para nossas experiências para que vejamos uma sucessão de provas que aparecem em nosso caminho. Somos seres movidos a emoções, a paixões; possuímos nossas verdades e vez por outra consideramos estas nossas verdades como imutáveis, relutamos em substituílas ou mesmo em avaliá-las. Dialogar significa trocar impressões sobre determinada situação, sobre determinado conceito. O diálogo pode ser realizado com um companheiro viajante que cruza nosso caminho, com nossos familiares ou com outros viajantes. O diálogo pode ser realizado conosco mesmo, com nosso eu interior, pode ser realizado com nosso Pai ou com nossos protetores sejam eles como nós os tenhamos. Sentar-se com um filho(a) e conversar, trocar impressões sobre a vida, responder questões, às vezes simples, outras vezes nem tanto, mas responder os questionamentos dos pequenos seres confiados a nós. Levar aos pequenos seres nossas experiências, mostrar a eles os caminhos certos a trilhar, um diálogo aberto, sincero, seja ao final do dia, seja nos finais de semana, seja quando os colocamos a dormir, realizar este diálogo acrescenta muito, tanto a nós quanto a nossos filhos. Dialogar com nossos companheiros, esposos ou esposas, compreender a união que se faz entre pessoas que se propõem a percorrer um caminho juntos, lado a lado. Compreender que nesta união não é necessário e nem conveniente que se viva com a guarda sempre erguida, pronta a defesa ,que não necessitamos nos proteger

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sempre; mas ao contrário disso, podemos ceder, podemos deixar para falar por último e ouvir primeiro, devemos colocar de modo claro nossa opinião e mais que isso, compreender que ela é apenas nossa opinião e esta opinião é formada hoje com a verdade que conhecemos hoje. Dialogar também significa calar, apenas ouvir e expressar nosso amor por nossos companheiros sejam eles pais, esposos, esposas, filhos, filhas, avós ou colegas de trabalho. Dialogar significa interagir, participar de uma união. Somos filhos de nosso Pai, frutos de Sua criação e ao nosso lado existem tantos outros frutos da criação deste Pai; fazemos parte deste universo, deste complexo e podemos sempre dialogar com a natureza e seus componentes. É muito prazeroso quando conseguimos dialogar com o córrego, com os pássaros, com as estrelas, pois dialogar neste caso significa união, nossa união com a criação, significa compreensão da criação, significa respeito aos demais frutos da criação, significa libertação de nosso ser, de nossa energia. Dialogar com a natureza significa expressar nosso amor ao Pai, compreender ao mesmo tempo nossa semelhança com outros frutos da criação, iguais que somos quando criados pelo mesmo Ser e ao mesmo tempo compreender nossas diferenças. Dialogar constantemente consigo mesmo, questionar nossos pontos de vista, questionar nossas afirmações, nossas verdades, nossos medos. Dialogar consigo mesmo significa ouvir um grande amigo que trazemos em nós e constantemente o deixamos de lado, nosso coração. Ouvir nosso coração... bendito o ser que ouve seu coração, que vive com o coração, que sente com o coração, que vê com o coração. Dialogar com nosso coração significa dialogar com nosso Pai; significa encontrar o amor, significa procurar o sentido da vida. Dialogar com nosso coração significa encontrar o sentido da vida nas coisas simples do dia a dia. Dialogar com nosso coração significa deixar que a luz, que o amor, que a divindade que existe em nosso interior, sejam descobertos e possam vir à tona, vir à superfície de nosso ser. Dialogar com nosso ser ou com nosso coração significa buscar compreender nossos limites, nossas capacidades. Meu Pai, quem sou eu, meu Pai? De onde vim e para onde vou? Tu estás em mim, meu Pai, onde eu o encontro? Minha vida meu Pai, como a vejo? Em minha vida, meu Pai, onde encontro o amor? Em minha vida, meu Pai, por que tanta dificuldade? Em minha vida, meu Pai, onde encontro a felicidade?

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Dialogar com meu Pai e confiar, acreditar que as respostas vêm e virão quando pudermos compreender e do modo que pudermos compreender. Dialogar com nosso Pai significa caminhar em Sua direção, significa criar em nós o ambiente necessário para que se faça a luz. Dialogar consigo mesmo e dialogar com nosso Pai, significa orar, significa nos unir, significa um encontro consigo mesmo e com nosso Pai. Dialogar com estes dois seres tão importantes em nossa vida, significa criar melhores condições de compreender as razões da vida e os motivos de tantas dificuldades ou ainda, encontrar a felicidade e a alegria onde até então não conseguíamos perceber. O diálogo com estes dois seres significa criar condições para que o caminho de amanhã seja melhor, mais florido, mais prazeroso. Procurar dialogar conosco, com nosso Pai, com nossos mentores ou protetores, irá sempre nos trazer satisfação, leveza e elevação. É certo também que nem sempre conseguiremos compreender as respostas ou nem sempre estaremos em condições de ouvir as respostas, mas podemos ter certeza que as respostas virão, de forma que, com a prática do diálogo e com o avanço no caminho, compreenderemos.

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Capítulo I – Parte VI – Eu e o outro Seguindo em nossa jornada pela descoberta da verdade, encontramos indivíduos que nos são simpáticos, indivíduos que nos incomodam, indivíduos que nos irritam; encontramos muitos outros indivíduos que nos são indiferentes, passamos por eles e nem percebemos sua existência, sua passagem. Nós mesmos caminhamos por muito tempo e nem nos percebermos, não nos damos conta de nós, não nos valorizamos, não nos ouvimos; ao contrário disso, ouvimos as vozes da sociedade que nos leva nesta ou naquela direção, e seguimos adiante com a corrente, e pensamos o que a sociedade pensa. Em nosso dia a dia, somos “convidados” a compartilhar, a dividir nosso espaço com outros indivíduos: seja no elevador, seja no trânsito, no trabalho, no próprio lar e algumas vezes o sentimento é de que não gostaríamos de ceder espaço, mas somos obrigados a abrir mão. No trânsito das cidades, indivíduos fazem o que podem para passar à frente de outros indivíduos; no trânsito, nossa vontade ou nossa necessidade deve sempre ser mais importante que todas as vontades ou necessidades dos demais indivíduos, sempre que pudermos passar à frente de alguém, levaremos vantagem. O individualismo, a necessidade de sempre ter que demonstrar força, pois ficamos com a sensação que se demonstrarmos fraqueza perderemos nosso lugar, nosso status ou nossa posição. Minhas vontades... que importam as vontades ou necessidades dos demais? Ouvir minha música no volume que me agrada, não importando em nada o horário, afinal, estou em minha casa, tenho meus direitos e os incomodados que se retirem. E assim é em muitos momentos e realidades. Sentar e refletir : não importa a velocidade que posso empreender a jornada, não é importante concluir a jornada no menor tempo possível, mas é importante completála com o maior proveito possível, pois havendo proveito, as novas jornadas tendem a serem melhores, havendo proveito, melhoramos como seres e o proveito da jornada vem com a observação, com a análise, com a meditação e reflexão sobre cada acontecimento que possamos julgar importante. Sentar e refletir, observar a nós mesmos em determinados momentos, observar nossas decisões e nossas posturas, nossas opiniões, observar nossas emoções seja quanto ao excesso ou quanto a sua falta. Mais que completar a jornada é importante primeiro saber que existe um caminho a ser percorrido, que existe uma razão para que o dia de hoje se faça a nossa frente como ele o é. Também tão importante quanto conhecer a existência destas jornadas,

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é importante procurar nos conhecer, saber de nossa existência, pois podemos viver muito tempo, sermos o que se conhece por nós mesmos, sem que ao menos uma vez tenhamos procurado olhar para o nosso interior, para o indivíduo que existe em nós, que pensa, que sente, que tem o poder de amar e gerar vida, não apenas como macho e fêmea, mas como seres de luz, de amor, frutos de nosso Pai. É nossa obrigação maior amar a nós mesmos, exercer este amor em sua plenitude, fazer tudo o que tenhamos que fazer para tornar feliz o indivíduo que habita nosso interior. É nossa obrigação buscar o conhecimento, se não o possuímos hoje, que o amanhã nos diga exatamente o que significa amar a nós mesmos e fazer o possível para alimentar nosso ser de felicidade. Tanto tempo tenho vivido o papel assumido por mim com “eu”, e tenho representado este papel muitas vezes sem me dar conta do personagem, do ator, do texto, do diretor ou dos demais componentes da peça que está sempre sendo representada. Represento o papel hoje como representei o papel ontem ou na semana anterior, e assim continuo, será que assim estarei amanhã, representando este mesmo papel? Será que não posso melhorá-lo em algum aspecto? A beleza de novas descobertas e nunca é tarde para fazer novas descobertas. O tempo é relativo e não absoluto e existe uma beleza muito grande e prazerosa, a beleza de descobrir a mim mesmo, de descobrir minhas razões, de descobrir que caminho com um objetivo, que sei que posso alcançar este objetivo. A beleza infinita de conhecer a existência de meu Pai, saber que Ele existe e está próximo a mim, que está comigo sempre que eu assim o desejar. A beleza infinita de poder expressar meu amor por este Pai, a beleza infinita de conhecer a divindade que habita em meu interior, de saber que em meu interior existe o maior dos sóis do universo, a beleza de saber que apesar de tudo que sei, nada sei, e sou ínfimo frente à vida, frente ao amor, mas sou imenso na capacidade de amar. A beleza de conhecer uma flor, não apenas olhá-la, mas reconhecê-la enquanto indivíduo componente do palco da vida, indivíduo que também tem seu trajeto a seguir; a beleza de me unir a esta flor, compartilhar com ela um sentimento, um amor, um agradecimento pela minha consciência e pela existência desta flor. A beleza de saber que em mim existe um imenso universo a ser descoberto, experimentado, que em meu interior existem fatos e facetas, energias que devem ser trazidas à superfície, mostradas ou extirpadas. A beleza de perceber que quanto mais nos doamos, mais recebemos e nesta conta, sempre receberei mais que doo. Se eu quisesse quitar a conta, não conseguiria.

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Observar, caminhar para dentro de si é conhecer muitos campos difíceis de serem vencidos, muitos abismos perigosos e que procuramos evitar, mas caminhar para dentro de si é viver, é descobrir estas belezas. Caminhar para dentro de si é descobrir nosso próprio valor e descobrindo nossos valores podemos compreender que todos somos importantes perante nosso Pai, que somos desconhecidos de nós mesmos e que nossos irmãos também são desconhecidos de si próprios e é claro, de nós. Quando determinado indivíduo vem a nós e nos relata um fato, é normal que julguemos, condenemos e por vezes quase o executamos, mas não é comum que antes de fazer qualquer julgamento, tenhamos a consciência que não nos cabe julgar, o julgamento cabe à vida que tomará sempre as ações pertinentes. Se não podemos julgar, podemos possuir uma opinião, mas do mesmo modo para que esta opinião seja formada é prudente que nos coloquemos no lugar daquele que viveu ou vive a experiência. Podemos observar o indivíduo que está a nossa frente ou ao nosso lado e nos perguntar: eu tenho meus direitos sim, posso ouvir a música quando e onde eu quiser, mas será que o indivíduo a minha frente não tem os direitos dele também? E quais seriam estes direitos? Será que ele aprecia o mesmo tipo de música que eu? Será que neste momento ele está interessado em ouvir a “minha música”? E será que meus direitos se sobrepõem aos direitos dele? A meu Pai, sou mais importante que ele o é? A física nos oferta uma regra que diz que a toda força corresponde uma ação, ou uma força com a mesma intensidade e em sentido contrário. Se não compreendemos esta regra, basta que batamos nossa cabeça na parede que está mais próxima e procuremos “sentir” a reação da parede frente à força de nossa cabeça contra ela. Outra regra, esta não da física, mas da vida; o amor é contagioso, a suavidade, o carinho, o respeito, o “fazer o certo”, são contagiosos, basta que um indivíduo faça o certo para que os demais componentes do grupo também o façam. É certo que existem aqueles que necessitam de mais tempo para compreender, mas acabam seguindo o caminho da luz. Procurando fazer uma união destas duas regras, podemos dizer que, se tratarmos a vida com suavidade, com carinho, com respeito e na vida incluímos os indivíduos a nossa volta, a vida sempre nos tratará da mesma forma. Tens a capacidade de amar, tens a capacidade de odiar, tens a capacidade de construir, a capacidade de destruir, a capacidade de tornar claro ou escuro. Teu é o caminho, a ti meu filho, concedo o poder de decidir, a ti meu filho, concedo as

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ferramentas necessárias a que viva tua decisão, a ti amado filho abrirei sempre as portas de minha casa quando necessitar de auxílio, abrigo ou orientação. Apoiar-teei, auxiliar-te-ei a levantar-te quando caíres, quando sentires tuas dores, terei em mim o medicamento necessário, tuas dores serão minhas dores e tuas alegrias serão minhas alegrias ao cêntuplo, ide e constrói a ti mesmo amado filho. E assim, nosso Pai nos encaminhou para nossas jornadas, e assim, cabe a nós optarmos pelas melhores trilhas, cabe a nós e somente a nós construir nosso ser, nossa morada. Amar a nós mesmos significa procurar fazer a vontade de nosso Pai; significa amar a nossos irmãos, amar a Ele, amar a vida do mesmo modo e com a mesma intensidade. Percorrer estes caminhos ainda significa choro, dificuldade e ferimentos; significa encontrar em nosso caminho indivíduos que não nos fazem bem de algum modo, e assim necessitaremos de forças para vencer a dificuldade. Nossas dificuldades não são apenas nossas dificuldades, mas são nossas necessidades, pois estas dificuldades e necessidades possibilitam a lapidação de nosso ser e com esta lapidação, nasce um novo ser, nasce um novo amanhã. Uma de nossas lições é a afabilidade, a doçura, é gentileza, é trazer a nós estas verdades sem que isso signifique fragilidade ou fraqueza. Uma de nossas lições é justamente compreender o significado da força, onde ela é encontrada e como é praticada. Se quisermos, se tivermos em nós os olhos adequados, poderemos olhar a nossa volta e ver muitos exemplos da aplicação da afabilidade e doçura como uma força transformadora, que modifica o indivíduo que a pratica; modifica o meio onde este indivíduo vive e modifica a todos aqueles que têm contato com tal experiência, basta que busquemos exemplos disso. Enfim, o eu e o outro, quem sou eu? Quem é o outro? Como desejo ser tratado? E como trato o outro? Se trato o outro com agressividade, espero receber carinho em contrapartida? Se exerço meus direitos, respeito os direitos dos outros? Sim, sou um indivíduo importante, mas sou mais importante que o outro? Sou mais importante que a vida? Como tenho tratado a vida?

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Capítulo II – Parte I – Deus ou meu Pai? Conforme o dicionário “Novo Aurélio” da língua portuguesa, Deus é “Princípio supremo considerado pelas religiões como superior à natureza. Ser infinito, perfeito, criador do Universo”. E o homem procura e procurou a existência de Deus, em todos os tempos, conforme a cultura de cada tempo; um Deus ou mais de um Deus, mas sempre buscou a existência de um ser supremo, criador, que tudo provê. Deus a quem sacrifícios são feitos, Deus a ser temido, Deus de ira, ou para alguns, a inexistência de Deus. Não possuímos a capacidade de entender ou definir Deus e não temos a pretensão de defini-lo ou mesmo compreendê-lo, mas partindo do pressuposto que aceitamos a existência de um ser criador, orientador, podemos procurar tratar do sentimento que possuímos em relação a este ser da forma que nós o vemos e como nós nos relacionamos com Ele. Somos energia, somos pensamento, somos o que sentimos ou nossos sentidos traduzem nossa realidade ou verdade; é importante que a cada instante tenhamos em nós a certeza da necessidade de procurar reavaliar cada pensamento ou sentimento, sem esperar que amanhã tenhamos atingido a perfeição, mas com a certeza absoluta que, se buscarmos a perfeição no dia a dia, atingiremos nossos objetivos de purificação, de lapidação de nosso ser. Não é importante como chamamos Deus, mas é importante a proximidade que criamos entre nós e este Ser, é importante o diálogo que mantemos com este Ser e a freqüência com que este diálogo acontece. Em nossas jornadas podemos ter ouvido algumas afirmações, como, “Somos a imagem e semelhança de Deus”, “Somos filhos de Deus”, “Deus é Luz”, “Deus é amor”, “Deus está em nós” e todas estas afirmações são e serão verdadeiras se assim nós as compreendermos e ainda, neste conjunto de afirmações sobre Deus, podemos incluir mais uma: “Deus é nosso Pai”. Voltamo-nos então à figura do pai, um pai que orienta, que provê, que protege, que acalma, que nos auxiliar em nossos passos iniciais na jornada da vida. A figura de um pai presente, um amoroso. A figura de nosso pai, o pai da carne, algumas vezes ao longo de nossa caminhada tivemos a necessidade de buscar nosso pai, nos momentos difíceis, em nossas quedas ou para aqueles que não puderam conviver com seu pai, o desejo de tê-lo feito, de sentir a presença deste ser.

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Um ser que com angústia nos levou ao médico quando adoecemos; um ser que pacientemente nos acolheu em sua cama quando nos sentíamos com medo de ficar sozinhos em nossa cama, que muitas e muitas vezes se esforçou no trabalho para ganhar o sustendo de sua família... um ser que algumas vezes pode ter sido incompreendido. Sem deixar de lado a presença das mães e sua importância, mas nos referindo à figura do pai. Pais que muitos não puderam ter ao seu lado, pais que outras tantas vezes assumiram aquele filho para auxiliar em seu processo de criação por amor. Se direcionarmos nossos pensamentos as figuras de pais que estão por aí mundo afora, se neste exercício procurarmos imaginar quantos passam necessidades hoje e assistem a seus filhos também a passar necessidades, se neste exercício pudermos procurar imaginar o sofrimento de um pai ao assistir a seu filho pedir um alimento, um agasalho ou a oportunidade de estudar, sem que este pai possa prover o que é pedido. A figura de tantos e tantos pais que assistem a seus filhos se embrenharem nas vias da violência, que por noites aguardam o retorno de seus filhos, que são obrigados a fazer com que seus filhos ingressem no trabalho mais cedo para auxiliar na criação dos irmãos menores; a figura de pais que deixam de alimentar-se para que seus filhos o façam. Podemos nos perguntar, o que é um pai? O que define um pai? O que leva um pai a fazer o que um pai faz? Como gostaríamos que fosse nosso pai? Como nós gostaríamos de ser na posição de pais? Podemos ainda refletir sobre o que gostaríamos de falar ao nosso pai que nunca tivemos oportunidade ou coragem de falar. Podemos ainda pensar em quantas vezes ao longo de nossa jornada agradecemos ao nosso pai por tudo o que ele fez e faz por nós, ou podemos ainda refletir quanto ao que nosso pai tem feito por nós, se nós temos consciência das ações deste ser. Existem, sim, as situações de ausência da figura do pai por este ou por aquele motivo, mas mesmo nestas situações se pode ir buscar a figura de pai, mentalizá-lo em seu ideal ou como seria se ali ele estivesse. E nos voltamos à figura de Deus, o criador, nosso Pai. Podemos tê-lo como um ser supremo que está sentado num trono cercado de criados e seguranças; um Ser que, para que possamos conversar com Ele necessitamos fazer reverências e pedir permissão, um Deus que irá nos castigar se caminharmos inadequadamente. Podemos ter em nós a figura deste Deus ou podemos ter em nós a união das figuras de Deus e dos pais, lembrar que Deus é nosso Pai. Se tivermos a Deus como nosso Pai, a proximidade entre criador e criatura será sem dúvida muito menor.

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Meu Deus é meu Pai, assim o tenho, assim me dirijo a Ele sempre que necessito dialogar com Ele, e procuro dialogar com ele nos instantes de dificuldade, nos instantes de felicidade, quando busco as respostas aos meus questionamentos. Meu Pai é aquele a quem procuro nos momentos em que me sinto só, nos momentos em que não encontro respostas, nos momentos em que olho à frente e não sei qual o caminho a seguir. Meu Pai é aquele a quem, em muitos momentos, procurei em busca de um afago, e obtive este afago, meu coração o sente e sentirá sempre. Meu Pai é aquele a quem tenho muito a agradecer, a quem já perguntei muitas vezes como faço para retribuir a Ele tudo o que Ele me dá, mas não consigo, pois por mais que eu faça, Ele me concede muito mais em troca. Deus? Não, meu Pai, é este ser que tanto amo e me sinto filho deste ser, e tenho este ser em mim a cada instante, em meu coração, em meus pensamentos, em meus sentimentos. Vosso Pai está ao seu lado, em seu interior, em seu coração, basta que você o procure com vosso ser, basta que você estenda a mão em direção a este Pai e encontrará a mão Dele. Vosso Pai está no sorriso de uma criança a brincar, vosso Pai está nas flores que embelezam campos e jardins, está no amanhecer de um novo dia, está na chuva que higieniza a atmosfera, e traz vida à terra; vosso Pai está nas nuvens que passam conduzidas pelo vento, vosso Pai está no vento que embala as folhas das árvores, vosso Pai está nos pássaros que entoam suas canções, vosso Pai esta no vôo da borboleta, vosso Pai está no frio da noite de inverno e nas águas aquecidas do oceano nos trópicos. Vosso Pai está enfim, em vossos olhos, em vosso coração e em todo o vosso ser. Vosso Pai está também nas dores, pois vosso Pai conhece vossa necessidade e sabe que as dificuldades e sofrimentos ensinam, mostram o caminho. Nosso Pai nos ama a ponto de permitir que nossas dores aconteçam, mesmo que estas dores doam mais Nele que em nós, as permite, pois sabe que é para o nosso bem. Somos todos nós crianças em fase de crescimento, crianças que dia a dia se fortalecem e aumentam seu conhecimento a cada experiência e nosso Pai nos observa e está sempre junto a nós. Deus, ou vosso Pai, é um ser de amor, é um ser que nos encaminha, nos ampara sempre, não importa como o vejamos, se com barba ou sem barba. Nosso Pai é amor e somos filhos deste Pai, portanto o amor está em nós, necessitamos descobri-

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lo em nós, tanto o amor quanto a nosso Pai. Temos em nós também o livre arbítrio para decidir como seguimos nossa jornada. Podemos decidir se caminhos sozinhos ou se caminhamos com o Pai. Temos a liberdade de aceitar ou não a existência de nosso Pai ou de compreendê-lo deste ou daquele modo, mas não podemos deixar de perguntar: Quem sois vós e como tens vosso Pai? Tens o procurado? Tens conversado com este Ser? Tens pedido ou tens agradecido? Tens chorado ou tens sorrido nos braços de vosso Pai?

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Capítulo II – Parte II – O universo

Quando se fala em universo, a imagem que nos vem é a imagem dos planetas, das estrelas e constelações, mas devemos lembrar que além deste universo, existem outros universos que necessitamos compreender, como por exemplo, o universo de nossas emoções, o universo de nossos pensamentos, o universo que habita em nosso interior. Estamos habituados a viver nosso dia a dia, viver nossas necessidades mais imediatas ou eventualmente olhar as necessidades de um pouco mais além. Esta é nossa realidade, não nos sobra muito tempo e energia para olhar para mais além, mas devemos procurar, de quando em quando, ir mais além, buscar a grandiosidade, o infinito que está ao nosso redor e em nosso interior. Devemos praticar nossa capacidade de ir mais longe e não ver neste ato um ato de ganância, arrogância ou qualquer outro pensamento nesta linha, mas como seres portadores do amor, portadores da luz, irmãos da paz. Somos destinados ao crescimento, este é nosso caminho e nosso amanhã. Em nossa caminhada, sofremos, caímos, choramos nossas dores e magoamos nossos companheiros de caminhada, com dificuldade, avançamos e podemos avançar muito mais se tivermos em nós a prática de elevar nosso pensamento mais ao longe, de ir além, de descobrir o ser de luz que está em nós. Se caminharmos ou vivermos num ambiente de trevas ou se caminharmos envoltos em trevas, assim será nossa realidade, assim serão nossos sentimentos e assim serão nossas verdades. Acordar, abrir os olhos, ousar afastar um pouco a cortina à frente de nossos olhos que ofusca nossa visão; procurar nosso Pai, procurar nossos mestres que nos auxiliam em nosso crescimento, buscar fazer despertar o amor, lutar contra os pensamentos ruins que nos acompanham. Renovar-se, despir-nos das vestes desgastadas e substituí-las por novas vestes, procurar enxergar ao nosso redor as belezas que se apresentam, mesmo nos campos onde há dor e sofrimento, poderemos encontrar o amor e a beleza. Temos em nós o livre arbítrio de viver em busca de nossos objetivos materiais, de fazer cumprir nossas responsabilidades, de viver e vencer cada dia como se o único objetivo fosse “vencer” o dia, “vencer” o tempo, ou podemos viver estas realidades, mas buscando sempre que possível, nosso ponto de equilíbrio, buscando as belezas que podem ser encontradas em nosso interior ou exterior e ainda mais, olhar à frente e mais além, planejar nossa caminhada, planejar o ser de luz que logo mais adiante, sem nenhuma dúvida, seremos.

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Nestes momentos podemos trazer este ser de luz para mais próximo de nós, da realidade em que vivemos. Podemos com isto, encurtar o caminho que nos separa desta nova realidade, podemos com isto, baixar as cortinas a nossa frente, podemos com isto, nos fortalecer de novas energias de modo que nossa caminhada seja melhor. Nossa realidade é criada por nossos pensamentos; nossos pensamentos alimentam nosso universo, sem nos afastar da realidade em que vivemos. Devemos ter em nós a realidade de um ser de energia, de um ser que pode ir muito mais além que a distância que nossos braços podem alcançar. Podemos estar sentados ao lado de nosso Pai, de nossos mestres, podemos conversar com eles e manter um diálogo que irá nos beneficiar em muito. Nosso universo pode ser infinito e cheio de amor e luz, ou infinito e cheio de escuridão e frieza. Nosso universo é e será conforme nosso pensamento e conforme nossos olhos veem, ou como nosso coração vê. Em meio ao campo a minha volta, campo este de batalha e sofrimento onde muitos tombam, e choram, onde a lei da vantagem ainda é seguida por muitos combatentes, podemos parar e observar a realidade de uma pequena flor que se faz alheia ao que ocorre aos demais seres, e se faz bela, e perfeita, e vive seu brilho, e vive sua realidade de encantar aquele que pousa seus olhos em seu pequenino ser. Meu universo permite que eu viva e compartilhe o universo com este pequeno e divino ser, sem que com isso eu fuja de minha realidade ou sem que com isso eu regrida em meu universo; muito ao contrário, ao unir-me a pequena flor, meu universo se alarga imensamente, pois me envolvo numa atmosfera de suavidade, de carinho, me envolvo com o universo da vida, sua complexidade e sua simplicidade e deixo de lado por alguns instantes minha corrida louca em busca de algo que me foi apresentado como necessário e por este motivo tenho que conseguir. Existem enfim inúmeros universos a minha volta ou em mim e em meu caminho, até o despertar de ser de luz que somos. E o caminhar realiza o processo de libertação de sentimentos, verdades e energias que trazemos conosco ou auxiliarmos a gerar. Em nosso caminho está a libertação do ser que se apega à terra e à materialidade, está o nascimento do ser de luz, de amor, do ser que pode ir muito mais além e irá onde os pensamentos o conduzirem, e poderemos estar juntos às estrelas que hoje observamos nos céus em noites sem nuvens. Meu universo será sempre do tamanho de meus pensamentos, terá a consistência que estes pensamentos gerarem e seu limite será definido por estes mesmos pensamentos. Livre do peso que me prende ao solo, liberto dos pensamentos e sentimentos que me prendem ao solo, poderei viver no “pequeno” universo da flor à beira do caminho,

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ou poderei navegar por entre estrelas. Liberto de meus pensamentos e necessidades de nosso plano atual, poderemos não apenas ouvir a música, mas sentir a música, me fazer uno com a música, poderei não apenas ouvir o vento a embalar as folhas das árvores, mas me tornar um com este ser e acompanhá-lo em suas viagens por todos os horizontes. Caro amigo e irmão, qual é meu universo quando posso acompanhar os pingos da chuva a descerem até o solo gerando vida, renovando a vida? Quando falamos em universo, nos referimos a este universo em especial, nos referimos ao universo de meus pensamentos, ou de meu carinho para com a vida e seus componentes, ao universo que minha energia gera e mantém, ao universo ou ao mundo que esta energia e estes pensamentos podem me conduzir. Somos seres infinitos na capacidade de amar, seres infinitos na própria concepção de seres, somos seres divinos e podemos mover montanhas se assim desejarmos, mas somos do mesmo modo seres em processo de formação, em processo de altodescoberta. Somos como crianças a dar seus primeiros passos ou adolescentes descobrindo seus corpos, mas neste processo de crescimento devemos trabalhar, desenvolver nossa capacidade de sentir e sentir a vida, e criar nosso horizonte ou nosso universo com estes sentimentos. Podemos ainda estar em processo de aprendizado, mas mesmo assim somos seres divinos, somos filhos de um Pai de imenso amor e possuímos este amor em nós, possuímos a capacidade de ir além; possuímos a capacidade de nos transformar e transformar o deserto em belos e floridos campos. Possuímos em nós a capacidade de transformar o horizonte nublado e carregado num horizonte rico em belezas. Este é nosso caminho, este é nosso horizonte e este deve ser nosso universo.

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Capítulo II – Parte III – Teu filho, Tua criação.

Meu Deus, meu Pai, sou Teu fruto, sou Tua criação, sou Tua imagem e semelhança, sou um ser divino em processo de criação e tenho Você em mim em todos os momentos. Sinto-O junto a mim sempre que meus pensamentos Te procuram e para mim o maior presente que poderias me conceder é o conhecimento da Tua existência e de Tua presença. É a possibilidade que tenho de sempre buscá-lo em meus momentos de dificuldade, nos momentos em que me sinto só ou nos momentos de felicidade. Tenho procurado fazer Tua vontade em todos os momentos. Tenho procurado melhorar a mim mesmo, tenho procurado auxiliar a quem eu possa auxiliar, tenho procurado melhorar minha energia e a energia do mundo em que estou inserido meu Pai; não sei se tenho feito tudo o que poderia ter feito, mas sei que tudo o que me proponho a fazer, faço-o da melhor forma que, em minha insignificância, posso fazêlo. E por tão pouco que tenho feito meu Pai, tenho recebido de Ti muito mais, de modo Pai que não sei e não saberei de que forma poderei Te agradecer, já que, por mais que eu faça, recebo muito mais em troca. Tu és minha vida, Tu és minha paz, Tu és o refúgio que encontro após cada batalha vivida, Tu és a força que me leva adiante, que mais poderia eu Te dizer que já não saibas, meu Pai? Como um pai poderia não conhecer seu filho? Como um Pai especial como você, poderia não conhecer seu filho? Conhece-me melhor que eu mesmo, sabes de minhas incapacidades e limitações, sabes também do amor maior que tenho por Ti e sabes também, meu Pai, que estás em mim. Erro em muitos momentos, errarei em muitos momentos. Tenho um caminho a seguir; sei que neste caminho muitos espinhos ainda encontrarei a ferir-me, sei que neste caminho, muita energia terei que dispor para vencer e realizar meu aprendizado, sei também, meu Pai, que em muitos momentos meus pensamentos se afastam de Ti e de Tua vontade. Sei, meu Pai, o quanto é difícil para um pai perceber seus filhos percorrendo os caminhos mais difíceis e ferirem-se muito nesta trajetória. Sei quanto é difícil para um pai, perceber que seu filho caminha muitas vezes em direção do abismo, e deixá-lo seguir adiante, pois este é o aprendizado que a criatura necessita realizar. Sei, meu Pai, quanto amor é necessário para deixar seu filho ferir-se podendo evitar, mas em nome do aprendizado, da fixação das lições, permitir que o ato se complete.

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Sei, meu Pai, que em muitos momentos me dirigi a Ti a pedir coisas e fatos descabidos, frutos de meu sofrimento momentâneo e Te peço perdão pela escuridão que nestes momentos se abatia sobre mim. Confesso a Ti, meu Pai, meu desejo é que meu caminho seja aquele que melhor se adequar as minhas necessidades e minha realidade. Confesso a Ti, meu Pai, minha vontade é que Tu me guies nestes caminhos. Confesso a Ti, meu pai, minha vontade de fechar meus olhos e deixar que Vossos olhos me guiem. Confesso, meu Pai, que a dor que sinto me fere muito, que preferiria não senti-la, mas passarei por ela se esta for Tua vontade meu amado Pai, pois em Ti confio. Um Deus e seus filhos, um Pai e seus filhos, um filho que tem em Deus o seu Pai, um filho que embora não compreenda a existência de seu Pai, tem neste ser a figura de seu Pai. A distância de um Deus e seus filhos é maior que a distância de um Pai e seus filhos. Devemos uma vez mais buscar refletir sobre nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas verdades. Devemos buscar encurtar a distância que nos separa de nosso Pai e mais que isso, procurar perceber que este Pai pode estar sempre ao nosso lado ou mais que isso, em nosso coração, em nosso ser, em cada partícula de nossa energia. A compreensão que necessitamos ter sobre a vida, suas dificuldades, sobre o quanto desconhecemos da vida e de nós mesmos. A compreensão que nosso Pai não é injusto, que a injustiça está em nós, nós a praticamos com freqüência. Buscar nosso Pai nos momentos de dificuldade e compreender que estes momentos de dificuldade nos mostram lições que devemos absorver. Ir ao Pai em busca de respostas? Sim, buscar respostas com este Ser, mas compreender que nem sempre estaremos prontos para receber ou compreender as respostas. Buscar neste Pai a energia necessária para que vençamos nossas dificuldades, de modo que nosso tempo de aprendizado seja minimizado e que as dificuldades que venham a se apresentar sejam vencidas com menor sofrimento e maior proveito. Amor e fé neste Ser, em meu Pai, em vosso Pai. Tendes este amor a ponto de fechar vossos olhos e caminhar pelo mais difícil dos penhascos, confiando que vossos passos serão guiados por Ele? Vosso Pai, quem é vosso Pai? Aquele em quem buscais facilidades e respostas a vossas incompreensões? Aquele a quem buscais, nos momentos em que a tempestade se abate sobre vosso lar? Aquele que castiga quando cometeis vossas faltas? Vosso Pai está e estará sempre ao vosso lado e vos auxiliará em todos os momentos, e proverá o necessário ao vosso crescimento enquanto ser divino. Cabe a nós viver nossas experiências, passar por nossas dificuldades e não deixaremos

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de vivê-las em nome do menor sofrimento; poderemos deixar de vivê-las, caso tenhamos absorvidos nossas lições, poderemos vencê-las com menor sofrimento se nosso coração estiver cheio do sentimento maior chamado amor, se nós deixarmos aberta a porta por onde nossos anjos protetores podem nos enviar suas inspirações, sua luz protetora. Somos Deuses, somos filhos deste Pai e assim estaremos vivendo amanhã, um amanhã mais ou menos próximo, depende de nossos atos e pensamentos, da facilidade ou dificuldade que nós mesmos colocamos em nossos caminhos. Crer na pedra que está a nossa frente, que é palpável, que posso sentir em minhas mãos e que sei que se eu a deixar cair em meus pés sentirei a dor, ou crer no poder do amor, crer na suavidade, crer na divindade que está em nós, crer de olhos fechados em nosso Pai, fechar os olhos a ponto de visualizar suas mãos nos conduzindo, indicando o caminho seguro por entre o campo minado. Crer em nossa necessidade de melhoria, na necessidade que possuímos de deixar cair ao solo a cortina que impede nossa melhor visão da vida. Acreditar que este Pai sofre quando um de Seus filhos se fere mais gravemente, acreditar que este Pai sente quando um de Seus filhos deixa de ouvir seus conselhos e segue na direção oposta. Acreditar num Pai que sofre duas vezes: primeiro quando da negação de seu filho e da certeza do ferimento futuro e a segunda, quando este ferimento acontece, mas mesmo assim está ao nosso lado pronto para nos auxiliar, caso criemos em nós as condições para que o auxílio aconteça. Podemos não compreender a existência deste Ser, mas temos em nós o livre arbítrio para decidir acreditar apenas no que é palpável ou podemos deixar, apenas deixar que o amor se faça e que a Sua presença exista em nós. Podemos não compreender a existência de nosso Pai, seu tamanho, sua forma, sua energia, seus pensamentos ou onde é sua morada, mas podemos Tê-lo na figura do Pai protetor e amoroso que conhecemos. Somos Deuses, somos filhos deste amoroso Pai e Ele estará conosco em todos os momentos. Vivemos inseridos em nossas necessidades cotidianas, vivemos envoltos nas energias que nos acompanham, energia esta, fruto de nossa criação e necessitamos percorrer este caminho, mas podemos procurar nos aproximar do amor, nos habituar a deixar que o amor se manifeste em nosso ser. Viver o amor não é sinal de fraqueza, muito ao contrário, viver o amor é conhecer-se e ter em si a força do amor. Viver o amor é construir não apenas um novo ser em nós, mas é construir um novo mundo ao nosso redor, é construir um novo horizonte

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frente a nossos olhos. Viver o amor é viver ao lado de nosso Pai, é sermos filhos deste Pai e cumprirmos nossa divindade.

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Capítulo II – Parte IV – O carinho de meu Pai, o diálogo com meu Pai Mais que filhos de Deus, somos filhos de nosso Pai. Pai que não compreendemos, que não conhecemos, mas deve existir em nós o sentimento do filho por seu Pai; devemos buscar em nós este sentimento e compreender que, o que acontece em nossa jornada, acontece para o nosso progresso. Tudo o que nos ocorre, ocorre em função de nosso passado ou em função de nossas necessidades de aprendizado, de nossas necessidades futuras. Estamos em processo de autodescoberta, de descoberta do significado da vida e sua extensão, estamos em processo de descoberta de nossas capacidades, de nossa origem e de nosso amanhã. Despertamos a cada manhã, completamente inconscientes das realidades que viveremos ao longo do dia que se inicia, e com o avanço do dia, as experiências se sucedem e muitas vezes, estando frente a frente com um fato, não sabemos que destino seguir ou que ação tomar. As respostas a estas questões estão em nosso interior. Em nosso eu interior e as experiências se fazem para que aprendamos a ir buscar as respostas, para que com a busca, compreendamos o significado da lição que nos é apresentada, assim como para que compreendamos nossa capacidade de realização. Mas nem sempre é fácil encontrar as respostas; ao contrário, muitas vezes ficamos sem saber qual caminho a seguir. É como se olhássemos para um armário com uma série de gavetas com respostas e soluções e não soubéssemos qual destas gavetas abrir e qual solução aplicar. A cada solução possível de ser aplicada e a cada solução aplicada, nosso caminho toma uma direção. Em função daquela gavetinha aberta, existe um reflexo em nosso amanhã ou em nosso hoje. Assim se faz o aprendizado. É como se nos fosse apresentado uma série de questões a serem resolvidas e ao mesmo tempo uma série de possíveis soluções a serem aplicadas e a cada solução aplicada, uma conseqüência e com esta experiência o ensinamento se realiza; ou, se a lição não é fixada com a experiência vivida, esta experiência deverá ser repetida até que aquele determinado ensinamento necessário ao pequeno aprendiz seja fixado em seu ser. Uma vez que o ensinamento esteja fixado, passamos a nova experiência e a novas séries de gavetinhas com soluções àquela determinada experiência. Nesta série de ciclos de aprendizado, muitas perguntas surgirão à mente do pequeno aprendiz e em muitos momentos o pequeno aprendiz estará se perguntando qual das gavetinhas abrir ou em outros momentos o estará questionando a situação vivida ou os fatos ocorridos nos momentos subseqüentes à abertura da gaveta e aplicação da solução.

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Em muitos momentos, o pequeno aprendiz não compreenderá porque estará vivenciando esta ou aquela experiência. Em muitos momentos irá olhar ao lado e perceber outro aprendiz vivenciando uma experiência diferente, mais fácil, ou poderá perceber que o armário que está à frente do aprendiz próximo, apresenta um número menor de gavetinhas e deste modo uma possibilidade menor de erro; enfim, em muitos momentos, o pequeno aprendiz estará fazendo a pergunta “Por quê?” Podemos imaginar que para uma série de pequenos aprendizes existe uma série infindável de experiências, de pequenas gavetinhas, de inúmeras reações a cada gavetinha aberta ou a cada gavetinha que não foi aberta. Podemos imaginar também que, apesar de existir este processo que podemos chamar de “padrão de aprendizado”, a cada um, uma realidade, uma necessidade, um caminho como conseqüência. Podemos imaginar que não existem respostas prontas e fixas aos casos, mas que as respostas surgirão conforme a realidade e necessidade do aprendiz e conforme o acúmulo de vivências anteriores, conforme o acúmulo de carga que o pequeno aprendiz traz consigo. A jornada do aprendiz é um constante abrir de portas e a cada porta aberta a percepção de que, no novo horizonte, existem inúmeros caminhos e nestes caminhos encontramos outros viajantes companheiros de viagem, que por alguns momentos estarão ao nosso lado, compartilhando a mesma experiência, nos auxiliando no processo de aprendizado, ao mesmo tempo em que realizam o seu próprio aprendizado. Assim como nestes caminhos encontramos companheiros de viagem que nos auxiliam, poderemos também encontrar outros viajantes em nossos caminhos; aprendizes que se apresentam como forma de provas que devemos vencer e ensinamentos que devemos fixar. Isto posto, nos parece que existem alguns fatos que podemos, do ponto em que nos encontramos, afirmar sem medo de cometer injustiças ou enganos, como: a) Somos crianças em fase de crescimento, possuímos um universo imenso a descobrir, existe em nosso interior um ser divino que necessita despertar; b) Não existem respostas ou soluções que podemos rotular como “padrão”, mas a cada caso, uma realidade. Outro fato que podemos afirmar sem preocupação em errar é que existe um Pai que se preocupa com nosso caminho, com seus amados filhos, com as experiências que estes filhos vivenciam e com a pequena gavetinha que cada um de Seus filhos abre em cada momento da jornada. Este Pai, que não conhecemos como antes afirmamos, mas que podemos tê-lo perto de nosso coração, compreendê-lo ao nosso modo, amá-lo ao nosso modo. Nosso Pai está em nosso interior. Cabe a nós tomar as decisões, suas conseqüências, benéficas ou não, são e serão sempre de nossa responsabilidade, mas este fato não impede que busquemos

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sempre a aproximação do filho com o Pai, que busquemos sempre encontrar as respostas em nosso coração; isso não impede que ouçamos nosso coração em todos os momentos em que somos chamados a decidir. O amor está em nós, está em nosso interior, já veio com o “pacote”, é “item de série” que não pode ser segregado do ser. Existem momentos em que este ser desconhece o sentimento por esta ou aquela razão, existem momentos em que presenciamos atos que nos fazem questionar a existência do amor neste palco ou em certos aprendizes; mas estes momentos possuem suas razões para existir, trazem consigo mensagens, ensinamentos precisos. A vida se for vivida com carinho torna-se muito mais suave, muito mais agradável de ser vivida e se optamos por viver uma vida com carinho, antes de mais nada, devemos compreender nosso Pai, devemos aprender a encontrá-lo ao longo de nosso caminho. Devemos, sim, buscar sempre o diálogo com nosso Pai; devemos, sim, sempre ir a Ele buscando as orientações para que nos momentos decisórios possamos abrir a gavetinha certa, no momento certo. Procurar conversar com nosso Pai, procurar abrir nosso coração a este Pai, procurar encontrar em nossos momentos e realidades fatos a agradecer a nosso Pai. Seguimos nossos caminhos, realizamos nossas opções e com o avanço da jornada vamos formando os caminhos que seguiremos no momento subsequente. E não existem caminhos predeterminados até o Pai. O caminho até o Pai passa por nosso coração, sua figura, sua presença, seu calor, seu carinho, seu abraço, seu afago em nossos cabelos, o beijo que d’Ele recebo em minha testa, o colo que tantas vezes sentimos vontade de voltar a ter, a paciência imensa que eu não tenho, encontro em meu Pai; encontro em meu Pai a paciência quando trilho por caminhos errados. Aqui, mais que qualquer outra coisa, existe o sentimento, o amor, o elo que nos une, o sentimento que cria a vida, o sentimento que dá cor e sabor a vida, o sentimento que dá sentido à vida, o sentimento que abre as portas para que as respostas cheguem a nós. Aqui, possuídos deste sentimento ou desta presença, ou desta certeza, não importa como a rotulemos, deixamos de caminhar sozinhos. Em nossos caminhos nunca existirá a solidão, em nosso caminho nunca existirá a dúvida, nunca existirá a escuridão ou a tempestade ou mesmo quando a tempestade surgir, poderemos nos abrigar junto ao Pai e encontrar todas as condições para que vençamos nossas dificuldades momentâneas. Quando deixamos que o amor surja em nosso ser, quando nos habituamos a ouvir nosso coração e/ou ouvir o amor, quando ouvimos o amor, ouvimos nosso Pai já que nosso Pai é amor, é vida, é afeto, é luz. Quando fechamos nossos olhos e

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entregamos nosso caminho a nosso Pai, Ele nos auxiliará a vencer qualquer adversidade, qualquer dificuldade e ainda mais, quando atingimos este estágio poderemos perceber o quanto existe em nossa vida, em nosso ser ou ao nosso redor para agradecer a nosso Pai. Deixando que o amor se instale em nosso ser, criamos as condições para que nosso Pai se manifeste em nós; criamos as condições para que a efetiva união entre Pai e filho se faça e se fortaleça e cresça a cada instante. Deixando que o amor se instale em nosso ser, passaremos a compreender melhor nossa condição de seres divinos; poderemos compreender melhor nossa pequenez e nosso gigantismo e poderemos ir além e muito mais além do ponto em que nossos olhos ou imaginação nos conduzem. A cada instante nosso pai nos mostra um caminho, a cada instante, a nossa frente um conjunto de pequenas gavetinhas, e devemos tomar a decisão e existirão as conseqüências destas decisões. E a cada instante nosso Pai está presente nos apoiando, nos incentivando a seguir pela melhor trilha, nos auxiliando a viver o amor e devemos crer que sempre que estendermos a mão ao Pai, ao amor, haverá em sentido contrário uma resposta e havendo este gesto, podemos ter a certeza que o amanhecer do dia seguinte será mais belo e colorido que o anterior. Vosso Pai está sempre em vosso interior, ao vosso lado, em vosso coração. Vosso Pai estará sempre iluminando vosso caminho e cabe a cada um de nós fazer o melhor possível para encontrá-lo, para vivê-lo, para amá-lo e para expressar este amor, melhorando não apenas a nós próprios, mas auxiliando na melhoria e construção do mundo que habitamos.

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Capítulo II – Parte V – Eu e a natureza Num passado mais recente, vivíamos em meio à vastidão das florestas, dos campos e mais próximos de nossos amigos, os animais. Estávamos naquele meio para usufruir dos benefícios que a natureza nos oferecia em abundância; podíamos cortar, derrubar, cavar, tudo para a manutenção de nossa existência. E assim foi. Usamos tudo o que podíamos da natureza e sem preocupações sobre o futuro do nosso meio. Com o avanço do tempo, veio o despertar da consciência para a necessidade do convívio em harmonia, veio a preocupação com a manutenção da natureza, para que os próximos que aqui estiverem possam também usufruir da dádiva maravilhosa que possuímos ao nosso redor. Com o avanço do tempo, o mundo em que vivemos passou a parecer menor; fatos ocorridos noutro lado do mundo claramente afetam os que estão deste lado do mundo. Com o avanço do tempo, para alguns ao menos surge a percepção clara da sociedade consumista preocupada com o agora, com o conforto físico, não importando a custo deste conforto. Mas a sociedade realiza seu despertar. Nos dias atuais, muitos preocupam-se com a natureza; nas escolas encontramos os ensinamentos sobre as questões naturais, nos lares inicia-se a preocupação com os produtos ecologicamente corretos, nos campos a busca pela menor poluição e melhor aproveitamento dos recursos naturais existentes e algumas vezes já escassos. Em muitos cantos do planeta, encontramos aprendizes preocupados com as mudanças climáticas que se apresentam em todas as partes do planeta. Hoje, olhamos a determinado ponto e percebemos os abusos cometidos pelo homem. Enfim, a consciência evoluiu, as verdades modificam-se conforme o avanço do caminhar do viajante e com o avanço da consciência; cria-se uma oportunidade para que a natureza siga seu curso, recupere-se das agressões que nós praticamos contra ela e ao mesmo tempo contra nós mesmos. Mas enfim, o despertar necessita ser fortalecido, ser constante e estar em todas as consciências. Necessitamos compreender o significado e a extensão da expressão “natureza”; necessitamos compreender que nós somos parte da natureza, que devemos estar integrados com todos os demais seres que habitam este palco, que necessitam uns dos outros para viver suas jornadas. Podemos entender como natureza, o conjunto de seres que compõem a criação de nosso Pai, que vivem ou deveriam viver em harmonia, gerando vida, mantendo a

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vida, mantendo a pureza do planeta e dos seres que aqui vivem. E até onde vai a natureza? Qual sua extensão? Supondo que determinada coletividade tenha por prática a poluição do ar e dos rios, com o passar do tempo, esta poluição, tanto do ar quanto dos rios, afetará também os causadores da poluição, podendo ainda afetar seus descendentes. Ao danificar uma floresta, todo o entorno da floresta será afetado, como toda a flora e fauna e do mesmo modo o solo e os homens que ali vivem, ou mesmo os que vivem muito distantes daquela floresta e nem ao menos sabiam que por ela eram influenciados. Podemos defender que a natureza é um conjunto de seres e realidades, que o que afeta um acabará afetando a todos e até mesmo as gerações futuras. Estamos aqui tratando de aprendizes e viajantes, falamos da necessidade maior da humildade em reconhecer que todos nós necessitamos melhorar nosso grau de conhecimento. Falamos por vezes da necessidade do viajante sentar-se à beira do caminho e observar as proximidades, observar a situação em que se encontra, observar o caminho que o trouxe até o ponto onde se encontra, observar para onde o caminho que está sendo percorrido o conduzirá e além disso, procurar aprender com outros viajantes. Falamos também da necessidade de viver com suavidade, de procurar viver em harmonia consigo mesmo, com a vida, com nosso coração. Falamos enfim da necessidade de buscar a paz em nosso ser, de procurar compreender a divindade que existe em nosso interior; falamos da necessidade de procurar nosso Pai para buscar ensinamentos, de buscar proteção e aconchego para nosso carente ser. Falamos então, da necessidade de vivermos em harmonia com os que nos cercam, sejam eles de que espécie forem, falamos da necessidade maior de possuirmos o amor em nosso coração, de possuirmos nosso coração sempre aquecido, de ouvirmos nosso coração a cada instante do caminho. E como não amar a natureza? Como não respeitá-la, sendo ela um ser que se fará amanhã diferente do que é hoje, um ser que evolui, que sustenta a vida. Falamos de como não observar as flores em seu processo de crescimento? Falamos de como não observar as delicadas formas das flores, não importa que flor seja, mas observar suas formas e cores. Falamos em: Como não observar a vida perfazendo seu curso quando os insetos e pequenas aves procuram estas flores em busca de seu alimento? Falamos em como não observar as águas do córrego que segue seu curso, que mantém vida, que alimenta a vida ao seu redor e é alimentado pelas águas da

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chuva? Falamos de como não observar as águas destes córregos unindo-se as águas de outros córregos e por fim às águas dos oceanos? Falamos neste instante ao vosso coração e perguntamos, como não observar a maravilhas das águas oceânicas, sua complexidade, sua generosidade para com tantos que ali se vivem, falamos da generosidade destes oceanos em fornecer alimentos a tantos seres. Falamos também e com o mesmo respeito e amor, das estrelas que aparecem no céu em noites claras. Falamos das nuvens a seguir seus caminhos daqui para lá com sua graça e suavidade. Falamos em como não respeitar a natureza, quando encontramos as tempestades com sua força modificando tudo ao seu caminho. Podemos sim, ao caminhar, deixar nossos restos ao longo do caminho, poluindo e modificando o meio sem nos preocupar com o amanhã ou podemos lembrar que somos parte da natureza, que nos alimentamos dela e ela depende de nós para sua manutenção. Devemos lembrar que existirá um amanhã e que nós somos os responsáveis por este amanhã; estará em nosso histórico nossa participação na criação deste novo mundo de amanhã. A beleza está e estará sempre em nossos olhos e em nossos corações. Olharemos para tudo e veremos o que em nosso coração existir, de tal forma que podemos olhar a uma árvore e ver ali um ser majestoso e perfeito, que tem vida e que gera vida ou podemos ver nesta árvore apenas uma fonte de recursos que pode ser transformada em dinheiro. Devemos ter consciência de que a cada passo que damos ao longo do caminho, em algum lugar do tempo ou do espaço existirá uma conseqüência; somos e seremos os responsáveis. Todos nós gostamos ou gostaríamos de viver num paraíso repleto de belezas que muito nos faz bem. Gostaríamos de poder ir a uma bela árvore frutífera e dali colher o mais belo e suculento dos frutos, mas nos esquecemos de praticar as ações que constroem este paraíso. Nos esquecemos que este paraíso somente estará ali para que nós o aproveitemos, se antes disso ele estiver em nosso interior, em nosso coração. Outra questão em que podemos pensar é sobre nossa responsabilidade, sobre nossa parte no processo. Devemos procurar nos melhorar a cada dia e fazer sempre nossa parte, fazer o bem, fazer aquilo que nós gostaríamos que a nós fosse feito, sem se preocupar se nosso próximo ou nosso vizinho também faz a parte dele ou não. Não podemos viver nossa vida pela vida dos outros, mas devemos sempre fazer a nossa parte, procurar sempre e uma vez mais, avaliar nossos atos e

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pensamentos com o intuito de corrigi-los, de melhorá-los, de aproximá-los da perfeição, da luz, do amor, assim como devemos saber que poderemos sempre e uma vez mais dar o exemplo, mostrar o caminho a seguir a outros aprendizes viajantes. Eu e a natureza, a natureza está em mim, faço parte da natureza, ela, a natureza, não é apenas floresta a ser desbravada, mas é fonte de vida, é uma companheira que está aqui para nos alimentar; se nós a alimentarmos, ela nos dará amor.

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Capítulo II – Parte VI – A perfeição Quando nos convidam a pensar em perfeição, a buscar algo que seja perfeito, podemos pensar em Deus como perfeição, ou podemos pensar na mulher perfeita, ou no homem perfeito ou na vida perfeita e procuramos colocar em cada uma destas figuras a descrição, o entendimento de perfeição que possuímos. Podemos descrever o ser perfeito conforme nossa busca, nosso desejo ou nossa necessidade; enfim, construímos este ser perfeito conforme nosso entendimento de perfeição. E então perguntamos: o que é perfeito? O que seria a perfeição? Perfeito seria nosso Pai? Perfeitos somos nós que somos seus filhos? Perfeita é a vida? Perfeito é a jornada que uma flor percorre durante sua existência? Sem pretender entender ou descrever a perfeição, mas ao contrário, com a intenção de trazer para mais próximo de nossa realidade a idéia da perfeição é o que procuramos neste trabalho. Se nosso Pai é perfeito, se somos filhos deste Pai, somos também perfeitos, somos perfeitos conforme nossa realidade, considerando o estágio em que nos encontramos. Mas se ainda cometemos muitos erros em nossas jornadas, como nós podemos ser perfeitos? Se afirmarmos que a vida é perfeita, alguém lembrará de tamanhas dificuldades que encontramos em todos os cantos de mundo e questionará: como a vida é perfeita com tamanhos desvios? A diferença pode ser explicada se olharmos as situações sob ângulos diferentes, sob horizontes diferentes. Se olharmos para a vida de um mesmo nível em que a vida se encontra, veremos apenas dificuldade e na maior parte dos casos, muita tristeza; mas, se ao contrário disso, olharmos a vida de um ponto mais alto, poderemos perceber que as dificuldades que existem em sua grande maioria, senão todas, foram criadas pelo próprio homem e que agora as vivencia até que tenha condições de absorver os ensinamentos, para que num momento subseqüente tenha a oportunidade de mudar suas atitudes, seus pensamentos e ações. É perfeito alguém passar fome, passar frio ou não possuir abrigo para si ou para os seus? Somos Deuses em processo de formação, em crescimento e a maneira de absorvemos os ensinamentos é pelo sofrimento, pela dor, através do ferimento na carne. A forma que a vida nos ensina o valor dos alimentos é nos mostrando quão difícil é a vida quando não possuímos os alimentos. A forma que a vida tem de nos mostrar o valor imenso de um agasalho, de um teto, é nos fazendo perceber quão difícil é viver sem estes itens.

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Se nos habituarmos a perceber a vida do ponto de vista que normalmente a vemos, talvez não compreendamos sua grandiosidade e perfeição; mas, se como dito anteriormente, conseguirmos vê-la sob um ângulo diferente, teremos a oportunidade de mudar nossa opinião. Outro aspecto importante que todo aquele que se predispõe a observar para compreender, para crescer, deve ter a consciência da imensa importância de nossos olhos. Nossos olhos enquanto órgãos físicos são da mesma forma hoje ou amanhã, deixando de lado as questões envolvendo o envelhecimento do corpo. Nosso olhos são órgãos de vital importância e se modificam a cada dia. Podemos olhar com olhos de amor, com olhos de dor, com olhos de mágoa, com olhos que não querem ver, com olhos que veem o que desejam ver, e podemos olhar o mundo com olhos de suavidade, com olhos que buscam a perfeição e encontram a perfeição a cada instante da caminhada do viajante aprendiz. A perfeição está a nossa frente, na delicadeza de uma flor, no carinho maior da pequena mamãe pássaro a alimentar seus pequenos dependentes. A perfeição está na beleza maior daquela frondosa árvore que encontramos no caminho; a perfeição está em nossos olhos, em nosso coração, em nossa energia, enfim, em nosso ser. Quando amamos nosso semelhante, quando desejamos tudo que possamos imaginar de bom para nosso semelhante, quanto oramos, quando buscamos nosso Pai, quando direcionamos bons fluidos e boas energias àqueles que gostamos ou àqueles que muitas vezes não conhecemos, mas que de algum modo necessitam destes pensamentos, estamos colocando em prática nossa perfeição. Quando vivemos a vida com sentimentos, com nossas emoções, quando vemos a vida com o coração e não com os olhos, quando ouvimos nosso coração e seguimos seus conselhos, estamos praticando a perfeição. Quando praticamos a educação em nosso convívio diário, quando calamos nossa boca antes de observar o que não merece ser observado, quando ofertamos nossos ombros aquele companheiro que, cansado, busca-os, estamos praticando a perfeição, estamos praticando o amor, estamos praticando a suavidade, estamos deixando que o ser divino que existe em nós venha à tona. E podemos perguntar também, enfim, por que praticar a perfeição? Por que buscá-la enquanto tantos vivem em sentido contrário? Somos construtores de nosso mundo, de nosso ser, construímos o que nossos olhos veem, além do fato que a vida irá nos tratar conforme nós a tratamos. Possuímos em nós o amor e cedo ou tarde este amor irá florescer e mudar nossa forma de ver, não somente ao mundo, mas a nós mesmos.

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Por que viver a perfeição? Não necessitamos viver a perfeição; podemos, se desejarmos, viver a brutalidade, é nossa vida, é nosso direito viver como nós desejarmos, mas vivendo a perfeição, nós conseguiremos ver e sentir a perfeição muito mais próxima de nós, em nosso interior. Poderemos perceber a perfeição neste mundo de seres que apesar de suas perfeições, vivem em suas imperfeições. A perfeição da vida: como ver a perfeição da vida se a mim falta uma boa casa, um bom carro, boas férias num local paradisíaco. Como viver a perfeição se meu corpo sente as dores das experiências de vida, do tempo que passa? Como viver a perfeição se outros vivem numa condição de vida melhor que a minha? Mesmo mas condições mais difíceis ou adversas, poderemos encontrar e viver a perfeição, se pudermos compreender e aceitar os ensinamentos que a vida nos propicia. Se vivemos nossas dificuldades, podemos refletir sobre estas dificuldades procurando perceber se elas são mesmo impeditivas à nossa felicidade, a nossa harmonia. A imagem de prosperidade, a imagem do bem estar, não significa que a prosperidade e o bem estar habitem o coração que segue por detrás da imagem. Se nossas dores existem e são realidade, é também verdade que poderemos encontrar em nós ou ao nosso redor, algo que nos mostre que nossa condição pode não ser tão difícil quanto a vemos. Existem em nós motivos de alegria e suavidade, basta que olhemos com os olhos certos. Devemos ter consciência de nossa capacidade de gerar amor. Devemos ter consciência e viver a experiência de dar amor incondicional. Devemos viver esta experiência para perceber o quanto é bom e gratificante fazer o bem ao nosso semelhante. Devemos experimentar estes sentimentos e doações para perceber que quanto mais nos doamos, quanto mais auxiliamos, mais recebemos e mais seremos auxiliados. Devemos ter consciência da divindade que habita nosso ser e que esta divindade ainda não é compreendida ou experimentada em nosso dia a dia, mas somos perfeitos, possuímos muita luz e amor em nosso interior, podemos transformar a nós mesmos e ao mundo todo. Erramos muito ainda, nossos pontos de vista nem sempre andam próximos da verdade, não compreendemos ainda a extensão e o sentido da verdade, mas dentro desta realidade é nosso dever nos amar e amar a vida e viver nossa perfeição e deixar que o amor viva em nosso coração. Somos perfeitos e assim nosso Pai deseja que vivamos conscientes de nós mesmos, de nossa momentânea imperfeição, mas conscientes de nossa capacidade de realização, de nossa capacidade de amar. É o desejo de nosso Pai que estes seres perfeitos, ainda imperfeitos, construam sua libertação, alcancem um patamar mais elevado. É o desejo de nosso Pai, que nós possamos dar o exemplo, que

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possamos mostrar a nós mesmos a aqueles que estão próximos, que nós podemos, que nós conseguimos viver a perfeição e o amor e desta forma encorajar a todos os demais a vir também a trilhar o caminho que conduzirá a todos a cada passo mais próximos de nosso Pai, que nos aguarda de braços abertos e pronto a nos acolher no mais prazeroso dos abraços.

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Capítulo II – Parte VII – A divindade “A divindade” nos remete à figura de um Deus, de um ser supremo ou nos remete a figuras humanas as quais aceitamos como belas, perfeitas, desejáveis e portanto, divinas. A divindade se dá em seres que habitam altas esferas, ocupam tronos e ao seu redor encontramos muitos súditos prontos a satisfazer as necessidades e vontades destes Deuses. Mas podemos exercitar nossos pensamentos no sentido de melhor compreender o conceito de divindades. Podemos entender como divindades aqueles seres que estão um pouco à frente no processo de união de si mesmo com o universo; são seres que já percorreram os caminhos que hoje nós percorremos, são seres que possuem em si já manifesta a harmonia. Podemos, do mesmo modo, entender como divinos os seres que nos guiam em nossas aventuras universo afora, nos intuem com seus pensamentos fortalecedores, nos protegem em noites tempestuosas. Podemos entender como divinos os seres que nos ouvem em nossos momentos de lamentações, em nossos momentos de aflição. Podemos entender como divinos os seres que devíamos ter sempre em nossos pensamentos e corações, para que desta forma pudéssemos ter em nós suas energias benéficas. Se olharmos para o passado da humanidade, encontramos em muitos tempos as formas de Deuses. Do mesmo modo, encontramos ao longo do tempo, muitas formas de sociedades a se relacionarem com seus Deuses, mas sempre existe a figura de um Deus supremo, inatingível, poderoso e nem sempre clemente e de outro lado seus súditos, fiéis e tementes. O convite é direcionado a aqueles que se predispõem a reavaliar este entendimento e este relacionamento entre divindades e súditos. Possuímos um Pai que independentemente de como nós o entendamos, é um ser divino ao mesmo tempo em que é nosso Pai; então, somos filhos deste divino ser e deste modo somos divinos também, somos sua imagem e semelhança, apenas não compreendemos e mesmo não nos conhecemos, não dominamos nossa capacidade de realização, nossa capacidade de amar, nossa capacidade de construir. Divino é o ser que consegue compreender o amor, que não vê o amor como um sentimento a ser praticado, mas que compreende que o amor está em cada um de nós de modo nato, tal qual para nós hoje é a visão ou a audição. O amor faz parte de nossos seres e o viveremos em nosso dia a dia e o aplicaremos com naturalidade e não mais diremos, “estou amando”, pois neste estágio, se vivo, amo, se existo, amo.

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Divino é o ser que é capaz de doar-se sempre sem esperar receber nada em troca; doa-se pelo prazer de doar-se, pelo prazer de fazer o bem a um semelhante, pela satisfação imensa em ver em nosso semelhante a face da satisfação e da alegria no momento em que a dificuldade é vencida e se desfaz. Divino é o ser que mesmo no mais difícil dos terrenos ou em meio a mais difícil das batalhas, consegue perceber ao seu redor as belezas que nosso Pai nos propicia; Ele coloca ao nosso redor justamente para tornar nossa jornada mais agradável. Divino é o ser que compreender que nossos irmãos não são diferentes de nós mesmos, eles sentem o mesmo e do mesmo modo que nós sentimos. Divino é o ser que compreende que verdades são mutáveis conforme se dá o avanço da caminhada. Divino é o ser que compreende que seus irmãos apenas possuem verdades diferentes de nossas verdades, mas que nem nossas verdades e nem as verdades de nossos irmãos serão verdades amanhã. Divino é o ser que ouve o silêncio. Divino é o ser que admira as nuvens em seus trajetos; divino é o ser que se cala uma vez e outras tantas mais. Divino é o ser que mantém seus pensamentos enriquecidos de harmonia, de fé, de caminho e suavidade. Divino é o ser que se eleva acima de qualquer coisa, esteja ele onde estiver e segue para muito mais além onde quer que exista universo, onde quer que existam estrelas, onde quer que existam sóis a aquecer e sustentar a vida. Se desejarmos exercitar nosso pensamento, se quisermos buscar descrições ou definições do que seriam seres divinos, podemos ainda entender que divino é o ser que observa não somente as crianças em seu desabrochar, em sua evolução diária, mas também observa todo o conjunto da criação evoluir como um belo e harmonioso conjunto. Hoje um botão, amanhã uma flor e após um fruto, sementes são lançadas e um novo ser ganha vida. Divina é a criação. Quão bela é a vida, quão maravilhosa é a criação de meu Pai e quão belo sois vós que consegue admirar a obra de nosso Pai, e divino sois vós que consegue fazer a observação, e divino sois vós que ainda não se apercebeu das belezas infindáveis que estão ao redor, mas que poderá sem mais demora, se o desejar, iluminar-se com estas observações. Quão divino é o pai ou a mãe que provê o sustento de seus pequeninos dependentes? Quão divino é o ser que eventualmente deixa sua fome de lado para que seus pequeninos possam alimentar-se?

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Quão divino é o ser que permanece acordado quando seus pequeninos estão doentes à noite, ou quão divino é o ser que se levanta muitas vezes em noites frias para garantir que seus pequeninos não estejam descobertos? Quão divino é o ser que permanece acordado até que seus filhos retornem ao lar, depois da escola ou depois das reuniões com os amigos em noites de diversão? Vós sois Deuses, vós sois divinos, em vós habita o mais profundo dos sentimentos, o amor, sentimento este que transforma não somente aquele que o possui, mas todos os demais que estão próximos ou todos aqueles que são focos deste sentimento. E transforma também todo o habitat, transforma as flores, as florestas e todos seus habitantes. Se desejarmos, podemos transformar nossa jornada numa jornada rica em belezas e nobres sentimentos; podemos transformar nossa jornada numa jornada que ocorra em meio a campos floridos com pássaros a entoar suas canções ao nosso passar. Se desejarmos, podemos caminhar e deixar atrás de nós um caminho coberto de pétalas de flores e agradáveis aromas. Se pararmos um instante e procurarmos, vamos perceber em nós, em nosso dia a dia, muitas disputas das mais diversas formas: brigamos a cada instante como se de todos os lados nos fosse direcionado muitas agressões e nos defendemos destas agressões como se nossa vida dependesse disso. Quando deixarmos de lado estas disputas todas, quando percebermos que a vida não necessita ser vivida como uma ultima coisa a ser feita antes que o teto desabe, quando pararmos um pouquinho só em nossa caminhada e sentarmos ao largo do caminho, perceberemos que à nossa passagem existem muitas belezas. E mais que isso, se conseguirmos compreender e colocar em prática, que a vida é melhor vivida se for vivida com suavidade ou ainda, quando compreendermos que quanto mais nós nos doamos, mais nós recebemos em troca, ou ainda, quando percebermos os valores imensos que possuímos em nosso interior, em nosso coração e quando percebermos que os valores materiais tem sim valor em função do palco em que atuamos, mas que este valor é limitado, que sua utilidade é limitada, estaremos iniciando nosso despertar como seres divinos. Nosso viver consiste em procurar distribuir nosso tempo disponível entre família, trabalho, estudo, diversão, repouso, família, trabalho, estudo, diversão e tudo uma vez mais, e uma vez mais. Exigências de nossa sociedade, cultura por nós mesmos criada? E o despertar do divino ser que habita em nosso interior, e o descobrir deste ser? E a caminhada interior? E a busca pela harmonia conosco mesmo, com nossos semelhantes e com o universo?

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Meu pai, Tu és meu Pai e sou teu filho, tenho em mim a Tua constituição, tenho em mim o amor, a paz, a harmonia, a luz. Tenho em mim o ontem, o hoje e o amanhã; tenho em mim a mais bela das fontes onde nasce a mais refrescante água. Tenho em mim a vida, sou fonte de vida e sou irmão do universo, irmão de todos os sóis de todas as galáxias, e sei, meu Pai, que posso, por onde eu passar, transformar o campo árido em campo florido, e sei, meu Pai, que posso aquecer os corações de todos os meus irmãos, e sei, meu Pai que posso, sempre e uma vez mais, estender minhas mãos em direção a necessidade ofertando auxílio. Tu és meu Pai e sei que Tu estás em mim a cada instante, a cada pensamento meu, e sei, meu Pai que sempre que eu Te procurar, Te encontrarei a me receber de braços abertos; e sei, meu Pai, que Tu me conheces e que Tu perdoa os meus enganos e tropeços ao longo do caminho e mais que isso, meu Pai, sei que sempre que eu necessitar de carinho poderei encontrar em Ti. E quanto a você, quem sois vós? Olhai para vós uma vez mais, buscai em vós a divindade, buscai em vós a libertação de vosso ser e buscai viver em harmonia. Seja vós um divino ser, procure unir-se com o universo e ir sempre mais longe, seja vós um semeador e procure semear a suavidade e o amor.

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Capítulo III – Parte I – Energia e pensamento Onde quer que estejamos, no plano em que nos encontramos, poderemos olhar ao redor e perceber dificuldades das mais variadas formas. Podemos encontrar o choro e lamentações, mas ao mesmo tempo, em todos os lugares que olharmos podemos também encontrar o amor atuando sobre os filhos de nosso Pai. Se nossos olhos estiverem preparados, sempre que olharmos a um ponto encontraremos motivos para que nosso coração se encha de amor, se aqueça e sem a menor dúvida, encontraremos sempre motivos para agradecer ao Pai pelo que Dele recebemos. Duas pessoas, paradas lado a lado olham para um mesmo ponto e uma das pessoas descreve este ponto com muita negatividade, pois olha e vê as dificuldades e lamentações e da mesma forma, lamenta-se. Já a outra pessoa olha para o mesmo ponto e o descreve de modo totalmente diferente; vê as dificuldades, percebe as lamentações, mas também percebe ali o processo de aprendizado e crescimento, a oportunidade que aqueles atores estão vivendo de melhorarem a si mesmos, percebe ali a certeza que a toda ação corresponde uma reação com a mesma intensidade e no sentido oposto. O segundo observador estará percebendo naquele ponto ou naquela cena, o amor de um Pai por Seus filhos. Podemos encontrar em algum lugar próximo a nós pessoas que possuem bens materiais, possuem conforto, mas mesmo assim percebemos que estas pessoas não são felizes, continuam em busca de alguma coisa que nem elas mesmas sabem o que é. Do mesmo modo olhamos a nossa volta e percebemos que algumas pessoas não possuem grandes posses ou grandes fortunas; vivem suas vidas por vezes com dificuldades, mas assim mesmo percebemos nelas a alegria, o prazer em viver. Noutros lugares encontramos pessoas que não possuem muito, mas o pouco que possuem, repartem com alguém próximo e percebemos nestas pessoas a alegria de viver. Se continuamos a busca, percebemos próximos a nós pessoas que sempre encontram alguma coisa a reclamar; parece-lhes que sempre falta alguma coisa, que dia após dia, sempre existe alguma coisa ruim que as incomoda. Outras pessoas se apegam ao hábito de encontrar defeitos nos semelhantes ou ainda encontramos aqueles que sempre enaltecem a falha ou o erro do próximo. E assim seguimos, cada um de nós construindo nosso caminho, nossa casa é assim construída, nossos filhos são reflexo de nosso exemplo, nossos colegas de trabalham ou o ambiente de trabalho é reflexo de nosso comportamento.

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Está em nosso ser a condição de sempre ter nossa atenção despertada por algo brutal que acontece em algum lugar e ao contrário disso, quase nunca, ou nunca, paramos para observar a natureza e sua magnífica beleza. Levamos sempre conosco uma carga muito grande de verdades, de pensamentos e energias. Nos apegamos muito facilmente ao fato de falar do próximo ou observar o próximo, de criticar a classe política, criticar este ou aquele país, povo, ou raça. E caminhamos, seguimos nosso caminho como se nosso caminho fosse, sem a menor dúvida, o melhor dos caminhos; vivemos como se nossas verdades fossem as maiores verdades, só nos falta perguntar por que o mundo não segue nosso exemplo. E assim vamos construindo nosso caminho. Cada pensamento, cada gesto que praticamos gera energia. Nossos pensamentos geram energia, nós somos energia. Quando nos aproximamos de alguém, sentimos a energia deste alguém, ao mesmo tempo em que também é verdade que nos aproximamos de nossos semelhantes através da sinergia entre nossos corpos energéticos. Desse modo, podemos entender que a cada pensamento bom que eu tenha, estarei de alguma forma melhorando a mim mesmo, melhorando minha energia e sem dúvida nenhuma melhorando o caminho que estarei trilhando no amanhã. Melhorando meu pensamento e minha energia, mesmo que eu esteja num campo de batalha, num campo de choro e lamentação, estarei em condições de atravessar este campo, sem que as energias das lamentações me afetem e mais que isso, estarei em condições de perceber as belezas existentes ali que, em função das lamentações, não são vistas por todos. Nosso pensamento pode nos levar muito longe e a lugares muito belos, assim como pode gerar mundos terrivelmente difíceis para nós mesmos ou para outros. Assim, podemos escolher ao fechar nossos olhos e deixar que nosso pensamento nos transporte a belíssimos mundos ou a mundos difíceis, mas devemos ter como verdade que, se deixarmos que nossos pensamentos nos transportem a belos mundos, assim será nosso mundo quando abrirmos os olhos; nosso ser manterá as energias daquele lugar, estaremos sim de volta a nossa realidade nas neste instante esta realidade será menos dura e cruel que era a alguns instantes atrás. Pensar, desejar, mentalizar boas coisas para nós mesmos e nossos semelhantes, nossos entes queridos transformam nossas vidas, pois transformam nosso coração, nosso sentimento, nosso ser e nossas verdades. Não devemos esperar que, se mantivermos pensamentos bons no dia de hoje, amanhã acordaremos livres de todas as dificuldades. A mudança acontecerá sim, mas antes é necessário que nós vivamos nossa libertação; a libertação das amarras que trazemos do passado, mas

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podemos acreditar que no amanhã, estaremos melhor, estaremos vivendo o amor, mais leves e felizes.

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Capítulo III – Parte Il – A boa vida Trabalhamos, ou antes mesmo disso estudamos; nossos pais se esforçam para nos propiciar o necessário para que o nosso futuro seja o melhor, para que tenhamos uma vida melhor que a vida que nossos pais tiveram. E assim passam nossos dias, estudando, trabalhando procurando encontrar um caminho que julguemos adequado a nossa existência. Muitas vezes o jovem aprendiz sai de casa logo pela manhã, enfrentando as dificuldades do sistema de transporte; chega ao seu trabalho, realiza-o o dia todo e ao findar do dia segue para uma nova jornada, agora de estudo, e por vários anos nós nos preparamos para nossa vida, e assim acontece, e vem a busca de um novo trabalho, um trabalho que nos dê um rendimento melhor, maior reconhecimento pessoal e profissional, e definimos nossas metas tendo como objetivo um determinado bem ou um determinado status. Algumas vezes os objetivos são atingidos e outras tantas vezes estes objetivos se fazem mais adiante, por mais que caminhemos e outras vezes, nem ao menos nos sobra tempo para estabelecer objetivos, o que nos cabe é sobreviver a mais um dia e aguardar que num futuro próximo estejamos melhor. No universo do ser humano, encontramos também o ato ou o hábito de avaliar, de julgar nosso caminho, nossa condição ou nossa vida em comparação com a vida de nossos semelhantes e normalmente fazemos isso tendo como referência aqueles a quem, de acordo com os conceitos da sociedade, possuem uma condição de vida melhor em relação a nossa. É também de certa forma comum que o pequeno aprendiz se questione e questione a própria vida, ou o destino, das razões das diferenças, as razões da aparente falha que alguém cometeu quando distribuiu as dificuldades entre todos os viajantes. É de certo modo comum que afirmemos que o outro possua uma vida melhor que a nossa própria. É de certo modo bastante comum que os pais desejem e esperem que seus filhos tenham uma vida melhor que suas vidas. Ao nosso redor, todos os dias encontramos exemplos ou conceitos do que seja uma boa vida, mas estes conceitos incluem viagens, bens materiais, sejam eles de que ordem forem: juventude, saúde, ausência de dor e a maior distância possível do envelhecimento. Os conceitos de boa vida passam por saber aproveitar o máximo o que o mundo pode ofertar, passa por consumir sempre a melhor fruta e o melhor pão. Do ponto onde me encontro, do local onde resido, em minha humilde residência, onde com meus familiares procuro viver da melhor forma possível, ao abrir a janela, posso observar no pico de uma elevação, uma residência suntuosa e imponente, posso imaginar a família que ali reside podendo contar com serviçais, posso

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imaginar que à mesa haverá sempre o melhor pão e o melhor vinho e do mesmo modo, encontraremos nas camas os melhores lençóis. E posso dizer que sinto que aquela família possui uma boa vida. Posso ainda, de minha janela, observar a figura de um andante, um caminhante que vem de algum lugar e segue a algum lugar, com suas vestimentas simples, chegando aos limites da necessidade, e observo aquela figura transportando às costas os poucos pertences acumulados. Posso imaginar o caminho deste viajante, contando sempre com a sorte e a boa disposição de terceiros para conseguir seu alimento ou um teto para o pernoite e posso afirmar que esta não é uma boa vida. Possuímos nossos conceitos do que seria uma boa vida. Estamos sempre sendo bombardeados pela própria sociedade para a necessidade constante de aquisições de novos bens ou patamares junto à própria sociedade; somos influenciados pelo meio e ajudamos a criar este meio num processo que se autoalimenta. Neste universo imenso onde muitos e muitos viajantes se fazem presentes, podemos afirmar sem medo de errar que, cada indivíduo, cada viajante aprendiz possui sua vida, seus valores, seus bens, suas alegrias e dificuldades. Nós possuímos nossa vida e ninguém mais a possui assim como nós não conseguiremos viver a vida de outrem. E quanto a nossa própria vida. Possuímos uma boa vida? Aquele indivíduo que possui um trabalho, que o conseguiu de forma honesta e procura realizá-lo da melhor forma possível, procura melhorar a si próprio e a própria condição com seu esforço e dedicação, mas que assim mesmo possui rendimentos que não permitem que em sua cama possam estar os melhores lençóis, possui uma boa vida? E aquela senhora que sentindo o peso da idade em seu corpo e necessitando de cuidados, para que sua saúde não piore; cuidados com a alimentação, cuidado com remédios constantes e limitações de alguma forma, possui uma boa vida? Não existe um modelo de uma boa vida, não existe um conceito capaz de definir um padrão de boa vida que se aplique a todos os viajantes. Devemos nós próprios procurar definir nosso padrão e conceito de boa vida. Necessitamos refletir quanto a nossos valores, quanto a nossa busca diária, sobre como gastamos nosso tempo, ou como percebemos o amor em nosso caminho, e ainda como percebemos o carinho e a suavidade em nós mesmos e em nosso caminho. Necessitamos desenvolver nosso entendimento da vida e seus objetivos; necessitamos melhorar nossa compreensão de nossas ações e suas conseqüências

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futuras, tanto para nós mesmos quanto para a sociedade. Necessitamos melhorar nosso conceito de felicidade, de alegria, de bem estar. Para melhor definirmos nossa boa vida, necessitamos fazer o caminho interno, melhorar o conhecimento de nós mesmos. Necessitamos compreender que transportamos cargas e porque as transportamos. Podemos possuir uma boa vida transportando cargas que nos incomodam, que impedem um avanço rápido ou que nos envolvem numa atmosfera menos translúcida? Da janela de minha humilde casa olho para a suntuosa residência e me questiono: se eu estivesse residindo naquela residência, eu teria uma vida melhor? Seria mais feliz, estaria mais leve? Ainda em minha janela observo o andante sem destino que passa sob o foco de meus olhos e percebo em sua face, a face de alguém que sofre a ação do tempo de modo mais intenso, mas mesmo assim, percebo naquela face um certo sorriso e por alguns momentos percebo um olhar de serenidade e leveza - uma boa vida? Considerando que tomei a decisão de avaliar meus valores e os pesos que transporto, ou considerado que decidi seguir um caminho que me propicie um avanço mais rápido e um melhor aprendizado, sentei-me à mesa e sobre esta mesa coloquei os valores que encontro tanto em mim quanto em meus companheiros de caminhada e na sociedade. Coloquei sobre a mesa os bens materiais, carros, barcos, casas e móveis, assim como todos os recursos financeiros que posso imaginar para que eu tenha uma boa vida. Sobre a mesa coloquei também a juventude, a saúde física. E também a presença de pessoas simpáticas que procuram me atender e me fazer bem; ainda coloquei sobre a mesa os melhores livros que pude encontrar... livros que me trazem conhecimento para avançar em meu caminho de conquistas. E adicionei também a leveza do ser, o equilíbrio, o altruísmo, a generosidade, o coração aquecido e generoso. Coloquei sobre a mesa o observador que procura sintonizar-se com a natureza como forma de fortalecimento e união. Acrescentei meu desejo de melhorar meu conhecimento de mim mesmo e de meus colegas viajantes, acrescentei a palavra amor e minha vontade de compreender este sentimento, somei o desenho de um caminho que simboliza o caminho interior, um caminho que me leva por entre emoções, que me mostra verdades e falsas verdades, medos e preconceitos mas que ao final deste caminho encontro uma porta aberta e correntes ao chão, encontro a liberdade da pequena ave que voa livre e mais além do alcance de meus olhos. Postos estes objetos sobre a mesa, me coloco a imaginar quais deles podem me propiciar uma boa vida, procuro imaginar quais deles devo ter comigo para que eu possa ter uma boa vida, para que eu defina ou melhore meu conceito de boa vida.

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Sobre nossa mesa, a nossa volta ou em nosso interior, encontraremos exemplos dos mais variados, encontraremos a casa suntuosa, o viajante simples e observador da própria natureza; encontraremos aqueles que procuram até mesmo tirar de sua própria boca para dar a outro, enfim, encontraremos exemplos de amor, de vaidade, de apego, de amizade ou de interesse pessoal. Nossa vida será tão boa quanto nosso poder de decisão, de definição do que é melhor para nós mesmos e de como podemos nos renovar.

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Capítulo III – Parte IIl – O peso que carrego

Se nos dedicarmos a observar as pessoas, poderemos observar a existência de pessoas que vivem com alegria, com satisfação, mesmo que estejam elas em situações difíceis; são pessoas “de bem com a vida”, assim como encontraremos pessoas que externam sua insatisfação, externam lamentações e dificuldades. Para este segundo grupo de pessoas, parece que a vida é muito dura, mesmo que, ao contrário do primeiro grupo, estejam em situação econômico/financeira satisfatória. Se solicitarmos que duas pessoas observem um mesmo ponto no horizonte a sua frente e que o descrevam, poderemos ter duas descrições diferentes dependendo dos olhos dos observadores; poderemos até mesmo ter descrições de objetos que nos pareçam totalmente diferentes. Observamos ao nosso lado muitas vidas: vidas simples, fáceis de serem vividas, se podemos afirmar que existem vidas fáceis de serem vividas, e vidas complexas com muitas preocupações e compromissos, vidas que seguem constantemente em busca de um objetivo inatingível de modo que por mais que o vivente viva, corra, o objetivo está sempre mais distante e nesta forma de vida é sempre tempo de correr, é sempre tempo de ganhar tempo. Qual a razão ou a causa das diferenças de vidas? Por que alguns parecem brigar tanto com a vida, parece que tudo é mais difícil de ser conseguido enquanto para outros a situação é diferente? Podemos seguir em outra direção e nos questionar: onde está o amor? Onde reside este sentimento de que muitos falam? Seguindo neste mesmo sentido, podemos ainda nos questionar: onde reside a suavidade, a comunhão de nosso ser com a natureza? Ou mais ainda, qual nosso conceito de natureza? Um pouco mais adiante questionamos também: onde reside a solidariedade, a compaixão, a tolerância, o afeto, a reflexão, a busca da compreensão, a busca da sabedoria, a busca do conhecimento de si próprio? As dificuldades encontradas em nós ou ao nosso redor são fruto de nossas ações individuais e coletivas; construímos sempre nossa morada a cada passo que damos em nosso caminho, a cada pensamento, a cada ação, estamos construindo a morada que ocuparemos amanhã. A cada pensamento e sentimento estamos ocupando nosso coração de valores e bens, estamos alimentando nossa energia.

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Neste palco, as dificuldades existem e afetam a todos de modo indistinto, todos nós compartilhamos esta realidade, ao mesmo tempo em que todos nós geramos estas realidades de modo que este palco faz parte de nossa existência. Devemos conviver neste ambiente de modo que possamos desenvolver nossos sentidos e venhamos, amanhã, estar melhor que hoje. Esta realidade faz parte de nosso processo de aprendizado e crescimento. Independentemente de compartilharmos este ambiente e sermos solidários em sua existência, podemos melhorar nosso próprio ambiente, nosso ambiente interno, nossos pensamentos, nosso lar, entendendo como lar não apenas o espaço físico onde residimos, mas todo o ambiente que nos cerca. Ao nosso redor e em nosso dia a dia estamos sujeitos a toda espécie de sugestões e exigências, sugestões de que devemos ser pessoas bonitas fisicamente ou de usarmos nossas vestimentas conforme determina a tendência; sugestões de possuirmos determinado modelo de veículo, ou de tirarmos férias em determinadas localidades. Chegam a nós sugestões de que devemos vencer na vida, de que devemos buscar um constante crescimento profissional e o entendimento de crescimento profissional significa alcançar o poder ou conquistar remunerações mais elevadas. Chega até nós o conceito que para sermos felizes, devemos possuir uma bela residência, devemos possuir carros ou outros bens materiais ou que devemos nos encontrar nos grandes espaços destinados ao consumo e que para sermos felizes devemos consumir. Algumas vezes nos deixamos conduzir por esta maré, nos envolvemos mais e mais, corremos atrás para vencer na vida, ou parece que necessitamos “vencer a vida”. Para atingir os ideais que podem nem ser os nossos, e não percebemos que nesta corrida nos esquecemos de coisas importantes, como o repouso após um período de trabalho, como buscar fazer algo que realmente nos propicie momentos de satisfação, seja caminhar, seja ler, seja assistir a um bom filme, seja estar com nossos familiares. É importante que em nossa caminhada diária, procuremos filtrar o que nos vem e o que geramos e endereçamos aos demais e a vida. Refletir sobre nossos ideais, sobre os motivos que nos levam a correr mais e mais, sobre a forma que ocupamos nosso tempo. Fruto de nossas ações e pensamentos, fruto de nossas verdades, carregamos conosco um determinado peso. Este peso pode ser encontrado nos males físicos que nos afetam ou no grau de dificuldade que vivemos, na freqüência com que as coisas “dão certo” em nossa vida, ou no círculo de relacionamentos que mantemos.

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Em nossa jornada existe uma parcela de dificuldades que são inerentes a necessidade de aprendizado do viajante, mas também existe uma parcela da dificuldade que o próprio viajante acrescenta à sua jornada. O caminho deve e será percorrido por todos, mas cabe a cada um de nós a decisão de olhar as dificuldades como oportunidade de aprendizado, como algo que faz parte da nossa realidade, que necessitamos vencê-las e aprender com elas e que no ato de aprendizado estaremos melhorando nosso amanhã, pois podemos ter certeza que a cada dificuldade vencida, mais próximo da perfeição fica a jóia que está sendo lapidada com estas experiências. Estando frente a frente com um obstáculo, podemos tomar a postura de questionamento à vida quanto à razão do obstáculo; podemos tomar a postura da não aceitação ou do entendimento de que aquele obstáculo é uma injustiça. Podemos ainda nos lamentar ou chorar, ou podemos adotar a postura de buscar uma forma de vencer o obstáculo; podemos adotar o caminho de buscar forças em nosso interior para que o obstáculo seja vencido da melhor forma possível e que no processo possamos absorver os ensinamentos pertinentes, de modo que não tenhamos que repetir a lição mais adiante ou até mesmo, caso tenhamos que repetila, que já tenhamos em nós os ensinamentos necessários para a travessia. A vida é um a seqüência de dificuldades, mas é também uma seqüência de oportunidades de melhoria, para isso estamos aqui, vivendo esta realidade. Podemos, e devemos fazer nossa travessia da melhor forma possível e quando falamos isso não estamos sugerindo que sejamos passivos a ponto de não questionar, a ponto de aceitar tudo o que vem a nós; ao contrário, devemos sim questionar nossa realidade e a própria vida, mas que o questionamento seja produtivo e que venha em prol da melhoria de nosso conhecimento e de nossa realidade. Podemos viver esta realidade procurando manter nosso pensamento voltado em direção de um amanhã melhor, da certeza de que este amanhã melhor será o nosso amanhã. Podemos, desta forma, nos manter focados em nossa caminhada evolutiva, procurando não nos desviar do caminho por sugestões próprias ou de terceiros. Devemos caminhar com humildade, consciência de que muito ainda necessitamos aprender, com a consciência de que nossos pensamentos são nossa energia e que esta energia tanto nos conduz à luz quanto pode retardar nossa caminhada. Nas nossas mãos estão as chaves das portas a nossa frente; atrás de uma porta encontramos alegrias, encontramos um caminho produtivo, encontramos um caminho de flores e belas árvores em suas margens, encontramos pedras, sim, mas também encontramos em nós todas as ferramentas necessárias para que as vençamos.

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Atrás da outra porta, o caminho a ser percorrido conduz ao mesmo ponto, mas este caminho traz consigo mais dificuldades, mais espinhos e dias sombrios. Atingiremos o objetivo se por ele optarmos por seguir, mas a decisão de qual porta devemos abrir, é nossa decisão, o caminho a ser percorrido é nosso, nós o construímos, como dito, com nossos atos e pensamentos de hoje, nós o construímos com nossos olhos, com nossa energia. Por que carrego tanto peso? Quem teria arrumado a mala para a viagem e quem teria a deixado tão pesada? A revisão de nossa bagagem pode e deve ser feita a todo momento. Nossos valores, nossas metas, nosso conceito de felicidade, o endereço que compreendemos ser a residência da felicidade, são bens que transportamos. Nossas mágoas, nossos desejos, nossos sentimentos, são pesos que transportamos e devemos revisá-los de quando em quando.

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Capítulo III – Parte IV – Minhas dores, minhas mágoas Vivemos num mundo onde o choro, as dores e mágoas são realidades muito próximas a nós. Encontramos nas ruas aqueles que choram, aqueles que nem ao menos se apercebem de sua situação a ponto de chorar, aqueles que já não choram mais ou encontramos também aqueles que buscam causar dor e ferimento. Os viajantes encontrados neste caminho, não de forma generalizada, mas de forma muito freqüente encontram dificuldade no convívio com seus semelhantes. Possuem suas verdades e necessidades e estas verdades e necessidades são tidas como as mais precisas e verdadeiras, devendo prevalecer deste modo e quando surge à frente alguém que desafia nossas verdades, nos sentimos feridos, magoados. Encontramos também nos viajantes destes caminhos, a necessidade de auto afirmação, uma certa necessidade de se fazer o mais forte e dominante, assim como encontramos nestes viajantes uma dificuldade de conhecer o próprio espaço, os limites deste espaço e ainda os limites do espaço de outros viajantes e, quando ocorre conflito envolvendo definições de limites de espaço, mágoas e dores acontecem. Mas, estas mágoas e dores são prejudiciais? Não nos referimos apenas às dores físicas, mas a todas as formas de dores; enfim, podemos afirmar que as dores sentidas são prejudiciais? Partindo da compreensão que somos seres imperfeitos, que somos seres que necessitam melhorar em muito nosso nível de conhecimento, tanto da vida quanto de nós mesmos, partindo da compreensão que somos seres divinos em fase de lapidação, podemos aceitar nossas dores como forma de melhoria, como forma de melhorar nosso conhecimento de nós mesmos, de nossos limites, como forma de melhorar nossa capacidade de aceitação e compreensão de nossos semelhantes ou ainda como forma de melhorar nossa capacidade de aceitação das semelhanças e diferenças entre seres. Sem desejar defender o sofrimento ou a autoflagelação, mas olhando para as dores com olhos de aprendiz, podemos perguntar: será que nós saberíamos o valor dos alimentos se antes disso não tivéssemos passado fome? Será que saberíamos o valor do agasalho se antes disso não tivéssemos sentido frio? Será que saberíamos o perigo do penhasco se antes não tivéssemos caído neste penhasco? Todo pai deseja o melhor para seus filhos, faz o possível para dar o que a pequena criatura necessite, faz de tudo para protegê-lo de todos os perigos que o caminho apresenta. É importante que o pai auxilie seu filho transmitindo a este pequeno suas próprias experiências; é importante que o pai aconselhe seu pequeno como forma

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de evitar que sofrimentos desnecessários aconteçam, mas é importante que o pequeno ser viva suas experiências. A primeira paixão, a primeira decepção, ilusões, frustrações, a primeira queda de bicicleta, são experiências que causam sofrimento no primeiro momento, mas que formam o caráter do pequeno viajante, auxiliando-o em experiências futuras. Se o pai, com o intuito de proteger seu filho, cria ao redor deste uma redoma protetora, fazendo com que nenhum mal chegue até o pequeno ser, seria possível que este pequeno ser viva sua vida sem encontrar dificuldades ou sofrimentos. Mas ao final de seu ciclo, como estará o pequeno ser? O que este pequeno ser terá acrescentado a si mesmo? Ou mais ainda, não teria este pequeno ser acrescentado a si mesmo mais dificuldades ainda? A sabedoria da vida é saber vivê-la dentro de nossa realidade, é aproveitar ao máximo as oportunidades de melhoria de si mesmo a cada instante de nossa jornada. A vida bem vivida, bem aproveitada, não é a vida vivida sem dificuldades ou sofrimento, mas é a vida onde a capacidade de aprendizado se fez presente a cada instante. É a vida onde, nos momentos difíceis, se pode parar, analisar a dificuldade, procurar a melhor forma de vencê-la fixando em si os ensinamentos. Outro aspecto importante quando tratamos de dores e ferimentos é nossa capacidade de aumentar o tamanho de nossas dores; é a capacidade de fazer com que nossos ferimentos sejam, sem a menor dúvida, os maiores ferimentos até então criados, fazendo com que nossa dor seja a maior em todos os tempos. Possuímos em nós a prática de sentir a dor com maior intensidade do que a que realmente existe, e sentimos a dor e o processo de sentir a dor faz com que não percebamos a saída, o remédio para a própria dor, remédio este que pode estar bem próximo a nós. Alguém nos feriu, alguém nos magoou, qual nosso procedimento? O que fazemos nesse instante? Quais nossos pensamentos quando isso ocorre? Quais nossos desejos? De certa forma, é comum que nesse instante não pensemos muito no fato em si, no fato que gerou o ferimento; nossa verdade pode ter sido colocada em xeque ou talvez a verdade do terceiro que nos provocou a dor esteja necessitando de ajustes. Talvez aquele ferimento tenha acontecido como forma de nos alertar para uma necessidade nossa de despertar, de mudar, de reavaliar o que quer que tenha que ser reavaliado. Talvez nada exista em nós que deva ser reavaliado, mas existe, ao contrário, no terceiro esta necessidade. Não podemos afirmar qual das verdades é a verdade ou se ambas são verdades, mas o que podemos afirmar é que, existindo mágoa, uma dor, nosso Pai está nos

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dizendo algo. Podemos ou devemos procurar descobrir qual a mensagem que nos está sendo dirigida. Podemos nos perguntar em que podemos melhorar, para que no futuro este mesmo difícil sentimento não venha a se manifestar novamente em nós. É sim difícil sentir dores, seja qual for o tipo de dor; seria muito melhor que não sentíssemos dores, que nosso caminho fosse somente de flores sem espinhos, mas esta não é nossa realidade; construiremos esta realidade e a viveremos no futuro, se soubermos aproveitar os ensinamentos que nos são ofertados. Somos seres ricos em sentimentos e nossos sentimentos são ferramentas muito fortes, nos auxiliam muito, geram muito amor, muita luz, fraternidade, carinho e suavidade, mas também geram nossas dificuldades, nossas dores e nossas mágoas. O que podemos fazer? Podemos procurar não aumentar ainda mais a realidade destes fatos, podemos mais que isso, olhar para estes fatos com os olhos daquele que busca a causa destas dores e procura extirpar de si estas causas ou ainda, podemos procurar uma postura preventiva, procurando vigiar nossos pensamentos e atos de modo que a cada passo possamos nos considerar melhores que no momento anterior, mais leves, mais livres e em maior comunhão com a vida e com o amor. Se em nosso interior procurarmos manter o desejo de sentir o amor, de viver o amor e multiplicá-lo, levá-lo a todos os viajantes que encontramos no caminho, se procurarmos ser o bom exemplo. Se em nosso interior procurarmos compreender o sentido da expressão “amor”, seu significado e extensão, ainda assim, estaremos sentido dores, carregaremos conosco mágoas?

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Capítulo III – Parte V – Valores, meus valores, valores que importo, valores que importam, valores impostos

Valores, objetos importantes, objetos valiosos, objetos desejados, almejados, objetos que, para possuí-los, nos esforçamos dia a dia em nosso trabalho; objetos que guardamos com zelo, de modo a evitar que nos sejam subtraídos. Podemos agrupar estes valores em classes como valores materiais e valores pessoais e definimos como valores pessoais: nossas crenças, nossa verdade, o modo que vivemos a vida, o modo que tratamos a nós mesmos e a nossos semelhantes. Nossos valores são adquiridos dos ensinamentos que a vida nos oferta, das dificuldades que encontramos no caminho que percorremos, sejam estas dificuldades nossas ou de nosso companheiro viajante. Em nosso interior, possuímos um armário onde guardamos todos estes valores e neste armário encontramos tudo o que nos é importante; valores adquiridos com muito esforço e dificuldade, assim como encontramos valores que nos foram impostos pelo meio em que nos encontramos, valores que algumas vezes não nos dizem nada, mas que por força do meio, os guardamos e os mantemos. E a que tipo de valores estamos nos referindo? Podemos citar a educação, o respeito ao semelhante, o respeito aos mais velhos, o cuidado pelo meio em que vivemos, seja nossa casa, nosso trabalho ou o meio ambiente. Nos referimos ao zelo necessário ao bem pertencente a outra pessoa, o respeito necessário ao bem pertencente a sociedade, os bens públicos. Quando falamos em valores, falamos no ato de fazer o que é certo, porque é o certo e não porque se não o fizer poderei ser penalizado. Quando falamos em valores, falamos no ato de não sujar as vias onde eu mesmo e outros seres circulam; quando falo em valores, falo em não buscar levar vantagem em detrimento de outrem. Quando falamos em valores, falamos na verdade, falamos na compreensão, falamos na busca do aperfeiçoamento moral, falamos na busca do equilíbrio, na busca da união com a vida. Quando falo em valores, falo no desejo interno de melhorar a si mesmo a cada passo, falo também no ato de compreender que sou imperfeito e que esta também é uma característica daqueles que compartilham o caminho comigo. A cada passo que damos em nossa caminhada estamos sendo bombardeados por um manto de valores. Quando ligamos a televisão e passamos a acompanhar sua programação, valores e verdades dos mais diferentes países nos são apresentadas. Quando assistimos aos programas seriados, um modelo de comportamento nos é apresentado; quando assistimos aos telejornais, comportamentos nos são apresentados.

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Em época de festas, sejam estas festas o carnaval, natal, páscoa ou dia de “alguém”, um comportamento nos é apresentado através da necessidade de comprar um presente para alguém ou através da necessidade de viajar para algum lugar onde reina a alegria. E podemos continuar nesta análise das ofertas de valores que nos vêm no cotidiano, como por exemplo, a definição de bom ou mal comportamento sexual ou opção sexual ou ainda o conceito que devemos “aproveitar” a vida ao máximo ou ainda podemos nos referir ao consumismo exagerado ou ainda ao desrespeito às leis ou ainda quanto a manutenção de determinados hábitos alimentares; enfim, são muitas as práticas, as verdades e valores que chegam a nós e que por nós são tidas como boas, como verdadeiras. Somos viajantes, somos aprendizes, somos colocados à prova continuamente e somos nossas verdades, nossos pensamentos e nossos atos traduzem nossa verdade; nosso amanhã é construído por nossos atos hoje e estes atos seguem nossas verdades. Enfim, em determinado momento, nos sentamos em frente ao armário onde guardamos nossos valores, abrimos este armário e iniciamos uma avaliação dos objetos ali guardados. Um a um, avaliamos e nos questionamos, quais destes objetos ou valores ali postos são importantes realmente para mim? Quais destes itens foram construídos por mim através de minhas experiências? Posso, em determinado momento, pegar um objeto daquele armário e o primeiro pensamento que me vem é: “sim, este objeto é importante, eu sempre o estou utilizando”, mas será que este objeto valor é importante para mim? Só é importante para mim o que me acrescenta algo, o que para mim significa crescimento e aprendizado, bons exemplos para mim mesmo ou para meus semelhantes. Algumas vezes defendemos uma verdade em casa, com nossos filhos ou com nosso companheiro(a) e fazemos de tudo para manter aquela verdade, mesmo que em determinados momentos nos apanhemos em dúvida quanto a ela, nos mantemos firme, determinados, para não demonstrar nossa “fraqueza”; mas em que esta atitude, esta verdade nos auxilia ou ao outro? Nossas verdades e nossos valores são como a imagem do horizonte à frente do viajante, a cada passo, a cada curva, ao levantar a linha dos olhos e admirar o horizonte, teremos uma nova imagem, teremos uma nova verdade. Se a verdade a nossa frente é imutável, significa que paramos nossa caminhada, não estamos nos deslocando ou avançando. E como avaliar constantemente nossas verdades e encontrar em nós o necessário para reconhecer a necessidade de mudança de alguma peça de nosso armário? Com a consciência de que somos falhos, que nossa verdade hoje poderá não ser a

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mesma amanhã e que, se isso ocorrer, não significa que hoje estamos errados e amanhã estaremos certos, significa apenas que hoje possuímos uma visão do horizonte e amanhã teremos outra visão deste horizonte; mas as duas visões são reais, verdadeiras e corretas, cada uma em seu ponto, em seu tempo. Já fizemos antes o convite ao questionamento e repetimos: Quem sois vós? Em que acreditais? De onde vem esta Crença? Que fazeis vós para estar melhor no dia de amanhã? O que vós tendes semeado por onde passais? No estágio em que nos encontramos em nossa caminhada, é possível que não obtenhamos respostas a todas as perguntas; mas com a reflexão, com a prática da avaliação constante de nosso armário, com humildade e serenidade, poderemos estar polindo a jóia que somos, poderemos estar trazendo à tona o ser divino que habita nosso interior. No cotidiano estamos sujeitos a influências de valores exportados por nossos semelhantes, seja através do meio que for, mas ao mesmo tempo também estamos exportando valores e verdades, estamos sendo o exemplo para muitos que vêm buscar em nós estes exemplos, nossas práticas, nossos pensamentos, e seguimos nossas práticas de modo automático praticamo-las hoje, como ontem, daí a importância da avaliação, do questionamento de si próprio, de nossas verdades e práticas. Quanto semeio o exemplo, também estou lançando as sementes que darão origem a minha colheita de amanhã. Tenho responsabilidade sobre o ambiente onde estarei residindo amanhã, não apenas eu, mas aqueles que vêm depois de mim. Somos o que pensamos, nossa energia vem de nossos pensamentos, de nossos gestos. Através de nossos pensamentos e gestos, acrescentamos valores ao nosso armário, ao mesmo tempo em que nossos pensamentos são alimentados por valores ali depositados; deste modo, necessitamos avaliar e rever o que nos alimenta e o que alimentamos, o que construímos, o que permitimos que nos seja imposto pelo mundo exterior. Necessitamos avaliar as informações, os exemplos que chegam e quais deles podem ser aproveitados e quais devem ser descartados; esta é a forma que possuímos para nos construir, para melhorar a nós próprios.

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Capítulo IV - Parte I - O egoísmo, o individualismo (eu sou o centro do universo, eu sou o mais importante)

A sociedade atual é uma sociedade competitiva. Em cada atividade, a cada canto que olharmos perceberemos a presença da competição: competição entre esposo e esposa, entre irmãos, competição por uma vaga na universidade, competição pelo primeiro emprego, competição por um lugar melhor no ônibus lotado, competição por uma vaga para estacionar ou até mesmo para andar com nosso automóvel em ruas cada vez menores; competição para levar vantagem no trânsito, competição nos postos de saúde e hospitais, competição para galgar melhor cargo ou melhores rendimentos. Quando pequenos já somos apresentados à necessidade de vencer na vida e durante nossa caminhada, vivemos estas situações que nos levam a valorização do indivíduo em detrimento aos demais indivíduos, fortalecemos nosso individualismo e nosso egoísmo em detrimento da solidariedade e até mesmo do altruísmo. Quando ao longo de nossa caminhada sentimos alguma espécie de dor, quando nos queixamos destas dores, nossas dores são sempre mais importantes ou de outro modo, quando alguém vem a nós com queixas de dores, nem sempre ouvimos o que o outro está dizendo e se ouvimos, não valorizamos a intensidade da dor. Estamos onde estamos e, se neste instante nos observarmos, se por um instante observarmos nossa caminhada, nossos passos, perceberemos em nós alguns traços de individualismo ou egoísmo? É natural aos seres habitantes nestas planícies a presença da individualidade, é importante que os seres conheçam a si mesmos, seus limites, suas capacidades, é importante que cada uma destas individualidades experimente a si próprio como forma de reconhecimento. Mas também é importante que cada uma das individualidades conheça também seu semelhante, conheça a presença de outras individualidades, conheça os direitos de outras individualidades, pois conhecendo os direitos e limites de outras individualidades, estaremos também conhecendo a nós próprios, nossos limites e nossas capacidades. Podemos observar o desenrolar do dia a dia a nossa volta seja durante nossos períodos de deslocamento, seja em nosso trabalho ou onde for. Feita a observação do comportamento dos indivíduos, observaremos sem dúvida a presença do excesso de individualidade e a presença do egoísmo; egoísmo, por exemplo, quando alguns possuem muito mais que sua necessidade, enquanto outros possuem necessidades insatisfeitas ou podemos observar aqui ou ali, a presença do

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individualismo através da procura pela vantagem a si próprio em detrimento de outros. O ensinamento necessário a cada um dos viajantes é aquele que procura aprimorar o conceito de individualismo. Devemos dar importância a nossas individualidades, somos importantes, é nosso dever, nossa obrigação investir em nós mesmos, é nossa obrigação fazer o melhor para nós mesmos; mas tão importante quanto isso, é sabermos que, uma forma de nos conhecermos, é auxiliar a outras individualidades, é fazer algo por alguém, é saber que se sou importante para mim, outras individualidades são importantes para si próprias, se tenho meus direitos, possuo também meus deveres e o mesmo acontece a cada indivíduo. Meus sentimentos são importantes, minhas dores são importantes, meu caminho é importante, mas a solidariedade, a doação, o amor, a suavidade, a compaixão, são bens preciosos que necessitam ser despertos em nosso ser e nos demais indivíduos. Somos destinados a viver em comunidade e construímos nossos caminhos individuais e coletivos de tal forma que não temos como fugir uns dos outros. Nossos espaços são limitados e mais que isso, nosso direito é do mesmo tamanho que o direito de nosso semelhante e o mesmo acontece quanto aos nossos deveres. Podemos elevar nosso individualismo ao ponto máximo, imaginando possuir uma ilha paradisíaca inteiramente para nosso deleite, onde encontramos cada objeto como nós o imaginamos a nossa disposição para que desfrutemos do prazer máximo. Podemos imaginar que ali se farão presentes apenas as individualidades que nos são simpáticas ou que nos causam satisfação e prazer. Será que esta realidade nos traria satisfação? Será que esta realidade traria progresso ao nosso ser? Podemos ainda trabalhar com o conceito de irmandade: somos todos irmãos, independente de classe social, cor da pele, religião ou ideologia política, possuímos os mesmos defeitos e características, possuímos a mesma capacidade de amar ou de destruir, nenhum de nós é melhor ou pior que qualquer outro e cada um de nós possui algo a aprender com seus semelhantes. Nosso caminho será melhor quando aprendermos que a prática da doação faz bem ao nosso ser, ao nosso coração e podemos doar não apenas nosso tempo, objetos ou valores, mas podemos doar nossa compreensão, nossa decisão de melhorar a nós mesmos, podemos doar nossos pensamentos criadores de boas energias e fluidos; enfim, possuímos muito em nós que pode ser útil e construtivo a cada individualidade e a soma dessas individualidades, sem que isso nos faça nenhuma falta, ao contrário, poderemos perceber que estas doações farão com que recebamos muito em troca, muito mais do que podemos imaginar, ou podemos afirmar ainda que o ato de doação nos traz muito em troca.

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Capítulo IV - Parte II - O escudo

O mundo é difícil, o mundo é violento, vivemos num mundo onde a violência se faz presente em todo lugar, seja nos ambientes mais ricos ou nos ambientes mais humildes. Ao longo dos séculos guerras e mais guerras têm surgido, provocando muita dor e destruição. Hoje em dia a violência urbana força cada pessoa a se proteger como puder e com este cenário em mente é que alguns podem afirmar que o mundo é difícil. E existindo a afirmação de que o mundo é difícil perguntamos, se do mundo nós nos excluíssemos, o mundo continuaria sendo difícil? Nós, os seres que habitam este plano, vivemos nossas dificuldades, possuímos um grande desconhecimento de nós próprios, possuímos fraquezas e vivemos uma realidade onde a violência é uma presença muito forte e não consideramos apenas a violência mais conhecida e ouvida nos telejornais, mas todas as formas de violências, contra os mais novos, contra os mais idosos, contra a natureza, a violência da ignorância. Podemos parar e refletir sobre nós mesmos no sentido de avaliar se a verdade da violência está ou não em nós, e se a encontramos, em que forma ou em que momentos ela se apresenta. É possível que esta energia esteja em nós, que nós a externemos sem ao menos nos aperceber deste fato. Um exemplo? O ato de ignorar um menor abandonado ou o ato de ignorar os idosos abandonados por seus familiares. Ainda em nossa sociedade, percebemos a presença da lei do mais forte, onde só o mais forte deverá vencer, o mais forte chegará primeiro e fará a melhor refeição, terá o alimento ainda quente, quanto aos demais? Bem ... Se assim for, é correto afirmar que a sociedade está errada? Podemos considerar que nós todos estamos seguindo o caminho contrário ao caminho do amor? Quando conhecemos a dificuldade da falta de um leito quente é que damos valor a este leito. Quando vivemos uma situação de conflito, quando vivemos num ambiente de guerra é que valorizamos a paz. Quando vivemos uma situação de desamor é que valorizamos o amor. Todos estes fatos são fatos inerentes a nossa realidade, são fatos que existem em nós e que necessitamos conhecê-los, avaliá-los, para então, conforme nosso livrearbítrio, extirpá-los de nossos seres e de nossos caminhos.

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Mas antes disso e voltando a nossa realidade, observamos que é comum aos viajantes destes campos criar ao redor de si uma forma de escudo que os proteja das agressões que possam surgir ao longo da caminhada. A criação deste escudo acontece de modo que não percebemos, como um sentimento de autodefesa que cria a barreira protetora, nos isolando do mundo exterior e criando um mundo próprio, onde somente nós mesmos e alguém em que confiemos poderá habitar. Se imaginarmos a situação de alguém envolto num escudo, e se imaginarmos a situação nas ruas, em nosso dia a dia, se lembrarmos das atitudes que alguns viajantes praticam ou nós mesmo praticamos, percebemos claramente o escudo protetor quando, por exemplo, caminhando, mudamos a calçada por onde caminhamos para evitar algo que nos incomode, quando fechamos a janela do carro ao nos aproximar de um cruzamento, ou ainda em algumas situações em nosso lar. A existência deste escudo protetor pode até evitar que algumas agressões nos afetem, mas este mesmo escudo evita que coisas boas cheguem até nós. Quando criamos este escudo protetor, coisas ruins não vêm a nós, mas com certeza, coisas boas também não chegam. Quando estamos envoltos neste escudo, nosso coração se fecha, nossos olhos se fecham, nosso espírito se vê limitado. Quando criamos este escudo, não vivemos o amor, não percebemos as flores, não percebemos a alegria das crianças brincando, não percebemos o amor que existe noutros viajantes. Quando criamos este escudo nosso caminho passa a ser bastante limitado, nosso horizonte se fecha. Pode ser verdade que com a existência do escudo não choremos, mas também é verdade que desta forma não aprendemos, não vivemos, não crescemos e por fim acabamos não conhecendo o amor. O passo a ser dado é primeiro verificar se ao nosso redor existe este escudo e detectada sua existência, devemos procurar uma forma de vencê-lo, de levá-lo ao chão, uma forma de nos fortalecer a ponto de não necessitarmos desta proteção. Vencidas estas etapas estaremos aptos a viver a vida em sua plenitude, mesmo que em alguns momentos a realidade nos traga dificuldades, mesmo que venhamos a chorar em alguns momentos, com o avanço da caminhada, estaremos mais fortalecidos, estaremos mais conscientes e preparados. Com o avanço da caminhada e com o aprendizado evoluindo, o escudo protetor baixado será substituído por outro escudo, o escudo do amor, o escudo da luz, o escudo do despertar do ser divino que habita em nosso interior. Com o avanço da caminhada passamos a nos conhecer melhor, passamos a conhecer melhor nossos companheiros de caminhada e a perceber que todos nós

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possuímos os mesmos medos, os mesmos pontos fracos, possuímos a mesma força. Fazendo com que o escudo protetor caia ao chão, estamos criando em nós as condições para que as energias que nos são dirigidas dos planos superiores efetivamente cheguem a nós, e mais que isso, deixando este escudo ir ao chão, nossa caminhada será mais leve, nosso corpo pesará menos, nos sentiremos realmente livres e teremos em nós as condições de sermos felizes e de fazer nossos companheiros também felizes.

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Capítulo IV - Parte III - As belezas do dia a dia (a beleza da vida) Diz o ditado popular que a beleza está nos olhos de quem vê e consideramos esta afirmação uma verdade, pois, se deixarmos que a beleza penetre em nosso ser e habite nosso interior, estaremos sim vivendo a beleza e estaremos, sim, percebendo a beleza ao longo de nosso caminho. E mais que isso, se vivermos a beleza, ela estará a nossa volta e estaremos fazendo com que outros viajantes também sejam tocados por ela e passem a percebê-la mais facilmente. E por que viver a beleza, por que ver a beleza? Ou como ver a beleza num mundo tão conturbado e envolto por tantos males? É uma questão de preferência, é uma questão de escolha; podemos viver num mundo difícil e pesado, onde a atmosfera está sempre carregada e onde avistamos constantes tempestades no horizonte. Se este é nosso mundo, se assim nós o construímos e o alimentamos, assim será até que nós tomemos a decisão de modificar a nós mesmos e ao nosso horizonte. Mas ao contrário disso, podemos decidir viver num mundo mais florido, onde o horizonte é belo, onde percebemos no céu a presença de suaves e belas nuvens percorrendo seu caminho. Se decidimos modificar nosso caminho tornando-o mais leve, mais produtivo e mais fácil de ser vencido, estaremos envoltos em energias que nos fortalecem, estaremos envolvidos pela suavidade, pelo carinho e pelo amor. O amor, a suavidade, o carinho, a beleza, são atributos naturais ao ser humano; estes atributos estão em nós e no devido tempo aflorarão. O que podemos fazer é procurar ir até onde eles estão guardados e fazer com que eles venham à tona, podemos trazê-los à superfície. E como desenvolver a beleza em nosso interior? Muitos são os caminhos ou muitas são as necessidades a serem vencidas, até que a realidade da beleza esteja mais ativa e sensível em nossos seres, mas devemos buscar a compreensão de que todos nós somos filhos de um mesmo Pai, que todos nós possuímos em nós de modo nato o amor. Necessitamos apenas de algumas lapidações para que a presença do amor seja notada a toda nossa volta. Compreendendo que todos nós somos amor, que somos jóias em processo de lapidação, fica mais fácil para que a compreensão seja uma de nossas aliadas. Outro caminho ou necessidade para desenvolver a beleza em nosso interior, é a compreensão de nossos objetivos e para compreendê-los, necessitamos conhecêlos e para conhecê-los necessitamos nos conhecer e para nos conhecer,

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necessitamos percorrer o caminho interior, abrir nosso armário e examinar tudo o que ali é encontrado. Nos conhecendo, conhecendo nossos objetivos, saberemos para onde devemos caminhar, ou podemos avaliar se durante nossa jornada, estaremos nos mantendo na direção correta e podemos ainda auxiliar a outros viajantes a caminhar em busca do conhecimento de si mesmo e em buscar de seus objetivos. Ainda como preparação, como cultivo da beleza em nosso interior, nos voltamos ao tempo, nos voltamos à forma como utilizamos o tempo, nos voltamos à nossa compreensão do tempo, nos voltamos ao tempo dispensado por nós a nós mesmos e ao nosso próximo. A falta de paz interior, a busca desenfreada por objetivos materiais, a busca por amizades, a busca por se fazer notar e encantar, a busca da felicidade numa praia paradisíaca, nossas verdades, nosso conceitos, nosso caminhar diário em busca de algo que não sabemos o que é, nossa necessidade de fortalecer mais e mais nosso mundo particular, nossa necessidade constante de vencer, de ser o melhor; enfim, nossas verdades e valores, a forma como empregamos nossa energia e a forma como alimentamos nossa energia e ainda as cenas que nossos olhos veem a nossa frente. Todos estes itens são itens que devem ser avaliados, são itens que nos conduzem à beleza ou nos impedem de perceber a beleza. A beleza da vida, a beleza do ser humano, a beleza do amor se fazendo presente no dia a dia, mesmo nos momentos em que a primeira vista seria difícil afirmar que ele se faz presente. A beleza está no ato de olhar, não para o ser que se faz a nossa frente, mas está no ato de olhar mais profundamente aquele ser, olhar seu coração, não um coração frio, mas um coração quente e amoroso que está naquele ser. A beleza está em perceber o amor profundo de um Pai por seus filhos a ponto de deixá-los viver suas experiências e experiências difíceis sabendo que estas experiências farão com que o divino desperte nestes filhos. A beleza está no hábito de apreciar as coisas belas, está no cultivo do belo, está no ato de parar em primeiro lugar e em segundo lugar, admirar a pequenina flor que alegra o caminho do caminhante. A beleza está em calar-se e ouvir, está em não se deixar contaminar pelas energias estressantes do trânsito diário, está em dar a vez, está em fazer o certo porque é o certo, está em compreender o coração magoado de nosso irmão sofredor, a beleza está em compreender a ignorância que reside em nós e em nossos companheiros e saber que esta verdade é passageira, que logo mais a luz se fará em todos os corações. A beleza está em saber que o erro é apenas uma falta de percepção de uma verdade melhor, que para aquele que erra, aquela é a verdade naquele instante.

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A beleza está na decisão de viver o belo, a decisão de querer apreciar o belo. A beleza está no ato de confessar a si mesmo sua ignorância sobre si e sobre a vida, mas acima de tudo, está no ato de confessar nossa intenção de conhecer a verdade maior e nossa intenção de viver o amor, de viver a verdade; a beleza está no ato de confessar o quanto somos pequenos, mas quão grandes poderemos ser e seremos amanhã. A beleza está a distância de um braço de nós, basta que tomemos a decisão de que, desejamos viver a beleza, basta que abramos nosso coração, basta que baixemos nossa guarda, basta que procuremos o diálogo conosco mesmo, com a verdade maior, com a vida e com nosso Pai. Em nosso interior existe um canteiro, um campo onde semeamos. O que nos cabe decidir é o que semear neste espaço, podemos semear flores e frutos suculentos ou espinheiros. A beleza? A beleza está na possibilidade, na permissão que nosso Pai nos concede de decidir o que semear neste campo. A beleza está no fato de que mesmo que venhamos a sofrer agora, aprenderemos, teremos quantas oportunidades forem necessárias para semear e colher até que o aprendizado se realize, até que a lapidação da pequena jóia aconteça. Podemos ainda citar outros exemplos de beleza, mas enfim, a beleza é tudo aquilo que nos faz bem, não de modo superficial e sem sustentação, mas aquilo que faz bem ao pequeno e divino ser que habita em nosso interior. A beleza é tudo aquilo que faz com que nosso coração se aqueça, se alegre, é tudo aquilo que faz nossos olhos se encherem de lágrimas, lágrimas de emoção, de felicidade. A beleza é tão simples, está em tantas coisas a nossa volta e em nosso interior, ao mesmo tempo em que pode ser tão difícil ou impossível de se perceber se assim quisermos que seja. A beleza está no conhecimento de quão pequeno sou, mas quão grande serei; a beleza está no conhecimento de meu Pai, está no fato de saber que Ele está sempre em meu ser, em meu coração. A beleza está na certeza de que o amanhã será sempre melhor se hoje eu procurar ser melhor que ontem; a beleza está no fato que procuro fazer o melhor que posso, mas mesmo assim acabo falhando e nestas ocasiões, tenho oportunidade de fazer novamente e mais que isso, está no fato de que sei que quando falho, meu Pai compreende que Seu filho está procurando aprender.

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Capítulo IV - Parte IV - Alegrias e prazeres

O ser humano vive em busca do seu próprio bem estar; a cada dia em sua jornada procura melhorar sua condição de vida, elevar seu grau de satisfação, eliminar o peso transportado seja ele qual for. E a melhor condição de vida significa momentos de alegrias, maiores prazeres, significa satisfação. Há muito o homem está buscando a felicidade em muitos locais e sob diversas formas e ainda hoje, se questionarmos os viajantes quanto ao significado de alegria e felicidade, encontraremos em cada relato uma definição diferente, um horizonte diferente E se me questionar, o que me faz feliz? O que me deixa alegre ou o que me proporciona prazer? Possuo em minha caminhada, momentos de prazer? E qual a intensidade deste prazer, qual a freqüência destes momentos ou ainda, qual a sustentabilidade dos momentos de prazer? Outra análise que podemos fazer é a comparação de nosso estado de felicidade em relação ao estado de felicidade de outros viajantes e ao fazermos isso, é possível que nossa atenção seja atraída para aqueles que aos nossos olhos parecem possuir uma vida mais feliz, ou que nos parecem ser mais alegres. E concluindo a idéia questionamos: você é feliz? É verdade que não são todos, mas podemos afirmar que muitos buscam a felicidade nas coisas materiais, buscam a felicidade em possuir tal objeto e uma vez conseguido, buscam a felicidade noutro maior ou melhor, ou mais novo, ou mais caro. Outros buscam a felicidade na beleza física, outros ainda, em diversões, festas, comidas, bebidas ou viagens e sempre que se chega ao ponto onde inicialmente se planejava chegar, parece que lá à frente um novo ponto a ser atingido surge e desta forma a felicidade continua a ser algo a ser buscado. Alegrias, prazeres que vêm com a chegar da noite, que propiciam o bem-estar momentâneo e que, do mesmo modo que chegam, ao raiar do dia se vão, deixando em seu lugar a vida de antes e algumas vezes uma vida pior que a de antes. Podemos afirmar que o mundo é infinitamente belo e que posso encontrar felicidade e prazer muito próximo a mim sem ter que empreender uma busca que dure uma vida, e sem encontrar a felicidade. Podemos fazer esta afirmação e fazendo-a,

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alguns podem se perguntar: mas aqui? Neste mundo? Onde existe felicidade e prazer? A felicidade, a alegria, os prazeres estão onde nós quisermos que estejam, se eles estiverem em nosso interior antes disso. A beleza está nos olhos de quem vê; então, devo procurar modificar meus olhos de modo a perceber a beleza, a felicidade, a alegria onde antes eu percebia somente a tristeza. A busca da beleza física em nós próprios ou nos outros, e se nos perguntarmos, de quê adianta esta beleza física se meu coração não possui beleza alguma? Por quanto tempo vou conseguir manter-me feliz, se eu conseguir transformar meu corpo para algo que eu considere belo? Posso mudar meu corpo, posso estar próximo de alguém que eu considere muito belo, mas meus olhos continuaram a serem os mesmos, assim como meu coração continuará a ser o mesmo; desta forma a felicidade não se sustenta muito tempo. A felicidade e o prazer estão no viver, posso sentir um prazer imenso em viver, não importa o que eu encontre no exterior, mas se em meu interior houver o conforto do autoconhecimento, se em meu interior houver a certeza de estar fazendo o correto em qualquer circunstância, se em mim residir a confiança de estou fazendo o melhor que posso para melhorar a mim mesmo e auxiliar a quem eu possa auxiliar a melhorar também, se em mim houver a inocência de uma criança, se em mim existir a placidez das águas de um lago, não poderei ser feliz? Não poderei ter modificado meus olhos de modo que estes olhos vejam alegrias e belezas? E é possível possuir em si todos estes atributos? Não estamos falando de alguém perfeito ou que possa ser considerado santo? Como resposta perguntamos: é muito difícil estender a mão a um necessitado? É muito difícil calar minha voz e ouvir meu coração? É muito difícil que eu questione minhas verdades vez por outra em busca de novas e melhores verdades? É muito difícil estender a mão e ofertar uma flor? É muito difícil deixar nosso lado, nosso lugar e nos colocar na posição do próximo? É muito difícil lembrar daquele que não tem o que comer quando eu estiver sentado à frente de uma bela e suculenta refeição? Se eu fizer o bem a alguém, se eu conseguir ajudar a alguém, se neste momento eu puder perceber a alegria e o alivio daquele que recebeu meu auxilio, se eu puder perceber a alegria expressa em seus olhos ou em algumas palavras simples, saberei o que é felicidade, saberei o que é prazer, saberei a razão de viver e encontrarei em meu interior toda paz, toda a alegria e felicidade que alguém pode um dia desejar possuir. Enfim, buscamos a felicidade embaixo de cada pedra que encontramos no caminho, em todos os objetos que nossa mente possa alcançar e não a encontramos, mas a

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encontraremos em nosso interior, sempre que em nossa jornada ou em nosso ser encontrarmos algo pelo que sintamos vontade de agradecer ao nosso Pai. Encontraremos a felicidade sempre que descobrirmos em nós este Pai, encontraremos a felicidade sempre que com este Pai dialogarmos e confessarmos a Ele nosso amor, nossa fé, nossa esperança e certeza de um amanhã melhor. Neste instante, se instalará em nosso interior, a placidez, a paz, a confiança, a certeza do amanhã e nossos olhos se modificaram e não apenas nossos olhos, mas nossos corações e nosso ser. Neste instante estaremos fazendo com que a luz que existe em nosso interior venha à tona, estaremos dando os primeiros passos de um pequeno Deus, de um pequeno e Divino ser cheio de amor e infinito em sua capacidade de amar.

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Capítulo IV - Parte V - Meus desejos

Os desejos são a expressão da vontade humana; desejamos ser alguém, desejamos possuir algo, desejamos ir, viajar a algum lugar, desejamos nos relacionar com alguém em especial. Desejos são objetivos criados a serem alcançados. E para quê servem os desejos? São bons ou são ruins? Imaginemos alguém que não possua desejo algum. Nesta hipótese este alguém não teria objetivos, como se este alguém olhasse para todos os lados e não sentisse em si vontade de ir para nenhum local, como se este alguém, não importa o local onde se encontrasse, não tivesse vontade de mudar. Os desejos nos impulsionam, nos levam adiante, trazem a nós os motivos para que sigamos adiante, para que continuemos e façamos o necessário para melhorar, para avançar, para continuar, até que nossa vontade esteja satisfeita e neste momento ou num momento subseqüente, outro objetivo surgirá. Os desejos nos impulsionam, as experiências nos ensinam, os ferimentos nos dizem que seguimos por um caminho difícil, mas é assim que evoluímos, é assim que avançamos em nossa jornada evolutiva e lapidamos nosso divino ser. Nossos desejos nos movem sim, mas devemos observar que espécie de desejos estamos manifestando e em que direção estes desejos nos levam. Os desejos nos impulsionam à frente, portanto são bons. Necessitamos sim, observar nossas verdades, nossos valores, necessitamos observar o que desejamos, pois esta manifestação representa o que existe em nosso interior e o que possuímos em nosso interior é que vai dizer que caminhos deveremos seguir nos momentos subseqüentes em nossa jornada. Nossos desejos são expressão de nossa vontade e nossa vontade é a expressão de nossa verdade, de nossa realidade. Algumas pessoas alimentam em si, por um longo período de tempo, desejos dos mais diversos, desejos de possuir beleza física perpétua, desejo de uma maravilhosa condição financeira, e por estes desejos fazem todos os esforços necessários; esforços que podem comprometer, podem trazer ao indivíduo a ferramenta necessária para que este indivíduo perceba que suas verdades o conduzem a caminhos que podem trazer aborrecimentos. Encontramos em alguns indivíduos o objeto de desejo como sendo a coisa mais importante da vida. Encontramos indivíduos que passam a vida toda correndo atrás de um desejo, fazendo o possível e o impossível para que o desejo seja satisfeito ou

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para que o objeto do desejo seja conseguido e nesta batalha deixa passar ao largo todas as oportunidades ofertadas para que ele modifique sua percepção da vida e tenha a oportunidade de rever suas verdades. É ruim desejar? Não, não é ruim desejar, mas é aconselhável a reflexão sobre o objeto do desejo assim como o volume de energia despendida no ato de atingir o objetivo e satisfazer o desejo. Nosso caminho é o caminho da evolução, do crescimento. Nosso destino é subir os degraus da escada evolutiva e este é um processo difícil, doloroso, que compreende a necessidade de desvendar todas as emoções, compreende a necessidade do indivíduo se conhecer com profundidade, assim como conhecer seu caminho, mesmo que de modo superficial. E assim será, com maior ou menor dificuldade, depende das necessidades específicas de cada individualidade. O despertar acontecerá e será feito o necessário para que este despertar aconteça. Nosso caminho é o amor, nosso caminho é compreender adequadamente o sentido da expressão amor e viver esta realidade completamente. E nossas paixões? As paixões são fonte de energia, de vida, mas elas devem ser compreendidas, devem ser dominadas, para que possamos utilizá-las para melhorar nosso próprio ser assim como o palco que nos envolve. O caminho é feito de dificuldades, de paixões, de frustrações, de alegrias passageiras, de tristezas infindáveis; o caminho é constituído de experimentos e desenvolvimentos. Devemos sim exercer nossa capacidade e nosso direito de possuir nossos desejos e ir à busca da realização destes desejos; mas antes disso e mais importante que isso, devemos avaliar nossas verdades e valores, avaliar duas vezes o objeto de desejo com o intuito de perceber se aquela busca, se aquele objeto vai trazer a mim algo que possa aproveitar em meu aprendizado. Nosso Pai nos concedeu a vontade, nosso Pai nos concedeu a liberdade de amar ou odiar, nosso Pai nos concedeu a inteligência e a capacidade de discernir, nosso Pai nos concedeu as ferramentas necessárias à construção e concedeu também o barro para construção dos tijolos; mas se não adotarmos as medidas preventivas necessárias, poderemos cair e nos ferir durante a construção ou poderemos construir uma estrutura que poderá trazer grandes dificuldades a seus habitantes e lembremos que cada indivíduo habita a estrutura construída por si mesmo.

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Capítulo IV - Parte VI - Perdoar e perdoar-se Quando alguém nos provoca algum ferimento, quando alguém nos provoca alguma dor, é natural que o sentimento de mágoa venha à tona, é normal que venha a nós no mínimo um sentimento de afastamento da pessoa que nos provocou a mágoa, ou mesmo, o que é mais comum, um sentimento de “ser incapaz de perdoar”. Algumas vezes o causador de nossa dor pode nem perceber que em nós provocou tal sentimento, mas nosso ser se mantém ferido. Passa o tempo e quando nem lembramos mais do acontecido, quando imaginamos que estamos refeitos do fato, algo nos lembra que ainda guardamos mágoa ou rancor. Estamos relatando um fato com suavidade ou dito de outra forma, os fatos ou sentimentos podem não ser assim tão sutis e suaves. É fato, somos sentimento, somos indivíduos frágeis; ainda somos indivíduos que caminham em busca do crescimento e da compreensão e não possuímos ainda um bom sentido de nossas capacidades, seja de amar, seja nossa capacidade de expressar adequadamente nossos sentimentos ou não compreendemos que em nossa passagem poderemos eventualmente derrubar alguém e feri-lo. Aliado a isso, encontramos em nós mesmos uma grande capacidade de ferir nosso próximo ou a nós mesmos. É fato que costumamos carregar conosco, às vezes por muito tempo, pesados fardos, mágoas, espinhos que nos provocam dor e impedem nosso avanço assim como o avanço de toda coletividade, pois compartilhamos uma mesma verdade. Mas podemos refletir quanto ao perdão. Perdoar é preciso, através do perdão eu manifesto meu sentimento de compreensão que aquele que nos feriu não é perfeito, que aquela é sua verdade e que, no caminho do agressor não faltará oportunidade de aprendizado, também pela dor. O perdão ou a mágoa nos lembra o quão difícil é sentir-se ferido, nos lembra para que tenhamos consciência de nossa imperfeição e para que procuremos não errar, não ferir nosso semelhante ou enfim, fazer ao nosso semelhando aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito. Nos magoamos? Nos sentimos feridos? Sabemos o quanto é difícil, que procuremos então seguir por outro caminho e dar o exemplo procurando sempre não ferir a quem quer que seja e, se eventualmente o fizermos, que procuremos então relatar nosso arrependimento pela situação gerada e nos desculpar com o ofendido. É fato também que a vida irá nos tratar conforme nós a tratamos. É fato que semeamos a cada passo e que, num momento subsequente, colheremos o que plantamos. É fato que aprendemos uns com os outros, é fato que a vida irá sorrir para nós, se antes nós sorrirmos para a vida. Se caminharmos as trilhas do perdão, nossa carga tornar-se-á muito mais leve pois não estaremos carregando em nós aquele sentimento de dor ou o sentimento de

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revidar a agressão como forma de alívio. Se nós semearmos o perdão, colheremos o perdão e que tenhamos a máxima certeza que em nossos atos imperfeitos, necessitaremos de perdão muitas vezes ainda. Possuímos cada um de nós uma verdade ou na verdade, cada um de nós possui muitas verdades. Se olho o horizonte do ponto em que me encontro, estarei descrevendo um quadro, se caminho alguns passos e olho novamente o horizonte, descreverei outro quadro diferente e ambos os quadros serão verdadeiros, cada um em seu momento do tempo e do espaço. Hoje vivemos nossa verdade e por esta verdade praticamos nossos atos, ou por esta verdade expressamos nossas palavras e ainda, por esta verdade amamos nosso próximo ou deixamos de amá-lo, mas estes fatos são somente nossa verdade no ponto em que nos encontramos. Com o caminhar, obteremos novas verdades, olharemos o horizonte com outros olhos e olharemos para trás e nos surpreenderemos com nossas verdades anteriores. Nosso caminho é a evolução, a modificação constante, a lapidação de uma jóia muito bela e preciosa. Devemos compreender a vida desta forma, devemos compreender que todos os que estão vivendo neste palco possuem as mesmas características e necessidades, que todos somos iguais, que necessitamos desenvolver em nós a capacidade de amar e amar significa estar em paz consigo mesmo, significa não transportar pesos inúteis à nossa jornada. Amar significa compreender a imperfeição de nossos semelhantes; amar significa, por mais difícil que seja, por maior que seja nossa dor, procurar o caminho do perdão. Se percebermos que nossa dor é muito forte, estaremos sentindo o quanto é difícil ver-se ferido e devemos saber que a forma que possuímos de não sentir mais tais dores, é nos revestir do amor e através do amor, criar ao nosso redor um manto de luz que nos protegerá destes fatos no futuro ou, caso algum ferimento ainda aconteça, teremos em nós o remédio certo para que apliquemos sobre a ferida. Perdoar é preciso, perdoar alivia, mas é também necessário que perdoemos a nós mesmos. Em muitas ocasiões erramos, em muitas ocasiões nos crucificamos e levamos conosco por muito tempo um ato falho realizado e muitas vezes este ato falho provoca um nós um sentimento de dor tão ou mais forte quanto o de ferimentos provocados por terceiros. Falamos da necessidade de compreensão de que nosso semelhante é falho, que é igual a nós mesmos, que necessitamos acreditar que este semelhante terá oportunidade de melhorar a si próprio num momento subsequente. Falamos da necessidade de dar uma nova oportunidade a este semelhante e à vida e do mesmo modo devemos ter compreensão para conosco. Nos perdoar é muito importante, mas nos perdoar requer a capacidade de julgar a nós mesmos e ter no perdão a nós mesmos, a capacidade de reconhecer que

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cometemos um ato falho e não transformar o ato de perdoar a si mesmo num ato de excessiva generosidade. Seja como for, o perdão e o ato de perdoar significam que aquele que perdoa inicia uma caminhada por campos muito mais belos que os campos trilhados até aquele momento. O perdão traz àquele que perdoa a paz de espírito, de coração, de sentimentos, traz o equilíbrio. O perdão transforma o ser em divino semeador que somente poderá colher o melhor dos frutos, pois assim estará sendo sua semeadura. E àqueles que ainda não encontrarem-se convencidos dos benefícios do perdão, perguntamos: por que não viver com o coração aquecido pelo amor? Por que não avistar ao seu redor belas flores, belos jardins? Por que não sentir ao seu lado a alegria e o sorriso das crianças? Por que não sentar e ouvir o relato da sabedoria e experiência dos mais vividos? Por que não se conceder a oportunidade da jornada mais leve e produtiva? Por que não sorrir ao invés de chorar? Por que não agradecer ao contrário de maldizer? Enfim, por que não amar?

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Capítulo IV - Parte VII - O amor Em muitas páginas encontramos a informação que necessitamos possuir amor em nós, que necessitamos viver o amor e encontramos diferentes cenários onde o amor se manifesta, como o amor de pai e filho, o amor entre irmãos, o amor entre companheiros de matrimônio, o amor pelos animais, entre tantas outras formas de amar. Mas, o que é amor, o que é amar? É difícil amar? A escuridão é a ausência de luz; podemos afirmar que o amor é a ausência do desamor, ou em outras palavras, é a ausência da raiva, do ódio, do egoísmo. Somos todos criados pelo amor, seja pelo amor de nossos pais da carne, seja pelo amor de nosso Pai maior, e além de sermos criados pelo amor, somos constituídos de amor, o amor é nossa essência, o amor está em nosso interior, em nosso coração. O amor é nato ao ser, a todos os seres, é nosso natural viver em harmonia, em paz num ambiente harmônico. Amor é sentimento, é energia criativa, é energia que aquece o coração, tanto daquele que ama quanto daquele que é amado; amor é doação, doar de si próprio ao próximo, não importa quem seja ou como seja este próximo, mas doar-se sem esperar em receber nada em troca. O amor constrói em silêncio, o amor silencia, o amor traz consigo a humildade, o amor traz consigo o desprendimento, o amor traz consigo a alegria sem par, de poder auxiliar alguém e ao final, perceber que aquele alguém de alguma forma melhorou sua condição. O amor é aquele sentimento que enche os olhos de lágrimas quando ouvimos do outro um agradecimento por algo que possamos ter feito em favor dele. E como amar? O amor é o sentimento que vem e aflora sempre que permitirmos que ele venha à superfície de nosso ser. E permitiremos que ele venha à superfície sempre que limparmos nosso coração de toda poluição ali depositada, poluição esta fruto de nosso egoísmo e de outros pensamentos e sentimentos contrários a presença do amor. E por que amar? A resposta reside na experiência de amar. Se desejamos saber por que amar, basta que amemos uma vez, um amor verdadeiro, um amor sincero e sem interesses para então sentirmos a alegria de amar. Neste momento poderemos responder a nós mesmos por que amar.

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E neste plano, onde a violência é tão facilmente encontrada, onde o egoísmo é facilmente encontrado, o amor existe? Se não vemos o amor em nosso ambiente, talvez nossos olhos não estejam olhando na direção certa ou talvez o amor não esteja em nossos olhos, ou talvez nós não estejamos preparados para reconhecer o amor, ou talvez estejamos tão habituados aos pequenos gestos de carinho que passamos por eles sem perceber ali a presença do amor. Diz o texto popular que a beleza está nos olhos de quem vê, e sendo assim, o amor, além dos olhos, está também no coração de quem vê, está no modo como vemos as coisas. O amor reside em todas as coisas, o amor reside na alegria, o amor reside na dificuldade, o amor está no nascer de um belo dia de primavera e do mesmo modo, o amor está num dia de tempestade; basta que nos habituemos a ver os fatos por um ângulo diferente. É fácil dizer e perceber que o amor está num belo amanhecer de primavera, mas é mais difícil perceber que a tempestade também traz a presença do amor no ato de purificação que a chuva traz no ato de trazer nova vida à terra.É mais difícil perceber o amor na tempestade, pois não percebemos que ali está a demonstração que a natureza tem seu poder e que devemos respeitá-la como nossa parceira de caminhada.É mais difícil percebermos a presença do amor na tempestade, quando não percebemos nesta tempestade a prova da persistência a nós imposta quando esta tempestade provoca danos materiais, a prova da compreensão das forças que nos envolvem. Manifestações do amor. O amor pode ser encontrado em muitos lugares e em momentos à nossa volta, como na explicação que um adulto dá a uma criança, está no sorriso inocente deste pequeno ser, está nas noites sem dormir da mãe à cabeceira do filho enfermo. O amor está na harmonia da natureza com seus córregos fornecendo vida à suas margens, o amor está no sol que alimenta a todos os que estão sob seus domínios, o amor está na experiência transmitida pelos mais velhos aos mais jovens. O amor está na carícia que as ondas do mar fazem na areia da praia, o amor está no pequeno pássaro que vive sua vida a trazer alimento aos seus filhotes, o amor está nos olhos do observador que para por um momento sua caminhada e observa a vida em seu desenrolar. O amor está no perfume que exala da flor, o amor está no silêncio do agredido como resposta ao agressor.

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Onde está o amor? O amor está no ato de observar as estrelas numa noite de céu límpido, o amor está no ato de dialogar consigo mesmo a busca do caminho interior que nos liberta; o amor está no reconhecimento do quanto somos pequenos face ao infinito e do quanto podemos fazer, pois possuímos em nós a capacidade de amar e o amor transforma, transporta, constrói. O amor está no ato de dialogar com nosso Pai, de deixar em nosso coração espaço para que este pai se faça presente; o amor está na compreensão de que muito devemos aprender, que a forma com que o aprendizado se faz é através das caminhadas, das jornadas que empreendemos em nosso dia a dia, vivenciando as dificuldades como forma de libertação das amarras que possuímos atadas a nossos pés. É fácil amar, basta que fechemos nossos olhos e deixemos que nosso coração indique o caminho, basta que apaguemos de nosso ser todo sentimento árido que impede que a flor do amor germine, pois a semente já foi semeada e está à espera que a condição ideal se faça para que ela venha à tona e bons frutos possa trazer.

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Capítulo V - Parte I - O ontem ainda hoje

A cada novo amanhecer um novo dia se faz a nossa frente, novas perspectivas, novas esperanças, nova possibilidade de adquirir conhecimentos e melhorar nossa verdade. A cada manhã um novo caminho se faz em nós ou se faz a nossa frente; é a continuidade do caminho percorrido no dia anterior. A cada passo em nossa longa jornada, a cada pensamento que vem numa sucessão infinita de pensamentos, uma nova descoberta, um novo horizonte, uma nova morada para um novo ser que nasce pensamento após pensamento. As verdades são como páginas de um livro. Um livro aberto a nossa frente nos traz uma verdade na página que nossos olhos veem. Viramos a página, novas verdades, novas possibilidades, um novo contexto na nova página em que depositamos nosso olhar. E caminhamos, e aprendemos, pois a vida nos oferta conhecimento a cada instante e a cada passo nos é mostrado algo que nos deve ser acrescentado. Assim se faz o conhecimento embora algumas vezes deixemos de perceber todas estas novas realidades vindas em nossa direção. Nem sempre é fácil estar aberto a novas verdades. Todas as manhãs nos levantamos da cama e seguimos a mesma rotina, pegamos a mesma xícara para tomar o café da manhã, ocupamos o mesmo lugar à mesa ou no sofá da sala, toda manhã sintonizamos a televisão no mesmo canal, no mesmo horário, no mesmo programa e assistimos as mesmas notícias de ontem, e do dia anterior. Nossos pensamentos e opiniões de ontem ou do ano anterior, ainda se fazem presente em nós hoje. Os políticos, os religiosos, os povos ou outros pensamentos quaisquer. O rio faz o seu caminho em direção ao oceano, mas as águas que compõem o rio hoje não são as mesmas águas que compunham o rio no dia de ontem; ocorreu uma renovação. Do mesmo modo, as nuvens que cruzam o céu hoje, não são as mesmas nuvens que compuseram o céu no dia de ontem. O ser que conheço como sendo eu, a minha individualidade, o personagem que através de meus pais veio a este plano, também necessita de renovação e deixar-se levar tal qual as nuvens pelo sopro dos ventos, que em nosso caso, o sopro dos ventos é representado pela vivência de nossas experiências e através de novos conhecimentos absorvidos com estas novas experiências.

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Ainda vejo hoje o comportamento da sociedade a minha volta ditando normas e padrões, que hoje, tal qual ontem, procuro seguir. Ainda hoje, tal qual ontem, assisto aos mesmos programas de televisão, porque assim me foi sugerido. Ainda hoje leio o jornal começando por esta ou aquela parte ou página, porque assim aprendi ontem. Quantas manhãs me restam nesta existência? Quantos dias ainda viverei neste palco ou em outros palcos? E em quantos destes dias repetirei as verdades de ontem? Somos exploradores, desbravadores e o objeto a ser explorado somos nós mesmos. Nossa obrigação é seguir por novos caminhos a cada instante de modo que venhamos a descobrir nossa individualidade, nossa divindade, nossa capacidade de amar e de realizar. Como poderemos estar nos conhecendo se hoje, tal qual ontem, estou sentado à mesma poltrona em minha sala? Há tanto o que descobrir, há tanto com o que sonhar, há tanto o que amar, existem tantos lugares para onde ir, existem muitos viajantes em muitas jornadas e caminhos que podemos conhecer, existe tanta experiência e conhecimento em nós que podemos compartilhar com outros, há tanto o que observar em nosso caminho, existem tantas flores ao nosso redor; mas como poderemos observá-las se nossos olhos, hoje como ontem, olham na mesma direção? Como poderemos amar se nosso coração, hoje como ontem, continua ocupado com tantas verdades e sentimentos substituíveis? Enfim, quais são nossas verdades? Que roupas vestimos hoje? Com que roupa me apresentarei amanhã? Nosso caminho é nossa jornada e nesta jornada levo comigo minha bagagem, e a mala é pesada; mas, se em algum momento eu fizer uma pausa em minha jornada, abrir a mala e avaliar seu conteúdo, avaliar os bens que a duras penas carrego e considero valiosos, qual será o resultado da análise? Concluirei que tudo o que carrego na bagagem é realmente valioso e, mesmo que pesado, vou continuar ferindo minhas mãos e meu corpo no esforço de carregar tal bagagem? Num outro foco, meus sonhos ou aspirações. Todos nós possuímos nossos sonhos, nossas aspirações e expectativas e estes sonhos são reformulados sempre que avançamos em nossa caminhada, sempre que conseguimos substituir uma verdade antiga por uma nova verdade. Podemos avaliar nossos sonhos, hoje estes sonhos são os mesmos sonhos que possuíamos a um determinado espaço de tempo no passado? Se isso ocorre, por que ocorre? Qual é a qualidade destes sonhos?

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A vida é um constante exercício que mede nossa capacidade de fazer alguma coisa, tal qual o esportista que constantemente mede sua capacidade de fazer, procurando fazer hoje mais que ontem, levantar hoje mais peso que conseguiu levantar ontem, ou correr mais rápido hoje do que correu ontem. Se o esportista não se mantivesse concentrado em seu objetivo de melhorar sua performance, não conseguiria ir mais rápido e rapidamente seria deixado para trás por todos os demais esportistas que conseguiram manter seu foco e melhorar a si mesmos. Ontem, acreditávamos que a terra era plana, que não existia mais nada além de determinado ponto. Ontem, alguém não se deu por satisfeito por utilizar apenas a luz das chamas do lampião e foi em busca de alternativas. Ontem, alguém não se deu por satisfeito em não poder voar como os pássaros e foi em busca de seu objetivo, e assim tantos outros foram em busca de algo. Não precisamos ser os descobridores de algo revolucionário, mas podemos sim procurar conhecer melhor a nós mesmos, procurar deixar a poltrona da sala e ir além, mais além de nosso quintal. É uma questão de começar, penso o que penso, mas por que penso o que penso? Sinto o que sinto, por que sinto o que sinto? Meus sonhos, estes são meus sonhos, mas de que são constituídos estes sonhos? Onde estes sonhos me levam? O que sou obrigado a fazer para realizar estes sonhos? E enfim, estes sonhos são meus ou a mim vieram de outros horizontes? E meus valores, quais são meus valores em primeiro lugar e em segundo lugar, por que carrego comigo tais valores? E mais uma vez, estes valores são meus verdadeiramente ou foram “importados”; carrego valores a mim impostos por outros viajantes? Ir além, voar mais alto, ir até o sol sem se importar em derreter as asas, pois não estarei usando asas de cera. Unir-me ao universo, compreender a complexidade e ao mesmo tempo a simplicidade da vida, abrir espaço em meu ser, em meu coração para que meu Pai habite meu interior, abrir em meus olhos a condição necessária para que eu possa observar as belezas infinitas, simples e singelas que se fazem todos os dias à minha janela. É muito simples: levantar-se da poltrona, ir até a janela, abri-la e observar a maravilha que nosso Pai nos oferta a cada instante. E se vou até a janela, por que não abro a porta e vou um pouquinho mais adiante?

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Capítulo V - Parte II - O hoje No tópico anterior, comentamos da necessidade de deixar para trás nossos hábitos, nossas verdades e costumes de ontem, falamos em procurar viver novas experiências no hoje sem carregar conosco o fardo de ontem; mas ao contrário disso, trazer conosco para o hoje o aprendizado adquirido na vivências das experiências passadas. E o hoje? É comum a muitos viajantes, no ato de viver o hoje, trazer consigo magoas e outros sentimentos que causam peso e perturbam o desempenho do viajante. É comum mais ainda, além de trazer consigo os pesos de ontem, acrescentar mais alguns criados pelas preocupações com o amanhã e, desta forma, sobra pouco tempo que viver o hoje. Sem nenhuma dúvida que o ontem, o hoje e o amanhã estão interligados, pois existe algo que os une, o nosso ser, a nossa individualidade. Sem nenhuma dúvida que não devemos esquecer completamente as experiências de nosso ontem, os aprendizados e as dificuldades. Do mesmo modo não devemos viver hoje como se o amanhã não existisse, devemos hoje investir no amanhã; mas tão importante quanto aos demais existe o presente e devemos procurar viver da melhor forma este presente, mesmo porque desta forma, estaremos investindo em nosso amanhã. Viver o hoje sem sentir em si o passado e sem carregar preocupações com o amanhã e ao mesmo tempo viver o hoje, investindo num amanhã, de forma que eu possa estar numa situação melhor que hoje me encontro. Se desvincular destas preocupações, confiar, acreditar, ter fé, fazer o melhor que possamos fazer hoje, não importa o que estamos nos propondo a fazer, mas se nós propomos a fazer, que façamos o melhor que pudermos. E por que fazer o melhor? Fazer o melhor pelo próprio ato de fazer o melhor e melhorar a si próprio, fazer o melhor para sentir-se bem consigo mesmo, fazer o melhor para admirar a própria criação, mas fazer o melhor sem esperar que em contrapartida recebamos elogios ou qualquer outra forma de pagamento ou reconhecimento, mas fazer o melhor pelo melhor. Viver o hoje, nosso tempo de hoje está tão escasso, tão curto, somos obrigados a cumprir inúmeras exigências e obrigações que nos são impostas ou que nos impomos. Neste turbilhão de acontecimentos e necessidades, num turbilhão de emoções que se fazem em nosso ser, no turbilhão de verdades e mais verdades que de todos os lados nos são impostas, ou no oceano de dificuldades e maldades que encontramos em nosso dia-a-dia. Necessitamos encontrar uma forma de não nos deixar envolver por tudo isso, cumprindo nossos compromissos, mas, ao mesmo tempo, encontrando um tempo para o equilíbrio, para a serenidade, para o estudo de nós mesmos, de nossos sentimentos, de nossas verdades.

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Viver o hoje com sentimento e mesmo no turbilhão de tantas coisas a nossa volta, que o sentimento possa ser de carinho, de amor e suavidade. Viver o hoje conscientes que auxiliamos a criar todo este turbilhão, assim como podemos auxiliar em seu processo de dispersão com o nosso equilíbrio e com o nosso exemplo. O exemplo, tanto o bom exemplo quanto o mal exemplo são seguidos por outros viajantes que estejam próximos. O amor ou o desamor são contagiosos; se nós manifestarmos amor, logo outros viajantes, ao seu modo, passam a manifestar o amor. Esta é uma bela forma de viver o hoje e ao mesmo tempo investir no amanhã. Viver o hoje em contemplação à natureza e suas belas formas, prestar atenção em sua simplicidade e em sua complexidade ou ainda em sua fragilidade. Observar nossos semelhantes, não no sentido de “espionar” a vida alheia, mas observar no sentido de aprender algo com a vida que se faz a nossa volta. Viver o hoje em busca de questionamento, viver o hoje em busca de respostas a perguntas como: Quem sois vós? Quais são suas verdades? Que trazeis convosco? E antes que alguém possa responder, “Sou fulano de tal”, alertamos que, além desta resposta que é fácil de ser dita, devemos avançar mais a fundo no questionamento de quem somos ou de quais são nossas verdades, assim como quanto a bagagem que carregamos. Viver o hoje sem carregar o peso do ontem ou o peso do amanhã, viver o hoje sem carregar o peso das buscas às respostas que muitas vezes não vêm ou não nos parecem ser as que esperávamos, mas viver o hoje consciente que necessitamos caminhar em busca do conhecimento, do próprio conhecimento; viver o hoje caminhando para o próprio interior. Viver o hoje em harmonia consigo mesmo, com nossos valores e verdades, viver o hoje em harmonia com nossas aspirações para o amanhã; viver o hoje dentro de nossa capacidade e da disponibilidade de realização que o palco onde nos encontramos nos propicia. Viver o hoje por uma bela noite de sono sem o peso em nossa consciência por algo de bom que poderíamos ter feito e não fizemos ou por algo que fizemos e não deveríamos ter feito. Existe algo importante que devemos buscar constantemente alcançar ou conhecer, uma jóia muito preciosa e completamente desconhecida se não de todos, pelo menos de boa parte dos viajantes que percorrem estes caminhos. Esta jóia é algo que devemos alcançar ou conhecer nós mesmos.

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Passamos por muitas experiências, por muitas vidas, por muitos choros e alegrias, mas vivemos estas experiências com freqüência, muitos distantes de nós mesmos. Nos divertimos, rimos, saímos, viajamos, compramos, nos aproximamos e nos afastamos de outros, nos alimentamos, nos vestimos com as mais variadas vestimentas; mas nisso tudo, não encontramos a preciosidade ímpar e divina, nós mesmos. Viver o hoje, sem carregar os pesos já relatados acima; mas viver o hoje em busca de uma melhoria íntima de um conhecimento melhor de si mesmo a ponto de podermos responder a pergunta: Quem sou eu? Viver o hoje em busca da purificação de nossos sentimentos, pois somos nossos sentimentos, somos nossos pensamentos, somos a energia que geramos e geramos energia a cada pensamento e a cada gesto. Viver o hoje contemplando o horizonte que se faz a nossa frente, viver o hoje avaliando sim o terreno que caminhamos até chegar ao ponto em que nos encontramos, viver o hoje sim, planejando, mentalizando, criando em nosso ser o caminho e o horizonte que teremos amanhã. Viver o hoje com simplicidade, com humildade, com riqueza de bons sentimentos e pensamentos, viver o hoje sendo o construtor de nossa morada no amanhã. Viver o hoje consciente que logo mais adiante encontraremos a porta que nos conduzirá a um caminho mais alegre, feliz, mais suave e onde já não existiram tantas duras exigências e provações. O que podemos fazer hoje? Podemos procurar melhorar nossa condição de vida, nosso entendimento, nossas verdades, nossa suavidade. Possuímos em nós a capacidade de amar, possuímos em nós a capacidade de transformar o dia tempestuoso num dia radiante e iluminado, um dia de esperança e amor, basta que criemos em nós a predisposição de melhorar a si próprio. Basta que criemos em nós o hábito de fazer a leitura da vida, de nossos pensamentos, de nossas emoções e ainda, que nos habituemos a ouvir nosso coração.

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Capítulo V - Parte III - O amanhã Ouvimos que devemos nos preocupar com o hoje, viver o hoje esquecendo o ontem e não se importando com o amanhã e isso é verdade, o ontem já passou e ele deve vir a nós somente como fonte de aprendizado para que o hoje seja melhor vivido e para que o amanhã seja melhor. Agora, quanto ao amanhã, não sabemos onde estaremos e nem como estaremos. Se hoje nos preocuparmos demasiadamente com o amanhã, acabaremos não vivendo o hoje. Apesar disso, o amanhã é importante em nossas vidas, devemos sim nos preocupar com o amanhã, mas sem que com isso deixemos de viver o hoje. Devemos nos importar com o amanhã fazendo hoje o melhor que possamos fazer para melhorar a nós mesmos neste dia e certamente, agindo da melhor maneira possível hoje; amanhã seremos recompensados como uma melhor condição de vida. Nossa jornada é um constante semear e colher, a cada pensamento, a cada passo, a cada gesto, estamos depositando uma semente no solo e os frutos desta semente serão colhidos por nós. Ninguém fará a colheita do que semeamos senão nós mesmos. É com esta consciência que devemos caminhar hoje, sabendo que estamos fazendo o melhor que podemos fazer. E se neste empreendimento, conscientes que estamos fazendo o melhor, assim mesmo acabarmos por cometer algum equívoco, se este equívoco provocou em nós uma nova necessidade de aprendizado, que façamos o aprendizado; mas permanece em nós o princípio, a intenção de melhorar o nosso ser e estaremos melhorando este ser porque nosso pensamento caminha nesta direção, nossa energia estará canalizada para a melhoria do ser e com este princípio, estaremos abertos aos conselhos que a nós serão direcionados das esferas mais altas, no sentido de nos mostrar o melhor caminho para enriquecer nosso divino ser. O caminho que percorremos neste instante é um difícil caminho, muitos obstáculos são encontrados em cada curva da estrada; somos, de muitas formas, exigidos ao máximo ao longo de todo o tempo. A carga que transportamos é pesada: caímos muitas vezes, erramos muitas vezes, choramos muitas vezes e mesmo aqueles que dizem nunca chorar possuem sua forma de chorar; lamentamos muitas vezes, maldizemos outras tantas, mas apesar disso tudo, nossa capacidade de superar é maior que os obstáculos encontrados. Se seguirmos adiante com a convicção de que podemos vencer, com a convicção de podemos melhorar nossa situação hoje e mais ainda nossa situação amanhã, assim será, podemos ter a certeza mais absoluta que assim será. Não importa se caímos ou se erramos, estamos aqui para cair, para errar, para chorar, é assim que aprendemos, é assim que nosso Pai provoca o despertar do ser divino que habita nosso interior. Somos ainda imperfeitos, falhos, mas se mantivermos nossa disposição focada no aprendizado, na certeza que poderemos

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ser melhor amanhã em relação a hoje, se nosso coração estiver cheio do melhor dos sentimentos, do amor, da alegria de viver, se nosso coração possuir a vontade de superar, nossas mãos estarão estendidas em direção ao nosso Pai e Ele, por sua vez, atenderá nosso chamado e caminhará ao nosso lado, caindo conosco quantas vezes forem necessárias, mas no momento seguinte, Ele estará fazendo tudo o que for possível para nos auxiliar a levantar, e o “possível” é segundo nossa capacidade de fazer e compreender. O amanhã, como construir um amanhã melhor? Silencio Como construir um amanhã melhor? Vivendo o melhor hoje, vivendo na luz a cada instante, vivendo longe dos pontos de escuridão encontrados ao largo do caminho e em nosso coração, extirpando de nosso ser os pensamentos de egoísmo, de inveja, de rancor ou de qualquer forma de violência. Como construir um amanhã melhor? Semeando belas flores hoje. E o que significa plantar belas flores? Além de plantar e admirar nossas companheiras, as flores com suas belas formas e aromas, plantar uma flor significa auxiliar um companheiro, significa fazer a este companheiro o que gostaríamos que nos fosse feito por alguém, plantar flores significa, por um instante, suspender nossa caminhada e auxiliar um companheiro viajante e retirar do caminho dele uma eventual pedra ali encontrada. Plantar belas flores significa regar o jardim para que as sementes ali lançadas encontrem o clima necessário ao seu desenvolvimento e regar o jardim, significa manter em nós os melhores pensamentos, pensamentos de doação, pensamentos de amizade desinteressada, pensamentos de amor, pensamentos iluminados, gerar estes pensamentos e direcioná-los a todos os campos ao nosso redor, pelo simples prazer em presenciar tantas e tantas plantinhas desabrochando. Plantar flores ou regar o jardim, ou investir num amanhã melhor, significa auxiliar a outrem a encontrar em si motivos para sorrir. E perguntamos, quão difícil é praticar estes gestos? É impossível? E perguntamos ainda, praticando estes gestos, como poderia ser nosso amanhã, senão um belíssimo amanhã onde, ao abrir nossa janela pela manhã, encontraremos um radiante sol a sorrir para nós num cumprimento velado, encontraremos os pássaros a entoar seus cantos saudando a vida, encontraremos em outros companheiros, corações aquecidos, sorridentes saudando a vida tal qual o nosso próprio coração estará. Eis o caminho para o amanhã, nosso coração. Nosso coração ainda traz em si marcas do passado, ferimentos e sentimentos muitas vezes ocultos a nossa consciência presente, mas estes sentimentos estão presentes e estarão ausentes, se trabalharmos para que esta ausência se faça. E a ausência destes sentimentos

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acontecerá com a substituição deles por novos sentimentos, sentimentos de amor, sentimentos de prazer em viver, sentimentos de encontro consigo mesmo, sentimentos de compreensão da vida a cada passo dado ao longo do caminho, sentimentos de altruísmo substituindo sentimentos de egoísmo. Sim, devemos nos preocupar com o amanhã e como conseqüência desta preocupação, devemos fazer o melhor hoje, sem que isso signifique desgaste a ponto de não vivermos o hoje, sem que isso signifique obsessão, mas que isso signifique comprometimento de um ser com ele mesmo, de um filho para com um Pai, de que faremos o melhor que pudermos hoje.

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Capítulo V - Parte IV - O silêncio Nos chegam sem interrupção o som, o barulho, sons dos veículos se deslocando, sons de pessoas a conversar, sons de músicas, o som de nossa voz. Encontramos pessoas que não conseguem estar por apenas um instante em silêncio, pois o silêncio as incomoda. E falamos, e procuramos expor nossas mensagens, nossos pensamentos; usamos algumas vezes o dom da palavra como forma de proteção, pois ao ficarmos em silencio, outro indivíduo irá ocupar o espaço e endereçar suas mensagens que de alguma forma podem nos incomodar, mesmo porque, neste instante, o outro é quem está sendo o centro das atenções, este outro está ocupando um lugar que preferiria eu ocupar. Outro aspecto é que quando falo, evito que meus pensamentos venham a mim, evito que minhas emoções se manifestem. Ao contrário disso temos o silêncio, a ausência de ruídos, de barulho, de sons. O silêncio da noite quando nos encontramos em nosso leito a repousar, o silêncio daqueles que não conseguem articular as palavras por deficiência física, o silêncio do sol a percorrer seu caminho, o silêncio das águas do lago plácido, o silêncio de nossos pensamentos. Mas que importância tem o silêncio? O silêncio é equilíbrio, representa a paz de espírito, representa o equilíbrio em nosso pensamento; o silêncio significa reflexão e a reflexão nos auxilia na percepção de nós mesmos, de nossas emoções e verdades, o silêncio é o caminho para que possamos percorrer o caminho interno. O silêncio é energia que nos alimenta, que nos dá forças e nos leva adiante, o silencio é a fonte de fortalecimento de nossos alicerces. É no silêncio de nossos pensamentos que nosso Pai nos fala, é no silêncio de nossos pensamentos que avaliamos o caminho percorrido até o ponto em que nos encontramos. O silêncio de nossos pensamentos faz com que ouçamos o som de nossa respiração. O silêncio de nossos pensamentos nos transporta ao mais plácido e calmo dos lagos onde a este lago nos unimos. O silêncio de nossos pensamentos permite que nossos olhos percebam as belezas nunca antes percebidas, o silêncio de nossos pensamentos permite que percebamos melhor os indivíduos que estão ao nosso lado, o silêncio de nossos pensamentos permite que ouçamos nosso eu interior. O silêncio de nossos pensamentos permite que viajemos ao mais distante dos mundos; o silêncio de nossos pensamentos permite que criemos o mais belo dos mundos e a beleza destes pensamentos e mundos, permite que as mais sublimes

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energias nos atinjam e nos renovem, removendo as energias contaminadas que carregamos. Por que o silêncio? O silêncio nos fortalece, permite que nós nos encontremos, e ao nos encontrarmos, crescemos como seres. Existem diferentes modos de viver a vida. Podemos, por exemplo, viver a vida como se fôssemos uma pequena folha de árvore que cai na superfície do rio e segue sendo levada rio abaixo, sem ter como influir em seu próprio caminho ou sem perceber o cenário às margens do rio. Podemos viver a vida como que “passando pela vida” ou podemos questionar a vida, podemos voltar no tempo e à idade infantil dos “Porquês”. Questionar a vida significa questionar suas razões e motivos, buscar as mensagens que cada etapa da vida nos oferta. Questionar a vida significa procurar extrair de cada etapa os ensinamentos necessários ao nosso crescimento. E como podemos fazer estas análises e questionamentos se não nos damos a oportunidade de reflexão e diálogo com a vida e conosco mesmo? Possuímos em nosso interior um grande amigo sempre presente, nosso coração, que sempre estará conosco e sempre poderá nos aconselhar. Com a prática do silencio poderemos ouvir nosso conselheiro mais fiel. Com a prática do silêncio, podemos observar tantas e tantas experiências sendo vividas por inúmeros viajantes e aprender com estas experiências. Com a prática do silêncio, poderemos perceber em nós mesmos e em nossos companheiros de viagem a presença da emoção e seus reflexos nos seres que as sentem. Praticando o silêncio, podemos sentir o nosso corpo, podemos sentir nossa energia, nosso mundo interior. Com a prática do silêncio podemos aprender a ver as mensagens que os olhos de nossos companheiros de viagem expressam, podemos aprender a ler as palavras que muitas vezes não nos são ditas por aquele que está ao nosso lado. Com a prática do silêncio, podemos nos colocar à disposição do companheiro viajante que em algum momento de sua jornada necessita de um ombro amigo, de um amigo que ouça seu desabafo. Com o silêncio, poderemos perceber que ao nosso lado, muito próximo, existe alguém necessitando de auxílio, estendendo as mãos em nossa direção, clamando por algo que possuímos e poderemos ofertar. Praticando o silêncio, poderemos ouvir nosso Pai falando a nós através de nossas próprias experiências, ou através de nossos sentimentos, sentimentos contidos e manifestados por nosso amigo coração, ou nosso Pai nos fala através das

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belíssimas imagens da natureza que há muito se fazem ao nosso lado e não as havíamos percebido até então. Silenciar nossa mente, nossos pensamentos; muitos de nossos pensamentos nos trazem aborrecimentos, ou ainda preocupações com fatos que ainda não aconteceram e que podem nunca acontecer, mas que em nossas mentes são fortes, nos incomodam, tiram nossas energias. Como seria bom silenciar nossa mente, como seria agradável nos conduzir até o alto platô, nos sentar e observar o belíssimo trabalho de nosso Pai manifesto em cada componente da criação. Estar com as flores e sentir as flores próximas a nós, nos deixar acariciar pela singela e bela flor, sentir seu aroma, nos deixar conduzir ao mundo das flores, dos córregos, dos lagos, dos mares a acariciar as areias das praias, seguirmos unidos como um só ser com o vento percorrendo os campos e montanhas, observar o pássaro que plana no alto, ou podemos ir mais longe ainda e nos unir ao sol a aquecer o sistema. Podemos realizar cada um destes fatos, e podemos realizá-los se aquietarmos nossa mente, se deixarmos nos envolver pelo silêncio e se deixarmos ser conduzidos pelo pensamento. Sentir toda energia, benéfica e maravilhosa energia que vem a nós como um manto protetor a nos envolver, que higieniza e fortalece, renova as energias de cada célula, de cada átomo constante em nosso ser. Estar com nosso Pai, sentir este Pai próximo ao nosso ser, sentir este Pai em nosso interior, abraçá-lo, nos deixar envolver por seu carinho, por seu amor, nos deixar envolver pelo amor do Pai por seu filho. O silêncio nos conduz, o silêncio cria, nos transporta, nos mostra; o silêncio permite que ouçamos as mensagens ou pensamentos que estão em nosso interior, mas teimamos em não ouvir. O silêncio permite que nossos companheiros viajantes expressem suas mensagens e com estas mensagens poderemos nos conhecer melhor. Através do silêncio a vida nos fala, e como é bom ouvir a vida, e como é bom ouvir o vento, ouvir os pássaros, ouvir as flores nos cumprimentando a cada manhã, ouvir as gotas de chuva nos cumprimentando à sua passagem. A vida é um livro que requer uma constante leitura, a cada passo, a cada pensamento, a cada dia que finda ou que começa, a cada palavra que não foi dita, a cada sentimento contido, a cada magoa que geramos e que nosso companheiro viajante não manifesta; temos uma leitura a ser realizada. As leituras nos trazem conhecimento, o conhecimento cria em nosso ser as oportunidades de discernimento e a correta decisão nos leva a galgar um degrau mais elevado em nossa história e em nosso caminho.

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O silêncio cria estas condições e mais, o silêncio é demonstração de força, de amor, de elevação espiritual, pois sábio é aquele que silencia frente à ignorância que flui ao seu redor. Enfim, o silêncio é paz, é equilíbrio em meu ser e é o equilíbrio de meu ser com os demais seres da criação; o silêncio é a porta aberta para um novo e próspero caminho. O silêncio nos conduz, nos aconselha, nos protege dos males do caminho; o silêncio impede que, em minha ignorância, eu magoe meu semelhante. O silêncio permite que meus olhos, meus gestos e ações falem por mim mais que minhas palavras.

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Capítulo V - Parte V – Ouvir É comum encontrarmos pessoas que gostam de falar, pessoas que sabem falar, mas será que conhecemos muitas pessoas que sabem ouvir, pessoas que se disponibilizam a ouvir? Um ditado diz que ouvir é uma arte. Se nós saíssemos de casa num determinado dia com a firme determinação de encontrar pessoas que pratiquem a arte de ouvir, será que nós obteríamos êxito em nosso propósito? Quando imaginamos os relacionamentos entre pais e filhos, quando imaginamos os relacionamentos entre vizinhos, quando imaginamos os relacionamentos entre cônjuges ou os relacionamentos entre colegas de trabalho e mais, quando imaginamos os diálogos existentes entres estes personagens, a que conclusão chegaremos quanto ao processo de ouvir? É comum que, quando alguém nos fala algo, que nós nem aguardemos que a mensagem seja inteiramente dita, mas logo em seu meio, nós já achamos que captamos a íntegra da mensagem e já firmamos nossa opinião a respeito do foi dito ou a respeito do que achamos que foi dito e deixamos de ouvir a continuidade do relato. E quanto ao processo de falar, é comum que nós não falemos o que gostaríamos de falar. Num determinado instante falamos no vermelho, mas estamos pensando no verde, ou gostaríamos de estar falando no verde. E quanto ao ato de ouvir a si próprio, ouvir nossos próprios pensamentos e sentimentos, quantas vezes nós encontramos pessoas que vivem uma vida agitada ao máximo, tudo para não se aquietar e ouvir seus próprios pensamentos. E quando ouvimos nossos sentimentos? E quando ouvimos nosso grande amigo, nosso coração? E quando teimamos em nos dizer algo que sabemos que não é aquilo que pensamos? Vivemos em contato com inúmeros seres de variadas espécies, encontramos ao longo de nosso caminho corações que falam muito alto, encontramos corações que nada falam; encontramos gestos que dizem tudo, encontramos olhares que muito dizem, encontramos a natureza que sempre nos fala, encontramos nosso Pai que sempre que quisermos ouvir, poderemos ouvir Suas mensagens. É importante ouvir o que nossos companheiros de jornada nos dizem, é importante que aguardemos que toda a mensagem seja dita para só então formarmos nossa opinião.

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Mas, acima de tudo, é importante que ouçamos o que as pessoas não estão dizendo com palavras. Os gestos, o olhar, a tristeza, a alegria, os sentimentos das pessoas; enfim, existem outras formas de comunicação que falam muito mais que as palavras que são ditas. Voltando à nossa decisão de sairmos de casa determinados a encontrar alguém que pratique a arte de ouvir, nesta busca, quantas pessoas nós poderemos encontrar que se coloquem corajosamente à disposição de ouvir o silêncio? Digo corajosamente porque muitas vezes o ato de ouvir a si mesmo é uma tarefa difícil de ser realizada. Numa sociedade agitada, onde o tempo fala mais alto que qualquer outra coisa, numa sociedade onde este tempo nos lembra sempre que existe algo urgente necessitando de nossa atenção. Numa sociedade em que a competitividade é uma realidade presente um muitos campos, é importante que nos coloquemos em condições e à disposição de ouvir por um instante sequer que seja, mas ouvir o silencio de nossa voz, ouvir o silêncio que nos coloca em contato com nosso ser interior, ouvir o silencio do ar presente em nossa respiração, ouvir os batimentos de nosso coração, e mais que isso, deixar que nossa mente nos fale livremente, deixar que nossa mente nos leve a situações de calma e tranqüilidade onde podemos renovar nossas energias. Nos encontrar, como poderemos nos conhecer sem que nos encontremos? Como poderemos nos encontrar sem nos ouvir, refletir sobre nossas verdades, nossos sentimentos, sobre aquilo que falamos e sobre aquilo que não falamos. Como poderemos nos conhecer sem nos encontrar? Como poderemos nos avaliar sem nos conhecer, sem conhecer nossos limites e nossa capacidade de amar, de criar, de transformar o deserto em belo campo florido? Como poderemos realizar estas importantes tarefas, sem nos aquietar por alguns instantes? Como poderemos aprender se não prestamos atenção às tarefas que estão sendo realizadas por nós e por nossos companheiros de jornada? Como poderemos nos alegrar se não sabemos o que nos alegra? Se não sabemos o que é alegria? E como saberei da alegria se não me aquieto e reflito sobre ela? Como poderei saber e sentir o grande prazer de auxiliar meu semelhante se não ouço o que ele diz ou se não ouço o que ele não diz? Como poderei avaliar minha vida e minha caminhada se não me aquieto para ouvir minhas próprias razões, minhas emoções e minhas frustrações?

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O divino prazer de ouvir, o divino prazer de poder fechar os olhos, ouvir os sons ao nosso redor, ouvir o canto de pequeno pássaro numa árvore próxima, ouvir o vento que acaricia nosso corpo. Há tanto que podemos ouvir e existem locais maravilhosos em que poderemos estar, se nos colocarmos em situação de deixar que nossa mente nos conduza. A vida nos fala constantemente, nosso coração nos conduzirá sempre pelo caminho mais adequado, nosso coração sempre terá bons conselhos a nos dar, e além disso, temos muito a falar a nós mesmos e acreditamos que nós somos importantes para nós mesmos e se nós não nos ouvimos, ouviremos a quem? Caminharemos por quais caminhos?

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Capítulo V - Parte VI – Lamentações Somos constituídos de várias partes, somos constituídos de um corpo material e por um espírito, somos constituídos de nossos pensamentos, de nossas verdades. Criamos nossa energia e somos alimentados por nossa energia, criamos nossas verdades, acreditamos em nossas verdades e caminhamos por estas verdades. Nossos pensamentos e nossos passos nos conduzem a novas verdades, a novos palcos onde novas experiências serão vivenciadas. Percorremos constantemente um caminho criado por nós mesmos nos momentos passados e neste instante estamos criando nosso caminho de amanhã. Aos nossos olhos pode existir a beleza, a luz e se assim é, em nosso coração poderá existir concomitantemente muita paz, mas aos nossos olhos, podem existir ao contrário de beleza e luz, tristeza, dores, dificuldades, choros, agonias e lamentações. Diz-se que a beleza está nos olhos de quem a vê, e esta é a verdade, se possuímos a beleza em nosso ser, em nosso coração, nossos olhos conseguiram perceber, além das dificuldades naturais deste palco, suas belezas que também existem e fazem muito bem a aqueles que as percebem. Somos, cada indivíduo isoladamente assim como a coletividade, capazes de gerar, de criar, somos usinas criadoras de energia e antes da energia, “geramos” pensamentos, pensamentos que geram energia que chegam aos nossos corações e aos nossos olhos e nos alimentam. Podemos ter a cada instante, neste instante assim como no instante seguinte, uma série de verdades; vivemos por nossas verdades e estas verdades vão sendo substituídas à medida que a jornada de cada um se faz, à medida que o horizonte a nossa frente vai se modificando, podemos, ou devemos avaliar tantas verdades que nos são apresentadas e comparar com nossas próprias verdades, e de quando em quando, substituir uma de nossas verdades por outra que melhor que adapte a nossa realidade. Uma das verdades que podemos avaliar, é a que somos responsáveis por nossos caminhos, nosso Pai nos concede o necessário para que nosso aprendizado aconteça, para que vençamos cada dificuldade que se fizer ao longo de nossa jornada. Sempre que desejarmos ou sempre que sentirmos que estamos necessitando de auxílio, o auxílio estará a nossa disposição, se solicitarmos e se tivermos feito por merecer. Mas enfim, uma das verdades ou realidade que podemos avaliar é de onde vivemos e como vivemos hoje, o que fazemos; existe algum motivo que nos trouxe a esta

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situação ou necessitamos adquirir algum aprendizado específico ou em algum momento do passado adotamos um caminho que nos conduziu até o ponto atual. Se considerarmos o fato que nós caminhamos com nossas próprias pernas e desta forma, nos conduzimos ao ponto onde nos encontramos, podemos afirmar que exista um responsável por eu estar onde estou que não seja eu mesmo? Outra verdade que podemos considerar e tê-la como adequada é a de que nosso Pai é bom e justo, se nosso Pai é bom e justo, não pratica a injustiça. Se nosso Pai não pratica a injustiça, o que nos acontece hoje ou ainda, o que nos acontecerá amanhã seria injusto? Ainda podemos caminhar ao encontro de outra verdade: qual é nosso conceito de justiça? O que para nós é justo e o que é injusto? Será que este senso de justiça que possuímos hoje foi o mesmo praticado ontem? Será que este senso de justiça é aplicado a tudo e a todos sem variações? Enfim, será que nossa verdade do momento, permite que façamos uma correta avaliação e julguemos adequadamente os fatos, a ponto de afirmar o que é justo ou o que é injusto? Ou ainda, será que sou, no ponto em que me encontro na escada evolutiva, capaz de julgar? Será que me foi concedido o direito e me foi ofertado a visão necessária, o amor necessário a ponto de julgar? Pensamentos, verdades, reflexões, assim se faz o caminhar, assim se faz o construir, assim se faz o amanhã. Muitas vezes nos referimos a nós mesmos como viajantes, e afirmamos também que a cada passo, a cada pensamento, a cada gesto de altruísmo, lançamos ao solo uma semente; semente esta que em algum momento, germinará, frutificará e o fruto criado nos será apresentado como de nossa responsabilidade. Algumas outras vezes afirmamos que nossos pensamentos geram energia, nossos pensamentos geram paz ou ansiedade, ou agonia, amor e sempre que estes pensamentos geram energias positivas, geram amor, este amor é semeado, e colheremos amor; e aos nossos olhos, existirá somente o amor, pois esta realidade estará em nosso interior, nosso ser será constituído de amor, e o amor será multiplicado, e quanto mais amor nós ofertarmos à vida, mais amor a vida nos ofertará em sentido contrário, e outros companheiros viajantes também sentirão a doçura do amor, passarão a também semeá-lo e a colhê-lo, a ofertá-lo e assim, um novo amanhecer se fará em todas as janelas, e assim um novo ser brilhará. Esta é uma verdade, verdade que é ofertada e pode ou não ser aceita por nós. Quando enfim, nos encontramos a lamentar, a exaltar nossa “infelicidade” ou nossas frustrações, duas coisas ocorrem, em primeiro, paramos nossa caminhada, deixamos de avançar e em segundo lugar, lamentamos de que? Contra quem?

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Lamentações representam insatisfações, e as lamentações seguem em direção do nosso Pai dizendo, Pai, porque és injusto comigo? Porque não consegui atingir meus objetivos? Que fiz de errado para não merecer o que almejei? Lamentações significam incompreensões sobre o que nos envolve, lamentações significam a semeadura de dificuldades, pois novos ensinamentos teremos que absorver para perceber que podemos sim em determinados momentos estar distantes do objetivo que nós traçamos; podemos sim perceber que o campo por onde tenho caminhado no presente momento é um campo difícil, mas posso perceber, se desejar, que neste mesmo campo existem belezas a serem observadas. Se me encontro a lamentar, meus olhos não as percebem, ou se consumo meus pensamentos e energias em lamentações, posso não perceber o ensinamento que me é ofertado em passando pela dificuldade a que me submeto. Se me encontro a lamentar, posso não ouvir a mensagem que meu Pai me envia, que chega a mim, meu coração não a transmite a minha mente; se me encontro a lamentar, acrescento novas pedras em meu caminho. E olhemos ao nosso redor, quantas pessoas encontramos em nosso dia-a-dia que lamentam com freqüência, e quantas vezes nós lamentamos e algumas vezes fazemos isso sem ao menos perceber. Se imaginarmos quantos viajantes neste momento encontram-se a lamentar, e se imaginarmos quanta energia é consumida nestas lamentações; se ao contrário disso, imaginarmos todos estes viajantes concentrados em encontrar razões para as dificuldades vividas, e se imaginarmos todos estes viajantes semeando agradecimentos e não lamentações, como seria o plano em que vivemos? E possuímos em nós, razões para agradecimento? É uma questão que merece a análise de cada um de nós.

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Capítulo V - Parte VII - Minha paz

Quando falamos em paz, nos vem à mente a idéia de guerras há muito disputadas e conflitos estes que conhecemos bem, assim como conhecemos suas causas e suas conseqüências. Mas além das guerras de povos contra povos, existem ainda outras guerras, ou batalhas que são realizadas dentro de nós e ainda outras batalhas duríssimas que a sociedade nos impõe através, por exemplo, da imputação a nossos seres de verdades que somos obrigados a aceitar e cumprir. Façamos uma parada por um instante. Necessitamos freqüentar uma universidade e para isso enfrentamos uma árdua batalha por uma vaga. Ingressamos na universidade, se ela for particular, outra árdua batalha para conseguir os recursos financeiros para se manter estudando, estudar e trabalhar, deslocar-se logo pela manhã para o trabalho, retornar a residência, muitas vezes bem tarde, cansado de um longo dia, repousar um pouco e logo refazer tudo novamente. Deixamos a universidade e agora nossa batalha será a busca de um trabalho na área que escolhemos, e nova batalha se faz presente. Uma vez trabalhando, novas batalhas surgem quando necessitaremos aumentar sempre nosso desempenho, nossa produtividade. E se almejamos um cargo superior com remuneração maior, novas batalhas são travadas e novas necessidades de estudo, e novas necessidades de relacionamentos profissionais, a necessidade de manter um círculo de relacionamentos bom, pois isso poderá nos ser proveitoso no futuro. E assim outras batalhas, ou necessidades que devemos cumprir, como por exemplo, um carro mais novo, uma casa melhor, uma nova TV e de alta definição, e no final do ano necessitamos descer ao litoral, e no carnaval... e assim seguimos adiante, de batalha em batalha. Isso sem falar nas batalhas difíceis algumas vezes encontradas nos lares. Também não falamos das terríveis batalhas enfrentadas diariamente nas ruas das grandes cidades, seja em função da violência ou em função de batalhas por uma pequena fatia de espaço nas vias de trânsito ou dentro dos veículos de transporte coletivo. Propomos uma pequena parada para reflexão de nossa realidade, pausa esta que vem no sentido de avaliar se o que está sendo dito aqui condiz com o que conhecemos por nossa verdade. Continuando ainda em nossa pequena parada e observando a vida que construímos. Se nesta vida percebemos que não nos sobra muito tempo para quaisquer outras realidades, devemos construir uma nova realidade, uma nova sociedade e devemos começar por nosso próprio ser.

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É importante que todo ser viva sua jornada, as batalhas diárias podem ser difíceis, mas fazem parte do processo de aprendizado; somente com seres conscientes teremos uma noção maior do conceito paz e sua aplicabilidade prática, mas podemos, apesar disso, procurar não nos envolver em determinadas batalhas que em nada nos auxiliam, mas ao contrário disso, nos atrasam pois nos trazem mais peso a ser transportado. O aprendizado, a caminhada, será melhor e o ensinamento será melhor absorvido se refletirmos sobre cada etapa da jornada, sobre cada experiência vivida ao longo do caminho. Devemos ter em nós a nossa própria verdade e devemos viver por esta verdade, devemos questionar a vida quando a vida nos oferta algo, seja bom ou não, devemos questionar nossas verdades e substituí-las sempre que encontrarmos uma verdade mais adequada à nossa realidade, ao estágio em que nos encontramos no processo evolutivo. A vida é vivida em vários palcos, entre eles, sem dúvida está o palco em que nos encontramos, nosso lar, nossos familiares, nosso trabalho, nosso estudo e assim por diante, mas outro palco muito importante é nosso interior. Conhecendo nosso interior teremos condições de nos fortalecer, de conhecer nossos limites e nossas capacidades, de conhecer nossas emoções, nossos desejos e frustrações e conhecendo nosso ser, poderemos avaliar a verdade que o palco exterior nos oferta e avaliar se esta verdade se aproxima de nossa verdade, poderemos assim fazer uma seleção e caminhar com maior produtividade. Muitos caminham com alegria e sorriso na face, de festa em festa, com muitos amigos e muitas confraternizações, outros com viagens e outras formas de satisfação assim como muitos outros vivem suas vidas inseridas em palcos de grande dificuldade, mas, quantos destes viajantes possuem em si a paz? Quantos conhecem o sentido de paz ou ainda nossa capacidade de possuir a paz em nosso interior? Podemos nos comparar a rios: existem rios com águas calmas, tranqüilas, onde a serenidade e limpidez convidam a um momento de renovação e fortalecimento, nos levam a reorganização de nós mesmos e existem outros rios onde as águas são turvas ou ainda outros onde as águas são violentas e a navegação torna-se um desafio. Em nosso interior, qual destes rios se faz presente? A vida que conhecemos é uma vida difícil, seja qual for nossa condição nesta realidade, pois construímos nossa realidade e somos seres difíceis, mas assim mesmo esta vida nos oferta prazeres agradáveis, imagens e gestos dignos de serem mostrados e exibidos a todos, existem corações que amam verdadeiramente e em

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silêncio, existem flores que surgem diariamente com sua beleza ímpar, existe a inocência da criança a brincar e todas estas situações nos fazem bem, trazem alegria ao nosso ser, ao nosso coração e ajudam a construir nosso ser e nossa paz. Precisamos trabalhar para obter em nós este sentimento de tranqüilidade e calmaria, possuir em nós nossas próprias verdades e podemos construir esta realidade, basta que alimentemos em nós o desejo de seguir por este caminho, e iniciar a caminhada. Fica difícil empreender a jornada quando o caminho por onde seguimos é varrido por fortes ventos tempestuosos. A jornada será melhor se ela se realizar por caminhos com brisas suaves, e podemos construir estes caminhos, conseguiremos o direito de seguir por estes caminhos se melhor compreendermos a nós mesmos, se acreditarmos que somos capazes da mudança, se alimentarmos em nós o desejo de estar amanhã trilhando novas planícies, novos palcos. Se assim fizermos, assim será. A nós nada é impossível, a nós nada será negado, mas será concedido conforme nosso merecimento, conforme nossa preparação, conforme nossa estrutura interna se faça mais forte e preparada. A paz interior traz consigo uma nova oportunidade de ver a vida, de compreender a vida. A paz interior nos habilita a ver o amor florindo todos os caminhos e todos os corações; a paz interior habilita nossos olhos a perceber a vida com outras cores e traços, e cores e traços mais belos. Podem existir diferentes formas de caminhar e de se obter a paz interior, mas um destes caminhos é o questionamento de si próprio; questionar o que fazemos em nosso dia a dia, questionar nossas emoções, ouvir nosso coração, ouvir a verdade maior que se faz presente tanto em nosso interior quanto a nossa frente, mas por vezes, por estarmos envolvidos em nossa própria dificuldade, não a percebemos. A paz interior nos habilita a mais profundamente, amarmos uns ao outros e com este amor presente em todos os corações, a transformação acontecerá e teremos sim os primeiros contatos com nosso eu mais profundo, com nossa essência, com nossa matéria, com a luz, com o amor e com nosso Pai. A paz interior está ao alcance de todos e temos travado tantas batalhas ao longo de tantos caminhos que, em algum momento, faremos jus a esta grande recompensa. Será que em nosso caso já não é chegado este momento?

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Capítulo V - Parte VIII - O despertar, a libertação Quando falamos em despertar ou em libertação, nossa mente nos leva à situação em que estamos inconscientes ou mesmo a situações em que nos encontramos aprisionados. Se neste instante afirmamos que não nos sentimos em nenhuma das situações acima descritas, não estamos inconscientes e também não estamos aprisionados, não existem em nós as necessidades do despertar ou da libertação. Então, paremos por alguns momentos e voltemos nosso olhar para a sociedade onde estamos inseridos.Nos encontramos inseridos em vários ambientes; estamos num ambiente profissional de onde extraímos nosso sustento, estamos num ambiente composto por amigos em cuja companhia procuramos o lazer, encontramos o ambiente de aprendizado onde diariamente nos encaminhamos para aprender e obter nossos certificados, que são importantes ao nosso avanço profissional. Este é o ambiente externo onde nos encontramos e, além deste ambiente, encontramos também o ambiente interno, nossas emoções, nossas verdades, nossos receios e nossas dúvidas, nossos preconceitos de toda ordem e ainda mais profundamente, encontramos nosso verdadeiro ser, que aspira por um crescimento, aspira por uma elevação como caminho natural de todo ser criado por nosso Pai. Vivemos atrelados a conceitos impostos pela sociedade, conceitos estes quanto ao que é correto e quanto ao que não é correto; encontramos conceitos que nos dizem o que devemos possuir para nos considerarmos felizes e ricos. Encontramos conceitos que nos remetem ao que é correto ingerir e ao que não é correto, assim como existem os conceitos que nos dizem o que devemos vestir e o que não devemos vestir, passando por conceitos do que é mal e a este mal, qual a pena a ser imputada. Vivemos todos estes conceitos como forma de nos guiar nos relacionamentos humanos, vivemos estes conceitos como provações aos conceitos que nós carregamos conosco; é uma forma de avaliação e eventualmente substituição, melhoria de conceitos e verdades. Este convívio vem em auxílio ao crescimento do indivíduo, vem em auxílio ao despertar da divindade existente em nosso interior. Eis nosso despertar. Se somos filhos de nosso Pai, se temos nosso Pai como Deus, somos também Deuses, possuímos em nós a divindade que nos é característica como filhos deste ser.

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Se somos filhos deste ser, por que não vivemos nossa divindade? Por que ainda não compreendemos a razão da vida e de tantas dificuldades que, não apenas os demais, mas nós também vivemos? Caminhamos, somos viajantes, por muitas vezes esta afirmação foi apresentada neste trabalho, mas enfim, se viajo, venho de onde e sigo em que direção? Se me situo preso em meio a tantos conceitos que me são apresentados ao longo de meu caminho, quais são meus conceitos e quais são minhas verdades? Falamos ainda num universo interior, em nossas emoções, em nossas paixões, em nossas frustrações, em nossos anseios, mas quais são estes sentimentos e por que eu os mantenho em mim? Um fato: somos seres aprisionados à terra, vivemos atrelados ao solo. Alguns de nossos companheiros viajantes se aventuraram em voos mais longos, conhecendo o espaço fora do planeta terra, mas ainda assim estamos presos ao solo. E além deste solo existem outros mundos que não conhecemos e quando falamos em outros mundos, podemos tanto entender esta afirmação no conceito de planetas, habitados ou não, como no conceito espiritual, ou como no conceito de luz interior, ou ainda no sentido de trilhar as inúmeras vias existentes em nosso interior, em nossa mente e em nosso coração. Vivemos ainda como se aos nossos pés estivessem presas grandes correntes, oferecendo um grande peso ao avanço. Ainda sob outro aspecto, podemos nos remeter ao amor. Tantos, por tanto tempo e de diversas formas têm falado em amor, na necessidade de amarmos uns aos outros, mas mesmo assim, não conseguimos em nossa verdade atual, viver e sentir o amor em sua plenitude. Basta que observemos o trânsito em nossas cidades, na necessidade imensa que cada um, estando em meio ao trânsito, tem necessidade de conquistar um espaço para si, vencer seu próximo, que neste caso torna-se adversário. Necessitamos chegar à frente e para isso, todos os atos são válidos, e não importa se estou me deslocando de automóvel, se utilizo transporte público ou se me desloco a pé, encontramos a mesma situação. Todo final de ano é comemorado o natal, o nascimento de Jesus e em muitas famílias, se faz a confraternização, a mesa farta, a troca de presentes, e nos alegramos por alguns instantes. Mas nesse momento, não lembramos que do lado de fora de nossa porta, muitos outros não estão conseguindo festejar esta data da mesma forma que nossa família. Nesse momento, nem todos lembram que em muitas ruas existem pessoas que não possuem nem mesmo um local para repousar seu corpo, ou não possuem ao menos um pão para minorar sua fome.

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Se deixarmos que nossa mente nos leve a locais onde existem dificuldades, poderemos perceber locais onde jovens ou velhos encontram-se vítimas de suas próprias experiências, vítimas de seus ferimentos sejam eles quais forem, mas sofrem suas dificuldades. Voltando ao início deste tópico, posso não estar preso atrás de grades, posso estar desperto, mas estou preso a muitos fatos difíceis, que, com alguma ajuda, deixariam de existir. Posso não estar adormecido, mas estou inconsciente da existência de muitas dores que se fazem ao meu lado ao longo de todo o caminho. Uma das mais difíceis jornadas a realizar é a jornada empreendida pelo interior de nossas emoções, a jornada que avalia cada uma de nossas verdades, cada um de nossos receios, uma jornada que avalia cada um dos atos praticados até então, uma jornada que procura estabelecer a melhor rota para os trechos que ainda estão por vir. Despertar ou libertar-se significa acordar para a necessidade maior que possuímos de crescer, de sermos hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje. Despertar ou libertar-se significa compreender que muito pouco conhecemos de nós mesmos e do universo em que estamos inseridos, mas significa do mesmo modo, saber que muito podemos fazer para melhorar nossa condição de vida, assim como melhorar a condição de vida de outros companheiros viajantes. Despertar significa amar ao próximo como a si mesmo, fazer ao próximo o gostaríamos que a nós fosse feito; significa fazer ao próximo o possível ao nosso alcance, mas sem esperar pagamentos em contrapartida, mas fazê-lo por amor pura e simplesmente. Despertar significa perdoar sem ter o receio que aquele que nos agrediu fique impune, mas perdoar com a consciência que o fazendo, tiramos de nós mesmos um grande peso e deixamos que nosso Pai ou a própria vida providencie ao nosso agressor a oportunidade de compreender o erro cometido. Despertar, libertar-se é possuir nossas próprias verdades, é ouvir nosso coração e seguir as recomendações deste grande conselheiro. Despertar, libertar-se, significa unir-se ao cosmos, unir-se ao sol, unir-se à chuva, unir-se ao rio e a todos os frutos da criação de nosso Pai. Somos capazes na atualidade de amar incondicionalmente? Somos capazes na atualidade de caminhar com humildade em todos os momentos? Somos capazes de ceder, de doar, sabendo que desta forma ganhamos muito?

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Somos capazes de compreender o significado de ser um ser divino? Somos capazes de compreender o significado do amor e da luz maior que existe em nosso interior? Somos capazes de, ao longo de nosso caminho, semear apenas flores, as mais belas flores? Somos capazes de fechar nossos olhos e deixar que a vida venha até nosso ver, através de seus ruídos, através do canto dos pássaros, através do vento a afagar as folhas das árvores, através dos aromas que a vida nos oferta? Somos capazes de caminhar na praia e observar a magnitude da criação de nosso Pai ao admirar o oceano acariciando a areia da praia? Somos capazes de deixar nosso corpo e, tal qual a gaivota, voar mais e mais alto até o ponto onde as estrelas tocam o céu? Se ainda não somos capazes de realizar estes atos, que saibamos que trabalhando nosso ser, nossas verdades, realizaremos nossa libertação, realizando nossa libertação das coisas terrenas, estaremos nos libertando, estaremos despertando a divindade que existe em nós, e estaremos voando muito mais longe e trazendo à tona toda a luz que existe em nosso ser.

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Capítulo V - Parte IX - A solução Vivemos num mundo que apresenta problemas ou pontos a serem ajustados. Em alguns lugares algumas pessoas possuem muito, em outros lugares, outras pessoas possuem pouco e do mesmo modo, em alguns locais encontramos o que nos parece ser um ambiente de muita beleza e paz enquanto que em outros locais o ambiente já nos parece bem mais difícil. Da mesma forma encontramos em alguns viajantes a paz e tranqüilidade que nós gostaríamos de possuir, assim como encontramos viajantes possuidores de dificuldades. Mas é fato que nem sempre nossos olhos nos mostram a realidade. É fato que existem dificuldades em todos os locais e sob diversas formas. Existem problemas maiores e problemas menores, mas eles existem. Podemos viver momentos de calmaria, mas num momento subseqüente lá estão nossos companheiros, os problemas. Ou será que podemos afirmar que aqui, no palco em que nos encontramos, existe ou existem pessoas que não possuem problemas? E quanto a espécies de problemas, e quanto ao tamanho ou importância dos problemas. Nós possuímos os nossos, os demais possuem os deles, será que nosso problema vem a ser maior e mais importante que o do próximo ou seria ao contrário? Ainda quanto a problemas ou dificuldades de qualquer ordem, temos a causa do problema. Onde está a causa do problema? Por que esta situação de um momento para outro passou a existir? Por fim, a questão da solução destes problemas ou dificuldades sejam elas quais forem, como solucionar ou onde podemos encontrar a solução para eles? Será que se solicitarmos ao nosso Pai, ele solucionará nossos problemas? E se pensamos que sim, por que nosso Pai teria a obrigação da solução de nossas questões? O ser humano tem como característica o comodismo, ou de outra forma, tem como característica o ato de não fazer, se não for necessário, sem querer generalizar esta característica. Se tivéssemos a opção de passar 5 meses de férias por ano, é possível, que pelo menos no primeiro momento, fizéssemos esta opção. Existem dentre nós os que são chamados a pensar, a criar, a buscar novos fatos, a ir além, como que por impulso ou somente porque podem fazer isso; mas existem também aqueles que optam por não consumir suas energias, se não for absolutamente necessário. Necessitamos, portanto, de um estímulo ao nosso pensar, ao nosso crescimento e este estímulo vem a nós através dos fatos que o caminho apresenta ao longo do trajeto. São pequenos obstáculos que nos são apresentados como forma de nos experimentar.

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Somos crianças em processo de aprendizado e neste aprendizado os fatos vêm a nós como que dizendo “vamos lá, você consegue, você é capaz, você pode” e se aceitamos o convite, venceremos o obstáculo e seguiremos nosso caminho melhores que no momento anterior à conquista. Seguindo nesta linha de pensamento, podemos imaginar, num exemplo onde não houvesse dificuldades, onde não necessitássemos de trabalho, onde não necessitássemos experimentar nossa capacidade de amar, numa situação onde as coisas viessem a nós assim que pensássemos nelas. Se existisse esta realidade, como nós seríamos? Nosso Pai nos criou assim como criou todas as coisas que conhecemos e muitas que nós desconhecemos. Nosso Pai também nos concedeu a capacidade de superar. Se somos filhos deste Pai, possuímos em nós suas características, também somos deuses, mas deuses em processo de autoconhecimento e este autoconhecimento desenvolve-se através da vivência das experiências no dia a dia. As dificuldades de nosso caminho são como provas que devemos realizar após um período de estudo; se superamos estas provas, passamos a um novo nível, novos estudos e novas provas, até que chegado o dia, nos graduamos. Mas enfim, tratando somente das dificuldades e retornando ao título do item, onde podemos encontrar a solução? A solução de qualquer problemática poderá ser encontrada em nosso interior, em nosso ser, do mesmo modo que a causa da dificuldade, em muitos casos será em nosso passado, em nossa forma de pensar ou nos pensamentos e atos praticados. Podemos até não nos recordar de algo que tenhamos feito que pudesse ocasionar a dificuldade do momento, mas em algum momento, causamos a realidade de hoje. Possuímos em nós a capacidade de amar, possuímos a capacidade de transformar, possuímos a capacidade de doar-nos incondicionalmente, possuímos a beleza das flores, possuímos a suavidade das nuvens que viajam no céu azul. Possuímos a beleza ímpar do céu noturno com suas infinitas estrelas; assim sendo, por que não conseguiríamos solucionar nossos problemas? Vivemos a dificuldade muitas vezes envoltos pela emoção que a própria dificuldade provoca; mas se vencermos a emoção, se respirarmos mais profundamente e caminharmos internamente, se procurarmos nosso amigo e irmão, nosso coração, se elevarmos nosso pensamento ao nosso Pai, não solicitando que Ele solucione nossa dificuldade, mas solicitando o apoio, o discernimento, a calma, a luz necessária para que percebamos o caminho correto, a solução será encontrada e venceremos qualquer que seja a dificuldade.

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Se nos habituarmos a amar a nós mesmos, a amar nossas experiências e nossos semelhantes, a amar a vida com todas suas características, confortos e dificuldades, sempre estaremos prontos a enfrentar nossa realidade; e mais que isso, se assim nós procedermos, nossa realidade será cada vez melhor, mais bela, pois a beleza estará em nós e nós a estaremos semeando onde quer que venhamos a estar. E amar não é tão difícil ou impossível como alguns podem pensar; para amar, basta criar em nós a opção do amor, basta que tomemos a decisão pelo amor e o amor nascerá naturalmente. Para amar, basta que deixemos de cultivar em nós o desamor, basta que deixemos de buscar a solução de nossos problemas em outros viajantes, em nosso Pai ou ainda a lamentação ou o sentimento de injustiça que venhamos a sentir. Devemos provar a nós mesmos que somos capazes de nos transformar, de transformar nossa vida, nossa realidade e o mundo ao nosso redor. Devemos provar a nós mesmos que somos capazes de semear a mais bela das flores, mesmo com as dificuldades. E por que semear a mais bela das flores? Se desejarmos caminhar por entre flores, por entre belos jardins, cabe a nós a semeadura do jardim. Se desejarmos colher amor, necessitamos semear o amor ao longo de todo o caminho e para semear amor, basta que não semeemos dificuldades, basta que abramos espaço para que o amor se apresente e então a semeadura deste nobre sentimento será automática e teremos seres divinos em nós assim como um mundo divino ao nosso redor.

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Capítulo VI – Parte I - O bem e o mal

Quando nos propomos a realizar a caminhada, nos colocamos na linha inicial onde os caminhos começam e, se neste instante, olhamos à frente, não encontramos caminhos predefinidos, olhamos à frente e avistamos um imenso campo, com montanhas e todos os demais componentes da natureza, mas não encontramos caminhos já definidos. Nos campos ao nosso redor encontramos os componentes para que realizemos nossa caminhada com progresso e do mesmo, em nosso interior, também são encontrados os componentes necessários à construção de nosso ser, para a construção do ser de luz que somos e a soma destes componentes internos nos levaram a viver nossas experiências diárias, nos levaram à felicidade e ao choro. Existem, enfim, tanto externamente quanto internamente, tudo a construir, caminhos a definir e a trilhar, emoções a sentir, risos a sorrir, lamentações a lamentar, cabe a cada um de nós decidirmos qual o caminho que iremos trilhar. É certo sim que existem questões básicas que envolvem a todos os filhos de nosso Pai indistintamente, como se nós todos tivéssemos que passar por determinados pontos obrigatoriamente, mas além disso, a caminhada é livre. Do mesmo modo é certo que somos criaturas difíceis de lapidar; nosso aprendizado acontece como o ferro em brasa, que passa pelo calor do fogo, pelas batidas do ferreiro até estar conforme desejado. Ao iniciarmos nossa caminhada, viveremos nossas experiências uma vez ou quantas forem necessárias e com este vivenciar vamos absorvendo os ensinamentos, vamos criando a forma de nosso ser, e quanto mais avançamos neste caminho, mais nosso senso de verdade, de justiça, aprimora-se. Podemos imaginar nossa verdade ou nossa realidade com o horizonte que temos à frente a cada novo dia que amanhece. Se, do ponto em que me encontro, olho adiante, descreverei um quadro; este quadro, neste instante, é minha verdade. Caminho durante o transcorrer do dia e, ao amanhecer de um novo dia, olho o horizonte à frente e descrevo outro horizonte. Hoje, portanto, tenho outra verdade, descrevo outro quadro. E assim, num suceder de novos dias e novos horizontes, novas verdades nos são apresentadas e novas realidades são fixadas em nosso ser sem que a verdade de hoje faça com que a verdade de ontem deixe de ser verdade. A verdade de ontem pode não ser mais verdade hoje, mas ontem era a verdade que conhecíamos e

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daquele ponto em que nos encontrávamos, era aquele quadro que conhecíamos, não pode, portanto, ser tida como inverdade. Ontem, o ato de desmatar a floresta, o ato de ir adiante e abrir novos caminhos, abrir novos locais para a plantação e colheita era uma verdade, era bem visto e necessário; hoje, se encontramos um desmatamento, já não o olhamos com bons olhos, ao contrário, a sociedade em sua maioria, observa o ato de desmatamento como um ato de destruição do planeta que nos mantém. Ao longo do caminho, nossa opinião, nossa necessidade e nossa realidade modificaram-se, mas a verdade de ontem, sob os olhos de ontem, continua a ser a verdade, a verdade de ontem. Quando nos voltamos para o bem e o mal, o mesmo raciocínio não pode ser empregado? Atualmente, o que é o bem e o que é o mal? E como eram os conceitos de bem e mal nos palcos passados ou ainda, como serão os conceitos de bem ou mal nos palcos futuros? Ainda mais, cada indivíduo, cada filho de nosso Pai é um imenso universo a ser explorado, cada indivíduo a cada passo de sua caminhada possui uma verdade e se imaginarmos quantos nós somos, podemos imaginar a infinidade de verdades que orbitam a sociedade. Existem os conceitos de bem ou mal que esta sociedade impõe e estes conceitos são necessários para que cada indivíduo e cada coletividade tenham noções de seus limites de atuação; mas é importante que cada indivíduo tenha em si o seu conceito de bem ou de mal. É importante que cada ser formule o seu conceito, sempre procurando ouvir seu próprio coração, procurando encontrar em seu interior os sentimentos natos vinculados ao amor e, com estas ferramentas, criar seus conceitos, mas lembrando sempre que necessitamos viver em comunidade. Devemos formular nossos conceitos, mas devemos seguir as regras do bem viver, as regras do amor ao próximo, as regras de conduta que a sociedade impõe. Outro ponto que podemos abordar é a situação atual em que vivemos. Ao chegarmos em casa ao final de um dia de trabalho, buscamos na TV as notícias do dia e nos parece que em todos os locais só existe o mal, só nos são mostradas a más ações sendo praticadas, mas esta não é a verdade, pois existem inúmeros outros atos de amor, atos de bem sendo praticados em todos os locais de nosso lar global, mas estes atos não nos são apresentados pois nossos olhos estão acostumados a buscar os atos de calamidade, de catástrofe e maldade. Este é exemplo de construção do caminho, se nossos olhos buscam sempre a dificuldade, em nosso caminho sempre encontraremos a dificuldade, mas, se ao contrário, nossos olhos buscarem a luz, o amor e os bons exemplos, os encontraremos e assim será nosso caminho, e assim estará nosso coração.

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O que é o bem e o que é o mal? Como podemos definir cada um destes conceitos? Ou ainda, por que as pessoas praticam o mal quando é tão agradável praticar o bem? Seguindo nesta linha, por que jogamos papéis no chão sem nos preocupar com a higiene do ambiente? Ou por que decidimos levar conosco um determinado produto da loja sem pagar por ele, quando a oportunidade surge? Ou mais, por que decidimos levar vantagem em algum momento do caminho, mesmo que isso signifique que alguém ficou em desvantagem naquele momento? E podemos ainda levantar outros pontos polêmicos, como a pena de morte imposta a indivíduos que quebraram determinadas regras da sociedade. Existe sim uma verdade que podemos considerar. Sempre que nós praticamos o bem, nós nos sentimos melhores enquanto indivíduos, nos sentimos como alguém que cumpre sua obrigação, nos sentimos mais leves e na mesma linha, a prática sucessiva do bem, trará a nós o bem. Continuando nesta linha de pensamento, sempre que nós nos dedicarmos a buscar novas verdades, sempre que procurarmos melhorar nosso conceito de bem e nossa verdade, mesmo que no primeiro instante sintamos que não fizemos um grande avanço, nós estaremos sim avançando, pois fortalecemos em nós o desejo de melhorar e o fortalecimento deste desejo cria as condições necessárias para que o auxílio chegue a nós. Nossa obrigação como seres em processo de crescimento é viver conforme nossa verdade, é procurar sempre melhorar nossa verdade e nosso conceito de bem, nossa prática do amor ou mesmo melhorar nosso conceito do que veja o amor, nosso conceito do que signifique viver o amor e com amor. Nossa obrigação também é de ajudar nossos companheiros viajantes sempre que pudermos, respeitando o livre arbítrio de cada um, mas nos dispondo ao auxílio, do mesmo modo que antes nós mesmos fomos auxiliados por outros companheiros de jornada; assim, individualmente e coletivamente nossas verdades serão aprimoradas, nosso corpo se tornará mais leve e nossa caminhada mais prazerosa.

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Capítulo VI – Parte II - O ato de doar O ato de doar pode ser dito como o ato de transferir a outra pessoa algo que nos pertence, ceder a alguém algo que nos pertence. Quando falamos em ceder algo a alguém, estamos falando de algo que possuímos e que podemos disponibilizar. E o que possuímos nós que possamos ceder? Que espécies de bens podemos disponibilizar? Possuímos nossos bens materiais e nossos valores, nosso conhecimento, nosso amor, nosso calor. Possuímos em nós nossa vontade de colaboração para com o semelhante. E como tudo o que nos envolve em nosso processo de desenvolvimento, o ato de doar também é um ato que requer a decisão da doação e a existência do amor neste ato. Cabe a cada um e a mais ninguém a decisão pela doação. Se tomo a decisão de não doar, seja o que for, a decisão da “não doação” não será cobrada de mim por ninguém. A cobrança poderá vir no futuro quando eventualmente possamos estar vivendo situações que nos remetam aos atos praticados no passado. O Ato de doação está relacionado diretamente ao desapego que devemos ter de nossos bens materiais, pois estes bens materiais nos servem apenas no curto período em que estamos presentes neste palco. Este ato está também diretamente relacionado à capacidade de compreensão das dificuldades enfrentadas por todos os caminhantes, está relacionada à compreensão do amor entre irmãos companheiros de jornada, está relacionada à compreensão do quão agradável é poder contribuir com um pouco que seja, para que outro viajante consiga uma melhor condição de viagem. O ato de doar, e não importa o que estamos doando, se bens materiais ou bens imateriais, o ato de doar requer amadurecimento.Passamos a doar ou a doar-nos quando atingimos determinado grau de amadurecimento que nos possibilita a doação. E quando iniciamos os caminhos da doação compreendemos que, quanto mais doamos, mais possuímos de um bem maior e insubstituível, algo que nos enriquece, que nos aquece e nos alegra. Algo pelo qual não cansamos de agradecer ao nosso Pai e, quanto mais agradecemos, quanto mais doamos, mais recebemos, ficamos eternamente devedores de nosso Pai.

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O que recebemos ao cêntuplo sempre que doarmos, é o amor, é a leveza em nosso ser, é a compreensão de quão agradável e maravilhoso é poder ser útil, poder melhorar um pouquinho que seja a condição da jornada de nosso companheiro. Quando amadurecemos e passamos a praticar a doação, compreendemos a razão maior da vida e criamos em nós melhores condições de compreender o significado da palavra amor. Podemos sim seguir nosso caminho mantendo em nós todos os bens conseguidos, acumulados no passado, sem o exercício da doação ou compartilhamento; mas com o avanço da jornada, vamos compreender que poderemos possuir todos os bens desejados ou possíveis de serem possuídos, mas mesmo assim, nossa busca continuará, pois estaremos sempre sentindo a falta de alguma coisa, de algo que nos complete como seres, e nossa busca continua, e continua, e novas aquisições poder ser feitas, mas fica sempre a sensação de que algo está faltando. E o que estaria faltando a este ser que possui muitos bens? Podemos possuir muitos bens, mas se não possuímos o espírito de solidariedade, se não possuímos em nós o significado da amizade, se não possuímos a leveza em nosso coração, se não possuímos o poder de confiança no próximo, se não possuímos a capacidade de auxiliar e de nos deixar ser auxiliados, estaremos caminhando sozinhos, teremos todos os bens possíveis, mas nos faltará o espírito humanitário; é como se nós não possuíssemos a nós mesmos, como se os bens materiais nos possuíssem e não ao contrário, nossa jornada será uma jornada sem rumos ou objetivos. E o que podemos doar? O que mais falta em nossa sociedade? Podemos olhar para a realidade que está ao nosso redor todo dia e perceber o que mais falta à sociedade e perceberemos que podemos seguir adiante doando gentileza, educação, tempo para o diálogo, mas um diálogo que acrescente, podemos dar atenção aos nossos companheiros de lar, nosso esposo, nossa esposa, nossos pais ou filhos. O que falta muito em nossa sociedade? Solidariedade de uns com os outros, solidariedade para com a natureza, solidariedade para os compromissos por nós assumidos enquanto seres divinos em processo de aperfeiçoamento. E algo interessante para se pensar, o que falta, não apenas à sociedade, mas principalmente a nós mesmos é algo de vital importância para qualquer um em qualquer trajetória. O que não concedemos a nós mesmos é o tempo para refletir sobre nossos passos e nossos pensamentos. Não nos doamos tempo para buscar nos compreender, conhecer nossas verdades, nossos medos. Não nos concedemos tempo para analisar nossa própria caminhada e muitas vezes não concedemos tempo a nós mesmos nem para ouvir nossos pensamentos.

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A prática da doação não significa tirar algo de nosso armário, algo que está sobrando e incomodando e doar a alguém de passagem por nossa porta. Se esta for nossa prática sem a compreensão do sentido do ato, se praticamos a doação como alguém que cumpre uma obrigação e desta forma reserva para si próprio um amanhã melhor, na verdade não estará fazendo nada além de limpar seu próprio armário. Cada um de nós é livre para ir e vir, para pensar e praticar conforme seus próprios pensamentos, somos livres para nos doar, se sentimos isso em nós. Se não sentimos isso em nós, ainda não será chegado nosso tempo, mas mesmo que este tempo não tenha chegado, que nos preparemos então para compreender o verdadeiro ato de doação e a verdadeira gratificação, a verdadeira alegria que é doar um pouco de si mesmo a outrem. Não muito longe de nós existe alguém que necessita de algo e nem sempre este algo é material; ao contrário, as coisas materiais são fáceis de ser obtidas, mas quando a necessidade é de amor, de atenção, de carinho ou apenas de um ouvido para ouvir, torna-se mais difícil conseguir estes bens, pois eles não estão disponíveis nos supermercados e mercearias. Os únicos que possuem estes bens disponíveis somos nós e se doamos carinho, podemos ter a mais absoluta certeza que não nos faltará carinho, se doamos afeto, não nos faltará afeto; ao contrário, teremos em nós muito mais afeto e carinho do que possamos imaginar. Ainda mais quando falamos em necessidades e possibilidades de doação, basta que olhemos ao interior de nosso lar e no tempo que estamos dispondo para estar em companhia de nossos filhos, de nossos pais ou de nossos companheiros. Ou ainda, se olhamos para nosso local de trabalho, perguntemos a nós mesmos, quanto e quando nós estamos nos doando, tanto ao trabalho que por contrato nos cabe realizar, mas mais que isso, quanto estamos nos doando no sentido de conhecer melhor aquele que passa ao nosso lado muitas horas do dia. É possível que por algumas vezes tenhamos alimentado uma crítica em nossa mente sobre nosso companheiro de trabalho; mas quantas vezes nos doamos um pouco para procurar compreender quem é aquele indivíduo, que verdades este indivíduo traz em si, qual é a realidade deste indivíduo ou quais são as necessidades do mesmo. Se possuímos alguma critica sobre ele? É possível. Se em algum momento de nossa jornada juntos eu ofertei auxílio? Ou se farei esta oferta no futuro? É possível? Para que o ato de doar se transforme em realidade não necessitamos de nada, apenas que a disposição de auxílio crie raízes em nós. Basta que exista em nós a disposição de auxiliar e se esta disposição existe, as oportunidades de doação virão e com a prática da doação encontraremos em nós os melhores motivos para nos doar cada vez mais e sem esperar por algo em troca, sem esperar pagamentos pelo

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ato da doação, pois sentiremos em nós as maiores alegrias que possamos imaginar existir.

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Capítulo VI – Parte III - O certo e o errado (fazer o certo sempre) Considerando que somos todos aprendizes, considerando que na condição de aprendizes, caminhamos por inúmeros caminhos, vivemos inúmeras experiências para que, com a vivência destas experiências consigamos desenvolver nosso ser e trazer à tona a divindade que existe em nós, podemos afirmar que conhecemos a verdade e de posse da verdade, conhecemos o certo e o errado? Caminhados e cada vez que elevamos nossos olhos e olhamos adiante, encontramos um novo horizonte e uma sucessão de horizontes e com estes horizontes, novas verdades nos são mostradas e com estas verdades vão se modificando os conceitos de certo e errado. Ao longo da história da civilização que conhecemos, encontramos exemplos e práticas no passado, que naquele passado eram corretas, mas que hoje não são consideradas boas práticas. De outro modo, podemos afirmar que algo que praticamos hoje como sendo correto e adequado, continuará a ser praticado amanhã? Quanto ao amanhã, não podemos afirmar como será, mas se projetarmos o futuro pelo passado, aí sim poderemos afirmar que a verdade de hoje não será a verdade de amanhã, mesmo porque o caminho do homem é a evolução e a evolução significa substituição das verdades atuais por novas e melhores verdades. Independente da sucessão de verdades que nos são apresentadas, devemos sempre procurar nosso interior, procurar ouvir nosso coração, nosso eu profundo no sentido de praticarmos o que julgamos correto de acordo com o estágio que vivemos. A evolução é nosso caminho, assim como é nosso caminho aprender com os erros e com o errado. É nosso caminho fazer o certo, é nosso caminho, através da prática do correto, transmitir conhecimento aos que chegam. O meu eu vivenciou muitas situações, esteve presente em muitos pontos e pôde em seu caminho avistar muitos horizontes e possuiu em si muitas diferentes verdades e foi de certa forma muitos seres em um só, mudamos com o caminhar; somos hoje seres diferentes dos seres que fomos no passado e seremos seres diferentes amanhã. Se somos diferentes seres em um só, o que diríamos se comparássemos este ser com os demais seres que existem ao nosso redor, vivendo esta mesma realidade, se possuo em mim muitas verdades, quantas verdades existirão se somarmos todas as verdades de todos os seres que por aqui passam?

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Seres com diferentes experiências, seres que viveram diferentes sofrimentos e tiveram diferentes alegrias e, deste modo, possuem diferentes verdades. Como podemos viver e implementar uma verdade maior em meio a tantas realidades diferentes? Como podemos impor nossa verdade a todos os demais seres que passam por nós se esta é apenas nossa verdade e nossa verdade hoje, pois amanhã não será mais? E ainda, como podemos julgar a nossos semelhantes, se para julgarmos necessitaremos comparações com uma verdade única e maior, que sirva a todos indistintamente? E se impusermos nossa verdade aos demais? Basta observar mais atentamente nossas ações no decorrer do dia para que cheguemos à conclusão que de diversas formas procuramos impor nossa verdade aos demais. Por outro lado, se todos vivessem sob uma única verdade a vida seria mais fácil de ser vivida, pois todos concordariam, não haveria conflitos, pois ninguém questionaria nossos passos e opiniões, mas este mundo não traria nenhum proveito, pois é com a diferença de verdades e opiniões que todos aprendemos, crescemos. Viveremos mais adiante sob uma única verdade, mas esta realidade acontecerá quando nos conhecermos, quando conhecermos o significado do amor e quando compreendermos nosso Pai. É importante compreender que não somos os donos da verdade, que todos nós somos falhos, somos perfeitos enquanto filhos de nosso Pai, mas vivemos nossa imperfeição como caminho ao desenvolvimento. É importante compreender que nós mesmos teremos muitas verdades ao longo do caminho; é importante que saibamos que a verdade deve sempre ser buscada sob pena de estacionarmos no tempo. E quanto à prática do certo, mesmo que ainda não tenhamos sabedoria em nós o suficiente para conhecer o certo, devemos sempre procurar praticar o certo. A prática do certo deve acontecer em todos os momentos independentemente de qualquer outra situação. Encontramos em nosso dia a dia práticas do certo, mas praticamos o certo sempre que corremos o risco de vir a sofrer alguma penalização caso não o pratiquemos, por exemplo, o aspecto legal, cumprimos a lei porque se não a cumprirmos seremos multados, nas se não houver um policial em vigia, ainda assim praticaremos o certo e o que diz a lei? Enfim, os homens praticam o certo sempre ou somente quando for conveniente?

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É importante digo uma vez mais, fazer o certo, viver o certo, viver por nossa verdade e não pelas verdades dos demais. É importante que saibamos viver em comunidade e que respeitemos os direitos dos demais, que respeitemos as regras do bem viver, mas devemos buscar nossa própria verdade, devemos buscar sempre praticar o certo e substituir sempre nosso certo de hoje por um novo e melhor certo de amanhã. Devemos sim procurar aprender com nossos erros quando nosso certo de hoje nos mostrar que ontem, ao contrário do que pensávamos, praticamos o errado. Devemos também lembrar que cada individualidade possui o seu próprio conceito de certo e errado, todos estamos sujeitos as leis da sociedade e leis maiores vindas de nosso Pai; mas possuímos nossos conceitos, cabe a cada um de nós o respeito a todos estes conceitos e procurar melhorar os conceitos com nossos passos e nossas experiências. Errar faz parte do processo de aprendizado, todos nós erramos e erraremos muito ainda, não devemos nos ater aos erros, tantos nossos quanto aos erros de nossos companheiros; devemos sim aquietar nossa mente e nossas palavras quando nos sentimos tentados a exaltar os erros do próximo. Neste momento, devemos lembrar que, se o erro faz parte de nosso ser, o amor também faz parte deste mesmo ser, e o erro é uma grande ocasião para que demonstremos o amor que existe em nós.

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Capítulo VI – Parte IV - O auxílio como forma de minimizar minhas dores Muitas são as dores que podemos encontrar sendo vividas ou sentidas neste palco. Conscientes da realidade em que vivemos, podemos afirmar que exista alguém neste palco que não sinta alguma forma de dor? Nas ricas residências ou nas mais humildes se faz presente a dor, mesmo porque os seres que aqui habitam podem residir em diferentes espécies de moradias quanto ao seu conforto; as pessoas podem ter maior ou menor poder econômico, podem residir neste ou naquele país, enfim, ser mais ou menos afortunados, mas todos, aqui neste plano, estão em igualdade de condições no tocante a dificuldades, sofrimentos e dor. Existem muitas formas para que a realidade da dor manifeste-se, desde a dor física, passando pela dor da impossibilidade de atender a própria necessidade e a de seus entes queridos, passando pela dor da saudade, da separação, da rejeição e outras mais. Apesar de existirem diferentes espécies de dores, a todas estas dores existem medicamentos comuns. Podemos sim buscar a melhoria de nossas dificuldades na medicina e nos medicamentos por ela indicados, mas além da medicina, também existem os medicamentos da compreensão da razão das dificuldades encontradas ao longo dos caminhos. Além da compreensão também citamos outro remédio muito apropriado e aplicado, e sempre que se apresenta, se apresenta com muita eficiência, falamos do amor. Não pretendendo nos focar na medicina e nos medicamentos que são sempre necessários e tem a eficiência que todos conhecemos, mas focamos nos outros dois remédios que podem ser aplicados, a compreensão e o amor. O primeiro, a compreensão, deve existir sempre com o intuito de percebermos que somos seres em processo de desenvolvimento. O homem de hoje, se comparado com o homem de ontem, sem dúvida apresenta um progresso em seu compreender, agir e fazer. Este desenvolvimento acontece com a vivência das experiências, e nem sempre estas experiências ocorrem na ausência da dor. A dor nos impulsiona adiante, nos leva a refletir sobre nossos passos, nossos pensamentos e valores. A dor nos mostra nossa fragilidade e ao mesmo tempo nossa capacidade de amar, não apenas ao próximo, mas a nós mesmos, a vida e a paz. A dor nos mostra a valor da paz, do equilíbrio, do sorriso, da saúde, não apenas física, mas emocional e espiritual.

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Devemos sim compreender a dor, olhar para esta realidade não como um castigo divino, mas como uma grande oportunidade concedida por nosso Pai em prol de nosso aprendizado. Será que existe amor do Pai por seus filhos quando este Pai os deixa sofrer tanta dor? Sim, existe amor do Pai por seus filhos na presença da dor. Eis o segundo remédio, o amor. É através de nossa dura realidade que aprendemos, que lapidamos nosso ser. Existe em nosso interior, uma grande luz, um grande e imenso sol, que um dia, estará não em nosso interior, mas a nossa superfície, se mostrará digno de sua grandeza e seremos grandes como este sol, contudo este sol, apresentar-se-á à superfície quando nós nos conhecermos, quando nós conhecermos nossa capacidade de fazer, quando nós conhecermos o prazer imenso em poder auxiliar a outrem, quando nós conhecermos a maravilha de viver sem o peso do egoísmo, quando nós conhecermos o suave e maravilhoso sentimento que chamamos de amor. Somos ainda tal qual crianças vivenciando cada sentido como se tocássemos em algo quente para conhecer o calor, ou se tocássemos em algo frio para conhecer o sentido de frio, ou conhecemos o valor do alimento conhecendo a fome, conhecemos o valor do agasalho quando sentimos frio, conhecemos a valor do amor, quando sentimos em nosso ser a ausência dele. Nosso desenvolvimento é um ato de amor de nosso Pai e o processo de desenvolvimento inclui a dor; portanto, na dor existe a presença do amor deste Pai por cada um de seus filhos. Se todos nós conhecemos muito proximamente a dor, como podemos então melhor viver esta realidade? Já que não podemos deixar de sentir a dor, já que não podemos nos afastar da dor, como poderemos conviver melhor com esta realidade ou como podemos melhor vencer esta realidade? Através do amor vencemos nossa dor e vencemos nossa dor sempre que encontrarmos em nosso caminho alguém que também sinta dor, e, se auxiliarmos este alguém a minimizar ou eliminar seu sofrimento, estaremos dissolvendo não apenas a dor daquele ser, mas estaremos tratando a nossa própria dor, pois ela tornar-se-á muito mais leve ou nos parecerá insignificante e tornar-se-á facilmente vencida. Sentimos nossas dores como se estas dores fossem as maiores dores existentes em todo o universo e quando as sentimos, sentimos também a necessidade que todos venham em nosso auxílio, necessitamos de atenção e nos esquecemos dos demais. De modo natural a nossa realidade, vivemos nossa dor, e alimentamos nossa dor, e não procuramos compreender o contexto maior da presença da dor ou não procuramos buscar a causa desta dificuldade. É verdade sim que devemos buscar o auxílio da medicina, nosso corpo necessita sempre de atenção e pequenos reparos, mas se nosso coração estiver saudável, aquecido e cheio de amor, se habitar em

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nós o hábito de auxiliar ao próximo como forma de melhoria não somente deste próximo, mas de nós mesmos, teremos em nós as condições de melhor enfrentar as dificuldades que o caminho traz.

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Capítulo VI – Parte V - Culpado ou Inocente? Em função de estarmos em processo de crescimento, ou de outra forma, porque não conhecemos suficientemente a verdade para sustentar nossas opiniões de modo que avancemos sempre em direção ao bem viver, a sociedade cria regras que dizem o que devemos ou o que não devemos fazer assim como estabelece penalidades a aqueles que eventualmente não seguirem estas regras. Deste fato, surge a necessidade de estudiosos destas regras que, por seu estudo, têm condições de avaliar as ações praticadas, versus as regras definidas e dizer se as ações praticadas estão ou não dentro do contexto estabelecido nas referidas regras. Está criada a figura daquele que julga. Outro fato concreto é que em cada um de nós existe um julgador em potencial. Estamos a cada passo exercendo um julgamento, seja no seio familiar, em nosso local de trabalho, no restaurante, no trânsito, seja onde for, onde estiver um viajante, lá estará um potencial julgador. E neste caso, o viajante julgador estará realizando seu julgamento não apenas baseado nas regras gerais que a sociedade impõe, mas em suas próprias regras, nas regras ou conceitos criados pelo próprio e formado pelo viajante ao longo de sua jornada. Olhamos a um indivíduo e, sem ao menos conhecê-lo, por este ou aquele motivo, o julgamos e o condenamos e, se houvesse uma pedra ao alcance, é possível que esta fosse atirada no condenado. Nossa missão é seguir adiante no caminho que cabe a cada um de nós, e quanto mais avançamos neste caminho, surgirão oportunidades de adquirirmos novos conhecimentos, conhecimentos estes que auxiliam no despertar de nosso ser. E, estando caminhando, sempre que olharmos em direção ao horizonte, teremos uma nova fotografia, um novo quadro ou uma nova verdade. Esta verdade, no exato momento em que a avistamos é a nossa verdade; é baseado nesta realidade que naquele momento defendemos o certo e o errado. É esta verdade que guia nossas ações e nossos pensamentos. No instante seguinte, caminhamos mais alguma distância e novamente olhamos adiante, e descrevemos outro quadro a nossa frente, novos cenários, novas verdades, e novamente, estas novas verdades guiam nossos pensamentos e nossas ações. Estas novas ações serão diferentes das ações que num breve instante passado, praticamos. Paramos por alguns instantes nossa caminhada, observamos e comparamos os dois quadros, as duas verdades, a verdade de agora com a verdade de instantes

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passados. Neste instante vejo coisas que não via no quadro anterior, neste instante sei coisas que não sabia no instante anterior; portanto, concluo que a verdade de agora é melhor que a verdade de alguns instantes passados. De posse deste raciocínio, posso eu condenar completamente as ações que vim a tomar quando assumi que o quadro anterior, que a verdade anterior era adequada? Mas lembro-me que quando observava a verdade anterior, tinha em mim a forte impressão que aquela era a única e mais adequada verdade. Agora, neste instante, não penso mais desta forma, meus sentimentos de verdade modificaram-se. Posso eu condenar meus atos, minhas ações ou meus pensamentos daquele momento? E se a verdade de agora é melhor que a verdade de ontem, e se neste instante, condeno meus atos de ontem em função do que sei no momento, não corro o risco de amanhã possuir outra verdade e que esta terceira e nova verdade me dirá que os atos e pensamentos do momento são inadequados? Vivemos uma sucessão de momentos, uma sucessão de dias e com os dias, as experiências e a cada experiência, encontro-me em condições de adquirir novos ensinamentos e novas verdades. Assim é nossa caminhada. A cada dia que surge um novo dia, uma nova oportunidade, novas experiências, mas este novo dia e estas novas experiências não são melhores ou piores que o dia de ontem com as experiências de ontem; os dias e as experiências são apenas diferentes entre si e são retratos de conhecimentos diferentes ou são retratos de momentos diferentes do mesmo ser, nosso ser. Não vamos nem acrescentar um terceiro ser nesta análise, mas vamos nos ater ao nosso próprio ser e assim, analisando os atos praticados ontem, percebo que estes atos estavam inadequados para a verdade que possuo hoje; posso, em função disso, condenar-me? Posso dizer que sou culpado? Condeno-me e atribuo a culpa ao meu ser em função do que sei hoje, mas não posso atribuir nenhuma culpa se avalio as ações no passado versus o conhecimento que possuía no passado. No passado, meus atos foram corretos e adequados. Posso sim, avaliar meus passos no passado e medir as conseqüências destes passos, seja para o momento atual ou ainda para os momentos futuros. Posso sim e, mais que isso, devo avaliar estes passos com o intuito de aprender, de fixar a lição em meu ser, pois este é o sentido da caminhada, o sentido da existência, fixar novas lições. Tenho todos os ingredientes necessários para fazer a análise e julgar meus atos, pois conheço minha verdade hoje, sei de meus passos no passado, sei como vim para no local onde me encontro, conheço minha verdade de ontem, conheço tudo o que envolve estas experiências; tenho portanto, como dizer se meus atos foram ou

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não adequados, se sou devedor ou credor e formo em mim uma impressão de como devo agir no futuro. Mas e quando me coloco em posição de julgar, ou utilizando uma expressão mais generosa, quando me coloco em condições de avaliar as ações de outros indivíduos. Posiciono-me como observador de um companheiro de jornada e baseado no que vejo no momento, defino este companheiro como culpado ou inocente. Mas, se neste momento me questiono quanto ao meu conhecimento sobre o companheiro, percebo que conheço as ações do companheiro no momento, mas não conheço a verdade deste companheiro neste instante, conheço sim minha verdade; mas será que é correto que eu avalie as ações de meu companheiro segundo minhas verdades? Será que eu não deveria avaliar as ações de meu companheiro em função das verdades deste companheiro? Chego à conclusão que não conheço as verdades de meu companheiro. Questionome ainda, será que conheço a experiência vivida no passado por este companheiro? Que caminhos este companheiro trilhou? Quantas vezes este companheiro chorou, se chorou, com quem sorriu, se sorriu, que magoas traz em si, quais são suas expectativas para o dia que amanhecerá a seguir? Possuímos cada um de nós nossos mais valiosos bens, as experiências vividas e as lições adquiridas em função destas experiências vividas. Trazemos um nós nossa capacidade de amar a própria vida, capacidade esta mais ou menos desenvolvida. Será que nós conhecemos as verdades em nós? Será que conhecemos os bens valiosos que carregamos? E ainda mais, desejamos conhecer os bens valiosos que nosso companheiro carrega ou desejamos julgá-lo sem ao menos conhecer este seu aspecto? Necessitamos desenvolver um senso crítico muito forte e utilizar este senso crítico, aliado a um equilíbrio de pensamentos, aliado a uma generosidade de pensamentos, aliado a uma compreensão maior que estamos aprendendo à medida que caminhamos, aliado a compreensão de que muito necessitamos conhecer. Necessitamos do mesmo modo lembrar que somos todos iguais nos quesitos capacidade de fazer, capacidade de amar, capacidade de destruir ou construir. Devemos lembrar que estamos todos num mesmo barco, navegando num mesmo oceano, algumas vezes calmo, outras vezes revolto. Devemos ter estas questões em nós antes de pensarmos em julgar, em rotular a quem quer que seja quanto aos seus atos ou pensamentos. Devemos sim, ter um nós uma forte impressão do que veja a verdade, devemos sim manter em nós uma forte vontade de buscar novas verdades a cada dia que

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amanhece, devemos sim ser o nosso próprio crítico, nosso próprio juiz, mas devemos sim desenvolver a capacidade de sermos ao mesmo tempo críticos e generosos em nossos pensamentos e ações. Fazer ao outro o que gostaríamos que a nós fosse feito. Se assim é, gostaríamos de sermos julgados, condenados e sentir pedras atiradas em nosso ser? Será que temos a mais absoluta certeza que a verdade que possuímos hoje é a melhor verdade que existe e além disso, esta verdade é boa para nós e para qualquer outro companheiro viajante?

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Capítulo VI – Parte VI – Nossos erros e os erros dos demais Diz a frase que “errar é humano”. Considerando que todos somos humanos, considerando que todos somos iguais, considerando que todos estamos em processo de crescimento, é portanto lógico que todos cometamos erros. E como nós tratamos ou como nós encaramos o fato de cometermos erros? Como nós procedemos quando erramos e como procedemos quando outros companheiros viajantes cometem erros? Procedemos, nestas duas situações, do mesmo modo? Nossa reação é a mesma? E os erros têm alguma utilidade? Porque erramos e qual a finalidade dos erros? Somos todos filhos de um mesmo e divino Pai, somos seres divinos em processo de formação e estaremos, mais adiante, exercendo nossa divindade; mas até lá, seguiremos em nosso processo de aprendizado e neste processo os erros acontecerão e são importantes. Necessitamos saber olhar para os erros de modo diferente. Nossos erros, assim como os erros de nossos companheiros, não são apenas falhas cometidas por ignorância ou incapacidade, mas são oportunidades de aprendizado. Assim como tudo em nossa vida, os erros sempre nos dizem algo e apesar de ser difícil conviver com o fato de que erramos, devemos ter para conosco e para com os demais, uma generosidade, um senso crítico positivo para analisar estes fatos em nossas vidas, de modo que não atiremos pedras em quem os comete e de modo que não nos atiremos no primeiro penhasco porque erramos. “Fazei ao próximo como gostaríeis que vos fosse feito”. Compreender o sentido desta expressão e viver por esta expressão. Compreender que cometemos erros, ser generosos para conosco, aceitar o fato, mas sem que esta aceitação nos deixe relapsos a ponto de cometermos sempre os mesmos e sucessivos erros. Erramos sim, mas os erros devem ser observados com atenção, devemos procurar compreender em que momento cometemos um engano, devemos compreender em que ponto de nossa verdade existe uma deficiência e com esta análise, podemos melhorar nossa verdade até que, de melhoria em melhoria, nossa verdade passe a ser melhor a cada dia. Aceitar nossos erros da mesma forma que aceitamos os erros de nossos companheiros, observar estes momentos com atenção e amor em nosso coração; auxiliá-los se assim for possível, mas sem exercer nenhum ato que represente humilhação imposta a aquele que vive o momento do engano. Devemos compreender que algumas vezes, ou muitas vezes, e até mesmo de forma inconsciente, nós observamos mais nos outros o fato que eles cometem erros e

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quando alguém comete algum erro, é freqüente que o observador frise o erro cometido, é comum que comentemos com terceiros o fato daquele companheiro ter cometido um erro, é comum que procuremos apresentar este erro de maneira que todos os demais que estejam próximos possam observar: “Vejam, nosso companheiro cometeu um erro”. O bem viver é representado pelo ato de observar sempre nossos passos, nossos atos, nossos pensamentos; procurar extrair de cada situação um ensinamento que poderá ser útil ao nosso ser e devemos observar não apenas nossos próprios atos, mas também os atos de nossos companheiros, e sempre com os olhos da generosidade, sempre com os olhos da solidariedade, sempre com os olhos da compaixão. E devemos também ter a sabedoria necessária para saber dosar a generosidade, devemos aplicar esta generosidade até o ponto de compreender e aceitar o fato que erramos, mas não devemos exercer a generosidade a ponto de aceitar que cometamos os mesmos erros repetidas vezes. O bem viver significa ter amor à vida, desenvolver a arte do bem viver significa compreender e aceitar cada dificuldade, cada momento de tristeza, cada momento de alegria, cada pequeno representante da beleza. O bem viver significa amar a nós mesmos, o bem viver significa amar aos nossos semelhantes sem que isso signifique que devamos estar sempre os abraçando e confessando nosso amor. Amar nossos semelhantes significa ter compaixão, ter compreensão, significa fazer ao próximo como gostaríamos que nos fosse feito. Nossa humildade deve sempre nos indicar que devemos aceitar o fato que somos apenas pequenos aprendizes na arte do bem viver, na arte de amar. A humildade significa que devemos aceitar a oferta de ajuda, devemos aceitar a mão estendida ou o bom conselho quando estes nos forem ofertados. Nossa humildade deve nos dizer que devemos sempre esquecer o erro cometido por nosso companheiro, mas estender a mão em direção a este companheiro quando a situação se apresentar favorável a isso. Quando erramos, gostamos de ser criticados? Gostaríamos que nosso erro fosse apresentado a todos fortalecendo o fato que erramos? Ou quando erramos, gostaríamos que nos fosse direcionado a solidariedade e muitas vezes o silencio daquele que observa, ou ainda, gostaríamos que nos fosse ofertado um ombro amigo e companheiro em apoio ao nosso sofrimento. Estamos todos em processo de aprendizado e devemos sempre observar os bons exemplos de modo que possamos aprender mais rapidamente. Neste sentido, por que não podemos dar o bom exemplo quando nossos companheiros erram?

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Capítulo VI - Parte VII - As disputas diárias e a contaminação que sofremos no dia-a-dia

Vivemos numa sociedade onde as obrigações são constantes, obrigações com nossos familiares, obrigações profissionais onde somos conduzidos a sermos melhores a cada dia, somos conduzidos a produzir mais com os mesmos recursos. Possuímos nossas obrigações escolares, possuímos obrigações com nossos amigos e assim por diante. Além destas obrigações, somos diariamente bombardeados por inúmeras informações de toda ordem. Constantemente produtos são lançados, modismos são fixados na sociedade. No final do ano, o normal é que cada um de nós vá para o litoral. No mês de fevereiro, o normal é que novamente viajemos até o litoral para pular o carnaval, no final do ano, temos o natal, o normal é que tenhamos que comprar presentes a todos aqueles de nossas relações, e assim por diante ou podemos citar ainda, a “necessidade” que tenhamos um telefone celular ou qualquer outro produto que a sociedade imponha como necessário possuir. Verdades são apresentadas diariamente nos meios de comunicação, e no dia seguinte, novas verdades são apresentadas à sociedade. Neste turbilhão de imposições e necessidades, somos conduzidos de um lado a outro, como no trânsito, por exemplo, se observarmos o comportamento dos motoristas, perceberemos que basta que um motorista se mostre irritado ou mais agressivo para que outros também comecem a ter o mesmo comportamento. Vivemos em comunidade, aprendemos uns com os outros, estamos aqui juntos, para de uma forma ou de outra, auxiliarmos uns aos outros, este é nosso caminho. A sociedade necessita criar, estabelecer regras para que a convivência tenha parâmetros claros, para que se tenha limites a serem observados por viajantes ainda carentes de aprendizado. Necessitamos ter esta consciência e viver por ela, mas devemos, do mesmo modo, ter a consciência que devemos desenvolver nossa própria forma de ver as coisas, de entender nosso contexto e nosso conteúdo. Possuímos nossas verdades, somos formados por estas verdades, daí a necessidade de estarmos sempre reavaliando estas verdades com o intuito de melhorá-las e melhorando nossas verdades, estaremos melhorando a nós mesmos. Energias, pensamentos, tendências, exigências, existem por todo lado, estamos sempre expostos a estes fatos, mas devemos ter nestas tendências, exigências ou pensamentos que vêm a nós, os parâmetros para que avaliemos nossas próprias tendências, nossos pensamentos e nossas exigências. Se percebermos que o que vem de fora é melhor que o que possuímos quanto a pensamentos, que possamos então substituir nossos pensamentos por estes que de fora chegam. Neste ponto estaremos sim, em sintonia com o pensamento ou as tendências que vem de fora,

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mas ao mesmo tempo, estaremos em sintonia com nossa própria tendência, estaremos vivendo por nossa própria tendência. Necessitamos caminhar, avançar e necessitamos fazer esta caminhada por nossos próprios meios, com nossos próprios pés e sob nosso risco e conta. Se acertarmos em nossos pensamentos e tendências, parabéns, receberemos os louros da vitória sob a forma de um ser melhor inserido num ambiente menos áspero e mais generoso. Se errarmos em nossos pensamentos, teremos mais adiante a oportunidade de refazer estes pensamentos e absorver os ensinamentos que necessitamos; mas teremos sim como dizer e com orgulho que caminhamos por nossos meios, que seguimos conforme nossos pensamentos, que possuímos nossa opinião e nossa verdade que nos conduzirão ao ponto em que nos encontramos. Somos formadores de opiniões, das nossas próprias opiniões ou somos auxiliares na formação das opiniões de outros companheiros viajantes, ou mesmo da sociedade como um todo. Devemos ter em nós a responsabilidade da formação das opiniões, a responsabilidade da melhoria dos pensamentos, das opiniões, ou das exigências a que somos expostos. Se somos falhos, se erramos, que possamos assim mesmo, praticar, aprender pela prática, pois a prática, os erros que cometermos nos conduzirão a um novo horizonte. Mas se não exercermos nossa opinião, se não desenvolvermos nosso próprio pensamento, estaremos sempre vivendo sob o pensamento e sob a opinião de outrem, serremos incapazes de afirmar em qual direção está o caminho correto O caminho é difícil e exige muito, muitas quedas e muitos ferimentos surgirão na realidade do pequeno viajante; mas a sucessão de quedas, de ferimentos e experiências, acrescentarão muito a este pequeno viajante. É importante que cada um de nós viva a sua própria experiência, é importante que cada um de nós desenvolva suas próprias verdades e com o caminhar, crie condições de melhorar estas verdades, ou ainda, enriqueça estas verdades com uma luz maior, com mais amor, com uma melhor percepção de si mesmo e da realidade em que está inserido.

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Capítulo VII – Parte I - A suavidade (a lei da física – a toda ação uma reação contrária com a mesma intensidade)

O ser humano possui em si a capacidade de realizar atos de profundo amor, como o amor de uma mãe ou de um pai por seu filho ou como a doação de algo ou de si mesmo a um terceiro desconhecido, mas ao mesmo tempo que possuímos a imensa capacidade de amar, possuímos também a capacidade de destruir, ou a capacidade de praticar o desamor, praticar sentimentos contrários ao amor. Nossos pensamentos geram energias, positivas ou negativas, nossas ações geram energias, positivas ou negativas; a cada gesto ou pensamento nosso, estamos criando estas energias, que são nosso cartão de visita, somos nossos pensamentos, somos nossa energia ao mesmo tempo em que estamos envoltos nesta energia. Quando duas pessoas se colocam lado a lado num mesmo ponto e observam a linha do horizonte, as imagens percebidas por um e por outro podem ser bastante diferentes; de um lado, uma imagem belíssima, de muita luz e por outro lado, uma imagem pesada, tempestuosa. São nossos olhos que percebem as imagens conforme a energia que possuímos em nós, em nosso coração. Aqueles que amam não deixam de perceber as dificuldades e os dias tempestuosos, mas compreendem nestas situações, reflexos de comportamentos e pensamentos e percebem sim, além das eventuais dificuldades, oportunidades de crescimento se fazendo presente, se fazem presente às lições necessárias aos viajantes para que seu processo evolutivo se concretize. A física diz que a toda ação corresponderá uma reação em sentido oposto e com igual intensidade. Esta lei se aplica também à vida. Vivemos nossas experiências, sejam elas mais ou menos difíceis, mas podemos vivê-las com incompreensão, de modo ríspido, com agressividade, como se enfrentássemos cada obstáculo que se fizer a nossa frente com toda a força física que conseguíssemos obter, como se abaixássemos a cabeça e seguíssemos à frente tal qual touro enfrentando o toureiro. Por outro lado podemos, diante de uma dificuldade, procurar em nós um melhor caminho para vencer o obstáculo, procurando compreender que a dificuldade se faz a nossa frente, não porque nosso Pai seja injusto para conosco, mas a dificuldade se apresenta a nossa frente por uma razão específica, nosso aprendizado. Observemos nosso cotidiano, assim como nosso comportamento; muitos companheiros de jornada vivem como se estivessem numa constante guerra, estão sempre preparados para eventuais atos que eles considerem agressivos e estes veem agressividade em qualquer gesto e logo partem para o que julgam um ato de defesa ou em represália, revidando.

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Que qualidade de vida possuem estes viajantes que vivem como exposto acima, sem poder descansar um único minuto? Quanta energia é despendida com este comportamento? Ou vendo por outro lado, como nestes casos o indivíduo está sempre preparado em sentido de defesa, é provável que não tenha condições de perceber a sua volta as benesses da vida, as belezas e gentilezas que a vida nos oferta. É fato que construímos nosso próprio ser, construímos o caminho que percorremos hoje, e hoje, construímos o caminho que estaremos percorrendo amanhã. A vida... olhando para a vida como se a vida um ser fosse, sentimos que este ser vai sempre nos tratar conforme nós a tratamos, se possuímos em nós agressividade e demonstramos esta agressividade a cada passo do caminho, a vida vai nos tratar do mesmo modo, com agressividade. Podemos empreender nossa jornada de modo mais suave? Não apenas podemos, mas devemos empreender nossa caminhada com suavidade, com compreensão, com gentileza e assim a vida nos tratará. Se construirmos nosso caminho de amanhã com nossos gestos e pensamentos hoje, então que possuamos em nós os melhores pensamentos, que possamos praticar os melhores gestos que conseguirmos praticar hoje, e seremos recebidos pelo amanhã com a mesma generosidade. Convidamos o viajante a sair de si por alguns poucos instantes e buscar refletir sobre a prática encontrada em nosso dia a dia. Olhando para nossa sociedade, como observamos os gestos praticados pela maioria dos componentes desta sociedade? No trânsito, o relacionamento entre pais e filhos ou entre cônjuges, a necessidade que alguns possuem de se sobressair aos demais, a agressividade de políticas tendenciosas, o tratamento dispensado à natureza, o consumo dos recursos naturais em prol do bem estar de hoje sem se preocupar com o amanhã, os desvios de conduta encontrados em muitos locais. Enfim, são vários os exemplos de práticas que encontramos e o questionamento que fica é: como estamos tratando a vida? E que tratamento esperamos que a vida nos dispense no futuro? Podemos, cada um de nós, passar por nossas experiências de um modo suave ou com agressividade, podemos ser suaves como a brisa que acaricia nossa face ou podemos ser agressivos como o vento de tempestade, mas que saibamos ou que lembremos que o “ser” chamado vida, vai nos tratar conforme nós o tratamos; pois se sopramos como a brisa acariciante, estamos não apenas fazendo um carinho à própria vida, mas estamos nos tratando com carinho. Se nossa decisão é estar sempre com todas as nossas armas carregadas e prontas para o disparo, “em defesa própria”, a vida vai revidar e estaremos sim, atirando em nosso próprio ser.

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A vida pode ser generosa, bela, com muitos atrativos; um pouco mais que isso, a vida é belíssima, se conseguirmos manter em nós os olhos adequados a perceber toda a grandiosidade da vida, se possuirmos em nosso ser ou em nosso coração a suavidade de um beija-flor, a transparência das águas do mais puro dos riachos, se possuirmos em nós a tranqüilidade e beleza absolutas de um belo entardecer. E tudo isto está em nosso interior, basta que, passo a passo, possamos encontrar estes sentimentos em nosso interior e trazê-los à tona.

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Capítulo VII – Parte II - Generosidade e Justiça

É comum às pessoas viverem suas vidas sem se preocupar em estabelecer objetivos ou em avaliar o destino que elas estão traçando, muitos de nós assim o fazem. Também é comum procurar responsáveis por fatos que ocorrem conosco e, muitas vezes, o responsável pelo acontecido está longe de ser eu mesmo. Devemos pensar que existe sim um responsável maior, nosso Pai, mas que sobre nossas vidas somente nós somos os responsáveis. Devemos pensar que estamos em uma caminhada de crescimento, que precisamos aprender muito ainda, precisamos ter humildade para reconhecer nossas falhas e aqui ninguém pode se excluir, todos as possuem. Enganos serão cometidos ao longo da jornada, mas que estes enganos nos sirvam sempre de lição e nada mais. Devemos pensar muito sobre arrependimentos, seu sentido ou importância, devemos ser generosos e justos tanto com nosso próximo quanto para conosco. Nos momentos em que reconhecemos nossos enganos devemos procurar extrair dali um aprendizado para que o futuro seja melhor. Devemos agradecer ao Pai pela visão e compreensão dos fatos, mas acima de tudo sejamos generosos e justos, tanto para com nosso próximo quanto para conosco. O arrependimento é algo que pesa muito e não traz nenhum benefício. Os responsáveis somos nós, a injustiça é de Deus? Muitas vezes podemos pensar que Deus tem sido injusto conosco, mas será que nosso Pai é injusto? Podemos fazer esta afirmação? Para responder este ponto, outra questão talvez seja útil: será que estamos sendo corretos, sinceros, justos e verdadeiros ou estamos escondendo algo de nós mesmos? Possuímos um grande amigo dentro de nós, alguém que sempre diz a verdade, alguém que sempre nos conduz ao caminho certo, alguém que sempre nos dirá a coisa certa a fazer; mas mesmo assim, por muitas vezes, não o ouvimos, pois preferimos isolá-lo atrás de sentimentos e verdades, ou atrás de uma grande armação de aço. Esse amigo é nosso coração. Nossas verdades, nossos conceitos, nossas crenças devem sempre ser avaliados, pois, à medida que avançamos em nossa caminhada, as verdades vão se modificando, como em qualquer jornada, a cada passo, temos um novo horizonte à frente. Algumas vezes relutamos em refletir sobre algo, relutamos em ver ou não podemos admitir ceder num ponto de vista, e o tempo passa, gastamos muito tempo em função disso. Muitas vezes não conseguimos dar o primeiro passo em direção a uma realidade, pois não queremos ser o primeiro a ceder, mas, o tempo passa e neste caso, nosso horizonte não muda, paramos.

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Não podemos enfrentar o mundo todo de frente, desafiando-o, não podemos vencer a tudo e a todos baixando a cabeça e seguindo sempre em frente, pois se assim o fizermos, com certeza, iremos nos ferir. Nosso Pai é somente amor, o mestre Jesus nos deu somente amor, Sua generosidade é infinita, Sua compreensão foi seu guia e deve ser nosso exemplo. Devemos refletir, meditar, orar e conversar com nosso Pai. Vamos cometer ainda muitos enganos em função de nossa dificuldade de visão e necessidade de aprendizado, mas a vida torna-se melhor se a vivermos com generosidade e justiça. A vida é um grande presente e possui maravilhas infinitas, belezas sem par na simplicidade de uma flor, no voo de uma ave, no gesto de carinho entre pais e filhos. O amor é o sentimento que nos renova, nos fortalece, é o caminho que nos conduz à casa do Pai, é o sentimento que nos deixa ao mesmo tempo leves e fortalecidos confiantes que, por maior que seja a dificuldade, venceremos e o amanhã será melhor e estaremos com o coração leve e nossa alma limpa de qualquer peso.

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Capítulo VII – Parte III - Paraíso A concepção de paraíso, pelo menos para a maior parte das pessoas é a de um local onde não existam os conflitos que tão bem conhecemos; um local com uma natureza perfeita, sem que nada necessitássemos acrescentar ou corrigir ou ainda, um local onde não se necessite “ganhar a vida”, mas apenas “viver a vida”. Mas se olharmos ao nosso redor, perceberemos que a realidade que se faz aos nossos olhos passa bem longe do conceito de paraíso; são muitas as exigências, muitas as necessidades que devem ser supridas no dia a dia, conflitos de todas as espécies, pequenas e grandes batalhas que são travadas em todos os locais e muitas batalhas mais são vividas em nosso interior, como por exemplo, nossos medos, nossos preconceitos e emoções de toda ordem. Mas apesar de vivermos numa sociedade que exige muito de seus componentes, apesar de toda incompreensão observada em muitos gestos, observamos também a presença da generosidade, muito carinho e amor sendo vivido, encontramos aqueles que doam, encontramos aqueles que orientam, conduzem, encontramos aqueles que constroem um amanhã melhor através da construção de um ser humano melhor. Encontramos, aqui mesmo, exemplos de beleza, basta que observemos com mais atenção e com os olhos adequados. Por outro lado, em nosso interior, encontramos do mesmo modo os mais diversos tipos de terrenos. Existem imensas e verdejantes planícies com flores de cores diversas e suavidade ímpar, e encontramos também imensos abismos ou terrenos pantanosos. Em nosso caminhar, algumas vezes caminhamos por estas planícies verdejantes, outras vezes caminhamos por terrenos difíceis de serem vencidos. Algumas vezes caminhamos e ao nosso lado encontramos alguém que nos traz alegria, felicidade, outras vezes, caminhamos ao lado de alguém que preferíamos que fizesse outro caminho. Estabelecemos nossos objetivos e trabalhamos para o cumprimento destes objetivos, e quando os alcançamos nos sentimos gratificados, felizes. E nos sentimos bem ao contrário, se não conseguimos atingir estes objetivos. Outras tantas vezes nos sentimos felizes com pouca coisa, um pequeno gesto de alguém, um pequeno elogio que recebamos ou ainda uma pequena lembrança de alguém para conosco; enfim, coisas pequenas podem ter um valor muito grande para nós e nos fazem muito felizes, nos sentimos, no instante que recebemos, no paraíso. Por outras vezes, encontramos exemplos de pessoas que, aparentemente possuem tudo em suas vidas, tudo o que o lado material pode fornecer, mas mesmo assim,

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não são felizes; se olharmos para estas pessoas, sentimos uma tristeza em seu ser, por vezes sentimos uma falta de objetividade, uma falta de satisfação em suas vidas. As coisas vêm a elas e se vão, e o mesmo sentimento permanece, um sentimento de busca por alguma coisa. Em nosso contexto, o que seria o paraíso? O que entendemos como sendo o paraíso? Se nos fosse solicitado que descrevêssemos o paraíso, como nós o descreveríamos? Quando vidas são vividas em lugares áridos, onde a dádiva da chuva ocorre com baixa freqüência, ouvimos nestes locais depoimentos que dizem que a chuva é a felicidade, que o paraíso é o solo umedecido pronto para receber a semente e gerar o alimento tão necessário e escasso. A felicidade é uma chuva que traz vida ao solo ressequido. A felicidade é poder trabalhar o solo e observar na seqüência o desenvolvimento das plantinhas e finalmente ter o alimento obtido com seu próprio trabalho sem depender de ninguém. Encontramos também outros exemplos de situações onde a descrição do paraíso é a descrição de um hotel numa praia de águas calmas, quentes e transparentes, onde basta que desejemos e nossas vontades são atendidas pelos funcionários deste hotel. Não necessitamos nem ao menos solicitar a definição de paraíso a diferentes pessoas para obtermos diferentes exemplos; basta que solicitemos a nós mesmos, e perceberemos que em pontos distintos de nossa caminhada, teremos diferentes descrições do paraíso. O paraíso pode ser uma pequena chuva ou ainda pode ser uma bela praia de águas quentes ou muitas outras coisas. Do mesmo modo que a beleza está nos olhos de quem vê, o paraíso está em nosso estado de espírito, em nossa satisfação interior. Possuímos em nós o desejo de sermos felizes. Possuímos em nós a necessidade constante de aumentar nosso conhecimento, possuímos em nosso ser a verdade da divindade em processo de desenvolvimento, possuímos em nós um amor ainda dormente e possuímos o fato de que, para sermos felizes não necessitamos de grandes coisas; ao contrário, pequenas coisas ou fatos podem nos fazer muito felizes e neste momento de felicidade, nos levar ao paraíso. O paraíso é um estado de espírito, é a capacidade de compreender que necessitamos aprender, que muito podemos fazer. O paraíso é a capacidade de compreender que o amor é a nossa constituição, é nossa essência, que o amor nos aquece e nos enriquece. Encontrar o paraíso significa compreender que na doação de si mesmo a outro recebemos muito mais em troca. Encontrar o paraíso significa compreender que o

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que recebemos quando nos doamos constitui nossa riqueza e é esta riqueza que vai nos conduzir ao paraíso, pois estaremos construindo este paraíso em nosso interior, em nosso coração. O paraíso se constrói passo a passo, compreendendo que estamos incapacitados de compreender o todo, mas que nossos caminhos nos conduzirão à luz, ao amor. Caminhamos, erramos, caímos, levantamos, seguimos adiante, mudamos nosso caminho e de lição em lição vamos nos libertando do peso que transportamos, vamos lapidando nosso ser, vamos preparando nossos olhos para que estes olhos consigam ver as muitas belezas que encontramos aqui mesmo, nos caminhos que percorremos. O paraíso se constrói observando que por onde andamos não existem apenas pedras que nos ferem os pés, mas que também existem flores que procuram deixar mais belo o caminho. Nossa missão é conseguir observar estas flores, admirar sua beleza, nos fortalecer com esta beleza de modo que o caminhar se torne melhor. Ao desenvolvermos esta compreensão e a praticarmos, estaremos sim compreendendo o sentido do paraíso, estaremos compreendendo o local, o endereço onde o paraíso será encontrado.

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Capítulo VII – Parte IV - Fazer ao outro como gostaríamos que nos fosse feito Somos cada um de nós, indivíduos com sua história, com sua trajetória, com suas verdades e experiências. Possuímos nossos medos, nossas inseguranças, nossas alegrias, possuímos fatos que nos satisfazem ou nos incomodam e a cada indivíduo, uma própria e única realidade. Apesar de possuirmos cada um nossas próprias experiências, existem em nós características comuns, pois somos filhos de um mesmo Pai e estamos num mesmo estágio evolutivo. Nossas necessidades pessoais são as mesmas necessidades de outros companheiros viajantes e o que nos faz bem é o mesmo que faz bem aos demais, o que nos incomoda é o mesmo que incomoda a outros viajantes. Além da soma de indivíduos, existe a vida e neste ponto vamos considerar a vida como um indivíduo, alguém que nos acompanha. Em nosso caminhar encontramos regras que conduzem os viajantes e uma destas regras diz que seremos tratados pela vida do mesmo modo que nós a tratamos. Por isso nos referimos à vida tal qual fosse um indivíduo. Este indivíduo, a vida, nos tratará como nós o tratarmos. Quando expressamos agressividade seja no ambiente que for, nossa verdade passa a ser a agressividade; viveremos esta realidade e a cada passo externamos a verdade que nos envolve. É fato que, se vivemos em agressividade, se tratamos o “indivíduo vida” com agressividade, qual seria a resposta do “indivíduo vida” ao nosso comportamento? Será que o “indivíduo vida” nos tratará com suavidade ou com agressividade? Fazer ao próximo como gostaríamos que a nós fosse feito. Por que enfim, devemos dar o primeiro passo? Por que o “indivíduo vida” não pode me tratar com suavidade, para que depois eu passe a tratar a vida e meus companheiros de jornada deste mesmo modo? Nos tópicos anteriores afirmamos que a beleza está nos olhos de quem vê, que esta beleza se faz presente em todos os instantes de nossa jornada, basta que nós nos preparemos para observar a beleza e extrair desta beleza a energia necessária à evolução. A forma que tratamos a vida e a nossos companheiros segue o mesmo princípio, a energia é criada por nós através de nossos pensamentos e ações e utilizamos esta energia em nossos relacionamentos, a impomos aos que estejam próximos a nós; em contrapartida, será despendida uma energia de igual valor e em sentido contrário, é a lei da ação e da reação, é uma lei da física, portanto, a iniciativa de tratar a vida e aos demais companheiros de jornada com suavidade deve ser nossa

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e somente assim é que seremos tratados com suavidade. Além do fato de que a vida não necessita se desenvolver, crescer, aprimorar seu próprio ser. Está é nossa necessidade. É comum olharmos a determinado indivíduo, olharmos para a forma com que a vida o trata e não compreendemos porque a vida trata bem este indivíduo, trata-o de modo distinto do tratamento dispensado a outros indivíduos. Neste ato, observamos um pequeno fragmento da jornada do companheiro viajante sem nos ater a outras experiências por ele vividas ou sem nos ater à forma com que este companheiro de jornada costuma tratar a vida e concluímos nossa análise até mesmo com a afirmação que na vida não existe justiça. Outra pequena regra que pode ser lembrada: é que somos todos indivíduos vinculados à agricultura, todos nós semeamos e semeamos a cada pensamento, a cada passo, a cada negativa ou a cada sorriso que damos, a cada vez que doamos um pouco de nosso tempo a terceiros, a cada vez que paramos para observar nosso caminhar ou para realizar nossa oração, estamos semeando e estaremos semeando amor quando calamos nossa voz antes de tecer qualquer tipo de comentário depreciativo sobre nossos companheiros, semeamos amor sempre que nos aquietamos, sempre que esquecemos nossa própria dor e doamos nosso tempo, nossos ouvidos ao nosso companheiro a desabafar, a falar de suas próprias dificuldades. Semeamos amor quando nos dirigimos ao nosso amigo coração e ali encontramos o mais puro dos sentimentos e direcionamos este sentimento de amor a todos os nossos companheiros viajantes que passam por dificuldades ao longo de todos os caminhos. E quando semeamos amor, estamos tratando a vida com amor, com suavidade, com carinho e respeito, quando respeitamos nosso companheiro de idade avançada estamos respeitando a vida; quando brincamos com os cães e gatos, nossos companheiros em nosso lar, estamos acariciando a vida e do mesmo modo, mais adiante, o “indivíduo vida” encontrará uma forma de retribuir nosso gesto. Fazer ao nosso semelhante conforme gostaríamos que a nós fosse feito é uma forma de preparar nosso amanhã, de preparar o caminho de amanhã, é uma forma que possuímos de dizer ao “indivíduo vida” como gostaríamos de ser tratados, ao mesmo tempo em que, tratando com suavidade e amor nossos companheiros e a própria vida, estamos demonstrando ao “indivíduo vida” e a nosso Pai nosso amadurecimento. Se em nosso caminho semeamos amor, se cultivamos a presença deste divino sentimento em nosso coração, seremos sim tratados da mesma forma pela vida. Existem sim nossas necessidades de aprendizado, nossas lições, lições estas que

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vêm a lapidar nosso ser, e vamos viver estas provas, pois este é nosso caminho. Nosso caminho é a evolução, é o crescimento e assim será, mas tão logo nós consigamos mudar nossa forma de tratar a vida, quanto mais cedo compreendermos que se tratarmos a vida com suavidade, assim também seremos tratados. Do mesmo modo nossas provas, nossas lições, passam a ser mais fáceis de serem vencidas, pois estaremos colhendo os melhores frutos da semeadura que nós mesmos teremos feito em nosso passado.

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Capítulo VII – Parte V - Meu amigo, meu coração Somos corpo, espírito, pensamentos, energia, luz, mente, somos emoções, alegrias e tristezas, somos intenção, somos amor, somos divinos, somos todos filhos de nosso Pai, somos todos viajantes, somos todos constituídos da mesma matéria e caminhamos na mesma direção; encontramos em nosso caminho as mesmas dificuldades que os demais viajantes, possuímos em nós as mesmas dúvidas e necessidades que todos os demais e encontraremos a nossa frente sempre duas ou mais portas que nos conduzirão a caminhos diferentes e nesta situação, nos questionamos: qual porta devemos abrir? Caminhos infinitos que nos conduzem ao mesmo ponto de chegada e ao longo destes caminhos surgem dúvidas e questionamentos à vida quanto o que seria melhor à nossa condição. Muitas vezes nos questionamos e questionamos o Pai: “Pai, que caminho devo eu seguir, meu Pai?”, “Que queres me dizer, meu Pai?”, “Que necessito eu absorver com esta dificuldade?” Sempre encontraremos situações onde decisões necessitam ser tomadas e os caminhos seguintes serão formados em função destas decisões. Quanto a respostas certas? Não existem respostas certas e respostas erradas, todas as respostas serão sempre certas. O que existe sim é o fato de que podemos optar por um caminho mais difícil que o outro. Podemos optar por um caminho que nos oferte determinados ensinamentos em detrimento de outros ensinamentos, mas de modo geral, todos os ensinamentos necessários ao desenvolvimento do ser divino serão ofertados ao divino viajante. Nosso coração é nosso amigo mais fiel e sempre nos conduzirá ao melhor caminho para nosso ser. Podemos até não compreender os motivos de nosso coração ou não compreender porque fomos conduzidos a determinado ponto, mas este amigo nos auxiliará na caminhada e nos conduzirá a melhores campos e jardins. Quando falamos que nosso coração é nosso amigo, afirmamos que através de nosso coração, através de nossos pensamentos mais elevados e voltados ao nosso crescimento, fazemos a ligação entre nosso ser e nosso Pai que estará nos aconselhando. Quando buscamos as respostas em nosso coração, em nossas emoções, abrimos nosso coração e criamos em nós as condições para que os aconselhamentos elevados cheguem a nós. Convencionamos afirmar que o amor reside no coração, que as emoções residem em nosso coração, mas é verdade que nem sempre este órgão poderá possuir em si sentimentos nobres, sentimentos de luz. Podemos nos fechar à luz e, desta forma, ao nos dirigirmos ao nosso coração, obteremos as respostas que o habitam e o caminho tornar-se-á o caminho possível face a esta condição; mas o natural de nosso coração é o amor, somos constituídos de amor, nosso meio natural de viver é um meio repleto de amor, este é o ponto que nossos caminhos nos conduzirão.

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Se existe em nós um desejo maior e constante de estarmos amanhã melhor que hoje, se existe em nós humildade suficiente para reconhecer que não conhecemos toda a verdade, que necessitamos do auxílio de nosso Pai durante nossa jornada, ao nos dirigirmos ao nosso coração em busca das respostas, criamos uma atmosfera de luz, de amor e nesta atmosfera encontraremos as repostas que, no ponto em que nos encontramos, temos condições de compreender. A verdade é uma presença que estará sempre um passo a nossa frente. Hoje, nossa verdade é melhor que a verdade de ontem e amanhã teremos uma verdade melhor que a de hoje; mas todas as verdades, as de ontem, as de hoje e as de amanhã serão sempre verdades. Caminhamos em direção à verdade, a luz e ao amor. A cada passo, a cada experiência que vivemos, a cada dificuldade vencida estaremos melhor que na véspera e a cada nova verdade, mais fortemente nos vinculamos ao amor e quanto mais nos vinculamos ao amor, mais aprendemos a viver pelo coração, a ouvir nosso coração a cada passo do caminho. Posso neste instante fechar meus olhos e assim mesmo meu coração continuará a me mostrar o caminho. Posso fechar meus olhos e mesmo assim, encontrar meus amigos mais queridos, pois estes amigos residem em meu coração. Ao longo de meu caminho muitas emoções passei, alegrias, tristezas e frustrações, imagens simples, momentos simples, mas ricos em emoções e estes momentos estão todos guardados em meu coração e com o reviver dos momentos alegres e ricos em amor, me fortaleço no amor, alimento a luz que existe em mim, crio à minha frente o melhor caminho que posso criar neste momento. Creio em meu Pai, mais que isso, vivo meu Pai. E onde está meu Pai? Onde eu o sinto? Meu Pai está sempre comigo, Ele reside em meu coração. Meu coração é apenas um dos muitos órgãos que constituem meu corpo. Se olharmos a ele, ele será apenas um órgão como qualquer outro, isso se olharmos com nossos olhos, mas se olharmos ao nosso coração com os olhos do amor veremos quão imenso pode ser nosso coração e quanto mais o percebemos desta forma, mais criamos em nós as condições para que este amigo seja ainda maior.

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Capítulo VII – Parte VI - Caminhar com os olhos fechados Tenho fé. Ter fé é acreditar, é confiar. Se tenho fé, onde reside em mim esta verdade? A fé reside em mim no mesmo local onde reside o amor, é o mesmo local em que residem em minhas mais belas memórias, é o mesmo local onde meus amigos residem. A fé reside em meu coração. Somos viajantes e como viajantes percorremos todos os tipos de caminhos; ao nosso lado se fazem presentes os mais variados tipos de companheiros de viagem, e nestes caminhos encontramos os mais variados tipos de dificuldades. Vamos supor que estivéssemos iniciando neste instante uma nova jornada. Nos posicionamos no ponto inicial do caminho, olhamos à frente e tentamos imaginar o que encontraremos a cada curva deste caminho, tentamos imaginar que riscos este caminho vai trazer e também tentamos imaginar como serei exigido, o que em mim será exigido. Em cada momento, a cada caminho, a cada passo, existirá sempre possibilidade de caminhar sozinhos ou na companhia de quem desejamos caminhar. Possuímos a capacidade de pensar, de amar ou de odiar, cabe a nós decidir qual será nosso procedimento, qual será nosso pensamento e construímos nosso caminho através destes pensamentos. Em tópico anterior, afirmamos que a vida irá nos tratar conforme nós a tratemos, se nós tratamos a vida de modo ríspido, assim seremos tratados, se tratamos a vida com suavidade, assim a vida nos tratará. Se tratarmos a vida com amor, se olharmos a vida com os olhos do coração, se cultivarmos o amor em nosso ser, estaremos colhendo amor. Ter fé é confiar em algo ou em alguém. Confiar em alguém significa que acreditamos que este alguém é capaz de fazer algo que, se for o caso, nos prover de algo. Ter fé significa acreditar mesmo que não possamos ver com nossos olhos, mesmo que não consigamos sentir com nosso toque, ver com nosso coração, sentir com nosso coração. Ter fé significa pode mover montanhas, ter fé significa poder caminhar sobre as águas, ter fé significa percorrer os céus ao lado de nossas amigas as nuvens, ter fé significa ir onde minha imaginação puder me conduzir, e faço isso sempre na companhia de meu melhor amigo, meu coração. Ter fé é acreditar no amor presente em todos os meus companheiros de jornada, mesmo percebendo que em alguns deles este sentimento ainda não se manifesta. Ter fé é acreditar, mais que acreditar, é saber que mais adiante todos nós estaremos semeando amor e colhendo amor. Ter fé significa acreditar que mesmo nos

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corações mais gelados e endurecidos, existe a presença do amor porque o amor é nossa constituição e nosso amanhã. Conheço minhas necessidades? Sei quais as lições que ainda necessito absorver? Tenho inteira consciência dos sentimentos que habitam meu coração? Lembro-me de quantas vezes agredi ou magoei alguém? É provável que eu não saiba ou não me recorde de todos estes fatos, mas meu Pai conhece minhas necessidades, meu Pai conhece meus pontos fracos, meu Pai conhece o que levo em meu coração e meu Pai conhece os caminhos que percorri ontem, assim como meu Pai conhece o que é melhor para mim neste momento. Meu Pai conhece-me a ponto de saber quais lições são passíveis de serem colocadas em minha frente, pois terei condições de absorvê-las. Ter fé é acreditar em nosso Pai. E caminhar com os olhos fechados? Caminhar com os olhos fechados significa ter fé, significa acreditar em nosso Pai. Será que, se me fosse solicitado, poderia eu me colocar no início do caminho com os olhos fechados e percorrê-lo assim? Será que minha fé me permitiria tal ousadia? A fé é constituída, surge com o conhecimento que possuídos do outro ser e este conhecimento se faz passo a passo. Este conhecimento se constrói a cada experiência e ainda, este sentimento se constrói com amor. Desta forma, como posso eu confiar em meu Pai? Como posso eu conhecê-lo? Através do desenvolvimento do amor, através do desenvolvimento do diálogo com nosso próprio ser, com nosso coração e sem dúvida, através do diálogo com este Pai. Todos nós caminhamos e caminhamos muito, todos nós passamos por dificuldades ao longo de nossos caminhos e todos nós recebemos algo em determinados pontos destes caminhos. Conhecer nosso Pai, passar a amá-lo e a ter fé neste Pai, se faz com a análise sincera e justa de cada momento vivido em nossas jornadas. Que olhemos para trás em busca da percepção dos passos dados, dos sofrimentos vividos, das alegrias vividas, das soluções encontradas, das portas abertas ou fechadas, dos amigos e companheiros que tivemos ao nosso lado. Podemos nos encontrar em meio ao mais belo dos jardins, onde nossas amigas as flores, se apresentam nas mais belas cores e nos ofertam agradáveis aromas e mesmo assim não perceber nada desta realidade, pois em nosso coração não é esta verdade que prevalece e desta forma não é esta verdade que nossos olhos veem; e ao contrário disso, podemos estar em meio a uma difícil situação vivida por nós ou por outros e mesmo neste difícil horizonte podemos perceber a presença de nosso Pai e a presença do amor. A capacidade da percepção das belezas ou a incapacidade de ver e sentir o amor está em nós, nós construímos nossa verdade,

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nós construímos a beleza, nós é que possibilitamos que o amor se faça em nosso coração e em nossos olhos. Do mesmo modo, nós é que criamos espaço à presença de nosso Pai. Ele está presente a cada instante, a em cada pequena flor, a cada experiência de dor, a cada exemplo de amor, mas se nós não criamos espaço a Ele, se nós dissermos a Ele que desejamos sua presença em nós, se nós afirmamos que desejamos senti-lo em nós, assim será feito; agora, se não criamos espaço em nós, nosso Pai respeitará nossa decisão. Caminhar de olhos fechados, significa muito mais que colocar uma venda em nossos olhos e experimentar o caminho espinhoso, significa criar espaço em nosso ser ao nosso Pai, significa confiar que Ele nos proverá conforme nossa necessidade e capacidade de realização e compreensão. Caminhar de olhos fechados significa acreditar em nosso Pai e a amá-lo incondicionalmente por sabemos que é assim que Ele nos ama. Caminhar com os olhos fechados, significa possuir a mais absoluta certeza que se eu fizer a coisa certa hoje, se eu der o melhor de mim hoje, se eu procurar a cada passo melhorar o meu próprio ser, meu Pai me auxiliará, me proverá do necessário para que eu vença meu caminho do mesmo modo que me proverá do melhor caminho no amanhã. Caminhar com os olhos fechados, significa confiar no amanhã, pois faço o melhor hoje.

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Capítulo VII – Parte VII - Meu irmão, o sol, minha irmã, a lua, minhas irmãs, as estrelas Estou sentado em minha cadeira, na varanda de minha casa. Aos meus olhos chega a imagem do caminho que conduz ao meu lar e noutra direção, percebo um pequeno jardim, flores, aves e insetos se fazem neste jardim; mais adiante, ao lado do caminho, percebo uma árvore que oferta sombra e frutos, abrigo às aves. Elevo minha face e percebo acima de mim e de tudo, o céu recortado por nuvens que vão e vêm. Percebo ainda, ao longe, montanhas formando desenhos com a união de seus cumes. Percebo também crianças que brincam, animais que seguem sua rotina diária em busca de alimentos. Fecho meus olhos e minha mente me conduz às cidades, pequenas ou grandes, com suas realidades, percebo a formação geográfica dos países, dos continentes, percebo a imensidão dos oceanos e diversas formas de vida que vivem neste meio. Percebo o sol a percorrer seu caminho diário no céu. Minha mente me conduz ao céu estrelado presente em noites claras, sinto o frio do inverno, sinto o calor do verão, sinto a alegria das flores a desabrochar nas primavera, assim como sinto sua preparação para o inverno durante o outono. Nos campos, os agricultores, trabalhando a terra para a produção de alimentos. Pessoas indo e vindo, convivendo umas com as outras, tantas experiências de vida, tantas histórias a serem contadas, tantas alegrias, tantas tristezas carregadas por corações; viajantes que caminham com passos firmes, viajantes que caminham indecisos, famílias a se formar, famílias a desfazerem-se. A semente que ao solo é lançada e com o auxílio de nosso irmão sol, de nossa irmã a chuva, desponta na terra, e se fortalece, cresce, transforma-se em árvore frondosa, surgem as flores que alimentam os insetos, que alimentam as aves, que criam seu filhotes, e a árvore gera frutos, que alimentam o homem, que provê alimento aos seus filhos, que geraram outros filhos. Minha mente me leva ao espaço onde percebo a presença mais próxima de nossa irmã, a lua, percebo os contornos do planeta e olho mais adiante, sinto a presença de nosso irmão, o sol, e as estrelas e cada estrela com sua própria realidade. Minha mente questiona: quantos outros planetas mantém vida como nós a conhecemos e quantos outros seres se fazem com outros contornos e em outras realidades? Cada ser criado por nosso Pai ocupa seu espaço nesta criação: a chuva em seu devido tempo e na quantidade certa, a energia solar do mesmo modo, no momento certo e com a intensidade correta, os córregos que alimentam a terra em suas margens e geram vida aos peixes, os pássaros que se alimentam dos frutos e espalham suas sementes, o homem que lança a semente à terra gerando outras sementes, que servem de alimento, e ao solo retornam.

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Pais que possibilitam que outros irmãos, seus filhos, cheguem a este plano para realizar seu caminho, e os conduzem em seus anos iniciais e estes filhos trazem outros filhos, que trarão outros filhos. Observo meu Pai, que cada item de sua criação tem seu próprio espaço, possui sua história, sua função e importância. São formas diferentes que se apresentam no conjunto da criação, mas todos com sua importância. Ocupamos nosso espaço, vivemos nossos caminhos, nossas vidas e aproveitamos o que nos é ofertado pelo conjunto da criação e devemos compreender que todos nós fazemos parte deste conjunto e devemos ter consciência da importância de cada componente da criação. Devemos procurar estar em sintonia com todo este conjunto, podemos estar ao lado de cada estrela, com as nuvens, com o sol, com a chuva. Podemos estar ao lado de cada gotinha de chuva a percorrer seu caminho até o solo, podemos estar ao lado de cada plantinha a despontar no solo, podemos estar ao lado de cada pássaro em seu voo. Estando em sintonia com os componentes da criação, estaremos também em sintonia conosco e estaremos em sintonia com nosso Pai, compreenderemos o conjunto da criação e passamos a respeitar cada integrante dela, passamos a respeitar a própria vida, passamos a nos respeitar uns aos outros, estaremos usufruindo dos recursos naturais com respeito a nós mesmos e ao amanhã.

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Capítulo VII – Parte VIII - Somos tantos, Somos um. Somos milhões, somos bilhões, somos tantos, existem tantos ao nosso redor, estamos tão próximos, tão dependentes uns dos outros, nos complementamos, nos ajudamos, nos damos as mãos, somos todos tal qual crianças, temos muito a aprender, temos muito a crescer; Somos tantos ao mesmo tempo somos um só, unidos nos ajudamos, unidos vencemos nossas dificuldades, unidos sofremos, unidos sorrimos, unidos choramos, unidos vivemos, unidos amamos uns aos outros e a todos, unidos amamos a um só Pai a quem tudo devemos. Um só coração, um único amor por nosso Pai, por nosso irmão; se estou forte, estendo a mão, se me sinto fraco, consigo proteção, se tenho a luz, estendo-a a quem não tem, se posso dar, dou, e receberei muito mais. Somos tantos, somos todos irmãos, todos numa mesma jornada, num mesmo caminho, com as mesmas dificuldades, com as mesmas possibilidades; podemos tanto, somos tão pequenos e ao mesmo tempo tão grandes, podemos dar tanto amor, somos bilhões de corações que podem amar, é tão fácil, é tão bom, basta experimentar, basta começar. Existem sim muitas dificuldades no convívio com outros indivíduos, as diferenças de opiniões, o individualismo, o egoísmo ou diferenças religiosas, políticas e econômicas que há muito o homem procura uma forma de vencer e de dificuldade em dificuldade vamos aos poucos superando. Caminhamos todos nós rumo ao conhecimento de nós mesmos, rumo ao respeito às diferenças, rumo à compreensão que, acima de nossas diferenças, somos todos iguais e estamos em igualdade de condições. Caminhamos rumo à compreensão que nossos valores necessitam de revisão constante, de modo que a carga que transportamos possa tornar-se mais leve e fácil de ser transportada. O caminho para que as mudanças ocorram passa pela solidariedade entre companheiros de jornada unidos e voltados a caminhar em direção à luz, ao amor, independente de nossas diferenças individuais, encontraremos a paz e viveremos num mundo com mais equilíbrio, num mundo onde o amor será melhor compreendido e praticado. E a grande mudança individual inicia com um pequeno gesto de doação que o indivíduo passa fazer, não necessita nem ao menos ser uma doação material, mas uma doação de carinho, de tempo, a busca de seu próprio equilíbrio já representa uma doação à sociedade. Um ambiente familiar onde reine a harmonia é uma grande doação que esta família faz à comunidade onde está inserida. Um ambiente

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profissional harmonioso é outra forma de doação que os indivíduos fazem à sociedade. A somatória destas doações auxilia na mudança de toda a coletividade.

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Capítulo VII – Parte IX - Fazer, por que fazer? O aprendizado necessita ser realizado, um aprendizado através da vivência de experiências. A cada passo, perguntas são endereçadas ao viajante e este viajante necessita encontrar as respostas corretas a estas perguntas, na verdade, encontrar as respostas adequadas às referidas perguntas, considerando a realidade e necessidade deste viajante e considerando também que não existem respostas erradas, mas existem respostas que nos levam a caminhos melhores que outros. A cada amanhecer nos é perguntado: o que fazer? O dia está a nossa frente, existem caminhos predeterminados que deveremos seguir, isso em função de nossas decisões de ontem ou em função de nossas necessidades específicas de aprendizado; mas mesmo com as existência destes caminhos pré-determinados, podemos mudar a programação e optar por outros caminhos. E algo que deve ser considerado é o aspecto de vivermos em sociedade e neste convívio encontramos regras que devem ser seguidas por todos, regras sociais ou ainda as regras legais, ou ainda as regras morais, as regras religiosas ou as regras que nossos valores nos impõem. Cada uma destas regras nos diz o que fazer e o que não fazer, quando devemos fazer ou de que forma devemos fazer. Nossos caminhos são repletos destas regras e necessitamos a cada instante tomar a decisão correta, necessitamos sempre decidir que caminho seguir. Exemplificamos a situação onde um determinado motorista, já tarde da noite, encontra-se frente a uma placa de trânsito que lhe diz que a conversão à esquerda é proibida. Este motorista lê a indicação e sabe que se fizer a conversão à esquerda poderá reduzir o caminho a seguir, economizará tempo, se quebrar a regra. Olha a sua volta, não vê ninguém próximo e sente-se tentado a quebrar a regra e realizar a conversão, mesmo sabendo da proibição. Um exemplo como outros tantos exemplos que podemos citar, e ainda o exemplo do caixa que nos devolve o troco a mais e assim por diante. São decisões, pequenas decisões que, ao mesmo tempo em que nos dizem quem somos, constroem nosso ser. Se não devolvermos o troco a mais, provavelmente ninguém venha a saber e teremos levado vantagem na operação, mas à custa da desvantagem da pessoa que devolveu o dinheiro a mais. São energias, são pontos de luz ou pontos de escuridão que adicionamos ao nosso ser. Podemos ainda, como exemplo, lembrar da construção de uma imensa fortaleza, com muros altos e instransponíveis. Se olharmos de longe a esta fortaleza perceberemos o conjunto da construção e sua imponência, mas se nos aproximamos e observamos o detalhe perceberemos que a fortaleza é construída por pequenas partes, tijolo a tijolo, pedra por pedra. Do mesmo modo se faz a nossa construção, nossa constituição. Somos a soma de pequenas ações, de nossos pensamentos e da energia que estes pensamentos e ações geram.

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O que fazer, por que fazer? Nosso hoje é fruto de nossas ações e pensamentos de ontem, nosso amanhã será fruto de nossas ações de hoje. Se desejamos que a vida nos trate com dignidade e respeito, devemos tratá-la da mesma forma, com dignidade, com suavidade e com respeito. Podemos e vamos com certeza cometer muitos erros, mas que nossos erros sejam fruto de nossa ignorância, que nossos erros venham para acrescentar os ensinamentos que necessitamos. Fato diferente é cometer erros, por pequenos que sejam, mas de modo consciente, com o intuito de obter vantagem momentânea. O que fazer, por que fazer? Devemos sempre procurar fazer o melhor, devemos sempre procurar fazer o correto, devemos sempre procurar cumprir as regras sejam elas sociais, religiosas ou legais, porque as regras existem e estão lá para serem cumpridas. O que fazer, por que fazer? Somos o exemplo a outros que nos observam, sejam nossos filhos, nossos companheiros ou viajantes que estejam próximos. Nossas ações nos apresentam a estes seres além de servirem exemplo, de indicação do caminho a seguir. Temos a responsabilidade para conosco, para com estes indivíduos e para com nosso Pai. Somos luz, somos amor, estamos todos unidos num único objetivo, a evolução, o crescimento. Seguimos os exemplos de nossos companheiros de caminhada, ao mesmo tempo em que deixamos exemplos a seguir. Possuímos como objetivo, proceder a lapidação de nosso ser a ponto de fazer vir à tona a luz que existe em nosso interior, deixar vir à tona o amor que nos constitui. Construímos não apenas o nosso próprio ser, mas construímos o mundo que habitamos. A responsabilidade pela construção do mundo que habitamos é nossa, não é de nosso companheiro de viagem ou do governo, dos parlamentares ou políticos, mas a responsabilidade é nossa acima de tudo. Todos nós, ao mesmo tempo em que nos construímos, construímos nossa casa e nosso coração. O que fazer, por que fazer? Procurar fazer sempre o que nossa verdade nos diz, procurar sempre ouvir nosso amigo o coração, procurar sempre reavaliar nossas verdades, procurar tratar a vida com carinho e suavidade. Por que fazer? Pelo compromisso que possuímos conosco, compromisso de crescimento, compromisso de nos fazer luz, de nos fazer amor. Fazer sempre o que diz nossa verdade e ao mesmo tempo procurar melhorar nossas verdades como caminho para nossa melhoria de consciência. Procurar tratar a vida com carinho e suavidade para que a vida nos trate do mesmo modo amanhã.

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Epílogo Somos muitos em um, por um lado somos muito pequenos enquanto possuidores do conhecimento, da verdade, enquanto conhecedores de nossa capacidade de fazer e transformar, modificar o mundo a nossa volta e em nosso interior; mas ao mesmo tempo em que somos pequenos, somos imensos em nossa capacidade de amar, em nossa capacidade de auxiliar, em nossa capacidade de aquecer-nos e aquecer a outros. Somos um universo inteiro, em nosso interior existe a presença de muita luz, luz esta produzida por um imenso sol aguardando para vir à tona e brilhar e gerar vida. Percorremos muitos caminhos, enfrentamos dificuldades, encontramos alegrias, encontramos pessoas que amamos, encontramos pessoas que nos ensinam, ensinamos muitas pessoas e é verdade que a cada manhã surge a nossa frente um novo horizonte e com este novo horizonte uma infinidade de possibilidades. Nossa verdade é que necessitamos caminhar adiante, estaremos sempre de um modo ou de outro caminhando, seguindo adiante. Podemos fazer pequenas paradas em alguns momentos, mas reiniciaremos nossa jornada e cumpriremos nosso objetivo. A nossa frente não existem caminhos predeterminados a percorrer, cada um de nós faz o próprio caminho, cada um de nós coloca neste caminho as pedras que iremos encontrar e teremos que vencer, ou não colocamos pedras em nosso caminho, pois já absorvemos as lições que estes obstáculos ofertam. Ao mesmo tempo em que somos um universo imenso a ser explorado, fazemos parte de um universo, somos parte da criação, somos divinos e somos todos iguais entre si e a nosso Pai. Nossas lições incluem as lições da compreensão, da humildade, do respeito a si próprio e aos demais componentes da criação. Podemos ir onde quisermos, podemos nos unir ao universo, podemos ir às estrelas, podemos nos unir às águas da chuva ou às águas dos rios, podemos ser a luz do sol, podemos percorrer os campos ao lado do vento; enfim, podemos muito, muito está ao nosso alcance e para que isso esteja efetivamente em nosso ser, necessitamos cumprir nosso caminho e nosso caminho é avançar. Existe neste universo imenso um ser muito importante, todos os seres são igualmente importantes, mas este ser tem significado especial, este ser é o meu próprio ser. Sem este ser, não poderei continuar, sem conhecer este ser, qualquer caminho será um bom caminho, pois sem conhecer este ser não conheço meus objetivos, sem conhecer este ser, não conheço minhas verdades e não conheço minhas possibilidades.

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É nossa maior realização conhecer a nós mesmos e tirar do nosso ser todo o peso que transportamos inutilmente, sem conhecer o meu ser, não poderei separar o útil do inútil. O Criador está e estará sempre ao lado de sua criação, sempre que o filho necessitar, o Pai estará presente a auxiliar. Nosso caminho está aberto, o amanhã ainda não foi escrito e escrevemos a cada pensamento, a cada passo. O mundo de amanhã será o mundo que existir em nosso coração. O mundo de amanhã será iluminado e suave de modo proporcional à luz e a suavidade que existirem em nosso interior. Nós podemos construir, nós podemos amar, nós podemos criar vida de nossa vida e em nossa vida, esta é nossa maior missão, missão esta que está ao nosso alcance e dentro de nossa capacidade, basta que deixemos que a luz venha a nós, basta que façamos a abertura de nossos olhos, basta que manifestemos em nós o desejo de crescer e assim será.

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