Dicas para escrever, publicar e vender um livro

Rodrigo Capella

SOBRE O AUTOR
Rodrigo Capella é escritor, palestrante, poeta e jornalista, pós-graduado em comunicação jornalística. Publicou o primeiro livro, intitulado “Enigmas e Passaportes”, com apenas 16 anos, e não parou mais. Ao longo da carreira, lançou o polêmico “Como mimar seu cão” e o bem-sucedido “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor gaúcho Ricardo Zimmer. Em 2007, publicou dois livros: “Poesia não vende”, que traz depoimentos de Ivan Lins, Moacyr Scliar, Carlos Reichenbach, Sergio Ferro, Bárbara Paz e Frank Aguiar, e “Rir ou chorar”, que desvenda os bastidores do cinema brasileiro e traz a biografia do cineasta Ricardo Pinto e Silva. Capella é também co-roteirista do curta-metragem “Primeira Vez”, que ganhou dois prêmios importantes: melhor curta na categoria voto popular da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2006 e menção especial do júri no Festival de Gramado 2007. Colabora com vários jornais brasileiros, escrevendo crônicas, contos e críticas literárias, e suas obras são, constantemente, comentadas pelos principais veículos, de Norte a Sul.

Mais informações: www.rodrigocapella.com.br ou contato@rodrigocapella.com.br

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Como eu escrevo, publico e vendo meu próprio livro? Todo dia, eu recebo mais de 30 e-mails de escritores iniciantes, das mais variadas idades e formações. São mensagens vindas das várias regiões do Brasil e que perguntam, na essência, a mesma coisa: como eu escrevo, publico e vendo meu próprio livro? A questão, relativamente simples, oculta uma série de processos e procedimentos. Afinal, para ingressar no mercado editorial, o escriba precisa preparar um material de ótima qualidade e a exigência é grande: deve acertar logo de início. É normal, entretanto, a caneta tremer, as mãos soarem e o teclado falhar. Para amenizar e minimizar situações como essas, reproduzo nesse livro as 50 perguntas mais frequentes dos escritores, seguidas, obviamente, pelas respostas. São questionamentos variados que abordam a confecção do esqueleto do livro, o prefácio, a capa, o agente literário e as duas formas de editora, entre tantos outros. Para manter a força e as características das perguntas, não alterei as construções iniciais recebidas por e-mail. Apenas fiz correções gramaticais e de acentuação.

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Prepare-se para, nas próximas páginas, desvendar o mundo da literatura e descobrir a resposta para: como escrever, publicar e vender um livro?

Rodrigo Capella

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As 50 principais dúvidas dos escritores

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ÍNDICE
Esqueleto do Livro ----------------------- 08 Originais ------------------------------------ 10 Medo da Crítica ---------------------------- 12 Roubo de Ideias ---------------------------- 14 Projeto ----------------------------------------16 Aceitação dos Novos Escritores ----------18 Direitos Autorais --------------------------- 19 O Modelo ----------------------------------- 21 Antologias ------------------------------ 23 Agente Literário ------------------------ 25 Associar-se a Editoras ------------------ 27 Parceria ------------------------------------ 28 Venda de Livros ---------------------------29 Atividades em Escolas ------------------- 31 Confusão ----------------------------------- 32 Poesia ----------------------------------------- 34 Regras para a Escrita ------------------------36 Livrarias -------------------------------------- 38 Ensino à distância ---------------------------39 Conceito de Literatura ---------------------40 Preguiça ------------------------------------ 41 Inclusão digital ----------------------------- 43 Acesso à Internet Gênero ----------------- 44 Gênero ---------------------------------------- 46
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Boa Ideia ------------------------------------- 47 Estabelecer uma Linguagem -------------- 48 Terminei de Escrever, e Agora? ---------- 49 Dicas essenciais ----------------------------- 50 O público ------------------------------------- 51 Antologias ----------------------------------- 52 Insegurança ---------------------------------- 54 Dois Tipos de Editoras -------------------- 55 O Tema ----------------------------------- 57 Prefácio ---------------------------------- 58 Polêmica -------------------------------- 59 Comentários -------------------------- 60 Dar Certo ---------------------------- 61 O Leitor -------------------------------------- 62 A Mídia -------------------------------------- 63 Best-Sellers ---------------------------------- 64 Acordo Ortográfico ------------------------- 65 Particularidades ----------------------------- 66 Recursos Próprios --------------------------- 67 A Resposta ------------------------------------68 A Capa --------------------------------------- 69 A Orelha ------------------------------------- 70 E-Book --------------------------------------- 71 O Contato ------------------------------------ 72 A Divulgação -------------------------------- 73 Acordos Financeiros ------------------------ 74

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ESQUELETO DO LIVRO
Pergunta: “Olá, acredito que devas receber esse tipo de e-mail todos os dias, mas preciso de dois minutos de sua atenção. Há muito tempo, venho construindo uma história e sonho em escrevê-la, mas ainda me falta técnica. Gostaria de uma ajuda para começar a história. Tenho a dificuldade de escrever o tal do esqueleto do livro, que alias é do gênero romance aventura, com contos do tipo Senhor dos Anéis. Espero uma resposta positiva e obrigada”.

Resposta: Vou dar algumas dicas, mas antes proponho um exercício: comece a descrever uma cena qualquer em detalhes, algo de seu cotidiano. Um exemplo: o que a sua casa tem de diferente? O que você gosta de fazer nela? Você tem animais de estimação, costuma brincar com eles em casa? Escreva sobre isso. Depois, repita esse exercício descrevendo uma cena que está ocorrendo na rua. Para isso, converse com as pessoas, faça pequenas entrevistas e vá em frente: coloque tudo no papel. Pronto, agora você já pode começar a escrever o livro. Mas, antes de pensar na história, reserve uma parte do seu tempo para fazer uma ampla pesquisa, todos os dias, sem

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pressa. É preciso ter disciplina e dedicação total. Tranque a porta de seu quarto, não atenda ao telefone, não brinque no computador. Pense apenas em ler e absorver conteúdo. É preciso ter muito conhecimento, antes de iniciar uma obra. Depois de concluir essa fase, escreva sem a pretensão de concluir a obra, escreva com motivação e entusiasmo. Esqueça o tal esqueleto e escreva simplesmente por escrever. Comece descrevendo uma cena, tal como você fez nos dois exercícios. Depois, apresente o personagem principal, descreva as características dele. Deixe a coisa fluir, deixe o personagem conduzir a história. Concentre-se, tenha calma e vá em frente! Nunca se desespere.

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ORIGINAIS
Pergunta: “Oi Rodrigo, tenho uma dúvida: o que são os originais? Pode parecer uma pergunta boba, mas nunca sei se é o rascunho do livro todo, apenas os primeiros capítulos ou a apresentação junto com o projeto. Pergunto pois estou no início de pesquisa para escrever uma biografia. Já tenho autorização dos biografados, mas estou ainda redigindo o primeiro capítulo. Devo mandar para as editoras o projeto com um capítulo ou esperar até terminar o livro todo?”

Resposta: Ótimo, vejo que você está conduzindo a sua pesquisa muito bem. Essa é uma fase muito importante e crucial. Se ela for mal executada, o livro não terá uma boa condução e sua obra, provavelmente, não será publicada. Parabéns por esse início de trabalho. Vamos ás respostas: os originais correspondem ao livro completo, com apresentação, capítulos e prefácio. Algumas editoras solicitam o original completo; outras somente parte dele. Por isso, é preciso estar atento e cumprir as regras. Visite o site das editoras, informe-se e prepare o material de acordo com o que for pedido. Mas, antes é preciso terminar o 10

livro. Uma editora que solicitou, inicialmente, o primeiro capítulo pode – e isso é muito comum – requisitar o livro todo para avaliar melhor a obra e dar um parecer. Por isso, verifique se a ortografia está correta, leia todos os capítulos, tenha a certeza de que os leitores vão gostar da história e, principalmente, escreva uma história confortável, que você se sinta bem.

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MEDO DA CRÍTICA
Pergunta: “Oi Rodrigo, eu sempre tive muita vontade de publicar um livro. Escrevo há algum tempo, tenho textos o suficiente pra formar um. Muitas pessoas dão sorrisos quando os lêem e me dizem que eu deveria publicá-los. Mas, o fato é que eu sou meio medrosa para essas coisas. Tenho medo das críticas. Gostaria de saber quais os ingredientes necessários para seguir em frente”.

Resposta: Nunca tenha medo: se você tiver essa postura, não será escritora e nunca publicará um livro. O escritor não pode ser influenciado pela crítica, não pode se abalar com palavras negativas, não pode nunca desistir. Não pode ter dúvidas se continuará a escrever. O escritor é, acima de tudo, um ser que vive em outra atmosfera, um ser sensível e dono de suas palavras. O principal ingrediente de um livro é a sensibilidade do escritor e ela nunca poderá ser julgada pela crítica. O crítico, muitas vezes, não tem conhecimentos necessários para julgar uma outra; ele analisa um livro sem ter a certeza de que está fazendo uma boa avaliação. Portanto, desconsidere o crítico e pense apenas em escrever. Se as pessoas aprovaram o seu livro, vá em frente. 12

Esse é um bom sinal. Releia todos os seus textos, faça as correções necessárias, monte um belo projeto e envie para as editoras. Não perca as esperanças. Você tem muita sensibilidade, tem determinação e tem metas definidas – publicar um livro -, portanto, termine a sua obra e mostre que você tem talento.

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ROUBO DE IDEIAS
Pergunta: “Li o último artigo do senhor e esclareci muitas dúvidas, porém continuo com uma: antes de apresentar um livro a uma editora, o autor tem que fazer alguma coisa para não plagiarem a obra dele, tal como os cientistas fazem para não roubarem as ideias? Muito obrigado por seus conselhos aos futuros escritores. Abraços”.

Resposta: Muito interessante e pertinente essa sua pergunta. Já participei de vários debates com editores e eles sempre defendem que o autor não precisa registrar o livro, pois as editoras fazem isso antes de publicá-lo. Eu discordo dos editores e aconselho os jovens autores a entrarem em contato com a Biblioteca Nacional pelo site www.bn.br. Lá tem todas as informações. Mas, um alerta se faz preciso: esse registro não garante que, por exemplo, a idéia de sua obra não vai ser copiada. Até porque o registro não protege a idéia, mas sim o conteúdo da obra. Resumindo: é uma pequena garantia que você tem, mas é melhor do que nada. Se a editora gostou de uma obra de um autor desconhecido, ela pode, por exemplo, pegar a idéia central e encomendar uma obra semelhante a um autor 14

famoso. Nesse caso, ela simplesmente ignora o livro do autor desconhecido. Esse tipo de postura ocorre com certa frequência. Portanto, capriche na apresentação dos originais, revise seu texto, reescreva-o e faça as correções necessárias.

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PROJETO
Pergunta: “Fala Rodrigo! Sou jovem, tenho apenas 22 anos e no ano passado comecei a escrever um livro chamado "Outras histórias do 174", que retrata a vida de pessoas que andavam diariamente no ônibus 174, aquele da tragédia na cidade do Rio de Janeiro. A ideia é olhar dentro de universo (o ônibus) e colher boas histórias, fatos da vida de tantas pessoas que andavam na linha 174. "Outras Histórias do 174" quer ir por outro caminho, mostrando que tudo na vida tem seus dois lados, mas que na maioria das vezes valorizamos a parte ruim. Então... Eu arquivei o projeto. Devido a 1001 coisas que venho fazendo acabei parando de escrever. Mas, retornei com o projeto. O que você achou do livro? Às vezes acho que o tema é fraco. Outras, acho que tem uma proposta bacana. Um professor o considerou oportunista! E você, o que acha? Quais editoras você acha que, ao menos, leriam o livro? Forte abraço.”

Resposta: Você tem um belo projeto pela frente. Gostei bastante do título da obra e da proposta. Um projeto como esse exige uma ampla pesquisa e a coleta de inúmeras informações inéditas. Trata-se, portanto, 16

de um livro ousado, que precisa ser bem conduzido para não ficar sensacionalista. Primeiramente, você precisa se dedicar e ter motivação pelo trabalho. Não adianta fazer 1001 coisas ao mesmo tempo. Pense, respire e viva para escrever. O melhor escritor é aquele que sonha escrevendo e escreve acordado. Uma distração qualquer pode colocar tudo a perder. Lembre-se: esse é o projeto da sua vida e você deve interpretá-lo como tal. Nunca desista, nunca abandone um livro, por mais simples que ele parece. O verdadeiro autor é capaz de transformar uma história inútil em um best-seller. Um segundo conselho: antes de escrever, pense no público; pense em um diferencial e procure histórias que realmente merecem ser contadas. O escritor precisa ter uma sensibilidade apurada para captar essas histórias. Uma última dica: escreva e, somente depois de terminar o livro, pense nas editoras. Se o projeto for bom, elas vão ler; se ficar ruim, jogaram fora. Essa é a regra do jogo. Seja bem-vindo a ele!

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ACEITAÇÃO DOS NOVOS ESCRITORES
Pergunta: “Caro Rodrigo, venho acompanhando os seus artigos e gostaria de lhe perguntar algo: estou em vias de publicar o meu primeiro livro e tenho curiosidade de saber se a crítica literária brasileira aceita os nossos escritores. Beijos”.

Resposta: O Brasil não tem, atualmente, uma crítica literária competente. Apenas, uma pessoa consegue captar a essência da obra e transformar em argumentos coerentes. Essa pessoa chama-se Miguel Sanches Neto. As demais, escrevem resenhas, comentários ou observações; e não críticas. Vou contar um caso curioso: uma crítica da Folha de S. Paulo comentou o ótimo livro “Negócios de Família”, de Domingos Pellegrini Jr, dizendo que o autor não tinha evoluído e que continuava escrevendo como há vinte anos. Detalhe: o livro que ela tinha lido era de vinte anos atrás e tinha sido apenas republicado. Veja como faltou preparo. A crítica brasileira precisa se renovar!

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DIREITOS AUTORAIS
Pergunta: “Li um artigo seu tirando dúvidas de pessoas que lhe enviaram e-mails acerca de publicações de livros. Bom, já que o Sr. deu corda vou abusar um pouquinho, se puder ajudar: para participar de um concurso de literatura em que devo enviar os originais, antes disso eu posso (devo) registrar a obra junto à biblioteca nacional para que os direitos autorais sejam meus ou posso (devo) mandá-la sem registrar já que os direitos autorais passarão para os promotores do concurso?”

Resposta: Os direitos autorais da obra em questão serão sempre seus. Recomendo que você registre o material na Biblioteca Nacional. No site, há todas as informações: www.bn.br Mas, vale ressaltar que você estará registrando a obra e não a idéia. No Brasil, não há registro de idéias. Portanto, se uma pessoa gostar do tema do seu texto, poderá desenvolver um similar e não receberá punição. Você citou algo importante: os concursos de literatura. Recomendo a todos os escritores amadores ou profissionais que participem dos concursos. Eles dão boa visibilidade e ajudam o 19

escritor a se tornar mais conhecido e ainda ajudam o autor a repensar sobre a sua obra, acrescentando alguns elementos e tornando os próximos textos ainda melhor e mais atrativos.

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O MODELO
Pergunta: “Rodrigo, eu li a sua reportagem sobre ajudar as pessoas em como editar livros. Eu escrevo poemas e também para jornais, e gostaria de editar um livro com meus poemas, mas não sei qual caminho seguir, você disse que tem que apresentar um projeto para a editora, por favor, dê-me o modelo, pois só monto projetos para escola. Espero ser atendida no pedido de auxilio, e agradeço”.

Resposta: Vamos ao modelo: primeiramente revise todas as suas poesias e elimine eventuais erros. As editoras, simplesmente, ignoram as poesias que têm erros. Depois, faça um prefácio ou convide um escritor para fazê-lo. Normalmente, a segunda opção é a mais valorizada. Em seguida, escreva uma carta de apresentação do projeto, colocando os principais objetivos do livro, o público que você pretende atingir e quais as propostas do texto. Faça um outro documento descrevendo a sua experiência profissional e grampeie junto com a carta de apresentação do livro. No seu currículo profissional, conte tudo nos mínimos detalhes: os projetos que você desenvolveu nas escolas, o que 21

você já fez como historiadora e os outros projetos que você está planejando executar. A editora vai medir a quantidade de contatos que você tem pela quantidade de projetos executados. Quanto mais projetos fazemos, mais pessoas conhecemos e mais chance temos de vender livros. É uma equação simples!

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ANTOLOGIAS

Pergunta: “Sou de Jaraguá do Sul e tenho uma participação no livro "Crônicas de Jaraguá", recente lançamento da "Desin Editora". Gostaria por gentileza que me enviasse um comentário seu sobre o que você acha de alguém estrear no lançamento de um livro sem a parceria de uma editora. É o que eu estou pensando pelo fato de não atrair a boa vontade deles... É isso! Sucesso!! e boas ideias ... valeu!!obrigado!!”

Resposta: Amigo, cabe, inicialmente, um comentário: a participação em antologias, tais como a “Crônicas de Jaraguá”, é muito importante, pois ajuda o escritor a encontrar o seu próprio estilo e também a fazer amizades literárias, que, normalmente, trazem bons frutos: como a troca de informações, o convívio com escritores e uma maior visibilidade de sua obra. Bom, vamos agora tirar a sua dúvida: quando você quis dizer “lançamento de um livro sem a parceria de uma editora”, você quis dizer lançamento de forma independente? Se sim, vamos a alguns conselhos: alguns amigos escritores 23

optaram por lançar livros dessa forma, pois eles ganhariam mais dinheiro. E isso realmente ocorreu: quando você paga a publicação, os livros ficam com você, e você ganha uma porcentagem maior com as vendas, já que, em uma publicação em parceria com as editoras, os autores ganham apenas 10% do preço de capa do livro. Mas, valem algumas observações: se você lança independente, você tem que distribuir os livros, tem que vendêlos, tem que divulgá-los, tem que fazer um monte de coisas. Eu, sinceramente, acho que não compensa. Eu prefiro lançar em parceria com uma editora, ganhar somente 10% preço de capa do livro e ter uma boa divulgação da obra, graças aos mecanismos utilizados pelas editoras. Uma boa divulgação do livro vai ajudar você a dar palestras, ser convidados para debates, dar aulas e participar de vários eventos. Você perde agora e ganha no futuro!

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AGENTE LITERÁRIO
Pergunta: “Rodrigo, gostaria de trocar idéias sobre o mundo literário. Lancei um livro em 2003, chamado "O galo que pingava ouro". Escrevo sempre e tenho vários textos do segmento infanto-juvenil. Acabei de escrever um romance infato-juvenil, e um romance para adulto. Estou pensando em contratar um agente literário para vender minhas obras. Gostaria de saber sua opinião sobre o assunto. E se quiser me dar algum conselho, fique a vontade. Aguardo resposta”.

Resposta: Fiquei contente em saber que você tem uma intensa produção literária. Uma máxima é verdadeira: quanto mais escrevemos, melhor escrevemos. Isso ocorre com todo e qualquer escritor. Você está no caminho certo. E o melhor: está diversificando o público e conhecendo exatamente o que o seu público espera de vocês. Agente literário? Boa pergunta. Vale uma explicação para os leitores: o agente literário é o profissional que faz a ponte entre as editoras e os autores, marcando reuniões nas editoras para tentar viabilizar a publicação de uma determinada obra. O serviço desse profissional 25

custa, no mínimo, R$ 200 por mês, segundo pude me informar. Vale à pena contratar? Sinceramente não sei? Mas, vou lhe passar os pontos positivos e negativos. Positivos: maior chance de ter a sua obra publicada, já que os agentes têm normalmente bons contatos; maior visibilidade no segmento editorial, já que esses profissionais vão até as editoras e expõe toda a proposta dos livros; e uma melhora considerável do texto, já que muitos agentes fazem uma revisão ortográfica do texto. Pontos negativos: os agentes não se comprometem a publicar a obra, ou seja, você paga e não tem garantia de que o seu livro será publicado; além de pagar uma taxa mensal, você, provavelmente, terá que dar uma porcentagem de capa do livro para o agente, a depender do contrato. Ou seja, o autor já ganha pouco e terá que dividir o pouco que ganha com um agente. Vale à pena? E mais: os agentes cuidam de vários livros ao mesmo tempo, de diferentes autores, e não se dedicará integralmente ao seu livro. Portanto, trata-se de uma decisão de dois pesos e duas medidas: a decisão é sua! Reflita e tome a melhor decisão: um erro cometido agora, pode afetar toda a sua carreira literária. Não tome uma decisão de imediato, converse com mais alguns escritores e vá em frente.

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ASSOCIAR-SE A EDITORAS
Pergunta: “Gostaria de publicar meu livro, como faço para saber qual o endereço da editora de vocês. Grato”.

Resposta: Primeiro, vale a pena esclarecer que eu sou simplesmente um escritor, não trabalho e nunca trabalhei em uma editora, contrariando até uma das características das novas gerações literárias. Os jovens autores têm cada vez mais se associado a editoras, fazendo trabalho de traduções, pesquisa, correções de texto e, mais tarde, publicam o livro pela editora que prestaram serviços. Isso tem ocorrido cada vez mais. Mas, eu sou uma exceção. Não faço parte de nenhuma editora.

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PARCERIA
Pergunta: “Oi, Prezado Rodrigo Capella, meu nome é J.J, sou autor de um livro e eu estava acertando as últimas negociações com uma editora famosa, mas acabou não ocorrendo. Envio-lhe este email para podermos conversar sobre uma parceria de lançarmos meu livro com o meu e o seu nome. Preciso muito de apoio! Obrigado!”.

Resposta: J.J, que mensagem estranha? Desculpe decepcionálo, mas não faço esse tipo de parceria. Cada autor deve escrever o seu próprio livro. Escrever é sinônimo de liberdade, de atitude, de prosperidade. Cada autor deve buscar seus próprios elementos para dar dinamismo á história e propor algo ousado. A parceria, por melhor que ela seja, bloqueia a capacidade criativa de um dos escritores e impede a continuação do projeto. Cada autor, em minha opinião, deve escrever o próprio livro. Só assim estará conquistando leitores, conhecendo novos mundos e se deliciando com a realidade.

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VENDA DE LIVROS

Pergunta: “Um dos principais problemas dos jovens escritores é vender, vender seus livros. Como isso pode ser solucionado?” Resposta: As fracas vendas estão associadas ao déficit de leitura no Brasil. Isso só pode ser solucionado com um maciço investimento em alfabetização, vindo de iniciativas privadas ou públicas. Puro engano. Ensinar as pessoas a escrever os respectivos nomes não contribui para o aumento dos livros lidos e não fermenta o nosso mercado editorial. Precisamos, sim, de um programa baseado no conceito de letramento. Justificando: a pessoa toma gosto pela leitura somente quando entende o que está lendo e constrói mentalmente os cenários descritos, envolvendo-se com cada uma das páginas, letra a letra. Esse contexto, embora óbvio e essencial, está presente em menos de 10% das escolas e universidades brasileiras, segundo dados que obtive junto a profissionais dessa área. A explicação: na maioria das instituições, crianças e adolescentes 29

são submetidos a tarefas desgastantes, principalmente a de ler livros difíceis e, posteriormente, realizar uma prova sobre a história, conflitos e personagens apresentados. Atividades como essa contribuem e muito para que, infelizmente, leitores traumatizados e angustiados se afastem definitivamente dos livros, por melhor que esses sejam. Fica claro, então, que a leitura, seja ela em âmbito escolar ou em qualquer outro espaço, não deve ser obrigatória, e sim estimulada a todo instante. Uma alternativa é deixarmos de lado as normas existentes e desenvolvermos atividades associadas ao letramento, apresentado anteriormente. O método: professores apresentam, durante as aulas, tarefas editoriais e educacionais, como por exemplo, a encenação de um trecho do livro, e mostram, para as crianças e adolescentes, que a leitura é importante para despertar a criatividade, enriquecer o vocabulário, escrever corretamente e até mesmo construir novas amizades. Com essa estratégia funcionando corretamente, damos início a uma verdadeira mudança, boa para todos os lados. Ganha o mercado editorial, que passa a oferecer um produto agradável e não simplesmente volumes repletos de palavras. Ganha o autor, que passa a ter uma relação mais particular com cada leitor. Ganha também o próprio leitor, que passa a se engajar em ultrapassar as fronteiras do conhecimento, em traçar metas ousadas e em devorar Machado de Assis, Sir Arthur Conan Doyle e as mais complicadas obras de Gabriel García Márquez.

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ATIVIDADES EM ESCOLAS
Pergunta: “Publiquei um livro e gostaria de realizar atividades em escolas para contribuir para o aumento da leitura. O que você acha a respeito disso?”

Resposta: Excelente, iniciativa. Colocar o aluno em contato com a literatura irá incentivá-lo a ler cada vez mais. Uma dica: as atividades editoriais (visitas ás editoras e acompanhamento da diagramação e impressão dos livros) são também muito interessantes para fomentar o gosto pela leitura diária. Somente assim, vamos fazer do livro um companheiro do abajur, da mesa do computador e da pia do banheiro. Ele, em poucas palavras, deve, o quanto antes, ser incorporado ao cotidiano dos brasileiros.

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CONFUSÃO
Pergunta: “Para lhe ser sincera, estou me utilizando desta para poder falar com alguém que entenda o meu trabalho. Há exatamente quatro anos escrevo um livro. São ao todo 1900 páginas escritas. Conto a historia de um psicopata e um psiquiatra que tem suas personalidades trocadas. O livro chama-se Filhos do Ódio. Eu gostaria de saber, o que devo fazer primeiro? Mandar o livro para que algum leitor corrija meus erros de português, para que enxugue os "escritos demais", ou simplesmente vou com a idéia e seja lá o que Deus quiser? Fico no aguardo de sua resposta e agradeço-o antecipadamente. PS: Detalhe, meu teclado é em alemão, e, por mais que eu o corrija, não existe a acentuação adequada. Contudo, escrever o meu livro em alemão, seria um suicídio... rs... Um abraço”

Resposta: Vejo que você está confusa. A idéia é boa, mas você precisa se questionar: o livro é baseado em fatos reais? Você fez uma ampla pesquisa? Recolheu os dados necessários para fazer o livro? 32

A obra é uma ficção? Responda essas perguntas em uma folha de papel e releia o seu texto. Quando terminar, responda novamente. Compare as respostas e veja se elas coincidem. Esse exercício é válido porque as primeiras respostas que damos são emocionais e as segundas – após lermos o livro – são racionais. Se elas não coincidirem, opte pelas racionais. Nesse momento, a razão deve prevalecer. Nunca tome uma decisão precipitada. Leia, releia e só depois envie para as editoras. Elas recebem, no mínimo, 20 originais por dia. Todos os livros que chegam são colocados no final da fila e depois, teoricamente, são lidos. Se um editor pega um livro com erros para ler, esse livro é rapidamente descartado. Pense nisso! Vale uma última observação: o título do seu livro é muito bom. Querendo ou não, o editor, quando lê um título sem nexo, rapidamente descarta a obra. Agora, quando pega um livro com um título bom – como o seu -, a leitura torna-se mais agradável e as chances de serem publicados aumentam.

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POESIA
Pergunta: “Prezado Rodrigo Capella, ás vezes me frustro por escrever poesias. Aí, vago para os pensamentos, paras crônicas "brutas"..., muitas precisam ser lapidadas. Tem dias que penso em pegar tudo e tacar fogo. Foi desses pensamentos tolos, que um dia rabisquei a poesia abaixo. Lembro que no rodapé da página, na qual a escrevi, grafei: "que não seja esta a minha sina". Pena que sabemos ser esta a de muitos poetas brasileiros. A minha poesia começa assim: Esse menino tem futuro/ Diziam pro pobre coitado/ Que de tanto ser lambido/ Ver seus sonhos maltratados/ Já não era mais menino/ Era jovem, e bem formado”.

Resposta: Todo poeta tem uma sina, mas eu diria melhor: todo poeta tem uma missão. A minha é valorizar a poesia e, pelo visto, a sua também é. Não deixe, meu amigo, pequenos obstáculos atrapalharem a sua composição poética. Você sabe que atualmente existe um complô contra a poesia – todos fazem de tudo para a poesia não vender – e cabe a nós, 34

poetas e escritores, reverter esse quadro. A sua poesia tem muita qualidade e você não deve desistir. A sua rima é natural, não é forçada. Eu condeno a rima forçada e fico contente quando algum poeta tem o dom de se expressar, se recorrer a uma técnica pré-estabelecida. Vá em frente e não se esqueça de me convidar para o lançamento do teu próximo livro.

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REGRAS PARA A ESCRITA
Pergunta: “A produção poética não precisa seguir regras prédefinidas, se adequar dentro de paradigmas e escolas; penso na poesia não apenas como a expressão da interioridade de um sujeito em sua relação consigo mesmo e com o mundo; penso nas poesias como armas, ferramentas que servirão, também, para questionar, para escandalizar (no sentido de questionar o que está naturalizado), de provocar e, por que não, participar da invenção de novos mundos possíveis. Também escrevo poesias, quer dizer, sou um aprendiz de poeta e escritor. Criei recentemente um blog, no qual publico as minha obras”.

Resposta: Amigo José Rodrigues, excelente o seu pensamento. Eu acrescentaria também que poesia é vida, que é vontade de viver e, que sem ela, as outras artes seriam muito pobres e teriam apenas metade de sua força. Sem a poesia, o homem não vive, não respira e se esconde do mundo. Com a poesia, todos vivem bem. Eu diria, então, que a 36

poesia é o combustível da vida. Vale um comentário sobre o seu blog: você acertou em cheio, o conteúdo é bem interessante e bem dinâmico. Hoje, em dia, o poeta precisa se interagir com o público e, um das formas de se fazer isso, é tendo um blog.

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LIVRARIAS
Pergunta: “Rodrigo, você não acha que o número de livrarias no Brasil ainda é baixo? Qual sua opinião sobre esse atual cenário em que vive o jovem escritor que quer publicar livros?”

Resposta: Os números são divergentes: para algumas entidades, o Brasil possui 1.700 livrarias; para outras, 2.600. Mas, o fato é que, em um país com 180 milhões de habitantes, o índice “livraria por habitante” é realmente insignificante. E ainda tem mais: as lojas estão espalhadas por apenas 10% dos municípios brasileiros. A população, que já não se sente motivada para comprar livros, vê esse fato como uma barreira e opta por acessar a Internet para ler de tudo, menos livro. Mas, não podemos desanimar. O desafio é grande e cabe a nós poetas revertermos esse quadro.

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ENSINO À DISTÂNCIA
Pergunta: “Rodrigo, muito tem se falado no Brasil sobre o ensino à distância. Em sua opinião, ele nos ajuda a termos mais visibilidade e a conseguirmos publicar os nossos livros? Ou essa análise está equivocada?”.

Resposta: Os defensores o ensino à distância argumentam que, ao utilizar a Internet e participar de cursos via web, os alunos seriam motivados a pesquisar sobre as diversas tendências da escrita e, com isso, passariam a consumir mais livros. Na outra frente, os opositores acreditam que a busca por novas obras só ocorre quando o estudante recebe estímulo dos professores, muitas vezes especializados em determinados assuntos de nossa literatura. Eu acrescentaria mais alguns argumentos: assistir um curso de literatura pela Internet é como acompanhar uma partida de futebol pela televisão. Não tem a menor graça. Diminui-se a emoção de ver o time entrar em campo, deixa-se de comer hot dog com queijo e mais: o gol perde grande parte de sua característica, sentido e cor. 39

CONCEITO DE LITERATURA
Pergunta: “Rodrigo, pensei em escrever um livro, mas não fui à diante. Quando comentei com alguns amigos, eles me perguntaram o que era literatura? Não soube responder”.

Resposta: A literatura, assim como o esporte mais popular do Brasil, é feita de momentos. O lance é único, o gesto merece ser contemplado por minutos e o drible precisa ser eternizado com uma fotografia marcante. Nunca desista. Diga aos seus amigos que a literatura vem da alma e que só quem escreve sabe defini-la.

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PREGUIÇA
Pergunta: “Caro, em sua opinião o brasileiro é preguiçoso para ler? Publiquei vários livros, mas não consigo vendê-los. O problema está comigo?”.

Resposta: Sim, o brasileiro tem esse defeito. A preguiça é o principal fator para o baixo índice de leitura e, normalmente, vem associada ao desinteresse. Como desculpa, dizem que o tempo para lazer é curto. A população e os críticos literários assimilaram essa informação com tal força e sustentam como se ela fosse verdadeira, enganando a todos e estagnando um processo vicioso. Está na hora de uma verdadeira revolução no mundo das letras, com propostas e metas bem definidas. O livro deve estar sempre ao lado do abajur, na mesa da sala, do lado do computador. Ele, em poucas palavras, deve ser incorporado ao cotidiano dos brasileiros. Motivo: a leitura estimula a imaginação, auxilia o homem a buscar soluções para os problemas do mundo e, de quebra, constrói um país de leitores, característica que, infelizmente, anda muito em falta por aqui e dificilmente será mudada. A preguiça agradece e parece estar enraizada no povo brasileiro, que sonha em ser 41

primeiro mundo, mas esquece que a transformação começa no primeiro parágrafo de um livro.

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INCLUSÃO DIGITAL
Pergunta: “A inclusão digital é uma boa ferramenta para os escritores? De que forma ela pode nos ajudar?” Resposta: A inclusão digital é uma boa ferramenta, embora devesse ser rapidamente ampliada. Possibilitar aos jovens estudantes o acesso a cenários virtuais não é e provavelmente nunca será a solução ideal para suprirmos o déficit de educação, que, infelizmente, vem se consolidando pelo Brasil, de Norte a Sul, Leste a Oeste. A esse acesso devemos agregar aulas sobre a Internet e suas aplicabilidades, dinâmicas educativas com o objetivo de despertar no jovem a busca por informações e conteúdos diversos, e também pesquisas amplas que oferecerão embasamentos antes dos jovens acessarem desenfreadamente a Internet. Justificando: o livre contato com esse mundo virtual pode, na maioria das vezes, transformar os adolescentes em dependentes de jogos com muita luta e sangue, e pouco raciocínio e criatividade, estagnando, desta forma, um processo educativo que se inicia na maternidade e se estende por toda a vida.

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ACESSO À INTERNET

Pergunta: “Sou professora de literatura, no interior do Mato Grosso, e gostaria de saber a importância das crianças acessarem a internet desde cedo. Há alguma específica?” Resposta: Os alunos precisam, desde cedo, ser incentivados a ler via Internet. Tudo é uma questão de hábito. Se for bem cultivado, os resultados serão muito positivos e veremos, por exemplo, adolescentes colando os olhos na tela para ler obras de autores nacionais, como Machado de Assis e Lima Barreto, mas também de internacionais, tais como Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle. Justificando: o contato contínuo com esses romances vai, certamente, enriquecer o vocabulário e a argumentação dos jovens, ampliar sensivelmente o conhecimento literário e histórico, oferecer momentos de puro prazer e, principalmente, mostrar que ler no computador pode ser tão divertido quanto jogar futebol na rua. Vale à pena tentar e buscar um Brasil melhor. Com esses 44

procedimentos em prática e com muita dedicação dos professores, monitores e alunos, a inclusão digital pode ganhar em importância e, dessa maneira, passar a ser um importante mecanismo de incentivo á leitura, de amadurecimentos psicológicos dos jovens e do conseqüente combate ao déficit de educação.

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GÊNERO
Pergunta: “Quero escrever, mas estou em dúvida em relação aos gêneros. Quais são os principais?”. Resposta: Definir o gênero do livro é uma das etapas mais importantes. Pode ser romance, conto, crônica, poesia e biografia, entre outros. O romance é constituído, normalmente, por um texto longo, dividido em capítulos. O principal representante brasileiro é o já citado Machado de Assis, que nos presenteou com ótimas obras, como Dom Casmurro e Quincas Borba. Já a crônica e a poesia são compostas por textos curtos. A primeira, muito bem explorada por Carlos Heitor Cony, analisa o cotidiano. A Segunda, imortalizada nas mãos de Drumond de Andrade, procura demonstrar sentimentos, normalmente, através de rimas. Mostrando-se, então, muito diferente da biografia, que narra acontecimentos e feitos de uma pessoa. Ruy Castro, com sua linguagem particular, consegue facilmente encantar os leitores interessados em personagens a la Carmem Miranda.

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BOA IDEIA
Pergunta: “Já escrevi várias histórias e sempre joguei na lata do lixo. Acho que falta criatividade nos meus textos. Mas, não sei o que fazer. Acho que preciso de uma boa ideia. O que eu faço?”

Resposta: A resposta é simples, simples demais: olhe ao seu redor, observe os pássaros e perca alguns minutos estudando o jardim. Ela pode estar mais próxima do que você imagina. Que tal escrever sobre o Dia Mundial do Livro, comemorado em 23 de abril? Essa pode ser uma grande idéia.

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ESTABELECER UMA LINGUAGEM
Pergunta: “Escrevi o primeiro capítulo do meu livro, mas ficou confuso. Conversei com a minha professora e ela disse que é necessário se estabelecer uma linguagem. Você concorda?” Resposta: Sim, claro, Estabelecer uma linguagem adequada para ser utilizada na obra é fundamental para uma boa leitura do livro e também para garantir um volume de vendas considerável. O Código Da Vinci, por exemplo, só fez sucesso porque apresentou um texto apropriado para o público alvo. Antes de elaborar uma linguagem, pense no leitor e questione se ele vai entender o que está escrito. Crianças gostam de palavras fáceis e textos curtos, adolescentes têm necessidades de conhecer textos provocadores e com palavras novas, e adultos, na maioria das vezes, preferem textos mais rebuscados.

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TERMINEI DE ESCREVER, E AGORA?
Pergunta: “Terminei de escrever o meu livro. O que eu faço agora? Tem alguma dica?” Resposta: Recomendo você ler e reler o texto, sem pressa. Veja se o conteúdo dele interessa ao leitor, questione mais uma vez se o público vai entender o que está escrito. Se a resposta for negativa, tranque o material numa gaveta e comece do zero. É melhor errar agora do que receber várias negativas e a obra não ser publicada.

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DICAS ESSENCIAIS
Pergunta: “Olá, leio sempre os seus artigos e textos. De uma forma resumida, quais são as dicas essenciais para quem quer escrever um bom livro? Preciso delas com urgência!!”. Resposta: Consulte sempre um dicionário, formule frases explicativas para guiar o leitor e não se esqueça de descrever bem os personagens, destacando as características marcantes, como uma cicatriz ou um cabelo azul.

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O PÚBLICO
Pergunta: “Rodrigo, você sempre determina o público que você quer atingir antes de começar a escrever? Qual a importância de se fazer isso? Estou me sentindo um pouco confuso com relação a isso”.

Resposta: Sim, antes de pegar o lápis e uma folha de papel, determine o público que você pretende atingir. Ele é normalmente dividido, pelas editoras, em infantil, juvenil e adulto. Reflita e não tenha pressa para fazer a escolha adequada. Uma decisão mal tomada no início do processo pode comprometer todo o resto do trabalho. Os grandes autores de nossa literatura sempre tiveram a preocupação de direcionar as suas obras. Monteiro Lobato, por exemplo, escreveu vários textos para crianças. Já Pedro Bandeira soube, como ninguém, atingir os adolescentes ao criar os Karas, grupo de jovens que investigam mistérios e estão presentes em vários livros do autor.

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ANTOLOGIAS
Pergunta: “Rodrigo, qual a sua opinião sobre as antologias? Por que as editoras publicam cada vez mais livros deste tipo?”

Resposta: Cada vez mais as editoras investem na publicação de antologias poéticas, de vários temas e autores. Vale aquela máxima: quanto maior o número de autores, melhor. Afinal, um deles pode, em muito breve, trilhar uma carreira de sucesso e conferir credibilidade ás próximas antologias publicadas. Todo editora sonha em revelar novos talentos e, com a publicação desse tipo de livro, a tarefa fica mais fácil. Outro motivo que sustenta a publicação de antologias é a maior possibilidade de vendas. O grande número de autores, nesse caso, impulsiona uma vendagem numerosa já no dia do lançamento, quando autores convidam parentes e amigos para tomar um vinho e receber autógrafo. Muitas pessoas compram os livros, a editora fatura mais do que se publicasse obra com apenas um autor e já pensa na próxima antologia. É assim que tem funcionado boa parte do mercado editorial brasileiro. A publicação de antologia atrás de 52

antologia tem sido constante e mostra um contraste. Algumas editoras se preocupam com o conteúdo, oferecendo material de boa qualidade; outras nem tanto, optando por inserir autores de várias cidades do Brasil para ganhar visibilidade. Um terceiro motivo que tem contribuído para as editoras apostarem nesse tipo de publicação tem sido a grande aceitação das livrarias. Além de vender bem no lançamento, muitas antologias ganham destaque nas prateleiras, vendem bem e, em alguns casos, entram para a lista dos livros mais vendidos, em determinadas regiões do Brasil, tornando-se a galinha de ouro das editoras.

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INSEGURANÇA
Pergunta: Pra quem gosta de escrever (como eu) e é bem amador e inseguro (como eu) e tem seus escritos guardados na gaveta (como eu kkk) ... como saber se o que escrevemos tem algum valor literário para ousar publicá-los ou se devem permanecer guardados? Apesar de ser uma pergunta pessoal, sei que vale pra muitas outras pessoas

Resposta: Vale como dica mostrar para os amigos, ouvi-los e sempre revisar o texto antes de enviar para as editoras. Um livro precisa atender uma proposta, se atender, ele é um bom livro. E lembre-se: existem vários tipos de livros porque existem vários tipos de leitores. Vá em frente!!

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DOIS TIPOS DE EDITORAS
Pergunta: “Olá, conversei com um amigo, e ele me disse que existem editoras comerciais e prestadoras de serviço. Qual delas é melhor? Como funcionam?”

Resposta: No Brasil, existem dois tipos de editoras: comercial e prestadora de serviço. Uma editora comercial patrocina o seu projeto (leia-se livro) e investe em divulgação e marketing para vender o maior número de exemplares possíveis. Já, em uma prestadora de serviço, o autor arca com todos os custos da publicação. Quais as vantagens? Uma prestadora de serviço entrega uma considerável quantidade de livros para o autor, sem que ele precise implorar. Já uma editora comercial consegue colocar o livro, com mais facilidade, nas livrarias e tem uma boa distribuição. Pense bem e escolha para qual editora você quer enviar os originais. Sempre é bom destacar que uma editora comercial somente patrocina um livro se ele se encaixa na seguinte proposta: vende, dá prestígio e aumenta a credibilidade da editora. Por isso, antes de submeter um livro á avaliação de uma editora, questione se ele realmente se enquadra no que acabei de expor. Se sim, envie os originais. Se não, 55

reescreva o livro. É melhor ele ser reescrito agora do que você perder bastante tempo e dinheiro enviando originais que nunca serão lidos ou publicados. A maioria dos livros é recusada por uma editora comercial porque apresentam, principalmente, falta de qualidade literária e desacordo com a linha de publicações sustentada pela editora. Então, pense nisso! Se o seu livro é de poesia, envie para uma editora que publique esse tipo de livro. Parece óbvio, mas muitos autores costumam errar. Quando você enviar seus originais a uma editora, prepare uma boa apresentação do livro, discorrendo detalhadamente sobre a proposta dele e apresentando argumentações. Prepare também um currículo, contando sobre as suas experiências profissionais. Imprima seu livro em folhas brancas e que proporcione boa visualização. Junte todo esse material, coloque em um envelope e envie. Não é necessário preparar um layout diferenciado. Apenas digite o texto no programa word, letra Times New Roman fonte 12.

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O TEMA
Pergunta: “Eu sempre tive vontade de escrever alguma coisa contando uma historia de todas as paixões de um rapaz em sua vida, uma por uma tipo assim como uma narrativa, como se eu tivesse no lugar dessa pessoa, como se fosse se eu tivesse falando de mim... O que você acha? Seria uma boa ou não?”

Resposta: O tema é bem interessante. Você pode, por exemplo, mostrar os vários tipos de mulheres e de manias. Sempre tente, no livro, mostrar um diferencial e apresentar elementos marcantes. É disso que o leitor gosta e aprecia!

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PREFÁCIO
Pergunta: “Escritores cobrão para fazer prefácio? Como funciona isso?”

Resposta: Alguns cobram; outros não. O valor pode chegar a R$ 3.000, dependendo do autor. Mas, depende da amizade que você tem com eles. Se é amigo, não cobram. Portanto, em uma hora como essa, sempre recorra aos amigos.

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POLÊMICA
Pergunta: “Existe dificuldade de publicar um livro muito crítico? Estou escrevendo uma estória de ficção que critica meio que indiretamente a corrupção em instituições públicas como a polícia, a ABIN, a câmara, etc. Ela pode ser recusada pelas editoras por isso?”

Resposta: Polêmicas sempre vendem! Você está seguindo um bom caminho. Vá em frente. As editoras realmente não explicam claramente a rejeição dos livros. O fato é que elas apostam cada vez mais em livros internacionais, deixando pouco espaço para os autores brasileiros. Isso é lamentável!

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COMENTÁRIOS

Pergunta: “Fala Rodrigo! Estou muito preocupado com os comentários sobre os meus livros. Algumas pessoas gostam; outras não. O que devo fazer?”

Resposta: Não se preocupe muito com comentários, principalmente se você acredita no que está escrevendo. Siga sua intuição e elabore o texto. Coloque muita emoção no texto e vá em frente. Não interrompa um raciocínio!! Dedique-se, ao máximo, à construção do livro.

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DAR CERTO
Pergunta: “Olá, Rodrigo, em sua opinião, o que um livro precisa para dar realmente certo?

Resposta: Um livro precisa, principalmente, comover o leitor. Se isso ocorre, as chances de ser sucesso são grandes. Mas, antes de tudo, o livro precisa ser "vendável", ou seja, a editora precisa achar que ele vai realmente vender. Se não, não publicará.

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O LEITOR
Pergunta: “Muitos livros são publicados por semana. No meio deste monte de obras, o que a minha precisa ter para atrair a atenção do leitor?”

Resposta: O leitor tem, cada vez mais, menos tempo para a leitura. Por isso, um livro precisa oferecer conforto e aventura ao leitor. O leitor precisa querer fazer parte da aventura e se envolver com ela a todo instante. Ele precisa ter, constantemente, a sensação de que faz parte do mundo que está sendo descrito.

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A MÍDIA
Pergunta: “Na Europa e nos Estados Unidos, a mídia influencia, tornando livros medíocres um grande sucesso. No Brasil, isso ocorre? Até que ponto?”

Resposta: Aqui no Brasil, a influência não é tão grande, pois não existe imprensa especializada em literatura. Prova disso é que muitos escritores acabam resenhando livros de colegas. Mas, a mídia tem um papel importante e deve ser respeitada.

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BEST-SELLERS
Pergunta: “Tenho visto, atualmente, vários livros se tornarem best-sellers. Isso ocorre porque realmente são criativos ou porque se trata de uma grande jogada de marketing?”

Resposta: Na maioria das vezes, por marketing. Vale a máxima: quanto mais divulgado, quanto mais visto, mais será comprado. Mais os leitores se sentiram atraídos a adquirir o livro e mergulhar no universo que ele oferece. Portanto, todo livro tem que ser divulgado, só assim será lido.

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ACORDO ORTOGRÁFICO
Pergunta: “Um escritor que publica seu livro antes do acordo ortográfico pode sair perdendo, digo, financeiramente. E tanto com relação ao trabalho de rever todo o texto e colocá-lo nas novas regras gramaticais?”

Resposta: Ainda há e haverá muitos livros nas prateleiras com as regras antigas. Mas, vale sim essa preocupação. Se der tempo, adapte tudo às novas normas, se não der, não será um grande problema, pois os leitores compreenderão as mensagens da mesma forma.

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PARTICULARIDADES
Pergunta: "Rodrigo, solicito uma informação: quais os requisitos exigidos para alguém se tornar um agente literário? Sou formada em Letras e atualmente trabalho como revisora de textos, livros, monografias etc. Sou apaixonada por livros e pensei na possibilidade de trabalhar com agenciamento. Você poderia me indicar um caminho? Desde já agradeço a atenção."

Resposta: É imprescindível que o agente literário conhece todas as particularidades do mercado editorial. Ele precisa mapear todo o setor e saber quais os livros, por exemplo, que estão sendo publicados no momento e por quais editoras. O agente faz a ponte entre o escritor e a editora e precisa executar essa tarefa com o máximo de precisão, cautela e dinamismo. Normalmente, no Brasil, os próprios autores encaminham seus livros para as editoras, pois não têm recursos para contratar um agente.

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RECURSOS PRÓPRIOS
Pergunta: “Publicar o livro com recursos próprios e também vender por conta própria, funciona? Ou é muito arriscado? Isso realmente dá certo? Como?”.

Resposta: Já li alguns casos e conheço alguns escritores que se deram bem. Mas, publicar por conta própria é sempre mais difícil. As editoras barram a entrada do livro e a mídia raramente os divulga. Sem divulgação e sem vender em livrarias, raramente se consegue obter êxito. Acho que sempre vale enviar para as grandes editoras, elas podem sim se interessar.

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A RESPOSTA
Pergunta: “Enviei os originais para uma editora, mas até agora não obtive resposta. É verdade que a resposta de uma editora pode chegar a até um ano?”

Resposta: Sim, as editoras demoram bastante e não adianta entrar em contato com elas. O processo é lento e, em muitos casos, desrespeitador. Só nos resta esperar e torcer. Se for aprovado, elas vão te ligar. Se não for, você receberá algumas cartas.

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A CAPA
Pergunta: Se um projeto for aprovado, quais os direitos que o autor tem para escolher a capa e dar palpites?

Resposta: Algumas editoras mostram a capa para o autor dar sugestões; outras simplesmente fazem a capa sem mostrar nada ao autor. Depende muito. Mas, nunca ouvi casos do autor pedir para olhar a capa e não ser atendido. Portanto, temos sempre que pedir a capa para ver se gostamos e também para darmos opinião

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A ORELHA
Pergunta: “O autor pode dar sugestões em relação à orelha do livro? Ou a editora escolhe tudo? Como funciona?”

Resposta: Quanto à orelha, o autor pode sugerir os textos e imagens que serão colocados. Mas, a editora tem direito à escolha final. Afinal, ela está investindo no projeto e tem amplos conhecimentos de mercado e público-alvo.

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E-BOOK
Pergunta: “Acabei de escrever um livro, só falta revisar para poder publicar. Tenho um grande sonho, de tornar meu livro algo real, mas... tenho visto muitos obstáculos a minha frente. Hoje o e-book, seria o melhor caminho?”

Resposta: O e-book é uma alternativa cada vez mais viável e interessante. O meu livro “Rir ou Chorar”, por exemplo, depois de vender 3.000 exemplares, será transformado em e-book. Acho que vale a tentativa, pois a Internet tem um público bem segmentado, critico e exigente.

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O CONTATO

Pergunta: "Olá, Rodrigo, li em suas dicas que um escritor tem de analisar o púbico-alvo da obra, estudar muito para não se enrolar com fatos e etc. Isso foi muito esclarecedor para mim. Estou na correção de meu livro e o terminarei em muito pouco tempo. Gostaria de saber se você pode me informar como entro em contato com editoras que publicam livros voltados para público acima de 16 anos. Sei que é uma pergunta meio vaga, mas preciso da resposta de um especialista. Só para informar: é um livro de fantasia".

Resposta: Cada editora tem o seu sistema próprio para envio de originais. Algumas pedem que o material seja enviado por e-mail; outras pelo correio. Uma dica: visite sempre os sites das editoras. Lá, você irá encontrar informações detalhadas para o envio dos originais.

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A DIVULGAÇÃO

Pergunta: "Olá, sou uma jovem escritora, com apenas um livro publicado. Quando lancei, não fiz questão de divulgá-lo, mas agora que vou lançar o segundo e quero divulgar na Internet, só na Internet basta?"

Resposta: Divulgar o livro na internet é um primeiro passo. Mas, a sua divulgação deve ser ampla e atingir o maior número de interessados possível. Para tanto, tente divulgá-lo em rádio, TV, jornais e revistas. Mas, não se esqueça do Orkut e Twitter, por exemplo. Divulgue no maior numero de mídia possível. Vá em frente!

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ACORDOS FINANCEIROS
Pergunta: Estou escrevendo um livro de ficção e gostaria de saber: qual o retorno financeiro? A editora compra os direitos autorais ou simplesmente o distribui e você ganha por unidade vendida? Quais os acordos mais comuns em termos financeiros?

Resposta: Uma dica inicial: escreva por amor à arte das palavras. Inicialmente, não pense no retorno financeiro. Vamos às respostas: há duas possibilidades. Ou a editora compra os direitos ou você tem uma participação nas vendas, em geral de 10%. Depende da editora, do tema do livro e do momento editorial.

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OUTROS LIVROS DE RODRIGO CAPELLA
- Enigmas e Passaportes - Como mimar seu cão - Transroca, o navio proibido - Poesia não vende - Rir ou Chorar - Assessoria de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia - Loucuras de um escritor

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