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Das Personagens:

Bentinho: Personagem principal, narrado em 1a pessoa, garoto que se torna homem desenrolar do conto.
Capitu: Musa de Bentinho. Foi sua vizinha, amiga e companheira de infância. A razão por qual Bentinho não ter
vontade de ir para o Seminário. Acaba sendo sua mulher. Bonita e Tentadora.
Dona Glória: Mãe de Bentinho. Amorosa com o filho e Temente a Deus.
Tio Cosme e Prima Justina: Parentes da Mãe de Bentinho. Que moraram na casa desta. Servindo de Companhia para
a mesma.
José Dias: Agregado da Família de Bentinho. Falso médico, que por agradecimento ficou morando na casa destes.
Como companhia e como empregado faz-tudo. Sendo fiel e servidor a estes.
Escobar: Melhor Amigo de Bentinho, que se conheceram no seminário. Se torna comerciante. Casa-se com a melhor
amiga de Capitu: Sinhá Sancha.
Ezequiel: Filho de Bentinho e Capitu. Nascido depois de muito tempo de tentativas de ter um filho. Leva esse nome
em homenagem ao primeiro nome de Escobar.

Do Enredo:
O enredo trata-se de 3 áreas. Cada uma ligada diretamente na outra. Trata-se:
1. Bentinho em sua casa. Antes de Ir para o seminário. Tendo Encontros com Capitu. Tentando escapar do profissão
de padre.
2. Bentinho no seminário. Quando conhece Escobar. E faz visitas a sua casa todo fim de Semana.
3. Bentinho no casado e um tempo depois da separação. Tem o chamado Clímax quando se casa com Capitu, tem um
filho, e começa ter a desconfiança que o filho não é dele.

Dados sobre o autor e a Obra:


Autor: Machado de Assis
Título da Obra: Dom Casmurro
Editora: Ática
Edição: 32
Sobre o Autor: Ele nasceu em 21 de junho de 1839.
No ano de 1899 no dia 31 de dezembro no RJ. Numa passagem ano novo. Numa virada do século. Reforçam-se as
crenças nas mudanças e também cristaliza-se o medo do desconhecido. Era Joaquim Maria Machado de Assis mas era
conhecido como Machado de Assis, isso em 1899.
A vida dele era normal, não era rico mas se vivia confortavelmente, trabalhava bastante, era respeitado e famoso.
Quando criança era pobre, neto de escravos alforriados, nascido no morro e desde de cedo sentiu as primeiras
manifestações da epilepsia. Na época o RJ era diferente do que conhecemos hoje, e possuía iluminação a gás mas só
no centro, e a cidade não cheirava bem com águas podres, e com um transporte muito precário para uma população
de 300 mil habitantes e metade era escravos.
Numa sociedade marcada pela divisões sociais muito rígidas, como já era na época aqui no Brasil na época de
Machado de Assis. E seu destino já estava marcado pela raça e até pela possibilidade ou não de freqüentar escolas.
Joaquim Maria era menino de subúrbio e a vida intelectual do subúrbio era muito diferente da vida intelectual da
corte. Era isso que atraía Machado de Assis.
No dia 6 de janeiro de 1855, a Marmota Fluminense, jornal de notícias, variedades e etc. Publicou o poema "A
Palmeira". Era apenas o começo para a estréia literária de Joaquim Maria Machado de Assis. O jornal que foi publicado
o poema era o ponto de encontro dos escritores da época. E foi ganhando e protetores como Paula Brito e sua carreira
foi crescendo. Logo Machado de Assis era membro da redação da Marmota Fluminense. E outro jornais passaram a
publicar seus trabalhos. Machado de Assis, homem da cidade, cada vez se distanciava mais de Joaquim Maria, Menino
de subúrbio. Nas roupas, na postura, na expressão. E os meios literários da Corte se tornava-se pouso a pouco,
terreno mais conhecido para ele. E ele se tornava mais conhecido nesse terreno. Machado de Assis surpreendia por
um estilo sutilmente irônico e logo ia se tornar marca registrada de sua obra. Machados de Assis cronista escreveu
para diversos jornais, mas não se vá imaginar que no Brasil da época era possível viver de escrever, e para sobreviver
aceitou um emprego público que lhe garantia o sustento. Durante 40 anos Machado escreveu suas crônicas.
Utilizando-se de histórias do dia a dia, o escritor ia refletindo sobre a História que se desenhava à sua volta. E com o
decorrer do tempo Machados de Assis trabalhou e vários lugares e escreveu vários livros. Machado de Assis morre já
velho com infecção intestinal e já estava com a vista fraca, morreu às 3 h e 20 min da madrugada do dia 29 de
setembro de 1908.

Da Mensagem:
A obra é um conto, não sendo educativo em si. Mais tem partes comparativas com Deuses greco-romanos e a
passagens do "OTELO" de Shakspeare, tendo aí a conclusão que Machado de Assis não fez só um conto, fez uma obra
com conteúdo cultural. Mais a mensagem que o grupo concluiu, foi no sentido de lição de moral é de "Que as vezes
não confie no seu melhor amigo e nem em uma companheira de Infância", isto sendo sobre o caso Capitu-Escobar.

Do Estilo e do Ambiente:
Foi uma obra no estilo literário Realismo Brasileiro. Que se passava em uma classe média-alta no final do Século
Passado, se passando no Rio de Janeiro. Portanto as palavras ditas regionais não se sucederam, somente palavras
usadas na época, em desuso atualmente, chamaram a atenção mais não houve a necessidade do uso de dicionários
para se ler a obra, porque além de ter o vocabulário, as palavras não eram tão desconhecidas.

Conclusão
A obra não foi de todo bom, nem ruim. É apenas um conto que se fosse escrito atualmente poderia ser considerado
um conto nada original. A história de um rapaz fugindo da vocação de padre imposta pela mão e um triângulo
amoroso, são temas comuns em programas de televisão, que talvez tenham se inspirado na obra, ou talvez não. Mais
assim mesmo a obra tem um conteúdo nada mal porque mostra a sociedade brasileira no século passado.
Resumo do Livro
O autor conta a vida de um garoto no final do Século Passado, brilhantemente narrado em 1a pessoa, deixando a
dúvida se estes acontecimentos aconteceram ou não na vida do autor
No começo ele foi ele diz porque foi apelidado de Dom Casmurro, o (Casmurro) porque o povo achava ele um homem
calado e metido consigo. E (DOM) veio por ironia para atribuir-lhe o brilho da nobreza
O pai dele estava numa antiga fazenda em Itaguaí e o Bentinho (Dom Casmurro) onde acabava de nascer, quando o
seu pai estava mal de saúde e na obra do acaso apareceu um médico homeopata chamado José Dias e o curou e não
quis receber remuneração e então o pai de Bentinho propôs que José Dias ficasse ali vivendo com eles, com um
pequeno ordenado. Ele foi embora mais dizendo que voltava dali à alguns meses, voltou em 2 semanas e aceitou
viver na casa tendo a serventia de médico da casa. O pai dele foi eleito deputado e foram para o Rio de Janeiro com a
família, José Dias veio também tendo o seu quarto no fundo da chácara.
Seu pai voltou a ficar doente com uma febre alta, nisso José Dias confessou-se que não era médico, mais a medicina
homeopata o agradava e era um ciência em crescimento. Seu pai logo depois acabou morrendo. Mesmo assim a mãe
de Bentinho pediu para José Dias que ficasse. Sua Mãe que se chamava
Daí conta a história que depois de perder seu primeiro filho Dona Glória fez uma promessa que se o nascesse um
filho, ela faria um padre em agradecimento à Deus.
Capitu, que era sua vizinha, e bentinho, ainda novos brincavam de fazer missa dividindo a hóstia, etc. Ele começou a
gostar de Capitu sem ela saber. Ele descobriu que ela também gostava dele quando leu no muro o nome "Bento e
Capitolina" rabiscados com um prego.
Bentinho por varias razões prometia que ia rezar mil Padre-Nossos e mil Ave-Marias como promessa. E os desejos se
realizavam e as promessa se acumulavam, não cumprindo nenhumas.
Ele faz tudo o que a mãe, até cocheiro de ônibus ele seria, menos padre mesmo sendo uma carreira bonita não era
para ele essa vocação.
Bentinho começou a se encontrar nas escondidas com Capitu correndo até o perigo de serem vistos juntos se
beijando.
Sua mãe já estava decidia que Bentinho iria entra no seminário com o padre Cabral e que ele iria ver a família aos
sábados e aos feriados. Então estava decidido ele iria para o seminário no primeiro ou no segundo mês do ano que
vem, que só faltava 3 meses para ir para o seminário. Capitu ficou triste de saber que ele iria e ficou com medo que
acaba-se o amor entre eles. Ainda faltava um tempo, para ele se despedir para ir embora e eles já faziam juramento
um para o outro que quando ele voltar iriam se casar e por qualquer motivo de doença ou alguma coisa desse tipo ele
voltaria a qualquer hora.
Bentinho tentou junto com Capitu varias idéias mirabolantes para fugir do seminário até pedir ao Imperador para falar
para a mãe dele esquecer da Idéia. Mais nunca deu certo. Falou com José Dias para convencer sua mãe, de poucos
em poucos. Isso alegrou José Dias que viajaria com Bentinho para a Europa para estudar nas melhores escolas do
mundo. Mais foi tudo em vão, ele teve que ir logo para o seminário.
Meses depois foi para o seminário de S. José. O padre Cabral falou que se dentro de dois anos ele não tiver vocação
para isso poderá escolher outra coisa.
Todo mundo que estava de acordo com que ele fosse para o seminário agradeceu ao padre em ter convencido
Bentinho, e que qualquer problema estava a disposição. Bentinho foi para o seminário mas com ressentimento de
arrependimento. Ele só estava pensando em sair de lá. Mais se passou alguns meses e ele queria que escapar de lá
antes de completar o prazo do Padre Cabral. Estava louco para ir para casa até que arranjou um sábado que desse
para ele ir até casa.
Capitu estava mesmo apaixonada por Bentinho e seus planos era esperar ele sair do seminário para se casar.
Bentinho estava preocupado porque foram buscar ele no seminário e ele logo pensou que seria alguma coisa de ruim
e não deu outra sua mãe ficou doente estava por um fio entre a vida e a morte, e para Bentinho isso era péssimo
porque era sua mãe, mas por outro lado era bom que com a morte da mãe ele sairia do seminário, mais iria ficar
cheio de remorso. Mas até ai correu tudo bem sua mãe acabou melhorando.
Bentinho conheceu Escobar, um amigo que encontrou no seminário e era o único que ele podia contar seus segredos,
fora Capitu que estava apaixonada por ele mais estava longe dele.
Bentinho não agüentava mais ficar no seminário ele teria que sair dali de qualquer jeito estava lhe tornando
impossível ficar só pensando em Capitu e as coisas que pudera fazer lá fora.
Bentinho foi para casa e perguntou aonde que estava Capitu e sua mãe falou que ela tinha ido dormir na casa de
Sinházinha Sancha Gurgel que é sua amiga e mora na rua dos Inválidos. A Prima Justina insinuou que ela foi para lá
para namorar, deixando Bentinho louco de ciúme. Viu que Capitu estava demorando Bentinho esperou dar onze horas
e correu para à rua dos Inválidos. Lá quando chegou viu o velho Gurgel preocupado com o estado de saúde de sua
filha Sancha. Entrando viu Capitu cuidando da febre de Sancha. O velho Gurgel até comentou como Capitu parecia
com sua falecida mulher e como ela ainda seria uma boa mãe. Vendo que Capitu não estava flertando com outros
garotos, Bentinho ficou mais sossegado.
Assim foi passando o tempo, com intermináveis semanas no seminário e com fins-de-semana de descanso em casa.
Escobar foi até a casa de Bentinho algumas vezes.
Teve uma hora que Bentinho não agüentou conversou com Capitu sobre fugir do seminário. Com idéias de mandar
José Dias até o papa para cancelar a promessa. Mais Capitu acabou com essa idéia. E mandou pensar bem antes de
cometer qualquer loucura.
Então Bentinho foi pedir a opinião de Escobar sobre a idéia do papa. Então Escobar teve a grande idéia que conseguiu
tirar Bentinho do seminário. A Idéia que Escobar teve foi levar a promessa ao pé da letra "Se Tiver um filho, farei um
padre", na promessa diz que "fará um padre", não especificando que seria seu filho.
Esse argumento serviu para Dona Glória, que pegou um órfão para ordena-lo padre. Assim depois de um tempo
ambos sairam do seminário.
O livro pula a época que não houve nada de importante e vai para logo depois quando houve o casamento de
Bentinho + Capitu e Escobar + Sancha Gurgel.
O tempo passou todos relativamente felizes, Bentinho se formou em Direito e Escobar estava no ramo do comércio.
Tempo depois Escobar teve uma filha que chamou de Capitu.
Depois de muitas tentativas falhadas, Capitu e Bentinho, não conseguiram ter um filho. Capitu até chamou Escobar
para acertar as contas para que se logo tivessem o filho já teriam tudo pronto.
Meses depois conseguiram finalmente ter um filho que respectivamente o chamaram de Ezequiel que era o primeiro
nome de Escobar, como se fosse uma homenagem trocada. Depois disso com laço de união das famílias, até
planejavam uma viajem para a Europa, com as duas famílias.
Mais no dia seguinte em una trágica manhã, Bentinho sentou-se na sua sala para estudar os processos que usaria no
seu trabalho notou a fotografia de Escobar que tinha em casa e notou um estranha semelhança entre Escobar e seu
filho, mais foi interrompido quando um escravo bateu na porta e que deu a notícia que Escobar teria morrido afogado
na praia. Assim Bentinho esqueceu sua desconfiança e foi ver o corpo na praia.
Logo ocorreu o enterro, Bentinho fez até um discurso sobre o morto tão bom que queriam publica-lo. Mais sua dúvida
continuava sobre a semelhança entre o falecido e seu filho.
O tempo passou e sua desconfiança foi aumentando. Depois de fazer alguns cálculos de tempo, teve quase certeza
daqueles encontros de Escobar e Capitu quando eles tinham que fazer aquelas contas. E também porque as
semelhanças também estavam aumentando.
O sentimento de Traição era horrível e Bentinho até tentou se suicidar, mais notou que apesar de Ezequiel poderia se
um filho bastardo, lembrou que havia ainda o sentimento amoroso entre pai e filho. Isso fez Bentinho esquecer da
tentativa de suicídio e partir para uma separação amigável com Capitu.
Viajou com sua família para a Suíça, voltando depois, deixando os lá para que o filho tivesse boa educação. Assim
depois de um bom tempo Capitu lá morreu e Ezequiel voltou para contar as novidades para o pai.
Assim Ezequiel voltou já grande e formado em arqueologia, agora idêntico a Escobar. Contou que sua mãe foi
enterrada na Suíça e que ele já estava de partida para o Oriente Médio para fazer um estudo sobre as pirâmides.
Algum tempo depois recebeu a notícia que Ezequiel morrera lá de febre tifóide e foi enterrado em terreno sagrado.
Acabando aí, o autor enfatiza a idéia que seu conto não passo de uma História de Subúrbio. Coisas que acontecem
todo dia, que faz parte do cotidiano da humanidade.

Dom Casmurro (Machado de Assis - 1900)


Resumo

Vivendo no Engenho Novo, um subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, quase recluso em sua casa, construída segundo
o molde da que fora a de sua infância, na Rua de Matacavalos, Bento de Albuquerque Santiago, com cerca de 54 anos
e conhecido pela alcunha de Dom Casmurro por seu gosto pelo isolamento, decide escrever sua vida.
Alternando a narração dos fatos passados com a reflexão sobre os mesmos, no presente, o protagonista/narrador
informa ter nascido em 1842 e ser filho de Pedro de Albuquerque Santiago e de D. Maria da Glória Fernandes
Santiago. O pai, dono de uma fazendola em ltaguaí, mudara-se para a cidade do Rio de Janeiro por volta de 1844, ao
ser eleito deputado. Alguns anos depois falece e a viúva, preferindo ficar na cidade a retornar a ltaguaí, vende a
fazendola e os escravos, aplica seu dinheiro em imóveis e apólices e passa a viver de rendas, permanecendo na casa
de Matacavalos, onde vivera com o marido desde a mudança para o Rio de Janeiro.
A vida do protagonista/narrador transcorre sem maiores incidentes até a "célebre tarde de novembro" de 1857,
quando, ao entrar em casa, ouve pronunciarem seu nome e esconde-se rapidamente atrás da porta. Na conversa
entre sua mãe e o agregado José Dias, que morava com a família desde os tempos de ltaguaí, Bentinho, como era
então chamado, fica sabendo que sua mãe se mantém firme na intenção de colocá-lo no seminário a fim de seguir a
carreira eclesiástica, segundo promessa que fizera a Deus caso tivesse um segundo filho varão, já que o primeiro
morrera ao nascer.
Bentinho, que há muito tinha conhecimento das intenções de sua mãe, sofre violento abalo, pois fica sabendo que a
reativação da promessa, que parecia esquecida, devia-se ao fato de José Dias ter informado D. Glória a respeito de
seu incipiente namoro com Capitolina Pádua, que morava na casa ao lado. Capitu, como era chamada, tinha então
catorze anos e era filha de um tal de Pádua, burocrata de uma repartição do Ministério da Guerra. A proximidade, a
convivência e a idade haviam feito com que os dois adolescentes criassem afeição um pelo outro. D. Glória, ao saber
disto, fica alarmada e decide apressar o cumprimento da promessa. Os planos de Capitu, informada do assunto, e
Bentinho para, com a ajuda de José Dias, impedir que D. Glória cumprisse a decisão ou que, pelo menos, a adiasse,
fracassam. Como último recurso, o próprio Bentinho revela à mãe não ter vocação, o que também não a faz voltar
atrás. Tio Cosme, um viúvo, irmão de D. Glória e advogado aposentado que vivia na casa desde que seu cunhado
falecera, e a prima Justina, também viúva, que, há muitos anos, morava com a mãe de Bentinho, procuram não se
envolver no problema. Assim, a última palavra fica com D. Glória, que, com o apoio do padre Cabral, um amigo de Tio
Cosme, decide finalmente cumprir a promessa e o envia ao seminário, prometendo, contudo, que se dentro de dois
anos não revelasse vocação para o sacerdócio estaria livre para seguir outra carreira. Antes da partida de Bentinho,
este e Capitu juram casar-se.
No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Sousa Escobar, filho de um advogado de Curitiba. Os dois tornam-se
amigos e confidentes. Em um fim de semana em que Bentinho visita D. Glória, Escobar o acompanha e é apresentado
a todos, inclusive a Capitu. Esta, depois da partida de Bentinho, começara a freqüentar assiduamente a casa de D.
Glória, do que nascera aos poucos grande afeição recíproca, a ponto de D. Glória começar a pensar que se Bentinho
se apaixonasse por Capitu e casasse com ela a questão da promessa estaria resolvida a contento de todos, pois
Bentinho, que a quebraria, não a fizera, e ela, que a fizera, não a quebraria.
Enquanto isto, Bentinho continuava seus esforços junto a José Dias, que, tendo fracassado em seu plano de fazê-lo
estudar medicina na Europa, sugeria agora que ambos fossem a Roma pedir ao Papa a revogação da promessa. A
solução definitiva, contudo, partiu de Escobar. Segundo este, D. Glória prometera a Deus dar-lhe um sacerdote, mas
isto não queria dizer que o mesmo deveria ser necessariamente seu filho. Sugeriu então que ela adotasse algum órfão
e lhe custeasse os estudos. D. Glória consultou o padre Cabral, este foi consultar o bispo e a solução foi considerada
satisfatória. Livre do problema, Bentinho deixa o seminário com cerca de 17 anos e vai a São Paulo estudar,
tornando-se, cinco anos depois, o advogado Bento de Albuquerque Santiago. Por sua parte, Escobar, que também
saíra do seminário, tornara-se um comerciante bem-sucedido, vindo a casar com Sancha, amiga e colega de escola de
Capitu. Em 1865, Bento e Capitu finalmente casam, passando a morar no bairro da Glória. O escritório de advocacia
progride e a felicidade do casal seria completa não fosse a demora em nascer um filho. Isto faz com que ambos
sintam inveja de Escobar e Sancha, que tinham tido uma filha, batizada com o nome de Capitolina. Depois de alguns
anos, nasce Ezequiel, assim chamado para retribuir a gentileza do casal de amigos, que dera à filha o nome da amiga
de Sancha.
Ezequiel revela-se muito cedo um criança inquieta e curiosa, tornando-se a alegria dos pais e servindo para estreitar
ainda mais as relações de amizade entre os dois casais. A partir do momento em que Escobar e Sancha, que
moravam em Andaraí, resolvem fixar residência no Flamengo, a convivência entre as duas famílias torna-se completa
e os pais chegam a falar na possibilidade de Ezequiel e Capituzinha, como era chamada a pequena Capitolina, virem a
se casar.
Em 1871 Escobar, que gostava de nadar, morre afogado. No enterro, Capitu, que amparava Sancha, olha tão
fixamente e com tal expressão para Escobar morto que Bento fica abalado e quase não consegue pronunciar o
discurso fúnebre. A perturbação, contudo, desaparece rapidamente. Sancha retira-se em seguida para a casa dos
parentes no Paraná, o escritório de Bento continua a progredir e a união entre o casal segue crescendo. Até o
momento em que, cerca de um anos depois, advertido pela própria Capitu, Bento começa a perceber as semelhanças
de Ezequiel com Escobar. À medida que o menino cresce, estas semelhanças aumentam a tal ponto que em Ezequiel
parece ressurgir fisicamente o velho companheiro de seminário. As relações entre Bento e Capitu deterioram-se
rapidamente. A solução de colocar Ezequiel num internato não se revela eficaz, já que Bento não suporta mais ver o
filho, o qual, por sua vez, se apega a ele cada vez mais, tomando a situação ainda mais crítica.
Num gesto extremo, Bento decide suicidar-se com veneno, colocado numa xícara de café. Interrompido pela chegada
de Ezequiel, altera intempestivamente seu plano e decide dar o café envenenado ao filho mas, no último instante,
recua e em seguida desabafa, dizendo a Ezequiel que não é seu pai. Neste momento Capitu entra na sala e quer saber
o que está acontecendo. Bento repete que não é pai de Ezequiel e Capitu exige que diga por que pensa assim. Apesar
de Bento não conseguir expor claramente suas idéias, Capitu diz saber que a origem de tudo é a casualidade da
semelhança, argumentando em seguida que tudo de deve à vontade de Deus. Capitu retira-se e vai à missa com o
filho. Bento desiste do suicídio.
Durante a discussão fica decidido que a separação seria o melhor caminho. Para manter as aparências, o casal parte
pouco depois rumo à Europa, acompanhado do filho. Bento retorna a seguir, sozinho. Trocam algumas cartas e Bento
viaja outras vezes à Europa, sempre com o objetivo de manter as aparências, mas nunca mais chega a encontrar-se
com Capitu. Tempos depois morrem D. Glória e José Dias.
Bento retira-se para o Engenho Novo. Ali, certo dia, recebe a visita de Ezequiel de Albuquerque Santiago, que era
então a imagem perfeita de seu velho colega de seminário. Capitu morrera e fora enterrada na Europa. Ezequiel
permanece alguns meses no Rio e depois parte para uma viagem de estudos científicos no Oriente Médio, já que era
apaixonado pela arqueologia. Onze meses depois morre de febre tifóide em Jerusalém e é ali enterrado.
O adultério de Capitu não está bem esclarecido para o leitor, já que o próprio narrador-personagem, no decorrer da
história, apresenta uma série de indícios, provas e contraprovas, como o fato de Capitu ser parecidíssima com a mãe
de Sancha, sem haver, com toda certeza, qualquer parentesco entre elas.
Mortos todos, familiares e velhos conhecidos, Bento/Dom Casmurro fecha-se em si próprio, mas não se isola e
encontra muitas amigas que o consolam. Jamais, porém, alguma delas o faz esquecer a primeira amada de seu
coração, que o traíra com seu melhor amigo. Assim quisera o destino. Decide escrever um livro de memórias na
tentativa de atar passado e presente, da "construção ou reconstrução" de si mesmo. É certo que, antes da narrativa,
tenta recompor seu passado construindo uma casa em tudo semelhante à de sua adolescência, todavia esse artifício
mostra-se inútil e frustrante. Por isso, passa a essa outra alternativa: a da narrativa, que se mostra eficaz. E após seu
término, para esquecer tudo, nada melhor que escrever, segundo decide, um outro livro: uma História dos subúrbios
do Rio de Janeiro.

Breves Comentários – personagens, narrador, narratário, fábula e trama

Em Dom Casmurro, as personagens são apresentadas a partir das descrições de seus dotes físicos Temos, portanto, a
descrição, funcional, bastante comum no Realismo.
As personagens principais são :
• · Capitu, "criatura de 14 anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio
desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo,
... morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo ... calçava
sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos". Personagem que tem o poder de
surpreender : "Fiquei aturdido. Capitu gostava tanto de minha mãe, e minha mãe dela, que eu não podia
entender tamanha explosão". Segundo José Dias, Capitu possuía "olhos de cigana oblíqua e dissimulada", mas
para Bentinho os olhos pareciam "olhos de ressaca"; "Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma
força que arrastava para dentro, com a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca".
• · Bentinho, também protagonista, que ocupa uma postura de anti-herói. Não pretendia ser padre
como determinara sua mãe, mas tencionava casar-se com Capitu, sua amiga de infância. Um fato
interessante é que os planos, para não entrar no seminário, eram sempre elaborados por Capitu.

As personagens secundárias são descritas pelo narrador :

• · Dona Glória, mãe de Bentinho, que desejava fazer do filho um padre, devido a uma antiga
promessa, mas, ao mesmo tempo, desejava tê-lo perto de si, retardando a sua decisão de mandá-lo para o
Seminário. Portanto, no início encontra-se como opositora, tornando-se depois, adjuvante. As suas qualidades
físicas e espirituais...
• · Tio Cosme, irmão de Dona Glória, advogado, viúvo, "tinha escritório na antiga Rua das Violas,
perto do júri... trabalhava no crime"; "Era gordo e pesado, tinha a respiração curta e os olhos dorminhocos".
Ocupa uma posição neutra : não se opunha ao plano de Bentinho, mas também não intervinha como
adjuvante.
• · José Dias, agregado, "amava os superlativos", "ria largo, se era preciso, de um grande riso sem
vontade, mas comunicativo ... nos lances graves, gravíssimo", "como o tempo adquiriu curta autoridade na
família, certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo", "as cortesias que fizesse
vinham antes do cálculo que da índole". Tenta, no início, persuadir Dona Glória à mandar Bentinho para o
Seminário, passando-se, depois, para adjuvante.
• · Prima Justina, prima de Dona Glória. Parece opor-se por ser muito egoísta, ciumenta e
intrigante. Viúva, e segundo as palavras do narrador : "vivia conosco por favor de minha mãe, e também por
interesse", "dizia francamente a Pedro o mal que pensava de Paulo, e a Paulo o que pensava de Pedro".
• · Pedro de Albuquerque Santiago, falecido, pai de Bentinho. A respeito do pai o narrador coloca :
"Não me lembro nada dele, a não ser vagamente que era alto e usava cabeleira grande; o retrato mostra uns
olhos redondos, que me acompanham para todos os lados..."
• · Sr. Pádua e Dona Fortunata, pais de Capitu. O primeiro, "era empregado em repartição
dependente do Ministério da Guerra" e a mãe "alta, forte, cheia, como a filha, a mesma cabeça, os mesmos
olhos claros". Jamais opuseram-se à amizade de Capitu e Bentinho.
• · Padre Cabral, personagem que encontra a solução para o caso de Bentinho; se a mãe do
menino sustentasse um outro, que quisesse ser padre, no Seminário, estaria cumprida a promessa.
• · Escobar, amigo de Bentinho, seminarista, "era um rapaz esbelto, olhos claros, um pouco
fugitivos, como as mãos, ... como tudo".
• · Sancha, companheira de Colégio de Capitu, que mais tarde casa-se com Escobar.
• · Ezequiel, filho de Capitu e Bentinho (Será ?). Tem o primeiro nome de Escobar (idéia de
Bentinho, em colocar o mesmo). Vai para a Europa com a mãe, sendo que mais tarde, já moço, volta ao Brasil
para rever o pai. Morre na Ásia.
Através das descrições que se faz das personagens, percebe-se um fato comum: os olhos, tão bem explorados por
Machado de Assis, como nos exemplos "Olhos de cigana oblíqua e dissimulada", "olhos de ressaca", "olhos
dorminhocos", "olhos redondos, que me acompanham para todos os lados". Na verdade, esses elementos físicos,
muitas vezes, destacam o estado interior; tem-se um retrato íntimo das personagens. Em "olhos redondos" percebe-
se uma característica física, mas, logo após, verifica-se um importante traço psicológico: "...que me acompanham
para todos os lados"; que me observam, me estudam.
Quanto ao narrador, é homodiegético (aquele narrador que conta e participa da história) e, também, por se tratar do
personagem principal, autodiegético. Já em relação ao narratário (o receptor do texto narrativo, a criatura ficcional ou
não a quem se dirige o emissor-narrador), vê-se que é extradiegético mencionado, leitor virtual não ficcional. O
personagem-narrador dialoga constantemente com os leitores: "Não me tenhas por sacrilégio, leitora minha devota, a
limpeza da intenção...", "Por outro lado, leitor amigo, nota que eu queria...", "Sim, leitora castíssima, como diria o
meu finado...".
Percebe-se claramente a fábula, conjunto de acontecimentos ligados entre si e narrados no decorrer da obra, e a
trama, constituída pelos mesmos acontecimentos da fábula, mas caracterizada mais por um procedimento estético,
em que o artista revolve com os fatos, não precisando se preocupar em seguir a ordem cronológica da fábula. Em
Dom Casmurro, a narrativa encontra-se "in ultimas res", com a presença de analepses, quando o artista volta no
tempo, no passado. A fábula é a história em si, a que o narrador quer nos contar, e a trama é o modo como ele nos
narra a fábula; a ordem dos fatos na trama é diferente da ordem dos fatos na fábula.

A presença da metalinguagem

Segundo Roberto Melo MESQUITA, em Gramática da Língua Portuguesa (Editora Saraiva, 1ª edição, 1994, p.35.): "A
linguagem tem função metalingüística quando discorre sobre o seu próprio conteúdo. É, na verdade, a própria
linguagem que está em jogo. O emissor utiliza-se dela para transmitir ao receptor suas reflexões sobre ela mesma. O
que ocorre em função metalingüística, é que o próprio código lingüístico é discutido e posto em destaque.".
Em Dom Casmurro, a narrativa discute o próprio ato e modo de narrar. Há, portanto, a função metalingüística, em
que a narrativa esclarece a própria narrativa. Logo no início, nota-se a preocupação do personagem-narrador em
explicar o título do livro e os motivos que o impulsionaram a confeccionar tal livro: "Também não achei melhor título
para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará
sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há
livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto." ou "Agora que expliquei o título, passo a escrever o
livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão".

A questão do adultério

Não se sabe ao certo se houve ou não adultério por parte de Capitu e Escobar, já que o personagem-narrador
apresenta, no decorrer da narrativa, vários indícios, provas e até contraprovas. Os leitores podem até pender para o
lado de um (Bentinho) ou para o de outra (Capitu), entretanto a dúvida sobre o adultério permanece. Machado de
Assis, talvez com a intenção de entregar ao leitor este difícil julgamento, foi brilhante ao estruturar sua obra com a
apresentação tanto de provas quanto de contraprovas.
Primeiramente, atenta-se para a escolha de uma narrativa em primeira pessoa e, portanto, do personagem-narrador,
o marido atormentado pela dúvida. Tudo o que se sabe é através de Bentinho, que narra os fatos; além da limitação,
pois o leitor é informado apenas sobre o que o narrador conhece ou presencia, há também a possibilidade de Bentinho
passar a sua visão das coisas, movido pelo ciúmes e pela imaginação. Desse modo, não se sabe o que é
verdadeiramente concreto, real, dentro do romance, ou o que seja imaginado por Bentinho; dedução sua na
observação dos fatos. Ele mesmo afirma "A imaginação foi a companheira de toda a minha existência ...".
O ciúme generalizado de Bentinho por Capitu toma espaço na narrativa, permitindo-se concluir que Dom Casmurro foi
precipitado ao deduzir que Capitu amava Escobar. Desde o início, fica claro o ciúme: "Diante dessa fagulha, que bem
podia ser uma maldade do agregado ou pura provocação, Bentinho se vê possuído de "um sentimento cruel e
desconhecido, o puro ciúme". Ou ainda quando conversando com Capitu na janela, um jovem passa e olha para ela,
que retribui o olhar. Já casados, o ciúme continua presente; Bentinho tem ciúme do mar, quando Capitu permanece
com o olhar perdido no mar: "Venho explicar-te que tive tais ciúmes pelo que podia estar na cabeça de minha mulher,
não fora ou acima dela".
O ciúme é tanto que chega a declarar, em determinado ponto da narrativa, que chegou a tê-lo "de tudo e de todos" e
acrescenta "Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, qualquer moço ou maduro, me enchia de terror ou
desconfiança".
Outras passagens já põem em evidência o clima de traição. É o caso do comentário feito a respeito da teoria do velho
tenor italiano – "a vida é uma ópera" -, quando Bento afirma, que em sua ópera, ele cantou "um duo terníssimo,
depois um trio, depois um quatuor..." como referência ao seu drama-ópera: o duo, composto de Bento e Capitu; o
trio, Bento, Capitu e Escobar, o quatuor, quarteto formado por Bento, Capitu, Escobar e Ezequiel. Mesmo assim, cada
vez que se apresenta uma prova, sugerindo o adultério, imediatamente lança-se uma contraprova.
Outra sugestão seria a citação, na narrativa, de um velha expressão do povo de que "O filho é a cara do pai". Como
contraprova imediata e eficiente, surge a semelhança de Capitu com a mãe de Sancha, parecidíssimas sem qualquer
grau de parentesco entre as duas. O próprio pai de Sancha afirma: "Na vida há dessas semelhanças assim esquisitas".
Outras duas ocorrências poderiam ser tomadas como provas de adultério: as duas vezes em que Escobar visita Capitu
em casa, na ausência de Bentinho. Essas visitas, ao mesmo tempo, não provam nada ou induzem a tudo,
principalmente quando Capitu se vê obrigada a contar ao marido sobre a primeira visita do amigo e comenta: "Pouco
antes de você chegar; eu não disse para que você não desconfiasse". Desconfiasse do quê? Certamente Capitu já
conhecia o ciúme do marido e não queria provocá-lo. Na Segunda, então, Bento, ao voltar da estréia de uma ópera,
encontra Escobar no corredor, de saída. Como desculpa, o amigo lhe apresenta um motivo jurídico importante que
para Bento não era nada. Isso faz com que ele questione o porquê de Capitu não querer acompanhá-lo ao teatro,
alegando estar adoecida e insistindo para que fosse sozinho. Quando chega em casa e se depara com Escobar,
constata também que a esposa já "estava melhor e até boa".
Assim nada é esclarecido sobre o possível adultério, e o próprio Bentinho afirma: "Não é claro isto, mas nem tudo é
claro na vida ou nos livros". Ele ainda atenta para que o leitor considere a sua "fraca memória"; confessa não ter boa
memória e por esse motivo diz que "nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros
omissos". Ou seja, uma narrativa que apresenta falhas, lacunas a serem preenchidas pelo leitor.
Cabe, então, ao leitor esclarecer tal questão do adultério. O leitor, analisando todas as provas e contraprovas
apresentadas, poderá opinar em favor do adultério ou contra ele, ou ainda permanecer na infinita dúvida.