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Nº 12 | OUTONO INVERNO | 2009 | 2,5 EUROS

FICHA TÉCNICA MIGUEL


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FO T O G R A F I A
MARJANE SATRAPI
70
Hélène Harder
ISABEL PINTO O preto e branco da princesa vermelha
Mário Príncipe
Pedro Ferreira 10
TERESA AIRES

C O LA B O R A D O R E S FRENCH TOUCH
ALDA ROCHA Os rostos mais mediáticos da nova
ANA CRISTINA LEONARDO vaga dos actores franceses de cinema
90
Ana Esteves
ANABELA MOTA RIBEIRO
CARLA NASCIMENTO RIBEIRO
14
CARLOS COELHO
Helena Mascarenhas
HELENA SACADURA CABRAL
COCO E PARIS
INÊS PEDROSA Juntas para sempre
ISA CLARA NEVES
ISABEL FIGUEIREDO 18
JOANA AMARAL CARDOSO
JOANA CATARINO
JOÃO JACINTO VICTOIRE DE CASTELLANE CO MO
LEONOR BALDAQUE A rainha de copas e sua corte
PARIS JE T’AIME
22
22
LEONOR VISEU
MARIANA GUEDES DE SOUSA
Maria João Pais Maquilhagem inspirada nas luzes
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LA RÉGLE DU JEU
104
Como se joga nas regras da moda
PARIS, UMA CIDADE
74 DE SE COMER
Deliciosas moradas
108
HOTEL DU PETIT MOULIN
PARIS BY Uma casa encantada nascida
NET das mãos de Christian Lacroix
As melhores moradas
parisienses na I-Net
112
116
C A PA
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FOTOGRAFIA_ISABEL PINTO
REALIZAÇÃO_ISABEL BRANCO
EDI TO RI A L L A M AG

je t’aime
aussi
ana mesqui ta

S
entada sobre as cadeiras de desfile permanente, bem-dispostas

© Carlos Ramos
palhinha do Café de Flore, e ainda melhor vestidas, misturam
escolho a mesa de esquina origens e géneros e reflectem luz.
entre o boulevard Saint Germain Peço outro copo e recordo-me de ter
e a pequena rua de Saint-Benoit, tal lido livros inteiros nas esplanadas
como faço a cada regresso, desde de Paris e me ter esquecido de mim
que vivi em Paris, no final da década no chão da Fnac, esse fenómeno
de 80. Nos vinte anos que o tempo fez de acesso à cultura que há onze
passar, o café manteve os costumes e anos chegou finalmente a Portugal.
o charme boémio que lhe deu fama. A crónica de Carlos Coelho, na pá-
Recebe até altas horas os artistas gina 36 sobre o Chão das Marcas,
da cidade, num misto de patine mantida é reveladora de como os franceses
e decadência sofisticada que só em Paris tratam por um tu respeitoso li-
é tão tellement jolie e cinéfila. Meia- vros, discos e filmes. A quem o nunca
-noite, quase. No lugar onde nos verdes tenha feito, aconselho vivamente a le-
anos costumava estar uma chávena var os filhos à Bobour, a biblioteca
de café – consumo possível do bolso do Centro Pompidou, escolher livros
de uma jovem – hoje tenho um copo e sentar-se no chão descontraidamente
de chardonnay branco, e por todas Na mesa em frente, a usá-los. Muito do meu deslumbre
as razões que esta edição da LA Mag pela moda começou nesse chão, de
traduz – e as outras que se prendem com ainda no primeiro olhos esbugalhados com a quantidade
a educação francófona que tive – sinto degrau interior, Karl e a qualidade de livros sobre histó-
que Paris se entrelaçou apertadamente ria  e sociologia,  sobre os  protagonis-
em mim como o encanastrado lustroso Lagerfel, o alemão tas e  as  grandes casas do prêt-à-porter
destas cadeiras. Na mesa em frente, mais magro, francês e de couture.  
ainda no primeiro degrau interior, Ali mesmo na rua, espera-me o sim-
Karl Lagerfel, o alemão mais magro, e fashion do mundo, pático hotel Bel Ami que a nossa
francês e fashion do mundo, conversa conversa baixinho correspondente Leonor Baldaque
baixinho com o belíssimo Giabi- inclui num roteiro íntimo de Paris
coni Baptiste, protagonista da cam- com o belíssimo que aceitou revelar-nos. É onde me
panha Maison da Chanel. De óculos instalo com o prazer de ouvir falar
escuros, comme d’habitude, veste preto
Giabiconi Baptiste, português ao  educadíssimo  concierge
e branco com a mesma excentricidade protagonista e de morar por uns dias no coração
ascética da mulher a quem sucedeu, da urbe.
a omnipresente Gabriel. França tem da campanha Maison Não é de mais dizer o quanto na Lanidor
o Nº5  impregnado  na alma e prestou da Chanel. De óculos gostamos de Paris e o prazer que foi
nos últimos anos generosos tributos descobrir gente e temas novos de uma
à autora. A nossa vénia à mulher que escuros, comme cidade tão ampla e internacional-
nos livrou de espartilhos foi escrita d’habitude, veste mente publicitada. Chamo à atenção
por Joana Amaral Cardoso e começa para o artigo «Paris by net» de Cláudia
na página 18. preto e branco com Candeias, uma pesquisa aturada de
Lá fora, no passeio da rua Saint- deliciosas francesices.
-Benoit, um acordeonista antigo
a mesma excentricidade Mostramos-lhe também os melho-
desentende-se com um saxofonista ascética da mulher res looks para Outono/Inverno com
novo que chega e tenta jazzar a versão o chique  nonchalant da Lanidor,
de “La Vie  en  Rose” do mais velho. a quem sucedeu, interpretado pela actriz modelo  Ana
A audiência perde  com pena  a inicia- a omnipresente Gabriel Cristina Oliveira. Se estivemos à altura
da jam session e retoma o burburinho da mítica ville lumière, só quem nos
da cidade. Centenas de pessoas em lê avaliará melhor. Assim haja luz! LA
6
CUMPLI C E S L A M AG

HÉLÈNE HARDER/
/2
Nasceu em Paris, mas
cresceu em Montparnasse. MÁRIO
Após ter estudado PRÍNCIPE/
filosofia na École Normale /3
ANTÓNIO Supérieure, foi convidada
CARRETEIRO/ Tudo começou
para prosseguir os depois de dois testes
/1 estudos na UC Berkeley,
Atraído desde cedo psicotécnicos terem
onde descobriu a arte de apontado uma forte
pela estética, quis ter fazer cinema e fotografar.
todas as profissões tendência para ser
Agora viaja pelo mundo, fotógrafo. Iniciou
a ela ligadas. É sempre acompanhada pela
maquilhador, já foi a formação no ARCO,
sua câmara. Vai de Nova que interrompeu
estilista e nos tempos Iorque a Seoul e de Berlim
livres é também a  meio para arrancar
a Dakar. Acabou de chegar como freelancer.
pintor, decorador, do Senegal, onde filmou o
cozinheiro e fotografo. Apaixonou-se pela
seu último documentário, fotografia de moda
Adora fado, viajar, mas nem por isso parou.
cães e de rir muito. e busca inspiração
Até a sua residência muda em grandes fotógrafos
constantemente. Tanto internacionais como
pode estar em Londres, Greg Kadel, David
como em Paris. La Chapelle, Peter
Lindbergh, Paolo
Roversi, Steven
HELENA Meisel, Steven Klein,
MASCARENHAS/ Terry Richardson,
/4 entre outros. Criou
Depois da “Marie Claire” e da “Elle”, a “Blend Magazine”
onde foi jornalista vários anos, -  a primeira screen
teve a sorte de trabalhar na TV magazine  portuguesa
“quando tudo estava a acontecer”. (www.blend-magazine).
Fez pesquisa para programas de que Poderá conhecer
sente saudades, como “O Senhor que o seu trabalho em
se Segue” de Paula Moura Pinheiro e www.marioprincipe.com 
“Viva a Liberdade” de Miguel Sousa
Tavares, na SIC. O cinema é uma
das suas grandes paixões. Escrever
já lhe salvou a vida várias vezes.

ANA ESTEVES/
/5
Gosta de histórias, palavras, vidas, caras e novos olhares. Por
isso é jornalista há 15 anos. Na PAIS & Filhos apaixonou-se
pelos milagres banais da gravidez, do parto e do crescimento
de uma criança. Hoje é freelancer. Gosta de se perder no meio
de prateleiras cheias de livros infantis onde a ilustração e o
texto não têm fronteiras. Um dia há-de escrever um. E aprender
fotografia. E deixar de faltar às aulas de ioga.

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QU E M L A M AG

Marjane queria ser


o Profeta. Queria
ser a Justiça, o Amor
e a Ira de Deus. Um
três em um. Acabou
por se tornar numa
romancista que
usa uma linguagem
gráfica para
contar que caminho
percorreu

10
MARJANE SATRAPI

A Princesa
V ermelha
E se o profeta fosse uma mulher e se chamasse
Marjane Satrapi?
Ela acreditou que era o Profeta. E anunciou na escola
que quando crescesse queria ser o profeta.
Tinha seis anos. Estava-se em 1976. Três anos depois,
deu-se a Revolução Islâmica e no ano seguinte
as meninas passaram a usar véu, as escolas
estrangeiras foram fechadas. A escola estrangeira
que Marjane frequentava era a École Française,
e a relação da banda desenhista com a cultura
francesa começa aí. Hoje vive em Paris.
Sem véu. Ninguém lhe chama profeta,
e ela duvida das palavras dos profetas

Te x to A N A B E L A M OTA R I B E I RO

Q
uem é Marjane Satrapi? Apresenta- Diz que é uma iraniana que nunca se sentiu
-se como uma princesa vermelha. completamente em casa no Irão. Mais do que
Nasceu numa família aristocrática uma segunda língua, o francês e a cultura
de Teerão, próxima do ideário francesa coincidiam com a educação aberta
comunista. O seu tio foi um famoso opositor, e moderna que os pais lhe davam em casa.
© Arnault Joubin/CORBIS OUTLINE /VMI

executado pelas ideias que professava. Talvez ela tenha sido sempre um pouco
É uma menina bien née que nunca foi bem francesa. Talvez ela tenha sido sempre um
comportada. Uma mulher que desenha pouco estrangeira. Os seus livros são uma
a preto e branco e que conhece os dois lados do amostra desse cosmopolitismo em que sem-
Irão – o Irão de dentro de portas, o Irão visto pre viveu. O mesmo que lhe permitiu olhar
do exterior. E é uma francófila. de viés para o mundo de onde provém.
QU E M L A M AG

Deu-lhe distância. É uma romancista que Ouviu gritarem-lhe: «Foge para a cave cinema contou com a voz de Chiara Mas-
usa uma linguagem gráfica para contar que que estamos a ser bombardeados» (era troianni no papel de Marjane e Catheri-
caminho percorreu. Até encontrar a sua a guerra Irão-Iraque). E chorou perante ne Deneuve no papel de mãe. “Le Poulet
voz. Os livros são relatos autobiográficos a hipótese de um futuro redutor: aux Prunes”, o livro de 2005, prepara-se
e o Irão nem sempre fica bem no retrato. «Com a idade com que Marie Curie para ser levado ao cinema, mas desta vez
“Persépolis” conta a sua história. foi para França estudar, provavelmente com personagens de carne e osso, e não
Voltemos ao ponto de partida: Marjane eu terei dez filhos…» (era o cerco a em formato de banda-desenhada.
queria ser o Profeta. Queria ser a Justiça, apertar-se, o moralismo a interferir com O estilo é corrosivo, subversivo, politi-
o Amor e a Ira de Deus. Um três em um. o livre-arbítrio). camente astuto, irónico. Os livros funcio-
nam como retratos sinceros e reveladores
de uma realidade a que, no Ocidente,
e de outro modo, não teríamos acesso.
Funcionam como biografia de um tem-
po, de um país e de uma revolução. E são
também um mosaico da vida de todos
os dias. Ali se explica como se engana a
polícia ou se entornam garrafas de álcool
pela sanita. A avó muda de roupa à vis-
ta da neta, a mãe recusa o véu, Marjane
© Antoine Le Grand/Corbis Outline/VMI

fuma o tempo todo. E página a página,


mistura-se a prisão do pai, com máquina
fotográfica ao pescoço, e o desespero da
filha adolescente porque é peluda! Uma
profusão de planos por hierarquizar, em
que tudo entra e tudo importa.
As mulheres, as suas conversas à volta
do samovar, mereceram um livro inteiro:
“Broderies”. É um bordado, e é um livro
de gajas. Aí se constata o que há muito
se suspeitava: que as mulheres de Teerão,
Lisboa, Paris e NY se parecem. Voilà uma
e xc e r amostra:
to — Avó: «Sabes, minha filha, o orgulho de
no liv de uma c
r on um homem está situado no escroto».
casad o “br oderi versa ent — Amiga: «É claro que tive quatro filhos,
o e s”: « S r
Depoi é só ter a er am e amigas, mas continuo sem ter visto o órgão
s da m melh a nte d
aman i or e um masculino. Ele vinha para o quarto,
t e d e n h a v i ag e m pa rt e. home
m
as cam u m à apagava a luz, bang bang bang, e eu
i s a s s u m i n i s t r o. E u r o pa to aparecia grávida. Ainda por cima, tive
de he jas, o C rnei-m
m m au h o n s e g u e s e quatro filhas. Nunca vi um pénis!»
fa l a r o r r ó i d a s, á l i to , i m ag i n
no ma a s co
nst o s ataq a r …, — Outra amiga: «Ser amante de um
tudo u
i s s o f h u m o r e d i paçõ e s, j á u e s homem casado é só ter a melhor parte.
i c a pa
r a a m a s r e c l a m a pa r a n ão Depois da minha viagem à Europa tornei-
ulher çõ e s… -me amante de um ministro. Consegues
!» , imaginar…, as camisas sujas, o mau
hálito, os ataques de hemorróidas, as
constipações, já para não falar no mau
humor e das reclamações…, tudo isso fica
A religião sempre esteve lá. Mas Foi para Viena. Onde nunca se sentiu para a mulher!»
esteve também o interesse pela cultura em casa e onde pouco parou em casa. O momento insuperável é aquele em que
ocidental. Ela conhecia os heróis míticos Levou uma vida desregrada, passou dias se explica como simular a virgindade:
da revolução de Cuba; além de Fidel, charrada, descobriu o punk e a liberdade «Toma esta lâmina. Na primeira noite,
Marjane gostava de Che Guevara. – em diferentes intensidades. Cresceu apertas as pernas com muita força, gritas
Sabia das crianças vietnamitas mortas precocemente. Apaixonou-se, conheceu a muito alto, muito alto, e quando o mo-
pelos americanos. Na sua cabeça, Marx solidão, sentiu saudades de casa. Depois mento chegar cortas-te um bocadinho.
e Deus mantinham discussões acaloradas. de quatro anos na capital austríaca, voltou Vão cair algumas gotas de sangue. Ele fi-
Na sua cabeça, o universo era monocolor, a Teerão. Casou-se. Divorciou-se. Pôs um cará orgulhoso da sua virilidade e tu man-
infantil, possível. ponto final na turbulenta relação amorosa téns a tua honra intacta».
Cá fora, crescia o fanatismo e a violência. com o seu país e mudou-se para Paris. Marjane Satrapi tem um cabelo preto-
Era um mundo no qual os pais não se Tornou-se uma banda-desenhista de -azeviche, um sinal no nariz. Iraniana,
reviam. Nem ela – percebeu mais tarde. sucesso. O livro-mãe,“Persépolis”, tem portanto. E é coquette e tem um tom de
Quando tinha 14 anos, mandaram-na quatro tomos e conta a história da sua voz insinuante. Francesa, portanto. A nova
estudar, viver, respirar um ambiente vida, momento a momento. O sucesso França parece-se com ela: assimila a dife-
diferente daquele que se vivia em Teerão. mundial foi instantâneo. A adaptação ao rença, mantém a identidade original. LA

12
QU E M L A M AG

© Martin Richardson/Corbis Outline/VMI


F re n ch
To u ch ha
endin
pedro t
Te x t o rui

14
© Jérôme Bonnet/Corbis Outline/VMI
Louis Garrel
Odiado e amado. Ninguém fica indiferente ao seu
ar de parisiense extravagante, à sua técnica de actor
insolente. O jovem Garrel é realeza no cinema
de autor francês. Filho do prestigiado realizador
Philipe Garrel, Louis impôs um estilo, uma
presença. Tal como na vida real, o cigarro ao canto
da boca e o blazer negro amarrotado são utensílios
na composição das personagens. Há como que
um gesto de provocação, como se nos dias de hoje
ainda fosse possível um actor viver de maneirismos
estilísticos. Depois, outras marcas ficam: a voz
frágil, o olhar vaidoso e o cabelo cirurgicamente
despenteado. Quem o viu a cantar em “Canções
de Amor” talvez perceba que Paris ainda precisa
de heróis românticos assim. Consideremos que
este pinga-amor é o melhor cliché do novo galã
francês… Mas um galã reclusivo, se calhar até
preguiçoso. Após as filmagens em 2008 de La
“Belle Personne”, de Christophe Honoré, não
voltou a filmar. Presume-se que esteja a fumar
maços e maços de tabaco numa esplanada de Paris,
provavelmente em Saint Germain, provavelmente
com a companheira, a realizadora, actriz e mana
de Carla Bruni, Valeria Bruni Tedeschi. Supõe-se
ainda que tenha dificuldade em lidar com a fama,
apesar de ser sempre prestável para sessões de
fotografia (é frequentemente capa de revistas). Tem
também feito teatro underground. Quando esteve   s r o s tos s
em Portugal, no Estoril Film Festival, fartou-se S ã o ome d i á t i c o s
m a i s v a v aga do e s
de gritar bem alto que quer ser cineasta. “Mes
Coupains” é a sua primeira curta-metragem. Quem
d a no e s f ranc e s s
sabe, Garrel está farto do Garrel actor snob. O seu
pai talvez vá ganhar um novo rival. Curiosamente,
foi o produtor português, Paulo Branco, que
a c t o r e m a . To d o
d e c i nh i q u e s ,
o descobriu em Ceci est Mon Corps. E já aí era
o ai Jesus das meninas francesas…
e le s c v e l me nt e
  r a z o ad e s e c o m
Vincent Elbaz r eb e l mb o c e r t o e .
i l
o c a r a nt t e r r ib o
É sobretudo um actor voluntarioso, um daqueles f
de en nós não sã
E nt ree s t re l a s
valores capazes de fazerem as vezes de protagonista,
mas também de se apagar nos papéis mais
a
su per e o c inem
secundários. Em França é mais respeitado pelo
trabalho nos palcos de Paris. Há dois anos foi
o cabeça-de-cartaz da muito controversa peça
encenada por John Malkovich, “Good Canary”. p o r q uê s c a d a
Os portugueses conhecem-no sobretudo como f ranc rde m a i s s
a
v e z p e o. Fi c a m  
criminoso diligente em “Nem a Favor Nem Contra
(Antes pelo Contrário)”. Com sorte vamos voltar
n
a encontrá-lo na comédia familiar “Tellement
Proches”. Tem ainda uma acentuada queda para t e r re e nt a ç õ e s …
a comédia. ap r e s
QU E M L A M AG

Romain Duris
Depois de “De Tanto Bater o Meu Coração Parou”, o
mundo olhou mais seriamente para Duris. Aos trinta
e tal anos ganhou uma consagração que já merecia.
Antes era apenas olhado como uma cara bonita, um
bibelot que ficava bem em filmes independentes.
Mas muitos esquecem-se das suas aventuras com o

© Vincent Lignier/Corbis Outline/VMI


cineasta Tony Gatlif, nomeadamente em “Exílios”.
E o melhor de todos os seus dotes é a capacidade de
transformação. O seu jovem moribundo no filme
“Paris”, ao lado de Juliette Binoche, funciona como
a mais bela carta de amor triste à cidade das luzes…
O mesmo realizador, Cédric Klapisch fez também
dele modelo de comportamento de uma geração,
primeiro em “A Residência Espanhola” e depois em
“As Bonecas Russas”, a continuação. É um actor
capaz de tudo. Diz-se que está superlativo no novo
filme de Patrice Chéreau, “Persécution”, no qual
contracena com Charlotte Gainsbourg. Para Duris
não há apenas um cinema. Aos poucos levou o seu
ecletismo até aos limites. Tanto é capaz de seguir
a via dos blockbusters (como, por exemplo, Arsène
Lupin) como a do cinema mais marginal (“Osmose”).
Definitivamente, tem um rumo próprio.

Nicolas Cazalé
ne/VMI

O maior sex symbol do cinema francês é um actor


que não joga pelo seguro. As suas escolhas de carreira
© Claudio Carpi/Corbis Outli

indicam uma vontade de risco, sobretudo quando


foi para Espanha fazer “Caotica Ana”, filme erótico
espanhol bastante polémico. Com um visual bem
másculo, este jovem de Pau tem sido visto como
uma das propostas mais latinas nos ecrãs franceses.
O seu charme perigoso chega em breve a Portugal
com “Le Fils de l’épicier”, no qual interpreta
um rapaz da cidade que é obrigado a viajar até à
província para retomar o negócio do pai: merceeiro
ao domicílio nas estradas da montanha.

Guillaume Canet
I
tline/VM

O menino bonito do cinema francês foi catapultado


Corbis Ou

para a fama com um filme de Hollywood,


“A Praia”, em que era um dos vértices do triângulo
k Swirc/

amoroso entre DiCaprio e Virginie Ledoyen.


Depois, tornou-se galã e, mais tarde, realizador
© Patric

de sucesso. Tem sempre um ar juvenil que usa


a seu favor. Em breve vamos vê-lo ao lado de
Emir Kusturica em “L’Affaire Farewell”. Mas a sua
grande interpretação é ainda em Narco. Por estes
dias, tenta ser «internacional». Primeiro em “Last
Night”, o novo veículo para Keira Knightley e,
depois, sob as ordens do mexicano Alfonso Cuarón
em “A Boy and His Shoe”. LA

16
QU E M L A M AG

Coco e Paris
j u n ta s p a r a s e m p r e
Coco Chanel foi talvez a maior criadora de moda
do século passado. Foi buscar aos homens o vestuário,
as verbas, o incentivo, tudo para transformar a vida
das mulheres. Paris sem Coco não seria... Paris

Te x to J oana A maral C ardoso

18
© Corbis/VMI
MADEMOISELLE COCO CHANEL
NA RUA CHAMBON, PARIS 1962

Q
uando pensamos em Coco Chanel pen-
samos em dois C de costas voltadas mas
para sempre entrelaçados, pensamos no
número 5 – o seu fétiche, o seu perfume,
a sua porta –, pensamos em tweed e pensamos em Paris,
claro. Mas Gabriele «Coco» Chanel é mais do que isso,
do que os ícones que criou e o ícone em que se tornou.
O petite robe noire, sim, as calças, bien sûr, mas também
o amor por Igor Stravinsky, a (curta) vida como cantora
de cabaret ou o facto de ter forçado os americanos
a cunhar a expressão look total. Coco era também isto
e era (e é) Paris.
Paris é uma das capitais da moda, mas a única a ter alta-
-costura, certificada e reconhecida. E se lá moram e mora-
ram dezenas de nomes incontornáveis da moda, Chanel
foi a única do sector a integrar a lista das pessoas mais
influentes do século XX da revista “Time”. E, com ela,
Paris foi validada no mainstream da actualidade, uma vez
mais, como a capital do chique. E ninguém como Ga-
brielle Chanel definiu o chique. Menos é mais, elegância
como antítese da redundância e excesso.
Coco não era como Audrey Tautou, nem como Anna
Mouglalis. Mas ambas as actrizes tiveram de ser como
Coco Chanel. Este ano, estrearam-se dois filmes sobre
aquela que já foi coroada como «a costureira [no senti-
do de alta-costura] mais célebre do século XX». Parece
ser o ano de Chanel. Ambos focados não propriamente
na roupa, na habilidade com que tecia não só vestidos,
mas modos de estar, estilos de vida, nas suas inspirações.
Coco era totalmente Paris nas noites que, durante as dé-
cadas de 1920/30, passava nos restaurantes mais elegan-
tes com Jean Cocteau, com o poeta Jean Reverdy, com
o poderoso Winston Churchill. Quando viajava com
o duque de Westminster, quando privava com Pablo Pi-
casso. Quando tecia a amizade com Serguei Diaghilev,
o empresário por trás dos Ballets Russes. No fundo,
quando amava o compositor Igor Stravinsky – alvo do
filme de Jan Kounen com Anna Mouglalis, que se centra
nesse romance adúltero que despontava no mesmo ano
em que o Nº 5 era criado. E mesmo antes dos roaring
twenties, Chanel inspirava-se. O amor, sempre, ou não
fosse Paris um eterno e delicodoce lembrete de quão ro-
mânticas e apaixonadas podem ser as vidas.
E, assim, Coco Chanel também se construía enquanto
criadora de moda. Quando se apropriou dos códigos
e linguagem masculinos para propor o uso das calças,
dos jerseys, das saias acima do tornozelo, dos vestidos
mais soltos, dos botões dourados de inspiração militar
e do tweed, dos simples casaquinhos de malha, estava não
só a proclamar a independência quanto o seu amor pela
outra metade. A masculina.
QU E M L A M AG

Chanel e o Grão-Duque Na companhia


Dimitri Pavlovitch, primo de um amigo em
do Czar Nicolau II, Montecarlo,
da Casa Real dos Romanov 1933

© Corbis/VMI

Nº 5, o número fétiche Gabrielle Chanel


de Coco Chanel. definiu o chique. Menos
O número do seu é mais, elegância
perfume e também como antítese
20 da sua porta da redundância
e excesso
Nem tudo aconteceu em Paris, porque Coco, aliás Ga-
brielle, nasceu em 1883 em Saumur, no vale do Loire.
Órfã de mãe e entregue a um internato, aprendeu a cos-
turar e a sonhar com uma vida que se equiparasse ao seu
orgulho. O nome Coco nasceu quando cumpriu o sonho
de cantar no cabaret, graças às canções que interpretava.
E o look mais despojado e simples que viria a ditar o con-
ceito de chic nas décadas seguintes nasceria nas festas que
frequentava nos arredores de Paris pela mão do primei-
ro amor, Étienne Balsan. Enquanto as outras mulheres
eram como nenúfares ou macarons, com os seus folhos
e chapéus trabalhados, ela era a estóica de calças de mon-
tar, de gravata e de chapéu de palha redondo.
Foi graças ao dinheiro de Balsan que abriu o seu primei-
ro atelier: de chapéus, em Paris. Os homens eram como
catalisadores para a sua carreira, seja financeira ou estra-
tegicamente ou ainda como fontes de inspiração. Pouco
depois apareceria outro homem na vida de Gabrielle.
E ele seria o amor da sua vida, tragicamente morto em
1919. «Coco Antes de Chanel» passa em revista exacta-
mente esses momentos, das origens humildes ao encon-
tro com o amor da sua vida – o norte-americano Arthur
Capel. O filme de Anne Fontaine protagonizado pela
eterna Amélie Poulain «abarca as suas fontes de inspira-
ção», explica a realizadora. «A educação num convento,
o desenvolvimento dos talentos na costura e o falhanço
como performer de cabaret. Pobre, mas desejando o su-
cesso em Paris, e o momento em que conhece o amor
da sua vida». Capel, com a alcunha de Boy, era um em-
presário mineiro que deu a Coco a sua maison na Rue
Cambon. E que lhe transmitiu o olho para o negócio,
além de ser um prenúncio do grande sucesso da Chanel
na diáspora – o mercado dos EUA.
Esta é Coco, esta é Chanel, mas ela também é tudo
o resto: a responsável pela expressão «look total» por
ter sido a primeira a apresentar na passerelle os figurinos
e coordenados exactamente como deveriam ser usados,
acessórios e tudo; a amante de camélias; o desgosto com
o triunfo do new look de Dior, em contra-corrente com
toda a libertação que Chanel propagandeava; a paixão
pela bijuteria, a anti jóia; a entusiasta do bronzeado, fru-
to da vida no campo, da passagem da sua loja em Biarritz
e da casa de férias La Pausa, na Riviera Francesa. E ela
também é Paris na forma como comunicou a sua ima-
gem: o seu lifesyle, a sua forma de vida, era um símbolo
do air du temps e daquilo que queria que fosse esse espí-
rito dos tempos. A mulher Coco Chanel dizia à mulher
Chanel tudo o que ela podia ser. E quando lhe vestia
o petite robe noire, versátil, simples e irremediavelmente
chique, tornava-se num sonho real. Como Paris. LA
QU E M L A M AG

Rainha
de Copas
O nome dispensa apresentações. As criações de Victoire
de Castellane para a casa Dior são apaixonantes, ousadas,
vibrantes. A nova colecção? Uma viagem ao tempo da
monarquia das festas, da opulência e da boa vida
t e x to joana catarino

22
T
ornada famosa pelas suas criações e pedras utilizados na maioria das criações
ousadas e glamourosas, como o rei de joalharia tenham deixado por muito tempo
sol – um colar com uma estrela- a ideia de que uma jóia, para transmitir a sua be-
-do-mar vibrante graças às três mil leza e valor, tinha de ser séria, sóbria, intocável.
safiras amarelas e laranja –, Victoire de Castellane, a di- Victoire contraria este pressuposto desde o primeiro mo-
rectora criativa da Dior Haute Joaillerie, deu uma nova mento. «Uma peça de alta qualidade não tem de ser abor-
vida ao conservador mundo da alta joalharia. Reinterpre- recida!», indigna-se. «Quando cheguei à Dior para criar
tando o romantismo da casa Dior de uma forma única, as jóias, o universo que encontrei era um bocado monótono
suas criações transpiram personalidade. Laços de diamantes e eu sonhava dar nova vida à joalharia», conta.
e rubis entretecidos em colares, esmeraldas e safiras cor-de- O convite para se juntar à marca e lançar a linha de alta
-laranja transformadas em alfinetes formando cenouras- joalharia da Dior chegou em 1998, por Bernard Arnault,
-bebés ou anéis feitos de rosas de coral coroados por do grupo LVMH e actual dono da marca. No currículo,
besouros são apenas exemplos do que cria. Nascida numa a designer trazia uma poderosa bagagem: 14 anos de traba-
família de designers – é sobrinha de Gilles Dufour, o eter- lho com Karl Lagerfeld na Maison Chanel e um trabalho
no assistente de Karl Lagerfeld na Chanel e a sua avó, Syl- de tal forma original que sobressaía do universo da joalha-
via Hennessy, transformava constantemente as jóias para ria como uma flor no deserto. Plantas carnívoras e frutas
melhor as combinar com as diferentes toillettes –, Victoire esculpidas em ouro e pedras preciosas, insectos brilhantes
de Castellane encontrou nas jóias a sua vocação. de todas as cores, parecendo vivos em colares, brincos, anéis
«Criar jóias é mais do que uma paixão. É a minha vida!» e pulseiras. «Não tenho a sensação de estar a trabalhar, mas
Excêntrica, independente, decidida, Victoire de Castellane antes a brincar com coisas reais», confessa. Talvez por isso
é uma lufada de ar fresco no universo por vezes demasiado o seu trabalho tenha uma forte componente de inocência
sério da criação de jóias. Talvez a preciosidade dos metais infantil que raramente encontramos na alta joalharia.
QU E M L A M AG

te
c o m ponen
e
a f o rt a designer e n s:
H á u m i r aç ão q u e l d a s o r i g o
p ti ã
de ins a mais fér e a imensid
e n a s
co l h d e fa d t i l
s c o n to s i n fa n
o
u n i verso
do

Uma história de reis universo infantil


e rainhas como inspiração 
Casada e mãe de quatro filhos – três rapazes e uma rapariga, «Trabalho com uma equipa de três desenhadores que me aju-
a mais nova –, De Castellane não hesita quando lhe pergunta- dam todos os dias a tornar reais as ideias.» Para criar as suas
mos onde se vê daqui a dez anos: «A fazer o que mais gosto.» peças, Victoire inspira-se em tudo o que a rodeia, no passado
Nos tempos livres? «Sonho.» e no presente. «O universo feminino em geral, as exposições
Victoire começou a criar era ainda criança e o primeiro que vejo, a arte com que me deparo em todas as formas, o cine-
trabalho foi um momento muito especial, confessa. «Ti- ma, a fotografia, enfim, tudo!» Mas há uma forte componente
nha cinco anos quando fiz a minha primeira jóia. A minha de inspiração que a designer colhe na mais fértil das origens:
mãe ofereceu-me uma pulseira de amuletos e eu desfi-la os contos de fadas e a imensidão do universo infantil. «To-
para criar um par de brincos. Mais tarde, com 13 anos, das estas influências estão presentes no meu shaker mental e é
derreti as medalhinhas religiosas que me tinham dado a partir delas que as ideias fluem», explica Victoire. De resto,
em bebé e fiz um anel enorme.» São assim, as criações o fim de uma linha não existe. «É sempre o início de uma nova
de Victoire de Castellane: originais, marcantes, inespera- colecção. E a minha criação preferida é sempre a próxima!»
das. Como o seu escritório, repleto de objectos arrancados Corajosa, ousada e deveras criativa, a designer não se contenta
ao imaginário infantil – como brinquedos, comida de bor- com coisas medianas e isso reflecte-se no seu trabalho. Nas
racha, fios de plásticos coloridos, borboletas, miniaturas criações, o volume é uma assinatura tão forte quanto as co-
e personagens da Disney –, as suas criações estão impreg- res vibrantes – «Gosto das pedras com cores porque parecem
nadas de uma inspiração digna de figurar na mais comple- bombons, é como se tivessem sabor», explica – e os desenhos
ta (e cara) encenação de “Alice no País das Maravilhas”. fantásticos: do exageradamente grande ao mínimo. «Gosto
«Sempre me senti fascinada por jóias, mas não fazia ideia do exagero, de peças de alguma forma semelhantes a perso-
de que iria ser designer.» nagens de livros de quadradinhos.» A exclusividade é outra
A excentricidade que constitui a sua imagem de marca imagem de marca das suas criações. Foi assim com a coleção
é bastante óbvia na mais recente linha de alta joalharia Le Coffret, lançada em 2003 e inspirada nas viagens de Vic-
da casa Dior. Reis e Rainhas é uma colecção composta por toire, e de novo em 2005, com La petite Série Limitée, em
dez figuras masculinas e outras tantas femininas que se que a criadora propunha uma linha de jóias limitada a uma
conjugam em pendentes poderosos, anéis enormes, brin- centena de exemplares para todo o mundo. «Gosto de con-
cos vistosos, carregando no nome a designação das pedras tar histórias através do que faço. A colecção Milly La Forêt,
preciosas que lhes dão origem. Porém, as festivas figuras por exemplo, foi inspirada na casa de campo de Christian
revelam-se-nos sob a forma de caveiras sorridentes e enig- Dior, cujo jardim ele adorava. Achei que seria interessante
máticas de jade, crisolite ou jaspe, instaladas entre platina transportar para as minhas jóias esse ambiente, com frutas
e diamantes e enfeitadas com coroas, colares e pendentes. e vegetais feitos de pedras preciosas, como se a natureza
se tivesse transformado em pedra», revela. As peças de Victoi-
re para a Dior são tão femininas e invulgares quanto a autora.
Um gozo para os olhos. LA
24
QU E M L A M AG

26
O s meus
livros são
tão belos
quanto as
vossas vidas
Claire Castillon tem
34 anos, uma voz ún
enquanto escritora ica
e uma aversão
ao Facebook. Vive e
ama Paris, mas é no
campo que escreve
– actividade que cla
como «viril». “O Inse ssifica
cto e Outras Históri
de Mães e F ilhas”, e as
ditado pela Oceanos,
é o único dos seus o
ito livros publicado
em Por tugal. Mas a
escritora está
a ter minar o nono
Te x to J oana A maral C ardoso

F OTO G R A F I A S C edidas pelas E di t ions Fayard , a quem agradecemos .


© Patrick Swirc / Corbis Outline
QU E M L A M AG

V
ive em Paris, mas sei que pre- ensão sobre o que aborda. Qual é o seu
fere escrever no campo. É mais objectivo quando escreve?
difícil escrever em Paris? Frequentemente, os temas dos meus li-
Para mim é mais difícil escrever em Paris, vros voltam: a família, as relações hu-
não porque as solicitações sejam muitas, manas. Mas não encontro saída, nem
mas porque o silêncio e o remoinho no conclusão. Rasgo, abro, aprofundo sem
vazio, no meio das árvores, sem ninguém, desejo de encontrar o que sou. Não escre-
me é cada vez mais necessário para ouvir vo ensaios, não estudo casos, contento-
crescer a escrita. Lá, sinto-a completa- -me com ver, em mim, ou com escutar
mente, como uma música que, de repente, o que se passa em volta desses temas. E se
vem cortar o silêncio. aquilo que eu experiencio é modificado
Quando não está a escrever, quais são pela vida e pelo tempo, então os meus
os seus bairros preferidos em Paris – e o escritos ressentem-se disso.
que tem o quotidiano parisiense? A finalidade da escrita não existe. «Quero
Em Paris, gosto do Palais-Royal (o único terminar o meu livro, fazer um “grande”
jardim onde não se ouvem os carros!), gos- livro»: aqui estão duas expressões sempi-
to do alto da colina Montmartre (do lado ternas, «acabar» e «grande»; duas expres-
não turístico), gosto do 17ème Arrondis- sões que nada querem dizer a não ser que,
sement no bairro de Batignolles, gosto do de seguida, há que começar outra coisa,
16ème junto ao bois de Boulogne, gosto e maior!
do porto da Bastilha, dos estranhos quais Escreve sem parar há mais de oito anos.
na direcção de Beaugrenelle... Em Paris, Pode dizer-se que passa a vida a escre-
na verdade não tenho um quotidiano por- ver ou que escreve para passar a vida? 
que tenho a sorte de não ter de ir todas as É o que lhe disse: escrevo o que vivo,
manhãs, à mesma hora, para o escritório. tudo o que vivo me atravessa, me marca.
Aquilo de que mais gosto é mesmo estar Isso sai sob a forma de tinta, transforma-
em minha casa. Em Paris, escrevo – enfim, do, claro, nunca tal e qual, mas a vida
tento –, corrijo bastante, passeio o meu e o livro estão doravante estreitamente
cão e passo muito tempo em minha casa. ligados.
Não aproveito muito a cidade a andar de Uma das coisas que hoje parece fazer
um lado para o outro, convivo com ela parte da vida são as redes sociais na in-
como um cenário, mas não me sirvo mui- ternet. Há uns meses, José Saramago di-
to dela. zia que não está no Facebook porque os
Paris é a cidade das luzes, a cidade do grupos e as suas regras homogeneizado-
amor… o que pensa dos clichés sobre ras são coisas perigosas. O que pensa das
Paris? Qual a irrita mais? redes sociais? Tem perfil no Facebook?
A cidade do amor, ah!, não creio, não sei. Facebook? Que horror! Quando conheço
É como Veneza, ou Nova Iorque. Mas o um homem, por exemplo, o meu primei-
amor leva-se para todo o lado e também se ro reflexo é telefonar a uma amiga que vá
esquece em todo o lado. Há um cliché de verificar que ele não está no Facebook!
Paris: a ponte Alexandre III, em frente aos Neste campo, sou uma verdadeira selva-
Invalides, com os seus dourados. Lembro- gem. Detesto o princípio de as pessoas se
-me de uma rapariga dos arredores que lá mostrarem, de contarem os seus amigos,
chegou, espantada, e disse «Uau, mas isto de estarem nas «relações sociais», detesto
é para toda a gente? Isto existe mesmo?» mesmo isso. Sou de tal forma exibicio-
Foi perturbador. nista nos meus livros que se ainda por
Chegou à escrita após a morte do seu cima precisasse de contar no computador
avô, quando teve necessidade de escrever o que comi ao almoço a falsos amigos…
sobre isso. Hoje, o que a faz escrever? Era de mais!
Nesse dia, no dia do seu enterro, notei que Acredito no mundo íntimo, pessoal.
escrever no meu canto me sabia melhor, Odeio o grupo e aquilo que ele frequen-
era mais agradável do que chorar com os temente faz sobressair – desfigura, deslei-
outros. Podia fabricar qualquer coisa com xa. Amo as personalidades.
aquele vazio. Hoje, tudo é vazio se eu não Como vai ser o sucessor de “Dessous,
escrevo. Muitas vezes ouço, noto, comen- c’est l’Enfer” (2008)?
to qualquer coisa e digo-me: “Oh! Devia Estou em vias de terminar um romance
escrever isto em algum lado…” E se não que se chama “Les Cris” [“Os Gritos”]
sei onde escrevê-lo, digo a mim mesma e que conta a história de tudo aquilo de
que não valeu a pena ter vivido esse mo- que falámos: a ligação à escrita duran-
mento. te uma ruptura amorosa; até que ponto
Já escreveu sobre famílias, mães e filhas, o monstro textual, que invade a narradora
homens e mulheres… Diz-se que a escri- quando o seu homem parte, é vencedor,
ta é também uma espécie de sociologia único, o único homem da sua vida. Sobre
que dá ao escritor uma melhor compre- essa força viril que é a escrita, talvez. LA

28
QU E M L A M AG

CARTA AO EDUARDO,
QUE LEVOU PORTU
GAL PARA PARIS
I N Ê S P E D RO S A

A
história da minha paixão por blicada, mas que importa isso). O artista
Paris deve ter começado naquela não suportava a ideia de perder de vista
fotografia do início dos anos 70, o precioso canudo, de modo que o meu
com o meu pai, subitamente belo como namorado de então lá acedeu, num gesto
um desses anjos urbanos que tão bem co- de magna e generosa amizade, a acompa-
nheces, barba de três dias, o azul impossí- nhar o povo mais povo de que há memória.
vel dos olhos cintilando no cinzento da ga- A viagem foi um suplício – além da mú-
bardine, no cinzento da estátua, atrás dele, sica pré-pimba insuportavelmente alta (de
em cuja pedra estava escrito «Soutenez les modo a que o condutor único da viagem
Desérteurs Portugais». Ou no cheiro ma- não adormecesse), o odor misturado dos
cio da “Marie Claire” que a minha mãe corpos, do salpicão e das bacalhauzadas
comprava todos os meses, às vezes substi- que todos os viajantes levavam en cachette
tuindo o almoço por uma sanduíche para (porque oficialmente não se podia levar
não dispensar esse pequeno luxo de ler em repasto) era insuportável. Instalámo-nos
francês reportagens sobre a força crescente num Abri de Jeunesse na Bastilha. Fiquei
das mulheres no mundo. Lembro-me em numa camarata com um grupo de holan-
pormenor da minha saída de Santa Apo- desas e finlandesas desconhecidas, só com
lónia para Paris, nas férias da Páscoa de um cobertor de palha de aço, porque os
1980, ainda não tinha 18 anos. Fui com lençóis tinham de se pagar à parte.
uma amiga da mesma idade, ficámos em Vi o Louvre inteiro, Dessa vez, fomos bater à porta de uma
casa de uma concièrge. Era nas traseiras da revista chamada “L’Autre Journal”, à qual
Avenue Foch, nos prédios de serviço aos de ponta a ponta, fui oferecer os meus préstimos como cor-
palacetes. A dita senhora morava numa num só domingo respondente em Lisboa. O Michel Butel
cave e tinha ainda o usufruto de um tugú- (porque era grátis) sorriu-me, com os olhos arregalados. Dis-
rio minúsculo, no sótão do mesmo prédio, se que teria o maior gosto em ler os meus
onde nos albergou. Saíamos todos os dias e passei essa noite textos, mas que a revista estava quase
ao romper da aurora, e voltávamos estoi- a encher o meu diário a fechar, por falta de leitores e publicida-
radas, eufóricas, à meia-noite. de fichas descritivas de. Custava-me a entender que uma re-
Lembro-me em particular do fascínio com vista tão bonita e inteligente não tivesse
que percorri o Beubourg, onde estava dos quadros de que mercado – mas, de facto, as instalações
nessa época uma retrospectiva gigantesca mais tinha gostado, e a redacção eram ainda mais modestas,
do Salvador Dali. Eu tinha então um na- se possível, que as do “JL”, onde eu en-
morado que se preparava para ser pintor antes que me tão vivia. Nunca mais deixei de voltar
e que atravessava a tão adolescente «fase esquecesse de tudo. a Paris – felizmente, sempre de avião. Sei
Dali». Gastei praticamente uma adoles- Vivi a semana inteira que tenho encontro marcado com todas
cência inteira de poupanças no catálogo as cores que só conhecia desmaiadas, em
da retrospectiva Dali que, depois de ler de iogurtes catálogos, de Gauguin a Hockney. E com
e reler, lhe ofereci. O resto das poupan- e crepes de rua os livros que não encontro aqui. E com o
ças foram-se numa camisa azul turquesa calor dos amigos.
absurdamente cara, só porque, quando “En dansant la javanaise/ nous nous aimons/
a empregada da loja me perguntou se eu de iogurtes e crepes de rua. Sentámo-nos / le temps d’une chanson”. Sempre que ouço
era belga e eu respondi que era portuguesa no café de Flore e pedimos uma água para o Serge Gainsbourg lembro-me de ti, da
ela se riu, e acrescentou que a dita camisa as duas, que bebemos de olhos fechados, revista especial que tu me trouxeste de Pa-
era «trop chère». Depois disso, resignei- para sentir o gosto do chocolate quente da ris quando ele morreu. E do orgulho que
me a roubar os livros que me chamavam, mesa ao lado. Do Flore trouxe um cinzei- me tomava, nos serões de cantorias com
e a fazer sprints à frente dos seguranças do ro, que depois punha sempre ao lado da as minhas amigas da “Marie Claire” fran-
metro, saltando por cima das maquinetas máquina de escrever, embora ainda não cesa, no tempo em que eu trabalhava na
dos bilhetes. Vi o Louvre inteiro, de pon- fumasse (hoje já me é mais útil). versão portuguesa da revista, porque elas
ta a ponta, num só domingo (porque era Voltei a Paris em 1984. De camioneta, não sabiam as letras das canções do Serge,
grátis) e passei essa noite a encher o meu porque ia com um amigo que levava um e era eu quem as cantava para elas. Agora
diário de fichas descritivas dos quadros canudo enorme com uma banda-desenha- canto-as para ti, querido amigo, quando
de que mais tinha gostado, antes que me da que ia ser editada pelos Humanoides estou triste e preciso dessa luz de Paris que
esquecesse de tudo. Vivi a semana inteira Associés (e que acabou por nunca ser pu- fazia parte de ti. LA

30
O QU Ê L A M AG

O espaço como um décor


de uma peça de teatro,
no restaurante Last
Supper, Luxemburgo

Inspiração oriental no
restaurante Vermillion,
de Manchester

32
O reconhecimento chegou
na criação de espaços como
o Budha Bar, em Paris, ou o Man
Ray em Nova Iorque. Tem um
gozo particular em intervir
em edifícios existentes,
respeitando-lhes as histórias
e transformando-os em palco
de outras ficções. Ele que
junta pedaços de paragens bem
distantes nos seus trabalhos,
escolheu viver no Marais,
nessa mistura única de
culturas de todos os mundos
T E XTO A lda Roc h a

F OTO G R A F I A S C edidas pelas M C M D esign , a quem agradecemos

Arquitecto
e decorador
Miguel Câncio Martins

a vitrina»
s é a minh
«Pari
O QU Ê L A M AG

A sobriedade
quente dos
interiores
do Heritage
de Lisboa

O bar do Last Supper tem


uma identidade própria,
distinta do restaurante

detalhe da
decoração
do Last

P
Supper,
aris acolhe o primeiro projecto que As portas fecharam-se todas, os convites que tinha luxemburgo
lhe dá reconhecimento internacio- recebido ao acabar o curso foram todos cancelados
nal. Foi determinante para a rela- e o que à partida podia ter sido mau para a minha
ção que mantém com a cidade ou carreira acabou por a desencadear. Obrigou-me a sair,
é um velho amor? deu-me acesso a outras referências. Se calhar deu-me
Um pouco dos dois. Paris é a minha primeira ima- mais garra e fez-me lutar mais pelas coisas.
gem. O primeiro projecto que me deram oportunidade O lado teatral marca os seus trabalhos. É esse o seu
de fazer foi muito importante e marcou. E depois Paris caminho?
é a minha cidade preferida, na qual me sinto como peixe Sempre. A vida é um teatro quotidiano também.
na água. Tenho escritórios em Paris, Bruxelas e Lisboa Quando faço um projecto tento inventar uma história,
e ando por estas três cidades, mas Paris é a minha vi- criar o décor de uma peça de teatro, onde os clientes
trina, a imagem da marca. Paris é o ponto de encontro e os empregados vão ser os actores… Trabalho muito
entre os clientes e a criação, é aqui que tudo se passa. em espaços públicos. Gosto de imaginar como as pes-
A noite marca a sua entrada no design de interiores. soas vão depois viver nesses espaços.
Foi uma entrada natural para um apaixonado da noite? Simultaneamente, e não estou a dizer que seja con-
Sempre gostei da noite, é verdade. Acabou por ser um traditório, sempre privilegiou a recuperação de ele-
meio de entrar num mercado. É um luxo ter começado mentos tradicionais. Não concebe espaços sem his-
por uma coisa de que gostava e que na altura era mui- tória?
to interessante para mim. Hoje em dia evoluí, gosto É um pouco nos dois sentidos que estamos a falar,
de outras coisas e enveredo mais por outros caminhos. história como património e cultura e também história
Mas o mais importante na vida é fazer-se aquilo de que como conto. Há uma mistura dos dois.
se gosta. Há pessoas que não têm escolha ou a quem Tem um gozo particular em intervir em edifícios
custa muito lá chegar. construídos?
A propósito de escolha, a Guerra do Golfo, pela con- Adoro intervir em edifícios existentes. Temos de res-
juntura negativa para a arquitectura, acabou por peitar o desenho, obriga a mais reflexão e a procu-
ser um factor positivo no arranque da sua carreira. rar mais soluções. Gosto de tentar perceber o que já
A adversidade foi determinante para ir à luta? foi feito para depois ir com o meu toque e, respeitando

34
O Cinnabar
tornou-se num
dos locais
de culto de
Manchester

ria,
u m a h i s tó
ta r tes
n t o inven e os clien
e d
c to t o, on u i to
u m p r o j e a d e t e at r r a b a l h o m
ço eç .T
d o fa u m a p s ac to r e s a r
« Qua n décor d e o n .»
o ão s e r i m ag i paço s
c r i a r p r e g a d o s v s . G o s to d e r n e s s e s e s
m o e
e o s e ço s p ú b l i c d e p o i s v i v
s pa vã o
em e s pe s s
oa s
m o a
O desafio da
intervenção
co
num edifício com
passado, como
é o pombalino
Heritage

o que existe, fazer diferente, evoluir. Às vezes os edifí- A originalidade é uma obsessão?
cios não têm nada de extraordinário mas pressupõem Não é o mais importante para mim. É difícil ser sem-
esse desafio entre o que já existe e a minha intervenção. pre original, há tanta criação em paralelo no mundo…
É quase um jogo que me leva a avançar. Surpreender é que é a chave do negócio. Quando
O processo de criação na sua essência é solitário? o trabalho é conhecido é lógico que, de cada vez que
Sou muito um trabalhador de equipa. É um pouco ganhamos um projecto, temos de surpreender, temos
pretensioso dizer que uma pessoa faz tudo sozinha. de fazer as coisas de maneira diferente e isso não quer
Levanto-me às seis da manhã e sou capaz de me debru- dizer sempre originalidade. Originalidade não é igual
çar num projecto. Quando estou inspirado, quando a surpresa. Podem usar-se elementos já bastante conhe-
encontro o bom caminho, sou capaz de fazer muitas cidos e ser surpreendente.
coisas sozinho mas depois o trabalho cresce. Em qual- Apesar de todo o reconhecimento profissional conse-
quer projecto, o trabalho de cada um é muito impor- guido, a arquitectura continua a ser um risco?
tante. Não é só graças à pessoa que tem a boa ideia que Um jogador de ténis pode ser o número um mundial
o projecto está feito. Ainda falta muito caminho até mas, de cada vez que entra no court, tem um novo
à sua realização. jogador pela frente e tem de ganhar. Cada vez que fa-
Por falar em equipa, o seu pai voltou à arquitectu- zemos um projecto não está definido que vai ser um
ra depois de se reformar da carreira diplomática. sucesso. Não é linear.
Inverteram-se os papéis e foi a carreira do Miguel E só vale a pena pela ousadia, a ousadia que pressu-
a influenciar o regresso do pai a uma velha paixão? põe correr o risco da rejeição?
Ao que parece foi isso [risos]. Está todo feliz por Os projectos públicos são sempre como um julga-
trabalhar comigo. O meu irmão faleceu, o que o fez mento, o que os torna mais combativos. Há arquitec-
entregar-se ainda mais ao trabalho e interessar-se tos que têm imenso prazer a fazer projectos privados
pelo que eu faço. Nunca tinha feito decoração ou ar- e percebo o seu ponto de vista. Mas para mim é mui-
quitectura de interiores, agora aprendeu a desenhar to mais recompensador intervir em espaços públicos,
em computador em 2D, em 3D. É um dos elementos há muito mais pressão para se fazer tudo melhor
da minha equipa. Em vez de ser o filho que aprendeu e cometer menos erros. Nada é tão motivante para
com o pai, o pai aprendeu com o filho. mim do que fazer o que faço. LA
O QU Ê L A M AG

O chão das
marcas
C arlos C oel h o C ria d o r d e marcas , P resi d ente da I v it y B ran d C o rp e Wo r l d ban k o f C reati v it y

F
oi em Paris que descobri uma marca. Pequena e de baixa implica-
as marcas, por isso decidi ção tecnológica, a chave de um automó-
partilhar convosco a mi- vel é o concentrado «molecular» da sua
nha viagem, de 24 anos, marca, o lugar onde se encontram sim-
ao interior do meu cresci- bolizadas as suas dimensões não físicas.
mento pessoal e profissional. Esta chave foi, literalmente, a chave para
Em 1985, acabei o curso de Design e fun- o início do meu entendimento do mundo
dei a minha primeira empresa, a Novode- físico e extra-físico das marcas e, não fora
sign. Tinha trabalhado muitíssimo e, no só por esta revelação, a viagem já teria va-
fim do ano, com alguns escudos no bolso lido a pena.
e a companhia de um amigo fui, de com- Mas Paris ainda guardava algumas sur-
boio, descobrir o que eram as marcas de presas, muito especiais, que acabaram por
verdade. marcar a minha vida.
Já tinha visto Paris ao longe, pela janela Em Janeiro, é bonito ver nevar em Paris
de um autocarro em direcção a Londres, mas, ao final da tarde, é muito frio e des-
mas nunca lá tinha estado. A viagem de confortável e por isso foi, quase gelado,
comboio foi realmente bonita e longa, que descobri no Fórum Dês Halles o co-
mudava-se de linha na fronteira de Irun e bertor da minha alma: chamava-se Fnac
seguia-se directo até Paris, onde se chega- e foi amor à primeira visita. Era inacredi-
va quase dois dias depois. tável para quem vinha de um país onde os
Paris não cabia nas fotografias que já tinha livros se conheciam pelas janelas das car-
visto, era uma cidade grande, cosmopolita rinhas das bibliotecas itinerantes da Gul-
e invulgarmente preparada para receber benkian. Ali estavam aos milhares e não
jovens com muita curiosidade e pouco di- Em Paris descobri era preciso comprá-los, podíamos folheá-
nheiro. que o chão los, apalpá-los, cheirá-los, namorá-los e,
Instalei-me num sótão junto à Rue Du das grandes marcas mais incrível de tudo, lê-los. Podíamos
Pont Neuf, em Chatelet, comi baguettes de ficar o tempo que quiséssemos, sentados
Camembert durante um mês e planeei re- era para nos no chão de alcatifa azul escura, a ler livros;
gressar de boleia num camião TIR, feliz. sentarmos, uma revolução na minha forma de ver o
Fui a Paris para ver o mundo, para ver ao mundo e o meu primeiro contacto com
vivo a saída do Paris-Dakar, em Versailles, que os livros antes uma grande marca.
mas sobretudo fui para visitar empresas de de serem comprados Ao fim do dia, já coberto por este manto
design. Eu precisava de saber para que ser- de cultura, corria para o Centro George
via o que tinha aprendido no curso, se as teriam de ser Pompidou e lá me sentava novamente no
marcas realmente importavam à economia amados e que chão do grande hall de entrada a ler o jor-
e se, afinal, eram motores de desenvolvi- nal, a ouvir música ou a aquecer o tempo
mento ou apenas exercícios decorativos, o verdadeiro luxo com as palavras.
de quem não tinha tido a capacidade de de Paris Em Paris descobri que o chão das grandes
tirar um curso melhor. marcas era para nos sentarmos, que os li-
Com o meu descaramento luso, ousei ba- estava na forma vros antes de serem comprados teriam de
ter às melhores portas e, numa após outra, como oferecia ser amados e que o verdadeiro luxo de Pa-
fui sendo recebido. Vi marcas de comboios a cultura ris estava na forma como oferecia a cultura
TGV para a África do Sul (era lindo o Tan- a quem a procurava, mas que ainda não
gara), vi desenhar helicópteros e compa- a quem a procurava, tinha dinheiro para a comprar.
nhias de aviação, vi empresas grandes com mas que ainda Regressei a Lisboa cheio de marcas, do
projectos pequenos e empresas pequenas frio, da atribulada viagem de regresso, da
com projectos grandes; e depois de muitas não tinha dinheiro noite passada no colchão de pedra do me-
vistas, vi uma das empresas grandes mui- para a comprar tro de Paris e, sobretudo, com as marcas
to empenhada em desenhar um objecto de todas as lições de mundo que consegui
pequeno, uma chave de automóvel, creio trazer.
que para a Renault. A minha vida nas marcas começou a dar
Lembro-me deste momento cinético, de frutos em Lisboa, o que me permitiu vol-
entendimento da verdadeira dimensão de tar, de avião, diversas vezes a Paris.

36
Ao longo da minha vida juntaram-se, a de provas na Comme des Garçons um fox A minha viagem ao mundo parisiense das
estas marcas simples, outras marcas que terrier maquiado até as orelhas. Lembro- marcas, começou de comboio e terminou
o dinheiro nos ajuda a conhecer e que me dos chupa-chupas do Kenzo Lab que de Concorde. Paris é assim mesmo, sem-
são hoje ícones da Paris contemporânea. desafiavam os novos sentidos gustativos e pre chic. Sabedora de que a vida se faz de
Recordo o palácio veneziano do Hotel do lustre aceso dentro de água do designer percursos, sempre me recebeu como sou,
Costes, com os quartos escuros de veludo Philipe Stark, no museu Baccarat, que de- um apaixonado por marcas, hoje menos
encarnado e a melhor salada da cidade. A safia o nosso conceito de realidade. pobre que na adolescência e muito mais
Colette que me fazia lembrar um centro A minha viagem pelas marcas de Paris foi rico com a sabedoria da vida e das marcas
de terapia de adultos onde compramos continuando, ano após ano, até que le- que Paris me ensinou a conhecer. Confes-
o que os outros ainda não têm, ou nem vantou um voo especial quando, um certo so que, depois de ter feito este percurso,
sequer sabem que existe. Lembro-me de dia, fui convidado pela Cartier para o lan- continuo a sentir uma imensa vontade
jantar nas nuvens no Georges, reino dos çamento do relógio Santos Dumont (100 de me sentar no chão das marcas, o lu-
Estrunfes que habitam o telhado do cen- anos), nos angares do terminal Le Bourget, gar onde a Fnac me ensinou a sentir-me
tro Pompidou, ou de lanchar no café de onde fica o museu de L’Air. Nessa noite um cliente, quando ainda não tinha pos-
Beaubourg que, mesmo ali no nariz dos memorável, após um jantar na companhia sibilidade de o ser. Por isso, quando fo-
turistas, é um local quase exclusivamen- das mais badaladas estrelas terrestres, aca- rem a Paris, experimentem seguir o meu
te parisiense. Lembro-me de me ofere- bei a dançar debaixo de dois Concordes, endiabrado conselho, sentem-se no chão
cerem uma taça de champagne na Louis especialmente alinhados para nos acon- das marcas e se alguém vos chatear, não
Vuitton de St. Honoré, apenas porque chegar e fazer pensar, por instantes, que liguem, é porque essa marca não percebe
estava calor e de ter como companheiro éramos donos do céu, de Paris. muito de marcas. LA
O QU Ê L A M AG

EXPOSIÇÃO SPY NUMBERS


Pascal Broccolichi
esteve presente com
Sonotubes, 2006-2009,
uma cortesia da Galeria
Frédéric Giroux,
Paris & Transcultures,
Belgica

38
Paris encanta pela
imponência da arquitectura,
dos museus e jardins
imensos, das magníficas
pontes que atravessam
o Sena e que proporcionam
momentos únicos aos
viajantes. Apesar de
conhecida há séculos por
todas estas características,
a capital francesa recicla-
-se e não cristaliza nessa
aura que lhe conferiu todo
o glamour.
É sempre emocionante
vivenciar este Património
Mundial, eleito pela UNESCO,
em 1991. Nos últimos anos,
a arte e a arquitectura
têm sido os motores
da renovação urbana e um
dos exemplos deste fluxo
de energia é a reabilitação
do Palais de Tokyo, que desde
2001 passou a dedicar-se
© André Morin

à arte contemporânea,
acrescentando alternativas
ao já animado roteiro
artístico da cidade.
T E XTO I sa C lara N eves
O QU Ê L A M AG

© Philippe Delacroix
© Palais de Tokyo
HOTEL EVERLAND
Uma criação
dos suÍços
Lang e Baumman,
que esteve
instalada no Entrada para uma
telhado do Palais das muitas exposições
de Tokyo durante do Palais de Tokyo,
18 meses um espaço de debate
estético aberto

O
riginalmente o Palais fine-se não tanto pela sua arquitectura, dando especial enfoque ao visitante e às
de Tokyo albergava um mas sim pela acção que nela se desen- suas escolhas, em vez da utilização de
museu de arte moderna volve, determinante na sua constante formulações gastas e obsoletas.
construído para a exposi- transformação. Acima de tudo, a intervenção de La-
ção internacional de 1937, acolhendo Talvez seja congruente pensar que um caton & Vassal e toda a sua ideologia,
as suas colecções de arte moderna até gesto tão simples como a interven- revela-se congruente com as alterações
serem mudadas para o Centro Georges ção de Lacaton & Vassal pode consti- que estão a decorrer no mundo, e com
Pompidou, em 1974. Os diferentes usos tuir uma crítica aos lugares colectivos as necessidades reais de hoje. O objecti-
a que se adaptou posteriormente ocul- atemporais que proliferam pelas cida- vo passará por uma tentativa de coadu-
taram pouco a pouco os seus espaços, des europeias. A afinidade quase inata nação à velocidade das transformações,
até o transformarem numa grande caixa com as condições existentes para a pro- adaptando-se à instabilidade das cida-
escura, contradizendo as qualidades in- dução e exposição, possibilitou deixar des e às suas necessidades movediças,
trínsecas do lugar, especialmente a luz para trás o cliché do cubo branco vei- através de uma arquitectura mais fle-
natural. A autoria do projecto pertence culado pela maioria dos museus, ain- xível, que não apresente a durabilidade
à dupla francesa Lacaton & Vassal, e o da que alguns o disfarcem de radiosos da construção tradicional.
programa consistia na «instalação de invólucros. Esta subversão de todos os A efemeridade das suas estruturas de-
um lugar dedicado à criação contem- valores comprova a lufada de ar fresco veriam constituir um estímulo de uma
porânea», tratando-se de uma platafor- que este projecto constitui. A  aboli- nova forma de encarar a arquitectura
ma de diálogo para a criação francesa e ção dos limites normalmente impostos das cidades, mudando os ambientes
internacional, um espaço para o debate ao artista nos espaços de arte é tam- quotidianos. Penso que esta ideologia
estético aberto.  bém invertida. Salienta-se uma inter- se transpõe claramente para este mé-
Neste confronto dos tempos, o desejo disciplinaridade entre as intervenções todo de encarar a arquitectura, numa
foi deixar o edifício arquitectonicamen- permanentes dos artistas plásticos em opção pelo provisional, pela instalação
te intacto e valorizá-lo por aquilo que nome de ambientes metafóricos, que permanente, de duração limitada, que é
é: edifício em que é visível a simulta- vão desde a cafetaria pintada por um feita para ser consumida e substituída.
neidade de tempos que se justapõem e artista plástico, até às janelas para a Esta dupla de arquitectos franceses, pro-
desenham um todo único. Marcada por rua, ao chão, aos candeeiros, graffiti tagonistas de uma nova atitude e prática
sensibilidade e leveza, esta intervenção nas paredes; uma integração profunda singular no panorama arquitectónico
apoia-se na ideia da própria arquitectu- da arte num espaço liberado para isso contemporâneo, explora a abordagem
ra como instalação. mesmo; desde a roulotte-bilheteira, até estruturalmente informal. Demonstram
Apesar de se tratar de um edifício no as próprias residências de artistas den- uma abertura libertadora à informalida-
centro de uma das maiores cidades tro do museu, assim como todas as si- de natural da vivência dos espaços. Não
europeias, a referência conceptual do naléticas introduzidas neste espaço de se alimentam de modas formalistas,
projecto baseou-se na praça Djemaa uma arquitectura nua e crua, o tornam apenas procuram ser congruentes com o
el Fnaa de Marraquexe. Mais do que vivo e carismático. Num ambiente de tempo em que vivem. Talvez sejam uma
aludir à experiência adquirida pelos ar- pouca ortodoxia que relembra «a pai- espécie de metáfora da própria cidade,
quitectos na sua estadia em Marrocos, sagem» do filme incessante, selvagem e que já provou ser muito mais que uma
ou a qualquer desejo de originalidade, desorganizado de Chungking Express, tendência temporária... os anos passam,
salientaram-se aspectos reais caracterís- sob o repto de vida, dessacraliza-se o es- as vontades mudam, surgem outros des-
ticos da sua obra. Segundo os autores, paço de museu, tal como já acontecera tinos apetecíveis, mas Paris não passa de
o Palais de Tokyo deveria parecer uma na década de 60, em que os armazéns/ moda. Continua e continuará estimu-
praça pública, evocando a acção quoti- garagens foram espaços menos conven- lando as novas gerações, mantendo em
diana que aí se desenrola, de percursos cionais de exposição. Algumas partes simultâneo a sua inabalável da «Paris
e gestos que se cruzam fugazmente no do edifício remetem para esse tipo de clássica», capaz também de uma liber-
espaço urbano, para depois desaparece- ambiência, ainda que de forma menos dade informal, alternativa, geradora da
rem e voltarem a formar-se. A praça de- crua; tornam-se lugares mais flexíveis, «Paris contemporânea». LA

40
© Corbis
© Philippe / VMI
Delacroix
© Marc Domage
O relógio à entrada,
uma obra de Gianni
Motti, 1999-2005

A roulotte-
-bilheteira que dá
acesso à criação
da dupla francesa
Lacaton & Vassal
© Corbis/VMI

© Palais de Tokyo

A praça Djemaa el Fnaa


de Marraquexe,
a referência conceptual
do projecto

Vista
do restaurante
Tokyo Eat
O QU Ê L A M AG

a livraria
E outras
histórias
inéditas
C O O R D E N A Ç Ã O de C L ÁU D I A C A N D E I A S T E XTO E D I TO R E S D O M Q U I XOT E

Talvez tenha sido o espírito de Paris, FERNANDO PESSOA: BARROCO TROPICAL


das suas ruas e pequenas livrarias. O GUARDADOR DE PAPÉIS As propostas de leitura da editora Dom Quixote
Talvez tenha sido a vontade de encontrar Disse Fernando Pessoa «[...] tantas são as folhas estão cada vez mais sedutoras e é difícil dar
um espaço onde os livros fossem que tenho a encher, que algumas se perdem, destaque a um título sem mencionar outros,
especialmente bem tratados. A verdade por elas serem tantas [...]». Não perca estas. como por exemplo “Leite Derramado” de
é que corri as ruas de Lisboa em busca Incluem um texto inédito sobre o encontro Chico Buarque, “No Bosque dos Espelhos”
de uma boa livraria e encontrei a Pó de Fernando Pessoa e Crowley, textos inéditos de Alberto Manguel ou “Grimus” de Salman
que revelam a posição do poeta em relação Rushdie. Optámos por “Barroco Tropical” de
dos Livros. Um espaço encantador José Eduardo Agualusa. Não é uma novidade,
na Avenida Marques de Tomar, às  aparições de  Fátima (que  na época gerou
alguma polémica junto do episcopado), escritos mas é uma excelente sugestão de leitura que
que enfeitiça ao primeiro olhar e prende que revelam Pessoa igualmente como escritor envolve personagens tão improváveis como uma
os sentidos de tal forma, que o difícil é conseguir sair. e leitor de romances policiais, assim como mulher que cai do céu durante uma tempestade
Eventualmente consegue-se reunir coragem para virar algumas curiosidades como a publicação da tropical, um traficante de armas em busca do
as costas e sair porta fora, mas – fica o aviso – nunca certidão de nascimento do poeta e  das notas poder total, um curandeiro ambicioso, um
o conseguirá fazer de mãos vazias. Um mistério. de Pessoa para «regras de vida», entre outros. antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um
Os livros insinuam-se de uma forma irresistível. Novas Textos recolhidos por José Barreto, Steffen ex-sapador cego, que esconde a ausência de
Dix, Patricio Ferrari, Sara Afonso Ferreira, Ana rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um
e velhas edições, e até edições que nunca sonhou aqui jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua
encontrar. Uma descoberta leva a outra e o tempo Maria Freitas, Carla Gago, Manuela Nogueira,
Rita Patrício e Jerónimo Pizarro. A organização sombra). Uma história que se passa em Luanda,
passa sorrateiro. Apetece ficar e remexer em livros da obra ficou a cargo de Jerónimo Pizarro. no ano de 2020. Agualusa cada vez melhor.
arquivados em gavetas originalmente desenhadas para www.textoeditores.com www.dquixote.pt
DVD. Apetece ficar no pequeno café a saborear as
páginas de um livro escolhido ao acaso. Apetece ficar

PARIS,
e admirar todas as velhas curiosidades que nos espreitam
do meio de mil diferentes lombadas com títulos
sugestivos. Apetece ficar, porque aqui nos sentimos bem.
E foi com essa sensação que parti. Não de mãos a
abanar, mas com duas pequenas descobertas deliciosas.
“O Dicionário do Diabo” de Ambrose Bierce (Edições

PARIS,
Tinta da China - www.tintadachina.pt) e “Buracos
Negros”, de Lázaro Covadlo (Livros de Areia –
www.livrosdeareia.com). Havia mais potenciais
aquisições, muito mais, mas essas terão de esperar
por uma próxima visita.

PARIS...
PÓ DOS LIVROS
Av. Marques de Tomar, 89A –
Lisboa – T 217 959 339

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P E T E R PAU P E R P R E S S
Mademoiselle – Coco GRÂCE À CE LIVRE
Chanel / Summer 62 Um livro puramente conceptual sobre as coisas
Em 1962, Douglas Kirkland foi até Paris, a de todos os dias. Françoize Boucher brincou
LITTLE BLACK BOOK OF PARIS pedido da revista americana “Look”, e foi lá que com as palavras e Muriel Abadie transformou-
Uma editora a descobrir. Tem “Little Black or Pink Books of...” fotografou Coco Chanel. Fotografou-a a sair as em desenhos de uma simplicidade audaz.
praticamente tudo, incluindo um elegante e prático guia da da sua suite no Hotel Ritz, no seu apartamento É um livro bem-humorado e descomplicado,
cidade de Paris, com todas as informações úteis para que não e estúdio de trabalho no 31, Rue Cambon e a que deve passar a fazer parte da sua vida. Uma
haja falhas na sua próxima visita à capital francesa. assistir ao desfile, sentada na mítica escada de excelente ferramenta de inspiração, só para si ou
www.peterpauper.com fundo espelhado. Fotografias agora compiladas para partilhar com os seus amigos.
em “Mademoiselle”, um livro concebido por www.horay-editeur.fr
Karl Lagerfeld. O texto introdutório é do
criador e as fotos... enfim, são fascinantes.
www.steidl.de
44
SHUFFLE
SONGS
Já não há desculpa
para não viajar, mesmo
que seja sozinha Se ainda
não encontrou um passarinho
que ande no seu ombro,
lhe cante músicas
ao ouvido e lhe mordisque
a orelha. descubra um amigo
imaginário, ou real, Man Like You/ You And I/
/ 4:12 / 3:27
que a acompanhe nas Álbum Wooden Arms Álbum Wilco
Artista Patrick Watson Artista Wilco (the album)
caminhadas pela cidade, Patrick Watson não é um simples O dueto é uma coisa que caiu
compositor e cantor canadiano. em desuso, ou se tornou mais exigente.
lhe faça os elogios mais A biografia descreve-o como Não basta haver duas pessoas a cantar,
ousados e a deixe com aquele um cientista musical louco, um génio
em potência. “Man like You” é uma boa
é preciso haver um motivo, uma ideia
que se partilha. Quando esta ideia
sorriso reservado e meigo introdução ao mundo de Watson, é o amor e se fala na primeira
uma música singela sobre o espelho e pessoa, há purpurinas a cair do céu.
e um brilho no olhar. sobre os outros que vamos conhecendo. Assim é este dueto do estranho charme
É sem dúvida uma música para ouvir de Wilco e da talentosa e divertida
As nossas sugestões enquanto se pisam folhas de Outono. Feist. Mesmo em tom desafinado
vão ajudá-la a encontrar http://www.youtube.com/
watch?v=3b09UK7XIZg
recomendamos que experimente
este dueto com a sua cara-metade
esse ser especial e que siga à risca esta receita.
http://www.youtube.com/
MÚSICAS R I C A R D O TA D E U B A R RO S watch?v=FgiLQDhpmss

LETRAS LEONOR VISEU

S H U F F L E S O N G S @ gmail . com

B O NS
ES
TU B

Don’t Let Me Out/ HOWEVER IT TAKES IT prends cette main/ Flume/


/ 3:50 TAKES// 2:34 / 4:13 / 3:39
Álbum The Island Moved Álbum Folk & Proud [Disc 1] Álbum enfants d’hiver Álbum For Emma, Forever Ago
In The Storm Artista Vandaveer Artista jane BIRkin Artista Bon Iver
Artista Matt Bauer As mais simples sonoridades conseguem Paris é também Jane Birkin, Depois de acabar com uma banda,
Matt já tocava guitarra mas foi a partir coisas extraordinárias. Vandaveer pegou apesar da sua origem inglesa. com uma relação amorosa
da descoberta dos acordes do banjo na sua guitarra e mais dois amigos, Canta-nos ao ouvido com uma doçura e de lhe ser diagnosticada uma doença
que se libertou do pânico de andar um com uma vassoura e outro incomparável e ao ouvi-la a vida contagiosa, Vernon, o único membro
na cidade de São Francisco. É o próprio com um banjo, passearam-se pelas ruas ganha charme e doçura. É de tal forma de Bon Iver refugiou-se durante três
que afirma que hoje a música o leva de Paris a tocar os seu temas. Quando inspiradora que a Hermès não resistiu meses na cabana do pai numa floresta 
a todo o lado e que lhe salvou a vida. deambulamos assim, e ousamos passar a criar uma mala à sua imagem. Wisconsin. O resultado foi este
Salvou-o, pelo menos, da agorafobia. um portão de ferro entreaberto podemos Se não poder fazer-se acompanhar delicioso álbum que não a vai largar
Sempre que as quatro paredes estiverem acabar por descobrir uma festa de um de uma Birkin de mão, então entregue-se até se sentir no retiro da floresta
há algum tempo a olhar para si, casamento para nos juntarmos. Quando à sedução de uma das suas músicas. que mais aprecia para respirar fundo
ponha a música mais alto, levamos a guitarra e boas canções, “Prends cette main” e seja feliz. e revigorar o espírito.
lembre-se do Matt e saia à rua, como foi o caso dos Vandaveer, é certo http://www.youtube.com/ http://www.youtube.com/
porque afinal a música liberta. encontrarmos uma audiência a aplaudir- watch?v=4PtPIEW3Dhs&feature=related watch?v=62i9Sodwp5o
http://www.youtube.com/ -nos e uma boa festa para nos juntarmos.
watch?v=jK3BNnPyfYg http://www.youtube.com/watch?v=9SvO-
wi3inc
QUA N D O L A MAG

um festival
de boas ideias C oordenação de I sabel F igueiredo

MÚSICA_LISBOA | PORTO
Amália Hoje
© Rita Carmo

5 de Out | Coliseu dos Recreios | 21.30


9 de Out | Coliseu do Porto | 21.30
Não conte com xailes negros ou guitarras portuguesas, em palco os Hoje surgem com uma guitarra eléctrica portuguesa,
bateria portuguesa e uma dezena de músicos que representam a nova maneira de cantar música pop em Portugal. Sónia Tavares,
Fernando Ribeiro, Paulo Praça e Nuno Gonçalves tocam ao vivo as canções do disco “Amália Hoje” acompanhados pela
Orquestra Nacional Sinfónica da República Checa e o coro de vozes que gravou em estúdio as canções pop de Amália.
Em vez de fados ouvem-se canções pop. No Coliseu dos Recreios, a 5 de Outubro, a tristeza dará lugar à alegria!
Preço de 15€ a 30€ | T 707 234 234 (ticketline) | T 213 240 585

LISBOA
Gilberto Gil | Jaques Morelenbaum | Bem Gil
10 Nov | Grande Auditório do Centro Cultural de Belém | 21.00
“Bem Gil” é o espectáculo que torna real o já antigo desejo de Gilberto Gil e Jaques Morelenbaum de criarem um concerto
juntos. Após os espectáculos com Orquestra em França e Itália há quatro anos, e após cumplicidades reforçadas, agendaram
finalmente para o final deste ano a apresentação do concerto de cordas. No Grande Auditório do Centro Cultural de Belém,
Gilberto Gil (voz e violão) e Jaques Morelenbaum (violoncelo) convidam Bem Gil (violão) para os acompanhar na concretização
deste sonho antigo, transformando-o num espectáculo único e mágico.
Preço de 25€ a 50€ | T 707 234 234 (ticketline) | 213 612 444

LISBOA | PORTO
Diana Krall
10 de Out | Campo Pequeno | 22.00
11 de Out | Pavilhão Rosa Mota | 22.00
O nome dispensa apresentações. Há muito que Diana Krall conquistou os fãs da música jazz. Graças ao seu impressionante
talento como intérprete e pianista, é hoje uma das mais proeminentes artistas do jazz do mundo. O seu encantamento
pelo jazz clássico e pela música pop encontram na sua voz o ponto de encontro perfeito dando origem a um estilo que transcende
catalogações e que se torna impossível não admirar. “Quiet Nights” é o seu último álbum. Tom Jobim, Burt Bacharach,
entre outros, são alguns nomes sonantes que acompanham a diva nesta viagem pelo universo da bossa nova.
Preço de 20€ a 70€ | T 707 234 234 (ticketline)

PORTO | LISBOA
Mariza
29 e 30 de Out | Coliseu do Porto | 22.00
31 de Out e 01 de Nov | Coliseu dos Recreios | 22.00
Prefere ser apelidada de cantadeira de fados a fadista, mas a verdade é que Mariza é hoje uma das vozes mais significativas
da música portuguesa em todo o mundo. A sua invulgar capacidade de interpretação conjugada com a sua paixão pelas palavras
de poetas torna impossível ficar-lhe indiferente. Com uma voz inconfundível, Mariza tem conquistado fãs um pouco por todo
o mundo, prova disso são os sucessivos concertos nos mais famosos palcos nacionais e internacionais e os consecutivos
prémios que vai arrecadando. Se ainda não viu Mariza ao vivo esta é a oportunidade.
Preço de 18€ a 50€ | T 707 234 234 (ticketline) | 223 394 940 | 213 240 585

FESTIVAL_PARIS
Festival d’Automne à Paris
Até 19 de Dez
O Festival de Outono de Paris é um festival de arte contemporânea, onde os visitantes podem desfrutar de várias manifestações
culturais, dentro das várias formas de arte que conhecemos. Todos os anos entre Setembro e Dezembro, este festival
recebe mais de cem mil visitantes, num total de mais de quarenta eventos culturais. Fundado em 1972 por Michel Guy,
com o apoio de Georges Pompidou, na altura Presidente da República, é hoje uma referência no que respeita à demonstração
do melhor da arte contemporânea. Espectáculos de dança, teatro, música, cinema entre outras formas de arte, invadem
Paris nesta altura do ano. Se está de visita à capital francesa no próximo Outono não pode perder alguns dos melhores eventos.

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Paris marca esta edição e o Festival de Outono é sem dúvida o grande destaque.
Eventos culturais dos mais variados géneros convidam-nos a uma viagem até
à capital francesa. Para quem fica, o regresso ao luxuoso mundo de Paris antes
da primeira Guerra Mundial pode ser feito com o filme “Chéri”, uma excelente história
de amor com Michelle Pfeiffer no papel principal. Além disso, a marcar a chegada
do Outono, conte também com muitos concertos em Lisboa e no Porto

TEATRO_LISBOA
Seis Personagens à Procura de Autor
Até 18 de Out | Teatro Municipal SÃO Luiz | QUA a sáb às 21.00 e dom às 17.30
«E eis que surge uma família em luto, com rostos esmaecidos e como que vindos de um sonho. São as seis personagens
que procuram autor e que tentam viver. Querem ser mergulhados num drama. São mais reais do que tu, encenador,
trapalhão imundo. São reais e provam-no…» Através de um texto vigoroso de reflexão e luta interior constantes, Luigi Pirandello
revela-nos a angústia do homem obscuro que se perdeu no mundo tremendo do seu ser, mostra-nos a tentativa desesperada
do homem se compreender e de compreender o mundo que o rodeia. Com interpretação de João Perry, Sylvie Rocha, Lia Gama,
Mariema, Pedro Gil, Pedro Lacerda e outros intérpretes, não deixe de ver no Teatro Municipal S.Luiz.
Preço de 12 a 20€ | T 707 234 234 (ticketline) | T 213 257 650

LISBOA
O Camareiro

© Carlos Ramos
Até 25 de Out | Teatro Nacional D. Maria II – Sala Garrett | QUA a sáb às 21.30 e dom às 16.00
Baseada na vida de um dos maiores actores shakespearianos, Sir Donald Woffit, esta história remonta a 1942 e às aventuras
de uma companhia de teatro em plena Segunda Guerra Mundial. “O Camareiro”, de Ronald Harwood, o galardoado
argumentista de “O Pianista”, é um retrato apaixonante da vida nos bastidores do teatro. Conhecido apenas por Sir, o já ancião
actor e director da companhia de teatro, luta para manter a sua própria sanidade e assim concretizar a sua 227.ª representação
do “Rei Lear”. Ao seu lado, o dedicado camareiro, Norman, tudo fará para o ajudar a concretizar esta tarefa. Um retrato cómico
e também emocionante sobre as relações humanas. A não perder na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II
com interpretação, entre outros, de Ruy de Carvalho e Virgílio Castelo.
T 213 250 835

CINEMA
Chéri
Estreia a 25 de Set
Recuamos até ao luxuoso mundo de Paris, antes da Primeira Guerra Mundial… “Chéri” conta-nos uma história de amor entre
uma bela cortesã, Léa (Michelle Pfeiffer), e Chéri (Rupert Friend), o filho da sua colega e rival, Madame Peloux (Kathy Bates).
Ao longo dos seis anos de romance, Léa ensina ao mimado e inexperiente rapaz os caminhos do amor. No entanto, Madame
Peloux não permite que esta alegria perdure e combina secretamente o casamento do filho com Edmée (Felicity Jones), filha
de outra rica cortesã. A separação entre os dois torna-se inevitável e com isso, ambos percebem o quão profunda era a sua ligação.
Talvez demasiado tarde, Léa e Chéri percebem o que significam um para o outro. Um espectacular filme realizado pela mesma
equipa de “Ligações Perigosas”(“Dangerous Liaisons”), vencedora de um prémio da Academia. Com realização de Stephen Frears
e interpretação de Michelle Pfeiffer, Rupert Friend, Kathy Bates e Felicity Jones.

A Religiosa Portuguesa
Estreia a 29 de Out
Julie de Hauranne é uma jovem actriz francesa que vem a Lisboa para actuar num filme baseado nas “Lettres portugaises”
de Guilleragues. Durante a sua estada em Lisboa e ao encarnar a personagem Mariana das “Cartas Portuguesas”, Julie descobre
no mundo real uma série de parecenças com a ficção, inicialmente em analogia com a sua vida sentimental e mais tarde, através
de uma figura religiosa que desde início capta a sua atenção. Pela primeira vez em Lisboa, a actriz rapidamente se deixa fascinar
por uma freira que todas as noites vai rezar à Capela da Nossa Senhora do Monte, na colina da Graça. Aos olhos da jovem actriz
esta figura religiosa parece já ter atingido um nível de sabedo­ria superior. Ao contrário da heroína de Guillerargues, Julie,
a heroína de a “Religiosa Portuguesa”, não se fecha num círculo de desespero afectivo, pelo contrário deixa-se levar pela
imensidão do amor, encontrando o seu destino e o caminho da felicidade de Nossa Senhora do Monte. Um filme de Eugène
Green, com Leonor Baldaque, Ana Moreira, Beatriz Batarda, Diogo Dória, Adrien Michaux, Carloto Cotta e Francisco Mozos,
com participação especial de Camané e Aldina Duarte.

FESTIVAL_PARIS
Artes Visuais
17 Set a 15 Nov | Ugo Rondinone – Sunrise East | Jardin des Tuileries
De uma sensibilidade romântica incomparável, Ugo Rondinone apresenta “Sunrise East” como uma metáfora da natureza cíclica do tempo.
Dança
25 a 28 de Nov | Lia Rodrigues - Creation | Les Abbesses
A coreógrafa Lia Rodrigues em conjunto com os seus 11 bailarinos revela um trabalho fenomenal
em que as relações entre o colectivo e o singular se misturam.
Teatro
21 a 24 Out | Arthur Nauzyciel – Julius Caesar de William Shakespeare | Maison des Arts Créteil
A versão de Nauzyciel de “Julius Caesar”, de William Shakespeare, explora a capacidade das palavras para modificar
o curso da história, reflectindo sobre cultura popular e práticas «da narração de histórias» na política.
www.festival-automne.com
PO RQU Ê L A M AG

Pudim de chocolate negro com molho


de chocolate branco e maracujá

António Latas, o Chef do LA


Caffé Entrecampos e do Tea
Room na Av. da Liberdade.
Um esteta que adora
experimentar novos e velhos
sabores, dando-lhes sempre
um look cosmopolita

Pastel de Bacalhau com equipa do chef antónio latas


arroz de tomate no la caffé entrecampos

Sardinha marinada sobre um


piso de tomate com esfarelado
de broa de milho e coentros

50
P O R Q U E S E TO R N O U C R I AT I VO ?

antónio
latas
T E XTO A N A B E L A M OTA R I B E I RO
chef

F otografia t eresa aires

«Tudo tem de ser belo» – dizem Saiu do LA Caffé, e após alguns meses
da sua preocupação com o que faz. de ausência, regressou. Que sabores tem
Assume-se como um esteta? vontade de experimentar?
Sim, para mim a estética de um prato é muito Saí para um novo desafio com Fausto Airoldi.
importante. Como estudei pintura, há linhas De volta ao LA Caffé de Entrecampos
que sigo – tal como o cubismo. Por vezes, e ao Tea Room, tento experimentar velhos e novos
tento que a comida fique com forma geométrica, sabores. E tento que o empratamento que acompanha
mas no momento seguinte já prefiro que seja casual, a marca Lanidor seja cosmopolita.
sem geometrismo algum.
Por que razão se tornou uma pessoa criativa?
A humildade e a criatividade são É fácil responder: simplesmente nasci assim.
características que lhe apontam. Claro que a influência de grandes cozinheiros ajudou
Qual é a fonte?, quais são as matérias- bastante, mas na cozinha tenho ideias a toda a hora.
-primas? Digo de outro modo: Criar é-me natural.
que educação foi a sua?
Os ingredientes são muito importantes.
A frescura, acima de tudo! E depois, claro, o sabor. Paris é, tradicionalmente, uma capital
Talvez porque lá em casa se comia muito bem. gastronómica. Que sítios frequenta?
A minha avó, a melhor cozinheira de cozinha Do que é que gosta?
tradicional portuguesa que conheci, foi um exemplo Estive em Paris de passagem. Mas uma grande
amiga e gastrónoma disse-me que o restaurante
que segui atentamente. Ao mesmo tempo, Pied de Couchon é obrigatório. Também gostava
o meu pai tentou incutir-me o gosto de conhecer o trabalho do chef Christian Constant;
pela medicina dentária. até porque estive para ir trabalhar com ele
O que eu cozinhava era reflexo da minha grande no início da minha carreira, no Hotel de Crillon,
paixão pela cozinha. Criava novos sabores, na Praça da Concórdia. LA
antes mesmo de conhecer todos os sabores
mais convencionais. Até que o meu pai se rendeu
à evidência... Eu tinha de ser cozinheiro!

Fale-me do seu percurso, destaque


os momentos essenciais.
As cozinhas reais das Pousadas de Portugal, a clássica
cozinha francesa do Hotel Vila Vita – magnífica,
devo dizer; os jardins esplendorosos do Museu
de Arte Antiga, onde fiz buffets fantásticos.
O grande impulsionador da minha carreira foi
o chef Gilles Poulin. Ensinou-me que o talento
não chega. Esforço e dedicação são muito
importantes, assim como a perfeição. No CCB
demonstrámos que a dedicação de uma equipa
pode fazer milagres culinários. Na Madeira,
trabalhei com a dupla Fausto Airoldi/Anabela
Gonçalves. Depois, estive sete anos no LA Caffé
como subchefe.
PO RQU Ê L A M AG

Para Felipe Oliveira


Baptista cada
colecção é uma
história-puzzle
e cada peça de roupa
é simultaneamente
actor principal
e secundário. Eis a
que nos propõe para
este Outono-Inverno

52
P O R Q U E S E TO R N O U C R I AT I VO ?

FELIPE
OLIVEIRA
BAPTISTA designer
moda

T E XTO A N A B E L A M OTA R I B E I RO

Há um sentido narrativo no seu trabalho Um crítico americano disse do seu


que lhe é essencial. De onde vem trabalho: «Chamem-lhe couture de rua.
esta necessidade de contar histórias? Há um toque de hip pop na colecção.
É algo de natural. Talvez o facto de ter crescido Mistura looks gregos e silhuetas
no meio de uma família bastante numerosa, contemporâneas. Os vestidos inspiram-se
onde se contavam e lembravam muitas histórias,
tenha tido alguma influência. Hoje interessa-me em kimonos». Revê-se nisto? Basicamente,
uma narração mais abstracta, o confronto o que entra nesta descrição é o mundo
de elementos a priori desconectados ou contraditórios. todo... diferentes culturas e influências.
Cada colecção é uma história-puzzle e cada peça É verdade que cada colecção é uma história que muitas
de roupa é simultaneamente actor principal e secundário. vezes se compõe de elementos contraditórios. É este jogo
de contrastes que me fascina. Quebrar regras, dogmas
e rotinas é interessante e faz-nos olhar para o mundo
Porque é que fazer roupa é a sua forma de uma nova maneira (mesmo que seja efémera).
de contar histórias? Porque é que esta É curiosa esta citação de que me fala e que nunca
tinha lido.
é a sua forma de expressão?
Porque a moda toca muitas outras disciplinas
de design e diferentes processos criativos.
Isto interessa-me particularmente. Antes de me decidir Está disponível na internet.
por estudos de moda hesitei entre fotografia, design Nunca me inspirei directamente num kimono.
gráfico e antigos sonhos de cinema. Em moda toca-se Mas isto também é interessante em moda: um desfile pode
(mesmo se levemente) todas estas disciplinas. ser interpretado e compreendido de maneiras diferentes.
Na pesquisa (fotografia, desenho); tailoring, A moda tem por vocação ser reinterpretada e remixada!
drapeados sobre um manequim (escultura, arquitectura);
desfile (mise en scène, styling, criação de uma banda-
-sonora); até ao design de um livro, catálogo, O seu mundo é um mundo de síntese?
look book ou do meu site na internet... Porquê?
É uma maneira de ordenar todas as turbulências
e agitações internas.
O que sabia, desde o início, é que o seu Gosto da ideia de exprimir contradições e dicotomias
futuro passaria pelo que é visual. presentes na (minha) vida e no que me rodeia.
Podia ser cinema, podia ser pintura,
podia ser vídeo? Que relação tem com Paris? Já vive há anos
Um olhar criativo era fundamental, portanto...
compulsivo. O que eu gosto em moda (e do que mais suficientes na cidade para ter com ela
me queixo também) é do seu ritmo frenético. uma relação de deslumbramento e fastio...
Uma nova história de seis em seis meses. Uma nova Ou continua enamorado? Diga-me
página branca onde uma ideia ou história leva alguns um percurso/cantinho que sinta como
meses a materializar-se. É uma pressão enorme sendo seu na cidade.
mas também uma enorme descarga de adrenalina. Paris é a cidade onde vivo, com os seus pontos positivos
e negativos. Viajo muito e é verdade que de cada
vez que entro num táxi, do aeroporto a caminho de casa,
estou sempre contente com o regresso!
Um sítio especial? Paris está cheia de sítios escondidos
em cada bairro. O divertido é ir descobrindo.
Um sítio autenticamente parisiense a dois passos
de minha casa é a Rue des Martyres, perfeito para
um brunch de fim-de-semana no Hotel Amour
ou no Rosemary Bakery. LA
PO RQU Ê L A M AG

TREND
STORE T E X TO C A R L O S C O E L H o F OTO G R A F I A T E R E S A A I R E S

Algemas de polegar
A Agent Provocateur é a marca mais sexy do mundo. Se não acredita, veja a prova de Kylie Minogue
em www.youtube.com/watch?v=4Vk4RiEMLY8 e no final comprove se tenho ou não razão. Como
explicita o seu nome, trata-se de uma marca de agentes provocadores que, infiltrados nas nossas fantasias
eróticas, nos encorajam a praticar crimes. Nós, inocentes vítimas do desejo, somos apanhados em flagrante
e para castigar as nossas transgressões somos algemados. Estas algemas, que nos ligam os polegares, são uma
jóia genial que nos prende os dedos e nos condena a uma pena de prisão perpétua: para sempre reclusos no
mais estreito e erótico corredor do amor.
www.agentprovocateur.com

Pastilhas Multissensoriais
A nossa experiência cognitiva é multissensorial. Contudo, a memória de longo prazo é, essencialmente,
formada por imagens gustativas e olfactivas. Assim provamos e cheiramos o mundo, de uma forma mais
intensa do que o ouvimos, vemos ou tocamos. É neste princípio que assenta esta pequenina invenção
de um estudante da Universidade Americana de Stanford. Tratam-se simplesmente de pastilhas
elásticas de estratos de ervas, como a hortelã pimenta e o rosmaninho e outros activadores naturais que,
comprovadamente, funcionam como concentradores da nossa atenção. Enquanto mascamos, libertamos
as moléculas olfactivas e «acendemos» o nosso sistema global de memorização. Parece demasiado simples,
mas é assim, simples, a forma como mastigamos o mundo.
www.thinkgum.com   

Memórias de Loiça
A descoberta dos poderes infinitos que o nosso lado direito do cérebro consegue dar a uma folha de
papel branco faz-nos desde muito cedo imaginar o mundo através de uma simples sequência de dobras.
Aprendemos a fazer patinhos para lhes ver os bicos, aviõezinhos (que nem sempre voaram) para desafiar
a gravidade e barquinhos para romancear os passeios pelas águas da nossa imaginação. É precisamente
este rio de memórias que esta edição de barquinhos de loiça pretende reavivar. Dizem os seus criadores
que servem para irmos à pesca dos melhores peixinhos, no frágil e delicado rio de loiça, onde afinal corre
toda a nossa vida.
www.seletti.it

54
Spagetti alla mafiosi
A máfia surgiu no Sul da Itália com o objectivo de «proteger» os territórios e as transacções comerciais.
Os mafiosos criaram a sua marca: fatos riscados Armani, óculos escuros e uma honra inabalável, capaz
de fazer valer os seus compromissos, sob qualquer tipo de temperatura. É esta a promessa do nosso mafioso
de panela: proteger a nossa massa de excessos de cozedura. Porque não se mexe, pois foi petrificado num
barril de cimento, o nosso mafioso, para nos avisar canta aos sete minutos a marcha triunfal de Aida,
aos nove «va, pensiero sul’ali dorate», o coro dos escravos hebreus de Nabuco, e aos 11 minutos «la donna
e mobile», de Rigoletto. Nunca uma massa al dente teve tantos e tão imaginativos ingredientes.
www.brainstream.de   

Talheres da natureza
Longe vão os tempos dos enxovais completos, com os fabulosos e dispendiosos talheres de prata. A tradição
ocidental instituiu-se em França pelo dote de Catarina de Medicis e pela sugestão do cardeal Richelieu
que defendeu o talher individual como sinal de higiene e boas maneiras. Pois, para quem pretende manter
a substância da tradição, rejeitando o modernismo sensaborão dos talheres de plástico, surge agora uma
versão inteligente e contemporânea. Estas fantásticas colheres são réplicas de formatos de outros tempos,
são descartáveis e recuperam o toque ancestral dos primeiros utensílios de madeira que nos aproximam
dos sabores mais genuínos da natureza.
www.isolee.es

Snifador de imaginação
A nossa química cerebral tem a capacidade de produzir naturalmente todas as drogas. Adrenalina,
dopamina, feniletilamina, epinefrina, norepinefrina, oxitoxina, serotonina e as famosas endorfinas que
despertam a paixão e, como indica o seu nome – endo (interno) e morfina (analgésico) – também possuem
uma forte acção analgésica, diminuindo a dor e inibindo o stress. Somos quimicamente auto-suficientes
e por isso, todas as sensações, emoções, estados mentais e físicos podem ser produzidos pela nossa mente.
Agora para ajudar, com este kit completo – doseador, espelho, lamina, espalhador e snifador – basta
inalar bem fundo, e se possível várias vezes ao dia, uma boa dose de imaginação.

Ratoterapia
Não há animal como este. Tão pequeno e fofinho e contudo capaz de, em poucos segundos, lançar
o pânico numa casa inteira. Então imagine que um destes ratinhos iria para sua casa e que, sob as suas
ordens, sentava, deitava e, mais incrível, rebolava. Este rato telecomandado faz tudo isso e permite-lhe
pregar umas partidas, deliciar o seu gato e, talvez mais importante que tudo, aprender a conviver com
estes animais. É que para cada ser humano existem cerca de 100 ratos, por isso é bom que controlemos as
nossas fobias e aprendamos a viver uns com os outros.
www.wowstuff.co.uk   

Manifeste
«Um Verão chamado Miguel acordou quente e sorridente com fome de uvas com mel, à mãe Cristina
deu o presente, e lançou mil aviões de papel». A Manifeste é assim, uma marca francesa, de um luxo doce
e mímico.
Para celebrar a sua primeira edição, dedicada ao momento íntimo de um bebé recém-nascido, envolveu
quatro designers: dois estilistas, Pauline Vinçon e Constance, um industrial, Allain Jeanne Huber, e um
gráfico, Fabrice Praeger. Os materiais são de uma qualidade irrepreensível e desta equipa multidisciplinar
resultou um manifesto em forma de coffret, com dois olhinhos que o Miguel, mais cedo ou mais tarde,
tentará arrancar, para brincar aos manifestos visionários ou simplesmente porque mexem.
www.manifeste-tm.com
PO RQU Ê L A M AG catherine deneuve, 1974

CHANEL

YSL
© Corbis / VMI

Wit
pari T exto A n a C risti n a L eo n ar d o

siense
Digam o que disserem, we’ll always have Paris.
Com crise ou sem crise. Como ficou mais uma
homenageou Paul Poiret e a sua visão refinada
e elegante de inspiração oriental; radicalmente
vez demonstrado durante os desfiles Prêt-â- chique na Yves Saint Laurent, onde Stefano Pi-
Porter Outono-Inverno 2009-2010, a capital lati desenhou mulheres poderosas, sublinhan-
francesa mantém-se firme enquanto pólo aglu- do uma austeridade que combina magistral-
tinador da moda mundial, sede dos melhores. mente com o chique parisiense; sexy e triunfal
Mesmo que os melhores venham d’ailleurs. O em Jean-Paul Gaultier, capaz de continuar a
que, aliás, não é de agora. É de sempre: co- jogar com imagens decadentes tornando-as ir-
nhecido como o «pai da alta-costura», Charles- resistíveis e modernas; luxuosa e moderna na
Fréderic Worth nasceu em Inglaterra em 1825, Hermès, também por Gaultier; provocante e
mas foi em Paris que fundou a Maison Worth, glamorosa na Miu Miu, com Miuccia Prada
transformando-a na referência de moda mais a mostrar-se indiferente ao puritanismo tra-
chique e mais conceituada da época. zido pelos ventos da crise; romântica e dân-
LOUIS VUITTON

Paris tem duas características imbatíveis: uma di na Chanel, onde Karl Lagerfeld optou pela
capacidade extraordinária para reconhecer ta- graciosidade com um toque de barroquismo;
lentos e uma abertura desmedida à criativida- sóbria e precisa na Lanvin, onde Alber Elbaz
de. Daí aquele wit único, aquela graça singular, se reafirma como criador de vestidos intempo-
que permite casar excentricidade e elegância de rais; espectacular e cheia de piscadelas de olho
um modo que Madame Chanel levou ao pa- à alta-costura na Louis Vuitton, com Marc Ja-
roxismo e que resumiu nesta frase: «A moda é cobs a mostrar mais uma vez a sua criatividade
qualquer coisa à beira do suicídio.» multifacetada…
Mulheres belíssimas (não há roqueira mais Um universo de influências e referências que
fashion do que Françoise Hardy nem actriz deixa às mulheres a liberdade da escolha. Ou
mais enigmática do que Catherine Deneuve) seja, de recriarem a moda à sua imagem e se-
dão corpo nas ruas parisienses às tendências melhança. Sem esquecer o wit, evidentemente.
que se expõem em privado nas salas dos des- Que de parisiense passou a universal, adopta-
files. Se de tendências pudéssemos continuar a do por marcas e criadores de todo o mundo.
falar. Não podemos. Inspirador também da colecção deste Inverno
A moda da próxima estação será caleidoscópi- da Lanidor: uma saia travada abaixo do joelho,
ca. Heterodoxa. Plural. Inclassificável. um elegante casaco de tweed, uma gola plissa-
Delicada na Dior, pela mão de Galliano que da, um lenço, um colar de pérolas… et voilà!
CHANEL

58
JEAN-PAUL GAULTIER

MIUMIU

© Corbis / VMI

L ANIDOR

L ANIDOR
fr anÇoise Hardy, 1963

YSL

HERMèS L ANIDOR LOUIS VUITTON

JEAN-PAUL GAULTIER

LOUIS VUITTON L ANIDOR


PO RQU Ê L A M AG

DU
NOIR
AU
NOIR
R eali z a ç ã o I sa b el Bra n co F otografia P e d ro F erreira

62
Vestido com manga curta bordada com paillettes, 79.90€
Cachecol de pêlo, 34.90€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Saia de fazenda de lã e mohair, 89.90€


Casaco de fazenda de lã e mohair, 139.90€
Camisa de laçada estampada, 39.90€
Cinto de pele, 39.90€
Luvas de pele, 29.90€
Sapatos, 69.90€
Lanidor

64
Blazer assertoado, 109.90€
Calças de pinças brancas, 59.90€
Cachecol de tricot, 19.90€
Luvas de pele, 29.90€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Top de lurex, 39.90€


Cache coeur de jersey com aplicações, 64.90€
Cinto entraçado, 29.90€
Lanidor

66
Vestido com manga 3/4 de sarja de lã, 119.90€
Botas de pele com cano alto, 159.90€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Top de jersey com aplicações no decote em V, 54.90€


Cachecol de tricot, 19.90€
Botas de pele com cano alto, 159.90€
Carteira de sintético com aplicações metálicas, 54.90€
Lanidor

68
Pedro Ferreira assistido por António Tainha
Cabelos Helena Vaz Pereira para Griffe Hairstyle assistida por Ana Fernandes
Maquilhagem Antónia Rosa para Hakansson assistida por João Pombeiro
Modelo Milene da Central Models
JEAN PAUL GAULTIER

L ANIDOR

JEAN-PAUL GAULTIER
PO RQU Ê L A M AG

efeito
néon
Conjugação do preto intemporal
com flashes de cores fortes e
fabulosas. Extravagâncias que
dão origem a peças únicas e LENÇO
singulares. Transgressões teatrais L anidor
19,90€
a partir de imagens clássicas

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L anidor
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CINTO L anidor
COLAR L anidor 7,90€ CADA
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Acessórios em tons terra e estampado animal
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para dias perfeitos. Um mix de inspiração


étnica, luxo urbano e conforto feminino.
Porque a elegância está nos pormenores
e os pormenores são (quase) tudo

ANEL ESTOLA
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6,90€ 29,90€

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L anidor
16,90€

COLAR
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L anidor
159,90€

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L anidor
89,90€

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L anidor
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119,90€
L anidor
29,90€
BOTA
CINTO
L anidor
L anidor
149,90€
34,90€

CINTO
L anidor
29,90€

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L anidor
49,90€

PULSEIRAS PULSEIRA
72 L anidor L anidor
14,90€ 7,90€
PO RQU Ê L A M AG

74
R e a l i z a ç ã o I s a b e l Br a n c o

F oto g r a f i a I s a b e l P i n to

Camisa de seda estampada com cornucópias, 39.90€


Cachecol de tricot, 19.90€
Carteira de tecido e pele, 69.90€
Óculos de sol em massa, 87.00€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Camisa de seda estampada com laçada, 34.90€


Casaco curto em tweed, 119.90€
Carteira de pele clara, 59.90€
Lanidor
76
Vestido de fazenda de borboto, 129.90€
Carteira de pele 69.90€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Casaco de tweed assertoado, 199.90€


Cachecol-gola de pêlo forrada a seda, 34.90€
Saco de pele, 109.90€
Lanidor

78
PO RQU Ê L A M AG

Blusão de pele, 269.90€


Camisa de popeline branca, 49.90€
Jeans justos, 49.90€
Cachecol de tricot, 19.90€
Lanidor

80
Vestido em xadrês de manga curta, 119.90€
Lenço de seda estampada, 19.90€
Carteira de pele clara, 59.90€
Óculos de sol, 87.00€
Lanidor
PO RQU Ê L A M AG

Camisola de jersey estampada, 59.90€


Anel de pedras multicor, 16.90€
Lanidor

82
Fotografias realizadas na Galeria-Café-Bistro, Les Mauvais Garçons
Rua da Rosa, 39. Bairro Alto. Tel. 213 433 212 www.lesmauvaisgarçons.pt

Fotografia Isabel Pinto assistida por Mário Ambrózio e Pedro Janeiro Cabelos Helena Vaz Pereira
para Griffe Hairstyle assistida por Luciano Maquilhagem Náná Benjamim para Hakansson assistida
por Carina Quintanilha Modelo Ana Cristina Oliveira da Central Models
COM O L A M AG

La tour!
Os brilhos da torre EifFel…
Base Dior Skin Nude, Miel, 43.20€
MAQUILHAGEM DE Olhos: Dior Fards à Paupiéres, 056 argentic, 26.50€
Dior, crayon Khol, 19.00€

84
Usando os
novos produtos
das colecções
de Inverno e seguindo
as tendências
da estação, maquilhagem
inspirada na cidade
das luzes

Fotografo Mário Príncipe


Maquilhagem e cabelos Joana Moreira
Produção Mariana Guedes de Sousa
Manequim Jani, Central Models
COM O L A M AG

Moulin Rouge
Rouge Paris, Toujours!
Batom Lancôme, Color Fever 152, 27.64€
Blush Lancôme, Rose Liberté, 51.60€

86
B.B.
Bardot, bien sÛr!
Sombras Christian Dior, Palette Fards à Paupières, 173 Night Butterfly, 51.10€
Rimmel Lancôme, Máscara Virtuôse, 29.32€
Blush Chanel, Joues Contraste, 56 Tea Rose, 35.50€
Batom Christian Dior, Créme de Gloss 431, 24.80€
COM O L A M AG

Les macarons
Uuuuhmm... Que delÍcia!
Verviz CristiaN Dior, Black Plum 981, 21.40€

88
Vive La france
As cores da bandeira em todo o seu esplendor
Sombra Lancôme, Palette Indigo Royauté, 48.52€
Blush Lancôme, Rose Liberté, 51.60€
Baton Chanel, Rose Allure, Passion, 28.00€
© CHANEL
COM O L A M AG

TU ES
TELLE
MENT
BELLE!
Made in Paris
Os mais elegantes aromas do mundo

Produtos nouvelle vague


As cores de uma nova estação

Grandes descobertas cientÍficas


Uma nova pele, cada vez mais protegida
hidratada e sem manchas
P RO D U Ç Ã O T E R E S A M A RÇ A L G R I L O

90
Paris é a cidade eleita de todos os que amam
a vida. A LA Mag está cheia de histórias,
experiências, memórias e uma selecção
maravilhosa de espaços que os nossos
colaboradores revelam a pensar em si.
Paris é a minha cidade preferida… Talvez
seja um cliché, mas não conheço outra
cidade no mundo onde a beleza seja a eterna
paixão que fervilha em cada esquina.
Quase tudo vem desta cidade… Paris dita
a moda. As cores e aromas são fruto de um
trabalho inspirado e em constante evolução.
É a capital dos artistas que, mesmo não sendo
de origem francesa, aqui se reúnem para dar
mais luz à beleza, que aqui é eterna.
HELENA RUBINSTEIN
Wanted
Pela mão de dois mestres da perfumaria, Dominique Popion em França
e Carlos Benaim nos Estados Unidos, surgiu este perfume original
ISSEY MIYAKE e o primeiro perfume do século XXI desta marca. Demi Moore encarna
A Scent by Issey Miyake uma mulher forte mas sensível, de espírito livre mas muito apaixonada
«A natureza é o principal perfumista da vida.» Miyake considera e focada na sua paixão. Um perfume amadeirado e floral, com notas
que num perfume o seu aroma equivale ao ar da vida, o seu de ylang, madeira/magnólia e de íris. Um frasco perfeito, desenhado
elemento mais essencial e mágico, invisível e intangível. A Scent pelo artista plástico Van der Straeten. Transparente e luminoso,
by Issey Miyake é um perfume verde, floral e amadeirado, nascido com uma laçada dourada no topo. Uma laçada com a capacidade
de uma história que começa com uma raiz que nasce na terra, com de a prender eternamente....
um tronco em direcção ao céu, cheio de folhas e flores. 50 ml
As notas frescas de jacinto e de gálbano conferem ao aroma um PVPR 68.00€
estilo verde, floral, com a vivacidade da verbena e um sopro de
jasmim. Desenhado por Arik Levy, o frasco parece surgir de um
bloco de vidro, transparente e depurado com o logótipo gravado
no interior, um segredo da alta tecnologia.
50 ML
PVPR 64.99€

NINA RICCI
RICCI RICCI
Uma mulher optimista, uma heroína, que se diverte passeando pelas ruas de Paris,
deixando como rasto, uma fita cor-de-rosa... Uma criação dos perfumistas Aurélien
Guichard & Jacques Huclier, da casa Givaudan. É fresco, floral e sensual. Um dos
ingredientes centrais é a flor Belle de Nuit também conhecida por Four O’Clock Flower.
De dia as suas flores amarelas mudam para cor-de-rosa e as brancas para violeta. De tarde
liberta uma essência floral e de noite as suas pétalas reflectem o luar. Como notas de topo
a bergamota , a rosa, a Indian Turberose e Rhubarb Zest. Notas sensuais de madeira
de sândalo e patchouli, são completadas com a essência de Belle de Nuit.
eau de parfum 50ml
Pvpr 63.26€

GIORGIO ARMANI
IDOLE
YSL Não é um perfume francês, mas é um tributo
PARISIENNE DE YSL
do autor a um ideal de feminilidade e a todas
Tudo começa numa madrugada em Paris, antes de o Sol nascer. Uma mulher as mulheres do mundo! No topo as notas são
emerge com um segredo de uma noite que nunca será revelado… Uma mulher de laranja amarga, pêra, gengibre e notas de
que não nasceu em Paris, mas que Paris adoptou, porque ela sabe como amar davana. No coração, a rosa loukoum, o jasmim
e viver. Um perfume floral ultra-feminino com travo de amora, violeta e peónia, misturado como açafrão, especiarias e mel.
com uma estrutura de madeira, com notas de patchuli, almíscar e sândalo. No fundo, luminoso e sensual, o styrax,
Kate Moss é esta mulher misteriosa, que conheceu uma noite de amor, o patchouli e o vétiver, vêm dar a sua própria
mas todas podemos transformarmo-nos em verdadeiras parisiennes. harmonia, associando as suas forças com uma
50 ML
mulher que o usa. Uma mulher sensual
PVPR 70.00€
e expressiva, como a actriz Kasia Smutniak
a imagem deste aroma.
O frasco inspira-se nos anos 30, uma esfera
de vidro cristalino, com auréolas de ondas
circulares em ambos os lados e uma tampa
dourada. Quase uma peça de joalharia.
50 ml
PVPR 69.00€

QUASE TODOS OS PERFUMES NASCEM NO CORAÇÃO


DE PARIS, PELAS MÃOS DE VERDADEIROS ALQUIMISTAS QUE,
CUIDADOSAMENTE MISTURAM NAS SUAS POÇÕES MÁGICAS
EMOÇÕES, QUE NOS FAZEM SONHAR E DESEJAR SER UMA
MULHER MUITO ESPECIAL.
CADA UMA DE NÓS TEM UM CHEIRO MUITO ESPECIAL
E UM AROMA MUITO PRÓPRIO. DOS FRESCOS E FLORAIS,
AOS INTENSOS E AMADEIRADOS, MIL CRIAÇÕES NOS
CHEGAM AO OLFACTO. A ESCOLHA NÃO É FÁCIL.
COM O L A M AG

Com a chegada do Outono, as temperaturas


a descer e os dias a ficarem mais curtos, cresce a vontade
de passar mais tempo em casa, roupas mais confortáveis
e, naturalmente, surge a necessidade de uma nova
maquilhagem para evidenciar o brilho interior de cada
mulher. A pele quer-se luminosa e quente, a prolongar
o efeito de boas cores. A maquilhagem Nude nunca
passa de moda e é sempre sofisticada, mas se sentir
necessidade de libertar a mulher fatal que há em si,
sinta-se à vontade. Opte por uns olhos esfumados,
ultra-gráficos e penetrantes, contornados em tons
de cinzento, castanho ou púrpura. Ninguém ficará
indiferente. A boca ganha um acabamento acetinado,
em tons de cobre e ameixa, mas sempre com um ar
natural, quase inexistente. Um look perfeito MAC
para as mais discretas. Colecção New
Romantics
Um tom neutro para
uma boca clean e
perfeita.
Pvpr 17.50€

GUERLAIN
Ombre Éclat 4 Couleurs - Cor Tsarina
Um laranja apagado, um tijolo intenso, um rosa velho e um beringela
salpicados de champagne. Uma paleta digna de uma princesa russa.
PVPR 51.10€

DIOR
2 Couleurs 055 Cocktail Look
O efeito smokey eyes renasce. Duas cores e texturas complementares: cinzento
escuro e brilhante e um cor de rosa efeito pérola. O efeito sombra/luz é subtil
e ao mesmo tempo penetrante. Para dar mais mistério a este look acentue
a pálpebra superior com o tom escuro ou aplique um pouco de lápis ou eye liner.
PVPR 34.70€

CHANEL
Eye Gloss
Uma criação exclusiva para
a “Collection Venise”. DIOR
Um olhar teatral, intrigante Ultra Gloss Reflect
e profundo. De textura gloss Cor 787 Prune
poderão ser aplicadas com Taffetas
os dedos. Duas cores Lábios preenchidos DIOR
luminosas em tons pérola com uma textura cremosa Addict Lip Color
e ouro, e o famoso Rouge Noir e repulpante. Cor 993 Prune
e preto, igualmente aquosos Pvpr 24.70€ Décadent
mas com um efeito laque. Sofisticação máxima!
Pvpr 50.00€ Pvpr 28.20€

92
MAC
Studio Sculpt Foundation SPF 15
Uma base em gel cremoso que se mistura
facilmente cobrindo as imperfeições, mesmo
quando são precisas mais camadas para uma
cobertura extra. Disponíveis em vários tons.
PVPR 32.00€

or
Di
la
pe
da
di
ce
em
ag
Im

BOBBI BROWN
Nude Eye Palette
Segundo Bobbi Brown,
a maquilhagem nude não
significa ser monocromática
ou inexistente. Significa
maquilhagem que é certa
para a sua pele.
Um conjunto de tons
neutros e texturas mate,
levemente perlados
e de brilhos metálicos,
que podem ser aplicados
durante o dia ou à noite.
Pvpr 50.00€

MAC
Pearlglide Eye Liner
Nas cores Fly-by-Blue, um azul luminoso
com azul cintilante e molasses
e um castanho sujo com mistura
de castanho cintilante.
ESTÉE LAUDER PVPR 16.00€
Signature 5-tone Shimmer Powder for
Eyes, Cheeks, Face
CLINIQUE
High Impact
Um pó compacto que pode ter várias aplicações
Curling Mascara
e complementa qualquer tom de pele.
Pvpr 40.00€
Máscara de pestanas
de longa duração,
proporcionando
um volume intenso
e um efeito enrolado
durante 24 horas
e retira-se facilmente
com água morna.
PVPR 20.50€
COM O L A M AG

OBRIGATÓRIO!
Os cuidados com a nossa pele são a base para
SHISEIDO
Future Solution LX
Concentrated
Balancing Softener
O Serpin b3 é um elemento
que qualquer maquilhagem resulte. Cuidar negativo que se encontra
dentro das células, nas
da pele é obrigatório nos dias de hoje e os camadas mais internas
da pele e que aumenta
grandes laboratórios de cosmética estudam quando exposta a agressões
externas como a secura e os
minuciosamente este tema, tentando descobrir raios UV, provocando assim
o seu envelhecimento. Após
a fórmula milagrosa de nos protegermos. O um estudo desenvolvido,
a Shiseido criou
envelhecimento da pele nem sempre está ligado o Skingenecell 1P que
suprime a produção
à nossa idade, mas com a forma como cuidamos de Serpin b3 e proporciona
ou não dela e a que tipo de perigos estamos células de epiderme
saudáveis, que melhoram
inevitavelmente sujeitos. drasticamente a qualidade
e resistência da pele
ao futuro envelhecimento.
A novíssima linha Future
Solution LX é uma complexa
CLINIQUE combinação de extractos
Even Better e essências, com um perfume
Skin Tone Correcting Moisturizer SPF 20 delicado de flores japonesas,
Um creme hidratante que não só elimina a aparência de manchas dignas de um produto
causadas pela hiperpigmentação como ajuda a prevenir o seu de luxo!
aparecimento futuro. Além disso, também ajuda a fortalecer
a função de barreira e a proteger a pele dos raios UVA e UVB.
Ideal para usar nesta época do ano, com resultados ainda mais
eficazes após uma esfoliação semanal e a utilização em conjunto
do sérum Even Better Skin Tone Corrector.
50 ml
Pvpr 45.50€

ESTÉE LAUDER
Advanced Night Repair
Complexo de reparação sincronizada, que proporciona uma reparação
nocturna contínua, muito abrangente e eficaz, através da tecnologia Chronolux,
a qual reforça a sincronização natural da reparação e protecção da pele
no momento exacto. Além disso, uma nova tecnologia com patente
contendo alkyl guanine transferase (AGT), uma enzima que se encontra
na nossa pele, ajuda a reparar os danos visíveis causados pelo fumo e poluição,
particularmente toxinas e químicos.
Todas as noites, antes de aplicar o seu creme habitual, use algumas gotas
deste sérum para ajudar a reparar a aparência dos danos provocados
no passado, prevenindo danos futuros nas células da pele e no seu ADN.
Um conselho: se neste momento tem a pele muito ressentida do Verão
ou por outro factor, utilize o sérum também de dia durante
pelo menos durante 15 dias.
30 ML
PVPR 63.00€
L’ORéAL
PARIS
Elnett Satin
Edição Limitada
Parabéns à L’Oréal
que celebra 100 anos e
CHANEL porque não há mulher
Lift Fermeté SPF15 que não se lembre desta
Crème de Jour laca e dos seus anúncios
A última inovação dos laboratórios e é tão parisiense!
Chanel, que se debruçaram sobre Pvpr 6.70€
as propriedades das plantas nos
processos de cicatrização e firmeza
da pele. Graças à “Elemi PFA”, um extracto
de resina vegetal de uma árvore original
das Filipinas, os seus princípios activos
actuam em duas frentes fundamentais:
a nível celular e a nível dos tecidos,
repondo e aumentando as capacidades
regenerativas das nossas células.
A pele torna-se visivelmente mais
luminosa, firme e é claro, jovem!
Uma linha muito completa composta por
um sérum, creme de dia e creme de noite
e ainda um creme de dia mais fluido para
quem não gosta de texturas cremosas.
PVPR 105.00€

94
COM O L A M AG

A idade

© Corbis/VMI
da
inocên
cia
te x to h elena mascaren h as

N
ão sei quem foi o inventor de Ainda assim, muitos de nós, quanto
uma das mais ternas ficções mais crescemos, mais saudades temos
que me coloriram a infância. daquilo que fomos. O que geralmen-
Lembro-me de ficar à janela, na espe- te inclui maldades, segredos e a forma
rança de um dia ser testemunha de uma destemida com que olhávamos para as
viagem que me exaltava dez vezes mais ondas e mergulhávamos mar adentro.
do que a “Volta ao Mundo em Oitenta Essa sensação, repetia-a há alguns anos,
Dias”, do Júlio Verne: ver uma cegonha quando tive a sorte de realizar um so-
no céu, vinda de Paris, com um bebé a nho de adolescente: fazer uma viagem
bordo. de carro, de Lisboa a Barcelona com
A ilusão durou o tempo que tinha que uma amiga cheia de carácter e humor
durar – pouco – e a descoberta da ver- hilariante. Estrada fora, determinadas
dade não me causou nenhum dano, a e sem receios, cumprimos o trajecto,
não ser a leve desconfiança de que os quais “Thelma & Louise”, um maravi-
adultos arranjam fórmulas um pouco lhoso filme de Ridley Scott, com duas
estranhas para responderem às pergun- actrizes de primeira: Susan Sarandon e
tas directas e difíceis que a maioria das Geena Davis.
crianças lhes faz. Ali estávamos nós, on the road absolu-
No caso do Pai Natal, o impacto da ver- tamente livres e alegres, prontas para o
dade, a compreensão da sua não-exis- que desse e viesse.
tência, teve uma dimensão muito mais Chegadas à bela cidade espanhola, de-
complicada: uma boa meia hora de cho- cidimos que a primeira coisa a ver, para
ro e uma tristeza que se alojou tempo além de incorporar desde logo a conta-
de mais, ao ponto de não só deixar de giante energia das Ramblas, seria uma
achar graça à noite da Consoada, como, visita ao Museu Picasso. Na manhã se-
anos mais tarde, associar às festas uma guinte, cumprimos o combinado e ali
sensação de hipocrisia que só ao longo estávamos, frente às obras mais emble-
dos anos tomou a sua devida propor- máticas de um dos maiores artistas de
ção, até se tornar irrelevante e me deixar sempre.
um sorriso. À saída, na loja do museu, uma frase
A inocência, essa idade única em que escrita pelo pintor, reteve-me: «It took
somos absolutamente crentes, quan- all my life to draw like a child».
do se perde, custa a perder. É preciso Cá fora, olhei para o céu, à espera de ver
tempo e uma boa dose de coragem para uma cegonha com um bebé no colo, di-
aceitar que não temos outro remédio se rectamente vinda de Paris. E percebi, fi-
não crescer. O que em boa parte signifi- nalmente percebi, que certas histórias que
ca atenção e destreza permanentes para os adultos contam às crianças, não são
conseguir separar o trigo do joio, não vá tramóias, nem partidas, são apenas a úni-
a tentação da inocência pregar-nos par- ca forma de dizer que a inocência, mesmo
tidas bem mais difíceis de superar. que perdida, pode ser sempre reencontra-
da no mais simples dos traços. LA

96
COM O L A M AG

T e x to C arla N ascimento R ibeiro / I lustração R icardo B arros

QUERIDA
QUERES
IR A PAr
IS?
F
oi assim que um dia, de chofre, a «Tenho a impressão que já vejo ao longe que por fim, e tendo já perdido as esperanças,
minha cara-metade me convidou qualquer coisa.» E todos arregalávamos os encontrámos os malfadados cowboy e cowgirl.
para ir à cidade das luzes. olhos. Nada. Tornaram-se duas pequenas relíquias e, mes-
«A sério?» perguntei com espanto, uma vez Depois de largarmos tudo no hotel, que mo com o passar dos anos, foram testemunho
que estávamos em Abril e o nosso aniversá- ficava a poucos quilómetros, dirigimo-nos da persistência/paciência de nós os quatro.
rio de casamento era só em Novembro.  finalmente para a entrada daquele mundo Até hoje, os espectáculos que ainda recordam
«Vamos fazer uma surpresa aos miúdos encantado. Lembro-me de caminharmos foram o do Winnie the Pooh e do Tarzan.
e levá-los à EuroDisney!» em passadeiras rolantes e de termos desem- O primeiro porque o Gui adorava o gang que
Ah, como é que eu não tinha percebido bocado numa entrada que em nada fazia acompanhava aquele urso meloso e porque
logo à partida que, para uma família em antever o que se guardava por detrás. Não um miúdo tinha vomitado ao pé de nós.
que metade dos elementos tem abaixo dos se abriram nenhumas cortinas, nem soou O segundo porque a música, os adereços
seis anos, Paris só podia significar uma coi- nenhuma orquestra mas a sensação de en- do cenário e as danças nos cativaram a to-
sa – o lugar dos bonecos animados ao vivo. trada teatral foi parecida. A Bia susteve os dos, tendo-nos permitido sentar ao fim de
De uma semana para a outra, emalámos comentários ao final de três horas, o Gui algumas horas em pé. Pelo meio ficaram as
roupas, algum cansaço, grandes expectati- tentava tudo por tudo para se desembaraçar imagens e os sons da locomotiva fumegante
vas e muita ansiedade quanto ao passar dos da trela (vulgo cinto de segurança, bastan- na  estação de comboios, do barco a vapor no
três dias no coração do mundo da fantasia. te comum em Inglaterra para deter os mais lago, da casa da árvore do Robinson Crusoe,
As crianças estavam, como era de esperar, reguilas) e nós olhávamos em todas as di- do labirinto da Alice no País das Maravilhas,
numa excitação tal que nem a entrada do recções para aquele cenário multicolorido da aldeia da Pocahontas, do barco dos pira-
carro no Eurotúnel para atravessar o canal e barulhento que nos fazia remexer as me- tas, da montanha russa, da parada das estre-
da Mancha lhes causou muita confusão. Na mórias de infância. Acho que a primeira las e, é claro, do palácio da Cinderela. Foi das
altura morávamos no Sul de Inglaterra. Estra- coisa que fiz foi rezar em segundos para que raras ocasiões em que vi a Beatriz sem pala-
nharam não poder sair do carro durante essa não perdesse nenhum dos dois e para que vras. Subiu a rampa de acesso, espreitou por
meia hora, mas como no leitor de CD iam não nos perdêssemos uns dos outros. dentro e apenas teve pena de não poder ver
tocando ora as músicas de um, ora as do ou- E agora por onde começar? A ordem do pas- o resto da casa por dentro. Mas a vista de fora
tro, o percurso fez-se num instante. O mesmo seio/aventura/maratona já não me lembro. Sei chegou para a encher. Quanto ao pequenote
se passou com a bateria do carro. Puff! Soltou que tínhamos um mapa e duas promessas, en- de três anos, achou piada a todas as diver-
o Rover em segunda mão, depois de ter canta- contrar o Woody e a Jessie do “Toy Story”. Do sões, reconheceu algumas das personagens,
rolado por 30 minutos dentro dum comboio primeiro não fomos muito dependentes, pois mas desatava a berrar e a trepar por mim aci-
debaixo de água. Valeu-nos a pronta assistên- fomos explorando à medida do tempo/fome/ ma sempre que alguma delas se aproximava
cia do staff do Eurotúnel para nos colocar ra- /forças/curiosidade. Das promessas fomos os de nós para dar um autógrafo. Porque razão
pidamente em marcha. Com o nariz colado dois escravos absolutos. Pois de tantos brin- haveriam de ser tão grandes, pensava. Berrou
à janela, na esperança de vislumbrar ao longe quedos e bonecos que existiam eles só queriam com o Mickey, com o Pluto, com os esqui-
o castelo da Cinderela, a Beatriz suspirava. precisamente aquilo que era mais difícil en- los do Donald e com todos os outros que se
«Ainda falta muito pai?», perguntava pela contrar. Entrámos em todas as lojas de recor- atravessaram no caminho. Até que por fim
enésima vez. dações mas eles não queriam mais nada. Até éramos nós a fugir deles. Inesquecível! LA

98
Querida, comprei um zoo!
E se um dia a sua cara-metade lhe fizesse um anúncio destes?
Assim se passou com Benjamin Mee que, ao procurar uma casa maior
no campo, se apaixonou por um zoo arruinado com 200 animais
no Sudoeste de Inglaterra. Numa escrita empolgante, pintada de
humor e comoção, o autor relata a jornada familiar de salvar o jardim
zoológico, ao mesmo tempo que lida com a doença terminal da mulher.
É, segundo os críticos, um livro que irá agradar a todos os aventureiros
e amantes de animais, prometendo muitas horas de prazer.
Oficina do Livro
PVP: 15 €
por C A R L A N A S C I M E N TO R I B E I RO

DIVUL
GAÇÃO
Um bom pai diz não
Como e quando saber impor limites aos nossos filhos é algo que se pode
ou não aprender com o tempo e com a experiência. Daí que, a psicoterapeuta
infantil inglesa Asha Phillips tenha congregado num só livro um conjunto
de relatos e conselhos que poderão dar confiança a muitos pais durante as várias
fases de crescimento dos filhos. Neste bestseller internacional, que só em Itália
vendeu 600 000 exemplares, A. Phillips defende a utilização do «não» como
ferramenta essencial na educação das crianças e adolescentes.
Lua de Papel
PVP: 16 €

Colecção Gramofone
A gramática também pode fazer rir
Com as aulas a começarem, nada melhor do que aprender ou relembrar as regras
de gramática e de fonética da língua portuguesa com um conjunto de livros
bem divertidos. Nesta colecção de álbuns infanto-juvenis, cada autor pega num
tema gramatical e inventa uma história ou um conjunto de rimas que depois
incentivam o pequeno leitor a espreitar o site www.junior.te.pt/gramofone.
A escolha é difícil: “O Dia em Que o Meu Bairro Ficou de Pantanas” de Rosário
Alçada Araújo, “Chamem-lhes Nomes” de Margarida Fonseca Santos, ambos
ilustrados por Afonso Cruz, “Rimas Perfeitas, Imperfeitas e Mais-Que-Perfeitas”
de Alice Vieira e “Dom Mínimo, o Anão Enorme e Outras Histórias”
de Luísa Costa Gomes.
Texto Editora
PVP: 8,90 €
COM O L A M AG

CRIA
DORES
DE SO
NHOS
T E X TO : C A R L A R I B E I RO
Uma das criaturas
mágicas que habitam
o mundo de Apolline
À Paris

E
ste é o título de uma antologia sobre os melhores autores e ilus-
tradores infanto-juvenis, organizada por Álvaro Magalhães, onde se
pode ler esta pequena passagem «quando for grande quero ser um
brincador [...] tenho tanto que brincar, como brinca um brincador,
muito mais que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar,
como imagina um imaginador [...] quando for grande quero ser um brincador».
Perante tanta determinação a resposta da mãe foi clara, isso não era profissão
de gente crescida. Mas e se fosse? E se houvesse mesmo gente crescida que vivesse
de sonhar, imaginar e inventar brincadeiras? Uma versão actualizada do Gepeto
do Pinóquio. Como seria mesmo brincar e crescer, crescer e brincar?

Apolline encontra toda a sua inspiração para criar deliciosas bonecas de pano, fadas misteriosas
e animaizinhos divertidos, a partir das diversas brincadeiras com as duas filhas pequenas.
Formada em Criação Têxtil, decidiu voltar ao mundo de fantasia da infância misturando
materiais, tecidos, padrões e cores para dar forma a uma variedade de bonecos bem
trajados, a que nem mesmo os crescidos resistem. Entrar no seu site na internet,
[www.apollineaparis.com], é, já por si, uma viagem de sonho até ao mundo do
faz de conta. Os pozinhos mágicos que ouvimos fazem-nos crer que, a qualquer
momento, uma fada vai sair disparada do ecrã.

E já ouviu falar dos Les Déglingos? O nome soa mais a espanhol do que
a francês é certo, mas estes «animalos molto funnios and
muy crazios» são mais uma criação de «brincadores»
franceses que, através da invenção de uma família
alargada de animais de tecido, proporcionam aos
mais pequenos horas de pura diversão. Bigbos, Ratos,
Nonos e Milkos são um lobo, um rato, um cão e uma Ratos the Rat
Um dos fabulosos
vaca que, em conjunto com outros amigos, nos recebem membros da família
euforicamente de braços abertos na página inicial do Les Déglingos

seu website [www.deglingos.com]. Na sua criação foram


utilizados mais de 50 tipos diferentes de tecidos e fios
coloridos, minuciosamente e magicamente unidos com
uma preocupação constante pelo pormenor e detalhe final.
Pessoalmente, fiquei rendida ao calçado «animalesco» para
100
T’es fous louloup
Uma grande criação
do atelier Ebulobo

os bebés dos seis aos 24 meses. Uma delícia pura! Esta família é distri-
buída em Portugal pela Brincas Lda. [www.brincas.com].

Mas a imaginação não pára felizmente e a arte de inventar sonhos


e brincadeiras a partir de material têxtil continua. Do atelier Ebulobo,
«un volcan d’idées pour les petits», surgem mais duas colecções
Big Lovecat
de simpáticos e ternurentos animais, desta feita um lobo e um urso que, Impossivel não
nos apaixonarmos.
cansados de se aninhar somente no colo ou em longos abraços com os Uma edição limitada
mais novos, os acompanham agora também para a mesa num conjunto do Minilabo

alegre e prático de acessórios de refeição. Woodours e T’es fous louloup


são daqueles bonecos que apetece mesmo apertar e guardar junto
à cabeceira. A distribuidora em Portugal é a Edicare Editora, Lda
(T. 213 959 426), por isso vale mesmo a pena procurá-los e descobrir,
em primeira mão, os seus encantos.

Se ainda não acredita que França é um país, por excelência, de brin-


cadores, então preste atenção neste último exemplo. Minilabo é um
«pequeno» laboratório do imaginário. Além de ser uma marca de objectos
e imagens, presta igualmente serviço a outras empresas na criação
de ilustrações e de objectos decorativos. Os nomes dos seus bonecos
falam por si. Big lovecat, é rosado e tem cerca de um metro de altura,
bem a jeito de servir de encosto, aconchego e consolo. Le chat sourit,
é uma alusão ao gato do longo sorriso na história da Alice no País
das Maravilhas. Impossível de nos deixar indiferentes. Le lapin
d’avril é um coelho enternecedor que aparece num conjunto
variado de cores suaves que apetece coleccionar.
E se gosta de deixar as crianças boquiabertas
com as suas próprias histórias então les petites
marionnettes são imprescindíveis. Basta
colocar no dedo e dar largas à imaginação.    

Et voilà! Será que ainda não acredita que


brincador pode ser uma profissão de gente
crescida? LA
COM O L A M AG

AMAR
PARIS
HELENA SACADURA CABRAL

Q
uem não se lembra de ter «outra» cidade, tantos foram os olhos que
ouvido esta canção? Muitos ma foram mostrando.
a cantaram ou trautearam Até que, um dia, fui viver para lá. Aí, sim,
ao longo dos anos. Ela sim- eu descobriria a minha segunda pátria.
boliza, afinal, o tema escolhido para este A dos jardins, lojas, casas, recantos, restau-
número. rantes, paisagens que menos se conhecem.
Atravessada pelo rio Sena cujas mar- Foi nessa época que entendi o significado
gens foram inscritas em 1991, na lista do da palavra «flanner» e o prazer que ela
Património Mundial da Unesco – é tida comporta. Não é apenas passear. É bastante
como a segunda maior metrópole da Eu- mais. É andar sem rota ou destino, regis-
ropa, com uma população de 2 milhões de tando tudo o que se passa à nossa volta
habitantes. e tendo sempre a impressão de que o faze-
Mundialmente conhecida como a Cidade mos como se fosse a primeira vez Conheço,
das Luzes, título que lhe vem do iluminis- hoje, cada recanto, cada banco de jardim,
mo, tornou-se num dos principais centros cada esplanada. Foi neles que, durante
turísticos do mundo, tal a beleza da sua anos, se desenrolou uma das fases mais fe-
arquitectura, as suas perspectivas urbanas, lizes da minha vida.
as avenidas que a atravessam ou os museus Poderia ter falado dos museus que vis-
que a enriquecem. «I love Paris in the itei, das igrejas onde rezei, das exposições
Capital de um império que se estendeu por que vi, dos espectáculos que presenciei.
vários continentes, Paris continua a deter
spring time Mas nada disso seria muito diferente das
uma forte posição como pólo comercial, I love Paris in the fall outras capitais que conheço. Paris é, so-
industrial, financeiro e turístico, que a man- I love Paris in the bretudo, aquilo que não vem nos guias ou
tém como a capital do mundo francófono. summer when it sizzles nos roteiros. Paris é, principalmente, um
A primeira vez que a visitei tinha atingido estado de alma!
a maioridade. Duplamente. Pela idade – ao
I love Paris in the De forma um pouco inesperada, a vida
tempo 21 anos – e pelo casamento reali- winter when it drizzles familiar obrigou-me a uma escolha dolo-
zado uns meses antes. Mergulhei, assim, I love Paris every rosa, que acabou por me trazer de regresso
pela mão do marido recente, nos museus, moment a Portugal. Ainda me lembro das lágrimas
nos clubes de jazz, na Cinemateca, nas que discretamente me correram pela face
livrarias, enfim, no que se costuma chamar
Every moment of the quando o avião descolou. Era uma espécie
o lado cultural das viagens que fazemos. year de aperto, a certeza de que «aquele tempo»
Voltei lá dezenas de vezes por razões profis- I love Paris, why oh why não voltaria nunca mais.
sionais – as reuniões da Aviação Civil, que do I love Paris? Retorno sempre que posso. Um fim-de-
foi a minha casa durante mais de dez anos, -semana prolongado é bastante para voltar a
eram, frequentemente, naquela capital.
Because my love sentir-lhe o cheiro, a luminosidade, a vida.
Foi nessas andanças que tive a oportuni- is here» Mas a alma, essa, ficou lá naquele dia de
dade de conhecer o lado escondido duma Outubro em que aterrei em Lisboa! LA

102
O N D E L A M AG

Paris,
que im
porta a
ilusão, se
ela for
verdade 
O Roteiro de hoje, não é o
de amanhã. Aqui vai um pedaço
do efémero parisiense
em Paris P or L eonor B aldaque

Fotogra f ia Hél è ne Harder

P
a cultura. Sobre o castigo
aris é a cidade que também, que a sociedade inflige
nos faz esquecer aos que acreditam, como
que todas as outras nas histórias de Saint-Simon,
existem. E o que é França para que uma posição social
além da capital? Que inesperado, adquirida é algo de inabalável.
ao apanhar o comboio, ver as A cada dia nasce em Paris
paisagens desfilar, e descobrir um novo ditador dos espíritos,
casas noutros sítios e um país um novo conquistador.
atravessado de estradas. Chega sempre o momento
Paris é uma aspiração, em que este último,
uma recompensa, ou um ao contemplar o tabuleiro das
traumatismo. Acolhedor? jogadas sociais, diz “xeque-mate”;
Não, a cidade  filtra, selecciona mas ao levantar triunfante
e elimina. Guarda apenas o olhar, ele vê diante de si
os que aceitam as regras um novo adversário.
de entrada e saída em cena Não, Paris não mantém jovem
de um imenso teatro urbano, o semblante, nem inocente
em troca de um enriquecimento o coração – mas alerta o espírito
constante, e de raros momentos e pede um guarda-roupa 
de recolhimento. preenchido.
Tudo o que se diz é verdade: Seja como for: tarde de mais para
sobre a elegância, o refinamento, desejar outra vida. LA

104
Les Cahiers de
Colette
Colette Kerber é uma das
livreiras mais respeitadas
de Paris. Uma excelente li-
vraria, com um fundo per-
manente de “essenciais”
nem sempre fáceis de en-
contrar. A par disso, uma
atenção constante ao que
surge de novo no – oh quão
irrequieto – meio literário
parisiense.

Leonor Baldaque
Vive em Paris desde 2001, a cidade que “faz esquecer
todas as outras” . Descubra as suas moradas favoritas.

Café Verlet
Porque cheira a frutos cristalizados, café, sacos de juta e madei-
ra antiga. E porque aqui se admiram as c hiquíssimas japonesas,
de passagem por Paris durante as Fashion Weeks. O  café citadi-
no, onde se vai de passagem para tomar uma decisão importante.
Ou para descansar depois do Louvre.

Heimstone
Belíssima primeira colecção no Inverno de 2007, de vestidos
apenas. Desde então, as duas jovens criadoras da marca têm
evoluído sempre na mesma linha: algo entre o colegial e o rock,
associando tecidos brutos e nobres. Para quem respeita a moda
sem a levar a sério.
O N D E L A M AG

La Victoire Suprême du Coeur


A «cantina» de uma vegetariana, para quem Seitan aux
Champignons vale mil Boeuf Bourguignon... Luminoso,
tranquilo, e com espaço entre as mesas, uma raridade
em Paris. Apesar do nome, nenhum guru à vista.

Shine & APC


Num dos quartiers
mais em voga de Paris,
o Haut-Marais, a Shine
é uma loja multimarca,
que a cada estação dá
a conhecer um estilista
de ponta, desconhecido
ou esquecido - por en-
tre os vestidinhos de
cocktail Marc Jacobs;
quanto à APC, é a co- 58M & Iris
queluche das vedetas Duas lojas fétiches para o mais fé-
quando querem pare- tiche dos acessórios: os sapatos.
cer casuais. Vestidos Excelente selecção, na 58m, so-
de algodão ou de veludo bretudo Lanvin, e Marc Jacobs. Se
canelado, como os da não, rumo a Saint-Germain à Iris
nossa infância, aliados para os Véronique Branquinho ou
a um design simplicís- a recente linha da See by Chloé.
simo, que desafia as
convenções da moda.

106
Jardins & squares
Destino de uma saída ou pausa a meio de um dia, são parte da alma de Paris.
Também aqui se mede o grau de civilização de um país. Belíssimo, também 
o jardim em frente ao Institut Suédois. Ou então, o Jardins das Tuileries,
que viu Marie Antoinette fugir na noite do 21 de Junho de 1791. 

Hotel Bel Ami


Porque é luminoso, tranquilo e tem um aten-
dimento em que, curiosamente, muitos falam
português. Porque tem o mesmo nome de um
romance de Maupassant e fica na mesma
rua do Hotel Louisiann, que acolheu Sartre
e Beauvoir durante a Segunda Guerra. A dois
passos do Odéon, da Rue Jacob e do inescapá-
vel café La Palette, onde desfilam os dandys
de Saint-Germain, o Bel Ami está «where the
action is». Mais, agora tem também na vizi-
nhança o novíssimo La Societé, tido como um
dos restaurantes mais trendy da cidade.

Tea Caddy
14, Rue Saint Julien le Pauvre 75005
Café Verlet
256, Rue Saint Honoré, 75001
Palais des Thés
64, Rue Vieille du Temple 75004
Shine
15, Rue de Poitou 75004
APC
112, Rue Vieille du Temple 75004
Heimstone
23, Rue diu Cherche-Midi 75006
58m
Tea Caddy 58, Rue Montmartre 75003
Felizmente, as relações entre França e Inglater- Iris
ra não se reduziram aos confrontos de Welling- 28, Rue de Grenelle
ton com Napoleão. Em frente à belíssima igreja
de Saint Julien le Pauvre, o Tea Caddy é o lugar Les Cahiers de Colette
sonhado para um chá de Inverno, antes ou de- 23, Rue Rambuteau 75003
pois de um cinema no Quartier Latin. Funciona
numa invulgar estrutura de casa medieval que Hotel Bel Amin
abriga os murmúrios dos convivas. Loiça azul, 11, Rue S. Benoît 75006
scones de Devon com clotted cream. Simples-
mente “out of the way”! La Victoire Suprême
du Coeur
21, Rue du Bourg-Tibourg 75004
© Eric Laignel
O N D E L A M AG

108
uma ci
dade de
se com
er...
T e x to M iguel A larcão J ú dice

P
nomeadamente os que representam
aris é de se comer... as zonas do globo por onde os fran-
a capital francesa é ceses andaram ao longo dos sécu-
também a capital mun- los. Facilmente se encontram aqui
dial da arte de bem comer e de me- fantásticos restaurantes de cozinhas
lhor beber. Apesar de alguns pre- de «mundos exóticos», do Magreb
-conceitos que muitas pessoas têm à Indochina, da Guiana às ilhas
em relação à cozinha francesa (fruto do Índico, da Polinésia às Antilhas
de algum desconhecimento da sua ri- Francesas das Caraíbas.
queza), erradamente e excessivamen- O protagonismo culinário de Pa-
te etiquetada com a “míngua” da nou- ris foi sendo construído ao lon-
velle cuisine, esta permanece uma das go dos séculos por personalidades
«grandes» do mundo. Além do seu centrais na história da gastronomia
valor intrínseco, a cozinha francesa mundial, como Vatel, Carême, Es-
é das poucas que têm uma expressão coffier, Brillat-Savarin ou César
verdadeiramente global, pois viaja Ritz, enfim, pessoas que ajudaram
para restaurantes franceses nos qua- a criar a cozinha dos nossos dias.
tro cantos do planeta, servindo ain- Mais recentemente outros seguiram
da, graças às suas técnicas e métodos os passos destes grandes nomes,
de base, de inspiração de muitas co- dando novos horizonte à cozinha
zinhas de hoje. E em nenhum outro francesa. Entre estes contam-se jor-
país do mundo, a gastronomia tem nalistas como Henri Gault e Chris-
um papel tão central na sociedade. tian Millau, chefs como Ducasse,
A prová-lo está a recente candidatura Guy Savoy, Joël Robuchon, Le Di-
a Património da Humanidade, entu- vellec ou Pierre Gagnaire. Graças
siasticamente apoiada por Sarkozy. a eles, Paris é hoje uma cidade à qual
Mas Paris não é apenas a cidade se vai comer com o mesmo entusias-
da cozinha francesa, longe disso. mo com que se vai a uma exposição
Na verdade, é uma das metrópo- no Louvre ou no Pompidou, ou às
les mais cosmopolitas e sofisticadas lojas da Avenue Montaigne e do Fau-
do mundo (para todos os franceses bourg Saint-Honoré, com propostas
e muitos outros será mesmo a «mais») para todas as bolsas e gostos. Tome
LE MEURICE
228, rue de Rivoli e por isso possui alguns dos melho- nota de algumas dicas para uma fu-
75001 Paris res restaurantes de cada cozinha, tura visita. LA
T +33 (1) 44 58 10 55
www.lemeurice.com
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La tradition contam-se o Aux Lyonnais, o Chez Georges, o


Brasseries para todos os gostos:  há em todos os Les Cocottes, o Chez Michel, ou o L’Ardoise.
quartiers de Paris. Os nomes mais sonantes in- Drouant: onde se atribui o célebre prémio
cluem La Coupole, Julien, Flo, Lipp, Bofinger. Goncourt.
Bistrots: existem a cada esquina e são geral- C’est mon plaisir: um restaurante discreto que
mente uma boa escolha para uma refeição sim- é uma das melhores surpresas de Paris.
ples de petiscos franceses como moules, huîtres, Les Cocottes de Christian Constant: pratos de
escargots, queijos, etc. Entre os mais famosos autor servidos em cocottes. LA

© Corbis/VMI
ENRICO BERNARDO NO RESTAURANTE IL VINO Smart casual
13, boulevard de la Tour Maubourg La Societé: o novo dos irmãos Costes, que têm Le Jules Verne: a cozinha de Ducasse no am-
75007 Paris
T +33 (0) 1 44 11 72 00 outros restaurante de moda pela cidade fora, biente mágico da Torre Eiffel, c’est pas mal...
www.ilvinobyenricobernardo.com oferece um ambiente cosmopolita povoado Il Vino: aqui o protagonista é o vinho, a comi-
de celebridades e uma cozinha descontraída. da vem depois, sugerida pelo sommelier Enrico
Outra alternativa é o próprio Hotel Costes. Bernardo para fazer maridagem com o que o
L’Atelier Joel Robuchon: uma proposta ino- cliente escolheu beber.
vadora deste grande chef, que aqui sai do seu Kong: outro espaço concebido por Starck, este
mundo da alta cozinha para criar um conceito oferecendo uma fusão de ambiente e cozinha
de bar de tapas extraordinaire. entre Paris e Tóquio.
 
© Olivier Roux

110
ALAIN DUCASSE AU PLAZA ATHÉNÉE
25, avenue de Montaigne
75 008 PARIS
© VVZitzewitz

T +33 (0) 1 53 67 65 00
www.alain-ducasse.com

Alta cozinha Pierre Gagnaire: o Picasso do paladar é um dos


Alain Ducasse au Plaza Athénée: o mais em- grandes cozinheiros do mundo. Num registo
blemático da cidade, onde cozinha aquele que mais económico, vale a pena provar o seu se-
é talvez o grande chef do século XX. gundo restaurante, Gaya, em Saint Germain
Chef Alain Ducasse
Le Meurice: recentemente renovado pela mão des Près.
de Starck, é famoso pelo bon marché da sua Guy Savoy: cozinha exemplar de um dos gran-
proposta de almoços. des nomes da cozinha mundial. Regra geral,
L’Ambroisie: num canto recatado da deslum- quando o nome do chef serve de marca ao res-
brante Place des Vosges, Bernard Pacaud prati- taurante, a probabilidade de ter uma destas
ca uma cozinha clássica de grande qualidade. estrelas atrás dos tachos aumenta. LA
© Laurence Mouton

L’ATELIER JOEL ROBUCHON


5, rue de Montalembert (corner of rue du Bac)
Paris 7th arrondissement GUY SAVOY
T +33 (1) 42 22 56 56 Rue Troyon
www.joel-robuchon.com 75017 Paris, France
T +33 (1) 43 80 40 61
www.guysavoy.com
O N D E L A M AG

A casa
encantada
T e x to : J oana C atarino

A padaria onde Victor Hugo comprava baguettes


frescas todas as manhãs deu lugar a um hotel
nascido das mãos de Christian Lacroix. Com apenas
17 quartos, todos diferentes, o Hotel du Petit
Moulin é uma experiência imperdível

112
cada um dos
17 quartos
conta uma
história
diferente

N o coração do Marais, o Hotel du Petit


Moulin é uma verdadeira pérola no centro
de Paris. Erguido num quarteirão boémio,
fazendo a esquina da Rue du Poitou e da Rue de Sainton-
ge e dando nova vida a um edifício cuja fachada remonta
ao século XVII e está protegida como monumento histó-
rico da cidade, este pequeno e absolutamente encantador
hotel parece saído de um daqueles contos que ganham
vida no nosso imaginário, enchendo-nos de desejos
de romantismo e aventura. O que o torna ainda mais
especial? O Hotel du Petit Moulin é, ele próprio, um
pedaço de história de valor incalculável. Uma fachada
de linhas irregulares e proporções insólitas revela a mais
antiga padaria da cidade-luz (do tempo de Henrique IV),
onde o próprio Victor Hugo – que vivia ali ao lado, na
Place des Vosges – passava todas as manhãs para com-
prar baguettes frescas. Hoje, o anúncio original da bou-
langerie, conservado como novo, dá entrada à recepção
do Hotel du Petit Moulin. A traça da padaria mantém-
-se, adaptada às suas novas funções pelas mãos talentosas
do inigualável Christian Lacroix, que deu vida a esta ver-
dadeira jóia arquitectónica.
 
Um sonho realizado
Lacroix e Murano conheceram-se por acaso. O criador,
que vive ali perto, andava intrigado para ver o resultado
da recuperação do edifício do século XVII e do prédio
vizinho – outrora um hotel e bar de reputação duvi-
dosa. Quando recebeu o convite, não hesitou por um
Contíguo à
recepção, um salão
rico, lacado em
cor de beringela,
dá acesso aos
elevadores
O N D E L A M AG na recepção
misturam-se
as várias
tendências,
criando
um estilo
veneziano

momento. «Quando Nadia Murano, Dennis Nourry e


Jean-François Demorge, os três proprietários do hotel,
me pediram para colaborar com eles neste projecto, fi-
quei com a impressão de estar a redescobrir um sonho de
infância: o de viver num hotel, vesti-lo e criar uma nova
decoração a cada dia, conjugando ambientes, volume e
espaço», conta Lacroix. Mais do que entusiasmá-lo, a ideia
de redescobrir o Hotel du Petit Moulin e poder dar-lhe sala
uma nova forma e uma nova vida entranhou-se no espíri- contigua
à recepção
to do criador. Observando cada detalhe do secular edifí-
cio, da sua fachada enviesada, dos corredores esguios, dos
tectos a várias alturas, Lacroix chegou a uma conclusão:
aquele nunca seria um hotel como os demais.
Assumindo tudo o que aquele edifício encravado entre
duas ruas do Marais, perto do Museu Picasso, do Museu
Carnavalet, da Place des Vosges e da Câmara de Paris,
tinha de especial, o criador foi além da fachada despre-
tensiosa e criou um hotel idiossincrático, intimista, com
um design ousado e quartos que, ao fim do dia, são ver-
dadeiras obras-primas de criatividade.
 
Entre os paradoxos do Marais
Além da entrada singela, esconde-se um mundo de con-
trastes inspirado no próprio bairro do Marais – de perso-
nalidade distinta e rico em paradoxos, quer se esteja inte-
ressado em arte contemporânea ou se vibre com a moda,
o vintage ou a modernidade. Logo na recepção mistu-
ram-se as várias tendências, criando um estilo veneziano
em tons de verde-amêndoa, coroado por cortinados de
tafetá bordeaux. Com a ajuda de Anne Peyroux, Lacroix
recriou um dos recantos do piso térreo, transformando-o
num acolhedor bar de paredes de cores quentes decora-
das com tapeçarias de época e frescos, balcão de zinco e
cadeiras saídas dos anos de Woodstock, como rebuçados
amarelos e cor-de-rosa pastel.

114
Contíguo à recepção, um salão rico, lacado em cor de be- lias eclécticas. Cadeiras swan com a assinatura de Arne
ringela, dá acesso aos elevadores decorados com colagens Jacobsen coexistem com espelhos venezianos, televisões
que nos transportam a um universo paralelo. Rendendo de ecrã plano e camas de roupa fresca e branca. Nas casas
homenagem à pitoresca Paris do século XVII, através da de banho, forradas a azulejos de cores vivas, as imen-
restauração de relíquias como as escadas de madeira, os sas banheiras dominam o espaço e chamam-nos para
painéis pintados e os espelhos venezianos, quanto mais se que nos rendamos aos encantos dos produtos de banho
entranhava no projecto mais Lacroix tinha uma certeza: de Anne Semonin.
teria de ser absolutamente coerente com o espaço e o  
local preciso em que se enquadrava cada quarto. Assim, Alta costura
decorou cada um deles individualmente, de acordo com Resumindo, o Hotel du Petit Moulin, nascido da par-
a sua orientação, pé direito e localização face ao coração ceria destes mestres da criatividade, revela-se como uma
do hotel. Mais importante ainda: «Cada quarto devia espécie de casa de vestir de alta costura. Porque a cozinha
relacionar-se com o início de uma história, deixando em é muito pequena e não está preparada para pratos com-
branco o final, para que cada hóspede a pudesse terminar plexos, aqui apenas se servem pequenos-almoços, mas
à sua vontade.» os hóspedes podem, sempre que quiserem, encomendar
  comida dos muitos restaurantes em volta – se estiverem
Estilos entrelaçados demasiado encantados com o hotel para sair em explo-
Nos pisos superiores, pisamos a relva verde dos corre- ração dos milhares de encantadores cafés, galerias e lojas
dores, as paredes forradas de padrões ricos de riscas que salpicam as ruas adjacentes.
e bolas, entrecortados aqui e ali por molduras brancas Inaugurado em Janeiro de 2003, o Hotel du Petit Mou-
das quais sobressaem as portas dos apenas 17 quartos, lin é o primeiro de quatro projectos e rejeita em absolu-
lacadas de negro. Dentro de cada um deles, há uma ex- to a ideia de qualquer hotel pertencente a uma grande
periência diferente e única à espera de ser descoberta: cadeia internacional. Intimista, confortável, charmoso,
pilastras, cornijas e consolas conjugam-se com paredes recria um ambiente de sonho e fantasia que todos mere-
forradas a papel dourado ou desenhos de flores selvagens, cemos experimentar. «É como o design de moda, em que
riscas grossas ou bolinhas; o cabedal vive ao lado de ta- a harmonia se cria a partir de uma paleta de inspirações,
fetá, linho e veludo. Há painéis ousados sobre as camas o sentimento do momento é alimentado por elementos
e caleidoscópios barrocos, desfiles de sketches de moda ou do passado, a modernidade vive nas tradições do presen-
pedras preciosas e até um painel que representa o espaço, te», diz Lacroix. E nós não poderíamos fazer melhor. LA
salpicado com todas as estrelas do universo. Da mesma
forma que os modelos desenhados por Lacroix são uma
extravagante composição de texturas, cores e influências
geográficas e históricas, assim são também os quartos do
Hotel du Petit Moulin. A madeira é lacada, o chão nu
ou apenas semicoberto por um tapete simples, as mobí-
O N D E L A M AG
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devolvem às origens. O melhor é começar pelos do momento, que é sempre a melhor altura.

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bom gosto e criatividade com que apaixonou o público quando abriu
as portas para vender tecidos e pouco mais. Em 1963, lançaram
as suas primeiras velas: Aubépine, Cannelle e Thé. Foi tal o suces-
so, que três velas passaram a mil velas e as fragrâncias assumi-
ram diversas formas de perfumar a casa e também os donos dela.
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Desde 1936 que a Maison Michel tem vindo a criar deslumbrantes chapéus
e acessórios para o cabelo. Ano após ano, colecções ultra-femininas que aliam
humor e elegância, fazem das cabeças palcos que encenam novos conceitos.
A irreverência é uma constante que acrescenta originalidade às criações
de Laetitia Crahay. Descubra no website como a nova colecção decora algumas
das mais célebres cabeças do mundo.

www.astierdevillatte.com
Logo na home page se prevê um futuro auspicioso. A seguir vem um jogo de ilu-
sões e revelações, que pode demorar horas a fio. Vai entrar num mundo encantado
de porcelanas, móveis antigos, velas,  livros, baixos-relevos, bustos, produtos de be-
leza e muitas outras peças que brincam com os seus sentidos. Tudo é perfeitamente
imperfeito, mas de uma qualidade irrepreensível. Infelizmente, não pode comprar
nada online. Faça a sua lista de desejos e guarde-a para quando for a Paris.

paris
www.
colette.
fr
Refrescante. A morada

by
ideal para quem gosta
de seguir tendências.
Há sempre novidades e
boas ideais, sejam para
brincar, vestir, ler, ouvir.
Alertamos para o facto
de este ser um website
extremamente viciante,

net
mas a Colette sempre
gostou de alimentar ví-
cios e obsessões e um
bom exemplo disso é
Hooked on Colette, um
CD estonteante, para ou-
vir sem moderação.

T e x to cláudia candeias

Hoje em dia é tão fácil ir


a Paris como trazer Paris
até si. A segunda hipótese
pode parecer mais barata,
mas essa é uma doce ilusão.
Os websites estão cada vez
mais tentadores e comprar
online tornou-se tão simples.
Basta um clique e voilà, o
melhor de Paris está à porta.
Mas quer queira comprar ou
simplesmente deleitar-se,
aqui ficam algumas moradas
imprescindíveis da net
www.ladurée.fr
Um website de comer e chorar por mais. A música começa e já o coração pula de ansiedade para
chegar ao canto dos macarons e vê-los passar coloridos à frente dos nossos olhos. Melhor,
só mesmo vê-los arrumadinhos naquelas caixas elegantes, que apetecia ter mesmo ao lado
do computador. Mas há mais no universo Ladurée para além dos macarons, só não promete-
mos é que sejam mais fáceis de ver e não comer.
O N D E L A M AG

T e x to A na E steves

Fotogra f ia M ário P rincipe

P rodução M aria J oão Pais

M a k e - up / C abelos A ntó nio C arreteiro

Cris
tina
Carva
lho
118
Veuve Clicquot Rosé
Vela de Jasmim Ice Dress
lanidor

Faz parte de uma instituição


financeira, mas isso não apaga o seu
lado mais colorido e até artístico.
Licenciada em História da Arte,
frequentou o curso de canto do
Conservatório Nacional e fez parte
do Coro do Teatro Nacional de São
Carlos. Tem saudades desse tempo,
mas afirma que como responsável
pela área de Relações Públicas Peça de Inverno Lanidor:
do Banco Santander também tem Vestido branco

de dar asas à criatividade.


No dia-a-dia, o seu estilo não pode Um sonho: ter sido bailarina

fugir a uma certa formalidade.


Animá-lo com as novas tendências
é um desafio que adora
lanidor

O que mais valoriza quando de adequar a minha imagem


acaba de conhecer alguém? às diversas situações
Num primeiro impacto, na vida me valorizou
a imagem é muito importante. também profissionalmente.
No entanto é feita não só pela Tento sempre lidar com
forma como a pessoa se apresenta a moda de uma forma saudável
mas sobretudo pela atitude. É na e na medida em que me pode
atitude que se reflecte o estilo, valorizar, até para daí retirar Um aroma Jasmim
a personalidade, a confiança. alguma confiança e bem-estar. Um restaurante inesquecível A Figueira,
Valorizo uma atitude confiante.   em São Paulo
  Quais os rituais de beleza A viagem da sua vida Brasil
O que não perdoa na imagem que não dispensa? Um objectivo para o Outono Retomar
de uma pessoa?  Diariamente, oito horas de sono o piano.
O desmazelo. e muitos cremes! Por semana, Um sonho Ter sido bailarina. Alia a estética
  uma máscara. Massagens sempre com a disciplina.
Até que ponto podemos que possível. O fim de tarde perfeito Lugar tranquilo
dar a conhecer-nos através   junto ao mar.
do que usamos? O que faz nos tempos livres? A bebida preferida Champanhe.
O que usamos diz muito de nós Leio, estudo canto e procuro A peça de roupa que melhor a define Vestido
e é isso que deve nortear a nossa passar o máximo tempo possível - é prático e ao mesmo tempo elegante.
relação com a moda: devemos com os amigos. Adorava poder O acessório indispensável Brincos. Remata
conhecer-nos para sabermos dedicar-me mais à música. qualquer toilette.
o que melhor nos fica e o que nos   Lanidor é sinónimo de... Actual , feminino,
valoriza para desenvolvermos um As compras podem ser bom gosto. 
estilo pessoal. O segredo está em terapêuticas? Sapatos ou jóias? Jóias porque são eternas.
conhecermo-nos bem. A melhor Muito, pela satisfação Saltos altos ou sabrinas? Sapatos altos,
imagem é a que melhor revela a de comprar uma peça que sempre. Sabrinas só no fim-de-semana à tarde.
nossa personalidade e identidade. nos valoriza, que nos faz sentir Um dia de SPA ou uma caminhada? Um dia
  melhor connosco e com de SPA, sem dúvida.
A sua imagem ajudou-a o mundo. É quando investimos Esta estação vai querer ter...  Sapatos,
profissionalmente? em nós. Aconselho sempre uma carteiras e os vestidos brancos da nova
Sim, penso que o facto tarde de compras com as amigas colecção da Lanidor! 
de sempre ter tido a preocupação para levantar o ânimo! LA
h oró scopos L A M AG

P R EVISÃO J OÃO J AC IN TO jmmj.seterios@hotmail.com //919671714

F OTO S T E R E S A A I R E S

Aries
Signo CARDINAL ELEMENTO FOGO PLANETA MARTE
Seja persistente na sua organização e capacidade de planeamento. Prepara-se para um aumento de responsabilidades em termos
profissionais. Afectivamente, liberte-se de relacionamentos pouco consistentes. Deverá procurar a harmonia, a criação de projectos
a dois e empenhar-se na interdependência. Aceite reestruturar-se emocionalmente e definir os modelos afectivo-familiares.
Financeiramente, poderá beneficiar de situações inesperadas. Atenção ao sistema nervoso e ao aparelho digestivo.
Os nativos nascidos entre 7 e 16 de Abril estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 21 e 25 de Março e 16 e 19 de Abril estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 12 e 13 de Abril estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 29 e 30 de Março e 13 e 14 de Abril estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados
do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 21 e 24 de Março estarão sob influências que os libertam
do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Taurus
Signo FIXO ELEMENTO TERRA PLANETA VÉNUS
Para que possa ser em vez de parecer, aprenda a valorizar toda a sua riqueza interior e evolua social e culturalmente.
Faça contactos, viaje para o exterior, participe em tudo o que possa contribuir para fortalecer a sua expansão pessoal, tanto
profissional, como afectiva e emocionalmente. Este período será favorável a financiamentos, aquisições e/ou a ganhos.
Planeie actividades físicas e crie novos hábitos que beneficiem a sua energia e saúde.
Os nativos nascidos entre 8 e 17 de Maio estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 20 e 25 de Abril e 2 e 10 de Maio e 17 e 20 de Maio estarão mais à defensiva, concentrados na definição
das estruturas e na integridade do Eu; os de 28 e 29 de Abril e 13 e 14 de Maio estarão mais despertos para a mudança, em busca
da diferenciação e de uma maior independência do Eu; os nascidos a 14 e 15 de Maio estarão motivados para a procura de novos ideais
e desapegados do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 20 e 24 de Abril; 6 e 9 de Maio estarão sob
influências que os libertam do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Gemini
Signo MUTÁVEL ELEMENTO AR PLANETA MERCÚRIO
Para conseguir uma maior consistência da sua identidade, do papel que desempenha social e profissionalmente, conquistando uma
maior intimidade e um sentido de partilha mais positivo e responsável, tem de reorganizar o seu espaço interior e cimentar os
alicerces emocionais. A sua vida financeira está também num ponto de viragem, que lhe trará, a longo prazo, um retorno positivo.
Poderão surgir alguns problemas de saúde, que estão relacionados com o stress e que não têm consequências graves.
Os nativos nascidos entre 8 e 18 de Junho estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 21 e 26 de Maio e 18 e 21 de Junho estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 13 e 14 de Junho estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 14 e 15 de Junho estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados do que os limita
e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 21 e 25 de Maio estarão sob influências que os libertam do velho ego
e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Cancer
Signo CARDINAL ELEMENTO ÁGUA PLANETA LUA
A carência de intimidade, a excessiva sensibilidade e também a imaturidade emocional podem dificultar uma interdependência salutar
e responsável. Ponha as ideias no lugar e faça um esforço para sair definitivamente do conflito interior, para que as recordações,
mágoas e culpabilização dêem lugar à conquista de harmonia e paz interior. A criatividade e a produtividade estarão beneficiadas.
Período não propício a investimentos. A sua energia e vitalidade sofrerão oscilações, de acordo com os seus estados de humor.
Os nativos nascidos entre 10 e 19 de Julho estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 22 e 26 de Junho e 19 e 22 de Julho estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 15 e 16 de Julho estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 30 de Junho e 1 de Julho; 16 e 17 de Julho estarão motivados para a procura de novos ideais
e desapegados do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 22 e 25 de Junho estarão sob influências
que os libertam do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

LEO
Signo FIXO ELEMENTO FOGO PLANETA SOL
Liberte-se de tudo o que ainda dificulta a expressão do seu ser mais autêntico, evitando perder-se em grandes introspecções.
Procure o equilíbrio através de projectos que lhe dêem prazer. Uma fase de ascensão profissional abrirá novos horizontes, ajudando
à sua expansão, à aceitação de mudanças e à (re)criação de uma nova filosofia de vida. Evite quaisquer tensões afectivo-familiares.
Financeiramente tenderá a organizar-se e a beneficiar de lucros ou de eventuais mudanças na área laboral. A sua energia poderá ser
afectada por alguma tendência depressiva e/ou evasiva. Encontre a cura no trabalho.
Os nativos nascidos entre 10 e 19 de Agosto estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 23 e 27 de Julho e 4 e 12 de Agosto e 19 e 22 de Agosto estarão mais à defensiva, concentrados na definição
das estruturas e na integridade do Eu; os de 31 de Julho e 1 de Agosto e 15 e 16 de Agosto estarão mais despertos para a mudança, em busca
da diferenciação e de uma maior independência do Eu; os nascidos a 16 e 17 de Agosto estarão motivados para a procura de novos ideais
e desapegados do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 23 e 26 de Julho e 8 e 11 de Agosto estarão sob
influências que os libertam do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu

Virgo
Signo MUTÁVEL ELEMENTO TERRA PLANETA MERCÚRIO
Uma maior maturidade, fruto de um percurso, nem sempre fácil e rápido, faz com que se sinta mais capaz e seguro(a), para
desenvolver e concretizar projectos que lhe proporcionem uma maior tranquilidade no campo profissional, afectivo e familiar.
Financeiramente está numa fase que, lenta mas progressivamente, lhe trará a recompensa pelo seu empenho. A sua vitalidade
e energia poderão estar mais susceptíveis a ambientes hostis ou a alguns elementos tóxicos.
Os nativos nascidos entre 10 e 19 de Setembro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 23 e 28 de Agosto e 19 e 22 de Setembro estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 15 e 16 de Setembro estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 16 e 17 de Setembro estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados do que os limita
e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 23 e 27 de Agosto estarão sob influências que os libertam do velho ego
e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

120
Out. Nov. Dez. 2009
LIBRA
Signo CARDINAL ELEMENTO AR PLANETA VÉNUS
Será um período intenso de resoluções. Fecham-se ciclos e nasce uma nova consciência sobre quem é, o que quer e o que os outros
representam para si. O rigor do tempo e das dificuldades desvanecer-se-ão e darão lugar a uma maior harmonia do Eu. Tudo o que
esteja associado à casa, família e património será objecto de análise e de mudança. Não faça grandes investimentos e tenha atenção
aos gastos supérfluos. As tensões que ainda persistem poderão enfraquecê-lo(a), deixando-o(a) mais susceptível a infecções, alergias…
Os nativos nascidos entre 11 e 21 de Outubro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 23 e 27 de Setembro e 20 e 23 de Outubro estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 16 e 17 de Outubro estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 2 e 3 de Outubro e 17 e 18 de Outubro estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados
do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 23 e 26 de Setembro estarão sob influências que os libertam
do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

SCORPIO
Signo FIXO ELEMENTO ÁGUA PLANETA REGENTE PLUTÃO
A excessiva sensibilidade e a constante procura, vão levá-lo(a) viver tudo muito intensamente, a sofrer pelo que não
tem resposta ou com o inalcançável. Aprenda a conhecer-se, através do que lhe proporciona tranquilidade, consistência
e maturidade. Percorra os caminhos mais complexos da existência, para lentamente resolver o que para si é tão importante.
Deverá agir com determinação e de forma positiva perante as oportunidades profissionais, sem se deixar influenciar pelo que
emocionalmente mais o(a) afecta. Este período será financeiramente estável.
Os nativos nascidos entre 10 e 20 de Novembro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com
maior confiança; os nascidos entre 24 e 28 de Outubro, 4 e 12 de Novembro e 19 e 22 de Novembro estarão mais à defensiva, concentrados
na definição das estruturas e na integridade do Eu; os de 31 de Outubro e 1 de Novembro e 15 e 16 de Novembro estarão mais despertos para
a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior independência do Eu; os nascidos a 16 e 17 de Novembro estarão motivados para
a procura de novos ideais e desapegados do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 24 e 27 de Outubro
e 8 e 11 de Novembro estarão sob influências que os libertam do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Sagittarius
Signo MUTÁVEL ELEMENTO FOGO PLANETA JÚPITER
As suas energias serão direccionadas para áreas nos quais consiga potencializar as suas ferramentas pessoais, criatividade, e haja uma
maior responsabilidade por tudo o que executa. Poderão surgir novas amizades e as existentes serão alvo de uma atitude mais crítica.
Nem sempre os relacionamentos afectivo/emocionais serão harmoniosos, devido às exigências que actuam contra o seu desejo
de liberdade. No início, poderão surgir algumas dificuldades financeiras, que serão ultrapassadas a meio deste período.
Tensões criadas por problemas de saúde de outros poderão afectar a sua vitalidade.
Os nativos nascidos entre 9 e 19 de Dezembro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 23 e 27 de Novembro e 18 e 21 de Dezembro estarão mais à defensiva, concentrados na definição
das estruturas e na integridade do Eu; os de 14 e 15 de Dezembro estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação
e de uma maior independência do Eu; os nascidos a 15 e 16 de Dezembro estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados
do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 23 e 26 de Novembro estarão sob influências que os libertam
do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

CAPRICORN
Signo CARDINAL ELEMENTO TERRA PLANETA SATURNO
Mais convicção e firmeza do Eu e menos condescendência perante a imaturidade do(s) outro(s). Viva intimamente, de forma honesta
e verdadeira, sem ter de estar constantemente a chamar à atenção e a estabelecer normas. Liberte-se dos relacionamentos incapazes
de lhe proporcionar a paz e segurança que tanto anseia. Evite todo o tipo de investimentos durante este período, dando preferência
à gestão individualizada dos seus potenciais e dos seus bens pessoais. Deverá haver alguma contenção em hábitos que afectem a sua
energia e vitalidade. Atenção aos pequenos sinais de fragilidade física/psíquica.
Os nativos nascidos entre 8 e 17 de Janeiro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 22 e 26 de Dezembro; 17 e 19 de Janeiro estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 13 e 14 de Janeiro estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 30 e 31 de Dezembro e 14 e 15 Janeiro estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados
do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 22 e 25 de Dezembro estarão sob influências que os libertam
do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Aquarius
Signo FIXO ELEMENTO AR PLANETA URANO
A expansividade e desejos do Eu não deverão ser afectados pelas dificuldades com o(s) outro(s). Saiba agir responsavelmente
e racionalmente, com firmeza e auto-estima, para que tudo o que ainda tenha viabilidade seja reconstruído. Profissionalmente será um
período favorável, em que pode destacar-se e obter bons resultados. Ponha em prática os seus projectos sem receios e com convicção
do seu potencial e valor. Em termos de saúde, a prevenção será essencial, para minorar qualquer problema que possa vir a afligi-lo(a).
Os nativos nascidos entre 6 e 16 de Fevereiro estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 20 e 24 de Janeiro, 31 de Janeiro e 8 Fevereiro e 15 e 18 de Fevereiro estarão mais à defensiva, concentrados
na definição das estruturas e na integridade do Eu; os de 27 e 28 Janeiro e 11 e 12 Fevereiro estarão mais despertos para a mudança,
em busca da diferenciação e de uma maior independência do Eu; os nascidos a 12 e 13 Fevereiro estarão motivados para a procura de novos
ideais e desapegados do que os limita e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 20 e 23 de Janeiro e 4 e 7 Fevereiro
estarão sob influências que os libertam do velho ego e os impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.

Pisces
Signo MUTÁVEL ELEMENTO ÁGUA PLANETA NEPTUNO
Adapte-se às mudanças, crescendo interiormente e ganhando forças para enfrentar o inesperado. Assim alcançará a liberdade
e a motivação para ir ao encontro dos seus desejos. A estrutura afectiva é necessária, devendo dar consistência aos relacionamentos
que o(a) possam ajudar no seu processo de crescimento e de auto-conhecimento. Profissionalmente é uma fase de luta
e de conquista, em que a teoria deverá dar lugar à acção. Seja persistente e saiba afirmar-se. Financeiramente, é tempo
de reorganização. A sua energia e vitalidade poderão ser afectadas por causas psíquico-nervosas e/ou pequenos acidentes.
Os nativos nascidos entre 8 e 17 de Março estarão sob influências benéficas, mais capazes de concretizar e de expandir o Eu com maior
confiança; os nascidos entre 19 e 23 de Fevereiro e 17 e 20 Março estarão mais à defensiva, concentrados na definição das estruturas
e na integridade do Eu; os de 13 e 14 Março estarão mais despertos para a mudança, em busca da diferenciação e de uma maior
independência do Eu; os nascidos a 14 e 15 Março estarão motivados para a procura de novos ideais e desapegados do que os limita
e lhes dificulta a unidade do Eu com o todo; os nascidos entre 19 e 22 Fevereiro estarão sob influências que os libertam do velho ego e os
impulsionam a um renascimento mais consciente do Eu.
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