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The Den of Shadows
Livro 01

In the Forests of the Night
Amelia Atwater - Rhodes

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Sinopse

De dia, Risika dorme no quarto sombreado em Concord, Massachusetts. À noite, ela caça pelas ruas de New York City. Ela está acostumada a ficar sozinha. Mas alguém está seguindo Risika. Ele deixou-lhe uma rosa negra, o mesmo tipo de rosa que selou o seu destino há trezentos anos atrás. Trezentos anos atrás Risika tinha uma família, um irmão e um pai que a amava. Trezentos anos atrás, ela era humana. Agora, ela é uma vampira poderosa. E o passado voltou a atormentá-la.

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Tigre
Tigre, tigre que flamejas Nas florestas da noite. Que mão que olho imortal Se atreveu a plasmar tua terrível simetria? Em que longínquo abismo, em que remotos céus Ardeu o fogo de teus olhos? Sobre que asas se atreveu a ascender? Que mão teve a ousadia de capturá-lo? Que espada, que astúcia foi capaz de urdir As fibras do teu coração? E quando teu coração começou a bater, Que mão, que espantosos pés Puderam arrancar-te da profunda caverna, Para trazer-te aqui? Que martelo te forjou? Que cadeia? Que bigorna te bateu? Que poderosa mordaça Pôde conter teus pavorosos terrores? Quando os astros lançaram os seus dardos, E regaram de lágrimas os céus, Sorriu Ele ao ver sua criação? Quem deu vida ao cordeiro também te criou? Tigre, tigre, que flamejas Nas florestas da noite. Que mão, que olho imortal Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?

“Willian Blake”

mas eu tenho passado muito tempo com Tora. Um animal tão bonito não deve ser enjaulado. é apenas um nome extravagante para tigre. e é o maior dos felinos. As mentes dos animais são diferentes das mentes dos humanos. ela me entende. . mas humanos fazem isso muito freqüentemente. enjaular um animal tão bonito e impetuoso como se fosse apenas uma fera burra. O tigre de bengala é dourado com listras pretas no seu pelo. Eu chamo esse de Tora — ela é o meu animal preferido neste zoológico. e nós nos conhecemos muito bem.5 5 NAS FLORESTAS DA NOITE PRÓLOGO Uma jaula de ferro. não de ferro. A placa diz: “Phantera tigris tigris”. É uma coisa cruel de se fazer. eu a entendo e. Eles até mesmo se aprisionam. Tora caminha em minha direção quando eu me aproximo de sua jaula. apesar de suas barras serem feitas de sociedade. Embora os pensamentos dos animais raramente possam ser traduzidos para pensamentos humanos.

Assim que eu retornei a forma humana. e então chegar em minha casa em Massachusetts perto do amanhecer. Eu podia me levar pra casa num instante com a minha mente. Massachussets. os pássaros são talvez os mais livres. eu .” As pessoas que vivem aqui mantêm Concord como era há muito tempo atrás. por serem capazes de se mover pelo ar e por haver pouca coisa que possa parar seu vôo. o qual estava fechado por horas. Minha pele é um pálido gelado. Desta forma não há ninguém para testemunhar minha saída. eu posso facilmente me mudar para outro lugar. Eu nem sempre uso preto. mas essa era a cor do meu humor hoje. Foi assim que eu “herdei” a casa em que vivo. tornaram-se pretos quando eu morri. O segurança adormeceu repentinamente como muitos fazem quando encontram meus olhos. assim como todos da minha espécie. Meus olhos. Quando os mortais começam a me questionar muito. Concord tem uma aura — uma que diz. Ao longo dos anos eu fiz de mim mesma a filha perdida de vários ricos casais de idosos. Meu cabelo é longo e da cor de ouro envelhecido. mas eu gostava da sensação de voar. não é difícil influenciar pensamentos — e papelada — do mundo humano. eu vivo em Concord. apesar dos carros terem tomado o lugar das carruagens puxadas por cavalos. eu avistei rapidamente minha vaga reflexão no espelho do meu quarto. as quais os seres humanos gostam tanto de fazer com gesso e pintura. “Essa terra é nossa e nós vamos lutar para mantê-la desse jeito. Eu pousei apenas uma vez para me alimentar. que eu saiba. Eu moro sozinha numa das casas originais de Concord. Eu não me importo com as novas cidades rapidamente construídas. De todos os animais. uma cidade com história. Embora. Hoje eu uso jeans preto e camiseta preta.6 6 Capitulo 1 – Agora E u abandonei minha forma humana por um falcão assim que eu deixei o zoológico. e no reflexo parece névoa. Apesar de não ter parentes vivos. Então.

mas se o seu sentido do olfato fosse vinte vezes mais forte que o de um cão de caça. apesar de nunca ter perguntado o que significava. eu também posso falar algo sobre mim. Eu continuei a me chamar Risika. e Risika me tornei. Alguns mitos eram verdades: meu reflexo é fraco. Os mitos de vampiros são tão confusos que é muito fácil ver que eles foram criados por mortais. Se alguém enfiasse uma estaca no coração eu acho que eu iria morrer. 7 7 . Eu não queimo na luz do sol. felizmente. mais de trezentos anos atrás. Minha casa é perto do centro de Concord. eu estive fazendo serviços cristãos desde que eu morri. Eu não gosto do cheiro de alho. Nenhum dos dois me incomoda muito. mas a luz brilhante do meio dia machuca meus olhos. Eu uso um anel de prata com uma pedra granada. É claro que há fantasmas. então minha existência e desaparecimento são raramente percebidos. mesmo que eu tenha sido transformada contra a minha vontade. Minha casa não tem caixões. Eu nasci com o nome de Rachel Weatere no ano de 1684. mas só porque eu normalmente me pego dormindo durante o dia. mas eles não fazem nada a não ser o ocasional susto ou arrepio. Já que eu estou falando da minha espécie. e os mais velhos da minha linhagem não têm reflexo. há poucas verdades e muitas mentiras. a vista da janela da frente dá para a Igreja Unitária e a vista da de trás dá para um cemitério. Eles normalmente são muito fracos para serem vistos a luz do dia.não faça amigos humanos não importa quanto tempo eu fique num lugar. procurando por um tempo onde Rachel ainda estava viva e Risika ainda não tinha nascido. eu durmo numa cama. mas eu não brinco com humanos. E para outros mitos. você também não gostaria? Água benta e cruzes não me incomodam — e mais. Aquela que me transformou se chamou de Risika. Minha mente vagueou de volta para meu passado. Eu tenho cortinas de blackout. e prata não me queima. apesar de eu não estar mais procurando por conforto na religião. estacas ou marretas.

a lareira agora apagada. No entanto. se ele olhasse para o fogo.. — É bruxaria. Ele podia às vezes ouvir os pensamentos das pessoas ao seu redor. — Eu sou amaldiçoado? — ele perguntou. Alexander tentava esconder seus poderes. não a mim. padre se encaixa melhor. Agora ela estava no médico com nosso pai. — Você deveria perguntar essas coisas a um padre1. Tremendo de medo. ele me contou tudo. — ele parou. Por meses. através de mim. — Contar a um padre o que eu vejo? Contar a ele que eu posso ver a mente das pessoas. podia fazê-lo crescer ou apagar. que significa pregador. com seus olhos dourados. Alexander acreditava mais que eu no perigo da alma. Eu não sabia nada sobre condenação e salvação. Meu irmão gêmeo. e que eu posso. e certamente não era um clérigo.. Apesar de seus esforços para controlar esses poderes. cheios de preocupação e vergonha. apesar de tentar bloqueá-los. . preacher. encarando. preparava a janta. uma menina ainda. Ele estava convencido que o acidente era culpa dele. mas ambos sabíamos o resto da frase. tratando suas queimaduras. Embora ambos rezássemos e fossemos sem falta a igreja. ele podia movê-lo. Lynette estava cozinhando o jantar. como se eu devesse saber de tudo. Enquanto minha irmã. — Como eu posso contar isso a um sacerdote? Mais uma vez eu não podia responder a ele. No contexto da tradução. E ainda. — eu respondi. às vezes eles eram mais forte que ele. Como ele queria que eu respondesse? Eu tinha apenas dezessete anos.8 8 Capitulo 2 – 1701 H avia cinzas na minha pele pálida por ajudar a apagar o fogo. estava parado em frente à lareira. chamas pularam da lareira como braços tentando agarrá-la. Alexander. 1 No original. Se ele se concentrasse num objeto. Lynette. — Alexander sussurrou como se tivesse medo de dizer as palavras mais alto. Alexander estava olhando para mim. os quais eram tão indesejáveis assim como o fogo havia sido. assim como meu irmão gêmeo também não sabia.

Na verdade. a mãe dela tinha morrido apenas um ano depois de varíola. Se eu tivesse os poderes que meu irmão estava descobrindo. Nossa família não tinha sido bem aceita na comunidade. O cabelo dela era mais claro que o meu e do meu irmão. — Como você pode se culpar pela morte de Mamãe? Nós éramos bebês! — Se eu posso perder o controle e machucar Lynette quando eu tenho dezessete. — Alexander! — eu me sobressaltei. quão fácil não seria perder o controle quando eu era uma criança? Eu não me lembrava da minha mãe. mas nossos olhos eram exatamente da mesma cor que os dela. — Você nunca pediu por esses poderes. nossos olhos devem ter nos denunciado com uma acusação de bruxaria. — Alexander disse calmamente. — Talvez tenha sido isso o que aconteceu com a nossa mãe. eu temeria muito mais a igreja. — Bruxaria. mais do que ele. que ele nunca poderia machucar alguém intencionalmente.onde eu era cética. ele era devoto. — Alexander falou baixo. — Você nunca assinou o livro do Diabo. não é sua culpa. Rachel. apesar de papai às vezes falar sobre ela. eu tinha mais medo dos frios e autoritários padres do que do fogo do Inferno que eles nos ameaçavam. — eu disse a Alexander. — Quão grande é um crime deste? Eu machuquei alguém e nem sequer posso ir a igreja confessar. Eu sabia. Mesmo que tenha sido você. — Você nem tem certeza se os machucados de Lynette são culpa sua. nossos olhos eram perigosos em suas singularidades. 9 9 . Você está tentando ser perdoado por não fazer nada de errado. — eu disse a ele calmamente. — Talvez eu a tenha machucado. Um mel dourado exótico. ou talvez houvesse óleo na madeira de alguma maneira. ela tinha morrido apenas alguns dias depois que Alexander e eu nascemos. horrorizada como meu irmão podia pensar algo assim. — Não foi sua culpa! — porque ele insistia em se culpar por algo que ele não podia ter evitado? Eu via meu irmão como um santo – ele podia ficar olhando papai matar galinhas para o jantar. Lynette era o terceiro filho do meu pai. Alexander. — Ela estava muito perto do fogo. nascida de sua segunda esposa.

ele ocasionalmente olhava nos meus olhos. Os braços dela estavam enfaixados. a pergunta em seu olhar pendia: eu sou amaldiçoado? 10 10 . não usando as mãos dela. mesmo tendo que fazer a maior parte do trabalho. A culpa de Alexander ainda era tão forte – cuidou para que ela repousasse.Papai voltou com Lynette mais tarde naquela noite. mas o médico disse que não havia danos permanentes. Enquanto ele e eu cozinhávamos o jantar.

Ela foi para outra rua. procurando por algo familiar. Era uma das muitas ruas da America que pertenciam a minha espécie. Apesar de não ser de Nova York. apesar de um pouco mais desertas. Eu o conheço muito bem. *** Minha presa estava claramente perdida. minha presa viu-se sozinha numa área escura da cidade. mas não do jeito que um humano poderia reconhecer. Minha presa estava caminhando para uma . No brilho vermelho da cidade que nunca dorme. Fraca. e ainda assim eu quebrei uma das suas regras mais básicas. As lâmpadas dos postes da rua estavam quebradas. Esta rua era mais escura que a de antes.11 11 Capitulo 3 – Agora P or que estou pensando nessas coisas? Peguei-me olhando para uma rosa na minha cama. Essas ruas pareciam quase normais. muito parecida com uma que me deram há quase trezentos anos atrás. Sozinha. Tenho vivido nesse mundo por trezentos anos. Quando eu parei para caçar ontem à noite depois de visitar Tora. Ela estava com medo. ela achava que sabia onde estava indo. eu entrei no território de alguém. e havia mais sombras que luzes. Presa fácil. A cidade à noite é como uma selva. assim como todos os humanos – nem tão humanos – predadores que vivem nela. A aura ao redor dela era como uma impressão digital: eu consigo sentir a força e reconhecer aquele que a deixou. as ruas e becos mudam e se entrelaçam como sombras. menos perigosas. Assim que o sol se pôs. Ilusões podem ser tão reconfortantes. Perdida.

— Este território não é seu. ele era definitivamente humano. saindo em disparada ao virar a esquina. Barreiras se elevaram num instante. os quais provavelmente nunca serviram algo que ela quisesse beber. Era ligado com sangue a um vampiro e provavelmente até trabalhava pra ele. — Não. Embora eu pudesse sentir uma aura vampiresca ao seu redor. Já que não há mais que cinco ou seis vampiros na Terra mais fortes do que eu. 2 12 12 Tem o sentido de uma armadilha viva. ele era ou muito tolo ou estava trabalhando para alguém muito poderoso – provavelmente os dois. e eu a segui silenciosamente. Se eu não fizesse nada. Nenhuma das janelas estava quebrada. mas eu era forte o suficiente para impedi-lo. mas isso não me importava. Mas eram fracas. Ela pareceu relaxar visivelmente quando viu o Café Sangra. — Este território não é seu. e os olhos do meu atacante ficaram grandes assim que ele sentiu toda a força. — Você trabalha para a minha espécie – você deve ter mais de uma arma. e ela fugiu cegamente. Eu senti outra presença humana a minha esquerda e busquei com minha mente para determinar se era uma ameaça. Ele não era uma ameaça. mas eu a peguei primeiro e a joguei na rua com força o suficiente para ela virar uma pedaço de metal no chão. por isso eu nem me dei ao trabalho de olhar a mente dele. Os olhos da minha presa se arregalaram quando viu a cena. — Saia daqui. mas não era um da minha espécie. e eu podia ultrapassá-las se tentasse. Apesar disso. ninguém estava desmaiado contra o prédio. e ele a deixou cair para seu pulso não se quebrar. . eu tinha pouco a temer. Eu sabia que ele podia ler minha aura. alguém iria matá-la assim que entrasse em um dos bares ou colocasse os pés num café. — ele me ordenou. e o lugar estava aberto. para ele.planta carnívora2. — ele me disse novamente. continuando a ir até o Café Sangra. eu deveria parecer uma novata. Eu dobrei a arma para o lado bruscamente. — eu respondi. — Isso é tudo que você estava armado? — eu zombei. Eu o ouvi sacar um revólver. assim. Humano estúpida. O humano em questão sentiria isso. Ela foi em direção ao café. — ele me disse. Eu parei de esconder minha aura. mas ele não teve chance de atirar antes de eu estar lá. Ele foi apanhar uma faca.

Se Aubrey desejava reivindicar aquela rua. poucos me reconhecem. Eu podia sentir um vestígio do sangue de Aubrey em contraste ao elixir mortal que corria pelas veias de Ryan. Ele relaxou um pouco. Os da minha linhagem sãos os vampiros mais fortes quando se trata de usar nossas mentes. quem é você? — ele gaguejou com medo. e ele empalideceu da cor branco de giz. ele poderia lidar com o corpo e as autoridades humanas. Meu atacante sorriu ironicamente. Praguejei assim que percebi a quem o humano pertencia. — eu murmurei. e nunca encontrei uma razão para evitar exercitar esse poder. De qualquer jeito. — Quem você acha que eu sou. Eu recebi apenas um olhar vazio em resposta. e aquele gosto me fez tremer. — Você me fez perder a minha presa. Nem me preocupei em disfarçar a morte.— Quem. Aubrey sentiria minha aura e saberia que eu estive lá. Eu estive nessa parte de Nova York antes. eu atirei o humano para longe de mim. mas não o suficiente para poupar esse garoto. Aubrey saberia sobre eu estar no território dele de um jeito ou de outro. poucos se atreveriam a matar um dos serventes de Aubrey no território dele. e não lutou quando minhas presas perfuraram sua garganta. Ele amoleceu. de acordo com o seu humano. achando o nome enquanto lia sua mente. — Quem és tu? — eu perguntei quando ele não respondeu imediatamente. Mesmo assim. e essa criança estava me incomodando. eu fui em sua direção. Antes de ele ter a chance de correr. colocando uma mão na parte de trás de seu pescoço. Assim que o fiz. criança? Eu tendo a evitar a maioria da minha espécie e destruir aqueles que insistem em se aproximar. sussurrando uma única palavra em sua mente: durma. Por isso. peguei seu olhar. Bem. Procurei na mente dele e arranquei a informação que eu queria. mas nunca encontrei Aubrey ou nenhum de seus servidores aqui. Ele é também o único que se importaria com a minha presença no território dele. — Ryan.. Talvez ele pensasse que eu estivesse com medo do mestre dele.. 13 13 . Quando achei o que eu procurava. esse lugar pertencia a meu inimigo. mostrando as presas. eu temia Aubrey mais que qualquer coisa nesse mundo. Aubrey. Eu sorri. Ele é um dos poucos vampiros mais fortes que eu.

eu não iria mostrar que eu ainda o temia.Apesar de temer Aubrey e o que aconteceria quando o confrontasse novamente. perfeitamente formadas e pretas. Eu olhei para o sangue por um momento assim que o ferimento se curava. Uma rosa com um longo cabo estava sobre o edredom escarlate da minha cama. Ódio vinha de mim assim como vinha dele. as pétalas macias. que era afiado como um dente de uma serpente. 14 14 *** Aubrey. lembrou-me de um longo tempo atrás quando eu ainda era Rachel Weatere – um tempo em que eu havia ganhado outra rosa negra. Eu peguei a rosa. . Era a primeira vez que nossos caminhos tinham se cruzado em quase trezentos anos... furando minha mão num espinho. eu me recusava a mostrar esse medo. Então eu não lambi o sangue.

e este é meu filho. Lynette. Quase um mês havia se passado desde que Lynette havia sido queimada. esperando por você. Quando eu cheguei à porta. — E claro. Esta é minha outra filha. a tinta para tais cores brilhantes eram caras. pai de Rachel. Lynette tinha quatorze anos. você conhece Rachel. Eu sozinha percebia quando o rosto dele obscurecia e o foco dele mudava. — Você tem um visitante. Desviando-me de meu irmão. A cor era muito ousada para a época. — meu pai estava dizendo. . Alexander não tinha falado comigo novamente sobre as coisas que ele viu. — O tom dela me lembrou uma criança emburrada. Minha irmã desconhecia a mente torturada de Alexander. Ele usava calças pretas e uma camisa carmesim. — ele completou quando nos juntamos a eles. eu vi o que fez Lynette infeliz. eu olhei para nosso visitante. O visitante era um jovem de cabelos negros e olhos escuros que eu conhecia apenas vagamente. e acreditava que o fogo havia sido um acidente. Eu me lembrei da confissão dele sobre as coisas que ele via e como ele podia ouvir os pensamentos das mentes ao redor dele. embora eu reconhecesse o momento em que as visões apareciam na mente dele. Lynette disse pra mim. entre. Alexander. O traje todo provavelmente custava mais que meu guarda-roupa inteiro.15 15 Capitulo 4 – 1701 R achel. — Por favor. ela se ressentia com a atenção que os garotos da cidade davam a mim. Papai está com ele. embora ela nunca tenha dito em voz alta. Eu tinha medo de saber o que ele estava vendo e ouvindo agora. como se ele ouvisse vozes que só ele podia ouvir. Alexander estava olhando para o visitante com um olhar obscuro. ela não sabia nada sobre os poderes que ele tinha tanto medo. — Eu sou Peter Weatere.

eu a peguei sem pensar. Karew. Não deveria aceitar presentes de um jovem que meu pai mal conhecia. Precisamos dormir antes que o sino da igreja toque amanhã. Karew? — meu pai perguntou. eu nem sabia seu nome. mas não consegui. Meu pai se virou para mim. Era linda – uma rosa de cabo tão longo não crescia nas colônias do norte. mas não com meu pai. — O senhor está certo. mas logo percebi que era negra. Então esse jovem estranho me deu uma rosa. — Sr. Papai ficou mudo. franzindo a testa. mas meu irmão interveio. embora não soubesse de onde era. assustaram-me. Algo me impedia de desviar o olhar. e na única vez que eu falei com ele. — Aubrey Karew. Havia saído antes mesmo que alguém pudesse dizer uma palavra. seu olhar avistava o corte na minha mão. fazendo-me sangrar. — o jovem se apresentou. esperando que ninguém houvesse percebido. uma vez que havia perguntado por mim. como se eu fosse um pássaro apanhado pelo olhar de uma cobra. como era apropriado. e eu transferi a rosa para minha outra mão. e eu peguei a rosa sem sequer perceber que o fizera. Um dos espinhos me furou. Olhei para cima e os olhos de Aubrey pareciam me prender. cumprimentado meu pai. ele respeitava meu irmão. 16 16 . Por um momento pensei que era de um vermelho profundo. Os olhos de Aubrey eram hipnotizantes. Eu olhei de volta para Aubrey. — Isso é um tanto impróprio.Papai assumiu que o nosso visitante já me conhecia. e outro arrepio percorreu minha espinha. — eu conhecia bem meu irmão. a qual eu ainda segurava. Seu olhar fazia a minha coluna estremecer. Mas eu só o tinha visto antes apenas de passagem. — meu pai disse. Ele se virou abruptamente e foi embora. — Aubrey disse. mas o jeito que os olhos desse homem me prenderam. Eu ouvi o vago traço de um sotaque. e eu não conseguia desviar meu olhar para longe dele. Sr. a face dele estava séria. Eu olhei para a rosa. Eu não conhecia muitas outras línguas. — Como posso ajudá-lo. Papai assentiu. Eu tentei baixar o olhar. e reconhecia o tom dele: ele queria discutir sobre Aubrey. — É muito tarde para discutir a racionalidade de nosso visitante.

. — Talvez tenha. serpent´s tongue. morte e de todas as coisas do mau que eu havia ouvido: corações negros. Depois que meu pai saiu. negro. contudo. mas isso não significa que não há outras criaturas que pertençam a ele. Alexander voltou para casa silenciosamente. Olhos negros hipnotizantes. a rosa era bonita – perfeitamente desenhada. ainda segurando a rosa. — Um homem de olhos negros que nunca vimos antes vem a nossa porta e lhe oferece uma rosa negra. embora mal percebesse que o estava fazendo. mesmo depois de ter tirado seu sangue. mal. então deliberadamente a coloquei no chão. ele me levou até o poço para limpar o sangue. numa alusão ao lado negro. Alexander? — perguntei a ele. Eu olhei para a rosa que ainda estava na minha mão.Alexander tinha sido o único da minha família a perceber o corte. era da cor das trevas. Eu não consigo acreditar que eu aceitei um presente de uma das criaturas do Diabo. A cor. estava preocupado. — Alexander disse. — O que você esta dizendo? — eu sussurrei chocada. . — Até parece que o nosso visitante tem uma língua de serpente3. — Eu posso não ter assinado o livro do Diabo. — Alexander! — eu sussurrei chocada com sua insinuação. não sabendo o que dizer. — O que há de errado. 17 17 3 No original. O que seria dito se eu falasse a um padre sobre a rosa negra que eu havia aceitado? Afinal. recentemente aberta. meu olhar permanecia sobre as pétalas pretas.. Olhos negros. a voz dele estava baixa e obscura. Eu convenci a mim mesma que não tinha. e eu percebia como Alexander havia se sentido quando eu falei para ele conversar com um padre depois do acidente de Lynette. Eu não podia negar que. eu havia ouvido falar das pessoas que haviam assinado o livro do Diabo com seu sangue. Mesmo assim. de alguma maneira. magia negra. Você aceitou o presente e parece que não consegue largá-lo. e eu o observei partir. Ele havia acusado Aubrey Karew de ser uma das criaturas do Diabo. e meu sangue havia sido derramado. tentando convencer meu irmão – e talvez a mim mesma – que tal ação era possível.

– Eu os tinha sem sentir. . jamais iria agradecer ao sol ou ao ar por suas existências. ar e o amor do meu irmão. E. Rachel Watere morreria na noite seguinte.. com minha irmã ou com meu irmão. e meu último dia para respirar e saber que sem isso eu iria morrer. como toda a humanidade. O que eu poderia ter feito? 18 18 *** O próximo dia seria meu ultimo dia naquele mundo – meu último dia para falar com papai.. e alguém os tirou de mim.Talvez se eu tivesse acreditado. Talvez nada. Eu discutiria com Alexander e evitaria meu pai... Luz. Seria o último dia para agradecer ao sol por dar luz aos meus dias. Meu último dia de humanidade.

Caso contrário. Mas aqueles vampiros são raros. Alguns vampiros. Poucos se permitirão a mostrar medo ao outro. Eu não recebo ordens de ninguém. . A rosa é um aviso. Pergunto-me onde ela foi cultivada. Eles não visam um aumento no poder.19 19 Capítulo 5 – Agora E u trouxe os meus pensamentos do passado. são submissos por essência. assim como alguns seres humanos. É tão parecida com a que Aubrey me deu há trezentos anos atrás. Para sempre é muito tempo para viver com medo. mas finalmente arrebatei-o da cama. Eu cacei em Nova York mais uma vez esta noite. e meu olhar se voltou novamente para a Rosa Negra. Queimei o cartão e deixei as cinzas em um saco plástico na porta da frente do Café Sangra. não querendo falar sobre aquela noite. cuidando para não entrar no território de Aubrey. não seria um caçador agressivo. Aubrey não gostou de seu servo ter morrido em seu próprio território. enquanto tremem e se escondem. Eu parei na parte que pertencia a ele em Nova York por apenas um momento. Ele está me lembrando do meu passado. porque a noite é escura. Eu hesitei em pegar o cartão branco da floricultura que veio com a rosa. mas recusando-me a abrir mão da minha caça favorita por medo. perseguido ou ferido. O caçador odeia ser caçado. e aqueles que não podem ser agressivos são caçados. porque se você se mostrar mais fraco que a caça. Risika. Permaneça em sua casa. você passa a ser caçado.

Desta forma. Por Tora. 20 20 . eu prefiro me manter afastada a vê-la morrer devido ao meu orgulho. minha mente ainda perturbada. Embora eu me ressinta por ser mantida longe dela. Não quero chamar a atenção de Aubrey sobre ela até ele ter se esquecido deste pequeno desafio. mas não sonhei – eu simplesmente me lembrei. Eu caí na cama esperando o dia. eu não vou ver Tora esta noite. eu me permito temer Aubrey. eu me transformei em falcão e retornei para Concord. Depois que cacei.

— e com isso. além dos seres humanos. Rachel. sua voz ganhando força e determinação. eu já tinha ouvido antes na igreja... Suas palavras pareciam um aviso. Karew nos 21 21 visitou. e eu o esperei dizer o que ele tinha que dizer. em sua mente. Durante o pouco tempo que saiu. Mas a forma que o meu irmão disse foi muito diferente da que o pastor dizia. como se estivesse vendo algo que eu não podia ver ou ouvir vozes que eu não ouvia. Eu não sei e nunca vou saber. mas sei que existem criaturas lá fora. — mais uma vez Alexandre fez uma pausa. que causam dano a você se puderem simplesmente por maldade. As bruxas. — Alexandre. mas não era bem isso. — Eu cometi um erro. mas o resto do dia. o que aconteceu? — sussurrei. ele não disse mais nada. — Eu não sei como lhe explicar para que você não pense.Capítulo 6 – 1703 A lexander me evitou por todo o dia depois que o Sr. Eu podia dizer que soava como se Alexander tivesse mais fé.. Quando ele se aproximou de mim naquela noite. ele tivesse a prova. — Eu não sei se Satanás existe. — ele fez uma pausa. — Rachel? — Sim? — Eu preciso falar com você. — Mas eles não são o que os caçadores de bruxas dizem que são. Assistimos os serviços religiosos pela manhã como uma família. Alexander ficou em seu quarto. o olhar atordoado havia desaparecido. nunca o vi pessoalmente. mas não foi um aviso o que eu compreendi. — Há criaturas neste mundo. Talvez ele estivesse. e eu esperei que ele continuasse. O que ele dizia. sendo substituído pela determinação. Alexander suspirou profundamente. — Alexander me disse. Soava como se.. parecia confuso. — Alexander continuou. .

sem sucesso. eu fui até a porta. Por volta das onze horas. Eu conhecia muito bem o olhar abstrato que eu havia vislumbrado em seu rosto: tinha visto alguma coisa em sua mente. Alexander tinha deslizado pela porta de trás. Eu não sabia então que ela falava uma língua há muito morta. e eu podia ouvir o impacto de suas costas atingindo a madeira. — Por que eu deveria? — ela perguntava a Alexander. Levantei-me em silêncio para não acordar Lynette. você iria se arrepender a me ordenar ficar longe de sua irmã. Eu notei o temor em sua voz – um tom de raiva e medo. mas tinha mais medo ainda. onde peguei um relance de Alexander saindo pela porta dos fundos. — Tentação. Eu deixei meu quarto e entrei na cozinha. Alexander estava falando com Aubrey e uma mulher que eu não conhecia. Ela usava um vestido de seda preta e jóias de prata que quase cobria sua mão esquerda. Ele parecia tão calmo. mas eu o conhecia bem. perguntando-me por que ele se esgueirava para fora de casa em uma hora tão tardia. empurrando Alexander.Fui para a cama naquela noite me sentindo inquieta. Eu tinha medo de saber o que as palavras de Alexandre queriam dizer. como se alguém estivesse tentando. Comecei a segui-lo. Ele caiu contra a parede. — Apenas fique longe. — ele ordenou. eu ouvi passos passando pela minha porta. mas eu hesitei ao lado da porta ao ouvir vozes atrás da casa. e acima de tudo. Seu sotaque era diferente do de Aubrey. O vestido preto. na ponta dos pés. porque eu não sabia. a mulher acrescentou friamente. Em seu pulso direito ela usava uma pulseira de prata em forma de cobra com rubis nos olhos. mas também não me era familiar. Mas ela mal o tinha tocado! — Criança. Não importa se a visão o tirou do sono e o amedrontou. as jóias. se movimentar sem fazer barulho. com quem eu dividia o quarto. e. 22 22 . não confiando em mim. a serpente de olhos vermelhos. A mulher com quem Alexander falava tinha cabelo preto caindo em seus ombros e formava um halo escuro em torno de sua pele pálida e olhos negros. trouxe uma palavra à minha mente: bruxa. — disse a mulher. sem vacilar. o que me doía era que ele tinha passado direto pela minha porta.

e Aubrey piscou surpreso. — Ather me chamou. devia ter se lembrado de Rachel antes de fazer o que fez. — O que lhe deu a idéia que eu queria transformá-la? — ela sorriu. quieto. Se você tivesse matado Lynette. — Você é um monstro. — Aubrey. Em seguida. Eu congelei. dando um passo à frente da parede. Ela riu de novo. Quando ouvi isso. — Só porque ela aceitou o meu presente? — Ather deu mais um passo em direção a Alexander. — Que irmã é mais importante para você. — Ather disse. — Afasta-se de mim. e arrepios percorreram a minha espinha ao ouvir o meu irmão falar. — Não vou permitir que você faça Rachel uma de vocês também. — Você e aquela bruxa não deveriam ter interrompido a minha caça. Aubrey estava em pé. sua gêmea ou Lynette? Você tirou sangue.— Você não irá machucá-la. — respondeu Alexandre.. Alexander era meu irmão. venha se juntar a nós. como se ele pudesse me acompanhar pelo quintal. aquela “bruxa” me ajudou a pará-la. — Eu não vou deixar você transformá-la. Eu vi seus dentes quando o luar caiu sobre eles. Se você precisa lutar com alguém por causa do seu orgulho. deixa Rachel em paz. — Alexander disse. Eu o conhecia. — foi a primeira vez que eu ouvi o nome dela. — Eu sou o único que atacou você. Eu nasci e fui criada com ele. Ather acenou para Aubrey. Alexander? — Ather disse. mas no lugar. que deu um passo em minha direção. Ather. Nada mais. — Eu quero dizer.. ela gargalhou. Eu sempre fui sincera. avançando sobre ele novamente. Eu não dei um passo atrás dele. Ele riu e foi para trás de Alexandre. meu coração saltou. 23 23 . Ele deu um passo para o lado e permitiu-me passar por ele em direção a Ather. — Alexander rosnou. mas meu irmão não reagiu. — Covarde. brigue comigo. fiquei irritada. parado nas sombras. não tinha percebido que ela tinha me visto. e ele recuou. e sabia que não iria prejudicar outro ser humano. — Por que. Ele parecia não ter medo de Aubrey às suas costas. não com minha irmã. — Você deveria ser grata. — Rachel. Meu irmão dourado não pertencia ao mundo escuro de onde ela tinha ressuscitado. — cuspi. Alexander. — disse Ather.

— Esta criatura realmente significa muito para você? — ela me perguntou. Então. — eu cuspia as palavras no rosto de Ather. tão rápido. e me lembrei da serpente em sua pulseira. — Por que você o ameaçava? — Não procura respostas a partir de mim. ignorando minhas perguntas. — Alexander me advertiu. colocando sua lâmina na bainha. — O que você está fazendo aqui? — Rachel. que poderia ter sido o vento. Agora ele estava tentando me proteger dos dois que tinham vindo em busca de vingança. o que tinha acontecido parecia ter me atingido. não sentia nada. Ele não merecia os insultos que estava recebendo. que tirou uma faca da cintura. — Quem é você? — exigi. Ele fazia parte da minha família. e eu o amava. — Rachel. 24 24 . — Agora ele não significa nada. — eu não hesitei em responder. — Sim. Ouvi Aubrey rir. — ela ronronou em saudação. — Não me chame de criança. criança. Ather riu. você dá conta dessa distração? — comecei a girar em direção Aubrey.Alexander disse que tinha cometido um erro. Assim. e eu tentei me virar para o meu irmão. Ele havia sido amaldiçoado com uma mistura de muita fé e poderes condenáveis. Deixe a minha propriedade agora e deixe meu irmão em paz. e depois parar. e eu fiquei observando o lugar onde havia estado. meio em estado de choque.. que estava muito silencioso – estava demasiado silencioso. — disse secamente Ather e. Olhei adiante. ele desapareceu. Ather rosnou. Eu não ouvia mais nada. Eu pensei ter ouvido um sussurro. Mostrou as presas quando sorriu. Aubrey entrou novamente na minha linha de visão. em seguida. — Aubrey. não fique com raiva. — Tarde demais. Alexander era o meu irmão gêmeo. Eu passei por Aubrey até onde Ather estava em pé.. e apenas o vi pegar o meu irmão antes de Ather pegar minha cabeça com as suas mãos poderosas e me forçar a olhar em seus olhos. mas era tão suave. — Isso é lamentável.

Meu irmão não podia estar morto. deixa-o. mas ela mal tropeçou. — Você sabe o que eu sou. Seus dedos longos se entrelaçaram no meu cabelo quando ela puxou a minha cabeça para trás e depois se inclinou para frente. Um choque frio estava começando a encher minha mente. — Deixe-o lá. e eu queria tirar aquele sorriso do rosto dela. virando-me em sua direção.. encontrando os olhos negros dela. — eu disse a ela.e minha surpresa ao ouvi-las. Rachel? — Ather me perguntou. Rachel. — disse com cuidado. preocupada com as consequências que minhas palavras poderiam ter. tirando-me do meu mundo silencioso. Eu não tinha dúvida que Aubrey tinha puxado a faca para matá-lo. Eu nunca imaginaria que meu irmão pudesse prejudicar alguém. perfuraram minha pele.. mas também estranhamente excitante. 25 25 . enquanto eu não pensasse no anterior. Mas Alexander estava ferido. — disse-me ela. A idéia de que tal violência estava em mim foi chocante. Eu não quero ser o que você é.eu sou aquele que o atacou .não a morte de Alexander e nem as rosas negras. Agora. e a questão me sacudiu. que eu tinha vislumbrado antes. — Ather sussurrou. mais uma vez. talvez morrendo. bloqueando o terror e a dor. — Eu disse. Lembrei das palavras de Alexander . Eu podia lidar com esse momento. Ela agarrou meus ombros. — Você está certa. Esta era a realidade . não assim tão de repente. As terríveis presas. Ather continuou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. de modo que seus lábios tocaram minha garganta. — Eu quero transformá-la em uma das nossas. — Eu disse que você tinha uma escolha? Eu a empurrei com toda minha força. — Ather sorriu novamente. Como ela podia me dizer para deixálo? Ele precisava de ajuda. — Deixe-me em paz. — Não. — Você parece ser uma criatura de lenda. Eu dei um passo para trás..Ather agarrou meu braço.

eu acordei em um lugar escuro. de qualquer maneira. E de força e eternidade. Mas se você se esforçar. Eventualmente. acelerado. eu lutei pela alma imortal que os pregadores tinham me ensinado a acreditar. pela dor e pela falta de sangue. Eu não sei se alguma vez acreditei nisso. Mais uma vez eu afastei o pulso. Eu não iria cooperar. eu tinha uma impressão de poder e. A sensação de ter seu sangue retirado é ao mesmo tempo sedutor e reconfortante. como uma carícia e uma voz suave que está em sua mente. em vez de sangue.. sussurrando relaxe. O líquido estava amargo. Ela faz com que você queira parar de lutar e cooperar. Eu estava sozinha. nem som. mas de tempo. por um segundo. Finalmente eu percebi o que eu tinha bebido. Não havia luz. 26 26 . mas ainda assim eu me afastei do sangue. Ather era insistente. e havia sido tão tentador. mas eu lutei. que eu mal podia respirar. eu nunca tinha visto Deus.. Seus dentes estavam na veia que corria na minha garganta. I afastei o punho de quem estava segurando a minha boca. na minha alma imortal. e eu a reconheci como a voz de Ather. embora meu corpo gritasse para não fazêlo. De repente Ather tinha ido embora. Nada do que eu fiz importava. e eu lutei por Alexander. Eu podia ouvir meu próprio pulso em meus ouvidos. apesar da dor que sentia a cada batida do meu coração. pelo medo. Era como se fogo líquido estivesse sendo forçado através de minhas veias. mas a dor me atingiu no peito. e Ele nunca tinha falado comigo. “Tentação". Meu coração batia mais rápido. Um minuto ou uma hora depois. e não a abandonaria..Eu lutei.. não sem lutar. A voz estava nos meus ouvidos e na minha cabeça. e enquanto eu bebia. eu perdi a consciência. não de vida ou de morte. Engoli uma e outra vez antes que minha cabeça clareasse. mas eu estava fraca.. mas eu também. só a dor e o líquido espesso e quente que estava sendo forçado pelos meus lábios. De alguma maneira eu consegui virar a minha cabeça. dói. A mão direita de Ather prendia minhas mãos atrás de mim e a mão esquerda dela segurava o meu cabelo. Eu acreditei.

Então os dois desaceleraram. 27 27 . Eu não podia respirar. e a escuridão preencheu a minha mente.Eu podia sentir o sangue em minhas veias. em minha alma e em minha mente. minha cabeça a mil e meu coração disparado. Mas ainda sentia minha respiração. entrando em meu corpo. Minha visão falhou. Eu ouvi meu coração parar.

Capítulo 7 – Agora E
u nunca tinha sentido antes e nem depois uma dor que atingia a alma e

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que me deixou fora de mim como a que experimentei naquela noite. Eu olhava as mentes dos novatos. Nunca vi minha própria dor refletida neles. Minha linha de força veio com um preço, e o preço é a dor. Ela (a dor) mudou todos nós. Não se pode ser consciente a respeito da própria morte e não ser mudado. Talvez essa fosse a pior parte. Ou talvez a pior parte da minha história ainda estaria por vir. As visões do meu passado remanesceram no presente. O rosto de Alexander flutua na minha mente, e eu não consigo fazê-lo desaparecer. Minhas duas vidas não têm nada em comum, e ainda enquanto estou nesta casa eu sinto como se eu tivesse de alguma forma sido transportada de volta ao passado, antes do meu irmão ter sido morto. Buscando uma distração, eu vim a cidade de New York. Eu não me transformei em gavião. Eu simplesmente usei a habilidade que só a minha espécie tem – a habilidade de se transformar em pura energia, puro éter, e se deslocar de um lugar a outro. É só um pensamento e eu chego em menos de um segundo. Eu automaticamente protegi minha aura quando apareci no beco, não querendo anunciar a minha presença para o mundo. Então, eu passei pela porta de madeira que levava a Ambrosia, um dos muitos clubes de vampiros da cidade. Este lugar já foi possuído por um dos novatos de Ather, um vampiro chamado Kala. Mas Kala morreu por um caçador de vampiros. Sim, eles existem, bruxas e seres humanos, muitas vezes caçam nossa espécie. Eu não sei a quem pertence este lugar, agora que eles mataram Kala. O clube é pequeno e se parece com qualquer outro Café - ou pareceria se tivesse janelas e mais luz do que a vela solitária no canto. Claro, eu posso ver pela luz fraca, mas um ser humano estaria quase cego em Ambrosia. No balcão tem um da minha espécie. Eu não o conheço. Sua cabeça está baixada no balcão, e a pele eu posso ver que é quase cinza. Enquanto eu atravesso a porta, ele nem sequer olhar em minha direção, embora levante a cabeça o tempo

suficiente para esvaziar o copo que fica no balcão perto dele, e lamber o sangue de seus lábios enquanto um arrepio varre seu corpo. — Quem fez isto com você? — eu pergunto curiosa. Não há doença na Terra que a minha espécie possa se infectar e quase nenhum veneno nos afeta, então eu pergunto por que ele parecia doente? — Algum maldito Triste. — o estranho rosnou. — Ele estava no Café Sangra. Eu nem sequer percebi que ele não era humano. Eu me pergunto como Aubrey reagiria se ele soubesse que uma bruxa Triste tinha estado no Café Sangra. As bruxas Tristes são quase idênticas aos humanos. Se alguém pude ler auras, as auras delas são iguais às dos humanos. Seus corações batem e elas respiram. Elas precisam comer, assim como os seres humanos. Seu sangue tem o mesmo gosto do sangue de um ser humano. Entretanto, elas não são humanas. Como os vampiros, bruxas Triste são imortais. Elas não envelhecem, e seu sangue é um veneno para os da nossa espécie. Esse rapaz que se alimentou de uma teve a sorte de não tomar muito, ou então já estaria morto. — Desde quando Aubrey permite Tristes em seu território? — eu perguntei. Os dois tipos - vampiros e bruxas são geralmente inimigos. A palavra Triste pode ser utilizada como sinônimo de caçador de vampiros. — Ele não permite. Eu estava me alimentando. — ele respondeu, encolhendo-se um pouco. — E quando vi já estava no chão com o braço quebrado. Aubrey me afastou para longe da bruxa como se eu fosse uma espécie de boneca. Eles discutiram, e a bruxa foi expulsa. Mas ela me deu isso no caminho. — ele disse, segurando um pedaço de papel dobrado. — Disse para dar isso a algum novato de Ather. Ele acrescentou: — Ather não possui nenhuma novata chamada Raquel; não é? — O quê? — eu arquejei. Eu sou o único dos novatos de Ather que sempre foi chamado por esse nome, e só Ather e Aubrey sabiam disso. — Ele disse: Dê isto a Rachel – a novata de Ather.

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Eu não quero tomar o papel de sua mão. Não quero saber o que o papel diz. Rachel era humana, frágil, uma presa. Apenas Aubrey me chamaria por esse nome. Exceto por Ather, só ele sabia como essas lembranças mexiam comigo e era o único que iria tentar me machucar com isso. Eu não sou a Raquel, e eu nunca poderia ser Rachel novamente, eu acho. Rachel está morta. Deixo Ambrosia sem falar nada, minha cabeça cambaleia, com raiva. Eu só havia visto Aubrey apenas duas vezes desde a minha morte, e ambas as vezes foi há muito tempo. Até recentemente, eu o evitava como um sangue ruim.

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***

Quando eu voltei à minha casa de madrugada, eu encontrei um dos servos de Aubrey no meu quintal. Esta é a minha cidade, e eu não tolero outros vampiros, ou seus servos no meu território. Isso se aplica a Aubrey, acima de tudo, porque ele tomaria o que fosse, se eu permitisse. Eu mudei para a forma humana, menos de um metro do intruso e empurreio contra a parede da casa. — O que você quer?— eu exigi. — Aubrey enviou... Eu não tenho paciência e fui direto a sua mente encontrar as informações que eu queria. Aubrey mandou-o para me avisar de novo. Se Aubrey tivesse vindo pessoalmente, nó poderíamos ter lutado, e pelo o que eu seu, ele não temia me desafiar, eu não podia visualizar-nos lutando mais uma vez sem um de nós morrer. — Diga-lhe que caço onde eu quiser. — eu disse para o homem. — E eu vou matar qualquer outro servente que se aproximar de mim.- É perigoso enviar esse tipo de mensagens para outro vampiro. O que eu disse está muito perto de um desafio, que eu espero evitar, mas que assim seja. Se for o caso, eu estou em gelo fino com Aubrey. Eu não me importo se for eu a cair se o gelo se quebrar. Eu deixei o homem na porta e fui para meu quarto.

Capítulo 8 – 1701 S
enti-me morta.. Eu me lembro desejar acordar mais uma vez e que, de

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alguma forma, eu viveria, mas depois percebi o que isso significava. Eu estava morta. Atirei-me nas sombras da morte e me perdi. Sentidos e memórias vieram devagar quando eu despertei. Lembrei-me da morte e que havia sido eu quem tinha morrido, mas eu não lembrava quem era esse "eu". Ao tentar abrir meus olhos, eu vi apenas escuridão. Eu pensei que estava cega, e isso me apavorava. Então isso é a morte? Flutuar para sempre na escuridão, sem nem mesmo se lembrar quem era você? Com esse pensamento atravessando a minha mente eu percebi que não estava flutuando. Não – eu podia sentir um assoalho de madeira embaixo de mim, e eu estava encostada em uma parede fria e lisa como vidro. Eu tateava às cegas em torno de mim, mas não senti mais nada. Atrás de mim estava a parede de vidro, e na minha frente era só escuridão. Forcei os meus pés. Apesar de todos os meus músculos estarem tensos, após um momento, eu era capaz de me levantar. Eu sentia meu pulso e não podia encontrá-lo. Eu tentei gritar e percebi que não tinha ar em meus pulmões. Sem pulsação. Nenhuma respiração. Fiquei com medo, mais uma vez. Eu estava morta, não estava? Se não havia morrido, onde eu estava? Os seres humanos respiram quando estão vivos, mesmo quando eles estão dormindo ou inconscientes de sua respiração. Desde que havia acordado, eu não tinha respirado e não tinha percebido até agora.

mas uma pontada de dor forte atravessou meus pulmões. e achei a saída surpreendentemente fácil. uma de dor e medo. Lambi meus lábios e descobri que o que fosse estava lá também. Mais tarde fiquei sabendo que essa sensação era a aura. tanto surdos e quanto mudos? Fiz uma nova tentativa para respirar. 32 32 . minha sombria e imortal mãe. Eu não queria isso. um movimento suave no ar. — Alguém pode me ouvir? — eu não recebi nenhuma resposta. Eu tentei ignorar o meu medo. em seguida. e eu me movia sem problemas. então eu a afastei. que me havia dado a vida contra a minha vontade e que matou o meu eu mortal. Eu tentei caminhar. Eu não sentia necessidade de expirar. Não são os mortos. mas as minhas costelas ainda doíam. perguntando-me se eu seria capaz de ouvir minha própria voz. Deixando sair o ar desnecessário. quando eu não expirei. mas parecia com algo entre um sabor e uma fragrância que você sente por um momento na brisa. cheiro de madeira seca e um cheiro ainda mais fraco como o vidro frio. Um cheiro assemelhado a mel perfumava o ar fresco. Por fim. Eu me concentrei nessa sensação. e eu não queria voltar a perguntar. e o gosto na minha boca era doce e vagamente familiar.Eu finalmente tentei uma respiração profunda.e de um vampiro: Ather. fazendo com que eu caísse de joelhos. A madeira sob meus pés descalços era suave e fresca. Cera de abelha? Uma vela. mais como se eu estivesse flutuando do que andando. em busca de uma saída da sala escura em que estava. Eu podia falar. para. talvez? Eu também podia sentir o cheiro da luz. Eu tentei perceber se eu poderia cheirar alguma coisa na escuridão. e eu tentei falar.a minha morte . e não fiquei tonta. Eu tinha os meus sentidos do tato e da audição. A rigidez foi embora do meu corpo. A dor havia quase desaparecido. não era realmente um cheiro afinal de contas. então eu usei o fôlego para perguntar na escuridão. como se os músculos ao redor delas não tivessem sido usados por um longo tempo. Não me ocorreu que eu não deveria ser capaz de sentir cheiro de vidro. A dor não veio tão forte desta vez. cedeu. sua presença era forte. e embora não houvesse se tornado mais clara. Eu podia provar. Sob estes perfumes havia algo que eu não reconhecia. Uma memória tentou vir à tona em minha mente. Nenhum humano podia. Ou talvez fosse brisa. fiquei maravilhada quando meu corpo não me disse para respirar novamente. A aura de morte . lentamente desaparecer. trabalhando a rigidez de minhas articulações e obrigando-me a tomar outra respiração.

E não havia janelas: nada deixava a luz e o ar entrarem. uma porta de madeira. — Certamente você pode descobrir. Enchendo-me de espanto. e minha reflexão voou de volta para mim centenas de vezes. Risika. Então me diga o que eu fiz com você. Virando meu rosto. Olhe para o meu reflexo . ela parecia deslizar muito facilmente. Meu primeiro pensamento foi bruxa. 33 33 . — disse uma voz atrás de mim. Eu obedeci a ordem dela e me voltei para o espelho. e seu corpo tinha quase a mesma silueta do meu corpo. A cena passou pela minha mente. extasiada com a minha própria reflexão. — Por que você me trouxe aqui? — exigi. Aproximei-me da superfície espelhada e estendi uma mão hesitante para a estranha refletida ali. — Agora. tudo. Quem fosse o dono dessa casa deveria ser rico para ter tanto vidro assim em um cômodo. Meu pensamento seguinte foi Ather. embora eu não soubesse o que daquela vida havia sido armazenado. Eu mal podia ver seu reflexo.Eu segui a parede até chegar a um lugar que não era de vidro. Mais uma vez eu me lembrei de minha morte.olhe bem. mas sua forma era mais graciosa. Abri-a lentamente e pisquei devido a luz que se derramou sobre mim. — O que você fez comigo? — Venha cá. pois logo se desvanecerá. O pensamento veio de alguma vaga lembrança de minha vida passada. sua pele pálida como a morte. menos a sua pele anti naturalmente clara. lembrei-me do halo escuro que seu cabelo formava em torno de sua pele pálida. — ela me disse. de seus cabelos e olhos até a sua roupa. Eu me lembrei dela. e quando caminhava. mas agora era uma recordação anterior – Aubrey guardando na bainha uma faca que tinha acabado de tirar uma vida. eu travei a vista no quarto que eu acabara de deixar. olhe para sua própria reflexão. No vidro sua forma era tão indistinta que seu cabelo preto parecia como uma fumaça pálida. Eu dei a volta pelo quarto. Seu cabelo ainda era o meu cabelo dourado. — Ather disse. malmente me reconhecendo. e lembrei-me da risada gelada. — Lembre-se bem. Todas as quatro paredes eram espelhadas. Seus olhos eram negros como a meia-noite. Eu girei em direção à voz. Tudo a respeito de quem falava era negro. Vida de quem? Eu não sabia e não tinha certeza se queria saber. — Olhe bem.

Eu realmente não sabia. mas sua indiferença não foi a única razão. — Ather sorriu quando eu respondi. como se isso não importasse.. Estas vinham de outro lugar. uma lembrança que eu não conseguia ver. — Você não se lembra de sua vida? — Não.. embora parecidas. Você vai aprender rapidamente a proteger os seus pensamentos. voltando-me para ela. eu ouvi alguém dizer: — existem criaturas lá fora. perguntando se aquela poderia ser realmente eu. — ela respondeu. que causam dano a você se puderem simplesmente por maldade.. algo estivesse muito errado. — Quem sou eu? — eu exigi. Certamente Ather era uma dessas criaturas a quem o orador se referia. um vampiro. mas ainda não conseguia me lembrar por que ele a tinha desembainhado. — eu rompi.se uma cobra pudesse sorrir. — Responda-me. — O que é ela? — Ela é. tentando ignorar o arrepio doloroso que varreu meu corpo.. — Por quê? — ela respondeu. A informação levou um momento para alcançar minha mente.. — Você sabia que eu posso ler sua mente como um livro? — Ather disse. A sensação era fraca inicialmente. rindo.. — Quem você era já não importa mais. mas por agora.. E Aubrey – eu me lembrei dele também. Mais uma vez o eu vi embainhando uma faca.. mas agora a minha visão estava começando a ficar vermelha. ela sorriria assim.. Mais uma vez eu olhei a figura no espelho. da linhagem de prata. e não era a mesma que eu estava vendo. — eu estava irritada. Você é 34 34 .. Eu conhecia palavras como bruxa e diabo. — ela parou de falar com um encolher de ombros. — Sua memória.Eu fiz. Minha mente estava girando desde que eu acordei. — Ather me disse. — Entendo. — Você me transformou. — Quem sou eu? — eu perguntei. talvez. Eu tinha uma imagem minha na mente. De algum lugar. ainda parcialmente humano. — Você é jovem agora. infelizmente. você é. Você é Risika. talvez até mesmo de mim. Um sorriso frio . voltará mais tarde. — E quem é Risika? — Insisti.

e depois sorriu. mas amanhã ao pôrdo-sol você estará muito fraca para caçar por si mesmo. mesmo agora. Agora eu queria esse sangue. Tanto sangue. Eu hesitei. Eu podia ver a morte escarlate em minha mente. eu esperava ser um humano.. — eu falei veementemente. Eu não era um animal. Alguém que eu conhecia teria resistido. mas eu não mataria para aliviar a minha própria dor. Eu pensei em sangue e o desejei do jeito que eu desejava água em um dia muito quente. animais que espreitavam suas presas na floresta. Havia uma razão por que eu não devia caçar. Eu não conseguia lembrar. e havia pó em minhas veias. o sangue era quente e doce e . mas não conseguia me lembrar. filha. — Não. Cace ou morra. O que Ather fez comigo? — Risika. Ather parou.. A única coisa que podia lembrar agora era o que eu havia sido ensinada por toda a minha vida pelos pregadores. O que estava acontecendo comigo? Esses pensamentos não eram meus. — Vai levar alguns dias antes que você esteja realmente morta. Eu sabia o que significava quando Ather disse caçar. ou eram? — Vem.. Minha cabeça girava como se eu tivesse batido em algo e eu estava tendo dificuldade em me concentrar em alguma coisa. — ela não estava me pedindo. a escolha é sua. A palavra me atemorizou. Será que estava com medo que você seria forte demais para que eu a controlasse? Eu não disse nada. — Vem.. Risika. Eu estava queimando. Lembrou-me dos lobos e pumas. tentando lembrar. — disse-me ela. Caça. Eu era um ser humano. o sangue que eu lhe dei vai lhe matar. sem relutância. mal entendendo o que Ather disse. Sangue escorrendo no chão. — Ather estalou os dedos. alguém que eu amava. 35 35 .forte. Quando ela fez isso. e recuso-me a servir de colher para alimentá-la.. Ele me avisou que seria. Certamente. eu pude ver pálidas presas. e eu reprimi outro arrepio. que matar era um pecado. olhando para mim. ela estava mostrando os fatos.. a despeito da maneira que eu me sentia.. — ela me disse: — Se você não se alimentar.. — A dor irá piorar até que você se alimente ou a enlouquecerá. Pelo menos. — É preciso caçar antes que o seu corpo se destrua.

E talvez ela tivesse razão. Minha igreja era fria e rigorosa. ódio e do sangue negro que havia me condenado. Olhos negros. mas de alguma forma infinitamente mais frios. — Ather me disse. — Eu não vou. Talvez já fosse tarde demais. — Olhe para si mesmo no espelho e me diga se sua igreja não a condenaria apenas por ser aquilo que você é. Na minha mente a cena se desenrolou de novo. vendo. tentando mais me convencer do que a ela. mas eu temia uma morte sem alma. Estava funcionando. os espinhos afiados como os dentes de uma víbora. caça de animais e de sangue vermelho caindo sobre pétalas pretas.. como se isso fosse conduzir suas palavras em minha mente. como os olhos negros de Ather. 36 36 . embora na minha mente eu não tivesse tanta certeza. — eu disse novamente. raiva. — E se eu lhe disser que não importa? — ela estava cochichando agora. — eu disse. Minha mente estava cheia de imagens escuras e os pensamentos sombrios de cobras. quando os espinhos da rosa pareciam ter-me mordido.Ather disse. Uma gota de sangue caindo sobre a flor negra quando aqueles espinhos-presas cortaram a mão que os segurava. Criança boba . Você recusaria a vida que lhe dei para tentar salvar a alma que seu Deus amaldiçoou? — Não vou vender minha alma para salvar minha vida. A rosa negra. Meu coração se encheu de dor.Mas morrer por minha própria escolha era um pecado da mesma forma. tanto quanto eu temia as chamas do tão falado Inferno. como uma cobra. Talvez eu já estivesse amaldiçoada. — Corajosas palavras.. — Você assinou o livro do diabo quando o seu sangue caiu sobre o presente que eu lhe dei. — Não. o sangue cair. Observando como uma víbora.

eu o teria matado. Xinguei a idiota que eu fui ao 37 37 imaginar que poderia salvar a minha maldita alma com protestos tolos. É por que eu sou . Mas eu não sou um animal. não há alegria maior do que caçar. e eu era um ser humano. com boas razões. sentindo o receio humano de fugir da minha casa. Eu sou uma vampira. Se ele tivesse ficado.uma caçadora. Eu me recuso a permitir que Aubrey me governe. O gosto do medo de sua presa. O empregado de Aubrey saiu correndo de minha casa. e Aubrey não gosta de más notícias. Uma forma cruel de humanidade para brincar com o mundo. pois sei exatamente o que Aubrey é capaz de fazer. tão perto da morte e quase tão perto dos fiéis da igreja no outro lado da rua. e eu o senti deixando a minha cidade. Ele temia pela sua vida. Mas eu tenho o controle. apesar de tudo. Ele é o portador de más notícias. Eu posso ter sido transformada contra a minha vontade. Apesar do sol nascente. os cheiros da noite. e vou deixar esse humano vivo para contar as novidades a Aubrey. mas só porque é o jeito da minha espécie. Eu aprendi há muito tempo atrás que eu não poderia negar esse fato. uma caça irracional de animais selvagens. e ele sabia que eu posso cheirar seu medo. Eu estou nesta pequena cidade. a quem ele teme mais do que a mim.Capítulo 9 – Agora E u me afastei das minhas memórias. atado com o selvagem. Cada instinto me diz para caçar esta criatura assustada e fujona. Temo Aubrey tanto quanto este homem teme. Não há liberdade maior do que sentir o ar da noite batendo em seu rosto enquanto você corre pela floresta. Ele sabia que eu faria. mas eu não luto mais contra o que eu sou. Isso é o que faz o meu tipo perigoso: os instintos de um caçador e a mente de um ser humano. talvez mais. . eu estou com vontade de fazer alguma coisa. o som do seu coração batendo forte e rápido. Estou inquieta.

Um minuto depois. Às vezes eu visito cafés como Ambrosia. é claro. Por cerca de meia hora a loja fica agitada. que servem para minha espécie. um homem de meia-idade. Poucos minutos depois. 38 38 . O negócio se torna lendo quando os clientes partem. Elizabeth. abre a porta. que provavelmente serão esquecidos até a noite. deixo a minha casa. Eles têm a tendência de perceber que eu nunca envelheço. A diretora da escola próxima corre já atrasada para o trabalho. que parecem tão complexas para aqueles que a vivem. entram em uma pequena discutição sobre um artigo lido em um jornal. sem nada para beber. eu nunca dei a Alexis meu nome real. Seu nome é Alexis. — ela me cumprimenta. tomando seu café em uma das mesinhas. Entretanto. Embora eu tenha trabalhado para me distanciar da sociedade humana. vestida com um terno sombrio que a faz parecer mais cansada do que ela está. — Bom dia. Ando. parando durante a sua corrida matinal. observando os vários dramas. muitos se queixando acerca de seus destinos. só estou com vontade de me mover. Eu sorrio em silêncio. O café acaba de abrir quando eu deslizo pela entrada. Eu não me permito a ficar muito próxima dos seres humanos. e eu sorrio de volta. A adolescente encontra o namorado e depois fica horrorizada quando seu pai entra no café. A moça que trabalha lá é humana. eu gosto de ver a forma que os seres humanos tratam as suas coisas. não porque eu preciso de cafeína ou porque eu gosto do sabor. e ela vem trabalhando lá a maior parte do verão.Depois de dar uma rápida checagem para certificar-me se não havia sangue em mim da caça da noite anterior. Costumo visitar este local no período da manhã. Duas mulheres. Eu comprei café. e eu sento no canto em silêncio e observo as pessoas. Vidas humanas. o tráfego para ir ao trabalho começa. parecem tão simples pela perspectiva de quem já viveu trezentos anos. mais freqüentemente eu me tornei uma sombra no mundo humano. mas porque as pessoas vão olhar para alguém que está sentado em um café. em parte porque não estou deixando Concording e não estou indo longe. Claro.

Eu teria ficado tão horrorizada com o que me tornei. Eu as vejo com uma onda de ciúmes.Os seres humanos são muitas vezes desta forma.. com a sempre presente ameaça da condenação? As duas mulheres no canto que estavam discutindo sobre política. elas ainda são inocentes. Eu me lembro quando a última de minha inocência morreu. Eles param apenas para observar os detalhes sociais. sabendo que as suas preocupações estão distantes e que apesar de tudo. cumprimentando uns aos outros com "Bom dia". de excesso de trabalho. eu me pergunto. em um minuto queixando-se de tédio e no seguinte. se eu não tivesse sido criado na igreja. Às vezes eu me pergunto como seria a minha vida se eu tivesse nascido nessa época moderna. enquanto suas mentes estão completamente em outro lugar. Eles vivem a sua vida. Inocência. rindo. O pecado e o mal já não parecem tão importantes como eram há trezentos anos.. agora se afastavam juntas. 39 39 . trabalhando constantemente.

. — Onde nós estamos? — eu finalmente perguntei. mas pertence a nossa espécie. tentando dispersar aquela sensação ardente. com venezianas brancas. mas tudo que eu conseguia pensar era em sangue. assim como era a porta. Pare de pensar sobre coisas que você não precisa se preocupar. Eu tinha uma sensação de inversão. e eu não tive nenhuma escolha a não ser 40 40 segui-la. — Ather respondeu. A luz do luar clareou minha mente um pouco. mas eu sabia o que era uma cidade e o que era uma casa.. A casa de Ather era à margem de uma floresta.. e ninguém de fora sabe que ela até mesmo existe. Você precisa se alimentar. mas a dor se recusou a diminuir. mas a minha visão ainda estava vermelha nas bordas. Eu não tinha lembranças específicas de quem eu era. . — Esta cidade é chamada Mayhem. E tudo o que vi à minha volta de alguma forma não estava certo.. É tão sólida quanto à cidade que você cresceu. Eu só sabia que eu não queria matar. e minha cabeça estava pulsando. — Este lugar não existe. embora desta vez não significasse nada aos meus ouvidos e nada em minha mente. inserida bem atrás da estrada. mas eu não queria matar. O que acontecia com a condenação quando eles morressem? — Não. como as missas negras sobre as quais tinham me falado. mas eu não queria morrer. Pensar era impossível.. sangue vermelho nas pétalas pretas e espinhos e presas como as de uma víbora. sem entender. eu percebi o que estava me incomodando: a casa era pintada de preto. Ela suspirou impaciente com a minha ignorância.. — eu disse novamente. em que as determinações do diabo eram para dizerem o Pai Nosso de trás para frente.Capítulo 10 – 1701 A ther conduziu-me a sua casa. Será que eu precisaria matar para saciá-la? Eu não queria matar. Risika. Depois de um momento. Eu fechei os olhos por um instante. Esta situação era a mesma coisa.. Eu balancei minha cabeça. Eu franzi o cenho. e muito errada. Você precisa se alimentar.

viciosas como as de uma cobra. pressionando o meu lábio inferior. e o cheiro do sangue invadiu o cômodo. Eu vi Ather caminhar em direção à mulher que ainda gritava. a qual se acalmou e ficou mole. e minha cabeça estava girando. com duas das bruxas acusadas. eu me encontrei numa cela escura e fria. expondo o pulso em seu pescoço. a outra ainda gritando. muito compridos e não pertenciam a uma boca humana. e eu peguei um flash de suas presas. Eu ouvi uma batida que encheu a sala. e meus pensamentos não estavam tão coerentes assim. reconheci o cheiro da mesma forma que um lobo faria. Ela apareceu ao meu lado um momento depois. Eu tinha consciência apenas de seus batimentos cardíacos e o pulsar dos seus pulsos e gargantas. Não ouvia e nem via mais nada.muito afiados. uma recitando o Pai Nosso. e a outra se benzeu. 41 41 . Minhas mãos estavam entorpecidas. e eu que nunca tinha cheirado algo assim antes. O cheiro do medo era nítido. tão calma. As bruxas acusadas tentaram se afastar de nós. como se tivesse adormecido. Minha visão era uma névoa vermelha. Um arrepio assolou meu corpo. — ela disse suavemente. tirando a minha razão. minha filha. — Você pode se alimentar de uma das bruxas que esperam para morrer. Não tenho certeza se eu assenti. Mas acredito que sim. mas parte de mim sabia que Ather tinha usado a sua mente para nos mover. No instante seguinte. Eu podia sentir as pontas. Mas a cela era demasiada pequena para elas irem além. e a dor aumentou nos meus olhos e na minha cabeça. Eu reconheci a voz de Ather em minha mente. Ela sorriu para mim. e levou um instante para eu perceber que eram os corações batendo das duas mulheres que estavam com a gente na cela. Ather parecia tão certa. Ather empurrou para trás a cabeça da mulher. As suas presas afiadas nitidamente romperam a pele da mulher. Mal ouvi a oração. Eu não tinha consciência de como eu havia chegado lá. Uma delas gritou quando nos viu. se isso apaziguar a sua consciência. Elas já estão condenadas à morte ou pior.A dor era intensa. — Vem. Alimente-se livremente. Distraidamente eu passei minha língua sobre os meus próprios caninos e percebi que eles eram iguais aos dela .

— E não nos deixeis cair em tentação. que não eram meus. O sangue de Ather era fresco e cheio de uma essência de imortalidade. Eu provei a sua vida quando ela fluiu em mim. Ela chamava a sua mãe para mostrar-lhe uma flor. Eu vi uma criança humana rindo. mas me movia como se estivesse debaixo d’água. deleitando-me com o sangue de uma mulher inocente? Tudo o que eu sabia naquele momento era que eu não queria matar. Minha visão voltou quando a dela se desvaneceu. Eu perdi tudo aquilo que uma vez me fez ser Rachel. Eu vi os ritos religiosos matinais. Minha mente se focou nesta última imagem. e um tempo mais que este. e ela era inocente da acusação de praticar qualquer forma de feitiçaria. para eu perceber. manchado. causou uma mudança completa em mim. fervendo de pura vida e energia. as palavras foram recompensadas? Ou eu ainda estaria naquela cela. mais do que qualquer outro. mesmo se ela morresse.. Eu vi um jantar sendo cozido em uma lareira. Eu vi um casamento. Se a crença verdadeira tinha apoiado a minha oração. e apenas um momento mais. Flashes de pensamento chegaram até mim muito rápido. Este sangue humano era grosso e quente. e ainda assim. Eu me alimentei. eu não conseguia me afastar. Por que seu próprio povo a acusava? Quantos mais dos acusados eram inocentes? Eu tentei me afastar rapidamente. agora branca com a neve e vazia de sangue. Esse pensamento.. cuja oração tornou-se um murmúrio. Depois de um momento eu ganhei mais controle e descobri que eram de minha vítima. Ela parecia tão satisfeita como um gatinho com um pote de 42 42 . Esta mulher tinha sido enviada aqui para morrer como uma bruxa. Ao meu lado Ather lambeu os lábios e deixou cair a sua presa no chão sujo da cela. Eu podia ver a mente desta mulher claramente. era difícil parar de me alimentar. Era tão tentador beber por apenas mais um tempo. — eu havia falado aquelas palavras sem fé tantas vezes. eu perdi todo o senso de pecado e de morte.Então. inicialmente. e eu o bebi como uma ambrosia de cura. Ele fez minha boca encher-se de água e baixou minha febre. Eu me virei para a outra mulher. Mesmo quando eu ouvi seu coração parar e senti o fluxo de sangue reduzir a velocidade. e eu olhei para a mulher inocente. e ela era inocente do crime.

Risika. — Sim. — Você é mal. — Não é o meu mundo! — eu gritava. — Você não é mais humana. Os seres humanos são a sua presa. — Ather me disse. Quantas vezes eu disse essa palavra com o passar do dia? Qual o significado que teve? Eu não estava tão certa como eu queria estar. tomando a mulher dos meus braços e jogando-a no chão. Eu não vou matar. impaciente com a minha recusa. — disse ela. embora eu pudesse ter salvado sua vida. — Ather insistiu. — Você vai. — respondi. Risika..leite. As criaturas que você colocou no galinheiro como suas. Os animais que você criou para serem mortos. Fiquei horrorizada. porque você me diz para. com a outra inocente. — Você está acima dos seres humanos agora Risika. — E quanto mais você fizer. e a sobrevivência é a única regra no mundo de um predador. — A lei do nosso mundo. e eu me senti tão insegura. porque eu não poderia fazê-lo sem concordar com ela. Você nunca sentiu pena dos frangos que você matou para estarem no seu prato. Risika. — Você é um predador agora. — Você não tem escolha. — É fácil matar. Ela soou tão segura. — Você vai aprender. filha. — Eu não vou deixar isso acontecer. Eu tinha sido incapaz de me afastar enquanto uma mulher inocente morria. é seu mundo. — ela cortou. diz: seja forte ou será morto. Virei-me para mantê-la em minha visão.. caminhando atrás de mim. acima até mesmo da maioria dos da nossa espécie. Eu não queria pertencer a este mundo violento de caçadores que se alimentavam de sangue de inocentes. — Não. mas não somente por causa da matança. — ela me disse. — Então mate porque é o seu direito. Você os deixará governá-la porque é como os humanos lhe ensinaram? Eu não respondi. mais fácil fica. — Eu não vou ser uma assassina. — A lei da selva diz: seja forte ou será dominado. Por que você deveria se sentir de maneira diferente com a sua refeição agora? 43 43 .

As hienas destroem os fracos. Os lobos caçam os retardatários em um grupo de cervos. Sobreviver e ser forte. 44 44 . Os seres humanos matam o que eles têm medo. — Mas você não pode simplesmente matar seres humanos.. Risika.. tremendo. É. — O mundo é mal. Os abutres devoram os caídos. — Maldade? — Ather terminou para mim. ou morrer. porque a noite é escura.Ela colocou de uma maneira que eu não podia discordar. encurralado por sua presa.

Meu humor é tão negro como os olhos de Aubrey. Talvez ele se mostre ocasionalmente. Eu caço e deixo minha presa morrer na rua. o meu tigre. caio em um sono profundo e acordo naquela noite de mau humor. Ela é fraca e não uma ameaça para Aubrey se preocupar neste canto escuro da cidade. apenas para mantê-la com medo. onde as ruas são escuras com sombras pelo mundo invisível. Mas ele sabe que ela nunca irá desafiá-lo. preto sem fim. criada pela mesma mãe sombria. Eu sou a própria irmã de sangue de Aubrey. Então. Ela sente a minha força e se esconde. em um dos becos. mas toda vez eu me acovardo para desafiá-lo. Eu vejo outro da minha espécie. então ele tolera sua presença. Meu belo e espírito puro tigre. eu o deixo privar-me de uma coisa neste mundo que ainda pode trazer-me alegria: Tora. eu poderia ser uma ameaça à sua posição como um mangusto em um ninho de cobra . piscando como uma chama de vela durante a noite. e seu orgulho é demasiado enorme para permitir isso. Se ele me tolerar.45 45 Capítulo 11 – Agora D eixei a loja de café e voltei à minha casa antes do sol se elevar muito para o meu conforto. uma novata inexperiente. Talvez seja tolice mexer com Aubrey desta forma. Jurei vingar as vidas que ele tomou. Permito esconder-me em medo. Mesmo quando eu digo que não vou deixar Aubrey governar minha vida. mas eu vivi muito tempo debaixo de sua sombra e me recuso a . forçando-se a se afastar. eu deliberadamente caço na terra de Aubrey – o coração que morre na cidade de New York. e eu quero luta. Aubrey roubou tanto de mim. Eu vou para a cama. eu não sou.não porque eu seja mais forte. que já foi livre e agora está enjaulado. mas porque ele vai parecer para os outros de nossa espécie que ele me teme.

eu me pergunto. criada pela mesma lâmina que tirou a vida do meu irmão. no dia em que foi feita. Eu toco a cicatriz que eu carrego no meu ombro esquerdo. Onde está ele.me esconder por mais tempo. A cicatriz que eu jurei. 46 46 . ele não sabe que estou aqui? Ou ele simplesmente não se importa? Ele é do tipo que é seguro acerca de suas reivindicações? Volto à minha casa com um humor negro. ou mãos. Aubrey não me desafia sobre como me alimento e sobre a minha origem suspeita. Aubrey que riu quando matou meu irmão. e eu reconheço isso muito bem. um dos meus parentes. Aubrey. Eu posso sentir a aura de um dos da minha espécie. Aubrey que viu o sangue caindo da minha mão e sorriu. mas quando eu entro no meu quarto meus pensamentos se voltam para o gelo. vingar. Aubrey com cabelo preto e olhos pretos. os dentes. a cicatriz que me foi dada apenas alguns dias depois que eu morri. juntamente com a morte do meu irmão. Aubrey é o único vampiro que eu conheço que prefere usar uma faca do que usar sua mente.

Porque era melhor para ele. para evitar interrupções. ou porque ele mata. Nós só somos simplesmente mais diretos. Se eu matar Aubrey. não porque ele é mau. — alguém me disse. Nós não precisamos de mais ninguém para culpar a nossa violência. ouvindo a floresta e pensando em nada. ou não farei porque não quero.CAPÍTULO 12 – 1701 D epois do dia em que eu perdi minha alma mortal. Entendi que já não pertencia mais ali. nunca mais voltei à 47 47 minha antiga casa. é além da minha compreensão. Minha presa estava deitada debaixo da árvore. Eu já não tento entender os caminhos da humanidade. buscando culpa onde ela não existia. mas eu nunca tinha visto. dizendo que é a vontade de Deus. mutilam e matam sua própria espécie. Foi incrível estar nas montanhas durante a noite. pensar que eu tinha simplesmente desaparecido. Eles torturam. talvez eu esteja sendo hipócrita. Claro. Eu queria que ele acreditasse que estava morta. Logo depois que eu fui transformada. Eu estava na copa de uma árvore. do que saber que tinha perdido sua filha para um demônio. Eu o tinha levado a este lugar com a minha mente antes de eu me alimentar. mas eu odiava ainda mais a idéia de que ele soubesse no que eu havia me tornado. Minha espécie é muitas vezes muito cruel também com os seus. Como os seres humanos podem fazer tais coisas aos seus companheiros. que é o final que eu espero. eu o matarei porque o odeio. um dos muitos "caçadores de bruxas". ou por qualquer outra razão moral. . — Ather está procurando por você. sozinha no deserto. Tinham me dito sobre eles. Ou eu não faria isso porque ele me mataria primeiro. Eu odiava pensar no que meu pai estava passando. fui até os Montes Apalaches por um tempo. Eu me alimentava de um dos verdadeiros monstros. quem interrogava e prendia o acusado. e eu pulei para o chão. Se eu ainda fosse humana. Eu era uma jovem. era uma coisa que nunca teria sido permitido. Farei porque quero.

decidindo quem vive e quem deve morrer? O mundo tem dentes e garras. Risika. — Exceto Ather. Risika? — ele zombou. que estavam. — Quem era aquele cadáver no chão atrás de você. você acabou de receber ordens de Ather. Nenhum respeito. — Ela manda e vocês saltam. como um cachorrinho bem pequeno. — Você se preocupou em perguntar? Quem o amava? De quem ele era um irmão? Você passou por cima de seu corpo. — Nem sempre. Eu só não gostava do seu irmão. Ele segurou a faca na mão esquerda. — Ele. assim como as suas presas branco-pérola de víbora. Por cima do corpo. — Você matou meu irmão. sem um cuidado. — eu disse a ele. Risika. ocultas. Risika. — Você é um Deus agora. e já não podia ser confundido com um ser humano normal. Ele tinha uma víbora verde pintada na mão esquerda. nítida de tão mortal.. você é o predador ou a presa. Aubrey estava vestido de forma diferente do que quando eu o vi pela última vez. Aubrey só sorri quando ele está com vontade de destruir. Ou vasculham. — Ele merecia isso? — Aubrey acabou por mim. por enquanto. ou matam.. Quem é o monstro agora. e eu imediatamente tentei defender minhas ações. não sou garoto de recados de vocês. Eu queria tirar cada dente daquele sorriso e deixá-lo morrer na sujeira. — Você ri? — eu disse. e você ri disso? Ele riu de novo em resposta. Ninguém merece morrer da mesma forma que 48 48 . — ele sussurrou para mim. Você deixaria o corpo aqui sem uma oração para os carniceiros comerem. A prata estava limpa. A cruz estava amarrada na cadeia de cabeça para baixo.. — Ninguém manda em mim. Risika? Suas palavras picaram. e estava usando uma corrente de ouro fino em volta do pescoço com uma cruz de ouro suspensa a partir dele. Era Aubrey. — Diga você a Ather. criança. — repliquei. rindo. — Aubrey respondeu.Caminhei em direção à voz. — Diga a Ather que eu não quero vê-la.. — Não.

— Eu atravessarei essa lâmina no seu coração. Risika. mais fria. É culpa sua se ele esta morto. e não fez nada. não fui ensinada para lutar. e minhas mãos cerradas e estendidas. mas eu sabia que ele simplesmente não iria deixar-me matá-lo. — minha voz tremia de raiva. o último traço de humor fugiu de seu rosto. — Você não pode. — Você não pode me matar enquanto eu estou indefeso. — Nunca. e fracamente zombando em sua expressão. Se eu tivesse matado ele. em silêncio. Eu estou indefeso. não é assim que o mundo funciona.. Não há mais nada.eles merecem viver.. ele estava ali. Bati-lhe com força suficiente para atirar a sua cabeça para o lado e ele tropeçou. e ele ainda estava como uma pedra. e você nunca mais vai falar de novo. Ele endireitou-se. — Bem. Sua voz tinha ficado mais escura. — Você disse que ia fazer. cuidado. — eu respondi. — ele finalmente disse. — sua voz era fria. — Experimenta. Eu não sabia o que ia fazer. não tirando os olhos de Aubrey. No entanto. os fortes sobrevivem. sua lâmina cravada no chão. Seu irmão foi um dos mais fracos. então. uma voz para provocar arrepios através do coração mais valente. Eu havia sido uma jovem moça. Eu bati nele. não estava mais vivo para contar. porque você ainda pensa como um ser humano. Se eu tivesse sido capaz de matá-lo então. Há uma primeira vez para tudo. 49 49 .. mas eu estava muito irritada com o aviso prévio. Ajoelhei-me devagar e com cautela para pegar a faca. mas naquele momento eu era simplesmente fúria. saiba de uma coisa. Os fracos morrem. Risika? — alertou.. — Ou o quê? — ele perguntou. quando eu não me mexi. que estava observando com um silêncio gélido. Ele jogou a faca para baixo e ela caiu a alguns centímetros dos meus pés. ainda. — Não fale do meu irmão desse jeito. — Risika. Bem. Você tem a faca agora. Mate-me. Eu sabia naquele instante que se alguém já tinha ameaçado Aubrey. Eu podia sentir sua raiva me cobrindo como um cobertor.

Ele tirou a faca do centro da minha garganta e levoua até o meu ombro esquerdo. Você se adapta. Eu nunca tinha aprendido todas as habilidades de combate. Eu era jovem e não sabia como lutar dessa maneira. Não tenho amor por você. A faca caiu esquecida. Risika. Eu nunca tinha praticado a violência. a sobrevivência é o nome do jogo. quebrando-o. mas a dor irradiava pelos meus braços e costas. você vai perder. Eu cuspi em seu rosto. Ele atacou. Senti uma sensação. Mesmo ferido. Se você me desafiar novamente. Um vampiro forte pode atacar com sua mente e matar um humano. e eu não me importo sobre a sua moral. bateu-me sobre as raízes das árvores e no chão. e o ferimento foi curado rapidamente.Ele agarrou meu pulso com uma mão e minha garganta com a outra. Eu chutei o joelho com todas as minhas forças. ele era muito mais forte do que eu. porque se você não puder. a maioria dos danos é feita com a mente. na lacuna entre as duas clavículas. enquanto usava a minha mão para empurrar a mão que me segurou. e o corpo toca suas raízes há muito tempo morta. Você está tão fraca quanto seu irmão. É mais difícil matar um vampiro. sem sequer tocá-lo. prendendo minhas costas ao chão. A faca era inútil. Ele colocou uma mão no meu pescoço. mas os lutadores ainda podem se distrair e desabilitar o outro. Ele assobiou na dor e na raiva. Eu acho você fraca. direto no centro 50 50 . caindo no chão. mas havia pouca dor – a tolerância do vampiro a dor é grande. Eu me adaptei. Aubrey foi lá em um momento. mas quando eles são tão fortes como a minha linhagem é. Uma luta entre dois vampiros pode parecer apenas físico. — Lembre-se disto. Eu torci o meu pulso da mão de Aubrey. Mas na natureza. Eu estava no chão e não podia me esforçar por causa da dor. — Ather fala como se você fosse tão forte. Ele pegou a faca e segurou-a contra a minha garganta. você está morto. Meu pulso estava quebrado. giratória queimando e não vi o ataque pelo lado de Aubrey. Eu comecei a me levantar.

foi incorporada no fundo com prata. Eu teria muito tempo e muitas oportunidades para pagar essa promessa. a ferida teria curado em momentos. Uma vez que a cegueira simplesmente insuportável havia diminuído. Minha pele já estava tão pálida que a cicatriz mostrou-se apenas como uma fraca marca de cor de pérola. Engoli em seco. Minha espécie podia viver para sempre. O sangramento já havia parado. As maiorias das lâminas humanas não feririam a nossa espécie. Aubrey desapareceu enquanto eu estava deitada no chão. por falta de uma palavra melhor. embora eu não soubesse como. De alguma forma. e a morte de Rachel. mas a ferida não fechou completamente. senteime devagar. E ficou uma cicatriz. a morte da minha fé na humanidade. e eu podia vê-la facilmente. Soube mais tarde que Aubrey tinha tomado a sua lâmina de um caçador de vampiros durante seu terceiro ano como um vampiro. mas eu sabia onde estava. mesmo depois que eu me alimentei novamente. um ser humano cheio de ilusão. com dor. Mágica. O seu proprietário original tinha sido criado como um caçador de vampiros.do meu braço esquerdo. mas mesmo assim ele tinha perdido para Aubrey. cautelosamente traçando a ferida. Queimou como fogo e feriu mais do que qualquer coisa que eu já havia sentido. mas a lâmina de Aubrey não era uma lâmina humana. em vez disso levou algum tempo para o meu corpo controlar a dor. e algum dia. embora eu não soubesse quando. Se a lâmina tinha prata humana. 51 51 . eu iria vingar a cicatriz e tudo o que ela representava: a morte de Alexander. Rachel inocente.

Ao invés ela viveu numa jaula e foi morta amarrada e desamparada. é uma voz que eu venho a odiar com toda a minha mente. . Ele diz apenas quatro palavras. mas não posso vê-lo. e eu ouço Aubrey rir na minha mente. Aubrey? Pedi a ele com minha mente. Eu sei onde ele está assim que caçava em seu território. u fui idiota por atacá-lo antes. somente com Tora. pálido e imóvel. Eu me recuso a ajoelhar e deixar Aubrey ser rei sem ao menos o desafiar. Eu posso sentir a presença dele na sala. e o suporte de madeira está partido em dois como um graveto. O letreiro. O guarda está caído no chão. As barras de metal da jaula do tigre estão torcidas. que está caída de lado.” tinha caído. Porque se esconde de mim? Eu ouço sua voz risonha e sarcástica na minha mente. o grito de caça do falcão mergulhante. o grito raivoso da besta enjaulada. eu sou igualmente idiota por atraí-lo agora. a única criatura que eu havia amado desde a morte de Alexander. Uma linha de um poema. suas patas amarradas. força e alma. Ela nasceu livre e merecia viver assim. Mesmo quando ele ri. “Panthera tigris tigris. e ele havia Onde está você.. Tigre! Tigre! Queimando brilhante. Tora. Isso mais que tudo me fez sentir com se uma faca fosse colocada no meu próprio coração ao invés do dela. eu mudo minha forma para um falcão dourado que voa daquele lugar na sua fúria animal e pousa dentro da jaula do tigre no zoológico. mas eu não tinha outra escolha.. nem uma frase.52 52 CAPITULO 13 – AGORA E falado. Eu grito o lamento mudo da águia. e com uma faca no coração. Eu não me importo com o guarda ou com a placa.

a não ser um pedaço de papel perto da minha mão. Perto do amanhecer eu levanto minha cabeça. Isto é o porquê. e não ouço ninguém se aproximar de mim. gritando outro grito mudo de raiva e tristeza. não sei quem o mandou. Eu amei Alexander e cada ferimento que ele recebia parecia refletir em mim. 53 53 . Eu choro . Eu choro até meus pensamentos ficarem negros e minhas lágrimas correrem secas. confiança.eu penso.Mudei de volta para minha forma usual e tirei a faca dela. — Olhe. A maior dor que eu havia sentido foi por amor. Olho para o nome por um momento. Eu pego o papel. Minha cabeça se ergue. e se você tem uma fraqueza. Não reconheço a aura no papel. um grande tremor de raiva passando por mim para essa criatura que se atrevia a me insultar. — Eu roubei suas listras.choro como não chorei quando eu perdi meu irmão e minha vida. meu longo cabelo dourado misturado com o pelo de tigre de Tora. percebendo quão forte a aura está misturada a elas . Tirando as cordas das patas dela. Eu não posso ler as palavras abaixo. você pode ser derrotado como qualquer outra presa. mas não vejo ninguém. mas brilhavam com raiva e determinação. minha Tora. deixando nada. a aura de um visitante. minha bela. amizade e todas as outras emoções que os humanos valorizam tanto são unicamente as que podem trazer sofrimento. eu sinta um roçar de vento contra meu cabelo. Amor é o sentimento mais forte que qualquer criatura pode sentir exceto por ódio. que haviam se misturado onde água havia caído na tinta. Não água. — Vou ter certeza de que ele está morto de verdade. Vou usá-las para que sua beleza não seja esquecida. e agora Aubrey usou meu amor por Tora para empurrar a lâmina ainda mais profundamente. antes dele tomar outra vida de quem eu amo. mas ódio não pode machucar você. mas adiciono as listras negras ao meu próprio cabelo dourado-tigre. Amor. Meu tigre. Estou focada interiormente em Tora. Seja lá o que for havia ido embora. então amasso a nota na minha mão. minha bela. eu choro por cada pelo dourado que havia caído e por cada pelo preto que para sempre havia perdido seu brilho. A sua morte arrancou meu coração e sangrou seco. Embora. — eu sussurro. meus olhos grudaram no nome que está escrito no topo em tinta negra: Rachel. Não vou deixar esse crime sair impune. — meus olhos estão secos. Apenas amor pode quebrar um coração em muitos pedaços. Eu não penso. eu tinha aprendido que o mais forte dos vampiros mantém essas emoções escondidas: porque são suas fraquezas.lágrimas.

A mancha de lágrimas no papel. Se aquele que deixou isto ainda está perto. — ela morreu há trezentos anos atrás. de quem são? Aquele humano soube sobre Rachel e estava tão triste por sua história que mandou isso pra mim? Ou esse recado é uma brincadeira doentia de Aubrey. deixe-o me confrontar. outro jeito de deixar uma marca no meu coração? — Não quero seus jogos! — eu grito. — eu digo alto. 54 54 . — Não sou Rachel.— Rachel está morta. Ninguém responde.

Eu venho a esse lugar procurando por diversão. Pessoas dizem que ele trata a vida como um jogo que deve ser jogado um jogo cruel e mortal que quem quer que esteja vencendo faz as regras. mas então pensa melhor. Eu vejo minha imagem refletida num copo de cristal que alguém havia deixado num balcão. e Jager tinha olhos escuros mesmo quando estava vivo . Isto é algo que Aubrey nunca vai tirar de mim. Eu olho a sala novamente. — O que você vê. com pele escura e cabelos de um marrom profundo. Tremendo com tristeza e raiva. — Você olha para essa sala como se a visse diferente de todos nós. Não o vejo. O fantasma de Rachel não pode me seguir até aqui. Eu olho pela sala. procurando Aubrey. O que você vê? Eu o reconheço. abre sua boca como se fosse falar para eu descer.ele nasceu há quase cinco mil anos atrás. Jager. Nesse momento eu sinto exatamente o que sou: uma selvagem criança das trevas. Sorrindo. no Egito. . Meu reflexo é aparição sombria. eu retorno a Ambrosia. Os olhos dele são de um verde esmeralda e eles refletem a penumbra como os olhos de um gato. eu tiro meu cabelo listrado de tigre do rosto e jogo-o para trás e me empoleiro no balcão. Eu sei que é a mesma ilusão do meu cabelo. e eu sei que ele me reconhece. Todos os vampiros têm olhos negros. uma jovem inocente.55 55 CAPÍTULO 14 – AGORA M eu passado e meu presente tinham combinado de me insultar. e viu as grandes pirâmides surgirem. Tigre? — alguém pergunta a mim. Ele é o irmão de sangue de Ather. A garota que estava atrás dele. mas eu posso ver as marcas de Tora em meu cabelo e sorrio. Jager parece ter dezoito anos. Uma sombra perigosa com vontade de criar problema. e eu me viro para ele.

pois as pessoas sabem que ele é poderoso. — eu observei. — Então devemos estar falando de Aubreys diferentes. indo até a uma mesa do outro lado da sala. Ele a faz temê-lo. — Você usa isso como um aviso. pois faz os outros pensarem que ela tem mais poder do que ela realmente tem. — Aubrey não é frequentemente desafiado. — ele responde. um sinal de que você vai se vingar. Ele senta no balcão ao meu lado e a garota atrás dele desiste. — ele respondeu. mesmo? — eu falo. não acreditando nele. — Você vai esperar ele começar a musica? Ou vai começar por si mesma? — Eu prefiro matar em silêncio. Ela muda aqueles que serão mais fortes que ela. Você tem o poder de fazer isso. Jager. apesar de tudo. — Ela não é a única sobre quem você é mais poderosa. — eu comento. — Oh. embora não seja mais forte do que você. pois eu perdi da ultima vez que lutei contra o Aubrey que eu conheço. — Ather é fraca. Risika. — Feliz caçada. — Foi você quem avisou a Ather que eu seria forte? — Fui eu que avisei a ela que você seria mais forte que ela.— Eu vejo alguém que não mostra seus verdadeiros olhos. — Você podia esconder essa cicatriz com um pensamento. 56 56 . — Vou vingar mais que essa cicatriz. Risika. — Eu podia. mudando de assunto. — no momento seguinte ele tinha ido. e elas têm medo. — Mas não faço. Jager olha para mim e sorri. — Quando? — ele pressiona. — Jager diz. — é uma das falhas dela. — O que você vê? — Eu vejo que meus avisos a Ather e Aubrey foram justificados. — eu respondo.

Eu também vejo Jessica. Eu olho para fora da janela olhando os poucos que também estão retornando para a cama assim que o sol nasce. quando eu ainda estava lutando contra o que eu era. Eu volto para minha casa num humor mais alegre. Somos fantasmas da noite indo e vindo da cidade obscura como sombras de castiçais. Jessica escreve sobre vampiros e os seus livros são verdade. e então eu também vou embora. mas somente por hereditariedade. Eu sonho com meus anos de inocência. Ele não é uma ameaça para mim. olhando pela sua própria janela. Uma das outras sobras de Concord que entram em sua casa é um bruxo. Pergunto-me se eu devia contar a ela minha história . pensando nas palavras dele. embora ninguém entenda como ela sabe sobre o que escreve. a jovem escritora de Concord. Meus sonhos são memórias do passado. não me preocupando com complexidades de vingança.Eu me deito de volta no balcão. pois não é treinado. Talvez seja a minha história que ela escreva agora. 57 57 .talvez ela pudesse escrevê-la para mim. Eu subo as escadas e caio na minha cama num sono vampírico.

É claro que eu podia ter ido até a porta e perguntado a meu pai se ele sabia quem eu era. com um ladrão que teve a má sorte de me atacar quando eu perambulava pelas ruas escuras. tendo perdido minha paciência com longos vestidos enquanto explorava as florestas. Ele olhou para fora da janela. Apesar de me consolar dizendo que eu somente matava aqueles que mereciam. Eu parei do lado de fora da casa que eu uma vez morei. e quando finalmente retornei. e a fome estava sempre perto. A última vez que tinha me alimentado havia sido há duas noites.58 58 CAPÍTULO 15 – 1704 E u não retornei a minha casa por três anos. Eu usava roupas de homem. Lynette estava adormecida no quarto dela. mas mais que isso eu não estava certa se podia me controlar. vendo a casa como um fantasma. Eu não queria trombar com nenhum humano. montanhas e rios da região. mesmo se me visse? Os três anos tinham-me mudado. Ele me reconheceria. Minha pele clara estava branco gelo e meu cabelo dourado estava emaranhado. mas eu não iria. A sede crescia em mim incessantemente. foi intencional. Eu me alimentava tão frequentemente quanto eu precisava para sobreviver. mas era só. mas meu pai estava acordado e chorando.decidindo quem vive e quem morre? Ladrões e assassinos me sustentavam. Ele iria apenas se machucar mais ainda quando eu tivesse que partir novamente. não tendo visto um pente por algum tempo.Risika. Eu não o deixaria saber no que eu tinha me transformado. perto da beira do poço. Eu não queria ser reconhecida. ninguém me viu. mas incapaz de fazer qualquer outra coisa. e apesar de eu saber que ele estava . as palavras de Aubrey sempre ecoavam na minha mente: você é um deus agora. capaz de ver e ouvir. Era perto da meia noite quando eu parei em Concord. claro.

eu pude ver que ela não tinha as graciosas mãos de artistas que meu pai frequentemente falava que minha mãe tinha. sabendo que meus olhos estavam estreitados com ódio. Eu tinha visto a mente do meu pai e eu sabia sem dúvidas que esta estranha era a mulher dele. Aubrey tinha provado sem sombra de dúvidas que eu não seria aquela que o mataria.. tentando não bater nele. — ele argumentou. — eu respondi. comigo em cima deles. — Eu tenho alguma moral. — Você é muito moralista. e mesmo dessa distância eu podia ver que os olhos dela eram marrom chocolate. eu sabia disso. Sua pele não era clara como a de minha mãe havia sido. — eu falei. Assim que Aubrey sugeriu que eu a matasse. estranho como minha opinião mudou tão rápido. a atenção dele em meu pai e na mulher inocente dele. eu senti a necessidade de protegê-la. Eu me recusava sair enquanto ele estivesse aqui. mas eu nunca teria a chance de saber. — Se ela te incomoda tanto. e por um instante eu senti uma irracional urgência de ir lá dentro e balançar esta mulher. Eu tinha aprendido como mascarar minha existência dos olhos mortais. Meu pai se virou e deu um fraco sorriso. Ele tinha casado com ela tentando nos substituir? Ela sabia sobre Alexander e eu? Ela se importava? Estas pessoas não eram mais minha família. Seu cabelo negro estava preso. apesar de sua voz estar leve.. As lágrimas na face dele cravaram uma estaca no meu coração. ele não me via. Você precisa dormir. Uma mulher veios das escadas atrás de meu pai. — Mas nada disso 59 59 . Ele não tinha tomado como ofensa a acusação. — Peter. mate-a. — Ciúmes? — alguém disse sobre o meu ombro e eu me virei para Aubrey.olhando na minha direção. eu suponho. Alguém choraria se eles morressem? Eu não achava. Eu tive uma poderosa visão de Aubrey e Ather deitados mortos. Ele riu.. Mas eu não conseguia não odiar essa mulher por tentar tomar meu lugar. — E você não é nem um pouco. — Tenho certeza que você iria apreciar isso. Quando ela pôs uma mão no ombro de meu pai. está tarde. O nome dela era Katherine. Mulher inocente.

— ele balançou a cabeça. Katherine fechou os olhos por um momento e sussurrou uma prece. — ele disse. o pretendente de Lynette e tudo mais. perdendo minha calma.. eu temia que um dia seria indiferente a matar como Aubrey era. Levantando-se. ele deu um passo em minha direção antes que sua esposa colocasse uma mão no braço dele. Eles nunca estão. Apesar de não me odiar por matar para sobreviver. Peter. 60 60 . Meu pai e sua mulher tinham decidido tomar um pouco de ar e estavam agora sentados na varanda dos fundos. — Se você veio aqui apenas para me convencer a abandonar minhas concepções morais. Como se pudesse sentir meu olhar nele. — Mas isto é mais divertido.. — ele respondeu preguiçosamente. exceto a razão de meu pai estar chorando. mas ela não estava lá. Deixe-os em paz. — Você podia jurar que a viu alguns dias atrás. Virei para ele novamente. — Não há ninguém aqui. tomando uma respiração rouca. — Você é dificilmente meu único motivo por estar aqui. — Você está com ciúmes. — ela insistiu e meu pai suspirou. Por que ela não o ajudava ela mesma? Ela era tão cega que não podia ver o quanto as palavras dela o tinham machucado? Aubrey riu ao meu lado. você está perdendo seu tempo. e nunca vão estar. Olhe pra si mesmo. Peter. — eu falei. — Eu podia jurar que eu a tinha visto. você mal pode pregar os benefícios da moralidade.interfere com o modo como eu sobrevivo. mas desta vez os olhos dele se arregalaram como se ele pudesse me ver apesar dos meus esforços. Risika. Você pensou que viu seu filho uma semana antes desta. Meu pai se virou e entrou em casa. calmamente discutindo sobre como a fazenda estava indo. mas ele não estava lá. meu pai se virou para mim. — Você poderia ir a outro lugar? — Eu podia.

você mostrou seu ponto. — Certo. Ela hesitou. — Eu não compartilho suas reservas. — Deixa-a em paz. — Cace alguém diferente. 61 61 . então olhou além de mim para a esposa de meu pai. Ela congelou... colocando-me entre ele e sua presa. — eu disse. — E qual seria esse ponto? — ele perguntou. Ele deu de ombros. Então ele gentilmente puxou a cabeça dela para trás. olhos arregalados. expondo-lhe a garganta. apesar de eu poder saber que ela não via nem Aubrey nem eu.— Vai para o inferno. Aubrey desapareceu do local onde estava e reapareceu atrás dela. sentindo olhos nas costas dela. eu sempre cacei. que havia acabado de se levantar e caminhado para a casa. Aubrey. — Por quê? Katherine olhou para cima como se ela tivesse ouvido um som e então caminhou até nós. não havia jeito de eu pará-lo.. então se virou lentamente. — Agora vá embora. Katherine tropeçou nele e soltou um suspiro. O-q-u que você quer? — Katherine gaguejou. Os olhos dele se estreitaram. — eu ordenei.. — eu falei. Ela estava respirando rapidamente e o seu coração batia rápido de medo. Cerrei meus punhos sabendo que ele estava me atormentando e sabendo igualmente bem que se ele tivesse fixado sua mente em matar esta mulher. — O quê. Aubrey sussurrou no ouvido dela e ela relaxou. Katherine arfou assim que Aubrey parou de se esconder dela. Risika. afastando-se de nós. Aubrey. Eu caço quando eu quero.

e em seu pulso direito é o Fenris monstro nórdico. — Aubrey responde como se adquirisse forma das sombras do quarto. Em seu braço é a Echidna grega. e eu tenho uma imagem repentina na mente de Aubrey perdendo a faca e cortando seu pulso. Apesar do meu ódio. Jogando. A víbora verde foi substituída pela serpente do mundo da mitologia nórdica. você vai perder? Eu sei que este não é o medo de Aubrey. — Você deveria. instantaneamente em alerta. para baixo. Há uma provocação que praticamente garante a resposta de um vampiro: acusá-lo de ter medo. Por enquanto.CAPÍTULO 16 – AGORA E 62 62 u acordei de repente . o lobo gigante que engoliu o sol. assim como eu sei que ele está também. no quarto. forte e muito cruel. — Você finalmente tem medo de mim? Você tem medo de que se me desafiar de novo. amor e Aubrey traz todas as emoções á tona na minha mente. mãe de todos os monstros. Há alguém na casa. e uma coleira de cachorro cravejado de metal. Aubrey é mais velho. ele se rencostou na parede. Os reflexos fracos de luz sobre a lâmina de prata. se eu lutar com ele eu vou perder. mas estou com vontade de insultar. Aubrey? — pergunto às sombras. jogando a faca no ar e apanhado-a. porém. Para cima. Risika. Esta é uma lição que eu aprendi bem anos atrás. . — Por que você se esconde. Os poderes dos vampiros ficam mais fortes com emoções de ódio. — Eu nunca vou te temer. que desempenhou um papel na destruição do mundo. raiva. pegando. Ele modernizou o seu estilo desde 1700: ele veste jeans preto dentro de botas pretas. Eu levanto de minha cama. uma camisa apertada vermelha que mostra os músculos do peito. — eu respondo.

eles presumem que seus novatos iriam vingar o ataque. apesar de outros da nossa espécie possam desafiá-la. Talvez os cortasse com uma faca comum. tudo por causa de Aubrey.. frio. — Cuidado. — Eu me lembro. Posso vê-la mesmo daqui. e eu sei que ele me visitou para tentar seduzir-me a atacá-lo novamente. — Porque você está aqui. lembro-me muito bem. Ninguém se importaria se eu — acidentalmente — acertasse o coração durante o processo. Aubrey sabia como me machucar. Aubrey. Eu começo a mover em direção a ele para acertá-lo. Como eu disse. frágil gatinho. para machucá-lo assim como eu estava machucada. Ele usa a mesma cara que tinha então: indiferente. Aubrey sabe exatamente o que dizer e fazer para que aqueles ao redor dele chorem. Risika. Tenho visto homens corajosos correr de medo. Um psicólogo amaria analisá-lo. — Eu só vim aqui para apresentar as minhas condolências pela morte de seu pobre. Aubrey? — finalmente pergunto. 63 63 . e como me fazer perder a paciência. Eu me lembro.Eu me pergunto o que Aubrey fará quando ficar entediado com esses desenhos.. amem. Ele já fez isso antes. — eu rosnei. — Eu não me esqueci. Risika. — disse ele. Ele é muito mais forte que Ather. Ele sabe o que Tora significou para mim. fisicamente. um pouco zombeteira. riam.pessoas que serão mais fortes do que ela. Meu corpo congelou com raiva. mentalmente e emocionalmente. Talvez eu podesse ser voluntária para ajudar . Sua carne se curaria em questão de segundos. a maior falha de Ather é que ela muda as pessoas que são fortes . — eu respondo. Minha voz era pesada de dor e raiva. implorem. Eu me pergunto que tipo de vida de Aubrey o fez ser do jeito que é. odeem. — Lembra o que aconteceu da última vez que você me desafiou. guerras humanas serem travadas e caçadores de vampiros se virarem por conta própria. Ela faz isso porque. temam ou qualquer outra coisa que ele deseje. um pouco divertida. — Vocês ainda tem a cicatriz. Apenas duas palavras e eu paro. não querendo esperar por ele para falar.

— comenta. Eu temo o que vai acontecer se nós lutarmos novamente. Ele ainda está esperando a minha resposta a sua provocação. seus pêsames não valem muita coisa.. Ela foi quem me arrancou da minha vida humana. mas também foi a única que me obrigou a olhar para as trevas da humanidade. Eu ouço a ameaça implícita. Aubrey.. Eu podia sentir a sua aura lá e até agora eu posso sentir o sangue dela em você. Ele só matou o restante do que poderia ter sido a minha alma. mas eu não odeio a minha mãe de sangue. — digo a ele. Ele me provoca a cada vez que nos encontramos. Eu só quero que ele saia. eu teria vivido e morrido como presa. Apesar de não levantar um dedo para defender a minha mãe de sangue. eu não saio por aí a atacá-la. — Eu vou passar por aqui mais tarde. — eu rosnei. Aubrey apenas ri. minha raiva por Aubrey me obriga a lembrar o resto. — Você não parece disposta a ter companhia. e certamente. eu lutei com ele e perdi. trezentos anos atrás eu já sabia que Aubrey era mais forte do que eu. por outro lado. e nada mais. Ele ergue as sobrancelhas interrogativamente. — Considerando que você matou Tora. Se não fosse por ela. Eu o odeio ainda mais por causa desse medo e ele sabe disso também. Aubrey. Ele não matou Katherine. — Saia da minha casa. — Não olhe assim. sabendo bem que tenho medo dele. e minha mente retorna a ele.Eu posso nunca entender o porquê de Ather decidir que Rachel era uma humana que exigia sua atenção. Não tenho nenhum desejo de lutar com ele. Risika. mas não tenho chance de responder antes que ele desapareça. 64 64 . Ele conseguiu o objetivo para que veio aqui e não tem motivos para ficar. Lembro-me de meu sonho da noite anterior.

Eu não queria lutar com ele novamente. — eu respondi. Ele empurrou a mulher para os meus braços. ainda hipnotizada. Ele lambeu o sangue de seus lábios. — eu de alguma forma consegui rosnar. — Você nunca aprende. cravado pelo sangue que fluia logo abaixo da superfície. enquanto ele puxava Katherine para ficar em pé. devido ao cheiro de sangue. —Você realmente quer que eu a deixe ir? —Sim. caindo no chão. e eu tive que virar minha cabeça para outro lado. Eu levantei devagar. A mulher tropeçou. —Deixe-a ir. jogando-me no chão também. Novamente. Ignorando as conseqüências. e um sorriso malicioso espalhou-se pelo seu rosto. e desta vez o meu olhar se travou na garganta dela. —Agora. Ele não mostrou relutância quando suas presas perfuraram a garganta dela. enquanto Aubrey se inclinava para frente. lutando contra o desejo de sangue que me tentava a convencer a alimentar-me. Aubrey. Risika. Hesitei um instante.65 65 CAPÍTULO 17 – 1704 E u me recusei a vê-lo matá-la. uma vez que o meu. e depois desapareceu. olhando-o com cautela. Aubrey virouse e agarrou meu braço. não é? — ele vociferou. Aubrey puxou a cabeça dela para trás. —Levante-se. autocontrole enfraqueceu ainda mais. empurrando-o para longe de Katherine. eu pulei em Aubrey. . já vacilante. Ele olhou para cima e seu olhar negro encontrou o meu por um momento. porque eu sabia que se eu perdesse. Ela havia ferido sua mão em um arbusto de framboesa quando caiu. ele iria me matar. Eu não tentei ficar imediatamente em pé.

sabendo que eu não deveria. ela iria sobreviver. A sede era tão forte e seu sangue era o mais doce que eu já havia tomado. Eu vi meu pai. Não houve reconhecimento em seu olhar. chocada. 66 66 . e antes mesmo que eu percebesse o que estava fazendo. Eu desapareci na noite. Sua mão estava sangrando descansando em meu braço. Eu o deixei rolar em minha língua. Eu joguei Katherine. tentando me controlar. e eu podia sentir seu pulso batendo contra minha pele. Senti cada pulso de seu coração como se fosse o meu próprio.Eu tropecei. forçando-me a deixá-la ir. saboreando o gosto. Há dias que eu não me alimentava. mas este simples movimento me deixou tonta. Eu ouvi um grito rouco e minha cabeça estalou. mas quando me recuperei encontrei-me segurando a mulher inconsciente suavemente. Eu virei minha cabeça. eu lambia-a. mas incapaz de parar. e cada batida foi como fogo sendo forçado através de minhas veias. Uma fina linha de sangue escorreu pela sua garganta. Eu ainda não tinha tomado o suficiente para prejudicá-la.

agora. Por trezentos anos eu o evitei. Então. Você sabe que ele faz isso intencionalmente. Por quê? Alexander está morto e ninguém além de mim se importa. apesar de tudo o que eu tenho dito. recusando-me a lutar. Você não é mais humana por quase trezentos anos. Quando eu era humana. mesmo quando pensou que poderia estar condenado e eu tentei fazer o mesmo. Ele se agarrou a sua moral. será a prova de que eu sou o monstro que eu tenho tentado por tanto tempo fingir que não sou. — eu digo a mim mesmo. eu ainda estava me agarrada a uma parte da minha humanidade. mas este nunca foi o meu medo real. uma covarde. ele conseguiu usar minhas emoções contra mim. Por que você o deixa magoá-la? Eu me pergunto. Você não pode sequer manter o seu temperamento tempo suficiente para pensar! Eu percebo que. Eu temo que. Minha raiva por Aubrey se transformou em raiva de mim mesmo. Você usa essa cicatriz por trezentos anos e você não fez nada. Assim. Agora Aubrey me controla e eu não luto porque eu tenho medo das conseqüências. O que mais você tem a perder? .67 67 CAPÍTULO 18 – AGORA D epois daquela noite eu me alimentei bem. Porque isso ainda a incomoda? — Covarde. nunca mais me permitindo chegar ao ponto em que eu poderia perder o controle. Aubrey tinha conseguido provar seu objetivo. pare de agir como se você fosse uma. É o que você realmente é. Para quem eu estou fingindo? Alexander costumava ser a minha fé. como sempre. eu era controlada pelo meu pai e pela igreja. Eu poderia morrer. se eu começar a luta. por que me preocupar? Por que fingir? Eu me pergunto.

Lembro-me das histórias que me foram contadas sobre Jager. Névoa cobre o chão. New Mayhem ainda é uma cidade invisível. Mesmo com as novas suítes de hotel que abrigam os mortais. os novos bares. Destruir algo. As paredes são todas em 68 68 . ou números de cartões de crédito. a cidade de Mayhem que Ather me mostrou trezentos anos atrás. Ninguém nunca entra. não haveria nenhuma maneira de provar se alguém decidisse verificar os comprovantes. Eu estou com um humor muito mais destrutivo e imprudente do que nunca. além da visão do mundo humano. dançou em um anel de fadas à meia-noite sob a lua cheia e apimentou uma cerimônia realizada por alguns Wiccans modernos. para as pessoas que estão dispostas a apostar tudo. Lá é para aonde eu vou. Eu sei o que eu vou ver se eu olhar para o reflexo elusivo. Aubrey tem a sua casa no interior das muralhas de New Mayhem e por isso eu sempre fiz as minhas em outros lugares.Eu troco a minha blusa preta por uma de cor dourada que abraça o meu corpo e mostra um pouco de minha pele nua bem acima da minha calça jeans preta. as novas academias e as ruas pavimentadas. mal é possível ler o nome na porta: Las Noches. chamada New Mayhem. Eu giro o espelho assim ele não pode me refletir. Os barmans nunca pedem pela identidade. foi quase arrasada por um incêndio poucos anos depois que eu estive lá pela primeira vez. o hotel não mantém registros de quem vem e vai e o clube noturno é tão estranho quanto uma pista de patinação de gelo no inferno. dando à sala um efeito giratório. Eu me transporto para uma pequena cidade no interior de New York que está escondida no fundo de uma floresta. Eu fui para New Mayhem várias vezes. Eu estou com esse tipo de humor. De como ele flertou descaradamente com as seguidoras virgens de Hestia na era grega. O coração de New Mayhem é um grande edifício no qual está pintado um mural com o tema da selva. New Mayhem. A luz estroboscópica vermelha é a única luz no interior de Las Noches. ganhando ou perdendo. mas eu sou a única de minha espécie que não dorme dentro de seus limites. Meu humor muda como as sombras da chama de uma vela. eu desenho no ar uma runa. com forma de uma taça. ninguém nunca está lá e ninguém nunca sai. pelo menos. lembrando de algum lugar do passado: Perthro. Em torno da entrada pulsa uma luz vermelha brilhante que vem de dentro do clube. e eu estou meio irônica agora. ou qualquer registro escrito das pessoas que estavam lá. fazendo os elementos chamados realmente aparecerem. Não tenho nada a perder e eu quero mudar alguma coisa.

mais humanos do que vampiros. decide ignorá-las. — Aubrey diz para a menina assustada. — Você não tem classe. Será que ela tem mais medo de mim do que ela tem de você? — Vá embora. Cadeiras? Não para mim. Christina. afastando-se silenciosamente.vidro. — eu comento e a menina congela. na verdade. está uma menina de cabelos negros. que sai em disparada. Eu não olho para a garota. — Risika. mas em seguida. como se eu fosse agarrá-la. As mesas são de madeira preta polida e se parecem com cogumelos satânicos crescendo na névoa. embora eu saiba que ela não saiu da mesa. Os olhos de Aubrey se alargam. na maior parte de espelho. Ele franze a testa momentaneamente com minhas palavras. 69 69 . No início da noite. um dos poucos habitantes de New Mayhem que são completamente humanos. Rabe trabalha aqui mesmo quando a multidão é completamente vampira. saindo de um alto-falante em algum lugar do teto sombreado. obrigado. Las Noches tem uma mistura de multidão. o lento e preguiçoso sorriso de um gato travesso. — Parece que o seu encontro está saindo. Aubrey. caso ela chame a atenção. A menina atrás de mim lentamente fica de pé. Eu me afasto de Rabe e escaneio a sala procurando por uma pessoa. perguntando-se quando eu me tornei tão ousada. sem dúvida. A música é esmagadora. sento sobre a mesa. Ela está sentada muito quieta. Eu já estava sorrindo. porque você está sentada na mesa? — Aubrey finalmente me pergunta. Eu ando propositadamente para o fundo da sala e ignorando a humana. mas em alguns lugares existem olhos pintados sob o vidro. Aubrey. embora eles não pareçam estar se falando. Eu o encontro sentado em uma mesa com uma garota humana. — E por que não? — Há cadeiras. que também é de madeira preta. o baixo é pesado o suficiente para fazer vibrar os nossos corpos ao mesmo tempo da batida. — ele ressalta. No balcão. mas eu posso ouvir a sua respiração e o seu batimento cardíaco. chamada Rabe. Eu quase ri.

70 70 . — Seu idiota. — Salve-nos dos animais indefesos! Ele empurra o meu ombro. Risika — diz ele. Um tigre foi demais para você lidar? Nós jogamos este jogo mortal bem. Sento-me no chão. corajoso Aubrey. Quem vai perder a paciência primeiro? Quem vai dar o primeiro golpe físico? — Risika. pegando-me de surpresa e me empurrando para fora da mesa. Até agora. na névoa e começo a rir. — Eu percebi que você a amarrou antes de matá-la. — eu digo. ele ainda não pegou uma arma. cada um de nós atacando o outro sem golpes físicos e é de fato um jogo mortal.— Eu me esqueci de comentar sobre o seu novo estilo de cabelo. — Você se engana — eu digo. — Aubrey ri. — Oh. Então ele está de pé. nenhuma criatura é demais para mim. — Ele me lembra aquela besta idiota do zoológico. Seu completo idiota.

. Aubrey? Você a ofereceu para mim e pediu-me para matá-lo se eu pudesse. No entanto. Você pode aterrorizar os seres humanos e as crianças. Eu estou em meio à névoa. mas eu não o acatei. Eu não quero brigar com você de novo. — Será que isso importa.CAPÍTULO 19 – AGORA V 71 71 ários seres humanos se reuniram em torno da gente. mas o que aconteceria se alguém com quem você lutasse soubesse com quem estava lutando? — Pare Risika. Você está tão determinada a ter outra? — Eu uso essa cicatriz como um sinal de que um dia eu vou dar o troco. — eu digo. se a luta sair do controle. e eles não pensam sobre possíveis vítimas. Vou vingar essa cicatriz e cada cicatriz que você colocou no meu coração. eu suponho. Eu acho que mereço uma segunda chance. — Sério? Como. não é? Onde está a sua lâmina decorativa. . encostado à mesa casualmente. Ele não se virou para me ver até que eu estivesse completamente atrás dele. — O valentão da vizinhança. Risika? — ele me pergunta. então. — Eu sou muito mais velho que você. a minha risada atravessa o ar. então ele se virou. “Trate os outros como você gostaria que fizessem com você”. — Nós fizemos isso antes. Ele não gosta de me ter em suas costas. mas ainda está em nossas mentes. Aubrey. Nós fizemos isso antes. destinada a assustar. — Por que você se sente obrigada a me desafiar novamente.. Aubrey. os seres humanos são curiosos ao ponto da estupidez. Esta não é uma coisa inteligente de se fazer quando dois vampiros estão lutando. — sua voz era fria. Risika? Você ainda tem a cicatriz que lhe fiz da última vez. Aubrey? — eu respondi. — Você é como uma criança. querendo saber o que estava acontecendo. lentamente circulando-o.

Então ele se vira. escondida na grama. Uma víbora – tão disposta. Risika. Eu não me importo em esconder a minha aura. Eu caminho ao redor da mesa em direção a ele até ficar perto o suficiente. — Por que você está nesse impasse. minhas mãos sobre a mesa entre nós. No entanto.— Talvez não. Eu não sou mais fraca. 72 72 . eu percebo. — eu me inclinei para frente.Eu não o temo desse jeito. como sei que ele procura na minha. Eu sei que ele é mais forte do que eu. Por quê? Porque ele receia que pode perder? Não parece possível que Aubrey ache que eu possa ganhar. Minha visão fica enevoada por um momento. estalando ao redor. dispostos a matar e simplesmente esperando uma chance. mas eu não estou prestes a admitir isso para ele. Eu estou mentindo. Risika? Ele tem medo de mim. Aubrey. — É o que parece. atingindo a aura de Aubrey. procurando por pontos fracos. cuidamos da retaguarda. — Por que está tão ansiosa para perder. Ele está jogando para ganhar tempo tentando me fazer perder a cabeça. Será que ele sabia quantas vezes eu o havia comparado a esta específica criatura? — Um jardim de serpentes. — Vamos descobrir? — sugiro friamente. e eu posso senti-la alongar. mas acho que você é. é claro. e eu sou mortal. não confiando em mim. A víbora. Aubrey? — meu poder saiu e o atingiu como um chicote. não é? — ele respondeu. Outro jogo mortal. afastando-se como se ele não se importasse onde eu estava. Ele vacilou um pouco. Eu não me amedronto com você às minhas costas . Ele atacou e eu sinto uma sensação de queimadura em minhas veias. Um rodeando o outro. escondendo-se na relva. eu sou forte e afoita e eu realmente não gosto dele. Eu busco sua aura. porque nós dois somos víboras. mas eu sou cruel. dizemos um ao outro. momento este que Aubrey aproveita para sacar sua faca.

Mais uma vez ele tem que se voltar para me manter em seus olhos. desafia-me a ir buscá-la. e você? Seu poder explode com a sua ira. este eu posso ganhar: siga-me. e eu ouço a madeira quebrar. Eu vejo Jager encostado na parede e Fala a novata de Jager. Eu não tenho nada a temer. As paredes espelhadas se fraturaram em padrões de teia de aranha sem deixar nenhum centímetro de fora. quase se batendo com um dos seres humanos. sentada de pernas cruzadas sobre uma mesa. e ele se afasta novamente. Risika. não temerei mal algum. — Você se afasta de mim? — dou um passo em frente. Aubrey olha para trás e percebe a multidão pela primeira vez. Uma das tabelas se divide ao meio e um ser humano pula para fora do caminho a tempo. A maioria é de humanos. mas ele segura a faca. mas há alguns de nossa espécie. mas não me deixe ficar atrás de você. Aubrey. — Você é só conversa Aubrey? Você está com tanto medo assim de lutar? — eu o circulo pela esquerda. — eu respondo. Seus músculos se convulsionam. acabando por ficar atrás dele. — Venha agora. em seguida. Aubrey recuou um passo para longe de mim. — Impressionante. — Não me afligiria destruí-la. assista-me. Aubrey. — Covarde. Aubrey? Porque sem ela você perde. — eu digo com desprezo e ataco-o com o meu próprio poder. não é? — eu circulei atrás dele. — Eu tenho certeza que não. Você está com tanto medo assim para fazer isso agora? Eu chicoteie meu poder em seu pulso. e ele se vira para me manter a vista. — Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte. Aubrey. mas nunca teremos a chance de testar a teoria. 73 73 . É somente na luta real que eu temo perder.— Você sempre precisa de sua lâmina. Micro-fissuras percorreram toda a superfície. Você joga sua lâmina para longe. mas nenhum pedaço caiu. não é. enquanto ele se move para ficar atrás de mim. seu tom de zombaria. — Por que eu deveria ter medo? — pergunta ele. Como no jogo de insultos. sempre ciente da faca em sua mão. que salta para longe rapidamente. — eu disse. Como nos velhos tempos. porque você sabe que eu o odeio e o matarei se me for dada a chance.

— Testá-la novamente. O ser humano médio não vê nada e os vampiros vêem apenas um espaço reluzente entre nós. O poder de Aubrey oscila por um momento quando meu medo cai. Ele tropeça mais uma vez. — ele diz. Eu tropeço e ele ataca com sua faca. — Nós a testamos antes. mas também com suas mentes. Eu ignoro suas palavras e estendo a mão. Aubrey está lá em um momento. você quer dizer. Aubrey cai para trás alguns metros. Eu o segurei com a minha mente. ele podia ter me impedido de mudar e tudo mais. mas Aubrey sente. Eu o afasto da minha mente. o qual está atado a minha aura. Lutar na mente dele e manter a forma de falcão é quase impossível e eu retorno à forma humana. Estritamente eu me esquivo. percebo que a diferença é pequena. e eu sinto isso. Ele desaparece por um momento e de repente a faca está na minha garganta. e eu o ataco novamente com toda a minha força. não serei capaz de segurar as paredes para mantê-lo fora da minha mente. Os seres humanos têm uma coisa para usar em uma luta: os seus corpos. minha aura o atinge bem no meio. A mente de Aubrey é mais forte que a minha. trincando-o. mas pela primeira vez. tentando trincar o meu próprio poder. levantando seus escudos e jogando meu poder de volta para mim. tentando entrar na minha mente. mas recusando-me a fugir. embora tenha caído sobre uma mesa e sentido o seu poder crepitando em torno do meu. enquanto isso. 74 74 . malmente conseguindo me manter antes que eu caísse no chão. Seu poder. caindo para trás. Eu vim aqui esperando perder. os oponentes lutam com seus corpos. tentando entrar na sua. esquivando-me da faca. aproximando-me. Entre o meu tipo. Meus olhos se enevoam por um momento e minhas veias se queimam quando Aubrey ataca novamente. mas eu não. Eu sei que se eu usar a força pequena que tenho para me locomover. Mas eu o empurrei de volta o tempo suficiente para mudar para forma de falcão e voar para longe. e eu avanço e o ataco novamente. rondando-o. eu circulo-o. Eu posso sentir a energia de Aubrey batendo contra o meu escudo. Pela primeira vez eu percebo que eu podia ser capaz de vencê-lo. impede-me de usar minha mente para me mover. Se ele fosse tão forte quanto eu pensava.

CAPÍTULO 20 – AGORA E u congelo. e ele não está prestando tanta atenção aos seus escudos. mantendo seus escudos baixos. seu instinto está todo focado na sobrevivência. Aubrey. você me ensinou esse truque. Será fatal se a minha garganta for cortada com aquela lâmina. Risika. — Não é assim que o mundo funciona. Nós dois sabemos agora que essa briga é séria. Aubrey achou que havia ganhado. e eu posso sentir que ele tem medo. Por que lutar quando você pensa que ganhou? — Eu não mato os da minha própria espécie a não ser se for obrigado. Ele ataca a linha de energia que estou usando para atingi-lo. sentindo uma sensação de ardência onde a lâmina pressiona 75 75 a pele de minha garganta. e você não é uma ameaça suficiente para me forçar. Eu não o sinto empurrando mais fortemente na minha mente. retornando as palavras dele. Risika. que está comigo agora. perco meu apoio. e como eu tropeço por um momento. Mas ele está fraco. Pego a faca antes dele poder se recuperar. Eu lanço de volta a sua força de ataque. atingindo-o com a minha mente. mas depois lança todo o seu poder sobre mim. Ele foi pego de surpresa por um momento e fica desesperado. — Eu lhe disse há muito tempo atrás que você não pode me vencer. Agora ele começa a lutar novamente. saiba de uma coisa. Na verdade. — Aubrey. e suas paredes de proteção retornam. obrigando-o a sair da minha mente. Então vá. forçando-o para baixo. eu aprendi. — eu disse. Eu sorrio. Você acha que uma vez que você virar as costas eu vou me afastar com medo. Eu bloqueio a sua mente com a minha. Ele tropeça um pouco. Ele esqueceu a sua faca. Eu caio de encontro à mesa que Fala está sentada e imediatamente sinto o poder dela de . Bem.

Mas ele não quer morrer. As feridas curam em alguns instantes. no qual posso ver um lampejo de medo debaixo de uma atitude de indignação. Ele recuperou sua faca. Eu faço o que eu não fui capaz de fazer naquele momento. Esta cena é familiar. eu sei como este jogo funciona. marcando seu peito. eu me transformo em outra forma que eu conheço interna e externamente. Quase parece como se ele estivesse esperando por este momento. Eu olho em seus olhos. Eu o arranho. deixando cair a faca. a minha mente é poderosa o suficiente para segurá-lo quando estou sob esta forma. uma com força para lutar. e não consegue encontrar um apoio. e eu reajo instintivamente. —Você já provou a si mesmo. Eu tiro Aubrey de cima de mim e lanço-o . mas eu o feri novamente. 76 76 .não longe. Preparo-me para um ataque mortal. eu respondo mentalmente porque não posso falar a língua humana quando estou sob esta forma. Aubrey não conhece a mente de um tigre. E no momento que ele está meio atordoado. Risika. o que o impede de me apunhalar pelas costas logo que eu me virar? Esta luta não precisa ser até a morte. Terei eu a mesma chance? Eu hesito. mas eu o prendo ao chão. Risika . — disse ele. Eu posso sentir o seu desespero. apenas uns trinta centímetros mais ou menos. Lembro-me de trezentos anos atrás.ataque contra mim. O tigre de Bengala é o maior felino do mundo. Se eu o deixar ir agora. A memória traz um fio de terror. o instinto animal puro. Aubrey.Aubrey insiste. Aubrey prendendo-me. a faca na mão. Aubrey tenta rolar. Estou mais forte fisicamente do que Aubrey. eu lhe dei a escolha entre desistir e lutar até a morte. deitada no chão da floresta. e Aubrey prende-me no chão. — Anos atrás. e embora ele seja mais forte quando se utiliza de sua mente para lutar. Por um momento eu perco o foco.

É uma sensação estranha. Ele está indefeso. Eu lhe ofereço meu sangue em troca do sangue que eu derramei. e se eu o atingisse no coração. no entanto. Eu sigo a cicatriz da minha garganta até o meu ombro. Eu pego a faca de Aubrey. Sua pele é como a farinha branca e seus olhos estavam quase vazios quando ele levantou a mão para a ferida no ombro. e não haveria maneira dele me fazer mal com sua mente. utilizando uma mesa próxima. ele não poderia nem levantar a mão para se proteger. Ficarei satisfeita com seu sangue. O tolo realmente faria qualquer coisa para sobreviver. 77 77 . e sinto-me tonta quando me afasto de novo. Eu não quero que ela acabe já. mas sei que a ferida de seu orgulho vai durar tanto tempo quanto eu durar. expondo sua garganta. mas eu ainda posso senti-lo completamente.já provamos isso aqui . limpando o sangue dos meus lábios. o preço é tão alto. Seu sangue tem gosto de vinho branco. Aubrey se obriga a se sentar. lembrando-me. Ele move a cabeça para trás. Ninguém jamais o feriu e viveu para contar. esperando sua explicação. seu sangue correndo pelas minhas veias. como um raio. Sangue de vampiro é muito mais forte que o sangue humano. Eu deixo de lado a sua mente. eu passo a faca por toda a clavícula de Aubrey. e eu faço uma pausa. — Lembre-se deste dia. Aubrey. Fisicamente. Não haveria maneira para ele proteger a sua mente de mim. A ferida que você fez muito tempo atrás voltou para você. apesar dele não substituir as vidas de Alexandre e de Tora. e então. levanto-a do chão e a contemplo por um momento. Ele fala sério. o que tornaria praticamente impossível ele me machucar. Eu sou mais forte que você . apenas mais grosso e mais potente. fazendo uma ferida idêntica. Tomar o sangue dele me faria muito mais forte e abriria sua mente para mim completamente. mas ele não poderia fazer qualquer movimento sem que eu não pudesse ler em sua mente antes do tempo. substituindo o poder que perdi na luta e muito mais. diz-me com sua mente. Meus dentes perfuram a pele e o sangue escorre. Paguei um preço alto há muito tempo por esta vida. E você tirou tanto. então retorno à forma humana e me inclino para frente. O ferimento em sua garganta se cura instantaneamente.Você me deu uma escolha porque eu estava fraca. Aubrey. ele teria a mesma força. Agora saia. Eu me levanto suavemente. Eu paro por um momento.mas eu jurei há muito tempo que eu iria me vingar de tudo o que você tirou de mim.

não querendo lutar. Eu viro as costas para ele. ele se levanta para ir embora e os humanos se afastam quando ele passa por eles. e eles sabem o efeito que tal perda de sangue provoca em sua fome e como é difícil para ele manter o seu controle enquanto deixa o local. Fala desaparece. e ela salta sem encanto algum quando a mesa de madeira pega fogo.Lentamente. 78 78 . que ainda estava sentada serenamente sobre a mesa. sem medo. e volto meu olhar para Fala. Eu a chicoteio com o meu poder. Ela não parece se lembrar que quase causou a minha morte. Aqueles que permanecem sabem o que somos.

Lembro-me de uma carta que recebi recentemente. — disse ele. — Claro Risika. a menos que seja necessário. talvez tão forte quanto eu. Seria interessante descobrir. olhando para o espelho quebrado. uma aura familiar no fundo da sala. Eu passo minha língua ao longo dos meus dentes. . Você é provavelmente um dos mais fortes de nós agora. O meu reflexo. — eu respondi. Meu cabelo ainda é tigre listrado e meus olhos são dourados como o meu top de seda. e os seres humanos colidem uns com os outros para sair do meu caminho. uma carta com uma mancha de lágrima na página. — Seus olhos ainda estão dourados devido a transformação em tigre. antes do vampirismo escurecê-los para o preto. mas eu consigo me ver em minha mente. não por um prêmio. — Veio para ver o show? — eu perguntei a ele. eu senti pela primeira vez. Jager desapareceu e eu percebi que quase todo mundo saiu. Mas a parte racional de minha mente me diz que eu estou muito tonta para lutar com qualquer um a sério. e ele não luta com quem ele não ache que tenha uma boa chance. lambendo os últimos vestígios de sangue de Aubrey. Eu não esperava que ele oferecesse tanto para viver. Eu sorrio quando eles saem correndo da sala. Jager luta simplesmente pelo desafio. a cor que eram quando eu estava viva. A adrenalina e a energia da luta ainda estão em mim e parte de mim quer lutar contra algo mais forte. Tirando um fio preto de cabelo do meu rosto. — disse ele. — O covarde. — Uma outra vez Jager. e não gostaria de perder.CAPÍTULO 21 – AGORA C 79 79 aminho em direção a Jager. — Eu gosto deles assim. — ele concordou. — eu ri. uma vez neblina agora está completamente desaparecido. No momento eu estou bêbada com o sangue de Aubrey. — Eu lhe disse que você era mais forte do que Aubrey.

— Eu esperava que eu pudesse convencê-la a não seguir essas criaturas. Se eu soubesse que o meu gêmeo estava vivo e imortal como eu. não é? Lembro-me de ter me perguntando por que eu nunca o ouvira cair. Eu não tinha .ou achava que eu não tinha nada a perder.Alexander olhou para o lado por 80 80 . teria eu escolhido passar os anos com ele? Será que ele escolheria gastá-los comigo.. meu perseguidor veio visitar-me pessoalmente.. —Eu pensei que ele o tivesse matado. — Alexander. Eu sorrio e Alexander estremece. mas eu acho que é tarde demais. mas agora eu gostaria de ter pensado. sabendo que eu sou um monstro? Ele se virou. Todos os anos. — Rachel. e por um momento eu olhei em seus olhos dourados que eram reflexos dos meus..— Então. não fale comigo. percebendo a verdade que eu deveria ter percebido há muito tempo. Ele não se importa se sou sua irmã. —Você prefere que eu deixe Aubrey apena fugir? — eu disse. —Tinha que haver alguma outra forma de lidar com isso. — Por quê? — ele finalmente perguntou. Nesta perspectiva. Eu vejo o olhar de Alexander se demorar no sangue do chão quando eu cortei o ombro de Aubrey.. — ele começou a dizer. o cabelo loiro parece quase exatamente como o meu mais uma vez. Lembro-me da bruxa Triste que tinha estado no Café Sangra. — ele esperou trezentos anos para me dizer que está vivo? Eu me acabei anos atrás. Que dor ele conhecia? Nunca mais voltei ao meu pai. eu estava sozinha. Mas então seu olhar passa por mim e se fixa na área onde Aubrey e eu. Ele realmente pensa que sou um monstro. porque é um som amargo. Observo os olhos de Alexander novamente e vejo o julgamento lá. porque eu não queria que ele visse no que eu havia me tornado. Toda a dor que ele poderia ter me poupado. quem tinha dado uma nota de Rachel à sua vítima vampirica. entende? Você queria que eu esquecesse isso? Ou você acha que eu poderia dar a outra face e ignorar o assassinato? . Eu estendo a minha mente e mesmo não podendo lê-lo percebo quem ele é. Eu não pensei muito naquilo no momento. sua voz macia. de repente. Eu juro.. então. lutamos. — eu disse de costas.

. Ele tentou. Ela me transformou para prejudicar Alexander porque meu irmão cheio de fé ficaria arrasado pela condenação de sua irmã. equilibrando-se.. Alexander não entendia. — Pensei que você iria me odiar pelo que eu fiz. Eu sou um monstro há muito tempo. que ele sempre guardou tão bem quando éramos crianças.um momento. Ele tentou me proteger uma vez. eu não matei Aubrey . — Rachel.. Mas as coisas mudaram em trezentos anos. porque ele não queria que Ather me transformasse no que eu sou hoje. Ather é orgulhosa demais para deixar alguém levar embora a sua presa sem vingar-se. Eu a parei. a dor enchendo o seu perfil quando ele ouve o meu uso depreciativo da palavra da Bíblia. eu não posso mudar minha natureza agora.mas eu não argumentei. eu mudei. Você anda com eles como se você fosse um deles. — ele tomou uma respiração profunda. 81 81 . Um Triste. — Uma mulher me ouviu rezando. Eu rezei para aprender a controlar meu poder. e. Posso adivinhar o resto da história. e não há maneira de desfazer o estrago que foi feito desde então.. eu faria qualquer coisa para protegê-la. e desta vez encarou o sangue de Aubrey em minhas mãos.afinal. Ela me ensinou mais do que eu sempre quis saber sobre os vampiros e todos os outros monstros na Terra. Um dom amaldiçoado – eu penso. e tanto quanto eu me preocupo com ele. como você pode fazer isso? Eu nunca pensei que eu iria vê-la com sangue em você. Ele tentou me manter longe das trevas e da morte... mas não teve êxito. porque ela também me ensinou como usar os meus dons. Pelo menos. mas. Eu a peguei tentando se alimentar de Lynette.. — disse ele... Eu amei Alexander há muito tempo atrás e eu acho que ainda o amo. Eu poderia argumentar . Ouvi. querendo matar um outro. e depois reagiu com relutância ao meu olhar. transformar você.. — E o que você fez? Ele fez uma pausa. Alexander desviou o olhar do meu. — Depois que Lynette foi queimada. Será que ele ainda se considera condenado? — Algumas noites antes de Ather.. sacudindo a cabeça.

nem meu pai ou irmão . dirigindo as minhas palavras a seu cérebro.. só assim ele não argumentaria. Mas também sou Rachel. Eu considero as palavras quando as digo. forçando minha voz para parecer fria. ouça com atenção. — Alexander. A única maneira que eu posso protegê-lo agora é ter certeza de que ele nunca entenderá como matar pode se tornar fácil.eu sou um deles. Eu sou Risika. Mas eu me lembro da minha humanidade. — eu disse. e eu não posso trazê-la para protegê-lo de toda a dor que eu sei que em me ver lhe causou. Eu sou um deles. nem Ather. É verdade . Falo em silêncio. Sua irmã está morta. Eu poderia ter matado Aubrey.Meu irmão dourado não pertence a este mundo escuro. Mas ninguém. nem Aubrey.. Eu poderia ter usado a minha força para ser como ele. . morta há muito tempo. 82 82 Fim.me controlam agora. —Eu sou um deles. Rachel está morta.

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