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ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES

Alterações no padrão alimentar de adolescentes com adequação pôndero-estatural e elevado percentual de gordura corporal Alterations in the feeding patterns of adolescents with weight-height adequacy and high body fat percentage

Valéria Cristina Ribeiro Vieira Sílvia Eloiza Priore 2 Sônia M. R. Ribeiro 3 Sylvia do C. C. Franceschini 4
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Departamento de Nutrição. Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas. Centro Universitário Federal. Rua Gabriel Monteiro da Silva, 714. Centro. Alfenas, MG, Brasil. CEP: 37.130-000. E-mail: valnut@ibest.com.br; valnut@vicosa.ufv.br 2-4 Departamento de Nutrição e Saúde. Universidade Federal de Viçosa, MG, Brasil.

Abstract
Objectives: alterations in the feeding patterns of adolescents as related to weight-height adequacy and high body fat percentage (%BF). Methods: a cross-sectional study was carried out with 99 adolescents, 70% females. The body mass index was applied to diagnose weight-height adequacy, according to the cut-off point established by the World Health Organization. %BF was obtained by the sum of skinfolds, according to Durnin and Rahaman, considering the values >25% (females) and >20% (males) high. A questionnaire was applied to investigate the feeding pattern. Results: the median of daily meals was four. Dinner was the most skipped main meal, however, the majority replaced it by a snack. Skipping dinner and having a snack in the afternoon were more common among girls (p <0.01). About 11% skipped breakfast. In the last years, meal frequency and food intake, except for vegetables, were reduced by the majority. On weekends, about 81% and 31% of the adolescents, respectively, modified the fat and sugar class and the vegetable class intake, consuming more sweets, fat foods and less vegetables. The most rejected food class consisted of vegetable. About 40.5% used diet/light food. Conclusions: despite the weight-height adequacy and apparent concern related to weight control, these adolescents are under nutritional risk because of the high %BF and important feeding inadequacies. Key words Adolescent, Anthropometry, Feeding

Resumo
Objetivos: avaliar o padrão alimentar de adolescentes com adequação pôndero-estatural e elevado percentual de gordura corporal (%GC). Métodos: realizou-se um estudo transversal com 99 adolescentes, sendo 70% do sexo feminino. Utilizou-se o índice de massa corporal para diagnosticar adequação pôndero-estatural, segundo a World Health Organization. Obteve-se o %GC pelo somatório das pregas cutâneas, conforme Durnin e Rahaman, considerando elevados os valores >25% (sexo feminino) e >20% (masculino). Aplicou-se um questionário para investigação do hábito alimentar. Resultados: a mediana de refeições diárias era quatro. O jantar era a refeição mais omitida, entretanto, a maioria o substituía por lanche. Omissão do jantar e realização do lanche da tarde foram mais freqüentes entre as adolescentes (p <0,01). Aproximadamente 11% omitiam o desjejum. Fracionamento da dieta e ingestão alimentares, exceto de hortaliças, foram reduzidos pela maioria, nos últimos anos. Cerca de 81% e 31%, respectivamente, mencionaram alterar a ingestão do grupo das gorduras/doces e o das hortaliças, nos finais de semana, consumindo mais alimentos doces e gordurosos e menos vegetais. O grupo mais rejeitado era o das hortaliças. Aproximadamente 40,5% utilizavam alimentos diet/light. Conclusões: apesar da adequação pôndero-estatural e da aparente preocupação em controlar o peso, esses adolescentes estão sob risco nutricional, devido ao elevado %GC e aos importantes erros alimentares. Palavras-chave Adolescente, Antropometria, Alimentação

Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 5 (1): 93-102, jan. / mar., 2005

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inclusive hábitos alimentares.9%) tinha 14 anos ou mais.2 Um estudo com adolescentes recém-ingressos na universidade. As técnicas utilizadas para a obtenção do peso e da estatura foram as preconizadas por Jelliffe. entre 17 e 19 anos. Os adequados. 5 (1): 93-102. Os estudantes procuraram espontaneamente pelo atendimento. as tendências alimentares do mesmo grupo etário. sendo que 45. Minas Gerais. Entretanto.5%) foi entrevistada durante o atendimento em um programa de atenção à saúde do adolescente. especialmente em indivíduos eutróficos. a serem testadas em amostras representativas. bem como de um conhecimento mais apurado de sua composição corporal.5 reforça a necessidade de avaliar os adolescentes. chamaram a atenção. ainda são um tópico de muito estudo.0 metros. 37% ingeriam alimentos doces ou gordurosos todos os dias.6 Fatores relacionados à gordura corporal. o estilo de vida. portanto. alimentos desse grupo.4%) foi realizada no próprio colégio universitário e 9. representar determinada população ou propiciar a extrapolação dos resultados obtidos. dividida em centímetros. avaliar aspectos do padrão alimentar de adolescentes com adequação pôndero-estatural e elevado percentual de gordura corporal. ou seja. contribuem para que.1% delas nas residências de graduandos recém-ingressos na universidade. Métodos Participaram do estudo 99 adolescentes. Obteve-se o peso com balança eletrônica Kratos®. jan. 2005 . o adolescente tenha uma boa nutrição. As frutas eram ingeridas com essa freqüência por mais de 75% dos estudados. por semana. A maior parte (55. A definição de fatores ambientais. 3 encontrou cerca de 93% eutróficos segundo o índice de massa corporal (IMC). para evitar que as respostas fossem influenciadas pelas orientações recebidas. portanto. visto que o controle de doenças crônico-degenerativas deve ser iniciado em fases precoces da vida.7% não realizavam o desjejum. relacionados à gênese da obesidade. A estatura foi obtida com fita métrica metálica. pode ajudar a melhor identificar subgrupos de crianças e adolescentes com riscos aumentados para doenças e aumentar a efetividade das medidas preventivas. sendo que mais de 28% dos estudados ingeriam quatro vezes ou menos. com capacidade de 150 kg e subdivisão de 50 gramas.Vieira VCR et al. sendo 69. observou-se que 57. Tais observações apontaram para a necessidade de análises mais detalhadas do hábito alimentar de adolescentes eutróficos. Brasil. inicialmente. Recife. o que potencializa os riscos à saúde.5% se encontravam na adolescência final. O estudo foi do tipo transversal. subdividida em milímetros e com esquadro plástico acoplado à sua extremidade. Bras. em relação à adequação pôndero-estatural por meio do índice de massa corporal. Infant. a pretensão de estimar prevalências. segundo a Organização Mundial de Saúde. O objetivo principal do presente estudo foi. oriundos de um questionário acerca do consumo semanal dos grupos de alimentos. sendo que 31. Tal programa objetiva orientar nutricionalmente adolescentes filhos de servidores de uma universidade pública e estudantes do colégio universitário (ensino médio) ou dos cursos de graduação dessa mesma universidade. Nessa fase é importante a oferta correta de energia e de todos os nutrientes para suprir as necessidades aumentadas em função das mudanças fisiológicas.8 O %GC foi obtido pelo somatório de quatro 94 Rev. de amigos e da própria família. Todas as informações utilizadas na pesquisa foram fornecidas pelos adolescentes em sua primeira consulta. O grupo das hortaliças foi o mais rejeitado. muitas vezes autoprescritas e sem nenhum acompanhamento profissional.3% dos entrevistados omitiam uma das refeições principais.. durante a adolescência é comum a realização de dietas inadequadas. entre elas as dietéticas. como baixa ingestão de fontes de vitaminas. / mar.. Esses resultados.7% do sexo feminino.1 Além disso. Por outro lado. O aumento do percentual de obesos adultos 4. Não houve nesse estudo. com o intuito de delinear o padrão alimentar do grupo específico de adolescentes estudados para posterior formulação de hipóteses. nem sempre. mas em torno de 63% desses apresentavam percentual de gordura acima do esperado. Saúde Matern. Outra parcela das entrevistas (35. com extensão de 2. Introdução Há alguns anos vem aumentando o interesse da Organização Mundial de Saúde e de outras instituições na saúde da população adolescente (faixa etária entre 10 e 20 anos). minerais e fibras e consumo acentuado de açúcares e gorduras. A maioria (90. 7 foram então avaliados em relação ao percentual de gordura corporal (%GC). Os adolescentes foram avaliados. Em relação aos hábitos alimentares. em Viçosa. pois demonstram falhas importantes na alimentação dos adolescentes. sendo que aproximadamente 35% ingeriam uma vez ou menos. Sobretudo em adolescentes. os trabalhos nessa área são restritos e a escassez de conhecimento dificulta intervenções corretas.

alterações na alimentação nos finais de semana e as mudanças de hábito alimentar nos últimos três anos. o almoço tornava-se seu verdadeiro desjejum. Os que não jantavam nem lanchavam no horário característico do jantar eram todos do sexo feminino. 2005 95 . respectivamente."Houve alteração? Caso tenha havido. ou seja. o volume das refeições e a ingestão dos grupos de alimentos da Pirâmide Alimentar (cereais.. após terem sido esclarecidos sobre os objetivos do mesmo. respectivamente. além de aumentar o consumo de todos os grupos de alimentos. Nos últimos três anos. subescapular e suprailíaca). Bras.5% e 47. jan. sendo as análises baseadas unicamente no referido pelos adolescentes. / mar. tendo em vista suas repercussões no comportamento alimentar. nos dias úteis. Características do padrão alimentar foram obtidas por meio de entrevista. valor adotado para categorizar essa variável. (Tabela 6) Dos adolescentes que responderam a questão sobre alterações alimentares nos últimos três anos. Foi aplicado o teste estatístico do qui-quadrado entre o número de refeições realizadas nos dias úteis de acordo com o sexo e a omissão de refeições nos dias úteis de acordo com o sexo. (Tabela 3) Maior percentual (89.13 A alteração no hábito alimentar (redução ou aumento) foi definida pelos próprios adolescentes. Os dados foram armazenados e analisados utilizando-se o software Epi-info. 54. (Tabela 4) Verificou-se que 63.3%). sendo que 91% desses aumentavam-na. (Tabela 2) Verificou-se que 89. bicipital. Verificou-se que o almoço não foi omitido por nenhum dos estudados. identificado durante a entrevista no colégio ou residência. O nível de rejeição fixado foi igual ou menor do que 0. estabelecidos pelos pesquisadores quaisquer pontos de corte para caracterizar as alterações. laticínios e gorduras/doces).carnes/ovos/ leguminosas. essa alteração significava redução para 80% desses. o aspecto mais variado foi também a ingestão de gorduras/doces. A ingestão de hortaliças era modificada por menor parcela dos adolescentes (31. Considerou-se %GC elevado valores acima de 25% e de 20% para os sexos feminino e masculino. sobre rejeições alimentares e utilização de alimentos diet/light.5% dos que não realizavam o jantar tradicional substituíam-no por um lanche ou refeição mais leve. 5 (1): 93-102. tendo sido avaliados os seguintes aspectos: número de refeições realizadas e omissão de alguma das principais (desjejum. Saúde Matern. 12 Considerou-se esse período de três anos. visando enfocar a fase de entrada na adolescência. seguido do volume das refeições e fracionamento da dieta. eles responderam diretamente à pergunta . portanto. (Tabela 7) A maioria passava a comer mais vezes ao dia e volumes maiores.5%) das adolescentes que jantavam tinha o hábito de merendar à tarde quando comparadas com as que não jantavam (78%).003). mas.10 As medidas das pregas foram obtidas utilizandose o equipamento Lange Skinfold Caliper.. que era cerca de três vezes mais prevalente entre as adolescentes. para avaliação de alterações na ingestão alimentar. ingestão dos grupos de alimentos) e 92% alteravam algum desses aspectos nos finais de semana. listados na questão (fracionamento da dieta. (Tabela 7) O fracionamento da dieta e o volume das refeições eram alterados nos finais de semana por 61. prolongando seu período de jejum.Alterações no padrão alimentar de adolescentes pregas cutâneas (tricipital.(Tabela 5) Além disso.6% dos que não realizavam o desjejum também não faziam colação. considerando-se o fracionamento da dieta. frutas.9% dos adolescentes estudados. 75% haviam modificado pelo menos um dos aspectos do seu hábito alimentar.05. Aqueles que apresentaram algum problema de saúde ou nutricional. Com exceção do grupo das hortaliças. sendo que cada uma foi verificada três vezes. conforme apresentado na Tabela 1. Rev. volume das refeições. Resultados A mediana do número de refeições diárias realizadas pelos adolescentes foi quatro. A participação dos adolescentes nesse estudo foi espontânea. Infant.009). hortaliças. ou seja. A realização do lanche da tarde era significantemente mais comum entre as adolescentes (p = 0. Não foram. segundo o proposto por Durnin e Rahaman 9. Obteve-se diferença significante entre os sexos também em relação à omissão do jantar ( p = 0.5% dos que omitiam o desjejum também não faziam a ceia. exceto hortaliças. Recife. foram encaminhados ao atendimento individualizado no programa de atenção à saúde do adolescente desenvolvido na universidade.11 trabalhando-se com a média dos dois valores mais próximos ou dos dois maiores quando os três valores eram consecutivos. houve redução no consumo de todos os grupos de alimentos para a maior parte dos adolescentes. Questionou-se ainda. almoço e jantar). Mais de 80% dos estudados informaram alterar a ingestão de gorduras/doces nesses dias. na entrevista. aumentou ou reduziu?".

003 96 Rev. ** p = 0.3 57. enquanto que 12% disseram que não comiam verduras ou legumes em geral e 11% admitiram ser adversos a qualquer tipo de hortaliça. Sexo Número de refeições/dia n <4 >4 Total Teste do qui-quadrado: p = 0. Sexo Refeições omitidas n Desjejum Colação Lanche Jantar Ceia (1) (2) Masculino % 13.3 n 7 36 13 50 40 Feminino % 10.3 53. Infant. / mar. sendo o grupo alimentar mais rejeitado o das hortaliças. quando questionados sobre sua rejeição às hortaliças.0 n 32 37 69 Feminino % 46. (2) Considerou-se como "jantar" a refeição similar ao almoço.0 n 50 49 99 Total % 50.5 49. 2005 .Vieira VCR et al. Teste do qui-quadrado: * p = 0.8 72.5** 58.. 5 (1): 93-102..5 100.0 n 11 58 27 57 56 Total % 11. Bras.7* 23. Saúde Matern.0 40.4 53.6 4 22 14 7 16 (1) Considerou-se como "lanche" a refeição realizada no meio da tarde. Cerca de 15%. citaram apenas uma.1 52. contendo alimentos comumente presentes no típico almoço do brasileiro.0 100.0 Tabela 2 Omissão de refeições nos dias úteis de acordo com o sexo. jan.6 100.3 46. Na Tabela 8 verifica-se que quase 80% dos entrevistados relataram ter rejeição por algum alimento.6 27.21 18 12 30 Masculino % 60. ou seja.1 58. Recife.6 56. Tabela 1 Número de refeições realizadas nos dias úteis de acordo com o sexo.009.3 73.2 18.

0 100. entre as adolescentes do sexo feminino.0 12.Alterações no padrão alimentar de adolescentes Tabela 3 Realização de lanche em substituição ao jantar. Saúde Matern.8 n 19 50 69 Total % 100.2 n 2 11 13 Não % 10. Sexo Realização de lanche em substituição ao jantar n Sim Não Total 7 7 Masculino % 100.0 100. Bras.9 63.0 Tabela 5 Realização da colação. 5 (1): 93-102.5 81.5 10.0 18.0 100.0 n 44 6 50 Feminino % 88. Infant. Realização do lanche da tarde Realização do jantar n Sim Não Total 17 39 56 Sim % 89.0 100.6 58.5 100. de acordo com o sexo.. 2005 97 .0 100.5 22. / mar. de acordo com a realização do desjejum Realização da colação Realização do desjejum n Sim Não Total 37 4 41 Sim % 42. jan.4 n 51 7 58 Não % 57.0 n 51 6 57 Total % 89. Recife..0 Tabela 4 Realização do lanche da tarde de acordo com a realização do jantar.6 n 88 11 99 Total % 100.4 41.5 78.0 100.1 36.0 Rev.

A ingestão de hortaliças era modificada por menor parcela dos adolescentes (31. * calculado sobre o total dos que alteraram cada variável 98 Rev. / mar.Vieira VCR et al.7 31.4 45.2 35.4 n 88 11 99 Total % 100.2 Reduziu n 31 23 9 35 17 18 10 21 %* 66.0 100.5 n Não %# 25.0 100.2 25.8 %# 91.0 91.5 37..4 81.3 68.9 82.0 49.8 64.2 67.5% e 47.0 19.8 32.9 Reduziu n 28 17 7 5 6 24 9 %* 47.7 43.8 75.5 56. Infant.1 30.3%).4 38.0 100.7 72.2 88 59 46 34 78 26 17 30 28 72 47 51 16 52 24 29 33 37 24 49 45 80 44 72 67 63 59 Calculado sobre o total de 96 adolescentes que responderam a essa questão.8 65.2 37.6 54. mas.1 56.0 54. ingestão dos grupos de alimentos) e 92% alteravam algum desses aspectos nos finais de semana. listados na questão (fracionamento da dieta. Mais de 80% disseram alterar a ingestão de gorduras/doces nesses dias. Tabela 7 Alterações da freqüência alimentar.1 17.9 35.5 47.1 54.2 34.3 38.0 32. 75% haviam modificado pelo menos um dos aspectos do seu hábito alimentar.9 69. Recife. respecti- vamente.3 27.6 18.8 62.0 46.9 43.6 61. de acordo com a realização do desjejum. além de aumentar o consumo de todos os grupos de alimentos. Bras.7 70. jan.1 64.0 53. Tabela 6 Realização da ceia. Realização da colação Realização do desjejum n Sim Não Total 51 5 56 Sim % 57.9% dos adolescentes estudados.8 Aumentou n 31 29 34 71 21 11 6 19 %* 52. sendo que 91% desses aumentavam-na.1 16.5 Aumentou n 16 28 7 17 7 11 23 16 %* 34.0 51.0 80. 5 (1): 93-102.0 Dos adolescentes que responderam a questão sobre alterações alimentares nos últimos três anos. (Tabela 7) A maioria passava a comer mais vezes ao dia e volumes maiores.3 80. Alterações nos finais de semana Tipo de alteração Variáveis Sim n Alteração em pelo menos um aspecto Fracionamento da dieta Volume de cada refeição Ingestão de cereais Ingestão de gorduras/doces Ingestão de carnes/ovos/leguminosas Ingestão de leite e derivados Ingestão de hortaliças Ingestão de frutas # Alterações nos últimos três anos Tipo de alteração Não n 8 37 50 62 18 70 79 66 68 %# 8.7 20..7 61.5 52. 2005 . Saúde Matern.3 29.5 63.9 45.5 43. exceto hortaliças.6 n 37 6 43 Não % 42.0 67.9 83. essa alteração significava redução para 80% desses.0 30.0 45. (Tabela 7) O fracionamento da dieta e o volume das refeições eram alterados nos finais de semana por 61.0 69.7 29. volume das refeições.0 9.3 56.1 n Sim %# 75.3 70.

/ mar. (mesmo essa refeição sendo oferecida a preço subsidiado no restaurante universitário) mostra tendência similar. Cerca de 15%.19 também remetem à hipótese de que o lanche está tomando o lugar do jantar tradicional. uma vez que. Segundo Tojo et al. uma estratégia para não engordar ou para emagrecer. de tal forma que. Saúde Matern. é importante analisar a realização rotineira de refeições. da influência dos colegas e até da mídia. de fato. essa questão talvez seja um dos agravantes da elevação. Questionou-se se a realização do lanche da tarde. 19 observaram que 56% dos que não tomavam o desjejum também não realizavam ceia ou colação. o fracionamento da dieta está entre os fatores que podem influenciar no metabolismo de carboidratos e gorduras e. culturais e comportamentais. em que 49% dos estudados preferiam lanchar no horário característico do jantar a realizar o jantar tradicional. Estudando a realização de refeições por estudantes adolescentes com idade média de 14 anos. o aspecto mais variado foi também a ingestão de gorduras/doces.4 Discussão Vários fatores podem estar influenciando o comportamento apresentado em relação ao fracionamento da dieta. Comportamento alimentar Rejeitam algum alimento Hortaliças Carnes/ovos/leguminosas Gorduras/doces Frutas Cereais Leite e derivados Utilizam algum alimento diet ou light n 78 64 20 18 16 7 4 40 % 78. 2005 99 .15 Além disso. Tabela 8 Rejeições alimentares e utilização de alimentos diet/light. não se pode dizer que o fato das adolescentes realizarem mais o lanche da tarde determinasse que omitissem mais o jantar.17 Essa tendência de restringir a alimentação no período noturno pode indicar uma maior preocupação com o controle do peso. Porém..2 7.07 4. houve redução no consumo de todos os grupos de alimentos para a maior parte dos adolescentes. permanecendo em jejum do jantar Rev. jan.14 o número de refeições que os mais jovens realizam dá-se muito por influência das tradições. inclusive. quando questionados sobre sua rejeição às hortaliças.18 Os resultados de um estudo realizado com adolescentes com idade média de 14 anos. A diferença entre os sexos em relação à omissão do jantar também foi encontrada em um estudo com adolescentes de 12 a 18 anos no município de São Paulo. poderia estar interferindo na realização do jantar.2 16. Gambardella et al. situação que pode favorecer sintomas como a dispepsia e a distensão gástrica.. enquanto que 12% disseram que não comiam verduras ou legumes em geral e 11% admitiram ser adversos a qualquer tipo de hortaliça. As implicações de um fracionamento inadequado da dieta e de um descontrole de horários para se alimentar podem incluir problemas decorrentes do jejum prolongado. Infant. Recife. As razões para essas diferenças entre os sexos parecem ser. significantemente mais comum entre as adolescentes. prioritariamente à designação do tipo de refeição. a falta de apetite por vezes referida poderia ser. na composição corporal. conseqüentemente. Com exceção do grupo das hortaliças. bem como a variação de comportamento de acordo com o sexo e com as situações de vida específicas. buscando. do nível socioeconômico e educacional da família.2 18. 5 (1): 93-102. uma vez que lanches também podem ser nutritivos se os alimentos forem combinados adequadamente. como maior percentual das adolescentes que jantava tinha o hábito de merendar à tarde quando comparadas com as que não jantavam.8 64.6 20.04 40. sendo o grupo alimentar mais rejeitado o das hortaliças. Outro estudo3 com adolescentes universitários.. Assim. sobretudo entre as adolescentes.Alterações no padrão alimentar de adolescentes Nos últimos três anos. Bras. Na Tabela 8 observa-se que quase 80% dos entrevistados relataram ter rejeição por algum alimento. 16 Estando todos os adolescentes estudados com excesso de gordura corporal. deve-se evitar refeições "pesadas" à noite para não engordar. talvez fosse mais efetivo estimular entre esses adolescentes a realização de refeições balanceadas e melhor distribuídas ao longo do dia. segundo o senso comum. Cavadini18 atribui a omissão de refeições entre as adolescentes a uma possível motivação para a perda de peso. como maior propensão à gastrite ou realização de refeições excessivamente volumosas para "compensar" o jejum. Dessa forma. talvez. citaram apenas uma. seguido do volume das refeições e fracionamento da dieta. as motivações que levam os adolescentes a se alimentarem mais ou menos vezes ao longo do dia.

identificaram e expressaram a informação buscada. restringindo o número de refeições diárias e os alimentos considerados "engordativos". As restrições alimentares. por outro lado. apresentam níveis elevados de colesterol. Poder-se-ia questionar a confiabilidade de tais informações considerando. já que o aumento da massa gordurosa provoca queda no metabolismo basal e favorece o ganho de peso. pelo menos.16. dos demais que não faziam o desjejum. Desse modo. Estudos têm mostrado um aumento do risco para doenças cardiovasculares em populações cada vez mais jovens. podendo estar comprometida sua saúde atual e futura. segundo os autores citados. a necessidade de medidas educativas específicas para esse grupo etário. A ingestão de leite e derivados também pode ter sido reduzida por esse motivo ou pelo estigma do leite como um "alimento de criança". gorduras/ doces. ou seja.13 Nesse sentido. como o aumento no consumo de frutas.. uma vez que essa refeição geralmente concentra o maior consumo diário de alimentos fontes desse mineral. pois. 22 relatam que estudos epidemiológicos e de necrópsias em crianças e adolescentes evidenciam que a aterosclerose começa nessa idade. Os resultados mostrados confirmam o quanto são comuns essas alterações. inclusive o alimentar. Gambardella et al. 14 Reforça-se. sobretudo para os adolescentes que estão em fase de intenso crescimento e desenvolvimento. de maneira a transmitir informações corretas. necessária às atividades matinais e favorece uma possível deficiência de cálcio. mas também pode ser conseqüência do menor número de refeições diárias. respectivamente. eles julgam estar procedendo corretamente ou.Vieira VCR et al.27 As análises das informações prestadas pelos adolescentes a respeito das alterações alimentares nos últimos anos apresentam limitações no que tange à capacidade recordatória desses indivíduos. bem como o próprio início da adolescência um marco de mudanças no comportamento. A literatura refere que esse alimento é muitas vezes considerado próprio da infância por parte dos adolescentes. já que 66% dos que mudaram o fracionamento. "desnecessário aos já crescidos". ou fonte de importantes nutrientes.18. Na Espanha.22 A redução indiscriminada no consumo dos grupos de alimentos base da alimentação. Recife.5%. Infant. entre 10 e 25% das crianças e adolescentes. do dia anterior ao almoço do dia seguinte. Bras. 19 assinalam que a prática de omitir o desjejum inviabiliza a elevação da glicemia. muitos podem estar satisfeitos com o peso atual.23 Essas observações revelam o quão preocupante é a conduta adotada pelos adolescentes estudados em relação à sua alimentação. Outro motivo de alerta é o fato dos adolescentes poderem estar equivocadamente acreditando em um suposto resultado de suas restrições alimentares. também. pode estar ligada ao ingresso na adolescência. exceto hortaliças. como o ferro e o cálcio. Saúde Matern. O aumento do volume ingerido nos últimos anos pode ser justificado pelo aumento das necessidades nutricionais na adolescência. bem sucedidamente. Considerando-se as variações intraindividuais no hábito alimentar características desse grupo etário. se periodicamente repetida. 5 (1): 93-102. as carnes e as frutas. condição que.21. 24-26 Tojo et al. é necessário levar em conta o grau de precisão em que eles lembraram. expondo esses adolescentes a riscos atuais e futuros de doenças como a anemia e a osteoporose. quando os incrementos normais da fase talvez levem o indivíduo a pensar que deva controlar o peso. Os resultados acerca das modificações alimentares nos finais de semana permitem supor o desbalanceamento da dieta nesses dias. 13 procurou-se conhecer as variações oriundas do ingresso na adolescência ou relacionadas a oscilações comportamentais próprias da fase.4 e 45. respectivamente). apesar de adequados na relação peso/estatura. portanto. podem levar à deficiência de nutrientes importantes. / mar.. 100 Rev. no entanto. inferiores aos do presente estudo (36. 33% consumiam colação e 11% apontaram que ceiavam. atingindo seu objetivo de manter o "peso ideal". estando entre esses riscos a hipercolesterolemia. assim. já que. carnes/ovos/leguminosas e aumentado a ingestão de hortaliças. que passam a restringir sua ingestão e preferir outras bebidas. percentuais. mas podem ser futuros candidatos à obesidade ou sobrepeso devido à composição corporal apresentada. 2005 . Talvez visando controle do peso e baseando-se em pré-concepções a respeito de dietas de emagrecimento. como os cereais. e podendo dificultar seu crescimento e desenvolvimento normais. desmistificando concepções à respeito da alimentação e alertando-os acerca dos riscos nutricionais por carência e excesso de nutrientes e energia. especificamente. como o leite. reduziram-no. devese buscar alternativas de incluir vegetais nas preparações típicas de final de semana e incentivar hábitos corretos verificados. potencializará os riscos nutricionais do grupo. sua gordura corporal é elevada. jan. A redução no consumo de todos os grupos de alimentos.20 muitos adolescentes tenham reduzido a ingestão de cereais. Observaram também que. todos estavam com excesso de gordura corporal. é contra-indicada para qualquer parcela da população.

Assim. rejeitarem alimentos essenciais ao bom funcionamento do organismo. o que não ocorreu.29 e apontam para a necessidade de se desenvolverem formas alternativas de ingestão de vegetais (bolos. seria igualmente detectável) nas informações sobre as alterações nos finais de semana e sobre suas rejeições alimentares. parece improvável. ou seja. 3. estivessem desejando transmitir a imagem de "bem informados" e "preocupados com a saúde".Alterações no padrão alimentar de adolescentes a possibilidade de que. por exemplo) é um comportamento muitas vezes encontrado. Agradecimentos Ao Programa Interinstitucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq. contudo. Como grande parte estava ingressando na adolescência nos últimos três anos. 2005 101 . Assim. sopas. talvez. os adolescentes tenham reduzido o consumo de leite não por esse alimento ter-se tornado aversivo. associando-o a uma dieta "para engordar". vai de encontro às modificações relatadas para os últimos anos.9%). por terem passado a considerar o consumo inapropriado para eles. prestando informações exatas para poderem receber orientações adequadas. minerais e fibras. podem estar procurando uma estratégia mais cômoda e efetiva para atingir o ideal de estética e vitalidade. Bras.. Os resultados acerca das rejeições alimentares reforçam outros estudos realizados com adolescentes em que o grupo das hortaliças também é o mais rejeitado.22-29 Chama a atenção o percentual de utilização de alimentos diet/light por uma população com peso adequado. Infant. 28 ao responderem a questão sobre as alterações alimentares nos últimos anos. No trabalho com adolescentes de 12 a 18 anos estudantes da rede pública do município de São Paulo 17 encontrou-se um percentual de utilização desses alimentos inferior ao deste estudo (21. pode-se conceber que. O fato de o grupo do leite e derivados ter sido o menos rejeitado. Rev. suflês. muitos dos estudados eram atendidos no programa de atenção à saúde do adolescente e geralmente o procuravam por iniciativa própria.). demonstravam ter interesse. 5 (1): 93-102. a negação das "coisas próprias de criança" e adesão à "alimentação de jovem" (preferindo refrigerantes. bem como sua saúde atual e futura. sanduíches. etc. Recife. reduziram-na. apesar da eutrofia e da aparente preocupação com o controle do peso. eles estão sob risco nutricional. Além disso. os quais podem comprometer seu crescimento e desenvolvimento. Ao utilizarem produtos diet/light e. jan. Essa hipótese. buscando-se a harmonia entre o paladar dos adolescentes e essas importantes fontes de vitaminas. em virtude do elevado %GC e dos importantes erros alimentares apresentados. ao mesmo tempo. Saúde Matern. / mar. talvez. A análise desse aspecto confrontada com o conjunto dos resultados encontrados permite supor que a alimentação equilibrada está sendo negligenciada por esses adolescentes como a forma mais adequada e eficiente de conjugar saúde e peso desejável. mas. já que tal intenção também teria estado presente (e assim.21.. em que a maioria dos que alteraram a ingestão de laticínios.18. tortas. ou característica da infância. sucos.

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