Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher

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ISSN 1664-5243
INFINITA
MULHER!
Ano 5 - Março de 2014—Ediço no! 2"
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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NÓS SOMOS TODOS IGUAIS!
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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®
LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, inverno/primavera de 201
Edi!"o no# 2$ % Mar!o de 201
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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASÌL
NO. 28- Genebra - CH - ISSN 1664-5243
Copyright : Cada autor detém o direito sobre o
seu texto. Os direitos da revista pertencem a
Jacqueline Aisenman.
O VARAL DO BRASÌL é promovido, organizado
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Textos: Vários Autores
Ìlustrações: Vários Autores
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o nome do autor citado. Se for uma foto ou um
desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente
e teremos o maior prazer em divulgar o seu ta-
lento. Agradecemos sua compreensão.
Revisão parcial de cada autor
Revisão geral VARAL DO BRASÌL
Composição e diagramação:
Jacqueline Aisenman
A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A
revista está gratuitamente para download em
seus site e blog.
Ìnformações sobre o 28o Salão Ìnternacional do
Livro e da Ìmprensa de Genebra e sobre o stand
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TUREZA E DA VÌDA!
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gos, crônicas, contos, poemas,
versos, enfim!, você pode escre-
ver para nosso blog. Também
pode enviar convites, divulgação
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divulgar seus eventos, concur-
sos e muito mais. !o nosso
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cultura não tem frescuras!
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O fato de ser mulher já é em si um
grande fato. Fato? Fato!
Se vivemos hoje no ocidente com bas-
tante liberdade, muitas vezes temos
tendência a ignorar ou esquecer o tra-
balho que nossas ancestrais tiveram
para nos legar a vida que temos hoje.
Mas isto nos é lembrado quando nos
deparamos com vários problemas liga-
dos às culturas orientais onde, em mui-
tas delas, a mulher ainda é considerada
um objeto ou menos do que isto.
Vemos com tristeza e absurdo cenas de
violência física e psicológica que nos
fazem pensar em que século vivemos.
Mulheres sendo subjugadas, violenta-
das, tendo seus futuros negados e seus
direitos completamente abafados. Hoje,
em pleno século XXÌ.
Mas nem precisamos ir tão longe. Aqui
mesmo no ocidente ainda temos o des-
prazer de assistir a estupros, violência
doméstica, desqualificação da mulher
no trabalho e tantas outras indicações,
algumas sutis, outras não, de que os
direitos femininos não estão totalmente
adquiridos.
Mulheres são infinitas. Este é o tema de
nossa edição de março. Ìnfinitas porque
iniciam a vida incessantemente, dando
à luz todos os dias a mais homens e
mulheres que povoarão o mundo e fa-
rão dele algo que se espera seja melhor
e mais humano.
São infinitas as mulheres em seus an-
seios, seus sonhos, seu amor e suas
vontades.
Marcadas pela maçã do paraíso religio-
so, ainda assim elas saem do mito e se
transformam em Liliths e santas: são as
guerreiras do dia a dia, as madres tere-
sas de todo dia. São as maravilhosas
criaturas que dão de si o que podem e
o que muitas vezes nem podem.
Mulheres trabalham, lutam, são donas
de casa, soldados, empresárias, faxi-
neiras, engenheiras, cientistas, profes-
soras, chefes de estado, escritoras...
São sonhadoras, idealistas, realistas e
realizadoras.
Mulheres são o motor que move o mun-
do, por elas e através delas os homens
seguem seus caminhos. Com elas eles
conquistam e com elas eles existem.
Celebremos as mulheres! Celebremos
o infinito que vem do ventre e do cora-
ção de cada mulher.
Desejando que os direitos venham,
num dia breve, a ser iguais para todo
ser humano, em todo
lugar de nosso Planeta.

Jacqueline Aisenman
Editora-Chefe
Varal do Brasil
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ALCÌLENE MAGALHÃES
ALDO MORAES
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MARÌA JOSÉ V. JUSTÌNÌANO
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PAULA ALVES
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ROSANA BANHAROLÌ
ROSELÌS BATÌSTAR
ROSSANA AÌCARDÌ
ROSSANDRO LAURÌNDO
ROZELENE FURTADO DE LÌMA
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SUZETE CARVALHO
TANÌA DÌNÌZ
TERESA DRUMMOND
VERA LÚCÌA ERTHAL
VERA RÌBEÌRO
VÓ FÌA
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CULTíssimo
Por @n[ Ros_nrot
Lindas, sedutoras, delicadas, piedosas, lutado-
ras... São tantos adjetivos para esses ícones
Cult que eu poderia falar eternamente, mas vou
resumi-las em uma única palavra: mulheres.
Ìndiscutivelmente todos temos, tivemos
ou teremos uma mulher importante em nossas
vidas; um ser incrível que fará a diferença e
deixará marcas em nossa existência.
Mas algumas mulheres mudaram o mun-
do com seus exemplos de sabedoria, luta, cora-
gem e principalmente persistência, tornando-se
símbolos da capacidade feminina.
O cinema soube retratar a vida e a im-
portância de algumas mulheres maravilhosas
que enfrentaram os preconceitos e dificuldades
para defender seus ideais, arriscando suas vi-
das pelo sonho de um mundo mais feliz e hu-
mano, mais justo, caloroso, enfim, mais femini-
no.
Escolhi esses filmes para aqueles que
querem conhecer e partilhar a experiência des-
sas mulheres, que em muitos casos foram res-
ponsáveis por grandes mudanças no panorama
geral de suas épocas, salvaram vidas e contri-
buíram para o desenvolvimento da humanidade
em diversas áreas, aproveitando para agrade-
cer todo o carinho que venho recebendo dos
queridos leitores desta coluna e ao apoio da
Revista Varal do Brasil, seus realizadores e co-
laboradores; obrigada a todos!

Erin Brokovich - Uma MuIher de TaIento
(2000 E.U.A) É um filme biográfico dirigido
por Steven Soderbergh , escrito por Susannah
Grant e estrelado por Julia Roberts ( em sua
melhor atuação); conta a história de Erin
Brockovich (Julia Roberts), uma mulher sim-
ples, com pouco estudo, mãe solteira de três
filhos, que perde uma ação judicial e exige que
o seu advogado a empregue como arquivista
em seu escritório. Muito observadora ela perce-
be, ao organizar arquivos de um caso judicial,
que inúmeras pessoas de uma comunidade
contraíram doenças graves; ela decide investi-
gar o problema por conta própria descobrindo
que a empresa Pacific Gas & Electric havia
contaminado a água dessa comunidade com
produtos químicos; então ela resolve mover
uma ação milionária contra a empresa em bus-
ca de uma indenização para ajudar as vítimas
doentes. Sua vida nunca mais será a mesma
depois disso. Ainda hoje, Erin Brokovick conti-
nua atuante em sua luta para ajudar as pesso-
as como presidente da Brockovich Research &
Consulting, uma empresa que faz consultoria
ambiental, trabalha com defesa do meio ambi-
ente e da palestras no mundo todo.
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Madre Teresa - (2003) Conhecida como " a
santa dos pobres mais pobres", conta história
da devotada vida de Ìnês Gonxha Bojaxhiu que
nasceu em Skopja, capital da atual república
da Macedônia. Aos 21 anos, mudou seu nome
para Teresa e ingressou em um Convento de
Calcutá. Onze anos mais tarde deixaria o mes-
mo e começaria a trabalhar nos bairros mais
pobres da cidade, vindo a fundar em 1946, a
Congregação das Missionárias da Caridade.
Madre Tereza recebeu o Prêmio Nobel da Paz
por seu papel em favor dos mais necessitados.
Com a direção de Fabrizio Costa, é um filme
maravilhoso, um verdadeiro exemplo de amor
ao próximo, que mostra de forma sensível a
dedicação, a luta e a intolerância enfrentada
por essa mulher insuperável, que dedicou cada
segundo de sua vida aos mais necessitados.


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AmeIia – (2009 Estados Unidos) Conta a his-
tória de Amelia Earhart (lindamente interpreta-
da por Hilary Swank) a lendária deusa da luz,
chamada assim por sua ousadia e carisma, foi
à primeira mulher a completar a travessia do
oceano Atlântico pilotando um avião. Este feito
fez com que se tornasse uma celebridade nos
Estados Unidos. Seu fascínio pelo perigo inspi-
rou até mesmo a primeira dama Eleanor Roo-
sevelt (Cherry Jones). Casada com George Pu-
tnam (Richard Gere), um magnata do mercado
editorial, e tendo o piloto Gene Vidal (Ewan
McGregor) como seu grande amigo, Amelia de-
cide, em 1937, embarcar na mais arrojada de
suas missões: dar a volta ao mundo em um voo
solo. Sua coragem em atuar numa profissão
totalmente masculina, inspirou e vem inspiran-
do mulheres no mundo todo.




Para fazer um comentário ou deixar sua suges-
tão é só enviar um e-mail: anarosen-
rot@yahoo.com.br
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E... que a mulher possa ser
em shangri-la assumido!
Na lida diária, ter
seu valor reconhecido!


Por Cristina Cacossi
h-p.//www.ets0.com/
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SimpIesmente muIher

Por Lucia Laborda

Por muitas vezes escutei dizerem que nós mu-
lheres, precisamos ter um dia especial, para
nos auto-afirmar. Simplesmente nunca respon-
di, ou apenas sorri. Engraçado como ainda ho-
je, apesar de toda evolução, somos objeto des-
sas piadinhas, etc.
Ìmaginem um mundo só de homens? Como
aconteceria a reprodução e etc? Ìsso é apenas
o começo. E contrariando todas as opiniões
machistas, acho que nós temos força, disposi-
ção e coragem, apesar de não sermos nenhu-
ma mulher maravilha. Com certeza, não nos
deixamos abater diante dos percalços, ou das
necessidades que a vida nos impõe.
A mulher consegue ao longo do dia, se dividir e
dar conta das várias tarefas, que assume a res-
ponsabilidade. Somos mães, dividimos o traba-
lho da casa, com o da rua, que muitas vezes,
nos garante o sustento, esposas e ainda con-
seguimos tempo para nós mesmas.
É fácil? Claro que não, pois se assim o fosse, o
homem teria a mesma desenvoltura. Mas nem
isso nos faz sentir superiores a ninguém.
Porém, e ainda assim, sofremos diversos tipos
de preconceitos e exclusão. E esses, muitas
vezes acontecem simultaneamente, pelo traba-
lho, pela classe social, cultura, etnia, idade, ra-
ça. E, torna-se difícil atribuí-las a um aspecto
específico desse fenômeno.
Vimos ao longo dos tempos, que o papel da
linguagem, ou dos estereótipos, assume pro-
porções inimagináveis. O homem aprende a
falar e a pensar, porém, a linguagem tem um
papel fundamental em todos os processos e
tem grande influência no nível de abstração e
generalização do pensamento,. Bem como, tem
uma influência direta na percepção da realida-
de. Um grande exemplo disso são os estereóti-
pos das pessoas, que se cuidam de forma a
não perderem essa figura, as quais foram asso-
ciadas.
Essa imagem da fragilidade, da incapacidade
de realizar tarefas que dizem, específicas do
homem, acabou por estagnar, pelo menos em
tese machista, a evolução e absorção da mu-
lher de igual para igual, diante da sociedade.
Nós mulheres, somos em grande parte, culpa-
das das exclusões e discriminações sofridas.
Quando parimos um menino, criamos totalmen-
te diferente da menina. Ele tem uma educação
diferenciada, onde não pode exercer determi-
nadas funções, por "serem exclusivas¨ da mu-
lher. Nada pode fazer, (pelo ridículo medo que
temos, de desvirtuar a sua masculinidade). Sua
palavra é, muitas vezes, decisiva; "isso é traba-
lho feminino¨. Já a menina, é tratada com mui-
tos mimos, como se a fragilidade e subserviên-
cia, viessem marcadas em seu DNA. Mas con-
trariamente a isso, determinam algumas tarefas
de casa, a sua responsabilidade.
Ao longo dos anos, travamos várias lutas con-
tra tudo isso e a principal foi conosco mesmas,
tentando quebrar esse estigma e deixar claro,
dentro de nós, esse espírito de guerreiras, per-
severantes e batalhadoras dos nossos ideais,
na tentativa de abrirmos espaços em todos os
segmentos, sem perdermos a linha doce e
amável; da mulher mãe, profissional e amante.
(Segue)
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Diante do exposto, creio não ser necessário afirmar, que realmente não precisamos dessa data
especial, mas, com certeza, ela nós é importante, pelo que representa. Por ser um marco nas
lutas, pela valorização da mulher. Para chamar atenção sobre a discriminação, para denunciar
os desmandos e a violência que mancham as páginas da história do mundo.
PARABÉNS A TODAS AS MULHERES, pela força e coragem! A LUTA NÃO TERMÌNOU. Ainda
temos muito que fazer para conquistarmos respeito e igualdade. O mundo não foi construído
apenas para o homem. A sociedade não se constitui apenas dele, muito menos a família. Sem
essa interação e parceria, nada seria possível.
Não precisamos ser feministas, mas precisamos ser batalhadoras, corajosas, amáveis, amantes,
fêmeas e companheiras.

Por que expor meus livros no Salão Ìnternacional do Livro de Genebra?
Porque aIém de estar expondo no maior evento Iiterário suíço você
estará divuIgando seu Iivro numa das maiores vitrines Iiterárias de
toda a Europa.

Posso enviar livros em Português?
CIaro! Nosso púbIico é formado por grandes comunidades brasiIei-
ras e portuguesas e por estrangeiros que, ou já aprenderam o idio-
ma ou estão aprendendo. Muitos compram Iivros para presentear
amigos de Iíngua Portuguesa.

Enviando os livros eu estarei no catálogo?
Sim. Se você vier autografar ou se preferir apenas se inscrever pa-
ra enviar os Iivros, você estará em nosso catáIogo.
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EVOLUÇÃO FEMINA

Por Maria Araújo


Estou diante de uma página em branco, devo
falar sobre um tema polêmico Mulher, é estra-
nho que sendo mulher tenha dúvidas sobre o
que escrever...mas, hoje vejo de várias formas
nossas conquistas nesse universo tanto nas
áreas da cultura, profissional e familiar.
Fomos em outras épocas apedrejadas como
bruxas (iluminismo) em outras encarceradas
como escravas, violentadas no sentido de es-
colhas frustradas, proibidas de todos os nossos
anseios, desenvolvemos em nós a malícia, a
sutileza de assimilar e aprimorar "O sexto senti-
do¨ como uma sobrevivência a todas as deter-
minações machistas.
Convido aos leitores a fazer uma viagem sobre
o universo feminino e a evolução feminina em
nosso País
Um grande exemplo de como o olhar feminino
e detalhista as aventureiras europeias, Rose
Marie Pinon de Sauce de Freycinet (1794-
1832) cismou que acompanharia o marido
Louis-Claude nos anos de expedição marítima,
ela foi a primeira mulher francesa a dar a volta
ao mundo, cortou os cabelos vestiu-se de mari-
nheiro para registrar tudo que descrevesse as
delícias e delírios de uma dondoca francesa no
Brasil século XÌX (Diários pesquisados por Miri-
am Moreira Leite em seu "Livros de viagem-
1803/1900), Langlet Dufresnoy também chegou
a se vestir de homem para adentrar o Sertão do
Brasil com a morte do marido começou a con-
feccionar chapéus e empalhar pássaros até re-
tornar para Europa. O grande legado das via-
jantes foi mostrar o comportamento das mulhe-
res brasileiras o que gerou observações curio-
sas das viajantes.
Tivemos Na década de 20, a explosão de no-
vas ideias algumas mulheres de certa maneira
romperam com essa hegemonia machista, tive-
mos Chiquinha Gonzaga uma mulher adiante
do seu tempo na música popular do Brasil em
plena virada do século no auge do pós guerra
seu estilo marcante "O choro¨!
Tivemos vindo Europa, Manifesto Futurista de
Marinetti importado pelo artista " Lasar Segall¨
que trouxe para cá o Expressionismo, as artis-
tas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral nos trou-
xeram o cubismo de viagens ao exterior, " se-
mana de 22¨ Foi o grande passo dos Modernis-
tas, essa foi uma grande conquista da mulher
brasileiras nas Artes!
Ícone de nossa história uma estreante Raquel
de Queirós Cearense de 20 anos em 1930 lan-
çou "O quinze¨ ( sobre a terrível seca do nor-
deste) em 1932 no Brasil, surge o direito do vo-
to feminino as mulheres são autorizadas a se
candidatarem a cargos públicos.
Na era dos anos 30 e 40 foi considerada "a era
do romance brasileiro¨ surgiu então Cecília Mei-
reles, parnasiana absorveu as lições modernis-
tas seus versos e poesias mostrou uma vitali-
dade incomum na forma sutil e doce de descre-
ver emoções.
Anos 40 e 50 "era do rádio¨ Angela Maria, Emi-
linha Borba e Marlene, etc... rádio Mayrink Vei-
ga e rádio Nacional. Depois vieram Doris Mon-
teiro, Maysa etc...
Final dos anos 50 Chega a Bossa Nova trilha
sonora classe média Zona Sul com Nara Leão,
o Brasil com otimismo desenfreado no governo
de Juscelino Kubitschek nesse período nosso
país chegou perto de dar um salto muito impor-
tante de consumidor para produtor mas....
Os festivais MPB 1965- Elis Regina, sem dúvi-
das, uma das melhores interpretes
No teatro e TV temos várias atrizes magníficas
que se destacaram, Cacilda Becker, Tônia Car-
reiro, Natália Thimberg, Rosa Maria Murtinho,
Glória Meneses, Gloria Pires, Diva, Fernanda
Montenegro que ainda permanece nos dias atu-
ais recebendo prêmios internacionais por suas
excelentes atuações.

(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
www.varaldobrasil.com 1,
Fiz aqui um desfile de mulheres que represen-
taram nossa história, obviamente, que estas
mudanças, já existiram em outros locais pelos
desenvolvimento cultural de outras sociedades
mundiais, mas preferi apenas pontuar algumas
mulheres brasileiras, que serviram de exemplos
femininos e referências importantes para o nos-
so desenvolvimento social e intelectual em vá-
rias esferas.
Nosso país atualmente fez uma grande con-
quista, somos governados por uma mulher se
ela é uma boa administradora ou não nesse
contexto não importa! o que importa é que abri-
mos espaços para Ministras, Senadoras, Escri-
toras nas áreas técnicas, econômicas e Cientifi-
cas as o fato é que conquistamos lugares onde
antes era impensável a presença de uma mu-
lher, mas como tudo na vida tem dois lados me
preocupa nessa sociedade atual a quase mas-
culina postura feminina, onde a mulher permite
que sua índole feminina e amável seja sobre-
posta e quase aniquilada, é como se a mulher
para galgar espaços, tivesse que se vestir de
homem e cuidar do o lar como uma coisa me-
nor, somos fêmeas instintivas e como tal não
devemos abortar esse sentimento e sim fazer
com que nos respeitarem como somos, só
nós mulheres parimos, só nós mulheres aleita-
mos e no aleitamento que acontece o sublime
momento da construção do amor do pequenino
ser, ao se sentir seguro com o olhar materno,
nunca deve ser diminuir esse poder, não me
agrada essa mulher que renúncia a esse ato
sublime diminuindo a importância da materni-
dade e terceirizando a criação dos próprio fi-
lhos que se impõem por compromissos toman-
do postura de macho, e nessa nova imagem a
mulher está assumindo o outro lado da moeda
como eram os "homens duros machistas sem
respeito¨, sabemos o que sofremos esse é o
momento onde a experiência de vida da qual
testemunhamos contadas por nossas avós, que
nos impulsionou para essa procura louca de
liberdade! Mas onde está a liberdade se ainda
somos nó que depois de um dia extenuante de
trabalho, ainda cuidamos da casa dos filhos,
fazemos amor temos menstruação e dividimos
a pizza! Estariam os homens se tornando femi-
ninos por culpa ou desespero? temos que mos-
trar caminhos mais harmoniosos e inteligentes
na formação de uma nova sociedade mais livre
de preconceitos sim! mas sem perder o carinho
a sensibilidade e o amor pontuando o dever sa-
grado do ser como iguais sim mas respeitando
com sabedoria cada uma das suas funções!
Acredito que o homem está um pouco assusta-
do com esse novo modelo feminino, ela procu-
ra uma academia para endurecer o bumbum os
bíceps as pernas, procuram os homens como
se eles fossem objetos descartáveis toda essa
mudança provocou um novo comportamento
masculino impulsionado pelas ações dessa
nova mulher, somos inteligentes o suficiente
para poder organizar essas estranha
"mudanças¨ nesse comportamento masculino,
resultado desse crescimento fantástico da mu-
lher em todos os setores onde só eles coman-
davam, para isso devemos usar nossa feminili-
dade e a cultura que galgamos para reaver es-
se rebanho tão disperso e assustado! onde fi-
caram vítimas do oportunismo selvagem da co-
municação das massas em uma idade precoce,
onde as mães estão voltadas para o trabalho.
O coração feminino tem por natureza a capaci-
dade de superar e suportar as vicissitudes im-
postas pela vida e perdoar sem medo, com co-
ragem essa mulher necessita ser completa e
feliz mas para isso é necessário dar a volta por
cima movidas pela coragem e a emoção!
Nos refazemos como o Fênix e criamos nova-
mente o ciclo da reprodução, somos hormônios
a flor da pele impulsionadas por um só objetivo
a construção, sem objetivos somos ninhos vazi-
os.
Nós mulheres desde os primórdios dos tempos
organizamos nossa família e nesse momento
devemos reestruturar nossos jovens com muita
força e amor! O importante é que já conhece-
mos os dois lados da moeda e devemos sim
fazer o equilíbrio para um mundo melhor.

&iblio1rafia
Nomes e datas pesquisados do livro Brasil 500 Anos
de Cultura- Ministério da Cultura parceria com O
globo, SSC A!" #ortugal$%A#
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LUPA CULTURAL
Por Rogério Araújo
(Rofa)
O "vendedor" de poesias

Estava caminhando nas ruas de Niterói
(RJ), no maior sol com sensação térmica de
mais de 40º e quase entrando numa loja com ar
condicionado para melhorar a situação
(rsrsrsrs) quando me deparei com um senhor
com um papel nas mãos. Percebi que ele esta-
va "oferecendo¨ uma poesia de sua autoria (em
promoção) por apenas R$ 0,50 e outras por R$
1,00.
Fiquei imaginando que interessante ver
um poeta mendigando uns trocados, certamen-
te por não conseguir publicar um livro com seus
escritos. E, ao mesmo tempo, pensando o que
ele poderia ter feito para chamar mais a aten-
ção do público.
Ler uma poesia que toque o coração de
quem a ouve, seria uma boa opção. Pena que
ele apenas estava "oferecendo¨ sua obra, mas
nem uma degustação de como era ele mostra-
va.
Existem pessoas sensíveis à poesia e
com suas doces palavras. Outras já são mais
frias e sem essa sensibilidade aguçada. Tam-
bém quando falamos "poesia¨, nos referimos a
esse gênero literário, mas aos outros, como
prosa-poética que não deixa de ser poesia e
emociona da mesma forma.
O que não falta por aí são pessoas inspi-
radas que escrevem seus versos para si mes-
mo e tem vergonha de mostras aos outros. Al-
guns têm diversos livros escondidos com medo
que os de fora riam de seus escritos. Poesia
pode ser algo muito pessoal, com interpretação
de cada um.
Aristóteles disse: "A poesia é mais fina e
mais filosófica do que a história; porque a poe-
sia expressa o universo, e a história somente o
detalhe.¨ Toda a poesia é a expressão do que
vivemos, seja no mundo real ou até mesmo em
sonhos ou no "virtual¨. É um momento único e
prazeroso de "licença poética¨ da própria vida.
Há tempos atrás, uma bela moça se der-
retia com palavras poéticas adocicadas do pre-
tendente. Sonhava com os momentos descritos
em palavras na vida real. Hoje em dia nem
sempre é assim, mas que no fundo todos estão
abertos para estes deliciosos e preciosos ins-
tantes para viver.
Platão disse certa vez que "Todo homem
é poeta quando está apaixonado.¨ E não é ver-
dade? E quis dizer homem "ser humano¨, inclu-
indo a mulher cheia de seus sentimentos e que
muitas vezes são incompreendidas pelos ma-
chões que não a compreendem.

(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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"Poesia é quando uma emoção encontra
seu pensamento e o pensamento encontra pa-
lavras.¨ (Robert Frost). Lindos dizerem que bro-
tam coração que a mente transcodifica em
emoção e que são mais eternizadas ainda
quando lidas por lábios cheios de amor e pai-
xão.
Existe lugar para poetas neste mundo.
Ainda não levantarão uma placa dizendo "Não
há vagas¨. Emoção é bom para qualquer um,
em qualquer idade e faz muito bem para o cor-
po, mente e alma.
Carlos Drummond de Andrade afirmou
sabiamente que "Eu acredito que a poesia te-
nha sido uma vocação, embora não tenha sido
uma vocação desenvolvida conscientemente
ou intencionalmente. Minha motivação foi esta:
tentar resolver, através de versos, problemas
existenciais internos. São problemas de angús-
tia, incompreensão e inadaptação ao mundo.¨
Poesia é tudo isso e muito mais e não nada co-
mo alguns afirmam ser.
As editoras torcem o nariz quando veem
um livro de poesias a ser analisado para publi-
cação. Será por quê? Não venderia? Teriam
muitos livros de poesias por aí afora? É muita
"emoção¨ para poucas prateleiras nas livrarias?
Sempre existirão pessoas que adoram poesias,
outras detestam. Algumas mais emotivas ou-
tras mais frias e assim a vida segue.
Vamos viver poesia! Ser poeta no dia a
dia com atitudes sábias, emocionantes e que
trazem o amor à tona das pequenas às mais
complexas situações da vida que se não tiver
emoção não vale nem a pena viver! E de graça
e não vendidas as "emoções poéticas¨...

Um forte abraço do Rofa!


* Escritor, jornalista, autor do livro “Mídia, bênção
ou maldição?” (Quártica Premium, 2011), lançado
na XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro (2011), Sa-
lão de Genebra, Suíça (2012), Expo América, em
Nova York, EUA (2012) e na Feira de Frankfurt,
Alemanha (2013); dentre participações em diversas
antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios
literários e culturais; membro de várias academias
literárias brasileiras e mundiais; menção honrosa no
Prêmio Varal do Brasil de Literatura, com a crônica
"O amor... é cego, surdo e mudo?!¨; recebeu o Prê-
mio iamonds !" #rts and $du%ation #ustrian
&'(), em Viena, Áustria (2013).

O que achou da coluna “Lu*a +ultural” e deste tex-
to? Contato: rofa.escritor@gmail.com
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VAIDADE FEMININA

Por LóIa Prata




Na gola de linho, a placa de brilhantes
refulge gloriosa e atrai as atenções
combinando com dois brincos cintilantes,
a elegância obedecendo as convenções.

No orgulho da joia, com a coluna ereta,
no atestado silencioso da conquista,
o porte majestoso os gestos afeta,
sorriso gostoso de fêmea otimista...

Feliz por ostentar o broche caríssimo
ela segue, exibindo o enfeite na festa;
outras reparam, elogiam: é belíssimo!

Ofusca-as, sem escrúpulo qualquer...
(Na mulher de idade, não é ação funesta,
é prazer...) Vaidade, teu nome é mulher!
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INFINITA MULHER

Por Mônicka Christi


E nesta escuridão que tudo clareia
Onde o universo principia e serpenteia
E a vida em seus largos e labirintos tece a teia
esta e!ist"ncia sem #im
Nesta estrada que se metamor#oseia
$rotando a vida que #lora
iversa neste mundo a#ora
Com cores e nuances mil
E na di#eren%a nos iguala!...
&ulher! Eleita criatura
'ue o al(m vislumbra
)celerando o porvir
*er da soma das partes,
) matri+ da verdade pulsante em amor!
O elo das eternidades,
,n#initude do ciclo que renasce
)ncestral, precedente, e!istente
-ruto do #luido universal!...
www.swissinterac2ve.ch
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MuIher
Por EIisa AIderani


Não importa a cor dos seus cabelos,
Loira, morena ou ruiva.
Não importa seu nome:
Leila, Maria, Ìara, Lúcia, ou Sofia.
De qualquer nacionalidade ou raça.
É mulher!
Pelos poetas românticos é cantada,
Em prosa em versos idolatrada.
É mulher amada.
Você pode ser traída ou traidora,
Solteira, viúva, amante ou esposa.
Você pode ser poderosa.
É mulher!
Ser fada bonita, ou piloto, tanto faz.
Mulher corajosa, anjo do lar,
Companheira amorosa e prestimosa,
Sensível e audaciosa,
Sensual e conquistadora.
É mulher!
Homem nenhum pode viver, sem você,
Ele precisa de mulher para ser forte.
Quando fraco vai ficar na sorte.
Sem você mulher ele não avança,
Precisa do seu amor, como alavanca.
É mulher!
Mãe faz-se partilha, e o amor sempre cresce,
A vida floresce.
Briga, chora e canta, trabalha no lar e fora.
Mulher inteligente,
Sempre consegue conciliar amor e sentimento.

Um dia, os filhos tomam o rumo da vida,
Muitas vezes sozinha ela fica.
Embala sonhos, brinca com netos torna-se cri-
ança.

E a vida segue serena a sua dança!
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INFINITA MULHER

Por IsabeI C S Vargas


Desde que nasce preparada
Para os mais diversos papéis
Com muitas imposições.
O principal deles, ser mulher:
Feminina, magra, de preferência,
Bem educada, com facilidade
para aceitar hierarquia
do pai, do marido, do chefe.
Ter sempre um sorriso no rosto
Delicadeza ao falar,
ao homem não querer se igualar.
Mulher, rainha do lar,
Para o homem assessorar.
Mulher que aprendeu
Por sua liberdade lutar
E, seu caminho foi buscar
Além de rainha do lar.
Aprendeu a ser mãe
Papel imensurável pelas alegrias
E pelas dores,
Desenvolveu-se profissional
Foi para a rua trabalhar,
Pela ausência em casa
Carrega com dignidade
A pior das culpas
Por não ver os filhos cresceram
Falar as primeiras palavras,
dar os primeiros passos.
É sofredora como Maria,
Lutadora como Joana
Pecadora como Madalena
Milagrosa como Fátima
De múltiplas facetas
Todas merecendo o maior respeito.
Por isso, independente de nome, origem,
credo, raça, profissão
Merece todo respeito
Por desempenhar seus papéis
Com competência, bravura
e, acima de tudo,
com muita doçura,
marca indelével de toda mulher.

h-p.//www.aware.or1.s1/
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MULHER SONATA

Por AIciIene MagaIhães

Nascida em família mestiça
Moça meiga e não mestiça
Sempre de bom humor
Educada sem clamor.

Vive em cidadezinha pacata
Dotada de beleza prata
Casa-se muito cedo
E gera 7 filhos sem medo.

A família floresce
A mulher não tem emprego
A família da noite pro dia cresce
A mulher busca emprego.

No campo ou na cidade
O trabalho faz idade
Quem era jovem ontem
Deixa pra trás seu outrem.

Nas vindas de sua história
A mulher alcançou a glória
Seu espaço é livre e turbulento
Mas a MULHER é movimento.
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HIPNOTIZANDO À DISTÂNCIA

Por AngeIa DeIgado

Seu carma, filho, será voltar como mãe.
São 3h25 da madrugada. Mães geral-
mente acordam cedo, mas não tanto. É que
ainda não dormi. Estou dialogando aqui
com seus tios lá do céu, que supostamente
devem nos proteger e até apelando para
um Santo em particular.
- Filha, resolva. Quer que ele chegue são
e salvo ou quer que ele chegue logo?
- Não dá para atender dois pedidos de
uma vez? Até o Gênio da lâmpada concede
três...
A hora vai passando. Depois de parla-
mentar com a secretária eletrônica, o jeito é
hipnotizar por telepatia.
- Filho, você está com sono, muuito sono
– mas cuidado, olhe o poste! Está com uma
vontade irresistível de voltar para a casa. Vool-
te...
4 horas. A ,ia %ru%is da mulher não é
fácil. De dia os afazeres. De madrugada as pre-
ocupações.
- Sinta-se hipnotizado. Já é tarde.
Queimarei um cartucho. Apelarei ao Su-
premo, visto até os santos estarem dormindo.
- Filho, onde está seu bom senso? É is-
to. Sabe o que deixarei de herança? Saúde,
bom senso e senso de humor. As três coisas
mais importantes desta vida. Tendo isso, o
amor virá. Quando, já de saída, me perguntou
onde estive a tarde toda - tal pai, tal filho -
desculpe ter respondido mal. É que fui a tan-
tos lugares que dava nem tempo de enumerá-
los. Você já dobrava o corredor. Além da pre-
guiça da longa lista: lavanderia, sapateiro, ca-
beleireiro, costureira, engarrafamento, super-
mercado, banco, médico. A gincana do dia-a-
dia de uma mulher. Tudo isso em uma tarde. E
você em uma noite? Sentado, jogando? Acoco-
rado, trocando pneu? Deitado, transando? Se
cuida, você vai voltar mulher... um dia acordan-
do às 5h30, no outro pregando o olho às 5 ho-
ras. Os homens renascerão mulheres. Não é
praga. É carma. O rodízio é o nosso consolo.
Até porque seria injusto se assim não fosse.
Mas, quando você chegar, vou primeiro per-
guntar: - O que aconteceu, filho? Trouxe pão
quentinho?
Ô de casa! Ô lá de cima! Estão todos
cochilando? QUERO DORMÌR! Um dia vocês
me dão uma insônia, no outro são os filhos que
não chegam. -uous.ue tandem? Vou já pedir
minha aposentadoria de mãe.
- Varou a noite estudando na biblioteca?
Tem mãe que é cega... Mas acredito no
que quero. Nisso puxei minha mãe, que puxou
a dela, que puxou ... puxou... puxou da Eva.
Eu que não ia escrever... Para quê, pen-
sei. São dois pensamentos. Três linhas. Mas
escreva. Escreva porque não se iluda. Depois
vai saindo, saindo, igual lenço de cartola de
mágico. E aí você não dormiu. Mas escreveu.
Afinal, não ia dormir mesmo... Qual a mãe que
nesses tempos de desenfreada violência o con-
segue?
6h30 Arrisquei-me e levantei-me para
ver se, por um acaso, ele já havia chegado.
Pasmem. Estava tranquilamente dormindo.
Obrigada, quem quer que tenha me es-
cutado. Devo começar o dia, como antigamen-
te, com uma oração. Só espero que o carro
também esteja na garagem, sem qualquer es-
coriação.
Como veem, trair, roubar e escrever... é
só começar.
Águas rolaram desde que hipnotizei Fi-
lho Varão pela primeira vez, como acima foi
narrado. Orgulhei-me de sua aprovação em vá-
rios concursos, mas às vezes ainda hipnotizo
ora Filho Varão ora Filha Antropóloga, quando
se prolongam demasiado fora de casa noite
adentro ou afora?

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MULHER UM UNIVERSO

Por Esther Rogessi

Dispo-me do meu gênero – poeta não tem sexo – para falar sobre o ser mais que perfeito, cria-
ção inimitável, de quem é maior que o universo.
Tudo quanto Ele fez é a própria perfeição; o homem foi... Será, sempre a sua criação maior.
Adão foi criado para à Sua glória, porém, para criar Eva, o Senhor o fez dormir, para manter
a fórmula em segredo.
Ela, a mulher – humanamente falando, a única geratriz – é o ser mais invejado e copiado pelo
próprio homem, que de todas às formas possíveis, busca encontrar a fórmula original, do ser
que é um universo em complexidade, e, possuidora de mistérios insondáveis – busca vã. Nes-
se particular, não há espionagem industrial que prospere; nenhum cientista, ou ganhador de
Prêmio Nobel conseguirá tal intento: a originalidade de tal invento.
Aportar, e permanecer, em tal ser é como desbravar o infinito rumo ao encontro, de outra de-
sejada – a lua.
Muito se fala, homenageia-se, escreve-se, descreve-se, e poetiza-se, sobre essa, que foi, é e
será... A musa, lira, verso, reverso, controverso... Ode!
Mulher! Equilíbrio e loucura.
Natureza, mãe terra, Gaia, oxigênio, vida, morte, desdita e sorte.
Ìnício e fim, o bom e o ruim; o fio da costura, o rasgo do saco, o arremate, o grito e o engasgo!
Da navalha o fio, do faminto o desafio... MULHER!
Beleza, realeza, atenção, distração, sedução... Perdição!
O brilho que seduz; trilha para às trevas, e o caminho para a luz.
Mulher, terra, montes, montanhas, vales, desaguar d'águas... Do encontro do côncavo com o
convexo... Explosão, clímax, cataclismo... Emoção!
Dele, a musa; a inspiração – do arquiteto das formas boleadas – que, hoje, flutua em outro uni-
verso – Niemeyer.
$ora Maar3s 'ans 4itre 51,46 at Manchester !rt 7aller0. 8hoto1raph. 9ac:ues ;au-
<our/=entre 7eor1es 8ompidou
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MULHER GUERREIRA

Por Maria José VitaI Justiniano



A guerra da mulher começa
Cedinho com café prá fazer
Crianças prá levar na escola

Se ela trabalha fora
O sofrimento é maior
Tem que deixar o bebê com a mãe

Mulher guerreira
Sai para seu trabalho
Cumpre seu horário

Almoça qualquer coisa
Pensando no filho e na escola
Telefona pra saber se a VAN já chegou

Pega ligeiro o ônibus
Pra voltar a tardinha
Já está cansada

Mesmo assim ao retornar,
via buscar seu filhinho
e, ainda vai fazer o jantar.

Mulher guerreira dá um beijo no marido
Que também já chegou cansado
Acomoda as crianças

Mulher
Vence as guerras
De um lar.
1+,+-;lame o> the ;orest - Mother #ove - !cr0lic and
7ouache / h-p.//fineartamerica.com/
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BRAVA BRASILEIRA
Por Hiatus

BELA GUERREÌRA
MULHER BRASÌLEÌRA
BRÌLHANTE ESTRELA
DEFENDE TUA LUTA
TUA CAUSA
TUA BANDEÌRA

BUSCAS RESPEÌTO
POÌS TEM O DÌREÌTO
DE ÌGUALDADE

ÉS FLOR AMADA
ROSA ADORADA
DA LÌBERDADE

LUTAS POR JUSTÌÇA
LUTAS POR VERDADE
DESTRUÌNDOS OS PORÕES
DA MALDADE

BRAVA MULHER
DE FORÇA,
GARRA É FÉ

BRAVA BRASÌLEÌRA.
GUERREÌRA.
MULHER.
Ima1em b0 $ar?:uimera
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POESIA DE MULHER

Por RaiIda Masson Cardoso

Poesia de mulher não mostra foto,
esconde vulto.
Poesia de mulher não é feita a quatro mãos,
usa mão engessada.
Poesia de mulher não se coleciona,
deixa-se ao vento.
Poesia de mulher não deixa página em branco,
preenche com a palavra saudade.
Poesia de mulher não é entendida,
é vivenciada.
Poesia de mulher não é lida,
é sussurrada.
Poesia de mulher não demora pouco,
dura uma vida.
Poesia de mulher não coloca ponto final,
usa reticências...
Poesia de mulher não ganha coração,
ganha um buraco negro no peito.
Poesia de mulher é feita de madrugada,
e, depois, deletada.
Na poesia de mulher,
a senha é o nome do proibido amado...
"Poesia de mulher não é feita de algodão doce...¨
Ima1em b0 'u@i 4horn
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REGULAMENTO DO CONCURSO
CULTURAL "2º PRÊMIO VARAL DO
BRASIL DE LITERATURA - 2014",
PROMOVIDO PELA
REVISTA VARAL DO BRASIL

& finalidade do presente concurso é a di-
vulgação da '(ngua ortuguesa e da arte
liter)ria mediante premiação das melhores
obras liter)rias dentro do proposto no re-
gulamento a seguir*

oderão participar do concurso pessoas
maiores de +, anos -ue se.am brasi-
leiras ou estrangeiras e -ue escrevam
na '(ngua ortuguesa.
/erão consideradas -uatro categorias*
contos, crônicas, poemas e infantil.
0s originais não precisam ser inéditos,
mas deverão ser escritos em '(ngua
ortuguesa. 0s contos, crônicas, po-
emas ou te1tos infantis não poderão
ser traduç2es de originais de outros
idiomas.
0 conte3do dos originais seguir) o crité-
rio seguinte* o tema é '4V56, ou se.a,
o autor poder) escrever sobre o as-
sunto de sua escolha. 0s te1tos não
deverão tra7er tem)tica partid)ria,
se.a ela pol(tica, religiosa, racial ou
outra. Te1tos -ue possuam conte3do
partid)rio pol(tico, religioso, racial ou
outro e te1tos -ue contenham porno-
grafia de -ual-uer espécie serão des-
classificados deste concurso sem
mais.
8ada candidato poder) concorrer nas
-uatro categorias com -uantos tra-
balhos dese.ar. ara cada categoria e
para cada trabalho o candidato deve-
r) fa7er uma inscrição separada e
enviar também separadamente, o
material a ser avaliado no concurso.
& inscrição dos te1tos dever) ser reali-
7ada no per(odo entre +9 de de7em-
bro de :;+< e <+ de maio de :;+=,
mediante o pagamento de uma ta1a
de inscrição e do envio dos te1tos a
serem avaliados para o e-mail varal-
dobrasil%gmail.com nas condiç2es
abai1o discriminadas.
0 valor da ta1a de inscrição fica estabe-
lecido em* 8>? :;,;; "vinte francos
su(ços$ para a /u(ça@ A5' =;,;;
"-uarenta reais$ para o Arasil e 6B5
:;,;; "vinte euros$ para todos os de-
mais pa(ses. 0 valor dever) chegar
ao V&5&' C0 A5&/4' isento do pa-
gamento da ta1a de transferência
banc)ria ou depDsito banc)rio. !ão
serão aceitos pagamentos feitos via
Eestern Bnion ou similares.
&s coordenadas banc)rias para o paga-
mento da ta1a de inscrição podem
ser encontradas abai1o, no final des-
te regulamento.
0s interessados enviarão separadamen-
te as suas coordenadas, -ue serão
enviada .unto do te1to "folha separa-
da$ e comprovante de pagamento da
ta1a de inscrição. Bma foto de rosto
dever) ser enviada .unto ao restante
do material solicitado. !a folha de
coordenadas dever) constar*
- seudônimo, nome completo, endereço
completo "com cidade, estado, pa(s$.
Telefone, e-mail, data de nascimento,
n3mero de documento de identidade.
T(tulo do trabalho inscrito e catego-
ria.
&s inscriç2es serão reali7adas apenas on-
line, por intermédio do e-mail varaldo-
brasil%gmail.com e o autor dever) uti-
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6m Kenebra, :, de novembro de :;+<

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MuIher

Por Maria Moreira

Substantivo feminino simplesmente?
Diversa, atenta ,de tudo ela faz
E encontra tempo de ser gente!
Comprometida com a vida e com a paz

Nas mãos um Rosário de compromissos
Com olhos e passos ligeiro segue...
Segue a guerreira fazendo o serviço
Segue a mãe, e, seu destino persegue

De ninar ao entardecer no berço
Balança, com calma, fé, e amor.
Cada conta do Rosário no terço,
Com esperanças de espantar a dor

No lar, ou em qualquer parte
Faz das tripas ao coração,
Se vira nos trinta com arte
De labutas ,de vida, e oração.

Tem olhos para todos os lados
Braços estendidos e razão
Dá conta de serviços dobrados
Sem perder a ternura e emoção!

Ela carrega no ventre a vida
Sustentando os valores de então
Ser mulher é ser forte e aguerrida
É ter força, glamour e vibração !
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Atitude de guerreiras

Por Dinorá Couto

De direitos que falo, dessa vez, só pode ser das mulheres
Que não se esmorecem frente às intempéries

Várias mulheres, no Brasil, deram-me a inspiração
Nomeando-as, em forma de poemas, veio a criação.

Escritoras, bibliotecárias, não importa a profissão
Só sei que vou destacá-las, celebrando sua ação

Margarida Drumond e Nara Nascimento, escritoras
Cléia Gerin e Conceição Sales, grandes leitoras

Até uma crônica inspirada em Solange Passos
Como também em Linda...e Bela, grandes laços

Alguns nomes inspiram-me pelas suas virtudes
Mas Maria da Penha ganhou pelas suas atitudes

Mesmo que algo pareça pequeno, faça
Cumpra-se a lei, desejo das mulheres em massa.

Vamos reverenciar esta mulher, ícone de luta
Lei com o seu nome em prol da mulher e sua labuta.

Um viva para a grande mulher Maria da Penha
No combate à violência, ela sempre se empenha!
h-p.//wehear2t.com/
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&ama

'or Mari() F *)eiro+

$a:uiA dali
$ama dantesca...
debateA debelaA debocha.
$esabrochaA den1osa...
$is>arça decoro.

$a:uiA dali
$ama desperta delBcia...
destre@aA despidaA
descrente descaso...
$esconeCa deusa.

$a:uiA dali
$ama declina desnuda...
deliraA derrubaA
desmaiaA dis>arça...
desenCabida doçura.

$a:uiA dali
$ama desumana...
$esesperaA desiludeA
de1radaA dele1a...
$esnaturada dama.
8intura b0 Laurie Pace
h-p.//www.dail0painters.com/
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1-mulher em pausa
a 35º
verão o ano todo
:menopausa

2-na véspera chuvosa
chovo alívios
:nódulos benignos

3-palmas de mãos [as minhas]
passeiam nas vielas vazias
de meus sentimentos secos
: estou outono


Por Rosana BanharoIi
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MULHER

Por AngeIica ViIIeIa Santos

Existem tantas coisas a dizer,
embora muito já se tenha dito
sobre a Mulher, a musa que ao nascer,
espalha sua graça no infinito.

Qual arrebol dourado se apresenta,
enfeitando da Terra o céu azul,
mais beleza à paisagem acrescenta,
tanto seja do norte ou lá do sul.

Na labuta diária em que se empenha,
conquista espaços nunca imaginados
nos caminhos de luta em que se embrenha.

Plantando sempre amor em quantidade,
a Mulher forma em jardins encantados
belos canteiros de
fraternidade!
h-p.//acrea2veuniverse.com/
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PARABÉNS A NÓS MULHERES!!!!!

Por Mariney Klecz


Que abraçamo o mun!o com a noa !oçura e noo amor"""
Que !erramamo noa l#$rima !e carin%o e oli!arie!a!e"""
Que &o'oamo e(e mun!o !e in!i')!uo *ue criam e con(roem"""
Que+ com noo !ea&on(amen(o+ lamen(amo o mal encamin%a,
!o !o mun!o""""
Que (emo ombro &ara com&ar(il%ar a !or al%eia"""
Que (emo a 'ocaç-o !o &er!-o """
Que omo e(eio !o %omen e !a criança"""
Que omo mo(i'o &ara &lan(io !a .lore"""
Que omo mua &ara bela canç/e"""
Que omo in&iraç-o &ara lin!a &oeia"""
Que (razemo e&erança &ara ee mun!o"""
E SEMPRE eremo a &oibili!a!e !e al$o mel%or &ara (o!o"""
h-p.//www.listofima1es.com/
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DESENCONTRO

Por Jô Mendonça AIcoforado

Eu mulher, inteiramente dengosa mulher.
Tu, um homem despudoradamente um homem.
Eu na carência de amor, mas sempre alerta.
Tu deixando em outras mulheres o que poderia ser meu
Eu egoísta não, quero apenas o teu amor.
Tu, perdido e sem amor vagando por outros braços.
Eu esperando teu amor para mim e sem abraços.
Tu, desgastando teus sentimentos sem mim.
Eu sentindo suas carícias dentro de mim em pensamento
Tu, solta as tuas carícias sem sentimento.
Eu ando com o coração a pulsar
Tu procurando sentir o teu coração a bailar
Eu pulando as cordas do coração que pulsa com a poesia
Tu arrastando os teus sentimentos em fantasia
Nós precisamos nos encontrar e fazer esse amor brilhar!
Poesia e música a cantar, corações a palpitar e bailar!
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A ESCRITA FANTÁSTICA DA MULHER
FANTÁSTICA

Por Karline Batista

Lápis e papel na mão da mulher do século XÌX,
geralmente, resultavam em duas produções
textuais: receitas e orações. Além disto, que
mais se poderia esperar de uma mente domes-
ticada aos ofícios do lar, aos prazeres do mari-
do e o cuidado com os filhos.
A sociedade moldou estruturas delegando pa-
peis específicos baseados tão somente no gê-
nero. Opostos, mas não rivalizados, as partes
desempenhavam suas funções com normalida-
de. O homem mantinha a casa e a mulher cui-
dava dos membros daquela família, culminando
no que na ótica da época era o padrão ideal de
vida.
O problema deste sistema surge quando anali-
samos as consequências desse padrão sócio
familiar. Do ponto de vista social e em longo
prazo, o quinhão pertencente à mulher colocou-
as numa dinâmica existencial fatal, de forma
que os seres do sexo feminino não sobreviveri-
am longe do matrimônio. Ao homem sempre
coube uma oferta maior de opções. Ele foi esti-
mulado e preparado para o mercado de traba-
lho, com isso se tornaram aptos à independên-
cia financeira. A elas, suas habilidades não lhe
davam condições dignas de sobrevivência,
ocupadas em serviços domésticos, preparação
de alimentos e outras habilidades menos lucra-
tivas. Quaisquer meios diferente destes era
considerado um ato extraordinário, quase que
fantástico o que no ponto de vista da família,
acarretaria a tais mulheres a exclusão, a rejei-
ção e o abandono.
Entre o que podemos chamar de seres fantásti-
cos femininos, admira-se a descoberta do con-
siderável número de escritoras. No nordeste
pesquisas mostram registros desta escrita
"fantástica¨ cujas autoras conseguiram avançar
as fronteiras sociais. A escritora aracatiense
Emília Freitas representa este grupo. Não dife-
rente da educação dada às moças de 1855,
Emília foi preparada para ser filha obediente,
mãe zelosa e esposa carinhosa, todavia, no
meio deste processo, em algum momento o
seu intelecto foi tocado por outros estímulos,
tornando-a escritora hábil e escravocrata ferre-
nha.
Em sua figura não será a imagem da revolu-
ção, mas da transição a representá-la. Os mol-
des sociais ainda eram visíveis, mesmo que
Emília realizasse ações não comuns ao seu
gênero. Enquanto surpreende à sociedade ao
publicar poemas e crônicas nos jornais o Liber-
tador, O Cearense, O Lyrio e A Brisa, evidencia
ser também uma mulher do seu tempo ao pedir
desculpas pela ousadia de falar em público-
gesto permito somente aos homens- em discur-
so na tribuna da sessão da Sociedade das Ce-
arenses Libertadoras (1883). O ato que pode
ser visto como resquício de submissão deve
ser encarado como rasgo histórico social, pois
será justamente neste ponto que encontrare-
mos as escritoras fantásticas.
Quando Simone de Beauvoir afirma que não se
nasce, mas se torna mulher, falava desta trans-
formação da figura feminina na sociedade, fala-
va das mulheres de ou em transição. A imagem
feminina do século XXÌ é um produto novo no
consciente coletivo. Neste processo a apropria-
ção da mulher com relação a outros gêneros
textuais levou a considerar importância da es-
crita, o que significou um dos primeiros atos no
sentido de igualdade entre homens e mulheres.
A escrita é uma forma de existir. Pessoas como
Emília Freitas impulsionaram pequenas revolu-
ções, quebrando o padrão vigente com peque-
nos e constantes avanços em espaços inéditos
ao público feminino. Tornaram-se precursoras,
abrindo vereadas para a revolução do seu gê-
nero.
Os avanços foram muitos, mas a mulher mo-
derna ainda sente as consequências das anti-
gas regras. O despertar já é passado e o mo-
mento requer fortalecimento e construções. To-
ca moldarmos novos parâmetros e ajudar o ho-
mem na busca da sua posição social. E neste
sentido a escrita continua sendo um canal fan-
tástico para expressão desta mulher fantástica:
uma que jamais houve igual na história da Hu-
manidade.
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A MULHER QUE AMO

Por LenivaI de Andrade

" A mulher que eu amo
Tem a pele morena
É bonita, é pequena
E me ama também,
Quando vem para mim
É suave como a brisa
E o chão que ela pisa
Se enche de flor¨

Antes dela chegar para mim
Vivi , sofri, implorei, chorei e até penei
Guardei para ela o melhor de mim
Ternura, carinho e todo o amor do mundo

Quando ela me beija
Flutuo, canto, me animo, me alegro
Sinto o mais doce mel
O que há de melhor na minha vida
Escrevo neste papel

Vivo hoje com emoção
Dentro do meu coração
Estava e está no meu plano
Pois você é a mulher que amo
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REFLEXÕES
CONTEMPORÂNEAS
JLIA RE!O
OIha o passarinho!


O mundo contemporâneo trouxe uma série de
mudanças que sempre nos convidam a uma
reflexão sobre as perdas e os ganhos que obti-
vemos com essas transformações.
A propósito dessas reflexões, estive a pensar
sobre os papéis histórico e social da fotografia
e a forma com que lidamos, hoje, com o que
antes era denominado, de retrato.
Se outrora, esses chamados retratos tinham
como objetivo registrar, principalmente, mo-
mentos em família que seriam guardados para
a posteridade, hoje, percebe-se uma explosão
de recursos tecnológicos dos mais avançados,
trabalhando a favor da frenética sede de expo-
sição do indivíduo em todos os meios possíveis
de divulgação, alavancado pelo surgimento das
redes sociais.
Do ano 350 AC, quando o filósofo grego Aristó-
teles criou um método de observação dos eclip-
ses solares que não prejudicasse a visão, a
chamada câmera escura, até o século XX,
quando já se tinha conhecimento das mais im-
plicadas descobertas científicas no campo óti-
co, observa-se que o homem sempre teve fas-
cinação pela reprodução de imagens que fixas-
sem o momento No início, ferramenta de uso
restrito de profissionais, popularizou-se a partir
da propagação da grande revolução tecnológi-
ca ocorrida dos últimos tempos, ao lado das
políticas econômicas praticadas, principalmente
nos países emergentes, que favoreceram a in-
serção das camadas mais pobres da popula-
ção, oportunizando-lhes o acesso a todo tipo de
bem de consumo, incluindo-se aí, as mais mo-
dernas câmeras fotográficas que passaram a
ser objeto comum e indispensável no dia a dia
das pessoas.
Profissionais, ou não, levadas a tiracolo, peque-
nas, grandes, analógicas, digitais, ou já acopla-
das aos aparelhos celulares, o que torna mais
fácil e rápido o registro das caras, bocas e cor-
pos, as câmeras são utilizadas por crianças,
moços e velhos com uma destreza que se con-
trapõe aos idos anos em que era necessária a
contratação de um fotógrafo particular, experi-
ente e com habilidade para manejar tão delica-
do mecanismo, afinal corria-se o risco de se
queimar as fotos, perdendo-se, assim, todo o
material conseguido após longos minutos de
preparação de poses rigorosamente ensaiadas.
Explorado ao longo do tempo para registro de
fatos e figuras históricos, tornando-se, até, uma
ameaça à reprodução pela pintura, o ato de fo-
tografar vem assumindo uma nova roupagem e
perpassando por uma série de transformações
que variam desde o processo técnico de fixa-
ção da imagem até as mais discutíveis inten-
ções individuais e coletivas.
Com o advento da tecnologia, constata-se que
a expectativa gerada em torno das fotografias
mudou um pouco de lugar. Se antes se espera-
va ansiosamente para ver as fotos tiradas, o
que demandavam dias e dias até que o filme
fosse revelado, atualmente a expectativa é ape-
nas instantânea, já que se usufrui do providen-
cial recurso de visualização da imagem em
tempo real, possibilitando aos mais exigentes
"modelos¨ descobrir defeitos, ângulos mal posi-
cionados, fios de cabelos arrepiados, sorrisos
congelados, num repetir incansável em que se
brinca e se briga com a imagem inúmeras ve-
zes até se atingir o ideal de perfeição social-
mente cobrado na contemporaneidade. D'e1ue
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Mas, o que foi feito da foto?
Onde se escondem a não ser nos arquivos dos computadores que poderão ser deletados a
qualquer momento, levando para o vazio momentos, rostos, lugares e nós mesmos?
Onde ficou a alegria que sentíamos quando nos reuníamos para relembrar de momentos ines-
quecíveis registrados no papel que, passados de mão em mão, provoca risos e lágrimas com-
partilhados com tanta emoção? Tudo se perdeu no labirinto frio da tecnologia, onde a única pre-
ocupação consiste em armazenar imagens plastificadas para serem exibidas nas redes...
Negar a praticidade das inovações tecnológicas seria negar a necessidade de evolução científi-
ca da espécie, mas permitir que nossa memória afetiva se vá, inesperadamente, é torcer para
perdermos a própria história.


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INFINITA MULHER

Por Nubia Strasbach

Tudo começou de repente...eu olhei pra ela, ela olhou pra mim nos demos
bem à primeira vista.
Era mês de março, dia da mulher, foi por acaso que a encontrei. ela tinha
escrito coisas tão lindas que logo no primeiro momento não parei de ler.
Eu a lia todos os dias, no mesmo e-mail, no mesmo computador.
Ela escrevia coisas tão lindas, não foi difícil tornar-me fã....acabei não tendo
como escapar, acabei tendo que lê-la todos os dias.
Era de manhã, tarde, noite, o pessoal já não aguentava tanto puxa-
saquismo.
Não adiantava eles brigarem, eu lia todos os dias a mesma coisa. Eu gostei
e daí? Queria ler as coisas dela, ninguém ia me impedir.
Ela escrevia poeticamente que muitas vezes chegava a imaginar seu cora-
ção.
Essa amizade dura alguns meses e acho que vai longe.
O nome dela é Jaqueline Aiseman, e ela vive no meu e-mail a escrever belís-
simas histórias...e eu vivo a ler esta ÌNFÌNÌTA MULHER...
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PALAVRA
CRÔNICA
Anaximandro Amorim
O UNIVERSO DA MULHER

Sapato Cabelos Ai, tô gorda Menino, cê já
foi tomar banho Salão Escova Ah, o Brad Pitt
Batom Hidratação Olha só esse vestido TPM
Você não gosta mais de mim Chocolate Curio-
sidade Amigas Dupla jornada Filhos Casamen-
to Ginástica Maquiagem Brincos Ai, para Flores
Jantar a luz de velas Novela Escova progressi-
va Lente de contato colorida Ser mãe Creme
para as mãos e pés Não tenho roupa Amor,
olha só isso aqui Cartão de crédito estourado
Tá difícil arrumar namorado Horas e horas ao
telefone Queria fazer uma lipo Queria botar sili-
cone Eu já tive uma Barbie assim Luzes no ca-
belo Você não notou nada de diferente em mim
Homens, vocês são todos iguais Homem ne-
nhum presta Ciúme Muda tudo depois que a
gente tem filho Colar Biquíni Amor, tô com de-
sejo Queria ter o corpão da Juliana Paes Saída
de praia Levar as crianças pro colégio Lista de
compras Foi a chata da sua mãe Comédias ro-
mânticas da Meg Ryan Aquela música, se lem-
bra, de quando a gente deu o primeiro beijo
Cadê aquele grampo que tava aqui Tintura pa-
ra cabelo Cílios postiços Lente de contato colo-
rida Bolsas Perfume Fazer as unhas Dieta para
emagrecer Tô naqueles dias Menino, já fez de-
ver de casa Os lábios da Angelina Jolie Refri-
gerante demais dá celulite Tô ficando velha,
mesmo Não gosto do meu cabelo Vou virar vo-
vó Lembrar todas as datas Pretinho básico Lixa
de unhas Espelho Trabalho Exame contra o
câncer de mama Lei Maria da Penha Cidadã
Exercícios para o bumbum Com que roupa eu
vou Sexto sentido Filho criado, trabalho dobra-
do Não fui com a cara dela Fofoca Leite mater-
no Amor, mamãe vai passar uns dias aqui Ai,
homem tem que ter pegada Acessórios Gravi-
dez Hormônios Exercício para as pernas Co-
mer sem culpa Relacionamento Casal Menstru-
ação Segredo Menina Casamento Tô de mau
humor Sexo Tô grávida Carência afetiva Ligo
pra ele ou não Drenagem linfática Closet Sapa-
to apertado Caminhada na praia Compras Meu
cabelo Tô horrorosa Pílula anticoncepcional
Cachorrinho Útero Não sei se corto meu cabelo
agora Menopausa Tô pensando em fazer uma
tatuagem atrás da nuca Reposição hormonal
Lingerie Esperar o cabelo crescer Moda Deco-
ração Cólica Filhos Cesariana Guarda roupa
Customização Exclusividade Balada Petit Gâte-
au 50 Tons de Cinza Salto alto Sexo Atenção
Carinho Ele é um fofo Tomara que caia Dia dos
namorados Não sei o que escolher Ginecolo-
gista Barriga na negativa Sou muito mais bonita
hoje do que quando tinha quinze anos Beijo na
boca Meia fina Babados Calça saruel Deixar as
costas de fora Tô confusa Homem não sabe
fazer nada direito Tô bem sozinha Onde foi que
eu errei Rasteirinha Penteado Corpete Brinco
Anel Emotiva Linda Feliz Dia Ìnternacional da
Mulher...
!rte b0 healene
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Santas seríamos, santas somos

Por JacqueIine Aisenman

Na verdade eu seria santa
se não tivesse sido tantas antes
tantas outras coisas.
E também se não tivesse tantas vontades
as tantas de depois
de ser depois
e ter depois
e nem sei antes ou depois do que.
Seria santa como são todas as mulheres
as que nasceram antes e depois.
Porque as virtudes da santidade não estão no depois de tudo,
mas exatamente no antes de qualquer coisa.
E se eu fosse então santa e todas as outras também seriam
seríamos todas.
Partilharíamos com a vida nossos martírios pessoais e mundanos
e escolheríamos a cor do altar
(combinando com nossos olhos ou com o salto alto).
Nós, mulheres, somos as tais santas que não se venera.
Usamos batom, saias que voam e baldes na cabeça.
Também cuidamos para que o decote seja tão vasto
quanto é nosso coração (de vez em quando nos fechamos em golas altas).
As cores dos vestidos fazem coro com os sentimentos
e por isto somos floridas, coloridas ou no luto nos escondemos.
Não temos tempo de ser mãe de um só filho, somos mães mesmo sem filhos,
nossos filhos estão pelo mundo, espalhados e não nos chamam de mãe.
Devotas esposas de homens que muitas vezes nem sabem que com eles casamos.
Ìmpiedosas amantes de homens que muitas vezes nem sabem que são eles que
amamos.
Agarramos com as unhas o que queremos, arranhamos com as mesmas unhas o
que nos violenta.
Somos as santas profissionais da casa, da vida, do amor, do sexo, dos sonhos, da
crueldade.
Somos as santas que o povo ama e tripudia.
Alcançamos a graça simplesmente por ter nascido
mulher.
Ima1em b0 'hirin Eeshat
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DEUSAS E MONSTROS

Por Ana PoIessi

Todo dia ela acordava Esfinge. Esfinge Egípcia,
quieta, muda,
olhar de Capitu. Olhos de ressaca que engo-
lem a alma de quem se atreve a encará-los. O
marido já deixava o café pronto e ela ficava ali,
sentada por 40 séculos em sua cadeira, olhan-
do para o lugar vazio outrora ocupado pelo filho
que se casara com uma Esfinge Grega, agres-
siva, provocadora e louca, que ele encontrou
no meio do caminho para Tebas.
"SereialindacantoraigualzinhaadescritaporJame
s¨. Atendia pelo nome de Joyce e tinha longas
serpentes na cabeça, empinadas e prontas pa-
ra dar o bote, apenas aguardando um cidadão
desavisado. Serpentes douradas que se estica-
vam sob a luz quando o sol aparecia e tornava
morno o sangue frio de réptil.
Então ela se olhava no espelho e perguntava
se era ainda a mais bela, mas o espelho sabia
que ela estava na TPM e tinha medo de res-
ponder. Furiosa com seu silêncio, ela arremes-
sava o celular na parede e gritava que queria
que o espelho fosse embora, ou então que
Deus a matasse logo, antes que suas rugas se
multiplicassem e que o maldito fogo da meno-
pausa a consumisse em alguma longa noite de
insônia. "Deus, me dê um dinheirinho para a
lipo e para o botox!¨
Lá pelo meio dia ela era loba, perseguindo o
estagiário que esquecera de pagar suas con-
tas, arrancando um braço ou uma perna do
chefe tirano, fugindo dos caçadores que a de-
sejavam em suas camas apenas por uma noite.
Ligou o rádio e ouviu aquela música romântica
que a fazia lembrar do seu primeiro amor. Pa-
rou imediatamente em contemplação!
Da sua fronte brotaram estrelas e ela abraçou o
mundo. A Grande Mãe, dando à luz toda a Cri-
ação. A inimiga da Morte, a Guardiã da Vida.
Em meia hora já havia esquecido todo o ódio
que sentira pela raça humana e estava prestes
pisar com o pé direito sobre a cabeça da ser-
pente. Mas teve pena dela,
porque a Mãe se apieda de todas as criaturas.
Ela se esticou sobre o mundo e seu corpo era o
Céu.
Quando a tarde desceu sobre seu coração ela
se fez chão e abriu-se para o arado e as se-
mentes e amou tanto a humanidade que floriu
inteiramente. Rainha da Primavera. De suas
mãos caíram grãos de trigo e frutas e dos seus
seios correram rios de leite e mel, alimentando
todos os seus filhos e filhas.
Quando veio a noite ela encolheu-se tanto, tan-
to que virou uma menina. Uma menina curiosa,
de 79 anos. Ela era impertinente. E seu nome
era Joana. Ela não sabia, mas era Joana ago-
ra. Joana D´arc. Mal conseguia carregar seu
escudo na batalha por causa da osteoporose.
Consciente do seu destino, após tantas aventu-
ras, deitou-se sobre a grande pira à qual os ho-
mens deitaram fogo.
Seu corpo queimou inteiro e ela se fez uma
com o fogo, mas quando pensaram que haviam
sobrado apenas um montinho de cinzas, ela se
levantou, com grandes asas brancas, imensas.
E voou para o Egito, para onde tudo começou.
Por que toda mulher é uma Fênix.
8intura b0 ;rida Fahlo
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MULHER

Por Maria Aparecida FeIicori (Vó Fia)

O mundo foi dividido em dois campos:
o campo feminino e o masculino, mas
não são sempre campos pacíficos, por-
que homem e mulher são diferentes em
tudo e é preciso uma boa vontade enor-
me, para que esses dois opostos consi-
gam conviver pacificamente; mas hoje
vou tentar descrever apenas a mulher,
que é considerada a parte frágil dessa
dupla antagônica.
A mulher ao nascer já nasce forte, ao
contrario do que se acha e se diz, por-
que suas tarefas nesse mundo são pe-
sadas e difíceis, mas sempre mantendo
a fé na própria força, a mulher supera
todos os entraves que encontra ao longo
de sua vida e vai em frente, lutando sem
desânimo para vencer e suportar tudo
que aparecer, seja no trabalho ou na vi-
da particular.
Responsável pela parte difícil e doloro-
sa de povoar o mundo, a mulher sofre
sem reclamar, porque a parte sublime
dessa vida é ser mãe e junto com os fi-
lhos vem o trabalho de encaminhar no
mundo suas abençoadas crias; o primei-
ro alimento do ser humano é o leite de
suas mães e crianças saudáveis são ali-
mentadas com ele, e esse é mais um
privilégio.
Além de ser mãe, a mulher trabalha
sempre em duas jornadas, em casa cui-
da dos afazeres que confortarão suas
famílias, mas a maioria das mulheres
trabalha fora de casa, em atividades va-
riadas, para fortalecer a renda familiar,
ajudando na parte financeira da família,
sempre preocupadas com os filhos que
deixaram em suas casas.
A divindade não pertence a esse mun-
do e só por isso a mulher não é divina,
porque em uma mulher se encontra a
filha, esposa, mãe, educadora, enfermei-
ra, cozinheira, lavadeira e uma profissio-
nal de alguma área que possa render al-
gum dinheiro; a mulher devia ser o sexo
forte, porque nas lutas diárias, ela é a
primeira a acordar e a ultima a dormir.

PARTÌCÌPE DE NOSSA
EDÌÇÃO DE MAÌO!

VAMOS FALAR DA NATUREZA
E DA VÌDA!
VAMOS FALAR DE
PRESERVAÇÃO!
VAMOS NOS UNÌR EM
TORNO DA DEFESA DA
FAUNA E DA FLORA!

Envie seus textos até 25 de
março para
varaldobrasil@gmail.com
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CORTE

Por Vera Ribeiro

A vida pode ser bem mais simples e fácil, basta
seguirmos dois passos:
1º - Fazer escolhas! Determinar, esco-
lher, fazer metas... sonhar com o que se
deseja atingir. Onde se quer chegar?
2º- Foco! Foco constante!!
No segundo passo é onde se encontram a mai-
oria dos nossos problemas. Problemas? Bem,
vai depender do ponto de vista de cada um e
da real vontade de se chegar até as metas fei-
tas anteriormente. Daí uma frase que me cha-
mou muito a atenção: “! mais im*ortante não
/ o .ue eu sinto, mas o .ue eu *enso”0
Como assim? Bom, sentir... eu sinto muitas
coisas num mesmo dia. Diariamente temos
uma inundação de sentimentos variados. So-
mos atraídos para um e outro lado. Sentimos o
desejo de ter o que vemos! A questão é: isso
que estou desejando é algo que somaria para
alcançar meus objetivos?
Um esportista ou uma bailarina, por exemplo,
não pode se deixar levar pelos doces encantos
da vida. Suas metas devem estar acima! Um
nível acima do que comumente nos atrai.
Mas erramos! Permitimos ser desviados do
nosso foco. Tropeçamos, caímos. E de repen-
te, não estamos mais caminhando em direção
as metas que antes tínhamos porque fomos
influenciados pelos muitos "sentimentos¨,
aqueles tantos que temos diariamente. Então é
preciso pensar certo. Colocar a cabeça no lu-
gar antes que nossas metas fujam ainda mais
do nosso alcance.
Não tenho paciência com choromingos! Nem
meus, nem dos outros! Se começa com "ah...
mas era tão bom, não pude resistir¨. Ou, "era
muito tentador¨... ai, ai, ai. Corte já! Cadê seus
objetivos? Cadê suas metas? Lembre: “! mais
im*ortante não / o .ue sentimos, mas o .ue
*ensamos1¨ Volte a cabeça para o item 2 – o
foco!
É simples: se certas atitudes ou vícios estão
atrapalhando sua vida, corte fora! Se beber re-
frigerante te faz mal, corte fora! Se comer cho-
colate, ou qualquer outra deliciosa sobremesa
prejudica sua saúde, cooorteeee fora! Enfim,
se há alguma coisa ou alguém na sua vida que
não faz parte dos seus planos, e que está re-
primindo seu crescimento, corte fora! Passe a
faca mesmo! (é figurativo, POR FAVOR!!)
Às vezes, as pessoas nem têm a intenção de
causar algum efeito sobre nós. Nós é que te-
mos sentimentos temporários em momentos de
vulnerabilidade. Mas, se persistirem os
"sintomas¨ e estiver te fazendo perder o foco,
corte fora!
Mas vai doer? Sim, vai! Em certos casos dói e
muito! Até te faz chorar. Mas corte!
Ah, se vai doer...
Gente, é um corte! E como todo corte nos faz
sentir dor. Mas é algo necessário, se é que ain-
da temos nossos objetivos iniciais.
Mas como todo corte, depois de alguns dias
começa o processo de cura e cicatrização. En-
tão... ah, que delícia. Já podemos ver os pri-
meiros resultados positivos e claros de que es-
tamos de volta no trajeto que vai nos levar até
as nossas metas. Vemos claramente que "o
corte¨ foi essencial, a melhor decisão que tive-
mos. Pois pensamos! Não deixamos ser leva-
dos pelo que sentíamos. Cabeça no lugar, cor-
po caminhando em linha reta.
Já ouviu alguém dizer que a vida é como um
filme, com você no papel principal? Então... po-
de até ser que quando chegarmos aos capítu-
los finais tenhamos tido tantos cortes na nossa
vida que estaremos cobertos de cicatrizes. Mas
elas serão como troféus pela nossa persistên-
cia e determinação.
No final do filme da vida, veremos que passa-
mos por um longo e doloroso processo que se
chama EU... em construção!
Até que depois da última cena seja
dito:
"claquete: CORTA!¨
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Infinita MuIher

Por José HiIton Rosa

Olhar apagado, pela dor
Olhar singelo, pela beleza
Olhar azul, sonho de viver
Olhar cativante, jeito de mulher
Forte e soberana, sempre mulher
Ìnfinita mulher

Despertando corações
Decorando espaços
Decodificando o amor
Demorando na chegada
Deflorando o ciúme
Ìnfinita mulher
Ima1em b0 #auri-&lan?
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CRIAÇÃO

Por José NedeI

Com boa economia veio a mulher.
Seu criador no sexto dia foi erguê-la
Do pó, ou seja, de uma adâmica costela,
Sem materiais sofisticados despender.

Também por parcimônia a não poupou sequer
De alguns neurônios menos reservar para ela*.
Mais que teórica ele a quis bondosa e bela,
Para os homens enfeitiçar, jamais perder.

Todo artífice humano à imperfeição se dobra.
A finitude lhe seu alto preço cobra,
Nem que talento lhe sobeje e gosto fino.

Esculpir a mulher, segundo esse projeto,
Sem desperdício, inteira, com cinzel correto,
Apenas um artista o pode: o divino.
Ima1em b0
h-p.//carmenrsonnes.com/
carmenrsonnesG0ahoo.com.
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Vapor de alma

Por PauIa AIves

-uando não 2ou,er uma $uro*a, uma 3sia ou uma 3"ri%a .ue nos "ronteiri%e,
serei a mul2er .ue todas somos %a*a4es de ser0

! mist/rio da 5in5a em mim dançar6 na alti,e4 do 7orte .ue o !riente so*ra8
r6 *elas estrelas0
-uando não 2ou,er uma %or, um %2eiro ou ,e9 .ue des,ende a di"erença,
mostrarei o odor dos b6lsamos es%ondidos em %ada uma de n:s, mul2eres do
mundo .ue nos abraça, nos tem de desd/m e .ue n:s dei;amos .ue nos de8
senla%e0

-uando não 2ou,er um limite de sombreado sobre %ada uma de n:s em tons
di"erentes *ela man2ã, dei;arei .ue o l6*is .ue me *inta me dei;e a*enas ser
um desen2o nosso ima5inado *or di,ersos %riadores0

-uando a %or "alsamente im*rimida se des,ane%er na sua *erenidade, dei;a8
remos .ue a essên%ia do %ar,ão e;ale o %2eiro, o odor, o aroma e o *er"ume
da nossa000

#LM#0
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ECO"OLUNT#RIA
A$%&an'ra Ma(a$h)%s
*%in%r
ELE MORREU POR ELA


Chico Mendes passou sua vida inteira viven-
do e Iutando peIa defesa das fIorestas tropi-
cais do BrasiI. Seu compromisso com a pre-
servação ambientaI, como uma forma sus-
tentáveI de vida, custou sua própria vida. Há
25 anos a Amazônia se despedia de mais
um guardião da fIoresta...
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em 15 de
dezembro de 1944, no Seringal Santa Fé, Xa-
puri, Acre. Sua família era de seringueiros, pes-
soas que ganham a vida de forma sustentável,
complementado seu rendimento com a colheita
de nozes e frutas da floresta tropical. Ele come-
çou a trabalhar quando tinha apenas nove
anos, e nunca recebeu qualquer educação for-
mal. Dizem que Chico Mendes aprendeu a ler e
escrever quando tinha cerca de 20 anos de ida-
de. Alguns dizem que sua educação foi influen-
ciada por Euclides Fernandes Távora, descrito
como um "comunista", foragido da ditadura mili-
tar na década de 60.
Quando Chico Mendes começou a organizar os
seringueiros da sua região, ele foi logo eleito
presidente do Sindicato dos Seringueiros de
Xapuri. Graças ao seu trabalho foi organizado o
Conselho Nacional dos Seringueiros do Brasil,
em meados dos anos 1980, e Chico foi eleito
líder do grupo.
Existia na época (e infelizmente ainda existe)
uma pressão econômica imensa para desmatar
a floresta para pastagem de gado. Apesar das
evidências de que a colheita de borracha da
floresta, frutas, castanhas e outros produtos é
uma prática mais sustentável, e que gera mais
renda por um longo período de tempo, o corte
da floresta estava ocorrendo a um ritmo acele-
rado na década de 1980 .










(Segue)
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Enquanto 130 fazendeiros expulsaram cerca de
100.000 seringueiros da floresta tropical, Men-
des e seus trabalhadores revidaram, reunindo
famílias inteiras para ficar na frente das motos-
serras e tratores. Seu esforço teve algum su-
cesso, e atraiu a atenção da comunidade ambi-
ental internacional. Chico Mendes recebeu do
Programa Ambiental das Nações Unidas, Glo-
bal 500, Roll of Honor Award em 1987, e tam-
bém ganhou National Wildlife Federation
Award, em 1988.
Quando o fazendeiro Darly Alves da Silva ten-
tou desmatar uma área de floresta que foi pla-
nejada a ser uma reserva natural em 1988,
Mendes conseguiu parar a exploração. Na
mesma época ele ganhou um mandado de pri-
são para Darly, por um assassinato que este
havia cometido em outro Estado, mas a Polícia
Federal o ignorou.
Por seus esforços , Chico Mendes e sua família
recebiam ameaças de morte constantes – mea-
dos de 1988, o próprio Chico previu que não
viveria até o Natal. E na noite de 22 de dezem-
bro de 1988, Chico Mendes foi morto por um
único tiro de espingarda, fora da casa de sua
família. Ele foi um dos 19 ativistas assassina-
dos no Brasil naquele ano.
O assassinato de Mendes provocou indignação
internacional e protestos no Brasil, mesmo sen-
do um desconhecido pela grande massa, o que
resultou na detenção e condenação de Darly
Alves da Silva e seu filho Darly Alves da Silva
Jr..
Em parte, como resultado do assassinato de
Mendes, o governo brasileiro deixou de subsidi-
ar operações de exploração madeireira e pecu-
ária, e estabeleceu muitas áreas como reservas
naturais, incluindo uma homenagem ao ativista,
Parque Chico Mendes. O Banco Mundial, que
já financiou o desmatamento da floresta, agora
é o financiador de reservas naturais onde plan-
tações de borracha são vistas como um meio
de sustentável para seus habitantes.

Mas nem tudo está bem nas florestas brasilei-
ras e sul americanas. Desde 1988, somente no
Brasil, segundo registros oficiais, a luta contra a
exploração desenfreada das florestas tropicais
custou a vida de cerca de 1.000 ativistas e de-
fensores (as) das nossas matas. Muito trabalho
ainda resta ser feito para honrar o legado de
Chico Mendes. A vida e morte deste defensor
da Amazônia foi um marco para a história da
defesa ambiental no Brasil, e eu ainda me per-
gunto: quantas outras vidas ainda serão ceifa-
das para que nossas matas e florestas conquis-
tem o direito a viver em paz com seus habitan-
tes?
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VOCÊ,MULLHER


Por Luiz CarIos Amorim


Você, mulher, você,
que invade meu coração,
infiltra-se no meu sangue
e aguça os meus sentidos...
Vem, me afaga, me afoga,
nessa fuga desenfreada
do mundo fora de nós.
Vem e pisemos juntos
este caminho só nosso
para o país do amor.
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40 anos

Gaiô


Aos 40 anos, amarrou fita no cabelo,
blusa insinuante de poá em preto e vermelho,
toda novidadeira, amanheceu diferente...
Parecia ter despertado a alma de uma estrela mais madura,
sorridente, que até então adormecia.
Uma alegria fácil, descontraída,
de coragem atrevida e nua
se agarrando às descobertas do amar melhor...
Mulher revelada, juventude doce, pureza segura,
tão gostosa de amante experiente,
vivacidade e ternura...contente... pura energia...
Nova em sabores, odores de um mundo mágico
recriou os dias, intuindo da magia o que queria.
Portas, janelas abertas, nos vãos se sabendo de luz invadida,
...
Vielas belas acresciam de poesia...toda desilusão...
Foi dali pra melhor...
h
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Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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-O .-IV'RSO D'
G.A/IRA 0A/I'L
Sobre muIher e textos......

"O fuso e a roca são, na verdade, as ferramen-
tas de toda mulher, e são muito apropriadas
para que se evite a ociosidade...Mesmo as pes-
soas de posses e de alto nascimento treinam
as filhas para que teçam tapeçarias ou tecidos
de seda. Mas seria bem melhor se as ensinas-
sem a estudar, porque o estudo ocupa a alma
inteira¨

Assim se referiu à mulher o teólogo humanista,
filósofo, educador, Erasmo de Rotterdam, um
sábio, inicio do século XVÌ. Mas já no século
seguinte, na França, elas ousaram estudar, dis-
cutir filosofia e arte, e até escrever, sendo, en-
tretanto, ridicularizadas e criticadas pelos ilumi-
nistas, que se consideravam revolucionários e
únicos detentores do direito de fazê-lo. Jean
Jacques Rousseau, teólogo, filósofo, político,
compositor e um dos principais filósofos do Ìlu-
minismo, representando o pensamento da épo-
ca, as achava pretensiosas e uma ameaça ao
que considerava um terreno unicamente do do-
mínio masculino, tendo manifestado essa opini-
ão em várias das suas obras, em que dizia com
clareza, que trabalhar com agulhas era a ver-
dadeira natureza da mulher.
Em que pese ter sido o trabalho de cardar, te-
cer e fiar, feito unicamente por mulheres, o sus-
tentáculo da economia de países europeus du-
rante o Renascimento, facultando que os paí-
ses do Norte equipassem navios com fins de
exploração do Novo Mundo _ à exemplo das
Companhias das Índias Ocidentais e Orientais,
holandesas, que se constituíram principalmente
com os resultados da manufatura e do comér-
cio têxtil, onde a mulher se insere como funda-
mental força de trabalho, de grande importân-
cia e necessidade _ seu trabalho não era soci-
almente reconhecido nessa perspectiva, mas
como algo muito natural e suas autoras um me-
ro elemento de combustão. Elas podiam sus-
tentar a economia, desde que caladas.
O texto cujas pegadas foram deixadas unica-
mente pela mulher, em que a produção foi a
base da economia no mundo durante séculos,
e cujo produto final, em sua maioria, eram as
vestimentas, "uma das mais antigas marcas da
civilização¨, não era sequer reconhecido, e nem
se inseria nas culturas no contexto da sua im-
portância, mas o texto produzido através da pa-
lavra escrita por mulheres, como as autoras de
encantadores contos de fada, ou os de Mada-
me de Stael, Madame Lafayette, entre muitas
outras, despertavam a atenção e eram alvo de
escárnio e zombaria, aos quais se opunham
obstáculos que seriam intransponíveis, não fos-
sem sua força, tenacidade e consciência da
pertinência do que tinham para dizer, já que,
nesse período, de forma subjacente e sem in-
tenção, a mulher construiu História, pois, a es-
sa altura, nos ambientes eminentemente femi-
ninos elas conversavam, cantavam, trocavam
experiências do mundo doméstico e pessoal,
da família, dos seus filhos e maridos, mas tam-
bém do seu imaginário, de desejos, de sonhos,
entre tantos outros universos, momentos em
que também experimentavam narrando, ouvin-
do e exercitando as palavras com uma autono-
mia que não tinham em outros ambientes na-
quele período.
Não é de causar estranhamento que isso vies-
se a acontecer, pois existe estreita relação en-
tre o ato de tecer e de pensar, porque, quando
pensamos construímos relações, criamos elos,
como uma teia, e naqueles espaços de confina-
mento em que trabalhavam, fossem individuais
domésticos ou coletivos, as mulheres passa-
vam boa parte do seu tempo. Ìsso me faz lem-
brar Penélope e outras mulheres e tecelãs ex-
traordinárias, e a um consequente questiona-
mento: (Segue)
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serão apenas as aranhas femininas que tecem
as teias? Também me reporto a Platão quanto
à essa similaridade e cada vez mais me per-
gunto se aquela atividade não teria, ao final das
contas, favorecido as mulheres... para ele, a
"atividade da tecelagem se assemelha à de um
político, que deverá saber cardar (separar os
fios) e tecer ou fiar, porque sua missão seria a
de unir o tecido maior e o menor para adequar
a vestimenta, se constituindo essa missão uma
arte, a de conduzir homens¨...mas não creio
que ele tenha sido diferente dos homens de
sua época, e de épocas posteriores, e tenha
feito essa analogia por entender a importância
de um trabalho eminentemente feminino, essa
preocupação não ocuparia a cabeça dos ho-
mens.
A Revolução Ìndustrial trouxe uma séria conse-
quência, similar ao fenômeno do desemprego,
pois as mulheres, de um lado foram libertadas
do tear, mas de outro ficaram sem sua ocupa-
ção, que de certa forma, gerava alguma renda,
ainda que indiretamente; porém, progressiva-
mente, ela foram reagindo e ocupando outros
espaços e, no caso da escrita, passaram das
conversas em espaços restritos, às cartas, aos
livros e, finalmente, à imprensa.
É interessante desvendar esses caminhos de
participação da mulher no universo literário, já
que sua atuação ali, embora riquíssima, era
mais ignorada, quanto mais atuante ela se tor-
nava, chegando à proposital invisibilidade em
determinada fase; e nesse entre espaço onde
tinha uma sub vida, nesse "entre lugar¨, ela
gestou e deu crias, já que, em sendo invisível,
ele não tinha fronteiras limitadas... aí ela se for-
taleceu, num processo de retroalimentação, até
tornar-se um grupo de mulheres escritoras for-
tes, conscientes e que tinham muito o que di-
zer. Conhecer sua trajetória desde os primór-
dios de sua atuação e o papel desempenhado
pela imprensa feminina brasileira do século
XÌX, como suporte à mudança do paradigma
que aprisionava a mulher como propriedade
masculina, assim como o que veio a mudar
nessa relação e na sua atuação na sociedade
como um todo, é fascinante...
Alguns autores vêm discutindo essa questão,
interessados na escritura jornalística feita por
mulheres, indagando-se sobre o que pensa-
vam, sentiam e escreviam no período em ques-
tão, como um marco para as mudanças decisi-
vas que terminaram por atingir as bases da so-
ciedade no "rastro das grandes mutações políti-
co-econômico-sociais que se aceleraram no
século XX¨, assim como das profundas modifi-
cações ocorridas nas relações homem-mulher
e, consequentemente, na família e na socieda-
de. Os documentos que registram essas experi-
ências do passado vêm sendo redescobertos
ou reanalisados sob outras perspectivas, po-
dendo-se considerar que o fenômeno reabre as
discussões sobre esta questão em específico e
sobre linguagens outras, que ainda hoje aque-
cem as opiniões sobre o estar da mulher em
sociedade.
Reforçando o que foi dito pouco acima, Norma
Telles, em sua obra, RebeIdes, escritoras aboIi-
cionistas, nos refere que na sociedade oito-
centista a criação seria um dom exclusivamente
masculino e que [para a mulher] o livro era a
almofada e o bastidor, e mais, que é necessário
rebeldia e desobediência aos códigos culturais
vigentes.

Há pouco tempo, numa novela que retratava o
início da República no Brasil, vimos que uma
mulher, mesmo sendo competente jornalista
precisava usar um pseudônimo masculino para
publicar num jornal seus artigos de excelente
qualidade. Ainda da autora supracitada: o "ato
de escrever implica numa revisão do processo
de socialização, assim como das representa-
ções conscientes e em enfrentamentos do in-
consciente, também ele invadido pela situação
objetiva da dependência do homem, que condi-
cionaram a formação do eu¨. Sem dúvida, essa
é uma questão que merece um debate mais
aprofundado por se tratar de identidade, uma
dimensão muito além da condição de ser do
gênero ao qual pertence, mas do ser feminino
na mulher contemporânea, que se aloja na sua
mais íntima condição de sujeito tanto individu-
al, quanto coletivo, e implicitamente instalado e
aceito na sociedade, que terminou por ser inter-
nalizado e compor o inconsciente coletivo, uma
vez que a memória individual alimenta-se deste
ultimo, e que o ato de lembrar não é autônomo,
estando enraizado no movimento interpessoal
das instituições sociais. Essas 'fronteiras' e es-
ses movimentos terminaram por denunciar
abismos que foram corajosa e sub-
repticiamente explorados, desmistificados no
submerso universo feminino em qualquer ins-
tância, notadamente o da literatura, nosso foco
aqui, mas que se desdobraram em muitas es-
quinas que apontaram infindáveis caminhos e
formas de caminhar...
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MuIher: oIhar no coração

Por EIoisa Menezes Pereira

Somos temidas pela História
Promovidas pelo afeto da sutileza
Circulando a vitória
Transformando a frieza

Mulher, tua indenização
Esculpe o cenário da oportunidade
Detalhas a imaginação
Alinhavando a sanidade

Ìnterages pelo tempo
Diagnosticando a evolução,
Qualificas o sentimento
Ampliando a relação
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MuIher

Por Fernanda Fava Bondan


Menina Moça
Eva Maria Afrodite
Cleópatra Helena Evita
Sábia Sacerdotisa Filosofa
Poeta e Santa
Deusa Mãe
Fada e Bruxa
Esposa e Amante
Companheira Protetora Acolhedora
Enigmática Venerada e Bela
Divina e Glamorosa
Rainha Princesa e Gata Borralheira
Guerreira Valente Forte Ìmponente
Conselheira
Amorosa Dengosa e Sorridente
Educadora
Preciosa
Mulher és Formosa
És Maravilhosa
És Luz que Conduz
No teu ventre e em tuas mãos
O mundo se renova
Seiva fecunda
Semente que germina
Floresce Embeleza Perfuma
Ima1em b0 !leC "oss
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Carma

Por EveIyn Cieszynski

Deixei de voar
e começo minha jornada a pé
Minhas costas estão cansadas,
o suor escorre pelo rosto,
mas a paisagem é sempre a mesma

Nenhum sarcasmo, nem ironia
Somente a caminha de um
viajante sem asas
Cansado.

Ah se eu pudesse
pintar estas ruas,
colocar diamante nas calçadas

Escrever o som dos pássaros,
esculpir os riachos,
transbordar os frutos das árvores...

E depois, morrer.
Para que pudessem enfim
enterrar meu corpo.
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HISTÓRIA DO BRASIL SOB A
ÓTICA FEMININA

Hebe C. Boa-Viagem A. Costa
A muIher brasiIeira no período
imperiaI

“ê-me uma ala,an%a e um *onto
de a*oio e eu mo,erei o mundo”0
#r.uimedes – s6bio 5re5o – )'' #+

Brasil independente! As inovações são
muitas e elas se espalham por todos os lados,
embora em alguns não tão intensamente. Des-
de a chegada da Corte Portuguesa no Rio de
Janeiro, a rotina da cidade foi quebrada, espe-
cialmente, quando o Brasil foi elevado à cate-
goria de Reino Unido. O comportamento das
pessoas também se modificou. Havia necessi-
dade de um refinamento para que os brasilei-
ros pudessem se ombrear com os europeus,
em especial. Para os homens foi relativamente
fácil esse enquadramento, pois muitos recebe-
ram uma educação de qualidade aqui mesmo
no Brasil ou, então, estudaram no Velho Mun-
do e já ocupavam postos de destaque... Mas, e
as mulheres?
Ainda continuavam subordinadas aos ho-
mens e as diferenças entre os sexos continua-
vam profundas. Se brancas, precisavam se li-
vrar do jugo patriarcal e, se negras, tinham que
lutar contra a escravidão, o preconceito racial e
a dificuldade em receber alguma instrução. En-
tretanto, alguns fatos contribuíram para que as
amarras que as tolhiam experimentassem um
ligeiro afrouxamento. O resto foi trabalho delas.
A Constituição Brasileira (1824), outorga-
da pelo Ìmperador D. Pedro Ì, no seu artigo
179 estabelecia a educação para todos embo-
ra os currículos não fossem iguais para ambos
os sexos. Era crença que as mulheres não pre-
cisavam ser instruídas e sim educadas para
melhor exercerem suas funções de esposa e
mãe. De escravas passaram a ser tomadas
como "o anjo, a rainha do lar¨ e, desse modo,
continuavam em função dos outros enquanto
seus anseios, seus ideais não eram levados
em conta. Também, ainda, perdurava a idéia
de que elas eram frágeis e não tinham capaci-
dade para exercerem atividades mais comple-
xas. "A escola para todos¨ embora com conte-
údos diferentes para as mulheres não deixou
de ser um avanço, mas precisava, com urgên-
cia, ganhar novas dimensões. Estava aí a
oportunidade para as mulheres aceitarem o
desafio e lutarem. As famílias economicamente
bem situadas viram a educação feminina como
um recurso para conseguirem um bom casa-
mento para as filhas.
(Segue)
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As moças passaram a aprender outros idiomas,
música e pintura. Com essa formação tinham
acesso aos livros nacionais e estrangeiros. As-
sim, os ideais liberais que floresciam na Euro-
pa e nos Estados Unidos chegaram até elas e
as inflamaram surpreendendo os homens de
então.
Com o preceito de que as meninas deveri-
am ter professoras, abriu-se um campo novo
para as mulheres. As que tinham aprendido a
ler e a escrever fora das escolas públicas torna-
ram-se professoras leigas. As escolas normais,
criadas visando à preparação para o magistério,
de inicio, foram abertas para os homens e só
bem mais tarde é que as mulheres tiveram
acesso a elas. Gradativamente, o magistério foi
se tornando uma profissão feminina.
Um outro fator foi o advento da imprensa
desde a chegada da Corte Portuguesa ao Bra-
sil. Logo as mulheres viram nela um meio para
expressarem suas ideias. Até aí, não se sabe
ao certo como elas pensavam posto que, sendo
iletradas na sua maioria, todas as vezes que
precisavam dos recursos da escrita tinham que
se servir da ajuda dos homens. Havia muita re-
sistência aos seus desejos de participarem e
opinarem sobre os fatos políticos e sociais, mas
elas foram se infiltrando, escrevendo crônicas e
versos. É verdade que elas raramente usavam
seus próprios nomes e se valiam de pseudôni-
mos masculinos. Era um recurso para não so-
frerem a rejeição do público. Eram toleradas
quando se restringiam a fazer versos sentimen-
tais, escrever folhetins e crônicas desde que
não se aventurassem a defender temas políti-
cos e sociais até então exclusivos do sexo mas-
culino. Quando ultrapassavam essa linha divi-
sória eram criticadas, ridicularizadas e não ra-
ras vezes difamadas. Mesmo diante de tanta
polêmica, não desistiram.
Estavam cansadas de tanto cerceamento. Que-
riam uma educação de melhor qualidade e de
todos os níveis, liberdade de expressão, de es-
colha do companheiro de vida, de profissionali-
zar-se. Queriam não mais ver o casamento co-
mo única opção de vida. Ante esse movimento
de libertação surgem teorias estapafúrdias que,
embasadas nos estudos de Lombroso, afirma-
vam que o cérebro da mulher era menor e, por-
tanto, menos eficiente. Acusavam-na de des-
controlada emocionalmente, imatura tal como
uma criança e, por isso, não era plenamente
responsável. Tobias Barreto patrocinava essa
ideia como bem demonstrou ao argumentar
contra o acesso da mulher ao curso superior.
Silvio Romero, figura de destaque nos meios
literários, foi outro que não via com bons olhos
as arremetidas das mulheres nesse campo. To-
da essa postura ecoava na imprensa, nos mei-
os artísticos, nos discursos jurídicos e nos pare-
ceres médicos.
Ainda no período imperial, os casamentos se
realizavam não segundo o desejo dos jovens e
sim de acordo com os interesses das famílias.
As meninas a partir dos treze anos eram induzi-
das a se casarem com parentes ou alguém de
posses, segundo a vontade dos pais. Daí o nú-
mero crescente de mulheres que, rompendo a
tradição, abandonavam seus maridos. Livra-
vam-se do jugo paterno e também do marital
tornando-se independentes e dispostas a dar
curso a suas ideias. E tiveram que aguentar to-
da a pressão da sociedade preconceitu-
osa.Nísia Floresta a admirável educadora e fe-
minista, em 1832, com apenas 22 anos,
(Segue)
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sacudiu toda a sociedade ao publicar seu livro
"ireitos das Mul2eres e <n=ustiça dos 2omens¨.
Nele advogava os direitos das mulheres à edu-
cação, ao trabalho e enfatizava que elas fos-
sem reconhecidas como seres inteligentes
merecedores do respeito da sociedade.
Só no final do período imperial
(1879) foi aprovada a Reforma Educacional pro-
posta por Leôncio de Carvalho que dava às mu-
lheres acesso aos cursos universitários. A pri-
meira médica brasileira precisou estudar nos
Estados Unidos para realizar sua vocação e,
possivelmente, tenha sido esse fato que sensi-
bilizou o Ìmperador a assinar essa lei. Afinal, D.
Pedro ÌÌ sabia bem o quanto era importante pa-
ra a família e para a nação uma mulher com
uma educação esmerada. Providenciou para as
duas filhas o que havia de melhor nesse campo
e encontrou na culta preceptora das princesas,
a condessa de Barral, a interlocutora perfeita
para trocar ideias.
A partir da promulgação da Refor-
ma de Leôncio de Carvalho, as mulheres acor-
reram aos cursos de medicina. Rita Lobato, foi
a primeira médica a se formar no Brasil e a se-
gunda em toda a América Latina.
Não pensem, entretanto, que toda essa
discriminação era por conta do Brasil ser um
país jovem e atrasado. As mulheres de todo o
mundo também passaram por essas dificulda-
des. Conta-se que em Edimburgo, na Escócia,
as primeiras estudantes de medicina no início
do século XÌX foram vaiadas, insultadas e agre-
didas pelos colegas. Ao invés dos rapazes se-
rem punidos, elas é que foram expulsas da es-
cola por terem sido as causadoras do tumulto.
E não só isso! A imprensa se referiu a elas co-
mo "as sete sem-vergonha¨! Por volta de 1840,
nos Estados Unidos, Elisabeth Blackwell ao ten-
tar matricular-se em escolas de medicina teve
seu pedido negado por onze entidades e a que,
finalmente, a aceitou foi duramente criticada.
Formou-se em 1849. No ano seguinte foi funda-
da a primeira escola médica para mulheres e,
apesar da grande resistência, outras foram cria-
das. Maria Augusta Estrela, a primeira médica
brasileira, estudou em uma delas. Países da
Europa, a partir de 1873, seguiram o exemplo
dos Estados Unidos e criaram escolas de medi-
cina para mulheres. A Suíça, entretanto, inovou:
em 1876 abriu escolas médicas para ambos os
sexos, tal como o Brasil faria três anos depois.
Mulheres do período colonial, cujos
trabalhos não foram registrados ou, às vezes,
atribuídos a outras pessoas, encontraram, du-
rante o Ìmpério, estudiosos que lhes devolve-
ram a autoria de sua obra, tal como aconteceu
com Bárbara Heliodora.
No final do Ìmpério elas já tinham
ampliado bastante o espaço em que podiam
atuar, mas ainda faltava muito para atingirem
uma amplitude razoável. Muitas das pioneiras
dessa época continuaram atuando após o perí-
odo imperial, sempre lutando contra os precon-
ceitos ainda bastante persistentes e abrindo no-
vos campos de ação.

Para saber mais;
COSTA, Hebe C. Boa-Viagem A. – Elas, as pioneiras do
Brasil _ Ed. Scortecci – SP - 2!
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AIma Feminina

Por Rossandro Laurindo

Ama, alma feminina
Beleza, espelho externa
Cultiva fonte cristalina
No íntimo de um coração aberto

Abram-se suas janelas
Ao amor ue vem das alturas
! simplicidade de uma flor
"ue sur#e da terra nua

$esma terra da ual foi #erada
! destra do p% retirada
&ma#em de um espelho
Nada lhe falta

'm s% universo formara sua alma feminina
(ida flui de seu íntimo
)emente de rosas majestosas
*espiram, suspiram, inspiram

Não somos di#nos de teu amor
+onte de ,#uas cintilantes
"ue revelam do coração de -eus
A face mais divina

./rolas lançadas ao mar
0ntre elas a mais rara est,
)eu olhar, p/rola ne#ra
1esouro maior onde encontrar2

0m profundezas obscuras
&ncapaz de decifrar
0m tua alma feminina
0u me perco em alto mar

.reciosa j%ia reside em seu ser
.ura, viva e latente em seu seio
Ninho belo, infind,vel
+rutifica o ue / interno

Não mantenha aprisionado
3 rouxinol das palavras belas
Nem as pombas do olhar apaixonado

-ialo#a feminina alma
0 traz forma, formata
(ida, mundo, universo mima
0difica o ue te cerca
1raz 4 tona natureza af,vel

5ardim de minas
1esouro de carícias
3lhe em volta alma límpida
)imples di#o minhas palavras

.ura, simplesmente
-e toda a vida /s semente
1u menina
+elina alma feminina, ama
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TROPOS DA PAIXÃO


Por Assenção Pessoa

Em sentido estrito
Em metáfora gasta
Ou, Substituo-te, troco- te,
Ou, apenas tua expressão me basta.

Mas ainda em versos
Paixão é excitação, é loucura.
Por ti, que em quimera me reverso
E Vivo, por tua formosura.


É semelhança,
Sentimentos, atitudes
São tropos, são falas,
Mas o que sinto a estro
Em efeito me cala.

E dentro do peito
Silencio.
Não posso viver
Um amor tão perfeito
Então morro,
Com supremacia.
Adeus sonho desfeito.
Ìdolatria.
Ima1em b0 %ctavio %campo
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FALAN#$ #E %ULTURA
MarIuce AIves Ferreira
PortugaeIs
MuIher Inteirada
Mais um mês de março vem aí e mais uma co-
memoração ao Dia Ìnternacional da Mulher se
prepara! E, em Falando de Cultura, o que se
tem vontade de perguntar é: Por que a mulher
precisa de um dia para ser homenageada?
Existe um Dia Ìnternacional do Homem? A res-
posta parece ser "Não!¨. Por que, então, um
Dia da Mulher? Não são ambos, homem e mu-
lher, seres humanos com os mesmos direitos e
deveres? Em tese, sim, mas, em termos práti-
cos, sabemos que não é verdade. Reflitamos
sobre isso.
Um retrospecto da trajetória da mulher no Brasil
nos revela que ela só teve direito à educação
formal na segunda década do século XÌX e só
no final do mesmo século acedeu ao ensino
superior. O direito de votar, as mulheres só o
obtiveram em 1932, com o novo Código Eleito-
ral promulgado por Getúlio Vargas, sendo que
nas eleições de 1933 foram eleitos 214 deputa-
dos e uma única mulher, a paulista Carlota Pe-
reira Queiroz. Depois de mais de cem anos de
República, em 2010 foi eleita uma mulher Pre-
sidente da República do Brasil. Nos esportes, a
prática esportiva feminina foi normatizada na
década de 1960, mas, são muito recentes con-
quistas como a das Olimpíadas de 1996, em
que as atletas brasileiras de Vôlei de Praia,
Sandra e Jaqueline, ganharam a Medalha de
Ouro, assim como em que as atletas do Futebol
Feminino brasileiro ficaram em 4º lugar. É claro
que a repetida premiação da jogadora Marta,
como a Melhor do Mundo nos enche de orgu-
lho. Há poucos anos, a capa da revista Veja
São Paulo (10/03/2010) estampou a foto da pri-
meira mulher brasileira a concorrer ao prêmio
da Fórmula Ìndy. Que eu saiba, na Fórmula 1
nunca houve mulheres concorrendo.
Essas são algumas conquistas, é verdade. No
entanto, outras grandes questões relacionadas
à mulher não recebem o devido tratamento, em
nosso país, e, talvez, até em muitos países do
chamado primeiro mundo. Destaquemos, aqui,
a participação da mulher na política, seu direito
de decidir sobre se deseja ou não levar a termo
uma gravidez, a violência doméstica de que a
mulher é vítima, entre outras .
A presença da mulher na política, por exemplo,
se bem que mais ativa do que no passado, ain-
da se encontra bem atrás da participação do
homem. Para constatar a hegemonia masculina
na política, basta assistir-se, pela televisão, às
sessões do Parlamento Brasileiro.
(Segue)
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E não se pode dizer que seja por omissão da
mulher, uma vez que ela está tentando ter uma
participação mais ativa na política, o que, certa-
mente, com o tempo conseguirá. Mas, quem
disse que o homem faz política melhor do que a
mulher? Lá onde as mulheres não se dão bem
é quando tentam imitar os homens. Como o ho-
mem, a mulher é capaz de fazer política, e mui-
to bem, desde que aja como mulher e não co-
mo reprodução do homem.
A descriminalização do aborto é uma questão
que deveria ser tratada levando em conta a es-
colha da mulher, que é quem deveria decidir se
deseja ou não levar a termo uma gravidez. E
aqui não vale o argumento de que a mulher
nasceu para dar a luz, uma vez que há mulhe-
res que não desejam realizar a maternidade.
Biologicamente, é certo que a mulher é feita
para parir. Mas essa mesma mulher deveria ser
capaz de decidir se quer ou não fazê-lo. Tam-
bém não é válido dizer que, se a mulher não
quer manter a gravidez, por que não tomou as
devidas precauções? Colocar nos ombros da
mulher a responsabilidade total por uma gravi-
dez indesejada é injusto, uma vez que o ato
sexual é de responsabilidade dos dois parcei-
ros. É claro que a mulher, assim como o ho-
mem, deveria se precaver, mas a falha na pre-
caução não é motivo para continuar uma situa-
ção indesejada. E a mulher tem o direito de de-
cidir sobre isso, pois se trata de mudanças em
seu próprio corpo, assim como em sua vida in-
teira.
A questão da violência contra a mulher é velha
como o mundo, e está ligada ao sistema pater-
nalista, em que o elemento econômico desem-
penha um papel preponderante. Nesse siste-
ma, o homem, como provedor da família, tem o
direito de punir sua mulher, e, muitas vezes,
suas filhas, pelo que ele presume ser o mau
comportamento das mesmas. Em primeiro lu-
gar, o que é "mau comportamento¨ da mulher?
Seria não seguir as ordens do senhor seu mari-
do ou pai? Esse tipo de raciocínio sempre foi
absurdamente arbitrário e muito revoltante.
Nesse tópico, é importante notar que a violên-
cia doméstica poderá ser tanto física quanto
psicológica. Não se maltrata uma mulher so-
mente quando se bate nela, mas, também,
quando se exerce uma pressão psicológica que
a desestabiliza como ser humano.
Nos tempos atuais, é inconcebível que uma
mulher seja maltratada por um homem, em
qualquer circunstância, sob a desculpa de que
seu comportamento não foi adequado. Um
grande avanço, no Brasil, ocorreu com a Lei
Maria da Penha, que demorou tanto a chegar,
mas que, finalmente, foi promulgada em 2006,
e que tem o objetivo de %riar me%anismos *ara
%oibir a ,iolên%ia dom/sti%a e "amiliar %ontra a
mul2er. Apesar da existência dessa Lei, a vio-
lência doméstica ainda se faz presente em nos-
sa sociedade, especialmente nas camadas em
que a mulher, por algum motivo, não tenha
acesso à informação.
Neste mês da mulher, poder-se-ia dizer que a
existência de um dia especialmente devotado à
mulher, mesmo na época pós-moderna em que
vivemos, é importante para que se reflita, não
somente sobre as questões clássicas ligadas à
mulher, mas também sobre a mulher como
membro da sociedade. Tratar a mulher como
vítima da sociedade não vai ajudá-la a se reali-
zar como ser humano e como cidadã do mun-
do. (Segue)
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Essa condição, ela só vai galgar quando se tornar mulher inteirada, no dizer de meu sempre lem-
brado pai, ou seja, mulher consciente de seu papel na sociedade, com direitos e deveres, assu-
mindo, consequentemente, a responsabilidade pelos seus atos. E isso só será possível passan-
do pela educação. Enquanto a mulher for desinformada e despreparada intelectualmente, ela se-
rá tratada como apêndice do homem, ou como um ser de segunda categoria. Quando essas bar-
reiras forem derrubadas, então, não haverá mais necessidade de um dia devotado à mulher.

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TUA PRESENÇA
Por CamiIa Gomes

Sinto tua presença
parada sem saber o que faço
pensando no calor do seu abraço

Não me fale nada
nem me pergunte
qual o próximo passo
quero sentir seu perfume
na escuridão da noite

Ouvir suas palavras
doces e macias
com o toque da magia
e quanto mais perto está
mais eu sinto que vou te amar!!!
Ima1em b0 b, 7ar0 Faplu11in
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ENGANO
(son5 l>ri%)

Por Leonia Oliveira

Ela era aquela
Que nunca se quis,
A palavra mal dita,
O acento sem giz.
O fatal desespero
Da falta em gol.
O erro derradeiro,
O apito sem som.
Era quase parada,
Briga de caminhão.
Era quase uma estrada
Uma carreira no chão.
Só mais uma visitadora
De Pantaleão.

Mas ela era aquela
De quem nunca se diz:
O erro derradeiro
De qualquer juiz.
A palavra bonita
Na placa do caminhão.
A boca visitada,
O corpo no chão.
A mentira encarnada,
A filha do ladrão.
h-p.//art.alphacoders.com/
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DIA DA MULHER*

Suzete CarvaIho

Até 1964 o Código Civil Brasileiro classificava as mulheres, os índios, os menores de até
dezesseis anos e os loucos de todo gênero como semi-capazes para os atos da vida civil. Signi-
fica dizer que perante a lei tínhamos os mesmos direitos que nossos filhos, os índios e os doen-
tes mentais.
Os índios, explicavam os entendidos, não estavam adaptados à vida em nossa sociedade;
os 'loucos' não podiam ser levados a sério e os menores não podiam se responsabilizar por dívi-
das, até porque ainda não tinham juízo. As mulheres, bem, as mulheres eram "rainhas¨, as rai-
nhas do lar, não precisavam se preocupar com 'problemas de homem', tinham que ser protegi-
das (de quem ou de que, nunca entendi).
Éramos professoras, secretárias, enfermeiras e outras profissões ditas 'femininas', ou seja,
aquelas que não eram muito bem pagas, nem conferiam qualquer espécie de poder.
Trabalhávamos, sim, e como! Mas não podíamos, diante da lei, dispor de nosso próprio dinheiro
como bem nos aprouvesse, ou seja, sem o consentimento do papai ou do maridinho. Afinal, era
a lei, feita pelos homens. Dura lei.
A década de 60 representou uma 'virada' na ordem das coisas, dentre as quais a situa-
ção civil da mulher. Mas o Brasil entrou numa era de repressão e a liberdade de todos, homens
e mulheres, passou a sofrer restrições. Paradoxalmente, os cursos universitários proliferaram e
enquanto a questão feminina decantava, as mulheres aproveitaram para se aperfeiçoar técnica e
culturalmente para enfrentar os novos tempos.
Anos mais tarde, surgiu a 'moda' de se institucionalizar homenagens: Dia das Mães, dos
Pais, da Criança, dos Namorados, etc. Paraíso dos consumidores. Tudo é desculpa para repa-
rarmos materialmente nossas desatenções. Um bom presente, e aplacamos nossa consciência
pesada. Dia do Índio, Dia da Mulher, Dia da Consciência Negra e ... pronto, estão resolvidos os
preconceitos! Dia do Bombeiro, Dia dos Professores, Dia dos Servidores Públicos e a Adminis-
tração está redimida de seus baixos salários.
Quando eu estava terminando esta crônica, um amigo querido telefonou e quando lhe dis-
se que estava escrevendo sobre o Dia da Mulher solidarizou-se com a homenagem, afirmando
que as mulheres merecem todo seu respeito e "devem ser protegidas¨. Bem a propósito a obser-
vação de meu genro, que tem alma feminina: "Protegidas ou controladas?¨. Voltamos, pois, à
estaca zero. Coincidências significativas a nos alertar que não bastam leis e homenagens (muito
justas, aliás), para mudar a mentalidade patriarcal.


D 8ubl. in "evista do Hpiran1a nI142A >ev/200+A pJ1. (.
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MuIher
Por GIadis DebIe
Encilhas a rebeldia e partes para a luta
Alimentas teu fogoso cavalo
Com pastagens de sonho e labuta.
Do teu corpo franzino fizeste
Os novos guerreiros e heróis.
Tua alma contém os mistérios
Que ergueram os mundos.

Teus estribos e elmo
Conquistaram o inédito
Pequenina figura
Que do alpendre da escola
Equilibra o planeta.
De uma nesga da tua saia
Ìmpérios surgiram.
Do pó das tuas sandálias
E dos movimentos das ruas,
Teus ensinamentos,
Articularam orações...
Embora exímia professora
Continua sem piso...

Bendigo tua trajetória
Que não será cantada sequer
Por teus contemporâneos de bares
Bendita sejas mulher!
h-p.//oneseven.com/2/metal-woman-art/
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CRONOS E O CORPO FEMININO

Por RoseIis Batistar


Teu corpo ligeiro
Acabrunhando-se aos poucos
Tuas linhas
Teu corpo fino
Desenhando uma curva ao chão
Alçapão do seu próprio carisma
Criação duma inteira nação.

Teu corpo tornando-se poste
Como haste enrijecida de espanto...
Teu corpo te fala das horas
Que agora se escoam num pranto
Estranho apego ao passado
Manhoso pretérito ao quebranto...

Teu corpo fagueiro
Fanhoso nas juntas lentas
Sem obedecer as gelosias sedentas
de distrações
de filmes
de rendas
E de teatros de armações,
De saídas pelos bosques
De quiosques e mais razões ...

Teu corpo a esvair-se da casca
A despegar-se de uma nata
Cuja data caducou.
Já não há creme na corrida
Nem nas idas ao ganha-pão.

MAS há tanta luz nos atos
Nos retratos em aura ouro
Nas lembranças da criança
Que outrora teu corpo abraçou...

Há quimera que brilhou
Há alegria nas subidas
Das ladeiras desta vida
Em andante ma non tro**o?

Há um louco riso agreste
Que é a prece do que foi
Teus amores, tuas vestes
A glória dos pais terrestres
Cujo amor nao se esgotou...
Há a lembrança do rebento
Dos felinos, dos meninos
Do piano em lá menor
Dos invernos de Moscou
Dos verões de Acapulco
Das brisas que o tempo levou...
Das sombras do torrão Brasil...
Há verso a flutuar nas praias
Dessas memórias de um corpo
Enriquecido e sutil.
8intura b0 Ed1ar $e1as
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Amantes

Por Rossana Aicardi

As pedras da estrada
as sombras da tarde
as folhas sempre verdes
o suave da la rua
sua mâo na cintura
en torno bem meu corpo
o fogo sempre ardente
o nosso amor de amantes.

Te amo assim, que às vezes
nâo sei se existes
ou se voando chega
de que o cêu um anjo
que me protege e dorme
a meu lado cada tarde
enquanto o sol se pôe
è a noite nos invade.

Mágico duende misterioso
silencioso testemunho
desse, o nosso amor
de amantes.
Desenho by Kimberly D. Schaller
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PaIavra de MuIher

Por HazeI São Francisco

...regida por fêmeas, não submetidas ao domínio do macho, os filhos por elas
engendrados, estavam em condições de serem livres, pela evidente razão de
que, homens jamais serão livres, se antes não o forem as mulheres que os
engendraram.
Mulheres livres gerarão e darão a luz homens livres.
Mulheres dominadas por homens mandatários de uma sociedade patriarcal,
portanto, submetida, a autoridade do homem, só poderão dar a luz homens
escravos de outros homens.
Jamais poderá existir a liberdade do ser humano enquanto não houver uma
liberdade indiscriminada para a mulher, para o homem.
Koman !rt 8rint b0 ;elicia !tanasiu
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O HOMEM E SUAS INVENÇÕES

Por Mário Rezende

O cara estava sentado pensando na vi-
da... Não tinha nada para fazer naquela época.
Descansava, de barriga cheia, depois de ter
matado um guinu na base do porrete, degusta-
do a carne sanguinolenta e comido a metade
da maçã que a mulher ofereceu para ele. Co-
meçou a esfregar, distraído, um pedacinho de
pau no tronco de árvore em que estava senta-
do. Esfregou, esfregou, esfregou... e fez uma
valeta bem lisa. Esfregou mais rápido e com
mais força até que da casca da árvore come-
çou a desprender uma fumacinha. De repente
fumegou mais e surgiu algo amarelado e muito
quente que lhe queimou a ponta de um dos de-
dos. Mas assim que a palha acabou, aquela
coisa quente desapareceu com a fumaça. En-
tão ele começou a friccionar de novo e depois
de algum tempo reapareceu a chama. Para
que não se apagasse, jogou palha em cima pa-
ra sustentar o que ele chamou de fogo. Conse-
guiu mantê-lo aceso por algum tempo e foi logo
mostrar para os outros do bando. Ele os ensi-
nou a alimentar a chama e pediu que o ajudas-
sem porque a palha era logo consumida na
medida em que ela aumentava. Tornou-se o
primeiro líder.
Todos passaram a trabalhar para manter
o fogo, porque se interessaram pelo calor que
dele se desprendia. Pensaram que seria inte-
ressante quando chegasse a época do gelo,
estava inventado o trabalho.
Certo dia a chuva apagou o fogo, então
eles descobriram que a água tinha o poder de
apagá-lo se fosse necessário. Criaram uma no-
va chama e ele teve a ideia de fazer uma co-
bertura com pedras para protegê-la da chuva.
Naquela altura, a palha já havia sido substituí-
da por gravetos e depois por pequenas toras
que ficavam acesas a noite toda e, pela ma-
nhã, bastava que eles reavivassem o fogo, dis-
pensando-se assim o trabalho noturno para
mantê-lo. Foi inventado o carvão.
Sempre aceso em baixo das pedras, o
fogo fez com que elas ficassem muito quentes.
Então, alguém deixou cair um pedaço de carne
sobre uma pedra que cobria o fogo, e dela co-
meçou a se desprender um cheiro muito agra-
dável. O aroma delicioso chamou a atenção
deles que, ao provarem a carne assada, acha-
ram o gosto bem melhor do que crua. Assim,
foi inventado o churrasco. Outro dia, caiu sobre
as pedras um ovo de pássaro. O ovo se partiu
e logo ficou esbranquiçado, com uma rodela
amarela no meio, Quem o descobriu foi o in-
ventor do ovo frito e do fogão.
Com o fogo abastecido e perenizado
com o uso das toras, aliviou-se o trabalho. As-
sim os homens puderam sair para caçar e se
abastecerem enquanto as mulheres ficavam
cuidando do fogão e da comida. Foi inventado
o trabalho da mulher.
Só que elas não se acomodaram como
os machos e foram aos poucos desencostando
a barriga do fogão e hoje estão atuando em to-
das as áreas. Não vai demorar muito, vão in-
verter o processo e comandar o mundo. Sou-
beram usar com sabedoria, a arma mais pode-
rosa que a natureza lhes deu em compensação
à menor capacidade física.
!rte b0 <e0amaran
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#I%AS #E &$RTU'U(S
)o*
Rena+a %arone S,or-ia
...E a cada dia que Ievanto curvo-me
frente a Deus. Agradeço-o. Renovo o
meu contrato de vida. Livro: Entre
Trechos e Tre-
chos...PaIavras...Sentimentos...afins
—AII Print Editora—Renata Carone
Sborgia

Maria comprou uma "mini-saia"
branca para usar no Ano Novo!!!

...Maria poderia ter comprado uma
Gramática revisada com as Novas Re-
gras Ortográficas também!!!

O correto é : MINISSAIA( sem o hífen)

Regra fáciI: Nas formações em que o
prefixo (ou falso prefixo) termina em vo-
gaI e o segundo termo inicia-se em r
ou s : não usar mais o hífen e nesse
caso, passa-se a duplicar essas conso-
antes.

Ele disse que seria necessário
requerer o provimento do presente
Recurso Extraordinário com a
"consequente" alteração da deci-
são recorrida.

...muito bem , porém sem alteração na
expressão consequente!!!

Está correta a expressão: conse-
quente (sem trema)

Regra fáciI: Não se usa mais o trema em
palavras do português. Quem digita muito tex-
tos científicos no computador sabe o quanto
dava trabalho escrever linguística, frequência.
Permanecerá sim em nomes próprios e seus
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo,
Gisele Bündchen não vai deixar de usar o tre-
ma em seu nome, pois é de origem alemã.
(neste caso, o "ü¨ lê-se "i¨)


O carro dele "para" em toda esqui-
na!!!
... e para quem não sabe sobre a
diferença do verbo e da preposi-
ção??? precisa parar no capítulo
sobre as Novas Regras Ortográfi-
cas!!!

Está correto!!!

Regra fáciI: Acento diferenciaI
Não é preciso usar o acento diferencial
para distinguir:
Para (verbo) de para (preposição)


ExempIos corretos: (Segue)
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O carro dele para em toda esquina. –verbo parar
Estarei voltando para casa daqui a uma hora. ---preposição para
A pronúncia ou categoria gramatical dessas palavras dar-se-á mediante o contex-
to.
Para você Pensar:

...têm dias que a gente sente faIta de gente. Têm dias que precisamos ser in-
toxicados por amor. Têm dias que a decepção nos decepciona. Têm dias que
suportar está insuportáveI. Têm dias que as dificuIdades estão mais difíceis.
Têm dias que queremos estar a sós porque assim podemos abrir a janeIa das
soIuções para caIendários que têm dias. Livro: Entre Trechos e Tre-
chos...PaIavras...Sentimentos...afins—AII Print Editora -
Renata Carone Sborgia

O livro VARAL ANTOLÓGÌCO
4 será lançado em Genebra
em maio próximo.
Em breve abriremos as inscri-
ções para participação em
nossa quinta coletânea:
VARAL ANTOLÓGÌCO 5!
Não perca a oportunidade de
estar em nossas antologias
que trazem sempre o melhor
da nova literatura de língua
Portuguesa e divulgam longe
a nossa língua!
Aguarde!
Regulamento em breve!

varaldobrasil@gmail.com
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MULHER

Por Maria Socorro Sousa

Mulher
Criação divina. Frágil ou Forte
Germina no silêncio sabedoria
Mulher
Virtuosa Valorosa
Quem achará?
"Seu valor excede ao de finas joias"
Mulher
Simples ou Heroína
De submissa a Ìndependente
De escrava a Revolucionária
Mulher
Símbolo do Amor
Singela ou Super
A cada geração evolui seu espaço
Mulher
Moderna de Estilo
Trabalhadora Sofisticada
Descortinas
Vai à luta!
Mulher
Simplesmente Mulher
Nenhum artista jamais conseguiu
Decifrar a sua beleza

h-p.//>enomeni.me/
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PARA NÃO DIZER QUE NÃO QUE
NÃO FALEI DO AMOR (parte III):

Por Ivane Laurete Perotti

"$ntre %asar e %om*rar uma bi%i%leta...¨
(adágio popular)
Perdeu-se no tempo a pergunta indi-
reta. Além das bicicletas ganharem novos mo-
delos, o casamento também assumiu nupérri-
mos perfis e, quem casa, di,or%ia-se0 Bem mais
fácil do que comprar uma bicicleta, a depender
da marca e dos acessórios que a acompanham.
Por falar em acessórios, os veículos de duas
rodas mantêm um vínculo estreito para com as
metáforas da ,ida a dois: a tipologia é extensa
e agrega-se aos contextos de acordo com as
suas implicaturas. Ìmplicância! É, parece impli-
cância de minha parte fustigar um assunto tão
delicado quanto vergastado. Ìmpróprio para as
páginas de um jornal. Talvez! Mas a maré do
amadurecimento aponta o lume para direções
nem tão simples quanto %asar ou comprar uma
bi@e.
ubito, er5o %o5ito, er5o sum! Des-
cartes teria uma bicicleta? Um %elerí"ero? Pos-
sível, se relacionarmos as prováveis notações
históricas para a invenção do veículo traciona-
do, mas antes dela, da bicicleta, o casamento já
se enquadrava nas aspirações pessoais e no
rol das imposições sociais. Tradição, cultura,
preservação de patrimônios, manipulações polí-
ticas, interesses de estado, tratados de paz,
concepções religiosas entre outros processos
maquinados pelas relações humanas, selavam-
se na presença do sim, do *ara sem*re, e at/
.ue a morte nos se*are. Quando os sentimen-
tos suplantavam as circunstâncias, na vida e na
literatura – a vida é uma via de mão dupla, a
literatura apenas redescobre corredores parale-
los à estrada principal - o amor alçava status
dramáticos. Não muito diferente da contempo-
rânea mobilidade amorosa com a qual convive-
mos agora. Mobilidade, eis a fonte das conjuga-
ções verbais para o termo %asar-amar, amar-
%asar, amar-"i%ar000 "i%ar-%asar000
O casamento não é uma escolha
com passe livre. Poucos nascem com a facul-
dade deliberativa que ensaia o amadurecimento
do ato ou *ara o ato. Aprende-se uma vez a an-
dar de bicicleta e a máxima estende-se a todos
os modelos: duas rodas, pedais, quadro de es-
tabilidade, correias... estabilidade! Ah! Estabili-
dade: a estrada dos casamentos parece correr
longe do ensejo. Quanto mais vezes casam-se
os indivíduos, menor a capacidade de manter-
se sobre o cilindro da segurança? Que segu-
rança?
A escola da vida poderia criar uma disciplina
metodologicamente amparada pelos fundamen-
tos de nossas histórias pessoais. Seria, certa-
mente, um grande investimento cooperativo pa-
ra a sustentabilidade das núpcias contraídas na
fogueira das emoções – ou sentimentos, ou de-
sejos, ou intenções. Paradigmas a parte, %asar
estaria, com efeito, para o exercício consciente
da %on.uista do outro, do %uidado para com o
outro, do res*eito às inevitáveis (e saudáveis)
diferenças do outro, do .uerer o outro. A ambi-
guidade das palavras envolvidas devolve-me o
discurso que entrelaço a sovéu curto: quem é o
outro? Aquele que está dentro ou aquele que
está fora? entro e "ora me desmentem pe-
remptoriamente. Ousadia verbal ou necessida-
de de confrontação? Os dois! Por que não?
Pensar e duvidar não foram prerrogativas do
grande filósofo e matemático francês, nem a
introdução "$ra uma ,e4 uma *rin%esa0..¨ con-
ferem verossimilhança entre a vida e a literatu-
ra. Os finais felizes estão marcados pela traje-
tória da corrida no início de sua largada. O ca-
samento não é uma instituição "alida, nós – os
envolvidos - esquecemo-nos de perguntar a
que viemos: casar ou comprar uma bicicleta?
Os dois, para quem tem fôlego e disciplina!
Aae%ula000 amen !
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DESBRAVADORA DE IDEAIS

Por JC Bridon


Pelas batalhas travadas
pelas lutas até hoje empreendidas
conquistaste, mulher,
teu lugar de direito
para que possas
abrigar em teu seio
teus projetos de vida
teus sonhos acalentados
por tanto tempo
e para que também consigas
no almejar dos teus ideais
sonhar com tuas vitórias
alcançar teus objetivos
lutar pela igualdade
sorrir para a adversidade
para assim poderes, mulher,
conquistar o lugar que mereces
e que o disputaste
com tanta galhardia
durante tanto tempo
para hoje, seres reconhecida
e veres coroado de êxitos
tudo aquilo com que sonhavas
e pensavas um dia conseguir.
Fotografia by Padre Art
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Pássaro do amor

Por AIdo Moraes

Doce paisagem
Estranha cor miragem
Novas luas sete vezes
Sete véus

Sua imagem
Sua boca
Sua bondade

Suas duas horas
De ser mãe
E ser mulher.
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Essas VaIorosas MuIheres


Por Jania Souza


Heroínas, as valorosas mulheres
incansáveis na labuta da cria.
Do fogão à marreta
com arado ou caneta
sua fala, veludo na tristeza
na coragem imbatível
sempre a vencer espinhos.

Heroína é a mulher
que sem esperança no ventre
tece amor com seu sangue
e fertiliza a nova terra.
Do fruto das entranhas
busca sempre caminhos
na escritura de novos horizontes.

Essas mulheres são rosas, violetas
orquídeas, açucenas.
Trazem no ventre fé
no coração, carregam esperança.
Força - são essas valorosas mulheres!
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p
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A MULHER NO MUNDO
CONTEMPORÂNEO:
LEYMAH GBOWEE,
MALALA YOUSAFZAI

Por Jeanne Cristina Barbosa Pagan!!i

Em entrevista à revista Muito (09/2013)
do jornal # Barde de Salvador, Bahia, a liberia-
na Leymah Gbowee, Prêmio Nobel 2011, afir-
ma que "Não estou interessada em ser um or-
namento¨, em sua luta pela paz e pelo lugar da
mulher no mundo, acredita que "a mulher tem
que se entender como sujeito de direito, enten-
der que as relações afetivas não podem ser
pautadas no medo nem na agressividade nem
na violência.¨ e reforça que "é necessária uma
legislação capaz de combater a impunidade. A
mulher precisa ter a segurança da justiça.¨
Com isso, a guerreira da paz abre discussão
para diversos problemas que assolam o mundo
a respeito das questões da sexualidade, de gê-
nero (feminino/masculino), de poder e, sobretu-
do, de raça.















Uma das primeiras coisas que
você vê em nossa sociedade –
na maioria das sociedades afri-
canas, por exemplo – é que há
sempre um lugar privilegiado
para meninos. Sua educação
reforça o patriarcado de uma
forma muito forte. (LEYMAH
GBOWEE: 2013, P.10)

No sonho da liberiana, as mulheres, sobretudo
as mulheres negras, são engajadas na socie-
dade, vivem dignamente, distante da violência,
do medo, da subalternidade. Explica que suas
ações devem ser seu exemplo e que não pre-
tende ser um ornamento social, mas uma voz
que é ouvida, uma africana que extrapola as
fronteiras socioculturais e promove educação,
em busca de direitos humanos e a luta pela
paz.

Em situação não muito distante, a ativis-
ta e estudante paquistanesa Malala Yousafzai,
com 16 anos, torna-se símbolo para as mulhe-
res de todo o mundo em sua luta pela educa-
ção, pelo direito de estudar, de substituir as ar-
mas pelos livros e cadernos. Em sua luta pela
educação das meninas paquistanesas, Malala
foi baleada pelos talibãs.
(Segue)

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Sua afirmação para Assembleia de Jovens da
ONU de que "Eles pensaram que a bala iria
nos silenciar, mas eles falharam¨ apontou uma
situação comum não só no Talibã, mas tam-
bém em outras regiões do mundo. Esse pro-
blema afeta mais especificamente as mulhe-
res em uma situação geralmente vista como
'natural', mas detentora dos jogos de poder da
sociedade onde prevalece o masculino.
Os terroristas pensaram que
eles mudariam meus objetivos
e interromperiam minhas am-
bições, mas nada mudou na
vida, com exceção disto: fra-
queza, medo e falta de espe-
rança morreram. Força, cora-
gem e fervor nasceram.
(MALALA: 2013)
Com base nos depoimentos e discur-
sos da ativista Malala Yousafzai, observa-se o
nascimento de mais uma guerreira na luta
contra o silenciamento das mulheres, a ausên-
cia de educação na infância, a violência de
toda ordem. Malala é a voz de muitas mulhe-
res que se torna de valor social para diminuir
os problemas que se situam à parte em um
mundo envolvido com economia, globalização
e interesses cada vez mais egoístas.
De acordo Judith Butler (2012, 20) "Se alguém
"é¨ uma mulher, isso certamente não é tudo o
que esse alguém é (...)¨ confirmando a rele-
vância dos estudos sobre a mulher, dos seus
direitos conquistados e ainda por conquistar,
da luta de todas as mulheres pelos direitos,
das feministas, das ativistas, das mulheres en-
quanto sujeito.

(Segue)

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REFERÊNCÌAS:
BUTLER, Judith. ProbIemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. – 4ª ed. –
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/na-onu-menina-paquistanesa-malala-diz-que-
nao-sera-calada-por-ameacas.html
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/malala-diz-que-nao-sera-silenciada-por-
ameacas--3

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E reali@a na mulherA
nosso =riadorA o mila1re
da vidaA e a cada mulher
deu um homem :ue a consa1re.

8or 9oare@ de %liveira 8reto
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ROSA-DOS-VENTOS

Por LeoniIda Ivonneti Spina


Nem Sinhá, nem libertária,
nem ingênua, nem pantera...
Mulher determinada:
- Conquista da nova era!
És farol, és leme,
âncora, porto seguro.
Liberal, consciente
de que, afinal, a P6tria amada,
idolatrada, muito te deve!

Quem se atreve a dizer
que esta Nação seria a mesma,
não fosses tu a lavrar a terra,
a tecer nos teares,
a mourejar nas fábricas,
a brilhar nos esportes e passarelas,
a despertar emoção nas artes,
nas letras, na ilusão das telas...

- A provar teu talento
nas Empresas e Repartições;
a semear o saber em todas as gerações;
a propagar a fé, curar os enfermos;
a levar, sob a brancura dos aventais,
consolo e esperança
na solidão dos hospitais.

- A fortalecer a democracia
pela presença nas ruas, nas praças
e nas tribunas, defendendo a coletividade,
ou na seriedade dos Tribunais,
para que Justiça se faça cada vez mais
(mas, sem escarcéu...), diante de B2emis,
de olhos às vezes vendados,
sob a fragilidade de transparente véu?!

Tens a mansidão dos rios,
porém, a fúria das tormentas,
quando te impões desafios
ou adversidade enfrentas!
Sabes ser missionária, enfermeira,
cuidar do soldado ferido...
És também cúmplice, companheira,
dando ao *artil2ar mais sentido.

És altiva militar, armada
para enfrentar ou prevenir o perigo...
És ainda... an=o-da-5uarda de teu lar,
nem sempre doce, porém, morada,
aconchego, abrigo...

Ah! Mulher, titular de tantos Minist/rios:
- do Trabalho, Saúde, Previdência,
Fazenda, Educação...
E dos Transportes, principalmente,
pois, assiduamente, *ilotas fogão, conduzes
carrinhos de feira, bebê, supermercados...
(És motorista, condutora, navegadora
"*or mares nun%a dantes na,e5ados...¨)

- Ae%ret6ria da Ìnfância e Adolescência:
(trocar fraldas, que paciência!...)
choro incontido, som alto no ouvido...
(- madrugar, por que não?)

E com os filhos crescidos,
continuas acordada
na madrugada,
à espera de ouvir na porta
um di,ino to.ue...
A melodia da chave tem sons de harpas,
acordes de bandolins,
por:ue sL assim consegues dormir
e sonhar com um mundo novo...

(Segue)
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Mulher! Como Mãe e Maria,
"o teu nome *rin%i*ia
na *alma de tua mão...¨
Tens a essência da flor:
- Simbolizas encanto e sedução...
E te tornas mais bela e enternecida,
se abrigas em teu ventre
a semente de uma vida,
quando já és rosa, não mais botão!...
És a um tempo: flor e espinho, veneno e mel!
Ìmprescindível como o ar, suave
como o orvalho, serena como a chuva,
ardente como o sol, fecunda como a terra...
Quanta força teu ser encerra!

Rosa... "Rosa-dos-,entos¨...
- Que rumos tomarás neste milênio?
h-p.//www.>anpop.com/

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A sentença

Por Sonia Regina Rocha Rodrigues

Por que não morre?
O pensamento passou leve como a lem-
brança da fala pertencente a uma personagem
ausente em um drama distante. Quase a ador-
mecer de cansaço, ela estremeceu. E nunca
mais seu coração descansou.
Ela recordava como olhara com prazer e
orgulho as bochechas rosadas do caçula no
sono profundo dos bebês desejados. À memó-
ria vinha também o riso gargarejante, as mãozi-
nhas buliçosas, o olhar curioso do garotinho tão
amado até que...
Ele não se sentou na idade em que os be-
bês costumam sentar-se, começou a engasgar,
a respirar mal e o chocalho lhe caía das mãos.
A rotina da casa transformou-se. Os médi-
cos se contradiziam, os exames tardavam, as
agendas lotavam-se de fisioterapias, consultas
a especialistas, internações.
O nome da doença degenerativa progres-
siva involutiva crônica ela não entendeu. Só
soube que o filho ia piorar, não tinha cura, não
passava para os irmãos mas necessitava de
cuidados constantes.
Ìmersa em dor ela nem percebeu que as
semanas viraram meses e depois anos. Agora,
enfermeira em tempo integral, afastara-se do
emprego, privava-se dos benefícios do traba-
lho. a pós-graduação que iniciara foi abandona-
da. Evitava os amigos e desestimulava as visi-
tas dos parentes, fosse algum trazer do mundo
exterior algum vírus letal ao doentinho.
As crianças mais velhas recebiam beijos
apressados e olhares distraídos. Desde o início
da doença, o pai passara a levar os maiores
para a escola, ia buscá-los e nos fins de sema-
na afastava-se com eles para o futebol. E uma
tarde, estando o caçula hospitalizado, ela retor-
nou para uma casa vazia. O marido requereu o
divórcio e aa guarda dos filhos maiores, com
total apoio dos sogros.
Do leito frio para os corredores silencio-
sos, ela se consumia entre fraldas, alimentos,
remédios e inaladores.
Ora, aconteceu de o garoto da esquina,
portador de síndrome de Down, falecer a cami-
nho do hospital. A vizinha se descuidara do mé-
dico, atarefada entre entregas de iogurte casei-
ro e a lavagem das roupas das clientes. Em um
ano procurara o pediatra uma única vez e recu-
sara-se a ouvir que o filho, além de diferente
também fosse doente cardíaco, apesar de per-
ceber o rosto inchado e da respiração difícil do
garoto.
Nesta noite ela soube, conversando com
amigos pediatras, que alguns médicos conside-
ram grande parte das mortes acidentais de cri-
anças deficientes como homicídio inconsciente-
mente elaborado.
Esquecendo a torneira da banheira aberta,
a panela de água fervente com o cabo para fo-
ra, medicamentos em locais de fácil acesso, um
janela aberta....um acidente libera os pais da-
quele pesado fardo. O descaso pelo acompa-
nhamento médico de um garoto Down, segun-
do estes médicos, enquadrava-se na definição
do tal 'homicídio inconscientemente elaborado'.
Ela ouvia aterrorizada, discordando, pois o
coração de qualquer mãe desdobra-se em sa-
crifícios pela prole! Não é sempre assim?
Aquela noite, ao debruçar-se sobre o rosti-
nho adormecido de seu próprio filho, o pensa-
mento apenas sugerido:
Por que não morre?
Ah, como ela desejava de volta a sua vida
– seu trabalho, sua tese, seu lazer, seus cuida-
dos pessoais, seus amigos, seu marido.
Quando ela era uma menina, o professor
de catecismo, em uma aula, leu da Bíblia estas
palavras cruéis e definitivas:
"Pois eu lhes digo que aquele que olhar
com desejo para a mulher do próximo, em seu
coração já cometeu adultério.¨
Ela escutou as explicações do padre, in-
conformada por ser tão difícil ser bom! Revoltou
-se:
Então, padre, quando a gente pensa em
mentir mas conta a verdade e quando uma pes-
soa pensa em roubar mas não rouba, se segu-
ra e faz o que é certo? Então, isto não vale na-
da?
E o padre confirmou:
Pequena, aquele que pensou no pecado,
já pecou em seu coração.
Ela tumultuou a aula. Tanto sacrifício para
nada! Jesus era um deus muito exigente!

(Segue)
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Desse dia em diante, ela passava o dedo no glacê dos bolos de aniversário às escondidas
e roubava biscoitos no pote guardado no armário. Se já pecara mesmo...
O professor de catecismo dizia umas coisas esquisitas, algumas ela jamais entendera,
mesmo que estivessem na Bíblia, este livro cheio de mistérios.
A angústia da noite em que ela pensou "por que não morre?¨ não se aliviou em lágrimas,
antes tirou-lhe o sono, o apetite e até a alegria de cuidar do doentinho.
Ela contratou duas enfermeiras para garantir que cada gesto seu fosse vigiado, tal o medo
que passara a sentir de adormecer em hora imprópria, misturar os frascos dos remédios, esque-
cer de agasalhar o menino em uma noite fria.
Nunca o pequeno fora tão bem lavado, penteado, perfumado e enfeitado. Com que capri-
cho ela mantinha seu quarto imaculadamente limpo! Com que cuidado escolhia para ele os legu-
mes mais fresquinhos e as frutas mais saborosas!
Ela ia definhando a cada dia sem que ninguém suspeitasse que, por detrás das olheiras e
das faces pálidas, ela agora compreendia como ninguém outra das estranhas afirmações do pro-
fessor de catecismo:
"Deus não castiga ninguém. É o pecado que traz em seu bojo o seu próprio castigo.¨

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DIA INTERNACIONAL DO NÃO
À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
25/11

Por Rai D'Lavor

Em consideração a esta data
A prefeitura de nosso Estado
Baseado em princípios
De fraternidade e solidariedade
Veio declarar com respeito
E seriedade.
As relações fundamentadas
À, as irmãs assassinadas,
Na república Dominicana
À, quarenta e sete anos.

E, eu baseada nesse fato,
Venho deixar aqui o meu relato
E, particularmente,
Digo não a violência
E peço em nome de todas as feministas
Que as leis nos tratem com clemência!

Que a lei Maria da Penha
Seja aplicada igualmente
Para todas as feministas
Não importando.
Se, é feia ou bonita.
Se, é pobre ou se é rica.
Se, é branca ou se é preta.
Mas que a justiça seja feita...

Faço também um apelo
Aos responsáveis do lar
Que comecem a educar
Dentro de sua residência
Para que futuramente
Não precisem registrar
Esses tipos de ocorrências
Que é tão desagradável
E tira nossa paciência.

Parabéns! Para as feministas.
Que conseguiram essa conquista
Que o respeito prevaleça
E que as autoridades
Não nos esqueça...
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M)(-er a.e//0rio


por RozeIene Furtado de Lima


As mulheres são vistas como acessório
Acessório de muitos usos e abusos
Não vivem no paraíso, vivem no purgatório
Tem mulher de todas as formas até de parafuso
Que se enrosca, apertada segura todas as pontas
Mulher que serve de cabide onde se pendura tudo
Qualquer peça, qualquer entulho, nada se leva em conta
Mulher que cresce num mundo exigente e mudo
Que assiste a fêmea lutando para conseguir um lugar
Dominada pelo forte macho, desde o início dos tempos
Era queimada em fogueiras se deixasse revelar
Ìnteligência e como bruxa evaporava em cinzas ao vento
Ela vem conquistando espaço desde os primórdios
Sem perder a capacidade de se amar, amar e deixar-se amar
Vem chegando dia a dia sem toques de exórdios
A mulher de hoje tem os mesmos sentimentos de outras eras
A maternidade não acontece é um ato de escolha
A Liberdade e o respeito já não são só sonhos e quimeras
Não se deixe levar e se enganar, saia da angustiante bolha
Um dia para homenagear a mulher como deusa rainha
Somente um dia para tirá-la da berlinda sem pelourinho
Tirá-la da estante dos objetos dos desejos e da bainha
É conquista de passadas firmes raladas na mó do moinho
Menina mulher o mundo é teu, continua no caminho das avós
Solta as amarras, luta, resista, pelas tuas filhas solte o grito da garganta
Erga a bandeira da valorização alargando as trilhas, desfazendo nós
Em nome das martirizadas, das surradas, das sugadas e das santas!
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DES SUB MÌSSÃO


Por Beresa rummond



Ralando na boca
do fogo da cama...
tomando na cara
do sonho tolhido...
a mulher fez tricô
mastigando gengibre.

Mas sob o telhado nu da senzala
entre teias e traças
seu sonho carmim.

Não provoque a mulher
que não teve alforria!
Sob a veste tão fêmea
nessa dança do ventre
existe uma fera
que cospe no prato
desatando os laços
p o r q u e é m ú l t i p l a

e não foi feita pra ralar cebola.
h-p.//www.alieCpress.com/
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A força da MuIher

Por Antonia AIeixo Fernandes

Mulher valente;
Consciente;
Luta pelos seus direitos

Mulher!
Teve e ainda tem seus direitos confiscados,
por ideologia machista.

A ideologia do homem egoísta;
Que finge não saber;
Do livre arbítrio da mulher!

Mulher não é posse de ninguém,
Muito menos passiva de alguém,

Finge não saber:
que os direitos são iguais
e as responsabilidades também

Fingem não saber:
a força que a mulher tem,
do intelecto
da emoção
da lucidez
e do coração
adicionada à razão!

Por isso, somos Mulher.
Mulher que luta pela autonomia,
pelo amor sincero
e respeito merecido.

Mulher!
Que gera outros seres compartilhado
àquela que acumula saberes:
do direito
da dignidade,
da igualdade de gênero.

A mulher!
Tem a força:
de parir outro ser,
que suporta a dor dê...;

A Mulher!
Aconchega seu filho;
sabe buscar os seus direitos,
e dos outros também;

A mulher avó,
Que conta histórias,
e socializa seu saber

A mulher meretriz.
Que acolhe os infortúnios machistas.
Mulher não se classifica.
Deve ser respeitada e amada,
Como Mulher!
M Madar2sts
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MULHER E DESEJO

Por Lourdes Leite

Seu olhar me responde. O olhar que se cru-
za com o meu e me obriga a que o meu se
cale. Não resisto e volto a olhá-lo. Desta
vez sem que me perceba. Vejo-o falar, falar
e mal dou com o que diz, com o significado
de todas as palavras que jorram de sua bo-
ca.
Olho-o e desta vez lanço-me dentro de
seu olhos. Eles me dizem alguma coisa ,
seus olhos me querem que eu saiba. Olho-
o e tento permanecer com meus olhos den-
tro do olhar que recebo. Entretanto, quase
desfeita, estou diluída dentro do olhar que
agora me vê.
E não há presente, passado, futuro. O tem-
po também diluiu-se evaporou-se no jogo
de sedução. E o olhar que me olha
é transcendente, não faz parte do local on-
de nos encontramos e não faz parte
das pessoas que somos.
(Teria sido loucura, ou percebi um leve to-
que de suas mãos em meu corpo?)
Seus olhos por instantes parecem ter reco-
nhecido os meus e ficam ali, diante de mim,
com a firmeza de quem pegou no ar um
sentimento muito leve, imperceptível , qua-
se inexistente.
(Teria sido sandice, ou percebi uma leve
resposta ao meu olhar no reflexo dos mús-
culos de seu rosto marcadamente masculi-
no?)
O momento é volátil, como aquilo que se
passa de um lado ao outro da mesa onde
estamos, como o calor que atravessa a noi-
te e nos incendeia, aos dois, sem que sai-
ba como. O olhar aportou no meu porto e
ali ficou. Um momento de magia e de en-
canto, de sensualidade sem toque,
de sensações sem pele. Apenas o olhar.
Breve.
Quem me olha assim, passa a ser um ho-
mem que penetra minha alma, sem pedir
licença, sem pedir passagem. Que deixo
entrar? Como? Não sei! Nem pensei, nem
consigo pensar quando ele me olha, ou me
pergunta algo, ou me diz alguma coisa que
não consigo reproduzir.
Olha-me! Peço-te!
E quando me olhas, quero fugir daqui com
os meus olhos por baixo das pálpebras.
Era um dia, uma noite, um tempo. Não me
lembro mais. Estivemos sentados ao lado
um do outro. O calor de seu corpo atraves-
sava a sala, as paredes, o teto, o chão e
penetrava por baixo de minhas pernas e
tive que cerrá-las com força, uma contra a
outra, para não me desfazer ali, ao la-
do dele. Porque de seu corpo brotava uma
força tão masculina tanto magnética. Magia
que me fez acreditar na força anímica dos
druidas e pensei estar ao lado de um deles.
Entre nós a sala esvaiu-se e ouvimos uma
música cósmica, embora telúrica. (Quem
me disse o que ele sentia ? – seus olhos
me disseram! ). Éramos um homem e uma
mulher. Desfigurados. Nus. Envoltos ape-
nas pelo Desejo.
Suavemente fomos ficando força, fomos
ficando tão unificados por esse desejo que
deixamos de estar na vida. E foi um mo-
mento apenas, um momento tão breve que
não daria para ser reproduzido numa nota
musical.
Outro dia, outra noite, outro tempo, tua mão
tocou levemente meu ombro, num gesto
apenas. Minha mão alojou-se então sobre a
tua mão e pressionou a pele quente
que envolvia meu ombro. Somente meu
corpo sabia da verdadeira intenção desse
toque tão despretensioso.
Outra noite, outro dia, rocei minhas pernas
pelas tuas pernas, suavemente e demora-
damente. Permaneceste com os olhos pou-
sados sobre mim. Desta vez foste tu que
me devolveste a carícia colando tua coxa
sobre a minha. Parecias indiferente, como
se nada acontecesse.
E desceste tua mão direita sob a mesa e
procuraste minha coxa e me tocaste de
leve. Senti teu calor na minha pele
nua, sem meias. E meu corpo todo e teu
corpo todo.
Dissemos adeus, até breve, espera-me,
voltarei estejas certa, estejas certo. Não te
esqueças, não me esqueço!
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AMOR PENDULAR

Por Maria EmiIia AIgebaiIe


Sabia o que sentia
Amava este amor pendular
Mas temia chegar a hora
Em que, por um dos amores,
Tivesse que, enfim, optar.
Um a cobria de ouro,
O outro a deixava nua
Para dela se fartar.
No ir e vir se despia,
Deixando um rastro de brilhos
Para poder retornar.
Não queria ir embora,
Também não queria ficar.
Quedou-se parada no tempo
Quando percebeu, já tarde,
A corda a se arrebentar."
artoNer O !rt b0 Van "enselar
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Quase muIher

Por Maria (NiIza) de Campos Lepre

Década de cinquenta no século passado.
Já faz algum tempo que estou notando algu-
mas transformações em meu modo de ser e
principalmente, algumas mudanças em meu
corpo.
Não aprecio como antes, as brincadeiras com
bonecas, ou as de faz de conta, onde me ima-
gino cozinhando arrumando a casinha e outras
coisas mais.
Mesmo a confecção de roupinhas para as mi-
nhas bonecas, e as de minha irmãzinha, já não
me atraem muito. Essa era a brincadeira que
mais amava.
Há alguns meses comecei a sentir uma dor
muito forte no meu peito, bem em cima de
meus mamilos, achei que tivesse me machuca-
do durante uma brincadeira de bola queimada
com meus irmãos.
Como a dor não passasse procurei pela minha
mãe e contei o que estava acontecendo, ela
abriu um lindo e largo sorriso, me abraçou e
disse: - Querida, isso é somente o começo de
sua transformação. Em breve tal como a borbo-
leta que sai de seu casulo, você se transforma-
rá em uma linda jovem. O que esta acontecen-
do, é que seus seios começaram a se desen-
volver, seu corpo esta se preparando para sua
passagem de menina para mulher. Não tem no-
tado que estão crescendo alguns pelos, onde
antes não havia nenhum? Não é verdade o que
estou afirmando?
Respondi que sim, e, ela continuou me ensi-
nando uma porção de coisas que ainda não sa-
bia. Prestei muita atenção a tudo que disse, e
entendi toda a explicação. Somente uma coisa
ela não explicou, o porquê de eu sentir dores.
Não podia encostar-me em nenhum lugar que
estivesse na altura de meus peitinhos, tanto era
a dor que isso me causava que saia pulando
como um cabritinho.
Já faz algum tempo que aquele mal estar pas-
sou, e agora as transformações começam a
afetar o meu modo de ser.
Muitas vezes me pego analisando de forma di-
ferente algum coleguinha de classe que até a
poucos dias me era indiferente.
Mudou-se para nossa cidade um jovem muito
bonito, moreno de olhos tão verdes que pare-
cem brilhar como lanternas acesas.
Começou a freqüentar a mesma escola na qual
estudo. Tornou se inclusive meu colega de
classe. Não sei por que, mas cada vez que ele
se aproxima de mim para conversar, meu cora-
ção dispara. Eu fico toda encabulada, minha
voz acaba ficando preza na garganta, meu ros-
to parece que vai pegar fogo.
Esse sentimento é uma coisa muito estranha e
muito assustadora para mim.
Não sei se ele sente o mesmo que eu, mas o
fato é que sempre fica por perto, acredito que
percebeu que de alguma forma mexe comigo.
Esse sentimento faz-me sentir muito estranha.
Hoje pediu para me acompanhar até minha ca-
sa no final das aulas.
Ao sairmos do prédio escolar, já me esperava,
pegou os livros e cadernos que eu carregava, e
fez questão os levar até o portão de entrada de
minha casa.
Minhas colegas caminharam conosco papean-
do alegremente, mas percebi que estavam com
um pouco de inveja. Ele é realmente muito bo-
nito, e todas as meninas sonhavam em ter a
sua atenção só para elas. Sinto-me orgulhosa
por ter sido eu a escolhida.
No inicio deste ano ganhei de mamãe um diário
onde passei a anotar tudo que acontece de in-
teressante em minha vida
Logo depois de ter almoçado corri até meu
quarto e comecei a anotar tudo que havia acon-
tecido neste dia, que certamente ficará marca-
do para sempre em minha vida.
Descrevi com detalhes tudo o que eu havia
acontecido, mesmo não sabendo ao certo co-
mo classificar este novo sentimento, o fato é
que me encontro muito feliz.
As férias chegaram, e nos mudamos para a fa-
zenda da família para passar o período todo
por ali.

(Segue)
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Eu amo quando isso acontece, adoro o contato
com a terra, as árvores, os rios, os animais, en-
fim amo a natureza.
Um de meus maiores prazeres é deitar na rede
que fica na varando da frente da casa, a espera
do nascer do sol.
Quando ele começa a aparecer é um dos mais
belos espetáculos da natureza. As cores come-
çam a aparecer aos poucos, e vão se tornando
cada vez mais intensas, até explodirem em mi-
ríades de tons. Tudo isso como preparação pa-
ra o aparecimento de sua Majestade o Sol.
Combinei com Ìsaura, de sairmos a cavalo na
manhã seguinte. Ela é eximia amazona, foi cri-
ada praticamente em cima deste animal, eu, no
entanto, cavalgo muito mal, mas dá para o gas-
to. Ela tem uns três anos a mais que eu.
Ìsaura é filha de um italiano de sobrenome Vi-
centin, braço direito de papai na fazenda, é loi-
ra, de pele muito clara, esta sempre de bom
humor, nunca a vi com as feições nubladas.
Quando fica por algum tempo no sol, seu rosto
fica muito vermelho, quase roxo, e seu nariz
brilha como se fosse um pimentão maduro.
Quando tem algum acesso de riso a mesma
coisa acontece, parece que todo o sangue de
seu corpo migra num passe de mágica para
suas faces.
Levantei-me de manhã bem cedo, vesti uma
calça rancheira e uma blusa xadrez de algo-
dão.
Depois parti rumo ao estábulo onde Ìsaura me
aguardava para nosso passeio matinal, mas,
antes parei no mangueirão onde mamãe me
aguardava com uma grande caneca repleta de
leite com café.
O leite havia sido ordenhado neste instante, e a
espuma estava tão intensa que escorria pelas
bordas da vasilha. Este é um dos prazeres de
se estar na roça. Quem mora na cidade não
tem este privilégio.
Partimos para nosso passeio, resolvemos ir até
o canavial e depois dar uma passada pelo cafe-
zal. Subimos até o nosso destino trotando cal-
mamente e conversando sobre vários assun-
tos.
Ela me colocou a par de tudo que havia aconte-
cido na colônia enquanto eu estudava na cida-
de. Contou-me que havia conhecido um rapaz,
e que estava gostando dele. Como ela era mais
velha, não recebi a noticia com surpresa, pois
na fazenda as moças costumam se casar muito
cedo.
Na volta, ela me propôs fazermos uma corrida,
iríamos do cafezal até o inicio das canas.
Quem chegasse primeiro ganharia o premio
que era o de ficar sem arrumar a cozinha por
dois dias.
Eu já sabia que seria a perdedora, mas aceitei
o desafio assim mesmo, só para ver a cara de
felicidade que ela faz nestas horas.
Dito e feito partimos num galope desenfreado,
mas como previ, ela acabou ganhando a prova.
Uma coisa muito estranha aconteceu comigo
durante esta disputa, quando desci do cavalo
para cumprimentar minha amiga, parecia que
eu havia urinado nas calças, tinha a sensação
de que estava tudo úmido da cintura para bai-
xo. Pedi a Ìsaura que olhasse se minha calça
estava molhada.
Ao me examinar soltou uma sonora gargalha-
da. Começou a rir tanto que chegou a se con-
torcer, por vezes dava a impressão que ia rolar
pelo chão. Por mais que eu perguntasse, o que
estava acontecendo, ela não conseguia me
responder, pois sua voz estava sufocada pelo
riso.
Depois de algum tempo ela se acalmou e con-
seguiu me explicar o que se passava: - Você
acaba de ficar mocinha, o que esta te incomo-
dando é o Chico que acaba de chegar (é como
se denominava a menstruação na fazenda).
Você agora já não é mais criança, e começou a
rir novamente.
Partimos em direção a casa da fazenda, caval-
guei me sentindo muito feliz, pois a maioria de
minhas amigas já havia passado pela menarca,
e agora havia chegado a minha vez.
Ao chegarmos contei a mamãe o que havia
acontecido. Ela ensinou tudo que eu deveria
fazer, inclusive coisa relacionadas com a higie-
ne pessoal. (Nesta época não existiam os ab-
sorventes de hoje, por isso as mães ensinavam
como colocar e lavar as toalhinhas feitas para
este fim).

(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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Ao anoitecer deitei em minha cama, acendi um candeeiro, peguei o diário e comecei a registrar
tudo, contando com detalhes o que havia acontecido neste dia tão importante de minha vida.
A alegria de ter me tornado mocinha, passou der repente, quando acordei no dia seguinte. Pa-
recia que meus intestinos estavam dando um nó dentro de minha barriga, não conseguia nem
endireitar o corpo tanta era a dor que sentia.
Chamei por mamãe e contei o que estava se passando. Ela foi até a cozinha e voltou com uma
xícara e me fez tomar o liquido num só gole. Havia preparado um remédio que era muito amar-
go, mas, quinze minutos depois, estava novamente sem dor.
Foi assim que a sementinha que havia dentro de mim desde o meu nascimento germinou, e se
abriu numa linda flor colorida e perfumada, sendo apreciada por muitos rapazes, mas só um de-
les acabaria usufruindo de seu perfume e de sua beleza.
Não é nada fácil ser mulher. A passagem da meninice para a puberdade é complicada e dolori-
da, mas, agradeço a Deus por ter me colocado neste corpo feminino. Não trocaria de sexo por
nada neste mundo.
Sinto muita pena dos homens, pois jamais saberão o que é criar uma vida dentro de si. Nem
sentirão a felicidade de dar a luz a um novo ser. É um momento mágico. É um instante em que
nos sentimos abençoadas pelas graças divinas.
É o maior milagre da natureza e somente o sexo feminino consegue este feito.
Adoro os homens, mas...
Deus abençoe as MULHERES.

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Pr%cioso t%so+ro

Por Marina !%nti$%

Tomou para si o compromisso de criar,
Não foi fácil educar, se fazer respeitar,
Trabalhou muito, cobrou e foi cobrada,
Foi rocha dura, às vezes exagerada.

Agora ela tem os cabelos alvos,
Caminha passinho por passinho,
Em seu jardim, em seu ninho.

E com rugas que contam o tempo,
Ainda mima seus filhos amados,
Ela venceu, trabalho encerrado.



(<ns*irada em Maria Moreno, min2a mãe)
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NATÉRCIA SILVA VILLEFORT COSTA

Por Antonio CabraI

***
Eis a minha homenagem
a toda mulher mineira,
pela brilhante coragem
e atitude altaneira.
&
Matutei durante dias
tentando rimar Natércia,
mas o vinho Três Marias
fez-me quebrar a inércia.
*
De estirpe rara, Natércia,
desde os tempos de menina
escorraça a horda néscia
dos belos campos de Minas.
&
Ìlustríssima Natércia,
antes de brandir o pinho,
convido a prima Laércia
para partilhar o vinho.
&
Natércia, minha querida,
brindo-a nos versos meus,
das maravilhas da vida
és o presente de Deus.
&
Ìlustríssima Natércia,
nada fácil te escrever,
mas com licença poética
ler-te é um grande prazer.
&
Natércia, querida minha,
minha querida Natércia,
peço licença poética
para cruzar esta linha.

!rte b0 ;lemish
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A MULHER QUE SOU

Por BasiIina Pereira

Descrevo a mulher que sou:
versátil, fecunda, fluida...
não sei bem por onde vou,
mas sigo a trilha dos druidas.

Falo a linguagem do amor
neste terraço do mundo
se encontro miséria e dor
acelero e vou mais fundo.

Sempre tem dias de chuva
e de assobio no escuro,
mas quem tem mão salva a luva,
sonho atrevido é futuro.

Nado em audácia e leveza
com charme de lua cheia,
tem mistérios, com certeza,
o que me corre nas veias.

Mas como toda mulher
sou força que para o vento
quem foca o alvo e o quer
vai além do pensamento.
'mo?e P woman !rt 8rint b0 9ulien Faltnec?er
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MuIher

Por MarIene B. CervigIieri

Desde pouca idade sempre atenta
Quer saber de tudo é curiosa
Prendada ou não sempre faz
O que pensa!
Valoriza seu status impondo respeito
Com muito trabalho sem descanso

Logo cedo já inicia o dia
Que nem bem começou
Servindo a todos
Fazendo seus afazeres incansáveis
Muitas vezes cantando ou mesmo.
Assoviando

No fim do dia depois de tarefas mil
Ainda tem tempo para um carinho
Uma palavrinha, ou mesmo para ouvir
O dia de todos, como se o seu não fosse
Nada.

É a ultima a se deitar já pensando
No amanhã.
Descansa mulher
Pois de ti precisamos e muito
Teu dia é hoje, foi ontem e será amanhã.
Que Deus te guarde
Pois abençoada és
Nasceu mulher!
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No eIevador

Por César Soares Farias

"As criaturas de fora olhavam de
um porco para um homem, de um
homem para um porco e de um
porco para um homem outra vez;
mas já se tornara impossível dis-
tinguir quem era homem, quem
era porco.¨

George Orwell, escritor nascido no longínquo
ano de 1903, na Índia, encerrou assim o seu
consagrado livro "A Revolução dos Bichos¨. E
foi assim também, equiparando o homem com
um bicho repugnante, que Dirce entrou em seu
apartamento naquela abafada tarde de verão.
Foi direto ao chuveiro, sem se dar ao trabalho
de apanhar roupas limpas no quarto. Despiu-se
com pressa, recebendo aquele jato de água fria
com uma satisfação indescritível. Tendo em
mãos um perfumado sabonete líquido de ervas
finas, esfregou com grande esforço cada centí-
metro do seu gracioso corpo. Em pouco tempo,
o banheiro foi envolvido pela flagrância suave
exalada daquela frenética operação de limpeza.
Apenas quando abriu o boxe, satisfeita e refres-
cada em todo o seu ser, ela finalmente sentiu
falta de uma toalha e novas vestimentas. Des-
calça e pingando pelo piso afora, chegou ao
quarto para enxugar-se. Tão logo acabou,
quando começava a vestir o sutiã, um pensa-
mento agitou-lhe novamente a mente. Jogou
bruscamente no chão a peça íntima e voltou, a
passos apressados, ao chuveiro para um novo
banho.
A lembrança daquele homem acompa-
nhava-a agora como um encosto ou %aC que
teima em ficar. Jamais, em seus 37 anos de
vida, topara com um olhar tão lascivo. Literal-
mente da cabeça aos pés, ele esquadrinhara
todos os contornos visíveis e invisíveis que ha-
via nela.
Dirce arrependera-se amargamente de,
naquela ocasião, não ter usado a escada para
descer os míseros dois andares que separa-
vam o apartamento de Paula, colega de facul-
dade, do seu. Morava no Apto. 104, bloco B, do
Residencial Parque Ìmperatriz e tinha com a
referida moça estreitos laços de amizade, des-
de os tempos do Ensino Fundamental no Colé-
gio Padre Rambo da Avenida Bento Gonçalves.
Haviam ambas, através de um projeto habitaci-
onal do DEMHAB (Departamento Municipal de
Habitação), adquirido os seus respectivos imó-
veis naquele condomínio e, como boas vizi-
nhas, visitavam-se quase que diariamente. Na-
quela tarde quente, por volta das 15h40min,
elas tomavam café e assistiam a um DVD
quando o celular de Dirce tocou. Era a sua filha
de 13 anos, que dividia com ela o apartamento.
A menina, bastante ansiosa, pediu com urgên-
cia a presença da mãe em casa, pois queria
muito fazer um desabafo. Telefonara da casa
do pai e prometeu em no máximo meia hora
chegar ao condomínio para conversarem.
Dirce ficou intrigada e achou que boa
coisa não poderia ser. Seu ex-marido tentara já
por duas vezes suspender o pagamento da
pensão alimentícia, alegando ter muitas despe-
sas com a nova companheira e os dois entea-
dos. Despediu-se de Paula prometendo voltar
em seguida para terminarem de ver o filme, que
era bem interessante. Optou por embarcar no
elevador, coisa que raramente fazia. Sentiu
preguiça e resolveu economizar um pouco o
joelho, que andava dolorido pelo excesso de
exercícios na academia. Apertou o botão e
aguardou vinte segundos, mais ou menos. A
campainha anunciando a chegada da cabine
móvel finalmente soou e, como de praxe, as
portas automaticamente abriram-se para o em-
barque. Estava vazio e ela, entrando, buscou o
botão de n.º 1 para indicar onde desceria. Qua-
se no momento de as portas definitivamente
fecharem-se, uma voz masculina , pelo lado
esquerdo, gritou:
- Espera! Desce!

Gentilmente, como requer a situação, ela
apertou com rapidez o botão AP (Abrir Porta).
Entrou então um senhor grisalho, com seus
62... 63... 65 anos no currículo. Tinha dentes
alvos como o marfim e, num sorriso um tanto
quanto dissimulado, agradeceu com voz desafi-
nadamente aveludada:

- Pô... Se não é tu... Obrigado filha... Tô supe-
ratrasado para uma reunião...

5'e1ue6
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Em seguida, com interesse, percorreu o
seu olhar de peixe-morto pelos 1 metro e 75
centímetros de Dirce, reparando na sua beleza
fresca e primaveril. Tinha ela um jeito todo ju-
venil de ser, e isto estava impresso na forma
como se vestia, andava e sorria. Quando per-
cebeu as "sodômicas¨ intenções do ancião, fi-
cou embaraçada como uma menina. Nervosa,
colocou cinco ou seis vezes uma mecha de
seus cabelos ondulados para trás da orelha di-
reita, buscando disfarçar o mal-estar que sen-
tiu. Não lhe dirigiu qualquer palavra nem olhou
mais em seu rosto, contudo era-lhe evidente
que ele continuava a apreciar as suas curvas
bem esculpidas.
Por fim, o recato inicial dela deu espaço
a uma indignação profunda, e o seu instinto de
autodefesa a fez encará-lo com severidade e
sem medos. O que viu, no encontro de olhares,
repugnou-a ainda mais. O grisalho, perfumado
e bem alinhado em seu traje escuro de sarja,
percorria com os seus olhos famintos, um traje-
to metódico, com intervalos sincronizados. Seu
nariz lembrava um focinho de porco, e a gordu-
ra acumulada em seu ventre e pescoço deixa-
va-o ainda mais à imagem e semelhança de
um suíno. O tal homem cobiçava-a de cima a
baixo, de baixo a cima e depois de cima a bai-
xo novamente. Olhava desde os seus pezinhos
mimosos até o agradável feitio do seu rosto
moreno claro, de lábios carnudos e olhos gran-
des. Fazia isso lentamente, com prazer e des-
frutando até onde o tempo e a ocasião lhe per-
mitiam. Dirce percebeu ainda um discreto movi-
mento horizontal em sua língua, à medida que
passeava a vista impura pelos pés, tornozelos,
coxas, quadris, barriga e seios dela. Ìsso, defi-
nitivamente, esgotou-lhe a paciência. E, quan-
do preparava ela uma bofetada certeira, o ele-
vador chegou enfim ao 1.º andar.
Quando a porta reabriu, quis ela, inicialmente,
vingar-se, puni-lo ou tão somente xingá-lo. As-
sim que o perdeu de vista, no entanto, sentiu
um surpreendente desânimo. Naquele momen-
to, teve vontade de fugir para um lugar bem
distante e não conversar mais com ninguém.
Sim, ela sabia que era atraente e por isso rece-
bera já muitas cantadas picantes, mas aquele
homem... Cruzes! Tinha algo particularmente
sujo e degradado em suas intenções. Sentiu-se
profanada em sua condição de mulher inteli-
gente e romântica. Saiu do elevador em dire-
ção ao chuveiro. E ele, a passos rápidos,
olhando o relógio, deixou o prédio e acenou
para um táxi que vinha vazio pelo outro lado
da rua. O motorista fez o retorno e levou-o até
a sede da Pastoral da Ìgreja Católica para a
sua reunião de trabalho. Era o Padre Adolfo,
que estivera no Residencial Parque Ìmperatriz
para visitar um diácono amigo seu.
UMA OPORTUNIDADE
COMO NENHUMA OUTRA!

DIVULGUE O SEU LIVRO
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LITERÁRIO DA SUÍÇA!

Contato:
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Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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Meno (s) pausa:

Por Neusa ArnoId-Cortez
Apenas um trocadilho bem humorado para me compensar de alguma forma a seriedade do te-
ma "menopausa¨. Eu estaria mentindo se escrevesse que estou encarando alegre e facilmente
uma nova fase de minha vida. Sim, os anos passam muito rápido para todas nós e sem plane-
jarmos ou desejarmos o fato é que novas fases de nossas vidas nos apossam simplesmente!
Na verdade, até que visitei meu ginecologista há algumas semanas para os preventivos neces-
sários, não havia pensado neste fenômeno que compromete a nossa juventude e nossa capaci-
dade reprodutiva. Me sinto na verdade, ao menos espiritual e psicologicamente, na "flor da ida-
de¨, mas o Doutor através de sua pergunta, a qual me pareceu a mais ofensiva do mundo -¨ A
Senhora tem sentido os sintomas da menopausa?¨ – me jogou uma realidade fria na cara.
Eu fiquei de verdade chocada com a pergunta direta e rápida do médico e respondi – sorrindo –
para disfarçar minha confusão interna: – ainda não!
Sai do consultório do médico pensativa quanto aos sintomas da menopausa e me lembrei de
minha mãe conversando com as tias sobre calor e suador inesperado e desagradável. depois
me recordei também das reclamações de minhas ex-colegas de trabalho que passavam pela
experiência. Assim naquela manhã conclui que eu realmente nao sentia qualquer sintoma se-
quer parecido com àqueles que já havia ouvido através de conversas discretas entre um cafezi-
nho e outro.
Contudo o bárbaro é que depois de algumas semanas senti pela primeira vez este calor inespe-
rado e estranho. A princípio pensei que fosse o aquecimento que estava num grau muito eleva-
do associado a uma xícara de café quente, mas depois de outros sucessivos me lembrei da per-
gunta do Doutor e conclui que sim – provavelmente sentia finalmente um dos sintomas da me-
nopausa.
Hoje meio confusa com muitas responsabilidades pendentes, mas com o tema rodopiando na
cabeça – resolvi registrar, através das palavras, meus pensamentos, talvez na tentativa de me
livrar um pouco deles e também para prestar minha solidariedade à todas as Mulheres que já
superaram ou estão nesta fase de suas vidas. Para mim não é difícil encarar o fenômeno em si,
pois penso que este é um fenômeno natural - absolutamente suportável - mas o que Ele repre-
senta não é muito simples encarar! De uma perspectiva pessimista parece que caminho na di-
reção do nada. De uma perspectiva descontrolada penso que tenho ainda muito o que fazer.
De uma perspectiva estética me preocupo com os "pneus¨ que insistem em se instalar onde an-
tes haviam "curvas¨.
Existe outra alternativa a não ser tentar acreditar que em todas as fases da vida temos novos
desafios e em todas elas podemos encontrar certa beleza?
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Indriso hoje sem sertões
vazios na aIma

Por OIiveira Caruso

Minh'alma já teve
os mais vazios sertões
matadores de Felícia.

Mas eles geraram cactos;
os cactos geraram água
de que bebeu Felícia.

Felícia te mostrou a mim.

Nós a abraçamos hoje.
!rte b0 Gunter Hortz
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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MULHER [ES]

Por CIevane Pessoa de Araújo Lopes


Mulher menina,
mulher felina,
mulher de malandro,
mulher de escafandro,
caminheira, lavadeira, copeira
garçonete, femme, fêmea,
woman, cientista, ilusionista,
lavradora, pintora, professora...
Mulher apenas, fruto de penas,
falenas, grandes ou pequenas...
Mulheres intuitivas,
mulheres esquivas,
atiradas, sobrecarregadas,
apaixonadas, bem
e mal-amadas...
Transparentes, intransigentes,
ardentes, inconsequentes,
tortas e direitas, certas
e erradas,
sempre valentes,
mesmo se parecem acovardadas...
Mulheres loucas, enlouquecidas,
redentoras, redimidas, provedoras,
analfabetas, doutoras
donas de casa, donas de nada,
patroas e empregadas,
mucamas ou sinhás no tempo antigo,
balconistas, artistas,
executivas, executadas,
livres e aprisionadas,
vítimas e agressoras,
agressivas, esquivas,
tímidas e rapaces,
pessoas com necessidades de enlaces,
pessoas fugindo da raia,
voando, se libertando,
chegando, partindo...Ah que lindo ser
MULHER,
todas mulheres em MÌM
gritam sonâncias, relembranças, mo-
mentos,
emprestam suas vivências,
sussurram segredos,
explicam receitas,
sangram, riem ou choram...
Tenho um átimo de cada mulher
do Mundo nas minha feições,
na minha alminha,
essa adulta sempre menina,
essa criança sempre madura,
erotíssima e tão pura...
Todas cantam e choram em meu self,
pois todas nós estamos nas demais
em traços infinitesimais
-e nenhum homem parece
entender a prece
que em uníssono entoamos
umas pelas outras, sempre...

h-p.//www.orientaloutpost.com/
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O saIto

Por Tania Diniz

Saudade de ver o mar. E agora ali estava. Diante do imenso azul,
respirando o cheiro de sal e o mistério daquelas águas. O sol na pe-
le, a brisa nos cabelos. O desafio das ondas.
Viu a alegria da praia. Sentiu a angústia da solidão. Percebeu as in-
dagações da vida e da morte. Não compreendeu a covardia dos ho-
mens. Debateu-se em onipotências e impotências.
E com um grande suspiro, sobre a rocha usada com o trampolim, ar-
queou o corpo no impulso e mergulhou no fundo de sua alma. Era
apenas Mulher.

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LILITH – O MITO

Por MarIy Rondan

O Mito de Lilith é tão antigo quanto a hu-
manidade!
Lilith foi a primeira mulher criada por Deus.
Provavelmente fazia parte do Gênesis da Bí-
blia mais antiga, mas esse livro foi substituído.
Criou-se, então, o mito de Eva, a mulher criada
por Deus de uma costela de Adão...uma pe-
quena parte do corpo, substituível, torta, sem
muita importância... Assim é a segunda cria-
ção de Deus, a segunda mulher de Adão!

Lilith foi a primeira feminista da história...
negava - se a fazer todas as vontades de
Adão, queria competir lado a lado, ser inde-
pendente, fazer aquilo que achava bom para
seu prazer, sua felicidade.
Muitas versões surgiram da história de Li-
lith, alguns dizem que Deus a transformou na
serpente do Paraíso e Ela, inteligente e sagaz,
seduziu a segunda mulher, Eva, e a induziu a
desobediência, a comer o fruto proibido, e to-
dos foram expulsos do Paraíso, por causa de
uma mulher, sempre a vilã da história.
Outra versão: Lilith foi expulsa do Paraíso e
foi para o astral, lá permaneceu solitária, até
que Caim matou Abel e também foi expulso
do Paraíso. Lilith ouviu o choro de Caim, seu
desespero, sua solidão... Ela o consolou, o
amou, mas falou:
Caim, quando fui expulsa, estava realmente só,
chorei e eu mesma enxuguei minhas lágrimas,
precisava de consolo, e eu mesma consolei-
me. Fiquei forte, descobri que podia ser só e
forte, posso até ajudar outro ser.

Na Ìdade Média, período sombrio da hu-
manidade, onde a mulher foi perseguida, as-
sassinada sob qualquer pretexto. Lilith, passou
a ser sinônimo de Bruxa, Demônio...

Tudo isso , apenas mitologia, histórias
criadas pela imaginação do próprio homem e
de mulheres machistas.

Deus não é homem, não é mulher,
Deus é Energia Divina, é criador, não privile-
gia nenhuma de suas criações, nem deprecia
nenhuma delas. Deus é amor!

Nós mulheres devemos entender Lilith
como um modelo de feminilidade,
não precisamos ser radicais, ser feministas. A
mulher não quer ser melhor que o homem,
mas igual, com os mesmos direitos, em todas
as áreas, no trabalho, nos relacionamentos...
Quando ocupar um determinado cargo em uma
empresa, ganhar o mesmo salário que um ho-
mem, que ocupa o mesmo cargo. Hoje, século
XXÌ, isto ainda não acontece. A mulher ainda é
tratada como Eva, apenas um pedaço do ho-
mem. Queremos ser Lilith, uma mulher inteira,
independente, capaz, que se basta. Como Li-
lith, a mulher do século XXÌ não quer um prín-
cipe encantado, uma alma gêmea, a metade
da laranja, não, a mulher |Lilith não é pedaço,
não é metade, Ela é inteira, portanto quer um
parceiro, um companheiro.

Seja Lilith, chega de ser Eva!

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EVA

Por EIena Lamego


“7ão / son2o0 $la tem %arne, e;istên%ia,
Fadi5a e *udor” D(Viní%ius de Moraes”



Na lenda, Lilth veio antes
Perdeu-se em trevas.
Entre culpas e delícias-Eva
Conhece o paraíso.
Una com a natureza,
Ela mesma,
Faz parte da paisagem.
Ìnvade o imaginário,
Desenha-se nos mitos.
Nos mares,
Sereia!
Em outras águas:
Ela é Ondina, Ninfa, Naiade!
Habitante do Éter, Sílfides e Fadas.
No fogo? Salamandras, Chamas!
Ela é dócil, submissa,
Também fortaleza!
Geradora de vida, é Deusa!
Em sintonia com o ritmo do universo,
Caminha entre as quatros estações:
No outono, ritual;
No inverno, introspecção;
Na primavera, pronta para a explosão-
No verão - Luz!
Musa amorosa e sensual ,
Mulher primordial.



Mas ela não é sonho.
Tem voz, sentimentos,
É real!
Mãe, filha, companheira,
Tem anseios, dúvidas e lutas.
Tem garra, vence batalhas.
Ao longo da história, conquista espaços.
Cheia de encantos,
Pelos recantos da terra ecoa seu canto:
Sou Eva,
Sou Eva!
!rt b0 9ohn =ollier
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As "muIheres" de nossa vida


Por Rogério Araújo (Rofa)


No dia 8 de março é comemorado o ia <nterna%ional da Mul2er. Esta data foi criada em
homenagem às mulheres trabalhadoras de uma fábrica dos Estados Unidos que morreram quei-
madas ao reivindicar seus direitos em relação aos homens.
Em Gênesis 2.18, lemos: “$ disse o Aen2or eusE 7ão / bom .ue o 2omem este=a s:E "ar
-l2e-ei uma a=udadora .ue l2e se=a idCnea”0 Se o nosso Pai que está no céu fez essa declaração
é porque sabia que o homem não pode viver sozinho e precisa do cuidado, da visão e da emo-
ção que somente alguém do sexo feminino pode trazer para somar-se à sua objetividade, sem
muito romantismo.
Alguns estudos científicos comprovam que o homem tende a ser mais razão que emoção
e a mulher justamente ao contrário. E, se os dois viverem juntos, se completarão.
Nenhum dos dois deve achar que "manda¨ no outro. Cada um tem sua responsabilidade
e poder de decisão, caso contrário o clima pesado como de um quartel impedirá que cresçam e
cheguem a uma vida mais produtiva a dois, aliás, a três, pois DEUS não pode ficar fora dessa
vida!
Essa data também é um bom momento para pensarmos na importância da mulher na vi-
da do homem. Não existe ninguém que possa dizer que nunca esteve "envolvido¨ com uma mu-
lher em sua vida...
Mulher-mãe, mulher-avó, mulher-professora, mulher-amiga, mulher-namorada, mulher-
noiva, mulher-esposa, mulher-mãe de seus filhos, mulher-sogra... sempre estamos envolvidos
com uma vida feminina e que traz grande importância à sua existência com um todo. Muitas são
positivas e algumas negativas.
O rei Salomão escreveu em Provérbios 31.10: “Mul2er ,irtuosa, .uem a a%2ar6? ! seu
,alor muito e;%ede ao de =oias *re%iosas”0 Como será que estamos tratando essas "joias¨ que
nos rodeiam pela vida afora? Se a achamos, estamos aproveitando seu imenso valor ou despre-
zando como se nada valesse? E se ainda encontramos essa "pérola¨, estamos pedindo a devida
orientação do Senhor?
Vamos agradecer a DEUS essas precisas vidas que estão ao redor e que podem trazer
grandes bênçãos para todos durante vários momentos que sequer lembramos, pois são muitos.
Parabéns às "mulheres de nossa vida¨!
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LUÍSA PORTO CONTINUA
DESAPARECIDA

Por Deidimar AIves Brissi

Apesar do apelo do Drummond,
Da procura de muitos,
Da insensibilidade da massa alienada,
Luísa Porto, não mais com 37 anos,
Continua desaparecida.
Por isso renovo o apelo:
Procurem Luísa!

A mãe de Luísa não está mais fisicamente en-
tre nós E hoje mora com Deus e Terezinha do
Menino Jesus.
Se estivesse viva e com saúde,
Com certeza,
Juntar-se-ia às mães da Sé, da Candelária e da
Praça de Maio, Na busca esperançosa, obsti-
nada e dolorosa, Pela filha volatizada sem ex-
plicação!

Apesar de tanto tempo ter passado,
Alguns, como eu, ainda procuram Luísa Porto.
E por ainda acreditarem no ser humano,
Continuam procurando aquela não mais moça,
Alta, magra, morena, dentes alvos, óculos,
Vestidinho simples, levemente estrábica, Sem
namorado e de rosto penugento, Que foi fazer
compras na feira da praça, Não voltou!

Mas, apesar de todos os esforços ela continua
desaparecida E renova-se o apelo de campa-
nha ao povo caritativo de todo mundo Que ain-
da preocupa-se com as dores individuais.
Desliguem a televisão,
Coloquem nas redes sociais,
Façam um cartaz,
Coloquem-se no lugar do próximo,
Sintam suas dores,
Deixem de lado tanta ilusão,
Tanta coisa que não vale à pena
Sintam!
E procurem Luísa!
Procurem nos becos,
Nos ÌMLs,
Nos hospitais,
Nos prostíbulos,
Nas ruas dos excluídos,
Nos cemitérios,
Nas cracolândias,
Nas casas simples e nas mansões.
Se preciso, façam um spam.
Mas, não desistam de procurar.
Faz tanta falta!

Quem souber do paradeiro de Luísa Porto
Não avise mais sua antiga residência na Rua
Santos Olhos, 48, A casa não existe mais.
Foi demolida, construíram um cinema.
E hoje é mais uma igreja que recolhe dinheiro...
... para Deus, o Todo Poderoso.
Quem souber do paradeiro de Luísa Porto
Fale para ela que muitos sentem a sua falta.
Para ela não sentir vergonha
E juntar-se a nós.

E quando a encontrarem,
Anunciem em toda parte que a solidariedade
humana não morreu.
Que muitos se preocupam com as dores indivi-
duais E continuam a procurar e se preocupar
com tantas Luísas E tantas mães e pais de Luí-
sas!
Excluídas, esquecidas, exploradas,
Traficadas, estupradas, prostituídas,
Agredidas, assassinadas, humilhadas...
Dói tanto!

Por isto,
Você que acredita que suas pequenas ações,
Podem mudar o mundo, Junte-se a nós!
E procure esta não mais moça
Que se chama Luísa Porto...

... faz tanta falta...
Procurem Luísa!
Procurem!
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A MuIher

Por Ducarmo Souza

A mulher cada vez mais
Conquistando posição.
É uma batalhadora
Exercendo a profissão.
Ao mesmo tempo é frágil
Com amor no coração.

É um ser inteligente
Mulher, é extraordinária!
Seja como executiva,
Professora ou operária.
Dona de casa ou do campo
Ou alta funcionária.

Admirável, trabalho
Das Mulheres Empresárias.
Todas muito dinâmicas
Em suas buscas diárias.
Junto a elas sempre têm
Atenciosas secretárias.

Em todas as atividades
Há sempre uma atendente.
Desempenha seu trabalho
Discreta, educadamente.
Oferece um cafezinho
Prestativa e sorridente.

Os homens se assustaram
Mas, já estão acostumando.
A cada dia que passa,
Mulheres se destacando.
Hoje, em diversos setores,
Tem mulheres no comando.

A mulher foi ao Espaço
E mostrou sua façanha.
Em tudo a que se propõe
Quase sempre ela ganha.
Apesar destas conquistas
Ainda tem mulher que apanha.

Mas tem que reverter isso
Sua condição fazer jus.
A mulher com sabedoria
A família ela conduz.
Elevar sua autoestima
Pois é ela quem dá a luz.

Precisa haver sensatez
Viver com dignidade.
Dá exemplo pra família
Também pra sociedade.
Ter o respeito de todos,
Ela é mãe da humanidade!
Koman bod0 paint model photoA Emma Qac?
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ABIGAIL, TEU NOME É MULHER

Por JúIia Rego

Sempre que ouço falar em independência da
mulher, lembro-me da tia que me criou desde
os dois anos de idade. Essa mulher foi, para
mim, o maior exemplo de vanguarda feminina
numa época em que raríssimas mulheres assu-
miam atividades fora do âmbito familiar.
Nascida lá pela década de 1913, oriunda de
uma cidade do interior, desde cedo demonstrou
inclinação para os estudos. Mulher de estatura
pequena, simples, mas cheia de grandes con-
vicções, saiu de sua cidade muito cedo para
estudar em um colégio interno e, antes de ca-
sar já estava empregada, desempenhando as
funções de secretária bilíngue numa companhia
estrangeira.
Pessoa de fibra, Abigail, esse era seu nome,
não abdicou do seu emprego com o casamen-
to, como era de se esperar naquela época, ao
contrário, se dividia entre a profissão e os afa-
zeres de casa, com uma habilidade inigualável.
Sempre disposta e alegre, faladeira e cantante,
acordava antes das cinco da manhã para deixar
a casa em ordem cuidar do marido, do filho, da
sogra, da cunhada e de mim, e partir rumo ao
trabalho na empresa, da qual era a única funci-
onária mulher entre dezenas de homens, e aon-
de chegava impecavelmente elegante, usando
meias, luvas, chapéu, pó de arroz, batom e car-
mim. Era mulher!
Cresci naquele ambiente carregado de referên-
cias sutis ao feminismo, quando nem se falava
em luta pela igualdade entre os sexos. O que
havia, na verdade, eram muitas contradições
entre o que, de fato, se pregava, e o que, na
prática, acontecia. Restringia-se e, até, conde-
nava-se o trabalho feminino na rua, principal-
mente se a mulher fosse casada, mas ao mes-
mo tempo explorava-se essa mão de obra de
forma desumana, sem que se reivindicasse ne-
nhum direito. A algumas mulheres era permitido
trabalhar fora de casa, mas dentro dela tinha
que respeitar o marido. Não se discutiam direi-
tos e deveres do casal, vivia-se assim e pronto,
entretanto nunca tive conhecimento de que es-
tresse físico e mental, crises emocionais, de-
pressão, aquisição de doenças cardíacas, tives-
sem feito parte da vida de minha tia por causa
da sua condição, aparentemente submissa.
Abigail era daquelas funcionárias exemplares,
não só pelo seu temperamento, mas porque o
trabalho numa multinacional exigia pontualida-
de, literalmente, britânica, compromisso, hones-
tidade e muita ética, elementos raríssimos nos
dias de hoje, o que, para ela, não representava
nenhum esforço, já que estavam intrinsecamen-
te imprimidos em seu caráter.
Exercia com competência as múltiplas funções
a ela atribuídas. Exímia datilógrafa, taquígrafa,
tradutora, redatora, relações públicas, lidava
com vendedores, compradores e gerentes, nem
sempre amigáveis, acumulando outras sob o
peso de representar o sexo feminino dentro de
uma empresa essencialmente masculina, tais
como mãe, irmã e amiga, afinal o homem, em
todo e qualquer lugar e em qualquer época, se-
ja ocupando funções subalternas ou cargos
mais elevados, e por mais durão que ele tente
se mostrar, anseia por um ouvido feminino que
dissipe seus medos, acalme seus anseios e o
direcione em suas mais difíceis decisões. E lá
estava a pequena Abigail, respeitada por todos
como profissional e como mulher. Nunca se ou-
viu falar sobre nenhum tipo de assédio por par-
te de qualquer colega ou chefe, mesmo quan-
do precisava ficar trabalhando até mais tarde
apenas com o gerente, ou quando viajava sozi-
nha de avião representando a companhia em
outros estados.
Quantas vezes ela me levou ao trabalho por
não ter com quem me deixar, e esses eram os
dias que eu mais gostava. Vê-la tal qual uma
máquina, datilografando, escrevendo, atenden-
do, entrando e saindo da sala dos gerentes que
enrolavam a língua para falar o português, sem-
pre com papel e caneta nas mãos, taquigrafan-
do o que eles ditavam, era um deleite para mim
que ficava fascinada com tamanha importância
dada a uma mulher. Tanto que, por muito tem-
po, minha diversão favorita era brincar de escri-
tório.


(Segue)
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www.varaldobrasil.com 12,
Direitos trabalhistas diferenciados para o cha-
mado sexo frágil não existiam. Quando eu já
era adolescente, ouvi-a contar do seu constran-
gimento quando "as regras¨ vinham, de forma
abundante, e ela não tinha tempo de levantar
da cadeira, atolada nos papéis, para ir ao ba-
nheiro trocar os paninhos, sim, não existiam
absorventes. Quantas e quantas vezes teve
que ir para casa com a roupa manchada, pro-
vocando cochichos e críticas das mais varia-
das.
Contava, entre lágrimas, que, quando esteve
grávida de seu único filho, sofreu o que de pior
uma mulher, na condição de mãe, pode sofrer,
a privação do direito de amamentar. Despejava
na pia o leite que saía do seu peito carregado
por não poder ir em casa alimentar seu peque-
nino. Licença-maternidade, ora, isso nem se
falava, eram só os dias do resguardo e pronto,
mas nunca a vi se lamentar, pensar em desistir,
se desesperar, contava essas coisas mais a
título de desabafo do que de contrariedade.
Minha tia ganhava bem, e como tinha o espírito
inovador era ela quem levava para casa, com
os olhos brilhando, todas as novidades eletrôni-
cas surgidas na época como máquina fotográfi-
ca, geladeira, liquidificador, batedeira, chuveiro
elétrico, televisão, máquina de lavar, o que era
causa das mais acirradas discussões travadas
com meu tio, que além de ganhar menos, não
aceitava que uma mulher tomasse a frente nas
decisões do lar. O homem ainda deveria ser
consultado e cabia a ele a palavra final, ainda
que aceitasse dividir as despesas com a espo-
sa. Existissem computador e celular na época,
com certeza, ela os teria comprado com a mai-
or felicidade e ele, com certeza, teria saído de
casa.
Minha vida nessa casa foi muito rica dos pontos
de vista sociológico e antropológico. Por viver
num ambiente com tanta diversidade de ideias,
comportamentos e atitudes, de homens e mu-
lheres que ali moravam, num impressionante ir
e vir de avanços e retrocessos, desenvolvi um
senso crítico muito apurado e, hoje, do alto da
minha maturidade etária, posso dizer que a mu-
lher obteve ganhos e perdas ao longo da histó-
ria. Se num passado longínquo carecia de leis
que a protegessem em sua totalidade de ser
diferenciado do universo masculino, fisiológica
e emocionalmente, de umas décadas para cá
se observa uma profusão de mulheres libertas
de convenções e independentes, porém estres-
sadas, doentes, carentes e confusas, divididas
entre o trabalho fora de casa e a maternidade,
mesmo tendo conquistado inúmeros direitos
que, teoricamente, conferir-lhe-iam uma quali-
dade de vida melhor.
Minha amada tia trabalhou longos e árduos trin-
ta e seis anos nessa companhia e, diga-se de
passagem, apenas nessa companhia, tendo se
aposentado com honras e méritos com direito a
condecoração pelos serviços prestados. E não
parou por aí, dedicou-se ao estudo da música e
escreveu um livro aos 86 anos de idade.
Lembro com muito amor e saudade dessa mu-
lher especial que me deu régua e compasso,
como disse um dia o compositor. Submissa em
alguns momentos e autoritária em outros, mas
sempre acreditando na realização dos seus so-
nhos, imprimiu na minha memória que o mais
importante não é a luta vã entre os sexos para
ver quem ganha mais, quem vale mais, quem
pode fazer o que, e sim deixar um legado na
história das pessoas que passam por nossa vi-
da, brigando, sim, pelo respeito à essência, não
de homens ou mulheres, mas de seres huma-
nos.
Vale lembrar que, após tantos avanços na bus-
ca pela igualdade, as mulheres adquiriram, sim,
muitos direitos, inquestionavelmente importan-
tes para a vida em sociedade, mas o tal respei-
to entre homens e mulheres que tanto exigi-
mos, e que achamos que conquistamos, ficou,
há muito, perdido.
Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um
filho, embora representem o ideal de realização
para muita gente, não foi o maior legado deixa-
do por Abigail, mas as pegadas que deixou no
meu caminho para que eu abrisse a minha pró-
pria estrada, como ser pertencente a esse uni-
verso, como mãe e como mulher, essas, sim,
jamais serão apagadas.

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A LIN'UA'EM E $ %$R&$

E.iane A))io./
A cIínica, a arte, a vida e a
criação de conceitos

Após milênios de cisões entre diferentes aspec-
tos, indivisíveis, porém, como ciência e arte,
sagrado e profano, corpo e mente, eu e não eu,
e outros, nós ocidentais, a duras e alegres pe-
nas, vimos perseguindo e encontrando instru-
mentos para lidar com os impasses e ultrapas-
sar dicotomias paralisantes, sem eliminar as
contradições.
Entre os cronistas do cotidiano, contemporâ-
neos, encontro mestres em outras maneiras de
lidar com acontecimentos, problematizando-os
e se preocupando em não banalizar sua com-
plexidade, ao contrário, levando o leitor à per-
cepção de novos e surpreendentes ângulos.
Um dos recursos usados é o do autor se inserir
na situação e/ou contexto que está trazendo,
dizendo o que pensa, o que sente, como foi
afetado pelas circunstâncias, ou seja, recorren-
do às referências que brotam de sua experiên-
cia e de seu agir no mundo, em outras pala-
vras, deixando a neutralidade, se expondo.
Não apenas a ciência é conceitual, também a
arte e a vida. Em nosso cotidiano cada vez que
descobrimos jeitos mais enriquecedores, ou
sentimos a precisão de problematizar a rede de
relações de situações que nos desafiam, em
certa medida, criamos conceitos. Um conceito é
para ser usado, uma ferramenta do pensamen-
to que sustenta, temporariamente nossas ações
no mundo, em qualquer dos campos que agi-
mos. Não nasce para permanecer, mas para
ser substituído por outros, podendo ser usado
diferentemente em outros contextos. Quando
isso ocorre, não é mais aquele conceito origi-
nal, mas um outro que possa oferecer novos e
diferentes recursos. Quando digo usado quero
dizer, experimentado, vivido.
Na cultura ocidental (como em qualquer cultura)
há saberes supostos para nos orientar (que po-
dem desorientar, completamente!), e para me
sentir garantida a eles me agarro. Quando faço
isso não posso me apossar das referências,
pois, em geral, estas permanecem alheias à
minha experiência, não as encarno e por is-
so, se distanciam de mim como cenouras na
frente do burrinho, não me servindo, pois não
dariam conta dos desafios do momen-
to. Paradoxalmente tenho as garantias do su-
posto saber, mas não as referências.
Estou em estado-de-risco quando esqueço o
saber a priori, inclusive teorias e/ou conceitos
encontrados por mim no passado e que me ser-
viram em outros momentos, mas que talvez,
agora não me sirvam. Quando, porém, abando-
no conhecimentos prévios, outro paradoxo, vou
encontrando referências, me inserindo na situa-
ção e interagindo com ela. O que ocorre, entre-
tanto, em estado-de-risco as referências vão se
fazendo com a experiência e a vivência, e a
bússola, assim como a posição da estrelas são
criadas a cada instante. Ou não. Não há garan-
tias.
Estado-de-risco é um conceito que procuro, na
medida do possível, usar (viver) na clínica, na
arte e na vida.
Ferreira Gullar diz que é "um contumaz inventor
de teorias – algumas até foram levadas à sério
como a Teoria do Não-Objeto;
(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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outras injustamente desconsideradas. Nem por
isso desisto, tanto que uma de minhas teorias
mais recentes é a de que uma das funções do
artista é criar o maravilhoso (ou o surpreenden-
te), pela simples razão de que não encontra-
mos no mundo maravilhas em quantidade sufi-
ciente para satisfazer a fome de maravilha que
habita as pessoas.(...)¨. (Folha de São Paulo, E
12, 30 de Janeiro de 2005)
A "teoria do não-objeto¨, me parece, surgiu em
um encontro entre artistas e amigos, quando os
neoconcretos buscavam conceitos que expri-
missem aspectos das esculturas
(inclassificáveis) de Ligia Clark. Vamos supor
que o ambiente em que estavam era descontra-
ído, sem censuras ou julgamentos, viviam um
encontro onde, em estado-de-risco, podiam se
arriscar. Winnicott chamou de transicional os
espaços que não podem ser censurados, para
que os paradoxos se preservem; levamos (ou
não) para a vida adulta, os espaços transicio-
nais. Nesses espaços estamos em estado-de-
risco, e o novo pode (ou não) surgir. Não nos
esqueçamos, sem garantias, porém, paradoxal-
mente, é quando não as temos que se pode cri-
ar. E a censura, bem sabemos, costuma estar
muito em nós, podemos ser juízes horríveis pa-
ra nós mesmos.
Os espaços transicionais estão entre alguém e
outro alguém, entre o livro e o leitor, entre eu e
o mundo, infindáveis entres. Acima mencionei
que um dos recursos usados para ultrapassar
as dicotomias sem suprimir as contradições,
seria o autor se inserir na situação e/ou contex-
to que está trazendo, tornando-se não apenas
parte dele, mas um de seus elementos consti-
tuintes, como um dos caracteres de um ideo-
grama. Outro recurso poderoso seria usar es-
paços transicionais - como os intervalos entre a
arte, a ciência e a vida, por exemplo.
Estado-de-risco é ao mesmo tempo um interva-
lo, um lugar, um espaço transicional, um estado
de percepção e consciência, um conceito e ob-
jeto transicional. Ao mesmo tempo singular –
pois cada estado-de-risco só poderia ser único,
é também absolutamente plural, pelo simples
motivo de encontrar-se e se disseminar na vida.
Uma das perspectivas de trabalhar nos interva-
los seria a inclusão da simultaneidade: muitos
aspectos ocorrendo simultaneamente.
Gosto muito quando FG afirma que "uma das
funções do artista é criar o maravilhoso (ou o
surpreendente)¨, pois, nós humanos também
somos feitos de monstros, fadas, bruxas, ani-
mais fantásticos; mas para mim o surpreenden-
te nessa afirmação de FG é que, quando cria-
mos novas referências, experiencialmente,
quando usamos e trans-criamos conceitos,
quando frequentamos o estado de risco, nos
sentimos vivos. Se não fizéssemos isso estaría-
mos submetidos todo o tempo a regras e refe-
rências a priori que existiram muito antes de
nascermos e existirão (provavelmente) muito
depois que nos formos. Assim, o surpreendente
é também descobrir que não podemos criar a
nós mesmo, nem ao mundo, mas podemos cri-
ar parcelas do mundo e parcelas de nós: a mi-
cro-política de Deleuze e Guattari.









NADA HÁ DE MAÌS
ÌMPORTANTE DO QUE A
VÌDA!

VAMOS FALAR DE VÌDA EM
NOSSA PRÓXÌMA EDÌÇÃO!
PRESERVAR A NATUREZA
A FAUNA, A FLORA!
O QUE FAZER PARA
MELHORAR A VÌDA DO SER
HUMANO? O QUE FAZER
PARA TER UMA MELHOR
RELAÇÃO ENTRE SERES
HUMANOS E O PLANETA?
VENHA!
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&$NT$ #E 0ISTA

1ere*ia2 Fran)i2 Torre2
ATÉ QUE PONTO VOCÊ AMA
VERDADEIRAMENTE A VIDA?

De onde provem toda a infelicidade
humana?
Do egoísmo! Do egoísmo?
Sim, o bem para si e os familiares e
o mal para o semelhante. Em outras palavras,
pegar tudo que puder para si próprio e deixar o
outro "a ver navios!¨
Há dois extremos a serem combati-
dos e entendidos sobre esses fatores!
O primeiro deles é o seguinte: ex-
cesso de amor a vida é apego a matéria!
O segundo é: o desprendimento total
da vida é descaso!
Num e noutro, há incoerência!
No caso do chamado desprendimen-
to partindo de pessoas ricas, gera-se a indife-
rença, o escárnio e outras coisas mais. É o ca-
so do indivíduo, num leilão, arrebatar, por
exemplo uma obra de arte (adoro arte) por al-
guns milhares de dólares e não doar um centa-
vo, para a sociedade protetora dos animais,
causa social ou para sociedade protetoras das
crianças deficientes ou não deficientes e assim
por diante!
No outro extremo do desprendimen-
to, entre a pobreza, ocorre o desespero. Obser-
va o indivíduo (pobre) pessoas ricas possuírem
tudo (sendo más, no entender dele) e ele não
possuir nada, e somente entender por Divina
Providência, um Deus de barba, que doa ou
que pune.
O Poder Superior que mitigue
sua sede e atenda a seus pedidos e súplicas e
não entendendo os inúmeros benefícios de
uma "negativa¨, procura na morte, mais preci-
samente, no suicídio, o fim de seus suplícios...
é o que imagina!
Há equívocos de ambos os lados.
Não é possível entregar totalmente a vida, nos-
sas esperanças e nem procurar "usufruir¨ de
"tudo de bom¨ que a vida dá, uma vez que exis-
tem pessoas, em situação de miséria extrema,
doentes, loucos, sem tetos, drogados, etc.
Outro dia, a passos largos passava eu pelo
centro de São Paulo, quando observei um pe-
dinte sentado à margem da via pública.
(Segue)
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Pela direção de seu olhar, pude ver ou talvez
pressentir, que olhava em direção aos meus
pés (?!)
Olhei para os seus, e constatei que
não os tinha!
Como eu, posso ser COMPLETA-
MENTE indiferente a esse fato e não ficar
constrangido com isso?
Eu particularmente, acredito
que a virtude assim, como o egoísmo são atri-
butos da alma, localizados muito profundamen-
te em cada ser e tanto um quanto o outro, são
particularmente difícil de serem adquiridos. A
virtude não há o que se falar além do que se já
sabe e muito mais: estoicismo, renuncia, amor
ao próximo, paciência...
Quanto ao egoísmo é todo o oposto
disso tudo!
Assim e somente assim, é possível
entender como vivem felizes essas pessoas lá
de Beverly Hills e mesmo aqui do Morumbi, en-
quanto seus vizinhos "torram¨ no sol ou conge-
lam no frio...
Ninguém precisa abrir mão de tudo!
Mas, impor um limite a si mesmo para usufru-
ir...
Nem há que ser o "Chaves¨ da anti-
guidade, Diógenes, por exemplo, o Filósofo que
perambulava pelas ruas da Grécia, em 323
a.C., morando num barril e seus únicos bens,
era uma colher tosca de madeira e uma cane-
ca... confrontado por Alexandre, o Grande, que
para testá-lo, perguntou o que ele (Alexandre)
poderia lhe dar em ouro, prataria, terras, casas,
etc.
"Queres saber¨, falou Diógenes.
"Quereis me dar algo? Então, sai da frente do
Sol, pois estás fazendo sombra sobre mim e eu
só quero desfrutar da luz solar!¨
Não que ele não o queira. Ele não
o pode!
A vida é um verdadeiro ardil! Uma verda-
deira batalha!
Não fosse pelo armamento, ferimentos graves,
explosões, seria exatamente igual a uma guer-
ra, onde vence o mais forte e o bom, se é que
existe alguém assim, é simplesmente, posto de
lado! À margem!
Bem que ele tenta ser bom, mas, não
consegue: a instabilidade do momento, os mis-
teriosos recônditos da mente, as armadilhas do
caminho, as tramas dos "amigos¨ e as trações
dos inimigos, etc. põe o homem em constante
alerta, contra o próximo e contra si mesmo!
Então, eu não posso confiar em ninguém?
Ìnfelizmente não, e entenda-se, inclusive, àque-
les mais próximos! E isso serve para irmãos,
primos, tios, tias, etc., etc.
Todas às vezes que depositar sua confi-
ança em alguém, pode acreditar que vai ser
decepcionado!
A começar pelos políticos! Como prome-
tem, como são dóceis em época de eleição!
É quase humanamente impossível imaginar co-
mo um ser, pode arquitetar tanto, tramar, men-
tir e outras coisas mais, somente para conse-
guir um cargo público transitório, ainda que
(Segue)
ERo hJ necessidade de eCtremosA masA moderar os 1astos com iatesA <LiasA mansSesA supTrUuo de toda hordaA
contribuiria em muito com o pro1resso da humanidade e T claroA com a reduçRo do e1oBsmo e sua sLcia. ! ="IMIE!#I$!-
$EV
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vá auferir às suas custas (e as minhas) altos
salários!
Quer dizer que basta a mentira e está tu-
do certo? É isso?
Agora eu entendo a célebre frase do
ECLESÌASTES, inclusive, a qual fora título de
algo que havia publicado anteriormente: "a fal-
ta de visão é o que corrompe a geração!¨
Eis aí o grande segredo dos políticos:
não se importam com o dia de amanhã, razão
pela qual querem o somente gozar hoje, eles
e sua família!
Seja como for, por maiores esforços faça
o ser humano, é sempre, sempre suscetível de
falhar e deixar alguém magoado. Ninguém pre-
cisa ser igual ao amigo próximo que não cum-
pre nada do que diz, muito menos assume
compromisso. Mas, mesmo um intermediário
entre essas duas "espécies¨, será falho! Por
que?
A condição humana é assim!
Somente isso para justificar tanta maldade
e outras coisas mais e más!
E nos países desenvolvidos onde se deve-
ria cultuar a cultura, a ciência, a religião e coi-
sas boas, já que nem de longe tem os proble-
mas que nos afligem há tanto tempo, que são a
miséria, fome, saúde (falta), educação (falta),
de vez em quando, aparece lá , nesses lugares,
um "louco¨ bem alimentado, atirando pra todo
lado e matando pessoas inocentes!
"Posso, então, confiar pelo menos em
mamãe?¨ Dirá você!
Se sua mãe não for permissiva quanto a
mãe do menino WÌLLÌAM (americano de meia
tonelada), o qual fazia esforço desmedido para
emagrecer (e poder operar) sua mamãe, penali-
zada, comprava guloseimas, para não vê-lo so-
frer de FOME!
E ela disse que amava o filho!

Vivendo com essa bússola ("pé atrás) evi-
tará sérios aborrecimentos no trabalho, no
amor, nos bancos, nas igrejas e nos salões de
beleza...
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As mãos de Z



Por

Mágda Côrtes Regadas Resende



No grande casarão,
erguido no tempo da escravidão
podemos ver muitas mãos.
Mas são as mãos de Z
lia..
que ascendem e atendem
aos que dela dependem.

Elas estão por todo lado.
No fogão a lenha,
dentro do tacho de cobre,
tudo fica mesclado.
E nós, inebriados,
fitamos o acobreado,
o dourado e o prateado.

E ela, com aquele maquiado,
deixa apaixonado o Jorge amado.
As mãos de Z
lia
não estão no Norte,
na maniçoba,
nem no Centro da grande obra;
elas se encontram no Sudeste:
- Foi de lá que vieste.

Menina dama, com jeito de princesa
chega à grande casa já rainha
porque lá só se chega casada.

Sinhá moça, que usa leite Moça,
adoça a boca do Senhor do algodão,
do café, do leite e do feijão.

A escolhida das Minas Gerais
adentrou pelos umbrais
e nunca mais deixou
de estar rodeada
de rabanadas, risadas,
goiabadas e meninadas.

Vieram os filhos, dezena deles.
Medida desmedida
porque filho não se mede.

Logo em seguida, a temporada dos netos,
na virada da alvorada.
E lá dentro da cozinha tudo se mantinha,
a doninha mandava e ordenava.

Do tacho mágico de Z
lia

entre camélias e bromélias,
de tudo saía:
pães doces, doce de leite,
arroz doce, ambrosia e ela dizia:
- Agora preciso de queijo e manteiga.

E eu, leiga, pensava:
como é possível, de um só lugar
alimentar, saciar e acalentar
tanta gente carente?
Ela amava e se dava,
calava e se aquietava.

Acalmava a boca e o coração
de quem viesse,
de longe ou de perto,
de um jeito que toca no peito.

Satisfeitos, todos que a rodeiam
Jamais se esquecerão
dos cem anos de fogão,
amor e dedicação.

Z
lia,
uma linda lenda brasileira,
avó açucareira, mãe abençoadeira,
mulher abraçadeira.

Abraçou a vida e deixou viva
a lembrança de quem sempre se deu,
mesmo sendo pouco o que recebeu.


!rte b0 !leC #ivin1ston
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MENINA MULHER

Por Anna Back


Você, que foi menina sem trança,
Menina comum, sem jeito, sem graça...
Você e a bola, inseparáveis, incansáveis,
A bola rolava, ia e vinha, aqui, além.
Alinhavando a vida em estudo, em lances,
Emaranhada em redes, em quadras também.
Tudo e nada, vitórias, derrotas, amizades,
Vidas juntas, prometidas, separadas.
Tempo e distância minam as camaradagens,
Que na infância e adolescência eram tudo.
Vidas passadas a limpo, reiniciadas.
Pra perto de nós chegou, aconchegou.
Embevecidos, nem vimos, pouco sentimos
Sua sutileza nos turvou a visão.
E assim aos poucos, aos muitos...
Conquistou espaço único, especial.
Fez história, fez ninhada bem aqui,
No íntimo de cada coração!
Mulher que se fez bela, de mãe se vestiu.
Donde frutos nos vieram plenos, perfeitos.
Mulher cativante, esvoaçante.
Que quer ir, mas também quer ficar.
Não há receita ou caminho fácil,
Quando buscamos a prática do amar.
Ligados estamos pelo cordão das vidas.
A sua... A nossa... A deles, vivida.
Pupilos, saltitantes, radiantes.
Não sabemos como, nem quando começou,
Essa relação carinhosa, avassaladora,
Que não nos permite cortar laços,
Mesmo na eloquência dos embaraços,
Quando só sentimos por você amor, amor!...
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Ml"er Coragem

Por FIávia Assaife

Dotada de imensa força interior
Enfrenta o dia-a-dia com furor
Jamais se deixa abater pela dor
É guiada pela força incondicional do
amor!

Cuida e ensina sua cria
À defender-se dos perigos da vida
Leoa voraz
Luta, luta, até não poder mais...

Guerreira nata
De arma sensata
O amor em equilíbrio

A palavra por um fio
Torna a vida prazerosa
Rega-a com perfume de rosa
Distribui sorrisos em buquê
Colhidos em seu jardim de ser

Força de mulher
Pari com afinco os problemas
Liberta todos de suas algemas
Felicidade é seu lema!

!rte b0 CELÌNE-ARTPASSÌON
h-p.//www.ali-lemar?et.com/
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ESTUDOS JUDAICOS E CÂMARA
CASCUDO: RESENHA CRÍTICA
AO FILME "A ESTRELA OCULTA DO
SERTÃO"
Por André VaIério SaIes

1. Introdução:

Em 2004 EIaine Eiger & Luize VaIente
concluíram um filme sobre história dos judeus
principalmente no Nordeste brasileiro atual,
mas referindo-se também ao restante do país,
e sempre remetendo aos 500 anos passados
de "descobrimento¨ do Brasil. Em 2005, após
todo o trabalho necessário de pós-produção, o
filme "A EstreIa OcuIta do Sertão" foi ofereci-
do ao público (2).
Ìnclusive, para quem ainda não viu e ou-
viu, ele se encontra na Ìnternet, no FouBube,
podendo ser "baixado¨ com todo o seu conteú-
do, e também pode ser visto em pequenas par-
tes; trechos de entrevistas, etc.; muitas delas
realizadas com a historiadora polaco-brasileira
Anita Waingort Novinsky (3), historiadora e
professora da Universidade de São Paulo/USP
(reconhecidamente a melhor Universidade do
Brasil).
Ainda que entreviste pessoas de várias
capitais brasileiras e até especialistas de outros
países, a linha mestra do filme é o acompanha-
mento das descobertas buscadas pelo médico
paraibano Luciano de Oliveira, partindo de suas
dúvidas acerca dos judeus Anussins brasileiros
(também chamados Cristãos-Novos, ou Mar-
ranos), e especificamente ainda residentes
no interior do Nordeste do Brasil. Por isso o no-
me "Aertão¨ no título de tão interessante filma-
gem.
Apesar de ser uma película relativamente
curta (com duração de cerca de uma hora e
vinte minutos), para tratar de um tema que en-
volve bem mais de 500 anos de nossa História,
o filme faz um passeio, através de entrevistas
gravadas, em busca de indícios, costumes, opi-
niões de estudiosos do tema, etc., que percor-
re, por assim dizer, todo o Brasil, e vai até no-
mes %onsa5rados enquanto especialistas do
tema em nosso país, como Anita Novinsky,
além de estudiosos europeus, como Nathan
WachteI, antropólogo, professor do Collège
de France (uma das consagradas instituições
de ensino das mais antigas do Mundo, acade-
mia onde Wachtel fundou a cadeira de Marra8
nismo).
Famoso por sua preocupação com a vi-
são ou a versão dos "vencidos¨, com dois im-
portantes livros publicados pela USP, cito uma
reportagem com Wachtel, um tanto mais aces-
sível ao leitor comum ("A Versão dos Venci-
dos¨), presente na Re,ista de Gist:ria da Biblio8
te%a 7a%ional, nº 76, de janeiro de 2012 (págs.:
46 a 91). Wachtel demonstra ali muito de seu
conhecimento, e inclusive acerca do Nordeste
brasileiro, enfatizando sua necessidade de ten-
tar "saIvar a memória de uma geração de
pessoas¨ (id.: 50, grifo meu), e afirma ainda
que "A própria cultura sertaneja [nordestina]
tem algumas de suas raízes nos cristãos-
novos. Esse foi o resultado do meu trabalho,
embora eu tenha seguido os passos de Luís da
Câmara Cascudo (4), que já estava atento aos
elementos judaicos presentes na cultura serta-
neja¨ (id.: 50, grifado no original) (5).
Diga-se de passagem que o documentário pro-
porciona acesso aos leitores do português,
francês, inglês e espanhol – via traduções le-
gendadas no filme–, o que ajuda bastante em
sua universalização, tendo por isso sua circula-
ção, facilitada deste modo, para estudiosos de
muitas outras nações do mundo.









2. O FiIme:

O motivo principal do filme é mostrar,
documentando, a procura do médico paraibano
Luciano Oliveira por suas raízes judaicas, de
modo que enfoca o seu problema maior: ser
re%on2e%ido %omo =udeu de modo natural; ter
aceita a sua identidade judia sem precisar se
converter mais uma vez, ou batizar-se, já que é
descendente de mãe e avó judias (6), e compro-
vadamente descente de judeus Anussins (7), ou
ainda: Marranos (8), Forçados a batizar-se co-
mo "cristãos-novos¨, tais como aqueles que fo-
ram forçados a batizar-se em pé, e aos milha-
res, pouco antes de D. João VÌ deixar Portugal
e fugir para o Brasil, em 1807.
(Segue)
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Que seja aqui lembrada também a exis-
tência secular de muitos outros descendentes
do povo hebreu que passaram a vir para o Bra-
sil desde o início da colonização (ou
"ocupação¨) portuguesa em 1500, como obser-
vam Anita Novinsky, Nathan Wachtel, Câmara
Cascudo e tantos outros. O filme de Eiger & Va-
lente entrevista o genealogista Marcos Filguei-
ra, que como estudioso da história dos Anus-
sins no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte,
confirma que a partir dos anos 1500, "os nor-
destinos com raízes maternas em Recife (PE),
Salvador (BA)¨, "sem dúvidas¨: "todos tem raí-
zes judaicas¨; e a estudiosa Lourdes Ramalho
também afirma: "O Rio Grande do Norte sem-
pre foi judeu, assim a Paraíba e Pernambu-
co¨ (2008: 28) (9). Como diz o cristão-novo Si-
mão, pai de Branca Dias, na célebre peça de
Dias Gomes ("O Santo Ìnquérito¨, de 1966):
"Estamos sempre sob suspeita [ou seja, não
era possível haver paz na época da Ìnquisi-
ção]¨, além de convertidos "à força¨ ao catolicis-
mo, ainda somos "despojados de todos¨ os nos-
sos bens! (Gomes, 2003: 49) (10).
O Dr. Luciano Oliveira é um dos perso-
nagens principais do documentário em análise,
mas quem realiza o filme são as duas diretoras
citadas: Elaine Eiger & Luize Valente; esta últi-
ma, é preciso ressaltar, também é autora do
livro publicado recentemente: "O Segredo do
Oratório¨ (2012), estudo que abrange história
dos judeus no Brasil, Europa e América do Nor-
te.
Muitas entrevistas do documentário em
questão são feitas pelo próprio Luciano Olivei-
ra, assim como as diretoras da película reali-
zam várias outras. O filme começa com o médi-
co paraibano expondo suas preocupações e
curiosidades iniciais em relação à essa religião,
o judaísmo (ou Marranismo) que mesmo pre-
sente em sua família – detectada através de
vários indícios – já se encontrava, na contem-
poraneidade, esquecida de suas origens.
Na continuação do filme/documentário,
vemos a saga do Dr. Luciano tanto na sua bus-
ca de mostrar e explicar vários indícios de cos-
tumes judaicos presentes até hoje em sua enor-
me família nordestina, quanto tentar descobrir
como ele e os demais interessados (não so-
mente sua família brasileira, mas tantas outras
espalhadas pelo mundo), podem ser confirma-
dos como sendo judeus Anussins, sem neces-
sariamente tenham que se reconverterem ao
judaísmo. Pois só se reconverte alguém a uma
religião, se, antes, ela já havia se convertido,
uma primeira vez, a outra crença religiosa; e
eles, os Anussins, ainda que não tivessem
consciência disso, nunca deixaram de Iado
seus costumes judaicos! São essas as pre-
missas de vida religiosa para o Dr. Luciano Oli-
veira.
Este problema mexe de perto, nos dias
atuais, com diversas famílias, principalmente
nordestinas, tal como é o exemplo do engenhei-
ro potiguar João Medeiros e sua esposa, Marle-
ne, além de seus descendentes (ver o livro au-
tobiográfico de Medeiros: 7os Passos do Retor8
noE es%endentes dos +ristãos-7o,os es%o8
brindo o Hudaísmo de Aeus #,:s Portu5ueses,
uma joia publicada em Natal/RN, no ano de
2005).
Dr. Luciano lembra de sua infância: que
quando era criança, seu bisavô, Manoel Canuto
de Oliveira, no município de Salgadinho (PB),
na região do Seridó (trecho do sertão, interesta-
dual, entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte,
que abrange 54 municípios), esperava nas sex-
tas-feiras a primeira estrela alumiar no céu
para iniciar então a cerimônia, a portas fecha-
das – que Luciano ainda não entendia – de
acendimento de velas e orações numa língua
que ele não conhecia (além da existência de
outros costumes que aos poucos ele foi desco-
brindo: o enterro em "chão limpo¨, as mortalhas
confeccionadas sempre de cor branca, o não
comer a carne de porco, etc.).
Após atingir uma idade de consciência
religiosa preocupante para ele, o médico parai-
bano resolveu pesquisar. Pesquisar dentro de
sua própria família, nos arquivos de paróquias
(católicas) paraibanas e do Seridó, em cartó-
rios, e inclusive até em São Paulo, com Anita
Novinsky (USP) e vários Rabinos judeus (11),
ortodoxos ou não – sendo muitas dessas entre-
vistas presentes no filme que ora é resenhado
(além de entrevistas com o francês Nathan
Wachtel e inclusive com um Rabino de Ìsrael).
Há cortes no filme para entrevistas e de-
poimentos de outros especialistas nos estudos
judaicos.
Dentre estes cortes, as opiniões de Anita
Novinsky imperam, acertadamente, pois ela é a
maior autoridade no tema <n.uisição no Brasil,
tendo sido a primeira pessoa no país a estudar
a História dos cristãos-novos/marranos.

5'e1ue6
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Desta forma, a historiadora relembra no
filme/documentário que na época das Villas do
Ouro: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo,
os judeus criaram (por "N¨ necessidades, em
vistas das perseguições antigas), verdadeiras
Sociedades Secretas (12), sociedades ocultas
do povo – em geral, do povo católico. Criou-se
então práticas clandestinas, cujo valor maior
era o segredo. Os casamentos entre judaicos,
naquela época, eram endo5Imi%os, ou seja,
ocorriam apenas entre famílias judias e até
dentro de uma mesma família (primos com pri-
mos, tios com sobrinhas, etc.). Acrescenta No-
vinsky que os judeus, convertidos forçados ao
catolicismo-cristianismo, passavam então por
"conflitos dos mais interessantes¨, afinal, foram
mais de 300 anos de presença do Aanto !"í%io
da <n.uisição (Católica) em nosso país! Obser-
va ainda autora que esses cristãos-novos
"internamente¨, subjetivamente, eram homens e
mulheres "divididos [as]¨, cindidos(as), à força,
que fique claro; mas esse homem "instável¨,
como relata Cascudo, não era, por causa disso,
já de acordo com Novinsky (1972): "nem judeu,
nem cristão, mas cristão-novo¨ (13).
Após o fim da Ìnquisição, nos anos 1800,
reforça Anita Novinsky, com o fim das persegui-
ções e com o fim das documentações destas
perseguições, não se sabe para onde foram, ou
o que ocorreu com os judeus brasileiros ou por-
tugueses/espanhóis aqui residentes... A Histó-
ria, desde esse tempo, *erdeu a oportunidade
de ser escrita, contada ou narrada, com a ajuda
dos documentos históricos; sejam elas histórias
%ru/is ou não. Daí em diante, segundo No-
vinsky, não se sabe o que aconteceu com esse
povo no Brasil; para onde se mudaram? Como
foi a sua nova "Diáspora"? No caso, agora
uma diáspora brasileira ...
De acordo com Câmara Cascudo, depois
que os holandeses foram embora do Brasil, em
1654, como eram um povo protestante e mais
ou menos ecumênico, tendo dado liberdade ao
convívio entre holandeses (e demais morado-
res do Nordeste) com o povo judaico, os portu-
gueses que retomaram esta parte do país facul-
taram "a permanência israelita¨, obviamente,
voltando a obedecerem os ditames dos Reis
portugueses, em matéria de conduzirem sua
religião, costumes, etc., e Cascudo ainda des-
taca o fato de que várias famílias judaicas te-
nham decidido continuar a residir no Nordeste,
já que estavam há mais de duas décadas acos-
tumadas com o governo holandês, com a co-
mercialização empreendidas e quase que mo-
nopolizadas pelos judeus (Cascudo, 2001:
104). Anita Novinsky repete, no filme de Eiger &
Valente essa afirmação cascudiana; ela lembra
que com a expulsão dos holandeses os judeus
foram se "espalhando¨ pelo Brasil afora, assim
como, essencialmente, pelo interior do país.
Voltando ao Dr. Luciano de Oliveira e
sua saga em busca do reconhecimento de sua
identidade judaica, agora temos ele indo até a
cidade de Pedra Lavrada (PB), município com
cerca de 3 mil habitantes, em busca da história
de sua bisavó materna e judaica, Dona Minervi-
na Cordeiro.
Em Pedra Lavrada, quase todos são pri-
mos, em diversos graus de parentesco, porém,
sempre pertencentes à família Cordeiro; todos
de sobrenome matrilinear (como mandam os
regulamentos de reconhecimento da ascendên-
cia judaica). Em sua visita e entrevistas feitas
em Pedra Lavrada, emergem as características
judaicas da convivência comunitária e familiar
específicas, e onde as muIheres exercem papel
preponderante. Descobre então Dr. Luciano
que sua família descende de um lugar chama-
do de os "Porcos de Seridó¨ (um sítio, ou, uma
pequena Vila, no linguajar europeu). Esta "Vila¨,
hoje (em 2014) possui cerca de 6 mil habitan-
tes.
Neste ponto do filme analisado, o histori-
ador Paulo Valadares reafirma a existência da
endo5amia, do casamento entre primos, etc., e
acrescenta que a Ìgreja Católica, naquele tem-
po passado, não permitia a consanguinidade,
ou seja, o casamento, por exemplo, entre pri-
mos, no entanto, a endogamia judaica
"mantinha a herança cultural¨ dentre seu povo
(escolhido por Deus, não católico e não adepto
do cristianismo).
O documentário passa então a tratar do
município mais importante nesta História toda,
a cidade de Venha Ver, no extremo sul e oeste
do Rio Grande do Norte, parte da seca região
conhecida como Seridó.
Conhecido em jornais e entrevistas de
judeólogos há mais de 20 anos, este município
potiguar vem sendo um exemplo de arqueolo-
gia judaica no Nordeste. E tanto há um orgulho
dos grandes historiadores sobre Venha Ver,
quando tratam do assunto, quanto dos próprios
moradores da cidade, que são contemporanea-
mente conscientes de suas origens judaicas.

(Segue)
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Os moradores contam, então, várias de
suas histórias, com origens eminentemente ju-
daicas, com comprovação inclusive em seus
costumes diários; em seus enterros; e em seus
cemitérios. De acordo com as entrevistas, mui-
tos moradores afirmam morar no lugar há mais
de 200 anos (justamente, mais ou menos, o
tempo em que, para nós estudiosos do chama-
do Brasil Holandês, este povo, os neerlande-
ses/batavos, aqui viveram e mandaram – no
Nordestes brasileiro –, entre 1630 a 1654, por-
tanto, foi uma ocupação que não era anti-judia
e que durou mais de duas décadas, o que não
é pouco).
Quando os holandeses foram embora do
Nordeste do Brasil, em 1654, os portugueses,
por sua vez, deixaram livres os judeus aqui re-
sidentes (centenas e centenas deles), lhes dan-
do liberdade de continuarem morando no Reci-
fe e demais capitais ocupadas pelos batavos.
Por medo então do beligerante catolicismo por-
tuguês, muitos judeus decidiram, mais uma
vez, fazer uma verdadeira "Diáspora" pelos
interiores nordestinos, o que vem a explicar sua
presença na região do Seridó: em Pedra Lavra-
da (PB), em Venha Ver (RN), etc. (ver Câmara
Cascudo, 2001: 89 a 111) (14).
Ainda tratando do caso do município po-
tiguar de Venha Ver, com núcleo de cerca de
700 habitantes e mais 2.500 outros moradores
espalhados pela área total da municipalidade, a
família de maior presença é a de sobrenome
Bernardo; e todos os entrevistados no lu-
gar, ainda que católicos de nascença, batiza-
dos e crismados, etc., sabem-se e orgulham-se
de sua descendência judaica! Os mais idosos
insistem que são católicos de nascença. Mes-
mo que conscientes de sua ascendência e,
principalmente, da origem de seus costumes,
que alguns apenas explicam como costumes "–
Que já vem dos antigos...¨.
Além dos Bernardo, ainda há mais 3 fa-
mílias que se unem endogamicamente em Ve-
nha Ver: os de sobrenome Tomás, Rosendo e
Roberto (segundo as entrevistadas). A matri-
arca da família Bernardo chama-se "dona Ca-
bocla¨, que possuía na época da filmagem
(2004), cerca de 90 anos: 14 filhos, dos quais
apenas 8 mulheres resistiram à vida na seca do
interior no sudoeste do Rio Grande do Norte.
Destas 8 filhas, dona Cabocla tem mais 102
netos e 42 bisnetos. Dona Cabocla se diz cató-
lica "– Desde menina¨ e revela que houve vá-
rios padres católicos em sua família. Católica
fervorosa, demonstra, durante as entrevistas
seguir várias das tradições judaicas, como a
vontade de ser enterrada em "chão limpo¨ e o
costume de jogar fora a água dos potes e jarras
quando morre alguém da família, lembrando-se
especialmente de ter feito o costume, também
eminentemente judaico, quando da morte de
seu marido.
Neste trecho, Anita Novinsky confirma
que "há famílias com consciência [de sua as-
cendência judaica], que retornaram à crença¨,
assim como há outros "que não sabem de na-
da¨, mas que seguem em seu cotidiano costu-
mes "tipicamente judaicos¨, mesmo sem sabe-
rem o porquê.


2. 1. Rituais e Costumes Funerários:

Sobre este tema, que estudei noutro tex-
to, de cunho etnográfico (Sales, 2014a), é pre-
ciso ressaltar que todas as temáticas aqui abor-
dadas estão explicadas, desde 1967 no livro de
Câmara Cascudo já citado, no Capítulo 5,
"Motivos Ìsraelitas¨, no qual ele cita autores que
demonstram a presença de vários costumes
que adiante serão expostos, não só no Nordes-
te do Brasil, mas também em outros países
(Cascudo, 2001: 167 a 171), ainda que o docu-
mentário em análise não cite nenhum autor em
seus créditos, além dos especialistas entrevis-
tados.
Repetindo o texto de Cascudo de 1967,
ao mesmo tempo em que reforçando a clara
vivência na contemporaneidade de vários cos-
tumes judaicos ali expostos, os entrevistados
do filme de Eiger & Valente relatam que os
mais idosos se enterram ainda em terra Iimpa
(Venha Ver/RN) (15), sem caixão (esse mesmo
costume já foi parte da história de minha terra,
Arez/RN, citado em Sales 2014a): leva-se o
morto até o cemitério dentro de um caixão, co-
nhecido como "o caixão das Almas¨ (guardado
no próprio cemitério, no caso de São Paulo do
Potengi/RN, ou na Ìgreja Católica – como em
Arez/RN), mas na hora do enterro o morto é
retirado do ataúde e enterrado em chão limpo.
Por exemplo, apesar de se dizer católica,
dona Cabocla, a prolífica matriarca de Venha
Ver, diz que não existia caixão no tempo de
seus avós, e adverte com veemência: "– Eu
não quero [ser enterrada junto com o caixão]! A
terra [é] que come nós (si%)¨.

(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
www.varaldobrasil.com 14)
Ela continua narrando que ao morrer al-
guém, naquela casa a água dos potes deveria
ser jogada fora, e depois de um tempo é que
seriam enchidos de novo. Continua dona Cabo-
cla: "– Disse que o espírito do morto fica na
água¨. Ìnfelizmente aqui não há espaço para
todas as explicações diferentes existentes
acerca deste tema (das águas dos potes serem
jogadas fora na casa de alguém que morreu),
mas este é, com certeza, um costume conheci-
do como judaico (16).
Outra entrevistada de Venha Ver (dona
Pequena) esclarece que todos naquele lugar só
são enterrados de mortaIha (feita com um teci-
do único e costurado de modo a não haver ne-
nhum nó presente na confecção da vestimenta
do morto), a não ser que já venha paramentado
da empresa funerária.

Conhecemos, enfim, a mãe do Dr. Lucia-
no, dona Analice Oliveira, que é quem lhe con-
fere o poder de ser considerado judeu, sem a
necessidade de conversão. Ela conta como en-
terrou um filho de 7 meses: o costume que
Cascudo já havia aludido do corte das unhas
do morto, do banho antes do enterro, etc.
Agora o documentário se muda para a
cidade de São Paulo do Potengi, também no
Rio Grande do Norte, e entrevista seu Maciel. É
ele quem nos leva a conhecer, dentro do cemi-
tério da cidade, amontoados uns sobre os ou-
tros, 7 dos chamados "caixões das almas¨, mas
ele logo explica que as pessoas não procuram
eles. Fica subentendido que ou os mortos de
São Paulo do Potengi já vêm prontos da em-
presa funerária, ou se utilizam do "caixão das
almas¨ como um mero transporte apenas até
chegarem à sua cova, sendo lá então enterra-
dos na "terra limpa¨. O caixão, terminado o en-
terro, volta para o quartinho onde é guardado,
mais uma vez, por seu Maciel.
Aqui em Arez/RN, meu lugar de moradia,
terra de meu pai, onde sou cidadão honorário,
este costume já não existe mais. No entanto,
em minha pesquisa recente ainda entrevistei
pessoas, e soube de outras mais, que têm o
desejo de se enterrarem no "chão limpo¨, ainda
que a família, na hora "H¨, não cumpra com o
desejo do morto. Uma das explicações que ou-
vi, em minhas entrevistas etnográficas, foi a da
2umildade que o morto comprova ao rejeitar o
enterro em "caixões de defuntos¨ ... Lembrando
mais uma vez Anita Novinsky: são costumes
judaicos, mas que as pessoas não sabem de
sua origem, elas apenas cumprem tradições
imemoriais das quais já ouviram falar, ou que
aprenderam com os mais antigos.
Já sobre outro costume de ascendência
judaica, o de colocar pequenas pedras sobre
os túmulos, Manoel Moura (filósofo e poeta na-
talense) explica isso "como forma de lembrar
da pessoa que morreu¨, e acrescenta que al-
guns o fazem com consciência da origem do
costume, já outras pessoas não sabem porque
fazem tais "homenagens¨ aos mortos. No en-
tanto, segundo ele, "o que importa é que está
sendo preservada uma tradição de nossos an-
cestrais e que não é um costume católico¨.
Anita Novinsky comenta no filme, por
sua vez, que "desde o sul até o norte¨ do Brasil
existem esses costumes, "tipicamente judai-
cos¨, que aqui persistem desde os tempos colo-
niais: o enterro em terra virgem; a mortalha no-
va, sem uso anterior; o corte das unhas do
morto; o banho no corpo antes do enterro; o
abatimento das aves; dentre outros: todos são
feitos, ainda, "à moda judaica¨. Ela conclui:
"Todos estes são costumes judaicos!¨.
Câmara Cascudo em seu livro já citado,
de 1967, escrevia há 45 anos, acerca dos cos-
tumes judaicos presentes desde 1536 no Moni8
t:rio do <n.uisidor Jeral, que: "Todos esses
usos e costumes, advertidos no Monit:rio, fo-
ram comuns e correntes na Bahia e Pernambu-
co, Ìtamaracá e Paraíba, e certamente nas +a8
*itanias de bai;o, da Bahia para o sul¨, ou seja,
por todo o BrasiI, de norte a sul (2001: 94).

3. ConcIusão:

Voltando à cidade de Natal/RN, dona
Marlene Medeiros fala do costume antigo de
sua mãe de "sangrar¨ a galinha antes de levá-la
ao fogo, deitando o sangue sobre a terra, um
costume judaico explicado na Toráh, no livro de
Levítico 17: 14 ("... filhos de Ìsrael. Não come-
reis o sangue de nenhuma carne, porque a al-
ma de toda a carne é seu sangue¨). Já para os
cristãos, Atos 15: 29 repete: "Que vos abste-
nhais ... do sangue¨, e mais à frente, em Atos
21: 25, o autor volta a advertir aos seguidores
do cristianismo que "se guardem ... do san-
gue¨ (17). O esposo de dona Marlene, sr. João
Medeiros, explica no filme ora resenhado que
com o passar dos anos "coisas se perderam,
coisas foram conservadas¨, há famílias que
conservam tais costumes, outras, não.
(Segue)

Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
www.varaldobrasil.com 14*
Já dona Cabocla, a matriarca de Venha
Ver/RN, cita, por fim, outro costume presente
até a atualidade no Nordeste brasileiro, inclusi-
ve presente ainda hoje em minha terra, Arez/
RN: o ato de varrer a casa da frente da casa
para o quintal.
Assim como ocorre em Venha Ver, logo
que cheguei em Arez/RN, há 14 anos (em
1997), conheci este costume. Logo perguntei
sobre seu porquê, mas ninguém sabia explicar.
O que se diz é que traz sorte para a casa, ao
varrê-la da porta da frente para o quintal.
Dona Cabocla (a matriarca de Venha
Ver/RN) diz que: "– Faz mal¨, que é um costu-
me da "antiguidade¨; que o povo diz que fazer
o contrário, varrer a casa da cozinha para a sa-
la, jogando o lixo na frente da casa: "– Leva a
fortuna¨ da casa. "– É uma cisma da antiguida-
de¨ (18), explica ela sabiamente; e acrescenta:
às vezes nem se varre o lixo para fora, ajunta-
se dentro de casa e depois apanha-se com
uma pá e joga-se num saco de lixo, para nem
se passar o lixo da casa pela porta dos fundos.
Ìntentando explicar essa tradição, o his-
toriador Paulo Valadares observa que alguns
etnólogos afirmam que este é um costume do
judaísmo, por causa do respeito à Mezuzáh,
objeto que é preso no encaixe da porta de en-
trada da casa dos judeus, contendo dentro dela
partes da Toráh, a serem reverenciadas. Para
Valadares, mesmo sem as casas hoje terem
mais a presença da Mezuzáh, ficou em alguns
lugares o "resquício do antigo costume¨. Já o
paraibano estrela do documentário, Dr. Luciano
Oliveira, assinala que as pessoas sempre ex-
plicam o porquê de se varrer o lixo da porta da
frente para os fundos da casa, mas não sabem
de onde ,em esta tradição.
Outro depoimento importante no filme de
Eiger & Valente, vem do Monsenhor Araújo,
padre de Caicó/RN, ao mesmo tempo católico
e praticante do judaísmo, quando afirma que
mesmo sabendo de suas práticas sincréticas,
nunca ninguém da Ìgreja Católica reclamou
disto; tanto é que ele é famoso como "o Padre
Judeu", uma verdadeira contradição (um oxi-
moro, uma colisão ou paradoxo sem resolução,
já que o judaísmo não aceita os costumes ca-
tólicos)!
Monsenhor Araújo também observa que
"nunca houve a menor crítica¨ ao seu trabalho
de "expansão da cultura judaica¨ em Caicó.
Também destaca o Padre que o timbre de seus
papéis de carta é iniciado por: "Monsen2or Aal8
,ino de #ra9=o, Hudeu da i6s*ora, P6ro%o de
Aantana de +ai%:¨, etc., e que manda cartas
para o mundo inteiro, sem nunca ter recebido
nenhuma reclamação acerca de sua fé nas du-
as crenças! A importância de sua pessoa está,
por exemplo, em ter conhecido GoIda Meir, Pri-
meira Ministra de Ìsrael na década de 1970,
uma das mulheres mais famosas do mundo,
com quem se correspondeu durante muitos
anos.
Acerca dos costumes de não comer car-
ne de porco ou de acender velas para os anjos,
o antropólogo Nathan Wachtel enfatiza que es-
tes são "costumes que não podem ser explica-
dos a não ser como costumes de origem judai-
ca¨. O antropólogo francês acrescenta que
desde quando o Brasil era colônia de Portugal,
haviam *essoas %ristãs e =udai4antes a um
mesmo tem*o (como o Monsenhor Araújo é
um exemplo forte), e que na contemporaneida-
de a situação é tão complexa como antes.
Ao findar a sua participação no docu-
mentário, Anita Novinsky destaca que realizou
suas pesquisas nos Arquivos da Ìnquisição
Portuguesa, na Torre do Tombo, em Portugal,
e que encontrou processos de judeus persegui-
dos em todo o Brasil: São Paulo (19), Minas Ge-
rais, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco,
etc., e observa que eles condenavam a todos
(à fogueira ou ao cárcere perpétuo), o Santo
Ofício "– Não absoIvia jamais¨ (20). Nas regi-
ões brasileiras mais desenvolvidas economica-
mente a Ìnquisição trabalhava mais: quanto
mais dinheiro havia em jogo, mais o Santo Ofí-
cio da Ìnquisição atuava. A historiadora ainda
cita, de passagem, algo que me interessa de
perto: ela diz que sempre a família Bezerra, da
qual provém minha mãe, era uma "família im-
portante no Nordeste¨, importante, note-se, no
sentido de ser judaica e ter tido vários *erse8
5uidos (21).
Ìnfelizmente, conclui Anita, até fins dos
anos 1700 existem documentos sobre a Ìnqui-
sição que nos permitem ler o passado, que
persistiu por cerca de 300 anos no Brasil. Mas,
finda a Ìnquisição, já a partir dos anos 1800,
não houve mais prisões e não existem mais
provas históricas, documentais, sobre perse-
guições a judeus e seus familiares. Portanto, a
historiadora uspiana finda sua participação no
documentário com essas palavras: "– A Histó-
ria a partir dos anos 1800, no Brasil, está sen-
do 'desenterrada' agora, na atualidade¨. Já
noutra entrevista ela reafirma que cabe a "nova
geração¨ pesquisar "a história desse tribunal
corrupto¨ (Novinsky, 2011: 32) (22).
(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
www.varaldobrasil.com 14+
Novisnky também sustenta, por fim, que
a reIigião judaica é apenas uma parte da ques-
tão, é um estado de alma. O judaísmo, por seu
lado, é bem maior, tem a ver com sentimentos,
com raízes; e os Marranos, a seu modo de en-
tender, de,em ser considerados judeus, se eles
optarem por isso.

4. Notas:

1 - Assistente social e mestre em serviço social, na-
talense estudioso da cultura judaica no Nordeste do
Brasil, é especialista na obra de Câmara Cascudo,
inclusive com livro premiado sobre o célebre folclo-
rista potiguar. Em Portugal também existe uma
Arez, por isso, sempre que me refiro à Arez do Rio
Grande do Norte, no Brasil, escrevo Arez/RN.
2 - Em entrevista a Carlos Souza (2012: 4), em Na-
tal/RN, ao tratar de seu livro "O Segredo do Orató-
rio¨ (de 2012), Louize Valente declara que o filme "A
Estrela Oculta do Sertão¨ surgiu depois de uma re-
portagem que leu, "num jornal paulista,¨ sobre os
hábitos judaicos mantidos pelos habitantes do mu-
nicípio potiguar Ven2a Ver; e conclui: "A partir daí
começou a pesquisa¨ para o documentário, que ha-
via que ser bem feita para "manter a veracidade¨
dos fatos ali narrados.
3 - Autora prolífica, o trabalho que eu possuo há
anos, e que primeiro me aproximou à sagacidade
crítica de Anita, foi o livrinho, pequeno, porém de
tema necessariamente denso: A Inquisição, da
"Coleção Tudo é História¨. Mas a autora tem muito
mais livros publicados, tão ou mais importantes
quanto o citado; acho que o mais famoso é +ristãos
-7o,os na Ba2ia, de 1970.
4 - É célebre o livro de Cascudo: "Mouros, France-
ses e Judeus: Três Presenças no Brasil¨, de 1967,
essencialmente o Capítulo 5: "Motivos Ìsraelitas¨; e
remeto o leitor também a um trecho interessante de
um de meus livros, pela discussão sobre o judaísmo
no Nordeste e pela bibliografia citada (Sales, 2012:
167 a 171), assim como ressalto a importância do
livro clássico de Gosalves de Mello, "Tempo dos
Flamengos¨ (2001: 258 a 275).
5 - Explica Cascudo que o Santo Ofício da Ìnquisi-
ção visitou o Brasil em 1591 a 93 (Bahia), 1593 a
95 (Pernambuco), 1618-19 (Bahia). Sobre estas
visitas foram publicados 4 volumes: enun%iaçKes
da Ba2ia, +on"issKes da Ba2ia, enun%iaçKes de
Pernambu%o e o Li,ro das enun%iaçKes. Afora es-
tes volumes, o mais importante para os Ìnquisidores
foi publicado em Évora (Portugal), por D. Diogo da
Silva, em 18 de novembro de 1536, o famoso Moni-
tório do Inquisidor GeraI. Era no "Monitório...¨ que
se encontravam as descrições dos costumes judeus
(proibidos pelo catolicismo) que ajudaria a lhes in-
criminar perante o Santo Ofício da Ìnquisição; e jus-
tamente por isso, o "Monitório...¨ traz inúmeras tra-
dições e costumes judaicos que nos ajudam hoje
não apenas a conhecê-los, mas a comparar com
tradições da contemporaneidade e perceber que
muitos dos costumes continuam vivos em nosso dia
a dia, conscientemente ou não, mesmo passados
500 anos de "achamento¨ do Brasil .
6 - Para a lei judaica (de nome Hala!"#) "judeu é
aquele que nasceu de mãe judia¨. Portanto, quem é
descendente de mãe judia, ou convertida, não pre-
cisa converter-se outra ,e4 ao judaísmo. A pessoa
pode afastar-se, assimilar-se a outras religiões, mas
não deixa de ser considera judia também. Não exis-
te cuIpa, como reafirmam os entrevistados no docu-
mentário, em as pessoas desconhecerem suas raí-
zes religiosas!
Já para outros, em várias partes do mundo, a
identidade judaica foi preservada, mesmo que ocul-
tamente (%ri*to=udaísmo), durante séculos. Há que
se lembrar aqui, da diferença existente entre os
convertidos, por vontade própria, e os retorna-
dos, que são aqueles judeus que perderam o
contato com as raízes de suas crenças e decidem
apenas retornar à tradição de suas crenças familia-
res/religiosas, e talvez, desejarem voltar ao convívio
de seus confrades.
7 - É hoje normal que se considere os judeus com-
provadamente #nussins como pessoas que apenas
estão retornando ao judaísmo, que não precisam
provar essa sua condição ao mundo, e nem mesmo
converterem-se outra vez.
8 - Como explica Anita Novinsky, Marrano é aquele
que por fora manteve-se sempre parecendo ser um
católico, por necessidades de sobrevivência, por
causa da Ìnquisição, etc., mas que por dentro, nun-
ca deixou de ser judeu, mesmo que fazendo seus
cultos, orações e mantendo seus costumes do dia a
dia em secreto. Pode ser chamado também de %ri*8
to=udeu, ou Anussim.
9 - Os estudos históricos de Lourdes estão compro-
vados em seu livro "Raízes Ìberas, Mouras e Judai-
cas do Nordeste¨ (EdUFPB, 2002).
10 - Alfredo de Freitas Dias Gomes (1922-1999) é
conhecido por ter escrito as novelas "Roque Santei-
ro¨, "O Bem-Amado¨ e "Saramandaia¨, além da pe-
ça teatral "O Santo Ìnquérito¨ (1966), sobre a morte
da paraibana Branca Dias pela Ìnquisição, é da dé-
cada de sessenta, na qual nota-se que ele estudou
tudo o que pôde de história judaica publicada até
aquela época; mas seu maior prestígio foi dar ao
Brasil a única Palma de !uro que o país recebeu
no Festival de Cinema de Cannes, na França, por
um filme completamente nacional, com a conversão
em filme de sua peça "O Pagador de Promes-
sas¨ (dirigido por Anselmo Duarte, em 1959).
Rabinos).

(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
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11 - A religião judaica não tem um papa, como a
Ìgreja Católica, alguém que centralize poder ou au-
toridade e cuja palavra seja considerada santa e
única. Na verdade se pode falar hoje em
"judaísmos¨, no plural, pois suas autoridades religio-
sas são várias e residentes em diversos países (os
Rabinos).
12 - Na Sociologia quem deu-se ao trabalho de es-
tudar e explicar os motivos, formas e meandros das
sociedades secretas foi o clássico conhecido como
um dos 4 "pais¨ da Sociologia, Georg Simmel (1858
-1918), além de Marx, Durkheim e Weber. Simmel
foi um dos precursores de Max Weber, Lukács,
Bloch, Adorno, Walter Benjamim, etc. Seus textos
mais elucidativos acerca da importância do segredo
e acerca da "orma das sociedades secretas encon-
tram-se publicados em Maldonado (2011). Reco-
mendo principalmente seu texto mais denso sobre o
tema: "A Sociologia do Segredo e das Sociedades
Secretas¨ (id.: 93 a 185). Para Simmel o segredo é
baseado nas noções sociais de confiança recípro-
ca, entre iguais; lealdade e pertencimento a um gru-
po; objetivos de proteção; discrição; silêncio; respei-
to; relação inclusão X exclusão; dentre outros. Nu-
ma sociedade secreta, como as judaicas foram obri-
gadas a se manter por anos, o segredo aparece
como uma "ocuItação consciente e voluntá-
ria¨ (Maldonado, 2011: 117, todos os grifos, em ne-
grito ou itálicos, são meus); fica claro também, "o
uso do segredo como uma técnica sociológica, co-
mo uma forma de ação sem a qual em termos do
social não se poderiam alcançar certos fins [a paz
de manter suas tradições em segredo]¨ (id.: 133);
por pura necessidade, no caso das "sociedades se-
cretas¨ judaicas, no Brasil como no mundo, de acor-
do com a sociologia simmeliana: "o segredo levanta
[necessariamente] uma barreira entre os homens [e
mulheres]¨ (id: 135); além disso, acrescenta Sim-
mel: "a primeira relação interna típica da sociedade
secreta é a confiança recíproca entre os seus mem-
bros. Ela é necessária em tão grande medida, por-
que o objetivo do segredo é acima de tudo a
[necessidade de] proteção¨ (id.: 149); por fim, escla-
rece o pensador alemão: "o elemento secreto nas
sociedades é um fato sociológico primário, um ti*o
*arti%ular de %on,i,ên%ia, uma qualidade formal de
relacionamento [entre os membros da sociedade
secreta]¨ (id.: 168).
13 - Afirmava Cascudo já em 1967: "A história religi-
osa do povo judeu é um equiIíbrio instáveI [os
"conflitos interessantes¨, e os homens "divididos¨
que Novinsky cita acima] entre o fidelismo mosaico
e a sedução dos cultos estrangeiros [católicos, cris-
tãos, etc.]. Nem escapou o Rei Salomão, o mais
sábio dos soberanos, esquecido de Ìavé e queiman-
do incenso aos ídolos amonitas, sidônios e moabi-
tas. Essa disponibilidade crédula explica a versatiIi-
dade do cristão-novo, em raro cristão ou judeu
íntegros, participando de ambos os precei-
tos¨ (2001: 109, grifado por mim). E acrescenta ain-
da Luís da Câmara Cascudo: "Esse ecumenismo
instintivo [ou sincretismo] estabelece a igualdade
dos níveis da percepção psicológica. As heterodoxi-
as judaicas são fatalmente populares¨ (id.: 110,
grifos meus). Por fim, declara Cascudo: "Os motivos
israelitas [judeus], fundamentais, circulando na cul-
tura popular brasileira, datam do século XV̨ (id.:
111), ou seja, dos anos 1500!
14 - Apenas a título de registro: sabe-se que após a
expulsão dos holandeses, um conjunto de judeus
migrou para a América do Norte e lá fundou o que
hoje conhecemos por Cidade de Nova York, nos
EUA; 23 pessoas, segundo Leonardo Silva (2010:
22). O historiador pernambucano Gonsalves de
Mello (1916-2002) estudou holandês arcaico para
compreender os Arquivos holandeses sobre a pre-
sença neerlandesa no Brasil (de 1630 a 1654) e
lembra, em seu livro clássico "Tempo dos Flamen-
gos¨ que foi aqui fundada a primeira sinagoga das
américas, até hoje funcionando na Rua dos Ju-
deus, em Recife (a "Zur Kahal Ìsrael¨, ou
"Congregação Rochedo de Ìsrael¨, que Mello tradu-
ziu por "Santa Comunidade Tzur Ìsrael¨) cujas pri-
meiras referências documentais, segundo ele, da-
tam de 1636 (2001: 260 e 263); também, ao que
tudo indica, "foi no Recife que nasceu a Iiteratura
hebraica na América¨ (id.: 262, grifo meu); e foi
ainda na capital pernambucana, durante a ocupa-
ção holandesa, que o Rabino Ìsaac Aboab da Fon-
seca "compôs poemas e orações¨ que o fizeram ser
o primeiro escritor israelita em terras das Américas
(id,: 262), etc.
15 - Câmara Cascudo já escrevia sobre isso em
1967: "O judeu desejava sempre enterrar-se em
terra ,ir5em, onde ninguém o houvesse antecedido.
(...) O jazigo em terra virgem era uma garantia de
pureza material¨. Até Jesus, que era judeu também,
enterrou-se "em um se*ul%ro no,o, em .ue ainda
nin5u/m 2a,ia sido *osto (Mateus, 27, 60; Lu%as,
23,53; Hoão, 19,41. Esse pedido insistente, reco-
mendado nas últimas vontades expressas pelo mo-
ribundo, era fielmente atendido por onde os povos
judeus residissem. Pelo Brasil, no documentário do
Santo Ofício [da Ìnquisição], os exemplos foram nu-
merosos. (...) As campas eram sinônimo de eterni-
dade¨ (2001: 99, grifado no original).
16 - Esclarece Cascudo (2001: 98), também em
1967: "Derramar toda a água contida nas jarras,
potes e cântaros quando alguém falecia, foi um de-
ver de uso vulgar, abundantemente citado nas e8
nun%iaçKes. Constitui o mais comum dos hábitos
judaicos (...). A superstição espalhada e popular,
registada no Monit:rio, é que as almas dos defun-
tos vinham banhar-se no líquido. (...) A crendice
continua, explicando-se que o espírito do morto,
enquanto o corpo estiver exposto no velório, não
abandonará o recinto e bebe a água guardada nos
recipientes caseiros. Esgotá-la é livrar a família de
ingerir o sobe=o do de"unto, contaminando-se mor-
talmente¨.



(Segue)
Varal de março de 2014 - Especial Infinita Mulher
www.varaldobrasil.com 1(0
17 - Sobre a total in%on5ruên%ia que algumas religi-
ões ocidentais cometem ao unirem e adorarem con-
juntamente "Antigo¨ e Novo Testamento, ver Harold
Bloom, "Jesus e Javé: Os Nomes Divinos¨ (2006),
crítico literário mundialmente conhecido como o
maior estudioso do Cânone Ocidental e da obra de
Shakespeare; e Bart Ehrman, "O Que Jesus Disse?
O Que Jesus 7ão Disse – Quem Mudou a Bíblia e
Porquê¨ (2006), crítico textual que se viu obrigado a
estudar grego, hebraico, latim, francês e alemão,
para compreender as mudanças que as cópias da
Bíblia ("Antigo¨ e Novo Testamentos) sofreram des-
de os textos mais antigos existentes até hoje.
18 - Recorrendo mais uma vez a Câmara Cascudo,
escreveu ele que em 1618 Francisco Ribeiro, se-
nhor de engenho, foi denunciado (em Pernambuco)
por que "manda,a ,arrer as %asas de noite da *orta
*ara dentro. Os denunciados eram cristãos-novos.
Varrer *ara "ora, 'varre a felicidade'¨. Em Portugal
também registram-se as mesmas tradições; e con-
clui Cascudo: "São crendices popularíssimas no
Brasil [desde 1967 quando ele pesquisou, até os
dias atuais]¨ (2001: 102, grifos originais) como eu já
afirmei ainda registrar a existência do costume na
Arez/RN contemporânea, de 2014!
19 - Sobre os judeus paulistas do bairro Bom Retiro,
sua fraternidade e seus alguns de seus costumes, é
interessante citar um filme atual que fez bastante
sucesso: "O Ano em que Meus Pais Saíram de Fé-
rias¨ (2006), de Cao Hamburguer, que competiu in-
clusive no Festival de Cinema de Berlim.
20 - Existem dois filmes que quero citar aqui, ambos
baseados em "atos reais, que comprovam os horro-
res da Ìnquisição (a arbitrariedade e o abuso de po-
der) além de demonstrar o fato de que ela não per-
doava jamais: 1) "Giordano Bruno¨ de Giuliano Mon-
taldo, Ìtália, 1973. Ator principal de um dos episó-
dios mais polêmicos da História, o filme mostra o
processo e a execução do astrônomo, matemático
e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), que
foi queimado na fogueira pela Santa Ìnquisição por
causa de suas teorias contrárias aos dogmas da
Ìgreja Católica; e 2) "Sombras de Goya¨, de Milos
Forman, Espanha, 2006. Este filme soberbo trata
da Espanha em fins dos anos 1700, quando o fa-
moso pintor realista Francisco de Goya Y Lucientes
(1746-1828) decidiu interferir entre os Ìnquisidores
em favor de sua musa, Ìnês, adolescente persegui-
da pela Ìnquisição e acusada de heresia; nele, ve-
mos os horrores perpetrados pelo Santo Ofício da
Ìnquisição, que se refletiram na obra de Goya e que
hoje são testemunho desse período turbulento de
nossa História, tenha ela ocorrido em Portugal ou
Espanha principalmente, e atingido brasileiros, me-
xicanos, peruanos, dentre tantos outros. Já um livro
muito interessante e elucidativo, que tal como os
filmes mistura ficção e realidade, é o que narra a
peça de Dias Gomes, já citada, "O Santo Ìnquérito¨.
21 - Lembremos aqui Gonsalves de Melo (2001:
258, grifo meu), ao afirmar que: "os estudiosos são
unânimes em esclarecer que no mundo ibérico [de
onde partiram a maioria dos judeus que vieram para
o Brasil, os sefardins, ou sefarditas] não é possíveI
identificar os judeus pelo nome [ou sobreno-
me]¨; em menor número, também vieram para cá
judeus alemães e polacos, os as2@ena4im. Paulo
Valadares (2011: 29) confirma: "Não há sobrenome
cristão-novo, mas um sobrenome ibérico usado por
cristãos-novos, que muitas vezes foi o mesmo usa-
do também por cristãos-velhos, ciganos, mouriscos,
indígenas...¨, e acrescenta: "É equivocado afirmar
que alguém tem origem judaica só por ter um sobre-
nome como Barata, Bezerra, Carneiro [etc.]¨.

22 - Parte importante dos estudos dessa Nova Ge-
ração de pesquisadores, para os interessados,
constam em dois dossiês publicados recentemente
pela Re,ista de Gist:ria da Bibliote%a 7a%ional:
"Judeus no Brasil¨ (2010), e "Ìnquisição à Brasilei-
ra¨ (2011).

5. BibIiografia Citada:

A BÍBLIA DAS PROMESSAS. 3ª ed. São Paulo:
King's Cross Publicações, 2005. (trad. João Ferreira
de Almeida).
BLOOM, Harold. Jesus e Javé – Os Nomes Divi-
nos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. (trad. José
R. O'Shea).
CASCUDO, Luís da Câmara. Mouros, Franceses e
Judeus: Três Presenças no BrasiI. 3ª ed. São
Paulo: Global, 2001.
EHRMAN, Bart D. O Que Jesus Disse? O Que Je-
sus $%o Disse – Quem Mudou a BíbIia e Porquê.
São Paulo: Prestígio, 2006. (trad. Marcos Marcioni-
lo).
GOMES, Dias. O Santo Inquérito. 23ª ed. Rio de
Janeiro: Ediouro, 2003.
MALDONADO, Simone Carneiro. Georg SimmeI –
Sentidos, Segredos. Curitiba: Appris, 2011.
(traduções de Simone Maldonado).
MEDEÌROS, João F. Dias. Nos Passos do Retorno:
Descendentes dos Cristãos-Novos Descobrindo
o Judaísmo de Seus Avós Portugueses. Natal:
Gráfica Nordeste, 2005.
MELLO, José Antônio Gonsalves. Tempo dos FIa-
mengos. 4ª ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 2001.
NOVÌSNKY, Anita Waingort. Cristãos-Novos na
Bahia. São Paulo: Perspectiva, 1970.
_____ A Inquisição. 10ª ed. São Paulo: Brasilien-
se, 1994. (Coleção "Tudo é História¨, nº 49).
(Segue)
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_____. "Entrevista com Anita Novinsky, por Rodrigo
Elias¨. Revista de História da BibIioteca Nacio-
naI. Rio de Janeiro: SABÌN, nº 73, mensal, outu-
bro de 2011.
RAMALHO, Lourdes. "O Rio Grande do Norte Sem-
pre Foi Judeu¨. Revista Brouhaha Vozes na CuI-
tura Potiguar. Natal: PMN/Funcart, bimestral, nº
12, maio/junho de 2008.
REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIO-
NAL. "Especial: Judeus no Brasil – Terra Prometida
nos Trópicos¨. Rio de Janeiro: SABÌN, nº 58, men-
sal, julho de 2010.
REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIO-
NAL. "Especial: Ìnquisição à Brasileira. Rio de Ja-
neiro: SABÌN, nº 73, mensal, outubro de 2011.
SALES, André Valério. Lugares e PersonaIidades
Históricas de Arez/RN. João Pessoa: EdUFPB,
2012.
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Arez/RN, a MortaIha Branca e sua Presença na
Literatura BrasiIeira¨. Natal: mimeo, 2014a.
SÌLVA, Leonardo Dantas. "A Comunidade do Arre-
cife¨. Revista de História da BibIioteca NacionaI.
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SOUZA, Carlos. "Livro Traça Jornada Judaica na
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Tribuna do Norte/Caderno Viver. Natal: GTN,
26/09/2012.
VALADARES, Paulo. "Nomes de Árvores e de Ani-
mais Correspondem a Sobrenomes Judeus?¨. Re-
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VALENTE, Luize. O Segredo do Oratório. Rio de
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WACHTEL, Nathan. "A Versão dos Vencidos – En-
trevista¨. Revista de História da BibIioteca Nacio-
naI. Rio de Janeiro: SABÌN, nº 76, mensal, janei-
ro de 2012.
6. FiImes Citados:
EÌGER, Elaine; VALENTE Luize (Diretoras). A Es-
treIa OcuIta do Sertão. Rio de Janeiro: FotoTe-
ma, 2005.
HAMBURGUER, Cao (Diretor). O Ano em que
Meus Pais Saíram de Férias. Rio de Janeiro:
Gullane Filmes/Caos Produções/Miravista, 2006.
MÌLOS, Forman (Diretor). Sombras de Goya. Espa-
nha: Flashfilmes, 2006.
MONTALDO, Giuliano (Diretor). Giordano Bruno.
Ìtália: Versátil, 1973.
VARAL
ANTOLÓGÌCO 4

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