38 - O processo de mudança interior "Por que permite Deus que os Espíritos nos induzam ao mal?

As Escolas de Aprendizagem do Evangelho no Processo psicoterapêutico. - Os Espíritos imperfeitos são instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como Espírito, deves progredir na ciência do infinito, razão porque passas pelas provas do mal, a fim de chegares ao bem. Nossa missão é a de colocar-te no bom caminho e, quando más influências agem sobre ti, é que as atrais, pelo desejo do mal. Os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, sempre que desejas cometê-lo; e só te podem ajudar no mal quando queres o mal. Então, se te inclinares para o assassínio, terás uma nuvem de Espíritos que te alimentarão esse pendor. Entretanto, terás outros que procurarão influenciar-te para o bem. Assim se restabelece o equilíbrio e ficas senhor de ti mesmo." "É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha da via que devemos seguir e a liberdade de ceder a esta ou àquela das influências contrárias que nos solicitam." (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Capítulo IX. Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo. Pergunta 466.) A modificação da personalidade e do comportamento humano, segundo o psicólogo Cari R. Rogers, segue um processo contínuo de mudança. Ele chama a isso o processo de tornar-se pessoa (Cari R. Rogers. Tornar-se Pessoa. 3a Parte. O Processo de nos Tornarmos Pessoa), e enumera sete fases sucessivas do processo, que vai da fixidez da personalidade para a fluidez, a movimentação interior, em relação a si mesmo. É realmente preocupante para todos nós conhecer o que pode levar uma criatura a mudar de comportamento, e como isso acontece. De que forma e por quais meios podemos colaborar mais eficazmente para despertar em nós o desejo de melhorar? Quais argumentos convincentes poderiam tocar os nossos interesses, voltando-nos para a realização da reforma íntima? Os interesses nos aspectos básicos de nossa vida, isto é, na satisfação das necessidades de subsistência, de conforto, segurança, bem-estar, procriação, dificilmente nos motivariam a ser mais dóceis na nossa maneira de ser, ou dividirmos o nosso prato com alguém faminto a nos bater à porta. Quando já não nos satisfazemos com as coisas básicas e aspiramos a alguns valores espirituais, como cultivar uma arte, ampliar o conhecimento sobre alguma área do saber, ter um bom desempenho profissional, realizar algo proveitoso, dirigimos, ainda assim, o nosso esforço numa atividade que não necessariamente a de sermos melhores interiormente. No entanto, quando ansiedades e conflitos indecifráveis, no sofrimento ou nos desajustes vividos, nos atormentam de alguma forma, buscamos correndo algo que nos liberte daquele estado, e não raro buscamos os recursos

desse modo. o esclarecimento consolador e a redenção pelo próprio esforço. seja qual for o seu modo de expressão: silêncio. Antecedendo ao "passe". onde três fases intermediárias e sucessivas têm lugar: a dor ou inquietação. de umidade e de iluminação devem ser mantidas. deve o terapeuta manter e transmitir sua compreensão e aceitação do paciente tal como ele é. de bloqueio. Considera o psicólogo. numa "influência espiritual". cor. uma explanação evangélica. quando então alguém nos diz: "O amigo já teve alta. Pode-se analogamente considerar. O que existe de comum nessas alterações individuais. não quer começar num Grupo de Estudo. gestos. e qual o processo em que essas modificações ocorrem. preocupou-se em conhecer os fatores que intervêm na modificação da personalidade e do comportamento. do seu comportamento interior e exterior. no Espiritismo. o "passe". até o estado de aceitação pessoal dos sentimentos em transformação e chegando finalmente a uma confiança sólida na sua própria evolução. igualmente deve-se estabelecer um conjunto de condições básicas e constantes de modo a facilitar o desabrochar e as metamorfoses que progressivamente se desenvolvem na personalidade dos pacientes. prosseguimos após a série de passes. conduzindo-a progressivamente à vivência dos ensinamentos evangélicos. No encaminhamento natural . desespero. Acredita o Dr. Uma entrevista com alguém pronto para ajudar. angústia. o importante é que se disponham a se modificar nas diretrizes ensinadas e exemplificadas pelo Mestre Jesus.. na sua pesquisa.religiosos. como mais comumente acontece. Rogers que o processo como um contínuo vai de um estado íntimo de rigidez." A essa altura pouco percebeu que os seus males são frutos do seu próprio comportamento. filosofia. Quase sempre achamos que o motivo está fora de nós. ou político. à semelhança do mecanismo de crescimento das plantas. para o de mudança. que. pela conscientização das manifestações interiores. no entanto.. a modificação da criatura. credo religioso. Caso estejamos suficientemente interessados e assim motivados de alguma forma. onde as condições extrínsecas de temperatura. e daí somos encaminhados para um tratamento espiritual. e dependendo da nossa condição os efeitos obtidos são mais ou menos profundos. A aceitação das criaturas não é condicionada a raça. insegurança. numa causa estranha. Rogers. lágrimas ou palavras. O Dr. Sejam quais forem os seus sentimentos: temor. estão também na categoria de "pacientes" e podem ser mesmo muitos dos que recorrem aos consultórios de psicólogos e psicoterapeutas. dependem de si mesmo e para deles libertar-se precisa mudar interiormente. o ambiente é acolhedor. quando em condições de pagar os tratamentos. precisa agora fazer a sua parte. ingressar numa Escola de Aprendizes do Evangelho? Deve cuidar da sua Reforma Intima. são aceitas como elas são. O Espiritismo tem contribuído frequentemente para solucionar esses problemas da esfera psicológica do comportamento individual. O objetivo precípuo da Doutrina dos Espíritos é efetivamente a Reforma Intima. que ouve-nos pacientemente os problemas. que os indivíduos passam por um processo de renovação dentro de uma continuidade. de início. Os interessados. na sua pureza original à luz da Terceira Revelação.

O diálogo interior torna-se mais livre. Sexta Fase: Os sentimentos são experimentados. Cari R. como se as mesmas pertencessem ao seu passado. Quarta Fase: O paciente descreve sentimentos mais intensos. Não existe o sentimento de responsabilidade em relação aos seus problemas. concretizado no apoio do Plano Espiritual. Há pouca abertura na aceitação dos sentimentos. de um modo imediato. e muitas vezes surgem como que contra os desejos do paciente. Terceira Fase: Há um fluir mais livre da expressão sobre si como um objeto. Sétima Fase: Há um sentido crescente e continuado de aceitação pessoal dos . de relacionamento e de conduta. Segunda Fase: A comunicação começa a ser mais fluente em relação a assuntos não-pessoais. A comunicação interior é livre e relativamente pouco bloqueada. em oposição a qualquer mudança. nem atribuídos ao próprio indivíduo. Há uma aceitação muito reduzida dos sentimentos e a maioria deles é revelada como coisa vergonhosa. acrescido do componente energético-espiritual. Primeira Fase: O indivíduo apresenta-se totalmente bloqueado intimamente. e são aceitos desaparecendo a hesitação ou a negação dos mesmos. Não existe desejo de mudança. anormal ou qualquer outra forma de não-aceitação. Os sentimentos são descritos como objetos do presente. que age sobre as potencialidades do espírito e as estruturas sutis do perispírito. como se fossem do seu passado. Os problemas sâo ainda admitidos como exteriores ao próprio indivíduo. Rogers têm as características abaixo indicadas. agora. auxiliando na renovação integral das criaturas assim dispostas. O indivíduo aceita cada vez com maior facilidade a sua própria responsabilidade perante os problemas que tem de enfrentar. má. mas não são reconhecidos como tais. As ações combinadas das entidades espirituais e dos recursos dinâmicos do espírito. O paciente está a viver subjetivamente uma fase de seus problemas. os Centros Espíritas se constituem nos consultórios-escolas. na sua grande maioria trazida pela dor. As sete fases do Dr. O indivíduo toma consciência da sua responsabilidade perante os problemas pessoais. Nesta fase já não há "problemas" exteriores ou interiores. melhora a comunicação interna e reduzse o seu bloqueio. Quinta Fase: Os sentimentos são expressos livremente como se fossem experimentados no presente. Os sentimentos podem ser exteriorizados. que transmitem o tratamento psicoterápico-evangélico.das pessoas que buscam o Espiritismo. mas com certa hesitação. despertados nas criaturas. Recusa a comunicação sobre os assuntos pessoais. ou os problemas que reconhece são entendidos como inteiramente exteriores a si mesmo. embora já se manifeste alguma. Tende a ver-se como não tendo problemas. O paciente exprime e descreve os sentimentos e as opiniões pessoais que não são as atuais. que traduzem o estado íntimo dos pacientes com problemas de comportamento. Não tem consciência dos problemas pessoais. promovem as transformações íntimas dentro desse processo contínuo de conscientização de nós mesmos num sentido evolutivo-cristão. Ele é intimamente fixo.

a sua inquietação. Aceitam comentar e poderão até citar alguns defeitos que já reconhecem neles próprios. as dificuldades de desenvolver os assuntos ainda são observadas. amplia-se a confiança em si mesmo. temos constatado o crescimento dos integrantes. e vão se descontraindo. no aprendiz. nada quererem fazer em seu próprio benefício. por vezes. com um significado mais profundo. começa a ser identificado no seu mundo interior. Ao serem encaminhados para ingressar na EAE. como que acariciados no seu coração. Segunda Etapa: Após verificar a abordagem compreensiva dos dirigentes da EAE sobre os problemas comuns a todos. Sentem-se bem no ambiente e já se esforçam por assistir às aulas. Estas fases apresentam-se bem nítidas nos pacientes que chegam aos consultórios com problemas psicológicos. mais identificados com os companheiros de turma. são vividas. projetam-se os ideais de servir a Jesus. no entanto. sem. Seguindo pari passu. Quarta Etapa: Os lampejos de consciência começam a surgir. A comunicação interior é clara. Há a experiência de uma efetiva escolha de novas maneiras de ser. É visível o aumento de interesse na EAE. compreendendo-os como naturais e passíveis de serem modificados. sem compreenderem o mundo de sentimentos e pensamentos que tumultuam o seu espírito. Nas Escolas de Aprendizes do Evangelho. embora não totalmente definida. Nas oportunidades de apresentação dos temas dados em aula.sentimentos em mudança e uma confiança sólida na sua própria evolução. como segue: Primeira Etapa: Reflete bem o estado íntimo daqueles que chegam ao Centro Espírita em busca de algo que amenize a sua angústia. a sua dor. a compreensão e o próprio trabalho de Reforma Intima se acentuam. em transformar-se interiormente. Terceira Etapa: Tornam-se mais desinibidos. tendo como meta a vivência evangélica. se familiarizando. rígidos. no transcorrer do seu desenvolvimento. embora recônditas. estão ainda fechados dentro de si mesmos. Quinta Etapa: Desaparecem os receios. sentem-se mais tranquilos. se adaptando ao grupo da turma. exatamente dentro desse mesmo processo de conhecimento e mudança interior. A caderneta que a EAE adota para registrar as auto-avaliações periódicas é agora utilizada com mais frequência. ocorre aos seus iniciantes a passagem de uma fase a outra. Este não é igualmente o processo pelo qual despertamos para o sentido maior da nossa existência? O sofrimento e a dor não são os efeitos da não-aceitação das condições em que vivemos? Tudo não se passa realmente no nosso campo psicológico?O conhecimento espírita conduz precisamente os indivíduos a realizarem o trabalho de auto-análise incentivando-os à auto-educação. e são então conduzidos a se libertarem dos mesmos iniciando-se pela aceitação deles e da tolerância para com eles. aparecem. os momentos de reflexão sobre o próprio comportamento. num processo contínuo de conscientização e reforma. As primeiras alegrias. Algo. citadas no capítulo anterior. Tornamse mais livres e desembaraçados dos sentimentos mesquinhos e indefinidos que antes lhes envolviam. Nota-se uma nova disposição. .

Estão em condições de caminhar resolutamente na senda escolhida. Ney Prieto Peres . de forma isolada. Algo de muito sólido realmente já foi alicerçado no seu espírito. O entendimento deles para com o próximo se apresenta mais tolerante. O estágio de servidor é alcançado: O combate aos vícios já apresenta conquistas e a vigüância aos defeitos se efetua intimamente. da nossa natureza íntima. e da destinação infinita. eterna.Sexta Etapa: A participação na EAE está definida. compatibilizando-nos com aquelas leis de evolução. Diríamos mesmo que a evolução se realiza por todos os meios e assim nos proporciona a Sabedoria da Criação. Esse é o Processo de Mudança Interior que o Espiritismo nos apresenta. o que reflete a disposição íntima para com eles próprios. iniciando-se pela leitura dos livros básicos da Codificação. impulsionandonos deliberadamente à realização das mutações íntimas num sentido cristão. A vontade de algo realizar e de se dar num serviço ao próximo já foi praticada e os seus benéficos efeitos foram experimentados. adequando-nos às leis da evolução que regem o Universo. começam a confrontar-se com os conhecimentos adquiridos. colocando a importante contribuição da EAE. agora completamente flexíveis e muito mais compreensivos. Sétima Etapa: O servidor aproxima-se da passagem para o estágio final de discípulo. Momentos de grande elevação espiritual são experimentados. Esse processo de mudança interior. de mutações. É também o próprio caminho de auto-conscientização. ocorre também. espiritual. evangélico. entre os que compreendem as finalidades da Doutrina dos Espíritos e. mas resta-nos conduzir nossos interesses nessa direção. O trabalho em modificar-se é feito espontaneamente e o conhecimento deles mesmos chegou a um bom nível. paciente. Sentem e testemunham no trabalho doutrinário o seu ideal de servir a Jesus. constantemente. O desejo de ser cada dia melhor é mais intenso. que inexoravelmente avançamos num processo incessante de percepções. como foi mencionado. que pode mais facilmente se realizar num grupo.