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CULTURA DO MEDO: CONTROLE SOCIAL E INSEGURANÇA NA CONTEMPORANEIDADE Oliva, Diego C. 1 (IC); Lahuerta,

CULTURA DO MEDO: CONTROLE SOCIAL E INSEGURANÇA NA CONTEMPORANEIDADE

Oliva, Diego C. 1 (IC); Lahuerta, Milton 1 (O) oliva.dc@gmail.com 1 Departamento de Antropologia, Política e Filosofia, Universidade Estadual Paulista Faculdade de Ciências e Letras - Araraquara

Vivemos em uma época onde a cultura do medo se espalha como uma onda pela sociedade, atingindo praticamente todos os âmbitos de nossas vidas, seja na esfera pública, seja na privada. O medo, hoje, não é mais simplesmente uma reação a um perigo específico, mas uma metáfora cultural para interpretar a vida. No passado, os líderes políticos e religiosos usavam um discurso de esperança para exercer o controle sobre a população. A esperança de ascensão econômica e social, de redenção divina, de melhoria na qualidade de vida; no entanto, as crises apresentadas pelo sistema e sua falha em suprir essas mudanças almejadas pela sociedade, fizeram com que este discurso da esperança perdesse seu poder. A partir daí, surgiu a necessidade de uma nova ferramenta de controle social, uma nova estratégia de dominação, baseada não mais na esperança, e sim, no medo. No geral, sempre que pensamos em uma cultura do medo nosso pensamento nos remete imediatamente à violência e à criminalidade. Entretanto, vale ressaltar que a cultura do medo à qual me refiro neste trabalho vai muito além dessas questões, perpassando, também, inúmeros outros âmbitos e se revelando presente em diversos outros medos: temos medo do crime, das drogas, das minorias sociais, de doenças recém-descobertas, vírus mutantes, acidentes de avião, fúria no trânsito, catástrofes naturais, do desemprego e da crise econômica, temos medo da violência dos jovens e da gravidez na adolescência, medos que não nos remetem apenas à ameaças físicas, mas também à transgressões sociais e morais. Há um sentimento de medo generalizado na sociedade contemporânea, um medo direcionado a inúmeros objetos de temor, dos mais amplos aos mais específicos e até inusitados, um medo que permeia uma gama enorme de relações sociais e políticas, influenciando tanto a esfera privada, quanto a pública. Partindo da premissa de que qualquer formação social, apoiada sobre suas instituições políticas, necessita de algumas idéias e sentimentos comuns disseminados entre os indivíduos para organizar e administrar a vida em grupo, observamos que a disseminação do medo e insegurança presente nas sociedades contemporâneas ocidentais não apenas responde à essas necessidades mas garante também à essas instituições um poder de controle social e político de grande amplitude, que causa uma paralisia política na sociedade civil, afetando inúmeros aspectos da vida em sociedade, desde o comportamento das pessoas e as relações sociais entre elas, onde o medo e a insegurança redefinem as interações entre os indivíduos, dificultando a capacidade de ação, associação e participação política através de um sentimento de desconfiança generalizada que reforça o individualismo; até influenciando políticas públicas voltadas para a segurança e a violência, gerando uma exploração política e econômica do medo e da vigilância, e também legitimando certos comportamentos e atitudes sociais que auxiliam na sustentação das instituições políticas, que usam o medo como uma ferramenta de controle e dominação.

CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 18., 2010, São Carlos. Anais de Eventos da UFSCar, v. 6, p. , 2010