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Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva

Queridos alunos!

Conforme aviso que coloquei no quadro do curso, estou preparando um revisional de todo o conteúdo programático de nosso curso e estou contando com o feedback de todos, no fórum do curso, para que o revisional atinja às expectativas de todos.

Na aula de hoje, apresentarei questões comentadas tanto subjetivas como objetivas.

Quero registrar que estou com um curso de discursivas aqui no Ponto com foco no TRT 18 e que as questões aqui apresentarei aqui algumas questões que constaram na primeira aula do curso.

Vamos ao nosso estudo de hoje!

Aula 08: Simulado com questões objetivas e subjetivas (discursivas) diversas bancas.

Questões Objetivas:

Prova 01: DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

31. Acerca de vícios e nulidades do processo do trabalho, assinale a opção correta. A) Se uma das testemunhas regularmente intimadas para depor em demanda na qual se postule o pagamento de horas extras não comparecer e o juiz indeferir o adiamento da audiência e a condução coercitiva da testemunha, essa atitude poderá gerar nulidade por negativa de prestação jurisdicional. B) Não há nulidade quando o juiz, ao analisar os embargos declaratórios, acolhe-os imediatamente, emprestando-lhes efeito modificativo, e intima a parte contrária somente após proferida essa decisão, já que, nesse caso, o juiz se pautou pela observância do princípio da celeridade processual.

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva

C) Considere que a única testemunha apresentada pela empresa reclamada tenha sido ouvida e que seu depoimento tenha socorrido o demandante. Considere, ainda, que, em razões finais, a empresa tenha contraditado a testemunha, sob o fundamento de que era amiga íntima

da parte autora, e que o juiz tenha negado a contradita e julgado de forma favorável ao reclamante. Nesse caso, é possível que a arguição de nulidade pela empresa seja bem-sucedida, já que o juiz deveria ter aberto prazo para a empresa provar suas alegações. D) Se o MP não for intimado a acompanhar feito em que deva intervir, o processo será nulo. E) Cabe ao juízo declarar nulidades somente quando provocado pelas partes interessadas.

Q

Comentários: Parecer: INDEFERIR. Justificativa: A questão 31 trata dos vícios e nulidades do processo do trabalho.

As afirmativas estão assim redigidas:

Se uma das testemunhas regularmente intimadas para depor em demanda na qual se postule o pagamento de horas extras não comparecer e o juiz indeferir o adiamento da audiência e a condução coercitiva da testemunha, essa atitude poderá gerar nulidade por negativa de prestação jurisdicional.

A afirmativa está errada. A atitude do juiz, de não admitir o adiamento da audiência e a condução coercitiva da testemunha não á capaz de gerar nulidade por negativa de prestação jurisdicional, e sim nulidade por cerceamento de defesa.

Não há nulidade quando o juiz, ao analisar os embargos declaratórios, acolhe-os imediatamente, emprestando-lhes efeito modificativo, e intima a parte contrária somente após proferida essa decisão, já que, nesse caso, o juiz se pautou pela observância do princípio da celeridade processual.A afirmativa está errada. A Orientação Jurisprudencial n. 142 da Subseção Especializada n. 1 do Tribunal Superior do Trabalho prevê que é passível de nulidade decisão que acolhe embargos declaratórios com efeito modificativo sem oportunidade para a parte contrária se manifestar.

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva

Considere que a única testemunha apresentada pela empresa reclamada tenha sido ouvida e que seu depoimento tenha socorrido o demandante. Considere, ainda, que, em razões finais, a empresa tenha contraditado a testemunha, sob o fundamento de que era amiga íntima da parte autora, e que o juiz tenha negado a contradita e julgado de forma favorável ao reclamante. Nesse caso, é possível que a argüição de nulidade pela empresa seja bem-sucedida, já que o juiz deveria ter aberto prazo para a empresa provar suas alegações.

A afirmativa é errada. A testemunha foi apresentada pela demandada,

não podendo ser por ela contraditada. Nos termos do art. 796 da CLT, “A nulidade não será pronunciada quando arguida por quem lhe tiver dado causa. Ademais, a contradita deverá ser apresentada antes do compromisso da testemunha e não após o encerramento da instrução processual.

Se o MP não for intimado a acompanhar feito em que deva intervir, o processo será nulo.

A afirmativa é verdadeira. Determina o art. 246 do CPC, utilizado no

âmbito do processo do trabalho por autorização contida no art. 769 da CLT ser “nulo o processo, quando o Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva intervir.”.

Cabe ao juízo declarar nulidades somente quando provocado

A afirmativa está errada. Embora o caput do art. 795 da CLT estabeleça

que “As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos.”, determina o § 1’º do mesmo dispositivo legal: “ Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos decisórios.”. Assim, errada a afirmativa que limita a declaração de nulidade pelo juízo à provocação da parte.

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32. Assinale a opção correta com referência a prazos processuais no direito do trabalho.

A) De decisão publicada no dia 17 de dezembro, quinta-feira, que

conclua pela inexistência de vínculo entre a parte e a empresa, pode-se recorrer até o dia 7 de janeiro do ano seguinte, considerando-se o recesso forense, o qual se estende de 20 de dezembro a 6 de janeiro. B) O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se a partir do dia em que a decisão de mérito transita em julgado.

C) Das decisões proferidas pelo Grupo Normativo dos TRTs, cabe

recurso ordinário para o TST, tendo o juiz relator prazo de vinte dias para redigir o acórdão.

D) A sentença normativa pode ser objeto de ação de cumprimento a

partir do vigésimo dia subsequente ao do julgamento, fundada no

acórdão ou na certidão de julgamento, salvo se concedido efeito suspensivo pelo presidente do TST.

E) Considerando-se que o mandado de segurança não constitui, na

essência, ação trabalhista, da decisão de TRT em mandado de segurança cabe recurso ordinário para o TST, no prazo de quinze dias, e igual dilação para o recorrido e para os interessados apresentarem razões de contrariedade.

Comentários: Parecer: INDEFERIR. Justificativa: A questão 32 explora os prazos processuais no processo do trabalho. As afirmativas estão assim redigidas:

De decisão publicada no dia 17 de dezembro, quinta-feira, que conclua pela inexistência de vínculo entre a parte e a empresa, pode-se recorrer até o dia 7 de janeiro do ano seguinte, considerando-se o recesso forense, o qual se estende de 20 de dezembro a 6 de janeiro.

A afirmativa está errada. De acordo com a Súmula 262 do TST, mais precisamente o inciso II, “o recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (art. 177, § 1º, do RITST) suspendem os prazos recursais.Assim, os dias que remanescem devem ser considerados a partir de 7 de janeiro, não terminando o prazo em questão no dia 7 e sim no dia 12 de janeiro do ano seguinte.

O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se a partir do dia em que a decisão de mérito transita em julgado.

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A afirmativa está errada. Segundo disposto no inciso I da Súmula n. 100

do TST, “o prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não.” Das decisões proferidas pelo Grupo Normativo dos TRTs, cabe recurso ordinário para o TST, tendo o juiz relator prazo de vinte dias para redigir o acórdão.

A afirmativa está errada. O art. 7º, inciso I da Lei n. 7701/88 determina

que “das decisões proferidas pelo Grupo Normativo dos Tribunais Regionais do Trabalho, caberá recurso ordinário para o Tribunal Superior do Trabalho, sendo que o juiz relator terá o prazo de 10 dias para redigir o acórdão.”

A sentença normativa pode ser objeto de ação de cumprimento a partir

do vigésimo dia subsequente ao do julgamento, fundada no acórdão ou na certidão de julgamento, salvo se concedido efeito suspensivo pelo presidente do TST.

A afirmativa está certa. O art. 7º, § 6º da Lei n. 7701/88 dispõe da forma como colocado na assertiva, como se pode verificar de sua redação: “A sentença normativa poderá ser objeto de ação de cumprimento a partir do 20º (vigésimo) dia subseqüente ao do julgamento, fundada no acórdão ou na certidão de julgamento, salvo se concedido efeito suspensivo pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho.”

Considerando-se que o mandado de segurança não constitui, na essência, ação trabalhista, da decisão de TRT em mandado de segurança cabe recurso ordinário para o TST, no prazo de quinze dias, e igual dilação para o recorrido e para os interessados apresentarem razões de contrariedade.

A afirmativa está errada. Dispõe a Súmula 201 do Tribunal Superior do

Trabalho que da decisão de Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso ordinário, no prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, e igual dilação para o recorrido e interessados apresentarem razões de contrariedade. Nada a alterar no gabarito.

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ESTÃO 33

33. A respeito das provas no processo do trabalho, assinale a opção correta. A) A permanência do tripulante a bordo do navio, no período de repouso, além da jornada, não implica presunção de que esteja à

disposição do empregador ou em regime de prorrogação de horário, circunstâncias que devem resultar provadas.

B) O empregado que ajuizar ação postulando equiparação salarial terá o

ônus de provar que o paradigma indicado tem menos de dois anos de diferença de exercício da função. C) Se empresa reclamada apresentar folhas de ponto, assinadas pelo reclamante, contendo, todas elas, marcação de entrada às 8 horas, de intervalo de alimentação e descanso entre as 12 e as 14 horas e de

saída às 18 horas, e, na inicial, o reclamante alegar jornada das 6 às 20 horas, com intervalo de trinta minutos, o juiz deverá indeferir prova da empresa e considerar verdadeira a jornada indicada pelo autor.

D) Se o empregador não comparecer à audiência em que deveria depor,

o juiz deve aplicar a pena de confissão, sendo proibida a confrontação da prova pré-constituída.

E) Sob pena de cerceamento de defesa, em fase de recurso ordinário,

quando ainda estiverem sendo analisadas provas, é, em princípio, possível a juntada de documentos que visem provar as alegações das partes.

Comentários: Parecer: INDEFERIR. Justificativa: O comando da questão 33 é o seguinte: “A respeito das provas no processo do trabalho, assinale a opção correta.”

As afirmativas têm a seguinte redação:

A permanência do tripulante a bordo do navio, no período de repouso, além da jornada, não implica presunção de que esteja à disposição do empregador ou em regime de prorrogação de horário, circunstâncias que devem resultar provadas.

A afirmativa está correta. Tal previsão está contida na Súmula n. 96 do Tribunal Superior do Trabalho, a qual prevê que a permanência do tripulante a bordo do navio, no período de repouso, além da jornada,

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva não importa presunção de que esteja à disposição do empregador ou em regime de prorrogação de horário, circunstâncias que devem resultar provadas, dada a natureza do serviço.

O empregado que ajuizar ação postulando equiparação salarial terá o

ônus de provar que o paradigma indicado tem menos de dois anos de diferença de exercício da função.

A afirmativa está errada. Nos termos do inciso VIII da Súmula 6 do TST,

“ É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou

extintivo da equiparação salarial. Assim, sendo o tempo de exercício na função fato impeditivo do direito do empregado, constitui ônus do empregador a prova e não do empregado.

Se empresa reclamada apresentar folhas de ponto, assinadas pelo reclamante, contendo, todas elas, marcação de entrada às 8 horas, de intervalo de alimentação e descanso entre as 12 e as 14 horas e de saída às 18 horas, e, na inicial, o reclamante alegar jornada das 6 às 20 horas, com intervalo de trinta minutos, o juiz deverá indeferir prova da empresa e considerar verdadeira a jornada indicada pelo autor.

A afirmativa está errada. O inciso III da Súmula 338 do Tribunal

Superior do Trabalho determina que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. Assim, os cartões de ponto com horário rígido geram mera presunção, devendo o juiz permitir ao empregador apresentar as provas que entende cabíveis para desconstituir tal presunção.

Se o empregador não comparecer à audiência em que deveria depor, o juiz deve aplicar a pena de confissão, sendo proibida a confrontação da prova pré-constituída.

A afirmativa está errada. Nos termos da Súmula n. 74 do TST, “aplica-

se a pena de confissão à parte que, expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na qual deveria depor”, podendo, porém, a prova pré-constituída ” ser levada em conta para confronto com a confissão ficta (art. 400, I, CPC),

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva não implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores.”

Sob pena de cerceamento de defesa, em fase de recurso ordinário, quando ainda estiverem sendo analisadas provas, é, em princípio, possível a juntada de documentos que visem provar as alegações das partes.

A afirmativa está errada. A Súmula 8 do TST possibilita a juntada de

documentos na fase recursal somente quando provado o justo impedimento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato

posterior à sentença. Assim, não se há falar em cerceamento de defesa

a negativa de análise de documentos que não cumpram os requisitos da

Súmula 8 do TST. Nada a alterar no gabarito. UESTÃO 34 34. No que concerne a sentenças em dissídios individuais e a

honorários periciais e advocatícios, assinale a opção correta.

A) Com a sentença, o juiz cumpre e acaba seu ofício.

B) A sentença que reconhece a justa causa e autoriza a resolução do

contrato do empregado portador de estabilidade é constitutiva.

C) O relatório é requisito essencial de toda sentença trabalhista.

D) Na justiça do trabalho, a condenação ao pagamento de honorários

advocatícios pode ser superior a 15% do valor da causa, nos casos de especial complexidade dos temas em discussão.

E) Os honorários do perito assistente serão de responsabilidade da parte

sucumbente na matéria objeto da perícia.

Comentários: Parecer: INDEFERIR. Justificativa: A questão 34 diz respeito a sentenças em dissídios individuais e a honorários periciais e advocatícios.

As afirmativas têm a seguinte redação:

Com a sentença, o juiz cumpre e acaba seu ofício.

A afirmativa está errada. Ela apresenta parte da antiga redação do art.

463 da CLT. Com a redação dada pela Lei n. 11.232/2005, foi suprimida

a parte que dispunha na forma da afirmativa apresentada, passando a

mesmo dispositivo a assim prever: “Art. 463. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) I -

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva para lhe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou lhe retificar erros de cálculo; II - por meio de embargos de declaração.”

Ainda que assim não fosse, a afirmativa faz alusão a toda e qualquer sentença e não somente à sentença de mérito.

A sentença que reconhece a justa causa e autoriza a resolução do

contrato do empregado portador de estabilidade é constitutiva.

A afirmativa está correta. A sentença constitutiva é aquela que julga

procedente uma ação constitutiva.

Diz-se que uma ação é constitutiva quando tem por objeto criar, modificar ou extinguir determinada relação jurídica.

O relatório é requisito essencial de toda sentença trabalhista.

A afirmativa está errada. Ela coloca de forma genérica constituir o

relatório requisito essencial da sentença trabalhista, mas não se há como olvidar que, no caso da sentença proferida em procedimento sumaríssimo, o art. 852-I o dispensa de forma expressa.

Na justiça do trabalho, a condenação ao pagamento de honorários advocatícios pode ser superior a 15% do valor da causa, nos casos de especial complexidade dos temas em discussão.

A afirmativa está errada. O inciso I da Súmula 219 prevê que, caso

observados os requisitos legais, pode acontecer a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores a 15%.

Os honorários do perito assistente serão de responsabilidade da parte sucumbente na matéria objeto da perícia.

A afirmativa está errada. Nos termos da Súmula n. 341 do TST, “a

indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia.” Nada a alterar no gabarito. QUESTÃO 35

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva

Questões Discursivas:

1. (FCC – Analista Judiciário – TRT 18ª Região – 2008) A empresa Alpha despediu com justa causa João, gerente de sua filial da cidade das Luzes, tendo em vista a existência de desfalque no estoque de produtos da filial de responsabilidade do empregado. João ajuizou reclamatória em face da empresa requerendo a inversão do motivo de sua dispensa e a empresa apresentou reconvenção em face de João, pleiteando o valor de R$ 20.000,00 referente ao desfalque do estoque. A reclamatória foi julgada improcedente e a reconvenção procedente. João interpôs Recurso Ordinário, deixando de depositar o valor referente ao depósito recursal, sob a alegação de que não seria devido o recolhimento das custas por ser ele beneficiário da justiça gratuita em razão de sua hipossuficiência. O M.M. Juiz da Y Vara do Trabalho julgou deserto o Recurso Ordinário pela falta do depósito recursal. Analise o caso e elucide, sintética e fundamentadamente, a respeito de qual recurso deverá ser adotado por João, mencionando o prazo de interposição, o seu processamento, seus efeitos e seus aspectos formais.

Comentários: O recurso cabível será o agravo de instrumento. O agravo de instrumento está previsto no artigo 897, "b", da CLT, e tem por finalidade "destrancar" o recurso. No Processo do Trabalho, o agravo de instrumento só cabe contra despacho denegatório de seguimento de recurso.

O prazo para a interposição do agravo de instrumento é de oito dias.cabe contra despacho denegatório de seguimento de recurso. Despacho denegatório de seguimento de recurso: se dá

Despacho denegatório de seguimento de recurso: se dá quando o juízo "a quo" (primeiro juízo a realizar a análise dos pressupostos de admissibilidade) observa a falta de algum dos pressupostos de admissibilidade do recurso, assim o juízo a quo dá o despacho denegatório, que acaba por "trancar" o processo.de recurso. O prazo para a interposição do agravo de instrumento é de oito dias. www.pontodosconcursos.com.br

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC

PROFESSORA: Déborah Paiva

O PRIMEIRO juízo de admissibilidade ANALISARÁ OS PRESSUPOSTOS

EXTRÍNSECOS, SÃO ELES:

a)

legitimidade;

b)

Interesse da parte sucumbente;

b)

Tempestividade;

c)

Formação do instrumento.

O agravo de instrumento será endereçado ao juízo a quo (juízo que

realizou o primeiro juízo de admissibilidade). Quem ira realizar o julgamento do mesmo será o tribunal hierarquicamente superior.

O primeiro juízo de admissibilidade do agravo de instrumento será

realizado pelo próprio juízo que proferiu o despacho denegatório, que poderá reconsiderar a sua decisão (juízo de retratação).

O juízo de admissibilidade do agravo de instrumento ira analisar apenas a tempestividade e a formação do instrumento. Efetuado o juízo de admissibilidade pelo juízo a quo abre-se prazo para apresentar as contrarazões da contraminuta do agravo de instrumento.

Serão apresentadas, também, as contrarazões do recurso ordinário, findo este prazo os autos do agravo serão remetidos ao tribunal. Se o Tribunal der conhecimento ao agravo e negar provimento, a parte agravante não poderá fazer mais nada. Porém, der provimento ao Agravo de Instrumento o processo estará "destrancado".

2. (FCC – Analista Judiciário – Execução de Mandados – TRT 18ª Região -2008) Em cumprimento a mandado judicial de penhora relativo a execução no montante de R$ 5.000,00, o oficial de justiça encarregado da diligência compareceu à residência do executado, que lhe franqueou a entrada. No interior da residência, encontrou um televisor, uma geladeira, móveis usados em geral correspondentes a um médio padrão de vida e roupas usadas de baixo valor. O executado lhe informou que esse era o seu único imóvel residencial e que era proprietário do automóvel estacionado em frente ao prédio, que, no entanto, já havia sido penhorado em outra execução. Discorra, sintética e fundamentadamente, sobre o procedimento a ser adotado, nesse caso, pelo oficial de justiça.

Comentários: No caso em tela, o oficial de justiça não poderá penhorar

os bens móveis encontrados na casa, uma vez que de acordo com a Lei

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva 8009/90, tais bens são impenhoráveis. Também será impenhorável o imóvel, por ser o único imóvel da família (art. 1º da Lei 8009/90). Em relação ao automóvel, o oficial de justiça poderá realizar a segunda penhora uma vez que este constitui o único bem penhorável.

Lei 8009/90:

Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de

dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei. I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;

II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem

a residência do executado, salvo os de elevado valor ou que

ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;

III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do

executado, salvo se de elevado valor;

IV - os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações,

proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as

quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, observado o disposto no § 3o deste artigo;

V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os

instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão;

VI - o seguro de vida;

VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se

essas forem penhoradas; VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;

IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para

aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social;

Processo do Trabalho TRT da 12ª e 18ª Regiões Analista Judiciário e Execução de Mandados Teoria e Questões FCC PROFESSORA: Déborah Paiva

X - até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em caderneta de poupança.

§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à cobrança do crédito concedido para a aquisição do próprio bem.

§ 2o O disposto no inciso IV do caput deste artigo não se aplica no caso de penhora para pagamento de prestação alimentícia.

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Espero que tenham gostado das questões.

Aguardo vocês para a nossa próxima aula.

Bons estudos! Fiquem com Deus! Muita Luz!

Nas próximas aulas estudaremos:

Aula 09: Ação Rescisória com comentários de súmulas e OJs.

Aula 10: Revisional com bizus.

Um forte abraço,