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Página 1 Página 1 INFORMATIVO esquematizado Informativo 532 – STJ Márcio André Lopes Cavalcante Obs: não

INFORMATIVO esquematizado

Informativo 532 STJ Márcio André Lopes Cavalcante

Obs: não foram incluídos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevância para concursos

públicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse

conferi-los, os acórdãos excluídos foram os seguintes: AgRg no REsp 1.273.009-RJ; REsp 1.305.637-PR; REsp

1.116.897-PR.

ÍNDICE

Direito Administrativo

Responsabilidade civil do Estado: possibilidade de ajuizamento da ação diretamente contra o servidor

público causador do dano.

Direito Civil

O espólio não tem legitimidade para ajuizar ação de indenização por danos morais decorrentes de

ofensa post mortem à imagem e à memória de pessoa.

Foro competente para ação objetivando o DPVAT.

Direito do Consumidor

Hospital que realiza transfusão de sangue observando todas as cautelas exigidas não é responsável pela

contaminação do paciente.

Hospital não pode cobrar dos pacientes de plano de saúde valor adicional para atendimentos realizados

pelos seus médicos fora do horário comercial.

É incabível a exigência de caução para atendimento médico-hospitalar emergencial.

Direito Empresarial

Os

juros moratórios

no caso

de

cobrança

de

cheque

são

contados

desde

a

data

da

primeira

apresentação.

 

Direito Processual Civil

A parte deverá arguir a suspeição do perito no momento da sua nomeação.

A decisão a que se refere o § 6º do art. 273 do CPC tem natureza de tutela antecipada e não de

julgamento antecipado parcial da lide.

Em ação para fornecimento de medicamentos, o juiz pode determinar o bloqueio e sequestro de verbas

públicas em caso de descumprimento da decisão.

Seguro garantia não pode ser usado como caução em execução fiscal.

www.dizerodireito.com.br

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Página 2  MP tem legitimidade para ACP contra hospital para que este não exija cheque-caução

MP tem legitimidade para ACP contra hospital para que este não exija cheque-caução e para que não

cobre valores adicionais de usuários de planos de saúde.

Direito Penal

O fato de a vítima não ter contribuído para o delito é circunstância judicial neutra e não implica o

aumento da pena.

Termo inicial da prescrição executória: data do trânsito em julgado da sentença para a acusação.

Somente poderá ocorrer prescrição executória se tiver havido o trânsito em julgado da condenação

para ambas as partes.

A subtração de objeto localizado no interior de veículo automotor mediante o rompimento do vidro

qualifica o furto (art. 155, § 4º, I, do CP).

Houve abolitio criminis no tocante à causa de aumento de pena previsto no art. 18, III, primeira parte,

da Lei 6.368/76 (antiga Lei de Tóxicos).

Direito Processual Penal

Competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA.

Se não houver perito oficial, dois policiais com curso superior podem fazer a perícia.

Aplicação de sanção disciplinar na execução penal depende de processo administrativo prévio.

O rol de faltas graves é taxativo e a mudança de endereço do liberado condicional sem informar o juízo

não está lá prevista como falta grave.

Direito Tributário

Contribuinte que oferece garantia de sua obrigação tributária, antes mesmo da execução fiscal iniciar,

tem direito à certidão positiva com efeitos de negativa.

Não tem efeito suspensivo o pedido administrativo para anulação do crédito tributário feito após o

encerramento do procedimento administrativo.

O art. 11, I, da Lei 11.941/2009 não viola o princípio da isonomia ao prever que os bens penhorados do

devedor que adere ao parcelamento devem continuar constritos.

Direito Previdenciário

Tempo exercido pelo segurado, antes da Lei 8.213/91, na atividade rural, com registro em carteira

profissional, pode ser reconhecido para efeito de carência.

DIREITO ADMINISTRATIVO

Responsabilidade civil do Estado: possibilidade de ajuizamento da ação diretamente contra o servidor público causador do dano

Na hipótese de dano causado a particular por agente público no exercício de sua função, a

vítima tem a possibilidade de ajuizar a ação de indenização diretamente contra o agente,

contra o Estado ou contra ambos.

Obs: existe precedente do STF em sentido contrário.

Comentários

Imagine a seguinte situação hipotética:

Jomar, auditor de tributos estaduais, estava dirigindo o veículo oficial da SEFAZ, indo em

direção a uma empresa onde iria realizar uma fiscalização.

Como já estava atrasado, Jomar empreendeu alta velocidade e não viu quando Cristina

atravessava na faixa, razão pela qual acabou atropelando a pedestre, que sofreu inúmeras

lesões corporais.

Cristina deseja ajuizar uma ação de indenização pelos danos materiais e morais que sofreu

com o acidente.

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A vítima poderá propor a ação contra o Estado? SIM. O Estado possui responsabilidade civil pelos
A vítima poderá propor a ação contra o Estado?
SIM. O Estado possui responsabilidade civil pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causem a terceiros. Trata-se de previsão expressa do art. 37, § 6º da CF/88:
Art. 37 (
...
)
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
A responsabilidade do Estado, nesse caso, é OBJETIVA.
Assim, o lesado somente terá que provar:
O fato do serviço (conduta do agente público, sem precisar provar dolo ou culpa);
O dano sofrido;
O nexo de causalidade entre o fato e o dano.
A vítima poderá propor a ação diretamente contra o servidor causador do dano (e não
contra o Estado)?
1ª corrente: NÃO
2ª corrente: SIM
A vítima somente poderá ajuizar a ação
A vítima tem a possibilidade de escolher se
contra o Estado (Poder Público). Se este for
quer ajuizar a ação:
condenado, poderá acionar o servidor que
somente contra o Estado;
causou o dano.
somente contra o servidor público;
O ofendido não poderá propor a demanda
 contra o Estado e o servidor público
diretamente contra o agente público.
em litisconsórcio.
Para essa corrente, ao se ler o § 6º do art.
Para essa corrente, o § 6º do art. 37 da
37
da CF/88,
é
possível perceber que o
CF/88 prevê tão somente que o lesado
dispositivo consagrou duas garantias:
poderá buscar diretamente do Estado a
a primeira, em favor do particular
indenização pelos prejuízos que seus
lesado, considerando que a CF/88
agentes causaram. Isso não significa,
assegura que ele poderá ajuizar ação
contudo, que o dispositivo proíba a vítima
de indenização contra o Estado, que
de acionar diretamente o servidor público
tem recursos para pagar, sem ter que
causador do dano.
provar que o agente público agiu com
dolo ou culpa;
Dessa forma, quem decide se irá ajuizar a
 a segunda garantia é em favor do
ação contra o agente público ou contra o
agente público que causou o dano. A
Estado é a pessoa lesada, não havendo
parte final do § 6º do art. 37,
uma obrigatoriedade na CF/88 de que só
implicitamente, afirma que a vítima
ajuíze contra o Poder Público.
não poderá ajuizar a ação diretamente
contra o servidor público que praticou
A vítima deverá refletir bastante sobre qual
o fato. Este servidor somente pode ser
é a melhor opção porque ambas têm
responsabilizado pelo dano se for
vantagens e desvantagens.
acionado pelo próprio Estado, em ação
regressiva, após o Poder Público já ter
Se propuser a ação
contra o
Estado,
não
ressarcido o ofendido.
terá que provar dolo ou culpa. Em
compensação, se ganhar a demanda, será
pago, em regra, por meio de precatório.
Se intentar a ação contra o servidor, terá o
ônus de provar que este agiu com dolo ou

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Página 4 culpa. Se ganhar, pode ser que o referido servidor não tenha patrimônio para pagar
     

culpa. Se ganhar, pode ser que o referido

 

servidor não tenha patrimônio para pagar a

indenização. Em compensação, o processo

tramitará muito mais rapidamente do que

se envolvesse a Fazenda Pública e a

execução é bem mais simples.

Essa posição foi denominada de tese da

Adotada pela 4ª Turma do

STJ

no

REsp

dupla garantia, tendo sido adotada há

1.325.862-PR, Rel. Min. Luis Felipe

alguns anos em um precedente da 1ª

Salomão, julgado em 5/9/2013.

 

Turma do STF (RE 327904, Rel. Min. Carlos

É a posição também da doutrina

Britto, julgado em 15/08/2006).

majoritária (exs: Celso Antônio Bandeira de

Melo, José dos Santos Carvalho Filho).

 
 

Processo

 

STJ. 4ª Turma. REsp 1.325.862-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/9/2013.

 

DIREITO CIVIL

O espólio não tem legitimidade para ajuizar ação de indenização por danos morais decorrentes de ofensa post mortem à imagem e à memória de pessoa

O espólio não tem legitimidade para buscar reparação por danos morais decorrentes de ofensa

post mortem à imagem e à memória de pessoa. A legitimidade, nesse caso, é dos herdeiros.

Comentários

 

O que é a herança?

A herança é o conjunto de bens deixado pela pessoa falecida.

Caracteriza-se, por força de lei, como sendo bem imóvel, universal e indivisível.

A herança é formada automaticamente pela morte e somente será dissolvida quando

 

houver a partilha.

O que é o espólio?

O espólio é o ente despersonalizado que representa a herança em juízo ou fora dele.

Mesmo sem possuir personalidade jurídica, o espólio tem capacidade para praticar atos

jurídicos (ex: celebrar contratos, no interesse da herança) e tem legitimidade processual

(pode estar no polo ativo ou passivo da relação processual) (FARIAS, Cristiano Chaves. et.

al., Código Civil para concursos. Salvador: Juspodivm, 2013, p. 1396).

Quem representa o espólio em juízo (quem age em nome do espólio)?

Se já houve inventário: o espólio é representado em juízo pelo inventariante.

Se ainda não foi aberto inventário: o espólio é representado pelo administrador

 

provisório (art. 985 do CPC).

Fixados esses conceitos, imagine a seguinte situação hipotética:

João, viúvo, pai de Hugo, José e Luiz, faleceu em decorrência de suposta falha no

atendimento hospitalar.

Foi aberto inventário, tendo Hugo sido nomeado como inventariante.

Os filhos decidem contratar um advogado para ajuizar uma ação de indenização contra o

hospital pelos danos morais e materiais que eles sofreram com a morte do genitor.

O advogado propõe a ação de indenização indicando como autor o espólio.

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Página 5 O advogado agiu de maneira correta? NÃO. O espólio não tem legitimidade para postular
 

O advogado agiu de maneira correta?

NÃO. O espólio não tem legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e

morais supostamente experimentados pelos herdeiros, ainda que se alegue que os

referidos danos teriam decorrido de erro médico de que fora vítima o falecido.

Na situação exposta, o direito à reparação pelos danos causados com a morte é dos filhos

de João por conta de direito próprio deles (e não por um direito que tenha sido transmitido

com a herança). Assim, o direito à reparação pela morte de João nada tem a ver com a

herança (não foi um bem deixado pelo falecido com a sua morte). Logo, o autor da

demanda não deve ser o espólio.

Resumindo: o direito no qual se funda a ação é próprio dos herdeiros, e não um direito do

de cujus que foi transmitido.

Vejamos, ao contrário, duas situações em que a legitimidade seria do espólio:

O espólio teria legitimidade para ajuizar a ação se o direito à indenização pertencesse ao

falecido e tivesse sido transmitido aos herdeiros com a morte.

Ex1: suponhamos que, antes de João falecer, tenha sido publicada uma reportagem no

jornal atacando a sua honra. João ajuizou uma ação de indenização contra o periódico,

tendo, no entanto, morrido antes que a demanda fosse julgada. Nesse exemplo,

considerando a natureza patrimonial do direito de ação por danos morais, esse direito se

transmitirá aos herdeiros. Logo, o espólio possui legitimidade para suceder o autor na ação

de indenização, operando-se a substituição processual, nos termos do art. 43 do CPC.

Ex2: a reportagem foi publicada atacando a honra de João. Ocorre que não deu tempo de

ele tomar providências contra o periódico. Nessa hipótese, muito embora se reconheça o

caráter pessoal da referida ação, o STJ e a doutrina majoritária consideram que o direito de

ação por dano moral é de natureza patrimonial e, como tal, transmite-se aos sucessores da

vítima. Logo, o espólio tem legitimidade para intentar a ação de reparação por danos

morais. Nesse sentido é o art. 943 do CC e o Enunciado 454 do CJF.

Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a

herança.

 

Enunciado 454-CJF: Art. 943. O direito de exigir reparação a que se refere o art. 943 do

Código Civil abrange inclusive os danos morais, ainda que a ação não tenha sido iniciada

pela vítima.

Vale ressaltar que o direito de personalidade da pessoa morta não foi transmitido com a

herança. O direito da personalidade extinguiu-se com a morte do titular. O que se

transmitiu, nesse caso, foi apenas o direito patrimonial de requerer a indenização.

Agora, por fim, uma última hipótese:

Suponha que a reportagem atacando a honra de João foi publicada somente após a sua

morte. Nesse caso, será possível o ajuizamento de ação de indenização por danos morais?

Quem terá legitimidade para figurar no polo ativo: o espólio ou os herdeiros?

SIM, será possível a propositura de ação de indenização por danos morais. A legitimidade

ativa para essa demanda é dos herdeiros, nos termos do parágrafo único do art. 12 do CC:

Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e

reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.

Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida

prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou

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Página 6 Processo colateral até o quarto grau. Ofensa a direito da personalidade da pessoa enquanto
Processo colateral até o quarto grau. Ofensa a direito da personalidade da pessoa enquanto O espólio
Processo
Processo

colateral até o quarto grau.

Ofensa a direito da personalidade da pessoa enquanto

O espólio

é

legitimado

a

viva, tendo esta ajuizado ação de indenização, mas

prosseguir na demanda.

falecido antes do trânsito em julgado.

 

Ofensa a direito da personalidade da pessoa enquanto

O espólio é legitimado a propor

viva. Esta faleceu sem ter ajuizado a ação.

a ação de indenização.

 
 

Os herdeiros (e não o espólio)

Ofensa à memória da pessoa já falecida.

são legitimados para propor a

ação de indenização.

 
 

Os herdeiros (e não o espólio)

Dor e sofrimento causado pela morte da pessoa.

são legitimados para propor a

ação de indenização.

 

substituição processual.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de

próprio, consistente na defesa da personalidade de seus parentes (ou de seu cônjuge ou

de ofensa post mortem à imagem e à memória de pessoa. Logo, a legitimidade é dos

Nessa última hipótese, o espólio poderia ingressar com ação de indenização por danos

caracterizados como lesados indiretos. Assim sendo, os herdeiros, considerados como

atinge-se, obliquamente (indiretamente, na linguagem do Código Civil), os seus parentes (e

companheiro) falecidos. Agem, pois, por legitimidade ordinária, autônoma, e não em

Bem por isso, os lesados indiretos atuam em nome próprio, defendendo um interesse

Se o dano ocorre depois da morte do titular, não produz efeitos jurídicos ao morto.

seus parentes (e do cônjuge ou companheiro) falecidos, sob pena de afronta à sua própria

Contudo, tal ofensa atinge, indiretamente, os familiares vivos da pessoa morta,

NÃO. O espólio não tem legitimidade para buscar reparação por danos morais decorrentes

herdeiros (e não do espólio). Nesse sentido: STJ. 3ª Turma. REsp 1.209.474-SP, Rel. Min.

personalidade. Isto porque ao violar a honra, imagem, sepultura etc., de uma pessoa morta,

“lesados indiretos” pelas ofensas devem propor a ação em nome próprio. Como explicam

é um direito reconhecido às pessoas vivas de ter salvaguardada a personalidade dos

Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 10/9/2013.

Direito Civil. Salvador: Juspodivm, 2012, p. 198)

Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald:

o cônjuge ou companheiro) vivos.

Quadro-resumo:

morais?

...

“(

)

STJ. 3ª Turma. REsp 1.209.474-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 10/9/2013.

Foro competente para ação objetivando o DPVAT

Página 6 Processo colateral até o quarto grau. Ofensa a direito da personalidade da pessoa enquanto

Prática

forense

Em ação de cobrança objetivando indenização decorrente de DPVAT, constitui faculdade do

autor escolher entre os seguintes foros para ajuizamento da ação:

 
  • a) o do local do acidente;

  • b) o do local do seu domicílio;

  • c) o do local do domicílio do réu.

Comentários

O DPVAT é um seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de

via terrestre, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não.

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Página 7 Em outras palavras, qualquer pessoa que sofrer danos pessoais causados por um veículo automotor,
 

Em outras palavras, qualquer pessoa que sofrer danos pessoais causados por um veículo

automotor, ou por sua carga, em vias terrestres, tem direito a receber a indenização do

DPVAT. Isso abrange os motoristas, os passageiros, os pedestres ou, em caso de morte, os

seus respectivos herdeiros.

Ex: dois carros batem e, em decorrência da batida, acertam também um pedestre que

passava no local. No carro 1, havia apenas o motorista. No carro 2, havia o motorista e mais

um passageiro. Os dois motoristas morreram. O passageiro do carro 2 e o pedestre ficaram

inválidos. Os herdeiros dos motoristas receberão indenização de DPVAT no valor

correspondente à morte. O passageiro do carro 2 e o pedestre receberão indenização de

DPVAT por invalidez.

Para receber indenização, não importa quem foi o culpado. Ainda que o carro 2 tenha sido o

culpado, os herdeiros dos motoristas, o passageiro e o pedestre sobreviventes receberão a

indenização normalmente.

O DPVAT é regulamentado pela Lei n.6.194/74.

Qual é o valor da indenização de DPVAT prevista na Lei?

  • no caso de morte: R$ 13.500,00 (por vítima)

  • no caso de invalidez permanente: até R$ 13.500 (por vítima)

  • no caso de despesas de assistência médica e suplementares: até R$ 2.700,00 como

reembolso à cada vítima.

Feitos esses esclarecimentos, imagine a seguinte situação:

Ricardo, que mora em Uberlândia (MG), sofreu um acidente de trânsito em Belo Horizonte

(MG), ficou com invalidez permanente e procurou extrajudicialmente a seguradora X,

devidamente credenciada, para receber seu DPVAT.

A seguradora, que é sediada em São Paulo (SP), negou o pagamento, alegando que faltaram

determinados documentos.

Em razão disso, Ricardo procura um advogado a fim de ajuizar uma ação contra a

seguradora.

Essa ação, que é de competência da Justiça Estadual, deverá ser proposta em qual comarca?

O autor poderá escolher, dentre três opções, o local onde irá ajuizar a ação:

  • a) no foro do local do acidente (art. 100, parágrafo único do CPC);

  • b) no foro do seu domicílio (art. 100, parágrafo único do CPC); ou

  • c) no foro do domicílio do réu (art. 94 do CPC).

Processo

STJ. 2ª Seção. REsp 1.357.813-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/9/2013.

DIREITO DO CONSUMIDOR

Hospital que realiza transfusão de sangue observando todas as cautelas exigidas não é responsável pela contaminação do paciente

O hospital que realiza transfusão de sangue observando todas as cautelas exigidas por lei não é

responsável pelo fato de o paciente ter sido contaminado com hepatite C, ainda que se

considere que essa contaminação ocorreu por conta do fenômeno da janela imunológica.

Comentários

Imagine a seguinte situação adaptada:

Roberto realizou uma cirurgia e, após o procedimento, precisou receber uma transfusão de

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sangue. Algum tempo depois, foi diagnosticado que ele contraiu o vírus HCV (hepatite C) por conta
 

sangue.

 

Algum tempo depois, foi diagnosticado que ele contraiu o vírus HCV (hepatite C) por conta

da referida transfusão de sangue.

Diante disso, Roberto ajuizou ação de indenização por danos morais contra o hospital,

afirmando que houve fato do serviço (o serviço foi defeituoso), nos termos do art. 14 do CDC:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa,

pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos

serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e

riscos.

 

Doador de sangue não tinha hepatite

Durante a instrução probatória, ficou comprovado que o doador do sangue utilizado na

transfusão não tinha hepatite C e que o hospital adotou todas as cautelas exigidas pelos

protocolos médicos e hospitalares.

 

Janela imunológica

Como os exames do doador, na época, deram negativo, chegou-se a conclusão de que,

quando ele foi fazer a doação do sangue, estava em um período de “janela imunológica”.

Janela imunológica é um período em que a pessoa já está contaminada pelo vírus e pode

transmiti-lo a outras pessoas, mas, apesar disso, os exames feitos ainda não conseguem

 

detectar a doença.

Assim, se a pessoa está no período da janela imunológica, o resultado do exame será um

 

falso negativo.

Nesse caso concreto, houve defeito na prestação dos serviços por parte do hospital?

NÃO. A 4ª Turma do STJ entendeu que o hospital, para permitir a transfusão de sangue,

adotou todas as cautelas razoáveis e possíveis, de modo a garantir a segurança do paciente.

Não se pode dizer que o hospital tenha incorrido em defeito na prestação dos serviços se a

contaminação ocorreu em virtude da “janela imunológica”.

A doutrina especializada esclarece que mesmo que se adotem todos os testes adequados à

análise sanguínea, ainda assim não é possível a eliminação total dos riscos de transfusão de

 

sangue contaminado.

Desse modo, o consumidor, ao fazer um procedimento de transfusão de sangue, deve saber

que não há absoluta segurança no procedimento por conta de limitações técnicas. Não se

pode responsabilizar o hospital caso ele adote todos os procedimentos recomendados e,

mesmo assim, haja a contaminação, uma vez que, segundo o estado atual da técnica, não

existe possibilidade de se eliminar por completo os riscos na transfusão.

Em seu voto, o excelente Min. Luis Felipe Salomão traz a opinião de doutrina abalizada

sobre o tema, valendo a pena fazer aqui duas transcrições:

“(

)

Não se pode eliminar, aqui, o risco de transfundir sangue contaminado a um paciente

mesmo com a adoção das medidas adequadas à análise do sangue. Para minimizar essa

possibilidade, adotam-se medidas de triagem do doador, que não são todas infalíveis, eis

que dependentes da veracidade e precisão das informações por este prestadas.

Trata-se, como se vê, de um risco reduzido, porém não eliminável. Parece correto sustentar,

assim, que aquilo que o consumidor pode legitimamente esperar não é, infelizmente, que

sangue contaminado jamais seja utilizado em transfusões sanguíneas, mas sim que todas as

medidas necessárias à redução desse risco ao menor patamar possível sejam tomadas pelas

pessoas ou entidades responsáveis pelo processamento do sangue.” (FERRAZ, Octávio Luiz

Motta Ferraz. Responsabilidade civil da atividade médica no código de defesa do

consumidor. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009, p. 156).

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Página 9 “( ) embora haja especificidade e evolução da técnica, como vimos raramente será o
 

“(

)

embora haja especificidade e evolução da técnica, como vimos raramente será o ato

transfusional 100% seguro, em face do nível do conhecimento científico atual não afastar a

existência de riscos como aqueles produzidos pela chamada ‘janela imunológica’ que

produz falsos resultados negativos nos testes a que é submetido o sangue. Ademais, o

médico ao receitar uma transfusão de sangue compromete-se a utilizar todos seus

conhecimentos e meios disponíveis para obtenção de um resultado: a preservação da vida e

saúde do paciente. Não se obriga ele a alcançar o resultado em si, mesmo porque não lhe é

dado o poder de garantir o sucesso do ato. Assim, ensejando a transfusão de sangue uma

obrigação de meio, cumpre, em princípio àquele que busca indenização à prova da culpa ou

o dolo do demandado.(MURIEL, Christine Santini. Aspectos juridicos das transfusões de

sangue. São Paulo: Revista dos Tribunais. Vol. 706. p. 30. Ago, 1994).

Em conclusão, o STJ afirmou que não era devida a indenização, considerando que o serviço

prestado não foi defeituoso.

Processo

STJ. 4ª Turma. REsp 1.322.387-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/8/2013.

Hospital não pode cobrar dos pacientes de plano de saúde valor adicional para atendimentos realizados pelos seus médicos fora do horário comercial

O hospital não pode cobrar, ou admitir que se cobre, dos pacientes conveniados a planos de saúde

valor adicional por atendimentos realizados por seu corpo médico fora do horário comercial.

Comentários

O hospital não pode cobrar, ou admitir que se cobre, dos pacientes conveniados a planos de

saúde valor adicional por atendimentos realizados por seu corpo médico fora do horário

comercial.

A pedra de toque do direito consumerista é o princípio da vulnerabilidade do consumidor,

mormente no que tange aos contratos.

Nesse contexto, independentemente do exame da razoabilidade/possibilidade de cobrança

de honorários médicos majorados para prestação de serviços fora do horário comercial,

salta aos olhos que se trata de custos que incumbem ao hospital. Este, por conseguinte,

deveria cobrar por seus serviços diretamente das operadoras de plano de saúde, e não dos

particulares/consumidores.

Além disso, cabe ressaltar que o consumidor, ao contratar um plano de seguro de

assistência privada à saúde, tem a legítima expectativa de que, no tocante aos

procedimentos médico-hospitalares cobertos, a empresa contratada arcará com os custos

necessários, isto é, que haverá integral assistência para a cura da doença.

Essa cobrança de valores adicionais é iníqua (injusta) e aproveita-se da fragilidade do

consumidor, considerando que todos os custos já deveriam estar cobertos pelo preço

exigido da operadora de saúde. Assim, tal conduta caracteriza-se como manifestamente

abusiva, violando a boa-fé objetiva e o dever de probidade do fornecedor, sendo vedada

pelos arts. 39, IV, X, e 51, III, IV, X, XIII, XV, do CDC e 422 do CC.

Ademais, na relação mercantil existente entre o hospital e as operadoras de planos de

saúde, os contratantes são empresários que exercem atividade econômica

profissionalmente , não cabendo ao consumidor arcar com os ônus/consequências de

eventual equívoco quanto à gestão empresarial.

Processo

STJ. 4ª Turma. REsp 1.324.712-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/9/2013.

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Página 10 É incabível a exigência de caução para atendimento médico-hospitalar emergencial É incabível a exigência

É incabível a exigência de caução para atendimento médico-hospitalar emergencial

É incabível a exigência de caução para atendimento médico-hospitalar emergencial.

Comentários

Caução para atendimento médico-hospitalar de emergência

Alguns hospitais, mesmo em caso de emergência, somente atendiam o paciente que lá

chegava se ele, ou algum de seus familiares, apresentasse um cheque-caução, nota

promissória, ou qualquer garantia que assegurasse que as despesas hospitalares seriam

pagas ao final do procedimento.

Essa exigência (que era comum, mas atualmente, rara) é válida?

NÃO.

O Código de Defesa do Consumidor (Lei n.8.078/90) prevê que é prática abusiva o fato do

fornecedor de serviços se prevalecer da fraqueza do consumidor diante de um problema de

saúde. Confira-se:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:

IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade,

saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;

O Código Civil de 2002, por sua vez, prevê o estado de perigo como vício de consentimento,

apto a gerar a anulabilidade do negócio jurídico. A doutrina civilista em peso classifica a

exigência de cheque-caução para atendimentos emergenciais em hospitais como típico

exemplo de estado de perigo.

Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de

salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume

obrigação excessivamente onerosa.

No âmbito do direito administrativo sancionador, a Agência Nacional de Saúde Suplementar

ANS, agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde, possui a Resolução Normativa

n.44, de 24 de julho de 2003, proibindo a prática nos seguintes termos:

Art. 1º Fica vedada, em qualquer situação, a exigência, por parte dos prestadores de

serviços contratados, credenciados, cooperados ou referenciados das Operadoras de Planos

de Assistência à Saúde e Seguradoras Especializadas em Saúde, de caução, depósito de

qualquer natureza, nota promissória ou quaisquer outros títulos de crédito, no ato ou

anteriormente à prestação do serviço.

Por fim, em 2012, foi editada a Lei n.12.653, prevendo como crime (art. 135-A do CP) a

conduta de exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia como condição

para o atendimento médico-hospitalar emergencial.

No âmbito do STJ, mesmo antes da vigência da Lei n.12.653/2012, já havia precedentes

condenando a prática e afirmando que é dever do estabelecimento hospitalar, sob pena de

responsabilização cível e criminal, prestar o pronto atendimento aos pacientes que lá

chegam em situação de emergência. Com a superveniência da Lei, somente é reforçada a

vedação.

Processo

STJ. 4ª Turma. REsp 1.324.712-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/9/2013.

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Página 11 DIREITO EMPRESARIAL Os juros moratórios no caso de cobrança de cheque são contados desde

DIREITO EMPRESARIAL

Os juros moratórios no caso de cobrança de cheque são contados desde a data da primeira apresentação

Os juros relacionados com a cobrança de crédito estampado em cheque são disciplinados pela

Lei do Cheque (Lei n.7.357/85).

Segundo a referida Lei, os juros de mora devem ser contados desde a data da primeira

apresentação do cheque pelo portador à instituição financeira.

Não se aplica, portanto, a regra do art. 405 do CC, que conta os juros a partir da citação inicial.

Comentários

Imagine a seguinte situação hipotética:

João emitiu um cheque de 5 mil reais em favor de Pedro.

Em 02/02/2010, Pedro foi até o banco descontar o cheque, mas este não tinha fundos.

Em 2013, Pedro ajuíza ação de cobrança contra João, que é citado no dia 03/03/2013.

O juiz julgou procedente o pedido, condenando o réu a pagar o valor cobrado.

Na sentença, o magistrado consignou que os juros moratórios deveriam ser contados desde a

data da citação inicial do réu (03/03/2013), nos termos do art. 405 do CC e art. 219 do CPC.

O juiz acertou no momento da fixação do termo inicial dos juros de mora?

NÃO. Os juros de mora sobre a importância de cheque não pago são contados da primeira

apresentação pelo portador ao banco, e não da citação do sacador.

Logo, em nosso exemplo, os juros deveriam ser contados desde 02/02/2010.

Os juros relacionados com a cobrança de crédito estampado em cheque são disciplinados

pela Lei do Cheque (Lei n.7.357/85).

Segundo a referida Lei, os juros de mora devem ser contados desde a data da primeira

apresentação do cheque pelo portador à instituição financeira, conforme previsto no art.

52, II (em nosso exemplo, no dia 02/02/2010).

Não se aplica, portanto, a regra do art. 405 do CC, que conta os juros a partir da citação

inicial.

Processo

STJ. 4ª Turma. REsp 1.354.934-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/8/2013.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A parte deverá arguir a suspeição do perito no momento da sua nomeação

A parte não pode deixar para arguir a suspeição de perito apenas após a apresentação de laudo

pericial que lhe foi desfavorável.

A parte deverá arguir a suspeição do perito no momento da sua nomeação.

Comentários

A parte não pode deixar para arguir a suspeição de perito apenas após a apresentação de

laudo pericial que lhe foi desfavorável.

Por se tratar de nulidade relativa, a suspeição do perito deve ser arguida na primeira

oportunidade em que couber à parte manifestar-se nos autos, ou seja, no momento da sua

nomeação, demonstrando o interessado o prejuízo eventualmente suportado, sob pena de

preclusão (art. 245 do CPC):

Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à

parte falar nos autos, sob pena de preclusão.

Permitir que a alegação de irregularidade da perícia possa ser realizada pela parte após a

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Página12

Página 12 publicação do laudo pericial que lhe foi desfavorável seria o mesmo que autorizá-la a
 

publicação do laudo pericial que lhe foi desfavorável seria o mesmo que autorizá-la a

plantar uma nulidade, o que não se coaduna com o sistema jurídico pátrio, que rejeita o

venire contra factum proprium.

Processo

STJ. 3ª Turma. AgRg na MC 21.336-RS, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 17/9/2013.

A decisão a que se refere o § 6º do art. 273 do CPC tem natureza de tutela antecipada e não de julgamento antecipado parcial da lide

Página 12 publicação do laudo pericial que lhe foi desfavorável seria o mesmo que autorizá-la a

ATENÇÃO

O STJ decidiu que a decisão a que se refere o § 6º do art. 273 do CPC, apesar de ser concedida

mediante técnica de cognição exauriente, continua sendo, por opção legislativa, uma hipótese

de tutela antecipada. Logo, por questão de política legislativa, não é apta a fazer coisa julgada

material.

Assim, o valor correspondente à parte incontroversa do pedido pode ser levantado pelo

beneficiado por decisão que antecipa os efeitos da tutela (art. 273, § 6º, do CPC), mas o

montante não deve ser acrescido dos respectivos honorários advocatícios e juros de mora, os

quais deverão ser fixados pelo juiz na sentença.

Comentários

Imagine a seguinte situação hipotética:

A empresa X ajuizou uma ação contra a empresa Z cobrando um milhão de reais.

O juiz deferiu tutela cautelar determinando que a empresa Z depositasse o dinheiro

cobrado em uma conta judicial até que se aguardasse o pronunciamento final.

Após efetuar o depósito em juízo, a empresa Z apresentou contestação reconhecendo que

devia 200 mil reais e negando o restante do débito.

Desse modo, perceba que, quanto aos 200 mil reais, não há controvérsia, isto é, tanto o

autor como o réu concordam que são devidos. Não há lide quanto a esse ponto. A

controvérsia está nos 800 mil reais restantes. Somente quanto a essa parcela incontroversa

é que o juiz terá que decidir na sentença quem tem razão.

Levantamento do valor incontroverso

Depois da contestação da ré, a autora apresentou petição ao juiz requerendo o

levantamento do montante incontroverso.

O magistrado concordou com o pedido, fundamentando sua decisão no art. 273, § 6º do CPC:

Art. 273 ( ) ...

§ 6º A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos pedidos

cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso.

Assim, foi expedido, em favor da autora, um alvará judicial no valor de 200 mil reais.

Tese da autora

Ocorre que a empresa X não concordou com o fato de o juiz ter liberado apenas 200 mil

reais e afirmou que a esse valor deveria ser acrescido os honorários advocatícios e os juros

de mora.

A argumentação deduzida pela autora foi, mais ou menos, a seguinte:

Nos casos do art. 273, § 6º, do CPC, apesar da lei falar em “tutela antecipada”, o que se tem

é um reconhecimento parcial do pedido e um verdadeiro julgamento antecipado de parte

do mérito da demanda.

Assim, não se trata de tutela antecipada, porque essa parcela já é definitiva por ser

incontroversa. Não há nada mais para decidir em relação a essa parte da demanda, que se

exauriu quando a ré reconheceu a procedência parcial do pedido.

Dessa forma, a decisão que autoriza o levantamento da quantia incontroversa não é

proferida com cognição sumária, mas sim com cognição exauriente, capaz, inclusive, de

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Página13

Página 13 A tese apresentada pela autora é aceita pela doutrina? O § 6º do art.

A tese apresentada pela autora é aceita pela doutrina? O § 6º do art. 273 do CPC é um caso

 

1ª corrente: JULGAMENTO ANTECIPADO

2ª corrente: TUTELA ANTECIPADA

Os

processualistas

mais

 

modernos

Por outro lado, uma segunda corrente

defendem que o § 6º do art. 273 do CPC

sustenta que a regra do § 6º é sim uma

não

propriamente,

é,

tutela

antecipada,

hipótese de tutela antecipada, tanto que

mas sim uma hipótese de julgamento

está inserida dentro do art. 273 do CPC.

antecipado parcial da lide.

 

Houve, portanto, uma opção legislativa.

A

topográfica do

localização

 

§

está

No sistema atual do CPC, não é possível

errada e não deveria ter sido

prevista no

imaginar que haja o fracionamento do

art. 273, mas sim no art. 330 do CPC.

 

momento de decidir, ou seja, parte é

 

decidida no começo do processo e outra

parte somente no final. Em suma, o

processo brasileiro não admite “sentenças

parciais”.

Quando o juiz decide com base nesse § 6º

Apesar de o juízo de verossimilhança ser

sua cognição é exauriente e está fundada

mais forte do que nas demais hipóteses de

em juízo de certeza, sendo uma decisão

tutela antecipada, é possível que, ao final

apta a gerar coisa julgada material.

 

da demanda, o magistrado reformule seu

 

entendimento e revogue ou modifique a

decisão que havia concedido a tutela.

A decisão que aplica o

§

é

apta para

A decisão que aplica o § 6º não é apta para

fazer coisa julgada material.

 

fazer coisa julgada material, por força de

 

opção legislativa.

Pode ser executada definitivamente.

 

A execução é provisória.

Nesse sentido:

 

Nesse sentido:

Fredie Didier Júnior

Teori Zavascki

Cássio Scarpinella Bueno

Athos Gusmão Carneiro

Daniel Mitidiero

Cândido Rangel Dinarmarco

Leonardo José Carneiro da Cunha

 

Joel Dias Figueira Júnior

 

sucumbiu. Logo, a autora tem direito de receber os honorários de sucumbência e o valor

Sendo definitivo o julgado, não existe fundamento para retardar a incidência dos juros e dos

direito. Quanto a essa parte da demanda, a requerente já se sagrou vencedora e o réu

economia processual e à duração razoável do processo, e que a antecipação em comento

constitucionais ligados à efetividade da prestação jurisdicional, ao devido processo legal, à

Em suma, quanto aos 200 mil reais, o Poder Judiciário já reconheceu que a autora tem

não se discute que a tutela prevista no § 6º do artigo 273 do CPC atende aos princípios

Por consequência, a execução dessa parte incontroversa é definitiva (e não provisória).

principal (200 mil reais) acrescidos dos juros de mora devidos desde a citação inicial.

de tutela antecipada ou de julgamento antecipado da lide?

Afirmou o Min. Rel. Ricardo Villas Bôas Cueva:

Qual das duas correntes foi adotada pelo STJ?

honorários quanto a essa parte do pedido.

produzir coisa julgada material.

A segunda.

...

“(

)

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Página14

Página 14 não é baseada em urgência, nem muito menos se refere a um juízo de
 

não é baseada em urgência, nem muito menos se refere a um juízo de probabilidade (ao

contrário, é concedida mediante técnica de cognição exauriente após a oportunidade do

contraditório). Porém, como já dito, por questão de política legislativa, a tutela

acrescentada pela Lei nº 10.444/02 não é suscetível de imunização pela coisa julgada.

Assim sendo, não há como na fase de antecipação da tutela, ainda que com fundamento no

§ 6º do artigo 273 do CPC, permitir o levantamento dos consectários legais (juros de mora e

honorários advocatícios), que deverão ser decididos em sentença.”

Processo

STJ. 3ª Turma. REsp 1.234.887-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 19/9/2013.

Em ação para fornecimento de medicamentos, o juiz pode determinar o bloqueio e sequestro de verbas públicas em caso de descumprimento da decisão

Tratando-se de fornecimento de medicamentos, cabe ao Juiz adotar medidas eficazes à

Tratando-se de fornecimento de medicamentos, cabe ao Juiz adotar medidas eficazes à

efetivação de suas decisões, podendo, se necessário, determinar, até mesmo, o sequestro de

ATENÇÃO

valores do devedor (bloqueio), segundo o seu prudente arbítrio, e sempre com adequada

fundamentação.

 

Comentários

Imagine a seguinte situação:

 

Pedro é portador de uma grave doença e seu médico prescreveu determinado

medicamento que não é fornecido pela rede pública de saúde.

 

O paciente, por intermédio da Defensoria Pública, ajuíza ação ordinária contra o Estado-

membro pedindo o fornecimento desse medicamento.

 

O juiz defere a tutela antecipada determinado o fornecimento do medicamento no prazo de

5 dias. Na decisão, o magistrado alerta que, se o Poder Público não cumprir a medida, ele

irá determinar o bloqueio e o sequestro de verbas do Estado e a sua transferência para

conta corrente de titularidade do autor a fim de que ele mesmo compre o medicamento de

que precisa.

Indaga-se: o juiz pode fazer isso? Pode determinar ao Poder Público o fornecimento de

medicamento a portador de doença grave, sob pena de bloqueio ou sequestro de verbas

públicas?

SIM. É possível ao magistrado determinar, de ofício ou a requerimento das partes, o

bloqueio ou sequestro de verbas públicas como medida coercitiva para o fornecimento de

medicamentos pelo Estado na hipótese em que a demora no cumprimento da obrigação

acarrete risco à saúde e à vida do demandante.

 

O art. 461 do CPC preconiza:

Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer,

o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedido, determinará

providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

 

O juiz, para que a sua decisão tenha “força” e desperte no réu a ânsia de cumpri-la, deve

determinar alguma medida coercitiva. O § 5º prevê, exemplificativamente, algumas

medidas que poderão ser impostas. É certo que, além das ali listadas, o magistrado poderá

impor outras que julgue mais eficazes. Veja o dispositivo:

 

§ 5º Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente,

poderá o juiz,

de ofício ou a requerimento

, determinar as medidas necessárias,

tais como
tais como

a

imposição de multa por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas,

desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se necessário com requisição de

força policial.

 

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Página 15 Vale ressaltar que o Poder Judiciário não deve compactuar com a desídia do Estado,
 

Vale ressaltar que o Poder Judiciário não deve compactuar com a desídia do Estado, que

condenado pela urgência da situação a entregar medicamentos imprescindíveis à proteção

da saúde e da vida de cidadão necessitado, revela-se indiferente à tutela judicial deferida e

aos valores fundamentais da vida e da saúde. Nesse sentido: AgRg no REsp 1002335/RS, Rel.

Min. Luiz Fux, DJe 22.09.2008.

Mas os bens públicos não são impenhoráveis? Isso não seria uma forma de penhora de bens

públicos? Ademais, não haveria uma quebra na regra dos precatórios?

Sim. No entanto, entendeu-se que o direito à saúde, garantido constitucionalmente (arts. 6º

e 196), deveria prevalecer sobre princípios de Direito Financeiro ou Administrativo.

O direito fundamental à saúde deverá prevalecer sobre os interesses financeiros da Fazenda

Pública, a significar que, no confronto de ambos, prestigia-se o primeiro em prejuízo do

segundo. Assim, o regime constitucional de impenhorabilidade dos bens públicos e da

submissão dos gastos públicos decorrentes de ordem judicial a prévia indicação

orçamentária deve ser conciliado com os demais valores e princípios consagrados pela

Constituição. Estabelecendo-se, entre eles, um conflito específico e insuperável, há de se

fazer um juízo de ponderação para determinar qual dos valores conflitantes merece ser

específica e concretamente prestigiado, sendo certo que o direito à saúde deverá ser

prestigiado (Min. Teori Zavascki em voto proferido no STJ, REsp. 840.912/RS, DJ de

23/04/2007).

Assim, se, no caso concreto, estiver demonstrada que a aquisição do medicamento é

medida urgente e impostergável para a saúde do autor, deve-se concluir que prevalece o

direito fundamental à saúde em detrimento da regra que diz que os recursos públicos são

impenhoráveis. Isso porque haveria um grande risco à vida do cidadão caso ele fosse

obrigado a aguardar o procedimento de execução por quantia certa contra a Fazenda

Pública, extremamente lento e burocrático.

O Relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, ressaltou, no entanto, que o bloqueio e

sequestro de verbas públicas é medida que somente deve ser concedida em caráter

excepcional, onde haja nos autos comprovação de que o Estado não esteja cumprindo a

obrigação de fornecer os medicamentos pleiteados e de que a demora no recebimento

acarrete risco à saúde e à vida do demandante.

Processo

STJ. 1ª Seção. REsp 1.069.810-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 23/10/2013 (recurso repetitivo).

Seguro garantia não pode ser usado como caução em execução fiscal

O seguro garantia judicial não pode ser utilizado como caução em execução fiscal. Isso porque

não há norma legal disciplinadora do seguro garantia judicial, não estando essa modalidade de

caução entre as previstas no art. 9º da Lei 6.830/1980.

Comentários

O que é a execução fiscal?

Execução fiscal é a ação judicial proposta pela Fazenda Pública (União, Estados, DF,

Municípios e suas respectivas autarquias e fundações) para cobrar do devedor créditos

(tributários ou não tributários) inscritos em dívida ativa.

Qual é a lei que regula a execução fiscal?

A execução fiscal é regida pela Lei n.6.830/80 (LEF) e, subsidiariamente, pelo CPC.

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Página 16 Procedimento da execução fiscal Vejamos algumas etapas do seu procedimento: 1) Petição inicial (art.
 

Procedimento da execução fiscal

Vejamos algumas etapas do seu procedimento:

1) Petição inicial (art. 6º da LEF).

2) Despacho do juiz deferindo a inicial e determinando a citação do executado (art. 7º).

3) Citação do executado para, em 5 dias, pagar a dívida ou garantir a execução (art. 8º).

4) Depois de citado, o executado poderá:

 
  • a) pagar a dívida;

  • b) garantir a execução;

  • c) não pagar a dívida nem garantir a execução.

5) Se o devedor pagar, extingue-se a execução.

6) Se garantir a execução, poderá opor embargos à execução.

7) A garantia do juízo para que o executado ofereça os embargos poderá ser feita de três

 

modos:

  • a) o executado faz o depósito em dinheiro do valor cobrado;

  • b) o executado apresenta uma fiança bancária com relação ao valor cobrado;

  • c) é realizada a penhora de bens suficientes para pagar o valor executado.

É o que se pode extrair dos arts. 9º e 16 da LEF:

Art. 9º Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos

indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá:

I

- efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito,

que assegure atualização monetária;

II

- oferecer fiança bancária;

III

- nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou

IV - indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública.

Art. 16. O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:

I

- do depósito;

II

- da juntada da prova da fiança bancária;

III

- da intimação da penhora.

O seguro garantia judicial pode ser utilizado como caução em execução fiscal?

NÃO. O STJ entendeu que não há norma legal disciplinadora do seguro garantia judicial, não

estando essa modalidade de caução entre as previstas no art. 9º da Lei 6.830/1980. Logo, o

seguro garantia não pode ser utilizado como caução em execução fiscal.

Processo

STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1.394.408-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/10/2013.

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Página17

Página 17 MP tem legitimidade para ACP contra hospital para que este não exija cheque-caução e

MP tem legitimidade para ACP contra hospital para que este não exija cheque-caução e para que não cobre valores adicionais de usuários de planos de saúde

O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública cujos pedidos consistam

em impedir que determinados hospitais continuem a exigir caução para atendimento médico-

hospitalar emergencial e a cobrar, ou admitir que se cobre, dos pacientes conveniados a planos

de saúde, valor adicional por atendimentos realizados por seu corpo médico fora do horário

comercial.

Comentários

O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública pedindo que

determinados hospitais deixem de exigir caução para atendimento médico-hospitalar

emergencial e de cobrar dos pacientes conveniados a planos de saúde valor adicional por

atendimentos realizados por seu corpo médico fora do horário comercial.

Os pedidos relacionam-se com a proteção de direitos do consumidor, uma das finalidades

primordiais do MP, conforme preveem os arts. 127 da CF e 21 da Lei 7.347/1985.

Além disso, tratando-se de interesse social compatível com a finalidade da instituição, o MP

tem legitimidade para mover ação civil pública em defesa dos interesses e direitos dos

consumidores difusos, coletivos e individuais homogêneos, conforme o disposto no art. 81

do CDC.

Processo

STJ. 4ª Turma. REsp 1.324.712-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/9/2013.

DIREITO PENAL

O fato de a vítima não ter contribuído para o delito é circunstância judicial neutra e não implica o aumento da pena

Se o comportamento da vítima em nada contribuiu para o delito, isso significa que essa

circunstância judicial é neutra, de forma que não pode ser utilizada para aumentar a pena

imposta ao réu.

 

Comentários

 

Critério trifásico

A dosimetria da pena na sentença obedece a um critério trifásico:

1º passo: o juiz calcula a pena-base de acordo com as circunstâncias judiciais do art. 59, CP.

2º passo: o juiz aplica as agravantes e atenuantes.

3º passo: o juiz aplica as causas de aumento e de diminuição.

Primeira fase (circunstâncias judiciais)

Na primeira fase, as chamadas circunstâncias judiciais analisadas pelo juiz são as seguintes:

a) culpabilidade, b) antecedentes, c) conduta social, d) personalidade do agente, e) motivos

do crime, f) circunstâncias do crime, g) consequências do crime, h) comportamento da

vítima.

 

Comportamento da vítima:

Segundo Mirabete, “estudos de Vitimologia demonstram que as vítimas podem ser

‘colaboradoras’ do ato criminoso, chegando-se a falar em ‘vítimas natas’ (personalidades

insuportáveis, criadoras de casos, extremamente antipáticas, pessoas sarcásticas, irritantes

[

])”

(MIRABETE, Júlio Fabbrini; FABBRINI, Renato N. Manual de direito penal. Parte Geral.

24ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 301).

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Ao fazer a dosimetria de um homicídio consumado, o juiz afirmou, na sentença, que o comportamento
Ao fazer a dosimetria de um homicídio consumado, o juiz afirmou, na sentença, que o
comportamento da vítima em nada contribuiu para que ela viesse a ser morta. Logo, o
magistrado disse que isso deveria ser considerado como um fator negativo para o réu,
aumentando, assim, sua pena-base.
Agiu corretamente o juiz?
NÃO. Se o comportamento da vítima em nada contribuiu para o delito, isso significa que
essa circunstância judicial é neutra, de forma que não pode ser utilizada para aumentar a
pena imposta ao réu.
Conclui-se, portanto, que essa circunstância judicial “comportamento da vítima” nunca
poderá ser utilizada contra o réu. Haverá duas hipóteses possíveis:
Se a vítima, de algum modo contribuiu para o crime (ex: provocou o homicida): isso será
sopesado em favor do réu para reduzir sua pena base ou mantê-la no mínimo;
 Se a vítima em nada contribuiu para o crime: essa circunstância será considerada como
neutra, não podendo ser utilizada para aumentar a pena do condenado.
Veja precedente recente do STJ:
(
)As
instâncias
ordinárias
ao
elevarem
a
pena-base
além
do
mínimo
legal
por
considerarem que a vítima ao não contribuir para o ocorrência do delito era uma
circunstância prejudicial ao réu, divergiram da orientação já pacificada nesta Corte de que o
comportamento dela é uma circunstância neutra ou favorável quando da fixação da
primeira fase da dosimetria da condenação. ( ) ...
(STJ. 5ª Turma. HC 278.045/AL, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 07/11/2013)
Processo
STJ. 6ª Turma. HC 217.819-BA, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/11/2013.

Termo inicial da prescrição executória: data do trânsito em julgado da sentença para a acusação

O termo inicial da prescrição da pretensão executória é a data do trânsito em julgado da

sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja

aguardando o julgamento desse recurso.

O art. 112, I, do CP foi recepcionado pela CF/88 e deve continuar sendo aplicado.

Comentários

Conceito de prescrição:

Prescrição é a perda do direito do Estado de punir (pretensão punitiva) ou de executar uma

punição já imposta (pretensão executória) em razão de não ter agido (inércia) nos prazos

previstos em lei.

Existem duas espécies de prescrição:

I Prescrição da pretensão punitiva, que pode ser:

I.a) Prescrição da pretensão punitiva propriamente dita;

I.b) Prescrição superveniente ou intercorrente;

I.c) Prescrição retroativa

II Prescrição da pretensão executória

Prescrição da pretensão executória (prescrição da condenação):

Ocorre quando o Estado perde o seu poder-dever de executar uma sanção penal já

definitivamente imposta pelo Poder Judiciário em razão de não ter agido nos prazos

previstos em lei.

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Página19

 
Cálculo da prescrição executória no caso de pena privativa de liberdade: A prescrição da pretensão executória
 

Cálculo da prescrição executória no caso de pena privativa de liberdade:

 

A prescrição da pretensão executória da pena privativa de liberdade é calculada com base

na

pena concreta

, fixada na sentença ou no acórdão, que já transitou em julgado e,

portanto, não pode mais ser alterada.

 

Termo inicial

 

Como vimos, o Estado tem um prazo máximo para fazer com que o réu condenado inicie o

cumprimento da pena. Caso não faça isso, ocorre a prescrição executória.

 

A pergunta é: a partir de que dia começa a correr esse prazo que o Estado tem para fazer

com que o condenado inicie o cumprimento da pena? Dito de outra forma: qual é o termo

inicial do prazo da prescrição da pretensão executória?

 

A resposta encontra-se no art. 112, I, do CP:

Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível

 

Art. 112. No caso do art. 110 deste Código (que trata da prescrição executória), a prescrição

começa a correr:

 

I

-

do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação

, ou a que

revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional;

Desse modo, segundo o art. 112, I, do CP, o termo inicial da prescrição executória é a data

do trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação.

 

E se o MP não recorre, mas a defesa apresenta recurso?

Nesse caso, a sentença condenatória transitou em julgado para a acusação. Logo, segundo a

redação do art. 112, I, do CP, inicia-se a contagem do prazo de prescrição executória mesmo

ainda estando pendente a apreciação do recurso interposto pela defesa.

 

Veja o seguinte exemplo hipotético:

João foi condenado a 4 anos pela prática de roubo.

O Promotor de Justiça concorda com o veredito do juiz e não recorre, razão pela qual a

sentença condenatória transita em julgado para a acusação no dia 10/01/2006.

 

O advogado do réu apresenta recurso de apelação, de forma que, para a defesa, não houve

trânsito em julgado.

 

Qual é o prazo de prescrição executória se o réu for condenado a 4 anos?

 

A prescrição ocorrerá em 8 anos (art. 109, IV, do CP). Em outras palavras, se o réu for

condenado a 4 anos, o Estado tem o poder-dever de fazer com que esse condenado inicie o

cumprimento da pena em até 8 anos. Se passar desse prazo, o Estado perde o poder de

executar a sanção e o condenado não mais terá que cumprir a pena imposta.

 

Em nosso exemplo, quando se iniciou a contagem do prazo de prescrição executória

(levando-se em consideração a regra do art. 112, I, do CP)?

 

No dia 10/01/2006, data em que a sentença transitou em julgado para a acusação. Isso

significa que o Estado tinha um prazo de 8 anos para fazer com que o réu iniciasse o

cumprimento da pena.

 

Se o réu não começou a cumprir a pena até 10/01/2014, aconteceu a prescrição.

 

Essa é a regra que está presente no art. 112, I, do CP.

Crítica à regra do art. 112, I, do CP

A CF/88 prevê que ninguém poderá ser considerado culpado até que haja o trânsito em

jugado da sentença penal condenatória (art. 5º, LVII). Por força desse princípio, não existe,

INFORMATIVO esquematizado

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Página 20 Assim, para o STJ, conforme determina o art. 112, I, do CP, o termo

Assim, para o STJ, conforme determina o art. 112, I, do CP,

o termo inicial da prescrição da

pretensão executória é a data do trânsito em julgado da sentença condenatória para a

acusação

, ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja aguardando o julgamento

trânsito em julgado para a acusação e para a defesa, o réu não poderá ser obrigado a iniciar

Diante desse paradoxo que pode ser ocasionado pela regra do art. 112, I, do CP, alguns

Se há recurso da defesa, o Estado não inicia o cumprimento da pena não por desinteresse

O termo inicial do prazo prescricional da pretensão executória, por sua vez, deve ser

defesa, o condenado não iniciará o cumprimento da pena porque ainda é presumivelmente

em respeito ao princípio contido no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, sendo

O início do prazo da prescrição executória deve ser o momento em que ocorre o trânsito

o cumprimento da pena. Se ainda estiver pendente de julgamento qualquer recurso da

forçosa a adequação hermenêutica do disposto no artigo 112, inciso I, do Código Penal, cuja

a acusação, uma vez que, se a defesa recorreu, o Estado não pode dar início à execução da

Assim, somente com a devida alteração legislativa é que seria possível modificar o

considerado a data em que ocorre o trânsito em julgado para ambas as partes, porquanto

no Brasil, a execução provisória (antecipada) da pena. Assim, enquanto não tiver havido

somente neste momento é que surge o título penal passível de ser executado pelo Estado,

dele, mas sim porque há uma vedação de ordem constitucional decorrente do princípio da

NÃO. Houve alguns julgados antigos do STJ acatando essa tese, porém atualmente ela não é

redação foi dada pela Lei n. 7.209/84, ou seja, é anterior ao atual ordenamento

Não se pode dizer que o prazo prescricional começa com o trânsito em julgado apenas para

presunção de inocência. Ora, se não há desídia do Estado, não se pode falar em prescrição.

Além disso, não se pode querer “corrigir” a redação do art. 112, I, do CP invocando-se o

O argumento de que se deveria aguardar o trânsito em julgado para ambas as partes

Constituição Federal para respaldar uma “interpretação” totalmente desfavorável ao

se o réu for condenado, a defesa recorrer e o MP não, esse condenado não poderá

art. 5º, LVII, da CF/88, porque nesse caso se estaria utilizando um dispositivo da

inaugurar novo marco interruptivo da prescrição não previsto no rol taxativo do art. 117

Exigir o trânsito em julgado para ambas as partes como termo inicial da contagem do

lapso da prescrição da pretensão executória, ao contrário do texto expresso da lei, seria

em julgado para ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para a defesa.

Essa tese que desconsidera a regra do art. 112, I, do CP é aceita pela jurisprudência?

doutrinadores e membros do Ministério Público idealizaram a seguinte tese:

Desse modo, perceba a seguinte situação que o art. 112, I, pode ocasionar:

iniciar o cumprimento da pena enquanto estiver pendente o recurso;

do CP, situação que também afrontaria o princípio da reserva legal.

apesar disso, já começa a correr o prazo da prescrição executória.

Principais argumentos da jurisprudência para rechaçar a tese:

não tem previsão legal e contraria o texto do Código Penal.

pena, já que ainda não haveria uma condenação definitiva.

inocente (SF. Pleno. HC 84078, julgado em 05/02/2009).

Veja o que escreveu o Min. Jorge Mussi sobre o tema:

réu e contra expressa disposição legal.

constitucional.” (STJ HC 137.924/SP).

desse recurso.

mais aceita.

INFORMATIVO esquematizado

Página21

Página 21 termo inicial da prescrição da pretensão executória, e não por meio de "adequação hermenêutica".
   

termo inicial da prescrição da pretensão executória, e não por meio de "adequação

hermenêutica".

Vale ressaltar que o art. 112, I, do CP é compatível com a norma constitucional, não

sendo o caso, portanto, de sua não recepção.

STJ. 5ª Turma. HC 254.080-SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/10/2013.

STF. 1ª Turma. HC 110133, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 03/04/2012.

Processo

STJ. 5ª Turma. HC 254.080-SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/10/2013.

Somente poderá ocorrer prescrição executória se tiver havido o trânsito em julgado da condenação para ambas as partes

Em regra, o trânsito em julgado ocorre após a última decisão proferida no processo, mesmo

que ela tenha apenas confirmado que o recurso anterior era inadmissível.

A possibilidade de ocorrência da prescrição da pretensão executória surge somente com o

trânsito em julgado da condenação para ambas as partes.

Deve ser reconhecida a extinção da punibilidade com fundamento na prescrição da pretensão

punitiva, e não com base na prescrição da pretensão executória, na hipótese em que os prazos

correspondentes a ambas as espécies de prescrição tiverem decorrido quando ainda pendente

de julgamento agravo interposto tempestivamente em face de decisão que tenha negado, na

origem, seguimento a recurso especial ou extraordinário.

Comentários

Imagine a seguinte situação:

Em 12/02/2008, Fábio foi condenado pela prática do delito do art. 28 da Lei n.

11.343/2006, recebendo como pena a obrigação de prestar 70h de serviços à comunidade.

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para

consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou

regulamentar será submetido às seguintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;

II - prestação de serviços à comunidade;

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Considerando que o art. 28 da Lei de Drogas não prevê penas privativas de liberdade, qual é

o prazo de prescrição que deve ser aplicado para esse delito?

2 anos, nos termos do art. 30 da Lei n.11.343/2006:

Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no

tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal.

Voltando ao nosso exemplo:

Fábio foi condenado pelo art. 28 da LD.

O MP não recorreu, tendo havido o trânsito em julgado para a acusação.

A defesa interpôs apelação, que foi conhecida, mas improvida.

Em seguida, a defesa interpôs recurso extraordinário.

O TJ, ao fazer o juízo de admissibilidade, negou seguimento ao RE no dia 28/01/2009

(vale ressaltar que o RE era tempestivo, tendo sido negado por outro motivo).

Contra a decisão, o advogado manejou agravo de instrumento que é proposto

diretamente no STF.

O agravo de instrumento foi improvido, de modo que o STF confirmou a decisão do TJ,

 

decidindo que, realmente, o RE não deveria ser conhecido. Essa decisão do STF foi

publicada no 31/05/2010.

INFORMATIVO esquematizado

Página22

 
Pergunta: qual é o dia do trânsito em julgado quando a última decisão do processo não
 

Pergunta: qual é o dia do trânsito em julgado quando a última decisão do processo não

conheceu do recurso (recurso inadmissível)? O termo inicial será a data em que transitou em

julgado a decisão do STF ou este trânsito em julgado deverá retroagir ao dia em que

esgotou o prazo para o recurso contra o acórdão do TJ?

O STJ decidiu que o trânsito em julgado somente ocorreu após a decisão do STF.

Para o Min. Relator Marco Aurélio Bellizze, em regra, o trânsito em julgado somente ocorre

após a última decisão proferida no processo, ainda que esta tenha se restringido a não

admitir determinado recurso.

Existe uma única exceção a essa regra: no caso de o recurso não ter sido conhecido por

intempestividade. Se tivesse sido esse o motivo, mesmo a parte tendo apresentado agravo

de instrumento, já deveria ser considerado o trânsito em julgado.

 

Resumo:

O STJ afirmou que, em regra, o trânsito em julgado ocorre após a última decisão

proferida no processo, mesmo que ela tenha apenas confirmado que o recurso anterior

era inadmissível. No exemplo, o trânsito em julgado ocorreu em 31/05/2010.

Se o motivo pelo qual o TJ negou seguimento ao RE tivesse sido intempestividade, o

 

trânsito em julgado seria o da data em que acabou o prazo para o recurso. Logo, de

nada adiantaria o agravo de instrumento interposto em seguida pela parte.

Veja o trecho da ementa do julgado:

(

)

2. Não há dúvidas que o recurso manejado intempestivamente não tem o condão de

impedir o implemento do trânsito em julgado, o qual pode ser de pronto identificado, haja

vista se tratar de evento objetivamente aferível, sem necessidade de adentrar o próprio

mérito do recurso. Com efeito, ainda que submetido ao duplo juízo de admissibilidade,

inevitável o reconhecimento da intempestividade.

  • 3. Caso não se cuide de prazo recursal, não é possível dar o mesmo tratamento ao juízo

negativo de admissibilidade dos recursos excepcionais, quando negado o seguimento por

outros motivos, pois se trata de juízo eminentemente subjetivo. Dessarte, ante a

instabilidade da decisão proferida, a qual efetivamente tem chances de ser revertida em

segundo juízo de admissibilidade, não há se falar em coisa julgada, mesmo considerada de

 

forma retroativa.

Imperativo registrar, ademais, que o juízo prévio de admissibilidade realizado pelas

instâncias ordinárias não vincula nem restringe a aferição dos pressupostos recursais a ser

realizado pelos Tribunais Superiores. Portanto, mostra-se temerário considerar que o

controle inicial, realizado pela instância recorrida, prevalece para fins de trânsito em julgado

sobre o exame proferido pela própria Corte competente.

  • 4. Ademais, não sendo possível agregar ao primeiro juízo de admissibilidade o atributo da

imutabilidade, haja vista a interposição de recurso legalmente previsto no ordenamento

jurídico, de pronto se verifica a não ocorrência do trânsito em julgado. Com efeito, se a

principal característica da coisa julgada é a irreversibilidade da decisão, a ausência dessa

característica torna, a meu ver, evidente sua não ocorrência.

( ) ...

 
  • 6. Outrossim, diante da impossibilidade de se iniciar o cumprimento da pena antes do

trânsito em julgado, em observância ao princípio da não culpabilidade, não há dúvidas que

a coisa julgada no processo penal se forma apenas após o exaurimento do prazo do último

recurso cabível, e não de forma retroativa, com a confirmação da não admissibilidade do

recurso excepcional. ( ) ...

(REsp 1255240/DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, julgado em 19/09/2013)

 

INFORMATIVO esquematizado

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Página 23 Voltando ao caso concreto: A sentença condenatória foi publicada em 12/02/2008, tendo havido trânsito
 

Voltando ao caso concreto:

A sentença condenatória foi publicada em 12/02/2008, tendo havido trânsito em julgado

 

para o MP.

No dia em que ocorreu o trânsito em julgado para a acusação, iniciou-se o prazo da

 

prescrição executória (art. 112, I, do CP).

O trânsito em julgado para a defesa somente ocorreu em 31/05/2010.

O prazo prescricional era de 2 anos (art. 30 da LD).

Houve prescrição?

SIM. A prescrição se implementou em 12/02/2010.

Qual foi o tipo de prescrição que ocorreu?

Prescrição da pretensão punitiva intercorrente.

Por que não é caso de prescrição executória?

A prescrição executória ocorre quando o Estado perde o seu poder-dever de executar uma

 

sanção penal já definitivamente imposta pelo Poder Judiciário em razão de não ter agido

nos prazos previstos em lei.

A prescrição executória somente se verifica se já havia trânsito em julgado para ambas as

 

partes (defesa e acusação).

No caso concreto, a prescrição ocorreu no dia 12/02/2010, momento em que ainda estava

 

pendente o recurso interposto pela defesa.

Logo, se não havia trânsito em julgado para acusação e defesa, não há que se falar em

 

prescrição executória (e sim em prescrição da pretensão punitiva).

Mas o art. 112, I, do CP afirma que, para se iniciar a contagem do prazo de prescrição

 

executória basta o trânsito em julgado para a acusação ...

A regra do art. 112, I, do CP é contraditória em relação ao conceito de prescrição

 

executória.

O prazo da prescrição executória inicia-se com o trânsito em julgado para a acusação (art.

 

112, I, do CP), mas a efetiva prescrição executória só irá acontecer se quando esgotar o

prazo já tiver ocorrido o trânsito em julgado para ambas as partes.

Vou tentar ilustrar melhor com um exemplo:

Elias foi condenado pelo art. 28 da LD no dia 20/02/2010. MP não recorre e defesa

 

apresenta apelação. Isso significa que houve trânsito em julgado para a acusação e,

consequentemente, iniciou-se, em 20/02/2010, o prazo de prescrição executória, nos

termos do art. 112, I, do CP.

Hipótese 1:

A apelação é julgada em 25/02/2012 mantendo a sentença e a defesa não recorre.

 

Nesse caso, deve ser reconhecido que, em 20/02/2012, houve

prescrição da pretensão

punitiva .
punitiva
.

Não se trata de prescrição executória porque quando se implementou o prazo prescricional

 

(em 20/02/2012), ainda não havia ocorrido o trânsito em julgado para ambas as partes

(acusação e defesa).

Hipótese 2:

A apelação é julgada em 02/02/2012 mantendo a sentença e a defesa não recorre.

 

O TJ devolve os autos à 1ª instância para que o juiz designe audiência admonitória na qual o

réu será instado a dar cumprimento da pena.

A audiência é designada para 02/03/2012.

INFORMATIVO esquematizado

Página24

Página 24 Processo Prescrição da pretensão punitiva Prescrição executória Extingue todos os efeitos de eventual Extingue
Processo
Processo

Prescrição da pretensão punitiva

Prescrição executória

Extingue

todos

os

efeitos

de

eventual

Extingue apenas a pena (efeito principal da

sentença condenatória já proferida.

condenação).

Apaga a pena (efeito principal da

Os efeitos secundários da condenação

condenação) e também os efeitos

continuam valendo.

secundários (penais e extrapenais).

 

Não gera reincidência.

 

Tem força para gerar reincidência.

Não serve como título executivo no juízo

Serve como título executivo no juízo cível.

cível.

Em resumo, se for reconhecida a prescrição

Com exceção da pena, persistem todas as

da pretensão punitiva, o réu não terá

demais consequências negativas inerentes

qualquer consequência negativa.

 

a uma condenação.

Essa distinção entre a prescrição da pretensão punitiva e da prescrição executória é

Quando se implementou o prazo prescricional (em 20/02/2012), já havia ocorrido o trânsito

Desse modo, pode-se ver que é muito mais vantajoso ao réu a prescrição da pretensão

Há sim interesse prático na presente distinção por conta dos efeitos que cada uma dessas

O advogado do réu comparece à audiência e afirma que o réu não precisa cumprir a pena

Nesse caso, o magistrado deverá concordar com a defesa e reconhecer que, no dia

em julgado para ambas as partes (acusação e defesa).

meramente teórica ou possui relevância prática?

imposta, considerando que houve prescrição.

espécies de prescrição acarreta. Vejamos:

prescrição executória

.

20/02/2012, houve

punitiva.

STJ. 5ª Turma. REsp 1.255.240-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013.

A subtração de objeto localizado no interior de veículo automotor mediante o rompimento do vidro qualifica o furto (art. 155, § 4º, I, do CP)

Página 24 Processo Prescrição da pretensão punitiva Prescrição executória Extingue todos os efeitos de eventual Extingue

ATENÇÃO

A conduta de violar o automóvel, mediante a destruição do vidro para que seja subtraído bem

que se encontre em seu interior - no caso, um aparelho de som automotivo - configura o tipo

penal de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo à subtração da coisa, previsto no art.

155, § 4º, inciso I, do CP.

 

Comentários

O art. 155 do Código Penal prevê o crime de furto:

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

No § 4º do art. 155, são previstas algumas espécies de furto qualificado.

Uma dessas hipóteses ocorre quando o agente pratica o furto mediante rompimento de

obstáculo.

 

Art. 155 (

...

)

§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:

I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;

Imagine agora a seguinte situação:

Maikon quebrou o vidro do carro com o objetivo de abrir o automóvel e de lá subtrair o

aparelho de som.

 

INFORMATIVO esquematizado

Página25

Página 25 O Ministério Público ofereceu denúncia por furto qualificado (art. 155, § 4º, I, do
 

O Ministério Público ofereceu denúncia por furto qualificado (art. 155, § 4º, I, do CP).

Nas alegações finais, o Defensor Público afirmou que, segundo o entendimento da

jurisprudência, se o agente tivesse quebrado o vidro e levado o próprio veículo (em vez de

ter subtraído o som), ele iria responder apenas por furto simples (art. 155, do CP). Logo, não

se mostra razoável reconhecer como qualificadora o rompimento de obstáculo para furto

de objetos existentes no interior do veículo, e considerar como furto simples a subtração do

próprio veículo automotor, sob pena de violação dos princípios da proporcionalidade e da

razoabilidade. Ante o exposto, pediu a desclassificação da conduta para furto simples.

A tese da Defensoria Pública é aceita pelo STF e STJ?

NÃO.

 

Para o STJ e STF, a conduta de violar o automóvel, mediante a destruição do vidro para que

seja subtraído bem que se encontre em seu interior - no caso, um aparelho de som

automotivo - configura o tipo penal de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo à

subtração da coisa, previsto no art. 155, § 4º, inciso I, do CP.

(

)

1. A subtração de objetos localizados no interior de veículo automotor, mediante o

rompimento ou destruição do vidro do automóvel, qualifica o furto. Precedentes do

Supremo Tribunal Federal.

2. De rigor a incidência da qualificadora do inciso I do § 4º do art. 155 do CP quando o

agente, visando subtrair aparelho sonoro localizado no interior do veículo, quebra o vidro

da janela do automóvel para atingir o seu intento, primeiro porque este obstáculo

dificultava a ação do autor, segundo porque o vidro não é parte integrante da res furtiva

visada, no caso, o som automotivo. ( ) ...

(EREsp 1079847/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em 22/05/2013)

 

EMENTA Habeas corpus. Penal. Arrombamento de veículo automotor para furtar objeto.

Incidência da qualificadora do inciso I do § 4º do art. 155 do Código Penal. Precedentes.

Ordem denegada. 1. A jurisprudência da Corte está consolidada no sentido de que

“configura o furto qualificado a violência contra coisa, considerado veículo, visando

adentrar no recinto para retirada de bens que nele se encontravam” (HC nº 98.606/RS,

Primeira Turma, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJe de 28/5/10). 2. Ordem denegada.

(HC 110119, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, julgado em 13/12/2011)

 

Processo

STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.364.606-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 22/10/2013.

Houve abolitio criminis no tocante à causa de aumento de pena previsto no art. 18, III, primeira parte, da Lei 6.368/76 (antiga Lei de Tóxicos)

Com o advento da Lei n.º 11.343/2006, que revogou expressamente a Lei n.º 6.368/1976, não

foi mantida a previsão de majorante pelo concurso eventual para a prática dos delitos da Lei de

Tóxicos, devendo ser reconhecida a abolitio criminis no tocante ao inciso III do art. 18 da

vetusta Lei nº 6.368/76.

Comentários

Lei n.11.343/2006

Atualmente, os crimes envolvendo drogas encontram-se previstos na Lei n.11.343/2006,

que entrou em vigor no dia 08/10/2006.

Lei n.6.368/76

Antes da lei atual, os delitos relacionados com entorpecentes estavam tipificados na Lei n.

6.368/76.

INFORMATIVO esquematizado

Página26

Página 26 A Lei n.  11.343/2006, em seu art. 75, revogou expressamente a Lei n.
 

A Lei n.11.343/2006, em seu art. 75, revogou expressamente a Lei n.6.368/76.

Art. 18, III, primeira parte, da Lei n.6.368/76

O art. 18, III, primeira parte, da Lei n.6.368/76 previa a seguinte causa de aumento:

Art. 18. As penas dos crimes definidos nesta Lei serão aumentadas de 1/3 (um terço) a 2/3

(dois terços):

 

III se qualquer deles decorrer de associação ( ) ...

Na vigência da Lei n.6.368/76, tínhamos duas opções quanto ao concurso de pessoas:

Se duas ou mais pessoas se associassem, de forma estável e permanente, e praticassem

tráfico de entorpecentes: incidiam nos crimes dos arts. 12 e 14 da Lei n.6.368/76;

Se duas ou mais pessoas se associassem, de forma eventual, e praticassem tráfico de

entorpecentes: incidiam no crime do art. 12 com a causa de aumento do art. 18, III, da

Lei n.6.368/76.

E agora, com a Lei n.11.343/2006?

Se duas ou mais pessoas se associarem, de forma estável e permanente, e praticarem

tráfico de entorpecentes: incidem nos crimes dos arts. 33 e 35 da Lei n.11.343/2006;

Se duas ou mais pessoas se associarem, de forma eventual, e praticarem tráfico de

 

entorpecentes: incidem no crime dos art. 33 da Lei n.11.343/2006, sem a causa de

aumento pelo concurso eventual.

Assim, a causa de aumento que era trazida pelo art. 18, III, primeira parte, da Lei n.

6.368/76 não foi repetida pela Lei n.11.343/2006. O mero concurso eventual não é mais

punido pela atual Lei de Drogas.

Houve, portanto, abolitio criminis no tocante à causa de aumento de pena prevista no art.

18, III, primeira parte, da Lei n.6.368/76.

Confira alguns precedentes:

 

(

)

Com o advento da Lei n.º 11.343/2006, que revogou expressamente a Lei n.º

6.368/1976, não foi mantida a previsão de majorante pelo concurso eventual para a prática

dos delitos da Lei de Tóxicos, devendo ser reconhecida a abolitio criminis no tocante ao

inciso III do artigo 18 da vetusta Lei nº 6.368/76 ( ) ...

(HC 220.589/SP, Rel. Min. Gilson Dipp, Quinta Turma, julgado em 13/12/2011).

(

)

Verificada a abolitio criminis apenas com relação à majorante pelo concurso eventual

para a prática dos delitos da Lei de Tóxicos, pois a causa de aumento de pena prevista no

art. 18, inciso III, segunda parte, da Lei n.6.368/76, não foi revogada pela Lei n.

11.343/06. (

)

(EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1221240/DF, Rel. Min. Regina Helena

Costa, Quinta Turma, julgado em 08/10/2013).

 

Processo

STJ. 6ª Turma. HC 202.760-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/11/2013.

INFORMATIVO esquematizado

Página27

Página 27 DIREITO PROCESSUAL PENAL Competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA Não

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA

Não tendo sido identificado o responsável e o local em que ocorrido o ato de publicação de

imagens pedófilo-pornográficas em site de relacionamento de abrangência internacional,

competirá ao juízo federal que primeiro tomar conhecimento do fato apurar o suposto crime

de publicação de pornografia envolvendo criança ou adolescente (art. 241-A do ECA).

Comentários

Imagine a seguinte situação adaptada:

A Polícia Federal descobriu que determinado usuário do Orkut® estava postando imagens

pornográficas envolvendo crianças e adolescentes, conduta que configura crime previsto no

 

art. 241-A do ECA:

ECA/Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar

por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia,

vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo

criança ou adolescente:

Pena reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

O inquérito e as medidas cautelares estavam tramitando na Justiça Federal de São Paulo

(SP).

 

Ocorre que o Juízo Federal de São Paulo (SP) decidiu declinar a competência para a Justiça

Federal de Palmas (TO), considerando que a maioria dos acessos partiu daquela cidade,

conforme demonstrou o laudo da Polícia Federal. Invocou o art. 70 do CPP.

Por sua vez, o Juízo Federal de Palmas/TO suscitou conflito negativo de competência,

afirmando que a localização do réu era incerta e que a competência seria do lugar que

primeiro tomou conhecimento dos fatos, no caso, o juízo de SP. Afirmou, ainda, que a

competência para o crime era da Justiça Federal.

Vejamos algumas perguntas sobre esse caso:

Por que a competência é da Justiça Federal ou Estadual?

 

São duas as razões:

O art. 241-A do ECA é um crime previsto em tratado ou convenção internacional

(Convenção sobre Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral das Nações

Unidas, aprovada pelo Decreto legislativo 28/90 e pelo Decreto 99.710/90);

A publicação do vídeo ou das imagens ocorreu no Brasil, no entanto, poderão ser

 

visualizados em qualquer computador do mundo. Verifica-se, portanto, a

transnacionalidade do delito.

Trata-se de entendimento consolidado no STJ:

(

)

3. No presente caso, há hipótese de atração da competência da Justiça Federal, uma vez

que o fato de haver um usuário do Orkut, supostamente praticando delitos de divulgação

de imagens pornográficas de crianças e adolescentes, configura uma das situações previstas

pelo art. 109 da Constituição Federal.

4. Além do mais, é importante ressaltar que a divulgação de imagens pornográficas,

envolvendo crianças e adolescentes por meio do Orkut, provavelmente não se restringiu a

uma comunicação eletrônica entre pessoas residentes no Brasil, uma vez que qualquer

pessoa, em qualquer lugar do mundo, desde que conectada à internet e pertencente ao

dito sítio de relacionamento, poderá acessar a página publicada com tais conteúdos

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Página 28 pedófilos-pornográficos, verificando-se, portanto, cumprido o requisito da transnacionalidade exigido para atrair a competência da
 

pedófilos-pornográficos, verificando-se, portanto, cumprido o requisito da

transnacionalidade exigido para atrair a competência da Justiça Federal. ( ) ...

 

(CC 111.338/TO, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 23/06/2010)

Quando se considera consumado o delito do art. 241-A do ECA?

 

Consuma-se no ato de publicação das imagens pedófilo-pornográficas, sendo indiferente a

localização do provedor de acesso à rede mundial de computadores onde tais imagens

encontram-se armazenadas ou a sua efetiva visualização pelos usuários.

 

Logo, em princípio, deveria ser aplicado o

art.

70

do

CPP para definir

a competência

territorial.

Contudo, no caso concreto, havia uma dúvida quanto ao local do cometimento da infração,

pois não foi possível apurar de onde se partiu (local) a publicação das imagens e tampouco

o responsável pela divulgação das fotos contendo pornografia infantil, tendo em vista que o

perfil identificado foi acessado por usuários de múltiplas localidades do país.

 

Nesse contexto, pela regra contida no § 2º do art. 72 do CPP, firma-se a competência pela

prevenção, no caso, em favor do Juízo Federal de São Paulo (SP), onde as investigações

tiveram início:

Art. 72 (

)

§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será

competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.

 
 

Processo

STJ. 3ª Seção. CC 130.134-TO, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em

9/10/2013.

Se não houver perito oficial, dois policiais com curso superior podem fazer a perícia

Verificada a falta de peritos oficiais na comarca, é válido o laudo pericial que reconheça a

qualificadora do furto referente ao rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP)

elaborado por duas pessoas idôneas e portadoras de diploma de curso superior, ainda que

sejam policiais.

Comentários

Imagine a seguinte situação adaptada:

Francisco foi condenado a 2 anos de reclusão pela prática do art. 155, § 4º, I do CP (furto

mediante rompimento de obstáculo).

Vale ressaltar que, como não havia perito oficial na Comarca, o Delegado de Polícia nomeou

dois policiais para realizar a perícia no local e constatar o rompimento do obstáculo.

A Defensoria Pública recorreu para afastar a qualificadora, argumentando que a perícia

realizada no obstáculo não foi feita por perito oficial, conforme exige o art. 159, caput, do CP:

Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial,

portador de diploma de curso superior.

A tese defensiva foi aceita pelo STJ?

NÃO.

O procedimento adotado pelo Delegado está autorizado pelo § 1º do art. 159 do CPP:

§ 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas,

portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as

que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame.

 

INFORMATIVO esquematizado

Página29

Página 29 Além disso, não há nenhuma proibição de que as pessoas que façam a perícia
 

Além disso, não há nenhuma proibição de que as pessoas que façam a perícia sejam

policiais. O que é imprescindível é que possuam diploma de curso superior. Nesse sentido:

STJ. 5ª Turma. HC 245836/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 10/09/2013.

Processo

STJ. 5ª Turma. REsp 1.416.392-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 19/11/2013.

Aplicação de sanção disciplinar na execução penal depende de processo administrativo prévio

Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar, no âmbito da execução penal, é

imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento

prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor

público nomeado.

 

Comentários

Normas disciplinares

 

O preso, seja ele definitivo ou provisório, deverá obedecer as normas disciplinares da

unidade prisional onde estiver recolhido.

 

A LEP prevê, inclusive, que o preso, assim que entra no presídio, deverá ser avisado sobre as

normas disciplinares que ali vigoram (art. 46).

 

O que acontece quando o preso descumpre uma norma disciplinar?

Nesse caso, dizemos que ele praticou uma falta disciplinar (arts. 49 a 52) e, por isso, deverá

receber uma sanção disciplinar (art. 53).

 

Faltas disciplinares

As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves.

Faltas leves e médias são previstas na legislação local (não se exige uma lei em sentido

formal, podendo ser um ato infralegal, como um regimento interno).

Faltas graves são previstas na própria LEP (arts. 50 a 52).

Sanções disciplinares

 

As sanções disciplinares estão previstas taxativamente no art. 53 da LEP. Não se admitem

outras punições que não estejam ali elencadas. Veja:

 

Art. 53. Constituem sanções disciplinares:

 

I - advertência verbal;

II - repreensão;

III - suspensão ou restrição de direitos (artigo 41, parágrafo único);

IV - isolamento na própria cela, ou em local adequado, nos estabelecimentos que possuam

alojamento coletivo, observado o disposto no artigo 88 desta Lei.

V - inclusão no regime disciplinar diferenciado.

 

Quem aplica as sanções disciplinares?

 

Em regra, é o diretor do estabelecimento prisional (por ato motivado).

Exceção: a inclusão no RDD (inciso V) somente poderá ser imposta por prévio e

fundamentado despacho do juiz das execuções penais.

 

Vale ressaltar, ainda, que, em

caso

de

cometimento de falta de natureza grave,

determinadas consequências e sanções disciplinares são de competência do juiz da

execução penal. Exemplos: imposição da regressão de regime (art. 118, I), revogação de

saída temporária (art. 125), perda dos dias remidos (art. 127) e a conversão de pena

restritiva de direitos em privativa de liberdade (art. 181, § 1º, d, e § 2º).

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Página 30 Para que seja reconhecida a existência de falta disciplinar e aplicada a sanção respectiva,
 

Para que seja reconhecida a existência de falta disciplinar e aplicada a sanção respectiva, é

necessária a realização de processo administrativo?

SIM. Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar, no âmbito da execução penal, é

imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do

estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado

constituído ou defensor público nomeado.

A própria LEP prevê a existência desse procedimento:

Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua

apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.

Parágrafo único. A decisão será motivada.

Quem conduz esse procedimento?

Em regra, o processode apuração da falta disciplinar (investigação e subsunção), assim

como a aplicação da respectiva punição, é realizado dentro da unidade penitenciária, cuja

responsabilidade é do seu diretor.

Somente se for reconhecida, pelo diretor do estabelecimento prisional, a prática de falta

disciplinar de natureza grave, é que será comunicado ao juiz da execução penal para que

aplique determinadas sanções, que o legislador, excepcionando a regra, entendeu por bem

conferir caráter jurisdicional.

Nesse procedimento administrativo, o preso investigado terá que ser assistido por advogado

ou Defensor Público?

SIM. O direito de defesa do preso abrange não só a autodefesa, mas também a defesa

técnica, a ser realizada por profissional devidamente inscrito nos quadros da OAB ou

Defensor Público.

Vale ressaltar que não se aplica à execução penal a Súmula Vinculante 5 do STF, a qual

dispõe que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar

não ofende a Constituição. Tal enunciado somente se aplica em caso de processos

administrativos de natureza cível.

Assim, no processo administrativo para apuração de sanção disciplinar, o preso deverá,

obrigatoriamente, ser assistido por advogado ou Defensor Público. Nesse sentido tem

decidido o STF:

Recurso ordinário em habeas corpus. 2. Execução criminal. Prática de falta grave pelo

apenado. 3. Paciente que não foi acompanhado por defensor durante a realização dos atos

referentes ao processo administrativo-disciplinar. 4. Nulidade. Inobservância dos princípios

do contraditório e da ampla defesa. 5. Recurso conhecido e provido.

(RHC 104584, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 24/05/2011)

 

Processo

STJ. 3ª Seção. REsp 1.378.557-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/10/2013 (recurso repetitivo).

O rol de faltas graves é taxativo e a mudança de endereço do liberado condicional sem informar o juízo não está lá prevista como falta grave

A mudança de endereço sem autorização judicial durante o curso do livramento condicional,

em descumprimento a uma das condições impostas na decisão que concedeu o benefício, não

configura, por si só, falta disciplinar de natureza grave.

Comentários

Rol taxativo de faltas graves

A Lei de Execução Penal (Lei n.7.210/84) prevê um rol taxativo de situações que

configuram falta grave do condenado que esteja cumprindo pena privativa de liberdade:

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Página 31 Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: I
 

Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

 
  • II - fugir;

III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;

IV - provocar acidente de trabalho;

 

V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

 
  • VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei;

VII tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que

permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório.

Condições do livramento condicional

 

Quando o juiz das execuções penais concede o benefício do livramento condicional, ele

deverá especificar algumas condições que o condenado deverá cumprir.

No § 1º do art. 132 da LEP estão previstas as condições obrigatórias:

 

§ 1º Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes:

  • a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;

  • b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;

 
  • c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste.

No § 2º, por sua vez, são listadas condições facultativas, ou seja, que podem ou não ser

impostas a critério do magistrado:

 

§ 2° Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as

 

seguintes:

  • a) não mudar de residência sem comunicação

ao

Juiz

e

à autoridade incumbida da

observação cautelar e de proteção;

 
  • b) recolher-se à habitação em hora fixada;

  • c) não freqüentar determinados lugares.

Imagine que o juiz imponha ao liberado condicional a obrigação de que ele comunique à

Justiça todas as vezes em que mudar de endereço. A despeito de ter sido informado sobre

essa obrigação, o liberado se muda e não informa ao juízo. Nesse caso, pode-se dizer que ele

praticou uma falta grave?

 
 

NÃO.

A mudança de endereço sem autorização judicial durante o curso do livramento

condicional, em descumprimento a uma das condições impostas na decisão que concedeu o

benefício, não configura, por si só, falta disciplinar de natureza grave. Isso porque essa

conduta não está prevista no art. 50 da LEP.

 

A mudança de endereço durante o curso do livramento condicional somente será

considerada falta grave se ficar evidenciado que o liberado fugiu, uma vez que, nesse caso,

a situação poderá ser enquadrada no inciso II do art. 50 da LEP:

 

Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:

( ) ...

II

- fugir;

 

Processo

STJ. 6ª Turma. HC 203.015-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/11/2013.

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Página 32 DIREITO TRIBUTÁRIO Contribuinte que oferece garantia de sua obrigação tributária, antes mesmo da execução

DIREITO TRIBUTÁRIO

Contribuinte que oferece garantia de sua obrigação tributária, antes mesmo da execução fiscal iniciar, tem direito à certidão positiva com efeitos de negativa

O contribuinte pode, após o vencimento de sua obrigação e antes da execução fiscal, garantir o

juízo de forma antecipada mediante o oferecimento de fiança bancária, a fim de obter certidão

positiva com efeitos de negativa.

Comentários

O contribuinte pode, após o vencimento de sua obrigação e antes da execução fiscal,

garantir o juízo de forma antecipada mediante o oferecimento de fiança bancária, a fim de

obter certidão positiva com efeitos de negativa.

De fato, a prestação de caução mediante o oferecimento de fiança bancária, ainda que no

montante integral do valor devido, não se encontra encartada nas hipóteses elencadas no

art. 151 do CTN, não suspendendo a exigibilidade do crédito tributário.

Entretanto, tem o efeito de garantir o débito exequendo em equiparação ou antecipação à

penhora, permitindo-se, neste caso, a expedição de certidão positiva com efeitos de

negativa.

Processo

STJ. 1ª Turma. AgRg no Ag 1.185.481-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/10/2013.

Não tem efeito suspensivo o pedido administrativo para anulação do crédito tributário feito após o encerramento do procedimento administrativo

O pedido administrativo realizado pelo contribuinte de cancelamento de débito inscrito em

dívida ativa não suspende a exigibilidade do crédito tributário, não impedindo o

prosseguimento da execução fiscal e a manutenção do nome do devedor no CADIN.

Comentários

Imagine a seguinte situação adaptada:

A Receita Federal entendeu que Marcos realizou o fato gerador de um tributo federal e, por

isso, fez o lançamento tributário e o notificou para pagar o valor devido.

Como o contribuinte não pagou nem impugnou administrativamente o lançamento, esse

crédito tributário foi inscrito na dívida ativa.

Depois disso, Marcos apresentou, administrativamente, um pedido para cancelamento da

inscrição em dívida ativa.

Sem que esse pedido de Marcos fosse apreciado, a União, por intermédio da Procuradoria

da Fazenda Nacional, ajuizou execução fiscal contra ele.

O devedor, agora réu, formulou pedido ao juiz para que a execução fiscal fique suspensa

enquanto se aguarda a apreciação de seu requerimento administrativo de cancelamento da

inscrição em dívida ativa.

Marcos alegou que ele não poderia estar sendo executado porque o crédito tributário

estaria suspenso, nos termos do art. 151, III, do CTN:

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:

III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário

administrativo;

O pedido feito ao juiz pode ser deferido? A execução deverá ser suspensa?

NÃO. O pedido administrativo realizado pelo contribuinte de cancelamento de débito

inscrito em dívida ativa não suspende a exigibilidade do crédito tributário, não impedindo o

prosseguimento da execução fiscal e a manutenção do nome do devedor no CADIN.

Segundo decidiu o STJ, a leitura do art. 151, III, do CTN revela que não basta o mero protocolo

de reclamações ou recursos para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário.

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Página33

Página 33 A manifestação de inconformidade ("reclamações" ou "recursos"), para ser dotada de efeito suspensivo, deve
 

A manifestação de inconformidade ("reclamações" ou "recursos"), para ser dotada de efeito

suspensivo, deve estar expressamente disciplinada na legislação específica que rege o

processo tributário administrativo.

 

Nesse contexto, a manifestação administrativa (é irrelevante o nome que se atribua, isto é,

"defesa", "pedido de revisão de débito inscrito na dívida ativa" ou qualquer outro) não

constitui "recurso administrativo", dele diferindo em sua essência e nos efeitos jurídicos.

O recurso

é

o

meio

de impugnação à decisão administrativa que analisa a higidez da

constituição do crédito e, portanto, é apresentado no curso do processo administrativo,

antes de o débito ser inscrito em dívida ativa, possuindo, por força do art. 151, III, do CTN,

aptidão para suspender a exigibilidade da exação.

A manifestação apresentada após a inscrição em dívida ativa (como foi o caso), nada mais é

do que o exercício do direito de petição aos órgãos públicos. É um simples direito de pedir.

Após ter se encerrado o procedimento administrativo, com a confirmação do lançamento e