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Introdução a Teologia Contemporânea

Apostila feita por: Dyone Kendel da Silva

Introdução

É com muita alegria que apresento-lhes o material de estudo para a matéria Teologia

contemporânea, este material não é um recurso exaustivo sobre o assunto. O objetivo

aqui é lançar bases históricas, teológicas e filosóficas para os seus estudos de teologia contemporânea podemos chamar este material de Bases para o Conhecimento da Teologia Contemporânea. Não pense que você saberá tudo sobre o assunto ao fim da leitura deste material, pois ele apenas é uma base para seus estudos. Ele é um guia para que você possa fazer uma análise crítica das diversas teologias que permeiam nossa Era.

E como foi dito e veremos no material é uma análise crítica, o fato de ser uma teologia

não significa que esteja certa, queremos também observar a doutrinas que surgiram ao longo da história e ver como influenciaram as teologias atuais, e como as teologias e teólogos pós-modernos estão influenciando nossa sociedade e como podemos lidar com muitas ameaças que surgiram para derrubar a Verdade, pois o pós-modernismo é uma rejeição a verdade e como crentes precisamos aprender a defender a verdade, pois a verdade é a Palavra de Deus, se a rejeitamos estamos rejeitando o próprio Deus.

Bons estudos!

Índice:

Parte 1: Definições

A.

O que é teologia?

B.

Os Níveis da teologia

C.

O que é teologia contemporânea?

D.

Importância do estudo da teologia contemporânea

Parte 2: Precedentes históricos da teologia contemporânea

1. Período Patrístico I. Dois grandes desafios surgiram durante este período

II. Os Concílios ecumênicos

III. Os credos ecumênicos

2. Idade Média Teólogos influentes na idade média e suas teologias

3. Os períodos da reforma e do pós-reforma

4. Idade moderna até os dias atuais

Diversos Teólogos contemporâneos e suas teologias

Apêndice 1

Apêndice 2

Bibliografia:

Distribuição das notas

Exercícios e um trabalho.

Serão passados exercícios de fixação e um trabalho que valerão nota.

Trabalho 1 (será entregue no dia 14/05/2012):

Escolher um dos teólogos contemporâneos da lista que será passada e fazer um trabalho sobre:

a. A história deste teólogo

b. Uma análise da teologia deste teólogo

c. Quais pontos da teologia dele não é bíblica e o porquê.(sua resposta deve ser fundamentada na Bíblia)

Trabalho 2 (será entregue no último dia de aula):

Criar um sistema bíblico para se defender de cada uma das teologias contemporâneas estudadas em sala.

Leituras:

As Leituras exigidas valerão 15% da nota e as sugeridas valerão pontos extras

a. Exigidas:

Toda a apostila

O Livro Teologia Sistemática Histórica e filosófica

Páginas 37-197

b. Sugerida:

Teremos leituras sugeridas para cada capítulo estudado.

Um livro que auxiliara seus estudos e que terá muitos capítulos nas leituras sugeridas será: Raízes da teologia Contemporânea de Hermisten Maia Pereira da Costa da Editora Cultura Cristã

Avaliações:

As Avaliações valerão uma boa parte dos pontos, nelas será avaliado se você aprendeu ou não o que foi ensinado em sala. Lembre-se o objetivo não é te reprovar, mas sim avaliar o que você aprendeu.

Parte 1: Definições

Leitura sugerida:

a) Introdução do livro: Raízes da teologia

Contemporânea. (páginas 7-16) Leitura exigida:

b) Capítulo 5 do livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica do McGrath (p. 175-197)

A. O que é teologia?

Em termos simples teologia é o estudo de Deus. Podemos abranger um pouco mais definindo a teologia como o estudo de Deus e seus atributos, caráter,

e coisas divinas. A teologia se divide em vários ramos, ou seja áreas de estudos diferentes, veja alguns exemplos:

Teologia BíblicaEsta se organiza cronologicamente, tratando os assuntos Bíblicos na ordem em que aconteceram e não necessariamente na ordem em que foram escritos.

Teologia

SistemáticaNesta

teologia

A

Bíblia

é

estudada

por

temas

e

categorias, como por exemplo: o estudo de Deus, Jesus, Etc.

Teologia Históricaque traça a história e o desenvolvimento da interpretação doutrinária e envolve o estudo da história da igreja. 1

Teologia contemporâneaque definiremos mais para frente.

B. Os Níveis da teologia ou tipos das teologias 2

Além dos ramos da teologia encontramos alguns níveis nos quais ela aparece nas igrejas hoje. Olson define como cinco tipos de teologias, eu preferi o termo nível, pois de fato ela está se referindo a níveis em que a teologia alcança, intelectual ou pragmaticamente, como se fosse uma balança onde é preciso encontrar equilíbrio entre a teoria e a prática. Observe:

1 Boyer (p. 637) 2 Este Tópico foi extraído e adaptado a partir de Iniciação a teologia, Roger Olson

Teologia popular-Crença não refletida baseada na fé cega e tradição. Ignora a busca de um porque, trata o estudo como falta de espiritualidade. (Ex: crença nos Iluminantes ou no satanismo da Coca)

Teologia Leiga-Esta surge quando o cristão começa a questionar o clichês e lendas, e passa a examinar e entender a sua fé. Neste Nível a pessoa começa a fundamentar melhor sua fé. (Participa da EBD, começa a ler uns livros de introdução a teologia e começa a refletir melhor sobre a sua fé)

Teologia ministerialFé refletida por ministros treinados e educadores nas igrejas cristãs, de alguma maneira passaram por centros de formação básica. (pessoas vocacionadas para algum tipo de trabalho e que receberam o devido treinamento, tais como minicursos, palestras, especializações, seminário, etc.)

Teologia profissionalRequer habilidade requer habilidade no conhecimento Bíblico e teológico. E consiste na instrução de leigos e obreiro a ultilizá-la. (O Nome não é pejorativo, se refere aqueles que estão em seminários teológicos instruindo obreiros e ministros. Pessoas com um conhecimento Bíblico adequado para ensinar a outros segundo a sua área)

Teologia acadêmicaaltamente especulativa Filosófica e visa sobretudo outros teólogos, ela peca por nem sempre estar ligada a igreja e pouca relação tem com a vida cristã autentica. ( ela coloca o foco no academicismo e muitas vezes ignora a prática da fé)

Observando os níveis da teologia é possível concluir que há um maior risco nos extremos, pois a Teologia acadêmica se foca muito no conhecimento. O problema é que na maioria dos casos essa se torna uma religião teórica e que não transforma a vida do teólogo, pois deixa de ser espiritual para ser um mero exercício acadêmico (como ilustrado a seguir na figura 1) onde há uma demasiada ênfase na mente. Já a teologia popular é uma fé extremamente emocional e irracional, voltada apenas para a prática com uma forte necessidade de milagres e manifestações sobrenaturais e em alguns casos objetos como amuletos e lenços para a sobrevivência, desconectada de uma reflexão Bíblica aprofundada (como representado na figura 2). Temos que buscar em Deus um equilíbrio, para que nossa teologia seja bem fundamentada e aprofundada nas Escrituras, e ao mesmo tempo prática. O conhecimento adquirido deve nos compelir a

ação, como Tiago afirma a fé sem obras é morta, porém não pode ser uma teologia tão pragmática que trata o estudo como pecado ou falta de espiritualidade.

que trata o estudo como pecado ou falta de espiritualidade. C. O que é teologia contemporânea?

C. O que é teologia contemporânea?

Definição:

“É o Estudo analítico-crítico das manifestações teológicas surgidas após a reforma e, em geral, contrárias ao sistema dela.

Isto não significa que a teologia contemporânea tenha como escopo por exemplo o catolicismo; não, na realidade ela estuda com evidente maior ênfase a “teologia protestante” proveniente da reforma, especialmente, aqueles teólogos e/ou movimentos que seguiram caminhos contráriosainda que parcialmenteao pensamento e ao espírito da Reforma, exercendo um influencia decisivano desenvolvimento teológico, quer “ortodoxo”, quer não.” 3 Hermisten

Sendo assim a teologia contemporânea é uma análise Crítica do desenrolar histórico da teologia especialmente após a reforma protestante.

3 Costa, Hermisten M.P. 1956- Raízes da teologia contemporânea. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004 (p.15)

D. Importância do estudo da teologia contemporânea

Embora a princípio possa parecer uma matéria enfadonha e cansativa, a teologia contemporânea é de grande importância para nosso pensamento teológico como afirma Hermisten ela:

a) Impede a estagnação do estudo da Bíblia;

b) Fomenta o interesse pelo estudo Bíblico e teológico;

c) Esclarece e fortalece as convicções próprias;

d) Areja a mente para encontrar novos elementos da teologia; 4

e) Aumenta a cultura teológica;

f) Faculta o conhecimento dos pontos de vista contrários;

g) Fornece base para combater sistemas contrários à Palavra;

h) Proporciona maior firmeza ao ministro e autoridade naquilo que fala; Como bem observou Roger Nicole: “Não podemos esperar que o nosso próprio ponto de vista seja recomendado se nos mostramos totalmente ignorantes da posição sustentada por outros.

i) Ensina-nos a tirar lições importantes, até mesmo daqueles dos quais discordamos;

j) Desperta-nos muitas vezes, para temas que têm sido negligenciados pelos círculos evangélicos; 5

4 A questão aqui não é abandonarmos o que cremos, mas abrirmos o leque para receber o que é Bíblico e conhecer falsas doutrinas que permeiam o meio teológico.

5 Idem 1 (P. 16)

teologia

contemporânea

É sempre uma atividade difícil periodizar a História da Igreja, sem correr o risco de equivocar-se ou entrar em desacordo com outras análises historiográficas. É como afirma Hermisten: 6 “Quando escrevemos história, devemos ter em mente que é- nos impossível atingir a origem absoluta de todas as coisas, inclusive do nosso

assunto. O que podemos fazer é, quem sabe, uma alusão aqueles fatos e períodos que, por sua fecundidade foram, dentro de nossa perspectiva, de extrema relevância para o tema ou período por nós tratado, sabendo contudo, que estes são decorrentes de outros e outros. A história é composta de fragmentos que interagem e se interpretamQuero aqui fazer um resumo simplificado sem entrar em detalhes de periodização, pois o nosso foco estará em algumas das teologias antigas que deram origem a teologias contemporâneas 7 , sendo assim vamos nos focar um pouco no desenrolar teológico ao longo da história do cristianismo nesta etapa de nossa apostila, como colocado supra cima vamos organizar um pouco dos fragmentos da história da

teologia até chegarmos na teologia contemporânea, este breve histórico da teologia serve para compreendermos melhor as raízes da teologia contemporânea, e assim entendermos os fatores que deram origem a mesma.

Parte

2:

Precedentes

históricos

da

Leitura sugerida:

Os Pais da igreja e a teologia contemporânea. Este material será disponibilizado pelo professor. Leitura exigida:

b) parte 1 do livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica de McGrath vai da página 37 até a 167, entendendo que é uma grande quantidade de leitura, esta poderá ser feita em duas semanas.

1. Período Patrístico

6 Idem 3 (p. 29) 7 Veja o apêndiceele contém gráficos que para auxiliar seus estudos

O período Patrístico 8 leva este nome por se referir a época em que viveram os pais da igreja, também se refere as suas ideias e teologias. Em geral este período se inicia ao fim da era apostólica (100 d. C.) e se estende até o concílio da Calcedônia

(451).

I. Dois grandes desafios surgiram durante este período

A) Eles precisavam combater as heresias que surgiram dentro da Igreja. E na procura por essas respostas a igreja formula suas mais importantes doutrinas, nesta etapa surgem os Apologetas (A natureza de Cristo, a divindade do Espírito Santo, trindade, salvação pela graça, etc.) e também neste período é formulado o Cânon Bíblico.

B) Além da questão das teologias, surgiu outro grande problema, como os cristão iriam lidar com a poesia, a filosofia e a literatura secular, diante da responsabilidade missionária da igreja? Surgiu então um debate sobre o assunto:

1. Para Justino, tudo veio de Deus, Cristo é o meio pelo qual tudo foi criado, logo tudo de bom que há nas culturas seculares pertencem aos cristãos. O problema desta posição é que o Cristianismo era igualado a cultura secular. 2. Tertuliano defendia que o cristianismo era um movimento contracultural, que recusava deixar-se contaminar, de qualquer forma, pelo contexto mental e moral no qual se encontrava arraigado. 9 O problema desta posição é que ela ignorava qualquer herança intelectual da cultura secular, como por exemplo os cristãos não poderiam utilizar recursos da retórica clássica em seus discursos. 3. Um fator que mudou o curso deste discurso foi a união da igreja com o estado em 313 com a conversão de Constantino, se Roma se tornara serva do evangelho, o mesmo não poderia ser feito com sua cultura? 4. Agostinho apresenta uma posição mais equilibrada, para ele os Israelitas que saíram do Egito com Moisés levaram consigo ouro e prata para que pudessem fazer um uso mais apropriado destes recursos, mas não levaram os

8 PatrísticoNormalmente esse termo significa ramo do estudo teológico que trata do estudo dos pais da igreja. McGrath (p 41) 9 McGrath, Alister e.,1953- Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: uma introdução a teologia cristãSão Paulo: Shedd Publicações, 2005. p.51

ídolos feitos de ouro. Da mesma forma a cultura e a filosofia e a cultura do mundo antigo poderiam ser usadas pelos cristãos, nas coisas em que fossem corretas, contribuindo assim com a causa cristã. Quanto a responsabilidade missionária, a igreja precisou articular um novo discurso teológico, formulando novas categorias mais argumentativas. De forma sistemática e com mais clareza em suas exposições. Uma questão que se nota, é que quando o cristianismo se tornou a religião oficial do império 10 , o ímpeto missionário chegou o fim. 11

10 Dois acontecimentos ocorridos neste período merecem destaque: o primeiro deles é o chamado “Edito de Milão”, ocorrido em 313 d.C. Ele vai dar forma àquilo que ficou posteriormente conhecido como a “virada constantiniana”. As perseguições (extremas e impiedosas nos reinados de Domiciano, Décio e Diocleciano) cessaram com Constantino, o qual se converte à fé cristã e eleva esta ao status de “Religio licita”. O Cristianismo passa a ter os mesmos direitos que as demais religiões. Suas propriedades e bens,

anteriormente confiscadas, são devolvidas. Com o “Edito de Ambrósio” em 380 d.C. a religião cristã se torna, mais do que religião permitida entre outras, ela se converte na única religião oficial do Império romano. Se por um lado a Igreja agora tinha todos os meios para evangelizar o mundo, o lado negativo deste período é a perda da vitalidade da fé, uma vez que a adesão à Igreja não se dava mais por meio da fé viva, mas por nascimento ou pertença ao império romano.

II.Os Concílios ecumênicos

No período Patrístico aconteceram concílios que ficaram conhecidos como concílios ecumênicos. Por meio deles deu-se a cristalização da fé cristã nos seus aspectos mais fundamentais. A base do que cremos hoje, foi lançada já neste período.12

Visto a ameaça de Arianismo à divindade de Cristo, em 325 d.C. Constantino convocou um Concílio para a cidade de Nicéia com o intuito de debater sobre a divindade de Cristo. E contra a ameaça ariana a Igreja decidiu-se pela fé na igualdade de substâncias entre o Pai e o Filho, o qual é “Deus de Deus”.

Em 381

d.C.

a

Igreja se reúne em

Importante!!!

Arianismo: Essa Teologia surgiu á partir de um mestre chamado Ário no início do Século IV. E suas Crenças eram basicamente um ataque a divindade de Cristo; Negavam que Jesus era o Deus eterno encarnado; Declaravam que Cristo era um ser criado; Elaborou maneiras de popularizar seu ensino (Ex: Músicas e poesias); Reconhecia que Cristo era mais do que um simples homem, mas era menos que Deus; para Ario Jesus era quase Deus, mas não Deus completamente; doutrina mascarada com palavras que pareciam ortodoxas; Afirmou o Senhorio de Cristo, mas não sua deidade; afirmava que Jesus era o “Filho unigênito” de Deus, para negar sua deidade.

Constantinopla novamente para um Concílio no qual de discutiu sobre a divindade do

Espírito Santo. Em 431 dC em Éfeso o tema conciliar era novamente a divindade de Cristo e sua relação com Maria, sua Mãe. Neste conclave cunhou-se a expressão teológica; “Theotokos”.

Em 451 na cidade de Calcedônia tratou-se em Concílio do tema relacionado às duas naturezas de Cristo. Decidiu que Cristo tem duas naturezas (Divina e humana) em uma única pessoa.

III. Os credos ecumênicos

Durantes os Concílios foram formulados credos que lançaram Bases para a teologia Cristã. Credo e confissão são confundidos, porém são duas coisas distintas:

Confissão se refere ao conjunto de dogmas e ênfases específicas de uma denominação, a confissão é uma declaração denominacional.

Credo em termos gerais se refere a uma declaração que pertence a toda igreja cristã, é uma declaração de crenças que todo cristão é capaz de aceitar e observar, por isso o nome credos ecumênicos, pois pode ser aceito por qualquer pessoa cristã. Por definição ecumenismo é um movimento que visa a unificação das igrejas cristãs 13 , no caso destes credos ainda não haviam tantas denominações, era uma igreja cristã lutando para sobreviver, e esses credos lançaram grande bases para as teologias cristãs hoje, porém a palavra ecumênicojá não é tão bem recebida mais, visto a divergência teológica e falsas doutrinas que surgiram e continua surgindo ao longo da história no meio Cristão. Estão surgindo cada vez mais teologias que têm afetado o cristianismo de forma negativa e gerando mais e mais divisões. Em breve entraremos em algumas destas teologias inclusive o movimento carismático e ecumênico.

2. Idade Média

A idade média (ou medieval) é definida por muitos como o “Idade das trevas”, por ser um período de instabilidade e insegurança. O termo idade Média tem sua origem nos escritores renascentistas para definir o período intermediário “que se instalara entre as glórias da Antiguidade clássica e sua época. Portanto, eles criaram o termo “Idade Média” como referência a uma fase monótona e estagnada, que separava dois períodos importantes e criativos.” 15 A seguir vamos destacar três termos importantes para a compreensão

13 Dicionário aurélio

14 Idem 10 (P. 4) 15 Idem 8 (p. 67)

Importante!!!

“A idade medieval, chamada de escolástica na historiografia eclesiástica, marcou uma época na qual a Igreja, diferentemente do período Patrístico, não tinha mais a grande tarefa de missionar o mundo “pagão”. O continente europeu já se considerava cristianizado. Neste contexto é que surge o conceito de “Cristandade” medieval. A Igreja, por força de sua influência e poder, já não tinha mais interlocutores na sociedade civil. O Papel da Igreja e o conceito de Cristandade se resumiam na seguinte assertiva:

“Roma locuta, causa finita”, isto é: a Igreja de romana (o Papa) falou, não há mais discussão.” 14 Neste período suguem os maiores erros doutrinários da igreja católica.

desta época importantes deste período:

I. Renascimento: Foi um renovação cultural, com um avivamento literário e artístico que aconteceu na sociedade europeia por volta dos séc XIV a XVI 16 . Iniciou-se na Itália e se espalhou por toda a Europa. Uma ênfase neste período foi o retorno ao esplendor da Antiguidade, e uma rejeição as conquistas da idade média. Segundo Hermisten no renascimento: “O homem é o tema e senhor da história; já não esperava fatore divinos; antes, pelo contrário, emprega seu talento pessoal para conseguir realizar seus desejos; já não é mero espectador passivo do universo mas seu agente, lutando para modificar, melhorar e recriar.17

II. Escolasticismo: 18 foi um movimento intelectual deste período. Em geral os escolásticos são conhecidos por debater questões de Teologia e filosofia com muita complexidade ao ponto de surpreender historiadores atuais. Em contra partida, os assuntos discutidos também surpreendem por serem assuntos extremamente triviais. Eles são frequentemente retratados por debater, por exemplo, quantos anjos poderiam dançar juntos na cabeça de um alfinete, este debate em particular nunca aconteceu, mas retrata o tipo de assuntos fúteis que este grupo de acadêmicos perdia o tempo discutindo. Neste período se dá o rompimento com platonismo mediado por Agostinho e a adoção do Aristotelismo. Este movimento enfatizou a justificação racional, bem como a apresentação dessas crenças de forma sistemática19 seguindo o pensamento da época onde o antropocentrismo passa a dominar, os escolásticos colocam uma ênfase demasiada na capacidade mental para de alcançar a salvação. E também não se refere a um sistema exclusivo de crenças, antes se refere a uma forma de separar a teologia por temas. O problema é que o Escolasticismo acabou por se apoiar em temas muito triviais como já foi dito. O Escolasticismo não é um conjunto de doutrinas específicas, mas sim uma abordagem ou um método, logo existiam várias linhas de Escolasticismo.

16 Aqui há uma divergência entre historiadores uns colocam XIV e XV outros colocam XV e XVI, mas como eu falei nossa ênfase não está nas datações, até por que é difícil datar este período.

17 Idem 3 ( p. 67)

18 Segundo Cairns(p.187) termos Escolasticismo e Escolástico tem suas raízes na palavra grega Schole que significa lugar onde se aprendia. 19 Idem 8 (P. 71 )

III. Humanismo: Atualmente, o termo humanismo passou a significar

uma cosmovisão que nega a existência ou a importância de Deu, ou seja, voltada a uma perspectiva exclusivamente secular. Não era esse o significado da palavra na época do renascimento. A maioria dos humanistas daquele período era religiosa e preocupada com a purificação e renovação do cristianismo, não com sua abolição.” 20

O problema é que o humanismo ainda estava no espírito Antropocentrista, é

como Hermisten cita Sachaff: “Humanismo é a colocação do homem no centro de todas as coisas, fazendo-o a medida de todas as coisas” 21 O termo humanismo é muito difícil de ser definido, de acordo com McGrath 22 existiu no passado duas linhas de

interpretação desse movimento predominavam. Para uma o humanismo era um movimento voltado ao estudo de línguas e literatura clássica. De acordo com a segunda

o humanismo foi basicamente um conjunto de ideias que encerrava a nova filosofia do renascimento, ambas as interpretações do humanismo apresentam suas falhas.

O humanismo incorporou a filosofia renascentista, que surgiu em reação ao

Escolasticismo, que era aristotélico. O Humanismo renascentista, sem dúvida, tomou uma parte importante da realidade, todavia, em geral, esqueceu-se da principal e, o mais trágico de tudo, é que o esquecido é Aquele Quem dá sentido a tudo o mais. Deste modo, a valorização do homem tornou-se paradoxalmente a destruição da própria dignidade, como ser essencial que é, resultante da imagem de Deus.” 23

Teólogos influentes na idade média e suas teologias

O espírito da época influenciou na teologia trazendo uma demasiada ênfase na

necessidade de demonstrar a fé de forma racional e na sistematização das doutrinas cristãs. A filosofia foi um recurso valioso para a teologia neste período, ela 1) demonstrava a racionalidade da fé, facilitando assim uma apologia aos críticos não cristão da época e 2) os artigos de fé poderiam ser avaliados sistematicamente de forma

a serem melhor compreendidos. Vamos agora observar alguns teólogos que se destacaram neste período, bem como o desenrolar de suas teologias:

20 Idem 8 (P. 74)

21 Idem 3 (p. 67)

22 Idem 8 (p. 74)

23 Idem 3 (p. 69)

Anselmo de Cantuária- Sua obra mais notável foi “Cur Deus homo?” (Por que Deus se fez homem). Ele desenvolve neste livro de forma racional a “doutrina da satisfação”, segundo a qual, Deus precisou de um sacrifício perfeito para reparar a falta (dívida) dos seres humanos. Isto se deu por meio do sacrifício perfeito do Deus-homem, Jesus Cristo. Segundo Grath: “essa obra exibe características do que há de melhor no Escolasticismo: Apelo a razão, ordenação lógica dos argumentos, investigação incansável acerca das implicações dos conceitos e a convicção fundamental de que, no íntimo o evangelho cristão é racional e pode ser apresentado dessa forma” 24 . Duas frases famosas de Anselmo Fides Quaerens intellectum (A fé em busca do conhecimento),credo ut intellegam (creio para que possa conhecer) demonstram a racionalidade da fé cristã, não é uma fé cega em algo irracional, antes é uma fé que traz o conhecimento! Tomás de Aquino- Sua obra mais famosa é a Summa Theologiae (suma teológica) nesta obra eles expõe de forma detalhada os assuntos fundamentais da teologia cristã, como por exemplo a relação entre fé e a teologia. Sua obra se divide em três partes. A Primeira parte trata essencialmente de Deus. A segunda parte trata da reconciliação da humanidade com Deus. E a terceira parte trata da obra redentora de Cristo para trazer salvação a humanidade. Também seguindo o espírito da época em sua teologia vemos uma apresentação racional e sistemática de seus pensamentos. Duns Scotus- Este é considerado uma das mentes mais brilhantes da idade média, ele era defensor do aristotelismo, defendia também o voluntarismo 25 , ele também defendia a impecabilidade de Maria 26 , Tomás de Aquino defendia que Maria era pecadora como todos nós, porém Scotus Cria que Cristo havia eixado Maria livre da mancha do pecado original. Guilherme de Occam- Também defendia o voluntarismo, mas é sua posição filosófica que lhe traz destaque. Ele insistia que a simplicidade era uma virtude teológica e filosófica ao mesmo tempo. Era como se ele tivesse uma navalha que eliminava todas as hipóteses que não fossem necessariamente

24 Idem 8 (p. 80)

25 Doutrina que defende que a vontade divina tem primazia sobre o intelecto divino.

26 Essa ideia deu origem a Mariolatria: adoração a Maria feita hoje pela igreja católica, que trata Maria como uma co-intercessora, levando nossos pedidos a Cristo que por sua vez os leva a Deus. O que vai contra o que a Bíblia diz em 1 Timóteo 2.5-7.

essenciais, (isso vai contra a teologia escolástica que como já vimos se concentrava em frugalidades). Ele descartou a ideia de “ambiente de graça” que seria algo sobrenatural colocado por Deus na alma humana para que esta pudesse receber a salvação, ele defendia uma justificação mais pessoal, sem a necessidade desse passo intermediário, pois ele o considerava desnecessário e irrelevante. Para ele a salvação ocorria de forma direta, desde que o pecador se convertesse. Erasmo de Roterdã- Ele considerava os leigos escolarizados o recurso mais importante da igreja, por isso seu apelo era direcionado a eles. Em sua obra Enchiridion militis christiani (Manual do Soldado Cristão) ele desenvolvia a ideia nova e atraente que a igreja de sua época poderia ser reformada mediante a um retorno coletivo aos escritos dos patriarcas e da Bíblia. Defende a importância de uma leitura frequente da Bíblia para os leigos, pois com esta a igreja poderia ser reformada e renovada. Esta obra é simples, porém culta, e é prática, sendo mais acessível aos leigos. Em seu livro ele defende que o futuro da igreja estava nas mãos dos leigos e não do clero. Ele também dá uma forte ênfase na “religião interior” trazendo uma compreensão melhor do verdadeiro cristianismo. Um exemplo é que ele se opunha a confissão de pecados a padres. Ele também contribuiu com a produção do primeiro Novo Testamento em grego, o que provocou grandes resultados, pois os teólogos agora tinham acesso ao texto em seu idioma original. Produziu edições confiáveis das obras dos pais da igreja. Até então os teólogos tinham acesso apenas a algumas citações de trechos descontextualizados dos pais da igreja, mas agora tinham obras confiáveis e completas em suas mãos, o que trouxe um grande progresso no avanço teológico. Talvez o maior exemplo seja a teologia Agostiniana causou grande impacto sobre Calvino que estudaremos mais a frente.

Antes de passarmos para o próximo período quero fazer umas considerações aqui. Neste período surgiu um grande interesse na devoção a Maria, devido a teologia de Duns Scotus, surgiu então um grande debate uns defendiam a impecabilidade de Maria, outros defendiam que ela era pecadora como qualquer outro, mas foi agraciada por Deus, a Mariolatria tem início neste período.

3. O período da reforma

Agora passamos para um dos mais importantes períodos para o cristianismo da idade média, que é quando a igreja passa pela reforma tão desejada por Erasmo. Antes de falarmos da reforma quero apenas destacar três homens que prepararam

o caminho para a mesma: John Wiclif, Jon Huss 27 e Savonarola eles são conhecidos

como os precussores da reforma, eles lutaram por uma reforma interna na igreja católica com a reformulação das doutrinas e dogmas da mesma, para que ela se tornasse atenta a sua verdadeira missão neste mundo. Hermisten define a reforma protestante como:

Um movimento eminentemente religioso e teológico (Pelo menos em

sua origem) à insatisfação espiritual de dezenas de pessoasque certamente expressavam o sentimento de milhares de outras anônimasque através dos tempos não encontram na igreja romana espaço para a manifestação da sua fé nem alimento para as suas necessidades espirituais. As insatisfações não visam criar uma nova igreja mas, sim, tornar a existente mais bíblica. Portanto a reforma não deve ser vista como um movimento externo mas, sim, como um movimento interno por parte dos católicospiedososque diga-se de passagem, ao longo dos séculos tinham manifestado sua insatisfação, quer através do misticismo 28 , quer através de uma proposta mais ousadaque desejam reformar a sua igreja, revitalizando-a, transformando-a na igreja dos fiéis.” 29

Os reformadores

Martinho LuteroInfelizmente os percussores da reforma não foram bem sucedidos em sua tentativa de um reforma interna, pois a igreja católica havia se perdido nas trevas, mas no dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero (1483-1546) fixa nos portões da Igreja de Wittenberg suas 95 teses 30 . As teses refutavam a ideia de penitência

e indulgências e destacava a salvação somente pela fé. Este evento é o pontapé inicial

do período da reforma protestante e a causa da expulsão de Lutero da igreja católica.

27 John Huss foi queimado vivo pela igreja católica por causa de suas ideias.

28 Embora a palavra Misticismo possua vários significados, o misticismo aqui tratado é um movimento que visa um contato mais direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação, ou seja é uma circunstancia de experiência ao lado de Deus e não apenas um conhecimento racional.

29 Idem 3 (p. 75-76)

Neste ponto se inicia a reforma externa, antes haviam tentado mudar a igreja católica, mas a única solução seria um cisma. Ele formulou a doutrina mais importante paras os protestantes, a doutrina da justificação pela fé. E também formulou o “tripé” da fé protestante: sola gratia (só a graça), sola fides (só a fé) e sola Scriptura (só as Escrituras). Uma outra contribuição muito importante de Lutero foi a tradução do Novo Testamento para a língua alemã realizada em 1522. João CalvinoApós Lutero, surge o francês João Calvino (1509-1564) como reformador na Suíça, mais especificamente em Genebra. Calvino era um teólogo com extraordinária capacidade de articulação do discurso teológico (nisto ele superou em muito a Lutero). Por conta de sua inteligência ele escreveu as famosas “Institutas da religião Cristã” embora ele seja muito conhecido pela sua doutrina da predestinação e eleição incondicional, que de forma equivocada muitos crentes a tratam como uma obra onde se fala apenas sobre a predestinação, mas predestinação é apenas um dos tópicos das institutas, nelas ele desenvolveu uma teologia sistemática que fundamenta diversas doutrinas que são fundamentais hoje essências para a igreja protestante.

Em resposta a Reforma protestante, veio a chamada Reforma católica ou contrarreforma, surge junto a esse movimento a fundação da Companhia de Jesus (Ordem dos Jesuítas), que, sob a liderança de Inácio de Loyola, tinha a tarefa de reconquistar os territórios perdidos para a Reforma evangélica. Um segundo acontecimento no periodo da contrarreforma católica vê-se no Concílio de Trento (1545-1563), no qual ficaram cristalizadas as doutrinas católicas da justificação e dos sacramentos, entre outros.

Ortodoxia

O termo ortodoxia é uma transliteração 31 da palavra grega òí  que

significa doutrina certa, embora essa palavra não apareça na Bíblia, ela foi comumente usada por diversos autores. 32

Mesmo que os ortodoxos não defendo a detenção exclusiva da verdade, creem professá-la em seu sistema teológico, de acordo com Hermisten a ortodoxia como sistema de pensamento, em qualquer campo ela de baseia nos seguintes pressupostos:

1)

O Homem pode conhecer a verdade.

2)

A verdade é conhecida.

3) O que aquela comunidade ou grupo confessa corresponde a verdade.

Uma vantagem da ortodoxia é que ela traz uma difusão maior do conhecimento. O problema é que, ás vezes há uma grande ênfase na razão, E veremos agora como a ortodoxia influenciou ao protestantismo.

Ortodoxia protestante

A ortodoxia protestante surge no Século 17, período entre a reforma e o

iluminismo. Esse movimento buscou uma sistematização das doutrinas reformadas, foi

uma busca por uma rigidez e exatidão doutrinária.

Dois marcos da ortodoxia protestante:

1) Amplitude: Houve um esforço para preservar a sã doutrina contras heresias. A ideia foi apresentar a sã doutrina da forma mais razoável possível, e assim sistematizaram as doutrinas, em um sistema doutrinário solidamente elaborado, que serviu de manual doutrinário e confessional para a igreja. Sendo assim a ortodoxia protestante defende que a Bíblia é a Palavra de Deus e verdade absoluta.

31 Transliteração é representar os caracteres de uma palavra de um idioma, por caracteres similares, de outro idioma. No caso a palavra ortodoxia tem a mesma pronuncia em grego, apenas foi escrita em letras do nosso alfabeto, similares as do alfabeto grego. 32 Aristóteles usa o vocábulo Ortodoxein dando o sentido de “reta opinião”, Eusébio de Cesaréia 325 d.C usou essa palavra referindo-se a Clemente e Orígenes, como sendo eles os representantes da ortodoxia da igreja. Dionísio, bispo em corinto, convertido por meio da pregação de Paulo em atenas também usa essa palavra no sentido de opinião reta. Fonte: Hermisten (p.234)

2) Simplicidade: Ao mesmo tempo em que queriam apresentar a sã doutrina da forma mais completa possível, eles também precisavam torna-la compreensível a pessoas simples para que estas pudessem se filiar as igrejas e entender o que estas ensinavam. Este movimento entendia a reponsabilidade individual de cada ser humano perante Deus, por isso houve este esforço para que todos conhecesse as doutrinas Bíblicas.

4. Idade moderna até os dias atuais

Compreendendo o pensamento moderno

De acordo com Hermisten: “Os séculos 16 e 17 foram decisivos para o

pensamento contemporâneo, sendo um período(

moderno” 33 por isso vamos observar mais de perto esse período que antecede ao período moderno, pois no período moderno já entramos diretamente no estudo da teologia contemporânea. Teologia moderna não foi fruto de um evento isolado na historia da humanidade, não surgiu a partir de simplesmente um novo conceito, ou por determinada forma de pensar e avaliar a realidade. De acordo com Hermisten 34 a teologia moderna é fruto da evolução histórica permeada por transformações econômicas, filosóficas, religiosas, educacionais e políticas, entre outras 35 , e como todas essas estão entrelaçadas, fica difícil determinar especificamente a principal causa do modernismo, porém podemos entender que todas essas mudanças em conjunto deram origem ao modernismo.

crucial no desenvolvimento

)

A Modernidade

33 Idem 3 (p. 210)

34 Idem ao anterior

35 O documentário da BBC History of the world por Andrew Marrs (episódio 7: Age of Industry) expõe a situação histórica dessa época, a revolução industrial e diversas mudanças em diversas áreas que transformaram o mundo neste período, embora seja um documentário da época ele ajuda a compreender o cenário cultural no surgimento do pensamento moderno.

A modernidade ou o modernismo pode ser definida em termos simples como a “crença de que a verdade existe e o método científico é a única maneira confiável de determinar essa verdade.” 36 A teologia contemporânea começa no fim do período da modernidade, mas antes de entrarmos na teologia contemporânea ainda veremos algumas ideologias que a precederam.

O Iluminismo

A teologia do século XX começou em 1914, mas sua história remete a tempos mais antigos, à época que a precedeu e à qual a mentalidade emergente dessa era respondeu. Portanto, para uma melhor compreensão da teologia do século XX é necessário um contraste com a teologia do século XIX. Como esta última tem seu contexto no Iluminismo, sua análise deve ser feita a partir da Idade da Razão. Luiz Felipe

No Iluminismo, a razão humana substitui a revelação imposta externamente na posição de árbitro da verdade, pois a razão passou a determinar o que vinha a ser a revelação. A máxima de Anselmo foi invertida: “Creio naquilo que posso compreender.” No Iluminismo, a razão humana substitui a revelação imposta externamente na posição de árbitro da verdade, pois a razão passou a determinar o que vinha a ser a revelação. A máxima de Anselmo foi invertida: “Creio naquilo que posso compreender.” Luiz Felipe

Uma outra marca característica do otimismo iluminista diz respeito à visão das capacidades morais humanas. O Iluminismo colocou grande ênfase sobre a moralidade, não sobre o dogma. Ele também declarou que os poderes do raciocínio humano podiam tanto descobrir a lei moral natural escrita dentro de cada pessoa quanto levar à obediência a essa lei. Sem dúvida alguma, esta antropologia otimista se difere muito da antropologia dos reformadores (p.ex.: Depravação total).

A busca pela verdade neste período:

Parte 3: Conhecendo os teólogos e as teologias contemporâneas

Neo-ortodoxia

A neo-ortodoxia se caracterizou pela tentativa dos teólogos de redescobrir o significado para o mundo moderno de certas doutrinas que haviam sido centrais para a antiga ortodoxia cristã, foi uma tentativa de reformar a ortodoxia. Por um lado, os teólogos neo-ortodoxos seguiram o liberalismo mais antigo, vendo o Iluminismo com naturalidade e, assim como seus antecessores, aceitando o criticismo bíblico. Por outro lado, os pensadores mais jovens rejeitavam aquilo que consideravam ser a cultura cristã do liberalismo, que surgiu da ênfase na teologia natural 37 . Eles estavam preocupados com o fato de o liberalismo protestante ter se esforçado tanto para tornar a fé cristã aceitável à mentalidade moderna a ponto de perder o evangelho. A Palavra de Deus a voz do Ser Transcendente não proclamava mais as boas-novas de reconciliação com a humanidade perdida em pecado.

Existem dois extremos na neo-ortodoxia:

a. Visão demitizanteDefendida por Rudolf Bultmann e Shubert Ogden, eles

criam que a bíblia é um livro cheio de mitos a lendas e que para uma pessoa encontrar a palavra de Deus precisa demitizar, tirar os mitos da Bíblia. Para essa visão Bíblia em si mesma não é revelação alguma; é apenas uma expressão primitiva, mitológica, mediante a qual Deus se revela pessoalmente, desde que demitizado da maneira correta.

b. Encontro pessoalDefendida por Karl Barth e Emil Brunner, nutre uma visão

mais ortodoxa das Escrituras. Barth embora defenda que existam imperfeições no registro Bíblico, afirma que a Bíblia é a fonte da revelação de Deus. Afirma ele que Deus nos fala mediante a Bíblia-que ela é o veículo de sua revelação. Brunner afirma que que a revelação de Deus não é proposicional(i.e., feita por meio de palavras). Assim, a Bíblia, como se nos apresenta deixa de ser uma revelação de Deus, passando a ser mero registro da revelação pessoal de Deus aos homens de Deus em eras

37 Essa teologia é uma tentativa de provar a existência de Deus por meios naturais, ou seja, a razão e a experiência.

passadas. Todavia, sempre que o homem moderno se encontra com Deus, mediante as Escrituras Sagradas, a Bíblia torna-se a Palavra de Deus para nós. Em contraposição à visão ortodoxa, para os teólogos neo-ortodoxos a Bíblia não seria um registro inspirado. Antes, é um registro imperfeito, que apesar dessa mesma imperfeição, constitui o testemunho singular da revelação de Deus. Quando Deus surge no registro escrito, de maneira pessoal, a fim de falar ao leitor, a Bíblia nesse momento torna-se a Palavra de Deus para esse leitor. 38 Sendo assim para a neo-ordotoxia a Bíblia só é a Palavra de Deus quando ela pode ser experimentada de alguma forma, ele não é a palavra de Deus em sí, ela se torna a palavra de Deus quando ele fala conosco através dela. (para mais detalhes veja o apêndice 2).

O que cremos sobre a inspiração????

Escritura é inspirada (soprada) por Deus (2 Tm 3.16-17),

de forma

plena e verbal, ou seja, ela é completamente inspirada em todas as suas

partes e em todas as suas palavras com está escrito “Toda a escritura é

inspirada por Deus”, em I Coríntios 2:10-13 Paulo afirma que o que ele

falava não provinha de sabedoria humana, mas sim de palavras ensinada pelo

próprio Espírito, que por sua vez perscruta todas as coisas por ser Deus, e

é este o Espírito que direcionou os escritores ao registrarem a vontade de

Deus em sua Palavra. Que os escritores foram homens Santos que falaram

da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21), ou seja, Espírito

Santo os direcionou enquanto escreviam, para que suas palavras fossem

exatamente o que Deus quisesse registrar, pois a Bíblia é a palavra de

Deus.

38 Geisler p.20

O pós-modernismo

Para estudarmos teologia contemporânea precisamos entender a visão na era em que vivemos, a saber, o pós-modernismo. Até agora observamos de eras passadas já entramos em teologia contemporânea, pois ela começa no modernismo, mas o modernismo também já passou, a era em que vivemos é conhecida como o pós- modernismo.

De modo geral o pós-modernismo é marcado por uma tendência de repudiar qualquer conhecimento seguro e sólido da verdade. O pós-modernismo sugere que, se a verdade objetiva existe, ela não poder ser conhecida de modo objetivo ou com algum grau de certeza; porque (segundo os pós-modernistas) a subjetividade da mente humana torna impossível o conhecimento da verdade objetiva.” 39

A tolerância a qualquer ideologia se tornou o marco do pós-modernismo que se contrapõe a ideia do modernismo de que a verdade pode ser alcançada pelo ser humano por meio do intelecto. O maior dogma da pós-modernidade é a crença de que ninguém pode saber algo com plena certeza. A incerteza é a nova verdade!

Rejeição a proposição

Os

pós

modernistas

rejeitam

a verdade proposicional,

bem

como

a

neo-

ortodoxia,

O Teísmo Aberto

“As ondas gigantes que provocaram a tremenda catástrofe na Ásia no

final de dezembro de 2004 afetaram também os arraiais evangélicos,

levantando

perguntas

acerca

de

Deus,

seu

caráter,

seu

poder,

seu

conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as

pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas a

essas perguntas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações:

Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou

previsto; ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o

futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo

que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento

teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou

teologia da abertura de Deus.“ 40

Essa teologia leva esse nome porque ela é um movimento contra o teísmo fechado, que crê na imutabilidade, onisciência, a justiça e onipotência de Deus. “O nome “Teísmo Aberto” deriva da afirmação de que o próprio Deus está aberto para novas experiências, incluindo a experiência de aprender sobre os eventos progressivos da história do mundo, à medida que se manifestam.” 41 Sendo assim teísmo aberto é uma tentativa de colocar Deus em pé de igualdade com o homem. Deus não sabe o futuro, ele o está construindo com o homem, ele não é onisciente, ele está descobrindo as coisas com o homens, os eventos tudo o que acontece é construído pelo homem e Deus que nada mais é que um simples amigo do homem, o teísmo aberto coloca o home na mesma posição hierárquica que Deus. No Brasil um dos principais defensores do teísmo aberto é Ricardo Gondin, usando o termo teologia relacional, afirmando que é diferente do teismo aberto, mas que no fundo é a mesma teologia. 42 Augutus Nicodemus nos apresenta um resumo dos principais pontos da teologia do teísmo aberto 43 :

40 Campos, Heber C. O TE Í S M O AB E RTO: UM EN S A I O IN T R O D U T Ó R I O. http://www.monergismo.com/textos/presciencia/teismo-aberto_heber.pdf

1.

O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão

subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de

suas criaturas.

2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas

criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou

contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que

isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir

tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao

final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas

decisões.

3.

Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende

com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas

criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são

absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que

decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.

4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois

não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar

diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e

deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e

orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados.

Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele

gostaria.

6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.

Missão integral e teologia da libertação a. Teologia da libertação

A Teologia da Libertação é uma reflexão teológica que tem como proposta o comprometimento político da fé com a realidade histórica sob a perspectiva da luta por libertação das classes subalternas. Desenvolveu-se em um momento histórico-político da realidade latino-americana no qual o tema da revolução era o elemento mobilizador da cultura política da esquerda. Nesta pesquisa, investigou-se a Teologia da Libertação com base na reflexão do teólogo brasileiro Leonardo Boff. Utilizou-se como principais referências de análise três livros seus, escritos entre a segunda metade da década de 1970 e início dos anos 80: Teologia do cativeiro e da libertação de 1976, O caminhar da igreja com os oprimidos de 1980 e Igreja, carisma e poder de 1981. Outros livros de L .Boff, bem como de Clodovis Boff e do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez foram utilizados como material de apoio. A Teologia da Libertação foi analisada como elemento integrante de uma cultura de contraposição à sociedade capitalista. Ao tentar unir a problemática terrena da transição da sociedade capitalista para uma nova sociedade com a temática teológica da libertação, a contraposição de Boff ganhou um caráter progressista, mas na contramão da modernidade. Apoiou-se em teorias sociais: o marxismo e a teoria da dependência, em sua reformulação teológica, visando a conferir eficácia política a fé. No entanto, a sua contraposição ao capitalismo é mediada pelos princípios do cristianismo primitivo e se baseia em uma aliança histórica entre o povo brasileiro e o catolicismo. Esses aspectos conferem a sua reflexão uma dimensão romântica, pois ao racional contrapõe o irracional, ao desencantamento do mundo a religiosidade popular e à sociedade a comunidade. 44

Sob a palavra “libertação”, não está subentendida a obra de Cristo por nós, e sim os ideais do marxismo 45 .A palavra, dentro desse movimento teológico significa:

1)

Libertação política das pessoas e setores socialmente oprimidas.

44 Claudete Gomes Soare, Teologia da libertação no Brasil : aspectos de uma critica politico- teologica a sociedade capitalista, Data de Defesa: 31-08-2000 45 O marxismo é a doutrina derivada das teorias desenvolvidas pelos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Estes dois intelectuais reinterpretaram o idealismo dialéctico de Georg Wilhelm Friedrich Hegel como o materialismo dialéctico e propuseram a criação de uma sociedade sem classes. Aos movimentos políticos fundados na interpretação desta doutrina dá-se-lhes o nome de marxistas. fonte: Conceito de marxismo-O que é, Definição e Significado:http://conceito.de/marxismo#ixzz2UattD4d5

2) Libertação social para melhores condições de vida, uma mudança radical nas estrutura, resultante da criação contínua de uma nova maneira de ser e de uma revolução permanente. 3) Libertação pedagógica para uma consciência crítica através do que o pedagogo brasileiro Paulo Freire chamou de “conscientização”, sendo o cerne dessa conscientização o despertar da consciência das massas miseráveis que vivem a cultura do silêncio, para se interarem da dominação social, política e econômica que lhes é imposta.

Para os teólogos que defendem a teologia da libertação eles ensinam que a igreja tem como propósito a pregação da libertação social dos oprimidos. Da mesma forma que a salvação consiste na libertação da opressão e da injustiça, o pecado se resume apenas em termos de desumanidade humana.

A teologia da libertação e a soteriologia

A salvação, dentro da cosmovisão libertária, se resume em “um processo que

abarca o homem e a história”, e o evangelho, em nossa época, deve ter

uma

transcrição

e

aplicação

política.

O

encontro

com

Deus

é

descrito

como

“o

compromisso com o processo histórico da humanidade”. Essa concepção de salvação

talvez corresponda à ideia judaica de messianismo na época de Cristo, mas pouco

tem

a

ver

com

o

conceito

tal

como

utilizado

por

Jesus

e

por

Paulo.

A

responsabilidade social é um dever do cristão, mas a salvação não se restringe a

essa responsabilidade: salvação significa perdão e cancelamento dos pecados

cometidos contra Deus (Hebreus 9.28, 1João 3.5). Nesse processo de teologia

libertária, a missão da igreja acaba por confundir-se com confrontamento político e

adesão e exposição de ideias sociais, mas a missão do cristão, segundo a Bíblia, é

proclamar que o filho de Deus ressuscitou e tem poder de perdoar pecados. 46

Sua hermenêutica é rejeita que a Bíblia é revelação divina e parte do princípio de que as questões sociais predominam sobre as espirituais, para eles Deus pode ser conhecido por meio da história humana e não por meio da linguagem objetiva ou por um sistema doutrinário.

46 Leonardo Gonçalves, Teologia da Libertação: Uma resposta teológica à crise econômica e social Latino-Americana 7 DE OUTUBRO DE 2009, fonte: teologiacontemporanea.wordpress.com

A teologia da libertação está fundamentada em uma postura na qual a presente práxis histórica se transforma em norma canônica para descobrir a vontade de Deus. Ao refletir algo parecido com a ética situacional, a teologia da libertação não pode escapar das mesmas acusações levantadas contra ela:

moralidade relativista e pragmática. Ela foge totalmente a ortodoxia reformada, e não há nenhuma possibilidade de um crente evangélico sustentá-la sem cair em contradição, isso porque a “Sola Scriptura” não admite nenhum “somado a”, ou “junto com”. 47

Se você observar essa teologia você verá que embora tendo surgindo um pouco

antes do pós-modernismo (décadas de 60-70) ela reflete em muitos aspectos a ideologia pós-modernista, como por exemplo, seu relativismo. Essa teologia é mais um sistema

político do que de fato uma teologia. Agora vamos partir para uma descendente dessa teologia.

b. Missão integral

A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”. Ariovaldo Ramos

Uma Síntese Teológica da Missão Integral A síntese a seguir foi feita por Luiz Felipe Havier e foi retirada do livro Missão Integral. Esse livro é a coleção das palestras dos principais preletores do Congresso Brasileiro de Evangelização II (CBE II), realizado em Belo Horizonte, no fim de 2003. Especialmente, será focada a palestra de Ed René Kivitz. Aqui vamos conhecer um pouco mais sobre o que os teólogos da missão integral ensinam.

A teologia da missão integral oferece uma lente através da qual se lê as

Escrituras em busca de referenciais para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo. 20:21).

1) A soteriologia da missão integral é o domínio de Deus, de direito e de fato, sobre todo o universo criado, por meio daqueles que foram restaurados à imagem de

47 Gonçalves (web)

Jesus Cristo, o primogênito dentre muitos irmãos. A salvação é o reino de Deus em plenitude, onde a vontade de Deus é realizada, concretizada em perfeição. A redenção pessoal é apenas uma parcela do que o Novo Testamento chama de salvação: o novo céu e a nova terra. 2) A eclesiologia da missão integral é o novo homem coletivo. Deus não está salvando pessoas; está restaurando a raça humana. Estar em Cristo é não apenas ser nova criatura, mas também, e principalmente, ser nova humanidade. Não mais ser descendente de Adão, mas de Cristo, o novo homem homem novo. O caos do universo é fruto da rebeldia da raça humana em relação ao Deus Criador. A redenção do universo fazer convergir todas as coisas em Cristo é resultado da reconciliação da raça humana com Deus, pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo a humanidade. No cristianismo, a salvação é pessoal, a peregrinação espiritual é comunitária, e nada, absolutamente nada, é individual. A igreja é a unidade dos redimidos que são transformados de glória em glória, pelo Espírito Santo, até que todos cheguem juntos à estatura de varão perfeito. 3) A missiologia da missão integral é a sinalização histórica do reino de Deus, que será consumado na eternidade. A igreja, corpo de Cristo, é o instrumento prioritário pelo qual Cristo, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século, mas também no vindouro. A missão da igreja é manifestar aqui e agora, na maior densidade possível, o reino de Deus que será consumado ali e além. O convite ao relacionamento pessoal com Deus é apenas uma parcela da missão. A missão integral implica a ação para que Cristo seja Senhor sobre tudo, todos, em todas as dimensões da existência humana. 4) A antropologia da missão integral é a unidade indivisível entre o “pó da terra” e o “fôlego de vida” – as dimensões física e espiritual do ser humano (Gn. 2:7). “Corpo sem alma é defunto; alma sem corpo é fantasma”; “ Cristo não veio só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar”. A ação missiológica e pastoral da igreja afeta a pessoa humana em todas as suas dimensões: bio-psico-sócioespiritual a pessoa inteira em seu contexto; o homem em suas circunstâncias. 5) O kerigma, a evangelização na missão integral é a proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor, seguida da convocação ao arrependimento e à fé, para acesso ao reino de Deus. A oferta de perdão para os pecados pessoais é o início da peregrinação espiritual, porta de entrada para o relacionamento de submissão radical a Jesus Cristo. A

partir disso, a pessoa humana e tudo quanto ela produz passam a servir aos interesses do reino de Deus, existindo e funcionando em alinhamento ao caráter perfeito de Deus. 6) A proposta da missão integral como agenda ministerial para a igreja é mais do que o mix evangelismo pessoal + assistência social esta geralmente funcionando como isca ou argumento evangelístico. O referencial da missão integral para a presença do cristão e da comunidade cristã no mundo é mais do que a construção e multiplicação de igrejas locais, para onde os cristãos se retiram do mundo e passam a exercer funções que viabilizam a igreja, a instituição religiosa, como um fim em si mesmo. A convocação da missão integral é para a rendição ao senhorio de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados

e para o recebimento do dom do Espírito Santo. A partir disso, passa-se a integrar um

corpo, o corpo de Cristo ambiente para a experimentação coletiva dos benefícios da cruz, responsável por transbordar tais benefícios ao mundo, como anúncio profético do novo céu e da nova terra. O caminho missiológico e pastoral da missão integral é afetivo, relacional, em detrimento de ser metodológico, operacional; é comunitário, em detrimento de ser institucional; é devocional, em detrimento de ser gerencial. 7) A igreja é a comunidade da graça, comunidade terapêutica, agência de transformação social, sinal histórico do reino de Deus, instrumentada pelo Espírito Santo, enquanto serve incondicionalmente a Jesus Cristo, Rei dos reis, Senhor dos senhores.

Entendendo melhor Após ler a síntese acima, vamos tentar entender um pouco melhor essa teologia. Por que o nome missão integral? De acordo com Renê Padilla missão integral é uma

missão que inclui tanto a evangelização com o serviço e a ação social. 48 Se você já conversou com um teólogo que defende essa teologia é bem provável que você já ouviu

a expressão: Desenvolver o ser humano como um todo. Isso porque essa sentença é a

suma da teologia da missão integral. A ideia é desenvolver o ser humano em todos os

aspectos. Vamos agora avaliar mais alguns aspectos dessa teologia, a partir de citações de um de seus principais defensores, Padilla:

1) Cada igreja, onde quer que esteja é chamada a participar da missão de Deus Missão que tem um alcance local, um alcance regional e também um alcance

48 C.Renê Padilla, O que é missão integral. Viçosa, MG, Ultimato, 2009. (p. 100)

mundial. 49 Para ele a igreja que não está envolvida em missões nestes três aspecto nada mais é que um clube social. E também ele prega que toda igreja deve estar envolvida em missões, pois todos têm um sacerdócio, logo todos são missionários. 2) Todas as igrejas enviam e todas as igrejas recebem 50 com isso ele está afirmando que todas as igrejas têm algo a ensinar e algo a aprender umas com as outras, com isso essa teologia cai na defesa do ecumenismo, para ele ser Cristão é ser cristão ecumênico é comprometer-se com a construção de um mundo de justiça, paz e integridade da criação. 51 Só será possível alguém realizar missão integral se estiver disposto a abraçara causa de transformar o mundo por meio do ecumenismo, ele ainda ensina que o ecumenismo sem o cristão é um tipo de secularismo, porém o cristão sem o ecumenismo é alguém que ensina uma falsa soteriologia. 3) “O mundo é um campo missionário e cada necessidade humana é uma oportunidade de ação missionária.52 Com isso essa teologia defende que cada cristão e um missionário e a oportunidade de ação missionária está relacionada a ação social, pois para essa teologia a ação social ou a diaconia como definida por muitos, é a forma de se pregar a palavra, sendo assim essa teologia peca em considerar que a ação social substitui a pregação do evangelho. Entendemos a importância da ação social, pois a “fé sem obras é morta”, porém esta não substitui a pregação do evangelho e sim a acompanha, o problema com a missão integral é que muitas vezes acham que a ação social falará por si.

Em conclusão vimos que a missão integral tem esse nome por que visa desenvolver o ser humano como um todo, logo o ser humano deve estar integralmente envolvido com a obra missionária, com a ação social e com outros seres humanos sendo este último impossível sem um ecumenismo. Embora a prática da fé seja importante, ou melhor indispensável para a vida cristã, a mesma não supera a pregação da palavra, assim como a fé sem obras é morta, as obras sem a pregação do evangelho são ações em vão.

49 Idem (p. 18)

50 Idem (p.20)

51 Idem (p. 131)

52 Idem (p. 20)

Teologia Feminista

Esta capítulo será um pouco diferente, vocês concluirão sua prova com um trabalho em grupo. Vocês deverão ler o texto a seguir, avaliar o feminismo e fazer um trabalho em grupo. Todos os alunos devem participar, no fim vocês farão uma apresentação oral com os seguintes pontos:

Breve histórico do feminismo

Explicar o que essa teologia defende

Buscar uma resposta Bíblica ao feminismo teológico

Por que não temos pastoras em nossas igrejas? O texto texto “I Timóteo 2:

9-15 à luz das Escrituras” do Pr. Daniel Gouvêa irá te auxiliar nesta questão.

O texto a seguir foi extraído do site: http://www.bibliapage.com/mulher1.html

ORIGENS DO FEMINISMO CRISTÃO No fim do século passado, um grupo de mulheres cristãs norte-americanas, lideradas por Elizabeth Cady Stanton, começaram a se reunir periodicamente para estudar todas passagens bíblicas onde havia referência à mulher, a fim de relê-las e interpretá-las à luz da nova consciência que a mulher tinha de si mesma. Nesses encontros nasceu a Woman’s Bible, editada em duas partes, respectivamente em 1895 e 1898, uma obra que abalou o mundo protestante americano. A realização desse vasto projeto de revisão e re-interpretação da Bíblia por parte de um grupo de mulheres é o primeiro sinal marcante de uma nova consciência da mulher, que amadureceu também no interior de comunidades cristãs. A idealização da Bíblia da Mulher foi considerado como um fato tanto cultural como eclesial e como ponto de partida de um longo processo, que levaria em torno dos anos sessenta contemporaneamente ao emergir das teologias da libertação à elaboração do projeto de uma “teologia feminista”.

1.1 No campo católico

Fundou-se a “Aliança Internacional Joana D’Arc”, instituída na Grã- Bretanha em 1911. Foi um dos primeiros movimentos no meio católico e propunha- se a “assegurar a igualdade dos homens e das mulheres em todos os campos”. As associadas da Aliança usavam como lema de reconhecimento a fórmula: “Pedi a Deus:

Ela vos ouvirá!” O uso polêmico do feminino “Ela” a propósito de Deus sublinhava que Deus não é nem masculino nem feminino, mas está além das diferenciações sexuais, relativizando assim, pelo menos no plano linguístico, o predomínio do gênero masculino.

1.2 No campo protestante

Verificou-se outro momento importante no período de 1956 a 1965, quando as principais correntes do protestantismo decidiram admitir as mulheres no pastorado, fato que representou uma grande novidade eclesiológica nestas comunidades, com exceção das igrejas livres do Estados Unidos que praticavam a ordenação de mulheres desde

1853.

A Teologia da Mulher

No contexto da vivaz proliferação das teologias do genitivo surgiu, nos anos Cinqüenta, também uma “teologia da mulher”. No ano mariano de 1954, em que se celebrava o centenário da definição do dogma da Imaculada Conceição (1954), um número especial da revista L’Agneau d’Or propôs “o esboço de uma teologia da mulher”, tema que foi retomado nos anos seguintes, por exemplo, na publicação da obra “Elements pour une théologie de la femme” (Rondet) e em “Pour une théologie de la féminité” (Henry). A teologia feminista é decididamente crítica com relação à “teologia da mulher” por causa da sua unilateralidade e de seuandrocentrismo (pensamento centrado em sí própria ou preocupada consigo mesma); com efeito, ela foi elaborada por teólogos (e, além do mais, “clérigos”), que não elaboravam uma correspondente “teologia do homem “, ou “teologia da masculinidade”, além disto, também por força de sua própria origem utilizavam acriticamente representações e esquemas mentais derivados da dominante cultura patriarcal. Karl Barth, foi mais correto, sob o perfil metodológico, quando dedicou uma seção da sua Kirchliche Dogmatik (no vol. III/4, editado em 1951) a uma “antropologia dos sexos”, onde enfrentava o tema antropológico de homem e da mulher, ainda que sua exposição, do ponto de vista do conteúdo, não estivesse isenta de esquemas mentais derivados também da cultura patriarcal.

A Teologia Feminista

Se quisermos utilizar a categoria de “teologia do genitivo” para dar uma primeira definição da teologia feminista, será preciso dizer que ela é, ao contrário da teologia da mulher, uma teologia do genitivo subjetivo, isto é,uma teologia de mulheres é feita pelas

mulheres: “Pela primeira vez, concretamente, as mulheres se tornaram sujeito da própria experiência de fé, da sua formulação e da relativa reflexão, e por isso, sujeito do fazer teologia”, e, somente na dependência deste novo fato cultural e eclesial, a teologia feminista é também uma teologia do genitivo objetivo: mulheres cristãs refletem sobre sua experiência humana e cristã, e experimentam criticamente sua experiência. Desse modo a teologia feminista introduz no círculo hermenêutico o círculo que liga a experiência do passado fixada nos textos da Bíblia e da tradição à experiência atual da mulher a outra metade da humanidade e da Igreja, enriquecendo a experiência de fé, a sua formulação e as suas expressões. A teologia feminista é a teologia de mulheres cristãs que tem a coragem de “fazer viagem rumo à liberdade”; ela não quer ser unilateral, mas reagir com eficácia à unilateralidade da teologia dominante e prática eclesial, e se apresenta como uma contribuição “à dimensão incompleta da teologia”, em vista de uma autêntica “teologia da integralidade”.

O Neo-feminismo

A teologia feminista se constitui e se afirma num confronto crítico com as instâncias

do feminismo moderno. Na história do feminismo que nasce semanticamente não só como termo, mas também como movimento diversamente organizado na primeira metade do século XIX, na França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e se difunde nos outros países do Ocidente é

possível identificar dois estágios:

- o estágio dos movimentos pela emancipação da mulher (até o início dos

anos Sessenta), representavam as várias organizações feministas empenhadas nas lutas pela igualdade dos direitos civis;

- e um estágio posterior ao primeiro (a partir dos anos Sessenta), em que o

feminismo, primeiro nos Estados Unidos e depois no resto da Europa, assumiu a forma de movimentos de “libertação da mulher” (neo-feminismo), que impulsionaram as lutas da teologia feminista, para além da Igualdade. A consciência da mulher experimenta uma profunda transformação e, agora, percebe que lhe é atribuído um papel e um lugar, num mundo que permanece mundo do homem; assim sendo, questiona este mundo masculino e os seus

modelos antropocêntricos e as suas estruturas patriarcais.

O neo-feminismo vai além da emancipação e da igualdade, que contudo continuam

sendo um pressuposto necessário de um vasto processo, que é ao mesmo tempo psicológico, socioeconômico e cultural:

a) Ele comporta uma libertação fundamental e radical das mulheres, que reivindicam

a autonomia como seres humanos: trata-se, pois, de um processo (sócio) psicológico;

b) além disso, ele pressupõe uma lúcida análise dos fatores sociais e econômicos,

que estiveram em jogo na opressão das mulheres: trata-se também de um processo social e

econômico;

c) por fim, ele se revolta contra uma cultura unilateralmente masculina, asssumindo assim também a forma de contra-cultura. A teologia feminista é expressão de mulheres, ao mesmo tempo feministas e cristãs, que compartilham com outras irmãs - num relacionamento ideal e militante que responde pelo nome de irmandade. A nova consciência da mulher e a militância para a emancipação e a libertação da mulher, está empenhada em suas comunidades a uma reflexão de fé. Trata-se, então, de uma forma de “teologia contextualizada”, em que a reflexão teológica não acontece de forma predominantemente acadêmica, mas surge depois, a partir de um determinado contexto de compromisso e de militância. Segue-se que a teologia feminista não tem a sistematicidade da teologia acadêmica; é uma teologia feita por fragmentos, e não uma teologia sistemática e completa; é uma teologia mais narrativa do que argumentativa, na

medida em que não parte de conceitos abstratos, mas do relato participado e compartilhado na escuta, de histórias de experiências, para chegar, a partir daí, à formulação da experiência de Deus. Contudo, ainda que na fragmentariada, a teologia feminista alcançou tal grau de elaboração que se constituiu num relevante fenômeno teológico. A teologia feminista assume a mesma estrutura das teologias da libertação, que se auto-compreendem como “segundo ato”. Uma autêntica teologia cristã é sempre “segundo ato”:

a inteligência teológica pressupõe a fé, uma experiência de fé, uma espiritualidade como primeiro ato. “Uma teologia que não se situe no contexto de uma experiência de fé corre o risco de converter-se numa espécie de metafísica religiosa, numa roda que gira no ar sem mover o carro” (Gustavo Gutiérrez). Por isso: a experiência de fé vem em primeiro ato e a teologia vem em segundo ato.

O ato primeiro é pressuposto de uma experiência de fé contextualizada por um compromisso

exigente (teologia contextualizada); da opção pelos pobres (na teologia latino- americana de libertação), da luta contra o racismo da sociedade branca (na teologia negra da libertação); é uma militância nas lutas de libertação (teologia militante); é uma práxis (termo mais adequado do que prática ou ação) transformadora de torcidas relações de dependência e de dominação. Também a teologia feminista se articula como “segundo ato”, como reflexão que pressupõe como “primeiro ato” um compromisso e uma militância nos movimentos de emancipação e de libertação da mulher. É uma teologia que opera numa constante correlação de ação e reflexão. Letty Russel fala de “teologia da libertação em perspectiva feminista”; Elisabeth Schtissler Florenza apresenta a teologia feminista como “teologia crítica de libertação” para sublinhar, ao mesmo tempo, a função teórica de crítica frente à cultura e à práxis dominante na Igreja e na sociedade, mas também, frente à própria teologia, e conjuntamente o empenho prático, a militância nos movimentos de libertação da mulher.

A teologia feminista não é, pois, uma nova versão, revista e corrigida, da teologia da mulher, porque tem sua origem numa situação cultural e eclesial diferente e trabalha com uma metodologia baseada numa nova relação entre teoria

e prática. Também não se pode falar de uma “teologia feminina”, expressão que aliás não é usada, e que, se fosse usada, serviria apenas para perpetuar estereótipos, que a teologia feminista procura pelo contrário demolir: uma “teologia feminina” exigiria como contrapartida a elaboração de uma “teologia masculina”, ao passo que a teologia feminista se auto- compreende como uma contribuição crítica para uma “teologia da integralidade”. Algumas teólogas e teólogos católicos falam também de uma “teologia ao feminino”, entendendo com esta expressão uma reflexão teológica elaborada por parte de mulheres e/ou a partir de mulheres, na medida em que levanta o tema da “questão feminina”:

trata-se de uma abordagem ainda ligada à abordagem da teologia da mulher, e à qual falta o caráter da militância como “primeiro ato”, que é um dos elementos básicos da teologia da libertação em geral, e da teologia feminista em especial. O termo teologia feminista é comparável, semanticamente, àquele da teologia negra:

como a “teologia negra” é uma teologia da libertação dos negros, assim a teologia feminista é uma teologia da libertação das mulheres, uma reflexão elaborada e praticada por mulheres que militam no movimento de libertação da mulher, e, como tal, se inscreve no vasto e variado espaço das teologias da libertação.

4. PERSPECTIVAS E CORRENTES DA TEOLOGIA FEMINISTA

A teologia feminista não é um bloco unitário: nela é possível identificar uma diversidade de perspectivas e uma variedade de correntes, indicamos apenas três:

4.1 A primeira corrente

Situa-se explicitamente no interior da tradição biblico-cristã e das suas instituições e busca exercitar uma função profética frente à sociedade, mas também e sobretudo frente à Igreja. É a corrente básica da teologia feminista, que realiza plenamente a caracterização geral, que foi dada acima, e as caracterizações temáticas que serão dadas a seguir. Ela compreende, para citar os nomes e as obras mais importantes: nos Estados Unidos, Letty Russell, Rosemary

Radford Ruether, Phyllis Tribel, Elizabeth Schussier Florenza, Nelle Morton, Anne Carr; e na Europa, Karl Elizabeth Borresen, Catharina Helkes, Elisabeth Moltmann-Wendel e Marga Buhrig.

4.2 A segunda corrente

Compreende mulheres, que não se situam mais na corrente da tradição bíblico-cristã, mas se movem num espaço aberto, pós-cristão, em busca de novos caminhos para fazer a experiência de transcendência. Enquanto na primeira corrente o discurso permanece um discurso cristão, na segunda corrente ainda se faz um discurso religioso, que não é mais, pelo menos prevalentemente, cristão. Aqui se colocam Mary Daly, a partir

de Beyond God the Father (1973) e Peggy Ann Way, que teorizou “a autoridade da

possibilidade”: “Estou contente por não encontrar mais nenhuma segurança na Bíblia, na história, nos mitos e nas estruturas. Estou contente com o meu modo atual de compreender, que fundamenta a autoridade do meu ofício nas possibilidades do futuro e numa fé na qual eu experimento tão profundamente que nenhuma criatura poderá separar-me do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8:39), nem a Bíblia nem a história nem os mitos

Uma parte da autoridade do meu ofício está na

possibilidade de libertar a Deus do abuso, que o liga a uma hermenêutica masculina, à história ou à estrutura gramatical”. Quando a mulher decide abandonar o espaço da sociedade sexista e da Igreja patriarcal, ela experimenta uma vida nova, entra num espaço novo. Neste caminho as mulheres

se unem numa liga, que Daly define como “Irmandade”, entendida geralmente como “o estar- junto” das mulheres num caminho de libertação. A irmandade é, antes de tudo, a “comunidade do êxodo” do espaço sexista, e por isso é uma liga “anti-mundo” , enquanto comporta o êxodo do velho mundo sexista; e, também, uma liga “anti-igreja”, enquanto comporta o abandono da Igreja, que é “a tumba das mulheres”. Mas a irmandade não é apenas, em sentido negativo, a comunidade de expatriadas e de exiladas espirituais; é também, de forma positiva, rede noosférica da libertação, comunidade da comunicação, aliança cósmica, enquanto exprime a chegada das mulheres a uma nova harmonia com o ser, com o próprio Eu, com o universo e com Deus como fonte energética do ser e da vida.

nem as estruturas ou a consciência masculina

A HERMENÊUTICA BÍBLICA FEMINISTA

A hermenêutica bíblica feminista comporta um trabalho múltiplo, que exige se dê atenção:

a) aos textos patriarcais, onde o influxo patriarcal chega até ao conteúdo das afirmações

teológicas; a própria teologia do matrimônio em Ef 5,21-23 ´´e expressa em termos de

subordinação da mulher ao homem;

b) à interpretação patriarcal dos textos dada pela tradição eclesiástica;

c) à história da transmissão do texto e das suas traduções; é sabido para dar apenas um

exemplo — que em Rm 16,7 Paulo saúda como “apóstolos” Andronico e Júnias; mas, a partir do

século XIV edições e traduções grafaram Júnios em vez de Júnias, porque não viam como o Novo Testamento podia dar a uma mulher o nome de apóstolos.

1. Pragmatismo

Neste tópico vamos iniciar com a definição de Champlin para pragmatismo:

O termo Pragmatismo deriva-se do termo grego prâgma=coisa, fato,

Sua forma verbal é Prassein= realizar. O pragmatismo ensina que

pensamentos, ideias e ações só têm valor em termos de consequências práticas. Dentro desse sistema filosófico, não há nenhum conjunto fixo teórico

de valores. Antes, todos os valores são testados quanto às suas consequências

práticas. As ideias devem ter valor monetário. Qualquer ideia é considerada inútil, a menos que tenha o poder de atuar sobre as coisas ou de modificá-las. Aquilo que é prático. Provê o seu próprio valor; mas, se for deixado como uma teoria, será meramente uma curiosidade. A verdade não é fixa e nem imutável. Pelo contrário, a verdade é determinada por aquilo que é prático e funcional.

As consequências práticas são o teste da veracidade de qualquer ideia. Usualmente, o pragmatismo é relativista. A minha verdade não é, necessariamente, a verdade de outrem; o Que funciona no meu caso, não é o que menciona, necessariamente, no caso de outrem. O pragmatismo, pois, é utilitarista. O pragmatismo, como um sistema filosófico, tem sido uma contribuição

norte-americana para a filosofia, o que ocorreu nos fins do século XIX e no século XX. Mas, conforme disse William James, um dos principais expositores desse sistema: (O pragmatismo) é um novo nome para certas maneiras antigas

de pensar. Essa palavra tomou-se urna espécie de termo generalizado para

referir-se a várias teorias sobre significação, verdade, conhecimento, método. intelectual e ética. Comum a todas essas teorias é a ênfase sobre o caráter evolutivo e mutável da. Realidade, a incerteza do conhecimento teórico e a relevância do conhecimento em situações práticas, a necessidade de submeter

a teste ideias e atos, mediante aquilo que eles produzem, a natureza

instrumental das ideias. Os homens agem a fim de encontrar soluções para situações problemáticas e as soluções assim encontradas podem ser chamadas de verdade: mas nenhuma chamada verdade é algo rígido e eterno. Os

matéria

filósofos pragmáticos minimizam a distinção entre o pensamento e a prática. O próprio ato de pensar é um modo de realizar, e pensar bem é realizar bem". 53

Se observarmos detalhadamente a história da igreja vamos ver que as teologias que surgiam sempre refletiam de alguma forma a visão cultural de sua época, e nos pós modernismo não é diferente, a primeira teologia contemporânea que vamos estudar é o pragmatismo. Que nada mais é a tolerância a tudo e a todos do pós-modernismo refletida na teologia. Infelizmente os teólogos pós-modernos estão dispostos a abraçar tudo o que lhes é apresentado em nome da tolerância. O pós-modernismo prega tolerância e o pragmatismo a abraça. Como exposto por Champlin o pragmatismo atual revive do empirismo, e vai mais além sendo uma expressão liberal da teologia. A ideia central do pragmatismo é que se algo funciona, deve ser trazido para a igreja, com o fim de atrair pessoas, e isso é feito ignorando princípios bíblicos sobre adoração, prática e métodos evangelísticos. ele abandonam os princípios bíblicos para abraçar a pratica.

53 CHAMPLIN, Russell Norman: Encicolpédia de Bíblia, teologia e filosofia. Volume 5. Editora hagnos

A cabana

Um reflexo da teologia pós moderna

Um livro que é um best seller e que é muito lido no meio evangélico e difunde essas ideias é o

famoso: A cabana de William P. Young 54 . Neste livro Jesus é um homem estilo

Leitura exigida: A Cabana - Abrigo para a Alma ou Barraco Teológico? por Dr. Carlos Osvaldo Cardoso Pinto

jardineiro usando um macacão, Deus é uma senhora afro descendente, e o Espírito Santo é uma asiática. O autor embora afirme não tratar de questões teológicas no seu livro, ele indubitavelmente entre em questões teológicas, como uma pessoa tenta escrever um livro sobre Deus que não seja teológico, Teologia não é o estudo de Deus? O autor tenta pintar um quadro de que Deus não é aquele ser tão superior como pensamos, ele é tão amigo que para nos relacionarmos com ele precisamos quebrar esses dogmas de reverencia e formalidade, Em um determinado momento do livro Deus pai entra na casa dançando funk americano (um absurdo!). O autor falha ao criar uma imagem para cada pessoa da trindade, e mais em um dado momento Deus pai (ou melhor dizendo uma mulher) lhe mostra suas cicatrizes da cruz, isso torna tudo muito confuso e dá abertura a crença de que ambas as pessoas da trindade sofreram na cruz. Ele também se mostra universalista, em dados momentos ele passa a ideia de que não haverá sofrimento eterno e ele tenta passar a ideia de que Deus é muito bom, ignorando os princípios da justiça de Deus, e acaba por deixar subentendido que no fim todos serão de alguma forma salvos. Muitos crentes estão lendo este livro e o considerando uma benção, já vi vários cristão afirmando que é uma das maiores obras cristãs que já leram, por que será que este livro é tão aceito? A resposta é simples, refletindo o pensamento pós-moderno o autor está interessado em quebrar paradigmas fundamentados na Bíblia e inserir uma visão deturpada de Deus, que visa alisar o ego das pessoas que leem o livro, passando a ideia de que você pode continuar como está Deus é bom e vai salvar você mesmo assim, é isso o que o pós-modernismo defende, continue do jeito que você está, pois a verdade é relativa. Infelizmente muitos crentes estão sendo enredados por essa obra que sutilmente

54 Esse autor também é adepto do universalismo cristão, crença de que independente do que a pessoa faça no fim todos serão salvos.

fere os princípios Bíblicos. Agora Faça a Leitura exigida: A Cabana - Abrigo para a Alma ou Barraco Teológico? E responda as questões proposta a seguir:

Exercício Após ler os textos que falam sobre a cabana anote os erros doutrinários que você viu nesta obra:

Quais são os princípios Bíblicos que esses erros ferem?

A Igreja emergente

DEFINIÇÃO

Por ser um movimento característico da pós-modernidade, a igreja emergente é difícil de ser definida e alguns autores até mesmo hesitam em dizer que ela pode ser caracterizada como um movimento. Os próprios envolvidos preferem se caracterizar como uma “conversação” emergente. Há que se lembrar que o pós- modernismo é caracterizado pela negação da possibilidade de qualquer metanarrativa abrangente. No ambiente pós-moderno o pluralismo relativista domina o cenário das ideias, negando a possibilidade de um único caminho, a possibilidade de regras fixas. As características de fluidez, imprecisão e falta de um padrão que possa abranger todas as comunidades que se reconhecem como emergentes tornam a tarefa da definição ainda mais difícil. Por outro lado, é impossível deixar de observar que um número cada vez maior de comunidades com origens dentro do cristianismo chamam a si mesmas de emergentes. Seguindo a tese de Carson – “sempre que surge um movimento cristão que se apresenta como reformista ele não deve ser sumariamente descartado”, faz-se necessário um esforço na busca de compreender o que caracteriza de fato esses movimentos emergentes.

Teologia da properidade

Pentecostalismo

Leitura sugerida:

Leitura exigida:

Entrevista sobre Cessacionismo e Continuismo

Apêndice 1

Gráficos da cronológica da história do Cristianismo

Estes gráficos foram extraídos da Bíblia Ilúmina e inseridos nesta apostila com a função de auxiliar os alunos a se situarem melhor historicamente, neles encontramos alguns dos teólogos e acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, ele complementa a parte 2 de nossa apostila os: Precedentes históricos da teologia contemporânea. Estes gráficos são complementos para que você possa se situar em que ponto da história você está ao estudar determinado teólogo ou acontecimento relacionado ao cristianismo.

Eles servem como complemento para traçarmos uma linha cronológica até a teologia contemporânea, assim passamos pelas teologias que surgiram ao longo da história que deram origem a mesma.

Do ano 100 ao 312

assim passamos pelas teologias que surgiram ao longo da história que deram origem a mesma. Do

De 312 a 800

De 312 a 800 De 800 a 1517

De 800 a 1517

De 312 a 800 De 800 a 1517

De 1517 a 1648

De 1517 a 1648 De 1648 a 1789

De 1648 a 1789

De 1517 a 1648 De 1648 a 1789

De 1789 a 1914

De 1789 a 1914 De 1914 a 2003

De 1914 a 2003

De 1789 a 1914 De 1914 a 2003

Apêndice 2

Apêndice extraído a apostila de teologia contemporânea do instituto metodista isabela Hendrix

Neo-ortodoxia de Barth, A Palavra de Deus e a Bíblia Aqui, uma pergunta se faz necessária: Qual a fonte da teologia cristã para Barth? Para Barth, a única fonte de teologia cristã é a Palavra de Deus.

Entretanto, essa Palavra consiste em três formas ou modos:

1) Jesus Cristo e toda a história dos atos de Deus que levaram até a vida de Jesus e estão relacionados a ela, bem como a sua morte e ressurreição. Essa é a própria revelação, o evangelho em si; 2) As Escrituras, a testemunha privilegiada de toda a revelação divina; 3) A proclamação do evangelho através da igreja. Obs. As duas últimas formas são Palavra de Deus apenas num sentido instrumental, pois tornam-se Palavra de Deus quando Deus as utiliza para revelar Jesus Cristo. Conseqüentemente, a Bíblia não é a Palavra de Deus numa forma estática. A Palavra de Deus tem sempre um caráter de acontecimento; de certa maneira é o próprio Deus revelando o seu agir. A Bíblia torna-se Palavra de Deus em um acontecimento: “A Bíblia é a Palavra de Deus à medida que Deus faz com que ela seja sua Palavra, à medida que Ele fala através dela” (Karl Barth, Church Dogmatics I/1, 109).

Críticas e controvérsias:

a) de um lado, os liberais o acusavam de elevar a Bíblia a uma posição especial que quase a igualava à doutrina tradicional da inspiração verbal, removendo-a, desta forma, de uma perspectiva histórico-crítica; b) Do outro, os conservadores atacavam a forma como Barth subordinava as Escrituras a uma revelação indeterminada e como negava explicitamente a sua infalibilidade, sendo que alguns chegaram a rotular sua teologia de “novo modernismo”.

Nenhuma destas críticas tocaram o cerne da questão. a) por um lado, Barth, de fato, negava a posição dada às Escrituras pela ortodoxia clássica. Ele fazia distinção entre Bíblia e Palavra de Deus, afirmando que, “aquilo que temos na Bíblia é, de qualquer maneira, uma série de tentativas humanas de se repitir e reproduzir essa Palavra de Deus em palavras e pensamentos humanos e em situações humanas específicas” (Karl Barth, Church Dogmatics I/1,

113).

b) Por outro lado, Barth advertia seriamente contra o perigo de se concluir que a inspiração divina das Escrituras sua posição especial como testemunha privilegiada de Jesus Cristo é meramente um julgamento humano. Ele afirmava que sua inspiração não é uma questão de quanto valor se dá a elas ou como se sente em relação a elas.

Inspiração Não é a fé que faz da Bíblia a Palavra de Deus. Mas não há melhor maneira de proteger a objetividade da verdade de que ela é a Palavra de Deus do que insistindo que ela exige e ao mesmo tempo fundamenta a fé. Se isso é vero, pudesse compreender a inspiração da Bíblia como uma decisão divina que é tomada continuamente na vida da igreja e de seus membros.

Autoridade Bíblica Para Barth, a Bíblia é a Palavra de Deus, pois sempre de novo, independente de qualquer decisão ou iniciativa humana, Deus a usa para realizar o milagre da fé em Jesus. A atitude apropriada da igreja em relação às Escrituras deve ser de obediência e submissão, pois a única autoridade acima delas é o próprio Cristo. Além disso, a Bíblia tem autoridade sobre a igreja pois “é um registro

aliás, historicamente é o mais antigo registro contínuo da origem e, portanto,

das bases e da natureza da Igreja (

Assim, as Sagradas Escrituras têm

sempre uma autoridade única e singular sobre a Igreja” (Karl Barth, Church Dogmatics I/2, 540).

Logo, fica evidênte que Barth tinha a mais alta consideração pela Bíblia, colocando-a sobre todas as autoridades humanas e, ao mesmo tempo,

)

subordinando-a a Jesus. Na Dogmática da Igreja ele a tratou como se fosse verbalmente inspirada e doutrinariamente infalível. Ele nunca apelou para outra autoridade além das Escrituras ou superior a elas. Muito pelo contrário, ele afirmou que, sob Cristo e em completo acordo com ele, é essencial para a fé cristã considerar que: “No fim, o que conta é saber se determinado dogma encontra-se nas Escrituras” (Karl Barth, Church Dogmatics I/1, 287).

Bibliografia:

Bíblia Almeida. ARA, SBB.

Costa, Hermisten M.P. 1956- Raízes da teologia contemporânea. São Paulo: Editora

Cultura Cristã, 2004 (p.15)

McGrath, Alister e.,1953- Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: uma

introdução a teologia cristãSão Paulo: Shedd Publicações, 2005.

Boyer, Orlando 1983- Pequena Enciclopédia BíblicaSão Paulo: Editora Vida

2006.

Cairns, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: Uma história da igreja

cristã2ª EdSão Paulo: Vida Nova, 1995.

MacArthur, John- A Guerra pela VerdadeSão Paulo, Ed. Fiel, 2008

CHAMPLIN, Russell Norman: Encicolpédia de Bíblia, teologia e filosofia. Editora

hagnos (diversos volumes)

Sites:

Videos

O documentário da BBC History of the world por Andrew Marrs

0&index=5 (A reforma protestante Parte 1)

&index=6 (A reforma protestante Parte 2)

https://www.youtube.com/watch?v=SUEX48MB6nE (Devocional com o Pastor Maurício Abreu sobre teologias conteporâneas, realizada no dia 20/09/2011 no Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini.)

Programas:

Ilúmina gold

Bible Works 8