PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA

Eduardo Alberto Braier

PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA .

Tradução IPEPLAN

Martins Fontes
São Paulo 2008

Esta obra foi publicada originalmente em espanhol com o titulo PSICOTER APIA BREVE DE ORIENTACIÓN PS/CO ANALÍTICA por Ediciones Nueva Visiõn, Buenos Aires, rm I9&4. Copyright © Ediciones Nueva Vision SAIC, Buenos Aifes. 1984 Copyright © 1986. Livraria Martins Fontes Editora Ltda.. São Paulo, paia a presente edição I* edição 1986 4* edição -TO Coordenação da tradução Mana Risoleta de Oliveira Marcondes Revisão da tradução Maria Esteia Heider Cavalheiro Revisões gráficas Eloisa da Silva Aragão Ivete Batista diu Santos IHnarte Zorzanelh da Silva Produção gráfica Geraldo Alves Pagirmçáo/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados Internacionais de Catalogação na Puhlicaçao (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP. Brasil) lírnicr, Eduardo Alberto Psiwterapia breve de orientação psican.il itica / Eduardo Alberto Britiet : iraduçAn IPEPLAN. - S3o Paulo : Martins Fontes. 2008. (Psicologia c pedagogia) Titulo original: Psicoterapia breve de orienlación psicoanalítica. Bibliografia. ISBN *J7K-85-336-2407'8 I INicnntilisc 2. Psicoterapia breve I. Titulo. II. Série. 07 UHM ____________________________________ CDD-618.8917 Indices para catálogo sistemático: I Psicanálise : Medicina 618.8917

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Resenha histórico-bibliográfica 9 A psicoterapia breve na A rgentina 12 Referências bibliográficas 13 3. Fundamentos teóricos 15 Introdução 15 Pelos caminhos da psicanálise 16 A psicoterapia individual breve de orientação psicanalitica Os fins terapêuticos 18 A temporalidade 21 A técnica 21 Resultados e mecanismos terapêuticos 49 Referências bibliográficas 56 . Introdução 3 Referências bibliográficas 7 2.Indice | Prefácio à edição brasileira XV por Maurício Knobel Prefácio 1 1.

Fixação das demais normas contratuais 76 Referências bibliográficas 77 5. O tratamento 83 Introdução 83 A relação paciente-terapeuta no tratamento breve 84 1Ima regra básica defuncionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalitica 89 O emprego constante do método da associação livre ("regrafundamental ”da psicanálise) nos tratamentos breves 90 Adoção de uma regra básica defuncionamento para psicoterapias breves 93 t lso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves 93 ( 'onformação definitiva de uma regra de funi ionamen to para psicoterapias breves 95 I í/ i-/ <v. Entrevistas preliminares 63 Introdução 63 0 estabelecimento da relação terapêutica 63 A história clínica 65 Avaliação diagnostica e prognostica 65 Avaliação diagnostica 65 » Papel do psicodiagnóstico 69 Avaliação prognostica 70 A devolução diagnóstico-prognóstica 71 Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento 73 Explicitação do método de trabalho. Planejamento do tratamento 79 Referências bibliográficas 81 6.TÉCNICA 4.vo» sobn' afocalização e a atenção do terapeuta 95 t i*-nu7j/í>\ psiioterapêuticos verbais 99 <ieneralidades 99 .

Uma sessão de psicoterapia breve 129 A sessão 136 * Comentários sobre a sessão 141 Referências bibliográficas 148 8.As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica 100 Outras intervenções verbais 117 Sobre as sessões 118 Outros recursos terapêuticos 119 O emprego depsicofármacos 120 A participação defamiliares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento 121 Referências bibliográficas 125 7. Dificuldades do terapeuta para a formação . A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 165 Introdução 165 Reações causadas no paciente pela separação 166 Reações causadas no terapeuta pela separação 170 Aspectos técnicos 171 .prática e investigação em psicoterapias breves 149 Introdução 149 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve 151 'Psicoterapiabreve 'versus'psicanálise” 151 Na intimidade da relação terapeuta-paciente 152 Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve 159 Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve 159 Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação terapêutica 160 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Conclusões 162 Referências bibliográficas 163 9.

Indicações da psicoterapia breve 207 Referências bibliográficas 211 13.Conclusões 174 Referências bibliográficas 175 10. Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve 177 Referências bibliográficas 182 11. Aprofundamento nofoco 229 Motivos da consulta 230 Dados biográficos de interesse 231 Avaliação diagnostica 232 . A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve 185 Introdução 185 Um método de avaliação 186 A avaliação imediata 187 Alternativas do paciente ao terminar o tratamento 194 A avaliação mediata 196 Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos 200 Referências bibliográficas 204 12. Dos tratamentos breves 213 Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados 213 Dados biográficos de interesse (resumo) 214 Avaliação diagnostica 215 A hipótese psicodinámica inicial 216 As metas terapêuticas 219 Prognóstico 220 Planificação do tratamento 220 Evolução durante o tratamento 223 Avaliação dos resultados terapêuticos 225 Considerações finais 228 O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras.

Conflitivafocal 232 Metas terapêuticas 233 Prognóstico 233 Planificação do tratamento 234 Evolução durante o tratamento 235 Avaliação dos resultados terapêuticos 241 Consideraçõesfinais 245 Referências bibliográficas 249 14.Hipótesepsicodinâmica inicial. Formação de terapeutas em psicoterapia breve 251 Introdução 251 Aprendizagem teórica 252 < Treinamento psicoterapêutico 253 Supervisão clínica 254 Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves 254 Referências bibliográficas 263 Notas 265 .

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.“Defrontamo-nos então com o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições.” Sigmund Freud. Os caminhos da terapia psicanalitica (1919).

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E isso não apenas no devaneio intelectual. sem te­ rem acesso a uma técnica complexa. Eduardo A. Como participante das investigações sobre psicoterapias bre­ ves do Colégio Acta. Conhece e reconhece a Psicoterapia Breve e resolve elaborar. mas na confrontação do dia-a-dia com o paciente que procura ajuda nos hospitais e centros de saúde. demorada e elitista. infelizmente. através do próprio exercício clínico. a precisão dos conceitos. que recebeu a formação rigorosa do Instituto de Psicanálise da Associação Psicanalítica Argentina.Prefácio à edição brasileira í Apresentar ao leitor a edição brasileira do livro de Braier é uma honra e um prazer. . São poucos. a elaboração cuidadosa das técnicas ao longo desses anos bem como a organização e clareza com que são agora apresentados. de 1967. Braier procurou oferecer uma contribuição concreta para aqueles que buscam ajuda para os problemas emocionais. os que conseguem associar o rigor da prática psicanalítica a uma consciência social e comunitária. Braier é um psicanalista argentino. É também sentir que estamos contribuin­ do para o esforço atual para tomar a psicoterapia acessível a uma ampla camada da população que necessita desta modalidade de atendimento. posso constatar o amadurecimento das idéias. uma teoria da técnica para a sua prática.

O livro traz muitas respostas e sua contribuição didática é inquestionável. rigidamente psicanalitica. Inicia com o estudo das entrevistas preli­ minares e. privilegiando di­ versas e diferentes hipóteses. Braier é o psicanalista cauteloso unido ao terapeuta audacioso. No estudo sobre “O Tratamento”.XVI Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Os fundamentos teóricos de Braier têm origem na psicanáli­ se. O capítulo cinco. veículo de uma proposta con­ creta e acessível. De aluno fiel converte-se em mestre generoso e nos oferece esta contribui­ ção. Como bom discípulo de Freud. merece especial destaque a afirmação de que é necessária uma ampla e minuciosa avaliação diagnostica. Não disfarça as dificuldades que existem para a formação de quem pretende se iniciar na práti­ ca desta modalidade psicoterapêutica e reconhece seus problemas técnicos e riscos. a meu ver. Os difíceis temas da avaliação e das indicações são aborda­ dos em capítulos separados e de grande valor para a pesquisa. depois de uma revisão minuciosa dos conceitos de Malan c da terapia focal. . aceita o desafio do mestre e procura “adaptar nossa técnica às nossas condições”. o autor parece não ter esquecido nenhum daqueles detalhes que respondem às muitas perguntas que constantemente nos fazem os alunos e os estudiosos da técnica. sem a qual será difícil iniciar um processo psicoterapêutico. A linguagem é. sobre “Planejamento do tratamento”. Aceita a possível utilização de recursos terapêuticos múlti­ plos e afirma que ninguém é dono da verdade. A sua técnica criteriosamente elaborada é apresentada com metodologia. esta modalidade de terapia que resulta de uma cuidadosa ava­ liação da técnica psicanalitica. principalmente dentro da área psicanalítica. por momentos. A apresentação detalhada de um caso clínico é uma ilustra­ ção de grande valor didático e um estímulo para o aprendizado e a compreensão da proposta do autor. hstuda minuciosa e cuidadosamente os princípios clássicos e a prática da psicanálise c compara-os com a sua prqpria experiên­ cia neste campo relativamente novo da psicoterapia. mas reflete sempre uma compreensão dinâmica do processo terapêutico. com os pés no chão e voltado para o futuro. é extremamente rico pelos conceitos que traz.

aqui apresentada de modo abrangente. do ponto de vista psicanalítico. Considero necessário parabenizar a. Não existe pesquisa em psicanálise sem assistência a quem procura este contato único e absolutamen­ te singular. j Braier consegue aqui abrir nossos olhos a uma realidade. só válido na sua microcultura de origem. mas deve ser uma possibilidade aberta para muitos. além de seu valor didático. em nossa sociedade. ofe­ recer a teoria de uma técnica compreensível dentro do campo psicanalítico e mostrar que a psicoterapia não é necessariamente o privilégio de uma classe social. perfeitamente aplicável em nossa cultura. Campinas. academicista e. Não se trata de um “transplante artificial”. O modelo de “ficha clínica para psicoterapias breves” que encerra o livro é um guia útil para quem procura sistematizar estes estudos.empresa editora pela seleçào desta obra. teórico. e sim de uma ampla e imparcial obra teórico-técnica. junho de 1986. que. é um importante auxiliar clínico. A polêmica sobre “investigação” da personalidade ou seu “tratamento” é estéril. uma atitude resistencial. . O país e os leitores de língua portuguesa vão se beneficiar com esta obra.Prefácio à edição brasileira _ ____ _____________________ _____________________________ Os exemplos clínicos ajudam o leitor a entender e a familiarizar-se com esta técnica tão concisa. prático e de pesquisa. PROE DR. mostra também que este mundo conflitante necessita cada vez mais de especialistas com conhecimentos sérios e profunda sensibilidade áocial. MAURÍCIO KNOBEL Professor Titular de Psiquiatria Clínica da FCM da UN1CAMP Professor Titular de Processos Psicoterápicos do Dept? de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC Campinas. Este trabalho é uma mostra do quanto se pode fazer quando existe compreensão humana do ser humano e não uma escondida fobia ao contato interpessoal criativo e enriquecedor da alma.

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instituições e em nível privado e. No trabalho hospitalar. o enorme enriquecimento que me proporcionou a formação na Associação Psicanalítica Argentina.Prefácio Meu interesse pela psieoterapia breve nasceu em meus anos de residente em Psiquiatria (1968-71). que me proporcionou uma experiência clínica de um ano na investigação de terapias breves. Todos esses fatos me animaram. Desde então. depois. sempre partindo do corpo teórico-psicanalítico. finalmente. Minha práti­ ca em tais técnicas. mais recentemente. inclui uma passagem de aproximadamente 2 anos pelo CEMEP (Centro dc Psicologia Médica). A isto se somou o poderoso estímulo que significou o intercâmbio científico com colegas. o trabalho docente que venho exercendo sobre o assunto em hospitais. como terapeuta da instituição (1972-73). Isso motivou minha apresentaçãb a concurso para obter uma bolsa municipal que era oferecida pela Secretaria de Saúde Pública de Buenos Aires. no serviço de mesmo nome no Hospital Ramos Mejía. primeiro no Serviço de Psicopatologia do Hospital Pinero e. a empreender a ár­ dua tarefa de escrever este livro. no segundo dos servi­ ços citados (1971-72). Minha intenção é de nele expor | 9 «> . além da exercida em consultório particular. e concomitantemente à mi­ nha dedicação a terapias prolongadas. defron­ tei-me com o problema ocasionado pela necessidade de propor­ cionar assistência psiquiátrica a grandes massas da população. não abandonaria mais o estudo e a investigação das técnicas de objetivos e tempos limita­ dos.

Isaías Finkelstein. motivando alguns desenvolvimentos. Blanca R. os tipos de atenção do terapeuta. Claudia H. o término do tratamento. Luiz Allegro. Montevecchio. Aos colegas membros dos diferentes grupos de estudo por mim coordenados. complementadas por uma revisão crítica. Alejandro Puente. Fiorini. certos pontos despertaram em mim um interesse maior que outros. Ao Sr. que realizou um leitura crítica dos ori­ ginais e. assim como ao Dr. À Dra.2 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica com clareza principalmente as experiências e idéias pessoais que venho acumulando até o momento. as difi­ culdades do terapeuta para a formação. Como sempre ocorre. Mónica Noseda. que supervisionou os trata­ mentos breves que efetuei durante minha investigação no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal J. principalmente os seguintes: doutores Víctor Feder. Marcos Guites. que leu o capítulo 13. Ao Dr. da bibliografia existente sobre o tema. Moisés Kijak e a Elisabeth G. M. a quem coube a enorme tarefa. pelo generoso estímulo e pelas su­ gestões que pessoalmente me ofereceu durante anos de frutíferas discussões sobre as psicoterapias. Alba Brengio. agosto de 1980. além disso. Brener. Ifim Kantor. Entre eles se encontram: os fundamentos teóricos. especialmente: Ao Dr. Quero expressar meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que de uma maneira ou de outra me ajudaram nesse em­ preendimento. EDUARDO A. Ricardo Frigerio. me incentivou constantemente. De Zanoto. a prática e a investigação em psicoterapias breves. De Garma. a regra de fun­ cionamento do paciente. Iléctor J. Boa parte de meu entusiasmo pelo tema deve-se à leitura de seus excelentes trabalhos. Ao Dr. que de nenhum modo pretende ser completa. Silvia S. Delia Saffoires. realizada com carinho e esmero. Buenos Aires. de transcrever meus ilegíveis manuscritos. De Finkelstein e Suzana Boz. Aída Núnez. BRAIER . licenciados Jorge A. Ramos Mejía. alguns incon­ venientes técnicos e riscos a eles relacionados e os problemas concernentes à avaliação dos resultados terapêuticos. A meus pacientes. que foram meus analistas.

ao problema de sua denominação. Esses procedimentos terapêuticos vão alcançando. propósito este que. As limitações econômicas de muitos que acorrem em busca de ajuda terapêutica foram e são. Da mesma maneira. não era compatível com o emprego de tratamentos longos. naturalmente mais acessiveis às pessoas de poucos recursos. por outro lado. em quantidade insuficiente. então. os inci­ pientes serviços de psicopatologia hospitalar. individuais e grupais. o que nos conduz. centrar-se na superação de sintomas e incidentes agudos ou situações perturbadoras atuais. um fator que vem exercendo uma influência decisiva no desenvol­ vimento e na difusão das terapias breves. o uso de modernos psicofármacos e da psicoterapia grupai. que se apresentam como prioritárias por sua urgência e/ou importância. os centros de saúde mental. Os diversos nomes que *» . em determinado momento. permitiram ampliar a assistência psiquiátrica. e de forma similar a outros paí­ ses. de um modo gradual. as instituições privadas e os hospitais psiquiátricos tive­ ram. As terapias de curto prazo. de ime­ diato. Em nosso meio. de implementar técnicas breves. já que os tera­ peutas. a seu tempo. tinham incorporado. com idêntica finalidade. novos traços distintivos.1. Os objetivos terapêuticos deveriam. Introdução l As chamadas psicoterapias breves surgiram essencialmente como uma resposta ao problema assistencial colocado pela massa cada vez maior de população consultante. não conseguiam cobrir a demanda de pacientes. sem dúvida.

há que se admitir que não é a mais adequada: em princípio porque essas terapias sâo breves do ponto de vista do terapeuta. Pode-se também empregar a denominação psicoterapia bre­ ve de orientação psicanalítica. em virtude do qual este passa a ter. que dá título a este livro. é conveniente citar para poder. desde já.. a meu ver. etc. Acima de tudo. como também a fixação de um limite de tempo para o tra­ tamento. que as distinguem da psica­ nálise corrente e de outras psicoterapias. é. em geral mais prolongado (1).). assim. e que escolhi porque me interessa explicitar que se trata de uma terapia originada nas teorias de psicanálise e. Tampouco este é um fato necessariamente constante nesses tratamentos. tal denominação é dis­ cutível. . geralmente e de ante­ mão. sem dúvida. muito apropriada. Em primeiro lugar cabe examinar a denominação psicotera­ pia breve. deixar claro a que situações e métodos psicoterápicos vou referir-me ao longo desta obra. estabelecer uma diIVrença com respeito aos tratamentos breves alicerçados cm ouiius orientações terapêuticas (terapias comportamentais. a aumentar a confusão reinante). e quando sua duração é comparada com a do tratamento psicanalítico. etc. denominação essa que novamente alude à sua temporalidade. sempre se faz presente em tais terapias. mas que denota não só bre­ vidade.4 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica recebem revelam as tentativas de tornar precisas algumas daquelas que se consideram suas principais características (embora indu­ zam. já que uma psicoterapia pode ser de duração certamente prolongada . as quais. uma data de finalização preestabelecida. em definitivo. que por conseguinte poderão ser concomitantemente de tempo limitado ou não. Outra denominação a que se costuma recorrer.mas ter as metas limitadas e as características técnicas próprias e essenciais desses procedimen­ tos (focalização.um ano ou mais . a mais difundida e imposta pelo uso.). As terapias a que fazemos referência também são conhecidas como psicoterapias de tempo limitado. Apesar disso. mas podem não parecer breves por exemplo para o paciente. a de psicote­ rapias de objetivos limitados. análise trunsacional. planejamento. já que se refere a um elemento importante e que. empregamos aqui com muita freqüência1 . diferentemente de outros elementos. que por ser.

(De minha parte. longe de querer apresentar o tratamento breve como uma panacéia. no meu entender. Em tais situações. obtendo-se um alívio sintomático. por exemplo. É perigoso incorrer no erro de pensar que a psicanálise é o único tratamento válido realizável. já que de imediato suas condições egóicas não costumam permiti-lo. e com certo detalhe. mas também.Introdução _______ ____ ____ ________ ________ _________ ________ ________ ________ Alguns autores preferem designá-las com nomes que servem para destacar algumas de suas peculiaridades técnicas e que suge­ rem diferenças com relação às da psicanálise clássica: terapias planejadas (3) ou focais (4). basicamente’interpretativa ou de insight.à forma de psicoterapia rápida ou breve que partilha apenas algumas das características e dos métodos de que nos ocu­ pamos. não . Nesta obra referir-me-ei. considero que não devemos deixar de atender aos numerosos pacientes que. como também no de supervalorizar os alcances da RB. o que signi­ ficará uma proveitosa aplicação de suas teorias em situações nas quais não é possível utilizar a técnica psicanalítica corrente. a uma psicoterapia de objetivos limitados. para acentuar outro aspecto importante delas (5).) É melhor dizer que é possível instrumentar uma terapêutica breve baseada no esquema conceituai da psicanálise. particularmente. etc. a uma terapia de urgência em “situações especiais de crise e exigência” (2). que deve ser empregada em indivíduos com capacidade egóica sufi­ ciente para serem tratados por meio dela. indicações clínicas e técnicas diferen­ tes. É necessário afastar a absurda antinomia que alguns preten­ dem criar entre a psicanálise e a RB.. Refere-se. de modo que na maioria dos casos deve-se postergar a busca de insight no paciente até um segundo momento terapêutico. Entre nós Szpilka e Knobel propuseram denominá-las psicoterapias não-regressivas. atribuindo-lhes resultados espetacula­ res. como por exemplo. tais edmo episódios de natureza psicótica (tentativas de suicídio. delírios agudos.. A chamada psicoterapia de emergência concerne. com freqüência prevalece a necessidade de estancar a crise. de suas limitações e ris­ cos. . Além disso. no ambiente hospitalar.). sobretudo. Ambos os métodos constam de objetivos terapêuticos. tanto no meio hospitalar como no consultório particular. tratarei aqui não só de suas possibili­ dades.

que enriqueceram profundamente nossa visão dele).) ser abordados através de um tratamento psicanalítico. ou por sua idade avançada. mas são poucos os que preconizam e aplicam procedimentos técnicos apropriados ao contexto em que tal método cabe. por motivos diversos (econômicos. Cabe acrescentar que em muitas ocasioes uma terapia de objetivos e tempo limitados pode ser o passo inicial em direção a um posterior tratamento analítico." Psicoterapia breve de orientação psicanalítica podem. mas também de resis­ tência. tentando conceituar uma modalidade terapêutica que reconhece suas fontes no corpo teórico da psicanálise. estruturada com mais solidez. sem esperar que sejam eles quem devam amoldar-se a um único método terapêutico. uma psicoterapia prolongada. ou ainda. correríamos o risco de tomar por intratáveis indivíduos que simplesmente . na única abordagem terapêutica viável. De um tempo para cá.B. como resultado.c freqüente­ mente só em caráter transitório . exigindo que adaptemos nossos recursos técnicos às possibilidades e necessidades do paciente. que possibilite um ensino adequado de seus princípios básicos (sem que tal afirmação desmereça o reconhecimento da existência de contri­ buições de decisiva importância sobre o tema. Caso isso ocorresse. segundo creio.não estão em condições de ser analisados. que poderá trazer. . Constitui uma necessidade premente contar com uma teo­ ria da técnica da P. na mais conveniente. A superação das diversas dificuldades dos profissionais para encarar aformação. a prática e a investigação em P.B.B. já são muitos os que falam na importância do emprego deste método terapêutico. procurei sistematizar os sucessivos passos do processo terapêutico e ensaiei um critério de avaliação dos re­ sultados. Também chama a atenção a escassa participação dos analistas de maior experiência na investigação dessas terapias. Oriento meu trabalho cm direção a essa meta. Acima de tudo. surge clara­ mente como premissa. num primei­ ro momento. convertendo-se. uma mudança nas condições do paciente que o torne apto para efetuar. em seguida. se diferencia nitidamente de sua técnica. mas que. etc. interessei-me em obter uma compreensão profunda de algumas das motivações inconscientes do terapeuta que subjazem a suas dificuldades para ajustar-se ao enquadramento requerido pela P. Pessoalmente.

“Eficacia dei contacto breve”. Buenos Aires.. psicol. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia breve. Londres. cap. PaxMcxico. 2. em Alexander. Alexander F. cap. cm Alexander. desejo esclarecer que nesta obra irei ocupar-me especialmente do que tange à psicoterapia individual breve em pacientes adultos e adolescentes.. V it 4. “Planificación de la psicoterapia”. D. J. 1969. A Study o f Brief Psychotherapy. vol. IX.Introdução ___________________________________________________________________________________________ ___ _ Também serão bem-vindas a realização e a transmissão de novas experiências clinicas organizadas em P. em I. Lat. Malan. Buenos Aires. Buenos Aires. grupo fami­ liar.)? •» 1. n? 2. 1965. French. T. Charles Thomas.. 1963. Referências bibliográficas j . F.. Bellar. ainda que muitos dos conceitos apresentados sejam extensivos ao tratamento de crianças c aos procedimentos grupais (psicoterapia breve de casal.. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. Terapêutica psicoanalítica.B. Centro Editor de América Latina. Amér. L.) 5.. etc.. “Acerca de la psicoterapia breve”. Paidós. 3. e Swall. M. Por último. Acta psiq. H. cit. Szpilka. que possibilitem validar ou questionar as concepções teóricas sustentadas atual­ mente.. T. e French. junho de 1968. F e Frcnch. Springfield.. Psicoterapia breve y de emergencia. Tavistock. L. T. Illinois. e Knobel.. XIV. ob.. 1974. México.

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que conseguiu bons resul­ tados. Devo começar tal revisão assinalando que os primeiros tra­ tamentos efetuados pelo próprio Freud na etapa pré-analítica e no começo da analítica eram. Freud disse que fixou pela primeira . terapias breves.. O fundador da psicanálise se achava empenhado. pois duravam só alguns meses. o do Homem dos ratos. o trata­ mento foi-se tornando mais prolongado. quatro horas. durou tão-somente 11 meses. redigido em 1914 e editado em 1918 (7). a princípio dirigidas para a solução de determinados conflitos e sintomas'. (12). Gradualmente e com os progressos da psicanálise.. Incidem fatores como a resistência. inicialmente. Resenha histórico-bibliográfica I Passaremos cm revista os principais acontecimentos e obras que marcaram a evolução da terapêutica breve de orientação psicanalítica. O desenvolvimento dos acontecimentos mais relevantes pode ser resumido como se segue: 1914: no histórico clínico do Homem dos lobos. a necessidade de elaboração. com resultados satisfatórios. durante algo mais de. em buscar curas rápidas. Outro trata­ mento célebre. a sobredeterminação dos sintomas. etc. a maior parte das quais trans­ correram enquanto ambos passeavam por Leyden (9). e cujo histórico clínico foi publicado em 1909 (5).2. de cfcrto modo. os fenômenos transferenciais. Freud atendeu a Gustav Mahler.

) é eficaz. Pelo contrário. recebendo duras críticas de Freud. que considera o nódulo da neurose. em poucos meses dc análise. Rank. para acelerar o tratamento analítico no caso do Homem dos lobos. pela primeira vez. Freud recorda que. Mas também fustigará as tentativas que Rank efetuara nessa direção desde 1924. Mas não se pode garantir o cumprimento total da tarefa. outra parte ficará guardada e enterrada como estava antes. e sugere que se com­ binem os recursos terapêuticos da análise com. Rank realizam tentativas para abreviar a cura psicanalítica. Tal proposta é de importância decisiva para fundamentar. e . Ferenczi e O. Freud assina­ la que as tentativas de abreviar a duração da análise que consome muito tempo não requerem justificação “e se baseiam em impera­ tivas considerações de razão e dc conveniência”.W Psicoterapia breve de orientação psicanalítica vez uma data para o término da análise. Escrevem conjuntamente um livro. numa tentativa de acelerar o desenvolvimento do processo terapêutico2. Acrescenta que posteriormente também tomou essa medida em outros casos. 1937: em “Análise terminável e interminável”.. Ferenczi propõe o chamado “método ativo”. O mesmo fará em relação a Ferenczi. dizendo a respeito dela: “(. baseadas em sua concepção a respeito do trauma de nascimento. podemos ter certeza de que. ura de seus últimos trabalhos. a necessidade de uma psicoterapia breve. re­ correu ao expediente de fixar-lhe um limite de tempo. defende a possibilidade de um trata­ mento analítico breve baseado na tentativa de superar. Freud propõe uma psicoterapia de base psicanalítica para respon­ der à necessidade assistencial da população. 1916: Ferenczi menciona.. no qual abordam o tema (3). Em várias passa­ gens desse artigo sublinhará que o encurtamento da duração da análise é uin fato desejável. sendo repreendido por Freud (13)\ 1918: em uma conferência pronunciada em Budapeste e edi­ tada no ano seguinte (“Os caminhos da terapia psicanalítica” [8]). enquanto parte do material se tornará acessível sob a pressão dessa amea­ ça. Neste. a configuração de uma terapia breve de orientação psi­ canalítica. outros métodos. que logo aban­ donará. poste­ riormente. contanto que se faça no momento oportuno. 1920-1925: S. o trauma do nascimento. por sua vez.

Alexander e T. Hoch. Wol­ berg. Porque. Além disso desenvolve. Wolberg. Malan (Tavistock Publications Limited. utilidacfê de ressaltar a realidade externa e eficácia do contato breve. que inclui os acompanhamentos efetuados. O livro descreve numerosos históricos clínicos (1). . assim como a necessidade de trabalhar a separação entre paciente e terapeuta. não pode prolongá-lo. de outro modo. de F. uma vez que o analista tenha fixado o limite de tempo. Nova York). 1941: o Instituto de Psicanálise de Chicago organiza um con­ gresso nacional sobre psicoterapia breve. de D. realizada por terapeutas da Clínica Tavistock. French e colaboradores do Instituto de Psicanálise de Chicago. flexibilidade do terapeuta. manejo da relação transferencial e do ambiente. Incluem conceitos sobre planejamento da psicoterapia. Nela se detalha a técnica focal. que contém trabalhos de Avnet. Aumenta o interesse pelo tema nos Estados Unidos.IFACULDADE GUAIRACÁ [ GiBLIQTECA_____. Rado. Alexander. brilhantemente. 1963: publica-se A Study o f Brief Psychotherapy. 1946: aparece Psychoanatytic Therapy (Ronald Press. Wolberg. a respeito da técnica da psicoterapia breve (16). Os autores recolocam a necessida­ de de abreviar o tratamento analítico e de efetuar terapias breves com uma compreensão psicanalítica. Tomam como ponto dc partida uma experiência clínica na qual intervém um número importante de terapeutas experientes. O livro oferece uma detalhada apresentação de 19 casos tratados com psicoterapia individual bre­ ve. L. Wolberg (Grune and Stratton. Wolf. Sobressai o de L. A supervisão dos tratamentos esteve a cargo de M. O autor acen­ tua a conveniência de interpretar a transferência de maneira exaus­ tiva dentro da terapia breve (em acentuada dissidência com muitos outros). Flarrower e A. o paciente perderia a fé que nele deposita” (6).. causada pelo término do tratamento. um método psicodinâmico para avaliar os resultados terapêuticos. f F AG 11 perdida para nossos esforços terapêuticos. Londres). H. A obra descreve uma experiência clínica de investigação baseada em tratamentos de curto prazo. Masserman. Balint (12). de orientação kleiniana. obra compilada por L. Inc. 1965: aparece Short-Term Psychotherapy. Kalinowsky. obra que inicia uma nova e decisiva etapa no campo das técnicas breves. Nova York).

Dellarossa (15). J. J. o insight e a ela­ boração (2). J. pelo proble­ ma das psicoterapias (individuais ou grupais) em serviços psi­ quiátricos . ainda. e assinala algumas caracterís­ ticas essenciais das interpretações a serem utilizadas no trabalho terapêutico (10). de Dellarossa. amplo e valioso estudo sobre o tema. Beliak e L. que oferecem tratamentos a honorários reduzidos em razão da demanda cada vez maior de assistência psicológica por parte da população. entre os quais se destacam: o enfoque do tratamento à luz da psicologia psicanaliti­ ca do ego. S. Marticorena e A. E. entre outros. Partici­ pam. Small realiza uma extensa compilação das idéias de numerosos autores sobre o tema (14). G. de H. A. entre outros aspectos. de H. no qual se destacam especialmente o capítulo referente à primeira entrevista em psico- . R. Szpilka. Swall publicam Emergency Psychotherapy and BriefPsychotherapy (Grune and Stratton. o planeja­ mento e as técnicas de mobilização. M.de hospitais gerais. O autor. Knobel. mas a ativi­ dade é desorganizada e confusa e não se apresentam. 1973: publica-se Teoria y técnica de psicoterapias. I. A psicoterapia breve na Argentina 1967: tem lugar o Colóquio Acta 1967: Investigações sobre psicoterapia breve. hospitais psiquiátricos e instituições privadas. G. que apresenta valiosas contribuições.12 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Também nesse ano L. Os autores incluem diversos temas. H. A. a aplicação da teoria da aprendizagem. Bleger. Empregam-se tra­ tamentos de duração limitada com base psicanalitica. Inc. Ferrari. No­ va York). Kesselman. maio­ res perspectivas de instrumentalizar técnicas suficientemente sis­ tematizadas e coerentes. em nosso meio. exclusiva­ mente consagrado ao tema: Psicoterapia breve. Fontana. com prólogo de J. 1970: aparece o primeiro livro de autor argentino.. Kiorini. 1971: em The Briefer Psychotherapies (Brunner Mazel. Usandivaras. Nova York).de recente criação . utilizando o esquema referen­ cial de Pichon-Rivière aborda. Esse colóquio é um testemunho do crescente interesse que começa a se manifestar.

Resenha histórico-bibliográfica

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terapia breve e o que oferece um modelo teórico do foco terapêu­ tico (4). 1975: Psicoanálisisy psicoterapia breve en la adolescencia*, de J. C. Kusnetzoff, aborda, em sua segunda parte, o tema da psico­ terapia individual e grupai breve do adolescente. É de especial interesse o capítulo destinado à teoria da comunicação e à psicote­ rapia breve, assim como a inclusão da família no tratamento (11). 1980: em nosso meio atualmente é indiscutível a necessidade de se recorrer a psicoterapias menos custosas que a análise, tanto em temjío como em dinheiro, a fim de responder à demanda de um número cada vez maior dc indivíduos. A aplicação das chama­ das psicoterapias breves se difunde ostensivamente, mas ainda não se lhes reconhece um status teórico, que, no entanto, começa a se delinear, sendo relativamente escassas as investigações que têm suscitado.

Referências bibliográficas
1. Alexander, F. e French, T., Terapêutica psicoanalitica, Paidós, Bue­ nos Aires, 1965. 2. Beliak, L. e Small, L., Psicoterapia brevey de emergencia, Pax- Mé­ xico, México, 1969. 3. Ferenczi, S. e Rank, O., The Development of Psychoanalysis, Zurich International Press, Leipzig e Viena, 1924. 4. Fiorini, H. J., Teoria y técnica de psicoterapias, Nueva Vision, Bue­ nos Aires, 1973. 5. Freud, S., “Análisis de un caso de neurosis obsesiva”, era O.C., Bi­ blioteca Nueva, Madri, 1948, t. II. 6 . “Análisis terminable y interminable”, em O.C., Biblioteca Nue­ va, Madri, 1968, t. III. 7 . “Historia de uma neurosis infantil”, em O.C., ob. cit. em 5, t. II. 8 . “Los caminos de la terapia psicoanalitica”, em O.C., ob. cit., em 9. Jones, E., “Vida y obra de Sigmund Freud”, Nova, Buenos Aires, 1960, t. n.
* Traduzido para o português sob o título Psicanálise e psicoterapias breves na adolescência, tradução de Patrícia M. E. Cenacchi, edição brasileira adaptada e revis­ ta pelo autor, Rio de Janeiro, Zahar, 1980. (N. do T.)
5,t. n.

1+

Psicoterapia breve de orientação psieanalitica

10. Kcssclman, H., Psicoterapia breve, Kargieman. Buenos Aires, 1970. 11. Kusnetzoff, J. C., Psicoanálisis y psicoterapia breve en la adolescencia, Kargieman, Buenos Aires, 1975. 12. Malan, D. H„ A Study o f Brief Psychotherapy, Tavistock, Londres, Charles Thomas, Springfield, Illinois. 1963 (Versão castelhana: La psicoterapia breve, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires, 1974). 13. Rey Ardid, R., Prólogo al tomo m de S. Freud, O.C., ob. cit. em 6, 1968. 14. Small, L., Psicoterapias breves, Granica, Buenos Aires, 1972. 15. Usandivaras, R. J. c outros, Coloquio Acta 1967: Psicoterapia bre­ ve, Actapsiq. psicol. Amêr. Lai., vol. XIV, ní* 2, Buenos Aires, junho de 1968. 16. Wolbcrg, L. e col., Psicoterapia breve, Gredos, Madri, 1968.

3. Fundamentos teóricos1

!
Introdução
Os problemas de teoria em terapias breves são numerosos e comprometem o seu reconhecimento dentro do panorama psicoterapêutico. Atualmente crcio que podeifios encontrar contribuições mui­ to valiosas ao tema, mas, se há pontos de coincidência entre os diversos autores no que concerne a uma teoria do processo, tam­ bém é certo que paralelamente ainda reina muita confusão entre os leitores, talvez provocada por uma verdadeira miscelânea de conceitos teóricos que nem sempre podem articular-se entre si. Como assinala Fiorini, falta uma estrutura unitária que suste esses procedimentos (13). É para sua obtenção que devemos diri­ gir nossos esforços. Gostaria de assinalar uma carência particularmente notória, que é a de uma concepção mais ou menos definida e aceita quanto aos mecanismos terapêuticos atuantes nessas terapias. Neste capitulo mc proponho a discorrer sobre alguns temas cuja recolocação considero de importância decisiva dentro da ten­ tativa de configurar um marco conceituai para as psicotcrapias de objetivos e tempo limitados. Além disso, procurarei, ao longo desta obra, expor o marco conceituai que venho adotando pes­ soalmente, e ao qual pretendo dotar da necessária coerência, atri­ buto disso tenho consciência - nada fácil de alcançar. Meu pon­

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

to de partida, como o de muitos investigadores, são as teorias psicanalíticas. Na verdade, não encontro motivos para prescindir de teorias tão valiosas como a do inconsciente, do conflito psíquico, da sobredetemiinação, dos mecanismos defensivos, da gênese dos sonhos, das séries complementares, da estrutura do aparelho psí­ quico, da transferência, das resistências e de tantas outras que nos permitem compreender a problemática do paciente e do processo terapêutico2. Porém, o que realmente terá de ser modificado é a técnica, que por múltiplas razões não poderá continuar sendo a mesma que a empregada em psicanálise, devendo ajustar-se ao contexto próprio desses procedimentos. Incluo-me assim entre aqueles que propõem uma psicoterapia breve de orientação psica­ nalítica, mas entendendo que deve ser algo tecnicamente muito diferente de uma “psicanálise breve”.

Pelos caminhos da psicanálise
Minha concepção da terapêutica breve é fiel aos princípios básicos formulados por Freud num trabalho que adquire signifi­ cação especial dentro do tema que nos ocupa e que talvez não tenha sido suficientemente valorizado. Refiro-me à conferência pronunciada em Budapeste em 1918, e publicada um ano depois sob o título de “Os caminhos da terapia psicanalítica” (26). Já naquela época, Freud adiantou-se a fatos que sobreviriam poste­ riormente, entre os quais hoje podemos incluir o aparecimento dos tratamentos breves como uma tentativa de possibilitar a assis­ tência psicológica a um número maior de pessoas. Muitos dos pensamentos expressos naquela ocasião vigoram ainda hoje. Na parte final do trabalho, Freud assinala a necessidade de no futuro os psicanalistas adotarem medidas para estender o tratamento psicoterapêutico a grandes massas da população. Reconhece que se tropeça em inconvenientes para consegui-lo, derivados de carac­ terísticas próprias do método psicanalítico, que limita a atenção a poucos indivíduos, e de fatores de ordem econômica. Dirigindose a seus colegas psicanalistas, Freud disse textualmente: “Qui­ sera examinar com os senhores uma situação que pertence ao futuro e que talvez lhes pareça fantástica. Mas, a meu ver, merece

Fundamentos teóricos

17

que acostumemos a ela nosso pensamento. Sabem muito bem que nossa ação terapêutica é bastante restrita. Somos poucos, e cada um de nós não pode tratar mais do que um número limitado de doentes por ano, por maior que seja nossa capacidade dc trabalho. Diante da magnitude da miséria neurótica de que padece o mundo e de que quiçá pudesse não padecer, nosso rendimento terapêutico é quantitativamente insignificante. Além disso, nossas condições de existência humana limitam nossa ação às classes abastadas da sociedade.” Mais adiante antecipa a criação de estabelecimentos assistenciais estatais, nos quais os psicanalistas tratem gratuita­ mente dos pacientes por meio da psicoteràpia: “Por outro lado, é possível prever que algum dia chegará a vez de despertar a cons­ ciência da sociedade, e adverti-la de que os pobres têm tanto direito ao auxílio do psicoterapeuta como ao do cíirurgiào, e de que as neuroses ameaçam tão gravemente a saúde dt povo como a tuberculose, não podendo ser seu tratamento tampouco abandona­ do à iniciativa individual. Criar-se-ão, então, instituições médicas para as quais serão designados analistas encarregados de conser­ var a resistência e o rendimento de homens que, abandonados a si mesmos, se entregariam à bebida, de mulheres prestes a sucumbir sob o peso das privações e de crianças cujo único porvir é a delin­ qüência ou a neurose. O tratamento seria, naturalmente, gratuito.’’ Assinala logo a seguir a necessidade de se modificar, nessas cir­ cunstâncias, a técnica psicanalítica, o que me parece da maior importância, pois hoje em dia muitos analistas resistem a fazê-lo, mostrando-se “mais realistas que o rei”. “Caberá a nós, então, o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições” (o grifo é meu). Em seguida expõe, ao contrário do que alguns poderiam supor, seu ponto de vista a respeito do uso de diferentes recursos terapêuticos em tais casos, em lugar de preconizar, de modo exclusivo, o método psicanalítico (o que endossaria o critério que hoje sustenta a multiplicidade de elementos terapêuticos nas tera­ pias breves, especialmente nas que ocorrem em instituições assisiciK iais): “Na aplicação popular de nossos métodos talvez tenha­ mos de misturar ao ouro puro da análise o cobre da sugestão direu. também a influência hipnótica poderia aqui voltar a ter lugar como no tratamento das neuroses de guerra”3 ainda que, de ime­ diato. sublinhe que os componentes básicos de tais tratamentos

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

deverão provir da psicanálise (isso, como tudo o que disse ante­ riormente, também se converteu em realidade, já que atualmente se conta com a P.B. de orientação psicanalítica): “Mas, quaisquer que sejam a estrutura e a composição dessa psicoterapia para o povo, seus elementos mais importantes e ejicazes continuarão sendo. desde já, os tomados da psicanálise propriamente dita, ri­ gorosa e livre de toda tendenciosidade” (o grifo é meu).

A psicoterapia individual breve de orientaçãp psicanalítica Ante a perspectiva de se adotar uma técnica breve de base psicanalítica, faz-se neceásário, para definir melhor seus elemen­ tos principais, estabelecer uma comparação com nosso modelo original, o tratamento psicanalítico. Desse modo, tentarei clarifi­ car os pontos de contato entre os dois métodos terapêuticos e, muito especialmente, suas diferenças4. Dentro dos procedimentos breves, referir-me-ei, fundamentalmente, à técnica dirigida ao insight, sobre a qual podem apresentar-se mais dúvidas a respeito de suas relações com a técnica analítica, contrariamente ao que acontece com uma terapia essencialmente de apoio, cuja caracte­ rização é mais simples e mais conhecida. Juntando-me à iniciativa de alguns setores, como Bellak (6), Small (6), (48) e Malan (40) e com um propósito principalmente didático, considerarei três aspectos essenciais: 1) os fins terapêu­ ticos, 2) a temporalidade, 3) a técnica.
Os fins terapêuticos A psicanálise reconhece como meta fundamental o tomar consciente o inconsciente. Mas a experiência clínica nos permite comprovar que essa finalidade traz, além disso, a perspectiva simultânea de uma reconstrução da estrutura da personalidade do analisando como resultado terapêutico talvez mais transcen­ dente. Essa reconstrução envolve a resolução de conflitos básicos e de seus derivados através da elaboração e do conseqüente ga­ nho de um maior bem-estar, com o qual se pretende eliminar ou aliviar os sintomas de modo franco e duradouro.

de modo que na prática se ache em condi­ ções de adotar certas determinações quando isso se revele neces­ sário. que se alternava com tentativas . isto consistia essencialmente em conseguir que a paciente se conscientizasse parcialmente de aspectos do conflito básico rela­ cionado com a figura da mãe. o propósito de que este possa enfrentar mais adequadamente determinadas situações conflitivas e recuperar sua capacidade de autodesçnvolvimento. parte da patologia do pacien­ te. como o próprio nome indi­ ca. A limitação dos objetivos terapêuticos é caracterís­ tica do procedimento de que nos ocupamos. ainda que de modo parcial. as metas são reduzidas e mais modestas que as do tratamento psicanalítico. em si. com francas alterações de caráter. Exemplo: uma jovem professora. ainda que a meta central.Fundamentos teóricos 19 Na terapia de objetivos limitados. em um sentido psieodinâmico. Fixaram-se os seguintes objetivos para uma terapia de curta duração: conseguir que a jovem obtivesse um alívio de seus sintomas e sobretudo que pudesse compreender e manejar. Os obje­ tivos podem colocar-se em termos da superação dos sintomas e problemas atuais da realidade do paciente. melhor os conflitos subjacentes a seu problema atual a fim de poder reintegrar-se no trabalho e de­ senvolver-se mais saudavelmente em seu meio profissional. corresponder à obtenção de um principio de insight do paciente a respeito dos conflitos subjacentes (o que supõe que cm certa medida também nos propomos a tomar conscientes aspectos inconscientes. a solução dos pro­ blemas imediatos e o alívio sintomático deverão. não seja a exploração do inconsciente como ocorre na psicanálise). e aparece em função das necessidades mais ou menos imediatas do indivíduo. o que implica. e na medida do possível. De preferência. apresentava recentemente sintomas de cjepressào e de conversão histérica (paralisia dos membros inferiores e des­ maios). tudo isso lhe ocasionando sérias dificuldades adaptativas no plano profissional. como tendo o propósito de clarificar e resolver. ligados a situações conflitivas surgidas em sua relação com a diretoria de sua escola. No exemplo há pouco citado. o trabalho pode ser encarado a partir do lugar do terapeuta e com uma visão dinâmica. diante da qual mantinha uma atitu­ de infantil de extrema submissão. antes de tudo. Além disso. Malan fala precisamente em “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia” (40).

figu­ ram diversas formas de oferecer ajuda ao paciente no que se refere às situações perturbadoras. no tratamento da professora. não chegam a ser mais tratados de maneira explícita ou direta durante a terapia. vinculadas às enunciadas até aqui e que podem ser concebidas em termos da recuperação da . mas que se acham ligados. além de conseguir que a jovem pudesse solucionar seus problemas de relação com a dire­ tora. de objetivos terapêuticos limitados. por detrás do intento de resolver aspectos do conflito primário com a figura materna. seja inter­ vindo diretamente nessas situações de sua realidade. Segundo Malan. Ao aprofundar mais o tema dos objetivos terapêuticos. implícitas e constantes. valiosas. Assim. não são tão limitados em uma terapia breve de predomínio interpretativo. etc. social. Tal impressão aumenta assim que admitamos que tal terapia inclui a presença de outras metas. não só na área profis­ sional como também em outras (sexual.). ve­ mos que estes. Numa ordem de importância geralmente secundária. uma maior iniciativa e a superação de inibições. deve pressupor. inclusive. seja procurando aliviar sua ansiedade através de meios como por exemplo os psicofármacos. etc. a aparição posterior de certas mudanças no paciente no que concerne a problemas em outras áreas de sua vida que.). sua proposta ofereceria a vantagem de nos permitir incluir expectativas de resultados terapêuticos maiores do que se concebêssemos as metas meramente circunscritas à re­ missão de um determinado sintoma ou à resolução de uma situa­ ção crítica (40). do que derivavam dificuldades em sua relação com representantes da autoridade materna.20 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de rebelião. Considero então que toda formulação. mas também a conseguir mudanças favoráveis em suas rela­ ções patológicas com outras mulheres que representassem sua mãe (uma companheira mais velha. assim. poder-se-ia aspirar não só a obter a remissão ou a dimi­ nuição da intensidade dos sintomas atuais. como no caso da assistência social. etc. dc certo modo. a dona da pensão. às perturbações que tenham sido objeto de nossa abordagem terapêutica. nos termos correntes. como sucedia com a direto­ ra. na realidade. no terapeuta. uma refor­ mulação dc tais objetivos num sentido psicodinâmico que os abar­ que e que quase sempre haverá de transcendê-los em alguma me­ dida. Explica-se.

no processo terapêutico. (Tratarei mais detidamente desses aspectos no capítulo 11. em geral. e que seja mai£ curta. meio e fim” (43).).Fundamentos teóricos 21 auto-estima (6) e da aquisição de consciência da enfermidade. apontou a incidência favorável que. Mas. introduzindo definitivamente na relação terapêutica um novo e necessário elemento de realidade. a qual estimularia o progresso da terapia (50)\ De ime­ diato. poderia ter a limitação temporal estabelecida de antemão. das quais derivam as denominações talvez mais difundidas desses procedimentos (psicoterapias breves. Stekel. como já assinalei. Essas peculiaridades. prolongando-se durante anos. este cria invariavelmente uma situação bastante diferente na situa­ ção psicanalítica. não èsteja presente necessariamente em todos os casos. Tais fantasias se desenvolvem e sc manejam com mais facilidade no contexto do tra­ tamento psicanalítico do que no da terapia da qual nos ocupamos. influenciando’’de modo decisivo os diferentes aspectos do vínculo terapêutico. A técnica O método breve pode ser tecnicamente diferenciado da psi­ canálise corrente. ainda que. entre outros. etc. acima de tudo. psicoterapias de tempo li­ mitado. em especial a finalização do trata­ mento. cabe assinalar que quando se fixa um prazo de encerramento. deve-se levar em conta que a limitação temporal confere à terapia uma estrutura mais definida em termos de “princípio. nas cha­ madas terapias breves é comum que a fixemos previamente. tema que mais adiante analiso detidamente (ver os capítulos 8 e 9). de uns meses. que esmorece no paciente a produção de fantasias regressivas oni­ potentes de união permanente com o terapeuta. configuram um traço diferenciado náiito destacado dos mesmos. Pouco a pouco foi-se configurando uma teoria do tratamento que compreende uma atitude particular diante de .) A temporalidade Enquanto que num tratamento psicanalítico a duração não é determinada de antemão.

Fortalecimento e ativação das funções egóicas. transferida para as relações atuais.Regressão. . decorrem. enquanto se confirmam alguns princípios dinâmicos operativos. regressão. etc. relação caracteri­ zada por uma marcada submissão a ela.Planejamento. primeiramente.lnsight e elaboração. Ambas as situações reme­ tem a um conflito infantil com a figura materna. resistências. A investigação psicanalitica demonstra-nos que as si­ tuações conflitivas atuais do indivíduo estão relacionadas a con­ flitos infantis. Transferência. .transferência. . . cuja validade é corroborada pela experiên­ cia clínica. Neurose de trans­ ferência. Focalização. Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema. . como se tratam os conflitos em psicanálise. ou os de uma mulher que obstinadamente rivaliza com sua sogra. Desenvolverei aqui os seguintes aspectos: O trabalho com os conflitos.O problema da resistência. dos quais. Recordemos. foco. Dependência. O trabalho com os conflitos6 Podem-se estabelecer claras diferenças entre uma psicotera­ pia de objetivos limitados e um tratamento psicanalítico no que diz respeito à abordagem dos conflitos psíquicos do paciente.22 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica distintos fenômenos psicoterapêuticos . ponto de urgência e hipó­ tese psicodinâmica inicial). São exemplos de conflitos derivados os que a professora antes mencionada apre­ sentava na sua relação com a diretora da escola. .Quadro comparativo entre algumas características teóricotécnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orienta­ ção psicanalitica. . . * .Multiplicidade de recursos terapêuticos. em realidade.

Fundamentos teóricos 23 Os conflitos infantis genéticos se produzem. orientada em direção ao insight há. que subjazem ao problema atual. que q trabalho tera­ pêutico se circunscreva. por sua importância. a priori. já que não tem sentido abrir feridas de maneira indiscriminada na estrutura defen- . O terapeuta deverá centrar-se. quem menciona o conflito infantil. Em todas essas circunstâncias. se tem capacidade de insight. e uO foco”. em relação com os objetos primários do sujeito. evitando-se que se produza uma excessiva mobilização afetiva e. sem se aprofundar mais nele. Não se deverão abordar outros aspectos do conflito. relacionando-o com sua situação conflitiva. que são analisados profundamente a fim de se conseguir sua resolução (e a de seus derivados) por meio do trabalho elaborativo (elaboração dos conflitos). Durante o tratamento analítico. Na P. 37. por princípios elementares de prudência. motivo do tratamento (ver “Focalização”. sobretudo. 40 ss. sendo sua nature­ za edípica ou pré-edípica. Em algumas ocasiões é o próprio paciente. além disso. p. É habitual. que recairá nos que prevalecem por sua urgência*e/ou. tem-se a impressão de que de outro modo não se obterão maiores progressos no transcorrer deste. freqüentemente isso bastará para se obterem bons resultados terapêuticos e. como sabemos. Mas também considero que em alguns tratamentos breves é necessário e possível confrontar o paciente com o conflito origi­ nal. o terapeuta pode empreender um tra­ balho interpretativo cauteloso de certos componentes do conflito básico. a encarar exclusivamente esses derivados do conflito primitivo infantil. Isso ocorre quando. nos atuais fatores determinantes desses conflitos subjacentes focais. cm especial dos que estejam imediatamente vinculados à problemática focal e que adquiram relevância para a finalidade de se alcançar a clarificação e a superação de tal problemática. para serem alcan­ çados os objetivos propostos8. c/ou quando aspectos desse conflito básico se acham muito próxi­ mos à superfície psíquica do paciente.B. principalmente. como primeiro fator distintivo digno de nota.)7. seja no começo seja mais freqüentemente no transcurso do tratamento. quer dizer. pp. uma eleição dos conflitos (deriva­ dos) a serem tratados. que se favoreça no paciente a regressão. de preferência. o pa­ ciente revive tais conflitos (sobretudo no seio da relação transfe­ rencial com o terapeuta).

Quando se trata de uma psicoterapia de breve duração. por sua vez. 101. essa correlação. são abordados de um modo também parcial. transferenciais e neurótico-transferenciais acham-se intimamente relacionados no tratamento psicanalítico. pondo a descoberto conteúdos que. para nós. em P. o terapeuta pode sentir-se pressionado pelo tempo. de dependência. Como se pode perceber a esta altura de minha exposição. o que terá de ser avaliado em cada caso particular (ver pp. realiza-se uma tarefa interpretativa parcial dos conflitos do paciente. sempre se faz uma tentativa de solucionar interpretativamente os conflitos deri­ vados. mediante interpretações. Já sabemos com quanta insistência Freud preveniu a respeito dos riscos de tal procedimento no tratamento psicanalítico (24). em algu­ ma medida. circunscrita àqueles que tenham sido escolhidos. Trata-se de uma resolução parcial ou incom­ pleta (1).^ ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica siva do paciente. Trata-se de um ponto que requer tato e experiência por parte do terapeuta.. com vistas a nos aproximarmos das metas terapêuticas propostas.) Regressão. Incursione-se ou não na interpretação das raízes infantis da conflitiva focal. os quais. Denominações tais como dependência regressiva ou neurose transferencial regressiva refletem. muitas vezes suficientes para se obterem benefícios terapêuticos nada desdenháveis.). ver p. 53. Transferência. ainda que esta não seja idêntica à que se possa obter atra­ vés da psicanálise. Dependência. sem dúvida. Por isso farei referência a esses con- . Neurose de transferência Os fenômenos regressivos. o problema de saber até onde poderemos nos aprofundar. 102 e 111 ss. devendo evitar sobretudo cair em interpretações prematuras sobre os conflitos infantis. que consiste na produção de certas mudanças dinâmicas nos conflitos. diferentemente do que ocorre na psicanálise.B. Freqüentemente colocar-se-á. não se terá oportunidade de analisar suficiente e convenientemen­ te nessa terapia. (Quanto às prováveis modifica­ ções no estado dos conflitos.

Para compreender as diferentes peculiaridades ao vínculo terapêutico em terapias breves de insight. Esperase. 459). silêncio do analista. Acrescentam: “Trata-se de uma repetição de protótipos infantis. . os sonhos e a classificou em três tipos: tópica. e. é preciso além disso levar em conta os conceitos de transferência e de neurose de transferência9. que a. dentro da relação analítica”. vivida com um marcado sentimento de atualidade” (38) (p.Fundamentos teóricos 25 ceitos de maneira conjunta. Freud ocupou-se do conceito de regressão em diferentes contextos . |por diferentes meios (posição deitada do paciente. além disso.a enfermidade mental. é claro. a transferência com o analista. Aqui vou referir-me em especial à regres­ são temporal na transferência com o terapeuta. No processo analítico trata-se de favorecer. Laplanche e Pontalis descrevem a transferência como “o pro­ cesso em virtude do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre certos objetos.. Na realidade. A regressão pode ser entendida como o processo pelo qual readquirem vigência estados ou modos de funcionamento psíqui­ co pertencentes a etapas anteriores do desenvolvimento do indiví­ duo. tempo­ ral e formal (18) (25).). A regressão é necessária para a revivescência dos conflitos originais infantis do analisando cm sua relação com o analista (neurose de transferência) e sua conseqüente elaboração. que costuma representar basicamente figuras parentais. de um modo especial. Isso implica. numa tentativa de esclarecer as diferenças que nesses as­ pectos apresenta o tratamento breve de insight com relaçào à psi­ canálise. uma regressão vivencial útil. etc.regressão produzida gere um in­ cremento da dependência do analisando em relaçào ao analista. associação livre. que tornará possível que o paciente assuma realmente uma conduta mais adulta na vida. dando lugar a um crescimento psicológico paula­ tino. dentro de um determinado tipo de relação estabelecida com eles. a qual representa um meio essencial para se alcançar o objetivo terapêutico. freqüência às sessões. dentro de um mesmo subtítulo deste capítulo. que o processo regressivo se reverta ao longo do cami­ nho terapêutico.

mediante um ata­ que interpretativo sistemático às resistências que se opõem a isso. diremos que é a reprodução da neurose infantil na relação com o analista. permite ao con­ junto de sintomas e condutas patológicas do paciente adotar uma nova função ao referir-se à situação analítica” (p.) A transferência. Deste fato se depreende que é conveniente per­ mitir . Esses autores estabelecem. Mesmo assim. Pressupõe a reedi­ ção seletiva de determinadas situações e mecanismos infantis na relação terapêutica. a neurose transferencial consiste em uma “neurose arti­ ficial em que tendem a se organizar as manifestações de transfe­ rência” (p.26 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Quanto à neurose transferencial. um papel de decisiva importância na cura (22). o desenvolvimento da neurose transferencial. será fundamental se aspira à cura do anali­ sando. com base nos escritos de Freud. 258). tanto para ele como para a maior parte dos psicanalistas. cuja resolução. Em relação a esta última expressam-se: “de um lado. 259). com o fim de provocar mudanças estruturais no aparelho mental do paciente para que este seja capaz de uma adaptação ótima à vida” (grifos do autor). citando novamente Laplanche e Pontalis (38). de outro. até converter-se sua análise na tarefa central. expostas na situação analítica” (15). segundo Glover) e.durante a terapia psicanalítica. em troca. (Os grifos são meus. na qual o pas­ sado se restaura no presente com o propósito de.e inclusive promover . ou seja. a diferença entre as reações de transferência propria­ mente dita. Freud faz referência à neurose transferencial como a uma “massa de pautas culturais neuróticas estereotipadas. Rangell acrescenta que tais condições indispen­ sáveis distinguem qualitativamente a psicanálise de seus diversos derivados (46). É oportuno recordar aqui a definição que dá Rangell da psicanálise como método terapêutico: “A psicanálise é um méto­ do de terapia pelo qual se estabelecem condições favoráveis para o desenvolvimento de uma neurose transferenciai. obter uma resolução dessa neurose (transferenciai e infantil). inicialmente considerada por Freud como um obstáculo no tratamento psicanalítico. não é conveniente favorecer o desenvolvimento da regressão nem de uma neurose . logo passou a ocupar. por meio da elaboração. coordena as relações de transferência a princípib difusas ( “trans­ ferência flutuante’. Na psicoterapia breve de insight.

razão pela qual o trabalh«} interpretativo recai mais em suas relações com os objetos de sua realidade exter­ na do que na relação com o terapeuta. deve-se procurar que o paciente não concentre muita libido na relação com o terapeuta. também aconselham que se evite. junto ao de uma regressão vivencial. em geral. configurando uma neurose de transfe- . por outro lado. nesses procedimentos é preciso precaver-se de estimular tanto a regressão como a neurose de transferência (51) (37). Seu desencadeamento. podemos esperar que a adoção de algumas medidas técnicas impeça que a transfe­ rencia alcance demasiada intensidade e chegue a cobrir e a domi­ nar a situação terapêutica. em particular. aos quais mais adiante me referirei em detalhes (ver capítulo 6). deixaria . no desenvolvimento. Por meio de diferentes recursos.Fundamentos teóricos 27 transferencial. ante a pers­ pectiva de terminar sua terapia10. a dificuldades para aceitar sua separação com relação ao terapeuta. ao deixar truncada sua elaboração. dado que as condições do paciente e/ou do enqua­ dramento não são apropriadas para tais fins. do mesmo modo que Wolberg (54).o paciente em um estado regressivo-dependente. na análise e na resolução da neurose transferencial. den­ tro do possível.iatrogenicamente . expondo-o a diversas reações transferenciais nocivas em virtude da mobilização afetiva produzida e. como as metas terapêuticas não estão dirigidas para a reestruturação da personalidade nem para resolver conflitos básicos do indivíduo. na psicoterapia breve. não seria coeren­ te que o insight de aspectos da relação transferenciai neurótica. pode considerar-se uma complicação (às vezes inevitável) nas psicoterapias breves. às vezes inexoravelmente. continuasse sendo o recurso terapêutico fundamental nesse novo contexto. mas sim para mitigar alguns sofrimentos atuais. Os mecanismos terapêuticos não se sustentam. tendo em vista as limitações inerentes a esses tratamentos. Bellak e Small (6). Se bem que os fenômenos transferenciais também ocorram. regressivo-dependcnte. o desenvolvimento da neurose transferencial. o que adquire importância agora é a busca de insight do paciente a respeito de situações confiitivas atuais de sua vida cotidiana (que são as queihabitualmente dão origem à consulta). já que. entre outros. Segundo Szpilka e Knobel.

ou seja. ao trabalho terapêutico e à cura. também surgem resistências no paciente.B. a análise das resistências em P. A análise exaustiva das resistências constitui uma parte im­ prescindível de todo tratamento psicanalítico. basicamente. como obstáculos que este interpõe ao avanço do processo psicoterapêutico especificamente do insight. . sintoma e angústia” (21). quando existe. não indo além dos níveis requeridos para possibilitar a exploração e experiências iniciais de insight de situações conflitivas atuais. O tratamento.B. em grande parte. de suas capacidades autônomas. por acréscimo. A limitação temporal. 84 ss. e as resistên­ cias do superego13. é um dos moti­ vos para que isso ocorra. Freud distinguiu e sistematizou cinco formas de resistência de um ponto de vista estrutural. Habitualmente. ainda que não o único. que podem ser consideradas. o mesmo caráter intensivo que em psicanálise. A regressão só deveria ser permitida em pequeno grau. (ver capítulo 6. O prolongamento deste deve-se. como se poderia supor. á necessidade de elaboração daquelas (27). a pró­ pria índole do procedimento não contempla fins tão ambiciosos. especialmente “A relação paciente-terapeuta*no tratamento bre­ ve”. Três delas procedem do ego e são: as resistências da repressão. não apre­ senta. Os critérios apresentados até aqui definem as características que terá de assumir a relação terapêutica em P. As outras são as resistências do id. as da transferência e as do ganho secundário da doença. pp. O problema da resistência12 No tratamento psicanalítico. deve inclinar-se para a estimulação e o reforçamento de sua iniciativa pessoal. Na terapia breve interpretativa. também chamadas por Freud de resistências do inconsciente.28 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica rência". A terapia deve sustentar-se no predomínio de uma trans­ ferência sublimada (6). isto é.). chamamos resistência aos diversos obstáculos que o analisando opõe ao acesso ao seu pró­ prio inconsciente. em seu trabalho “Ini­ bição. em lugar de fomentar a dependência do paciente. Em 1925.

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O tratamento das resistências que dependem dos mecanis­ mos defensivos do ego, em P.B., pode apresentar as seguintes características: a) algumas defesas são combatidas, quer dizer, analisadas; b) outras, em troca, são respeitadas ou ainda reforça­ das pelo trabalho terapêutico, de acordo com o que pareça indica­ do em cada caso, com base nas condições do paciente e do enqua­ dramento. Como exemplo do mencionado no item a, podemos citar a necessidade de trabalhar as defesas maníacas (negaçào, onipotência, etc.), perigosamente incrementadas, ou, o que é mais comum, ter de atacar parcialmente as barreiras repressivas de conteúdos inerentes ao sofrimento atual, além dos mecanismos de isolamento, intelectualizaçâo, projeção, etc. Pelo contrário, e a propósito do expresso no item b, com freqüênciajjoptamos por não perturbar certos mecanismos defensivos caractefplógicos, permi­ tindo ao paciente que os conserve, seja porque queremos evitar uma mobilização afetiva excessiva e difícil de manejar no trata­ mento, seja por tratar-se de defesas relativamente úteis, as quais ainda que só ocasionalmente - poderia ser conveniente reforçar. O tema da resistência da transferência em P.B. também mere­ ce alguns comentários. Ao menos nas terapias desse tipo, tal resis­ tência não costuma ser muiter intensa. Isso se deve ao seguinte: sabemos que esse tipo de resistência obedece em parte ao ressen­ timento despertado no paciente, por sentir-se frustrado em sua relação transferencial com o terapeuta, razão pela qual Menninger propõe chamá-la de resistência de frustração ou de vingança (41). Na medida cm que, em P.B., a relação terapêutica é menos frustrante para o paciente, já que existe um vínculo mais “real” e uma maior proximidade afetiva da parte do terapeuta, conseqüen­ temente a hostilidade que desperta naquele pode ser menor do que a que o tratamento psicanalítico desperta; portanto, as resistências transferenciais também serão menores (35). Mas o terapeuta de­ verá lutar sempre para que se obtenha esse resultado, procurando lazer com que predomine uma transferência positiva. Quando es­ sas resistências se exacerbam, achamo-nos ante um dos motivos fundamentais, para cuja dissolução, a meu ver, se justifica o em­ prego de interpretações transferenciais no tratamento breve (ver capítulo 6, pp. 107 ss.).

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“Insight”e elaboração14
Entre os problemas ainda não resolvidos no terreno da psico­ terapia breve de base psicanalitica, acham-se os que concernem ao papel do insight e da elaboração e sua relação com as mudan­ ças que se obtêm nos pacientes. Começaremos por lembrar sucintamente os significados es­ senciais de ambos os termos. Com o insight queremos dizer, como L. Grinberg, “a aquisi­ ção do conhecimento da própria realidade psíquica” (31). Tal conhecimento pressupõe uma participação afetiva: não se trata simplesmente de compreender no sentido intelectual, mas tam­ bém de poder experimentar emocionalmente o contato com os aspectos inconscientes do mesmo. A elaboração ou trabalho elaborativo (working through) é um conceito de significado complexo e não suficientemente defi­ nido na bibliografia psicanalitica. Uma definição simples a des­ creve como “o processo pelo qual um paciente em análise desco­ bre, gradualmente, através de um lapso de tempo prolongado, as conotações totais de alguma interpretação ou insight” (47). (“Elaboração”, p. 49, grifos do autor.) É conhecida a importância do insight e da elaboração no tra­ tamento analítico. A finalidade das interpretações do analista, que são, por excelência, seu instrumento terapêutico, é promover o insight dos conflitos no paciente. É oportuno citar aqui Rycroft: “O objetivo do tratamento psicanalítico é definido, algumas ve­ zes, em termos da aquisição de insight, ainda que mesmo Freud nunca tenha utilizado essa formulação, preferindo a idéia de que seu objetivo é fazer consciente o inconsciente,'>(47). (“Insight”, p. 68, grifos do autor.) Com relação a esse ponto, Grinberg diz: “Freud havia assinalado que o objetivo básico do analista é conhecer; por conseguinte, não deve estar preocupado com o objetivo terapêutico. Esse objetivo de conhecer, em realidade, não se contradiz com o objetivo terapêutico, sendo o insight o fator central, e a pré-condição de toda mudança duradoura na personalidade” (31). A elaboração, como trabalho de aprofundamento do pacien­ te, implicará que este assimile as interpretações corretas do ana-

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lista, condição essencial para o êxito terapêutico (39). A respeito do princípio da elaboração, cabe lembrar: a) Requer dois fatores elementares: tempo (é por isso que a necessidade de elaboração constitui uma causa importante do prolongamento do tratamento psicanalítico) e trabalho (o labor analítico) (27). Do último se depreende que tem lugar no paciente fundamentalmente na presença do analista e com a participação deste. b) Em seu desenvolvimento intervém a regressão do anali­ sando (31). c) Inclui a tarefa de superar as resistências e a análise exaus­ tiva dos conflitos, na qual tem especial importância o que trans­ corre dentro dos limites da neurose transferencial |27). Na terapia breve de orientação psicanalítica, a concepção da existência de insight e de elaboração apresenta numerosos pontos obscuros. Sendo assim, é válido falar-se em insight nesses tratamen­ tos? Creio que sim, ainda que com certas ressalvas, como vere­ mos em seguida. Propiciar ao paciente a aquisição de insight por meio de in­ terpretações especialmente dos psicodinamismos relacionados com o transtorno atual, motivo do tratamento - deve constituir, a meu ver, nosso principal propósito na terapia dinâmica breve, sempre que as condições psíquicas do paciente o permitirem. Es­ sa atitude terapêutica nos permitirá abrigar maiores esperanças de conseguir um progresso mais sólido e estável no paciente, ao aumentar sua capacidade egóica para enfrentar e resolver as situa­ ções conflitivas. A busca de insight no tratamento breve é preco­ nizada por numerosos autores, entre eles, Bellak e Small, os quais assinalam, clara e repetidamente, seu valor, em diferentes passa­ gens de sua obra (6). Mas a técnica breve requer restrições pecu­ liares para o insight do paciente, que é necessário consignar: Com respeito à sua extensão entendo que em geral dadas as limitações do enquadramento - e sobretudo quando se trata de uma terapia de curta duração - só nos resta a alternativa de pro­ porcionar o que poderíamos considerar como experiências ini­ ciais de “insight ”, um autoconhecimcnto limitado às dificuldades habitualmente contidas no foco terapêutico (mas que tampouco

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pode dar conta de todos os aspectos do conflito subjacente ao pro­ blema vital focal, mas, unicamente, dos mais próximos e aces­ síveis à compreensão psicológica do paciente dentro desse enqua­ dramento). Isso poderá servir, ser suficiente - ou não - para os pa­ cientes, para obter mudanças dinâmicas favoráveis, pôr em mar­ cha um processo progressivo que continue ainda depois de finali­ zado o tratamento e estimular sua auto-observação e motivação para as experiências psicoterapêuticas de índole interpretativa. Em suma, numa terapia de objetivos e, eventualmente, de tempo - limitados, também o insight estará naturalmente limitado em sua extensão, diferentemente daquele mais amplo, decorrente de um tratamento intensivo e prolongado como o psicanalítico; tratase de uma verdade óbvia, mas que é necessário ter presente para estudar tudo aquilo que se relacione com mecanismos terapêuti­ cos e grau de eficácia dos procedimentos breves. Quanto ao tipo e profundidade, cabe assinalar que enquanto o insight psicanalítico tem lugar em meio a uma atmosfera regres­ siva que o favorece, dependendo principalmente da atividade inter­ pretativa a respeito das diversas reações próprias da neurose de transferência, em P.B. a busca de insight está dirigida, com mais freqüência, para as relações do sujeito com os objetos externos de sua vida cotidiana e presente, ainda que não despreze os fenôme­ nos transferenciais mais notórios, que trabalham como obstáculo (resistências transferenciais), e/ou ilustram a problemática do paciente, como se verá mais adiante (pp. 106 s.). Mais abrangente, o insight psicanalítico também o é na medida em que oferece maiores possibilidades de alcance de situações infantis reprimidas que serão revividas na situação transferenciai, permitindo, em sín­ tese, uma conexão mais completa do que sucede no mundo externo extra-analítico e na relação transferencial analítica do paciente com sua vida passada. São tipos e graus de profundidade diferen­ tes de insight, mas nem por isso devem ser-lhes negadas totalmen­ te a validade e a eficácia que se obtêm no tratamento breve. (“Não se pode sustentar, com tanta ênfase, que o insight através da trans­ ferência seja o único tipo de insight que sirva para a organização e reintegração do ego”, afirma Kamo [36].) Todavia, é possível estabelecer outra diferença com o insight do tratamento psicanalítico, que remete à natureza mesma do

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fenômeno de compreensão psicológica no paciente, e também obedece à necessidade de controlar a intensidade dos fenômenos regressivos e transferenciais: Szpilka e Knobel sugerem que em terapias breves o insight possua umaf‘maior participação cogniti­ va que afetiva”/(51), levando o paciente, como medida prudente e mediante um determinado estilo interpretativo (ver pp. 110 ss.) na relação transferencial, antes à compreensão que à revivescência das situações infantis determinantes de seu problema atual (51). Expressa dessa maneira, essa proposição corre o risco de ser dis­ torcida. Bntendo que não implica, como alguns poderiam supor, um mero insight intelectual (que configuraria uma nova forma de resistência), pois não deixa de ter certa ressonância afetiva. Mas a diferença entre o insight psicanalitico, que é mais p|eno e vívido, em suma, dotado de uma maior e às vezes diferente repercussão emocional, e o insight do tratamento breve tem de ser, nesse senti­ do, um fenômeno na medida do possível mais controlado pela ati­ vidade terapêutica, em especial se explora circunstancialmente aspectos da transferência com o terapeuta correspondentes ao infantil-genético. (Será menos necessário controlá-lo se atender aos componentes mais atuais da t/ansferência com o terapeuta ou com outros objetos da realidade externa do paciente.) Examinemos agora o problema da elaboração na terapia dinâmica breve, cuja bibliografia, como se poderia supor, é suma­ mente escassa. Bellak e Small citam, como .princípios gerais da “psicoterapia rápida”, a comunicação, o insight (do terapeuta e do paciente) e a elaboração (6). Como não se estimula o desenvolvimento da regressão nem o da neurose transferencial, e não se realiza uma análise intensiva desta nem das resistências, considero que em PB. não podemos falar em elaboração no mesmo sentido que em psicanálise. Em todo caso, o trabalho de elaboração real será escasso, principal­ mente se existe limitação de tempo. Este, como vimos, é um fator fundamental para que a elaboração tenha lugar15. Estaríamos, então, diante de um dos pontos mais discutíveis no que diz respei­ to à validade terapêutica desses procedimentos. Sem dúvida, é possível conceber um processo qualitativamente distinto do pro­ cesso de elaboração analítica, sem a profunda reestruturação meta psicológica que ela implica e basicamente circunscrito à conflitiva

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focal. Um processo imperfeito e incompleto, mas enfim de mu­ dança, que em circunstâncias em que o tratamento esteja limitado em sua duração, também o estará, mas que em alguns pacientes, com capacidades egóicas suficientes, poderá talvez ainda conti­ nuar, depois de concluído o tratamento breve. Nesse último caso seria uma espécie de “auto-elaboração”, a qual se teria iniciado, a princípio, com o trabalho terapêutico, para seguir um caminho pro­ gressivo até a consolidação dos resultados16. Os mecanismos ínti­ mos desse fenômeno, que apresentaria, talvez, grande importância terapêutica em alguns casos, ficam difíceis de precisar no momen­ to17. Talvez as modificações significativas que às vezes se eviden­ ciam, inclusive na estrutura de personalidade de pacientes tratados com o procedimento breve, em testes projetivos efetuados anos depois de finalizado o tratamento (32), se relacionem a mecanis­ mos desse tipo. Mais adiante, considerando os resultados e meca­ nismos terapêuticos, retornaremos à discussão desses fatos. Finalmente, cabe acrescentar que numa terapia de objetivos e tempo limitados talvez seja necessário concluir que o insight e a elaboração terão de ser em boa parte estimulados, quer dizer, faci­ litados e agilizados mediante o papel ativo do terapeuta, dadas as condições de focalização e de curta duração do tratamento.

Fortalecimento e ativação das funções egóicas
Considero que a aquisição de insight por parte do paciente, através de interpretações do terapeuta, seja a forma mais aprecia­ da de se conseguir o fortalecimento de seu ego. No entanto, de­ vem ser levadas em conta outras formas, cuja significação tera­ pêutica não é muito menor, era meio às terapias breves, e que não são, necessariamente, incompatíveis com a busca de insight. Muitas vezes, as diversas medidas terapêuticas destinadas ao rcasseguramento e à ativação de funções egóicas são englobadas sob a denominação genérica de psicoterapia de apoio. O emprego de tal denominação encerra o risco de que os terapeutas, sem con­ siderar mais cuidadosamente tais medidas, desprezem-na, já que nos círculos psicanalíticos o termo apoio, como se sabe, está carre­

também em P. Mas defemos discrimi­ nar com clareza esta posição terapêutica de outra.'que se caracte­ riza pelo emprego de certo tipo de intervenção verbal que busca conseguir reforçamento e ativação do ego.. quando não há uma alter­ nativa melhor. . em graus variáveis. porquanto costuma implicar basicamente o fomento e a utilização de uma relação regressivo-dependente não analisada. dos quais. ante a possibilidade de que suijam mal-entendidos. Começaremos por reconhecer. Mais adiante.) muitos de nossos pacientes necessitam ter a experiên­ cia de sentir que estão no caminho certo. a necessida­ de de apelar.. precisamente. “Todos os nossos pacientes. mas pode resultar extremamente significativa e útil se.. de suas percepções e de seu valor. com ligeiras alterações. coerentemente.” Esta frase pertence a um artigo de Greenson e Wexler (30) e se refere ao tratamento analítico.Fundamentos teóricos _ ______ . Por conse­ guinte.B. e sem que se intente colocar o paciente em contato com as motivações profundas de seu sofrimento. Necessitam da expe­ riência de que se reconheçam e se respeitem suas funções egóicas e suas relações objetais adequadas”. para técnicas de apoio emocional. com as interpretações. é o caso de pacientes que por debilidades egóicas não cónsèguem tolerar uma terapia interpretativa. é con­ veniente estabelecer algumas distinções sobre o tema. o paciente deve emergir recon­ fortado e reafirmado em suas capacidades egóicas c recuperando sua facilidade resolutiva nas situações de conflito. os autores con­ tinuam: “(. e que pode ser alternada. deixamos sem querer a impressão de que suas reações são meras repetições de seu passado infantil. Se só inter­ pretamos ou só analisamos. de distinta . Se parte de nossa meta terapêutica consiste em aumentar as funções egóicas sãs do paciente e sua capacidade para as relações objetais. Há motivos para atribuir fun­ damental importância a esses conceitos no campo das terapias breves. ____ ____ _______ ____________________________ ________ _ gado em alguns casos de um sentimento francamente pejorativo. a aplicarmos também à técnica breve.natureza. e que sua conduta é imatura. duvidam de seu discernimento. e para os quais o único resultado que se pro­ cura obter é uma supressão de sintomas. é importante confirmar aqueles aspectos de sua conduta que indicam um fun­ cionamento sadio.e mesmo oposta . e por isso mesmo não-progressiva. às vezes exclusivamente. errônea ou insana.

que costuma fomentar a idealização de sua figura. o protótipo da atividade terapêutica nesses trata- . e ao assinalar-lhe esse fato. por exemplo. em direção à estimu­ lação das capacidades autônomas do paciente. em vez de serem puramente interpretativas. se partimos dos retursos que o pa­ ciente verdadeiramente possui. pelo contrário. ou ainda exclusivamente de apoio no sentido antes descrito.36 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Dessa maneira observamos que na psicoterapia de apoio pro­ priamente dita ou “pura” as medidas de apoio promovem a depen­ dência regressiva no paciente. Quer dizer. pro­ movemos nele um sentimento de reafirmação ou reasseguramen­ to que pode funcionar. incluindo os mecanismos de defesa neuróticos do ego. e ao mesmo tempo se valem desta para exercer seu efeito. mas também para ativar diversos funcionamentos egóicos1*. Assim mesmo. que as terapias breves são. sim. como se depreende do que assina­ lam Greerson e Wexler. que deverá fundar-se numa compreensão psicodinâmica adequada do proces­ so terapêutico20. interven­ ções diretivas). a análise de aspectos inconscientes do pa­ ciente. cm lugar de incentivar uma rela­ ção dependente. Nesta outra forma de reasseguramento egóico. com muito mais freqüência.segundo o lado para o qual se incli­ ne a balança em cada caso21. / Diremos entào. assinalando seus rendimentos egóicos adequados. não só para fortalecer. em sua maioria. são. sendo essa natureza “mista” uma característica relevante de tais terapias (podemos. esta ati­ tude terapêutica não impede. na medida em que o terapeuta assume um papel protetor-autoritário (empregando. “mistas”. falar de tratamentos breves em que pre­ domina o insight e de tratamentos breves em que predomina o re­ força mento ou o ^ o /o e^(2iccu. Para este autor. em seu enfoque e na prática. o resultado de uma reunião de elementos próprios de uma técnica de insight com estes outros elementos reforçadores e estimuladores de determinadas funções do ego'\ Mas é mister que tais psicoterapias se traduzam numa combinação antes de tudo coerente de intervenções. em troca. ou reforçadoras do ego não-interpretativas. incluindo as de objetivos e tem­ po limitados. As psicoterapias dinâmicas. a atividade do terapeuta orienta-se.) Fiorini proporciona alguns bons exemplos das diversas inter­ venções capazes de sustentar e ativar o funcionamento egóico (12).

. que per­ mite distingui-la da técnica psicanalítica corrente a qual não opera com um módulo conceituai de foco (ver “O foco”. Focalização O trabalho terapêutico em P.B. que adquire prioridade. mantendo certo equilíbrio nas referências a uns e outros (12) (13)22. terapeutas ocupacionais.Fundamentos teóricos 37 mentos está representado por uma tarefa em “frente dupla”. Estes procedimentos admitem e com'freqüência requerem . em virtude da necessidade de se alcançarem os objeti­ vos terapêuticos.. etc. intervenções de reasseguramento. assis­ tentes sociais. e portanto não só são feitas menções a seus aspectos infantis.). comunitárias. assim. está “enfocado” para determi­ nada problemática do paciente.). psicopedagogos.B. por isso também chamada de focal j(40). regressivos e patoló­ gicos. cujas perspecti­ vas de inclusão correm em paralelo com os progressos que. o que os afasta ainda mais do enquadramento e dos cânones psicanalíticos. 40 ss. na qual se têm sempre presentes “as partes sãs” do paciente. tais como psicodrogas. etc. poderse-ão anexar à psicoterapia individual outros elementos. dada a sua urgência e/ou importância. mas também a seus aspectos adultos. Todo recurso que tenha demonstrado ser útil no campo da terapêutica psiquiátrica poderá eventualmente ser incorporado ao tratamento. (14) (48) (55). fornecimen­ to de informações. enquanto se deixam de lado as demais dificuldades. pp. Trata-se de outra característica substancial desse tipo de terapia. técnicas grupais. sugestões. no tra­ balho científico. etc.a associa­ ção dc diversos elementos terapêuticos. se registram no emprego de distintos recursos psicoterapêuticos. progressivos e sadios. nu­ ma tarefa efetuada em equipe23. É sumamente valiosa a participação de outros profissionais da saúde mental (psicólogos. Multiplicidade de recursos terapêuticos Eis aqui outro aspecto distintivo da P.) nos tratamentos. além dos distintos tipos de intervenção verbal não-interpretativa (assinalamentos.

ponto de urgência e hipótese psicodinâmica inicial) Uma prova a mais da confusão reinante no terreno teórico da P. nem sempre podem distinguir-se com facilidade uns dos outros. e que chega a cobrir até a etapa final de avaliação de resultados (ver capítulo 5).38 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Os diferentes instrumentos psieoterapêuticos devem ser im­ plementados coerentemente. será útil a esta altura expor em um quadro as caracte­ rísticas de um e de outro procedimento. na forma de proposta. que compreende um plano de tratamento prévio ao desenvolvimento do mesmo. É outro traço da P. além disso. Estes. sempre com adequada compreensão e fundamentação psicodinâmica. que a distingue nitidamente da psicaná­ lise. tendo em vista a obtenção de um maior discernimento.foco. Planejamento . tentarei. A inclusão de tais instrumentos depende. tais como foco ou ponto de urgência. da maior ou menor flexibilidade do terapeu­ ta e de sua capacidade para tentar criativamente combinações te­ rapêuticas harmônicas e eficazes. Diante de necessidade de alcançar uma conceitualização teórica su­ ficientemente clara.B. a fim de se obter uma visão que nos facilite a discriminação entre ambos (ver página seguinte).B. precisar seu sig­ nificado. Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema. é a imprecisão com que os profissionais empregam corrente­ mente alguns termos. que fazem parte de um jargão característico das terapias breves. . Junto às metas e à duração do tratamento fixam-se os pontos fundamentais do processo terapêutico.. Quadro comparativo de algumas características teórico-técnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em forma de síntese e considerando-se as limitações que supõe todo esquema.

e estabelecerei tanto as diferenças funda­ mentais como as relações que existem entre eles. sobretudo. Mais cognitivo que afetivo Não. habitualmente a con­ flitos derivados Limita-se habitualmente a conflitos derivados Não são favorecidas Não Limitada Sim. São favorecidas Dependência / Desenvolvimento e análise da neurose Sim de transferência Análise de Intensiva resistência ThCNICA Insight Elaboração Fortalecimento e ativação das Junções egóicas Focalização Multiplicidade dos recursos terapêuticos Planejamento Sim Sim t «» Limita. Resolução de con­ flitos básicos e seus deri­ vados. Reestruturação da personalidade Prolongada Indeterminada Refere-se especialmente a conflitos básicos Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Limitados. Limitado.Fundamentos teóricos ________ ________ ________ _________ _________ ______ _ Descreverei sucessivamente: a) a situação-problema. o que quero dizer pessoalmente com cada um desses termos. Psicanálise A exploração do incons­ ciente. b) o foco\ c) o ponto de urgência e d) a hipótese psicodinâmica ini­ cial. Superação dc sin­ tomas c problemas atuais Fins terapêuticos Duração 1 Trabalho com os conflitos Regressão. Referido so­ bretudo ao “de fora”. Explicitarei. Processos geradores de mudanças Sim Sim Sim Sim Não (ou muito pouco) Não Não Não .

problemática ou setor da psicopatologia do paciente. A situação-proble­ ma . assinalaram a conveniên­ cia de focalizar. uma viagem ou uma intervenção cirúçgica próximas. Entre nós cabe citar muito especialmente Fiorini. A existência de uma ou mais situações atuais dessa natureza pode ser detectada com freqüência em grande parte dos pacientes que solicitam assistência psiquiátrica. a focalização con­ tribui para tornar mais efetiva a atividade terapêutica em função . situação desencadeante. o nascimento de um filho.B. quer dizer. aparecem no sujeito inibições e sintomas diversos (ansiedade. b) O foco Constitui talvez um dos elementos mais característicos e dis­ tintivos da atual P. Implica.). que costumam constituir o motivo (manifesto) da consul­ ta e que poderão ou não ser ligados pelo paciente e pelo terapeuta às situações-problema que na realidade os provocam24. etc. então. de concentrar a tarefa terapêutica em determinado sintoma.pode ser provocada por ocorrências tais como um exame. Deutsch (8). . F. Muitos autores. uma crise evolutiva como a da adolescência. uma mu­ dança de trabalho. Com relação a eles. quem se 'Ocupou mais exaustivamente do foco terapêutico e promoveu a denominação terapia “focal” (40). distúrbios corpo­ rais. a quem devemos o desenvolvimento de um modelo conceituai de foco (11). situação-obstáculo. Ao propiciar uma centralização da tarefa. French (5). Small (6) e Malan (40). etc. Wolberg (55). depressão. uma gravidez. etc. Alexander (5). e que são passíveis de se­ rem tratados por meio da técnica breve. um acidente. entre os quais se destacam Stekel (50). medo. diante da qual e por motivo de cuja ação descompensadora surgem ou podem surgir nele dificuldades de índole psíquica que operam como obstáculo para alcançar um desenvolvimento adequado. Bellak (6). junto com Balint. referência a fatos que são manifestos e objetiváveis.40 a) A situação-problema Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com essa denominação tento indicar que se trata de uma situa­ ção que se torna presente na vida do indivíduo. a perda de um ser querido. Mas foi sobretudo Malan.ou situação critica. e como conseqüência de uma falta de resolução favorável.

e inclusive prolongadas. b) planejar o tratamento. sobre a qual se funda toda a terapia” (40). É evidente que não resultou fácil kchar e adotar majoritariamente uma definição que expresse de modo pleno a natureza e o signifi­ cado do foco. O foco deve ser concebido. Comenta Fiorini: “A diversidade de significados que possam ser atribuídos à noção de foco ilustra o estado atual da teoria. nas quais. o tra­ tamento psicanalítico é contra-indicado. c) combater a passividade e o perfeccionismo do terapeuta. primordial e essencialmente. circunscrever-se a certos problemas do paciente. totalmente esclarecedora. com os sintomas que motivam a consulta. Nesse sentido será definido como/ uma estrutura integrada pelos distintos fatores intervenientes na gênese da que foi escolhida como a problemáti-- . não explica em que consiste ou como está constituído o foco. A que formulou Malan. na prática psicoterapêutica? Procurarei encontrar minhas próprias respostas a essas perguntas. por diversos motivos (idade avançada. por exemplo). já que. sumamente ambígua e se confunde com a situação de crise (situação-problema). O terapeuta pode. d) contrapor-se ao desenvolvimento d| neurose de transferência (há uma orientação constante em direção à realida­ de e ao atual do paciente). no sentido de ser “a inter­ pretação essencial.” E acrescenta: “Sem um esforço de preci­ são e delimitação rigoroso de seus conceitos básicos não é possí­ vel construir uma teoria com certo grau de verificabilidade” (13). com as metas do tratamento. ao se revestir de um caráter técnico. etc. Contudo. como assinala Fiorini (11) (13). realizando uma abordagem interpretativa setorial e respeitar o resto de sua organi­ zação patológica e das áreas de sua vida.Fundamentos teóricos 41 das metas selecionadas e em uma terapia de duração limitada. tam­ pouco é. então. a partir de uma perspectiva psicopatológica. entre outras coísas (40): a) manter a coerência e a operatividade a res­ peito da fixação de objetivos terapêuticos prioritários. Trabalhar com uma técnica de “enfoque” implica. mas não só uma limitação temporal a justifica: a técnica focal também é adequada àqueles pacientes que podem realizar psicoterapias sem prazo fixo de duração. como se configura e como se delimita. no meu entender. com os pontos de urgência. O que devemos entender realmente por foco? Como surge. a noção de foco ainda é.

ela se achava deprimida.^constituindo. ou seja. enquanto esta corresponde a uma finalidade também limitada e preestabelecida. que se encontrava de passagem em Buenos Aires. dirigindo preferente­ mente para aí. Por outro . que geralmente é definido pelo motivo da con­ sulta (sintomas. o diagnóstico se orientou na direção de uma afecção essencial­ mente psíquica. aspectos histórico-genéticos individuais e grupais reativados. Vejamos um exemplo a partir do caso da professo­ ra. uma hipótese ou um conjuniade hipóteses do terapeuta a respeito dos mecanismos operantes dentro de taljvoblemàtica. O modelo teórico de foco que Fiorini desenvolveu é de gran­ de utilidade prática. consultou um serviço psiquiátrico hospitalar por ter apresentado episódios de paresia de ambos os membros inferiores. seguidos em certa ocasião de desmaio. todo foco tem um eixo central.42 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ca central do tratamento (uma determinada situação-problenioji as manifestações sintomatolósicas^u. Subjacente e ligado ao motivo da consulta. Paralelamente. existe um conflito nuclear exacerbado. especialmente válido para esses procedimentos. Esses diver­ sos componentes se encontram atualizados e totalizados pela situação (11). à qual também se vinculam todos os componentes citados. ao mesmo tempo. confli­ to nuclear subjacente e situação grupai são aspectos “de uma situação que condensa um conjunto de determinações”. Sucintamente recordaremos a estrutura do foco proposta por este autor: na prática terapêutica. solteira. professora rural de uma escola primária localizada no sul da Argentina. Motivo da consulta. Como o exame médico não revelasse nenhuma alteração orgâni­ ca. situações de crise). Essa mulher. de 31 anos. a exploAção terapêutica. a partir desse momento. e na qual um exame analítico nos permite distinguir zonas com diversos componentes: aspectos caracterológicos do paciente. por meio do qual se tenta basicamente delimitar zonas da problemática geral do paciente e/ou dos episódios de sua vida. ela Usadas). citado anteriormente. além de uma zona relativa ao momento evolutivo individual e grupai e outra de determinantes do contexto social mais amplo. o qual se inse­ re em uma situação grupai específica. da complexa interação existente entre osfatores^Podemos considerar que atua como um artifício teórico-técnico.

A mãe desta última. Seus irmãos (três mulhe­ res e dois homens) moravam por sua vez em diferentes locais do país. sobre uma estrutura que parecia basicamente melancólica.movida pelo desejo de ser tratada de modo semelhante. A paciente residia em um lugar muito distantes de seu meio familiar.e radicou-se no sul.Fundamentos teóricos ___________ lado. a regressão. Descobriu-se que os sintomas e a situação desencadeante que constituíam o motivo da consulta correspondiam a um conflito da paciente com figuras femininas de autoridade. a projeção e a conver­ são. junto a uma busca oral regressiva de afeto através de conversões (identificação com a mãe da diretora . os quais também eram professores)25. tendo falecido há um ano. ao ser assistida pelos demais professores.com quem vivia no norte do país. Apresentava traços histéricos de caráter. então. ainda que conservasse certa eficiência . alcoólatra crônico. Tudo isso faz parte da situação grupai. Se procurarmos precisar os componentes dessa situação. e a quem descreveu como uma mulher sumamente autoritária e depreciativa para com ela . com seus mem­ bros distantes e dispersos ou ainda desaparecidos. claramente vinculados a tal situação. Os principais mecanismos defensivos empregados nessas cir­ cunstâncias foram a repressão. com paralisia dos membros inferiores. Tempos atrás havia-se afastado de sua mãq . As funções egóicas esta­ vam em geral debilitadas. manifestou que tinha problemas de adaptação ao trabalho. evidenciável através de diferentes experiências de sua vida. tinha-se ausentado do lar quatro anos atrás e se ignorava seu destino. Esse é o conflito nuclear. tinham aparecido após áspe­ ras discussões com a diretora.carinhosa­ mente cuidada por esta última até a morte . representantes dos irmãos. havia sofrido de uma enfermidade crônica. veremos que: a) Entre os aspectos caracterológicos em jogo destacavase o conflito suscitado por uma instância superegóica muito severa. ocasionados pela má relação que mantinha com a diretora da cscola. por outro lado. a qual estava passando por um período de extrema tensão e a fazia sentir-se muito exigida e mesmo perseguida. Seu pai. como no caso do pai. Os sintomas. obtenção de benefícios secun­ dários de seus sintomas. onde assumiu o trabalho docente. dc uma família que correspondia ao tipo*'esquizóide (7). Tratava-se.

aumentando especialmente sua angústia e favorecendo o desenvolvimento de mecanismos regressivos. c) Suas precárias condições econômicas eram outro fator pre­ mente que a obrigavam a um rápido restabelecimento para poder reintegrar-se ao trabalho (achava-se em gozo de licença). sua falta de parceiro e seus fracassos ardorosos anteriores pesavam. acarretou de imediato o incremento de suas carências afetivas e de seu sentimento de solidão e insegurança no novo meio. b) Dentro do momento evolutivo individual e grupai cabe des­ tacar que sua migração. do T. entendo basicamen­ te que o foco. e tentando uma síntese. Aos 31 anos. De minha parte. Estes são os determinantes do contexto social. o qual era seu único meio de vida. edípico ou pré-edipico. 22 a 24.44 Psicoterapia breve de orientação psicunalitica em seu trabalho e revelasse suficiente tolerância à dor para enfrentar uma psicoterapia de insight. utilizada nas cida­ des para se referir àqueles que têm origem rural e sangue indígena. ao qual se remete em última instância tal conflitiva. apresentando tez escura e cabelos negros e lisos. Sua auto-estima se achava muito diminuída. pp. numa busca neuróti­ ca de afeto. Por outro lado experimentava um sentimento de inferioridade diante dos demais professores. compreende em sua conformação uma conflitiva subjacente mais ou menos ampla e complexa. com um conflito infantil e primário. realizada com o objetivo de conseguir um desprendimento em relação à mãe e libcrtar-se de sua opressão. (N. organizado sempre em torno de uma situação-problema e dos sintomas provenientes desta. ao mesmo tempo em que era fundamental para manter sua auto-estima (o magistério era altamente valorizado em seu meio social). a conflitiva focal é representada fiindamen* Expressão pejorativa semelhante à nossa “cabeça chata”. e que vem a constituir o nó da estrutura focal (ver O trabalho com os conjlitos. que podemos chamar conflitiva focal. No exemplo antes citado. já que se sentia víti­ ma dos preconceitos existentes contra os denominados cabecitas negras*. A desconexão existente entre quase todos os membros do grupo familiar e sobretudo o desaparecimento do pai contri­ buíam para fazer deste um momento muito difícil para a paciente. no qual custava a fazer amigos justamente quando se achava mais necessi­ tada para reafirmar-se em sua tentativa de emancipação.) .

e que poderão ser tratadas com possibilidades de êxito terapêutico nas condições de que disponha para levar adiante o tratamento. tal foco não só vai-se deli­ mitando melhor. mas também o terapeuta obtém um aprofundamento na compreensão de seus psicodinamismos28. Um critério psicanalítico para a investiga­ ção do foco deverá privilegiar o reconhecimento das raízes in­ fantis da conflitiva focal. muitas vezes. pois permitirá um trabalho. diante de um mesmo caso e num mejsmo momen­ to. quer dizer. Às vezes teremos de mudar o foco e as metas terapêuticas em pleno tratamento. que encontram sua expressão no ambiente de trabalho. de seus critérios pes­ soais e de sua experiência prévia. em virtude da técnica de “enfoque” empregada. como já vimos em parte (p. sobretudo no que diz respeito à determinação das perturbações que privilegiará. de diversos fatores. e que se origina­ ram a partir de um conflito primário com a figura materna. A evolução habitual do foco com o trabalho terapêutico pode ser observada no esquema desta página. o qual dependerá. de uma situação-problema e do conseqüente foco para sua abordagem preferencial num tra­ tamento breve depende.Fundamentos teóricos 45 talmente por conflitos derivados. mais efetivo/ No começo. melhor será^prognós­ tico do tratamento. os limites focais são imprecisos27. dois ou mais terapeutas poderão chegar a diferir na escolha’*. no qual a paciente repete aspectos de suas relações familiares (em especial com a diretora). quanto mais precoce e mais claramente demarcáveEÍor o foco. Isso pode ocorrer: a) surgindo situações novas. que obriguem uma recolocação e o adiamento da tarefa programada inicialmente. Ao começar uma terapia focal. entre vários fatores. . 23). se cristalizando. configurado a partir das descobertas obtidas nas entrevistas clínicas e no psicodiagnóstico^Numa terapiajireve. ainda que nem por isso tenha de de­ sembocar forçosamente na tentativa de proporcionar insight ao paciente acerca dos mesmos. dever-se-á contar pelo menos com um esboço inicial de foco terapêutico. Eventualmente. enrai­ zado em fixações edípicas c pré-edípicas a ela. Esses gravitarão em tomo de suas impressões quanto à patologia do paciente. imprevistas e traumáticas na vida do paciente. Durante o processo terapêutico costuma-se assistir a uma “evolução” desse mesmo foco. A escolha por parte do terapeuta. através da qual.

também se reveste de grande importância prática na P. . o ponto de urgência corresponde à situação psí­ quica inconsciente de conflito que. sendo motivo de de­ terminadas ansiedades e defesas. já conhecido dentro da técnica psicanalitica. temor inconscien­ te de ser abandonado pelo terapeuta.B. No meu entender. ocupar exclusivamente o primeiro plano. dadas sua história e características pessoais .que se superpõe primeiro ao anterior no processo terapêutico. diante da iminente separação paciente-terapeuta. pela ação de fatores atuais. durante a terapia. predomina no sujeito num dado momento. que omitiu deliberada ou involu­ ntariamente no começo. Limites confusos no começo 2 e 3. Em torno do término se vai perfilando um novo foco .O foco vai-se delimitando mais claramente na superfície (pode ser relativamente isolado de outras conflitivas) e crescendo em profundidade b) ante revelações do paciente. que gera um incremento da angústia e uma reação defensiva de desprezo e hostilidade em relação a ele30.. depois. que tornam aconselhável modificar tanto o foco como os objetivos29. de certos fatos ou sofrimentos de importância. c) como circunstância habitual nos estágios finais dos tratamentos. Por exemplo.46 Diagnóstico Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Processo terapêutico k 1.diante da significação singular que este possa alcançar em cada paciente. c) 0 ponto de urgência Esse conceito. poden­ do.

o ponto de urgência é.ou ser rela­ tivamente estranho a ele (exlrafocal). sendo. o paciente poderá recuperar a capacidade de concentração focal necessária. Enquanto um tratamento breve costuma se desenvolver sobre a base de uma estrutura focal (11) apenas ou no máximo de dois focos (toda vez que se leve em conta o que se relaciona à sepa­ ração definida. O ponto de urgência pode ser inerente ao foco {tyocal) . resulta ineficaz. pois são vários os que se suce- . daí seu valor clínico. auxiliando o paciente.subjazindo diretamente à situação-problema ou ligando-se a fatos que correspondem de algum modo à conflitiva focal . um roubo. Também. Somente quan­ do a calma tiver sido restabelecida. é uma obstinação que. por exemplo. apesar e por cima da ansiedade que essa situa­ ção imprevista nele provoca. a indagação a respeito de um ponto crítico. afetando o pacien­ te. então. pretender continuar nesse momento o trabalho com a conflitiva focal. for­ çando o paciente. Para esse ponto deverão orientar-se. co­ mo a própria denominação sugere. variável. que adquire de imediato prioridade no traba­ lho terapêutico. Sua busca parte de uma inter­ rogação que o terapeuta se formula: a que obedece a ansiedade do paciente neste momento? Pressupõe. pertur­ bando assim a focalização do trabalho terapêutico. nessas ocasiões é imprescindí­ vel atender ao ponto de urgência. além de reve­ lar falta de senso comum. o caso de situações de emergên­ cia inesperadas (a morte de um ser querido. as distintas medidas terapêuticas. e que “saem do foco”. pois mobiliza ansiedades e produz descompensa­ ção no paciente. Interessam sobretudo as interpretações: o fato de que estas obtenham uma repercussão emocional efetiva no paciente dependerá fundamentalmente de que estejam ou não dirigidas para o ponto de urgência. etc. Precisamente para po­ dermos voltar a nos ocupar produtivamente da problemática prin­ cipal do tratamento. pela conclusão da terapia).) que costumam apresentar-se durante o tratamento. em conse­ qüência. precisaremos antes desembaraçar o campo dos estímulos traumáticos que impedem circunstancialmente que o paciente concentre seu interesse naquela problemática. Na verdade deveríamos empregar o plu­ ral e dizer os pontos de urgência. Este último acontece com freqüência. pelo contrário. ao trabalho terapêutico imedia­ to do mesmo.Fundamentos teóricos 47 Freqüentemente a detecção do ponto de urgência conduz.

Em meu conceito. tal como a concebo. Tem caráter provisório. formulação psicodinâmica (55). etc. produzida pela atividade terapêutica. tentando modificações e resoluções. a tudo o que dinamicamente pode- . Tais pontos são diferentes entre si. que o ponto de urgência vá-sc modi­ ficando.). e que se constitui a partir dos dados que aflo­ ram nas primeiras entrevistas e no psicodiagnóstico. Tal variabilidade -se deve à influência de diversos estímulos procedentes dos mundos interno e externo do paciente. única e exclusiva­ mente em torno de uma determinada situação-problema da vida atual do paciente.do paciente. uma tentativa de compreensão global de sua psicopatologia que tende a incluir todas as perturbações do paciente que nos sejam conhecidas (40) (entre as quais se destacam as corres­ pondentes ao foco). envolvendo apenas certos setores de sua psicopatologia. ou seja. em certa medida. a hipótese psicodinâmica inicial pode ser entendida como um esboço reeonstrutivo da história dinâmica do paciente. formulação psicodinâmica pre­ coce (17). Entre estes últimos distinguimos: a) os que são próprios de sua vida cotidiana e b) os que provêm da atividade terapêutica. ampliada ou retificada. ainda que em sua maior parte se incluam numa mesma conflitiva focal32. a hipótese psico­ dinâmica inicial alude. d) A hipótese psicodinâmica inicial Também é chamada de hipótese psicodinâmica mínima (40). séries complementares. desde as entrevistas iniciais51 até as etapas finais do trata­ mento. A concepção dessa hipótese psicodinâmica inicial está regi­ da pelas teorias psicanalíticas (determinismo psíquico. aos conflitos restantes extrafocais . Com relação aos estímulos citados em b é desejável. englobando inclusive a hipótese focaP\ Pode­ ríamos dizer que enquanto o foco aponta mais especificamente para o campo das situações que deverão ser trabalhadas terapeuticamente. é mais abrangente. a hipótese psicodinâmica inicial.48 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica / dem. pois é susceptível de ser confirmada. sobredeterminação. já que isso pode ser indício de uma mobilização afetiva útil. além disso. etc. com base nas descobertas obtidas durante o tratamento. Enquanto a estrutura do foco se organiza.

nossa atitude não seria coerente com suas finalidades terapêuticas. que abarcam desde o puro alívio ou a eliminação da ansiedade e de outros sintomas até modificações na estrutura da personalidade. em cada caso. erro no qual muitos incorrem. Tentarei esquematizar resumidamente as seqüências que ocor­ rem na prática psicoterapeutica. Diante de tais mudanças indagamo-nos acer­ ca de sua natureza íntima. ) ao paciente (ver capitulo 4. Mas neste ponto desejo formular uma advertência: não devemos per­ der de vista que os resultados. Malan sustenta que podem ser alcançados bons resulta­ dos em uma ampla variedade de casos. os quais não se reduzem aos pacientes cuja psicopatologia seja leve e de sintomas recen­ tes (40).) de tratamento (ver capítulo 5). Os resultados positivos. 67). sim. em relação ao que acontece com a situação-problema e seus sintomas. devem ser investigados a partir de critérios dinâmicos. b) desenvolver um plano (P.).Fundamentos teóricos __________ ______________ mos compreender e inferir acerca deste. Num segundo momento poder-se-á. de outro modo.T. I .D. seu alcance e sua estabilidade. e com a finaIidade de investigar o grau de eficácia desses tratamentos. que podem ser verificados por meio de acompanha­ mentos. na medida em que buscássemos o que não corresponde diretamente a elas. e que nâo necessariamen­ te tentaremos modificar. coerente com a hipótese formulada e com os objetivos selecionados. Resultados e mecanismos terapêuticos A experiência clínica tem demonstrado que com o método breve é possível obter efeitos terapêuticos altamente benéficos e duradouros. que por sua vez aciona a busca de acordo com o paciente sobre as metas terapêuticas (M. p. nas quais se integram as várias noções expostas até aqui14. A elaboração de uma hipótese psicodinâmica inicial por parte do terapeuta ou da equipe terapêutica permitirá: a) extrair elementos suficientes para uma de\>olução diagnostica (D. inicial c primordialmente. devem ser avaliados. concentrar o interesse na indagação das modifica­ ções que transcendam as metas terapêuticas fixadas.

50 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica .

Aquisição de consciência da enfermidade psíquica. etc. Consideração de projetos para o futuro (esboço de planos a respeito de diferentes atividades da experiência de vida do su­ jeito). ou seja. Mudanças com relação a perturbações próprias da situação-problema (superação de inibições. em virtude dos distintos recursos e estratégias operantes (13) (14). tais como sexualidade. estudo.B. pode resultar também absolutamente ineficaz em al­ gumas situações. desenvolvimento mais ade­ quado e eficaz. 2. Outras modificações favoráveis (referentes a dificuldades em diversas áreas da vida do sujeito. Elevação. 4. e ao alcan­ ce das mesmas. trabalho. 7. etc. rela­ ções familiares. ao tempo em que estas se mantêm.). isto é. podemos mencionar: 1.. recuperação ou auto-regulação da auto-estima. a maior ou menor extensão que registram em relação às áreas de conduta35e/ou da vida do paciente (sexuali­ dade. A P. Alivio ou supressão dos sintomas. cabe per­ guntarmos: A que mecanismos respondem? E possível definir o processo de mudança existente? Eis aqui uma questão que ainda não está totalmente elucidada e que entra no terreno da investiga­ ção. estando estritamente ligada ao problema da estabilidade das mudanças. não são raras <\s recaídas. É evidente a participação de diversos mecanismos terapêuti­ cos nesses procedimentos. sem dúvida resulta particularmen­ te difícil precisar. . sobretudo quando se trata de pacientes cuja patologia é grave. certos pro­ cessos geradores de mudança em relação ao tipo de atividade tera­ pêutica desenvolvida. (O tema dos resulta­ dos desfavoráveis e os riscos do tratamento breve se desenvolvem no capítulo 10.Fundamentos teóricos Entre os resultados favoráveis que se registram. 5. 3. principal­ mente as que não foram abordadas de maneira direta durante a psicoterapia). j 6.) Voltando aos resultados positivos da terapia breve. estudo. Modificações na estrutura da personalidade. aquisição ou recuperação da capacidade de tomar decisões). de amizade ou trabalho. do ponto de vista metapsicológico.

Deixarei de lado o fortalecimento e a ativação das fiinçòes egóicas. processos dignos de se considerar. de certo tipo de falsa solução do conflito. além do mais. 31 ss. que logo citarei37. adminis­ tração de psicodrogas. reconhecem nele.equivocadamente.B. mas que é necessário voltar a considerar. Para alguns autores. por influên­ cia de um insight parcial do conflito derivado. centrar-me-ei em mecanismos que.).que o insight em P. mas que já foram muito bem descritos por Fiorini (10) (12). configuram atrativos pontos de investigação. temas que já abordei antes (pp. ao conceber . Tampouco me ocuparei aqui dos mecanismos somente volta­ dos para produzir alívio dos sintomas (catarse.). permitindo ampliar o alcance ou a extensão das mudan­ ças a partir de uma elevação da auto-estima. e num maior desen­ volvimento de sua iniciativa pessoal e das diferentes capacidades egóicas. 30 ss. etc. o paciente com fre­ . uma maior efetividade.). que costu­ mam ser traduzidas num desempenho eficaz em distintas áreas de sua vida. em particular das condutas adaptativas. mas também a outras modificações favoráveis. entre os quais me incluo. atribuem-lhe apenas efeitos superficiais adaptativos^Outros. Penso que. nem da cura transferencial (à qual Alexander e French conferem valor terapêutico [2] [4] [16]36) nem. apesar de suas restrições. A eficácia de tal insight seria discutí­ vel porque. por último. sugestão. além de importantes na gênese de modificações dinâmicas e duradouras. assina­ lado por Malan (40). como temos visto (pp. / O insight em P. São eles: o insight e a elabora­ ção. A ques­ tão centra-se em saber se confiamos ou não no valor terapêutico de um insight que em geral não se baseia na análise exaustiva da neurose transferencial. relaciona-se fundamentalmente com os conflitosfocais do paciente.B. provém principalmente da análise das situações da realidade externa do paciente. nào tem validade por esse motivo. O paciente agora ousa ensaiar outras atitudes e levar adiante ações que antes se via impedido de realizar por sentimen­ tos de insegurança e desvalorização. em minha opinião . deva ser exclusivamente de natureza cognitiva. Direi unicamente que não só costumam conduzir à consolidação dos gànhos obtidos pelo paciente através da terapia.52 Psicoterupia breve de orientação psicanalítica Como nào pretendo oferecer aqui um panorama amplo sobre o tema.

Fundamentos teóricos _______ ________ ________ ________ _______ _______ _______ qüência pode conseguir uma resolução. For­ nece.^ “Na prática (. eviden­ ciando-se clinicamente uma melhora nas dificuldades concernen­ tes ã situação conflitiva.. como diz Wolberg. refletidas em outras modificações favoráveis que às vezes se produzem. A frase de Freud (1914) seria lapidar para aqueles que pre­ tendessem conceber um processo terapêutico de tempo e objeti­ vos limitados. além disso. ainda se contarmos com a possibi­ lidade de ocorrerem recaídas em virtude da multidcterminaçâo dos sintomas. o que jfacilitará futuras consultas. de possibilidades e limitações pessoais. prove­ niente da obtenção de certas modificações dinâmicas no conflito.o paciente não conseguiria alcançar . e toda psicoterapia que não cumpra a citada condição de elaboração das resistências é um trabalho só de sugestão? Que os analistas mantenham hoje taxativa e estritamente tais princípios é compreensível. capaz de promover alguma mudança dinâmica na conduta ou na personalidade do paciente/Chega-se então às se­ guintes conclusões: não é possível conseguir modificações pro­ fundas. Finalmente.dizem . Mas também constitui parte do traba­ lho que efetua as maiores mudanças no paciente e que distingue o tratamento analítico de qualquer tipo de tratamento por sugestão” (27). mas acontece que alguns vão mais longe e rejei­ tam a opção da terapêutica breve por considerá-la totalmente ine­ ficaz. também parcial. “uma solução parcial é melhor do que*nenhuma" (55) //Dè todo mõSõTolnsight é o mecanismo graças ao qual a melhora conseguida terá mais possibilidade de se manter.. contudo. (a) elaboração das resistências pode constituir-sc num penoso trabalho para o analisado e numa dura prova para a paciência do médico. caso sejam necessárias. A eficácia terapêutica resultante da ação destes procedimentos é satisfatória para um grande número de situações ou quadros clínicos. a extensão e a aplicação do insight do conflito no paciente a dife­ rentes contextos (elaboração) explicaria a amplitude das mudan­ ças. pelo qual este costuma ao menos diminuir de intensidade. não acompanhada de uma análise intensiva e de uma elaboração das corresponden­ tes resistências .). ajudando a conceber projetos de vida com base no autoconhecimento obtido com o tra­ tamento. consciência da enfermidade. Com a mera interpretação do conteúdo.

. Isso parece acontecer com a P. principalmente no que respeita à oposição do pa­ ciente ao insight da problemática focal40. não nos propor­ mos a obter. Isto nos remete a um processo ativo de mudança que ocorre no paciente durante esse período. sobretudo pelas entrevistas de acompanhamento e no psicodiagnóstico (32). uma reação em série. que com o avançar dos anos promova uma mudança interior. por exemplo. Apesar de.B. mas talvez a prá­ tica da mesma nos demonstre outros fatos. talvez peque por um exces­ so de otimismo. um dos autores mais entusiastas das mudanças que se podem esperar nas terapias breves. Afirma este autor (55) que um tratamento curto adequadamente conduzido pode desencadear. cujos mecanismos não têm sido explicados satisfa­ toriamente. insuficiente para que se produ­ zam nele modificações em um nível mais profundo. mas o terapeuta ocupa-se delas em certa medida a fim de reduzir sua intensidade. encontramos vários in­ vestigadores que reconhecem a existência de importantes mudan­ ças dinâmicas em pacientes que foram tratados com o método breve. “No final do tratamento . o que pode acontecer quan­ do se realizam vários anos depois. Com respeito ao psicodiagnóstico. Já no terreno da experiência clínica.diz - . Não creio que na tera­ pêutica breve as coisas devam ser situadas de modo inapelável num extremo: se considerarmos as resistências. vemos que de fato não podem ser interpretadas rigorosamente como na psicanálise. Apenas con­ seguiria um insight “intelectual”. ao empregarmos tal método. um processo evolutivo. em certas ocasiões é possível observar. e até prepare “alterações substanciais na perso­ nalidade que lhes abram (aos pacientes) o caminho para uma auto-realizaçào mais completa”41. do ponto de vista da teoria. modificações profundas na estrutura da personalidade. e sem que haja mediado outro tratamento psicotcrapêutico (32). Wolberg. é significativo que os estudos efetuados pouco depois dc finalizado o tratamento bre­ ve não registrem um progresso maior. que chamam a atenção da personalidade. a partir da solução de um aspecto do problema do paciente. e não pode ser outro o caminho para se conseguir que o paciente tome consciência real de suas tendências inconscientes.54 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica uma verdadeira ou suficiente conscientização (45)-< 1 . a presença de mudanças favoráveis.

convém esclarecer. Ainda que aceitemos que mudanças profundas ocasional­ mente ocorram. (Os grifos são meus. além disso: “£ difícil. etc. pois o tratamento carece de qualquer medida exata para se verificar a mudança psíquica ou se preverem os acontecimentos futuros” (3). A obser­ vação pós-clinica pode revelar amplas mudanças que apenas se adivinhavam ao terminar o tratamento. como o desejo. em nenhum .Fundamentos teóricos 55 não há por que deter o processo de transformação do paciente. sem que intervenha. e então o ego assume a direção. como sua capacidade de cooperação” (4). que pode perdurar pelo resto de sua vida. mesmo que.” Pouco mais adiante continua: “Às vezes se produz uma reação em cadeia. Referimo-nos a elas de uma maneira bem mais vaga.” (Os grifos são meus.) Wolberg às vezes reitera essas opiniões e esses/resultados de sua própria experiência. inclusive na estrutura da personalidade. ao que parece. Essa circunstância não é fortuita: é um acerto do psiquiatra. e ainda mais difícil deduzir dessa experiência regras precisas aplicáveis a outros casos. e em virtude dê forças que escapam ao nosso conhecimento. e do qual falam Wolberg e Alexander. Noutro lugar expressa Alexander: “Também na psicanálise confiamos nas faculdades regenerado­ ras do ego.).. mas também de outros fatores. não sejam levantadas hipóteses explicativas definidas tampouco se recorra. Às vezes basta eliminar um bloqueio emocional para que o ego comece a atuar (. deve­ mos convir que não há respostas que revelem a natureza íntima do processo que gera essas mudanças. as possibilidades de progresso são variáveis em cada caso e dependem não só de suas próprias potencialida­ des..) Logicamente. que com sua intervenção con­ segue liberar as forças construtivas latentes42 na pessoa do enfer­ mo Assinala. de­ finir o ocorrido. como por exemplo as condi­ ções de seu meio ambiente. Neste co­ locamos o paciente sobre a pista. Também Alexander sustenta idéias simi­ lares a algumas das que propõe Wolberg: “O importante é que a cura nunca se realiza totalmente durante o tratamento. mais vagamente. a vontade do paciente de se curar. Diz Alexander: “Até onde chegará o impulso do tratamento é sempre uma interrogação sem resposta ao finalizar uma análise43. retrospectivamente.”(2). nenhuma deliberação consciente. ou ainda.

Gredos. 1968. Psique. ob. nesse campo.. Bcllak. Luquct. Adler. muito trabalho pela frente. de Psicoa. Applied Psychoanalysis: Selected Lectures on Psycho­ therapy. .. Joseph. Rangell. cap. 3. ob. ainda que só em pe­ quena escala. 8. 10 . Psicoterapia breve y de emergencia.. Buenos Aires. Psicoanàlisis y psicoterapia. 1960. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicoterapia bre­ ve”. El grupo psicológico. Fiorini. desenvolver-se-ia nos tratamentos breves. Thiel. cit. V. Small. Buenos Aires. Buenos Aires. quando se mencionam esses me­ canismos autônomos (2) (4) (55). F. em L. Nova York. 4 . “Grupo familiar: psicologia y psicopatologia”. em 9. Grune and Stratton. De minha parte penso que tais mecanismos poderiam estar ligados ao menos parcialmente a uma espécie de processo “elaborativo”.. ob.)44. Gumbcl. Fiorini. ob. S. t. ob. . em L. Fiorini. “El principio de la flexibilidad”. Zetzel. 1971.. Alexander e T. em H. 9. em 9. em H. em 9. 9. 6. Main. cit. em H. cit. cap. eit. Wolberg e col. Langer e E. Deutsch. Buenos Aires. n? 1. French. Referências bibliográficas 1. cm H. Madrid. 1972. 2. que. 12 . . 8. 1969. 32 ss. L. Rodrigue. de e J.. contan­ do com uma etapa pós-terapêutica provavelmente muito impor­ tante (ver pp. 5 . Buenos Aires. em 3. ao termo elaboração. Bleger. Paidós. Wallerstein. Mexico. Garma. 1973. 11 . Alexander. Terapêuticapsicoanalitica. Psicoterapia breve. XXVIII. M. 1959. Teoria y técnica de psicoterapias. “Las funciones yoicas en el processo terapêutico”. Pax-México. Nueva Vision. cap. cit. cap. Fiorini.cap. . e French T. No processo de investigação há ainda. “Delimitación técnica de psicoterapias”. Morra. . Fiorini. Rev. Orcmland. 7. em L.. 3 . III. F. No­ va. H. . “Dinamismos y niveles del cambio en psicoterapias”. 6. Psicoterapias breves.56 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica momento. L. .. Granica. “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. 1949. L. “El concepto de foco”. Grinberg. Buenos Aires. em F. cap. 1965. c Small.

ob. Usandivaras. tomo T.Fundamentos teóricos 13 . cap. ob. R. em 3. Institucionesyproblemas. Alexander e T. cit. Freud. em 3. Buenos Aires. “La alianza de trabajo y la neurosis transferencial”. Freud. M. R. Alexander e T. 1965. Freud. L. . tomo II. Freud.. cit. ob. 2. cm S. ob. R. em 18. “Psicoterapia dinâmica breve. 26 . 29. “Problemática actual de las psicotcrapias breves”. “Historia de una neurosis infantil”. Apostila Asoc. em F. Psychiat. 1973. cap.C. em 18. em 18.1968. “La histeria. em S.“ La iniciación dei tratamiento”. 28. cit. em 18. 1977. em S. R. em S. French. Arg. em S. sintoma y angustia”. Nueva Vision. . cit. ©ap. 24 . tomo II. 1948. vol. cit. Fiorini. em S. em G. VII. Gillman.). Vidal.. Enciclopédia de Psiquiatria. tomo I.”. 20 . 19 . tomo II. Grimson (comp. . em S. R. em 18. cit. “Adición metapsicológica a la teoria de los suenos”. Traduzido do International Journal o f Psycho-Analysis. “El fenómeno de la transferencia”. em 18. Modificaciones de opiniones anteriormente expuestas. Psicoa.V. em S. 27 . tomo 11. El Ateneo. “Los caminos de la terapia psieoanalítica”. ob. . 22 . Greenson. em 18.. J. ob. VIII. “La relación no transferencial en la situación analítica”.. French. !. Freud. ob. Alexander c T.1969. Grinbcrg. 25 . cit. Madrid. 1965. em 18. Apostila Asoc. repetición y elaboración”. Traduzido de The Psychoanalytic Quar­ terly. “Análisis terminable e interminable”. tomo 1. e Wexler. . 21 . Bleichmar e R. tomo I. tomo II. 17 . XXXIV. Freud. em F. M. em S. . 3 1. Freud. T. 14 . em 9. Nuevas perspectivas en salud mental. Buenos Aires. “Recuerdo. tomo I. em 3. a) Resistencias y contracarga. 50. obícit. cit. cm H. “Inhibición. R. . Amer. ob. French. . em W. cap. “Psicoanálisis”. V. 16.. Freud. ob.. Psicoa. Freud. ob. 30. 2) Historiales clínicos: Isabel de R.. “La dinâmica del proceso terapêutico”. 18. J. . Apêndice A. ob. Freud. “Brief psychotherapy: a psychoanalytic view”. Biblioteca Nueva. D. . parte 1. 15. “La interpretación de los suenos”.“La dinâmica de la transferencia”. S. 23 . “Planificación de la psicoterapia”. em F. Greenson. Freud. cm 18. cit. H. Arg. em S. cit. O. French. cit.. . . cit. Aportes para una teoria de la téc­ nica”. ob. .

45. Buenos Aires. “Communication. vol... Arg. H. n? 1. ob. M. D. Buenos Aires. “Psicoterapia breve en la infancia”. Paidós. M. 2. Teoria de la técnica psicoanalítica. JL Diccionario de psicoanàlisis.. 1965. Psychiatry. citado por J. 1962.. Reinforcement and Insight. Malan. Tirada do Journal o f the American Psychoanalytic Association. n? 2.. Tavistock. Novey.. Hartmann. Centro Editor de América Latina. X. Paidós. 1961. Dicionário de psicoanàlisis. cap. 1969. cit. ob.. México. 34 .. 48. 1954. S. 42. Novey. Am. 1976.. H. cap II. “Psicoanàlisis y psicoterapia dinâmica: similitudes y direfencias” em Rev. . 33.. em 39. Psicoa. Labor. A.. cit. “Cómo ve el tratamiento breve un psicólogo clinico”. H. 36. Buenos Aires. ob. Lcwin. L. cit. Psicologia de la conducta. cilado por Fiorini. Rangell. Estúdio 1. 40. The Psychoanalysis o f Elation. de Psicoa. 38. Norton. Laplanche. 10. Gxanica. “Psicoterapia breve lrente a psicoterapia prolongada”. H. A Study of Brief Psychotherapy. 1971. The Problem of Psychotherapy Effect”. Nova York. cit. ELDEBA. cm 2. Hoch. México. Pichon-Rivière. cap. 1972. 19. L. emL. E. Philips. e Pontalis. Illinois. S. PaxMéxico. 1971. Citado por S. K. E. L. 37. Kargieman. Psicoterapias breves. Fondo de Cultura Económica. Ensayos sobre la psicologia del vo. out. em 9. Charles Thomas. 1971. Buenos Aires.. Mcnninger.. .. Ch. Bleger. cm 2. (Versão Castelhana: La psicoterapia breve. M. em H. Estúdios sobre técnica psicoanalítica. D.. Wolberg e col. M. Racker. 1950. “Theoretical and clinical aspects of short-term parent-child psychotcrapy”. tomo XXVIII. Buenos Aires. 44. México. 1974. Cuaderno de la SAPPIA. n" 4. B. Psicoanàlisis y psicoterapia breve en ninosy adoles­ centes. ob.. H. Raeker. em L. 39. 43. 1 . Buenos Aires.58 Psicoterapia hreve de orientação psicanalitica 32. e Johnston. Wolberg e col. Londres. Kamo. Buenos Aires. 1969. 1963. cap. Rycroft. J. 46. “El principio de la ‘elaboración’ en psicoanálisis” Apostila Asoc. “Introducción a la técnica psicoanalítica”. Psychother. Small. J. Harrower.. 47. P. 35.) 41. Pax-México.. Barcelona. Knobel.. Springfield. III. 1960. 1964. Lu psicologia dei yo y el problema de la adaptación.

tomo XXV1LI. L.. 1973. Paidós. Wolberg e col. La relación entre el psicoanálisis y la psicoterapia. cap. Bodley Head..Fundamentos teóricos ___________________________________________ :--------------------------------— 49. Technique o f Analytical Psychotherapy. S. “La técnica de la psicoterapia breve”. n? 2. parto y puerperio. . M. em 2. Wallerstcin. W.. vol. Londres.. Psicologia dei embarazo. VI. Buenos Aires. cit. e Knobel. XIV. 1. 1968. em nota 2. 1971. ob. citado por L. Actapsiq. de Psicoa. Kargieman. Soifer. «m L.. J. Lat. 50. em R. psicol. Wolberg. em L. Buenos Aires.. 1950. Buenos Aires. Small. IX. cap. cit. n? I. ColoquioActa 1967: Psicoterapia breve. ob. cap. Probtemas actuales”. 53. . f 54. “La hipnosis en la terapêutica breve”. “Accrca de la psicoterapia brcve”. R. Stekcl. 1971. Buenos Aires. Soifer. R. 55 ... “lntroducción a la mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia. Szpilka. cit.. Wolberg e col. “Ansiedades específicas dei cmbarazo”. ob. Amér. Rev. 52. White R. El yo y la realidad en la teoria psicoanalítica. junho. 51.. cm 48.

* .

TÉCNICA .

.

. • O contrato sobre metas terapêuticas e duração do tratamento. O número de entrevistas a se realizar.4. em boa parte. o destino da relação deste com seu terapeuta . • A avaliação diagnostica e prognostica. as principais finalidades de tais entrevis­ tas são: • O estabelecimento da relação tefapêutica.B. • A devolução diagnóstico-prognóstica. as entrevistas preliminares desempenham um papel fundamental. Entrevistas preliminares Introdução f T É sabido que as entrevistas iniciais têm importância decisiva para o futuro do processo terapêutico a ser desenvolvido. será o que se revele necessário para atingir os fins enunciados. Veremos a seguir cada um destes pontos. variável em cada caso. Dos primeiros contatos com o paciente de­ pende. O estabelecimento da relação terapêutica Neste aspecto. No campo da P. • A explicitação do método de trabalho e a fixação das demais normas contratuais. • A elaboração da história clínica.

em relação ao qual importa muito a con­ duta que assuma o entrevistador. fornecerá informação. tudo o que pode facilmente conduzir à deserção (4). Para isso convém que lhe comuni­ que previamente a finalidade das primeiras entrevistas (conhece­ rem-se mutuamente. diminuir as resistências produzidas por preconceitos. etc. Em essência. etc. Trata=se então de poder criar condições favoráveis para a instauração de um vínculo terapêutico. desde o primeiro momento. . terá que comba­ ter a ambigüidade. c) detectar a capacidade do paciente para efetuar uma psico­ terapia de insight.. no decorrer das mesmas. Formulará perguntas. realizar um estudo o mais completo possível de seu caso para poder decidir a conduta terapêutica a ser seguida. O entrevistador deverá.) e que. Tenta-se. informe-o detalhadamente a respeito dos diferentes aspectos do tratamento que seguirá. Será benéfico que possa mostrar-sc interessado pelos problemas do paciente. desse modo. essencialmente diagnostica e contratual. . além de claro e explícito. 72). além disso. Considero que o emprego de interpretações nas entrevistas ais deva limitar-se principalmente aos seguintes fins: a) esclarecer e orientar a relação transferencial quando sur­ jam obstáculos a ela que ameaçam inclusive provocar a deserção do paciente. quer dizer. dis­ posto a oferecer-lhe sua ajuda e confiante em seu método terapêu­ tico. dirigindo os diversos momentos das entrevistas em função dos objetivos desta fase do procedimento. P. em sua comunicação com o paciente. mal­ entendidos ou temores a respeito do tratamento. assumir um papel ativo. na qual pode-se recorrer às chamadas interpretações panorâmicas (ver . fomentadora de condutas resistenciais e fenô­ menos regressivos. e ízes poderá recorrer a assinalamentos e interpretações. sua contribuição para o estabelecimento de uma relação de trabalho. A experiência clínica demonstra que tais atitudes ajudam bastante no estabelecimento de uma relação terapêutica.64 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica (que poderá ser ou nâo aquele que o tenha entrevistado). b) efetuar uma devolução diagnóstico-prognóstica. empregando isolada e prudentemente interpre­ tações de ensaio (1)'.

através dos momentos livres da entrevista. A respeito da metodologia a ser empregada. que não deve permanecer circunscrita ao diag­ nóstico clínico. os sintomas que a acompanham. com maior razão ainda. de grupo. a escolha de objetivos e o planejamento do tratamen­ to-. etc.Entrevistas preliminares 65 A história clinica Em P. Uma história clínica em que se leva em conta esta indicação poderá oferecer-nos elementos valiosos para com­ preender melhor a natureza dos problemas atuais do paciente. O habituaf é que este se ache ligado à situação-problema que dará lugar ao tratamento. esta demandará. embora isso não implique que se tenha de seguir uma ordem rígida para interrogar o paciente. psicoterapia em que predomine o insight ou de apoio. insuficiente para efetuar a formulação prognosti­ ca e a indicação terapêutica (psicoterapia breve. Essas averiguações podem ser reali­ zadas deixando-se em primeiro lugar que o paciente exponha li­ vremente suas dificuldades atuais. Se se decide pela realização de uma terapia de duração limita­ da. modos patológicos e repetitivos de conduta. Convém assinalar o interesse particular de quese reveste em P. em relação à sua história de vida. é necessário realizar uma indagação exaustiva dos dados do paciente. psicoterapia prolongada.). que logo poderá ser dirigida ou semidirigida quando for necessário obter determinados dados do paciente (antecedentes familiares e pessoais). os fatores desencadeantes.B. cabe recomen­ dar a adoção de um modelo de anamnese cromo ponto de referên­ cia.B. Será conveniente obter amplas informações sobre os antecedentes dessa situação-problema. mediante a descoberta de situações traumáticas. etc. ou seja. etc. Avaliação diagnostica e prognostica Avaliação diagnostica É preciso efetuar uma ampla e minuciosa avaliação diagnos­ tica do paciente. a indagação do motivo da consulta. um conhecimento .

2) A avaliação do grau de moti­ vação para o tratamento e de atitudes para o “insigfit”. aos quais podem somar-se outros exames. Os elementos necessários para os distintos diagnósticos devem ser obtidos basicamente por meio de entrevistas clínicas e de testes psicológicos. etc. O diagnóstico nosográfico-dinâmico Implica o diagnóstico atual da enfermidade do paciente (neu­ rose. compondo na realidade um diagnóstico psicossociopatológico. Segundo Bellak e Small. 3) A deter­ minação do foco. procurará contribuir. Devem incluir-se também: O diagnóstico do tipo de grupo familiar de origem.66 Psicoterapia breve de orientação psicanalíticu prévio do paciente o mais profundo possível (hipótese psicodinâmica inicial) para organizar o plano terapêutico correspondente. memória. além disso. que inclui as condições egóicas. para a qual se investi­ gam os recursos de que dispõe o ego do paciente. elas serão examinadas. Este último fato permitirá que se tomem os cui­ dados necessários diante das prováveis dificuldades que pode­ riam sobrevir durante o tratamento. E elementar que estas funções se apresentem cm condições mínimas para tomar possível a psicoterapia. para que o paciente adquira ou recupere as capacidades egóicas que lhe faltam. atenção. Consideramos aqui: 1) O diagnóstico nosográfico-dinâmico. sua inci­ dência na problemática atuãlT ãíém da influência que possa exer­ cer o meio ambiente. psicose) e de personalidade. eletroencefalográfico. neurológi­ co. Em psicoterapia breve interessa indagar principalmente: <^a) AsJunções egóicas básicas (percepção. que serão os aliados do terapeuta. b) As relações objetais. etc. caracteropatia. Uma avaliação das condições egóicas. quer dizer. Exem­ plo: depressão reativa num neurótico obsessivo. pensamento. psicopatia. cuja personalida­ de apresenta um predomínio de traços paranóide-obsessivos.). o qual. seus aspectos adultos ou sadios. no que diz respeito à sua qualidade e intensidade e .). e suas debilidades. por meio do trabalho terapêutico. que as circunstâncias requeiram (exame médico geral.

sonhos. da história de suas relações interpessoais.e) Os mecanismos defensivos. os inconvenientes que nesse sentido podem surgir durante o tratamento. em certa medida.Entrevistas preliminares 67 aspectos manifestos e latentes (2). será necesfário tomar certas medidas terapêuticas (emprego de técnicas dramáticas em um. nas primeiras entrevistas. Em ambos os casos. determinação que é de grande importância para a indicação terapêutica. K . Pode ser excessivo ouí pelo con­ trário. f) A regulação da auto-estima. Trata-se de detec­ tar as condições do paciente para tolerar uma psicoterapia interpretativa. de suas fantasias. os que procuram terapia apresentam uma diminuição da auto-estima. em virtude da mobilização afetiva que esta costuma produzir (para isso. entre cies as interpretações de ensaio [í]. recordações. 24 c) O controle de impulsos. . para o plane­ jamento e para o prognóstico. Em geral. para comprovar sua reação às mesmas). etc. as características da relaçào transferen­ cial durante a terapia. Será necessário precisar as principais defesas empregadas pelo paciente. porque nos permitem prever. pode-se apelar para diversos recursos. devendo o trabalho terapêutico resultar numa elevação da mesma. e que repercussão tive­ ram nele). em contrapartida. {I d) A tolerância à ansiedade e àfrustração.). aumento do número de sessões em outro. a maior ou menor capacidade do paciente para estabelecer uma boa relaçào terapêutica. estar diminuído. Exemplo: um repertório reduzido de defesas estereotipadas será um elemento prognóstico desfavo­ rável para uma psicoterapia de insight. assim como sua capacida­ de para superar sem maiores conseqüências o luto causado por sua separação do terapeuta no fim da terapia (convirá averiguar a existência dc lutos na história do paciente. a partir da conduta evidenciada pelo paciente durante as entrevistas clínicas. de nossa contratransferência e dos dados fornecidos pelos testes psi­ cológicos. Essas indagações são de grande valor para efetuar um prognóstico e uma estratégia terapêutica. e muito especialmente o momento do término da terapia e do desligamen­ to do terapeuta. a varie­ dade de mecanismos defensivos tornará favoráveis as perspecti­ vas prognosticas.

Suas res­ postas às interpretações de ensaio (1) e assinalamentos nos darão a medida de sua capacidade de auto-observação. para assistir às sessões de tratamento. A motivação para o trabalho terapêutico é susceptível de ser estimulada durante as primeiras entrevistas e no decorrer do trata­ mento. a escolha e a demarcação do foco são facilitadas. e em espe­ cial sobre sua motivação e condições para o insight (8). Avaliação do grau de motivação para o tratamento e das atitudes para o "insight” Diversos indicadores. isto é. se o paciente apresenta transtornos ge­ neralizados em todas ou em quase todas as áreas de conduta. Diretamente ligado à capacidade de insight do paciente achase seu grau de consciência da enfermidade. que devem resolver-se através do tratamen­ to. passo tecnicamente essencial para nosso trabalho terapêutico pos­ terior. sobretudo se não há uma situação definida . sua resistência ou sua permeabilidade ante as intervenções do terapeuta.6H Psicoterapia hreve de orientação psicanalitica Finalmente chegaremos à avaliação da potência e plasticida­ de do ego. de tal forma que não conseguimos destacar um problema ou conflito como ponto de partida. depressões reativas). Determinação do foco Trata-se da possibilidade de precisar e delimitar um foco. A esse respeito cabe assinalar o papel fundamental que de­ sempenha a forma pela qual o entrevistador faz a devolução diagnóstico-prognóstica para o paciente no começo da relação. Quando se trata de quadros agudos (neuroses traumáticas. provenientes das entrevistas diagnosti­ cas e da realização dos testes psicológicos. nos dão uma idéia acerca do grau de motivação do paciente para receber ajuda tera­ pêutica. do mesmo modo que a definição dos objetivos terapêuticos. Outras vezes torna-se mais dificultosa. que também terá de ser detectado.

de antemão. como num tratamento analítico. Quando se recomendà esse tipo de tratamento. nâo encontramos “a ponta do novelo” para abordar o caso através de uma terapia setorial (trata-se de indivíduos com sérias alterações de personali­ dade. com a base num plano de trabalho determinado. enquanto os diferentes diagnósticos e avaliações citados até «qui constituem as versões interpretativas parciais de tal formulação. quando se deve empreender uma psicoterapia de duração limitada5. boderline ou neuróticos crônicos). . Daí que a aplicação de testes deveria efetuarse de maneira sistemática em pacientes para os quais se prevê a realização de um tratamento breve e planejado. coloca-se a necessidade de se obter. essa aplicação adquire suma importância no planejamento terapêutico. Sobretudo se a terapia é de duração limitada. desejo fazer algumas considerações a respeito3. A aplicação de testes psicológicos é muito útil para o diag­ nóstico. às vezes fica ampla­ mente compensado. Tenho dito e o repito: em P. não haverá tempo para esperar a emergência de certos conteúdos. A determinação do foco e o aprofundamento em sua conflitiva engloba o diagnóstico do ponto de urgência e acha-se por sua vez compreendida dentro da formulação psicodinâmica antecipa­ da . já que esta última não é outra coisa senão uma hipótese diag­ nostica integral.Entrevistas preliminares 69 I de urgência que predomine. cuja enfermidade data de muitos anos. ou pelo menos nos casos em que se esbarre com dificuldades diagnosticas e/ou tera­ pêuticas4. Papel do psicodiagnóstico Embora este não seja meu campo específico de atividade. ainda que considerável. em outras palavras. prognóstico e para as indicações e contra-indicaçôes da terapia breve. pelo menos em seus traços princi­ pais.B. um conhecimento amplo e profundo acerca do paciente. que facilite a formulação da hipótese psicodinâmica ini­ cial e conseqüentemente nossa tarefa terapêutica. em geral caracteropatas. Sou dos que pensam que o tempo investido no processo psicodiagnóstico.

sexo do tera­ peuta. Dentro destas últimas. Os resultados deste dependerão de fatores provenientes do paciente. Tais fatores devem ser consi­ derados sempre em conjunto. Os dados que se extraem são muitos e valiosos: diagnóstico da personalidade c do quadro psicopatológico. não o é. mas também para agilizar o processo terapêutico. do terapeuta e do âmbito assistencial em que tenha lugar (hospi­ tal. pois a riqueza dos dados que podem ser obtidos não só pode contribuir para a consecução de bons resultados. desenho livre. e não de maneira isolada.)7. Avaliação prognostica Em geral é possível realizar uma avaliação prognostica. por exemplo. Quando as circunstâncias o aconse­ lhem. consultório particular). casal. como. Também poderão efetuar-se recomendações terapêuticas. a força do ego. os mecanismos defensivos. na realidade. etc. e completar-se com o de Bender. desiderativo. figura huma­ na. etc. Com relação ao paciente. so­ bretudo do momento ou quadro atual que motiva o tratamento. psicodinamismos.A. a partir dos dados obtidos (sobre o tipo de tratamento. acrescentem-se os testes de inteligência.70 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Embora pareça contraditório destinar um número apreciável de horas à realização do psicodiagnóstico quando se trata de pou­ par tempo (como ocorre no caso das terapias hospitalares de curto prazo). a tolerância à ansiedade e à frustração. influirão especialmente as diversas condições diagnosticas a respeito dos aspectos já citados. etc. especialmente quanto à capacidade de suportar a separação do terapeuta6. e apreciações prognósticas. condições egóicas. o Phillipson ou o T. [5]). A bateria de testes a ser empregada pode constar do Teste de Rorscharch (5) (7) (10). capacidade de insight. clínica. cuja duração poderá eventualmente abreviar-se no alcance dos objeti­ vos propostos.T. do Teste das Relações Objetais de Phillipson (5) (10) ou do Teste de Apercepção Temática de Murray (5). o psicodiagnóstico descreve as características das relações objetais (por diversos indícios dos testes projetivos. São_elementos para um prognóstico favorável: — .

Incide conside­ ravelmente na produção de bons resultados terapêuficos. como assinala Courtenay (3). em nenhum caso deveria se omitir (12) . a cargo do psicólogo que o efetuou . mesmo nos casos que apresentem certa gravidade (8).e mesmo que tenha sido outro o pro­ fissional que realizou as entrevistas clínicas. • Egoforte.Entrevistas preliminares ___ ______ ______ ______ _______ _______ _______ _____ • Início recente e agudo do sofrimento ou problema atual a ser abordado ou. A devolução diagnóstico-prognóstica Além da devolução dos dados do psicodiagnóstico. além disso. • Possibilidade de determinar ofoco antecipadamente (antes de iniciado o tratamento ou em suas primeiras sessões)*. equipe de profissionais.que por diversas razões. etc. existe uma contratransferência positiva que facilita a instauração dc um bom vínculo com o paciente. • Capacidade de insight. que se trate de um “momento propício” numa enfermidade relativamente crônica. segundo estas pareçam ou não alcançáveis dentro das condições gerais que regerão o traba­ lho terapêutico. Com relação ao terapeuta. além de este reunir as condições necessárias para o exercício da P. deve ser feito em fimção das metas combinadas. Com relação ao contexto assistência!interessam as possibi­ lidades terapêuticas que oferece em seus aspectos temporais. É claro que o prognóstico terapêutico. as perspectivas prognosticas são favoráveis quando. (ver capítulo L4).B. es­ paciais. • Alto grau de motivação para o tratamento. com funções básicas em bom estado. cabe uma nova devo­ . etc. capacidade de estabelecer boas relações objetais e de tolerar adequadamente a separação que sobrevirá ao finalizar-se a terapia (relação transferencial com grau leve de ambivalência e dependência). • Leveza e limitação da patologia (3). plasticidade de defesas. • Condições favoráveis do meio familiar e social para o desenvolvimento da tarefa terapêutica e aceitação das mudanças do paciente.

. com o que além disso se irá delineando o provável foco terapêutico. Poderíamos reiterar o mesmo com relação às metas tera­ pêuticas. já que não é proveitoso fazê-lo nesta etapa. psicodinamismos subjacentes à situação-problema. Mencionarei. sem se estender nem aprofundar em demasia. a qual naturalmente será baseada nas conclusões a que chegou. além dos aspectos diagnósticos. deve abranger referências ao prognóstico capazes de tranqüilizar e reanimar o paciente. a seguir. procurando compreendê-las. a devo­ lução será centrada naquilo que em nossa opinião deve converterse na problemática central do tratamento.72 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica lução da parte deste último. Esta segunda devolução é resultante da tare­ fa desenvolvida em equipe e deve antes de tudo manter coerência com relação à devolução psicodiagnóstica. c) Reforçar sua motivação para entender e resolver suas difi­ culdades por meio da psicoterapia. uma vez combinadas. impressões gerais a respeito de sua pro­ blemática. que permitem esboçar. e em parte sugerir. ao lhe apresentar. A devolução. mas tam­ bém como conseqüência do emprego dos diferentes meios auxi­ liares de diagnóstico.) Como foi dito. alguns dos objetivos de tal con­ duta: » a) Fazer o paciente sentir que se presta atenção nele e se pensa em suas dificuldades. que será a escolha de metas te­ rapêuticas. numa lin­ guagem simples e clara. o conflito do qual julgamos poderiam surgir tais metas. (Em outras palavras. Para isso pode-se recorrer às interpretações denominadas panorâmicas (4). O entrevistador transmitirá oralmente ao paciente. de maneira global. Trata-se de uma nova contribuição em busca de uma aliança de trabalho. nào só depois das entrevistas. b) Fornecer-lhe certo esclarecimento preliminar a respeito de sua problemática. Isto lhe dará a idéia de que podemos oferecer-lhe nossa ajuda e de que tem possibilidade de resolver seus sofrimentos ou pelo menos de ali­ viá-los. d) Facilitar o passo seguinte. serão transmitidas ao paciente apenas algu­ mas apreciações acerca dc sua problemática.

assim como de suajrnotivação e capacidade de insight. em atenuar as exigências superegóicas. Devem-se em princípio conhecer e levar em conta os pontos de vista do paciente acerca das metas do tratamento. em imediatos e mediatos. isto é. que se ajustem às possibilidades que oferecem paciente e terapeuta e às condições gerais em que terá lugar a terapia. É preciso que os objetivos a que se proponham sejam presu­ mivelmente alcançáveis. até chegar a estabelecê-los claramente e de comum acordo. um escalonamento estratégico. de acordo com a ordem cronológica em que se procure alcançálos. e em explícitos e implícitos. Também dirá que se procurará melhorar seu estado de ânimo e esclarecer também o que sucede com sua família. As respostas correspondentes nos darão além disso alguma idéia de suas fantasias a respeito de enfermidade e de cura. num tercei­ ro. etc. Isso não exclui que por meio de devolu­ ção efetuada se tente chamar sua atenção sobre determinada “conflitiva” e acrescentar sua motivação para enfrentá-la. O terapeuta se referirá aos objetivos do modo mais claro e simples possível. seguindo. se necessário. já se terá formulado ao paciente perguntas. paciente e entrevistador trocarão opiniões acerca dos possíveis objetivos da terapia a ser realizada.Entrevistaspreliminares__ _____ ______ ______ ______ ______ _ Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento Depois de efetuada a devolução diagnostica. Por exemplo. o tera­ peuta deve formular os fins terapêuticos de um ponto de vista psicodinâmico: em um caso pensará sobretudo em elevar a auto-estima. Paralelamente. dasjquais pro­ vêm os objetivos que ele se coloca. como: Que expectativas tem acerca do tratamento? Em que problemas você crê necessitar de ajuda? Em que supõe que tem de consistir essa ajuda?. equivocados ou não segundo nosso julgamento. segundo sua importância. Poder-se-ão classificar como primordiais e secundários. em outro. em revelar o significado inconsciente de tal conduta e atacar determinados mecanismos defensivos. dirá ao paciente que entre ambos poderiam tratar de esclarecer por que ele sente tanto temor quan­ do lhe solicitam qualquer tarefa em' seu emprego e de conseguir que enfrente essas situações de forma mais adequada. etc. se tiverem ou não sido verbalizados e com- . Com essa finalidade. etc.

não efetuar V nenhum tratamento9. mas também a duração do tratamento deveriam.12 meses. A isso se tem referi­ do. antes de seu início. que o paciente alcance maior consciência da enfermidade ou eleve sua auto-estima. c) se as dissidências forem muito grandes. Não só os objetivos. cabem várias alternativas: / a) aceitar o que propõe o paciente. caso em que o terapeuta deverá renunciar aos propósitos terapêuticos que tinha previa­ mente.). que atuam naquele como ordens). situações próprias do paciente. ser estabelecidos de comum acordo entre terapeuta e paciente. também constituem por conseguinte objeti­ vos terapêuticos gerais. quase cons­ tantemente presentes. entre nós. por exemplo. (Toda terapia breve de insight pressupõe a existência de fins terapêuticos inerentes à natureza mesma do processo. que sur­ gem em cada caso. b) realizar uma tarefa de esclarecimento que tenda a motivar o paciente a emj preender uma terapia com base nas metas que consideram conve­ nientes.) Quando não se chega a um acordo real sobre as metas da te­ rapia (pode tratar-se. que inclusive podem ter motivado o tratamento. A duração de um tratamento breve varia segundo as circuns­ tâncias: • Pode estar predeterminada por modalidades institucionais. por acaso também adequada.4 _____ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica binados cora o paciente. diferenciados dos particulares. que se apresentam especialmente no consultório particular. etc. inclusive. • Em muitas oportunidades. a duração do tratamento depende do que o terapeuta e o paciente resolvam. ou postergá-los para uma segunda etapa. Esses fins. Em lugar de encarregar da duração do . poderá contar ou não com um final prefixado.6. • Em outras ocasiões. poderão determinar uma finalização obrigatória. Assim. colocam. que estabelecem prazos para os tratamentos geralmente de modo convencional e que correspondem a necessidades organizacionais dentro do planejamento assistencial que tais instituições adotam (de 3. dentro do possível. de um pseudo-acordo por submis­ são do paciente às sugestões do terapeuta. Ulloa (13). por sua vez. uma limitação temporal espontânea ao mesmo: acontecimen­ tos como uma viagem. por exemplo.

o melhor será não limitá-la. de desconfiança (habitualmen­ te com marcados traços fóbicos ou paranóicos). seus fins não se cumprirem)10. “A fixação do tempo . mas às vezes ocorre o contrário: para antepacientes que apresentem uma atitude receosa e. sg.para a finalização. Por último. como condição primordial. a fim de a elaborarem conjuntamente. Isso não implica que aceitaremos ingenuamente as idéias do paciente. mas que buscaremos soluções depois de uma revisão adequada da situação. seria pre­ ferível que se pudesse obter uma vez mais a opinião do paciente sobre essa questão.Entrevistas preliminares 75 tratamento fatores alheios à situação mesma do paciente. Em contrapartida./ . o mais comum é que a abandonem em algum momento ou que simplesmente não a ini­ ciem. que existe uma data em que o tratamento será concluído/Dessa maneira aceitam com menos dificuldades serem tratados. Quando a duração do tratamento for determinada de antemão. que a mesma guarde relação direta com os objetivos terapêuticos pro­ postos. com o objetivo de evitar fantasias de ser preso numa armadilha pelo terapeuta.tempo para um pode não ser para o outro. desde o começo.faz-se com a participação explícita do paciente no nível em que ele esteja capacitado para tal elaboração” (13). pode ser conve­ niente determinar uma data exata . outras vezes a limitação de tempo parece necessária para estimular e agilizar o trabalho terapêutico do paciente. do que quando se acham ante uma terapia de duração indeterminada. sendo até possível que depois dese­ jem prolongá-lo. ou que este tenha a impressão de que é imposta pelo terapeuta. os quais em princípio não concebem que a psicoterapia deva estender-se demasiadamente no tempo para solucionar seus padecimentos. Esta situação se apresenta mais comumente em pacientes de es­ trato socioeconômico baixo. o terapeuta deve procurar. Se não apelarmos com flexi­ bilidade para este recurso estratégico. Fixar previamente uma data para o término da terapia supõe vantagens e desvantagens. com o tempo que empiricamente estime neces­ sário para cada paciente alcançar esses objetivos (sem que isso seja um impedimento para efetuar uma recontratação do tratamento.não muito longínqua . uma vez chegado o seu término. quer dizer. O que é pouco . tranqüiliza-os saber.ou muito .assinala Ulloa . Com freqüência. se se fixa um prazo. seus receios diante do tratamento são menores.

que será baseado sobretudo em revelar-lhe aspectos obscuros ou desconhecidos para ele. dever-se-á fazer empenho em explicar-lhe cuidadosa e detalhadamente o que será sua regra básica defuncionamento no decorrer da psicoterapia. junto com o terapeuta. recontrato. respecti­ vamente. 89 ss. que em princípio costu­ mam provocar as interpretações. que uma vez ter­ minada a terapia.B. e que em P. suas funções. quais serão. fixação de entrevistas de con­ trole.76 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Além disso. poderá pelo contrário coope­ rar com o terapeuta. No que diz respeito às funções do paciente. ou seja. (Da regra básica de funcionamento ocupo-me no capítulo 6. e que a partir daí se resolverá a conduta mais ade­ quada a assumir (separação final. Desse modo. das quais se dará alguma idéia elementar. etc. O benefício dessa tarefa informativa reside em que o paciente. em vez de resistir. à intolerância das ansieda­ des provocadas pelo desconhecido.) Convém que o paciente tenha uma noção prévia do papel do terapeuta. que vá mais além do que lhe permite seu senso comum. pp. um balanço dos resultados obtidos. e que isso será efetuado através de interpretações. indicação de outro tratamento. as do terapeuta e eventualmente as da equipe terapêutica. que podem estar provocando e/ou incrementandq seus sofrimentos. Explicitação do método de trabalho. considero que possa ser prejudicial. poder-se-á explicar-lhe que se trata fundamentalmente de ajudá-lo a compreender melhor sua situação. desconcerto ou estranheza. tomando conhecimento da técnica que orien­ tará o trabalho de ambos. Com relação a isso costumo advertir ao pa- . tentando trazer-lhe um ponto de vista diferente. para o que ambos levarão em conta seu estado nesse momento. Fixação das demais normas contratuais É útil oferecer ao paciente uma idéia acerca das característi­ cas do tratamento que terá de seguir. procuraremos fazer com que se familiari­ ze o mais rápido possível com o tratamento e se abrevie a etapa de ansiedade.). é mister explicar ao paciente. realizará. Quando se pensa em efetuar uma psicoterapia interpretativa.

em F. graças a seus conhecimentos e expe­ riência. pode tornar-se pos­ sível entendê-lo e ajudá-lo. . F. das entrevistas de avaliação e do novo psicodiagnóstico. VI. particularmente no início do tratamento. lhe pareçam apesar de tudo um pouco es­ tranhas. sendo conveniente que se ajuste desde o primeiro momento a uma relação mais “real” com este (9).Entrevistas preliminares 77 cicnte que é possível que minhas intervenções. etc. datas do térmi­ no do tratamento. feriados. acrescento ante uma sugestão de Montevechio (9) é de se esperar que ao protagonista de uma situação perturbadora resulte difícil compreender com clareza o que está acontecenjio ao seu redor e que.).. entrevistas com familiares. devem fixar-se as diferentes condições do conta­ to terapêutico. Também convém informar o paciente se se pretende empre­ gar outros recursos terapêuticos (psicofármacos. honorários. comunicando. Com isto tende-se a contrabalançar sua sensação de fra­ casso ao ter de ir à consulta. como também a fantasia de onipotên­ cia do terapeuta. etc. Os demais detalhes não diferem do que já se conhece (férias do terapeuta. Por último. cap. A todos esses esclarecimentos podem agregar-se outros. Alexander. não menos benéficos para o desenvolvimento do tratamento: cabe as­ sinalar ao paciente que nossa tentativa de fazê-lo entender suas dificuldades a partir de uma nova perspectiva. Àlcxander e T. do lado de fora. horários. corresponde ao fato de que tais dificuldades superam suas^possibilidades de solucioná-las jíor sua conta. para o terapeuta. Referências bibliográficas 1. ainda que minimamente. seu sen­ tido e alcance. French. Buenos Aires. em especial as correspondentes aos aspectos espaço-temporais do enquadramento: posição espacial do terapeuta e paciente (geralmente devem sentar-se frente a frente). Terapêutica psicoanalitica. que lhe permita en­ frentá-las melhor. e que na realidade notará alguma diferença em relação às conversas que mantém habitualmente com as pessoas. 1965. freqüência e duração das sessões. Paidós. eventualmente. “Indieaciones para la terapia”.). mas.

e Small. Comunicación personal.) 9. t. Madrid. Buenos Aires. 7. Ocampo e M. cap.. 1972. cap. Garcia Arzeno. 12 . 6. em 10.78 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Aires. . García Arzeno. 4. 1973. Grimson (comp. México. Tavistock. cap.1. Gredos. Buenos Aires. 1973. R. “La recomendación de psicoterapia a partir dei diag­ nóstico psicológico”. M. Teoria y técnica de psicoterapias. em M.. “Cómo ve cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. Ocampo. Granica. Psicoterapia breve. O. H.) e outros. Illinois. M. “El proceso psicodiagnóstico”. I. 4. M. Small.. Las técnicas proyectivasy el proceso psicodiagnóstico. Ulloa.’2. Londres.. Buenos Aires. S. Nueva Vision. L. Sexual Discord in Marriage. L. psicol. E. cit. Fiorini. Ocampo e M. E. L.. H. Harrower. 1969. XIV. Nuevas perspectivas en salud mental. Londres. E. “La primera entrevista era psicoterapia breve". “La entrevista de devolución de información”. 1968. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. ob. “Indicadores para la recomendación de terapia breve extraídos de la entrevista devolutiva”. Courtenay. cit. 8. B. . 10. Charles Thomas. 5. A Study of Brief Psychotherapy. 13.. Friedcnthal. IX. Malan. M. Nueva Vision. L. Fiorini. J. J. 11. Beliak. Nueva Vision. Buenos Aires. S. García Arzcno. Buenos . Buenos Aires. em L. Springfield. Lat. R. S. Psicoterapia breve y de emergencia.. em W.. em M. em 10. 1968. 1968. Instituciones y problemas. L. S. Centro Editor de América Latina. Comunicación personal.. 3. Acta psiq. XI. 1963. em FI. Ocampo e M. Tavistock. n‘. Citado por L. L. Montevechio. PaxMéxico. e García Arzeno. 11 . “Comentário al artículo de Hector Juan Fiorini”. M. 1. 1974. E. Psicoterapias breves. cap. E. H. D. ob. García Arzeno. 2. 11. t. em M.. vol. Âmér. Wolberg. F.

já estaremos em condições de estabelecer um planejamento estratégico adequado. que em algumas passagens da Terapêutica psicanalítica chamam ao tratamento breve terapia planejada (2) (3). que terá culminado no desenvolvimento de uma for­ mulação psicodinâmica antecipada (3).5. Para conceber a estratégia. assim como as pos­ sibilidades que oferece a instituição. dever-se-ão considerar fatores como a experiência prévia daquele e sua habilidade no manejo dos distintos recursos (fatores que deverão ser levados em conta em relação a toda a equipe terapêutica). necessariamente. Com a revisão desses elementos. Com relação ao terapeuta e à instituição. Planejamento do tratamento I f A elaboração de um plano terapêutico é uma das característi­ cas que distinguem as psicoterapias breves. Este consiste no projeto de rima estratégia terapêutica. Planejaremos nossa ação terapêutica com base numa estrutura de foco terapêutico inicial. Diversos autores têmse referido à necessidade de planejamento. entre eles French (3) e Alexander (1). do terapeuta e eventualmente da instituição. da recolocação das distintas questões técnicas que são suscitadas em . o que demonstra a importância que tais autores outorgam ao plane­ jamento. será essencial partir dos vários dados obtidos pela avaliação diagnóstico-prognóstica (ver capítulo 4). dever-se-ão ter presentes diversos elementos provenientes do paciente. Um programa terapêutico deve surgir. efetuado com o fim de alcançar os objetivos propostos. Com relação ao paciente.

serviço social. etc. além disso. inclusão de familiares e/ou pessoas que lhe são pró­ ximas. do princípio do desen­ volvimento e do final da terapia. diretiva. Inclui a determinação do tipo de psicoterapia a ser aplicada (em que predomine o insight. e ainda em tarefas a realizar se a evolução do paciente o permitir (a abordagem de determinado conflito subja­ cente. os conflitos que vamos abordar. os diversos tipos de intervenção do terapeuta (interpretações em suas distintas variantes. Projetar-se-á então alguma tarefa em relação a tal luto que até em sua mínima expressão inclua sempre o assinala- . ainda que elementar e provisória. informa­ ções.) e o uso de outros recursos terapêuticos (psicofármacos.HO Psicoterapia breve de orientação psicanalítica cada caso particular. sugestões. ou inclusive de reforçamento desses). cstabelecer-se-á muito especialmente a atitude terapêutica a ser assumida diante dos distintos mecanismos defensivos do paciente (incisiva ou pelo contrário de abstenção. tender para a previsão dos possíveis rumos e das características que pode tomar o processo terapêutico em seus aspectos mais gerais. O planejamento deve. de fortalecimento egóico ou de apoio). etc. etc. Outros aspectos relevantes a serem considerados serão: as regras de funcionamento do paciente durante o tratamento (ver capítulo 6). organizar-se-á tudo o que se refere às condições temporais (duração.) que.) e espaciais do enquadra­ mento. etc. número e periodicidade'das sessões sema­ nais. aqueles que serão deixados de lado e a provável seqüência de tal abordagem. Recomendo sobretudo não omi­ tir tudo o que se refira à conclusão do tratamento. A experiência demons­ tra que é conveniente contar desde o começo com uma idéia ante­ cipada. duração total do tratamento. Também é útil pensar em possíveis inconvenientes terapêuti­ cos que possam surgir durante o tratamento e na melhor forma de enfrentá-los (3). logicamente. muito ativa. assinalamentos. que em certa medida também deverá ser planejada: será necessário prestar atenção às situações que poderá reviver cada paciente na ocasião de enfrentar o luto pela separação do terapeuta e de acordo com isso ao tipo de relação objetai e ao grau de tolerância à frustração que apresenta.). técnicas dramáticas. perguntas. irá sendo regulada pelos indicadores que aparecerem no decorrer das ses­ sões. a atitude geral do terapeuta ante o paciente (cálida. cautelosa. por exemplo).

cit. “Alcance dc la psicoterapia”. 2 . em F. ob. Mas essas alternativas só podem ser previstas até certo ponto. 1965. . cap. Alexander e T. ao ladb do terapeuta. Alexander e T. French. a encarregada de elabo­ rar o programa terapêutico.que devem colocá-lo em prática em seguida. já que. Alexander. pelo contrá­ rio. para poder enfrentar com eficácia as situações mutáveis e inespe­ radas que podem apresentar-se no decorrer do tratamento.. 3. VII. O intercâmbio de dados e idéias freqüentemente possibilita uma elaboração mais minuciosa.Planejamento do tratamento 81 mento da situação de perda. Alexander e T. cit. Buenos Aires. que além disso será comparti­ lhado precisamente por aqueles. French. “Eficacia dei contacto breve”.. IX. em síntese. ob. em 1. dos demais profissionais que eventualmente intervenham no tra­ tamento. em 1. considero que quando numa terapia está envolvida uma equipe de especialistas (dois ou mais profissio­ nais). tais como o nú­ mero de sessões semanais a se estabelecerem nas últimas etapas do tratamento (ver capítulo 9). o que resulta essencial para se obter eficácia terapêu­ tica. recordemos que o planejamento cpstuma ser fa­ cilitado e enriquecido pela participação nele. cm F. Referências bibliográficas 1. F. Paidós. “Planificación dc la psicoterapia”. em F. French. envolvendo detalhes. o terapeuta deverá ser dotado de uma flexibilidade tal que lhe permita itiodificar seus planos quando as circunstâncias o exijam. em conjunto. . profunda e definitivamente mais adequada do projeto terapêutico. T. French. deve ser sempre esta. por­ que de nenhum modo dever-se-á entender que todas essas medi­ das possuem um caráter rígido c inalterável. Terapêuticapsicoanalítica. Por isso. Finalmente. Trata-se em suma que a terapia não fique entregue exclusiva­ mente à intuição e à improvisação sobre o seu andamento (2). cap.

.

. assim como a de planejamento. de imediato. Com relaçào aos diferentes aspectos de técnica concernen­ tes ao tratamento propriamente dito. dedicando uma maior exten­ são às interpretações. examinarei os ele­ mentos psicoterapêuticos verbais.B. por último. depois abordarei o problema da atenção do terapeuta em relação à tarefa de focalização. que se apoiará dentro do possível em hipóteses. considerar-se-á em primeiro lugar a relaçào paciente-terapeuta.6. cujo estudo é ponto de parti­ da obrigatório para a compreensão dos temas subseqüentes. psicopatológicas e terapêuticas consistentes e ao mesmo tempo "em objetivos e enquadramento definidos. figuram algumas reflexões acer­ ca das sessões e de outros recursos terapêuticos. psicanaliticamente orientada. que terá de ser adotada no decorrer da terapia. inicia-se o tratamento. e ao papel que nesta última poderia caber ao método psicanalítico de associação livre. O tratamento [ Introdução Uma vez cumpridas as etapas diagnostica e contratual. instrumento fundamental na P. em seguida referir-me-ei à regra de funcionamento para o paciente. entre os quais incluo aqueles em que minha própria experiência é maior (uso de psicodrogas e participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente).

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Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica

A relação paciente-terapeuta no tratamento breve
Referir-me-ei à relação terapêutica na psicoterapia dinâmica breve e às diferenças existentes entre ela e sua correspondente no tratamento psicanalítico. Tomarei como base um resumo que in­ clui a opinião de alguns autores acerca do tema. Para compreender o porquê das particularidades do vínculo terapêutico em P.B., convcm considerar primordialmente o que acontece em relação à transferência e à neurose transferencial re­ gressiva1. Antes de passar a ver como podem ser manejadas em uma terapia breve de orientação psicanalitica, efetuaremos uma rápida revisão das características da relação terapêutica no trata­ mento psicanalítico, que servirá portanto para apontar diferenças significativas. Há, no contexto psicanalítico, condições que facilitam o esta­ belecimento, o desenvolvimento e a análise da neurose transferen­ cial regressiva, a qual, como disse antes (ver capítulo 3, p. 26), é fundamental no processo terapêutico. Assim observamos que: O analista procura manter o anonimato - o que por sua vez contribui para criar um clima de ambigüidade a fim de não en­ torpecer a produção dos fenômenos transferenciais; além disso, trata de adotar uma atitude neutra e relativamente distante, o que também implica promover no paciente uma situação de frustra­ ção; o vínculo é marcadamente assimétrico, fato acentuado, entre outras coisas, pelo uso do divã. Também no aspecto temporal, o enquadramento favorece a dependência regressiva, constando de várias sessões semanais e de uma duração do tratamento, em princípio, não limitada. Com relação à situação espacial, a posição do paciente, dei­ tado no divã, encontra-se ligada a fenômenos regressivos, tais co­ mo o dormir e o meditar, e fomenta, além disso, o desenvolvimen­ to da neurose transferencial, dado que, ao estar o paciente privado de ver o analista, o teste de realidade torna-se mais difícil. A regra fundamental psicanalitica, que consiste no emprego, por parte do paciente, da associação livre, determina neste, por si mesma, um funcionamento mental regressivo. Sob outro ponto de vista cabe acrescentar que, de acordo com Racker (37), ao impli­ car a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação e a

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superação das resistências que por isso se vão produzindo, a regra fundamental incide na transferência na situação analítica, confe­ rindo-lhe uma intensidade particular, pois se produz, em conse­ qüência, a projeção dos objetos internos no analista, especialmen­ te do superego. O analista, por sua vez, emprega a atenção flutuante, tenden­ do assim a uma comunicação dc inconsciente para inconsciente (17). Intervém verbalmente, partindo do material que o paciente traz dc maneira espontânea, e sobretudo mediante a interpretação; ante os silêncios, costuma manter uma atitude de espera, permi­ tindo que se prolonguem. As interpretações transferenciais são muito valorizadas, cons­ tituindo, para a maioria dos analistas, o instrumenti técnico es­ sencial, e para alguns inclusive o único com efeitos‘modificado­ res (4). Penso que tais interpretações encorajam o paciente à revi­ são minuciosa e profunda de suas fantasias transferenciais e pro­ movem a revivescência de situações infantis, favorecendo assim o desenvolvimento da neurose de transferência. Na psicoterapia breve, em troca, devem desencorajar-se tan­ to o desenvolvimento da regressão como o da neurose transferen­ cial (ver capítulo 3, pp. 27 s.), e inclusive faz-se necessário con­ trolar dentro do possível a intensidade dos fenômenos regressivotransferenciais. Disso deriva uma série de medidas técnicas que conferem perfis próprios à terapêutica breve. O vínculo que se estabelece com o paciente é mais realista e definido, já que a ambigüidade aqui é inconveniente (11), pois promove situações persecutórias e por isso regressivas. Uma rela­ ção mais baseada na realidade contrabalança as tendências ao es­ tabelecimento de uma relação transferencial neurótica. Fiorini qualificou o papel que o terapeuta deve assumir na psicoterapia de esclarecimento (em boa medida equiparável, de acordo com a descrição deste autor, à terapia dinâmica breve) como papel real de docente experiente, sublinhando assim o que seria, a seu ver, um dos aspectos mais importantes (7). Por parte do terapeuta, e ao contrário do que ocorre no trata­ mento psicanalítico, existe uma maior proximidade afetiva, que sc espera opere positivamente sobre o processo terapêutico. É que cm princípio será preciso que se estabeleça rapidamente um bom

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

rapport, sobretudo se se trata de uma terapia cujo tempo será limi­ tado; dever-se-á fomentar o rápido desenvolvimento de uma alian­ ça terapêutica , condição básica para aspirar ao êxito. O terapeuta

deverá então, na medida do possível, mostrar-sc moderadamente cálido, oferecer uma imagem confiável e demonstrar interesse pe­ los problemas do paciente. A relação terapêutica exige a manutenção de um delicado equilíbrio entre gratificações e privações do paciente. Deve-sc per­ mitir-lhe certo grau de gratificação de necessidades emocionais (por exemplo, respondendo às perguntas formuladas por ele [42]); do contrário corre-se o perigo de despertar ou incrementar - por causa do ressentimento provocado pela frustração - a produção de reações hostis passíveis de determinar um aumento das resistên­ cias, às quais não teremos tempo suficiente para nos dedicar. Gra­ tificá-lo em demasia pressupõe, do mesmo modo, certos riscos, tais como dificultar a integração da agressividade e favorecer a dependência (33). Dever-se-á, em suma, tender à manutenção de uma relação transferencial positiva sublimada ao longo de toda a terapia (2). Só assim poderemos esperar que o paciente assuma uma atitude de colaboração e possa aceitar e utilizar com proveito as interpre­ tações2. Sentimentos transferenciais de idealização muito intensos podem complicar e prolongar o tratamento; quando juirgejrn, é preciso dissolvê-los prontamente mediante a tarefa interpretativaT Cabe dizer o mesmo a respeito da hostilidade e do erotismo trans­ ferenciais. Finalmente, a relação será menos assimétrica que no trata­ O número reduzido de sessões semanais e a duração limitada e geralmente prefixada do tratamento breve desencorajam a re­ gressão. A posição frente a frente, que é habitual em terapias breves, diferentemente do que se adota em psicanálise (emprego do divã), atua contrapondo-se às tendências do paciente ao desenvolvimen­ to da regressão e da neurose de transferência. (A percepção visual ajuda a que se situe na realidade.) Tal posição aparece, além disso, como a mais adequada ao tipo de comunicação que tem lugar en­ tre paciente e terapeuta nessas terapias, posto que se traduz num
mento psicanalítico.

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intercâmbio verbal fluido, mais próximo de um diálogo corrente queopsicanalítico. Temos recordado que a regra fundamental da psicanálise é um dos fatores que explicam a intensidade particular que a transferên­ cia adquire no tratamento psicanalítico. Como em P.B. se trata de evitar um efeito dessa natureza, considero que tal regra não deve ser empregada do mesmo modo que no tratamento psicanalitico. Mais adiante abordarei exaustivamente esse ponto (pp. 89 ss.). Voltando ao tema da comunicação em.P.B., é preciso assina­ lar a função ativa que o terapeuta tem de exercer, e que será deci­ siva para o alcance de bons resultados. Isto se deve em primeiro lugar à sua possível incidência no vínculo, coadjuvando na manu­ tenção de uma transferência positiva - cm contrast«? com os efei­ tos que teria uma atitude menos participante, que pudesse gerar descontentamento ou hostilidade. Deve-se também ao fato dc que um papel ativo tem importância para a gestão da focalização da tarefa terapêutica (14), dado que comumente é necessário alcan­ çar determinadas metas e se dispõe de tempo limitado para isso. A situação requer certa ativação egóica no paciente, que se consegue precisamente através desse funcionamento ativo, pois nâo pode­ mos esperar demasiado tempo para que vença, por si mesmo, suas dificuldades para se manter numa comunicação terapêutica pro­ dutiva e poder aprofundar-se no conflito em questão. O terapeuta simplesmente tenta agilizar o intercâmbio, procurando produzir um efeito catalisador no processo terapêutico. Ao mesmo tempo deve dedicar-se desde o começo e plenamente a ajudar o paciente a resolver situações perturbadoras de sua vida diária. Com tal fim, recorrerá com freqüência a intervenções não-interpretativas. For­ mulará perguntas, assinalamentos, efetuará sugestões, oferecerá informações. Às vezes terá de tomar a iniciativa na comunicação (12), propondo o tema a ser tratado. (Exemplo: “Vejamos aquilo que você mencionou de passagem na última sessão.” Ou por meio de perguntas: “Como passou este fim de semana? Aconteceu al­ guma coisa especial?”.) E quanto às interpretações, têm de estar dirigidas fundamentalmente ao esclarecimento da conflitiva fo­ cal’. Em suma, o papel do terapeuta é mais ativo e diretivo que na técnica psicanalítica no que concerne à atitude ante o material que o paciente traz. O terapeuta encaminha a exploração em uma de­

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terminada direção, escolhendo entre o material aqwek-ídativQJiQ. foca e descartando o extrafocal4. Em certas ocasiões, pode caber ao terapeuta uma participa­ ção decididamente ativa e direta nos problemas atuais do pacien­ te. Por meio de sugestões, poderá incidir em alguma medida sobre eles. Assim, por exemplo, ante uma situação fobígena talvez con­ sidere necessário, depois que o paciente alcançou certa com­ preensão psicológica do conflito, estimulá-lo a enfrentá-la (27) (49), atitude avalizada já desde 1918 por Freud, com suas reco­ mendações acerca do tratamento das fobias (21), e posteriormente adotada por muitos profissionais na terapia psicanalítica. A res­ peito disso, expressa Ilaley: “A psicanálise dos tempos de Freud não era somente mais breve , mas também mais ativa. Freud esco­ lhia o tema sobre o qual um paciente tinha de associar e quando este obtinha algum insight do problema sugeria-lhe que se mos­ trasse ativo em sua vida pessoal , agora que já dispunha de tal conhecimento” (26)3. (Os grifos são meus.) Em geral evita-se o prolongamento excessivo dos silêncios, não só porque incrementa a ansiedade e a conseqüente regressão (42), mas também porque se trata de utilizar operativamente o tempo disponível. Em particular, os silêncios prolongados do te­ rapeuta podem provocar hostilidade transferencial devido à frus­ tração ocasionada. Ante a posição frente a frente entre terapeuta e paciente, tam­ bém adquirem significação as manifestações pré-verbais do pri­ meiro. E necessário levar em conta a repercussão dos seus gestos e de sua atitude corporal no paciente se se pretende propiciar a produção de uma aliança terapêutica. Wolberg recomenda que o terapeuta dê “livre expressão à sua mímica facial” (48). É claro então que essas contribuições ao processo de tratamento, que po­ deríamos chamar de expressões terapêuticas do terapeuta , como o olhar atento e os gestos que revelam interesse pelo relato do paciente, serão benéficas, desde que sejam espontâneas e não-estudadas. Por último, o tratamento efetuado no contexto institucional e o uso de diferentes recursos terapêuticos, com eventual participa­ ção de outros profissionais ligados ao campo da saúde mental, são fatores que contribuem para modificar as condições da relação

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terapêutica, já que introduzem diversas variantes no campo dos fenômenos transferenciais e contratransferenciais, marcando no­ vas e substanciais diferenças com o que acontece na psicanálise individual (7) (14).

Uma regra básica de funcionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalítica
Na técnica psicanalítica, Freud instituiu o método da associa­ ção livre? pelo qual o paciente deve comunicar ao analista o que lhe ocorrer, quer dizer, todos os pensamentos que assomem à sua mente, sem nenhuma restrição. A livre associação é* junto com os sonhos e os atos falhos, uma via facilitadora de acesso ao incons­ ciente. e ao reger de modo praticamente ininterrupto no decorrer do tratamento psicanalítico, configura o que Freud chamou de “regra fundamental”. No terreno das terapias de tempo e objetivos limitados sur­ gem várias interrogações relacionadas com este tema: 1) Qual deve ser a regra de funcionamento para o paciente? 2) Que papel há de lhe caber no procedimerUo da livre associação? Deve-se deixá-la completamente de lado ou, pelo contrário, é necessário empregá-la? Neste último caso, como, do mesmo modo que no tratamento psicanalítico ou diferentemente? Revisando as obras mais destacadas da bibliografia corres­ pondente à psicoterapia breve de orientação psicanalítica, desco­ brimos que, apesar de se tratar de um aspecto técnico de decisiva importância, ou se tem omitido toda a referência à regra da asso­ ciação livre (abundando em troca as considerações sobre outros temas, tais como o papel da transferência, o das interpretações, etc.) ou no máximo registram-se alguns pontos de vista em tomo da mesma - em geral no sentido de não utilizá-la - na maioria das vezes formulados “de passagem” e com certo caráter dogmático. Vejamos alguns deles: “(...) é desacertada essa atitude passiva e abstencionista, como também o c a associação livre (...)”; “Em geral, a falta material de tempo não nos permite empregar os recursos tradicionais da associação livre, passividade e anonima­ to”. (L. Wolberg [48]. Os grifos são meus.) “Não acredito nesses

assemelhando-se a fenômenos como a meditação e o sonho. em que o paciente se senta para discutir a seu bel-prazer qualquer tema que se apresente e a falar praticamente de tudo o que aconteceu e vai acontecer. Já recordei os con­ ceitos de Racker (p. já que no caso desta última nosso propósi­ to é o de proteger o paciente tanto da regressão como da neurose de transferência. De minha parte. pela projeção do . A associação livre no processo psicanalítico favorece a re­ gressão e constitui em si mesma um funcionamento mental re­ gressivo. a associação livre. tal como se faz no tratamento psicanalítico) da associação livre em terapias breves. durante o mesmo. Também Malan. sus­ tenta que a indicação que se dá ao paciente de “dizer o que lhe venha à mente” raramente parece ser necessária. determina uma maior intensidade de transferência no tratamento psicanalítico. Em outra parte do livro. não se explicitam claramente os funda­ mentos em que se sustentam esses critérios7. sobretudo em se tratando de uma psicoterapia breve” (Hoch [28]). “Na psicoterapia rápida. enquanto tal. em sua obra sobre psicoterapia breve. Analisaremos primeiro as desvantagens. fala em desencorajar a associação livre (34)t No meu entender. não é um instrumento essencial” (Bellak e Small [2]). em especial do su­ perego (37).B. ao dar lugar à ime­ diata projeção dos objetos internos no analista. 84) no sentido de que a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação por parte do paciente.. sem uma idéia diretriz. Produz efeitos regressivos. pelo emprego da associação livre. O emprego constante do método da associação livre (“regra fundamentar’ da psicanálise) nos tratamentos breves Começarei por examinar as vantagens e as desvantagens que acarretaria o uso constante (desde o começo do tratamento e de modo praticamente continuo. mas não para a P. Esse fato é conveniente para o tratamento psicanalíti­ co. da­ rei minha opinião acerca dos problemas que aqui se colocam e que considero que requerem um estudo mais minucioso.90 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica tratamentos difusos. tais como: a) Incrementar as ansiedades paranóides (entre outros motivos.

imagino. o emprego constante do método da associação livre no tratamento intensificaria os fenômenos transferenciai sregressivos até um ponto indesejável. b) Gerar uma atmosfera de ambigüidade. inadequada a essas tera­ pias. pois permite que aflore material vinculado a outros conflitos relativamente alheios ao foco. situação que. a qual. ele se desvia excessivamente das situa­ ções conflitivas a serem tratadas (sem maior aproveitamento do tempo em função do problema central do tratamento). Sem dúvida. pois nesse caso a defesa pode ser incrementada se têm de se referir a um tema determinado (à situaçào-problema). pelo que. quer dizer. Sua aplicação pode ser especial­ mente útil quando se trata de pacientés com excessiva tendência à intelectualização.de que em terapias bre­ ves todo paciente se ajustasse permanentemente à livre associa­ ção sempre que o terapeuta recorresse a intervenções focalizadas.o motivo de preocupação não deve ser tanto que . Seriam definidas desde já. que ficam então a descoberto.ou. além de certo nível pode perturbar consideravelmente um tratamento de duração breve. deverá ser desencorajada8. inclusive os uierentes a situações ou etapas arcaicas. mostrando-lhe a relação . levado pelo curso de suas associações.do material com a problemática principal do tratamento. em terapia breve. embora não duvide de que antes de mais nada é preciso que seja o terapeuta quem não perca de vista os objetivos do tratamento. pela facilitação do aces­ so aos conteúdos inconscientes.0 tratamento 91 superego sobre o analista e o temor ao próprio e desconhecido que poderá emergir). Em grupos de discussão. alguns colegas me assinalaram a possibilidade . pelo contrário. c) Conduzir o paciente à dispersão . Desse mo­ do. Finalmente isso leva a acentuar a dependên­ cia regressiva em relação ao terapeuta. Talvez seja essa uma das poucas situações de exceção em que se poderia apelar para o uso da “regra fundamental”9. Mas cabe agora examinar as vantagens de se adotar a “regra fundamental”. também abre brechas no paciente. fato que pode resultar propício no tratamento para ser utilizado como o “argumento” ou “libreto” conhecido de antemão. a desconexão .e suposta conveniência . f Em suma. na I maioria dos casos não me parece recomendável. com o que se respeitaria a essência do procedimento em seu caráter de tera­ pêutica focal. a meu ver. e por conseguinte o que corresponde à conflitiva focal . -reitero.

afirma este autor [8]“. a posição frente a frente. o que Fiorini chamou de “associa­ ções intencionalmente dirigidas”. a eventual conexão entre as associações espontâneas e os elementos focais. como o atesta a experiência clínica psicanalítica (com as denomi­ nadas neuroses traumáticas. dados os inconvenientes que o mesmo pode acarretar e que já foram assinalados"'. o que pode ocorrer na prática das terapias bre­ ves? Que o papel ativo e focalizador desempenhado pelo terapeu­ ta. mas sim que o terapeuta se descuide de relocalizá-lo nele. sim.92 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica o paciente “saia do foco”.e insisto neste aspecto . característica dominante dessas terapias. se interponha reduzin­ do ou até deixando sem efeito a associação livre espontânea do paciente. acrescento a este requisito os benefícios que comumente oferece o fato de que também o paciente concentre sua atenção desde o princípio nos problemas a resolver. razão pela qual a utili/ação da “regra fundamental” psicanalítica poderia dar lugar em alguns momentos ao aprofun­ damento na estrutura focal. por exemplo). e em boa medida. isto é.ao afastamento dela. .) Assim mesmo. estimulará. graças às quais promove a ativação egóica no paciente (não só através de assinalamentos e interpretações. (“Operativamente. pressupõem a presença de tal situação claramente definida e dc suficiente intensidade traumática. o certo é que nem todos os casos tratáveis por meio da PB. a focalização conduz a trabalhar sobre associações intencionalmente dirigidas. por exemplo. Por outro la­ do. e não creio que as vantagens provenientes do uso da associação livre. com as conhecidas conseqüências. atuando de modo mais diretivo no que diz respeito à orientação que deverá imprimir ao pensamento do paciente em direção a uma problemática deter­ minada). a “enveredar por outros Raminhos”. como em outros . costuma perturbar a associação livre. ainda que seja possível que no caso de uma situação traumática de reconhecida eficácia patogênica as associações livres do paciente girem em sua grande maioria em tomo dela. Assim sendo. mais do que sobre associações livres”. mas também sugerindo temas ou fazendo perguntas. sejam argumento suficiente para seu em­ prego sistemático e constante. O terapeuta. até agora. entrando em aberta contradição com esta como método de trabalho. com suas freqüentes inter­ venções. quer dizer. que é a usual nessas terapias. quer dizer. neste.

Além disso. vivências e sonhos). pensamentos variados. costumo formular uma prescrição de trabalho para os pacientes antes de começar o tratamento breve que consiste no seguinte: esclareço-lhes que poderão falar do que desejem. o natural e lógico para o paciente é ter que falar ante o terapeuta fundamentalmente de seus sintomas e situações conflitivas. Por esses motivos. Podemos assim dedicarnos de maneira seletiva a seus sofrimentos atuais. isso não implica que sem sua ajuda esta não Seja exeqüível. os quais terão de se converter em tema primordial da terapia (focalizaçâo). Adoção de uma regra básica de funcionamento para psicoterapias breves F. fantasias. Fromm Reichman (22) escreveu^ “Muitos psicanalistas consideram que uma quantidade suficiente de material dissociado reconhecível chega à superfície e pode ter acesso à consciência no intercâmbio psicoterapêutico mais dirigido. Se a norma de funcionamento se baseia nessa premis­ sa. . por mais que a associação livre favoreça a explora|ào do incons­ ciente. Do mesmo modo que com outros recursos da técnica psicanalítica. Uso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves Será necessário descartar quase por completo a utilização da associação livre em terapias breves? Penso que não. podere­ mos apelar para esses métodos em determinadas circunstâncias.” Isso significa que.0 tratamento propiciando antes o estabelecimento de uma comunicação em que predomina o processo secundário e portanto mais aproximada do que seria um diálogo corrente. como de recordações. a comunicação se verá em geral facilitada. mas que em princípio convirá que se refiram preferencialmente a tudo aquilo que suponham ter alguma relação com os problemas que combinamos abordar (poderá tratar-se tanto de relatos acerca de fatos atuais da vida deles. gerando-se um menor montante de ansiedade paranóide.

também seríamos conseqüentes a respeito desse ponto com o que Freud propunha em 1918. Em resumo e com respeito ao destino do método da associa­ ção livre como recurso técnico no campo das terapias breves. A flexibilidade de que o terapeuta deverá fazer uso há de pos­ sibilitar-lhe a opção de utilizar este recurso técnico quando o con­ sidere oportuno e ante pacientes capazes de responder positiva­ mente ao mesmo14.estar ligado à estrutura focal (podendo relacionar-se a um sonho. já que é possível exercer certo controle sobre os efeitos regressivos que seu emprego pode­ ria provocar.salvo es­ cassas exceções . convidava o paciente a me comunicar as associações que iam surgindo a partir desse material.e creio necessário alertar a respeito de tal emprego quando corresponde a uma simples transposição da téc­ nica psicanalítica corrente e carece de fundamentos válidos. a fim de se aprofundar na conflitiva focal./ mento no tratamento breve . diferentemente do que resultaria se utilizado cons­ tantemente13.94 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em minha experiência pessoal. sugerindo-o com determinados pa­ cientes e em determinadas circunstâncias. não considero adequado o emprego sistemático do mesmo . definidas pelo surgi­ mento de algum elemento significativo . os benefícios de um uso limitado e seletivo do procedi­ lugar o processo associativo. ampliar ou corrigir as hipóteses psicodinâmicas em jogo. A manobra em questão tem naturalmente a in­ tenção de aprofundar-se no material correspondente ao foco tera­ pêutico e freqüentemente permite ratificar. quer dizer. £>estaco. etc. fantasia. ao aparecimento de um determinado sintoma. Nesse momento. com base no obtido. Essa instrumentalização seletiva do método da associa­ ção livre permite seu aproveitamento. sim. ato falho. Dessa maneira. mas mediando uma tarefa de “adaptar nossa técnica às novas con­ dições” (21). venho ensaiando isso de maneira isolada nos tratamentos . a partir do qual poderá ter .)12. a aplicação nas psicoterapias de elementos tomados da psicanálise.tendo-me resultado de suma utilidade perante a emergência de certo material que impressionava como significativo e sobretudo podia supor-se ou inclusive compro­ var-se . sentimento.

B. sendo sua finalidade poder des­ cobrir neste as conexões inconscientes (17)/Sem dúvida. Considero que em grande {pedida. A citada norma de funcionamento se ajustaria à» condições próprias da terapia breve. de acordo com o qual o analista deve escutar o analisando. conduz o paciente ao foco através do trabalho interpretativo e descarta o material distanciado dele (34)/al estado de atenção seletiva parece certa­ mente o oposto da atenção flutuante recomendada por Freud. de nenhuma maneira deve implicar a ausência total de atenção flutuante por parte do . Digressões sobre a focalização e a atenção do terapeuta Tem-se dito que na terapia focal o terapeuta deve empregar uma atenção seletiva. no dizer de Laplanche e Pontalis. a interpretação central em torno da qual deve girar todo o tratamento). as­ sim como a “regra fundamental”. repito. só em caso de pacientes que reve­ lem atitudes^egóicas suficientes para que tal emprego traga bene­ fícios informando-se em detalhe em que consiste o mesmo antes de começar o tratamento. “estrutura a situação analítica” (32) (“Regra fundamen­ tal”.0 tratamento Conformação definitiva de uma regra de funcionamento para psicoterapias breves 95 Finalmente. esta norma poderia selar as características essenciais da relação terapêutica na terapia breve psicanaliticamente orienta­ da. p.ainda que. 370). em virtude da qual tende a conservar men­ talmente um foco (na descrição de Malan. poderia então agregar-se a explicitação do even­ tual emprego do método da associação livre em alguns momentos da terapia . o terapeuta se concentra de preferência no material que aparece mais diretamente ligado à problemática focal. segundo a qual a principal contribuição do paciente será fornecer todo tipo de material que chegue a relacionar com seu sofrimento atual. definindo muito especialmente seu próprio focalizador. quer dizer. Ao mesmo tempo. à norma ou prescrição de trabalho antes propos­ ta (p. 93). sem focalizar sua atenção. conside­ ro que o emprego de atenção seletiva em P. evitando na medida do possível privilegiar algum aspecto do material.

Sustento que é possível. podendo estereotiparse consideravelmente o intercâmbio verbal terapeuta paciente e empobrecer-se o procedimento em suas possibilidades terapêuti­ cas. em contrapartida.96 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapeuta. na aten­ ção flutuante do analista (17). Resulta bastante útil em muitos momentos recuperar justamente a atenção flutuante. o qual se sustenta. dc planejamento e de um papel ativo do terapeuta (antes de tudo..B. o estar cara a cara. nada arriscaremos. valer-se dela. quando seja necessário. assim como da associação livre. Tratarei em seguida de esclarecer um pouco mais esses conceitos. à atenção seletiva e implementemos os resultados da atenção flutuante para gerar intervenções focaliza­ das. na associação livre do paciente e. Embora retomemos periodicamente. obstacularizados ou impedidos ambos pelo tipo de comunicação estabelecida. para isso. o que torna muito mais difícil mantê-la. não deve por isso ficar anulada no decorrer do pro­ cesso terapêutico toda vez que desejamos preservar em alguma medida um método mais depurado de exploração do inconsciente. que ao ver-se inevitavelmente dificultada de maneira parcial pela necessidade estratégica de focalização.de inconsciente para inconsciente. flexivelmente utilizada em P. a comunicação terapêutica não seria em momento algum aceitemo-lo ou não a partir dc um ponto dc vista terapêutico.a existência de algum grau de insight e dc elabora­ ção do paciente nessas terapias. A atenção flutuante do terapeuta. Não se empregando a atenção flutuante. às vezes não muito apropriada para a ocasião quando nos abandonamos à aten­ ção flutuante). corre o risco de se reduzir automática e exclusi­ vamente a uma terapia do prê-consciente. já que devemos controlar nossa mímica. muito pelo contrário. o tratamento breve. Penso que nessas circunstâncias poder-se-ia questionar muito mais severamente que em outras . mas antes de mais nada coloquemo-lo clara­ mente . e ainda para a produção de interpretações focalizadas a partir da contribuição que oferecem as associações espontâneas do terapeuta diante do material focal do paciente. a meu ver. . não traz. o qual requer seu concurso. justamente para facilitar o aprofundamento na mesma conflitiva focal. como em troca se pro­ cura que seja no tratamento psicanalítico.e com direito . Se se prescindir por completo da atenção flutuante. conseqüências desfavoráveis para o tra­ tamento. no meu entender. pois.

poderíamos estabelecer que toda vez que se solicitem associa­ ções livres ao paciente. ainda que sempre se dê no final um retomo ao estado de atenção se letiva focal. Como norma elemen­ tar. que se alternam de acordo com as vicissitudes cia comunicação terapêutica. solicita-lhe associações livres partindo de tal ele­ mento e se dispõe então a escutá-las com atenção flutuante. o passo na direção da gestação de uma interpretação. por exemplo). por sua vez. o terapeuta distingue um elemento focal signifi­ cativo no material do paciente (relativo a um sonho. Esta poderá. tenha sido tal material trazido de modo espontâneo pelo paciente. isso não significa que o emprego da atenção flutuante em P.melhor ainda claramente relacionado (pelo terapeuta) com o focal.a formulação de uma interpretação. por exemplo. que tem de ser focalizada. conexões. tenha de reduzir-se somente a tais circunstâncias. pois se nos decidirmos a procurar que circunstan­ cialmente o paciente vença a censura existente entre seu conscien­ te e seu pré-consciente. de onde poderá sobrevir . efe­ tuando uma seleção à qual o paciente tenha renunciado [17]). tem-se de escutá-lo em estado de atenção flutuante (qualquer outra atitude implicaria rieste caso uma incoe­ rência técnica.B. Em seguida. sínteses. não vamos incorrer no erro jtte substituíla. pedidos de as­ sociação livre a partir de um elemento. assinalamentos. operativa e flexível de~momentos de atenção flutuante. Creio que de maneira geral o que poderia embasá-la como requisito básico seria o surgimento de material presumível ou .0 tratamento 97 Sob essa perspectiva chegamos à proposta do que seria no terapeuta uma combinação sucessiva. etc. como conseqüência da atividade pensante do terapeuta que tem lugar nesse momento (associações. seguidos de momentos dc atenção mais seletiva. com retomo final à focalização (atenção seletiva focal) para a conseqüente seleção interna voluntária entre as linhas interpretativas (quando surge mais de uma) do que se rela­ ciona ao eixo terapêutico. interpretações. Uma possível se­ qüência ilustrativa da combinação dos tipos de atenção que pro­ ponho para o trabalho focalizador é a seguinte: em virtude de sua atenção seletiva. antepondo nossa própria censura às suas comunicações. ter como resposta: a) a emergência de mate- . tenha apa­ recido como conseqüência de intervenções foealizadoras do tera­ peuta (perguntas.). etc.). No entanto.ou não . Em seguida se dá.

ou. a flutuante. Os pacientes que têm certa capacidade para centrar-se na conflitiva focal nos eximem de maiores preocupações e esforços para orientá-los em direção a ela. Esta é a forma pela qual pessoalmente concebo o que sucede . o distanciamento do foco. Desse modo.sua atenção.° Psicoterapia breve de orientação psicanalítica rial focal (associações dirigidas) (8). por parte do terapeuta. etc. com ura assinalamento. ela mostra que a atenção seletiva serve basicamente para efetuar uma seleção do material do paciente (em razão de nosso interesse seletivo na problemática focal daquele). Mas não podemos extrair algo mais dessa exemplificação? De fato. atividade pensante com trabalho fmàT de seleção interna do terapeuta (atenção seletiva focal) — » interpre­ tação focalizada — > material focal —>atenção flutuante do tera.apesar da sua indubitável importância. do material focal que sobrevem em continuação. o qual. já que os diver­ sos autores que vêm se referindo a essa técnica se ocuparam pouco ou nada de aclarar esse tema . o levará a reencaminhar o paciente ao foco.^ peuta. ante o que o terapeuta tem de abandonar-se igualmente à atenção flutuante e reiniciar o ciclo. ao transcorrer certo tempo c ser corroborado pelo tera­ peuta. mas que na rea­ lidade a dita seleção segue uma recepção. de que a atenção seletiva pressupõe a concentração preferencial do terapeuta no material ligado á problemática focaÇestaria irapficüõ o emprego da atenção flutuante para a recepção de tal material). e que é empregando essencialmente esta forma de atenção. Em síntese.da mesma maneira que o relativo à associação livre . material do paciente — » focal ização baseada na atenção selcTiva do terapeuta ^ jp edíHrTda associa­ ção livre ao paciente — > atenção flutuante do terapeuta — » gesta­ ção da interpretação.ou deveria suceder . então. b) resistencialmente. que voltou a focalizar automaticamente . que o terapeuta desenvolverá seu trabalho interpretativo. nos quais com freqüência a . a noção de atenção seletiva na psico­ terapia focal também encerra no fundo a presença de estados de atenção flutuante do terapeuta (no conceito antes mencionado. em estado de atenção flutuante . facilitando-nos o exercício de nossa atenção flutuante (isto se apresenta do mesmo modo diante dos quadros de neuroses traumáticas. por exemplo.com a atenção do terapeuta na psicoterapia focal. c que me parece sumamente necessário explicitar.

pode ser empregada em diferentes momentos terapeuticamente significativos de nosso trabalho15. perguntas e comentários . tudo isso possibili­ tando o progresso terapêutico. Quando se cometem tais erros tem-se a impressão de que a terapia breve se converte num expoente da improvisação e da imprudência. como vimos. Os assinalamentos. a favoreçam. Em suma.. colocação seletiva consciente de material focal e associações livres a partir de um elemento focal. A combinação que sugiro tem seu correlato no que foi pro­ posto para o paciente. a atenção flutuante em P. que pare­ ceria difícil de êoncretizar na prática. que às intervenções tendentes a desencorajar a regres­ são se sigam outras que.. Vale a pena preservar nesses procedimentos certo grau de atenção flutuante. É inaceitável. as intervenções verbais do terapeuta devem reunir três condições básicas: X 1“) Manter certa coerência interna (7) (13). v 2?) Constituir-se de uma proporção elevada de intervenções não-interpretativas. as quais devem responder a uma estratégia terapêutica elaborada de acordo com as necessidades de cada caso. pelo contrário. A combinação atenção flutuante/atenção seletiva. da atenção.B.0 tratamento _ __________ ____________________ ______ ____ _________________________________ maior parte do material trazido está vinculada mais ou menos diretamente à situação traumática. segundo as formas em que se vão cjiando as seqüências. Há uma regulação . por exemplo. pode dar-se em grau satisfa­ tório e de modo quase espontâneo em terapeutas convenientemen­ te treinados.B. Elementos psicoterapêuticos verbais Generalidades Em P. para os fins de aprofundar a elucidação dos psicodinamismos focais e de dar lugar à produção de intervenções focalizadas. capitalizada. Isso quer dizer que de um ponto de vista dinâmico não é admissível que haja con­ tradições no emprego das diferentes intervenções do terapeuta. quer dizer. que com o tempo se toma auto­ mática. inerente ao foco terapêutico).

quer dizer. mediante a qual se procura centralizar o trabalho terapêutico nos problemas vitais e atuais do paciente e não abrir nele outras brechas. b) Interpretações e transferências. Dentre as diferentes intervenções do terapeuta.100 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica que estimulam o intercâmbio verbal têm de ser empregados com uma freqüência maior do que na psicanálise tradicional. d) Interpretação dos sonhos. Atenuação dos efeitos regressivos. As intervenções. Por outro lado. como acontece quando se segue uma direção definida e previamente incluída nu­ ma estratégia terapêutica determinada. Tratase de uma premissa essencial dessas terapias. ^ 3?) Estar focalizadas. Considera-se desse modo que se deva reafirmar uma relação terapeuta-paciente em termos de realidade e de uma menor assime­ tria. meus pontos de vista a res­ peito. já que estimulam a colocação por parte do paciente de material relacionado com o foco. c) Variantes qualitativas nas interpretações. além disso. . Examinarei aqui as contribuições de di­ versos autores e exporei. As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica Ainda é objeto de viva discussão tudo o que concerne às interpretações em P. deverão estar de preferência focalizadas. me ocuparei detalhadamente das interpretações. interpretativas ou não. Dessa maneira serão tam­ bém focalizadoras em seus efeitos. c) O terapeuta diante do trabalho interpretativo. a fim de contrabalançar os efeitos da estimulação da dependência que um uso quase exclusivo de interpretações poderia trazer associado. apelar com freqüência para intervenções nãointerpretativas constitui uma clara expressão do papel ativo e focalizador do psicoterapeuta nesse tipo de terapia. mencionando sucintamente as restantes.B. A apresentação do tema será feita na seguinte ordem: a) Introdução. dirigidas seletivamente à problemática focal16.

minha impressão é de que habitualmente é limitada pelas próprias características do enqua­ dramento. que toda interpretação. caberia insistir em algumas considerações a respeito. que em minha opinião têm um papel secundário). Se aceitamos. Além dis­ so. em certas ocasiões. em algu­ mas oportunidades.B. é desejável que o tratamento nãd/se reduza a um empregoExclusi­ vamente sustentado ou baseado enTInterpretacões. capazes de relocalizar o paciente uma vez ou outra em sua condição de adulto e nu­ ma relação menos assimétrica com o terapeuta. Não obstante.). será preciso tam­ bém contar com a possibilidade de que se produzam reações des­ favoráveis pelo incremento das resistências. etc. corresponde a interpretação como instrumento a ferramenta fundamental. como na psicanálise. partindo das idéias de Rogers (40). . Pois bem. Existem. comumentc. pois o objetivo principal continua sen­ do a busca de insight no paciente (sem que por isso se desconheça terapêutico na P. sem’deixar de ser. indu­ zir a estados regressivos de certa consideração.0 tratamento a) Introdução 101 Em primeiro lugar pode-se colocar a que lugar. um tratamento coloca a necessidade de se atingirem certos níveis de profundidade para que os objetivos terapêuticos propostos possam ser alcançados. se alter­ nem em maior medida com outros tipos de intervenção verbal (assinalamentos. E conveniente então avaliar antes a capacidade do paciente para assimilar inter­ pretações desse teor. o elemento terapêutico essencial. seja ou nào “trans­ ferencial”. as interpretações. A meu ver deve ser a incidência de outros mecanismos terapêuticos. por serem es­ tas indutorãTdã^dependencia regressiva.B. sugestões. perguntas. por exemplo. favorece o estabelecimento de uma rel£y. interpretações “profundas” podem. de orientação psicanalítica. em ordem de importância. dado o número relativamente reduzido de sessões semanais e.ão acentuadamente dependente do paciente em relação ao terapeuta. dificuldades para se exercer controle sobre as ansiedades que o paciente sofre por efeito das interpretações. Quanto à sua profundidade !7. o curto prazo do tratamento. Numa palavra. efetuando-se ocasional e prudentemente como experiência (48)1R . parece conveniente que em P.

como disse antes. às transferências19. usual e importante no trabalho interpretativo. melhor dizendo. e não carecem de valor para o tratamento psicanalítico. vamos analisar o papel das interpretações “extratransferenciais” na terapêutica breve. de insight é limitado em com­ paração com o que tem lugar na análise. as que na técnica psi­ canalítica não costumam ser levadas muito em conta ou são dire­ tamente desestimuladas. diz respeito aos tipos de interpretação que devem ser utilizados no que se refere à transferência ou. O que ocorre é que em psicanálise as interpretações “extratransferenciais” quase sempre têm sido. sobretudo os que se acham ligados a conteúdos muito re­ primidos). Além disso. em matéria de terapias breves.B. Poderíamos dizer que o é tanto na superfície (ao ser focalizado) como em profundidade (não abarcando certos aspectos dos conflitos centrais do trata­ mento. atribuindo-se- . Examinaremos. agora. Mas o emprego dessas interpretações parece requerer toda­ via fundamentos teóricos suficientemente sólidos. A meu ver podem configurar sem dúvi­ da um recurso válido. devemos nos dedicar à tarefa de resolver problemas atuais da realidade externa do paciente mediante a análise e a conseqüente busca de insight a respeito da natureza das situações conflitivas que apre­ sentam suas transferências . desenvolvidas em qualquer pessoa com quem se relaciona em sua vida diária (cônjuge. ignora a maior parte das manifestações inerentes à neurose de transferência.102 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica O trabalho terapêutico na P. al­ cança pouco ou nenhum desenvolvimento no tratamento breve. pais. etc. Interpretações "extratransferenciais " Em primeiro lugar. subestimadas. filhos. b) Interpretações e transferências Um dos aspectos mais importantes e polêmicos da teoria da técnica da PB. os pormenores do uso das denomina­ das interpretações “transferenciais” e “extratransferenciais”-.). como sabemos. a qual. Isso obedece ao fato de que.n. chefes.

Dos pensamentos de Guiter acerca das interpretações não relacionadas com o analista. passada ou futura com o paciente (ainda vou enfatizar . Esse autor resgata seus fundamentos teórico-técnicos. dado que as necessidades da prática psicoterapêutica obrigam o analista a sair e ampliar sua estreita margem conceituai) de muitos psicanalistas de nosso país. nesse momento (1973) em que trabalham partindo da hipótese de que tudo o que o paciente diz se refere ao analista. expõe conceitos que permi­ tem reivindicar as interpretações “extratransferenciais” em sua significação terapêutica dentro do tratamento psicanalítico (25). nem de nenhuma circunstância em paiJjcliJã*3* —~ . Não da trans­ ferência. o que se reveste de singular importância. mas. a meu ver. Freud confe­ ria grande valor à transferência. por serem as mais descuidadas pela psicanálise em seu esquema teórico). nem das recordações. contemporâneas à situação analítica. já que disso dependerão em gran­ de parte a validade e o alcance terapêutico que adjudiquemos à técnica breve que apele freqüentemente para as interpretações mencionada». Guiter.as interpretações que se referem à vida atual do paciente.esclarece . partindo da revisão de pontos essenciais do pensamento freudiano.continua Guiter vou afastarme da maneira tradicional de trabalhar (talvez melhor do que tra­ balhar. as que fazem alusão a “transferên­ cias” a outras pessoas em relação atual. Em que p<|sc sua ex­ tensão. Não estou de acordo com essa maneira de trabalhar. Depois começa a expor seus pontos de vista cm torno das interpretações que operam “centrando o ponto de urgência fora da transferência ao psicanalista”. Entre nós. devesse dizer teorizar acerca de técnica. Um claro exemplo disso é a posição adotada por Strachey (41). quero transcrevê-los. tenho selecionado aqueles que me parecem mais eloqüentes e ilustrativos (25). pois sua menção resulta‘/mais que oportuna ao abordar este tema: “A análise é uma investigação do inconsciente.0 tratamento 103 lhes um valor muito secundário na cura. . Ao dizer isto . e que a meta da análise é a busca do objeto transferido para este em suas múltiplas variantes e em seu interjogo com o analisado. em comparação com as “transferências”. como elemento incluído dentro de uma totalidade englobada pela reconstrução.

Por razões de espaço abstenho-me de transcrever a passagem correspondente. Mais ainda. enquanto “na sessão. Guiter refuta as críticas que se formulam contra essa modalidade de trabalho (no que concerne ao favorecimento de “atuações”.. no primeiro. o paciente sempre é um menino de quem o analista é um pai. o elemento estimulador pode ser comparado a um resíduo diurno). e quase tudo o que ocorre na sessão é transferência.. para mim. regressões patológicas. que mesmo Freud “inter­ pretava transferências em outros contextos”. ao grau de veracidade acerca do que o paciente nos relata ou à circunstância de que se trate de “um fato que já passou”. nesse nível. fomentando. iatrogenicamente. de modo que. somente uma pade do processo analítica -----------— “O paciente vem a sessão estimulado pela angústia ocasiona­ da por um determinado problema com raízes no passado e estimu­ lado a partir do presente. sem ver as transfe­ rências em outra parte.) Prossegue dizendo: “Outro problema que se coloca é este: se tudo o que o paciente diz se relaciona com seu analista. Esse presente pode estar constituído pelo próprio analista ou por qualquer estímulo do dia ou dias ante­ riores (equiparando-o a um sonho.” (Assinala antes. Penso então que a missão do analista é interpretar esses fatos sem incluir-se. agora e comigo” é.104 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica J que inclui também o histórico próximo e distante da vida do paciente. . alheios ao analista. Dessa maneira. a situação é presente”). a regressão. pois o nível do conflito nesse momento não se relaciona com cie” (grifos do autor). Continuando. mas não a regressão útil. não é forçoso que seja com o analista. o que se consegue é adoecer mais o paciente. quando um paciente vem à sessão pode chegar estimulado por excitações que ultrapassam sua capacidade de elaboração (e que traz para elaborar na sessão). OJ^aqui. quanto mais se interprete o paciente em relação ao analista. e essas excita­ ções podem então ter-se originado na relação com processos reais ou transferenciais.” “(. reduz-se ao mínimo a relaçào adulta (ou sã) entre o paciente e o analista.) De modo que. tanto mais se pode tomar essa técnica como defesa. Mais adiante expressa: “A transferência pode acontecer em qualquer parte. e se fomenta.

recorrendo-se. tio terreno de P. cabe recordar precisamente que. em troca. devemo-nos desenvolver praticamente sem essa ajuda desde o começo).B. na minha opinião. Mas considero que esse obstáculo pode ser .que poderia propiciar o desenvolvimento da neurose de transferência . seja de todo o modo um elemento valioso para diagnosticar as caracterís­ ticas das relações objetais do paciente. e como venho repetindo. que se impõe em P. podemos ser paradoxalmente reforçadores de neuroses” (grifos do autor). os analistas.B. do mesmo modo que a compreensão da contratransferêricia. Mas. geralmente. o tra­ balho não tem por que concentrar-se então na análise exaustiva da relação terapêutica . devemos reconhecer a existência de um inconveniente em nosso trabalho de análise das relações do paciente com os diferentes objetos transferenciais de sua realida­ de externa: o terapeuta conhece pouco o paciente cif sua relação terapêutica. Concordo com o critério de Guiter e entendo que nenhuma terapia interpretativa deva descuidar-se das diferentes transferên­ cias extraterapêuticas. o conhecimento que o analista adquire no decorrer do tempo sobre as características da transferência desen­ volvida pelo paciente para com ele. em psicanálise. muito menos reduzir a tarefa à analise da transferência ao terapeuta. os mecanismos terapêuticos não consistem do desenvolvimento e da elaboração da neurose transferencial.B. A clareza expositiva de Guiter me exime de maiores comen­ tários e. lhe resulta de grande ajuda para inferir e interpretar as demais transferências do paciente..B.105 Assim sendo. Em P.e é . Por outro lado. quase como imprescindível para oferecer sustentação adequada ao nosso trabalho terapêutico posterior.vencido na maioria das vezes mediante um prévio estu­ do clínico e psicodiagnóstico o mais amplo possível do paciente. avaliza com acréscimos o emprego das interpretações “extratransferenciais”. Disso poderiam derivar apreciações e interpretações errôneas da realidade externa do paciente (ainda quando a com­ preensão da transferência. a interpreta­ ções que a desvelem e clarifiquem parcialmente só em determina- . em virtude do limitado contato que propbrciona o tra­ tamento. em função do enquadramento da P. já evidenciada com o terapeuta. nós.

Malan assinala que parece haver acordo geral acerca da necessidade de não fomentar o desenvolvi­ mento da neurose de transferência21.106 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica das circunstâncias que assim o aconselhem e que citarei em se­ guida. Interpretações “transferenciais " Em P. de acordo com o que quase sem­ pre ocorre na prática. em vez de concentrar a atividade na relação paciente-terapeuta. Sustenta que os perigos que se corre (de aumentar a dependência. em direção a uma figura importante para o paciente. existem critérios díspares quanto ao uso das inter­ pretações “transferenciais”. de relações objetais dotadas de um importante montante de libido). do enqua­ dramento e das finalidades do procedimento terapêutico breve. Em conseqüência. primeiramente. como numa terapia breve costumam pre­ dominar as impropriamente chamadas interpretações “extratransferenciais” cm relação às “transferenciais”. no qual prevalecem as segundas ou pelo menos em que se manifesta uma maior proporção delas com relação às que geralmente averigua­ mos num tratamento breve (as diferenças se acentuam muito mais na análise kleiniana que na análise que mantém uma modalidade técnica freudiana).em que desviar poderia ser entendido como desviar de maneira forçada. que é preci­ samente através dessas interpretações que se pode resistir ao de­ senvolvimento de uma neurose transferencial e lhes assinala um papel muito importante ao alcance de resultados favoráveis (34). senão melhor. Com o propósito de evitar fenômenos transferenciais inten­ sos. por exemplo) são escassos.B. e. a tarefa interpretativa se diferencia claramente da do tratamento psicanalítico. hierarquizar outras transferências preexis­ tentes do paciente. da real significa­ ção em sua vida (ou seja. quer dizer. no outro extremo. Eu não chamaria a isto “desviar a transferên­ cia” . Malan não vê nenhum inconveniente em empregar precoce e intensivamente interpreta­ ções “transferenciais”. em segundo lugar. Ali começam as divergências. Rogers. A questão esbarra em como fazê-lo. alarmado porque induziram o paciente . Pumpian-Mindlin (36) sugere “desviar a transferência”. os problemas a tratar. em função.

entendo que comumente o paciente tarda em aceitar como algo próprio os ele­ mentos da transferência para o terapeuta. Compartilho plenamente essa posição. perguntas. por múltiplas razões). Assim. propõe suprimi-las por completo (40). . Seguiríamos assim a regra freudiana de não interpretar a transfe­ rência positiva sublimada. Mas talvez a maioria se incline a um uso prudente e limitado (2) (14) (48). aflorar talvez mais seletivamente e apreciar-se com maior clareza as pau­ tas repetitivas e neuróticas de sua conduta. e incluir o vínculo com o terapeuta na maioria dos casos só como uma rieva relação transferencial . sem deixar de “seguir o fio” dos fenômenos transferenciais relacionados àquele a que sua compreensão se refere. pois considera que utilizadas de modo sistemático como em psi­ canálise podem fomentar a neurose de transferência (7) (14). o terapeuta geralmente tratará de não estimular com suas intervenções (refiro-me às de qualquer tipo. Por isso creio que devemos nos conformar em prover o paciente de elementos para a conscientização de suas transferên­ cias para com pessoas significativas. senão também aos assi­ nalamentos. poderemos gerar consideráveis resistên­ cias à tarefa. quer dizer. e muito menos para incluir reve­ lações acerca das raízes genéticas infantis do conflito transferen­ cial. paralelamente. Quase sempre trata-se da interpretação da transferência negativa. ocorre o fato incontestável de que se em certos momentos não se apela para a interpretação “transferen­ cial” poderão aparecer ou acentuar-se diversas dificuldades.e não como o eixo do tratamento . que reduzirão nossas possibilidades.B. Além disso.) o surgimento excessivo desse tipo de material.na qual podem. Mas. etc. que em troca deverá ser estimulada e utilizada para tornar possível o trabalho terapêutico (18) (19). A fim de resolver problemas vitais atuais que o afetam. geralmente envolvidas na situação conflitiva em questão. não só às interpretações. se apesar de tal situação instarmos para que se concentre em sua relação conosco. isso sim. e que não temos tempo suficiente para insistir demasiado neles (não é conveniente fazêlo em P. de alcançar o êxito terapêutico desejado*2.0 tratamento 107 à dependência. o paciente se apresenta para tratar-se só uma ou duas vezes por semana. fuhdadas no insight.

pude apreciar com clareza que repetia em seu vínculo comigo o lipo de relação que mantinha com seu pai. o que se alcançou mediante uma mensagem interpretativa denunciadora do “falso vínculo”. ^b) Quando podem constituir para o paciente um elemento demonstrativo de determinados aspectos de sua problemática focal.e eventualmente do passado pois o propósito é basicamente estabelecer de imediato a cone­ xão com esses objetos de conflitos para alcançar uma adaptação à realidade. a quem desde tempos atrás não dirigia a palavra. a relação com o terapeuta poderá funcionar como um modelo experimental esclarecedor dos pro­ blemas do paciente com suas relações interpessoais. afastamento do foco) quase sempre podem ser interpretados ao menos cm parte com relação a situações transferenciais. Desse modo. sem que ela mesma encontrasse motivos ra­ zoáveis que pudessem justificar tal estado. durante as quais manifestava uma expressão de nojo para comigo. mas que por sua vez desalentava a revivescência de situações infantis na relação com o terapeuta24. Vejamos então quais são as principais situações em que será necessário recorrer às interpretações “transferenciais”: xT a) Quando surgem resistências transferenciais. A título de ilustração. um fragmento de transferência converte-se prontamente em ponto de partida para propiciar insight no paciente acerca dos conflitos com outros seres de sua vida atual . o que permitiu remover o obstáculo e facilitar o curso posterior do tratamento. se negava a falar durante as sessões. Revelei esta situação transfe­ rencial à paciente. darei um exemplo6simples: uma mu­ lher jovem. . Mas será conveniente que a interpretação da transferência se realize em circunstâncias em que o fenômeno transferencial possa ser cla­ ramente reconhecido pelo paciente. atrasos e outras dificuldades do paciente essencial­ mente para trazer material focal (intervalos de silêncio reiterados.108 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com este último concordam autores como Bellak e Small (2) e Malan (34). Tratar-se-á de vencer através da tarefa interpretativa os obstáculos resistenciais provenientes da transferência assim que aparecerem (28)2\ Ausências. ao dissipar de imediato e em gran­ de parte a resistência surgida. num momento do tratamento breve. Ao cabo de algumas sessões. Em qualquer momento.

No fundo. Durante as primeiras sessões . anular-me em minha capacidade terapêutica pen­ sante. sobretudo com comentários hostis acerca dos psiquiatras. com marcados tra­ ços fálicos. raiva e frustração. provocando assim sentimentos de rejeição. Foi necessário mostrar-lhe através de uma revisão parcial do vín­ culo transferencial como tratava insistentemente e de modo incons­ ciente de atacar-me e denegrir-me. partindo da comprovação da situação que experimentava repetitivamenté comigo. colocando-a seriamente em perigo.) Com esta inter­ venção busquei provocar um insight na paciente a respeito do que lhe ocorria com seu marido. que na verdade a intenção de relacionar o fenômeno transferen­ cial com algumas perturbações nas relações interpessoais da rea­ lidade atual da paciente era acompanhada pela tentativa de dissol­ ver obstáculos resistenciais. mas predominava o objetivo de supera­ ção das resistências.) Todavia. sua conduta correspondia uma vez mais a um intenso masoquismo. Além disso. cabe fazer referência ao uso das interpretações “transferenciais” segundo as fases que o tratamento está atraves­ sando.0 tratamento 109 Recorrerei novamente a um exemplo clínico: Trata-se de uma paciente de 32 anos. tratei de chamar sua atenção para o fato de que esses aspectos doentes de sua personalidade conspiravam também na terapia. A relação ia sofrendo uma progressiva deterioração. neste último exemplo. Também no exemplo anterior. (Poder-se-á notar. o que é freqüente na prática psicoterapêutica. Desejava “triunfar” sobre mim e. provocando nele reações violentas contra ela que chegavam ao ataque físico. A situação conflitiva principal na terapia era a relação intensamente competitiva e sadomasoquista que havia estabeleci­ do com seu cônjuge: descobri que conseguia com freqüência irri­ tá-lo até colocá-lo fora de si. que a levava a buscar que a maltratassem e também a atentar contra a relação terapêutica. (Resultava claro que queria despertar minha raiva até conseguir alterar-me. motivo principal de sua consulta25. procurancfo tomar-me “cego de raiva”. ambos os aspectos coe­ xistiam em certa medida.porque é preciso despejar o panorama de . Nesse aspecto considero que tanto nas etapas iniciais como nas finais do processo terapêutico costuma produzir-se em geral maior necessidade de se recorrer a essas intervenções. do mesmo mo<|o que a seu marido. de caráter histérico.

pelo menos a situação final d? trata­ mento e de ^eparacão— deverá ser sempre assinalada para o paciente. precisamente para a resolução da neuro­ se de transferência). com o intento de evitar 011 atenuar as reações desfavoráveis que este pudesse apresentar diante de tal situação e de afian­ çar assim os êxitos terapêuticos obtidos. e a minha própria.) c) Variantes qualitativas nas interpretações.B. (Este tema é examinado no capítulo 9. Isso implica. diminuin­ do. seu potencial regressivo. mas também ao para e ao pré-verbal . o emprego sobretudo fundamenta­ do . o quanto possível..de interpretações “transferenciais” é na psicanálise um fator favorável ao desenvolvimento da neurose transferencial regressi­ va. por antonomásia. A idéia é não deixar de utilizá-las quando devemos servir-nos delas. no terreno da P. o instrumento funda­ mental. Partindo dessa postura poder-se-á compreen­ der a preocupação de alguns autores. Ainda que no melhor dos casos não seja possível aspirar a níveis muito elevados de elaboração. por debilitar seu efeito indutor da regressão. serão em grande medida no curso do processo psicanalítico. ter de realizar modificações técnicas em sua índole quali­ tativa. as situações peculiares de luto que se repro­ duzem em cada paciente no seio da relação transferenciai. Pessoalmente penso que essas modificações devem referirse não só ao aspecto verbal. a meu ver. que contemple. pois leva o paciente a concentrar seu interesse no vínculo tera­ pêutico e o estimula a reviver nele mesmo situações passadas (ainda que em última instância. que se traduz em temores e desconfiança (se estão efetuando então os já conhecidos ajustes à relação de trabalho e fomentando os sentimentos transferenciais positivos) . ao fazer consciente o inconscien­ te.e nos estágios finais . além da óbvia restrição quantitativa ao emprego desse tipo de interpre­ tações. Atenuação dos efeitos regressivos Já disse que. mostrando-lhe assim a conexão equivocada. em alguma medida.porque o término da terapia e a eventual separação requerem certo trabalho interpretativo.110 Psicoterapia bre\>e de orientação psicanalitica resistências transferenciais dadas pelo natural surgimento de ansiedades paranóides.

al ém disso com seus amigos. isto é: “(. por exemplo.. mas para desfazer em seguida a confusão que surge dessa alusão. sobretudo que é'stabeleçam uma ligação de maneira praticamente constante entre o que sucede ao paciente. por tais e quais motivos obje­ tivos. o tom de voz. como sabemos.de um 'õssinãlaménto doque acontece. esta questão se colocará em maior ou menor medida na P. sua mãe ou qualquer outro objeto significativo primário. Desfazer significa dizer à parte adulta da per­ sonalidade do paciente que ele se porta com o terapeuta como se este fosse seu pai.. (Os grifos são meus. interferem considera­ velmente.) acompanhar cada interpretação do que ocorre com o terapeuta. em direção à qual se há de orientar continuamente o paciente. e nas relações daquele com os objetos transferenciais de “fora”. mas que na realidade isto é fruto de sua percepção errô­ nea de realidade. não são indiferentes em sua repercussão no paciente e no que se refere a suas tendências regressivas. já que.B. Disse Weiss: “O uso adequado das interpretações (quanto à escolha. parentes ou demãís ohjeim sipnifiçativos de seu mundo externo” (grifos dos autores). transferen­ cial ou não. Descobrimos que Szpilka e Knobel (42) sugerem algo similar como uma maneira de usar a transfe­ rência sem os perigos de uma neurose transferencial. diminuindo dessa maneira a concentração excessiva de exploração psicológica no vínculo com o terapeuta. Para tanto é necessário <|ue as interpreta­ ções possuam certas condições.) Trata-se de controlar na medida do possível a intensidade de regressão transferencial. ^ Também a Knobel e Szpilka corresponde uma das observa­ ções mais interessantes e claras que tenho encontrado a propósito do problema que estamos considerando: “Uma boa utilização da transferência nas psicoterapias breves é aquela que permite a alu­ são ao terapeuta. Podemos afirmar que. já que na verdade.0 tratamento FACULDADE GUAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 111 da mensagem interpretativa. ao formular a interpretação. ante qualquer interpretação. assim como a expressão corporal do terapeuta. momento e forma de apresentá-las) é o meio mais eficaz de»ciue dispõe o terapeuta para regular o tipo e a intensidade da relação" (45). A intenção c incluir sempre a realidade que está mais além do consultório.. Na realidade. cm sua relação com o terapeuta. o terapeuta não é nenhum desses objetos primários por ele . muito pelo contrário.

explicitada na interpretação. deve ser tal que desalente o prosseguimento da revives­ cência de situações infantis no seio da relação transferencial. o que significa renunciar a explorar a maior parte do “como se” metafórico da tccnica psicanalítica’\ À importância do conteúdo c da forma de interpretação dever-se-á agregar. por exemplo. (Grifos dos autores. Para isso também será útil mostrar ao paciente de quais elementos do material trazido por ele extraímos nossas interpretações. quer dizer. o tom de voz emprega­ do. o agressivo do construtivo (Szpilka e Knobel [42].) Em um traba­ lho de Córdoba. Andrés Rascovsky e Wencelblat observa-se um nítido paralelismo com essas idéias (3). que tende a opor obstá­ culos à idealização da figura do terapeuta. registramos algumas coincidências relativas à conveniência de que as intervenções do terapeuta incluam sempre dois aspectos opostos e coexistentes do paciente e não apenas um. Fiorini [ 13])27. /Entre a emergência do bloco de transferência e sua resolução deve transcorrer por outro lado o menor tempo possível e quase diríamos tão logo venha à tona é necessário desfazê-la” (42). O outro recurso a ser considerado para se evitar que o pacien­ te estabeleça uma relação excessivamente regressivo-dependente é apresentar as interpretações sob a forma de perguntas ou suges­ tões (Gerard [23]. No meu entender estamos diante de um ponto-chave dentro do trabalho interpretativo. (O modo como se faz a interpretação. Trata-se de não polarizar na direção que fomente a regressão.) Para controlar a regressão. desalentá-la. Tarachow [43]). a influên­ cia de outros fatores. A atitude que deve assumir o terapeuta a respeito dos ele­ mentos histórico-genéticos do conflito atual e particularmente sua . pelo contrário. reitero. a dependência e a insegurança.112 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica trazidos e pelo terapeuta representados. numa atitude de certa humildade (Fiorini [16]). como hipóteses que são. Con­ sidero que implica que a mensagem. ora eventualmente implícita em seu conteúdo. ora manifesta. e no que diz respeito às interpre' tações em geral. como. e ao mesmo tempo de chamar a atenção do paciente para seus aspectos adultos ou mais bem integrados e para suas possibilidades evolutivas e autônomas. Por exemplo: o infantil acompanhado do adulto. a acentuação que o tera­ peuta confere a certas palavras ou frases que a integram também podem “convidar” o paciente a estabelecer uma relação regressivo-dependente com o terapeuta ou.

principalmente as temporais (duração. sejam propícias. Não compar­ tilho desse critério. diferentemente do que ocorre no tratamento psicanalítico. 101 s. freqüência e periodicidade das sessões. Em tais circunstâncias. por conseguinte. V 2. uma posição extrema consistiria em evitar tflda incursão por esses níveis do conflito. Por isso..B. reiterando o já assinalado em outras oportu­ nidades. Que o paciente demonstre estar capacitado para receber e aproveitar essas interpretações sem experimentar reações desfa­ voráveis (isto significa em essência respeitar o timing). c partir em troca cia referência aos fatores atuais em jogo. Não obs­ tante. dc que. Convirá tomar algumas precau­ ções (sobretudo se se trata de interpretar a transferência para com o terapeuta). . Reconhecida a necessidade de que a tarefa ínterpretativa abarque conflitos genéricos infantis. queria insistir em alguns aspectos fundamentais c particula­ rizar outros a fim de aprofundar a visão do tema.os quais certamente sempre se levam em conta para compreender o conflito poderá produzir-se um estancamento no processo 3e conscientização e mudança do paciente.. serão as seguintes: 1. nâo haveria uina intenção prioritária de se remeter às experiências prematuras da vida do paciente. dura­ ção total do tratamento). o terapeuta podérâ estimar que é necessário efetuar uma revisão e um trabalho interpretativo mais profundo das perturbações do paciente. (Em P. não devemos deixar dc reconhecer que colocar ênfase excessiva nos aspectos infantis do paciente pode promover ã regressão. com probabilidades de que seja terapeuticamcnte eficaz.B.) Mas o certo é que na prática apresentam-se situações em que selem a impressão. Que as condições do enquadramento. a priori ou no curso de um tratamento breve.). enquanto não se incorporarem às inter­ pretações elementos do passado infantil . Diante dc tudo isso. por mais que nos tratamentos breves pareça aconselhável abster-se de interpretar em primeira instância e de maneira sistemática tais aspectos. as quais.0 tratamento 113 eventual inclusão nas interpretações que se formulam para o paciente é um ponto que cm parte já foi tratado na “Introdução” (pp. pelo que lhe cabem as considerações ali expostas2*. a propósito da profundidade das interpretações em P. estudaremos em cada caso a possibilidade de colocar isso em prática.

para al­ guns indivíduos. Que os componentes histórico-genéticos a incluir nas in­ terpretações sejam pertinentes à estrutura focal®. quando se considere necessário fazê-lo. aquela poderá fornecer o desenvolvimento da regressão e o da neurose de transferência ou. com relação a um(a) irmão(ã)30. ao necessário para obter certa mobili­ zação e progresso no paciente. . Como corolário da revisão das distintas modificações e agre­ gados realizáveis nas interpretações.B. K5. pois não é possível abarcá-lo em sua totalidade e propen­ der para a sua elaboração. realizo um trabalho interpretativo sempre parcial. Este ponto corresponde ao critério sustentado por Szpilka e Knobcl. ou seja. pelo contrário. O modo de formular as interpretações tenderá a facilitar que o paciente. o significado incestuoso ou parricida de suas fantasias11. por exemplo. carecendo de sentido “abrir feridas” nas defesas. A propósito deste aspecto da técnica. ainda que. podemos afirmar: de acordo com a conformação da interpretação e a modalidade que assume sua formulação. pode servir perfeitamente para mobilizar situa­ ções internas. Poder-se-á trabalhar um conflito infantil derivado (por exemplo. no sentido de que o insight em P.114 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica X 3. mas o terapeuta não deve ter por aspiração principal eliminar a amnésia infantil (Devald [5]). cm vez de fazê-lo reviver emocional­ mente os conflitos infantis no seio da relação transferencial. mais do que tudo. tem de ter “maior participação cognitiva que afetiva” (42). descartando outros aspectos do conflito. compreenda os determinantes históricos do conflito atual. dificilmente uma terapia breve chega a con­ frontar o paciente com seu conflito edípico. A isto terá de se agregar que: )*■4. Assim. têm dito esses autores: “Devemos reconhecer que isto. ten­ der a neutralizá-los. tenha de fazer alusão de maneira direta a componentes do conflito original. mostrando-lhe direta­ mente. limitado ao que é imediatamente relacionado à situação-problema. Neste último caso. para as quais ainda não temos métodos de avaliação e que podem ser úteis para alcançar uma adaptação produtiva à ^realidade” (42).

em função da possibili­ dade de estimular excessivamente a produção de fenômenos re­ gressivos no paciente. já que a interpretação onírica é “a via régia para o conhecimento do inconsciente” (Freud [20]) c por conseguinte constitui uma ajuda valiosíssima para detectar o ponto de urgência.B. fantasias. se considerará o material onírico inter potável sobrem do desde seu conteúdo' manifesto e por sua relação com o contexto. não há tampouco uma unidade de critério com res­ peito a se devem ou não ser formuladas interpretações acerca do material onírico dos pacientes. A interpretação dos sonhos. Do que surgir da análise se verá se a formulação de interpretações é indicada ou se pelo çarb> trário o sonho em questão deverá ser deixado de lado nesse senti­ do: tudo isso dependerá essencialmente. praticada do mesmo modo que na psicanálise. Quando interpretar A interpretação dos sonhos deverá reger-se pelos mesmos princípios gerais que presidem toda interpretação em P. Com isso quero expressar que não costumo “deixar passar” um sonho sem antes efetuar uma tarefa mínima de exploração de seu conteúdo. (De qualquer manei­ ra. crçio que não convem rejei­ tar de imediato um material tão apropriado. ou seja. Apesar disso. de tratar-se ou não de materiaífocal. ainda que tendo presente quando. Mas uma vezf mais certos cui­ dados terão de ser tomados para tratar de conttolar a regressão que poderá ser gerada. no geral. conteria um risco básico. interpretar na medida em que o considere útil.B. Em última instância. certa aná­ lise dos sonhos trazidos pelo paciente.115 d) Interpretação dos sonhos Em P. Mas vejamos a que me refiro com o que acabo de mencionar. não vejo nenhum inconveniente em tentar. Como responder a este problema técnico? Creio que diante dos sonhos o terapeuta deve assumir a mesma atitude que ante qualquer outro produto da atividade psíquica (atos falhos. repito. sugerem apriori sua vinculaçào com o foco.).. ainda que não . quer dizer. o que e como interpretar. etc.

psicanaliticamente orientada. pois a limitação de tempo permite introduzi-lo só até certo ponto nos significados dos mecanismos oníricos (Hoch [28]). | especialmente no que concerne à focalização e à transferência. Os recursos para analisar os sonhos são em essência os da psicanálise.116 Psicoterapia breve de orientaçào psicanalitica derive na formulação de uma interpretação.) O que interpretar Desde logo será preciso hierarquizar aqueles aspectos do sonho inerentes ao focal-atual. Por outro lado. devem-se interpretar-se mais que tudo aqueles conteúdos que parecem mais claros para o paciente. constitui . o que implicft conduzir uma vez mais o paciente ao contato com o conflito central do tratamento. a análise do sonho. incluindo o auxílio oferecido pelas associações livres do paciente. reduzindo ao mínimo a indução de fenômenos regressivos. a quem se podem pedir associações a partir dos dife­ rentes elementos. e) O terapeuta diante do trabalho interpretativo Em minha experiência de supervisão de tratamentos breves.assim como acontece por exemplo com os fenômenos transferenciais em geral um recurso de apreciável utilidade para enriquecer nossa compreen­ são dinâmica do paciente. embora limitada em seu alcance. tal como se faz na técnica psicanalitica. sempre dentro do que se refere ao conflito a resolver. Como interpretar Consideraremos duas questões: uma referente ao método de análise dos sonhos e outra ao conteúdo das interpretações formu­ ladas para o paciente. venho observando com freqüência que os colegas cometem diver­ . e recolocá-lo assim na realidade de sua vida cotidiana. A tarefa interpretativa se efetuará segundo as normas já assi­ naladas para a interpretação na PB. remetendo-nos em troca só às idéias latentes pré-conscientes. Geralmente deve-se evitar referir as interpretações a desejos infantis inconscientes.

^ 3. além de empregar reiterada e excessivamente interpretações da transferência. Em outro contexto. (Os motivos subjacentes a esta atitude do tera­ peuta serão considerados no capítulo 8. ^ 4. num dado momento do processo terapêutico. As perguntas. Também nesse ponto pode-se apreciar o papel ativo que desempenha o terapeuta. mas também durante o tratamento propriamente dito. leva-se em conta a possibilidade de estimular o paciente fóbico. % 2. Dentre os mais relevantes.) Outras intervenções verbais Além das interpretações.” Fiorini apontou do mesmo modo a necessidade de que o terapeuta se autocontrole na utilização das interpretações “transferenciais” (14). As sugestões. instrumento terapêutico necessário em toda terapia de insight para facilitar o trabalho interpretativo. a enfrentar as situações temidas (21). Cabem não só na etapa diagnostica. Certas dificuldades próprias do terapeuta determinam que este. Os assinalamentos. Entre eles encontramos muito correntemente o abuso da referência a situa­ ções transferenciais. O fornecimento de informações. São de diversas tendências. Em certas ocasiões pode ser benéfico oferecer informações ao paciente acerca de certos temas. Exemplo: desde Freud. o terapeuta conta com diversos ins­ trumentos na psicologia verbal. a fim de se obte­ rem diversos e necessários dados acerca do paciente sobre o anda­ mento. tais como os vinculados à sexualidade. as perguntas revelam um terapeuta não-onipotente e interessado no paciente (16).117 sos erros gerados pela transposição de elementos técnicos da psi­ canálise sem nenhuma modificação à técnica breve. pode­ mos citar: 1. Recordo com relação a isto um acertado comentário: “Ocorre-me que toda terapia breve apela para a mais primorosa sensibilidade do terapeuta. com os perigos decorrentes. hão resista a seus efeitos regressivos. . ao mesmo tempo em que significa justamente cavalgar permanentemente entre a transfe­ rência e extratransferência.

em casos tais. Para prevenir e contcr os acting out. Além disso. além de interpretar .1JS Psicolerapia breve de orientação psicanalítica “é 5. pp. Tentar-se-á assim alcançar um rápido alívio sintomático. costuma ser recomendável uma freqüência de mais de duas sessões semanais. às vezes pode ser útil ir reduzindo gradualmente a fre­ qüência das sessões (sempre que o estado do paciente o permita). Sem dúvida posso dizer que. dada a diminuição da auto-estima. Sobre as sessões t Em primeiro lugar referir-me-ei à freqüência das sessões. na maioria dos casos. Exemplo: a prescrição de uma psicodroga. Já fiz alusão às mesmas ao referir-me ao tema “Fortalecimento e ativa­ ção das funções egóicas” no capítulo 3. Os comentários. ^ b) Pacientes com marcadas tendências ao acting out. â 7. etc. que transcorrem com grande angústia. £ 6. As intervenções de reasseguramento ou de reforço. De uso muito esporádico. uma vez que possibilita uma tarefa de certo aprofundamento e restringe as perspectivas de regressão e depen­ dência que poderiam ser incrementadas com um maior número de sessões. As indicações. duas sessões semanais é um número apropriado para uma psicoterapia breve de insight. Em geral é conveniente adequar-se às necessidades de cada caso particular. exceto quando se trata de apoio emocional. por exemplo. Uma maior freqüência pode ser conveniente. com grande necessida­ de dc provimentos narcísicos. pode bastar uma sessão por semana. como: X a) Situações de crises muito intensas. Realizam-se essencialmente com o pro­ pósito de fomentar o intercâmbio verbal.. 34 ss. ^ 8. excitação psicomotríz. que es­ timule por sua vez a. Em certas ocasiões. confiança do paciente em suas possibilida­ des de melhoria (a posteriori poder-se-á reduzir o número de ses­ sões). ao menos no começo. depressão. Os conselhos. para facilitar a separação ao terminar o trata­ mento. em de­ pressões intensas e agudas.

supõe-se que também pode variar dc acordo com as circunstâncias. À medida que a sessão se estende por mais tempo. intervenção de familiares e/ou pes­ soas próximas do paciente. dramatização. geralmente o que implica na realização de um esforço significa­ tivo). F " Outros recursos terapêuticos Em muitas ocasiões resulta benéfico agregar outros instru­ mentos terapêuticos à psicoterapia individual verbal e breve. para o que deve agilizar o processo terapêutico. serviço social. já que geralmente basta para efetuar uma tarefa proveitosa. se trabalha comumente frente a IVentc. é o de procurar agilizar o processo tera­ pêutico. hipnose. aumentam as possibili­ dades de fadiga do terapeuta (não esqueçamos que em P. Ocupar-me-ei de dois recursos que me são mais familiares por utilizá-los em minha experiência pessoal como terapeuta. São . Supostamente. Um dos tantos propósitos válidos e usuais na aplicação de diversos recursos em P.B. intervenção breve. comunidade terapêutica. exercendo o profissional um papel ativo e buscando obter determinados resultados em um prazo limitado. (9) (10) (14) (46) (47). terapia ocupacional. É sobretudo no âmbito institucional que ocorrem as oportunidades mais promissoras para efetuar tratamentos combinando instru­ mentos terapêuticos que incluem eventualmente uma tarefa em equipe com outros profissionais da saúde mental. psicoterapia grupai.B. o ponto de partida deve ser sempre uma fundamenta­ ção psicodinâmica acerca de sua incorporação ao tratamento e dos efeitos esperados com ela. Pessoalmente penso que uma duração de 40 minutos por sessão resulta adequada. quando se apela para outros elementos. etc. o que pode ser altamente positivo. Quanto à duração das sessões.0 tratamento 119 as fantasias transferenciais que possam estar presentes (mais co­ mentários sobre esse ponto poderão ser achados no capítulo 10). As alternativas com que contamos no momento sâo realmen­ te numerosas: psicodrogas.

parece o mais indicado para poder realizar uma escolha adequada do medi­ camento. uma vez que pode gerar no paciente atitudes maníacas (30). opino que a medicação deve ser forneci­ da na medida do possível pelo mesmo terapeuta encarregado da psicoterapia (sempre e quando. sem que se necessite da participação dc um terceiro. permitindo o acesso à psicoterapia de pacientes que de outro modo seriam muito difíceis de tratar. Em primeiro lugar. etc. anulando-o em suas possibilidades de esclarecê-los e de encontrar uma solu­ ção mais satisfatória para eles. conhecendo o paciente melhor que seus colegas. Aqui é pertinente recordar também que alguns já alertaram sobre os perigos que contém a idealização do medicamento. controlar seus efeitos e ir efetuando as modificações que julgar convenientes. já que isto pode conduzir o paciente a escamotear seus conflitos. Sem dúvida é ele quem. melhoria na comunicação. Não insistirei nas reconhecidas vanta­ gens provenientes dos efeitos da medicação (alívio sintomático. Ministrar-se-á medicação só na­ quelas situações em que seu uso seja requerido como coadjuvante da psicoterapia e durante o tempo que se considere estritamente necessário. especificarei alguns aspectos de sua aplicação. Outros assinalaram a decisiva importância do fato de que desde o começo se explicite para o paciente o sentido da administração dos psico- . assim como certas dificuldades que podem sur­ gir se os psicofármacos não forem manejados adequadamente. Em troca. facilitaçào do insight. e particularmente naquelas ocasiões em que se efetua uma terapia breve de insight. O emprego de psicofármacos A combinação de psicoterapia com psicodrogas pode ser muito útil em diversas circunstâncias. deverá evitar-se um emprego indiscriminado e rotineiro de medicações.).120 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica eles: o emprego de psicofármacos e a participação de familiares e/ou figuras próximas do paciente em tratamento. Em segundo lugar. é claro. se trate de um profissional capacitado para o manejo dos psicofármacos). graduar a dose. sempre que se tenham pre­ sentes certas precauções.

no caso em que esta esteja muito difícil. isto é. Para esclarecer a questão aos pacientes. que a medicação é destinada a tornar possível (ou facilitar) sua comunicação comi­ go. Procurase além disso chegar a um diagnóstico psicodinâmico do casal . que é a que no fimdo deve ser tratada/Em síntese. mas passado o efeito da medicação. costumo recorrer a exemplos simples: freqüentemente refiro-me ao que ocorre quan­ do a uma pessoa se ministra um analgésico (droga) para acalmar uma dor de dente (representante do sintoma psíquico). a procurar que a melhoria sintomática não seja acompanhada de uma desva­ lorização da psicoterapia ou. Dever-se-á insistir junto ao paciente que ele deve aspirar a algo mais. As metas que mais comumente se buscam com essa conduta são: 1. ela voltará. por exemplo. da f>erda de interesse pela mesma. o que poderá acontecer ou na fase diagnóstico-prognóstica ou na busca de objetivos comuns. ela persistirá/ A participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento Freqüentemente é necessário incluir no processo terapêutico breve pessoas vinculadas ao paciente. na terapêutica e/ou na avaliação de resultados. Obter informações. explicando o caráter pa­ liativo de sua administração. Resulta em geral sumamente benéfico ter a oportunidade de entrevistar familiares e/ou pessoas próxi­ mas do paciente e conhecer suas impressões sobre eleJ2.0 tratamento 121 fármacos (35). se não tentamos “curar” a infecção “pela raiz” por meio da psicoterapia. posição com a qual concordo e segundo a qual costumo explicar ao paciente. e se não se recorre novamente a ela. por exemplo. quando se tenha um alívio sintomático. ou seja. A dor pode ceder. sem os esforços e a participação ativa que a psicoterapia supõe). diretamente. Com essas explicações tende-se a evitar a eventual interferência do efeito da medicação no pfocesso psicoterapêutico (o alívio fácil. à compreensão c à resolu­ ção do conflito por meio da psicoterapia. Também é convenien­ te esclarecer os objetivos do uso das psicodrogas associadas à P. é uma cárie (assimilável ao conflito psíquico). pois sua origem.B.

se for preciso. tudo isso de acordo com os critérios predominantes em cada caso. Além dos fins anteriormente mencionados. Quisera efetuar agora algumas considerações acerca da P. £ 2.B. ou de outro. Atuar terapeuticamente sobre o meio que rodeia o enfer­ mo. A participação dos pais (ou tutores) do adolescente no pro­ cesso terapêutico deverá estender-se desde o início até o final do mesmo.B. Isto poderá realizar-se através de entrevistas jie orientação c além disso. pelos quais se dá espaço a familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento. o tratamento pode ser concebido. com ou sem a inclusão do paciente no tratamento grupai. Hm algu­ mas ocasiões. a necessidade de incluir os pais no tratamento.lzz_ Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica e/ou da família. apresenta-se especialmente aqui a necessidade de fazer intervirem os pais em função dc outros fins que se acrescen­ tam em determinadas fases do procedimento. família) desde o começo.B. c) fase de avaliação dos resultados terapêuticos. de pacientes adolescentes no que diz respeito ao papel dos pais. São elas: a) fase de devolução diagnostico-prognóstíca. so­ bretudo quando a problemática está principalmente relacionada com seu meio familiar. E não poderia ser de outra maneira quando se trata de buscar modificações em um prazo geralmente limitado. de adolescentes. de adoles­ centes. a indicação poderá ser uma psicoterapia breve ex­ clusivamente grupai (casal. dc uma psicoterapia a cargo do mesmo terapeuta que efetua o tratamento do paciente. fato que deverá configurar a regra e não a exceção na P. Atualmente. Tem-se enfatizado. . já não como uma psicoterapia do adolescente. Informar sobre o estado do paciente para conseguir que seus familiares ou as pessoas próximas assumam a responsabili­ dade do tratamento nos casos em que isso seja necessário. o emergente de um grupo enfermo. senão do grupo familiar. 3. na P. paia o que resulta até imperioso trabalhar sobre os pro­ genitores e ter constantemente presente a unidade grupai de pato­ logia. na realidade. já que se acham profundamente im­ plicados na crise do filho (31). b) fase de combinação das metas terapêuticas e dos distintos aspectos do contrato. partindo da concepção de que aquele é. determinar o papel que nela ocupa o paciente.

Caso con­ trário. Uma míni­ ma concordância inicial acerca dos objetivos terapêuticos consti­ tui um requisito fundamental porque permite começar a tarefa em melhores condições. por exemplo.*os objetivos terapêuticos e o contrato.no caso em que sejam cltís os que interferem inicialmente em nossas finalidades terapêuticas . necessitam ter uma noçào real do esta­ do de saúde do filho e de suas perspectivas prognosticas. e por ter sido requerida sua colaboração. ainda admitindo que depende substancialmente desta que eles aceitem as modifi­ cações que possam produzir-sc na dinâmica familiar. seja considerando-a mais grave do que o é na realidade seja pelo con­ trário diminuindo sua importância.poderia mais adiante exercer a psicoterapia do grupo familiar a ser efetuada. definitivamente. junto com o adolescente e seus pais. por exemplo. / b) É imprescindível combinar. o que pode produzir efeitos perturbadores de natureza diversa. Mas com freqüência as coisas nãó' são tão sim­ ples. ficam mais facilmente sujeitos a suas próprias fantasias acerca da enfermidade de que o filho padece. não se sintam inteiramente tomados de surpresa ou “atraiçoados” com relação ao planejamento previsto no começo do tratamento a respeito dos fins deste. desqualificadoras dos suces- . Trataremos então de que colaborem desde o princípio e de ir preparando-os para que aceitem essas mudanças. a situação mais desejável para enfrentar nosso trabalho terapêutico consistirá em alcançar um acordo unânime acerca dos mesmos. Não é possí­ vel passar por alto desacordos ou mal-entendidos de início e dei­ xá-los à mercê. Os pais costumam chegar à consulta com determinadas ex­ pectativas e intenções a respeito do tratamento do filho. ante as possíveis mudanças que o filho experimente.123 > a) Os pais. atitudes repressoras. por serem responsáveis pela terapia. No que concerne especificamente aos objetivos. é muito mais fácil que sobrevenham inconvenientes deriva­ dos da incompreensão e que consistem em diversos tipos de rea­ ções negativas por parte dos pais. Quando não recebem informações. efitre paciente. objetivo que será facilitado por meio da psicoterapia familiar que virá em continuação. culpogênicas e. pais e terapeuta. que não coincidem com as do paciente e/ou as do terapeuta. quer dizer. da ação retificadora que sobre os pais . e que os pais.

é indubitável que os pais têm direito a um esclarecimento sobre o sentido e o alcance do tratamento que o filho venha a empreender. o deles mesmos (quando tenham sido tratados) e sobre o tratamento. será de utilidade efetuar. pois nelas devem-se encarar já alguns problemas cruciais da conflitiva famjliar. devemos fazer compreender a estes pais que nossa finali­ dade terapêutica não consiste simplesmente em converter o pa­ ciente. sendo também eles objeto de uma devolução por parte do terapeuta. descreverei uma sií \ tuaçao -A muito freqüente na psicoterapia de adolescentes: a do jovem que tem uma atitude de rebeldia em relação aos pais. solicitar-se-á que tragam suas impressões sobre o estado atual do paciente. mas em tratar / de entender juntos a problemática familiar global que pode estar originando sua rebeldia e o significado profundo da mesma como expressão da crise adolescente e da conseqüente crise deles mes­ mos. Por outro lado. y c) Tampouco. Apelando uma vez mais para entrevistas con­ juntas ou em separado. as quais poderiam ser conjuntas (29) com os pais e o adolescente ou realizar-se em separado. de repente. logo após obtido um diagnóstico psicodinâmico do grupo familiar e da situação-problema.124 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica sos do paciente ou. título de exemplo do exposto até aqui. entrevistas operativas (44) especialmente destinadas a este fim. mas tam­ bém com eles. será preciso que se comprometam firmemente no esforço terapêutico. pois será ne­ cessário revisar o que acontece não só com o paciente. Essas entre­ vistas adquirem na realidade grande valor terapêutico. num filho submisso e obediente. mediante a qual este comu­ nicará sua própria avaliação dos resultados terapêuticos. Antes de tudo. que retirem diretamen­ te o filho do tratamento. o que é muito comum. os pais devem ficar excluídos da avaliação dos resultados obtidos33. Procurar-se-á que os pais cheguem a reconhecer que tam­ bém eles estão imersos no problema e que. para obterem certas mudanças em sua relação com o paciente. No caso de se apresentarem dificuldades para chegar a um acordo inicial sobre os objetivos. .

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Veio à consulta apresentando uma gravidez . trabalhava como empregada numa oficina e pertencia à classe média baixa. “não acreditava” na psicoterapia e nunca havia aceitado consultar um psiquiatra. tam­ bém empregado. que espero possa ser útil para ilustrar aspectos inerentes à relação paciente-terapeuta. e para permitir uma melhor compreensão do que aconteceu na ses­ são. o qual. à tarefa de focalizaçào e a outros temas de interesse.cujo diagnósti­ co foi confirmado . j Apresentarei aqui o material de uma sessão cie psicoterapia focal. às intervenções do terapeuta. Tinha completado o curso secundário (efetuou algumas matérias no curso de psicologia. Rita dizia que a rela­ ção com seu marido era “bastante boa e carinhosa”. exporei os dados principais da história clinica e um esboço da estrutura focal da maneira como/oi concebida inicialmente1. e por não poder tQmar uma decisão diante da mesma. de 27 anos. A paciente. é uma jovem que na época da consulta tinha 23 anos. Estava casada há 14 meses.7 Uma sessão depsicoterapia breve . ainda que não poucas vezes tivessem desentendimentos e discussões acaloradas. isto é. mas abandonou-o logo em seguida). prosseguir com a gra­ videz ou submeter-se a um aborto. . O casal havia se conhecido trépanos antes. segundo a paciente.de aproximadamente 50 dias. A princípio queria ajuda para compreender melhor suas qualidades a esse respeito e em conse­ qüência tomar uma resolução. Consultou-me às escondidas de seu marido. Antes de mais nada. a quem chamarei Rita.

mas dizia tam­ bém que se sentia insegura de si mesma e incapacitada para ter um filho. Mas. enquanto voltava a si. havia se desin­ teressado do assunto. Alegava. Para tanto. ao verificar que não ficava grávida. . angustiadamente: “tiraram ele de mim!”. “deve ser feio tê-lo sem sentir muito desejo”. Um dia. segundo lhe contaram. Temia que tivessem produzido lesões importan­ tes nos genitais da paciente. assim mesmo em poucas ocasiões. chocavam-se com seu desejo de chegar virgem ao casamento. submeteu-se a uma anestesia geral e. antes de mais nada. por momentos parecia inclinar-se ao aborto. Até esse momento não ha­ viam empregado nenhum método anticonceptivo. havia esta­ do a ponto de visitar um médico residente para praticar o aborto. mostrando-se muito entusiasmado com a idéia de ser pai e confiava em que iriam poder superar os diversos inconvenientes que se apresentas­ sem. simbolizado pelo “casar-se de branco”). já que seu marido desejava um filho. chorara muito. a não ser o coitus interruptus. que ocasionassem sua esterilidade. Haviam começado a manter relações sexuais antes do casa­ mento. antes de vir à primeira entrevista em meu consultório. há dois anos ficara grávida ç de comum acordo com seu atual marido praticara um aborto. alegando apenas que assim “era mais cômodo”. razões econômicas. de vez em quando. decidiu consultar antes um psicoterapeuta. A paciente não encontrava explicações razoáveis para esse descuido. Na realidade. A partir do aborto foi sobretudo seu marido quem pareceu ficar preocupado. enquanto. mas logo mudou de idéia e. que não tinha interesse em submeter-se aos procedimentos habituais de contracepção e que ultimamente. Seu marido adotava uma posição oposta.130 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A gravidez não foi planejada conscientemente pelo casal. quase não voltaram a falar no assunto. gritando. dizia ela. seja porque eram vividas por ambos com muita culpa (em Rita. uma vez passado o momento crítico. A jovem temia em conseqüência que um aborto afetasse a relação do casal. aceitando o conselho de uma amiga. seja porque eram constantemente acompa­ nhadas pelo medo de uma gravidez. Ainda que Rita insistisse na dúvida acerca do que queria com relação à gravidez. As mesmas eram pouco satisfatórias.

Nunca se pode saber olque está sentindo c nunca discute com ninguém. casado. além de muitos outros indícios.Uma sessão de psicoterapia breve 131 Dosjmtecedentes familiares importa assinalar que a paciente cra proveniente de uma família de educacão e costumes tradicio­ nais. Diante da notícia da gravidez.. Segundo a paciente. como: “A mulher não deveria sofrer na gravidez. Segundo a descrição da paciente. dizia com ironia.) A família de Rita se opusera tenazmente a seu casamento. l ive que lhe dar soro. que após ter vivido um tempo separado dos pais voltara à casa paterna acompanhado da esposa e. cinco anos mais velho que ela. vivia zombando do genro. filha. se domina. que tratou de explicar à jovem com argumentos.disse . Vi­ sitava-os diariamente com seu marido “para bater papo e jantar”. com reações anormais de violência. o pai impressionava por ser uma pessoa muito controlada ein seus afetos: FEu sempre digo que é muito diplomático. } fazia supor que o grupo familiar correspondia ao tipo dos çj^omij \ nados aglutinados (F. o pai adotou uma atitude de franco desagrado.” A reação de sua mãe havia sido especialmente desconcertante para Rita e parecia assentar-se em uma intensa ambivalência para com sua gravidez.” Padecia de hipertensão arterial. segundo ela. todavia. e L. por exemplo.era^cordial”.”) Teve dois 'abortos. Segundo Rita. ante as quais. o irmão reagiu com aparente indiferença. dizendo-lhe que “não servia” (alusão ao fato de que não engravidava sua filha). (“Não vivemos ali porque não dormimos. como sofreu sua mãe nas dela. . (“É como se ela não hesitasse em matar alguém nesse momento.. Sua relação com ele . T inha um irmao. que experimentava ocasionalmente. um antes e outro depois do nascimento de Rita. a paciente se encontrava em plena luta para alcançar sua individualização. Nem água podia beber. e só ultimamente parecia dar mostras de começar a aceitar ou tole­ rar seu marido. Mas é só o que falta”. Bleger [2]). com os conhecidos tabus sexuaisA relaçào com seus pais era de marcada dependência. com tantos vômitos e indisposições. Qualificou-a também de “muito nervosa”. A mãe. Logo sejirrepende. era uma pessoa muito severa e domina­ dora. Sobressaíam as característi­ cas matriarcais. não podia “separar-se deles”i /"NTlido o que foi mencionado. com uma filha de 4 anos. cm troca.

foi viver com o marido em um apartamento alugado. você acha? respondi. não deu crédito. para justificar. “Mas não sei até que ponto se alegrou . o que supostamente levou o casal a não desejar outra gravidez). com seu casamento. na sala) até que. teve de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de urgência. me disse ela”. Até se casar.) Dois anos antes.co­ mentou Rita . dificuldades econômicas familiares). também. a princípio. segundo lhe contou. assinalarei alguns dados •' significativos: ela acreditava ter sido produto de uma gravidez não desejada por seus pais ( já em sua primeira gestação. Rita sempre dormiu na casa dos pais (a casa em que ainda vivem c que conta apenas com uin quarto. ÜJUxo único. Em seguida pareceu emocionar-se e começou a chorar. estando grávida de três meses. cozinha e banheiro). havia tido outras moléstias durante essa gravidez (anemia profunda.” (Não descartava a possibilidade de recorrer a uma creche. Além do mais. Dizia-me: “Essa casà é um desastre. O par­ to foi normal. . Até os seis anos. sua mãe. num exame clínico motivado por transtor­ nos intestinais. um médico diagnosticara uma presumível apendi­ cite crônica'. diariamente. Essa intervenção foi realizada com anestesia local.132 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Logo lhe levaram a notícia da confirmação da gravidez. à qual. e o irmão. Ujnjnenino. Por outro lado seu. Nesses momentos a preocupava o fato de ver-se obrigada a deixar o bebê aos cuidados da mãe. dormiu na mesma cama que seu ir­ mão. depois passou a dormir com sua mãe na cama de casal (enquanto o pai dormia em seu local de trabalho. instalada ao lado da de seus pais (alegava. e episódios diarréicos).porque depois me disse que tomasse algo para tirálo. que os pais ^do marido. devido a um quadro de apendicite aguda. Não tem lugar para nada. ‘Olha que é muito cedo para você perder tempo com uma criança’. pai preferia. Não. ao que parece. Dos antecedentes pessoais de Rita. sala. Interessa em especial destacar que a inãe de Rita. que era. Cabe dizer. para ir trabalhar. flebite. grande risco de vida. a mãe havia sofrido diversas moléstias. ainda que lhe parecesse que sua mãe cuidaria do filho com mais carinho. corren­ do as duas. se alegraram muitíssimo com a novidade.

Uma sessão depsicoterapia breve w. negando a dor e a perseguição provocadas por essa perda. diante dà qual a paciente . Assinalarei agora os componentes do foco iniciahe alguns dos principais psicodinamismos em jogo. Mas Rita parecia sentir novamente e de modo imperativo a necessidade de pagar por suas “faltas” com um novo aborto. A gravidez atual continha então um desejo inconsciente de reparar o dano produzi­ do^ associado à ngcgssidade de comprovar a preservação de seus genitais diante do temor de que tivessem sofrido danos. em parte. com atitudes para o insight. Suas relações sexuais pareciam despertar nela intensos sentimentos de culpa. funcionamento egóico adequado. inclusive as primei­ ras etapas de sua vida. seu aborto podia ser considerado. ainda que manifes­ tando resistências que poderiam accntuar-se4. e as conseqüentes fantasias incestuosas. consU derando seus ^ntêcedentes pré-natái§> podemos compreender melhor o porquê de suas elevadas ansiedades paranóides ante a sua gestãçao e suas intenções de abortos. Além do mais. Ein conseqüência do men­ cionado. Pensei em questões que se vinculavam ao motivo da consulta. nao chegando a configurar um quadro característico de neurose. \lguns diagnósticos considerados foram: personalidade hipomaniaca^ com conflitos de natureza neurótica.e ao que parece. ba­ seado nos conflitos ante a maternidade. tam­ bém seu esposo reagia com típicas defesas maníacas. a faziam temer agora por sua própria sorte. ^ -----. Diante de uma imagem fetal seguramente muito per____________ ^ ' J' " " " ^ llh _ *' í . Mas o aborto também era gerador de culpa pela destruição do filho. principalmen­ te por tratar-se de relações sexuais pré-conjugais. ainda que em grau menor. foco definido. como um mecanismo de autocastigo por infringir a proibição.C ---- - " j ' - . Vamos aventar a hipótese de quê suas fantasias de ataque ao ventre materno. e dali ir retrocedendo em sua história até chegar a considerar a pro­ vável incidência de fatos a elas concernentes. que sem dúvida tinham muito a ver com suas experiências de coabitação e de partilha de cama. etc. W. Creio que podemos partir da^dificuldades sexuaj^ de Rita. alimentadas pelo risco cirúrgico que sofrera sua mãe. tais como: Quais foram os fatores*dcterminantes da busca inconsciente da gravidez atual? O que ela representava para a paciente e para o seu marido? Que fatos motivavam sua ambivalência afetiva e seu» temores ante a gestação? Por que se inclinava conscientemente a&aborto?.

Inclusive sua mãe a incentivava em certos momentos a abortar. Os relativos à relação de casal da paciente não pareciam relevantes num primeiro momento. e na qual correu peri­ go de ser abortada. superar sua dependência patológica do gru­ po. Nessa etapa dc doloroso e difícil despren­ dimento. A família parecia exercer grande influência sobre a paciente. (Rita havia nascido entre dois abonos. poderse-ia descobrir a persistente resistência familiar à sua individuali­ zação e desprendimento. adquirindo a gravidez o caráter de algo pecaminoso. a rejeição ante o marido e à gravidez. não desejada e muito acidentada. também para ela a imagem materna continha características filiei^ das (5 ). correspondentes à conflitiva focal. como emer­ gente. de uma gravide/.134 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica secutória. Mas sim. especialmente à mãe. em uma observação mais profunda. para cm seguida dizer que abortasse. Por sua vez. e expressa verbalmente pelo pai. a paciente sem dúvida não havia conseguido. temerosa. em relação à qual teria lugar o conflito básico da problemâtica. da severa educação religiosa. A conduta materna reproduzia.da. até esse momento. atraves~dê~seírs levado montantejteagressão. a perspectiva de ter um filho repercutia curiosamente na jovem. assim. dos tabus sexuais e . incrementando-se seus temores de experimentar uni retrocesso nesse sentido: deixar o bebê aos cuidados de sua mãe consistiria em voltar a ligar-se e submeter-se intensamente à. através da quãTse^oãõHrígadíTa abandonar seus desejos maternais5. pela qual é preferível não passar.) Deduz-sc que Rita não se sfiüúa cqmjLijreito de_sCTmãe. os provenientes do meio familiar. bssa crença era fundamentada nos problemas sofridos por sua mãe e sua cunhada. e a jovem. . a de um superego ambíguo. por outro lado. Recordando o conceito de foco enunciado por Fiorini (3). em função do luto patológico nâo-elaborado (aborto). família. no que.. Havia muito mais elementos em jogo. Parecia temer que os familiares. interessava além do mais considerar o momento evolutivo que este caso estava atravessando: pudera começar a separar-se fís i-/lfV '*^tr ca e gradualmente de seu grupo familiar ao contrair matrimônio j cerca de um ano atrás. só acumulava dúvidas sobre o que desejava fazer. já que primeiro incentivava o casal à gravidez por meio de troças a seu genro. ao que parece. crcnça quase mítica de que a gravidez era uma espécie de enfermidade^lesgraça ou maldição.

o desenvolvido até aqui: ^ FO C O Relações sexuais pré-conjugais (culpa pela sexualidade) I Aborto |-----1 Defesas maníacas t s [ M omento ev o lutivo]----- Casamento Deves abonar" \ . que se reativava ao identificar-se com o filho monopolizado em sua fantasia por sua mãe. com as limitações próprias de todo esquema. no caso de nãcTabortar. a despojassem de seu filho. antes de mais nada. Rita tomava como referência o que ocorria com sua pequena sobrinha. sobretudo o materno. em sua pró. ^ Tratarei dc reproduzir. M o o familiar | . teria de oferecer a ela. o qual.no sentido de não poder liberar-se da ligação com a figura materna.Uma sessão de psicolerapia breve 135 em particular a mãe. r'Mas seus temores se baseavam. Estas seriam as regras do jogo que deveria cumprir para não perder o carinho dos seus.pria experiência. que se achava sob o domínio da avó e exposta a uma educação retrógrada.. renunciando à sua condi­ ção dc tnãe.

( pensa breve) Sobra-me apenas metade da sessão. . a situação seria reestudada. acredita que poderia haver outros motivos? P3: (Incisivamente): Não. dependendo da evolução do seu estado e das vicissitu­ des que poderiam acompanhar sua gravidez. assim como das dificuldades de diversos tipos que eventualmente pudessem aparecer. um pouco perturbada): Não me diga nada. O tratamento foi planejado com base na técnica de insight. T1: (Respondo com um sorriso. A sessão A seguir é transcrita quase que literalmente a sétima sessão do tratamento de Rita. T2: Além disso. Caso se decidisse pelo aborto. que estava próxima de completar o terceiro mês de gestação. perfeitamente localizada c circunscrita. motivo pelo qual lhe propus uma psicoterapia de objetivos limitados e de final “aberto”. considerando-se útil em algum momento a possibilidade de inclusão do esposo e de outros familiares da paciente no processo terapêutico..136 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A paciente nào se achava motivada para realizar um trata­ mento prolongado.. (muda bruscamente o tom de voz. para ela. que interrompo para dirigir-me a ela. levando-se em conta seu estado e motivação para o tratamento. Recorria à consulta por uma necessidade que era. que revela agora certa preocupação). em tom amável): O que você pensa a respeito de ter chegado tarde desta vez? P2: A verdade é que sentia frio e tive dificuldades para me le­ vantar da cama e vir. o objetivo do tratamento seria a revisão das ansiedades por ela produzidas durante a gestação. com duas sessões semanais de 40 minutos cada. P1: (Sorri. por meio de entrevistas de orientação. assim como as fantasias subjacentes que haviam acompanhado a sua busca. ainda que nesse caso tenha-se adiantado que uma assistência psicológica seria tanto ou mais necessária6.. Caso decidisse prosseguir com a gravi­ dez. Há um silêncio de alguns segun­ dos. As metas terapêuticas imediatas consistiam em ajudá-la a en­ tender melhor as causas determinantes de suas dúvidas a respeito de sua gravidez. Chega com 20 minutos de atraso..

sim. num saco.. a que vem. Sofri muito com isso. P7: Você já notou os cachorros. o in­ teresse que me desperta sua abordagem)1 . Porque vir aqui adquiriu o significado de ocupar-se de você e de sua gravidez com a idéia de pre­ servá-la.. Mas Rita começa a mostrar-se tensa. Depois. Um dia. E não sei por onde co­ meçar.. Como foi isso? Contc-me por favor. não? P5: ( Com expressão de alivio ): Sim. e que naquela ocasião eu não pude lembrar. Lembro-me de que meus pais e meu irmão comentavam: “Não vamos deixar que as pessoas vejam um cachorro assim maltratado. você ia procurar um aborteiro. Tí­ nhamos um cachorro que “andava” com uma cachorra que estava no cio. Quer dizer. T6: (Acompanho seu relato.. T5: Pelo que sente necessidade de trazer hoje e que lhe parece possa ser útil para entender seu problema. não sei. externando através de um olhar atento e movimentos de cabeça em sinal de aprovação.. mais prolongada. Então. com si­ nais visíveis de ansiedade. Como incomodavam e o cachorro estava mui­ to agitado. P6: Sim. Lembrei-me que quando tinha sete anos mataram meu cachorro.” O cachorro desapareceu. Volta a sorrir-me. quando estão no cio? Bem. Logo soube que meu pai e meu irmão o tinham atirado no rio. meu outro cachorro foi . Creio que isso tem a ver com seus sentimentos ante a sua gravidez.. pelo que eu me converti em algo assim como a contrapartida dele. sobre alguma coisa ruim de minha infância. e outra não. • P4: (Adota uma expressão meditativa): Pode ser. celebrávamos minha pri­ meira comunhão. antes de me consultar pela primeira vez.Uma sessão de psicoterapia breve T3: Assim é.. metade da sessão não vem e a outra metade... De novo interrompo à silêncio. você parece se sentir como que dividida em duas partes: uma quer prosseguir a gravidez e ter o bebê. (A seguir ocorre uma nova pausa. recordando algumas coisas relaciona­ das com o que você me perguntou nas entrevistas. No dia seguinte.) T4: Parece que lhe custa prosseguir.. a que não vem na primei­ ra metade da sessão. meu irmão bateu-lhe com uma cadeira que o “descadeirou”. estive pensando.

não sei se tenho medo por mim mesma. não reconhe­ cendo em você. despedaçando a boca... Tl 1: Sua mãe com a faca... será seu medo ao bisturi. quem sabe. que o arranquem como o seu cachorro. que lhe acon­ teça o mesmo que a ela? Que a tenham de operar de apendi­ cite? . TIO: Medo de que lhe suceda algo por estar grávida? PI 1: Sim. T8: Bem. tratemos de ver o que significaram para você esses fatos de sua vida e por que foram recordados agora... Creio que no fundo teme muito perdê-lo. expressam uma grande preocupação que agora tem por sua gravidez. Parecem estar em parte re­ lacionadas com os problemas que tem agora. mas por algum motivo surgem essas recordações. pelo menos que eu saiba. ameaçan­ do se matar. seu carinho maternal e seus desejos de proteção para com seu filho. que sempre foi muito nervosa. T9: E no que diz respeito à gravidez de sua mãe. o que viria? Com o que poderia relacionar? PIO: Não sei. brigava com meu pai e pegava uma faca. Vejamos um pouco por quê: você sofria pelo que acon­ tecia aos cachorros. num saco.. ou se justamente por serem feias pre­ feri deixá-las de lado. essas recordações. que atiraram dentro do rio. mas eu não me dou conta de que isso aconteça com minha gravidez. Estive também me lembrando de outras coisas: de quando minha mãe.. e ontem me perguntava se era por não serem coisas tão feias.. e por isso surgem essas lembran­ ças. Em sessões passadas e nas entrevistas. vimos que para você os cachorros repre­ sentam os filhos7. o que não é casual. Com certeza. Tudo isso eu não recordava.. dos quais não se dá conta.. P9: Talvez. abaixar um pouco.138 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica atropelado por um caminhão. (pausa um pouco pro­ longada).. Sua gravidez é sua principal preocupação.. Quem sabe seja isso. você poderia ter recordado outras coisas desagradá­ veis de sua infância.. Não sinto isso tudo. abortar outra vez. T7: Ela tentou alguma vez? P8: Não. Quer dizer.

próximo do casamento. Podia tê-lo feito antes de me casar. teria de pensar em con­ seguir um emprego com urgência para poder enfrentar todas as despesas que viriam. T l3: Não quis ou não pôde? Porque talvez algo lhe acontecesse. se não haveria mais coisas nisso tudo. São explicações que procuram esconder quanto você dependia da opinião dos outros e quanto estava submetida a eles. Quero dizer. mas antes disso não existia esse problema.. mas não qúis. na verdade não sei por que me atormenta tanto esse medo de que algo de ruim mc aconteça.. como se tivesse sido descobkrta): Eu gostava de muitas coisas. PI6: Com a psicologia. (pausa).. estudar. parece que é assim. Tl 4: É certo que. mas também modelo. Tl 5: Sim. cheios de preconceitos. Na verdade antes de mc casar havia muitas coisas de que eu gostava... É como se fosse algo relacionado aos seus estudos de psicologia. de que nada me atraía. Tl 6: O cansaço é. PI4: Sim. uma desculpa. Assim acabou por se submeter a seu marido. se opunham e me diziam: “Para essa faculdade é que você vai? É psicologia que você quer estudar? Ali são todas umas sem-vergonha.. P13: Pode ser. então.. Sim. quê eu gostava. Perguntome sc tudo isso não está relacionado ainda com suas dificul­ dades em vir às sessões. PI5: (Interrompendo-me). sentime cansada da faculdade e a deixei.Uma sessão de psicoterapia breve 139 PI2: (Aprova com um movimento de cabeça). já que vontade não lhe faltava. T l2: Se bem que um médico lhe haja dito que tem apendicite crô­ nica.... Quero lhe dizer também que estive pensando sobre o que disse na últi­ ma sessão.. minha família e meu marido. para os quais não teve apro­ vação deles. ser uma dama. Além do . (sorri.. não fica claro o porque desse temor. Depois cheguei a pensar que me invejava por ele não ter podido seguir uma carreira nos estudos. como a de não ter querido fazer coisas que na realidade você gostava. Não só viajar. e no entanto não pude fazer coisas. umas ‘lou­ cas’. abandonando os estudos quando estudar era algo muito desejado por você. motivo pelo qual lhe custa vir aqui. Por fim.

mas também por seus temores em contradizê-la. Enquanto você fala­ va. você se permite falar aqui de seus interesses. como castigo. Hoje. Seria desobedecer-lhe. você ensaiou uma defesa muito tímida: “Não. lcmbre-se de que você não comentou com seu marido que está se tratando. não se sinta muito tranqüila. T l7: Talvez esteja buscando isso em mim. rebe­ lar-se e expor-se a ser castigada por ela. PI7: Tem razão. Por isso tem medo de manter a gravidez. por tudo isso sente que seria melhor “tirá-lo” e assim evitar o perigo. Pelo visto. . Recentemente então se sentiu com permissão. e creio que é parecido com o que acontece com suas dificuldades ante sua gravi­ dez. a qual teria. também nisso se sinta sem permissão para seguir adiante. como por exemplo que a tenham de ope­ rar de apendicite. esperando aprovação para levar suas coisas adiante e agora sua gravidez. Creio que é como você diz.. Foi entào. se rebelava e entào “levava”. Queria sentir-se autorizada por mim a prosseguir com sua gravidez. P18: É que eu sempre tive medo de minha mãe. em especial sua mãe. Você o faz às escondidas. Isso significa que continua dependendo dos outros.140 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mais. mas também de mim. Esse problema de suas dificuldades para empreender algumas atividades muito desejadas é muito importante. Seria o empurrãozinho de que necessita para preservá-la. Tl 8: Isso explica por que quando ela lhe disse “tire-o”. com o caso dos cachorros. eu pensava: parece que sempre necessitei que alguém me desse um empurrãozinho.<a ocorrência de alguma coisa ruim. Eu me salvava por ficar caladinha. você acha?”. mostra-se com mais iniciativa. disse você. segundo parece. Meu irmão a con­ testava. Tem desejos muito encobertos de ser mãe. Uma permissão que estava esperando sobretudo de sua mãe. Em parte. que me apóie para eu poder fazer coisas. Recorde como sua disposição sobre sua gravidez se modificou quando ela mudou de opinião e a aprovou. Mas quem sabe. se preocu­ pa muito com o que pensa sua família sobre sua gravidez. defendê-la. quem sabe espera que a ajude. não só por suas próprias dúvidas. deles dando mostras hoje. ainda que. assinalando. como sente que ela não a aceita de todo..

coisa que já havia ocorrido em algu­ mas sessões anteriores. e agora é maior com a gravidez. Além de se atrever a casar sem a apro­ vação de seus pais. Não havia pensado nisso. Em primeiro lugar. e por ter relações sexuais antes e depois do casamento. (surpresa). não permitindo que ocorra um silêncio prolongado.. através de sua ambivalência ante a gravidez... e cuja causa é a regressão que se pro­ duziria a partir da identificação com o feto (6).. que tem razão. T20: Então. abordo suas resis­ tências através de um fator determinante. acho que se coloca na posição do cachorrinho. Seu sentimento de culpa por ter-se casado. Por mais que o fato de querer ficar na cama possa em parte ser explicado pela retração e excesso de sono que as mulheres costumam sentir durante as pri­ meiras semanas de gravidez. que cor­ reria o risco de ser vivenciado como muito inquisidor ou direta­ mente acusador (Intervenções Tl e T2). mas meus pais nào aceitavam meu marido. e no entanto eu o fiz! Tl 9: Está certo. (brincan­ do): É o fim! P20: Ah!. então se entende que é com muita razão que você se sinta tão inquieta. opunham-se a que eu me casas­ se. agora quer ter um filho dele. parece que não (fesapareceu. T21: Temos que encerrar por hojç. mostrando-lhe . Isto é. trato de concentrar sua atenção sobre este fato. Bem. já que ele interfere sensivelmente em nosso trabalho.. Acho que é assim. creio que hoje vimos algumas que parccem ser muito importantes e que devem estar pesando muito em você. Se bem que deva haver mui­ tas outras coisas para se ver com respeito aos problemas ante sua gravidez.. te­ mendo ser duramente castigada por “esquentar” e ter rela­ ções sexuais. essencial às mesmas. Faço-o de modo a ser o menos persecutório possí­ vel. doutor.Uma sessão de psicoterapia breve 141 P19: (.Protestando em tom amável)'. O que acha? P21: Acho que sim. Comentários sobre a sessão A paciente chega tarde. apesar da oposição de seus pais.

etc. Reforço. no qual parece que­ rer me situar (T3). a canalização nessa direção. Em T4. de estar diante de algo de decisiva importância para compreender a problemática da paciente. através da expressão corporal eque manifesto. como o de P7. numa tentativa de propiciar boa relação terapêutica e particularmente de estimular sua atividade egóica (recordar. Estamos sem dúvida diante de um material focal que convém abordar. Em P6 mencionou algo que lhe aconteceu com um cachorro. As recordações de Rita provocam em mim ocorrências que. Trata-se agora de decidir o que interpretar e de eleger uma determinada linha interpretativa entre várias possíveis. dispondo-me a escutá-la fazendo uso da atenção flutuante. visto que quero fazê-la sentir que compreendo . destinada a superar o obstácu­ lo resistencial. Parece estar do­ tado de uma grande carga emocional que me impressiona muito. Mencionarei alguns dos pensamentos que me passaram pela mente nesses momentos sobre o significado que . na verdade pouco desen­ volvida em conseqüência de sua submissão. quando admite a pos­ sibilidade de tratar-se de coisas “feias”. dando-me a sensação. a tarefa interpretativa estimula o aparecimento de um rico material associativo. uma vez que já nos momentos iniciais da sessão uma intenção focalizadora se manifesta através desta intervenção.e tolero suas dificuldades de trabalhar na sessão. Em T6. portanto. Tudo isso acontece rapidamente. esboça levemente uma atitude crítica. segundo vislumbro. a serviço da tarefa terapêutica. podem ajudar-me a detectar o ponto de urgên­ cia. situação essa que se apresenta com freqüên­ cia nessas terapias. raciocinar.142 também o papel de defensor e protetor desta. além do mais. por indícios que a seguir veremos. A esse respei­ to. Rita relata ali recordações que impressionam pelo vínculo à repressão sexual e à violência de seu meio familiar. Como em sessões anteriores havia ficado evidenciado que este animal sim­ bolizava para ela os filhos. de­ monstro à paciente também verbalmente atenção e interesse diante do material que me traz. trata-se fundamentalmente de uma interpretação “transferenciar. Além do mais. atenuando assim sua perseguição.. No transcorrer do tratamento. volto a interromper seu silêncio com uma interven­ ção que tende a tranqíiilizá-la.). deduzo então que se trata de material pertinente ao foco.

(É sobretudo a recordação descrita pela paciente no primeiro momento que suge­ re tal conteúdo. sua genitalidade culposa e rejeitada que ela sente que a destrói. A cadela no cio me faz pensar na atual gravidez de Rita. suas próprias relações préconjugais. 5. além do mais. 4. já que a família aparece condenando sua sexualidade e por fim seu matrimônio e gravidez. 1. o cachorro machucado. Ainda que todas essas hipóteses sejam concernentes à conflitiva focal e se encontrem intimamente relacionadas.Uma sessão ciepsicoterapia breve 143 poderiam ter essas recordações surgidas em tais circunstâncias. e prestarei especial atenção à primeira das ditas recordações.) 2. A esse respeito me ocorre que a primeira comunhão poderia então repre­ sentar seu casamento (as meninas trajando longos vestidos bran­ cos s&assemelham a pequenas noivas). já que o cio é o período em que ocorre a fecundação. 3. deve ofcultar. fantasias subjacentes referi­ das ao parto. ata­ que fantasiado como aborto. a dor que lhe causa. a preocupação pelo feto perdido e seu destino. o que se relacionaria com sua culpa por desejos sexuais incestuosos e pelo aborto. Estariam relacionadas com sentimentos infantis de culpa e fantasias de castigo pela sexualidade incestuosa. casando-se “de branco”. Este pensa­ mento é o ponto de partida para as duas suposições que figuram a seguir. tudo isso que é necessário negar ou subesti­ mar e ao qual se soma o fato de que o aborto é por sua vez o casti­ go por haver realizado algo proibido. (“Não vamos mostrar um cachorro assim maltratado aos outros”. decido for­ . que teria de ocultar ou eliminar. Expressariam sua atual preocupação e seus temores pelo que poderia acontecer a seu filho e em especial pela perspectiva de ser vítima de um violento ataque familiar à sua gravidez.) Também o cachorro jogado ao rio dentro de um saco e o sofrimento experimentado encobririam outro fragmento de sua história: o aborto. pois a faz pírder sua pureza e que por isso. as atividades sexuais dos animais na véspera dessa comunhão. nas quais prevaleceria o temor de dar à luz um filho deficiente ou talvez monstruoso (cachorro “descadeirado”). por tratar-se de um pecado. Poderia haver. Penso a seguir que poderiam estar encobrindo situações tanto anteriores quanto posteriores à época de que datam.

do que se a opção tivesse sido por outras interpretações. incluindo a formulação fre­ qüente de perguntas (Tl. T7. isso se vai traduzindo numa gradual de­ marcação e aprofundamento focais. Um objetivo importante aqui é que ela possa tomar consciência de seus sentimentos de proteção para com o filho. Começo ali tra­ tando de comunicar à jovem que a aparição dessas recordações se deve ao determinismo psíquico.T6. É que este último enfoque se ajusta melhor ao que tem sido evidenciado nas ses­ sões. Nessas circunstâncias poderia ser menos difícil que compreenda e aceite uma interpretação referente a esses temores. Isto porque parto de fatores já conhecidos de Rita. mas que participa intensamente e de diversas maneiras. seu medo de abortar é próprio da etapa de gestação que está atravessando. e a oposição familiar à sua gestação. como aconteceu com seu cachorro. Em T8 configura-se então uma abertura para uma linha interpretativa a ser seguida no transcorrer dessa sessão. fantasiado como se fosse a família que lhe arrebata violentamente o filho e o destrói. T9) e de explicações que recordam sinteticamente a ordem de trabalho (T5). a assunção de iun papel decididamente ativo por parte do terapeuta. o medo de perder o filho outra vez através de novo aborto. uti­ lizando-se essencialmente da negação.) Em P9. T4.*44 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mular uma interpretação que possa conectá-la com as prováveis fantasias subjacentes enunciadas no item 5.o que significa o ressurgimento da recordação dos acessos de violência de sua mãe9. e no seguimen­ to da sessão. . além do mais. Junto à ativa­ ção egóica da paciente. a paciente aparentemente rejeita a interpretação. assim como o faz com os sentimentos de rejeição ante a gravidez. como o dos cachorros que para ela têm o significado de bebês. Em T9. Também é necessário que reconheça que foram os sentimentos de proteção projetados no esposo e cm mim que possibilitaram sua consulta*. na qual existe um risco de aborto espontâneo (6). T2. Pode-se observar aqui. Por outro lado. procuro indagar mediante uma pergunta . que não se limita a esperar o material da pa­ ciente e interpretar a partir de sua apresentação. Mostro suas tendências maternais ocultas. (A evocação de um cachorro atropelado por um caminhão parece expressar também sua preocupação pelo destino do filho.

Seu medo de ter de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de apendicite. . Em PI3. formuladas como interrogações. que se opõem fundamental­ mente ao autoconhecimento. como suposições. quer dizer. Em T12 trato de incrementar sua motivação para compreen­ der melhor as causas de seus temores. TIO e Tl 1 são na realidade interpretações que es­ boçam e apontam para esse conflito (ainda que sem revelá-lo dire­ tamente no momento). formulando uma nova interrogação. dado pelos temores particulares correspof dentes à etapa de gestação que está atravessando10 e que o mito‘familiar acerca da gravidez fomenta sobremaneira".Uma sessão depsieoterapia breve _____ A partir de PIO. a submissão às normas grupais. (Nesta paciente torna-se necessário assinalar constantemente o empobrecimento a que conduz a exa­ cerbação de suas defesas maníacas. inicialmente não aborda de modo direto elementos de interesses como resposta. A negação parece ceder um pouco. comq o fora sua mãe. quem sabe muito ansiógeno (o que sugere que devo ter cuidado em não for­ mular interpretações prematuras dentro do conflito em questão). Logo sobrevêm uma pausa.) Em P14 e PI 5. censuradas essencialmente pelas conotações sexuais que teriam para eles. o que não ocorre em P9 configurando o ponto de emergên­ cia. Em T l3. vai-se confirmando a existência de uma imago materna muito persecutória. isto é. Já em PI6 se anima a resgatar e evocar juízos críticos para com aqueles que se opu­ nham preconceituosamente a seus estudos.como se pode com­ provar mais adiante na sessão que a levou a abandonar diversas atividades. o que configuraria o conflito básico. Isso porque alude à sua submissão ao grupo familiar. e também destinadas a comprovar sua resposta a elas a fim de verificar sua tolerância para enfrentar os referidos conflitos. ainda que aquilo a que faz referência guarde igualmente estreita relação com o evitado.daí sua rápida resposta de aceitação da interpretação em PI 2. assinalo a negação maníaca da realidade. está sem dúvida muito mais próximo da consciência que seu medo do aborto . pela qual inconscientemente se sente ameaçada e condenada a abortar. assim como ao seu parceiro . através da qual parece querer fugir ao tema. a paciente demonstra aceitar a realidade evi­ denciada.

às quais acrescento as que registra para vir às sessões por sua vinculação com o proibido (a psicolo­ gia).146 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em T16 aludo às suas racionalizações diante das dificulda­ des causadas pela submissão. procuro de imediato orientar sua atenção para as figuras de sua realidade externa e cotidiana. Para a paciente. não constituindo necessariamente o tipo principal de interpretação e conectando o que sucede com outros objetos da realidade externa. observa-se também a extensão que nessa oportunidade como em outras. Em T l7 pode-se observar também a intenção de recolocar a paciente na situaçào-problema. Em PI8 surge o temor de Rita à sua genitora. sem que isso no entanto implique concentrar todo o interesse da paciente na relação tera­ pêutica. numa atmosfera de ágil intercâmbio. dentro de uma estrutura focal. dentro dessa sessão. Em T17 faz-se necessário interpretar a transferência. pode alcançar a formulação de uma interpretação ou de qualquer outra intervenção verbal nes­ ses tratamentos. a interpretação “transferencial” cumpre aqui uma função claramente ilustrativa de seus problemas atuais (dependência patológica). na qual não preocupa muito que em certos momentos o terapeuta possa chegar a falar tanto ou mais que o paciente. sem no entan­ to ser utilizada como um instrumento para promover a dependên­ cia regressiva transferencial. característica fundamental dessas terapias. Isso se harmoniza com o tipo de vínculo e por­ tanto de comunicação que se instala. Insisto assim em deter-me nos obstáculos resistenciais. o que. Assim sendo. já en­ . cujas características são uma mútua participação ativa. Incluo-me nessa interpretação. em especial o castigo pela rebelião. que seria a busca de uma figura parental sobretudo materna permissiva e protetora para sua maternida­ de12. Em PI7. além do mais. pode-se dizer que Rita está próxima de um insight. Por meio dessa interpretação espera-se que Rita compreenda um aspecto importantíssimo de sua problemática atual e o motivo latente da consulta. O material que fornece se apresenta extremamente produtivo e revela. Por outro lado. o que configura um aspecto do trabalho de focal ização. trazendo novamente para o pri­ meiro plano sua gestação. um bom funcionamento egóico a serviço da tarefa.

contando com certas perspectivas de que consiga um insight. Esse momento é resultado da lenta pene­ tração no foco durante a sessão e de que pouco a pouco foram cedendo as defesas maníacas. num sen­ tido mais amplo. a paciente traz elementos para qye em T l9 se con­ firme e complemente o expresso em Tl 8. permitindo assim que venha à tona a situação persecutória subjacente. demonstrativa do efeito emocional produzido pelas descobertas. em tom de brincadeira . (Este momento da sessão é por sua vez um dos que melhor exem­ plificam a afabilidade e a fluidez de diálogo que a comunicação pode assumir. que contemple entre outras coisas o pfoblema da culpa. ainda que parcialmente. com conteúdos reprimidos que possam emergir das recor­ dações do cachorro maltratado. A intervenção em T l9. posto que abor­ dam. Também tento. como parece atestar sua reação em P20. Em PI9. Por últi­ mo e como forma de encerrar. por fim. creio ser possível e oportuno confrontar a paciente.até onde seja possível e indi­ cado c com base nessa revelação um maior aprofundamento. em T20. reafirmar o já formulado em interpretações imediatamente anteriores. e ao mesmo tempo procuro manter . favotecendo assim que se clarifique ainda mais sua visão do problema atual à luz de seus sentimentos de culpa por ter-se “rebelado”.sempre com base numa atitude cordial para com a paciente -. por meio da qual se tenta promover um insight inicial de um aspecto decisivo de seus conflitos. que espero sirvam para estimular a participação de Rita na tarefa. em sessões posteriores . o que nem sempre é possível. de tal modo que quase toda a ses­ são pode ser considerada sob esse ponto de vista como um traba­ lho preparatório para a receptividade de interpretações similares.) Em T20. o conflito básico dentro do foco. pelo fato de crescer e desprender-se do grupo familiar. T l8 é uma nova interpretação “extratransferencial”. A perspectiva é conseguir. incluo apreciações acerca das des­ cobertas obtidas na sessão.Uma sessão depsicoterapia breve 147 volve o conflito básico. de importância crucial no processo terapêutico. dado por sua submissão à figura mater­ na e por extensão a outras figuras superegóicas. responde ao mo­ do expressivo assumido por Rita em P19 e encerra um momento de insight obtido.

J. P21 é uma nova resposta afirmativa de aceitação às minhas intervenções. M. cap.. “Grupo familiar. Nos estágios fi­ nais da mesma. H. em parto normal. “El concepto de foco”. Rodrigué. A. Grinberg. 1970. etc. Buenos Aires. “Ansiedades específicas del embarazo”. e J. Teoria y técnica depsicoterapias. 2. . De. 4.. Rascovsky. Deu à luz uma robusta menina. Fiorini. Fiorini. Rascovsky c D. Langer c E. “Reacciones maníacas: alegria masoquista dei yo por el triunfo. tendo-se recuperado por completo. parto y puerperio. em A. G. c E. A. 6. Rita decidiu prosseguir com sua gravidez. R. por exemplo). Allegro. Soifer. pelo clima afetivo que impera. Bue­ nos Aires.deve haver muitas outras coisas para serem vistas.. “La matanza de los hijos”. cm H. 1966. Referências bibliográficas 1.. Bue­ nos Aires. padeceu de uma afecção renal.. Rascovsky. Psi­ cologia dei embarazo. 3. J. Psicoanálisis de la mania y la psicopatia.. La matanza de los hijos y otros ensayos.) e propiciar nela uma atitude reflexiva. 6. L. mediante enganos. Libcrman. Paidós. 5. 1. em vez de respostas vazias ou de submissão ao terapeuta. motivo pelo qual teve de guardar repouso na cama por aproximadamente um mês e meio. Comunicaciónpersonal. cm R.. Buenos Aires. Kargieman. em A. demos por encer­ rado o tratamento..”. Bleger. tratar-se de uma atenuação dos mecanismos manía­ cos e de um ascendente predomínio da transferência positiva. Psicologia y psycopatología”. de introspecção. Nova. Kargieman. Buenos Aires. El grupo psicológico. cap. 1959. dificultando eventuais ten­ dências ao acting out (na forma de uma “pseudo-independência”. em L. dei superyó”.14S Psicoterapia breve de orientação psicanalitica sua curiosidade e suas expectativas a respeito desta (“. Soifcr. Garma. Nueva Vision. Respostas como esta vão-se fazendo mais freqüen­ tes no decorrer da sessão (o que se confirma a partir de P11 e especialmente em P17 e P20) e me sugerem. L. Pouco tempo depois. 1971.. 1973.

para adequar-se ao en­ quadramento que as mesmas exigem e que as diferencia de outras técnicas psicoterapêuticas. Antes de tudo. de cuja utilidade para avaliar o problema que a assistência psiquiátrica maciça da população suscita muito poucos duvidam. na avaliação dos resultados obtidos e. na prática assistencial. não devemos nos enganar: por mais que desde alguns anos se fale bastante em terapias breves. seja nos serviços psi­ quiátricos hospitalares ou nos ccntros de saúde mental. ameaça desacreditá-lo cada vez mais. as vicissitudes e dúvidas que lhes im­ . prática e investigação em psicoterapias breves' Introdução \ Vou referir-me a alguns dos problemas que em nosso meio apresentam-se aos terapeutas ante a psicoterapia individual breve de orientação psieanalítica. o que por sua vez se traduz inevitavelmente em dificuldades no exercício desse mctodo terapêutico. à sua maneira. no caso de praticá-las. seja nos hospitais psiquiátricos ou nas instituições privadas. à medida que os anos passam. o que é ainda mais grave. ainda permanece a impressão de que os terapeu­ tas que se dedicam às psicoterapias breves “fazem o que podem” e enfrentam. mesmo assim observa­ mos uma considerável resistência por parte dos profissionais para o seu emprego ou. Assim sendo.8. Poderíamos considerar a questão como uma conseqüência das dificuldades dos terapeutas para se ajustarem ao seu enquadraníento e finalidade. Dificuldades do terapeuta para a formação.

influem sobremaneira na mesma. • Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psico­ terapia breve. Pela importância que têm a re­ lação com o que colocarei em seguida. sendo mais difíceis de controlar. . • Conclusões. Esses fatos têm-me chamado muito a atenção e também tenho me formulado as perguntas obrigatórias: Por que isso ocorre? Que motivos existem para que o processo de aprendiza­ gem dos terapeutas do emprego das terapias breves se atrase e se veja freqüentemente entorpecido? Diversos investigadores já assinalaram algumas das causas.150 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica põem a tarefa. em sua maior parte inconscientes têm sobre esses fatos. e que. • Outras dificuldades do terapeuta diante das terapias breves. Ao longo deste capítulo. esclarecendo-me aspectos de decisiva importância no processo terapêutico. Convém esclarecer que essas opiniões são basicamente resultado de minhas reflexões a res­ peito das próprias vivências experimentadas ao longo de minha tarefa em psicoterapia de tempo limitado e do conhecimento das idéias de H. jus­ tamente por essa condição. vou citá-las aqui. que me despertaram um profundo interesse. Searles (15) (16) (17) sobre a inter-relação pa­ ciente-terapeuta. • Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação tera­ pêutica. Não podemos deixar de supor que tal situação diminui a eficácia terapêutica do procedimento e que é necessá­ rio portanto vencer os empecilhos que existem para instrumentar com êxito os diferentes recursos que podem fazer parte da terapia breve. abordarei os seguintes pontos: • A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicote­ rapia breve. • Dificuldades diante do término do tratamento psicoterapêutico breve. De mi­ nha parte quero referir-me à incidência que em minha opinião certos fenômenos próprios da relação paciente-terapeuta.

B. mas acrescentava due esta teria de sofrer um processo de adaptação às novas condições (11). como logo veremos. o que por sua vez se acha ligado a seus desejos de se converterem em psicanalistas (20). ao que se soma uma tendência defensiva natural em aplicar aos pacientes aquilo que melhor . de orientação psicanalítica constitui. capazes de produzir autênticas mudanças nos pacientes. É habitual a tendência a desvalorizar a P. um procedimento terapêutico basea­ do em certos elementos fundamentais da teoria psicanalítica. alcance e indicações determinados. portanto interrompida. como se de­ preende desta denominação. até perturbadora para o pa­ ciente. partir da psicanálise. Esses terapeutas são objeto das influências já citadas. Comumente é nos estabelecimentos assistenciais. que sê la/ sentir com mais intensidade a necessidade de empregar a P.Dificuldades do terapeuta 151 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve “Psicoterapia breve ‘versus’ psicanálise” A P. onde se deve oferecer atenção psicológica a um número elevado de pacientes. Como é de se supor. têm de maneira geral extremo interesse em exercitar-se na técnica psicanalítica. Muitas vezes tal idéia se relacfona com a necessidade que os tera­ peutas jovens sentem de idealizar a psicanálise. para muitos é difícil aceitar a coexistência da psicanálise e da psicoterapia breve e reconhecer que se trata de métodos que têm utilidade. pouco eficaz e.B. têm a seu cargo de maneira geral a realização dos tratamentos breves. Que acontece então quando as circunstâncias impedem de se efetuar um tratamento psicanalítico? Cai-se freqüentemente na realização de uma psicanálise “curta”. em sua opi­ nião. Não obstante.B. Nesses estabelecimentos. e a difundir a idéia de que só um tratamento psicanalítico tem reais propriedades curativas. na prática. em definitivo.. os terapeutas princi­ piantes são maioria e. Já em 1918 Freud antecipou que os novos métodos que seriam utili­ zados com o correr do tempo para efetuar tratamentos psicoterapêuticos em grandes massas da população deveriam.

B. esses problemas lamentavelmente ainda existem. já que. quer dizer. se bem que eu tivesse suficientemente clara. Essa pergunta se impôs a mim com maior intensidade quando me dediquei à realização de uma expe­ riência hospitalar sistemática em P. como assmalam Szpilka e Knobel. que se costuma chamar de “superego ana­ lítico”. a qual. felizmente contamos com um valioso. Apesar do relativo interesse que a P. material bibliográfico.B. as terapias breves podem traduzir-se na prática em uma psicanálise “breve” (19). e ao com­ provar que. como bem disse Usandivaras. originando-se situações persecutórias.B.B. no final das contas.. Além disso.) Na intimidade da relação terapeuta-paciente Pessoalmente perguntei-me o porquê de tal transposição. quanto à qual. nem somente à carência de possibilidades de infor­ mação a respeito da teoria c da técnica da P. as modificações técnicas que necessitam introduzir são sentidas com freqüência como uma “heresia” ante o modelo psicanalítico. pois c vivida como uma falta de garantia interna e externa para o trabalho a sèr desenvolvido. Creio que sua persistência obedece não só aos motivos até aqui enunciados.‘ *2 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica conhecem (o novo é menos seguro e gera ansiedades paranóides). na atualidade. Também como conseqüência dessas pressões. que podem intensificar-se diante de supervisores aferrados cm demasia à técnica da psicanálise ortodoxa e que não aceitam facilmente essas modificações. a técnica psicanalítica. os quais sublinham o estado de desprestígio e de confusão que se observa em torno dela. Concordo com ambos os autores quando atribuem tal situação ao fato de que se trans­ põem "as vivências. leva a uma “desvalori­ zação da nova técnica” (20). tampouco considero que sejam as discrepâncias entre os diversos autores qúe provoquem confu­ são. Toda essa situação toma difícil a aplicação dos novos métodos. tais discrepâncias não são tão grandes nem tão abundantes. . embora não abundante. tem despertado. continua sendo um parente pobre da psicanálise. de início. e para muitos a P. os conhecimentos e as técnicas psicanalíticas para essa psicoterapia” (19). (O grifo é meu. durante um ano.

Foi o conceito proposto por H. diferen­ ciando com certa precisão a técnica a ser empregada da técnica analítica. “o efeito dos processos inconscientes do terapeuta sobre o paciente” (16) no vínculo simbiótico2. etc. poucos meses de tratamento. manifestaVa-se uma notória inclinação para cons­ tituir comigo imi vínculo emocionalmente intenso e regressivo.).Dificuldades do terapeuta 153 a maneira segundo a qual me havia proposto a trabalhar. inconveniência do estabe­ lecimento de uma neurose transferencial e de estimular a regres­ são. a ocorrências que não foram postas em prática e que pode­ riam facilitar o desenvolvimento da neurose de transferência e estimular a conseqüente regressão e dependência do paciente). Corria-se o risco de que isso sucedesse a contragosto. além disso. em geral. Esse vínculo simbiótico tem suas raízes na relação mãe-filho c tende a se estabelecer e consolidar cedo ou tarde durante o tratamento psicanalítico. sobretudo através de insistentes interpretações transferenciais (afortunadamente reduziram-se. etc. a respeito do que me indicava a realidade (objetivos limitados. Mas tampouco tinha eu dúvidas de que.). comecei a notar em mim uma forte e às vezes irresistí­ vel tendência de criar ou favorecer o estabelecimento da “atmos­ fera” psicanalítica nas sessões. em vários de meus pacientes. . Sus­ tenta Searles que o vínculo terapeuta-pacicnte atravessa um mo­ mento de simbiose e que tanto o paciente como o terapeuta contri­ buem para que ele seja assim. Cheguei a pensar então que uma força interior me conduzia insensivelmente a tal atitude. devendo final­ mente se atingir sua resolução. contraria­ mente à minha ideologia terapêutica em matéria de terapias de tempo limitado e respondendo a uma tendência que não conse­ guia controlar e que nem poderia explicar unicamente através das razões aqui expostas (preconceitos com relagão a qualquer técni­ ca que não fosse a do tratamento psicanalítico. Searles desenvolveu suas impressões referentes ao papel fundamental da simbiose terapêutica. oferecendo uma maior “compreensão do significado emocional do paciente para o tera­ peuta c vice-versa” (16) e ressaltando. Searles sobre a simbiose terapêuti­ ca (15) (16) (17) que me permitiu entender o fenômeno e formu­ lar minha hipótese sobre o que acontece no tratamento breve. Com base num insight progressivo em seus pacientes e nele próprio.

. embora inconscientes.) constitui uma fase necessária na psi­ canálise ou psicoterapia tanto de pacientes neuróticos como de psicóticos ” e que “tanto o paciente quanto o terapeuta (... logo teve que reconhecê-la na evolução trans­ ferencial de pacientes neuróticos. com freqüência negada por este último. Diz esse autor: “(. o qual tende a fo r­ mar-se p õ rsi mesmo” (16). processos gratificantes da relação simbiótica que tanto o paciente quanto o terapeuta se mostram renitentes em abandonar” (16). além disso. mas também ele está agarrado a um processo.) se vêem submersos e arrastados em direção à corrente. até chegar finalmente à de individualização do paciente. é com­ parável ao processo de maturação na criança (..) para fora do canal confluente. Assim. em determinado momento.7. (Os grifos são meus. Não só o paciente.mesmo quando isso me provoca muita ansiedade dos profundos.. o qual (. Sustenta também que a relação de transferência simbiótica “(. o processo terapêutico.).) apesar de seus tormentos (. Searles descreveu.. constitui fonte de intensa grati­ ficação para paciente e terapeuta . como a inter-relaçào simbióti­ ca atravessa distintas “fases”.). mas profundamente valorizada (15).) tam­ bém é poderoso tanto para o paciente quanto para ele mesmo.. na psicoterapia de esquizofrênicos crônicos. quando estes despertam sentimentos maternais no terapeuta.. a simbiose terapêutica experimenta mudanças de significado qualitativas e quantitativas.) atualmente tenho me dado conta ..154 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Para Searles. Isso é particularmente notório na psicanálise de esquizofrênicos crôni­ cos... durante meses ou anos. demasiadamente poderoso para serem capazes de desviá-lo com facilidade (. o qual. a simbiose terapêutica se apresenta tanto em pacientes psicóticos quarta n^irótims F ainda quêlnicialmcnte a tenha detectado e descrito na psicoterapia de esquizofrê­ nicos crônicos (15). Hm tais fases... por sua força. ..) a) A relação terapeuta-paciente no tratamentopsicanalítico A análise das emoções transferenciais e contratransferenciais mostra freqüentemente que estas alcançam grande intensida­ de e muitas delas são altamente gratificantes para o analista. ao processo de tra­ tamento (.

na qual o analista. Vai-se configurando uma estreita relação. ao fomentar por sua vez a regressão do paciente.Dificuldades do terapeuta 155 permitindo uma tarefa reparatória. resulta frustrante nesse aspecto. especialmente nas etapas de maior regressão dos pacientes. na medida do possível. o que estimula no terapeuta o sentimento de onipotên­ cia'. essa interrelação simbiótica pode ser fomentada em beneficio do processo terapêutico.B. que carecemos do tempo necessário para trabalhar a neurose de transferência e a regressão conseqüente até conseguir que sejam elaboradas. a regressão do paciente. Sabemos que temos que nos propor objetivos limitados. Esclareçamos desde já que tudo isso também ocorre cm me­ nor magnitude na psicanálise de neuróticos. nesse “mundo dos dois”. sabemos além disso que o tratamento costuma centrar-se na elaboração da relação transfe­ rencial. Em resumo: o estabelecimento do vinculo simbiótico na re­ lação paciente-terapeuta parece ser um fenômeno que tende a se produzir espontaneamente. sente-se cada vez mais objeto de todos os sentimentos deste e protagonista decisivo em sua vida.B. No tratamento psicanalítico. As condições do enquadramen­ to da P.B. do paciente e do analista. Pode “converter-se” então na muito amada (ou inclusive muito odiada) mãe. que se prolongará por anos e no qual o “como se” da rela­ ção não o impede de experimentar intensos e prazerosos senti­ mentos1. Essas emoções aparecem em parte como conseqüência da situação regressiva do paciente. pois oferece um campo menos propício para as citadas gratifica­ ções do terapeuta. e nesses momentos o próprio paciente vive o terapeuta transferencialmente como uma màe (ou pai) ideal.? Que acontece com o fenômeno que acabamos de descrever e que se anuncia desde que começam a interatuar paciente e terapeuta? Penso que o enquadramento que requer a P. que o leva a situar o analista no lugar de uma figura parental. são dirigidas para evitar a instauração de um vínculo . o que é altamente gratificante. e que é preciso controlar. b) A relação terapeuta-paciente na psicoterapia breve Qual é a situação que se apresenta em P.

que não se deve empregá-la com a assiduidade e com a finalidade com que se utiliza em psicanálise5. fora do universo do paciente. então.se sentirá um p ro tag o n ista importante. em lugar de fazê-lo na relação com o terapeuta.156 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica paciente-terapeuta demasiado intenso emocionalmente. e levar o paciente a se interessar pela revisão de seus vínculos com seu verdadeiro pai.. As conseqüências dessa vivência contratransferencial de frustração que. recorrer às interpretações denominadas “extratransferenciais”. o terapeuta pode experimentar um sentimento de exclusão. em troca. cm P. já não será um terapeuta-mãe e deverá.). (1) (3) (8) (10) (19) (22). que na realidade tendem a tomar conscientes outras transferências do paciente. aquelas que estabelece com as pessoas com as quais se relaciona em sua vida cotidiana. mas não ignoramos que em certas circunstâncias os sentimentos transfe­ renciais e contratransferenciais são muito fortes. pp. Neste último caso pode “atrair” o paciente para uma intensa neurose dç transferência. parece conveniente. como se deduz. pelo contrário. e que além disso encontramos pacientes que de um modo quase espontâneo desen­ volvem uma intensa regressão desde o início do tratamento. Isso naturalmente é coerente com o propósito de conseguir a resolução de seus con­ flitos atuais. conformar-se com sua condição real de docente experimentado (8) no tratamento. não se presta a que o terapeuta satisfaça suficientemente certas expectativas latentes. Quer dizer. diferentemente do que acontece na práti­ ca da psicanálise. convém em termos gerais recorrer à interpretação da transferência somente em determinadas circuns­ tancias . çônjnge_ chefer etc. já que se deverá evitar a regressão transferencial. É de supor então que aJ^. Mas numa terapia breve. mãe. esse fato geralmente constitui uma complicação (ver capítulo 10. devendo ater-se ao “de fora". A experiência do terapeuta que realiza uma terapia breve pode diferir bastante da que vivência com um paciente em tratamento psicanalítico. Na opinião de numerosos autores. já que desde um primeiro momento procura-se que concentre seu interesse nela. pode repetir-se com assi­ duidade numa terapia breve . procurando manter uma trans­ ferência positiva moderada.B. Sentir-se-á. Con­ sidero que. 178 ss. quer dizer. na relação com o paciente. dependerão de suas possibilidades .B. nos quais me incluo. na qual o terapeuta . numa terapia breve.

usar o divã. Se este alcança certa intensidade e não é controlado adequadamente. Se os motivos estiverem reprimidos. É possível.B. etc. e que de outro modo a terapia é “superfi­ cial''. tendendo além disso a conven­ cer-se de que só a análise exaustiva e sistemática da transferencia pode ajudar o paciente. induzindo o paciente. que uma tal relação promete proporcionar-lhe.de^ratificação através do fomento da neurose transferencial. o terapeuta pode apelar para o uso reiterado e até sistemático dc interpretações transferenciais. Isso nos expl ica por que diferentes autores falam. pode erroneamente atribuir essa sensação de insatisfação e desilusão a uma suposta ineficácia ou fracasso do método psicoterapêutico breve. que poderão por sua vez ser racionalizadas. caracterizada noriuma regressão a nm tipo de dependência infantil com relação ao terapeuta. Em suma sustentará que é preciso insistir em interpretar o “aqui c agora eomigo”\ na busca inconsciente . exige.Dificuldades do terapeuta ____ ____ de resolução do conflito. que chegará a adquirir ou não consciência da situa­ ção. da “tentação” que o terapeuta pode experimentar de analisar a trans­ . em P.B. por exemplo. que reaja com intervenções agressi­ vas. pode dificultar era alto grau a tarefa do terapeuta. mas profundamente valorizadas. mais ajustado às condições da realidnde . Para estimular a regressão. e que é por esta razão que a transposição da téc­ nica psicanalítica para as tempias breves se produz com tanta freqüência^ Com o paciente como criança-filho. Creio ser por isso que lhe resul- ta difícil renunciar a tal tipo de relação para aceitar o outro. renunciar ao papel ativo na tarefa. a estabelecer um vínculo simbióti£ 0. au­ mentar a freqüência e a periodicidade das sessões7. cons­ ciente ou inconscientemente. f c) Quando a psicoterapia breve converte-se em “psicanálise breve ” Dessa maneira pode pôr-se em marcha o que há de ser uma espécic de “psicanálise breve” (19).portanto mais frustrante que a P.. o terapeuta pode- rá ter acesso em certa medida às gratificações comumentc nega­ das.

pelas diversas razões assinaladas no começo deste capítulo. Tapibcm tentainterpxetar_conflitos alheios ao foco terapêutico1 ainda que saibamos que em P. Outros autores fazem referência a uma necessidade de auto­ controle do terapeuta para regular as interpretações transferen­ ciais e com isso a regressão do paciente (1) (10).. volte para ela todas as suas emoções e expectativas. não descõrftl&eemos.B. mas também e muito especialmente à busca das gratificações que lhe daria uma relação mais profunda com o paciente. a análise sistemática da transferência é uma tentação permanente para o terapeuta ” (5).‘ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ferência.. (Os grifos são meus. Pessoalmente. demandou-me um grande esforço “deixar passar” sem interpretar o material não relacionado com o foco. que isso conduz a um incre­ mento da regressão.B. não é aconselhável ábrir demasiadas feridas no paciente. pelo exercício da psicanálise. Diz acertadamente Fiorini: “Haveria além disso uma contra­ dição entre um enquadramento de tempo limitado e um processo no qual as intervenções do terapeuta ‘propusessem’ a regressão e a concentração de afetos do paciente nessa relação bipessoal (a situação se expressaria nesta proposição: ‘a relação que o senhor mantém comigo é muito importante para entender e tratar sua enfermidade.). pois isso o obrigaria a centrar-se mais na problemática atual do paciente para ajudá-lo a resolver questões . respeitando-se a lógica e adequada pro­ gressão dada pela mesma relação terapêutica. Freqüentemente houve necessidade dafirmar-se nessa postura ante o material que trazia o paciente. Assim mesmo podemos compreender a resistência que às vezes experimenta o terapeuta para buscar e encontrar objetivos limitados em cada caso. Mas prepare-se para cortá-la de repente’)” (8). Mensagem e ação resultariam aqui do tipo estímulo-irustraçào.) Eu acrescentaria que se trata de uma tentação que não só corresponde ao desejo dc investigação do terapeuta e de extrapo­ lar o sistema psicanalítico. que se apresentava como sedutor para a análise da transferência (. e em especial em minhas pri­ meiras experiências em P. o que costuma per­ turbar o paciente.. A esse respeito assinalam vários terapeutas: “Não se fomentou a regressão. Além do mais.

“fuga em direção à saúde”. não lhes faci­ lita o acesso às negadas. procu­ rando estimular nele a confiança em si próprio. de tais eventualidades nas terapias breves8. Por isso.. ainda que muito desejadas. Só acrescentarei a respeito que. não é difícil supor que isso interfere na possibilidade do terapeuta de efetuar uma avaliação realista e justa dos resultados obtidos com o método. gratificações próprias de uma relação mais estreita e emocionalmente mais intensa com os pacientes. se é que se insistiu em fomentar nos pacientes a dependência regressiva em lugar do autodesenvolvimento. Mas desse ponto me ocupo em mais detalhes no capítulo seguinte. (Com isso não quero desconhecer a presença.Dificuldades do terapeuta 159 muito concretas e imediatas com um critério prospectivo. como conseqüçncia da dificul­ dade do paciente e do terapeuta para aceitarem a séjjãraçao.B. etc. chegam a ajustar reconfrafÕs que permitem prolongar a relação. as mudanças de atitude que estes puderam apresentar em sua vida real são com muita freqüência rapidamente subestimadas e qualificadas como atuações. Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve Em geral a tendência para fomentar a. e conseguir desse modo que possa obter alta. já que.. os quais por sua vez podem ser certamente pouco alentadores. nada rara por ccrto. assim como seu de­ senvolvimento independente. em seu afã inconsciente de perpetuar sua .) O terapeuta pode então resistir a reconhecer os progressos do paciente e até parecer muito decepcionado pelos resultados do tratamento. Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve Em função da frustração jque podem experimentar os tera­ peutas ao comprovar que o enquadramento da P.dependência no paciente complitfa a separação ao terminar o tratamento.

_~ Desprestigio da psicoíerapia breve enquanto indicação terapêutica Pode-se deduzir que os motivos expostos. tanto pam. como não podem aceitar o crescimento e desprendimento de seus filhos.4 . oferece a possibilidade de um vínculo. Atua como aquelas mães que. por tudo aquilo que para ele o paciente significa. çom freqüência. nào deseja que se produza a separação (a alta defini­ tiva significaria a ruptura do vínculo e a perda absoluta das possi­ bilidades de gratificação ligadas a ela). f' Searles assinala que o terapeuta. em determinadas situações em que a mesma poderia ser um recurso terapêutico nada depreciável. diminuem o entusiasmo dos terapeutas para optar pela indicação e utilização da P. Desanima-os principalmente a perspectiva de estabelecer uma relação fugaz.160 Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica dependência. A passividade que ainda observamos para resistir a este “movimenteifaz-me pensãrêm uma espécie de acordo tácito entre os terapeutas.B. O tratamento ps. ainda que de modo geral nào reconhecidos.icanalítieo. com um objeto que logo perderão. cujos motivos subjacentes mantêm-se ocultos. ^ . ante a necessi­ dade inconsciente de manter o uso excludente do método psicanalítico como fonte de gratificação a partir do estabelecimento de um vínculo simbiótico com o paciente (neurose ou psicose trans­ ferencial). pode experimentar os sentimentos de desvalorização e perda. continuam a tratá-los como crianças. Tende-se assim a desvalorizar a terapia breve.B.te como para o terapeuta e. parece repercutir mais no terapeuta que no paciente ((>). numa cumplicidade inconscientemente conso lidada. mais duradouro e portanto menos" frustrante. na fase de resolução da sim­ biose. O luto pela separação predeterminada desempenha um importante papel cm P. pelo contrário. com o qual mantém “uma relação muito mais profundado que a que crê capaz de perceber em si mesmo” (15).QJ3aciejn.

a ênfase recai na melhoria clínica do paciente e em grau muito menor na investigação exaustiva de sua psicopatologia ou de qualquer outro aspecto. para o estudo e emprego eficaz da RB.B.B. Os supervisores adquirem aqui especial importância. r~) g) freqüentemente a P. como o permite a psicanálise...*As terapias breves aparecem como o novo e incerto diante de técnicas mais conhecidas e seguras. por exemplo..B. tropeçam. acrescentaremos os seguintes fatores: ~->d) uma experiência prévia insuficiente em tratamentos pro­ longados. como o psicanalítico. ... requer a abordagem de um novo caso tão logo termine o tratamento breve de um paciente anterior.] pode fazer com que para este a experiência resulte embmtecedora e compulsiva” (2). A isto junta-se o esforço que no meio hospitalar. em obstáculos que remetem: *&a) à idealização da psicanálise. circunstância que também contribui para a perda de interesse por essa terapêutica (13). consideramos que os terapeutas. é muito conveniente para a formação psicoterapêutica em terapias breves. que o levam a preferir os tratamentos prolongados. c) às resistências do ambiente profissional circundante. Por último quero mencionar a influência de outros fatos de particular importância que me foram apontados: O f) em P. apresentando-se como muito duvidosas guas possibilidades de eficácia. es­ pecialmente os novatos. b) às dificuldades para adaptar-se ao enquadramento que exi­ ge a P.Dificuldades do terapeuta 161 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Recapitulando até aqui. A fim de oferecer uma visão mais completa do problema. ainda que não seja imprescindível. experiência que. —> e) necessidades econômicas do terapeuta (em parte em virtu­ de dos gastos que lhe demanda sua formação profissional). por tratar-se de uma relação terapeuta-pa|iente que ofe­ rece menos gratificações que a psicanalítica. junto ao desejo de desempe­ nhar o papel de psicanalistas nos tratamentos que empreendem e ao temor de utilizar outros procedimentos que são desvalorizados.. já que geralmente lhe possibilitam uma remuneração mais estável. impõe ao terapeuta um ritmo fati­ gante “[.

Todas essas dificuldades se esclare­ ceriam em parte se houvessem incorporado a seus conhecimentos uma teoria da mudança.. de forças “cons­ trutivas latentes” (21). que somam a noção de insight e estão fundamentadas essencialmente na concepção da existência de partes autônomas do ego. a continuação ininterrupta do progresso nas mudanças. com certa exigência de conseguir mudanças a curto prazo. Nesse sentido contamos hoje com impor­ tantes descobertas no campo da P. o que em termos de economia psíquica significa “um mau negó­ cio” (uma nova responsabilidade e em suma um maior stress) (7). e uma vez finalizado o tratamento do paciente. a partir de uma experiên­ cia terapêutica corretiva. não chegam a ter a necessária convicção de que os pacientes tratados com psicotcrapias breves podem experimentar mudanças favoráveis.e e de . da ralaçSn terappnta-pacient. Como não têm interiorizados os dinamismos da mudança e só conhecem e aceitam os fenômenos inerentes às modificações que se produ­ zem nos tratamentos prolongados. Tal situação além disso se acresce de suas dúvidas a respeito da decisão a tomar quanto à alta do paciente (7). pros­ seguiria com uma reação em cadeia e seria verificável nos acom­ panhamentos ao longo de anos em pacientes tratados com tal método (9) (14) (18) (21).B. quer dizer.B. Desse modo. o processo de transformação. enfatizando especialmente a importância que tem o reconheci mento dos próppn«.. com a intenção de contribuir para aplainá-las. -> h) Fiorini destaca também a incidência que tem nos terapeu­ tas o desconhecimento de uma teoria da mudança em P.B.162 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Em comparação com a prática da psicoterapia prolongada. que permitiriam. Conclusões Quis assinalar diversas dificuldades do psicoterapeuta no que se refere à P. postergando o mo­ mento da alta e com isso a troca de paciente. ocorre agora que deve atender mais pacientes num mesmo espaço de tempo. ainda que lento. é significativo o que se costuma observar nos ser­ viços psiquiátricos: freqüentemente os terapeutas pareccm tender inconscientemente a prolongar os tratamentos.. Nesse sentido.

Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. .. Citado por L. Buenos Aires. adequadamente supervisio­ nadas são. Kargieman. A. Lai. e French. 2. Acta psiq. 1972. F. interessa-se por outras técnicas. Nova York. como por exemplo as psicoterapias grupais prolongadas (possivelmente mais gratificantes no sentido considerado neste trabalho). cap. Se tudo isso se concretizasse. c Marticorena. “Ejemplos clínicos”. c col. 1965. e Small. vol. A maioria. Buenos Aires. L. VI. H.B. J. Buenos Aires. Psicote­ rapia hreve. Amèr. muito necessárias para afastar pre­ conceitos e permitir a comprovação direta da real utilidade desse recurso terapêutico. em H. Barten. México. Grüne and Stratton. Small em Psicoterapias breves. 7. provavelmente fse conseguiria também uma valorização mais objetiva e favorável das terapias breves dentro do panorama da terapêutica psiquiátrica. “The Corning of Age of Brief Psychotherapies”. A ninguém escapa que cm nosso meio só uma pequena mino­ ria de psicanalistas se ocupa da investigação em P. 1970. “Una experiencia en psicoterapia de tiempo limitado”.B. 4.. Bellak.Dificuldades do terapeuta 163 sua influência no processo terapêutico. . 6. As experiências clínicas em P. Buenos Aires. T. em L. n? 2. Creio que é necessário um estudo mais exaustivo do proble­ ma. L.. Bue­ nos Aires. Kesselman. 1969. Paidós. Terapêutica psicoanalítica. H.. junho de 1968. Paidós. Fiorini H.psicol. através de uma mais ajustada e eficaz adaptação do terapeuta ao seu enquadra­ mento. 1967. Granica.. Barten (compils. H. Simbiosisy ambigüedad. Ferrari.B. 1969. Comunicación personal.. Bleger.). Pax-México.. Psicoterapia brevey de emergencia. Tal reconhecimento pode­ ria favorecer um exercício bem-sucedido da P.. Devries. Alexander. 3. no momento atual. Beliak e H. 5. XIX. Referências bibliográficas 1. Aspiro a que estas minhas impressões funcionem como um estímulo e que finalmente consigamos obter descobertas que lan­ cem mais luz sobre o controvertido campo das terapias breves. Progress in Community Mental Health. H. e aumentar o interesse pela investigação sobre esse méto­ do. J. O. em troca..

cap. Buenos Aires..lf}4 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 8 . J. Acta psiq. psicol. vol. em Elementos de la etiologia y la psicoterapia de la esquizofrenia. t. A Study of Brief Psychotherapy. 17 . Buenos Aires. 9 .. Lat. “Delimitation técnica dc psicoterapias”. Rev. e colaboradores. junho 1970. J. em 21. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Bre\>e.. junho 1968.. Amér.. Freud S. Centro Lditor de América Latina. . n?2. VI. Usandivaras R. junho 1968. “Dinamismos y niveles de cambio en psicoterapias”. Aportes para una teoria dc la téc­ nica”. Buenos Aires. ob. cit. J. Brit. Psychol. 14. cap. XIX. Amér.. Springfield. Londres. ob. Freud. 15. vol. junho 1968. XVI.. t. Madrid. Apostila inédita. psicol. psicol. “Psicoanálisis y psicoterapia dinâmica: similitudes y diferencias”. Apostila inédita. 1974. Searles. Rangcll. 1973. Montevechio. Madrid. 20. . Londres. “Fases de la interacción paciente-terapeuta en la psico­ terapia de la esquizofrenia crônica”.. Nueva Vision. . 9. 18. 16 . O. 11. Acta psiq. Gredos. em 2. Wolberg e col. . L. of Med. 1963. Buenos Aires. “Formas de inducir a la loucura”. B. Illinois.. 1948. Teoria y técnica de psicoterapias. psicol. cit. B. 21. “Introducción”. 12. Amér. cap.. L. VIII. 1. “La técnica dc la psicoterapia breve”. 19. .) 13. em H. 10 . . n? 2. XIX. 1959. Comunicación personal. “Psicoterapia dinâmica breve. e Knobel. Lat.. II. D. Psicoterapia breve. “Acerca de la psicoterapia breve”. Buenos Aires. vol.1971. . R. Wolbcrg. Acta psiq. Hogarth Press. Szpilka.. Fiorini. III. Acta psiq. Lai. H. Psy­ chology.C. L.. n? 2. 1961. “Problemas que plantea la investigación sobre psicotcrapia breve”. Malan. H. XIX. Buenos Aires. de Psicoanálisis. Charles Thomas. em Collected Papers on Schizophrenia and Related Subjects. 1965. Amér. M. n? 2. Small.. 22 . Colo­ quio Acta 1967: Psicoterapia Breve. em Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. vol. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. 1968... Tavistock. Biblioteca Nueva. em L. “Los caminos de la terapia psicoanalitica”. Apostila inédita. cm S. Journal Med. XXV. Lat.

• Reações causadas no terapeuta pela separação. . dividirei minha apresentação nos seguintes pontos: • Reações causadas no paciente pela separação. em razão do término do tratamento. para em segui­ da expor sinteticamente as conclusões. Quero expor de que maneira e até onde os resultados do tra­ tamento estarão de forma indefectível relacionados com as possi­ bilidades de ambos tolerarem suficientemente a separação. partindo do reconhecimento de que tanto o paciente quanto o terapeuta de­ vem enfrentar o luto ocasionado pela finalização do vínculo tera­ pêutico. No que concerne ao terapeuta. Com a finalidade de poder mostrar com mais clareza o que sucede com o binômio paciente-terapeuta ante a finalização de uma terapia de tempo limitado.9. Ocupar-me-ei primeiro dos aspectos técnicos. A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve t$» < Introdução Proponho-me neste capítulo a analisar algumas das vicissi­ tudes que se apresentam nas terapias breves psicanaliticamente orientadas . sua capacidade de enfrentar o luto ade­ quadamente será uma condição fundamental para o manejo eficaz da situação.

desejam de bom grado o término do tra­ tamento. Perto da finalização da mesma. em muitas ocasiões aparecem em troca an­ siedades intensas. e que agora está muito limpo e em ordem. Primeiro sonho: O paciente aparece num depósito em que tempos atrás “tinha havido um ‘barulho’ ” . suas ansiedades e hostilidade diante da separação. Certos pacientes. Este último foi o que aconteceu no caso de um paciente a quem atendi numa terapia breve. os quais mostravam. no material onírico. seguindo o modelo da clínica médi­ ca. e podem chegar a vivêla como uma oportunidade de comprovar e pôr cm prática o aprendido até entào durante o tratamento. Supõe-se que o fato repercuta mais em quem tem tendência a estabelecer espontaneamente vínculos de caracte­ rísticas simbióticas. A repercussão da perda no paciente pode traduzir-se em manifestações diretas de pesar e/ou preocupação. ou evidenciarse de maneira mais velada. Em geral preferem. Os sonhos eram semelhantes entre si (sobretudo os três primeiros a que me referirei). Outros pacientes se conformam com o alívio sintomático. sendo talvez o primeiro deles o mais demonstrativo.porque continha mercadorias. aceitam a separação melhor do que outros. ainda que se tenha “a impressão de vazio”. e que o teto do depósi- . assim como naqueles cuja dependência regressiva tenha sido fomentada pelo terapeuta ao longo do tratamento. Acrescenta que se trata de uma “velha construção em reforma” que ficou interrompida. por exemplo.166 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Reações causadas no paciente pela separação A separação de seu terapeuta afetará o paciente com uma intensidade variável em cada caso. vivida inconscientemente como um abandono de minha parte1. regressivas e altamente dependentes. e chegam a mobilizar-se inclusive o temor à morte e à loucura. o que estará em parte relacio­ nado com uma estrutura psíquica correspondente.segundo sua expressão . como denominador comum. que possuem um ego relativamente forte. e uma vez conseguido este. Diante da perda. que a terapia seja o mais curta possível. rclatou-me numa sessão vários sonhos.

mais ordenados. Associou o depósito com aquele que. disse que no sonho lhe deviam di­ nheiro. pois. O amigo era por certo ele mesmo. Sente uma grande indignação. Também o teto simbolizava sua cabeça. O edifício grande no qual havia muita gente representava o hospital onde o atendi. Sentia agora que tinha as coisas (idéias) mais claras. que se encontrava muito enraivecido contra mim porque sentia que eu lhe dava pouco e que estava em dívida para com ele. que ficava “separado no meio” como o depósito. Tem um aposento só para ele e utiliza ferramentas de cor negra. apa­ reciam no sonho como o dinheiro que lhe deviam e que tinha que reclamar. mau destino”. através do qual nos ocupávamos de jsua cabeça-depósito. abandonando-o. Ele sentia. o qual tinha de reclamar. seu acanhado protesto e reprovação contra mim. a sociedade era uma referência ao nosso contrato terapêutico. sua mente mais “limpa” e seus pensamentos (no so­ nho. Outra vez se evidencia seu sentimento de . no qual há muita gente. Por sete horas de jornadas. na qual havia ocorrido um “barulho” (confusão) quando chegou ao tratamento. mercadorias). de vazio pela separação. tal como aparecia no sonho anterior. e que eu interrompia sua reconstrução. O depósito representava ele mesmo. e era uma referência a seus temores pelos perigos aos quais se sen­ tia exposto por causa da separação. Disse-lhe que a menção a seu amigo parecia referir-se à minha pessoa. mas ao mesmo tempo con­ densava no depósito sua sensação de abandono. Terceiro sonho: Trabalha no interior de um grande edifício.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 167 to é negro. Este detalhe do sonho era. na realidade. uma representação de seu medo à loucura2. A cor negra do mes­ mo foi associada pelo pacienttf como “mau augúrio. Segundo sonho: Um amigo seu trabalha como ajudante num teatro. além disso. ao sentir-se abandonado. especificamente. havia tido um ano atrás em sociedade com um amigo. pagam-lhe uma escassa so­ ma em dinheiro. Por último. particularmente sua cabeça.

compreendidas e resolvidas no seio da relação terapêutica. acham-se intimamente vinculadas entre si (são diferenciáveis só até certo ponto). Tal situação costuma estar motivada g^j^-n . interessa ver qual é o destino da transferência. Ao associar. pode resultar conveniente que o paciente tenha ocasião dc desenvolver essas reações enquanto se encontra sob tratamento pan< parmitif mais bem-examinadas. des­ prezo pelo terapeuta. freqüentemen­ te acompanhadas de defesas maníacas (negação da perda. sob a aparente satisfação de ter um aposento só para ele. como é óbvio supor. ao aproximar-se o Tinal do tratamento. Aparecer como menino tinha a ver alem disso com a relação de dependência infantil que cm parte havia estabelecido comigo.If)íi Psicolerapia breve de orientação psicanalitica abandono. Depois. que por diferentes motivos não toleram suficientemente a separação. passando por retrocessos e pioras por simples manifestações de hostilidade transferencial e pelo acting out. a) A rcferência a novos conflitos nas partes finais do trata­ mento. Essas reações. É possível que se produzam no paciente diferentes reações. com muito medo de escorregar “ladeira abaixo”. sobretudo cm circunstâncias nas quais o terapeuta pode perder o controle da situação. na mesma sessão. é uma circunstância que tenho podido observar em minha prática. contou-me que em matéria de traba­ lho ele sentia que precisava de alguém que o guiasse e que não podia fazer nada por conta própria. De novo figurava a cor negra como símbolo de mau augúrio). etc. até a reação terapêutica negativa3. Nesses pacientes. que vão desde o afloramento de novos conflitos. expressou em tom risonho que o menino deveria ser ele. Novamente aludia a seus temores pela finalização do vínculo tera­ pêutico. Quarto sonho: Vê um menino descer por um tobogã em grande velocidade. através de colocação espontânea por parte do paciente de material alheio ao foco. Por outro lado. superando-sè ou apresentando-se em forma sucessiva. Sua esposa lhe assegurava que isso não era certo e que devia animar-se a “navegar sozinho”. Tinha que conservá-la (trabalhar) sozinho e não confiava em seus próprios recursos (as ferramentas negras.).

ou ainda preocupação e . tratando de despertar neste interesse por outros padecimen­ tos (numa tentativa de sedução por meio do material). como destaca Malan (6). Tal situação de separação. d) Outra opção está dada pela tendência de alguns pacientes ao acting out. quer dizer. tal como sugere Bellak (2). Será conveniente assinalar ao paciente sua intenção incons­ ciente de õbter ganhos secundários através de suas recaídas nos últimos períodos do tratamento. Deve-se procurar que o paciente tome consciência das motivações de sua atitude. e dom isso a dolorosa separação do terapeuta (ganhos secundários)J. acusar um incremento de an­ siedade.O paciente. dos diversos transtornos somáticos. tal como em ou­ tras formas de psicoterapia.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 169 inconscientemente por um desejo de permanecer ligado ao tera­ peuta. ou sua raiva pode jogar por terra o obtido durante a terapia. Isso só será possível se prevalecer uma transferência positiva ao terminar o tratamento.eventualmente . Quando tal hostilidade alcança certa intensidade. que até esse momento vinha inclusive evidenciando claros progressos e uma apreciável melhora sintomática. c freqüentemente constituem uma tentativa de evitar que lhe seja dada alta. de depressão. ao ser vivida consciente ou inconscientemente pelo paciente como um abandono. pode apresentar uma reapa­ rição de sua sintomatologia inicial. E) Os retrocessos e pioras no estado do paciente são algumas das reações que se observam com maior assiduidade nas etapas terminais do tratamento psicoterapêutico breve.culpa por deixá-lo nessas condi­ ções. toma-se necessário inter­ pretá-la. exposto aos perigos de conflito não resolvidos para conseguir deste modo que o tratamento seja prolongado. etc. diante do incremento da ansiedade. o acting out costuma expressar fantasias agressivas para com o terapeuta ou objetivar substituí-lo . posto que a manutenção da me­ lhora certamente dependerá em grande parte de suas possibilida­ des de introjectar e conservar uma boa imagem do terapeuta (2). o que se acha claramente vinculado à perda ocasionada pela finalização da rela­ ção terapêutica (conforme o caso. c) As manifestações de hostilidade transferencial podem co­ locar em sério perigo os resultados do tratamento. pode trazer como conseqüência algumas das de­ mais complicações que mencionei.

O terapeuta “atua” nes­ sas circunstâncias através de suas intervenções (interpretações). mesmo naqueles pacientes que inicialmente não se veriam demasiadamente afetados pela separação. c) A reação terapêutica negativa se manifesta com freqüência através da interrupção brusca do tratamento por parte do paciente. o que às vezes adquire características de inoculação no­ civa. Üm mecãnísmõ defensivo do terapeuta ante as ansiedades pela separação é a negação do conflito e sua projeção maciça no paciente. o luto provoca sentimen­ tos de desvalorização e perda (7)4. em seu afa inconsciente de perpetuar sua dependência.. etc. sobretudo por meio de interpretações “transferenciais”. . Quando o terapeuta detecta essa tendência. evitando a ruptura de um vínculo que lhe oferece profundas gratifi­ cações. Comumente. A separação significa.170 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica por outro objeto. Já me ocupei em parte no capítulo anterior dos problemas do terapeuta para aceitar a separação do paciente ao chegar ao fim o vínculo terapêutico. a separação repercute mais no terapeuta que no paciente.).) foi observar as dificuldades de desprendimento dos próprios terapeutas (. evitan­ do assim as atuações.. vêrse privado de gratificações simbióticas.). comumente negadas".. Reações causadas no terapeuta pela separação Com freqüência. Tal interrupção significa principalmente que o paciente quer abandonar .ativamente . indutoras de dependência regressiva. para ele. Ferrari e Marticorena comentam acerca da experiên­ cia em psicoterapia breve: “O mais notável (.o terapeuta para não sofrer de maneira passiva o que vivência como um abandono por parte deste. Desejo então que fique clara minha impressão de que na prátiea o término do vínculo terapêutico é. as dificuldades para separar-se apareceram mais do lado do médico que do paciente” (3). não em poucas ocasiões.. deve inclinar-se à compreensão psicológica do conflito no pacien­ te. O terapeuta pode apresentar resistência em reconhecer os eventuais progressos dõ paciente e atuar fomentando nêsferdiirantê"õ tràtarrrentoTãneurosê^transferencial e a regres­ são.

uso do divã.B. Adverte-se o terapeuta de que. 1. e particularizar a conduta que. deixá-la de lado significaria correr o risco de expor o paciente a algumas das conseqüências às quais já fiz referência. Este. de certo modo. ao fomentar a natural tendên­ cia regressiva do paciente com base numa extrapolação da técnica psicanalítica (uso reiterado ou sistemático de interpretações trans­ ferenciais. haverá pacientes que superam melhor que outros a separação. a meu ver. com efeito. Na bibliografia sobre P. Aspectos técnicos Tenho mencionado até aqui a conduta que deve assumir o terapeuta diante da insinuaçào. por sua própria conta.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 171 mais um problema do terapeuta aue do paciente. descobrimos que alguns autores levam em conta esse aspecto.ou franca aparição das diferentes reações do paciente. o processo se complicará ainda mais (nenhum dos dois componentes do par aceitará facilmente a separação) desembocando com freqüência na Já mencionada recontratação. Compreender melhor por que chega a produzir-se ou a incrementar-se.B. desde j^momento em aue se efetua uma indicação de P. interpretação de material alheio ao foco. Considero que devemos nos remontar aos primeiros contatos com o paciente. enfrentá-la e atenuá-la. como expressão de uma necessidade mútua de pro­ longar a relação. em certas ocasiões. daí para a frente. etc. que está naturalmente rela­ cionado com a capacidade egóica para tolerar frustração. já que o problema se coloca. Para isso será preciso interpretar a transferência. Mas agora desejo examinar mais detida­ mente o problema da repercussão. com base no que adquiriu durante o tratamento.). conduta que em síntese consiste em abordar o problema ocasionado pela iminente separação. aumento da freqüência e/ou periodicidade das sessões. do final do vín­ culo terapêutico sobre o paciente. não tem que vivê-la necessariamente como aígo penoso e angus­ tiante.B. resultará mais convenien­ te em P. perturbadora. sobretudo no caso de sentir-se seguro de sua própria capa­ cidade para enfrentar seus problemas. atuação pouco -ativa do terapeuta. para tentar preveni-la. Bellak .. Como disse antes.

pois sem dúvida será o mais conveniente.. Trataremos. considerar que pode ser tec­ nicamente objetável indicá-la para um paciente que revele pouca capacidade para suportar e elaborar lutos e uma modalidade sim­ biótica. portanto mais propenso a reações como as já assinaladas c com menores probabilidades de êxito terapêutico5. Mas é sobretudo Malan (6) quem assinala especificamente a utilidade de detectar. muito regressiva e dependente em suas relações de objeto. mas o que acontece c que em nossa prática assistencial com freqüência não temos outro remédio senão efetuar um tratamento de tempo limitado em muitos dos pacientes que apresentam essas características. por diferentes motivos. de não facilitá-la ou incrementá-la. são em parte conseqüência dessa atitude ini­ cial. essa seleção não puder ser feita. O passo seguinte será a contratação que temos de realizar. prognósti­ co e tratamento. antes do trata­ mento propriamente dito. mas quando. esta­ remos diante da situação menos discutível para indicar uma tera­ pia breve. Poderemos. Se. na medida do possível. Creio que em al­ guns casos as complicações que logo aparecem no tratamento breve. Os testes pro­ jetivos poderiam oferecer-nos regularmente elementos para essa apreciação. pelo contrário.172 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica (2) sublinha a importância de se efetuar previamente uma avalia­ ção das funções do ego. não pode­ remos fazer outra coisa senão embarcar com o paciente num pro­ cesso que terá muito de uma difícil aventura e que requererá ao máximo nossa perícia terapêutica para poder atingir um bom final. e que poderá ser realizada por meio de dados clí­ nicos e de testes psicológicos. e para isso será preciso. 2. como condição fundamental em P. além de existir essa condição de tolerância diante da separação. a capacidade do paciente para suportar suficientemente o luto pela separação do terapeuta. principalmente por ocasião da separação definitiva entre paciente e terapeuta. em especial com aqueles pacientes que apresentam uma franca tendência a desenvolver espontaneamente intensa regressão no vínculo terapêutico.B. delimitar claramente os objetivos do trata- . Realizaremos uma eleição dos casos na medida do possível. que servirá para o diagnóstico. trata-se de um paciente que atravessa um problema atual e se encontra motivado para efetuar uma psicoterapia.

A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 173 mento.B. requer-se que o terapeuta tenha um insight dessa problemática e um auto­ controle de suas tendências naturais a estabelecer uma modalida­ de simbiótica de relação com o paciente que. que a P. Quando o terapeuta não pode controlar . Considero que o manejo da relação transferenciai por parte do terapeuta. Em síntese. ter-se-á esp_eciiü cuidado em evitar que a freqüência das mesmas possa chegar a favorecer a tendência regressiva6.freqüentemente bastanta atenuadas. terão uma influência decisiva no aspecto que adquire o término do tratamento e a posterior separação para ambos os protagonistas. que poderão ser evitadas ou ao menos .. de que haja vencido os preconceitos contra todo procedimento que não seja o p'sicanalítico. é o que com freqüência costuma conduzi-lo .a realizar consideráveis e decisivas modificações no enquadramento. se o terapeuta se desempenhar adequadamente ao lcfngo da terapia. juntamente com sua capacidade para superar os pró­ prios conflitos que puderem derivar da perda do paciente como objeto gratificante. quanto às sessÕes.* 3. se estimular no paciente sua iniciativa pessoal com um critério pros­ pectivo. em lugar de fomentar a neurose transferencial e a depen­ dência regressiva.B. verdadeiro objetivo do trata­ mento8. nesse sentido mais frustrantes. Üm aspecto que merece especial atenção dentro da contrata­ ção é a duração que fixaremos para o tratamento. isso dependerá de vários fatores: de sua familiaridade com a técnica da P. mas também e fundamen­ talmente de que possa renunciar às gratificações que oferece o tipo de relação analista paciente e aceitar as condições. conseguindo ajustar-se ao enquadramento da P. de modo a permitir que uma parte do mesmo se destine à análise do luto pela separação1. Como procurei demonstrar no capítulo ante­ rior. sem que isto nos prive do tempo necessário para abordar a situação crítica em si. além da tendência de extrapolar esse modelo técnico para a terapia breve por crer que só assim poderá obter bons resultados. segundo minha hipótese. Em algumas destas situações será preferível outorgar um tempo suficiente.B.incons­ cientemente . defrontaremo-nos com as complicações às quais aludimos. Se seguirmos adiante no processo terapêutico. favorecedoras da simbiose terapêutica. Vale dizer. impõe.

favorecedora da dependência regressiva. Conclusões As maiores possibilidades de êxito. hostilidade . Dever-se-á abor­ dar. Será conveniente tratar de detectar o grau de tal capacidade a partir dos primeiros contatos. em pacientes com tendência a estabelecer relações simbióticas terá que se oferecer um tempo suficiente de tratamento. privado de seu objeto gratificante. À capacidade do paciente de tolerar suficientemente o luto pela separação.B. Para isso sugerem que se solicite ao paciente que informe o terapeuta de seu estado me­ diante cartas ou chamadas telefônicas. Às condições do contrato terapêutico: procurar-se-á dimi­ nuir a intensidade das regressões. geralmente na fase final do tratamento. com uma sensação de desilusão por haver efetuado um tratamento curto e pouco eficaz. a fim de que este não se sinta abandonado e de conservar uma transferência positiva. Bellak e Small (2 ) também assinalaram a importância de manter algum contato com o paciente logo após haver-se encerra­ do o tratamento.174 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica essa situação e não toma as precauções correspondentes. 4. Já ine referi à conveniência de abordar. sobretudo nos estágios finais do tratamento. -> 2. exige. o problema da separação. estão relacio­ nadas: 1. evitando a extrapolação da técnica psicanalítica. em razão do término do tratamento em particular. costu­ ma-se chegar a uma fase final do tratamento em que a separação se toma mais difícil para ele e para seu paciente. o problema que coloca para o paciente a finalização e a separação. que inclua a possibilidade de analisar o luto pela separação. 3. e por sua vez de se evita­ rem certas complicações ao longo de uma terapia breve em geral e. diante do risco da aparição neste de reações (retrocessos e pioras. e aquele. mais perturbado­ ra e mais frustrante: este se encontra no final numa atitude regres­ siva e dependente. Considero que esse propó­ sito pode ser cumprido tanto ou mais satisfatoriamente por meio de entrevistas de acompanhamento. À capacidade do terapeuta para ajustar-se ao enquadra­ mento que a P.

Psychol. 4. J. 1974. Fiorini. Beliak. 1969. “Psicoterapia dinâmica breve. “Reacción terapêutica negativa”.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 175 transferencial. deve-se tratar de chegar à finalização do tratamento de modo tal que a alta coloque o paciente em condições de viver uma experiência estimulante e reasseguradora a partir da compro­ vação*de que seu aulodesenvolvimcnto agora é possível. n" 2. Illinois. Barcelona. vol. Ia/. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Amér. c Marticorcna.B. junho 1968. c portanto que encontre no método psicotcrapêutico breve um recurso útil. Allegro. No que se refere ao terapeuta. (1981).. em Diccionario depsicoanálisis. 3. XIV. Laplanche. Ferrari. “Fases de la intcracción pacicnte-terapeuta cn la psicotcrapia dc la esquizofrenia crónica”. reação terapêutica negativa). Brit. impresso na Grã-Bretanha. Aportes para una teoria dc la técnica”. psicol. Springfield. e Pontalis. H.. c Small. é de se esperar que encontre gratificações nos resultados terapêuticos.. já que não conta­ mos com melhores possibilidades para a sua elaboração. 4. quer dizer. radicalmente oposta aos propósitos ineren­ tes a esse procedimento. A.. H. Journal Med. Comunicación personal.. Tavistock. J. acting out.. 5. Pax-Mexico. .. H. Centro Editor de América Latina. Buenos Aires. vol. H. 6. recorrendo-se especialmente a interpretações transferenciais. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. Em essência dever-se-á ao menos assinalar a situação de luto.. XIV. nf 2. 1971. psic. 1963. México. Amér. Labor. J. Lat. L. junho 1968. Buenos Aires. para o que poderão contribuir as en­ trevistas periódicas de seguimento. Scarles. Apostila inédita. À manutenção de uma transferência positiva a posteriori da realização do tratamento. sem precisar em troca fomentar a gratificante simbiose terapêutica. L. Acta psiq. “Una cxperiencia en psicoterapia dc tiempo limitado”. D. Referências bibliográficas 1.) 7. Charles Thomas. L. Buenos Aires. 2. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve.. Em P. A Study o f Brief Psychotherapy. B. Malan.os do pa­ ciente. Londres. Acta Psiq. Psicoterapia breveyde entergencia.. na obtenção dc uma atitu­ de relativamente independente e nos demais jlrogress.

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que às vezes não é suficiente paia que o paciente “apreenda” as interpretações e reconheça assim seus conteúdos inconscientes como algo que lhe é próprio. estamos consignando uma limitação da psico- «» . assim como certos perigos que com elas se corre. e se apresentam com mais facilidade diante de pacientes que por de­ terminada patologia não resultam suficientemente aptos para obter maiores benefícios terapêuticos com o emprego desses pro­ cedimentos. esperando que mediante a compreensão intelectual possa conseguir-se a cura. Ainda que nessas terapias se aspire a conseguir um insight que possa ser mais cognitivo que afetivo (Szpilka e Knobel [7]).10. que aumentam nos casos cm que o terapeuta compreende a psicoterapia focal como um processo individual. Tanto os inconvenien­ tes como os riscos. 1. entendendo além do mais que nessas terapias se realiza uma análise apenas parcial das resistências. De fato. Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve I Mencionarei aqui alguns inconvenientes técnicos de que so­ fre o exercício das terapias de tempo e objetivos limitados. acham-se relacionados com as peculiaridades desses tratamentos e com os eventuais erros dos terapeutas. reduzido a “explicar” ao paciente o significa­ do de suas manifestações patológicas. Os pacientes que recorrem excessivamente à intelectualizaçâo podem criar sérias dificuldades. este deve diferenciar-se do pseudo-insight com reforçamento da intelectualizaçào que. é um risco que devemos ter em conta. como vemos.

Se bem que fazer ver ao paciente suas defesas patológicas possa ser importante. em razão do número relativamente reduzido de ses­ sões semanais com que se costuma trabalhar nela: “Devemos destacar aqui a grande diferença no uso da interpretação quando se vê o paciente todos os dias ou quase todos os dias. sensação que se incre­ menta ante a proximidade da finalização do tratamento. Quando a duração estabelecida para as mes­ mas foi limitada. segundo o método que descrevi até aqui. de modo que tenhamos que dedicar boa parte do tratamento ou inclusive todo o tempo que dure o mesmo a tal trabalho. tais alterações caracteropáticas atuam como um freio que chega às vezes a difi­ cultar em grau máximo o trabalho relativo a seus problemas atuais. obrigando a uma recolocação estratégica1dos objetivos ou diretamente do tipo de tratamento recomendável. Vinculadas com essa questão se acham as advertências formu­ ladas por T. 2. French a respeito das “complicações resultantes das tentativas de forçar o conhecimento” (4). que pode se apresentar com bastante facilidade é o de não exercer aquele um autocontrole adequado diante de certas vivências que possivelmente experimente na prá­ tica dessas terapias. está em condições de assimilar. e quando se o vê uma ou duas vezes por semana ou ainda com intervalos mais prolonga­ dos. Se a impaciência o domina. Outro problema. é habitual que se sinta um tanto pressionado em seu afa por obter determinados resultados. o terapeuta poderia arriscar uma interpretação desagradável. No procedimento psicanalítico ortodoxo. sem que nos seja possível pretender outra coisa. Esse autor assinala parti­ cularmente o efeito perturbador de certas interpretações em psico­ terapia breve. nesse momento pelo menos. o que pode trazer paralelamente um aumento de suas resistências e de sua angústia ou ainda ocasionar sua deserção.178 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapia verbal de tempo e objetivos limitados. corre o perigo de depreciar o timing e de “bombardear” o paciente com interpretações prematuras em seu desejo de oferecer-lhe muito mais do que este.a um intenso trabalho interpretativo de suas resistências ao insighl. originado no terapeuta e em estreita rela­ ção com o descrito em 1. pois pode apreciar seu efeito no dia seguinte e proteger o paciente contra um aumento de . já que diante de certos pacientes poderemos nos ver na necessidade de nos voltar .e reduzir .

em virtude de o ser. alcança inevitavelmente e de modo espontâneo grande intensidade em algumas ocasiões. quer dizer. em conse­ qüência. dada a fugacidade da relação paciente-terapeuta e. uma pessoa qualificada que possa escutá-los sem julgá-los (5 ). diferentemente do que acontece quando uns e outros surgem de maneira clara e pre­ cisa. Formulada essa mesma interpretação numa psicoterapia mais breve. exis­ te a possibilidade de que a dinâmica do tratamento sofra uma limi­ tação esquemática . O trabalho do terapeuta pode ver-se dificultado. 6. vendose perturbado nosso propósito de centralizar a ação terapêutica de um modo operativo e com fins de aprofundamento. compro­ metendo-se. Mas a regressão. Mas todo terapeuta disposto a manter-se suficientemente receptivo às comu­ nicações 4o paciente e a extrair sempre novos significados poderá contribuir na obtenção de um processo terapêutico rico. limite seus alcances. .. a eficácia do procedimento toda vez que não seja possível delimitar com facilidade o foco e. a angústia poderia acumular-se em tal medida que o paciente cairia em pânico (. assim como as me­ didas preventivas e terapêuticas a 'serem tomadas.Alguns problemas técnicos característicos 179 angústia. com isso. em que se deve atender preferen­ cialmente àquilo que concerne à conflitiva focal do paciente. O manejo técnico deficiente por parte do terapeuta . levar às com­ plicações que já mencionei nos capítulos 8 e 9.). * > 4. o trabalho se complica. A partir da necessária circunscrição que a abordagem de uma terapêutica setorial requer. como por exemplo nos quadros reativos. 5. evitando assim ficar reduzido a um plar£> rígido que.pode fom entar iatrogenicamente a regressão vivencial e a neurose de transferência no pa­ ciente e acarretar diversas complicações. indesejada. diante da separação. possibili­ tando reajustes e descobertas que o conduzam a readequar-se à estratégia. Em nosso meio se observou a ocorrência desse fato especialmente em tratamentos de pacientes de baixo nível sociocultural. Requer-se portanto maior atenção e inclusive maior agilidade por paflecíõ terapéutã^T3X 3. tampouco os objetivos do tratamento.. Não contando com um foco mais ou menos definido. com o conseqüente estancamcnto. que recorrem a estabelecimentos assistenciais por contar com uma oportunidade única de confiar seus problemas a um profissional.por transposição da técnica psicanalítica .

submetidos a tratamentos cuja dura­ ção.180 Psicoterapia breve de orientação psicanaiítica 7.) 8. limitada. etc. precisamente em função da limitação tem­ poral e da separação com respeito ao terapeuta. o terapeuta deve de modo iieral dedicar o trabalho terapêutico à resolução de problemas da realidade externa atual do paciente (comumente representados por conflitos em determinadas relações interpessoais). Diante de pacientes com sentimentos de perda patológicos e/ou recentes de importância. será escassa a confiança nesse sentido que possam nos inspirar. o que pode acarretar diversas conseqüências negati­ vas se não trabalha com cautela suficiente. depressão.a indicação terapêuti­ ca. insuficiente para abordar com possibilidades de benefícios terapêuticos apreciáveis a dita proble­ mática. Em tais circuns­ tâncias. registrem uma marcante distorção em sua captação da realidade.além de ter pouco tempo para adquiri-lo durante o tratamento. 102) e que aqui menciono novamente. Devemos então reconhecer uma limitação própria des'sãTtênípias. apelando freqüentemente para isso para as interpretações. É sabido que em P.B. que reaviva a per­ da. Esse inconveniente pode acentuar-se no caso de pacientes que. pro­ curando dotar o processo terapêutico do tempo necessário para evitar esses efeitos indesejáveis. há de se rever nesses casos na medida do possível . p. em função da curta duração deste e de serem as sessões relativamente pouco freqüen­ tes. em particular o que corresponde à duração do tratamento. por exemplo. Portanto e antes de mais nada. razão pela qual. com os perigos conseqüentes (acentuação da angústia e da dor. chamadas “extratransTerenciais”. existe a alternativa de que sofram uma reativação traumáti­ ca desses sentimentos. resulta curta. isto é. (Pode ser adequado instituir uma técnica de enfoque com final “aberto”. Trata-se do fato de o terapeuta não contar com conhecimento suficiente do paciente em particular de suas relações de objeto . isso pressupõe uma maior margem de erro por parte do . que às vezes adquire grande importância.). por deficiências egóicas. acting out. Assim sendo. à qual já mc referi no capítulo 6 (ver “Interpretações extratransferenciais”. encontra dificultado seu acesso a uma adequa­ da compreensão em interpretação dos sucessos do mundo externo do paciente. ao termos de nos remeter cm boa medida ao material que nos trazem.

Por outro lado. figuram as meras condutas adaptativas . confeccionar uma história clínica minuciosa.Alguns problemas técnicos característicos 1H1 terapeuta na apreciação da natureza dos conflitos da realidade exrema do paciente. e muito especial­ mente detectar as principais características das relações objetais do paciente. que implicam modificações só em nível superficial. leva­ do pelo critério de orientar o paciente na direção dos problemas atuais de sua realidade externa. a limitação mencionada deve compen­ sar-se com um estudo prévio exaustivo e o mais profundo possível do paciente no começo do tratamento (uma razão poderosa para realizar várias entrevistas diagnosticas quando o caso o requer. Esse estudo prévio deverá então prover-nos de elementos diagnósticos nos quais possamos apoiar nossas hipóteses explicativas e nossas in­ tervenções terapêuticas. Quero aqui formular uma advertência: alguns . promovidas pelo fervor terapêutico. que ainda que não sejam raros tampouco considero que sejam habituais em P. 9. Os pacientes que evidenciam tendências ao acting out in­ troduzem um novo problema técnico. Fantasias transferenciais negligenciadas podem então ser atuadas por parte do paciente. prescinde em demasia da análise da transferência.para garantir uma tarefa interpretativa mínima da transferência desen­ volvida que permita diminuir as possibilidades de apresentação da conduta de acting out. Uma mediqa poderá ser contratar um número necessário talvez maior que o habitual nessas terapias . por exemplo . o terapeuta pode induzir a atuação2.três. > Em seu afã de conseguir “resultados práticos” em pouco tempo.de sessões semanais . Se bem que elevar a freqüência das ses­ sões traz consigo por sua vez outro risco. Também se des­ crevem mecanismos tais como a fuga à saúde e à cura transferen­ cial.B.a do acting out. Na terapêutica breve. 10. 11. o de favorecer a depen­ dência regressiva do paciente. o risco do acting out aumenta quando o caminho se vê possibilitado ou facilitado porque o terapeuta. e às vezes sumamente perigosa . Entre outros resultados que se podem produzir em rela­ ção ao assinalado em último lugar no item 10. sobretudo através de testes projetivos). é o preço que se há de pagar para evitar uma complicação maior.

French. Psicosomática (Asoc.. 16 de junho de 1972. Terapêutica psicoanalitica. V. 5. em função do final do tratamento (ver capítulo 9. Curso para graduados de Técnicas en Psicotcrapia Breve. Méd. Arg. a qual pode ser vivida como um abandono e condicionar diversas reações prejudiciais ao paciente. Organizado pela Soe.. C. em F. . Alexander e T. 3. cm F. “Psicoanálisis y psicoterapia”. Teremos de contar com essa possibilidade. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicotcrapia bre­ ve”. o acompanhamento prolongado possihilitará a comprovação desses resultados e a adoção das medidas terapêuticas mais indicadas. F. Kaplan. Wolberg e col. As recaídas. . Arg. Psicoanâlisisy psicolerapia.182 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica detratores dessas terapias não vacilam em rotular pejorativamente como fuga à saúde ou cura transferencial todo sucesso do paciente obtido através das mesmas3. Os agravamentos constituem uma complicação que por sua vez também pode estar relacionada com a separação. pois são a expressão de uma reativação dos conflitos que tinham sido objeto de uma resolução em essência incompleta. cap. Grcdos. pp. Psicoterapia breve. Madrid. 2 . con­ figuram em troca uma eventualidade mais ou menos freqüente nessas terapias. Vlli. De Psicologia Médica. French. 1960. cap. incrementados pela separa­ ção devida ao término da terapia. conjuntamente ou em continuação a eles. cit. 168 s j. 1965. ob. Alexander. 4 . French. em 3. Síntesis y debate. VIU. Alexander.. Buenos Aires. Paidós. cap. ainda que se produzam na ausência dos fatos que acabo de citar. “La dinâmica dei proceso terapêutico”. 1968. . Buenos Aires. Psicoanálisis y Medic.) Buenos Aires. Referências bibliográficas 1. em F. “Planificación de la psicoterapia”. em L. VII. cap. durante e depois do tratamento (ver capítulo 9). Alexander e T. ou correspondem diretamente a uma resolução falsa' Nessas ocasiões costumamos detefctar a persistência dos conflitos transferenciais subjacentes. o que é regra nessas terapias. Psique. T. Em todos esses casos..

“Acerca de la psicoterapia breve”. Estúdios sobre técnica psicoanalitica. psicol. Buenos Aires. M. “Técnica analítica y la mania inconsciente dei analista”. H.. . Buenos Aires. vol. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. e Knobel.Alguns problemas técnicos característicos 183 6. Rackcr. Szpilka. Paidós. Lat. Acta psiq. Amér. n? 2.. junho 1968. 1969 (Estúdio Víll). Racker. 7. J.. em H. XIV.

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. mas que haja partici­ pação ativa do paciente. por parte do paciente. sendo estas ratificadas pelo julgamento do terapeuta. Com base na avaliação dos resultados obtidos. requerida num intercâmbio cordial e franco com o terapeuta. Paralelamente se poderá indagar outros as­ pectos que resultem de interesses. no qual se aprecia sua opinião. o que não costuma aconte­ cer quando é efetuada de forma isolada por ambos os protagonis­ tas do processo terapêutico. de suas impressões a respeito dos progressos obtidos. a avaliação conjunta deixa no paciente a impressão de que se levou a caso uma tarefa em comum. como logo veremos. plane­ jado. Quero destacar a conveniência de que a tarefa avaliatória não fique exclusivamente a cargo do terapeuta. Este último passo do processo adquire então um alcance terapêutico. será possível recolocar a situação do paciente e determinar os passos a serem seguidos a partir desse momento. a qual tem assim um encerramento cuidadoso.11. criando-lhe uma sensação de reasseguramento. A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve í Introdução A avaliação dos resultados terapêuticos nas terapias breves tem por finalidade primordial verificar se estão sendo cumpridos os objetivos fixados. que eventualmente inclui a confirmação. Considero que isso permitirá que a apre­ ciação dos resultados seja enriquecida e possa na maioria das vezes aproximar-se mais da realidade. Desse modo.

anunciada e ajustada de antemão com o paciente ao efetuar-se o contrato terapêutico. recordarei uma questão básica. recorro a dois recursos fundamentais: a) entrevistas com o pacien­ te (eventualmente estendidas a familiares e/ou figuras próximas dele. Nada melhor do que transcrever suas próprias palavras: “Para que uma avaliação de terapia seja realmente válida deve ser não apenas imediata. costuma estimulá-lo a efetuar um estudo mais exaus­ tivo dos mesmos. como por exemplo quando se trata de adolescentes) e b) psicodiagnóstico. Como qualquer outro. Para levar a cabo a avaliação tanto imediata como mediata.) A avaliação é. variando sua periodicidade em função de diversos fatores. em parte relacionados com as necessidades e possibilidades de cada caso (entrevistas a cada seis meses. explica-se quais são seus motivos. o emprego de um procedimen­ to metódico de avaliação dos resultados terapêuticos. ao ter­ mino da cura.186 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica No que se refere ao terapeuta. etc. na medida em que provém de uma técnica suficientemente fundamentada.). Não obstante. como se fará e quais serão as datas de realização das entrevistas de avaliação imediata. sem chegar a constituir um rigoroso instrumento de medição. É necessário o follow-up ou acompanhamento do paciente em alta para poder saber se os resultados alcançados se mantêm e durante quanto tempo”(6). dentro do possível. O procedimento que descreverei é o que adotei pessoalmen­ te2. de base psicodinâmica. mas também mediata. Um método de avaliação A partir das considerações expostas por Usandivaras em nos­ so meio. con­ sidero que possui um valor prático. é suscetível de ser objetado e/ou aper­ feiçoado a fim de se conseguir uma maior precisão. (Grifos do autor. . um ano. permitindo um registro que facilite a elaboração estatística e ulteriores investigações quanto aos alcances e limita­ ções do procedimento que nos ocupa1. já que as de avaliação mediata costumam ser combinadas a partir da finali­ zação do tratamento.

um pouco mais breve. está destinada a recolher as apreciações e informações que o paciente fornece (auto-avaliação). etc. Na segunda entrevista . a propósito dos pontos que exponho mais abaixo. estudo.) Consciência da enfermidade Auto-estima Outras modificações favoráveis (vida sexual. de que forma foi ajudado. se possível claras c simples.S.que confronto com minhas observações. outras relações interpessoais. A técnica que utilizo na primeira entrevista de avaliação ime­ diata» é a seguinte: para começar. Depois de haver revisado a evolução do caso. que críticas sugere.E) Resolução da problemática focal (R. com base em perguntas. A primeira. 2) minha opinião a respeito dos próximos passos a serem seguidos. trabalho e lazer) Projetos para o futuro . tratando ao final de precisar fundamentalmente: l ) o que se aclamou e se resolveu e o que ficou pendente. indico ao paciente que poderá expressar amplamente suas opiniões acerca do tratamento que acaba de concluir e de seus resultados e que ein seguida lhe for­ mularei algumas perguntas a respeito. Na segunda. P Para avaliar cada caso levo em conta os seguintes pontos: Insight da problemática focal (LP. geralmente realizada poucos dias depois da primeira. de uns 40 minutos de duração c que se realiza pouco depois de finalizada a terapia. o paciente opina sobre distintos pontos: ás mudanças nota­ das. como havia imaginado que seria seu tratamento.F.A avaliação dos resultados terapêuticos 187 A avaliação imediata Efetuam-se duas entrevistas.. tem lugar uma devolução por parte do terapeuta. comunico ao paciente minha própria avalia­ ção estudo prévio de todo o material recolhido na primeira entrevista . relações de casal. as vivências que teve.) Melhoria sintomática (M. Na primeira parte da entre­ vista. im­ pressões que haverão de ser úteis para o terapeuta. que inclui a avaliação dele. A seguir efetua-se uma indagação sistemática da auto-avalia­ ção do paciente. já estou em condições de transmitir-lhe minhas impressões sobre cada um dos pontos considera­ dos.P.

Mas aqui me refiro apenas a expe­ riências iniciais de insight . Em relação ao primeiro.uma superação (elaboração) substancial dos conflitos subjacentes." quer dizer.188 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica "Insight ” da problemática focal (l. ou uma mudança do clima emo­ cional da sessão. significa que as mudanças produzidas mediante o tratamento deverão basear-se essencialmente no insight para que sc possa considerar tal resolução como real.P. com uma sensação contratransferencial de desa­ parecimento das resistências. neste ponto.F. a quem diferentes indicadores clínicos. já lhe terão dado indicações sobre o grau de insight obtido (quando a uma interpretação se segue um silêncio reflexivo do paciente.seria absurdo pretendê-lo . do ponto de vista dinâmi­ co esta resolução não implica . mais do que em qualquer outro. ou seja. ao seu alcance ao longo do próprio tratamen­ to. a avaliação. depende do terapeuta. neste caso. que se refere à resolução propriamente dita dessa mesma problemática e sobre cuja denominação cabem alguns esclarecimentos. ou a associação por parte deste com situações análogas à que foi objeto de interpretação.. Para o paciente.). a existência de insight'.) ração este item. ou seja. Resolução da problemática focal (R.P. que. Veremos o que implica o termo resolução tanto dinâmica quanto clinicamente. insight sobre a problemática focal de cada caso. levo em conside­ Além de excluir conclusões acerca da existência ou não de . etc. Na realidade. registre invariavelmente um resultado positivo. trata-se de saber concretamente se chegou a compreender seus problemas de um modo diferente e mais profundo. pois me parece de decisiva importância. o item precedente. ou uma exclamação do paciente que revela surpresa diante de uma descoberta.F) Incluo esse ponto.P. As expectativas do terapeuta no sentido de que se produzam modificações significativas e medianamente perduráveis no pa­ ciente devem assentar-se principalmente no insight que este possa adquirir a respeito dos dinamismos psíquicos subjacentes à situaçào-problema. I.F. que é na realidade o que costuma pro­ porcionar um tratamento focal.

Aclarado o significado do termo do ponto de vista clínico. Malan menciona as falsas soluções. Trata-se então. ao qual devia somar-se o fato de que começara a ter confiança em seu próprio desempenho e que se estabelecera uma relação satisfatória com seu patrão. depois do trata­ mento e ante situações ligadas-'à conflitiva focal. podemos esperar na melhor das hipóteses que o conflito se torne inativo. irritabilidade. e seguindo Malan. a resolução pode traduzir-se com freqüência na superação de um episódio (com aquisição de certo grau de insight e retorno ao equilíbrio psicológico). mas em troca enfrenta tais situações de uma forma mais adequada. Além da resolução real.ainda com certas reservas num tratamento psicanalítico. clinicamente completa ou incomple­ ta. t> que explica que possam produzir-se recaídas circunstanciais. que não venha acompanhada da reação apropriada (4). apropriada (4). referindo-se ao caso de um homem que tinha uma relação conflitiva com seu patrão. O mesmo autor dá um exemplo muito claro. cuja resolução clinicamente total seria dada pela desaparição de seu medo do patrão e de seus temores obsessivos de cometer erros em seu trabalho. a resolução clínica parcial consistirá no desaparecimento de uma reação inadequada (por exemplo. veremos que neste sentido. fato que por outro lado não seria possível distinguir. 24yde uma resolução dinamicamente incompleta ou parcial. De um modo mais preciso. etc. deixando assim de ter um caráter perturbador por um período cuja duração é impre­ visível. o termo resolução é uma forma sinté­ tica de fazer referência à substituição de uma reação imprópria por outra. ansiedade. Clinicamente. Por outro lado. sempre baseando-nos em Malan. não só deixa de registrar as dificuldades e sintomas do início. como já foi assinalado anteriormente (ver capítulo 3. p. a resolução poderá ser total ou parcial. Malan acrescenta que isâo não confunde necessariamente a resolução do processo patológico subjacente. sem excessiva submissão ou hostilidade.). entre as quais se incluem fenômenos tais como a “cura transferencial” e a “fuga para a saúde”. Cm suma. A primeira corresponde à definição do termo já assinalada e se apresenta quando um paciente.A avaliação dos resultados terapêuticos como poderia esperar-se . assim como o desaparecimento de sintomas alcançados a .

efe­ tuar tais distinções pode ser às vezes uma tarefa difícil.) [R.F.: Sim (parcial)].P. Falsa solução da problemática focal. Resolução (clinicamente) total da problemática focal [R.P. ao qual deverão agregar-se os elementos fornecidos pelo psicodiagnóstico.: Não]. Denomina dqfalsa situação valiosa àquela na qual as mudanças se vinculam com alguma determinação do paciente ou com algum outro fato signi­ ficativo gerado a partir do tratamento.P.F. Malan assinala que na prática se colo­ cam interrogações decisivas: Como reconhecer a melhoria “bási­ ca” ou “específica”? Como diferenciar uma “resolução” real de várias categorias de “soluções falsas”? (£).P. 2. total ou parcial (clinicamente). 6. 3. partindo-se da idéia de aceitar como real toda resolução da problemática central do tratamento que. Não obstante. ..P. As apreciações contudo continuarão tendo caráter empírico. em realidade imprescindível se se pretende valorizar adequadamente o item R.: ?] 4. em 24 meses a partir da finalização da terapia.: Não]. 8.P. Bem. Aparente resolução da problemática focal. 5. é possível mencionar. com recaída [R.P.F.P.P. cuja reali­ zação costuma ser faciütada mediante um estudo realizado ao longo do acompanhamento. assentando-se no insight. por exemplo. Desse modo podem apresentarse alternativas como as seguintes: 1. instável.F.: Não]. Resolução (clinicamente) parcial da problemática focal [R.F.F.190 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica expensas da evitação das situações conflitivas. evitação. que serve para romper um circulo vicioso e instalar em seu lugar um ganho benigno e modi­ ficações vitais (4)4. Sem modificações na problemática focal [R. etc. perdure sem que se produzam re­ caídas ao longo de um determinado período. que podemos fixar arbitrariamente. Sem dúvida. 7.: Não]. Falsa solução valiosa [R. Resultado duvidoso [R. fuga para a saúde.: Sim (total)].F. algumas das distintas possibilidades que podem ocorrer em maté­ ria de resultados terapêuticos.: Não]. desde que o paciente não se submeta a outro tratamen­ to psicoterápico nesse intervalo. com fins de orientação. Agravamento5da problemática focal [R.F.F. com ou sem recaída (cura transferencial.

ao menos inicialmente uma remissão sintomática. as impres­ sões do paciente sobre o caso. per­ manente ou transitória (esta última é típica dg episódios agu­ dos). como no caso de pacientes que apresentam uma grande debilidade egóica. por exemplo. portan­ to.) A observação da evolução dos sintomas adquire particular impoftância nessas terapias. se solucionaram ou não seus problemas através do tratamento. embora este deva conhecer. ou seja. deve transcender o mero reconhecimento da natureza patológi­ ca do transtorno atual. se considera que persistem nele outras dificuldades que requei­ ram resolução. na opinião deste. nos quais se procura às vezes . que o alívio ou o desaparecimento dos sintomas seja o corolário de mudanças internas (melhoria pelo insight). Além disso. se. é de se desejar. pois daí pode obter-se a motivação do paciente para continuar recebendo assistência psiquiátrica ou voltar a se consultar em outra ocasião. “assintomático”. encontra-se na reali­ dade pior que no começo. quando isso for necessário. que por sua vez resultem de havermos penetrado com o paciente na psicogênese de seus sintomas. quando possível. Cabe advertir quanto à falsa solução por evitação (4). Melhoria sintomática (M. tomada de consciência que. Consciência da enfermidade Compreende a indagação sobre se houve ou não uma tomada de consciência por parte do paciente a respeito da existência de uma enfermidade “de base”.S. . como sempre. A melhoria sintomática pode che­ gar a ser o principal objetivo terapêutico.A avaliação dos resultados terapêuticos 191 A avaliação deste ponto (R.) também é patrimônio do terapeuta. em (unção da qual o paciente.P. Penso que a aquisição de consciência da enfermidade deve ser uma meta implícita em toda terapia breve de insight. Para isto poder-se-á inquirir.F.

também a elevação da auto-estima e as possibilidades de uma auto-regulação adequada dela. etc.mas tam­ bém as de amizade. permitindo-se expandir-se. atendendo ao uso que faz de seu tempo livre (o que permitirá explorar sua capacidade de gozo. O estado atual da auto-estima detecta-se por meio de diver­ sos dados. . recolhidos tanto nas entrevistas como no psicodiagnóstico.. através da qual pode promover modificações positivas*.com pais. A maior parte das pessoas que procuram uma consulta psiquiátrica registram uma diminuição de sua auto-estima. uma maior preocupação com seu aspecto pessoal. 1) Alguma orienta­ . configuram uma finalidade que convém ter presente. interessa averiguar se se têm eventualmente produzido mudanças em aspectos como sua vida sexual. o paciente emerge do tratamento com.192 Auto-estima Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Como acontece com o item anterior. nos estudos.). o fato de se notar num indivíduo. suas relações de casal. etc. sua iniciativa pessoal. sem entrar aqui em con­ siderações profundas. em conseqüência do insight alcan­ çado. Projetos para o futuro Trata-se de comprovar se. especialmente as familiares . no trabalho e na recreação. Seu incremento (conseqüência natural de um tratamento caloroso por parte do terapeuta e também do efeito particular de determinadas interven­ ções do mesmo) constitui um ganho terapêutico nada desdenhável. irmãos. etc. profissionais. outras relações interpessoais. Outras modificações favoráveis Já que se trata de um procedimento terapêutico orientado para a realidade cotidiana do paciente. mas também por sua influência direta no funcionamento egóico. não só porque por si só significa para o paciente maior bemestar. que no começo do tratamento impressionava pelo descuido consigo mesmo. Pode servir de simples exemplo. sua criatividade. etc.

sem que no ínterim mediasse qualquer tratamento psicológico. registravam uma notá­ vel melhora. i» Psicodiagnóstico É conveniente efetuar o reteste não antes de que tenham trans­ corrido pelo menos seis meses desde a realização do psicodiag­ nóstico inicial. o que parece indicar também que a posteriori desses tratamentos se desenvolve um processo ativo e gerador de mudan­ ças (2). a exploração dos distintos pontos citados pode ser vista como uma reavaliação do estado das funções egóicas do paciente depois de efetuado o tratamento. O novo psico­ diagnóstico. Harrower. refere que na maioria dos casos os testes exploratórios não revelavam diferen­ ças destacáveis quando se efetuavam imediatamente depois de finalizado o tratamento. Comprova-se freqüentemente. trabalho. Em geral. que realizou uma investigação com numerosos pacientes tratados com o método terapêutico breve. permite ampliar a obser­ vação das modificações obtidas. contase com a possibilidade de adotar certas determinações. pois nem sempre é possível abordá-la num tratamento breve. Quando as metas terapêuticas não guardam maior vinculação com o que concerne aos planos pessoais do paciente. É conveniente que o mesmo psicólogo que realizou o psico­ diagnóstico inicial seja quem. efetue o reteste e a devolução corresponden­ . esta questão configura por si um objetivo à parte. Tudo isso implica por sua vez certo autoconhecimento e a aceitação de algu­ mas perspectivas e limitações. a instrumentação de mecanismos menos primitivos e mais adaptativos que os presentes no começo. utilizando procedimentos idênticos aos daquela ocasião. etc. já que do contrário é menos provável que possam registrar-se mudanças significativas no material. comparado com ó anterior.A avaliação dos resultados terapêuticos 193 ção no que se refere a realizações futuras em aspectos tais como estudos. 2) A partir daí. entre outras descobertas. Mas as provas realizadas ao cabo de vários anos com estes mesmos pacientes. possíveis migrações.

No primeiro caso trata-se de um prolongamento necessário do tratamento. O estabelecimento de um recontrato. 4. pode surgir em diversas situações. cumpridas ou nào as metas terapêuticas. que a conti­ . carece de sentido. Só desse modo. 3. quer dizer. Do acompanhamento me ocupo em “A avaliação media­ ta”. Comentarei aqui apenas algumas questões que me parecem de interesse. Ser-lhe-á comunicado. 2. 3. Alternativas do paciente ao terminar o tratamento Este tema já foi considerada por outros autores. no momento da avaliação. A indicação de outro tipo de tratamento . A separação de paciente e terapeuta será decidida sempre e quando aquele estiver em condições de enfrentá-la. em que o prazo inicial pode ter sido insuficiente para alcançar as metas estabelecidas. 1. Atuar de modo contrário suporia expor o paciente a uma falsa situação de separação ime­ diata. o terapeuta considera neces­ sário prolongá-lo (recontrato). sem programação de futuros encontros. 196 ss. A combinação de entrevistas periódicas de acompanha­ mento. distinto em seus fins e técnicas. 4. A indicação de outro tipo de tratamento. compelido a trabalhá-la.194 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica te ao paciente. As distintas possibilidades que devem ser levadas em conta ao concluir o prazo terapêutico são: * 1. evitando que haja variáveis. como é natural. por exemplo. com conhecimento do terapeuta. É freqüente. durante o tratamento. A separação de paciente e terapeuta. convém que proponha isso ao paciente sem esperar que se cumpra o prazo inicialmente fixado. O estabelecimento de um recontrato pode realizar-se cm várias circunstâncias: a) se nào se cumprirem os objetivos. Quando. 2. se se colocam novos objetivos limita­ dos. o que. além disso. como é óbvio. a com­ paração dos resultados de um e de outro estudo terá validade. b) havendo sido cumpridos. que poderá consultar-se novamente toda vez que sinta necessidade de fazê-lo. que se veria. pp.

quer dizer. Quero destacar que a passagem de um paciente de um trata­ mento breve que está por finalizar para um tratamento prolongado (por exemplo. Pode tratar-se também de um paciente que o tratamento breve haja motivado para uma exploração mais profunda. Se o novo tratamento deve ou não ser feito pelo mesmo tera­ peuta pode constituir um tema polêmico que merece alguns co­ mentários. cm alguma medida. com outros e mais ambiciosos objetivos. modelos repetitivos de conduta. Ocorre no caso em que se decida realizar um tratamento prolongado ao ficar comprovado qfie a técnica focal resultou ineficaz e que na oportunidade se requêr outro enquadra­ mento. o tera­ peuta já conhece.A avaliação dos resultados terapêuticos 195 nuação de uma terapia de tempo e objetivos limitados desperte no paciente o interesse de efetuar uma psieoterapia prolongada. não constitui por si só nenhum indício de fracasso ou êxito do trata­ mento efetuado. terapeutas que sugerem completar a experiência cor­ retiva de terapia individual com um tratamento grupai posterior. além disso. Além disso. quer se realize de imediato quer depois de haver transcorrido algum tempo entre um c outro. tudo o que o toma agora mais apto para realizar ura tratamento dessa natureza. Se se considera a possibilidade de que seja o mesmo tera­ peuta quem efetue o novo tratamento. etc. ao confirmar que*'a melhoria é possível. evita-lhe o . tanto pode responder ao primei­ ro como ao segundo. creio que não se pode generalizar afirmando que tal ou qual posição será mais adequada em todos os casos. Na prática o tratamento poderá ser solicitado pelo próprio pacien­ te ou ser recomendado pelo terapeuta. As opiniões a respeito parecem bastante divididas. Penso que tanto uma alternativa como outra oferecem vantagens e desvanta­ gens. Fi­ nalmente. continuando a encarregar-se do tratamento. pode-se contar a seu favor com a existência de uma aliança terapêutica já instaurada e com a confiança do paciente nas perspectivas que oferece o tratamento. psicanálise). De minha parte. Na realidade. com vistas a modificar aspectos de seu caráter. ampla e prolongada de seus conflitos. e que tenha adquirido além disso maior consciência da enfermidade e maior confiança na psicoterapia. baseada nas melhorias obtidas inicialmente. Há. questão sobre a qual ’outros se têm pronunciado de maneira similar.. Aqui o passo para a psicoterapia prolongada é uma conquista importante da terapia breve. a patologia do paciente.

e que propõe outra disposição espacial. diante de um paciente sub­ metido a um tratamento breve. preservando-se ao mesmo tempo o setting necessário. a avaliação mediata nos permite indagar acerca do grau de eficácia desses . Talvez algo que possa ser feito. essa situação pode trazer complicações transferenciais. O paciente pode experimentar dificuldades para aceitar as modificações da relação com seu terapeuta devido às característi­ cas do novo enquadramento. Mas é precisa­ mente no que concerne a tal mudança que residem as desvanta­ gens. correspondentes não só ao paciente mas também ao terapeuta. o mais conveniente pode ser recorrer a um novo terapeuta. Toda essa situação pode confun­ dir e desconcertar o paciente. tal como se vê a transformação de seu vínculo com o teçapeuta . sendo em suma mais frustrante. desempenhe um papel um pouco menos ativo que o habitual nas psicoterapias focais e regule mais determinado tipo de intervenção que possa contrastar com as da técnica psicanalíti­ ca que depois terá de adotar. e que este. sem chegar à atitude de ambigüidade psicanalítica. mais ambígua. com o mesmo terapeuta. A avaliação mediata É praticada por meio de follow-up ou acompanhamento. haverá de se pesar cuidadosamente distintos fatores. Por isso. Em cada situação. seja considerar firmemente a pos­ sibilidade de aceitar a continuação de tal tratamento. para que a passagem à nova forma de relação terapêutica seja mais gradual e que a situação criada possa ser manejada sem que se produzam reações transferenciais inde­ sejáveis. que fica reduzido ao ocasionado pela eventual mudança do tipo de relação paciente-terapeuta7. Paralelamente. seja menos demonstrativo com o paciente. No terreno da investigação.de uma rela­ ção mais definida e calorosa do diálogo fluido e mantido “frente a frente” para outra.196 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica luto da separação. diante de um novo tratamento. às vezes. que basicamente servirá para comprovar se as mudanças alcançadas mantêm-se ou não.de um modo contraditório para ele. na qual o terapeuta estabelece maior distância afetiva. provocadas pela hostilidade gerada ao passar . uma psica­ nálise.

Além disso teremos oportunidade de comprovar se depois da remoção do obstáculo continuam ou não evidenaiando-se novos progressos. nos encontra­ remos tanto com pacientes que vêm entusiasmados. já que com o passar do tempo estes podem consolidar-se ou seguramente descaracterizar-se. Assim. tem-se assinalado. evitando o encontro. Pode evitar . que pode ser prolongado. uma cura transferenciai de efeitos fugazes. a investigação. ou melhor. Pode ser efetuado. Também podem ser explorados em detalhes determinados aspectos do processo terapêutico. que estudou esses fatos com relação ao grau de interpretações da transferência exis­ tente ao longo dos tratamentos efetuados). por exemplo. por exemplo. as mudanças esperadas só se manifestam no acom­ panhamento. Mas os alcances do acompanhamento não se reduzem a uma só face. a evolução da rela­ ção transferencial e sua conseqüente vinculação com o estado do paciente (como o realizou o grupo de Malan [4]. de autênticas melhorias causadas pelo insight. isto é. Partindo-se de experiências em estabelecimentos assistenciais. mas este representa por sua vez um recur­ so preventivo-terapêutico. uma “fiiga para a*saúde”. que poderão então ser pesquisados através de entrevistas periódicas de controle. Às vezes. depois de transcorrido um certo período. mostrando-se colaboradores e agradecidos. que chega a con­ . Conhecemos sobeja­ mente. os perigos que derivam de certos aspectos transferenciais não-resolvidos.ou ao menos atenuar possíveis recaídas relacionadas com fantasias dc abandono por causa do término do tratamento. É nessas circunstâncias que são postos à prova os ganhos obtidos. verificáveis tanto clinicamente como por meio de psicodiagnóstico. dando lugar também a recaídas. temática que foi considerada no capítulo 9. Às vezes o acompanhamento torna possível distinguir melhor. ou seja. como com outros que se apresentam queixosos ou ainda não compareçam. um estudo mais preciso que na avaliação imediata e por conseguinte uma avaliação mais correta das mudanças produzidas. tais como a conduta do paciente diante do terapeuta no acompanhamento. em nosso meio. quer dizer. desde a finalização do tratamento. certas mudanças prospectivas ligadas ao tratamento.A avaliação dos resultados terapêuticos 197 procedimentos e formular hipóteses sobre os prováveis mecanis­ mos terapêuticos atuantes. então.

Aprofundando-nos no que podemos explorar por meio do controle periódico do paciente. já que pode objetivar a permanência das melhorias alcançadas. assim como também de outros meios de fortalecimento egóico. aos quais se deverá agregar a indagação acerca de possíveis novos ganhos e/ou problemas que possa apresentar o paciente. como o incremento da auto-estima (quero dizer. mantendo-se contato com o paciente. Além disso. A técnica das entrevistas . é mister indagar ao menos. Também já fiz menção de que é nessas circunstâncias que o psicodiagnóstico pode registrar as mudanças significativas produzidas por essas terapias. Tudo isso deverá efetuar-se em uma ou mais entrevistas. O reteste será realizado conforme as condições enunciadas anteriormente (ver p. que desenvolve assim certa pertinência à mesma (3). assim como suas sugestões para o futuro.). leva em conta os mesmos itens.m Psicoterapia breve de orientação psicanalitica figurar uma continuação espaçada do tratamento. Além disso haverá uma “devolução” do terapeuta. Também poderemos pesquisar a existência de uma cura transferencial. Por último. 49 ss. quando este é alcançado por mecanismos distintos do insight). este tem uma possibilidade de reasseguramento e tranqüilização. 194). A respeito dos mecanismos das mudanças e melhorias sinto­ máticas. tais como a depressão. a que mecanis­ mos respondem e qual é o alcance e a estabilidade de tais mudan­ ças. assinalarei alguns pontos de ma­ neira sucinta. em essência similar à descrita a propósito da avaliação imediata. recordemos que esses resultados podem ser produto do insight. no qual a insti­ tuição c um continente para o paciente. quando existe um controle periódico da avaliação do caso. antes que o processo patológico alcance maior desenvolvimento. que transmitirá suas impressões. é factível detectar novas manifestações sintomatológicas ou a reaparição das já conhecidas e com isso a indi­ cação psicoprofilática ou psicoterapêutica necessária. que pode influir favoravelmente no funcionamento do ego e avaliar sofri­ mentos. temas aos quais me referi em parte no capítulo 3 (ver pp. Se considerarmos concretamente as mudanças e melhorias sintomáticas . já que nem sempre tere­ mos respostas concludentes a essas interrogações. de acordo com as necessidades. que deriva em mudanças só .

Interessará. como sabemos. estahilidade das mudanças estará relacionada com a natureza dos mesmos. a mudanças prospectivas em uma ou mais áreas ou atividades. trabalho. mas também. No que corresponde ao processo terapêuticQ^ a. ainda. alcançada através de insight) da problemática focal poderá expressar-se na manutenção das mu­ danças registradas ao concluir-se o tratamento.A avaliação dos resultados terapêuticos 199 aparentes e superficiais (reações adaptativas). ainda que a durabilidade das mudanças. etc. reveladas nos psicodiagnósticos. se as mudanças registradas se mantêm ou não e. uma “falsa solução valiosa”. Mo­ dificações internas de distinta natureza. Nesse caso parece resultar necessário que transcorra algum tempo. entre outros fatores. tais como sexualidade. Isso acontece quando as mudanças e melhorias sinto­ máticas sobrevêm só depois de um certo período de tempo. ao longo do qual teria lugar um proce|so “elaborativo” pós-terapêutico. etc. cata­ lisado pelas suas experiências vitais. fato registrado na avaliação imediata. quer dizer. de duvidosa per­ manência. Este é um índice muito válido para avaliar a eficácia desses procedimen­ tos. lazer. ou seja. estudo. durante quanto tempo. da maior ou menor influência de situações traumáticas que possam afetar o paciente e promover uma nova descompensa­ ção. podendo tratar-se de uma “fuga à saúde”. seu grau de estabilidade. Já vimos que tudo isto pode refletir-se nos resultados do psicodiagnóstico realizado nesta etapa. não dependa só do tratamento realizado. . O aprendido na terapia é confrontado e interatua com tais experiências. as quais costumam realimentar o processo. que o paciente realizaria espontaneamente. em caso afirmativo. podem dar lugar. mas este não se faria acompanhar de modificações visí­ veis. por exemplo. A resolução real (ou seja. permitindo às vezes a remoção de obstá­ culos e a consecução de ganhos. com os mecanismos que as geraram e seu correspondentenívèrde profundidade. O paciente teria adquirido certo insight. Mas também é possível que constitua descoberta evidenciada durante o acompa­ nhamento. O alcance ou a extensão das modificações clínicas favorá­ veis pode referir-se às distintas áreas de conduta em que se regis­ tram8 e/ou simplesmente aos diferentes aspectos da vida do paciente.

A avaliação dos resultados terapêuticos em psiquiatria breve constitui um terreno aberto à investigação. diante das quais o terapeuta estará em condi­ ções de prevenir ou auxiliar o paciente. por fornecer uma grande riqueza de dados com possibilidade de . grosso modo. mas também à estrutura da personalidade. imprecisões e limitações. este deverá tentar sempre uma avaliação. Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos As dificuldades para avaliar os resultados terapêuticos dos distintos procedimentos utilizados em psicoterapia são sobeja­ mente conhecidas. podem dcverse à reativação do conflito subjacente pela ação de fatores traumá­ ticos. sobretudo porque não contamos até o momento com a possibili­ dade de realizar medições mais objetivas. o desenvolvi­ mento fundamental do terapeuta requer que seja feita uma avalia­ ção sincera. um auto-exame e uma autocrítica de seus resultados terapêuticos em cada paciente. de certo modo alheios às metas terapêuticas propostas. por meio do acompanhamento9. ainda que em grau menor. também as impres­ sões do terapeuta estão sujeitas às mesmas vicissitudes. é possível encontrar novos ganhos e mudanças.200 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica As recaídas. que por diversos motivos podem distorcer os fatos. Por último. Geralmente. mas também acerca de seus possíveis fatores e ra­ zões (1)”. da mesma forma que a presença de novas si­ tuações conflitivas. A avaliação constitui uma tarefa complexa. Disse Dewald: “Em que pesem as dificuldades. a respeito de como se produziu o êxito ou o fracasso. Em parte devemos con­ fiar em informações e apreciações subjetivas do paciente ou de seus familiares. fato mais bem detectado através do psicodiagnóstico. Essas mudanças podem ser inerentes não só às con­ dições de vida. traduzidas na reaparição dos sintomas ou na presença de novas manifestações sintomatológicas. e diante dos quais cabe indagar também acerca de seus mecanismos. no que é possível que o psicodiagnóstico possa transformar-se num valioso instrumento. Esses fatos também podem ser investigados. Isso deveria incluir não só o julga­ mento. alcance e estabilidade. Contudo.

P. já que pode ser o produto de fal­ sas soluções (4). na sua avaliação. embora.P.F. Mas isso não significa desdenhar a melhoria ou ciura sintomática.S. Por esse motivo exporei a seguir o esquema que idealizei e que utilizo. Os pontos restantes têm importân­ cia secundária. o qual. fornecendo assim. Na realidade é uma tarefa difícil. pelo que não é sinônimo de êxito terapêutico. muito menos nesse tipo de tratamento.). a saber: insight da problemática focal (I.F. Esse procedimento terá maior validade se for apli­ cado com base nos dados recolhidos ein acompanhamentos efe­ tuados depois de haver transcorrido um certo lapso de tempo des­ .). e mais do que tudo fundamentar um procedimento de medição bastante preciso. por si só não nos sirva de parâmetro.A avaliação dos resultados terapêuticos 201 sistematização metodológica. (Tinda que persistam certos sintomas ou dificuldades meno­ res. O que im­ porta no final das contas é o julgamento que o terapeuta desenvol­ ve com respeito aos resultados obtidos no que concerne a cada um desses itens. em algum momento. ainda se está longe de poder unifi­ car critérios e adotar um sistema único. levaremos fundamentalmente em conta. Mas na prática e sobretu­ do com fins estatísticos.) e melhoria sintomática ( M. os três primeiros pontos da lista já conhecida. sinteticamente. uma idéia global dos mesmos. no meu entender. pelo alcance de uma maior compreensão psicológica [insight). Levantam-se muitas polêmicas em torno dos critérios de me­ lhoria que deveriam imperar quanto às terapias breves: Que deve­ mos entender por “melhoria” ou por “resultado favorável” nessas terapias? Darei minha opinião a respeito: em psicoterapia breve de insight. como vimos. Bastará isto para considerar um resultado como favorável. ainda quando diferir do julgamento do paciente. o que tal­ vez contribua para criar maior desconcordância nesse campo. um enfrentamento mais adequado de alguns dos obstáculos correspondentes à sua situação-problerna. como é lógico supor. parte dos itens aos quais anteriormente fiz referência. Difundem-se numerosos e diferentes esquemas para a avalia­ ção dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve. e. a melhoria do paciente pode ser definida. surge a necessidade de apelar para um código que sirva para qualificar os resultados terapêuticos “fi­ nais” de cada tratamento. Quando se trata de uma terapia breve em que predomina o insight. resolução da problemática focal (R.

o efeito psicofarmacológico. a catarse. c) Quando.S..S.. O registrado nos restantes pontos.P.F. e/ou mudanças favoráveis nos outros itens de importância secundária. só se considera­ rão resultados positivos em R.F.. sem que se tenham registrado recaídas nem sido efetuados outros tratamentos psicoterapêuticos durante tal período.F. dos três pontos. Paralelamente poderão existir ou não modifi­ cações favoráveis em outros itens e eventualmente na estrutura da personalidade.P. e) Quando não se registra nenhuma variação favorável ou desfavorável nos diferentes pontos. independentemente dos resultados concernentes aos demais pontos. d) A categoria de regular significará que só se alcançaram alguns benefícios no concernente a M.F. f) Se assistimos a uma franca piora ou agravamento na sinto­ matologia. ainda com persistência ou intensificação de certos sinto­ mas. a essa situação corresponderá um re­ sultado discreto. é clini­ camente incompleta ou parcial. e M.P. etc. M. (excetuando-se o de evitar as si­ tuações conflitivas). o resultado final será considera­ do muito favorável.P. clinicamente parcial. ou apenas dois dos três itens prin­ cipais acusam resultados positivos (I. e portanto tampouco .F. o resultado será nulo.)10.P. o resultado final será considerado favorável. Cumpridas as condições descritas.F. como a sugestão.. que de um modo convencional podemos fixar em no mínimo dois anos. Em conseqüência. e R. ou ainda por último I.P.F. só I. diferentemente do descrito em a. acompanhado de uma resolução clinicamente completa ou total da problemática focal e do desaparecimento ou demarca­ da atenuação da sintomatologia. não modificará a qualificação. b) Quando.P. uma vez mais. ou à atenuação ou supressão sintomática por evitaçào (falsa solução) sem se ter alcançado I. a R.P. por meio de distintos mecanismos não-bascados no insight. qualificaremos os resulta­ dos alcançados do seguinte modo: a) Naqueles casos em que se registre um resultado positivo em I. é avaliado como positivo e enquanto não se tenham exacerbado mais intensamente as mani­ festações sintomatológicas.F.202 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de o término da terapia.S. e nos demais itens se as mudanças e melhorias se mantiverem ao longo de pelo menos 24 meses.

sem variações em I. Nesse caso.P.P.F. o significado de cada uma das categorias mencionadas pode ser resumido esquematicamente assim: PSICOTERAPIA BREVE EM QUE PREDOMINA O “INSIGHT” Resultado final Muito favorável: I. Os itens restantes desempe­ nharão uma vez mais um papel menor na determinação do resul­ tado final.P. (parcial) © ou I. (total) ® + M. terá importância. No caso de uma psicoterapia breve baseada numa técnica de apoio. © e/ou resultados positivos em outros itens de importância secundária Nulo: Sçm variações Desfavorável: Piora sintomatológica ou falsa solução por evitaçào.P. © + R.A avaliação dos resultados terapêuticos 203 R.S.S. © Regular: M. além do observado nos demais pontos. o resultado final será rotulado como desfavorável.P.F.F. Os resultados finais na terapia breve de apoio poderão ser qua­ lificados com as mesmas denominações aplicadas à de insight.PF. e R.P.F. enquanto que I. também deverão manter-se pelo menos por dois anos a partir da data de conclusão do tratamento. ® Favorável: I.P.P.P. Definitivamente.S.F. sem que o paciente haja realizado durante esse tempo novos trata­ mentos psicológicos12. a M.F.P. e R.F. © Discreto: I. Como requisitos para considerar válidas a melhoria sintomática e as mudanças. © + M.P.F.P. não serão levados diretamente em conta.S. (parcial) © + M. Seria interessante estudar uma forma de incorporação siste­ mática do psicodiagnóstico ao procedimento descrito. as significações serão as seguintes: .F. © ou I.S. © + R.F.F.E 0 “ R..

. A Study o f Brief Psychotherapy. psicol. . 4. Med. Psicoanálisis y Medic. Buenos Aires.. Curso para Graduados de Técnicas em Psicoterapia Bre­ ve. XIV. em P... vol. Buenos Aires. Um último esclarecimento. Bleger em Psicologia de la conducta. 1964. Buenos Aires. II.) 5. Illinois. 6. acompanhada de modificações benéficas cm um ou mais aspectos restantes considerados. Toray.. Malan. “Cómo vc cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. « e) Nulo: Sem variações. Grcdos. qualquer que seja o esultado nos outros pontos. Charles Thomas. Acta psiq. Dewald. f) Desfavorável: Piora sintomática.. cap. Londres. 16 de junho de 1972. Madrid. C. M.204 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica /a) Muito favorável: Um resultado será muito favorável quan­ do se produza a cura sintomática. não acompanhada dc outras variações nos demais itens.P. cap.: Resultado: ?) considerar-se-á a fim de estabelecer um resultado final .. X. Arg.. EUDEBA. E. A. Kaplan. válido para a avaliação em ambas as formas de psicoterapia breve: quando um resultado é duvidoso em um item (exemplo: R. ~7’c) Discreto: Só há atenuação dos sintomas.F. Pichon-Riviere. Psicossomática (Assoc. Springfield. J. / b) Favorável: Difere do resultado muito favorável em que existe uma atenuação dos sintomas em vez de seu desaparecimen­ to. n“ 2. cap. em L. em Cotoquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. citado por J. Tavistock. Psicoterapia breve. Buenos Aires. Barcelona. Wolberg y col. junho 1968. “Evaluation de la terapia". 1968. 1974. P. 1963. R. Psi­ coterapia: m enfoque dinâmico. Amér. 3. de Psicologia Médica. 1973. XX.que não se obteve uma resposta positiva no que diz respeito ao mesmo. Arg. Lat. -7 d) Regular: Registram-se somente alguns benefícios em pon­ tos de importância secundária. Também pode ser definido unicamente pela cura sintomática. H. Dewald. Organizado pela Soc. 2 Harrower. Centro Editor de América Latina. Referências bibliográficas 1. A. Usandivaras. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. D. “Problemas que plantea la investigation sobre psi­ coterapia breve”.).

8. Supervisiones de psicoterapias breves hospitalares en pa­ cientes adolescentes. 1970-71. Servicio de Psicopatología c Higiene Mental del Hospital Municipal “J. Wolf. Bue­ nos Aires. L. Paidós. E lyoy la realidaden la teoriapsicoanalitica. M. Ramos Mejia”. 1973. White...A avaliação dos resultados terapêuticos 205 7. . Buenos Aires. para residentes municipales de tercer ano de Psiquiatria. R.

V .* ^ .

mesmo de duração limitada. que é. inclusive quando o método breve apresenta suas indicações clínicas. praticamente quase todas as pessoas poderão receber certa ajuda terapêutica com o tra­ tamento focal. Nes­ sas características incluem-se as situações críticas nas quais o *> . Indicações da psicoterapia breve' i Por mais grave que seja sua enfermidade. Estabelecerei a seguir alguns critérios de seleção de pacien­ tes para o tratamento focal em que predomina o insight. compartilhada por muitos. nesse sentido. como diz Courtenay [2]. Essa posição. dentro da qual são elemen­ tos indicadores para sua recomendação: a) Sofrer transtornos de início recente e agudo que motivem o tratamento (ou. atravessar um "mo­ mento propício" numa enfermidade relativamente crônica). A terapia de objetivos e tempo limita­ dos satisfaz assim uma necessidade assistencial. o que costuma originar maiores dúvidas. justifica sua aplicação generalizada quando dificuldades econômi­ cas. É evidente que se pode determinar em que circunstâncias e com que tipo de pacientes se poderão esperar os melhores resulta­ dos. A indica­ ção ou contra-indicação clínica dessa terapia decorre da avaliação diagnostica e prognostica do paciente. ainda que esteja longe de ser em muitos casos a indicação mais adequada. à técnica interpretativa e à de fortalecimento do ego. tanto no meio institucional como no consultório privado. distância ou falta de tempo não possibilitem um tratamento mais intensivo e prolongado. desde que se recorra. com critério e segundo cada caso.12.

e deve haver uma ausência relativa de expectativas primitivas. exercendo ao mesmo tempo uma função preventiva. Todo o interesse do ego está absorvido pela penosa realidade e se retira da análise . a psicanálise não pode ser utilizada de nenhum modo. tais como uma interven­ ção cirúrgica.. Essas situações costumam pelo menos transitoriamente impedir a realização de um trata­ mento analítico.208 Psicolerapia breve de orientaçãopsicanalitica indivíduo esteja afetado por problemas que digam respeito à sua realidade atual (acidente de trabalho. etc. A terapêutica breve pode converter-se num auxílio eficaz. de pessoa total. de modo que seu ego possa situar-se a uma certa distância delas. que representam importantes campos de aplicação das técnicas breves (a psicoprofilaxia cirúrgica [5] ou a assistência psicológica durante a gravi­ dez. essas situa­ ções distintas demandam muitas vezes ajuda psicológica urgente. Mas. adquirindo além do mais um caráter essencial­ mente preventivo. Menciona também a leveza da patolo­ gia como um fator para um prognóstico favorável. etc. ou até mesmo sair garbosamente dela. dada a lógica limitação de tempo e os objetivos terapêuticos que a natureza idêntica das situações coloca. dando lugar a um quadro psicopatológico agudo (neurose traumá­ tica. assinalando . ou não necessaria­ mente patológico como pode ser o caso de uma crise vital (ingres­ so na universidade. Courtenay. etc.. não devemos desentender-nos a respeito disso2.).. Afirma Main: “Os problemas principais devem situar-se predominante­ mente no nível genital. Disse Freud a respeito: “(. Também podem incluir-se aqui os casos em que o indivíduo deve preparar-se para passar por tensões. ataque histérico. que permita ao paciente superar melhor a situação sem graves conseqüências. um parto. depressão reativa. de necessidades de dependên­ cia e de privações precoces sérias” (6). ^ b) Patologia de caráter leve (exemplo: neurose).). como terapeutas. razão pela qual. por sua vez. Nos estados de crise aguda.cujo propósito é o de penetrar por debaixo da superfície e descobrir as influências do passado” (4).) o trabalho de análise progride melhor se as experiências patológicas do paciente per­ tencem ao passado. uma migração. às quais podem adequar-se facilmente. etc. casamento. ruptura de casamento. para a elaboração das ansiedades surgidas ao longo dela [8]). ao mesmo tempo.). se pronuncia de modo similar.

a outro com problemas orais de dois. etc.Indicações da psicoterapia breve 209 que é preferível um indivíduo com necessidades edípicas. e) Capacidade de insight. f) Determinação e boa delimitaçãofocal desde o inicio (7). como se faz em geral em medicina. dizem: “Entendemos que não se está prescrevendo &terapia de escolha para cada caso. Szpilka e Knobel advertem sobre o erro de guiar-se quase que exclusivamente por um diagnóstico nosológico para a indicação terapêutica. que não estão dispostos a passar por uma terapia intensiva e prolongada. tanto em psiquiatria como em medicina geral. condições socioeconômicas. caracteropatia esquizóide.ou qual­ quer otitro fator é em suma insuficiente para indicar ou contraindicar uma terapia breve. e de que esta recaia sobre o tratamento psicanalítico quando não são fornecidas ao paciente determinadas condições elementares. mas de uma personalidade enferma num determinado quadro socioeconômico e cultural. Essas limi- . não de um quadro nosológico. c) Força e plasticidade do ego. d) Alto grau de motivação para o tratamento. que implique uma sacrificada revisão de sua vida e de sua personalidade (mas que por outro lado chegam a manifes­ tar um certo interesse em aliviar alguns de seus sintomas ou uma situação conílitiva atual através de uma psicoterapia). isto é. ou depressi­ vos sérios (2).) . de três pessoas.” Sintetizam essa posição dizendo: “A psicoterapia breve pode então aplicar-se não como uma terapia substitutiva da psicanálise. etc. com funções em bom estado. devendo-se atender em cada caso ao todo da situação apresentada pelo paciente. quando devem ser considerados também fatores como idade.” O tratamento breve pode erigir-se como a única experiência terapêutica possível para numerosos pacientes reíratários á psica­ nálise. mas que idealiza o método terapêutico. suas resistências a tratamentos intensivos e prolonga­ dos. histérica. Considerar isoladamente o diagnóstico nosológico (neurose obsessiva. surgida do diagnóstico. Diante desses fatos. mas sim que se pretende esta­ belecer uma generalização que não considera realmente o diag­ nóstico nem leva em conta a realidade atual e circunstancial de cada paciente. mas como uma indicação precisa. o qual é sempre prejudicial para qualquer paciente.

210 Psicolerapia breve de orientação psicanalitica Esta técnica pode cumprir idêntica finalidade no que diz respeito a outros tratamentos. mas com método. excessivas e também arriscadas. 9 e 10). Em pessoas de idade avançada.passo para a realização de um tratamento psicanalitico1. com relações objetais muito ambivalentes. perversões. e evitar desse modo mobilizações afetivas desnecessárias. bastando às vezes umas poucas entrevistas com seu próprio analista4. para as quais se acha contraindicado o tratamento psicanalitico. Um tratamento focal pode ser suficiente para solucionar o pro­ blema atual surgido. em geral quando existem grandes debilidades egóicas. A P. como a psicoterapia de grupo prolongada. de insight é menos eficaz : em casos crônicos de psico­ se. taçòes por vezes têm que ser respeitadas. a terapia focal pode encontrar uma aplicação muito adequada. que ele possa tolerar. pois a tentativa estará geralmente condenada ao fracasso.B. c não o contrário. estados fronteiriços e caracteropatias graves (sobretudo se o que se pretende é tratar estas patologias e não um conflito cir­ cunscrito). Uma nova circunstância que cabe citar é a da aplicação póspsicanalítica da P. sem forçá-los a um trata­ mento analítico. Pode ser tratável. toxicomanias. com grandes possibilidades de terminar em deserção. quando resulta dificultoso determinar e delimitar um foco. enfoque e objetivos terapêuti­ cos determinados.ou reaparição de uma situação conflitiva ou dc um sintoma. Abarca assim outra área importante da assistência psiquiátrica.B.e preparató­ . não se justificando que se submetam a uma reanálise. a par de seus conflitos difi­ cilmente modificáveis. 8. enfermidade psicossomática. circunstâncias nas quais a indica­ ção técnica mais adequada pode ser outro tipo de terapia. Está destinada a pacientes que puderam inclusive obter alta de uma análise com êxito e que consultam pela aparição . Trata-se então de adaptar sempre nossa técnica psicoterapêutica ao paciente. respeitar a estrutura caracterológica do paciente. é indicada como primeiro . Outras vezes a PB. geral- rio . tendências marcadas ao acting out ou escassa tolerância à ansiedade c à frustração (ver os capítulos 4. inclusive através de uma técnica interpretativa. psicopatias. dependentes ou sim­ bólicas. quando há pouca motivação para o tratamento. antes de rotulá-lo como intratável. porque permite trabalhar setorialmente.

Sexual Discord in Marriage. Small em Psicoterapias breves. Granica. de um transtorno atual de começo rccénte e agudo. o que pode provocar uma reativação iatrogênica da perda. PaxMexico. 2. 1968.. e Small. Nova York. Buenos Aires. 3. 1972. S. uma terapia de três meses de duração (período que se fixa. Norton. Psicoterapia breve y de emergencia. Citado por L. O. p.. 179). p. “Brief Psychotherapy”. Deverse-á cuidar então ao máximo para que nesses casos a duração da psicoterapia não predisponha a estas reações. com antecedentes de um aborto recente. Fenichel e D. Freud. 1969. III. 1964. Granica. 4. “Analisis terminable e interminable”. Tavistock. Courtenay. os conflitos estarem pouco circunscritos e afetarem quase todos os aspectos da vida do sujei­ to) (veroscapítulos4. os produzidos por falecimentos de pessoas queridas (ver capítulo 10. Biblioteca Nueva. Mcxico. Small.. situamo-nos diante de uma condi­ ção aparentemente favorável para a indicação do tratamento bre­ ve. consideramos o problema que para a indica­ ção de uma terapia de tempo limitado estabelecem os pacientes que registram lutos patológicos e/ou recentes de importância. . Londres. 179). em H. Beliak. 68. como. 1968. p. em S. em Psicoterapias breves.. The Collected Papers of Otto Fenichel. Freud. apeSar de que quando tais lutos são ôs que motivam a consulta.C. Referências bibliográficas 1. Fenichel. L. O. com uma diminuição de sua capacidade para suportar a dor e a frustração e poder enfrentar o novo luto gerado pela separação do terapeuta ao terminar a terapia. para esses tratamentos). 1972. Buenos Aires. Citado por L. por exemplo. Madrid. Rapaport (comps. isto é. t.Indicações da psicoterapia breve FACULDADE GÜAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 211 mente intensiva e prolongada (nesses casos é comum existirem transtornos graves de personalidade.). Acontece que nos encontramos ante um lego momentanea­ mente debilitado. Por outro lado. Um trágico exemplo des­ sas situações poderia ser o prescrever descuidadamente a alguém. e 10. amiúde. o que pode rea­ vivar traumaticamente a perda anterior. M. L. sendo em princípio conveniente que o prazo não fique estabelecido de antemão.

vol. era Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. L. Buenos Aires. Springfield. R.. Lat. Centro Editor de América Latina. “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”... J. Main. Szpilka. Buenos Aires. 1971. Tavistock. psicol.. Illinois. Londres. Acta psic. Acta psiq. 1963. jnnho 1968. n? 2. Buenos Aires. 1974. Lat. .212 Psicoterapia breve de orientação psicanalilica 5. “La psicoprofílaxis quirúrgica: una técnica de prevención”.. Amér. 1969. XIV. psicol. 1971. Glasserman. Buenos Aires. Buenos Aires. XV. vol. M. XXV1I1. parody pueperio. e col. t. Psicologia del emharazo. 6. “Accrca de la psicoterapia breve”. Amér.) 8.. Charles Thomas. Malan. Rev. c Knobel.. 7. set. R. T. de Psicoanálisis. n° 1. M. Soifer. “A Study of Brief Psychotherapy”. H. Kargieman. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. n°3. D. 9.

Ramos Mejía”. no ano de 1972. no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal “J. O caso descrito em primeirá'lugar ilustra com certo detalhe dis­ tintos aspectos e momentos do procedimento focal. ao efetuar a consulta. de um modo quase constante.13. e fa­ zem parte de uma investigação que ali realizei durante 12 meses. casado. O segundo constitui. pertencente à classe média baixa. Ambos os tratamen­ tos foram efetuados por mim. essencialmente. um homem de 28 anos. de dois meses de idade. um exemplo do trabalho de aprofunda­ mento no foco1. Na realidade o recrudescimento de sua sintomatologia coin­ cidia com o nascimento de seu primeiro filho. M. com instrução primária completa. argentino. fatos cuja conexão permanecia ignorada por A. . Dos tratamentos breves I «> Apresentarei aqui dois casos que foram tratados por meio dc psicoterapia de objetivos e tempo limitados.. eletricista. Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados A. consultou o Serviço por experimentar um incremento na ansiedade e depressão de que sofria há muitos anos.

Havia sido um menino tímido c um pouco triste. Dados biográficos de interesse (resumo) Único filho de um matrimônio com grandes desavenças. Nos últimos anos. Logo A. a princípio aparentemente bondosa para com ele. com relação à idéia dc suicídio. Autodefiniu-se como inseguro e indeciso. se sentiria muito prejudicado por sua madrasta. . manifestou-se muito frustrado intelectualmente. segundo afirmou. Definiu-o como muito dominador. A relação com seu pai foi descrita como sumamente conflitiva. voltou a se casar um ano depois de ter enviu­ vado e não teve filhos do segundo matrimônio. capaz de analisar problemas sociais. além de nào tê-lo estimulado a prosseguir os estudos. Vivia muito apegado à màe e nào se recorda de ter tido amigos. mas logo. carinhosa e solícita. a quem atribuiu um papel impor­ tante nessa questão. Criticava nele que. Seu desejo era conseguir outro emprego. áspero e pouco afetuoso. acredi­ tasse que nunca chegaria a “cometer uma loucura”. Sentia um “medo pavoroso” de uma professora.214 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Ocasionalmente havia pensado que nào valia a pena conti­ nuar vivendo. Seu pai. políticos ou psicológicos. enquanto A. uma pessoa com muitos conhecimentos”. ainda que. em contraste com a recordação que tinha de sua màe. mostrando-se abertamente hostil. Enfim. Por último. opusera-se a tudo aquilo o que para ele (o paciente) pudesse significar “um passo adiante” na vida. Tinha desejado ser um “grande intelectual. Grandes temores e inibições ao cursar os esttidos primários pare­ ciam havê-lo impedido de continuar estudando. mas em camas separadas. com quem protagonizava freqüentes discussões. vítima de uma enfermidade infecciosa. Seus pais dormiam no mesmo quarto. Mostrou-se além disso preocupado pelas dificuldades que tinha em seu trabalho. dormia junto com a mãe no mesmo leito desde muito pequeno até os 11 anos. época em que esta morreu. empregado bancário. Ganhava uma soma de dinheiro insuficien­ te para enfrentar os gastos correspondentes aos cuidados do bebê c tinha uma má relação com seu patrào.

Considerava que os tratamentos tinham tido um saldo positivo. O paciente atra­ vessava uma crise com exacerbação de seus sintomas. aparentemente de orientação dinâmica. em duas ocasiões. Ali permaneceu até os 25 anos. No abandono do segundo deles. Assim sendo havia sérias dificuldades para vincular-se com mulheres. Isso me fez temer mais a dependência em relação a ele e decidi deixar”. que confi­ gurava clinicamente uma depressão ansiosa reativa. . Nos últimos tempos. num caráter essencialmente anal. mas também ante a existência de profundos temores a uma aproximação afetiva. não só no referente a situa­ ções de dependência. levando com ela. as quais haviam reaparecido ultimamente). com componentes melancólicos c paranóides. indo viver numa pensão. Avaliação diagnostica O diagnóstico psiquiátrico-dinâmico foi o de uma neurose obsessiva medianamente grave. tudo o qúe se referia a sexo adquiria para ele caráter pecaminoso. cabe assinalar rfela sua grande adesão à religião católica. uma vida sexual medianamente satisfatória (embora logo admita que sobretudo no começo tivesse tido gran­ des dificuldades. Quando A. que consistiram em episódios de impotência e de ereçctes dificultosas c mais adiante em fantasias uxoricidas em pleno coito.Dos tratamentos breves 215 seu pai havia contraído uma grave enfermidade. contava 18 anos. Revelava assim evidentes problemas. decidiu afastar-se da casa pater­ na. tinha seguido trata­ mentos psicotcrapêuticos. quan­ do se casou com uma jovem que havia conhecido um ano antes e que descreveu como “muito sensível e inteligente”. Suas primeiras relações sexuais datam de seu matrimônio. Nesses anos. A atividade social do casal era intensa e gratifkante. com terapeutas homens e que abandonou alegando inconvenien­ tes econômicos. Voltando à sua adolescência. e foi sua espo­ sa a única com a qual conseguiu fazê-lo. admitiu a influên­ cia do tipo de relação que chegou a ter com seu terapeuta: “notava grande afinidade com o médico. ainda que seu estado geral fosse bom. no seu parecer. Sentia-me respaldado. Visitavam-se muito esporadicamente.

fato confirmado pelo psicodiagnóstico (Rorschach. casal)2. Por último. relações que eram muito ambivalentes e oscilavam entre a tendência à submissão extrema e a rebelião patológica.216 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Quanto às suas condições egóicas . como o substituto libidinal de seu marido. o diagnóstico re­ velou com clareza uma grande disposição a estabelecer vínculos de natureza simbiótica. que se evidenciavam tanto num exagerado controle da agressão atra­ vés de formação reativa (psicodiagnóstico). etc. Não obstante todo o mencionado. pensou-se que o paciente possuía um ego suficientemente forte para suportar os sentimen­ tos dolorosos provocados pela revelação de seus aspectos incons­ cientes. cabe mencionar que as funções básicas (per­ cepção. e seu nível de inteligência poderia ser considerado médio. Essa perturba­ ção gerava nele dificuldades nas diferentes relações interpes­ soais. em especial com pessoas de autoridade. puderam ser apreciadas: deficiências marcadas no teste de realidade .) A hipótese psicodinâmica inicial Três entrevistas e a bateria de testes ministrada permitiram formular o seguinte: a mãe. ainda que violentas.) estavam menos alteradas. a regulação de sua autoestima resultava inadequada. Bender. Tinha consciência da enfermidade . Assim mesmo. tomando-o. Também apresentava alterações no controle de seus impulsos. O grau de motivação para a psicoterapia e suas capacidades para o insight foram considerodos elevados. superprotetora e sedutora. uma distorção da realidade produzida por intensas projeções. isto é. (Os detalhes sobre a estrutura do foco serão descritos mais adiante. como em ocasionais. achando-se esta última francamente diminuída. ainda que se duvidasse do grau de tolerância que teria à frustração que poderia ocasionar-lhe sua separação do terapeuta ao finalizar a terapia. em con­ . optando-se por centrar o trabalho terapêutico na situação crítica criada em tomo do nascimento do filho. atenção. O foco pôde ser delimitado desde o começo. descargas de raiva. considerou A. memória.

muito intensificada em sua adolescên­ cia. sentir-se-ia culpado pelos grandes delitos de humanidade consumados em sua fantasia4. A rivalidade edípica. constituiria uma forma de controle de seus impulsos sexuais e agressivos. vividos como proibidos e perigosos por seu significado incestuoso e par­ ricida. É a etapa em que surge sua religiosida­ de. além disso. constituindo um sério impedimento para uma resolução adequada do complexo edípico ao incrementar os desejos incestuosos e parricidas c a angústia da castração conse­ qüente. Essa situação foi expressa numa frase muito significativa do paciente: “angustia-me ter muitas coisas boas e não poder desfrutá-las. vítima de uma prematura e intensa estimulação sexual. É particularmente importante o antecedente da partilha do leito. Apelou então regressivamente para defesas mais primitivas. pareceram atestá-lo). tomava cada vez mais tensa a relação com o pai. que foram plasmando sua estrutura de personalidade. representado pela figura de Deus. Por sua vez car­ regou consigo desejos insatisfeitos de dependência oral. o que o levou a abandonar o lar paterno. com terror à figura da professora. como seria o caso de uma pessoa que gos- . Os mecanismos de repressão e sublimação sofreram mui­ ta interferência (os graves conflitos eícolares. que simbolicamente representavam a castração: renunciar ao prazer sexual. Os efeitos deletérios dessa situação. que au­ mentaram com a morte da mãe. a religião lhe permitia satisfazer desejos infan­ tis de dependência e proteção e a necessidade de castigo por seus intensos sentimentos de culpa. deslocamento. em nome dos quais deveria sofrer severos castigos. muito apegado à mãe. Por último. formáção reativa). anulação. Como Édipo. Acompanhava-o um sentimento de inferioridade. provenien­ te do fato de perceber-se pouco potente sexual3. intelectual e eco­ nomicamente. pela qual foram responsáveis ambos os progenitores. resignar-se a ver restringidas suas inquietações intelec­ tuais e profissionais. traduziram-se ao que parece no caráter assustadiço do menino.Dos tratamentos breves 217 seqüência. que ein parte pode ser concebida como uma defesa ante a ameaça de castração por mefo da submissão ao superego paterno. O psicodiagnóstico refletiu isto através da presen­ ça da fantasia de haver sido castrado. próprias da etapa sádico-anal (isolamento. e de escasso e difi­ cultoso contato social.

Tal conduta tinha do mesmo modo antecedentes no abandono do lar paterno quando contava 18 anos. A enfermidade de seu pai e o nascimento do filho provocaram um incremento pa­ ranóico em seus desejos parricidas mal reprimidos5e em suas fan­ tasias dc haver consumado o incesto.muito necessitada por ele com o terapeuta. com o conseqüente .. resulta clara a influência em sua pro­ blemática do conflito com a imago paterna.) Com base no exposto. a intensa situação per­ secutória intervinha na gênese de sua angústia. Ligavam-se também aos impulsos filicidas.”. dadas as dificuldades na relação com seu pai real e com representantes paternos. mas era possível esperar a repetição de uma relação fortemente ambivalente. isto é: o nascimento de seu filho (que diga-se de passagem antecipou-se aos planos do casal). e de suas distintas limitações vitais. através do qual também procuraria satisfazer seus desejos de dependência. depressão e insônia exacerbados. Aprofundando-se na compreensão do momento crítico que A. que as ansiedades provocadas por essa crise vital estavam vinculadas essencialmente à sua vivência dolorosa de exclusão8. também. como seu patrão c mais recentemente com o próprio filho. atravessava. poderia condu­ zi-lo a repetir a conduta de deserção do tratamento7. O foco terapêutico inicial ficava configurado em tomo dos sintomas que apareciam como o motivo manifesto da consulta: ansiedade. burlando a proibição supercgóica6. assim como havia feito cm sua fantasia com seu próprio pai. deduziuse. Isso se ligava com o que fora considerado como o principal motivo latente. seu temor de que o filho lhe “roubasse” a esposa-mãe. (Recorde-se a cegueira de Édipo. Existia além disso o risco de que seu temor inconsciente a uma aproximação afetiva . mas é ce­ ga. Formularam-se as seguintes hipóteses prognosticas a respei­ to das vicissitudes transferenciais durante o tratamento: buscava no terapeuta um pai bom. a busca de uma contenção que o pusesse a salvo de suas tendências hetero e auto-agressivas. provocados por sua intensa inveja oral (um sonho seu desses dias revelava esses fatos claramente) e por sua rivalidade edípica..218 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ta muito dc ler e consegue todos os livros do mundo. depressão e insô­ nia.

o fato de ser consciente disso que o subme­ tia a uma grande depressão9. gerava uma situação persecutória. ajudando-o a adequar-sc melhor à nova situação. . pela mater­ nidade. Obter também um alívio sintomático. a qual. transferida agora para o filho. 2. Como objetivo menos prioritário. que se agre­ gava a tudo o já mencionado a respeito da significação incons­ ciente da enfermidade do pai e de outras conseqüências a que dera lugar o nascimento do descendente. Vemos então que essa conflitiva focal também podia remeter parcialmente ao con­ flito com a imago paterna (conflito básico). que o incentivava a tratar-se. que era um novo fator * de incremento de sua angústia e que o defrontava mais drastica­ mente com a realidade dolorosa das limitações produzidas por sua neurose. tratar de alcançar esclarecimento e alguma solução para seus problemas de trabalho. 3. Tudo isso constituía os pontos de urgência a serem levados em conta no início do tratamento. Por último. Em seguida. Sentimentos de inveja com relação à sua mulher. em especial para assumir melhor sua paternidade. Conseguir uma maior compreensão dos conflitos reativa­ dos com o nascimento de seu filho. oferecer-lhe ajuda no que concerne a seus estudos. também. As metas terapêuticas Cheguei a um contrato mínimo com o paciente sobre os obje­ tivos do tratamento depois de haver-lhc exposto meu pareccr sobre a natureza de seus transtornos (devolução diagnóstico-prognóstica). também foram detectados. 4. caberia conside­ rar sua constrangedora posição econômica.Dos tratamentos breves 219 temor à retaliação. Era. ainda que considerados de menor relevância dentro do conjunto de problemas. É de se destacar a influência favorável que tinha sua esposa. Tais objetivos foram: 1. levando em conta seu projeto de continuá-los em futuro próximo.

seriam um ins­ trumento importante na terapia. sua idade. o que permitiu arriscar um bom prognóstico para o tratamento foi talvez o alto grau de moti­ vação do paciente para a psicoterapia (disposição para o esforço da tarefa). a imediata deter­ minação focal. que es­ tariam dirigidas de preferência para suas relações com represen­ tantes paternos (filho. partindo da percepção. o qual fazia temer a aparição de complicações duran­ te a terapia (cm particular a respeito da finalização desta). devido a um certo training de A. . curiosidade ante sua conflitiva) e suficiente e relativamente fácil compreensão dos psicodinamismos básicos de sua problemática. o contar com uma esposa cooperativa. havia dito A. que me diz que não vou ser capaz disto ou daquilo”. De particular utilidade poderiam ser aquelas interpretações destinadas a mostrar as vicissitudes intrapsiquicas do conflito a fim de que tomasse consciência da vigência de uma imago paterna superegóica muito severa. As chamadas interpretações “extratransferenciais ”.220 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Prognóstico De todos os fatos considerados. e ao critério predominante neste caso acerca da necessi­ dade de proceder desse modo para alcançar as metas propostas. que ele já tinha. Planificação do tratamento Decidiu-se utilizar uma técnica em que predomina o insight. patrão) e com o próprio pai. de uma luta interna que o angustiava e agoniava (“como se estives­ se sempre lutando. uma contratransferência positiva (interesse em ajudá-lo. discutindo com alguém dentro de mim. Entre os elementos prognósticos desfavoráveis se assinala­ vam: a gravidade da patologia. as interpretações chegariam a incluir parte das raízes infantis do conflito. que poderiam comprometer os resultados terapêuticos.). Se fosse possível e conveniente. unido à sua capacidade de auto-observação. o fato de tratar-se de um “momento propício'’ para a abordagem psicoterapêutica numa enfermidade crônica (2). e muito especialmente o tipo de relações objetais que apresentava. que afetava quase todas as áreas de sua vida.

ciúmes e rivalidade com respeito ao filho. Efetivar-sc-ia um trabalho interpretativo com as devidas precauções. utilizando no inicio interpretações “de ensaio” (1) e observando sua resposta a elas. inveja. considerando a todo momento a receptividade do paciente. Se A. fantasias essas que. em virtude da reativação do lutcípela perda de sua progenitora. com efeito. demonstrasse ter um timing rápido. Com referência à estratégia terapêutica. não . apresentaram-se durante o tratamento). como era evidente. cumprindo um papel decisivo para a demonstração emocional de certos problemas com a figura paterna (em razão da qual se torna­ va oportuno que fosse tratado por um terapeuta homem). mas sem conduzi-lo necessariamente salvo se os indícios de seu grau de insight e a tolerância da dor o permitissem . Em princípio. em parte como reedição dos conflitos com seu pai. atendendo aos pontos de urgência detectados. na tarefa de ajudar o paciente a aceitar a separação. e quando o esta­ do do paciente o permitisse. diante da qual se esperava que pudessem além disso aflorar aspectos da transfe­ rência materna. Fixou-se uma duração de quatro meses para a terapia. Estabeleceram-se também as datas para as entrevistas de avalia­ ção imediata e para a realização do reteste. As interpretações tenderiam a fazê-lo tomar consciência de seus sen­ timentos de exclusão. Por último.Dos tratamentos breves _j_ _____ As chamadas interpretações "transferenciais ” teriam de ser empregadas com mais assiduidade do que o habitual em P. não se administrariam psicofármacos. se incluiriam durante a etapa final dele. cm rela­ ção ao carinho materno. seria possível aprofun­ dar progressivamente a situação genética da conflitiva focal. como meio de ir facilitando a separação.a enfrentar suas fantasias infantis de consumar a relação incestuosa. mas pro­ curar-se-ia não fomentar com isso a neurose transferencial.B. seriam reduzidas para uma por sema­ na durante o último mês. com duas sessões semanais de 30 minutos cada uma. Apelar-se-ia para o uso flexível e seletivo da regra de asso­ ciação livre. dispôs-sc a encarar inicialmente a situação-problema criada por sua paternidade. Também eram previstas ante a possível aparição de fenômenos transferen­ ciais que chegassem a obstaculizar abertamente o processo tera­ pêutico (tais fenômenos..

Considerou-se que se ante suas necessidades econômicas conseguisse melhorar seus rendimentos.222 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica tinham sido conscientizadas nos tratamentos anteriores. de modo que a possibilidade dc uma elabo­ ração mais profiinda. como derivados do con­ flito com a ünago paterna. surgindo assim a “interpretação central sobre a qual teria de se basear todo o tratamento”. se possível. seriam considerados seus problemas na área intelectual. como diria Malan (8). sem desenvolver todos os seus componentes. ficaria re­ servada para outra ocasião. além do natural alívio poderia elevar sua auto-estima. pensou-se em mostrar-lhe esse conflito básico. dadas as condições do enqua­ dramento e em se tratando de algo que poderia ser demasiado ansiógeno e despertar resistências insolúveis no curto lapso que duraria o tratamento. a tarefa se centraria nas dificuldades encontradas em seu trabalho. que é característica da técnica de “enfoque”. Por último. Dessa forma diminuiria seu sentimento de culpa provocado por sua hostilidade cm relação ao filho. e efetivamente mais completa. em diferentes contextos. Uma vez alcançado certo insight e alívio a respeito da situa­ ção crítica derivada do nascimento do filho. conside­ rando-se que o fato de que se tratava de uma revelação incompleta não despojaria a tarefa da qualidade dc ser operativa em grau su­ ficiente para alcançar os fins terapêuticos propostos. Não resul­ tava possível indicar outra opção. Procurar-se-ia então revelar parcialmente o complexo edípico para o paciente. As condições do vínculo terapêutico deveriam tender a au­ mentar constantemente sua auto-estima e a estimular sua iniciati­ va pessoal a fim de conseguir o estabelecimento de um processo . de uma situação conflitiva nuclear. A conseqüência final seria o alívio de sua de­ pressão. Ou seja. c que mostra ao pa­ ciente a repetição. a qual continuaria tratando dos problemas que se apresentassem em suas relações interpessoais. já que se sentiria menos débil e mais capaz de exercer um papel de pai protetor. nesse caso com seu patrão. se fosse exeqüível um tratamento pro­ longado. c que o fazia sentir-se desvalorizado e ameaçado por eles. que se evidenciava ante representantes paternos (incluindo o terapeuta).

revivesse inconscientemente a perda de sua progenitora. repre­ sentada agora por sua esposa. evitar-seia interpretar o material relacionado com tal luto. O paciente comparecia a todas as sessões quase sempre pon­ tualmente. diante do qual se percebia o paciente mais defendido.Dos tratamentos breves 223 prospectivo que o paciente pudesse continuar por sua conta de­ pois de terminado o tratamento. dadas as caracte­ rísticas e a história do paciente. como seus desejos parricidas e por extensão a hostilidade em relação a seu filho. em razão da qual. ainda que se es­ perasse que em certa medida a situação-probfema implicasse que A. a terapia transcorreu em grande parte de acordo com o plano terapêutico concebido. e além disso levando-se em conta o incremento dos vínculos regressivos de dependência ante o nas­ cimento de seu filho. Utilizaram-se com proveito associações livres.) Evolução durante o tratamento Ao menos nessa ocasião. Sua motivação para a tarefa foi aumentando. sua abordagem profunda não parecia impres­ cindível para os fins imediatos do tratamento e teria resultado talvez imprudente. À medida que se aprofundava na conflitiva focal. apesar de sua importância decisiva na psicopatologia do paciente. • Por força deveria ficar intocada a perda patológica pela mor­ te de sua mãe. Prestar-se-ia particular atenção. Mas isso tampouco significava que teria de ser deixada totalmente de lado.' Mão ocorria o mesmo com o que se referia ao mencionado luto. à abordagem do problema da separação consecutiva à finalização do tratamento. dedicando-lhe pelo menos um terço da duração total da terapia. . sobretudo a partir do material onírico trazido. (Se bem que o considerasse em con­ dições de enfrentar certos aspectos do complexo edípico. de maneira deliberada. Tudo isto se achava mais próximo da superfície cons­ ciente e parecia possível de ser manejado com êxito num enqua­ dramento de terapia breve. ia conseguindo um insight progressivo.

Em relação a toda a problemática mencionada. Ao fim do segundo mês de tratamento. progredindo a terapia em bom ritmo. pois imaginava que o ludibriariam e. Apresentou logo típicas dúvidas obsessivas acerca de seu amor por ela. O reatamento das relações sexuais cotn sua mulher pareceu haver atenuado sua hostilidade. ainda que só transitoriamente. os quais foram con­ templados com interpretações “transferenciais”. Tampouco dessa vez se recorreu às psicodrogas. que cresceu . por colocar em mim. As relações com sua mulher melhoraram. ainda que também esperasse dele inconsciente e neuroticamente carinho paternal. segundo sua “voz inte­ rior”. muito conflitiva. Não obstante. Planejava agora continuar seus estudos e conseguir um novo emprego. foi conseguido por fim certo alívio sintomático. fantasias suicidas que o angustiariam muito. surgiram ein A. pôde dar-se conta de que reproduzia com o patrão a relação com seu pai. o qual por sua vez ajudava a colocar seu ego em melhores condições de rendimento. foi inevitável certo grau de desenvolvimento da neurose de transferência. As maiores dificuldades se apresentaram na etapa final razão pela qual o número de sessões semanais não pôde ser redu­ zido. Pôde compreender que seu filho era vivido por ele como se se tratasse do pai rival. Mostrava-se agradecido para comi­ go e mais otimista.224 Psicoierapia breve de orientação psicanalítica A focalização do trabalho terapêutico na crise registrou o surgimento de fantasias filicidas conscientes. parecia pouco menos que insustentável. acompanhadas de intensos sentimentos de culpa. A. Necessitava rebelar-se contra sua autoridade. Surgiram obstáculos transferenciais na tarefa. a imago paterna. temia buscar outro traba­ lho. como um abandono. vivida por A. com hostilidade. Durante o terceiro mês foi possível trabalhar sobre o proble­ ma profissional. já que em pouco tempo começou a discutir com ela por amenidades. Originaram-se precisamente na separação iminente. o despediriam “a patadas”. A relação. mas A. o que incrementou sua hostilidade transferencial (em sua maior parte não consciente). e em poucos dias o momento críti­ co pôde ser relativamente superado por meio de um intenso traba­ lho interpretativo.

etc. considerando-se impróprio fazê-lo nessa tera­ pia. Serviume e pode continuar me servindo.. que me freia em tudo. Não se tentou apro­ fundar no material. Sobre o tema cabe acrescentar que é provável que nãu se tenha insistido o suficientê em assinalar sua rivalidade e inveja com relação ao tera­ peuta.. rôzão pela qual. Isso é funda­ mental. Apesar deste trabalho. que obedecia a diversos motivos. e a quem. entre os quais se achavam grandes ansiedades fóbicas ante ele. ner­ voso. demandando uma árdua tarefa interpretativa sobre o novo foco10.. Nas últimas sessões começou a manifestar|inesperadamcnte preocupações que provocavam nele certos pensamentos sujos relacionados com fantasias homossexuais... as quais foram em troca inter­ pretadas como uma resistência a aceitar o desprendimento. Avaliação dos resultados terapêuticos Alguns comentários de A. como logo veremos. logo depois de finalizado.). a julgar por algumas impres­ sões de A.Dos tratamentos breves 225 até limites perigosos para o futuro do tratamento.. aspectos transferenciais não resolvidos. sobre o tratamento. principalmente no aspecto intelectual e científico. acting out. Descobri que isso se deve a que o tratamento terminou. na rea­ lidade.. Isso permitiu evitar outras reações desfavoráveis (recaídas. num intento de con­ seguir que se adiasse o término do tratamento. principalmente no final. parecem ter influído em certa medida nos resultados terapêuti­ cos e na auto-avaliação dos mesmos. que coincidiu bastante com a autoavaliação do paciente. Mas estou conformado com ele. isso eu tenho presente.. Vi sobretudo esse pai temível que tenho dentro de mim. foram: “As vezes me sinto um pouco desiludido. ao efetuar-se esta. mostrava agora um novo e interessante problema para conseguir de mim que con­ tinuasse tratando dele. que foi ava­ .. que pretendeu ajudar o paciente a aceitar a separação. este alcançou certo insight da problemática focal do tratamento e um melhor manejo da situação.” Segundo meu critério. de caráter hos­ til. dirijo minha bronca quando ataco os demais.. nem se referiu às fantasias homos­ sexuais em relação ao terapeuta. vi um montão de coisas.

antes havia optado por iludi-la. isto é. Sua atividade sexual resultava bastante adequada e satisfató­ ria no dizer do paciente. o ajudaria a encontrar outro emprego.pelo insight . Sem dúvida. Mas com respeito a seu trabalho A. pelo ressentimento para com cia. o que significou um importante estímulo para que efetuasse. sua maior autovalorizaçao atual. desfrutava melhor de seu tempo livre em compa­ nhia da mulher. já que ele havia notado sua ten­ dência dominante. A melhoria sintomática foi muito acentuada. não apresentou nenhuma mudança a partir do trata­ mento. uma psicoterapia prolongada. Em suas relações com as demais pessoas. o que parecia sem dúvida o mais indicado. em parte responsável por estas dificuldades. Por último.trouxesse paralelamen­ te mudanças no teste de realidade. No concernente a seus estudos. indicada diante de seu crescente interesse por achar uma solução para suas perturbações caracterológicas. cm que pese não se haverem produzido mo­ dificações substanciais em sua situação. considerei que tinha po­ dido compreender melhor seus problemas com o patrão. por outro la*do. pelas razões expostas 1. quando pudesse. interessou-se pela idéia de reatá-los. a projeção de aspectos superegóicos (sobretudo nas pessoas com autoridade). não sendo tomado como a busca de uma falsa solução (8) do problema. ainda.226 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica liado como resolução clinicamente parcial de tal problemática. o que lhe permitiu desfrutar melhor sua relação com ele. Sua auto-estima. Concretamente: cessaram as disputas com sua mulher e conseguiu aceitar melhor o filho. maior consciência da enfermidade. O reteste imediato à finalização do tratamento não revelou modificações de importância. o que implicava por sua vez contar com certo projeto pessoal. como já disse. com caráter temporário. se havia elevado. . já que deveria verificar-se novamente numa avaliação mediata. Adquiriu. esperava-se que o fortalecimento de seu ego . dada a deterioração que havia alcançado sua relação com o patrão esse era um objetivo importante do ponto de vista prático.

Dos tratamentos breves _______ _________ Ao fim de uns três anos. voltamos a nos ver para uma entre­ vista de acompanhamento. vincular-se à psicoterapía hospitalar. a seguir só tenho de consignar alguns fatos e comentários do paciente que. tudo fazia supor que ambos os tratamen­ tos haviam resultado benéficos e que. graças a eles. baseada na negação da dor e da dependência do objeto). o paciente havia começado a psicanalisarse com uma mulher. de nenhum modo pude atribui-los ao tratamento hospi­ talar). alegando novamente dificuldades econômicas. de todo modo. aos quais já me referi anteriormente (sua atitude depreciativa constituía além disso uma defesa ante a perda do terapeuta. revelou-me que. abundaram expressões de agradecünento para comigo. que teve de me confessar: até que ponto o alcançado se devia ao fato de se ter tratado? Com o correr do tempo. toda tentativa de avaliação imedia­ ta dos resultados da terapia hospitalar. com melhor re­ muneração do que o anterior. ver como e quanto o havia afetado a morte da mãe. 2. não teria alcançado. A. 1. seu pequeno filho e seu pai. Inclinava-me então a considerar essas dúvidas como ob­ sessivas. segundo afirmou. Freqüentemente assaltavam-no certas dúvidas. Por isso. pôde conseguir outro emprego. como é de se supor.) Em minha opinião. produto de sua ambivalência afetiva c que ao menos em sua relação comigo remetiam a aspectos hostis da transferência não-rcsolvidos. em troca. eventualmen­ te. pois diante da indubitável influência do tratamento psicanalitico. assim com$ ein seus estudos e no estado de sua auto-estima (aos quais carecé de sentido referirme aqui. A existência deste último tratamento invalidou. Esse sucesso poderia. semanas depois de haver terminado o tra­ tamento comigo. podem resultar de interesse. tais sucessos. a qual lhe havia permitido. Meses depois de haver terminado o tratamento hospitalar. Tratou-se du­ rante dois anos e abandonou o tratamento. Exceto alguns progressos em suas relações com sua mu­ lher. para os fins dessa apresentação. . pelo que eu o havia ajudado. sem mediar tratamento algum? Em suma: os tratamentos são realmente eficazes? (Em outros momentos de entrevista. pôde supe­ rar em parte certas perturbações neuróticas crônicas e ativar um processo prospectivo que lhe permitiu desenvolver suas potencia­ lidades.

uma aliança terapêutica c sobretudo no fato de fixar objetivos terapêu­ ticos limitados e alcançáveis. em função dos objetivos. o prognóstico do tratamento.. na existência dc aspectos cgóicos capazes de concretizar . se tudo vai bem. naturalmente. metas que são patrimônio de outras terapias.228 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 3. O psicodiagnóstico trouxe elementos de grande utilida­ de para o manejo terapêutico. como ele dizia. Considerações finais Este caso ilustra particularmente os seguintes pontos: 1 .A im portância da indagação exaustiva dos dados biográ­ ficos e do psicodiasnóstico em psicoterapia breve. que fúndamentará o planejamento terapêutico. ou algo mais do que isso. a qual era previsível. Sei que devem ser coisas profundas. 2. Por isso. As razões fundamentais se apóiam na existência de um suficicntc grau dc motivação para o tratamen­ to. eu não podia espe­ cificar se seu transtorno era “alguma dificuldade”. A possibilidade de trabalhar com boas perspectivas prognósticas em terapias breves. como a psicanálise. segundo expressou. Por último havia comparecido à entrevista com uma longa lista de temas escritos por ele. que permitiram prever certas peculiaridades das transferências pater­ na e materna durante a terapia. a fim de se elaborar uma ampla hipótese psicodinâmica inicial. “alguma dificuldade” para conseguir orgasmo. A finalidade então não é a reorgani­ zação da estrutura da personalidade nem a cura da neurose. pode . tendo em conta que havia sofrido vários episódios de impotência. Caramba. Levou-se em conta o antecedente de partilha de leito existente ao longo de toda a infância do paciente. Havia também claras indicações da persistência de mani­ festações neuróticas e de seus transtornos de caráter. Neste caso. “Continuo com certa tensão nervosa .” Recentemente apre­ sentava. foram de especiafinte­ resse as averiguações concernentes à constelação familiar.comentou. ainda com pacientes que apresentam marcantes transtornos de personalidade e que são portadores de sintomas neuróticos crônicos. argu­ mentando que temia se esquecer de muitas das coisas que queria me dizer..

etc.. devemos concluir que o benefício não foi pequeno. A oportunidade e o sentido da utilização de interpretações “transferenciais ” em terapias breves. Aprofundamento no foco J. isto é. concernente a outros sintomas ou con­ flitos do paciente e trazidos por este com a intenção. empregada numa butique. a configurar um novo foco terapêutico. o que o motivou para um novo tratamento prolongado. 21 anos. geralmente inconsciente. — 6.5. Se a isso acrescentarmos que a terapia^TOTTfnbui para aumentar a consciência da enlermidade e a motivação no pacientc. A necessidade . O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras12.) do paciente. . A necessidade de trabalhar o problema da separação que se coloca ante o término do tratamento. com estudos secundários completos e pertencente à classe média baixa.Dos tratamentos breves 229 ser bom ainda nesses casos.de abordar conflitos básicos parajjbter os resultados terapêuticos esperados . por não poder ser suficientemente retomado e elaborado no tratamento. problema que chega. do sexo feminino. em que pese a possibilidade de que por momentos a tarefa terapêutica tenha sucumbido às defesas (intelectuafixação. para diluir obstáculos transferenciais e também como mostra vívida dç aspectos da problemática principal do tratamento.em certas ocasiões . por si só. . 4 . dando lugar em parte a um pseu­ do-insight. ao qual acorreu depois. mas também do que não convirá trazer à consciêrfcia do paciente. nos estágios finais de terapia focai de material alheio aofoco. deixando de lado determinados aspectos e níveis desses conflitos a partir de uma avaliação cuidadosa não só do que convirá. sem centrar côm isso o tra­ balho na análise da relação paciente-terapeuta.ainda que a abordagem se realize de um modo incompleto. A eventual aparição. 3. solteira. de obter o prolongamento do tratamento e de con­ servar assim o terapeuta. argentina.

.”. tendo sido descartado previamente . em especial de sua mãe. Nos últimos tempos se produziam especialmente nas segundas-feiras pela manhã. por causa de seu mal-estar.. Um antecedente recente e importante era a ruptura de uma relação de casal (situação-problema).. dadas suas dificuldades para estabelecer uma relação de casal. mas não parecia muito preocupada em melhorar. desidratou-se e foi necessário administrar-lhe soro. idade em que teve a primeira menstruação.. assumindo por sua vez uma conduta francamente regressiva. Na realidade padecia de náuseas e vômitos desde os 12 anos. J. sendo sua ausência justificada. tendo sido encaminhada por um mcdico clí­ nico do hospital em razão de apresentar vômitos todas as segun­ das-feiras de manhã. Por causa deles. os vômitos haviam sido muito abundantes. que consultou o Serviço acom­ panhada de sua mãe. tinha então a impressão de que isso lhe sucedia “por ser covarde. Uns meses atrás. Em mais de uma ocasião vomitou na presença deles e inclusive sobre eles. expressou. não com­ parecia ao emprego. Cabe destacar que esses sintomas apareciam também ao ver­ se diante de jovens que pudessem exercer certa atração sexual sobre ela. revelando a respeito certa preocupação.por meio de exaustivos estudos . Em certas ocasiões se irritava e chegava a apresentar “crises de nervos”. por temor a levar alguma coisa adiante com eles e sobretudo por temor ao sexo. '‘Vomito em cima deles. nesses dias recebia cuidados e atenção.que tivesse alguma afecção orgâni­ ca. Uma averiguação cuidadosa permitiu comprovar que a paciente obtinha claros ganhos secundários por meio dc seu sofri­ mento: às segundas-feiras.. Havia mantido relações sexuais com o rapaz. Demonstrava certo interesse em conhecer o porque da exis­ tência desses sintomas. Esse fato derivou numa exacerbação de suas náuseas e vômitos e lhe causou certo grau de depressão.230 Motivos da consulta Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Trata-se de uma bonita jovem. É como se tivesse medo deles”.

estava casada em segundas núpcias com seu pai. havia tido uma filha. mencione-se que J. mas que o jovem e a rapariga que o acompanhavam nào quiseram socorrê-lo. em parte proveniente de certas versões que‘Yecolhera. viviam os três juntos. Segando o relato desta. no qual enviu­ vara. referentes à sua sexualidade. o qual também falecera com a idade de 15 anos. provinha de uma família modesta. Dos antecedentes pessoais interessa consignar aqui alguns outros. algo sujo”. de 55. dc 61 anos. se via favo­ recida pela atitude da mãe. que havia sofrido três grandes perdas e que cm conseqüência disso tornara-se ansiosa e superprotetora13. que residia em Buenos Aires c era casada. Com base nesses antecedentes podia-se compreender como a conduta regressiva da paciente. (“Sentia que o que fazia era uma porcaria. Ali morreu afogado. De seu primeiro matrimônio. J. oriunda de um país europeu. e por sua mãe. o que a inquietava sobremaneira. unidos por um grande carinho. Neste aspecto resultava difícil verificar o que havia sucedido realmente. J. pois dava a im­ pressão de que J. e um filho que morrera tragicamente na Segunda Guerra Mundial. com ausência dc menstruação por três meses e aumento de volume do abdômen e dos seios. . podia estar distorcendo bastante os fatos com suas pró­ prias fantasias. Hm certa oportunidade teve uma falsa gravidez. e um filho varão. além de não ter presenciado o trágico aconteci­ mento. Dc seu segundo matrimônio nasceram-na Argentina J. pois estavam entretidos em jogos sexuais. integrada por seu pai. assinalou que seu irmão havia lançado gritos desesperados pedindo auxílio.. o rapaz havia ido numa sexta-feira a um balneário com um casal de ado­ lescentes.) Temia não poder ter filhos. “carente dc afeto”. nunca havia experimenta­ do orgasmos e durante o coito se sentia envergonhada e culpada. que ela descrevia como sereno.Dos tratamentos breves Dados biográficos de interesse 231 Com referência aos antecedentes familiares. comentou. Quanto à mãe. quando a paciente contava 8 anos.

O psicodiagnóstico mostrou principalmente elementos da série histérica. numa personalidade que mostrava os traços típicos do caráter corres­ pondente (necessidade de ser o centro das atenções. etc. revelou transtornos na identidade sexual e marcadas tendências homossexuais latentes. Sem dúvida. a julgar por seus comentários acerca dessas práticas sexuais por parte de amigas suas que lhe contavam suas experiências. Hipótese psicodinâniica inicial. ten­ dência à teatralização. Os vômitos podiam estar vinculados a seus frustrantes desejos de engravidar se levarmos em conta: a) que sào comuns nas gestantes. nos quais aparecia ela mesma sendo objeto de cunnilineuae: os vômitos poderiam significar basicamente rejeição da incorporação do pênis.por decisão de seu companheiro . Além disso. como um fator traumá­ tico.). sedução. Por sua vez. O fato de que se manifestavam prefe­ rentemente às segundas-feiras explicar-se-ia pela intensificação de suas fantasias sexuais durante os fins de semana e/ou imediata­ mente depois.232 Avaliação diagnostica Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Através dos dados obtidos nas entrevistas e dos testes psico­ lógicos. por serem os dias mais propícios para os encontros com finalidades sexuais. que incrementou sua sintomatologia como expressão da rea­ tivação de antigos conflitos.em desacordo.havia operado em J. que seria ratificada e ampliada durante o tratamento e que incluía uma hipótese acerca da confli­ tiva focal. à qual me remeterei em seguida. . fantasias. com as quais estava energicamente . sobretudo áe fellatio. b) seu obsessivo temor de ser esté­ ril e sua gravidez psicogênica. Conflitiva focal As descobertas recolhidas permitiram esboçar uma formula­ ção psicodinâmica prematura.reativameníe . Outros dados diagnósticos se mencionam ao fazer referência ao prognóstico do tratamento. e por seus pró­ prios sonhos. chegou-se ao diagnóstico de histeria de conversão. relacionar-se-iam com desejos orais reprimidos. a ruptura de sua relação de casal .

A paciente negava seus víncu[os regressivos e sustentava que éra sua mãe quem se empenhava em não deixá-la só. Os vômitos lhe permitiam além disso faltar £o trabalho. Clarificar o conflito atual (significação da ruptura da rela­ ção de casal e dos sintomas a ela relacionados). resultava claro que os mesmos se associavam a uma acentuada tendência regressiva. 3. a paciente buscou consolo e refugio em sua mãe através de uma regressão oral. detectaram-se fantasias homossexuais rela­ cionadas à figura materna. 2. além disso. Metas terapêuticas Por ordem de prioridade. Obter o alívio ou a cura sintomática. estabeleceram-se os seguintes objetivos terapêuticos: 1. com fun- .Dos tratamentos breves __________ ______ Era muito ostensiva uma fixação oral da libido (existia. Mantinha com a mãe um vínculo simbióti­ co. o antecedente de haver sido amamentada com mamadeira até os 6 anos). Por outro lado. Em síntese: a perda de seu companheiro havia exacerbado ainda mais seus desejos insatisfeitos e com isso seus vômitos. temerosa do que lhe pudesse su­ ceder. fantasia re­ gressiva. que a acompanhava desde as primeiras entrevistas. Prognóstico Considerou-se que a paciente estava apta para obter benefí­ cios de uma psicoterapia interpretativa de tempo e objetivos limi­ tados. ante a frustração. Isso se revelava na presença constante de sua progenitora. e de comum acordo com a paciente. esquivando-se da responsabilidade e refugiando-se nâ. Considerando a repercussão dos vômitos sobre seu ambien­ te. já que apresentava um ego relativamente forte. Conseguir uma melhoria em seus vínculos interpessoais (considerando especialmente seus desejos de formar um par).

embora cautelosa. Posteriormente talvez fosse possível aprofimdar-se mais nos psicodinamismos subjacentes aos sintomas. do conflito. aprofundar-se no foco. à razão de duas sessões semanais de 30 minutos cada uma. se possível. para realizar uma psicoterapia. A tarefa terapêutica centrar-se-ia em investigar a relação entre os sintomas mencionados e suas inibições sexuais (dificul­ dades para formar um par.ao operar sobre a conflitiva central do tratamento. pensou-se que um primeiro avanço dar-se-ia ao se conseguir que J. como sempre. * Planificação do tratamento Considerou-se conveniente apelar para assinalamentos e interpretações . motivada. Por último. Levou-se cm conta a possibilidade de apelar para a utilização seletiva do método da associação livre. quer dizer. A parte final do tratamento deveria incluir. um trabalho relacionado com as ansiedades provocadas pela se­ paração. A isso se acrescentava que nos encontrávamos ante uma pessoa jovem.sobretudo “extratransferenciais” . Quanto à estratégia terapêutica. frigidez). com certa capacidade de autoobscrvação11. pudesse reconhecer a conexão entre seus sintomas conversivos e sua vida emocional.234 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica çòes em grande parte conservadas. . De início efetuar-se-iam interpretações “de ensaio” ( 1). a possibilidade de determinar um foco e objetivos claros foi outro elemento que permitiu formular um bom prognóstico. para ver em que grau a paciente as aceitaria. realizar-se-ia um trabalho de inter­ pretação ativa. A duração do tratamento foi fixada em três meses. Logo. medianamente inteligen­ te. graças ao “momento propício” que atravessava (2). Considerou-se que não era conveniente intentar a aborda­ gem e a interpretação de suas fantasias homossexuais latentes numa psicoterapia de tempo limitado.

Mas além disso. se tomou mais receptiva e começou a mostrar certa capacidade de insight. com aquela jovem. desfrutávamos'* juntas a sessão. havia facilitado além disso a já mencionada identificação.” Compreendi que essa situação revelada por J. e por isso seus eventuais pares. com predomínio do negativo. a cena da morte de seu irmão encobria o complexo edípico. sobretudo mediante vômitos. J. nas quais evidenciou uma inten­ sa resistência. Freqüentemente tinha pesadelos cujo conteúdo se vin­ culava ao acontecimento no qual aquele havia perdido a vida (eram freqüentes sonhos sobre inundações). A respeito. seu irmão. eroticamente carre­ gada. quando nos vieram avisar que meu irmão havia morrido. não havia auxiliado seu irmão. entregando-se em tfoca ajogos sexuais. o qual reforça­ va as fantasias onipotentes de J. Cabia inferir. em seu inconsciente. A união sexual ficava assim muito intensanfpnte ligada. para seu amor homossexual possessivo pela mãe. sofria de intensos sentimentos de culpa ante a perda de seu irmão: fazia-se censuras.chegar a confrontar a paciente com estes aspectos de seu problema edípico para alcançar os objetivos propostos. como se o houvesse abandonado ao ocorrer a tragé­ . em es­ pecial da análise de seus sonhos. Pensou-se que tal­ vez não fosse necessário . uma significação agressiva intensa c em conseqüência muito persecu­ tória. O terceiro. Revclou-se decisiva influência da morte do irmào em seu so­ frimento. de aniquilar todo homem rival. segundo ela. todavia. recordou algo muito importante que relatou como se segue: “Eu estava no cinema com mamãe. por seus desejos ocultos de livrar-se dele.Dos tratamentos breves ________ _________ Evolução durante o tratamento Logo nas primeiras sessões. representava por sua vez seu pai. isto é. J.como evidenciou com clareza outro sonho seu adquirindo.. a morte de seu irmão vinha somar-se ao relato feito por esta de que haviam falecido seu primeiro marido e seu primeiro filho. para a paciente. J.nem prudente . seus dese­ jos homossexuais e simultaneamente seus desejos parricidas. razão pela qual se via obrigada a rejeitar seus impulsos sexuais. que a repulsa de sua sexualidade correspondia em parte à identificação com a jovem que. à morte de um terceiro . de características sádicas. Na realidade.

Agora tinha-a quase que só para si. supervalorizada. Essa descoberta significou um novo aprofundamento na compreensão focal. entre outras coisas. situação vinculada ao desejo de ter um coito anal. b) Fortes desejos oral-sádicos (fantasias de fellatio ) reprimi­ dos. Existia uma intensa idealização da figura do irmão.. vivendo inconscientemente essa situação como uma violentação. por sua vez. dada sua rivalidade por conquistar a preferência de seus pais. além disso. Os vômitos significavam. em especial de sua progenitora. Dizia. A esta altura. como se com ela quisesse expressar-lhe: “Aqui tens um varão em troca daquele que eu matei. Seu filho constituiria.236 Psicolcrapia breve de orientação psicanaiítica dia. Os vômitos cediam quase instantaneamente ao receber a injeção (sugestão). Esses aspectos de seu conflito foram mostrados à paciente. pôde-se precisar e interpretar-se que seus vômitos se relacionavam principalmente com: a) Fantasias inconscientes de gravidez. c) A busca da satisfação de desejos ligados a outras pulsões parciais. por exemplo: “Ele era melhor como pessoa e como filho e podia ter dado mais satisfações que eu. no qual havia projetado seu pró­ prio sadismo. Comentava. ao significar a possibilidade biológi­ ca de procriar.” Durante o tratamento pôde manifestar que os desejos de ter um filho se relacionavam com um desejo reparatório inconsciente em direção a seu irmão. uma oferenda a sua mãe. implicava ao mesmo tempo a perda de suas possibilidades de reparação. com o intuito de aplacar o perseguidor. a repulsa desses dese­ jos e o castigo por eles16. em síntese. . A perda de seu par. ao ver-se impedida de procriar.” A aparição dos vômitos coincidentes com a primeira menstruação poderia ser explicada provavelmente pela influência desta última como estímulo. nas quais ao desejo de possuir um menino como substituto do pênis se agregava um intento reparador em relação à morte de seu irmão. mortificava-se pensando que devia ter feito algo para salválo.. que só desejava ter um varãozinho c que não podia explicar por quê. A paciente havia conseguido que toda vez que tivesse vômitos lhe aplicassem injeções de um tranqüilizante nas náde­ gas. Na realidade tinha tido uma relação muito ambivalente com ele.

. durante a operação. e) A necessidade de provocar repulsa em seus pretendentes. o que foi interpretado. relatou fantasias e sonhos durante o tratamento. se tornava resisten­ te e até hostil. d) A obtenção de evidentes ganhos secundários. J. A transferência hostil estava ligada a seus sentimentos de inveja fálica. imagino que saio com um rapaz e o conto como certo. aceitando que estas influíam na produção dos sintomas (havia dito que com freqüência vivia em parte como reais suas próprias fantasias diurnas: “Quando minto. Dali vimos que deveria refugiar-se na fan­ tasia onipotente de gravidez ante a perda de sua relação de casal e das ilusões a ela ligadas. um tanto intempestivamente. A evolução de seus sintomas foi muito favorável. Para vencer essas resistências foi necessário utilizar interpretações “transferenciais”. o que refor­ çava ainda mais seus sintomas. o poder de suas fantasias: a gravidez psicogênica). eu mesma creio em minhas mentiras. sentimentos in­ crementados pela existência de uma imagem supervalorizada de seu irmão no seio familiar. também era importante.de gravidez (havia além disso outra prova suficiente para demonstrar a J. Por exemplo. Tenho muita imaginação”). que não houve. da qual foi conseguindo um insight progressivo. Re­ conheceu então seus desejos . como fator gerador de resistências. não en­ contraram nenhuma alteração no apêndice e cm nenhum outro lu­ gar. Começou tomando consciência da relação entre seus vômi­ tos e suas fantasias.Dos tratamentos breves 237 A esse respeito existia o antecedente de ter sofrido uma ope­ ração cirúrgica. J. tal como o atestavam os testes projetivos. anos atrás. seu ressentimento por ter de me revelar os segredos de sua sexualidade. Às vezes.. já que os cirurgiões. Havia assim satisfeito seu masoquismo erógeno. A intensi­ dade das náuseas e dos vômitos diminuiu com rapidez pouco . o que re­ sultou muito útil para a compreensão de sua problemática. a fim de que pudesse reconhecer a existência de uma situação persecutória na relação terapêutica. Também nessa fase da terapia assinala­ ram-se suas tendências opostas de dependência e independência com respeito à figura materna. enquanto experimentava seus próprios desejos sexuais como proibidos*e perigosos. por causa de uma suposta apendicite.

Não foi necessário recorrer a nenhuma medicação. agora na qualidade dc amigo. o que me fez pensar que pudesse ser um efeito da suges­ tão (cura transferencial). Só em duas ocasiões ambas em segundas-feiras .de um terçol17. associou a subs­ tituição das náuseas e dos vômitos por um terçol com as manifes­ tações de uma gravidez (o terçol como volume. o olho tinha aqui. de caráter proibi­ do para a paciente (alusão do sexual como algo “sujo”. diga-se de pas­ . ainda que muito atenuada. Isso suce­ deu: IP) quando no dia anterior (sempre lhe perguntava.reapare­ ceu. Esses sintomas. sobretudo anais. por deslocamento e como sintoma substitutivo de suas náuseas e vômitos. proeminente. Pudemos ver que a significação in­ consciente desses pensamentos era a seguinte: o terçol se achava associado a fantasias de coito. com significado idêntico ao desses sintomas. Ao lhe pedir associações sobre fcstc. o fato mais notável foi o desaparecimento das náuseas e dos vômitos histéricos. Isto é. a fantasia da paciente da gênese do terçol representava a união sexual. durante o tratamento.numa segunda-feira . exercen­ do um papel ativo. O terçol apare­ cia. Acrescentou que lhe parecia muito estranho que em troca dc seus vômitos tivesse que sofrer nessa segundafeira de um doloroso terçol. respondeu-me que devia ser conseqüência de ter introduzido “os dedos sujos ou uma lapiseira no olho”. com sua esposa efilho. e 2. o que havia acontecido durante o fim de sema­ na) visitou-a em sua casa um ex-noivo seu.°) no dia seguinte a um domingo em que foi ao cinema. diante do assombro da paciente. um bebê de poucos meses. então. c o terçol. comprovando assim sua tendência a expressar suas fantasias através de transtor­ nos corporais"*). um significado anal inconsciente). conseqüência do anterior. presumidamente substituídos pela aparição . es­ sencialmente. J. particular­ mente à analidade.23H Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica depois de iniciado o tratamento e praticamente ao completar-se o primeiro mês. cederam. pois se reduziu a um estado de náusea. como uma nova expressão na área do corpo de suas fanta­ sias dc gravidez. No segundo mês de tratamento. Na sessão. isto é. a própria gravidez. sua sintomatologia habitual. os dedos c a lapiseira eram símbolos fálicos e penetravam em um orifício representado pelo orifício orbital. através de sua referência a dedos sujos.

procurei atenuar as ansiedades persecutórias e a regressão conseqüente. fatos foram muito úteis para mostrar-lhe novamente como suas náuseas e vômitos se relacionavam com seus desejos sexuais reprimidos. Neste. Desde a metade do segundo mês até o final do tratamento abordaram-se especialmente: 1. de traços histéricos. derivadas da mobilização afetiva ocasionada. o castigo pelos desejos de morte em relação ao irmão19. Ela presenciava a cena sem poder evitá-la. a innà representava ela mesma. nessas circunstâncias. temerosa de sofrer retaliação. A delicada e difícil tarefa de encarar esse problema da pa­ ciente se efetuou. havia começado a sofrer de um estado de náusea. personalidade. A relação entre seus desejos de gravidez e a dor patológi­ ca pela morte de seu irmão.uma jovem. esse fato ficava associado à morte de seu irmào pelo já visto anteriormente. Esses. ao longo de sessões que tiveram nela e cm mim profunda repercussão emocional. TTSuas dificuldades nas relações interpessoais. no breve tempo disponí­ vel. provoca sexualmente um grupo de homens. Em seus pesadelos freqüentemente aparecia sua irmã afbgando-se. seguindo nisto Szpilka e Knobel quando sugerem que as intervenções em psicoterapia breve não se dirigem a mostrar “um so dos agentes de. Começou a encontrar-se com jovens sem ter vômitos e evidenciando de modo . Pôde accitar que seus sintomas expressavam seu sentimento reafivo de repugnân­ cia por tais desejos e ao mesmo tempo a busca inconsciente de sua satisfação (injeções). mas também de modo paralelo e constante a existência de sentimentos carinhosos e de autênticos desejos reparatórios. tal o título em castelhano um filme que inclui cenas de muita violência . não só seus impulsos agressivos e sua inveja fálica para com seu irmão. Já durante a proje­ ção do filme J. Contou-me depois a forte impressão que lhe haviam produzido certas cenas do filme. estimulados. cui­ dando de mencionar sempre o componente do amor. Este é um dos meios de manejar a regressão.Dos tratamentos breves 239 sagem com sua mãe. senão os vários aspectos em jogo” (10). que finalmente a fazem objeto de um brutal estupro por via anal. tratando de assinalar. “Los perros de paja”. Convencido de que a elaboração de luto permaneceria inconcluída. Na realida­ de.

Realizei certo trabalho interpretativo em torno da separação. trazia com menos temor seus problemas sexuais. “Não sei disse-me a pacien­ te -se foi ela quem ‘me passou’ ou nào alguns traumas. o que parecia mais com­ plicado ainda neste tratamento de tempo limitado (se bem que o luto patológico não ficasse atrás em extremo nesse sentido. seus sentimentos de culpa e seus desejos de reparação. racionalizadas com argumentos pouco consistentes e cujo provável significado seria o de tentar inverter os papéis e aparecer como ela abandonando o tratamento antes de se sentir abandona­ da. Existia ao que parece certo grau de identificação melancólica com sua pro­ genitora. As interpretações foram centrandose nesse ponto (a rivalidade com seu irmão. pois seus vômitos a haviam feito sofrer durante muitos anos.) e assim foi-se aprofundando o foco. Por outro lado. chegou-se a obter uma certa clarificação de sua problemática e do significado de seus sintomas com relação ao luto pela morte de seu irmão. Mostrei-lhe como os ganhos secundários de seus sintomas podiam interferir na sua cura (cabe mencionar aqui que a partir do segundo mês de tratamento a paciente já comparecia sozinha às sessões). sua iniciativa pessoal. ao qual não se associaram maiores dificuldades (penso que isso foi possível porque desde o primeiro momento tratei de estimular em J. Mostrava-se muito grata a mim.”. Não se encarou a fundo o complexo de Édipo positivo e negativo. Depois compareceu às entrevistas de avaliação. Em suma.240 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica geral progressos no trato com eles. salvo que J. com uma diminuição de suas ansiedades paranóicas. o que co-determinava suas próprias inibições sexuais. Isso era conseqüência de uma confiança na relação comigo.. registrou suas únicas ausências nas duas sessões finais do trata­ mento. com critério prospectivo). . o sexual como algo detestável. J. por isso foi necessário “deixar passar” material que era tentador inter­ pretar). em certa oportunidade mencionou que sua mãe lhe havia con­ fiado que desde a trágica morte de seu irmão apresentava uma mar­ cada inibição de sua atividade sexual. A esta altura fez-se ainda mais notória a incidência do luto pela perda do irmão em sua problemática sexual: trazia sonhos cujo denominador comum era o desejo de dar à luz um varào. etc..

. J. certamente podem ficar muitas coisas que eu mesma posso superar pouco a pouco. manifestou confiança em poder formar um novo par e gozar se­ xualmente. Outras modificações geradas pela terapia em torno de questões tais como o trabalho foram de importância secundária ou não ocorre­ ram.. Havia-se elevado sua auto-estima. A terapia produziu além disso outras modificações favoráveis em suas relações interpes­ soais. O reteste também evidenciou uma evolução favorável: repa­ ração da figura masculina e tentativas de sublimação de seus de­ sejos orais. persistiam dificuldades em suas relaçõ. da mesma maneira que a depressão. As náuseas e os vômitos haviam desaparecido. Superei muitas coi­ sas. mostrando-se muito agradecida pelo que havíamos feito por ela. Transcorrida a etapa avaliativa. Nesse sentido. já sabend© quais são meus problemas.insight . se despediu de nós sem que combinássemos novos encontros para o futuro. A melhora sintomática era muito ostensiva no que se referia aos sintomas positivos de sua neurose.es com os homens.dos motivos determinantes de seus proble­ mas atuais e que dia após dia podia manejá-los melhor.” Concordamos que havia alcançado em boa medida com­ preensão . J. Ainda que tenham desaparecido reações impróprias (os vômitos). a paciente opinou acerca do tratamento: “Foi bastante positivo. Via-se menos ligada à mãe e com desejos de aproveitar seu tempo livre integrando-se a grupos de ambos os sexos. . a melhora foi menos notável. No to­ cante a suas inibições. que no entanto pareciam já estar a caminho de serem superadas. como no concernente a uma eventual elaboração de projetos pessoais. os vômitos das segundas-feiras.Dos tratamentos breves _____________ 1 Avaliação dos resultados terapêuticos Avaliação imediata Nas entrevistas de avaliação imediata. Claro que voltarei a consultar-me se necessário.

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

Avaliação mediata
Cerca de três anos depois e após grandes esforços para locali­ zá-la, pois se havia mudado com seus pais, consegui encontrá-la. Desloquei-me até seu domicílio, já que J. nào tinha telefone. Recebeu-me sua mãe (J. nào se encontrava ali no momento), que se alegrou de me ver. Pcdi-lhe que dissesse a J. que tratasse de se comunicar comigo e aproveitei a ocasião, além disso, para obter sua impressão sobre o estado da jovem. Contou-me que a seu ver havia mudado notoriamente a partir do tratamento efetuado; mos­ trava-se otimista e ativa de modo estável, havia conseguido um novo emprego, mais bem remunerado, e um companheiro, e nunca mais havia apresentado episódio de vômitos. Para ela prosseguiu comentando - “o problema” de J. fora sempre o de seu irmão fale­ cido. Finalmente acrescentou que desde algumas semanas J. pen­ sava em falar comigo para que atendesse uma amiga sua. A paciente me ligou quando recebeu meu recado e pudemos marcar uma entrevista de acompanhamento. A maior parte das declarações de J. e das conclusões que se podem extrair de tal en­ trevista sào dignas de serem expostas com certo detalhe, pois con­ sidero que ilustram adequadamente a eficácia e o alcance que o procedimento terapêutico aplicado parece ter atingido. Encontrei J. sorridente e de excelente aspecto. Seus gestos me pareceram mais sóbrios, menos teatrais. Não havia recebido nenhum outro tratamento psicológico após ter terminado o efetuado comigo. Com grande satisfação, expressou: “Desapareceu uma série de problemas que eu tinha. Nào tive mais problemas de vômitos e tive uma mudança radical em tudo: estou noiva, vou muito bem com ele, mudei de trabalho, me sinto bem. O tratamento foi difí­ cil para mim. Rçcordo que, às vezes, rejeitava muito você. Até tinha bronca de você. Agora entendo que era pelas coisas que me fazia ver.” J. me falou de seu parceiro, com quem se relacionava há dois anos. “E muito centrado, tem 28 anos (J. tinha 23 na época da entrevista), é engenheiro, estamos próximos do casamento, talvez dentro de uns meses, no fim do ano... Nos completamos em ques­ tão de temperamento. Meu temperamento está mudado, estou

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mais alegre, brinco, gosto não só da companhia do meu noivo, mas também de sair em grupo. Antes tratava de ficar só, não tinha desejos de sair e nem de me arrumar.” No que se refere à atividade sexual, J. assegurou que tinha relações sexuais satisfatórias com seu parceiro e que quase sempre conseguia o orgasmo. “Antes continuou - não era feliz sexualmente, sentia-me usada, o sexo era algo asqueroso para mim... Não rejeitei meu noivo em nenhum momento. E não comentei nada de minha outra relação (alude a seu parceiro anterior). Não acho necessário.”2 0Mais adiante conti­ nuou se referindo à sua sexualidade: “Creio que tenho mudado muito minhas idéias sobre sexo... Com ele temos bastante liberda­ de sexual, conseguida pouco a pouco... Eu antes não tinha podido mostrar-me desnuda diante de um homem, com a luz acesa. Ago­ ra, pelo contrário, considero normal.” Toma-se indubitável que ao longo do tempo depois do trata­ mento, J. havia vencido em grande parte suas inibições sexuais, havendo formado um par, com o qual aparentemente se achava muito ajustada, e superado sua frigidez. Foi, isso sim, necessário que passasse certo tempo para que pudessem cumprir-se esse objetivos terapêuticos e comprovàr-se assim os frutos do trabalho desenvolvido, segundo o relato da paciente e o de sua mãe. Manifestou desejos de casar-se logo para poder ter filhos. Enquanto isso recorria a anticonceptivos orais. “Apesar de meus desejos de ter filhos, não me esqueço de tomá-los”, comentou sorrindo. J. queria sem dúvida fazer-me notar que tinha presente aquilo que havíamos explorado durante sua terapia e que além disso estava muito atenta no que se referia a tomar as precauções devidas, a partir da profunda convicção - obtida mediante o trata­ mento - que tinha a respeito da força de seus desejos inconscien­ tes. Não havia tido abortos. Quanto às relações com seus familiares, contou-mc que se sentia muito bem com seus pais, e ao mesmo tempo muito mais independente. Como havia comparecido à entrevista com sua mãe, iinportou-lhe esclarecer-me que esta havia insistido tanto cm acompanhá-la que lhe parecera absurdo negá-lo, mas que na ver­ dade sentia que isso não era necessário em nada, diferentemente do que sucedia antes, quando ela mesma requeria a companhia e os

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cuidados de sua progenitora, chamando de algum modo a atenção para isso. “A relação com minha mamãe - continuou a me contar J. mudou muito, ao menos de minha parte. Agora compro sozinha minha roupa... Antes, tenho certeza, não teria podido casar e viver longe dela. Agora tenho propostas para viver com meu futuro marido na província e não vejo inconvenientes.” A paciente atri­ buiu ao tratamento efetuado uma decisiva influência nas modifica­ ções que a relação com sua mãe apresentava21. Do mesmo modo, J. havia sido antes muito dependente em relação à irmã, com a qual agora - segundo ela - se vinculava mais, “de igual para igual”, sem ajustar-se incondicionalmente às opiniões dela, aceitando-as como tais, mas desenvolvendo pontos de vista. Havia interrompido seus estudos de modelo publicitário, devido ao fato de que os encarregados de dar-lhe trabalho tacita­ mente lhe impunham como condiçào que mantivesse relações se­ xuais com eles. Isso se repetiu em duas ou três oportunidades, razão pela qual decidiu abandonar definitivamente esse campo. Referiu-me que sempre se sentira atraída pela arte cênica, mas que no momento não pensava em estudar teatro, já que o que lhe interessava era concretizar com brevidade seus planos de contrair matrimônio e nesse sentido voltava-se com afinco para seu traba­ lho numa empresa distribuidora de peças para automóveis, onde obtinha um salário superior ao de seu emprego anterior e ainda tinha possibilidade de melhorar seus ganhos muito mais. Espontaneamente comentou que, em função de uma bron­ quite que contraíra, deixara de fumar. Pôde consegui-lo contro­ lando a ansiedade derivada de tal abstinência, fato que a seu ver cra um efeito da terapia, ainda que não pudesse precisar melhor de que maneira esta a havia ajudado nesse problema. Depois referiu-se a seus estados depressivos, que já haviam deixado de acontecer. Dc imediato aludiu à recordação de seu ir­ mão falecido: “Não penso tanto nele. Inclusive, antes desejava ter um varão ruivo como meu irmão. Agora não. Quero que se pareça com meu noivo e comigo... Quando nos mudarmos, não quero mais pendurar fotografias de familiares mortos, como meu irmão, meus tios...” Isso podia indicar certa atenuação da culpa pela morte do irmão, o que lhe permitia um maior desprendimento do objeto per­ dido, podendo dedicar-se mais a seus próprios desejos pessoais.

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Queria enviar-me uma companheira de trabalho, para que tratasse dela, o que constituía uma manifestação a mais de sua confiança em mim. Quase no final da entrevista, após haver-lhe transmitido minhas impressões ao longo da mesma, expressei-lhe minha sa­ tisfação de encontrá-la bem e com tão gratas novidades, reiteran­ do que contasse comigo para qualquer necessidade, depois do que nos despedimos, não sem que J. tivesse palavras de emocionado agradecimento para comigo. Desde esse momento não voltei a ter notícias dela. Finalmente, ao se registrarem nessa oportunidade resultados positivos em I.P.F. (insight da problemática focal), R.P.F. (resolu­ ção - clínica total da problemática focal, pof substituição das reações impróprias pelas apropriadas, em suas rèlações heterosse­ xuais) e M.S. (melhoria sintomática), o resultado final, de acordo com o sistema de avaliação proposto no capítulo 11 , considera-se muito favorável.
Considerações finais

Este caso convida à reflexão em torno de vários pontos. Sem dúvida é polêmico e penso que constitui uma mostra fiel das múl­ tiplas interrogações que se apresentam na prática dessas terapias a respeito da teoria da técnica. Tais questões devem servir de estí­ mulo para discutirmos e investigarmos propostas que resultem úteis e que conduzam a linhas de trabalho fundamentadas dinami­ camente. Também é interessante o problema que levanta com relação aos resultados terapêuticos. y 1 . O uso flexível e seletivo do método da associação livre rende seu frutos ao aplicar-se em quem conta com possibilidades reais de responder de um modo favorável (aqui pôde-se utilizá-lo com êxito, por exemplo, a propósito dos sonhos da paciente e da aparição do terçol). — /'2. Podemos observar neste caso a evolução do foco durante o tratamento, quando a compreensão dos dinamismos da conflitiva focal vai-se enriquecendo e se aclarando como conseqüência de descobertas progressivas. É possível uma maior definição do jogo

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Psicoierapia breve de orientaçãopsicanalitica

de inter-relações entre os diversos fatores. O aprofundamento no foco revela a sobredcterminaçào dos sintomas e é facilitado pelas condições da paciente para se remeter ao material focal e obter insight desses conflitos22. 3. Se bem que aqui tenha-me aventurado de novo num traba­ lho interpretativo de certo modo profundo, com incursão em aspectos históricos infantis - já que penetrar na relação que a paciente mantinha com o irmão e no luto patológico que sobre­ vêm a essa perda, ocorrida em plena infância dela, não supõe ou­ tra coisa não me afastei da conflitiva focal. As interpretações que incluíam aspectos históricos infantis eram, repito, sempre focalizadas, possibilitando assim o aprofundamento do foco. Se tivessem estado ‘‘fora de foco”, isso teria implicado o risco de “abrir feridas” desnecessárias, provocando uma maior mobiliza­ ção na paciente, relacionada com conflitos que não poderíamos abarcar o suficiente durante o tratamento. — 7 4. No que se refere aos problemas suscitados pela presença de lutospatológicos de importância em tratamentos de curto pra­ zo, cabem aqui as considerações efetuadas em capítulos anterio­ res (ver os capítulos 10 e 12). Mas quero formular uma interroga­ ção que surge em seguida: se é conveniente, ou ainda necessário, incluir um luto dessa natureza, entre os aspectos a serem tratados com o paciente, no programa terapêutico de uma terapia de dura­ ção limitada (o qual coincide, nessa oportunidade, com o proble­ ma da atitude a ser assumida ante o histórico infantil). Neste caso particular, minha resposta é afirmativa. Incluir 0 luto era de certo modo algo inevitável, como fui compreendendo ao longo do pro­ cesso terapêutico, pois a meu ver constituía um problema de importância fundamental, que estava no próprio núcleo do sinto­ ma como conflito subjacente c que requeria abordagem, ainda que só pudesse ser efetuada de modo parcial. Cabe perguntar se o fato de não haver trabalhado desse modo teria produzido resultados similares aos obtidos quanto à remissão da sintomatologia, baseda em certo grau de insight a respeito do conflito central do trata­ mento, resultados esses que ficam corroborados no meu enten­ der- pelo acompanhamento efetuado anos depois. Uma vez convencidos de que devemos nos ocupar direta­ mente do luto. surge a necessidade de recolocar nossa modalida­

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de técnica ante esses problemas, adaptando-a ao enquadramento existente nesse tipo de terapia para evitar que elas se convertam numa psicanálise incompleta, com conseqüências previsíveis. Ao descrever este histórico expus a posição que adoto, partindo das propostas de Szpilka e Knobel (10). Esta inquietude leva não só a ajudar o paciente ao máximo, dentro das possibilidades institucionais. mas também a não preíudicá-lo com técnicas inadequadas. Até aqui refiro-me somente às necessidades e vantagens de incursionar na problemática do luto, mas desde já com a ressalva de cjue tal atitude contém os riscos próprios de uma tarefa terapêu­ tica escabrosa, que em termos ideais deveria ser tão prolongada quanto intensiva, e que em virtude da limitação temporal ficará forçosamente incompleta. A elaboração insuficiente do luto poderá acarretar o reaparecimento dos sintomas ou novas manifes­ tações do conflito (fato não comprovado nesta paciente após transcorridos cerca dc três anos do término do tratamento). Mas trata-se de um risco previsto, calculado. Para isso existem os acompanhamentos, que oferecerão oportunidade de detectar re­ caídas e de assinalar, quando a situação o requeira, a necessidade de retomo à psicoterapia. , - -Em TtPSsã~pãciente, pênso que os resultados obtidos com re­ lação à abordagem do luto enquistado não devem ser subestima­ dos. Creio que, na prática, ainda em terapias de objetivos limitados, nos problematizamos - e equivocamos - em demasia, quando, com nosso furor curandis, pretendemos conseguir uma elabora­ ção de conflitos fundamentais ou solucionar perturbações caracteropáticas que costumam levar muito mais tempo, habitualmente anos de trabalho esforçado. Nesta oportunidade poder-se-ia questionar e creio que com certa razão - a abordagem de um conflito ocasionado por um luto patológico num tratamento de três meses apenas. Colocando-nos sempre a alternativa de ter de fornecer uma terapia de tempo limi­ tado, como ocorre no contexto hospitalar, o que corresponde ao caso de que nos ocupamos (paciente de escassos recursos econô­ micos, em primeira experiência psicoterápica, que se consulta ao ser encaminhada e não por iniciativa própria, talvez necessitada de adquirir maior consciência da enfermidade e de aumentar sua motivação para considerar futuramente a opção de um tratamento

concretizados nos êxitos obtidos pela paciente nos anos que se seguiram ao tratamento.) .248 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica prolongado). é bom recordar. algo mais sobre os resultados obtidos. fanta­ sias pré-genitais inconscientes (em especial as de caráter oral e anal). Naturalmente faço referên­ cia a uma profundidade que se alcança somente em aspectos par­ ciais da conflitiva.e mais bem documentado . (Lamentavelmente não se pôde contar com um novo reteste. o grau possível de aprofundamento interpretativo e de “insight” alcançado concomitantemente pode . por exemplo.ser significativo. como se pôde apreciar ao longo deste histórico. sua estabilidade e os novos progressos ao longo de quase três anos de evolução. e que é de se destacar haver-se instaurado um ciclo prospectivo e uma adaptação produtiva à realidade. Também em matéria de resultados terapêuticos das terapias breves existe um preconceito muito arraigado. Vemos que em nossa paciente.em certas ocasiões . já que. um tempo maior para a terapia23.^ isso o que ocorreu com esta inteligente e flexívçl paciente (apesar de apresentar por momentos intensas manifestações resistenciais). após três anos de finalizado o tratamento. os resultados ultrapassaram a mera cura ou alívio de um. razão pela qual foi possível interpretar. permanecendo diversos conflitos sem serem desenvolvidos. Que essas terapias sejam indefectivelmente “superficiais” constitui por certo um preconceito. O acompanhamento permitiu descartar as temidas recaídas. desde o começo. diante de pacientes muito cooperativos e capacitados para o insight. que permitisse um estudo mais exaustivo . penso agora que o que talvez pudesse ter sido feito e resultasse conveniente seria fixar. que consiste em crer que as mudanças produzidas são sempre “superficiais” e/ou transitórias. nos dão neste caso a medida de que isso não é exato.sobre o caso. Por último. apesar de ter-se efetuado um tratamento apenas de três meses. As mudanças impressionam como tendo tido um alcance que cm alguns aspectos transcende os objetivos terapêuticos propostos. numa magnitude a princípio inusual em minha experiência em psicoterapias de tempo limitado24. e pareceu haver-se chegado a uma resolução dinamicamente parcial. A natureza da melhoria. ainda que bastante firme do conflito. incô­ modo e antigo sintoma.

1974. bem ‘prepa­ rados’ sensível e psicologicamente. tomo ü. Terapêutica psicoanalitica.Dos tratamentos breves 249 A experiência de investigadores como Dewald também pare­ ce demonstrar que é possível obter resultados terapêuticos muito bons. Barcelona. 2. 8. Tavistock. 1963. Assinala este autor que “em alguns enfermos. 1972.. citado por J. E. cap. Dewald. Psicoterapia: un enfoque dinâmico. n? 2. Springfield. cm'F. cit. XVI11. M. em 4. “Análisis fragmentario de una histeria”. XIV. Freud. C. O.. 1972. Buenos Aires. French. M. “Indicaciones para la terapia”. Paidós. Baillière. Szpilka. Buenos Aires. Jones. Alexander e T. VI. como vimos nesta ocasião. Referências bibliográficas . S. vol. Labor. . H. 1968. 1950. Laplanche e J.. R. Apesar de esses resultados não serem habituais em psicoterapias breves. Pontalis. 1932. Buenos Aires. B. Illinois. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. Londres. Guiter. 119. “Acerca de la psicoterapia breve”. A. 1948. Buenos Aires. . a propósito do tratamento de J. tomol.. p. Freud. junho 1968. em Diccionario de psicoanálisis. psicol. Malan.. A. 5 . podem bem produzir-se. 10. Barce­ lona. Londres. Freud. Dewald.) 9.. P.. “La histeria: Historiales cínicos”.. Charles Thomas. 4. Lat. Madrid. citado por L. Amér. Courtenay. Granica. Alexander. Picdimonte. cap. A Study of Brief Psychotherapy. em S. Centro Editor de América Latina. “The Phallic Phase”. Comunicación personal. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve..C. M. Sexual Discord in Marriage. F. 1. Biblioteca Nueva. 7. 1965. Small em Psicoterapias breves. Londres. pode desenvolver-se um insight importante dos conflitos num contato terapêutico relativamente curto e que exerça um efeito terapêutico duradouro” (3). Acta psiq. D. ob. 3. em S. Toray. 6. 1971. J.. Comunicación personal. e Knobel. em Papers on Psychoanalysis. cm P.. Tavistock. “Psicoanálisis y psicoterapia por ‘insight’ dirigido”.

4 .

acontece com freqüência num tratamento breve (ver capítulo 8.B. nas quais pode chegar a colocar-se como o excluído. será de grande utilidade contar com suficiente experiência de análise pessoal.. . Formação de terapeutas em psicoterapia breve * Introdução Está fora de qualquer dúvida que uma preparação psicanalítica prévia adquire importância decisiva na formação em P. entre outras coisas. cabe assinalar a necessidade de que o terapeuta exerça um controle adequado sobre elas. como vimos. reafirma isso de maneira concludente. Conhecimentos teóricos e prática psicanalíticos. rivalidade. é necessária uma rápida captação da problemática do paciente e cr conhecimento c manejo dos fenô­ menos transferenciais e contratransferenciais que abranjam as variações que no campo criam fatos tais como a conduta ativa do terapeuta ou a combinação dos diferentes recursos terapêuticos. É que. 155 s. No que diz respeito às emoções contratransferenciais. especialmente em circunstâncias que para ele reproduzam a situação triangular. o que. De­ verá dominar tanto o sentimento de exclusão que possa experi­ mentar como os componentes de ciúme.). Wolberg (5). Por esse motivo.14. etc. entre outros. pp. que o * Tradução de Rosa Maria Salmen Scaramuzzi.

Mas sabemos que na prática a realização dos trata­ mentos breves se assenta em boa parte em terapeutas novatos. Finalmente./É claro que tal pretensão exige a existência de fundamentos teóricos definidos em P.). que este se fixe no objetivo de conhecer com clareza as características principais que distinguem uma terapêutica da outra.252 Psicoterapiu breve de orientaçãopsicanalitica acompanhem. © que seria ideal. pois os erros mais comuns na sua prática correspondem precisamente à extrapolação da técnica psicanalítica. para em seguida descrever alguns dos requisitos ou con­ dições que me parecem importantes para ser um bom terapeuta em P.. A partir daí deduz-se que são os psicanalistas experientes que estão em melhores condições de exercer a P.B. como primeira medida.. com uma boa elaboração de seus próprios con­ flitos básicos. 155 ss. e que o treinamento deles em tais tratamentos não costuma ser pre­ cedido de uma sólida formação psicanalitica. pp. o que também já foi assinalado (capítulo 8. A seguir me ocuparei desses aspectos. para não se abandonar a uma situação que o condene a transformar o trata­ mento breve numa “psicanálise breve’\/Para isso será mister estu­ dar conscienciosamente certos princípios essenciais da P. cumprida previamente ou não a etapa psicanalitica. Fiorini assinalou a influência negativa que a carência de uma .B.B. exporei um modelo de registro clínico que acredito pode servir de guia na prática e favorecer uma sistemati­ zação operativa da tarefa. a formação do terapeuta em P. De qualquer forma. mas que no máximo coincide com o desenvolvimento dela. pois do contrário corre o risco de atuar nocivamen­ te. já que podem contar.B. considero que será melhor. dentre as muitas vantagens em comparação com um tera­ peuta principiante. Aprendizagem teórica Ainda aceitando que na verdade seja difícil “fazer e aprender simultaneamente psicoterapia e psicanálise” (Joseph [2]) e em virtude de apresentar-se na maioria das vezes essa necessidade nas fases iniciais do caminho a ser percorrido por todo terapeuta iniciante. consistirá na apren­ dizagem da teoria de sua técnica e no treinamento psieoterapêutico adequadamente supervisionado.B.

tenho experimentado quase sempre a necessidade dc incluir ini­ cialmente nos grupos um trabalho que chamaria de/“abrandamento" dos colegas.B. constitua mais que tudo o produto da falta de coerência nas contribuições .Formação de terapeutas em psicoterapia breve 253 identidade teórica por parte da P.B.B. são fatos que provocam exigên­ cias nos profissionais. ao longo de meu trabalho como docente em P. seriam então: partir de embasamentos teóricos sólidos (por exemplo e fundamentalmen­ te os fofnecidos pela psicanálise) e expor um método que apresen­ te coerência suficiente. instituições privadas). com a psicanálise. Além disso.à qual também se refere acertadamente Fiorini (1) que com freqüência colocam hipóteses incon­ ciliáveis entre si e que também freqüentemente se fundamentam em esquemas referenciais diferentes^Mguns requisitos a se levar especialmente em conta no ensino da P. que convém. so­ bretudo porque se continua insistindo equivocadamente em de­ frontar a P. (1) exerce na formação dos terapeutas. já que sobre o mesmo abundam preconceitos de todo tipo. no sentido de conseguir deles uma boa disposição para a aprendizagem do tema.. rever de início. entào. com certa facilidade.B. como se se tratasse de dois proce­ dimentos antagônicos. oportuni­ dades para o exercício desse método terapêutico. posto que ainda significa para muitos o debut como psicoterapeutas. e que em grande parte essa carcncia. . É possível que assim seja./ Treinamento psicoterapêutico As necessidades atuais de recorrer a esses procedimentos pa­ ra oferecer atenção psiquiátrica à numerosa população que recorra aos diversos estabelecimentos assistenciais (serviços psiquiátricos hospitalares. cuja aplica­ ção é factível e/ou recomendável cm não poucos casos que se apre­ sentam nos consultórios privados. Mas não é menos certo que também estimulam e oferecem por sua vez. e que é a que pode fornecer a orientação e o respaldo necessáriq para evitar que os jovens profissionais caiam no desânimo e na descrença. assim como o reconhecimento da terapia focal como técnica. a meu ver. centros de saúde mental. propósitos cuja concretização encerra uma árdua tarefa que ainda não terminou de se cristalizar.

a tendência à extrapolação da técnica psicanalítica. o estabe­ lecimento de objetivos terapêuticos e o planejamento. Costumam apresentar problemas de adequação ao contexto institucional e reforçam.e ainda fomentar o emprego exagerado de interpretações transferenciais. atitudes “passivas” do terapeuta. com deficiências tais como não corrigir . nos supervisionados. pres­ tará especial atenção aos problemas imediatos da realidade externa do paciente e aos que poderão derivar da dissolução do vínculo terapêutico. a delimitação de um foco. etc/Quer dizer. uma função elementar do supervisor. Capacidade para estabelecer prontamente um bom rapport com o paciente (Knobel [3]). em maior ou menor medida. a supervisão deverá enfatizar a elaboração de uma história clínica minuciosa. será a de assinalar. mostram-se rigidamente vinculados à técnica analítica ortodoxa. contribuir para a obtenção dessas condições): X 1. além das que correntemente se lhe apresentam. as contradições técnicas em que possam incorrer. para os terapeutas. deverá estar a cargo de profissionais ex­ perientes tanto em terapias prolongadas como em terapias focais. incluindo-os como tema que é necessário tratar. . Do mesmo modo deverá ajudar a detectar o ponto de urgência nas sessões e estimular a assunção de um papel ativo por parte do terapeuta.._Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica Supervisão clínica / Preferencialmente. por carecerem de experiên­ cia de campo e partirem exclusivamente da experiência obtida no âmbito de seus consultórios particulares./ Todavia comprovam-sc comumente dificuldades dos superviso­ res nos tratamentos hospitalares que. Fi­ nalmente deverá propor a realização sistemática de avaliações.^ Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves Mencionarei apenas aquelas que me parecem fundamentais (supõe-se que tanto uma boa análise pessoal como o conhecimen­ to e o treinamento em psicanálise poderão. / / Por outro lado.

........................... Telefone:.... e criatividade para exa­ minar e combinar os diferentes recursos terapêuticos que domine e dos quais disponha quando as circunstâncias o requeiram....................... Nacionalidade:.......... J b) Renunciar às gratificações especiais proporcionadas 1 pela relação analista-paciente (ver capítulo 8)... FICFIA CLÍNICA PARA PSICOTERAPIAS BREVES Local (serviço........... X 6.............. O cupação:. nas quais possa sentir-se en­ volvido durante o tratamento..........................Formação de lerapeiitas em psicoterapia breve 255 2.............. instituição ou consultório privado):........................................ ..................... Idade:.................. Escolaridade:.............. Capacidade para desempenhar um papel ativo no processo terapêutico....... X3.. Flexibilidade livre de preconceitos............... / c) Resignar-se a não alcançar graus profUndos de investiI gaçào dos psicodi namismos de cada paciente.................... Nome e sobrenome: .............. Certa elaboração da conílítiva cdípica que lhe permita um manejo «das situações triangulares.................... I d) Suportar sem excessivas dificuldades a separação dos pacientes.........Sexo: ........................................................ No que diz respeito a seus conflitos pessoais: X 5..................... Suficiente tolerância à frustração para: < / a) Conformar-se com o ganho de objetivos |erapêuticos li| mitados.. Estado civil:....................... centro de saúde mental................................ Data de admissão:.............................Residência: ................................ yC 4................... Capacidade para compreender a natureza dos problemas centrais do tratamento em breve espaço de tempo............................................

e) Mecanismos de defesa......................................... d) Tolerância à ansiedade e à frustração... b) Da enfermidade..).................... etc...............................Avaliação das condições egóicas.....25" Psicoterapia breve de orientação psicanalítica História clínica (resumo): Motivo da consulta (inclui descrição da situação-problema e dos fatores descncadeantes):........... memória........ b) Relações objetais..... Avaliação diagnostica: Diagnóstico nosográfico-dinâmico: a) Do episódio.. c) Da personalidade. Dados biográficos de interesse (inclui antecedentes familiares e pessoais):. Interessam especialmente: a) Funções egóicas básicas (percepção. . ......... c) Controle de impulsos......... pensamento.....incluindo a que exerce o meio social do paciente na problemática.............. atenção. f) Regulação da auto-estima...Grupo familiar: Diagnóstico e incidência ..... Inclui ainda: ..

........... Hipótesepsicodinâmica inicial:....................... Elementos mais importantes:.................................... b) Secundárias:....... Metas terapêuticas: a) Primordiais:. Grau de motivação para o tratamento e atitudes para o insight:.... Descrição:......................... Determinação dofoco: ................................Formação de terapeutas em psicoterapia breve Isso nos conduzirá a uma avaliação da potência e plasticidade do ego..................... informações psicológicas (Testes: Bender.... Phillipson................... Duração do tratamento: Prognóstico:......A................... . ................. Pontos de urgência ao começar o tratamento:............. etc......................... .... Sua estrutura..............T.............. Rorscharch...... í i Foco terapêutico...... T.. Casal................). ..................

do método da associação livre Outros Psicofármacos Inclusão de familiares e/ou figuras próximas Técnicas dramáticas Terapia grupai.25 # ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Planificação do tratamento: Psicoterapia: a) De insight (predominantemente). etc. etc. dirétivo. .) Intervenções Psicoterapia individual verbal Uso optativo .) posição (frente a frente. ocupacional. etc. Tipo de relação paciente-terapeuta: Recursos terapêuticos: Assinalamentos “Transferenciais” “ExtratransferenIntcrpretações ' ciais’ Das raízes infantis [ do conflito Perguntas Informações Insinuações Comentários Intervenções de reasseguramento Indicações Conselhos terapeuta (ativo. Assistência social. b) De reforçamento egóico (predominantemente). etc.

Contrato: Detalhes do contrato sobre metas terapêuticas.Formação de terapeutas em psicoíerapia breve 259 Sessões: duração. freqüência e periodicidade: Duração total do tratamento: Estratégia terapêutica ^ Conflitos a abordar e possível seqüência de tal ‘âbordagem. pos­ sibilidades do paciente de centrar-se no focal. freqüência e periodicidade das sessões. assinalar o tipo de material que deverá ser descartado. evolu­ . a tarefa em torno da separação ante o final do tratamento:.. Evolução durante o tratamento: Evolução do foco. linhas interpretativas e tipo de interpretação. eventuais modificações na freqüência das ses­ sões. principais pontos de urgência.. data do término do tratamento.. duração. duração do tratamen­ to.. funções egóicas a serem reforçadas. con­ signar a utilização dos diferentes recursos terapêuticos. da motivação ou da resistência ao insighí. das entrevistas de avaliação e do reteste (se houver):.

....) Estudos Trabalho Recreação . o término:.. de amizade.. de traba­ lho... mençào ao uso e aos efeitos de outros recursos terapêuticos..S.......) Consciência da enfermidade Auto-estima Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares.P.....F.... Avaliação dos resultados terapêuticos: * 1) Avaliação imediata Impressões gerais do paciente acerca do tratamento Insight da problemática focal (l...) Resolução da problemática focal (R.... evolução da relação terapêutica (a transferência e a contratransferência)..F.P. etc..260 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica ção do estado do paciente.....) Melhoria sintomática (M....

....................... .F......P...........................terapeuta Ajustamento do acompanhamento................. Recontrato (com objetivos limitados). í Total ea { Parcial ...........................Formação de terapeutas em psicoterapia breve 261 Projetos para o futuro1 Reteste....F.......... ..........P...............).................... Datas de entrevistas de avalia­ ção e do reteste. etc.................... 2 ) Avaliação mediata (acompanhamento) Insight da problemática focal (I.................)....... psicoterapia de gru­ po.... Objetivos Passagem a outros tratamentos: a) Com o mesmo terapeuta b) Com outro terapeuta Especificar o tipo de tratamento (psicanálise....................................) D ........ Resolução da problemática focal (R............ I* >. Considerações finais Separação paciente ............................. Resultados........

S. etc. de amizade.P. cura transferencial.F. fuga para a saúde. evitação com ou sem recaída Agravamento Mecanismos Alcance Estabilidade Melhoria Sintomática (M.) Estudos Trabalho Recreação Projetos para o fiituro: .) Consciência da enfermidade: Auto-estima: Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares.262 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica Duvidosa Nào-R. Sem modificações Recaídas2 Falsa solução valiosa (4) Falsa solução (4). de traba­ lho.

.Formação de terapeutas em psicoterapia breve 263 Novas situações conflitivas:.............. Joseph e outros.. . Buenos Aires.......... Resultados:...... Revista de Psicoanálisis...... Nuevasperspectivas en salud mental........... R..... Instituciones y problemas.......... Reteste....... Fiorini...... tomo XXVIU.)..... J.. 1973......... .... “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”............ n? 1.......... Nueva Vision............ “Problemática actual de las psicoterapias breves” em W......... 1971. H.... Grimson (comp... ............ 2.. Outros tratamentos realizados:..... { Mecanismos Alcance Estabilidade ! Resultado Final3 Muito favorável Favorável Discreto Regular Nulo Desfavorável Considerações finais: Referências bibliográficas 1... Buenos Aires...

em L. Buenos Aires. “La técnica de la psicoterapia breve”. Buenos Aires. Charles Thomas. Illinois. Springfield. VI. . 4. “Psicoterapia breve en la infancia”. M. 1974.. H. Cuardemos de la SAPP1A Kargieman. Centro Editor de América Latina. Malan. A Study o f Brief Psychotherapy. Madri.264 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 3. 1971.. 1963. 1968. L. Londres. Knobel. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. D. em Psicoanàlisis y psicoterapia breve en niiîosy adolescentes.) 5. Gredos. Psicoterapia breve. Tavistock.. Wolberg. cap. Wolbcrg e colab.

B. a busca de novas técnicas. em “Análise terminável e interminável”. de psicoterapia (13). Utilizarei.Notas I «» Capitulo 1 Apelarei para ela e para outras similares (tratamento ou técnica breve. para Freud. 2. crendo-o completamente curado. equivocada. Lido parcialmente na Associação Psicanalítica Argentina. 20 anos depois. 22 de agosto de 1979).) convencionalmente para fazer menção a este tipo de tratamento ao longo dos sucessivos capítulos. com o titulo de “Psicoterapia breve de orientación psicoanalítica. 3. depois dos quais o paciente . o que exigiu mais alguns meses de tratamento. ocasião em que Freud pôde comprovar que haviam permanecido sem resol­ ver aspectos da transferência. mais breves.disse Freud . Capitulo 3 1. Ali descreve que deu alta ao paciente. Não obstante. El problema de los basamentos teóricos” (Buenos Aires. neste caso. etc. mas que depois da guerra este o visitou em Viena. Também cabe acrescentar que a focalização do trabalho terapêutico na direção de um aspecto da problemática ou sintomatologia do paciente é característica das atuais técnicas breves. Um acréscimo de 1923 deixa implicito que. tal medida foi. a abreviatura P.“se sentiu normal e se conduziu impecavelmente”. Capítulo 2 1. assim. o criador da psicanálise justificará. .

especialmente os que sejam importantes . deve-se entender que o mesmo o é em relação ao tratamento. c válido recorrer a distintos modelos tcóricos que possam ser úteis para compreender diferentes fenômenos ou pacientes. Esse critério comparativo será utilizado quase permanentemente ao longo desta obra. têm a desvantagem de prestar-se a confusões. mas não hesito em recorrer a conceitos próprios de escolas como a inglesa ou a ameri­ cana quando isso me parece necessário. cabe assinalar que Malan e sua equipe de terapeutas se dedicaram. French e colaboradores (5) sugerem propiciar . dos quais deri­ vam as diversas dificuldades dos pacientes (40). nem todo conflito atual terá dc ser focal e. já que também pode tratar-se de um conflito que se mantenha vigente. as quais. mas isso não implica necessariamente que esse conflito seja sempre o central dentro da patologia do paciente. objeto da abordagem terapêutica. Anteriormente.266 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 2. Não obstante. por outro lado. permitindo o desdobramento de alguns fenômenos transferenciais. à qual me refiro. já que me incluo entre os que pensam que. são próprios da estrutura do foco terapêutico. quando se fala em conflito central ou princi­ pal. combinado com outras técnicas. muito especialmente.ainda que só em certas oca­ siões o desenvolvimento e a análise de determinados componentes da neu­ rose de transferência. em terapias de curto prazo. no método terapêu­ tico breve (54). dc aparecimento recente e/ou de começo sintomatológico agudo. agosto de 1978). Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia en psicoterapia breve”. Wolberg propiciou seu emprego. sendo suas manifestações bastante antigas e/ou de instalação gradual.0 estudo deve completar-se com o conjunto dos aspectos concernen­ tes à contratransferência em psicoterapias breves. Sem dúvida. atual não significa. Outras denominações às quais se recorrc comumente são conflito atual e conflito central ou principal. a interpretar os problemas edípicos. 6. em seu livro Terapêutica psicoanalitica. no capítulo 8 (ver também os capítulos 9 e 14). o próprio Freud já havia fixadoiim limite de tempo para o tratamento psicanalítico. ainda que apropriadas. 4. Esses autores supõem que é possível controlar a relação transferencial. cabe mencionar que L. A respeito da hipnose em particular. Alexander. Meu esquema referencial é fundamentalmente freudiano. dc agora em diante. Esses conflitos. 8. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. denominá-los-ei con­ flitos focais ou conflito focal. 5. portanto. em especial. 10. como logo veremos. forçosamente. 3. Por último. pelo que requerem alguns esclarecimentos. já que con­ centraremos nele nossa atenção e nossos esforços. 9. como consignei no capítulo 2. ao atender o Homem dos lobos (20). 7. razão pela qual. Antes de mais nada. dentro de certos limites.

para se alcançar uma mudança terapêutica . por um lado. ao menos para Novey. 13. esta. por outro. deve-se tê-lo em conta constantemente.Notas 267 para compreender. que garantam o bom andamento do tratamento. Freud aborda novamente o tema dos distintos tipos de resistência em “Análise terminável e interminável”. Novey ainda se refere expressamente à continuação do processo de elaboração uma vez que se tenha concluído. 15. Poder-se-ia fazer referência a esta última fase do processo com qualquer outra denominação. do paciente. “inclusive quando o paciente dorme”. de desenvolver certos aspectos díf neurose de transferência e. 12. e em determinadas circunstâncias (ver capítulo 6. a de processo progressivo pósterapêutico. ainda que de certa maneira arriscada. pp. 14. o conflito central do pa­ ciente. exige do terapeuta muita destreza e. . onde se refere aos mecanismos de defe­ sa do ego em geral. e por conseguinte solucionar. “O período pós-analilico não só implica repetir e experimentar situações da vida com maior facilidade e liberdade. 106 ss. como um meio de compreender o paciente (9) (51). por exemplo. Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia cn psicoterapia breve”.fora da sessão analítica. Isso não implica que se deva descuidar do fenômen» da transferên­ cia.) será necessária sua interpretação. se o prazo mínimo para a finalização do mesmo seja. no que concerne à elaboração psicanalítica. mas também continuar elaborando os conflitos em novos con­ textos e situações” (42). Pelo contrário. evitando derivações indese­ jáveis. a capacidade. já que não conta com as possibilidades que o enquadramento psicanalítico oferece (considero que tal manobra poderia ser mais eficaz quando não se tenha fixado previamente uma data para o término do tratamento ou. Essa manobra técnica parece-me interessante. isto é. agosto de 1978) sob o título de: “Insight y elaboración en psicoterapia breve”. Devemos consignar aqui que. com êxito. agosto de 1978). 16. I 11.e é necessário que assim seja. no caso de tê-la fixado. A incidência do fator tempo na elaboração é assinalada também por Bellak e Small: “Na psicoterapia rápida não há muito tempo para o processo de elaboração” (6). Apresentado no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. com base nas dificuldades que o terapeuta deverá enfren­ tar para manejar a relação. realmente. por exemplo. se a duração prevista para ele não seja demasiado curta. diz. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. o tratamento analítico. c não só à repressão como resistência contra a cura (19). já que. Em última instância penso que essa atitude deveria ser a exceção à regra. também continuaria . de manter simultaneamen­ te uma relação “real" com o terapeuta e uma aliança de trabalho (29) (30). de um ano).

ou de que sua aprendizagem foi inadequada. Essas experiências . dentro dos limites da teo­ ria da aprendizagem. falamos em impedir as recaídas”. Tais mecanismos poderiam estar ligados ao seguinte: ante diferen­ tes experiências de vida. exagerando-os. a teoria da aprendizagem pode­ ria ter aplicações especiais: “(.) antes de tudo. Bellak e Small incluem a elaboração em P. o que nos diz respeito é o pro­ blema de fazer permanente a aprendizagem que se produz na situação psicoterapêutica.. Dessa maneira. 19. É necessário. em segui­ da. além disso. Clinicamente. Em ambos os casos.. posterior ao mesmo. ou vice-versa. tais como a percepção. em um dado momento. podem paradoxalmente fomentar a dependência se se convertem. não só pelas intervenções verbais do tera­ peuta.prosseguem podem ter o efeito de convencer o paciente de que aprendeu adequadamente um novo modo de conduta. não incorrer em contradições. ativação que adquire muita importância porque acelera e facili­ ta o caminho em direção ao insight. Um planejamento estratégico coerente deve prestar atenção à atitu­ de a ser assumida ante as defesas do paciente. não só durante o tratamento. Os autores expressam que. Compreende-se que o fortalecimento das funções egóicas durante o tratamento é dado. a ser respeitadas ou ainda reforçadas pelo terapeuta. Nesse aspecto cabe advertir que as mesmas intervenções empregadas com uma intenção confirmatória e reasseguradora. O terapeuta que exerce uma participação ativa e nâo se limita a apelar para recursos verbais (sua expressão corporal. desempenha um papel fundamental na interação com o pacien­ te) pode conseguir tais efeitos. ocorreria uma aplicação dos núcleos de insight adquiridos durante o tratamento breve. mas também. como expressa Fiorini. neste terreno. Devemos ativar muito especialmente as funções egóicas do paciente essenciais para o trabalho terapêutico. ou dar-se conta de que tem outros pro­ blemas. 18. o resultado é que a aprendizagem psicoterapêutica melhorou pela experiência de vida real” (6). a atenção. . são “atacadas" interpretativãmente não devem passar. tais como alternar intervenções que tendam a estimular o autodesenvolvimento com outras que favoreçam a dependência regressiva. esse conceito é ligado pelos autores à problemática da falta de tempo para levar a cabo o processo de elaboração. Assinalam que o paciente deve “aplicar o aprendizado a situações da vida real. para estimular no paciente a autonomia e a progressão. a meu ver. pela criação de todo um contexto de verificação e estimulação dessas funções (12). em lisonja desnecessária ou não refletem a real eficácia dos rendimentos egóicos e os sucessos do paciente. por exemplo.. uma vez que reforça a aliança terapêutica.B. mas também. etc. concomitante ao reasseguramento e ampliação progressivos dos mesmos. por exemplo. Em seguida. a memória. Seguem comentários que corroboram a idéia de um processo “elaborativo”. concebem-na como o reforço da apren­ dizagem de uma conduta nova e a extinção de modos neuróticos de adapta­ ção.268 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 17. Aquelas que. 20. na realidade.

B. Aqui só diremos que Bellak e Small lhe atribuem grande valor na psicoterapia breve e de emergência: “Apresentar o ego como uma ^ntidade só dizem . propunha misturar “o ouro puro da análise” com “o cobre da sugestão direta” (26). Pode. Fiorini chamou nossa atenção sobre esse enfoque (10) (12) (13) (14). Ocupar-nos aqui da psicologia do ego excede os limites desta apresentação. concebida por Freud. A esta altura é necessário assinalar que a moderna psicologia do ego fornece elementos sumamente úteis para a teoria e a prática das terapias breves. contribuir consideravelmente para o desenvolvimento e a sistematização de métodos de avaliação dos re­ sultados terapêuticos. 22.nega a inter-relação entre o ego e as outras psicodinânucas. Apesar desses inconvenientes. Em nosso meio e no terreno das psicoterapias. Todas essas possibilidades ocorrem mais facilmente em institui­ ções assistenciais e serviços hospitalares. Estes temas serão objeto de revisão nos capítulos que se seguem. Kris. nem sempre são devidamente aproveitadas. tanto com fins de diagnóstico. S. indicação e prognóstico. O trabalho realizado por uma equipe de profissionais abre perspectivas auspiciosas. Nesse sentido. como para o planejamento estratégico e a condução do processo terapêutico. na realidade já foi. em 1918. de ori­ gem distinta. etc. além disso. onde não conta ainda com uma verdadeira tradição investigatória.Notas 269 21. O caso de uma jovem que se consultou por causa da angústia e das vacilações que lhe despertava uma gravidez recente ilustra accrca da relação que se estabelece automaticamente entre os sintomas e a situação que lhes dá . Mas é especialmente no que diz respeito às hipóteses sobre os mecanis­ mos terapêuticos de mudança operantes nas técnicas breves. dos quais provêm seus principais progressos. 23.convém assi­ nalar . Referindo-se à composição de uma “psicoterapia para o povo”. O leitor interessado poderá recorrer às principais lbntes. como vimos anteriormente. White. baseando-se sobretudo nos importantes desenvolvimentos de Hartmann (33) (34) e os mais recentes de Whitc (53). as obras de Hartmann. contudo. por mais que . A utilidade de uma avaliação das funções cgóicas em P.sejam mais complexas no que se refere à conceituação dos mecanis­ mos terapêuticos operantes. as perspectivas atuais são muito promissoras. o enfoque egóico se emprega. Freud. em que. em que a psico­ logia do ego talvez possa prestar um novo e valioso auxilio (12) (13). Insuficientemente arraigado em nosso pais. a esquematização das funções do ego e de suas perturbações tem um valor prático porque oferece um marco de referência para o diagnós­ tico e para o tratamento” (6). amplamente entre os americanos. Loewenstein. A combinação de recursos de base psicanalítica com outros. por diversos motivos. Rappaport. vai sendo reconhecida em nossa prática assistencial. 24.

cm psicanálise. . o que pode ser assinalado pelo terapeuta como uma resistência. ao adotar aqui essa denominação. freqüentemente inconsciente. O caso de (capítulo 13) ilustra o aprofundamento no foco à medida que evolui o trata­ mento. A conflitiva focal tem. no capítulo 6 (pp. etc. não existindo nunca como fenômeno isolado e independente do contexto. caracterológieos. Por último. que aparece nos dias anteriores a este. com os conflitos "extrafocais”. Cabe advertir que em certas ocasiões o paciente também se refere a problemas “extrafocais” com a intenção de elidir o problema central.. Os primeiros pontos de urgência detectados por ocasião dos conta­ tos iniciais com o paciente correspondem aos motivos latentes da consulta. o temor ao filho como ser desconhecido. Talvez a paciente. 32. que se reaviva com a percepção dos movimen­ tos fetais. e optem por diferentes linhas interpretativas. tal estado com o nascimento de seu primeiro filho.270 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica origem (ver capitulo 7). mas só no que diz respeito à situaçâo-problema correspondente. Outra paciente notou que seus antigos vômitos se exacerbaram desde que ocorreu a ruptura de seu namoro (caso de J. nem dar ‘"um passo a mais. múltiplas conexões. o temor. mobilizam mecanismos defensivos. na reali­ dade. capitulo 13). 29. 33. O conceito de ponto de urgência foi muito empregado pela escola inglesa. Creio que tão mais fácil e freqüente do que este c o fato de que. Klein.) examina-se o trabalho de focalização cm relação aos tipos de atenção empregados pelo terapeuta para tal fim. 28. o foco compreende basicamente todos os aspectos da existência do paciente (histórico-gencticos. com as seqüências na interação paciente terapeuta que possibilitam a evolução do foco.. os analistas não coincidam diante de um*mesmo caso. princi­ palmente maníacos. foi exposta com clareza por Malan (40).. portanto. nesse ponto. sempre o são. Na realidade. Não insistirei. através de sua paresia. conscientemente. Um homem buscou consulta ao experimentar um incremento de sua an­ gústia. expressasse também que assim não podia continuar. etc. 31. de morrer duran­ te o parto. acontecido poucas semanas antes e que resultou ser o fator desencadeante principal (caso de A. o que se pode comprovar nas supervi­ sões coletivas. (49). a paciente de Kreud (23). 26. 27. Por isso. à maneira de Isabel dc R. Num sentido estrito. 95 ss. os quais. tais como: os que provêm do temor da perda do filho por aborto espontâneo nos primeiros meses. cabe esclarecer que se utiliza num sentido que não envolve um trahalho interpretativo que remete necessariamente às fantasias precoces infantis descritas por M. capítulo 13). Basta pensar numa terapia focal centrada nas ansiedades relativas à gravidez e na sucessão de distintos pontos de urgência “intrafocais” que apa­ recem paralelamente à evolução daquela. sem chegar a vincular. 25. além disso. Um exemplo de trabalho sobre o loco na sessão psicoterapêutica poderá ser encontrado no capitulo 7. 30. A técnica focal.). evidentes ou não.

Wallerstein formulou a seguinte questão: “E possível resolver substancialmen­ te os conflitos derivados ou qualquer outro conflito. sua aparição não deve surpreender. modificações e equilíbrios” (1). Já vimos. 2 do corpo e 3 do mundo extemo. nada . sua força relativa pode diminuir (28). 39. 38. ao não se obter uma resolução substancial dos conflitos derivados. (capítulo 13) permite além disso apreciar. em termos de “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia do paciente” (40) (o grifo é meu). 37. sobretudo pela reexpericncia c pela compreensão genética ("l). não sabe­ mos o que sucede em termos das conexões ou do fortalecimento da função integradora ou sintética. Segundo Oremland. a partir de material clínico. Mas também é necessário advertir que. já que o conflito básico não se resolve. porém. além dos demais conceitos assinalados. Define a verdadeira resolução do conflito como “uma compreensão metapsicológica plena e elaboração das forças interatuahtes”.B. Para este autor. O caso de A. Naturalmente. Ver capitulo 11. por conseguinte. ainda que não haja por que acreditar que devam fatalmente produzir-se. carecemos de explicações metapsicológicas suficientes a respeito. e acrescenta que só é possível consegui-la mediantp a psicanálise. Quer dizer. na psicoterapia dinâmica.Notas 271 34. Existem diversas impressões favoráveis sobre as vicissitudes que. Diversas passagens de sua obra . a hipótese psicodinâmica inicial. e das mudanças nos vínculos energéticos ou cargas. ainda que se obtenham modificações. os conflitos derivados sofrem. Área 1 da mente. Gillman por sua vez sustenta que. que Mallan faz referência às metas terapêuti­ cas em P. na psicoterapia assistimos a uma resolução parcial ou incompleta. em função de se haverem modificado algumas das forças internas que levam a mudanças energéticas e catéticas. que ele atribui a uma modificação do confli­ to. Joseph considera que. baseadas no esquema de Pichon-Rivière (44). “os conflitos se resolvem no sentido de que se tomam inati­ vos. 35. por exemplo.garante que tais recaidas possam ser evitadas. Ver capítulo 10. ainda que nâo se provoque uma reestruturação profunda. Pelas respostas. 40.nem sequer um tratamento psieanalítico com êxito . 36. reconhecer como próprio o que se interpreta acerca do conteúdo. Por*ocasião de uma mesa redonda sobre psicanálise e psicoterapia. ainda que não se alcance nessas tera­ pias uma resolução dos conflitos. dando lugar a recaídas. além disso. em certo momento e por ocasião de fatores traumáticos tais conflitos podem ser reativados. por outro meio que não seja a psicanálise?” (52). pôde-se advertir qjue quase todos os presentes admitiram que através de uma psicoterapia de orientação psicanalítica conseguem-se modificações nos conflitos e certas mudanças dinâmicas benéficas.

43. ou seja. as que se re­ ferem à relação com objetos internos. até a estrutura da personalidade (55).talvez menos miste­ riosos . tem sido assinalado precisamente por Wolberg: na P. as modificações na estrutura da personalidade pode­ riam ser explicadas em parte também por certos fatos . não só os sintomas se atenuam ou o conflito focal se resolve parcialmente. do mesmo modo que as indicações da P. é retornado no capí­ tulo 6. habitualmente incompletas e insuficientes. Talvez um elemento terapêutico de particular interesse em P.B. nem terá o mesmo significado num caráter obsessivo e num cará­ ter histérico. Portanto. O tema do planejamento terapêutico é desenvolvido em outro lugar. que não deixam margem a dúvidas acerca da posição do autor. 41. uma depressão não será igual. o terapeuta deve incursionar nas perturbações do caráter. O tema da relação paciente-terapeuta em P. Emprega também outros qualificativos similares. . por sua provável influência nas modificações da estrutura de personalidade. muito elementar. (ver capítulos 5 e 12. com as­ sinalamentos e interpretações que estejam dirigidas às mesmas. Como resul­ tado dessa ação e da mobilização terapêutica conseqüente.B.. definitivamente. Poder-se-á encontrar maior informação sobre o tema na obra de Maria L.B. respectiva­ mente). 42.do trabalho terapêutico. a necessidade de abordar os sintomas interpretativamente conduz nossa atenção. “reajustes profundos na estrutura intrapsíquica”. como a que a equipe da Tavistock Clinic levou a cabo para estudara relação existente entre a aplicação de interpretações “transfe­ renciais”. Con­ tudo. Garcia Arzeno (10). e os resultados terapêuticos obtidos (40). S. Sob essa denominação o autor se refere aqui a uma terapia psicanalitica breve.272 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mostram claramente que essa “elaboração” que o autor menciona também abrange certa análise das resistências. o que deveria ser motivo de uma inves­ tigação mais profunda. e que só circunstancialmente adquirem uma grande magnitude.B. Na realidade. Assim. as chama de “recursos c elementos sadios”. o paciente já não e o mesmo. 44.. também algo nele muda profundamente depois do tratamento. às vezes são gera­ das algumas mudanças nos dinamismos intrapsiquicos. mas não decisi­ vo. tais como “trans­ formação profunda da personalidade”. de modo ine­ vitável. Um deles. Capitulo 4 1. em certa medida e a partir do sintoma ou da situaçãoproblema. 2. sem a solidez das obtidas no tratamento psicanalitico. 3. de Ocampo e Maria E. constitua o emprego de interpretações do intrapsíquico. Em outro lugar.

B. que logo examinaremos detidamente (pp. Trabalho lido no Simpósio sobre Psicoterapia Breve organizado pelo CEMEP (20. que se investigue a capacidade do paciente para enfrentar o luto. O perigo é de que aconteça o contrário. como tem assinalado anteriormente (ver capítulo 3. pp. para avaliar os resultados do tratamento. Nesse caso. quer dizer. podem ser consul­ tados os capítulos 8. no processo psicodiagnóstico. em cujo caso se exigirá desde o início uma boa disposição de sua parte. não sendo possível estabelecer regras fixas a respeito.). . Esta observação de Haley implica curiosamente o estabelecimento de certo paralelismo interessante entre a técnica psicanalítica de cunho freu­ diano e a técnica “ativa”. Os testes psicológicos também sào utilizados em P. A técnica focal supõe certas vicissitudes da atenção do terapeuta. capacidade essa. 4. 21 e 22 de outubro de 1977) sob o titulo “Una regia basica de íúncionamento en psicoterapia breve”. Um ponto de importância decisiva na evolução e manejo da relação terapêutica constitui a técnica interpretativa particular exigida pela índole dessas terapias.B. sobretudo se se trata dc um tratamento dc curto prazo. "Focalidadc". caso se opte por um tratamento breve. 2. Sobre os aspectos da contratranslérência em P. 10. são várias as atitudes a assumir (mudanças de objetivos. Capitulo 6 • 1. 46 s. e que. A este respeito refere-se Malan. ). particularmente para a recomendação ou contraindicaçâo de uma terapia breve (11).4. Concomitantemente. o que merece uma especial revisão (ver pp. sempre segundo esse autor..). Por último pode ser necessário revisar os objetivos tm pleno trata­ mento. Ocampo e Garcia Arzeno descrevem uma série de indicadores. 6. Tive a satisfação de comprovar que Garcia Arzcno (6) compartilha dessa opinião. 6. somadas às modifi­ cações no emprego da associação livre. que tenham de se eleger metas terapêuticas de acordo com o tempo limitado de que se dis­ põe para efetuar um tratamento. 100 ss. etc. que pode ser avaliada por meio de testes projetivos (8). comparando-se os dados obtidos através da aplica­ ção pós-terapêutica com os do psicodiagnóstico inicial (ver capítulo 11). 95 ss. quando propõe. que o terapeuta não tenha de esforçar-se demasiado em vencer dificuldades para ocupar-se do paciente. 9. segundo a denominação empregada por Malan (8). 5. 8. determinam um tipo de comunicação nitidamente diferenciável do psicanalítico. será conveniente que exista uma contratransferência positiva.). 7. que define a atual terapêutica breve. 3. cio tipo de tera­ pia. 5. isto é.9 e 14.

outros fatores. embora no exercício da terapia breve não tenhamos de nos aprofundar mais na explora­ ção de tais ligações. Na realidade. Gabe perguntar a razão pela qual os autores não se tenham estendido sobre esta questão. senão como um artifício técnico. o emprego da “regra fundamental” poderá. pp. pelo que de nenhum modo seus limites podem conside­ rar-se nítidos e nem sequer precisáveis num sentido estrito. são múltiplas e complexas. negados.“extrafocal”. o melhor será que o paciente siga se ajus­ tando. Ocorre-me que esse qualificativo continua pesando no ânimo dos investigadores. tais como a duração total do tratamento e o número de sessões semanais. e. 10.e considera­ mos para fins práticos . talvez acompanha­ da da sensação de estar “atacando’* precisamente a regra básica da técnica psicanalitica? Porque se trata nada menos daquilo que o criador da psicanáli­ se também denominou “regra de ouro”. Nesta última situação. 8. ante a persistência de uma dificuldade para encará-la a fundo. que não operam. o problema de saber quais são os limites dofoco. por sua conta e como possa. Recordemos que a estrutura focal corres­ ponde. àqueles que colocam uma necessidade de resolu­ ção mais ou menos imediata. 45 s. Uma questão interessante e polêmica que pode surgir. a eles sem que provoquemos sua mobili­ zação. Se a consideram algo óbvio. apenas a um conjunto de idéias que este tem presente (ainda que para sua organização tenha de basear-se em cadeias associativas do paciente). scr mais levado cm conta. fazendo com que o tema seja deixado de lado ou apenas mencionado. ou seja. Não é o mesmo num tratamento de objetivos limitados com. as ligações associativas de seus componentes como parte do material que chamamos . etc. com nossa concentração seletiva só daremos prioridade a determinados problemas. É certo que tais conflitos preexistem e que a livre associação não faz mais do que colocá-los em evidência. por exemplo. e outro que conste de duas a três sessões por semana e se estenda durante um ou mais anos. ao contar com um enquadramento temporal menos limitado. como disse anteriormente (ver capítulo 3. vinculada ao tema que estamos tratando. pouco seria o que poderíamos íazer pelo paciente dentro do enquadramento que corresponde a essas terapias (especialmente se existe uma grande limita­ ção temporal). dissociados. 9. como hipótese do terapeuta. . Na prática teremos de considerar. em troca.)..274 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 7. uma a duas sessões semanais e dois ou três meses de duração. mas lambém é verdade que alé esse momento podem ter estado reprimidos. além disso. já que se pretendêssemos intervir ein todos. por mais desconsideração que pareça. é a relação existente entre associa­ ções livres (cadeias associativas) e foco terapêutico. por sua vez. não se poderá pensar que existe em certa medida uma evitação do tema. fato por demais sugestivo. é bom reconhecê-lo. cm todo caso. sc outros motivos o tornarem aconsclhávcj.

13. seus antecedentes devem rastrear-se nas expe­ riências deste com pacientes da época pré-analítica). propõe: “(. conforme o que já foi desenvolvido.Notas 275 11. 37). Fiorini também considera factível e benéfica a utiliza­ ção de associações livres em psicoterapias. Em certa parte de sua obra. Na prática da terapia dinâmica breve proponho umífaplicação ocasional e reduzida na maioria dos casos .B. 12.à forma como foi expressa em primeiro lugar (assim a utilizou Freud. ainda que não entre demasiada­ mente em detalhes a respeito. como por exemplo a fim de obter algum material pertinente e informati­ vo” (2)... ainda que a continuidade da atenção flutuante seja muito maior no tratamento psicanalítico. e diante das quais carecerá de sentido pretender tirar algum partido da aplicação do método. Por sua parte. constitui. havia proposto já centrar a tarefa nos sintomas. No capitulo 9 podem ser encontrados exemplos do uso de associa­ ções na terapia breve a partir de material onírico. (Os grifos são meus. Bellak e Small falam.. Deutsch. em 1949. ima­ gem de um sonho. adotar no campo da psicoterapia breve uma regra básica pró­ pria. em troca da qual será necessário. havendo exposto uma possível nas páginas anteriores. de asso­ ciações surgidas em tomo do aparecimento de sintomas (caso dc J. . na auto-análise de seus sonhos.) com­ binar flexivelmente os dois estilos dc associação livre e dirigida” (8). e no capítulo 13. Gillman faz men­ ção. 15. já empregava o recurso de pedir aq paciente que trouxesse fantasias acerca de certos temas selecionados (“fantasias forçadas”) (6). p.) certos recursos técnicos próprios da psicanálise (o silêncio atento do terapeuta. Quando se usa.. do procedimento da associação livre nos tratamentos breves: em suas tentativas de abreviar a psicanálise. Na realidade. mas também outras que tenham um tal grau de inibição que só obteremos um bloqueio como resposta.). Ferenczi. de acor­ do com o mencionado em segundo lugar. a regra básica da psicanálise. tampouco nele é possível mantê-la. estimulando a produção asso­ ciativa sobre eles através das interpretações (4). e em outra menciona a necessidade do “emprego discriminado” em psicoterapias de “(. entre os procedimentos básicos da terapia breve.) Por último. cíomo sabemos. o emprego do método da associação livre em técnica psicanalítica se efetua “a partir de um elemento dado (palavra. uma representação qualquer). 14. de limitar o aproveitamento da associação livre aos “casos nos quais possa surgir como resposta a um determinado estimulo do terapeu­ ta. res­ tringida. o assinalamento ou a interpreta­ ção transferencial)” (15). de forma espontânea” (32). F. (“Associação livre”. Por outro lado.. em seu método ativo...) emprego saudável da associação livre” (24). em relação à P. número. a um “(. Na realidade. Encontrei algumas referências bibliográficas acerca da aplicação. o emprego de associações livres. ao fazer referência a uma “terapia setorial". Na prática poderemos encontrar pessoas de grande capacidade para associar e transmitir suas associações.

mesmo numa terapia breve. p. e por “extratransferenciais” as que concernem aos aspectos inconscientes da relação do paciente com as demais pessoas (na técnica psicanalitica.276 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica como sabemos. pois as transferências se desenvolvem não só com a figura do terapeuta. Utilizarei aqui essas denominações principalmente com a finalidade de abreviar. pois. As vezes. trabalhar com apreciável profundidade (ver o caso de J. tal procedimento traz implícitos os sabidos riscos de mobilização emocional e indução regressiva. Neste contexto entenderemos por interpretações “profundas” as que fazem referência a elementos intensamente reprimidos. alguma situação que perturba o paciente c que se acha “fora do foco” e que a terapia deve examinar. devemos consi­ derá-la como uma regra ideal ([32]. 19. devendo em conseqüência entender-se por “transferenciais” as interpretações que fazem referência a aspectos inconscientes da relação com o terapeuta. um ponto pouco discutido. a quem se lhe interpretou sua submissão ao objeto supercgóico constituído pela figura paterna (pai interno). Portanto. quer dizer. Guiter pretere cha­ mar a estas últimas de “interpretações não relacionadas com o analista” [35]. . 16. certamente não cabe assumir uma rígida conduta diretiva. tal abordagem deve afigurar-se francamente benéfica para o paciente. Se menciono essas características entre aspas é porque na realidade as interpretações nomeadas em segundo lugar também são transferenciais no sentido mais amplo do termo. constituindo ou não parte do passado remoto infantil do paciente. mas de todo modo interes­ sante. rápido timinge sufi­ ciente tolerância à dor provocada pela revelação do inconsciente. ainda quando se tratar de uma abordagem incompleta de conflito. no capítulo 13). um paciente com boa capacidade de autoobservação. Mas não recomendo recorrer sistematicamente a seu uso. O trata­ mento de A. Em tais casos. é o papel das interpretações dirigidas ao intrapsíquico. 56). às vezes é possivel. p. o tomar o paciente consciente de aspectos acerca de sua relação com objetos internos. mas com qualquer outra pessoa. ilustra eloqüentemente a aplica­ ção dessas interpretações. 18. de modo absolutamente constante. contudo. 40). 20. 17. esse insight deve ser pertinente à tarefa de focalização e/ou estar vinculado a obstáculos resistenciais e. Creio que cm certa medida tais interpretações cabem na técnica breve c poderiam ter incidência na produção de modificações dinâmicas sig­ nificativas de personalidade. Sem dúvida. produz-se durante o tratamento algum fato trau­ mático inesperado. (ver capitulo 13). Recorro a esse tipo de intervenção só quan­ do percebo que é possivel aprofundar e promover no paciente um maior insight a respeito de seu vínculo com objetos internos. que às vezes se observam em alguns pacientes que foram submetidos a tratamento breve (ver também capítulo 3. Ante pacientes com boa capacidade de insight. repito uma vez mais. com a qual se pretenda realizar uma focalização forçada do trabalho terapêutico.

o analista pode e deve dedi­ car muitos esforços à interpretação daquelas. razão pela qual certas resistências de transferência se desenvolveriam menos (28). costumam produzir-se diversas respostas negativas no paciente. sempre respeitan­ do seu timing. De qualquer maneira. já haviam sido efetuadas para o paciente várias interpretações relativas a seus desejos d^ manter uma relação homossexual passiva com o terapeuta. já no terreno da terapêutica breve analítica.). cuja revelação ao paciente resulta extremamente angustiante. Permanece-me a dúvida se em poucas ses­ sões. e.Notas 277 pretações transferenciais extra-analiticas [45]). pp. as manifestações resistenciais costumam ser. p. Do contrário. intensamente reprimidas. se cumpriram realmente esses requisitos ele­ mentares. ainda tendo presente que isto ocorreu em Londres. costuma gerar-se menor montante de hostilidade trans­ ferencial no paciente. o que produz surpresa. onde existe urna maior tolerância à homossexualidade. 29). Quando já a priori do tratamento ou no decorrer do mesmo estas se apresentam muito marcadas. por se referirem a tendências. Por exemplo. no qual. 27 s. as perspectivas prognosticas se ensombrcccm numa terapia de curto prazo. pela qual se permite o desenvolvi­ mento de certos aspectos da neurose de transferência (aqueles inerentes ao conflito central de terapia). freqüentemente. por seu caráter transferencial. fala em inter­ 21. e se recorre. que devem contar com uma transferência positiva real e mais ou menos estável e não só “superficialmente” positiva. (É claro que nas histórias clínicas que integram a obra de Malan se registram justamente fortes reações resistenciais. O paciente se sente forçado a “mudar”. ao emprego de interpretações transferenciais (1). de alguns tratamentos de curto prazo na relação transferencial (ver capítulo 3. (Os grifos sào meus. preconiza­ da por Alexander e French. pois o enquadramento dela não permitirá trabalhá-las suficientemente para melhorar as condições tera­ pêuticas. de menor magnitude que no tratamen­ to psicanalitico. . que me impressio­ nam como prematuras (34).B. como dissemos (ver capítulo 3. como no exemplo citado. 22. também cabe rcpcti-lo. com freqüência. É sabido que interpretações deste calibre. é quando os resultados aparente­ mente bons que se alcançam se fundam em curas transferenciais.) enquanto Weiss. trans­ correndo a oitava sessão do tratamento. dado o tipo de relação terapêutica existente. em um dos casos (o biólogo). Na P. e essas “mudanças” não provêm de um insight genuino. como é óbvio. Nesses casos de pacien­ tes que no fundo têm grandes resistências. não deixam de me chamar fortemente a atenção algu­ mas interpretações “'transferenciais” formuladas por terapeutas da equipe que Malan integrou na experiência clínica que ilustra seu livro.) 23. Nesse sentido. Citei antes uma exceção a este requisito: a centralização.. sobretudo de caráter hostil. exigem no mínimo um certo periodo durante o qual exista a consolidação de uma relação transferencial positiva sublimada com o terapeuta e o avanço do paciente na compreensão profunda lhe permitam aceitá-las.

. 27. mas para resolvê-la melhor (34). 31. Que Malan tenha realizado e recomende o uso energélico das inter­ pretações transferenciais nos tratamentos breves. ainda que caiba esclarecer que estas não são reveladas nas exemplificações incluídas na obra do autor. em seu modelo teórico de foco. Ver também o capítulo 3 (p. que. Incluir-se-iam. O risco de cair cm acring out ou as manifestações concretas dc tal conduta também configuram um difícil e muito perturbador obstáculo resistencial (dadas suas conseqüências para o paciente e cm particular para o futu­ ro do tratamento). 25. afirmando que não contri­ buem para fomentar a dependência. considera “os aspectos histórico-genéticos individuais c grupais reativados” dentro do problema atual do paciente (8). Nas segundas in­ cluem-se os aspectos positivos. Na experiência descrita por Malan (34).278 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 24. 26. 30. Opino que o nâo aproveitar este recurso é violar uma responsabilidade médica elemen­ tar” (39). encon­ traria explicação no estilo interpretativo empregado. que talvez pudesse par­ ticipar em certa medida das características que menciono. etc. Disse S. avós. Seu marido se mostrava resistente à psicoterapia. Recordemos que Fiorini. Assim por exemplo. mas me inteiro de muitas coisas sobre meu paciente que posso utilizar com proveito em meu tratamento. pelo que não foi possível efetuar um tratamento de casal. Malan afirma que não houve provas de que os pacientes houvessem sofrido algum dano nem tido necessidade de prolon­ gar o tratamento. 32. mostrase ao paciente o amor que também existe em relação ao objeto (38). pelo contrário.). Rado: “Ao falar com o cônjuge de um paciente sei bem que vai me pintar um quadro parcial. Percebo que essa iniciativa guarda em parte relação com o que coloca Racker quando se refere às interpretações que ele chama de parciais e dc integrais. Nas primeiras “(. e que pessoalmente ignoro se o estilo tem alguma relação com o aqui proposto. como tal. os terapeu­ tas costumam adotar uma atitude radical ao explorar c interpretar prematura e energicamente conflitos primários do paciente (problemas “edipicos”) em muitos dos casos apresentados. (capítulo 13). 24). quando intervêm no tratamento (irmãos do paciente.. . exige o emprego de interpretações “transfe­ renciais”. outros membros do grupo familiar. 28. Ver o caso de J. 29. 33.) os aspectos positivos do analisado não são adequadamente considerados" (frustra-se ao paciente “mais do que seria indicado para a manutenção da transferência positiva”). eventualmente. da mesma forma que o erotismo transferencial. junto à agressão.

1f 8. crianças. e sua negativa em abortar diante da imposição de sua mãe. [6]. p. em razão de a mãe do cachorro estar enferma. suas exclamações “tiraram ele de mim” depois do aborto. fantasiada como se fora esta. lamentando e protestando o ocorrido. Na verdade. Como se sabe. 4. que ameaça com morte ou aborto parece completar-se aqui com uma imagem da màe descontrolada e armada com uma faca. ela foi objeto dc trabalho te­ rapêutico em sessões posteriores. AJém do mais. Quanto à sua hostilidade para com o filho. por quem experimentava muita rejeição. segundo contou a filha. eram uma evidencia inequivoca de sua disposição maternal. no qual tinha um filho que era na realidade um filhote de cachorro. ponto 2). Num nivel mais profundo. objetos continentes.) 8. 3. 7. o sur­ gimento dessa imagem poderia estar vinculado à operação de apendicite de sua progenitora. 6. é discutida na medicina a existência de apendicite crônica como entidade nosológica. Em uma sessão anterior tive a oportunidade de mostrar-lhe que fatos como sua criação de cachorros. quem.Notas 279 Capitulo 7 1. com o bisturi faca . Mencionarei aqui somente alguns deles. há indícios de que sua màe sofrera aquela intervenção cirúrgica como uma indução ou provocação. cui­ dou de várias crias de cachorro e sobretudo alimentou-os com mamadeira “como bebês”. sentiu que lhe “arran­ cavam o filho do ventre”). Podia por sua vez condensar a figura do aborteiro . Existem numerosos indicios a respeito. quando já se achava grávida. por serem muito eloqüentes. etc. (É comum a representa­ ção da gravidez em sonhos através de pequenos auimais. do aborto (durante a operação. posteriores ao nascimento de sua única filha. reforçando um circulo vicioso patológico. Convem esclarecer que boa parte das interferências até aqui propos­ tas foram consideradas apenas para uma melhor compreensão psicopatológica. Recorda que. A paciente acreditava que um aborto poderia‘libcrá-la da situação persecutória e ignorava que o mais provável era que contribuísse para acen­ tuá-la. 9. quando criança. 5. Faz-se necessário destacar que sua cunhada havia sofrido vários abortos espontâneos. já que esta última poderia induzir estados regressivos muito acentuados ou gerar outras respos­ tas contraproducentes no paciente (ver capítulo 10. segundo sua comparação. pois esse tipo dc terapia não pretende prioritariamente alcançar uma gran­ de profundidade interpretativa com base cm tais hipóteses. Lamentavelmente. 2. havia relatado um sonho recente. ameaçasse atacá-la. não foi possível efetuar um psicodiagnóstico nessa oportunidade. em parte desejada. A fantasia de um grupo familiar com grande carga de agressão. O tratamento a que se refere esta sessão se realizou em 1974.

J. assim. preferiu-se não abordar certos níveis. pleno de necessidades” (15). uma grande mobili­ zação emocional com eventuais reações que pudessem ser perturbadoras e difíceis de controlar. Se bem que desta vez. Considero que. entre outros. como os concernentes ao con­ flito edípico (as fantasias incestuosas. foi-se aprofundando progressivamente o trata­ mento. Mas disto se depreende a importância de sua . ainda que detectadas (aparecem em PI 7. atentando sobretudo para o estado de gravidez da paciente e evitando. a ponto de atentar contra a gravidez (aborto). O surgimento de hipóteses acerca dc profundas situações persecutórias não deve culminar necessariamente. em 1972. Bleger. por exemplo).. as dificul­ dades a que me refiro neste capítulo persistem no momento atual sem maio­ res modificações. O surgimento dessas emoções no terapeuta é parte fundamental da contratransferência e de nenhuma maneira implica necessariamente que nele exista uma situação patológica. “o Deus criador na situação terapêutica”. apesar do tempo transcorrido. Em nosso meio. Este capítulo tem como base um trabalho que apresentei no Primeiro Congresso Panamericano de Medicina Psicossomática. na interpretação imediata ou não das mesmas. sentindo-se uma mãe oni­ potente. considerou que a relação analítica é uma relação simbiótica c realizou importantes contribuições para o tema (4). 11. fantasias transferenciais eróti­ cas que não foram interpretadas. Capitulo 8 1. o que fica claramente eviden­ ciado sobretudo no início (Allcgro [1]). Assinala também “(. Diz Searles que o analista chega a sentir por momentos que é o único terapeuta no mundo que pode curar esse paciente. 2. o ponto de urgência dessa sessão compreende o temor de ser abortada expulsa . realizado em Buenos Aires. 3.) depois de tudo. sob o título “Dificuldades dei terapeuta para la práctica de la psicoterapia breve”. Transferencial mente. insisto. 10. A propósito.. Podem-se notar aqui.por mim. na tarefa interpretativa. no fato de fazer o tratamento às escondidas do marido).280 Psicoíerapia breve de orientação psicanalitica esgrimindo a cureta (como representante da imago materna filicida) com sua própria figura. considero que tais elementos devem ser instrumentados com muito cuidado numa psicoterapia breve. além do mais. 12. Recorde-se também que foi aproximadamente ao término do tercei­ ro mês dc gravidez que sua mãe precisou ser submetida à intervenção cirúr­ gica. 4. esse sentimento não é outra coisa senão o que sente a mãe com respeito à sua divina indispensabilidade para com seu infante.

Disse Alexander: “Não se deve esquecer que as sessões diárias exer­ cem uma influência sedutora sobre a tendência regressiva (. (O grifo é meu. 6. Utilizo a denominação reação terapêutica negativa num sentido amplo. que por sua vez reativava o da perda de sua mãe. O perfeccionismo terapêutico {furor curandis) pode constituir um sério inconveniente. mas. 3. Propõe que se interprete a transferência desde o começo e com freqüência (12). que o paciente significa muito para ele.) * 8. p. negam quão profundamente querem essas gratifica­ . Capítulo 9 1. Provavelmente a cor negra representava além disso o luto diante do luto ocasionado pela separação. não limitado ao que assinala Freud em suas obras com rela­ ção ao masoquismo (5). Refiro-me ao caso de A. 2. além disso. pois mantém uma posição oposta acerca deste problema decisivo. especialmente se é breve.) do paciente”( 1). 5. 7. que durante a ava­ liação mostrou-se francamente hostil. sobretudo quando se trata de uma terapia breve. se comprova que não vem acompanhada do ganho de mudanças profundas na personalidade. referindo-se à fase de resolução da simbiose terapêutica: “Alguns terapeutas negam que na realidade a terapia vai bem. Isso se manifesta de uma maneira maiá acentuada quando o terapeuta possui uma orientação predominantemente kleiniana. Malan é uma exceção. tratando-se de uma psicoterapia hospitalar. e a relaçào com ele poderia tender a adotar uma modalidade simbiótica tal. não havia possibilidade de se efetuar outro tratamento que não fosse o de tempo limitado. que dificultaria a individualização do pa­ ciente no processo terapêutico. É de supor como e quanto essas circunstâncias podem complicar uma psicoterapia. ou seja. Também acontece freqüentemente que o terapeífta divirja a respeito da melhoria produzida nos problemas atuais do paciente. 195). O psicodiagnóstico inicial havia revelado.Notas 281 análise pessoal. pois seus próprios conflitos poderiam ligá-lo em demasia ao paciente como objeto gratificante. acontecida quando ainda era menino (1). 4. e até fazê-la fracassar. em que devemos nos conformar com objetivos limitados. o que revela que não pode renunciar aos desejos terapêuticos próprios de sua formação psicanalítica. Tratava-se de um paciente com marca­ dos componentes obsessivos e um núcleo melancólico. Seria um exemplo claro o caso do terapeuta que carece de descendência e que vê em seu paciente um filho. uma grande disposição para estabelecer vínculos de características regressivas e simbióticas. Searles diz.. com relações de objeto muito ambivalentes.. (ver capímlo 13.

segundo Alexander e French existem algumas bastante duradouras e até permanentes. e quão profunda c a sensação de perda que tra­ rão consigo as mudanças” (7). 117 s. ao trabalho interpretativo em tomo da terminação. Cabe acrescentar além disso que apesar de fenômenos como as curas transferenciais constituírem uma falsa solução do conflito. como é o caso do paciente a quem pertencem os sonhos que figuram neste capitulo.a supressão sintomática na área do mundo externo. As técnicas dramáticas podem constituir um recurso útil para conse­ guir a mobilização do paciente e combater a intelectualização. mas com a agravante de condenar o paciente a exteriorizar a posteriori o conflito (que obviamente . Em alguns casos cabe pensar se o terapeuta. Malan (6) diz que um terço da duração da terapia deve ser destinado. pode ser conveniente ir reduzindo progressivamente o número de sessões semanais. Em certas ocasiões. Um risco particularmente temivel dentro da perspectiva da reaparição de manifestações sintomatológicas constitui o fato dc que as mesmas tenham lugar em nível somático. pelo que esses autores não deixaram dc valorizar seus efeitos terapêuticos (1) (2) (3). 3. Esse perigo pode ser maior se o terapeuta tem tendências maníacas inconscientes (6). A situação costuma complicar-se ainda mais quando se deve efetuar uma terapia de tempo limitado cm pacientes que já vêm suportando lutos sig­ nificativos. sobretudo se se dispõe de relativamente pouco tempo de tratamento. pp. em todos os casos.282 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ções que obtèm ou obtiveram.. cqndicionado pelo espaçamento dos encontros. operando mais por sugestão e como um superego severo e exi­ gente. nossas expectativas deverão continuar centradas na obtenção do insight. especialmente se forem recentes e/ou patológicos. De qualquer maneira. 93). 6. Obstinado em alcançar o autodesenvolvímento do pacien­ te. em seu entusiasmo. a separação consecutiva ao tér­ mino da terapia através de um desprendimento gradual. 4.em seu afa por conseguir “mudanças” . tal como as mencionadas no capítulo 6. 7. Outra possibilidade seria dada poruni eventual emprego do método da associação livre (ver capí­ tulo 6. uma evolução favorável no pacien­ te. Capítulo 10 1. poderia fomentar saídas maníacas pseudo-independentes. 5. Essa conduta pode facilitar. 8. no paciente. não funciona às vezes no tratamento breve efetuando uma “proibição” do sintoma. Concordo com Fiorini quando por sua vez assinala que em psicotera­ pia breve “poder-se-ia questionar a validade de uma linha interpretativa foca­ lizada nas vivências transferenciais diante do luto determinado pela alta” (4). p. 2. por sua vez. sempre que exista. com o que pode provocar .

White distinguiu a influência reciproca existente entre auto-estima c experiências de eficácia (7). 4.). uma mudança favorável e esperada. L. ainda que fosse vencida. minucioso e dotado de sólidos fundamentos psicodinâmicos. 2 do corpo e 3 do mundo externo. Sempre será conveniente alertar o paciente sobre a possibilidade de reincidência dos sintomas e recomendar-lhe que o consulte se isto acontecer. Em matéria de avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve é obrigatório citar Malan. de acordo com o esquema de Pichon-Rivière (5). modificações que poderão apresentar-se ou não tempos depois. Essas situa­ ções obedecem à existência de outros determinantes da problemática não elucidados durante o tratamento. assim como algumas idéias de Malan (4). O agravamento apresenta-se habitualmente com a piora da sintoma­ tologia concomitante. . etc.permanece ativo) no terreno corporal. sugiro que se consulte a obra de Malan (4). W olf (8) (a quem agradeço os valiosos ensinamentos que sobre este tema mc conferiu há alguns anos). cabe esclarecer que o inverso é possível. Ta[procedimento é produto de uma elaboração pessoal que incorpo­ ra elementos de um modelo tbrnecido pela lic. Seu livro (4) contém um excelente estudo. Refiro-me aqui principalmente à passagem para um tratamento psicanalítico. ou por último a que tal desenvolvimento poderia ver-se restringi­ do ou exaurido sem produzir nenhum efeito favorável. do superego. 5. R. 7. É que. isto é. Espero que a descrição dos conceitos incluídos neste item haja alcan­ çado suficiente clareza expositiva. 9. Área 1 da mente. Recentemente. 2. certa resistência da repressão. 8. já que por razões de espaço nào posso estender-me mais a respeito. à necessidade de desenvolvimento de pro­ cessos elaborativos pós-tcrapêuticos que demandarão mais tempo para dar seus frutos. Capitulo 11 1. por exemplo. | 3. existindo às vezes uma desproporção entre o insight que parece haver-se obtido e as modificações comprováveis. através de um novo sinto­ ma e com os perigos que isso acarreta. podem persistir outras formas de resistência que obstaculizam todo progresso (resistências de ganho secundário da enfermidade. Para uma informação mais detalhada. o que além do mais equivale a supor que só conseguiu mudar a área de expressão do mencionado conflito. ao menos de imediato. Ainda que não possamos então admitir como real g resolução que não seja acompanhada de uma conscientização da problemática correspon­ dente. que se tenha consegui­ do certo insight daquela e que sem dúvida não derive. 6. por exemplo.

Fcnichcl sustenta: “(. 10. Há pessoas que somente em momentos de crise se decidem a recorrerá consulta (1). e em M. reaparecendo.da problemática central da terapia que não seja baseada no insight e em que as mudanças não sejam. estará mais bem preparado para en­ frentá-los e que terão provavelmente menor intensidade.P. É o caso de pessoas que. que como continuação do tra­ tamento breve. Capitulo 12 1. 3. 2.F. em principio empenhados em realizar uma terapia de curto prazo. Em lugar de rechaçá-las e condená-las a que se ajustem como possam às dificuldades atuais para que retornem somente quando estejam em condições de efetuar uma análise.0 sinal © indica resultado positivo.B. modificar sua atitude e aceitar fazê-lo.clinicamen­ te total ou parcial . Tambcm é o caso de pacientes com resistência á análise. . em conseqüência. podem aquiescer ao tratamento analítico. não estão nesse momento em condições de enfrentar um processo de análise. 12. 1 1 . interessan­ do-se por ela.B.. A P. a população está cada vez mais informada da existência da P. Atualmente. posto que não admitiremos como real.S.284 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mas acrescentando que.e sendo esta a indicação mais adequada ein ambas as ocasiões . agosto de 1978 ).P... Desse modo. Paradoxalmente..) as dificuldades agudas da vida consti­ tuem o primeiro e principal campo para a prescrição da psicoterapia breve” (3). Foi isso o que sucedeu com uma série de casos.. Trata-se de pacientes que.F. enfrentando situações criticas. Este trabalho foi apresentado no Primeiro Encontro de Psicologia Profunda (Buenos Aires. talvez mais interessada porque a denominação popular do pro­ cedimento faz alusão a uma curta duração do tratamento. o interesse do paciente pela terapia breve pode simplesmente encobrir as resis­ tências à análise e estar a serviço delas. A combinação impossível é a de resultados positivos em R. de acordo com o dito anteriormente. que a título de exemplo passarei a relatar. consideraremos propícia a ocasião para que tenham acesso à psicoterapia. tem combatido com eficácia as resistências. uma vez acrescentada sua motivação para o insight. Mas quero advertir aqui sobre a possibilidade de ser utilizada pelo paciente como resistência ao tratamento analítico. cabe oferecer-lhes assistência psiquiátrica. pude­ ram. mediante o tratamento prévio de esclarecimentos dos motivos particula­ res que originavam seu rechaço pelo tratamento analítico . com resultado negativo em I. Geralmente a possibilidade de recidiva da sintomatologia é maior nessas terapias do que naquelas em que o insight não predorrfina. uma resolução .. compreensí­ veis dinamicamente. sua con­ fiança na psicoterapia e tendo conseguido adquirir consciência da enfermi­ dade.

um ano. e havia-se separado de seus maridos antes de completarem 12 meses de casamento. Por sua vez. procurou meu consul­ tório solicitando uma lerapia de tempo limitado. O obstáculo itsistencial pôde ser vencido por meio de assinalamentos e inter­ pretações durante as entrevistas clínicas. possuidora de um ego forte. o qual lhe criava grandes temores e por outro lado parecia-me o mais indicado. de aspecto agradável. O conflito que a paciente trazia para o tratamento a impedia de formar um par terapêutico com perspectivas de durar: esse era o motivo inconsciente de sua insistência na limitação temporal da terapia. resultados sumamente satisfatórios). ele nào havia ligado esse fato ao seu pedido de realizar exclusivamente uma terapia de breve duração. pôde ini­ ciá-lo pouco depois. O motivo da consulta eram suas dificuldades para constituir um par estável. que provavelmente nào haveria de se estender durante muito tempo e que. a paciente se sentia sufi­ cientemente motivada para isso.) Um paciente.Notas 285 Uma jovem. dada a ausência de seu analista. teve uma reação de “fuga à saúde”. exce­ to as já enunciadas. Uma jovem de 21 anos. do ponto de vista evolutivo.. ao nào apresentar outras dificuldades. Aconteceu que os pares que havia conseguido for­ mar não conseguiam se manter mais de. no máximo. Chamava a aten­ ção a insistência com que desde o começo propunha-mc que a tratasse duran­ te um ano. aptidão e training para o insighi. (Próxiríla de cumprir o primeiro ano de análise. e a paciente aceitou finalmente submeter-sc a um tratamento analitico. .. com quem mantinha uma relação muito ambivalente e ficar convencido de que necessitava de um tratamento analitico. e ao mesmo tempo de um grande autoconhecimento. não havendo razões válidas para limitar a duração da psicoterapia. teria que empreender com outro terapeuta. o que era racionalizado por meio de diversos argu­ mentos. que pude logo elaborar e controlar. Na realidade. A averiguação de seus ante­ cedentes revelou que tinha um irmão esquizofrênico. obtido com a experiência analítica. Pensei que a jovem. poderia superar sem demasiado esfor­ ço o problema atual com uma terapia interpretativa de objetivos limitados. a julgar por outros indícios. segundo o pacien­ te. Tampouco pare­ ceu-me oportuno. que. Depois de estudar cuidadosamente o caso. 4. foi-me enviada expressamente por seu interesse em efetuar um tratamento de breve duração. vinculado ao meio psicanalitico. não achei necessário que voltasse à análise (o que parecia ter lançado. que retomasse nesse momen­ to à situação de dependência analítica. Sua mãe havia se casado duas vezes. havia se psicotizado durante tratamento psicanalitico. consultou-me por haver sofrido uma reação fóbica ante um exame que devia fazer em sua faculdade. por diversos motivqS. Ao tomar consciência de que rejeitava a análise porque temia ter a mesma sorte do irmão. analisada dos 12 aos 18 anos (quando lhe foi dada alta) por um prestigioso colega que havia-se radicado no exterior há um ano.

que poderia levá-lo a resgatar c desenvolver potencialidades egóicas. 11. Em todo caso.. como a seguinte. por iniciati­ va pessoal. por temor ao surgimen­ to de certas fantasias.” A isso se somava a conduta de seu progenitor. freqüentemente recordadas pelo paciente: “Como você é mau. conseguiu. Esse fato havia sido vivido pelo paciento como uma expressão de desaprovação de sua paternidade por parte daquele. A.. solicitou ajuda tera­ pêutica. A licenciada Flora M. especialmente de caráter homossexual. Os fatos me dariam pouco depois razão: A. A esse respeito. Não obstante. Seu pai tinha ido conhecer o bebê várias semanas depois de seu nas­ cimento (o que motivou fortes reprovações de A. como a que havia sig­ nificado a perda de sua mãe. 10. 3. denotava contar com um ego observador.. pelo que. já há quase três anos deste fato (entrevista de acompanhamento) conti­ . mostrou-se angustiado nas entrevistas pelos sentimentos que lhe inspirava seu pai: “Se solto cm cima dele tudo o que tenho para censurá-lo.'’ 6.. ao trazer-me um material que ele supu­ nha haveria de satisfazer-me e interessar-me muito. Seus relatos de abundante material onírico quando se aproxima­ va o final do tratamento encerravam. através de repetidas frases. necessitando melhorar sua situação econômica.. 4. a partir precisamente do qual o pa­ ciente. o nascimento do bebê pode ser visto ao mesmo tempo como um fato mobilizador e estimulante. pensou-se que tais dificuldades poderiam também relacionar-se com o ocor­ rido com sua mãe. O psicodiagnóstico reforçava essas pressuposições. uma intenção de seduzir-me a fim de que o retivesse. ao colocar em evidência dificuldades para vincular-sc com pessoas. 9. No psicodiagnóstico apresentavam-se fantasias de adultério de sua mulher. 5.. inoculadora de culpa. a seu progenitor). capaz de chegar a sc conscientizar de “uma falsa ligação". os quais figuram no capítulo 9 (pp. você me mata desse jeito. dc Frymer teve a seu cargo os psicodiagnósticos correspondentes.. tenho medo de ter um ataque de raiva e dizer-lhe tudo.. Até antes de casar-se imaginava que seria impotente e pensava que seu pênis era extremamente pequeno. que foram atribuídas a esta situação. 2. acabo matando-o. O sentimento de culpabilidade se exteriorizava no psicodiagnóstico através da sensação de estar “sujo". um novo emprego semanas depois de terminada sua terapia. 165 e 168). via-se per­ turbado pelo temor de se expor a uma nova frustração. no qual. vários sonhos e referências trazidos pelo paciente nesta etapa ilustram acerca da situação. 7. Finalmente. 8. do mesmo modo. ao ligar-se estreitamento a alguém.286 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Capitub 13 1.

a perda de seu companheiro reativava a perda daquele. que expres­ sara um duplo jogo de sentimentos da paciente: não só se tratava de prazer que sentia por estar junto com sua mãe como também provavelmente do gozo sádico por haver se livrado definitivamente da um rival de toda a sua vida (6). e como autocastigo. houve de todo modo mobilização de um sintoma crônico. como os de gravidez. reme­ tiam a seu complexo de castração (no qual não se aprofundou demasiado durante a terapia). Recomendamos à mãe de J. com os quais intentava satisfazer tal desejo. Demonstraria logo uma grande facilidade para trazer material focal e adequado para a exploração profunda. começasse a se vestir com uma ostentação masculina. o que nos sugere uma conexão direta entre os desejos às fellatio e a gravidez de J. isto se‘Yelacionava com fanta­ sias de introjeção ambivalente do objeto perdido (irmão). mas esta colocou muitos obstáculos à sua realização. Optei por denominar o caso desse modo. Nesse sentido. 14. especialmente de seu pênis. 17. Tanto os desejos de fellatio da paciente.Notas 2S7 nuava trabalhando. Fosse ou não esse padecimento substituição do anterior. Para ela mesma. Jones atribui à inveja do pênis. compareceu a vá­ rias sessões. Pode considerar-se esta palavra Como palavra-sintoma. Resultou naquele momento um dos casos mais ilustrati­ vos e polêmicos de minha experiência hospitalar c talvez o que registrou os melhores resultados terapêuticos. Resultou justamente digno de nota que J. existiam ao que parece fantasias de coitos fra­ ternos (e mais profundamente patemos). freqüentemente transformando-o num menino" (7). nas quais a boca substituía por deslocamento a vagina. o qual é em geral um indicio favorável no curso de um tratamento. 15. Além disso. De acordo com o psicodiagnóstico. terminava expulsando-o. seguindo uma moda não demasiadamente difundida. Por outro lado. querendo ela aparecer ante sua mãe como se fora seu irmão através de uma identificação com ele. . A interpretação ativa desses conteúdos não foi seguida de uma reposta confirmatória imediata dela. 16. 13. que efetuasse uma psicoterapia. c com melhor retribuição econômica. Mas devido a seu caráter incestuoso. 12. dando assim lugar ao sintoma. subja­ cente aos vômitos. não cheguei a elucidar e interpretar os conflitos corres­ pondentes aos aspectos libidinosos da relação com seu irmão. pode traduzir-se “no desejo de adquirir um pênis. e se achava ligado igualmente com uma tentativa reparatória ma­ níaca diante da perda. Assim vestida. e devido também a um intenso desejo de recuperar o obje­ to perdido (pênis incestuoso). habitualmente engolindo-o e remetendo-o dentro do corpo. destacando assim seu principal sintoma. É interessante recordar aqui um dos sentidos que E. sem ter lido grandes problemas em suas relações inter­ pessoais.

A tudo isso contudo se somou o fato de se considerar o caso de J. 23. que o próprio criador da psicanálise se encarregou de nos trazer (a sexualidade infantil. 20. a qual constituiu uma descoberta registrada em pleno processo terapêutico. Por último. Uma interessante condensação se deu num pesadelo em que via sua irmã. isso não se fez basicamente porque no princípio se ignorava que existisse uma vinculaçâo tão direta entre os sofrimentos atuais da paciente e o luto. tinha saído a passeio com um casal de noivos. os resultados favoráveis obtidos no momento da avaliação. Inclusive acreditei notar. afogando-se no mar. Pensei se isso não significaria. na aplicação de terapias de curto prazo. já que nela estava muito acentuado o par voyeurismo-exibicionismo (seguia estudos de modelo publicitário). J. 18. Isso sugeria também que J. que evitava contar-me algo que pudesse nos colocar em desacordo. a qual pode-se considerar um antecedente técnico da terapia focal). Eu lambem não havia refletido até esse momento a res­ peito da necessidade de se levar em conta a situação especial que se coloca. mas também pretendia ocultar-me conflitos não-resolvidos com seus sentimentos de gratidão. Justamente. 19. 22. o que não foi interpretado. a experiência que significou assistir a essa paciente contribuiu para que se prestasse atenção ao problema. fizeram rejeitar a alternativa de um recontrato. Existe uma certa analogia entre a abordagem do foco terapêutico e o que praticava Freud com o sintoma em seus primeiros tratamentos (Isabel de R. Fc- . Cabe acrescentar que no dia anterior (domingo). nessa observação da paciente. e demais históricos incluidos em "Estudos sobre a histeria” [5].288 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Além disso. Na verdade. como um dos de patologia menos severa dentre os tratados. Isso me pareceu uma racionalização de um problema não totalmen­ te resolvido. dado por sua relação de dependência infantil com a mãe. pelo que se lhe fixou uma duração de três meses apenas. em seu extenso relato. A diferença reside em que atualmente contamos com a vantagem de possuir novos conhecimentos que ampliam nossa compreensão profunda. associados às limitações temporais próprias da expe­ riência clínica realizada. Ao que parecia. por exemplo. era capaz de evidenciar pro­ gressos e não necessariamente que o esforço terapêutico fosse infrutífero (9). 21. pela existência de lutos patológicos de grande envergadura. grávida. sem dúvida. especialmente o complexo de Édipo que nessa época naturalmente ainda não havia descoberto). novamente. os transtornos e prejuízos que lhe acarretou esse novo padecimento eram em troca muito menores que os que lhe ocasio­ naram seus vômitos. contar-me tudo o que havia obtido de positi­ vo da terapia. o que havia agido como estímulo. também ligava inconscientemente o terçol com desejos escatofílicos e seu caráter doloroso com o castigo diante de tais desejos. além do mais. como podem ser os desencadeados por motivo de perda de seres queridos. J. que não só queria. Isto não surpreendeu mais.

. 24. 203. N. com considerável capacidade de insight. Capítulo 14 1. 1 I .P. dando a impressão de que o tempo combinado para a terapia havia sido suficiente para o sucesso daqueles. excluem-se dessa lista I.).Ver tabela que consta na pág.P. Em caso de se tratar dc uma psicoterapia em que predomina o reforçamento egóico. 3. chegou a interpretar as fantasias de fellatio que subjaziam à tosse nervosa da paciente (4).1. Quer as recaídas se traduzam indistintamente na reaparição dos sin­ tomas quer na aparição de novas manifestações sintomatológicas. tinha pelo visto um rápido timing. que a fez responder satisfa­ toriamente a uma terapia intensiva de curta duração.. no tratamento de Dora e num período de três meses apenas. 202 ss.lizmentc não houve conseqüências negativas a lamentar. 2. e R. Por sua vez tais interpretações não devem causar maior surpresa. se recordamos que Freud.F. De acordo com as siglas utilizadas no capítulo 11 (pp. . do T. os benefícios foram apreciáveis. tanto para a avaliação imediata como mediata. já em 1900.F. que foi o que durou essa análise. Sabemos que cada paciente necessita de seu próprio tempo. pelo contrário.

particularmente as chamadas breves. adquiriram fundamental importância ante a demanda maciça de assistência psicológica. a interpretação. que reconhece a psicanálise como fonte. Nesta obra o autor procura estruturar uma modalidade técnica deste tipo de terapia. -O ^SSb nesses métodos G 34217 . o autor aborda outros pontos pouco discutidos anteriormente. O livro traz também temas de importância prá­ tica indubitável: as entrevistas preliminares. como o trabalho com os conflitos. mas se diferencia da sua técnica clássica. o insight a ela­ boração etc. Incluindo pontos que são objetos de polêmicas tradicionais. como a transferência. as indicações do X ' ). as resistências.As psicoterapias de orientação analítica. Desenvolve intenitra mais de quinze . a avaliação dos resultados terapêuticos. mas contribuindo também com suas idéias pessoais.

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