PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA

Eduardo Alberto Braier

PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA .

Tradução IPEPLAN

Martins Fontes
São Paulo 2008

Esta obra foi publicada originalmente em espanhol com o titulo PSICOTER APIA BREVE DE ORIENTACIÓN PS/CO ANALÍTICA por Ediciones Nueva Visiõn, Buenos Aires, rm I9&4. Copyright © Ediciones Nueva Vision SAIC, Buenos Aifes. 1984 Copyright © 1986. Livraria Martins Fontes Editora Ltda.. São Paulo, paia a presente edição I* edição 1986 4* edição -TO Coordenação da tradução Mana Risoleta de Oliveira Marcondes Revisão da tradução Maria Esteia Heider Cavalheiro Revisões gráficas Eloisa da Silva Aragão Ivete Batista diu Santos IHnarte Zorzanelh da Silva Produção gráfica Geraldo Alves Pagirmçáo/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados Internacionais de Catalogação na Puhlicaçao (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP. Brasil) lírnicr, Eduardo Alberto Psiwterapia breve de orientação psican.il itica / Eduardo Alberto Britiet : iraduçAn IPEPLAN. - S3o Paulo : Martins Fontes. 2008. (Psicologia c pedagogia) Titulo original: Psicoterapia breve de orienlación psicoanalítica. Bibliografia. ISBN *J7K-85-336-2407'8 I INicnntilisc 2. Psicoterapia breve I. Titulo. II. Série. 07 UHM ____________________________________ CDD-618.8917 Indices para catálogo sistemático: I Psicanálise : Medicina 618.8917

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Resenha histórico-bibliográfica 9 A psicoterapia breve na A rgentina 12 Referências bibliográficas 13 3. Fundamentos teóricos 15 Introdução 15 Pelos caminhos da psicanálise 16 A psicoterapia individual breve de orientação psicanalitica Os fins terapêuticos 18 A temporalidade 21 A técnica 21 Resultados e mecanismos terapêuticos 49 Referências bibliográficas 56 .Indice | Prefácio à edição brasileira XV por Maurício Knobel Prefácio 1 1. Introdução 3 Referências bibliográficas 7 2.

Entrevistas preliminares 63 Introdução 63 0 estabelecimento da relação terapêutica 63 A história clínica 65 Avaliação diagnostica e prognostica 65 Avaliação diagnostica 65 » Papel do psicodiagnóstico 69 Avaliação prognostica 70 A devolução diagnóstico-prognóstica 71 Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento 73 Explicitação do método de trabalho. O tratamento 83 Introdução 83 A relação paciente-terapeuta no tratamento breve 84 1Ima regra básica defuncionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalitica 89 O emprego constante do método da associação livre ("regrafundamental ”da psicanálise) nos tratamentos breves 90 Adoção de uma regra básica defuncionamento para psicoterapias breves 93 t lso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves 93 ( 'onformação definitiva de uma regra de funi ionamen to para psicoterapias breves 95 I í/ i-/ <v. Planejamento do tratamento 79 Referências bibliográficas 81 6.TÉCNICA 4. Fixação das demais normas contratuais 76 Referências bibliográficas 77 5.vo» sobn' afocalização e a atenção do terapeuta 95 t i*-nu7j/í>\ psiioterapêuticos verbais 99 <ieneralidades 99 .

As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica 100 Outras intervenções verbais 117 Sobre as sessões 118 Outros recursos terapêuticos 119 O emprego depsicofármacos 120 A participação defamiliares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento 121 Referências bibliográficas 125 7. Uma sessão de psicoterapia breve 129 A sessão 136 * Comentários sobre a sessão 141 Referências bibliográficas 148 8. A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 165 Introdução 165 Reações causadas no paciente pela separação 166 Reações causadas no terapeuta pela separação 170 Aspectos técnicos 171 .prática e investigação em psicoterapias breves 149 Introdução 149 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve 151 'Psicoterapiabreve 'versus'psicanálise” 151 Na intimidade da relação terapeuta-paciente 152 Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve 159 Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve 159 Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação terapêutica 160 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Conclusões 162 Referências bibliográficas 163 9. Dificuldades do terapeuta para a formação .

Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve 177 Referências bibliográficas 182 11.Conclusões 174 Referências bibliográficas 175 10. Aprofundamento nofoco 229 Motivos da consulta 230 Dados biográficos de interesse 231 Avaliação diagnostica 232 . Indicações da psicoterapia breve 207 Referências bibliográficas 211 13. A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve 185 Introdução 185 Um método de avaliação 186 A avaliação imediata 187 Alternativas do paciente ao terminar o tratamento 194 A avaliação mediata 196 Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos 200 Referências bibliográficas 204 12. Dos tratamentos breves 213 Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados 213 Dados biográficos de interesse (resumo) 214 Avaliação diagnostica 215 A hipótese psicodinámica inicial 216 As metas terapêuticas 219 Prognóstico 220 Planificação do tratamento 220 Evolução durante o tratamento 223 Avaliação dos resultados terapêuticos 225 Considerações finais 228 O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras.

Formação de terapeutas em psicoterapia breve 251 Introdução 251 Aprendizagem teórica 252 < Treinamento psicoterapêutico 253 Supervisão clínica 254 Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves 254 Referências bibliográficas 263 Notas 265 .Hipótesepsicodinâmica inicial. Conflitivafocal 232 Metas terapêuticas 233 Prognóstico 233 Planificação do tratamento 234 Evolução durante o tratamento 235 Avaliação dos resultados terapêuticos 241 Consideraçõesfinais 245 Referências bibliográficas 249 14.

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” Sigmund Freud. Os caminhos da terapia psicanalitica (1919). .“Defrontamo-nos então com o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições.

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a precisão dos conceitos. Como participante das investigações sobre psicoterapias bre­ ves do Colégio Acta. de 1967. Braier procurou oferecer uma contribuição concreta para aqueles que buscam ajuda para os problemas emocionais. os que conseguem associar o rigor da prática psicanalítica a uma consciência social e comunitária. sem te­ rem acesso a uma técnica complexa. São poucos. É também sentir que estamos contribuin­ do para o esforço atual para tomar a psicoterapia acessível a uma ampla camada da população que necessita desta modalidade de atendimento. a elaboração cuidadosa das técnicas ao longo desses anos bem como a organização e clareza com que são agora apresentados. que recebeu a formação rigorosa do Instituto de Psicanálise da Associação Psicanalítica Argentina. mas na confrontação do dia-a-dia com o paciente que procura ajuda nos hospitais e centros de saúde. posso constatar o amadurecimento das idéias. demorada e elitista. uma teoria da técnica para a sua prática. Conhece e reconhece a Psicoterapia Breve e resolve elaborar. Eduardo A. E isso não apenas no devaneio intelectual. . infelizmente.Prefácio à edição brasileira í Apresentar ao leitor a edição brasileira do livro de Braier é uma honra e um prazer. através do próprio exercício clínico. Braier é um psicanalista argentino.

esta modalidade de terapia que resulta de uma cuidadosa ava­ liação da técnica psicanalitica. hstuda minuciosa e cuidadosamente os princípios clássicos e a prática da psicanálise c compara-os com a sua prqpria experiên­ cia neste campo relativamente novo da psicoterapia. Aceita a possível utilização de recursos terapêuticos múlti­ plos e afirma que ninguém é dono da verdade. mas reflete sempre uma compreensão dinâmica do processo terapêutico. O livro traz muitas respostas e sua contribuição didática é inquestionável. A linguagem é. A sua técnica criteriosamente elaborada é apresentada com metodologia. por momentos. a meu ver. Inicia com o estudo das entrevistas preli­ minares e. depois de uma revisão minuciosa dos conceitos de Malan c da terapia focal. é extremamente rico pelos conceitos que traz.XVI Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Os fundamentos teóricos de Braier têm origem na psicanáli­ se. De aluno fiel converte-se em mestre generoso e nos oferece esta contribui­ ção. Não disfarça as dificuldades que existem para a formação de quem pretende se iniciar na práti­ ca desta modalidade psicoterapêutica e reconhece seus problemas técnicos e riscos. o autor parece não ter esquecido nenhum daqueles detalhes que respondem às muitas perguntas que constantemente nos fazem os alunos e os estudiosos da técnica. privilegiando di­ versas e diferentes hipóteses. Braier é o psicanalista cauteloso unido ao terapeuta audacioso. principalmente dentro da área psicanalítica. No estudo sobre “O Tratamento”. merece especial destaque a afirmação de que é necessária uma ampla e minuciosa avaliação diagnostica. Como bom discípulo de Freud. sobre “Planejamento do tratamento”. O capítulo cinco. veículo de uma proposta con­ creta e acessível. Os difíceis temas da avaliação e das indicações são aborda­ dos em capítulos separados e de grande valor para a pesquisa. A apresentação detalhada de um caso clínico é uma ilustra­ ção de grande valor didático e um estímulo para o aprendizado e a compreensão da proposta do autor. sem a qual será difícil iniciar um processo psicoterapêutico. rigidamente psicanalitica. com os pés no chão e voltado para o futuro. aceita o desafio do mestre e procura “adaptar nossa técnica às nossas condições”. .

Não se trata de um “transplante artificial”. prático e de pesquisa. em nossa sociedade. além de seu valor didático. ofe­ recer a teoria de uma técnica compreensível dentro do campo psicanalítico e mostrar que a psicoterapia não é necessariamente o privilégio de uma classe social. Este trabalho é uma mostra do quanto se pode fazer quando existe compreensão humana do ser humano e não uma escondida fobia ao contato interpessoal criativo e enriquecedor da alma. academicista e. uma atitude resistencial. perfeitamente aplicável em nossa cultura. MAURÍCIO KNOBEL Professor Titular de Psiquiatria Clínica da FCM da UN1CAMP Professor Titular de Processos Psicoterápicos do Dept? de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC Campinas. mostra também que este mundo conflitante necessita cada vez mais de especialistas com conhecimentos sérios e profunda sensibilidade áocial. é um importante auxiliar clínico. A polêmica sobre “investigação” da personalidade ou seu “tratamento” é estéril. Considero necessário parabenizar a. e sim de uma ampla e imparcial obra teórico-técnica.Prefácio à edição brasileira _ ____ _____________________ _____________________________ Os exemplos clínicos ajudam o leitor a entender e a familiarizar-se com esta técnica tão concisa. junho de 1986. teórico. aqui apresentada de modo abrangente. mas deve ser uma possibilidade aberta para muitos. j Braier consegue aqui abrir nossos olhos a uma realidade.empresa editora pela seleçào desta obra. O modelo de “ficha clínica para psicoterapias breves” que encerra o livro é um guia útil para quem procura sistematizar estes estudos. Não existe pesquisa em psicanálise sem assistência a quem procura este contato único e absolutamen­ te singular. que. só válido na sua microcultura de origem. Campinas. do ponto de vista psicanalítico. PROE DR. O país e os leitores de língua portuguesa vão se beneficiar com esta obra. .

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no segundo dos servi­ ços citados (1971-72). a empreender a ár­ dua tarefa de escrever este livro. Todos esses fatos me animaram. o trabalho docente que venho exercendo sobre o assunto em hospitais. o enorme enriquecimento que me proporcionou a formação na Associação Psicanalítica Argentina.Prefácio Meu interesse pela psieoterapia breve nasceu em meus anos de residente em Psiquiatria (1968-71). defron­ tei-me com o problema ocasionado pela necessidade de propor­ cionar assistência psiquiátrica a grandes massas da população. sempre partindo do corpo teórico-psicanalítico. No trabalho hospitalar. Minha intenção é de nele expor | 9 «> . Desde então. inclui uma passagem de aproximadamente 2 anos pelo CEMEP (Centro dc Psicologia Médica). depois. instituições e em nível privado e. não abandonaria mais o estudo e a investigação das técnicas de objetivos e tempos limita­ dos. A isto se somou o poderoso estímulo que significou o intercâmbio científico com colegas. primeiro no Serviço de Psicopatologia do Hospital Pinero e. finalmente. mais recentemente. como terapeuta da instituição (1972-73). que me proporcionou uma experiência clínica de um ano na investigação de terapias breves. Minha práti­ ca em tais técnicas. no serviço de mesmo nome no Hospital Ramos Mejía. Isso motivou minha apresentaçãb a concurso para obter uma bolsa municipal que era oferecida pela Secretaria de Saúde Pública de Buenos Aires. além da exercida em consultório particular. e concomitantemente à mi­ nha dedicação a terapias prolongadas.

motivando alguns desenvolvimentos. De Zanoto. a prática e a investigação em psicoterapias breves. certos pontos despertaram em mim um interesse maior que outros. Buenos Aires. as difi­ culdades do terapeuta para a formação. licenciados Jorge A. complementadas por uma revisão crítica. Como sempre ocorre. Fiorini. BRAIER . Blanca R. pelo generoso estímulo e pelas su­ gestões que pessoalmente me ofereceu durante anos de frutíferas discussões sobre as psicoterapias. Ao Dr. os tipos de atenção do terapeuta. o término do tratamento. A meus pacientes. Ricardo Frigerio. a regra de fun­ cionamento do paciente. que leu o capítulo 13. Alba Brengio. que de nenhum modo pretende ser completa. Montevecchio. agosto de 1980. Brener. Ao Dr. Iléctor J. Entre eles se encontram: os fundamentos teóricos. À Dra. Delia Saffoires. especialmente: Ao Dr.2 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica com clareza principalmente as experiências e idéias pessoais que venho acumulando até o momento. além disso. Aída Núnez. EDUARDO A. Moisés Kijak e a Elisabeth G. Ramos Mejía. principalmente os seguintes: doutores Víctor Feder. Quero expressar meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que de uma maneira ou de outra me ajudaram nesse em­ preendimento. alguns incon­ venientes técnicos e riscos a eles relacionados e os problemas concernentes à avaliação dos resultados terapêuticos. de transcrever meus ilegíveis manuscritos. Marcos Guites. Alejandro Puente. que realizou um leitura crítica dos ori­ ginais e. Claudia H. a quem coube a enorme tarefa. Aos colegas membros dos diferentes grupos de estudo por mim coordenados. Ao Sr. Ifim Kantor. Silvia S. Isaías Finkelstein. Boa parte de meu entusiasmo pelo tema deve-se à leitura de seus excelentes trabalhos. que foram meus analistas. Luiz Allegro. De Finkelstein e Suzana Boz. Mónica Noseda. me incentivou constantemente. que supervisionou os trata­ mentos breves que efetuei durante minha investigação no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal J. De Garma. da bibliografia existente sobre o tema. assim como ao Dr. M. realizada com carinho e esmero.

Em nosso meio. um fator que vem exercendo uma influência decisiva no desenvol­ vimento e na difusão das terapias breves. os inci­ pientes serviços de psicopatologia hospitalar. não era compatível com o emprego de tratamentos longos. as instituições privadas e os hospitais psiquiátricos tive­ ram. já que os tera­ peutas. As terapias de curto prazo. os centros de saúde mental. ao problema de sua denominação. naturalmente mais acessiveis às pessoas de poucos recursos. As limitações econômicas de muitos que acorrem em busca de ajuda terapêutica foram e são. de ime­ diato. Esses procedimentos terapêuticos vão alcançando. novos traços distintivos. Os objetivos terapêuticos deveriam. que se apresentam como prioritárias por sua urgência e/ou importância. Da mesma maneira. tinham incorporado. o que nos conduz. de implementar técnicas breves. de um modo gradual. então. Os diversos nomes que *» . centrar-se na superação de sintomas e incidentes agudos ou situações perturbadoras atuais. Introdução l As chamadas psicoterapias breves surgiram essencialmente como uma resposta ao problema assistencial colocado pela massa cada vez maior de população consultante. individuais e grupais. permitiram ampliar a assistência psiquiátrica. sem dúvida. não conseguiam cobrir a demanda de pacientes. o uso de modernos psicofármacos e da psicoterapia grupai. a seu tempo. com idêntica finalidade. em determinado momento. propósito este que. por outro lado.1. e de forma similar a outros paí­ ses. em quantidade insuficiente.

muito apropriada. é conveniente citar para poder. que as distinguem da psica­ nálise corrente e de outras psicoterapias. . já que uma psicoterapia pode ser de duração certamente prolongada . tal denominação é dis­ cutível. mas podem não parecer breves por exemplo para o paciente. já que se refere a um elemento importante e que. planejamento. como também a fixação de um limite de tempo para o tra­ tamento. há que se admitir que não é a mais adequada: em princípio porque essas terapias sâo breves do ponto de vista do terapeuta. Acima de tudo. sempre se faz presente em tais terapias. análise trunsacional. em definitivo. e que escolhi porque me interessa explicitar que se trata de uma terapia originada nas teorias de psicanálise e. etc. diferentemente de outros elementos..). em virtude do qual este passa a ter. a de psicote­ rapias de objetivos limitados. Pode-se também empregar a denominação psicoterapia bre­ ve de orientação psicanalítica.mas ter as metas limitadas e as características técnicas próprias e essenciais desses procedimen­ tos (focalização. que por conseguinte poderão ser concomitantemente de tempo limitado ou não. Outra denominação a que se costuma recorrer. Apesar disso.um ano ou mais . a mais difundida e imposta pelo uso. denominação essa que novamente alude à sua temporalidade. em geral mais prolongado (1).). estabelecer uma diIVrença com respeito aos tratamentos breves alicerçados cm ouiius orientações terapêuticas (terapias comportamentais. mas que denota não só bre­ vidade. deixar claro a que situações e métodos psicoterápicos vou referir-me ao longo desta obra. As terapias a que fazemos referência também são conhecidas como psicoterapias de tempo limitado. geralmente e de ante­ mão. que por ser. as quais. Em primeiro lugar cabe examinar a denominação psicotera­ pia breve. desde já. a meu ver. que dá título a este livro. a aumentar a confusão reinante). e quando sua duração é comparada com a do tratamento psicanalítico. etc. Tampouco este é um fato necessariamente constante nesses tratamentos. sem dúvida. empregamos aqui com muita freqüência1 . assim.4 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica recebem revelam as tentativas de tornar precisas algumas daquelas que se consideram suas principais características (embora indu­ zam. uma data de finalização preestabelecida. é.

a uma terapia de urgência em “situações especiais de crise e exigência” (2). (De minha parte. com freqüência prevalece a necessidade de estancar a crise. mas também. etc. indicações clínicas e técnicas diferen­ tes. delírios agudos.. a uma psicoterapia de objetivos limitados.. como também no de supervalorizar os alcances da RB. considero que não devemos deixar de atender aos numerosos pacientes que.Introdução _______ ____ ____ ________ ________ _________ ________ ________ ________ Alguns autores preferem designá-las com nomes que servem para destacar algumas de suas peculiaridades técnicas e que suge­ rem diferenças com relação às da psicanálise clássica: terapias planejadas (3) ou focais (4). É necessário afastar a absurda antinomia que alguns preten­ dem criar entre a psicanálise e a RB. de modo que na maioria dos casos deve-se postergar a busca de insight no paciente até um segundo momento terapêutico. atribuindo-lhes resultados espetacula­ res. tratarei aqui não só de suas possibili­ dades.). não . Nesta obra referir-me-ei. Além disso.à forma de psicoterapia rápida ou breve que partilha apenas algumas das características e dos métodos de que nos ocu­ pamos. no meu entender. basicamente’interpretativa ou de insight. obtendo-se um alívio sintomático. tais edmo episódios de natureza psicótica (tentativas de suicídio. já que de imediato suas condições egóicas não costumam permiti-lo. Ambos os métodos constam de objetivos terapêuticos. . Em tais situações. no ambiente hospitalar.) É melhor dizer que é possível instrumentar uma terapêutica breve baseada no esquema conceituai da psicanálise. para acentuar outro aspecto importante delas (5). particularmente. Refere-se. longe de querer apresentar o tratamento breve como uma panacéia. o que signi­ ficará uma proveitosa aplicação de suas teorias em situações nas quais não é possível utilizar a técnica psicanalítica corrente. que deve ser empregada em indivíduos com capacidade egóica sufi­ ciente para serem tratados por meio dela. sobretudo. e com certo detalhe. Entre nós Szpilka e Knobel propuseram denominá-las psicoterapias não-regressivas. como por exemplo. tanto no meio hospitalar como no consultório particular. A chamada psicoterapia de emergência concerne. É perigoso incorrer no erro de pensar que a psicanálise é o único tratamento válido realizável. por exemplo. de suas limitações e ris­ cos.

por motivos diversos (econômicos. como resultado. sem esperar que sejam eles quem devam amoldar-se a um único método terapêutico. correríamos o risco de tomar por intratáveis indivíduos que simplesmente . ou ainda. que poderá trazer. uma psicoterapia prolongada. Cabe acrescentar que em muitas ocasioes uma terapia de objetivos e tempo limitados pode ser o passo inicial em direção a um posterior tratamento analítico. A superação das diversas dificuldades dos profissionais para encarar aformação. Constitui uma necessidade premente contar com uma teo­ ria da técnica da P. exigindo que adaptemos nossos recursos técnicos às possibilidades e necessidades do paciente. em seguida.não estão em condições de ser analisados. mas também de resis­ tência.B. já são muitos os que falam na importância do emprego deste método terapêutico. Caso isso ocorresse.B. procurei sistematizar os sucessivos passos do processo terapêutico e ensaiei um critério de avaliação dos re­ sultados. mas são poucos os que preconizam e aplicam procedimentos técnicos apropriados ao contexto em que tal método cabe. surge clara­ mente como premissa." Psicoterapia breve de orientação psicanalítica podem. Também chama a atenção a escassa participação dos analistas de maior experiência na investigação dessas terapias.c freqüente­ mente só em caráter transitório . na única abordagem terapêutica viável. na mais conveniente. Acima de tudo. convertendo-se. ou por sua idade avançada. Oriento meu trabalho cm direção a essa meta. mas que. De um tempo para cá. se diferencia nitidamente de sua técnica. que possibilite um ensino adequado de seus princípios básicos (sem que tal afirmação desmereça o reconhecimento da existência de contri­ buições de decisiva importância sobre o tema.) ser abordados através de um tratamento psicanalítico. interessei-me em obter uma compreensão profunda de algumas das motivações inconscientes do terapeuta que subjazem a suas dificuldades para ajustar-se ao enquadramento requerido pela P. uma mudança nas condições do paciente que o torne apto para efetuar. segundo creio. .B. num primei­ ro momento. tentando conceituar uma modalidade terapêutica que reconhece suas fontes no corpo teórico da psicanálise. que enriqueceram profundamente nossa visão dele). estruturada com mais solidez. Pessoalmente. a prática e a investigação em P. etc.

T. Tavistock. Por último. Malan. n? 2. ob. Bellar. F e Frcnch. cm Alexander. Illinois. Paidós. 2. 1965. V it 4.. Alexander F. “Acerca de la psicoterapia breve”. que possibilitem validar ou questionar as concepções teóricas sustentadas atual­ mente. H. cit.Introdução ___________________________________________________________________________________________ ___ _ Também serão bem-vindas a realização e a transmissão de novas experiências clinicas organizadas em P.. 1969.. psicol. L. Acta psiq. D. F.. Buenos Aires. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. 1963. desejo esclarecer que nesta obra irei ocupar-me especialmente do que tange à psicoterapia individual breve em pacientes adultos e adolescentes. etc. A Study o f Brief Psychotherapy. T. L.. Psicoterapia breve y de emergencia.)? •» 1. Referências bibliográficas j . cap.. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia breve. México. cap. Szpilka. IX. em I. e Swall. vol. em Alexander. Londres.. “Eficacia dei contacto breve”.) 5.. e Knobel. PaxMcxico. Buenos Aires. 3. Terapêutica psicoanalítica. grupo fami­ liar. 1974. French. Charles Thomas. “Planificación de la psicoterapia”. Centro Editor de América Latina. ainda que muitos dos conceitos apresentados sejam extensivos ao tratamento de crianças c aos procedimentos grupais (psicoterapia breve de casal.B. Springfield.. T. Amér. e French. Buenos Aires. M. J. junho de 1968.. Lat. XIV..

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Devo começar tal revisão assinalando que os primeiros tra­ tamentos efetuados pelo próprio Freud na etapa pré-analítica e no começo da analítica eram.. etc. a necessidade de elaboração. o trata­ mento foi-se tornando mais prolongado. de cfcrto modo. em buscar curas rápidas. Outro trata­ mento célebre. que conseguiu bons resul­ tados. e cujo histórico clínico foi publicado em 1909 (5). com resultados satisfatórios.. Gradualmente e com os progressos da psicanálise. inicialmente. Freud disse que fixou pela primeira . O fundador da psicanálise se achava empenhado. O desenvolvimento dos acontecimentos mais relevantes pode ser resumido como se segue: 1914: no histórico clínico do Homem dos lobos. (12). a maior parte das quais trans­ correram enquanto ambos passeavam por Leyden (9). pois duravam só alguns meses. redigido em 1914 e editado em 1918 (7). Resenha histórico-bibliográfica I Passaremos cm revista os principais acontecimentos e obras que marcaram a evolução da terapêutica breve de orientação psicanalítica. o do Homem dos ratos. quatro horas. os fenômenos transferenciais. terapias breves. durou tão-somente 11 meses. durante algo mais de.2. a sobredeterminação dos sintomas. a princípio dirigidas para a solução de determinados conflitos e sintomas'. Incidem fatores como a resistência. Freud atendeu a Gustav Mahler.

1916: Ferenczi menciona. 1937: em “Análise terminável e interminável”. dizendo a respeito dela: “(. Rank realizam tentativas para abreviar a cura psicanalítica. Rank. Neste. Tal proposta é de importância decisiva para fundamentar. por sua vez. sendo repreendido por Freud (13)\ 1918: em uma conferência pronunciada em Budapeste e edi­ tada no ano seguinte (“Os caminhos da terapia psicanalítica” [8]). Acrescenta que posteriormente também tomou essa medida em outros casos. que considera o nódulo da neurose. Freud assina­ la que as tentativas de abreviar a duração da análise que consome muito tempo não requerem justificação “e se baseiam em impera­ tivas considerações de razão e dc conveniência”. e . numa tentativa de acelerar o desenvolvimento do processo terapêutico2. o trauma do nascimento. re­ correu ao expediente de fixar-lhe um limite de tempo. a configuração de uma terapia breve de orientação psi­ canalítica. ura de seus últimos trabalhos. defende a possibilidade de um trata­ mento analítico breve baseado na tentativa de superar. contanto que se faça no momento oportuno. a necessidade de uma psicoterapia breve. Escrevem conjuntamente um livro. para acelerar o tratamento analítico no caso do Homem dos lobos. no qual abordam o tema (3). Mas também fustigará as tentativas que Rank efetuara nessa direção desde 1924. Ferenczi propõe o chamado “método ativo”. Freud propõe uma psicoterapia de base psicanalítica para respon­ der à necessidade assistencial da população. poste­ riormente. Pelo contrário.W Psicoterapia breve de orientação psicanalítica vez uma data para o término da análise. Freud recorda que. e sugere que se com­ binem os recursos terapêuticos da análise com. Mas não se pode garantir o cumprimento total da tarefa. recebendo duras críticas de Freud.) é eficaz. podemos ter certeza de que. O mesmo fará em relação a Ferenczi. pela primeira vez. enquanto parte do material se tornará acessível sob a pressão dessa amea­ ça. Em várias passa­ gens desse artigo sublinhará que o encurtamento da duração da análise é uin fato desejável. em poucos meses dc análise. que logo aban­ donará. 1920-1925: S. Ferenczi e O.. outros métodos. outra parte ficará guardada e enterrada como estava antes.. baseadas em sua concepção a respeito do trauma de nascimento.

um método psicodinâmico para avaliar os resultados terapêuticos. Nova York). de outro modo. Além disso desenvolve. obra que inicia uma nova e decisiva etapa no campo das técnicas breves. Flarrower e A. Hoch. que inclui os acompanhamentos efetuados. Inc. 1963: publica-se A Study o f Brief Psychotherapy. Os autores recolocam a necessida­ de de abreviar o tratamento analítico e de efetuar terapias breves com uma compreensão psicanalítica. Wolberg (Grune and Stratton.. assim como a necessidade de trabalhar a separação entre paciente e terapeuta. Kalinowsky. de F. Porque. Alexander e T. O autor acen­ tua a conveniência de interpretar a transferência de maneira exaus­ tiva dentro da terapia breve (em acentuada dissidência com muitos outros). H. f F AG 11 perdida para nossos esforços terapêuticos. 1965: aparece Short-Term Psychotherapy. de D. 1941: o Instituto de Psicanálise de Chicago organiza um con­ gresso nacional sobre psicoterapia breve. Rado. Alexander. que contém trabalhos de Avnet. flexibilidade do terapeuta. Balint (12). a respeito da técnica da psicoterapia breve (16). A supervisão dos tratamentos esteve a cargo de M. French e colaboradores do Instituto de Psicanálise de Chicago. . Wol­ berg. Nova York). de orientação kleiniana. uma vez que o analista tenha fixado o limite de tempo. L. Nela se detalha a técnica focal. Sobressai o de L. obra compilada por L. causada pelo término do tratamento. Aumenta o interesse pelo tema nos Estados Unidos. brilhantemente. utilidacfê de ressaltar a realidade externa e eficácia do contato breve. A obra descreve uma experiência clínica de investigação baseada em tratamentos de curto prazo. Londres). 1946: aparece Psychoanatytic Therapy (Ronald Press. manejo da relação transferencial e do ambiente. Wolberg. Wolberg. realizada por terapeutas da Clínica Tavistock. O livro oferece uma detalhada apresentação de 19 casos tratados com psicoterapia individual bre­ ve. o paciente perderia a fé que nele deposita” (6).IFACULDADE GUAIRACÁ [ GiBLIQTECA_____. não pode prolongá-lo. Malan (Tavistock Publications Limited. Tomam como ponto dc partida uma experiência clínica na qual intervém um número importante de terapeutas experientes. Incluem conceitos sobre planejamento da psicoterapia. Wolf. Masserman. O livro descreve numerosos históricos clínicos (1).

maio­ res perspectivas de instrumentalizar técnicas suficientemente sis­ tematizadas e coerentes. exclusiva­ mente consagrado ao tema: Psicoterapia breve. Small realiza uma extensa compilação das idéias de numerosos autores sobre o tema (14). entre outros aspectos. amplo e valioso estudo sobre o tema. G. I.. J. Knobel. J. Empregam-se tra­ tamentos de duração limitada com base psicanalitica. que oferecem tratamentos a honorários reduzidos em razão da demanda cada vez maior de assistência psicológica por parte da população. G. 1970: aparece o primeiro livro de autor argentino. de Dellarossa. pelo proble­ ma das psicoterapias (individuais ou grupais) em serviços psi­ quiátricos . de H. Inc. o insight e a ela­ boração (2). Partici­ pam.de recente criação . Ferrari. Szpilka. entre outros. E. ainda. A psicoterapia breve na Argentina 1967: tem lugar o Colóquio Acta 1967: Investigações sobre psicoterapia breve. M. de H. a aplicação da teoria da aprendizagem. O autor.12 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Também nesse ano L. Beliak e L. em nosso meio. Marticorena e A. J. mas a ativi­ dade é desorganizada e confusa e não se apresentam. S.de hospitais gerais. utilizando o esquema referen­ cial de Pichon-Rivière aborda. Dellarossa (15). que apresenta valiosas contribuições. A. 1973: publica-se Teoria y técnica de psicoterapias. Kesselman. Bleger. hospitais psiquiátricos e instituições privadas. e assinala algumas caracterís­ ticas essenciais das interpretações a serem utilizadas no trabalho terapêutico (10). com prólogo de J. Kiorini. A. no qual se destacam especialmente o capítulo referente à primeira entrevista em psico- . Usandivaras. o planeja­ mento e as técnicas de mobilização. Os autores incluem diversos temas. Esse colóquio é um testemunho do crescente interesse que começa a se manifestar. Swall publicam Emergency Psychotherapy and BriefPsychotherapy (Grune and Stratton. entre os quais se destacam: o enfoque do tratamento à luz da psicologia psicanaliti­ ca do ego. 1971: em The Briefer Psychotherapies (Brunner Mazel. H. No­ va York). R. Nova York). Fontana.

Resenha histórico-bibliográfica

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terapia breve e o que oferece um modelo teórico do foco terapêu­ tico (4). 1975: Psicoanálisisy psicoterapia breve en la adolescencia*, de J. C. Kusnetzoff, aborda, em sua segunda parte, o tema da psico­ terapia individual e grupai breve do adolescente. É de especial interesse o capítulo destinado à teoria da comunicação e à psicote­ rapia breve, assim como a inclusão da família no tratamento (11). 1980: em nosso meio atualmente é indiscutível a necessidade de se recorrer a psicoterapias menos custosas que a análise, tanto em temjío como em dinheiro, a fim de responder à demanda de um número cada vez maior dc indivíduos. A aplicação das chama­ das psicoterapias breves se difunde ostensivamente, mas ainda não se lhes reconhece um status teórico, que, no entanto, começa a se delinear, sendo relativamente escassas as investigações que têm suscitado.

Referências bibliográficas
1. Alexander, F. e French, T., Terapêutica psicoanalitica, Paidós, Bue­ nos Aires, 1965. 2. Beliak, L. e Small, L., Psicoterapia brevey de emergencia, Pax- Mé­ xico, México, 1969. 3. Ferenczi, S. e Rank, O., The Development of Psychoanalysis, Zurich International Press, Leipzig e Viena, 1924. 4. Fiorini, H. J., Teoria y técnica de psicoterapias, Nueva Vision, Bue­ nos Aires, 1973. 5. Freud, S., “Análisis de un caso de neurosis obsesiva”, era O.C., Bi­ blioteca Nueva, Madri, 1948, t. II. 6 . “Análisis terminable y interminable”, em O.C., Biblioteca Nue­ va, Madri, 1968, t. III. 7 . “Historia de uma neurosis infantil”, em O.C., ob. cit. em 5, t. II. 8 . “Los caminos de la terapia psicoanalitica”, em O.C., ob. cit., em 9. Jones, E., “Vida y obra de Sigmund Freud”, Nova, Buenos Aires, 1960, t. n.
* Traduzido para o português sob o título Psicanálise e psicoterapias breves na adolescência, tradução de Patrícia M. E. Cenacchi, edição brasileira adaptada e revis­ ta pelo autor, Rio de Janeiro, Zahar, 1980. (N. do T.)
5,t. n.

1+

Psicoterapia breve de orientação psieanalitica

10. Kcssclman, H., Psicoterapia breve, Kargieman. Buenos Aires, 1970. 11. Kusnetzoff, J. C., Psicoanálisis y psicoterapia breve en la adolescencia, Kargieman, Buenos Aires, 1975. 12. Malan, D. H„ A Study o f Brief Psychotherapy, Tavistock, Londres, Charles Thomas, Springfield, Illinois. 1963 (Versão castelhana: La psicoterapia breve, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires, 1974). 13. Rey Ardid, R., Prólogo al tomo m de S. Freud, O.C., ob. cit. em 6, 1968. 14. Small, L., Psicoterapias breves, Granica, Buenos Aires, 1972. 15. Usandivaras, R. J. c outros, Coloquio Acta 1967: Psicoterapia bre­ ve, Actapsiq. psicol. Amêr. Lai., vol. XIV, ní* 2, Buenos Aires, junho de 1968. 16. Wolbcrg, L. e col., Psicoterapia breve, Gredos, Madri, 1968.

3. Fundamentos teóricos1

!
Introdução
Os problemas de teoria em terapias breves são numerosos e comprometem o seu reconhecimento dentro do panorama psicoterapêutico. Atualmente crcio que podeifios encontrar contribuições mui­ to valiosas ao tema, mas, se há pontos de coincidência entre os diversos autores no que concerne a uma teoria do processo, tam­ bém é certo que paralelamente ainda reina muita confusão entre os leitores, talvez provocada por uma verdadeira miscelânea de conceitos teóricos que nem sempre podem articular-se entre si. Como assinala Fiorini, falta uma estrutura unitária que suste esses procedimentos (13). É para sua obtenção que devemos diri­ gir nossos esforços. Gostaria de assinalar uma carência particularmente notória, que é a de uma concepção mais ou menos definida e aceita quanto aos mecanismos terapêuticos atuantes nessas terapias. Neste capitulo mc proponho a discorrer sobre alguns temas cuja recolocação considero de importância decisiva dentro da ten­ tativa de configurar um marco conceituai para as psicotcrapias de objetivos e tempo limitados. Além disso, procurarei, ao longo desta obra, expor o marco conceituai que venho adotando pes­ soalmente, e ao qual pretendo dotar da necessária coerência, atri­ buto disso tenho consciência - nada fácil de alcançar. Meu pon­

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

to de partida, como o de muitos investigadores, são as teorias psicanalíticas. Na verdade, não encontro motivos para prescindir de teorias tão valiosas como a do inconsciente, do conflito psíquico, da sobredetemiinação, dos mecanismos defensivos, da gênese dos sonhos, das séries complementares, da estrutura do aparelho psí­ quico, da transferência, das resistências e de tantas outras que nos permitem compreender a problemática do paciente e do processo terapêutico2. Porém, o que realmente terá de ser modificado é a técnica, que por múltiplas razões não poderá continuar sendo a mesma que a empregada em psicanálise, devendo ajustar-se ao contexto próprio desses procedimentos. Incluo-me assim entre aqueles que propõem uma psicoterapia breve de orientação psica­ nalítica, mas entendendo que deve ser algo tecnicamente muito diferente de uma “psicanálise breve”.

Pelos caminhos da psicanálise
Minha concepção da terapêutica breve é fiel aos princípios básicos formulados por Freud num trabalho que adquire signifi­ cação especial dentro do tema que nos ocupa e que talvez não tenha sido suficientemente valorizado. Refiro-me à conferência pronunciada em Budapeste em 1918, e publicada um ano depois sob o título de “Os caminhos da terapia psicanalítica” (26). Já naquela época, Freud adiantou-se a fatos que sobreviriam poste­ riormente, entre os quais hoje podemos incluir o aparecimento dos tratamentos breves como uma tentativa de possibilitar a assis­ tência psicológica a um número maior de pessoas. Muitos dos pensamentos expressos naquela ocasião vigoram ainda hoje. Na parte final do trabalho, Freud assinala a necessidade de no futuro os psicanalistas adotarem medidas para estender o tratamento psicoterapêutico a grandes massas da população. Reconhece que se tropeça em inconvenientes para consegui-lo, derivados de carac­ terísticas próprias do método psicanalítico, que limita a atenção a poucos indivíduos, e de fatores de ordem econômica. Dirigindose a seus colegas psicanalistas, Freud disse textualmente: “Qui­ sera examinar com os senhores uma situação que pertence ao futuro e que talvez lhes pareça fantástica. Mas, a meu ver, merece

Fundamentos teóricos

17

que acostumemos a ela nosso pensamento. Sabem muito bem que nossa ação terapêutica é bastante restrita. Somos poucos, e cada um de nós não pode tratar mais do que um número limitado de doentes por ano, por maior que seja nossa capacidade dc trabalho. Diante da magnitude da miséria neurótica de que padece o mundo e de que quiçá pudesse não padecer, nosso rendimento terapêutico é quantitativamente insignificante. Além disso, nossas condições de existência humana limitam nossa ação às classes abastadas da sociedade.” Mais adiante antecipa a criação de estabelecimentos assistenciais estatais, nos quais os psicanalistas tratem gratuita­ mente dos pacientes por meio da psicoteràpia: “Por outro lado, é possível prever que algum dia chegará a vez de despertar a cons­ ciência da sociedade, e adverti-la de que os pobres têm tanto direito ao auxílio do psicoterapeuta como ao do cíirurgiào, e de que as neuroses ameaçam tão gravemente a saúde dt povo como a tuberculose, não podendo ser seu tratamento tampouco abandona­ do à iniciativa individual. Criar-se-ão, então, instituições médicas para as quais serão designados analistas encarregados de conser­ var a resistência e o rendimento de homens que, abandonados a si mesmos, se entregariam à bebida, de mulheres prestes a sucumbir sob o peso das privações e de crianças cujo único porvir é a delin­ qüência ou a neurose. O tratamento seria, naturalmente, gratuito.’’ Assinala logo a seguir a necessidade de se modificar, nessas cir­ cunstâncias, a técnica psicanalítica, o que me parece da maior importância, pois hoje em dia muitos analistas resistem a fazê-lo, mostrando-se “mais realistas que o rei”. “Caberá a nós, então, o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições” (o grifo é meu). Em seguida expõe, ao contrário do que alguns poderiam supor, seu ponto de vista a respeito do uso de diferentes recursos terapêuticos em tais casos, em lugar de preconizar, de modo exclusivo, o método psicanalítico (o que endossaria o critério que hoje sustenta a multiplicidade de elementos terapêuticos nas tera­ pias breves, especialmente nas que ocorrem em instituições assisiciK iais): “Na aplicação popular de nossos métodos talvez tenha­ mos de misturar ao ouro puro da análise o cobre da sugestão direu. também a influência hipnótica poderia aqui voltar a ter lugar como no tratamento das neuroses de guerra”3 ainda que, de ime­ diato. sublinhe que os componentes básicos de tais tratamentos

18

Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

deverão provir da psicanálise (isso, como tudo o que disse ante­ riormente, também se converteu em realidade, já que atualmente se conta com a P.B. de orientação psicanalítica): “Mas, quaisquer que sejam a estrutura e a composição dessa psicoterapia para o povo, seus elementos mais importantes e ejicazes continuarão sendo. desde já, os tomados da psicanálise propriamente dita, ri­ gorosa e livre de toda tendenciosidade” (o grifo é meu).

A psicoterapia individual breve de orientaçãp psicanalítica Ante a perspectiva de se adotar uma técnica breve de base psicanalítica, faz-se neceásário, para definir melhor seus elemen­ tos principais, estabelecer uma comparação com nosso modelo original, o tratamento psicanalítico. Desse modo, tentarei clarifi­ car os pontos de contato entre os dois métodos terapêuticos e, muito especialmente, suas diferenças4. Dentro dos procedimentos breves, referir-me-ei, fundamentalmente, à técnica dirigida ao insight, sobre a qual podem apresentar-se mais dúvidas a respeito de suas relações com a técnica analítica, contrariamente ao que acontece com uma terapia essencialmente de apoio, cuja caracte­ rização é mais simples e mais conhecida. Juntando-me à iniciativa de alguns setores, como Bellak (6), Small (6), (48) e Malan (40) e com um propósito principalmente didático, considerarei três aspectos essenciais: 1) os fins terapêu­ ticos, 2) a temporalidade, 3) a técnica.
Os fins terapêuticos A psicanálise reconhece como meta fundamental o tomar consciente o inconsciente. Mas a experiência clínica nos permite comprovar que essa finalidade traz, além disso, a perspectiva simultânea de uma reconstrução da estrutura da personalidade do analisando como resultado terapêutico talvez mais transcen­ dente. Essa reconstrução envolve a resolução de conflitos básicos e de seus derivados através da elaboração e do conseqüente ga­ nho de um maior bem-estar, com o qual se pretende eliminar ou aliviar os sintomas de modo franco e duradouro.

em um sentido psieodinâmico. a solução dos pro­ blemas imediatos e o alívio sintomático deverão. o propósito de que este possa enfrentar mais adequadamente determinadas situações conflitivas e recuperar sua capacidade de autodesçnvolvimento. as metas são reduzidas e mais modestas que as do tratamento psicanalítico. o trabalho pode ser encarado a partir do lugar do terapeuta e com uma visão dinâmica. e na medida do possível. ligados a situações conflitivas surgidas em sua relação com a diretoria de sua escola. Malan fala precisamente em “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia” (40).Fundamentos teóricos 19 Na terapia de objetivos limitados. não seja a exploração do inconsciente como ocorre na psicanálise). Exemplo: uma jovem professora. que se alternava com tentativas . apresentava recentemente sintomas de cjepressào e de conversão histérica (paralisia dos membros inferiores e des­ maios). melhor os conflitos subjacentes a seu problema atual a fim de poder reintegrar-se no trabalho e de­ senvolver-se mais saudavelmente em seu meio profissional. Os obje­ tivos podem colocar-se em termos da superação dos sintomas e problemas atuais da realidade do paciente. A limitação dos objetivos terapêuticos é caracterís­ tica do procedimento de que nos ocupamos. como tendo o propósito de clarificar e resolver. Além disso. parte da patologia do pacien­ te. isto consistia essencialmente em conseguir que a paciente se conscientizasse parcialmente de aspectos do conflito básico rela­ cionado com a figura da mãe. diante da qual mantinha uma atitu­ de infantil de extrema submissão. tudo isso lhe ocasionando sérias dificuldades adaptativas no plano profissional. como o próprio nome indi­ ca. corresponder à obtenção de um principio de insight do paciente a respeito dos conflitos subjacentes (o que supõe que cm certa medida também nos propomos a tomar conscientes aspectos inconscientes. ainda que de modo parcial. antes de tudo. De preferência. de modo que na prática se ache em condi­ ções de adotar certas determinações quando isso se revele neces­ sário. com francas alterações de caráter. ainda que a meta central. Fixaram-se os seguintes objetivos para uma terapia de curta duração: conseguir que a jovem obtivesse um alívio de seus sintomas e sobretudo que pudesse compreender e manejar. em si. No exemplo há pouco citado. o que implica. e aparece em função das necessidades mais ou menos imediatas do indivíduo.

assim. mas também a conseguir mudanças favoráveis em suas rela­ ções patológicas com outras mulheres que representassem sua mãe (uma companheira mais velha. etc. Tal impressão aumenta assim que admitamos que tal terapia inclui a presença de outras metas. seja inter­ vindo diretamente nessas situações de sua realidade. dc certo modo. vinculadas às enunciadas até aqui e que podem ser concebidas em termos da recuperação da .20 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de rebelião. sua proposta ofereceria a vantagem de nos permitir incluir expectativas de resultados terapêuticos maiores do que se concebêssemos as metas meramente circunscritas à re­ missão de um determinado sintoma ou à resolução de uma situa­ ção crítica (40). Ao aprofundar mais o tema dos objetivos terapêuticos.). etc. uma refor­ mulação dc tais objetivos num sentido psicodinâmico que os abar­ que e que quase sempre haverá de transcendê-los em alguma me­ dida. seja procurando aliviar sua ansiedade através de meios como por exemplo os psicofármacos. a dona da pensão. uma maior iniciativa e a superação de inibições. mas que se acham ligados. no terapeuta. além de conseguir que a jovem pudesse solucionar seus problemas de relação com a dire­ tora. figu­ ram diversas formas de oferecer ajuda ao paciente no que se refere às situações perturbadoras. Numa ordem de importância geralmente secundária. não são tão limitados em uma terapia breve de predomínio interpretativo. não só na área profis­ sional como também em outras (sexual. às perturbações que tenham sido objeto de nossa abordagem terapêutica. de objetivos terapêuticos limitados. como sucedia com a direto­ ra. Segundo Malan. por detrás do intento de resolver aspectos do conflito primário com a figura materna. como no caso da assistência social. na realidade. ve­ mos que estes. valiosas. etc. Explica-se. inclusive. poder-se-ia aspirar não só a obter a remissão ou a dimi­ nuição da intensidade dos sintomas atuais. a aparição posterior de certas mudanças no paciente no que concerne a problemas em outras áreas de sua vida que. deve pressupor. não chegam a ser mais tratados de maneira explícita ou direta durante a terapia. nos termos correntes. Assim.). Considero então que toda formulação. implícitas e constantes. social. do que derivavam dificuldades em sua relação com representantes da autoridade materna. no tratamento da professora.

e que seja mai£ curta. no processo terapêutico. Tais fantasias se desenvolvem e sc manejam com mais facilidade no contexto do tra­ tamento psicanalítico do que no da terapia da qual nos ocupamos. poderia ter a limitação temporal estabelecida de antemão. não èsteja presente necessariamente em todos os casos. em especial a finalização do trata­ mento. deve-se levar em conta que a limitação temporal confere à terapia uma estrutura mais definida em termos de “princípio.) A temporalidade Enquanto que num tratamento psicanalítico a duração não é determinada de antemão. tema que mais adiante analiso detidamente (ver os capítulos 8 e 9). Pouco a pouco foi-se configurando uma teoria do tratamento que compreende uma atitude particular diante de . acima de tudo. psicoterapias de tempo li­ mitado. configuram um traço diferenciado náiito destacado dos mesmos. ainda que. Mas. (Tratarei mais detidamente desses aspectos no capítulo 11. apontou a incidência favorável que. em geral.). entre outros. das quais derivam as denominações talvez mais difundidas desses procedimentos (psicoterapias breves.Fundamentos teóricos 21 auto-estima (6) e da aquisição de consciência da enfermidade. etc. meio e fim” (43). introduzindo definitivamente na relação terapêutica um novo e necessário elemento de realidade. este cria invariavelmente uma situação bastante diferente na situa­ ção psicanalítica. Essas peculiaridades. prolongando-se durante anos. influenciando’’de modo decisivo os diferentes aspectos do vínculo terapêutico. como já assinalei. de uns meses. cabe assinalar que quando se fixa um prazo de encerramento. a qual estimularia o progresso da terapia (50)\ De ime­ diato. nas cha­ madas terapias breves é comum que a fixemos previamente. A técnica O método breve pode ser tecnicamente diferenciado da psi­ canálise corrente. Stekel. que esmorece no paciente a produção de fantasias regressivas oni­ potentes de união permanente com o terapeuta.

Focalização.Fortalecimento e ativação das funções egóicas. como se tratam os conflitos em psicanálise. Dependência. .lnsight e elaboração. cuja validade é corroborada pela experiên­ cia clínica.Planejamento. . Transferência. Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema. * . relação caracteri­ zada por uma marcada submissão a ela. O trabalho com os conflitos6 Podem-se estabelecer claras diferenças entre uma psicotera­ pia de objetivos limitados e um tratamento psicanalítico no que diz respeito à abordagem dos conflitos psíquicos do paciente. Neurose de trans­ ferência. primeiramente. Desenvolverei aqui os seguintes aspectos: O trabalho com os conflitos.Regressão. .22 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica distintos fenômenos psicoterapêuticos . São exemplos de conflitos derivados os que a professora antes mencionada apre­ sentava na sua relação com a diretora da escola. regressão. em realidade. enquanto se confirmam alguns princípios dinâmicos operativos. decorrem. .transferência. . ou os de uma mulher que obstinadamente rivaliza com sua sogra. foco. resistências. Ambas as situações reme­ tem a um conflito infantil com a figura materna. etc. ponto de urgência e hipó­ tese psicodinâmica inicial). dos quais. Recordemos.Quadro comparativo entre algumas características teóricotécnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orienta­ ção psicanalitica.Multiplicidade de recursos terapêuticos. .O problema da resistência. transferida para as relações atuais. . A investigação psicanalitica demonstra-nos que as si­ tuações conflitivas atuais do indivíduo estão relacionadas a con­ flitos infantis. .

Mas também considero que em alguns tratamentos breves é necessário e possível confrontar o paciente com o conflito origi­ nal. o terapeuta pode empreender um tra­ balho interpretativo cauteloso de certos componentes do conflito básico. quer dizer.Fundamentos teóricos 23 Os conflitos infantis genéticos se produzem. já que não tem sentido abrir feridas de maneira indiscriminada na estrutura defen- . tem-se a impressão de que de outro modo não se obterão maiores progressos no transcorrer deste. freqüentemente isso bastará para se obterem bons resultados terapêuticos e. que são analisados profundamente a fim de se conseguir sua resolução (e a de seus derivados) por meio do trabalho elaborativo (elaboração dos conflitos). sobretudo. Durante o tratamento analítico. que se favoreça no paciente a regressão. relacionando-o com sua situação conflitiva. p. que q trabalho tera­ pêutico se circunscreva. seja no começo seja mais freqüentemente no transcurso do tratamento. além disso. sem se aprofundar mais nele. e uO foco”. O terapeuta deverá centrar-se. Em todas essas circunstâncias.)7.B. Isso ocorre quando. que subjazem ao problema atual. orientada em direção ao insight há. Não se deverão abordar outros aspectos do conflito. evitando-se que se produza uma excessiva mobilização afetiva e. se tem capacidade de insight. cm especial dos que estejam imediatamente vinculados à problemática focal e que adquiram relevância para a finalidade de se alcançar a clarificação e a superação de tal problemática. a encarar exclusivamente esses derivados do conflito primitivo infantil. como primeiro fator distintivo digno de nota. Na P. 37. É habitual. quem menciona o conflito infantil. que recairá nos que prevalecem por sua urgência*e/ou. para serem alcan­ çados os objetivos propostos8. o pa­ ciente revive tais conflitos (sobretudo no seio da relação transfe­ rencial com o terapeuta). c/ou quando aspectos desse conflito básico se acham muito próxi­ mos à superfície psíquica do paciente. motivo do tratamento (ver “Focalização”. por princípios elementares de prudência. principalmente. 40 ss. Em algumas ocasiões é o próprio paciente. como sabemos. sendo sua nature­ za edípica ou pré-edípica. a priori. por sua importância. pp. uma eleição dos conflitos (deriva­ dos) a serem tratados. em relação com os objetos primários do sujeito. de preferência. nos atuais fatores determinantes desses conflitos subjacentes focais.

o que terá de ser avaliado em cada caso particular (ver pp. Neurose de transferência Os fenômenos regressivos.B. em algu­ ma medida. transferenciais e neurótico-transferenciais acham-se intimamente relacionados no tratamento psicanalítico. devendo evitar sobretudo cair em interpretações prematuras sobre os conflitos infantis. por sua vez. sem dúvida. Por isso farei referência a esses con- . de dependência. Trata-se de uma resolução parcial ou incom­ pleta (1). Freqüentemente colocar-se-á. realiza-se uma tarefa interpretativa parcial dos conflitos do paciente. Incursione-se ou não na interpretação das raízes infantis da conflitiva focal. (Quanto às prováveis modifica­ ções no estado dos conflitos. para nós.. Denominações tais como dependência regressiva ou neurose transferencial regressiva refletem. o terapeuta pode sentir-se pressionado pelo tempo.) Regressão. Dependência. 53. o problema de saber até onde poderemos nos aprofundar. Quando se trata de uma psicoterapia de breve duração.). Trata-se de um ponto que requer tato e experiência por parte do terapeuta. Já sabemos com quanta insistência Freud preveniu a respeito dos riscos de tal procedimento no tratamento psicanalítico (24). ainda que esta não seja idêntica à que se possa obter atra­ vés da psicanálise. Transferência. com vistas a nos aproximarmos das metas terapêuticas propostas. não se terá oportunidade de analisar suficiente e convenientemen­ te nessa terapia. que consiste na produção de certas mudanças dinâmicas nos conflitos. mediante interpretações. pondo a descoberto conteúdos que. sempre se faz uma tentativa de solucionar interpretativamente os conflitos deri­ vados. diferentemente do que ocorre na psicanálise. muitas vezes suficientes para se obterem benefícios terapêuticos nada desdenháveis.^ ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica siva do paciente. essa correlação. em P. circunscrita àqueles que tenham sido escolhidos. 101. ver p. são abordados de um modo também parcial. 102 e 111 ss. Como se pode perceber a esta altura de minha exposição. os quais.

Na realidade. Acrescentam: “Trata-se de uma repetição de protótipos infantis. e. que costuma representar basicamente figuras parentais. Aqui vou referir-me em especial à regres­ são temporal na transferência com o terapeuta. |por diferentes meios (posição deitada do paciente. freqüência às sessões. dentro de um determinado tipo de relação estabelecida com eles. Laplanche e Pontalis descrevem a transferência como “o pro­ cesso em virtude do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre certos objetos. . que o processo regressivo se reverta ao longo do cami­ nho terapêutico. uma regressão vivencial útil. Freud ocupou-se do conceito de regressão em diferentes contextos . dentro de um mesmo subtítulo deste capítulo. vivida com um marcado sentimento de atualidade” (38) (p. A regressão é necessária para a revivescência dos conflitos originais infantis do analisando cm sua relação com o analista (neurose de transferência) e sua conseqüente elaboração. Para compreender as diferentes peculiaridades ao vínculo terapêutico em terapias breves de insight.a enfermidade mental.). Esperase. tempo­ ral e formal (18) (25).Fundamentos teóricos 25 ceitos de maneira conjunta. 459). associação livre. que tornará possível que o paciente assuma realmente uma conduta mais adulta na vida. dentro da relação analítica”. etc. A regressão pode ser entendida como o processo pelo qual readquirem vigência estados ou modos de funcionamento psíqui­ co pertencentes a etapas anteriores do desenvolvimento do indiví­ duo. de um modo especial. é preciso além disso levar em conta os conceitos de transferência e de neurose de transferência9. além disso. silêncio do analista. dando lugar a um crescimento psicológico paula­ tino.. a transferência com o analista. Isso implica. é claro.regressão produzida gere um in­ cremento da dependência do analisando em relaçào ao analista. que a. numa tentativa de esclarecer as diferenças que nesses as­ pectos apresenta o tratamento breve de insight com relaçào à psi­ canálise. No processo analítico trata-se de favorecer. a qual representa um meio essencial para se alcançar o objetivo terapêutico. os sonhos e a classificou em três tipos: tópica.

259). logo passou a ocupar. (Os grifos são meus. citando novamente Laplanche e Pontalis (38). Mesmo assim. diremos que é a reprodução da neurose infantil na relação com o analista. expostas na situação analítica” (15). coordena as relações de transferência a princípib difusas ( “trans­ ferência flutuante’. Deste fato se depreende que é conveniente per­ mitir . Na psicoterapia breve de insight. 258). com o fim de provocar mudanças estruturais no aparelho mental do paciente para que este seja capaz de uma adaptação ótima à vida” (grifos do autor). um papel de decisiva importância na cura (22). ou seja. Pressupõe a reedi­ ção seletiva de determinadas situações e mecanismos infantis na relação terapêutica. na qual o pas­ sado se restaura no presente com o propósito de. inicialmente considerada por Freud como um obstáculo no tratamento psicanalítico. Esses autores estabelecem. Em relação a esta última expressam-se: “de um lado. a diferença entre as reações de transferência propria­ mente dita. será fundamental se aspira à cura do anali­ sando. É oportuno recordar aqui a definição que dá Rangell da psicanálise como método terapêutico: “A psicanálise é um méto­ do de terapia pelo qual se estabelecem condições favoráveis para o desenvolvimento de uma neurose transferenciai.) A transferência. até converter-se sua análise na tarefa central. em troca. obter uma resolução dessa neurose (transferenciai e infantil). a neurose transferencial consiste em uma “neurose arti­ ficial em que tendem a se organizar as manifestações de transfe­ rência” (p. Freud faz referência à neurose transferencial como a uma “massa de pautas culturais neuróticas estereotipadas. mediante um ata­ que interpretativo sistemático às resistências que se opõem a isso. com base nos escritos de Freud. Rangell acrescenta que tais condições indispen­ sáveis distinguem qualitativamente a psicanálise de seus diversos derivados (46).26 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Quanto à neurose transferencial. permite ao con­ junto de sintomas e condutas patológicas do paciente adotar uma nova função ao referir-se à situação analítica” (p. por meio da elaboração. tanto para ele como para a maior parte dos psicanalistas.durante a terapia psicanalítica. de outro. cuja resolução. não é conveniente favorecer o desenvolvimento da regressão nem de uma neurose .e inclusive promover . o desenvolvimento da neurose transferencial. segundo Glover) e.

razão pela qual o trabalh«} interpretativo recai mais em suas relações com os objetos de sua realidade exter­ na do que na relação com o terapeuta. por outro lado. na psicoterapia breve. às vezes inexoravelmente. deve-se procurar que o paciente não concentre muita libido na relação com o terapeuta. o que adquire importância agora é a busca de insight do paciente a respeito de situações confiitivas atuais de sua vida cotidiana (que são as queihabitualmente dão origem à consulta). no desenvolvimento. regressivo-dependcnte. como as metas terapêuticas não estão dirigidas para a reestruturação da personalidade nem para resolver conflitos básicos do indivíduo. junto ao de uma regressão vivencial. já que. expondo-o a diversas reações transferenciais nocivas em virtude da mobilização afetiva produzida e.Fundamentos teóricos 27 transferencial. den­ tro do possível. Por meio de diferentes recursos. também aconselham que se evite. aos quais mais adiante me referirei em detalhes (ver capítulo 6). Segundo Szpilka e Knobel. mas sim para mitigar alguns sofrimentos atuais. nesses procedimentos é preciso precaver-se de estimular tanto a regressão como a neurose de transferência (51) (37). Os mecanismos terapêuticos não se sustentam. ao deixar truncada sua elaboração. tendo em vista as limitações inerentes a esses tratamentos. não seria coeren­ te que o insight de aspectos da relação transferenciai neurótica. dado que as condições do paciente e/ou do enqua­ dramento não são apropriadas para tais fins. entre outros. deixaria . na análise e na resolução da neurose transferencial. configurando uma neurose de transfe- . continuasse sendo o recurso terapêutico fundamental nesse novo contexto. ante a pers­ pectiva de terminar sua terapia10. Seu desencadeamento. em geral.o paciente em um estado regressivo-dependente. podemos esperar que a adoção de algumas medidas técnicas impeça que a transfe­ rencia alcance demasiada intensidade e chegue a cobrir e a domi­ nar a situação terapêutica. a dificuldades para aceitar sua separação com relação ao terapeuta.iatrogenicamente . Bellak e Small (6). Se bem que os fenômenos transferenciais também ocorram. do mesmo modo que Wolberg (54). pode considerar-se uma complicação (às vezes inevitável) nas psicoterapias breves. em particular. o desenvolvimento da neurose transferencial.

Na terapia breve interpretativa. A análise exaustiva das resistências constitui uma parte im­ prescindível de todo tratamento psicanalítico. . as da transferência e as do ganho secundário da doença. é um dos moti­ vos para que isso ocorra. A regressão só deveria ser permitida em pequeno grau. em seu trabalho “Ini­ bição.).B. o mesmo caráter intensivo que em psicanálise. chamamos resistência aos diversos obstáculos que o analisando opõe ao acesso ao seu pró­ prio inconsciente. O prolongamento deste deve-se. Habitualmente. como se poderia supor. quando existe. que podem ser consideradas. basicamente. Os critérios apresentados até aqui definem as características que terá de assumir a relação terapêutica em P. A terapia deve sustentar-se no predomínio de uma trans­ ferência sublimada (6).28 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica rência". Três delas procedem do ego e são: as resistências da repressão. a análise das resistências em P. deve inclinar-se para a estimulação e o reforçamento de sua iniciativa pessoal. 84 ss. Freud distinguiu e sistematizou cinco formas de resistência de um ponto de vista estrutural. de suas capacidades autônomas.B. e as resistên­ cias do superego13. em grande parte. A limitação temporal. em lugar de fomentar a dependência do paciente. não indo além dos níveis requeridos para possibilitar a exploração e experiências iniciais de insight de situações conflitivas atuais. ao trabalho terapêutico e à cura. isto é. O problema da resistência12 No tratamento psicanalítico. também chamadas por Freud de resistências do inconsciente. não apre­ senta. As outras são as resistências do id. também surgem resistências no paciente. por acréscimo. ainda que não o único. pp. como obstáculos que este interpõe ao avanço do processo psicoterapêutico especificamente do insight. sintoma e angústia” (21). (ver capítulo 6. especialmente “A relação paciente-terapeuta*no tratamento bre­ ve”. á necessidade de elaboração daquelas (27). Em 1925. a pró­ pria índole do procedimento não contempla fins tão ambiciosos. ou seja. O tratamento.

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O tratamento das resistências que dependem dos mecanis­ mos defensivos do ego, em P.B., pode apresentar as seguintes características: a) algumas defesas são combatidas, quer dizer, analisadas; b) outras, em troca, são respeitadas ou ainda reforça­ das pelo trabalho terapêutico, de acordo com o que pareça indica­ do em cada caso, com base nas condições do paciente e do enqua­ dramento. Como exemplo do mencionado no item a, podemos citar a necessidade de trabalhar as defesas maníacas (negaçào, onipotência, etc.), perigosamente incrementadas, ou, o que é mais comum, ter de atacar parcialmente as barreiras repressivas de conteúdos inerentes ao sofrimento atual, além dos mecanismos de isolamento, intelectualizaçâo, projeção, etc. Pelo contrário, e a propósito do expresso no item b, com freqüênciajjoptamos por não perturbar certos mecanismos defensivos caractefplógicos, permi­ tindo ao paciente que os conserve, seja porque queremos evitar uma mobilização afetiva excessiva e difícil de manejar no trata­ mento, seja por tratar-se de defesas relativamente úteis, as quais ainda que só ocasionalmente - poderia ser conveniente reforçar. O tema da resistência da transferência em P.B. também mere­ ce alguns comentários. Ao menos nas terapias desse tipo, tal resis­ tência não costuma ser muiter intensa. Isso se deve ao seguinte: sabemos que esse tipo de resistência obedece em parte ao ressen­ timento despertado no paciente, por sentir-se frustrado em sua relação transferencial com o terapeuta, razão pela qual Menninger propõe chamá-la de resistência de frustração ou de vingança (41). Na medida cm que, em P.B., a relação terapêutica é menos frustrante para o paciente, já que existe um vínculo mais “real” e uma maior proximidade afetiva da parte do terapeuta, conseqüen­ temente a hostilidade que desperta naquele pode ser menor do que a que o tratamento psicanalítico desperta; portanto, as resistências transferenciais também serão menores (35). Mas o terapeuta de­ verá lutar sempre para que se obtenha esse resultado, procurando lazer com que predomine uma transferência positiva. Quando es­ sas resistências se exacerbam, achamo-nos ante um dos motivos fundamentais, para cuja dissolução, a meu ver, se justifica o em­ prego de interpretações transferenciais no tratamento breve (ver capítulo 6, pp. 107 ss.).

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“Insight”e elaboração14
Entre os problemas ainda não resolvidos no terreno da psico­ terapia breve de base psicanalitica, acham-se os que concernem ao papel do insight e da elaboração e sua relação com as mudan­ ças que se obtêm nos pacientes. Começaremos por lembrar sucintamente os significados es­ senciais de ambos os termos. Com o insight queremos dizer, como L. Grinberg, “a aquisi­ ção do conhecimento da própria realidade psíquica” (31). Tal conhecimento pressupõe uma participação afetiva: não se trata simplesmente de compreender no sentido intelectual, mas tam­ bém de poder experimentar emocionalmente o contato com os aspectos inconscientes do mesmo. A elaboração ou trabalho elaborativo (working through) é um conceito de significado complexo e não suficientemente defi­ nido na bibliografia psicanalitica. Uma definição simples a des­ creve como “o processo pelo qual um paciente em análise desco­ bre, gradualmente, através de um lapso de tempo prolongado, as conotações totais de alguma interpretação ou insight” (47). (“Elaboração”, p. 49, grifos do autor.) É conhecida a importância do insight e da elaboração no tra­ tamento analítico. A finalidade das interpretações do analista, que são, por excelência, seu instrumento terapêutico, é promover o insight dos conflitos no paciente. É oportuno citar aqui Rycroft: “O objetivo do tratamento psicanalítico é definido, algumas ve­ zes, em termos da aquisição de insight, ainda que mesmo Freud nunca tenha utilizado essa formulação, preferindo a idéia de que seu objetivo é fazer consciente o inconsciente,'>(47). (“Insight”, p. 68, grifos do autor.) Com relação a esse ponto, Grinberg diz: “Freud havia assinalado que o objetivo básico do analista é conhecer; por conseguinte, não deve estar preocupado com o objetivo terapêutico. Esse objetivo de conhecer, em realidade, não se contradiz com o objetivo terapêutico, sendo o insight o fator central, e a pré-condição de toda mudança duradoura na personalidade” (31). A elaboração, como trabalho de aprofundamento do pacien­ te, implicará que este assimile as interpretações corretas do ana-

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lista, condição essencial para o êxito terapêutico (39). A respeito do princípio da elaboração, cabe lembrar: a) Requer dois fatores elementares: tempo (é por isso que a necessidade de elaboração constitui uma causa importante do prolongamento do tratamento psicanalítico) e trabalho (o labor analítico) (27). Do último se depreende que tem lugar no paciente fundamentalmente na presença do analista e com a participação deste. b) Em seu desenvolvimento intervém a regressão do anali­ sando (31). c) Inclui a tarefa de superar as resistências e a análise exaus­ tiva dos conflitos, na qual tem especial importância o que trans­ corre dentro dos limites da neurose transferencial |27). Na terapia breve de orientação psicanalítica, a concepção da existência de insight e de elaboração apresenta numerosos pontos obscuros. Sendo assim, é válido falar-se em insight nesses tratamen­ tos? Creio que sim, ainda que com certas ressalvas, como vere­ mos em seguida. Propiciar ao paciente a aquisição de insight por meio de in­ terpretações especialmente dos psicodinamismos relacionados com o transtorno atual, motivo do tratamento - deve constituir, a meu ver, nosso principal propósito na terapia dinâmica breve, sempre que as condições psíquicas do paciente o permitirem. Es­ sa atitude terapêutica nos permitirá abrigar maiores esperanças de conseguir um progresso mais sólido e estável no paciente, ao aumentar sua capacidade egóica para enfrentar e resolver as situa­ ções conflitivas. A busca de insight no tratamento breve é preco­ nizada por numerosos autores, entre eles, Bellak e Small, os quais assinalam, clara e repetidamente, seu valor, em diferentes passa­ gens de sua obra (6). Mas a técnica breve requer restrições pecu­ liares para o insight do paciente, que é necessário consignar: Com respeito à sua extensão entendo que em geral dadas as limitações do enquadramento - e sobretudo quando se trata de uma terapia de curta duração - só nos resta a alternativa de pro­ porcionar o que poderíamos considerar como experiências ini­ ciais de “insight ”, um autoconhecimcnto limitado às dificuldades habitualmente contidas no foco terapêutico (mas que tampouco

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pode dar conta de todos os aspectos do conflito subjacente ao pro­ blema vital focal, mas, unicamente, dos mais próximos e aces­ síveis à compreensão psicológica do paciente dentro desse enqua­ dramento). Isso poderá servir, ser suficiente - ou não - para os pa­ cientes, para obter mudanças dinâmicas favoráveis, pôr em mar­ cha um processo progressivo que continue ainda depois de finali­ zado o tratamento e estimular sua auto-observação e motivação para as experiências psicoterapêuticas de índole interpretativa. Em suma, numa terapia de objetivos e, eventualmente, de tempo - limitados, também o insight estará naturalmente limitado em sua extensão, diferentemente daquele mais amplo, decorrente de um tratamento intensivo e prolongado como o psicanalítico; tratase de uma verdade óbvia, mas que é necessário ter presente para estudar tudo aquilo que se relacione com mecanismos terapêuti­ cos e grau de eficácia dos procedimentos breves. Quanto ao tipo e profundidade, cabe assinalar que enquanto o insight psicanalítico tem lugar em meio a uma atmosfera regres­ siva que o favorece, dependendo principalmente da atividade inter­ pretativa a respeito das diversas reações próprias da neurose de transferência, em P.B. a busca de insight está dirigida, com mais freqüência, para as relações do sujeito com os objetos externos de sua vida cotidiana e presente, ainda que não despreze os fenôme­ nos transferenciais mais notórios, que trabalham como obstáculo (resistências transferenciais), e/ou ilustram a problemática do paciente, como se verá mais adiante (pp. 106 s.). Mais abrangente, o insight psicanalítico também o é na medida em que oferece maiores possibilidades de alcance de situações infantis reprimidas que serão revividas na situação transferenciai, permitindo, em sín­ tese, uma conexão mais completa do que sucede no mundo externo extra-analítico e na relação transferencial analítica do paciente com sua vida passada. São tipos e graus de profundidade diferen­ tes de insight, mas nem por isso devem ser-lhes negadas totalmen­ te a validade e a eficácia que se obtêm no tratamento breve. (“Não se pode sustentar, com tanta ênfase, que o insight através da trans­ ferência seja o único tipo de insight que sirva para a organização e reintegração do ego”, afirma Kamo [36].) Todavia, é possível estabelecer outra diferença com o insight do tratamento psicanalítico, que remete à natureza mesma do

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fenômeno de compreensão psicológica no paciente, e também obedece à necessidade de controlar a intensidade dos fenômenos regressivos e transferenciais: Szpilka e Knobel sugerem que em terapias breves o insight possua umaf‘maior participação cogniti­ va que afetiva”/(51), levando o paciente, como medida prudente e mediante um determinado estilo interpretativo (ver pp. 110 ss.) na relação transferencial, antes à compreensão que à revivescência das situações infantis determinantes de seu problema atual (51). Expressa dessa maneira, essa proposição corre o risco de ser dis­ torcida. Bntendo que não implica, como alguns poderiam supor, um mero insight intelectual (que configuraria uma nova forma de resistência), pois não deixa de ter certa ressonância afetiva. Mas a diferença entre o insight psicanalitico, que é mais p|eno e vívido, em suma, dotado de uma maior e às vezes diferente repercussão emocional, e o insight do tratamento breve tem de ser, nesse senti­ do, um fenômeno na medida do possível mais controlado pela ati­ vidade terapêutica, em especial se explora circunstancialmente aspectos da transferência com o terapeuta correspondentes ao infantil-genético. (Será menos necessário controlá-lo se atender aos componentes mais atuais da t/ansferência com o terapeuta ou com outros objetos da realidade externa do paciente.) Examinemos agora o problema da elaboração na terapia dinâmica breve, cuja bibliografia, como se poderia supor, é suma­ mente escassa. Bellak e Small citam, como .princípios gerais da “psicoterapia rápida”, a comunicação, o insight (do terapeuta e do paciente) e a elaboração (6). Como não se estimula o desenvolvimento da regressão nem o da neurose transferencial, e não se realiza uma análise intensiva desta nem das resistências, considero que em PB. não podemos falar em elaboração no mesmo sentido que em psicanálise. Em todo caso, o trabalho de elaboração real será escasso, principal­ mente se existe limitação de tempo. Este, como vimos, é um fator fundamental para que a elaboração tenha lugar15. Estaríamos, então, diante de um dos pontos mais discutíveis no que diz respei­ to à validade terapêutica desses procedimentos. Sem dúvida, é possível conceber um processo qualitativamente distinto do pro­ cesso de elaboração analítica, sem a profunda reestruturação meta psicológica que ela implica e basicamente circunscrito à conflitiva

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focal. Um processo imperfeito e incompleto, mas enfim de mu­ dança, que em circunstâncias em que o tratamento esteja limitado em sua duração, também o estará, mas que em alguns pacientes, com capacidades egóicas suficientes, poderá talvez ainda conti­ nuar, depois de concluído o tratamento breve. Nesse último caso seria uma espécie de “auto-elaboração”, a qual se teria iniciado, a princípio, com o trabalho terapêutico, para seguir um caminho pro­ gressivo até a consolidação dos resultados16. Os mecanismos ínti­ mos desse fenômeno, que apresentaria, talvez, grande importância terapêutica em alguns casos, ficam difíceis de precisar no momen­ to17. Talvez as modificações significativas que às vezes se eviden­ ciam, inclusive na estrutura de personalidade de pacientes tratados com o procedimento breve, em testes projetivos efetuados anos depois de finalizado o tratamento (32), se relacionem a mecanis­ mos desse tipo. Mais adiante, considerando os resultados e meca­ nismos terapêuticos, retornaremos à discussão desses fatos. Finalmente, cabe acrescentar que numa terapia de objetivos e tempo limitados talvez seja necessário concluir que o insight e a elaboração terão de ser em boa parte estimulados, quer dizer, faci­ litados e agilizados mediante o papel ativo do terapeuta, dadas as condições de focalização e de curta duração do tratamento.

Fortalecimento e ativação das funções egóicas
Considero que a aquisição de insight por parte do paciente, através de interpretações do terapeuta, seja a forma mais aprecia­ da de se conseguir o fortalecimento de seu ego. No entanto, de­ vem ser levadas em conta outras formas, cuja significação tera­ pêutica não é muito menor, era meio às terapias breves, e que não são, necessariamente, incompatíveis com a busca de insight. Muitas vezes, as diversas medidas terapêuticas destinadas ao rcasseguramento e à ativação de funções egóicas são englobadas sob a denominação genérica de psicoterapia de apoio. O emprego de tal denominação encerra o risco de que os terapeutas, sem con­ siderar mais cuidadosamente tais medidas, desprezem-na, já que nos círculos psicanalíticos o termo apoio, como se sabe, está carre­

“Todos os nossos pacientes. a aplicarmos também à técnica breve. o paciente deve emergir recon­ fortado e reafirmado em suas capacidades egóicas c recuperando sua facilidade resolutiva nas situações de conflito. Por conse­ guinte. em graus variáveis. Se só inter­ pretamos ou só analisamos. ____ ____ _______ ____________________________ ________ _ gado em alguns casos de um sentimento francamente pejorativo.'que se caracte­ riza pelo emprego de certo tipo de intervenção verbal que busca conseguir reforçamento e ativação do ego. Há motivos para atribuir fun­ damental importância a esses conceitos no campo das terapias breves.natureza. quando não há uma alter­ nativa melhor. os autores con­ tinuam: “(. ante a possibilidade de que suijam mal-entendidos. e para os quais o único resultado que se pro­ cura obter é uma supressão de sintomas. para técnicas de apoio emocional. a necessida­ de de apelar.B. com as interpretações. deixamos sem querer a impressão de que suas reações são meras repetições de seu passado infantil. e que pode ser alternada. e que sua conduta é imatura. coerentemente.Fundamentos teóricos _ ______ . . com ligeiras alterações. errônea ou insana. às vezes exclusivamente... mas pode resultar extremamente significativa e útil se. e sem que se intente colocar o paciente em contato com as motivações profundas de seu sofrimento. duvidam de seu discernimento. Necessitam da expe­ riência de que se reconheçam e se respeitem suas funções egóicas e suas relações objetais adequadas”. é importante confirmar aqueles aspectos de sua conduta que indicam um fun­ cionamento sadio. Começaremos por reconhecer. porquanto costuma implicar basicamente o fomento e a utilização de uma relação regressivo-dependente não analisada. de distinta . de suas percepções e de seu valor. dos quais. precisamente. Se parte de nossa meta terapêutica consiste em aumentar as funções egóicas sãs do paciente e sua capacidade para as relações objetais.e mesmo oposta . é o caso de pacientes que por debilidades egóicas não cónsèguem tolerar uma terapia interpretativa. também em P.) muitos de nossos pacientes necessitam ter a experiên­ cia de sentir que estão no caminho certo. é con­ veniente estabelecer algumas distinções sobre o tema. e por isso mesmo não-progressiva.” Esta frase pertence a um artigo de Greenson e Wexler (30) e se refere ao tratamento analítico. Mas defemos discrimi­ nar com clareza esta posição terapêutica de outra.. Mais adiante.

que costuma fomentar a idealização de sua figura. assinalando seus rendimentos egóicos adequados. cm lugar de incentivar uma rela­ ção dependente.36 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Dessa maneira observamos que na psicoterapia de apoio pro­ priamente dita ou “pura” as medidas de apoio promovem a depen­ dência regressiva no paciente. falar de tratamentos breves em que pre­ domina o insight e de tratamentos breves em que predomina o re­ força mento ou o ^ o /o e^(2iccu. Assim mesmo. / Diremos entào. a atividade do terapeuta orienta-se.) Fiorini proporciona alguns bons exemplos das diversas inter­ venções capazes de sustentar e ativar o funcionamento egóico (12). ou reforçadoras do ego não-interpretativas. incluindo as de objetivos e tem­ po limitados. ou ainda exclusivamente de apoio no sentido antes descrito. “mistas”. em direção à estimu­ lação das capacidades autônomas do paciente. interven­ ções diretivas). Quer dizer. pro­ movemos nele um sentimento de reafirmação ou reasseguramen­ to que pode funcionar. que deverá fundar-se numa compreensão psicodinâmica adequada do proces­ so terapêutico20. em sua maioria. que as terapias breves são. sim. se partimos dos retursos que o pa­ ciente verdadeiramente possui. como se depreende do que assina­ lam Greerson e Wexler. não só para fortalecer. sendo essa natureza “mista” uma característica relevante de tais terapias (podemos. e ao assinalar-lhe esse fato. mas também para ativar diversos funcionamentos egóicos1*. o resultado de uma reunião de elementos próprios de uma técnica de insight com estes outros elementos reforçadores e estimuladores de determinadas funções do ego'\ Mas é mister que tais psicoterapias se traduzam numa combinação antes de tudo coerente de intervenções. pelo contrário. e ao mesmo tempo se valem desta para exercer seu efeito. esta ati­ tude terapêutica não impede. por exemplo. Para este autor.segundo o lado para o qual se incli­ ne a balança em cada caso21. a análise de aspectos inconscientes do pa­ ciente. são. o protótipo da atividade terapêutica nesses trata- . em troca. com muito mais freqüência. em seu enfoque e na prática. As psicoterapias dinâmicas. Nesta outra forma de reasseguramento egóico. na medida em que o terapeuta assume um papel protetor-autoritário (empregando. incluindo os mecanismos de defesa neuróticos do ego. em vez de serem puramente interpretativas.

Trata-se de outra característica substancial desse tipo de terapia. intervenções de reasseguramento. Multiplicidade de recursos terapêuticos Eis aqui outro aspecto distintivo da P. É sumamente valiosa a participação de outros profissionais da saúde mental (psicólogos. Estes procedimentos admitem e com'freqüência requerem . por isso também chamada de focal j(40).) nos tratamentos. dada a sua urgência e/ou importância. psicopedagogos.B. assim. poderse-ão anexar à psicoterapia individual outros elementos. 40 ss. que adquire prioridade. está “enfocado” para determi­ nada problemática do paciente. etc. regressivos e patoló­ gicos. .B. no tra­ balho científico. progressivos e sadios. sugestões. se registram no emprego de distintos recursos psicoterapêuticos. etc. Todo recurso que tenha demonstrado ser útil no campo da terapêutica psiquiátrica poderá eventualmente ser incorporado ao tratamento. mantendo certo equilíbrio nas referências a uns e outros (12) (13)22. assis­ tentes sociais. terapeutas ocupacionais. tais como psicodrogas. em virtude da necessidade de se alcançarem os objeti­ vos terapêuticos. (14) (48) (55). e portanto não só são feitas menções a seus aspectos infantis. etc.a associa­ ção dc diversos elementos terapêuticos. pp. fornecimen­ to de informações. nu­ ma tarefa efetuada em equipe23.. cujas perspecti­ vas de inclusão correm em paralelo com os progressos que. além dos distintos tipos de intervenção verbal não-interpretativa (assinalamentos.).). Focalização O trabalho terapêutico em P. enquanto se deixam de lado as demais dificuldades.Fundamentos teóricos 37 mentos está representado por uma tarefa em “frente dupla”. na qual se têm sempre presentes “as partes sãs” do paciente. mas também a seus aspectos adultos. comunitárias. técnicas grupais. o que os afasta ainda mais do enquadramento e dos cânones psicanalíticos. que per­ mite distingui-la da técnica psicanalítica corrente a qual não opera com um módulo conceituai de foco (ver “O foco”.

tentarei. que compreende um plano de tratamento prévio ao desenvolvimento do mesmo. Quadro comparativo de algumas características teórico-técnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em forma de síntese e considerando-se as limitações que supõe todo esquema. sempre com adequada compreensão e fundamentação psicodinâmica. ponto de urgência e hipótese psicodinâmica inicial) Uma prova a mais da confusão reinante no terreno teórico da P. que a distingue nitidamente da psicaná­ lise.B. Junto às metas e à duração do tratamento fixam-se os pontos fundamentais do processo terapêutico. e que chega a cobrir até a etapa final de avaliação de resultados (ver capítulo 5). Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema. é a imprecisão com que os profissionais empregam corrente­ mente alguns termos. na forma de proposta. além disso. A inclusão de tais instrumentos depende. . que fazem parte de um jargão característico das terapias breves.38 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Os diferentes instrumentos psieoterapêuticos devem ser im­ plementados coerentemente. tais como foco ou ponto de urgência. Diante de necessidade de alcançar uma conceitualização teórica su­ ficientemente clara. precisar seu sig­ nificado. será útil a esta altura expor em um quadro as caracte­ rísticas de um e de outro procedimento. da maior ou menor flexibilidade do terapeu­ ta e de sua capacidade para tentar criativamente combinações te­ rapêuticas harmônicas e eficazes.. Estes.foco.B. tendo em vista a obtenção de um maior discernimento. É outro traço da P. Planejamento . nem sempre podem distinguir-se com facilidade uns dos outros. a fim de se obter uma visão que nos facilite a discriminação entre ambos (ver página seguinte).

Explicitarei.Fundamentos teóricos ________ ________ ________ _________ _________ ______ _ Descreverei sucessivamente: a) a situação-problema. e estabelecerei tanto as diferenças funda­ mentais como as relações que existem entre eles. habitualmente a con­ flitos derivados Limita-se habitualmente a conflitos derivados Não são favorecidas Não Limitada Sim. Psicanálise A exploração do incons­ ciente. Mais cognitivo que afetivo Não. Referido so­ bretudo ao “de fora”. sobretudo. Resolução de con­ flitos básicos e seus deri­ vados. São favorecidas Dependência / Desenvolvimento e análise da neurose Sim de transferência Análise de Intensiva resistência ThCNICA Insight Elaboração Fortalecimento e ativação das Junções egóicas Focalização Multiplicidade dos recursos terapêuticos Planejamento Sim Sim t «» Limita. Reestruturação da personalidade Prolongada Indeterminada Refere-se especialmente a conflitos básicos Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Limitados. Processos geradores de mudanças Sim Sim Sim Sim Não (ou muito pouco) Não Não Não . o que quero dizer pessoalmente com cada um desses termos. b) o foco\ c) o ponto de urgência e d) a hipótese psicodinâmica ini­ cial. Superação dc sin­ tomas c problemas atuais Fins terapêuticos Duração 1 Trabalho com os conflitos Regressão. Limitado.

F.).ou situação critica. distúrbios corpo­ rais. então. uma gravidez. etc. e como conseqüência de uma falta de resolução favorável. Deutsch (8). situação-obstáculo. de concentrar a tarefa terapêutica em determinado sintoma. assinalaram a conveniên­ cia de focalizar.40 a) A situação-problema Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com essa denominação tento indicar que se trata de uma situa­ ção que se torna presente na vida do indivíduo. situação desencadeante. Com relação a eles. b) O foco Constitui talvez um dos elementos mais característicos e dis­ tintivos da atual P. Wolberg (55). referência a fatos que são manifestos e objetiváveis. Muitos autores. uma mu­ dança de trabalho. A situação-proble­ ma . a quem devemos o desenvolvimento de um modelo conceituai de foco (11). A existência de uma ou mais situações atuais dessa natureza pode ser detectada com freqüência em grande parte dos pacientes que solicitam assistência psiquiátrica. etc. Small (6) e Malan (40). Mas foi sobretudo Malan. problemática ou setor da psicopatologia do paciente. entre os quais se destacam Stekel (50).B. Alexander (5). Implica. etc. a focalização con­ tribui para tornar mais efetiva a atividade terapêutica em função . aparecem no sujeito inibições e sintomas diversos (ansiedade. French (5). depressão. que costumam constituir o motivo (manifesto) da consul­ ta e que poderão ou não ser ligados pelo paciente e pelo terapeuta às situações-problema que na realidade os provocam24. Ao propiciar uma centralização da tarefa. um acidente. o nascimento de um filho. medo. . quer dizer. e que são passíveis de se­ rem tratados por meio da técnica breve. Entre nós cabe citar muito especialmente Fiorini. diante da qual e por motivo de cuja ação descompensadora surgem ou podem surgir nele dificuldades de índole psíquica que operam como obstáculo para alcançar um desenvolvimento adequado. quem se 'Ocupou mais exaustivamente do foco terapêutico e promoveu a denominação terapia “focal” (40).pode ser provocada por ocorrências tais como um exame. a perda de um ser querido. Bellak (6). uma viagem ou uma intervenção cirúçgica próximas. junto com Balint. uma crise evolutiva como a da adolescência.

entre outras coísas (40): a) manter a coerência e a operatividade a res­ peito da fixação de objetivos terapêuticos prioritários. O que devemos entender realmente por foco? Como surge. É evidente que não resultou fácil kchar e adotar majoritariamente uma definição que expresse de modo pleno a natureza e o signifi­ cado do foco. totalmente esclarecedora. então. tam­ pouco é. d) contrapor-se ao desenvolvimento d| neurose de transferência (há uma orientação constante em direção à realida­ de e ao atual do paciente). com os pontos de urgência. já que. mas não só uma limitação temporal a justifica: a técnica focal também é adequada àqueles pacientes que podem realizar psicoterapias sem prazo fixo de duração. a noção de foco ainda é. com os sintomas que motivam a consulta. a partir de uma perspectiva psicopatológica. primordial e essencialmente. sumamente ambígua e se confunde com a situação de crise (situação-problema). O terapeuta pode. nas quais. o tra­ tamento psicanalítico é contra-indicado. Nesse sentido será definido como/ uma estrutura integrada pelos distintos fatores intervenientes na gênese da que foi escolhida como a problemáti-- . c) combater a passividade e o perfeccionismo do terapeuta. etc. Comenta Fiorini: “A diversidade de significados que possam ser atribuídos à noção de foco ilustra o estado atual da teoria. A que formulou Malan. como assinala Fiorini (11) (13). O foco deve ser concebido. no sentido de ser “a inter­ pretação essencial. circunscrever-se a certos problemas do paciente. na prática psicoterapêutica? Procurarei encontrar minhas próprias respostas a essas perguntas.” E acrescenta: “Sem um esforço de preci­ são e delimitação rigoroso de seus conceitos básicos não é possí­ vel construir uma teoria com certo grau de verificabilidade” (13). não explica em que consiste ou como está constituído o foco. realizando uma abordagem interpretativa setorial e respeitar o resto de sua organi­ zação patológica e das áreas de sua vida. e inclusive prolongadas. por diversos motivos (idade avançada. como se configura e como se delimita. ao se revestir de um caráter técnico. com as metas do tratamento. no meu entender. Trabalhar com uma técnica de “enfoque” implica. sobre a qual se funda toda a terapia” (40). por exemplo). b) planejar o tratamento. Contudo.Fundamentos teóricos 41 das metas selecionadas e em uma terapia de duração limitada.

situações de crise). existe um conflito nuclear exacerbado. dirigindo preferente­ mente para aí. à qual também se vinculam todos os componentes citados. Como o exame médico não revelasse nenhuma alteração orgâni­ ca.42 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ca central do tratamento (uma determinada situação-problenioji as manifestações sintomatolósicas^u. uma hipótese ou um conjuniade hipóteses do terapeuta a respeito dos mecanismos operantes dentro de taljvoblemàtica. seguidos em certa ocasião de desmaio. O modelo teórico de foco que Fiorini desenvolveu é de gran­ de utilidade prática. e na qual um exame analítico nos permite distinguir zonas com diversos componentes: aspectos caracterológicos do paciente. aspectos histórico-genéticos individuais e grupais reativados. ela se achava deprimida. todo foco tem um eixo central. citado anteriormente. ela Usadas). de 31 anos. consultou um serviço psiquiátrico hospitalar por ter apresentado episódios de paresia de ambos os membros inferiores. professora rural de uma escola primária localizada no sul da Argentina. ou seja. o qual se inse­ re em uma situação grupai específica. Esses diver­ sos componentes se encontram atualizados e totalizados pela situação (11). especialmente válido para esses procedimentos. que geralmente é definido pelo motivo da con­ sulta (sintomas. Vejamos um exemplo a partir do caso da professo­ ra. Essa mulher. solteira. por meio do qual se tenta basicamente delimitar zonas da problemática geral do paciente e/ou dos episódios de sua vida. além de uma zona relativa ao momento evolutivo individual e grupai e outra de determinantes do contexto social mais amplo. Sucintamente recordaremos a estrutura do foco proposta por este autor: na prática terapêutica. o diagnóstico se orientou na direção de uma afecção essencial­ mente psíquica. enquanto esta corresponde a uma finalidade também limitada e preestabelecida. a partir desse momento. da complexa interação existente entre osfatores^Podemos considerar que atua como um artifício teórico-técnico.^constituindo. Paralelamente. Por outro . que se encontrava de passagem em Buenos Aires. a exploAção terapêutica. ao mesmo tempo. Motivo da consulta. Subjacente e ligado ao motivo da consulta. confli­ to nuclear subjacente e situação grupai são aspectos “de uma situação que condensa um conjunto de determinações”.

veremos que: a) Entre os aspectos caracterológicos em jogo destacavase o conflito suscitado por uma instância superegóica muito severa. ainda que conservasse certa eficiência . tinham aparecido após áspe­ ras discussões com a diretora. então. obtenção de benefícios secun­ dários de seus sintomas. Os sintomas. onde assumiu o trabalho docente. Descobriu-se que os sintomas e a situação desencadeante que constituíam o motivo da consulta correspondiam a um conflito da paciente com figuras femininas de autoridade. Tratava-se. tinha-se ausentado do lar quatro anos atrás e se ignorava seu destino. Se procurarmos precisar os componentes dessa situação. manifestou que tinha problemas de adaptação ao trabalho. Tudo isso faz parte da situação grupai. tendo falecido há um ano. Tempos atrás havia-se afastado de sua mãq . junto a uma busca oral regressiva de afeto através de conversões (identificação com a mãe da diretora . representantes dos irmãos. com seus mem­ bros distantes e dispersos ou ainda desaparecidos. a projeção e a conver­ são.Fundamentos teóricos ___________ lado. ao ser assistida pelos demais professores. por outro lado. dc uma família que correspondia ao tipo*'esquizóide (7). Esse é o conflito nuclear.e radicou-se no sul. Apresentava traços histéricos de caráter. Seus irmãos (três mulhe­ res e dois homens) moravam por sua vez em diferentes locais do país.carinhosa­ mente cuidada por esta última até a morte .movida pelo desejo de ser tratada de modo semelhante. A paciente residia em um lugar muito distantes de seu meio familiar. a qual estava passando por um período de extrema tensão e a fazia sentir-se muito exigida e mesmo perseguida. alcoólatra crônico. evidenciável através de diferentes experiências de sua vida. a regressão. havia sofrido de uma enfermidade crônica. Seu pai. sobre uma estrutura que parecia basicamente melancólica. As funções egóicas esta­ vam em geral debilitadas. como no caso do pai. com paralisia dos membros inferiores. ocasionados pela má relação que mantinha com a diretora da cscola. os quais também eram professores)25. e a quem descreveu como uma mulher sumamente autoritária e depreciativa para com ela . A mãe desta última. Os principais mecanismos defensivos empregados nessas cir­ cunstâncias foram a repressão. claramente vinculados a tal situação.com quem vivia no norte do país.

já que se sentia víti­ ma dos preconceitos existentes contra os denominados cabecitas negras*. organizado sempre em torno de uma situação-problema e dos sintomas provenientes desta. ao qual se remete em última instância tal conflitiva. A desconexão existente entre quase todos os membros do grupo familiar e sobretudo o desaparecimento do pai contri­ buíam para fazer deste um momento muito difícil para a paciente. b) Dentro do momento evolutivo individual e grupai cabe des­ tacar que sua migração. 22 a 24. a conflitiva focal é representada fiindamen* Expressão pejorativa semelhante à nossa “cabeça chata”.44 Psicoterapia breve de orientação psicunalitica em seu trabalho e revelasse suficiente tolerância à dor para enfrentar uma psicoterapia de insight. edípico ou pré-edipico. ao mesmo tempo em que era fundamental para manter sua auto-estima (o magistério era altamente valorizado em seu meio social). o qual era seu único meio de vida. aumentando especialmente sua angústia e favorecendo o desenvolvimento de mecanismos regressivos. numa busca neuróti­ ca de afeto. Estes são os determinantes do contexto social. (N. utilizada nas cida­ des para se referir àqueles que têm origem rural e sangue indígena. e tentando uma síntese. que podemos chamar conflitiva focal. De minha parte. e que vem a constituir o nó da estrutura focal (ver O trabalho com os conjlitos. do T. com um conflito infantil e primário. Sua auto-estima se achava muito diminuída. entendo basicamen­ te que o foco. No exemplo antes citado. apresentando tez escura e cabelos negros e lisos. c) Suas precárias condições econômicas eram outro fator pre­ mente que a obrigavam a um rápido restabelecimento para poder reintegrar-se ao trabalho (achava-se em gozo de licença). sua falta de parceiro e seus fracassos ardorosos anteriores pesavam. pp. no qual custava a fazer amigos justamente quando se achava mais necessi­ tada para reafirmar-se em sua tentativa de emancipação. compreende em sua conformação uma conflitiva subjacente mais ou menos ampla e complexa. acarretou de imediato o incremento de suas carências afetivas e de seu sentimento de solidão e insegurança no novo meio.) . Aos 31 anos. realizada com o objetivo de conseguir um desprendimento em relação à mãe e libcrtar-se de sua opressão. Por outro lado experimentava um sentimento de inferioridade diante dos demais professores.

mas também o terapeuta obtém um aprofundamento na compreensão de seus psicodinamismos28. melhor será^prognós­ tico do tratamento. muitas vezes. e que se origina­ ram a partir de um conflito primário com a figura materna. . Ao começar uma terapia focal. A evolução habitual do foco com o trabalho terapêutico pode ser observada no esquema desta página. de diversos fatores. quanto mais precoce e mais claramente demarcáveEÍor o foco. que encontram sua expressão no ambiente de trabalho. ainda que nem por isso tenha de de­ sembocar forçosamente na tentativa de proporcionar insight ao paciente acerca dos mesmos. enrai­ zado em fixações edípicas c pré-edípicas a ela. dever-se-á contar pelo menos com um esboço inicial de foco terapêutico. A escolha por parte do terapeuta. Isso pode ocorrer: a) surgindo situações novas. em virtude da técnica de “enfoque” empregada. mais efetivo/ No começo. e que poderão ser tratadas com possibilidades de êxito terapêutico nas condições de que disponha para levar adiante o tratamento. o qual dependerá. Eventualmente. pois permitirá um trabalho. diante de um mesmo caso e num mejsmo momen­ to. sobretudo no que diz respeito à determinação das perturbações que privilegiará. de seus critérios pes­ soais e de sua experiência prévia. Às vezes teremos de mudar o foco e as metas terapêuticas em pleno tratamento. tal foco não só vai-se deli­ mitando melhor. 23). através da qual. no qual a paciente repete aspectos de suas relações familiares (em especial com a diretora). como já vimos em parte (p. Durante o processo terapêutico costuma-se assistir a uma “evolução” desse mesmo foco. os limites focais são imprecisos27. se cristalizando. Esses gravitarão em tomo de suas impressões quanto à patologia do paciente. imprevistas e traumáticas na vida do paciente. configurado a partir das descobertas obtidas nas entrevistas clínicas e no psicodiagnóstico^Numa terapiajireve. dois ou mais terapeutas poderão chegar a diferir na escolha’*. de uma situação-problema e do conseqüente foco para sua abordagem preferencial num tra­ tamento breve depende. que obriguem uma recolocação e o adiamento da tarefa programada inicialmente. Um critério psicanalítico para a investiga­ ção do foco deverá privilegiar o reconhecimento das raízes in­ fantis da conflitiva focal. quer dizer.Fundamentos teóricos 45 talmente por conflitos derivados. entre vários fatores.

46 Diagnóstico Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Processo terapêutico k 1. que tornam aconselhável modificar tanto o foco como os objetivos29. . Em torno do término se vai perfilando um novo foco . depois. de certos fatos ou sofrimentos de importância. pela ação de fatores atuais. que gera um incremento da angústia e uma reação defensiva de desprezo e hostilidade em relação a ele30. temor inconscien­ te de ser abandonado pelo terapeuta..B. já conhecido dentro da técnica psicanalitica. poden­ do. predomina no sujeito num dado momento. c) 0 ponto de urgência Esse conceito. c) como circunstância habitual nos estágios finais dos tratamentos. também se reveste de grande importância prática na P. Por exemplo. sendo motivo de de­ terminadas ansiedades e defesas. ocupar exclusivamente o primeiro plano. diante da iminente separação paciente-terapeuta. que omitiu deliberada ou involu­ ntariamente no começo. dadas sua história e características pessoais . durante a terapia.O foco vai-se delimitando mais claramente na superfície (pode ser relativamente isolado de outras conflitivas) e crescendo em profundidade b) ante revelações do paciente.que se superpõe primeiro ao anterior no processo terapêutico. Limites confusos no começo 2 e 3.diante da significação singular que este possa alcançar em cada paciente. No meu entender. o ponto de urgência corresponde à situação psí­ quica inconsciente de conflito que.

O ponto de urgência pode ser inerente ao foco {tyocal) . que adquire de imediato prioridade no traba­ lho terapêutico. co­ mo a própria denominação sugere. Interessam sobretudo as interpretações: o fato de que estas obtenham uma repercussão emocional efetiva no paciente dependerá fundamentalmente de que estejam ou não dirigidas para o ponto de urgência.Fundamentos teóricos 47 Freqüentemente a detecção do ponto de urgência conduz. além de reve­ lar falta de senso comum. e que “saem do foco”. pela conclusão da terapia). pois são vários os que se suce- . ao trabalho terapêutico imedia­ to do mesmo. o ponto de urgência é. pertur­ bando assim a focalização do trabalho terapêutico. apesar e por cima da ansiedade que essa situa­ ção imprevista nele provoca. as distintas medidas terapêuticas. Sua busca parte de uma inter­ rogação que o terapeuta se formula: a que obedece a ansiedade do paciente neste momento? Pressupõe. um roubo. a indagação a respeito de um ponto crítico. por exemplo. Também. então. sendo. o caso de situações de emergên­ cia inesperadas (a morte de um ser querido.subjazindo diretamente à situação-problema ou ligando-se a fatos que correspondem de algum modo à conflitiva focal . Este último acontece com freqüência. Enquanto um tratamento breve costuma se desenvolver sobre a base de uma estrutura focal (11) apenas ou no máximo de dois focos (toda vez que se leve em conta o que se relaciona à sepa­ ração definida. afetando o pacien­ te. é uma obstinação que. daí seu valor clínico. em conse­ qüência. pretender continuar nesse momento o trabalho com a conflitiva focal. o paciente poderá recuperar a capacidade de concentração focal necessária. pelo contrário. nessas ocasiões é imprescindí­ vel atender ao ponto de urgência. Para esse ponto deverão orientar-se. auxiliando o paciente. resulta ineficaz.) que costumam apresentar-se durante o tratamento. for­ çando o paciente. etc. Somente quan­ do a calma tiver sido restabelecida. precisaremos antes desembaraçar o campo dos estímulos traumáticos que impedem circunstancialmente que o paciente concentre seu interesse naquela problemática.ou ser rela­ tivamente estranho a ele (exlrafocal). Na verdade deveríamos empregar o plu­ ral e dizer os pontos de urgência. Precisamente para po­ dermos voltar a nos ocupar produtivamente da problemática prin­ cipal do tratamento. variável. pois mobiliza ansiedades e produz descompensa­ ção no paciente.

formulação psicodinâmica pre­ coce (17). tentando modificações e resoluções. sobredeterminação. produzida pela atividade terapêutica. e que se constitui a partir dos dados que aflo­ ram nas primeiras entrevistas e no psicodiagnóstico. desde as entrevistas iniciais51 até as etapas finais do trata­ mento. Entre estes últimos distinguimos: a) os que são próprios de sua vida cotidiana e b) os que provêm da atividade terapêutica. com base nas descobertas obtidas durante o tratamento. Em meu conceito. etc. é mais abrangente. em certa medida. aos conflitos restantes extrafocais . formulação psicodinâmica (55). Tal variabilidade -se deve à influência de diversos estímulos procedentes dos mundos interno e externo do paciente. A concepção dessa hipótese psicodinâmica inicial está regi­ da pelas teorias psicanalíticas (determinismo psíquico. pois é susceptível de ser confirmada. Enquanto a estrutura do foco se organiza. já que isso pode ser indício de uma mobilização afetiva útil. ampliada ou retificada. a tudo o que dinamicamente pode- .48 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica / dem. tal como a concebo. a hipótese psicodinâmica inicial pode ser entendida como um esboço reeonstrutivo da história dinâmica do paciente. etc. uma tentativa de compreensão global de sua psicopatologia que tende a incluir todas as perturbações do paciente que nos sejam conhecidas (40) (entre as quais se destacam as corres­ pondentes ao foco). única e exclusiva­ mente em torno de uma determinada situação-problema da vida atual do paciente.). ainda que em sua maior parte se incluam numa mesma conflitiva focal32. séries complementares.do paciente. a hipótese psicodinâmica inicial. envolvendo apenas certos setores de sua psicopatologia. além disso. que o ponto de urgência vá-sc modi­ ficando. englobando inclusive a hipótese focaP\ Pode­ ríamos dizer que enquanto o foco aponta mais especificamente para o campo das situações que deverão ser trabalhadas terapeuticamente. Tais pontos são diferentes entre si. d) A hipótese psicodinâmica inicial Também é chamada de hipótese psicodinâmica mínima (40). Com relação aos estímulos citados em b é desejável. ou seja. Tem caráter provisório. a hipótese psico­ dinâmica inicial alude.

). seu alcance e sua estabilidade. A elaboração de uma hipótese psicodinâmica inicial por parte do terapeuta ou da equipe terapêutica permitirá: a) extrair elementos suficientes para uma de\>olução diagnostica (D. p. Diante de tais mudanças indagamo-nos acer­ ca de sua natureza íntima. que podem ser verificados por meio de acompanha­ mentos. coerente com a hipótese formulada e com os objetivos selecionados.T. na medida em que buscássemos o que não corresponde diretamente a elas. concentrar o interesse na indagação das modifica­ ções que transcendam as metas terapêuticas fixadas. e que nâo necessariamen­ te tentaremos modificar.Fundamentos teóricos __________ ______________ mos compreender e inferir acerca deste. de outro modo. devem ser avaliados. em relação ao que acontece com a situação-problema e seus sintomas.D. nossa atitude não seria coerente com suas finalidades terapêuticas. Os resultados positivos. 67). e com a finaIidade de investigar o grau de eficácia desses tratamentos. erro no qual muitos incorrem. inicial c primordialmente. os quais não se reduzem aos pacientes cuja psicopatologia seja leve e de sintomas recen­ tes (40). sim. Resultados e mecanismos terapêuticos A experiência clínica tem demonstrado que com o método breve é possível obter efeitos terapêuticos altamente benéficos e duradouros. ) ao paciente (ver capitulo 4. que por sua vez aciona a busca de acordo com o paciente sobre as metas terapêuticas (M. Mas neste ponto desejo formular uma advertência: não devemos per­ der de vista que os resultados. nas quais se integram as várias noções expostas até aqui14. Num segundo momento poder-se-á. devem ser investigados a partir de critérios dinâmicos. Malan sustenta que podem ser alcançados bons resulta­ dos em uma ampla variedade de casos. em cada caso. b) desenvolver um plano (P. que abarcam desde o puro alívio ou a eliminação da ansiedade e de outros sintomas até modificações na estrutura da personalidade. I .) de tratamento (ver capítulo 5). Tentarei esquematizar resumidamente as seqüências que ocor­ rem na prática psicoterapeutica.

50 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica .

Mudanças com relação a perturbações próprias da situação-problema (superação de inibições. etc. estando estritamente ligada ao problema da estabilidade das mudanças. isto é. Elevação. ou seja.). . 4. aquisição ou recuperação da capacidade de tomar decisões). desenvolvimento mais ade­ quado e eficaz. tais como sexualidade. etc. Alivio ou supressão dos sintomas. 5. sobretudo quando se trata de pacientes cuja patologia é grave. e ao alcan­ ce das mesmas. de amizade ou trabalho. j 6.Fundamentos teóricos Entre os resultados favoráveis que se registram. Consideração de projetos para o futuro (esboço de planos a respeito de diferentes atividades da experiência de vida do su­ jeito). Modificações na estrutura da personalidade. certos pro­ cessos geradores de mudança em relação ao tipo de atividade tera­ pêutica desenvolvida. rela­ ções familiares. (O tema dos resulta­ dos desfavoráveis e os riscos do tratamento breve se desenvolvem no capítulo 10. É evidente a participação de diversos mecanismos terapêuti­ cos nesses procedimentos. 3. sem dúvida resulta particularmen­ te difícil precisar. cabe per­ guntarmos: A que mecanismos respondem? E possível definir o processo de mudança existente? Eis aqui uma questão que ainda não está totalmente elucidada e que entra no terreno da investiga­ ção. Aquisição de consciência da enfermidade psíquica.B. não são raras <\s recaídas. estudo. Outras modificações favoráveis (referentes a dificuldades em diversas áreas da vida do sujeito. A P. recuperação ou auto-regulação da auto-estima. em virtude dos distintos recursos e estratégias operantes (13) (14). 7. estudo. ao tempo em que estas se mantêm.. pode resultar também absolutamente ineficaz em al­ gumas situações.) Voltando aos resultados positivos da terapia breve. trabalho. do ponto de vista metapsicológico. podemos mencionar: 1. principal­ mente as que não foram abordadas de maneira direta durante a psicoterapia). 2. a maior ou menor extensão que registram em relação às áreas de conduta35e/ou da vida do paciente (sexuali­ dade.

uma maior efetividade. reconhecem nele. entre os quais me incluo. deva ser exclusivamente de natureza cognitiva. 30 ss. além do mais.). configuram atrativos pontos de investigação. mas também a outras modificações favoráveis.52 Psicoterupia breve de orientação psicanalítica Como nào pretendo oferecer aqui um panorama amplo sobre o tema.B. por último. nem da cura transferencial (à qual Alexander e French conferem valor terapêutico [2] [4] [16]36) nem. em minha opinião . relaciona-se fundamentalmente com os conflitosfocais do paciente. permitindo ampliar o alcance ou a extensão das mudan­ ças a partir de uma elevação da auto-estima.). Penso que. Tampouco me ocuparei aqui dos mecanismos somente volta­ dos para produzir alívio dos sintomas (catarse. de certo tipo de falsa solução do conflito. mas que já foram muito bem descritos por Fiorini (10) (12). O paciente agora ousa ensaiar outras atitudes e levar adiante ações que antes se via impedido de realizar por sentimen­ tos de insegurança e desvalorização. que logo citarei37. em particular das condutas adaptativas. por influên­ cia de um insight parcial do conflito derivado.equivocadamente. processos dignos de se considerar. A ques­ tão centra-se em saber se confiamos ou não no valor terapêutico de um insight que em geral não se baseia na análise exaustiva da neurose transferencial. temas que já abordei antes (pp.B. São eles: o insight e a elabora­ ção. nào tem validade por esse motivo. centrar-me-ei em mecanismos que. Deixarei de lado o fortalecimento e a ativação das fiinçòes egóicas. além de importantes na gênese de modificações dinâmicas e duradouras. como temos visto (pp. o paciente com fre­ . assina­ lado por Malan (40). ao conceber . apesar de suas restrições. provém principalmente da análise das situações da realidade externa do paciente. 31 ss. etc. A eficácia de tal insight seria discutí­ vel porque. sugestão. adminis­ tração de psicodrogas. atribuem-lhe apenas efeitos superficiais adaptativos^Outros. e num maior desen­ volvimento de sua iniciativa pessoal e das diferentes capacidades egóicas.). Direi unicamente que não só costumam conduzir à consolidação dos gànhos obtidos pelo paciente através da terapia. / O insight em P. mas que é necessário voltar a considerar. que costu­ mam ser traduzidas num desempenho eficaz em distintas áreas de sua vida.que o insight em P. Para alguns autores.

(a) elaboração das resistências pode constituir-sc num penoso trabalho para o analisado e numa dura prova para a paciência do médico. capaz de promover alguma mudança dinâmica na conduta ou na personalidade do paciente/Chega-se então às se­ guintes conclusões: não é possível conseguir modificações pro­ fundas.. contudo. Mas também constitui parte do traba­ lho que efetua as maiores mudanças no paciente e que distingue o tratamento analítico de qualquer tipo de tratamento por sugestão” (27). ajudando a conceber projetos de vida com base no autoconhecimento obtido com o tra­ tamento. eviden­ ciando-se clinicamente uma melhora nas dificuldades concernen­ tes ã situação conflitiva. consciência da enfermidade. A eficácia terapêutica resultante da ação destes procedimentos é satisfatória para um grande número de situações ou quadros clínicos. For­ nece. refletidas em outras modificações favoráveis que às vezes se produzem. Com a mera interpretação do conteúdo. e toda psicoterapia que não cumpra a citada condição de elaboração das resistências é um trabalho só de sugestão? Que os analistas mantenham hoje taxativa e estritamente tais princípios é compreensível. “uma solução parcial é melhor do que*nenhuma" (55) //Dè todo mõSõTolnsight é o mecanismo graças ao qual a melhora conseguida terá mais possibilidade de se manter. como diz Wolberg. também parcial. caso sejam necessárias. além disso. prove­ niente da obtenção de certas modificações dinâmicas no conflito. ainda se contarmos com a possibi­ lidade de ocorrerem recaídas em virtude da multidcterminaçâo dos sintomas. o que jfacilitará futuras consultas. de possibilidades e limitações pessoais. não acompanhada de uma análise intensiva e de uma elaboração das corresponden­ tes resistências . A frase de Freud (1914) seria lapidar para aqueles que pre­ tendessem conceber um processo terapêutico de tempo e objeti­ vos limitados.. mas acontece que alguns vão mais longe e rejei­ tam a opção da terapêutica breve por considerá-la totalmente ine­ ficaz. a extensão e a aplicação do insight do conflito no paciente a dife­ rentes contextos (elaboração) explicaria a amplitude das mudan­ ças.o paciente não conseguiria alcançar . pelo qual este costuma ao menos diminuir de intensidade.^ “Na prática (.Fundamentos teóricos _______ ________ ________ ________ _______ _______ _______ qüência pode conseguir uma resolução.dizem . Finalmente.).

é significativo que os estudos efetuados pouco depois dc finalizado o tratamento bre­ ve não registrem um progresso maior. talvez peque por um exces­ so de otimismo.diz - . não nos propor­ mos a obter. um processo evolutivo. encontramos vários in­ vestigadores que reconhecem a existência de importantes mudan­ ças dinâmicas em pacientes que foram tratados com o método breve. Com respeito ao psicodiagnóstico. um dos autores mais entusiastas das mudanças que se podem esperar nas terapias breves. mas o terapeuta ocupa-se delas em certa medida a fim de reduzir sua intensidade. mas talvez a prá­ tica da mesma nos demonstre outros fatos. uma reação em série. e sem que haja mediado outro tratamento psicotcrapêutico (32). Afirma este autor (55) que um tratamento curto adequadamente conduzido pode desencadear. Wolberg. modificações profundas na estrutura da personalidade. Já no terreno da experiência clínica. Isto nos remete a um processo ativo de mudança que ocorre no paciente durante esse período. principalmente no que respeita à oposição do pa­ ciente ao insight da problemática focal40. que com o avançar dos anos promova uma mudança interior. do ponto de vista da teoria.B. a partir da solução de um aspecto do problema do paciente. em certas ocasiões é possível observar. ao empregarmos tal método. vemos que de fato não podem ser interpretadas rigorosamente como na psicanálise. e até prepare “alterações substanciais na perso­ nalidade que lhes abram (aos pacientes) o caminho para uma auto-realizaçào mais completa”41. insuficiente para que se produ­ zam nele modificações em um nível mais profundo. sobretudo pelas entrevistas de acompanhamento e no psicodiagnóstico (32). o que pode acontecer quan­ do se realizam vários anos depois. por exemplo. cujos mecanismos não têm sido explicados satisfa­ toriamente. “No final do tratamento . e não pode ser outro o caminho para se conseguir que o paciente tome consciência real de suas tendências inconscientes. Apenas con­ seguiria um insight “intelectual”.54 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica uma verdadeira ou suficiente conscientização (45)-< 1 .. a presença de mudanças favoráveis. Não creio que na tera­ pêutica breve as coisas devam ser situadas de modo inapelável num extremo: se considerarmos as resistências. Isso parece acontecer com a P. que chamam a atenção da personalidade. Apesar de.

e ainda mais difícil deduzir dessa experiência regras precisas aplicáveis a outros casos.” (Os grifos são meus. que pode perdurar pelo resto de sua vida. Às vezes basta eliminar um bloqueio emocional para que o ego comece a atuar (. Ainda que aceitemos que mudanças profundas ocasional­ mente ocorram. Essa circunstância não é fortuita: é um acerto do psiquiatra. como sua capacidade de cooperação” (4). ao que parece.. mais vagamente. Também Alexander sustenta idéias simi­ lares a algumas das que propõe Wolberg: “O importante é que a cura nunca se realiza totalmente durante o tratamento. sem que intervenha. que com sua intervenção con­ segue liberar as forças construtivas latentes42 na pessoa do enfer­ mo Assinala.). deve­ mos convir que não há respostas que revelem a natureza íntima do processo que gera essas mudanças. convém esclarecer. em nenhum . Diz Alexander: “Até onde chegará o impulso do tratamento é sempre uma interrogação sem resposta ao finalizar uma análise43.) Logicamente. etc. Referimo-nos a elas de uma maneira bem mais vaga. A obser­ vação pós-clinica pode revelar amplas mudanças que apenas se adivinhavam ao terminar o tratamento. como o desejo. e em virtude dê forças que escapam ao nosso conhecimento. como por exemplo as condi­ ções de seu meio ambiente.Fundamentos teóricos 55 não há por que deter o processo de transformação do paciente. Noutro lugar expressa Alexander: “Também na psicanálise confiamos nas faculdades regenerado­ ras do ego. pois o tratamento carece de qualquer medida exata para se verificar a mudança psíquica ou se preverem os acontecimentos futuros” (3). retrospectivamente. ou ainda. mesmo que. de­ finir o ocorrido. e então o ego assume a direção. mas também de outros fatores. nenhuma deliberação consciente. além disso: “£ difícil. e do qual falam Wolberg e Alexander.) Wolberg às vezes reitera essas opiniões e esses/resultados de sua própria experiência. as possibilidades de progresso são variáveis em cada caso e dependem não só de suas próprias potencialida­ des. inclusive na estrutura da personalidade. (Os grifos são meus. a vontade do paciente de se curar. Neste co­ locamos o paciente sobre a pista.”(2).” Pouco mais adiante continua: “Às vezes se produz uma reação em cadeia.. não sejam levantadas hipóteses explicativas definidas tampouco se recorra.

Fiorini. em 3. “El principio de la flexibilidad”. Madrid. 1965. Rodrigue. cit. muito trabalho pela frente. No­ va. “Dinamismos y niveles del cambio en psicoterapias”. cap. cit. Alexander e T. 2. Granica.. 1973.. Psique. “Las funciones yoicas en el processo terapêutico”. em L. em 9. III. Buenos Aires.. V. De minha parte penso que tais mecanismos poderiam estar ligados ao menos parcialmente a uma espécie de processo “elaborativo”. Fiorini. Gredos. L. cap. Deutsch. Orcmland. de e J. 1960. Psicoterapia breve y de emergencia. Morra.cap. 8. . Zetzel. Fiorini. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicoterapia bre­ ve”. Pax-México. L.56 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica momento. ob. Bleger. cap. Gumbcl. ob. Buenos Aires. Grinberg. ob. S. L. em H. “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. cm H. M. . 6. em H. cit.. em L. em 9. Nova York. de Psicoa.. cit. em F. ob. 5 . Luquct. Rangell. em 9. Joseph. t. F. “Grupo familiar: psicologia y psicopatologia”. desenvolver-se-ia nos tratamentos breves. Thiel. ao termo elaboração. 1949. 10 . 9. XXVIII. n? 1. 11 . . Garma. Wallerstein. e French T. 9. Bcllak. Teoria y técnica de psicoterapias. 1971. Terapêuticapsicoanalitica. . em H. nesse campo. 12 . French. 32 ss. ainda que só em pe­ quena escala. .. 3 . Psicoterapia breve. “Delimitación técnica de psicoterapias”. Psicoanàlisis y psicoterapia. F. Applied Psychoanalysis: Selected Lectures on Psycho­ therapy. . El grupo psicológico. 1969. 4 . Langer e E.. 1972. 8. Rev. 1968. em L. . No processo de investigação há ainda. eit. Wolberg e col. Main. Grune and Stratton. 1959.)44. contan­ do com uma etapa pós-terapêutica provavelmente muito impor­ tante (ver pp. quando se mencionam esses me­ canismos autônomos (2) (4) (55). c Small. 6. Buenos Aires. Small. cap. 3. Alexander. Buenos Aires. Buenos Aires. Fiorini. 7. Fiorini. Paidós. “El concepto de foco”. Nueva Vision. Psicoterapias breves. Buenos Aires. Mexico. Adler. cap. Referências bibliográficas 1.. H. que. ob.

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TÉCNICA .

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O estabelecimento da relação terapêutica Neste aspecto. em boa parte. No campo da P. variável em cada caso. • A devolução diagnóstico-prognóstica. • A explicitação do método de trabalho e a fixação das demais normas contratuais. • A elaboração da história clínica. as principais finalidades de tais entrevis­ tas são: • O estabelecimento da relação tefapêutica. O número de entrevistas a se realizar. o destino da relação deste com seu terapeuta . será o que se revele necessário para atingir os fins enunciados. Dos primeiros contatos com o paciente de­ pende. as entrevistas preliminares desempenham um papel fundamental. • A avaliação diagnostica e prognostica.4. Veremos a seguir cada um destes pontos..B. • O contrato sobre metas terapêuticas e duração do tratamento. Entrevistas preliminares Introdução f T É sabido que as entrevistas iniciais têm importância decisiva para o futuro do processo terapêutico a ser desenvolvido.

. Será benéfico que possa mostrar-sc interessado pelos problemas do paciente. assumir um papel ativo. quer dizer. diminuir as resistências produzidas por preconceitos. c) detectar a capacidade do paciente para efetuar uma psico­ terapia de insight.) e que. desse modo. etc. O entrevistador deverá. Em essência. dirigindo os diversos momentos das entrevistas em função dos objetivos desta fase do procedimento. P. Considero que o emprego de interpretações nas entrevistas ais deva limitar-se principalmente aos seguintes fins: a) esclarecer e orientar a relação transferencial quando sur­ jam obstáculos a ela que ameaçam inclusive provocar a deserção do paciente. etc. mal­ entendidos ou temores a respeito do tratamento. essencialmente diagnostica e contratual. 72). em sua comunicação com o paciente. dis­ posto a oferecer-lhe sua ajuda e confiante em seu método terapêu­ tico. Para isso convém que lhe comuni­ que previamente a finalidade das primeiras entrevistas (conhece­ rem-se mutuamente. sua contribuição para o estabelecimento de uma relação de trabalho. .64 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica (que poderá ser ou nâo aquele que o tenha entrevistado). b) efetuar uma devolução diagnóstico-prognóstica. em relação ao qual importa muito a con­ duta que assuma o entrevistador. A experiência clínica demonstra que tais atitudes ajudam bastante no estabelecimento de uma relação terapêutica. fornecerá informação. tudo o que pode facilmente conduzir à deserção (4). . Trata=se então de poder criar condições favoráveis para a instauração de um vínculo terapêutico. na qual pode-se recorrer às chamadas interpretações panorâmicas (ver . desde o primeiro momento. e ízes poderá recorrer a assinalamentos e interpretações. realizar um estudo o mais completo possível de seu caso para poder decidir a conduta terapêutica a ser seguida. além de claro e explícito. Tenta-se. Formulará perguntas. no decorrer das mesmas. fomentadora de condutas resistenciais e fenô­ menos regressivos. informe-o detalhadamente a respeito dos diferentes aspectos do tratamento que seguirá. terá que comba­ ter a ambigüidade. além disso. empregando isolada e prudentemente interpre­ tações de ensaio (1)'.

de grupo. que não deve permanecer circunscrita ao diag­ nóstico clínico. é necessário realizar uma indagação exaustiva dos dados do paciente.B. Convém assinalar o interesse particular de quese reveste em P. ou seja. a indagação do motivo da consulta. insuficiente para efetuar a formulação prognosti­ ca e a indicação terapêutica (psicoterapia breve. O habituaf é que este se ache ligado à situação-problema que dará lugar ao tratamento. em relação à sua história de vida.Entrevistas preliminares 65 A história clinica Em P. Se se decide pela realização de uma terapia de duração limita­ da. etc. Será conveniente obter amplas informações sobre os antecedentes dessa situação-problema. psicoterapia em que predomine o insight ou de apoio. esta demandará. Essas averiguações podem ser reali­ zadas deixando-se em primeiro lugar que o paciente exponha li­ vremente suas dificuldades atuais. cabe recomen­ dar a adoção de um modelo de anamnese cromo ponto de referên­ cia. os sintomas que a acompanham.B. mediante a descoberta de situações traumáticas. um conhecimento . Uma história clínica em que se leva em conta esta indicação poderá oferecer-nos elementos valiosos para com­ preender melhor a natureza dos problemas atuais do paciente. através dos momentos livres da entrevista. Avaliação diagnostica e prognostica Avaliação diagnostica É preciso efetuar uma ampla e minuciosa avaliação diagnos­ tica do paciente. etc. que logo poderá ser dirigida ou semidirigida quando for necessário obter determinados dados do paciente (antecedentes familiares e pessoais). etc. embora isso não implique que se tenha de seguir uma ordem rígida para interrogar o paciente. psicoterapia prolongada. com maior razão ainda. modos patológicos e repetitivos de conduta. a escolha de objetivos e o planejamento do tratamen­ to-. A respeito da metodologia a ser empregada. os fatores desencadeantes.).

caracteropatia. procurará contribuir. 2) A avaliação do grau de moti­ vação para o tratamento e de atitudes para o “insigfit”. Exem­ plo: depressão reativa num neurótico obsessivo. Em psicoterapia breve interessa indagar principalmente: <^a) AsJunções egóicas básicas (percepção. b) As relações objetais. aos quais podem somar-se outros exames. eletroencefalográfico. que as circunstâncias requeiram (exame médico geral. cuja personalida­ de apresenta um predomínio de traços paranóide-obsessivos. para a qual se investi­ gam os recursos de que dispõe o ego do paciente. memória. pensamento. Uma avaliação das condições egóicas. elas serão examinadas. Segundo Bellak e Small. Consideramos aqui: 1) O diagnóstico nosográfico-dinâmico. Devem incluir-se também: O diagnóstico do tipo de grupo familiar de origem. atenção. além disso. seus aspectos adultos ou sadios. Os elementos necessários para os distintos diagnósticos devem ser obtidos basicamente por meio de entrevistas clínicas e de testes psicológicos. no que diz respeito à sua qualidade e intensidade e . que inclui as condições egóicas.). etc. para que o paciente adquira ou recupere as capacidades egóicas que lhe faltam.66 Psicoterapia breve de orientação psicanalíticu prévio do paciente o mais profundo possível (hipótese psicodinâmica inicial) para organizar o plano terapêutico correspondente.). que serão os aliados do terapeuta. neurológi­ co. psicopatia. 3) A deter­ minação do foco. compondo na realidade um diagnóstico psicossociopatológico. o qual. Este último fato permitirá que se tomem os cui­ dados necessários diante das prováveis dificuldades que pode­ riam sobrevir durante o tratamento. e suas debilidades. psicose) e de personalidade. E elementar que estas funções se apresentem cm condições mínimas para tomar possível a psicoterapia. sua inci­ dência na problemática atuãlT ãíém da influência que possa exer­ cer o meio ambiente. etc. quer dizer. O diagnóstico nosográfico-dinâmico Implica o diagnóstico atual da enfermidade do paciente (neu­ rose. por meio do trabalho terapêutico.

e que repercussão tive­ ram nele). a varie­ dade de mecanismos defensivos tornará favoráveis as perspecti­ vas prognosticas. Pode ser excessivo ouí pelo con­ trário. estar diminuído. porque nos permitem prever. para comprovar sua reação às mesmas). Em geral. sonhos. recordações. a maior ou menor capacidade do paciente para estabelecer uma boa relaçào terapêutica. será necesfário tomar certas medidas terapêuticas (emprego de técnicas dramáticas em um. da história de suas relações interpessoais. aumento do número de sessões em outro. Trata-se de detec­ tar as condições do paciente para tolerar uma psicoterapia interpretativa. {I d) A tolerância à ansiedade e àfrustração. em virtude da mobilização afetiva que esta costuma produzir (para isso. etc. Essas indagações são de grande valor para efetuar um prognóstico e uma estratégia terapêutica. . devendo o trabalho terapêutico resultar numa elevação da mesma. 24 c) O controle de impulsos. de suas fantasias. as características da relaçào transferen­ cial durante a terapia. em certa medida.e) Os mecanismos defensivos. a partir da conduta evidenciada pelo paciente durante as entrevistas clínicas. nas primeiras entrevistas. Exemplo: um repertório reduzido de defesas estereotipadas será um elemento prognóstico desfavo­ rável para uma psicoterapia de insight. e muito especialmente o momento do término da terapia e do desligamen­ to do terapeuta. de nossa contratransferência e dos dados fornecidos pelos testes psi­ cológicos. pode-se apelar para diversos recursos. os inconvenientes que nesse sentido podem surgir durante o tratamento. K . os que procuram terapia apresentam uma diminuição da auto-estima. Em ambos os casos. assim como sua capacida­ de para superar sem maiores conseqüências o luto causado por sua separação do terapeuta no fim da terapia (convirá averiguar a existência dc lutos na história do paciente. determinação que é de grande importância para a indicação terapêutica.Entrevistas preliminares 67 aspectos manifestos e latentes (2). entre cies as interpretações de ensaio [í]. f) A regulação da auto-estima. Será necessário precisar as principais defesas empregadas pelo paciente. para o plane­ jamento e para o prognóstico. em contrapartida.).

A motivação para o trabalho terapêutico é susceptível de ser estimulada durante as primeiras entrevistas e no decorrer do trata­ mento. Determinação do foco Trata-se da possibilidade de precisar e delimitar um foco. sua resistência ou sua permeabilidade ante as intervenções do terapeuta.6H Psicoterapia hreve de orientação psicanalitica Finalmente chegaremos à avaliação da potência e plasticida­ de do ego. isto é. Quando se trata de quadros agudos (neuroses traumáticas. A esse respeito cabe assinalar o papel fundamental que de­ sempenha a forma pela qual o entrevistador faz a devolução diagnóstico-prognóstica para o paciente no começo da relação. do mesmo modo que a definição dos objetivos terapêuticos. de tal forma que não conseguimos destacar um problema ou conflito como ponto de partida. para assistir às sessões de tratamento. a escolha e a demarcação do foco são facilitadas. nos dão uma idéia acerca do grau de motivação do paciente para receber ajuda tera­ pêutica. que devem resolver-se através do tratamen­ to. Suas res­ postas às interpretações de ensaio (1) e assinalamentos nos darão a medida de sua capacidade de auto-observação. se o paciente apresenta transtornos ge­ neralizados em todas ou em quase todas as áreas de conduta. Avaliação do grau de motivação para o tratamento e das atitudes para o "insight” Diversos indicadores. depressões reativas). sobretudo se não há uma situação definida . Diretamente ligado à capacidade de insight do paciente achase seu grau de consciência da enfermidade. passo tecnicamente essencial para nosso trabalho terapêutico pos­ terior. e em espe­ cial sobre sua motivação e condições para o insight (8). provenientes das entrevistas diagnosti­ cas e da realização dos testes psicológicos. que também terá de ser detectado. Outras vezes torna-se mais dificultosa.

Entrevistas preliminares 69 I de urgência que predomine. pelo menos em seus traços princi­ pais. essa aplicação adquire suma importância no planejamento terapêutico. Sou dos que pensam que o tempo investido no processo psicodiagnóstico. prognóstico e para as indicações e contra-indicaçôes da terapia breve. quando se deve empreender uma psicoterapia de duração limitada5. A determinação do foco e o aprofundamento em sua conflitiva engloba o diagnóstico do ponto de urgência e acha-se por sua vez compreendida dentro da formulação psicodinâmica antecipa­ da . que facilite a formulação da hipótese psicodinâmica ini­ cial e conseqüentemente nossa tarefa terapêutica. Sobretudo se a terapia é de duração limitada. coloca-se a necessidade de se obter. não haverá tempo para esperar a emergência de certos conteúdos. desejo fazer algumas considerações a respeito3. de antemão. em geral caracteropatas. cuja enfermidade data de muitos anos. Tenho dito e o repito: em P. um conhecimento amplo e profundo acerca do paciente. já que esta última não é outra coisa senão uma hipótese diag­ nostica integral. enquanto os diferentes diagnósticos e avaliações citados até «qui constituem as versões interpretativas parciais de tal formulação. ou pelo menos nos casos em que se esbarre com dificuldades diagnosticas e/ou tera­ pêuticas4. nâo encontramos “a ponta do novelo” para abordar o caso através de uma terapia setorial (trata-se de indivíduos com sérias alterações de personali­ dade. . às vezes fica ampla­ mente compensado. ainda que considerável. em outras palavras. com a base num plano de trabalho determinado. A aplicação de testes psicológicos é muito útil para o diag­ nóstico.B. Papel do psicodiagnóstico Embora este não seja meu campo específico de atividade. como num tratamento analítico. boderline ou neuróticos crônicos). Quando se recomendà esse tipo de tratamento. Daí que a aplicação de testes deveria efetuarse de maneira sistemática em pacientes para os quais se prevê a realização de um tratamento breve e planejado.

a força do ego. e completar-se com o de Bender. e não de maneira isolada. São_elementos para um prognóstico favorável: — . especialmente quanto à capacidade de suportar a separação do terapeuta6. consultório particular). influirão especialmente as diversas condições diagnosticas a respeito dos aspectos já citados. Também poderão efetuar-se recomendações terapêuticas. so­ bretudo do momento ou quadro atual que motiva o tratamento. cuja duração poderá eventualmente abreviar-se no alcance dos objeti­ vos propostos. Avaliação prognostica Em geral é possível realizar uma avaliação prognostica. Tais fatores devem ser consi­ derados sempre em conjunto. acrescentem-se os testes de inteligência.)7. a partir dos dados obtidos (sobre o tipo de tratamento. do terapeuta e do âmbito assistencial em que tenha lugar (hospi­ tal. figura huma­ na.70 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Embora pareça contraditório destinar um número apreciável de horas à realização do psicodiagnóstico quando se trata de pou­ par tempo (como ocorre no caso das terapias hospitalares de curto prazo). por exemplo. etc. Quando as circunstâncias o aconse­ lhem. os mecanismos defensivos. Dentro destas últimas. como. o Phillipson ou o T.A. Os dados que se extraem são muitos e valiosos: diagnóstico da personalidade c do quadro psicopatológico. não o é. na realidade. [5]). sexo do tera­ peuta. casal. desiderativo. e apreciações prognósticas. mas também para agilizar o processo terapêutico. A bateria de testes a ser empregada pode constar do Teste de Rorscharch (5) (7) (10). clínica. do Teste das Relações Objetais de Phillipson (5) (10) ou do Teste de Apercepção Temática de Murray (5).T. Os resultados deste dependerão de fatores provenientes do paciente. condições egóicas. etc. etc. desenho livre. Com relação ao paciente. capacidade de insight. psicodinamismos. pois a riqueza dos dados que podem ser obtidos não só pode contribuir para a consecução de bons resultados. o psicodiagnóstico descreve as características das relações objetais (por diversos indícios dos testes projetivos. a tolerância à ansiedade e à frustração.

• Capacidade de insight. deve ser feito em fimção das metas combinadas.que por diversas razões. em nenhum caso deveria se omitir (12) . Incide conside­ ravelmente na produção de bons resultados terapêuficos. A devolução diagnóstico-prognóstica Além da devolução dos dados do psicodiagnóstico. etc. • Condições favoráveis do meio familiar e social para o desenvolvimento da tarefa terapêutica e aceitação das mudanças do paciente. mesmo nos casos que apresentem certa gravidade (8). Com relação ao contexto assistência!interessam as possibi­ lidades terapêuticas que oferece em seus aspectos temporais. • Egoforte. que se trate de um “momento propício” numa enfermidade relativamente crônica. plasticidade de defesas. (ver capítulo L4). • Leveza e limitação da patologia (3). as perspectivas prognosticas são favoráveis quando. etc. existe uma contratransferência positiva que facilita a instauração dc um bom vínculo com o paciente.Entrevistas preliminares ___ ______ ______ ______ _______ _______ _______ _____ • Início recente e agudo do sofrimento ou problema atual a ser abordado ou. • Possibilidade de determinar ofoco antecipadamente (antes de iniciado o tratamento ou em suas primeiras sessões)*. capacidade de estabelecer boas relações objetais e de tolerar adequadamente a separação que sobrevirá ao finalizar-se a terapia (relação transferencial com grau leve de ambivalência e dependência).B. a cargo do psicólogo que o efetuou . além de este reunir as condições necessárias para o exercício da P. É claro que o prognóstico terapêutico. além disso. como assinala Courtenay (3). • Alto grau de motivação para o tratamento. segundo estas pareçam ou não alcançáveis dentro das condições gerais que regerão o traba­ lho terapêutico. com funções básicas em bom estado. cabe uma nova devo­ . equipe de profissionais. Com relação ao terapeuta.e mesmo que tenha sido outro o pro­ fissional que realizou as entrevistas clínicas. es­ paciais.

a qual naturalmente será baseada nas conclusões a que chegou.72 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica lução da parte deste último. psicodinamismos subjacentes à situação-problema. b) Fornecer-lhe certo esclarecimento preliminar a respeito de sua problemática. Poderíamos reiterar o mesmo com relação às metas tera­ pêuticas. A devolução. Trata-se de uma nova contribuição em busca de uma aliança de trabalho. e em parte sugerir. mas tam­ bém como conseqüência do emprego dos diferentes meios auxi­ liares de diagnóstico. impressões gerais a respeito de sua pro­ blemática. procurando compreendê-las. . Para isso pode-se recorrer às interpretações denominadas panorâmicas (4). deve abranger referências ao prognóstico capazes de tranqüilizar e reanimar o paciente. c) Reforçar sua motivação para entender e resolver suas difi­ culdades por meio da psicoterapia. com o que além disso se irá delineando o provável foco terapêutico. alguns dos objetivos de tal con­ duta: » a) Fazer o paciente sentir que se presta atenção nele e se pensa em suas dificuldades. d) Facilitar o passo seguinte. ao lhe apresentar. O entrevistador transmitirá oralmente ao paciente. o conflito do qual julgamos poderiam surgir tais metas. já que não é proveitoso fazê-lo nesta etapa. Isto lhe dará a idéia de que podemos oferecer-lhe nossa ajuda e de que tem possibilidade de resolver seus sofrimentos ou pelo menos de ali­ viá-los. (Em outras palavras. nào só depois das entrevistas. sem se estender nem aprofundar em demasia. de maneira global. numa lin­ guagem simples e clara. que permitem esboçar. a devo­ lução será centrada naquilo que em nossa opinião deve converterse na problemática central do tratamento. que será a escolha de metas te­ rapêuticas. uma vez combinadas. Esta segunda devolução é resultante da tare­ fa desenvolvida em equipe e deve antes de tudo manter coerência com relação à devolução psicodiagnóstica.) Como foi dito. a seguir. serão transmitidas ao paciente apenas algu­ mas apreciações acerca dc sua problemática. Mencionarei. além dos aspectos diagnósticos.

se tiverem ou não sido verbalizados e com- . em imediatos e mediatos. já se terá formulado ao paciente perguntas. dirá ao paciente que entre ambos poderiam tratar de esclarecer por que ele sente tanto temor quan­ do lhe solicitam qualquer tarefa em' seu emprego e de conseguir que enfrente essas situações de forma mais adequada. em revelar o significado inconsciente de tal conduta e atacar determinados mecanismos defensivos. etc. Por exemplo. Poder-se-ão classificar como primordiais e secundários. de acordo com a ordem cronológica em que se procure alcançálos. É preciso que os objetivos a que se proponham sejam presu­ mivelmente alcançáveis. um escalonamento estratégico. assim como de suajrnotivação e capacidade de insight. em atenuar as exigências superegóicas. paciente e entrevistador trocarão opiniões acerca dos possíveis objetivos da terapia a ser realizada. em outro. As respostas correspondentes nos darão além disso alguma idéia de suas fantasias a respeito de enfermidade e de cura. segundo sua importância. até chegar a estabelecê-los claramente e de comum acordo. como: Que expectativas tem acerca do tratamento? Em que problemas você crê necessitar de ajuda? Em que supõe que tem de consistir essa ajuda?. num tercei­ ro. se necessário. Também dirá que se procurará melhorar seu estado de ânimo e esclarecer também o que sucede com sua família. etc. isto é. etc. e em explícitos e implícitos. Paralelamente. O terapeuta se referirá aos objetivos do modo mais claro e simples possível. dasjquais pro­ vêm os objetivos que ele se coloca. seguindo. que se ajustem às possibilidades que oferecem paciente e terapeuta e às condições gerais em que terá lugar a terapia. Devem-se em princípio conhecer e levar em conta os pontos de vista do paciente acerca das metas do tratamento. equivocados ou não segundo nosso julgamento. Com essa finalidade. o tera­ peuta deve formular os fins terapêuticos de um ponto de vista psicodinâmico: em um caso pensará sobretudo em elevar a auto-estima.Entrevistaspreliminares__ _____ ______ ______ ______ ______ _ Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento Depois de efetuada a devolução diagnostica. Isso não exclui que por meio de devolu­ ção efetuada se tente chamar sua atenção sobre determinada “conflitiva” e acrescentar sua motivação para enfrentá-la.

A duração de um tratamento breve varia segundo as circuns­ tâncias: • Pode estar predeterminada por modalidades institucionais. caso em que o terapeuta deverá renunciar aos propósitos terapêuticos que tinha previa­ mente. entre nós. Não só os objetivos.4 _____ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica binados cora o paciente. que atuam naquele como ordens). por exemplo. colocam. não efetuar V nenhum tratamento9. a duração do tratamento depende do que o terapeuta e o paciente resolvam. por acaso também adequada. • Em muitas oportunidades. mas também a duração do tratamento deveriam. Esses fins. que se apresentam especialmente no consultório particular. que inclusive podem ter motivado o tratamento. uma limitação temporal espontânea ao mesmo: acontecimen­ tos como uma viagem. cabem várias alternativas: / a) aceitar o que propõe o paciente. diferenciados dos particulares.6. que sur­ gem em cada caso. que o paciente alcance maior consciência da enfermidade ou eleve sua auto-estima. etc. Assim.) Quando não se chega a um acordo real sobre as metas da te­ rapia (pode tratar-se. poderá contar ou não com um final prefixado. poderão determinar uma finalização obrigatória. ser estabelecidos de comum acordo entre terapeuta e paciente. por exemplo. quase cons­ tantemente presentes. Ulloa (13). • Em outras ocasiões.12 meses. c) se as dissidências forem muito grandes. dentro do possível. antes de seu início.). de um pseudo-acordo por submis­ são do paciente às sugestões do terapeuta. Em lugar de encarregar da duração do . A isso se tem referi­ do. por sua vez. (Toda terapia breve de insight pressupõe a existência de fins terapêuticos inerentes à natureza mesma do processo. também constituem por conseguinte objeti­ vos terapêuticos gerais. b) realizar uma tarefa de esclarecimento que tenda a motivar o paciente a emj preender uma terapia com base nas metas que consideram conve­ nientes. situações próprias do paciente. que estabelecem prazos para os tratamentos geralmente de modo convencional e que correspondem a necessidades organizacionais dentro do planejamento assistencial que tais instituições adotam (de 3. inclusive. ou postergá-los para uma segunda etapa.

“A fixação do tempo . Em contrapartida. uma vez chegado o seu término. Fixar previamente uma data para o término da terapia supõe vantagens e desvantagens. pode ser conve­ niente determinar uma data exata . a fim de a elaborarem conjuntamente.não muito longínqua . seus receios diante do tratamento são menores. como condição primordial.ou muito .tempo para um pode não ser para o outro. Por último. Se não apelarmos com flexi­ bilidade para este recurso estratégico. o melhor será não limitá-la.para a finalização. com o tempo que empiricamente estime neces­ sário para cada paciente alcançar esses objetivos (sem que isso seja um impedimento para efetuar uma recontratação do tratamento. quer dizer.assinala Ulloa . tranqüiliza-os saber. O que é pouco . que a mesma guarde relação direta com os objetivos terapêuticos pro­ postos. Quando a duração do tratamento for determinada de antemão. sendo até possível que depois dese­ jem prolongá-lo. ou que este tenha a impressão de que é imposta pelo terapeuta. mas que buscaremos soluções depois de uma revisão adequada da situação. sg. seria pre­ ferível que se pudesse obter uma vez mais a opinião do paciente sobre essa questão. seus fins não se cumprirem)10. de desconfiança (habitualmen­ te com marcados traços fóbicos ou paranóicos). o mais comum é que a abandonem em algum momento ou que simplesmente não a ini­ ciem. os quais em princípio não concebem que a psicoterapia deva estender-se demasiadamente no tempo para solucionar seus padecimentos. que existe uma data em que o tratamento será concluído/Dessa maneira aceitam com menos dificuldades serem tratados. do que quando se acham ante uma terapia de duração indeterminada. outras vezes a limitação de tempo parece necessária para estimular e agilizar o trabalho terapêutico do paciente. desde o começo.faz-se com a participação explícita do paciente no nível em que ele esteja capacitado para tal elaboração” (13). Esta situação se apresenta mais comumente em pacientes de es­ trato socioeconômico baixo. o terapeuta deve procurar. se se fixa um prazo.Entrevistas preliminares 75 tratamento fatores alheios à situação mesma do paciente. com o objetivo de evitar fantasias de ser preso numa armadilha pelo terapeuta. mas às vezes ocorre o contrário: para antepacientes que apresentem uma atitude receosa e./ . Isso não implica que aceitaremos ingenuamente as idéias do paciente. Com freqüência.

recontrato. em vez de resistir. tomando conhecimento da técnica que orien­ tará o trabalho de ambos. junto com o terapeuta. suas funções. e que em P.76 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Além disso. dever-se-á fazer empenho em explicar-lhe cuidadosa e detalhadamente o que será sua regra básica defuncionamento no decorrer da psicoterapia. para o que ambos levarão em conta seu estado nesse momento. as do terapeuta e eventualmente as da equipe terapêutica.B. No que diz respeito às funções do paciente. (Da regra básica de funcionamento ocupo-me no capítulo 6. pp. quais serão. ou seja.) Convém que o paciente tenha uma noção prévia do papel do terapeuta. que será baseado sobretudo em revelar-lhe aspectos obscuros ou desconhecidos para ele. e que isso será efetuado através de interpretações. é mister explicar ao paciente. que em princípio costu­ mam provocar as interpretações. procuraremos fazer com que se familiari­ ze o mais rápido possível com o tratamento e se abrevie a etapa de ansiedade. Com relação a isso costumo advertir ao pa- . um balanço dos resultados obtidos. Quando se pensa em efetuar uma psicoterapia interpretativa. Fixação das demais normas contratuais É útil oferecer ao paciente uma idéia acerca das característi­ cas do tratamento que terá de seguir. poderá pelo contrário coope­ rar com o terapeuta. considero que possa ser prejudicial. das quais se dará alguma idéia elementar. tentando trazer-lhe um ponto de vista diferente. indicação de outro tratamento. que uma vez ter­ minada a terapia. Desse modo. e que a partir daí se resolverá a conduta mais ade­ quada a assumir (separação final. poder-se-á explicar-lhe que se trata fundamentalmente de ajudá-lo a compreender melhor sua situação. Explicitação do método de trabalho. etc. fixação de entrevistas de con­ trole. que podem estar provocando e/ou incrementandq seus sofrimentos.). respecti­ vamente. à intolerância das ansieda­ des provocadas pelo desconhecido. realizará. desconcerto ou estranheza. que vá mais além do que lhe permite seu senso comum. O benefício dessa tarefa informativa reside em que o paciente. 89 ss.

Alexander. Os demais detalhes não diferem do que já se conhece (férias do terapeuta. ainda que minimamente.. F. eventualmente. datas do térmi­ no do tratamento.). comunicando. corresponde ao fato de que tais dificuldades superam suas^possibilidades de solucioná-las jíor sua conta. French. “Indieaciones para la terapia”. acrescento ante uma sugestão de Montevechio (9) é de se esperar que ao protagonista de uma situação perturbadora resulte difícil compreender com clareza o que está acontecenjio ao seu redor e que.Entrevistas preliminares 77 cicnte que é possível que minhas intervenções. em F. para o terapeuta. não menos benéficos para o desenvolvimento do tratamento: cabe as­ sinalar ao paciente que nossa tentativa de fazê-lo entender suas dificuldades a partir de uma nova perspectiva. das entrevistas de avaliação e do novo psicodiagnóstico. etc. Por último. Paidós. graças a seus conhecimentos e expe­ riência. 1965. entrevistas com familiares. feriados. pode tornar-se pos­ sível entendê-lo e ajudá-lo. Àlcxander e T. que lhe permita en­ frentá-las melhor. mas. do lado de fora. e que na realidade notará alguma diferença em relação às conversas que mantém habitualmente com as pessoas. Com isto tende-se a contrabalançar sua sensação de fra­ casso ao ter de ir à consulta. seu sen­ tido e alcance. freqüência e duração das sessões. . como também a fantasia de onipotên­ cia do terapeuta.). sendo conveniente que se ajuste desde o primeiro momento a uma relação mais “real” com este (9). lhe pareçam apesar de tudo um pouco es­ tranhas. horários. A todos esses esclarecimentos podem agregar-se outros. Referências bibliográficas 1. Também convém informar o paciente se se pretende empre­ gar outros recursos terapêuticos (psicofármacos. Terapêutica psicoanalitica. em especial as correspondentes aos aspectos espaço-temporais do enquadramento: posição espacial do terapeuta e paciente (geralmente devem sentar-se frente a frente). Buenos Aires. honorários. etc. devem fixar-se as diferentes condições do conta­ to terapêutico. cap. VI. particularmente no início do tratamento.

13. Nueva Vision. 1969. 12 . Friedcnthal. L. M. Londres. D. Acta psiq. A Study of Brief Psychotherapy. García Arzcno. em 10. “La recomendación de psicoterapia a partir dei diag­ nóstico psicológico”. 4. 1973. Garcia Arzeno. 4. “El proceso psicodiagnóstico”.’2. ob. E. L. 1974. Harrower. Las técnicas proyectivasy el proceso psicodiagnóstico. Fiorini. Nueva Vision. Nuevas perspectivas en salud mental. Charles Thomas. I. L. Âmér. 1972. M. psicol. Citado por L. Nueva Vision. cap. “Indicadores para la recomendación de terapia breve extraídos de la entrevista devolutiva”. Courtenay. Centro Editor de América Latina. R. IX. E. “La entrevista de devolución de información”. 1963.. J. S. M. 2. R. F. em M. n‘. em M. Buenos Aires. “Cómo ve cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. em L. e Small. Sexual Discord in Marriage. e García Arzeno. 10. H..) 9. Montevechio.. L. 1968...) e outros. García Arzeno. Illinois. em W. Buenos . Madrid. Buenos Aires. cap. L. vol. Comunicación personal. cit. Fiorini. Comunicación personal. Springfield.. 5. E. . H. “Comentário al artículo de Hector Juan Fiorini”. XIV. “La primera entrevista era psicoterapia breve". cit. 3. Buenos Aires.. Grimson (comp. em 10. García Arzeno. 11 . cap. Ocampo e M. B. (Versão castelhana: La psicoterapia breve.. Ocampo. Gredos. Buenos Aires. México.78 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Aires.1. t. M. em M. 1968. Beliak. Wolberg. em FI. Malan. Teoria y técnica de psicoterapias. 11. M. 11. Ocampo e M. cap. Psicoterapias breves. Tavistock. S. PaxMéxico. Londres. 1. Small. ob. Lat. Psicoterapia breve y de emergencia. Ocampo e M. S. H. L. 8. XI. 1968. Instituciones y problemas. Buenos Aires. Ulloa. t. E. Granica. 7. Psicoterapia breve. 1973. E.. J. 6. O. S.. . Tavistock.

Diversos autores têmse referido à necessidade de planejamento. que terá culminado no desenvolvimento de uma for­ mulação psicodinâmica antecipada (3). entre eles French (3) e Alexander (1). Com a revisão desses elementos. Este consiste no projeto de rima estratégia terapêutica. dever-se-ão considerar fatores como a experiência prévia daquele e sua habilidade no manejo dos distintos recursos (fatores que deverão ser levados em conta em relação a toda a equipe terapêutica). assim como as pos­ sibilidades que oferece a instituição. do terapeuta e eventualmente da instituição. Planejaremos nossa ação terapêutica com base numa estrutura de foco terapêutico inicial. Planejamento do tratamento I f A elaboração de um plano terapêutico é uma das característi­ cas que distinguem as psicoterapias breves. da recolocação das distintas questões técnicas que são suscitadas em . Com relação ao paciente.5. Para conceber a estratégia. que em algumas passagens da Terapêutica psicanalítica chamam ao tratamento breve terapia planejada (2) (3). dever-se-ão ter presentes diversos elementos provenientes do paciente. já estaremos em condições de estabelecer um planejamento estratégico adequado. Um programa terapêutico deve surgir. será essencial partir dos vários dados obtidos pela avaliação diagnóstico-prognóstica (ver capítulo 4). necessariamente. o que demonstra a importância que tais autores outorgam ao plane­ jamento. Com relação ao terapeuta e à instituição. efetuado com o fim de alcançar os objetivos propostos.

etc. muito ativa. perguntas. do princípio do desen­ volvimento e do final da terapia. que em certa medida também deverá ser planejada: será necessário prestar atenção às situações que poderá reviver cada paciente na ocasião de enfrentar o luto pela separação do terapeuta e de acordo com isso ao tipo de relação objetai e ao grau de tolerância à frustração que apresenta. informa­ ções. ainda que elementar e provisória. tender para a previsão dos possíveis rumos e das características que pode tomar o processo terapêutico em seus aspectos mais gerais. sugestões.) e espaciais do enquadra­ mento. cautelosa. número e periodicidade'das sessões sema­ nais. diretiva. Projetar-se-á então alguma tarefa em relação a tal luto que até em sua mínima expressão inclua sempre o assinala- .HO Psicoterapia breve de orientação psicanalítica cada caso particular. serviço social. organizar-se-á tudo o que se refere às condições temporais (duração. cstabelecer-se-á muito especialmente a atitude terapêutica a ser assumida diante dos distintos mecanismos defensivos do paciente (incisiva ou pelo contrário de abstenção. e ainda em tarefas a realizar se a evolução do paciente o permitir (a abordagem de determinado conflito subja­ cente. aqueles que serão deixados de lado e a provável seqüência de tal abordagem. técnicas dramáticas. além disso. por exemplo). etc. a atitude geral do terapeuta ante o paciente (cálida. assinalamentos.) e o uso de outros recursos terapêuticos (psicofármacos.) que. etc. irá sendo regulada pelos indicadores que aparecerem no decorrer das ses­ sões. inclusão de familiares e/ou pessoas que lhe são pró­ ximas. Recomendo sobretudo não omi­ tir tudo o que se refira à conclusão do tratamento. ou inclusive de reforçamento desses).). Outros aspectos relevantes a serem considerados serão: as regras de funcionamento do paciente durante o tratamento (ver capítulo 6). de fortalecimento egóico ou de apoio). Inclui a determinação do tipo de psicoterapia a ser aplicada (em que predomine o insight. O planejamento deve. os conflitos que vamos abordar. A experiência demons­ tra que é conveniente contar desde o começo com uma idéia ante­ cipada. Também é útil pensar em possíveis inconvenientes terapêuti­ cos que possam surgir durante o tratamento e na melhor forma de enfrentá-los (3). logicamente. etc. duração total do tratamento. os diversos tipos de intervenção do terapeuta (interpretações em suas distintas variantes.

o que resulta essencial para se obter eficácia terapêu­ tica. tais como o nú­ mero de sessões semanais a se estabelecerem nas últimas etapas do tratamento (ver capítulo 9). Alexander e T. já que. Alexander. para poder enfrentar com eficácia as situações mutáveis e inespe­ radas que podem apresentar-se no decorrer do tratamento. deve ser sempre esta. 1965. French. em 1. cap. French. cap. . Por isso. profunda e definitivamente mais adequada do projeto terapêutico. Referências bibliográficas 1. Terapêuticapsicoanalítica. ao ladb do terapeuta. “Eficacia dei contacto breve”. considero que quando numa terapia está envolvida uma equipe de especialistas (dois ou mais profissio­ nais). que além disso será comparti­ lhado precisamente por aqueles. em 1.que devem colocá-lo em prática em seguida. “Alcance dc la psicoterapia”. dos demais profissionais que eventualmente intervenham no tra­ tamento. envolvendo detalhes. French.Planejamento do tratamento 81 mento da situação de perda. Paidós. Trata-se em suma que a terapia não fique entregue exclusiva­ mente à intuição e à improvisação sobre o seu andamento (2). Alexander e T. Alexander e T. em conjunto. 3. VII. cit. recordemos que o planejamento cpstuma ser fa­ cilitado e enriquecido pela participação nele. ob. por­ que de nenhum modo dever-se-á entender que todas essas medi­ das possuem um caráter rígido c inalterável.. . em F. em síntese. ob. 2 . Buenos Aires. T. French. cit. F. O intercâmbio de dados e idéias freqüentemente possibilita uma elaboração mais minuciosa. “Planificación dc la psicoterapia”. pelo contrá­ rio. Mas essas alternativas só podem ser previstas até certo ponto. IX. o terapeuta deverá ser dotado de uma flexibilidade tal que lhe permita itiodificar seus planos quando as circunstâncias o exijam. cm F.. em F. Finalmente. a encarregada de elabo­ rar o programa terapêutico.

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O tratamento [ Introdução Uma vez cumpridas as etapas diagnostica e contratual. considerar-se-á em primeiro lugar a relaçào paciente-terapeuta. cujo estudo é ponto de parti­ da obrigatório para a compreensão dos temas subseqüentes. dedicando uma maior exten­ são às interpretações. inicia-se o tratamento. de imediato. entre os quais incluo aqueles em que minha própria experiência é maior (uso de psicodrogas e participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente). por último. instrumento fundamental na P. depois abordarei o problema da atenção do terapeuta em relação à tarefa de focalização. psicanaliticamente orientada.B. assim como a de planejamento. examinarei os ele­ mentos psicoterapêuticos verbais. e ao papel que nesta última poderia caber ao método psicanalítico de associação livre. .6. em seguida referir-me-ei à regra de funcionamento para o paciente. Com relaçào aos diferentes aspectos de técnica concernen­ tes ao tratamento propriamente dito. que terá de ser adotada no decorrer da terapia. psicopatológicas e terapêuticas consistentes e ao mesmo tempo "em objetivos e enquadramento definidos. que se apoiará dentro do possível em hipóteses. figuram algumas reflexões acer­ ca das sessões e de outros recursos terapêuticos.

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Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica

A relação paciente-terapeuta no tratamento breve
Referir-me-ei à relação terapêutica na psicoterapia dinâmica breve e às diferenças existentes entre ela e sua correspondente no tratamento psicanalítico. Tomarei como base um resumo que in­ clui a opinião de alguns autores acerca do tema. Para compreender o porquê das particularidades do vínculo terapêutico em P.B., convcm considerar primordialmente o que acontece em relação à transferência e à neurose transferencial re­ gressiva1. Antes de passar a ver como podem ser manejadas em uma terapia breve de orientação psicanalitica, efetuaremos uma rápida revisão das características da relação terapêutica no trata­ mento psicanalítico, que servirá portanto para apontar diferenças significativas. Há, no contexto psicanalítico, condições que facilitam o esta­ belecimento, o desenvolvimento e a análise da neurose transferen­ cial regressiva, a qual, como disse antes (ver capítulo 3, p. 26), é fundamental no processo terapêutico. Assim observamos que: O analista procura manter o anonimato - o que por sua vez contribui para criar um clima de ambigüidade a fim de não en­ torpecer a produção dos fenômenos transferenciais; além disso, trata de adotar uma atitude neutra e relativamente distante, o que também implica promover no paciente uma situação de frustra­ ção; o vínculo é marcadamente assimétrico, fato acentuado, entre outras coisas, pelo uso do divã. Também no aspecto temporal, o enquadramento favorece a dependência regressiva, constando de várias sessões semanais e de uma duração do tratamento, em princípio, não limitada. Com relação à situação espacial, a posição do paciente, dei­ tado no divã, encontra-se ligada a fenômenos regressivos, tais co­ mo o dormir e o meditar, e fomenta, além disso, o desenvolvimen­ to da neurose transferencial, dado que, ao estar o paciente privado de ver o analista, o teste de realidade torna-se mais difícil. A regra fundamental psicanalitica, que consiste no emprego, por parte do paciente, da associação livre, determina neste, por si mesma, um funcionamento mental regressivo. Sob outro ponto de vista cabe acrescentar que, de acordo com Racker (37), ao impli­ car a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação e a

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superação das resistências que por isso se vão produzindo, a regra fundamental incide na transferência na situação analítica, confe­ rindo-lhe uma intensidade particular, pois se produz, em conse­ qüência, a projeção dos objetos internos no analista, especialmen­ te do superego. O analista, por sua vez, emprega a atenção flutuante, tenden­ do assim a uma comunicação dc inconsciente para inconsciente (17). Intervém verbalmente, partindo do material que o paciente traz dc maneira espontânea, e sobretudo mediante a interpretação; ante os silêncios, costuma manter uma atitude de espera, permi­ tindo que se prolonguem. As interpretações transferenciais são muito valorizadas, cons­ tituindo, para a maioria dos analistas, o instrumenti técnico es­ sencial, e para alguns inclusive o único com efeitos‘modificado­ res (4). Penso que tais interpretações encorajam o paciente à revi­ são minuciosa e profunda de suas fantasias transferenciais e pro­ movem a revivescência de situações infantis, favorecendo assim o desenvolvimento da neurose de transferência. Na psicoterapia breve, em troca, devem desencorajar-se tan­ to o desenvolvimento da regressão como o da neurose transferen­ cial (ver capítulo 3, pp. 27 s.), e inclusive faz-se necessário con­ trolar dentro do possível a intensidade dos fenômenos regressivotransferenciais. Disso deriva uma série de medidas técnicas que conferem perfis próprios à terapêutica breve. O vínculo que se estabelece com o paciente é mais realista e definido, já que a ambigüidade aqui é inconveniente (11), pois promove situações persecutórias e por isso regressivas. Uma rela­ ção mais baseada na realidade contrabalança as tendências ao es­ tabelecimento de uma relação transferencial neurótica. Fiorini qualificou o papel que o terapeuta deve assumir na psicoterapia de esclarecimento (em boa medida equiparável, de acordo com a descrição deste autor, à terapia dinâmica breve) como papel real de docente experiente, sublinhando assim o que seria, a seu ver, um dos aspectos mais importantes (7). Por parte do terapeuta, e ao contrário do que ocorre no trata­ mento psicanalítico, existe uma maior proximidade afetiva, que sc espera opere positivamente sobre o processo terapêutico. É que cm princípio será preciso que se estabeleça rapidamente um bom

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

rapport, sobretudo se se trata de uma terapia cujo tempo será limi­ tado; dever-se-á fomentar o rápido desenvolvimento de uma alian­ ça terapêutica , condição básica para aspirar ao êxito. O terapeuta

deverá então, na medida do possível, mostrar-sc moderadamente cálido, oferecer uma imagem confiável e demonstrar interesse pe­ los problemas do paciente. A relação terapêutica exige a manutenção de um delicado equilíbrio entre gratificações e privações do paciente. Deve-sc per­ mitir-lhe certo grau de gratificação de necessidades emocionais (por exemplo, respondendo às perguntas formuladas por ele [42]); do contrário corre-se o perigo de despertar ou incrementar - por causa do ressentimento provocado pela frustração - a produção de reações hostis passíveis de determinar um aumento das resistên­ cias, às quais não teremos tempo suficiente para nos dedicar. Gra­ tificá-lo em demasia pressupõe, do mesmo modo, certos riscos, tais como dificultar a integração da agressividade e favorecer a dependência (33). Dever-se-á, em suma, tender à manutenção de uma relação transferencial positiva sublimada ao longo de toda a terapia (2). Só assim poderemos esperar que o paciente assuma uma atitude de colaboração e possa aceitar e utilizar com proveito as interpre­ tações2. Sentimentos transferenciais de idealização muito intensos podem complicar e prolongar o tratamento; quando juirgejrn, é preciso dissolvê-los prontamente mediante a tarefa interpretativaT Cabe dizer o mesmo a respeito da hostilidade e do erotismo trans­ ferenciais. Finalmente, a relação será menos assimétrica que no trata­ O número reduzido de sessões semanais e a duração limitada e geralmente prefixada do tratamento breve desencorajam a re­ gressão. A posição frente a frente, que é habitual em terapias breves, diferentemente do que se adota em psicanálise (emprego do divã), atua contrapondo-se às tendências do paciente ao desenvolvimen­ to da regressão e da neurose de transferência. (A percepção visual ajuda a que se situe na realidade.) Tal posição aparece, além disso, como a mais adequada ao tipo de comunicação que tem lugar en­ tre paciente e terapeuta nessas terapias, posto que se traduz num
mento psicanalítico.

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intercâmbio verbal fluido, mais próximo de um diálogo corrente queopsicanalítico. Temos recordado que a regra fundamental da psicanálise é um dos fatores que explicam a intensidade particular que a transferên­ cia adquire no tratamento psicanalítico. Como em P.B. se trata de evitar um efeito dessa natureza, considero que tal regra não deve ser empregada do mesmo modo que no tratamento psicanalitico. Mais adiante abordarei exaustivamente esse ponto (pp. 89 ss.). Voltando ao tema da comunicação em.P.B., é preciso assina­ lar a função ativa que o terapeuta tem de exercer, e que será deci­ siva para o alcance de bons resultados. Isto se deve em primeiro lugar à sua possível incidência no vínculo, coadjuvando na manu­ tenção de uma transferência positiva - cm contrast«? com os efei­ tos que teria uma atitude menos participante, que pudesse gerar descontentamento ou hostilidade. Deve-se também ao fato dc que um papel ativo tem importância para a gestão da focalização da tarefa terapêutica (14), dado que comumente é necessário alcan­ çar determinadas metas e se dispõe de tempo limitado para isso. A situação requer certa ativação egóica no paciente, que se consegue precisamente através desse funcionamento ativo, pois nâo pode­ mos esperar demasiado tempo para que vença, por si mesmo, suas dificuldades para se manter numa comunicação terapêutica pro­ dutiva e poder aprofundar-se no conflito em questão. O terapeuta simplesmente tenta agilizar o intercâmbio, procurando produzir um efeito catalisador no processo terapêutico. Ao mesmo tempo deve dedicar-se desde o começo e plenamente a ajudar o paciente a resolver situações perturbadoras de sua vida diária. Com tal fim, recorrerá com freqüência a intervenções não-interpretativas. For­ mulará perguntas, assinalamentos, efetuará sugestões, oferecerá informações. Às vezes terá de tomar a iniciativa na comunicação (12), propondo o tema a ser tratado. (Exemplo: “Vejamos aquilo que você mencionou de passagem na última sessão.” Ou por meio de perguntas: “Como passou este fim de semana? Aconteceu al­ guma coisa especial?”.) E quanto às interpretações, têm de estar dirigidas fundamentalmente ao esclarecimento da conflitiva fo­ cal’. Em suma, o papel do terapeuta é mais ativo e diretivo que na técnica psicanalítica no que concerne à atitude ante o material que o paciente traz. O terapeuta encaminha a exploração em uma de­

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terminada direção, escolhendo entre o material aqwek-ídativQJiQ. foca e descartando o extrafocal4. Em certas ocasiões, pode caber ao terapeuta uma participa­ ção decididamente ativa e direta nos problemas atuais do pacien­ te. Por meio de sugestões, poderá incidir em alguma medida sobre eles. Assim, por exemplo, ante uma situação fobígena talvez con­ sidere necessário, depois que o paciente alcançou certa com­ preensão psicológica do conflito, estimulá-lo a enfrentá-la (27) (49), atitude avalizada já desde 1918 por Freud, com suas reco­ mendações acerca do tratamento das fobias (21), e posteriormente adotada por muitos profissionais na terapia psicanalítica. A res­ peito disso, expressa Ilaley: “A psicanálise dos tempos de Freud não era somente mais breve , mas também mais ativa. Freud esco­ lhia o tema sobre o qual um paciente tinha de associar e quando este obtinha algum insight do problema sugeria-lhe que se mos­ trasse ativo em sua vida pessoal , agora que já dispunha de tal conhecimento” (26)3. (Os grifos são meus.) Em geral evita-se o prolongamento excessivo dos silêncios, não só porque incrementa a ansiedade e a conseqüente regressão (42), mas também porque se trata de utilizar operativamente o tempo disponível. Em particular, os silêncios prolongados do te­ rapeuta podem provocar hostilidade transferencial devido à frus­ tração ocasionada. Ante a posição frente a frente entre terapeuta e paciente, tam­ bém adquirem significação as manifestações pré-verbais do pri­ meiro. E necessário levar em conta a repercussão dos seus gestos e de sua atitude corporal no paciente se se pretende propiciar a produção de uma aliança terapêutica. Wolberg recomenda que o terapeuta dê “livre expressão à sua mímica facial” (48). É claro então que essas contribuições ao processo de tratamento, que po­ deríamos chamar de expressões terapêuticas do terapeuta , como o olhar atento e os gestos que revelam interesse pelo relato do paciente, serão benéficas, desde que sejam espontâneas e não-estudadas. Por último, o tratamento efetuado no contexto institucional e o uso de diferentes recursos terapêuticos, com eventual participa­ ção de outros profissionais ligados ao campo da saúde mental, são fatores que contribuem para modificar as condições da relação

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terapêutica, já que introduzem diversas variantes no campo dos fenômenos transferenciais e contratransferenciais, marcando no­ vas e substanciais diferenças com o que acontece na psicanálise individual (7) (14).

Uma regra básica de funcionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalítica
Na técnica psicanalítica, Freud instituiu o método da associa­ ção livre? pelo qual o paciente deve comunicar ao analista o que lhe ocorrer, quer dizer, todos os pensamentos que assomem à sua mente, sem nenhuma restrição. A livre associação é* junto com os sonhos e os atos falhos, uma via facilitadora de acesso ao incons­ ciente. e ao reger de modo praticamente ininterrupto no decorrer do tratamento psicanalítico, configura o que Freud chamou de “regra fundamental”. No terreno das terapias de tempo e objetivos limitados sur­ gem várias interrogações relacionadas com este tema: 1) Qual deve ser a regra de funcionamento para o paciente? 2) Que papel há de lhe caber no procedimerUo da livre associação? Deve-se deixá-la completamente de lado ou, pelo contrário, é necessário empregá-la? Neste último caso, como, do mesmo modo que no tratamento psicanalítico ou diferentemente? Revisando as obras mais destacadas da bibliografia corres­ pondente à psicoterapia breve de orientação psicanalítica, desco­ brimos que, apesar de se tratar de um aspecto técnico de decisiva importância, ou se tem omitido toda a referência à regra da asso­ ciação livre (abundando em troca as considerações sobre outros temas, tais como o papel da transferência, o das interpretações, etc.) ou no máximo registram-se alguns pontos de vista em tomo da mesma - em geral no sentido de não utilizá-la - na maioria das vezes formulados “de passagem” e com certo caráter dogmático. Vejamos alguns deles: “(...) é desacertada essa atitude passiva e abstencionista, como também o c a associação livre (...)”; “Em geral, a falta material de tempo não nos permite empregar os recursos tradicionais da associação livre, passividade e anonima­ to”. (L. Wolberg [48]. Os grifos são meus.) “Não acredito nesses

De minha parte. durante o mesmo. fala em desencorajar a associação livre (34)t No meu entender. A associação livre no processo psicanalítico favorece a re­ gressão e constitui em si mesma um funcionamento mental re­ gressivo. da­ rei minha opinião acerca dos problemas que aqui se colocam e que considero que requerem um estudo mais minucioso. Esse fato é conveniente para o tratamento psicanalíti­ co. em que o paciente se senta para discutir a seu bel-prazer qualquer tema que se apresente e a falar praticamente de tudo o que aconteceu e vai acontecer. Em outra parte do livro. O emprego constante do método da associação livre (“regra fundamentar’ da psicanálise) nos tratamentos breves Começarei por examinar as vantagens e as desvantagens que acarretaria o uso constante (desde o começo do tratamento e de modo praticamente continuo. pela projeção do . não é um instrumento essencial” (Bellak e Small [2]). sem uma idéia diretriz. não se explicitam claramente os funda­ mentos em que se sustentam esses critérios7. em especial do su­ perego (37). Também Malan. Produz efeitos regressivos. mas não para a P. enquanto tal. Já recordei os con­ ceitos de Racker (p.. ao dar lugar à ime­ diata projeção dos objetos internos no analista. determina uma maior intensidade de transferência no tratamento psicanalítico. em sua obra sobre psicoterapia breve. pelo emprego da associação livre. “Na psicoterapia rápida.90 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica tratamentos difusos. já que no caso desta última nosso propósi­ to é o de proteger o paciente tanto da regressão como da neurose de transferência. tal como se faz no tratamento psicanalítico) da associação livre em terapias breves. a associação livre. sobretudo em se tratando de uma psicoterapia breve” (Hoch [28]). sus­ tenta que a indicação que se dá ao paciente de “dizer o que lhe venha à mente” raramente parece ser necessária. assemelhando-se a fenômenos como a meditação e o sonho.B. 84) no sentido de que a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação por parte do paciente. tais como: a) Incrementar as ansiedades paranóides (entre outros motivos. Analisaremos primeiro as desvantagens.

situação que. além de certo nível pode perturbar consideravelmente um tratamento de duração breve. quer dizer.e suposta conveniência . Seriam definidas desde já. Finalmente isso leva a acentuar a dependên­ cia regressiva em relação ao terapeuta. imagino. inclusive os uierentes a situações ou etapas arcaicas. embora não duvide de que antes de mais nada é preciso que seja o terapeuta quem não perca de vista os objetivos do tratamento.0 tratamento 91 superego sobre o analista e o temor ao próprio e desconhecido que poderá emergir). e por conseguinte o que corresponde à conflitiva focal .de que em terapias bre­ ves todo paciente se ajustasse permanentemente à livre associa­ ção sempre que o terapeuta recorresse a intervenções focalizadas. Sua aplicação pode ser especial­ mente útil quando se trata de pacientés com excessiva tendência à intelectualização. c) Conduzir o paciente à dispersão .o motivo de preocupação não deve ser tanto que . -reitero. Mas cabe agora examinar as vantagens de se adotar a “regra fundamental”. levado pelo curso de suas associações. alguns colegas me assinalaram a possibilidade . a qual. Desse mo­ do. com o que se respeitaria a essência do procedimento em seu caráter de tera­ pêutica focal. também abre brechas no paciente. f Em suma. a desconexão . mostrando-lhe a relação . pela facilitação do aces­ so aos conteúdos inconscientes. Em grupos de discussão. pelo contrário. em terapia breve. Sem dúvida. fato que pode resultar propício no tratamento para ser utilizado como o “argumento” ou “libreto” conhecido de antemão.do material com a problemática principal do tratamento. pelo que. na I maioria dos casos não me parece recomendável.ou. inadequada a essas tera­ pias. ele se desvia excessivamente das situa­ ções conflitivas a serem tratadas (sem maior aproveitamento do tempo em função do problema central do tratamento). o emprego constante do método da associação livre no tratamento intensificaria os fenômenos transferenciai sregressivos até um ponto indesejável. que ficam então a descoberto. b) Gerar uma atmosfera de ambigüidade. pois nesse caso a defesa pode ser incrementada se têm de se referir a um tema determinado (à situaçào-problema). Talvez seja essa uma das poucas situações de exceção em que se poderia apelar para o uso da “regra fundamental”9. pois permite que aflore material vinculado a outros conflitos relativamente alheios ao foco. deverá ser desencorajada8. a meu ver.

como em outros . entrando em aberta contradição com esta como método de trabalho. (“Operativamente. a eventual conexão entre as associações espontâneas e os elementos focais. mas também sugerindo temas ou fazendo perguntas. por exemplo. até agora. pressupõem a presença de tal situação claramente definida e dc suficiente intensidade traumática.e insisto neste aspecto . ainda que seja possível que no caso de uma situação traumática de reconhecida eficácia patogênica as associações livres do paciente girem em sua grande maioria em tomo dela. que é a usual nessas terapias. graças às quais promove a ativação egóica no paciente (não só através de assinalamentos e interpretações. Por outro la­ do. razão pela qual a utili/ação da “regra fundamental” psicanalítica poderia dar lugar em alguns momentos ao aprofun­ damento na estrutura focal. e em boa medida. afirma este autor [8]“. mas sim que o terapeuta se descuide de relocalizá-lo nele. isto é. quer dizer. neste. sim. a posição frente a frente. O terapeuta. Assim sendo. quer dizer. . acrescento a este requisito os benefícios que comumente oferece o fato de que também o paciente concentre sua atenção desde o princípio nos problemas a resolver. a “enveredar por outros Raminhos”. atuando de modo mais diretivo no que diz respeito à orientação que deverá imprimir ao pensamento do paciente em direção a uma problemática deter­ minada). e não creio que as vantagens provenientes do uso da associação livre.) Assim mesmo. estimulará. o que pode ocorrer na prática das terapias bre­ ves? Que o papel ativo e focalizador desempenhado pelo terapeu­ ta. o certo é que nem todos os casos tratáveis por meio da PB. dados os inconvenientes que o mesmo pode acarretar e que já foram assinalados"'. costuma perturbar a associação livre. por exemplo). mais do que sobre associações livres”. característica dominante dessas terapias.ao afastamento dela. sejam argumento suficiente para seu em­ prego sistemático e constante. o que Fiorini chamou de “associa­ ções intencionalmente dirigidas”.92 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica o paciente “saia do foco”. se interponha reduzin­ do ou até deixando sem efeito a associação livre espontânea do paciente. com suas freqüentes inter­ venções. a focalização conduz a trabalhar sobre associações intencionalmente dirigidas. com as conhecidas conseqüências. como o atesta a experiência clínica psicanalítica (com as denomi­ nadas neuroses traumáticas.

os quais terão de se converter em tema primordial da terapia (focalizaçâo). a comunicação se verá em geral facilitada.” Isso significa que. vivências e sonhos). Uso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves Será necessário descartar quase por completo a utilização da associação livre em terapias breves? Penso que não. fantasias. costumo formular uma prescrição de trabalho para os pacientes antes de começar o tratamento breve que consiste no seguinte: esclareço-lhes que poderão falar do que desejem. Do mesmo modo que com outros recursos da técnica psicanalítica. Fromm Reichman (22) escreveu^ “Muitos psicanalistas consideram que uma quantidade suficiente de material dissociado reconhecível chega à superfície e pode ter acesso à consciência no intercâmbio psicoterapêutico mais dirigido. mas que em princípio convirá que se refiram preferencialmente a tudo aquilo que suponham ter alguma relação com os problemas que combinamos abordar (poderá tratar-se tanto de relatos acerca de fatos atuais da vida deles. Adoção de uma regra básica de funcionamento para psicoterapias breves F. Podemos assim dedicarnos de maneira seletiva a seus sofrimentos atuais. como de recordações. isso não implica que sem sua ajuda esta não Seja exeqüível.0 tratamento propiciando antes o estabelecimento de uma comunicação em que predomina o processo secundário e portanto mais aproximada do que seria um diálogo corrente. por mais que a associação livre favoreça a explora|ào do incons­ ciente. pensamentos variados. o natural e lógico para o paciente é ter que falar ante o terapeuta fundamentalmente de seus sintomas e situações conflitivas. gerando-se um menor montante de ansiedade paranóide. Por esses motivos. podere­ mos apelar para esses métodos em determinadas circunstâncias. . Além disso. Se a norma de funcionamento se baseia nessa premis­ sa.

sim.tendo-me resultado de suma utilidade perante a emergência de certo material que impressionava como significativo e sobretudo podia supor-se ou inclusive compro­ var-se . não considero adequado o emprego sistemático do mesmo .e creio necessário alertar a respeito de tal emprego quando corresponde a uma simples transposição da téc­ nica psicanalítica corrente e carece de fundamentos válidos. Nesse momento. ato falho. ao aparecimento de um determinado sintoma. Em resumo e com respeito ao destino do método da associa­ ção livre como recurso técnico no campo das terapias breves. com base no obtido. definidas pelo surgi­ mento de algum elemento significativo . fantasia. A flexibilidade de que o terapeuta deverá fazer uso há de pos­ sibilitar-lhe a opção de utilizar este recurso técnico quando o con­ sidere oportuno e ante pacientes capazes de responder positiva­ mente ao mesmo14. sugerindo-o com determinados pa­ cientes e em determinadas circunstâncias. convidava o paciente a me comunicar as associações que iam surgindo a partir desse material. etc. £>estaco. a aplicação nas psicoterapias de elementos tomados da psicanálise. quer dizer.94 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em minha experiência pessoal.estar ligado à estrutura focal (podendo relacionar-se a um sonho. diferentemente do que resultaria se utilizado cons­ tantemente13. os benefícios de um uso limitado e seletivo do procedi­ lugar o processo associativo./ mento no tratamento breve . a partir do qual poderá ter . ampliar ou corrigir as hipóteses psicodinâmicas em jogo.salvo es­ cassas exceções . sentimento. A manobra em questão tem naturalmente a in­ tenção de aprofundar-se no material correspondente ao foco tera­ pêutico e freqüentemente permite ratificar. Dessa maneira. mas mediando uma tarefa de “adaptar nossa técnica às novas con­ dições” (21). Essa instrumentalização seletiva do método da associa­ ção livre permite seu aproveitamento. já que é possível exercer certo controle sobre os efeitos regressivos que seu emprego pode­ ria provocar. a fim de se aprofundar na conflitiva focal. venho ensaiando isso de maneira isolada nos tratamentos .)12. também seríamos conseqüentes a respeito desse ponto com o que Freud propunha em 1918.

p. Digressões sobre a focalização e a atenção do terapeuta Tem-se dito que na terapia focal o terapeuta deve empregar uma atenção seletiva. Ao mesmo tempo. definindo muito especialmente seu próprio focalizador. só em caso de pacientes que reve­ lem atitudes^egóicas suficientes para que tal emprego traga bene­ fícios informando-se em detalhe em que consiste o mesmo antes de começar o tratamento. 93).ainda que. no dizer de Laplanche e Pontalis. sem focalizar sua atenção. esta norma poderia selar as características essenciais da relação terapêutica na terapia breve psicanaliticamente orienta­ da. quer dizer. de nenhuma maneira deve implicar a ausência total de atenção flutuante por parte do . poderia então agregar-se a explicitação do even­ tual emprego do método da associação livre em alguns momentos da terapia . em virtude da qual tende a conservar men­ talmente um foco (na descrição de Malan. à norma ou prescrição de trabalho antes propos­ ta (p. a interpretação central em torno da qual deve girar todo o tratamento). “estrutura a situação analítica” (32) (“Regra fundamen­ tal”. conduz o paciente ao foco através do trabalho interpretativo e descarta o material distanciado dele (34)/al estado de atenção seletiva parece certa­ mente o oposto da atenção flutuante recomendada por Freud.B. repito. A citada norma de funcionamento se ajustaria à» condições próprias da terapia breve. o terapeuta se concentra de preferência no material que aparece mais diretamente ligado à problemática focal.0 tratamento Conformação definitiva de uma regra de funcionamento para psicoterapias breves 95 Finalmente. conside­ ro que o emprego de atenção seletiva em P. Considero que em grande {pedida. 370). sendo sua finalidade poder des­ cobrir neste as conexões inconscientes (17)/Sem dúvida. as­ sim como a “regra fundamental”. evitando na medida do possível privilegiar algum aspecto do material. segundo a qual a principal contribuição do paciente será fornecer todo tipo de material que chegue a relacionar com seu sofrimento atual. de acordo com o qual o analista deve escutar o analisando.

o qual requer seu concurso. em contrapartida.. Resulta bastante útil em muitos momentos recuperar justamente a atenção flutuante. . o estar cara a cara. mas antes de mais nada coloquemo-lo clara­ mente . Se se prescindir por completo da atenção flutuante. o que torna muito mais difícil mantê-la. A atenção flutuante do terapeuta. Penso que nessas circunstâncias poder-se-ia questionar muito mais severamente que em outras . pois.B. Sustento que é possível. justamente para facilitar o aprofundamento na mesma conflitiva focal. valer-se dela. a meu ver. Embora retomemos periodicamente. na associação livre do paciente e. muito pelo contrário. quando seja necessário. já que devemos controlar nossa mímica. Não se empregando a atenção flutuante. que ao ver-se inevitavelmente dificultada de maneira parcial pela necessidade estratégica de focalização. o qual se sustenta.96 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapeuta. para isso. não deve por isso ficar anulada no decorrer do pro­ cesso terapêutico toda vez que desejamos preservar em alguma medida um método mais depurado de exploração do inconsciente. Tratarei em seguida de esclarecer um pouco mais esses conceitos. nada arriscaremos. e ainda para a produção de interpretações focalizadas a partir da contribuição que oferecem as associações espontâneas do terapeuta diante do material focal do paciente. corre o risco de se reduzir automática e exclusi­ vamente a uma terapia do prê-consciente.e com direito . a comunicação terapêutica não seria em momento algum aceitemo-lo ou não a partir dc um ponto dc vista terapêutico. no meu entender. assim como da associação livre. conseqüências desfavoráveis para o tra­ tamento. como em troca se pro­ cura que seja no tratamento psicanalítico. podendo estereotiparse consideravelmente o intercâmbio verbal terapeuta paciente e empobrecer-se o procedimento em suas possibilidades terapêuti­ cas. flexivelmente utilizada em P. o tratamento breve. dc planejamento e de um papel ativo do terapeuta (antes de tudo. à atenção seletiva e implementemos os resultados da atenção flutuante para gerar intervenções focaliza­ das.a existência de algum grau de insight e dc elabora­ ção do paciente nessas terapias. obstacularizados ou impedidos ambos pelo tipo de comunicação estabelecida.de inconsciente para inconsciente. às vezes não muito apropriada para a ocasião quando nos abandonamos à aten­ ção flutuante). não traz. na aten­ ção flutuante do analista (17).

por exemplo). com retomo final à focalização (atenção seletiva focal) para a conseqüente seleção interna voluntária entre as linhas interpretativas (quando surge mais de uma) do que se rela­ ciona ao eixo terapêutico. Creio que de maneira geral o que poderia embasá-la como requisito básico seria o surgimento de material presumível ou .). tenha apa­ recido como conseqüência de intervenções foealizadoras do tera­ peuta (perguntas. por sua vez. interpretações. por exemplo. Esta poderá. ter como resposta: a) a emergência de mate- .). sínteses. que tem de ser focalizada.a formulação de uma interpretação. ainda que sempre se dê no final um retomo ao estado de atenção se letiva focal. pedidos de as­ sociação livre a partir de um elemento. como conseqüência da atividade pensante do terapeuta que tem lugar nesse momento (associações. pois se nos decidirmos a procurar que circunstan­ cialmente o paciente vença a censura existente entre seu conscien­ te e seu pré-consciente. tenha sido tal material trazido de modo espontâneo pelo paciente. que se alternam de acordo com as vicissitudes cia comunicação terapêutica. No entanto. etc. antepondo nossa própria censura às suas comunicações. assinalamentos. de onde poderá sobrevir . tenha de reduzir-se somente a tais circunstâncias. Como norma elemen­ tar.0 tratamento 97 Sob essa perspectiva chegamos à proposta do que seria no terapeuta uma combinação sucessiva. conexões. o passo na direção da gestação de uma interpretação. efe­ tuando uma seleção à qual o paciente tenha renunciado [17]). operativa e flexível de~momentos de atenção flutuante. isso não significa que o emprego da atenção flutuante em P. etc.B. tem-se de escutá-lo em estado de atenção flutuante (qualquer outra atitude implicaria rieste caso uma incoe­ rência técnica. não vamos incorrer no erro jtte substituíla. Em seguida se dá. seguidos de momentos dc atenção mais seletiva. Uma possível se­ qüência ilustrativa da combinação dos tipos de atenção que pro­ ponho para o trabalho focalizador é a seguinte: em virtude de sua atenção seletiva. poderíamos estabelecer que toda vez que se solicitem associa­ ções livres ao paciente.ou não . Em seguida. solicita-lhe associações livres partindo de tal ele­ mento e se dispõe então a escutá-las com atenção flutuante.melhor ainda claramente relacionado (pelo terapeuta) com o focal. o terapeuta distingue um elemento focal signifi­ cativo no material do paciente (relativo a um sonho.

Em síntese. de que a atenção seletiva pressupõe a concentração preferencial do terapeuta no material ligado á problemática focaÇestaria irapficüõ o emprego da atenção flutuante para a recepção de tal material). facilitando-nos o exercício de nossa atenção flutuante (isto se apresenta do mesmo modo diante dos quadros de neuroses traumáticas. o levará a reencaminhar o paciente ao foco. c que me parece sumamente necessário explicitar. em estado de atenção flutuante . etc. ou.com a atenção do terapeuta na psicoterapia focal.^ peuta. Esta é a forma pela qual pessoalmente concebo o que sucede .apesar da sua indubitável importância. por exemplo. ao transcorrer certo tempo c ser corroborado pelo tera­ peuta. Desse modo. então. mas que na rea­ lidade a dita seleção segue uma recepção.da mesma maneira que o relativo à associação livre .sua atenção. ela mostra que a atenção seletiva serve basicamente para efetuar uma seleção do material do paciente (em razão de nosso interesse seletivo na problemática focal daquele). Mas não podemos extrair algo mais dessa exemplificação? De fato. do material focal que sobrevem em continuação. com ura assinalamento. já que os diver­ sos autores que vêm se referindo a essa técnica se ocuparam pouco ou nada de aclarar esse tema . a noção de atenção seletiva na psico­ terapia focal também encerra no fundo a presença de estados de atenção flutuante do terapeuta (no conceito antes mencionado. que o terapeuta desenvolverá seu trabalho interpretativo.° Psicoterapia breve de orientação psicanalítica rial focal (associações dirigidas) (8). atividade pensante com trabalho fmàT de seleção interna do terapeuta (atenção seletiva focal) — » interpre­ tação focalizada — > material focal —>atenção flutuante do tera. nos quais com freqüência a . que voltou a focalizar automaticamente . b) resistencialmente. e que é empregando essencialmente esta forma de atenção. Os pacientes que têm certa capacidade para centrar-se na conflitiva focal nos eximem de maiores preocupações e esforços para orientá-los em direção a ela. material do paciente — » focal ização baseada na atenção selcTiva do terapeuta ^ jp edíHrTda associa­ ção livre ao paciente — > atenção flutuante do terapeuta — » gesta­ ção da interpretação. o qual.ou deveria suceder . a flutuante. o distanciamento do foco. por parte do terapeuta. ante o que o terapeuta tem de abandonar-se igualmente à atenção flutuante e reiniciar o ciclo.

quer dizer. para os fins de aprofundar a elucidação dos psicodinamismos focais e de dar lugar à produção de intervenções focalizadas. que com o tempo se toma auto­ mática. v 2?) Constituir-se de uma proporção elevada de intervenções não-interpretativas. A combinação que sugiro tem seu correlato no que foi pro­ posto para o paciente. as quais devem responder a uma estratégia terapêutica elaborada de acordo com as necessidades de cada caso. tudo isso possibili­ tando o progresso terapêutico. a favoreçam. da atenção. como vimos.B. perguntas e comentários . colocação seletiva consciente de material focal e associações livres a partir de um elemento focal. inerente ao foco terapêutico). por exemplo. Elementos psicoterapêuticos verbais Generalidades Em P. Vale a pena preservar nesses procedimentos certo grau de atenção flutuante. Em suma. Os assinalamentos. É inaceitável. pode ser empregada em diferentes momentos terapeuticamente significativos de nosso trabalho15. Quando se cometem tais erros tem-se a impressão de que a terapia breve se converte num expoente da improvisação e da imprudência. capitalizada. as intervenções verbais do terapeuta devem reunir três condições básicas: X 1“) Manter certa coerência interna (7) (13).B... pode dar-se em grau satisfa­ tório e de modo quase espontâneo em terapeutas convenientemen­ te treinados. que pare­ ceria difícil de êoncretizar na prática.0 tratamento _ __________ ____________________ ______ ____ _________________________________ maior parte do material trazido está vinculada mais ou menos diretamente à situação traumática. pelo contrário. que às intervenções tendentes a desencorajar a regres­ são se sigam outras que. Há uma regulação . Isso quer dizer que de um ponto de vista dinâmico não é admissível que haja con­ tradições no emprego das diferentes intervenções do terapeuta. a atenção flutuante em P. A combinação atenção flutuante/atenção seletiva. segundo as formas em que se vão cjiando as seqüências.

c) Variantes qualitativas nas interpretações. quer dizer. mediante a qual se procura centralizar o trabalho terapêutico nos problemas vitais e atuais do paciente e não abrir nele outras brechas. me ocuparei detalhadamente das interpretações. Por outro lado. além disso.B. como acontece quando se segue uma direção definida e previamente incluída nu­ ma estratégia terapêutica determinada. Atenuação dos efeitos regressivos. c) O terapeuta diante do trabalho interpretativo. interpretativas ou não.100 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica que estimulam o intercâmbio verbal têm de ser empregados com uma freqüência maior do que na psicanálise tradicional. A apresentação do tema será feita na seguinte ordem: a) Introdução. deverão estar de preferência focalizadas. As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica Ainda é objeto de viva discussão tudo o que concerne às interpretações em P. apelar com freqüência para intervenções nãointerpretativas constitui uma clara expressão do papel ativo e focalizador do psicoterapeuta nesse tipo de terapia. já que estimulam a colocação por parte do paciente de material relacionado com o foco. a fim de contrabalançar os efeitos da estimulação da dependência que um uso quase exclusivo de interpretações poderia trazer associado. As intervenções. ^ 3?) Estar focalizadas. Tratase de uma premissa essencial dessas terapias. b) Interpretações e transferências. Examinarei aqui as contribuições de di­ versos autores e exporei. d) Interpretação dos sonhos. mencionando sucintamente as restantes. Dessa maneira serão tam­ bém focalizadoras em seus efeitos. dirigidas seletivamente à problemática focal16. Considera-se desse modo que se deva reafirmar uma relação terapeuta-paciente em termos de realidade e de uma menor assime­ tria. meus pontos de vista a res­ peito. . Dentre as diferentes intervenções do terapeuta.

o curto prazo do tratamento. perguntas. um tratamento coloca a necessidade de se atingirem certos níveis de profundidade para que os objetivos terapêuticos propostos possam ser alcançados. minha impressão é de que habitualmente é limitada pelas próprias características do enqua­ dramento. E conveniente então avaliar antes a capacidade do paciente para assimilar inter­ pretações desse teor. efetuando-se ocasional e prudentemente como experiência (48)1R . Numa palavra. Quanto à sua profundidade !7. favorece o estabelecimento de uma rel£y. seja ou nào “trans­ ferencial”. por exemplo. de orientação psicanalítica. A meu ver deve ser a incidência de outros mecanismos terapêuticos. indu­ zir a estados regressivos de certa consideração. as interpretações. comumentc.ão acentuadamente dependente do paciente em relação ao terapeuta.B. pois o objetivo principal continua sen­ do a busca de insight no paciente (sem que por isso se desconheça terapêutico na P. sem’deixar de ser. dado o número relativamente reduzido de sessões semanais e. será preciso tam­ bém contar com a possibilidade de que se produzam reações des­ favoráveis pelo incremento das resistências. caberia insistir em algumas considerações a respeito. partindo das idéias de Rogers (40). o elemento terapêutico essencial. parece conveniente que em P. sugestões. em ordem de importância. se alter­ nem em maior medida com outros tipos de intervenção verbal (assinalamentos. em algu­ mas oportunidades. capazes de relocalizar o paciente uma vez ou outra em sua condição de adulto e nu­ ma relação menos assimétrica com o terapeuta. corresponde a interpretação como instrumento a ferramenta fundamental. interpretações “profundas” podem.0 tratamento a) Introdução 101 Em primeiro lugar pode-se colocar a que lugar. Se aceitamos.). que toda interpretação. em certas ocasiões. como na psicanálise. que em minha opinião têm um papel secundário). Não obstante. Existem. é desejável que o tratamento nãd/se reduza a um empregoExclusi­ vamente sustentado ou baseado enTInterpretacões.B. Pois bem. Além dis­ so. por serem es­ tas indutorãTdã^dependencia regressiva. dificuldades para se exercer controle sobre as ansiedades que o paciente sofre por efeito das interpretações. . etc.

Além disso. às transferências19. devemos nos dedicar à tarefa de resolver problemas atuais da realidade externa do paciente mediante a análise e a conseqüente busca de insight a respeito da natureza das situações conflitivas que apre­ sentam suas transferências . e não carecem de valor para o tratamento psicanalítico. vamos analisar o papel das interpretações “extratransferenciais” na terapêutica breve. em matéria de terapias breves. O que ocorre é que em psicanálise as interpretações “extratransferenciais” quase sempre têm sido. a qual. de insight é limitado em com­ paração com o que tem lugar na análise. b) Interpretações e transferências Um dos aspectos mais importantes e polêmicos da teoria da técnica da PB. usual e importante no trabalho interpretativo.). diz respeito aos tipos de interpretação que devem ser utilizados no que se refere à transferência ou. ignora a maior parte das manifestações inerentes à neurose de transferência. agora. Mas o emprego dessas interpretações parece requerer toda­ via fundamentos teóricos suficientemente sólidos. pais. as que na técnica psi­ canalítica não costumam ser levadas muito em conta ou são dire­ tamente desestimuladas. como sabemos. Interpretações "extratransferenciais " Em primeiro lugar. atribuindo-se- .n. Isso obedece ao fato de que. Poderíamos dizer que o é tanto na superfície (ao ser focalizado) como em profundidade (não abarcando certos aspectos dos conflitos centrais do trata­ mento. desenvolvidas em qualquer pessoa com quem se relaciona em sua vida diária (cônjuge. Examinaremos. subestimadas.B.102 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica O trabalho terapêutico na P. filhos. sobretudo os que se acham ligados a conteúdos muito re­ primidos). os pormenores do uso das denomina­ das interpretações “transferenciais” e “extratransferenciais”-. chefes. melhor dizendo. etc. como disse antes. A meu ver podem configurar sem dúvi­ da um recurso válido. al­ cança pouco ou nenhum desenvolvimento no tratamento breve.

Entre nós. Não da trans­ ferência.0 tratamento 103 lhes um valor muito secundário na cura. . Freud confe­ ria grande valor à transferência. nem de nenhuma circunstância em paiJjcliJã*3* —~ . Em que p<|sc sua ex­ tensão. Depois começa a expor seus pontos de vista cm torno das interpretações que operam “centrando o ponto de urgência fora da transferência ao psicanalista”. passada ou futura com o paciente (ainda vou enfatizar . expõe conceitos que permi­ tem reivindicar as interpretações “extratransferenciais” em sua significação terapêutica dentro do tratamento psicanalítico (25). a meu ver. por serem as mais descuidadas pela psicanálise em seu esquema teórico). em comparação com as “transferências”. quero transcrevê-los.esclarece .as interpretações que se referem à vida atual do paciente. Esse autor resgata seus fundamentos teórico-técnicos. Ao dizer isto . como elemento incluído dentro de uma totalidade englobada pela reconstrução. tenho selecionado aqueles que me parecem mais eloqüentes e ilustrativos (25). nem das recordações. dado que as necessidades da prática psicoterapêutica obrigam o analista a sair e ampliar sua estreita margem conceituai) de muitos psicanalistas de nosso país. o que se reveste de singular importância. pois sua menção resulta‘/mais que oportuna ao abordar este tema: “A análise é uma investigação do inconsciente. contemporâneas à situação analítica. e que a meta da análise é a busca do objeto transferido para este em suas múltiplas variantes e em seu interjogo com o analisado. mas. devesse dizer teorizar acerca de técnica. já que disso dependerão em gran­ de parte a validade e o alcance terapêutico que adjudiquemos à técnica breve que apele freqüentemente para as interpretações mencionada». Guiter. Dos pensamentos de Guiter acerca das interpretações não relacionadas com o analista. Um claro exemplo disso é a posição adotada por Strachey (41).continua Guiter vou afastarme da maneira tradicional de trabalhar (talvez melhor do que tra­ balhar. partindo da revisão de pontos essenciais do pensamento freudiano. Não estou de acordo com essa maneira de trabalhar. as que fazem alusão a “transferên­ cias” a outras pessoas em relação atual. nesse momento (1973) em que trabalham partindo da hipótese de que tudo o que o paciente diz se refere ao analista.

. Dessa maneira. Continuando. regressões patológicas. quando um paciente vem à sessão pode chegar estimulado por excitações que ultrapassam sua capacidade de elaboração (e que traz para elaborar na sessão). somente uma pade do processo analítica -----------— “O paciente vem a sessão estimulado pela angústia ocasiona­ da por um determinado problema com raízes no passado e estimu­ lado a partir do presente. Esse presente pode estar constituído pelo próprio analista ou por qualquer estímulo do dia ou dias ante­ riores (equiparando-o a um sonho.. Penso então que a missão do analista é interpretar esses fatos sem incluir-se. fomentando. Mais adiante expressa: “A transferência pode acontecer em qualquer parte. nesse nível. agora e comigo” é. alheios ao analista. e essas excita­ ções podem então ter-se originado na relação com processos reais ou transferenciais.) De modo que. ao grau de veracidade acerca do que o paciente nos relata ou à circunstância de que se trate de “um fato que já passou”. para mim. OJ^aqui.” “(. que mesmo Freud “inter­ pretava transferências em outros contextos”.104 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica J que inclui também o histórico próximo e distante da vida do paciente. iatrogenicamente. Guiter refuta as críticas que se formulam contra essa modalidade de trabalho (no que concerne ao favorecimento de “atuações”. reduz-se ao mínimo a relaçào adulta (ou sã) entre o paciente e o analista. mas não a regressão útil. Por razões de espaço abstenho-me de transcrever a passagem correspondente. o paciente sempre é um menino de quem o analista é um pai. a situação é presente”). a regressão. de modo que.” (Assinala antes. e quase tudo o que ocorre na sessão é transferência. sem ver as transfe­ rências em outra parte. enquanto “na sessão. o elemento estimulador pode ser comparado a um resíduo diurno). no primeiro. pois o nível do conflito nesse momento não se relaciona com cie” (grifos do autor). o que se consegue é adoecer mais o paciente.) Prossegue dizendo: “Outro problema que se coloca é este: se tudo o que o paciente diz se relaciona com seu analista. tanto mais se pode tomar essa técnica como defesa. quanto mais se interprete o paciente em relação ao analista. Mais ainda.. e se fomenta. não é forçoso que seja com o analista.

Por outro lado. lhe resulta de grande ajuda para inferir e interpretar as demais transferências do paciente. que se impõe em P. em troca. cabe recordar precisamente que. Disso poderiam derivar apreciações e interpretações errôneas da realidade externa do paciente (ainda quando a com­ preensão da transferência. A clareza expositiva de Guiter me exime de maiores comen­ tários e. muito menos reduzir a tarefa à analise da transferência ao terapeuta.B. Em P.vencido na maioria das vezes mediante um prévio estu­ do clínico e psicodiagnóstico o mais amplo possível do paciente. e como venho repetindo.recorrendo-se. já evidenciada com o terapeuta.105 Assim sendo.e é . Mas. geralmente.B. em psicanálise. em função do enquadramento da P.que poderia propiciar o desenvolvimento da neurose de transferência . em virtude do limitado contato que propbrciona o tra­ tamento. devemos reconhecer a existência de um inconveniente em nosso trabalho de análise das relações do paciente com os diferentes objetos transferenciais de sua realida­ de externa: o terapeuta conhece pouco o paciente cif sua relação terapêutica. avaliza com acréscimos o emprego das interpretações “extratransferenciais”. Concordo com o critério de Guiter e entendo que nenhuma terapia interpretativa deva descuidar-se das diferentes transferên­ cias extraterapêuticas. a interpreta­ ções que a desvelem e clarifiquem parcialmente só em determina- . na minha opinião. seja de todo o modo um elemento valioso para diagnosticar as caracterís­ ticas das relações objetais do paciente. os mecanismos terapêuticos não consistem do desenvolvimento e da elaboração da neurose transferencial. nós. podemos ser paradoxalmente reforçadores de neuroses” (grifos do autor). o conhecimento que o analista adquire no decorrer do tempo sobre as características da transferência desen­ volvida pelo paciente para com ele. devemo-nos desenvolver praticamente sem essa ajuda desde o começo). do mesmo modo que a compreensão da contratransferêricia.B. quase como imprescindível para oferecer sustentação adequada ao nosso trabalho terapêutico posterior. tio terreno de P..B. os analistas. Mas considero que esse obstáculo pode ser . o tra­ balho não tem por que concentrar-se então na análise exaustiva da relação terapêutica .

em que desviar poderia ser entendido como desviar de maneira forçada. no qual prevalecem as segundas ou pelo menos em que se manifesta uma maior proporção delas com relação às que geralmente averigua­ mos num tratamento breve (as diferenças se acentuam muito mais na análise kleiniana que na análise que mantém uma modalidade técnica freudiana). quer dizer. a tarefa interpretativa se diferencia claramente da do tratamento psicanalítico. Sustenta que os perigos que se corre (de aumentar a dependência. os problemas a tratar. Malan não vê nenhum inconveniente em empregar precoce e intensivamente interpreta­ ções “transferenciais”. da real significa­ ção em sua vida (ou seja. Ali começam as divergências. que é preci­ samente através dessas interpretações que se pode resistir ao de­ senvolvimento de uma neurose transferencial e lhes assinala um papel muito importante ao alcance de resultados favoráveis (34). em direção a uma figura importante para o paciente.106 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica das circunstâncias que assim o aconselhem e que citarei em se­ guida. em função. Interpretações “transferenciais " Em P. senão melhor. Em conseqüência. Eu não chamaria a isto “desviar a transferên­ cia” . de relações objetais dotadas de um importante montante de libido). em vez de concentrar a atividade na relação paciente-terapeuta. de acordo com o que quase sem­ pre ocorre na prática. Pumpian-Mindlin (36) sugere “desviar a transferência”. por exemplo) são escassos. do enqua­ dramento e das finalidades do procedimento terapêutico breve.B. como numa terapia breve costumam pre­ dominar as impropriamente chamadas interpretações “extratransferenciais” cm relação às “transferenciais”. A questão esbarra em como fazê-lo. alarmado porque induziram o paciente . Com o propósito de evitar fenômenos transferenciais inten­ sos. em segundo lugar. primeiramente. Rogers. existem critérios díspares quanto ao uso das inter­ pretações “transferenciais”. Malan assinala que parece haver acordo geral acerca da necessidade de não fomentar o desenvolvi­ mento da neurose de transferência21. e. no outro extremo. hierarquizar outras transferências preexis­ tentes do paciente.

por múltiplas razões).) o surgimento excessivo desse tipo de material. e que não temos tempo suficiente para insistir demasiado neles (não é conveniente fazêlo em P. perguntas. Assim. Por isso creio que devemos nos conformar em prover o paciente de elementos para a conscientização de suas transferên­ cias para com pessoas significativas. que reduzirão nossas possibilidades. . entendo que comumente o paciente tarda em aceitar como algo próprio os ele­ mentos da transferência para o terapeuta. e muito menos para incluir reve­ lações acerca das raízes genéticas infantis do conflito transferen­ cial. o terapeuta geralmente tratará de não estimular com suas intervenções (refiro-me às de qualquer tipo. de alcançar o êxito terapêutico desejado*2. sem deixar de “seguir o fio” dos fenômenos transferenciais relacionados àquele a que sua compreensão se refere. poderemos gerar consideráveis resistên­ cias à tarefa. propõe suprimi-las por completo (40). não só às interpretações. Quase sempre trata-se da interpretação da transferência negativa. e incluir o vínculo com o terapeuta na maioria dos casos só como uma rieva relação transferencial . Além disso. Seguiríamos assim a regra freudiana de não interpretar a transfe­ rência positiva sublimada. isso sim. pois considera que utilizadas de modo sistemático como em psi­ canálise podem fomentar a neurose de transferência (7) (14). quer dizer. geralmente envolvidas na situação conflitiva em questão.e não como o eixo do tratamento . ocorre o fato incontestável de que se em certos momentos não se apela para a interpretação “transferen­ cial” poderão aparecer ou acentuar-se diversas dificuldades. aflorar talvez mais seletivamente e apreciar-se com maior clareza as pau­ tas repetitivas e neuróticas de sua conduta. se apesar de tal situação instarmos para que se concentre em sua relação conosco.0 tratamento 107 à dependência. A fim de resolver problemas vitais atuais que o afetam. etc. que em troca deverá ser estimulada e utilizada para tornar possível o trabalho terapêutico (18) (19). paralelamente.B. fuhdadas no insight. senão também aos assi­ nalamentos. o paciente se apresenta para tratar-se só uma ou duas vezes por semana. Mas talvez a maioria se incline a um uso prudente e limitado (2) (14) (48). Compartilho plenamente essa posição.na qual podem. Mas.

atrasos e outras dificuldades do paciente essencial­ mente para trazer material focal (intervalos de silêncio reiterados. o que se alcançou mediante uma mensagem interpretativa denunciadora do “falso vínculo”. ao dissipar de imediato e em gran­ de parte a resistência surgida. Tratar-se-á de vencer através da tarefa interpretativa os obstáculos resistenciais provenientes da transferência assim que aparecerem (28)2\ Ausências.e eventualmente do passado pois o propósito é basicamente estabelecer de imediato a cone­ xão com esses objetos de conflitos para alcançar uma adaptação à realidade. . Desse modo. A título de ilustração. Em qualquer momento. Vejamos então quais são as principais situações em que será necessário recorrer às interpretações “transferenciais”: xT a) Quando surgem resistências transferenciais. num momento do tratamento breve. o que permitiu remover o obstáculo e facilitar o curso posterior do tratamento. pude apreciar com clareza que repetia em seu vínculo comigo o lipo de relação que mantinha com seu pai. ^b) Quando podem constituir para o paciente um elemento demonstrativo de determinados aspectos de sua problemática focal. darei um exemplo6simples: uma mu­ lher jovem. se negava a falar durante as sessões. a relação com o terapeuta poderá funcionar como um modelo experimental esclarecedor dos pro­ blemas do paciente com suas relações interpessoais. durante as quais manifestava uma expressão de nojo para comigo.108 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com este último concordam autores como Bellak e Small (2) e Malan (34). um fragmento de transferência converte-se prontamente em ponto de partida para propiciar insight no paciente acerca dos conflitos com outros seres de sua vida atual . Revelei esta situação transfe­ rencial à paciente. mas que por sua vez desalentava a revivescência de situações infantis na relação com o terapeuta24. Mas será conveniente que a interpretação da transferência se realize em circunstâncias em que o fenômeno transferencial possa ser cla­ ramente reconhecido pelo paciente. Ao cabo de algumas sessões. sem que ela mesma encontrasse motivos ra­ zoáveis que pudessem justificar tal estado. afastamento do foco) quase sempre podem ser interpretados ao menos cm parte com relação a situações transferenciais. a quem desde tempos atrás não dirigia a palavra.

ambos os aspectos coe­ xistiam em certa medida. de caráter histérico. Também no exemplo anterior. Durante as primeiras sessões . sua conduta correspondia uma vez mais a um intenso masoquismo. Nesse aspecto considero que tanto nas etapas iniciais como nas finais do processo terapêutico costuma produzir-se em geral maior necessidade de se recorrer a essas intervenções.) Todavia.porque é preciso despejar o panorama de . com marcados tra­ ços fálicos. tratei de chamar sua atenção para o fato de que esses aspectos doentes de sua personalidade conspiravam também na terapia. provocando nele reações violentas contra ela que chegavam ao ataque físico. que na verdade a intenção de relacionar o fenômeno transferen­ cial com algumas perturbações nas relações interpessoais da rea­ lidade atual da paciente era acompanhada pela tentativa de dissol­ ver obstáculos resistenciais.) Com esta inter­ venção busquei provocar um insight na paciente a respeito do que lhe ocorria com seu marido. neste último exemplo. (Poder-se-á notar. anular-me em minha capacidade terapêutica pen­ sante.0 tratamento 109 Recorrerei novamente a um exemplo clínico: Trata-se de uma paciente de 32 anos. o que é freqüente na prática psicoterapêutica. raiva e frustração. A relação ia sofrendo uma progressiva deterioração. mas predominava o objetivo de supera­ ção das resistências. colocando-a seriamente em perigo. Foi necessário mostrar-lhe através de uma revisão parcial do vín­ culo transferencial como tratava insistentemente e de modo incons­ ciente de atacar-me e denegrir-me. Além disso. provocando assim sentimentos de rejeição. do mesmo mo<|o que a seu marido. cabe fazer referência ao uso das interpretações “transferenciais” segundo as fases que o tratamento está atraves­ sando. sobretudo com comentários hostis acerca dos psiquiatras. motivo principal de sua consulta25. que a levava a buscar que a maltratassem e também a atentar contra a relação terapêutica. Desejava “triunfar” sobre mim e. partindo da comprovação da situação que experimentava repetitivamenté comigo. No fundo. A situação conflitiva principal na terapia era a relação intensamente competitiva e sadomasoquista que havia estabeleci­ do com seu cônjuge: descobri que conseguia com freqüência irri­ tá-lo até colocá-lo fora de si. procurancfo tomar-me “cego de raiva”. (Resultava claro que queria despertar minha raiva até conseguir alterar-me.

e nos estágios finais . o instrumento funda­ mental. as situações peculiares de luto que se repro­ duzem em cada paciente no seio da relação transferenciai. mas também ao para e ao pré-verbal . no terreno da P.. por debilitar seu efeito indutor da regressão. que se traduz em temores e desconfiança (se estão efetuando então os já conhecidos ajustes à relação de trabalho e fomentando os sentimentos transferenciais positivos) . e a minha própria. ao fazer consciente o inconscien­ te. Partindo dessa postura poder-se-á compreen­ der a preocupação de alguns autores.porque o término da terapia e a eventual separação requerem certo trabalho interpretativo. mostrando-lhe assim a conexão equivocada. ter de realizar modificações técnicas em sua índole quali­ tativa. precisamente para a resolução da neuro­ se de transferência). com o intento de evitar 011 atenuar as reações desfavoráveis que este pudesse apresentar diante de tal situação e de afian­ çar assim os êxitos terapêuticos obtidos. em alguma medida. Atenuação dos efeitos regressivos Já disse que.) c) Variantes qualitativas nas interpretações.B. pois leva o paciente a concentrar seu interesse no vínculo tera­ pêutico e o estimula a reviver nele mesmo situações passadas (ainda que em última instância. A idéia é não deixar de utilizá-las quando devemos servir-nos delas. a meu ver. pelo menos a situação final d? trata­ mento e de ^eparacão— deverá ser sempre assinalada para o paciente.110 Psicoterapia bre\>e de orientação psicanalitica resistências transferenciais dadas pelo natural surgimento de ansiedades paranóides. seu potencial regressivo. que contemple. diminuin­ do. Pessoalmente penso que essas modificações devem referirse não só ao aspecto verbal.de interpretações “transferenciais” é na psicanálise um fator favorável ao desenvolvimento da neurose transferencial regressi­ va. Ainda que no melhor dos casos não seja possível aspirar a níveis muito elevados de elaboração. o emprego sobretudo fundamenta­ do . Isso implica. além da óbvia restrição quantitativa ao emprego desse tipo de interpre­ tações. o quanto possível. por antonomásia. (Este tema é examinado no capítulo 9. serão em grande medida no curso do processo psicanalítico.

isto é: “(. al ém disso com seus amigos. sua mãe ou qualquer outro objeto significativo primário. mas para desfazer em seguida a confusão que surge dessa alusão. já que. (Os grifos são meus. sobretudo que é'stabeleçam uma ligação de maneira praticamente constante entre o que sucede ao paciente. como sabemos. por tais e quais motivos obje­ tivos. o terapeuta não é nenhum desses objetos primários por ele . Na realidade. assim como a expressão corporal do terapeuta.) acompanhar cada interpretação do que ocorre com o terapeuta. diminuindo dessa maneira a concentração excessiva de exploração psicológica no vínculo com o terapeuta.) Trata-se de controlar na medida do possível a intensidade de regressão transferencial. Desfazer significa dizer à parte adulta da per­ sonalidade do paciente que ele se porta com o terapeuta como se este fosse seu pai. não são indiferentes em sua repercussão no paciente e no que se refere a suas tendências regressivas. e nas relações daquele com os objetos transferenciais de “fora”. mas que na realidade isto é fruto de sua percepção errô­ nea de realidade.B..de um 'õssinãlaménto doque acontece. o tom de voz. Descobrimos que Szpilka e Knobel (42) sugerem algo similar como uma maneira de usar a transfe­ rência sem os perigos de uma neurose transferencial. Para tanto é necessário <|ue as interpreta­ ções possuam certas condições. parentes ou demãís ohjeim sipnifiçativos de seu mundo externo” (grifos dos autores). transferen­ cial ou não.0 tratamento FACULDADE GUAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 111 da mensagem interpretativa. ante qualquer interpretação.. em direção à qual se há de orientar continuamente o paciente. A intenção c incluir sempre a realidade que está mais além do consultório. por exemplo. esta questão se colocará em maior ou menor medida na P. Disse Weiss: “O uso adequado das interpretações (quanto à escolha. já que na verdade. interferem considera­ velmente. muito pelo contrário. Podemos afirmar que. momento e forma de apresentá-las) é o meio mais eficaz de»ciue dispõe o terapeuta para regular o tipo e a intensidade da relação" (45). cm sua relação com o terapeuta.. ao formular a interpretação. ^ Também a Knobel e Szpilka corresponde uma das observa­ ções mais interessantes e claras que tenho encontrado a propósito do problema que estamos considerando: “Uma boa utilização da transferência nas psicoterapias breves é aquela que permite a alu­ são ao terapeuta.

deve ser tal que desalente o prosseguimento da revives­ cência de situações infantis no seio da relação transferencial. No meu entender estamos diante de um ponto-chave dentro do trabalho interpretativo.) Em um traba­ lho de Córdoba. ora eventualmente implícita em seu conteúdo. explicitada na interpretação. como. e ao mesmo tempo de chamar a atenção do paciente para seus aspectos adultos ou mais bem integrados e para suas possibilidades evolutivas e autônomas. Por exemplo: o infantil acompanhado do adulto. Con­ sidero que implica que a mensagem. Trata-se de não polarizar na direção que fomente a regressão. quer dizer. o agressivo do construtivo (Szpilka e Knobel [42]. (Grifos dos autores. Fiorini [ 13])27. como hipóteses que são. pelo contrário. ora manifesta. a acentuação que o tera­ peuta confere a certas palavras ou frases que a integram também podem “convidar” o paciente a estabelecer uma relação regressivo-dependente com o terapeuta ou. O outro recurso a ser considerado para se evitar que o pacien­ te estabeleça uma relação excessivamente regressivo-dependente é apresentar as interpretações sob a forma de perguntas ou suges­ tões (Gerard [23]. a dependência e a insegurança. desalentá-la.) Para controlar a regressão. Para isso também será útil mostrar ao paciente de quais elementos do material trazido por ele extraímos nossas interpretações. o que significa renunciar a explorar a maior parte do “como se” metafórico da tccnica psicanalítica’\ À importância do conteúdo c da forma de interpretação dever-se-á agregar. e no que diz respeito às interpre' tações em geral. Andrés Rascovsky e Wencelblat observa-se um nítido paralelismo com essas idéias (3).112 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica trazidos e pelo terapeuta representados. numa atitude de certa humildade (Fiorini [16]). reitero. registramos algumas coincidências relativas à conveniência de que as intervenções do terapeuta incluam sempre dois aspectos opostos e coexistentes do paciente e não apenas um. Tarachow [43]). que tende a opor obstá­ culos à idealização da figura do terapeuta. (O modo como se faz a interpretação. por exemplo. a influên­ cia de outros fatores. A atitude que deve assumir o terapeuta a respeito dos ele­ mentos histórico-genéticos do conflito atual e particularmente sua . o tom de voz emprega­ do. /Entre a emergência do bloco de transferência e sua resolução deve transcorrer por outro lado o menor tempo possível e quase diríamos tão logo venha à tona é necessário desfazê-la” (42).

nâo haveria uina intenção prioritária de se remeter às experiências prematuras da vida do paciente. queria insistir em alguns aspectos fundamentais c particula­ rizar outros a fim de aprofundar a visão do tema. Não obs­ tante. uma posição extrema consistiria em evitar tflda incursão por esses níveis do conflito. V 2. Não compar­ tilho desse critério. Reconhecida a necessidade de que a tarefa ínterpretativa abarque conflitos genéricos infantis. a propósito da profundidade das interpretações em P. por conseguinte. serão as seguintes: 1. enquanto não se incorporarem às inter­ pretações elementos do passado infantil . Convirá tomar algumas precau­ ções (sobretudo se se trata de interpretar a transferência para com o terapeuta). estudaremos em cada caso a possibilidade de colocar isso em prática. sejam propícias. a priori ou no curso de um tratamento breve.0 tratamento 113 eventual inclusão nas interpretações que se formulam para o paciente é um ponto que cm parte já foi tratado na “Introdução” (pp.) Mas o certo é que na prática apresentam-se situações em que selem a impressão. principalmente as temporais (duração.B... dc que. as quais. com probabilidades de que seja terapeuticamcnte eficaz. pelo que lhe cabem as considerações ali expostas2*. Que as condições do enquadramento. freqüência e periodicidade das sessões. 101 s. por mais que nos tratamentos breves pareça aconselhável abster-se de interpretar em primeira instância e de maneira sistemática tais aspectos.os quais certamente sempre se levam em conta para compreender o conflito poderá produzir-se um estancamento no processo 3e conscientização e mudança do paciente. o terapeuta podérâ estimar que é necessário efetuar uma revisão e um trabalho interpretativo mais profundo das perturbações do paciente. reiterando o já assinalado em outras oportu­ nidades. diferentemente do que ocorre no tratamento psicanalítico. . Em tais circunstâncias. c partir em troca cia referência aos fatores atuais em jogo. não devemos deixar dc reconhecer que colocar ênfase excessiva nos aspectos infantis do paciente pode promover ã regressão. Por isso. Que o paciente demonstre estar capacitado para receber e aproveitar essas interpretações sem experimentar reações desfa­ voráveis (isto significa em essência respeitar o timing). Diante dc tudo isso. (Em P.B.). dura­ ção total do tratamento).

pode servir perfeitamente para mobilizar situa­ ções internas. tem de ter “maior participação cognitiva que afetiva” (42). A propósito deste aspecto da técnica. Assim. podemos afirmar: de acordo com a conformação da interpretação e a modalidade que assume sua formulação. carecendo de sentido “abrir feridas” nas defesas. cm vez de fazê-lo reviver emocional­ mente os conflitos infantis no seio da relação transferencial. ainda que. Como corolário da revisão das distintas modificações e agre­ gados realizáveis nas interpretações. Que os componentes histórico-genéticos a incluir nas in­ terpretações sejam pertinentes à estrutura focal®. aquela poderá fornecer o desenvolvimento da regressão e o da neurose de transferência ou. quando se considere necessário fazê-lo. mas o terapeuta não deve ter por aspiração principal eliminar a amnésia infantil (Devald [5]). compreenda os determinantes históricos do conflito atual. ao necessário para obter certa mobili­ zação e progresso no paciente. o significado incestuoso ou parricida de suas fantasias11. Este ponto corresponde ao critério sustentado por Szpilka e Knobcl. limitado ao que é imediatamente relacionado à situação-problema. têm dito esses autores: “Devemos reconhecer que isto. dificilmente uma terapia breve chega a con­ frontar o paciente com seu conflito edípico. . Poder-se-á trabalhar um conflito infantil derivado (por exemplo. para al­ guns indivíduos. A isto terá de se agregar que: )*■4. por exemplo.B. com relação a um(a) irmão(ã)30. pelo contrário. pois não é possível abarcá-lo em sua totalidade e propen­ der para a sua elaboração. descartando outros aspectos do conflito. para as quais ainda não temos métodos de avaliação e que podem ser úteis para alcançar uma adaptação produtiva à ^realidade” (42). ou seja. Neste último caso. K5. O modo de formular as interpretações tenderá a facilitar que o paciente. ten­ der a neutralizá-los. no sentido de que o insight em P. mais do que tudo. realizo um trabalho interpretativo sempre parcial. tenha de fazer alusão de maneira direta a componentes do conflito original. mostrando-lhe direta­ mente.114 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica X 3.

em função da possibili­ dade de estimular excessivamente a produção de fenômenos re­ gressivos no paciente. crçio que não convem rejei­ tar de imediato um material tão apropriado.B. o que e como interpretar. Com isso quero expressar que não costumo “deixar passar” um sonho sem antes efetuar uma tarefa mínima de exploração de seu conteúdo. interpretar na medida em que o considere útil. ou seja. conteria um risco básico. (De qualquer manei­ ra. quer dizer. Mas uma vezf mais certos cui­ dados terão de ser tomados para tratar de conttolar a regressão que poderá ser gerada.115 d) Interpretação dos sonhos Em P. não vejo nenhum inconveniente em tentar.B. Como responder a este problema técnico? Creio que diante dos sonhos o terapeuta deve assumir a mesma atitude que ante qualquer outro produto da atividade psíquica (atos falhos. Apesar disso. Mas vejamos a que me refiro com o que acabo de mencionar. A interpretação dos sonhos. praticada do mesmo modo que na psicanálise.). Quando interpretar A interpretação dos sonhos deverá reger-se pelos mesmos princípios gerais que presidem toda interpretação em P. Do que surgir da análise se verá se a formulação de interpretações é indicada ou se pelo çarb> trário o sonho em questão deverá ser deixado de lado nesse senti­ do: tudo isso dependerá essencialmente. ainda que não . ainda que tendo presente quando. se considerará o material onírico inter potável sobrem do desde seu conteúdo' manifesto e por sua relação com o contexto. de tratar-se ou não de materiaífocal.. Em última instância. no geral. sugerem apriori sua vinculaçào com o foco. etc. não há tampouco uma unidade de critério com res­ peito a se devem ou não ser formuladas interpretações acerca do material onírico dos pacientes. já que a interpretação onírica é “a via régia para o conhecimento do inconsciente” (Freud [20]) c por conseguinte constitui uma ajuda valiosíssima para detectar o ponto de urgência. certa aná­ lise dos sonhos trazidos pelo paciente. repito. fantasias.

e) O terapeuta diante do trabalho interpretativo Em minha experiência de supervisão de tratamentos breves. incluindo o auxílio oferecido pelas associações livres do paciente. a quem se podem pedir associações a partir dos dife­ rentes elementos. Os recursos para analisar os sonhos são em essência os da psicanálise. a análise do sonho. Por outro lado. psicanaliticamente orientada. e recolocá-lo assim na realidade de sua vida cotidiana. o que implicft conduzir uma vez mais o paciente ao contato com o conflito central do tratamento. pois a limitação de tempo permite introduzi-lo só até certo ponto nos significados dos mecanismos oníricos (Hoch [28]). venho observando com freqüência que os colegas cometem diver­ .116 Psicoterapia breve de orientaçào psicanalitica derive na formulação de uma interpretação. reduzindo ao mínimo a indução de fenômenos regressivos. A tarefa interpretativa se efetuará segundo as normas já assi­ naladas para a interpretação na PB. tal como se faz na técnica psicanalitica.assim como acontece por exemplo com os fenômenos transferenciais em geral um recurso de apreciável utilidade para enriquecer nossa compreen­ são dinâmica do paciente. sempre dentro do que se refere ao conflito a resolver. Geralmente deve-se evitar referir as interpretações a desejos infantis inconscientes.) O que interpretar Desde logo será preciso hierarquizar aqueles aspectos do sonho inerentes ao focal-atual. Como interpretar Consideraremos duas questões: uma referente ao método de análise dos sonhos e outra ao conteúdo das interpretações formu­ ladas para o paciente. constitui . | especialmente no que concerne à focalização e à transferência. devem-se interpretar-se mais que tudo aqueles conteúdos que parecem mais claros para o paciente. embora limitada em seu alcance. remetendo-nos em troca só às idéias latentes pré-conscientes.

São de diversas tendências.) Outras intervenções verbais Além das interpretações. tais como os vinculados à sexualidade. Recordo com relação a isto um acertado comentário: “Ocorre-me que toda terapia breve apela para a mais primorosa sensibilidade do terapeuta. Dentre os mais relevantes. Em certas ocasiões pode ser benéfico oferecer informações ao paciente acerca de certos temas. a fim de se obte­ rem diversos e necessários dados acerca do paciente sobre o anda­ mento. além de empregar reiterada e excessivamente interpretações da transferência. As sugestões.117 sos erros gerados pela transposição de elementos técnicos da psi­ canálise sem nenhuma modificação à técnica breve. pode­ mos citar: 1. leva-se em conta a possibilidade de estimular o paciente fóbico. num dado momento do processo terapêutico. mas também durante o tratamento propriamente dito. Cabem não só na etapa diagnostica. Certas dificuldades próprias do terapeuta determinam que este.” Fiorini apontou do mesmo modo a necessidade de que o terapeuta se autocontrole na utilização das interpretações “transferenciais” (14). ^ 3. As perguntas. com os perigos decorrentes. ao mesmo tempo em que significa justamente cavalgar permanentemente entre a transfe­ rência e extratransferência. (Os motivos subjacentes a esta atitude do tera­ peuta serão considerados no capítulo 8. . Exemplo: desde Freud. as perguntas revelam um terapeuta não-onipotente e interessado no paciente (16). Em outro contexto. instrumento terapêutico necessário em toda terapia de insight para facilitar o trabalho interpretativo. O fornecimento de informações. ^ 4. Os assinalamentos. Também nesse ponto pode-se apreciar o papel ativo que desempenha o terapeuta. % 2. Entre eles encontramos muito correntemente o abuso da referência a situa­ ções transferenciais. o terapeuta conta com diversos ins­ trumentos na psicologia verbal. a enfrentar as situações temidas (21). hão resista a seus efeitos regressivos.

1JS Psicolerapia breve de orientação psicanalítica “é 5. Os conselhos. para facilitar a separação ao terminar o trata­ mento. depressão. costuma ser recomendável uma freqüência de mais de duas sessões semanais. Tentar-se-á assim alcançar um rápido alívio sintomático. ao menos no começo. que es­ timule por sua vez a. Para prevenir e contcr os acting out. às vezes pode ser útil ir reduzindo gradualmente a fre­ qüência das sessões (sempre que o estado do paciente o permita). duas sessões semanais é um número apropriado para uma psicoterapia breve de insight. confiança do paciente em suas possibilida­ des de melhoria (a posteriori poder-se-á reduzir o número de ses­ sões). como: X a) Situações de crises muito intensas. Os comentários. etc. em casos tais. Além disso. Em certas ocasiões. Em geral é conveniente adequar-se às necessidades de cada caso particular. por exemplo. Sem dúvida posso dizer que. ^ 8. Já fiz alusão às mesmas ao referir-me ao tema “Fortalecimento e ativa­ ção das funções egóicas” no capítulo 3. além de interpretar . pode bastar uma sessão por semana. Uma maior freqüência pode ser conveniente.. dada a diminuição da auto-estima. pp. na maioria dos casos. 34 ss. Sobre as sessões t Em primeiro lugar referir-me-ei à freqüência das sessões. De uso muito esporádico. As intervenções de reasseguramento ou de reforço. ^ b) Pacientes com marcadas tendências ao acting out. Exemplo: a prescrição de uma psicodroga. Realizam-se essencialmente com o pro­ pósito de fomentar o intercâmbio verbal. As indicações. excitação psicomotríz. com grande necessida­ de dc provimentos narcísicos. exceto quando se trata de apoio emocional. â 7. £ 6. em de­ pressões intensas e agudas. que transcorrem com grande angústia. uma vez que possibilita uma tarefa de certo aprofundamento e restringe as perspectivas de regressão e depen­ dência que poderiam ser incrementadas com um maior número de sessões.

B. serviço social. intervenção de familiares e/ou pes­ soas próximas do paciente. As alternativas com que contamos no momento sâo realmen­ te numerosas: psicodrogas. dramatização. é o de procurar agilizar o processo tera­ pêutico. exercendo o profissional um papel ativo e buscando obter determinados resultados em um prazo limitado. comunidade terapêutica. quando se apela para outros elementos. À medida que a sessão se estende por mais tempo. Um dos tantos propósitos válidos e usuais na aplicação de diversos recursos em P. supõe-se que também pode variar dc acordo com as circunstâncias. É sobretudo no âmbito institucional que ocorrem as oportunidades mais promissoras para efetuar tratamentos combinando instru­ mentos terapêuticos que incluem eventualmente uma tarefa em equipe com outros profissionais da saúde mental. (9) (10) (14) (46) (47). já que geralmente basta para efetuar uma tarefa proveitosa. hipnose. Pessoalmente penso que uma duração de 40 minutos por sessão resulta adequada. etc. para o que deve agilizar o processo terapêutico.0 tratamento 119 as fantasias transferenciais que possam estar presentes (mais co­ mentários sobre esse ponto poderão ser achados no capítulo 10). o ponto de partida deve ser sempre uma fundamenta­ ção psicodinâmica acerca de sua incorporação ao tratamento e dos efeitos esperados com ela. São . o que pode ser altamente positivo. Supostamente. psicoterapia grupai. intervenção breve. Quanto à duração das sessões. aumentam as possibili­ dades de fadiga do terapeuta (não esqueçamos que em P. geralmente o que implica na realização de um esforço significa­ tivo). se trabalha comumente frente a IVentc. terapia ocupacional. F " Outros recursos terapêuticos Em muitas ocasiões resulta benéfico agregar outros instru­ mentos terapêuticos à psicoterapia individual verbal e breve. Ocupar-me-ei de dois recursos que me são mais familiares por utilizá-los em minha experiência pessoal como terapeuta.B.

120 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica eles: o emprego de psicofármacos e a participação de familiares e/ou figuras próximas do paciente em tratamento. Em primeiro lugar. facilitaçào do insight. sem que se necessite da participação dc um terceiro. O emprego de psicofármacos A combinação de psicoterapia com psicodrogas pode ser muito útil em diversas circunstâncias. assim como certas dificuldades que podem sur­ gir se os psicofármacos não forem manejados adequadamente. etc. anulando-o em suas possibilidades de esclarecê-los e de encontrar uma solu­ ção mais satisfatória para eles. e particularmente naquelas ocasiões em que se efetua uma terapia breve de insight. Sem dúvida é ele quem. Aqui é pertinente recordar também que alguns já alertaram sobre os perigos que contém a idealização do medicamento. Outros assinalaram a decisiva importância do fato de que desde o começo se explicite para o paciente o sentido da administração dos psico- . é claro. opino que a medicação deve ser forneci­ da na medida do possível pelo mesmo terapeuta encarregado da psicoterapia (sempre e quando. conhecendo o paciente melhor que seus colegas. deverá evitar-se um emprego indiscriminado e rotineiro de medicações. especificarei alguns aspectos de sua aplicação. já que isto pode conduzir o paciente a escamotear seus conflitos. se trate de um profissional capacitado para o manejo dos psicofármacos). uma vez que pode gerar no paciente atitudes maníacas (30). Ministrar-se-á medicação só na­ quelas situações em que seu uso seja requerido como coadjuvante da psicoterapia e durante o tempo que se considere estritamente necessário. Em segundo lugar. permitindo o acesso à psicoterapia de pacientes que de outro modo seriam muito difíceis de tratar. melhoria na comunicação. graduar a dose. Não insistirei nas reconhecidas vanta­ gens provenientes dos efeitos da medicação (alívio sintomático. parece o mais indicado para poder realizar uma escolha adequada do medi­ camento. sempre que se tenham pre­ sentes certas precauções.). controlar seus efeitos e ir efetuando as modificações que julgar convenientes. Em troca.

da f>erda de interesse pela mesma. o que poderá acontecer ou na fase diagnóstico-prognóstica ou na busca de objetivos comuns. costumo recorrer a exemplos simples: freqüentemente refiro-me ao que ocorre quan­ do a uma pessoa se ministra um analgésico (droga) para acalmar uma dor de dente (representante do sintoma psíquico). é uma cárie (assimilável ao conflito psíquico). diretamente. A dor pode ceder. na terapêutica e/ou na avaliação de resultados. quando se tenha um alívio sintomático. sem os esforços e a participação ativa que a psicoterapia supõe). posição com a qual concordo e segundo a qual costumo explicar ao paciente. e se não se recorre novamente a ela.B.0 tratamento 121 fármacos (35). à compreensão c à resolu­ ção do conflito por meio da psicoterapia. Com essas explicações tende-se a evitar a eventual interferência do efeito da medicação no pfocesso psicoterapêutico (o alívio fácil. que a medicação é destinada a tornar possível (ou facilitar) sua comunicação comi­ go. pois sua origem. por exemplo. ela persistirá/ A participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento Freqüentemente é necessário incluir no processo terapêutico breve pessoas vinculadas ao paciente. ela voltará. que é a que no fimdo deve ser tratada/Em síntese. isto é. a procurar que a melhoria sintomática não seja acompanhada de uma desva­ lorização da psicoterapia ou. Obter informações. explicando o caráter pa­ liativo de sua administração. ou seja. no caso em que esta esteja muito difícil. Dever-se-á insistir junto ao paciente que ele deve aspirar a algo mais. Para esclarecer a questão aos pacientes. se não tentamos “curar” a infecção “pela raiz” por meio da psicoterapia. As metas que mais comumente se buscam com essa conduta são: 1. Procurase além disso chegar a um diagnóstico psicodinâmico do casal . Também é convenien­ te esclarecer os objetivos do uso das psicodrogas associadas à P. mas passado o efeito da medicação. Resulta em geral sumamente benéfico ter a oportunidade de entrevistar familiares e/ou pessoas próxi­ mas do paciente e conhecer suas impressões sobre eleJ2. por exemplo.

senão do grupo familiar. tudo isso de acordo com os critérios predominantes em cada caso. apresenta-se especialmente aqui a necessidade de fazer intervirem os pais em função dc outros fins que se acrescen­ tam em determinadas fases do procedimento. pelos quais se dá espaço a familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento. Atuar terapeuticamente sobre o meio que rodeia o enfer­ mo. de pacientes adolescentes no que diz respeito ao papel dos pais. Tem-se enfatizado. Informar sobre o estado do paciente para conseguir que seus familiares ou as pessoas próximas assumam a responsabili­ dade do tratamento nos casos em que isso seja necessário. Além dos fins anteriormente mencionados. a indicação poderá ser uma psicoterapia breve ex­ clusivamente grupai (casal. Quisera efetuar agora algumas considerações acerca da P. paia o que resulta até imperioso trabalhar sobre os pro­ genitores e ter constantemente presente a unidade grupai de pato­ logia. com ou sem a inclusão do paciente no tratamento grupai. Atualmente. o tratamento pode ser concebido. de adoles­ centes. São elas: a) fase de devolução diagnostico-prognóstíca.B.B. so­ bretudo quando a problemática está principalmente relacionada com seu meio familiar. de adolescentes.lzz_ Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica e/ou da família. família) desde o começo. na realidade. Hm algu­ mas ocasiões. fato que deverá configurar a regra e não a exceção na P. b) fase de combinação das metas terapêuticas e dos distintos aspectos do contrato. .B. E não poderia ser de outra maneira quando se trata de buscar modificações em um prazo geralmente limitado. 3. na P. ou de outro. se for preciso. partindo da concepção de que aquele é. determinar o papel que nela ocupa o paciente. já que se acham profundamente im­ plicados na crise do filho (31). Isto poderá realizar-se através de entrevistas jie orientação c além disso. a necessidade de incluir os pais no tratamento. o emergente de um grupo enfermo. A participação dos pais (ou tutores) do adolescente no pro­ cesso terapêutico deverá estender-se desde o início até o final do mesmo. c) fase de avaliação dos resultados terapêuticos. já não como uma psicoterapia do adolescente. dc uma psicoterapia a cargo do mesmo terapeuta que efetua o tratamento do paciente. £ 2.

não se sintam inteiramente tomados de surpresa ou “atraiçoados” com relação ao planejamento previsto no começo do tratamento a respeito dos fins deste. e por ter sido requerida sua colaboração. Uma míni­ ma concordância inicial acerca dos objetivos terapêuticos consti­ tui um requisito fundamental porque permite começar a tarefa em melhores condições. a situação mais desejável para enfrentar nosso trabalho terapêutico consistirá em alcançar um acordo unânime acerca dos mesmos. seja considerando-a mais grave do que o é na realidade seja pelo con­ trário diminuindo sua importância. ficam mais facilmente sujeitos a suas próprias fantasias acerca da enfermidade de que o filho padece. Quando não recebem informações.*os objetivos terapêuticos e o contrato. Não é possí­ vel passar por alto desacordos ou mal-entendidos de início e dei­ xá-los à mercê. culpogênicas e.no caso em que sejam cltís os que interferem inicialmente em nossas finalidades terapêuticas . quer dizer. da ação retificadora que sobre os pais . pais e terapeuta. que não coincidem com as do paciente e/ou as do terapeuta. necessitam ter uma noçào real do esta­ do de saúde do filho e de suas perspectivas prognosticas. Caso con­ trário.123 > a) Os pais. junto com o adolescente e seus pais. Trataremos então de que colaborem desde o princípio e de ir preparando-os para que aceitem essas mudanças. Mas com freqüência as coisas nãó' são tão sim­ ples. por serem responsáveis pela terapia. ainda admitindo que depende substancialmente desta que eles aceitem as modifi­ cações que possam produzir-sc na dinâmica familiar. por exemplo. ante as possíveis mudanças que o filho experimente. Os pais costumam chegar à consulta com determinadas ex­ pectativas e intenções a respeito do tratamento do filho. e que os pais. objetivo que será facilitado por meio da psicoterapia familiar que virá em continuação.poderia mais adiante exercer a psicoterapia do grupo familiar a ser efetuada. desqualificadoras dos suces- . atitudes repressoras. é muito mais fácil que sobrevenham inconvenientes deriva­ dos da incompreensão e que consistem em diversos tipos de rea­ ções negativas por parte dos pais. o que pode produzir efeitos perturbadores de natureza diversa. No que concerne especificamente aos objetivos. definitivamente. efitre paciente. por exemplo. / b) É imprescindível combinar.

mas em tratar / de entender juntos a problemática familiar global que pode estar originando sua rebeldia e o significado profundo da mesma como expressão da crise adolescente e da conseqüente crise deles mes­ mos. No caso de se apresentarem dificuldades para chegar a um acordo inicial sobre os objetivos. Essas entre­ vistas adquirem na realidade grande valor terapêutico. o que é muito comum. será de utilidade efetuar. as quais poderiam ser conjuntas (29) com os pais e o adolescente ou realizar-se em separado. Antes de tudo. y c) Tampouco. é indubitável que os pais têm direito a um esclarecimento sobre o sentido e o alcance do tratamento que o filho venha a empreender. mediante a qual este comu­ nicará sua própria avaliação dos resultados terapêuticos. de repente. logo após obtido um diagnóstico psicodinâmico do grupo familiar e da situação-problema. entrevistas operativas (44) especialmente destinadas a este fim. para obterem certas mudanças em sua relação com o paciente. sendo também eles objeto de uma devolução por parte do terapeuta. devemos fazer compreender a estes pais que nossa finali­ dade terapêutica não consiste simplesmente em converter o pa­ ciente. . pois será ne­ cessário revisar o que acontece não só com o paciente. Procurar-se-á que os pais cheguem a reconhecer que tam­ bém eles estão imersos no problema e que. será preciso que se comprometam firmemente no esforço terapêutico. o deles mesmos (quando tenham sido tratados) e sobre o tratamento. Apelando uma vez mais para entrevistas con­ juntas ou em separado. os pais devem ficar excluídos da avaliação dos resultados obtidos33. descreverei uma sií \ tuaçao -A muito freqüente na psicoterapia de adolescentes: a do jovem que tem uma atitude de rebeldia em relação aos pais. Por outro lado. título de exemplo do exposto até aqui. que retirem diretamen­ te o filho do tratamento.124 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica sos do paciente ou. mas tam­ bém com eles. num filho submisso e obediente. pois nelas devem-se encarar já alguns problemas cruciais da conflitiva famjliar. solicitar-se-á que tragam suas impressões sobre o estado atual do paciente.

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.

A princípio queria ajuda para compreender melhor suas qualidades a esse respeito e em conse­ qüência tomar uma resolução. e por não poder tQmar uma decisão diante da mesma. A paciente. ainda que não poucas vezes tivessem desentendimentos e discussões acaloradas. exporei os dados principais da história clinica e um esboço da estrutura focal da maneira como/oi concebida inicialmente1.de aproximadamente 50 dias. segundo a paciente. o qual. Rita dizia que a rela­ ção com seu marido era “bastante boa e carinhosa”. Tinha completado o curso secundário (efetuou algumas matérias no curso de psicologia. Consultou-me às escondidas de seu marido. prosseguir com a gra­ videz ou submeter-se a um aborto. tam­ bém empregado. é uma jovem que na época da consulta tinha 23 anos. às intervenções do terapeuta. Estava casada há 14 meses. à tarefa de focalizaçào e a outros temas de interesse. que espero possa ser útil para ilustrar aspectos inerentes à relação paciente-terapeuta. a quem chamarei Rita. e para permitir uma melhor compreensão do que aconteceu na ses­ são. “não acreditava” na psicoterapia e nunca havia aceitado consultar um psiquiatra. . j Apresentarei aqui o material de uma sessão cie psicoterapia focal.cujo diagnósti­ co foi confirmado . O casal havia se conhecido trépanos antes. Veio à consulta apresentando uma gravidez . mas abandonou-o logo em seguida). Antes de mais nada. trabalhava como empregada numa oficina e pertencia à classe média baixa. de 27 anos.7 Uma sessão depsicoterapia breve . isto é.

aceitando o conselho de uma amiga. antes de vir à primeira entrevista em meu consultório. seja porque eram constantemente acompa­ nhadas pelo medo de uma gravidez. razões econômicas. As mesmas eram pouco satisfatórias. que ocasionassem sua esterilidade. “deve ser feio tê-lo sem sentir muito desejo”. Alegava. alegando apenas que assim “era mais cômodo”.130 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A gravidez não foi planejada conscientemente pelo casal. Mas. seja porque eram vividas por ambos com muita culpa (em Rita. Ainda que Rita insistisse na dúvida acerca do que queria com relação à gravidez. quase não voltaram a falar no assunto. havia se desin­ teressado do assunto. gritando. angustiadamente: “tiraram ele de mim!”. uma vez passado o momento crítico. decidiu consultar antes um psicoterapeuta. há dois anos ficara grávida ç de comum acordo com seu atual marido praticara um aborto. já que seu marido desejava um filho. antes de mais nada. submeteu-se a uma anestesia geral e. a não ser o coitus interruptus. que não tinha interesse em submeter-se aos procedimentos habituais de contracepção e que ultimamente. por momentos parecia inclinar-se ao aborto. de vez em quando. mostrando-se muito entusiasmado com a idéia de ser pai e confiava em que iriam poder superar os diversos inconvenientes que se apresentas­ sem. enquanto voltava a si. ao verificar que não ficava grávida. simbolizado pelo “casar-se de branco”). Até esse momento não ha­ viam empregado nenhum método anticonceptivo. mas logo mudou de idéia e. Haviam começado a manter relações sexuais antes do casa­ mento. segundo lhe contaram. havia esta­ do a ponto de visitar um médico residente para praticar o aborto. chorara muito. dizia ela. assim mesmo em poucas ocasiões. . A paciente não encontrava explicações razoáveis para esse descuido. Para tanto. Temia que tivessem produzido lesões importan­ tes nos genitais da paciente. mas dizia tam­ bém que se sentia insegura de si mesma e incapacitada para ter um filho. enquanto. A jovem temia em conseqüência que um aborto afetasse a relação do casal. Na realidade. A partir do aborto foi sobretudo seu marido quem pareceu ficar preocupado. Seu marido adotava uma posição oposta. chocavam-se com seu desejo de chegar virgem ao casamento. Um dia.

.era^cordial”. como: “A mulher não deveria sofrer na gravidez. e só ultimamente parecia dar mostras de começar a aceitar ou tole­ rar seu marido.” A reação de sua mãe havia sido especialmente desconcertante para Rita e parecia assentar-se em uma intensa ambivalência para com sua gravidez. a paciente se encontrava em plena luta para alcançar sua individualização. se domina. Sobressaíam as característi­ cas matriarcais. (“Não vivemos ali porque não dormimos. Qualificou-a também de “muito nervosa”. } fazia supor que o grupo familiar correspondia ao tipo dos çj^omij \ nados aglutinados (F. que após ter vivido um tempo separado dos pais voltara à casa paterna acompanhado da esposa e.” Padecia de hipertensão arterial. o pai impressionava por ser uma pessoa muito controlada ein seus afetos: FEu sempre digo que é muito diplomático. segundo ela. Mas é só o que falta”. não podia “separar-se deles”i /"NTlido o que foi mencionado.. todavia. cinco anos mais velho que ela.”) Teve dois 'abortos. Segundo Rita. com os conhecidos tabus sexuaisA relaçào com seus pais era de marcada dependência. Segundo a descrição da paciente. Diante da notícia da gravidez. cm troca. Logo sejirrepende. o irmão reagiu com aparente indiferença. A mãe. além de muitos outros indícios.) A família de Rita se opusera tenazmente a seu casamento. Nem água podia beber. por exemplo. vivia zombando do genro. filha.Uma sessão de psicoterapia breve 131 Dosjmtecedentes familiares importa assinalar que a paciente cra proveniente de uma família de educacão e costumes tradicio­ nais. com tantos vômitos e indisposições. que experimentava ocasionalmente. ante as quais. o pai adotou uma atitude de franco desagrado.disse . e L. T inha um irmao. Bleger [2]). Segundo a paciente. dizia com ironia. casado. Nunca se pode saber olque está sentindo c nunca discute com ninguém. que tratou de explicar à jovem com argumentos. (“É como se ela não hesitasse em matar alguém nesse momento. com uma filha de 4 anos. l ive que lhe dar soro. como sofreu sua mãe nas dela. com reações anormais de violência. dizendo-lhe que “não servia” (alusão ao fato de que não engravidava sua filha). um antes e outro depois do nascimento de Rita. Vi­ sitava-os diariamente com seu marido “para bater papo e jantar”. Sua relação com ele . era uma pessoa muito severa e domina­ dora. .

) Dois anos antes.132 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Logo lhe levaram a notícia da confirmação da gravidez.” (Não descartava a possibilidade de recorrer a uma creche. ÜJUxo único. um médico diagnosticara uma presumível apendi­ cite crônica'. havia tido outras moléstias durante essa gravidez (anemia profunda. me disse ela”. à qual. você acha? respondi. a princípio. para ir trabalhar.co­ mentou Rita . que era. assinalarei alguns dados •' significativos: ela acreditava ter sido produto de uma gravidez não desejada por seus pais ( já em sua primeira gestação. a mãe havia sofrido diversas moléstias. dificuldades econômicas familiares). Dizia-me: “Essa casà é um desastre. Além do mais. ‘Olha que é muito cedo para você perder tempo com uma criança’. Rita sempre dormiu na casa dos pais (a casa em que ainda vivem c que conta apenas com uin quarto. num exame clínico motivado por transtor­ nos intestinais. Essa intervenção foi realizada com anestesia local. Dos antecedentes pessoais de Rita. pai preferia. segundo lhe contou. . Não. teve de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de urgência. Interessa em especial destacar que a inãe de Rita. e o irmão. sala. estando grávida de três meses. ao que parece. Até se casar. O par­ to foi normal. não deu crédito. Cabe dizer. na sala) até que. devido a um quadro de apendicite aguda. Nesses momentos a preocupava o fato de ver-se obrigada a deixar o bebê aos cuidados da mãe. e episódios diarréicos). depois passou a dormir com sua mãe na cama de casal (enquanto o pai dormia em seu local de trabalho. “Mas não sei até que ponto se alegrou . também.porque depois me disse que tomasse algo para tirálo. Em seguida pareceu emocionar-se e começou a chorar. grande risco de vida. corren­ do as duas. flebite. se alegraram muitíssimo com a novidade. instalada ao lado da de seus pais (alegava. dormiu na mesma cama que seu ir­ mão. com seu casamento. para justificar. Não tem lugar para nada. o que supostamente levou o casal a não desejar outra gravidez). Até os seis anos. Ujnjnenino. foi viver com o marido em um apartamento alugado. cozinha e banheiro). sua mãe. diariamente. que os pais ^do marido. Por outro lado seu. ainda que lhe parecesse que sua mãe cuidaria do filho com mais carinho.

como um mecanismo de autocastigo por infringir a proibição. e dali ir retrocedendo em sua história até chegar a considerar a pro­ vável incidência de fatos a elas concernentes.Uma sessão depsicoterapia breve w. Ein conseqüência do men­ cionado. W. Assinalarei agora os componentes do foco iniciahe alguns dos principais psicodinamismos em jogo. em parte. que sem dúvida tinham muito a ver com suas experiências de coabitação e de partilha de cama. funcionamento egóico adequado. ^ -----. Suas relações sexuais pareciam despertar nela intensos sentimentos de culpa. tais como: Quais foram os fatores*dcterminantes da busca inconsciente da gravidez atual? O que ela representava para a paciente e para o seu marido? Que fatos motivavam sua ambivalência afetiva e seu» temores ante a gestação? Por que se inclinava conscientemente a&aborto?. seu aborto podia ser considerado. Pensei em questões que se vinculavam ao motivo da consulta. consU derando seus ^ntêcedentes pré-natái§> podemos compreender melhor o porquê de suas elevadas ansiedades paranóides ante a sua gestãçao e suas intenções de abortos. e as conseqüentes fantasias incestuosas. A gravidez atual continha então um desejo inconsciente de reparar o dano produzi­ do^ associado à ngcgssidade de comprovar a preservação de seus genitais diante do temor de que tivessem sofrido danos. \lguns diagnósticos considerados foram: personalidade hipomaniaca^ com conflitos de natureza neurótica. negando a dor e a perseguição provocadas por essa perda.e ao que parece. com atitudes para o insight. diante dà qual a paciente . Vamos aventar a hipótese de quê suas fantasias de ataque ao ventre materno.C ---- - " j ' - . alimentadas pelo risco cirúrgico que sofrera sua mãe. a faziam temer agora por sua própria sorte. nao chegando a configurar um quadro característico de neurose. Diante de uma imagem fetal seguramente muito per____________ ^ ' J' " " " ^ llh _ *' í . tam­ bém seu esposo reagia com típicas defesas maníacas. principalmen­ te por tratar-se de relações sexuais pré-conjugais. ba­ seado nos conflitos ante a maternidade. inclusive as primei­ ras etapas de sua vida. foco definido. Além do mais. ainda que manifes­ tando resistências que poderiam accntuar-se4. etc. Creio que podemos partir da^dificuldades sexuaj^ de Rita. Mas Rita parecia sentir novamente e de modo imperativo a necessidade de pagar por suas “faltas” com um novo aborto. ainda que em grau menor. Mas o aborto também era gerador de culpa pela destruição do filho.

) Deduz-sc que Rita não se sfiüúa cqmjLijreito de_sCTmãe. a paciente sem dúvida não havia conseguido. da severa educação religiosa. adquirindo a gravidez o caráter de algo pecaminoso. interessava além do mais considerar o momento evolutivo que este caso estava atravessando: pudera começar a separar-se fís i-/lfV '*^tr ca e gradualmente de seu grupo familiar ao contrair matrimônio j cerca de um ano atrás. e na qual correu peri­ go de ser abortada. (Rita havia nascido entre dois abonos. por outro lado. poderse-ia descobrir a persistente resistência familiar à sua individuali­ zação e desprendimento. incrementando-se seus temores de experimentar uni retrocesso nesse sentido: deixar o bebê aos cuidados de sua mãe consistiria em voltar a ligar-se e submeter-se intensamente à. .134 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica secutória. a rejeição ante o marido e à gravidez. os provenientes do meio familiar. e expressa verbalmente pelo pai. em relação à qual teria lugar o conflito básico da problemâtica. só acumulava dúvidas sobre o que desejava fazer. e a jovem. A conduta materna reproduzia. família. para cm seguida dizer que abortasse. já que primeiro incentivava o casal à gravidez por meio de troças a seu genro. também para ela a imagem materna continha características filiei^ das (5 ). Por sua vez. especialmente à mãe. correspondentes à conflitiva focal. Nessa etapa dc doloroso e difícil despren­ dimento. A família parecia exercer grande influência sobre a paciente. Havia muito mais elementos em jogo. no que. crcnça quase mítica de que a gravidez era uma espécie de enfermidade^lesgraça ou maldição. Os relativos à relação de casal da paciente não pareciam relevantes num primeiro momento. Inclusive sua mãe a incentivava em certos momentos a abortar. a de um superego ambíguo.da. a perspectiva de ter um filho repercutia curiosamente na jovem. bssa crença era fundamentada nos problemas sofridos por sua mãe e sua cunhada. superar sua dependência patológica do gru­ po. em função do luto patológico nâo-elaborado (aborto). de uma gravide/. atraves~dê~seírs levado montantejteagressão. não desejada e muito acidentada. ao que parece. Mas sim. como emer­ gente. Parecia temer que os familiares. assim. em uma observação mais profunda. através da quãTse^oãõHrígadíTa abandonar seus desejos maternais5. Recordando o conceito de foco enunciado por Fiorini (3). pela qual é preferível não passar. dos tabus sexuais e . temerosa.. até esse momento.

em sua pró.no sentido de não poder liberar-se da ligação com a figura materna. no caso de nãcTabortar. Rita tomava como referência o que ocorria com sua pequena sobrinha. ^ Tratarei dc reproduzir. sobretudo o materno. o desenvolvido até aqui: ^ FO C O Relações sexuais pré-conjugais (culpa pela sexualidade) I Aborto |-----1 Defesas maníacas t s [ M omento ev o lutivo]----- Casamento Deves abonar" \ .pria experiência. que se achava sob o domínio da avó e exposta a uma educação retrógrada. renunciando à sua condi­ ção dc tnãe. com as limitações próprias de todo esquema. o qual. a despojassem de seu filho. Estas seriam as regras do jogo que deveria cumprir para não perder o carinho dos seus. M o o familiar | .Uma sessão de psicolerapia breve 135 em particular a mãe. antes de mais nada.. que se reativava ao identificar-se com o filho monopolizado em sua fantasia por sua mãe. r'Mas seus temores se baseavam. teria de oferecer a ela.

( pensa breve) Sobra-me apenas metade da sessão. por meio de entrevistas de orientação. (muda bruscamente o tom de voz. Há um silêncio de alguns segun­ dos.. T1: (Respondo com um sorriso.. acredita que poderia haver outros motivos? P3: (Incisivamente): Não. assim como das dificuldades de diversos tipos que eventualmente pudessem aparecer. ainda que nesse caso tenha-se adiantado que uma assistência psicológica seria tanto ou mais necessária6. um pouco perturbada): Não me diga nada. Recorria à consulta por uma necessidade que era. Caso decidisse prosseguir com a gravi­ dez. A sessão A seguir é transcrita quase que literalmente a sétima sessão do tratamento de Rita. O tratamento foi planejado com base na técnica de insight.. P1: (Sorri. com duas sessões semanais de 40 minutos cada. que interrompo para dirigir-me a ela. Caso se decidisse pelo aborto. motivo pelo qual lhe propus uma psicoterapia de objetivos limitados e de final “aberto”. em tom amável): O que você pensa a respeito de ter chegado tarde desta vez? P2: A verdade é que sentia frio e tive dificuldades para me le­ vantar da cama e vir. a situação seria reestudada. o objetivo do tratamento seria a revisão das ansiedades por ela produzidas durante a gestação. Chega com 20 minutos de atraso. levando-se em conta seu estado e motivação para o tratamento.136 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A paciente nào se achava motivada para realizar um trata­ mento prolongado. T2: Além disso. As metas terapêuticas imediatas consistiam em ajudá-la a en­ tender melhor as causas determinantes de suas dúvidas a respeito de sua gravidez. . assim como as fantasias subjacentes que haviam acompanhado a sua busca.. que revela agora certa preocupação). considerando-se útil em algum momento a possibilidade de inclusão do esposo e de outros familiares da paciente no processo terapêutico. dependendo da evolução do seu estado e das vicissitu­ des que poderiam acompanhar sua gravidez. perfeitamente localizada c circunscrita. para ela. que estava próxima de completar o terceiro mês de gestação.

. Porque vir aqui adquiriu o significado de ocupar-se de você e de sua gravidez com a idéia de pre­ servá-la. externando através de um olhar atento e movimentos de cabeça em sinal de aprovação. • P4: (Adota uma expressão meditativa): Pode ser. a que vem. pelo que eu me converti em algo assim como a contrapartida dele. Lembrei-me que quando tinha sete anos mataram meu cachorro. a que não vem na primei­ ra metade da sessão. com si­ nais visíveis de ansiedade. Lembro-me de que meus pais e meu irmão comentavam: “Não vamos deixar que as pessoas vejam um cachorro assim maltratado. sobre alguma coisa ruim de minha infância. Depois. sim.. metade da sessão não vem e a outra metade. estive pensando.) T4: Parece que lhe custa prosseguir. e que naquela ocasião eu não pude lembrar.” O cachorro desapareceu. não sei. Como incomodavam e o cachorro estava mui­ to agitado. Então. Creio que isso tem a ver com seus sentimentos ante a sua gravidez.. e outra não. T6: (Acompanho seu relato. E não sei por onde co­ meçar.. você ia procurar um aborteiro. celebrávamos minha pri­ meira comunhão. meu outro cachorro foi . antes de me consultar pela primeira vez.. num saco. Quer dizer. P7: Você já notou os cachorros. Tí­ nhamos um cachorro que “andava” com uma cachorra que estava no cio.Uma sessão de psicoterapia breve T3: Assim é.. De novo interrompo à silêncio. recordando algumas coisas relaciona­ das com o que você me perguntou nas entrevistas. P6: Sim.. Logo soube que meu pai e meu irmão o tinham atirado no rio. Como foi isso? Contc-me por favor. não? P5: ( Com expressão de alivio ): Sim. quando estão no cio? Bem. meu irmão bateu-lhe com uma cadeira que o “descadeirou”. No dia seguinte.. T5: Pelo que sente necessidade de trazer hoje e que lhe parece possa ser útil para entender seu problema.. mais prolongada. Sofri muito com isso. Mas Rita começa a mostrar-se tensa. (A seguir ocorre uma nova pausa.. o in­ teresse que me desperta sua abordagem)1 . Volta a sorrir-me. você parece se sentir como que dividida em duas partes: uma quer prosseguir a gravidez e ter o bebê. Um dia.

. Parecem estar em parte re­ lacionadas com os problemas que tem agora. você poderia ter recordado outras coisas desagradá­ veis de sua infância. (pausa um pouco pro­ longada). ou se justamente por serem feias pre­ feri deixá-las de lado. Vejamos um pouco por quê: você sofria pelo que acon­ tecia aos cachorros. essas recordações.. e ontem me perguntava se era por não serem coisas tão feias.. tratemos de ver o que significaram para você esses fatos de sua vida e por que foram recordados agora. T9: E no que diz respeito à gravidez de sua mãe. expressam uma grande preocupação que agora tem por sua gravidez. dos quais não se dá conta. abortar outra vez.... será seu medo ao bisturi.. vimos que para você os cachorros repre­ sentam os filhos7. pelo menos que eu saiba. o que não é casual. Estive também me lembrando de outras coisas: de quando minha mãe. mas eu não me dou conta de que isso aconteça com minha gravidez. P9: Talvez. não reconhe­ cendo em você. quem sabe. o que viria? Com o que poderia relacionar? PIO: Não sei.. Não sinto isso tudo. e por isso surgem essas lembran­ ças..138 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica atropelado por um caminhão. abaixar um pouco. T8: Bem. despedaçando a boca.. Tl 1: Sua mãe com a faca. num saco. que atiraram dentro do rio.. Com certeza... Creio que no fundo teme muito perdê-lo. mas por algum motivo surgem essas recordações. Sua gravidez é sua principal preocupação. Tudo isso eu não recordava. seu carinho maternal e seus desejos de proteção para com seu filho.. TIO: Medo de que lhe suceda algo por estar grávida? PI 1: Sim. que lhe acon­ teça o mesmo que a ela? Que a tenham de operar de apendi­ cite? . T7: Ela tentou alguma vez? P8: Não. ameaçan­ do se matar. que o arranquem como o seu cachorro. que sempre foi muito nervosa. Quer dizer. Quem sabe seja isso. brigava com meu pai e pegava uma faca. não sei se tenho medo por mim mesma. Em sessões passadas e nas entrevistas.

motivo pelo qual lhe custa vir aqui. mas antes disso não existia esse problema. já que vontade não lhe faltava. É como se fosse algo relacionado aos seus estudos de psicologia.. Quero lhe dizer também que estive pensando sobre o que disse na últi­ ma sessão. umas ‘lou­ cas’. Tl 5: Sim.. na verdade não sei por que me atormenta tanto esse medo de que algo de ruim mc aconteça. ser uma dama.. PI5: (Interrompendo-me). sentime cansada da faculdade e a deixei. P13: Pode ser. Depois cheguei a pensar que me invejava por ele não ter podido seguir uma carreira nos estudos. Por fim. Tl 4: É certo que. Além do . abandonando os estudos quando estudar era algo muito desejado por você. quê eu gostava. Quero dizer... teria de pensar em con­ seguir um emprego com urgência para poder enfrentar todas as despesas que viriam... então. não fica claro o porque desse temor. cheios de preconceitos. (sorri. Perguntome sc tudo isso não está relacionado ainda com suas dificul­ dades em vir às sessões. T l3: Não quis ou não pôde? Porque talvez algo lhe acontecesse. como se tivesse sido descobkrta): Eu gostava de muitas coisas. minha família e meu marido. Podia tê-lo feito antes de me casar. PI6: Com a psicologia. PI4: Sim.. para os quais não teve apro­ vação deles. uma desculpa. e no entanto não pude fazer coisas. Tl 6: O cansaço é. Na verdade antes de mc casar havia muitas coisas de que eu gostava. mas também modelo. próximo do casamento... Não só viajar. Assim acabou por se submeter a seu marido. como a de não ter querido fazer coisas que na realidade você gostava. se não haveria mais coisas nisso tudo. mas não qúis.Uma sessão de psicoterapia breve 139 PI2: (Aprova com um movimento de cabeça). (pausa). estudar. São explicações que procuram esconder quanto você dependia da opinião dos outros e quanto estava submetida a eles. de que nada me atraía... Sim. T l2: Se bem que um médico lhe haja dito que tem apendicite crô­ nica. parece que é assim. se opunham e me diziam: “Para essa faculdade é que você vai? É psicologia que você quer estudar? Ali são todas umas sem-vergonha.

P18: É que eu sempre tive medo de minha mãe. se rebelava e entào “levava”. você acha?”. segundo parece. Seria desobedecer-lhe. mas também de mim. Por isso tem medo de manter a gravidez. Queria sentir-se autorizada por mim a prosseguir com sua gravidez. Meu irmão a con­ testava. quem sabe espera que a ajude. também nisso se sinta sem permissão para seguir adiante. Tl 8: Isso explica por que quando ela lhe disse “tire-o”. como sente que ela não a aceita de todo. . que me apóie para eu poder fazer coisas. Isso significa que continua dependendo dos outros. Recentemente então se sentiu com permissão... Enquanto você fala­ va. Em parte. ainda que. Você o faz às escondidas. defendê-la. não só por suas próprias dúvidas. lcmbre-se de que você não comentou com seu marido que está se tratando. deles dando mostras hoje. Uma permissão que estava esperando sobretudo de sua mãe. Eu me salvava por ficar caladinha. por tudo isso sente que seria melhor “tirá-lo” e assim evitar o perigo. mas também por seus temores em contradizê-la. PI7: Tem razão. como castigo. você se permite falar aqui de seus interesses. em especial sua mãe.<a ocorrência de alguma coisa ruim. Seria o empurrãozinho de que necessita para preservá-la. T l7: Talvez esteja buscando isso em mim. rebe­ lar-se e expor-se a ser castigada por ela. Foi entào. Creio que é como você diz.140 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mais. não se sinta muito tranqüila. você ensaiou uma defesa muito tímida: “Não. disse você. Hoje. mostra-se com mais iniciativa. como por exemplo que a tenham de ope­ rar de apendicite. Pelo visto. esperando aprovação para levar suas coisas adiante e agora sua gravidez. a qual teria. Esse problema de suas dificuldades para empreender algumas atividades muito desejadas é muito importante. se preocu­ pa muito com o que pensa sua família sobre sua gravidez. eu pensava: parece que sempre necessitei que alguém me desse um empurrãozinho. Mas quem sabe. assinalando. com o caso dos cachorros. e creio que é parecido com o que acontece com suas dificuldades ante sua gravi­ dez. Tem desejos muito encobertos de ser mãe. Recorde como sua disposição sobre sua gravidez se modificou quando ela mudou de opinião e a aprovou.

Bem. Acho que é assim. doutor. parece que não (fesapareceu. e cuja causa é a regressão que se pro­ duziria a partir da identificação com o feto (6). não permitindo que ocorra um silêncio prolongado. e agora é maior com a gravidez. acho que se coloca na posição do cachorrinho. Comentários sobre a sessão A paciente chega tarde. te­ mendo ser duramente castigada por “esquentar” e ter rela­ ções sexuais. agora quer ter um filho dele. Não havia pensado nisso. mas meus pais nào aceitavam meu marido. O que acha? P21: Acho que sim. Seu sentimento de culpa por ter-se casado. Por mais que o fato de querer ficar na cama possa em parte ser explicado pela retração e excesso de sono que as mulheres costumam sentir durante as pri­ meiras semanas de gravidez. coisa que já havia ocorrido em algu­ mas sessões anteriores. então se entende que é com muita razão que você se sinta tão inquieta.. que tem razão. T21: Temos que encerrar por hojç. Se bem que deva haver mui­ tas outras coisas para se ver com respeito aos problemas ante sua gravidez. através de sua ambivalência ante a gravidez. trato de concentrar sua atenção sobre este fato.Protestando em tom amável)'.Uma sessão de psicoterapia breve 141 P19: (.. apesar da oposição de seus pais. Além de se atrever a casar sem a apro­ vação de seus pais. opunham-se a que eu me casas­ se. creio que hoje vimos algumas que parccem ser muito importantes e que devem estar pesando muito em você.. que cor­ reria o risco de ser vivenciado como muito inquisidor ou direta­ mente acusador (Intervenções Tl e T2). Isto é. essencial às mesmas. T20: Então... Em primeiro lugar. e no entanto eu o fiz! Tl 9: Está certo. já que ele interfere sensivelmente em nosso trabalho.. e por ter relações sexuais antes e depois do casamento. (brincan­ do): É o fim! P20: Ah!. Faço-o de modo a ser o menos persecutório possí­ vel. (surpresa). mostrando-lhe . abordo suas resis­ tências através de um fator determinante.

Além do mais. por indícios que a seguir veremos. deduzo então que se trata de material pertinente ao foco. de­ monstro à paciente também verbalmente atenção e interesse diante do material que me traz. Estamos sem dúvida diante de um material focal que convém abordar. Reforço. destinada a superar o obstácu­ lo resistencial. quando admite a pos­ sibilidade de tratar-se de coisas “feias”. segundo vislumbro. a serviço da tarefa terapêutica. na verdade pouco desen­ volvida em conseqüência de sua submissão. podem ajudar-me a detectar o ponto de urgên­ cia. além do mais. volto a interromper seu silêncio com uma interven­ ção que tende a tranqíiilizá-la. dispondo-me a escutá-la fazendo uso da atenção flutuante. etc. visto que quero fazê-la sentir que compreendo .142 também o papel de defensor e protetor desta. As recordações de Rita provocam em mim ocorrências que. Em P6 mencionou algo que lhe aconteceu com um cachorro. dando-me a sensação. Trata-se agora de decidir o que interpretar e de eleger uma determinada linha interpretativa entre várias possíveis. No transcorrer do tratamento. uma vez que já nos momentos iniciais da sessão uma intenção focalizadora se manifesta através desta intervenção. Mencionarei alguns dos pensamentos que me passaram pela mente nesses momentos sobre o significado que . A esse respei­ to. Em T6. a tarefa interpretativa estimula o aparecimento de um rico material associativo. Como em sessões anteriores havia ficado evidenciado que este animal sim­ bolizava para ela os filhos. de estar diante de algo de decisiva importância para compreender a problemática da paciente.e tolero suas dificuldades de trabalhar na sessão. situação essa que se apresenta com freqüên­ cia nessas terapias.). como o de P7. Em T4. Rita relata ali recordações que impressionam pelo vínculo à repressão sexual e à violência de seu meio familiar. trata-se fundamentalmente de uma interpretação “transferenciar. através da expressão corporal eque manifesto. raciocinar.. atenuando assim sua perseguição. a canalização nessa direção. no qual parece que­ rer me situar (T3). Parece estar do­ tado de uma grande carga emocional que me impressiona muito. Tudo isso acontece rapidamente. portanto. esboça levemente uma atitude crítica. numa tentativa de propiciar boa relação terapêutica e particularmente de estimular sua atividade egóica (recordar.

casando-se “de branco”. além do mais. 4.Uma sessão ciepsicoterapia breve 143 poderiam ter essas recordações surgidas em tais circunstâncias. A cadela no cio me faz pensar na atual gravidez de Rita. o cachorro machucado. que teria de ocultar ou eliminar. (“Não vamos mostrar um cachorro assim maltratado aos outros”. A esse respeito me ocorre que a primeira comunhão poderia então repre­ sentar seu casamento (as meninas trajando longos vestidos bran­ cos s&assemelham a pequenas noivas). Penso a seguir que poderiam estar encobrindo situações tanto anteriores quanto posteriores à época de que datam. Estariam relacionadas com sentimentos infantis de culpa e fantasias de castigo pela sexualidade incestuosa.) Também o cachorro jogado ao rio dentro de um saco e o sofrimento experimentado encobririam outro fragmento de sua história: o aborto. decido for­ . já que o cio é o período em que ocorre a fecundação. suas próprias relações préconjugais. (É sobretudo a recordação descrita pela paciente no primeiro momento que suge­ re tal conteúdo. as atividades sexuais dos animais na véspera dessa comunhão. já que a família aparece condenando sua sexualidade e por fim seu matrimônio e gravidez. por tratar-se de um pecado. Expressariam sua atual preocupação e seus temores pelo que poderia acontecer a seu filho e em especial pela perspectiva de ser vítima de um violento ataque familiar à sua gravidez. 3. 5. pois a faz pírder sua pureza e que por isso.) 2. fantasias subjacentes referi­ das ao parto. tudo isso que é necessário negar ou subesti­ mar e ao qual se soma o fato de que o aborto é por sua vez o casti­ go por haver realizado algo proibido. e prestarei especial atenção à primeira das ditas recordações. 1. a dor que lhe causa. sua genitalidade culposa e rejeitada que ela sente que a destrói. nas quais prevaleceria o temor de dar à luz um filho deficiente ou talvez monstruoso (cachorro “descadeirado”). deve ofcultar. a preocupação pelo feto perdido e seu destino. o que se relacionaria com sua culpa por desejos sexuais incestuosos e pelo aborto. ata­ que fantasiado como aborto. Este pensa­ mento é o ponto de partida para as duas suposições que figuram a seguir. Poderia haver. Ainda que todas essas hipóteses sejam concernentes à conflitiva focal e se encontrem intimamente relacionadas.

. do que se a opção tivesse sido por outras interpretações. Junto à ativa­ ção egóica da paciente. seu medo de abortar é próprio da etapa de gestação que está atravessando. como aconteceu com seu cachorro. Por outro lado. Nessas circunstâncias poderia ser menos difícil que compreenda e aceite uma interpretação referente a esses temores. além do mais. procuro indagar mediante uma pergunta . como o dos cachorros que para ela têm o significado de bebês. incluindo a formulação fre­ qüente de perguntas (Tl. Isto porque parto de fatores já conhecidos de Rita. Pode-se observar aqui. uti­ lizando-se essencialmente da negação. T9) e de explicações que recordam sinteticamente a ordem de trabalho (T5).o que significa o ressurgimento da recordação dos acessos de violência de sua mãe9.*44 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mular uma interpretação que possa conectá-la com as prováveis fantasias subjacentes enunciadas no item 5. Também é necessário que reconheça que foram os sentimentos de proteção projetados no esposo e cm mim que possibilitaram sua consulta*. fantasiado como se fosse a família que lhe arrebata violentamente o filho e o destrói. que não se limita a esperar o material da pa­ ciente e interpretar a partir de sua apresentação. a paciente aparentemente rejeita a interpretação. assim como o faz com os sentimentos de rejeição ante a gravidez. o medo de perder o filho outra vez através de novo aborto. mas que participa intensamente e de diversas maneiras. T2. na qual existe um risco de aborto espontâneo (6). É que este último enfoque se ajusta melhor ao que tem sido evidenciado nas ses­ sões.T6. a assunção de iun papel decididamente ativo por parte do terapeuta. T7.) Em P9. Um objetivo importante aqui é que ela possa tomar consciência de seus sentimentos de proteção para com o filho. Em T8 configura-se então uma abertura para uma linha interpretativa a ser seguida no transcorrer dessa sessão. e a oposição familiar à sua gestação. Mostro suas tendências maternais ocultas. T4. e no seguimen­ to da sessão. Começo ali tra­ tando de comunicar à jovem que a aparição dessas recordações se deve ao determinismo psíquico. (A evocação de um cachorro atropelado por um caminhão parece expressar também sua preocupação pelo destino do filho. isso se vai traduzindo numa gradual de­ marcação e aprofundamento focais. Em T9.

Em T l3. vai-se confirmando a existência de uma imago materna muito persecutória. e também destinadas a comprovar sua resposta a elas a fim de verificar sua tolerância para enfrentar os referidos conflitos. inicialmente não aborda de modo direto elementos de interesses como resposta. dado pelos temores particulares correspof dentes à etapa de gestação que está atravessando10 e que o mito‘familiar acerca da gravidez fomenta sobremaneira". pela qual inconscientemente se sente ameaçada e condenada a abortar. o que configuraria o conflito básico. quer dizer. Já em PI6 se anima a resgatar e evocar juízos críticos para com aqueles que se opu­ nham preconceituosamente a seus estudos. através da qual parece querer fugir ao tema. (Nesta paciente torna-se necessário assinalar constantemente o empobrecimento a que conduz a exa­ cerbação de suas defesas maníacas. Isso porque alude à sua submissão ao grupo familiar. censuradas essencialmente pelas conotações sexuais que teriam para eles. que se opõem fundamental­ mente ao autoconhecimento. ainda que aquilo a que faz referência guarde igualmente estreita relação com o evitado. Seu medo de ter de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de apendicite. o que não ocorre em P9 configurando o ponto de emergên­ cia.) Em P14 e PI 5. quem sabe muito ansiógeno (o que sugere que devo ter cuidado em não for­ mular interpretações prematuras dentro do conflito em questão). como suposições.daí sua rápida resposta de aceitação da interpretação em PI 2. . assim como ao seu parceiro . assinalo a negação maníaca da realidade. a submissão às normas grupais. formuladas como interrogações. Em T12 trato de incrementar sua motivação para compreen­ der melhor as causas de seus temores. a paciente demonstra aceitar a realidade evi­ denciada.Uma sessão depsieoterapia breve _____ A partir de PIO. Logo sobrevêm uma pausa. isto é. A negação parece ceder um pouco.como se pode com­ provar mais adiante na sessão que a levou a abandonar diversas atividades. Em PI3. comq o fora sua mãe. TIO e Tl 1 são na realidade interpretações que es­ boçam e apontam para esse conflito (ainda que sem revelá-lo dire­ tamente no momento). formulando uma nova interrogação. está sem dúvida muito mais próximo da consciência que seu medo do aborto .

Em T l7 pode-se observar também a intenção de recolocar a paciente na situaçào-problema. Assim sendo. Por outro lado. O material que fornece se apresenta extremamente produtivo e revela. Isso se harmoniza com o tipo de vínculo e por­ tanto de comunicação que se instala. característica fundamental dessas terapias. na qual não preocupa muito que em certos momentos o terapeuta possa chegar a falar tanto ou mais que o paciente. em especial o castigo pela rebelião. um bom funcionamento egóico a serviço da tarefa. numa atmosfera de ágil intercâmbio. sem que isso no entanto implique concentrar todo o interesse da paciente na relação tera­ pêutica.146 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em T16 aludo às suas racionalizações diante das dificulda­ des causadas pela submissão. Em PI7. Para a paciente. sem no entan­ to ser utilizada como um instrumento para promover a dependên­ cia regressiva transferencial. Por meio dessa interpretação espera-se que Rita compreenda um aspecto importantíssimo de sua problemática atual e o motivo latente da consulta. cujas características são uma mútua participação ativa. o que. já en­ . que seria a busca de uma figura parental sobretudo materna permissiva e protetora para sua maternida­ de12. procuro de imediato orientar sua atenção para as figuras de sua realidade externa e cotidiana. trazendo novamente para o pri­ meiro plano sua gestação. não constituindo necessariamente o tipo principal de interpretação e conectando o que sucede com outros objetos da realidade externa. o que configura um aspecto do trabalho de focal ização. observa-se também a extensão que nessa oportunidade como em outras. Insisto assim em deter-me nos obstáculos resistenciais. Em PI8 surge o temor de Rita à sua genitora. a interpretação “transferencial” cumpre aqui uma função claramente ilustrativa de seus problemas atuais (dependência patológica). pode alcançar a formulação de uma interpretação ou de qualquer outra intervenção verbal nes­ ses tratamentos. Em T17 faz-se necessário interpretar a transferência. além do mais. pode-se dizer que Rita está próxima de um insight. dentro dessa sessão. Incluo-me nessa interpretação. dentro de uma estrutura focal. às quais acrescento as que registra para vir às sessões por sua vinculação com o proibido (a psicolo­ gia).

por fim. a paciente traz elementos para qye em T l9 se con­ firme e complemente o expresso em Tl 8. responde ao mo­ do expressivo assumido por Rita em P19 e encerra um momento de insight obtido. incluo apreciações acerca das des­ cobertas obtidas na sessão.sempre com base numa atitude cordial para com a paciente -. Em PI9. que contemple entre outras coisas o pfoblema da culpa. em tom de brincadeira . demonstrativa do efeito emocional produzido pelas descobertas. com conteúdos reprimidos que possam emergir das recor­ dações do cachorro maltratado. T l8 é uma nova interpretação “extratransferencial”. (Este momento da sessão é por sua vez um dos que melhor exem­ plificam a afabilidade e a fluidez de diálogo que a comunicação pode assumir. de tal modo que quase toda a ses­ são pode ser considerada sob esse ponto de vista como um traba­ lho preparatório para a receptividade de interpretações similares. reafirmar o já formulado em interpretações imediatamente anteriores. de importância crucial no processo terapêutico. posto que abor­ dam. dado por sua submissão à figura mater­ na e por extensão a outras figuras superegóicas. o que nem sempre é possível. como parece atestar sua reação em P20. A perspectiva é conseguir. o conflito básico dentro do foco. em T20. A intervenção em T l9. Também tento. contando com certas perspectivas de que consiga um insight. e ao mesmo tempo procuro manter . favotecendo assim que se clarifique ainda mais sua visão do problema atual à luz de seus sentimentos de culpa por ter-se “rebelado”. pelo fato de crescer e desprender-se do grupo familiar. ainda que parcialmente. creio ser possível e oportuno confrontar a paciente. em sessões posteriores .até onde seja possível e indi­ cado c com base nessa revelação um maior aprofundamento. que espero sirvam para estimular a participação de Rita na tarefa. por meio da qual se tenta promover um insight inicial de um aspecto decisivo de seus conflitos.Uma sessão depsicoterapia breve 147 volve o conflito básico. permitindo assim que venha à tona a situação persecutória subjacente. Esse momento é resultado da lenta pene­ tração no foco durante a sessão e de que pouco a pouco foram cedendo as defesas maníacas. num sen­ tido mais amplo. Por últi­ mo e como forma de encerrar.) Em T20.

”. Nos estágios fi­ nais da mesma. cap. R. . El grupo psicológico. 1. Pouco tempo depois.. Rascovsky. 2.. Bue­ nos Aires. mediante enganos. L. H... Comunicaciónpersonal. Buenos Aires. G. “Grupo familiar. J. 4. dei superyó”. e J.. Buenos Aires. “El concepto de foco”. Referências bibliográficas 1. Teoria y técnica depsicoterapias. J. Libcrman. Paidós. tendo-se recuperado por completo. cap. 1959. em L. Nueva Vision. “Reacciones maníacas: alegria masoquista dei yo por el triunfo.) e propiciar nela uma atitude reflexiva.14S Psicoterapia breve de orientação psicanalitica sua curiosidade e suas expectativas a respeito desta (“. 6. dificultando eventuais ten­ dências ao acting out (na forma de uma “pseudo-independência”. tratar-se de uma atenuação dos mecanismos manía­ cos e de um ascendente predomínio da transferência positiva. Rascovsky c D. De. Buenos Aires. pelo clima afetivo que impera. Soifcr. 1970. Fiorini. A. Rascovsky. Grinberg.. Soifer.. por exemplo). Psicoanálisis de la mania y la psicopatia. 1973. em A. M. Rodrigué. 6. Psicologia y psycopatología”.. “La matanza de los hijos”. Kargieman. Fiorini. Kargieman. 1966. c E. Garma. Allegro. padeceu de uma afecção renal. Deu à luz uma robusta menina. motivo pelo qual teve de guardar repouso na cama por aproximadamente um mês e meio. A. Langer c E. Nova. La matanza de los hijos y otros ensayos. cm H. Respostas como esta vão-se fazendo mais freqüen­ tes no decorrer da sessão (o que se confirma a partir de P11 e especialmente em P17 e P20) e me sugerem.. Bue­ nos Aires. Bleger. de introspecção. L. 1971. Psi­ cologia dei embarazo. P21 é uma nova resposta afirmativa de aceitação às minhas intervenções. em A. Rita decidiu prosseguir com sua gravidez. em parto normal. demos por encer­ rado o tratamento. cm R. 3. “Ansiedades específicas del embarazo”. etc. parto y puerperio. em vez de respostas vazias ou de submissão ao terapeuta.deve haver muitas outras coisas para serem vistas. 5.

prática e investigação em psicoterapias breves' Introdução \ Vou referir-me a alguns dos problemas que em nosso meio apresentam-se aos terapeutas ante a psicoterapia individual breve de orientação psieanalítica. as vicissitudes e dúvidas que lhes im­ . no caso de praticá-las. Antes de tudo. não devemos nos enganar: por mais que desde alguns anos se fale bastante em terapias breves. Dificuldades do terapeuta para a formação. Assim sendo. o que por sua vez se traduz inevitavelmente em dificuldades no exercício desse mctodo terapêutico. seja nos hospitais psiquiátricos ou nas instituições privadas. o que é ainda mais grave. Poderíamos considerar a questão como uma conseqüência das dificuldades dos terapeutas para se ajustarem ao seu enquadraníento e finalidade. ainda permanece a impressão de que os terapeu­ tas que se dedicam às psicoterapias breves “fazem o que podem” e enfrentam. à sua maneira. para adequar-se ao en­ quadramento que as mesmas exigem e que as diferencia de outras técnicas psicoterapêuticas. à medida que os anos passam. mesmo assim observa­ mos uma considerável resistência por parte dos profissionais para o seu emprego ou.8. na avaliação dos resultados obtidos e. ameaça desacreditá-lo cada vez mais. de cuja utilidade para avaliar o problema que a assistência psiquiátrica maciça da população suscita muito poucos duvidam. na prática assistencial. seja nos serviços psi­ quiátricos hospitalares ou nos ccntros de saúde mental.

jus­ tamente por essa condição. Esses fatos têm-me chamado muito a atenção e também tenho me formulado as perguntas obrigatórias: Por que isso ocorre? Que motivos existem para que o processo de aprendiza­ gem dos terapeutas do emprego das terapias breves se atrase e se veja freqüentemente entorpecido? Diversos investigadores já assinalaram algumas das causas. e que. Não podemos deixar de supor que tal situação diminui a eficácia terapêutica do procedimento e que é necessá­ rio portanto vencer os empecilhos que existem para instrumentar com êxito os diferentes recursos que podem fazer parte da terapia breve. De mi­ nha parte quero referir-me à incidência que em minha opinião certos fenômenos próprios da relação paciente-terapeuta. em sua maior parte inconscientes têm sobre esses fatos. influem sobremaneira na mesma. • Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psico­ terapia breve. Convém esclarecer que essas opiniões são basicamente resultado de minhas reflexões a res­ peito das próprias vivências experimentadas ao longo de minha tarefa em psicoterapia de tempo limitado e do conhecimento das idéias de H. esclarecendo-me aspectos de decisiva importância no processo terapêutico. • Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação tera­ pêutica. Searles (15) (16) (17) sobre a inter-relação pa­ ciente-terapeuta. sendo mais difíceis de controlar. vou citá-las aqui.150 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica põem a tarefa. abordarei os seguintes pontos: • A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicote­ rapia breve. • Outras dificuldades do terapeuta diante das terapias breves. que me despertaram um profundo interesse. . Ao longo deste capítulo. Pela importância que têm a re­ lação com o que colocarei em seguida. • Dificuldades diante do término do tratamento psicoterapêutico breve. • Conclusões.

É habitual a tendência a desvalorizar a P. Esses terapeutas são objeto das influências já citadas. como logo veremos. Muitas vezes tal idéia se relacfona com a necessidade que os tera­ peutas jovens sentem de idealizar a psicanálise. até perturbadora para o pa­ ciente. ao que se soma uma tendência defensiva natural em aplicar aos pacientes aquilo que melhor . portanto interrompida. onde se deve oferecer atenção psicológica a um número elevado de pacientes. os terapeutas princi­ piantes são maioria e. alcance e indicações determinados. Já em 1918 Freud antecipou que os novos métodos que seriam utili­ zados com o correr do tempo para efetuar tratamentos psicoterapêuticos em grandes massas da população deveriam.B. o que por sua vez se acha ligado a seus desejos de se converterem em psicanalistas (20). pouco eficaz e.Dificuldades do terapeuta 151 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve “Psicoterapia breve ‘versus’ psicanálise” A P. e a difundir a idéia de que só um tratamento psicanalítico tem reais propriedades curativas. de orientação psicanalítica constitui. como se de­ preende desta denominação.B. na prática. têm de maneira geral extremo interesse em exercitar-se na técnica psicanalítica. em sua opi­ nião. partir da psicanálise. em definitivo. para muitos é difícil aceitar a coexistência da psicanálise e da psicoterapia breve e reconhecer que se trata de métodos que têm utilidade. um procedimento terapêutico basea­ do em certos elementos fundamentais da teoria psicanalítica. Como é de se supor. Que acontece então quando as circunstâncias impedem de se efetuar um tratamento psicanalítico? Cai-se freqüentemente na realização de uma psicanálise “curta”. têm a seu cargo de maneira geral a realização dos tratamentos breves. Nesses estabelecimentos.B. Comumente é nos estabelecimentos assistenciais. capazes de produzir autênticas mudanças nos pacientes. mas acrescentava due esta teria de sofrer um processo de adaptação às novas condições (11). Não obstante.. que sê la/ sentir com mais intensidade a necessidade de empregar a P.

tais discrepâncias não são tão grandes nem tão abundantes. Concordo com ambos os autores quando atribuem tal situação ao fato de que se trans­ põem "as vivências.) Na intimidade da relação terapeuta-paciente Pessoalmente perguntei-me o porquê de tal transposição. Apesar do relativo interesse que a P. Também como conseqüência dessas pressões. tampouco considero que sejam as discrepâncias entre os diversos autores qúe provoquem confu­ são. nem somente à carência de possibilidades de infor­ mação a respeito da teoria c da técnica da P. Essa pergunta se impôs a mim com maior intensidade quando me dediquei à realização de uma expe­ riência hospitalar sistemática em P. a qual. na atualidade. leva a uma “desvalori­ zação da nova técnica” (20). que podem intensificar-se diante de supervisores aferrados cm demasia à técnica da psicanálise ortodoxa e que não aceitam facilmente essas modificações. Creio que sua persistência obedece não só aos motivos até aqui enunciados. as modificações técnicas que necessitam introduzir são sentidas com freqüência como uma “heresia” ante o modelo psicanalítico. embora não abundante. felizmente contamos com um valioso. (O grifo é meu. de início.B. durante um ano. que se costuma chamar de “superego ana­ lítico”. os conhecimentos e as técnicas psicanalíticas para essa psicoterapia” (19)..‘ *2 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica conhecem (o novo é menos seguro e gera ansiedades paranóides). se bem que eu tivesse suficientemente clara. material bibliográfico. as terapias breves podem traduzir-se na prática em uma psicanálise “breve” (19). quer dizer. Toda essa situação toma difícil a aplicação dos novos métodos. esses problemas lamentavelmente ainda existem. continua sendo um parente pobre da psicanálise. como bem disse Usandivaras. Além disso. quanto à qual. tem despertado.B. .B. e ao com­ provar que. já que. pois c vivida como uma falta de garantia interna e externa para o trabalho a sèr desenvolvido. no final das contas. como assmalam Szpilka e Knobel.B. e para muitos a P. originando-se situações persecutórias. os quais sublinham o estado de desprestígio e de confusão que se observa em torno dela. a técnica psicanalítica.

etc. inconveniência do estabe­ lecimento de uma neurose transferencial e de estimular a regres­ são. a ocorrências que não foram postas em prática e que pode­ riam facilitar o desenvolvimento da neurose de transferência e estimular a conseqüente regressão e dependência do paciente). Cheguei a pensar então que uma força interior me conduzia insensivelmente a tal atitude. devendo final­ mente se atingir sua resolução. Corria-se o risco de que isso sucedesse a contragosto. Searles desenvolveu suas impressões referentes ao papel fundamental da simbiose terapêutica. Com base num insight progressivo em seus pacientes e nele próprio. contraria­ mente à minha ideologia terapêutica em matéria de terapias de tempo limitado e respondendo a uma tendência que não conse­ guia controlar e que nem poderia explicar unicamente através das razões aqui expostas (preconceitos com relagão a qualquer técni­ ca que não fosse a do tratamento psicanalítico.Dificuldades do terapeuta 153 a maneira segundo a qual me havia proposto a trabalhar.). Foi o conceito proposto por H. comecei a notar em mim uma forte e às vezes irresistí­ vel tendência de criar ou favorecer o estabelecimento da “atmos­ fera” psicanalítica nas sessões. Sus­ tenta Searles que o vínculo terapeuta-pacicnte atravessa um mo­ mento de simbiose e que tanto o paciente como o terapeuta contri­ buem para que ele seja assim. além disso. em geral. . em vários de meus pacientes. manifestaVa-se uma notória inclinação para cons­ tituir comigo imi vínculo emocionalmente intenso e regressivo. etc. a respeito do que me indicava a realidade (objetivos limitados. diferen­ ciando com certa precisão a técnica a ser empregada da técnica analítica. oferecendo uma maior “compreensão do significado emocional do paciente para o tera­ peuta c vice-versa” (16) e ressaltando. sobretudo através de insistentes interpretações transferenciais (afortunadamente reduziram-se. Mas tampouco tinha eu dúvidas de que.). poucos meses de tratamento. “o efeito dos processos inconscientes do terapeuta sobre o paciente” (16) no vínculo simbiótico2. Searles sobre a simbiose terapêuti­ ca (15) (16) (17) que me permitiu entender o fenômeno e formu­ lar minha hipótese sobre o que acontece no tratamento breve. Esse vínculo simbiótico tem suas raízes na relação mãe-filho c tende a se estabelecer e consolidar cedo ou tarde durante o tratamento psicanalítico.

.) constitui uma fase necessária na psi­ canálise ou psicoterapia tanto de pacientes neuróticos como de psicóticos ” e que “tanto o paciente quanto o terapeuta (. a simbiose terapêutica se apresenta tanto em pacientes psicóticos quarta n^irótims F ainda quêlnicialmcnte a tenha detectado e descrito na psicoterapia de esquizofrê­ nicos crônicos (15). Searles descreveu.) a) A relação terapeuta-paciente no tratamentopsicanalítico A análise das emoções transferenciais e contratransferenciais mostra freqüentemente que estas alcançam grande intensida­ de e muitas delas são altamente gratificantes para o analista.) tam­ bém é poderoso tanto para o paciente quanto para ele mesmo.... embora inconscientes..154 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Para Searles. o processo terapêutico. o qual.) atualmente tenho me dado conta .. Sustenta também que a relação de transferência simbiótica “(. por sua força. Assim. em determinado momento.) apesar de seus tormentos (. além disso. durante meses ou anos. mas profundamente valorizada (15).mesmo quando isso me provoca muita ansiedade dos profundos..7. o qual tende a fo r­ mar-se p õ rsi mesmo” (16). logo teve que reconhecê-la na evolução trans­ ferencial de pacientes neuróticos. . a simbiose terapêutica experimenta mudanças de significado qualitativas e quantitativas. constitui fonte de intensa grati­ ficação para paciente e terapeuta . processos gratificantes da relação simbiótica que tanto o paciente quanto o terapeuta se mostram renitentes em abandonar” (16). mas também ele está agarrado a um processo. como a inter-relaçào simbióti­ ca atravessa distintas “fases”..). é com­ parável ao processo de maturação na criança (. (Os grifos são meus.. o qual (. demasiadamente poderoso para serem capazes de desviá-lo com facilidade (.) para fora do canal confluente.). Hm tais fases... ao processo de tra­ tamento (.. Diz esse autor: “(.. na psicoterapia de esquizofrênicos crônicos.) se vêem submersos e arrastados em direção à corrente. até chegar finalmente à de individualização do paciente. Não só o paciente.. quando estes despertam sentimentos maternais no terapeuta. com freqüência negada por este último. Isso é particularmente notório na psicanálise de esquizofrênicos crôni­ cos.

do paciente e do analista.B. o que estimula no terapeuta o sentimento de onipotên­ cia'.Dificuldades do terapeuta 155 permitindo uma tarefa reparatória. Vai-se configurando uma estreita relação. especialmente nas etapas de maior regressão dos pacientes. Em resumo: o estabelecimento do vinculo simbiótico na re­ lação paciente-terapeuta parece ser um fenômeno que tende a se produzir espontaneamente. que o leva a situar o analista no lugar de uma figura parental. sente-se cada vez mais objeto de todos os sentimentos deste e protagonista decisivo em sua vida. a regressão do paciente. No tratamento psicanalítico. ao fomentar por sua vez a regressão do paciente.B. Essas emoções aparecem em parte como conseqüência da situação regressiva do paciente. pois oferece um campo menos propício para as citadas gratifica­ ções do terapeuta. Sabemos que temos que nos propor objetivos limitados. sabemos além disso que o tratamento costuma centrar-se na elaboração da relação transfe­ rencial.? Que acontece com o fenômeno que acabamos de descrever e que se anuncia desde que começam a interatuar paciente e terapeuta? Penso que o enquadramento que requer a P. são dirigidas para evitar a instauração de um vínculo . b) A relação terapeuta-paciente na psicoterapia breve Qual é a situação que se apresenta em P. e que é preciso controlar. o que é altamente gratificante. que carecemos do tempo necessário para trabalhar a neurose de transferência e a regressão conseqüente até conseguir que sejam elaboradas. nesse “mundo dos dois”. na medida do possível. resulta frustrante nesse aspecto. na qual o analista. Pode “converter-se” então na muito amada (ou inclusive muito odiada) mãe. essa interrelação simbiótica pode ser fomentada em beneficio do processo terapêutico. que se prolongará por anos e no qual o “como se” da rela­ ção não o impede de experimentar intensos e prazerosos senti­ mentos1. Esclareçamos desde já que tudo isso também ocorre cm me­ nor magnitude na psicanálise de neuróticos. As condições do enquadramen­ to da P.B. e nesses momentos o próprio paciente vive o terapeuta transferencialmente como uma màe (ou pai) ideal.

devendo ater-se ao “de fora".). como se deduz. procurando manter uma trans­ ferência positiva moderada. pode repetir-se com assi­ duidade numa terapia breve . na relação com o paciente. çônjnge_ chefer etc. Sentir-se-á. cm P. dependerão de suas possibilidades . Neste último caso pode “atrair” o paciente para uma intensa neurose dç transferência. na qual o terapeuta . mãe. recorrer às interpretações denominadas “extratransferenciais”. em lugar de fazê-lo na relação com o terapeuta. não se presta a que o terapeuta satisfaça suficientemente certas expectativas latentes. A experiência do terapeuta que realiza uma terapia breve pode diferir bastante da que vivência com um paciente em tratamento psicanalítico. diferentemente do que acontece na práti­ ca da psicanálise. numa terapia breve. já que se deverá evitar a regressão transferencial. conformar-se com sua condição real de docente experimentado (8) no tratamento. convém em termos gerais recorrer à interpretação da transferência somente em determinadas circuns­ tancias .B.se sentirá um p ro tag o n ista importante.B. já não será um terapeuta-mãe e deverá. É de supor então que aJ^. aquelas que estabelece com as pessoas com as quais se relaciona em sua vida cotidiana. Quer dizer. então. o terapeuta pode experimentar um sentimento de exclusão. Con­ sidero que. pp. Isso naturalmente é coerente com o propósito de conseguir a resolução de seus con­ flitos atuais. esse fato geralmente constitui uma complicação (ver capítulo 10. e levar o paciente a se interessar pela revisão de seus vínculos com seu verdadeiro pai. 178 ss. pelo contrário. já que desde um primeiro momento procura-se que concentre seu interesse nela. que na realidade tendem a tomar conscientes outras transferências do paciente. quer dizer. Na opinião de numerosos autores. e que além disso encontramos pacientes que de um modo quase espontâneo desen­ volvem uma intensa regressão desde o início do tratamento. em troca. parece conveniente.156 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica paciente-terapeuta demasiado intenso emocionalmente. fora do universo do paciente. (1) (3) (8) (10) (19) (22). nos quais me incluo. que não se deve empregá-la com a assiduidade e com a finalidade com que se utiliza em psicanálise5. mas não ignoramos que em certas circunstâncias os sentimentos transfe­ renciais e contratransferenciais são muito fortes. Mas numa terapia breve.. As conseqüências dessa vivência contratransferencial de frustração que.

Isso nos expl ica por que diferentes autores falam. pode dificultar era alto grau a tarefa do terapeuta. Para estimular a regressão. e que é por esta razão que a transposição da téc­ nica psicanalítica para as tempias breves se produz com tanta freqüência^ Com o paciente como criança-filho. renunciar ao papel ativo na tarefa. que reaja com intervenções agressi­ vas.B. e que de outro modo a terapia é “superfi­ cial''.de^ratificação através do fomento da neurose transferencial. induzindo o paciente. Se os motivos estiverem reprimidos. Em suma sustentará que é preciso insistir em interpretar o “aqui c agora eomigo”\ na busca inconsciente . mas profundamente valorizadas. que poderão por sua vez ser racionalizadas. a estabelecer um vínculo simbióti£ 0. f c) Quando a psicoterapia breve converte-se em “psicanálise breve ” Dessa maneira pode pôr-se em marcha o que há de ser uma espécic de “psicanálise breve” (19). É possível. exige.B. Creio ser por isso que lhe resul- ta difícil renunciar a tal tipo de relação para aceitar o outro.. au­ mentar a freqüência e a periodicidade das sessões7. usar o divã. cons­ ciente ou inconscientemente. que uma tal relação promete proporcionar-lhe. o terapeuta pode- rá ter acesso em certa medida às gratificações comumentc nega­ das. em P.Dificuldades do terapeuta ____ ____ de resolução do conflito.portanto mais frustrante que a P. Se este alcança certa intensidade e não é controlado adequadamente. o terapeuta pode apelar para o uso reiterado e até sistemático dc interpretações transferenciais. que chegará a adquirir ou não consciência da situa­ ção. pode erroneamente atribuir essa sensação de insatisfação e desilusão a uma suposta ineficácia ou fracasso do método psicoterapêutico breve. mais ajustado às condições da realidnde . por exemplo. etc. caracterizada noriuma regressão a nm tipo de dependência infantil com relação ao terapeuta. tendendo além disso a conven­ cer-se de que só a análise exaustiva e sistemática da transferencia pode ajudar o paciente. da “tentação” que o terapeuta pode experimentar de analisar a trans­ .

Além do mais. pois isso o obrigaria a centrar-se mais na problemática atual do paciente para ajudá-lo a resolver questões . não descõrftl&eemos. Tapibcm tentainterpxetar_conflitos alheios ao foco terapêutico1 ainda que saibamos que em P. demandou-me um grande esforço “deixar passar” sem interpretar o material não relacionado com o foco. (Os grifos são meus. a análise sistemática da transferência é uma tentação permanente para o terapeuta ” (5).. Diz acertadamente Fiorini: “Haveria além disso uma contra­ dição entre um enquadramento de tempo limitado e um processo no qual as intervenções do terapeuta ‘propusessem’ a regressão e a concentração de afetos do paciente nessa relação bipessoal (a situação se expressaria nesta proposição: ‘a relação que o senhor mantém comigo é muito importante para entender e tratar sua enfermidade. Freqüentemente houve necessidade dafirmar-se nessa postura ante o material que trazia o paciente. e em especial em minhas pri­ meiras experiências em P. respeitando-se a lógica e adequada pro­ gressão dada pela mesma relação terapêutica.B. Pessoalmente. Outros autores fazem referência a uma necessidade de auto­ controle do terapeuta para regular as interpretações transferen­ ciais e com isso a regressão do paciente (1) (10). pelo exercício da psicanálise. pelas diversas razões assinaladas no começo deste capítulo. não é aconselhável ábrir demasiadas feridas no paciente.B.).) Eu acrescentaria que se trata de uma tentação que não só corresponde ao desejo dc investigação do terapeuta e de extrapo­ lar o sistema psicanalítico. que se apresentava como sedutor para a análise da transferência (. volte para ela todas as suas emoções e expectativas. Assim mesmo podemos compreender a resistência que às vezes experimenta o terapeuta para buscar e encontrar objetivos limitados em cada caso. mas também e muito especialmente à busca das gratificações que lhe daria uma relação mais profunda com o paciente.. que isso conduz a um incre­ mento da regressão. Mensagem e ação resultariam aqui do tipo estímulo-irustraçào. o que costuma per­ turbar o paciente. Mas prepare-se para cortá-la de repente’)” (8)..‘ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ferência. A esse respeito assinalam vários terapeutas: “Não se fomentou a regressão.

procu­ rando estimular nele a confiança em si próprio. se é que se insistiu em fomentar nos pacientes a dependência regressiva em lugar do autodesenvolvimento. já que. Por isso. chegam a ajustar reconfrafÕs que permitem prolongar a relação. Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve Em função da frustração jque podem experimentar os tera­ peutas ao comprovar que o enquadramento da P. nada rara por ccrto. (Com isso não quero desconhecer a presença. Mas desse ponto me ocupo em mais detalhes no capítulo seguinte. em seu afã inconsciente de perpetuar sua .B. e conseguir desse modo que possa obter alta. ainda que muito desejadas. “fuga em direção à saúde”.) O terapeuta pode então resistir a reconhecer os progressos do paciente e até parecer muito decepcionado pelos resultados do tratamento. de tais eventualidades nas terapias breves8.. etc. não é difícil supor que isso interfere na possibilidade do terapeuta de efetuar uma avaliação realista e justa dos resultados obtidos com o método. Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve Em geral a tendência para fomentar a. gratificações próprias de uma relação mais estreita e emocionalmente mais intensa com os pacientes. as mudanças de atitude que estes puderam apresentar em sua vida real são com muita freqüência rapidamente subestimadas e qualificadas como atuações. assim como seu de­ senvolvimento independente.dependência no paciente complitfa a separação ao terminar o tratamento. como conseqüçncia da dificul­ dade do paciente e do terapeuta para aceitarem a séjjãraçao.Dificuldades do terapeuta 159 muito concretas e imediatas com um critério prospectivo. não lhes faci­ lita o acesso às negadas.. os quais por sua vez podem ser certamente pouco alentadores. Só acrescentarei a respeito que.

cujos motivos subjacentes mantêm-se ocultos. çom freqüência. na fase de resolução da sim­ biose.QJ3aciejn. por tudo aquilo que para ele o paciente significa.160 Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica dependência. numa cumplicidade inconscientemente conso lidada. O luto pela separação predeterminada desempenha um importante papel cm P. com um objeto que logo perderão. pode experimentar os sentimentos de desvalorização e perda. com o qual mantém “uma relação muito mais profundado que a que crê capaz de perceber em si mesmo” (15). ainda que de modo geral nào reconhecidos. ^ . f' Searles assinala que o terapeuta. tanto pam. nào deseja que se produza a separação (a alta defini­ tiva significaria a ruptura do vínculo e a perda absoluta das possi­ bilidades de gratificação ligadas a ela).B. Desanima-os principalmente a perspectiva de estabelecer uma relação fugaz. oferece a possibilidade de um vínculo._~ Desprestigio da psicoíerapia breve enquanto indicação terapêutica Pode-se deduzir que os motivos expostos. A passividade que ainda observamos para resistir a este “movimenteifaz-me pensãrêm uma espécie de acordo tácito entre os terapeutas.icanalítieo. diminuem o entusiasmo dos terapeutas para optar pela indicação e utilização da P. em determinadas situações em que a mesma poderia ser um recurso terapêutico nada depreciável.te como para o terapeuta e. Atua como aquelas mães que. O tratamento ps. continuam a tratá-los como crianças. mais duradouro e portanto menos" frustrante. parece repercutir mais no terapeuta que no paciente ((>).4 . pelo contrário. Tende-se assim a desvalorizar a terapia breve.B. ante a necessi­ dade inconsciente de manter o uso excludente do método psicanalítico como fonte de gratificação a partir do estabelecimento de um vínculo simbiótico com o paciente (neurose ou psicose trans­ ferencial). como não podem aceitar o crescimento e desprendimento de seus filhos.

como o permite a psicanálise. tropeçam. para o estudo e emprego eficaz da RB. impõe ao terapeuta um ritmo fati­ gante “[. c) às resistências do ambiente profissional circundante. é muito conveniente para a formação psicoterapêutica em terapias breves.] pode fazer com que para este a experiência resulte embmtecedora e compulsiva” (2)..B. ainda que não seja imprescindível. r~) g) freqüentemente a P. apresentando-se como muito duvidosas guas possibilidades de eficácia. junto ao desejo de desempe­ nhar o papel de psicanalistas nos tratamentos que empreendem e ao temor de utilizar outros procedimentos que são desvalorizados. b) às dificuldades para adaptar-se ao enquadramento que exi­ ge a P.. acrescentaremos os seguintes fatores: ~->d) uma experiência prévia insuficiente em tratamentos pro­ longados. como o psicanalítico. consideramos que os terapeutas.. que o levam a preferir os tratamentos prolongados. —> e) necessidades econômicas do terapeuta (em parte em virtu­ de dos gastos que lhe demanda sua formação profissional). Por último quero mencionar a influência de outros fatos de particular importância que me foram apontados: O f) em P. em obstáculos que remetem: *&a) à idealização da psicanálise. por exemplo. . por tratar-se de uma relação terapeuta-pa|iente que ofe­ rece menos gratificações que a psicanalítica..B.. requer a abordagem de um novo caso tão logo termine o tratamento breve de um paciente anterior.B. já que geralmente lhe possibilitam uma remuneração mais estável.*As terapias breves aparecem como o novo e incerto diante de técnicas mais conhecidas e seguras.. circunstância que também contribui para a perda de interesse por essa terapêutica (13).Dificuldades do terapeuta 161 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Recapitulando até aqui. A isto junta-se o esforço que no meio hospitalar. Os supervisores adquirem aqui especial importância. a ênfase recai na melhoria clínica do paciente e em grau muito menor na investigação exaustiva de sua psicopatologia ou de qualquer outro aspecto. experiência que. es­ pecialmente os novatos. A fim de oferecer uma visão mais completa do problema.

. ainda que lento. Nesse sentido. Nesse sentido contamos hoje com impor­ tantes descobertas no campo da P.162 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Em comparação com a prática da psicoterapia prolongada. Todas essas dificuldades se esclare­ ceriam em parte se houvessem incorporado a seus conhecimentos uma teoria da mudança. pros­ seguiria com uma reação em cadeia e seria verificável nos acom­ panhamentos ao longo de anos em pacientes tratados com tal método (9) (14) (18) (21). ocorre agora que deve atender mais pacientes num mesmo espaço de tempo. com a intenção de contribuir para aplainá-las. a partir de uma experiên­ cia terapêutica corretiva.B. que permitiriam. Conclusões Quis assinalar diversas dificuldades do psicoterapeuta no que se refere à P. a continuação ininterrupta do progresso nas mudanças. quer dizer. que somam a noção de insight e estão fundamentadas essencialmente na concepção da existência de partes autônomas do ego. Como não têm interiorizados os dinamismos da mudança e só conhecem e aceitam os fenômenos inerentes às modificações que se produ­ zem nos tratamentos prolongados. Desse modo. -> h) Fiorini destaca também a incidência que tem nos terapeu­ tas o desconhecimento de uma teoria da mudança em P. postergando o mo­ mento da alta e com isso a troca de paciente. é significativo o que se costuma observar nos ser­ viços psiquiátricos: freqüentemente os terapeutas pareccm tender inconscientemente a prolongar os tratamentos. de forças “cons­ trutivas latentes” (21).B. com certa exigência de conseguir mudanças a curto prazo.. Tal situação além disso se acresce de suas dúvidas a respeito da decisão a tomar quanto à alta do paciente (7). o processo de transformação. não chegam a ter a necessária convicção de que os pacientes tratados com psicotcrapias breves podem experimentar mudanças favoráveis. enfatizando especialmente a importância que tem o reconheci mento dos próppn«.. e uma vez finalizado o tratamento do paciente. da ralaçSn terappnta-pacient.B. o que em termos de economia psíquica significa “um mau negó­ cio” (uma nova responsabilidade e em suma um maior stress) (7).e e de .

Psicote­ rapia hreve. J. H. muito necessárias para afastar pre­ conceitos e permitir a comprovação direta da real utilidade desse recurso terapêutico.. 7. A.B. Paidós. Pax-México. adequadamente supervisio­ nadas são. Amèr. Simbiosisy ambigüedad. no momento atual. Alexander. 1965. Lai. n? 2. e aumentar o interesse pela investigação sobre esse méto­ do. Psicoterapia brevey de emergencia. VI. Paidós. Terapêutica psicoanalítica. 1970. Buenos Aires. c Marticorena. 1969. H. Buenos Aires. Bleger. Comunicación personal. L. Referências bibliográficas 1. “Ejemplos clínicos”. Grüne and Stratton. 1972. L. 3. 1967. J.psicol. Se tudo isso se concretizasse. cap....). junho de 1968. 5. Bellak. Devries. A maioria. T. H... 4. Citado por L.B. H. Tal reconhecimento pode­ ria favorecer um exercício bem-sucedido da P.Dificuldades do terapeuta 163 sua influência no processo terapêutico. Fiorini H. através de uma mais ajustada e eficaz adaptação do terapeuta ao seu enquadra­ mento. 6. Kargieman. vol. As experiências clínicas em P. Progress in Community Mental Health.. e French. Nova York. em H. Aspiro a que estas minhas impressões funcionem como um estímulo e que finalmente consigamos obter descobertas que lan­ cem mais luz sobre o controvertido campo das terapias breves. c col. provavelmente fse conseguiria também uma valorização mais objetiva e favorável das terapias breves dentro do panorama da terapêutica psiquiátrica. Small em Psicoterapias breves. Beliak e H.B. Bue­ nos Aires. como por exemplo as psicoterapias grupais prolongadas (possivelmente mais gratificantes no sentido considerado neste trabalho). “The Corning of Age of Brief Psychotherapies”. . Buenos Aires. Barten. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. F. . Ferrari. em troca. Barten (compils.. “Una experiencia en psicoterapia de tiempo limitado”. e Small. Buenos Aires.. A ninguém escapa que cm nosso meio só uma pequena mino­ ria de psicanalistas se ocupa da investigação em P. 2. Kesselman. México. Creio que é necessário um estudo mais exaustivo do proble­ ma. em L. 1969. XIX. Acta psiq. Granica. interessa-se por outras técnicas. O.

Gredos. H. cap. psicol. 1973. Springfield. of Med. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Bre\>e. Wolberg e col. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. H. 1. Lai. Searles. Szpilka. Centro Lditor de América Latina.. “Los caminos de la terapia psicoanalitica”. 1948. Acta psiq. “Acerca de la psicoterapia breve”. Psy­ chology. Amér. “La técnica dc la psicoterapia breve”. Aportes para una teoria dc la téc­ nica”. 19. . B. Malan.. vol. psicol. cap. Amér. cm S. XIX. cit. junho 1968. J... vol. n?2. 17 . 1959. n? 2. em 2. VI. t. 20. L. Buenos Aires. Madrid. Acta psiq.. J. vol. 1963. . 1965. cap. “Psicoterapia dinâmica breve.. “Psicoanálisis y psicoterapia dinâmica: similitudes y diferencias”. Apostila inédita. junho 1970. 9. . em L. psicol. XXV. Hogarth Press.. Amér. . J.1971. “Formas de inducir a la loucura”. III. Apostila inédita. n? 2. 11. Teoria y técnica de psicoterapias. Psicoterapia breve. n? 2. em Collected Papers on Schizophrenia and Related Subjects. Buenos Aires. Nueva Vision.. “Delimitation técnica dc psicoterapias”. 12. Fiorini. em Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. XIX. Rev. Buenos Aires. R. Wolbcrg. B. VIII. Illinois. Comunicación personal. em H. cit. Montevechio. . Lat. Journal Med. Lat. Psychol. Charles Thomas. XVI. Small. em 21. junho 1968. Lat. 1961. Biblioteca Nueva. 18. Madrid. t.) 13. 1968. Buenos Aires. “Problemas que plantea la investigación sobre psicotcrapia breve”. ob. . vol. 21. ob. e colaboradores. II. Londres. Brit.C. D.. A Study of Brief Psychotherapy. Londres.lf}4 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 8 .. junho 1968.. em Elementos de la etiologia y la psicoterapia de la esquizofrenia. e Knobel. Freud S. Buenos Aires. 1974. Acta psiq. Acta psiq. Amér. Tavistock. Usandivaras R. “Fases de la interacción paciente-terapeuta en la psico­ terapia de la esquizofrenia crônica”. 10 . “Dinamismos y niveles de cambio en psicoterapias”. Buenos Aires.. L. Apostila inédita. Rangcll.. L.. . 22 . 9 . 15. M. 14. 16 . Colo­ quio Acta 1967: Psicoterapia Breve. de Psicoanálisis. Freud. “Introducción”. psicol. O. XIX...

para em segui­ da expor sinteticamente as conclusões. dividirei minha apresentação nos seguintes pontos: • Reações causadas no paciente pela separação. Com a finalidade de poder mostrar com mais clareza o que sucede com o binômio paciente-terapeuta ante a finalização de uma terapia de tempo limitado. No que concerne ao terapeuta. Quero expor de que maneira e até onde os resultados do tra­ tamento estarão de forma indefectível relacionados com as possi­ bilidades de ambos tolerarem suficientemente a separação. partindo do reconhecimento de que tanto o paciente quanto o terapeuta de­ vem enfrentar o luto ocasionado pela finalização do vínculo tera­ pêutico. sua capacidade de enfrentar o luto ade­ quadamente será uma condição fundamental para o manejo eficaz da situação. • Reações causadas no terapeuta pela separação.9. em razão do término do tratamento. . A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve t$» < Introdução Proponho-me neste capítulo a analisar algumas das vicissi­ tudes que se apresentam nas terapias breves psicanaliticamente orientadas . Ocupar-me-ei primeiro dos aspectos técnicos.

Os sonhos eram semelhantes entre si (sobretudo os três primeiros a que me referirei). aceitam a separação melhor do que outros. no material onírico. assim como naqueles cuja dependência regressiva tenha sido fomentada pelo terapeuta ao longo do tratamento. e podem chegar a vivêla como uma oportunidade de comprovar e pôr cm prática o aprendido até entào durante o tratamento. e que agora está muito limpo e em ordem. regressivas e altamente dependentes.segundo sua expressão . Supõe-se que o fato repercuta mais em quem tem tendência a estabelecer espontaneamente vínculos de caracte­ rísticas simbióticas.166 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Reações causadas no paciente pela separação A separação de seu terapeuta afetará o paciente com uma intensidade variável em cada caso. rclatou-me numa sessão vários sonhos. vivida inconscientemente como um abandono de minha parte1. Este último foi o que aconteceu no caso de um paciente a quem atendi numa terapia breve. suas ansiedades e hostilidade diante da separação.porque continha mercadorias. o que estará em parte relacio­ nado com uma estrutura psíquica correspondente. que a terapia seja o mais curta possível. por exemplo. Certos pacientes. os quais mostravam. ainda que se tenha “a impressão de vazio”. desejam de bom grado o término do tra­ tamento. A repercussão da perda no paciente pode traduzir-se em manifestações diretas de pesar e/ou preocupação. como denominador comum. Acrescenta que se trata de uma “velha construção em reforma” que ficou interrompida. seguindo o modelo da clínica médi­ ca. Diante da perda. ou evidenciarse de maneira mais velada. e chegam a mobilizar-se inclusive o temor à morte e à loucura. Outros pacientes se conformam com o alívio sintomático. em muitas ocasiões aparecem em troca an­ siedades intensas. que possuem um ego relativamente forte. Primeiro sonho: O paciente aparece num depósito em que tempos atrás “tinha havido um ‘barulho’ ” . Perto da finalização da mesma. sendo talvez o primeiro deles o mais demonstrativo. e que o teto do depósi- . e uma vez conseguido este. Em geral preferem.

Associou o depósito com aquele que. tal como aparecia no sonho anterior. Disse-lhe que a menção a seu amigo parecia referir-se à minha pessoa. mau destino”. pagam-lhe uma escassa so­ ma em dinheiro. Ele sentia. mais ordenados. o qual tinha de reclamar. Sentia agora que tinha as coisas (idéias) mais claras. particularmente sua cabeça. seu acanhado protesto e reprovação contra mim. no qual há muita gente. Também o teto simbolizava sua cabeça. Outra vez se evidencia seu sentimento de . Por último. e que eu interrompia sua reconstrução. Por sete horas de jornadas. pois. O amigo era por certo ele mesmo. que ficava “separado no meio” como o depósito. Este detalhe do sonho era. sua mente mais “limpa” e seus pensamentos (no so­ nho. Segundo sonho: Um amigo seu trabalha como ajudante num teatro. além disso. mas ao mesmo tempo con­ densava no depósito sua sensação de abandono. na realidade. disse que no sonho lhe deviam di­ nheiro. e era uma referência a seus temores pelos perigos aos quais se sen­ tia exposto por causa da separação. Sente uma grande indignação. apa­ reciam no sonho como o dinheiro que lhe deviam e que tinha que reclamar. O depósito representava ele mesmo. uma representação de seu medo à loucura2. A cor negra do mes­ mo foi associada pelo pacienttf como “mau augúrio. O edifício grande no qual havia muita gente representava o hospital onde o atendi.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 167 to é negro. mercadorias). na qual havia ocorrido um “barulho” (confusão) quando chegou ao tratamento. Tem um aposento só para ele e utiliza ferramentas de cor negra. abandonando-o. de vazio pela separação. através do qual nos ocupávamos de jsua cabeça-depósito. havia tido um ano atrás em sociedade com um amigo. a sociedade era uma referência ao nosso contrato terapêutico. ao sentir-se abandonado. que se encontrava muito enraivecido contra mim porque sentia que eu lhe dava pouco e que estava em dívida para com ele. especificamente. Terceiro sonho: Trabalha no interior de um grande edifício.

na mesma sessão. Essas reações. pode resultar conveniente que o paciente tenha ocasião dc desenvolver essas reações enquanto se encontra sob tratamento pan< parmitif mais bem-examinadas. através de colocação espontânea por parte do paciente de material alheio ao foco. é uma circunstância que tenho podido observar em minha prática. com muito medo de escorregar “ladeira abaixo”. contou-me que em matéria de traba­ lho ele sentia que precisava de alguém que o guiasse e que não podia fazer nada por conta própria. sobretudo cm circunstâncias nas quais o terapeuta pode perder o controle da situação. Quarto sonho: Vê um menino descer por um tobogã em grande velocidade. Sua esposa lhe assegurava que isso não era certo e que devia animar-se a “navegar sozinho”.). freqüentemen­ te acompanhadas de defesas maníacas (negação da perda. que vão desde o afloramento de novos conflitos. Tal situação costuma estar motivada g^j^-n . superando-sè ou apresentando-se em forma sucessiva. Ao associar. acham-se intimamente vinculadas entre si (são diferenciáveis só até certo ponto). Aparecer como menino tinha a ver alem disso com a relação de dependência infantil que cm parte havia estabelecido comigo. De novo figurava a cor negra como símbolo de mau augúrio). Nesses pacientes. des­ prezo pelo terapeuta. Por outro lado. que por diferentes motivos não toleram suficientemente a separação. até a reação terapêutica negativa3. É possível que se produzam no paciente diferentes reações. como é óbvio supor. etc. a) A rcferência a novos conflitos nas partes finais do trata­ mento. Depois. compreendidas e resolvidas no seio da relação terapêutica. expressou em tom risonho que o menino deveria ser ele. passando por retrocessos e pioras por simples manifestações de hostilidade transferencial e pelo acting out. Novamente aludia a seus temores pela finalização do vínculo tera­ pêutico. ao aproximar-se o Tinal do tratamento. Tinha que conservá-la (trabalhar) sozinho e não confiava em seus próprios recursos (as ferramentas negras.If)íi Psicolerapia breve de orientação psicanalitica abandono. interessa ver qual é o destino da transferência. sob a aparente satisfação de ter um aposento só para ele.

ao ser vivida consciente ou inconscientemente pelo paciente como um abandono. diante do incremento da ansiedade. tal como em ou­ tras formas de psicoterapia. toma-se necessário inter­ pretá-la. como destaca Malan (6). pode apresentar uma reapa­ rição de sua sintomatologia inicial. E) Os retrocessos e pioras no estado do paciente são algumas das reações que se observam com maior assiduidade nas etapas terminais do tratamento psicoterapêutico breve.culpa por deixá-lo nessas condi­ ções. tratando de despertar neste interesse por outros padecimen­ tos (numa tentativa de sedução por meio do material). Será conveniente assinalar ao paciente sua intenção incons­ ciente de õbter ganhos secundários através de suas recaídas nos últimos períodos do tratamento. Deve-se procurar que o paciente tome consciência das motivações de sua atitude. c) As manifestações de hostilidade transferencial podem co­ locar em sério perigo os resultados do tratamento. acusar um incremento de an­ siedade. ou ainda preocupação e . exposto aos perigos de conflito não resolvidos para conseguir deste modo que o tratamento seja prolongado. quer dizer. que até esse momento vinha inclusive evidenciando claros progressos e uma apreciável melhora sintomática. Quando tal hostilidade alcança certa intensidade.eventualmente . Tal situação de separação. o que se acha claramente vinculado à perda ocasionada pela finalização da rela­ ção terapêutica (conforme o caso. o acting out costuma expressar fantasias agressivas para com o terapeuta ou objetivar substituí-lo . pode trazer como conseqüência algumas das de­ mais complicações que mencionei. e dom isso a dolorosa separação do terapeuta (ganhos secundários)J. d) Outra opção está dada pela tendência de alguns pacientes ao acting out. de depressão. Isso só será possível se prevalecer uma transferência positiva ao terminar o tratamento. tal como sugere Bellak (2). posto que a manutenção da me­ lhora certamente dependerá em grande parte de suas possibilida­ des de introjectar e conservar uma boa imagem do terapeuta (2). etc. dos diversos transtornos somáticos. c freqüentemente constituem uma tentativa de evitar que lhe seja dada alta.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 169 inconscientemente por um desejo de permanecer ligado ao tera­ peuta. ou sua raiva pode jogar por terra o obtido durante a terapia.O paciente.

o que às vezes adquire características de inoculação no­ civa. Üm mecãnísmõ defensivo do terapeuta ante as ansiedades pela separação é a negação do conflito e sua projeção maciça no paciente..). O terapeuta “atua” nes­ sas circunstâncias através de suas intervenções (interpretações). vêrse privado de gratificações simbióticas. . sobretudo por meio de interpretações “transferenciais”... Já me ocupei em parte no capítulo anterior dos problemas do terapeuta para aceitar a separação do paciente ao chegar ao fim o vínculo terapêutico. a separação repercute mais no terapeuta que no paciente.o terapeuta para não sofrer de maneira passiva o que vivência como um abandono por parte deste. Tal interrupção significa principalmente que o paciente quer abandonar . Comumente.) foi observar as dificuldades de desprendimento dos próprios terapeutas (. não em poucas ocasiões. em seu afa inconsciente de perpetuar sua dependência. Desejo então que fique clara minha impressão de que na prátiea o término do vínculo terapêutico é.170 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica por outro objeto.. c) A reação terapêutica negativa se manifesta com freqüência através da interrupção brusca do tratamento por parte do paciente. as dificuldades para separar-se apareceram mais do lado do médico que do paciente” (3). evitan­ do assim as atuações. deve inclinar-se à compreensão psicológica do conflito no pacien­ te. A separação significa.). etc. o luto provoca sentimen­ tos de desvalorização e perda (7)4. evitando a ruptura de um vínculo que lhe oferece profundas gratifi­ cações. para ele.ativamente . O terapeuta pode apresentar resistência em reconhecer os eventuais progressos dõ paciente e atuar fomentando nêsferdiirantê"õ tràtarrrentoTãneurosê^transferencial e a regres­ são. comumente negadas". mesmo naqueles pacientes que inicialmente não se veriam demasiadamente afetados pela separação. Reações causadas no terapeuta pela separação Com freqüência. indutoras de dependência regressiva. Quando o terapeuta detecta essa tendência. Ferrari e Marticorena comentam acerca da experiên­ cia em psicoterapia breve: “O mais notável (.

etc. que está naturalmente rela­ cionado com a capacidade egóica para tolerar frustração. descobrimos que alguns autores levam em conta esse aspecto. em certas ocasiões.. uso do divã. haverá pacientes que superam melhor que outros a separação. Adverte-se o terapeuta de que.B. perturbadora.B. daí para a frente. Compreender melhor por que chega a produzir-se ou a incrementar-se. aumento da freqüência e/ou periodicidade das sessões. Mas agora desejo examinar mais detida­ mente o problema da repercussão. Como disse antes. com efeito. interpretação de material alheio ao foco. resultará mais convenien­ te em P. o processo se complicará ainda mais (nenhum dos dois componentes do par aceitará facilmente a separação) desembocando com freqüência na Já mencionada recontratação. Bellak . não tem que vivê-la necessariamente como aígo penoso e angus­ tiante. deixá-la de lado significaria correr o risco de expor o paciente a algumas das conseqüências às quais já fiz referência. enfrentá-la e atenuá-la. e particularizar a conduta que. 1.). Aspectos técnicos Tenho mencionado até aqui a conduta que deve assumir o terapeuta diante da insinuaçào. de certo modo. Este. Para isso será preciso interpretar a transferência. ao fomentar a natural tendên­ cia regressiva do paciente com base numa extrapolação da técnica psicanalítica (uso reiterado ou sistemático de interpretações trans­ ferenciais. por sua própria conta. com base no que adquiriu durante o tratamento.ou franca aparição das diferentes reações do paciente. já que o problema se coloca. desde j^momento em aue se efetua uma indicação de P. sobretudo no caso de sentir-se seguro de sua própria capa­ cidade para enfrentar seus problemas. para tentar preveni-la. Considero que devemos nos remontar aos primeiros contatos com o paciente. do final do vín­ culo terapêutico sobre o paciente.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 171 mais um problema do terapeuta aue do paciente. Na bibliografia sobre P. a meu ver. atuação pouco -ativa do terapeuta. conduta que em síntese consiste em abordar o problema ocasionado pela iminente separação. como expressão de uma necessidade mútua de pro­ longar a relação.B.

muito regressiva e dependente em suas relações de objeto. pelo contrário. Se. portanto mais propenso a reações como as já assinaladas c com menores probabilidades de êxito terapêutico5. pois sem dúvida será o mais conveniente. prognósti­ co e tratamento. Os testes pro­ jetivos poderiam oferecer-nos regularmente elementos para essa apreciação. em especial com aqueles pacientes que apresentam uma franca tendência a desenvolver espontaneamente intensa regressão no vínculo terapêutico. Realizaremos uma eleição dos casos na medida do possível. por diferentes motivos. e para isso será preciso. 2. que servirá para o diagnóstico. trata-se de um paciente que atravessa um problema atual e se encontra motivado para efetuar uma psicoterapia. além de existir essa condição de tolerância diante da separação.172 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica (2) sublinha a importância de se efetuar previamente uma avalia­ ção das funções do ego. O passo seguinte será a contratação que temos de realizar. principalmente por ocasião da separação definitiva entre paciente e terapeuta. Poderemos. delimitar claramente os objetivos do trata- . Creio que em al­ guns casos as complicações que logo aparecem no tratamento breve. antes do trata­ mento propriamente dito. Mas é sobretudo Malan (6) quem assinala especificamente a utilidade de detectar. na medida do possível. essa seleção não puder ser feita. considerar que pode ser tec­ nicamente objetável indicá-la para um paciente que revele pouca capacidade para suportar e elaborar lutos e uma modalidade sim­ biótica. de não facilitá-la ou incrementá-la. Trataremos. a capacidade do paciente para suportar suficientemente o luto pela separação do terapeuta. esta­ remos diante da situação menos discutível para indicar uma tera­ pia breve. mas quando.. são em parte conseqüência dessa atitude ini­ cial.B. não pode­ remos fazer outra coisa senão embarcar com o paciente num pro­ cesso que terá muito de uma difícil aventura e que requererá ao máximo nossa perícia terapêutica para poder atingir um bom final. e que poderá ser realizada por meio de dados clí­ nicos e de testes psicológicos. mas o que acontece c que em nossa prática assistencial com freqüência não temos outro remédio senão efetuar um tratamento de tempo limitado em muitos dos pacientes que apresentam essas características. como condição fundamental em P.

ter-se-á esp_eciiü cuidado em evitar que a freqüência das mesmas possa chegar a favorecer a tendência regressiva6. Vale dizer. Se seguirmos adiante no processo terapêutico. que a P. isso dependerá de vários fatores: de sua familiaridade com a técnica da P. terão uma influência decisiva no aspecto que adquire o término do tratamento e a posterior separação para ambos os protagonistas. Em síntese.B. Como procurei demonstrar no capítulo ante­ rior.. Considero que o manejo da relação transferenciai por parte do terapeuta. se estimular no paciente sua iniciativa pessoal com um critério pros­ pectivo. requer-se que o terapeuta tenha um insight dessa problemática e um auto­ controle de suas tendências naturais a estabelecer uma modalida­ de simbiótica de relação com o paciente que. em lugar de fomentar a neurose transferencial e a depen­ dência regressiva. verdadeiro objetivo do trata­ mento8.B. além da tendência de extrapolar esse modelo técnico para a terapia breve por crer que só assim poderá obter bons resultados. impõe. Quando o terapeuta não pode controlar . de que haja vencido os preconceitos contra todo procedimento que não seja o p'sicanalítico. favorecedoras da simbiose terapêutica.freqüentemente bastanta atenuadas.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 173 mento. segundo minha hipótese. conseguindo ajustar-se ao enquadramento da P. mas também e fundamen­ talmente de que possa renunciar às gratificações que oferece o tipo de relação analista paciente e aceitar as condições. que poderão ser evitadas ou ao menos .a realizar consideráveis e decisivas modificações no enquadramento. juntamente com sua capacidade para superar os pró­ prios conflitos que puderem derivar da perda do paciente como objeto gratificante. Üm aspecto que merece especial atenção dentro da contrata­ ção é a duração que fixaremos para o tratamento. defrontaremo-nos com as complicações às quais aludimos. Em algumas destas situações será preferível outorgar um tempo suficiente.B.incons­ cientemente . de modo a permitir que uma parte do mesmo se destine à análise do luto pela separação1. sem que isto nos prive do tempo necessário para abordar a situação crítica em si. nesse sentido mais frustrantes. quanto às sessÕes.* 3. se o terapeuta se desempenhar adequadamente ao lcfngo da terapia. é o que com freqüência costuma conduzi-lo .

a fim de que este não se sinta abandonado e de conservar uma transferência positiva. mais perturbado­ ra e mais frustrante: este se encontra no final numa atitude regres­ siva e dependente.B. diante do risco da aparição neste de reações (retrocessos e pioras. Para isso sugerem que se solicite ao paciente que informe o terapeuta de seu estado me­ diante cartas ou chamadas telefônicas. À capacidade do paciente de tolerar suficientemente o luto pela separação. Conclusões As maiores possibilidades de êxito. evitando a extrapolação da técnica psicanalítica. sobretudo nos estágios finais do tratamento. hostilidade . -> 2. Dever-se-á abor­ dar. que inclua a possibilidade de analisar o luto pela separação. e aquele. o problema que coloca para o paciente a finalização e a separação. e por sua vez de se evita­ rem certas complicações ao longo de uma terapia breve em geral e. Às condições do contrato terapêutico: procurar-se-á dimi­ nuir a intensidade das regressões. 3. com uma sensação de desilusão por haver efetuado um tratamento curto e pouco eficaz. favorecedora da dependência regressiva. Será conveniente tratar de detectar o grau de tal capacidade a partir dos primeiros contatos. em pacientes com tendência a estabelecer relações simbióticas terá que se oferecer um tempo suficiente de tratamento.174 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica essa situação e não toma as precauções correspondentes. em razão do término do tratamento em particular. Já ine referi à conveniência de abordar. Bellak e Small (2 ) também assinalaram a importância de manter algum contato com o paciente logo após haver-se encerra­ do o tratamento. À capacidade do terapeuta para ajustar-se ao enquadra­ mento que a P. 4. costu­ ma-se chegar a uma fase final do tratamento em que a separação se toma mais difícil para ele e para seu paciente. exige. privado de seu objeto gratificante. o problema da separação. estão relacio­ nadas: 1. geralmente na fase final do tratamento. Considero que esse propó­ sito pode ser cumprido tanto ou mais satisfatoriamente por meio de entrevistas de acompanhamento.

psicol. 1963. XIV. Lat. Malan. À manutenção de uma transferência positiva a posteriori da realização do tratamento. Londres. Laplanche. 5. “Reacción terapêutica negativa”. Buenos Aires. Psychol. 2. já que não conta­ mos com melhores possibilidades para a sua elaboração... Amér. H. D. é de se esperar que encontre gratificações nos resultados terapêuticos. c Marticorcna. H. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. J. Ia/. Comunicación personal. e Pontalis. B.. impresso na Grã-Bretanha. sem precisar em troca fomentar a gratificante simbiose terapêutica. 4. para o que poderão contribuir as en­ trevistas periódicas de seguimento. acting out. Allegro. Buenos Aires. c portanto que encontre no método psicotcrapêutico breve um recurso útil. 1971. A Study o f Brief Psychotherapy. L. L. Scarles.) 7. Springfield. Pax-Mexico.. “Fases de la intcracción pacicnte-terapeuta cn la psicotcrapia dc la esquizofrenia crónica”. Em P. Illinois. vol. 4. Amér. Barcelona. na obtenção dc uma atitu­ de relativamente independente e nos demais jlrogress. . junho 1968. Journal Med. J. Labor. 6. H. 1974. Beliak.. Tavistock. 3. Charles Thomas. Fiorini.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 175 transferencial...B. psic. nf 2. recorrendo-se especialmente a interpretações transferenciais. “Una cxperiencia en psicoterapia dc tiempo limitado”. junho 1968. n" 2.. Aportes para una teoria dc la técnica”. 1969. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. No que se refere ao terapeuta. quer dizer. XIV.os do pa­ ciente. Brit. Acta psiq. México. Apostila inédita. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Buenos Aires. radicalmente oposta aos propósitos ineren­ tes a esse procedimento. L. Centro Editor de América Latina. (1981). em Diccionario depsicoanálisis. Acta Psiq. reação terapêutica negativa). “Psicoterapia dinâmica breve. vol. c Small. deve-se tratar de chegar à finalização do tratamento de modo tal que a alta coloque o paciente em condições de viver uma experiência estimulante e reasseguradora a partir da compro­ vação*de que seu aulodesenvolvimcnto agora é possível. Ferrari. J. A. Psicoterapia breveyde entergencia. Em essência dever-se-á ao menos assinalar a situação de luto.. H.. Referências bibliográficas 1.

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como vemos. é um risco que devemos ter em conta. que aumentam nos casos cm que o terapeuta compreende a psicoterapia focal como um processo individual. Os pacientes que recorrem excessivamente à intelectualizaçâo podem criar sérias dificuldades. Tanto os inconvenien­ tes como os riscos. estamos consignando uma limitação da psico- «» . este deve diferenciar-se do pseudo-insight com reforçamento da intelectualizaçào que. Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve I Mencionarei aqui alguns inconvenientes técnicos de que so­ fre o exercício das terapias de tempo e objetivos limitados. De fato. e se apresentam com mais facilidade diante de pacientes que por de­ terminada patologia não resultam suficientemente aptos para obter maiores benefícios terapêuticos com o emprego desses pro­ cedimentos. acham-se relacionados com as peculiaridades desses tratamentos e com os eventuais erros dos terapeutas. reduzido a “explicar” ao paciente o significa­ do de suas manifestações patológicas. assim como certos perigos que com elas se corre. 1. Ainda que nessas terapias se aspire a conseguir um insight que possa ser mais cognitivo que afetivo (Szpilka e Knobel [7]).10. entendendo além do mais que nessas terapias se realiza uma análise apenas parcial das resistências. que às vezes não é suficiente paia que o paciente “apreenda” as interpretações e reconheça assim seus conteúdos inconscientes como algo que lhe é próprio. esperando que mediante a compreensão intelectual possa conseguir-se a cura.

French a respeito das “complicações resultantes das tentativas de forçar o conhecimento” (4). sem que nos seja possível pretender outra coisa. obrigando a uma recolocação estratégica1dos objetivos ou diretamente do tipo de tratamento recomendável. nesse momento pelo menos. 2. No procedimento psicanalítico ortodoxo. Quando a duração estabelecida para as mes­ mas foi limitada. é habitual que se sinta um tanto pressionado em seu afa por obter determinados resultados. Outro problema. e quando se o vê uma ou duas vezes por semana ou ainda com intervalos mais prolonga­ dos. originado no terapeuta e em estreita rela­ ção com o descrito em 1. de modo que tenhamos que dedicar boa parte do tratamento ou inclusive todo o tempo que dure o mesmo a tal trabalho. que pode se apresentar com bastante facilidade é o de não exercer aquele um autocontrole adequado diante de certas vivências que possivelmente experimente na prá­ tica dessas terapias.178 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapia verbal de tempo e objetivos limitados. corre o perigo de depreciar o timing e de “bombardear” o paciente com interpretações prematuras em seu desejo de oferecer-lhe muito mais do que este.e reduzir . pois pode apreciar seu efeito no dia seguinte e proteger o paciente contra um aumento de . o que pode trazer paralelamente um aumento de suas resistências e de sua angústia ou ainda ocasionar sua deserção. sensação que se incre­ menta ante a proximidade da finalização do tratamento. Se a impaciência o domina. tais alterações caracteropáticas atuam como um freio que chega às vezes a difi­ cultar em grau máximo o trabalho relativo a seus problemas atuais. já que diante de certos pacientes poderemos nos ver na necessidade de nos voltar . o terapeuta poderia arriscar uma interpretação desagradável.a um intenso trabalho interpretativo de suas resistências ao insighl. Se bem que fazer ver ao paciente suas defesas patológicas possa ser importante. em razão do número relativamente reduzido de ses­ sões semanais com que se costuma trabalhar nela: “Devemos destacar aqui a grande diferença no uso da interpretação quando se vê o paciente todos os dias ou quase todos os dias. Esse autor assinala parti­ cularmente o efeito perturbador de certas interpretações em psico­ terapia breve. está em condições de assimilar. Vinculadas com essa questão se acham as advertências formu­ ladas por T. segundo o método que descrevi até aqui.

diferentemente do que acontece quando uns e outros surgem de maneira clara e pre­ cisa. em que se deve atender preferen­ cialmente àquilo que concerne à conflitiva focal do paciente. A partir da necessária circunscrição que a abordagem de uma terapêutica setorial requer. como por exemplo nos quadros reativos. com o conseqüente estancamcnto. indesejada. vendose perturbado nosso propósito de centralizar a ação terapêutica de um modo operativo e com fins de aprofundamento. a angústia poderia acumular-se em tal medida que o paciente cairia em pânico (. Não contando com um foco mais ou menos definido. Em nosso meio se observou a ocorrência desse fato especialmente em tratamentos de pacientes de baixo nível sociocultural. Formulada essa mesma interpretação numa psicoterapia mais breve. em virtude de o ser. exis­ te a possibilidade de que a dinâmica do tratamento sofra uma limi­ tação esquemática . possibili­ tando reajustes e descobertas que o conduzam a readequar-se à estratégia. assim como as me­ didas preventivas e terapêuticas a 'serem tomadas. que recorrem a estabelecimentos assistenciais por contar com uma oportunidade única de confiar seus problemas a um profissional. Requer-se portanto maior atenção e inclusive maior agilidade por paflecíõ terapéutã^T3X 3. dada a fugacidade da relação paciente-terapeuta e. o trabalho se complica.pode fom entar iatrogenicamente a regressão vivencial e a neurose de transferência no pa­ ciente e acarretar diversas complicações. limite seus alcances. Mas todo terapeuta disposto a manter-se suficientemente receptivo às comu­ nicações 4o paciente e a extrair sempre novos significados poderá contribuir na obtenção de um processo terapêutico rico. O manejo técnico deficiente por parte do terapeuta . compro­ metendo-se.).Alguns problemas técnicos característicos 179 angústia. 6. evitando assim ficar reduzido a um plar£> rígido que. . O trabalho do terapeuta pode ver-se dificultado.por transposição da técnica psicanalítica .. a eficácia do procedimento toda vez que não seja possível delimitar com facilidade o foco e. levar às com­ plicações que já mencionei nos capítulos 8 e 9. com isso. diante da separação. Mas a regressão. 5. uma pessoa qualificada que possa escutá-los sem julgá-los (5 ). * > 4.. alcança inevitavelmente e de modo espontâneo grande intensidade em algumas ocasiões. em conse­ qüência. quer dizer. tampouco os objetivos do tratamento.

Esse inconveniente pode acentuar-se no caso de pacientes que. registrem uma marcante distorção em sua captação da realidade. por exemplo. precisamente em função da limitação tem­ poral e da separação com respeito ao terapeuta. ao termos de nos remeter cm boa medida ao material que nos trazem.). existe a alternativa de que sofram uma reativação traumáti­ ca desses sentimentos. Trata-se do fato de o terapeuta não contar com conhecimento suficiente do paciente em particular de suas relações de objeto . É sabido que em P. (Pode ser adequado instituir uma técnica de enfoque com final “aberto”. insuficiente para abordar com possibilidades de benefícios terapêuticos apreciáveis a dita proble­ mática. Diante de pacientes com sentimentos de perda patológicos e/ou recentes de importância. pro­ curando dotar o processo terapêutico do tempo necessário para evitar esses efeitos indesejáveis. resulta curta. o que pode acarretar diversas conseqüências negati­ vas se não trabalha com cautela suficiente. isto é. em função da curta duração deste e de serem as sessões relativamente pouco freqüen­ tes. depressão. p.) 8. limitada. o terapeuta deve de modo iieral dedicar o trabalho terapêutico à resolução de problemas da realidade externa atual do paciente (comumente representados por conflitos em determinadas relações interpessoais). Portanto e antes de mais nada. etc. há de se rever nesses casos na medida do possível . por deficiências egóicas. Em tais circuns­ tâncias. chamadas “extratransTerenciais”. 102) e que aqui menciono novamente.a indicação terapêuti­ ca. isso pressupõe uma maior margem de erro por parte do .180 Psicoterapia breve de orientação psicanaiítica 7. submetidos a tratamentos cuja dura­ ção.B. será escassa a confiança nesse sentido que possam nos inspirar. em particular o que corresponde à duração do tratamento. acting out. à qual já mc referi no capítulo 6 (ver “Interpretações extratransferenciais”. apelando freqüentemente para isso para as interpretações.além de ter pouco tempo para adquiri-lo durante o tratamento. que às vezes adquire grande importância. que reaviva a per­ da. Devemos então reconhecer uma limitação própria des'sãTtênípias. com os perigos conseqüentes (acentuação da angústia e da dor. razão pela qual. encontra dificultado seu acesso a uma adequa­ da compreensão em interpretação dos sucessos do mundo externo do paciente. Assim sendo.

por exemplo . Fantasias transferenciais negligenciadas podem então ser atuadas por parte do paciente. 9. que implicam modificações só em nível superficial. promovidas pelo fervor terapêutico. é o preço que se há de pagar para evitar uma complicação maior. a limitação mencionada deve compen­ sar-se com um estudo prévio exaustivo e o mais profundo possível do paciente no começo do tratamento (uma razão poderosa para realizar várias entrevistas diagnosticas quando o caso o requer. que ainda que não sejam raros tampouco considero que sejam habituais em P. Se bem que elevar a freqüência das ses­ sões traz consigo por sua vez outro risco. leva­ do pelo critério de orientar o paciente na direção dos problemas atuais de sua realidade externa. o de favorecer a depen­ dência regressiva do paciente. Os pacientes que evidenciam tendências ao acting out in­ troduzem um novo problema técnico. sobretudo através de testes projetivos). e muito especial­ mente detectar as principais características das relações objetais do paciente. o risco do acting out aumenta quando o caminho se vê possibilitado ou facilitado porque o terapeuta.de sessões semanais . Esse estudo prévio deverá então prover-nos de elementos diagnósticos nos quais possamos apoiar nossas hipóteses explicativas e nossas in­ tervenções terapêuticas.B.a do acting out.três. Quero aqui formular uma advertência: alguns . 10. confeccionar uma história clínica minuciosa. Na terapêutica breve. Uma mediqa poderá ser contratar um número necessário talvez maior que o habitual nessas terapias . 11. > Em seu afã de conseguir “resultados práticos” em pouco tempo. prescinde em demasia da análise da transferência. Por outro lado.Alguns problemas técnicos característicos 1H1 terapeuta na apreciação da natureza dos conflitos da realidade exrema do paciente.para garantir uma tarefa interpretativa mínima da transferência desen­ volvida que permita diminuir as possibilidades de apresentação da conduta de acting out. o terapeuta pode induzir a atuação2. Entre outros resultados que se podem produzir em rela­ ção ao assinalado em último lugar no item 10. Também se des­ crevem mecanismos tais como a fuga à saúde e à cura transferen­ cial. figuram as meras condutas adaptativas . e às vezes sumamente perigosa .

o acompanhamento prolongado possihilitará a comprovação desses resultados e a adoção das medidas terapêuticas mais indicadas. ou correspondem diretamente a uma resolução falsa' Nessas ocasiões costumamos detefctar a persistência dos conflitos transferenciais subjacentes. Curso para graduados de Técnicas en Psicotcrapia Breve. French. cit. ob.182 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica detratores dessas terapias não vacilam em rotular pejorativamente como fuga à saúde ou cura transferencial todo sucesso do paciente obtido através das mesmas3.. 1968. 16 de junho de 1972. ainda que se produzam na ausência dos fatos que acabo de citar. conjuntamente ou em continuação a eles. con­ figuram em troca uma eventualidade mais ou menos freqüente nessas terapias. Buenos Aires. Arg. . em função do final do tratamento (ver capítulo 9. Paidós. T. Psicosomática (Asoc. . F. Wolberg e col. em F. Alexander. Alexander e T. Buenos Aires. cap. durante e depois do tratamento (ver capítulo 9). Psicoanálisis y Medic. Síntesis y debate. incrementados pela separa­ ção devida ao término da terapia. 2 . Madrid. Em todos esses casos. Organizado pela Soe. em L. 1965. “Planificación de la psicoterapia”.. As recaídas. C. “Psicoanálisis y psicoterapia”. Alexander e T. Méd.. Kaplan. . pp. 5. pois são a expressão de uma reativação dos conflitos que tinham sido objeto de uma resolução em essência incompleta. em F. VII. 1960. Arg. Grcdos. a qual pode ser vivida como um abandono e condicionar diversas reações prejudiciais ao paciente. Teremos de contar com essa possibilidade. cap. cm F. o que é regra nessas terapias. V. Vlli. Psicoanâlisisy psicolerapia. cap. 168 s j. Alexander. em 3.. “La dinâmica dei proceso terapêutico”. VIU. cap. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicotcrapia bre­ ve”. Referências bibliográficas 1. De Psicologia Médica. 3. 4 . Os agravamentos constituem uma complicação que por sua vez também pode estar relacionada com a separação. French. French.) Buenos Aires. Terapêutica psicoanalitica. Psique. Psicoterapia breve.

“Acerca de la psicoterapia breve”. Buenos Aires.. 1969 (Estúdio Víll). psicol. junho 1968. Buenos Aires. em H. XIV. Szpilka. Paidós. M.. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. H. Acta psiq. Estúdios sobre técnica psicoanalitica. . Racker. Rackcr. n? 2. J. 7.Alguns problemas técnicos característicos 183 6. e Knobel. Amér. “Técnica analítica y la mania inconsciente dei analista”.. Lat. vol.

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Desse modo. A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve í Introdução A avaliação dos resultados terapêuticos nas terapias breves tem por finalidade primordial verificar se estão sendo cumpridos os objetivos fixados. Paralelamente se poderá indagar outros as­ pectos que resultem de interesses. requerida num intercâmbio cordial e franco com o terapeuta. criando-lhe uma sensação de reasseguramento. Com base na avaliação dos resultados obtidos. sendo estas ratificadas pelo julgamento do terapeuta. por parte do paciente. no qual se aprecia sua opinião.11. plane­ jado. Este último passo do processo adquire então um alcance terapêutico. Considero que isso permitirá que a apre­ ciação dos resultados seja enriquecida e possa na maioria das vezes aproximar-se mais da realidade. será possível recolocar a situação do paciente e determinar os passos a serem seguidos a partir desse momento. a avaliação conjunta deixa no paciente a impressão de que se levou a caso uma tarefa em comum. Quero destacar a conveniência de que a tarefa avaliatória não fique exclusivamente a cargo do terapeuta. a qual tem assim um encerramento cuidadoso. de suas impressões a respeito dos progressos obtidos. que eventualmente inclui a confirmação. o que não costuma aconte­ cer quando é efetuada de forma isolada por ambos os protagonis­ tas do processo terapêutico. como logo veremos. mas que haja partici­ pação ativa do paciente. .

na medida em que provém de uma técnica suficientemente fundamentada. O procedimento que descreverei é o que adotei pessoalmen­ te2. é suscetível de ser objetado e/ou aper­ feiçoado a fim de se conseguir uma maior precisão. Não obstante. como se fará e quais serão as datas de realização das entrevistas de avaliação imediata. (Grifos do autor. um ano. permitindo um registro que facilite a elaboração estatística e ulteriores investigações quanto aos alcances e limita­ ções do procedimento que nos ocupa1. como por exemplo quando se trata de adolescentes) e b) psicodiagnóstico. costuma estimulá-lo a efetuar um estudo mais exaus­ tivo dos mesmos. etc. mas também mediata. em parte relacionados com as necessidades e possibilidades de cada caso (entrevistas a cada seis meses. variando sua periodicidade em função de diversos fatores. dentro do possível. con­ sidero que possui um valor prático. ao ter­ mino da cura. É necessário o follow-up ou acompanhamento do paciente em alta para poder saber se os resultados alcançados se mantêm e durante quanto tempo”(6). já que as de avaliação mediata costumam ser combinadas a partir da finali­ zação do tratamento. anunciada e ajustada de antemão com o paciente ao efetuar-se o contrato terapêutico. de base psicodinâmica. Para levar a cabo a avaliação tanto imediata como mediata. Como qualquer outro.) A avaliação é. explica-se quais são seus motivos. recorro a dois recursos fundamentais: a) entrevistas com o pacien­ te (eventualmente estendidas a familiares e/ou figuras próximas dele. recordarei uma questão básica.). Um método de avaliação A partir das considerações expostas por Usandivaras em nos­ so meio. sem chegar a constituir um rigoroso instrumento de medição. Nada melhor do que transcrever suas próprias palavras: “Para que uma avaliação de terapia seja realmente válida deve ser não apenas imediata.186 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica No que se refere ao terapeuta. o emprego de um procedimen­ to metódico de avaliação dos resultados terapêuticos. .

) Consciência da enfermidade Auto-estima Outras modificações favoráveis (vida sexual. se possível claras c simples. Na primeira parte da entre­ vista. o paciente opina sobre distintos pontos: ás mudanças nota­ das. de que forma foi ajudado.) Melhoria sintomática (M. um pouco mais breve.que confronto com minhas observações. trabalho e lazer) Projetos para o futuro . im­ pressões que haverão de ser úteis para o terapeuta. já estou em condições de transmitir-lhe minhas impressões sobre cada um dos pontos considera­ dos. 2) minha opinião a respeito dos próximos passos a serem seguidos.. comunico ao paciente minha própria avalia­ ção estudo prévio de todo o material recolhido na primeira entrevista .P. de uns 40 minutos de duração c que se realiza pouco depois de finalizada a terapia. as vivências que teve.F. que críticas sugere. A primeira. A técnica que utilizo na primeira entrevista de avaliação ime­ diata» é a seguinte: para começar. etc. a propósito dos pontos que exponho mais abaixo.E) Resolução da problemática focal (R. A seguir efetua-se uma indagação sistemática da auto-avalia­ ção do paciente. que inclui a avaliação dele. P Para avaliar cada caso levo em conta os seguintes pontos: Insight da problemática focal (LP. Na segunda entrevista . Depois de haver revisado a evolução do caso. geralmente realizada poucos dias depois da primeira. tratando ao final de precisar fundamentalmente: l ) o que se aclamou e se resolveu e o que ficou pendente.A avaliação dos resultados terapêuticos 187 A avaliação imediata Efetuam-se duas entrevistas. outras relações interpessoais.S. indico ao paciente que poderá expressar amplamente suas opiniões acerca do tratamento que acaba de concluir e de seus resultados e que ein seguida lhe for­ mularei algumas perguntas a respeito. está destinada a recolher as apreciações e informações que o paciente fornece (auto-avaliação). como havia imaginado que seria seu tratamento. Na segunda. com base em perguntas. estudo. tem lugar uma devolução por parte do terapeuta. relações de casal.

uma superação (elaboração) substancial dos conflitos subjacentes.) ração este item.). depende do terapeuta.F) Incluo esse ponto.188 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica "Insight ” da problemática focal (l. a avaliação. As expectativas do terapeuta no sentido de que se produzam modificações significativas e medianamente perduráveis no pa­ ciente devem assentar-se principalmente no insight que este possa adquirir a respeito dos dinamismos psíquicos subjacentes à situaçào-problema. Resolução da problemática focal (R.P. insight sobre a problemática focal de cada caso. já lhe terão dado indicações sobre o grau de insight obtido (quando a uma interpretação se segue um silêncio reflexivo do paciente. que. neste caso.. registre invariavelmente um resultado positivo. ou seja. o item precedente. Veremos o que implica o termo resolução tanto dinâmica quanto clinicamente.F. trata-se de saber concretamente se chegou a compreender seus problemas de um modo diferente e mais profundo. a existência de insight'. Na realidade. do ponto de vista dinâmi­ co esta resolução não implica . I. pois me parece de decisiva importância. etc. ou a associação por parte deste com situações análogas à que foi objeto de interpretação.F. que se refere à resolução propriamente dita dessa mesma problemática e sobre cuja denominação cabem alguns esclarecimentos. a quem diferentes indicadores clínicos. neste ponto." quer dizer. mais do que em qualquer outro. Em relação ao primeiro. ou uma exclamação do paciente que revela surpresa diante de uma descoberta. significa que as mudanças produzidas mediante o tratamento deverão basear-se essencialmente no insight para que sc possa considerar tal resolução como real.P. ou uma mudança do clima emo­ cional da sessão. Mas aqui me refiro apenas a expe­ riências iniciais de insight . ou seja.seria absurdo pretendê-lo . com uma sensação contratransferencial de desa­ parecimento das resistências.P. levo em conside­ Além de excluir conclusões acerca da existência ou não de . que é na realidade o que costuma pro­ porcionar um tratamento focal. ao seu alcance ao longo do próprio tratamen­ to. Para o paciente.

Clinicamente. entre as quais se incluem fenômenos tais como a “cura transferencial” e a “fuga para a saúde”. apropriada (4). clinicamente completa ou incomple­ ta. não só deixa de registrar as dificuldades e sintomas do início. o termo resolução é uma forma sinté­ tica de fazer referência à substituição de uma reação imprópria por outra. e seguindo Malan. a resolução poderá ser total ou parcial. Aclarado o significado do termo do ponto de vista clínico. depois do trata­ mento e ante situações ligadas-'à conflitiva focal. fato que por outro lado não seria possível distinguir.ainda com certas reservas num tratamento psicanalítico. Por outro lado. a resolução clínica parcial consistirá no desaparecimento de uma reação inadequada (por exemplo. etc. podemos esperar na melhor das hipóteses que o conflito se torne inativo. Além da resolução real. Trata-se então.). que não venha acompanhada da reação apropriada (4). assim como o desaparecimento de sintomas alcançados a . a resolução pode traduzir-se com freqüência na superação de um episódio (com aquisição de certo grau de insight e retorno ao equilíbrio psicológico). deixando assim de ter um caráter perturbador por um período cuja duração é impre­ visível. Malan acrescenta que isâo não confunde necessariamente a resolução do processo patológico subjacente. sempre baseando-nos em Malan. De um modo mais preciso. cuja resolução clinicamente total seria dada pela desaparição de seu medo do patrão e de seus temores obsessivos de cometer erros em seu trabalho. sem excessiva submissão ou hostilidade. irritabilidade. p. mas em troca enfrenta tais situações de uma forma mais adequada. ao qual devia somar-se o fato de que começara a ter confiança em seu próprio desempenho e que se estabelecera uma relação satisfatória com seu patrão. Malan menciona as falsas soluções. referindo-se ao caso de um homem que tinha uma relação conflitiva com seu patrão. A primeira corresponde à definição do termo já assinalada e se apresenta quando um paciente. 24yde uma resolução dinamicamente incompleta ou parcial. O mesmo autor dá um exemplo muito claro.A avaliação dos resultados terapêuticos como poderia esperar-se . veremos que neste sentido. como já foi assinalado anteriormente (ver capítulo 3. Cm suma. ansiedade. t> que explica que possam produzir-se recaídas circunstanciais.

: Não]. é possível mencionar. Sem modificações na problemática focal [R.P.F. Bem. algumas das distintas possibilidades que podem ocorrer em maté­ ria de resultados terapêuticos. desde que o paciente não se submeta a outro tratamen­ to psicoterápico nesse intervalo.P.: Não].P. Sem dúvida. em 24 meses a partir da finalização da terapia.F. em realidade imprescindível se se pretende valorizar adequadamente o item R.P.F.P. ao qual deverão agregar-se os elementos fornecidos pelo psicodiagnóstico. instável. fuga para a saúde. partindo-se da idéia de aceitar como real toda resolução da problemática central do tratamento que.: Não]. . cuja reali­ zação costuma ser faciütada mediante um estudo realizado ao longo do acompanhamento.190 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica expensas da evitação das situações conflitivas. 8.: ?] 4. com recaída [R. efe­ tuar tais distinções pode ser às vezes uma tarefa difícil. perdure sem que se produzam re­ caídas ao longo de um determinado período. que podemos fixar arbitrariamente.: Sim (parcial)]. etc. Aparente resolução da problemática focal. 6. Denomina dqfalsa situação valiosa àquela na qual as mudanças se vinculam com alguma determinação do paciente ou com algum outro fato signi­ ficativo gerado a partir do tratamento. 3. 2.) [R. com fins de orientação. total ou parcial (clinicamente). Resolução (clinicamente) total da problemática focal [R.. Resultado duvidoso [R. assentando-se no insight. 7. As apreciações contudo continuarão tendo caráter empírico. evitação. que serve para romper um circulo vicioso e instalar em seu lugar um ganho benigno e modi­ ficações vitais (4)4.P. Não obstante.F. Resolução (clinicamente) parcial da problemática focal [R.: Não].F.F.P.: Não]. Malan assinala que na prática se colo­ cam interrogações decisivas: Como reconhecer a melhoria “bási­ ca” ou “específica”? Como diferenciar uma “resolução” real de várias categorias de “soluções falsas”? (£).: Sim (total)].P.F.F. Agravamento5da problemática focal [R. 5. com ou sem recaída (cura transferencial. Desse modo podem apresentarse alternativas como as seguintes: 1.F. Falsa solução da problemática focal.P. Falsa solução valiosa [R. por exemplo.

se solucionaram ou não seus problemas através do tratamento. é de se desejar. encontra-se na reali­ dade pior que no começo. portan­ to. as impres­ sões do paciente sobre o caso. pois daí pode obter-se a motivação do paciente para continuar recebendo assistência psiquiátrica ou voltar a se consultar em outra ocasião. Cabe advertir quanto à falsa solução por evitação (4). per­ manente ou transitória (esta última é típica dg episódios agu­ dos). A melhoria sintomática pode che­ gar a ser o principal objetivo terapêutico.A avaliação dos resultados terapêuticos 191 A avaliação deste ponto (R. como sempre. como no caso de pacientes que apresentam uma grande debilidade egóica. ou seja. Melhoria sintomática (M. que por sua vez resultem de havermos penetrado com o paciente na psicogênese de seus sintomas. Além disso. em (unção da qual o paciente. por exemplo. que o alívio ou o desaparecimento dos sintomas seja o corolário de mudanças internas (melhoria pelo insight). Consciência da enfermidade Compreende a indagação sobre se houve ou não uma tomada de consciência por parte do paciente a respeito da existência de uma enfermidade “de base”. “assintomático”.) também é patrimônio do terapeuta. nos quais se procura às vezes . Penso que a aquisição de consciência da enfermidade deve ser uma meta implícita em toda terapia breve de insight. embora este deva conhecer. quando isso for necessário.F.) A observação da evolução dos sintomas adquire particular impoftância nessas terapias. tomada de consciência que. na opinião deste. quando possível. .S. se considera que persistem nele outras dificuldades que requei­ ram resolução. deve transcender o mero reconhecimento da natureza patológi­ ca do transtorno atual.P. Para isto poder-se-á inquirir. se.ao menos inicialmente uma remissão sintomática.

o fato de se notar num indivíduo.mas tam­ bém as de amizade. etc. O estado atual da auto-estima detecta-se por meio de diver­ sos dados. etc. sua criatividade. outras relações interpessoais. em conseqüência do insight alcan­ çado. mas também por sua influência direta no funcionamento egóico. 1) Alguma orienta­ . sem entrar aqui em con­ siderações profundas. permitindo-se expandir-se. também a elevação da auto-estima e as possibilidades de uma auto-regulação adequada dela. suas relações de casal. Outras modificações favoráveis Já que se trata de um procedimento terapêutico orientado para a realidade cotidiana do paciente. configuram uma finalidade que convém ter presente. Pode servir de simples exemplo. não só porque por si só significa para o paciente maior bemestar. A maior parte das pessoas que procuram uma consulta psiquiátrica registram uma diminuição de sua auto-estima. Projetos para o futuro Trata-se de comprovar se. através da qual pode promover modificações positivas*. interessa averiguar se se têm eventualmente produzido mudanças em aspectos como sua vida sexual.). sua iniciativa pessoal. atendendo ao uso que faz de seu tempo livre (o que permitirá explorar sua capacidade de gozo.. . que no começo do tratamento impressionava pelo descuido consigo mesmo. etc. nos estudos.192 Auto-estima Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Como acontece com o item anterior.com pais. recolhidos tanto nas entrevistas como no psicodiagnóstico. profissionais. especialmente as familiares . uma maior preocupação com seu aspecto pessoal. irmãos. Seu incremento (conseqüência natural de um tratamento caloroso por parte do terapeuta e também do efeito particular de determinadas interven­ ções do mesmo) constitui um ganho terapêutico nada desdenhável. etc. o paciente emerge do tratamento com. no trabalho e na recreação.

2) A partir daí. efetue o reteste e a devolução corresponden­ . contase com a possibilidade de adotar certas determinações. registravam uma notá­ vel melhora. i» Psicodiagnóstico É conveniente efetuar o reteste não antes de que tenham trans­ corrido pelo menos seis meses desde a realização do psicodiag­ nóstico inicial. Harrower. permite ampliar a obser­ vação das modificações obtidas. sem que no ínterim mediasse qualquer tratamento psicológico. já que do contrário é menos provável que possam registrar-se mudanças significativas no material. comparado com ó anterior. Comprova-se freqüentemente. Mas as provas realizadas ao cabo de vários anos com estes mesmos pacientes. É conveniente que o mesmo psicólogo que realizou o psico­ diagnóstico inicial seja quem. a instrumentação de mecanismos menos primitivos e mais adaptativos que os presentes no começo. etc.A avaliação dos resultados terapêuticos 193 ção no que se refere a realizações futuras em aspectos tais como estudos. trabalho. Em geral. a exploração dos distintos pontos citados pode ser vista como uma reavaliação do estado das funções egóicas do paciente depois de efetuado o tratamento. O novo psico­ diagnóstico. pois nem sempre é possível abordá-la num tratamento breve. entre outras descobertas. utilizando procedimentos idênticos aos daquela ocasião. Tudo isso implica por sua vez certo autoconhecimento e a aceitação de algu­ mas perspectivas e limitações. o que parece indicar também que a posteriori desses tratamentos se desenvolve um processo ativo e gerador de mudan­ ças (2). refere que na maioria dos casos os testes exploratórios não revelavam diferen­ ças destacáveis quando se efetuavam imediatamente depois de finalizado o tratamento. que realizou uma investigação com numerosos pacientes tratados com o método terapêutico breve. Quando as metas terapêuticas não guardam maior vinculação com o que concerne aos planos pessoais do paciente. possíveis migrações. esta questão configura por si um objetivo à parte.

2. A separação de paciente e terapeuta. b) havendo sido cumpridos. Ser-lhe-á comunicado. quer dizer. 3. como é óbvio. Atuar de modo contrário suporia expor o paciente a uma falsa situação de separação ime­ diata. Quando. A combinação de entrevistas periódicas de acompanha­ mento. que poderá consultar-se novamente toda vez que sinta necessidade de fazê-lo. pode surgir em diversas situações. em que o prazo inicial pode ter sido insuficiente para alcançar as metas estabelecidas. O estabelecimento de um recontrato pode realizar-se cm várias circunstâncias: a) se nào se cumprirem os objetivos. a com­ paração dos resultados de um e de outro estudo terá validade. 4. As distintas possibilidades que devem ser levadas em conta ao concluir o prazo terapêutico são: * 1. A indicação de outro tipo de tratamento . carece de sentido. o que. Comentarei aqui apenas algumas questões que me parecem de interesse. A separação de paciente e terapeuta será decidida sempre e quando aquele estiver em condições de enfrentá-la. como é natural. 196 ss. 2. cumpridas ou nào as metas terapêuticas. 1. no momento da avaliação. além disso. compelido a trabalhá-la. sem programação de futuros encontros. Do acompanhamento me ocupo em “A avaliação media­ ta”. por exemplo. o terapeuta considera neces­ sário prolongá-lo (recontrato). Alternativas do paciente ao terminar o tratamento Este tema já foi considerada por outros autores. que a conti­ . com conhecimento do terapeuta. convém que proponha isso ao paciente sem esperar que se cumpra o prazo inicialmente fixado. 3.194 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica te ao paciente. É freqüente. durante o tratamento. O estabelecimento de um recontrato. se se colocam novos objetivos limita­ dos. que se veria. distinto em seus fins e técnicas. pp. No primeiro caso trata-se de um prolongamento necessário do tratamento. A indicação de outro tipo de tratamento. evitando que haja variáveis. Só desse modo. 4.

Fi­ nalmente. o tera­ peuta já conhece. De minha parte. terapeutas que sugerem completar a experiência cor­ retiva de terapia individual com um tratamento grupai posterior. Se se considera a possibilidade de que seja o mesmo tera­ peuta quem efetue o novo tratamento. tudo o que o toma agora mais apto para realizar ura tratamento dessa natureza. Aqui o passo para a psicoterapia prolongada é uma conquista importante da terapia breve. cm alguma medida. a patologia do paciente. ao confirmar que*'a melhoria é possível.. As opiniões a respeito parecem bastante divididas. e que tenha adquirido além disso maior consciência da enfermidade e maior confiança na psicoterapia. não constitui por si só nenhum indício de fracasso ou êxito do trata­ mento efetuado. com vistas a modificar aspectos de seu caráter. com outros e mais ambiciosos objetivos. quer se realize de imediato quer depois de haver transcorrido algum tempo entre um c outro. baseada nas melhorias obtidas inicialmente. pode-se contar a seu favor com a existência de uma aliança terapêutica já instaurada e com a confiança do paciente nas perspectivas que oferece o tratamento. evita-lhe o . creio que não se pode generalizar afirmando que tal ou qual posição será mais adequada em todos os casos. Pode tratar-se também de um paciente que o tratamento breve haja motivado para uma exploração mais profunda. continuando a encarregar-se do tratamento. Se o novo tratamento deve ou não ser feito pelo mesmo tera­ peuta pode constituir um tema polêmico que merece alguns co­ mentários. Na prática o tratamento poderá ser solicitado pelo próprio pacien­ te ou ser recomendado pelo terapeuta. tanto pode responder ao primei­ ro como ao segundo. Quero destacar que a passagem de um paciente de um trata­ mento breve que está por finalizar para um tratamento prolongado (por exemplo. Penso que tanto uma alternativa como outra oferecem vantagens e desvanta­ gens. ampla e prolongada de seus conflitos. Na realidade. quer dizer. questão sobre a qual ’outros se têm pronunciado de maneira similar. além disso. Há. Ocorre no caso em que se decida realizar um tratamento prolongado ao ficar comprovado qfie a técnica focal resultou ineficaz e que na oportunidade se requêr outro enquadra­ mento.A avaliação dos resultados terapêuticos 195 nuação de uma terapia de tempo e objetivos limitados desperte no paciente o interesse de efetuar uma psieoterapia prolongada. modelos repetitivos de conduta. Além disso. psicanálise). etc.

O paciente pode experimentar dificuldades para aceitar as modificações da relação com seu terapeuta devido às característi­ cas do novo enquadramento. preservando-se ao mesmo tempo o setting necessário. sendo em suma mais frustrante. Paralelamente. diante de um paciente sub­ metido a um tratamento breve. seja considerar firmemente a pos­ sibilidade de aceitar a continuação de tal tratamento. correspondentes não só ao paciente mas também ao terapeuta. Toda essa situação pode confun­ dir e desconcertar o paciente. diante de um novo tratamento. A avaliação mediata É praticada por meio de follow-up ou acompanhamento. Por isso. sem chegar à atitude de ambigüidade psicanalítica. tal como se vê a transformação de seu vínculo com o teçapeuta .196 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica luto da separação. e que propõe outra disposição espacial.de uma rela­ ção mais definida e calorosa do diálogo fluido e mantido “frente a frente” para outra. que basicamente servirá para comprovar se as mudanças alcançadas mantêm-se ou não. No terreno da investigação. e que este. para que a passagem à nova forma de relação terapêutica seja mais gradual e que a situação criada possa ser manejada sem que se produzam reações transferenciais inde­ sejáveis. essa situação pode trazer complicações transferenciais. haverá de se pesar cuidadosamente distintos fatores. mais ambígua. Talvez algo que possa ser feito.de um modo contraditório para ele. Mas é precisa­ mente no que concerne a tal mudança que residem as desvanta­ gens. com o mesmo terapeuta. a avaliação mediata nos permite indagar acerca do grau de eficácia desses . desempenhe um papel um pouco menos ativo que o habitual nas psicoterapias focais e regule mais determinado tipo de intervenção que possa contrastar com as da técnica psicanalíti­ ca que depois terá de adotar. que fica reduzido ao ocasionado pela eventual mudança do tipo de relação paciente-terapeuta7. na qual o terapeuta estabelece maior distância afetiva. seja menos demonstrativo com o paciente. o mais conveniente pode ser recorrer a um novo terapeuta. provocadas pela hostilidade gerada ao passar . às vezes. uma psica­ nálise. Em cada situação.

Além disso teremos oportunidade de comprovar se depois da remoção do obstáculo continuam ou não evidenaiando-se novos progressos. verificáveis tanto clinicamente como por meio de psicodiagnóstico. É nessas circunstâncias que são postos à prova os ganhos obtidos. como com outros que se apresentam queixosos ou ainda não compareçam. por exemplo.A avaliação dos resultados terapêuticos 197 procedimentos e formular hipóteses sobre os prováveis mecanis­ mos terapêuticos atuantes. uma cura transferenciai de efeitos fugazes. nos encontra­ remos tanto com pacientes que vêm entusiasmados. um estudo mais preciso que na avaliação imediata e por conseguinte uma avaliação mais correta das mudanças produzidas. de autênticas melhorias causadas pelo insight. então. a evolução da rela­ ção transferencial e sua conseqüente vinculação com o estado do paciente (como o realizou o grupo de Malan [4]. que pode ser prolongado. mostrando-se colaboradores e agradecidos. Pode ser efetuado. que poderão então ser pesquisados através de entrevistas periódicas de controle. Às vezes o acompanhamento torna possível distinguir melhor. Partindo-se de experiências em estabelecimentos assistenciais. que chega a con­ . Assim. os perigos que derivam de certos aspectos transferenciais não-resolvidos.ou ao menos atenuar possíveis recaídas relacionadas com fantasias dc abandono por causa do término do tratamento. temática que foi considerada no capítulo 9. a investigação. isto é. dando lugar também a recaídas. já que com o passar do tempo estes podem consolidar-se ou seguramente descaracterizar-se. evitando o encontro. ou melhor. certas mudanças prospectivas ligadas ao tratamento. Às vezes. tem-se assinalado. as mudanças esperadas só se manifestam no acom­ panhamento. Também podem ser explorados em detalhes determinados aspectos do processo terapêutico. Mas os alcances do acompanhamento não se reduzem a uma só face. mas este representa por sua vez um recur­ so preventivo-terapêutico. ou seja. tais como a conduta do paciente diante do terapeuta no acompanhamento. quer dizer. uma “fiiga para a*saúde”. Conhecemos sobeja­ mente. Pode evitar . que estudou esses fatos com relação ao grau de interpretações da transferência exis­ tente ao longo dos tratamentos efetuados). por exemplo. depois de transcorrido um certo período. desde a finalização do tratamento. em nosso meio.

a que mecanis­ mos respondem e qual é o alcance e a estabilidade de tais mudan­ ças. assinalarei alguns pontos de ma­ neira sucinta. este tem uma possibilidade de reasseguramento e tranqüilização. assim como também de outros meios de fortalecimento egóico. já que pode objetivar a permanência das melhorias alcançadas. é factível detectar novas manifestações sintomatológicas ou a reaparição das já conhecidas e com isso a indi­ cação psicoprofilática ou psicoterapêutica necessária. aos quais se deverá agregar a indagação acerca de possíveis novos ganhos e/ou problemas que possa apresentar o paciente. como o incremento da auto-estima (quero dizer. Além disso haverá uma “devolução” do terapeuta. já que nem sempre tere­ mos respostas concludentes a essas interrogações. Se considerarmos concretamente as mudanças e melhorias sintomáticas . de acordo com as necessidades. que desenvolve assim certa pertinência à mesma (3). 194). mantendo-se contato com o paciente. Também já fiz menção de que é nessas circunstâncias que o psicodiagnóstico pode registrar as mudanças significativas produzidas por essas terapias. tais como a depressão. Tudo isso deverá efetuar-se em uma ou mais entrevistas. em essência similar à descrita a propósito da avaliação imediata. A técnica das entrevistas . que transmitirá suas impressões. quando existe um controle periódico da avaliação do caso. que pode influir favoravelmente no funcionamento do ego e avaliar sofri­ mentos. quando este é alcançado por mecanismos distintos do insight). que deriva em mudanças só . O reteste será realizado conforme as condições enunciadas anteriormente (ver p. leva em conta os mesmos itens. é mister indagar ao menos.m Psicoterapia breve de orientação psicanalitica figurar uma continuação espaçada do tratamento. 49 ss. A respeito dos mecanismos das mudanças e melhorias sinto­ máticas. Aprofundando-nos no que podemos explorar por meio do controle periódico do paciente. Também poderemos pesquisar a existência de uma cura transferencial. Por último.). no qual a insti­ tuição c um continente para o paciente. antes que o processo patológico alcance maior desenvolvimento. temas aos quais me referi em parte no capítulo 3 (ver pp. recordemos que esses resultados podem ser produto do insight. assim como suas sugestões para o futuro. Além disso.

seu grau de estabilidade. tais como sexualidade. Já vimos que tudo isto pode refletir-se nos resultados do psicodiagnóstico realizado nesta etapa. como sabemos. permitindo às vezes a remoção de obstá­ culos e a consecução de ganhos. etc. que o paciente realizaria espontaneamente. uma “falsa solução valiosa”. podendo tratar-se de uma “fuga à saúde”. Isso acontece quando as mudanças e melhorias sinto­ máticas sobrevêm só depois de um certo período de tempo. O alcance ou a extensão das modificações clínicas favorá­ veis pode referir-se às distintas áreas de conduta em que se regis­ tram8 e/ou simplesmente aos diferentes aspectos da vida do paciente. O paciente teria adquirido certo insight. trabalho. fato registrado na avaliação imediata. estudo. entre outros fatores. da maior ou menor influência de situações traumáticas que possam afetar o paciente e promover uma nova descompensa­ ção. mas também. de duvidosa per­ manência. alcançada através de insight) da problemática focal poderá expressar-se na manutenção das mu­ danças registradas ao concluir-se o tratamento. . cata­ lisado pelas suas experiências vitais. quer dizer. podem dar lugar. A resolução real (ou seja. etc. se as mudanças registradas se mantêm ou não e. Nesse caso parece resultar necessário que transcorra algum tempo. em caso afirmativo. ou seja. lazer. Este é um índice muito válido para avaliar a eficácia desses procedimen­ tos. Mas também é possível que constitua descoberta evidenciada durante o acompa­ nhamento. estahilidade das mudanças estará relacionada com a natureza dos mesmos. reveladas nos psicodiagnósticos. as quais costumam realimentar o processo. durante quanto tempo. ainda que a durabilidade das mudanças. No que corresponde ao processo terapêuticQ^ a. O aprendido na terapia é confrontado e interatua com tais experiências. a mudanças prospectivas em uma ou mais áreas ou atividades. Mo­ dificações internas de distinta natureza.A avaliação dos resultados terapêuticos 199 aparentes e superficiais (reações adaptativas). por exemplo. Interessará. com os mecanismos que as geraram e seu correspondentenívèrde profundidade. ainda. ao longo do qual teria lugar um proce|so “elaborativo” pós-terapêutico. mas este não se faria acompanhar de modificações visí­ veis. não dependa só do tratamento realizado.

traduzidas na reaparição dos sintomas ou na presença de novas manifestações sintomatológicas. sobretudo porque não contamos até o momento com a possibili­ dade de realizar medições mais objetivas. A avaliação constitui uma tarefa complexa. a respeito de como se produziu o êxito ou o fracasso. também as impres­ sões do terapeuta estão sujeitas às mesmas vicissitudes. no que é possível que o psicodiagnóstico possa transformar-se num valioso instrumento. ainda que em grau menor. A avaliação dos resultados terapêuticos em psiquiatria breve constitui um terreno aberto à investigação. grosso modo. da mesma forma que a presença de novas si­ tuações conflitivas. Geralmente. Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos As dificuldades para avaliar os resultados terapêuticos dos distintos procedimentos utilizados em psicoterapia são sobeja­ mente conhecidas. Esses fatos também podem ser investigados. um auto-exame e uma autocrítica de seus resultados terapêuticos em cada paciente. mas também à estrutura da personalidade. Contudo. e diante dos quais cabe indagar também acerca de seus mecanismos. de certo modo alheios às metas terapêuticas propostas. diante das quais o terapeuta estará em condi­ ções de prevenir ou auxiliar o paciente. fato mais bem detectado através do psicodiagnóstico. alcance e estabilidade. que por diversos motivos podem distorcer os fatos. Isso deveria incluir não só o julga­ mento. podem dcverse à reativação do conflito subjacente pela ação de fatores traumá­ ticos. por fornecer uma grande riqueza de dados com possibilidade de .200 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica As recaídas. imprecisões e limitações. Essas mudanças podem ser inerentes não só às con­ dições de vida. o desenvolvi­ mento fundamental do terapeuta requer que seja feita uma avalia­ ção sincera. por meio do acompanhamento9. é possível encontrar novos ganhos e mudanças. mas também acerca de seus possíveis fatores e ra­ zões (1)”. Por último. Em parte devemos con­ fiar em informações e apreciações subjetivas do paciente ou de seus familiares. Disse Dewald: “Em que pesem as dificuldades. este deverá tentar sempre uma avaliação.

a melhoria do paciente pode ser definida. sinteticamente.P. Bastará isto para considerar um resultado como favorável. pelo que não é sinônimo de êxito terapêutico. Esse procedimento terá maior validade se for apli­ cado com base nos dados recolhidos ein acompanhamentos efe­ tuados depois de haver transcorrido um certo lapso de tempo des­ . O que im­ porta no final das contas é o julgamento que o terapeuta desenvol­ ve com respeito aos resultados obtidos no que concerne a cada um desses itens. (Tinda que persistam certos sintomas ou dificuldades meno­ res. já que pode ser o produto de fal­ sas soluções (4). Mas na prática e sobretu­ do com fins estatísticos. levaremos fundamentalmente em conta. muito menos nesse tipo de tratamento.F. fornecendo assim. pelo alcance de uma maior compreensão psicológica [insight). parte dos itens aos quais anteriormente fiz referência. a saber: insight da problemática focal (I. Na realidade é uma tarefa difícil. ainda quando diferir do julgamento do paciente.P. Mas isso não significa desdenhar a melhoria ou ciura sintomática.). surge a necessidade de apelar para um código que sirva para qualificar os resultados terapêuticos “fi­ nais” de cada tratamento. em algum momento. Quando se trata de uma terapia breve em que predomina o insight. o que tal­ vez contribua para criar maior desconcordância nesse campo. e. o qual. Difundem-se numerosos e diferentes esquemas para a avalia­ ção dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve.) e melhoria sintomática ( M. Por esse motivo exporei a seguir o esquema que idealizei e que utilizo. como é lógico supor. os três primeiros pontos da lista já conhecida.). e mais do que tudo fundamentar um procedimento de medição bastante preciso. como vimos. Levantam-se muitas polêmicas em torno dos critérios de me­ lhoria que deveriam imperar quanto às terapias breves: Que deve­ mos entender por “melhoria” ou por “resultado favorável” nessas terapias? Darei minha opinião a respeito: em psicoterapia breve de insight.A avaliação dos resultados terapêuticos 201 sistematização metodológica.S. por si só não nos sirva de parâmetro. uma idéia global dos mesmos. no meu entender. um enfrentamento mais adequado de alguns dos obstáculos correspondentes à sua situação-problerna.F. ainda se está longe de poder unifi­ car critérios e adotar um sistema único. embora. Os pontos restantes têm importân­ cia secundária. na sua avaliação. resolução da problemática focal (R.

a R.202 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de o término da terapia..P. clinicamente parcial.F. (excetuando-se o de evitar as si­ tuações conflitivas). ou apenas dois dos três itens prin­ cipais acusam resultados positivos (I. não modificará a qualificação. Paralelamente poderão existir ou não modifi­ cações favoráveis em outros itens e eventualmente na estrutura da personalidade.P. o resultado será nulo.P. só I. acompanhado de uma resolução clinicamente completa ou total da problemática focal e do desaparecimento ou demarca­ da atenuação da sintomatologia. por meio de distintos mecanismos não-bascados no insight.F. Cumpridas as condições descritas. diferentemente do descrito em a. e) Quando não se registra nenhuma variação favorável ou desfavorável nos diferentes pontos. dos três pontos. sem que se tenham registrado recaídas nem sido efetuados outros tratamentos psicoterapêuticos durante tal período. independentemente dos resultados concernentes aos demais pontos.F. etc. M. qualificaremos os resulta­ dos alcançados do seguinte modo: a) Naqueles casos em que se registre um resultado positivo em I. uma vez mais.F.F. c) Quando. como a sugestão. a essa situação corresponderá um re­ sultado discreto.F. ainda com persistência ou intensificação de certos sinto­ mas.F. ou à atenuação ou supressão sintomática por evitaçào (falsa solução) sem se ter alcançado I.. a catarse.)10. O registrado nos restantes pontos.P.P. o efeito psicofarmacológico..S.P. só se considera­ rão resultados positivos em R.. e nos demais itens se as mudanças e melhorias se mantiverem ao longo de pelo menos 24 meses. e portanto tampouco . e R. e/ou mudanças favoráveis nos outros itens de importância secundária. ou ainda por último I. d) A categoria de regular significará que só se alcançaram alguns benefícios no concernente a M. o resultado final será considera­ do muito favorável. e M. f) Se assistimos a uma franca piora ou agravamento na sinto­ matologia. b) Quando.F. o resultado final será considerado favorável.P. é avaliado como positivo e enquanto não se tenham exacerbado mais intensamente as mani­ festações sintomatológicas.S.P.S. que de um modo convencional podemos fixar em no mínimo dois anos. Em conseqüência. é clini­ camente incompleta ou parcial.

S. © Discreto: I.E 0 “ R.P. Os resultados finais na terapia breve de apoio poderão ser qua­ lificados com as mesmas denominações aplicadas à de insight. também deverão manter-se pelo menos por dois anos a partir da data de conclusão do tratamento.S. © Regular: M.P. Definitivamente. © e/ou resultados positivos em outros itens de importância secundária Nulo: Sçm variações Desfavorável: Piora sintomatológica ou falsa solução por evitaçào. as significações serão as seguintes: . e R.P.F.F. e R.P.PF. Seria interessante estudar uma forma de incorporação siste­ mática do psicodiagnóstico ao procedimento descrito. © ou I.P.F. © + R. (parcial) © ou I. (parcial) © + M. não serão levados diretamente em conta. ® Favorável: I. terá importância.F. © + R.A avaliação dos resultados terapêuticos 203 R. Nesse caso. sem variações em I. além do observado nos demais pontos.F.P. sem que o paciente haja realizado durante esse tempo novos trata­ mentos psicológicos12. No caso de uma psicoterapia breve baseada numa técnica de apoio.S. a M.F.P.F. o resultado final será rotulado como desfavorável. Os itens restantes desempe­ nharão uma vez mais um papel menor na determinação do resul­ tado final.P. © + M. enquanto que I. o significado de cada uma das categorias mencionadas pode ser resumido esquematicamente assim: PSICOTERAPIA BREVE EM QUE PREDOMINA O “INSIGHT” Resultado final Muito favorável: I.F.P.P.F.P.. Como requisitos para considerar válidas a melhoria sintomática e as mudanças.F.S.F.P. (total) ® + M.S.

1968. A Study o f Brief Psychotherapy. Psicossomática (Assoc.. Buenos Aires. Illinois. C.204 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica /a) Muito favorável: Um resultado será muito favorável quan­ do se produza a cura sintomática.F. Pichon-Riviere. R. f) Desfavorável: Piora sintomática.que não se obteve uma resposta positiva no que diz respeito ao mesmo. Acta psiq. X.. Toray. EUDEBA. vol. Lat. / b) Favorável: Difere do resultado muito favorável em que existe uma atenuação dos sintomas em vez de seu desaparecimen­ to. acompanhada de modificações benéficas cm um ou mais aspectos restantes considerados. 6. qualquer que seja o esultado nos outros pontos. Um último esclarecimento.P. n“ 2. Madrid. “Problemas que plantea la investigation sobre psi­ coterapia breve”. Dewald. Buenos Aires. Também pode ser definido unicamente pela cura sintomática. cap. A. -7 d) Regular: Registram-se somente alguns benefícios em pon­ tos de importância secundária. ~7’c) Discreto: Só há atenuação dos sintomas. Grcdos. Buenos Aires. em Cotoquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Bleger em Psicologia de la conducta. II. 1964.. válido para a avaliação em ambas as formas de psicoterapia breve: quando um resultado é duvidoso em um item (exemplo: R. não acompanhada dc outras variações nos demais itens. A. citado por J. D.) 5. XX. Springfield. Med. cap. Malan. Charles Thomas. Organizado pela Soc. em P. .. 4. Kaplan. Psicoanálisis y Medic. 16 de junho de 1972. 1973. Usandivaras.). cap. « e) Nulo: Sem variações. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. J.. “Cómo vc cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. Barcelona. E.: Resultado: ?) considerar-se-á a fim de estabelecer um resultado final .. em L. P.. M. 1963. Curso para Graduados de Técnicas em Psicoterapia Bre­ ve. Referências bibliográficas 1. Buenos Aires. Wolberg y col. Arg. Arg. 2 Harrower. H. Londres. Amér.. “Evaluation de la terapia". Psicoterapia breve. Dewald. Tavistock. junho 1968. 3. psicol. 1974. de Psicologia Médica. XIV. Psi­ coterapia: m enfoque dinâmico. Centro Editor de América Latina.

E lyoy la realidaden la teoriapsicoanalitica. . M. L. Supervisiones de psicoterapias breves hospitalares en pa­ cientes adolescentes.. 1973. Ramos Mejia”. Buenos Aires. R.. Servicio de Psicopatología c Higiene Mental del Hospital Municipal “J. para residentes municipales de tercer ano de Psiquiatria. Paidós.A avaliação dos resultados terapêuticos 205 7. Bue­ nos Aires. 8. White. Wolf. 1970-71.

V .* ^ .

A terapia de objetivos e tempo limita­ dos satisfaz assim uma necessidade assistencial. atravessar um "mo­ mento propício" numa enfermidade relativamente crônica). distância ou falta de tempo não possibilitem um tratamento mais intensivo e prolongado. A indica­ ção ou contra-indicação clínica dessa terapia decorre da avaliação diagnostica e prognostica do paciente. justifica sua aplicação generalizada quando dificuldades econômi­ cas. que é. ainda que esteja longe de ser em muitos casos a indicação mais adequada. Essa posição. nesse sentido. Estabelecerei a seguir alguns critérios de seleção de pacien­ tes para o tratamento focal em que predomina o insight. Nes­ sas características incluem-se as situações críticas nas quais o *> . o que costuma originar maiores dúvidas. Indicações da psicoterapia breve' i Por mais grave que seja sua enfermidade. inclusive quando o método breve apresenta suas indicações clínicas. desde que se recorra.12. dentro da qual são elemen­ tos indicadores para sua recomendação: a) Sofrer transtornos de início recente e agudo que motivem o tratamento (ou. com critério e segundo cada caso. praticamente quase todas as pessoas poderão receber certa ajuda terapêutica com o tra­ tamento focal. compartilhada por muitos. como diz Courtenay [2]. mesmo de duração limitada. É evidente que se pode determinar em que circunstâncias e com que tipo de pacientes se poderão esperar os melhores resulta­ dos. tanto no meio institucional como no consultório privado. à técnica interpretativa e à de fortalecimento do ego.

^ b) Patologia de caráter leve (exemplo: neurose). não devemos desentender-nos a respeito disso2. Afirma Main: “Os problemas principais devem situar-se predominante­ mente no nível genital.).). Disse Freud a respeito: “(. dada a lógica limitação de tempo e os objetivos terapêuticos que a natureza idêntica das situações coloca. e deve haver uma ausência relativa de expectativas primitivas. de modo que seu ego possa situar-se a uma certa distância delas. ou não necessaria­ mente patológico como pode ser o caso de uma crise vital (ingres­ so na universidade.. às quais podem adequar-se facilmente. que representam importantes campos de aplicação das técnicas breves (a psicoprofilaxia cirúrgica [5] ou a assistência psicológica durante a gravi­ dez. Nos estados de crise aguda.. etc. de necessidades de dependên­ cia e de privações precoces sérias” (6). casamento. ou até mesmo sair garbosamente dela. como terapeutas. dando lugar a um quadro psicopatológico agudo (neurose traumá­ tica. Também podem incluir-se aqui os casos em que o indivíduo deve preparar-se para passar por tensões. adquirindo além do mais um caráter essencial­ mente preventivo. etc. A terapêutica breve pode converter-se num auxílio eficaz. depressão reativa. a psicanálise não pode ser utilizada de nenhum modo. para a elaboração das ansiedades surgidas ao longo dela [8]). essas situa­ ções distintas demandam muitas vezes ajuda psicológica urgente.208 Psicolerapia breve de orientaçãopsicanalitica indivíduo esteja afetado por problemas que digam respeito à sua realidade atual (acidente de trabalho. Menciona também a leveza da patolo­ gia como um fator para um prognóstico favorável. etc. etc. por sua vez. tais como uma interven­ ção cirúrgica.) o trabalho de análise progride melhor se as experiências patológicas do paciente per­ tencem ao passado. razão pela qual. se pronuncia de modo similar. uma migração. de pessoa total. ao mesmo tempo.). que permita ao paciente superar melhor a situação sem graves conseqüências.cujo propósito é o de penetrar por debaixo da superfície e descobrir as influências do passado” (4). assinalando .. exercendo ao mesmo tempo uma função preventiva. ruptura de casamento. ataque histérico. um parto. Courtenay. Todo o interesse do ego está absorvido pela penosa realidade e se retira da análise . Essas situações costumam pelo menos transitoriamente impedir a realização de um trata­ mento analítico. Mas.

tanto em psiquiatria como em medicina geral. a outro com problemas orais de dois. Essas limi- . suas resistências a tratamentos intensivos e prolonga­ dos.” O tratamento breve pode erigir-se como a única experiência terapêutica possível para numerosos pacientes reíratários á psica­ nálise. Diante desses fatos.) . Considerar isoladamente o diagnóstico nosológico (neurose obsessiva. de três pessoas. mas de uma personalidade enferma num determinado quadro socioeconômico e cultural. isto é.ou qual­ quer otitro fator é em suma insuficiente para indicar ou contraindicar uma terapia breve. devendo-se atender em cada caso ao todo da situação apresentada pelo paciente. condições socioeconômicas. surgida do diagnóstico. f) Determinação e boa delimitaçãofocal desde o inicio (7). mas sim que se pretende esta­ belecer uma generalização que não considera realmente o diag­ nóstico nem leva em conta a realidade atual e circunstancial de cada paciente. e) Capacidade de insight. que implique uma sacrificada revisão de sua vida e de sua personalidade (mas que por outro lado chegam a manifes­ tar um certo interesse em aliviar alguns de seus sintomas ou uma situação conílitiva atual através de uma psicoterapia). histérica.” Sintetizam essa posição dizendo: “A psicoterapia breve pode então aplicar-se não como uma terapia substitutiva da psicanálise. que não estão dispostos a passar por uma terapia intensiva e prolongada. como se faz em geral em medicina. com funções em bom estado. Szpilka e Knobel advertem sobre o erro de guiar-se quase que exclusivamente por um diagnóstico nosológico para a indicação terapêutica. d) Alto grau de motivação para o tratamento. e de que esta recaia sobre o tratamento psicanalítico quando não são fornecidas ao paciente determinadas condições elementares. mas que idealiza o método terapêutico. dizem: “Entendemos que não se está prescrevendo &terapia de escolha para cada caso.Indicações da psicoterapia breve 209 que é preferível um indivíduo com necessidades edípicas. etc. o qual é sempre prejudicial para qualquer paciente. ou depressi­ vos sérios (2). quando devem ser considerados também fatores como idade. mas como uma indicação precisa. c) Força e plasticidade do ego. caracteropatia esquizóide. não de um quadro nosológico. etc.

toxicomanias. dependentes ou sim­ bólicas. Outras vezes a PB. 9 e 10). quando resulta dificultoso determinar e delimitar um foco. em geral quando existem grandes debilidades egóicas. que ele possa tolerar. para as quais se acha contraindicado o tratamento psicanalitico. estados fronteiriços e caracteropatias graves (sobretudo se o que se pretende é tratar estas patologias e não um conflito cir­ cunscrito). Pode ser tratável.B. A P. mas com método. inclusive através de uma técnica interpretativa.B.ou reaparição de uma situação conflitiva ou dc um sintoma. bastando às vezes umas poucas entrevistas com seu próprio analista4. Um tratamento focal pode ser suficiente para solucionar o pro­ blema atual surgido. geral- rio . antes de rotulá-lo como intratável. 8. Abarca assim outra área importante da assistência psiquiátrica. Está destinada a pacientes que puderam inclusive obter alta de uma análise com êxito e que consultam pela aparição . enfermidade psicossomática. circunstâncias nas quais a indica­ ção técnica mais adequada pode ser outro tipo de terapia. porque permite trabalhar setorialmente. pois a tentativa estará geralmente condenada ao fracasso. com grandes possibilidades de terminar em deserção. como a psicoterapia de grupo prolongada. enfoque e objetivos terapêuti­ cos determinados. de insight é menos eficaz : em casos crônicos de psico­ se. Uma nova circunstância que cabe citar é a da aplicação póspsicanalítica da P.passo para a realização de um tratamento psicanalitico1. c não o contrário. respeitar a estrutura caracterológica do paciente. e evitar desse modo mobilizações afetivas desnecessárias.e preparató­ . Em pessoas de idade avançada. sem forçá-los a um trata­ mento analítico. não se justificando que se submetam a uma reanálise. a par de seus conflitos difi­ cilmente modificáveis. é indicada como primeiro . com relações objetais muito ambivalentes. Trata-se então de adaptar sempre nossa técnica psicoterapêutica ao paciente. perversões.210 Psicolerapia breve de orientação psicanalitica Esta técnica pode cumprir idêntica finalidade no que diz respeito a outros tratamentos. quando há pouca motivação para o tratamento. excessivas e também arriscadas. tendências marcadas ao acting out ou escassa tolerância à ansiedade c à frustração (ver os capítulos 4. psicopatias. a terapia focal pode encontrar uma aplicação muito adequada. taçòes por vezes têm que ser respeitadas.

e 10. Londres. 2. L.. o que pode rea­ vivar traumaticamente a perda anterior. Psicoterapia breve y de emergencia.. por exemplo. III. Biblioteca Nueva. Acontece que nos encontramos ante um lego momentanea­ mente debilitado. 1969. Rapaport (comps. Madrid. Granica. amiúde. em Psicoterapias breves. uma terapia de três meses de duração (período que se fixa. p. Um trágico exemplo des­ sas situações poderia ser o prescrever descuidadamente a alguém. p.Indicações da psicoterapia breve FACULDADE GÜAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 211 mente intensiva e prolongada (nesses casos é comum existirem transtornos graves de personalidade.. em S. Nova York.C. com antecedentes de um aborto recente. 1968. O. para esses tratamentos). S. os conflitos estarem pouco circunscritos e afetarem quase todos os aspectos da vida do sujei­ to) (veroscapítulos4. O. e Small. 1968. Buenos Aires. Courtenay. Referências bibliográficas 1. Beliak. 1972. 1964. os produzidos por falecimentos de pessoas queridas (ver capítulo 10. 1972.). Citado por L. como. Deverse-á cuidar então ao máximo para que nesses casos a duração da psicoterapia não predisponha a estas reações. Granica. Fenichel e D. Tavistock. The Collected Papers of Otto Fenichel. . em H. apeSar de que quando tais lutos são ôs que motivam a consulta. M. p. Sexual Discord in Marriage. 179). Citado por L. de um transtorno atual de começo rccénte e agudo. 3. t. PaxMexico. Norton. “Brief Psychotherapy”. com uma diminuição de sua capacidade para suportar a dor e a frustração e poder enfrentar o novo luto gerado pela separação do terapeuta ao terminar a terapia. isto é. Por outro lado.. Small. sendo em princípio conveniente que o prazo não fique estabelecido de antemão. Small em Psicoterapias breves. Buenos Aires. Mcxico. consideramos o problema que para a indica­ ção de uma terapia de tempo limitado estabelecem os pacientes que registram lutos patológicos e/ou recentes de importância. 179). 68. Fenichel. “Analisis terminable e interminable”. 4. L. situamo-nos diante de uma condi­ ção aparentemente favorável para a indicação do tratamento bre­ ve. Freud. o que pode provocar uma reativação iatrogênica da perda. Freud.

7. n°3. set. parody pueperio. Lat. vol. n° 1. “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. Acta psic. R. XV. jnnho 1968. Acta psiq. Charles Thomas. D. Rev. XIV. de Psicoanálisis. Centro Editor de América Latina. 6. Amér. Buenos Aires. Glasserman. XXV1I1. 1969. “Accrca de la psicoterapia breve”. e col. Buenos Aires. M. Buenos Aires. J. t.. Psicologia del emharazo. Illinois. Buenos Aires... H.. n? 2.. 1971. Soifer. Szpilka. “A Study of Brief Psychotherapy”. Amér. Tavistock. Kargieman.) 8. vol. M... c Knobel. 1974. Main. Springfield. R. Buenos Aires. 9.212 Psicoterapia breve de orientação psicanalilica 5. “La psicoprofílaxis quirúrgica: una técnica de prevención”. Lat. psicol. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. era Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. L. psicol. T. . Londres. 1963. Malan. 1971.

. com instrução primária completa. Na realidade o recrudescimento de sua sintomatologia coin­ cidia com o nascimento de seu primeiro filho. casado. de dois meses de idade. M. Dos tratamentos breves I «> Apresentarei aqui dois casos que foram tratados por meio dc psicoterapia de objetivos e tempo limitados.. no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal “J. um homem de 28 anos. e fa­ zem parte de uma investigação que ali realizei durante 12 meses. Ramos Mejía”. no ano de 1972. ao efetuar a consulta. Ambos os tratamen­ tos foram efetuados por mim. pertencente à classe média baixa. O caso descrito em primeirá'lugar ilustra com certo detalhe dis­ tintos aspectos e momentos do procedimento focal.13. um exemplo do trabalho de aprofunda­ mento no foco1. O segundo constitui. fatos cuja conexão permanecia ignorada por A. consultou o Serviço por experimentar um incremento na ansiedade e depressão de que sofria há muitos anos. essencialmente. eletricista. de um modo quase constante. Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados A. argentino.

Havia sido um menino tímido c um pouco triste. Criticava nele que. Seus pais dormiam no mesmo quarto. uma pessoa com muitos conhecimentos”. Vivia muito apegado à màe e nào se recorda de ter tido amigos. mostrando-se abertamente hostil. época em que esta morreu. mas logo. acredi­ tasse que nunca chegaria a “cometer uma loucura”. Autodefiniu-se como inseguro e indeciso. Ganhava uma soma de dinheiro insuficien­ te para enfrentar os gastos correspondentes aos cuidados do bebê c tinha uma má relação com seu patrào. se sentiria muito prejudicado por sua madrasta. Logo A. . empregado bancário. A relação com seu pai foi descrita como sumamente conflitiva.214 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Ocasionalmente havia pensado que nào valia a pena conti­ nuar vivendo. políticos ou psicológicos. manifestou-se muito frustrado intelectualmente. Enfim. vítima de uma enfermidade infecciosa. carinhosa e solícita. mas em camas separadas. em contraste com a recordação que tinha de sua màe. a quem atribuiu um papel impor­ tante nessa questão. segundo afirmou. enquanto A. Mostrou-se além disso preocupado pelas dificuldades que tinha em seu trabalho. Nos últimos anos. com quem protagonizava freqüentes discussões. capaz de analisar problemas sociais. voltou a se casar um ano depois de ter enviu­ vado e não teve filhos do segundo matrimônio. Seu desejo era conseguir outro emprego. ainda que. Sentia um “medo pavoroso” de uma professora. dormia junto com a mãe no mesmo leito desde muito pequeno até os 11 anos. Definiu-o como muito dominador. Grandes temores e inibições ao cursar os esttidos primários pare­ ciam havê-lo impedido de continuar estudando. Dados biográficos de interesse (resumo) Único filho de um matrimônio com grandes desavenças. áspero e pouco afetuoso. Tinha desejado ser um “grande intelectual. além de nào tê-lo estimulado a prosseguir os estudos. Seu pai. com relação à idéia dc suicídio. Por último. opusera-se a tudo aquilo o que para ele (o paciente) pudesse significar “um passo adiante” na vida. a princípio aparentemente bondosa para com ele.

tudo o qúe se referia a sexo adquiria para ele caráter pecaminoso. O paciente atra­ vessava uma crise com exacerbação de seus sintomas. . A atividade social do casal era intensa e gratifkante. aparentemente de orientação dinâmica. tinha seguido trata­ mentos psicotcrapêuticos. Ali permaneceu até os 25 anos. as quais haviam reaparecido ultimamente). Nos últimos tempos. em duas ocasiões. com componentes melancólicos c paranóides. Considerava que os tratamentos tinham tido um saldo positivo. num caráter essencialmente anal. admitiu a influên­ cia do tipo de relação que chegou a ter com seu terapeuta: “notava grande afinidade com o médico. Revelava assim evidentes problemas. contava 18 anos. Quando A. cabe assinalar rfela sua grande adesão à religião católica. levando com ela. mas também ante a existência de profundos temores a uma aproximação afetiva. não só no referente a situa­ ções de dependência. Isso me fez temer mais a dependência em relação a ele e decidi deixar”. quan­ do se casou com uma jovem que havia conhecido um ano antes e que descreveu como “muito sensível e inteligente”. uma vida sexual medianamente satisfatória (embora logo admita que sobretudo no começo tivesse tido gran­ des dificuldades. com terapeutas homens e que abandonou alegando inconvenien­ tes econômicos. Suas primeiras relações sexuais datam de seu matrimônio. No abandono do segundo deles. Nesses anos. que confi­ gurava clinicamente uma depressão ansiosa reativa. Visitavam-se muito esporadicamente. Avaliação diagnostica O diagnóstico psiquiátrico-dinâmico foi o de uma neurose obsessiva medianamente grave. Sentia-me respaldado. e foi sua espo­ sa a única com a qual conseguiu fazê-lo. ainda que seu estado geral fosse bom. indo viver numa pensão. Assim sendo havia sérias dificuldades para vincular-se com mulheres. decidiu afastar-se da casa pater­ na.Dos tratamentos breves 215 seu pai havia contraído uma grave enfermidade. Voltando à sua adolescência. que consistiram em episódios de impotência e de ereçctes dificultosas c mais adiante em fantasias uxoricidas em pleno coito. no seu parecer.

atenção. isto é. como em ocasionais. relações que eram muito ambivalentes e oscilavam entre a tendência à submissão extrema e a rebelião patológica.) estavam menos alteradas. uma distorção da realidade produzida por intensas projeções. Por último. pensou-se que o paciente possuía um ego suficientemente forte para suportar os sentimen­ tos dolorosos provocados pela revelação de seus aspectos incons­ cientes. O grau de motivação para a psicoterapia e suas capacidades para o insight foram considerodos elevados. a regulação de sua autoestima resultava inadequada. casal)2. em con­ . Bender. e seu nível de inteligência poderia ser considerado médio. Essa perturba­ ção gerava nele dificuldades nas diferentes relações interpes­ soais. O foco pôde ser delimitado desde o começo. ainda que se duvidasse do grau de tolerância que teria à frustração que poderia ocasionar-lhe sua separação do terapeuta ao finalizar a terapia. Não obstante todo o mencionado. (Os detalhes sobre a estrutura do foco serão descritos mais adiante. que se evidenciavam tanto num exagerado controle da agressão atra­ vés de formação reativa (psicodiagnóstico). superprotetora e sedutora. considerou A. cabe mencionar que as funções básicas (per­ cepção. ainda que violentas. descargas de raiva. Tinha consciência da enfermidade . Também apresentava alterações no controle de seus impulsos. o diagnóstico re­ velou com clareza uma grande disposição a estabelecer vínculos de natureza simbiótica.216 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Quanto às suas condições egóicas . em especial com pessoas de autoridade.) A hipótese psicodinâmica inicial Três entrevistas e a bateria de testes ministrada permitiram formular o seguinte: a mãe. fato confirmado pelo psicodiagnóstico (Rorschach. puderam ser apreciadas: deficiências marcadas no teste de realidade . como o substituto libidinal de seu marido. Assim mesmo. optando-se por centrar o trabalho terapêutico na situação crítica criada em tomo do nascimento do filho. memória. tomando-o. achando-se esta última francamente diminuída. etc.

sentir-se-ia culpado pelos grandes delitos de humanidade consumados em sua fantasia4. a religião lhe permitia satisfazer desejos infan­ tis de dependência e proteção e a necessidade de castigo por seus intensos sentimentos de culpa. tomava cada vez mais tensa a relação com o pai. Como Édipo. com terror à figura da professora. que simbolicamente representavam a castração: renunciar ao prazer sexual. vítima de uma prematura e intensa estimulação sexual. anulação. Os efeitos deletérios dessa situação. além disso. Por sua vez car­ regou consigo desejos insatisfeitos de dependência oral. traduziram-se ao que parece no caráter assustadiço do menino. pareceram atestá-lo). como seria o caso de uma pessoa que gos- . que au­ mentaram com a morte da mãe. resignar-se a ver restringidas suas inquietações intelec­ tuais e profissionais. A rivalidade edípica. O psicodiagnóstico refletiu isto através da presen­ ça da fantasia de haver sido castrado. É a etapa em que surge sua religiosida­ de. próprias da etapa sádico-anal (isolamento. deslocamento. formáção reativa). Acompanhava-o um sentimento de inferioridade. Apelou então regressivamente para defesas mais primitivas. intelectual e eco­ nomicamente. muito apegado à mãe. Por último. pela qual foram responsáveis ambos os progenitores. Os mecanismos de repressão e sublimação sofreram mui­ ta interferência (os graves conflitos eícolares. constituiria uma forma de controle de seus impulsos sexuais e agressivos. vividos como proibidos e perigosos por seu significado incestuoso e par­ ricida. em nome dos quais deveria sofrer severos castigos. provenien­ te do fato de perceber-se pouco potente sexual3. e de escasso e difi­ cultoso contato social. o que o levou a abandonar o lar paterno. que ein parte pode ser concebida como uma defesa ante a ameaça de castração por mefo da submissão ao superego paterno. É particularmente importante o antecedente da partilha do leito. representado pela figura de Deus.Dos tratamentos breves 217 seqüência. constituindo um sério impedimento para uma resolução adequada do complexo edípico ao incrementar os desejos incestuosos e parricidas c a angústia da castração conse­ qüente. que foram plasmando sua estrutura de personalidade. Essa situação foi expressa numa frase muito significativa do paciente: “angustia-me ter muitas coisas boas e não poder desfrutá-las. muito intensificada em sua adolescên­ cia.

provocados por sua intensa inveja oral (um sonho seu desses dias revelava esses fatos claramente) e por sua rivalidade edípica. Formularam-se as seguintes hipóteses prognosticas a respei­ to das vicissitudes transferenciais durante o tratamento: buscava no terapeuta um pai bom. deduziuse. através do qual também procuraria satisfazer seus desejos de dependência. assim como havia feito cm sua fantasia com seu próprio pai. que as ansiedades provocadas por essa crise vital estavam vinculadas essencialmente à sua vivência dolorosa de exclusão8. burlando a proibição supercgóica6.muito necessitada por ele com o terapeuta. e de suas distintas limitações vitais.. poderia condu­ zi-lo a repetir a conduta de deserção do tratamento7. (Recorde-se a cegueira de Édipo.”. Isso se ligava com o que fora considerado como o principal motivo latente. com o conseqüente . A enfermidade de seu pai e o nascimento do filho provocaram um incremento pa­ ranóico em seus desejos parricidas mal reprimidos5e em suas fan­ tasias dc haver consumado o incesto.. dadas as dificuldades na relação com seu pai real e com representantes paternos.218 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ta muito dc ler e consegue todos os livros do mundo. resulta clara a influência em sua pro­ blemática do conflito com a imago paterna. mas era possível esperar a repetição de uma relação fortemente ambivalente. também. a busca de uma contenção que o pusesse a salvo de suas tendências hetero e auto-agressivas. O foco terapêutico inicial ficava configurado em tomo dos sintomas que apareciam como o motivo manifesto da consulta: ansiedade. isto é: o nascimento de seu filho (que diga-se de passagem antecipou-se aos planos do casal). Tal conduta tinha do mesmo modo antecedentes no abandono do lar paterno quando contava 18 anos. Ligavam-se também aos impulsos filicidas.) Com base no exposto. a intensa situação per­ secutória intervinha na gênese de sua angústia. Aprofundando-se na compreensão do momento crítico que A. depressão e insô­ nia. depressão e insônia exacerbados. mas é ce­ ga. como seu patrão c mais recentemente com o próprio filho. Existia além disso o risco de que seu temor inconsciente a uma aproximação afetiva . atravessava. seu temor de que o filho lhe “roubasse” a esposa-mãe.

também. Como objetivo menos prioritário. oferecer-lhe ajuda no que concerne a seus estudos. Em seguida. ainda que considerados de menor relevância dentro do conjunto de problemas. levando em conta seu projeto de continuá-los em futuro próximo. ajudando-o a adequar-sc melhor à nova situação. também foram detectados. a qual. que o incentivava a tratar-se. gerava uma situação persecutória. 3. caberia conside­ rar sua constrangedora posição econômica. o fato de ser consciente disso que o subme­ tia a uma grande depressão9. 4. É de se destacar a influência favorável que tinha sua esposa. Tudo isso constituía os pontos de urgência a serem levados em conta no início do tratamento. Conseguir uma maior compreensão dos conflitos reativa­ dos com o nascimento de seu filho. Obter também um alívio sintomático. Vemos então que essa conflitiva focal também podia remeter parcialmente ao con­ flito com a imago paterna (conflito básico). que era um novo fator * de incremento de sua angústia e que o defrontava mais drastica­ mente com a realidade dolorosa das limitações produzidas por sua neurose. As metas terapêuticas Cheguei a um contrato mínimo com o paciente sobre os obje­ tivos do tratamento depois de haver-lhc exposto meu pareccr sobre a natureza de seus transtornos (devolução diagnóstico-prognóstica).Dos tratamentos breves 219 temor à retaliação. pela mater­ nidade. transferida agora para o filho. Por último. . Tais objetivos foram: 1. que se agre­ gava a tudo o já mencionado a respeito da significação incons­ ciente da enfermidade do pai e de outras conseqüências a que dera lugar o nascimento do descendente. Sentimentos de inveja com relação à sua mulher. 2. em especial para assumir melhor sua paternidade. Era. tratar de alcançar esclarecimento e alguma solução para seus problemas de trabalho.

). as interpretações chegariam a incluir parte das raízes infantis do conflito. curiosidade ante sua conflitiva) e suficiente e relativamente fácil compreensão dos psicodinamismos básicos de sua problemática. o que permitiu arriscar um bom prognóstico para o tratamento foi talvez o alto grau de moti­ vação do paciente para a psicoterapia (disposição para o esforço da tarefa). que ele já tinha. havia dito A. devido a um certo training de A. uma contratransferência positiva (interesse em ajudá-lo.220 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Prognóstico De todos os fatos considerados. de uma luta interna que o angustiava e agoniava (“como se estives­ se sempre lutando. e muito especialmente o tipo de relações objetais que apresentava. As chamadas interpretações “extratransferenciais ”. discutindo com alguém dentro de mim. sua idade. o fato de tratar-se de um “momento propício'’ para a abordagem psicoterapêutica numa enfermidade crônica (2). patrão) e com o próprio pai. partindo da percepção. que me diz que não vou ser capaz disto ou daquilo”. . o contar com uma esposa cooperativa. que poderiam comprometer os resultados terapêuticos. a imediata deter­ minação focal. De particular utilidade poderiam ser aquelas interpretações destinadas a mostrar as vicissitudes intrapsiquicas do conflito a fim de que tomasse consciência da vigência de uma imago paterna superegóica muito severa. unido à sua capacidade de auto-observação. Entre os elementos prognósticos desfavoráveis se assinala­ vam: a gravidade da patologia. Planificação do tratamento Decidiu-se utilizar uma técnica em que predomina o insight. seriam um ins­ trumento importante na terapia. e ao critério predominante neste caso acerca da necessi­ dade de proceder desse modo para alcançar as metas propostas. que afetava quase todas as áreas de sua vida. Se fosse possível e conveniente. que es­ tariam dirigidas de preferência para suas relações com represen­ tantes paternos (filho. o qual fazia temer a aparição de complicações duran­ te a terapia (cm particular a respeito da finalização desta).

Dos tratamentos breves _j_ _____ As chamadas interpretações "transferenciais ” teriam de ser empregadas com mais assiduidade do que o habitual em P. considerando a todo momento a receptividade do paciente. As interpretações tenderiam a fazê-lo tomar consciência de seus sen­ timentos de exclusão. com efeito. Em princípio. inveja. cumprindo um papel decisivo para a demonstração emocional de certos problemas com a figura paterna (em razão da qual se torna­ va oportuno que fosse tratado por um terapeuta homem). cm rela­ ção ao carinho materno. Se A. utilizando no inicio interpretações “de ensaio” (1) e observando sua resposta a elas. diante da qual se esperava que pudessem além disso aflorar aspectos da transfe­ rência materna. atendendo aos pontos de urgência detectados. Efetivar-sc-ia um trabalho interpretativo com as devidas precauções.a enfrentar suas fantasias infantis de consumar a relação incestuosa. apresentaram-se durante o tratamento). na tarefa de ajudar o paciente a aceitar a separação. Com referência à estratégia terapêutica. seria possível aprofun­ dar progressivamente a situação genética da conflitiva focal. como era evidente. mas pro­ curar-se-ia não fomentar com isso a neurose transferencial.B. em virtude da reativação do lutcípela perda de sua progenitora. não . Estabeleceram-se também as datas para as entrevistas de avalia­ ção imediata e para a realização do reteste. como meio de ir facilitando a separação. fantasias essas que. dispôs-sc a encarar inicialmente a situação-problema criada por sua paternidade. se incluiriam durante a etapa final dele. seriam reduzidas para uma por sema­ na durante o último mês. Apelar-se-ia para o uso flexível e seletivo da regra de asso­ ciação livre. e quando o esta­ do do paciente o permitisse. Também eram previstas ante a possível aparição de fenômenos transferen­ ciais que chegassem a obstaculizar abertamente o processo tera­ pêutico (tais fenômenos. em parte como reedição dos conflitos com seu pai. Por último.. Fixou-se uma duração de quatro meses para a terapia. com duas sessões semanais de 30 minutos cada uma. não se administrariam psicofármacos. mas sem conduzi-lo necessariamente salvo se os indícios de seu grau de insight e a tolerância da dor o permitissem . ciúmes e rivalidade com respeito ao filho. demonstrasse ter um timing rápido.

pensou-se em mostrar-lhe esse conflito básico. como derivados do con­ flito com a ünago paterna. c que o fazia sentir-se desvalorizado e ameaçado por eles. se fosse exeqüível um tratamento pro­ longado. conside­ rando-se que o fato de que se tratava de uma revelação incompleta não despojaria a tarefa da qualidade dc ser operativa em grau su­ ficiente para alcançar os fins terapêuticos propostos. além do natural alívio poderia elevar sua auto-estima. Uma vez alcançado certo insight e alívio a respeito da situa­ ção crítica derivada do nascimento do filho. Por último. A conseqüência final seria o alívio de sua de­ pressão. a tarefa se centraria nas dificuldades encontradas em seu trabalho. Considerou-se que se ante suas necessidades econômicas conseguisse melhorar seus rendimentos. de uma situação conflitiva nuclear. a qual continuaria tratando dos problemas que se apresentassem em suas relações interpessoais. de modo que a possibilidade dc uma elabo­ ração mais profiinda. Procurar-se-ia então revelar parcialmente o complexo edípico para o paciente. em diferentes contextos.222 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica tinham sido conscientizadas nos tratamentos anteriores. Não resul­ tava possível indicar outra opção. já que se sentiria menos débil e mais capaz de exercer um papel de pai protetor. c que mostra ao pa­ ciente a repetição. como diria Malan (8). e efetivamente mais completa. dadas as condições do enqua­ dramento e em se tratando de algo que poderia ser demasiado ansiógeno e despertar resistências insolúveis no curto lapso que duraria o tratamento. Dessa forma diminuiria seu sentimento de culpa provocado por sua hostilidade cm relação ao filho. ficaria re­ servada para outra ocasião. Ou seja. seriam considerados seus problemas na área intelectual. sem desenvolver todos os seus componentes. que é característica da técnica de “enfoque”. que se evidenciava ante representantes paternos (incluindo o terapeuta). surgindo assim a “interpretação central sobre a qual teria de se basear todo o tratamento”. nesse caso com seu patrão. As condições do vínculo terapêutico deveriam tender a au­ mentar constantemente sua auto-estima e a estimular sua iniciati­ va pessoal a fim de conseguir o estabelecimento de um processo . se possível.

como seus desejos parricidas e por extensão a hostilidade em relação a seu filho. Sua motivação para a tarefa foi aumentando. de maneira deliberada. sobretudo a partir do material onírico trazido. • Por força deveria ficar intocada a perda patológica pela mor­ te de sua mãe. Mas isso tampouco significava que teria de ser deixada totalmente de lado. Tudo isto se achava mais próximo da superfície cons­ ciente e parecia possível de ser manejado com êxito num enqua­ dramento de terapia breve. Prestar-se-ia particular atenção. (Se bem que o considerasse em con­ dições de enfrentar certos aspectos do complexo edípico. a terapia transcorreu em grande parte de acordo com o plano terapêutico concebido. à abordagem do problema da separação consecutiva à finalização do tratamento. dedicando-lhe pelo menos um terço da duração total da terapia. e além disso levando-se em conta o incremento dos vínculos regressivos de dependência ante o nas­ cimento de seu filho. ainda que se es­ perasse que em certa medida a situação-probfema implicasse que A. sua abordagem profunda não parecia impres­ cindível para os fins imediatos do tratamento e teria resultado talvez imprudente. em razão da qual. repre­ sentada agora por sua esposa. apesar de sua importância decisiva na psicopatologia do paciente. À medida que se aprofundava na conflitiva focal. dadas as caracte­ rísticas e a história do paciente. . diante do qual se percebia o paciente mais defendido. revivesse inconscientemente a perda de sua progenitora. O paciente comparecia a todas as sessões quase sempre pon­ tualmente. Utilizaram-se com proveito associações livres.Dos tratamentos breves 223 prospectivo que o paciente pudesse continuar por sua conta de­ pois de terminado o tratamento. evitar-seia interpretar o material relacionado com tal luto.) Evolução durante o tratamento Ao menos nessa ocasião.' Mão ocorria o mesmo com o que se referia ao mencionado luto. ia conseguindo um insight progressivo.

acompanhadas de intensos sentimentos de culpa. Mostrava-se agradecido para comi­ go e mais otimista. foi conseguido por fim certo alívio sintomático. muito conflitiva. Durante o terceiro mês foi possível trabalhar sobre o proble­ ma profissional.224 Psicoierapia breve de orientação psicanalítica A focalização do trabalho terapêutico na crise registrou o surgimento de fantasias filicidas conscientes. temia buscar outro traba­ lho. A. já que em pouco tempo começou a discutir com ela por amenidades. a imago paterna. As maiores dificuldades se apresentaram na etapa final razão pela qual o número de sessões semanais não pôde ser redu­ zido. e em poucos dias o momento críti­ co pôde ser relativamente superado por meio de um intenso traba­ lho interpretativo. o despediriam “a patadas”. Em relação a toda a problemática mencionada. foi inevitável certo grau de desenvolvimento da neurose de transferência. o que incrementou sua hostilidade transferencial (em sua maior parte não consciente). Surgiram obstáculos transferenciais na tarefa. As relações com sua mulher melhoraram. por colocar em mim. surgiram ein A. Planejava agora continuar seus estudos e conseguir um novo emprego. A relação. ainda que só transitoriamente. parecia pouco menos que insustentável. Pôde compreender que seu filho era vivido por ele como se se tratasse do pai rival. Tampouco dessa vez se recorreu às psicodrogas. o qual por sua vez ajudava a colocar seu ego em melhores condições de rendimento. que cresceu . Necessitava rebelar-se contra sua autoridade. pois imaginava que o ludibriariam e. fantasias suicidas que o angustiariam muito. mas A. Ao fim do segundo mês de tratamento. Apresentou logo típicas dúvidas obsessivas acerca de seu amor por ela. com hostilidade. vivida por A. ainda que também esperasse dele inconsciente e neuroticamente carinho paternal. progredindo a terapia em bom ritmo. segundo sua “voz inte­ rior”. pôde dar-se conta de que reproduzia com o patrão a relação com seu pai. O reatamento das relações sexuais cotn sua mulher pareceu haver atenuado sua hostilidade. os quais foram con­ templados com interpretações “transferenciais”. como um abandono. Originaram-se precisamente na separação iminente. Não obstante.

. entre os quais se achavam grandes ansiedades fóbicas ante ele.. as quais foram em troca inter­ pretadas como uma resistência a aceitar o desprendimento. parecem ter influído em certa medida nos resultados terapêuti­ cos e na auto-avaliação dos mesmos.Dos tratamentos breves 225 até limites perigosos para o futuro do tratamento.). vi um montão de coisas. que foi ava­ . num intento de con­ seguir que se adiasse o término do tratamento. como logo veremos. Avaliação dos resultados terapêuticos Alguns comentários de A. demandando uma árdua tarefa interpretativa sobre o novo foco10. este alcançou certo insight da problemática focal do tratamento e um melhor manejo da situação. principalmente no final.. que coincidiu bastante com a autoavaliação do paciente. isso eu tenho presente.... acting out. que obedecia a diversos motivos. mostrava agora um novo e interessante problema para conseguir de mim que con­ tinuasse tratando dele. sobre o tratamento. foram: “As vezes me sinto um pouco desiludido. Não se tentou apro­ fundar no material. Serviume e pode continuar me servindo.. Mas estou conformado com ele.. etc.. que me freia em tudo. Nas últimas sessões começou a manifestar|inesperadamcnte preocupações que provocavam nele certos pensamentos sujos relacionados com fantasias homossexuais. Sobre o tema cabe acrescentar que é provável que nãu se tenha insistido o suficientê em assinalar sua rivalidade e inveja com relação ao tera­ peuta. nem se referiu às fantasias homos­ sexuais em relação ao terapeuta. na rea­ lidade. e a quem. ner­ voso. logo depois de finalizado.. rôzão pela qual. considerando-se impróprio fazê-lo nessa tera­ pia. principalmente no aspecto intelectual e científico. Isso permitiu evitar outras reações desfavoráveis (recaídas. ao efetuar-se esta. Descobri que isso se deve a que o tratamento terminou. de caráter hos­ til. dirijo minha bronca quando ataco os demais. Apesar deste trabalho. aspectos transferenciais não resolvidos. a julgar por algumas impres­ sões de A.” Segundo meu critério. Isso é funda­ mental. Vi sobretudo esse pai temível que tenho dentro de mim. que pretendeu ajudar o paciente a aceitar a separação.

já que ele havia notado sua ten­ dência dominante. em parte responsável por estas dificuldades. dada a deterioração que havia alcançado sua relação com o patrão esse era um objetivo importante do ponto de vista prático. sua maior autovalorizaçao atual. o que lhe permitiu desfrutar melhor sua relação com ele. ainda.226 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica liado como resolução clinicamente parcial de tal problemática. antes havia optado por iludi-la. maior consciência da enfermidade. não apresentou nenhuma mudança a partir do trata­ mento. Sua atividade sexual resultava bastante adequada e satisfató­ ria no dizer do paciente. Em suas relações com as demais pessoas. o que significou um importante estímulo para que efetuasse. cm que pese não se haverem produzido mo­ dificações substanciais em sua situação. se havia elevado. por outro la*do. O reteste imediato à finalização do tratamento não revelou modificações de importância. como já disse. considerei que tinha po­ dido compreender melhor seus problemas com o patrão. Sua auto-estima. . indicada diante de seu crescente interesse por achar uma solução para suas perturbações caracterológicas.pelo insight . já que deveria verificar-se novamente numa avaliação mediata. Adquiriu.trouxesse paralelamen­ te mudanças no teste de realidade. A melhoria sintomática foi muito acentuada. o que implicava por sua vez contar com certo projeto pessoal. desfrutava melhor de seu tempo livre em compa­ nhia da mulher. isto é. o ajudaria a encontrar outro emprego. Por último. pelas razões expostas 1. com caráter temporário. Mas com respeito a seu trabalho A. uma psicoterapia prolongada. a projeção de aspectos superegóicos (sobretudo nas pessoas com autoridade). Concretamente: cessaram as disputas com sua mulher e conseguiu aceitar melhor o filho. esperava-se que o fortalecimento de seu ego . No concernente a seus estudos. o que parecia sem dúvida o mais indicado. interessou-se pela idéia de reatá-los. Sem dúvida. não sendo tomado como a busca de uma falsa solução (8) do problema. pelo ressentimento para com cia. quando pudesse.

) Em minha opinião. A. podem resultar de interesse. 1. Por isso. ver como e quanto o havia afetado a morte da mãe. . revelou-me que. em troca. semanas depois de haver terminado o tra­ tamento comigo. baseada na negação da dor e da dependência do objeto). sem mediar tratamento algum? Em suma: os tratamentos são realmente eficazes? (Em outros momentos de entrevista. Freqüentemente assaltavam-no certas dúvidas. 2. voltamos a nos ver para uma entre­ vista de acompanhamento. não teria alcançado. toda tentativa de avaliação imedia­ ta dos resultados da terapia hospitalar.Dos tratamentos breves _______ _________ Ao fim de uns três anos. alegando novamente dificuldades econômicas. que teve de me confessar: até que ponto o alcançado se devia ao fato de se ter tratado? Com o correr do tempo. A existência deste último tratamento invalidou. Inclinava-me então a considerar essas dúvidas como ob­ sessivas. segundo afirmou. produto de sua ambivalência afetiva c que ao menos em sua relação comigo remetiam a aspectos hostis da transferência não-rcsolvidos. pôde conseguir outro emprego. o paciente havia começado a psicanalisarse com uma mulher. abundaram expressões de agradecünento para comigo. de todo modo. aos quais já me referi anteriormente (sua atitude depreciativa constituía além disso uma defesa ante a perda do terapeuta. Meses depois de haver terminado o tratamento hospitalar. como é de se supor. tais sucessos. vincular-se à psicoterapía hospitalar. assim com$ ein seus estudos e no estado de sua auto-estima (aos quais carecé de sentido referirme aqui. Tratou-se du­ rante dois anos e abandonou o tratamento. eventualmen­ te. seu pequeno filho e seu pai. de nenhum modo pude atribui-los ao tratamento hospi­ talar). pôde supe­ rar em parte certas perturbações neuróticas crônicas e ativar um processo prospectivo que lhe permitiu desenvolver suas potencia­ lidades. Exceto alguns progressos em suas relações com sua mu­ lher. para os fins dessa apresentação. pelo que eu o havia ajudado. pois diante da indubitável influência do tratamento psicanalitico. a qual lhe havia permitido. graças a eles. com melhor re­ muneração do que o anterior. tudo fazia supor que ambos os tratamen­ tos haviam resultado benéficos e que. a seguir só tenho de consignar alguns fatos e comentários do paciente que. Esse sucesso poderia.

que fúndamentará o planejamento terapêutico. como a psicanálise. “alguma dificuldade” para conseguir orgasmo. naturalmente. O psicodiagnóstico trouxe elementos de grande utilida­ de para o manejo terapêutico. Considerações finais Este caso ilustra particularmente os seguintes pontos: 1 . “Continuo com certa tensão nervosa . a fim de se elaborar uma ampla hipótese psicodinâmica inicial. A possibilidade de trabalhar com boas perspectivas prognósticas em terapias breves. ou algo mais do que isso.comentou. argu­ mentando que temia se esquecer de muitas das coisas que queria me dizer. pode . eu não podia espe­ cificar se seu transtorno era “alguma dificuldade”. na existência dc aspectos cgóicos capazes de concretizar . Havia também claras indicações da persistência de mani­ festações neuróticas e de seus transtornos de caráter. metas que são patrimônio de outras terapias. como ele dizia. Por isso. A finalidade então não é a reorgani­ zação da estrutura da personalidade nem a cura da neurose.uma aliança terapêutica c sobretudo no fato de fixar objetivos terapêu­ ticos limitados e alcançáveis. o prognóstico do tratamento. em função dos objetivos. segundo expressou. 2. Levou-se em conta o antecedente de partilha de leito existente ao longo de toda a infância do paciente.. a qual era previsível.” Recentemente apre­ sentava. Sei que devem ser coisas profundas. se tudo vai bem. Neste caso.228 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 3. ainda com pacientes que apresentam marcantes transtornos de personalidade e que são portadores de sintomas neuróticos crônicos. foram de especiafinte­ resse as averiguações concernentes à constelação familiar.A im portância da indagação exaustiva dos dados biográ­ ficos e do psicodiasnóstico em psicoterapia breve. que permitiram prever certas peculiaridades das transferências pater­ na e materna durante a terapia. tendo em conta que havia sofrido vários episódios de impotência. Por último havia comparecido à entrevista com uma longa lista de temas escritos por ele.. As razões fundamentais se apóiam na existência de um suficicntc grau dc motivação para o tratamen­ to. Caramba.

dando lugar em parte a um pseu­ do-insight. . para diluir obstáculos transferenciais e também como mostra vívida dç aspectos da problemática principal do tratamento. solteira. devemos concluir que o benefício não foi pequeno.Dos tratamentos breves 229 ser bom ainda nesses casos. a configurar um novo foco terapêutico. . A necessidade de trabalhar o problema da separação que se coloca ante o término do tratamento.5. A oportunidade e o sentido da utilização de interpretações “transferenciais ” em terapias breves. etc. do sexo feminino. por si só. o que o motivou para um novo tratamento prolongado. argentina. 3. A eventual aparição. Aprofundamento no foco J. por não poder ser suficientemente retomado e elaborado no tratamento.ainda que a abordagem se realize de um modo incompleto. — 6..em certas ocasiões . em que pese a possibilidade de que por momentos a tarefa terapêutica tenha sucumbido às defesas (intelectuafixação. de obter o prolongamento do tratamento e de con­ servar assim o terapeuta.) do paciente. A necessidade . nos estágios finais de terapia focai de material alheio aofoco. deixando de lado determinados aspectos e níveis desses conflitos a partir de uma avaliação cuidadosa não só do que convirá. O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras12.de abordar conflitos básicos parajjbter os resultados terapêuticos esperados . empregada numa butique. sem centrar côm isso o tra­ balho na análise da relação paciente-terapeuta. geralmente inconsciente. 4 . com estudos secundários completos e pertencente à classe média baixa. 21 anos. isto é. mas também do que não convirá trazer à consciêrfcia do paciente. Se a isso acrescentarmos que a terapia^TOTTfnbui para aumentar a consciência da enlermidade e a motivação no pacientc. ao qual acorreu depois. concernente a outros sintomas ou con­ flitos do paciente e trazidos por este com a intenção. problema que chega.

por meio de exaustivos estudos .. expressou. revelando a respeito certa preocupação. tendo sido encaminhada por um mcdico clí­ nico do hospital em razão de apresentar vômitos todas as segun­ das-feiras de manhã. sendo sua ausência justificada. Esse fato derivou numa exacerbação de suas náuseas e vômitos e lhe causou certo grau de depressão. Na realidade padecia de náuseas e vômitos desde os 12 anos. nesses dias recebia cuidados e atenção. J. em especial de sua mãe.”. por temor a levar alguma coisa adiante com eles e sobretudo por temor ao sexo. mas não parecia muito preocupada em melhorar. os vômitos haviam sido muito abundantes.230 Motivos da consulta Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Trata-se de uma bonita jovem.. tendo sido descartado previamente . idade em que teve a primeira menstruação.. É como se tivesse medo deles”. por causa de seu mal-estar. dadas suas dificuldades para estabelecer uma relação de casal. Por causa deles. Havia mantido relações sexuais com o rapaz.. Uns meses atrás. Demonstrava certo interesse em conhecer o porque da exis­ tência desses sintomas. Uma averiguação cuidadosa permitiu comprovar que a paciente obtinha claros ganhos secundários por meio dc seu sofri­ mento: às segundas-feiras. não com­ parecia ao emprego. . Em mais de uma ocasião vomitou na presença deles e inclusive sobre eles. que consultou o Serviço acom­ panhada de sua mãe. tinha então a impressão de que isso lhe sucedia “por ser covarde. '‘Vomito em cima deles. Em certas ocasiões se irritava e chegava a apresentar “crises de nervos”. Um antecedente recente e importante era a ruptura de uma relação de casal (situação-problema). Nos últimos tempos se produziam especialmente nas segundas-feiras pela manhã. assumindo por sua vez uma conduta francamente regressiva. desidratou-se e foi necessário administrar-lhe soro.que tivesse alguma afecção orgâni­ ca. Cabe destacar que esses sintomas apareciam também ao ver­ se diante de jovens que pudessem exercer certa atração sexual sobre ela.

comentou. mas que o jovem e a rapariga que o acompanhavam nào quiseram socorrê-lo. se via favo­ recida pela atitude da mãe.. algo sujo”. com ausência dc menstruação por três meses e aumento de volume do abdômen e dos seios. assinalou que seu irmão havia lançado gritos desesperados pedindo auxílio. J. podia estar distorcendo bastante os fatos com suas pró­ prias fantasias. no qual enviu­ vara. referentes à sua sexualidade. o rapaz havia ido numa sexta-feira a um balneário com um casal de ado­ lescentes. que residia em Buenos Aires c era casada. e um filho varão. e por sua mãe. Neste aspecto resultava difícil verificar o que havia sucedido realmente. quando a paciente contava 8 anos. estava casada em segundas núpcias com seu pai. de 55. Com base nesses antecedentes podia-se compreender como a conduta regressiva da paciente. e um filho que morrera tragicamente na Segunda Guerra Mundial. Segando o relato desta. integrada por seu pai. oriunda de um país europeu. pois dava a im­ pressão de que J. Hm certa oportunidade teve uma falsa gravidez. nunca havia experimenta­ do orgasmos e durante o coito se sentia envergonhada e culpada. que havia sofrido três grandes perdas e que cm conseqüência disso tornara-se ansiosa e superprotetora13. Quanto à mãe. mencione-se que J. Ali morreu afogado. . dc 61 anos. pois estavam entretidos em jogos sexuais.Dos tratamentos breves Dados biográficos de interesse 231 Com referência aos antecedentes familiares. o qual também falecera com a idade de 15 anos. J. além de não ter presenciado o trágico aconteci­ mento. De seu primeiro matrimônio. Dc seu segundo matrimônio nasceram-na Argentina J. unidos por um grande carinho. viviam os três juntos. “carente dc afeto”. (“Sentia que o que fazia era uma porcaria. que ela descrevia como sereno. em parte proveniente de certas versões que‘Yecolhera. havia tido uma filha. provinha de uma família modesta.) Temia não poder ter filhos. Dos antecedentes pessoais interessa consignar aqui alguns outros. o que a inquietava sobremaneira.

. a julgar por seus comentários acerca dessas práticas sexuais por parte de amigas suas que lhe contavam suas experiências. que seria ratificada e ampliada durante o tratamento e que incluía uma hipótese acerca da confli­ tiva focal. O fato de que se manifestavam prefe­ rentemente às segundas-feiras explicar-se-ia pela intensificação de suas fantasias sexuais durante os fins de semana e/ou imediata­ mente depois. Hipótese psicodinâniica inicial. à qual me remeterei em seguida. O psicodiagnóstico mostrou principalmente elementos da série histérica. e por seus pró­ prios sonhos. por serem os dias mais propícios para os encontros com finalidades sexuais. Os vômitos podiam estar vinculados a seus frustrantes desejos de engravidar se levarmos em conta: a) que sào comuns nas gestantes. Além disso. numa personalidade que mostrava os traços típicos do caráter corres­ pondente (necessidade de ser o centro das atenções.reativameníe . fantasias. a ruptura de sua relação de casal . chegou-se ao diagnóstico de histeria de conversão. como um fator traumá­ tico.em desacordo. Sem dúvida. sobretudo áe fellatio. b) seu obsessivo temor de ser esté­ ril e sua gravidez psicogênica.havia operado em J. nos quais aparecia ela mesma sendo objeto de cunnilineuae: os vômitos poderiam significar basicamente rejeição da incorporação do pênis. relacionar-se-iam com desejos orais reprimidos.). com as quais estava energicamente . Outros dados diagnósticos se mencionam ao fazer referência ao prognóstico do tratamento. que incrementou sua sintomatologia como expressão da rea­ tivação de antigos conflitos. etc. sedução. Por sua vez.232 Avaliação diagnostica Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Através dos dados obtidos nas entrevistas e dos testes psico­ lógicos. revelou transtornos na identidade sexual e marcadas tendências homossexuais latentes.por decisão de seu companheiro . Conflitiva focal As descobertas recolhidas permitiram esboçar uma formula­ ção psicodinâmica prematura. ten­ dência à teatralização.

Obter o alívio ou a cura sintomática. detectaram-se fantasias homossexuais rela­ cionadas à figura materna. Os vômitos lhe permitiam além disso faltar £o trabalho. Em síntese: a perda de seu companheiro havia exacerbado ainda mais seus desejos insatisfeitos e com isso seus vômitos. fantasia re­ gressiva.Dos tratamentos breves __________ ______ Era muito ostensiva uma fixação oral da libido (existia. Considerando a repercussão dos vômitos sobre seu ambien­ te. 2. além disso. esquivando-se da responsabilidade e refugiando-se nâ. com fun- . temerosa do que lhe pudesse su­ ceder. Metas terapêuticas Por ordem de prioridade. a paciente buscou consolo e refugio em sua mãe através de uma regressão oral. que a acompanhava desde as primeiras entrevistas. 3. Isso se revelava na presença constante de sua progenitora. estabeleceram-se os seguintes objetivos terapêuticos: 1. e de comum acordo com a paciente. Prognóstico Considerou-se que a paciente estava apta para obter benefí­ cios de uma psicoterapia interpretativa de tempo e objetivos limi­ tados. já que apresentava um ego relativamente forte. Conseguir uma melhoria em seus vínculos interpessoais (considerando especialmente seus desejos de formar um par). Por outro lado. A paciente negava seus víncu[os regressivos e sustentava que éra sua mãe quem se empenhava em não deixá-la só. Mantinha com a mãe um vínculo simbióti­ co. resultava claro que os mesmos se associavam a uma acentuada tendência regressiva. o antecedente de haver sido amamentada com mamadeira até os 6 anos). Clarificar o conflito atual (significação da ruptura da rela­ ção de casal e dos sintomas a ela relacionados). ante a frustração.

com certa capacidade de autoobscrvação11. A tarefa terapêutica centrar-se-ia em investigar a relação entre os sintomas mencionados e suas inibições sexuais (dificul­ dades para formar um par. embora cautelosa. medianamente inteligen­ te. para realizar uma psicoterapia. frigidez). A duração do tratamento foi fixada em três meses. pensou-se que um primeiro avanço dar-se-ia ao se conseguir que J. realizar-se-ia um trabalho de inter­ pretação ativa. à razão de duas sessões semanais de 30 minutos cada uma. De início efetuar-se-iam interpretações “de ensaio” ( 1). aprofundar-se no foco. Logo.sobretudo “extratransferenciais” . A isso se acrescentava que nos encontrávamos ante uma pessoa jovem. um trabalho relacionado com as ansiedades provocadas pela se­ paração. Considerou-se que não era conveniente intentar a aborda­ gem e a interpretação de suas fantasias homossexuais latentes numa psicoterapia de tempo limitado. Quanto à estratégia terapêutica. como sempre. * Planificação do tratamento Considerou-se conveniente apelar para assinalamentos e interpretações . do conflito. A parte final do tratamento deveria incluir. se possível. graças ao “momento propício” que atravessava (2). Por último. para ver em que grau a paciente as aceitaria. pudesse reconhecer a conexão entre seus sintomas conversivos e sua vida emocional. quer dizer.ao operar sobre a conflitiva central do tratamento.234 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica çòes em grande parte conservadas. motivada. a possibilidade de determinar um foco e objetivos claros foi outro elemento que permitiu formular um bom prognóstico. Levou-se cm conta a possibilidade de apelar para a utilização seletiva do método da associação livre. Posteriormente talvez fosse possível aprofimdar-se mais nos psicodinamismos subjacentes aos sintomas. .

O terceiro. havia facilitado além disso a já mencionada identificação. desfrutávamos'* juntas a sessão. representava por sua vez seu pai. Mas além disso. à morte de um terceiro . de características sádicas. recordou algo muito importante que relatou como se segue: “Eu estava no cinema com mamãe. eroticamente carre­ gada. isto é. todavia. J. para a paciente. entregando-se em tfoca ajogos sexuais. a morte de seu irmão vinha somar-se ao relato feito por esta de que haviam falecido seu primeiro marido e seu primeiro filho.como evidenciou com clareza outro sonho seu adquirindo. para seu amor homossexual possessivo pela mãe. nas quais evidenciou uma inten­ sa resistência. seu irmão. segundo ela. com predomínio do negativo. Cabia inferir. em seu inconsciente.Dos tratamentos breves ________ _________ Evolução durante o tratamento Logo nas primeiras sessões. em es­ pecial da análise de seus sonhos. de aniquilar todo homem rival. sofria de intensos sentimentos de culpa ante a perda de seu irmão: fazia-se censuras. Freqüentemente tinha pesadelos cujo conteúdo se vin­ culava ao acontecimento no qual aquele havia perdido a vida (eram freqüentes sonhos sobre inundações). o qual reforça­ va as fantasias onipotentes de J. A respeito. J. quando nos vieram avisar que meu irmão havia morrido. que a repulsa de sua sexualidade correspondia em parte à identificação com a jovem que. Pensou-se que tal­ vez não fosse necessário . por seus desejos ocultos de livrar-se dele. como se o houvesse abandonado ao ocorrer a tragé­ . seus dese­ jos homossexuais e simultaneamente seus desejos parricidas. sobretudo mediante vômitos. a cena da morte de seu irmão encobria o complexo edípico. A união sexual ficava assim muito intensanfpnte ligada. com aquela jovem.chegar a confrontar a paciente com estes aspectos de seu problema edípico para alcançar os objetivos propostos. Na realidade.nem prudente . não havia auxiliado seu irmão. J.” Compreendi que essa situação revelada por J. uma significação agressiva intensa c em conseqüência muito persecu­ tória. razão pela qual se via obrigada a rejeitar seus impulsos sexuais. Revclou-se decisiva influência da morte do irmào em seu so­ frimento.. e por isso seus eventuais pares. se tomou mais receptiva e começou a mostrar certa capacidade de insight.

Seu filho constituiria. Esses aspectos de seu conflito foram mostrados à paciente. em especial de sua progenitora. a repulsa desses dese­ jos e o castigo por eles16. mortificava-se pensando que devia ter feito algo para salválo. Os vômitos cediam quase instantaneamente ao receber a injeção (sugestão). nas quais ao desejo de possuir um menino como substituto do pênis se agregava um intento reparador em relação à morte de seu irmão. b) Fortes desejos oral-sádicos (fantasias de fellatio ) reprimi­ dos.236 Psicolcrapia breve de orientação psicanaiítica dia. implicava ao mesmo tempo a perda de suas possibilidades de reparação. Comentava. A esta altura. uma oferenda a sua mãe. Dizia. além disso.” Durante o tratamento pôde manifestar que os desejos de ter um filho se relacionavam com um desejo reparatório inconsciente em direção a seu irmão. dada sua rivalidade por conquistar a preferência de seus pais. supervalorizada. no qual havia projetado seu pró­ prio sadismo. A perda de seu par. Existia uma intensa idealização da figura do irmão. Os vômitos significavam. Na realidade tinha tido uma relação muito ambivalente com ele.. c) A busca da satisfação de desejos ligados a outras pulsões parciais. em síntese. pôde-se precisar e interpretar-se que seus vômitos se relacionavam principalmente com: a) Fantasias inconscientes de gravidez.” A aparição dos vômitos coincidentes com a primeira menstruação poderia ser explicada provavelmente pela influência desta última como estímulo. . que só desejava ter um varãozinho c que não podia explicar por quê. por exemplo: “Ele era melhor como pessoa e como filho e podia ter dado mais satisfações que eu. A paciente havia conseguido que toda vez que tivesse vômitos lhe aplicassem injeções de um tranqüilizante nas náde­ gas. Essa descoberta significou um novo aprofundamento na compreensão focal. Agora tinha-a quase que só para si. como se com ela quisesse expressar-lhe: “Aqui tens um varão em troca daquele que eu matei. ao significar a possibilidade biológi­ ca de procriar.. ao ver-se impedida de procriar. por sua vez. entre outras coisas. situação vinculada ao desejo de ter um coito anal. vivendo inconscientemente essa situação como uma violentação. com o intuito de aplacar o perseguidor.

já que os cirurgiões. Também nessa fase da terapia assinala­ ram-se suas tendências opostas de dependência e independência com respeito à figura materna. um tanto intempestivamente.de gravidez (havia além disso outra prova suficiente para demonstrar a J. que não houve. relatou fantasias e sonhos durante o tratamento. não en­ contraram nenhuma alteração no apêndice e cm nenhum outro lu­ gar. A intensi­ dade das náuseas e dos vômitos diminuiu com rapidez pouco . Dali vimos que deveria refugiar-se na fan­ tasia onipotente de gravidez ante a perda de sua relação de casal e das ilusões a ela ligadas. Para vencer essas resistências foi necessário utilizar interpretações “transferenciais”. a fim de que pudesse reconhecer a existência de uma situação persecutória na relação terapêutica. aceitando que estas influíam na produção dos sintomas (havia dito que com freqüência vivia em parte como reais suas próprias fantasias diurnas: “Quando minto. da qual foi conseguindo um insight progressivo. Re­ conheceu então seus desejos . o que foi interpretado.. como fator gerador de resistências. enquanto experimentava seus próprios desejos sexuais como proibidos*e perigosos.Dos tratamentos breves 237 A esse respeito existia o antecedente de ter sofrido uma ope­ ração cirúrgica. J. Às vezes. sentimentos in­ crementados pela existência de uma imagem supervalorizada de seu irmão no seio familiar. J. se tornava resisten­ te e até hostil. o que re­ sultou muito útil para a compreensão de sua problemática. e) A necessidade de provocar repulsa em seus pretendentes. por causa de uma suposta apendicite. A evolução de seus sintomas foi muito favorável. o que refor­ çava ainda mais seus sintomas. Havia assim satisfeito seu masoquismo erógeno. tal como o atestavam os testes projetivos.. imagino que saio com um rapaz e o conto como certo. eu mesma creio em minhas mentiras. Começou tomando consciência da relação entre seus vômi­ tos e suas fantasias. A transferência hostil estava ligada a seus sentimentos de inveja fálica. seu ressentimento por ter de me revelar os segredos de sua sexualidade. também era importante. Por exemplo. Tenho muita imaginação”). o poder de suas fantasias: a gravidez psicogênica). d) A obtenção de evidentes ganhos secundários. anos atrás. durante a operação.

c o terçol. diga-se de pas­ . O terçol apare­ cia. sua sintomatologia habitual. Acrescentou que lhe parecia muito estranho que em troca dc seus vômitos tivesse que sofrer nessa segundafeira de um doloroso terçol. Na sessão. com sua esposa efilho. sobretudo anais. exercen­ do um papel ativo. a fantasia da paciente da gênese do terçol representava a união sexual. durante o tratamento. es­ sencialmente. por deslocamento e como sintoma substitutivo de suas náuseas e vômitos. os dedos c a lapiseira eram símbolos fálicos e penetravam em um orifício representado pelo orifício orbital. o que havia acontecido durante o fim de sema­ na) visitou-a em sua casa um ex-noivo seu. de caráter proibi­ do para a paciente (alusão do sexual como algo “sujo”. um significado anal inconsciente). através de sua referência a dedos sujos. ainda que muito atenuada. um bebê de poucos meses.de um terçol17. presumidamente substituídos pela aparição . o olho tinha aqui. e 2. proeminente. associou a subs­ tituição das náuseas e dos vômitos por um terçol com as manifes­ tações de uma gravidez (o terçol como volume.23H Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica depois de iniciado o tratamento e praticamente ao completar-se o primeiro mês. a própria gravidez. No segundo mês de tratamento. com significado idêntico ao desses sintomas. agora na qualidade dc amigo. conseqüência do anterior. particular­ mente à analidade. o que me fez pensar que pudesse ser um efeito da suges­ tão (cura transferencial). Não foi necessário recorrer a nenhuma medicação. J. pois se reduziu a um estado de náusea.°) no dia seguinte a um domingo em que foi ao cinema. então. respondeu-me que devia ser conseqüência de ter introduzido “os dedos sujos ou uma lapiseira no olho”. como uma nova expressão na área do corpo de suas fanta­ sias dc gravidez.reapare­ ceu.numa segunda-feira . Isto é. Ao lhe pedir associações sobre fcstc. cederam. Só em duas ocasiões ambas em segundas-feiras . Isso suce­ deu: IP) quando no dia anterior (sempre lhe perguntava. o fato mais notável foi o desaparecimento das náuseas e dos vômitos histéricos. diante do assombro da paciente. Pudemos ver que a significação in­ consciente desses pensamentos era a seguinte: o terçol se achava associado a fantasias de coito. Esses sintomas. comprovando assim sua tendência a expressar suas fantasias através de transtor­ nos corporais"*). isto é.

TTSuas dificuldades nas relações interpessoais. cui­ dando de mencionar sempre o componente do amor. Já durante a proje­ ção do filme J. Convencido de que a elaboração de luto permaneceria inconcluída. Esses. A relação entre seus desejos de gravidez e a dor patológi­ ca pela morte de seu irmão. mas também de modo paralelo e constante a existência de sentimentos carinhosos e de autênticos desejos reparatórios. a innà representava ela mesma. A delicada e difícil tarefa de encarar esse problema da pa­ ciente se efetuou. tal o título em castelhano um filme que inclui cenas de muita violência . ao longo de sessões que tiveram nela e cm mim profunda repercussão emocional.uma jovem. havia começado a sofrer de um estado de náusea. que finalmente a fazem objeto de um brutal estupro por via anal. Desde a metade do segundo mês até o final do tratamento abordaram-se especialmente: 1. “Los perros de paja”. tratando de assinalar. Este é um dos meios de manejar a regressão. esse fato ficava associado à morte de seu irmào pelo já visto anteriormente. Começou a encontrar-se com jovens sem ter vômitos e evidenciando de modo . derivadas da mobilização afetiva ocasionada. de traços histéricos. estimulados. Em seus pesadelos freqüentemente aparecia sua irmã afbgando-se. temerosa de sofrer retaliação. provoca sexualmente um grupo de homens. Na realida­ de. no breve tempo disponí­ vel. senão os vários aspectos em jogo” (10). nessas circunstâncias. personalidade. seguindo nisto Szpilka e Knobel quando sugerem que as intervenções em psicoterapia breve não se dirigem a mostrar “um so dos agentes de. fatos foram muito úteis para mostrar-lhe novamente como suas náuseas e vômitos se relacionavam com seus desejos sexuais reprimidos. o castigo pelos desejos de morte em relação ao irmão19. Ela presenciava a cena sem poder evitá-la. Pôde accitar que seus sintomas expressavam seu sentimento reafivo de repugnân­ cia por tais desejos e ao mesmo tempo a busca inconsciente de sua satisfação (injeções). procurei atenuar as ansiedades persecutórias e a regressão conseqüente. não só seus impulsos agressivos e sua inveja fálica para com seu irmão.Dos tratamentos breves 239 sagem com sua mãe. Neste. Contou-me depois a forte impressão que lhe haviam produzido certas cenas do filme.

com uma diminuição de suas ansiedades paranóicas. com critério prospectivo). racionalizadas com argumentos pouco consistentes e cujo provável significado seria o de tentar inverter os papéis e aparecer como ela abandonando o tratamento antes de se sentir abandona­ da. chegou-se a obter uma certa clarificação de sua problemática e do significado de seus sintomas com relação ao luto pela morte de seu irmão. em certa oportunidade mencionou que sua mãe lhe havia con­ fiado que desde a trágica morte de seu irmão apresentava uma mar­ cada inibição de sua atividade sexual. Mostrava-se muito grata a mim. sua iniciativa pessoal. registrou suas únicas ausências nas duas sessões finais do trata­ mento.240 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica geral progressos no trato com eles. o que co-determinava suas próprias inibições sexuais.. ao qual não se associaram maiores dificuldades (penso que isso foi possível porque desde o primeiro momento tratei de estimular em J. A esta altura fez-se ainda mais notória a incidência do luto pela perda do irmão em sua problemática sexual: trazia sonhos cujo denominador comum era o desejo de dar à luz um varào. Existia ao que parece certo grau de identificação melancólica com sua pro­ genitora. o sexual como algo detestável.. por isso foi necessário “deixar passar” material que era tentador inter­ pretar). pois seus vômitos a haviam feito sofrer durante muitos anos. Mostrei-lhe como os ganhos secundários de seus sintomas podiam interferir na sua cura (cabe mencionar aqui que a partir do segundo mês de tratamento a paciente já comparecia sozinha às sessões). As interpretações foram centrandose nesse ponto (a rivalidade com seu irmão. salvo que J.) e assim foi-se aprofundando o foco. J.”. Depois compareceu às entrevistas de avaliação. o que parecia mais com­ plicado ainda neste tratamento de tempo limitado (se bem que o luto patológico não ficasse atrás em extremo nesse sentido. seus sentimentos de culpa e seus desejos de reparação. . Por outro lado. Realizei certo trabalho interpretativo em torno da separação. “Não sei disse-me a pacien­ te -se foi ela quem ‘me passou’ ou nào alguns traumas. Em suma. Isso era conseqüência de uma confiança na relação comigo. trazia com menos temor seus problemas sexuais. Não se encarou a fundo o complexo de Édipo positivo e negativo. etc.

No to­ cante a suas inibições. os vômitos das segundas-feiras.insight . Nesse sentido. Havia-se elevado sua auto-estima. a paciente opinou acerca do tratamento: “Foi bastante positivo. Claro que voltarei a consultar-me se necessário. certamente podem ficar muitas coisas que eu mesma posso superar pouco a pouco.es com os homens. . Via-se menos ligada à mãe e com desejos de aproveitar seu tempo livre integrando-se a grupos de ambos os sexos. J. mostrando-se muito agradecida pelo que havíamos feito por ela. Outras modificações geradas pela terapia em torno de questões tais como o trabalho foram de importância secundária ou não ocorre­ ram. a melhora foi menos notável. persistiam dificuldades em suas relaçõ. J. se despediu de nós sem que combinássemos novos encontros para o futuro.” Concordamos que havia alcançado em boa medida com­ preensão . A terapia produziu além disso outras modificações favoráveis em suas relações interpes­ soais.dos motivos determinantes de seus proble­ mas atuais e que dia após dia podia manejá-los melhor. da mesma maneira que a depressão.. Ainda que tenham desaparecido reações impróprias (os vômitos). Transcorrida a etapa avaliativa. As náuseas e os vômitos haviam desaparecido.Dos tratamentos breves _____________ 1 Avaliação dos resultados terapêuticos Avaliação imediata Nas entrevistas de avaliação imediata.. O reteste também evidenciou uma evolução favorável: repa­ ração da figura masculina e tentativas de sublimação de seus de­ sejos orais. Superei muitas coi­ sas. que no entanto pareciam já estar a caminho de serem superadas. A melhora sintomática era muito ostensiva no que se referia aos sintomas positivos de sua neurose. manifestou confiança em poder formar um novo par e gozar se­ xualmente. como no concernente a uma eventual elaboração de projetos pessoais. já sabend© quais são meus problemas.

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Avaliação mediata
Cerca de três anos depois e após grandes esforços para locali­ zá-la, pois se havia mudado com seus pais, consegui encontrá-la. Desloquei-me até seu domicílio, já que J. nào tinha telefone. Recebeu-me sua mãe (J. nào se encontrava ali no momento), que se alegrou de me ver. Pcdi-lhe que dissesse a J. que tratasse de se comunicar comigo e aproveitei a ocasião, além disso, para obter sua impressão sobre o estado da jovem. Contou-me que a seu ver havia mudado notoriamente a partir do tratamento efetuado; mos­ trava-se otimista e ativa de modo estável, havia conseguido um novo emprego, mais bem remunerado, e um companheiro, e nunca mais havia apresentado episódio de vômitos. Para ela prosseguiu comentando - “o problema” de J. fora sempre o de seu irmão fale­ cido. Finalmente acrescentou que desde algumas semanas J. pen­ sava em falar comigo para que atendesse uma amiga sua. A paciente me ligou quando recebeu meu recado e pudemos marcar uma entrevista de acompanhamento. A maior parte das declarações de J. e das conclusões que se podem extrair de tal en­ trevista sào dignas de serem expostas com certo detalhe, pois con­ sidero que ilustram adequadamente a eficácia e o alcance que o procedimento terapêutico aplicado parece ter atingido. Encontrei J. sorridente e de excelente aspecto. Seus gestos me pareceram mais sóbrios, menos teatrais. Não havia recebido nenhum outro tratamento psicológico após ter terminado o efetuado comigo. Com grande satisfação, expressou: “Desapareceu uma série de problemas que eu tinha. Nào tive mais problemas de vômitos e tive uma mudança radical em tudo: estou noiva, vou muito bem com ele, mudei de trabalho, me sinto bem. O tratamento foi difí­ cil para mim. Rçcordo que, às vezes, rejeitava muito você. Até tinha bronca de você. Agora entendo que era pelas coisas que me fazia ver.” J. me falou de seu parceiro, com quem se relacionava há dois anos. “E muito centrado, tem 28 anos (J. tinha 23 na época da entrevista), é engenheiro, estamos próximos do casamento, talvez dentro de uns meses, no fim do ano... Nos completamos em ques­ tão de temperamento. Meu temperamento está mudado, estou

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mais alegre, brinco, gosto não só da companhia do meu noivo, mas também de sair em grupo. Antes tratava de ficar só, não tinha desejos de sair e nem de me arrumar.” No que se refere à atividade sexual, J. assegurou que tinha relações sexuais satisfatórias com seu parceiro e que quase sempre conseguia o orgasmo. “Antes continuou - não era feliz sexualmente, sentia-me usada, o sexo era algo asqueroso para mim... Não rejeitei meu noivo em nenhum momento. E não comentei nada de minha outra relação (alude a seu parceiro anterior). Não acho necessário.”2 0Mais adiante conti­ nuou se referindo à sua sexualidade: “Creio que tenho mudado muito minhas idéias sobre sexo... Com ele temos bastante liberda­ de sexual, conseguida pouco a pouco... Eu antes não tinha podido mostrar-me desnuda diante de um homem, com a luz acesa. Ago­ ra, pelo contrário, considero normal.” Toma-se indubitável que ao longo do tempo depois do trata­ mento, J. havia vencido em grande parte suas inibições sexuais, havendo formado um par, com o qual aparentemente se achava muito ajustada, e superado sua frigidez. Foi, isso sim, necessário que passasse certo tempo para que pudessem cumprir-se esse objetivos terapêuticos e comprovàr-se assim os frutos do trabalho desenvolvido, segundo o relato da paciente e o de sua mãe. Manifestou desejos de casar-se logo para poder ter filhos. Enquanto isso recorria a anticonceptivos orais. “Apesar de meus desejos de ter filhos, não me esqueço de tomá-los”, comentou sorrindo. J. queria sem dúvida fazer-me notar que tinha presente aquilo que havíamos explorado durante sua terapia e que além disso estava muito atenta no que se referia a tomar as precauções devidas, a partir da profunda convicção - obtida mediante o trata­ mento - que tinha a respeito da força de seus desejos inconscien­ tes. Não havia tido abortos. Quanto às relações com seus familiares, contou-mc que se sentia muito bem com seus pais, e ao mesmo tempo muito mais independente. Como havia comparecido à entrevista com sua mãe, iinportou-lhe esclarecer-me que esta havia insistido tanto cm acompanhá-la que lhe parecera absurdo negá-lo, mas que na ver­ dade sentia que isso não era necessário em nada, diferentemente do que sucedia antes, quando ela mesma requeria a companhia e os

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cuidados de sua progenitora, chamando de algum modo a atenção para isso. “A relação com minha mamãe - continuou a me contar J. mudou muito, ao menos de minha parte. Agora compro sozinha minha roupa... Antes, tenho certeza, não teria podido casar e viver longe dela. Agora tenho propostas para viver com meu futuro marido na província e não vejo inconvenientes.” A paciente atri­ buiu ao tratamento efetuado uma decisiva influência nas modifica­ ções que a relação com sua mãe apresentava21. Do mesmo modo, J. havia sido antes muito dependente em relação à irmã, com a qual agora - segundo ela - se vinculava mais, “de igual para igual”, sem ajustar-se incondicionalmente às opiniões dela, aceitando-as como tais, mas desenvolvendo pontos de vista. Havia interrompido seus estudos de modelo publicitário, devido ao fato de que os encarregados de dar-lhe trabalho tacita­ mente lhe impunham como condiçào que mantivesse relações se­ xuais com eles. Isso se repetiu em duas ou três oportunidades, razão pela qual decidiu abandonar definitivamente esse campo. Referiu-me que sempre se sentira atraída pela arte cênica, mas que no momento não pensava em estudar teatro, já que o que lhe interessava era concretizar com brevidade seus planos de contrair matrimônio e nesse sentido voltava-se com afinco para seu traba­ lho numa empresa distribuidora de peças para automóveis, onde obtinha um salário superior ao de seu emprego anterior e ainda tinha possibilidade de melhorar seus ganhos muito mais. Espontaneamente comentou que, em função de uma bron­ quite que contraíra, deixara de fumar. Pôde consegui-lo contro­ lando a ansiedade derivada de tal abstinência, fato que a seu ver cra um efeito da terapia, ainda que não pudesse precisar melhor de que maneira esta a havia ajudado nesse problema. Depois referiu-se a seus estados depressivos, que já haviam deixado de acontecer. Dc imediato aludiu à recordação de seu ir­ mão falecido: “Não penso tanto nele. Inclusive, antes desejava ter um varão ruivo como meu irmão. Agora não. Quero que se pareça com meu noivo e comigo... Quando nos mudarmos, não quero mais pendurar fotografias de familiares mortos, como meu irmão, meus tios...” Isso podia indicar certa atenuação da culpa pela morte do irmão, o que lhe permitia um maior desprendimento do objeto per­ dido, podendo dedicar-se mais a seus próprios desejos pessoais.

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Queria enviar-me uma companheira de trabalho, para que tratasse dela, o que constituía uma manifestação a mais de sua confiança em mim. Quase no final da entrevista, após haver-lhe transmitido minhas impressões ao longo da mesma, expressei-lhe minha sa­ tisfação de encontrá-la bem e com tão gratas novidades, reiteran­ do que contasse comigo para qualquer necessidade, depois do que nos despedimos, não sem que J. tivesse palavras de emocionado agradecimento para comigo. Desde esse momento não voltei a ter notícias dela. Finalmente, ao se registrarem nessa oportunidade resultados positivos em I.P.F. (insight da problemática focal), R.P.F. (resolu­ ção - clínica total da problemática focal, pof substituição das reações impróprias pelas apropriadas, em suas rèlações heterosse­ xuais) e M.S. (melhoria sintomática), o resultado final, de acordo com o sistema de avaliação proposto no capítulo 11 , considera-se muito favorável.
Considerações finais

Este caso convida à reflexão em torno de vários pontos. Sem dúvida é polêmico e penso que constitui uma mostra fiel das múl­ tiplas interrogações que se apresentam na prática dessas terapias a respeito da teoria da técnica. Tais questões devem servir de estí­ mulo para discutirmos e investigarmos propostas que resultem úteis e que conduzam a linhas de trabalho fundamentadas dinami­ camente. Também é interessante o problema que levanta com relação aos resultados terapêuticos. y 1 . O uso flexível e seletivo do método da associação livre rende seu frutos ao aplicar-se em quem conta com possibilidades reais de responder de um modo favorável (aqui pôde-se utilizá-lo com êxito, por exemplo, a propósito dos sonhos da paciente e da aparição do terçol). — /'2. Podemos observar neste caso a evolução do foco durante o tratamento, quando a compreensão dos dinamismos da conflitiva focal vai-se enriquecendo e se aclarando como conseqüência de descobertas progressivas. É possível uma maior definição do jogo

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de inter-relações entre os diversos fatores. O aprofundamento no foco revela a sobredcterminaçào dos sintomas e é facilitado pelas condições da paciente para se remeter ao material focal e obter insight desses conflitos22. 3. Se bem que aqui tenha-me aventurado de novo num traba­ lho interpretativo de certo modo profundo, com incursão em aspectos históricos infantis - já que penetrar na relação que a paciente mantinha com o irmão e no luto patológico que sobre­ vêm a essa perda, ocorrida em plena infância dela, não supõe ou­ tra coisa não me afastei da conflitiva focal. As interpretações que incluíam aspectos históricos infantis eram, repito, sempre focalizadas, possibilitando assim o aprofundamento do foco. Se tivessem estado ‘‘fora de foco”, isso teria implicado o risco de “abrir feridas” desnecessárias, provocando uma maior mobiliza­ ção na paciente, relacionada com conflitos que não poderíamos abarcar o suficiente durante o tratamento. — 7 4. No que se refere aos problemas suscitados pela presença de lutospatológicos de importância em tratamentos de curto pra­ zo, cabem aqui as considerações efetuadas em capítulos anterio­ res (ver os capítulos 10 e 12). Mas quero formular uma interroga­ ção que surge em seguida: se é conveniente, ou ainda necessário, incluir um luto dessa natureza, entre os aspectos a serem tratados com o paciente, no programa terapêutico de uma terapia de dura­ ção limitada (o qual coincide, nessa oportunidade, com o proble­ ma da atitude a ser assumida ante o histórico infantil). Neste caso particular, minha resposta é afirmativa. Incluir 0 luto era de certo modo algo inevitável, como fui compreendendo ao longo do pro­ cesso terapêutico, pois a meu ver constituía um problema de importância fundamental, que estava no próprio núcleo do sinto­ ma como conflito subjacente c que requeria abordagem, ainda que só pudesse ser efetuada de modo parcial. Cabe perguntar se o fato de não haver trabalhado desse modo teria produzido resultados similares aos obtidos quanto à remissão da sintomatologia, baseda em certo grau de insight a respeito do conflito central do trata­ mento, resultados esses que ficam corroborados no meu enten­ der- pelo acompanhamento efetuado anos depois. Uma vez convencidos de que devemos nos ocupar direta­ mente do luto. surge a necessidade de recolocar nossa modalida­

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de técnica ante esses problemas, adaptando-a ao enquadramento existente nesse tipo de terapia para evitar que elas se convertam numa psicanálise incompleta, com conseqüências previsíveis. Ao descrever este histórico expus a posição que adoto, partindo das propostas de Szpilka e Knobel (10). Esta inquietude leva não só a ajudar o paciente ao máximo, dentro das possibilidades institucionais. mas também a não preíudicá-lo com técnicas inadequadas. Até aqui refiro-me somente às necessidades e vantagens de incursionar na problemática do luto, mas desde já com a ressalva de cjue tal atitude contém os riscos próprios de uma tarefa terapêu­ tica escabrosa, que em termos ideais deveria ser tão prolongada quanto intensiva, e que em virtude da limitação temporal ficará forçosamente incompleta. A elaboração insuficiente do luto poderá acarretar o reaparecimento dos sintomas ou novas manifes­ tações do conflito (fato não comprovado nesta paciente após transcorridos cerca dc três anos do término do tratamento). Mas trata-se de um risco previsto, calculado. Para isso existem os acompanhamentos, que oferecerão oportunidade de detectar re­ caídas e de assinalar, quando a situação o requeira, a necessidade de retomo à psicoterapia. , - -Em TtPSsã~pãciente, pênso que os resultados obtidos com re­ lação à abordagem do luto enquistado não devem ser subestima­ dos. Creio que, na prática, ainda em terapias de objetivos limitados, nos problematizamos - e equivocamos - em demasia, quando, com nosso furor curandis, pretendemos conseguir uma elabora­ ção de conflitos fundamentais ou solucionar perturbações caracteropáticas que costumam levar muito mais tempo, habitualmente anos de trabalho esforçado. Nesta oportunidade poder-se-ia questionar e creio que com certa razão - a abordagem de um conflito ocasionado por um luto patológico num tratamento de três meses apenas. Colocando-nos sempre a alternativa de ter de fornecer uma terapia de tempo limi­ tado, como ocorre no contexto hospitalar, o que corresponde ao caso de que nos ocupamos (paciente de escassos recursos econô­ micos, em primeira experiência psicoterápica, que se consulta ao ser encaminhada e não por iniciativa própria, talvez necessitada de adquirir maior consciência da enfermidade e de aumentar sua motivação para considerar futuramente a opção de um tratamento

Também em matéria de resultados terapêuticos das terapias breves existe um preconceito muito arraigado. por exemplo. Vemos que em nossa paciente. após três anos de finalizado o tratamento. os resultados ultrapassaram a mera cura ou alívio de um. Por último. desde o começo. algo mais sobre os resultados obtidos. nos dão neste caso a medida de que isso não é exato. ainda que bastante firme do conflito.e mais bem documentado . numa magnitude a princípio inusual em minha experiência em psicoterapias de tempo limitado24. o grau possível de aprofundamento interpretativo e de “insight” alcançado concomitantemente pode . e que é de se destacar haver-se instaurado um ciclo prospectivo e uma adaptação produtiva à realidade.sobre o caso. e pareceu haver-se chegado a uma resolução dinamicamente parcial. que permitisse um estudo mais exaustivo .) . um tempo maior para a terapia23. penso agora que o que talvez pudesse ter sido feito e resultasse conveniente seria fixar. O acompanhamento permitiu descartar as temidas recaídas. As mudanças impressionam como tendo tido um alcance que cm alguns aspectos transcende os objetivos terapêuticos propostos. Naturalmente faço referên­ cia a uma profundidade que se alcança somente em aspectos par­ ciais da conflitiva. sua estabilidade e os novos progressos ao longo de quase três anos de evolução.em certas ocasiões . que consiste em crer que as mudanças produzidas são sempre “superficiais” e/ou transitórias. concretizados nos êxitos obtidos pela paciente nos anos que se seguiram ao tratamento. já que. é bom recordar. fanta­ sias pré-genitais inconscientes (em especial as de caráter oral e anal). razão pela qual foi possível interpretar. apesar de ter-se efetuado um tratamento apenas de três meses.248 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica prolongado). (Lamentavelmente não se pôde contar com um novo reteste. diante de pacientes muito cooperativos e capacitados para o insight. incô­ modo e antigo sintoma.ser significativo. A natureza da melhoria. permanecendo diversos conflitos sem serem desenvolvidos. Que essas terapias sejam indefectivelmente “superficiais” constitui por certo um preconceito. como se pôde apreciar ao longo deste histórico.^ isso o que ocorreu com esta inteligente e flexívçl paciente (apesar de apresentar por momentos intensas manifestações resistenciais).

. Dewald. em 4. “La histeria: Historiales cínicos”. Referências bibliográficas . Barce­ lona. Biblioteca Nueva. F.Dos tratamentos breves 249 A experiência de investigadores como Dewald também pare­ ce demonstrar que é possível obter resultados terapêuticos muito bons. cm P. Sexual Discord in Marriage. R. French. Londres. n? 2. M. 1932. Granica. Paidós. 2. Centro Editor de América Latina. Acta psiq. XVI11. em S. Jones. p. P.. Terapêutica psicoanalitica.. vol. pode desenvolver-se um insight importante dos conflitos num contato terapêutico relativamente curto e que exerça um efeito terapêutico duradouro” (3). Comunicación personal. cm'F. citado por L. 119. junho 1968.C. Alexander e T.. Freud. Labor. D. Courtenay. “Psicoanálisis y psicoterapia por ‘insight’ dirigido”. Pontalis. 1968. E. 3. “The Phallic Phase”. 1950. Guiter. 1. psicol. “Acerca de la psicoterapia breve”. 1972. Assinala este autor que “em alguns enfermos. . 1965.. Freud. em Papers on Psychoanalysis. a propósito do tratamento de J. Tavistock. Dewald. A Study of Brief Psychotherapy. “Indicaciones para la terapia”. ob. 4.. Alexander. cit. cap. bem ‘prepa­ rados’ sensível e psicologicamente. S. A.. Barcelona.. Springfield. Picdimonte. 8. em Diccionario de psicoanálisis. 1963. C. Charles Thomas. 6. 7. Madrid. VI. podem bem produzir-se. Szpilka. Lat. citado por J.. Apesar de esses resultados não serem habituais em psicoterapias breves. M. Buenos Aires. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. 5 . 1974. Illinois. em S. J. O. como vimos nesta ocasião. Comunicación personal. Buenos Aires. Buenos Aires. Amér. B. M. A.) 9. XIV. tomo ü. “Análisis fragmentario de una histeria”. Tavistock. Toray.. Buenos Aires. 10. 1971. Laplanche e J. Londres. H. cap. Freud. Psicoterapia: un enfoque dinâmico. e Knobel.. Small em Psicoterapias breves. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Londres. Baillière. tomol. 1948. Malan.. 1972.

4 .

reafirma isso de maneira concludente. É que. etc. pp. o que. No que diz respeito às emoções contratransferenciais. Formação de terapeutas em psicoterapia breve * Introdução Está fora de qualquer dúvida que uma preparação psicanalítica prévia adquire importância decisiva na formação em P. entre outras coisas. como vimos. Wolberg (5). que o * Tradução de Rosa Maria Salmen Scaramuzzi. Conhecimentos teóricos e prática psicanalíticos.14. acontece com freqüência num tratamento breve (ver capítulo 8. nas quais pode chegar a colocar-se como o excluído. especialmente em circunstâncias que para ele reproduzam a situação triangular. entre outros. cabe assinalar a necessidade de que o terapeuta exerça um controle adequado sobre elas.. . 155 s. Por esse motivo. é necessária uma rápida captação da problemática do paciente e cr conhecimento c manejo dos fenô­ menos transferenciais e contratransferenciais que abranjam as variações que no campo criam fatos tais como a conduta ativa do terapeuta ou a combinação dos diferentes recursos terapêuticos.). De­ verá dominar tanto o sentimento de exclusão que possa experi­ mentar como os componentes de ciúme. rivalidade. será de grande utilidade contar com suficiente experiência de análise pessoal.B.

pois os erros mais comuns na sua prática correspondem precisamente à extrapolação da técnica psicanalítica. que este se fixe no objetivo de conhecer com clareza as características principais que distinguem uma terapêutica da outra. © que seria ideal. com uma boa elaboração de seus próprios con­ flitos básicos. cumprida previamente ou não a etapa psicanalitica.B. pois do contrário corre o risco de atuar nocivamen­ te. 155 ss.. já que podem contar.B. Mas sabemos que na prática a realização dos trata­ mentos breves se assenta em boa parte em terapeutas novatos./É claro que tal pretensão exige a existência de fundamentos teóricos definidos em P. para não se abandonar a uma situação que o condene a transformar o trata­ mento breve numa “psicanálise breve’\/Para isso será mister estu­ dar conscienciosamente certos princípios essenciais da P.B. o que também já foi assinalado (capítulo 8. para em seguida descrever alguns dos requisitos ou con­ dições que me parecem importantes para ser um bom terapeuta em P. exporei um modelo de registro clínico que acredito pode servir de guia na prática e favorecer uma sistemati­ zação operativa da tarefa.B. Finalmente. De qualquer forma. dentre as muitas vantagens em comparação com um tera­ peuta principiante. pp. a formação do terapeuta em P. e que o treinamento deles em tais tratamentos não costuma ser pre­ cedido de uma sólida formação psicanalitica. consistirá na apren­ dizagem da teoria de sua técnica e no treinamento psieoterapêutico adequadamente supervisionado. como primeira medida. mas que no máximo coincide com o desenvolvimento dela. Fiorini assinalou a influência negativa que a carência de uma . A partir daí deduz-se que são os psicanalistas experientes que estão em melhores condições de exercer a P.252 Psicoterapiu breve de orientaçãopsicanalitica acompanhem. Aprendizagem teórica Ainda aceitando que na verdade seja difícil “fazer e aprender simultaneamente psicoterapia e psicanálise” (Joseph [2]) e em virtude de apresentar-se na maioria das vezes essa necessidade nas fases iniciais do caminho a ser percorrido por todo terapeuta iniciante.). considero que será melhor.B. A seguir me ocuparei desses aspectos..

B. entào.B. so­ bretudo porque se continua insistindo equivocadamente em de­ frontar a P. Além disso./ Treinamento psicoterapêutico As necessidades atuais de recorrer a esses procedimentos pa­ ra oferecer atenção psiquiátrica à numerosa população que recorra aos diversos estabelecimentos assistenciais (serviços psiquiátricos hospitalares. seriam então: partir de embasamentos teóricos sólidos (por exemplo e fundamentalmen­ te os fofnecidos pela psicanálise) e expor um método que apresen­ te coerência suficiente. como se se tratasse de dois proce­ dimentos antagônicos. instituições privadas). rever de início. já que sobre o mesmo abundam preconceitos de todo tipo. (1) exerce na formação dos terapeutas. tenho experimentado quase sempre a necessidade dc incluir ini­ cialmente nos grupos um trabalho que chamaria de/“abrandamento" dos colegas. a meu ver. são fatos que provocam exigên­ cias nos profissionais. É possível que assim seja. posto que ainda significa para muitos o debut como psicoterapeutas.B.. constitua mais que tudo o produto da falta de coerência nas contribuições . oportuni­ dades para o exercício desse método terapêutico. . com certa facilidade. no sentido de conseguir deles uma boa disposição para a aprendizagem do tema. assim como o reconhecimento da terapia focal como técnica. que convém. centros de saúde mental. ao longo de meu trabalho como docente em P.à qual também se refere acertadamente Fiorini (1) que com freqüência colocam hipóteses incon­ ciliáveis entre si e que também freqüentemente se fundamentam em esquemas referenciais diferentes^Mguns requisitos a se levar especialmente em conta no ensino da P.Formação de terapeutas em psicoterapia breve 253 identidade teórica por parte da P. propósitos cuja concretização encerra uma árdua tarefa que ainda não terminou de se cristalizar. Mas não é menos certo que também estimulam e oferecem por sua vez.B. e que em grande parte essa carcncia. e que é a que pode fornecer a orientação e o respaldo necessáriq para evitar que os jovens profissionais caiam no desânimo e na descrença. com a psicanálise. cuja aplica­ ção é factível e/ou recomendável cm não poucos casos que se apre­ sentam nos consultórios privados.

Costumam apresentar problemas de adequação ao contexto institucional e reforçam. contribuir para a obtenção dessas condições): X 1. a supervisão deverá enfatizar a elaboração de uma história clínica minuciosa._Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica Supervisão clínica / Preferencialmente. / / Por outro lado. Capacidade para estabelecer prontamente um bom rapport com o paciente (Knobel [3]). por carecerem de experiên­ cia de campo e partirem exclusivamente da experiência obtida no âmbito de seus consultórios particulares./ Todavia comprovam-sc comumente dificuldades dos superviso­ res nos tratamentos hospitalares que. em maior ou menor medida. mostram-se rigidamente vinculados à técnica analítica ortodoxa. para os terapeutas.e ainda fomentar o emprego exagerado de interpretações transferenciais. pres­ tará especial atenção aos problemas imediatos da realidade externa do paciente e aos que poderão derivar da dissolução do vínculo terapêutico. Do mesmo modo deverá ajudar a detectar o ponto de urgência nas sessões e estimular a assunção de um papel ativo por parte do terapeuta. incluindo-os como tema que é necessário tratar. . etc/Quer dizer. uma função elementar do supervisor.. a tendência à extrapolação da técnica psicanalítica.^ Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves Mencionarei apenas aquelas que me parecem fundamentais (supõe-se que tanto uma boa análise pessoal como o conhecimen­ to e o treinamento em psicanálise poderão. a delimitação de um foco. deverá estar a cargo de profissionais ex­ perientes tanto em terapias prolongadas como em terapias focais. com deficiências tais como não corrigir . será a de assinalar. atitudes “passivas” do terapeuta. nos supervisionados. além das que correntemente se lhe apresentam. as contradições técnicas em que possam incorrer. o estabe­ lecimento de objetivos terapêuticos e o planejamento. Fi­ nalmente deverá propor a realização sistemática de avaliações.

.................Residência: ... yC 4.......................... Idade:...... e criatividade para exa­ minar e combinar os diferentes recursos terapêuticos que domine e dos quais disponha quando as circunstâncias o requeiram............................ ............. X3..................................................... Capacidade para desempenhar um papel ativo no processo terapêutico............... I d) Suportar sem excessivas dificuldades a separação dos pacientes.............. Nome e sobrenome: ................ centro de saúde mental...................... X 6............................. instituição ou consultório privado):........ J b) Renunciar às gratificações especiais proporcionadas 1 pela relação analista-paciente (ver capítulo 8).................... Data de admissão:..... Certa elaboração da conílítiva cdípica que lhe permita um manejo «das situações triangulares................. Nacionalidade:... Telefone:................................. Suficiente tolerância à frustração para: < / a) Conformar-se com o ganho de objetivos |erapêuticos li| mitados........Formação de lerapeiitas em psicoterapia breve 255 2.................... O cupação:................................... FICFIA CLÍNICA PARA PSICOTERAPIAS BREVES Local (serviço....................................... Estado civil:................. Capacidade para compreender a natureza dos problemas centrais do tratamento em breve espaço de tempo.......................... / c) Resignar-se a não alcançar graus profUndos de investiI gaçào dos psicodi namismos de cada paciente..........Sexo: .... No que diz respeito a seus conflitos pessoais: X 5. Escolaridade:.................................... Flexibilidade livre de preconceitos..... nas quais possa sentir-se en­ volvido durante o tratamento..........................................

...... Dados biográficos de interesse (inclui antecedentes familiares e pessoais):......... atenção........ Inclui ainda: . f) Regulação da auto-estima..... pensamento.....)..... . etc. memória........incluindo a que exerce o meio social do paciente na problemática....... e) Mecanismos de defesa.................... d) Tolerância à ansiedade e à frustração.. c) Controle de impulsos...... c) Da personalidade.. b) Relações objetais....25" Psicoterapia breve de orientação psicanalítica História clínica (resumo): Motivo da consulta (inclui descrição da situação-problema e dos fatores descncadeantes):.....................Grupo familiar: Diagnóstico e incidência .Avaliação das condições egóicas............ ... Interessam especialmente: a) Funções egóicas básicas (percepção................... Avaliação diagnostica: Diagnóstico nosográfico-dinâmico: a) Do episódio. b) Da enfermidade.................................

....... .......................Formação de terapeutas em psicoterapia breve Isso nos conduzirá a uma avaliação da potência e plasticidade do ego.......................A.. Metas terapêuticas: a) Primordiais:..T..... Sua estrutura.... informações psicológicas (Testes: Bender.................. Hipótesepsicodinâmica inicial:...................... Rorscharch..... Grau de motivação para o tratamento e atitudes para o insight:.......... Determinação dofoco: .... Casal................. í i Foco terapêutico............................................................... ....... Elementos mais importantes:............................. .......................... ......................... T.. Descrição:... Duração do tratamento: Prognóstico:. b) Secundárias:.. etc.)......... Pontos de urgência ao começar o tratamento:................................ Phillipson...

b) De reforçamento egóico (predominantemente). etc. etc.) posição (frente a frente.) Intervenções Psicoterapia individual verbal Uso optativo . etc. etc.do método da associação livre Outros Psicofármacos Inclusão de familiares e/ou figuras próximas Técnicas dramáticas Terapia grupai. Assistência social. . Tipo de relação paciente-terapeuta: Recursos terapêuticos: Assinalamentos “Transferenciais” “ExtratransferenIntcrpretações ' ciais’ Das raízes infantis [ do conflito Perguntas Informações Insinuações Comentários Intervenções de reasseguramento Indicações Conselhos terapeuta (ativo.25 # ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Planificação do tratamento: Psicoterapia: a) De insight (predominantemente). ocupacional. dirétivo.

das entrevistas de avaliação e do reteste (se houver):. duração do tratamen­ to. Evolução durante o tratamento: Evolução do foco. con­ signar a utilização dos diferentes recursos terapêuticos. a tarefa em torno da separação ante o final do tratamento:. duração. Contrato: Detalhes do contrato sobre metas terapêuticas. da motivação ou da resistência ao insighí. freqüência e periodicidade das sessões. evolu­ .. linhas interpretativas e tipo de interpretação. principais pontos de urgência. assinalar o tipo de material que deverá ser descartado.. funções egóicas a serem reforçadas. pos­ sibilidades do paciente de centrar-se no focal. eventuais modificações na freqüência das ses­ sões.Formação de terapeutas em psicoíerapia breve 259 Sessões: duração... data do término do tratamento. freqüência e periodicidade: Duração total do tratamento: Estratégia terapêutica ^ Conflitos a abordar e possível seqüência de tal ‘âbordagem.

.. mençào ao uso e aos efeitos de outros recursos terapêuticos.. de amizade... de traba­ lho...P.. evolução da relação terapêutica (a transferência e a contratransferência)..) Melhoria sintomática (M..F......F.....P......) Resolução da problemática focal (R.. o término:..) Estudos Trabalho Recreação ..260 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica ção do estado do paciente..) Consciência da enfermidade Auto-estima Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares. Avaliação dos resultados terapêuticos: * 1) Avaliação imediata Impressões gerais do paciente acerca do tratamento Insight da problemática focal (l.....S.... etc..

..... Resultados...... etc........ Objetivos Passagem a outros tratamentos: a) Com o mesmo terapeuta b) Com outro terapeuta Especificar o tipo de tratamento (psicanálise.... . 2 ) Avaliação mediata (acompanhamento) Insight da problemática focal (I.. Resolução da problemática focal (R... .P...).................)..........Formação de terapeutas em psicoterapia breve 261 Projetos para o futuro1 Reteste.......F...........................................) D . Recontrato (com objetivos limitados)............ Considerações finais Separação paciente .F............................... I* >............................................ psicoterapia de gru­ po.................................................................P......... í Total ea { Parcial .terapeuta Ajustamento do acompanhamento... Datas de entrevistas de avalia­ ção e do reteste...........................

evitação com ou sem recaída Agravamento Mecanismos Alcance Estabilidade Melhoria Sintomática (M. etc.) Consciência da enfermidade: Auto-estima: Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares. de amizade.262 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica Duvidosa Nào-R. fuga para a saúde.P. Sem modificações Recaídas2 Falsa solução valiosa (4) Falsa solução (4). cura transferencial. de traba­ lho.F.) Estudos Trabalho Recreação Projetos para o fiituro: .S.

.... Grimson (comp.. Outros tratamentos realizados:............... “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”............ { Mecanismos Alcance Estabilidade ! Resultado Final3 Muito favorável Favorável Discreto Regular Nulo Desfavorável Considerações finais: Referências bibliográficas 1.......... H. Fiorini.....Formação de terapeutas em psicoterapia breve 263 Novas situações conflitivas:...... 2.... n? 1... ........................ tomo XXVIU.. R. Reteste... Nueva Vision. Instituciones y problemas. J.. 1973........................ “Problemática actual de las psicoterapias breves” em W.. Nuevasperspectivas en salud mental...... 1971... ...... Joseph e outros.........)... Revista de Psicoanálisis........ Buenos Aires...... Buenos Aires.. Resultados:.... .......

Cuardemos de la SAPP1A Kargieman. Madri. D. “Psicoterapia breve en la infancia”. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. VI. Centro Editor de América Latina. Knobel. Londres. Wolberg. 4. “La técnica de la psicoterapia breve”. 1974. Wolbcrg e colab. 1971. A Study o f Brief Psychotherapy. em L. Gredos. em Psicoanàlisis y psicoterapia breve en niiîosy adolescentes.) 5. Tavistock. 1963. H. M.. Buenos Aires. Psicoterapia breve. Illinois.. Buenos Aires.264 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 3. Malan. Charles Thomas. Springfield.. L. . cap. 1968.

o que exigiu mais alguns meses de tratamento. Capitulo 3 1. Utilizarei. Capítulo 2 1. com o titulo de “Psicoterapia breve de orientación psicoanalítica. a busca de novas técnicas. neste caso. ocasião em que Freud pôde comprovar que haviam permanecido sem resol­ ver aspectos da transferência. Lido parcialmente na Associação Psicanalítica Argentina. mas que depois da guerra este o visitou em Viena. depois dos quais o paciente . El problema de los basamentos teóricos” (Buenos Aires.Notas I «» Capitulo 1 Apelarei para ela e para outras similares (tratamento ou técnica breve. Ali descreve que deu alta ao paciente. 2. 22 de agosto de 1979). equivocada. assim. Também cabe acrescentar que a focalização do trabalho terapêutico na direção de um aspecto da problemática ou sintomatologia do paciente é característica das atuais técnicas breves. crendo-o completamente curado. . etc.) convencionalmente para fazer menção a este tipo de tratamento ao longo dos sucessivos capítulos. Um acréscimo de 1923 deixa implicito que.B. o criador da psicanálise justificará. mais breves. em “Análise terminável e interminável”. Não obstante. a abreviatura P. tal medida foi.disse Freud . 3. 20 anos depois. para Freud.“se sentiu normal e se conduziu impecavelmente”. de psicoterapia (13).

quando se fala em conflito central ou princi­ pal. forçosamente. Esses autores supõem que é possível controlar a relação transferencial.266 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 2. dc agora em diante. Antes de mais nada. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. Esse critério comparativo será utilizado quase permanentemente ao longo desta obra. agosto de 1978). mas não hesito em recorrer a conceitos próprios de escolas como a inglesa ou a ameri­ cana quando isso me parece necessário. ainda que apropriadas. Alexander. no capítulo 8 (ver também os capítulos 9 e 14). muito especialmente. especialmente os que sejam importantes . já que me incluo entre os que pensam que. Esses conflitos. Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia en psicoterapia breve”. Por último. A respeito da hipnose em particular. Wolberg propiciou seu emprego. French e colaboradores (5) sugerem propiciar . c válido recorrer a distintos modelos tcóricos que possam ser úteis para compreender diferentes fenômenos ou pacientes. dos quais deri­ vam as diversas dificuldades dos pacientes (40). cabe mencionar que L. 4. 9. a interpretar os problemas edípicos.0 estudo deve completar-se com o conjunto dos aspectos concernen­ tes à contratransferência em psicoterapias breves. em terapias de curto prazo. portanto.ainda que só em certas oca­ siões o desenvolvimento e a análise de determinados componentes da neu­ rose de transferência. Sem dúvida. 3. 6. são próprios da estrutura do foco terapêutico. as quais. como logo veremos. 8. dc aparecimento recente e/ou de começo sintomatológico agudo. nem todo conflito atual terá dc ser focal e. pelo que requerem alguns esclarecimentos. 7. 5. cabe assinalar que Malan e sua equipe de terapeutas se dedicaram. em seu livro Terapêutica psicoanalitica. por outro lado. objeto da abordagem terapêutica. dentro de certos limites. Outras denominações às quais se recorrc comumente são conflito atual e conflito central ou principal. 10. Não obstante. têm a desvantagem de prestar-se a confusões. o próprio Freud já havia fixadoiim limite de tempo para o tratamento psicanalítico. razão pela qual. no método terapêu­ tico breve (54). permitindo o desdobramento de alguns fenômenos transferenciais. já que também pode tratar-se de um conflito que se mantenha vigente. à qual me refiro. Meu esquema referencial é fundamentalmente freudiano. atual não significa. já que con­ centraremos nele nossa atenção e nossos esforços. combinado com outras técnicas. ao atender o Homem dos lobos (20). Anteriormente. denominá-los-ei con­ flitos focais ou conflito focal. como consignei no capítulo 2. deve-se entender que o mesmo o é em relação ao tratamento. em especial. sendo suas manifestações bastante antigas e/ou de instalação gradual. mas isso não implica necessariamente que esse conflito seja sempre o central dentro da patologia do paciente.

e por conseguinte solucionar. com base nas dificuldades que o terapeuta deverá enfren­ tar para manejar a relação. Isso não implica que se deva descuidar do fenômen» da transferên­ cia. já que não conta com as possibilidades que o enquadramento psicanalítico oferece (considero que tal manobra poderia ser mais eficaz quando não se tenha fixado previamente uma data para o término do tratamento ou. no caso de tê-la fixado. e em determinadas circunstâncias (ver capítulo 6. exige do terapeuta muita destreza e. para se alcançar uma mudança terapêutica . de um ano). já que. 106 ss. por exemplo. Apresentado no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. onde se refere aos mecanismos de defe­ sa do ego em geral. com êxito. Poder-se-ia fazer referência a esta última fase do processo com qualquer outra denominação. se a duração prevista para ele não seja demasiado curta. do paciente. Devemos consignar aqui que. de manter simultaneamen­ te uma relação “real" com o terapeuta e uma aliança de trabalho (29) (30). 13. ao menos para Novey. o tratamento analítico. pp. evitando derivações indese­ jáveis.fora da sessão analítica. deve-se tê-lo em conta constantemente. Novey ainda se refere expressamente à continuação do processo de elaboração uma vez que se tenha concluído. também continuaria . Pelo contrário. diz.e é necessário que assim seja. Freud aborda novamente o tema dos distintos tipos de resistência em “Análise terminável e interminável”. Essa manobra técnica parece-me interessante. . o conflito central do pa­ ciente. realmente. ainda que de certa maneira arriscada. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. Em última instância penso que essa atitude deveria ser a exceção à regra. Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia cn psicoterapia breve”. “O período pós-analilico não só implica repetir e experimentar situações da vida com maior facilidade e liberdade. por um lado. 16. isto é. 14. A incidência do fator tempo na elaboração é assinalada também por Bellak e Small: “Na psicoterapia rápida não há muito tempo para o processo de elaboração” (6). 15.) será necessária sua interpretação. c não só à repressão como resistência contra a cura (19). I 11. “inclusive quando o paciente dorme”. a capacidade. que garantam o bom andamento do tratamento. esta. se o prazo mínimo para a finalização do mesmo seja. mas também continuar elaborando os conflitos em novos con­ textos e situações” (42). a de processo progressivo pósterapêutico.Notas 267 para compreender. como um meio de compreender o paciente (9) (51). agosto de 1978). no que concerne à elaboração psicanalítica. por exemplo. 12. agosto de 1978) sob o título de: “Insight y elaboración en psicoterapia breve”. por outro. de desenvolver certos aspectos díf neurose de transferência e.

Compreende-se que o fortalecimento das funções egóicas durante o tratamento é dado. Seguem comentários que corroboram a idéia de um processo “elaborativo”. mas também. a ser respeitadas ou ainda reforçadas pelo terapeuta. Um planejamento estratégico coerente deve prestar atenção à atitu­ de a ser assumida ante as defesas do paciente. ou dar-se conta de que tem outros pro­ blemas. Aquelas que. Nesse aspecto cabe advertir que as mesmas intervenções empregadas com uma intenção confirmatória e reasseguradora. mas também. Clinicamente. não só durante o tratamento. tais como alternar intervenções que tendam a estimular o autodesenvolvimento com outras que favoreçam a dependência regressiva. Devemos ativar muito especialmente as funções egóicas do paciente essenciais para o trabalho terapêutico. em segui­ da. exagerando-os. ativação que adquire muita importância porque acelera e facili­ ta o caminho em direção ao insight. o que nos diz respeito é o pro­ blema de fazer permanente a aprendizagem que se produz na situação psicoterapêutica. ou de que sua aprendizagem foi inadequada. etc. a meu ver. ocorreria uma aplicação dos núcleos de insight adquiridos durante o tratamento breve. não só pelas intervenções verbais do tera­ peuta. O terapeuta que exerce uma participação ativa e nâo se limita a apelar para recursos verbais (sua expressão corporal. concebem-na como o reforço da apren­ dizagem de uma conduta nova e a extinção de modos neuróticos de adapta­ ção. .B. Assinalam que o paciente deve “aplicar o aprendizado a situações da vida real. uma vez que reforça a aliança terapêutica. a memória. pela criação de todo um contexto de verificação e estimulação dessas funções (12). em um dado momento. Dessa maneira. falamos em impedir as recaídas”. ou vice-versa. podem paradoxalmente fomentar a dependência se se convertem.prosseguem podem ter o efeito de convencer o paciente de que aprendeu adequadamente um novo modo de conduta... Em ambos os casos. por exemplo. a atenção. dentro dos limites da teo­ ria da aprendizagem..268 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 17. tais como a percepção. para estimular no paciente a autonomia e a progressão. neste terreno. por exemplo. concomitante ao reasseguramento e ampliação progressivos dos mesmos. Os autores expressam que. desempenha um papel fundamental na interação com o pacien­ te) pode conseguir tais efeitos. a teoria da aprendizagem pode­ ria ter aplicações especiais: “(. o resultado é que a aprendizagem psicoterapêutica melhorou pela experiência de vida real” (6). não incorrer em contradições. são “atacadas" interpretativãmente não devem passar. na realidade. posterior ao mesmo. como expressa Fiorini. Bellak e Small incluem a elaboração em P. Essas experiências . 20. em lisonja desnecessária ou não refletem a real eficácia dos rendimentos egóicos e os sucessos do paciente. Tais mecanismos poderiam estar ligados ao seguinte: ante diferen­ tes experiências de vida.) antes de tudo. esse conceito é ligado pelos autores à problemática da falta de tempo para levar a cabo o processo de elaboração. 19. além disso. É necessário. Em seguida. 18.

Aqui só diremos que Bellak e Small lhe atribuem grande valor na psicoterapia breve e de emergência: “Apresentar o ego como uma ^ntidade só dizem . A combinação de recursos de base psicanalítica com outros. por diversos motivos. O leitor interessado poderá recorrer às principais lbntes. a esquematização das funções do ego e de suas perturbações tem um valor prático porque oferece um marco de referência para o diagnós­ tico e para o tratamento” (6). White. em que a psico­ logia do ego talvez possa prestar um novo e valioso auxilio (12) (13). nem sempre são devidamente aproveitadas. as obras de Hartmann. como para o planejamento estratégico e a condução do processo terapêutico. O caso de uma jovem que se consultou por causa da angústia e das vacilações que lhe despertava uma gravidez recente ilustra accrca da relação que se estabelece automaticamente entre os sintomas e a situação que lhes dá . Fiorini chamou nossa atenção sobre esse enfoque (10) (12) (13) (14). Nesse sentido. de ori­ gem distinta.sejam mais complexas no que se refere à conceituação dos mecanis­ mos terapêuticos operantes. indicação e prognóstico. as perspectivas atuais são muito promissoras.Notas 269 21. concebida por Freud. baseando-se sobretudo nos importantes desenvolvimentos de Hartmann (33) (34) e os mais recentes de Whitc (53). Estes temas serão objeto de revisão nos capítulos que se seguem. etc. Referindo-se à composição de uma “psicoterapia para o povo”.convém assi­ nalar . contudo. Ocupar-nos aqui da psicologia do ego excede os limites desta apresentação. amplamente entre os americanos. onde não conta ainda com uma verdadeira tradição investigatória. Loewenstein. Rappaport.nega a inter-relação entre o ego e as outras psicodinânucas. o enfoque egóico se emprega.B. contribuir consideravelmente para o desenvolvimento e a sistematização de métodos de avaliação dos re­ sultados terapêuticos. Pode. 24. além disso. S. tanto com fins de diagnóstico. como vimos anteriormente. Kris. Insuficientemente arraigado em nosso pais. vai sendo reconhecida em nossa prática assistencial. Em nosso meio e no terreno das psicoterapias. A esta altura é necessário assinalar que a moderna psicologia do ego fornece elementos sumamente úteis para a teoria e a prática das terapias breves. Mas é especialmente no que diz respeito às hipóteses sobre os mecanis­ mos terapêuticos de mudança operantes nas técnicas breves. na realidade já foi. por mais que . 23. propunha misturar “o ouro puro da análise” com “o cobre da sugestão direta” (26). Todas essas possibilidades ocorrem mais facilmente em institui­ ções assistenciais e serviços hospitalares. dos quais provêm seus principais progressos. Freud. A utilidade de uma avaliação das funções cgóicas em P. em que. 22. O trabalho realizado por uma equipe de profissionais abre perspectivas auspiciosas. Apesar desses inconvenientes. em 1918.

tal estado com o nascimento de seu primeiro filho. capitulo 13). Basta pensar numa terapia focal centrada nas ansiedades relativas à gravidez e na sucessão de distintos pontos de urgência “intrafocais” que apa­ recem paralelamente à evolução daquela. e optem por diferentes linhas interpretativas. 26. A conflitiva focal tem. O caso de (capítulo 13) ilustra o aprofundamento no foco à medida que evolui o trata­ mento. Talvez a paciente. os analistas não coincidam diante de um*mesmo caso. Um exemplo de trabalho sobre o loco na sessão psicoterapêutica poderá ser encontrado no capitulo 7. Klein. 33. expressasse também que assim não podia continuar. o que se pode comprovar nas supervi­ sões coletivas. através de sua paresia. no capítulo 6 (pp. O conceito de ponto de urgência foi muito empregado pela escola inglesa. 32. foi exposta com clareza por Malan (40). o que pode ser assinalado pelo terapeuta como uma resistência. Creio que tão mais fácil e freqüente do que este c o fato de que. ao adotar aqui essa denominação. na reali­ dade. caracterológieos. (49). conscientemente. os quais. cabe esclarecer que se utiliza num sentido que não envolve um trahalho interpretativo que remete necessariamente às fantasias precoces infantis descritas por M. 27. a paciente de Kreud (23). Os primeiros pontos de urgência detectados por ocasião dos conta­ tos iniciais com o paciente correspondem aos motivos latentes da consulta. freqüentemente inconsciente. à maneira de Isabel dc R. que se reaviva com a percepção dos movimen­ tos fetais. de morrer duran­ te o parto. 28. sem chegar a vincular.. Não insistirei. . nem dar ‘"um passo a mais. 30. princi­ palmente maníacos.270 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica origem (ver capitulo 7).) examina-se o trabalho de focalização cm relação aos tipos de atenção empregados pelo terapeuta para tal fim. A técnica focal. mobilizam mecanismos defensivos. Por último. o temor ao filho como ser desconhecido. acontecido poucas semanas antes e que resultou ser o fator desencadeante principal (caso de A. nesse ponto. Num sentido estrito. etc. Na realidade. Por isso. evidentes ou não. o temor. cm psicanálise. capítulo 13). 25. Um homem buscou consulta ao experimentar um incremento de sua an­ gústia. Outra paciente notou que seus antigos vômitos se exacerbaram desde que ocorreu a ruptura de seu namoro (caso de J. 29. sempre o são. tais como: os que provêm do temor da perda do filho por aborto espontâneo nos primeiros meses. com os conflitos "extrafocais”. etc. portanto.). Cabe advertir que em certas ocasiões o paciente também se refere a problemas “extrafocais” com a intenção de elidir o problema central.. que aparece nos dias anteriores a este. múltiplas conexões. 95 ss.. o foco compreende basicamente todos os aspectos da existência do paciente (histórico-gencticos. não existindo nunca como fenômeno isolado e independente do contexto. além disso. mas só no que diz respeito à situaçâo-problema correspondente. com as seqüências na interação paciente terapeuta que possibilitam a evolução do foco. 31.

que Mallan faz referência às metas terapêuti­ cas em P.garante que tais recaidas possam ser evitadas. porém. modificações e equilíbrios” (1). em termos de “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia do paciente” (40) (o grifo é meu). sua força relativa pode diminuir (28). dando lugar a recaídas. ainda que se obtenham modificações. em função de se haverem modificado algumas das forças internas que levam a mudanças energéticas e catéticas. O caso de A. ainda que nâo se provoque uma reestruturação profunda. Já vimos. “os conflitos se resolvem no sentido de que se tomam inati­ vos. Ver capítulo 10. por exemplo.Notas 271 34. 2 do corpo e 3 do mundo extemo. a partir de material clínico. ainda que não haja por que acreditar que devam fatalmente produzir-se. Naturalmente. 38. Por*ocasião de uma mesa redonda sobre psicanálise e psicoterapia. 39. por conseguinte. a hipótese psicodinâmica inicial. na psicoterapia assistimos a uma resolução parcial ou incompleta. na psicoterapia dinâmica. reconhecer como próprio o que se interpreta acerca do conteúdo. Para este autor. e acrescenta que só é possível consegui-la mediantp a psicanálise. Pelas respostas. 37. os conflitos derivados sofrem. que ele atribui a uma modificação do confli­ to. Mas também é necessário advertir que. sua aparição não deve surpreender. Área 1 da mente. (capítulo 13) permite além disso apreciar. Define a verdadeira resolução do conflito como “uma compreensão metapsicológica plena e elaboração das forças interatuahtes”. ainda que não se alcance nessas tera­ pias uma resolução dos conflitos. pôde-se advertir qjue quase todos os presentes admitiram que através de uma psicoterapia de orientação psicanalítica conseguem-se modificações nos conflitos e certas mudanças dinâmicas benéficas.B. sobretudo pela reexpericncia c pela compreensão genética ("l). 36. Existem diversas impressões favoráveis sobre as vicissitudes que. em certo momento e por ocasião de fatores traumáticos tais conflitos podem ser reativados. além disso. Quer dizer. nada . por outro meio que não seja a psicanálise?” (52). além dos demais conceitos assinalados. Gillman por sua vez sustenta que. 40. já que o conflito básico não se resolve.nem sequer um tratamento psieanalítico com êxito . baseadas no esquema de Pichon-Rivière (44). Diversas passagens de sua obra . Segundo Oremland. Ver capitulo 11. carecemos de explicações metapsicológicas suficientes a respeito. Joseph considera que. Wallerstein formulou a seguinte questão: “E possível resolver substancialmen­ te os conflitos derivados ou qualquer outro conflito. ao não se obter uma resolução substancial dos conflitos derivados. não sabe­ mos o que sucede em termos das conexões ou do fortalecimento da função integradora ou sintética. 35. e das mudanças nos vínculos energéticos ou cargas.

B.B. 41. o que deveria ser motivo de uma inves­ tigação mais profunda. Poder-se-á encontrar maior informação sobre o tema na obra de Maria L. constitua o emprego de interpretações do intrapsíquico. até a estrutura da personalidade (55). 2. às vezes são gera­ das algumas mudanças nos dinamismos intrapsiquicos. Um deles. 43. as modificações na estrutura da personalidade pode­ riam ser explicadas em parte também por certos fatos . (ver capítulos 5 e 12. que não deixam margem a dúvidas acerca da posição do autor. Portanto. definitivamente. uma depressão não será igual. é retornado no capí­ tulo 6. e que só circunstancialmente adquirem uma grande magnitude. O tema do planejamento terapêutico é desenvolvido em outro lugar. também algo nele muda profundamente depois do tratamento. muito elementar.272 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mostram claramente que essa “elaboração” que o autor menciona também abrange certa análise das resistências. habitualmente incompletas e insuficientes. tais como “trans­ formação profunda da personalidade”. Con­ tudo. . tem sido assinalado precisamente por Wolberg: na P. ou seja. respectiva­ mente).talvez menos miste­ riosos .. “reajustes profundos na estrutura intrapsíquica”. Emprega também outros qualificativos similares. com as­ sinalamentos e interpretações que estejam dirigidas às mesmas. Assim.B. as chama de “recursos c elementos sadios”. O tema da relação paciente-terapeuta em P. em certa medida e a partir do sintoma ou da situaçãoproblema.. 44. mas não decisi­ vo.do trabalho terapêutico. Como resul­ tado dessa ação e da mobilização terapêutica conseqüente. Talvez um elemento terapêutico de particular interesse em P. Garcia Arzeno (10). nem terá o mesmo significado num caráter obsessivo e num cará­ ter histérico. o paciente já não e o mesmo. Capitulo 4 1. de modo ine­ vitável. sem a solidez das obtidas no tratamento psicanalitico. por sua provável influência nas modificações da estrutura de personalidade. e os resultados terapêuticos obtidos (40). Na realidade. 3. como a que a equipe da Tavistock Clinic levou a cabo para estudara relação existente entre a aplicação de interpretações “transfe­ renciais”.B. Sob essa denominação o autor se refere aqui a uma terapia psicanalitica breve. a necessidade de abordar os sintomas interpretativamente conduz nossa atenção. o terapeuta deve incursionar nas perturbações do caráter. as que se re­ ferem à relação com objetos internos. Em outro lugar. do mesmo modo que as indicações da P. de Ocampo e Maria E. 42. não só os sintomas se atenuam ou o conflito focal se resolve parcialmente. S.

). 5. somadas às modifi­ cações no emprego da associação livre. que o terapeuta não tenha de esforçar-se demasiado em vencer dificuldades para ocupar-se do paciente. no processo psicodiagnóstico. 10. Capitulo 6 • 1. A técnica focal supõe certas vicissitudes da atenção do terapeuta. não sendo possível estabelecer regras fixas a respeito. Esta observação de Haley implica curiosamente o estabelecimento de certo paralelismo interessante entre a técnica psicanalítica de cunho freu­ diano e a técnica “ativa”. capacidade essa. para avaliar os resultados do tratamento.9 e 14. 21 e 22 de outubro de 1977) sob o titulo “Una regia basica de íúncionamento en psicoterapia breve”. 2. particularmente para a recomendação ou contraindicaçâo de uma terapia breve (11). que pode ser avaliada por meio de testes projetivos (8). que logo examinaremos detidamente (pp. pp. 100 ss. que se investigue a capacidade do paciente para enfrentar o luto. o que merece uma especial revisão (ver pp. determinam um tipo de comunicação nitidamente diferenciável do psicanalítico. 7. . 9. 5. caso se opte por um tratamento breve. Nesse caso.B. segundo a denominação empregada por Malan (8). Os testes psicológicos também sào utilizados em P. que tenham de se eleger metas terapêuticas de acordo com o tempo limitado de que se dis­ põe para efetuar um tratamento. e que. Sobre os aspectos da contratranslérência em P. 6.B. quer dizer. sempre segundo esse autor. que define a atual terapêutica breve. 46 s.4. 4. 95 ss. podem ser consul­ tados os capítulos 8. Um ponto de importância decisiva na evolução e manejo da relação terapêutica constitui a técnica interpretativa particular exigida pela índole dessas terapias. Por último pode ser necessário revisar os objetivos tm pleno trata­ mento. Ocampo e Garcia Arzeno descrevem uma série de indicadores. "Focalidadc".. etc.). como tem assinalado anteriormente (ver capítulo 3. O perigo é de que aconteça o contrário. Concomitantemente. sobretudo se se trata dc um tratamento dc curto prazo. Trabalho lido no Simpósio sobre Psicoterapia Breve organizado pelo CEMEP (20. 6.). isto é. A este respeito refere-se Malan. será conveniente que exista uma contratransferência positiva. 8. Tive a satisfação de comprovar que Garcia Arzcno (6) compartilha dessa opinião.). comparando-se os dados obtidos através da aplica­ ção pós-terapêutica com os do psicodiagnóstico inicial (ver capítulo 11). cio tipo de tera­ pia. quando propõe. 3. são várias as atitudes a assumir (mudanças de objetivos. em cujo caso se exigirá desde o início uma boa disposição de sua parte.

são múltiplas e complexas.). pp. é bom reconhecê-lo. 45 s. e outro que conste de duas a três sessões por semana e se estenda durante um ou mais anos. cm todo caso. embora no exercício da terapia breve não tenhamos de nos aprofundar mais na explora­ ção de tais ligações. . tais como a duração total do tratamento e o número de sessões semanais.274 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 7. já que se pretendêssemos intervir ein todos. pelo que de nenhum modo seus limites podem conside­ rar-se nítidos e nem sequer precisáveis num sentido estrito. as ligações associativas de seus componentes como parte do material que chamamos . Recordemos que a estrutura focal corres­ ponde. com nossa concentração seletiva só daremos prioridade a determinados problemas. o problema de saber quais são os limites dofoco. em troca. 8. além disso. vinculada ao tema que estamos tratando. fazendo com que o tema seja deixado de lado ou apenas mencionado. Se a consideram algo óbvio. senão como um artifício técnico. como hipótese do terapeuta. scr mais levado cm conta. etc. fato por demais sugestivo. pouco seria o que poderíamos íazer pelo paciente dentro do enquadramento que corresponde a essas terapias (especialmente se existe uma grande limita­ ção temporal). uma a duas sessões semanais e dois ou três meses de duração. àqueles que colocam uma necessidade de resolu­ ção mais ou menos imediata. o melhor será que o paciente siga se ajus­ tando. por exemplo. é a relação existente entre associa­ ções livres (cadeias associativas) e foco terapêutico. Não é o mesmo num tratamento de objetivos limitados com. É certo que tais conflitos preexistem e que a livre associação não faz mais do que colocá-los em evidência. que não operam. Uma questão interessante e polêmica que pode surgir. não se poderá pensar que existe em certa medida uma evitação do tema. a eles sem que provoquemos sua mobili­ zação. o emprego da “regra fundamental” poderá. Na realidade. sc outros motivos o tornarem aconsclhávcj. Ocorre-me que esse qualificativo continua pesando no ânimo dos investigadores.“extrafocal”. e. talvez acompanha­ da da sensação de estar “atacando’* precisamente a regra básica da técnica psicanalitica? Porque se trata nada menos daquilo que o criador da psicanáli­ se também denominou “regra de ouro”. por mais desconsideração que pareça. ao contar com um enquadramento temporal menos limitado. por sua conta e como possa..e considera­ mos para fins práticos . ante a persistência de uma dificuldade para encará-la a fundo. apenas a um conjunto de idéias que este tem presente (ainda que para sua organização tenha de basear-se em cadeias associativas do paciente). dissociados. por sua vez. mas lambém é verdade que alé esse momento podem ter estado reprimidos. negados. 10. Nesta última situação. 9. Gabe perguntar a razão pela qual os autores não se tenham estendido sobre esta questão. Na prática teremos de considerar. outros fatores. como disse anteriormente (ver capítulo 3. ou seja.

B. (Os grifos são meus. já empregava o recurso de pedir aq paciente que trouxesse fantasias acerca de certos temas selecionados (“fantasias forçadas”) (6). estimulando a produção asso­ ciativa sobre eles através das interpretações (4). e no capítulo 13. Na prática da terapia dinâmica breve proponho umífaplicação ocasional e reduzida na maioria dos casos .. 12. adotar no campo da psicoterapia breve uma regra básica pró­ pria.. (“Associação livre”. seus antecedentes devem rastrear-se nas expe­ riências deste com pacientes da época pré-analítica). mas também outras que tenham um tal grau de inibição que só obteremos um bloqueio como resposta. Quando se usa. Por outro lado. Encontrei algumas referências bibliográficas acerca da aplicação. ima­ gem de um sonho. ainda que não entre demasiada­ mente em detalhes a respeito. o assinalamento ou a interpreta­ ção transferencial)” (15). a regra básica da psicanálise... o emprego de associações livres. cíomo sabemos. Na prática poderemos encontrar pessoas de grande capacidade para associar e transmitir suas associações... conforme o que já foi desenvolvido. número. Na realidade. na auto-análise de seus sonhos. e diante das quais carecerá de sentido pretender tirar algum partido da aplicação do método.).Notas 275 11. a um “(. p.) Por último. de limitar o aproveitamento da associação livre aos “casos nos quais possa surgir como resposta a um determinado estimulo do terapeu­ ta.) com­ binar flexivelmente os dois estilos dc associação livre e dirigida” (8). de asso­ ciações surgidas em tomo do aparecimento de sintomas (caso dc J. havendo exposto uma possível nas páginas anteriores. res­ tringida. 14. e em outra menciona a necessidade do “emprego discriminado” em psicoterapias de “(. Fiorini também considera factível e benéfica a utiliza­ ção de associações livres em psicoterapias.) emprego saudável da associação livre” (24). 15. entre os procedimentos básicos da terapia breve. Ferenczi. como por exemplo a fim de obter algum material pertinente e informati­ vo” (2). de acor­ do com o mencionado em segundo lugar. propõe: “(. do procedimento da associação livre nos tratamentos breves: em suas tentativas de abreviar a psicanálise. 13. No capitulo 9 podem ser encontrados exemplos do uso de associa­ ções na terapia breve a partir de material onírico. 37). o emprego do método da associação livre em técnica psicanalítica se efetua “a partir de um elemento dado (palavra. ao fazer referência a uma “terapia setorial". constitui. .. tampouco nele é possível mantê-la. havia proposto já centrar a tarefa nos sintomas. em seu método ativo. em 1949. Gillman faz men­ ção. Deutsch. em relação à P. uma representação qualquer). ainda que a continuidade da atenção flutuante seja muito maior no tratamento psicanalítico. Na realidade. de forma espontânea” (32). Bellak e Small falam. F. em troca da qual será necessário.à forma como foi expressa em primeiro lugar (assim a utilizou Freud.) certos recursos técnicos próprios da psicanálise (o silêncio atento do terapeuta. Por sua parte. Em certa parte de sua obra.

Em tais casos. Utilizarei aqui essas denominações principalmente com a finalidade de abreviar. o tomar o paciente consciente de aspectos acerca de sua relação com objetos internos. 19. mesmo numa terapia breve. rápido timinge sufi­ ciente tolerância à dor provocada pela revelação do inconsciente. Se menciono essas características entre aspas é porque na realidade as interpretações nomeadas em segundo lugar também são transferenciais no sentido mais amplo do termo. repito uma vez mais. constituindo ou não parte do passado remoto infantil do paciente. tal abordagem deve afigurar-se francamente benéfica para o paciente. a quem se lhe interpretou sua submissão ao objeto supercgóico constituído pela figura paterna (pai interno). com a qual se pretenda realizar uma focalização forçada do trabalho terapêutico.276 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica como sabemos. mas de todo modo interes­ sante. 18. Mas não recomendo recorrer sistematicamente a seu uso. um ponto pouco discutido. pois as transferências se desenvolvem não só com a figura do terapeuta. produz-se durante o tratamento algum fato trau­ mático inesperado. quer dizer. 16. mas com qualquer outra pessoa. às vezes é possivel. 56). pois. 20. no capítulo 13). p. ilustra eloqüentemente a aplica­ ção dessas interpretações. Creio que cm certa medida tais interpretações cabem na técnica breve c poderiam ter incidência na produção de modificações dinâmicas sig­ nificativas de personalidade. é o papel das interpretações dirigidas ao intrapsíquico. esse insight deve ser pertinente à tarefa de focalização e/ou estar vinculado a obstáculos resistenciais e. p. devendo em conseqüência entender-se por “transferenciais” as interpretações que fazem referência a aspectos inconscientes da relação com o terapeuta. 17. Guiter pretere cha­ mar a estas últimas de “interpretações não relacionadas com o analista” [35]. certamente não cabe assumir uma rígida conduta diretiva. devemos consi­ derá-la como uma regra ideal ([32]. 40). As vezes. de modo absolutamente constante. Sem dúvida. contudo. Portanto. ainda quando se tratar de uma abordagem incompleta de conflito. tal procedimento traz implícitos os sabidos riscos de mobilização emocional e indução regressiva. Neste contexto entenderemos por interpretações “profundas” as que fazem referência a elementos intensamente reprimidos. um paciente com boa capacidade de autoobservação. trabalhar com apreciável profundidade (ver o caso de J. alguma situação que perturba o paciente c que se acha “fora do foco” e que a terapia deve examinar. Recorro a esse tipo de intervenção só quan­ do percebo que é possivel aprofundar e promover no paciente um maior insight a respeito de seu vínculo com objetos internos. Ante pacientes com boa capacidade de insight. (ver capitulo 13). que às vezes se observam em alguns pacientes que foram submetidos a tratamento breve (ver também capítulo 3. O trata­ mento de A. e por “extratransferenciais” as que concernem aos aspectos inconscientes da relação do paciente com as demais pessoas (na técnica psicanalitica. .

De qualquer maneira. com freqüência. Na P.B. Permanece-me a dúvida se em poucas ses­ sões. e se recorre. como no exemplo citado. as perspectivas prognosticas se ensombrcccm numa terapia de curto prazo. sobretudo de caráter hostil. se cumpriram realmente esses requisitos ele­ mentares. (É claro que nas histórias clínicas que integram a obra de Malan se registram justamente fortes reações resistenciais. dado o tipo de relação terapêutica existente. 22.) 23. Por exemplo. exigem no mínimo um certo periodo durante o qual exista a consolidação de uma relação transferencial positiva sublimada com o terapeuta e o avanço do paciente na compreensão profunda lhe permitam aceitá-las.. 29). Citei antes uma exceção a este requisito: a centralização. ao emprego de interpretações transferenciais (1). que devem contar com uma transferência positiva real e mais ou menos estável e não só “superficialmente” positiva. como dissemos (ver capítulo 3. é quando os resultados aparente­ mente bons que se alcançam se fundam em curas transferenciais. como é óbvio. fala em inter­ 21. Nesses casos de pacien­ tes que no fundo têm grandes resistências. Quando já a priori do tratamento ou no decorrer do mesmo estas se apresentam muito marcadas.). sempre respeitan­ do seu timing. que me impressio­ nam como prematuras (34). Nesse sentido. já haviam sido efetuadas para o paciente várias interpretações relativas a seus desejos d^ manter uma relação homossexual passiva com o terapeuta. pois o enquadramento dela não permitirá trabalhá-las suficientemente para melhorar as condições tera­ pêuticas. por seu caráter transferencial. O paciente se sente forçado a “mudar”. Do contrário. É sabido que interpretações deste calibre. .Notas 277 pretações transferenciais extra-analiticas [45]). e. de menor magnitude que no tratamen­ to psicanalitico. (Os grifos sào meus. por se referirem a tendências. razão pela qual certas resistências de transferência se desenvolveriam menos (28). pela qual se permite o desenvolvi­ mento de certos aspectos da neurose de transferência (aqueles inerentes ao conflito central de terapia). as manifestações resistenciais costumam ser. o que produz surpresa. cuja revelação ao paciente resulta extremamente angustiante. onde existe urna maior tolerância à homossexualidade. trans­ correndo a oitava sessão do tratamento. costumam produzir-se diversas respostas negativas no paciente. em um dos casos (o biólogo). freqüentemente. não deixam de me chamar fortemente a atenção algu­ mas interpretações “'transferenciais” formuladas por terapeutas da equipe que Malan integrou na experiência clínica que ilustra seu livro. já no terreno da terapêutica breve analítica. no qual. p. também cabe rcpcti-lo. ainda tendo presente que isto ocorreu em Londres. pp. costuma gerar-se menor montante de hostilidade trans­ ferencial no paciente. e essas “mudanças” não provêm de um insight genuino. 27 s. o analista pode e deve dedi­ car muitos esforços à interpretação daquelas. intensamente reprimidas. preconiza­ da por Alexander e French.) enquanto Weiss. de alguns tratamentos de curto prazo na relação transferencial (ver capítulo 3.

como tal. junto à agressão. O risco de cair cm acring out ou as manifestações concretas dc tal conduta também configuram um difícil e muito perturbador obstáculo resistencial (dadas suas conseqüências para o paciente e cm particular para o futu­ ro do tratamento). 27. Que Malan tenha realizado e recomende o uso energélico das inter­ pretações transferenciais nos tratamentos breves. Na experiência descrita por Malan (34).. (capítulo 13). Disse S. avós. Malan afirma que não houve provas de que os pacientes houvessem sofrido algum dano nem tido necessidade de prolon­ gar o tratamento. 28. em seu modelo teórico de foco.278 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 24. 33. Ver o caso de J. quando intervêm no tratamento (irmãos do paciente.. ainda que caiba esclarecer que estas não são reveladas nas exemplificações incluídas na obra do autor. Nas segundas in­ cluem-se os aspectos positivos. Recordemos que Fiorini.). afirmando que não contri­ buem para fomentar a dependência. que. exige o emprego de interpretações “transfe­ renciais”. Incluir-se-iam. pelo que não foi possível efetuar um tratamento de casal. Rado: “Ao falar com o cônjuge de um paciente sei bem que vai me pintar um quadro parcial. mostrase ao paciente o amor que também existe em relação ao objeto (38). . Percebo que essa iniciativa guarda em parte relação com o que coloca Racker quando se refere às interpretações que ele chama de parciais e dc integrais. considera “os aspectos histórico-genéticos individuais c grupais reativados” dentro do problema atual do paciente (8). Assim por exemplo. encon­ traria explicação no estilo interpretativo empregado. 25. 32. 30. que talvez pudesse par­ ticipar em certa medida das características que menciono. eventualmente. Nas primeiras “(. pelo contrário. 26. Opino que o nâo aproveitar este recurso é violar uma responsabilidade médica elemen­ tar” (39). 24). Ver também o capítulo 3 (p. mas para resolvê-la melhor (34). outros membros do grupo familiar. e que pessoalmente ignoro se o estilo tem alguma relação com o aqui proposto. 29. da mesma forma que o erotismo transferencial.) os aspectos positivos do analisado não são adequadamente considerados" (frustra-se ao paciente “mais do que seria indicado para a manutenção da transferência positiva”). mas me inteiro de muitas coisas sobre meu paciente que posso utilizar com proveito em meu tratamento. os terapeu­ tas costumam adotar uma atitude radical ao explorar c interpretar prematura e energicamente conflitos primários do paciente (problemas “edipicos”) em muitos dos casos apresentados. etc. Seu marido se mostrava resistente à psicoterapia. 31.

A paciente acreditava que um aborto poderia‘libcrá-la da situação persecutória e ignorava que o mais provável era que contribuísse para acen­ tuá-la. Convem esclarecer que boa parte das interferências até aqui propos­ tas foram consideradas apenas para uma melhor compreensão psicopatológica.Notas 279 Capitulo 7 1. fantasiada como se fora esta. Num nivel mais profundo. que ameaça com morte ou aborto parece completar-se aqui com uma imagem da màe descontrolada e armada com uma faca. em razão de a mãe do cachorro estar enferma. em parte desejada. Na verdade. Faz-se necessário destacar que sua cunhada havia sofrido vários abortos espontâneos. ponto 2). quando já se achava grávida. não foi possível efetuar um psicodiagnóstico nessa oportunidade. lamentando e protestando o ocorrido. já que esta última poderia induzir estados regressivos muito acentuados ou gerar outras respos­ tas contraproducentes no paciente (ver capítulo 10. A fantasia de um grupo familiar com grande carga de agressão. 1f 8. eram uma evidencia inequivoca de sua disposição maternal. quando criança. Em uma sessão anterior tive a oportunidade de mostrar-lhe que fatos como sua criação de cachorros. com o bisturi faca . Lamentavelmente. por quem experimentava muita rejeição. Recorda que. Mencionarei aqui somente alguns deles. ela foi objeto dc trabalho te­ rapêutico em sessões posteriores. 2. sentiu que lhe “arran­ cavam o filho do ventre”). Como se sabe. cui­ dou de várias crias de cachorro e sobretudo alimentou-os com mamadeira “como bebês”. objetos continentes. segundo sua comparação. [6]. etc. pois esse tipo dc terapia não pretende prioritariamente alcançar uma gran­ de profundidade interpretativa com base cm tais hipóteses. segundo contou a filha. 4. 3. e sua negativa em abortar diante da imposição de sua mãe. no qual tinha um filho que era na realidade um filhote de cachorro. posteriores ao nascimento de sua única filha. ameaçasse atacá-la. quem. Quanto à sua hostilidade para com o filho.) 8. suas exclamações “tiraram ele de mim” depois do aborto. Podia por sua vez condensar a figura do aborteiro . (É comum a representa­ ção da gravidez em sonhos através de pequenos auimais. crianças. 5. O tratamento a que se refere esta sessão se realizou em 1974. reforçando um circulo vicioso patológico. é discutida na medicina a existência de apendicite crônica como entidade nosológica. AJém do mais. há indícios de que sua màe sofrera aquela intervenção cirúrgica como uma indução ou provocação. 7. 9. p. o sur­ gimento dessa imagem poderia estar vinculado à operação de apendicite de sua progenitora. por serem muito eloqüentes. havia relatado um sonho recente. do aborto (durante a operação. 6. Existem numerosos indicios a respeito.

por exemplo). J. uma grande mobili­ zação emocional com eventuais reações que pudessem ser perturbadoras e difíceis de controlar. “o Deus criador na situação terapêutica”.. atentando sobretudo para o estado de gravidez da paciente e evitando. no fato de fazer o tratamento às escondidas do marido). Assinala também “(. assim. como os concernentes ao con­ flito edípico (as fantasias incestuosas. realizado em Buenos Aires. ainda que detectadas (aparecem em PI 7. Mas disto se depreende a importância de sua . entre outros.. fantasias transferenciais eróti­ cas que não foram interpretadas. Podem-se notar aqui. 3. foi-se aprofundando progressivamente o trata­ mento. Se bem que desta vez. o ponto de urgência dessa sessão compreende o temor de ser abortada expulsa . Recorde-se também que foi aproximadamente ao término do tercei­ ro mês dc gravidez que sua mãe precisou ser submetida à intervenção cirúr­ gica. esse sentimento não é outra coisa senão o que sente a mãe com respeito à sua divina indispensabilidade para com seu infante. apesar do tempo transcorrido. pleno de necessidades” (15). sentindo-se uma mãe oni­ potente. 10. 4. O surgimento dessas emoções no terapeuta é parte fundamental da contratransferência e de nenhuma maneira implica necessariamente que nele exista uma situação patológica.280 Psicoíerapia breve de orientação psicanalitica esgrimindo a cureta (como representante da imago materna filicida) com sua própria figura. 12.por mim. 2. além do mais. 11. Transferencial mente.) depois de tudo. Considero que. considerou que a relação analítica é uma relação simbiótica c realizou importantes contribuições para o tema (4). as dificul­ dades a que me refiro neste capítulo persistem no momento atual sem maio­ res modificações. A propósito. em 1972. Este capítulo tem como base um trabalho que apresentei no Primeiro Congresso Panamericano de Medicina Psicossomática. o que fica claramente eviden­ ciado sobretudo no início (Allcgro [1]). a ponto de atentar contra a gravidez (aborto). Capitulo 8 1. Bleger. na tarefa interpretativa. preferiu-se não abordar certos níveis. sob o título “Dificuldades dei terapeuta para la práctica de la psicoterapia breve”. Diz Searles que o analista chega a sentir por momentos que é o único terapeuta no mundo que pode curar esse paciente. considero que tais elementos devem ser instrumentados com muito cuidado numa psicoterapia breve. insisto. Em nosso meio. O surgimento de hipóteses acerca dc profundas situações persecutórias não deve culminar necessariamente. na interpretação imediata ou não das mesmas.

6. p. 5. 195). que por sua vez reativava o da perda de sua mãe. que o paciente significa muito para ele. não havia possibilidade de se efetuar outro tratamento que não fosse o de tempo limitado. não limitado ao que assinala Freud em suas obras com rela­ ção ao masoquismo (5). Provavelmente a cor negra representava além disso o luto diante do luto ocasionado pela separação.) * 8.. Searles diz. uma grande disposição para estabelecer vínculos de características regressivas e simbióticas. É de supor como e quanto essas circunstâncias podem complicar uma psicoterapia. além disso. O psicodiagnóstico inicial havia revelado. (O grifo é meu. 7. O perfeccionismo terapêutico {furor curandis) pode constituir um sério inconveniente. 3. sobretudo quando se trata de uma terapia breve. que dificultaria a individualização do pa­ ciente no processo terapêutico. Propõe que se interprete a transferência desde o começo e com freqüência (12). Tratava-se de um paciente com marca­ dos componentes obsessivos e um núcleo melancólico.) do paciente”( 1). em que devemos nos conformar com objetivos limitados. tratando-se de uma psicoterapia hospitalar.Notas 281 análise pessoal. e a relaçào com ele poderia tender a adotar uma modalidade simbiótica tal. Utilizo a denominação reação terapêutica negativa num sentido amplo. Refiro-me ao caso de A. (ver capímlo 13. Malan é uma exceção. Capítulo 9 1. Também acontece freqüentemente que o terapeífta divirja a respeito da melhoria produzida nos problemas atuais do paciente. Seria um exemplo claro o caso do terapeuta que carece de descendência e que vê em seu paciente um filho. referindo-se à fase de resolução da simbiose terapêutica: “Alguns terapeutas negam que na realidade a terapia vai bem. com relações de objeto muito ambivalentes. negam quão profundamente querem essas gratifica­ . o que revela que não pode renunciar aos desejos terapêuticos próprios de sua formação psicanalítica. especialmente se é breve.. que durante a ava­ liação mostrou-se francamente hostil. Disse Alexander: “Não se deve esquecer que as sessões diárias exer­ cem uma influência sedutora sobre a tendência regressiva (. se comprova que não vem acompanhada do ganho de mudanças profundas na personalidade. Isso se manifesta de uma maneira maiá acentuada quando o terapeuta possui uma orientação predominantemente kleiniana. ou seja. 4. pois mantém uma posição oposta acerca deste problema decisivo. 2. acontecida quando ainda era menino (1). pois seus próprios conflitos poderiam ligá-lo em demasia ao paciente como objeto gratificante. e até fazê-la fracassar. mas.

Malan (6) diz que um terço da duração da terapia deve ser destinado. uma evolução favorável no pacien­ te. e quão profunda c a sensação de perda que tra­ rão consigo as mudanças” (7). Esse perigo pode ser maior se o terapeuta tem tendências maníacas inconscientes (6).282 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ções que obtèm ou obtiveram.a supressão sintomática na área do mundo externo. As técnicas dramáticas podem constituir um recurso útil para conse­ guir a mobilização do paciente e combater a intelectualização. A situação costuma complicar-se ainda mais quando se deve efetuar uma terapia de tempo limitado cm pacientes que já vêm suportando lutos sig­ nificativos. a separação consecutiva ao tér­ mino da terapia através de um desprendimento gradual. em seu entusiasmo. em todos os casos. com o que pode provocar . especialmente se forem recentes e/ou patológicos. como é o caso do paciente a quem pertencem os sonhos que figuram neste capitulo. 8. 2. mas com a agravante de condenar o paciente a exteriorizar a posteriori o conflito (que obviamente . sobretudo se se dispõe de relativamente pouco tempo de tratamento. ao trabalho interpretativo em tomo da terminação. Outra possibilidade seria dada poruni eventual emprego do método da associação livre (ver capí­ tulo 6. cqndicionado pelo espaçamento dos encontros. por sua vez. Capítulo 10 1. p. Essa conduta pode facilitar. Em alguns casos cabe pensar se o terapeuta. segundo Alexander e French existem algumas bastante duradouras e até permanentes.em seu afa por conseguir “mudanças” . 5. sempre que exista. 3. 93). Obstinado em alcançar o autodesenvolvímento do pacien­ te. pode ser conveniente ir reduzindo progressivamente o número de sessões semanais. poderia fomentar saídas maníacas pseudo-independentes. 6. não funciona às vezes no tratamento breve efetuando uma “proibição” do sintoma. 117 s. no paciente. Em certas ocasiões. Concordo com Fiorini quando por sua vez assinala que em psicotera­ pia breve “poder-se-ia questionar a validade de uma linha interpretativa foca­ lizada nas vivências transferenciais diante do luto determinado pela alta” (4). 7. pelo que esses autores não deixaram dc valorizar seus efeitos terapêuticos (1) (2) (3). operando mais por sugestão e como um superego severo e exi­ gente. Um risco particularmente temivel dentro da perspectiva da reaparição de manifestações sintomatológicas constitui o fato dc que as mesmas tenham lugar em nível somático. 4. De qualquer maneira. nossas expectativas deverão continuar centradas na obtenção do insight. Cabe acrescentar além disso que apesar de fenômenos como as curas transferenciais constituírem uma falsa solução do conflito. tal como as mencionadas no capítulo 6.. pp.

Seu livro (4) contém um excelente estudo. R. por exemplo.). etc. 7. cabe esclarecer que o inverso é possível. White distinguiu a influência reciproca existente entre auto-estima c experiências de eficácia (7). É que. Ainda que não possamos então admitir como real g resolução que não seja acompanhada de uma conscientização da problemática correspon­ dente. Ta[procedimento é produto de uma elaboração pessoal que incorpo­ ra elementos de um modelo tbrnecido pela lic. à necessidade de desenvolvimento de pro­ cessos elaborativos pós-tcrapêuticos que demandarão mais tempo para dar seus frutos. ou por último a que tal desenvolvimento poderia ver-se restringi­ do ou exaurido sem produzir nenhum efeito favorável. através de um novo sinto­ ma e com os perigos que isso acarreta. L. uma mudança favorável e esperada. O agravamento apresenta-se habitualmente com a piora da sintoma­ tologia concomitante. Área 1 da mente. Para uma informação mais detalhada. certa resistência da repressão. Essas situa­ ções obedecem à existência de outros determinantes da problemática não elucidados durante o tratamento. 2 do corpo e 3 do mundo externo. Em matéria de avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve é obrigatório citar Malan. 5. que se tenha consegui­ do certo insight daquela e que sem dúvida não derive. Sempre será conveniente alertar o paciente sobre a possibilidade de reincidência dos sintomas e recomendar-lhe que o consulte se isto acontecer. existindo às vezes uma desproporção entre o insight que parece haver-se obtido e as modificações comprováveis. Refiro-me aqui principalmente à passagem para um tratamento psicanalítico.permanece ativo) no terreno corporal. 6. já que por razões de espaço nào posso estender-me mais a respeito. 8. 9. 4. Capitulo 11 1. Espero que a descrição dos conceitos incluídos neste item haja alcan­ çado suficiente clareza expositiva. o que além do mais equivale a supor que só conseguiu mudar a área de expressão do mencionado conflito. sugiro que se consulte a obra de Malan (4). do superego. Recentemente. minucioso e dotado de sólidos fundamentos psicodinâmicos. modificações que poderão apresentar-se ou não tempos depois. podem persistir outras formas de resistência que obstaculizam todo progresso (resistências de ganho secundário da enfermidade. de acordo com o esquema de Pichon-Rivière (5). assim como algumas idéias de Malan (4). . ainda que fosse vencida. 2. isto é. por exemplo. ao menos de imediato. | 3. W olf (8) (a quem agradeço os valiosos ensinamentos que sobre este tema mc conferiu há alguns anos).

mediante o tratamento prévio de esclarecimentos dos motivos particula­ res que originavam seu rechaço pelo tratamento analítico .F.B.0 sinal © indica resultado positivo. estará mais bem preparado para en­ frentá-los e que terão provavelmente menor intensidade. tem combatido com eficácia as resistências. que a título de exemplo passarei a relatar. . modificar sua atitude e aceitar fazê-lo. Tambcm é o caso de pacientes com resistência á análise. sua con­ fiança na psicoterapia e tendo conseguido adquirir consciência da enfermi­ dade. A combinação impossível é a de resultados positivos em R. talvez mais interessada porque a denominação popular do pro­ cedimento faz alusão a uma curta duração do tratamento. a população está cada vez mais informada da existência da P. A P. posto que não admitiremos como real. Trata-se de pacientes que. Este trabalho foi apresentado no Primeiro Encontro de Psicologia Profunda (Buenos Aires. compreensí­ veis dinamicamente.B. enfrentando situações criticas. agosto de 1978 ).... o interesse do paciente pela terapia breve pode simplesmente encobrir as resis­ tências à análise e estar a serviço delas.F. Em lugar de rechaçá-las e condená-las a que se ajustem como possam às dificuldades atuais para que retornem somente quando estejam em condições de efetuar uma análise. e em M. 1 1 .P. consideraremos propícia a ocasião para que tenham acesso à psicoterapia. que como continuação do tra­ tamento breve. de acordo com o dito anteriormente. 10. pude­ ram. uma resolução . Desse modo. cabe oferecer-lhes assistência psiquiátrica.S. em principio empenhados em realizar uma terapia de curto prazo. não estão nesse momento em condições de enfrentar um processo de análise.e sendo esta a indicação mais adequada ein ambas as ocasiões .284 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mas acrescentando que. reaparecendo.. Geralmente a possibilidade de recidiva da sintomatologia é maior nessas terapias do que naquelas em que o insight não predorrfina.clinicamen­ te total ou parcial . Há pessoas que somente em momentos de crise se decidem a recorrerá consulta (1). 2.P. Fcnichcl sustenta: “(.) as dificuldades agudas da vida consti­ tuem o primeiro e principal campo para a prescrição da psicoterapia breve” (3). É o caso de pessoas que. Paradoxalmente. em conseqüência. 3. 12. Mas quero advertir aqui sobre a possibilidade de ser utilizada pelo paciente como resistência ao tratamento analítico. podem aquiescer ao tratamento analítico. Capitulo 12 1. Foi isso o que sucedeu com uma série de casos.. interessan­ do-se por ela. Atualmente.. uma vez acrescentada sua motivação para o insight.da problemática central da terapia que não seja baseada no insight e em que as mudanças não sejam. com resultado negativo em I.

dada a ausência de seu analista. pôde ini­ ciá-lo pouco depois. o qual lhe criava grandes temores e por outro lado parecia-me o mais indicado. que retomasse nesse momen­ to à situação de dependência analítica. Aconteceu que os pares que havia conseguido for­ mar não conseguiam se manter mais de. (Próxiríla de cumprir o primeiro ano de análise. e ao mesmo tempo de um grande autoconhecimento. exce­ to as já enunciadas. um ano. teve uma reação de “fuga à saúde”. poderia superar sem demasiado esfor­ ço o problema atual com uma terapia interpretativa de objetivos limitados. Uma jovem de 21 anos. Por sua vez. que. A averiguação de seus ante­ cedentes revelou que tinha um irmão esquizofrênico. por diversos motivqS. não achei necessário que voltasse à análise (o que parecia ter lançado. Tampouco pare­ ceu-me oportuno. analisada dos 12 aos 18 anos (quando lhe foi dada alta) por um prestigioso colega que havia-se radicado no exterior há um ano. que pude logo elaborar e controlar. resultados sumamente satisfatórios). Na realidade. com quem mantinha uma relação muito ambivalente e ficar convencido de que necessitava de um tratamento analitico. e a paciente aceitou finalmente submeter-sc a um tratamento analitico. no máximo.) Um paciente. e havia-se separado de seus maridos antes de completarem 12 meses de casamento. que provavelmente nào haveria de se estender durante muito tempo e que. de aspecto agradável. Pensei que a jovem. a paciente se sentia sufi­ cientemente motivada para isso. 4. procurou meu consul­ tório solicitando uma lerapia de tempo limitado. segundo o pacien­ te. Depois de estudar cuidadosamente o caso. teria que empreender com outro terapeuta.. foi-me enviada expressamente por seu interesse em efetuar um tratamento de breve duração. O motivo da consulta eram suas dificuldades para constituir um par estável. obtido com a experiência analítica. . a julgar por outros indícios. do ponto de vista evolutivo. ao nào apresentar outras dificuldades. possuidora de um ego forte. ele nào havia ligado esse fato ao seu pedido de realizar exclusivamente uma terapia de breve duração. vinculado ao meio psicanalitico. aptidão e training para o insighi. o que era racionalizado por meio de diversos argu­ mentos. Ao tomar consciência de que rejeitava a análise porque temia ter a mesma sorte do irmão. consultou-me por haver sofrido uma reação fóbica ante um exame que devia fazer em sua faculdade. havia se psicotizado durante tratamento psicanalitico. Chamava a aten­ ção a insistência com que desde o começo propunha-mc que a tratasse duran­ te um ano..Notas 285 Uma jovem. Sua mãe havia se casado duas vezes. não havendo razões válidas para limitar a duração da psicoterapia. O conflito que a paciente trazia para o tratamento a impedia de formar um par terapêutico com perspectivas de durar: esse era o motivo inconsciente de sua insistência na limitação temporal da terapia. O obstáculo itsistencial pôde ser vencido por meio de assinalamentos e inter­ pretações durante as entrevistas clínicas.

ao ligar-se estreitamento a alguém.. via-se per­ turbado pelo temor de se expor a uma nova frustração. mostrou-se angustiado nas entrevistas pelos sentimentos que lhe inspirava seu pai: “Se solto cm cima dele tudo o que tenho para censurá-lo. A. denotava contar com um ego observador. como a seguinte. que foram atribuídas a esta situação.. como a que havia sig­ nificado a perda de sua mãe. solicitou ajuda tera­ pêutica. por temor ao surgimen­ to de certas fantasias.. 10. inoculadora de culpa. o nascimento do bebê pode ser visto ao mesmo tempo como um fato mobilizador e estimulante.286 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Capitub 13 1. a seu progenitor). tenho medo de ter um ataque de raiva e dizer-lhe tudo. a partir precisamente do qual o pa­ ciente. no qual.. O sentimento de culpabilidade se exteriorizava no psicodiagnóstico através da sensação de estar “sujo". A licenciada Flora M. 8. 2. Seu pai tinha ido conhecer o bebê várias semanas depois de seu nas­ cimento (o que motivou fortes reprovações de A. 4. pensou-se que tais dificuldades poderiam também relacionar-se com o ocor­ rido com sua mãe. conseguiu.'’ 6. No psicodiagnóstico apresentavam-se fantasias de adultério de sua mulher. ao colocar em evidência dificuldades para vincular-sc com pessoas. Até antes de casar-se imaginava que seria impotente e pensava que seu pênis era extremamente pequeno. capaz de chegar a sc conscientizar de “uma falsa ligação". um novo emprego semanas depois de terminada sua terapia. acabo matando-o. O psicodiagnóstico reforçava essas pressuposições. ao trazer-me um material que ele supu­ nha haveria de satisfazer-me e interessar-me muito.. 3.. Finalmente. 7. você me mata desse jeito. pelo que. A esse respeito. por iniciati­ va pessoal. 165 e 168). já há quase três anos deste fato (entrevista de acompanhamento) conti­ . vários sonhos e referências trazidos pelo paciente nesta etapa ilustram acerca da situação. freqüentemente recordadas pelo paciente: “Como você é mau. dc Frymer teve a seu cargo os psicodiagnósticos correspondentes. Não obstante. do mesmo modo. Esse fato havia sido vivido pelo paciento como uma expressão de desaprovação de sua paternidade por parte daquele. uma intenção de seduzir-me a fim de que o retivesse. necessitando melhorar sua situação econômica. 5. os quais figuram no capítulo 9 (pp.. que poderia levá-lo a resgatar c desenvolver potencialidades egóicas. especialmente de caráter homossexual. 11.” A isso se somava a conduta de seu progenitor.. Os fatos me dariam pouco depois razão: A. 9. Em todo caso. Seus relatos de abundante material onírico quando se aproxima­ va o final do tratamento encerravam. através de repetidas frases.

a perda de seu companheiro reativava a perda daquele. nas quais a boca substituía por deslocamento a vagina. Fosse ou não esse padecimento substituição do anterior. que expres­ sara um duplo jogo de sentimentos da paciente: não só se tratava de prazer que sentia por estar junto com sua mãe como também provavelmente do gozo sádico por haver se livrado definitivamente da um rival de toda a sua vida (6). destacando assim seu principal sintoma. isto se‘Yelacionava com fanta­ sias de introjeção ambivalente do objeto perdido (irmão). Nesse sentido. 12. 14. Tanto os desejos de fellatio da paciente. c com melhor retribuição econômica. o que nos sugere uma conexão direta entre os desejos às fellatio e a gravidez de J. e como autocastigo. Resultou justamente digno de nota que J. De acordo com o psicodiagnóstico. dando assim lugar ao sintoma. especialmente de seu pênis. 16. e se achava ligado igualmente com uma tentativa reparatória ma­ níaca diante da perda.Notas 2S7 nuava trabalhando. . 13. querendo ela aparecer ante sua mãe como se fora seu irmão através de uma identificação com ele. Pode considerar-se esta palavra Como palavra-sintoma. subja­ cente aos vômitos. pode traduzir-se “no desejo de adquirir um pênis. seguindo uma moda não demasiadamente difundida. Para ela mesma. o qual é em geral um indicio favorável no curso de um tratamento. Além disso. Optei por denominar o caso desse modo. Jones atribui à inveja do pênis. 17. com os quais intentava satisfazer tal desejo. e devido também a um intenso desejo de recuperar o obje­ to perdido (pênis incestuoso). compareceu a vá­ rias sessões. sem ter lido grandes problemas em suas relações inter­ pessoais. 15. freqüentemente transformando-o num menino" (7). habitualmente engolindo-o e remetendo-o dentro do corpo. houve de todo modo mobilização de um sintoma crônico. existiam ao que parece fantasias de coitos fra­ ternos (e mais profundamente patemos). que efetuasse uma psicoterapia. A interpretação ativa desses conteúdos não foi seguida de uma reposta confirmatória imediata dela. terminava expulsando-o. Demonstraria logo uma grande facilidade para trazer material focal e adequado para a exploração profunda. Assim vestida. Recomendamos à mãe de J. reme­ tiam a seu complexo de castração (no qual não se aprofundou demasiado durante a terapia). Mas devido a seu caráter incestuoso. Resultou naquele momento um dos casos mais ilustrati­ vos e polêmicos de minha experiência hospitalar c talvez o que registrou os melhores resultados terapêuticos. mas esta colocou muitos obstáculos à sua realização. Por outro lado. não cheguei a elucidar e interpretar os conflitos corres­ pondentes aos aspectos libidinosos da relação com seu irmão. É interessante recordar aqui um dos sentidos que E. começasse a se vestir com uma ostentação masculina. como os de gravidez.

Fc- . o que não foi interpretado. isso não se fez basicamente porque no princípio se ignorava que existisse uma vinculaçâo tão direta entre os sofrimentos atuais da paciente e o luto. pelo que se lhe fixou uma duração de três meses apenas. já que nela estava muito acentuado o par voyeurismo-exibicionismo (seguia estudos de modelo publicitário). o que havia agido como estímulo. sem dúvida. J. afogando-se no mar. também ligava inconscientemente o terçol com desejos escatofílicos e seu caráter doloroso com o castigo diante de tais desejos. 22. mas também pretendia ocultar-me conflitos não-resolvidos com seus sentimentos de gratidão. 19. na aplicação de terapias de curto prazo. Na verdade. Eu lambem não havia refletido até esse momento a res­ peito da necessidade de se levar em conta a situação especial que se coloca. Isso sugeria também que J. Por último. Isto não surpreendeu mais. nessa observação da paciente. Uma interessante condensação se deu num pesadelo em que via sua irmã. e demais históricos incluidos em "Estudos sobre a histeria” [5]. novamente. especialmente o complexo de Édipo que nessa época naturalmente ainda não havia descoberto). 21. em seu extenso relato. a experiência que significou assistir a essa paciente contribuiu para que se prestasse atenção ao problema. Justamente. Isso me pareceu uma racionalização de um problema não totalmen­ te resolvido. 23. a qual constituiu uma descoberta registrada em pleno processo terapêutico. Inclusive acreditei notar. Pensei se isso não significaria. que o próprio criador da psicanálise se encarregou de nos trazer (a sexualidade infantil. 20. que não só queria. por exemplo. os resultados favoráveis obtidos no momento da avaliação. como podem ser os desencadeados por motivo de perda de seres queridos. A tudo isso contudo se somou o fato de se considerar o caso de J. os transtornos e prejuízos que lhe acarretou esse novo padecimento eram em troca muito menores que os que lhe ocasio­ naram seus vômitos. contar-me tudo o que havia obtido de positi­ vo da terapia. dado por sua relação de dependência infantil com a mãe. como um dos de patologia menos severa dentre os tratados. associados às limitações temporais próprias da expe­ riência clínica realizada. J. Cabe acrescentar que no dia anterior (domingo). Ao que parecia. A diferença reside em que atualmente contamos com a vantagem de possuir novos conhecimentos que ampliam nossa compreensão profunda. a qual pode-se considerar um antecedente técnico da terapia focal). Existe uma certa analogia entre a abordagem do foco terapêutico e o que praticava Freud com o sintoma em seus primeiros tratamentos (Isabel de R.288 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Além disso. era capaz de evidenciar pro­ gressos e não necessariamente que o esforço terapêutico fosse infrutífero (9). além do mais. grávida. fizeram rejeitar a alternativa de um recontrato. 18. que evitava contar-me algo que pudesse nos colocar em desacordo. pela existência de lutos patológicos de grande envergadura. tinha saído a passeio com um casal de noivos.

com considerável capacidade de insight. De acordo com as siglas utilizadas no capítulo 11 (pp. N.P.lizmentc não houve conseqüências negativas a lamentar. Por sua vez tais interpretações não devem causar maior surpresa. que foi o que durou essa análise. no tratamento de Dora e num período de três meses apenas. tanto para a avaliação imediata como mediata. 2.F. Sabemos que cada paciente necessita de seu próprio tempo. já em 1900. .1. que a fez responder satisfa­ toriamente a uma terapia intensiva de curta duração. chegou a interpretar as fantasias de fellatio que subjaziam à tosse nervosa da paciente (4). Capítulo 14 1. os benefícios foram apreciáveis.Ver tabela que consta na pág. 24.F. e R.P. 3. Em caso de se tratar dc uma psicoterapia em que predomina o reforçamento egóico. excluem-se dessa lista I. 203.. do T. tinha pelo visto um rápido timing. 202 ss. 1 I .). Quer as recaídas se traduzam indistintamente na reaparição dos sin­ tomas quer na aparição de novas manifestações sintomatológicas. se recordamos que Freud. pelo contrário. . dando a impressão de que o tempo combinado para a terapia havia sido suficiente para o sucesso daqueles.

As psicoterapias de orientação analítica. o autor aborda outros pontos pouco discutidos anteriormente. -O ^SSb nesses métodos G 34217 . mas se diferencia da sua técnica clássica. a interpretação. Desenvolve intenitra mais de quinze . as resistências. Incluindo pontos que são objetos de polêmicas tradicionais. como o trabalho com os conflitos. adquiriram fundamental importância ante a demanda maciça de assistência psicológica. O livro traz também temas de importância prá­ tica indubitável: as entrevistas preliminares. mas contribuindo também com suas idéias pessoais. que reconhece a psicanálise como fonte. a avaliação dos resultados terapêuticos. particularmente as chamadas breves. as indicações do X ' ). Nesta obra o autor procura estruturar uma modalidade técnica deste tipo de terapia. como a transferência. o insight a ela­ boração etc.

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