PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA

Eduardo Alberto Braier

PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA .

Tradução IPEPLAN

Martins Fontes
São Paulo 2008

Esta obra foi publicada originalmente em espanhol com o titulo PSICOTER APIA BREVE DE ORIENTACIÓN PS/CO ANALÍTICA por Ediciones Nueva Visiõn, Buenos Aires, rm I9&4. Copyright © Ediciones Nueva Vision SAIC, Buenos Aifes. 1984 Copyright © 1986. Livraria Martins Fontes Editora Ltda.. São Paulo, paia a presente edição I* edição 1986 4* edição -TO Coordenação da tradução Mana Risoleta de Oliveira Marcondes Revisão da tradução Maria Esteia Heider Cavalheiro Revisões gráficas Eloisa da Silva Aragão Ivete Batista diu Santos IHnarte Zorzanelh da Silva Produção gráfica Geraldo Alves Pagirmçáo/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados Internacionais de Catalogação na Puhlicaçao (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP. Brasil) lírnicr, Eduardo Alberto Psiwterapia breve de orientação psican.il itica / Eduardo Alberto Britiet : iraduçAn IPEPLAN. - S3o Paulo : Martins Fontes. 2008. (Psicologia c pedagogia) Titulo original: Psicoterapia breve de orienlación psicoanalítica. Bibliografia. ISBN *J7K-85-336-2407'8 I INicnntilisc 2. Psicoterapia breve I. Titulo. II. Série. 07 UHM ____________________________________ CDD-618.8917 Indices para catálogo sistemático: I Psicanálise : Medicina 618.8917

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Indice | Prefácio à edição brasileira XV por Maurício Knobel Prefácio 1 1. Fundamentos teóricos 15 Introdução 15 Pelos caminhos da psicanálise 16 A psicoterapia individual breve de orientação psicanalitica Os fins terapêuticos 18 A temporalidade 21 A técnica 21 Resultados e mecanismos terapêuticos 49 Referências bibliográficas 56 . Resenha histórico-bibliográfica 9 A psicoterapia breve na A rgentina 12 Referências bibliográficas 13 3. Introdução 3 Referências bibliográficas 7 2.

Entrevistas preliminares 63 Introdução 63 0 estabelecimento da relação terapêutica 63 A história clínica 65 Avaliação diagnostica e prognostica 65 Avaliação diagnostica 65 » Papel do psicodiagnóstico 69 Avaliação prognostica 70 A devolução diagnóstico-prognóstica 71 Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento 73 Explicitação do método de trabalho.TÉCNICA 4.vo» sobn' afocalização e a atenção do terapeuta 95 t i*-nu7j/í>\ psiioterapêuticos verbais 99 <ieneralidades 99 . O tratamento 83 Introdução 83 A relação paciente-terapeuta no tratamento breve 84 1Ima regra básica defuncionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalitica 89 O emprego constante do método da associação livre ("regrafundamental ”da psicanálise) nos tratamentos breves 90 Adoção de uma regra básica defuncionamento para psicoterapias breves 93 t lso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves 93 ( 'onformação definitiva de uma regra de funi ionamen to para psicoterapias breves 95 I í/ i-/ <v. Fixação das demais normas contratuais 76 Referências bibliográficas 77 5. Planejamento do tratamento 79 Referências bibliográficas 81 6.

prática e investigação em psicoterapias breves 149 Introdução 149 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve 151 'Psicoterapiabreve 'versus'psicanálise” 151 Na intimidade da relação terapeuta-paciente 152 Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve 159 Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve 159 Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação terapêutica 160 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Conclusões 162 Referências bibliográficas 163 9. A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 165 Introdução 165 Reações causadas no paciente pela separação 166 Reações causadas no terapeuta pela separação 170 Aspectos técnicos 171 .As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica 100 Outras intervenções verbais 117 Sobre as sessões 118 Outros recursos terapêuticos 119 O emprego depsicofármacos 120 A participação defamiliares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento 121 Referências bibliográficas 125 7. Uma sessão de psicoterapia breve 129 A sessão 136 * Comentários sobre a sessão 141 Referências bibliográficas 148 8. Dificuldades do terapeuta para a formação .

Dos tratamentos breves 213 Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados 213 Dados biográficos de interesse (resumo) 214 Avaliação diagnostica 215 A hipótese psicodinámica inicial 216 As metas terapêuticas 219 Prognóstico 220 Planificação do tratamento 220 Evolução durante o tratamento 223 Avaliação dos resultados terapêuticos 225 Considerações finais 228 O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras. Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve 177 Referências bibliográficas 182 11.Conclusões 174 Referências bibliográficas 175 10. Indicações da psicoterapia breve 207 Referências bibliográficas 211 13. Aprofundamento nofoco 229 Motivos da consulta 230 Dados biográficos de interesse 231 Avaliação diagnostica 232 . A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve 185 Introdução 185 Um método de avaliação 186 A avaliação imediata 187 Alternativas do paciente ao terminar o tratamento 194 A avaliação mediata 196 Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos 200 Referências bibliográficas 204 12.

Formação de terapeutas em psicoterapia breve 251 Introdução 251 Aprendizagem teórica 252 < Treinamento psicoterapêutico 253 Supervisão clínica 254 Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves 254 Referências bibliográficas 263 Notas 265 .Hipótesepsicodinâmica inicial. Conflitivafocal 232 Metas terapêuticas 233 Prognóstico 233 Planificação do tratamento 234 Evolução durante o tratamento 235 Avaliação dos resultados terapêuticos 241 Consideraçõesfinais 245 Referências bibliográficas 249 14.

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Os caminhos da terapia psicanalitica (1919).” Sigmund Freud. .“Defrontamo-nos então com o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições.

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a elaboração cuidadosa das técnicas ao longo desses anos bem como a organização e clareza com que são agora apresentados. que recebeu a formação rigorosa do Instituto de Psicanálise da Associação Psicanalítica Argentina. E isso não apenas no devaneio intelectual. os que conseguem associar o rigor da prática psicanalítica a uma consciência social e comunitária. Conhece e reconhece a Psicoterapia Breve e resolve elaborar. mas na confrontação do dia-a-dia com o paciente que procura ajuda nos hospitais e centros de saúde.Prefácio à edição brasileira í Apresentar ao leitor a edição brasileira do livro de Braier é uma honra e um prazer. São poucos. . É também sentir que estamos contribuin­ do para o esforço atual para tomar a psicoterapia acessível a uma ampla camada da população que necessita desta modalidade de atendimento. uma teoria da técnica para a sua prática. sem te­ rem acesso a uma técnica complexa. Braier é um psicanalista argentino. através do próprio exercício clínico. a precisão dos conceitos. posso constatar o amadurecimento das idéias. Eduardo A. infelizmente. demorada e elitista. de 1967. Braier procurou oferecer uma contribuição concreta para aqueles que buscam ajuda para os problemas emocionais. Como participante das investigações sobre psicoterapias bre­ ves do Colégio Acta.

No estudo sobre “O Tratamento”. depois de uma revisão minuciosa dos conceitos de Malan c da terapia focal. O capítulo cinco. o autor parece não ter esquecido nenhum daqueles detalhes que respondem às muitas perguntas que constantemente nos fazem os alunos e os estudiosos da técnica. por momentos. A apresentação detalhada de um caso clínico é uma ilustra­ ção de grande valor didático e um estímulo para o aprendizado e a compreensão da proposta do autor. Aceita a possível utilização de recursos terapêuticos múlti­ plos e afirma que ninguém é dono da verdade. . sobre “Planejamento do tratamento”. Braier é o psicanalista cauteloso unido ao terapeuta audacioso. veículo de uma proposta con­ creta e acessível. sem a qual será difícil iniciar um processo psicoterapêutico. Os difíceis temas da avaliação e das indicações são aborda­ dos em capítulos separados e de grande valor para a pesquisa. mas reflete sempre uma compreensão dinâmica do processo terapêutico. hstuda minuciosa e cuidadosamente os princípios clássicos e a prática da psicanálise c compara-os com a sua prqpria experiên­ cia neste campo relativamente novo da psicoterapia. com os pés no chão e voltado para o futuro. merece especial destaque a afirmação de que é necessária uma ampla e minuciosa avaliação diagnostica. esta modalidade de terapia que resulta de uma cuidadosa ava­ liação da técnica psicanalitica. é extremamente rico pelos conceitos que traz. A linguagem é. rigidamente psicanalitica. Não disfarça as dificuldades que existem para a formação de quem pretende se iniciar na práti­ ca desta modalidade psicoterapêutica e reconhece seus problemas técnicos e riscos. principalmente dentro da área psicanalítica. privilegiando di­ versas e diferentes hipóteses. De aluno fiel converte-se em mestre generoso e nos oferece esta contribui­ ção. Como bom discípulo de Freud. aceita o desafio do mestre e procura “adaptar nossa técnica às nossas condições”. a meu ver. O livro traz muitas respostas e sua contribuição didática é inquestionável.XVI Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Os fundamentos teóricos de Braier têm origem na psicanáli­ se. Inicia com o estudo das entrevistas preli­ minares e. A sua técnica criteriosamente elaborada é apresentada com metodologia.

A polêmica sobre “investigação” da personalidade ou seu “tratamento” é estéril. perfeitamente aplicável em nossa cultura. junho de 1986. PROE DR. ofe­ recer a teoria de uma técnica compreensível dentro do campo psicanalítico e mostrar que a psicoterapia não é necessariamente o privilégio de uma classe social. O modelo de “ficha clínica para psicoterapias breves” que encerra o livro é um guia útil para quem procura sistematizar estes estudos. Campinas. Não se trata de um “transplante artificial”. teórico. Este trabalho é uma mostra do quanto se pode fazer quando existe compreensão humana do ser humano e não uma escondida fobia ao contato interpessoal criativo e enriquecedor da alma. em nossa sociedade. só válido na sua microcultura de origem. mostra também que este mundo conflitante necessita cada vez mais de especialistas com conhecimentos sérios e profunda sensibilidade áocial. aqui apresentada de modo abrangente.empresa editora pela seleçào desta obra. é um importante auxiliar clínico. além de seu valor didático. que. academicista e. . Considero necessário parabenizar a.Prefácio à edição brasileira _ ____ _____________________ _____________________________ Os exemplos clínicos ajudam o leitor a entender e a familiarizar-se com esta técnica tão concisa. prático e de pesquisa. MAURÍCIO KNOBEL Professor Titular de Psiquiatria Clínica da FCM da UN1CAMP Professor Titular de Processos Psicoterápicos do Dept? de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC Campinas. do ponto de vista psicanalítico. Não existe pesquisa em psicanálise sem assistência a quem procura este contato único e absolutamen­ te singular. O país e os leitores de língua portuguesa vão se beneficiar com esta obra. j Braier consegue aqui abrir nossos olhos a uma realidade. mas deve ser uma possibilidade aberta para muitos. uma atitude resistencial. e sim de uma ampla e imparcial obra teórico-técnica.

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Minha intenção é de nele expor | 9 «> . mais recentemente. defron­ tei-me com o problema ocasionado pela necessidade de propor­ cionar assistência psiquiátrica a grandes massas da população. Todos esses fatos me animaram. instituições e em nível privado e.Prefácio Meu interesse pela psieoterapia breve nasceu em meus anos de residente em Psiquiatria (1968-71). depois. sempre partindo do corpo teórico-psicanalítico. A isto se somou o poderoso estímulo que significou o intercâmbio científico com colegas. inclui uma passagem de aproximadamente 2 anos pelo CEMEP (Centro dc Psicologia Médica). o trabalho docente que venho exercendo sobre o assunto em hospitais. No trabalho hospitalar. Desde então. finalmente. que me proporcionou uma experiência clínica de um ano na investigação de terapias breves. Minha práti­ ca em tais técnicas. não abandonaria mais o estudo e a investigação das técnicas de objetivos e tempos limita­ dos. primeiro no Serviço de Psicopatologia do Hospital Pinero e. no serviço de mesmo nome no Hospital Ramos Mejía. o enorme enriquecimento que me proporcionou a formação na Associação Psicanalítica Argentina. além da exercida em consultório particular. como terapeuta da instituição (1972-73). Isso motivou minha apresentaçãb a concurso para obter uma bolsa municipal que era oferecida pela Secretaria de Saúde Pública de Buenos Aires. no segundo dos servi­ ços citados (1971-72). e concomitantemente à mi­ nha dedicação a terapias prolongadas. a empreender a ár­ dua tarefa de escrever este livro.

licenciados Jorge A. agosto de 1980. Alejandro Puente. a quem coube a enorme tarefa. Aída Núnez. Ao Sr. me incentivou constantemente. BRAIER . que supervisionou os trata­ mentos breves que efetuei durante minha investigação no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal J. da bibliografia existente sobre o tema. Marcos Guites. que leu o capítulo 13. Fiorini. a regra de fun­ cionamento do paciente. que realizou um leitura crítica dos ori­ ginais e. a prática e a investigação em psicoterapias breves. De Finkelstein e Suzana Boz.2 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica com clareza principalmente as experiências e idéias pessoais que venho acumulando até o momento. os tipos de atenção do terapeuta. Como sempre ocorre. as difi­ culdades do terapeuta para a formação. Claudia H. alguns incon­ venientes técnicos e riscos a eles relacionados e os problemas concernentes à avaliação dos resultados terapêuticos. Entre eles se encontram: os fundamentos teóricos. Montevecchio. M. motivando alguns desenvolvimentos. Moisés Kijak e a Elisabeth G. Silvia S. pelo generoso estímulo e pelas su­ gestões que pessoalmente me ofereceu durante anos de frutíferas discussões sobre as psicoterapias. complementadas por uma revisão crítica. além disso. Ifim Kantor. Ramos Mejía. Aos colegas membros dos diferentes grupos de estudo por mim coordenados. que foram meus analistas. de transcrever meus ilegíveis manuscritos. Mónica Noseda. Ricardo Frigerio. Alba Brengio. A meus pacientes. Delia Saffoires. Ao Dr. EDUARDO A. Boa parte de meu entusiasmo pelo tema deve-se à leitura de seus excelentes trabalhos. que de nenhum modo pretende ser completa. Ao Dr. principalmente os seguintes: doutores Víctor Feder. Luiz Allegro. certos pontos despertaram em mim um interesse maior que outros. De Zanoto. realizada com carinho e esmero. À Dra. Iléctor J. o término do tratamento. De Garma. Isaías Finkelstein. assim como ao Dr. Blanca R. Brener. Buenos Aires. especialmente: Ao Dr. Quero expressar meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que de uma maneira ou de outra me ajudaram nesse em­ preendimento.

o que nos conduz. o uso de modernos psicofármacos e da psicoterapia grupai. propósito este que. As limitações econômicas de muitos que acorrem em busca de ajuda terapêutica foram e são. os centros de saúde mental. com idêntica finalidade. de implementar técnicas breves. as instituições privadas e os hospitais psiquiátricos tive­ ram. naturalmente mais acessiveis às pessoas de poucos recursos. sem dúvida. centrar-se na superação de sintomas e incidentes agudos ou situações perturbadoras atuais. de ime­ diato. ao problema de sua denominação. em quantidade insuficiente. Da mesma maneira. que se apresentam como prioritárias por sua urgência e/ou importância. por outro lado. Em nosso meio.1. As terapias de curto prazo. Os diversos nomes que *» . não era compatível com o emprego de tratamentos longos. a seu tempo. Os objetivos terapêuticos deveriam. novos traços distintivos. e de forma similar a outros paí­ ses. individuais e grupais. um fator que vem exercendo uma influência decisiva no desenvol­ vimento e na difusão das terapias breves. de um modo gradual. Introdução l As chamadas psicoterapias breves surgiram essencialmente como uma resposta ao problema assistencial colocado pela massa cada vez maior de população consultante. permitiram ampliar a assistência psiquiátrica. tinham incorporado. não conseguiam cobrir a demanda de pacientes. em determinado momento. Esses procedimentos terapêuticos vão alcançando. os inci­ pientes serviços de psicopatologia hospitalar. já que os tera­ peutas. então.

empregamos aqui com muita freqüência1 . deixar claro a que situações e métodos psicoterápicos vou referir-me ao longo desta obra. que por ser. Acima de tudo. muito apropriada. desde já. a aumentar a confusão reinante). uma data de finalização preestabelecida.mas ter as metas limitadas e as características técnicas próprias e essenciais desses procedimen­ tos (focalização. estabelecer uma diIVrença com respeito aos tratamentos breves alicerçados cm ouiius orientações terapêuticas (terapias comportamentais. denominação essa que novamente alude à sua temporalidade. há que se admitir que não é a mais adequada: em princípio porque essas terapias sâo breves do ponto de vista do terapeuta. . Em primeiro lugar cabe examinar a denominação psicotera­ pia breve. a meu ver.4 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica recebem revelam as tentativas de tornar precisas algumas daquelas que se consideram suas principais características (embora indu­ zam. que dá título a este livro. sem dúvida. Outra denominação a que se costuma recorrer. Apesar disso. a mais difundida e imposta pelo uso. em definitivo. tal denominação é dis­ cutível. análise trunsacional. mas podem não parecer breves por exemplo para o paciente. mas que denota não só bre­ vidade.). em virtude do qual este passa a ter. é conveniente citar para poder. as quais. a de psicote­ rapias de objetivos limitados. As terapias a que fazemos referência também são conhecidas como psicoterapias de tempo limitado. diferentemente de outros elementos. etc. como também a fixação de um limite de tempo para o tra­ tamento.um ano ou mais . é. assim. que as distinguem da psica­ nálise corrente e de outras psicoterapias. etc. e quando sua duração é comparada com a do tratamento psicanalítico. geralmente e de ante­ mão. que por conseguinte poderão ser concomitantemente de tempo limitado ou não.. planejamento. Tampouco este é um fato necessariamente constante nesses tratamentos.). já que uma psicoterapia pode ser de duração certamente prolongada . em geral mais prolongado (1). sempre se faz presente em tais terapias. já que se refere a um elemento importante e que. e que escolhi porque me interessa explicitar que se trata de uma terapia originada nas teorias de psicanálise e. Pode-se também empregar a denominação psicoterapia bre­ ve de orientação psicanalítica.

à forma de psicoterapia rápida ou breve que partilha apenas algumas das características e dos métodos de que nos ocu­ pamos. no meu entender. tanto no meio hospitalar como no consultório particular. por exemplo. o que signi­ ficará uma proveitosa aplicação de suas teorias em situações nas quais não é possível utilizar a técnica psicanalítica corrente. Entre nós Szpilka e Knobel propuseram denominá-las psicoterapias não-regressivas.) É melhor dizer que é possível instrumentar uma terapêutica breve baseada no esquema conceituai da psicanálise. sobretudo. (De minha parte. para acentuar outro aspecto importante delas (5). já que de imediato suas condições egóicas não costumam permiti-lo. obtendo-se um alívio sintomático. a uma psicoterapia de objetivos limitados. com freqüência prevalece a necessidade de estancar a crise. atribuindo-lhes resultados espetacula­ res. É necessário afastar a absurda antinomia que alguns preten­ dem criar entre a psicanálise e a RB. . particularmente. Nesta obra referir-me-ei. Ambos os métodos constam de objetivos terapêuticos. e com certo detalhe. basicamente’interpretativa ou de insight. considero que não devemos deixar de atender aos numerosos pacientes que. Em tais situações. como por exemplo. É perigoso incorrer no erro de pensar que a psicanálise é o único tratamento válido realizável. delírios agudos. como também no de supervalorizar os alcances da RB. de modo que na maioria dos casos deve-se postergar a busca de insight no paciente até um segundo momento terapêutico. a uma terapia de urgência em “situações especiais de crise e exigência” (2).. no ambiente hospitalar. tratarei aqui não só de suas possibili­ dades. Refere-se.. A chamada psicoterapia de emergência concerne. longe de querer apresentar o tratamento breve como uma panacéia. etc. mas também.Introdução _______ ____ ____ ________ ________ _________ ________ ________ ________ Alguns autores preferem designá-las com nomes que servem para destacar algumas de suas peculiaridades técnicas e que suge­ rem diferenças com relação às da psicanálise clássica: terapias planejadas (3) ou focais (4). não . que deve ser empregada em indivíduos com capacidade egóica sufi­ ciente para serem tratados por meio dela.). indicações clínicas e técnicas diferen­ tes. de suas limitações e ris­ cos. tais edmo episódios de natureza psicótica (tentativas de suicídio. Além disso.

em seguida. Também chama a atenção a escassa participação dos analistas de maior experiência na investigação dessas terapias. a prática e a investigação em P. procurei sistematizar os sucessivos passos do processo terapêutico e ensaiei um critério de avaliação dos re­ sultados. na única abordagem terapêutica viável. estruturada com mais solidez. De um tempo para cá. que poderá trazer. exigindo que adaptemos nossos recursos técnicos às possibilidades e necessidades do paciente. ou ainda.não estão em condições de ser analisados. Oriento meu trabalho cm direção a essa meta. se diferencia nitidamente de sua técnica. segundo creio. ou por sua idade avançada. Cabe acrescentar que em muitas ocasioes uma terapia de objetivos e tempo limitados pode ser o passo inicial em direção a um posterior tratamento analítico. uma mudança nas condições do paciente que o torne apto para efetuar." Psicoterapia breve de orientação psicanalítica podem. que enriqueceram profundamente nossa visão dele). tentando conceituar uma modalidade terapêutica que reconhece suas fontes no corpo teórico da psicanálise. já são muitos os que falam na importância do emprego deste método terapêutico. na mais conveniente. Acima de tudo. como resultado.B. que possibilite um ensino adequado de seus princípios básicos (sem que tal afirmação desmereça o reconhecimento da existência de contri­ buições de decisiva importância sobre o tema. surge clara­ mente como premissa. por motivos diversos (econômicos. Constitui uma necessidade premente contar com uma teo­ ria da técnica da P.B. mas que. convertendo-se. num primei­ ro momento. . uma psicoterapia prolongada. A superação das diversas dificuldades dos profissionais para encarar aformação. Pessoalmente. interessei-me em obter uma compreensão profunda de algumas das motivações inconscientes do terapeuta que subjazem a suas dificuldades para ajustar-se ao enquadramento requerido pela P. Caso isso ocorresse. etc.B. correríamos o risco de tomar por intratáveis indivíduos que simplesmente .) ser abordados através de um tratamento psicanalítico.c freqüente­ mente só em caráter transitório . sem esperar que sejam eles quem devam amoldar-se a um único método terapêutico. mas são poucos os que preconizam e aplicam procedimentos técnicos apropriados ao contexto em que tal método cabe. mas também de resis­ tência.

1963. 1969..)? •» 1. Amér. 1974. L. 2. Terapêutica psicoanalítica. e Swall. cap. vol.. D. “Acerca de la psicoterapia breve”. Illinois. em Alexander. junho de 1968. Paidós. Referências bibliográficas j . T. Buenos Aires. Tavistock. Charles Thomas. L.. Por último. Bellar. México. T. Alexander F. psicol.. H. Centro Editor de América Latina. Buenos Aires. em I.) 5. Psicoterapia breve y de emergencia. Acta psiq.. desejo esclarecer que nesta obra irei ocupar-me especialmente do que tange à psicoterapia individual breve em pacientes adultos e adolescentes. 3. cm Alexander. que possibilitem validar ou questionar as concepções teóricas sustentadas atual­ mente. “Planificación de la psicoterapia”. PaxMcxico.. “Eficacia dei contacto breve”.. ainda que muitos dos conceitos apresentados sejam extensivos ao tratamento de crianças c aos procedimentos grupais (psicoterapia breve de casal. e Knobel. cap. M.. grupo fami­ liar. e French. 1965.. A Study o f Brief Psychotherapy. French. Londres. F. etc.. Lat. V it 4. Buenos Aires. Springfield. IX. XIV.. T.B. J. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. ob. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia breve. F e Frcnch. n? 2. Szpilka.Introdução ___________________________________________________________________________________________ ___ _ Também serão bem-vindas a realização e a transmissão de novas experiências clinicas organizadas em P. Malan. cit.

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em buscar curas rápidas. o trata­ mento foi-se tornando mais prolongado. (12). terapias breves. Outro trata­ mento célebre. Gradualmente e com os progressos da psicanálise.. a sobredeterminação dos sintomas. e cujo histórico clínico foi publicado em 1909 (5). Resenha histórico-bibliográfica I Passaremos cm revista os principais acontecimentos e obras que marcaram a evolução da terapêutica breve de orientação psicanalítica. inicialmente. Devo começar tal revisão assinalando que os primeiros tra­ tamentos efetuados pelo próprio Freud na etapa pré-analítica e no começo da analítica eram. O desenvolvimento dos acontecimentos mais relevantes pode ser resumido como se segue: 1914: no histórico clínico do Homem dos lobos. pois duravam só alguns meses. quatro horas. o do Homem dos ratos. Incidem fatores como a resistência. que conseguiu bons resul­ tados. a necessidade de elaboração. a maior parte das quais trans­ correram enquanto ambos passeavam por Leyden (9). durou tão-somente 11 meses. de cfcrto modo. redigido em 1914 e editado em 1918 (7). durante algo mais de. Freud disse que fixou pela primeira . etc. Freud atendeu a Gustav Mahler.. com resultados satisfatórios. os fenômenos transferenciais. O fundador da psicanálise se achava empenhado. a princípio dirigidas para a solução de determinados conflitos e sintomas'.2.

Freud assina­ la que as tentativas de abreviar a duração da análise que consome muito tempo não requerem justificação “e se baseiam em impera­ tivas considerações de razão e dc conveniência”. a necessidade de uma psicoterapia breve. sendo repreendido por Freud (13)\ 1918: em uma conferência pronunciada em Budapeste e edi­ tada no ano seguinte (“Os caminhos da terapia psicanalítica” [8]). Rank realizam tentativas para abreviar a cura psicanalítica. por sua vez. Freud recorda que. que considera o nódulo da neurose. Pelo contrário.. a configuração de uma terapia breve de orientação psi­ canalítica. Freud propõe uma psicoterapia de base psicanalítica para respon­ der à necessidade assistencial da população. Escrevem conjuntamente um livro. enquanto parte do material se tornará acessível sob a pressão dessa amea­ ça. outra parte ficará guardada e enterrada como estava antes. O mesmo fará em relação a Ferenczi. o trauma do nascimento. pela primeira vez. baseadas em sua concepção a respeito do trauma de nascimento. ura de seus últimos trabalhos. outros métodos. numa tentativa de acelerar o desenvolvimento do processo terapêutico2. e . contanto que se faça no momento oportuno. para acelerar o tratamento analítico no caso do Homem dos lobos. 1920-1925: S. Mas também fustigará as tentativas que Rank efetuara nessa direção desde 1924. Acrescenta que posteriormente também tomou essa medida em outros casos. em poucos meses dc análise. re­ correu ao expediente de fixar-lhe um limite de tempo. recebendo duras críticas de Freud. Tal proposta é de importância decisiva para fundamentar. 1916: Ferenczi menciona. 1937: em “Análise terminável e interminável”. Ferenczi propõe o chamado “método ativo”.. defende a possibilidade de um trata­ mento analítico breve baseado na tentativa de superar. no qual abordam o tema (3). e sugere que se com­ binem os recursos terapêuticos da análise com.W Psicoterapia breve de orientação psicanalítica vez uma data para o término da análise. dizendo a respeito dela: “(.) é eficaz. podemos ter certeza de que. Em várias passa­ gens desse artigo sublinhará que o encurtamento da duração da análise é uin fato desejável. Neste. Ferenczi e O. que logo aban­ donará. Mas não se pode garantir o cumprimento total da tarefa. poste­ riormente. Rank.

Os autores recolocam a necessida­ de de abreviar o tratamento analítico e de efetuar terapias breves com uma compreensão psicanalítica. Sobressai o de L. de orientação kleiniana. 1946: aparece Psychoanatytic Therapy (Ronald Press. 1941: o Instituto de Psicanálise de Chicago organiza um con­ gresso nacional sobre psicoterapia breve. Masserman. A obra descreve uma experiência clínica de investigação baseada em tratamentos de curto prazo. utilidacfê de ressaltar a realidade externa e eficácia do contato breve. Wolf. brilhantemente. 1963: publica-se A Study o f Brief Psychotherapy. um método psicodinâmico para avaliar os resultados terapêuticos. Wol­ berg. de outro modo.IFACULDADE GUAIRACÁ [ GiBLIQTECA_____. A supervisão dos tratamentos esteve a cargo de M. Incluem conceitos sobre planejamento da psicoterapia. uma vez que o analista tenha fixado o limite de tempo. que contém trabalhos de Avnet. L. Rado. Alexander. Kalinowsky. Malan (Tavistock Publications Limited. Alexander e T. a respeito da técnica da psicoterapia breve (16). Hoch. Londres). de F. f F AG 11 perdida para nossos esforços terapêuticos. causada pelo término do tratamento. Tomam como ponto dc partida uma experiência clínica na qual intervém um número importante de terapeutas experientes. O autor acen­ tua a conveniência de interpretar a transferência de maneira exaus­ tiva dentro da terapia breve (em acentuada dissidência com muitos outros). French e colaboradores do Instituto de Psicanálise de Chicago. Wolberg. não pode prolongá-lo. flexibilidade do terapeuta. realizada por terapeutas da Clínica Tavistock. de D. Nela se detalha a técnica focal. . O livro descreve numerosos históricos clínicos (1).. obra que inicia uma nova e decisiva etapa no campo das técnicas breves. H. Flarrower e A. Além disso desenvolve. Nova York). 1965: aparece Short-Term Psychotherapy. Porque. que inclui os acompanhamentos efetuados. Aumenta o interesse pelo tema nos Estados Unidos. Balint (12). manejo da relação transferencial e do ambiente. Wolberg. assim como a necessidade de trabalhar a separação entre paciente e terapeuta. Nova York). o paciente perderia a fé que nele deposita” (6). Wolberg (Grune and Stratton. Inc. obra compilada por L. O livro oferece uma detalhada apresentação de 19 casos tratados com psicoterapia individual bre­ ve.

J. entre outros. Marticorena e A. que oferecem tratamentos a honorários reduzidos em razão da demanda cada vez maior de assistência psicológica por parte da população. hospitais psiquiátricos e instituições privadas. amplo e valioso estudo sobre o tema. O autor. A psicoterapia breve na Argentina 1967: tem lugar o Colóquio Acta 1967: Investigações sobre psicoterapia breve. 1971: em The Briefer Psychotherapies (Brunner Mazel. que apresenta valiosas contribuições. de H. J. J. o insight e a ela­ boração (2). com prólogo de J. G. Swall publicam Emergency Psychotherapy and BriefPsychotherapy (Grune and Stratton. e assinala algumas caracterís­ ticas essenciais das interpretações a serem utilizadas no trabalho terapêutico (10). S. Knobel. Fontana. M. No­ va York). G. Usandivaras. Small realiza uma extensa compilação das idéias de numerosos autores sobre o tema (14). Empregam-se tra­ tamentos de duração limitada com base psicanalitica. no qual se destacam especialmente o capítulo referente à primeira entrevista em psico- . 1970: aparece o primeiro livro de autor argentino. H.. Beliak e L.12 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Também nesse ano L. pelo proble­ ma das psicoterapias (individuais ou grupais) em serviços psi­ quiátricos . entre os quais se destacam: o enfoque do tratamento à luz da psicologia psicanaliti­ ca do ego. E. R. mas a ativi­ dade é desorganizada e confusa e não se apresentam. entre outros aspectos. exclusiva­ mente consagrado ao tema: Psicoterapia breve. Kesselman. Bleger. em nosso meio. de Dellarossa. a aplicação da teoria da aprendizagem. maio­ res perspectivas de instrumentalizar técnicas suficientemente sis­ tematizadas e coerentes. de H. Szpilka. A. A. Dellarossa (15). ainda. Nova York). I. Os autores incluem diversos temas. Ferrari.de recente criação . Esse colóquio é um testemunho do crescente interesse que começa a se manifestar. utilizando o esquema referen­ cial de Pichon-Rivière aborda. Kiorini. Inc. 1973: publica-se Teoria y técnica de psicoterapias.de hospitais gerais. o planeja­ mento e as técnicas de mobilização. Partici­ pam.

Resenha histórico-bibliográfica

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terapia breve e o que oferece um modelo teórico do foco terapêu­ tico (4). 1975: Psicoanálisisy psicoterapia breve en la adolescencia*, de J. C. Kusnetzoff, aborda, em sua segunda parte, o tema da psico­ terapia individual e grupai breve do adolescente. É de especial interesse o capítulo destinado à teoria da comunicação e à psicote­ rapia breve, assim como a inclusão da família no tratamento (11). 1980: em nosso meio atualmente é indiscutível a necessidade de se recorrer a psicoterapias menos custosas que a análise, tanto em temjío como em dinheiro, a fim de responder à demanda de um número cada vez maior dc indivíduos. A aplicação das chama­ das psicoterapias breves se difunde ostensivamente, mas ainda não se lhes reconhece um status teórico, que, no entanto, começa a se delinear, sendo relativamente escassas as investigações que têm suscitado.

Referências bibliográficas
1. Alexander, F. e French, T., Terapêutica psicoanalitica, Paidós, Bue­ nos Aires, 1965. 2. Beliak, L. e Small, L., Psicoterapia brevey de emergencia, Pax- Mé­ xico, México, 1969. 3. Ferenczi, S. e Rank, O., The Development of Psychoanalysis, Zurich International Press, Leipzig e Viena, 1924. 4. Fiorini, H. J., Teoria y técnica de psicoterapias, Nueva Vision, Bue­ nos Aires, 1973. 5. Freud, S., “Análisis de un caso de neurosis obsesiva”, era O.C., Bi­ blioteca Nueva, Madri, 1948, t. II. 6 . “Análisis terminable y interminable”, em O.C., Biblioteca Nue­ va, Madri, 1968, t. III. 7 . “Historia de uma neurosis infantil”, em O.C., ob. cit. em 5, t. II. 8 . “Los caminos de la terapia psicoanalitica”, em O.C., ob. cit., em 9. Jones, E., “Vida y obra de Sigmund Freud”, Nova, Buenos Aires, 1960, t. n.
* Traduzido para o português sob o título Psicanálise e psicoterapias breves na adolescência, tradução de Patrícia M. E. Cenacchi, edição brasileira adaptada e revis­ ta pelo autor, Rio de Janeiro, Zahar, 1980. (N. do T.)
5,t. n.

1+

Psicoterapia breve de orientação psieanalitica

10. Kcssclman, H., Psicoterapia breve, Kargieman. Buenos Aires, 1970. 11. Kusnetzoff, J. C., Psicoanálisis y psicoterapia breve en la adolescencia, Kargieman, Buenos Aires, 1975. 12. Malan, D. H„ A Study o f Brief Psychotherapy, Tavistock, Londres, Charles Thomas, Springfield, Illinois. 1963 (Versão castelhana: La psicoterapia breve, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires, 1974). 13. Rey Ardid, R., Prólogo al tomo m de S. Freud, O.C., ob. cit. em 6, 1968. 14. Small, L., Psicoterapias breves, Granica, Buenos Aires, 1972. 15. Usandivaras, R. J. c outros, Coloquio Acta 1967: Psicoterapia bre­ ve, Actapsiq. psicol. Amêr. Lai., vol. XIV, ní* 2, Buenos Aires, junho de 1968. 16. Wolbcrg, L. e col., Psicoterapia breve, Gredos, Madri, 1968.

3. Fundamentos teóricos1

!
Introdução
Os problemas de teoria em terapias breves são numerosos e comprometem o seu reconhecimento dentro do panorama psicoterapêutico. Atualmente crcio que podeifios encontrar contribuições mui­ to valiosas ao tema, mas, se há pontos de coincidência entre os diversos autores no que concerne a uma teoria do processo, tam­ bém é certo que paralelamente ainda reina muita confusão entre os leitores, talvez provocada por uma verdadeira miscelânea de conceitos teóricos que nem sempre podem articular-se entre si. Como assinala Fiorini, falta uma estrutura unitária que suste esses procedimentos (13). É para sua obtenção que devemos diri­ gir nossos esforços. Gostaria de assinalar uma carência particularmente notória, que é a de uma concepção mais ou menos definida e aceita quanto aos mecanismos terapêuticos atuantes nessas terapias. Neste capitulo mc proponho a discorrer sobre alguns temas cuja recolocação considero de importância decisiva dentro da ten­ tativa de configurar um marco conceituai para as psicotcrapias de objetivos e tempo limitados. Além disso, procurarei, ao longo desta obra, expor o marco conceituai que venho adotando pes­ soalmente, e ao qual pretendo dotar da necessária coerência, atri­ buto disso tenho consciência - nada fácil de alcançar. Meu pon­

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

to de partida, como o de muitos investigadores, são as teorias psicanalíticas. Na verdade, não encontro motivos para prescindir de teorias tão valiosas como a do inconsciente, do conflito psíquico, da sobredetemiinação, dos mecanismos defensivos, da gênese dos sonhos, das séries complementares, da estrutura do aparelho psí­ quico, da transferência, das resistências e de tantas outras que nos permitem compreender a problemática do paciente e do processo terapêutico2. Porém, o que realmente terá de ser modificado é a técnica, que por múltiplas razões não poderá continuar sendo a mesma que a empregada em psicanálise, devendo ajustar-se ao contexto próprio desses procedimentos. Incluo-me assim entre aqueles que propõem uma psicoterapia breve de orientação psica­ nalítica, mas entendendo que deve ser algo tecnicamente muito diferente de uma “psicanálise breve”.

Pelos caminhos da psicanálise
Minha concepção da terapêutica breve é fiel aos princípios básicos formulados por Freud num trabalho que adquire signifi­ cação especial dentro do tema que nos ocupa e que talvez não tenha sido suficientemente valorizado. Refiro-me à conferência pronunciada em Budapeste em 1918, e publicada um ano depois sob o título de “Os caminhos da terapia psicanalítica” (26). Já naquela época, Freud adiantou-se a fatos que sobreviriam poste­ riormente, entre os quais hoje podemos incluir o aparecimento dos tratamentos breves como uma tentativa de possibilitar a assis­ tência psicológica a um número maior de pessoas. Muitos dos pensamentos expressos naquela ocasião vigoram ainda hoje. Na parte final do trabalho, Freud assinala a necessidade de no futuro os psicanalistas adotarem medidas para estender o tratamento psicoterapêutico a grandes massas da população. Reconhece que se tropeça em inconvenientes para consegui-lo, derivados de carac­ terísticas próprias do método psicanalítico, que limita a atenção a poucos indivíduos, e de fatores de ordem econômica. Dirigindose a seus colegas psicanalistas, Freud disse textualmente: “Qui­ sera examinar com os senhores uma situação que pertence ao futuro e que talvez lhes pareça fantástica. Mas, a meu ver, merece

Fundamentos teóricos

17

que acostumemos a ela nosso pensamento. Sabem muito bem que nossa ação terapêutica é bastante restrita. Somos poucos, e cada um de nós não pode tratar mais do que um número limitado de doentes por ano, por maior que seja nossa capacidade dc trabalho. Diante da magnitude da miséria neurótica de que padece o mundo e de que quiçá pudesse não padecer, nosso rendimento terapêutico é quantitativamente insignificante. Além disso, nossas condições de existência humana limitam nossa ação às classes abastadas da sociedade.” Mais adiante antecipa a criação de estabelecimentos assistenciais estatais, nos quais os psicanalistas tratem gratuita­ mente dos pacientes por meio da psicoteràpia: “Por outro lado, é possível prever que algum dia chegará a vez de despertar a cons­ ciência da sociedade, e adverti-la de que os pobres têm tanto direito ao auxílio do psicoterapeuta como ao do cíirurgiào, e de que as neuroses ameaçam tão gravemente a saúde dt povo como a tuberculose, não podendo ser seu tratamento tampouco abandona­ do à iniciativa individual. Criar-se-ão, então, instituições médicas para as quais serão designados analistas encarregados de conser­ var a resistência e o rendimento de homens que, abandonados a si mesmos, se entregariam à bebida, de mulheres prestes a sucumbir sob o peso das privações e de crianças cujo único porvir é a delin­ qüência ou a neurose. O tratamento seria, naturalmente, gratuito.’’ Assinala logo a seguir a necessidade de se modificar, nessas cir­ cunstâncias, a técnica psicanalítica, o que me parece da maior importância, pois hoje em dia muitos analistas resistem a fazê-lo, mostrando-se “mais realistas que o rei”. “Caberá a nós, então, o trabalho de adaptar nossa técnica às novas condições” (o grifo é meu). Em seguida expõe, ao contrário do que alguns poderiam supor, seu ponto de vista a respeito do uso de diferentes recursos terapêuticos em tais casos, em lugar de preconizar, de modo exclusivo, o método psicanalítico (o que endossaria o critério que hoje sustenta a multiplicidade de elementos terapêuticos nas tera­ pias breves, especialmente nas que ocorrem em instituições assisiciK iais): “Na aplicação popular de nossos métodos talvez tenha­ mos de misturar ao ouro puro da análise o cobre da sugestão direu. também a influência hipnótica poderia aqui voltar a ter lugar como no tratamento das neuroses de guerra”3 ainda que, de ime­ diato. sublinhe que os componentes básicos de tais tratamentos

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

deverão provir da psicanálise (isso, como tudo o que disse ante­ riormente, também se converteu em realidade, já que atualmente se conta com a P.B. de orientação psicanalítica): “Mas, quaisquer que sejam a estrutura e a composição dessa psicoterapia para o povo, seus elementos mais importantes e ejicazes continuarão sendo. desde já, os tomados da psicanálise propriamente dita, ri­ gorosa e livre de toda tendenciosidade” (o grifo é meu).

A psicoterapia individual breve de orientaçãp psicanalítica Ante a perspectiva de se adotar uma técnica breve de base psicanalítica, faz-se neceásário, para definir melhor seus elemen­ tos principais, estabelecer uma comparação com nosso modelo original, o tratamento psicanalítico. Desse modo, tentarei clarifi­ car os pontos de contato entre os dois métodos terapêuticos e, muito especialmente, suas diferenças4. Dentro dos procedimentos breves, referir-me-ei, fundamentalmente, à técnica dirigida ao insight, sobre a qual podem apresentar-se mais dúvidas a respeito de suas relações com a técnica analítica, contrariamente ao que acontece com uma terapia essencialmente de apoio, cuja caracte­ rização é mais simples e mais conhecida. Juntando-me à iniciativa de alguns setores, como Bellak (6), Small (6), (48) e Malan (40) e com um propósito principalmente didático, considerarei três aspectos essenciais: 1) os fins terapêu­ ticos, 2) a temporalidade, 3) a técnica.
Os fins terapêuticos A psicanálise reconhece como meta fundamental o tomar consciente o inconsciente. Mas a experiência clínica nos permite comprovar que essa finalidade traz, além disso, a perspectiva simultânea de uma reconstrução da estrutura da personalidade do analisando como resultado terapêutico talvez mais transcen­ dente. Essa reconstrução envolve a resolução de conflitos básicos e de seus derivados através da elaboração e do conseqüente ga­ nho de um maior bem-estar, com o qual se pretende eliminar ou aliviar os sintomas de modo franco e duradouro.

Exemplo: uma jovem professora. a solução dos pro­ blemas imediatos e o alívio sintomático deverão. de modo que na prática se ache em condi­ ções de adotar certas determinações quando isso se revele neces­ sário.Fundamentos teóricos 19 Na terapia de objetivos limitados. A limitação dos objetivos terapêuticos é caracterís­ tica do procedimento de que nos ocupamos. corresponder à obtenção de um principio de insight do paciente a respeito dos conflitos subjacentes (o que supõe que cm certa medida também nos propomos a tomar conscientes aspectos inconscientes. isto consistia essencialmente em conseguir que a paciente se conscientizasse parcialmente de aspectos do conflito básico rela­ cionado com a figura da mãe. as metas são reduzidas e mais modestas que as do tratamento psicanalítico. Malan fala precisamente em “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia” (40). não seja a exploração do inconsciente como ocorre na psicanálise). diante da qual mantinha uma atitu­ de infantil de extrema submissão. que se alternava com tentativas . Fixaram-se os seguintes objetivos para uma terapia de curta duração: conseguir que a jovem obtivesse um alívio de seus sintomas e sobretudo que pudesse compreender e manejar. o que implica. o trabalho pode ser encarado a partir do lugar do terapeuta e com uma visão dinâmica. Os obje­ tivos podem colocar-se em termos da superação dos sintomas e problemas atuais da realidade do paciente. como tendo o propósito de clarificar e resolver. No exemplo há pouco citado. e na medida do possível. ligados a situações conflitivas surgidas em sua relação com a diretoria de sua escola. ainda que a meta central. o propósito de que este possa enfrentar mais adequadamente determinadas situações conflitivas e recuperar sua capacidade de autodesçnvolvimento. parte da patologia do pacien­ te. antes de tudo. De preferência. em si. tudo isso lhe ocasionando sérias dificuldades adaptativas no plano profissional. apresentava recentemente sintomas de cjepressào e de conversão histérica (paralisia dos membros inferiores e des­ maios). como o próprio nome indi­ ca. Além disso. ainda que de modo parcial. e aparece em função das necessidades mais ou menos imediatas do indivíduo. em um sentido psieodinâmico. com francas alterações de caráter. melhor os conflitos subjacentes a seu problema atual a fim de poder reintegrar-se no trabalho e de­ senvolver-se mais saudavelmente em seu meio profissional.

no terapeuta. uma maior iniciativa e a superação de inibições. de objetivos terapêuticos limitados. nos termos correntes. vinculadas às enunciadas até aqui e que podem ser concebidas em termos da recuperação da . no tratamento da professora. etc. social. na realidade. Numa ordem de importância geralmente secundária. valiosas. etc. não só na área profis­ sional como também em outras (sexual. do que derivavam dificuldades em sua relação com representantes da autoridade materna. figu­ ram diversas formas de oferecer ajuda ao paciente no que se refere às situações perturbadoras. dc certo modo. deve pressupor. não chegam a ser mais tratados de maneira explícita ou direta durante a terapia. Assim. como sucedia com a direto­ ra. Ao aprofundar mais o tema dos objetivos terapêuticos. Explica-se. além de conseguir que a jovem pudesse solucionar seus problemas de relação com a dire­ tora. sua proposta ofereceria a vantagem de nos permitir incluir expectativas de resultados terapêuticos maiores do que se concebêssemos as metas meramente circunscritas à re­ missão de um determinado sintoma ou à resolução de uma situa­ ção crítica (40). como no caso da assistência social. a dona da pensão. poder-se-ia aspirar não só a obter a remissão ou a dimi­ nuição da intensidade dos sintomas atuais. Segundo Malan. não são tão limitados em uma terapia breve de predomínio interpretativo. Considero então que toda formulação. a aparição posterior de certas mudanças no paciente no que concerne a problemas em outras áreas de sua vida que. inclusive. implícitas e constantes. Tal impressão aumenta assim que admitamos que tal terapia inclui a presença de outras metas. etc. ve­ mos que estes. seja procurando aliviar sua ansiedade através de meios como por exemplo os psicofármacos.). assim. por detrás do intento de resolver aspectos do conflito primário com a figura materna. seja inter­ vindo diretamente nessas situações de sua realidade. às perturbações que tenham sido objeto de nossa abordagem terapêutica. uma refor­ mulação dc tais objetivos num sentido psicodinâmico que os abar­ que e que quase sempre haverá de transcendê-los em alguma me­ dida.20 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de rebelião. mas também a conseguir mudanças favoráveis em suas rela­ ções patológicas com outras mulheres que representassem sua mãe (uma companheira mais velha.). mas que se acham ligados.

Pouco a pouco foi-se configurando uma teoria do tratamento que compreende uma atitude particular diante de . não èsteja presente necessariamente em todos os casos. etc. (Tratarei mais detidamente desses aspectos no capítulo 11. entre outros. psicoterapias de tempo li­ mitado. Essas peculiaridades. acima de tudo. este cria invariavelmente uma situação bastante diferente na situa­ ção psicanalítica. e que seja mai£ curta. ainda que. Mas. Stekel. apontou a incidência favorável que. configuram um traço diferenciado náiito destacado dos mesmos. introduzindo definitivamente na relação terapêutica um novo e necessário elemento de realidade. no processo terapêutico. poderia ter a limitação temporal estabelecida de antemão. tema que mais adiante analiso detidamente (ver os capítulos 8 e 9). das quais derivam as denominações talvez mais difundidas desses procedimentos (psicoterapias breves. meio e fim” (43). que esmorece no paciente a produção de fantasias regressivas oni­ potentes de união permanente com o terapeuta. prolongando-se durante anos.). deve-se levar em conta que a limitação temporal confere à terapia uma estrutura mais definida em termos de “princípio. Tais fantasias se desenvolvem e sc manejam com mais facilidade no contexto do tra­ tamento psicanalítico do que no da terapia da qual nos ocupamos.Fundamentos teóricos 21 auto-estima (6) e da aquisição de consciência da enfermidade. em especial a finalização do trata­ mento. cabe assinalar que quando se fixa um prazo de encerramento. A técnica O método breve pode ser tecnicamente diferenciado da psi­ canálise corrente. como já assinalei. influenciando’’de modo decisivo os diferentes aspectos do vínculo terapêutico. nas cha­ madas terapias breves é comum que a fixemos previamente. a qual estimularia o progresso da terapia (50)\ De ime­ diato.) A temporalidade Enquanto que num tratamento psicanalítico a duração não é determinada de antemão. em geral. de uns meses.

São exemplos de conflitos derivados os que a professora antes mencionada apre­ sentava na sua relação com a diretora da escola.22 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica distintos fenômenos psicoterapêuticos . ou os de uma mulher que obstinadamente rivaliza com sua sogra. * . enquanto se confirmam alguns princípios dinâmicos operativos. dos quais. regressão. . etc. Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema. .lnsight e elaboração.Fortalecimento e ativação das funções egóicas. . transferida para as relações atuais. Transferência. relação caracteri­ zada por uma marcada submissão a ela. . como se tratam os conflitos em psicanálise. Desenvolverei aqui os seguintes aspectos: O trabalho com os conflitos. Neurose de trans­ ferência. decorrem.Quadro comparativo entre algumas características teóricotécnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orienta­ ção psicanalitica.transferência.O problema da resistência. O trabalho com os conflitos6 Podem-se estabelecer claras diferenças entre uma psicotera­ pia de objetivos limitados e um tratamento psicanalítico no que diz respeito à abordagem dos conflitos psíquicos do paciente. . Focalização.Multiplicidade de recursos terapêuticos.Planejamento. cuja validade é corroborada pela experiên­ cia clínica. . primeiramente. foco. . ponto de urgência e hipó­ tese psicodinâmica inicial). em realidade. A investigação psicanalitica demonstra-nos que as si­ tuações conflitivas atuais do indivíduo estão relacionadas a con­ flitos infantis.Regressão. Ambas as situações reme­ tem a um conflito infantil com a figura materna. . Dependência. Recordemos. resistências.

Durante o tratamento analítico. que subjazem ao problema atual. sendo sua nature­ za edípica ou pré-edípica. Em todas essas circunstâncias. O terapeuta deverá centrar-se. quer dizer. por sua importância. cm especial dos que estejam imediatamente vinculados à problemática focal e que adquiram relevância para a finalidade de se alcançar a clarificação e a superação de tal problemática.Fundamentos teóricos 23 Os conflitos infantis genéticos se produzem. e uO foco”. principalmente. seja no começo seja mais freqüentemente no transcurso do tratamento. 40 ss. sobretudo. que são analisados profundamente a fim de se conseguir sua resolução (e a de seus derivados) por meio do trabalho elaborativo (elaboração dos conflitos). o terapeuta pode empreender um tra­ balho interpretativo cauteloso de certos componentes do conflito básico. 37. uma eleição dos conflitos (deriva­ dos) a serem tratados. como sabemos. quem menciona o conflito infantil. pp. para serem alcan­ çados os objetivos propostos8. por princípios elementares de prudência. como primeiro fator distintivo digno de nota.B. que recairá nos que prevalecem por sua urgência*e/ou. Isso ocorre quando. se tem capacidade de insight. já que não tem sentido abrir feridas de maneira indiscriminada na estrutura defen- . que q trabalho tera­ pêutico se circunscreva. p. a priori. além disso.)7. Não se deverão abordar outros aspectos do conflito. a encarar exclusivamente esses derivados do conflito primitivo infantil. tem-se a impressão de que de outro modo não se obterão maiores progressos no transcorrer deste. que se favoreça no paciente a regressão. motivo do tratamento (ver “Focalização”. c/ou quando aspectos desse conflito básico se acham muito próxi­ mos à superfície psíquica do paciente. evitando-se que se produza uma excessiva mobilização afetiva e. Mas também considero que em alguns tratamentos breves é necessário e possível confrontar o paciente com o conflito origi­ nal. nos atuais fatores determinantes desses conflitos subjacentes focais. freqüentemente isso bastará para se obterem bons resultados terapêuticos e. sem se aprofundar mais nele. É habitual. orientada em direção ao insight há. Na P. o pa­ ciente revive tais conflitos (sobretudo no seio da relação transfe­ rencial com o terapeuta). relacionando-o com sua situação conflitiva. Em algumas ocasiões é o próprio paciente. de preferência. em relação com os objetos primários do sujeito.

Como se pode perceber a esta altura de minha exposição. o terapeuta pode sentir-se pressionado pelo tempo. ainda que esta não seja idêntica à que se possa obter atra­ vés da psicanálise. mediante interpretações. de dependência. com vistas a nos aproximarmos das metas terapêuticas propostas. Freqüentemente colocar-se-á.) Regressão. Transferência. sem dúvida. Trata-se de uma resolução parcial ou incom­ pleta (1). sempre se faz uma tentativa de solucionar interpretativamente os conflitos deri­ vados. Já sabemos com quanta insistência Freud preveniu a respeito dos riscos de tal procedimento no tratamento psicanalítico (24). que consiste na produção de certas mudanças dinâmicas nos conflitos. circunscrita àqueles que tenham sido escolhidos. 101. o problema de saber até onde poderemos nos aprofundar. essa correlação.). (Quanto às prováveis modifica­ ções no estado dos conflitos. em algu­ ma medida. Incursione-se ou não na interpretação das raízes infantis da conflitiva focal. Dependência. muitas vezes suficientes para se obterem benefícios terapêuticos nada desdenháveis. por sua vez. devendo evitar sobretudo cair em interpretações prematuras sobre os conflitos infantis. Neurose de transferência Os fenômenos regressivos. são abordados de um modo também parcial. em P.^ ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica siva do paciente. o que terá de ser avaliado em cada caso particular (ver pp. transferenciais e neurótico-transferenciais acham-se intimamente relacionados no tratamento psicanalítico. diferentemente do que ocorre na psicanálise.B. Denominações tais como dependência regressiva ou neurose transferencial regressiva refletem. realiza-se uma tarefa interpretativa parcial dos conflitos do paciente. 102 e 111 ss. para nós. ver p. pondo a descoberto conteúdos que.. 53. os quais. Trata-se de um ponto que requer tato e experiência por parte do terapeuta. Quando se trata de uma psicoterapia de breve duração. Por isso farei referência a esses con- . não se terá oportunidade de analisar suficiente e convenientemen­ te nessa terapia.

etc.Fundamentos teóricos 25 ceitos de maneira conjunta. a qual representa um meio essencial para se alcançar o objetivo terapêutico. freqüência às sessões.. associação livre. numa tentativa de esclarecer as diferenças que nesses as­ pectos apresenta o tratamento breve de insight com relaçào à psi­ canálise. dentro da relação analítica”. que tornará possível que o paciente assuma realmente uma conduta mais adulta na vida. os sonhos e a classificou em três tipos: tópica. é claro.regressão produzida gere um in­ cremento da dependência do analisando em relaçào ao analista. e. silêncio do analista. que costuma representar basicamente figuras parentais. a transferência com o analista. A regressão pode ser entendida como o processo pelo qual readquirem vigência estados ou modos de funcionamento psíqui­ co pertencentes a etapas anteriores do desenvolvimento do indiví­ duo. A regressão é necessária para a revivescência dos conflitos originais infantis do analisando cm sua relação com o analista (neurose de transferência) e sua conseqüente elaboração. além disso. dentro de um determinado tipo de relação estabelecida com eles.). Na realidade. dentro de um mesmo subtítulo deste capítulo. Acrescentam: “Trata-se de uma repetição de protótipos infantis. |por diferentes meios (posição deitada do paciente. é preciso além disso levar em conta os conceitos de transferência e de neurose de transferência9. Esperase. . Laplanche e Pontalis descrevem a transferência como “o pro­ cesso em virtude do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre certos objetos. de um modo especial.a enfermidade mental. vivida com um marcado sentimento de atualidade” (38) (p. Isso implica. que a. Para compreender as diferentes peculiaridades ao vínculo terapêutico em terapias breves de insight. dando lugar a um crescimento psicológico paula­ tino. uma regressão vivencial útil. 459). Freud ocupou-se do conceito de regressão em diferentes contextos . Aqui vou referir-me em especial à regres­ são temporal na transferência com o terapeuta. tempo­ ral e formal (18) (25). que o processo regressivo se reverta ao longo do cami­ nho terapêutico. No processo analítico trata-se de favorecer.

Freud faz referência à neurose transferencial como a uma “massa de pautas culturais neuróticas estereotipadas. Mesmo assim. Deste fato se depreende que é conveniente per­ mitir . expostas na situação analítica” (15). diremos que é a reprodução da neurose infantil na relação com o analista. em troca. até converter-se sua análise na tarefa central. será fundamental se aspira à cura do anali­ sando. Esses autores estabelecem. inicialmente considerada por Freud como um obstáculo no tratamento psicanalítico. na qual o pas­ sado se restaura no presente com o propósito de. cuja resolução. (Os grifos são meus. logo passou a ocupar. tanto para ele como para a maior parte dos psicanalistas.) A transferência. Na psicoterapia breve de insight. a neurose transferencial consiste em uma “neurose arti­ ficial em que tendem a se organizar as manifestações de transfe­ rência” (p. permite ao con­ junto de sintomas e condutas patológicas do paciente adotar uma nova função ao referir-se à situação analítica” (p. com o fim de provocar mudanças estruturais no aparelho mental do paciente para que este seja capaz de uma adaptação ótima à vida” (grifos do autor). o desenvolvimento da neurose transferencial.e inclusive promover . ou seja.durante a terapia psicanalítica. segundo Glover) e. 259). mediante um ata­ que interpretativo sistemático às resistências que se opõem a isso. a diferença entre as reações de transferência propria­ mente dita. Pressupõe a reedi­ ção seletiva de determinadas situações e mecanismos infantis na relação terapêutica. com base nos escritos de Freud. citando novamente Laplanche e Pontalis (38). não é conveniente favorecer o desenvolvimento da regressão nem de uma neurose . obter uma resolução dessa neurose (transferenciai e infantil). coordena as relações de transferência a princípib difusas ( “trans­ ferência flutuante’.26 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Quanto à neurose transferencial. É oportuno recordar aqui a definição que dá Rangell da psicanálise como método terapêutico: “A psicanálise é um méto­ do de terapia pelo qual se estabelecem condições favoráveis para o desenvolvimento de uma neurose transferenciai. de outro. por meio da elaboração. Em relação a esta última expressam-se: “de um lado. Rangell acrescenta que tais condições indispen­ sáveis distinguem qualitativamente a psicanálise de seus diversos derivados (46). um papel de decisiva importância na cura (22). 258).

por outro lado. o que adquire importância agora é a busca de insight do paciente a respeito de situações confiitivas atuais de sua vida cotidiana (que são as queihabitualmente dão origem à consulta). já que. em particular. mas sim para mitigar alguns sofrimentos atuais. na psicoterapia breve. a dificuldades para aceitar sua separação com relação ao terapeuta. expondo-o a diversas reações transferenciais nocivas em virtude da mobilização afetiva produzida e. Se bem que os fenômenos transferenciais também ocorram. não seria coeren­ te que o insight de aspectos da relação transferenciai neurótica. dado que as condições do paciente e/ou do enqua­ dramento não são apropriadas para tais fins.o paciente em um estado regressivo-dependente. às vezes inexoravelmente. deixaria . podemos esperar que a adoção de algumas medidas técnicas impeça que a transfe­ rencia alcance demasiada intensidade e chegue a cobrir e a domi­ nar a situação terapêutica. regressivo-dependcnte. razão pela qual o trabalh«} interpretativo recai mais em suas relações com os objetos de sua realidade exter­ na do que na relação com o terapeuta. aos quais mais adiante me referirei em detalhes (ver capítulo 6). na análise e na resolução da neurose transferencial. entre outros. Por meio de diferentes recursos. Seu desencadeamento.iatrogenicamente . configurando uma neurose de transfe- . junto ao de uma regressão vivencial. Bellak e Small (6). den­ tro do possível. em geral.Fundamentos teóricos 27 transferencial. no desenvolvimento. pode considerar-se uma complicação (às vezes inevitável) nas psicoterapias breves. como as metas terapêuticas não estão dirigidas para a reestruturação da personalidade nem para resolver conflitos básicos do indivíduo. do mesmo modo que Wolberg (54). nesses procedimentos é preciso precaver-se de estimular tanto a regressão como a neurose de transferência (51) (37). tendo em vista as limitações inerentes a esses tratamentos. ao deixar truncada sua elaboração. Segundo Szpilka e Knobel. ante a pers­ pectiva de terminar sua terapia10. continuasse sendo o recurso terapêutico fundamental nesse novo contexto. Os mecanismos terapêuticos não se sustentam. também aconselham que se evite. deve-se procurar que o paciente não concentre muita libido na relação com o terapeuta. o desenvolvimento da neurose transferencial.

B. Três delas procedem do ego e são: as resistências da repressão. deve inclinar-se para a estimulação e o reforçamento de sua iniciativa pessoal. em seu trabalho “Ini­ bição. ou seja. Em 1925. Na terapia breve interpretativa. também surgem resistências no paciente. (ver capítulo 6. O problema da resistência12 No tratamento psicanalítico. A regressão só deveria ser permitida em pequeno grau. Freud distinguiu e sistematizou cinco formas de resistência de um ponto de vista estrutural. a pró­ pria índole do procedimento não contempla fins tão ambiciosos. e as resistên­ cias do superego13. O prolongamento deste deve-se. que podem ser consideradas. a análise das resistências em P. A limitação temporal. . é um dos moti­ vos para que isso ocorra. por acréscimo. em grande parte. 84 ss. A análise exaustiva das resistências constitui uma parte im­ prescindível de todo tratamento psicanalítico. como obstáculos que este interpõe ao avanço do processo psicoterapêutico especificamente do insight. especialmente “A relação paciente-terapeuta*no tratamento bre­ ve”. A terapia deve sustentar-se no predomínio de uma trans­ ferência sublimada (6). não indo além dos níveis requeridos para possibilitar a exploração e experiências iniciais de insight de situações conflitivas atuais. Habitualmente. também chamadas por Freud de resistências do inconsciente. as da transferência e as do ganho secundário da doença. o mesmo caráter intensivo que em psicanálise. á necessidade de elaboração daquelas (27). ainda que não o único. como se poderia supor. de suas capacidades autônomas.B. Os critérios apresentados até aqui definem as características que terá de assumir a relação terapêutica em P. As outras são as resistências do id.28 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica rência". isto é. O tratamento. sintoma e angústia” (21). pp.). chamamos resistência aos diversos obstáculos que o analisando opõe ao acesso ao seu pró­ prio inconsciente. não apre­ senta. em lugar de fomentar a dependência do paciente. ao trabalho terapêutico e à cura. quando existe. basicamente.

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O tratamento das resistências que dependem dos mecanis­ mos defensivos do ego, em P.B., pode apresentar as seguintes características: a) algumas defesas são combatidas, quer dizer, analisadas; b) outras, em troca, são respeitadas ou ainda reforça­ das pelo trabalho terapêutico, de acordo com o que pareça indica­ do em cada caso, com base nas condições do paciente e do enqua­ dramento. Como exemplo do mencionado no item a, podemos citar a necessidade de trabalhar as defesas maníacas (negaçào, onipotência, etc.), perigosamente incrementadas, ou, o que é mais comum, ter de atacar parcialmente as barreiras repressivas de conteúdos inerentes ao sofrimento atual, além dos mecanismos de isolamento, intelectualizaçâo, projeção, etc. Pelo contrário, e a propósito do expresso no item b, com freqüênciajjoptamos por não perturbar certos mecanismos defensivos caractefplógicos, permi­ tindo ao paciente que os conserve, seja porque queremos evitar uma mobilização afetiva excessiva e difícil de manejar no trata­ mento, seja por tratar-se de defesas relativamente úteis, as quais ainda que só ocasionalmente - poderia ser conveniente reforçar. O tema da resistência da transferência em P.B. também mere­ ce alguns comentários. Ao menos nas terapias desse tipo, tal resis­ tência não costuma ser muiter intensa. Isso se deve ao seguinte: sabemos que esse tipo de resistência obedece em parte ao ressen­ timento despertado no paciente, por sentir-se frustrado em sua relação transferencial com o terapeuta, razão pela qual Menninger propõe chamá-la de resistência de frustração ou de vingança (41). Na medida cm que, em P.B., a relação terapêutica é menos frustrante para o paciente, já que existe um vínculo mais “real” e uma maior proximidade afetiva da parte do terapeuta, conseqüen­ temente a hostilidade que desperta naquele pode ser menor do que a que o tratamento psicanalítico desperta; portanto, as resistências transferenciais também serão menores (35). Mas o terapeuta de­ verá lutar sempre para que se obtenha esse resultado, procurando lazer com que predomine uma transferência positiva. Quando es­ sas resistências se exacerbam, achamo-nos ante um dos motivos fundamentais, para cuja dissolução, a meu ver, se justifica o em­ prego de interpretações transferenciais no tratamento breve (ver capítulo 6, pp. 107 ss.).

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“Insight”e elaboração14
Entre os problemas ainda não resolvidos no terreno da psico­ terapia breve de base psicanalitica, acham-se os que concernem ao papel do insight e da elaboração e sua relação com as mudan­ ças que se obtêm nos pacientes. Começaremos por lembrar sucintamente os significados es­ senciais de ambos os termos. Com o insight queremos dizer, como L. Grinberg, “a aquisi­ ção do conhecimento da própria realidade psíquica” (31). Tal conhecimento pressupõe uma participação afetiva: não se trata simplesmente de compreender no sentido intelectual, mas tam­ bém de poder experimentar emocionalmente o contato com os aspectos inconscientes do mesmo. A elaboração ou trabalho elaborativo (working through) é um conceito de significado complexo e não suficientemente defi­ nido na bibliografia psicanalitica. Uma definição simples a des­ creve como “o processo pelo qual um paciente em análise desco­ bre, gradualmente, através de um lapso de tempo prolongado, as conotações totais de alguma interpretação ou insight” (47). (“Elaboração”, p. 49, grifos do autor.) É conhecida a importância do insight e da elaboração no tra­ tamento analítico. A finalidade das interpretações do analista, que são, por excelência, seu instrumento terapêutico, é promover o insight dos conflitos no paciente. É oportuno citar aqui Rycroft: “O objetivo do tratamento psicanalítico é definido, algumas ve­ zes, em termos da aquisição de insight, ainda que mesmo Freud nunca tenha utilizado essa formulação, preferindo a idéia de que seu objetivo é fazer consciente o inconsciente,'>(47). (“Insight”, p. 68, grifos do autor.) Com relação a esse ponto, Grinberg diz: “Freud havia assinalado que o objetivo básico do analista é conhecer; por conseguinte, não deve estar preocupado com o objetivo terapêutico. Esse objetivo de conhecer, em realidade, não se contradiz com o objetivo terapêutico, sendo o insight o fator central, e a pré-condição de toda mudança duradoura na personalidade” (31). A elaboração, como trabalho de aprofundamento do pacien­ te, implicará que este assimile as interpretações corretas do ana-

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lista, condição essencial para o êxito terapêutico (39). A respeito do princípio da elaboração, cabe lembrar: a) Requer dois fatores elementares: tempo (é por isso que a necessidade de elaboração constitui uma causa importante do prolongamento do tratamento psicanalítico) e trabalho (o labor analítico) (27). Do último se depreende que tem lugar no paciente fundamentalmente na presença do analista e com a participação deste. b) Em seu desenvolvimento intervém a regressão do anali­ sando (31). c) Inclui a tarefa de superar as resistências e a análise exaus­ tiva dos conflitos, na qual tem especial importância o que trans­ corre dentro dos limites da neurose transferencial |27). Na terapia breve de orientação psicanalítica, a concepção da existência de insight e de elaboração apresenta numerosos pontos obscuros. Sendo assim, é válido falar-se em insight nesses tratamen­ tos? Creio que sim, ainda que com certas ressalvas, como vere­ mos em seguida. Propiciar ao paciente a aquisição de insight por meio de in­ terpretações especialmente dos psicodinamismos relacionados com o transtorno atual, motivo do tratamento - deve constituir, a meu ver, nosso principal propósito na terapia dinâmica breve, sempre que as condições psíquicas do paciente o permitirem. Es­ sa atitude terapêutica nos permitirá abrigar maiores esperanças de conseguir um progresso mais sólido e estável no paciente, ao aumentar sua capacidade egóica para enfrentar e resolver as situa­ ções conflitivas. A busca de insight no tratamento breve é preco­ nizada por numerosos autores, entre eles, Bellak e Small, os quais assinalam, clara e repetidamente, seu valor, em diferentes passa­ gens de sua obra (6). Mas a técnica breve requer restrições pecu­ liares para o insight do paciente, que é necessário consignar: Com respeito à sua extensão entendo que em geral dadas as limitações do enquadramento - e sobretudo quando se trata de uma terapia de curta duração - só nos resta a alternativa de pro­ porcionar o que poderíamos considerar como experiências ini­ ciais de “insight ”, um autoconhecimcnto limitado às dificuldades habitualmente contidas no foco terapêutico (mas que tampouco

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pode dar conta de todos os aspectos do conflito subjacente ao pro­ blema vital focal, mas, unicamente, dos mais próximos e aces­ síveis à compreensão psicológica do paciente dentro desse enqua­ dramento). Isso poderá servir, ser suficiente - ou não - para os pa­ cientes, para obter mudanças dinâmicas favoráveis, pôr em mar­ cha um processo progressivo que continue ainda depois de finali­ zado o tratamento e estimular sua auto-observação e motivação para as experiências psicoterapêuticas de índole interpretativa. Em suma, numa terapia de objetivos e, eventualmente, de tempo - limitados, também o insight estará naturalmente limitado em sua extensão, diferentemente daquele mais amplo, decorrente de um tratamento intensivo e prolongado como o psicanalítico; tratase de uma verdade óbvia, mas que é necessário ter presente para estudar tudo aquilo que se relacione com mecanismos terapêuti­ cos e grau de eficácia dos procedimentos breves. Quanto ao tipo e profundidade, cabe assinalar que enquanto o insight psicanalítico tem lugar em meio a uma atmosfera regres­ siva que o favorece, dependendo principalmente da atividade inter­ pretativa a respeito das diversas reações próprias da neurose de transferência, em P.B. a busca de insight está dirigida, com mais freqüência, para as relações do sujeito com os objetos externos de sua vida cotidiana e presente, ainda que não despreze os fenôme­ nos transferenciais mais notórios, que trabalham como obstáculo (resistências transferenciais), e/ou ilustram a problemática do paciente, como se verá mais adiante (pp. 106 s.). Mais abrangente, o insight psicanalítico também o é na medida em que oferece maiores possibilidades de alcance de situações infantis reprimidas que serão revividas na situação transferenciai, permitindo, em sín­ tese, uma conexão mais completa do que sucede no mundo externo extra-analítico e na relação transferencial analítica do paciente com sua vida passada. São tipos e graus de profundidade diferen­ tes de insight, mas nem por isso devem ser-lhes negadas totalmen­ te a validade e a eficácia que se obtêm no tratamento breve. (“Não se pode sustentar, com tanta ênfase, que o insight através da trans­ ferência seja o único tipo de insight que sirva para a organização e reintegração do ego”, afirma Kamo [36].) Todavia, é possível estabelecer outra diferença com o insight do tratamento psicanalítico, que remete à natureza mesma do

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fenômeno de compreensão psicológica no paciente, e também obedece à necessidade de controlar a intensidade dos fenômenos regressivos e transferenciais: Szpilka e Knobel sugerem que em terapias breves o insight possua umaf‘maior participação cogniti­ va que afetiva”/(51), levando o paciente, como medida prudente e mediante um determinado estilo interpretativo (ver pp. 110 ss.) na relação transferencial, antes à compreensão que à revivescência das situações infantis determinantes de seu problema atual (51). Expressa dessa maneira, essa proposição corre o risco de ser dis­ torcida. Bntendo que não implica, como alguns poderiam supor, um mero insight intelectual (que configuraria uma nova forma de resistência), pois não deixa de ter certa ressonância afetiva. Mas a diferença entre o insight psicanalitico, que é mais p|eno e vívido, em suma, dotado de uma maior e às vezes diferente repercussão emocional, e o insight do tratamento breve tem de ser, nesse senti­ do, um fenômeno na medida do possível mais controlado pela ati­ vidade terapêutica, em especial se explora circunstancialmente aspectos da transferência com o terapeuta correspondentes ao infantil-genético. (Será menos necessário controlá-lo se atender aos componentes mais atuais da t/ansferência com o terapeuta ou com outros objetos da realidade externa do paciente.) Examinemos agora o problema da elaboração na terapia dinâmica breve, cuja bibliografia, como se poderia supor, é suma­ mente escassa. Bellak e Small citam, como .princípios gerais da “psicoterapia rápida”, a comunicação, o insight (do terapeuta e do paciente) e a elaboração (6). Como não se estimula o desenvolvimento da regressão nem o da neurose transferencial, e não se realiza uma análise intensiva desta nem das resistências, considero que em PB. não podemos falar em elaboração no mesmo sentido que em psicanálise. Em todo caso, o trabalho de elaboração real será escasso, principal­ mente se existe limitação de tempo. Este, como vimos, é um fator fundamental para que a elaboração tenha lugar15. Estaríamos, então, diante de um dos pontos mais discutíveis no que diz respei­ to à validade terapêutica desses procedimentos. Sem dúvida, é possível conceber um processo qualitativamente distinto do pro­ cesso de elaboração analítica, sem a profunda reestruturação meta psicológica que ela implica e basicamente circunscrito à conflitiva

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

focal. Um processo imperfeito e incompleto, mas enfim de mu­ dança, que em circunstâncias em que o tratamento esteja limitado em sua duração, também o estará, mas que em alguns pacientes, com capacidades egóicas suficientes, poderá talvez ainda conti­ nuar, depois de concluído o tratamento breve. Nesse último caso seria uma espécie de “auto-elaboração”, a qual se teria iniciado, a princípio, com o trabalho terapêutico, para seguir um caminho pro­ gressivo até a consolidação dos resultados16. Os mecanismos ínti­ mos desse fenômeno, que apresentaria, talvez, grande importância terapêutica em alguns casos, ficam difíceis de precisar no momen­ to17. Talvez as modificações significativas que às vezes se eviden­ ciam, inclusive na estrutura de personalidade de pacientes tratados com o procedimento breve, em testes projetivos efetuados anos depois de finalizado o tratamento (32), se relacionem a mecanis­ mos desse tipo. Mais adiante, considerando os resultados e meca­ nismos terapêuticos, retornaremos à discussão desses fatos. Finalmente, cabe acrescentar que numa terapia de objetivos e tempo limitados talvez seja necessário concluir que o insight e a elaboração terão de ser em boa parte estimulados, quer dizer, faci­ litados e agilizados mediante o papel ativo do terapeuta, dadas as condições de focalização e de curta duração do tratamento.

Fortalecimento e ativação das funções egóicas
Considero que a aquisição de insight por parte do paciente, através de interpretações do terapeuta, seja a forma mais aprecia­ da de se conseguir o fortalecimento de seu ego. No entanto, de­ vem ser levadas em conta outras formas, cuja significação tera­ pêutica não é muito menor, era meio às terapias breves, e que não são, necessariamente, incompatíveis com a busca de insight. Muitas vezes, as diversas medidas terapêuticas destinadas ao rcasseguramento e à ativação de funções egóicas são englobadas sob a denominação genérica de psicoterapia de apoio. O emprego de tal denominação encerra o risco de que os terapeutas, sem con­ siderar mais cuidadosamente tais medidas, desprezem-na, já que nos círculos psicanalíticos o termo apoio, como se sabe, está carre­

coerentemente. e sem que se intente colocar o paciente em contato com as motivações profundas de seu sofrimento. porquanto costuma implicar basicamente o fomento e a utilização de uma relação regressivo-dependente não analisada.. com ligeiras alterações. deixamos sem querer a impressão de que suas reações são meras repetições de seu passado infantil. ante a possibilidade de que suijam mal-entendidos.natureza. o paciente deve emergir recon­ fortado e reafirmado em suas capacidades egóicas c recuperando sua facilidade resolutiva nas situações de conflito. Necessitam da expe­ riência de que se reconheçam e se respeitem suas funções egóicas e suas relações objetais adequadas”. errônea ou insana. . também em P. Se parte de nossa meta terapêutica consiste em aumentar as funções egóicas sãs do paciente e sua capacidade para as relações objetais.) muitos de nossos pacientes necessitam ter a experiên­ cia de sentir que estão no caminho certo. com as interpretações. e para os quais o único resultado que se pro­ cura obter é uma supressão de sintomas. é con­ veniente estabelecer algumas distinções sobre o tema.. dos quais. de suas percepções e de seu valor. Mais adiante. Se só inter­ pretamos ou só analisamos. Começaremos por reconhecer. Por conse­ guinte. para técnicas de apoio emocional. em graus variáveis. duvidam de seu discernimento. os autores con­ tinuam: “(. quando não há uma alter­ nativa melhor.” Esta frase pertence a um artigo de Greenson e Wexler (30) e se refere ao tratamento analítico. “Todos os nossos pacientes. é importante confirmar aqueles aspectos de sua conduta que indicam um fun­ cionamento sadio. a aplicarmos também à técnica breve. é o caso de pacientes que por debilidades egóicas não cónsèguem tolerar uma terapia interpretativa. precisamente. mas pode resultar extremamente significativa e útil se.B.e mesmo oposta . Há motivos para atribuir fun­ damental importância a esses conceitos no campo das terapias breves. ____ ____ _______ ____________________________ ________ _ gado em alguns casos de um sentimento francamente pejorativo. e que sua conduta é imatura. e que pode ser alternada. de distinta . às vezes exclusivamente. e por isso mesmo não-progressiva. Mas defemos discrimi­ nar com clareza esta posição terapêutica de outra..'que se caracte­ riza pelo emprego de certo tipo de intervenção verbal que busca conseguir reforçamento e ativação do ego.Fundamentos teóricos _ ______ . a necessida­ de de apelar.

em vez de serem puramente interpretativas. a atividade do terapeuta orienta-se. esta ati­ tude terapêutica não impede. que as terapias breves são. em seu enfoque e na prática. incluindo os mecanismos de defesa neuróticos do ego. por exemplo.36 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Dessa maneira observamos que na psicoterapia de apoio pro­ priamente dita ou “pura” as medidas de apoio promovem a depen­ dência regressiva no paciente. “mistas”. ou reforçadoras do ego não-interpretativas. em direção à estimu­ lação das capacidades autônomas do paciente. na medida em que o terapeuta assume um papel protetor-autoritário (empregando. Nesta outra forma de reasseguramento egóico. interven­ ções diretivas).) Fiorini proporciona alguns bons exemplos das diversas inter­ venções capazes de sustentar e ativar o funcionamento egóico (12). assinalando seus rendimentos egóicos adequados. Quer dizer. e ao assinalar-lhe esse fato. incluindo as de objetivos e tem­ po limitados. com muito mais freqüência. pelo contrário. se partimos dos retursos que o pa­ ciente verdadeiramente possui. cm lugar de incentivar uma rela­ ção dependente. Assim mesmo.segundo o lado para o qual se incli­ ne a balança em cada caso21. como se depreende do que assina­ lam Greerson e Wexler. pro­ movemos nele um sentimento de reafirmação ou reasseguramen­ to que pode funcionar. / Diremos entào. falar de tratamentos breves em que pre­ domina o insight e de tratamentos breves em que predomina o re­ força mento ou o ^ o /o e^(2iccu. As psicoterapias dinâmicas. sendo essa natureza “mista” uma característica relevante de tais terapias (podemos. a análise de aspectos inconscientes do pa­ ciente. mas também para ativar diversos funcionamentos egóicos1*. em sua maioria. que deverá fundar-se numa compreensão psicodinâmica adequada do proces­ so terapêutico20. o resultado de uma reunião de elementos próprios de uma técnica de insight com estes outros elementos reforçadores e estimuladores de determinadas funções do ego'\ Mas é mister que tais psicoterapias se traduzam numa combinação antes de tudo coerente de intervenções. que costuma fomentar a idealização de sua figura. em troca. Para este autor. o protótipo da atividade terapêutica nesses trata- . não só para fortalecer. sim. ou ainda exclusivamente de apoio no sentido antes descrito. são. e ao mesmo tempo se valem desta para exercer seu efeito.

a associa­ ção dc diversos elementos terapêuticos. tais como psicodrogas.). assis­ tentes sociais. mantendo certo equilíbrio nas referências a uns e outros (12) (13)22. psicopedagogos. poderse-ão anexar à psicoterapia individual outros elementos. etc. enquanto se deixam de lado as demais dificuldades. cujas perspecti­ vas de inclusão correm em paralelo com os progressos que. Trata-se de outra característica substancial desse tipo de terapia. progressivos e sadios. fornecimen­ to de informações. etc. intervenções de reasseguramento. Estes procedimentos admitem e com'freqüência requerem . Todo recurso que tenha demonstrado ser útil no campo da terapêutica psiquiátrica poderá eventualmente ser incorporado ao tratamento. se registram no emprego de distintos recursos psicoterapêuticos.. o que os afasta ainda mais do enquadramento e dos cânones psicanalíticos.Fundamentos teóricos 37 mentos está representado por uma tarefa em “frente dupla”. e portanto não só são feitas menções a seus aspectos infantis. (14) (48) (55). por isso também chamada de focal j(40). pp. nu­ ma tarefa efetuada em equipe23. dada a sua urgência e/ou importância. mas também a seus aspectos adultos. assim.B. em virtude da necessidade de se alcançarem os objeti­ vos terapêuticos. que per­ mite distingui-la da técnica psicanalítica corrente a qual não opera com um módulo conceituai de foco (ver “O foco”. 40 ss. na qual se têm sempre presentes “as partes sãs” do paciente. sugestões. comunitárias. É sumamente valiosa a participação de outros profissionais da saúde mental (psicólogos. técnicas grupais. etc. no tra­ balho científico. regressivos e patoló­ gicos. além dos distintos tipos de intervenção verbal não-interpretativa (assinalamentos. está “enfocado” para determi­ nada problemática do paciente. . Focalização O trabalho terapêutico em P.). que adquire prioridade.) nos tratamentos.B. terapeutas ocupacionais. Multiplicidade de recursos terapêuticos Eis aqui outro aspecto distintivo da P.

tentarei. Junto às metas e à duração do tratamento fixam-se os pontos fundamentais do processo terapêutico.foco. além disso. na forma de proposta. que compreende um plano de tratamento prévio ao desenvolvimento do mesmo. Estes. da maior ou menor flexibilidade do terapeu­ ta e de sua capacidade para tentar criativamente combinações te­ rapêuticas harmônicas e eficazes. tais como foco ou ponto de urgência.B. que fazem parte de um jargão característico das terapias breves. A inclusão de tais instrumentos depende. nem sempre podem distinguir-se com facilidade uns dos outros. Quadro comparativo de algumas características teórico-técnicas da psicanálise e da psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em forma de síntese e considerando-se as limitações que supõe todo esquema. sempre com adequada compreensão e fundamentação psicodinâmica. é a imprecisão com que os profissionais empregam corrente­ mente alguns termos.. Diante de necessidade de alcançar uma conceitualização teórica su­ ficientemente clara. e que chega a cobrir até a etapa final de avaliação de resultados (ver capítulo 5). É outro traço da P. ponto de urgência e hipótese psicodinâmica inicial) Uma prova a mais da confusão reinante no terreno teórico da P. precisar seu sig­ nificado. a fim de se obter uma visão que nos facilite a discriminação entre ambos (ver página seguinte). Outros conceitos de especial aplicação em psicoterapia breve (situação-problema.B. que a distingue nitidamente da psicaná­ lise. Planejamento . . tendo em vista a obtenção de um maior discernimento. será útil a esta altura expor em um quadro as caracte­ rísticas de um e de outro procedimento.38 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Os diferentes instrumentos psieoterapêuticos devem ser im­ plementados coerentemente.

Explicitarei. Superação dc sin­ tomas c problemas atuais Fins terapêuticos Duração 1 Trabalho com os conflitos Regressão. Resolução de con­ flitos básicos e seus deri­ vados. habitualmente a con­ flitos derivados Limita-se habitualmente a conflitos derivados Não são favorecidas Não Limitada Sim. Limitado. e estabelecerei tanto as diferenças funda­ mentais como as relações que existem entre eles. Mais cognitivo que afetivo Não. Psicanálise A exploração do incons­ ciente. Referido so­ bretudo ao “de fora”.Fundamentos teóricos ________ ________ ________ _________ _________ ______ _ Descreverei sucessivamente: a) a situação-problema. o que quero dizer pessoalmente com cada um desses termos. sobretudo. Processos geradores de mudanças Sim Sim Sim Sim Não (ou muito pouco) Não Não Não . São favorecidas Dependência / Desenvolvimento e análise da neurose Sim de transferência Análise de Intensiva resistência ThCNICA Insight Elaboração Fortalecimento e ativação das Junções egóicas Focalização Multiplicidade dos recursos terapêuticos Planejamento Sim Sim t «» Limita. b) o foco\ c) o ponto de urgência e d) a hipótese psicodinâmica ini­ cial. Reestruturação da personalidade Prolongada Indeterminada Refere-se especialmente a conflitos básicos Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Limitados.

diante da qual e por motivo de cuja ação descompensadora surgem ou podem surgir nele dificuldades de índole psíquica que operam como obstáculo para alcançar um desenvolvimento adequado. A situação-proble­ ma . b) O foco Constitui talvez um dos elementos mais característicos e dis­ tintivos da atual P. Ao propiciar uma centralização da tarefa. Implica. quem se 'Ocupou mais exaustivamente do foco terapêutico e promoveu a denominação terapia “focal” (40). depressão. Wolberg (55). problemática ou setor da psicopatologia do paciente. um acidente.ou situação critica. F. a perda de um ser querido. medo. Mas foi sobretudo Malan. Com relação a eles. junto com Balint. e que são passíveis de se­ rem tratados por meio da técnica breve. Muitos autores. assinalaram a conveniên­ cia de focalizar. uma mu­ dança de trabalho. uma gravidez. Deutsch (8). etc. aparecem no sujeito inibições e sintomas diversos (ansiedade. situação-obstáculo. a quem devemos o desenvolvimento de um modelo conceituai de foco (11). quer dizer. situação desencadeante. uma crise evolutiva como a da adolescência. Alexander (5). referência a fatos que são manifestos e objetiváveis. então. Small (6) e Malan (40). etc. que costumam constituir o motivo (manifesto) da consul­ ta e que poderão ou não ser ligados pelo paciente e pelo terapeuta às situações-problema que na realidade os provocam24. . entre os quais se destacam Stekel (50). French (5). distúrbios corpo­ rais. e como conseqüência de uma falta de resolução favorável.). de concentrar a tarefa terapêutica em determinado sintoma. o nascimento de um filho. a focalização con­ tribui para tornar mais efetiva a atividade terapêutica em função .40 a) A situação-problema Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com essa denominação tento indicar que se trata de uma situa­ ção que se torna presente na vida do indivíduo.pode ser provocada por ocorrências tais como um exame. Entre nós cabe citar muito especialmente Fiorini. etc.B. Bellak (6). A existência de uma ou mais situações atuais dessa natureza pode ser detectada com freqüência em grande parte dos pacientes que solicitam assistência psiquiátrica. uma viagem ou uma intervenção cirúçgica próximas.

sumamente ambígua e se confunde com a situação de crise (situação-problema). O que devemos entender realmente por foco? Como surge. na prática psicoterapêutica? Procurarei encontrar minhas próprias respostas a essas perguntas. e inclusive prolongadas. não explica em que consiste ou como está constituído o foco. o tra­ tamento psicanalítico é contra-indicado. no sentido de ser “a inter­ pretação essencial. sobre a qual se funda toda a terapia” (40). com os sintomas que motivam a consulta. então. b) planejar o tratamento. por diversos motivos (idade avançada. circunscrever-se a certos problemas do paciente.” E acrescenta: “Sem um esforço de preci­ são e delimitação rigoroso de seus conceitos básicos não é possí­ vel construir uma teoria com certo grau de verificabilidade” (13).Fundamentos teóricos 41 das metas selecionadas e em uma terapia de duração limitada. A que formulou Malan. O foco deve ser concebido. Nesse sentido será definido como/ uma estrutura integrada pelos distintos fatores intervenientes na gênese da que foi escolhida como a problemáti-- . por exemplo). totalmente esclarecedora. d) contrapor-se ao desenvolvimento d| neurose de transferência (há uma orientação constante em direção à realida­ de e ao atual do paciente). a noção de foco ainda é. Trabalhar com uma técnica de “enfoque” implica. a partir de uma perspectiva psicopatológica. com as metas do tratamento. entre outras coísas (40): a) manter a coerência e a operatividade a res­ peito da fixação de objetivos terapêuticos prioritários. É evidente que não resultou fácil kchar e adotar majoritariamente uma definição que expresse de modo pleno a natureza e o signifi­ cado do foco. com os pontos de urgência. realizando uma abordagem interpretativa setorial e respeitar o resto de sua organi­ zação patológica e das áreas de sua vida. c) combater a passividade e o perfeccionismo do terapeuta. Comenta Fiorini: “A diversidade de significados que possam ser atribuídos à noção de foco ilustra o estado atual da teoria. como se configura e como se delimita. já que. Contudo. mas não só uma limitação temporal a justifica: a técnica focal também é adequada àqueles pacientes que podem realizar psicoterapias sem prazo fixo de duração. primordial e essencialmente. como assinala Fiorini (11) (13). tam­ pouco é. no meu entender. etc. nas quais. O terapeuta pode. ao se revestir de um caráter técnico.

aspectos histórico-genéticos individuais e grupais reativados. a exploAção terapêutica. Essa mulher. e na qual um exame analítico nos permite distinguir zonas com diversos componentes: aspectos caracterológicos do paciente. o qual se inse­ re em uma situação grupai específica. Motivo da consulta.42 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ca central do tratamento (uma determinada situação-problenioji as manifestações sintomatolósicas^u. o diagnóstico se orientou na direção de uma afecção essencial­ mente psíquica. que se encontrava de passagem em Buenos Aires. à qual também se vinculam todos os componentes citados. enquanto esta corresponde a uma finalidade também limitada e preestabelecida. especialmente válido para esses procedimentos. Vejamos um exemplo a partir do caso da professo­ ra. uma hipótese ou um conjuniade hipóteses do terapeuta a respeito dos mecanismos operantes dentro de taljvoblemàtica. Paralelamente. solteira. ela Usadas). Sucintamente recordaremos a estrutura do foco proposta por este autor: na prática terapêutica. citado anteriormente. confli­ to nuclear subjacente e situação grupai são aspectos “de uma situação que condensa um conjunto de determinações”. ou seja. a partir desse momento. que geralmente é definido pelo motivo da con­ sulta (sintomas. Subjacente e ligado ao motivo da consulta.^constituindo. existe um conflito nuclear exacerbado. de 31 anos. O modelo teórico de foco que Fiorini desenvolveu é de gran­ de utilidade prática. situações de crise). todo foco tem um eixo central. ao mesmo tempo. Esses diver­ sos componentes se encontram atualizados e totalizados pela situação (11). além de uma zona relativa ao momento evolutivo individual e grupai e outra de determinantes do contexto social mais amplo. dirigindo preferente­ mente para aí. professora rural de uma escola primária localizada no sul da Argentina. seguidos em certa ocasião de desmaio. por meio do qual se tenta basicamente delimitar zonas da problemática geral do paciente e/ou dos episódios de sua vida. ela se achava deprimida. da complexa interação existente entre osfatores^Podemos considerar que atua como um artifício teórico-técnico. Por outro . Como o exame médico não revelasse nenhuma alteração orgâni­ ca. consultou um serviço psiquiátrico hospitalar por ter apresentado episódios de paresia de ambos os membros inferiores.

e a quem descreveu como uma mulher sumamente autoritária e depreciativa para com ela . Os sintomas. A mãe desta última. Esse é o conflito nuclear. obtenção de benefícios secun­ dários de seus sintomas. claramente vinculados a tal situação. dc uma família que correspondia ao tipo*'esquizóide (7). tinha-se ausentado do lar quatro anos atrás e se ignorava seu destino. por outro lado. junto a uma busca oral regressiva de afeto através de conversões (identificação com a mãe da diretora . manifestou que tinha problemas de adaptação ao trabalho. Apresentava traços histéricos de caráter.Fundamentos teóricos ___________ lado. Tudo isso faz parte da situação grupai. tendo falecido há um ano. a projeção e a conver­ são. ocasionados pela má relação que mantinha com a diretora da cscola.com quem vivia no norte do país. ainda que conservasse certa eficiência . com seus mem­ bros distantes e dispersos ou ainda desaparecidos. então. a regressão. evidenciável através de diferentes experiências de sua vida. representantes dos irmãos. As funções egóicas esta­ vam em geral debilitadas. Os principais mecanismos defensivos empregados nessas cir­ cunstâncias foram a repressão. Seu pai. como no caso do pai. Seus irmãos (três mulhe­ res e dois homens) moravam por sua vez em diferentes locais do país.carinhosa­ mente cuidada por esta última até a morte . A paciente residia em um lugar muito distantes de seu meio familiar. os quais também eram professores)25. alcoólatra crônico. Tempos atrás havia-se afastado de sua mãq . onde assumiu o trabalho docente.movida pelo desejo de ser tratada de modo semelhante. tinham aparecido após áspe­ ras discussões com a diretora. a qual estava passando por um período de extrema tensão e a fazia sentir-se muito exigida e mesmo perseguida. com paralisia dos membros inferiores. sobre uma estrutura que parecia basicamente melancólica.e radicou-se no sul. ao ser assistida pelos demais professores. veremos que: a) Entre os aspectos caracterológicos em jogo destacavase o conflito suscitado por uma instância superegóica muito severa. Descobriu-se que os sintomas e a situação desencadeante que constituíam o motivo da consulta correspondiam a um conflito da paciente com figuras femininas de autoridade. Se procurarmos precisar os componentes dessa situação. Tratava-se. havia sofrido de uma enfermidade crônica.

realizada com o objetivo de conseguir um desprendimento em relação à mãe e libcrtar-se de sua opressão.44 Psicoterapia breve de orientação psicunalitica em seu trabalho e revelasse suficiente tolerância à dor para enfrentar uma psicoterapia de insight. ao mesmo tempo em que era fundamental para manter sua auto-estima (o magistério era altamente valorizado em seu meio social). edípico ou pré-edipico. numa busca neuróti­ ca de afeto. Estes são os determinantes do contexto social. com um conflito infantil e primário. organizado sempre em torno de uma situação-problema e dos sintomas provenientes desta. (N. pp. apresentando tez escura e cabelos negros e lisos. Por outro lado experimentava um sentimento de inferioridade diante dos demais professores. no qual custava a fazer amigos justamente quando se achava mais necessi­ tada para reafirmar-se em sua tentativa de emancipação. utilizada nas cida­ des para se referir àqueles que têm origem rural e sangue indígena. c) Suas precárias condições econômicas eram outro fator pre­ mente que a obrigavam a um rápido restabelecimento para poder reintegrar-se ao trabalho (achava-se em gozo de licença). No exemplo antes citado. do T.) . aumentando especialmente sua angústia e favorecendo o desenvolvimento de mecanismos regressivos. já que se sentia víti­ ma dos preconceitos existentes contra os denominados cabecitas negras*. A desconexão existente entre quase todos os membros do grupo familiar e sobretudo o desaparecimento do pai contri­ buíam para fazer deste um momento muito difícil para a paciente. 22 a 24. compreende em sua conformação uma conflitiva subjacente mais ou menos ampla e complexa. entendo basicamen­ te que o foco. ao qual se remete em última instância tal conflitiva. acarretou de imediato o incremento de suas carências afetivas e de seu sentimento de solidão e insegurança no novo meio. b) Dentro do momento evolutivo individual e grupai cabe des­ tacar que sua migração. Aos 31 anos. o qual era seu único meio de vida. a conflitiva focal é representada fiindamen* Expressão pejorativa semelhante à nossa “cabeça chata”. De minha parte. Sua auto-estima se achava muito diminuída. e que vem a constituir o nó da estrutura focal (ver O trabalho com os conjlitos. que podemos chamar conflitiva focal. sua falta de parceiro e seus fracassos ardorosos anteriores pesavam. e tentando uma síntese.

de uma situação-problema e do conseqüente foco para sua abordagem preferencial num tra­ tamento breve depende. pois permitirá um trabalho. A evolução habitual do foco com o trabalho terapêutico pode ser observada no esquema desta página. imprevistas e traumáticas na vida do paciente. entre vários fatores. o qual dependerá. através da qual. diante de um mesmo caso e num mejsmo momen­ to. como já vimos em parte (p.Fundamentos teóricos 45 talmente por conflitos derivados. que obriguem uma recolocação e o adiamento da tarefa programada inicialmente. os limites focais são imprecisos27. muitas vezes. de diversos fatores. Às vezes teremos de mudar o foco e as metas terapêuticas em pleno tratamento. mais efetivo/ No começo. tal foco não só vai-se deli­ mitando melhor. melhor será^prognós­ tico do tratamento. dever-se-á contar pelo menos com um esboço inicial de foco terapêutico. configurado a partir das descobertas obtidas nas entrevistas clínicas e no psicodiagnóstico^Numa terapiajireve. A escolha por parte do terapeuta. Isso pode ocorrer: a) surgindo situações novas. . sobretudo no que diz respeito à determinação das perturbações que privilegiará. Durante o processo terapêutico costuma-se assistir a uma “evolução” desse mesmo foco. que encontram sua expressão no ambiente de trabalho. no qual a paciente repete aspectos de suas relações familiares (em especial com a diretora). em virtude da técnica de “enfoque” empregada. e que se origina­ ram a partir de um conflito primário com a figura materna. se cristalizando. de seus critérios pes­ soais e de sua experiência prévia. e que poderão ser tratadas com possibilidades de êxito terapêutico nas condições de que disponha para levar adiante o tratamento. 23). Um critério psicanalítico para a investiga­ ção do foco deverá privilegiar o reconhecimento das raízes in­ fantis da conflitiva focal. dois ou mais terapeutas poderão chegar a diferir na escolha’*. enrai­ zado em fixações edípicas c pré-edípicas a ela. quanto mais precoce e mais claramente demarcáveEÍor o foco. Esses gravitarão em tomo de suas impressões quanto à patologia do paciente. quer dizer. mas também o terapeuta obtém um aprofundamento na compreensão de seus psicodinamismos28. ainda que nem por isso tenha de de­ sembocar forçosamente na tentativa de proporcionar insight ao paciente acerca dos mesmos. Ao começar uma terapia focal. Eventualmente.

diante da iminente separação paciente-terapeuta.46 Diagnóstico Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Processo terapêutico k 1. No meu entender.diante da significação singular que este possa alcançar em cada paciente. Em torno do término se vai perfilando um novo foco . Por exemplo. dadas sua história e características pessoais . . também se reveste de grande importância prática na P. predomina no sujeito num dado momento.que se superpõe primeiro ao anterior no processo terapêutico. que gera um incremento da angústia e uma reação defensiva de desprezo e hostilidade em relação a ele30. que tornam aconselhável modificar tanto o foco como os objetivos29. Limites confusos no começo 2 e 3. c) 0 ponto de urgência Esse conceito. o ponto de urgência corresponde à situação psí­ quica inconsciente de conflito que. durante a terapia. temor inconscien­ te de ser abandonado pelo terapeuta. sendo motivo de de­ terminadas ansiedades e defesas. pela ação de fatores atuais. que omitiu deliberada ou involu­ ntariamente no começo. c) como circunstância habitual nos estágios finais dos tratamentos.. já conhecido dentro da técnica psicanalitica. poden­ do. de certos fatos ou sofrimentos de importância.O foco vai-se delimitando mais claramente na superfície (pode ser relativamente isolado de outras conflitivas) e crescendo em profundidade b) ante revelações do paciente.B. ocupar exclusivamente o primeiro plano. depois.

é uma obstinação que. Somente quan­ do a calma tiver sido restabelecida. Para esse ponto deverão orientar-se. O ponto de urgência pode ser inerente ao foco {tyocal) . resulta ineficaz. etc. Também. as distintas medidas terapêuticas. Precisamente para po­ dermos voltar a nos ocupar produtivamente da problemática prin­ cipal do tratamento. que adquire de imediato prioridade no traba­ lho terapêutico. pois são vários os que se suce- .) que costumam apresentar-se durante o tratamento.ou ser rela­ tivamente estranho a ele (exlrafocal). nessas ocasiões é imprescindí­ vel atender ao ponto de urgência. pertur­ bando assim a focalização do trabalho terapêutico. um roubo. sendo. pela conclusão da terapia). Enquanto um tratamento breve costuma se desenvolver sobre a base de uma estrutura focal (11) apenas ou no máximo de dois focos (toda vez que se leve em conta o que se relaciona à sepa­ ração definida. o paciente poderá recuperar a capacidade de concentração focal necessária. por exemplo. variável.Fundamentos teóricos 47 Freqüentemente a detecção do ponto de urgência conduz. Interessam sobretudo as interpretações: o fato de que estas obtenham uma repercussão emocional efetiva no paciente dependerá fundamentalmente de que estejam ou não dirigidas para o ponto de urgência. Sua busca parte de uma inter­ rogação que o terapeuta se formula: a que obedece a ansiedade do paciente neste momento? Pressupõe. co­ mo a própria denominação sugere. precisaremos antes desembaraçar o campo dos estímulos traumáticos que impedem circunstancialmente que o paciente concentre seu interesse naquela problemática. Este último acontece com freqüência. pois mobiliza ansiedades e produz descompensa­ ção no paciente.subjazindo diretamente à situação-problema ou ligando-se a fatos que correspondem de algum modo à conflitiva focal . pretender continuar nesse momento o trabalho com a conflitiva focal. auxiliando o paciente. pelo contrário. afetando o pacien­ te. e que “saem do foco”. o caso de situações de emergên­ cia inesperadas (a morte de um ser querido. Na verdade deveríamos empregar o plu­ ral e dizer os pontos de urgência. além de reve­ lar falta de senso comum. daí seu valor clínico. for­ çando o paciente. então. o ponto de urgência é. a indagação a respeito de um ponto crítico. ao trabalho terapêutico imedia­ to do mesmo. apesar e por cima da ansiedade que essa situa­ ção imprevista nele provoca. em conse­ qüência.

etc. aos conflitos restantes extrafocais . envolvendo apenas certos setores de sua psicopatologia.48 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica / dem. a tudo o que dinamicamente pode- . ampliada ou retificada. Tais pontos são diferentes entre si. pois é susceptível de ser confirmada. etc. Entre estes últimos distinguimos: a) os que são próprios de sua vida cotidiana e b) os que provêm da atividade terapêutica. Com relação aos estímulos citados em b é desejável. em certa medida. com base nas descobertas obtidas durante o tratamento. que o ponto de urgência vá-sc modi­ ficando. produzida pela atividade terapêutica.do paciente. ou seja. além disso. Tal variabilidade -se deve à influência de diversos estímulos procedentes dos mundos interno e externo do paciente. é mais abrangente. Tem caráter provisório. tal como a concebo. a hipótese psico­ dinâmica inicial alude. desde as entrevistas iniciais51 até as etapas finais do trata­ mento. e que se constitui a partir dos dados que aflo­ ram nas primeiras entrevistas e no psicodiagnóstico. formulação psicodinâmica (55). a hipótese psicodinâmica inicial. Enquanto a estrutura do foco se organiza. d) A hipótese psicodinâmica inicial Também é chamada de hipótese psicodinâmica mínima (40). ainda que em sua maior parte se incluam numa mesma conflitiva focal32.). englobando inclusive a hipótese focaP\ Pode­ ríamos dizer que enquanto o foco aponta mais especificamente para o campo das situações que deverão ser trabalhadas terapeuticamente. tentando modificações e resoluções. única e exclusiva­ mente em torno de uma determinada situação-problema da vida atual do paciente. A concepção dessa hipótese psicodinâmica inicial está regi­ da pelas teorias psicanalíticas (determinismo psíquico. sobredeterminação. séries complementares. a hipótese psicodinâmica inicial pode ser entendida como um esboço reeonstrutivo da história dinâmica do paciente. já que isso pode ser indício de uma mobilização afetiva útil. Em meu conceito. formulação psicodinâmica pre­ coce (17). uma tentativa de compreensão global de sua psicopatologia que tende a incluir todas as perturbações do paciente que nos sejam conhecidas (40) (entre as quais se destacam as corres­ pondentes ao foco).

que podem ser verificados por meio de acompanha­ mentos. os quais não se reduzem aos pacientes cuja psicopatologia seja leve e de sintomas recen­ tes (40).D. em relação ao que acontece com a situação-problema e seus sintomas. Diante de tais mudanças indagamo-nos acer­ ca de sua natureza íntima. na medida em que buscássemos o que não corresponde diretamente a elas. e com a finaIidade de investigar o grau de eficácia desses tratamentos. Resultados e mecanismos terapêuticos A experiência clínica tem demonstrado que com o método breve é possível obter efeitos terapêuticos altamente benéficos e duradouros. que por sua vez aciona a busca de acordo com o paciente sobre as metas terapêuticas (M. p. 67). Mas neste ponto desejo formular uma advertência: não devemos per­ der de vista que os resultados. sim. devem ser investigados a partir de critérios dinâmicos. Malan sustenta que podem ser alcançados bons resulta­ dos em uma ampla variedade de casos. nossa atitude não seria coerente com suas finalidades terapêuticas. seu alcance e sua estabilidade. de outro modo. erro no qual muitos incorrem. Os resultados positivos. I . em cada caso. b) desenvolver um plano (P.T. ) ao paciente (ver capitulo 4. que abarcam desde o puro alívio ou a eliminação da ansiedade e de outros sintomas até modificações na estrutura da personalidade. A elaboração de uma hipótese psicodinâmica inicial por parte do terapeuta ou da equipe terapêutica permitirá: a) extrair elementos suficientes para uma de\>olução diagnostica (D. Tentarei esquematizar resumidamente as seqüências que ocor­ rem na prática psicoterapeutica.) de tratamento (ver capítulo 5). coerente com a hipótese formulada e com os objetivos selecionados. concentrar o interesse na indagação das modifica­ ções que transcendam as metas terapêuticas fixadas. devem ser avaliados. e que nâo necessariamen­ te tentaremos modificar.Fundamentos teóricos __________ ______________ mos compreender e inferir acerca deste.). nas quais se integram as várias noções expostas até aqui14. inicial c primordialmente. Num segundo momento poder-se-á.

50 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica .

Consideração de projetos para o futuro (esboço de planos a respeito de diferentes atividades da experiência de vida do su­ jeito).Fundamentos teóricos Entre os resultados favoráveis que se registram. 5. Aquisição de consciência da enfermidade psíquica. de amizade ou trabalho. ao tempo em que estas se mantêm. sobretudo quando se trata de pacientes cuja patologia é grave. estudo. 3. j 6. rela­ ções familiares. cabe per­ guntarmos: A que mecanismos respondem? E possível definir o processo de mudança existente? Eis aqui uma questão que ainda não está totalmente elucidada e que entra no terreno da investiga­ ção. e ao alcan­ ce das mesmas. Alivio ou supressão dos sintomas. estudo. É evidente a participação de diversos mecanismos terapêuti­ cos nesses procedimentos. desenvolvimento mais ade­ quado e eficaz. Modificações na estrutura da personalidade. ou seja. em virtude dos distintos recursos e estratégias operantes (13) (14). 4. etc. estando estritamente ligada ao problema da estabilidade das mudanças. A P. . Outras modificações favoráveis (referentes a dificuldades em diversas áreas da vida do sujeito. pode resultar também absolutamente ineficaz em al­ gumas situações.).B. isto é. principal­ mente as que não foram abordadas de maneira direta durante a psicoterapia). trabalho. 2. recuperação ou auto-regulação da auto-estima. podemos mencionar: 1. 7. sem dúvida resulta particularmen­ te difícil precisar. certos pro­ cessos geradores de mudança em relação ao tipo de atividade tera­ pêutica desenvolvida. aquisição ou recuperação da capacidade de tomar decisões). Mudanças com relação a perturbações próprias da situação-problema (superação de inibições. a maior ou menor extensão que registram em relação às áreas de conduta35e/ou da vida do paciente (sexuali­ dade. (O tema dos resulta­ dos desfavoráveis e os riscos do tratamento breve se desenvolvem no capítulo 10. do ponto de vista metapsicológico. não são raras <\s recaídas. tais como sexualidade.) Voltando aos resultados positivos da terapia breve. Elevação. etc..

B. provém principalmente da análise das situações da realidade externa do paciente.). mas que é necessário voltar a considerar. processos dignos de se considerar. configuram atrativos pontos de investigação. O paciente agora ousa ensaiar outras atitudes e levar adiante ações que antes se via impedido de realizar por sentimen­ tos de insegurança e desvalorização.). Penso que. A ques­ tão centra-se em saber se confiamos ou não no valor terapêutico de um insight que em geral não se baseia na análise exaustiva da neurose transferencial. temas que já abordei antes (pp. etc. além de importantes na gênese de modificações dinâmicas e duradouras. entre os quais me incluo. assina­ lado por Malan (40). mas também a outras modificações favoráveis.equivocadamente. uma maior efetividade. A eficácia de tal insight seria discutí­ vel porque. em particular das condutas adaptativas. adminis­ tração de psicodrogas. 31 ss.). Deixarei de lado o fortalecimento e a ativação das fiinçòes egóicas. de certo tipo de falsa solução do conflito. sugestão. em minha opinião . permitindo ampliar o alcance ou a extensão das mudan­ ças a partir de uma elevação da auto-estima. atribuem-lhe apenas efeitos superficiais adaptativos^Outros.52 Psicoterupia breve de orientação psicanalítica Como nào pretendo oferecer aqui um panorama amplo sobre o tema. Direi unicamente que não só costumam conduzir à consolidação dos gànhos obtidos pelo paciente através da terapia. o paciente com fre­ . por influên­ cia de um insight parcial do conflito derivado. como temos visto (pp. nem da cura transferencial (à qual Alexander e French conferem valor terapêutico [2] [4] [16]36) nem. centrar-me-ei em mecanismos que. que logo citarei37. deva ser exclusivamente de natureza cognitiva. ao conceber . São eles: o insight e a elabora­ ção. mas que já foram muito bem descritos por Fiorini (10) (12). apesar de suas restrições. além do mais. por último.que o insight em P. e num maior desen­ volvimento de sua iniciativa pessoal e das diferentes capacidades egóicas. reconhecem nele. nào tem validade por esse motivo. relaciona-se fundamentalmente com os conflitosfocais do paciente. 30 ss. que costu­ mam ser traduzidas num desempenho eficaz em distintas áreas de sua vida.B. / O insight em P. Tampouco me ocuparei aqui dos mecanismos somente volta­ dos para produzir alívio dos sintomas (catarse. Para alguns autores.

A eficácia terapêutica resultante da ação destes procedimentos é satisfatória para um grande número de situações ou quadros clínicos.^ “Na prática (.Fundamentos teóricos _______ ________ ________ ________ _______ _______ _______ qüência pode conseguir uma resolução. e toda psicoterapia que não cumpra a citada condição de elaboração das resistências é um trabalho só de sugestão? Que os analistas mantenham hoje taxativa e estritamente tais princípios é compreensível.o paciente não conseguiria alcançar . (a) elaboração das resistências pode constituir-sc num penoso trabalho para o analisado e numa dura prova para a paciência do médico. ajudando a conceber projetos de vida com base no autoconhecimento obtido com o tra­ tamento. refletidas em outras modificações favoráveis que às vezes se produzem. Finalmente. ainda se contarmos com a possibi­ lidade de ocorrerem recaídas em virtude da multidcterminaçâo dos sintomas. consciência da enfermidade. eviden­ ciando-se clinicamente uma melhora nas dificuldades concernen­ tes ã situação conflitiva. “uma solução parcial é melhor do que*nenhuma" (55) //Dè todo mõSõTolnsight é o mecanismo graças ao qual a melhora conseguida terá mais possibilidade de se manter.. caso sejam necessárias. também parcial. a extensão e a aplicação do insight do conflito no paciente a dife­ rentes contextos (elaboração) explicaria a amplitude das mudan­ ças. For­ nece. como diz Wolberg. além disso. pelo qual este costuma ao menos diminuir de intensidade. mas acontece que alguns vão mais longe e rejei­ tam a opção da terapêutica breve por considerá-la totalmente ine­ ficaz. não acompanhada de uma análise intensiva e de uma elaboração das corresponden­ tes resistências . Com a mera interpretação do conteúdo. o que jfacilitará futuras consultas. Mas também constitui parte do traba­ lho que efetua as maiores mudanças no paciente e que distingue o tratamento analítico de qualquer tipo de tratamento por sugestão” (27).). prove­ niente da obtenção de certas modificações dinâmicas no conflito. capaz de promover alguma mudança dinâmica na conduta ou na personalidade do paciente/Chega-se então às se­ guintes conclusões: não é possível conseguir modificações pro­ fundas. de possibilidades e limitações pessoais. A frase de Freud (1914) seria lapidar para aqueles que pre­ tendessem conceber um processo terapêutico de tempo e objeti­ vos limitados.. contudo.dizem .

e até prepare “alterações substanciais na perso­ nalidade que lhes abram (aos pacientes) o caminho para uma auto-realizaçào mais completa”41. Afirma este autor (55) que um tratamento curto adequadamente conduzido pode desencadear. cujos mecanismos não têm sido explicados satisfa­ toriamente. talvez peque por um exces­ so de otimismo. não nos propor­ mos a obter. um dos autores mais entusiastas das mudanças que se podem esperar nas terapias breves. sobretudo pelas entrevistas de acompanhamento e no psicodiagnóstico (32). encontramos vários in­ vestigadores que reconhecem a existência de importantes mudan­ ças dinâmicas em pacientes que foram tratados com o método breve. Wolberg.54 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica uma verdadeira ou suficiente conscientização (45)-< 1 . um processo evolutivo. mas o terapeuta ocupa-se delas em certa medida a fim de reduzir sua intensidade. Não creio que na tera­ pêutica breve as coisas devam ser situadas de modo inapelável num extremo: se considerarmos as resistências. e não pode ser outro o caminho para se conseguir que o paciente tome consciência real de suas tendências inconscientes. em certas ocasiões é possível observar. por exemplo. que chamam a atenção da personalidade.B. modificações profundas na estrutura da personalidade. Já no terreno da experiência clínica. do ponto de vista da teoria. “No final do tratamento . Apenas con­ seguiria um insight “intelectual”. Apesar de. uma reação em série. Com respeito ao psicodiagnóstico. a presença de mudanças favoráveis. a partir da solução de um aspecto do problema do paciente. o que pode acontecer quan­ do se realizam vários anos depois. é significativo que os estudos efetuados pouco depois dc finalizado o tratamento bre­ ve não registrem um progresso maior.. que com o avançar dos anos promova uma mudança interior.diz - . ao empregarmos tal método. mas talvez a prá­ tica da mesma nos demonstre outros fatos. principalmente no que respeita à oposição do pa­ ciente ao insight da problemática focal40. Isto nos remete a um processo ativo de mudança que ocorre no paciente durante esse período. e sem que haja mediado outro tratamento psicotcrapêutico (32). Isso parece acontecer com a P. vemos que de fato não podem ser interpretadas rigorosamente como na psicanálise. insuficiente para que se produ­ zam nele modificações em um nível mais profundo.

. mesmo que. como sua capacidade de cooperação” (4). de­ finir o ocorrido. inclusive na estrutura da personalidade. as possibilidades de progresso são variáveis em cada caso e dependem não só de suas próprias potencialida­ des. deve­ mos convir que não há respostas que revelem a natureza íntima do processo que gera essas mudanças. (Os grifos são meus.Fundamentos teóricos 55 não há por que deter o processo de transformação do paciente. mas também de outros fatores. como o desejo. mais vagamente. pois o tratamento carece de qualquer medida exata para se verificar a mudança psíquica ou se preverem os acontecimentos futuros” (3). nenhuma deliberação consciente.” (Os grifos são meus. e ainda mais difícil deduzir dessa experiência regras precisas aplicáveis a outros casos. Às vezes basta eliminar um bloqueio emocional para que o ego comece a atuar (.) Wolberg às vezes reitera essas opiniões e esses/resultados de sua própria experiência. ao que parece.). além disso: “£ difícil.) Logicamente. Noutro lugar expressa Alexander: “Também na psicanálise confiamos nas faculdades regenerado­ ras do ego. Referimo-nos a elas de uma maneira bem mais vaga. Diz Alexander: “Até onde chegará o impulso do tratamento é sempre uma interrogação sem resposta ao finalizar uma análise43. não sejam levantadas hipóteses explicativas definidas tampouco se recorra. Ainda que aceitemos que mudanças profundas ocasional­ mente ocorram. a vontade do paciente de se curar. ou ainda. em nenhum . etc. convém esclarecer. sem que intervenha. retrospectivamente.”(2). e do qual falam Wolberg e Alexander. que pode perdurar pelo resto de sua vida. A obser­ vação pós-clinica pode revelar amplas mudanças que apenas se adivinhavam ao terminar o tratamento. como por exemplo as condi­ ções de seu meio ambiente. que com sua intervenção con­ segue liberar as forças construtivas latentes42 na pessoa do enfer­ mo Assinala. e então o ego assume a direção. e em virtude dê forças que escapam ao nosso conhecimento. Neste co­ locamos o paciente sobre a pista. Também Alexander sustenta idéias simi­ lares a algumas das que propõe Wolberg: “O importante é que a cura nunca se realiza totalmente durante o tratamento.” Pouco mais adiante continua: “Às vezes se produz uma reação em cadeia. Essa circunstância não é fortuita: é um acerto do psiquiatra..

III. Small. nesse campo. Zetzel. ob. ao termo elaboração. Fiorini. Fiorini. 32 ss. Madrid. cit. “Dinamismos y niveles del cambio en psicoterapias”. Teoria y técnica de psicoterapias. Bcllak. em H. 7. em F. Alexander e T. Pax-México. cap.. cap. Applied Psychoanalysis: Selected Lectures on Psycho­ therapy. . ainda que só em pe­ quena escala. em H. Luquct. 4 . contan­ do com uma etapa pós-terapêutica provavelmente muito impor­ tante (ver pp. . “Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. cit. cap. c Small. 6. em 9. . Buenos Aires. de e J. 5 . Orcmland. Thiel. 6. Langer e E..cap. El grupo psicológico. quando se mencionam esses me­ canismos autônomos (2) (4) (55). Rodrigue. 1968. Buenos Aires. Bleger. Gredos. 1960. 10 . “Grupo familiar: psicologia y psicopatologia”. t. Psicoterapias breves. Buenos Aires.. Buenos Aires. “El concepto de foco”. eit. F. de Psicoa. Joseph. Buenos Aires. cap. Fiorini. 1969. Terapêuticapsicoanalitica. em 9. Psique. Wolberg e col. 8. No processo de investigação há ainda. Psicoterapia breve y de emergencia. F. 9. cit. . Deutsch. H. em 9. 1965. 1971. Fiorini. Granica. Alexander. “El principio de la flexibilidad”. em L. 1959. ob. cap. 1972. 3.. 9. e French T. muito trabalho pela frente. Nueva Vision. S. Adler. Rev. ob. V. 2.56 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica momento. M. Main.)44. ob. 8. “Las funciones yoicas en el processo terapêutico”. L. em 3. 1973.. 3 . Fiorini. XXVIII. French. Referências bibliográficas 1. Psicoanàlisis y psicoterapia. Morra. Psicoterapia breve. Paidós. em L. n? 1. Mexico. 1949.. . que. em H. “Delimitación técnica de psicoterapias”. desenvolver-se-ia nos tratamentos breves. Gumbcl. L. Rangell. 12 . Garma.. cm H. No­ va. ob. . Nova York. Grune and Stratton. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicoterapia bre­ ve”. Buenos Aires. Grinberg.. Wallerstein. L. em L. De minha parte penso que tais mecanismos poderiam estar ligados ao menos parcialmente a uma espécie de processo “elaborativo”. cit. 11 . .

em F.. Greenson. em 18. e Wexler. . Apêndice A. “Recuerdo.. em 18. em S. Freud. Freud. Fiorini. 1948. Freud. 25 . Buenos Aires. J. . Vidal. 1977. Usandivaras. “El fenómeno de la transferencia”. Modificaciones de opiniones anteriormente expuestas. Freud. Buenos Aires. cit. 18. 27 . “Los caminos de la terapia psieoanalítica”. El Ateneo. French. “La alianza de trabajo y la neurosis transferencial”. J. ob. tomo I. cit. tomo II. . cap. Freud.”. ob. Traduzido do International Journal o f Psycho-Analysis. “La interpretación de los suenos”.. ob. “La histeria. em 3. 15. em S. tomo I. Nuevas perspectivas en salud mental. Amer. tomo I. tomo T. Alexander e T. Arg. R. Traduzido de The Psychoanalytic Quar­ terly. L. em 9. VIII. cit. ob. em F. R. em 18. 23 . cit.. tomo II. em S. em S. tomo II.. . Alexander e T. 29.1968. tomo II. em W. Greenson. Apostila Asoc. Nueva Vision. em 18. M.).V.. “La relación no transferencial en la situación analítica”. Aportes para una teoria de la téc­ nica”. ob. . 1965. VII. em S. cit. Institucionesyproblemas. em 18.“La dinâmica de la transferencia”. Psicoa. 26 . a) Resistencias y contracarga. vol. Freud.C. ob. Psychiat. 24 . V. . cm S. em S. tomo 11. tomo 1. Grimson (comp. cit. “Historia de una neurosis infantil”. em 3. parte 1.. Gillman. R. 19 . Madrid. French. Grinbcrg. ob. “Psicoanálisis”. 50. . cit. 30. “Análisis terminable e interminable”. cm 18. “Problemática actual de las psicotcrapias breves”. Freud. . 1965. em G. 14 . D. em S. repetición y elaboración”. em F. cm H. em 18. “Inhibición. em 3. . . em 18. em 18. obícit. ©ap. Apostila Asoc.1969.“ La iniciación dei tratamiento”. Biblioteca Nueva. O. cit. 1973. 22 . 20 . cit. Freud. ob. ob. 21 . 3 1. 28. . sintoma y angustia”. ob. Alexander c T. Freud. cit. R. T. em S. Freud. Enciclopédia de Psiquiatria. “Planificación de la psicoterapia”. . Bleichmar e R. M. !. R. cap. “Brief psychotherapy: a psychoanalytic view”. . “Psicoterapia dinâmica breve. Freud. R. French. S. 2) Historiales clínicos: Isabel de R. H.. XXXIV. ob. cit. 2. French.Fundamentos teóricos 13 . “La dinâmica del proceso terapêutico”. Psicoa. 16. “Adición metapsicológica a la teoria de los suenos”. Arg. em S. cit. cap. ob. 17 .

Buenos Aires. out.. Hartmann. e Pontalis. J. Cuaderno de la SAPPIA. Charles Thomas. “Psicoanàlisis y psicoterapia dinâmica: similitudes y direfencias” em Rev. M.. ob. ob. Rangell. em 39. .. Labor. 1964. citado por J. tomo XXVIII. ob. Philips. Harrower. Tavistock.. H. Teoria de la técnica psicoanalítica. 40. n? 2. e Johnston. Paidós. Pichon-Rivière. Raeker. M. Springfield. JL Diccionario de psicoanàlisis. Kargieman. 1961. 43. B. 1 . cap. em 9. de Psicoa. The Problem of Psychotherapy Effect”. Hoch. .. Psicoanàlisis y psicoterapia breve en ninosy adoles­ centes. PaxMéxico. A Study of Brief Psychotherapy. 1971.. M. 1969. Norton.) 41. Dicionário de psicoanàlisis. cilado por Fiorini. n" 4. cit. Racker.. Barcelona. Bleger. México. Buenos Aires. Estúdio 1. Psychother. 45. Buenos Aires. Fondo de Cultura Económica.. 1954. 1971. Buenos Aires. Psicoa. III. Psicologia de la conducta. n? 1. “Introducción a la técnica psicoanalítica”. cm 2. H. Buenos Aires. cap. Centro Editor de América Latina. Wolberg e col. D. ob. “Theoretical and clinical aspects of short-term parent-child psychotcrapy”. em L. S. cit. Arg. 10. 42. Buenos Aires... Mcnninger. 19. cap II. X. “Psicoterapia breve lrente a psicoterapia prolongada”. Laplanche. 37. 39. México. Illinois. 1960. Novey. M. Small. (Versão Castelhana: La psicoterapia breve. P. A. Paidós. H. E. 1971. Malan. 38. “El principio de la ‘elaboración’ en psicoanálisis” Apostila Asoc. “Cómo ve el tratamiento breve un psicólogo clinico”. 36. 35. 1962. 1976. K. Pax-México. H. 47. 1963.. Londres. Am. Lu psicologia dei yo y el problema de la adaptación. Nova York. J.. Kamo. S. 34 . H. D. 1969.. vol. Tirada do Journal o f the American Psychoanalytic Association. Rycroft. The Psychoanalysis o f Elation. Lcwin. ELDEBA.. Psychiatry. cm 2.. 44. 46. cit. 1972. 1974. 2.. 1950. Estúdios sobre técnica psicoanalítica. México. 33. Reinforcement and Insight. “Psicoterapia breve en la infancia”. L. 1965. emL. 48... Buenos Aires. Knobel. L. cit. Citado por S. cap. em H. Wolberg e col. Ensayos sobre la psicologia del vo. Psicoterapias breves.. “Communication. Gxanica. E. L.58 Psicoterapia hreve de orientação psicanalitica 32. Ch. Novey.

51. VI.. . 1968. El yo y la realidad en la teoria psicoanalítica. ColoquioActa 1967: Psicoterapia breve. 1971. em R. Wolberg e col. e Knobel. 55 . ob. cap. R.. ob. 1950. junho. La relación entre el psicoanálisis y la psicoterapia. Buenos Aires. Small. IX. cit. f 54. . 53. “lntroducción a la mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia. de Psicoa. 1973. em L. Buenos Aires. Bodley Head.. Rev. n? 2.Fundamentos teóricos ___________________________________________ :--------------------------------— 49. Soifer. em nota 2. Soifer. em 2. “Accrca de la psicoterapia brcve”. Stekcl. Buenos Aires. Lat. cap.. 50. Kargieman. «m L. Londres. Actapsiq. Technique o f Analytical Psychotherapy. 52. J. Paidós. cm 48. Psicologia dei embarazo. “Ansiedades específicas dei cmbarazo”. 1.. parto y puerperio. W. citado por L. Buenos Aires.. cit. S. tomo XXV1LI. cap. XIV. n? I. Wolberg e col. Amér. M. Wolberg. L. Wallerstcin.. Szpilka. R. “La hipnosis en la terapêutica breve”.. cit.. 1971. vol. psicol. Probtemas actuales”. “La técnica de la psicoterapia breve”.. ob. White R.

* .

TÉCNICA .

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• A avaliação diagnostica e prognostica.B. Dos primeiros contatos com o paciente de­ pende. as entrevistas preliminares desempenham um papel fundamental. • A elaboração da história clínica. Veremos a seguir cada um destes pontos. Entrevistas preliminares Introdução f T É sabido que as entrevistas iniciais têm importância decisiva para o futuro do processo terapêutico a ser desenvolvido. variável em cada caso. No campo da P. • A devolução diagnóstico-prognóstica.4.. O estabelecimento da relação terapêutica Neste aspecto. • O contrato sobre metas terapêuticas e duração do tratamento. o destino da relação deste com seu terapeuta . será o que se revele necessário para atingir os fins enunciados. as principais finalidades de tais entrevis­ tas são: • O estabelecimento da relação tefapêutica. O número de entrevistas a se realizar. • A explicitação do método de trabalho e a fixação das demais normas contratuais. em boa parte.

etc.. quer dizer. Para isso convém que lhe comuni­ que previamente a finalidade das primeiras entrevistas (conhece­ rem-se mutuamente. c) detectar a capacidade do paciente para efetuar uma psico­ terapia de insight.) e que. Trata=se então de poder criar condições favoráveis para a instauração de um vínculo terapêutico. fornecerá informação. essencialmente diagnostica e contratual. desse modo. em relação ao qual importa muito a con­ duta que assuma o entrevistador. . Formulará perguntas. . sua contribuição para o estabelecimento de uma relação de trabalho. dis­ posto a oferecer-lhe sua ajuda e confiante em seu método terapêu­ tico. assumir um papel ativo. dirigindo os diversos momentos das entrevistas em função dos objetivos desta fase do procedimento. desde o primeiro momento. empregando isolada e prudentemente interpre­ tações de ensaio (1)'. O entrevistador deverá. diminuir as resistências produzidas por preconceitos.64 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica (que poderá ser ou nâo aquele que o tenha entrevistado). além disso. em sua comunicação com o paciente. b) efetuar uma devolução diagnóstico-prognóstica. Será benéfico que possa mostrar-sc interessado pelos problemas do paciente. A experiência clínica demonstra que tais atitudes ajudam bastante no estabelecimento de uma relação terapêutica. realizar um estudo o mais completo possível de seu caso para poder decidir a conduta terapêutica a ser seguida. etc. informe-o detalhadamente a respeito dos diferentes aspectos do tratamento que seguirá. Considero que o emprego de interpretações nas entrevistas ais deva limitar-se principalmente aos seguintes fins: a) esclarecer e orientar a relação transferencial quando sur­ jam obstáculos a ela que ameaçam inclusive provocar a deserção do paciente. Tenta-se. além de claro e explícito. mal­ entendidos ou temores a respeito do tratamento. Em essência. 72). na qual pode-se recorrer às chamadas interpretações panorâmicas (ver . e ízes poderá recorrer a assinalamentos e interpretações. no decorrer das mesmas. P. tudo o que pode facilmente conduzir à deserção (4). fomentadora de condutas resistenciais e fenô­ menos regressivos. terá que comba­ ter a ambigüidade.

insuficiente para efetuar a formulação prognosti­ ca e a indicação terapêutica (psicoterapia breve. os fatores desencadeantes. a indagação do motivo da consulta. que logo poderá ser dirigida ou semidirigida quando for necessário obter determinados dados do paciente (antecedentes familiares e pessoais). a escolha de objetivos e o planejamento do tratamen­ to-. em relação à sua história de vida. Convém assinalar o interesse particular de quese reveste em P. modos patológicos e repetitivos de conduta.B. mediante a descoberta de situações traumáticas. O habituaf é que este se ache ligado à situação-problema que dará lugar ao tratamento. A respeito da metodologia a ser empregada. através dos momentos livres da entrevista. etc. ou seja. um conhecimento . Se se decide pela realização de uma terapia de duração limita­ da. é necessário realizar uma indagação exaustiva dos dados do paciente. etc. Será conveniente obter amplas informações sobre os antecedentes dessa situação-problema. que não deve permanecer circunscrita ao diag­ nóstico clínico. Uma história clínica em que se leva em conta esta indicação poderá oferecer-nos elementos valiosos para com­ preender melhor a natureza dos problemas atuais do paciente.Entrevistas preliminares 65 A história clinica Em P. de grupo. os sintomas que a acompanham. com maior razão ainda.). cabe recomen­ dar a adoção de um modelo de anamnese cromo ponto de referên­ cia. etc. esta demandará. embora isso não implique que se tenha de seguir uma ordem rígida para interrogar o paciente.B. psicoterapia prolongada. Essas averiguações podem ser reali­ zadas deixando-se em primeiro lugar que o paciente exponha li­ vremente suas dificuldades atuais. psicoterapia em que predomine o insight ou de apoio. Avaliação diagnostica e prognostica Avaliação diagnostica É preciso efetuar uma ampla e minuciosa avaliação diagnos­ tica do paciente.

pensamento. 3) A deter­ minação do foco. sua inci­ dência na problemática atuãlT ãíém da influência que possa exer­ cer o meio ambiente. Segundo Bellak e Small. que as circunstâncias requeiram (exame médico geral. Em psicoterapia breve interessa indagar principalmente: <^a) AsJunções egóicas básicas (percepção. por meio do trabalho terapêutico. atenção. Devem incluir-se também: O diagnóstico do tipo de grupo familiar de origem. compondo na realidade um diagnóstico psicossociopatológico. procurará contribuir. para que o paciente adquira ou recupere as capacidades egóicas que lhe faltam.). neurológi­ co. memória.66 Psicoterapia breve de orientação psicanalíticu prévio do paciente o mais profundo possível (hipótese psicodinâmica inicial) para organizar o plano terapêutico correspondente. e suas debilidades. Os elementos necessários para os distintos diagnósticos devem ser obtidos basicamente por meio de entrevistas clínicas e de testes psicológicos. Consideramos aqui: 1) O diagnóstico nosográfico-dinâmico. cuja personalida­ de apresenta um predomínio de traços paranóide-obsessivos. que inclui as condições egóicas. etc. eletroencefalográfico. que serão os aliados do terapeuta. E elementar que estas funções se apresentem cm condições mínimas para tomar possível a psicoterapia. caracteropatia. aos quais podem somar-se outros exames. psicose) e de personalidade. Exem­ plo: depressão reativa num neurótico obsessivo. no que diz respeito à sua qualidade e intensidade e . etc. além disso. elas serão examinadas. para a qual se investi­ gam os recursos de que dispõe o ego do paciente. Uma avaliação das condições egóicas. b) As relações objetais. Este último fato permitirá que se tomem os cui­ dados necessários diante das prováveis dificuldades que pode­ riam sobrevir durante o tratamento. quer dizer. psicopatia. seus aspectos adultos ou sadios.). 2) A avaliação do grau de moti­ vação para o tratamento e de atitudes para o “insigfit”. O diagnóstico nosográfico-dinâmico Implica o diagnóstico atual da enfermidade do paciente (neu­ rose. o qual.

Em ambos os casos. a maior ou menor capacidade do paciente para estabelecer uma boa relaçào terapêutica. a varie­ dade de mecanismos defensivos tornará favoráveis as perspecti­ vas prognosticas. pode-se apelar para diversos recursos. nas primeiras entrevistas. recordações. Será necessário precisar as principais defesas empregadas pelo paciente. assim como sua capacida­ de para superar sem maiores conseqüências o luto causado por sua separação do terapeuta no fim da terapia (convirá averiguar a existência dc lutos na história do paciente. Trata-se de detec­ tar as condições do paciente para tolerar uma psicoterapia interpretativa. em contrapartida. os que procuram terapia apresentam uma diminuição da auto-estima. devendo o trabalho terapêutico resultar numa elevação da mesma. será necesfário tomar certas medidas terapêuticas (emprego de técnicas dramáticas em um. etc. Exemplo: um repertório reduzido de defesas estereotipadas será um elemento prognóstico desfavo­ rável para uma psicoterapia de insight. da história de suas relações interpessoais. em certa medida. f) A regulação da auto-estima.). aumento do número de sessões em outro. estar diminuído. de nossa contratransferência e dos dados fornecidos pelos testes psi­ cológicos. K . . 24 c) O controle de impulsos. Em geral. em virtude da mobilização afetiva que esta costuma produzir (para isso. a partir da conduta evidenciada pelo paciente durante as entrevistas clínicas. {I d) A tolerância à ansiedade e àfrustração. e muito especialmente o momento do término da terapia e do desligamen­ to do terapeuta.e) Os mecanismos defensivos. e que repercussão tive­ ram nele). de suas fantasias. os inconvenientes que nesse sentido podem surgir durante o tratamento. porque nos permitem prever. para o plane­ jamento e para o prognóstico. sonhos. as características da relaçào transferen­ cial durante a terapia.Entrevistas preliminares 67 aspectos manifestos e latentes (2). para comprovar sua reação às mesmas). determinação que é de grande importância para a indicação terapêutica. Pode ser excessivo ouí pelo con­ trário. Essas indagações são de grande valor para efetuar um prognóstico e uma estratégia terapêutica. entre cies as interpretações de ensaio [í].

provenientes das entrevistas diagnosti­ cas e da realização dos testes psicológicos. a escolha e a demarcação do foco são facilitadas. Avaliação do grau de motivação para o tratamento e das atitudes para o "insight” Diversos indicadores. para assistir às sessões de tratamento. de tal forma que não conseguimos destacar um problema ou conflito como ponto de partida. sua resistência ou sua permeabilidade ante as intervenções do terapeuta. Suas res­ postas às interpretações de ensaio (1) e assinalamentos nos darão a medida de sua capacidade de auto-observação. Quando se trata de quadros agudos (neuroses traumáticas. Outras vezes torna-se mais dificultosa. do mesmo modo que a definição dos objetivos terapêuticos. passo tecnicamente essencial para nosso trabalho terapêutico pos­ terior. que também terá de ser detectado. A esse respeito cabe assinalar o papel fundamental que de­ sempenha a forma pela qual o entrevistador faz a devolução diagnóstico-prognóstica para o paciente no começo da relação. depressões reativas). que devem resolver-se através do tratamen­ to. Determinação do foco Trata-se da possibilidade de precisar e delimitar um foco.6H Psicoterapia hreve de orientação psicanalitica Finalmente chegaremos à avaliação da potência e plasticida­ de do ego. nos dão uma idéia acerca do grau de motivação do paciente para receber ajuda tera­ pêutica. A motivação para o trabalho terapêutico é susceptível de ser estimulada durante as primeiras entrevistas e no decorrer do trata­ mento. Diretamente ligado à capacidade de insight do paciente achase seu grau de consciência da enfermidade. sobretudo se não há uma situação definida . se o paciente apresenta transtornos ge­ neralizados em todas ou em quase todas as áreas de conduta. isto é. e em espe­ cial sobre sua motivação e condições para o insight (8).

nâo encontramos “a ponta do novelo” para abordar o caso através de uma terapia setorial (trata-se de indivíduos com sérias alterações de personali­ dade. essa aplicação adquire suma importância no planejamento terapêutico. Sobretudo se a terapia é de duração limitada. Quando se recomendà esse tipo de tratamento. . em geral caracteropatas. pelo menos em seus traços princi­ pais. coloca-se a necessidade de se obter. Daí que a aplicação de testes deveria efetuarse de maneira sistemática em pacientes para os quais se prevê a realização de um tratamento breve e planejado. ou pelo menos nos casos em que se esbarre com dificuldades diagnosticas e/ou tera­ pêuticas4. às vezes fica ampla­ mente compensado. enquanto os diferentes diagnósticos e avaliações citados até «qui constituem as versões interpretativas parciais de tal formulação. com a base num plano de trabalho determinado. que facilite a formulação da hipótese psicodinâmica ini­ cial e conseqüentemente nossa tarefa terapêutica. cuja enfermidade data de muitos anos. como num tratamento analítico. ainda que considerável. já que esta última não é outra coisa senão uma hipótese diag­ nostica integral.B.Entrevistas preliminares 69 I de urgência que predomine. desejo fazer algumas considerações a respeito3. Tenho dito e o repito: em P. A aplicação de testes psicológicos é muito útil para o diag­ nóstico. Sou dos que pensam que o tempo investido no processo psicodiagnóstico. Papel do psicodiagnóstico Embora este não seja meu campo específico de atividade. um conhecimento amplo e profundo acerca do paciente. prognóstico e para as indicações e contra-indicaçôes da terapia breve. quando se deve empreender uma psicoterapia de duração limitada5. em outras palavras. não haverá tempo para esperar a emergência de certos conteúdos. de antemão. boderline ou neuróticos crônicos). A determinação do foco e o aprofundamento em sua conflitiva engloba o diagnóstico do ponto de urgência e acha-se por sua vez compreendida dentro da formulação psicodinâmica antecipa­ da .

cuja duração poderá eventualmente abreviar-se no alcance dos objeti­ vos propostos. do terapeuta e do âmbito assistencial em que tenha lugar (hospi­ tal. a força do ego. na realidade. Os resultados deste dependerão de fatores provenientes do paciente.70 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Embora pareça contraditório destinar um número apreciável de horas à realização do psicodiagnóstico quando se trata de pou­ par tempo (como ocorre no caso das terapias hospitalares de curto prazo). etc. mas também para agilizar o processo terapêutico. desiderativo. por exemplo. sexo do tera­ peuta. a tolerância à ansiedade e à frustração. Tais fatores devem ser consi­ derados sempre em conjunto. acrescentem-se os testes de inteligência. figura huma­ na.A. especialmente quanto à capacidade de suportar a separação do terapeuta6. e completar-se com o de Bender. consultório particular). os mecanismos defensivos. desenho livre. Quando as circunstâncias o aconse­ lhem. a partir dos dados obtidos (sobre o tipo de tratamento. e não de maneira isolada. e apreciações prognósticas. clínica. Dentro destas últimas.T. etc. psicodinamismos. capacidade de insight. Com relação ao paciente. Os dados que se extraem são muitos e valiosos: diagnóstico da personalidade c do quadro psicopatológico. como. casal. não o é.)7. etc. do Teste das Relações Objetais de Phillipson (5) (10) ou do Teste de Apercepção Temática de Murray (5). so­ bretudo do momento ou quadro atual que motiva o tratamento. [5]). o psicodiagnóstico descreve as características das relações objetais (por diversos indícios dos testes projetivos. influirão especialmente as diversas condições diagnosticas a respeito dos aspectos já citados. Também poderão efetuar-se recomendações terapêuticas. condições egóicas. o Phillipson ou o T. São_elementos para um prognóstico favorável: — . pois a riqueza dos dados que podem ser obtidos não só pode contribuir para a consecução de bons resultados. Avaliação prognostica Em geral é possível realizar uma avaliação prognostica. A bateria de testes a ser empregada pode constar do Teste de Rorscharch (5) (7) (10).

etc. segundo estas pareçam ou não alcançáveis dentro das condições gerais que regerão o traba­ lho terapêutico. Incide conside­ ravelmente na produção de bons resultados terapêuficos. deve ser feito em fimção das metas combinadas. como assinala Courtenay (3). A devolução diagnóstico-prognóstica Além da devolução dos dados do psicodiagnóstico. (ver capítulo L4). • Condições favoráveis do meio familiar e social para o desenvolvimento da tarefa terapêutica e aceitação das mudanças do paciente. Com relação ao terapeuta. equipe de profissionais. que se trate de um “momento propício” numa enfermidade relativamente crônica. além disso.e mesmo que tenha sido outro o pro­ fissional que realizou as entrevistas clínicas. existe uma contratransferência positiva que facilita a instauração dc um bom vínculo com o paciente. as perspectivas prognosticas são favoráveis quando. mesmo nos casos que apresentem certa gravidade (8). es­ paciais. Com relação ao contexto assistência!interessam as possibi­ lidades terapêuticas que oferece em seus aspectos temporais. além de este reunir as condições necessárias para o exercício da P. em nenhum caso deveria se omitir (12) .Entrevistas preliminares ___ ______ ______ ______ _______ _______ _______ _____ • Início recente e agudo do sofrimento ou problema atual a ser abordado ou. • Leveza e limitação da patologia (3). com funções básicas em bom estado. É claro que o prognóstico terapêutico.que por diversas razões. plasticidade de defesas. • Egoforte.B. • Possibilidade de determinar ofoco antecipadamente (antes de iniciado o tratamento ou em suas primeiras sessões)*. etc. capacidade de estabelecer boas relações objetais e de tolerar adequadamente a separação que sobrevirá ao finalizar-se a terapia (relação transferencial com grau leve de ambivalência e dependência). • Alto grau de motivação para o tratamento. cabe uma nova devo­ . • Capacidade de insight. a cargo do psicólogo que o efetuou .

procurando compreendê-las. c) Reforçar sua motivação para entender e resolver suas difi­ culdades por meio da psicoterapia. psicodinamismos subjacentes à situação-problema. . Esta segunda devolução é resultante da tare­ fa desenvolvida em equipe e deve antes de tudo manter coerência com relação à devolução psicodiagnóstica. alguns dos objetivos de tal con­ duta: » a) Fazer o paciente sentir que se presta atenção nele e se pensa em suas dificuldades. que permitem esboçar. numa lin­ guagem simples e clara. Para isso pode-se recorrer às interpretações denominadas panorâmicas (4). d) Facilitar o passo seguinte. a qual naturalmente será baseada nas conclusões a que chegou. já que não é proveitoso fazê-lo nesta etapa. de maneira global. ao lhe apresentar. (Em outras palavras. Trata-se de uma nova contribuição em busca de uma aliança de trabalho.72 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica lução da parte deste último. Isto lhe dará a idéia de que podemos oferecer-lhe nossa ajuda e de que tem possibilidade de resolver seus sofrimentos ou pelo menos de ali­ viá-los. nào só depois das entrevistas. uma vez combinadas. b) Fornecer-lhe certo esclarecimento preliminar a respeito de sua problemática. a seguir. deve abranger referências ao prognóstico capazes de tranqüilizar e reanimar o paciente.) Como foi dito. sem se estender nem aprofundar em demasia. Mencionarei. que será a escolha de metas te­ rapêuticas. o conflito do qual julgamos poderiam surgir tais metas. A devolução. Poderíamos reiterar o mesmo com relação às metas tera­ pêuticas. serão transmitidas ao paciente apenas algu­ mas apreciações acerca dc sua problemática. com o que além disso se irá delineando o provável foco terapêutico. além dos aspectos diagnósticos. e em parte sugerir. impressões gerais a respeito de sua pro­ blemática. a devo­ lução será centrada naquilo que em nossa opinião deve converterse na problemática central do tratamento. mas tam­ bém como conseqüência do emprego dos diferentes meios auxi­ liares de diagnóstico. O entrevistador transmitirá oralmente ao paciente.

um escalonamento estratégico. etc. dirá ao paciente que entre ambos poderiam tratar de esclarecer por que ele sente tanto temor quan­ do lhe solicitam qualquer tarefa em' seu emprego e de conseguir que enfrente essas situações de forma mais adequada. Poder-se-ão classificar como primordiais e secundários. em revelar o significado inconsciente de tal conduta e atacar determinados mecanismos defensivos. já se terá formulado ao paciente perguntas. paciente e entrevistador trocarão opiniões acerca dos possíveis objetivos da terapia a ser realizada. Por exemplo. de acordo com a ordem cronológica em que se procure alcançálos. É preciso que os objetivos a que se proponham sejam presu­ mivelmente alcançáveis. segundo sua importância. Devem-se em princípio conhecer e levar em conta os pontos de vista do paciente acerca das metas do tratamento. como: Que expectativas tem acerca do tratamento? Em que problemas você crê necessitar de ajuda? Em que supõe que tem de consistir essa ajuda?. em imediatos e mediatos. e em explícitos e implícitos. etc. se tiverem ou não sido verbalizados e com- . Paralelamente. equivocados ou não segundo nosso julgamento. As respostas correspondentes nos darão além disso alguma idéia de suas fantasias a respeito de enfermidade e de cura. num tercei­ ro. assim como de suajrnotivação e capacidade de insight. etc.Entrevistaspreliminares__ _____ ______ ______ ______ ______ _ Contrato sobre as metas terapêuticas e a duração do tratamento Depois de efetuada a devolução diagnostica. até chegar a estabelecê-los claramente e de comum acordo. em outro. isto é. o tera­ peuta deve formular os fins terapêuticos de um ponto de vista psicodinâmico: em um caso pensará sobretudo em elevar a auto-estima. Com essa finalidade. Isso não exclui que por meio de devolu­ ção efetuada se tente chamar sua atenção sobre determinada “conflitiva” e acrescentar sua motivação para enfrentá-la. que se ajustem às possibilidades que oferecem paciente e terapeuta e às condições gerais em que terá lugar a terapia. em atenuar as exigências superegóicas. se necessário. O terapeuta se referirá aos objetivos do modo mais claro e simples possível. Também dirá que se procurará melhorar seu estado de ânimo e esclarecer também o que sucede com sua família. dasjquais pro­ vêm os objetivos que ele se coloca. seguindo.

por exemplo. Ulloa (13). ou postergá-los para uma segunda etapa. cabem várias alternativas: / a) aceitar o que propõe o paciente. mas também a duração do tratamento deveriam. inclusive. antes de seu início. quase cons­ tantemente presentes. que sur­ gem em cada caso. por sua vez.4 _____ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica binados cora o paciente. por exemplo. de um pseudo-acordo por submis­ são do paciente às sugestões do terapeuta. não efetuar V nenhum tratamento9. poderão determinar uma finalização obrigatória. colocam.6. situações próprias do paciente. que estabelecem prazos para os tratamentos geralmente de modo convencional e que correspondem a necessidades organizacionais dentro do planejamento assistencial que tais instituições adotam (de 3. caso em que o terapeuta deverá renunciar aos propósitos terapêuticos que tinha previa­ mente. A duração de um tratamento breve varia segundo as circuns­ tâncias: • Pode estar predeterminada por modalidades institucionais. Esses fins. que se apresentam especialmente no consultório particular. dentro do possível. poderá contar ou não com um final prefixado. que o paciente alcance maior consciência da enfermidade ou eleve sua auto-estima. b) realizar uma tarefa de esclarecimento que tenda a motivar o paciente a emj preender uma terapia com base nas metas que consideram conve­ nientes. c) se as dissidências forem muito grandes. que atuam naquele como ordens).). Em lugar de encarregar da duração do .12 meses. Não só os objetivos. uma limitação temporal espontânea ao mesmo: acontecimen­ tos como uma viagem. • Em muitas oportunidades. também constituem por conseguinte objeti­ vos terapêuticos gerais. A isso se tem referi­ do. entre nós. etc. (Toda terapia breve de insight pressupõe a existência de fins terapêuticos inerentes à natureza mesma do processo.) Quando não se chega a um acordo real sobre as metas da te­ rapia (pode tratar-se. ser estabelecidos de comum acordo entre terapeuta e paciente. • Em outras ocasiões. que inclusive podem ter motivado o tratamento. a duração do tratamento depende do que o terapeuta e o paciente resolvam. diferenciados dos particulares. por acaso também adequada. Assim.

sendo até possível que depois dese­ jem prolongá-lo. O que é pouco . mas que buscaremos soluções depois de uma revisão adequada da situação. Isso não implica que aceitaremos ingenuamente as idéias do paciente. que existe uma data em que o tratamento será concluído/Dessa maneira aceitam com menos dificuldades serem tratados. quer dizer. Se não apelarmos com flexi­ bilidade para este recurso estratégico. que a mesma guarde relação direta com os objetivos terapêuticos pro­ postos.tempo para um pode não ser para o outro.Entrevistas preliminares 75 tratamento fatores alheios à situação mesma do paciente. o mais comum é que a abandonem em algum momento ou que simplesmente não a ini­ ciem. o terapeuta deve procurar.não muito longínqua . seus fins não se cumprirem)10. pode ser conve­ niente determinar uma data exata . mas às vezes ocorre o contrário: para antepacientes que apresentem uma atitude receosa e. Com freqüência.faz-se com a participação explícita do paciente no nível em que ele esteja capacitado para tal elaboração” (13).assinala Ulloa .ou muito . os quais em princípio não concebem que a psicoterapia deva estender-se demasiadamente no tempo para solucionar seus padecimentos. desde o começo. com o objetivo de evitar fantasias de ser preso numa armadilha pelo terapeuta. ou que este tenha a impressão de que é imposta pelo terapeuta. seria pre­ ferível que se pudesse obter uma vez mais a opinião do paciente sobre essa questão. Em contrapartida. o melhor será não limitá-la. Esta situação se apresenta mais comumente em pacientes de es­ trato socioeconômico baixo. outras vezes a limitação de tempo parece necessária para estimular e agilizar o trabalho terapêutico do paciente. Fixar previamente uma data para o término da terapia supõe vantagens e desvantagens. se se fixa um prazo. do que quando se acham ante uma terapia de duração indeterminada. tranqüiliza-os saber. sg.para a finalização. “A fixação do tempo . Quando a duração do tratamento for determinada de antemão. com o tempo que empiricamente estime neces­ sário para cada paciente alcançar esses objetivos (sem que isso seja um impedimento para efetuar uma recontratação do tratamento. como condição primordial. de desconfiança (habitualmen­ te com marcados traços fóbicos ou paranóicos). uma vez chegado o seu término. Por último./ . a fim de a elaborarem conjuntamente. seus receios diante do tratamento são menores.

quais serão. O benefício dessa tarefa informativa reside em que o paciente. indicação de outro tratamento. Com relação a isso costumo advertir ao pa- . para o que ambos levarão em conta seu estado nesse momento.) Convém que o paciente tenha uma noção prévia do papel do terapeuta. e que a partir daí se resolverá a conduta mais ade­ quada a assumir (separação final. em vez de resistir. Fixação das demais normas contratuais É útil oferecer ao paciente uma idéia acerca das característi­ cas do tratamento que terá de seguir. um balanço dos resultados obtidos. dever-se-á fazer empenho em explicar-lhe cuidadosa e detalhadamente o que será sua regra básica defuncionamento no decorrer da psicoterapia. que em princípio costu­ mam provocar as interpretações. respecti­ vamente. suas funções. à intolerância das ansieda­ des provocadas pelo desconhecido. recontrato. poderá pelo contrário coope­ rar com o terapeuta. No que diz respeito às funções do paciente. tentando trazer-lhe um ponto de vista diferente. junto com o terapeuta. 89 ss. ou seja. as do terapeuta e eventualmente as da equipe terapêutica. é mister explicar ao paciente. que podem estar provocando e/ou incrementandq seus sofrimentos. tomando conhecimento da técnica que orien­ tará o trabalho de ambos. e que em P. Desse modo. que uma vez ter­ minada a terapia. desconcerto ou estranheza.). que vá mais além do que lhe permite seu senso comum. das quais se dará alguma idéia elementar. pp. fixação de entrevistas de con­ trole.B. realizará. que será baseado sobretudo em revelar-lhe aspectos obscuros ou desconhecidos para ele. considero que possa ser prejudicial. Quando se pensa em efetuar uma psicoterapia interpretativa. etc.76 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Além disso. (Da regra básica de funcionamento ocupo-me no capítulo 6. procuraremos fazer com que se familiari­ ze o mais rápido possível com o tratamento e se abrevie a etapa de ansiedade. poder-se-á explicar-lhe que se trata fundamentalmente de ajudá-lo a compreender melhor sua situação. e que isso será efetuado através de interpretações. Explicitação do método de trabalho.

eventualmente. A todos esses esclarecimentos podem agregar-se outros.Entrevistas preliminares 77 cicnte que é possível que minhas intervenções. ainda que minimamente. etc. datas do térmi­ no do tratamento.). VI. honorários. Terapêutica psicoanalitica.. sendo conveniente que se ajuste desde o primeiro momento a uma relação mais “real” com este (9). feriados. horários. para o terapeuta. particularmente no início do tratamento. em F. freqüência e duração das sessões. mas.). seu sen­ tido e alcance. Também convém informar o paciente se se pretende empre­ gar outros recursos terapêuticos (psicofármacos. Buenos Aires. Os demais detalhes não diferem do que já se conhece (férias do terapeuta. Alexander. lhe pareçam apesar de tudo um pouco es­ tranhas. do lado de fora. Referências bibliográficas 1. Paidós. Àlcxander e T. 1965. entrevistas com familiares. acrescento ante uma sugestão de Montevechio (9) é de se esperar que ao protagonista de uma situação perturbadora resulte difícil compreender com clareza o que está acontecenjio ao seu redor e que. pode tornar-se pos­ sível entendê-lo e ajudá-lo. comunicando. Com isto tende-se a contrabalançar sua sensação de fra­ casso ao ter de ir à consulta. etc. “Indieaciones para la terapia”. corresponde ao fato de que tais dificuldades superam suas^possibilidades de solucioná-las jíor sua conta. devem fixar-se as diferentes condições do conta­ to terapêutico. que lhe permita en­ frentá-las melhor. French. cap. em especial as correspondentes aos aspectos espaço-temporais do enquadramento: posição espacial do terapeuta e paciente (geralmente devem sentar-se frente a frente). das entrevistas de avaliação e do novo psicodiagnóstico. F. graças a seus conhecimentos e expe­ riência. como também a fantasia de onipotên­ cia do terapeuta. e que na realidade notará alguma diferença em relação às conversas que mantém habitualmente com as pessoas. . Por último. não menos benéficos para o desenvolvimento do tratamento: cabe as­ sinalar ao paciente que nossa tentativa de fazê-lo entender suas dificuldades a partir de uma nova perspectiva.

Buenos Aires. cit. M. Psicoterapia breve.78 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Aires. 10. Ocampo e M. Tavistock. México. L. 12 . L. 1973. 13. M. Fiorini. Lat. (Versão castelhana: La psicoterapia breve.. Sexual Discord in Marriage. S. Friedcnthal. 5. em 10. E. Nueva Vision.. “La primera entrevista era psicoterapia breve". Instituciones y problemas. t. Citado por L. 4. Ocampo. Grimson (comp. Ulloa.. “Comentário al artículo de Hector Juan Fiorini”. “El proceso psicodiagnóstico”. Buenos Aires. . H. I. E.) 9. 3. 1974.. cap.1. Ocampo e M. “La entrevista de devolución de información”. cap. Teoria y técnica de psicoterapias. M. vol. cit. 6. Psicoterapias breves. 1963.) e outros. Granica. em FI. L. XI. . 1968. Ocampo e M. 1. e Small. Londres. Springfield. Gredos. García Arzcno. cap. 1969. cap. Buenos . L. n‘.. 11. E. 1968. 11. psicol. em W. S.. em M.. L. Buenos Aires. L. R. M. Comunicación personal. J. Centro Editor de América Latina. Illinois. Las técnicas proyectivasy el proceso psicodiagnóstico. “La recomendación de psicoterapia a partir dei diag­ nóstico psicológico”. em 10. Tavistock. D.’2. A Study of Brief Psychotherapy. 4. e García Arzeno. 8. t.. “Cómo ve cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. S. Nuevas perspectivas en salud mental. Beliak. IX. 2.. E. R. XIV. Nueva Vision. Madrid. Nueva Vision. F. em L. Garcia Arzeno. García Arzeno. E. H. B. H. ob. Acta psiq. García Arzeno. em M. Wolberg. Courtenay. Malan. Londres. “Indicadores para la recomendación de terapia breve extraídos de la entrevista devolutiva”. J.. Comunicación personal. PaxMéxico. em M. S. 1968. Fiorini. 11 . Âmér. Montevechio. Small. O. Psicoterapia breve y de emergencia. Charles Thomas. Buenos Aires. 1973. ob. M. Buenos Aires. 1972. 7. Harrower.

que em algumas passagens da Terapêutica psicanalítica chamam ao tratamento breve terapia planejada (2) (3). Este consiste no projeto de rima estratégia terapêutica. Com a revisão desses elementos. Planejamento do tratamento I f A elaboração de um plano terapêutico é uma das característi­ cas que distinguem as psicoterapias breves. que terá culminado no desenvolvimento de uma for­ mulação psicodinâmica antecipada (3). Com relação ao paciente. Para conceber a estratégia. do terapeuta e eventualmente da instituição. Planejaremos nossa ação terapêutica com base numa estrutura de foco terapêutico inicial. o que demonstra a importância que tais autores outorgam ao plane­ jamento. da recolocação das distintas questões técnicas que são suscitadas em .5. Um programa terapêutico deve surgir. Com relação ao terapeuta e à instituição. entre eles French (3) e Alexander (1). necessariamente. assim como as pos­ sibilidades que oferece a instituição. dever-se-ão considerar fatores como a experiência prévia daquele e sua habilidade no manejo dos distintos recursos (fatores que deverão ser levados em conta em relação a toda a equipe terapêutica). dever-se-ão ter presentes diversos elementos provenientes do paciente. já estaremos em condições de estabelecer um planejamento estratégico adequado. será essencial partir dos vários dados obtidos pela avaliação diagnóstico-prognóstica (ver capítulo 4). Diversos autores têmse referido à necessidade de planejamento. efetuado com o fim de alcançar os objetivos propostos.

irá sendo regulada pelos indicadores que aparecerem no decorrer das ses­ sões. de fortalecimento egóico ou de apoio).). perguntas. que em certa medida também deverá ser planejada: será necessário prestar atenção às situações que poderá reviver cada paciente na ocasião de enfrentar o luto pela separação do terapeuta e de acordo com isso ao tipo de relação objetai e ao grau de tolerância à frustração que apresenta.) e o uso de outros recursos terapêuticos (psicofármacos. aqueles que serão deixados de lado e a provável seqüência de tal abordagem. muito ativa. O planejamento deve. técnicas dramáticas. tender para a previsão dos possíveis rumos e das características que pode tomar o processo terapêutico em seus aspectos mais gerais. por exemplo). serviço social. informa­ ções. ou inclusive de reforçamento desses).) e espaciais do enquadra­ mento.HO Psicoterapia breve de orientação psicanalítica cada caso particular. etc. e ainda em tarefas a realizar se a evolução do paciente o permitir (a abordagem de determinado conflito subja­ cente. etc. Inclui a determinação do tipo de psicoterapia a ser aplicada (em que predomine o insight. logicamente. A experiência demons­ tra que é conveniente contar desde o começo com uma idéia ante­ cipada. os diversos tipos de intervenção do terapeuta (interpretações em suas distintas variantes. além disso. ainda que elementar e provisória. sugestões. assinalamentos. etc.) que. número e periodicidade'das sessões sema­ nais. Outros aspectos relevantes a serem considerados serão: as regras de funcionamento do paciente durante o tratamento (ver capítulo 6). do princípio do desen­ volvimento e do final da terapia. inclusão de familiares e/ou pessoas que lhe são pró­ ximas. cstabelecer-se-á muito especialmente a atitude terapêutica a ser assumida diante dos distintos mecanismos defensivos do paciente (incisiva ou pelo contrário de abstenção. duração total do tratamento. a atitude geral do terapeuta ante o paciente (cálida. organizar-se-á tudo o que se refere às condições temporais (duração. Também é útil pensar em possíveis inconvenientes terapêuti­ cos que possam surgir durante o tratamento e na melhor forma de enfrentá-los (3). os conflitos que vamos abordar. Recomendo sobretudo não omi­ tir tudo o que se refira à conclusão do tratamento. diretiva. etc. cautelosa. Projetar-se-á então alguma tarefa em relação a tal luto que até em sua mínima expressão inclua sempre o assinala- .

O intercâmbio de dados e idéias freqüentemente possibilita uma elaboração mais minuciosa. French. Alexander e T. VII. . T. em 1. em 1. Trata-se em suma que a terapia não fique entregue exclusiva­ mente à intuição e à improvisação sobre o seu andamento (2). “Alcance dc la psicoterapia”. envolvendo detalhes. Buenos Aires. “Eficacia dei contacto breve”. ob. cit. Finalmente. o terapeuta deverá ser dotado de uma flexibilidade tal que lhe permita itiodificar seus planos quando as circunstâncias o exijam. cm F.que devem colocá-lo em prática em seguida. ao ladb do terapeuta. para poder enfrentar com eficácia as situações mutáveis e inespe­ radas que podem apresentar-se no decorrer do tratamento. cap. 3. tais como o nú­ mero de sessões semanais a se estabelecerem nas últimas etapas do tratamento (ver capítulo 9). por­ que de nenhum modo dever-se-á entender que todas essas medi­ das possuem um caráter rígido c inalterável. IX. que além disso será comparti­ lhado precisamente por aqueles. Alexander e T. Por isso. já que. French. Mas essas alternativas só podem ser previstas até certo ponto. a encarregada de elabo­ rar o programa terapêutico.. “Planificación dc la psicoterapia”.Planejamento do tratamento 81 mento da situação de perda. French. French. em síntese. em F. F. o que resulta essencial para se obter eficácia terapêu­ tica. 1965. dos demais profissionais que eventualmente intervenham no tra­ tamento. . Alexander. profunda e definitivamente mais adequada do projeto terapêutico. cit. considero que quando numa terapia está envolvida uma equipe de especialistas (dois ou mais profissio­ nais). pelo contrá­ rio. em conjunto. em F. recordemos que o planejamento cpstuma ser fa­ cilitado e enriquecido pela participação nele. Paidós. Alexander e T. deve ser sempre esta. cap. Referências bibliográficas 1.. Terapêuticapsicoanalítica. ob. 2 .

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psicanaliticamente orientada. figuram algumas reflexões acer­ ca das sessões e de outros recursos terapêuticos. que se apoiará dentro do possível em hipóteses. por último. psicopatológicas e terapêuticas consistentes e ao mesmo tempo "em objetivos e enquadramento definidos. cujo estudo é ponto de parti­ da obrigatório para a compreensão dos temas subseqüentes. dedicando uma maior exten­ são às interpretações. inicia-se o tratamento. em seguida referir-me-ei à regra de funcionamento para o paciente. O tratamento [ Introdução Uma vez cumpridas as etapas diagnostica e contratual. que terá de ser adotada no decorrer da terapia.6. . depois abordarei o problema da atenção do terapeuta em relação à tarefa de focalização. examinarei os ele­ mentos psicoterapêuticos verbais.B. entre os quais incluo aqueles em que minha própria experiência é maior (uso de psicodrogas e participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente). e ao papel que nesta última poderia caber ao método psicanalítico de associação livre. Com relaçào aos diferentes aspectos de técnica concernen­ tes ao tratamento propriamente dito. considerar-se-á em primeiro lugar a relaçào paciente-terapeuta. instrumento fundamental na P. de imediato. assim como a de planejamento.

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Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica

A relação paciente-terapeuta no tratamento breve
Referir-me-ei à relação terapêutica na psicoterapia dinâmica breve e às diferenças existentes entre ela e sua correspondente no tratamento psicanalítico. Tomarei como base um resumo que in­ clui a opinião de alguns autores acerca do tema. Para compreender o porquê das particularidades do vínculo terapêutico em P.B., convcm considerar primordialmente o que acontece em relação à transferência e à neurose transferencial re­ gressiva1. Antes de passar a ver como podem ser manejadas em uma terapia breve de orientação psicanalitica, efetuaremos uma rápida revisão das características da relação terapêutica no trata­ mento psicanalítico, que servirá portanto para apontar diferenças significativas. Há, no contexto psicanalítico, condições que facilitam o esta­ belecimento, o desenvolvimento e a análise da neurose transferen­ cial regressiva, a qual, como disse antes (ver capítulo 3, p. 26), é fundamental no processo terapêutico. Assim observamos que: O analista procura manter o anonimato - o que por sua vez contribui para criar um clima de ambigüidade a fim de não en­ torpecer a produção dos fenômenos transferenciais; além disso, trata de adotar uma atitude neutra e relativamente distante, o que também implica promover no paciente uma situação de frustra­ ção; o vínculo é marcadamente assimétrico, fato acentuado, entre outras coisas, pelo uso do divã. Também no aspecto temporal, o enquadramento favorece a dependência regressiva, constando de várias sessões semanais e de uma duração do tratamento, em princípio, não limitada. Com relação à situação espacial, a posição do paciente, dei­ tado no divã, encontra-se ligada a fenômenos regressivos, tais co­ mo o dormir e o meditar, e fomenta, além disso, o desenvolvimen­ to da neurose transferencial, dado que, ao estar o paciente privado de ver o analista, o teste de realidade torna-se mais difícil. A regra fundamental psicanalitica, que consiste no emprego, por parte do paciente, da associação livre, determina neste, por si mesma, um funcionamento mental regressivo. Sob outro ponto de vista cabe acrescentar que, de acordo com Racker (37), ao impli­ car a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação e a

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superação das resistências que por isso se vão produzindo, a regra fundamental incide na transferência na situação analítica, confe­ rindo-lhe uma intensidade particular, pois se produz, em conse­ qüência, a projeção dos objetos internos no analista, especialmen­ te do superego. O analista, por sua vez, emprega a atenção flutuante, tenden­ do assim a uma comunicação dc inconsciente para inconsciente (17). Intervém verbalmente, partindo do material que o paciente traz dc maneira espontânea, e sobretudo mediante a interpretação; ante os silêncios, costuma manter uma atitude de espera, permi­ tindo que se prolonguem. As interpretações transferenciais são muito valorizadas, cons­ tituindo, para a maioria dos analistas, o instrumenti técnico es­ sencial, e para alguns inclusive o único com efeitos‘modificado­ res (4). Penso que tais interpretações encorajam o paciente à revi­ são minuciosa e profunda de suas fantasias transferenciais e pro­ movem a revivescência de situações infantis, favorecendo assim o desenvolvimento da neurose de transferência. Na psicoterapia breve, em troca, devem desencorajar-se tan­ to o desenvolvimento da regressão como o da neurose transferen­ cial (ver capítulo 3, pp. 27 s.), e inclusive faz-se necessário con­ trolar dentro do possível a intensidade dos fenômenos regressivotransferenciais. Disso deriva uma série de medidas técnicas que conferem perfis próprios à terapêutica breve. O vínculo que se estabelece com o paciente é mais realista e definido, já que a ambigüidade aqui é inconveniente (11), pois promove situações persecutórias e por isso regressivas. Uma rela­ ção mais baseada na realidade contrabalança as tendências ao es­ tabelecimento de uma relação transferencial neurótica. Fiorini qualificou o papel que o terapeuta deve assumir na psicoterapia de esclarecimento (em boa medida equiparável, de acordo com a descrição deste autor, à terapia dinâmica breve) como papel real de docente experiente, sublinhando assim o que seria, a seu ver, um dos aspectos mais importantes (7). Por parte do terapeuta, e ao contrário do que ocorre no trata­ mento psicanalítico, existe uma maior proximidade afetiva, que sc espera opere positivamente sobre o processo terapêutico. É que cm princípio será preciso que se estabeleça rapidamente um bom

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Psicoterapia breve de orientação psicanalítica

rapport, sobretudo se se trata de uma terapia cujo tempo será limi­ tado; dever-se-á fomentar o rápido desenvolvimento de uma alian­ ça terapêutica , condição básica para aspirar ao êxito. O terapeuta

deverá então, na medida do possível, mostrar-sc moderadamente cálido, oferecer uma imagem confiável e demonstrar interesse pe­ los problemas do paciente. A relação terapêutica exige a manutenção de um delicado equilíbrio entre gratificações e privações do paciente. Deve-sc per­ mitir-lhe certo grau de gratificação de necessidades emocionais (por exemplo, respondendo às perguntas formuladas por ele [42]); do contrário corre-se o perigo de despertar ou incrementar - por causa do ressentimento provocado pela frustração - a produção de reações hostis passíveis de determinar um aumento das resistên­ cias, às quais não teremos tempo suficiente para nos dedicar. Gra­ tificá-lo em demasia pressupõe, do mesmo modo, certos riscos, tais como dificultar a integração da agressividade e favorecer a dependência (33). Dever-se-á, em suma, tender à manutenção de uma relação transferencial positiva sublimada ao longo de toda a terapia (2). Só assim poderemos esperar que o paciente assuma uma atitude de colaboração e possa aceitar e utilizar com proveito as interpre­ tações2. Sentimentos transferenciais de idealização muito intensos podem complicar e prolongar o tratamento; quando juirgejrn, é preciso dissolvê-los prontamente mediante a tarefa interpretativaT Cabe dizer o mesmo a respeito da hostilidade e do erotismo trans­ ferenciais. Finalmente, a relação será menos assimétrica que no trata­ O número reduzido de sessões semanais e a duração limitada e geralmente prefixada do tratamento breve desencorajam a re­ gressão. A posição frente a frente, que é habitual em terapias breves, diferentemente do que se adota em psicanálise (emprego do divã), atua contrapondo-se às tendências do paciente ao desenvolvimen­ to da regressão e da neurose de transferência. (A percepção visual ajuda a que se situe na realidade.) Tal posição aparece, além disso, como a mais adequada ao tipo de comunicação que tem lugar en­ tre paciente e terapeuta nessas terapias, posto que se traduz num
mento psicanalítico.

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intercâmbio verbal fluido, mais próximo de um diálogo corrente queopsicanalítico. Temos recordado que a regra fundamental da psicanálise é um dos fatores que explicam a intensidade particular que a transferên­ cia adquire no tratamento psicanalítico. Como em P.B. se trata de evitar um efeito dessa natureza, considero que tal regra não deve ser empregada do mesmo modo que no tratamento psicanalitico. Mais adiante abordarei exaustivamente esse ponto (pp. 89 ss.). Voltando ao tema da comunicação em.P.B., é preciso assina­ lar a função ativa que o terapeuta tem de exercer, e que será deci­ siva para o alcance de bons resultados. Isto se deve em primeiro lugar à sua possível incidência no vínculo, coadjuvando na manu­ tenção de uma transferência positiva - cm contrast«? com os efei­ tos que teria uma atitude menos participante, que pudesse gerar descontentamento ou hostilidade. Deve-se também ao fato dc que um papel ativo tem importância para a gestão da focalização da tarefa terapêutica (14), dado que comumente é necessário alcan­ çar determinadas metas e se dispõe de tempo limitado para isso. A situação requer certa ativação egóica no paciente, que se consegue precisamente através desse funcionamento ativo, pois nâo pode­ mos esperar demasiado tempo para que vença, por si mesmo, suas dificuldades para se manter numa comunicação terapêutica pro­ dutiva e poder aprofundar-se no conflito em questão. O terapeuta simplesmente tenta agilizar o intercâmbio, procurando produzir um efeito catalisador no processo terapêutico. Ao mesmo tempo deve dedicar-se desde o começo e plenamente a ajudar o paciente a resolver situações perturbadoras de sua vida diária. Com tal fim, recorrerá com freqüência a intervenções não-interpretativas. For­ mulará perguntas, assinalamentos, efetuará sugestões, oferecerá informações. Às vezes terá de tomar a iniciativa na comunicação (12), propondo o tema a ser tratado. (Exemplo: “Vejamos aquilo que você mencionou de passagem na última sessão.” Ou por meio de perguntas: “Como passou este fim de semana? Aconteceu al­ guma coisa especial?”.) E quanto às interpretações, têm de estar dirigidas fundamentalmente ao esclarecimento da conflitiva fo­ cal’. Em suma, o papel do terapeuta é mais ativo e diretivo que na técnica psicanalítica no que concerne à atitude ante o material que o paciente traz. O terapeuta encaminha a exploração em uma de­

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terminada direção, escolhendo entre o material aqwek-ídativQJiQ. foca e descartando o extrafocal4. Em certas ocasiões, pode caber ao terapeuta uma participa­ ção decididamente ativa e direta nos problemas atuais do pacien­ te. Por meio de sugestões, poderá incidir em alguma medida sobre eles. Assim, por exemplo, ante uma situação fobígena talvez con­ sidere necessário, depois que o paciente alcançou certa com­ preensão psicológica do conflito, estimulá-lo a enfrentá-la (27) (49), atitude avalizada já desde 1918 por Freud, com suas reco­ mendações acerca do tratamento das fobias (21), e posteriormente adotada por muitos profissionais na terapia psicanalítica. A res­ peito disso, expressa Ilaley: “A psicanálise dos tempos de Freud não era somente mais breve , mas também mais ativa. Freud esco­ lhia o tema sobre o qual um paciente tinha de associar e quando este obtinha algum insight do problema sugeria-lhe que se mos­ trasse ativo em sua vida pessoal , agora que já dispunha de tal conhecimento” (26)3. (Os grifos são meus.) Em geral evita-se o prolongamento excessivo dos silêncios, não só porque incrementa a ansiedade e a conseqüente regressão (42), mas também porque se trata de utilizar operativamente o tempo disponível. Em particular, os silêncios prolongados do te­ rapeuta podem provocar hostilidade transferencial devido à frus­ tração ocasionada. Ante a posição frente a frente entre terapeuta e paciente, tam­ bém adquirem significação as manifestações pré-verbais do pri­ meiro. E necessário levar em conta a repercussão dos seus gestos e de sua atitude corporal no paciente se se pretende propiciar a produção de uma aliança terapêutica. Wolberg recomenda que o terapeuta dê “livre expressão à sua mímica facial” (48). É claro então que essas contribuições ao processo de tratamento, que po­ deríamos chamar de expressões terapêuticas do terapeuta , como o olhar atento e os gestos que revelam interesse pelo relato do paciente, serão benéficas, desde que sejam espontâneas e não-estudadas. Por último, o tratamento efetuado no contexto institucional e o uso de diferentes recursos terapêuticos, com eventual participa­ ção de outros profissionais ligados ao campo da saúde mental, são fatores que contribuem para modificar as condições da relação

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terapêutica, já que introduzem diversas variantes no campo dos fenômenos transferenciais e contratransferenciais, marcando no­ vas e substanciais diferenças com o que acontece na psicanálise individual (7) (14).

Uma regra básica de funcionamento em psicoterapia breve de orientação psicanalítica
Na técnica psicanalítica, Freud instituiu o método da associa­ ção livre? pelo qual o paciente deve comunicar ao analista o que lhe ocorrer, quer dizer, todos os pensamentos que assomem à sua mente, sem nenhuma restrição. A livre associação é* junto com os sonhos e os atos falhos, uma via facilitadora de acesso ao incons­ ciente. e ao reger de modo praticamente ininterrupto no decorrer do tratamento psicanalítico, configura o que Freud chamou de “regra fundamental”. No terreno das terapias de tempo e objetivos limitados sur­ gem várias interrogações relacionadas com este tema: 1) Qual deve ser a regra de funcionamento para o paciente? 2) Que papel há de lhe caber no procedimerUo da livre associação? Deve-se deixá-la completamente de lado ou, pelo contrário, é necessário empregá-la? Neste último caso, como, do mesmo modo que no tratamento psicanalítico ou diferentemente? Revisando as obras mais destacadas da bibliografia corres­ pondente à psicoterapia breve de orientação psicanalítica, desco­ brimos que, apesar de se tratar de um aspecto técnico de decisiva importância, ou se tem omitido toda a referência à regra da asso­ ciação livre (abundando em troca as considerações sobre outros temas, tais como o papel da transferência, o das interpretações, etc.) ou no máximo registram-se alguns pontos de vista em tomo da mesma - em geral no sentido de não utilizá-la - na maioria das vezes formulados “de passagem” e com certo caráter dogmático. Vejamos alguns deles: “(...) é desacertada essa atitude passiva e abstencionista, como também o c a associação livre (...)”; “Em geral, a falta material de tempo não nos permite empregar os recursos tradicionais da associação livre, passividade e anonima­ to”. (L. Wolberg [48]. Os grifos são meus.) “Não acredito nesses

mas não para a P. tal como se faz no tratamento psicanalítico) da associação livre em terapias breves. da­ rei minha opinião acerca dos problemas que aqui se colocam e que considero que requerem um estudo mais minucioso. determina uma maior intensidade de transferência no tratamento psicanalítico.90 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica tratamentos difusos. sus­ tenta que a indicação que se dá ao paciente de “dizer o que lhe venha à mente” raramente parece ser necessária.B. enquanto tal. Analisaremos primeiro as desvantagens. sem uma idéia diretriz. assemelhando-se a fenômenos como a meditação e o sonho. A associação livre no processo psicanalítico favorece a re­ gressão e constitui em si mesma um funcionamento mental re­ gressivo. durante o mesmo. pela projeção do .. “Na psicoterapia rápida. a associação livre. sobretudo em se tratando de uma psicoterapia breve” (Hoch [28]). já que no caso desta última nosso propósi­ to é o de proteger o paciente tanto da regressão como da neurose de transferência. ao dar lugar à ime­ diata projeção dos objetos internos no analista. tais como: a) Incrementar as ansiedades paranóides (entre outros motivos. Também Malan. não se explicitam claramente os funda­ mentos em que se sustentam esses critérios7. O emprego constante do método da associação livre (“regra fundamentar’ da psicanálise) nos tratamentos breves Começarei por examinar as vantagens e as desvantagens que acarretaria o uso constante (desde o começo do tratamento e de modo praticamente continuo. não é um instrumento essencial” (Bellak e Small [2]). pelo emprego da associação livre. Em outra parte do livro. em sua obra sobre psicoterapia breve. fala em desencorajar a associação livre (34)t No meu entender. De minha parte. Esse fato é conveniente para o tratamento psicanalíti­ co. 84) no sentido de que a abolição do rechaço às associações e à sua comunicação por parte do paciente. Já recordei os con­ ceitos de Racker (p. em que o paciente se senta para discutir a seu bel-prazer qualquer tema que se apresente e a falar praticamente de tudo o que aconteceu e vai acontecer. Produz efeitos regressivos. em especial do su­ perego (37).

o motivo de preocupação não deve ser tanto que . levado pelo curso de suas associações. Seriam definidas desde já. Sem dúvida. em terapia breve. mostrando-lhe a relação . Em grupos de discussão.0 tratamento 91 superego sobre o analista e o temor ao próprio e desconhecido que poderá emergir). inclusive os uierentes a situações ou etapas arcaicas. na I maioria dos casos não me parece recomendável. Finalmente isso leva a acentuar a dependên­ cia regressiva em relação ao terapeuta. -reitero. embora não duvide de que antes de mais nada é preciso que seja o terapeuta quem não perca de vista os objetivos do tratamento. Sua aplicação pode ser especial­ mente útil quando se trata de pacientés com excessiva tendência à intelectualização. e por conseguinte o que corresponde à conflitiva focal . b) Gerar uma atmosfera de ambigüidade. a desconexão . pois permite que aflore material vinculado a outros conflitos relativamente alheios ao foco. pelo que. inadequada a essas tera­ pias. ele se desvia excessivamente das situa­ ções conflitivas a serem tratadas (sem maior aproveitamento do tempo em função do problema central do tratamento). que ficam então a descoberto.e suposta conveniência . pois nesse caso a defesa pode ser incrementada se têm de se referir a um tema determinado (à situaçào-problema). com o que se respeitaria a essência do procedimento em seu caráter de tera­ pêutica focal. alguns colegas me assinalaram a possibilidade . Talvez seja essa uma das poucas situações de exceção em que se poderia apelar para o uso da “regra fundamental”9. Desse mo­ do. o emprego constante do método da associação livre no tratamento intensificaria os fenômenos transferenciai sregressivos até um ponto indesejável. f Em suma. situação que. imagino.ou. pelo contrário. além de certo nível pode perturbar consideravelmente um tratamento de duração breve. Mas cabe agora examinar as vantagens de se adotar a “regra fundamental”.de que em terapias bre­ ves todo paciente se ajustasse permanentemente à livre associa­ ção sempre que o terapeuta recorresse a intervenções focalizadas. c) Conduzir o paciente à dispersão . quer dizer. deverá ser desencorajada8. pela facilitação do aces­ so aos conteúdos inconscientes. a qual.do material com a problemática principal do tratamento. também abre brechas no paciente. a meu ver. fato que pode resultar propício no tratamento para ser utilizado como o “argumento” ou “libreto” conhecido de antemão.

característica dominante dessas terapias. (“Operativamente. por exemplo). se interponha reduzin­ do ou até deixando sem efeito a associação livre espontânea do paciente. razão pela qual a utili/ação da “regra fundamental” psicanalítica poderia dar lugar em alguns momentos ao aprofun­ damento na estrutura focal. neste.e insisto neste aspecto . o que pode ocorrer na prática das terapias bre­ ves? Que o papel ativo e focalizador desempenhado pelo terapeu­ ta. como o atesta a experiência clínica psicanalítica (com as denomi­ nadas neuroses traumáticas. isto é. o certo é que nem todos os casos tratáveis por meio da PB. dados os inconvenientes que o mesmo pode acarretar e que já foram assinalados"'. que é a usual nessas terapias.) Assim mesmo. sim. o que Fiorini chamou de “associa­ ções intencionalmente dirigidas”. costuma perturbar a associação livre. graças às quais promove a ativação egóica no paciente (não só através de assinalamentos e interpretações. como em outros .92 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica o paciente “saia do foco”. por exemplo. a eventual conexão entre as associações espontâneas e os elementos focais. acrescento a este requisito os benefícios que comumente oferece o fato de que também o paciente concentre sua atenção desde o princípio nos problemas a resolver. entrando em aberta contradição com esta como método de trabalho. quer dizer. Por outro la­ do. a focalização conduz a trabalhar sobre associações intencionalmente dirigidas. com as conhecidas conseqüências. a “enveredar por outros Raminhos”.ao afastamento dela. . pressupõem a presença de tal situação claramente definida e dc suficiente intensidade traumática. O terapeuta. ainda que seja possível que no caso de uma situação traumática de reconhecida eficácia patogênica as associações livres do paciente girem em sua grande maioria em tomo dela. afirma este autor [8]“. e não creio que as vantagens provenientes do uso da associação livre. Assim sendo. e em boa medida. estimulará. atuando de modo mais diretivo no que diz respeito à orientação que deverá imprimir ao pensamento do paciente em direção a uma problemática deter­ minada). mas também sugerindo temas ou fazendo perguntas. quer dizer. com suas freqüentes inter­ venções. a posição frente a frente. mas sim que o terapeuta se descuide de relocalizá-lo nele. até agora. mais do que sobre associações livres”. sejam argumento suficiente para seu em­ prego sistemático e constante.

Do mesmo modo que com outros recursos da técnica psicanalítica. isso não implica que sem sua ajuda esta não Seja exeqüível. Se a norma de funcionamento se baseia nessa premis­ sa. Além disso. costumo formular uma prescrição de trabalho para os pacientes antes de começar o tratamento breve que consiste no seguinte: esclareço-lhes que poderão falar do que desejem. o natural e lógico para o paciente é ter que falar ante o terapeuta fundamentalmente de seus sintomas e situações conflitivas. gerando-se um menor montante de ansiedade paranóide.” Isso significa que. mas que em princípio convirá que se refiram preferencialmente a tudo aquilo que suponham ter alguma relação com os problemas que combinamos abordar (poderá tratar-se tanto de relatos acerca de fatos atuais da vida deles. os quais terão de se converter em tema primordial da terapia (focalizaçâo). pensamentos variados. podere­ mos apelar para esses métodos em determinadas circunstâncias.0 tratamento propiciando antes o estabelecimento de uma comunicação em que predomina o processo secundário e portanto mais aproximada do que seria um diálogo corrente. por mais que a associação livre favoreça a explora|ào do incons­ ciente. Fromm Reichman (22) escreveu^ “Muitos psicanalistas consideram que uma quantidade suficiente de material dissociado reconhecível chega à superfície e pode ter acesso à consciência no intercâmbio psicoterapêutico mais dirigido. . como de recordações. Podemos assim dedicarnos de maneira seletiva a seus sofrimentos atuais. Uso operativo do método da associação livre nos tratamentos breves Será necessário descartar quase por completo a utilização da associação livre em terapias breves? Penso que não. a comunicação se verá em geral facilitada. Adoção de uma regra básica de funcionamento para psicoterapias breves F. fantasias. Por esses motivos. vivências e sonhos).

/ mento no tratamento breve . Em resumo e com respeito ao destino do método da associa­ ção livre como recurso técnico no campo das terapias breves.estar ligado à estrutura focal (podendo relacionar-se a um sonho. mas mediando uma tarefa de “adaptar nossa técnica às novas con­ dições” (21). os benefícios de um uso limitado e seletivo do procedi­ lugar o processo associativo.)12. Essa instrumentalização seletiva do método da associa­ ção livre permite seu aproveitamento. com base no obtido. A manobra em questão tem naturalmente a in­ tenção de aprofundar-se no material correspondente ao foco tera­ pêutico e freqüentemente permite ratificar. definidas pelo surgi­ mento de algum elemento significativo . a fim de se aprofundar na conflitiva focal. ao aparecimento de um determinado sintoma.e creio necessário alertar a respeito de tal emprego quando corresponde a uma simples transposição da téc­ nica psicanalítica corrente e carece de fundamentos válidos. ampliar ou corrigir as hipóteses psicodinâmicas em jogo. já que é possível exercer certo controle sobre os efeitos regressivos que seu emprego pode­ ria provocar. sugerindo-o com determinados pa­ cientes e em determinadas circunstâncias. Dessa maneira. etc.94 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em minha experiência pessoal. A flexibilidade de que o terapeuta deverá fazer uso há de pos­ sibilitar-lhe a opção de utilizar este recurso técnico quando o con­ sidere oportuno e ante pacientes capazes de responder positiva­ mente ao mesmo14. £>estaco. Nesse momento. ato falho. sentimento. a partir do qual poderá ter . também seríamos conseqüentes a respeito desse ponto com o que Freud propunha em 1918.salvo es­ cassas exceções . sim. venho ensaiando isso de maneira isolada nos tratamentos . diferentemente do que resultaria se utilizado cons­ tantemente13. fantasia. convidava o paciente a me comunicar as associações que iam surgindo a partir desse material. quer dizer. não considero adequado o emprego sistemático do mesmo .tendo-me resultado de suma utilidade perante a emergência de certo material que impressionava como significativo e sobretudo podia supor-se ou inclusive compro­ var-se . a aplicação nas psicoterapias de elementos tomados da psicanálise.

repito. evitando na medida do possível privilegiar algum aspecto do material. a interpretação central em torno da qual deve girar todo o tratamento). 370). as­ sim como a “regra fundamental”. de acordo com o qual o analista deve escutar o analisando. Ao mesmo tempo. o terapeuta se concentra de preferência no material que aparece mais diretamente ligado à problemática focal. de nenhuma maneira deve implicar a ausência total de atenção flutuante por parte do .B. segundo a qual a principal contribuição do paciente será fornecer todo tipo de material que chegue a relacionar com seu sofrimento atual. p. Digressões sobre a focalização e a atenção do terapeuta Tem-se dito que na terapia focal o terapeuta deve empregar uma atenção seletiva. à norma ou prescrição de trabalho antes propos­ ta (p. poderia então agregar-se a explicitação do even­ tual emprego do método da associação livre em alguns momentos da terapia . conside­ ro que o emprego de atenção seletiva em P. no dizer de Laplanche e Pontalis. sem focalizar sua atenção.ainda que. 93). Considero que em grande {pedida. quer dizer. “estrutura a situação analítica” (32) (“Regra fundamen­ tal”. em virtude da qual tende a conservar men­ talmente um foco (na descrição de Malan. conduz o paciente ao foco através do trabalho interpretativo e descarta o material distanciado dele (34)/al estado de atenção seletiva parece certa­ mente o oposto da atenção flutuante recomendada por Freud. esta norma poderia selar as características essenciais da relação terapêutica na terapia breve psicanaliticamente orienta­ da. A citada norma de funcionamento se ajustaria à» condições próprias da terapia breve.0 tratamento Conformação definitiva de uma regra de funcionamento para psicoterapias breves 95 Finalmente. definindo muito especialmente seu próprio focalizador. só em caso de pacientes que reve­ lem atitudes^egóicas suficientes para que tal emprego traga bene­ fícios informando-se em detalhe em que consiste o mesmo antes de começar o tratamento. sendo sua finalidade poder des­ cobrir neste as conexões inconscientes (17)/Sem dúvida.

Resulta bastante útil em muitos momentos recuperar justamente a atenção flutuante.de inconsciente para inconsciente. o estar cara a cara.. que ao ver-se inevitavelmente dificultada de maneira parcial pela necessidade estratégica de focalização. . Não se empregando a atenção flutuante. A atenção flutuante do terapeuta. e ainda para a produção de interpretações focalizadas a partir da contribuição que oferecem as associações espontâneas do terapeuta diante do material focal do paciente. na aten­ ção flutuante do analista (17). podendo estereotiparse consideravelmente o intercâmbio verbal terapeuta paciente e empobrecer-se o procedimento em suas possibilidades terapêuti­ cas. quando seja necessário.a existência de algum grau de insight e dc elabora­ ção do paciente nessas terapias. pois. para isso. Embora retomemos periodicamente.B. no meu entender. corre o risco de se reduzir automática e exclusi­ vamente a uma terapia do prê-consciente. o que torna muito mais difícil mantê-la. o qual se sustenta. não deve por isso ficar anulada no decorrer do pro­ cesso terapêutico toda vez que desejamos preservar em alguma medida um método mais depurado de exploração do inconsciente. Tratarei em seguida de esclarecer um pouco mais esses conceitos. Se se prescindir por completo da atenção flutuante. em contrapartida. conseqüências desfavoráveis para o tra­ tamento. o qual requer seu concurso. valer-se dela. muito pelo contrário. à atenção seletiva e implementemos os resultados da atenção flutuante para gerar intervenções focaliza­ das. dc planejamento e de um papel ativo do terapeuta (antes de tudo. Sustento que é possível. como em troca se pro­ cura que seja no tratamento psicanalítico. na associação livre do paciente e. nada arriscaremos. flexivelmente utilizada em P. Penso que nessas circunstâncias poder-se-ia questionar muito mais severamente que em outras . obstacularizados ou impedidos ambos pelo tipo de comunicação estabelecida. mas antes de mais nada coloquemo-lo clara­ mente . às vezes não muito apropriada para a ocasião quando nos abandonamos à aten­ ção flutuante). o tratamento breve. a comunicação terapêutica não seria em momento algum aceitemo-lo ou não a partir dc um ponto dc vista terapêutico. a meu ver. não traz.96 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapeuta.e com direito . assim como da associação livre. já que devemos controlar nossa mímica. justamente para facilitar o aprofundamento na mesma conflitiva focal.

o passo na direção da gestação de uma interpretação. Em seguida. etc.). Uma possível se­ qüência ilustrativa da combinação dos tipos de atenção que pro­ ponho para o trabalho focalizador é a seguinte: em virtude de sua atenção seletiva. de onde poderá sobrevir . Esta poderá. não vamos incorrer no erro jtte substituíla. tenha apa­ recido como conseqüência de intervenções foealizadoras do tera­ peuta (perguntas. tem-se de escutá-lo em estado de atenção flutuante (qualquer outra atitude implicaria rieste caso uma incoe­ rência técnica.melhor ainda claramente relacionado (pelo terapeuta) com o focal. solicita-lhe associações livres partindo de tal ele­ mento e se dispõe então a escutá-las com atenção flutuante. assinalamentos. que se alternam de acordo com as vicissitudes cia comunicação terapêutica. por exemplo. ter como resposta: a) a emergência de mate- . Em seguida se dá. interpretações. por sua vez. como conseqüência da atividade pensante do terapeuta que tem lugar nesse momento (associações. poderíamos estabelecer que toda vez que se solicitem associa­ ções livres ao paciente.0 tratamento 97 Sob essa perspectiva chegamos à proposta do que seria no terapeuta uma combinação sucessiva. Como norma elemen­ tar. pedidos de as­ sociação livre a partir de um elemento.ou não .a formulação de uma interpretação. o terapeuta distingue um elemento focal signifi­ cativo no material do paciente (relativo a um sonho. tenha sido tal material trazido de modo espontâneo pelo paciente. por exemplo). conexões. Creio que de maneira geral o que poderia embasá-la como requisito básico seria o surgimento de material presumível ou . seguidos de momentos dc atenção mais seletiva. etc. efe­ tuando uma seleção à qual o paciente tenha renunciado [17]). isso não significa que o emprego da atenção flutuante em P.B. ainda que sempre se dê no final um retomo ao estado de atenção se letiva focal. pois se nos decidirmos a procurar que circunstan­ cialmente o paciente vença a censura existente entre seu conscien­ te e seu pré-consciente. sínteses. No entanto. operativa e flexível de~momentos de atenção flutuante.). com retomo final à focalização (atenção seletiva focal) para a conseqüente seleção interna voluntária entre as linhas interpretativas (quando surge mais de uma) do que se rela­ ciona ao eixo terapêutico. que tem de ser focalizada. antepondo nossa própria censura às suas comunicações. tenha de reduzir-se somente a tais circunstâncias.

já que os diver­ sos autores que vêm se referindo a essa técnica se ocuparam pouco ou nada de aclarar esse tema . do material focal que sobrevem em continuação. etc. nos quais com freqüência a . que o terapeuta desenvolverá seu trabalho interpretativo. de que a atenção seletiva pressupõe a concentração preferencial do terapeuta no material ligado á problemática focaÇestaria irapficüõ o emprego da atenção flutuante para a recepção de tal material). material do paciente — » focal ização baseada na atenção selcTiva do terapeuta ^ jp edíHrTda associa­ ção livre ao paciente — > atenção flutuante do terapeuta — » gesta­ ção da interpretação. e que é empregando essencialmente esta forma de atenção.sua atenção. atividade pensante com trabalho fmàT de seleção interna do terapeuta (atenção seletiva focal) — » interpre­ tação focalizada — > material focal —>atenção flutuante do tera.apesar da sua indubitável importância. mas que na rea­ lidade a dita seleção segue uma recepção. ao transcorrer certo tempo c ser corroborado pelo tera­ peuta. o levará a reencaminhar o paciente ao foco. a noção de atenção seletiva na psico­ terapia focal também encerra no fundo a presença de estados de atenção flutuante do terapeuta (no conceito antes mencionado. em estado de atenção flutuante .^ peuta.ou deveria suceder . ela mostra que a atenção seletiva serve basicamente para efetuar uma seleção do material do paciente (em razão de nosso interesse seletivo na problemática focal daquele). facilitando-nos o exercício de nossa atenção flutuante (isto se apresenta do mesmo modo diante dos quadros de neuroses traumáticas. com ura assinalamento. que voltou a focalizar automaticamente . Desse modo. b) resistencialmente. o distanciamento do foco. por exemplo. ou. Os pacientes que têm certa capacidade para centrar-se na conflitiva focal nos eximem de maiores preocupações e esforços para orientá-los em direção a ela.° Psicoterapia breve de orientação psicanalítica rial focal (associações dirigidas) (8). Mas não podemos extrair algo mais dessa exemplificação? De fato.da mesma maneira que o relativo à associação livre . a flutuante. ante o que o terapeuta tem de abandonar-se igualmente à atenção flutuante e reiniciar o ciclo. Em síntese. Esta é a forma pela qual pessoalmente concebo o que sucede .com a atenção do terapeuta na psicoterapia focal. então. o qual. c que me parece sumamente necessário explicitar. por parte do terapeuta.

Vale a pena preservar nesses procedimentos certo grau de atenção flutuante. pode dar-se em grau satisfa­ tório e de modo quase espontâneo em terapeutas convenientemen­ te treinados. tudo isso possibili­ tando o progresso terapêutico. a atenção flutuante em P. Isso quer dizer que de um ponto de vista dinâmico não é admissível que haja con­ tradições no emprego das diferentes intervenções do terapeuta. Em suma. colocação seletiva consciente de material focal e associações livres a partir de um elemento focal. capitalizada. Os assinalamentos. da atenção. Quando se cometem tais erros tem-se a impressão de que a terapia breve se converte num expoente da improvisação e da imprudência. Há uma regulação .0 tratamento _ __________ ____________________ ______ ____ _________________________________ maior parte do material trazido está vinculada mais ou menos diretamente à situação traumática. pelo contrário. É inaceitável. Elementos psicoterapêuticos verbais Generalidades Em P. perguntas e comentários . v 2?) Constituir-se de uma proporção elevada de intervenções não-interpretativas.B. que pare­ ceria difícil de êoncretizar na prática. que às intervenções tendentes a desencorajar a regres­ são se sigam outras que. que com o tempo se toma auto­ mática.. A combinação atenção flutuante/atenção seletiva. quer dizer. como vimos. inerente ao foco terapêutico). por exemplo. para os fins de aprofundar a elucidação dos psicodinamismos focais e de dar lugar à produção de intervenções focalizadas. A combinação que sugiro tem seu correlato no que foi pro­ posto para o paciente. as intervenções verbais do terapeuta devem reunir três condições básicas: X 1“) Manter certa coerência interna (7) (13).B. pode ser empregada em diferentes momentos terapeuticamente significativos de nosso trabalho15. a favoreçam. as quais devem responder a uma estratégia terapêutica elaborada de acordo com as necessidades de cada caso. segundo as formas em que se vão cjiando as seqüências..

100 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica que estimulam o intercâmbio verbal têm de ser empregados com uma freqüência maior do que na psicanálise tradicional. dirigidas seletivamente à problemática focal16. mediante a qual se procura centralizar o trabalho terapêutico nos problemas vitais e atuais do paciente e não abrir nele outras brechas. Examinarei aqui as contribuições de di­ versos autores e exporei. interpretativas ou não. deverão estar de preferência focalizadas. mencionando sucintamente as restantes. As intervenções. c) Variantes qualitativas nas interpretações. me ocuparei detalhadamente das interpretações. quer dizer. Dentre as diferentes intervenções do terapeuta. ^ 3?) Estar focalizadas. c) O terapeuta diante do trabalho interpretativo. A apresentação do tema será feita na seguinte ordem: a) Introdução. meus pontos de vista a res­ peito. apelar com freqüência para intervenções nãointerpretativas constitui uma clara expressão do papel ativo e focalizador do psicoterapeuta nesse tipo de terapia. b) Interpretações e transferências. já que estimulam a colocação por parte do paciente de material relacionado com o foco. a fim de contrabalançar os efeitos da estimulação da dependência que um uso quase exclusivo de interpretações poderia trazer associado. d) Interpretação dos sonhos. Por outro lado. Atenuação dos efeitos regressivos. além disso. Considera-se desse modo que se deva reafirmar uma relação terapeuta-paciente em termos de realidade e de uma menor assime­ tria. Dessa maneira serão tam­ bém focalizadoras em seus efeitos.B. As interpretações na psicoterapia breve de orientação psicanalitica Ainda é objeto de viva discussão tudo o que concerne às interpretações em P. . como acontece quando se segue uma direção definida e previamente incluída nu­ ma estratégia terapêutica determinada. Tratase de uma premissa essencial dessas terapias.

minha impressão é de que habitualmente é limitada pelas próprias características do enqua­ dramento. interpretações “profundas” podem. perguntas. favorece o estabelecimento de uma rel£y. . pois o objetivo principal continua sen­ do a busca de insight no paciente (sem que por isso se desconheça terapêutico na P. Não obstante. sem’deixar de ser. seja ou nào “trans­ ferencial”.). dado o número relativamente reduzido de sessões semanais e. comumentc. como na psicanálise. etc. parece conveniente que em P. se alter­ nem em maior medida com outros tipos de intervenção verbal (assinalamentos. o curto prazo do tratamento. em algu­ mas oportunidades. dificuldades para se exercer controle sobre as ansiedades que o paciente sofre por efeito das interpretações. em ordem de importância.0 tratamento a) Introdução 101 Em primeiro lugar pode-se colocar a que lugar. será preciso tam­ bém contar com a possibilidade de que se produzam reações des­ favoráveis pelo incremento das resistências. E conveniente então avaliar antes a capacidade do paciente para assimilar inter­ pretações desse teor. Além dis­ so. por exemplo. por serem es­ tas indutorãTdã^dependencia regressiva. Existem. um tratamento coloca a necessidade de se atingirem certos níveis de profundidade para que os objetivos terapêuticos propostos possam ser alcançados. em certas ocasiões. A meu ver deve ser a incidência de outros mecanismos terapêuticos. Numa palavra. partindo das idéias de Rogers (40).B. caberia insistir em algumas considerações a respeito. capazes de relocalizar o paciente uma vez ou outra em sua condição de adulto e nu­ ma relação menos assimétrica com o terapeuta. é desejável que o tratamento nãd/se reduza a um empregoExclusi­ vamente sustentado ou baseado enTInterpretacões. o elemento terapêutico essencial. que em minha opinião têm um papel secundário). corresponde a interpretação como instrumento a ferramenta fundamental. que toda interpretação.ão acentuadamente dependente do paciente em relação ao terapeuta. de orientação psicanalítica. sugestões. efetuando-se ocasional e prudentemente como experiência (48)1R .B. Quanto à sua profundidade !7. Se aceitamos. as interpretações. indu­ zir a estados regressivos de certa consideração. Pois bem.

melhor dizendo. subestimadas. vamos analisar o papel das interpretações “extratransferenciais” na terapêutica breve. al­ cança pouco ou nenhum desenvolvimento no tratamento breve. O que ocorre é que em psicanálise as interpretações “extratransferenciais” quase sempre têm sido. Interpretações "extratransferenciais " Em primeiro lugar. usual e importante no trabalho interpretativo. como disse antes. Poderíamos dizer que o é tanto na superfície (ao ser focalizado) como em profundidade (não abarcando certos aspectos dos conflitos centrais do trata­ mento. agora. b) Interpretações e transferências Um dos aspectos mais importantes e polêmicos da teoria da técnica da PB. devemos nos dedicar à tarefa de resolver problemas atuais da realidade externa do paciente mediante a análise e a conseqüente busca de insight a respeito da natureza das situações conflitivas que apre­ sentam suas transferências . A meu ver podem configurar sem dúvi­ da um recurso válido. etc. pais. em matéria de terapias breves. Além disso.B. desenvolvidas em qualquer pessoa com quem se relaciona em sua vida diária (cônjuge. às transferências19. e não carecem de valor para o tratamento psicanalítico. a qual. as que na técnica psi­ canalítica não costumam ser levadas muito em conta ou são dire­ tamente desestimuladas. sobretudo os que se acham ligados a conteúdos muito re­ primidos).102 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica O trabalho terapêutico na P. Mas o emprego dessas interpretações parece requerer toda­ via fundamentos teóricos suficientemente sólidos. filhos. ignora a maior parte das manifestações inerentes à neurose de transferência.). chefes. Examinaremos. como sabemos. de insight é limitado em com­ paração com o que tem lugar na análise. diz respeito aos tipos de interpretação que devem ser utilizados no que se refere à transferência ou. os pormenores do uso das denomina­ das interpretações “transferenciais” e “extratransferenciais”-. Isso obedece ao fato de que.n. atribuindo-se- .

devesse dizer teorizar acerca de técnica. . Esse autor resgata seus fundamentos teórico-técnicos. passada ou futura com o paciente (ainda vou enfatizar .0 tratamento 103 lhes um valor muito secundário na cura. tenho selecionado aqueles que me parecem mais eloqüentes e ilustrativos (25). dado que as necessidades da prática psicoterapêutica obrigam o analista a sair e ampliar sua estreita margem conceituai) de muitos psicanalistas de nosso país. partindo da revisão de pontos essenciais do pensamento freudiano. Em que p<|sc sua ex­ tensão. Dos pensamentos de Guiter acerca das interpretações não relacionadas com o analista. e que a meta da análise é a busca do objeto transferido para este em suas múltiplas variantes e em seu interjogo com o analisado. nem de nenhuma circunstância em paiJjcliJã*3* —~ . Depois começa a expor seus pontos de vista cm torno das interpretações que operam “centrando o ponto de urgência fora da transferência ao psicanalista”. nesse momento (1973) em que trabalham partindo da hipótese de que tudo o que o paciente diz se refere ao analista.as interpretações que se referem à vida atual do paciente.continua Guiter vou afastarme da maneira tradicional de trabalhar (talvez melhor do que tra­ balhar. por serem as mais descuidadas pela psicanálise em seu esquema teórico). Freud confe­ ria grande valor à transferência.esclarece . nem das recordações. contemporâneas à situação analítica. em comparação com as “transferências”. a meu ver. Ao dizer isto . expõe conceitos que permi­ tem reivindicar as interpretações “extratransferenciais” em sua significação terapêutica dentro do tratamento psicanalítico (25). como elemento incluído dentro de uma totalidade englobada pela reconstrução. Não estou de acordo com essa maneira de trabalhar. pois sua menção resulta‘/mais que oportuna ao abordar este tema: “A análise é uma investigação do inconsciente. Guiter. Um claro exemplo disso é a posição adotada por Strachey (41). o que se reveste de singular importância. já que disso dependerão em gran­ de parte a validade e o alcance terapêutico que adjudiquemos à técnica breve que apele freqüentemente para as interpretações mencionada». as que fazem alusão a “transferên­ cias” a outras pessoas em relação atual. mas. Entre nós. quero transcrevê-los. Não da trans­ ferência.

quando um paciente vem à sessão pode chegar estimulado por excitações que ultrapassam sua capacidade de elaboração (e que traz para elaborar na sessão). para mim.. que mesmo Freud “inter­ pretava transferências em outros contextos”. . sem ver as transfe­ rências em outra parte. reduz-se ao mínimo a relaçào adulta (ou sã) entre o paciente e o analista. tanto mais se pode tomar essa técnica como defesa.) Prossegue dizendo: “Outro problema que se coloca é este: se tudo o que o paciente diz se relaciona com seu analista.) De modo que.. Esse presente pode estar constituído pelo próprio analista ou por qualquer estímulo do dia ou dias ante­ riores (equiparando-o a um sonho. não é forçoso que seja com o analista. iatrogenicamente. Por razões de espaço abstenho-me de transcrever a passagem correspondente. Dessa maneira. Penso então que a missão do analista é interpretar esses fatos sem incluir-se. Mais adiante expressa: “A transferência pode acontecer em qualquer parte. o que se consegue é adoecer mais o paciente. regressões patológicas.104 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica J que inclui também o histórico próximo e distante da vida do paciente. ao grau de veracidade acerca do que o paciente nos relata ou à circunstância de que se trate de “um fato que já passou”. Guiter refuta as críticas que se formulam contra essa modalidade de trabalho (no que concerne ao favorecimento de “atuações”.” “(. o elemento estimulador pode ser comparado a um resíduo diurno). OJ^aqui. o paciente sempre é um menino de quem o analista é um pai. e essas excita­ ções podem então ter-se originado na relação com processos reais ou transferenciais. quanto mais se interprete o paciente em relação ao analista. Mais ainda. nesse nível. somente uma pade do processo analítica -----------— “O paciente vem a sessão estimulado pela angústia ocasiona­ da por um determinado problema com raízes no passado e estimu­ lado a partir do presente. de modo que. enquanto “na sessão. pois o nível do conflito nesse momento não se relaciona com cie” (grifos do autor). a regressão. e se fomenta.” (Assinala antes. a situação é presente”). mas não a regressão útil. fomentando. e quase tudo o que ocorre na sessão é transferência. agora e comigo” é. no primeiro. Continuando. alheios ao analista.

devemo-nos desenvolver praticamente sem essa ajuda desde o começo). cabe recordar precisamente que. Mas. e como venho repetindo. os mecanismos terapêuticos não consistem do desenvolvimento e da elaboração da neurose transferencial. a interpreta­ ções que a desvelem e clarifiquem parcialmente só em determina- . do mesmo modo que a compreensão da contratransferêricia. Em P. Concordo com o critério de Guiter e entendo que nenhuma terapia interpretativa deva descuidar-se das diferentes transferên­ cias extraterapêuticas. devemos reconhecer a existência de um inconveniente em nosso trabalho de análise das relações do paciente com os diferentes objetos transferenciais de sua realida­ de externa: o terapeuta conhece pouco o paciente cif sua relação terapêutica. Por outro lado. nós. tio terreno de P.que poderia propiciar o desenvolvimento da neurose de transferência . muito menos reduzir a tarefa à analise da transferência ao terapeuta. em função do enquadramento da P.B.recorrendo-se. Mas considero que esse obstáculo pode ser . o conhecimento que o analista adquire no decorrer do tempo sobre as características da transferência desen­ volvida pelo paciente para com ele. que se impõe em P.vencido na maioria das vezes mediante um prévio estu­ do clínico e psicodiagnóstico o mais amplo possível do paciente. em troca. o tra­ balho não tem por que concentrar-se então na análise exaustiva da relação terapêutica . em psicanálise.e é .B. podemos ser paradoxalmente reforçadores de neuroses” (grifos do autor). Disso poderiam derivar apreciações e interpretações errôneas da realidade externa do paciente (ainda quando a com­ preensão da transferência..105 Assim sendo. em virtude do limitado contato que propbrciona o tra­ tamento. lhe resulta de grande ajuda para inferir e interpretar as demais transferências do paciente. seja de todo o modo um elemento valioso para diagnosticar as caracterís­ ticas das relações objetais do paciente. quase como imprescindível para oferecer sustentação adequada ao nosso trabalho terapêutico posterior. A clareza expositiva de Guiter me exime de maiores comen­ tários e.B. avaliza com acréscimos o emprego das interpretações “extratransferenciais”. os analistas. já evidenciada com o terapeuta. na minha opinião.B. geralmente.

a tarefa interpretativa se diferencia claramente da do tratamento psicanalítico. em direção a uma figura importante para o paciente. Sustenta que os perigos que se corre (de aumentar a dependência. e. hierarquizar outras transferências preexis­ tentes do paciente. da real significa­ ção em sua vida (ou seja. em segundo lugar.B. existem critérios díspares quanto ao uso das inter­ pretações “transferenciais”.106 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica das circunstâncias que assim o aconselhem e que citarei em se­ guida. Interpretações “transferenciais " Em P. de acordo com o que quase sem­ pre ocorre na prática.em que desviar poderia ser entendido como desviar de maneira forçada. Rogers. em função. Ali começam as divergências. em vez de concentrar a atividade na relação paciente-terapeuta. Malan não vê nenhum inconveniente em empregar precoce e intensivamente interpreta­ ções “transferenciais”. de relações objetais dotadas de um importante montante de libido). alarmado porque induziram o paciente . A questão esbarra em como fazê-lo. que é preci­ samente através dessas interpretações que se pode resistir ao de­ senvolvimento de uma neurose transferencial e lhes assinala um papel muito importante ao alcance de resultados favoráveis (34). quer dizer. Pumpian-Mindlin (36) sugere “desviar a transferência”. senão melhor. por exemplo) são escassos. os problemas a tratar. Malan assinala que parece haver acordo geral acerca da necessidade de não fomentar o desenvolvi­ mento da neurose de transferência21. Eu não chamaria a isto “desviar a transferên­ cia” . Com o propósito de evitar fenômenos transferenciais inten­ sos. como numa terapia breve costumam pre­ dominar as impropriamente chamadas interpretações “extratransferenciais” cm relação às “transferenciais”. Em conseqüência. no qual prevalecem as segundas ou pelo menos em que se manifesta uma maior proporção delas com relação às que geralmente averigua­ mos num tratamento breve (as diferenças se acentuam muito mais na análise kleiniana que na análise que mantém uma modalidade técnica freudiana). do enqua­ dramento e das finalidades do procedimento terapêutico breve. no outro extremo. primeiramente.

entendo que comumente o paciente tarda em aceitar como algo próprio os ele­ mentos da transferência para o terapeuta. pois considera que utilizadas de modo sistemático como em psi­ canálise podem fomentar a neurose de transferência (7) (14). que reduzirão nossas possibilidades. o terapeuta geralmente tratará de não estimular com suas intervenções (refiro-me às de qualquer tipo. perguntas. Compartilho plenamente essa posição.e não como o eixo do tratamento . ocorre o fato incontestável de que se em certos momentos não se apela para a interpretação “transferen­ cial” poderão aparecer ou acentuar-se diversas dificuldades.na qual podem. o paciente se apresenta para tratar-se só uma ou duas vezes por semana. A fim de resolver problemas vitais atuais que o afetam. paralelamente. quer dizer.0 tratamento 107 à dependência. etc. aflorar talvez mais seletivamente e apreciar-se com maior clareza as pau­ tas repetitivas e neuróticas de sua conduta. Quase sempre trata-se da interpretação da transferência negativa. sem deixar de “seguir o fio” dos fenômenos transferenciais relacionados àquele a que sua compreensão se refere. e muito menos para incluir reve­ lações acerca das raízes genéticas infantis do conflito transferen­ cial. e que não temos tempo suficiente para insistir demasiado neles (não é conveniente fazêlo em P. geralmente envolvidas na situação conflitiva em questão. e incluir o vínculo com o terapeuta na maioria dos casos só como uma rieva relação transferencial .) o surgimento excessivo desse tipo de material. se apesar de tal situação instarmos para que se concentre em sua relação conosco. que em troca deverá ser estimulada e utilizada para tornar possível o trabalho terapêutico (18) (19). Mas. Seguiríamos assim a regra freudiana de não interpretar a transfe­ rência positiva sublimada. Por isso creio que devemos nos conformar em prover o paciente de elementos para a conscientização de suas transferên­ cias para com pessoas significativas. Assim. Mas talvez a maioria se incline a um uso prudente e limitado (2) (14) (48). poderemos gerar consideráveis resistên­ cias à tarefa. propõe suprimi-las por completo (40).B. fuhdadas no insight. isso sim. . Além disso. senão também aos assi­ nalamentos. de alcançar o êxito terapêutico desejado*2. por múltiplas razões). não só às interpretações.

ao dissipar de imediato e em gran­ de parte a resistência surgida. a quem desde tempos atrás não dirigia a palavra. atrasos e outras dificuldades do paciente essencial­ mente para trazer material focal (intervalos de silêncio reiterados. darei um exemplo6simples: uma mu­ lher jovem. durante as quais manifestava uma expressão de nojo para comigo. A título de ilustração. Tratar-se-á de vencer através da tarefa interpretativa os obstáculos resistenciais provenientes da transferência assim que aparecerem (28)2\ Ausências. um fragmento de transferência converte-se prontamente em ponto de partida para propiciar insight no paciente acerca dos conflitos com outros seres de sua vida atual .e eventualmente do passado pois o propósito é basicamente estabelecer de imediato a cone­ xão com esses objetos de conflitos para alcançar uma adaptação à realidade.108 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Com este último concordam autores como Bellak e Small (2) e Malan (34). Revelei esta situação transfe­ rencial à paciente. Mas será conveniente que a interpretação da transferência se realize em circunstâncias em que o fenômeno transferencial possa ser cla­ ramente reconhecido pelo paciente. mas que por sua vez desalentava a revivescência de situações infantis na relação com o terapeuta24. . Ao cabo de algumas sessões. a relação com o terapeuta poderá funcionar como um modelo experimental esclarecedor dos pro­ blemas do paciente com suas relações interpessoais. se negava a falar durante as sessões. o que se alcançou mediante uma mensagem interpretativa denunciadora do “falso vínculo”. pude apreciar com clareza que repetia em seu vínculo comigo o lipo de relação que mantinha com seu pai. afastamento do foco) quase sempre podem ser interpretados ao menos cm parte com relação a situações transferenciais. Desse modo. Em qualquer momento. o que permitiu remover o obstáculo e facilitar o curso posterior do tratamento. ^b) Quando podem constituir para o paciente um elemento demonstrativo de determinados aspectos de sua problemática focal. num momento do tratamento breve. Vejamos então quais são as principais situações em que será necessário recorrer às interpretações “transferenciais”: xT a) Quando surgem resistências transferenciais. sem que ela mesma encontrasse motivos ra­ zoáveis que pudessem justificar tal estado.

A relação ia sofrendo uma progressiva deterioração. do mesmo mo<|o que a seu marido. procurancfo tomar-me “cego de raiva”. tratei de chamar sua atenção para o fato de que esses aspectos doentes de sua personalidade conspiravam também na terapia. motivo principal de sua consulta25. cabe fazer referência ao uso das interpretações “transferenciais” segundo as fases que o tratamento está atraves­ sando. Desejava “triunfar” sobre mim e. A situação conflitiva principal na terapia era a relação intensamente competitiva e sadomasoquista que havia estabeleci­ do com seu cônjuge: descobri que conseguia com freqüência irri­ tá-lo até colocá-lo fora de si. colocando-a seriamente em perigo. sobretudo com comentários hostis acerca dos psiquiatras. Foi necessário mostrar-lhe através de uma revisão parcial do vín­ culo transferencial como tratava insistentemente e de modo incons­ ciente de atacar-me e denegrir-me. partindo da comprovação da situação que experimentava repetitivamenté comigo. provocando assim sentimentos de rejeição. que na verdade a intenção de relacionar o fenômeno transferen­ cial com algumas perturbações nas relações interpessoais da rea­ lidade atual da paciente era acompanhada pela tentativa de dissol­ ver obstáculos resistenciais. sua conduta correspondia uma vez mais a um intenso masoquismo. com marcados tra­ ços fálicos. o que é freqüente na prática psicoterapêutica.) Todavia. anular-me em minha capacidade terapêutica pen­ sante. Durante as primeiras sessões . No fundo.) Com esta inter­ venção busquei provocar um insight na paciente a respeito do que lhe ocorria com seu marido. (Poder-se-á notar. (Resultava claro que queria despertar minha raiva até conseguir alterar-me. de caráter histérico. Além disso. neste último exemplo. mas predominava o objetivo de supera­ ção das resistências.porque é preciso despejar o panorama de . provocando nele reações violentas contra ela que chegavam ao ataque físico. ambos os aspectos coe­ xistiam em certa medida. raiva e frustração. Também no exemplo anterior. Nesse aspecto considero que tanto nas etapas iniciais como nas finais do processo terapêutico costuma produzir-se em geral maior necessidade de se recorrer a essas intervenções.0 tratamento 109 Recorrerei novamente a um exemplo clínico: Trata-se de uma paciente de 32 anos. que a levava a buscar que a maltratassem e também a atentar contra a relação terapêutica.

mas também ao para e ao pré-verbal . serão em grande medida no curso do processo psicanalítico. mostrando-lhe assim a conexão equivocada.) c) Variantes qualitativas nas interpretações. com o intento de evitar 011 atenuar as reações desfavoráveis que este pudesse apresentar diante de tal situação e de afian­ çar assim os êxitos terapêuticos obtidos.110 Psicoterapia bre\>e de orientação psicanalitica resistências transferenciais dadas pelo natural surgimento de ansiedades paranóides. A idéia é não deixar de utilizá-las quando devemos servir-nos delas. as situações peculiares de luto que se repro­ duzem em cada paciente no seio da relação transferenciai. ao fazer consciente o inconscien­ te. que contemple. Pessoalmente penso que essas modificações devem referirse não só ao aspecto verbal.B. (Este tema é examinado no capítulo 9. o quanto possível. o emprego sobretudo fundamenta­ do . que se traduz em temores e desconfiança (se estão efetuando então os já conhecidos ajustes à relação de trabalho e fomentando os sentimentos transferenciais positivos) .porque o término da terapia e a eventual separação requerem certo trabalho interpretativo. no terreno da P. Atenuação dos efeitos regressivos Já disse que. além da óbvia restrição quantitativa ao emprego desse tipo de interpre­ tações. Ainda que no melhor dos casos não seja possível aspirar a níveis muito elevados de elaboração. diminuin­ do. em alguma medida. Partindo dessa postura poder-se-á compreen­ der a preocupação de alguns autores. e a minha própria. seu potencial regressivo.e nos estágios finais . o instrumento funda­ mental.. a meu ver.de interpretações “transferenciais” é na psicanálise um fator favorável ao desenvolvimento da neurose transferencial regressi­ va. por debilitar seu efeito indutor da regressão. ter de realizar modificações técnicas em sua índole quali­ tativa. precisamente para a resolução da neuro­ se de transferência). por antonomásia. pois leva o paciente a concentrar seu interesse no vínculo tera­ pêutico e o estimula a reviver nele mesmo situações passadas (ainda que em última instância. pelo menos a situação final d? trata­ mento e de ^eparacão— deverá ser sempre assinalada para o paciente. Isso implica.

ante qualquer interpretação. isto é: “(.de um 'õssinãlaménto doque acontece. muito pelo contrário.) acompanhar cada interpretação do que ocorre com o terapeuta.) Trata-se de controlar na medida do possível a intensidade de regressão transferencial. A intenção c incluir sempre a realidade que está mais além do consultório. sua mãe ou qualquer outro objeto significativo primário. em direção à qual se há de orientar continuamente o paciente. diminuindo dessa maneira a concentração excessiva de exploração psicológica no vínculo com o terapeuta. mas que na realidade isto é fruto de sua percepção errô­ nea de realidade. já que.. ^ Também a Knobel e Szpilka corresponde uma das observa­ ções mais interessantes e claras que tenho encontrado a propósito do problema que estamos considerando: “Uma boa utilização da transferência nas psicoterapias breves é aquela que permite a alu­ são ao terapeuta. por exemplo... sobretudo que é'stabeleçam uma ligação de maneira praticamente constante entre o que sucede ao paciente. transferen­ cial ou não. Disse Weiss: “O uso adequado das interpretações (quanto à escolha. Descobrimos que Szpilka e Knobel (42) sugerem algo similar como uma maneira de usar a transfe­ rência sem os perigos de uma neurose transferencial. o tom de voz. não são indiferentes em sua repercussão no paciente e no que se refere a suas tendências regressivas. al ém disso com seus amigos. Para tanto é necessário <|ue as interpreta­ ções possuam certas condições. e nas relações daquele com os objetos transferenciais de “fora”.0 tratamento FACULDADE GUAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 111 da mensagem interpretativa. ao formular a interpretação. interferem considera­ velmente. momento e forma de apresentá-las) é o meio mais eficaz de»ciue dispõe o terapeuta para regular o tipo e a intensidade da relação" (45). por tais e quais motivos obje­ tivos.B. assim como a expressão corporal do terapeuta. Podemos afirmar que. Na realidade. parentes ou demãís ohjeim sipnifiçativos de seu mundo externo” (grifos dos autores). esta questão se colocará em maior ou menor medida na P. cm sua relação com o terapeuta. Desfazer significa dizer à parte adulta da per­ sonalidade do paciente que ele se porta com o terapeuta como se este fosse seu pai. já que na verdade. o terapeuta não é nenhum desses objetos primários por ele . mas para desfazer em seguida a confusão que surge dessa alusão. (Os grifos são meus. como sabemos.

Fiorini [ 13])27. a dependência e a insegurança. reitero. (O modo como se faz a interpretação. por exemplo. A atitude que deve assumir o terapeuta a respeito dos ele­ mentos histórico-genéticos do conflito atual e particularmente sua . No meu entender estamos diante de um ponto-chave dentro do trabalho interpretativo.112 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica trazidos e pelo terapeuta representados. quer dizer. como. Por exemplo: o infantil acompanhado do adulto. Con­ sidero que implica que a mensagem. O outro recurso a ser considerado para se evitar que o pacien­ te estabeleça uma relação excessivamente regressivo-dependente é apresentar as interpretações sob a forma de perguntas ou suges­ tões (Gerard [23]. a influên­ cia de outros fatores.) Para controlar a regressão. registramos algumas coincidências relativas à conveniência de que as intervenções do terapeuta incluam sempre dois aspectos opostos e coexistentes do paciente e não apenas um. e ao mesmo tempo de chamar a atenção do paciente para seus aspectos adultos ou mais bem integrados e para suas possibilidades evolutivas e autônomas. desalentá-la. deve ser tal que desalente o prosseguimento da revives­ cência de situações infantis no seio da relação transferencial. que tende a opor obstá­ culos à idealização da figura do terapeuta. o agressivo do construtivo (Szpilka e Knobel [42].) Em um traba­ lho de Córdoba. Tarachow [43]). pelo contrário. (Grifos dos autores. o que significa renunciar a explorar a maior parte do “como se” metafórico da tccnica psicanalítica’\ À importância do conteúdo c da forma de interpretação dever-se-á agregar. Para isso também será útil mostrar ao paciente de quais elementos do material trazido por ele extraímos nossas interpretações. numa atitude de certa humildade (Fiorini [16]). Andrés Rascovsky e Wencelblat observa-se um nítido paralelismo com essas idéias (3). o tom de voz emprega­ do. Trata-se de não polarizar na direção que fomente a regressão. a acentuação que o tera­ peuta confere a certas palavras ou frases que a integram também podem “convidar” o paciente a estabelecer uma relação regressivo-dependente com o terapeuta ou. /Entre a emergência do bloco de transferência e sua resolução deve transcorrer por outro lado o menor tempo possível e quase diríamos tão logo venha à tona é necessário desfazê-la” (42). explicitada na interpretação. ora eventualmente implícita em seu conteúdo. ora manifesta. e no que diz respeito às interpre' tações em geral. como hipóteses que são.

0 tratamento 113 eventual inclusão nas interpretações que se formulam para o paciente é um ponto que cm parte já foi tratado na “Introdução” (pp.B. por conseguinte. (Em P. Diante dc tudo isso. pelo que lhe cabem as considerações ali expostas2*. por mais que nos tratamentos breves pareça aconselhável abster-se de interpretar em primeira instância e de maneira sistemática tais aspectos. Por isso. Reconhecida a necessidade de que a tarefa ínterpretativa abarque conflitos genéricos infantis. as quais. Em tais circunstâncias. o terapeuta podérâ estimar que é necessário efetuar uma revisão e um trabalho interpretativo mais profundo das perturbações do paciente. Não compar­ tilho desse critério. dc que. c partir em troca cia referência aos fatores atuais em jogo. enquanto não se incorporarem às inter­ pretações elementos do passado infantil .). estudaremos em cada caso a possibilidade de colocar isso em prática. sejam propícias. nâo haveria uina intenção prioritária de se remeter às experiências prematuras da vida do paciente. a propósito da profundidade das interpretações em P. a priori ou no curso de um tratamento breve. V 2. Não obs­ tante. serão as seguintes: 1. . Convirá tomar algumas precau­ ções (sobretudo se se trata de interpretar a transferência para com o terapeuta). não devemos deixar dc reconhecer que colocar ênfase excessiva nos aspectos infantis do paciente pode promover ã regressão. queria insistir em alguns aspectos fundamentais c particula­ rizar outros a fim de aprofundar a visão do tema. 101 s. com probabilidades de que seja terapeuticamcnte eficaz. diferentemente do que ocorre no tratamento psicanalítico. Que as condições do enquadramento.. Que o paciente demonstre estar capacitado para receber e aproveitar essas interpretações sem experimentar reações desfa­ voráveis (isto significa em essência respeitar o timing). uma posição extrema consistiria em evitar tflda incursão por esses níveis do conflito..) Mas o certo é que na prática apresentam-se situações em que selem a impressão. dura­ ção total do tratamento). reiterando o já assinalado em outras oportu­ nidades. freqüência e periodicidade das sessões.B. principalmente as temporais (duração.os quais certamente sempre se levam em conta para compreender o conflito poderá produzir-se um estancamento no processo 3e conscientização e mudança do paciente.

no sentido de que o insight em P. dificilmente uma terapia breve chega a con­ frontar o paciente com seu conflito edípico. A propósito deste aspecto da técnica. compreenda os determinantes históricos do conflito atual. descartando outros aspectos do conflito. Neste último caso. quando se considere necessário fazê-lo.114 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica X 3. mas o terapeuta não deve ter por aspiração principal eliminar a amnésia infantil (Devald [5]). tenha de fazer alusão de maneira direta a componentes do conflito original. por exemplo. com relação a um(a) irmão(ã)30. mais do que tudo.B. Poder-se-á trabalhar um conflito infantil derivado (por exemplo. Este ponto corresponde ao critério sustentado por Szpilka e Knobcl. pois não é possível abarcá-lo em sua totalidade e propen­ der para a sua elaboração. ao necessário para obter certa mobili­ zação e progresso no paciente. cm vez de fazê-lo reviver emocional­ mente os conflitos infantis no seio da relação transferencial. A isto terá de se agregar que: )*■4. pelo contrário. . têm dito esses autores: “Devemos reconhecer que isto. Como corolário da revisão das distintas modificações e agre­ gados realizáveis nas interpretações. O modo de formular as interpretações tenderá a facilitar que o paciente. aquela poderá fornecer o desenvolvimento da regressão e o da neurose de transferência ou. pode servir perfeitamente para mobilizar situa­ ções internas. ou seja. Assim. para al­ guns indivíduos. limitado ao que é imediatamente relacionado à situação-problema. ainda que. podemos afirmar: de acordo com a conformação da interpretação e a modalidade que assume sua formulação. o significado incestuoso ou parricida de suas fantasias11. K5. carecendo de sentido “abrir feridas” nas defesas. para as quais ainda não temos métodos de avaliação e que podem ser úteis para alcançar uma adaptação produtiva à ^realidade” (42). Que os componentes histórico-genéticos a incluir nas in­ terpretações sejam pertinentes à estrutura focal®. mostrando-lhe direta­ mente. realizo um trabalho interpretativo sempre parcial. tem de ter “maior participação cognitiva que afetiva” (42). ten­ der a neutralizá-los.

B. fantasias. quer dizer. não há tampouco uma unidade de critério com res­ peito a se devem ou não ser formuladas interpretações acerca do material onírico dos pacientes. Mas vejamos a que me refiro com o que acabo de mencionar. Mas uma vezf mais certos cui­ dados terão de ser tomados para tratar de conttolar a regressão que poderá ser gerada. Quando interpretar A interpretação dos sonhos deverá reger-se pelos mesmos princípios gerais que presidem toda interpretação em P.. (De qualquer manei­ ra. ou seja.B. já que a interpretação onírica é “a via régia para o conhecimento do inconsciente” (Freud [20]) c por conseguinte constitui uma ajuda valiosíssima para detectar o ponto de urgência. crçio que não convem rejei­ tar de imediato um material tão apropriado. sugerem apriori sua vinculaçào com o foco. ainda que tendo presente quando. Do que surgir da análise se verá se a formulação de interpretações é indicada ou se pelo çarb> trário o sonho em questão deverá ser deixado de lado nesse senti­ do: tudo isso dependerá essencialmente. Com isso quero expressar que não costumo “deixar passar” um sonho sem antes efetuar uma tarefa mínima de exploração de seu conteúdo. ainda que não . no geral. se considerará o material onírico inter potável sobrem do desde seu conteúdo' manifesto e por sua relação com o contexto.).115 d) Interpretação dos sonhos Em P. em função da possibili­ dade de estimular excessivamente a produção de fenômenos re­ gressivos no paciente. não vejo nenhum inconveniente em tentar. etc. Como responder a este problema técnico? Creio que diante dos sonhos o terapeuta deve assumir a mesma atitude que ante qualquer outro produto da atividade psíquica (atos falhos. conteria um risco básico. praticada do mesmo modo que na psicanálise. interpretar na medida em que o considere útil. repito. o que e como interpretar. Apesar disso. A interpretação dos sonhos. Em última instância. certa aná­ lise dos sonhos trazidos pelo paciente. de tratar-se ou não de materiaífocal.

Como interpretar Consideraremos duas questões: uma referente ao método de análise dos sonhos e outra ao conteúdo das interpretações formu­ ladas para o paciente.116 Psicoterapia breve de orientaçào psicanalitica derive na formulação de uma interpretação. Geralmente deve-se evitar referir as interpretações a desejos infantis inconscientes. venho observando com freqüência que os colegas cometem diver­ . remetendo-nos em troca só às idéias latentes pré-conscientes. A tarefa interpretativa se efetuará segundo as normas já assi­ naladas para a interpretação na PB.assim como acontece por exemplo com os fenômenos transferenciais em geral um recurso de apreciável utilidade para enriquecer nossa compreen­ são dinâmica do paciente. psicanaliticamente orientada. incluindo o auxílio oferecido pelas associações livres do paciente. | especialmente no que concerne à focalização e à transferência. sempre dentro do que se refere ao conflito a resolver. embora limitada em seu alcance. a análise do sonho. tal como se faz na técnica psicanalitica. reduzindo ao mínimo a indução de fenômenos regressivos. constitui . Por outro lado. Os recursos para analisar os sonhos são em essência os da psicanálise. o que implicft conduzir uma vez mais o paciente ao contato com o conflito central do tratamento. devem-se interpretar-se mais que tudo aqueles conteúdos que parecem mais claros para o paciente. a quem se podem pedir associações a partir dos dife­ rentes elementos. e recolocá-lo assim na realidade de sua vida cotidiana.) O que interpretar Desde logo será preciso hierarquizar aqueles aspectos do sonho inerentes ao focal-atual. e) O terapeuta diante do trabalho interpretativo Em minha experiência de supervisão de tratamentos breves. pois a limitação de tempo permite introduzi-lo só até certo ponto nos significados dos mecanismos oníricos (Hoch [28]).

o terapeuta conta com diversos ins­ trumentos na psicologia verbal. a enfrentar as situações temidas (21). as perguntas revelam um terapeuta não-onipotente e interessado no paciente (16). As sugestões. Exemplo: desde Freud. tais como os vinculados à sexualidade. O fornecimento de informações.) Outras intervenções verbais Além das interpretações. ao mesmo tempo em que significa justamente cavalgar permanentemente entre a transfe­ rência e extratransferência. Os assinalamentos. pode­ mos citar: 1. % 2. hão resista a seus efeitos regressivos. (Os motivos subjacentes a esta atitude do tera­ peuta serão considerados no capítulo 8. além de empregar reiterada e excessivamente interpretações da transferência. . Entre eles encontramos muito correntemente o abuso da referência a situa­ ções transferenciais. com os perigos decorrentes.117 sos erros gerados pela transposição de elementos técnicos da psi­ canálise sem nenhuma modificação à técnica breve. ^ 4. Dentre os mais relevantes. a fim de se obte­ rem diversos e necessários dados acerca do paciente sobre o anda­ mento. Em outro contexto. As perguntas. Recordo com relação a isto um acertado comentário: “Ocorre-me que toda terapia breve apela para a mais primorosa sensibilidade do terapeuta. Também nesse ponto pode-se apreciar o papel ativo que desempenha o terapeuta. mas também durante o tratamento propriamente dito. Cabem não só na etapa diagnostica. num dado momento do processo terapêutico. ^ 3. São de diversas tendências. Certas dificuldades próprias do terapeuta determinam que este.” Fiorini apontou do mesmo modo a necessidade de que o terapeuta se autocontrole na utilização das interpretações “transferenciais” (14). instrumento terapêutico necessário em toda terapia de insight para facilitar o trabalho interpretativo. Em certas ocasiões pode ser benéfico oferecer informações ao paciente acerca de certos temas. leva-se em conta a possibilidade de estimular o paciente fóbico.

para facilitar a separação ao terminar o trata­ mento. Em certas ocasiões. em casos tais. além de interpretar . com grande necessida­ de dc provimentos narcísicos. As indicações. etc. De uso muito esporádico. Sem dúvida posso dizer que. pp. ^ 8. que es­ timule por sua vez a. como: X a) Situações de crises muito intensas. Os comentários. â 7. duas sessões semanais é um número apropriado para uma psicoterapia breve de insight. Tentar-se-á assim alcançar um rápido alívio sintomático. Para prevenir e contcr os acting out. na maioria dos casos.. £ 6. As intervenções de reasseguramento ou de reforço. Realizam-se essencialmente com o pro­ pósito de fomentar o intercâmbio verbal. às vezes pode ser útil ir reduzindo gradualmente a fre­ qüência das sessões (sempre que o estado do paciente o permita). confiança do paciente em suas possibilida­ des de melhoria (a posteriori poder-se-á reduzir o número de ses­ sões). Os conselhos. depressão. Uma maior freqüência pode ser conveniente. ao menos no começo. costuma ser recomendável uma freqüência de mais de duas sessões semanais. dada a diminuição da auto-estima. uma vez que possibilita uma tarefa de certo aprofundamento e restringe as perspectivas de regressão e depen­ dência que poderiam ser incrementadas com um maior número de sessões. pode bastar uma sessão por semana. por exemplo. em de­ pressões intensas e agudas.1JS Psicolerapia breve de orientação psicanalítica “é 5. Sobre as sessões t Em primeiro lugar referir-me-ei à freqüência das sessões. exceto quando se trata de apoio emocional. Exemplo: a prescrição de uma psicodroga. 34 ss. que transcorrem com grande angústia. Já fiz alusão às mesmas ao referir-me ao tema “Fortalecimento e ativa­ ção das funções egóicas” no capítulo 3. Em geral é conveniente adequar-se às necessidades de cada caso particular. Além disso. ^ b) Pacientes com marcadas tendências ao acting out. excitação psicomotríz.

É sobretudo no âmbito institucional que ocorrem as oportunidades mais promissoras para efetuar tratamentos combinando instru­ mentos terapêuticos que incluem eventualmente uma tarefa em equipe com outros profissionais da saúde mental. já que geralmente basta para efetuar uma tarefa proveitosa. F " Outros recursos terapêuticos Em muitas ocasiões resulta benéfico agregar outros instru­ mentos terapêuticos à psicoterapia individual verbal e breve. Supostamente. hipnose. comunidade terapêutica. Um dos tantos propósitos válidos e usuais na aplicação de diversos recursos em P. aumentam as possibili­ dades de fadiga do terapeuta (não esqueçamos que em P. Ocupar-me-ei de dois recursos que me são mais familiares por utilizá-los em minha experiência pessoal como terapeuta. À medida que a sessão se estende por mais tempo. As alternativas com que contamos no momento sâo realmen­ te numerosas: psicodrogas. o ponto de partida deve ser sempre uma fundamenta­ ção psicodinâmica acerca de sua incorporação ao tratamento e dos efeitos esperados com ela. (9) (10) (14) (46) (47). supõe-se que também pode variar dc acordo com as circunstâncias. etc. dramatização. para o que deve agilizar o processo terapêutico.B. exercendo o profissional um papel ativo e buscando obter determinados resultados em um prazo limitado. São . é o de procurar agilizar o processo tera­ pêutico. Quanto à duração das sessões.B. o que pode ser altamente positivo. Pessoalmente penso que uma duração de 40 minutos por sessão resulta adequada. intervenção breve. terapia ocupacional.0 tratamento 119 as fantasias transferenciais que possam estar presentes (mais co­ mentários sobre esse ponto poderão ser achados no capítulo 10). intervenção de familiares e/ou pes­ soas próximas do paciente. psicoterapia grupai. se trabalha comumente frente a IVentc. serviço social. quando se apela para outros elementos. geralmente o que implica na realização de um esforço significa­ tivo).

conhecendo o paciente melhor que seus colegas. Outros assinalaram a decisiva importância do fato de que desde o começo se explicite para o paciente o sentido da administração dos psico- . Em troca. etc. graduar a dose. controlar seus efeitos e ir efetuando as modificações que julgar convenientes. O emprego de psicofármacos A combinação de psicoterapia com psicodrogas pode ser muito útil em diversas circunstâncias. deverá evitar-se um emprego indiscriminado e rotineiro de medicações. Não insistirei nas reconhecidas vanta­ gens provenientes dos efeitos da medicação (alívio sintomático. especificarei alguns aspectos de sua aplicação. permitindo o acesso à psicoterapia de pacientes que de outro modo seriam muito difíceis de tratar. é claro. facilitaçào do insight. já que isto pode conduzir o paciente a escamotear seus conflitos. uma vez que pode gerar no paciente atitudes maníacas (30). e particularmente naquelas ocasiões em que se efetua uma terapia breve de insight. anulando-o em suas possibilidades de esclarecê-los e de encontrar uma solu­ ção mais satisfatória para eles. parece o mais indicado para poder realizar uma escolha adequada do medi­ camento. se trate de um profissional capacitado para o manejo dos psicofármacos).). Aqui é pertinente recordar também que alguns já alertaram sobre os perigos que contém a idealização do medicamento. Ministrar-se-á medicação só na­ quelas situações em que seu uso seja requerido como coadjuvante da psicoterapia e durante o tempo que se considere estritamente necessário.120 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica eles: o emprego de psicofármacos e a participação de familiares e/ou figuras próximas do paciente em tratamento. opino que a medicação deve ser forneci­ da na medida do possível pelo mesmo terapeuta encarregado da psicoterapia (sempre e quando. Em primeiro lugar. Sem dúvida é ele quem. melhoria na comunicação. sem que se necessite da participação dc um terceiro. sempre que se tenham pre­ sentes certas precauções. Em segundo lugar. assim como certas dificuldades que podem sur­ gir se os psicofármacos não forem manejados adequadamente.

que a medicação é destinada a tornar possível (ou facilitar) sua comunicação comi­ go. Com essas explicações tende-se a evitar a eventual interferência do efeito da medicação no pfocesso psicoterapêutico (o alívio fácil. que é a que no fimdo deve ser tratada/Em síntese. no caso em que esta esteja muito difícil. à compreensão c à resolu­ ção do conflito por meio da psicoterapia. é uma cárie (assimilável ao conflito psíquico). A dor pode ceder.B. da f>erda de interesse pela mesma. Para esclarecer a questão aos pacientes. por exemplo. Dever-se-á insistir junto ao paciente que ele deve aspirar a algo mais. ela voltará. Resulta em geral sumamente benéfico ter a oportunidade de entrevistar familiares e/ou pessoas próxi­ mas do paciente e conhecer suas impressões sobre eleJ2. costumo recorrer a exemplos simples: freqüentemente refiro-me ao que ocorre quan­ do a uma pessoa se ministra um analgésico (droga) para acalmar uma dor de dente (representante do sintoma psíquico). e se não se recorre novamente a ela. se não tentamos “curar” a infecção “pela raiz” por meio da psicoterapia. pois sua origem. ela persistirá/ A participação de familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento Freqüentemente é necessário incluir no processo terapêutico breve pessoas vinculadas ao paciente. diretamente. Também é convenien­ te esclarecer os objetivos do uso das psicodrogas associadas à P. As metas que mais comumente se buscam com essa conduta são: 1. mas passado o efeito da medicação. Obter informações. sem os esforços e a participação ativa que a psicoterapia supõe). Procurase além disso chegar a um diagnóstico psicodinâmico do casal . a procurar que a melhoria sintomática não seja acompanhada de uma desva­ lorização da psicoterapia ou. isto é. na terapêutica e/ou na avaliação de resultados. ou seja. explicando o caráter pa­ liativo de sua administração. por exemplo. posição com a qual concordo e segundo a qual costumo explicar ao paciente. quando se tenha um alívio sintomático. o que poderá acontecer ou na fase diagnóstico-prognóstica ou na busca de objetivos comuns.0 tratamento 121 fármacos (35).

a indicação poderá ser uma psicoterapia breve ex­ clusivamente grupai (casal. c) fase de avaliação dos resultados terapêuticos. com ou sem a inclusão do paciente no tratamento grupai. E não poderia ser de outra maneira quando se trata de buscar modificações em um prazo geralmente limitado. família) desde o começo. so­ bretudo quando a problemática está principalmente relacionada com seu meio familiar. senão do grupo familiar. já não como uma psicoterapia do adolescente. de pacientes adolescentes no que diz respeito ao papel dos pais. . Hm algu­ mas ocasiões. o emergente de um grupo enfermo. ou de outro. 3. £ 2. São elas: a) fase de devolução diagnostico-prognóstíca. determinar o papel que nela ocupa o paciente.lzz_ Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica e/ou da família. tudo isso de acordo com os critérios predominantes em cada caso.B. Isto poderá realizar-se através de entrevistas jie orientação c além disso. dc uma psicoterapia a cargo do mesmo terapeuta que efetua o tratamento do paciente. Tem-se enfatizado. pelos quais se dá espaço a familiares e/ou pessoas próximas do paciente no tratamento.B. a necessidade de incluir os pais no tratamento. Informar sobre o estado do paciente para conseguir que seus familiares ou as pessoas próximas assumam a responsabili­ dade do tratamento nos casos em que isso seja necessário. Quisera efetuar agora algumas considerações acerca da P. Além dos fins anteriormente mencionados. b) fase de combinação das metas terapêuticas e dos distintos aspectos do contrato. o tratamento pode ser concebido. fato que deverá configurar a regra e não a exceção na P. na realidade. de adolescentes. de adoles­ centes.B. A participação dos pais (ou tutores) do adolescente no pro­ cesso terapêutico deverá estender-se desde o início até o final do mesmo. partindo da concepção de que aquele é. paia o que resulta até imperioso trabalhar sobre os pro­ genitores e ter constantemente presente a unidade grupai de pato­ logia. na P. Atualmente. Atuar terapeuticamente sobre o meio que rodeia o enfer­ mo. já que se acham profundamente im­ plicados na crise do filho (31). se for preciso. apresenta-se especialmente aqui a necessidade de fazer intervirem os pais em função dc outros fins que se acrescen­ tam em determinadas fases do procedimento.

desqualificadoras dos suces- .*os objetivos terapêuticos e o contrato. atitudes repressoras. seja considerando-a mais grave do que o é na realidade seja pelo con­ trário diminuindo sua importância. objetivo que será facilitado por meio da psicoterapia familiar que virá em continuação. o que pode produzir efeitos perturbadores de natureza diversa. Caso con­ trário. Não é possí­ vel passar por alto desacordos ou mal-entendidos de início e dei­ xá-los à mercê.poderia mais adiante exercer a psicoterapia do grupo familiar a ser efetuada.no caso em que sejam cltís os que interferem inicialmente em nossas finalidades terapêuticas . por exemplo. Trataremos então de que colaborem desde o princípio e de ir preparando-os para que aceitem essas mudanças. por serem responsáveis pela terapia. culpogênicas e. pais e terapeuta. necessitam ter uma noçào real do esta­ do de saúde do filho e de suas perspectivas prognosticas.123 > a) Os pais. por exemplo. que não coincidem com as do paciente e/ou as do terapeuta. ainda admitindo que depende substancialmente desta que eles aceitem as modifi­ cações que possam produzir-sc na dinâmica familiar. e que os pais. No que concerne especificamente aos objetivos. é muito mais fácil que sobrevenham inconvenientes deriva­ dos da incompreensão e que consistem em diversos tipos de rea­ ções negativas por parte dos pais. ante as possíveis mudanças que o filho experimente. efitre paciente. Uma míni­ ma concordância inicial acerca dos objetivos terapêuticos consti­ tui um requisito fundamental porque permite começar a tarefa em melhores condições. e por ter sido requerida sua colaboração. definitivamente. quer dizer. Quando não recebem informações. junto com o adolescente e seus pais. Os pais costumam chegar à consulta com determinadas ex­ pectativas e intenções a respeito do tratamento do filho. ficam mais facilmente sujeitos a suas próprias fantasias acerca da enfermidade de que o filho padece. / b) É imprescindível combinar. Mas com freqüência as coisas nãó' são tão sim­ ples. da ação retificadora que sobre os pais . a situação mais desejável para enfrentar nosso trabalho terapêutico consistirá em alcançar um acordo unânime acerca dos mesmos. não se sintam inteiramente tomados de surpresa ou “atraiçoados” com relação ao planejamento previsto no começo do tratamento a respeito dos fins deste.

sendo também eles objeto de uma devolução por parte do terapeuta. No caso de se apresentarem dificuldades para chegar a um acordo inicial sobre os objetivos. logo após obtido um diagnóstico psicodinâmico do grupo familiar e da situação-problema. pois nelas devem-se encarar já alguns problemas cruciais da conflitiva famjliar. Por outro lado.124 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica sos do paciente ou. o que é muito comum. para obterem certas mudanças em sua relação com o paciente. de repente. num filho submisso e obediente. as quais poderiam ser conjuntas (29) com os pais e o adolescente ou realizar-se em separado. devemos fazer compreender a estes pais que nossa finali­ dade terapêutica não consiste simplesmente em converter o pa­ ciente. descreverei uma sií \ tuaçao -A muito freqüente na psicoterapia de adolescentes: a do jovem que tem uma atitude de rebeldia em relação aos pais. solicitar-se-á que tragam suas impressões sobre o estado atual do paciente. mediante a qual este comu­ nicará sua própria avaliação dos resultados terapêuticos. mas tam­ bém com eles. Procurar-se-á que os pais cheguem a reconhecer que tam­ bém eles estão imersos no problema e que. que retirem diretamen­ te o filho do tratamento. Antes de tudo. os pais devem ficar excluídos da avaliação dos resultados obtidos33. Essas entre­ vistas adquirem na realidade grande valor terapêutico. será preciso que se comprometam firmemente no esforço terapêutico. entrevistas operativas (44) especialmente destinadas a este fim. o deles mesmos (quando tenham sido tratados) e sobre o tratamento. será de utilidade efetuar. mas em tratar / de entender juntos a problemática familiar global que pode estar originando sua rebeldia e o significado profundo da mesma como expressão da crise adolescente e da conseqüente crise deles mes­ mos. título de exemplo do exposto até aqui. pois será ne­ cessário revisar o que acontece não só com o paciente. y c) Tampouco. Apelando uma vez mais para entrevistas con­ juntas ou em separado. é indubitável que os pais têm direito a um esclarecimento sobre o sentido e o alcance do tratamento que o filho venha a empreender. .

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trabalhava como empregada numa oficina e pertencia à classe média baixa.7 Uma sessão depsicoterapia breve . O casal havia se conhecido trépanos antes. prosseguir com a gra­ videz ou submeter-se a um aborto. Antes de mais nada. que espero possa ser útil para ilustrar aspectos inerentes à relação paciente-terapeuta. exporei os dados principais da história clinica e um esboço da estrutura focal da maneira como/oi concebida inicialmente1. é uma jovem que na época da consulta tinha 23 anos. mas abandonou-o logo em seguida). Rita dizia que a rela­ ção com seu marido era “bastante boa e carinhosa”. de 27 anos. Veio à consulta apresentando uma gravidez . .de aproximadamente 50 dias. A paciente. e por não poder tQmar uma decisão diante da mesma. “não acreditava” na psicoterapia e nunca havia aceitado consultar um psiquiatra. Estava casada há 14 meses. Tinha completado o curso secundário (efetuou algumas matérias no curso de psicologia. a quem chamarei Rita. segundo a paciente. isto é. tam­ bém empregado. e para permitir uma melhor compreensão do que aconteceu na ses­ são.cujo diagnósti­ co foi confirmado . j Apresentarei aqui o material de uma sessão cie psicoterapia focal. o qual. Consultou-me às escondidas de seu marido. ainda que não poucas vezes tivessem desentendimentos e discussões acaloradas. A princípio queria ajuda para compreender melhor suas qualidades a esse respeito e em conse­ qüência tomar uma resolução. à tarefa de focalizaçào e a outros temas de interesse. às intervenções do terapeuta.

gritando. enquanto voltava a si. antes de mais nada. “deve ser feio tê-lo sem sentir muito desejo”. Um dia. que ocasionassem sua esterilidade. seja porque eram constantemente acompa­ nhadas pelo medo de uma gravidez. dizia ela. assim mesmo em poucas ocasiões. Temia que tivessem produzido lesões importan­ tes nos genitais da paciente. quase não voltaram a falar no assunto. segundo lhe contaram. Seu marido adotava uma posição oposta. seja porque eram vividas por ambos com muita culpa (em Rita. ao verificar que não ficava grávida. Na realidade. já que seu marido desejava um filho. A paciente não encontrava explicações razoáveis para esse descuido. havia se desin­ teressado do assunto. Alegava. aceitando o conselho de uma amiga. Até esse momento não ha­ viam empregado nenhum método anticonceptivo. enquanto.130 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A gravidez não foi planejada conscientemente pelo casal. que não tinha interesse em submeter-se aos procedimentos habituais de contracepção e que ultimamente. por momentos parecia inclinar-se ao aborto. chorara muito. antes de vir à primeira entrevista em meu consultório. há dois anos ficara grávida ç de comum acordo com seu atual marido praticara um aborto. Ainda que Rita insistisse na dúvida acerca do que queria com relação à gravidez. As mesmas eram pouco satisfatórias. submeteu-se a uma anestesia geral e. razões econômicas. de vez em quando. a não ser o coitus interruptus. simbolizado pelo “casar-se de branco”). . mostrando-se muito entusiasmado com a idéia de ser pai e confiava em que iriam poder superar os diversos inconvenientes que se apresentas­ sem. A partir do aborto foi sobretudo seu marido quem pareceu ficar preocupado. alegando apenas que assim “era mais cômodo”. decidiu consultar antes um psicoterapeuta. havia esta­ do a ponto de visitar um médico residente para praticar o aborto. Para tanto. Haviam começado a manter relações sexuais antes do casa­ mento. A jovem temia em conseqüência que um aborto afetasse a relação do casal. uma vez passado o momento crítico. mas logo mudou de idéia e. chocavam-se com seu desejo de chegar virgem ao casamento. angustiadamente: “tiraram ele de mim!”. Mas. mas dizia tam­ bém que se sentia insegura de si mesma e incapacitada para ter um filho.

era uma pessoa muito severa e domina­ dora. Nem água podia beber. Sobressaíam as característi­ cas matriarcais. (“É como se ela não hesitasse em matar alguém nesse momento. } fazia supor que o grupo familiar correspondia ao tipo dos çj^omij \ nados aglutinados (F. dizendo-lhe que “não servia” (alusão ao fato de que não engravidava sua filha). com os conhecidos tabus sexuaisA relaçào com seus pais era de marcada dependência. que experimentava ocasionalmente. l ive que lhe dar soro. casado. Nunca se pode saber olque está sentindo c nunca discute com ninguém. Vi­ sitava-os diariamente com seu marido “para bater papo e jantar”. Segundo a paciente.” A reação de sua mãe havia sido especialmente desconcertante para Rita e parecia assentar-se em uma intensa ambivalência para com sua gravidez. ante as quais.) A família de Rita se opusera tenazmente a seu casamento. dizia com ironia. cm troca. segundo ela. um antes e outro depois do nascimento de Rita.. não podia “separar-se deles”i /"NTlido o que foi mencionado. por exemplo. que após ter vivido um tempo separado dos pais voltara à casa paterna acompanhado da esposa e. cinco anos mais velho que ela.disse . o pai adotou uma atitude de franco desagrado.” Padecia de hipertensão arterial. Segundo a descrição da paciente. que tratou de explicar à jovem com argumentos.. filha. . a paciente se encontrava em plena luta para alcançar sua individualização. Logo sejirrepende. vivia zombando do genro.”) Teve dois 'abortos. Bleger [2]). com reações anormais de violência. com uma filha de 4 anos. o irmão reagiu com aparente indiferença. e só ultimamente parecia dar mostras de começar a aceitar ou tole­ rar seu marido. A mãe. com tantos vômitos e indisposições. e L. se domina. Segundo Rita. o pai impressionava por ser uma pessoa muito controlada ein seus afetos: FEu sempre digo que é muito diplomático. T inha um irmao. como sofreu sua mãe nas dela. Diante da notícia da gravidez. além de muitos outros indícios.Uma sessão de psicoterapia breve 131 Dosjmtecedentes familiares importa assinalar que a paciente cra proveniente de uma família de educacão e costumes tradicio­ nais. como: “A mulher não deveria sofrer na gravidez. Sua relação com ele . Mas é só o que falta”. (“Não vivemos ali porque não dormimos. todavia.era^cordial”. Qualificou-a também de “muito nervosa”.

também. se alegraram muitíssimo com a novidade. e episódios diarréicos). Essa intervenção foi realizada com anestesia local. Por outro lado seu. devido a um quadro de apendicite aguda.132 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Logo lhe levaram a notícia da confirmação da gravidez. com seu casamento. “Mas não sei até que ponto se alegrou . sala. Além do mais. um médico diagnosticara uma presumível apendi­ cite crônica'. assinalarei alguns dados •' significativos: ela acreditava ter sido produto de uma gravidez não desejada por seus pais ( já em sua primeira gestação. cozinha e banheiro). flebite. o que supostamente levou o casal a não desejar outra gravidez). dificuldades econômicas familiares). Não tem lugar para nada. e o irmão. segundo lhe contou. não deu crédito. Em seguida pareceu emocionar-se e começou a chorar.) Dois anos antes. teve de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de urgência.co­ mentou Rita . depois passou a dormir com sua mãe na cama de casal (enquanto o pai dormia em seu local de trabalho. num exame clínico motivado por transtor­ nos intestinais. na sala) até que. corren­ do as duas. para justificar. Dizia-me: “Essa casà é um desastre. Ujnjnenino. dormiu na mesma cama que seu ir­ mão. Não. O par­ to foi normal. Dos antecedentes pessoais de Rita.” (Não descartava a possibilidade de recorrer a uma creche. à qual. a mãe havia sofrido diversas moléstias. Cabe dizer. ÜJUxo único. me disse ela”. . Até se casar. sua mãe. Nesses momentos a preocupava o fato de ver-se obrigada a deixar o bebê aos cuidados da mãe. estando grávida de três meses. você acha? respondi. para ir trabalhar. pai preferia.porque depois me disse que tomasse algo para tirálo. Interessa em especial destacar que a inãe de Rita. havia tido outras moléstias durante essa gravidez (anemia profunda. ‘Olha que é muito cedo para você perder tempo com uma criança’. foi viver com o marido em um apartamento alugado. ao que parece. ainda que lhe parecesse que sua mãe cuidaria do filho com mais carinho. Até os seis anos. que era. a princípio. instalada ao lado da de seus pais (alegava. que os pais ^do marido. diariamente. Rita sempre dormiu na casa dos pais (a casa em que ainda vivem c que conta apenas com uin quarto. grande risco de vida.

etc. seu aborto podia ser considerado. Além do mais. a faziam temer agora por sua própria sorte. funcionamento egóico adequado.e ao que parece. foco definido. com atitudes para o insight. em parte. inclusive as primei­ ras etapas de sua vida. A gravidez atual continha então um desejo inconsciente de reparar o dano produzi­ do^ associado à ngcgssidade de comprovar a preservação de seus genitais diante do temor de que tivessem sofrido danos. como um mecanismo de autocastigo por infringir a proibição. Diante de uma imagem fetal seguramente muito per____________ ^ ' J' " " " ^ llh _ *' í . e as conseqüentes fantasias incestuosas. Assinalarei agora os componentes do foco iniciahe alguns dos principais psicodinamismos em jogo. Suas relações sexuais pareciam despertar nela intensos sentimentos de culpa. W. que sem dúvida tinham muito a ver com suas experiências de coabitação e de partilha de cama. nao chegando a configurar um quadro característico de neurose. Vamos aventar a hipótese de quê suas fantasias de ataque ao ventre materno. negando a dor e a perseguição provocadas por essa perda. \lguns diagnósticos considerados foram: personalidade hipomaniaca^ com conflitos de natureza neurótica. tam­ bém seu esposo reagia com típicas defesas maníacas. diante dà qual a paciente . e dali ir retrocedendo em sua história até chegar a considerar a pro­ vável incidência de fatos a elas concernentes. Mas o aborto também era gerador de culpa pela destruição do filho. principalmen­ te por tratar-se de relações sexuais pré-conjugais.C ---- - " j ' - .Uma sessão depsicoterapia breve w. ainda que em grau menor. alimentadas pelo risco cirúrgico que sofrera sua mãe. Pensei em questões que se vinculavam ao motivo da consulta. ^ -----. Creio que podemos partir da^dificuldades sexuaj^ de Rita. ainda que manifes­ tando resistências que poderiam accntuar-se4. Mas Rita parecia sentir novamente e de modo imperativo a necessidade de pagar por suas “faltas” com um novo aborto. ba­ seado nos conflitos ante a maternidade. tais como: Quais foram os fatores*dcterminantes da busca inconsciente da gravidez atual? O que ela representava para a paciente e para o seu marido? Que fatos motivavam sua ambivalência afetiva e seu» temores ante a gestação? Por que se inclinava conscientemente a&aborto?. consU derando seus ^ntêcedentes pré-natái§> podemos compreender melhor o porquê de suas elevadas ansiedades paranóides ante a sua gestãçao e suas intenções de abortos. Ein conseqüência do men­ cionado.

dos tabus sexuais e . Recordando o conceito de foco enunciado por Fiorini (3). temerosa. adquirindo a gravidez o caráter de algo pecaminoso. já que primeiro incentivava o casal à gravidez por meio de troças a seu genro. em uma observação mais profunda. incrementando-se seus temores de experimentar uni retrocesso nesse sentido: deixar o bebê aos cuidados de sua mãe consistiria em voltar a ligar-se e submeter-se intensamente à. e na qual correu peri­ go de ser abortada. no que. correspondentes à conflitiva focal.da. A conduta materna reproduzia. bssa crença era fundamentada nos problemas sofridos por sua mãe e sua cunhada. Nessa etapa dc doloroso e difícil despren­ dimento. (Rita havia nascido entre dois abonos. em função do luto patológico nâo-elaborado (aborto). e expressa verbalmente pelo pai. a de um superego ambíguo. de uma gravide/. para cm seguida dizer que abortasse. por outro lado. não desejada e muito acidentada. em relação à qual teria lugar o conflito básico da problemâtica.) Deduz-sc que Rita não se sfiüúa cqmjLijreito de_sCTmãe. até esse momento. Inclusive sua mãe a incentivava em certos momentos a abortar. Parecia temer que os familiares. . a paciente sem dúvida não havia conseguido. a rejeição ante o marido e à gravidez. através da quãTse^oãõHrígadíTa abandonar seus desejos maternais5. Por sua vez. só acumulava dúvidas sobre o que desejava fazer.. especialmente à mãe. atraves~dê~seírs levado montantejteagressão. Havia muito mais elementos em jogo. Os relativos à relação de casal da paciente não pareciam relevantes num primeiro momento. também para ela a imagem materna continha características filiei^ das (5 ). família. A família parecia exercer grande influência sobre a paciente. pela qual é preferível não passar. da severa educação religiosa. poderse-ia descobrir a persistente resistência familiar à sua individuali­ zação e desprendimento. Mas sim. interessava além do mais considerar o momento evolutivo que este caso estava atravessando: pudera começar a separar-se fís i-/lfV '*^tr ca e gradualmente de seu grupo familiar ao contrair matrimônio j cerca de um ano atrás.134 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica secutória. os provenientes do meio familiar. a perspectiva de ter um filho repercutia curiosamente na jovem. crcnça quase mítica de que a gravidez era uma espécie de enfermidade^lesgraça ou maldição. como emer­ gente. e a jovem. superar sua dependência patológica do gru­ po. ao que parece. assim.

o qual.. que se achava sob o domínio da avó e exposta a uma educação retrógrada. a despojassem de seu filho. r'Mas seus temores se baseavam. antes de mais nada. sobretudo o materno. teria de oferecer a ela.pria experiência. M o o familiar | .no sentido de não poder liberar-se da ligação com a figura materna. em sua pró. ^ Tratarei dc reproduzir. renunciando à sua condi­ ção dc tnãe. Estas seriam as regras do jogo que deveria cumprir para não perder o carinho dos seus. com as limitações próprias de todo esquema. o desenvolvido até aqui: ^ FO C O Relações sexuais pré-conjugais (culpa pela sexualidade) I Aborto |-----1 Defesas maníacas t s [ M omento ev o lutivo]----- Casamento Deves abonar" \ .Uma sessão de psicolerapia breve 135 em particular a mãe. no caso de nãcTabortar. que se reativava ao identificar-se com o filho monopolizado em sua fantasia por sua mãe. Rita tomava como referência o que ocorria com sua pequena sobrinha.

assim como as fantasias subjacentes que haviam acompanhado a sua busca. Há um silêncio de alguns segun­ dos. perfeitamente localizada c circunscrita. com duas sessões semanais de 40 minutos cada... Caso se decidisse pelo aborto. Caso decidisse prosseguir com a gravi­ dez. um pouco perturbada): Não me diga nada. a situação seria reestudada. O tratamento foi planejado com base na técnica de insight. P1: (Sorri. que revela agora certa preocupação). ( pensa breve) Sobra-me apenas metade da sessão. por meio de entrevistas de orientação. T1: (Respondo com um sorriso.. para ela. considerando-se útil em algum momento a possibilidade de inclusão do esposo e de outros familiares da paciente no processo terapêutico. A sessão A seguir é transcrita quase que literalmente a sétima sessão do tratamento de Rita. T2: Além disso. Recorria à consulta por uma necessidade que era. dependendo da evolução do seu estado e das vicissitu­ des que poderiam acompanhar sua gravidez.136 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica A paciente nào se achava motivada para realizar um trata­ mento prolongado. Chega com 20 minutos de atraso. que interrompo para dirigir-me a ela.. acredita que poderia haver outros motivos? P3: (Incisivamente): Não. o objetivo do tratamento seria a revisão das ansiedades por ela produzidas durante a gestação. assim como das dificuldades de diversos tipos que eventualmente pudessem aparecer. motivo pelo qual lhe propus uma psicoterapia de objetivos limitados e de final “aberto”. . (muda bruscamente o tom de voz. que estava próxima de completar o terceiro mês de gestação. ainda que nesse caso tenha-se adiantado que uma assistência psicológica seria tanto ou mais necessária6. em tom amável): O que você pensa a respeito de ter chegado tarde desta vez? P2: A verdade é que sentia frio e tive dificuldades para me le­ vantar da cama e vir. levando-se em conta seu estado e motivação para o tratamento. As metas terapêuticas imediatas consistiam em ajudá-la a en­ tender melhor as causas determinantes de suas dúvidas a respeito de sua gravidez.

Mas Rita começa a mostrar-se tensa. com si­ nais visíveis de ansiedade. celebrávamos minha pri­ meira comunhão. e outra não. não? P5: ( Com expressão de alivio ): Sim. E não sei por onde co­ meçar.. quando estão no cio? Bem. Porque vir aqui adquiriu o significado de ocupar-se de você e de sua gravidez com a idéia de pre­ servá-la. (A seguir ocorre uma nova pausa.. pelo que eu me converti em algo assim como a contrapartida dele. sobre alguma coisa ruim de minha infância. Depois. Como foi isso? Contc-me por favor. Lembro-me de que meus pais e meu irmão comentavam: “Não vamos deixar que as pessoas vejam um cachorro assim maltratado.” O cachorro desapareceu. externando através de um olhar atento e movimentos de cabeça em sinal de aprovação. o in­ teresse que me desperta sua abordagem)1 . mais prolongada.. sim. meu outro cachorro foi . De novo interrompo à silêncio.Uma sessão de psicoterapia breve T3: Assim é.. Tí­ nhamos um cachorro que “andava” com uma cachorra que estava no cio. P7: Você já notou os cachorros. Como incomodavam e o cachorro estava mui­ to agitado. a que não vem na primei­ ra metade da sessão. Lembrei-me que quando tinha sete anos mataram meu cachorro.. num saco. Quer dizer. Um dia.. você parece se sentir como que dividida em duas partes: uma quer prosseguir a gravidez e ter o bebê. antes de me consultar pela primeira vez. e que naquela ocasião eu não pude lembrar.. você ia procurar um aborteiro. não sei.) T4: Parece que lhe custa prosseguir. T5: Pelo que sente necessidade de trazer hoje e que lhe parece possa ser útil para entender seu problema. Logo soube que meu pai e meu irmão o tinham atirado no rio.. recordando algumas coisas relaciona­ das com o que você me perguntou nas entrevistas.. Então. Sofri muito com isso. No dia seguinte. Creio que isso tem a ver com seus sentimentos ante a sua gravidez. T6: (Acompanho seu relato. Volta a sorrir-me. metade da sessão não vem e a outra metade. meu irmão bateu-lhe com uma cadeira que o “descadeirou”.. a que vem. estive pensando. P6: Sim. • P4: (Adota uma expressão meditativa): Pode ser.

Tudo isso eu não recordava.. seu carinho maternal e seus desejos de proteção para com seu filho... T9: E no que diz respeito à gravidez de sua mãe. não reconhe­ cendo em você. Parecem estar em parte re­ lacionadas com os problemas que tem agora. que atiraram dentro do rio. P9: Talvez. será seu medo ao bisturi.. Quer dizer. quem sabe. brigava com meu pai e pegava uma faca. e por isso surgem essas lembran­ ças. não sei se tenho medo por mim mesma. Tl 1: Sua mãe com a faca. num saco. ou se justamente por serem feias pre­ feri deixá-las de lado.138 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica atropelado por um caminhão. abaixar um pouco. o que não é casual.. T8: Bem. vimos que para você os cachorros repre­ sentam os filhos7. tratemos de ver o que significaram para você esses fatos de sua vida e por que foram recordados agora. TIO: Medo de que lhe suceda algo por estar grávida? PI 1: Sim. Sua gravidez é sua principal preocupação. dos quais não se dá conta.. e ontem me perguntava se era por não serem coisas tão feias.. expressam uma grande preocupação que agora tem por sua gravidez. que lhe acon­ teça o mesmo que a ela? Que a tenham de operar de apendi­ cite? . Com certeza.. mas por algum motivo surgem essas recordações.. mas eu não me dou conta de que isso aconteça com minha gravidez. Creio que no fundo teme muito perdê-lo.. que o arranquem como o seu cachorro. (pausa um pouco pro­ longada). Em sessões passadas e nas entrevistas. ameaçan­ do se matar. essas recordações. Quem sabe seja isso... Não sinto isso tudo. Estive também me lembrando de outras coisas: de quando minha mãe. T7: Ela tentou alguma vez? P8: Não. que sempre foi muito nervosa.. despedaçando a boca. o que viria? Com o que poderia relacionar? PIO: Não sei. pelo menos que eu saiba.. abortar outra vez. Vejamos um pouco por quê: você sofria pelo que acon­ tecia aos cachorros. você poderia ter recordado outras coisas desagradá­ veis de sua infância.

então. Não só viajar.. PI4: Sim. motivo pelo qual lhe custa vir aqui. Além do . Tl 4: É certo que. Podia tê-lo feito antes de me casar. umas ‘lou­ cas’.. de que nada me atraía. (pausa). minha família e meu marido. Perguntome sc tudo isso não está relacionado ainda com suas dificul­ dades em vir às sessões. estudar..Uma sessão de psicoterapia breve 139 PI2: (Aprova com um movimento de cabeça).. mas não qúis. Depois cheguei a pensar que me invejava por ele não ter podido seguir uma carreira nos estudos.. PI5: (Interrompendo-me). como a de não ter querido fazer coisas que na realidade você gostava. Quero dizer. PI6: Com a psicologia. na verdade não sei por que me atormenta tanto esse medo de que algo de ruim mc aconteça. ser uma dama. T l3: Não quis ou não pôde? Porque talvez algo lhe acontecesse. (sorri. já que vontade não lhe faltava. É como se fosse algo relacionado aos seus estudos de psicologia. teria de pensar em con­ seguir um emprego com urgência para poder enfrentar todas as despesas que viriam. sentime cansada da faculdade e a deixei. abandonando os estudos quando estudar era algo muito desejado por você. Quero lhe dizer também que estive pensando sobre o que disse na últi­ ma sessão. quê eu gostava. como se tivesse sido descobkrta): Eu gostava de muitas coisas. próximo do casamento. mas antes disso não existia esse problema. P13: Pode ser. e no entanto não pude fazer coisas. cheios de preconceitos. Na verdade antes de mc casar havia muitas coisas de que eu gostava. para os quais não teve apro­ vação deles. não fica claro o porque desse temor.. mas também modelo. uma desculpa.. São explicações que procuram esconder quanto você dependia da opinião dos outros e quanto estava submetida a eles. T l2: Se bem que um médico lhe haja dito que tem apendicite crô­ nica. Sim. Por fim... se opunham e me diziam: “Para essa faculdade é que você vai? É psicologia que você quer estudar? Ali são todas umas sem-vergonha. parece que é assim. se não haveria mais coisas nisso tudo. Tl 5: Sim.. Tl 6: O cansaço é... Assim acabou por se submeter a seu marido.

você se permite falar aqui de seus interesses. mostra-se com mais iniciativa. Tl 8: Isso explica por que quando ela lhe disse “tire-o”. que me apóie para eu poder fazer coisas. rebe­ lar-se e expor-se a ser castigada por ela. Foi entào. T l7: Talvez esteja buscando isso em mim.. Meu irmão a con­ testava. esperando aprovação para levar suas coisas adiante e agora sua gravidez.140 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mais. Pelo visto. Hoje. se rebelava e entào “levava”. em especial sua mãe. mas também por seus temores em contradizê-la. segundo parece. eu pensava: parece que sempre necessitei que alguém me desse um empurrãozinho. Queria sentir-se autorizada por mim a prosseguir com sua gravidez. também nisso se sinta sem permissão para seguir adiante. Recentemente então se sentiu com permissão.<a ocorrência de alguma coisa ruim. . não só por suas próprias dúvidas. se preocu­ pa muito com o que pensa sua família sobre sua gravidez. como castigo. não se sinta muito tranqüila. deles dando mostras hoje. como por exemplo que a tenham de ope­ rar de apendicite. mas também de mim. como sente que ela não a aceita de todo. disse você. Uma permissão que estava esperando sobretudo de sua mãe. Você o faz às escondidas. quem sabe espera que a ajude. Por isso tem medo de manter a gravidez. PI7: Tem razão. com o caso dos cachorros. ainda que. Recorde como sua disposição sobre sua gravidez se modificou quando ela mudou de opinião e a aprovou. você acha?”. Enquanto você fala­ va.. Tem desejos muito encobertos de ser mãe. e creio que é parecido com o que acontece com suas dificuldades ante sua gravi­ dez. Seria o empurrãozinho de que necessita para preservá-la. Em parte. Isso significa que continua dependendo dos outros. a qual teria. Mas quem sabe. defendê-la. Eu me salvava por ficar caladinha. você ensaiou uma defesa muito tímida: “Não. assinalando. Seria desobedecer-lhe. por tudo isso sente que seria melhor “tirá-lo” e assim evitar o perigo. P18: É que eu sempre tive medo de minha mãe. Creio que é como você diz. Esse problema de suas dificuldades para empreender algumas atividades muito desejadas é muito importante. lcmbre-se de que você não comentou com seu marido que está se tratando.

. mostrando-lhe . que tem razão. O que acha? P21: Acho que sim. não permitindo que ocorra um silêncio prolongado. creio que hoje vimos algumas que parccem ser muito importantes e que devem estar pesando muito em você. e por ter relações sexuais antes e depois do casamento. Se bem que deva haver mui­ tas outras coisas para se ver com respeito aos problemas ante sua gravidez. apesar da oposição de seus pais.. Seu sentimento de culpa por ter-se casado.Uma sessão de psicoterapia breve 141 P19: (. Além de se atrever a casar sem a apro­ vação de seus pais. então se entende que é com muita razão que você se sinta tão inquieta. essencial às mesmas. que cor­ reria o risco de ser vivenciado como muito inquisidor ou direta­ mente acusador (Intervenções Tl e T2). abordo suas resis­ tências através de um fator determinante. (brincan­ do): É o fim! P20: Ah!.. trato de concentrar sua atenção sobre este fato.. T20: Então. e cuja causa é a regressão que se pro­ duziria a partir da identificação com o feto (6). Isto é. parece que não (fesapareceu. Acho que é assim... mas meus pais nào aceitavam meu marido. te­ mendo ser duramente castigada por “esquentar” e ter rela­ ções sexuais. Faço-o de modo a ser o menos persecutório possí­ vel. T21: Temos que encerrar por hojç. e no entanto eu o fiz! Tl 9: Está certo. Comentários sobre a sessão A paciente chega tarde. e agora é maior com a gravidez.Protestando em tom amável)'. Bem. Em primeiro lugar. acho que se coloca na posição do cachorrinho. Por mais que o fato de querer ficar na cama possa em parte ser explicado pela retração e excesso de sono que as mulheres costumam sentir durante as pri­ meiras semanas de gravidez. coisa que já havia ocorrido em algu­ mas sessões anteriores. (surpresa). através de sua ambivalência ante a gravidez. já que ele interfere sensivelmente em nosso trabalho. doutor. agora quer ter um filho dele. opunham-se a que eu me casas­ se. Não havia pensado nisso.

a tarefa interpretativa estimula o aparecimento de um rico material associativo. uma vez que já nos momentos iniciais da sessão uma intenção focalizadora se manifesta através desta intervenção. Em T6. Reforço. Tudo isso acontece rapidamente. Em P6 mencionou algo que lhe aconteceu com um cachorro. segundo vislumbro. Além do mais. de estar diante de algo de decisiva importância para compreender a problemática da paciente. volto a interromper seu silêncio com uma interven­ ção que tende a tranqíiilizá-la. no qual parece que­ rer me situar (T3). destinada a superar o obstácu­ lo resistencial. além do mais. atenuando assim sua perseguição.. na verdade pouco desen­ volvida em conseqüência de sua submissão. a canalização nessa direção. por indícios que a seguir veremos.). quando admite a pos­ sibilidade de tratar-se de coisas “feias”. visto que quero fazê-la sentir que compreendo . esboça levemente uma atitude crítica. etc. podem ajudar-me a detectar o ponto de urgên­ cia. dando-me a sensação. Parece estar do­ tado de uma grande carga emocional que me impressiona muito. No transcorrer do tratamento. portanto. Como em sessões anteriores havia ficado evidenciado que este animal sim­ bolizava para ela os filhos. Estamos sem dúvida diante de um material focal que convém abordar. As recordações de Rita provocam em mim ocorrências que. situação essa que se apresenta com freqüên­ cia nessas terapias.142 também o papel de defensor e protetor desta. A esse respei­ to. trata-se fundamentalmente de uma interpretação “transferenciar. como o de P7. Em T4. a serviço da tarefa terapêutica. de­ monstro à paciente também verbalmente atenção e interesse diante do material que me traz. dispondo-me a escutá-la fazendo uso da atenção flutuante. Rita relata ali recordações que impressionam pelo vínculo à repressão sexual e à violência de seu meio familiar. raciocinar. numa tentativa de propiciar boa relação terapêutica e particularmente de estimular sua atividade egóica (recordar. deduzo então que se trata de material pertinente ao foco. Mencionarei alguns dos pensamentos que me passaram pela mente nesses momentos sobre o significado que . Trata-se agora de decidir o que interpretar e de eleger uma determinada linha interpretativa entre várias possíveis. através da expressão corporal eque manifesto.e tolero suas dificuldades de trabalhar na sessão.

e prestarei especial atenção à primeira das ditas recordações. já que a família aparece condenando sua sexualidade e por fim seu matrimônio e gravidez. as atividades sexuais dos animais na véspera dessa comunhão. casando-se “de branco”. o que se relacionaria com sua culpa por desejos sexuais incestuosos e pelo aborto. ata­ que fantasiado como aborto. a dor que lhe causa. decido for­ . além do mais. suas próprias relações préconjugais. a preocupação pelo feto perdido e seu destino. A cadela no cio me faz pensar na atual gravidez de Rita. Estariam relacionadas com sentimentos infantis de culpa e fantasias de castigo pela sexualidade incestuosa. deve ofcultar.Uma sessão ciepsicoterapia breve 143 poderiam ter essas recordações surgidas em tais circunstâncias. 4. 1. por tratar-se de um pecado. sua genitalidade culposa e rejeitada que ela sente que a destrói. Ainda que todas essas hipóteses sejam concernentes à conflitiva focal e se encontrem intimamente relacionadas. o cachorro machucado. Expressariam sua atual preocupação e seus temores pelo que poderia acontecer a seu filho e em especial pela perspectiva de ser vítima de um violento ataque familiar à sua gravidez. fantasias subjacentes referi­ das ao parto.) Também o cachorro jogado ao rio dentro de um saco e o sofrimento experimentado encobririam outro fragmento de sua história: o aborto. que teria de ocultar ou eliminar. (É sobretudo a recordação descrita pela paciente no primeiro momento que suge­ re tal conteúdo. 3. Poderia haver.) 2. pois a faz pírder sua pureza e que por isso. (“Não vamos mostrar um cachorro assim maltratado aos outros”. nas quais prevaleceria o temor de dar à luz um filho deficiente ou talvez monstruoso (cachorro “descadeirado”). Este pensa­ mento é o ponto de partida para as duas suposições que figuram a seguir. já que o cio é o período em que ocorre a fecundação. A esse respeito me ocorre que a primeira comunhão poderia então repre­ sentar seu casamento (as meninas trajando longos vestidos bran­ cos s&assemelham a pequenas noivas). 5. tudo isso que é necessário negar ou subesti­ mar e ao qual se soma o fato de que o aborto é por sua vez o casti­ go por haver realizado algo proibido. Penso a seguir que poderiam estar encobrindo situações tanto anteriores quanto posteriores à época de que datam.

Junto à ativa­ ção egóica da paciente. e no seguimen­ to da sessão. uti­ lizando-se essencialmente da negação. e a oposição familiar à sua gestação. isso se vai traduzindo numa gradual de­ marcação e aprofundamento focais. a assunção de iun papel decididamente ativo por parte do terapeuta. T4. que não se limita a esperar o material da pa­ ciente e interpretar a partir de sua apresentação. . Mostro suas tendências maternais ocultas.T6. É que este último enfoque se ajusta melhor ao que tem sido evidenciado nas ses­ sões. Um objetivo importante aqui é que ela possa tomar consciência de seus sentimentos de proteção para com o filho. na qual existe um risco de aborto espontâneo (6). Isto porque parto de fatores já conhecidos de Rita. além do mais. o medo de perder o filho outra vez através de novo aborto. fantasiado como se fosse a família que lhe arrebata violentamente o filho e o destrói. Também é necessário que reconheça que foram os sentimentos de proteção projetados no esposo e cm mim que possibilitaram sua consulta*. T7. Em T9. (A evocação de um cachorro atropelado por um caminhão parece expressar também sua preocupação pelo destino do filho. Nessas circunstâncias poderia ser menos difícil que compreenda e aceite uma interpretação referente a esses temores. Em T8 configura-se então uma abertura para uma linha interpretativa a ser seguida no transcorrer dessa sessão. T9) e de explicações que recordam sinteticamente a ordem de trabalho (T5). assim como o faz com os sentimentos de rejeição ante a gravidez. T2.*44 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mular uma interpretação que possa conectá-la com as prováveis fantasias subjacentes enunciadas no item 5. procuro indagar mediante uma pergunta .o que significa o ressurgimento da recordação dos acessos de violência de sua mãe9. a paciente aparentemente rejeita a interpretação. seu medo de abortar é próprio da etapa de gestação que está atravessando. como o dos cachorros que para ela têm o significado de bebês. do que se a opção tivesse sido por outras interpretações.) Em P9. mas que participa intensamente e de diversas maneiras. incluindo a formulação fre­ qüente de perguntas (Tl. como aconteceu com seu cachorro. Começo ali tra­ tando de comunicar à jovem que a aparição dessas recordações se deve ao determinismo psíquico. Pode-se observar aqui. Por outro lado.

o que configuraria o conflito básico. a submissão às normas grupais. formulando uma nova interrogação. Isso porque alude à sua submissão ao grupo familiar. quem sabe muito ansiógeno (o que sugere que devo ter cuidado em não for­ mular interpretações prematuras dentro do conflito em questão).Uma sessão depsieoterapia breve _____ A partir de PIO. o que não ocorre em P9 configurando o ponto de emergên­ cia. inicialmente não aborda de modo direto elementos de interesses como resposta. dado pelos temores particulares correspof dentes à etapa de gestação que está atravessando10 e que o mito‘familiar acerca da gravidez fomenta sobremaneira". . A negação parece ceder um pouco. como suposições.como se pode com­ provar mais adiante na sessão que a levou a abandonar diversas atividades. vai-se confirmando a existência de uma imago materna muito persecutória. formuladas como interrogações. Seu medo de ter de se submeter a uma inter­ venção cirúrgica de apendicite. através da qual parece querer fugir ao tema. (Nesta paciente torna-se necessário assinalar constantemente o empobrecimento a que conduz a exa­ cerbação de suas defesas maníacas. que se opõem fundamental­ mente ao autoconhecimento. assim como ao seu parceiro . Em T l3. comq o fora sua mãe. Em PI3. Logo sobrevêm uma pausa. Já em PI6 se anima a resgatar e evocar juízos críticos para com aqueles que se opu­ nham preconceituosamente a seus estudos. ainda que aquilo a que faz referência guarde igualmente estreita relação com o evitado.) Em P14 e PI 5. pela qual inconscientemente se sente ameaçada e condenada a abortar. está sem dúvida muito mais próximo da consciência que seu medo do aborto .daí sua rápida resposta de aceitação da interpretação em PI 2. assinalo a negação maníaca da realidade. isto é. quer dizer. Em T12 trato de incrementar sua motivação para compreen­ der melhor as causas de seus temores. e também destinadas a comprovar sua resposta a elas a fim de verificar sua tolerância para enfrentar os referidos conflitos. TIO e Tl 1 são na realidade interpretações que es­ boçam e apontam para esse conflito (ainda que sem revelá-lo dire­ tamente no momento). censuradas essencialmente pelas conotações sexuais que teriam para eles. a paciente demonstra aceitar a realidade evi­ denciada.

trazendo novamente para o pri­ meiro plano sua gestação. às quais acrescento as que registra para vir às sessões por sua vinculação com o proibido (a psicolo­ gia). O material que fornece se apresenta extremamente produtivo e revela. Incluo-me nessa interpretação. a interpretação “transferencial” cumpre aqui uma função claramente ilustrativa de seus problemas atuais (dependência patológica). Assim sendo. Em T l7 pode-se observar também a intenção de recolocar a paciente na situaçào-problema. Em PI8 surge o temor de Rita à sua genitora. Isso se harmoniza com o tipo de vínculo e por­ tanto de comunicação que se instala. além do mais. numa atmosfera de ágil intercâmbio. o que. dentro de uma estrutura focal. dentro dessa sessão. observa-se também a extensão que nessa oportunidade como em outras. característica fundamental dessas terapias. cujas características são uma mútua participação ativa. já en­ . pode-se dizer que Rita está próxima de um insight. na qual não preocupa muito que em certos momentos o terapeuta possa chegar a falar tanto ou mais que o paciente. pode alcançar a formulação de uma interpretação ou de qualquer outra intervenção verbal nes­ ses tratamentos. Por meio dessa interpretação espera-se que Rita compreenda um aspecto importantíssimo de sua problemática atual e o motivo latente da consulta. sem no entan­ to ser utilizada como um instrumento para promover a dependên­ cia regressiva transferencial. Em T17 faz-se necessário interpretar a transferência. procuro de imediato orientar sua atenção para as figuras de sua realidade externa e cotidiana. que seria a busca de uma figura parental sobretudo materna permissiva e protetora para sua maternida­ de12.146 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Em T16 aludo às suas racionalizações diante das dificulda­ des causadas pela submissão. não constituindo necessariamente o tipo principal de interpretação e conectando o que sucede com outros objetos da realidade externa. Em PI7. Por outro lado. o que configura um aspecto do trabalho de focal ização. sem que isso no entanto implique concentrar todo o interesse da paciente na relação tera­ pêutica. Para a paciente. Insisto assim em deter-me nos obstáculos resistenciais. em especial o castigo pela rebelião. um bom funcionamento egóico a serviço da tarefa.

por meio da qual se tenta promover um insight inicial de um aspecto decisivo de seus conflitos. dado por sua submissão à figura mater­ na e por extensão a outras figuras superegóicas. que contemple entre outras coisas o pfoblema da culpa. A perspectiva é conseguir. ainda que parcialmente. por fim. creio ser possível e oportuno confrontar a paciente. Também tento.) Em T20. Esse momento é resultado da lenta pene­ tração no foco durante a sessão e de que pouco a pouco foram cedendo as defesas maníacas. demonstrativa do efeito emocional produzido pelas descobertas. em tom de brincadeira . permitindo assim que venha à tona a situação persecutória subjacente. A intervenção em T l9. num sen­ tido mais amplo. favotecendo assim que se clarifique ainda mais sua visão do problema atual à luz de seus sentimentos de culpa por ter-se “rebelado”. responde ao mo­ do expressivo assumido por Rita em P19 e encerra um momento de insight obtido.até onde seja possível e indi­ cado c com base nessa revelação um maior aprofundamento. (Este momento da sessão é por sua vez um dos que melhor exem­ plificam a afabilidade e a fluidez de diálogo que a comunicação pode assumir. pelo fato de crescer e desprender-se do grupo familiar. como parece atestar sua reação em P20. a paciente traz elementos para qye em T l9 se con­ firme e complemente o expresso em Tl 8. de importância crucial no processo terapêutico.sempre com base numa atitude cordial para com a paciente -. com conteúdos reprimidos que possam emergir das recor­ dações do cachorro maltratado. e ao mesmo tempo procuro manter . reafirmar o já formulado em interpretações imediatamente anteriores. T l8 é uma nova interpretação “extratransferencial”. em T20. em sessões posteriores . Em PI9. contando com certas perspectivas de que consiga um insight.Uma sessão depsicoterapia breve 147 volve o conflito básico. o que nem sempre é possível. o conflito básico dentro do foco. posto que abor­ dam. incluo apreciações acerca das des­ cobertas obtidas na sessão. de tal modo que quase toda a ses­ são pode ser considerada sob esse ponto de vista como um traba­ lho preparatório para a receptividade de interpretações similares. que espero sirvam para estimular a participação de Rita na tarefa. Por últi­ mo e como forma de encerrar.

R. 5. parto y puerperio. cap. L. 6. demos por encer­ rado o tratamento. Soifer. Kargieman. dei superyó”.. cm R. Rascovsky. H. 1971. padeceu de uma afecção renal. Pouco tempo depois. Rascovsky c D. El grupo psicológico. dificultando eventuais ten­ dências ao acting out (na forma de uma “pseudo-independência”. tendo-se recuperado por completo. Comunicaciónpersonal. P21 é uma nova resposta afirmativa de aceitação às minhas intervenções. 6. mediante enganos... em vez de respostas vazias ou de submissão ao terapeuta.”. Rascovsky.deve haver muitas outras coisas para serem vistas. e J.. 3. em L. Buenos Aires. cm H. Paidós. Grinberg. 4. etc. 1959. Buenos Aires. pelo clima afetivo que impera. “La matanza de los hijos”. Kargieman. La matanza de los hijos y otros ensayos. Psicologia y psycopatología”. 1. tratar-se de uma atenuação dos mecanismos manía­ cos e de um ascendente predomínio da transferência positiva. 1973. Allegro. Referências bibliográficas 1. .. de introspecção. 1966. G.. L. em parto normal.14S Psicoterapia breve de orientação psicanalitica sua curiosidade e suas expectativas a respeito desta (“. “Grupo familiar. A. Libcrman. c E. motivo pelo qual teve de guardar repouso na cama por aproximadamente um mês e meio. Bleger. 2. em A. em A. Soifcr. Deu à luz uma robusta menina. Nueva Vision. Nova. Bue­ nos Aires. 1970. Rodrigué.. Garma. Nos estágios fi­ nais da mesma. Psicoanálisis de la mania y la psicopatia.) e propiciar nela uma atitude reflexiva. “Ansiedades específicas del embarazo”. De. Langer c E. Fiorini. Respostas como esta vão-se fazendo mais freqüen­ tes no decorrer da sessão (o que se confirma a partir de P11 e especialmente em P17 e P20) e me sugerem.. “Reacciones maníacas: alegria masoquista dei yo por el triunfo. cap. J. Rita decidiu prosseguir com sua gravidez. Teoria y técnica depsicoterapias. A. Psi­ cologia dei embarazo. “El concepto de foco”. Fiorini. por exemplo). M. J. Bue­ nos Aires. Buenos Aires..

Poderíamos considerar a questão como uma conseqüência das dificuldades dos terapeutas para se ajustarem ao seu enquadraníento e finalidade. Antes de tudo. à sua maneira. não devemos nos enganar: por mais que desde alguns anos se fale bastante em terapias breves. na prática assistencial. mesmo assim observa­ mos uma considerável resistência por parte dos profissionais para o seu emprego ou. no caso de praticá-las. as vicissitudes e dúvidas que lhes im­ . de cuja utilidade para avaliar o problema que a assistência psiquiátrica maciça da população suscita muito poucos duvidam. seja nos serviços psi­ quiátricos hospitalares ou nos ccntros de saúde mental. para adequar-se ao en­ quadramento que as mesmas exigem e que as diferencia de outras técnicas psicoterapêuticas. prática e investigação em psicoterapias breves' Introdução \ Vou referir-me a alguns dos problemas que em nosso meio apresentam-se aos terapeutas ante a psicoterapia individual breve de orientação psieanalítica. o que é ainda mais grave. Assim sendo.8. seja nos hospitais psiquiátricos ou nas instituições privadas. Dificuldades do terapeuta para a formação. ameaça desacreditá-lo cada vez mais. na avaliação dos resultados obtidos e. à medida que os anos passam. ainda permanece a impressão de que os terapeu­ tas que se dedicam às psicoterapias breves “fazem o que podem” e enfrentam. o que por sua vez se traduz inevitavelmente em dificuldades no exercício desse mctodo terapêutico.

esclarecendo-me aspectos de decisiva importância no processo terapêutico. • Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psico­ terapia breve. Não podemos deixar de supor que tal situação diminui a eficácia terapêutica do procedimento e que é necessá­ rio portanto vencer os empecilhos que existem para instrumentar com êxito os diferentes recursos que podem fazer parte da terapia breve. jus­ tamente por essa condição. abordarei os seguintes pontos: • A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicote­ rapia breve. em sua maior parte inconscientes têm sobre esses fatos. sendo mais difíceis de controlar. • Conclusões. influem sobremaneira na mesma. Searles (15) (16) (17) sobre a inter-relação pa­ ciente-terapeuta.150 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica põem a tarefa. Convém esclarecer que essas opiniões são basicamente resultado de minhas reflexões a res­ peito das próprias vivências experimentadas ao longo de minha tarefa em psicoterapia de tempo limitado e do conhecimento das idéias de H. vou citá-las aqui. • Desprestígio da psicoterapia breve enquanto indicação tera­ pêutica. • Dificuldades diante do término do tratamento psicoterapêutico breve. Ao longo deste capítulo. Pela importância que têm a re­ lação com o que colocarei em seguida. . e que. que me despertaram um profundo interesse. De mi­ nha parte quero referir-me à incidência que em minha opinião certos fenômenos próprios da relação paciente-terapeuta. • Outras dificuldades do terapeuta diante das terapias breves. Esses fatos têm-me chamado muito a atenção e também tenho me formulado as perguntas obrigatórias: Por que isso ocorre? Que motivos existem para que o processo de aprendiza­ gem dos terapeutas do emprego das terapias breves se atrase e se veja freqüentemente entorpecido? Diversos investigadores já assinalaram algumas das causas.

Que acontece então quando as circunstâncias impedem de se efetuar um tratamento psicanalítico? Cai-se freqüentemente na realização de uma psicanálise “curta”. Comumente é nos estabelecimentos assistenciais. pouco eficaz e. Muitas vezes tal idéia se relacfona com a necessidade que os tera­ peutas jovens sentem de idealizar a psicanálise. até perturbadora para o pa­ ciente. na prática. têm a seu cargo de maneira geral a realização dos tratamentos breves.B. portanto interrompida. Como é de se supor. têm de maneira geral extremo interesse em exercitar-se na técnica psicanalítica. o que por sua vez se acha ligado a seus desejos de se converterem em psicanalistas (20). os terapeutas princi­ piantes são maioria e. um procedimento terapêutico basea­ do em certos elementos fundamentais da teoria psicanalítica.Dificuldades do terapeuta 151 A dificuldade de adaptação ao enquadramento da psicoterapia breve “Psicoterapia breve ‘versus’ psicanálise” A P. partir da psicanálise. mas acrescentava due esta teria de sofrer um processo de adaptação às novas condições (11). É habitual a tendência a desvalorizar a P. capazes de produzir autênticas mudanças nos pacientes. como se de­ preende desta denominação.. Esses terapeutas são objeto das influências já citadas. como logo veremos. onde se deve oferecer atenção psicológica a um número elevado de pacientes. Nesses estabelecimentos. e a difundir a idéia de que só um tratamento psicanalítico tem reais propriedades curativas.B. alcance e indicações determinados. Não obstante. de orientação psicanalítica constitui. em definitivo. ao que se soma uma tendência defensiva natural em aplicar aos pacientes aquilo que melhor . que sê la/ sentir com mais intensidade a necessidade de empregar a P.B. em sua opi­ nião. Já em 1918 Freud antecipou que os novos métodos que seriam utili­ zados com o correr do tempo para efetuar tratamentos psicoterapêuticos em grandes massas da população deveriam. para muitos é difícil aceitar a coexistência da psicanálise e da psicoterapia breve e reconhecer que se trata de métodos que têm utilidade.

que se costuma chamar de “superego ana­ lítico”.‘ *2 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica conhecem (o novo é menos seguro e gera ansiedades paranóides). continua sendo um parente pobre da psicanálise. quer dizer.) Na intimidade da relação terapeuta-paciente Pessoalmente perguntei-me o porquê de tal transposição. os quais sublinham o estado de desprestígio e de confusão que se observa em torno dela. (O grifo é meu. a técnica psicanalítica. pois c vivida como uma falta de garantia interna e externa para o trabalho a sèr desenvolvido. nem somente à carência de possibilidades de infor­ mação a respeito da teoria c da técnica da P. e para muitos a P. que podem intensificar-se diante de supervisores aferrados cm demasia à técnica da psicanálise ortodoxa e que não aceitam facilmente essas modificações. as terapias breves podem traduzir-se na prática em uma psicanálise “breve” (19). Concordo com ambos os autores quando atribuem tal situação ao fato de que se trans­ põem "as vivências. os conhecimentos e as técnicas psicanalíticas para essa psicoterapia” (19)..B. Apesar do relativo interesse que a P. tampouco considero que sejam as discrepâncias entre os diversos autores qúe provoquem confu­ são. leva a uma “desvalori­ zação da nova técnica” (20). as modificações técnicas que necessitam introduzir são sentidas com freqüência como uma “heresia” ante o modelo psicanalítico.B. como assmalam Szpilka e Knobel. já que. originando-se situações persecutórias.B. e ao com­ provar que. Toda essa situação toma difícil a aplicação dos novos métodos. material bibliográfico. se bem que eu tivesse suficientemente clara. esses problemas lamentavelmente ainda existem. tais discrepâncias não são tão grandes nem tão abundantes. tem despertado. Essa pergunta se impôs a mim com maior intensidade quando me dediquei à realização de uma expe­ riência hospitalar sistemática em P. Também como conseqüência dessas pressões. embora não abundante. felizmente contamos com um valioso. como bem disse Usandivaras. na atualidade. durante um ano. Creio que sua persistência obedece não só aos motivos até aqui enunciados. . quanto à qual. a qual. no final das contas. de início.B. Além disso.

manifestaVa-se uma notória inclinação para cons­ tituir comigo imi vínculo emocionalmente intenso e regressivo.). comecei a notar em mim uma forte e às vezes irresistí­ vel tendência de criar ou favorecer o estabelecimento da “atmos­ fera” psicanalítica nas sessões.). Corria-se o risco de que isso sucedesse a contragosto. Foi o conceito proposto por H.Dificuldades do terapeuta 153 a maneira segundo a qual me havia proposto a trabalhar. além disso. em geral. inconveniência do estabe­ lecimento de uma neurose transferencial e de estimular a regres­ são. etc. Mas tampouco tinha eu dúvidas de que. diferen­ ciando com certa precisão a técnica a ser empregada da técnica analítica. oferecendo uma maior “compreensão do significado emocional do paciente para o tera­ peuta c vice-versa” (16) e ressaltando. em vários de meus pacientes. sobretudo através de insistentes interpretações transferenciais (afortunadamente reduziram-se. devendo final­ mente se atingir sua resolução. Searles desenvolveu suas impressões referentes ao papel fundamental da simbiose terapêutica. Sus­ tenta Searles que o vínculo terapeuta-pacicnte atravessa um mo­ mento de simbiose e que tanto o paciente como o terapeuta contri­ buem para que ele seja assim. . etc. a ocorrências que não foram postas em prática e que pode­ riam facilitar o desenvolvimento da neurose de transferência e estimular a conseqüente regressão e dependência do paciente). Com base num insight progressivo em seus pacientes e nele próprio. Esse vínculo simbiótico tem suas raízes na relação mãe-filho c tende a se estabelecer e consolidar cedo ou tarde durante o tratamento psicanalítico. poucos meses de tratamento. Cheguei a pensar então que uma força interior me conduzia insensivelmente a tal atitude. a respeito do que me indicava a realidade (objetivos limitados. Searles sobre a simbiose terapêuti­ ca (15) (16) (17) que me permitiu entender o fenômeno e formu­ lar minha hipótese sobre o que acontece no tratamento breve. “o efeito dos processos inconscientes do terapeuta sobre o paciente” (16) no vínculo simbiótico2. contraria­ mente à minha ideologia terapêutica em matéria de terapias de tempo limitado e respondendo a uma tendência que não conse­ guia controlar e que nem poderia explicar unicamente através das razões aqui expostas (preconceitos com relagão a qualquer técni­ ca que não fosse a do tratamento psicanalítico.

.) se vêem submersos e arrastados em direção à corrente. Isso é particularmente notório na psicanálise de esquizofrênicos crôni­ cos. . Searles descreveu. demasiadamente poderoso para serem capazes de desviá-lo com facilidade (. o processo terapêutico. processos gratificantes da relação simbiótica que tanto o paciente quanto o terapeuta se mostram renitentes em abandonar” (16)... na psicoterapia de esquizofrênicos crônicos. como a inter-relaçào simbióti­ ca atravessa distintas “fases”.. Sustenta também que a relação de transferência simbiótica “(.7..). além disso... constitui fonte de intensa grati­ ficação para paciente e terapeuta . é com­ parável ao processo de maturação na criança (. embora inconscientes..) para fora do canal confluente.) tam­ bém é poderoso tanto para o paciente quanto para ele mesmo. Não só o paciente..154 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Para Searles.. (Os grifos são meus..mesmo quando isso me provoca muita ansiedade dos profundos.) apesar de seus tormentos (. quando estes despertam sentimentos maternais no terapeuta. o qual.) atualmente tenho me dado conta . mas profundamente valorizada (15). Diz esse autor: “(... ao processo de tra­ tamento (. Assim. a simbiose terapêutica experimenta mudanças de significado qualitativas e quantitativas..) constitui uma fase necessária na psi­ canálise ou psicoterapia tanto de pacientes neuróticos como de psicóticos ” e que “tanto o paciente quanto o terapeuta (.) a) A relação terapeuta-paciente no tratamentopsicanalítico A análise das emoções transferenciais e contratransferenciais mostra freqüentemente que estas alcançam grande intensida­ de e muitas delas são altamente gratificantes para o analista. durante meses ou anos. Hm tais fases. por sua força. mas também ele está agarrado a um processo. com freqüência negada por este último. logo teve que reconhecê-la na evolução trans­ ferencial de pacientes neuróticos. até chegar finalmente à de individualização do paciente.). o qual (. a simbiose terapêutica se apresenta tanto em pacientes psicóticos quarta n^irótims F ainda quêlnicialmcnte a tenha detectado e descrito na psicoterapia de esquizofrê­ nicos crônicos (15). em determinado momento. o qual tende a fo r­ mar-se p õ rsi mesmo” (16).

que carecemos do tempo necessário para trabalhar a neurose de transferência e a regressão conseqüente até conseguir que sejam elaboradas. As condições do enquadramen­ to da P. Sabemos que temos que nos propor objetivos limitados. sente-se cada vez mais objeto de todos os sentimentos deste e protagonista decisivo em sua vida. são dirigidas para evitar a instauração de um vínculo . essa interrelação simbiótica pode ser fomentada em beneficio do processo terapêutico. resulta frustrante nesse aspecto. Esclareçamos desde já que tudo isso também ocorre cm me­ nor magnitude na psicanálise de neuróticos. a regressão do paciente.? Que acontece com o fenômeno que acabamos de descrever e que se anuncia desde que começam a interatuar paciente e terapeuta? Penso que o enquadramento que requer a P. o que é altamente gratificante. que o leva a situar o analista no lugar de uma figura parental. ao fomentar por sua vez a regressão do paciente. Essas emoções aparecem em parte como conseqüência da situação regressiva do paciente.B. que se prolongará por anos e no qual o “como se” da rela­ ção não o impede de experimentar intensos e prazerosos senti­ mentos1. Em resumo: o estabelecimento do vinculo simbiótico na re­ lação paciente-terapeuta parece ser um fenômeno que tende a se produzir espontaneamente. sabemos além disso que o tratamento costuma centrar-se na elaboração da relação transfe­ rencial. No tratamento psicanalítico. na qual o analista.B. o que estimula no terapeuta o sentimento de onipotên­ cia'. especialmente nas etapas de maior regressão dos pacientes. Vai-se configurando uma estreita relação.B. pois oferece um campo menos propício para as citadas gratifica­ ções do terapeuta. e que é preciso controlar. b) A relação terapeuta-paciente na psicoterapia breve Qual é a situação que se apresenta em P. e nesses momentos o próprio paciente vive o terapeuta transferencialmente como uma màe (ou pai) ideal.Dificuldades do terapeuta 155 permitindo uma tarefa reparatória. Pode “converter-se” então na muito amada (ou inclusive muito odiada) mãe. na medida do possível. do paciente e do analista. nesse “mundo dos dois”.

na relação com o paciente. que na realidade tendem a tomar conscientes outras transferências do paciente. e levar o paciente a se interessar pela revisão de seus vínculos com seu verdadeiro pai.). em lugar de fazê-lo na relação com o terapeuta. nos quais me incluo.156 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica paciente-terapeuta demasiado intenso emocionalmente. Mas numa terapia breve.. dependerão de suas possibilidades .B. convém em termos gerais recorrer à interpretação da transferência somente em determinadas circuns­ tancias .B. numa terapia breve. Quer dizer. As conseqüências dessa vivência contratransferencial de frustração que. então. recorrer às interpretações denominadas “extratransferenciais”. procurando manter uma trans­ ferência positiva moderada. Na opinião de numerosos autores. já não será um terapeuta-mãe e deverá. já que desde um primeiro momento procura-se que concentre seu interesse nela. Isso naturalmente é coerente com o propósito de conseguir a resolução de seus con­ flitos atuais. aquelas que estabelece com as pessoas com as quais se relaciona em sua vida cotidiana. Sentir-se-á. parece conveniente. como se deduz. já que se deverá evitar a regressão transferencial. çônjnge_ chefer etc. conformar-se com sua condição real de docente experimentado (8) no tratamento. cm P. quer dizer. 178 ss. o terapeuta pode experimentar um sentimento de exclusão. (1) (3) (8) (10) (19) (22). A experiência do terapeuta que realiza uma terapia breve pode diferir bastante da que vivência com um paciente em tratamento psicanalítico. em troca. na qual o terapeuta . que não se deve empregá-la com a assiduidade e com a finalidade com que se utiliza em psicanálise5. Con­ sidero que. pelo contrário. devendo ater-se ao “de fora". É de supor então que aJ^. diferentemente do que acontece na práti­ ca da psicanálise. esse fato geralmente constitui uma complicação (ver capítulo 10. mas não ignoramos que em certas circunstâncias os sentimentos transfe­ renciais e contratransferenciais são muito fortes. mãe.se sentirá um p ro tag o n ista importante. pode repetir-se com assi­ duidade numa terapia breve . fora do universo do paciente. pp. não se presta a que o terapeuta satisfaça suficientemente certas expectativas latentes. Neste último caso pode “atrair” o paciente para uma intensa neurose dç transferência. e que além disso encontramos pacientes que de um modo quase espontâneo desen­ volvem uma intensa regressão desde o início do tratamento.

por exemplo. usar o divã. Para estimular a regressão. e que é por esta razão que a transposição da téc­ nica psicanalítica para as tempias breves se produz com tanta freqüência^ Com o paciente como criança-filho. pode erroneamente atribuir essa sensação de insatisfação e desilusão a uma suposta ineficácia ou fracasso do método psicoterapêutico breve. Creio ser por isso que lhe resul- ta difícil renunciar a tal tipo de relação para aceitar o outro. Se este alcança certa intensidade e não é controlado adequadamente.de^ratificação através do fomento da neurose transferencial. É possível.portanto mais frustrante que a P. e que de outro modo a terapia é “superfi­ cial''. Em suma sustentará que é preciso insistir em interpretar o “aqui c agora eomigo”\ na busca inconsciente . da “tentação” que o terapeuta pode experimentar de analisar a trans­ . induzindo o paciente. renunciar ao papel ativo na tarefa. mas profundamente valorizadas. a estabelecer um vínculo simbióti£ 0. que reaja com intervenções agressi­ vas. au­ mentar a freqüência e a periodicidade das sessões7. Se os motivos estiverem reprimidos. caracterizada noriuma regressão a nm tipo de dependência infantil com relação ao terapeuta. o terapeuta pode- rá ter acesso em certa medida às gratificações comumentc nega­ das. em P.Dificuldades do terapeuta ____ ____ de resolução do conflito. etc. pode dificultar era alto grau a tarefa do terapeuta.B. cons­ ciente ou inconscientemente.. mais ajustado às condições da realidnde . que poderão por sua vez ser racionalizadas. exige. o terapeuta pode apelar para o uso reiterado e até sistemático dc interpretações transferenciais. f c) Quando a psicoterapia breve converte-se em “psicanálise breve ” Dessa maneira pode pôr-se em marcha o que há de ser uma espécic de “psicanálise breve” (19).B. que chegará a adquirir ou não consciência da situa­ ção. que uma tal relação promete proporcionar-lhe. Isso nos expl ica por que diferentes autores falam. tendendo além disso a conven­ cer-se de que só a análise exaustiva e sistemática da transferencia pode ajudar o paciente.

e em especial em minhas pri­ meiras experiências em P. Freqüentemente houve necessidade dafirmar-se nessa postura ante o material que trazia o paciente. o que costuma per­ turbar o paciente. Tapibcm tentainterpxetar_conflitos alheios ao foco terapêutico1 ainda que saibamos que em P.) Eu acrescentaria que se trata de uma tentação que não só corresponde ao desejo dc investigação do terapeuta e de extrapo­ lar o sistema psicanalítico. Assim mesmo podemos compreender a resistência que às vezes experimenta o terapeuta para buscar e encontrar objetivos limitados em cada caso.. A esse respeito assinalam vários terapeutas: “Não se fomentou a regressão. mas também e muito especialmente à busca das gratificações que lhe daria uma relação mais profunda com o paciente.B.B. pois isso o obrigaria a centrar-se mais na problemática atual do paciente para ajudá-lo a resolver questões . (Os grifos são meus. que isso conduz a um incre­ mento da regressão. demandou-me um grande esforço “deixar passar” sem interpretar o material não relacionado com o foco.. Diz acertadamente Fiorini: “Haveria além disso uma contra­ dição entre um enquadramento de tempo limitado e um processo no qual as intervenções do terapeuta ‘propusessem’ a regressão e a concentração de afetos do paciente nessa relação bipessoal (a situação se expressaria nesta proposição: ‘a relação que o senhor mantém comigo é muito importante para entender e tratar sua enfermidade. Mas prepare-se para cortá-la de repente’)” (8). a análise sistemática da transferência é uma tentação permanente para o terapeuta ” (5). pelas diversas razões assinaladas no começo deste capítulo.). não descõrftl&eemos. que se apresentava como sedutor para a análise da transferência (. volte para ela todas as suas emoções e expectativas.‘ Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ferência. Outros autores fazem referência a uma necessidade de auto­ controle do terapeuta para regular as interpretações transferen­ ciais e com isso a regressão do paciente (1) (10). respeitando-se a lógica e adequada pro­ gressão dada pela mesma relação terapêutica. Além do mais. Pessoalmente. Mensagem e ação resultariam aqui do tipo estímulo-irustraçào.. pelo exercício da psicanálise. não é aconselhável ábrir demasiadas feridas no paciente.

e conseguir desse modo que possa obter alta. as mudanças de atitude que estes puderam apresentar em sua vida real são com muita freqüência rapidamente subestimadas e qualificadas como atuações. Mas desse ponto me ocupo em mais detalhes no capítulo seguinte. etc.dependência no paciente complitfa a separação ao terminar o tratamento.Dificuldades do terapeuta 159 muito concretas e imediatas com um critério prospectivo. não lhes faci­ lita o acesso às negadas.) O terapeuta pode então resistir a reconhecer os progressos do paciente e até parecer muito decepcionado pelos resultados do tratamento. já que.B. ainda que muito desejadas. Dificuldades na avaliação dos resultados obtidos em psicoterapia breve Em função da frustração jque podem experimentar os tera­ peutas ao comprovar que o enquadramento da P. gratificações próprias de uma relação mais estreita e emocionalmente mais intensa com os pacientes. os quais por sua vez podem ser certamente pouco alentadores. se é que se insistiu em fomentar nos pacientes a dependência regressiva em lugar do autodesenvolvimento.. nada rara por ccrto. de tais eventualidades nas terapias breves8.. (Com isso não quero desconhecer a presença. Por isso. Dificuldades ante o término do tratamento psicoterapêutico breve Em geral a tendência para fomentar a. chegam a ajustar reconfrafÕs que permitem prolongar a relação. “fuga em direção à saúde”. assim como seu de­ senvolvimento independente. como conseqüçncia da dificul­ dade do paciente e do terapeuta para aceitarem a séjjãraçao. não é difícil supor que isso interfere na possibilidade do terapeuta de efetuar uma avaliação realista e justa dos resultados obtidos com o método. em seu afã inconsciente de perpetuar sua . procu­ rando estimular nele a confiança em si próprio. Só acrescentarei a respeito que.

cujos motivos subjacentes mantêm-se ocultos. Desanima-os principalmente a perspectiva de estabelecer uma relação fugaz. A passividade que ainda observamos para resistir a este “movimenteifaz-me pensãrêm uma espécie de acordo tácito entre os terapeutas. pelo contrário. na fase de resolução da sim­ biose. como não podem aceitar o crescimento e desprendimento de seus filhos. continuam a tratá-los como crianças. oferece a possibilidade de um vínculo. Atua como aquelas mães que._~ Desprestigio da psicoíerapia breve enquanto indicação terapêutica Pode-se deduzir que os motivos expostos.160 Psicoíerapia breve de orientaçãopsicanalitica dependência. diminuem o entusiasmo dos terapeutas para optar pela indicação e utilização da P. numa cumplicidade inconscientemente conso lidada.4 . ante a necessi­ dade inconsciente de manter o uso excludente do método psicanalítico como fonte de gratificação a partir do estabelecimento de um vínculo simbiótico com o paciente (neurose ou psicose trans­ ferencial).te como para o terapeuta e. O tratamento ps. nào deseja que se produza a separação (a alta defini­ tiva significaria a ruptura do vínculo e a perda absoluta das possi­ bilidades de gratificação ligadas a ela). com o qual mantém “uma relação muito mais profundado que a que crê capaz de perceber em si mesmo” (15).QJ3aciejn. por tudo aquilo que para ele o paciente significa. ainda que de modo geral nào reconhecidos.B. parece repercutir mais no terapeuta que no paciente ((>).icanalítieo. com um objeto que logo perderão. O luto pela separação predeterminada desempenha um importante papel cm P. f' Searles assinala que o terapeuta. ^ . tanto pam. Tende-se assim a desvalorizar a terapia breve. mais duradouro e portanto menos" frustrante. em determinadas situações em que a mesma poderia ser um recurso terapêutico nada depreciável.B. pode experimentar os sentimentos de desvalorização e perda. çom freqüência.

consideramos que os terapeutas. apresentando-se como muito duvidosas guas possibilidades de eficácia. Por último quero mencionar a influência de outros fatos de particular importância que me foram apontados: O f) em P.B. impõe ao terapeuta um ritmo fati­ gante “[. experiência que.. circunstância que também contribui para a perda de interesse por essa terapêutica (13).] pode fazer com que para este a experiência resulte embmtecedora e compulsiva” (2). A isto junta-se o esforço que no meio hospitalar. a ênfase recai na melhoria clínica do paciente e em grau muito menor na investigação exaustiva de sua psicopatologia ou de qualquer outro aspecto.. em obstáculos que remetem: *&a) à idealização da psicanálise. es­ pecialmente os novatos. como o permite a psicanálise..B. r~) g) freqüentemente a P.*As terapias breves aparecem como o novo e incerto diante de técnicas mais conhecidas e seguras. tropeçam. por exemplo.. c) às resistências do ambiente profissional circundante. como o psicanalítico. acrescentaremos os seguintes fatores: ~->d) uma experiência prévia insuficiente em tratamentos pro­ longados. b) às dificuldades para adaptar-se ao enquadramento que exi­ ge a P. junto ao desejo de desempe­ nhar o papel de psicanalistas nos tratamentos que empreendem e ao temor de utilizar outros procedimentos que são desvalorizados. por tratar-se de uma relação terapeuta-pa|iente que ofe­ rece menos gratificações que a psicanalítica. —> e) necessidades econômicas do terapeuta (em parte em virtu­ de dos gastos que lhe demanda sua formação profissional).. requer a abordagem de um novo caso tão logo termine o tratamento breve de um paciente anterior..Dificuldades do terapeuta 161 Outras dificuldades do terapeuta ante as terapias breves Recapitulando até aqui.B. é muito conveniente para a formação psicoterapêutica em terapias breves. A fim de oferecer uma visão mais completa do problema. que o levam a preferir os tratamentos prolongados. ainda que não seja imprescindível. Os supervisores adquirem aqui especial importância. já que geralmente lhe possibilitam uma remuneração mais estável. . para o estudo e emprego eficaz da RB.

B. Nesse sentido.162 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Em comparação com a prática da psicoterapia prolongada. o que em termos de economia psíquica significa “um mau negó­ cio” (uma nova responsabilidade e em suma um maior stress) (7). Tal situação além disso se acresce de suas dúvidas a respeito da decisão a tomar quanto à alta do paciente (7). -> h) Fiorini destaca também a incidência que tem nos terapeu­ tas o desconhecimento de uma teoria da mudança em P. quer dizer. Nesse sentido contamos hoje com impor­ tantes descobertas no campo da P. de forças “cons­ trutivas latentes” (21).. a continuação ininterrupta do progresso nas mudanças. com a intenção de contribuir para aplainá-las.. que somam a noção de insight e estão fundamentadas essencialmente na concepção da existência de partes autônomas do ego. ocorre agora que deve atender mais pacientes num mesmo espaço de tempo. é significativo o que se costuma observar nos ser­ viços psiquiátricos: freqüentemente os terapeutas pareccm tender inconscientemente a prolongar os tratamentos.e e de . que permitiriam. Desse modo. postergando o mo­ mento da alta e com isso a troca de paciente. da ralaçSn terappnta-pacient. Conclusões Quis assinalar diversas dificuldades do psicoterapeuta no que se refere à P. pros­ seguiria com uma reação em cadeia e seria verificável nos acom­ panhamentos ao longo de anos em pacientes tratados com tal método (9) (14) (18) (21).B.B. a partir de uma experiên­ cia terapêutica corretiva. o processo de transformação. Todas essas dificuldades se esclare­ ceriam em parte se houvessem incorporado a seus conhecimentos uma teoria da mudança. ainda que lento. com certa exigência de conseguir mudanças a curto prazo. não chegam a ter a necessária convicção de que os pacientes tratados com psicotcrapias breves podem experimentar mudanças favoráveis. enfatizando especialmente a importância que tem o reconheci mento dos próppn«. Como não têm interiorizados os dinamismos da mudança e só conhecem e aceitam os fenômenos inerentes às modificações que se produ­ zem nos tratamentos prolongados.. e uma vez finalizado o tratamento do paciente.

2. no momento atual. Nova York.. adequadamente supervisio­ nadas são. 1972. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve..B. Tal reconhecimento pode­ ria favorecer um exercício bem-sucedido da P.)... em H. A. Buenos Aires. F. Pax-México. Bue­ nos Aires. Citado por L.. “Ejemplos clínicos”. H.. “Una experiencia en psicoterapia de tiempo limitado”. n? 2. Buenos Aires. “The Corning of Age of Brief Psychotherapies”. 5. 1969. L. como por exemplo as psicoterapias grupais prolongadas (possivelmente mais gratificantes no sentido considerado neste trabalho). Barten (compils. Kesselman. J. O. vol. Amèr. Lai. J. Kargieman. H. e French. 1970. 7.. Small em Psicoterapias breves. A ninguém escapa que cm nosso meio só uma pequena mino­ ria de psicanalistas se ocupa da investigação em P. Terapêutica psicoanalítica. Progress in Community Mental Health. L. Buenos Aires. em troca.psicol. . 4. 3. e aumentar o interesse pela investigação sobre esse méto­ do. c Marticorena. 1965. Aspiro a que estas minhas impressões funcionem como um estímulo e que finalmente consigamos obter descobertas que lan­ cem mais luz sobre o controvertido campo das terapias breves. Bellak. . T. cap. Se tudo isso se concretizasse. Fiorini H. Grüne and Stratton. 1969. Ferrari. México. A maioria.. Psicoterapia brevey de emergencia. junho de 1968. Simbiosisy ambigüedad. através de uma mais ajustada e eficaz adaptação do terapeuta ao seu enquadra­ mento. Alexander. Devries. c col. muito necessárias para afastar pre­ conceitos e permitir a comprovação direta da real utilidade desse recurso terapêutico. Buenos Aires. H. provavelmente fse conseguiria também uma valorização mais objetiva e favorável das terapias breves dentro do panorama da terapêutica psiquiátrica. em L. H.B. Paidós. Comunicación personal.B. XIX. Referências bibliográficas 1. Barten. As experiências clínicas em P. Creio que é necessário um estudo mais exaustivo do proble­ ma. 6.Dificuldades do terapeuta 163 sua influência no processo terapêutico.. Acta psiq. interessa-se por outras técnicas. 1967. VI. Granica. Beliak e H. Paidós. Psicote­ rapia hreve. Bleger. e Small.

. . 21. XVI. Springfield. M. 1963. O. Buenos Aires. J. 22 .. Brit. t. vol. Acta psiq. Freud. “Delimitation técnica dc psicoterapias”. e Knobel. XIX. Usandivaras R. 14. R. .C.. III. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Bre\>e. junho 1968. 19. junho 1970. Londres. vol. cit. J. Lat. Psicoterapia breve.. 10 . 17 . . Lat. em 2.. 9 . Amér.. e colaboradores.. n?2. Buenos Aires. Amér. J. Hogarth Press. 15. Buenos Aires. of Med. Fiorini. “Fases de la interacción paciente-terapeuta en la psico­ terapia de la esquizofrenia crônica”. em L. 20. B.1971. 11. Madrid. em 21.. Amér. Wolberg e col. II.. cap. “Psicoanálisis y psicoterapia dinâmica: similitudes y diferencias”. 1973. Acta psiq.) 13. VIII. Montevechio. Lai.. A Study of Brief Psychotherapy. 1. ob. cm S. Freud S. psicol. Buenos Aires. H. Aportes para una teoria dc la téc­ nica”. n? 2. Small. 1961. em Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. psicol. t. “Acerca de la psicoterapia breve”. junho 1968..lf}4 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 8 . “Formas de inducir a la loucura”. Centro Lditor de América Latina.. Acta psiq. L. “Dinamismos y niveles de cambio en psicoterapias”.. Buenos Aires. Madrid. ob. Nueva Vision. em Elementos de la etiologia y la psicoterapia de la esquizofrenia. cap. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. 1965. Apostila inédita. “Los caminos de la terapia psicoanalitica”. cit. “Introducción”. XXV. Psy­ chology. Searles. n? 2. Acta psiq. XIX. 1974.. Rev. Journal Med. Buenos Aires. . junho 1968. n? 2. Charles Thomas. Comunicación personal. Rangcll.. vol. Apostila inédita. em H. Wolbcrg. VI. L. psicol. Malan. 12. Apostila inédita. Londres. L. 1959. D. Szpilka. cap. Gredos. Amér. de Psicoanálisis. . “Psicoterapia dinâmica breve. em Collected Papers on Schizophrenia and Related Subjects. Biblioteca Nueva. “La técnica dc la psicoterapia breve”.. Illinois. 9. psicol. Psychol. . vol. “Problemas que plantea la investigación sobre psicotcrapia breve”. Lat. XIX. . 1948. B. 16 . Colo­ quio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Tavistock. 1968. Teoria y técnica de psicoterapias. H. 18.

Quero expor de que maneira e até onde os resultados do tra­ tamento estarão de forma indefectível relacionados com as possi­ bilidades de ambos tolerarem suficientemente a separação. para em segui­ da expor sinteticamente as conclusões. em razão do término do tratamento. No que concerne ao terapeuta. Ocupar-me-ei primeiro dos aspectos técnicos. sua capacidade de enfrentar o luto ade­ quadamente será uma condição fundamental para o manejo eficaz da situação. • Reações causadas no terapeuta pela separação. . Com a finalidade de poder mostrar com mais clareza o que sucede com o binômio paciente-terapeuta ante a finalização de uma terapia de tempo limitado. A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve t$» < Introdução Proponho-me neste capítulo a analisar algumas das vicissi­ tudes que se apresentam nas terapias breves psicanaliticamente orientadas .9. dividirei minha apresentação nos seguintes pontos: • Reações causadas no paciente pela separação. partindo do reconhecimento de que tanto o paciente quanto o terapeuta de­ vem enfrentar o luto ocasionado pela finalização do vínculo tera­ pêutico.

Outros pacientes se conformam com o alívio sintomático. aceitam a separação melhor do que outros. Primeiro sonho: O paciente aparece num depósito em que tempos atrás “tinha havido um ‘barulho’ ” . seguindo o modelo da clínica médi­ ca. regressivas e altamente dependentes. e uma vez conseguido este. Os sonhos eram semelhantes entre si (sobretudo os três primeiros a que me referirei). sendo talvez o primeiro deles o mais demonstrativo. rclatou-me numa sessão vários sonhos. Este último foi o que aconteceu no caso de um paciente a quem atendi numa terapia breve. os quais mostravam. Em geral preferem. que a terapia seja o mais curta possível. Acrescenta que se trata de uma “velha construção em reforma” que ficou interrompida. suas ansiedades e hostilidade diante da separação. A repercussão da perda no paciente pode traduzir-se em manifestações diretas de pesar e/ou preocupação. que possuem um ego relativamente forte. por exemplo.166 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Reações causadas no paciente pela separação A separação de seu terapeuta afetará o paciente com uma intensidade variável em cada caso. e podem chegar a vivêla como uma oportunidade de comprovar e pôr cm prática o aprendido até entào durante o tratamento. ou evidenciarse de maneira mais velada. Diante da perda. o que estará em parte relacio­ nado com uma estrutura psíquica correspondente. e que agora está muito limpo e em ordem. em muitas ocasiões aparecem em troca an­ siedades intensas. como denominador comum. e chegam a mobilizar-se inclusive o temor à morte e à loucura. e que o teto do depósi- . assim como naqueles cuja dependência regressiva tenha sido fomentada pelo terapeuta ao longo do tratamento. desejam de bom grado o término do tra­ tamento.porque continha mercadorias. no material onírico. Perto da finalização da mesma. Certos pacientes. Supõe-se que o fato repercuta mais em quem tem tendência a estabelecer espontaneamente vínculos de caracte­ rísticas simbióticas.segundo sua expressão . ainda que se tenha “a impressão de vazio”. vivida inconscientemente como um abandono de minha parte1.

o qual tinha de reclamar. mais ordenados. tal como aparecia no sonho anterior. a sociedade era uma referência ao nosso contrato terapêutico. Terceiro sonho: Trabalha no interior de um grande edifício. sua mente mais “limpa” e seus pensamentos (no so­ nho. mas ao mesmo tempo con­ densava no depósito sua sensação de abandono. Por sete horas de jornadas. Ele sentia. Por último. pois. disse que no sonho lhe deviam di­ nheiro. seu acanhado protesto e reprovação contra mim. Sentia agora que tinha as coisas (idéias) mais claras. de vazio pela separação. Este detalhe do sonho era. e que eu interrompia sua reconstrução. apa­ reciam no sonho como o dinheiro que lhe deviam e que tinha que reclamar. uma representação de seu medo à loucura2. na qual havia ocorrido um “barulho” (confusão) quando chegou ao tratamento. Sente uma grande indignação. O depósito representava ele mesmo. ao sentir-se abandonado. no qual há muita gente. Associou o depósito com aquele que. Segundo sonho: Um amigo seu trabalha como ajudante num teatro. Tem um aposento só para ele e utiliza ferramentas de cor negra. na realidade. mau destino”. que se encontrava muito enraivecido contra mim porque sentia que eu lhe dava pouco e que estava em dívida para com ele. O edifício grande no qual havia muita gente representava o hospital onde o atendi. pagam-lhe uma escassa so­ ma em dinheiro. A cor negra do mes­ mo foi associada pelo pacienttf como “mau augúrio. particularmente sua cabeça. além disso. que ficava “separado no meio” como o depósito. abandonando-o. e era uma referência a seus temores pelos perigos aos quais se sen­ tia exposto por causa da separação.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 167 to é negro. mercadorias). Outra vez se evidencia seu sentimento de . especificamente. Também o teto simbolizava sua cabeça. havia tido um ano atrás em sociedade com um amigo. através do qual nos ocupávamos de jsua cabeça-depósito. O amigo era por certo ele mesmo. Disse-lhe que a menção a seu amigo parecia referir-se à minha pessoa.

expressou em tom risonho que o menino deveria ser ele. sob a aparente satisfação de ter um aposento só para ele. é uma circunstância que tenho podido observar em minha prática. Essas reações. na mesma sessão. Novamente aludia a seus temores pela finalização do vínculo tera­ pêutico. ao aproximar-se o Tinal do tratamento. Quarto sonho: Vê um menino descer por um tobogã em grande velocidade. sobretudo cm circunstâncias nas quais o terapeuta pode perder o controle da situação. até a reação terapêutica negativa3. Aparecer como menino tinha a ver alem disso com a relação de dependência infantil que cm parte havia estabelecido comigo. Tal situação costuma estar motivada g^j^-n . Nesses pacientes. através de colocação espontânea por parte do paciente de material alheio ao foco. compreendidas e resolvidas no seio da relação terapêutica. De novo figurava a cor negra como símbolo de mau augúrio). Ao associar.). etc. pode resultar conveniente que o paciente tenha ocasião dc desenvolver essas reações enquanto se encontra sob tratamento pan< parmitif mais bem-examinadas. É possível que se produzam no paciente diferentes reações. a) A rcferência a novos conflitos nas partes finais do trata­ mento. des­ prezo pelo terapeuta. passando por retrocessos e pioras por simples manifestações de hostilidade transferencial e pelo acting out. contou-me que em matéria de traba­ lho ele sentia que precisava de alguém que o guiasse e que não podia fazer nada por conta própria. Depois. como é óbvio supor. Por outro lado. freqüentemen­ te acompanhadas de defesas maníacas (negação da perda. Tinha que conservá-la (trabalhar) sozinho e não confiava em seus próprios recursos (as ferramentas negras. com muito medo de escorregar “ladeira abaixo”. que por diferentes motivos não toleram suficientemente a separação. que vão desde o afloramento de novos conflitos. superando-sè ou apresentando-se em forma sucessiva. acham-se intimamente vinculadas entre si (são diferenciáveis só até certo ponto).If)íi Psicolerapia breve de orientação psicanalitica abandono. Sua esposa lhe assegurava que isso não era certo e que devia animar-se a “navegar sozinho”. interessa ver qual é o destino da transferência.

d) Outra opção está dada pela tendência de alguns pacientes ao acting out.O paciente. que até esse momento vinha inclusive evidenciando claros progressos e uma apreciável melhora sintomática. tal como em ou­ tras formas de psicoterapia. dos diversos transtornos somáticos. Isso só será possível se prevalecer uma transferência positiva ao terminar o tratamento. tratando de despertar neste interesse por outros padecimen­ tos (numa tentativa de sedução por meio do material). ao ser vivida consciente ou inconscientemente pelo paciente como um abandono. pode apresentar uma reapa­ rição de sua sintomatologia inicial.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 169 inconscientemente por um desejo de permanecer ligado ao tera­ peuta. exposto aos perigos de conflito não resolvidos para conseguir deste modo que o tratamento seja prolongado. Será conveniente assinalar ao paciente sua intenção incons­ ciente de õbter ganhos secundários através de suas recaídas nos últimos períodos do tratamento. acusar um incremento de an­ siedade. como destaca Malan (6). de depressão. quer dizer. e dom isso a dolorosa separação do terapeuta (ganhos secundários)J. o que se acha claramente vinculado à perda ocasionada pela finalização da rela­ ção terapêutica (conforme o caso. pode trazer como conseqüência algumas das de­ mais complicações que mencionei. c freqüentemente constituem uma tentativa de evitar que lhe seja dada alta. etc. tal como sugere Bellak (2). o acting out costuma expressar fantasias agressivas para com o terapeuta ou objetivar substituí-lo . E) Os retrocessos e pioras no estado do paciente são algumas das reações que se observam com maior assiduidade nas etapas terminais do tratamento psicoterapêutico breve.culpa por deixá-lo nessas condi­ ções. diante do incremento da ansiedade. ou ainda preocupação e . Tal situação de separação. c) As manifestações de hostilidade transferencial podem co­ locar em sério perigo os resultados do tratamento. Quando tal hostilidade alcança certa intensidade.eventualmente . ou sua raiva pode jogar por terra o obtido durante a terapia. Deve-se procurar que o paciente tome consciência das motivações de sua atitude. posto que a manutenção da me­ lhora certamente dependerá em grande parte de suas possibilida­ des de introjectar e conservar uma boa imagem do terapeuta (2). toma-se necessário inter­ pretá-la.

em seu afa inconsciente de perpetuar sua dependência... o luto provoca sentimen­ tos de desvalorização e perda (7)4. Üm mecãnísmõ defensivo do terapeuta ante as ansiedades pela separação é a negação do conflito e sua projeção maciça no paciente.. evitando a ruptura de um vínculo que lhe oferece profundas gratifi­ cações.ativamente . indutoras de dependência regressiva. não em poucas ocasiões. o que às vezes adquire características de inoculação no­ civa.170 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica por outro objeto. Já me ocupei em parte no capítulo anterior dos problemas do terapeuta para aceitar a separação do paciente ao chegar ao fim o vínculo terapêutico. Quando o terapeuta detecta essa tendência. Comumente. O terapeuta pode apresentar resistência em reconhecer os eventuais progressos dõ paciente e atuar fomentando nêsferdiirantê"õ tràtarrrentoTãneurosê^transferencial e a regres­ são. vêrse privado de gratificações simbióticas. .. a separação repercute mais no terapeuta que no paciente. O terapeuta “atua” nes­ sas circunstâncias através de suas intervenções (interpretações). comumente negadas". Tal interrupção significa principalmente que o paciente quer abandonar . Reações causadas no terapeuta pela separação Com freqüência.o terapeuta para não sofrer de maneira passiva o que vivência como um abandono por parte deste. deve inclinar-se à compreensão psicológica do conflito no pacien­ te.). etc. sobretudo por meio de interpretações “transferenciais”. mesmo naqueles pacientes que inicialmente não se veriam demasiadamente afetados pela separação.).) foi observar as dificuldades de desprendimento dos próprios terapeutas (. evitan­ do assim as atuações. c) A reação terapêutica negativa se manifesta com freqüência através da interrupção brusca do tratamento por parte do paciente. para ele. as dificuldades para separar-se apareceram mais do lado do médico que do paciente” (3). Desejo então que fique clara minha impressão de que na prátiea o término do vínculo terapêutico é. Ferrari e Marticorena comentam acerca da experiên­ cia em psicoterapia breve: “O mais notável (. A separação significa.

. Na bibliografia sobre P.ou franca aparição das diferentes reações do paciente. haverá pacientes que superam melhor que outros a separação.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 171 mais um problema do terapeuta aue do paciente. aumento da freqüência e/ou periodicidade das sessões. Mas agora desejo examinar mais detida­ mente o problema da repercussão. a meu ver. Bellak . ao fomentar a natural tendên­ cia regressiva do paciente com base numa extrapolação da técnica psicanalítica (uso reiterado ou sistemático de interpretações trans­ ferenciais. em certas ocasiões. e particularizar a conduta que. do final do vín­ culo terapêutico sobre o paciente. com efeito. resultará mais convenien­ te em P. por sua própria conta. não tem que vivê-la necessariamente como aígo penoso e angus­ tiante. descobrimos que alguns autores levam em conta esse aspecto. Compreender melhor por que chega a produzir-se ou a incrementar-se. como expressão de uma necessidade mútua de pro­ longar a relação. 1. desde j^momento em aue se efetua uma indicação de P. daí para a frente. já que o problema se coloca. Como disse antes. de certo modo. Para isso será preciso interpretar a transferência. interpretação de material alheio ao foco. atuação pouco -ativa do terapeuta. etc. com base no que adquiriu durante o tratamento. deixá-la de lado significaria correr o risco de expor o paciente a algumas das conseqüências às quais já fiz referência.B. Adverte-se o terapeuta de que.). conduta que em síntese consiste em abordar o problema ocasionado pela iminente separação. para tentar preveni-la. Aspectos técnicos Tenho mencionado até aqui a conduta que deve assumir o terapeuta diante da insinuaçào. Este. uso do divã. que está naturalmente rela­ cionado com a capacidade egóica para tolerar frustração. sobretudo no caso de sentir-se seguro de sua própria capa­ cidade para enfrentar seus problemas. o processo se complicará ainda mais (nenhum dos dois componentes do par aceitará facilmente a separação) desembocando com freqüência na Já mencionada recontratação. perturbadora.B. enfrentá-la e atenuá-la.B. Considero que devemos nos remontar aos primeiros contatos com o paciente.

portanto mais propenso a reações como as já assinaladas c com menores probabilidades de êxito terapêutico5. Os testes pro­ jetivos poderiam oferecer-nos regularmente elementos para essa apreciação. Creio que em al­ guns casos as complicações que logo aparecem no tratamento breve. além de existir essa condição de tolerância diante da separação. não pode­ remos fazer outra coisa senão embarcar com o paciente num pro­ cesso que terá muito de uma difícil aventura e que requererá ao máximo nossa perícia terapêutica para poder atingir um bom final. Poderemos. Trataremos. essa seleção não puder ser feita. pelo contrário. e para isso será preciso. esta­ remos diante da situação menos discutível para indicar uma tera­ pia breve. 2. por diferentes motivos.. considerar que pode ser tec­ nicamente objetável indicá-la para um paciente que revele pouca capacidade para suportar e elaborar lutos e uma modalidade sim­ biótica. em especial com aqueles pacientes que apresentam uma franca tendência a desenvolver espontaneamente intensa regressão no vínculo terapêutico. pois sem dúvida será o mais conveniente. muito regressiva e dependente em suas relações de objeto. mas o que acontece c que em nossa prática assistencial com freqüência não temos outro remédio senão efetuar um tratamento de tempo limitado em muitos dos pacientes que apresentam essas características. principalmente por ocasião da separação definitiva entre paciente e terapeuta. são em parte conseqüência dessa atitude ini­ cial. delimitar claramente os objetivos do trata- . Se. que servirá para o diagnóstico. Mas é sobretudo Malan (6) quem assinala especificamente a utilidade de detectar. mas quando. como condição fundamental em P. a capacidade do paciente para suportar suficientemente o luto pela separação do terapeuta. Realizaremos uma eleição dos casos na medida do possível.172 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica (2) sublinha a importância de se efetuar previamente uma avalia­ ção das funções do ego.B. O passo seguinte será a contratação que temos de realizar. antes do trata­ mento propriamente dito. e que poderá ser realizada por meio de dados clí­ nicos e de testes psicológicos. de não facilitá-la ou incrementá-la. prognósti­ co e tratamento. trata-se de um paciente que atravessa um problema atual e se encontra motivado para efetuar uma psicoterapia. na medida do possível.

quanto às sessÕes. favorecedoras da simbiose terapêutica. terão uma influência decisiva no aspecto que adquire o término do tratamento e a posterior separação para ambos os protagonistas. Üm aspecto que merece especial atenção dentro da contrata­ ção é a duração que fixaremos para o tratamento. é o que com freqüência costuma conduzi-lo . juntamente com sua capacidade para superar os pró­ prios conflitos que puderem derivar da perda do paciente como objeto gratificante. defrontaremo-nos com as complicações às quais aludimos. Vale dizer. ter-se-á esp_eciiü cuidado em evitar que a freqüência das mesmas possa chegar a favorecer a tendência regressiva6. Em síntese. Considero que o manejo da relação transferenciai por parte do terapeuta. Se seguirmos adiante no processo terapêutico. nesse sentido mais frustrantes. que poderão ser evitadas ou ao menos .B. verdadeiro objetivo do trata­ mento8. Em algumas destas situações será preferível outorgar um tempo suficiente.freqüentemente bastanta atenuadas. em lugar de fomentar a neurose transferencial e a depen­ dência regressiva.* 3. se estimular no paciente sua iniciativa pessoal com um critério pros­ pectivo. isso dependerá de vários fatores: de sua familiaridade com a técnica da P. se o terapeuta se desempenhar adequadamente ao lcfngo da terapia. conseguindo ajustar-se ao enquadramento da P.a realizar consideráveis e decisivas modificações no enquadramento. além da tendência de extrapolar esse modelo técnico para a terapia breve por crer que só assim poderá obter bons resultados..B. sem que isto nos prive do tempo necessário para abordar a situação crítica em si.B. que a P. impõe.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 173 mento. segundo minha hipótese. de que haja vencido os preconceitos contra todo procedimento que não seja o p'sicanalítico. requer-se que o terapeuta tenha um insight dessa problemática e um auto­ controle de suas tendências naturais a estabelecer uma modalida­ de simbiótica de relação com o paciente que.incons­ cientemente . Como procurei demonstrar no capítulo ante­ rior. Quando o terapeuta não pode controlar . mas também e fundamen­ talmente de que possa renunciar às gratificações que oferece o tipo de relação analista paciente e aceitar as condições. de modo a permitir que uma parte do mesmo se destine à análise do luto pela separação1.

Às condições do contrato terapêutico: procurar-se-á dimi­ nuir a intensidade das regressões. a fim de que este não se sinta abandonado e de conservar uma transferência positiva. mais perturbado­ ra e mais frustrante: este se encontra no final numa atitude regres­ siva e dependente. com uma sensação de desilusão por haver efetuado um tratamento curto e pouco eficaz. estão relacio­ nadas: 1. e por sua vez de se evita­ rem certas complicações ao longo de uma terapia breve em geral e. sobretudo nos estágios finais do tratamento. 3. Já ine referi à conveniência de abordar. hostilidade . em razão do término do tratamento em particular.174 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica essa situação e não toma as precauções correspondentes. e aquele. Será conveniente tratar de detectar o grau de tal capacidade a partir dos primeiros contatos. Considero que esse propó­ sito pode ser cumprido tanto ou mais satisfatoriamente por meio de entrevistas de acompanhamento. o problema que coloca para o paciente a finalização e a separação. em pacientes com tendência a estabelecer relações simbióticas terá que se oferecer um tempo suficiente de tratamento. Bellak e Small (2 ) também assinalaram a importância de manter algum contato com o paciente logo após haver-se encerra­ do o tratamento. Dever-se-á abor­ dar. privado de seu objeto gratificante. favorecedora da dependência regressiva.B. Para isso sugerem que se solicite ao paciente que informe o terapeuta de seu estado me­ diante cartas ou chamadas telefônicas. diante do risco da aparição neste de reações (retrocessos e pioras. À capacidade do terapeuta para ajustar-se ao enquadra­ mento que a P. Conclusões As maiores possibilidades de êxito. geralmente na fase final do tratamento. que inclua a possibilidade de analisar o luto pela separação. À capacidade do paciente de tolerar suficientemente o luto pela separação. exige. evitando a extrapolação da técnica psicanalítica. 4. o problema da separação. costu­ ma-se chegar a uma fase final do tratamento em que a separação se toma mais difícil para ele e para seu paciente. -> 2.

. H. “Fases de la intcracción pacicnte-terapeuta cn la psicotcrapia dc la esquizofrenia crónica”. 6. Amér. Centro Editor de América Latina. quer dizer.B. . nf 2. Charles Thomas. H. c portanto que encontre no método psicotcrapêutico breve um recurso útil. 4. México. H. XIV.A respeito do término do tratamento em psicoterapia breve 175 transferencial. B. recorrendo-se especialmente a interpretações transferenciais. 3. 1969.. L. vol. Fiorini. XIV. Malan. 1971.. Ferrari. Acta psiq. Buenos Aires. Labor. 1974. Aportes para una teoria dc la técnica”. Beliak.. Acta Psiq. Em P. 1963. reação terapêutica negativa). c Marticorcna.. Ia/. psic.. 5.os do pa­ ciente.. Tavistock.) 7. impresso na Grã-Bretanha. (1981). vol. sem precisar em troca fomentar a gratificante simbiose terapêutica. para o que poderão contribuir as en­ trevistas periódicas de seguimento. na obtenção dc uma atitu­ de relativamente independente e nos demais jlrogress. Buenos Aires. “Reacción terapêutica negativa”.. Laplanche. radicalmente oposta aos propósitos ineren­ tes a esse procedimento. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Comunicación personal. e Pontalis. c Small. Pax-Mexico. já que não conta­ mos com melhores possibilidades para a sua elaboração. acting out. H. 4. Illinois. À manutenção de uma transferência positiva a posteriori da realização do tratamento. A. Referências bibliográficas 1.. L. Scarles. Allegro. Buenos Aires. Psychol. J. junho 1968. junho 1968. Springfield. em Diccionario depsicoanálisis. deve-se tratar de chegar à finalização do tratamento de modo tal que a alta coloque o paciente em condições de viver uma experiência estimulante e reasseguradora a partir da compro­ vação*de que seu aulodesenvolvimcnto agora é possível. “Psicoterapia dinâmica breve. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. J.. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. L. Amér. Londres. “Una cxperiencia en psicoterapia dc tiempo limitado”. Brit. J. psicol. Apostila inédita. A Study o f Brief Psychotherapy. Barcelona. Journal Med. Psicoterapia breveyde entergencia. D. Em essência dever-se-á ao menos assinalar a situação de luto. No que se refere ao terapeuta. n" 2. é de se esperar que encontre gratificações nos resultados terapêuticos. 2. Lat.

.

que às vezes não é suficiente paia que o paciente “apreenda” as interpretações e reconheça assim seus conteúdos inconscientes como algo que lhe é próprio. Alguns problemas técnicos característicos e riscos em psicoterapia breve I Mencionarei aqui alguns inconvenientes técnicos de que so­ fre o exercício das terapias de tempo e objetivos limitados. e se apresentam com mais facilidade diante de pacientes que por de­ terminada patologia não resultam suficientemente aptos para obter maiores benefícios terapêuticos com o emprego desses pro­ cedimentos. De fato. Ainda que nessas terapias se aspire a conseguir um insight que possa ser mais cognitivo que afetivo (Szpilka e Knobel [7]).10. assim como certos perigos que com elas se corre. Tanto os inconvenien­ tes como os riscos. este deve diferenciar-se do pseudo-insight com reforçamento da intelectualizaçào que. é um risco que devemos ter em conta. como vemos. esperando que mediante a compreensão intelectual possa conseguir-se a cura. acham-se relacionados com as peculiaridades desses tratamentos e com os eventuais erros dos terapeutas. que aumentam nos casos cm que o terapeuta compreende a psicoterapia focal como um processo individual. estamos consignando uma limitação da psico- «» . entendendo além do mais que nessas terapias se realiza uma análise apenas parcial das resistências. Os pacientes que recorrem excessivamente à intelectualizaçâo podem criar sérias dificuldades. reduzido a “explicar” ao paciente o significa­ do de suas manifestações patológicas. 1.

corre o perigo de depreciar o timing e de “bombardear” o paciente com interpretações prematuras em seu desejo de oferecer-lhe muito mais do que este. Esse autor assinala parti­ cularmente o efeito perturbador de certas interpretações em psico­ terapia breve.e reduzir . o terapeuta poderia arriscar uma interpretação desagradável. Quando a duração estabelecida para as mes­ mas foi limitada. tais alterações caracteropáticas atuam como um freio que chega às vezes a difi­ cultar em grau máximo o trabalho relativo a seus problemas atuais. de modo que tenhamos que dedicar boa parte do tratamento ou inclusive todo o tempo que dure o mesmo a tal trabalho. que pode se apresentar com bastante facilidade é o de não exercer aquele um autocontrole adequado diante de certas vivências que possivelmente experimente na prá­ tica dessas terapias. 2. é habitual que se sinta um tanto pressionado em seu afa por obter determinados resultados. está em condições de assimilar. French a respeito das “complicações resultantes das tentativas de forçar o conhecimento” (4). segundo o método que descrevi até aqui. nesse momento pelo menos. em razão do número relativamente reduzido de ses­ sões semanais com que se costuma trabalhar nela: “Devemos destacar aqui a grande diferença no uso da interpretação quando se vê o paciente todos os dias ou quase todos os dias. Se bem que fazer ver ao paciente suas defesas patológicas possa ser importante.a um intenso trabalho interpretativo de suas resistências ao insighl. No procedimento psicanalítico ortodoxo. Se a impaciência o domina. Outro problema. o que pode trazer paralelamente um aumento de suas resistências e de sua angústia ou ainda ocasionar sua deserção. sensação que se incre­ menta ante a proximidade da finalização do tratamento. sem que nos seja possível pretender outra coisa. e quando se o vê uma ou duas vezes por semana ou ainda com intervalos mais prolonga­ dos. já que diante de certos pacientes poderemos nos ver na necessidade de nos voltar . originado no terapeuta e em estreita rela­ ção com o descrito em 1. pois pode apreciar seu efeito no dia seguinte e proteger o paciente contra um aumento de . obrigando a uma recolocação estratégica1dos objetivos ou diretamente do tipo de tratamento recomendável.178 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica terapia verbal de tempo e objetivos limitados. Vinculadas com essa questão se acham as advertências formu­ ladas por T.

diante da separação. em conse­ qüência. alcança inevitavelmente e de modo espontâneo grande intensidade em algumas ocasiões. a eficácia do procedimento toda vez que não seja possível delimitar com facilidade o foco e. A partir da necessária circunscrição que a abordagem de uma terapêutica setorial requer.). limite seus alcances. evitando assim ficar reduzido a um plar£> rígido que. Mas a regressão. assim como as me­ didas preventivas e terapêuticas a 'serem tomadas. Formulada essa mesma interpretação numa psicoterapia mais breve. com isso. Mas todo terapeuta disposto a manter-se suficientemente receptivo às comu­ nicações 4o paciente e a extrair sempre novos significados poderá contribuir na obtenção de um processo terapêutico rico. tampouco os objetivos do tratamento.. .por transposição da técnica psicanalítica . indesejada. dada a fugacidade da relação paciente-terapeuta e. * > 4. 5. a angústia poderia acumular-se em tal medida que o paciente cairia em pânico (. Em nosso meio se observou a ocorrência desse fato especialmente em tratamentos de pacientes de baixo nível sociocultural. levar às com­ plicações que já mencionei nos capítulos 8 e 9. com o conseqüente estancamcnto. vendose perturbado nosso propósito de centralizar a ação terapêutica de um modo operativo e com fins de aprofundamento. Não contando com um foco mais ou menos definido.Alguns problemas técnicos característicos 179 angústia. exis­ te a possibilidade de que a dinâmica do tratamento sofra uma limi­ tação esquemática . uma pessoa qualificada que possa escutá-los sem julgá-los (5 ). O trabalho do terapeuta pode ver-se dificultado.pode fom entar iatrogenicamente a regressão vivencial e a neurose de transferência no pa­ ciente e acarretar diversas complicações. o trabalho se complica. O manejo técnico deficiente por parte do terapeuta . quer dizer. compro­ metendo-se. diferentemente do que acontece quando uns e outros surgem de maneira clara e pre­ cisa.. que recorrem a estabelecimentos assistenciais por contar com uma oportunidade única de confiar seus problemas a um profissional. 6. como por exemplo nos quadros reativos. Requer-se portanto maior atenção e inclusive maior agilidade por paflecíõ terapéutã^T3X 3. em que se deve atender preferen­ cialmente àquilo que concerne à conflitiva focal do paciente. possibili­ tando reajustes e descobertas que o conduzam a readequar-se à estratégia. em virtude de o ser.

Devemos então reconhecer uma limitação própria des'sãTtênípias. Trata-se do fato de o terapeuta não contar com conhecimento suficiente do paciente em particular de suas relações de objeto . precisamente em função da limitação tem­ poral e da separação com respeito ao terapeuta. insuficiente para abordar com possibilidades de benefícios terapêuticos apreciáveis a dita proble­ mática. será escassa a confiança nesse sentido que possam nos inspirar. chamadas “extratransTerenciais”. depressão. Diante de pacientes com sentimentos de perda patológicos e/ou recentes de importância. que reaviva a per­ da. pro­ curando dotar o processo terapêutico do tempo necessário para evitar esses efeitos indesejáveis. que às vezes adquire grande importância. É sabido que em P. o terapeuta deve de modo iieral dedicar o trabalho terapêutico à resolução de problemas da realidade externa atual do paciente (comumente representados por conflitos em determinadas relações interpessoais). por deficiências egóicas.além de ter pouco tempo para adquiri-lo durante o tratamento. em função da curta duração deste e de serem as sessões relativamente pouco freqüen­ tes.a indicação terapêuti­ ca. Em tais circuns­ tâncias. isto é. razão pela qual. resulta curta. Assim sendo. Portanto e antes de mais nada.). registrem uma marcante distorção em sua captação da realidade. isso pressupõe uma maior margem de erro por parte do . em particular o que corresponde à duração do tratamento. (Pode ser adequado instituir uma técnica de enfoque com final “aberto”. submetidos a tratamentos cuja dura­ ção.180 Psicoterapia breve de orientação psicanaiítica 7. há de se rever nesses casos na medida do possível . à qual já mc referi no capítulo 6 (ver “Interpretações extratransferenciais”. o que pode acarretar diversas conseqüências negati­ vas se não trabalha com cautela suficiente. limitada. p.) 8.B. acting out. encontra dificultado seu acesso a uma adequa­ da compreensão em interpretação dos sucessos do mundo externo do paciente. 102) e que aqui menciono novamente. etc. ao termos de nos remeter cm boa medida ao material que nos trazem. apelando freqüentemente para isso para as interpretações. Esse inconveniente pode acentuar-se no caso de pacientes que. com os perigos conseqüentes (acentuação da angústia e da dor. existe a alternativa de que sofram uma reativação traumáti­ ca desses sentimentos. por exemplo.

por exemplo .B. o terapeuta pode induzir a atuação2.de sessões semanais . figuram as meras condutas adaptativas . > Em seu afã de conseguir “resultados práticos” em pouco tempo. leva­ do pelo critério de orientar o paciente na direção dos problemas atuais de sua realidade externa.a do acting out. e muito especial­ mente detectar as principais características das relações objetais do paciente. Uma mediqa poderá ser contratar um número necessário talvez maior que o habitual nessas terapias .para garantir uma tarefa interpretativa mínima da transferência desen­ volvida que permita diminuir as possibilidades de apresentação da conduta de acting out. que implicam modificações só em nível superficial. prescinde em demasia da análise da transferência. Quero aqui formular uma advertência: alguns . o de favorecer a depen­ dência regressiva do paciente. Fantasias transferenciais negligenciadas podem então ser atuadas por parte do paciente. e às vezes sumamente perigosa .três. Esse estudo prévio deverá então prover-nos de elementos diagnósticos nos quais possamos apoiar nossas hipóteses explicativas e nossas in­ tervenções terapêuticas. a limitação mencionada deve compen­ sar-se com um estudo prévio exaustivo e o mais profundo possível do paciente no começo do tratamento (uma razão poderosa para realizar várias entrevistas diagnosticas quando o caso o requer. 11. Por outro lado. sobretudo através de testes projetivos). Se bem que elevar a freqüência das ses­ sões traz consigo por sua vez outro risco. 9. Também se des­ crevem mecanismos tais como a fuga à saúde e à cura transferen­ cial. Os pacientes que evidenciam tendências ao acting out in­ troduzem um novo problema técnico. Na terapêutica breve. confeccionar uma história clínica minuciosa. 10. o risco do acting out aumenta quando o caminho se vê possibilitado ou facilitado porque o terapeuta. é o preço que se há de pagar para evitar uma complicação maior. que ainda que não sejam raros tampouco considero que sejam habituais em P.Alguns problemas técnicos característicos 1H1 terapeuta na apreciação da natureza dos conflitos da realidade exrema do paciente. Entre outros resultados que se podem produzir em rela­ ção ao assinalado em último lugar no item 10. promovidas pelo fervor terapêutico.

3. em L. “Contribuciones psicoanalíticas a la psicotcrapia bre­ ve”. cap. con­ figuram em troca uma eventualidade mais ou menos freqüente nessas terapias.. incrementados pela separa­ ção devida ao término da terapia. Buenos Aires. cap. 4 . C. VII. French. “La dinâmica dei proceso terapêutico”. As recaídas. V. Em todos esses casos.) Buenos Aires... pp. 1965. Alexander. Alexander e T. em 3. ob. Paidós. Curso para graduados de Técnicas en Psicotcrapia Breve. 168 s j. cit. o acompanhamento prolongado possihilitará a comprovação desses resultados e a adoção das medidas terapêuticas mais indicadas. durante e depois do tratamento (ver capítulo 9). . French. pois são a expressão de uma reativação dos conflitos que tinham sido objeto de uma resolução em essência incompleta. Organizado pela Soe. Referências bibliográficas 1. Os agravamentos constituem uma complicação que por sua vez também pode estar relacionada com a separação. Wolberg e col. De Psicologia Médica. Psicoanâlisisy psicolerapia. Méd. T. Grcdos. cm F. cap.. Buenos Aires. F. . a qual pode ser vivida como um abandono e condicionar diversas reações prejudiciais ao paciente. cap. Madrid. VIU. em função do final do tratamento (ver capítulo 9. Kaplan. 2 . ainda que se produzam na ausência dos fatos que acabo de citar. 16 de junho de 1972. 1960. “Planificación de la psicoterapia”. “Psicoanálisis y psicoterapia”. Vlli.182 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica detratores dessas terapias não vacilam em rotular pejorativamente como fuga à saúde ou cura transferencial todo sucesso do paciente obtido através das mesmas3. ou correspondem diretamente a uma resolução falsa' Nessas ocasiões costumamos detefctar a persistência dos conflitos transferenciais subjacentes. o que é regra nessas terapias. conjuntamente ou em continuação a eles. 1968. Psicoanálisis y Medic. Teremos de contar com essa possibilidade. em F. Psicosomática (Asoc. Síntesis y debate. Terapêutica psicoanalitica. . Psicoterapia breve. Alexander e T. Arg. em F. Arg. Psique. 5. Alexander. French.

Szpilka. XIV. e Knobel. . Rackcr. vol. Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Buenos Aires. “Acerca de la psicoterapia breve”. junho 1968. n? 2. J. H. Lat. Racker. Amér. em H.. M.. “Técnica analítica y la mania inconsciente dei analista”.Alguns problemas técnicos característicos 183 6. Paidós. 7. Estúdios sobre técnica psicoanalitica. Buenos Aires. psicol.. Acta psiq. 1969 (Estúdio Víll).

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A avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve í Introdução A avaliação dos resultados terapêuticos nas terapias breves tem por finalidade primordial verificar se estão sendo cumpridos os objetivos fixados. Paralelamente se poderá indagar outros as­ pectos que resultem de interesses. mas que haja partici­ pação ativa do paciente. . a qual tem assim um encerramento cuidadoso. no qual se aprecia sua opinião. criando-lhe uma sensação de reasseguramento. sendo estas ratificadas pelo julgamento do terapeuta. Considero que isso permitirá que a apre­ ciação dos resultados seja enriquecida e possa na maioria das vezes aproximar-se mais da realidade. por parte do paciente. a avaliação conjunta deixa no paciente a impressão de que se levou a caso uma tarefa em comum. será possível recolocar a situação do paciente e determinar os passos a serem seguidos a partir desse momento. o que não costuma aconte­ cer quando é efetuada de forma isolada por ambos os protagonis­ tas do processo terapêutico. Desse modo. plane­ jado. de suas impressões a respeito dos progressos obtidos. Com base na avaliação dos resultados obtidos. como logo veremos. requerida num intercâmbio cordial e franco com o terapeuta. Quero destacar a conveniência de que a tarefa avaliatória não fique exclusivamente a cargo do terapeuta. que eventualmente inclui a confirmação. Este último passo do processo adquire então um alcance terapêutico.11.

de base psicodinâmica. O procedimento que descreverei é o que adotei pessoalmen­ te2.186 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica No que se refere ao terapeuta. É necessário o follow-up ou acompanhamento do paciente em alta para poder saber se os resultados alcançados se mantêm e durante quanto tempo”(6). sem chegar a constituir um rigoroso instrumento de medição. permitindo um registro que facilite a elaboração estatística e ulteriores investigações quanto aos alcances e limita­ ções do procedimento que nos ocupa1. . (Grifos do autor.). recorro a dois recursos fundamentais: a) entrevistas com o pacien­ te (eventualmente estendidas a familiares e/ou figuras próximas dele. explica-se quais são seus motivos. etc. na medida em que provém de uma técnica suficientemente fundamentada. Um método de avaliação A partir das considerações expostas por Usandivaras em nos­ so meio. anunciada e ajustada de antemão com o paciente ao efetuar-se o contrato terapêutico. dentro do possível. como por exemplo quando se trata de adolescentes) e b) psicodiagnóstico. ao ter­ mino da cura. mas também mediata. em parte relacionados com as necessidades e possibilidades de cada caso (entrevistas a cada seis meses. con­ sidero que possui um valor prático.) A avaliação é. como se fará e quais serão as datas de realização das entrevistas de avaliação imediata. Não obstante. Para levar a cabo a avaliação tanto imediata como mediata. Como qualquer outro. Nada melhor do que transcrever suas próprias palavras: “Para que uma avaliação de terapia seja realmente válida deve ser não apenas imediata. um ano. é suscetível de ser objetado e/ou aper­ feiçoado a fim de se conseguir uma maior precisão. o emprego de um procedimen­ to metódico de avaliação dos resultados terapêuticos. já que as de avaliação mediata costumam ser combinadas a partir da finali­ zação do tratamento. costuma estimulá-lo a efetuar um estudo mais exaus­ tivo dos mesmos. variando sua periodicidade em função de diversos fatores. recordarei uma questão básica.

S. um pouco mais breve. geralmente realizada poucos dias depois da primeira. que inclui a avaliação dele.que confronto com minhas observações.A avaliação dos resultados terapêuticos 187 A avaliação imediata Efetuam-se duas entrevistas. tratando ao final de precisar fundamentalmente: l ) o que se aclamou e se resolveu e o que ficou pendente. Depois de haver revisado a evolução do caso.P.F. im­ pressões que haverão de ser úteis para o terapeuta. já estou em condições de transmitir-lhe minhas impressões sobre cada um dos pontos considera­ dos. o paciente opina sobre distintos pontos: ás mudanças nota­ das.) Melhoria sintomática (M. se possível claras c simples. estudo. como havia imaginado que seria seu tratamento. P Para avaliar cada caso levo em conta os seguintes pontos: Insight da problemática focal (LP. tem lugar uma devolução por parte do terapeuta.) Consciência da enfermidade Auto-estima Outras modificações favoráveis (vida sexual. com base em perguntas. 2) minha opinião a respeito dos próximos passos a serem seguidos. de que forma foi ajudado. outras relações interpessoais. relações de casal. A seguir efetua-se uma indagação sistemática da auto-avalia­ ção do paciente.. as vivências que teve. de uns 40 minutos de duração c que se realiza pouco depois de finalizada a terapia. indico ao paciente que poderá expressar amplamente suas opiniões acerca do tratamento que acaba de concluir e de seus resultados e que ein seguida lhe for­ mularei algumas perguntas a respeito. A técnica que utilizo na primeira entrevista de avaliação ime­ diata» é a seguinte: para começar. Na segunda entrevista . trabalho e lazer) Projetos para o futuro . está destinada a recolher as apreciações e informações que o paciente fornece (auto-avaliação). Na primeira parte da entre­ vista. Na segunda. comunico ao paciente minha própria avalia­ ção estudo prévio de todo o material recolhido na primeira entrevista . etc.E) Resolução da problemática focal (R. A primeira. a propósito dos pontos que exponho mais abaixo. que críticas sugere.

mais do que em qualquer outro. ou seja.uma superação (elaboração) substancial dos conflitos subjacentes.P. I. o item precedente. Na realidade.seria absurdo pretendê-lo . Mas aqui me refiro apenas a expe­ riências iniciais de insight .). depende do terapeuta. registre invariavelmente um resultado positivo. ou a associação por parte deste com situações análogas à que foi objeto de interpretação. Em relação ao primeiro. ao seu alcance ao longo do próprio tratamen­ to. a avaliação.P. que. neste caso.P. a existência de insight'. etc. As expectativas do terapeuta no sentido de que se produzam modificações significativas e medianamente perduráveis no pa­ ciente devem assentar-se principalmente no insight que este possa adquirir a respeito dos dinamismos psíquicos subjacentes à situaçào-problema. já lhe terão dado indicações sobre o grau de insight obtido (quando a uma interpretação se segue um silêncio reflexivo do paciente. ou seja. Para o paciente. ou uma mudança do clima emo­ cional da sessão.) ração este item. trata-se de saber concretamente se chegou a compreender seus problemas de um modo diferente e mais profundo. levo em conside­ Além de excluir conclusões acerca da existência ou não de .. que é na realidade o que costuma pro­ porcionar um tratamento focal.F. do ponto de vista dinâmi­ co esta resolução não implica . insight sobre a problemática focal de cada caso.188 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica "Insight ” da problemática focal (l. neste ponto. que se refere à resolução propriamente dita dessa mesma problemática e sobre cuja denominação cabem alguns esclarecimentos. a quem diferentes indicadores clínicos. significa que as mudanças produzidas mediante o tratamento deverão basear-se essencialmente no insight para que sc possa considerar tal resolução como real. pois me parece de decisiva importância.F. com uma sensação contratransferencial de desa­ parecimento das resistências." quer dizer. Resolução da problemática focal (R. Veremos o que implica o termo resolução tanto dinâmica quanto clinicamente.F) Incluo esse ponto. ou uma exclamação do paciente que revela surpresa diante de uma descoberta.

apropriada (4). a resolução poderá ser total ou parcial. como já foi assinalado anteriormente (ver capítulo 3. Por outro lado. referindo-se ao caso de um homem que tinha uma relação conflitiva com seu patrão. Cm suma. sem excessiva submissão ou hostilidade. Malan acrescenta que isâo não confunde necessariamente a resolução do processo patológico subjacente. mas em troca enfrenta tais situações de uma forma mais adequada. deixando assim de ter um caráter perturbador por um período cuja duração é impre­ visível. De um modo mais preciso. podemos esperar na melhor das hipóteses que o conflito se torne inativo.ainda com certas reservas num tratamento psicanalítico. A primeira corresponde à definição do termo já assinalada e se apresenta quando um paciente.). etc.A avaliação dos resultados terapêuticos como poderia esperar-se . fato que por outro lado não seria possível distinguir. 24yde uma resolução dinamicamente incompleta ou parcial. Aclarado o significado do termo do ponto de vista clínico. irritabilidade. cuja resolução clinicamente total seria dada pela desaparição de seu medo do patrão e de seus temores obsessivos de cometer erros em seu trabalho. assim como o desaparecimento de sintomas alcançados a . a resolução clínica parcial consistirá no desaparecimento de uma reação inadequada (por exemplo. e seguindo Malan. ansiedade. ao qual devia somar-se o fato de que começara a ter confiança em seu próprio desempenho e que se estabelecera uma relação satisfatória com seu patrão. entre as quais se incluem fenômenos tais como a “cura transferencial” e a “fuga para a saúde”. Clinicamente. clinicamente completa ou incomple­ ta. Além da resolução real. veremos que neste sentido. Malan menciona as falsas soluções. Trata-se então. depois do trata­ mento e ante situações ligadas-'à conflitiva focal. a resolução pode traduzir-se com freqüência na superação de um episódio (com aquisição de certo grau de insight e retorno ao equilíbrio psicológico). que não venha acompanhada da reação apropriada (4). O mesmo autor dá um exemplo muito claro. não só deixa de registrar as dificuldades e sintomas do início. o termo resolução é uma forma sinté­ tica de fazer referência à substituição de uma reação imprópria por outra. p. t> que explica que possam produzir-se recaídas circunstanciais. sempre baseando-nos em Malan.

Resultado duvidoso [R.: Sim (parcial)]. evitação. Denomina dqfalsa situação valiosa àquela na qual as mudanças se vinculam com alguma determinação do paciente ou com algum outro fato signi­ ficativo gerado a partir do tratamento. fuga para a saúde..P. perdure sem que se produzam re­ caídas ao longo de um determinado período.F. que podemos fixar arbitrariamente. que serve para romper um circulo vicioso e instalar em seu lugar um ganho benigno e modi­ ficações vitais (4)4. Resolução (clinicamente) parcial da problemática focal [R. Agravamento5da problemática focal [R. Sem dúvida.P. é possível mencionar. Malan assinala que na prática se colo­ cam interrogações decisivas: Como reconhecer a melhoria “bási­ ca” ou “específica”? Como diferenciar uma “resolução” real de várias categorias de “soluções falsas”? (£). 2. 3.P.190 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica expensas da evitação das situações conflitivas. em 24 meses a partir da finalização da terapia. Sem modificações na problemática focal [R. Resolução (clinicamente) total da problemática focal [R. com recaída [R.: ?] 4.P. Desse modo podem apresentarse alternativas como as seguintes: 1.F. Não obstante.P.: Não].: Não].F. 5. 7.P. com fins de orientação. As apreciações contudo continuarão tendo caráter empírico.F.P. Falsa solução da problemática focal.) [R. instável. total ou parcial (clinicamente). cuja reali­ zação costuma ser faciütada mediante um estudo realizado ao longo do acompanhamento.F.F. efe­ tuar tais distinções pode ser às vezes uma tarefa difícil.F. algumas das distintas possibilidades que podem ocorrer em maté­ ria de resultados terapêuticos.: Não]. etc.: Não]. por exemplo. Aparente resolução da problemática focal. em realidade imprescindível se se pretende valorizar adequadamente o item R.: Sim (total)]. Bem. com ou sem recaída (cura transferencial. . 6. partindo-se da idéia de aceitar como real toda resolução da problemática central do tratamento que.P.: Não]. assentando-se no insight. Falsa solução valiosa [R.F. desde que o paciente não se submeta a outro tratamen­ to psicoterápico nesse intervalo.F. ao qual deverão agregar-se os elementos fornecidos pelo psicodiagnóstico.P. 8.

encontra-se na reali­ dade pior que no começo. que o alívio ou o desaparecimento dos sintomas seja o corolário de mudanças internas (melhoria pelo insight). se considera que persistem nele outras dificuldades que requei­ ram resolução. quando isso for necessário. Além disso. portan­ to. deve transcender o mero reconhecimento da natureza patológi­ ca do transtorno atual.P. como sempre.F. Melhoria sintomática (M. se solucionaram ou não seus problemas através do tratamento. na opinião deste. ou seja. . pois daí pode obter-se a motivação do paciente para continuar recebendo assistência psiquiátrica ou voltar a se consultar em outra ocasião.ao menos inicialmente uma remissão sintomática. embora este deva conhecer. per­ manente ou transitória (esta última é típica dg episódios agu­ dos). em (unção da qual o paciente. A melhoria sintomática pode che­ gar a ser o principal objetivo terapêutico. as impres­ sões do paciente sobre o caso.) também é patrimônio do terapeuta. nos quais se procura às vezes . quando possível. tomada de consciência que. “assintomático”. se.S. por exemplo. como no caso de pacientes que apresentam uma grande debilidade egóica.A avaliação dos resultados terapêuticos 191 A avaliação deste ponto (R. Consciência da enfermidade Compreende a indagação sobre se houve ou não uma tomada de consciência por parte do paciente a respeito da existência de uma enfermidade “de base”. Para isto poder-se-á inquirir. Penso que a aquisição de consciência da enfermidade deve ser uma meta implícita em toda terapia breve de insight.) A observação da evolução dos sintomas adquire particular impoftância nessas terapias. Cabe advertir quanto à falsa solução por evitação (4). que por sua vez resultem de havermos penetrado com o paciente na psicogênese de seus sintomas. é de se desejar.

em conseqüência do insight alcan­ çado.. através da qual pode promover modificações positivas*. etc. o fato de se notar num indivíduo. que no começo do tratamento impressionava pelo descuido consigo mesmo. Pode servir de simples exemplo.192 Auto-estima Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Como acontece com o item anterior. A maior parte das pessoas que procuram uma consulta psiquiátrica registram uma diminuição de sua auto-estima. também a elevação da auto-estima e as possibilidades de uma auto-regulação adequada dela. suas relações de casal. irmãos. etc. configuram uma finalidade que convém ter presente. sem entrar aqui em con­ siderações profundas. permitindo-se expandir-se. O estado atual da auto-estima detecta-se por meio de diver­ sos dados. Projetos para o futuro Trata-se de comprovar se.). recolhidos tanto nas entrevistas como no psicodiagnóstico. atendendo ao uso que faz de seu tempo livre (o que permitirá explorar sua capacidade de gozo. etc. sua iniciativa pessoal. profissionais. interessa averiguar se se têm eventualmente produzido mudanças em aspectos como sua vida sexual.com pais. nos estudos. uma maior preocupação com seu aspecto pessoal.mas tam­ bém as de amizade. especialmente as familiares . etc. Seu incremento (conseqüência natural de um tratamento caloroso por parte do terapeuta e também do efeito particular de determinadas interven­ ções do mesmo) constitui um ganho terapêutico nada desdenhável. Outras modificações favoráveis Já que se trata de um procedimento terapêutico orientado para a realidade cotidiana do paciente. o paciente emerge do tratamento com. sua criatividade. . mas também por sua influência direta no funcionamento egóico. no trabalho e na recreação. outras relações interpessoais. não só porque por si só significa para o paciente maior bemestar. 1) Alguma orienta­ .

esta questão configura por si um objetivo à parte. Harrower. possíveis migrações. 2) A partir daí. já que do contrário é menos provável que possam registrar-se mudanças significativas no material. utilizando procedimentos idênticos aos daquela ocasião. a exploração dos distintos pontos citados pode ser vista como uma reavaliação do estado das funções egóicas do paciente depois de efetuado o tratamento. O novo psico­ diagnóstico. É conveniente que o mesmo psicólogo que realizou o psico­ diagnóstico inicial seja quem. o que parece indicar também que a posteriori desses tratamentos se desenvolve um processo ativo e gerador de mudan­ ças (2). sem que no ínterim mediasse qualquer tratamento psicológico. Quando as metas terapêuticas não guardam maior vinculação com o que concerne aos planos pessoais do paciente. etc. que realizou uma investigação com numerosos pacientes tratados com o método terapêutico breve. Comprova-se freqüentemente. efetue o reteste e a devolução corresponden­ . pois nem sempre é possível abordá-la num tratamento breve. Mas as provas realizadas ao cabo de vários anos com estes mesmos pacientes. comparado com ó anterior. a instrumentação de mecanismos menos primitivos e mais adaptativos que os presentes no começo. trabalho. Tudo isso implica por sua vez certo autoconhecimento e a aceitação de algu­ mas perspectivas e limitações. i» Psicodiagnóstico É conveniente efetuar o reteste não antes de que tenham trans­ corrido pelo menos seis meses desde a realização do psicodiag­ nóstico inicial. permite ampliar a obser­ vação das modificações obtidas. contase com a possibilidade de adotar certas determinações. entre outras descobertas.A avaliação dos resultados terapêuticos 193 ção no que se refere a realizações futuras em aspectos tais como estudos. Em geral. refere que na maioria dos casos os testes exploratórios não revelavam diferen­ ças destacáveis quando se efetuavam imediatamente depois de finalizado o tratamento. registravam uma notá­ vel melhora.

4. carece de sentido. A combinação de entrevistas periódicas de acompanha­ mento. sem programação de futuros encontros. em que o prazo inicial pode ter sido insuficiente para alcançar as metas estabelecidas. com conhecimento do terapeuta. O estabelecimento de um recontrato. 2. além disso. É freqüente. 4. Só desse modo. a com­ paração dos resultados de um e de outro estudo terá validade. quer dizer. b) havendo sido cumpridos. O estabelecimento de um recontrato pode realizar-se cm várias circunstâncias: a) se nào se cumprirem os objetivos. A indicação de outro tipo de tratamento. pp. 2. Quando. distinto em seus fins e técnicas. Alternativas do paciente ao terminar o tratamento Este tema já foi considerada por outros autores. o que. A indicação de outro tipo de tratamento . 3. que poderá consultar-se novamente toda vez que sinta necessidade de fazê-lo. Ser-lhe-á comunicado. como é óbvio. cumpridas ou nào as metas terapêuticas. o terapeuta considera neces­ sário prolongá-lo (recontrato).194 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica te ao paciente. evitando que haja variáveis. convém que proponha isso ao paciente sem esperar que se cumpra o prazo inicialmente fixado. 1. 3. A separação de paciente e terapeuta será decidida sempre e quando aquele estiver em condições de enfrentá-la. As distintas possibilidades que devem ser levadas em conta ao concluir o prazo terapêutico são: * 1. A separação de paciente e terapeuta. Atuar de modo contrário suporia expor o paciente a uma falsa situação de separação ime­ diata. por exemplo. que se veria. 196 ss. se se colocam novos objetivos limita­ dos. Do acompanhamento me ocupo em “A avaliação media­ ta”. pode surgir em diversas situações. que a conti­ . Comentarei aqui apenas algumas questões que me parecem de interesse. No primeiro caso trata-se de um prolongamento necessário do tratamento. compelido a trabalhá-la. no momento da avaliação. durante o tratamento. como é natural.

Na realidade. modelos repetitivos de conduta. o tera­ peuta já conhece. ampla e prolongada de seus conflitos. Se o novo tratamento deve ou não ser feito pelo mesmo tera­ peuta pode constituir um tema polêmico que merece alguns co­ mentários. pode-se contar a seu favor com a existência de uma aliança terapêutica já instaurada e com a confiança do paciente nas perspectivas que oferece o tratamento. Aqui o passo para a psicoterapia prolongada é uma conquista importante da terapia breve. com vistas a modificar aspectos de seu caráter. quer dizer. Quero destacar que a passagem de um paciente de um trata­ mento breve que está por finalizar para um tratamento prolongado (por exemplo. Há. com outros e mais ambiciosos objetivos. creio que não se pode generalizar afirmando que tal ou qual posição será mais adequada em todos os casos. tudo o que o toma agora mais apto para realizar ura tratamento dessa natureza. cm alguma medida. ao confirmar que*'a melhoria é possível. Pode tratar-se também de um paciente que o tratamento breve haja motivado para uma exploração mais profunda.. além disso. quer se realize de imediato quer depois de haver transcorrido algum tempo entre um c outro. não constitui por si só nenhum indício de fracasso ou êxito do trata­ mento efetuado. tanto pode responder ao primei­ ro como ao segundo. psicanálise). De minha parte. Se se considera a possibilidade de que seja o mesmo tera­ peuta quem efetue o novo tratamento. Penso que tanto uma alternativa como outra oferecem vantagens e desvanta­ gens. e que tenha adquirido além disso maior consciência da enfermidade e maior confiança na psicoterapia. a patologia do paciente. As opiniões a respeito parecem bastante divididas. Além disso. etc. baseada nas melhorias obtidas inicialmente. terapeutas que sugerem completar a experiência cor­ retiva de terapia individual com um tratamento grupai posterior. continuando a encarregar-se do tratamento. Na prática o tratamento poderá ser solicitado pelo próprio pacien­ te ou ser recomendado pelo terapeuta.A avaliação dos resultados terapêuticos 195 nuação de uma terapia de tempo e objetivos limitados desperte no paciente o interesse de efetuar uma psieoterapia prolongada. Ocorre no caso em que se decida realizar um tratamento prolongado ao ficar comprovado qfie a técnica focal resultou ineficaz e que na oportunidade se requêr outro enquadra­ mento. evita-lhe o . Fi­ nalmente. questão sobre a qual ’outros se têm pronunciado de maneira similar.

Por isso. No terreno da investigação. e que propõe outra disposição espacial. para que a passagem à nova forma de relação terapêutica seja mais gradual e que a situação criada possa ser manejada sem que se produzam reações transferenciais inde­ sejáveis.196 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica luto da separação. Paralelamente. com o mesmo terapeuta. A avaliação mediata É praticada por meio de follow-up ou acompanhamento. Em cada situação. na qual o terapeuta estabelece maior distância afetiva. provocadas pela hostilidade gerada ao passar . mais ambígua. que basicamente servirá para comprovar se as mudanças alcançadas mantêm-se ou não. uma psica­ nálise.de uma rela­ ção mais definida e calorosa do diálogo fluido e mantido “frente a frente” para outra. correspondentes não só ao paciente mas também ao terapeuta.de um modo contraditório para ele. seja menos demonstrativo com o paciente. O paciente pode experimentar dificuldades para aceitar as modificações da relação com seu terapeuta devido às característi­ cas do novo enquadramento. diante de um novo tratamento. Toda essa situação pode confun­ dir e desconcertar o paciente. às vezes. preservando-se ao mesmo tempo o setting necessário. essa situação pode trazer complicações transferenciais. desempenhe um papel um pouco menos ativo que o habitual nas psicoterapias focais e regule mais determinado tipo de intervenção que possa contrastar com as da técnica psicanalíti­ ca que depois terá de adotar. que fica reduzido ao ocasionado pela eventual mudança do tipo de relação paciente-terapeuta7. diante de um paciente sub­ metido a um tratamento breve. sem chegar à atitude de ambigüidade psicanalítica. tal como se vê a transformação de seu vínculo com o teçapeuta . Mas é precisa­ mente no que concerne a tal mudança que residem as desvanta­ gens. e que este. sendo em suma mais frustrante. Talvez algo que possa ser feito. a avaliação mediata nos permite indagar acerca do grau de eficácia desses . haverá de se pesar cuidadosamente distintos fatores. o mais conveniente pode ser recorrer a um novo terapeuta. seja considerar firmemente a pos­ sibilidade de aceitar a continuação de tal tratamento.

tem-se assinalado. que poderão então ser pesquisados através de entrevistas periódicas de controle. em nosso meio. que chega a con­ . de autênticas melhorias causadas pelo insight. as mudanças esperadas só se manifestam no acom­ panhamento. depois de transcorrido um certo período. certas mudanças prospectivas ligadas ao tratamento. evitando o encontro. ou melhor. como com outros que se apresentam queixosos ou ainda não compareçam. mas este representa por sua vez um recur­ so preventivo-terapêutico. que estudou esses fatos com relação ao grau de interpretações da transferência exis­ tente ao longo dos tratamentos efetuados). Pode ser efetuado. por exemplo. já que com o passar do tempo estes podem consolidar-se ou seguramente descaracterizar-se. uma “fiiga para a*saúde”. Às vezes. dando lugar também a recaídas. então. a investigação. É nessas circunstâncias que são postos à prova os ganhos obtidos. Conhecemos sobeja­ mente.ou ao menos atenuar possíveis recaídas relacionadas com fantasias dc abandono por causa do término do tratamento. quer dizer. os perigos que derivam de certos aspectos transferenciais não-resolvidos. uma cura transferenciai de efeitos fugazes. a evolução da rela­ ção transferencial e sua conseqüente vinculação com o estado do paciente (como o realizou o grupo de Malan [4]. ou seja. Às vezes o acompanhamento torna possível distinguir melhor. nos encontra­ remos tanto com pacientes que vêm entusiasmados. mostrando-se colaboradores e agradecidos. verificáveis tanto clinicamente como por meio de psicodiagnóstico.A avaliação dos resultados terapêuticos 197 procedimentos e formular hipóteses sobre os prováveis mecanis­ mos terapêuticos atuantes. que pode ser prolongado. Também podem ser explorados em detalhes determinados aspectos do processo terapêutico. Pode evitar . Assim. um estudo mais preciso que na avaliação imediata e por conseguinte uma avaliação mais correta das mudanças produzidas. Além disso teremos oportunidade de comprovar se depois da remoção do obstáculo continuam ou não evidenaiando-se novos progressos. tais como a conduta do paciente diante do terapeuta no acompanhamento. por exemplo. Mas os alcances do acompanhamento não se reduzem a uma só face. desde a finalização do tratamento. Partindo-se de experiências em estabelecimentos assistenciais. temática que foi considerada no capítulo 9. isto é.

assim como também de outros meios de fortalecimento egóico. já que pode objetivar a permanência das melhorias alcançadas. A técnica das entrevistas . que desenvolve assim certa pertinência à mesma (3). Aprofundando-nos no que podemos explorar por meio do controle periódico do paciente. assinalarei alguns pontos de ma­ neira sucinta. que deriva em mudanças só . quando existe um controle periódico da avaliação do caso. de acordo com as necessidades. assim como suas sugestões para o futuro. no qual a insti­ tuição c um continente para o paciente. que pode influir favoravelmente no funcionamento do ego e avaliar sofri­ mentos. Além disso. mantendo-se contato com o paciente. A respeito dos mecanismos das mudanças e melhorias sinto­ máticas. é mister indagar ao menos. já que nem sempre tere­ mos respostas concludentes a essas interrogações. tais como a depressão. em essência similar à descrita a propósito da avaliação imediata. este tem uma possibilidade de reasseguramento e tranqüilização. aos quais se deverá agregar a indagação acerca de possíveis novos ganhos e/ou problemas que possa apresentar o paciente. antes que o processo patológico alcance maior desenvolvimento. 194).m Psicoterapia breve de orientação psicanalitica figurar uma continuação espaçada do tratamento. 49 ss. Além disso haverá uma “devolução” do terapeuta. é factível detectar novas manifestações sintomatológicas ou a reaparição das já conhecidas e com isso a indi­ cação psicoprofilática ou psicoterapêutica necessária. que transmitirá suas impressões. recordemos que esses resultados podem ser produto do insight. Se considerarmos concretamente as mudanças e melhorias sintomáticas .). Por último. como o incremento da auto-estima (quero dizer. Também poderemos pesquisar a existência de uma cura transferencial. Tudo isso deverá efetuar-se em uma ou mais entrevistas. quando este é alcançado por mecanismos distintos do insight). leva em conta os mesmos itens. O reteste será realizado conforme as condições enunciadas anteriormente (ver p. temas aos quais me referi em parte no capítulo 3 (ver pp. Também já fiz menção de que é nessas circunstâncias que o psicodiagnóstico pode registrar as mudanças significativas produzidas por essas terapias. a que mecanis­ mos respondem e qual é o alcance e a estabilidade de tais mudan­ ças.

tais como sexualidade. da maior ou menor influência de situações traumáticas que possam afetar o paciente e promover uma nova descompensa­ ção. seu grau de estabilidade. etc. com os mecanismos que as geraram e seu correspondentenívèrde profundidade. podem dar lugar. O aprendido na terapia é confrontado e interatua com tais experiências. reveladas nos psicodiagnósticos. fato registrado na avaliação imediata. trabalho. Nesse caso parece resultar necessário que transcorra algum tempo. estudo.A avaliação dos resultados terapêuticos 199 aparentes e superficiais (reações adaptativas). permitindo às vezes a remoção de obstá­ culos e a consecução de ganhos. Interessará. por exemplo. etc. ao longo do qual teria lugar um proce|so “elaborativo” pós-terapêutico. O paciente teria adquirido certo insight. Este é um índice muito válido para avaliar a eficácia desses procedimen­ tos. quer dizer. uma “falsa solução valiosa”. Já vimos que tudo isto pode refletir-se nos resultados do psicodiagnóstico realizado nesta etapa. Mo­ dificações internas de distinta natureza. a mudanças prospectivas em uma ou mais áreas ou atividades. estahilidade das mudanças estará relacionada com a natureza dos mesmos. Isso acontece quando as mudanças e melhorias sinto­ máticas sobrevêm só depois de um certo período de tempo. cata­ lisado pelas suas experiências vitais. A resolução real (ou seja. . lazer. ainda que a durabilidade das mudanças. ou seja. não dependa só do tratamento realizado. mas este não se faria acompanhar de modificações visí­ veis. de duvidosa per­ manência. que o paciente realizaria espontaneamente. O alcance ou a extensão das modificações clínicas favorá­ veis pode referir-se às distintas áreas de conduta em que se regis­ tram8 e/ou simplesmente aos diferentes aspectos da vida do paciente. No que corresponde ao processo terapêuticQ^ a. entre outros fatores. ainda. podendo tratar-se de uma “fuga à saúde”. Mas também é possível que constitua descoberta evidenciada durante o acompa­ nhamento. mas também. em caso afirmativo. durante quanto tempo. se as mudanças registradas se mantêm ou não e. alcançada através de insight) da problemática focal poderá expressar-se na manutenção das mu­ danças registradas ao concluir-se o tratamento. como sabemos. as quais costumam realimentar o processo.

diante das quais o terapeuta estará em condi­ ções de prevenir ou auxiliar o paciente. Por último. que por diversos motivos podem distorcer os fatos.200 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica As recaídas. e diante dos quais cabe indagar também acerca de seus mecanismos. fato mais bem detectado através do psicodiagnóstico. Isso deveria incluir não só o julga­ mento. A avaliação dos resultados terapêuticos em psiquiatria breve constitui um terreno aberto à investigação. mas também acerca de seus possíveis fatores e ra­ zões (1)”. no que é possível que o psicodiagnóstico possa transformar-se num valioso instrumento. grosso modo. traduzidas na reaparição dos sintomas ou na presença de novas manifestações sintomatológicas. imprecisões e limitações. por meio do acompanhamento9. é possível encontrar novos ganhos e mudanças. Em parte devemos con­ fiar em informações e apreciações subjetivas do paciente ou de seus familiares. Geralmente. Essas mudanças podem ser inerentes não só às con­ dições de vida. a respeito de como se produziu o êxito ou o fracasso. ainda que em grau menor. um auto-exame e uma autocrítica de seus resultados terapêuticos em cada paciente. de certo modo alheios às metas terapêuticas propostas. sobretudo porque não contamos até o momento com a possibili­ dade de realizar medições mais objetivas. Esses fatos também podem ser investigados. Contudo. por fornecer uma grande riqueza de dados com possibilidade de . Problemas na avaliação dos resultados terapêuticos As dificuldades para avaliar os resultados terapêuticos dos distintos procedimentos utilizados em psicoterapia são sobeja­ mente conhecidas. também as impres­ sões do terapeuta estão sujeitas às mesmas vicissitudes. o desenvolvi­ mento fundamental do terapeuta requer que seja feita uma avalia­ ção sincera. alcance e estabilidade. Disse Dewald: “Em que pesem as dificuldades. podem dcverse à reativação do conflito subjacente pela ação de fatores traumá­ ticos. este deverá tentar sempre uma avaliação. da mesma forma que a presença de novas si­ tuações conflitivas. mas também à estrutura da personalidade. A avaliação constitui uma tarefa complexa.

O que im­ porta no final das contas é o julgamento que o terapeuta desenvol­ ve com respeito aos resultados obtidos no que concerne a cada um desses itens. Mas isso não significa desdenhar a melhoria ou ciura sintomática. por si só não nos sirva de parâmetro.S. já que pode ser o produto de fal­ sas soluções (4). Mas na prática e sobretu­ do com fins estatísticos. no meu entender. uma idéia global dos mesmos. e mais do que tudo fundamentar um procedimento de medição bastante preciso. pelo alcance de uma maior compreensão psicológica [insight).).) e melhoria sintomática ( M. Na realidade é uma tarefa difícil. como é lógico supor. resolução da problemática focal (R.). sinteticamente. (Tinda que persistam certos sintomas ou dificuldades meno­ res. ainda quando diferir do julgamento do paciente. levaremos fundamentalmente em conta. Os pontos restantes têm importân­ cia secundária.P. Quando se trata de uma terapia breve em que predomina o insight. parte dos itens aos quais anteriormente fiz referência. Esse procedimento terá maior validade se for apli­ cado com base nos dados recolhidos ein acompanhamentos efe­ tuados depois de haver transcorrido um certo lapso de tempo des­ .F.F. os três primeiros pontos da lista já conhecida. embora. surge a necessidade de apelar para um código que sirva para qualificar os resultados terapêuticos “fi­ nais” de cada tratamento. em algum momento.A avaliação dos resultados terapêuticos 201 sistematização metodológica. pelo que não é sinônimo de êxito terapêutico. fornecendo assim. Por esse motivo exporei a seguir o esquema que idealizei e que utilizo. ainda se está longe de poder unifi­ car critérios e adotar um sistema único. um enfrentamento mais adequado de alguns dos obstáculos correspondentes à sua situação-problerna. na sua avaliação. a melhoria do paciente pode ser definida. Levantam-se muitas polêmicas em torno dos critérios de me­ lhoria que deveriam imperar quanto às terapias breves: Que deve­ mos entender por “melhoria” ou por “resultado favorável” nessas terapias? Darei minha opinião a respeito: em psicoterapia breve de insight. Difundem-se numerosos e diferentes esquemas para a avalia­ ção dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve.P. o qual. a saber: insight da problemática focal (I. como vimos. o que tal­ vez contribua para criar maior desconcordância nesse campo. e. muito menos nesse tipo de tratamento. Bastará isto para considerar um resultado como favorável.

que de um modo convencional podemos fixar em no mínimo dois anos. é avaliado como positivo e enquanto não se tenham exacerbado mais intensamente as mani­ festações sintomatológicas. o resultado final será considera­ do muito favorável.S. a essa situação corresponderá um re­ sultado discreto. e portanto tampouco .S. (excetuando-se o de evitar as si­ tuações conflitivas). o efeito psicofarmacológico. c) Quando. independentemente dos resultados concernentes aos demais pontos. e nos demais itens se as mudanças e melhorias se mantiverem ao longo de pelo menos 24 meses. é clini­ camente incompleta ou parcial. etc. e M. só se considera­ rão resultados positivos em R.F.P.F.F.F. e) Quando não se registra nenhuma variação favorável ou desfavorável nos diferentes pontos. o resultado final será considerado favorável..P.P.P.P.F. diferentemente do descrito em a. Paralelamente poderão existir ou não modifi­ cações favoráveis em outros itens e eventualmente na estrutura da personalidade.P.F. b) Quando.F. Em conseqüência.. d) A categoria de regular significará que só se alcançaram alguns benefícios no concernente a M. f) Se assistimos a uma franca piora ou agravamento na sinto­ matologia. ou à atenuação ou supressão sintomática por evitaçào (falsa solução) sem se ter alcançado I.)10.F. o resultado será nulo. a catarse. clinicamente parcial. por meio de distintos mecanismos não-bascados no insight. M. e/ou mudanças favoráveis nos outros itens de importância secundária. só I. ou apenas dois dos três itens prin­ cipais acusam resultados positivos (I. e R.P. ainda com persistência ou intensificação de certos sinto­ mas. dos três pontos. uma vez mais.P. qualificaremos os resulta­ dos alcançados do seguinte modo: a) Naqueles casos em que se registre um resultado positivo em I. acompanhado de uma resolução clinicamente completa ou total da problemática focal e do desaparecimento ou demarca­ da atenuação da sintomatologia. O registrado nos restantes pontos. sem que se tenham registrado recaídas nem sido efetuados outros tratamentos psicoterapêuticos durante tal período. como a sugestão. não modificará a qualificação. Cumpridas as condições descritas.S... ou ainda por último I. a R.202 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica de o término da terapia.

© + R.A avaliação dos resultados terapêuticos 203 R.P. e R. terá importância.F. também deverão manter-se pelo menos por dois anos a partir da data de conclusão do tratamento. sem variações em I. sem que o paciente haja realizado durante esse tempo novos trata­ mentos psicológicos12.F. Os itens restantes desempe­ nharão uma vez mais um papel menor na determinação do resul­ tado final.P.P.P.P.F.S.F. © + R.F.P.P.F. © Discreto: I. o resultado final será rotulado como desfavorável.F.F. © + M.S. a M. (total) ® + M. e R.F.E 0 “ R.P.P. o significado de cada uma das categorias mencionadas pode ser resumido esquematicamente assim: PSICOTERAPIA BREVE EM QUE PREDOMINA O “INSIGHT” Resultado final Muito favorável: I. não serão levados diretamente em conta. Seria interessante estudar uma forma de incorporação siste­ mática do psicodiagnóstico ao procedimento descrito. Os resultados finais na terapia breve de apoio poderão ser qua­ lificados com as mesmas denominações aplicadas à de insight. © e/ou resultados positivos em outros itens de importância secundária Nulo: Sçm variações Desfavorável: Piora sintomatológica ou falsa solução por evitaçào. (parcial) © + M.S. Definitivamente. (parcial) © ou I.F.F.S.S.PF.. além do observado nos demais pontos. © ou I. enquanto que I. Nesse caso. © Regular: M.P. ® Favorável: I.P. No caso de uma psicoterapia breve baseada numa técnica de apoio. as significações serão as seguintes: .P. Como requisitos para considerar válidas a melhoria sintomática e as mudanças.

em Cotoquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. Buenos Aires. citado por J. Malan. Acta psiq.P. Barcelona. Illinois. junho 1968. acompanhada de modificações benéficas cm um ou mais aspectos restantes considerados.) 5. A Study o f Brief Psychotherapy. cap. Referências bibliográficas 1. A. Psi­ coterapia: m enfoque dinâmico. Arg. Centro Editor de América Latina. Madrid. Curso para Graduados de Técnicas em Psicoterapia Bre­ ve. qualquer que seja o esultado nos outros pontos. Buenos Aires. A. XIV.que não se obteve uma resposta positiva no que diz respeito ao mesmo. 1968.). 1974. em P. Londres. 6. “Problemas que plantea la investigation sobre psi­ coterapia breve”. em L.: Resultado: ?) considerar-se-á a fim de estabelecer um resultado final . ~7’c) Discreto: Só há atenuação dos sintomas. Buenos Aires. Grcdos. . P. Um último esclarecimento. / b) Favorável: Difere do resultado muito favorável em que existe uma atenuação dos sintomas em vez de seu desaparecimen­ to. -7 d) Regular: Registram-se somente alguns benefícios em pon­ tos de importância secundária.. 2 Harrower. não acompanhada dc outras variações nos demais itens.. Med.. n“ 2. J. Buenos Aires. H. Psicossomática (Assoc. X. psicol.. Amér. Toray. Psicoanálisis y Medic. EUDEBA. válido para a avaliação em ambas as formas de psicoterapia breve: quando um resultado é duvidoso em um item (exemplo: R. II. Lat.. vol. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. Organizado pela Soc.204 Psicolerapia breve de orientação psicanalítica /a) Muito favorável: Um resultado será muito favorável quan­ do se produza a cura sintomática. f) Desfavorável: Piora sintomática. 4. Psicoterapia breve.F. Charles Thomas. Kaplan. 16 de junho de 1972. Springfield... Pichon-Riviere. cap. Usandivaras. 1973. M. E. XX. R. 1964. 3. Bleger em Psicologia de la conducta.. “Evaluation de la terapia". 1963. “Cómo vc cl tratamiento breve un psicólogo clinico”. de Psicologia Médica. Tavistock. « e) Nulo: Sem variações. Dewald. C. Wolberg y col. cap. D. Dewald. Também pode ser definido unicamente pela cura sintomática. Arg.

. L. E lyoy la realidaden la teoriapsicoanalitica. Ramos Mejia”. M. 1973. . Bue­ nos Aires. 1970-71.A avaliação dos resultados terapêuticos 205 7. Servicio de Psicopatología c Higiene Mental del Hospital Municipal “J. Buenos Aires. White. 8. para residentes municipales de tercer ano de Psiquiatria. Paidós. R.. Supervisiones de psicoterapias breves hospitalares en pa­ cientes adolescentes. Wolf.

* ^ .V .

o que costuma originar maiores dúvidas. praticamente quase todas as pessoas poderão receber certa ajuda terapêutica com o tra­ tamento focal. com critério e segundo cada caso. A indica­ ção ou contra-indicação clínica dessa terapia decorre da avaliação diagnostica e prognostica do paciente. desde que se recorra. dentro da qual são elemen­ tos indicadores para sua recomendação: a) Sofrer transtornos de início recente e agudo que motivem o tratamento (ou.12. compartilhada por muitos. ainda que esteja longe de ser em muitos casos a indicação mais adequada. atravessar um "mo­ mento propício" numa enfermidade relativamente crônica). Nes­ sas características incluem-se as situações críticas nas quais o *> . inclusive quando o método breve apresenta suas indicações clínicas. A terapia de objetivos e tempo limita­ dos satisfaz assim uma necessidade assistencial. que é. Indicações da psicoterapia breve' i Por mais grave que seja sua enfermidade. Estabelecerei a seguir alguns critérios de seleção de pacien­ tes para o tratamento focal em que predomina o insight. justifica sua aplicação generalizada quando dificuldades econômi­ cas. mesmo de duração limitada. É evidente que se pode determinar em que circunstâncias e com que tipo de pacientes se poderão esperar os melhores resulta­ dos. à técnica interpretativa e à de fortalecimento do ego. tanto no meio institucional como no consultório privado. como diz Courtenay [2]. nesse sentido. Essa posição. distância ou falta de tempo não possibilitem um tratamento mais intensivo e prolongado.

etc. A terapêutica breve pode converter-se num auxílio eficaz. assinalando .) o trabalho de análise progride melhor se as experiências patológicas do paciente per­ tencem ao passado.). de modo que seu ego possa situar-se a uma certa distância delas.). etc. adquirindo além do mais um caráter essencial­ mente preventivo.. a psicanálise não pode ser utilizada de nenhum modo.208 Psicolerapia breve de orientaçãopsicanalitica indivíduo esteja afetado por problemas que digam respeito à sua realidade atual (acidente de trabalho.. um parto. Menciona também a leveza da patolo­ gia como um fator para um prognóstico favorável. essas situa­ ções distintas demandam muitas vezes ajuda psicológica urgente. depressão reativa. ^ b) Patologia de caráter leve (exemplo: neurose). de pessoa total. Courtenay. e deve haver uma ausência relativa de expectativas primitivas. de necessidades de dependên­ cia e de privações precoces sérias” (6). Mas. ataque histérico. por sua vez. para a elaboração das ansiedades surgidas ao longo dela [8]).. Essas situações costumam pelo menos transitoriamente impedir a realização de um trata­ mento analítico. Nos estados de crise aguda. etc. razão pela qual. casamento. que permita ao paciente superar melhor a situação sem graves conseqüências. etc.cujo propósito é o de penetrar por debaixo da superfície e descobrir as influências do passado” (4). que representam importantes campos de aplicação das técnicas breves (a psicoprofilaxia cirúrgica [5] ou a assistência psicológica durante a gravi­ dez. às quais podem adequar-se facilmente. Todo o interesse do ego está absorvido pela penosa realidade e se retira da análise . não devemos desentender-nos a respeito disso2. ruptura de casamento. dando lugar a um quadro psicopatológico agudo (neurose traumá­ tica. Também podem incluir-se aqui os casos em que o indivíduo deve preparar-se para passar por tensões. ou não necessaria­ mente patológico como pode ser o caso de uma crise vital (ingres­ so na universidade. dada a lógica limitação de tempo e os objetivos terapêuticos que a natureza idêntica das situações coloca. Afirma Main: “Os problemas principais devem situar-se predominante­ mente no nível genital. uma migração. ou até mesmo sair garbosamente dela. se pronuncia de modo similar. tais como uma interven­ ção cirúrgica.). ao mesmo tempo. exercendo ao mesmo tempo uma função preventiva. Disse Freud a respeito: “(. como terapeutas.

mas sim que se pretende esta­ belecer uma generalização que não considera realmente o diag­ nóstico nem leva em conta a realidade atual e circunstancial de cada paciente. e) Capacidade de insight. caracteropatia esquizóide. dizem: “Entendemos que não se está prescrevendo &terapia de escolha para cada caso. que implique uma sacrificada revisão de sua vida e de sua personalidade (mas que por outro lado chegam a manifes­ tar um certo interesse em aliviar alguns de seus sintomas ou uma situação conílitiva atual através de uma psicoterapia).Indicações da psicoterapia breve 209 que é preferível um indivíduo com necessidades edípicas. o qual é sempre prejudicial para qualquer paciente. etc.” O tratamento breve pode erigir-se como a única experiência terapêutica possível para numerosos pacientes reíratários á psica­ nálise. quando devem ser considerados também fatores como idade. mas que idealiza o método terapêutico.ou qual­ quer otitro fator é em suma insuficiente para indicar ou contraindicar uma terapia breve. e de que esta recaia sobre o tratamento psicanalítico quando não são fornecidas ao paciente determinadas condições elementares. tanto em psiquiatria como em medicina geral. histérica. mas como uma indicação precisa. etc. suas resistências a tratamentos intensivos e prolonga­ dos. com funções em bom estado. condições socioeconômicas. mas de uma personalidade enferma num determinado quadro socioeconômico e cultural. isto é. Considerar isoladamente o diagnóstico nosológico (neurose obsessiva. Essas limi- .” Sintetizam essa posição dizendo: “A psicoterapia breve pode então aplicar-se não como uma terapia substitutiva da psicanálise. c) Força e plasticidade do ego. não de um quadro nosológico. como se faz em geral em medicina. Szpilka e Knobel advertem sobre o erro de guiar-se quase que exclusivamente por um diagnóstico nosológico para a indicação terapêutica. ou depressi­ vos sérios (2). surgida do diagnóstico. a outro com problemas orais de dois. f) Determinação e boa delimitaçãofocal desde o inicio (7). d) Alto grau de motivação para o tratamento. Diante desses fatos.) . de três pessoas. que não estão dispostos a passar por uma terapia intensiva e prolongada. devendo-se atender em cada caso ao todo da situação apresentada pelo paciente.

de insight é menos eficaz : em casos crônicos de psico­ se. dependentes ou sim­ bólicas. enfermidade psicossomática. geral- rio . A P. como a psicoterapia de grupo prolongada. Trata-se então de adaptar sempre nossa técnica psicoterapêutica ao paciente. Um tratamento focal pode ser suficiente para solucionar o pro­ blema atual surgido. que ele possa tolerar. inclusive através de uma técnica interpretativa. taçòes por vezes têm que ser respeitadas. psicopatias. em geral quando existem grandes debilidades egóicas. a terapia focal pode encontrar uma aplicação muito adequada. mas com método. bastando às vezes umas poucas entrevistas com seu próprio analista4. estados fronteiriços e caracteropatias graves (sobretudo se o que se pretende é tratar estas patologias e não um conflito cir­ cunscrito). sem forçá-los a um trata­ mento analítico. Uma nova circunstância que cabe citar é a da aplicação póspsicanalítica da P. c não o contrário.ou reaparição de uma situação conflitiva ou dc um sintoma. pois a tentativa estará geralmente condenada ao fracasso. com grandes possibilidades de terminar em deserção. e evitar desse modo mobilizações afetivas desnecessárias. tendências marcadas ao acting out ou escassa tolerância à ansiedade c à frustração (ver os capítulos 4. 8.210 Psicolerapia breve de orientação psicanalitica Esta técnica pode cumprir idêntica finalidade no que diz respeito a outros tratamentos.B. Em pessoas de idade avançada. 9 e 10). para as quais se acha contraindicado o tratamento psicanalitico. toxicomanias. é indicada como primeiro . quando há pouca motivação para o tratamento. com relações objetais muito ambivalentes. perversões. Está destinada a pacientes que puderam inclusive obter alta de uma análise com êxito e que consultam pela aparição . respeitar a estrutura caracterológica do paciente. enfoque e objetivos terapêuti­ cos determinados. porque permite trabalhar setorialmente. Abarca assim outra área importante da assistência psiquiátrica. a par de seus conflitos difi­ cilmente modificáveis. Outras vezes a PB. excessivas e também arriscadas.e preparató­ . Pode ser tratável. quando resulta dificultoso determinar e delimitar um foco.B.passo para a realização de um tratamento psicanalitico1. antes de rotulá-lo como intratável. não se justificando que se submetam a uma reanálise. circunstâncias nas quais a indica­ ção técnica mais adequada pode ser outro tipo de terapia.

como. Small. . Psicoterapia breve y de emergencia. t. Rapaport (comps. em Psicoterapias breves. e 10. situamo-nos diante de uma condi­ ção aparentemente favorável para a indicação do tratamento bre­ ve. o que pode provocar uma reativação iatrogênica da perda.). Por outro lado. Norton. 179). PaxMexico. Citado por L. Granica. por exemplo. p. uma terapia de três meses de duração (período que se fixa. O. 4. p. Fenichel e D. “Brief Psychotherapy”. Mcxico. S... 1968. 3. para esses tratamentos). consideramos o problema que para a indica­ ção de uma terapia de tempo limitado estabelecem os pacientes que registram lutos patológicos e/ou recentes de importância. Referências bibliográficas 1. 1969. The Collected Papers of Otto Fenichel. Tavistock. Freud. 179). com uma diminuição de sua capacidade para suportar a dor e a frustração e poder enfrentar o novo luto gerado pela separação do terapeuta ao terminar a terapia. os produzidos por falecimentos de pessoas queridas (ver capítulo 10. p. sendo em princípio conveniente que o prazo não fique estabelecido de antemão. Madrid. Citado por L. Um trágico exemplo des­ sas situações poderia ser o prescrever descuidadamente a alguém. Nova York. com antecedentes de um aborto recente. Biblioteca Nueva. e Small. Granica. 2. M. 1964. Small em Psicoterapias breves. Sexual Discord in Marriage. apeSar de que quando tais lutos são ôs que motivam a consulta. amiúde. Beliak. Buenos Aires. os conflitos estarem pouco circunscritos e afetarem quase todos os aspectos da vida do sujei­ to) (veroscapítulos4.C. “Analisis terminable e interminable”. 1968. Acontece que nos encontramos ante um lego momentanea­ mente debilitado. 1972. Deverse-á cuidar então ao máximo para que nesses casos a duração da psicoterapia não predisponha a estas reações.. Londres. Freud. o que pode rea­ vivar traumaticamente a perda anterior. em H. 68. III. Courtenay.. L. em S. Buenos Aires. 1972. O. isto é.Indicações da psicoterapia breve FACULDADE GÜAIRACÁ BIBLIOTECA F AG 211 mente intensiva e prolongada (nesses casos é comum existirem transtornos graves de personalidade. de um transtorno atual de começo rccénte e agudo. Fenichel. L.

“Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. Charles Thomas. Glasserman. vol.) 8. Main. Illinois. M. . “A Study of Brief Psychotherapy”. Lat. Soifer. M. Amér.. Acta psic. Buenos Aires. Buenos Aires... 1971. n°3.. 1974. 1971. 1969.. L. T. era Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve. n° 1. R. Centro Editor de América Latina. J.. jnnho 1968. e col. Malan. c Knobel. 7. XV. 1963. Lat. Acta psiq. 6. Londres. set. Szpilka. “Accrca de la psicoterapia breve”. D.212 Psicoterapia breve de orientação psicanalilica 5. t. XXV1I1. psicol. Kargieman. Rev. H. Amér. R. n? 2. 9. vol. Psicologia del emharazo. parody pueperio. Buenos Aires. Tavistock. Springfield. “La psicoprofílaxis quirúrgica: una técnica de prevención”. Buenos Aires. Buenos Aires.. XIV. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. de Psicoanálisis. psicol.

no Serviço de Psicopatologia do Hospital Municipal “J. de um modo quase constante. argentino. Ambos os tratamen­ tos foram efetuados por mim. ao efetuar a consulta.13. M. Ramos Mejía”. fatos cuja conexão permanecia ignorada por A. um homem de 28 anos. Na realidade o recrudescimento de sua sintomatologia coin­ cidia com o nascimento de seu primeiro filho. pertencente à classe média baixa. um exemplo do trabalho de aprofunda­ mento no foco1. no ano de 1972. essencialmente. com instrução primária completa. e fa­ zem parte de uma investigação que ali realizei durante 12 meses. Exemplificação do método psicoterapêutico de objetivos limitados A. de dois meses de idade. eletricista. O caso descrito em primeirá'lugar ilustra com certo detalhe dis­ tintos aspectos e momentos do procedimento focal. . Dos tratamentos breves I «> Apresentarei aqui dois casos que foram tratados por meio dc psicoterapia de objetivos e tempo limitados. consultou o Serviço por experimentar um incremento na ansiedade e depressão de que sofria há muitos anos. O segundo constitui. casado..

Sentia um “medo pavoroso” de uma professora. ainda que. Autodefiniu-se como inseguro e indeciso. Enfim. vítima de uma enfermidade infecciosa. empregado bancário. Vivia muito apegado à màe e nào se recorda de ter tido amigos. a quem atribuiu um papel impor­ tante nessa questão. Definiu-o como muito dominador. Seus pais dormiam no mesmo quarto. com relação à idéia dc suicídio. manifestou-se muito frustrado intelectualmente. mas logo. além de nào tê-lo estimulado a prosseguir os estudos. Grandes temores e inibições ao cursar os esttidos primários pare­ ciam havê-lo impedido de continuar estudando. áspero e pouco afetuoso. mostrando-se abertamente hostil.214 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica Ocasionalmente havia pensado que nào valia a pena conti­ nuar vivendo. Logo A. se sentiria muito prejudicado por sua madrasta. opusera-se a tudo aquilo o que para ele (o paciente) pudesse significar “um passo adiante” na vida. . a princípio aparentemente bondosa para com ele. acredi­ tasse que nunca chegaria a “cometer uma loucura”. Ganhava uma soma de dinheiro insuficien­ te para enfrentar os gastos correspondentes aos cuidados do bebê c tinha uma má relação com seu patrào. mas em camas separadas. Criticava nele que. Mostrou-se além disso preocupado pelas dificuldades que tinha em seu trabalho. políticos ou psicológicos. Seu pai. em contraste com a recordação que tinha de sua màe. enquanto A. uma pessoa com muitos conhecimentos”. Por último. Nos últimos anos. segundo afirmou. Tinha desejado ser um “grande intelectual. Seu desejo era conseguir outro emprego. voltou a se casar um ano depois de ter enviu­ vado e não teve filhos do segundo matrimônio. época em que esta morreu. A relação com seu pai foi descrita como sumamente conflitiva. capaz de analisar problemas sociais. Havia sido um menino tímido c um pouco triste. dormia junto com a mãe no mesmo leito desde muito pequeno até os 11 anos. com quem protagonizava freqüentes discussões. carinhosa e solícita. Dados biográficos de interesse (resumo) Único filho de um matrimônio com grandes desavenças.

Nesses anos. cabe assinalar rfela sua grande adesão à religião católica. que consistiram em episódios de impotência e de ereçctes dificultosas c mais adiante em fantasias uxoricidas em pleno coito. que confi­ gurava clinicamente uma depressão ansiosa reativa. decidiu afastar-se da casa pater­ na. tinha seguido trata­ mentos psicotcrapêuticos. Voltando à sua adolescência. contava 18 anos. Avaliação diagnostica O diagnóstico psiquiátrico-dinâmico foi o de uma neurose obsessiva medianamente grave. com terapeutas homens e que abandonou alegando inconvenien­ tes econômicos. em duas ocasiões. No abandono do segundo deles. Ali permaneceu até os 25 anos. as quais haviam reaparecido ultimamente). indo viver numa pensão. uma vida sexual medianamente satisfatória (embora logo admita que sobretudo no começo tivesse tido gran­ des dificuldades. Quando A.Dos tratamentos breves 215 seu pai havia contraído uma grave enfermidade. Revelava assim evidentes problemas. no seu parecer. Assim sendo havia sérias dificuldades para vincular-se com mulheres. admitiu a influên­ cia do tipo de relação que chegou a ter com seu terapeuta: “notava grande afinidade com o médico. A atividade social do casal era intensa e gratifkante. O paciente atra­ vessava uma crise com exacerbação de seus sintomas. com componentes melancólicos c paranóides. quan­ do se casou com uma jovem que havia conhecido um ano antes e que descreveu como “muito sensível e inteligente”. mas também ante a existência de profundos temores a uma aproximação afetiva. levando com ela. . não só no referente a situa­ ções de dependência. e foi sua espo­ sa a única com a qual conseguiu fazê-lo. num caráter essencialmente anal. Visitavam-se muito esporadicamente. Sentia-me respaldado. Considerava que os tratamentos tinham tido um saldo positivo. Isso me fez temer mais a dependência em relação a ele e decidi deixar”. Nos últimos tempos. tudo o qúe se referia a sexo adquiria para ele caráter pecaminoso. aparentemente de orientação dinâmica. ainda que seu estado geral fosse bom. Suas primeiras relações sexuais datam de seu matrimônio.

etc. puderam ser apreciadas: deficiências marcadas no teste de realidade . atenção.) A hipótese psicodinâmica inicial Três entrevistas e a bateria de testes ministrada permitiram formular o seguinte: a mãe. pensou-se que o paciente possuía um ego suficientemente forte para suportar os sentimen­ tos dolorosos provocados pela revelação de seus aspectos incons­ cientes. Também apresentava alterações no controle de seus impulsos.) estavam menos alteradas. superprotetora e sedutora. casal)2. em con­ . (Os detalhes sobre a estrutura do foco serão descritos mais adiante. Por último. fato confirmado pelo psicodiagnóstico (Rorschach. optando-se por centrar o trabalho terapêutico na situação crítica criada em tomo do nascimento do filho. tomando-o. relações que eram muito ambivalentes e oscilavam entre a tendência à submissão extrema e a rebelião patológica. em especial com pessoas de autoridade. Assim mesmo. a regulação de sua autoestima resultava inadequada. isto é. O foco pôde ser delimitado desde o começo. como em ocasionais. descargas de raiva. considerou A. ainda que se duvidasse do grau de tolerância que teria à frustração que poderia ocasionar-lhe sua separação do terapeuta ao finalizar a terapia. que se evidenciavam tanto num exagerado controle da agressão atra­ vés de formação reativa (psicodiagnóstico). Tinha consciência da enfermidade . o diagnóstico re­ velou com clareza uma grande disposição a estabelecer vínculos de natureza simbiótica. e seu nível de inteligência poderia ser considerado médio. cabe mencionar que as funções básicas (per­ cepção. ainda que violentas.216 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Quanto às suas condições egóicas . O grau de motivação para a psicoterapia e suas capacidades para o insight foram considerodos elevados. achando-se esta última francamente diminuída. memória. uma distorção da realidade produzida por intensas projeções. Bender. como o substituto libidinal de seu marido. Não obstante todo o mencionado. Essa perturba­ ção gerava nele dificuldades nas diferentes relações interpes­ soais.

Os efeitos deletérios dessa situação. que simbolicamente representavam a castração: renunciar ao prazer sexual. formáção reativa). o que o levou a abandonar o lar paterno. tomava cada vez mais tensa a relação com o pai. constituindo um sério impedimento para uma resolução adequada do complexo edípico ao incrementar os desejos incestuosos e parricidas c a angústia da castração conse­ qüente. deslocamento. intelectual e eco­ nomicamente. pela qual foram responsáveis ambos os progenitores. Por sua vez car­ regou consigo desejos insatisfeitos de dependência oral. como seria o caso de uma pessoa que gos- . além disso. O psicodiagnóstico refletiu isto através da presen­ ça da fantasia de haver sido castrado. e de escasso e difi­ cultoso contato social. resignar-se a ver restringidas suas inquietações intelec­ tuais e profissionais. A rivalidade edípica. a religião lhe permitia satisfazer desejos infan­ tis de dependência e proteção e a necessidade de castigo por seus intensos sentimentos de culpa. que foram plasmando sua estrutura de personalidade. anulação. próprias da etapa sádico-anal (isolamento. que au­ mentaram com a morte da mãe. em nome dos quais deveria sofrer severos castigos. Essa situação foi expressa numa frase muito significativa do paciente: “angustia-me ter muitas coisas boas e não poder desfrutá-las. muito apegado à mãe. pareceram atestá-lo). vítima de uma prematura e intensa estimulação sexual. constituiria uma forma de controle de seus impulsos sexuais e agressivos. com terror à figura da professora. É a etapa em que surge sua religiosida­ de. provenien­ te do fato de perceber-se pouco potente sexual3. Por último. É particularmente importante o antecedente da partilha do leito. Os mecanismos de repressão e sublimação sofreram mui­ ta interferência (os graves conflitos eícolares. Acompanhava-o um sentimento de inferioridade. Como Édipo. Apelou então regressivamente para defesas mais primitivas. traduziram-se ao que parece no caráter assustadiço do menino. sentir-se-ia culpado pelos grandes delitos de humanidade consumados em sua fantasia4. muito intensificada em sua adolescên­ cia.Dos tratamentos breves 217 seqüência. vividos como proibidos e perigosos por seu significado incestuoso e par­ ricida. representado pela figura de Deus. que ein parte pode ser concebida como uma defesa ante a ameaça de castração por mefo da submissão ao superego paterno.

isto é: o nascimento de seu filho (que diga-se de passagem antecipou-se aos planos do casal). poderia condu­ zi-lo a repetir a conduta de deserção do tratamento7. deduziuse. com o conseqüente . Aprofundando-se na compreensão do momento crítico que A. provocados por sua intensa inveja oral (um sonho seu desses dias revelava esses fatos claramente) e por sua rivalidade edípica. depressão e insô­ nia. a intensa situação per­ secutória intervinha na gênese de sua angústia. seu temor de que o filho lhe “roubasse” a esposa-mãe. também.muito necessitada por ele com o terapeuta.. depressão e insônia exacerbados. mas é ce­ ga.) Com base no exposto.218 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ta muito dc ler e consegue todos os livros do mundo. Ligavam-se também aos impulsos filicidas. a busca de uma contenção que o pusesse a salvo de suas tendências hetero e auto-agressivas. Formularam-se as seguintes hipóteses prognosticas a respei­ to das vicissitudes transferenciais durante o tratamento: buscava no terapeuta um pai bom. Existia além disso o risco de que seu temor inconsciente a uma aproximação afetiva . e de suas distintas limitações vitais. atravessava. que as ansiedades provocadas por essa crise vital estavam vinculadas essencialmente à sua vivência dolorosa de exclusão8. O foco terapêutico inicial ficava configurado em tomo dos sintomas que apareciam como o motivo manifesto da consulta: ansiedade. através do qual também procuraria satisfazer seus desejos de dependência. mas era possível esperar a repetição de uma relação fortemente ambivalente. resulta clara a influência em sua pro­ blemática do conflito com a imago paterna. Isso se ligava com o que fora considerado como o principal motivo latente. como seu patrão c mais recentemente com o próprio filho. burlando a proibição supercgóica6. assim como havia feito cm sua fantasia com seu próprio pai. Tal conduta tinha do mesmo modo antecedentes no abandono do lar paterno quando contava 18 anos.. dadas as dificuldades na relação com seu pai real e com representantes paternos. A enfermidade de seu pai e o nascimento do filho provocaram um incremento pa­ ranóico em seus desejos parricidas mal reprimidos5e em suas fan­ tasias dc haver consumado o incesto.”. (Recorde-se a cegueira de Édipo.

Conseguir uma maior compreensão dos conflitos reativa­ dos com o nascimento de seu filho. que se agre­ gava a tudo o já mencionado a respeito da significação incons­ ciente da enfermidade do pai e de outras conseqüências a que dera lugar o nascimento do descendente. Obter também um alívio sintomático. 3. 2. caberia conside­ rar sua constrangedora posição econômica. pela mater­ nidade.Dos tratamentos breves 219 temor à retaliação. o fato de ser consciente disso que o subme­ tia a uma grande depressão9. ainda que considerados de menor relevância dentro do conjunto de problemas. As metas terapêuticas Cheguei a um contrato mínimo com o paciente sobre os obje­ tivos do tratamento depois de haver-lhc exposto meu pareccr sobre a natureza de seus transtornos (devolução diagnóstico-prognóstica). Como objetivo menos prioritário. 4. . em especial para assumir melhor sua paternidade. Tudo isso constituía os pontos de urgência a serem levados em conta no início do tratamento. ajudando-o a adequar-sc melhor à nova situação. oferecer-lhe ajuda no que concerne a seus estudos. Em seguida. Tais objetivos foram: 1. Por último. Era. que era um novo fator * de incremento de sua angústia e que o defrontava mais drastica­ mente com a realidade dolorosa das limitações produzidas por sua neurose. transferida agora para o filho. que o incentivava a tratar-se. Vemos então que essa conflitiva focal também podia remeter parcialmente ao con­ flito com a imago paterna (conflito básico). levando em conta seu projeto de continuá-los em futuro próximo. gerava uma situação persecutória. também. a qual. tratar de alcançar esclarecimento e alguma solução para seus problemas de trabalho. também foram detectados. É de se destacar a influência favorável que tinha sua esposa. Sentimentos de inveja com relação à sua mulher.

partindo da percepção. e muito especialmente o tipo de relações objetais que apresentava. curiosidade ante sua conflitiva) e suficiente e relativamente fácil compreensão dos psicodinamismos básicos de sua problemática. Se fosse possível e conveniente. o que permitiu arriscar um bom prognóstico para o tratamento foi talvez o alto grau de moti­ vação do paciente para a psicoterapia (disposição para o esforço da tarefa). as interpretações chegariam a incluir parte das raízes infantis do conflito. .220 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Prognóstico De todos os fatos considerados. e ao critério predominante neste caso acerca da necessi­ dade de proceder desse modo para alcançar as metas propostas. havia dito A. sua idade. a imediata deter­ minação focal. que me diz que não vou ser capaz disto ou daquilo”. uma contratransferência positiva (interesse em ajudá-lo. o qual fazia temer a aparição de complicações duran­ te a terapia (cm particular a respeito da finalização desta). unido à sua capacidade de auto-observação. Planificação do tratamento Decidiu-se utilizar uma técnica em que predomina o insight. que afetava quase todas as áreas de sua vida. discutindo com alguém dentro de mim. As chamadas interpretações “extratransferenciais ”.). que es­ tariam dirigidas de preferência para suas relações com represen­ tantes paternos (filho. que poderiam comprometer os resultados terapêuticos. seriam um ins­ trumento importante na terapia. de uma luta interna que o angustiava e agoniava (“como se estives­ se sempre lutando. o contar com uma esposa cooperativa. devido a um certo training de A. o fato de tratar-se de um “momento propício'’ para a abordagem psicoterapêutica numa enfermidade crônica (2). patrão) e com o próprio pai. que ele já tinha. Entre os elementos prognósticos desfavoráveis se assinala­ vam: a gravidade da patologia. De particular utilidade poderiam ser aquelas interpretações destinadas a mostrar as vicissitudes intrapsiquicas do conflito a fim de que tomasse consciência da vigência de uma imago paterna superegóica muito severa.

Também eram previstas ante a possível aparição de fenômenos transferen­ ciais que chegassem a obstaculizar abertamente o processo tera­ pêutico (tais fenômenos. Em princípio. na tarefa de ajudar o paciente a aceitar a separação. seria possível aprofun­ dar progressivamente a situação genética da conflitiva focal. demonstrasse ter um timing rápido. Efetivar-sc-ia um trabalho interpretativo com as devidas precauções. cumprindo um papel decisivo para a demonstração emocional de certos problemas com a figura paterna (em razão da qual se torna­ va oportuno que fosse tratado por um terapeuta homem). Fixou-se uma duração de quatro meses para a terapia. seriam reduzidas para uma por sema­ na durante o último mês. apresentaram-se durante o tratamento). atendendo aos pontos de urgência detectados. utilizando no inicio interpretações “de ensaio” (1) e observando sua resposta a elas. mas sem conduzi-lo necessariamente salvo se os indícios de seu grau de insight e a tolerância da dor o permitissem . considerando a todo momento a receptividade do paciente. como era evidente. Estabeleceram-se também as datas para as entrevistas de avalia­ ção imediata e para a realização do reteste. se incluiriam durante a etapa final dele. cm rela­ ção ao carinho materno.B. inveja. dispôs-sc a encarar inicialmente a situação-problema criada por sua paternidade. As interpretações tenderiam a fazê-lo tomar consciência de seus sen­ timentos de exclusão. em parte como reedição dos conflitos com seu pai. com duas sessões semanais de 30 minutos cada uma.Dos tratamentos breves _j_ _____ As chamadas interpretações "transferenciais ” teriam de ser empregadas com mais assiduidade do que o habitual em P. não se administrariam psicofármacos. Por último. e quando o esta­ do do paciente o permitisse. não .. Com referência à estratégia terapêutica. ciúmes e rivalidade com respeito ao filho. em virtude da reativação do lutcípela perda de sua progenitora. fantasias essas que. Se A. com efeito. mas pro­ curar-se-ia não fomentar com isso a neurose transferencial. Apelar-se-ia para o uso flexível e seletivo da regra de asso­ ciação livre.a enfrentar suas fantasias infantis de consumar a relação incestuosa. como meio de ir facilitando a separação. diante da qual se esperava que pudessem além disso aflorar aspectos da transfe­ rência materna.

além do natural alívio poderia elevar sua auto-estima. Dessa forma diminuiria seu sentimento de culpa provocado por sua hostilidade cm relação ao filho.222 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica tinham sido conscientizadas nos tratamentos anteriores. a qual continuaria tratando dos problemas que se apresentassem em suas relações interpessoais. Ou seja. Considerou-se que se ante suas necessidades econômicas conseguisse melhorar seus rendimentos. de modo que a possibilidade dc uma elabo­ ração mais profiinda. já que se sentiria menos débil e mais capaz de exercer um papel de pai protetor. Uma vez alcançado certo insight e alívio a respeito da situa­ ção crítica derivada do nascimento do filho. ficaria re­ servada para outra ocasião. que se evidenciava ante representantes paternos (incluindo o terapeuta). c que mostra ao pa­ ciente a repetição. se possível. dadas as condições do enqua­ dramento e em se tratando de algo que poderia ser demasiado ansiógeno e despertar resistências insolúveis no curto lapso que duraria o tratamento. de uma situação conflitiva nuclear. como derivados do con­ flito com a ünago paterna. As condições do vínculo terapêutico deveriam tender a au­ mentar constantemente sua auto-estima e a estimular sua iniciati­ va pessoal a fim de conseguir o estabelecimento de um processo . Procurar-se-ia então revelar parcialmente o complexo edípico para o paciente. que é característica da técnica de “enfoque”. nesse caso com seu patrão. seriam considerados seus problemas na área intelectual. surgindo assim a “interpretação central sobre a qual teria de se basear todo o tratamento”. como diria Malan (8). em diferentes contextos. e efetivamente mais completa. A conseqüência final seria o alívio de sua de­ pressão. sem desenvolver todos os seus componentes. Por último. c que o fazia sentir-se desvalorizado e ameaçado por eles. conside­ rando-se que o fato de que se tratava de uma revelação incompleta não despojaria a tarefa da qualidade dc ser operativa em grau su­ ficiente para alcançar os fins terapêuticos propostos. a tarefa se centraria nas dificuldades encontradas em seu trabalho. Não resul­ tava possível indicar outra opção. se fosse exeqüível um tratamento pro­ longado. pensou-se em mostrar-lhe esse conflito básico.

a terapia transcorreu em grande parte de acordo com o plano terapêutico concebido. Sua motivação para a tarefa foi aumentando. dadas as caracte­ rísticas e a história do paciente. (Se bem que o considerasse em con­ dições de enfrentar certos aspectos do complexo edípico. repre­ sentada agora por sua esposa. Mas isso tampouco significava que teria de ser deixada totalmente de lado. sua abordagem profunda não parecia impres­ cindível para os fins imediatos do tratamento e teria resultado talvez imprudente. revivesse inconscientemente a perda de sua progenitora.' Mão ocorria o mesmo com o que se referia ao mencionado luto. À medida que se aprofundava na conflitiva focal. à abordagem do problema da separação consecutiva à finalização do tratamento. Tudo isto se achava mais próximo da superfície cons­ ciente e parecia possível de ser manejado com êxito num enqua­ dramento de terapia breve.) Evolução durante o tratamento Ao menos nessa ocasião.Dos tratamentos breves 223 prospectivo que o paciente pudesse continuar por sua conta de­ pois de terminado o tratamento. O paciente comparecia a todas as sessões quase sempre pon­ tualmente. Prestar-se-ia particular atenção. e além disso levando-se em conta o incremento dos vínculos regressivos de dependência ante o nas­ cimento de seu filho. sobretudo a partir do material onírico trazido. . Utilizaram-se com proveito associações livres. • Por força deveria ficar intocada a perda patológica pela mor­ te de sua mãe. em razão da qual. de maneira deliberada. diante do qual se percebia o paciente mais defendido. evitar-seia interpretar o material relacionado com tal luto. ainda que se es­ perasse que em certa medida a situação-probfema implicasse que A. dedicando-lhe pelo menos um terço da duração total da terapia. ia conseguindo um insight progressivo. como seus desejos parricidas e por extensão a hostilidade em relação a seu filho. apesar de sua importância decisiva na psicopatologia do paciente.

o despediriam “a patadas”. foi conseguido por fim certo alívio sintomático. As maiores dificuldades se apresentaram na etapa final razão pela qual o número de sessões semanais não pôde ser redu­ zido. o que incrementou sua hostilidade transferencial (em sua maior parte não consciente). ainda que só transitoriamente. já que em pouco tempo começou a discutir com ela por amenidades. pôde dar-se conta de que reproduzia com o patrão a relação com seu pai. que cresceu . Originaram-se precisamente na separação iminente. Não obstante. segundo sua “voz inte­ rior”. com hostilidade. Pôde compreender que seu filho era vivido por ele como se se tratasse do pai rival. foi inevitável certo grau de desenvolvimento da neurose de transferência. Planejava agora continuar seus estudos e conseguir um novo emprego. O reatamento das relações sexuais cotn sua mulher pareceu haver atenuado sua hostilidade. acompanhadas de intensos sentimentos de culpa. surgiram ein A. fantasias suicidas que o angustiariam muito. muito conflitiva. mas A. Durante o terceiro mês foi possível trabalhar sobre o proble­ ma profissional. vivida por A. e em poucos dias o momento críti­ co pôde ser relativamente superado por meio de um intenso traba­ lho interpretativo. Necessitava rebelar-se contra sua autoridade. A relação. pois imaginava que o ludibriariam e. ainda que também esperasse dele inconsciente e neuroticamente carinho paternal. temia buscar outro traba­ lho. como um abandono. progredindo a terapia em bom ritmo. A. parecia pouco menos que insustentável. Mostrava-se agradecido para comi­ go e mais otimista. Apresentou logo típicas dúvidas obsessivas acerca de seu amor por ela. o qual por sua vez ajudava a colocar seu ego em melhores condições de rendimento. por colocar em mim. Tampouco dessa vez se recorreu às psicodrogas. Ao fim do segundo mês de tratamento. As relações com sua mulher melhoraram.224 Psicoierapia breve de orientação psicanalítica A focalização do trabalho terapêutico na crise registrou o surgimento de fantasias filicidas conscientes. Em relação a toda a problemática mencionada. Surgiram obstáculos transferenciais na tarefa. os quais foram con­ templados com interpretações “transferenciais”. a imago paterna.

este alcançou certo insight da problemática focal do tratamento e um melhor manejo da situação. rôzão pela qual. Descobri que isso se deve a que o tratamento terminou. principalmente no final.. que pretendeu ajudar o paciente a aceitar a separação. vi um montão de coisas. Serviume e pode continuar me servindo. sobre o tratamento. ao efetuar-se esta.).Dos tratamentos breves 225 até limites perigosos para o futuro do tratamento.. entre os quais se achavam grandes ansiedades fóbicas ante ele. Nas últimas sessões começou a manifestar|inesperadamcnte preocupações que provocavam nele certos pensamentos sujos relacionados com fantasias homossexuais.. acting out. as quais foram em troca inter­ pretadas como uma resistência a aceitar o desprendimento.. dirijo minha bronca quando ataco os demais. Mas estou conformado com ele. demandando uma árdua tarefa interpretativa sobre o novo foco10. como logo veremos. que coincidiu bastante com a autoavaliação do paciente. que obedecia a diversos motivos. nem se referiu às fantasias homos­ sexuais em relação ao terapeuta.. mostrava agora um novo e interessante problema para conseguir de mim que con­ tinuasse tratando dele. etc.. Avaliação dos resultados terapêuticos Alguns comentários de A.. de caráter hos­ til. Apesar deste trabalho. ner­ voso. Isso permitiu evitar outras reações desfavoráveis (recaídas. foram: “As vezes me sinto um pouco desiludido.. Não se tentou apro­ fundar no material. aspectos transferenciais não resolvidos. considerando-se impróprio fazê-lo nessa tera­ pia.” Segundo meu critério. Sobre o tema cabe acrescentar que é provável que nãu se tenha insistido o suficientê em assinalar sua rivalidade e inveja com relação ao tera­ peuta.. e a quem.. Vi sobretudo esse pai temível que tenho dentro de mim. que me freia em tudo. parecem ter influído em certa medida nos resultados terapêuti­ cos e na auto-avaliação dos mesmos. na rea­ lidade. isso eu tenho presente. principalmente no aspecto intelectual e científico. logo depois de finalizado. a julgar por algumas impres­ sões de A. num intento de con­ seguir que se adiasse o término do tratamento. que foi ava­ . Isso é funda­ mental.

Adquiriu. não apresentou nenhuma mudança a partir do trata­ mento. o que significou um importante estímulo para que efetuasse. já que ele havia notado sua ten­ dência dominante. como já disse. Mas com respeito a seu trabalho A. a projeção de aspectos superegóicos (sobretudo nas pessoas com autoridade). esperava-se que o fortalecimento de seu ego . por outro la*do. o que parecia sem dúvida o mais indicado.226 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica liado como resolução clinicamente parcial de tal problemática. pelo ressentimento para com cia. ainda. Concretamente: cessaram as disputas com sua mulher e conseguiu aceitar melhor o filho. pelas razões expostas 1. .trouxesse paralelamen­ te mudanças no teste de realidade. indicada diante de seu crescente interesse por achar uma solução para suas perturbações caracterológicas. o ajudaria a encontrar outro emprego. com caráter temporário. sua maior autovalorizaçao atual. maior consciência da enfermidade. já que deveria verificar-se novamente numa avaliação mediata.pelo insight . Por último. cm que pese não se haverem produzido mo­ dificações substanciais em sua situação. Sem dúvida. interessou-se pela idéia de reatá-los. isto é. O reteste imediato à finalização do tratamento não revelou modificações de importância. uma psicoterapia prolongada. A melhoria sintomática foi muito acentuada. desfrutava melhor de seu tempo livre em compa­ nhia da mulher. Sua atividade sexual resultava bastante adequada e satisfató­ ria no dizer do paciente. dada a deterioração que havia alcançado sua relação com o patrão esse era um objetivo importante do ponto de vista prático. quando pudesse. o que lhe permitiu desfrutar melhor sua relação com ele. Sua auto-estima. No concernente a seus estudos. não sendo tomado como a busca de uma falsa solução (8) do problema. se havia elevado. Em suas relações com as demais pessoas. em parte responsável por estas dificuldades. considerei que tinha po­ dido compreender melhor seus problemas com o patrão. o que implicava por sua vez contar com certo projeto pessoal. antes havia optado por iludi-la.

revelou-me que. graças a eles. pôde conseguir outro emprego. segundo afirmou. para os fins dessa apresentação. baseada na negação da dor e da dependência do objeto). podem resultar de interesse. sem mediar tratamento algum? Em suma: os tratamentos são realmente eficazes? (Em outros momentos de entrevista. a qual lhe havia permitido. pelo que eu o havia ajudado. tudo fazia supor que ambos os tratamen­ tos haviam resultado benéficos e que. 2. assim com$ ein seus estudos e no estado de sua auto-estima (aos quais carecé de sentido referirme aqui. Exceto alguns progressos em suas relações com sua mu­ lher. seu pequeno filho e seu pai. o paciente havia começado a psicanalisarse com uma mulher. Tratou-se du­ rante dois anos e abandonou o tratamento. vincular-se à psicoterapía hospitalar. Por isso. Meses depois de haver terminado o tratamento hospitalar. toda tentativa de avaliação imedia­ ta dos resultados da terapia hospitalar. .Dos tratamentos breves _______ _________ Ao fim de uns três anos. de todo modo. Freqüentemente assaltavam-no certas dúvidas. em troca. que teve de me confessar: até que ponto o alcançado se devia ao fato de se ter tratado? Com o correr do tempo. eventualmen­ te. como é de se supor. semanas depois de haver terminado o tra­ tamento comigo. A existência deste último tratamento invalidou. ver como e quanto o havia afetado a morte da mãe. tais sucessos. voltamos a nos ver para uma entre­ vista de acompanhamento. pois diante da indubitável influência do tratamento psicanalitico. abundaram expressões de agradecünento para comigo. produto de sua ambivalência afetiva c que ao menos em sua relação comigo remetiam a aspectos hostis da transferência não-rcsolvidos.) Em minha opinião. alegando novamente dificuldades econômicas. com melhor re­ muneração do que o anterior. pôde supe­ rar em parte certas perturbações neuróticas crônicas e ativar um processo prospectivo que lhe permitiu desenvolver suas potencia­ lidades. a seguir só tenho de consignar alguns fatos e comentários do paciente que. não teria alcançado. 1. A. Esse sucesso poderia. Inclinava-me então a considerar essas dúvidas como ob­ sessivas. aos quais já me referi anteriormente (sua atitude depreciativa constituía além disso uma defesa ante a perda do terapeuta. de nenhum modo pude atribui-los ao tratamento hospi­ talar).

se tudo vai bem. Sei que devem ser coisas profundas. Caramba.A im portância da indagação exaustiva dos dados biográ­ ficos e do psicodiasnóstico em psicoterapia breve.. “alguma dificuldade” para conseguir orgasmo. em função dos objetivos.” Recentemente apre­ sentava. naturalmente. A finalidade então não é a reorgani­ zação da estrutura da personalidade nem a cura da neurose. O psicodiagnóstico trouxe elementos de grande utilida­ de para o manejo terapêutico. na existência dc aspectos cgóicos capazes de concretizar .. As razões fundamentais se apóiam na existência de um suficicntc grau dc motivação para o tratamen­ to. Por isso. que fúndamentará o planejamento terapêutico. Levou-se em conta o antecedente de partilha de leito existente ao longo de toda a infância do paciente. como a psicanálise. Por último havia comparecido à entrevista com uma longa lista de temas escritos por ele.uma aliança terapêutica c sobretudo no fato de fixar objetivos terapêu­ ticos limitados e alcançáveis. argu­ mentando que temia se esquecer de muitas das coisas que queria me dizer. a fim de se elaborar uma ampla hipótese psicodinâmica inicial. “Continuo com certa tensão nervosa . ainda com pacientes que apresentam marcantes transtornos de personalidade e que são portadores de sintomas neuróticos crônicos. foram de especiafinte­ resse as averiguações concernentes à constelação familiar. metas que são patrimônio de outras terapias. como ele dizia. o prognóstico do tratamento. pode .228 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 3. 2. segundo expressou. que permitiram prever certas peculiaridades das transferências pater­ na e materna durante a terapia. Considerações finais Este caso ilustra particularmente os seguintes pontos: 1 . A possibilidade de trabalhar com boas perspectivas prognósticas em terapias breves. Havia também claras indicações da persistência de mani­ festações neuróticas e de seus transtornos de caráter. a qual era previsível. Neste caso. ou algo mais do que isso.comentou. tendo em conta que havia sofrido vários episódios de impotência. eu não podia espe­ cificar se seu transtorno era “alguma dificuldade”.

O caso da jovem que vomitava às segundas-feiras12. por si só. por não poder ser suficientemente retomado e elaborado no tratamento.. . deixando de lado determinados aspectos e níveis desses conflitos a partir de uma avaliação cuidadosa não só do que convirá.em certas ocasiões . A oportunidade e o sentido da utilização de interpretações “transferenciais ” em terapias breves. devemos concluir que o benefício não foi pequeno. 4 . argentina. isto é. — 6. com estudos secundários completos e pertencente à classe média baixa. Aprofundamento no foco J. Se a isso acrescentarmos que a terapia^TOTTfnbui para aumentar a consciência da enlermidade e a motivação no pacientc. dando lugar em parte a um pseu­ do-insight. sem centrar côm isso o tra­ balho na análise da relação paciente-terapeuta. empregada numa butique. do sexo feminino. .5.de abordar conflitos básicos parajjbter os resultados terapêuticos esperados . o que o motivou para um novo tratamento prolongado.Dos tratamentos breves 229 ser bom ainda nesses casos. ao qual acorreu depois. geralmente inconsciente. 3. de obter o prolongamento do tratamento e de con­ servar assim o terapeuta. em que pese a possibilidade de que por momentos a tarefa terapêutica tenha sucumbido às defesas (intelectuafixação. 21 anos. A necessidade . A necessidade de trabalhar o problema da separação que se coloca ante o término do tratamento. mas também do que não convirá trazer à consciêrfcia do paciente. etc.ainda que a abordagem se realize de um modo incompleto. a configurar um novo foco terapêutico. para diluir obstáculos transferenciais e também como mostra vívida dç aspectos da problemática principal do tratamento. problema que chega. A eventual aparição.) do paciente. solteira. nos estágios finais de terapia focai de material alheio aofoco. concernente a outros sintomas ou con­ flitos do paciente e trazidos por este com a intenção.

Na realidade padecia de náuseas e vômitos desde os 12 anos.que tivesse alguma afecção orgâni­ ca. expressou. que consultou o Serviço acom­ panhada de sua mãe. '‘Vomito em cima deles. por temor a levar alguma coisa adiante com eles e sobretudo por temor ao sexo.. Em certas ocasiões se irritava e chegava a apresentar “crises de nervos”.. Em mais de uma ocasião vomitou na presença deles e inclusive sobre eles. Uma averiguação cuidadosa permitiu comprovar que a paciente obtinha claros ganhos secundários por meio dc seu sofri­ mento: às segundas-feiras. os vômitos haviam sido muito abundantes. Esse fato derivou numa exacerbação de suas náuseas e vômitos e lhe causou certo grau de depressão. tinha então a impressão de que isso lhe sucedia “por ser covarde. não com­ parecia ao emprego. É como se tivesse medo deles”.230 Motivos da consulta Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Trata-se de uma bonita jovem. Cabe destacar que esses sintomas apareciam também ao ver­ se diante de jovens que pudessem exercer certa atração sexual sobre ela. mas não parecia muito preocupada em melhorar. idade em que teve a primeira menstruação. J. tendo sido descartado previamente . revelando a respeito certa preocupação.”. em especial de sua mãe. por causa de seu mal-estar. assumindo por sua vez uma conduta francamente regressiva.. Nos últimos tempos se produziam especialmente nas segundas-feiras pela manhã.por meio de exaustivos estudos . . tendo sido encaminhada por um mcdico clí­ nico do hospital em razão de apresentar vômitos todas as segun­ das-feiras de manhã. Um antecedente recente e importante era a ruptura de uma relação de casal (situação-problema).. Por causa deles. desidratou-se e foi necessário administrar-lhe soro. Havia mantido relações sexuais com o rapaz. nesses dias recebia cuidados e atenção. Demonstrava certo interesse em conhecer o porque da exis­ tência desses sintomas. sendo sua ausência justificada. Uns meses atrás. dadas suas dificuldades para estabelecer uma relação de casal.

nunca havia experimenta­ do orgasmos e durante o coito se sentia envergonhada e culpada.Dos tratamentos breves Dados biográficos de interesse 231 Com referência aos antecedentes familiares. com ausência dc menstruação por três meses e aumento de volume do abdômen e dos seios. o rapaz havia ido numa sexta-feira a um balneário com um casal de ado­ lescentes. pois dava a im­ pressão de que J. integrada por seu pai. de 55. algo sujo”. Segando o relato desta. Dc seu segundo matrimônio nasceram-na Argentina J. dc 61 anos. Com base nesses antecedentes podia-se compreender como a conduta regressiva da paciente. assinalou que seu irmão havia lançado gritos desesperados pedindo auxílio. estava casada em segundas núpcias com seu pai. e por sua mãe. . pois estavam entretidos em jogos sexuais. mencione-se que J.. se via favo­ recida pela atitude da mãe. podia estar distorcendo bastante os fatos com suas pró­ prias fantasias. em parte proveniente de certas versões que‘Yecolhera. que havia sofrido três grandes perdas e que cm conseqüência disso tornara-se ansiosa e superprotetora13. provinha de uma família modesta. Ali morreu afogado. Dos antecedentes pessoais interessa consignar aqui alguns outros. Hm certa oportunidade teve uma falsa gravidez. referentes à sua sexualidade. viviam os três juntos. J. De seu primeiro matrimônio. (“Sentia que o que fazia era uma porcaria. “carente dc afeto”. havia tido uma filha. que ela descrevia como sereno. unidos por um grande carinho. e um filho varão. J. e um filho que morrera tragicamente na Segunda Guerra Mundial. no qual enviu­ vara.) Temia não poder ter filhos. mas que o jovem e a rapariga que o acompanhavam nào quiseram socorrê-lo. quando a paciente contava 8 anos. o qual também falecera com a idade de 15 anos. além de não ter presenciado o trágico aconteci­ mento. comentou. que residia em Buenos Aires c era casada. o que a inquietava sobremaneira. oriunda de um país europeu. Quanto à mãe. Neste aspecto resultava difícil verificar o que havia sucedido realmente.

que incrementou sua sintomatologia como expressão da rea­ tivação de antigos conflitos.por decisão de seu companheiro . que seria ratificada e ampliada durante o tratamento e que incluía uma hipótese acerca da confli­ tiva focal. Sem dúvida. a julgar por seus comentários acerca dessas práticas sexuais por parte de amigas suas que lhe contavam suas experiências. a ruptura de sua relação de casal . O fato de que se manifestavam prefe­ rentemente às segundas-feiras explicar-se-ia pela intensificação de suas fantasias sexuais durante os fins de semana e/ou imediata­ mente depois. Os vômitos podiam estar vinculados a seus frustrantes desejos de engravidar se levarmos em conta: a) que sào comuns nas gestantes. ten­ dência à teatralização. à qual me remeterei em seguida. nos quais aparecia ela mesma sendo objeto de cunnilineuae: os vômitos poderiam significar basicamente rejeição da incorporação do pênis.). Além disso. revelou transtornos na identidade sexual e marcadas tendências homossexuais latentes. e por seus pró­ prios sonhos.havia operado em J. Por sua vez.232 Avaliação diagnostica Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Através dos dados obtidos nas entrevistas e dos testes psico­ lógicos. por serem os dias mais propícios para os encontros com finalidades sexuais. chegou-se ao diagnóstico de histeria de conversão.reativameníe . b) seu obsessivo temor de ser esté­ ril e sua gravidez psicogênica. Hipótese psicodinâniica inicial. com as quais estava energicamente .em desacordo. relacionar-se-iam com desejos orais reprimidos. como um fator traumá­ tico. O psicodiagnóstico mostrou principalmente elementos da série histérica. Outros dados diagnósticos se mencionam ao fazer referência ao prognóstico do tratamento. Conflitiva focal As descobertas recolhidas permitiram esboçar uma formula­ ção psicodinâmica prematura. etc. sedução. fantasias. sobretudo áe fellatio. . numa personalidade que mostrava os traços típicos do caráter corres­ pondente (necessidade de ser o centro das atenções.

Metas terapêuticas Por ordem de prioridade. além disso. a paciente buscou consolo e refugio em sua mãe através de uma regressão oral. Clarificar o conflito atual (significação da ruptura da rela­ ção de casal e dos sintomas a ela relacionados). Por outro lado. Considerando a repercussão dos vômitos sobre seu ambien­ te. estabeleceram-se os seguintes objetivos terapêuticos: 1. 2. resultava claro que os mesmos se associavam a uma acentuada tendência regressiva. esquivando-se da responsabilidade e refugiando-se nâ. 3. Obter o alívio ou a cura sintomática. Conseguir uma melhoria em seus vínculos interpessoais (considerando especialmente seus desejos de formar um par).Dos tratamentos breves __________ ______ Era muito ostensiva uma fixação oral da libido (existia. ante a frustração. e de comum acordo com a paciente. o antecedente de haver sido amamentada com mamadeira até os 6 anos). Os vômitos lhe permitiam além disso faltar £o trabalho. com fun- . Prognóstico Considerou-se que a paciente estava apta para obter benefí­ cios de uma psicoterapia interpretativa de tempo e objetivos limi­ tados. fantasia re­ gressiva. já que apresentava um ego relativamente forte. Em síntese: a perda de seu companheiro havia exacerbado ainda mais seus desejos insatisfeitos e com isso seus vômitos. detectaram-se fantasias homossexuais rela­ cionadas à figura materna. Isso se revelava na presença constante de sua progenitora. que a acompanhava desde as primeiras entrevistas. temerosa do que lhe pudesse su­ ceder. Mantinha com a mãe um vínculo simbióti­ co. A paciente negava seus víncu[os regressivos e sustentava que éra sua mãe quem se empenhava em não deixá-la só.

frigidez).sobretudo “extratransferenciais” . A isso se acrescentava que nos encontrávamos ante uma pessoa jovem. Considerou-se que não era conveniente intentar a aborda­ gem e a interpretação de suas fantasias homossexuais latentes numa psicoterapia de tempo limitado. se possível. Logo. pudesse reconhecer a conexão entre seus sintomas conversivos e sua vida emocional. quer dizer. * Planificação do tratamento Considerou-se conveniente apelar para assinalamentos e interpretações . um trabalho relacionado com as ansiedades provocadas pela se­ paração. medianamente inteligen­ te. do conflito.ao operar sobre a conflitiva central do tratamento. com certa capacidade de autoobscrvação11. De início efetuar-se-iam interpretações “de ensaio” ( 1). para realizar uma psicoterapia. Posteriormente talvez fosse possível aprofimdar-se mais nos psicodinamismos subjacentes aos sintomas. para ver em que grau a paciente as aceitaria. embora cautelosa. motivada. Quanto à estratégia terapêutica. à razão de duas sessões semanais de 30 minutos cada uma. graças ao “momento propício” que atravessava (2).234 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica çòes em grande parte conservadas. a possibilidade de determinar um foco e objetivos claros foi outro elemento que permitiu formular um bom prognóstico. realizar-se-ia um trabalho de inter­ pretação ativa. A parte final do tratamento deveria incluir. aprofundar-se no foco. Levou-se cm conta a possibilidade de apelar para a utilização seletiva do método da associação livre. como sempre. Por último. pensou-se que um primeiro avanço dar-se-ia ao se conseguir que J. A duração do tratamento foi fixada em três meses. A tarefa terapêutica centrar-se-ia em investigar a relação entre os sintomas mencionados e suas inibições sexuais (dificul­ dades para formar um par. .

por seus desejos ocultos de livrar-se dele. em seu inconsciente. que a repulsa de sua sexualidade correspondia em parte à identificação com a jovem que. de características sádicas.Dos tratamentos breves ________ _________ Evolução durante o tratamento Logo nas primeiras sessões. quando nos vieram avisar que meu irmão havia morrido. seu irmão. a morte de seu irmão vinha somar-se ao relato feito por esta de que haviam falecido seu primeiro marido e seu primeiro filho. se tomou mais receptiva e começou a mostrar certa capacidade de insight. uma significação agressiva intensa c em conseqüência muito persecu­ tória. à morte de um terceiro . Freqüentemente tinha pesadelos cujo conteúdo se vin­ culava ao acontecimento no qual aquele havia perdido a vida (eram freqüentes sonhos sobre inundações). Cabia inferir.chegar a confrontar a paciente com estes aspectos de seu problema edípico para alcançar os objetivos propostos.nem prudente . Revclou-se decisiva influência da morte do irmào em seu so­ frimento. o qual reforça­ va as fantasias onipotentes de J.. A união sexual ficava assim muito intensanfpnte ligada. como se o houvesse abandonado ao ocorrer a tragé­ . Mas além disso. representava por sua vez seu pai.como evidenciou com clareza outro sonho seu adquirindo. J. a cena da morte de seu irmão encobria o complexo edípico.” Compreendi que essa situação revelada por J. com aquela jovem. J. todavia. O terceiro. para a paciente. eroticamente carre­ gada. Pensou-se que tal­ vez não fosse necessário . isto é. recordou algo muito importante que relatou como se segue: “Eu estava no cinema com mamãe. para seu amor homossexual possessivo pela mãe. entregando-se em tfoca ajogos sexuais. nas quais evidenciou uma inten­ sa resistência. de aniquilar todo homem rival. sobretudo mediante vômitos. Na realidade. desfrutávamos'* juntas a sessão. com predomínio do negativo. em es­ pecial da análise de seus sonhos. segundo ela. não havia auxiliado seu irmão. A respeito. razão pela qual se via obrigada a rejeitar seus impulsos sexuais. havia facilitado além disso a já mencionada identificação. seus dese­ jos homossexuais e simultaneamente seus desejos parricidas. sofria de intensos sentimentos de culpa ante a perda de seu irmão: fazia-se censuras. e por isso seus eventuais pares. J.

Essa descoberta significou um novo aprofundamento na compreensão focal. dada sua rivalidade por conquistar a preferência de seus pais. pôde-se precisar e interpretar-se que seus vômitos se relacionavam principalmente com: a) Fantasias inconscientes de gravidez. . c) A busca da satisfação de desejos ligados a outras pulsões parciais. A esta altura. uma oferenda a sua mãe.. ao ver-se impedida de procriar. em especial de sua progenitora. ao significar a possibilidade biológi­ ca de procriar.236 Psicolcrapia breve de orientação psicanaiítica dia. implicava ao mesmo tempo a perda de suas possibilidades de reparação. Seu filho constituiria. nas quais ao desejo de possuir um menino como substituto do pênis se agregava um intento reparador em relação à morte de seu irmão. entre outras coisas.” Durante o tratamento pôde manifestar que os desejos de ter um filho se relacionavam com um desejo reparatório inconsciente em direção a seu irmão. mortificava-se pensando que devia ter feito algo para salválo. Existia uma intensa idealização da figura do irmão. por exemplo: “Ele era melhor como pessoa e como filho e podia ter dado mais satisfações que eu.” A aparição dos vômitos coincidentes com a primeira menstruação poderia ser explicada provavelmente pela influência desta última como estímulo. supervalorizada. situação vinculada ao desejo de ter um coito anal. a repulsa desses dese­ jos e o castigo por eles16. Os vômitos cediam quase instantaneamente ao receber a injeção (sugestão). com o intuito de aplacar o perseguidor. por sua vez. além disso. vivendo inconscientemente essa situação como uma violentação. Agora tinha-a quase que só para si. Esses aspectos de seu conflito foram mostrados à paciente. b) Fortes desejos oral-sádicos (fantasias de fellatio ) reprimi­ dos. A perda de seu par. Comentava. Dizia. como se com ela quisesse expressar-lhe: “Aqui tens um varão em troca daquele que eu matei. que só desejava ter um varãozinho c que não podia explicar por quê. Na realidade tinha tido uma relação muito ambivalente com ele. Os vômitos significavam.. A paciente havia conseguido que toda vez que tivesse vômitos lhe aplicassem injeções de um tranqüilizante nas náde­ gas. em síntese. no qual havia projetado seu pró­ prio sadismo.

de gravidez (havia além disso outra prova suficiente para demonstrar a J. seu ressentimento por ter de me revelar os segredos de sua sexualidade. o que refor­ çava ainda mais seus sintomas. por causa de uma suposta apendicite. A transferência hostil estava ligada a seus sentimentos de inveja fálica.. também era importante. Às vezes. A intensi­ dade das náuseas e dos vômitos diminuiu com rapidez pouco . Começou tomando consciência da relação entre seus vômi­ tos e suas fantasias. Para vencer essas resistências foi necessário utilizar interpretações “transferenciais”. tal como o atestavam os testes projetivos. Re­ conheceu então seus desejos . a fim de que pudesse reconhecer a existência de uma situação persecutória na relação terapêutica. durante a operação. não en­ contraram nenhuma alteração no apêndice e cm nenhum outro lu­ gar. J. Dali vimos que deveria refugiar-se na fan­ tasia onipotente de gravidez ante a perda de sua relação de casal e das ilusões a ela ligadas. já que os cirurgiões. anos atrás. relatou fantasias e sonhos durante o tratamento. Também nessa fase da terapia assinala­ ram-se suas tendências opostas de dependência e independência com respeito à figura materna.Dos tratamentos breves 237 A esse respeito existia o antecedente de ter sofrido uma ope­ ração cirúrgica. e) A necessidade de provocar repulsa em seus pretendentes. eu mesma creio em minhas mentiras. um tanto intempestivamente. o que foi interpretado. d) A obtenção de evidentes ganhos secundários. como fator gerador de resistências. o que re­ sultou muito útil para a compreensão de sua problemática. imagino que saio com um rapaz e o conto como certo. que não houve. enquanto experimentava seus próprios desejos sexuais como proibidos*e perigosos. Tenho muita imaginação”). sentimentos in­ crementados pela existência de uma imagem supervalorizada de seu irmão no seio familiar. aceitando que estas influíam na produção dos sintomas (havia dito que com freqüência vivia em parte como reais suas próprias fantasias diurnas: “Quando minto. Havia assim satisfeito seu masoquismo erógeno. se tornava resisten­ te e até hostil. J. Por exemplo. o poder de suas fantasias: a gravidez psicogênica). A evolução de seus sintomas foi muito favorável. da qual foi conseguindo um insight progressivo..

a própria gravidez. sobretudo anais.numa segunda-feira . então. pois se reduziu a um estado de náusea. os dedos c a lapiseira eram símbolos fálicos e penetravam em um orifício representado pelo orifício orbital. com sua esposa efilho. como uma nova expressão na área do corpo de suas fanta­ sias dc gravidez. a fantasia da paciente da gênese do terçol representava a união sexual. o que me fez pensar que pudesse ser um efeito da suges­ tão (cura transferencial). exercen­ do um papel ativo. Na sessão. um bebê de poucos meses. presumidamente substituídos pela aparição .reapare­ ceu. diante do assombro da paciente.23H Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica depois de iniciado o tratamento e praticamente ao completar-se o primeiro mês. es­ sencialmente. Isto é. J. ainda que muito atenuada. um significado anal inconsciente). comprovando assim sua tendência a expressar suas fantasias através de transtor­ nos corporais"*). de caráter proibi­ do para a paciente (alusão do sexual como algo “sujo”. O terçol apare­ cia. Acrescentou que lhe parecia muito estranho que em troca dc seus vômitos tivesse que sofrer nessa segundafeira de um doloroso terçol. conseqüência do anterior. Esses sintomas. durante o tratamento. e 2. o fato mais notável foi o desaparecimento das náuseas e dos vômitos histéricos. sua sintomatologia habitual. com significado idêntico ao desses sintomas. através de sua referência a dedos sujos. respondeu-me que devia ser conseqüência de ter introduzido “os dedos sujos ou uma lapiseira no olho”. No segundo mês de tratamento. Isso suce­ deu: IP) quando no dia anterior (sempre lhe perguntava. Pudemos ver que a significação in­ consciente desses pensamentos era a seguinte: o terçol se achava associado a fantasias de coito. associou a subs­ tituição das náuseas e dos vômitos por um terçol com as manifes­ tações de uma gravidez (o terçol como volume.°) no dia seguinte a um domingo em que foi ao cinema.de um terçol17. por deslocamento e como sintoma substitutivo de suas náuseas e vômitos. particular­ mente à analidade. cederam. isto é. agora na qualidade dc amigo. Só em duas ocasiões ambas em segundas-feiras . proeminente. Não foi necessário recorrer a nenhuma medicação. o que havia acontecido durante o fim de sema­ na) visitou-a em sua casa um ex-noivo seu. Ao lhe pedir associações sobre fcstc. c o terçol. diga-se de pas­ . o olho tinha aqui.

provoca sexualmente um grupo de homens. A relação entre seus desejos de gravidez e a dor patológi­ ca pela morte de seu irmão. Ela presenciava a cena sem poder evitá-la. Em seus pesadelos freqüentemente aparecia sua irmã afbgando-se. mas também de modo paralelo e constante a existência de sentimentos carinhosos e de autênticos desejos reparatórios. esse fato ficava associado à morte de seu irmào pelo já visto anteriormente. “Los perros de paja”. Este é um dos meios de manejar a regressão. de traços histéricos. cui­ dando de mencionar sempre o componente do amor. ao longo de sessões que tiveram nela e cm mim profunda repercussão emocional. tal o título em castelhano um filme que inclui cenas de muita violência . a innà representava ela mesma. temerosa de sofrer retaliação. TTSuas dificuldades nas relações interpessoais. tratando de assinalar. procurei atenuar as ansiedades persecutórias e a regressão conseqüente. Pôde accitar que seus sintomas expressavam seu sentimento reafivo de repugnân­ cia por tais desejos e ao mesmo tempo a busca inconsciente de sua satisfação (injeções). Começou a encontrar-se com jovens sem ter vômitos e evidenciando de modo . no breve tempo disponí­ vel. Já durante a proje­ ção do filme J.uma jovem. Esses. que finalmente a fazem objeto de um brutal estupro por via anal. o castigo pelos desejos de morte em relação ao irmão19. Contou-me depois a forte impressão que lhe haviam produzido certas cenas do filme. seguindo nisto Szpilka e Knobel quando sugerem que as intervenções em psicoterapia breve não se dirigem a mostrar “um so dos agentes de.Dos tratamentos breves 239 sagem com sua mãe. Desde a metade do segundo mês até o final do tratamento abordaram-se especialmente: 1. Convencido de que a elaboração de luto permaneceria inconcluída. A delicada e difícil tarefa de encarar esse problema da pa­ ciente se efetuou. Na realida­ de. personalidade. Neste. nessas circunstâncias. não só seus impulsos agressivos e sua inveja fálica para com seu irmão. fatos foram muito úteis para mostrar-lhe novamente como suas náuseas e vômitos se relacionavam com seus desejos sexuais reprimidos. estimulados. senão os vários aspectos em jogo” (10). derivadas da mobilização afetiva ocasionada. havia começado a sofrer de um estado de náusea.

com uma diminuição de suas ansiedades paranóicas. o sexual como algo detestável.) e assim foi-se aprofundando o foco. chegou-se a obter uma certa clarificação de sua problemática e do significado de seus sintomas com relação ao luto pela morte de seu irmão. em certa oportunidade mencionou que sua mãe lhe havia con­ fiado que desde a trágica morte de seu irmão apresentava uma mar­ cada inibição de sua atividade sexual. sua iniciativa pessoal. com critério prospectivo). Existia ao que parece certo grau de identificação melancólica com sua pro­ genitora. pois seus vômitos a haviam feito sofrer durante muitos anos. Por outro lado. seus sentimentos de culpa e seus desejos de reparação. “Não sei disse-me a pacien­ te -se foi ela quem ‘me passou’ ou nào alguns traumas. . Não se encarou a fundo o complexo de Édipo positivo e negativo. Isso era conseqüência de uma confiança na relação comigo. ao qual não se associaram maiores dificuldades (penso que isso foi possível porque desde o primeiro momento tratei de estimular em J.. As interpretações foram centrandose nesse ponto (a rivalidade com seu irmão. racionalizadas com argumentos pouco consistentes e cujo provável significado seria o de tentar inverter os papéis e aparecer como ela abandonando o tratamento antes de se sentir abandona­ da. J. trazia com menos temor seus problemas sexuais. Mostrei-lhe como os ganhos secundários de seus sintomas podiam interferir na sua cura (cabe mencionar aqui que a partir do segundo mês de tratamento a paciente já comparecia sozinha às sessões). por isso foi necessário “deixar passar” material que era tentador inter­ pretar). Em suma. o que co-determinava suas próprias inibições sexuais. A esta altura fez-se ainda mais notória a incidência do luto pela perda do irmão em sua problemática sexual: trazia sonhos cujo denominador comum era o desejo de dar à luz um varào. Realizei certo trabalho interpretativo em torno da separação. Depois compareceu às entrevistas de avaliação.240 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica geral progressos no trato com eles.”. Mostrava-se muito grata a mim. o que parecia mais com­ plicado ainda neste tratamento de tempo limitado (se bem que o luto patológico não ficasse atrás em extremo nesse sentido. registrou suas únicas ausências nas duas sessões finais do trata­ mento.. etc. salvo que J.

insight . Havia-se elevado sua auto-estima.Dos tratamentos breves _____________ 1 Avaliação dos resultados terapêuticos Avaliação imediata Nas entrevistas de avaliação imediata. No to­ cante a suas inibições. J. As náuseas e os vômitos haviam desaparecido. J.dos motivos determinantes de seus proble­ mas atuais e que dia após dia podia manejá-los melhor. persistiam dificuldades em suas relaçõ. Nesse sentido. .. como no concernente a uma eventual elaboração de projetos pessoais. a paciente opinou acerca do tratamento: “Foi bastante positivo. mostrando-se muito agradecida pelo que havíamos feito por ela. já sabend© quais são meus problemas. Claro que voltarei a consultar-me se necessário. A terapia produziu além disso outras modificações favoráveis em suas relações interpes­ soais. os vômitos das segundas-feiras. Via-se menos ligada à mãe e com desejos de aproveitar seu tempo livre integrando-se a grupos de ambos os sexos.” Concordamos que havia alcançado em boa medida com­ preensão . a melhora foi menos notável. Superei muitas coi­ sas. O reteste também evidenciou uma evolução favorável: repa­ ração da figura masculina e tentativas de sublimação de seus de­ sejos orais. se despediu de nós sem que combinássemos novos encontros para o futuro. Ainda que tenham desaparecido reações impróprias (os vômitos). que no entanto pareciam já estar a caminho de serem superadas. da mesma maneira que a depressão.. Transcorrida a etapa avaliativa. manifestou confiança em poder formar um novo par e gozar se­ xualmente. A melhora sintomática era muito ostensiva no que se referia aos sintomas positivos de sua neurose.es com os homens. Outras modificações geradas pela terapia em torno de questões tais como o trabalho foram de importância secundária ou não ocorre­ ram. certamente podem ficar muitas coisas que eu mesma posso superar pouco a pouco.

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Avaliação mediata
Cerca de três anos depois e após grandes esforços para locali­ zá-la, pois se havia mudado com seus pais, consegui encontrá-la. Desloquei-me até seu domicílio, já que J. nào tinha telefone. Recebeu-me sua mãe (J. nào se encontrava ali no momento), que se alegrou de me ver. Pcdi-lhe que dissesse a J. que tratasse de se comunicar comigo e aproveitei a ocasião, além disso, para obter sua impressão sobre o estado da jovem. Contou-me que a seu ver havia mudado notoriamente a partir do tratamento efetuado; mos­ trava-se otimista e ativa de modo estável, havia conseguido um novo emprego, mais bem remunerado, e um companheiro, e nunca mais havia apresentado episódio de vômitos. Para ela prosseguiu comentando - “o problema” de J. fora sempre o de seu irmão fale­ cido. Finalmente acrescentou que desde algumas semanas J. pen­ sava em falar comigo para que atendesse uma amiga sua. A paciente me ligou quando recebeu meu recado e pudemos marcar uma entrevista de acompanhamento. A maior parte das declarações de J. e das conclusões que se podem extrair de tal en­ trevista sào dignas de serem expostas com certo detalhe, pois con­ sidero que ilustram adequadamente a eficácia e o alcance que o procedimento terapêutico aplicado parece ter atingido. Encontrei J. sorridente e de excelente aspecto. Seus gestos me pareceram mais sóbrios, menos teatrais. Não havia recebido nenhum outro tratamento psicológico após ter terminado o efetuado comigo. Com grande satisfação, expressou: “Desapareceu uma série de problemas que eu tinha. Nào tive mais problemas de vômitos e tive uma mudança radical em tudo: estou noiva, vou muito bem com ele, mudei de trabalho, me sinto bem. O tratamento foi difí­ cil para mim. Rçcordo que, às vezes, rejeitava muito você. Até tinha bronca de você. Agora entendo que era pelas coisas que me fazia ver.” J. me falou de seu parceiro, com quem se relacionava há dois anos. “E muito centrado, tem 28 anos (J. tinha 23 na época da entrevista), é engenheiro, estamos próximos do casamento, talvez dentro de uns meses, no fim do ano... Nos completamos em ques­ tão de temperamento. Meu temperamento está mudado, estou

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mais alegre, brinco, gosto não só da companhia do meu noivo, mas também de sair em grupo. Antes tratava de ficar só, não tinha desejos de sair e nem de me arrumar.” No que se refere à atividade sexual, J. assegurou que tinha relações sexuais satisfatórias com seu parceiro e que quase sempre conseguia o orgasmo. “Antes continuou - não era feliz sexualmente, sentia-me usada, o sexo era algo asqueroso para mim... Não rejeitei meu noivo em nenhum momento. E não comentei nada de minha outra relação (alude a seu parceiro anterior). Não acho necessário.”2 0Mais adiante conti­ nuou se referindo à sua sexualidade: “Creio que tenho mudado muito minhas idéias sobre sexo... Com ele temos bastante liberda­ de sexual, conseguida pouco a pouco... Eu antes não tinha podido mostrar-me desnuda diante de um homem, com a luz acesa. Ago­ ra, pelo contrário, considero normal.” Toma-se indubitável que ao longo do tempo depois do trata­ mento, J. havia vencido em grande parte suas inibições sexuais, havendo formado um par, com o qual aparentemente se achava muito ajustada, e superado sua frigidez. Foi, isso sim, necessário que passasse certo tempo para que pudessem cumprir-se esse objetivos terapêuticos e comprovàr-se assim os frutos do trabalho desenvolvido, segundo o relato da paciente e o de sua mãe. Manifestou desejos de casar-se logo para poder ter filhos. Enquanto isso recorria a anticonceptivos orais. “Apesar de meus desejos de ter filhos, não me esqueço de tomá-los”, comentou sorrindo. J. queria sem dúvida fazer-me notar que tinha presente aquilo que havíamos explorado durante sua terapia e que além disso estava muito atenta no que se referia a tomar as precauções devidas, a partir da profunda convicção - obtida mediante o trata­ mento - que tinha a respeito da força de seus desejos inconscien­ tes. Não havia tido abortos. Quanto às relações com seus familiares, contou-mc que se sentia muito bem com seus pais, e ao mesmo tempo muito mais independente. Como havia comparecido à entrevista com sua mãe, iinportou-lhe esclarecer-me que esta havia insistido tanto cm acompanhá-la que lhe parecera absurdo negá-lo, mas que na ver­ dade sentia que isso não era necessário em nada, diferentemente do que sucedia antes, quando ela mesma requeria a companhia e os

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cuidados de sua progenitora, chamando de algum modo a atenção para isso. “A relação com minha mamãe - continuou a me contar J. mudou muito, ao menos de minha parte. Agora compro sozinha minha roupa... Antes, tenho certeza, não teria podido casar e viver longe dela. Agora tenho propostas para viver com meu futuro marido na província e não vejo inconvenientes.” A paciente atri­ buiu ao tratamento efetuado uma decisiva influência nas modifica­ ções que a relação com sua mãe apresentava21. Do mesmo modo, J. havia sido antes muito dependente em relação à irmã, com a qual agora - segundo ela - se vinculava mais, “de igual para igual”, sem ajustar-se incondicionalmente às opiniões dela, aceitando-as como tais, mas desenvolvendo pontos de vista. Havia interrompido seus estudos de modelo publicitário, devido ao fato de que os encarregados de dar-lhe trabalho tacita­ mente lhe impunham como condiçào que mantivesse relações se­ xuais com eles. Isso se repetiu em duas ou três oportunidades, razão pela qual decidiu abandonar definitivamente esse campo. Referiu-me que sempre se sentira atraída pela arte cênica, mas que no momento não pensava em estudar teatro, já que o que lhe interessava era concretizar com brevidade seus planos de contrair matrimônio e nesse sentido voltava-se com afinco para seu traba­ lho numa empresa distribuidora de peças para automóveis, onde obtinha um salário superior ao de seu emprego anterior e ainda tinha possibilidade de melhorar seus ganhos muito mais. Espontaneamente comentou que, em função de uma bron­ quite que contraíra, deixara de fumar. Pôde consegui-lo contro­ lando a ansiedade derivada de tal abstinência, fato que a seu ver cra um efeito da terapia, ainda que não pudesse precisar melhor de que maneira esta a havia ajudado nesse problema. Depois referiu-se a seus estados depressivos, que já haviam deixado de acontecer. Dc imediato aludiu à recordação de seu ir­ mão falecido: “Não penso tanto nele. Inclusive, antes desejava ter um varão ruivo como meu irmão. Agora não. Quero que se pareça com meu noivo e comigo... Quando nos mudarmos, não quero mais pendurar fotografias de familiares mortos, como meu irmão, meus tios...” Isso podia indicar certa atenuação da culpa pela morte do irmão, o que lhe permitia um maior desprendimento do objeto per­ dido, podendo dedicar-se mais a seus próprios desejos pessoais.

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Queria enviar-me uma companheira de trabalho, para que tratasse dela, o que constituía uma manifestação a mais de sua confiança em mim. Quase no final da entrevista, após haver-lhe transmitido minhas impressões ao longo da mesma, expressei-lhe minha sa­ tisfação de encontrá-la bem e com tão gratas novidades, reiteran­ do que contasse comigo para qualquer necessidade, depois do que nos despedimos, não sem que J. tivesse palavras de emocionado agradecimento para comigo. Desde esse momento não voltei a ter notícias dela. Finalmente, ao se registrarem nessa oportunidade resultados positivos em I.P.F. (insight da problemática focal), R.P.F. (resolu­ ção - clínica total da problemática focal, pof substituição das reações impróprias pelas apropriadas, em suas rèlações heterosse­ xuais) e M.S. (melhoria sintomática), o resultado final, de acordo com o sistema de avaliação proposto no capítulo 11 , considera-se muito favorável.
Considerações finais

Este caso convida à reflexão em torno de vários pontos. Sem dúvida é polêmico e penso que constitui uma mostra fiel das múl­ tiplas interrogações que se apresentam na prática dessas terapias a respeito da teoria da técnica. Tais questões devem servir de estí­ mulo para discutirmos e investigarmos propostas que resultem úteis e que conduzam a linhas de trabalho fundamentadas dinami­ camente. Também é interessante o problema que levanta com relação aos resultados terapêuticos. y 1 . O uso flexível e seletivo do método da associação livre rende seu frutos ao aplicar-se em quem conta com possibilidades reais de responder de um modo favorável (aqui pôde-se utilizá-lo com êxito, por exemplo, a propósito dos sonhos da paciente e da aparição do terçol). — /'2. Podemos observar neste caso a evolução do foco durante o tratamento, quando a compreensão dos dinamismos da conflitiva focal vai-se enriquecendo e se aclarando como conseqüência de descobertas progressivas. É possível uma maior definição do jogo

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de inter-relações entre os diversos fatores. O aprofundamento no foco revela a sobredcterminaçào dos sintomas e é facilitado pelas condições da paciente para se remeter ao material focal e obter insight desses conflitos22. 3. Se bem que aqui tenha-me aventurado de novo num traba­ lho interpretativo de certo modo profundo, com incursão em aspectos históricos infantis - já que penetrar na relação que a paciente mantinha com o irmão e no luto patológico que sobre­ vêm a essa perda, ocorrida em plena infância dela, não supõe ou­ tra coisa não me afastei da conflitiva focal. As interpretações que incluíam aspectos históricos infantis eram, repito, sempre focalizadas, possibilitando assim o aprofundamento do foco. Se tivessem estado ‘‘fora de foco”, isso teria implicado o risco de “abrir feridas” desnecessárias, provocando uma maior mobiliza­ ção na paciente, relacionada com conflitos que não poderíamos abarcar o suficiente durante o tratamento. — 7 4. No que se refere aos problemas suscitados pela presença de lutospatológicos de importância em tratamentos de curto pra­ zo, cabem aqui as considerações efetuadas em capítulos anterio­ res (ver os capítulos 10 e 12). Mas quero formular uma interroga­ ção que surge em seguida: se é conveniente, ou ainda necessário, incluir um luto dessa natureza, entre os aspectos a serem tratados com o paciente, no programa terapêutico de uma terapia de dura­ ção limitada (o qual coincide, nessa oportunidade, com o proble­ ma da atitude a ser assumida ante o histórico infantil). Neste caso particular, minha resposta é afirmativa. Incluir 0 luto era de certo modo algo inevitável, como fui compreendendo ao longo do pro­ cesso terapêutico, pois a meu ver constituía um problema de importância fundamental, que estava no próprio núcleo do sinto­ ma como conflito subjacente c que requeria abordagem, ainda que só pudesse ser efetuada de modo parcial. Cabe perguntar se o fato de não haver trabalhado desse modo teria produzido resultados similares aos obtidos quanto à remissão da sintomatologia, baseda em certo grau de insight a respeito do conflito central do trata­ mento, resultados esses que ficam corroborados no meu enten­ der- pelo acompanhamento efetuado anos depois. Uma vez convencidos de que devemos nos ocupar direta­ mente do luto. surge a necessidade de recolocar nossa modalida­

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de técnica ante esses problemas, adaptando-a ao enquadramento existente nesse tipo de terapia para evitar que elas se convertam numa psicanálise incompleta, com conseqüências previsíveis. Ao descrever este histórico expus a posição que adoto, partindo das propostas de Szpilka e Knobel (10). Esta inquietude leva não só a ajudar o paciente ao máximo, dentro das possibilidades institucionais. mas também a não preíudicá-lo com técnicas inadequadas. Até aqui refiro-me somente às necessidades e vantagens de incursionar na problemática do luto, mas desde já com a ressalva de cjue tal atitude contém os riscos próprios de uma tarefa terapêu­ tica escabrosa, que em termos ideais deveria ser tão prolongada quanto intensiva, e que em virtude da limitação temporal ficará forçosamente incompleta. A elaboração insuficiente do luto poderá acarretar o reaparecimento dos sintomas ou novas manifes­ tações do conflito (fato não comprovado nesta paciente após transcorridos cerca dc três anos do término do tratamento). Mas trata-se de um risco previsto, calculado. Para isso existem os acompanhamentos, que oferecerão oportunidade de detectar re­ caídas e de assinalar, quando a situação o requeira, a necessidade de retomo à psicoterapia. , - -Em TtPSsã~pãciente, pênso que os resultados obtidos com re­ lação à abordagem do luto enquistado não devem ser subestima­ dos. Creio que, na prática, ainda em terapias de objetivos limitados, nos problematizamos - e equivocamos - em demasia, quando, com nosso furor curandis, pretendemos conseguir uma elabora­ ção de conflitos fundamentais ou solucionar perturbações caracteropáticas que costumam levar muito mais tempo, habitualmente anos de trabalho esforçado. Nesta oportunidade poder-se-ia questionar e creio que com certa razão - a abordagem de um conflito ocasionado por um luto patológico num tratamento de três meses apenas. Colocando-nos sempre a alternativa de ter de fornecer uma terapia de tempo limi­ tado, como ocorre no contexto hospitalar, o que corresponde ao caso de que nos ocupamos (paciente de escassos recursos econô­ micos, em primeira experiência psicoterápica, que se consulta ao ser encaminhada e não por iniciativa própria, talvez necessitada de adquirir maior consciência da enfermidade e de aumentar sua motivação para considerar futuramente a opção de um tratamento

Vemos que em nossa paciente. (Lamentavelmente não se pôde contar com um novo reteste. incô­ modo e antigo sintoma.em certas ocasiões . Por último. concretizados nos êxitos obtidos pela paciente nos anos que se seguiram ao tratamento. por exemplo. penso agora que o que talvez pudesse ter sido feito e resultasse conveniente seria fixar. Também em matéria de resultados terapêuticos das terapias breves existe um preconceito muito arraigado. o grau possível de aprofundamento interpretativo e de “insight” alcançado concomitantemente pode . nos dão neste caso a medida de que isso não é exato. após três anos de finalizado o tratamento. já que. diante de pacientes muito cooperativos e capacitados para o insight. numa magnitude a princípio inusual em minha experiência em psicoterapias de tempo limitado24. apesar de ter-se efetuado um tratamento apenas de três meses.ser significativo. como se pôde apreciar ao longo deste histórico. fanta­ sias pré-genitais inconscientes (em especial as de caráter oral e anal). desde o começo. e pareceu haver-se chegado a uma resolução dinamicamente parcial. sua estabilidade e os novos progressos ao longo de quase três anos de evolução. As mudanças impressionam como tendo tido um alcance que cm alguns aspectos transcende os objetivos terapêuticos propostos. razão pela qual foi possível interpretar.248 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica prolongado). que permitisse um estudo mais exaustivo .^ isso o que ocorreu com esta inteligente e flexívçl paciente (apesar de apresentar por momentos intensas manifestações resistenciais). que consiste em crer que as mudanças produzidas são sempre “superficiais” e/ou transitórias. Naturalmente faço referên­ cia a uma profundidade que se alcança somente em aspectos par­ ciais da conflitiva. Que essas terapias sejam indefectivelmente “superficiais” constitui por certo um preconceito.sobre o caso. é bom recordar. e que é de se destacar haver-se instaurado um ciclo prospectivo e uma adaptação produtiva à realidade. A natureza da melhoria.e mais bem documentado . O acompanhamento permitiu descartar as temidas recaídas. ainda que bastante firme do conflito. permanecendo diversos conflitos sem serem desenvolvidos. algo mais sobre os resultados obtidos. um tempo maior para a terapia23.) . os resultados ultrapassaram a mera cura ou alívio de um.

. ob. Alexander e T. Barcelona. 3. cm P. Buenos Aires. Charles Thomas. citado por J. a propósito do tratamento de J. podem bem produzir-se. Sexual Discord in Marriage. F. XIV. 8. 1963. Alexander. cap.. e Knobel. Toray. Granica.. B. Barce­ lona. Laplanche e J. Szpilka. Comunicación personal. S. pode desenvolver-se um insight importante dos conflitos num contato terapêutico relativamente curto e que exerça um efeito terapêutico duradouro” (3). Guiter. bem ‘prepa­ rados’ sensível e psicologicamente.Dos tratamentos breves 249 A experiência de investigadores como Dewald também pare­ ce demonstrar que é possível obter resultados terapêuticos muito bons. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. Dewald. Freud. 6. Paidós. tomol. Centro Editor de América Latina. Baillière. 1974. Psicoterapia: un enfoque dinâmico.. M. Comunicación personal. 1932. Picdimonte. Labor. “Indicaciones para la terapia”. M. VI. Buenos Aires.) 9. Londres. 4.. Malan. Courtenay... Biblioteca Nueva. 1972. Buenos Aires. 1950. R. n? 2. A. 1971. em S. 119. Dewald. H. O. tomo ü. psicol. como vimos nesta ocasião. J. French. Acta psiq.. . em S. P. Pontalis. 1948. “La histeria: Historiales cínicos”. Londres.. cm'F. “Acerca de la psicoterapia breve”. em Diccionario de psicoanálisis. . 1965. 1972. Small em Psicoterapias breves. Freud. Lat. cap. cit. 2. p. “The Phallic Phase”. 7. vol.C. C. E. junho 1968.. Terapêutica psicoanalitica. 1968. em 4. Referências bibliográficas . Freud. Springfield. 5 . Apesar de esses resultados não serem habituais em psicoterapias breves. Londres. Tavistock. Tavistock. M. XVI11. Buenos Aires. Amér. “Análisis fragmentario de una histeria”. Jones. em Papers on Psychoanalysis. A Study of Brief Psychotherapy. 10. “Psicoanálisis y psicoterapia por ‘insight’ dirigido”. Madrid.. citado por L. Illinois. Assinala este autor que “em alguns enfermos. 1. D. A. cm Coloquio Acta 1967: Psicoterapia Breve.

4 .

É que. No que diz respeito às emoções contratransferenciais. que o * Tradução de Rosa Maria Salmen Scaramuzzi. entre outros. cabe assinalar a necessidade de que o terapeuta exerça um controle adequado sobre elas.B. nas quais pode chegar a colocar-se como o excluído. rivalidade. 155 s. Conhecimentos teóricos e prática psicanalíticos. especialmente em circunstâncias que para ele reproduzam a situação triangular. acontece com freqüência num tratamento breve (ver capítulo 8. Wolberg (5). o que. De­ verá dominar tanto o sentimento de exclusão que possa experi­ mentar como os componentes de ciúme. . pp. será de grande utilidade contar com suficiente experiência de análise pessoal..14. como vimos.). é necessária uma rápida captação da problemática do paciente e cr conhecimento c manejo dos fenô­ menos transferenciais e contratransferenciais que abranjam as variações que no campo criam fatos tais como a conduta ativa do terapeuta ou a combinação dos diferentes recursos terapêuticos. Formação de terapeutas em psicoterapia breve * Introdução Está fora de qualquer dúvida que uma preparação psicanalítica prévia adquire importância decisiva na formação em P. etc. reafirma isso de maneira concludente. entre outras coisas. Por esse motivo.

.252 Psicoterapiu breve de orientaçãopsicanalitica acompanhem.. A seguir me ocuparei desses aspectos. para em seguida descrever alguns dos requisitos ou con­ dições que me parecem importantes para ser um bom terapeuta em P.B.B. e que o treinamento deles em tais tratamentos não costuma ser pre­ cedido de uma sólida formação psicanalitica.B. para não se abandonar a uma situação que o condene a transformar o trata­ mento breve numa “psicanálise breve’\/Para isso será mister estu­ dar conscienciosamente certos princípios essenciais da P. a formação do terapeuta em P. mas que no máximo coincide com o desenvolvimento dela. dentre as muitas vantagens em comparação com um tera­ peuta principiante. cumprida previamente ou não a etapa psicanalitica.B. 155 ss. já que podem contar. Aprendizagem teórica Ainda aceitando que na verdade seja difícil “fazer e aprender simultaneamente psicoterapia e psicanálise” (Joseph [2]) e em virtude de apresentar-se na maioria das vezes essa necessidade nas fases iniciais do caminho a ser percorrido por todo terapeuta iniciante. pois os erros mais comuns na sua prática correspondem precisamente à extrapolação da técnica psicanalítica./É claro que tal pretensão exige a existência de fundamentos teóricos definidos em P. Finalmente. exporei um modelo de registro clínico que acredito pode servir de guia na prática e favorecer uma sistemati­ zação operativa da tarefa. © que seria ideal.B. De qualquer forma. o que também já foi assinalado (capítulo 8. consistirá na apren­ dizagem da teoria de sua técnica e no treinamento psieoterapêutico adequadamente supervisionado. como primeira medida. pois do contrário corre o risco de atuar nocivamen­ te. que este se fixe no objetivo de conhecer com clareza as características principais que distinguem uma terapêutica da outra. pp.). A partir daí deduz-se que são os psicanalistas experientes que estão em melhores condições de exercer a P. com uma boa elaboração de seus próprios con­ flitos básicos. considero que será melhor. Mas sabemos que na prática a realização dos trata­ mentos breves se assenta em boa parte em terapeutas novatos. Fiorini assinalou a influência negativa que a carência de uma .

como se se tratasse de dois proce­ dimentos antagônicos.B.. posto que ainda significa para muitos o debut como psicoterapeutas. que convém. seriam então: partir de embasamentos teóricos sólidos (por exemplo e fundamentalmen­ te os fofnecidos pela psicanálise) e expor um método que apresen­ te coerência suficiente. assim como o reconhecimento da terapia focal como técnica. no sentido de conseguir deles uma boa disposição para a aprendizagem do tema.à qual também se refere acertadamente Fiorini (1) que com freqüência colocam hipóteses incon­ ciliáveis entre si e que também freqüentemente se fundamentam em esquemas referenciais diferentes^Mguns requisitos a se levar especialmente em conta no ensino da P. tenho experimentado quase sempre a necessidade dc incluir ini­ cialmente nos grupos um trabalho que chamaria de/“abrandamento" dos colegas. É possível que assim seja.Formação de terapeutas em psicoterapia breve 253 identidade teórica por parte da P. (1) exerce na formação dos terapeutas. propósitos cuja concretização encerra uma árdua tarefa que ainda não terminou de se cristalizar. instituições privadas). entào. e que em grande parte essa carcncia. constitua mais que tudo o produto da falta de coerência nas contribuições . com a psicanálise. e que é a que pode fornecer a orientação e o respaldo necessáriq para evitar que os jovens profissionais caiam no desânimo e na descrença. a meu ver. .B. são fatos que provocam exigên­ cias nos profissionais.B. rever de início./ Treinamento psicoterapêutico As necessidades atuais de recorrer a esses procedimentos pa­ ra oferecer atenção psiquiátrica à numerosa população que recorra aos diversos estabelecimentos assistenciais (serviços psiquiátricos hospitalares. centros de saúde mental. so­ bretudo porque se continua insistindo equivocadamente em de­ frontar a P. Mas não é menos certo que também estimulam e oferecem por sua vez.B. com certa facilidade. Além disso. oportuni­ dades para o exercício desse método terapêutico. cuja aplica­ ção é factível e/ou recomendável cm não poucos casos que se apre­ sentam nos consultórios privados. já que sobre o mesmo abundam preconceitos de todo tipo. ao longo de meu trabalho como docente em P.

incluindo-os como tema que é necessário tratar. a delimitação de um foco. o estabe­ lecimento de objetivos terapêuticos e o planejamento. nos supervisionados.e ainda fomentar o emprego exagerado de interpretações transferenciais. deverá estar a cargo de profissionais ex­ perientes tanto em terapias prolongadas como em terapias focais. em maior ou menor medida. pres­ tará especial atenção aos problemas imediatos da realidade externa do paciente e aos que poderão derivar da dissolução do vínculo terapêutico. as contradições técnicas em que possam incorrer. Do mesmo modo deverá ajudar a detectar o ponto de urgência nas sessões e estimular a assunção de um papel ativo por parte do terapeuta. para os terapeutas.. Costumam apresentar problemas de adequação ao contexto institucional e reforçam. etc/Quer dizer. atitudes “passivas” do terapeuta./ Todavia comprovam-sc comumente dificuldades dos superviso­ res nos tratamentos hospitalares que. a supervisão deverá enfatizar a elaboração de uma história clínica minuciosa. uma função elementar do supervisor._Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica Supervisão clínica / Preferencialmente. Fi­ nalmente deverá propor a realização sistemática de avaliações. contribuir para a obtenção dessas condições): X 1. além das que correntemente se lhe apresentam. por carecerem de experiên­ cia de campo e partirem exclusivamente da experiência obtida no âmbito de seus consultórios particulares. . com deficiências tais como não corrigir . será a de assinalar. / / Por outro lado. mostram-se rigidamente vinculados à técnica analítica ortodoxa. Capacidade para estabelecer prontamente um bom rapport com o paciente (Knobel [3]).^ Algumas condições necessárias para um terapeuta em psicoterapias breves Mencionarei apenas aquelas que me parecem fundamentais (supõe-se que tanto uma boa análise pessoal como o conhecimen­ to e o treinamento em psicanálise poderão. a tendência à extrapolação da técnica psicanalítica.

..... No que diz respeito a seus conflitos pessoais: X 5..................Sexo: ......................... X3.......................... Idade:........... Flexibilidade livre de preconceitos........................ centro de saúde mental............................................................................................................................. Data de admissão:.............. e criatividade para exa­ minar e combinar os diferentes recursos terapêuticos que domine e dos quais disponha quando as circunstâncias o requeiram. instituição ou consultório privado):....... Estado civil:. X 6.... Telefone:.. Escolaridade:........ nas quais possa sentir-se en­ volvido durante o tratamento........................... Capacidade para compreender a natureza dos problemas centrais do tratamento em breve espaço de tempo.Formação de lerapeiitas em psicoterapia breve 255 2.......... I d) Suportar sem excessivas dificuldades a separação dos pacientes..... Nome e sobrenome: .......... yC 4............................................. J b) Renunciar às gratificações especiais proporcionadas 1 pela relação analista-paciente (ver capítulo 8)................... FICFIA CLÍNICA PARA PSICOTERAPIAS BREVES Local (serviço............................................... / c) Resignar-se a não alcançar graus profUndos de investiI gaçào dos psicodi namismos de cada paciente.............. O cupação:................... Certa elaboração da conílítiva cdípica que lhe permita um manejo «das situações triangulares............................................ .......................... Capacidade para desempenhar um papel ativo no processo terapêutico. Nacionalidade:............. Suficiente tolerância à frustração para: < / a) Conformar-se com o ganho de objetivos |erapêuticos li| mitados...............Residência: ....

..................... Dados biográficos de interesse (inclui antecedentes familiares e pessoais):.... d) Tolerância à ansiedade e à frustração....Avaliação das condições egóicas.......... Interessam especialmente: a) Funções egóicas básicas (percepção........ .Grupo familiar: Diagnóstico e incidência ..... b) Da enfermidade............)... c) Da personalidade..... c) Controle de impulsos..... e) Mecanismos de defesa...................... atenção. Avaliação diagnostica: Diagnóstico nosográfico-dinâmico: a) Do episódio.incluindo a que exerce o meio social do paciente na problemática....... b) Relações objetais....... pensamento. etc. memória..... Inclui ainda: ..............25" Psicoterapia breve de orientação psicanalítica História clínica (resumo): Motivo da consulta (inclui descrição da situação-problema e dos fatores descncadeantes):........................... f) Regulação da auto-estima.. ..............

... Metas terapêuticas: a) Primordiais:............ ... Duração do tratamento: Prognóstico:...........................T..Formação de terapeutas em psicoterapia breve Isso nos conduzirá a uma avaliação da potência e plasticidade do ego........... Determinação dofoco: ................. b) Secundárias:.............................. Elementos mais importantes:.. Phillipson. etc........... í i Foco terapêutico....................... ................A................................. Hipótesepsicodinâmica inicial:.......... ... Pontos de urgência ao começar o tratamento:...... Descrição:....... Rorscharch.................... T...........................).... Grau de motivação para o tratamento e atitudes para o insight:.. informações psicológicas (Testes: Bender.......................... Sua estrutura.. .......................................... Casal.....

do método da associação livre Outros Psicofármacos Inclusão de familiares e/ou figuras próximas Técnicas dramáticas Terapia grupai. dirétivo.) posição (frente a frente. Assistência social. etc. Tipo de relação paciente-terapeuta: Recursos terapêuticos: Assinalamentos “Transferenciais” “ExtratransferenIntcrpretações ' ciais’ Das raízes infantis [ do conflito Perguntas Informações Insinuações Comentários Intervenções de reasseguramento Indicações Conselhos terapeuta (ativo. ocupacional.) Intervenções Psicoterapia individual verbal Uso optativo . b) De reforçamento egóico (predominantemente).25 # ____ Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Planificação do tratamento: Psicoterapia: a) De insight (predominantemente). etc. . etc. etc.

. da motivação ou da resistência ao insighí. pos­ sibilidades do paciente de centrar-se no focal.. Evolução durante o tratamento: Evolução do foco. assinalar o tipo de material que deverá ser descartado. Contrato: Detalhes do contrato sobre metas terapêuticas. principais pontos de urgência.Formação de terapeutas em psicoíerapia breve 259 Sessões: duração. freqüência e periodicidade das sessões. evolu­ . linhas interpretativas e tipo de interpretação. duração. a tarefa em torno da separação ante o final do tratamento:. con­ signar a utilização dos diferentes recursos terapêuticos. freqüência e periodicidade: Duração total do tratamento: Estratégia terapêutica ^ Conflitos a abordar e possível seqüência de tal ‘âbordagem... data do término do tratamento. eventuais modificações na freqüência das ses­ sões. duração do tratamen­ to. das entrevistas de avaliação e do reteste (se houver):. funções egóicas a serem reforçadas.

. de amizade.) Melhoria sintomática (M.....S.F....... Avaliação dos resultados terapêuticos: * 1) Avaliação imediata Impressões gerais do paciente acerca do tratamento Insight da problemática focal (l... etc..F......) Estudos Trabalho Recreação .P.. mençào ao uso e aos efeitos de outros recursos terapêuticos.. o término:.) Consciência da enfermidade Auto-estima Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares.) Resolução da problemática focal (R....260 Psicoterapia breve de orientação psicanalílica ção do estado do paciente. evolução da relação terapêutica (a transferência e a contratransferência)... de traba­ lho.........P...

...................... Considerações finais Separação paciente ................................ .. psicoterapia de gru­ po.......terapeuta Ajustamento do acompanhamento.............. etc......P... .................................. 2 ) Avaliação mediata (acompanhamento) Insight da problemática focal (I. I* >........... í Total ea { Parcial ...F....Formação de terapeutas em psicoterapia breve 261 Projetos para o futuro1 Reteste........................ Resultados.... Resolução da problemática focal (R.......................................... Objetivos Passagem a outros tratamentos: a) Com o mesmo terapeuta b) Com outro terapeuta Especificar o tipo de tratamento (psicanálise........................... Datas de entrevistas de avalia­ ção e do reteste................) D ..)............ Recontrato (com objetivos limitados).....)...................P............F..

evitação com ou sem recaída Agravamento Mecanismos Alcance Estabilidade Melhoria Sintomática (M. fuga para a saúde. de traba­ lho. de amizade. Sem modificações Recaídas2 Falsa solução valiosa (4) Falsa solução (4).S.) Estudos Trabalho Recreação Projetos para o fiituro: .P.) Consciência da enfermidade: Auto-estima: Modificações favoráveis cm: Vida sexual Relações de casal Outras relações interpessoais (familiares. cura transferencial.262 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalitica Duvidosa Nào-R.F. etc.

“Mesa redonda sobre psicoanálisis y psicoterapia”. Outros tratamentos realizados:..)...Formação de terapeutas em psicoterapia breve 263 Novas situações conflitivas:....... 2....... Buenos Aires. tomo XXVIU...... Instituciones y problemas........... { Mecanismos Alcance Estabilidade ! Resultado Final3 Muito favorável Favorável Discreto Regular Nulo Desfavorável Considerações finais: Referências bibliográficas 1................ Fiorini. Nuevasperspectivas en salud mental................... .......... ...... R... J...... Resultados:. H............. . Buenos Aires.... Revista de Psicoanálisis.... 1971. 1973... Joseph e outros... Nueva Vision. Grimson (comp.. n? 1... “Problemática actual de las psicoterapias breves” em W.. Reteste.......................................

Buenos Aires. Buenos Aires. Illinois. Knobel. “Psicoterapia breve en la infancia”. Centro Editor de América Latina. A Study o f Brief Psychotherapy. . VI. H. L. Tavistock. Madri. 1963.. Wolbcrg e colab. 4. Psicoterapia breve..) 5. Wolberg.. (Versão castelhana: La psicoterapia breve. em Psicoanàlisis y psicoterapia breve en niiîosy adolescentes.264 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 3. Springfield. “La técnica de la psicoterapia breve”. 1971. em L. 1974. D. Gredos. Londres. cap. Malan. 1968. Charles Thomas. M. Cuardemos de la SAPP1A Kargieman.

Não obstante. mais breves. Também cabe acrescentar que a focalização do trabalho terapêutico na direção de um aspecto da problemática ou sintomatologia do paciente é característica das atuais técnicas breves. neste caso.B. mas que depois da guerra este o visitou em Viena. assim. crendo-o completamente curado. o criador da psicanálise justificará. El problema de los basamentos teóricos” (Buenos Aires. Capitulo 3 1. tal medida foi. para Freud. Ali descreve que deu alta ao paciente. equivocada. Utilizarei. Capítulo 2 1. Lido parcialmente na Associação Psicanalítica Argentina. . etc. o que exigiu mais alguns meses de tratamento.) convencionalmente para fazer menção a este tipo de tratamento ao longo dos sucessivos capítulos.disse Freud .Notas I «» Capitulo 1 Apelarei para ela e para outras similares (tratamento ou técnica breve. ocasião em que Freud pôde comprovar que haviam permanecido sem resol­ ver aspectos da transferência. depois dos quais o paciente . em “Análise terminável e interminável”. de psicoterapia (13). 2. 3. 22 de agosto de 1979).“se sentiu normal e se conduziu impecavelmente”. 20 anos depois. a abreviatura P. com o titulo de “Psicoterapia breve de orientación psicoanalítica. Um acréscimo de 1923 deixa implicito que. a busca de novas técnicas.

agosto de 1978). o próprio Freud já havia fixadoiim limite de tempo para o tratamento psicanalítico. 9. sendo suas manifestações bastante antigas e/ou de instalação gradual. permitindo o desdobramento de alguns fenômenos transferenciais. Sem dúvida. forçosamente. 3. atual não significa. quando se fala em conflito central ou princi­ pal. portanto. especialmente os que sejam importantes . Antes de mais nada. deve-se entender que o mesmo o é em relação ao tratamento. mas não hesito em recorrer a conceitos próprios de escolas como a inglesa ou a ameri­ cana quando isso me parece necessário. dos quais deri­ vam as diversas dificuldades dos pacientes (40). razão pela qual. já que também pode tratar-se de um conflito que se mantenha vigente. objeto da abordagem terapêutica. já que con­ centraremos nele nossa atenção e nossos esforços. a interpretar os problemas edípicos. A respeito da hipnose em particular. Por último. Alexander. ainda que apropriadas. como consignei no capítulo 2. Outras denominações às quais se recorrc comumente são conflito atual e conflito central ou principal. nem todo conflito atual terá dc ser focal e. French e colaboradores (5) sugerem propiciar . em seu livro Terapêutica psicoanalitica. 7. ao atender o Homem dos lobos (20). 5.266 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 2. 10.0 estudo deve completar-se com o conjunto dos aspectos concernen­ tes à contratransferência em psicoterapias breves. muito especialmente. as quais. Não obstante. dentro de certos limites. denominá-los-ei con­ flitos focais ou conflito focal. dc aparecimento recente e/ou de começo sintomatológico agudo. já que me incluo entre os que pensam que. Wolberg propiciou seu emprego. cabe mencionar que L. à qual me refiro. no capítulo 8 (ver também os capítulos 9 e 14). mas isso não implica necessariamente que esse conflito seja sempre o central dentro da patologia do paciente. cabe assinalar que Malan e sua equipe de terapeutas se dedicaram. Meu esquema referencial é fundamentalmente freudiano. Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia en psicoterapia breve”. como logo veremos. 4. são próprios da estrutura do foco terapêutico.ainda que só em certas oca­ siões o desenvolvimento e a análise de determinados componentes da neu­ rose de transferência. dc agora em diante. em terapias de curto prazo. 8. no método terapêu­ tico breve (54). pelo que requerem alguns esclarecimentos. em especial. por outro lado. c válido recorrer a distintos modelos tcóricos que possam ser úteis para compreender diferentes fenômenos ou pacientes. Anteriormente. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. Esses conflitos. combinado com outras técnicas. têm a desvantagem de prestar-se a confusões. Esse critério comparativo será utilizado quase permanentemente ao longo desta obra. Esses autores supõem que é possível controlar a relação transferencial. 6.

de manter simultaneamen­ te uma relação “real" com o terapeuta e uma aliança de trabalho (29) (30). Devemos consignar aqui que.fora da sessão analítica. isto é. e em determinadas circunstâncias (ver capítulo 6. 12. e por conseguinte solucionar. com base nas dificuldades que o terapeuta deverá enfren­ tar para manejar a relação.e é necessário que assim seja. ao menos para Novey. Essa manobra técnica parece-me interessante. c não só à repressão como resistência contra a cura (19). A incidência do fator tempo na elaboração é assinalada também por Bellak e Small: “Na psicoterapia rápida não há muito tempo para o processo de elaboração” (6). ainda que de certa maneira arriscada. diz. de desenvolver certos aspectos díf neurose de transferência e. deve-se tê-lo em conta constantemente. onde se refere aos mecanismos de defe­ sa do ego em geral. Pelo contrário. se a duração prevista para ele não seja demasiado curta. I 11. 16. Incluído no trabalho “El labor con los conflictos y la resistencia cn psicoterapia breve”. por exemplo. por exemplo. evitando derivações indese­ jáveis. mas também continuar elaborando os conflitos em novos con­ textos e situações” (42).) será necessária sua interpretação. por outro. Em última instância penso que essa atitude deveria ser a exceção à regra. por um lado. o tratamento analítico. a de processo progressivo pósterapêutico. para se alcançar uma mudança terapêutica . do paciente. “inclusive quando o paciente dorme”. a capacidade. esta. com êxito. pp. se o prazo mínimo para a finalização do mesmo seja. 106 ss. que apresentei no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. Apresentado no Primeiro Encontro Argentino de Psicologia Profunda (Buenos Aires. já que. que garantam o bom andamento do tratamento. agosto de 1978) sob o título de: “Insight y elaboración en psicoterapia breve”. 14. também continuaria . já que não conta com as possibilidades que o enquadramento psicanalítico oferece (considero que tal manobra poderia ser mais eficaz quando não se tenha fixado previamente uma data para o término do tratamento ou.Notas 267 para compreender. Freud aborda novamente o tema dos distintos tipos de resistência em “Análise terminável e interminável”. exige do terapeuta muita destreza e. no que concerne à elaboração psicanalítica. 13. realmente. o conflito central do pa­ ciente. Poder-se-ia fazer referência a esta última fase do processo com qualquer outra denominação. como um meio de compreender o paciente (9) (51). “O período pós-analilico não só implica repetir e experimentar situações da vida com maior facilidade e liberdade. de um ano). 15. . Novey ainda se refere expressamente à continuação do processo de elaboração uma vez que se tenha concluído. Isso não implica que se deva descuidar do fenômen» da transferên­ cia. no caso de tê-la fixado. agosto de 1978).

Os autores expressam que.268 Psicoterapia breve de orientaçãopsicanalítica 17. a teoria da aprendizagem pode­ ria ter aplicações especiais: “(. neste terreno. o que nos diz respeito é o pro­ blema de fazer permanente a aprendizagem que se produz na situação psicoterapêutica. não só pelas intervenções verbais do tera­ peuta. dentro dos limites da teo­ ria da aprendizagem. na realidade.. . Nesse aspecto cabe advertir que as mesmas intervenções empregadas com uma intenção confirmatória e reasseguradora. em segui­ da. Compreende-se que o fortalecimento das funções egóicas durante o tratamento é dado. 19. em um dado momento. concomitante ao reasseguramento e ampliação progressivos dos mesmos.prosseguem podem ter o efeito de convencer o paciente de que aprendeu adequadamente um novo modo de conduta. falamos em impedir as recaídas”. mas também. Um planejamento estratégico coerente deve prestar atenção à atitu­ de a ser assumida ante as defesas do paciente. mas também. Aquelas que. Devemos ativar muito especialmente as funções egóicas do paciente essenciais para o trabalho terapêutico. a meu ver. 20. desempenha um papel fundamental na interação com o pacien­ te) pode conseguir tais efeitos. tais como a percepção. para estimular no paciente a autonomia e a progressão. ou de que sua aprendizagem foi inadequada. Clinicamente. tais como alternar intervenções que tendam a estimular o autodesenvolvimento com outras que favoreçam a dependência regressiva. não incorrer em contradições.B. ou dar-se conta de que tem outros pro­ blemas.. Assinalam que o paciente deve “aplicar o aprendizado a situações da vida real.) antes de tudo. não só durante o tratamento. uma vez que reforça a aliança terapêutica.. podem paradoxalmente fomentar a dependência se se convertem. além disso. concebem-na como o reforço da apren­ dizagem de uma conduta nova e a extinção de modos neuróticos de adapta­ ção. são “atacadas" interpretativãmente não devem passar. ou vice-versa. etc. exagerando-os. É necessário. ativação que adquire muita importância porque acelera e facili­ ta o caminho em direção ao insight. Essas experiências . esse conceito é ligado pelos autores à problemática da falta de tempo para levar a cabo o processo de elaboração. Dessa maneira. por exemplo. o resultado é que a aprendizagem psicoterapêutica melhorou pela experiência de vida real” (6). ocorreria uma aplicação dos núcleos de insight adquiridos durante o tratamento breve. Seguem comentários que corroboram a idéia de um processo “elaborativo”. em lisonja desnecessária ou não refletem a real eficácia dos rendimentos egóicos e os sucessos do paciente. a memória. Em seguida. por exemplo. a ser respeitadas ou ainda reforçadas pelo terapeuta. a atenção. como expressa Fiorini. Tais mecanismos poderiam estar ligados ao seguinte: ante diferen­ tes experiências de vida. 18. pela criação de todo um contexto de verificação e estimulação dessas funções (12). Bellak e Small incluem a elaboração em P. O terapeuta que exerce uma participação ativa e nâo se limita a apelar para recursos verbais (sua expressão corporal. Em ambos os casos. posterior ao mesmo.

Pode. 23. indicação e prognóstico. por mais que . o enfoque egóico se emprega. Apesar desses inconvenientes. tanto com fins de diagnóstico. Mas é especialmente no que diz respeito às hipóteses sobre os mecanis­ mos terapêuticos de mudança operantes nas técnicas breves.sejam mais complexas no que se refere à conceituação dos mecanis­ mos terapêuticos operantes. onde não conta ainda com uma verdadeira tradição investigatória. A esta altura é necessário assinalar que a moderna psicologia do ego fornece elementos sumamente úteis para a teoria e a prática das terapias breves. Freud. 22. Insuficientemente arraigado em nosso pais. vai sendo reconhecida em nossa prática assistencial. como vimos anteriormente.convém assi­ nalar . S. na realidade já foi. em que.Notas 269 21. por diversos motivos. Referindo-se à composição de uma “psicoterapia para o povo”. contudo. nem sempre são devidamente aproveitadas. Ocupar-nos aqui da psicologia do ego excede os limites desta apresentação. a esquematização das funções do ego e de suas perturbações tem um valor prático porque oferece um marco de referência para o diagnós­ tico e para o tratamento” (6). etc. Aqui só diremos que Bellak e Small lhe atribuem grande valor na psicoterapia breve e de emergência: “Apresentar o ego como uma ^ntidade só dizem . as perspectivas atuais são muito promissoras. Estes temas serão objeto de revisão nos capítulos que se seguem. 24. Kris. baseando-se sobretudo nos importantes desenvolvimentos de Hartmann (33) (34) e os mais recentes de Whitc (53). Em nosso meio e no terreno das psicoterapias. como para o planejamento estratégico e a condução do processo terapêutico.nega a inter-relação entre o ego e as outras psicodinânucas. propunha misturar “o ouro puro da análise” com “o cobre da sugestão direta” (26). amplamente entre os americanos.B. além disso. Loewenstein. A utilidade de uma avaliação das funções cgóicas em P. as obras de Hartmann. Rappaport. O leitor interessado poderá recorrer às principais lbntes. Nesse sentido. White. de ori­ gem distinta. em 1918. contribuir consideravelmente para o desenvolvimento e a sistematização de métodos de avaliação dos re­ sultados terapêuticos. concebida por Freud. dos quais provêm seus principais progressos. O caso de uma jovem que se consultou por causa da angústia e das vacilações que lhe despertava uma gravidez recente ilustra accrca da relação que se estabelece automaticamente entre os sintomas e a situação que lhes dá . em que a psico­ logia do ego talvez possa prestar um novo e valioso auxilio (12) (13). O trabalho realizado por uma equipe de profissionais abre perspectivas auspiciosas. Todas essas possibilidades ocorrem mais facilmente em institui­ ções assistenciais e serviços hospitalares. A combinação de recursos de base psicanalítica com outros. Fiorini chamou nossa atenção sobre esse enfoque (10) (12) (13) (14).

Não insistirei. com as seqüências na interação paciente terapeuta que possibilitam a evolução do foco. Por último. A conflitiva focal tem. na reali­ dade. expressasse também que assim não podia continuar. Na realidade. 33. Um homem buscou consulta ao experimentar um incremento de sua an­ gústia. através de sua paresia.270 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica origem (ver capitulo 7). evidentes ou não. Creio que tão mais fácil e freqüente do que este c o fato de que. portanto. tais como: os que provêm do temor da perda do filho por aborto espontâneo nos primeiros meses. 30. capitulo 13). de morrer duran­ te o parto. 27. princi­ palmente maníacos. 25. O caso de (capítulo 13) ilustra o aprofundamento no foco à medida que evolui o trata­ mento. foi exposta com clareza por Malan (40). a paciente de Kreud (23). tal estado com o nascimento de seu primeiro filho. acontecido poucas semanas antes e que resultou ser o fator desencadeante principal (caso de A.). e optem por diferentes linhas interpretativas. Basta pensar numa terapia focal centrada nas ansiedades relativas à gravidez e na sucessão de distintos pontos de urgência “intrafocais” que apa­ recem paralelamente à evolução daquela. 28.) examina-se o trabalho de focalização cm relação aos tipos de atenção empregados pelo terapeuta para tal fim. A técnica focal. Cabe advertir que em certas ocasiões o paciente também se refere a problemas “extrafocais” com a intenção de elidir o problema central.. 29. 31. o que se pode comprovar nas supervi­ sões coletivas. múltiplas conexões. com os conflitos "extrafocais”. os analistas não coincidam diante de um*mesmo caso. 95 ss. nesse ponto. Por isso. que aparece nos dias anteriores a este.. ao adotar aqui essa denominação. os quais.. etc. nem dar ‘"um passo a mais. mas só no que diz respeito à situaçâo-problema correspondente. Outra paciente notou que seus antigos vômitos se exacerbaram desde que ocorreu a ruptura de seu namoro (caso de J. Klein. Os primeiros pontos de urgência detectados por ocasião dos conta­ tos iniciais com o paciente correspondem aos motivos latentes da consulta. 26. Um exemplo de trabalho sobre o loco na sessão psicoterapêutica poderá ser encontrado no capitulo 7. à maneira de Isabel dc R. O conceito de ponto de urgência foi muito empregado pela escola inglesa. capítulo 13). o que pode ser assinalado pelo terapeuta como uma resistência. o temor ao filho como ser desconhecido. o foco compreende basicamente todos os aspectos da existência do paciente (histórico-gencticos. o temor. freqüentemente inconsciente. não existindo nunca como fenômeno isolado e independente do contexto. (49). 32. mobilizam mecanismos defensivos. que se reaviva com a percepção dos movimen­ tos fetais. . cm psicanálise. no capítulo 6 (pp. além disso. Num sentido estrito. sem chegar a vincular. cabe esclarecer que se utiliza num sentido que não envolve um trahalho interpretativo que remete necessariamente às fantasias precoces infantis descritas por M. Talvez a paciente. conscientemente. caracterológieos. etc. sempre o são.

ao não se obter uma resolução substancial dos conflitos derivados. os conflitos derivados sofrem. além dos demais conceitos assinalados. Por*ocasião de uma mesa redonda sobre psicanálise e psicoterapia. Segundo Oremland. dando lugar a recaídas. sua força relativa pode diminuir (28). “os conflitos se resolvem no sentido de que se tomam inati­ vos. na psicoterapia dinâmica. ainda que se obtenham modificações. e das mudanças nos vínculos energéticos ou cargas. a partir de material clínico. carecemos de explicações metapsicológicas suficientes a respeito. modificações e equilíbrios” (1). 40. 38. 39. Ver capítulo 10.B. sobretudo pela reexpericncia c pela compreensão genética ("l). Quer dizer. nada . Define a verdadeira resolução do conflito como “uma compreensão metapsicológica plena e elaboração das forças interatuahtes”. baseadas no esquema de Pichon-Rivière (44). reconhecer como próprio o que se interpreta acerca do conteúdo. ainda que não se alcance nessas tera­ pias uma resolução dos conflitos. que Mallan faz referência às metas terapêuti­ cas em P. já que o conflito básico não se resolve. Pelas respostas. Mas também é necessário advertir que. por outro meio que não seja a psicanálise?” (52). por conseguinte. Ver capitulo 11. que ele atribui a uma modificação do confli­ to. ainda que nâo se provoque uma reestruturação profunda. Wallerstein formulou a seguinte questão: “E possível resolver substancialmen­ te os conflitos derivados ou qualquer outro conflito. ainda que não haja por que acreditar que devam fatalmente produzir-se.garante que tais recaidas possam ser evitadas.Notas 271 34. 2 do corpo e 3 do mundo extemo. 35. Diversas passagens de sua obra . em certo momento e por ocasião de fatores traumáticos tais conflitos podem ser reativados. em função de se haverem modificado algumas das forças internas que levam a mudanças energéticas e catéticas.nem sequer um tratamento psieanalítico com êxito . (capítulo 13) permite além disso apreciar. Existem diversas impressões favoráveis sobre as vicissitudes que. Área 1 da mente. O caso de A. Gillman por sua vez sustenta que. Já vimos. em termos de “elaborar brevemente um dado aspecto da psicopatologia do paciente” (40) (o grifo é meu). sua aparição não deve surpreender. a hipótese psicodinâmica inicial. Joseph considera que. 37. na psicoterapia assistimos a uma resolução parcial ou incompleta. Naturalmente. Para este autor. por exemplo. não sabe­ mos o que sucede em termos das conexões ou do fortalecimento da função integradora ou sintética. pôde-se advertir qjue quase todos os presentes admitiram que através de uma psicoterapia de orientação psicanalítica conseguem-se modificações nos conflitos e certas mudanças dinâmicas benéficas. além disso. 36. e acrescenta que só é possível consegui-la mediantp a psicanálise. porém.

Na realidade.272 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mostram claramente que essa “elaboração” que o autor menciona também abrange certa análise das resistências. Talvez um elemento terapêutico de particular interesse em P. e os resultados terapêuticos obtidos (40). Poder-se-á encontrar maior informação sobre o tema na obra de Maria L. 42. Um deles. muito elementar. Portanto. por sua provável influência nas modificações da estrutura de personalidade. as que se re­ ferem à relação com objetos internos. a necessidade de abordar os sintomas interpretativamente conduz nossa atenção. 43. Assim. as chama de “recursos c elementos sadios”. de Ocampo e Maria E. 44. . mas não decisi­ vo. Sob essa denominação o autor se refere aqui a uma terapia psicanalitica breve. é retornado no capí­ tulo 6. e que só circunstancialmente adquirem uma grande magnitude.. também algo nele muda profundamente depois do tratamento. uma depressão não será igual.do trabalho terapêutico.B. 41. as modificações na estrutura da personalidade pode­ riam ser explicadas em parte também por certos fatos . (ver capítulos 5 e 12. o terapeuta deve incursionar nas perturbações do caráter.B. Como resul­ tado dessa ação e da mobilização terapêutica conseqüente. tais como “trans­ formação profunda da personalidade”. como a que a equipe da Tavistock Clinic levou a cabo para estudara relação existente entre a aplicação de interpretações “transfe­ renciais”. 2. habitualmente incompletas e insuficientes. Garcia Arzeno (10). o que deveria ser motivo de uma inves­ tigação mais profunda.B. 3. do mesmo modo que as indicações da P.talvez menos miste­ riosos . não só os sintomas se atenuam ou o conflito focal se resolve parcialmente. Capitulo 4 1. “reajustes profundos na estrutura intrapsíquica”. definitivamente. Emprega também outros qualificativos similares. O tema do planejamento terapêutico é desenvolvido em outro lugar. com as­ sinalamentos e interpretações que estejam dirigidas às mesmas. nem terá o mesmo significado num caráter obsessivo e num cará­ ter histérico. em certa medida e a partir do sintoma ou da situaçãoproblema. Con­ tudo. respectiva­ mente). de modo ine­ vitável.B. às vezes são gera­ das algumas mudanças nos dinamismos intrapsiquicos. o paciente já não e o mesmo. tem sido assinalado precisamente por Wolberg: na P. constitua o emprego de interpretações do intrapsíquico. sem a solidez das obtidas no tratamento psicanalitico. ou seja.. Em outro lugar. O tema da relação paciente-terapeuta em P. até a estrutura da personalidade (55). S. que não deixam margem a dúvidas acerca da posição do autor.

pp. sempre segundo esse autor. 2. A este respeito refere-se Malan. que tenham de se eleger metas terapêuticas de acordo com o tempo limitado de que se dis­ põe para efetuar um tratamento. que pode ser avaliada por meio de testes projetivos (8). 8.. 6. determinam um tipo de comunicação nitidamente diferenciável do psicanalítico.). 10. etc. Sobre os aspectos da contratranslérência em P. Tive a satisfação de comprovar que Garcia Arzcno (6) compartilha dessa opinião. somadas às modifi­ cações no emprego da associação livre. Trabalho lido no Simpósio sobre Psicoterapia Breve organizado pelo CEMEP (20. podem ser consul­ tados os capítulos 8. sobretudo se se trata dc um tratamento dc curto prazo. . Ocampo e Garcia Arzeno descrevem uma série de indicadores. 3. cio tipo de tera­ pia. como tem assinalado anteriormente (ver capítulo 3. 5. 6. A técnica focal supõe certas vicissitudes da atenção do terapeuta. o que merece uma especial revisão (ver pp. O perigo é de que aconteça o contrário. 7. particularmente para a recomendação ou contraindicaçâo de uma terapia breve (11). comparando-se os dados obtidos através da aplica­ ção pós-terapêutica com os do psicodiagnóstico inicial (ver capítulo 11). que se investigue a capacidade do paciente para enfrentar o luto. que logo examinaremos detidamente (pp. "Focalidadc".B. em cujo caso se exigirá desde o início uma boa disposição de sua parte. não sendo possível estabelecer regras fixas a respeito. caso se opte por um tratamento breve. Nesse caso. Um ponto de importância decisiva na evolução e manejo da relação terapêutica constitui a técnica interpretativa particular exigida pela índole dessas terapias.). e que. quando propõe. quer dizer.). Os testes psicológicos também sào utilizados em P. 95 ss. que o terapeuta não tenha de esforçar-se demasiado em vencer dificuldades para ocupar-se do paciente. segundo a denominação empregada por Malan (8). Capitulo 6 • 1. 100 ss. 4. são várias as atitudes a assumir (mudanças de objetivos. 21 e 22 de outubro de 1977) sob o titulo “Una regia basica de íúncionamento en psicoterapia breve”. 9. Esta observação de Haley implica curiosamente o estabelecimento de certo paralelismo interessante entre a técnica psicanalítica de cunho freu­ diano e a técnica “ativa”. capacidade essa.4. para avaliar os resultados do tratamento. que define a atual terapêutica breve. ).B. 5. no processo psicodiagnóstico. será conveniente que exista uma contratransferência positiva. Por último pode ser necessário revisar os objetivos tm pleno trata­ mento.9 e 14. 46 s. Concomitantemente. isto é.

por mais desconsideração que pareça. já que se pretendêssemos intervir ein todos. etc. senão como um artifício técnico. vinculada ao tema que estamos tratando. fato por demais sugestivo. as ligações associativas de seus componentes como parte do material que chamamos . negados. o problema de saber quais são os limites dofoco. talvez acompanha­ da da sensação de estar “atacando’* precisamente a regra básica da técnica psicanalitica? Porque se trata nada menos daquilo que o criador da psicanáli­ se também denominou “regra de ouro”. 9. uma a duas sessões semanais e dois ou três meses de duração. ante a persistência de uma dificuldade para encará-la a fundo. não se poderá pensar que existe em certa medida uma evitação do tema.). Não é o mesmo num tratamento de objetivos limitados com. sc outros motivos o tornarem aconsclhávcj. scr mais levado cm conta. por exemplo. o melhor será que o paciente siga se ajus­ tando. Uma questão interessante e polêmica que pode surgir. àqueles que colocam uma necessidade de resolu­ ção mais ou menos imediata. além disso. é a relação existente entre associa­ ções livres (cadeias associativas) e foco terapêutico. o emprego da “regra fundamental” poderá. Recordemos que a estrutura focal corres­ ponde.. . pouco seria o que poderíamos íazer pelo paciente dentro do enquadramento que corresponde a essas terapias (especialmente se existe uma grande limita­ ção temporal). Na prática teremos de considerar. mas lambém é verdade que alé esse momento podem ter estado reprimidos. Ocorre-me que esse qualificativo continua pesando no ânimo dos investigadores. a eles sem que provoquemos sua mobili­ zação. 8. com nossa concentração seletiva só daremos prioridade a determinados problemas. por sua vez. Nesta última situação. ou seja. como hipótese do terapeuta. é bom reconhecê-lo. outros fatores. fazendo com que o tema seja deixado de lado ou apenas mencionado. 10. são múltiplas e complexas.e considera­ mos para fins práticos . apenas a um conjunto de idéias que este tem presente (ainda que para sua organização tenha de basear-se em cadeias associativas do paciente). É certo que tais conflitos preexistem e que a livre associação não faz mais do que colocá-los em evidência. que não operam. por sua conta e como possa. Gabe perguntar a razão pela qual os autores não se tenham estendido sobre esta questão. embora no exercício da terapia breve não tenhamos de nos aprofundar mais na explora­ ção de tais ligações. ao contar com um enquadramento temporal menos limitado. Na realidade. Se a consideram algo óbvio. dissociados. 45 s.“extrafocal”.274 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica 7. tais como a duração total do tratamento e o número de sessões semanais. e. pp. cm todo caso. em troca. pelo que de nenhum modo seus limites podem conside­ rar-se nítidos e nem sequer precisáveis num sentido estrito. como disse anteriormente (ver capítulo 3. e outro que conste de duas a três sessões por semana e se estenda durante um ou mais anos.

seus antecedentes devem rastrear-se nas expe­ riências deste com pacientes da época pré-analítica). 14. havendo exposto uma possível nas páginas anteriores. tampouco nele é possível mantê-la. res­ tringida. de forma espontânea” (32). Na realidade. Deutsch. Na prática da terapia dinâmica breve proponho umífaplicação ocasional e reduzida na maioria dos casos . como por exemplo a fim de obter algum material pertinente e informati­ vo” (2). conforme o que já foi desenvolvido. em 1949. ao fazer referência a uma “terapia setorial". mas também outras que tenham um tal grau de inibição que só obteremos um bloqueio como resposta. Por outro lado. adotar no campo da psicoterapia breve uma regra básica pró­ pria.B. Ferenczi. Encontrei algumas referências bibliográficas acerca da aplicação. Em certa parte de sua obra. número.). na auto-análise de seus sonhos. do procedimento da associação livre nos tratamentos breves: em suas tentativas de abreviar a psicanálise. Por sua parte. havia proposto já centrar a tarefa nos sintomas. p. já empregava o recurso de pedir aq paciente que trouxesse fantasias acerca de certos temas selecionados (“fantasias forçadas”) (6). a um “(. 37).) Por último. F.. em troca da qual será necessário. a regra básica da psicanálise. Quando se usa.) emprego saudável da associação livre” (24). entre os procedimentos básicos da terapia breve. constitui. .. o emprego de associações livres. de acor­ do com o mencionado em segundo lugar. Na prática poderemos encontrar pessoas de grande capacidade para associar e transmitir suas associações. ainda que a continuidade da atenção flutuante seja muito maior no tratamento psicanalítico. Bellak e Small falam. ima­ gem de um sonho.à forma como foi expressa em primeiro lugar (assim a utilizou Freud.. e diante das quais carecerá de sentido pretender tirar algum partido da aplicação do método. propõe: “(. em relação à P. uma representação qualquer). 15.. Fiorini também considera factível e benéfica a utiliza­ ção de associações livres em psicoterapias.) certos recursos técnicos próprios da psicanálise (o silêncio atento do terapeuta.. cíomo sabemos. No capitulo 9 podem ser encontrados exemplos do uso de associa­ ções na terapia breve a partir de material onírico. (Os grifos são meus. Na realidade. e no capítulo 13. de limitar o aproveitamento da associação livre aos “casos nos quais possa surgir como resposta a um determinado estimulo do terapeu­ ta. Gillman faz men­ ção. de asso­ ciações surgidas em tomo do aparecimento de sintomas (caso dc J. (“Associação livre”. e em outra menciona a necessidade do “emprego discriminado” em psicoterapias de “(..Notas 275 11.) com­ binar flexivelmente os dois estilos dc associação livre e dirigida” (8). 13. em seu método ativo. o assinalamento ou a interpreta­ ção transferencial)” (15). ainda que não entre demasiada­ mente em detalhes a respeito. o emprego do método da associação livre em técnica psicanalítica se efetua “a partir de um elemento dado (palavra. 12.. estimulando a produção asso­ ciativa sobre eles através das interpretações (4).

devendo em conseqüência entender-se por “transferenciais” as interpretações que fazem referência a aspectos inconscientes da relação com o terapeuta. pois as transferências se desenvolvem não só com a figura do terapeuta. ainda quando se tratar de uma abordagem incompleta de conflito. devemos consi­ derá-la como uma regra ideal ([32]. 20. um paciente com boa capacidade de autoobservação. Guiter pretere cha­ mar a estas últimas de “interpretações não relacionadas com o analista” [35]. p. certamente não cabe assumir uma rígida conduta diretiva. às vezes é possivel. O trata­ mento de A. tal procedimento traz implícitos os sabidos riscos de mobilização emocional e indução regressiva. 18. 40). Sem dúvida. produz-se durante o tratamento algum fato trau­ mático inesperado. Utilizarei aqui essas denominações principalmente com a finalidade de abreviar. Mas não recomendo recorrer sistematicamente a seu uso. a quem se lhe interpretou sua submissão ao objeto supercgóico constituído pela figura paterna (pai interno). 17. esse insight deve ser pertinente à tarefa de focalização e/ou estar vinculado a obstáculos resistenciais e. mas de todo modo interes­ sante. ilustra eloqüentemente a aplica­ ção dessas interpretações. quer dizer. Neste contexto entenderemos por interpretações “profundas” as que fazem referência a elementos intensamente reprimidos. mas com qualquer outra pessoa.276 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica como sabemos. de modo absolutamente constante. que às vezes se observam em alguns pacientes que foram submetidos a tratamento breve (ver também capítulo 3. 16. Recorro a esse tipo de intervenção só quan­ do percebo que é possivel aprofundar e promover no paciente um maior insight a respeito de seu vínculo com objetos internos. é o papel das interpretações dirigidas ao intrapsíquico. Em tais casos. e por “extratransferenciais” as que concernem aos aspectos inconscientes da relação do paciente com as demais pessoas (na técnica psicanalitica. alguma situação que perturba o paciente c que se acha “fora do foco” e que a terapia deve examinar. As vezes. rápido timinge sufi­ ciente tolerância à dor provocada pela revelação do inconsciente. repito uma vez mais. (ver capitulo 13). . com a qual se pretenda realizar uma focalização forçada do trabalho terapêutico. pois. tal abordagem deve afigurar-se francamente benéfica para o paciente. Portanto. Creio que cm certa medida tais interpretações cabem na técnica breve c poderiam ter incidência na produção de modificações dinâmicas sig­ nificativas de personalidade. um ponto pouco discutido. Se menciono essas características entre aspas é porque na realidade as interpretações nomeadas em segundo lugar também são transferenciais no sentido mais amplo do termo. no capítulo 13). trabalhar com apreciável profundidade (ver o caso de J. constituindo ou não parte do passado remoto infantil do paciente. 19. p. Ante pacientes com boa capacidade de insight. contudo. mesmo numa terapia breve. 56). o tomar o paciente consciente de aspectos acerca de sua relação com objetos internos.

Notas 277 pretações transferenciais extra-analiticas [45]). e se recorre.). e essas “mudanças” não provêm de um insight genuino. Citei antes uma exceção a este requisito: a centralização. com freqüência. de alguns tratamentos de curto prazo na relação transferencial (ver capítulo 3. de menor magnitude que no tratamen­ to psicanalitico. em um dos casos (o biólogo). Permanece-me a dúvida se em poucas ses­ sões. O paciente se sente forçado a “mudar”. se cumpriram realmente esses requisitos ele­ mentares.) 23. já haviam sido efetuadas para o paciente várias interpretações relativas a seus desejos d^ manter uma relação homossexual passiva com o terapeuta. por se referirem a tendências. o analista pode e deve dedi­ car muitos esforços à interpretação daquelas. dado o tipo de relação terapêutica existente. não deixam de me chamar fortemente a atenção algu­ mas interpretações “'transferenciais” formuladas por terapeutas da equipe que Malan integrou na experiência clínica que ilustra seu livro.. De qualquer maneira. pois o enquadramento dela não permitirá trabalhá-las suficientemente para melhorar as condições tera­ pêuticas. É sabido que interpretações deste calibre. Nesse sentido. intensamente reprimidas. preconiza­ da por Alexander e French.) enquanto Weiss. . no qual. como dissemos (ver capítulo 3. as perspectivas prognosticas se ensombrcccm numa terapia de curto prazo. p. ao emprego de interpretações transferenciais (1). onde existe urna maior tolerância à homossexualidade. sempre respeitan­ do seu timing. costumam produzir-se diversas respostas negativas no paciente. 27 s. (Os grifos sào meus. ainda tendo presente que isto ocorreu em Londres. Na P. exigem no mínimo um certo periodo durante o qual exista a consolidação de uma relação transferencial positiva sublimada com o terapeuta e o avanço do paciente na compreensão profunda lhe permitam aceitá-las. também cabe rcpcti-lo. cuja revelação ao paciente resulta extremamente angustiante. Quando já a priori do tratamento ou no decorrer do mesmo estas se apresentam muito marcadas. como no exemplo citado. o que produz surpresa. as manifestações resistenciais costumam ser. costuma gerar-se menor montante de hostilidade trans­ ferencial no paciente. Do contrário. por seu caráter transferencial. Por exemplo. como é óbvio. que devem contar com uma transferência positiva real e mais ou menos estável e não só “superficialmente” positiva. trans­ correndo a oitava sessão do tratamento. (É claro que nas histórias clínicas que integram a obra de Malan se registram justamente fortes reações resistenciais. e. pela qual se permite o desenvolvi­ mento de certos aspectos da neurose de transferência (aqueles inerentes ao conflito central de terapia). fala em inter­ 21. sobretudo de caráter hostil. 22.B. 29). é quando os resultados aparente­ mente bons que se alcançam se fundam em curas transferenciais. pp. Nesses casos de pacien­ tes que no fundo têm grandes resistências. já no terreno da terapêutica breve analítica. razão pela qual certas resistências de transferência se desenvolveriam menos (28). que me impressio­ nam como prematuras (34). freqüentemente.

Ver também o capítulo 3 (p. os terapeu­ tas costumam adotar uma atitude radical ao explorar c interpretar prematura e energicamente conflitos primários do paciente (problemas “edipicos”) em muitos dos casos apresentados. encon­ traria explicação no estilo interpretativo empregado.. Que Malan tenha realizado e recomende o uso energélico das inter­ pretações transferenciais nos tratamentos breves. Nas primeiras “(. pelo contrário. Recordemos que Fiorini.). (capítulo 13). Incluir-se-iam. junto à agressão. eventualmente. Seu marido se mostrava resistente à psicoterapia. Nas segundas in­ cluem-se os aspectos positivos. quando intervêm no tratamento (irmãos do paciente. Na experiência descrita por Malan (34). e que pessoalmente ignoro se o estilo tem alguma relação com o aqui proposto. O risco de cair cm acring out ou as manifestações concretas dc tal conduta também configuram um difícil e muito perturbador obstáculo resistencial (dadas suas conseqüências para o paciente e cm particular para o futu­ ro do tratamento). Malan afirma que não houve provas de que os pacientes houvessem sofrido algum dano nem tido necessidade de prolon­ gar o tratamento. 30. outros membros do grupo familiar. Assim por exemplo. . avós. 25. que. mas para resolvê-la melhor (34). etc. exige o emprego de interpretações “transfe­ renciais”.) os aspectos positivos do analisado não são adequadamente considerados" (frustra-se ao paciente “mais do que seria indicado para a manutenção da transferência positiva”). que talvez pudesse par­ ticipar em certa medida das características que menciono. Opino que o nâo aproveitar este recurso é violar uma responsabilidade médica elemen­ tar” (39). 27. Percebo que essa iniciativa guarda em parte relação com o que coloca Racker quando se refere às interpretações que ele chama de parciais e dc integrais. 32. 28. Ver o caso de J. 29. 33. pelo que não foi possível efetuar um tratamento de casal.278 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica 24. 26. 24). considera “os aspectos histórico-genéticos individuais c grupais reativados” dentro do problema atual do paciente (8). 31. mostrase ao paciente o amor que também existe em relação ao objeto (38). Disse S. em seu modelo teórico de foco. afirmando que não contri­ buem para fomentar a dependência. Rado: “Ao falar com o cônjuge de um paciente sei bem que vai me pintar um quadro parcial. como tal.. mas me inteiro de muitas coisas sobre meu paciente que posso utilizar com proveito em meu tratamento. da mesma forma que o erotismo transferencial. ainda que caiba esclarecer que estas não são reveladas nas exemplificações incluídas na obra do autor.

1f 8. p. quando já se achava grávida. ela foi objeto dc trabalho te­ rapêutico em sessões posteriores. 3. em razão de a mãe do cachorro estar enferma. 7. Existem numerosos indicios a respeito. o sur­ gimento dessa imagem poderia estar vinculado à operação de apendicite de sua progenitora. [6].Notas 279 Capitulo 7 1. por quem experimentava muita rejeição. do aborto (durante a operação. cui­ dou de várias crias de cachorro e sobretudo alimentou-os com mamadeira “como bebês”. quando criança. por serem muito eloqüentes. é discutida na medicina a existência de apendicite crônica como entidade nosológica. com o bisturi faca . eram uma evidencia inequivoca de sua disposição maternal. Na verdade. sentiu que lhe “arran­ cavam o filho do ventre”). etc. objetos continentes.) 8. Faz-se necessário destacar que sua cunhada havia sofrido vários abortos espontâneos. há indícios de que sua màe sofrera aquela intervenção cirúrgica como uma indução ou provocação. Convem esclarecer que boa parte das interferências até aqui propos­ tas foram consideradas apenas para uma melhor compreensão psicopatológica. O tratamento a que se refere esta sessão se realizou em 1974. quem. Quanto à sua hostilidade para com o filho. segundo contou a filha. que ameaça com morte ou aborto parece completar-se aqui com uma imagem da màe descontrolada e armada com uma faca. crianças. 6. em parte desejada. havia relatado um sonho recente. 2. ponto 2). posteriores ao nascimento de sua única filha. A fantasia de um grupo familiar com grande carga de agressão. fantasiada como se fora esta. lamentando e protestando o ocorrido. A paciente acreditava que um aborto poderia‘libcrá-la da situação persecutória e ignorava que o mais provável era que contribuísse para acen­ tuá-la. Como se sabe. e sua negativa em abortar diante da imposição de sua mãe. Recorda que. já que esta última poderia induzir estados regressivos muito acentuados ou gerar outras respos­ tas contraproducentes no paciente (ver capítulo 10. Podia por sua vez condensar a figura do aborteiro . 5. (É comum a representa­ ção da gravidez em sonhos através de pequenos auimais. Mencionarei aqui somente alguns deles. não foi possível efetuar um psicodiagnóstico nessa oportunidade. 9. Num nivel mais profundo. pois esse tipo dc terapia não pretende prioritariamente alcançar uma gran­ de profundidade interpretativa com base cm tais hipóteses. Em uma sessão anterior tive a oportunidade de mostrar-lhe que fatos como sua criação de cachorros. 4. ameaçasse atacá-la. AJém do mais. Lamentavelmente. segundo sua comparação. suas exclamações “tiraram ele de mim” depois do aborto. no qual tinha um filho que era na realidade um filhote de cachorro. reforçando um circulo vicioso patológico.

3.280 Psicoíerapia breve de orientação psicanalitica esgrimindo a cureta (como representante da imago materna filicida) com sua própria figura. esse sentimento não é outra coisa senão o que sente a mãe com respeito à sua divina indispensabilidade para com seu infante. Se bem que desta vez.. em 1972. Em nosso meio. 10. fantasias transferenciais eróti­ cas que não foram interpretadas. 11. 4.) depois de tudo. a ponto de atentar contra a gravidez (aborto). uma grande mobili­ zação emocional com eventuais reações que pudessem ser perturbadoras e difíceis de controlar. na tarefa interpretativa. além do mais. por exemplo). Bleger. pleno de necessidades” (15). Assinala também “(. atentando sobretudo para o estado de gravidez da paciente e evitando. no fato de fazer o tratamento às escondidas do marido). considero que tais elementos devem ser instrumentados com muito cuidado numa psicoterapia breve. ainda que detectadas (aparecem em PI 7. 12. sentindo-se uma mãe oni­ potente. Capitulo 8 1. Mas disto se depreende a importância de sua . insisto. realizado em Buenos Aires. Recorde-se também que foi aproximadamente ao término do tercei­ ro mês dc gravidez que sua mãe precisou ser submetida à intervenção cirúr­ gica. entre outros. 2. Este capítulo tem como base um trabalho que apresentei no Primeiro Congresso Panamericano de Medicina Psicossomática. o ponto de urgência dessa sessão compreende o temor de ser abortada expulsa .por mim. na interpretação imediata ou não das mesmas. Diz Searles que o analista chega a sentir por momentos que é o único terapeuta no mundo que pode curar esse paciente. foi-se aprofundando progressivamente o trata­ mento. considerou que a relação analítica é uma relação simbiótica c realizou importantes contribuições para o tema (4). assim. Considero que. O surgimento dessas emoções no terapeuta é parte fundamental da contratransferência e de nenhuma maneira implica necessariamente que nele exista uma situação patológica. sob o título “Dificuldades dei terapeuta para la práctica de la psicoterapia breve”. O surgimento de hipóteses acerca dc profundas situações persecutórias não deve culminar necessariamente. o que fica claramente eviden­ ciado sobretudo no início (Allcgro [1]). apesar do tempo transcorrido. J.. “o Deus criador na situação terapêutica”. preferiu-se não abordar certos níveis. A propósito. como os concernentes ao con­ flito edípico (as fantasias incestuosas. as dificul­ dades a que me refiro neste capítulo persistem no momento atual sem maio­ res modificações. Podem-se notar aqui. Transferencial mente.

(ver capímlo 13. que o paciente significa muito para ele. e até fazê-la fracassar. tratando-se de uma psicoterapia hospitalar. 3.. Seria um exemplo claro o caso do terapeuta que carece de descendência e que vê em seu paciente um filho. Refiro-me ao caso de A. Tratava-se de um paciente com marca­ dos componentes obsessivos e um núcleo melancólico. mas. negam quão profundamente querem essas gratifica­ . não limitado ao que assinala Freud em suas obras com rela­ ção ao masoquismo (5). em que devemos nos conformar com objetivos limitados. Searles diz.) do paciente”( 1). É de supor como e quanto essas circunstâncias podem complicar uma psicoterapia. que durante a ava­ liação mostrou-se francamente hostil. Capítulo 9 1. 195). o que revela que não pode renunciar aos desejos terapêuticos próprios de sua formação psicanalítica. Também acontece freqüentemente que o terapeífta divirja a respeito da melhoria produzida nos problemas atuais do paciente. p. 5. se comprova que não vem acompanhada do ganho de mudanças profundas na personalidade. Disse Alexander: “Não se deve esquecer que as sessões diárias exer­ cem uma influência sedutora sobre a tendência regressiva (. uma grande disposição para estabelecer vínculos de características regressivas e simbióticas.. Propõe que se interprete a transferência desde o começo e com freqüência (12). Utilizo a denominação reação terapêutica negativa num sentido amplo. (O grifo é meu. que por sua vez reativava o da perda de sua mãe. Isso se manifesta de uma maneira maiá acentuada quando o terapeuta possui uma orientação predominantemente kleiniana. não havia possibilidade de se efetuar outro tratamento que não fosse o de tempo limitado. Provavelmente a cor negra representava além disso o luto diante do luto ocasionado pela separação. acontecida quando ainda era menino (1). 7.Notas 281 análise pessoal. ou seja. sobretudo quando se trata de uma terapia breve.) * 8. especialmente se é breve. e a relaçào com ele poderia tender a adotar uma modalidade simbiótica tal. pois seus próprios conflitos poderiam ligá-lo em demasia ao paciente como objeto gratificante. Malan é uma exceção. referindo-se à fase de resolução da simbiose terapêutica: “Alguns terapeutas negam que na realidade a terapia vai bem. que dificultaria a individualização do pa­ ciente no processo terapêutico. 4. 6. 2. com relações de objeto muito ambivalentes. O perfeccionismo terapêutico {furor curandis) pode constituir um sério inconveniente. pois mantém uma posição oposta acerca deste problema decisivo. O psicodiagnóstico inicial havia revelado. além disso.

3. pp. Em alguns casos cabe pensar se o terapeuta. pelo que esses autores não deixaram dc valorizar seus efeitos terapêuticos (1) (2) (3). poderia fomentar saídas maníacas pseudo-independentes. 6. As técnicas dramáticas podem constituir um recurso útil para conse­ guir a mobilização do paciente e combater a intelectualização. não funciona às vezes no tratamento breve efetuando uma “proibição” do sintoma. por sua vez. Malan (6) diz que um terço da duração da terapia deve ser destinado.282 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica ções que obtèm ou obtiveram. 5. Esse perigo pode ser maior se o terapeuta tem tendências maníacas inconscientes (6). cqndicionado pelo espaçamento dos encontros. Um risco particularmente temivel dentro da perspectiva da reaparição de manifestações sintomatológicas constitui o fato dc que as mesmas tenham lugar em nível somático. Capítulo 10 1. e quão profunda c a sensação de perda que tra­ rão consigo as mudanças” (7). em todos os casos. mas com a agravante de condenar o paciente a exteriorizar a posteriori o conflito (que obviamente .a supressão sintomática na área do mundo externo. especialmente se forem recentes e/ou patológicos. De qualquer maneira. sempre que exista. ao trabalho interpretativo em tomo da terminação. Outra possibilidade seria dada poruni eventual emprego do método da associação livre (ver capí­ tulo 6. 117 s. sobretudo se se dispõe de relativamente pouco tempo de tratamento. pode ser conveniente ir reduzindo progressivamente o número de sessões semanais. Em certas ocasiões. Cabe acrescentar além disso que apesar de fenômenos como as curas transferenciais constituírem uma falsa solução do conflito. 8. A situação costuma complicar-se ainda mais quando se deve efetuar uma terapia de tempo limitado cm pacientes que já vêm suportando lutos sig­ nificativos. 2.em seu afa por conseguir “mudanças” . p. Essa conduta pode facilitar. como é o caso do paciente a quem pertencem os sonhos que figuram neste capitulo. operando mais por sugestão e como um superego severo e exi­ gente. nossas expectativas deverão continuar centradas na obtenção do insight. uma evolução favorável no pacien­ te. com o que pode provocar . a separação consecutiva ao tér­ mino da terapia através de um desprendimento gradual. no paciente.. Obstinado em alcançar o autodesenvolvímento do pacien­ te. tal como as mencionadas no capítulo 6. 93). 7. 4. em seu entusiasmo. segundo Alexander e French existem algumas bastante duradouras e até permanentes. Concordo com Fiorini quando por sua vez assinala que em psicotera­ pia breve “poder-se-ia questionar a validade de uma linha interpretativa foca­ lizada nas vivências transferenciais diante do luto determinado pela alta” (4).

L. através de um novo sinto­ ma e com os perigos que isso acarreta. o que além do mais equivale a supor que só conseguiu mudar a área de expressão do mencionado conflito.permanece ativo) no terreno corporal. sugiro que se consulte a obra de Malan (4). Recentemente. modificações que poderão apresentar-se ou não tempos depois. É que. Espero que a descrição dos conceitos incluídos neste item haja alcan­ çado suficiente clareza expositiva. Capitulo 11 1. já que por razões de espaço nào posso estender-me mais a respeito. Área 1 da mente. Essas situa­ ções obedecem à existência de outros determinantes da problemática não elucidados durante o tratamento. certa resistência da repressão. Sempre será conveniente alertar o paciente sobre a possibilidade de reincidência dos sintomas e recomendar-lhe que o consulte se isto acontecer. 7. minucioso e dotado de sólidos fundamentos psicodinâmicos. Seu livro (4) contém um excelente estudo. do superego.). 6. White distinguiu a influência reciproca existente entre auto-estima c experiências de eficácia (7). 8. à necessidade de desenvolvimento de pro­ cessos elaborativos pós-tcrapêuticos que demandarão mais tempo para dar seus frutos. que se tenha consegui­ do certo insight daquela e que sem dúvida não derive. ao menos de imediato. de acordo com o esquema de Pichon-Rivière (5). por exemplo. etc. Em matéria de avaliação dos resultados terapêuticos em psicoterapia breve é obrigatório citar Malan. por exemplo. uma mudança favorável e esperada. podem persistir outras formas de resistência que obstaculizam todo progresso (resistências de ganho secundário da enfermidade. isto é. existindo às vezes uma desproporção entre o insight que parece haver-se obtido e as modificações comprováveis. 2 do corpo e 3 do mundo externo. 9. O agravamento apresenta-se habitualmente com a piora da sintoma­ tologia concomitante. 2. assim como algumas idéias de Malan (4). ainda que fosse vencida. | 3. Ta[procedimento é produto de uma elaboração pessoal que incorpo­ ra elementos de um modelo tbrnecido pela lic. R. 4. cabe esclarecer que o inverso é possível. ou por último a que tal desenvolvimento poderia ver-se restringi­ do ou exaurido sem produzir nenhum efeito favorável. Para uma informação mais detalhada. Ainda que não possamos então admitir como real g resolução que não seja acompanhada de uma conscientização da problemática correspon­ dente. W olf (8) (a quem agradeço os valiosos ensinamentos que sobre este tema mc conferiu há alguns anos). 5. Refiro-me aqui principalmente à passagem para um tratamento psicanalítico. .

Geralmente a possibilidade de recidiva da sintomatologia é maior nessas terapias do que naquelas em que o insight não predorrfina.P.) as dificuldades agudas da vida consti­ tuem o primeiro e principal campo para a prescrição da psicoterapia breve” (3). reaparecendo.clinicamen­ te total ou parcial . em principio empenhados em realizar uma terapia de curto prazo. uma resolução .F. talvez mais interessada porque a denominação popular do pro­ cedimento faz alusão a uma curta duração do tratamento.B. que como continuação do tra­ tamento breve. Tambcm é o caso de pacientes com resistência á análise.0 sinal © indica resultado positivo.da problemática central da terapia que não seja baseada no insight e em que as mudanças não sejam.284 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica mas acrescentando que.. estará mais bem preparado para en­ frentá-los e que terão provavelmente menor intensidade. Capitulo 12 1. que a título de exemplo passarei a relatar. em conseqüência. cabe oferecer-lhes assistência psiquiátrica. É o caso de pessoas que.e sendo esta a indicação mais adequada ein ambas as ocasiões . não estão nesse momento em condições de enfrentar um processo de análise. Fcnichcl sustenta: “(. Este trabalho foi apresentado no Primeiro Encontro de Psicologia Profunda (Buenos Aires. de acordo com o dito anteriormente. o interesse do paciente pela terapia breve pode simplesmente encobrir as resis­ tências à análise e estar a serviço delas. podem aquiescer ao tratamento analítico. Em lugar de rechaçá-las e condená-las a que se ajustem como possam às dificuldades atuais para que retornem somente quando estejam em condições de efetuar uma análise. Paradoxalmente.B. mediante o tratamento prévio de esclarecimentos dos motivos particula­ res que originavam seu rechaço pelo tratamento analítico . A P. Foi isso o que sucedeu com uma série de casos.S... com resultado negativo em I.P. compreensí­ veis dinamicamente. Desse modo.F. Atualmente. 3.... sua con­ fiança na psicoterapia e tendo conseguido adquirir consciência da enfermi­ dade. pude­ ram. e em M. . 1 1 . 12. consideraremos propícia a ocasião para que tenham acesso à psicoterapia. enfrentando situações criticas. agosto de 1978 ). A combinação impossível é a de resultados positivos em R. 10. modificar sua atitude e aceitar fazê-lo. posto que não admitiremos como real. 2. uma vez acrescentada sua motivação para o insight. a população está cada vez mais informada da existência da P. tem combatido com eficácia as resistências. Trata-se de pacientes que. interessan­ do-se por ela. Há pessoas que somente em momentos de crise se decidem a recorrerá consulta (1). Mas quero advertir aqui sobre a possibilidade de ser utilizada pelo paciente como resistência ao tratamento analítico.

exce­ to as já enunciadas. .. procurou meu consul­ tório solicitando uma lerapia de tempo limitado. Sua mãe havia se casado duas vezes. do ponto de vista evolutivo. e a paciente aceitou finalmente submeter-sc a um tratamento analitico. o que era racionalizado por meio de diversos argu­ mentos. O motivo da consulta eram suas dificuldades para constituir um par estável. obtido com a experiência analítica. consultou-me por haver sofrido uma reação fóbica ante um exame que devia fazer em sua faculdade. que provavelmente nào haveria de se estender durante muito tempo e que. possuidora de um ego forte. ele nào havia ligado esse fato ao seu pedido de realizar exclusivamente uma terapia de breve duração. O obstáculo itsistencial pôde ser vencido por meio de assinalamentos e inter­ pretações durante as entrevistas clínicas. havia se psicotizado durante tratamento psicanalitico. por diversos motivqS. analisada dos 12 aos 18 anos (quando lhe foi dada alta) por um prestigioso colega que havia-se radicado no exterior há um ano. com quem mantinha uma relação muito ambivalente e ficar convencido de que necessitava de um tratamento analitico. Aconteceu que os pares que havia conseguido for­ mar não conseguiam se manter mais de. Por sua vez. e havia-se separado de seus maridos antes de completarem 12 meses de casamento. O conflito que a paciente trazia para o tratamento a impedia de formar um par terapêutico com perspectivas de durar: esse era o motivo inconsciente de sua insistência na limitação temporal da terapia. de aspecto agradável. segundo o pacien­ te. que pude logo elaborar e controlar. Tampouco pare­ ceu-me oportuno. e ao mesmo tempo de um grande autoconhecimento. (Próxiríla de cumprir o primeiro ano de análise. poderia superar sem demasiado esfor­ ço o problema atual com uma terapia interpretativa de objetivos limitados. a paciente se sentia sufi­ cientemente motivada para isso.) Um paciente. dada a ausência de seu analista. Na realidade. 4. Ao tomar consciência de que rejeitava a análise porque temia ter a mesma sorte do irmão. aptidão e training para o insighi. teria que empreender com outro terapeuta..Notas 285 Uma jovem. Chamava a aten­ ção a insistência com que desde o começo propunha-mc que a tratasse duran­ te um ano. não achei necessário que voltasse à análise (o que parecia ter lançado. que retomasse nesse momen­ to à situação de dependência analítica. Uma jovem de 21 anos. que. Depois de estudar cuidadosamente o caso. o qual lhe criava grandes temores e por outro lado parecia-me o mais indicado. pôde ini­ ciá-lo pouco depois. A averiguação de seus ante­ cedentes revelou que tinha um irmão esquizofrênico. um ano. vinculado ao meio psicanalitico. resultados sumamente satisfatórios). teve uma reação de “fuga à saúde”. Pensei que a jovem. no máximo. ao nào apresentar outras dificuldades. foi-me enviada expressamente por seu interesse em efetuar um tratamento de breve duração. a julgar por outros indícios. não havendo razões válidas para limitar a duração da psicoterapia.

. Seus relatos de abundante material onírico quando se aproxima­ va o final do tratamento encerravam. solicitou ajuda tera­ pêutica. conseguiu.” A isso se somava a conduta de seu progenitor.. uma intenção de seduzir-me a fim de que o retivesse. 11. 7. já há quase três anos deste fato (entrevista de acompanhamento) conti­ . O psicodiagnóstico reforçava essas pressuposições.'’ 6. Esse fato havia sido vivido pelo paciento como uma expressão de desaprovação de sua paternidade por parte daquele. denotava contar com um ego observador. Em todo caso. Seu pai tinha ido conhecer o bebê várias semanas depois de seu nas­ cimento (o que motivou fortes reprovações de A. Finalmente. que poderia levá-lo a resgatar c desenvolver potencialidades egóicas.. ao ligar-se estreitamento a alguém. vários sonhos e referências trazidos pelo paciente nesta etapa ilustram acerca da situação. dc Frymer teve a seu cargo os psicodiagnósticos correspondentes. por iniciati­ va pessoal. através de repetidas frases. por temor ao surgimen­ to de certas fantasias. No psicodiagnóstico apresentavam-se fantasias de adultério de sua mulher.. O sentimento de culpabilidade se exteriorizava no psicodiagnóstico através da sensação de estar “sujo".286 Psicoterapia breve de orientação psicanalitica Capitub 13 1. Os fatos me dariam pouco depois razão: A. freqüentemente recordadas pelo paciente: “Como você é mau. do mesmo modo. que foram atribuídas a esta situação. 8. Até antes de casar-se imaginava que seria impotente e pensava que seu pênis era extremamente pequeno. os quais figuram no capítulo 9 (pp. você me mata desse jeito. 2.. 5. a partir precisamente do qual o pa­ ciente. um novo emprego semanas depois de terminada sua terapia. 9. 165 e 168). mostrou-se angustiado nas entrevistas pelos sentimentos que lhe inspirava seu pai: “Se solto cm cima dele tudo o que tenho para censurá-lo. o nascimento do bebê pode ser visto ao mesmo tempo como um fato mobilizador e estimulante.. capaz de chegar a sc conscientizar de “uma falsa ligação". a seu progenitor). A licenciada Flora M. necessitando melhorar sua situação econômica.. 4. pelo que. ao trazer-me um material que ele supu­ nha haveria de satisfazer-me e interessar-me muito. 3. pensou-se que tais dificuldades poderiam também relacionar-se com o ocor­ rido com sua mãe. tenho medo de ter um ataque de raiva e dizer-lhe tudo. especialmente de caráter homossexual.. via-se per­ turbado pelo temor de se expor a uma nova frustração. 10. inoculadora de culpa. ao colocar em evidência dificuldades para vincular-sc com pessoas. A. acabo matando-o. no qual. como a que havia sig­ nificado a perda de sua mãe. Não obstante. A esse respeito. como a seguinte.

compareceu a vá­ rias sessões. De acordo com o psicodiagnóstico. Para ela mesma. É interessante recordar aqui um dos sentidos que E. Optei por denominar o caso desse modo. isto se‘Yelacionava com fanta­ sias de introjeção ambivalente do objeto perdido (irmão). e se achava ligado igualmente com uma tentativa reparatória ma­ níaca diante da perda. como os de gravidez. o qual é em geral um indicio favorável no curso de um tratamento. não cheguei a elucidar e interpretar os conflitos corres­ pondentes aos aspectos libidinosos da relação com seu irmão. Por outro lado. reme­ tiam a seu complexo de castração (no qual não se aprofundou demasiado durante a terapia). Tanto os desejos de fellatio da paciente. seguindo uma moda não demasiadamente difundida. sem ter lido grandes problemas em suas relações inter­ pessoais. o que nos sugere uma conexão direta entre os desejos às fellatio e a gravidez de J. c com melhor retribuição econômica. Assim vestida. Recomendamos à mãe de J. 13. e como autocastigo. houve de todo modo mobilização de um sintoma crônico. que expres­ sara um duplo jogo de sentimentos da paciente: não só se tratava de prazer que sentia por estar junto com sua mãe como também provavelmente do gozo sádico por haver se livrado definitivamente da um rival de toda a sua vida (6). A interpretação ativa desses conteúdos não foi seguida de uma reposta confirmatória imediata dela. e devido também a um intenso desejo de recuperar o obje­ to perdido (pênis incestuoso). subja­ cente aos vômitos. . 16. Além disso.Notas 2S7 nuava trabalhando. Fosse ou não esse padecimento substituição do anterior. especialmente de seu pênis. terminava expulsando-o. Resultou justamente digno de nota que J. com os quais intentava satisfazer tal desejo. a perda de seu companheiro reativava a perda daquele. que efetuasse uma psicoterapia. habitualmente engolindo-o e remetendo-o dentro do corpo. pode traduzir-se “no desejo de adquirir um pênis. destacando assim seu principal sintoma. existiam ao que parece fantasias de coitos fra­ ternos (e mais profundamente patemos). 12. 15. 14. nas quais a boca substituía por deslocamento a vagina. Nesse sentido. Resultou naquele momento um dos casos mais ilustrati­ vos e polêmicos de minha experiência hospitalar c talvez o que registrou os melhores resultados terapêuticos. freqüentemente transformando-o num menino" (7). dando assim lugar ao sintoma. 17. Mas devido a seu caráter incestuoso. querendo ela aparecer ante sua mãe como se fora seu irmão através de uma identificação com ele. Jones atribui à inveja do pênis. começasse a se vestir com uma ostentação masculina. Demonstraria logo uma grande facilidade para trazer material focal e adequado para a exploração profunda. mas esta colocou muitos obstáculos à sua realização. Pode considerar-se esta palavra Como palavra-sintoma.

pela existência de lutos patológicos de grande envergadura. 21. também ligava inconscientemente o terçol com desejos escatofílicos e seu caráter doloroso com o castigo diante de tais desejos. a qual pode-se considerar um antecedente técnico da terapia focal). por exemplo. tinha saído a passeio com um casal de noivos. Existe uma certa analogia entre a abordagem do foco terapêutico e o que praticava Freud com o sintoma em seus primeiros tratamentos (Isabel de R. era capaz de evidenciar pro­ gressos e não necessariamente que o esforço terapêutico fosse infrutífero (9).288 Psicoterapia breve de orientação psicanalítica Além disso. que o próprio criador da psicanálise se encarregou de nos trazer (a sexualidade infantil. já que nela estava muito acentuado o par voyeurismo-exibicionismo (seguia estudos de modelo publicitário). especialmente o complexo de Édipo que nessa época naturalmente ainda não havia descoberto). 23. associados às limitações temporais próprias da expe­ riência clínica realizada. A tudo isso contudo se somou o fato de se considerar o caso de J. 20. Isso sugeria também que J. J. Pensei se isso não significaria. afogando-se no mar. Fc- . Uma interessante condensação se deu num pesadelo em que via sua irmã. como um dos de patologia menos severa dentre os tratados. mas também pretendia ocultar-me conflitos não-resolvidos com seus sentimentos de gratidão. como podem ser os desencadeados por motivo de perda de seres queridos. o que não foi interpretado. a qual constituiu uma descoberta registrada em pleno processo terapêutico. 22. dado por sua relação de dependência infantil com a mãe. grávida. Isso me pareceu uma racionalização de um problema não totalmen­ te resolvido. Inclusive acreditei notar. o que havia agido como estímulo. nessa observação da paciente. Isto não surpreendeu mais. Por último. pelo que se lhe fixou uma duração de três meses apenas. fizeram rejeitar a alternativa de um recontrato. 18. Ao que parecia. e demais históricos incluidos em "Estudos sobre a histeria” [5]. Na verdade. os transtornos e prejuízos que lhe acarretou esse novo padecimento eram em troca muito menores que os que lhe ocasio­ naram seus vômitos. contar-me tudo o que havia obtido de positi­ vo da terapia. isso não se fez basicamente porque no princípio se ignorava que existisse uma vinculaçâo tão direta entre os sofrimentos atuais da paciente e o luto. Cabe acrescentar que no dia anterior (domingo). que não só queria. que evitava contar-me algo que pudesse nos colocar em desacordo. novamente. J. A diferença reside em que atualmente contamos com a vantagem de possuir novos conhecimentos que ampliam nossa compreensão profunda. sem dúvida. além do mais. os resultados favoráveis obtidos no momento da avaliação. 19. na aplicação de terapias de curto prazo. em seu extenso relato. a experiência que significou assistir a essa paciente contribuiu para que se prestasse atenção ao problema. Justamente. Eu lambem não havia refletido até esse momento a res­ peito da necessidade de se levar em conta a situação especial que se coloca.

Ver tabela que consta na pág. tanto para a avaliação imediata como mediata. pelo contrário. 202 ss. N. dando a impressão de que o tempo combinado para a terapia havia sido suficiente para o sucesso daqueles. Quer as recaídas se traduzam indistintamente na reaparição dos sin­ tomas quer na aparição de novas manifestações sintomatológicas. 24. chegou a interpretar as fantasias de fellatio que subjaziam à tosse nervosa da paciente (4).lizmentc não houve conseqüências negativas a lamentar. Em caso de se tratar dc uma psicoterapia em que predomina o reforçamento egóico. . 2..P. e R. 3. 1 I . excluem-se dessa lista I. De acordo com as siglas utilizadas no capítulo 11 (pp. no tratamento de Dora e num período de três meses apenas. Por sua vez tais interpretações não devem causar maior surpresa. tinha pelo visto um rápido timing.F.P. . se recordamos que Freud.1.). que foi o que durou essa análise.F. já em 1900. do T. Sabemos que cada paciente necessita de seu próprio tempo. os benefícios foram apreciáveis. que a fez responder satisfa­ toriamente a uma terapia intensiva de curta duração. com considerável capacidade de insight. 203. Capítulo 14 1.

-O ^SSb nesses métodos G 34217 . que reconhece a psicanálise como fonte. a avaliação dos resultados terapêuticos. como a transferência. O livro traz também temas de importância prá­ tica indubitável: as entrevistas preliminares. Incluindo pontos que são objetos de polêmicas tradicionais. o insight a ela­ boração etc. adquiriram fundamental importância ante a demanda maciça de assistência psicológica. as indicações do X ' ). mas se diferencia da sua técnica clássica. mas contribuindo também com suas idéias pessoais. a interpretação. as resistências. como o trabalho com os conflitos. o autor aborda outros pontos pouco discutidos anteriormente.As psicoterapias de orientação analítica. particularmente as chamadas breves. Nesta obra o autor procura estruturar uma modalidade técnica deste tipo de terapia. Desenvolve intenitra mais de quinze .